A FORMAÇÃO INICIAL DO EDUCADOR DE JOVENS E ADULTOS NOS
CURSOS DE PEDAGOGIA
Leôncio Soares- UFMG
Ana Rosa Venâncio - UFMG
APRESENTAÇÃO:
Pesquisar sobre a formação de educadores de jovens e adultos não é uma questão
propriamente nova, mas, somente nas últimas décadas vem ganhando mais destaque.
Neste trabalho direcionamos o foco para a formação inicial deste educador, pesquisando
o tema no interior das Instituições de Ensino Superior – IES. O recorte dessa pesquisa
foi conhecer e analisar a habilitação de EJA, ofertada nos cursos de Pedagogia no
território nacional. Nortearam as seguintes questões: o que motivou a criação da
habilitação; sua duração; o universo de alunos concluintes; o olhar dos mesmos sobre a
formação; as possíveis relações entre a habilitação e a atuação profissional e por fim, a
pertinência (ou não) de se ter uma formação específica em EJA.
Na procura de respostas para estas questões fizemos um levantamento das
habilitações até então existentes no sentido de saber quantas e quais são, onde se
localizam e como se estruturavam. Uma etapa seguinte de aprofundamento nos levou a
realizar um estudo em seis Instituições de Ensino Superior entre as que ofereciam a
habilitação em Educação de Jovens e Adultos contemplando a natureza das instituições
e sua distribuição regional.
Palavras Chave: educação de jovens e adultos; prática pedagógica; informação.
CONTEXTUALIZAÇÃO
Ao longo da década de 90, as políticas públicas de educação no Brasil
conferiram prioridade à universalização do acesso e à permanência de crianças e
adolescentes no ensino fundamental. Atualmente um de seus grandes desafios continua
sendo oferecer educação básica às pessoas jovens e adultas que não tiveram acesso ou
2
não conseguiram concluí-la. A educação voltada para essa população vem, de forma
acelerada, ocupando um espaço cada vez mais importante.
As discussões do segmento universidades nos Encontros Nacionais de Educação
de Jovens e Adultos, culminaram com a realização de três Seminários Nacionais sobre
Formação de Educadores de Jovens e Adultos1. Esses eventos possibilitaram o encontro
e o diálogo entre os diversos núcleos de EJA do país, ressaltando a necessidade do
aprofundamento dos temas emergentes da área.
No intervalo entre o II e III Seminário Nacional aconteceram encontros
estaduais, regionais e o nacional preparatórios à VI CONFINTEA. Esses encontros
envolveram representantes dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal e resultou na
elaboração do Documento Base. Neste foi ressaltado a formação como desafio
requerendo maior atenção: ...ainda há um grande desafio no Brasil em relação à formação de
professores e gestores que atuam na EJA. É tímido o esforço de alguns sistemas na formação e
o resultado desse investimento tem pouca visibilidade.2
O Marco de Ação de Belém, documento final de todo o processo de mobilização
nacional e internacional para a realização da VI CONFINTEA, incorpora no item
QUALIDADE a questão da formação do educador para se trabalhar com o sujeito
jovem e adulto:
“melhorar a formação, a capacitação, as condições de emprego
e a profissionalização dos educadores de adultos, por exemplo,
por meio do estabelecimento de parcerias com instituições de
ensino superior, associações de professores e organizações da
sociedade civil;” (VI CONFINTEA, 16 (c), p.12) 3
O conjunto desses eventos nacionais e internacionais tem possibilitado o debate
das questões emergentes, o aprofundamento de conceitos através de estudos e pesquisas
e a articulação de ações que possam intervir na elaboração de políticas públicas que
garantam aos jovens e adultos uma educação que corresponda aos seus interesses e às
suas necessidades (DI PIERRO, 2005).
1
O primeiro seminário aconteceu em Belo Horizonte, maio de 2006, o segundo em Goiânia, maio/junho
de 2007 e o terceiro em Porto Alegre, maio de 2010.
2
Documento Nacional Preparatório à VI Conferencia Internacional de Educação de Adultos – VI
CONFINTEA.
3
Marco de Ação de Belém. Brasília: UNESCO, 2010.
3
A PESQUISA
As ações das universidades com relação à formação do educador de jovens e
adultos ainda são tímidas se considerarmos, de um lado, a relevância que tem ocupado a
EJA nos debates educacionais e, de outro, o potencial dessas instituições como agências
de formação. O curso de Pedagogia, de onde advém boa parte dos profissionais que
atuam com o público da EJA ilustra esta pouca expressividade. Em levantamento
realizado para pesquisa, os dados do INEP/2005, indicavam a existência de 1698 cursos
de Pedagogia no Brasil em 612 instituições de ensino superior. Dentre estes, apenas 27
ofereciam a habilitação de EJA em 15 IES4 localizadas nas regiões nordeste, sudeste e
sul. Esse número corresponde apenas a 1,6% do total. Segundo o mesmo levantamento
constatamos a inexistência da habilitação em EJA nas regiões norte e centro-oeste.
De posse dessas informações procuramos compreender quais eram essas
instituições e como a EJA estava estruturada em seus currículos. Ao analisar
documentos enviados por grande parte destas IES conseguiu-se traçar um perfil desses
cursos e tivemos uma noção de como se organizavam as habilitações em EJA. Como
etapa seguinte da pesquisa, foram realizadas visitas com o objetivo de conhecê-las e
coletar mais dados por meio de entrevistas com professores, coordenadores e alunos
atuais e egressos. Desta forma, aprofundamos o estudo em seis universidades:
Universidade Federal da Paraíba - UFPB, Universidade Federal do Espírito Santo UFES, Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, Universidade do Estado da
Bahia - UNEB, Universidade Estadual do Rio Grande do Sul - UERGS e Universidade
Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - UNIJUÍ. A escolha buscou
mesclar os diferentes tipos de instituição (federal, estadual e privada/comunitária)
associando às diversas regiões do país.
INSTITUIÇÕES VISITADAS
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Eram 7 instituições na região Sul, ofertando 19 cursos com a habilitação; 4 na Sudeste, com 4 cursos e 4
na Nordeste, com 4 cursos.
4
O início da oferta da habilitação de EJA do curso de Pedagogia na UFPB se deu
em 1996, porém as discussões já aconteciam desde 1986. Esta é uma instituição de
referência no campo da educação popular e suas discussões sobre a EJA estão muito
ligadas à trajetória dos movimentos sociais. A inserção da EJA aconteceu não apenas
por uma demanda, mas também por uma opção política da Universidade, uma vez que
das cinco linhas de pesquisa de seu programa de pós-graduação, três delas possuíam
uma aproximação com a educação de jovens e adultos.
A UFPB possui um projeto de extensão chamado Projeto Escola Zé Peão5, que
se configura como um fator importante e diferenciador para aqueles que optaram pela
habilitação, visto que possibilita a associação entre a teoria desenvolvida na academia e
a prática que lhes era apresentada. Esta estreita relação entre formação inicial e atuação
profissional é para FONSECA e DINIZ-PEREIRA (2001), de grande importância para
os alunos, pois:
(...) a identidade docente vai sendo construída a partir das
relações sociais que se estabelecem nos programas de
formação inicial e, fundamentalmente, quando os
estudantes estão em contato com a prática docente,
momento em que a reflexão se torna ferramenta básica na
construção da identidade de professor (p. 55-56).
O curso de Pedagogia da UFPB era organizado em um tempo mínimo de quatro
anos e meio, e as áreas de aprofundamento, assim denominadas as habilitações na
instituição, eram ofertadas no último semestre, sendo elas: Magistério em Educação
Especial, Magistério em Educação de Jovens e Adultos, Supervisão Escolar e
Orientação Educacional e Magistério das Matérias Pedagógicas do Ensino Normal. A
EJA é apresentada aos graduandos no sexto período com a disciplina Fundamentos da
Educação de Jovens e Adultos.
Assim como a UFPB, a história da UNIJUI está marcada pela sua trajetória de
atuação em movimentos sociais. A UNIJUI é uma universidade criada por lideranças
regionais de cooperativas e movimentos sociais. Por sua história de trabalho, de
sistematização de experiências com sindicatos e com o acompanhamento de todos os
5
Iniciativa do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Mobiliários e da Construção Civil de João Pessoa, em parceria com a
UFPB. Os canteiros de obras de diversas localidades da cidade transformam-se em classes após as 19 horas. Existem as turmas de
Alfabetização na Primeira Laje, para quem não domina a leitura e a escrita, e as Tijolo Sobre Tijolo, o equivalente à 1ª.etapa do
Ensino Fundamental.
5
ENEJA’s, a Universidade sentiu-se desafiada a trabalhar com a EJA e passou a oferecer,
em 2001, a habilitação em dois de seus quatro campus, o de Ijuí e o de Santa Rosa.
Suas atividades, devido à essa configuração inicial, sempre abrangeram a
formação de educadores dos movimentos sociais, além das atividades ligadas a ensino,
pesquisa e extensão, diretamente relacionadas ao contexto local. O currículo da UNIJUI
é dividido em quatro habilitações: a de Educação Infantil e Anos Iniciais, denominada
“o Pedagogo da sala de aula”; a habilitação de Orientação e Supervisão Escolar, “o
Pedagogo da escola”; “o Pedagogo da Educação de Jovens e Adultos” e “o Pedagogo da
Educação Especial”. Existe uma matriz comum a todas as habilitações e uma parte
específica. Em entrevista com 3 egressas, após comentarem suas experiências, todas
concordaram com a importância do diálogo e estudo sobre a EJA na graduação,
(...) eu acredito que é importante uma formação específica
para trabalhar com a EJA, porque as compreensões e
significações fazem o recheio, então eu acredito sim que
teria, e as vezes não essas só de 60 horas, porque eu não
sei até que ponto essa formação dará suporte para as
questões políticas culturais, que são da EJA, porque não se
traduzem em metodologias (...) (C.– egressa).
Nesta instituição é comum, segundo alguns professores, o retorno de egressos
que não fizeram a formação inicial em EJA, mas que, ao entrarem no campo de
trabalho, depararam com essa modalidade. Portanto, esses profissionais voltam à
Universidade para fazer continuidade ou estudarem nos mestrados essa modalidade de
Educação. A instituição oferece cursos de especialização na área da EJA, além da pósgraduação na área de Educação Popular, que abrange a educação de jovens e adultos.
Enquanto que a criação da habilitação na UFPB e na UNIJUI estavam ligadas ao
envolvimento das instituições nos Movimentos Sociais e Educação Popular, na UERJ a
EJA foi implantada por iniciativa dos professores que perceberam o interesse dos alunos
pelas disciplinas relacionadas à EJA, até então ofertadas.
Fizemos um grupo e começou a discutir isso. Aí
começamos a tentar modificar o currículo da Pedagogia
dando alguma coisa da educação de jovens e adultos.
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Então nós ofereceríamos duas disciplinas no currículo da
pedagogia, ainda não era habilitação. Uma se chamava
técnica de treinamento: desenvolvimento de RH (...) e
outra disciplina que era educação de jovens e adultos.
Muito bem, e a coisa cresceu e os alunos adoravam a
disciplina e aí a coisa foi ampliando e a coisa foi abrindo
discussão até que nós conseguimos a reformulação
curricular (E., professora da UERJ).
De acordo com os dados obtidos na secretaria do curso de Pedagogia da UERJ,
de 1994 até 2005, 604 alunos formaram com a habilitação em EJA. Um diferenciador
do curso de Pedagogia da UERJ é a preocupação em estabelecer para os alunos a
relação entre a formação e o campo de atuação “eles iam pra locais que tinham essa
dimensão do „Aprender por toda vida‟, para além da escola (...) e isso fez com que eles
fossem conhecendo, quer dizer, abrindo campos” (J.P., professora da UERJ).
As outras três instituições selecionadas para pesquisa de campo possuem
histórias bem distintas de configuração da habilitação. O curso de Pedagogia da UFES
oferece em seu currículo a habilitação: Magistério para EJA. Através de um estudo feito
anteriormente, verificou-se que essa criação se deu via Extensão Universitária, ou seja,
os projetos de EJA que já existiam na universidade impulsionaram o aprofundamento
dos estudos sobre essa temática. Outro momento importante para a sua criação foi a
demanda dos alunos pela oferta do curso de Pedagogia Noturno. Com a intervenção do
Diretório Acadêmico, no ano de 1995, concretizou-se a implementação do curso
noturno com habilitação em Educação de Jovens e Adultos, uma vez que o estágio na
EJA é um facilitador para os alunos que demandam flexibilidade de horário e tempo.
Porém, a habilitação de EJA na UFES sempre se deparou com a falta de
docentes preparados para assumirem as turmas. Dessa forma, somente em 2003, foi
possível formar a primeira turma da habilitação, a partir da iniciativa de alguns
professores substitutos interessados na área.
O curso possui um diferencial, pois
permite que os alunos cursem mais de uma habilitação ao mesmo tempo. A própria
carga horária das habilitações por semestre permite essa mobilidade, já que demandam
apenas duas disciplinas obrigatórias durante a semana, facilitando a movimentação dos
alunos no currículo. Alguns professores alegam desmotivação das turmas devido ao
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desinteresse na área, enquanto alguns egressos assumem que cursaram a habilitação de
EJA apenas para aumentar as áreas de aprofundamento no diploma.
A habilitação de EJA da UNEB é organizada de maneira bem peculiar.
Enquanto que na maioria dos cursos do país eram destinados basicamente os três
últimos períodos da Pedagogia, na UNEB a habilitação permeia todo o curso, desde o
momento da inscrição no vestibular. Trata-se de uma instituição pública que está
presente geograficamente em todas as regiões da Bahia, estruturada em 24 campus.
Segundo RIOS (2006), a UNEB foi a primeira instituição do Brasil a criar uma
habilitação específica para a formação do educador de jovens e adultos. O curso foi
criado em 1985 com a implantação do campus III – Juazeiro.
Em visita à instituição e conversa com professores e egressos, procuramos
resgatar um pouco da história da habilitação na Universidade, buscando entender como
o curso foi estruturado e organizado. Segundo alguns professores que fizeram parte do
primeiro grupo de docentes da Universidade, o curso com habilitação em EJA recebeu
ajuda de professores da UFP, que ministraram cursos de capacitação.
Apesar do número expressivo de educadores de jovens e adultos que a
instituição vem formando desde a implantação, a inscrição no vestibular não garante o
interesse desses alunos pela área, visto que o único curso de Pedagogia noturno, no
campus de Juazeiro, oferece apenas habilitação em EJA. No entanto, os alunos
entrevistados não entraram em consenso quanto à negatividade deste diferencial da
UNEB:
Prosseguimos na pesquisa com visita a dois dos nove campus da UERGS,
Porto Alegre e São Francisco de Paula. O estudo possibilitou a compreensão da
configuração da EJA nessa região, uma vez que, segundo um levantamento inicial no
banco de dados do INEP/2005, verificou-se que 70% dos cursos de Pedagogia que
oferecem a habilitação em EJA encontram-se na região Sul.
O curso de Pedagogia em Porto Alegre surgiu de uma parceria entre a
Prefeitura Municipal e a Universidade, na intenção de possibilitar uma formação
superior para educadores populares de creches comunitárias, ONG's e Movimentos
Sociais, como o MOVA.
O curso posteriormente foi dividido em duas grandes áreas: Educação Infantil
e Séries Iniciais com Crianças, Jovens e Adultos, formando aproximadamente 70 e 50
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educadores respectivamente. Os sete entrevistados que participaram do processo de
formação de educadores de EJA em Porto Alegre, afirmaram a importância do curso
para suas práticas pedagógicas “(...) aconteceu comigo durante o curso de eu
compreender, de eu compreender assim de onde eu estou nesta sociedade, das minhas
limitações, porque algumas coisas são difíceis, o que eu posso mudar?” (V.N. –
egressa).
Assemelhando-se ao curso de Pedagogia da UNEB, os graduandos do curso de
Pedagogia de São Francisco de Paula não faziam uma escolha pela EJA, ela já estava
incluída no currículo desde os primeiros períodos, com disciplinas e estágios
obrigatórios para todos os alunos, integrados às discussões das séries iniciais e educação
infantil de um modo geral. Em São Francisco de Paula, existem apenas duas escolas
estaduais que oferecem EJA à noite e algumas turmas do Brasil Alfabetizado. O
Município não incorporou a EJA até o momento, o que dificulta o campo de atuação
para os egressos. Segundo a coordenadora do curso, a grade curricular sofreu algumas
reestruturações neste último vestibular de 2007.
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Refletir sobre a formação de educadores exige um olhar abrangente sobre todo o
campo da educação de jovens e adultos, sua história, conquistas e desafios. A EJA passa
por um momento de transição entre um longo período, em que ficou à margem ou
ausente das políticas públicas, e o atual período, de crescimento e efervescência,
resultando na nova configuração da educação de jovens e adultos.
Os resultados da investigação indicam que são raríssimos os cursos de
Pedagogia que oferecem a habilitação em EJA. Os motivos da pequena existência de
formação específica para o educador de jovens e adultos oscilavam entre o pouco
conhecimento da área e a ausência de políticas públicas voltadas para a educação desses
sujeitos, o que muitas vezes influenciava os futuros pedagogos a não escolher essa
habilitação. As estruturas curriculares dos 27 cursos que trabalham com a EJA na
formação inicial, apresentaram algumas semelhanças. Geralmente as habilitações são
oferecidas a partir do 3º ou 4º período do curso de Pedagogia, havendo a permanência
de metodologias para o ensino em EJA e estágio supervisionado, cada uma tentando
contemplar suas especificidades. Ao serem analisadas as diferenças, percebemos que
9
estas ficaram entre as formas em que as habilitações eram ofertadas, variando
normalmente os nomes das disciplinas que constituíam a grade curricular específica,
como também, o nome da habilitação.
O aprofundamento da pesquisa, através da investigação da formação e da
inserção profissional de egressos da habilitação nas seis instituições visitadas que
abrangeram três regiões do país, possibilitou a comparação de vários elementos
implicados nos processos formativos do educador de jovens e adultos. As entrevistas
com egressos, a ida a seu local de estudo, a conversa com seus professores, tornaram
possível entender as motivações que os levaram a escolher a EJA como área de
formação e como campo de trabalho. Estas eram desde a paixão pela área até o
envolvimento político.
A partir da aprovação das novas diretrizes para o curso de Pedagogia, a
questão da formação de professores em EJA adquire outros sentidos. A configuração
curricular do curso de Pedagogia deverá atribuir um perfil para os licenciados, a partir
do corpo de disciplinas que compõem o novo currículo. Assim, pode-se perguntar que
lugares irão ocupar as disciplinas formativas de professores em EJA nos projetos
pedagógicos e curriculares das IES? Neste contexto, as novas diretrizes oferecem um
campo aberto a indagações e é, sobretudo, um desafio às tendências teóricometodológicas desenvolvidas a partir da pesquisa.
Acreditamos que o crescimento da habilitação na região Sul tenha sido reflexo
da expansão do próprio campo da EJA. Contraditoriamente, porém, a proposta de novas
diretrizes curriculares para o curso de Pedagogia parece impulsionar as reformulações
curriculares que extinguem a habilitação em outras regiões. Uma vez que a demanda em
potencial do público da EJA é expressiva e não residual, espera-se um tratamento
prioritário para essa área, a fim de possibilitar significativos avanços nas ações de
formação do educador. Tem sido próprio da EJA a oscilação entre momentos de
avanços e recuos, continuidades e interrupções, permanências e rupturas, entretanto,
inspirados em Paulo Freire seguimos esperançosos e conscientes que “mudar é difícil,
mas é possível”.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
10
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Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos. Brasília: maio
de 2000. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/pceb011_00.pdf.
BRASIL,
Ministério
da
Educação;
Instituto
Nacional
de
Estudos
e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Disponível em: http://www.inep.gov.br.
DALLEPIANE, Julieta Ida. Pedagogo da Educação de Jovens e Adultos: ousadia e
paixão no ensinar e aprender. In: SECAD-MEC/UNESCO (Org.). Formação de
Educadores de Jovens e Adultos. Belo Horizonte: Autêntica/SECAD-MEC/UNESCO,
2006
DI PIERRO, Maria Clara. Notas sobre a redefinição da identidade e das políticas
públicas de educação de jovens e adultos. In: Educação e Sociedade. Campinas, vol.26,
n.92, p.1115-1139, 2005.
FONSECA e DINIZ-PEREIRA, Maria da Conceição Ferreira Reis e Júlio Emílio.
Identidade Docente e Formação de Educadores de Jovens e Adultos. In: Educação e
Realidade. Porto Alegre v. 26, n. 02, p. 05-210, jul./dez. 2001.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São
Paulo: Editora UNESP, 2000.
MACHADO, M. Margarida(org). Formação de Educador de Jovens e Adultos.Brasília:
SECAD/MEC, UNESCO, 2008.
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