UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO
1111
PRISCILA MAFRA
VIVIANE LINHARES
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE ESTÁGIO
ELABORAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA
PROJETADO PARA A EMPRESA MAFRA
ALUMÍNIOS
Administração Financeira
ITAJAÍ (SC)
2014
PRISCILA MAFRA
VIVIANE LINHARES
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE ESTÁGIO
ELABORAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA
PROJETADO PARA A EMPRESA MAFRA
ALUMÍNIOS
Trabalho de Conclusão de Estágio
desenvolvido
para
o
Estágio
Supervisionado
do
Curso
de
Administração do Centro de Ciências
Sociais Aplicadas – Gestão da
Universidade do Vale do Itajaí.
Orientador: Prof° Anacleto Laurino
Pinto.
ITAJAÍ-SC
2014
Agradecimentos,
Agradecemos primeiramente a DEUS, por
nos dar condições de alcançar este sonho.
Aos nossos pais, por ter nos dado a vida e
toda a educação e dedicação necessária
para a construção do nosso caráter. Aos
professores que tivemos a oportunidade de
conhecer, em especial nosso orientador
Anacleto Laurino Pinto pela competência e
disposição
de
nos
ajudar.
Um
agradecimento muito especial aos nossos
companheiros
Jefferson
Amorim
e
Jefferson Teixeira, pelo companheirismo,
cumplicidade e paciência que tiveram
conosco durante todo o período do curso,
contribuindo de alguma forma para que
esse momento fosse alcançado. Enfim,
agradecemos a todos que contribuíram de
alguma forma para a realização deste
trabalho.
Muito Obrigado!
“Quando você tem a consciência de que
através do seu trabalho está realizando uma
missão, você desenvolve uma força extra,
capaz de levá-lo ao cume da montanha mais
alta do planeta”.
(Roberto Shinyashiki)
EQUIPE TÉCNICA
a) Nome do estagiário
Priscila Mafra
Viviane Linhares
b) Área de estágio
Administração financeira
c) Orientador de conteúdo
Prof. MSc. Anacleto Laurino Pinto
d) Supervisor de campo
Juliano Mafra
e) Responsável pelo Estágio
Prof. MSc. Eduardo Krieger da Silva
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO
a) Razão Social
Juliano Mafra M.E
b) Endereço
Rua Nilson Edson dos Santos, 150, bairro São Vicente, Itajaí, SC.
c) Setor de Desenvolvimento do Estágio
Financeiro
d) Duração do estágio
240 horas
e) Nome e cargo do supervisor de campo
Juliano Mafra
f) Carimbo e visto da organização
RESUMO
O fluxo de caixa é o método de planejamento mais utilizado pelas empresas e tem uma importância
fundamental, o que assegura a necessidade de se efetuar um planejamento adequado, objetivando
contribuir para a continuidade dessas empresas. O trabalho de conclusão de estágio teve como
objetivo elaborar o fluxo de caixa para a empresa Mafra Alumínios, visando o planejamento e controle
dos recursos financeiros. Para atingir este objetivo, foram analisados modelos teóricos sobre fluxo de
caixa, sendo escolhido o modelo de Zdanowicz, adaptado para se ajustar às necessidades da
empresa. A tipologia utilizada foi proposição de planos, a abordagem qualitativa com aporte
quantitativo. Através da pesquisa documental efetivou-se a coleta de dados para, a partir da análise
descritiva das informações, efetuar posteriormente a elaboração do fluxo de caixa projetado, a fim de
despertar o melhor entendimento e utilização dessa ferramenta para a empresa. A realização deste
estudo permitiu ainda identificar que haverá excedentes de caixa em todos os meses para os quais o
fluxo de caixa foi projetado, que poderão ser investidos no mercado financeiro ou na expansão dos
negócios, entre outras alternativas. Com o desenvolvimento do trabalho observou-se alguns fatos
relevantes para a melhora do desempenho dos processos financeiros da organização, tais como: a
importância de se planejar para que se possa agir com antecedência em situações futuras, assim
como obter uma melhor utilização de seus recursos.
Palavras-chave: Administração financeira; Planejamento Financeiro; Ingressos e desembolsos de
caixa; Mapas auxiliares; Fluxo de caixa projetado.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
FIGURA 1 – Organograma da empresa.....................................................................59
LISTA DE TABELAS
TABELA 1 – Modelo de fluxo de caixa projetado.................................................
40
TABELA 2 – Modelo de mapa auxiliar de recebimentos das vendas a prazo....... 42
TABELA 3 – Modelo de mapa auxiliar de pagamentos das compras a prazo......
42
TABELA 4 – Combinações entre prazo de cobertura e período de informação...
48
TABELA 5 – Relatório das compras, vendas, encargos e demais receitas e
despesas..........................................................................................
60
TABELA 6 – Relatório das compras, vendas, encargos e demais receitas e
despesas com atualização da inflação e expectativa de vendas .... 62
TABELA 7 – Mapa auxiliar de entradas de caixa a prazo ....................................
64
TABELA 8 – Mapa auxiliar de saídas de caixa a prazo........................................
65
TABELA 9 – Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014........... 68
LISTA DE GRÁFICOS
GRÁFICO 1 – Comparação entre os recebimentos à vista e a prazo.................
71
GRÁFICO 2 – Comparação entre os pagamentos à vista e a prazo...................
71
GRÁFICO 3 – Comparação dos pagamentos a fornecedores a prazo em
relação ao total de entrada..........................................................
72
GRÁFICO 4 – Porcentagem dos pagamentos a fornecedores a prazo em
relação ao total de entradas.........................................................
73
GRÁFICO 5 – Total de entradas versus total de saídas operacionais (em
R$)...............................................................................................
74
GRÁFICO 6 – Proporção das saídas de caixa em relação ao total de
desembolsos (em R$)..................................................................
74
GRÁFICO 7 – Caixa líquido gerado pelas atividades operacionais....................
75
GRÁFICO 8 – Aumento/Diminuição líquido nas disponibilidades no .................
76
GRÁFICO 9 – Aplicações financeiras dos excedentes de caixa no 2º semestre
de 2014.......................................................................................
77
LISTA DE SIGLAS
ME – Microempresa.
FGTS – Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.
INSS – Instituto Nacional do Seguro Social.
IR – Imposto de Renda.
Simples Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e
Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................
13
1.1 Objetivo geral................................................................................................
14
1.2 Objetivos específicos...................................................................................
14
1.3 Justificativa da realização do estudo.........................................................
15
1.4 Aspectos metodológicos.............................................................................
16
1.4.1 Caracterização da empresa........................................................................
17
1.4.2 Técnicas de coleta e análise de dados........................................................
18
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA........................................................................
20
2.1 Empresa familiar..........................................................................................
20
2.2 Administração..............................................................................................
22
2.2.1 Áreas da administração...............................................................................
23
2.2.2 Administração financeira..............................................................................
24
2.3 Planejamento financeiro..............................................................................
26
2.4 Orçamento de caixa......................................................................................
28
2.4.1 Objetivos do orçamento de caixa.................................................................
29
2.5 Fluxo de caixa...............................................................................................
30
2.5.1 Objetivos do fluxo de caixa..........................................................................
31
2.5.2 Importância do fluxo de caixa......................................................................
32
2.5.3 Fluxo de caixa projetado..............................................................................
33
2.5.4 Ingressos e desembolsos............................................................................
34
2.5.5 Alterações nos saldos de caixa...................................................................
36
2.5.6 Fatores que afetam o caixa.........................................................................
36
2.5.7 Causas da falta de recursos........................................................................
38
2.5.8 Modelo de fluxo de caixa.............................................................................
39
2.5.9 Mapas auxiliares..........................................................................................
41
2.5.10 Contas a receber.......................................................................................
43
2.5.11 Contas a pagar..........................................................................................
44
2.5.12 Análise e controle do fluxo de caixa..........................................................
45
2.5.13 Elaboração e implantação do fluxo de caixa.............................................
46
2.5.14 Prazos para planejamento do fluxo de caixa.............................................
47
2.6 Capital de giro...............................................................................................
49
2.6.1 Regime de competência e regime de caixa.................................................
50
2.6.2 Necessidade de investimento em capital de giro.........................................
51
2.6.3 Fontes de financiamento..............................................................................
52
3 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA................................................................
54
3.1 Histórico........................................................................................................
54
3.2 Dados de identificação.................................................................................
55
3.3 Missão............................................................................................................
55
3.4 Visão..............................................................................................................
56
3.5 Valores...........................................................................................................
56
3.6 Ramo de atividade........................................................................................
57
3.7 Mercado.........................................................................................................
57
3.8 Caracterização dos serviços prestados.....................................................
58
3.9 Modelo de gestão atual................................................................................
58
3.10 Organograma..............................................................................................
59
4 RESULTADOS DA PESQUISA........................................................................
60
4.1 Projeção dos resultados obtidos................................................................
62
4.2 Mapas auxiliares...........................................................................................
63
4.2.1 Mapa auxiliar de entradas de caixa.............................................................
64
4.2.2 Mapa auxiliar de saídas de caixa.................................................................
65
4.3 Fluxo de caixa projetado.............................................................................
66
4.3.1 Manual de instruções...................................................................................
66
5 SUGESTÕES PARA A ORGANIZAÇÃO..........................................................
79
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................
81
7 REFERÊNCIAS.................................................................................................
84
1 INTRODUÇÃO
Com a globalização, houve uma expansão dos mercados e um consequente
aumento da competitividade entre as empresas. Isso exige cada dia mais, evolução
para as empresas se manterem competitivas no mercado atual.
As empresas têm se movido no sentido de aumentar sua eficiência e
produtividade, diminuindo seus custos e maximizando seus lucros.
Para sobreviver em meio a toda essa competitividade, necessita de uma boa
gestão financeira e um controle preciso das entradas e saídas dos recursos
financeiros.
A Administração, enquanto ciência oferece diversas ferramentas estratégicas
para auxiliar na gestão financeira; o fluxo de caixa é uma dessas, sendo de suma
valia, pois permite observar toda a movimentação financeira, ativos e passivos,
permitindo uma visão qualificada do fluxo de pagamentos e recebimentos, e
principalmente permitindo uma previsão da situação futura.
A falta de uma gestão financeira adequada trás uma série de problemas que
colocam a empresa em risco de solvência, caso venha apresentando prejuízos
constantes que não sejam diagnosticados.
A pesquisa foi realizada na empresa Juliano Mafra ME, identificada neste
estudo pelo nome fantasia Mafra Alumínios. Fundada em maio de 2010, está
localizada no bairro São Vicente, Itajaí, SC, tem suas atividades voltadas para a
fabricação de esquadrias de alumínio, comércio varejista de vidros temperados e
prestação de serviços de serralheria. Por se tratar de uma empresa familiar, tem
poucos colaboradores, atualmente seis, incluindo os setores de produção e
administração, caracterizando-se como micro-empresa.
Um dos problemas observados na empresa objeto de estudo foi a falta de
controle de entrada e saída de recursos financeiros, dificultando as atividades do
gestor. A empresa possui bons profissionais, uma excelente carteira de clientes e
ótimos fornecedores, porém, o problema apontado está impossibilitando avaliar o
potencial de expansão de suas atividades econômicas.
Foi desenvolvido neste trabalho um fluxo de caixa, possibilitando um
planejamento de entradas e saídas de recursos financeiros mais eficazes, e
mostrando a sua importância na gestão financeira.
14
O fluxo de caixa desenvolvido abrangeu o período de julho a dezembro de
2014, com base na movimentação financeira ocorrida nos meses de junho a
dezembro de 2013.
1.1 Objetivo geral
O objetivo geral deste trabalho foi elaborar o fluxo de caixa projetado para
a empresa Mafra Alumínios, visando o planejamento e controle dos recursos
financeiros.
Conforme salientam Minayo (1994) e Roesch (2007), o objetivo geral define o
propósito do trabalho, o que é pretendido com a pesquisa, e as metas que se busca
alcançar no final da investigação. Gil (1996, p. 145) relata que “nesta parte indica-se
o que é pretendido com o desenvolvimento da pesquisa e quais resultados que se
procura alcançar”.
1.2 Objetivos específicos
Os objetivos específicos indicam os caminhos a serem trilhados no sentido de
executar e atingir os propósitos definidos no objetivo geral.
Para Richardson (1999, p. 63), “os objetivos específicos definem etapas que
devem ser cumpridas para alcançar o objetivo geral”. No entendimento de Markoni e
Lakatos (2007, p. 221) os objetivos específicos “tem função intermediária e
instrumental, permitindo de um lado atingir o objetivo geral e de outro, aplicá-lo a
situações particulares”.
Os objetivos específicos definem as ações que são aplicadas para atingir o
objetivo geral, associando as etapas ao plano (ROESCH, 2007).
Neste sentido, foram definidos os seguintes objetivos específicos:
•
analisar a estrutura e política atual da administração da empresa;
15
•
verificar os meios que os gestores vêm adotando para controlar os
recursos financeiros;
•
organizar documentos para um melhor controle dos recursos financeiros;
•
coletar as entradas e saídas dos recursos financeiros;
•
tabular os dados coletados pelo regime de competência;
•
verificar as expectativas de comportamento das vendas para o período de
projeção do fluxo de caixa;
•
atualizar monetáriamente os dados coletados;
•
elaborar mapas auxiliares do fluxo de caixa;
•
desenvolver o fluxo de caixa;
•
demonstrar as vantagens da utilização do fluxo de caixa.
1.3 Justificativa da realização do estudo
Apresenta-se neste item a justificativa para a realização do estudo proposto.
Conforme sustenta Roesch (2005, p. 98), “justificar é apresentar razões para a
própria existência do projeto”. Na visão de Gil (1999), a justificativa, consiste em
apresentar, as razões para realização da pesquisa. Richardson (1999, p. 145)
conclui que é na justificativa que “explicitam-se os motivos de ordem teórica e prática
que justificam a pesquisa”.
A empresa não possuía um instrumento adequado para controlar seus
recursos financeiros, apenas um controle não formalizado. Devido à falta de
instrumento de controle dos reais gastos pertinentes à empresa, o gestor não fazia
distinção entre os gastos pessoais e os da empresa.
Desta forma, implantar o fluxo de caixa na empresa fez-se necessário para
poder visualizar sua situação financeira. Através do fluxo de caixa pode-se prever
com antecedência possíveis necessidades ou sobras de recursos, tomando
providências cabíveis para uma aplicação adequada dos recursos ou na captação
dos mesmos, quando necessário.
O tema foi definido pela importância prática, tendo em vista a percepção de
que não existia um controle de entradas e saídas para que se possa obter um fluxo
16
de caixa devidamente correto. Em virtude da não utilização desta ferramenta na
gestão financeira, o trabalho, além de elaborar o fluxo de caixa, pretendeu alertar o
quanto é importante e essencial a utilização da mesma.
Outro fator que tornou viável a elaboração deste trabalho é que a acadêmica
Priscila Mafra já fazia parte do quadro de funcionários, realizando atividades no setor
financeiro, e observou a necessidade de controle adequado das entradas e saídas
dos recursos financeiros.
Sendo assim, o estudo foi de grande importância para a empresa, já que
contribuirá para um controle mais assertivo no que diz respeito ao gerenciamento
das finanças da empresa. As acadêmicas se beneficiaram com o melhor
entendimento sobre o assunto, conciliando uma parte do aprendizado teórico do
período universitário com a prática, agregando valores à vida profissional de ambas.
Para a universidade faz-se a interação entre conhecimentos científicos e empíricos e
poderá servir como fonte de novas pesquisas.
O presente trabalho teve sua viabilidade assegurada, pois o tema escolhido
nunca foi abordado na organização, caracterizando sua originalidade. O trabalho foi
realizado em dois semestres.
Por fim, o acesso às informações foi de pleno conhecimento dos responsáveis
da organização, não acarretando custos adicionais para ambas às partes, o que
facilitou sua realização.
1.4 Aspectos metodológicos
Apresenta-se neste item a metodologia utilizada na realização deste trabalho.
Segundo Richardson (1999, p.22), “a metodologia são as regras estabelecidas para
o método científico, por exemplo: a necessidade de observar, a necessidade de
formular hipóteses, a elaboração instrumental, etc.”. Na visão de Minayo (1994), a
metodologia apresenta o grupo pesquisado e as estratégias e procedimentos para
analisar os dados. Roesch (2005) completa que o capítulo da metodologia tem o
objetivo de descrever como foi desenvolvida a pesquisa, a partir dos objetivos
previamente estabelecidos.
17
1.4.1
Caracterização da pesquisa
De acordo com os objetivos propostos nesta pesquisa, a tipologia se
caracterizou como proposição de planos, utilizando o modelo de consultoria, pois
teve o propósito de apresentar soluções para o problema no controle do fluxo de
caixa. O método de proposição de planos, segundo Roesch (2006, p. 67), é
“apresentar soluções para problemas já diagnosticados. Pode ou não incluir a
implementação do plano”. Roesch (2012) afirma ainda que o Modelo Consultoria
permite que o acadêmico coloque em prática seus conhecimentos, apresentando
soluções
para problemas
já
diagnosticados
pela organização
ou mesmo
identificando estes problemas.
Este trabalho utilizou como método de pesquisa a pesquisa qualitativa com
aporte quantitativo, já que foi empregada com a intenção de buscar maior
conhecimento da realidade da organização. Segundo Creswell (2007), há o
interesse de desenvolver temas a partir do resultado emergente de tal trabalho. Em
geral, “pesquisas qualitativas preocupam-se em desenvolver conceitos mais que
aplicar conceitos pré-existentes, estudar casos particulares mais que abarcar
populações extensas” (ZANELLI, 2002, p. 80).
Nas pesquisas de caráter qualitativo, os dados são coletados em entrevistas e
podem passar pela análise de conteúdo e análise de discurso. Richardson (1999, p.
223) salienta que “em suma, a análise de conteúdo é um conjunto de instrumentos
metodológicos cada dia mais aperfeiçoados que se aplicam a discursos”.
De acordo com Roesch (2005, p. 154), o método qualitativo, “são apropriados
para uma fase exploratória da pesquisa”.
Na visão de Oliveira (1999, p. 117), “é correto afirmar que a pesquisa
qualitativa tem como objetivo situações complexas ou estritamente particulares”. As
pesquisas qualitativas estimulam os entrevistados a pensarem livremente sobre
determinado assunto.
Quanto ao método quantitativo, Richardson (1999) caracteriza pelo emprego
da quantificação, tanto na coleta de informações, quanto no tratamento delas por
meio de técnicas estatísticas. Neste sentido Roesh (2005) completa que se o
objetivo do projeto é medir relações entre variáveis é preferível utilizar a pesquisa
quantitativa para garantir uma boa interpretação dos resultados.
18
O método quantitativo, de acordo com Roesch (2007), é usado para que se
possa medir alguma coisa de forma objetiva. Oliveira (1999) aponta que o método
quantitativo indica a quantificação de dados através das opiniões, coleta de dados e
informações.
Como estratégia de pesquisa, foi utilizado o estudo de caso descritivo, que,
no entendimento de Oliveira (1999, p. 128), a pesquisa descritiva tem por finalidade
“observar, registrar e analisar os fenômenos sem, entretanto, entrar no mérito do seu
conteúdo”.
Neste sentido, Gil (2002, p. 142) argumenta que,
As pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das
características de determinada população ou fenômeno ou, então, o
estabelecimento de relações entre variáveis. São inúmeros os estudos que
podem ser classificados sob este título e uma das suas características mais
significativas esta na utilização de técnicas padronizadas de coleta de
dados, tais como o questionário e a observação sistemática.
Cervo e Bervian (1996, p. 50) ressaltam que estudo de caso “é a pesquisa
sobre um determinado indivíduo, família ou grupo ou sociedade, para examinar
aspectos variados de sua vida”. Roesch (2005, p. 201) enfatiza que é uma estratégia
de pesquisa que “permite o estudo de fenômenos em profundidade dentro de seu
contexto; é especialmente adequado ao estudo de processos e explora fenômenos
com base em vários ângulos”.
1.4.2 Técnicas de coleta e análise dos dados
A coleta dos dados desta pesquisa foi realizada através de fontes primárias
e secundárias.
Mattar (2005) enfatiza que as fontes primárias são aquelas informações que
não foram ainda coletadas e quando forem, irão servir para atender a um fim
específico, como no caso desta pesquisa. Podendo ser coletados através de
entrevistas, questionários, dentre outros.
Na definição de Andrade (1997), fontes primárias são constituídas por
material ainda não trabalhado, sobre determinado assunto.
19
Para Richardson (1990), a fonte secundária não está diretamente relacionada
com o fato documentado, necessita de um elemento intermediário, outra pessoa que
contribua para a geração da informação, o que pode trazer distorções na
informação, visto que os indivíduos percebem os fatos de maneiras diferentes.
Os dados foram fornecidos pelo proprietário da empresa, que é responsável
pela movimentação dos recursos, e pela empresa que presta serviços contábeis
para a empresa pesquisada.
As informações foram levantadas através de documentos fiscais, relatórios
disponibilizados pela empresa e entrevistas informais com o proprietário e seu
contador.
Quanto à análise de discurso, o objetivo é demonstrar, como nas conversas
cotidianas, os participantes apresentam recordações, descrições, formulações que
são construídas para a interação comunicativa (FLICK, 2004).
A análise de dados nada mais é que a interpretação de texto para que se
possa ter um entendimento melhor das mensagens, mediante procedimentos
sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens.
Os dados coletados foram tabulados em planilhas Word/Excel, organizados
mês a mês, observando-se o regime da competência em que os fatos ocorreram
(entradas e saídas de caixa).
Após a tabulação, os respectivos valores foram atualizados monetariamente
pelo índice de inflação previsto para o período de projeção.
Quanto aos valores correspondentes às vendas, compras e tributos, além da
atualização monetária, foram ajustados de acordo com a expectativa de
comportamento das receitas esperadas para o período, na visão do gestor da
empresa estudada.
Após estas etapas, foram criados mapas auxiliares de entradas e saídas,
com o intuito de verificar-se em que períodos os montantes correspondentes às
compras e vendas a prazo afetarão efetivamente o caixa.
Finalmente, com base nas tabelas com os dados devidamente atualizados e
mapas auxiliares foi elaborado o fluxo de caixa.
20
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Este capítulo tem como objetivo apresentar a teoria de diversos autores, que
permitiu compreender o tema e embasar os resultados. Richardson (2007, p. 68)
descreve que “a fundamentação teórica tem por objetivo orientar o leitor para um
aprofundamento do fenômeno estudado”.
A presente revisão teórica contempla, com base em diferentes autores, os
aspectos teóricos relacionados e necessários aplicados no desenvolvimento dos
propósitos do tema objeto de estudo.
2.1 Empresa familiar
As empresas familiares estão presentes em diversos setores econômicos há
séculos e estas vêm aumentando cada vez mais.
De acordo com Lodi (1994), uma empresa familiar trata-se de uma empresa
administrada por membros da mesma família, pelo menos por duas gerações, a qual
determina os interesses gerais da política da empresa.
Uma empresa familiar se caracteriza por alguns fatos: inicia-se por um
membro da família; membros da família participando da propriedade e/ou direção; os
valores institucionais ligam-se com o sobrenome de família ou com o fundador; e a
sucessão está ligada ao fator hereditário (LEONE, 2005).
Segundo Moreira Junior, Bertoli Neto (2007), uma empresa familiar surge em
uma família, ou então possui familiares na direção da organização, tais como filhos,
netos ou primos.
A empresa familiar possui algumas vantagens, pode-se citar: a lealdade e
dedicação dos funcionários; interesse no destino da organização; esforço familiar
para obter recurso administrativo e financeiro; fidelização aos objetivos e estratégias
da empresa em função da administração familiar; (MOREIRA; ARMANDO, 2007).
Para Bernhoeft (1990 apud LEONE, 2005), as principais vantagens e
desvantagens ou pontos fortes e fracos são:
21
Pontos fortes:
• proximidade entre a empresa e o centro do poder;
• possibilidade de decisões ágeis;
• conhecimento das características do país;
• facilidade para implantar mudanças estruturais;
• agilidade para estabelecer parcerias tecnológicas.
Pontos fracos:
• confusão entre propriedade e gestão;
• ausência de estratégias claramente definidas;
• lutas constantes pelo poder;
• predominância de caprichos individuais;
• falta de clareza sobre vocação da empresa;
• carência em recursos humanos, tecnologia e melhoria de métodos e
processos.
Conforme Moreira Junior e Bertoli Neto (2007, p. 4), os problemas que
dificultam a sobrevivência das empresas familiares são variados, mas normalmente
estão relacionados a conflitos familiares, sucessão e profissionalização.
Profissionalizar
a
gestão
significa
recrutar
um
quadro
de
pessoal
especializado, profissionalmente formados, para a execução das funções gerenciais
da empresa; as posturas deverão ser isentas de vieses subjetivos das relações
familiares, primando pela racionalidade, competência e desenvolvendo-se com base
em atribuições claramente explicitadas (SANTOS, 2004).
A profissionalização é vista por Lodi (1993, p. 25-26) com base em três
pontos básicos:
• o sucesso em integrar profissionais familiares na direção e na gerência da
empresa;
• o sucesso em adotar práticas administrativas mais racionais;
• o sucesso em recorrer à consultoria e à assessoria externas para
incorporar sistemas de trabalho já exitosos em empresas mais avançadas
ou recomendados nas universidades e nos centros de pesquisa.
Assim, pode-se observar como a família afeta no desenvolvimento das
atividades de uma organização constituída por seus membros e como é relevante o
22
papel do gestor e também a profissionalização de todos da empresa, de forma que
esta se destaque no cenário empresarial.
2.2 Administração
As origens da administração, conforme explica Ribeiro (2003), estão
relacionadas com as consequências da revolução industrial, destacando-se duas
delas: o crescimento rápido e desorganizado das empresas, que gerou uma
necessidade de planejamento e um aumento da complexidade da administração;
necessidade que as empresas passaram a ter de aumentar a eficiência e a
competitividade, buscando recursos para enfrentar a concorrência e também a
competição.
O marco da administração começou com a administração científica de Taylor,
onde defendia a ênfase nas tarefas. Logo a preocupação básica passou para ênfase
na estrutura, com a teoria clássica de Fayol e com a teoria burocrática de Max
Weber, seguindo-se mais tarde a teoria estruturalista (MAXIMIANO, 2000).
Um aspecto importante na administração é reconhecer o papel e a
importância dos outros. Os bons gerentes sabem que a única maneira para
conseguir realizar qualquer coisa é pelas pessoas da organização (DAFT, 2005).
Na definição de Montana e Charnov (2003, p. 2), “a administração é o ato de
trabalhar com e por intermédio de outras pessoas para realizar os objetivos da
organização, bem como o de seus membros”.
Em relação às funções administrativas, Dalf (2005) define: (1) planejar, (2)
organizar, (3) liderar e (4) controlar, descrevendo cada uma delas como:
Planejar: diz respeito à definição de metas e a decisão sobre tarefas e o uso
de recursos para alcançá-los;
Organizar: é a função administrativa que envolve distribuição de tarefas,
atribuição de autoridade e alocação de recursos pela organização;
Liderar: uso da influência para alcançar as metas organizacionais;
Controlar: Monitorar as atividades realizadas na organização;
23
Contudo, a administração necessita de um amplo conhecimento e a aplicação
correta dos princípios técnicos e científicos, é a necessidade de combinar os meios e
objetivos com eficiência e eficácia.
2.2.1 Áreas da administração
Para se tornar um profissional da administração, é preciso ser um especialista
em todas as áreas da administração, mantendo seu diferencial na área que atua.
A administração está dividida em várias áreas, cada uma delas com suas
especialidades. Para Roesch (2007, p. 34), “a administração se divide em:
Administração Geral, Administração de Marketing, Administração de Recursos
Humanos, Administração da Produção e Administração Financeira. Cada uma com
suas próprias teorias e objetivos”.
Para facilitar a realização dos processos e das atividades da administração,
destacam-se sete áreas de atuação citadas por Dalf (2005), que são abordadas
brevemente neste estudo.
A Administração Financeira tem como objetivo gerenciar as finanças da
organização e está fortemente ligada à economia e a contabilidade, além de buscar
alternativas para um bom desempenho econômico (DAFT, 2005).
Para Silva (1997), administrar os recursos financeiros torna-se primordial para
garantir o futuro de um negócio, já que a movimentação de dinheiro é uma rotina na
vida das organizações, e a geração de lucro é um dos principais objetivos.
Administração da Produção, de acordo com Daft (2005), é administrar bens e
serviços, têm relação com planejamento e estratégia, bem como administração do
tempo e movimento.
Chiavenato (1999) ressalta que cada organização visa a produção de um
determinado bem ou serviço, estabelecendo assim o intuito de sua existência, sendo
que é através da Administração da Produção que se alcançará melhores resultados.
Segundo Daft (2005), o conceito de Administração Pública é promover a
satisfação das necessidades coletivas variadas, como segurança, cultura, saúde e
bem estar da população.
24
Administração de Materiais tem a função de fornecer recursos para execução
das atividades de uma empresa (DAFT, 2005).
A Administração de Marketing, como lecionam os autores Kotler e Keller
(2006), é a arte e ciência das escolhas de mercados-alvo, captação, manutenção e
fidelização de clientes por meio da criação, da entrega e da comunicação de valor
superior para o cliente.
A Administração de Recursos Humanos tem como função orientar o
comportamento humano e as relações humanas, por meio de métodos, políticas,
técnicas e práticas definidas, maximizando o potencial do capital humano no
trabalho (DAFT, 2005).
A Administração de Sistemas de Informação coleta, processa e transmite
dados que representem informação para o usuário, podendo ser por pessoas,
máquinas ou métodos (DAFT, 2005). É um processo que consiste em reunir e
combinar recursos, utilizando informações e comunicação para alcançar um fim
(SILVA, 1997).
Além das áreas da administração, existem três habilidades que são
necessárias para obter a eficácia no processo administrativo, que são: Técnica: o
domínio de métodos, técnicas e equipamentos envolvidos em funções específicas;
Humana: ter a habilidade de trabalhar com e no meio de pessoas dentro de um
grupo; e a Conceitual: é a habilidade que vê a organização como um todo, capaz de
envolver os pensamentos dos organizadores, o processamento de informações e as
habilidades de planejamento (DAFT, 2005).
Apesar de a administração estar dividida em áreas, elas se inter-relacionam,
pois uma depende da outra para atingir os objetivos da organização.
Nesta pesquisa será abordada a administração financeira com maior ênfase,
já que o tema da pesquisa está inserido nesta área da administração.
2.2.2
Administração financeira
Com o surgimento da globalização, livre comércio, inovações tecnológicas,
etc., faz-se necessário cada vez mais se apoiar nas ferramentas administrativas a
25
fim de alcançar maior competitividade. Com o mercado cada vez mais concorrido, é
primordial preestabelecer as ações futuras através de planejamento.
Nesse contexto, observa-se que a administração financeira tem relevante
papel na empresa, como pode ser observado pelas conceituações que seguem.
De acordo com Zdanowicz (2004, p.24), “a administração financeira
centraliza-se na captação, na aplicação dos recursos necessários e na distribuição
eficiente dos mesmos, para que a empresa possa operar de acordo com objetivos e
as metas a que se propõe a sua cúpula diretiva”. O autor complementa enfatizando
que o princípio da administração financeira é cuidar em ter-se numerário suficiente
para saldar em tempo os compromissos assumidos com terceiros.
Aprofundando esse conceito, Braga (1989, p.23) cita que:
A função financeira compreende um conjunto de atividades relacionadas com
a gestão dos fundos movimentados por todas as áreas da empresa. Essa função é
responsável pela obtenção dos recursos necessários e pela formulação de uma
estratégia voltada para a otimização do uso desses fundos. Encontrada em qualquer
tipo de empresa, a função financeira tem um papel muito importante no
desenvolvimento
de
todas
as
atividades
operacionais,
contribuindo
significativamente para o sucesso do empreendimento.
A administração financeira tem por objetivo mostrar as responsabilidades do
administrador financeiro numa empresa (GITMAN, 1997).
Hoji (2000) leciona que, a administração financeira tem como objetivo
econômico a elevação ao máximo do valor de mercado da empresa em longo prazo.
Com isto, esta estará elevando a riqueza de seus proprietários.
Segundo Zdanowicz (1998), o administrador financeiro procura conciliar a
manutenção da liquidez e o capital de giro da empresa, para que esta possa honrar
com suas obrigações assumidas perante terceiros na data do vencimento, bem
como a maximização dos lucros sobre os investimentos realizados pelos
proprietários.
Para Silva (2006), é necessário conhecer a capacidade de obtenção de
financiamento da organização, desta maneira é plausível planejar e administrar com
maior eficácia os casuais déficits de caixa.
Chiavenato (2004, p. 513), referindo-se ao fluxo de caixa, diz que “o controle
é a função administrativa que monitora e avalia as atividades e resultados
26
alcançados para assegurar que o planejamento, organização e direção sejam bemsucedidas”.
Gitman (1997, p. 4) ressalta que finanças pode ser definida como “a arte e
ciência de administrar fundos” E justifica a importância de estudar finanças, afirmado
que “todos os indivíduos ou organizações obtém receitas ou levantam fundos,
gastam ou investem”.
Conforme Lemes Júnior, Rigo e Cherobim (2005), a administração financeira
abrange essencialmente a gestão de recursos financeiros. Com isso, a atividade
principal do administrador financeiro é saber como alcançar esses recursos e onde
aplicá-los. A aquisição destes
recursos diz
respeito às
deliberações
de
financiamento, e seu emprego, às resoluções de investimento e com resultados
positivos.
Lemes Júnior, Rigo e Cherobim (2005) completam que, as operações do dia a
dia, como administração do caixa, do crédito e contas a receber e a pagar, dos
estoques e dos financiamentos de curto prazo nada mais são dos que as funções
financeiras de curto prazo. Já as funções financeiras de longo prazo abrangem
decisões de orçamento de capital, de estrutura de capital e de gestão de resultados.
Zdanowicz (1998, p. 33) conclui que:
A administração financeira tem por finalidade não somente manter a
empresa em permanente situação de liquidez, como também propiciar
condições para a obtenção de lucros que compensem os riscos dos
investimentos e a capacidade empresarial.
2.3 Planejamento financeiro
O planejamento financeiro, através de um conjunto de ações, controles e
procedimentos, possibilita, entre outras coisas, montar um orçamento, acompanhar
as contas, saber se há sobra ou falta de recursos, tomar providências para nivelar o
orçamento, no caso de falta, fazer investimentos, no caso de sobra de recursos.
Na percepção de Hoji (2000), o planejamento se baseia em constituir com
antecedência ações a serem realizadas dentro dos cenários e condições
27
preestabelecidas, avaliando recursos a serem empregados e incluídos às
responsabilidades, a fim de alcançar os objetivos estabelecidos.
De acordo com Ross (1995, p. 525), “planejamento é um processo que, na
melhor das hipóteses, ajuda a empresa a evitar tropeçar no seu futuro andando pra
trás”.
Para Gitman (2004), o planejamento financeiro torna-se um aspecto
respeitável das operações da organização, pois mapeia os caminhos para orientar,
coordenar e aconselhar as ações da empresa para alcançar seus objetivos.
Conforme Lemes Júnior, Rigo e Cherobim (2005), o processo de
planejamento econômico-financeiro é elaborado por meio da manipulação, de cada
etapa, de inúmeros dados projetados, acoplados ao planejamento da empresa, que
vão sendo incorporados proporcionando a geração de resultados intermediários. É
possível avaliar resultados e definir a realimentação com novos objetivos e projeções
do plano, a cada etapa cursada. Tudo isso, também reunidos, formarão o plano
financeiro. Existe uma interdependência entre os dados suscitados, o orçamento
operacional que é elaborado com base no regime de competência, além de
aprimorar a projeção do lucro do período, provê elementos para a projeção do fluxo
de caixa. Os elementos necessários para a projeção do balanço patrimonial são
fornecidos através dos dados obtidos através do orçamento operacional, junto aos
dados da projeção do fluxo de caixa e dos orçamentos de capital.
Ross (1995) afirma que a empresa tende a gastar muito tempo elaborando
propostas, com base em cenários diferentes que passarão a servir de base para o
plano financeiro, então, parece razoável perguntar o que será conseguido com o
processo de planejamento financeiro.
Silva (2006) conclui que, quando há uma política de crédito apropriada, ele
fornece os elementos para a concessão de crédito a um cliente, acarretando
acréscimo de lucro nas vendas e diminuição de custos de financiamento, cobrança e
das perdas com inadimplência. Portanto, o planejamento financeiro dos valores a
receber deve ser feito com precaução pelo administrador financeiro.
28
2.4 Orçamento de caixa
As funções de planejamento e controle financeiros podem ser realizadas de
forma diferenciada se aplicado um instrumento chamado orçamento de caixa.
“Orçamento é o instrumento que descreve um plano geral de operações e/ou
de capital, orientado pelos objetivos e pelas metas traçadas pela cúpula diretiva para
um dado período de tempo” (ZDANOWICZ, 2000, p. 244).
Segundo Padovese (2011), o orçamento é uma ferramenta de controle que
tem por prioridade gerenciar todo o processo operacional de uma organização
atrelando todos os seus setores, é colocar os dados contábeis de hoje e adicionar
dados previstos para a próxima atividade.
Gitmam (2004, p. 94) cita que:
O orçamento de caixa, ou previsão de caixa, é uma demonstração que
apresenta as entrada e as saídas de caixa planejada da empresa, que a
utiliza para estimar suas necessidades de caixa no curto prazo, com
especial atenção para o planejamento do uso de superávits e a cobertura de
déficits.
No entendimento de Zdanowicz (1998), o orçamento de caixa se trata de um
processo um pouco mais complexo, pois existem muitos detalhes em sua
elaboração, o que varia de empresa para empresa, porém seus aspectos são
semelhantes. As pequenas e micros empresas em sua grande maioria concentrarse-ão no orçamento de caixa, enquanto as médias e grandes empresas se
preocuparão com todo o sistema orçamentário.
De acordo com Lunkes (2003, p. 39), "O orçamento está onipresente no ciclo
administrativo. Ele pode ser definido em termos amplos, como um enfoque
sistemático e formal à execução das responsabilidades do planejamento, execução
e controle".
As principais características do orçamento de caixa, de acordo com
Zdanowicz (1998) são:
• flexibilidade na aplicação, considerando as frequentes flutuações da
economia o orçamento de caixa não pode ser considerado uma peça
estática dentro do orçamento da empresa. Onde deverá ser adaptado a
novas situações econômico-financeiras da empresa para o período
seguinte, em função do seu controle.
29
• projeção para o futuro, a partir da situação liquidez e capital de giro da
empresa, o orçamento de caixa consistirá na projeção do nível desejado de
caixa, em função do atual para o futuro;
• participação direta dos responsáveis, muitas são as informações e dados
necessários para elaboração do orçamento de caixa, onde serão
fornecidos por vários departamentos da empresa.
“Todas as entradas e saídas de numerários decorrentes de transações
realizadas antes e durante o período orçamentário são reunidos no orçamento de
caixa, evidenciando os superávits e déficits mensais” (BRAGA, 1998, p.238).
2.4.1 Objetivos do orçamento de caixa
O orçamento de caixa serve como um planejamento, um ponto de referência
para os valores financeiros projetados e realizados pelo setor financeiro.
Para Padoveze (2011), o principal ponto é que este processo deve
estabelecer é coordenar os objetivos para todos os setores da organização a fim de
que todos tenham o mesmo foco à busca do plano de lucros. Inclui-se, portanto, tais
propósitos como: orçamento como meio sistema de autorização, um meio para
projeções e planejamento, um canal de comunicação e coordenação, instrumento de
motivação, avaliação e controle e fonte de informação para a tomada de decisão.
Conforme Lunkes (2003, p. 71), o objetivo do orçamento de caixa “é
assegurar
recursos
monetários
para
atender
às
operações
da
empresa
estabelecidas nas outras peças orçamentárias.”
De acordo com Zdanowicz 2000, o orçamento de caixa deve dimensionar
certo período, se terá ou não, recursos financeiros para atender as necessidades do
caixa da organização. Este instrumento permite que o administrador financeiro
visualize antecipadamente se haverá problemas de liquidez.
Segundo Gitman (1997, p. 590), “orçamento de caixa permite à empresa
prever as necessidades de caixa da mesma em curto prazo, geralmente no período
de um ano, subdividido em intervalos mensais”.
30
2.5 Fluxo de caixa
O fluxo de caixa é um recurso imprescindível para o gestor financeiro, pois
permite um controle de esquemas que representa as entrada e saídas que sustenta
a atividade empresarial.
Manter um controle financeiro é essencial para a sobrevivência da empresa,
bem como a sua evolução e permanência no mercado. O fluxo de caixa surge como
uma ferramenta peculiar, pois possibilita ao administrador planejar, controlar e
analisar as receitas, despesas e investimentos em determinado período de tempo
(SILVA, 2006).
Segundo Zdanowicz (1989), fluxo de caixa é o instrumento que interliga o
conjunto de ingressos e desembolsos de recursos financeiros pela organização em
um período determinado. O autor afirma ainda, que fluxo de caixa pode ser também
avaliado como um instrumento usado através do administrador financeiro, que
possui objetivo de aprimorar os somatórios de ingressos e de desembolsos
financeiros da organização, em um período determinado, avaliando assim se haverá
sobra ou ausência de caixa, em função do nível de caixa almejado pela organização.
Conforme Gitman (2004), o fluxo de caixa é o demonstrativo das entradas e
saídas de caixa esquematizadas da organização. Este é utilizado pela organização a
fim de estimar suas necessidades de caixa em curto prazo, com especial atenção
para o planejamento de excedentes de caixa e deficiências de caixa.
Matarazzo (1998) acrescenta que pode-se denominar o fluxo de caixa como
um processo de demonstração das entradas e saídas de caixa, permitindo ao
administrador tomar decisões sobre os recursos e onde aplicá-los.
Silva (2005) relata que o fluxo de caixa é um instrumento de planejamento e
controle financeiro, que tem a capacidade de apresentar em valores e datas os
inúmeros dados gerados pelos sistemas de informação da empresa. O seu processo
de elaboração deve ser usar novas técnicas gerenciais de maneira a projetar as
receitas, custos, despesas e os investimentos da empresa com precisão.
O fluxo de caixa, para Zdanowicz (2000), é o instrumento que permite ao
administrador financeiro planejar, organizar, coordenar, dirigir e controlar os recursos
financeiros de sua empresa para determinado período.
31
2.5.1 Objetivos do fluxo de caixa
O fluxo de caixa tem por princípio fundamental a projeção de ativos e
passivos de recursos financeiros. Gitmam (2004) salienta que o objetivo do fluxo de
caixa é prover a organização com os números manifestando um excesso de caixa ou
deficiência de caixa é esperado em cada um dos meses cobertos pela previsão.
Segundo Zdanowicz (1989), o objetivo básico do fluxo de caixa é a projeção
das entradas e saídas de recursos financeiros para um momento determinado,
visando diagnosticar a necessidade de obter empréstimos ou aplicar sobras de caixa
nas operações mais rentáveis para a organização.
O principal objetivo do fluxo de caixa, conforme Zdanowicz (1998), é dar uma
visão das atividades desenvolvidas na empresa, como as operações financeiras que
são realizadas diariamente, no grupo do ativo circulante, dentro das disponibilidades,
e que representam o grau de liquidez da empresa. Pode-se dizer que alguns dos
mais importantes objetivos do fluxo de caixa são:
• programar e facilitar a análise e o cálculo na seleção das linhas de crédito a
serem contidos junto às instituições financeiras;
• os ingressos e desembolsos de caixa, de forma criteriosa, determinando o
período em que deverá ocorrer carência de recursos e o montante,
havendo tempo para as medidas necessárias;
• permitir
o
planejamento
dos
desembolsos
de
acordo
com
as
disponibilidades de caixa, evitando-se o acúmulo de compromissos
vultosos em épocas de menores giros;
• determinar o quanto de recursos próprios a empresa dispõe em certo
período, e aplicá-los de forma rentável, analisando os recursos de terceiros
que satisfaçam as necessidades da empresa;
• proporcionar melhor comunicação entre todas as áreas da empresa com a
área financeira;
• desenvolver o uso eficiente e racional do disponível;
• financiar as necessidades sazonais ou cíclicas da empresa;
• providenciar recursos para atender aos projetos de implantação, expansão,
modernização ou relocalização industrial e/ou comercial;
32
• fixar o nível de caixa, em termos de capital de giro;
• auxiliar na análise dos valores e receber estoques, para que se possa
julgar as possibilidades em aplicar nesses itens ou não;
• verificar a possibilidade de aplicar possíveis excedentes de caixa;
• estudar um programa saudável de empréstimos e financiamentos;
• projetar um plano efetivo de resgate de débitos;
• analisar a conveniência de serem comprometidos os recursos pela
empresa;
• participar e integrar todas as atividades da empresa, facilitando assim
controles financeiros.
2.5.2 Importância do fluxo de caixa
O fluxo de caixa é de suma importância para a eficiência e eficácia
econômico-financeira e administrativa das organizações, seja qual for o tamanho da
empresa. Segundo Matarazzo (1998), as principais finalidades da demonstração do
fluxo de caixa são avaliar as alternativas de investimento; controlar e avaliar ao
longo do tempo decisões importantes tomadas na empresa; avaliar situações
presentes e futuras do caixa, evitando a iliquidez; certificar como excessos de caixa
estão sendo aplicados. Consequentemente, evitando que muitas empresas
decretem falência por não saberem administrar seu fluxo de caixa.
O fluxo de caixa é considerado por Zdanowicz (2004) uma das ferramentas
mais importantes para o administrador que deseja planejar as necessidades e
propostas a partir da situação econômico-financeira da empresa.
Zdanowicz (2004) conclui que, é fundamental toda e qualquer empresa ter um
bom planejamento de fluxo de caixa, pois através desta ferramenta o administrador
financeiro poderá se planejar para tomar as decisões corretas.
Frezatti (1997) salienta que em algumas empresas, o fluxo de caixa serve
como uma ferramenta tática e, em outras, o alcance é maior, ou seja, sua utilização
é estratégica. A abordagem tática refere-se a um uso restrito e de acompanhamento
do fluxo de caixa, aparecendo como um cumpridor de determinações mais amplas e
33
complexas, em que a empresa já possui um escopo mais definido em termos
estratégicos e quer apenas manter o rumo. A estratégia é aquela que afeta o nível
de negócios da empresa no curto prazo, e principalmente no longo prazo, assim o
fluxo de caixa tem efeito sobre questões ligadas às decisões realmente estratégicas
da empresa.
Para Pereira (2006), o fluxo de caixa é de suma importância para saber a real
situação da empresa, seja ela, micro, pequena, média ou grande.
Toda e qualquer empresa que utiliza o fluxo de caixa dificilmente fracassa,
porém, sabe-se que a sua atualização é o ponto chave para que o benefício da sua
implantação ocorra (PEREIRA, 2006).
2.5.3 Fluxo de caixa projetado
Os recursos do caixa entram e saem da empresa de acordo com suas
atividades. Desse modo, quaisquer decisões podem trazer, direta ou indiretamente,
imediata ou futuramente, alterações no saldo do caixa.
A administração de caixa inicia com a projeção de caixa, atividade que incide
em estimar a evolução dos saldos de caixa da empresa, sendo essas informações
fundamentais para a tomada de decisão (SANTOS, 2001).
Chama-se de fluxo de caixa projetado o produto final da integração das
entradas e das saídas de caixa que se imagina que ocorrerão no período projetado
(SÁ, 2006).
Sá (2006) ressalta que o objetivo do fluxo de caixa projetado é prever quando
e em que montante haverá sobra ou falta de caixa.
Santos (2001) cita que o fluxo de caixa desenhado de uma organização
possui várias finalidades. Sendo a principal informar a capacidade que a
organização possui para liquidar seus compromissos financeiros a curto e longo
prazo. No entanto, tem como outras finalidades planejar a contratação de
empréstimos e financiamentos, elevar ao máximo o rendimento das aplicações das
sobras de caixa, avaliar o impacto financeiro de variações de custos e avaliar o
impacto financeiro de aumento das vendas.
34
Dentro desse contexto, através da projeção do fluxo de caixa é possível
antecipadamente saber sobre excedentes e escassez de recursos financeiros, o que
ajuda o administrador financeiro a sanar tais situações. Dessa forma, torna-se o
principal instrumento da gestão financeira (SILVA, 2006).
Segundo Zdanowicz (2004), a projeção de fluxo de caixa auxilia na gestão
financeira, pois o administrador saberá com antecedência as necessidades de busca
de recursos financeiros, ou até mesmo os numerários excedentes que poderão ser
aplicados de forma a maximizar os lucros da empresa. Dessa forma, as informações
estarão dispostas de forma a auxiliar na tomada de decisão.
Para se obter uma projeção de fluxo de caixa com um alto grau de acerto,
existem alguns fatores de precisam ser do conhecimento dos administradores
financeiros, os períodos em que ocorrem as entradas de recursos financeiros
acontecem de que forma, se é regular, ou se não, em que épocas elas ocorrem. Os
períodos em que ocorrem os desembolsos também influenciam no fluxo de caixa.
(ZDANOWICZ, 2004).
2.5.4 Ingressos e desembolsos
Quando se elabora um fluxo de caixa é necessário conhecer os conceitos
sobre os ingressos e os desembolsos para sua melhor aplicação.
Desta forma, Segundo Zdanowicz (1989, p. 57), denota-se: “os ingressos
operacionais no caixa são: vendas à vista, descontos de cauções de duplicatas e
cobrança simples”.
Ingressos
Os ingressos representam as entradas de recursos em determinado período
na empresa e são responsáveis pela sustentação do caixa. (ZDANOWICZ, 1989).
Sendo assim os ingressos são de grande valia, pois é através deles que a
empresa consegue caminhar e dar continuidade ao seu trabalho no mercado de
negócios (MARTINS, 2003).
35
Zdanowicz (1998, p. 168) ressalta que “o planejamento dos ingressos de
caixa é o ponto mais complexo do fluxo de caixa, pois depende do período de
retorno dos valores em cobrança”. As principais fontes são:
• empréstimo captados junto às instituições financeiras;
• receitas financeiras decorrentes de aplicações no mercado financeiro;
• dividendos recebidos de empresas coligadas ou controladas;
• receita de vendas de produtos prontos ou mercadorias e de serviços à
vista;
• aumento de capital social por novas integralizações dos sócios atuais ou
pela entrada de novos sócios na empresa.
Desembolsos
Desembolsos são as saídas de dinheiro do caixa ou do banco, ocorrendo
quando há o pagamento de compras à vista, ou das obrigações que foram
assumidas anteriormente (MARTINS, 2003).
Martins (2003) cita que os desembolsos são as obrigações que a empresa
tem com terceiros na aquisição de materiais relativos à sua atividade, sendo que a
forma de pagamento fica a seu critério, estando registradas as saídas na conta caixa
ou bancos da empresa.
Com relação ao tema Zdanowicz, (1998, p. 169) enfatiza que “a estimativa do
desembolso é facilitada pelo número de credores, via de regra, não ser tão
expressivo quanto o de clientes, e porque os compromissos têm, normalmente,
prazo certo de vencimento”.
Os principais itens do planejamento a serem desembolsados pela empresa
são:
• fornecedores com aquisições de matéria-prima, secundárias, de expediente
e de conservação à vista e a prazo;
• pagamento de salário dos funcionários de empresa;
• pagamento de encargo previdenciário e fiscais da empresa;
• pagamento de gratificações aos funcionários e a diretoria;
• compra de itens do ativo imobilizado.
36
2.5.5 Alterações nos saldos de caixa
O saldo de caixa sofre alterações relativamente constantes em decorrência da
liquidez que este item alvo possui. Elas podem ocorrer tanto em função dos itens já
projetados no fluxo de caixa ou serem decorrentes de imprevistos, uma vez que
sendo a conta com maior liquidez é a que pode mais facilmente ser usada para
absorver imprevistos. Sendo que também pode receber um valor programado em
decorrência de algum fato não previsto. A posição caixa recebe continuamente os
efeitos fatores internos e externos, que precisam ser considerados pela
administração financeira da empresa (ZDANOWICZ, 1998).
2.5.6 Fatores que afetam o caixa
Na elaboração do fluxo de caixa, alguns pontos devem ser levados em
consideração, pois muitos representam riscos à empresa que podem ser: o não
pagamento por parte dos fornecedores ou à rejeição pelos consumidores do produto
ou serviço (SILVA, 2006).
No mesmo enfoque, Zdanowicz (1989), aponta os seguintes fatores internos
que afetam o fluxo de caixa:
• alteração na política de vendas: o departamento de vendas não deve tomar
decisões isoladas, sem uma consideração da área financeira sobre as
implicações das medidas a serem implantadas;
• decisões na área de produção: o diretor de produção não pode decidir
isoladamente a aquisição de máquinas, equipamentos ou a expansão da fábrica,
sem uma análise com a participação da área financeira, que considera as
disponibilidades existentes para inversões em itens de ativo imobilizado;
• política de compras: os prazos concedidos pelos fornecedores devem ser
analisados e comparados com os prazos de recebimento de clientes.
37
Procurando evitar, assim, que haja um descompasso muito acentuado entre
os ingressos e os desembolsos de caixa;
• política de pessoal: admissões, demissões, política salarial e de
treinamento etc, são medidas de repercussão direta na área financeira.
Para que esses fatores não afetem o fluxo de caixa com frequência, o gestor
financeiro deve estar envolvido nas diversas áreas que compõem a empresa,
fazendo com que haja um melhor controle no caixa e assim, não ocorram grandes
variações, contribuindo para os resultados que a empresa almeja (ZDANOWICZ,
1989).
Zdanowicz (2000) destaca:
• fatores internos: vinculam-se a todas as áreas da empresa, sendo
necessário um controle eficiente e uma participação constante nas
decisões financeiras da empresa;
• fatores externos: influenciam a área financeira da empresa e o fluxo de
caixa, com isso o administrador financeiro necessita ter planejamento e
controle do fluxo de caixa.
No entendimento de Silva (2006) fatores internos e externos são:
Fatores internos:
• aumento no prazo de venda concedido com uma maneira de aumentar a
competitividade ou a participação no mercado;
• comparar que não estão em linha com as projeções de venda;
• diferenças representativas nos prazos médio de recebimento e pagamento;
ciclos de produção muito longos que não estão em consonância com o
prazo médio dado pelos fornecedores;
• política salarial incompatível com as receitas e demais despesas
operacionais;
• pequena ocupação do ativo fixo;
• distribuição de lucros incompatíveis com a capacidade de geração de
caixa; custos financeiros altos originário do nível de endividamento.
38
Fatores externos:
• diminuição das vendas em decorrência de retração do mercado;
novos concorrentes;
• mudanças na alíquota de impostos;
• aumento do nível de inadimplência.
Contudo, para que os fatores internos e externos não se concretizem e
afetem o fluxo de caixa, é preciso que todos os setores da empresa realizem suas
atividades de forma entrosada, para que assim o administrador financeiro tenha a
capacidade de analisar e de verificar os impactos no caixa, defendendo e
prevalecendo os interesses da empresa (SILVA, 2006).
2.5.7 Causas da falta de recursos
A falta de recurso na organização pode ocorrer por vários fatores, porém pode
ser evitada se for feita uma análise criteriosa da capacidade de caixa (a soma dos
recursos financeiros).
Para Silva (2006), as principais causas de falta de recurso na empresa estão
relacionadas a:
• dilatação dos prazos de vendas pela empresa, para conquistar novos
clientes;
• necessidade de compra de vulto, que podem ser cíclicas ou de reserva,
requerendo maior disponibilidade de caixa;
• capital próprio insuficiente e uso excessivo de capital de terceiros,
aumentando o nível de endividamento da empresa;
• lenta velocidade no giro de estoques e nos processos de produção;
• diferenças significativas entre os ciclos de recebimento e pagamento,
ocasionados pelos prazos de venda e compra;
• distribuição de lucros além da capacidade do caixa;
• custos financeiros altos provenientes de falta de planejamento e controle
de caixa;
39
• sub ocupação temporária do capital fixo, seja pelas limitações de mercado,
seja pela falta ou insuficiência de capital de giro.
Dentre as principais causas que poderão ocasionar um desequilíbrio
financeiro em uma empresa, Zdanowicz (1998) relaciona:
• alto custo financeiro em função de planejamento e controle de caixa
irregulares;
• distribuição de lucros, além das disponibilidades de caixa;
• baixa velocidade na rotação de estoque e nos processos de produção;
• ampliação exagerada dos prazos de venda pela empresa, para conquistar
o mercado;
• expansão descontrolada das vendas, implicando em maior volume de
compra e de custo pela empresa;
• diferença acentuada na velocidade dos ciclos de recebimento e
pagamento, em função dos prazos de venda e de compra;
• insuficiência de capital próprio e utilização de terceiros em proporção
excessiva, em consequência, aumentando o grau de endividamento da
empresa;
• necessidade de compra de porte, de caráter cíclico ou para reserva,
exigindo maiores disponibilidades de caixa.
Os fatores externos comuns que podem provocar as alterações nos saldos de
caixa: concorrência, alterações nas alíquotas de impostos, aumento de preços,
inflação, inadimplência, declínio nas vendas e expansão ou retratação do mercado.
Os fatores internos mais comuns: mudanças nas políticas de vendas, crédito,
compras, distribuição etc.
2.5.8 Modelo de fluxo de caixa
O modelo adotado para a elaboração do fluxo de caixa pode ser direto ou
indireto. O método direto consiste em demonstrar exatamente todos os valores de
entrada e saída de caixa, e pode ser elaborado através da soma de todas as
movimentações financeiras ou então, pelas movimentações das demonstrações de
40
resultados e do balanço patrimonial. Já o método indireto, consiste em demonstrar
as movimentações oriundas de fundos como origens e aplicações, resultando assim,
no saldo final de caixa (PADOVEZE, 2005).
O método direto apresenta o grupo atividades operacionais, no qual o
primeiro valor refere-se à receita pelas vendas efetuadas de produtos e serviços,
que será subtraído dos valores referentes ao pagamento de fornecedores e gastos
com mão-de-obra, dentre eles salários e encargos sociais, bem como de tributos e
outras despesas. Além disso, são adicionados os valores referentes a dividendos
recebidos e recebimentos de seguros (CAMPOS FILHO, 1999).
Zdanowicz (1998) destaca que na elaboração do fluxo de caixa deverão ser
discriminados todos os valores a serem pagos pela empresa. Quanto mais
especificado, melhor será o controle sobre as entradas e saídas de caixa, verificando
assim suas defasagens e determinando as medidas corretivas ou saneadoras para
os períodos subsequentes. A seguir apresenta-se um modelo de fluxo de caixa
projetado, sugerido pelo autor, o qual será utilizado, com as adaptações que se
fizerem necessárias, no desenvolvimento do presente estudo.
Tabela 1 – Modelo de fluxo de caixa projetado
PERÍODOS
Itens
1. INGRESSOS
Vendas á vista
Cobrança em carteira
Cobranças bancárias
Descontos de duplicatas
Vendas de itens do ativo permanente
Alugueis recebidos
Aumentos de capital social
Receitas financeiras
Outros
2. DESEMBOLSOS
Compra à vista
Fornecedores
Salários
Compras de itens do ativo permanente
Energia elétrica
Continua
JAN
FEV
...
PRD
PRD
PRD
TOTAL
41
Continuação
PERÍODOS
JAN
FEV
...
PRD
PRD
PRD
TOTAL
Telefone
Manutenção de máquinas
Despesas administrativas
Despesas com vendas
Despesas tributárias
Despesas financeiras
Outros
SOMA
3. DIFERENÇA DO PERÍODO (1-2)
4. SALDO INICIAL DE CAIXA
5. DISPONIBILIDADE ACUMULADA (+-3+4)
6. NÍVEL DESEJADO DE CAIXA
7. EMPRÉSTIMOS A CAPTAR
8. APLICAÇÕES NO MERCADO FINANCEIRO
9. AMORTIZAÇÕES DE EMPRESTIMOS
10. RESGATE DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS
P= Projetado; R= Realizado; D= Defasagem
Fonte: Zdanowicz (1998, p. 145).
2.5.9 Mapas auxiliares
Os mapas auxiliares têm por finalidade o levantamento detalhado de dados
sobre as operações da empresa com o objetivo de transformá-los em informações
úteis à tomada de decisão.
Segundo Zdanowicz (2004), os mapas que devem ser usados pelas
organizações alteram conforme o seu segmento e o porte da mesma. No entanto, os
mapas auxiliares mais importantes são os recebimentos das vendas a prazo,
recebimentos das vendas a prazo com atraso e pagamentos de compras a prazo.
Silva (2006) cita que os mapas possuem o intuito de planejar e organizar as
informações que serão inseridas nas planilhas a serem utilizadas, que vai depender
do tamanho e do tipo de atividade econômica de cada empresa.
Zdanowicz (2004) comenta que, quanto mais organizada a empresa for em
suas atividades operacionais, maior deve ser a sua capacidade de instrumentos
42
gerencias, porém, sempre tomando o devido cuidado para não tornar o sistema
muito burocrático.
A seguir apresenta-se alguns modelos sugeridos por Zdanowicz (2004).
Tabela 2 – Modelo de mapa auxiliar de recebimentos das vendas a prazo
MÊS DE RECEBIMENTO
MÊS DE VENDA
JAN
X
OUT
FEV
MAR ABR
NOV
X
X
DEZ
X
X
X
X
X
JAN
MAI
JUN
JUL
AGO
SET
OUT NOV
#
DEZ
#
∑
#
FEV
X
X
MAR
X
X
X
X
X
X
X
ABR
MAI
X
X
JUN
X
X
X
X
X
X
X
JUL
AGO
X
X
SET
X
X
X
X
X
∑
#Recebimentos ocorridos no ano anterior.
Fonte: Zdanowicz (2004, p. 150).
a) o somatório mensal de cada linha deverá ser transportado para o fluxo de
caixa;
b) as condições de recebimento das vendas a prazo da empresa obedecem à
seguinte programação financeira: 40% a 30 dias, 30% a 60 dias e 30% a 90 dias,
fora o mês.
Tabela 3 – Modelo de mapa auxiliar de pagamentos das compras a prazo
MÊS DE PAGAMENTO
MÊS DE COMPRA
FEV
OUT
JAN
X
NOV
X
X
DEZ
X
X
X
X
X
JAN
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
Continua
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
SET
OUT NOV
#
DEZ
#
#
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
∑
43
Continuação
JAN
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
AGO
SET
X
SET
OUT NOV
X
X
X
DEZ
X
X
∑
#Pagamentos efetuados no ano anterior
Fonte: Zdanowicz (2004, p. 151).
a) o somatório mensal de cada linha deverá ser transportado para o fluxo de caixa;
b) as condições de pagamento das compras a prazo da empresa obedecem à
seguinte política: 50% a 30 dias, 30% a 60 dias e 20% a 90 dias, fora o mês.
A principal função do mapa auxiliar é determinar o período em que as
entradas e saídas dos recursos financeiros decorrentes de transações realizadas a
prazo afetarão o fluxo de caixa.
2.5.10 Contas a receber
As contas a receber de uma empresa são títulos, resultantes de uma
operação de crédito, que expressam o compromisso assumido pelos clientes de
saldarem sua dividas em um prazo previamente determinado.
Para Silva (2001), as contas a receber são os valores a receber de clientes,
pela venda de produtos ou serviços. Essas contas acompanham o volume de
vendas, pois se aumentarem as vendas, a quantidade de contas a receber também
aumentará. As contas a receber de clientes compreendem: duplicatas em carteira,
duplicatas caucionadas, duplicatas em cobrança bancária simples, duplicatas
descontadas.
De acordo com Assaf Neto e Silva (1997), as contas a receber surgem da
venda de algum produto ou de prestação de serviço e do compromisso de efetuar o
pagamento no futuro. Este compromisso pode ser representado por duplicata a
receber, nota promissória, cheque pré-datado, entre outros.
Segundo Gitman (2004), o administrador financeiro controla as contas a
receber através da política de crédito e da política de cobrança. Na política de
44
crédito, onde é estabelecido e gerenciado a seleção de crédito aos clientes, tanto a
liberação quanto a quantidade de limite de crédito.
Conforme Hoji (2004, p.129), “as contas a receber são geradas pelas vendas
a prazo, que são feitas após a concessão de crédito”. As compras e vendas a prazo
é uma pratica normal utilizada pelas empresas.
2.5.11 Contas a pagar
São registradas nas contas a pagar, as obrigações resultantes dos serviços e
produtos recebidos que ainda deverão ser pagos, decorrentes do fornecimento de
utilidades e de prestação de serviços, tais como impostos e salários, água, energia
elétrica, propaganda, aluguéis e todas as contas a pagar.
Segundo Gitman (1997, p. 633), “a empresa pode comprar vários insumos a
crédito, o período de tempo de que a empresa dispõe para pagar por essa compra é
chamado de ciclo médio de pagamento”.
Gropelli & Nikbakht (1999, p. 390) ressaltam que o contas a pagar pode ser
visto como empréstimos dos fornecedores sem juros e que na ausência desse
procedimento a empresa tem que tomar emprestado ou usar seu capital próprio para
pagar faturas de seus fornecedores. Portanto, seu beneficio está na economia de
despesas de juros que teriam de ser pagos se não houvesse o crédito dado pelo
fornecedor. Se o contas a pagar não está gerando esse beneficio, é preciso saber o
motivo que está levando a isso.
Conforme Hoji (2004, p.139), em contas a pagar as funções são: “estabelecer
políticas de pagamentos, controlar adiantamentos a fornecedores, controlar
abatimentos a fornecedores, controlar e liberar pagamentos a fornecedores”.
Para Silva (2006), os princípios básicos de contas a pagar é não pagar
nenhuma conta com atraso e nenhuma conta antes do vencimento, ou seja, pagar
em dia. Possibilidades de melhores condições de pagamentos ou descontos são
outros aspectos que devem ser observados no contas a pagar. Um bom
relacionamento com os fornecedores é muito importante.
45
2.5.12 Análise e controle do fluxo de caixa
Para que o fluxo de caixa satisfaça as finalidades propostas, é necessário que
o gestor financeiro realize análise, acompanhamento, interpretação, avaliação,
revisão e controle do fluxo de caixa, pois tais medidas auxiliam na eficácia do
alcance dos resultados (SILVA, 2006).
Através da análise é possível realizar projeções para o futuro com base na
interpretação dos dados extraídos, obtendo auxílio na tomada de decisão e
almejando por uma condição financeira melhor do que a do período anterior
(DROMS; PROCIANOY, 2002).
Silva (2006) afirma ainda que para que exista uma boa análise do fluxo de
caixa, é necessário que o administrador financeiro esteja sempre atento para
aspectos distintos, de maneira que o mesmo tenha consistência em suas análises,
tendo sempre visão e aptidão para melhorar os resultados da empresa.
Nesse sentido, o gestor financeiro também deve acompanhar o desempenho
dos
objetivos
pré-estabelecidos
e atualizá-los constantemente, através
da
comprovação de documentos, tais como: notas fiscais de compras e vendas,
promissórias, duplicatas, e títulos a receber e a pagar. Assim, é possível que o
gestor obtenha o controle de todas as operações realizadas pela empresa em
determinado período (ZDANOWICZ, 1989).
Segundo Zdanowicz (2004), o controle do fluxo de caixa é tão importante
para a empresa quanto o seu processo de planejamento, pois ambos se interligam
por meio de uma correlação, sendo apenas deste modo úteis e práticos. O fluxo de
caixa pode variar de acordo com o mercado, bem como a imprevistos indispensáveis
à atividade empresarial. Zdanowicz (2004) ainda cita que a maneira mais simples de
realizar o controle é efetuá-lo diariamente, pois deste modo não se tornará
exaustivo, diminuindo margens de erros e obtendo resultados mais rápidos, por
eventuais correções.
Por fim, a revisão e o controle do fluxo de caixa são mais importantes que seu
próprio planejamento e elaboração, e por isso deve ser revisto e acompanhado por
um determinado período, dependendo da necessidade de cada empresa. A revisão
do fluxo de caixa não deve ser deixada para ser realizada no final do mês, e sim ser
realizada diariamente, pois torna o processo muito complexo e acaba atrasando a
46
elaboração do fluxo de caixa do período seguinte. Deve ser realizada a partir do
controle diário da movimentação bancária da empresa, de recebimentos e
pagamentos diários, investimentos e financiamentos, e do boletim diário de caixa
(SILVA, 2006).
2.5.13 Elaboração e implantação do fluxo de caixa
A elaboração do fluxo de caixa é realizada a partir do conjunto de informações
recebidas de todos os departamentos da empresa, que são encaminhados para a
área financeira (ZDANOWICZ, 1989).
Nesse sentido, Santos (2001) sugere que as seguintes informações devem
ser consideradas para a elaboração do fluxo de caixa:
• classificação quanto ao fluxo de caixa utilizado, se de curto ou longo prazo,
de acordo com o segmento, a necessidade e tamanho da empresa;
• o grau de detalhamento dos ingressos e desembolsos de caixa referentes a
estoques, pagamentos, recebimentos e aplicações financeiras;
• o grau de precisão, no qual depende do prazo determinado: se for curto
prazo, um percentual de 10% é considerado aceitável. Caso seja de longo
prazo, deve-se considerar um prazo de 15%;
• o gestor deve possuir conhecimento de que o fluxo de caixa serve apenas
como um instrumento de planejamento financeiro, não devendo ser
utilizado
para outros fins como controle de inadimplência, controle de
gastos, dentre outros;
• recomenda-se que não ultrapasse 10% do total dos registros referentes às
entradas e saídas de caixa;
• para a cobertura do fluxo de caixa de curto prazo, geralmente utiliza-se o
calendário fixo (do dia 1º ao dia 30 do mês), ou prazos corridos. Para o
fluxo de caixa de longo prazo, utiliza-se como base o calendário fixo.
Contudo, para a elaboração e aplicação do fluxo de caixa, é necessário que o
administrador financeiro elabore planilhas auxiliares que o auxiliarão na alimentação
dos dados totais para a planilha final de fluxo de caixa. Essas planilhas e mapas
47
auxiliares possuem a finalidade de agrupar e planejar os dados que serão
transportados para a planilha do fluxo de caixa, ou seja, servem como forma de
organização dos dados (SILVA, 2006).
Após tratar dos requisitos básicos para a elaboração do fluxo de caixa,
aponta-se para os requisitos que devem ser considerados para sua implantação.
Zdanowicz (1998, p. 133) cita que “a implantação do fluxo de caixa consiste
em apropriar os valores fornecidos pelas várias áreas da empresa, segundo o
regime de caixa, isto é, de acordo com os períodos que efetivamente deverão
ocorrer os ingressos e desembolsos de caixa”.
Silva (2006) afirma que esses requisitos são:
• obter apoio e auxílio da direção da empresa;
• Integração entre todos os departamentos e níveis da organização com o
fluxo de caixa;
• fluxo de informações bem definidos, a partir da qualidade dos dados
elaborados, planilhas a serem utilizadas, datas e prazos de entrega de
dados e responsáveis pela realização de projeções;
• determinação da escolha do modelo de fluxo de caixa que melhor se
enquadre nas necessidades da empresa;
• treinamentos para as pessoas que irão implantar o sistema de fluxo de
caixa;
• conscientização de todos os níveis da empresa para a realização e alcance
dos objetivos projetados pelo uso do fluxo e caixa;
• criação de controles financeiros.
2.5.14 Prazos para planejamento do fluxo de caixa
Para o planejamento da implantação do fluxo de caixa é necessário definir o
período que este irá abranger. Também é importante saber o tamanho da empresa e
ramo de atividade e ainda a finalidade, pois isso permitirá delimitar os prazos para o
planejamento do fluxo de caixa.
48
Para Frezatti (1999), é importante a empresa trabalhar com um planejamento
mínimo para três meses. O fluxo de caixa mensal deverá, posteriormente,
transformar-se em semanal e este em diário. O modelo diário fornecerá a posição
dos recursos em função dos ingressos e desembolsos de caixa, constituindo-se em
poderosos instrumentos de planejamento e controle financeiros para a empresa.
Segundo Zdanowics (1998), o tamanho da empresa e ramo de atividade em
que ela atua, servirão de base para definir o período de planejamento do fluxo de
caixa. Nos casos em que as atividades apresentam oscilações constantes, o fluxo de
caixa geralmente é previsto para períodos curtos. Já nos casos em que o volume de
vendas é estável, são utilizados períodos mais longos.
Se a organização iniciar um programa de investimentos, por exemplo, deverá
realizar um planejamento com mais detalhamento, e com um prazo menor.
O período de tempo utilizado para projetar o fluxo de caixa é chamado prazo
de cobertura. Santos (2001) explica que o prazo de cobertura pode ser de curto
prazo (de uma a doze semanas), médio prazo (de 91 dias a um ano) ou longo prazo
(mais de um ano).
O autor apresenta ainda a seguinte tabela, abordando os prazos de cobertura
e os períodos de informação:
Tabela 4 – Combinações entre prazo de cobertura e período de informação
Prazo de cobertura
Período de informação
Diário
Semanal
Semanal
X
Quinzenal
X
Mensal
X
X
Trimestral
X
X
Mensal
X
Semestral
X
Anual
X
Fonte: Adaptado de Santos (2001, p. 59).
Trimestral
X
49
2.6 Capital de giro
O capital de giro é denominado de capital circulante, correspondendo aos
recursos aplicados, que se transformam constantemente dentro do ciclo operacional.
Assim, como o próprio nome indica, o capital de giro fica ‘girando’ dentro da empresa
e a cada vez que sofre transformação em seu estado patrimonial, produz reflexo na
contabilidade. Até se transformar em dinheiro, o valor inicial do capital de giro vai
sofrendo acréscimo a cada transformação, de modo que, quando o capital retomar
ao ‘estado de dinheiro’, ao completar o ciclo operacional, deverá estar maior do que
o valor inicial (HOJI, 2004).
O capital de giro de uma empresa é a diferença entre o ativo e o passivo
circulante, assim o administrador ou o gestor financeiro precisa estar atento a estas
variáveis para a obtenção de lucratividade no caixa empresarial, usando dos
recursos financeiros de modo mais otimizado, para alçar sucesso em seu
empreendimento (PEREIRA, 2006).
Todo negócio empresarial necessita de capital de giro para suprir suas
necessidades, bem como dar continuidade em suas atividades, contudo, não
havendo uma administração coerente, a empresa poderá ser fechada ou ficar
prejudicada em sua lucratividade (TELES, 1997).
O capital de giro líquido de uma empresa é a diferença entre o ativo e o
passivo circulante, assim o administrador ou o gestor financeiro precisa estar atento
a estas variáveis para a obtenção de lucratividade no caixa empresarial, usando dos
recursos financeiros de modo mais otimizado, para alçar sucesso em seu
empreendimento (PEREIRA, 2006).
Segundo Gitman (2001), o capital de giro, também denominado capital
circulante é representado pelas aplicações constantes, apresentados pela
disponibilidade, valores a receber e estoque. Enfim, pode-se dizer que, o capital de
giro representa os recursos financeiros pertencentes a uma empresa para o
financiamento de suas atividades, desde a aquisição de matéria-prima até o
recebimento dos valores pertencentes à venda do produto manufaturado.
Gitman (2001) também ressalta que a administração do capital de giro é
influenciada pelas decisões tomadas pela empresa no setor financeiro, e de como
elas aplicam, criam e dominam seus recursos, preservando a empresa.
50
Conforme Neto & Silva (1997), o capital de giro representa os recursos
utilizados pela empresa para financiar as necessidades operacionais observadas
desde a aquisição da matéria-prima ou mercadorias até a apuração das vendas do
produto como parte essencial para o desempenho da empresa, Considerando as
condições de mercado e utilizando estratégias de atuação sobre o montante de
capital de giro, deve-se observar a viabilidade financeira de seus negócios, para a
formação de retorno econômico nos investimentos que poderiam vir a ser realizados
de forma mais eficaz para o desenvolvimento econômico dos negócios da empresa.
O capital de giro tem participação relevante no desempenho de qualquer
organização, cobrindo geralmente mais da metade de seus ativos totais investidos.
(ASSAF NETO; SILVA, 2002).
Para Braga (1995, p.81), "a administração do capital de giro envolve um
processo continuo de tomada de decisões voltadas principalmente para a
preservação da liquidez da empresa, mas que também afetam a sua rentabilidade".
Braga (1995) ainda acrescenta que as concordatas e falências geralmente
constituem o desfecho natural para as soluções inadequadas dos problemas de
gestão do capital de giro.
Para que possa funcionar, uma organização necessita de recursos materiais
cuja renovação é lenta, tais como equipamentos e imóveis (chamados de capital
permanente ou fixo) e de recursos materiais de renovação rápida, como por
exemplo, os produtos que formam o seu capital circulante e os estoques de
matérias-primas, que são denominados de capital de giro (SANTOS, 2001).
De acordo com Silva (2006), é também conhecido como capital circulante –
curto prazo, isto porque ele fica girando dentro da organização, podendo sofrer
mudanças patrimoniais que alteram na contabilidade, bem como uma administração
imprópria pode ocasionar problemas financeiros e até levar à insolvência.
2.6.1 Regime de competência e regime de caixa
Os regimes de competência e de caixa estão interligados ao capital de giro.
51
De acordo com Di Augustini (1996), o regime de competência acontece sobre
o ativo e passivo quando estes são reconhecidos nos exercícios em que os serviços
foram prestados ou utilizados; já no regime de caixa se reconhece as receitas,
quando se paga ou se recebe.
O regime de competência apura o resultado econômico e mede a
rentabilidade das operações, ele reconhece as receitas no ato da venda e despesas
no momento em que acontecem. No regime de caixa se planeja e controla o caixa e
apura o resultado financeiro (superávit ou déficit de caixa), reconhecendo as receitas
no instante que são pagas (SILVA, 2006).
Segundo Stickney e Weil (2001), regime de competência ocorre quando a
empresa reconhece suas receitas quando vende bens ou presta serviços e no
regime de caixa a empresa reconhece as receitas (venda de bens e serviços) e
despesas quando estas são efetivamente recebidas e pagas.
2.6.2 Necessidade de investimento em capital de giro
Os administradores financeiros, em certos momentos, não possuem o
controle necessário sobre as finanças da empresa, mas, isto ocorre devido a
variáveis existenciais na política governamental nacional, podendo majorar ou
minorar as vendas no mercado. Além deste problema mencionado, a política de
crédito empresarial deverá ser bem estruturada, para em casos de inadimplência
poder buscar recursos em financeiras, bem como o ciclo operacional, no qual quanto
maior o período entre o pagamento da matéria-prima e o recebimento dos valores
correspondentes as suas vendas, maior a necessidade de capital de giro (MARTINS,
2003).
Segundo Assaf Neto; Silva (1998, p. 33):
Os ativos circulantes operacionais representam, em essência, os
investimentos que a empresa deve efetuar em itens operacionais de giro, ou
seja, em valores a receber (motivados por vendas a prazo), estoques
(determinados pelas necessidades de estocagem) e despesas operacionais
incorridas, porém de competência do exercício seguinte.
A necessidade de investimento em capital de giro especifica o montante de
recursos demandados pelo ciclo operacional da organização, que é determinado em
52
função das políticas de compra, venda e estocagem definidas pela empresa (ASSAF
NETO, 2003).
Desta forma, a necessidade de investimento em capital de giro, apresenta-se
como um conceito fundamental para a análise da empresa do ponto de vista
financeiro, ou seja, análise de caixa. Sendo também utilizado no estudo de
estratégias de financiamento, crescimento e Iucratividade (MATARAZZO, 1987).
Resumindo, conforme a ideia de Assaf Neto & Silva (1997, p. 65):
A necessidade de investimento em capital de giro depende
fundamentalmente do volume de atividade (produção e vendas) da empresa
e de seu ciclo financeiro, definido pelas características da natureza de seus
negócios e sazonalidades, que determinam os giros (rotações) das fases
operacionais e os valores das contas cíclicas. É uma necessidade
operacional permanente de recursos, devendo, em condições de equilíbrio
ser financiada com fundos também de longo prazo.
2.6.3 Fontes de financiamento
Financiamentos de curto prazo são operações através das quais as empresas
levantam recursos a prazos curtos destinados à suspensão de aplicações em crédito
a clientes e estoques, ou mesmo à substituição do financiamento aos clientes, como
ocorre com o crédito direto ao consumidor (SANVICENTE, 1993).
No desenvolvimento de suas atividades, as organizações utilizam-se de
recursos de terceiros (financiamentos) a fim de suprir as suas necessidades de
investimentos. Neste contexto, os passivos circulantes representam as fontes de
financiamento a curto prazo da empresa. Essas fontes de recursos de curto prazo
podem ser originárias das próprias operações da empresa, como duplicatas a pagar
a fornecedores, impostos a recolher, salários e encargos sociais a pagar; ou podem
advir de atividades financeiras, como financiamentos e empréstimos (HOJI, 2001).
Os empréstimos bancários em conta corrente, segundo Santos (2001), é um
tipo de serviço mediante o qual o banco comercial se compromete a conceder a uma
empresa um crédito numa conta que pode ser movimentada à vista. Neste caso a
empresa pode obter fundos de acordo com a sua necessidade, assim como pode
depositar dinheiro, diminuindo a sua dívida. Neste tipo de financiamento os juros não
incidem sobre o valor máximo colocado à disposição da empresa e sim são
53
calculados em função do movimento diário, segundo a apuração de saldos
devedores.
O factoring (fomento comercial) é feito por uma instituição não financeira, que
compra as duplicatas, cheques ou faturas, mediante um desconto. Deste modo, a
empresa transforma os recebimentos das suas vendas a prazo em recebimentos à
vista (BEZERRA FILHO, 1995).
Na definição de Bezerra Filho (1995), o desconto de duplicatas nada mais é
do que uma operação de antecipação de recursos através do desconto de título de
crédito antes do seu vencimento.
54
3 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA
Neste item apresenta-se as características da empresa Mafra Alumínios e
Temperados.
3.1 Histórico
Luiz Afonso Mafra, nasceu em Itajaí, SC, no ano de 1953, e começou a
trabalhar muito jovem, aos 15 anos de idade, na serralheria Uruguai, que na época
trabalhava apenas com ferro, na função de ajudante de serralheiro. Com o passar
dos anos foi se aperfeiçoando, até atingir a maioridade e se tornar braço direito do
patrão na área de produção. Neste período foi incorporado ao portfólio da empresa
os serviços em alumínio, novidade naquela época, e acabou se tornando o
segmento único da empresa, pois era mais rentável. Com o adoecimento e
afastamento do patrão, Luiz passou a tomar a frente da empresa. Alguns anos mais
tarde, por falta de herdeiros e familiares interessados no negócio, o patrão resolver
passar a empresa para seu nome junto com todo maquinário e estoque, e cedeu até
mesmo o galpão onde funcionava a empresa, até o falecimento dele e sua esposa.
Anos mais tarde a empresa foi para outro endereço onde, permaneceu por sete
anos,
Após este período, e com o apoio do filho mais velho, Luiz resolveu, no ano
de 2010, mudar para um espaço maior, com melhor localização, um nome fantasia
novo (que já era conhecido pelos antigos clientes) e com foco também nos serviços
de vidro temperados e coberturas de policarbonato, acompanhando as tendências.
Atualmente a empresa conta com quatro colaboradores, dois serralheiros e
dois na parte de administração. A empresa conta com um ótimo espaço físico e
ótima localização, propício para atender o cliente com conforto e qualidade.
55
3.2 Dados de identificação
A denominação social, Mafra Alumínios, surgiu pelo fato de Luiz Mafra ser
muito conhecido na época em que trabalhava como serralheiro na serralheria
Uruguai, principalmente pelos clientes, por esse motivo viu-se a oportunidade de
anunciar seu negócio.
A empresa está situada na Rua Nilson Edson dos Santos, 150, bairro São
Vicente, Itajaí, SC. A localização é de fácil acesso, com vários pontos de referência
conhecidos, facilitando a visita de clientes e fornecedores de outras cidades.
3.3 Missão
Missão é o objetivo maior de qualquer organização e a razão de ser da
mesma.
De acordo com Oliveira (1999), missão pode ser definida como a razão de ser
da empresa. É na missão que procura-se definir qual o negócio da empresa, porque
ela existe e ainda em que atividade a empresa deverá se concentrar no futuro.
Oliveira (1999, p. 118) diz, ainda, que a “missão é uma forma de traduzir
determinado sistema de valores em termos de crenças ou áreas básicas de atuação,
considerando as tradições e filosofias da empresa”.
A missão da Mafra Alumínios é “proporcionar aos clientes soluções
inovadoras em serviços de serralheria e vidro temperado, com qualidade, preço justo
e foco sempre na eficiência de nosso atendimento de maneira a satisfazer o nosso
cliente”.
56
3.4 Visão
A Visão se refere aos principais objetivos da organização, quanto ao seu
planejamento, observando a melhor estratégia e viabilidade da empresa.
Oliveira (2003) conceitua visão como sendo os limites que a alta direção
consegue enxergar dentro de um período de tempo em longo prazo e com uma
abordagem mais ampla. Ela estabelece o que a organização almeja.
Desta forma, a visão da empresa é “ser reconhecida por seus clientes,
fornecedores e concorrentes como uma das melhores serralherias da região,
destacando-se
como
exemplo
de
comprometimento,
agilidade,
profissionalismo e sendo sempre a primeira escolha como prestador de
serviços em sua área de atuação”.
3.5 Valores
Os valores incidem nas convicções que fundamentam as escolhas por um
modo de conduta tanto de um indivíduo quanto em uma organização.
Segundo Chiavenato (2010), valor é uma crença básica sobre o que se pode
ou não fazer e o que é ou não importante; os valores são constituídos por crenças e
atitudes que ajudam a determinar o comportamento individual.
Assim, os valores da empresa são: “integridade e respeito com os
colaboradores, clientes e fornecedores; qualidade e excelência em produtos e
processos”.
57
3.6 Ramo de atividade
A introdução do alumínio na construção civil tem pouco mais de 40 anos, com
início tímido, restrito a componentes das esquadrias existentes na época (Janelas de
Madeira e Aço).
O desenvolvimento de projetos de esquadrias, 100%, de alumínio, iniciou-se
na Europa e conquistou parcialmente o mercado de obras residenciais. No Brasil, o
grande marco do avanço tecnológico do alumínio na construção civil, foram as obras
da cidade de Brasília.
E foi nessa época que as empresas da área de extrusão, tiveram a visão do
potencial desse mercado, se aprimoraram nesse ramo de atividade desenvolvendo
seus próprios projetos de esquadrias, desencadeando a fabricação de uma série de
linhas de perfis de aplicações diversas.
Atualmente o mercado de esquadrias de alumínio continua crescendo, e o
seu maior aliado é a construção civil, devido a sua versatilidade em atender qualquer
projeto de arquitetura, oferecendo: desempenho e resistência nas mais variadas
condições, além de permitir formas audaciosas e designs arrojados, aliando conforto
e durabilidade.
3.7 Mercado
A empresa está situada em Itajaí, e o mercado no qual a Mafra Alumínios
atua está em expansão. Nos últimos anos houve um grande aumento na procura de
esquadrias por pessoas de diversas classes sociais, principalmente porque as
construções estão em constante crescimento.
Existem muitos concorrentes na região neste segmento, fazendo com que a
empresa busque diferenciação no mercado. Assim, verificou-se a necessidade de
expandir seus negócios para outras regiões, como: Navegantes, Balneário
Camboriú, Brusque e Bombinhas (onde atende casas de veraneio, principalmente de
58
clientes). Isso faz com que a empresa esteja sempre com muitos serviços em
andamento.
Por esse motivo, a Mafra Alumínios tem necessidade de implantar um fluxo de
caixa, que será fundamental para o sucesso e crescimento da empresa.
3.8 Caracterização dos serviços prestados
A Mafra Alumínios presta serviços de produção e manutenção de esquadrias
e vidros temperados, e procura oferecer aos clientes qualidade no serviço,
utilizando-se de materiais de primeira linha.
A empresa trabalha apenas com peças fabricadas sob encomenda, não
possui material a pronta entrega.
Possui um pequeno estoque para reformas e consertos de emergência e
geralmente compra a matéria-prima com fornecedores da região, o que agiliza a
entrega do serviço ao cliente, não passando de sete dias do pedido até a instalação.
Também é oferecido a alguns concorrentes parceiros o serviço de furação e
refilação, pelo motivo de a empresa possuir um maquinário diferenciado, que pelo
alto valor de aquisição poucas serralherias têm.
Outro diferencial é que geralmente todo o atendimento é feito a domicílio,
desde o orçamento até o pagamento.
3.9 Modelo de gestão atual
O atendimento ao cliente começa com uma visita na obra para saber o que o
cliente precisa e tirar as medidas exatas para que seja feito o orçamento, que pode
ser encaminhado via e-mail ou entregue impresso ao cliente. Confirmado o pedido,
são negociadas as condições de pagamento.
Confirmado o pedido, são encomendados os materiais usados no serviço,
entregues pelo fornecedor no mesmo dia. Deste modo, se inicia a produção e no
59
prazo de sete dias é entregue e instalado. A instalação é feita pelos próprios
serralheiros, que em poucas horas concluem a instalação.
3.10 Organograma
A seguir apresenta-se o organograma da empresa estudada, que é simples
em função de sua estrutura empresarial e do número de funcionários.
Figura 1: Organograma da empresa
Fonte: Elaborado pelas acadêmicas
Por se tratar de uma empresa familiar, o proprietário é o diretor, sendo assim,
é o responsável pelas decisões da empresa, tais como pagamento de funcionários,
compras, cobranças e também as visitas aos clientes.
O auxiliar administrativo executa atividades relacionadas aos serviços de
banco, atendimento ao cliente e outras funções necessárias para o bom
funcionamento da organização.
Na produção encontram-se os serralheiros, que são responsáveis pela
fabricação das peças, instalação das mesmas e os serviços de manutenção, sendo
subordinados ao diretor.
60
4 RESULTADOS DA PESQUISA
Neste item demonstra-se os resultados da pesquisa de campo realizada na empresa
Mafra Alumínios, com base nos dados obtidos através de entrevistas informais com
o administrador da empresa e análises de documentos referentes ao período de
maio/2013 á dezembro/2013, que serviram de base para projetar o fluxo de caixa
para o segundo semestre de 2014.
Apresenta-se, ainda, mapas auxiliares de compras e vendas, demonstrando a
previsão de ingressos e desembolsos referentes às compras e vendas a prazo para
os meses em que foi projetado o fluxo de caixa.
Tabela 5 – Relatório de compras, vendas, encargos e demais receitas e despesas
mai/13
jun/13
jul/13
ago/13
set/13
out/13
nov/13
dez/13
Vendas à vista (70%)
27.291,56
31.470,83
28.023,25
26.861,46
25.978,96
27.672,52
33.670,25
32.329,51
Vendas a prazo (30%)
11.696,36
13.487,50
12.009,96
11.512,06
10.276,69
11.859,61
14.430,11
13.855,50
100,00
174,00
131,00
357,00
221,00
254,00
314,00
98,00
39.087,92
45.132,33
40.164,21
38.730,52
36.476,65
39.786,13
48.414,36
46.283,01
Ingressos
Outros (furação)
Soma
Desembolsos
Fornecedores
Compras à vista (10%)
1.240,03
1.640,30
1.335,75
1.536,19
1.407,74
1.161,66
1.891,54
1.826,60
Compras a prazo (90%)
11.163,44
14.762,71
12.021,76
13.825,76
12.669,69
10.454,96
17.023,86
16.439,39
Soma
12.403,47
16.403,01
13.357,51
15.361,95
14.077,43
11.616,62
18.915,40
18.265,99
Despesas Administrativas
Água
20,11
20,11
20,11
20,11
20,11
20,11
20,11
Energia Elétrica
102,66
118,46
131,51
155,68
107,05
101,94
103,89
Telefone/Internet/Celular
238,59
241,61
237,02
235,07
245,59
244,25
237,82
Contabilidade
415,00
415,00
415,00
415,00
415,00
615,00
715,00
Despesas bancárias
10,91
10,91
10,91
10,91
10,91
10,91
10,91
Despesas com veículo
0,00
0,00
524,68
714,70
1.446,97
1.176,92
379,04
1.900,00
1.900,00
1.900,00
1.900,00
1.900,00
1.900,00
1.900,00
Manutenção de equipamentos
30,00
0,00
60,00
0,00
0,00
220,00
0,00
Sindicato Metalúrgico
31,61
31,61
31,61
31,61
21,61
21,61
21,61
Aluguel
170,94
170,94
170,94
170,94
170,94
170,94
170,94
2.919,82
2.908,64
3.501,78
3.654,02
4.338,18
4.481,68
3.559,32
Salário dos funcionários
5.600,00
5.600,00
5.600,00
5.600,00
5.600,00
5.600,00
5.600,00
Pró-labore
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
FGTS
448,00
448,00
448,00
448,00
448,00
672,00
672,00
INSS (GPS)
723,00
723,00
723,00
723,00
723,00
723,00
1.171,00
IR
126,42
126,42
126,42
126,42
126,42
126,42
126,42
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
2.800,00
2.800,00
9.397,42
9.397,42
9.397,42
9.397,42
9.397,42
12.421,42
12.869,42
Simples Nacional
3.384,92
3.012,32
2.904,79
2.585,75
2.983,96
3.631,08
3.471,23
Soma
3.384,92
3.012,32
2.904,79
2.585,75
2.983,96
3.631,08
3.471,23
Publicidade
Soma
Despesas com pessoal
13° Salário
Soma
Despesas Tributárias
Financiamento
Continua
61
Continuação
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
out/14
nov/14
dez/14
Empréstimo bancário
IDENTIFICAÇÃO
mai/14
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
Soma
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
Lucro retirado
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
Soma
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
Despesas Financeiras
Despesas com Investimentos
Financiamento do veículo
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
Soma
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
SOMA
6.533,80
4.994,96
1.071,22
268,67
4.956,59
2.471,42
1.623,69
Fonte: Arquivos da empresa
A tabela (5) mostra os ingressos compostos pela receita de venda à vista, a
prazo e entradas referentes a furações. Já os desembolsos são compostos de
pagamentos realizados, que correspondem aos fornecedores de matéria-prima;
despesas administrativas, com pessoal e tributárias; financiamento; empréstimo e
retirada de lucro.
O volume de vendas, tanto dos ingressos quanto dos desembolsos, foi
definido de acordo com estudos de dados e coletas no sistema administrativo. Os
prazos de pagamento disponibilizados aos clientes variam de acordo com o serviço
a ser realizado e, principalmente, com o valor da venda. Os pagamentos são feitos
através de cheques, depósitos, cartões e dinheiro.
Em relação aos desembolsos, observa-se que a maioria das compras são
feitas a prazo, isso facilita a negociação com clientes da Mafra Alumínios, que
preferem o pagamento a prazo. Para as compras à vista são concedidos, por alguns
fornecedores, um desconto que varia de 5% a 10%, que é repassado a clientes que
optam pelo pagamento no ato da compra.
A manutenção do veículo refere-se a troca de óleo, pneus, revisão e limpeza,
sendo feita com frequência para a conservação e bom funcionamento do veículo.
O empréstimo bancário ocorreu em função do aumento do capital de giro,
para cobrir certo montante de vendas realizadas a prazo, o qual não foi recebido,
encontrando-se em processo de cobrança judicial.
Quanto ao investimento, o valor do veículo foi financiado 100%, sendo este
valor dividido em 48 parcelas iguais.
Referindo-se às despesas administrativas e com pessoal, observa-se que
existem despesas fixas, como pagamentos de funcionários, aluguel, contabilidade e
valores que variam durante o período, contas de energia, telefone, FGTS, e
despesas bancárias.
62
Nas despesas com FGTS e INSS nota-se um aumento nos valores dos
meses de novembro e dezembro, que se dá devido ao 13º.
É importante destacar que a empresa é optante do regime de tributação do
Simples Nacional. Para que a empresa possa optar por este regime de tributação
depende de uma série de imposições, entre elas o volume do faturamento anual e o
objetivo social.
4.1 Projeção dos resultados obtidos
Na tabela (6) todos os valores foram atualizados com a taxa de inflação
prevista para o período, 6%. Aos valores de vendas de produtos e serviços, compras
e despesas tributárias, além de atualizados com a taxa de inflação, foram
adicionados 10% referentes a previsão de aumento nas vendas em relação ao
mesmo período de 2013.
Tabela 6 – Relatório de compras, vendas, encargos e demais receitas e despesas com
atualização da inflação e expectativa de vendas
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
out/14
nov/14
dez/14
Vendas à vista (70%)
31.821,96
36.694,99
32.675,11
31.320,46
30.291,47
32.266,16
39.259,51
37.696,21
Vendas a prazo (30%)
13.637,96
15.726,43
14.003,61
13.423,06
11.982,62
13.828,31
16.825,51
16.155,51
116,60
202,88
152,75
416,26
257,69
296,16
366,12
114,27
45.576,52
52.624,30
46.831,47
45.159,78
42.531,78
46.390,63
56.451,14
53.965,99
IDENTIFICAÇÃO
Ingressos
Outros (furação)
Soma
Desembolsos
Fornecedores
Compras à vista (10%)
1.445,87
1.912,59
1.557,48
1.791,20
1.641,42
1.354,50
2.205,54
2.129,82
Compras a prazo (90%)
13.016,57
17.213,32
14.017,37
16.120,84
14.772,86
12.190,48
19.849,82
19.168,33
Soma
14.462,44
19.125,91
15.574,85
17.912,04
16.414,28
13.544,98
22.055,36
21.298,15
Despesas Administrativas
Água
21,32
21,32
21,32
21,32
21,32
21,32
21,32
Energia Elétrica
119,70
138,12
153,34
181,52
124,82
118,86
121,14
Telefone/Internet/Celular
252,91
256,11
251,24
249,17
260,33
258,91
252,09
Contabilidade
439,90
439,90
439,90
439,90
439,90
651,90
757,90
Despesas bancárias
11,56
11,56
11,56
11,56
11,56
11,56
11,56
Despesas com veículo
0,00
0,00
556,16
757,58
1.533,79
1.247,54
401,78
2.014,00
2.014,00
2.014,00
2.014,00
2.014,00
2.014,00
2.014,00
Manutenção de equipamentos
31,80
0,00
63,60
0,00
0,00
233,20
0,00
Sindicato Metalúrgico
33,51
33,51
33,51
33,51
22,91
22,91
22,91
Aluguel
Publicidade
Soma
181,20
181,20
181,20
181,20
181,20
181,20
181,20
3.105,90
3.095,72
3.725,83
3.889,76
4.609,83
4.761,40
3.783,90
5.936,00
5.936,00
5.936,00
5.936,00
5.936,00
5.936,00
5.936,00
Despesas com pessoal
Salário dos funcionários
Continua
63
Continuação
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
out/14
nov/14
dez/14
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
FGTS
474,88
474,88
474,88
474,88
474,88
712,32
712,32
INSS (GPS)
766,38
766,38
766,38
766,38
766,38
766,38
1.241,26
IR
134,01
134,01
134,01
134,01
134,01
134,01
134,01
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
2.968,00
2.968,00
9.811,27
9.811,27
9.811,27
9.811,27
9.811,27
13.016,71
13.491,59
Simples Nacional
3.946,82
3.512,37
3.386,99
3.014,98
3.479,30
4.233,84
4.047,45
Soma
3.946,82
3.512,37
3.386,99
3.014,98
3.479,30
4.233,84
4.047,45
Empréstimo bancários
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
Soma
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
Retirada de lucros
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
Soma
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
IDENTIFICAÇÃO
mai/14
Pró-labore
13° Salário
Soma
Despesas Tributárias
Financiamento
Despesas financeiras
Despesas com Investimentos
Financiamento do veículo
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
Soma
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
SOMA
10.141,04
8.343,90
3.830,29
2.908,13
8.451,89
5.890,47
4.851,54
Fonte: Tabela 5 (relatório de compras, vendas, encargos e demais receitas e despesas)
4.2 Mapas auxiliares
Os mapas auxiliares têm por objetivo ajudar o administrador financeiro na
projeção dos ingressos e desembolsos detalhadamente de acordo com o período
projetado.
Com esse detalhamento, os mapas auxiliam na análise do administrador
financeiro ou até mesmo por um profissional sem muito conhecimento na área
financeira, quando estudado o fluxo de caixa.
A seguir apresenta-se o total das vendas da empresa, conforme os
lançamentos feitos no caixa durante o período.
64
4.2.1 Mapas auxiliares de entradas de caixa
As entradas de caixa da empresa em pesquisa ocorrem com a venda de
produtos. Os recebimentos são realizados na proporção de 70% à vista e 30% a
prazo, na forma de cheques, dinheiro e cartão de crédito.
A tabela 7 apresenta os períodos em que os recursos financeiros das vendas
à vista e a prazo entrarão em caixa.
Tabela 7 – Mapa auxiliar de entradas de caixa a prazo
Eventos
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
out/14
nov/14
dez/14
Total das vendas
45.576,52
52.624,30
46.831,47
45.159,78
42.531,78
46.390,63
56.451,14
53.965,99
Total à vista (70%)
31.938,56
36.897,87
32.827,86
31.736,72
30.549,16
32.562,32
39.625,63
37.810,48
Total a prazo (30%)
13.637.96
15.726,43
14.003,61
13.423,06
11.982,62
13.828,31
16.825,51
16.155,51
6.818.98
6.818.98
7.863,22
7.863,22
7.001,81
Fluxo de entrada de
7.001,81
6.711,53
vendas a prazo
6.711,53
5.991,31
5.991,31
6.914,16
6.914,16
8.412,76
Total de entradas a prazo
6.818.98
14.682,20
14.865,03
13.713,34
12.702,84
12.905,47
15.326,92
Fonte: tabela 6 (Relatório de compras, vendas, encargos e demais receitas e despesas com
atualização da inflação e expectativa de vendas)
O mapa auxiliar de entradas de caixa a prazo apresentado acima,
considerando o período de julho/2014 a dezembro 2014, demonstra que o mês de
outubro será o mês com menor entrada de caixa a prazo do período analisado,
apenas R$ 12.702,84. Em contrapartida, neste mesmo mês as vendas à vista
apresentaram um valor razoável, R$ 32.562,32 mantendo o equilíbrio em relação
aos outros períodos. O mês com maior entrada a prazo de caixa será em dezembro,
R$ 15.326,92.
Em relação as vendas à vista, o maior volume está previsto para o mês de
novembro R$ 39.625,63, enquanto o menor volume de vendas ocorrerá no mês de
setembro R$ 30.549,16.
Destaca-se em geral, que o mês em que haverá o maior volume de entradas,
considerando-se a soma das vendas à vista e a prazo, será novembro, com R$
56.451,14.
65
4.2.2 Mapa auxiliar de saída de caixa
O mapa de saída é composto pela compra de materiais.
As compras realizadas pela Mafra Alumínios são pagas 10% à vista, e 90% a
prazo, em até 2 vezes.
No mapa auxiliar de saídas de caixa a prazo, apresentado a seguir, estão
projetados os valores que deverão sair do caixa mês a mês, de maio a dezembro de
2014, embora, para fins de análise, serão considerados os meses de julho a
dezembro de 2014, os quais comporão o fluxo de caixa projetado.
Tabela 8 – Mapa auxiliar de saídas de caixa a prazo
Eventos
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
out/14
nov/14
dez/14
Total das compras
14.462,44
19.125,91
15.574,85
17.912,04
16.414,28
13.544,98
22.055,36
21.298,15
Total à vista (10%)
1.445,87
1.912,59
1.557,48
1.791,20
1.641,42
1.354,50
2.205,54
2.129,82
Total a prazo (90%)
13.016,57
17.213,32
14.017,37
16.120,84
14.772,86
12.190,48
19.849,82
19.168,33
6.508,29
6.508,29
8.606,66
8.606.66
7.008.69
Fluxo de entrada de
7.008,69
8.060,42
vendas a prazo
8060,42
7.386,43
7.386,43
6.095,24
6.095,24
9.924,91
Total de saídas a prazo
6.508,29
15.114,95
15.615,35
15.069,11
15.446,85
13.481,67
16.020,15
Fonte: tabela 6 (Relatório de compras, vendas, encargos e demais receitas e despesas com
atualização da inflação e expectativa de vendas)
Percebe-se que o mês com maior desembolso de caixa a prazo será
dezembro, com R$ 16.020,15, já o menor desembolso ocorrerá em novembro, com
R$ 13.481,67.
Considerando-se os desembolsos à vista, de julho a dezembro, o mês de
maior saída será novembro, com R$ 2.205,54, e o mês com menor desembolso será
outubro, com R$ 1.354,50.
O valor alto do total de compras no mês de novembro, R$ 22.055,36, é reflexo
de várias compras de matéria-prima, devido ao grande volume de vendas realizadas
no mês em questão.
66
4.3 Fluxo de caixa projetado
O fluxo de caixa projetado foi elaborado com base nas compras e vendas de
mercadorias e demais ingressos e desembolsos previstos para os meses de julho a
dezembro de 2014.
4.3.1 Manual de instruções
Visando um melhor entendimento deste trabalho, segue abaixo um breve
manual de instruções para o fluxo de caixa projetado. Este manual foi desenvolvido
pelo professor orientador e adotado pelas acadêmicas.
(1) Registrar todos os recebimentos e pagamentos mensais previstos relacionados
às atividades operacionais.
(2) Este resultado pode ser negativo ou positivo. É o confronto das entradas e
saídas da ATIVIDADE OPERACIONAL.
(3) Registrar todas as entradas e saídas mensais de numerários previstas
relacionadas a transações de itens do ativo permanente.
(4) Este resultado pode ser negativo ou positivo. É o confronto das entradas e
saídas da ATIVIDADE DE INVESTIMENTO.
(5) Registrar todas as entradas e saídas de recursos financeiros relacionadas ao
financiamento das operações (empréstimos bancários, integralização de capital, etc).
(6) Este resultado pode ser negativo ou positivo. É o confronto das entradas e
saídas da ATIVIDADE DE FINANCIAMENTO.
(7) Este saldo é a soma algébrica dos resultados (2); (4) e (6), podendo ser negativo
ou positivo.
Obs: Após encontrar os resultados do item (7), seguir as regras (sinais algébricos)
do modelo.
(8) O saldo inicial de cada período é sempre igual ao final do período anterior.
67
(9) Aqui, deve ser registrada a entrada do dinheiro pelo resgate da aplicação (o valor
principal).
(10) Registrar a entrada do dinheiro pelos rendimentos (juros) das aplicações
realizadas.
(11) Registrar a saída do dinheiro pelo pagamento do empréstimo contraído (só o
principal).
(12) Nesta linha, registrar a saída do dinheiro pelo pagamento dos juros sobre os
empréstimos contraídos.
(13) Nesta linha, registrar o valor do empréstimo (principal) necessário para que se
tenha o saldo final de caixa conforme projetado. Ao apurar o valor do empréstimo,
lançar o principal e juros nos itens (11) e (12), respectivamente, conforme o mês
previsto para pagamento.
(14) Nesta linha, registrar as aplicações (principal) a serem efetuadas quando sobrar
recursos de acordo com o saldo final de caixa projetado. Ao apurar o valor da
aplicação, lançar o principal e juros nos itens (9) e (10), respectivamente, conforme o
mês previsto para resgate.
(15) Este saldo é projetado conforme política da empresa (não esquecer que o saldo
inicial de cada período é sempre igual ao saldo final do período anterior).
Obs: Os saldos (8) e (15), podem, e devem ser definidos (de acordo com as
informações) antes de qualquer procedimento relativo ao fluxo de caixa projetado.
ATIVIDADES OPERACIONAIS – envolvem todas as atividades relacionadas
com a produção e entrega de bens e serviços e os eventos que não sejam definidos
como atividades de investimento ou financiamento. Normalmente, relaciona-se com
as transações que aparecem na Demonstração de Resultados.
ATIVIDADES DE INVESTIMENTOS – relacionam-se normalmente com o
aumento e diminuição dos ativos de longo prazo que a empresa utiliza para poder
produzir bens e serviços. Inclui a concessão e recebimento de empréstimos, a
aquisição e venda de instrumentos financeiros e patrimoniais de outras entidades e
a aquisição e alienação do imobilizado.
ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO – relacionam-se com os empréstimos de
credores e investidores à entidade. Inclui a obtenção de recursos dos donos e o
pagamento a estes de retorno sobre seus investimentos ou do próprio reembolso do
investimento; inclui também a obtenção de empréstimos credores e a amortização
68
ou liquidação destes; e também a obtenção e pagamento de recursos de créditos a
longo prazo.
A tabela seguinte é a demonstração do fluxo de caixa projetado para a
empresa estudada, para os meses de julho a dezembro de 2014, com base nos
dados coletados.
Tabela 9 – Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014
ATIVIDADES
OPERACIONAIS (1)
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro Dezembro
(+) Recebimentos de
vendas à vista
32.827,86
31.736,72
30.549,16
32.562,32
39.625,63
37.810,48
(+) Recebimentos de
vendas a prazo
14.682,20
14.865,03
13.713,34
12.702,84
12.905,47
15.326,92
Total de entradas
47.510,06
46.601,75
44.262,50
45.265,16
52.531,11
53.137,40
(-) Pagamentos a
fornecedores à vista
1.557,48
1.791,20
1.641,42
1.354,50
2.205,54
2.129,82
(-) Pagamentos a
fornecedores a prazo
15.114,95
15.615,35
15.069,11
15.446,85
13.481,67
16.020,15
(-) Salários com encargos
9.811,27
9.811,27
9.811,27
9.811,27
9.811,27
13.016,71
(-) Despesas administrativas
3.105,90
3.095,72
3.725,83
3.889,76
4.609,83
4.761,40
(-) Despesas tributárias
3.946,82
3.512,37
3.386,99
3.014,98
3.479,30
4.233,84
Total de saídas
33.536,42
33.825,91
33.634,62
33.517,36
33.587,61
40.161,92
Caixa Líquido consumido/
gerado por atividades
operacionais (2)
13.973,64
12.775,84
10.627,88
11.747,80
18.943,50
12.975,48
-
-
-
-
-
-
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
1.263,36
(1.263,36)
(1.263,36)
(1.263,36)
(1.263,36)
(1.263,36)
(1.263,36)
-
-
-
-
-
-
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
2.730,00
Entradas
Saídas:
ATIVIDADES DE
INVESTIMENTO (3)
Entradas:
(+) Vendas de Imobilizado
Saídas:
(-) Aquisição de veículo
Caixa líquido
consumido/gerado por
atividade de investimento
(4)
ATIVIDADES DE
FINANCIAMENTO (5)
Entradas:
(+) Integralização de capital
Saídas:
(-) Empréstimo Bancário
Continua
69
Continuação
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
2.500,00
(5.230,00)
(5.230,00)
(5.230,00)
(5.230,00)
(5.230,00)
(5.230,00)
Aumento/ Diminuição
líquido nas
disponibilidades (7)
7.480,28
6.282,48
4.134,52
5.254,44
12.450,14
6.482,12
(+) Saldo inicial de caixa (8)
15.000,00
15.000,00
15.000,00
15.000,00
15.000,00
15.000,00
(=) Disponibilidade
Acumulada I
22.480,28
21.282,48
19.134,52
20.254,44
27.450,14
21.482,12
(+) Resgate de aplicações
(9)
-
7.480,28
13.801,66
18.007,95
23.356,03
35.927,62
(+) Rendimento de
aplicação (10)
-
38,90
71,77
93,64
121,45
186,82
(-) Liquidação de
empréstimos (11)
-
-
-
-
-
-
(-) Juros pagos s/
empréstimos (12)
-
-
-
-
-
-
(=) Disponibilidade
Acumulada II (*)
22.480,28
28.801,66
33.007,95
38.356,03
50.927,62
57.596,56
(+) Empréstimos Bancários
a Curto Prazo (13)
-
-
-
-
-
-
(-) Aplicações Financeiras
de Excedentes (14)
7.480,28
13.801,66
18.007,95
23.356,03
35.927,62
42.596,56
(=) Saldo Final de caixa (*)
(15)
15.000,00
15.000,00
15.000,00
15.000,00
15.000,00
15.000,00
(-) Retirada de Lucro
Caixa Líquido consumido/
gerado por atividade de
Financiamento (6)
Novembro Dezembro
Fonte: Tabelas 6, 7 e 8 (Relatório de compras, vendas, encargos e demais receitas e despesas com
atualização da inflação e expectativa de vendas; mapa auxiliar de entradas de caixa a prazo e mapa
auxiliar de saídas de caixa a prazo, respectivamente)
(*) Disponibilidade acumulada II (–) Saldo Final de Caixa = Excedentes ou Escassez de Recursos
Financeiros do Período, que será igual ao valor da aplicação a ser realizada (excedentes) ou do
empréstimo (escassez de recursos) a ser contraído, de acordo com o nível de caixa desejado.
Nas atividades operacionais relatam-se as entradas e saídas de caixa
procedentes de suas atividades institucionais.
Analisando o fluxo de caixa projetado, foi possível verificar que nas atividades
operacionais, haverá excedentes de caixa em todos os períodos, destacando-se, o
mês de novembro R$ 18.943,50.
Porém, se a empresa tivesse que captar algum recurso, o fluxo de caixa
projetado indicaria o montante necessário, dessa forma a empresa poderia se
planejar com antecedência e buscar fontes de empréstimos mais vantajosas.
70
Na tabela 9, foi utilizada a taxa de 0,52% ao mês para o cálculo do
rendimento das aplicações, sendo ela aplicada aos valores mensais do item resgate
de aplicações.
Nas entradas operacionais de caixa de julho a dezembro, percebe-se que o
mês de setembro será o de pior desempenho, com R$ 44.262,50. Já o mês de
dezembro apresentará o melhor resultado, com entradas de caixa projetadas de R$
53.137,40.
Em relação ao total de saídas, destaca-se o mês de dezembro, com o total de
R$ 40.161,92, representando o maior valor de desembolsos mensais do período
projetado. O mês de outubro será o mês com menor desembolso, R$ 33.517,36.
As atividades de investimentos, classificadas como aquisição de veículo,
estão representadas pela compra de uma caminhonete, utilizada para transporte dos
produtos da empresa e seu financiamento, com parcela fixa mensal de R$ 1.263,36.
Quanto às atividades de financiamento, ocorrerão saídas referentes a retirada
de lucros, fixada no valor de R$ 2.500,00. E pagamento mensal de um empréstimo
bancário no valor de R$ 2.730,00.
Para que a empresa possa liquidar suas obrigações em dia, projetou-se o
valor de R$ 15.000,00 como saldo de caixa inicial, que somado as vendas e
recebimentos de início de cada mês, serão utilizados para pagar as despesas com
vencimento no inicio do mês.
Com a implantação do fluxo de caixa projetado ficará mais visível para o
proprietário da empresa ver quais resultados ela obtém, podendo analisar, planejar
ou aplicar seus recursos da melhor maneira possível.
Além do que, o fluxo de caixa é uma ferramenta de fácil análise, oferecendo
informações básicas para a tomada de decisão com mais realidade, sendo que os
controles dos ingressos e desembolsos são fáceis de acompanhar, as informações
diárias
dão
margem
para
um
planejamento
e
administração
financeira,
representando base de determinação, saúde e o grau de liquidez da empresa.
No gráfico 1 apresenta-se as entradas das atividades operacionais à vista e
entradas a prazo.
71
Gráfico 1 – Comparação entre os recebimentos à vista e a prazo
Fonte: Tabela 9 (Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014)
Neste gráfico percebe-se a diferença entre os recebimentos à vista e a prazo.
Os recebimentos à vista serão superiores em todos os meses, com destaque para o
mês de novembro, onde ocorrerá o maior volume, R$ 39.625,63.
O mês em que os recebimentos a prazo mais se aproximarão dos
recebimentos à vista será agosto, sendo apenas R$ 14.865,03.
No gráfico 2 é feita uma comparação entre os pagamentos a fornecedores a
prazo e à vista.
Gráfico 2 – Comparação entre os pagamentos à vista e a prazo
Fonte: Tabela 9 (Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014)
72
O gráfico 2 demonstra a parcela que as saídas a prazo representam em
relação ao total de saídas à vista. O mês com maior destaque será outubro, em que
ocorrerá a maior diferença entre saídas à vista e saídas a prazo, sendo
R$14.092,35.
O mês de outubro será o período em que está previsto o menor valor de saída
à vista e novembro terá o menor desembolso de saídas a prazo.
Gráfico 3 – Comparação dos pagamentos a fornecedores a prazo em relação ao total de
entradas (em R$)
Fonte: Tabela 9 (fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014)
Observa-se no gráfico a parcela que os pagamentos a fornecedores a prazo
representam em relação ao total de entradas. O mês com maior destaque é
novembro, em que ocorrerá a maior diferença entre entradas e pagamentos a
fornecedores, sendo R$ 39.049,44, representando 25,66%.
O mês de setembro será o período em que está previsto o menor valor total
de entradas e o mês de novembro o menor valor de pagamento de fornecedores a
prazo.
No gráfico 4 é possível visualizar, em forma de percentual, a proporção de
pagamentos a fornecedores a prazo em relação ao total de entradas.
73
Gráfico 4 – Porcentagem dos pagamentos a fornecedores a prazo em relação ao total de
entradas
Fonte: Tabela 9 (Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014)
Percebe-se com a visualização do gráfico que o mês de outubro é o mês em
que haverá uma maior porcentagem de diferença entre as entradas e os
pagamentos a prazo a fornecedores 34,13%, representando o valor destinado a
pagamentos de fornecedores a prazo em relação ao total de entradas.
Já o mês de novembro, é o que possui a menor porcentagem, sendo que do
total de entradas, apenas 25,66% são destinados a pagamentos a fornecedores a
prazo.
No gráfico 5 demonstra-se o total de entradas, comparado com o total de
saída de cada mês, em relação às atividades operacionais.
74
Gráfico 5 – Total de entradas versus total de saídas operacionais (em R$)
Fonte: Tabela 9 (Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014)
Neste gráfico é possível observar que o total de entradas será superior ao
total de saídas em todos os meses do período analisado, mostrando que a empresa
conseguirá cumprir com suas obrigações mensais, em termos operacionais, e ainda
haverá um excedente de caixa. O mês que apresentará maior sobra é o mês de
novembro, com uma diferença de R$ 18.943,50.
Gráfico 6 - Proporção das saídas de caixa em relação ao total de desembolsos (em %)
Fonte: Tabela 9 (Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014)
75
O gráfico 6 mostra a parcela que cada saída de caixa, proveniente das
atividades operacionais, atividade de investimento e atividade de financiamento
representa do total dos desembolsos. Os valores descritos representam a média
mensal de cada item durante os seis meses para os quais o fluxo de caixa foi
projetado.
Percebe-se no gráfico 7 a porcentagem do caixa líquido gerado pelas
atividades operacionais. Os percentuais foram apurados tomando-se como base as
sobras mensais em relação ao total do semestre.
Gráfico 7 – Caixa Líquido gerado pelas atividades operacionais
Fonte: Tabela 9 (Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014)
O caixa líquido gerado pelas atividades operacionais é a diferença entre o
total de entradas e total de saídas do período projetado.
Este gráfico permite a visualização dos meses em que ocorrerão os maiores
volumes de caixa líquido gerado, sendo os meses de novembro, com R$ 18.943,50
e julho com R$ 13.973,64.
Os meses que apresentarão as menores parcelas são os meses de setembro
com R$ 10.627,88 e outubro R$ 11.747,80.
O gráfico 8 demonstra a variação do Aumento/Diminuição Líquido nas
disponibilidades dos meses de julho a dezembro de 2014. Destaca-se que os
76
montantes mensais representam as entradas e saídas do caixa provenientes das
três atividades (operacionais, investimentos e financiamentos).
Gráfico 8 - Aumento/Diminuição líquido nas disponibilidades (em R$)
Fonte: Tabela 9 (Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014)
Nota-se que no mês de setembro o saldo líquido de caixa apresentará
resultado inferior aos demais períodos, com apenas R$ 4.134,52 de disponibilidade.
Comparado com novembro, mês com melhor desempenho, este valor se revela
muito baixo.
Por meio do gráfico é possível perceber que haverá uma variação
considerável nos valores de cada mês. Neste sentido, é importante que o
proprietário considere o período como um todo, e utilize os excedentes dos meses
com melhor desempenho para compensar os meses com pior resultado.
Nos meses de julho e agosto deverão ser reservadas quantias para
compensar os desembolsos de setembro, visto que se ocorrer algum imprevisto,
esta reserva poderá suprir quaisquer eventualidades no decorrer deste mês.
No gráfico 9 mostrar-se as aplicações financeiras proporcionadas pelos
excedentes mensais de caixa que ocorrerão no segundo semestre de 2014.
77
Gráfico 9 – Aplicações financeiras dos excedentes de caixa no 2º semestre de 2014
Fonte: Tabela 9 (Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014)
As aplicações financeiras dos excedentes estão demonstradas de forma
cumulativa ao longo do semestre. Assim, através da análise do gráfico, percebe-se
que os valores aumentam gradualmente conforme o passar dos meses.
Em julho o valor será de R$ 7.480,28 e em dezembro R$ 42.596,56,
representando um aumento de 469,45% considerando-se a sobra prevista para o
mês de julho de 2014 com o montante acumulado em dezembro.
A projeção do fluxo de caixa permite que se planeje com antecedência as
ações (investimentos, empréstimos, promoções, entre outros). Com o fluxo de caixa
projetado, a empresa Mafra Alumínios poderá ampliar as possibilidades para que se
possa evitar a falta de recursos, permitindo cumprir com suas obrigações, assim
como planejar investimentos para os meses em que haverá excedentes de caixa.
Embora se realize a projeção, deve-se realizar um acompanhamento dos
resultados, a fim de comparar o que foi planejado com o que de fato se consolidou.
A projeção não garante que os objetivos sejam atingidos, portanto, toda a empresa
deve se esforçar para alcançar as metas propostas.
Para a empresa estudada, que nunca se utilizou de um fluxo de caixa, esta
projeção servirá de base para o desenvolvimento que o proprietário planeja para os
78
anos seguintes, demonstrando de maneira clara o que esperar para os próximos
meses.
79
5 SUGESTÕES PARA A EMPRESA
O resultado obtido com elaboração do trabalho, juntamente com a vivência
das estagiárias na empresa, permitiu visualizar alguns fatos que contribuirão para a
formação e manutenção de futuras ferramentas de gestão para a organização.
Apresentam-se a seguir algumas sugestões, no sentido de propiciar ao gestor
da empresa estudada uma gestão financeira adequada.
• Separar as contas pessoais das contas da empresa, para melhor controle
das despesas da organização, pois a separação destas despesas auxiliará
na verificação do lucro ou prejuízo mensal da empresa, ou seja, o real
resultado obtido com os negócios.
• Elaborar uma planilha de controle diário com os gastos da empresa, para
que possa ser desenvolvido o fluxo de caixa.
• Desenvolver tabelas referentes aos ingressos e desembolsos, manter um
controle rigoroso do caixa, para manutenção do capital de giro e do
controle do fluxo de caixa mensal. Podendo-se visualizar de maneira mais
ampla quais as entradas e saídas que mais afetam o caixa da empresa.
• Manter o fluxo de caixa projetado atualizado, para que o proprietário possa
tomar as decisões relativas à área financeira.
• Estabelecer um controle bancário é essencial, para que se tenha certeza
de que todas as entradas previstas estejam realmente sendo creditadas na
conta, tanto pagamentos de notas a cobrar, cheques, cartões de crédito e
débito, depósitos etc., além do controle de taxas cobradas pelos bancos,
conferindo com o extrato bancário.
• As sobras mensais devem ser reinvestidas na empresa, ou em uma
poupança para serem recuperadas no curto prazo. Esta reserva poderá ser
utilizada para cobrir alguma necessidade de caixa em algum mês em que
ocorra falta de capital de giro, ou ampliar os negócios.
80
• Investir em divulgações da empresa em alguns veículos de comunicação,
como listas telefônicas, internet, rádio para que seja reconhecida no
mercado, e dessa forma também divulgar vagas de emprego disponíveis.
• Sugere-se ao proprietário que inicie um curso de gestão financeira, para
possibilitar um melhor entendimento e controle tanto da gestão financeira
da empresa, como das finanças pessoais.
• Destaca-se, também, a necessidade do treinamento de mais uma pessoa
para auxiliar nos processos internos financeiros e administrativos da
organização, para que desta forma todas as sugestões anteriores sejam
realizadas continuamente, além de que caso algum funcionário tenha que
ser substituído por motivo de férias, doenças etc., a empresa tenha um
profissional para suprir esta necessidade.
• Proceder análise dos custos e despesas incorridos na empresa, visando
conhecer a margem de contribuição dos diferentes produtos e se os preços
atualmente praticados estão gerando a lucratividade desejada.
81
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Embora as pequenas e médias empresas sejam responsáveis por grande
parte do desenvolvimento da economia do país, em que caracterizam-se por possuir
crescimento acelerado e adaptar-se rapidamente às mudanças do mercado, a
grande maioria dessas mesmas empresas não sobrevivem mais de dois anos.
O gerenciamento das pequenas empresas é exercido, em sua maioria, de
maneira familiar, ocasionando a ausência e falta de conhecimento de ferramentas
seguras para a tomada de decisões.
Sendo assim, foi apresentado à empresa objeto de estudo o fluxo de caixa,
um excelente instrumento de planejamento, através de conceitos, objetivos,
características e elementos necessários para a sua implantação e elaboração. Com
o fluxo de caixa, é possível obter a visão antecipada das sobras ou necessidades de
caixa, servindo como uma das ferramentas gerenciais mais importantes para
planejamento dentro das empresas, e tornando-se primordial para a gestão eficaz
dos administradores financeiros (ZDANOWICZ, 1989).
Nesse sentido, a realização deste trabalho objetivou fornecer, mediante a
obtenção de conhecimentos através de bibliografias na área de administração
financeira em geral e fluxo de caixa, em particular, bem como da premissa de seus
objetivos específicos, a sustentação para propor a implantação do fluxo de caixa
como forma de planejamento financeiro, até então inexistente na empresa, de modo
a esclarecer a sua utilização e elaboração, a fim de otimizar todo o processo
decisório da empresa em questão.
Para atingir os objetivos específicos pré-determinados neste estudo,
primeiramente verificou-se se a empresa utilizava algum instrumento de gestão com
a finalidade de planejamento financeiro. Com isso, constatou-se que a empresa
utilizava relatórios que serviam apenas como controle de contas a receber e a pagar,
mas que não eram utilizados para fim de planejamento. Esses relatórios consistem
em planilhas elaboradas a partir do Excel, que são alimentados com os valores a
receber de seus clientes, bem como valores a pagar relativos à mão-de-obra. Outras
contas a pagar como serviços de terceiros, fornecedores, materiais de escritório,
dentre outros, eram anotados manualmente em uma agenda de controle diário, ou
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seja, não servindo da mesma forma, como meio de projeção para a tomada de
decisão e o proprietário não separava as despesas pessoais das despesas da
empresa.
Os dados foram coletados através de pesquisa documental e informações
financeiras, considerando os meses de maio a dezembro de 2013 e analisados
posteriormente para a elaboração do fluxo de caixa projetado.
Também foram desenvolvidos mapas auxiliares para o registro diário de todos
os dados e informações. Assim, a partir do final de cada mês, o gestor financeiro
obtém o montante final e, posteriormente, alimenta as informações no fluxo de caixa,
para então realizar as projeções.
Por fim, foi elaborado o fluxo de caixa projetado para os meses de julho a
dezembro de 2014, apresentando resultados positivos em todos os meses
analisados.
A concretização deste estudo permitiu verificar que haverá excedente de
caixa em todos os meses analisados. O Aumento/Diminuição Líquido nas
disponibilidades, apesar de ser positivo em todos os meses, não apresentará
crescimento contínuo. Os valores variaram mensalmente, de julho a dezembro: R$
7.480,28, R$ 6.282,48, R$ 4.134,52, R$ 5.254,44, R$ 12.450,14 e R$6.482,12,
respectivamente. Os excedentes mensais serão aplicados a curto prazo, sendo
resgatados nos meses seguintes. A Disponibilidade Acumulada II, por sua, vez,
apresentou
resultados
continuamente
crescentes,
com
aumento
de
aproximadamente 156%, comparando-se julho (R$ 22.480,28) e dezembro (R$
57.596,56).
Também se observou que a principal fonte de desembolsos serão os
pagamentos de fornecedores a prazo, com média para o período analisado de R$
15.124,68, o que totaliza aproximadamente 44% de todas as saídas de caixa no
período.
As aplicações financeiras de excedentes, considerando-se as sobras
acumuladas ao longo do período projetado atingirão, de julho a dezembro de 2014,
os valores mensais de R$ 7.480,28, R$ 13.801,66, R$ 18.007,95, R$ 23.356,03, R$
35.927,62 e R$ 42.596,56 respectivamente. Estes valores são positivos para a
empresa estudada, visto que poderão ser utilizados para saldar dívidas decorrentes
da ampliação dos negócios ou aplicados em investimentos no mercado financeiro,
entre outras alternativas de investimento.
83
Os resultados obtidos contribuirão para que a Mafra Alumínios planeje suas
0,ações para o segundo semestre de 2014, bem como para períodos posteriores, e
maximize sua eficiência financeira. O trabalho realizado foi importante para as
acadêmicas, que puderam adquirir mais conhecimentos sobre a área financeira e
sobre a empresa, para a universidade, que estabeleceu mais uma parceria com uma
empresa da região e, principalmente, para a Mafra Alumínios, que passou a
conhecer uma importantíssima ferramenta para a gestão financeira, que poderá
aplicá-la continuamente para continuar crescendo e se tornar referência absoluta no
mercado em que atua.
84
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ASSINATURA DOS RESPONSÁVEIS
Estagiária
Priscila Mafra
Estagiária
Viviane Linhares
Orientador de conteúdo
Prof. Anacleto Laurino Pinto
Supervisor de campo
Juliano Mafra
Responsável pelo Estágio
Prof. Eduardo Krieger da Silva
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