UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS CURSO DE ADMINISTRAÇÃO 1111 PRISCILA MAFRA VIVIANE LINHARES TRABALHO DE CONCLUSÃO DE ESTÁGIO ELABORAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA PROJETADO PARA A EMPRESA MAFRA ALUMÍNIOS Administração Financeira ITAJAÍ (SC) 2014 PRISCILA MAFRA VIVIANE LINHARES TRABALHO DE CONCLUSÃO DE ESTÁGIO ELABORAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA PROJETADO PARA A EMPRESA MAFRA ALUMÍNIOS Trabalho de Conclusão de Estágio desenvolvido para o Estágio Supervisionado do Curso de Administração do Centro de Ciências Sociais Aplicadas – Gestão da Universidade do Vale do Itajaí. Orientador: Prof° Anacleto Laurino Pinto. ITAJAÍ-SC 2014 Agradecimentos, Agradecemos primeiramente a DEUS, por nos dar condições de alcançar este sonho. Aos nossos pais, por ter nos dado a vida e toda a educação e dedicação necessária para a construção do nosso caráter. Aos professores que tivemos a oportunidade de conhecer, em especial nosso orientador Anacleto Laurino Pinto pela competência e disposição de nos ajudar. Um agradecimento muito especial aos nossos companheiros Jefferson Amorim e Jefferson Teixeira, pelo companheirismo, cumplicidade e paciência que tiveram conosco durante todo o período do curso, contribuindo de alguma forma para que esse momento fosse alcançado. Enfim, agradecemos a todos que contribuíram de alguma forma para a realização deste trabalho. Muito Obrigado! “Quando você tem a consciência de que através do seu trabalho está realizando uma missão, você desenvolve uma força extra, capaz de levá-lo ao cume da montanha mais alta do planeta”. (Roberto Shinyashiki) EQUIPE TÉCNICA a) Nome do estagiário Priscila Mafra Viviane Linhares b) Área de estágio Administração financeira c) Orientador de conteúdo Prof. MSc. Anacleto Laurino Pinto d) Supervisor de campo Juliano Mafra e) Responsável pelo Estágio Prof. MSc. Eduardo Krieger da Silva DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO a) Razão Social Juliano Mafra M.E b) Endereço Rua Nilson Edson dos Santos, 150, bairro São Vicente, Itajaí, SC. c) Setor de Desenvolvimento do Estágio Financeiro d) Duração do estágio 240 horas e) Nome e cargo do supervisor de campo Juliano Mafra f) Carimbo e visto da organização RESUMO O fluxo de caixa é o método de planejamento mais utilizado pelas empresas e tem uma importância fundamental, o que assegura a necessidade de se efetuar um planejamento adequado, objetivando contribuir para a continuidade dessas empresas. O trabalho de conclusão de estágio teve como objetivo elaborar o fluxo de caixa para a empresa Mafra Alumínios, visando o planejamento e controle dos recursos financeiros. Para atingir este objetivo, foram analisados modelos teóricos sobre fluxo de caixa, sendo escolhido o modelo de Zdanowicz, adaptado para se ajustar às necessidades da empresa. A tipologia utilizada foi proposição de planos, a abordagem qualitativa com aporte quantitativo. Através da pesquisa documental efetivou-se a coleta de dados para, a partir da análise descritiva das informações, efetuar posteriormente a elaboração do fluxo de caixa projetado, a fim de despertar o melhor entendimento e utilização dessa ferramenta para a empresa. A realização deste estudo permitiu ainda identificar que haverá excedentes de caixa em todos os meses para os quais o fluxo de caixa foi projetado, que poderão ser investidos no mercado financeiro ou na expansão dos negócios, entre outras alternativas. Com o desenvolvimento do trabalho observou-se alguns fatos relevantes para a melhora do desempenho dos processos financeiros da organização, tais como: a importância de se planejar para que se possa agir com antecedência em situações futuras, assim como obter uma melhor utilização de seus recursos. Palavras-chave: Administração financeira; Planejamento Financeiro; Ingressos e desembolsos de caixa; Mapas auxiliares; Fluxo de caixa projetado. LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 1 – Organograma da empresa.....................................................................59 LISTA DE TABELAS TABELA 1 – Modelo de fluxo de caixa projetado................................................. 40 TABELA 2 – Modelo de mapa auxiliar de recebimentos das vendas a prazo....... 42 TABELA 3 – Modelo de mapa auxiliar de pagamentos das compras a prazo...... 42 TABELA 4 – Combinações entre prazo de cobertura e período de informação... 48 TABELA 5 – Relatório das compras, vendas, encargos e demais receitas e despesas.......................................................................................... 60 TABELA 6 – Relatório das compras, vendas, encargos e demais receitas e despesas com atualização da inflação e expectativa de vendas .... 62 TABELA 7 – Mapa auxiliar de entradas de caixa a prazo .................................... 64 TABELA 8 – Mapa auxiliar de saídas de caixa a prazo........................................ 65 TABELA 9 – Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014........... 68 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 – Comparação entre os recebimentos à vista e a prazo................. 71 GRÁFICO 2 – Comparação entre os pagamentos à vista e a prazo................... 71 GRÁFICO 3 – Comparação dos pagamentos a fornecedores a prazo em relação ao total de entrada.......................................................... 72 GRÁFICO 4 – Porcentagem dos pagamentos a fornecedores a prazo em relação ao total de entradas......................................................... 73 GRÁFICO 5 – Total de entradas versus total de saídas operacionais (em R$)............................................................................................... 74 GRÁFICO 6 – Proporção das saídas de caixa em relação ao total de desembolsos (em R$).................................................................. 74 GRÁFICO 7 – Caixa líquido gerado pelas atividades operacionais.................... 75 GRÁFICO 8 – Aumento/Diminuição líquido nas disponibilidades no ................. 76 GRÁFICO 9 – Aplicações financeiras dos excedentes de caixa no 2º semestre de 2014....................................................................................... 77 LISTA DE SIGLAS ME – Microempresa. FGTS – Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. INSS – Instituto Nacional do Seguro Social. IR – Imposto de Renda. Simples Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO................................................................................................... 13 1.1 Objetivo geral................................................................................................ 14 1.2 Objetivos específicos................................................................................... 14 1.3 Justificativa da realização do estudo......................................................... 15 1.4 Aspectos metodológicos............................................................................. 16 1.4.1 Caracterização da empresa........................................................................ 17 1.4.2 Técnicas de coleta e análise de dados........................................................ 18 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA........................................................................ 20 2.1 Empresa familiar.......................................................................................... 20 2.2 Administração.............................................................................................. 22 2.2.1 Áreas da administração............................................................................... 23 2.2.2 Administração financeira.............................................................................. 24 2.3 Planejamento financeiro.............................................................................. 26 2.4 Orçamento de caixa...................................................................................... 28 2.4.1 Objetivos do orçamento de caixa................................................................. 29 2.5 Fluxo de caixa............................................................................................... 30 2.5.1 Objetivos do fluxo de caixa.......................................................................... 31 2.5.2 Importância do fluxo de caixa...................................................................... 32 2.5.3 Fluxo de caixa projetado.............................................................................. 33 2.5.4 Ingressos e desembolsos............................................................................ 34 2.5.5 Alterações nos saldos de caixa................................................................... 36 2.5.6 Fatores que afetam o caixa......................................................................... 36 2.5.7 Causas da falta de recursos........................................................................ 38 2.5.8 Modelo de fluxo de caixa............................................................................. 39 2.5.9 Mapas auxiliares.......................................................................................... 41 2.5.10 Contas a receber....................................................................................... 43 2.5.11 Contas a pagar.......................................................................................... 44 2.5.12 Análise e controle do fluxo de caixa.......................................................... 45 2.5.13 Elaboração e implantação do fluxo de caixa............................................. 46 2.5.14 Prazos para planejamento do fluxo de caixa............................................. 47 2.6 Capital de giro............................................................................................... 49 2.6.1 Regime de competência e regime de caixa................................................. 50 2.6.2 Necessidade de investimento em capital de giro......................................... 51 2.6.3 Fontes de financiamento.............................................................................. 52 3 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA................................................................ 54 3.1 Histórico........................................................................................................ 54 3.2 Dados de identificação................................................................................. 55 3.3 Missão............................................................................................................ 55 3.4 Visão.............................................................................................................. 56 3.5 Valores........................................................................................................... 56 3.6 Ramo de atividade........................................................................................ 57 3.7 Mercado......................................................................................................... 57 3.8 Caracterização dos serviços prestados..................................................... 58 3.9 Modelo de gestão atual................................................................................ 58 3.10 Organograma.............................................................................................. 59 4 RESULTADOS DA PESQUISA........................................................................ 60 4.1 Projeção dos resultados obtidos................................................................ 62 4.2 Mapas auxiliares........................................................................................... 63 4.2.1 Mapa auxiliar de entradas de caixa............................................................. 64 4.2.2 Mapa auxiliar de saídas de caixa................................................................. 65 4.3 Fluxo de caixa projetado............................................................................. 66 4.3.1 Manual de instruções................................................................................... 66 5 SUGESTÕES PARA A ORGANIZAÇÃO.......................................................... 79 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................. 81 7 REFERÊNCIAS................................................................................................. 84 1 INTRODUÇÃO Com a globalização, houve uma expansão dos mercados e um consequente aumento da competitividade entre as empresas. Isso exige cada dia mais, evolução para as empresas se manterem competitivas no mercado atual. As empresas têm se movido no sentido de aumentar sua eficiência e produtividade, diminuindo seus custos e maximizando seus lucros. Para sobreviver em meio a toda essa competitividade, necessita de uma boa gestão financeira e um controle preciso das entradas e saídas dos recursos financeiros. A Administração, enquanto ciência oferece diversas ferramentas estratégicas para auxiliar na gestão financeira; o fluxo de caixa é uma dessas, sendo de suma valia, pois permite observar toda a movimentação financeira, ativos e passivos, permitindo uma visão qualificada do fluxo de pagamentos e recebimentos, e principalmente permitindo uma previsão da situação futura. A falta de uma gestão financeira adequada trás uma série de problemas que colocam a empresa em risco de solvência, caso venha apresentando prejuízos constantes que não sejam diagnosticados. A pesquisa foi realizada na empresa Juliano Mafra ME, identificada neste estudo pelo nome fantasia Mafra Alumínios. Fundada em maio de 2010, está localizada no bairro São Vicente, Itajaí, SC, tem suas atividades voltadas para a fabricação de esquadrias de alumínio, comércio varejista de vidros temperados e prestação de serviços de serralheria. Por se tratar de uma empresa familiar, tem poucos colaboradores, atualmente seis, incluindo os setores de produção e administração, caracterizando-se como micro-empresa. Um dos problemas observados na empresa objeto de estudo foi a falta de controle de entrada e saída de recursos financeiros, dificultando as atividades do gestor. A empresa possui bons profissionais, uma excelente carteira de clientes e ótimos fornecedores, porém, o problema apontado está impossibilitando avaliar o potencial de expansão de suas atividades econômicas. Foi desenvolvido neste trabalho um fluxo de caixa, possibilitando um planejamento de entradas e saídas de recursos financeiros mais eficazes, e mostrando a sua importância na gestão financeira. 14 O fluxo de caixa desenvolvido abrangeu o período de julho a dezembro de 2014, com base na movimentação financeira ocorrida nos meses de junho a dezembro de 2013. 1.1 Objetivo geral O objetivo geral deste trabalho foi elaborar o fluxo de caixa projetado para a empresa Mafra Alumínios, visando o planejamento e controle dos recursos financeiros. Conforme salientam Minayo (1994) e Roesch (2007), o objetivo geral define o propósito do trabalho, o que é pretendido com a pesquisa, e as metas que se busca alcançar no final da investigação. Gil (1996, p. 145) relata que “nesta parte indica-se o que é pretendido com o desenvolvimento da pesquisa e quais resultados que se procura alcançar”. 1.2 Objetivos específicos Os objetivos específicos indicam os caminhos a serem trilhados no sentido de executar e atingir os propósitos definidos no objetivo geral. Para Richardson (1999, p. 63), “os objetivos específicos definem etapas que devem ser cumpridas para alcançar o objetivo geral”. No entendimento de Markoni e Lakatos (2007, p. 221) os objetivos específicos “tem função intermediária e instrumental, permitindo de um lado atingir o objetivo geral e de outro, aplicá-lo a situações particulares”. Os objetivos específicos definem as ações que são aplicadas para atingir o objetivo geral, associando as etapas ao plano (ROESCH, 2007). Neste sentido, foram definidos os seguintes objetivos específicos: • analisar a estrutura e política atual da administração da empresa; 15 • verificar os meios que os gestores vêm adotando para controlar os recursos financeiros; • organizar documentos para um melhor controle dos recursos financeiros; • coletar as entradas e saídas dos recursos financeiros; • tabular os dados coletados pelo regime de competência; • verificar as expectativas de comportamento das vendas para o período de projeção do fluxo de caixa; • atualizar monetáriamente os dados coletados; • elaborar mapas auxiliares do fluxo de caixa; • desenvolver o fluxo de caixa; • demonstrar as vantagens da utilização do fluxo de caixa. 1.3 Justificativa da realização do estudo Apresenta-se neste item a justificativa para a realização do estudo proposto. Conforme sustenta Roesch (2005, p. 98), “justificar é apresentar razões para a própria existência do projeto”. Na visão de Gil (1999), a justificativa, consiste em apresentar, as razões para realização da pesquisa. Richardson (1999, p. 145) conclui que é na justificativa que “explicitam-se os motivos de ordem teórica e prática que justificam a pesquisa”. A empresa não possuía um instrumento adequado para controlar seus recursos financeiros, apenas um controle não formalizado. Devido à falta de instrumento de controle dos reais gastos pertinentes à empresa, o gestor não fazia distinção entre os gastos pessoais e os da empresa. Desta forma, implantar o fluxo de caixa na empresa fez-se necessário para poder visualizar sua situação financeira. Através do fluxo de caixa pode-se prever com antecedência possíveis necessidades ou sobras de recursos, tomando providências cabíveis para uma aplicação adequada dos recursos ou na captação dos mesmos, quando necessário. O tema foi definido pela importância prática, tendo em vista a percepção de que não existia um controle de entradas e saídas para que se possa obter um fluxo 16 de caixa devidamente correto. Em virtude da não utilização desta ferramenta na gestão financeira, o trabalho, além de elaborar o fluxo de caixa, pretendeu alertar o quanto é importante e essencial a utilização da mesma. Outro fator que tornou viável a elaboração deste trabalho é que a acadêmica Priscila Mafra já fazia parte do quadro de funcionários, realizando atividades no setor financeiro, e observou a necessidade de controle adequado das entradas e saídas dos recursos financeiros. Sendo assim, o estudo foi de grande importância para a empresa, já que contribuirá para um controle mais assertivo no que diz respeito ao gerenciamento das finanças da empresa. As acadêmicas se beneficiaram com o melhor entendimento sobre o assunto, conciliando uma parte do aprendizado teórico do período universitário com a prática, agregando valores à vida profissional de ambas. Para a universidade faz-se a interação entre conhecimentos científicos e empíricos e poderá servir como fonte de novas pesquisas. O presente trabalho teve sua viabilidade assegurada, pois o tema escolhido nunca foi abordado na organização, caracterizando sua originalidade. O trabalho foi realizado em dois semestres. Por fim, o acesso às informações foi de pleno conhecimento dos responsáveis da organização, não acarretando custos adicionais para ambas às partes, o que facilitou sua realização. 1.4 Aspectos metodológicos Apresenta-se neste item a metodologia utilizada na realização deste trabalho. Segundo Richardson (1999, p.22), “a metodologia são as regras estabelecidas para o método científico, por exemplo: a necessidade de observar, a necessidade de formular hipóteses, a elaboração instrumental, etc.”. Na visão de Minayo (1994), a metodologia apresenta o grupo pesquisado e as estratégias e procedimentos para analisar os dados. Roesch (2005) completa que o capítulo da metodologia tem o objetivo de descrever como foi desenvolvida a pesquisa, a partir dos objetivos previamente estabelecidos. 17 1.4.1 Caracterização da pesquisa De acordo com os objetivos propostos nesta pesquisa, a tipologia se caracterizou como proposição de planos, utilizando o modelo de consultoria, pois teve o propósito de apresentar soluções para o problema no controle do fluxo de caixa. O método de proposição de planos, segundo Roesch (2006, p. 67), é “apresentar soluções para problemas já diagnosticados. Pode ou não incluir a implementação do plano”. Roesch (2012) afirma ainda que o Modelo Consultoria permite que o acadêmico coloque em prática seus conhecimentos, apresentando soluções para problemas já diagnosticados pela organização ou mesmo identificando estes problemas. Este trabalho utilizou como método de pesquisa a pesquisa qualitativa com aporte quantitativo, já que foi empregada com a intenção de buscar maior conhecimento da realidade da organização. Segundo Creswell (2007), há o interesse de desenvolver temas a partir do resultado emergente de tal trabalho. Em geral, “pesquisas qualitativas preocupam-se em desenvolver conceitos mais que aplicar conceitos pré-existentes, estudar casos particulares mais que abarcar populações extensas” (ZANELLI, 2002, p. 80). Nas pesquisas de caráter qualitativo, os dados são coletados em entrevistas e podem passar pela análise de conteúdo e análise de discurso. Richardson (1999, p. 223) salienta que “em suma, a análise de conteúdo é um conjunto de instrumentos metodológicos cada dia mais aperfeiçoados que se aplicam a discursos”. De acordo com Roesch (2005, p. 154), o método qualitativo, “são apropriados para uma fase exploratória da pesquisa”. Na visão de Oliveira (1999, p. 117), “é correto afirmar que a pesquisa qualitativa tem como objetivo situações complexas ou estritamente particulares”. As pesquisas qualitativas estimulam os entrevistados a pensarem livremente sobre determinado assunto. Quanto ao método quantitativo, Richardson (1999) caracteriza pelo emprego da quantificação, tanto na coleta de informações, quanto no tratamento delas por meio de técnicas estatísticas. Neste sentido Roesh (2005) completa que se o objetivo do projeto é medir relações entre variáveis é preferível utilizar a pesquisa quantitativa para garantir uma boa interpretação dos resultados. 18 O método quantitativo, de acordo com Roesch (2007), é usado para que se possa medir alguma coisa de forma objetiva. Oliveira (1999) aponta que o método quantitativo indica a quantificação de dados através das opiniões, coleta de dados e informações. Como estratégia de pesquisa, foi utilizado o estudo de caso descritivo, que, no entendimento de Oliveira (1999, p. 128), a pesquisa descritiva tem por finalidade “observar, registrar e analisar os fenômenos sem, entretanto, entrar no mérito do seu conteúdo”. Neste sentido, Gil (2002, p. 142) argumenta que, As pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis. São inúmeros os estudos que podem ser classificados sob este título e uma das suas características mais significativas esta na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática. Cervo e Bervian (1996, p. 50) ressaltam que estudo de caso “é a pesquisa sobre um determinado indivíduo, família ou grupo ou sociedade, para examinar aspectos variados de sua vida”. Roesch (2005, p. 201) enfatiza que é uma estratégia de pesquisa que “permite o estudo de fenômenos em profundidade dentro de seu contexto; é especialmente adequado ao estudo de processos e explora fenômenos com base em vários ângulos”. 1.4.2 Técnicas de coleta e análise dos dados A coleta dos dados desta pesquisa foi realizada através de fontes primárias e secundárias. Mattar (2005) enfatiza que as fontes primárias são aquelas informações que não foram ainda coletadas e quando forem, irão servir para atender a um fim específico, como no caso desta pesquisa. Podendo ser coletados através de entrevistas, questionários, dentre outros. Na definição de Andrade (1997), fontes primárias são constituídas por material ainda não trabalhado, sobre determinado assunto. 19 Para Richardson (1990), a fonte secundária não está diretamente relacionada com o fato documentado, necessita de um elemento intermediário, outra pessoa que contribua para a geração da informação, o que pode trazer distorções na informação, visto que os indivíduos percebem os fatos de maneiras diferentes. Os dados foram fornecidos pelo proprietário da empresa, que é responsável pela movimentação dos recursos, e pela empresa que presta serviços contábeis para a empresa pesquisada. As informações foram levantadas através de documentos fiscais, relatórios disponibilizados pela empresa e entrevistas informais com o proprietário e seu contador. Quanto à análise de discurso, o objetivo é demonstrar, como nas conversas cotidianas, os participantes apresentam recordações, descrições, formulações que são construídas para a interação comunicativa (FLICK, 2004). A análise de dados nada mais é que a interpretação de texto para que se possa ter um entendimento melhor das mensagens, mediante procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. Os dados coletados foram tabulados em planilhas Word/Excel, organizados mês a mês, observando-se o regime da competência em que os fatos ocorreram (entradas e saídas de caixa). Após a tabulação, os respectivos valores foram atualizados monetariamente pelo índice de inflação previsto para o período de projeção. Quanto aos valores correspondentes às vendas, compras e tributos, além da atualização monetária, foram ajustados de acordo com a expectativa de comportamento das receitas esperadas para o período, na visão do gestor da empresa estudada. Após estas etapas, foram criados mapas auxiliares de entradas e saídas, com o intuito de verificar-se em que períodos os montantes correspondentes às compras e vendas a prazo afetarão efetivamente o caixa. Finalmente, com base nas tabelas com os dados devidamente atualizados e mapas auxiliares foi elaborado o fluxo de caixa. 20 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Este capítulo tem como objetivo apresentar a teoria de diversos autores, que permitiu compreender o tema e embasar os resultados. Richardson (2007, p. 68) descreve que “a fundamentação teórica tem por objetivo orientar o leitor para um aprofundamento do fenômeno estudado”. A presente revisão teórica contempla, com base em diferentes autores, os aspectos teóricos relacionados e necessários aplicados no desenvolvimento dos propósitos do tema objeto de estudo. 2.1 Empresa familiar As empresas familiares estão presentes em diversos setores econômicos há séculos e estas vêm aumentando cada vez mais. De acordo com Lodi (1994), uma empresa familiar trata-se de uma empresa administrada por membros da mesma família, pelo menos por duas gerações, a qual determina os interesses gerais da política da empresa. Uma empresa familiar se caracteriza por alguns fatos: inicia-se por um membro da família; membros da família participando da propriedade e/ou direção; os valores institucionais ligam-se com o sobrenome de família ou com o fundador; e a sucessão está ligada ao fator hereditário (LEONE, 2005). Segundo Moreira Junior, Bertoli Neto (2007), uma empresa familiar surge em uma família, ou então possui familiares na direção da organização, tais como filhos, netos ou primos. A empresa familiar possui algumas vantagens, pode-se citar: a lealdade e dedicação dos funcionários; interesse no destino da organização; esforço familiar para obter recurso administrativo e financeiro; fidelização aos objetivos e estratégias da empresa em função da administração familiar; (MOREIRA; ARMANDO, 2007). Para Bernhoeft (1990 apud LEONE, 2005), as principais vantagens e desvantagens ou pontos fortes e fracos são: 21 Pontos fortes: • proximidade entre a empresa e o centro do poder; • possibilidade de decisões ágeis; • conhecimento das características do país; • facilidade para implantar mudanças estruturais; • agilidade para estabelecer parcerias tecnológicas. Pontos fracos: • confusão entre propriedade e gestão; • ausência de estratégias claramente definidas; • lutas constantes pelo poder; • predominância de caprichos individuais; • falta de clareza sobre vocação da empresa; • carência em recursos humanos, tecnologia e melhoria de métodos e processos. Conforme Moreira Junior e Bertoli Neto (2007, p. 4), os problemas que dificultam a sobrevivência das empresas familiares são variados, mas normalmente estão relacionados a conflitos familiares, sucessão e profissionalização. Profissionalizar a gestão significa recrutar um quadro de pessoal especializado, profissionalmente formados, para a execução das funções gerenciais da empresa; as posturas deverão ser isentas de vieses subjetivos das relações familiares, primando pela racionalidade, competência e desenvolvendo-se com base em atribuições claramente explicitadas (SANTOS, 2004). A profissionalização é vista por Lodi (1993, p. 25-26) com base em três pontos básicos: • o sucesso em integrar profissionais familiares na direção e na gerência da empresa; • o sucesso em adotar práticas administrativas mais racionais; • o sucesso em recorrer à consultoria e à assessoria externas para incorporar sistemas de trabalho já exitosos em empresas mais avançadas ou recomendados nas universidades e nos centros de pesquisa. Assim, pode-se observar como a família afeta no desenvolvimento das atividades de uma organização constituída por seus membros e como é relevante o 22 papel do gestor e também a profissionalização de todos da empresa, de forma que esta se destaque no cenário empresarial. 2.2 Administração As origens da administração, conforme explica Ribeiro (2003), estão relacionadas com as consequências da revolução industrial, destacando-se duas delas: o crescimento rápido e desorganizado das empresas, que gerou uma necessidade de planejamento e um aumento da complexidade da administração; necessidade que as empresas passaram a ter de aumentar a eficiência e a competitividade, buscando recursos para enfrentar a concorrência e também a competição. O marco da administração começou com a administração científica de Taylor, onde defendia a ênfase nas tarefas. Logo a preocupação básica passou para ênfase na estrutura, com a teoria clássica de Fayol e com a teoria burocrática de Max Weber, seguindo-se mais tarde a teoria estruturalista (MAXIMIANO, 2000). Um aspecto importante na administração é reconhecer o papel e a importância dos outros. Os bons gerentes sabem que a única maneira para conseguir realizar qualquer coisa é pelas pessoas da organização (DAFT, 2005). Na definição de Montana e Charnov (2003, p. 2), “a administração é o ato de trabalhar com e por intermédio de outras pessoas para realizar os objetivos da organização, bem como o de seus membros”. Em relação às funções administrativas, Dalf (2005) define: (1) planejar, (2) organizar, (3) liderar e (4) controlar, descrevendo cada uma delas como: Planejar: diz respeito à definição de metas e a decisão sobre tarefas e o uso de recursos para alcançá-los; Organizar: é a função administrativa que envolve distribuição de tarefas, atribuição de autoridade e alocação de recursos pela organização; Liderar: uso da influência para alcançar as metas organizacionais; Controlar: Monitorar as atividades realizadas na organização; 23 Contudo, a administração necessita de um amplo conhecimento e a aplicação correta dos princípios técnicos e científicos, é a necessidade de combinar os meios e objetivos com eficiência e eficácia. 2.2.1 Áreas da administração Para se tornar um profissional da administração, é preciso ser um especialista em todas as áreas da administração, mantendo seu diferencial na área que atua. A administração está dividida em várias áreas, cada uma delas com suas especialidades. Para Roesch (2007, p. 34), “a administração se divide em: Administração Geral, Administração de Marketing, Administração de Recursos Humanos, Administração da Produção e Administração Financeira. Cada uma com suas próprias teorias e objetivos”. Para facilitar a realização dos processos e das atividades da administração, destacam-se sete áreas de atuação citadas por Dalf (2005), que são abordadas brevemente neste estudo. A Administração Financeira tem como objetivo gerenciar as finanças da organização e está fortemente ligada à economia e a contabilidade, além de buscar alternativas para um bom desempenho econômico (DAFT, 2005). Para Silva (1997), administrar os recursos financeiros torna-se primordial para garantir o futuro de um negócio, já que a movimentação de dinheiro é uma rotina na vida das organizações, e a geração de lucro é um dos principais objetivos. Administração da Produção, de acordo com Daft (2005), é administrar bens e serviços, têm relação com planejamento e estratégia, bem como administração do tempo e movimento. Chiavenato (1999) ressalta que cada organização visa a produção de um determinado bem ou serviço, estabelecendo assim o intuito de sua existência, sendo que é através da Administração da Produção que se alcançará melhores resultados. Segundo Daft (2005), o conceito de Administração Pública é promover a satisfação das necessidades coletivas variadas, como segurança, cultura, saúde e bem estar da população. 24 Administração de Materiais tem a função de fornecer recursos para execução das atividades de uma empresa (DAFT, 2005). A Administração de Marketing, como lecionam os autores Kotler e Keller (2006), é a arte e ciência das escolhas de mercados-alvo, captação, manutenção e fidelização de clientes por meio da criação, da entrega e da comunicação de valor superior para o cliente. A Administração de Recursos Humanos tem como função orientar o comportamento humano e as relações humanas, por meio de métodos, políticas, técnicas e práticas definidas, maximizando o potencial do capital humano no trabalho (DAFT, 2005). A Administração de Sistemas de Informação coleta, processa e transmite dados que representem informação para o usuário, podendo ser por pessoas, máquinas ou métodos (DAFT, 2005). É um processo que consiste em reunir e combinar recursos, utilizando informações e comunicação para alcançar um fim (SILVA, 1997). Além das áreas da administração, existem três habilidades que são necessárias para obter a eficácia no processo administrativo, que são: Técnica: o domínio de métodos, técnicas e equipamentos envolvidos em funções específicas; Humana: ter a habilidade de trabalhar com e no meio de pessoas dentro de um grupo; e a Conceitual: é a habilidade que vê a organização como um todo, capaz de envolver os pensamentos dos organizadores, o processamento de informações e as habilidades de planejamento (DAFT, 2005). Apesar de a administração estar dividida em áreas, elas se inter-relacionam, pois uma depende da outra para atingir os objetivos da organização. Nesta pesquisa será abordada a administração financeira com maior ênfase, já que o tema da pesquisa está inserido nesta área da administração. 2.2.2 Administração financeira Com o surgimento da globalização, livre comércio, inovações tecnológicas, etc., faz-se necessário cada vez mais se apoiar nas ferramentas administrativas a 25 fim de alcançar maior competitividade. Com o mercado cada vez mais concorrido, é primordial preestabelecer as ações futuras através de planejamento. Nesse contexto, observa-se que a administração financeira tem relevante papel na empresa, como pode ser observado pelas conceituações que seguem. De acordo com Zdanowicz (2004, p.24), “a administração financeira centraliza-se na captação, na aplicação dos recursos necessários e na distribuição eficiente dos mesmos, para que a empresa possa operar de acordo com objetivos e as metas a que se propõe a sua cúpula diretiva”. O autor complementa enfatizando que o princípio da administração financeira é cuidar em ter-se numerário suficiente para saldar em tempo os compromissos assumidos com terceiros. Aprofundando esse conceito, Braga (1989, p.23) cita que: A função financeira compreende um conjunto de atividades relacionadas com a gestão dos fundos movimentados por todas as áreas da empresa. Essa função é responsável pela obtenção dos recursos necessários e pela formulação de uma estratégia voltada para a otimização do uso desses fundos. Encontrada em qualquer tipo de empresa, a função financeira tem um papel muito importante no desenvolvimento de todas as atividades operacionais, contribuindo significativamente para o sucesso do empreendimento. A administração financeira tem por objetivo mostrar as responsabilidades do administrador financeiro numa empresa (GITMAN, 1997). Hoji (2000) leciona que, a administração financeira tem como objetivo econômico a elevação ao máximo do valor de mercado da empresa em longo prazo. Com isto, esta estará elevando a riqueza de seus proprietários. Segundo Zdanowicz (1998), o administrador financeiro procura conciliar a manutenção da liquidez e o capital de giro da empresa, para que esta possa honrar com suas obrigações assumidas perante terceiros na data do vencimento, bem como a maximização dos lucros sobre os investimentos realizados pelos proprietários. Para Silva (2006), é necessário conhecer a capacidade de obtenção de financiamento da organização, desta maneira é plausível planejar e administrar com maior eficácia os casuais déficits de caixa. Chiavenato (2004, p. 513), referindo-se ao fluxo de caixa, diz que “o controle é a função administrativa que monitora e avalia as atividades e resultados 26 alcançados para assegurar que o planejamento, organização e direção sejam bemsucedidas”. Gitman (1997, p. 4) ressalta que finanças pode ser definida como “a arte e ciência de administrar fundos” E justifica a importância de estudar finanças, afirmado que “todos os indivíduos ou organizações obtém receitas ou levantam fundos, gastam ou investem”. Conforme Lemes Júnior, Rigo e Cherobim (2005), a administração financeira abrange essencialmente a gestão de recursos financeiros. Com isso, a atividade principal do administrador financeiro é saber como alcançar esses recursos e onde aplicá-los. A aquisição destes recursos diz respeito às deliberações de financiamento, e seu emprego, às resoluções de investimento e com resultados positivos. Lemes Júnior, Rigo e Cherobim (2005) completam que, as operações do dia a dia, como administração do caixa, do crédito e contas a receber e a pagar, dos estoques e dos financiamentos de curto prazo nada mais são dos que as funções financeiras de curto prazo. Já as funções financeiras de longo prazo abrangem decisões de orçamento de capital, de estrutura de capital e de gestão de resultados. Zdanowicz (1998, p. 33) conclui que: A administração financeira tem por finalidade não somente manter a empresa em permanente situação de liquidez, como também propiciar condições para a obtenção de lucros que compensem os riscos dos investimentos e a capacidade empresarial. 2.3 Planejamento financeiro O planejamento financeiro, através de um conjunto de ações, controles e procedimentos, possibilita, entre outras coisas, montar um orçamento, acompanhar as contas, saber se há sobra ou falta de recursos, tomar providências para nivelar o orçamento, no caso de falta, fazer investimentos, no caso de sobra de recursos. Na percepção de Hoji (2000), o planejamento se baseia em constituir com antecedência ações a serem realizadas dentro dos cenários e condições 27 preestabelecidas, avaliando recursos a serem empregados e incluídos às responsabilidades, a fim de alcançar os objetivos estabelecidos. De acordo com Ross (1995, p. 525), “planejamento é um processo que, na melhor das hipóteses, ajuda a empresa a evitar tropeçar no seu futuro andando pra trás”. Para Gitman (2004), o planejamento financeiro torna-se um aspecto respeitável das operações da organização, pois mapeia os caminhos para orientar, coordenar e aconselhar as ações da empresa para alcançar seus objetivos. Conforme Lemes Júnior, Rigo e Cherobim (2005), o processo de planejamento econômico-financeiro é elaborado por meio da manipulação, de cada etapa, de inúmeros dados projetados, acoplados ao planejamento da empresa, que vão sendo incorporados proporcionando a geração de resultados intermediários. É possível avaliar resultados e definir a realimentação com novos objetivos e projeções do plano, a cada etapa cursada. Tudo isso, também reunidos, formarão o plano financeiro. Existe uma interdependência entre os dados suscitados, o orçamento operacional que é elaborado com base no regime de competência, além de aprimorar a projeção do lucro do período, provê elementos para a projeção do fluxo de caixa. Os elementos necessários para a projeção do balanço patrimonial são fornecidos através dos dados obtidos através do orçamento operacional, junto aos dados da projeção do fluxo de caixa e dos orçamentos de capital. Ross (1995) afirma que a empresa tende a gastar muito tempo elaborando propostas, com base em cenários diferentes que passarão a servir de base para o plano financeiro, então, parece razoável perguntar o que será conseguido com o processo de planejamento financeiro. Silva (2006) conclui que, quando há uma política de crédito apropriada, ele fornece os elementos para a concessão de crédito a um cliente, acarretando acréscimo de lucro nas vendas e diminuição de custos de financiamento, cobrança e das perdas com inadimplência. Portanto, o planejamento financeiro dos valores a receber deve ser feito com precaução pelo administrador financeiro. 28 2.4 Orçamento de caixa As funções de planejamento e controle financeiros podem ser realizadas de forma diferenciada se aplicado um instrumento chamado orçamento de caixa. “Orçamento é o instrumento que descreve um plano geral de operações e/ou de capital, orientado pelos objetivos e pelas metas traçadas pela cúpula diretiva para um dado período de tempo” (ZDANOWICZ, 2000, p. 244). Segundo Padovese (2011), o orçamento é uma ferramenta de controle que tem por prioridade gerenciar todo o processo operacional de uma organização atrelando todos os seus setores, é colocar os dados contábeis de hoje e adicionar dados previstos para a próxima atividade. Gitmam (2004, p. 94) cita que: O orçamento de caixa, ou previsão de caixa, é uma demonstração que apresenta as entrada e as saídas de caixa planejada da empresa, que a utiliza para estimar suas necessidades de caixa no curto prazo, com especial atenção para o planejamento do uso de superávits e a cobertura de déficits. No entendimento de Zdanowicz (1998), o orçamento de caixa se trata de um processo um pouco mais complexo, pois existem muitos detalhes em sua elaboração, o que varia de empresa para empresa, porém seus aspectos são semelhantes. As pequenas e micros empresas em sua grande maioria concentrarse-ão no orçamento de caixa, enquanto as médias e grandes empresas se preocuparão com todo o sistema orçamentário. De acordo com Lunkes (2003, p. 39), "O orçamento está onipresente no ciclo administrativo. Ele pode ser definido em termos amplos, como um enfoque sistemático e formal à execução das responsabilidades do planejamento, execução e controle". As principais características do orçamento de caixa, de acordo com Zdanowicz (1998) são: • flexibilidade na aplicação, considerando as frequentes flutuações da economia o orçamento de caixa não pode ser considerado uma peça estática dentro do orçamento da empresa. Onde deverá ser adaptado a novas situações econômico-financeiras da empresa para o período seguinte, em função do seu controle. 29 • projeção para o futuro, a partir da situação liquidez e capital de giro da empresa, o orçamento de caixa consistirá na projeção do nível desejado de caixa, em função do atual para o futuro; • participação direta dos responsáveis, muitas são as informações e dados necessários para elaboração do orçamento de caixa, onde serão fornecidos por vários departamentos da empresa. “Todas as entradas e saídas de numerários decorrentes de transações realizadas antes e durante o período orçamentário são reunidos no orçamento de caixa, evidenciando os superávits e déficits mensais” (BRAGA, 1998, p.238). 2.4.1 Objetivos do orçamento de caixa O orçamento de caixa serve como um planejamento, um ponto de referência para os valores financeiros projetados e realizados pelo setor financeiro. Para Padoveze (2011), o principal ponto é que este processo deve estabelecer é coordenar os objetivos para todos os setores da organização a fim de que todos tenham o mesmo foco à busca do plano de lucros. Inclui-se, portanto, tais propósitos como: orçamento como meio sistema de autorização, um meio para projeções e planejamento, um canal de comunicação e coordenação, instrumento de motivação, avaliação e controle e fonte de informação para a tomada de decisão. Conforme Lunkes (2003, p. 71), o objetivo do orçamento de caixa “é assegurar recursos monetários para atender às operações da empresa estabelecidas nas outras peças orçamentárias.” De acordo com Zdanowicz 2000, o orçamento de caixa deve dimensionar certo período, se terá ou não, recursos financeiros para atender as necessidades do caixa da organização. Este instrumento permite que o administrador financeiro visualize antecipadamente se haverá problemas de liquidez. Segundo Gitman (1997, p. 590), “orçamento de caixa permite à empresa prever as necessidades de caixa da mesma em curto prazo, geralmente no período de um ano, subdividido em intervalos mensais”. 30 2.5 Fluxo de caixa O fluxo de caixa é um recurso imprescindível para o gestor financeiro, pois permite um controle de esquemas que representa as entrada e saídas que sustenta a atividade empresarial. Manter um controle financeiro é essencial para a sobrevivência da empresa, bem como a sua evolução e permanência no mercado. O fluxo de caixa surge como uma ferramenta peculiar, pois possibilita ao administrador planejar, controlar e analisar as receitas, despesas e investimentos em determinado período de tempo (SILVA, 2006). Segundo Zdanowicz (1989), fluxo de caixa é o instrumento que interliga o conjunto de ingressos e desembolsos de recursos financeiros pela organização em um período determinado. O autor afirma ainda, que fluxo de caixa pode ser também avaliado como um instrumento usado através do administrador financeiro, que possui objetivo de aprimorar os somatórios de ingressos e de desembolsos financeiros da organização, em um período determinado, avaliando assim se haverá sobra ou ausência de caixa, em função do nível de caixa almejado pela organização. Conforme Gitman (2004), o fluxo de caixa é o demonstrativo das entradas e saídas de caixa esquematizadas da organização. Este é utilizado pela organização a fim de estimar suas necessidades de caixa em curto prazo, com especial atenção para o planejamento de excedentes de caixa e deficiências de caixa. Matarazzo (1998) acrescenta que pode-se denominar o fluxo de caixa como um processo de demonstração das entradas e saídas de caixa, permitindo ao administrador tomar decisões sobre os recursos e onde aplicá-los. Silva (2005) relata que o fluxo de caixa é um instrumento de planejamento e controle financeiro, que tem a capacidade de apresentar em valores e datas os inúmeros dados gerados pelos sistemas de informação da empresa. O seu processo de elaboração deve ser usar novas técnicas gerenciais de maneira a projetar as receitas, custos, despesas e os investimentos da empresa com precisão. O fluxo de caixa, para Zdanowicz (2000), é o instrumento que permite ao administrador financeiro planejar, organizar, coordenar, dirigir e controlar os recursos financeiros de sua empresa para determinado período. 31 2.5.1 Objetivos do fluxo de caixa O fluxo de caixa tem por princípio fundamental a projeção de ativos e passivos de recursos financeiros. Gitmam (2004) salienta que o objetivo do fluxo de caixa é prover a organização com os números manifestando um excesso de caixa ou deficiência de caixa é esperado em cada um dos meses cobertos pela previsão. Segundo Zdanowicz (1989), o objetivo básico do fluxo de caixa é a projeção das entradas e saídas de recursos financeiros para um momento determinado, visando diagnosticar a necessidade de obter empréstimos ou aplicar sobras de caixa nas operações mais rentáveis para a organização. O principal objetivo do fluxo de caixa, conforme Zdanowicz (1998), é dar uma visão das atividades desenvolvidas na empresa, como as operações financeiras que são realizadas diariamente, no grupo do ativo circulante, dentro das disponibilidades, e que representam o grau de liquidez da empresa. Pode-se dizer que alguns dos mais importantes objetivos do fluxo de caixa são: • programar e facilitar a análise e o cálculo na seleção das linhas de crédito a serem contidos junto às instituições financeiras; • os ingressos e desembolsos de caixa, de forma criteriosa, determinando o período em que deverá ocorrer carência de recursos e o montante, havendo tempo para as medidas necessárias; • permitir o planejamento dos desembolsos de acordo com as disponibilidades de caixa, evitando-se o acúmulo de compromissos vultosos em épocas de menores giros; • determinar o quanto de recursos próprios a empresa dispõe em certo período, e aplicá-los de forma rentável, analisando os recursos de terceiros que satisfaçam as necessidades da empresa; • proporcionar melhor comunicação entre todas as áreas da empresa com a área financeira; • desenvolver o uso eficiente e racional do disponível; • financiar as necessidades sazonais ou cíclicas da empresa; • providenciar recursos para atender aos projetos de implantação, expansão, modernização ou relocalização industrial e/ou comercial; 32 • fixar o nível de caixa, em termos de capital de giro; • auxiliar na análise dos valores e receber estoques, para que se possa julgar as possibilidades em aplicar nesses itens ou não; • verificar a possibilidade de aplicar possíveis excedentes de caixa; • estudar um programa saudável de empréstimos e financiamentos; • projetar um plano efetivo de resgate de débitos; • analisar a conveniência de serem comprometidos os recursos pela empresa; • participar e integrar todas as atividades da empresa, facilitando assim controles financeiros. 2.5.2 Importância do fluxo de caixa O fluxo de caixa é de suma importância para a eficiência e eficácia econômico-financeira e administrativa das organizações, seja qual for o tamanho da empresa. Segundo Matarazzo (1998), as principais finalidades da demonstração do fluxo de caixa são avaliar as alternativas de investimento; controlar e avaliar ao longo do tempo decisões importantes tomadas na empresa; avaliar situações presentes e futuras do caixa, evitando a iliquidez; certificar como excessos de caixa estão sendo aplicados. Consequentemente, evitando que muitas empresas decretem falência por não saberem administrar seu fluxo de caixa. O fluxo de caixa é considerado por Zdanowicz (2004) uma das ferramentas mais importantes para o administrador que deseja planejar as necessidades e propostas a partir da situação econômico-financeira da empresa. Zdanowicz (2004) conclui que, é fundamental toda e qualquer empresa ter um bom planejamento de fluxo de caixa, pois através desta ferramenta o administrador financeiro poderá se planejar para tomar as decisões corretas. Frezatti (1997) salienta que em algumas empresas, o fluxo de caixa serve como uma ferramenta tática e, em outras, o alcance é maior, ou seja, sua utilização é estratégica. A abordagem tática refere-se a um uso restrito e de acompanhamento do fluxo de caixa, aparecendo como um cumpridor de determinações mais amplas e 33 complexas, em que a empresa já possui um escopo mais definido em termos estratégicos e quer apenas manter o rumo. A estratégia é aquela que afeta o nível de negócios da empresa no curto prazo, e principalmente no longo prazo, assim o fluxo de caixa tem efeito sobre questões ligadas às decisões realmente estratégicas da empresa. Para Pereira (2006), o fluxo de caixa é de suma importância para saber a real situação da empresa, seja ela, micro, pequena, média ou grande. Toda e qualquer empresa que utiliza o fluxo de caixa dificilmente fracassa, porém, sabe-se que a sua atualização é o ponto chave para que o benefício da sua implantação ocorra (PEREIRA, 2006). 2.5.3 Fluxo de caixa projetado Os recursos do caixa entram e saem da empresa de acordo com suas atividades. Desse modo, quaisquer decisões podem trazer, direta ou indiretamente, imediata ou futuramente, alterações no saldo do caixa. A administração de caixa inicia com a projeção de caixa, atividade que incide em estimar a evolução dos saldos de caixa da empresa, sendo essas informações fundamentais para a tomada de decisão (SANTOS, 2001). Chama-se de fluxo de caixa projetado o produto final da integração das entradas e das saídas de caixa que se imagina que ocorrerão no período projetado (SÁ, 2006). Sá (2006) ressalta que o objetivo do fluxo de caixa projetado é prever quando e em que montante haverá sobra ou falta de caixa. Santos (2001) cita que o fluxo de caixa desenhado de uma organização possui várias finalidades. Sendo a principal informar a capacidade que a organização possui para liquidar seus compromissos financeiros a curto e longo prazo. No entanto, tem como outras finalidades planejar a contratação de empréstimos e financiamentos, elevar ao máximo o rendimento das aplicações das sobras de caixa, avaliar o impacto financeiro de variações de custos e avaliar o impacto financeiro de aumento das vendas. 34 Dentro desse contexto, através da projeção do fluxo de caixa é possível antecipadamente saber sobre excedentes e escassez de recursos financeiros, o que ajuda o administrador financeiro a sanar tais situações. Dessa forma, torna-se o principal instrumento da gestão financeira (SILVA, 2006). Segundo Zdanowicz (2004), a projeção de fluxo de caixa auxilia na gestão financeira, pois o administrador saberá com antecedência as necessidades de busca de recursos financeiros, ou até mesmo os numerários excedentes que poderão ser aplicados de forma a maximizar os lucros da empresa. Dessa forma, as informações estarão dispostas de forma a auxiliar na tomada de decisão. Para se obter uma projeção de fluxo de caixa com um alto grau de acerto, existem alguns fatores de precisam ser do conhecimento dos administradores financeiros, os períodos em que ocorrem as entradas de recursos financeiros acontecem de que forma, se é regular, ou se não, em que épocas elas ocorrem. Os períodos em que ocorrem os desembolsos também influenciam no fluxo de caixa. (ZDANOWICZ, 2004). 2.5.4 Ingressos e desembolsos Quando se elabora um fluxo de caixa é necessário conhecer os conceitos sobre os ingressos e os desembolsos para sua melhor aplicação. Desta forma, Segundo Zdanowicz (1989, p. 57), denota-se: “os ingressos operacionais no caixa são: vendas à vista, descontos de cauções de duplicatas e cobrança simples”. Ingressos Os ingressos representam as entradas de recursos em determinado período na empresa e são responsáveis pela sustentação do caixa. (ZDANOWICZ, 1989). Sendo assim os ingressos são de grande valia, pois é através deles que a empresa consegue caminhar e dar continuidade ao seu trabalho no mercado de negócios (MARTINS, 2003). 35 Zdanowicz (1998, p. 168) ressalta que “o planejamento dos ingressos de caixa é o ponto mais complexo do fluxo de caixa, pois depende do período de retorno dos valores em cobrança”. As principais fontes são: • empréstimo captados junto às instituições financeiras; • receitas financeiras decorrentes de aplicações no mercado financeiro; • dividendos recebidos de empresas coligadas ou controladas; • receita de vendas de produtos prontos ou mercadorias e de serviços à vista; • aumento de capital social por novas integralizações dos sócios atuais ou pela entrada de novos sócios na empresa. Desembolsos Desembolsos são as saídas de dinheiro do caixa ou do banco, ocorrendo quando há o pagamento de compras à vista, ou das obrigações que foram assumidas anteriormente (MARTINS, 2003). Martins (2003) cita que os desembolsos são as obrigações que a empresa tem com terceiros na aquisição de materiais relativos à sua atividade, sendo que a forma de pagamento fica a seu critério, estando registradas as saídas na conta caixa ou bancos da empresa. Com relação ao tema Zdanowicz, (1998, p. 169) enfatiza que “a estimativa do desembolso é facilitada pelo número de credores, via de regra, não ser tão expressivo quanto o de clientes, e porque os compromissos têm, normalmente, prazo certo de vencimento”. Os principais itens do planejamento a serem desembolsados pela empresa são: • fornecedores com aquisições de matéria-prima, secundárias, de expediente e de conservação à vista e a prazo; • pagamento de salário dos funcionários de empresa; • pagamento de encargo previdenciário e fiscais da empresa; • pagamento de gratificações aos funcionários e a diretoria; • compra de itens do ativo imobilizado. 36 2.5.5 Alterações nos saldos de caixa O saldo de caixa sofre alterações relativamente constantes em decorrência da liquidez que este item alvo possui. Elas podem ocorrer tanto em função dos itens já projetados no fluxo de caixa ou serem decorrentes de imprevistos, uma vez que sendo a conta com maior liquidez é a que pode mais facilmente ser usada para absorver imprevistos. Sendo que também pode receber um valor programado em decorrência de algum fato não previsto. A posição caixa recebe continuamente os efeitos fatores internos e externos, que precisam ser considerados pela administração financeira da empresa (ZDANOWICZ, 1998). 2.5.6 Fatores que afetam o caixa Na elaboração do fluxo de caixa, alguns pontos devem ser levados em consideração, pois muitos representam riscos à empresa que podem ser: o não pagamento por parte dos fornecedores ou à rejeição pelos consumidores do produto ou serviço (SILVA, 2006). No mesmo enfoque, Zdanowicz (1989), aponta os seguintes fatores internos que afetam o fluxo de caixa: • alteração na política de vendas: o departamento de vendas não deve tomar decisões isoladas, sem uma consideração da área financeira sobre as implicações das medidas a serem implantadas; • decisões na área de produção: o diretor de produção não pode decidir isoladamente a aquisição de máquinas, equipamentos ou a expansão da fábrica, sem uma análise com a participação da área financeira, que considera as disponibilidades existentes para inversões em itens de ativo imobilizado; • política de compras: os prazos concedidos pelos fornecedores devem ser analisados e comparados com os prazos de recebimento de clientes. 37 Procurando evitar, assim, que haja um descompasso muito acentuado entre os ingressos e os desembolsos de caixa; • política de pessoal: admissões, demissões, política salarial e de treinamento etc, são medidas de repercussão direta na área financeira. Para que esses fatores não afetem o fluxo de caixa com frequência, o gestor financeiro deve estar envolvido nas diversas áreas que compõem a empresa, fazendo com que haja um melhor controle no caixa e assim, não ocorram grandes variações, contribuindo para os resultados que a empresa almeja (ZDANOWICZ, 1989). Zdanowicz (2000) destaca: • fatores internos: vinculam-se a todas as áreas da empresa, sendo necessário um controle eficiente e uma participação constante nas decisões financeiras da empresa; • fatores externos: influenciam a área financeira da empresa e o fluxo de caixa, com isso o administrador financeiro necessita ter planejamento e controle do fluxo de caixa. No entendimento de Silva (2006) fatores internos e externos são: Fatores internos: • aumento no prazo de venda concedido com uma maneira de aumentar a competitividade ou a participação no mercado; • comparar que não estão em linha com as projeções de venda; • diferenças representativas nos prazos médio de recebimento e pagamento; ciclos de produção muito longos que não estão em consonância com o prazo médio dado pelos fornecedores; • política salarial incompatível com as receitas e demais despesas operacionais; • pequena ocupação do ativo fixo; • distribuição de lucros incompatíveis com a capacidade de geração de caixa; custos financeiros altos originário do nível de endividamento. 38 Fatores externos: • diminuição das vendas em decorrência de retração do mercado; novos concorrentes; • mudanças na alíquota de impostos; • aumento do nível de inadimplência. Contudo, para que os fatores internos e externos não se concretizem e afetem o fluxo de caixa, é preciso que todos os setores da empresa realizem suas atividades de forma entrosada, para que assim o administrador financeiro tenha a capacidade de analisar e de verificar os impactos no caixa, defendendo e prevalecendo os interesses da empresa (SILVA, 2006). 2.5.7 Causas da falta de recursos A falta de recurso na organização pode ocorrer por vários fatores, porém pode ser evitada se for feita uma análise criteriosa da capacidade de caixa (a soma dos recursos financeiros). Para Silva (2006), as principais causas de falta de recurso na empresa estão relacionadas a: • dilatação dos prazos de vendas pela empresa, para conquistar novos clientes; • necessidade de compra de vulto, que podem ser cíclicas ou de reserva, requerendo maior disponibilidade de caixa; • capital próprio insuficiente e uso excessivo de capital de terceiros, aumentando o nível de endividamento da empresa; • lenta velocidade no giro de estoques e nos processos de produção; • diferenças significativas entre os ciclos de recebimento e pagamento, ocasionados pelos prazos de venda e compra; • distribuição de lucros além da capacidade do caixa; • custos financeiros altos provenientes de falta de planejamento e controle de caixa; 39 • sub ocupação temporária do capital fixo, seja pelas limitações de mercado, seja pela falta ou insuficiência de capital de giro. Dentre as principais causas que poderão ocasionar um desequilíbrio financeiro em uma empresa, Zdanowicz (1998) relaciona: • alto custo financeiro em função de planejamento e controle de caixa irregulares; • distribuição de lucros, além das disponibilidades de caixa; • baixa velocidade na rotação de estoque e nos processos de produção; • ampliação exagerada dos prazos de venda pela empresa, para conquistar o mercado; • expansão descontrolada das vendas, implicando em maior volume de compra e de custo pela empresa; • diferença acentuada na velocidade dos ciclos de recebimento e pagamento, em função dos prazos de venda e de compra; • insuficiência de capital próprio e utilização de terceiros em proporção excessiva, em consequência, aumentando o grau de endividamento da empresa; • necessidade de compra de porte, de caráter cíclico ou para reserva, exigindo maiores disponibilidades de caixa. Os fatores externos comuns que podem provocar as alterações nos saldos de caixa: concorrência, alterações nas alíquotas de impostos, aumento de preços, inflação, inadimplência, declínio nas vendas e expansão ou retratação do mercado. Os fatores internos mais comuns: mudanças nas políticas de vendas, crédito, compras, distribuição etc. 2.5.8 Modelo de fluxo de caixa O modelo adotado para a elaboração do fluxo de caixa pode ser direto ou indireto. O método direto consiste em demonstrar exatamente todos os valores de entrada e saída de caixa, e pode ser elaborado através da soma de todas as movimentações financeiras ou então, pelas movimentações das demonstrações de 40 resultados e do balanço patrimonial. Já o método indireto, consiste em demonstrar as movimentações oriundas de fundos como origens e aplicações, resultando assim, no saldo final de caixa (PADOVEZE, 2005). O método direto apresenta o grupo atividades operacionais, no qual o primeiro valor refere-se à receita pelas vendas efetuadas de produtos e serviços, que será subtraído dos valores referentes ao pagamento de fornecedores e gastos com mão-de-obra, dentre eles salários e encargos sociais, bem como de tributos e outras despesas. Além disso, são adicionados os valores referentes a dividendos recebidos e recebimentos de seguros (CAMPOS FILHO, 1999). Zdanowicz (1998) destaca que na elaboração do fluxo de caixa deverão ser discriminados todos os valores a serem pagos pela empresa. Quanto mais especificado, melhor será o controle sobre as entradas e saídas de caixa, verificando assim suas defasagens e determinando as medidas corretivas ou saneadoras para os períodos subsequentes. A seguir apresenta-se um modelo de fluxo de caixa projetado, sugerido pelo autor, o qual será utilizado, com as adaptações que se fizerem necessárias, no desenvolvimento do presente estudo. Tabela 1 – Modelo de fluxo de caixa projetado PERÍODOS Itens 1. INGRESSOS Vendas á vista Cobrança em carteira Cobranças bancárias Descontos de duplicatas Vendas de itens do ativo permanente Alugueis recebidos Aumentos de capital social Receitas financeiras Outros 2. DESEMBOLSOS Compra à vista Fornecedores Salários Compras de itens do ativo permanente Energia elétrica Continua JAN FEV ... PRD PRD PRD TOTAL 41 Continuação PERÍODOS JAN FEV ... PRD PRD PRD TOTAL Telefone Manutenção de máquinas Despesas administrativas Despesas com vendas Despesas tributárias Despesas financeiras Outros SOMA 3. DIFERENÇA DO PERÍODO (1-2) 4. SALDO INICIAL DE CAIXA 5. DISPONIBILIDADE ACUMULADA (+-3+4) 6. NÍVEL DESEJADO DE CAIXA 7. EMPRÉSTIMOS A CAPTAR 8. APLICAÇÕES NO MERCADO FINANCEIRO 9. AMORTIZAÇÕES DE EMPRESTIMOS 10. RESGATE DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS P= Projetado; R= Realizado; D= Defasagem Fonte: Zdanowicz (1998, p. 145). 2.5.9 Mapas auxiliares Os mapas auxiliares têm por finalidade o levantamento detalhado de dados sobre as operações da empresa com o objetivo de transformá-los em informações úteis à tomada de decisão. Segundo Zdanowicz (2004), os mapas que devem ser usados pelas organizações alteram conforme o seu segmento e o porte da mesma. No entanto, os mapas auxiliares mais importantes são os recebimentos das vendas a prazo, recebimentos das vendas a prazo com atraso e pagamentos de compras a prazo. Silva (2006) cita que os mapas possuem o intuito de planejar e organizar as informações que serão inseridas nas planilhas a serem utilizadas, que vai depender do tamanho e do tipo de atividade econômica de cada empresa. Zdanowicz (2004) comenta que, quanto mais organizada a empresa for em suas atividades operacionais, maior deve ser a sua capacidade de instrumentos 42 gerencias, porém, sempre tomando o devido cuidado para não tornar o sistema muito burocrático. A seguir apresenta-se alguns modelos sugeridos por Zdanowicz (2004). Tabela 2 – Modelo de mapa auxiliar de recebimentos das vendas a prazo MÊS DE RECEBIMENTO MÊS DE VENDA JAN X OUT FEV MAR ABR NOV X X DEZ X X X X X JAN MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV # DEZ # ∑ # FEV X X MAR X X X X X X X ABR MAI X X JUN X X X X X X X JUL AGO X X SET X X X X X ∑ #Recebimentos ocorridos no ano anterior. Fonte: Zdanowicz (2004, p. 150). a) o somatório mensal de cada linha deverá ser transportado para o fluxo de caixa; b) as condições de recebimento das vendas a prazo da empresa obedecem à seguinte programação financeira: 40% a 30 dias, 30% a 60 dias e 30% a 90 dias, fora o mês. Tabela 3 – Modelo de mapa auxiliar de pagamentos das compras a prazo MÊS DE PAGAMENTO MÊS DE COMPRA FEV OUT JAN X NOV X X DEZ X X X X X JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL Continua MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV # DEZ # # X X X X X X X X X X X X X X X X X X X ∑ 43 Continuação JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO AGO SET X SET OUT NOV X X X DEZ X X ∑ #Pagamentos efetuados no ano anterior Fonte: Zdanowicz (2004, p. 151). a) o somatório mensal de cada linha deverá ser transportado para o fluxo de caixa; b) as condições de pagamento das compras a prazo da empresa obedecem à seguinte política: 50% a 30 dias, 30% a 60 dias e 20% a 90 dias, fora o mês. A principal função do mapa auxiliar é determinar o período em que as entradas e saídas dos recursos financeiros decorrentes de transações realizadas a prazo afetarão o fluxo de caixa. 2.5.10 Contas a receber As contas a receber de uma empresa são títulos, resultantes de uma operação de crédito, que expressam o compromisso assumido pelos clientes de saldarem sua dividas em um prazo previamente determinado. Para Silva (2001), as contas a receber são os valores a receber de clientes, pela venda de produtos ou serviços. Essas contas acompanham o volume de vendas, pois se aumentarem as vendas, a quantidade de contas a receber também aumentará. As contas a receber de clientes compreendem: duplicatas em carteira, duplicatas caucionadas, duplicatas em cobrança bancária simples, duplicatas descontadas. De acordo com Assaf Neto e Silva (1997), as contas a receber surgem da venda de algum produto ou de prestação de serviço e do compromisso de efetuar o pagamento no futuro. Este compromisso pode ser representado por duplicata a receber, nota promissória, cheque pré-datado, entre outros. Segundo Gitman (2004), o administrador financeiro controla as contas a receber através da política de crédito e da política de cobrança. Na política de 44 crédito, onde é estabelecido e gerenciado a seleção de crédito aos clientes, tanto a liberação quanto a quantidade de limite de crédito. Conforme Hoji (2004, p.129), “as contas a receber são geradas pelas vendas a prazo, que são feitas após a concessão de crédito”. As compras e vendas a prazo é uma pratica normal utilizada pelas empresas. 2.5.11 Contas a pagar São registradas nas contas a pagar, as obrigações resultantes dos serviços e produtos recebidos que ainda deverão ser pagos, decorrentes do fornecimento de utilidades e de prestação de serviços, tais como impostos e salários, água, energia elétrica, propaganda, aluguéis e todas as contas a pagar. Segundo Gitman (1997, p. 633), “a empresa pode comprar vários insumos a crédito, o período de tempo de que a empresa dispõe para pagar por essa compra é chamado de ciclo médio de pagamento”. Gropelli & Nikbakht (1999, p. 390) ressaltam que o contas a pagar pode ser visto como empréstimos dos fornecedores sem juros e que na ausência desse procedimento a empresa tem que tomar emprestado ou usar seu capital próprio para pagar faturas de seus fornecedores. Portanto, seu beneficio está na economia de despesas de juros que teriam de ser pagos se não houvesse o crédito dado pelo fornecedor. Se o contas a pagar não está gerando esse beneficio, é preciso saber o motivo que está levando a isso. Conforme Hoji (2004, p.139), em contas a pagar as funções são: “estabelecer políticas de pagamentos, controlar adiantamentos a fornecedores, controlar abatimentos a fornecedores, controlar e liberar pagamentos a fornecedores”. Para Silva (2006), os princípios básicos de contas a pagar é não pagar nenhuma conta com atraso e nenhuma conta antes do vencimento, ou seja, pagar em dia. Possibilidades de melhores condições de pagamentos ou descontos são outros aspectos que devem ser observados no contas a pagar. Um bom relacionamento com os fornecedores é muito importante. 45 2.5.12 Análise e controle do fluxo de caixa Para que o fluxo de caixa satisfaça as finalidades propostas, é necessário que o gestor financeiro realize análise, acompanhamento, interpretação, avaliação, revisão e controle do fluxo de caixa, pois tais medidas auxiliam na eficácia do alcance dos resultados (SILVA, 2006). Através da análise é possível realizar projeções para o futuro com base na interpretação dos dados extraídos, obtendo auxílio na tomada de decisão e almejando por uma condição financeira melhor do que a do período anterior (DROMS; PROCIANOY, 2002). Silva (2006) afirma ainda que para que exista uma boa análise do fluxo de caixa, é necessário que o administrador financeiro esteja sempre atento para aspectos distintos, de maneira que o mesmo tenha consistência em suas análises, tendo sempre visão e aptidão para melhorar os resultados da empresa. Nesse sentido, o gestor financeiro também deve acompanhar o desempenho dos objetivos pré-estabelecidos e atualizá-los constantemente, através da comprovação de documentos, tais como: notas fiscais de compras e vendas, promissórias, duplicatas, e títulos a receber e a pagar. Assim, é possível que o gestor obtenha o controle de todas as operações realizadas pela empresa em determinado período (ZDANOWICZ, 1989). Segundo Zdanowicz (2004), o controle do fluxo de caixa é tão importante para a empresa quanto o seu processo de planejamento, pois ambos se interligam por meio de uma correlação, sendo apenas deste modo úteis e práticos. O fluxo de caixa pode variar de acordo com o mercado, bem como a imprevistos indispensáveis à atividade empresarial. Zdanowicz (2004) ainda cita que a maneira mais simples de realizar o controle é efetuá-lo diariamente, pois deste modo não se tornará exaustivo, diminuindo margens de erros e obtendo resultados mais rápidos, por eventuais correções. Por fim, a revisão e o controle do fluxo de caixa são mais importantes que seu próprio planejamento e elaboração, e por isso deve ser revisto e acompanhado por um determinado período, dependendo da necessidade de cada empresa. A revisão do fluxo de caixa não deve ser deixada para ser realizada no final do mês, e sim ser realizada diariamente, pois torna o processo muito complexo e acaba atrasando a 46 elaboração do fluxo de caixa do período seguinte. Deve ser realizada a partir do controle diário da movimentação bancária da empresa, de recebimentos e pagamentos diários, investimentos e financiamentos, e do boletim diário de caixa (SILVA, 2006). 2.5.13 Elaboração e implantação do fluxo de caixa A elaboração do fluxo de caixa é realizada a partir do conjunto de informações recebidas de todos os departamentos da empresa, que são encaminhados para a área financeira (ZDANOWICZ, 1989). Nesse sentido, Santos (2001) sugere que as seguintes informações devem ser consideradas para a elaboração do fluxo de caixa: • classificação quanto ao fluxo de caixa utilizado, se de curto ou longo prazo, de acordo com o segmento, a necessidade e tamanho da empresa; • o grau de detalhamento dos ingressos e desembolsos de caixa referentes a estoques, pagamentos, recebimentos e aplicações financeiras; • o grau de precisão, no qual depende do prazo determinado: se for curto prazo, um percentual de 10% é considerado aceitável. Caso seja de longo prazo, deve-se considerar um prazo de 15%; • o gestor deve possuir conhecimento de que o fluxo de caixa serve apenas como um instrumento de planejamento financeiro, não devendo ser utilizado para outros fins como controle de inadimplência, controle de gastos, dentre outros; • recomenda-se que não ultrapasse 10% do total dos registros referentes às entradas e saídas de caixa; • para a cobertura do fluxo de caixa de curto prazo, geralmente utiliza-se o calendário fixo (do dia 1º ao dia 30 do mês), ou prazos corridos. Para o fluxo de caixa de longo prazo, utiliza-se como base o calendário fixo. Contudo, para a elaboração e aplicação do fluxo de caixa, é necessário que o administrador financeiro elabore planilhas auxiliares que o auxiliarão na alimentação dos dados totais para a planilha final de fluxo de caixa. Essas planilhas e mapas 47 auxiliares possuem a finalidade de agrupar e planejar os dados que serão transportados para a planilha do fluxo de caixa, ou seja, servem como forma de organização dos dados (SILVA, 2006). Após tratar dos requisitos básicos para a elaboração do fluxo de caixa, aponta-se para os requisitos que devem ser considerados para sua implantação. Zdanowicz (1998, p. 133) cita que “a implantação do fluxo de caixa consiste em apropriar os valores fornecidos pelas várias áreas da empresa, segundo o regime de caixa, isto é, de acordo com os períodos que efetivamente deverão ocorrer os ingressos e desembolsos de caixa”. Silva (2006) afirma que esses requisitos são: • obter apoio e auxílio da direção da empresa; • Integração entre todos os departamentos e níveis da organização com o fluxo de caixa; • fluxo de informações bem definidos, a partir da qualidade dos dados elaborados, planilhas a serem utilizadas, datas e prazos de entrega de dados e responsáveis pela realização de projeções; • determinação da escolha do modelo de fluxo de caixa que melhor se enquadre nas necessidades da empresa; • treinamentos para as pessoas que irão implantar o sistema de fluxo de caixa; • conscientização de todos os níveis da empresa para a realização e alcance dos objetivos projetados pelo uso do fluxo e caixa; • criação de controles financeiros. 2.5.14 Prazos para planejamento do fluxo de caixa Para o planejamento da implantação do fluxo de caixa é necessário definir o período que este irá abranger. Também é importante saber o tamanho da empresa e ramo de atividade e ainda a finalidade, pois isso permitirá delimitar os prazos para o planejamento do fluxo de caixa. 48 Para Frezatti (1999), é importante a empresa trabalhar com um planejamento mínimo para três meses. O fluxo de caixa mensal deverá, posteriormente, transformar-se em semanal e este em diário. O modelo diário fornecerá a posição dos recursos em função dos ingressos e desembolsos de caixa, constituindo-se em poderosos instrumentos de planejamento e controle financeiros para a empresa. Segundo Zdanowics (1998), o tamanho da empresa e ramo de atividade em que ela atua, servirão de base para definir o período de planejamento do fluxo de caixa. Nos casos em que as atividades apresentam oscilações constantes, o fluxo de caixa geralmente é previsto para períodos curtos. Já nos casos em que o volume de vendas é estável, são utilizados períodos mais longos. Se a organização iniciar um programa de investimentos, por exemplo, deverá realizar um planejamento com mais detalhamento, e com um prazo menor. O período de tempo utilizado para projetar o fluxo de caixa é chamado prazo de cobertura. Santos (2001) explica que o prazo de cobertura pode ser de curto prazo (de uma a doze semanas), médio prazo (de 91 dias a um ano) ou longo prazo (mais de um ano). O autor apresenta ainda a seguinte tabela, abordando os prazos de cobertura e os períodos de informação: Tabela 4 – Combinações entre prazo de cobertura e período de informação Prazo de cobertura Período de informação Diário Semanal Semanal X Quinzenal X Mensal X X Trimestral X X Mensal X Semestral X Anual X Fonte: Adaptado de Santos (2001, p. 59). Trimestral X 49 2.6 Capital de giro O capital de giro é denominado de capital circulante, correspondendo aos recursos aplicados, que se transformam constantemente dentro do ciclo operacional. Assim, como o próprio nome indica, o capital de giro fica ‘girando’ dentro da empresa e a cada vez que sofre transformação em seu estado patrimonial, produz reflexo na contabilidade. Até se transformar em dinheiro, o valor inicial do capital de giro vai sofrendo acréscimo a cada transformação, de modo que, quando o capital retomar ao ‘estado de dinheiro’, ao completar o ciclo operacional, deverá estar maior do que o valor inicial (HOJI, 2004). O capital de giro de uma empresa é a diferença entre o ativo e o passivo circulante, assim o administrador ou o gestor financeiro precisa estar atento a estas variáveis para a obtenção de lucratividade no caixa empresarial, usando dos recursos financeiros de modo mais otimizado, para alçar sucesso em seu empreendimento (PEREIRA, 2006). Todo negócio empresarial necessita de capital de giro para suprir suas necessidades, bem como dar continuidade em suas atividades, contudo, não havendo uma administração coerente, a empresa poderá ser fechada ou ficar prejudicada em sua lucratividade (TELES, 1997). O capital de giro líquido de uma empresa é a diferença entre o ativo e o passivo circulante, assim o administrador ou o gestor financeiro precisa estar atento a estas variáveis para a obtenção de lucratividade no caixa empresarial, usando dos recursos financeiros de modo mais otimizado, para alçar sucesso em seu empreendimento (PEREIRA, 2006). Segundo Gitman (2001), o capital de giro, também denominado capital circulante é representado pelas aplicações constantes, apresentados pela disponibilidade, valores a receber e estoque. Enfim, pode-se dizer que, o capital de giro representa os recursos financeiros pertencentes a uma empresa para o financiamento de suas atividades, desde a aquisição de matéria-prima até o recebimento dos valores pertencentes à venda do produto manufaturado. Gitman (2001) também ressalta que a administração do capital de giro é influenciada pelas decisões tomadas pela empresa no setor financeiro, e de como elas aplicam, criam e dominam seus recursos, preservando a empresa. 50 Conforme Neto & Silva (1997), o capital de giro representa os recursos utilizados pela empresa para financiar as necessidades operacionais observadas desde a aquisição da matéria-prima ou mercadorias até a apuração das vendas do produto como parte essencial para o desempenho da empresa, Considerando as condições de mercado e utilizando estratégias de atuação sobre o montante de capital de giro, deve-se observar a viabilidade financeira de seus negócios, para a formação de retorno econômico nos investimentos que poderiam vir a ser realizados de forma mais eficaz para o desenvolvimento econômico dos negócios da empresa. O capital de giro tem participação relevante no desempenho de qualquer organização, cobrindo geralmente mais da metade de seus ativos totais investidos. (ASSAF NETO; SILVA, 2002). Para Braga (1995, p.81), "a administração do capital de giro envolve um processo continuo de tomada de decisões voltadas principalmente para a preservação da liquidez da empresa, mas que também afetam a sua rentabilidade". Braga (1995) ainda acrescenta que as concordatas e falências geralmente constituem o desfecho natural para as soluções inadequadas dos problemas de gestão do capital de giro. Para que possa funcionar, uma organização necessita de recursos materiais cuja renovação é lenta, tais como equipamentos e imóveis (chamados de capital permanente ou fixo) e de recursos materiais de renovação rápida, como por exemplo, os produtos que formam o seu capital circulante e os estoques de matérias-primas, que são denominados de capital de giro (SANTOS, 2001). De acordo com Silva (2006), é também conhecido como capital circulante – curto prazo, isto porque ele fica girando dentro da organização, podendo sofrer mudanças patrimoniais que alteram na contabilidade, bem como uma administração imprópria pode ocasionar problemas financeiros e até levar à insolvência. 2.6.1 Regime de competência e regime de caixa Os regimes de competência e de caixa estão interligados ao capital de giro. 51 De acordo com Di Augustini (1996), o regime de competência acontece sobre o ativo e passivo quando estes são reconhecidos nos exercícios em que os serviços foram prestados ou utilizados; já no regime de caixa se reconhece as receitas, quando se paga ou se recebe. O regime de competência apura o resultado econômico e mede a rentabilidade das operações, ele reconhece as receitas no ato da venda e despesas no momento em que acontecem. No regime de caixa se planeja e controla o caixa e apura o resultado financeiro (superávit ou déficit de caixa), reconhecendo as receitas no instante que são pagas (SILVA, 2006). Segundo Stickney e Weil (2001), regime de competência ocorre quando a empresa reconhece suas receitas quando vende bens ou presta serviços e no regime de caixa a empresa reconhece as receitas (venda de bens e serviços) e despesas quando estas são efetivamente recebidas e pagas. 2.6.2 Necessidade de investimento em capital de giro Os administradores financeiros, em certos momentos, não possuem o controle necessário sobre as finanças da empresa, mas, isto ocorre devido a variáveis existenciais na política governamental nacional, podendo majorar ou minorar as vendas no mercado. Além deste problema mencionado, a política de crédito empresarial deverá ser bem estruturada, para em casos de inadimplência poder buscar recursos em financeiras, bem como o ciclo operacional, no qual quanto maior o período entre o pagamento da matéria-prima e o recebimento dos valores correspondentes as suas vendas, maior a necessidade de capital de giro (MARTINS, 2003). Segundo Assaf Neto; Silva (1998, p. 33): Os ativos circulantes operacionais representam, em essência, os investimentos que a empresa deve efetuar em itens operacionais de giro, ou seja, em valores a receber (motivados por vendas a prazo), estoques (determinados pelas necessidades de estocagem) e despesas operacionais incorridas, porém de competência do exercício seguinte. A necessidade de investimento em capital de giro especifica o montante de recursos demandados pelo ciclo operacional da organização, que é determinado em 52 função das políticas de compra, venda e estocagem definidas pela empresa (ASSAF NETO, 2003). Desta forma, a necessidade de investimento em capital de giro, apresenta-se como um conceito fundamental para a análise da empresa do ponto de vista financeiro, ou seja, análise de caixa. Sendo também utilizado no estudo de estratégias de financiamento, crescimento e Iucratividade (MATARAZZO, 1987). Resumindo, conforme a ideia de Assaf Neto & Silva (1997, p. 65): A necessidade de investimento em capital de giro depende fundamentalmente do volume de atividade (produção e vendas) da empresa e de seu ciclo financeiro, definido pelas características da natureza de seus negócios e sazonalidades, que determinam os giros (rotações) das fases operacionais e os valores das contas cíclicas. É uma necessidade operacional permanente de recursos, devendo, em condições de equilíbrio ser financiada com fundos também de longo prazo. 2.6.3 Fontes de financiamento Financiamentos de curto prazo são operações através das quais as empresas levantam recursos a prazos curtos destinados à suspensão de aplicações em crédito a clientes e estoques, ou mesmo à substituição do financiamento aos clientes, como ocorre com o crédito direto ao consumidor (SANVICENTE, 1993). No desenvolvimento de suas atividades, as organizações utilizam-se de recursos de terceiros (financiamentos) a fim de suprir as suas necessidades de investimentos. Neste contexto, os passivos circulantes representam as fontes de financiamento a curto prazo da empresa. Essas fontes de recursos de curto prazo podem ser originárias das próprias operações da empresa, como duplicatas a pagar a fornecedores, impostos a recolher, salários e encargos sociais a pagar; ou podem advir de atividades financeiras, como financiamentos e empréstimos (HOJI, 2001). Os empréstimos bancários em conta corrente, segundo Santos (2001), é um tipo de serviço mediante o qual o banco comercial se compromete a conceder a uma empresa um crédito numa conta que pode ser movimentada à vista. Neste caso a empresa pode obter fundos de acordo com a sua necessidade, assim como pode depositar dinheiro, diminuindo a sua dívida. Neste tipo de financiamento os juros não incidem sobre o valor máximo colocado à disposição da empresa e sim são 53 calculados em função do movimento diário, segundo a apuração de saldos devedores. O factoring (fomento comercial) é feito por uma instituição não financeira, que compra as duplicatas, cheques ou faturas, mediante um desconto. Deste modo, a empresa transforma os recebimentos das suas vendas a prazo em recebimentos à vista (BEZERRA FILHO, 1995). Na definição de Bezerra Filho (1995), o desconto de duplicatas nada mais é do que uma operação de antecipação de recursos através do desconto de título de crédito antes do seu vencimento. 54 3 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA Neste item apresenta-se as características da empresa Mafra Alumínios e Temperados. 3.1 Histórico Luiz Afonso Mafra, nasceu em Itajaí, SC, no ano de 1953, e começou a trabalhar muito jovem, aos 15 anos de idade, na serralheria Uruguai, que na época trabalhava apenas com ferro, na função de ajudante de serralheiro. Com o passar dos anos foi se aperfeiçoando, até atingir a maioridade e se tornar braço direito do patrão na área de produção. Neste período foi incorporado ao portfólio da empresa os serviços em alumínio, novidade naquela época, e acabou se tornando o segmento único da empresa, pois era mais rentável. Com o adoecimento e afastamento do patrão, Luiz passou a tomar a frente da empresa. Alguns anos mais tarde, por falta de herdeiros e familiares interessados no negócio, o patrão resolver passar a empresa para seu nome junto com todo maquinário e estoque, e cedeu até mesmo o galpão onde funcionava a empresa, até o falecimento dele e sua esposa. Anos mais tarde a empresa foi para outro endereço onde, permaneceu por sete anos, Após este período, e com o apoio do filho mais velho, Luiz resolveu, no ano de 2010, mudar para um espaço maior, com melhor localização, um nome fantasia novo (que já era conhecido pelos antigos clientes) e com foco também nos serviços de vidro temperados e coberturas de policarbonato, acompanhando as tendências. Atualmente a empresa conta com quatro colaboradores, dois serralheiros e dois na parte de administração. A empresa conta com um ótimo espaço físico e ótima localização, propício para atender o cliente com conforto e qualidade. 55 3.2 Dados de identificação A denominação social, Mafra Alumínios, surgiu pelo fato de Luiz Mafra ser muito conhecido na época em que trabalhava como serralheiro na serralheria Uruguai, principalmente pelos clientes, por esse motivo viu-se a oportunidade de anunciar seu negócio. A empresa está situada na Rua Nilson Edson dos Santos, 150, bairro São Vicente, Itajaí, SC. A localização é de fácil acesso, com vários pontos de referência conhecidos, facilitando a visita de clientes e fornecedores de outras cidades. 3.3 Missão Missão é o objetivo maior de qualquer organização e a razão de ser da mesma. De acordo com Oliveira (1999), missão pode ser definida como a razão de ser da empresa. É na missão que procura-se definir qual o negócio da empresa, porque ela existe e ainda em que atividade a empresa deverá se concentrar no futuro. Oliveira (1999, p. 118) diz, ainda, que a “missão é uma forma de traduzir determinado sistema de valores em termos de crenças ou áreas básicas de atuação, considerando as tradições e filosofias da empresa”. A missão da Mafra Alumínios é “proporcionar aos clientes soluções inovadoras em serviços de serralheria e vidro temperado, com qualidade, preço justo e foco sempre na eficiência de nosso atendimento de maneira a satisfazer o nosso cliente”. 56 3.4 Visão A Visão se refere aos principais objetivos da organização, quanto ao seu planejamento, observando a melhor estratégia e viabilidade da empresa. Oliveira (2003) conceitua visão como sendo os limites que a alta direção consegue enxergar dentro de um período de tempo em longo prazo e com uma abordagem mais ampla. Ela estabelece o que a organização almeja. Desta forma, a visão da empresa é “ser reconhecida por seus clientes, fornecedores e concorrentes como uma das melhores serralherias da região, destacando-se como exemplo de comprometimento, agilidade, profissionalismo e sendo sempre a primeira escolha como prestador de serviços em sua área de atuação”. 3.5 Valores Os valores incidem nas convicções que fundamentam as escolhas por um modo de conduta tanto de um indivíduo quanto em uma organização. Segundo Chiavenato (2010), valor é uma crença básica sobre o que se pode ou não fazer e o que é ou não importante; os valores são constituídos por crenças e atitudes que ajudam a determinar o comportamento individual. Assim, os valores da empresa são: “integridade e respeito com os colaboradores, clientes e fornecedores; qualidade e excelência em produtos e processos”. 57 3.6 Ramo de atividade A introdução do alumínio na construção civil tem pouco mais de 40 anos, com início tímido, restrito a componentes das esquadrias existentes na época (Janelas de Madeira e Aço). O desenvolvimento de projetos de esquadrias, 100%, de alumínio, iniciou-se na Europa e conquistou parcialmente o mercado de obras residenciais. No Brasil, o grande marco do avanço tecnológico do alumínio na construção civil, foram as obras da cidade de Brasília. E foi nessa época que as empresas da área de extrusão, tiveram a visão do potencial desse mercado, se aprimoraram nesse ramo de atividade desenvolvendo seus próprios projetos de esquadrias, desencadeando a fabricação de uma série de linhas de perfis de aplicações diversas. Atualmente o mercado de esquadrias de alumínio continua crescendo, e o seu maior aliado é a construção civil, devido a sua versatilidade em atender qualquer projeto de arquitetura, oferecendo: desempenho e resistência nas mais variadas condições, além de permitir formas audaciosas e designs arrojados, aliando conforto e durabilidade. 3.7 Mercado A empresa está situada em Itajaí, e o mercado no qual a Mafra Alumínios atua está em expansão. Nos últimos anos houve um grande aumento na procura de esquadrias por pessoas de diversas classes sociais, principalmente porque as construções estão em constante crescimento. Existem muitos concorrentes na região neste segmento, fazendo com que a empresa busque diferenciação no mercado. Assim, verificou-se a necessidade de expandir seus negócios para outras regiões, como: Navegantes, Balneário Camboriú, Brusque e Bombinhas (onde atende casas de veraneio, principalmente de 58 clientes). Isso faz com que a empresa esteja sempre com muitos serviços em andamento. Por esse motivo, a Mafra Alumínios tem necessidade de implantar um fluxo de caixa, que será fundamental para o sucesso e crescimento da empresa. 3.8 Caracterização dos serviços prestados A Mafra Alumínios presta serviços de produção e manutenção de esquadrias e vidros temperados, e procura oferecer aos clientes qualidade no serviço, utilizando-se de materiais de primeira linha. A empresa trabalha apenas com peças fabricadas sob encomenda, não possui material a pronta entrega. Possui um pequeno estoque para reformas e consertos de emergência e geralmente compra a matéria-prima com fornecedores da região, o que agiliza a entrega do serviço ao cliente, não passando de sete dias do pedido até a instalação. Também é oferecido a alguns concorrentes parceiros o serviço de furação e refilação, pelo motivo de a empresa possuir um maquinário diferenciado, que pelo alto valor de aquisição poucas serralherias têm. Outro diferencial é que geralmente todo o atendimento é feito a domicílio, desde o orçamento até o pagamento. 3.9 Modelo de gestão atual O atendimento ao cliente começa com uma visita na obra para saber o que o cliente precisa e tirar as medidas exatas para que seja feito o orçamento, que pode ser encaminhado via e-mail ou entregue impresso ao cliente. Confirmado o pedido, são negociadas as condições de pagamento. Confirmado o pedido, são encomendados os materiais usados no serviço, entregues pelo fornecedor no mesmo dia. Deste modo, se inicia a produção e no 59 prazo de sete dias é entregue e instalado. A instalação é feita pelos próprios serralheiros, que em poucas horas concluem a instalação. 3.10 Organograma A seguir apresenta-se o organograma da empresa estudada, que é simples em função de sua estrutura empresarial e do número de funcionários. Figura 1: Organograma da empresa Fonte: Elaborado pelas acadêmicas Por se tratar de uma empresa familiar, o proprietário é o diretor, sendo assim, é o responsável pelas decisões da empresa, tais como pagamento de funcionários, compras, cobranças e também as visitas aos clientes. O auxiliar administrativo executa atividades relacionadas aos serviços de banco, atendimento ao cliente e outras funções necessárias para o bom funcionamento da organização. Na produção encontram-se os serralheiros, que são responsáveis pela fabricação das peças, instalação das mesmas e os serviços de manutenção, sendo subordinados ao diretor. 60 4 RESULTADOS DA PESQUISA Neste item demonstra-se os resultados da pesquisa de campo realizada na empresa Mafra Alumínios, com base nos dados obtidos através de entrevistas informais com o administrador da empresa e análises de documentos referentes ao período de maio/2013 á dezembro/2013, que serviram de base para projetar o fluxo de caixa para o segundo semestre de 2014. Apresenta-se, ainda, mapas auxiliares de compras e vendas, demonstrando a previsão de ingressos e desembolsos referentes às compras e vendas a prazo para os meses em que foi projetado o fluxo de caixa. Tabela 5 – Relatório de compras, vendas, encargos e demais receitas e despesas mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 Vendas à vista (70%) 27.291,56 31.470,83 28.023,25 26.861,46 25.978,96 27.672,52 33.670,25 32.329,51 Vendas a prazo (30%) 11.696,36 13.487,50 12.009,96 11.512,06 10.276,69 11.859,61 14.430,11 13.855,50 100,00 174,00 131,00 357,00 221,00 254,00 314,00 98,00 39.087,92 45.132,33 40.164,21 38.730,52 36.476,65 39.786,13 48.414,36 46.283,01 Ingressos Outros (furação) Soma Desembolsos Fornecedores Compras à vista (10%) 1.240,03 1.640,30 1.335,75 1.536,19 1.407,74 1.161,66 1.891,54 1.826,60 Compras a prazo (90%) 11.163,44 14.762,71 12.021,76 13.825,76 12.669,69 10.454,96 17.023,86 16.439,39 Soma 12.403,47 16.403,01 13.357,51 15.361,95 14.077,43 11.616,62 18.915,40 18.265,99 Despesas Administrativas Água 20,11 20,11 20,11 20,11 20,11 20,11 20,11 Energia Elétrica 102,66 118,46 131,51 155,68 107,05 101,94 103,89 Telefone/Internet/Celular 238,59 241,61 237,02 235,07 245,59 244,25 237,82 Contabilidade 415,00 415,00 415,00 415,00 415,00 615,00 715,00 Despesas bancárias 10,91 10,91 10,91 10,91 10,91 10,91 10,91 Despesas com veículo 0,00 0,00 524,68 714,70 1.446,97 1.176,92 379,04 1.900,00 1.900,00 1.900,00 1.900,00 1.900,00 1.900,00 1.900,00 Manutenção de equipamentos 30,00 0,00 60,00 0,00 0,00 220,00 0,00 Sindicato Metalúrgico 31,61 31,61 31,61 31,61 21,61 21,61 21,61 Aluguel 170,94 170,94 170,94 170,94 170,94 170,94 170,94 2.919,82 2.908,64 3.501,78 3.654,02 4.338,18 4.481,68 3.559,32 Salário dos funcionários 5.600,00 5.600,00 5.600,00 5.600,00 5.600,00 5.600,00 5.600,00 Pró-labore 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 FGTS 448,00 448,00 448,00 448,00 448,00 672,00 672,00 INSS (GPS) 723,00 723,00 723,00 723,00 723,00 723,00 1.171,00 IR 126,42 126,42 126,42 126,42 126,42 126,42 126,42 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 2.800,00 2.800,00 9.397,42 9.397,42 9.397,42 9.397,42 9.397,42 12.421,42 12.869,42 Simples Nacional 3.384,92 3.012,32 2.904,79 2.585,75 2.983,96 3.631,08 3.471,23 Soma 3.384,92 3.012,32 2.904,79 2.585,75 2.983,96 3.631,08 3.471,23 Publicidade Soma Despesas com pessoal 13° Salário Soma Despesas Tributárias Financiamento Continua 61 Continuação jun/14 jul/14 ago/14 set/14 out/14 nov/14 dez/14 Empréstimo bancário IDENTIFICAÇÃO mai/14 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 Soma 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 Lucro retirado 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 Soma 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 Despesas Financeiras Despesas com Investimentos Financiamento do veículo 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 Soma 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 SOMA 6.533,80 4.994,96 1.071,22 268,67 4.956,59 2.471,42 1.623,69 Fonte: Arquivos da empresa A tabela (5) mostra os ingressos compostos pela receita de venda à vista, a prazo e entradas referentes a furações. Já os desembolsos são compostos de pagamentos realizados, que correspondem aos fornecedores de matéria-prima; despesas administrativas, com pessoal e tributárias; financiamento; empréstimo e retirada de lucro. O volume de vendas, tanto dos ingressos quanto dos desembolsos, foi definido de acordo com estudos de dados e coletas no sistema administrativo. Os prazos de pagamento disponibilizados aos clientes variam de acordo com o serviço a ser realizado e, principalmente, com o valor da venda. Os pagamentos são feitos através de cheques, depósitos, cartões e dinheiro. Em relação aos desembolsos, observa-se que a maioria das compras são feitas a prazo, isso facilita a negociação com clientes da Mafra Alumínios, que preferem o pagamento a prazo. Para as compras à vista são concedidos, por alguns fornecedores, um desconto que varia de 5% a 10%, que é repassado a clientes que optam pelo pagamento no ato da compra. A manutenção do veículo refere-se a troca de óleo, pneus, revisão e limpeza, sendo feita com frequência para a conservação e bom funcionamento do veículo. O empréstimo bancário ocorreu em função do aumento do capital de giro, para cobrir certo montante de vendas realizadas a prazo, o qual não foi recebido, encontrando-se em processo de cobrança judicial. Quanto ao investimento, o valor do veículo foi financiado 100%, sendo este valor dividido em 48 parcelas iguais. Referindo-se às despesas administrativas e com pessoal, observa-se que existem despesas fixas, como pagamentos de funcionários, aluguel, contabilidade e valores que variam durante o período, contas de energia, telefone, FGTS, e despesas bancárias. 62 Nas despesas com FGTS e INSS nota-se um aumento nos valores dos meses de novembro e dezembro, que se dá devido ao 13º. É importante destacar que a empresa é optante do regime de tributação do Simples Nacional. Para que a empresa possa optar por este regime de tributação depende de uma série de imposições, entre elas o volume do faturamento anual e o objetivo social. 4.1 Projeção dos resultados obtidos Na tabela (6) todos os valores foram atualizados com a taxa de inflação prevista para o período, 6%. Aos valores de vendas de produtos e serviços, compras e despesas tributárias, além de atualizados com a taxa de inflação, foram adicionados 10% referentes a previsão de aumento nas vendas em relação ao mesmo período de 2013. Tabela 6 – Relatório de compras, vendas, encargos e demais receitas e despesas com atualização da inflação e expectativa de vendas mai/14 jun/14 jul/14 ago/14 set/14 out/14 nov/14 dez/14 Vendas à vista (70%) 31.821,96 36.694,99 32.675,11 31.320,46 30.291,47 32.266,16 39.259,51 37.696,21 Vendas a prazo (30%) 13.637,96 15.726,43 14.003,61 13.423,06 11.982,62 13.828,31 16.825,51 16.155,51 116,60 202,88 152,75 416,26 257,69 296,16 366,12 114,27 45.576,52 52.624,30 46.831,47 45.159,78 42.531,78 46.390,63 56.451,14 53.965,99 IDENTIFICAÇÃO Ingressos Outros (furação) Soma Desembolsos Fornecedores Compras à vista (10%) 1.445,87 1.912,59 1.557,48 1.791,20 1.641,42 1.354,50 2.205,54 2.129,82 Compras a prazo (90%) 13.016,57 17.213,32 14.017,37 16.120,84 14.772,86 12.190,48 19.849,82 19.168,33 Soma 14.462,44 19.125,91 15.574,85 17.912,04 16.414,28 13.544,98 22.055,36 21.298,15 Despesas Administrativas Água 21,32 21,32 21,32 21,32 21,32 21,32 21,32 Energia Elétrica 119,70 138,12 153,34 181,52 124,82 118,86 121,14 Telefone/Internet/Celular 252,91 256,11 251,24 249,17 260,33 258,91 252,09 Contabilidade 439,90 439,90 439,90 439,90 439,90 651,90 757,90 Despesas bancárias 11,56 11,56 11,56 11,56 11,56 11,56 11,56 Despesas com veículo 0,00 0,00 556,16 757,58 1.533,79 1.247,54 401,78 2.014,00 2.014,00 2.014,00 2.014,00 2.014,00 2.014,00 2.014,00 Manutenção de equipamentos 31,80 0,00 63,60 0,00 0,00 233,20 0,00 Sindicato Metalúrgico 33,51 33,51 33,51 33,51 22,91 22,91 22,91 Aluguel Publicidade Soma 181,20 181,20 181,20 181,20 181,20 181,20 181,20 3.105,90 3.095,72 3.725,83 3.889,76 4.609,83 4.761,40 3.783,90 5.936,00 5.936,00 5.936,00 5.936,00 5.936,00 5.936,00 5.936,00 Despesas com pessoal Salário dos funcionários Continua 63 Continuação jun/14 jul/14 ago/14 set/14 out/14 nov/14 dez/14 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 FGTS 474,88 474,88 474,88 474,88 474,88 712,32 712,32 INSS (GPS) 766,38 766,38 766,38 766,38 766,38 766,38 1.241,26 IR 134,01 134,01 134,01 134,01 134,01 134,01 134,01 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 2.968,00 2.968,00 9.811,27 9.811,27 9.811,27 9.811,27 9.811,27 13.016,71 13.491,59 Simples Nacional 3.946,82 3.512,37 3.386,99 3.014,98 3.479,30 4.233,84 4.047,45 Soma 3.946,82 3.512,37 3.386,99 3.014,98 3.479,30 4.233,84 4.047,45 Empréstimo bancários 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 Soma 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 Retirada de lucros 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 Soma 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 IDENTIFICAÇÃO mai/14 Pró-labore 13° Salário Soma Despesas Tributárias Financiamento Despesas financeiras Despesas com Investimentos Financiamento do veículo 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 Soma 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 SOMA 10.141,04 8.343,90 3.830,29 2.908,13 8.451,89 5.890,47 4.851,54 Fonte: Tabela 5 (relatório de compras, vendas, encargos e demais receitas e despesas) 4.2 Mapas auxiliares Os mapas auxiliares têm por objetivo ajudar o administrador financeiro na projeção dos ingressos e desembolsos detalhadamente de acordo com o período projetado. Com esse detalhamento, os mapas auxiliam na análise do administrador financeiro ou até mesmo por um profissional sem muito conhecimento na área financeira, quando estudado o fluxo de caixa. A seguir apresenta-se o total das vendas da empresa, conforme os lançamentos feitos no caixa durante o período. 64 4.2.1 Mapas auxiliares de entradas de caixa As entradas de caixa da empresa em pesquisa ocorrem com a venda de produtos. Os recebimentos são realizados na proporção de 70% à vista e 30% a prazo, na forma de cheques, dinheiro e cartão de crédito. A tabela 7 apresenta os períodos em que os recursos financeiros das vendas à vista e a prazo entrarão em caixa. Tabela 7 – Mapa auxiliar de entradas de caixa a prazo Eventos mai/14 jun/14 jul/14 ago/14 set/14 out/14 nov/14 dez/14 Total das vendas 45.576,52 52.624,30 46.831,47 45.159,78 42.531,78 46.390,63 56.451,14 53.965,99 Total à vista (70%) 31.938,56 36.897,87 32.827,86 31.736,72 30.549,16 32.562,32 39.625,63 37.810,48 Total a prazo (30%) 13.637.96 15.726,43 14.003,61 13.423,06 11.982,62 13.828,31 16.825,51 16.155,51 6.818.98 6.818.98 7.863,22 7.863,22 7.001,81 Fluxo de entrada de 7.001,81 6.711,53 vendas a prazo 6.711,53 5.991,31 5.991,31 6.914,16 6.914,16 8.412,76 Total de entradas a prazo 6.818.98 14.682,20 14.865,03 13.713,34 12.702,84 12.905,47 15.326,92 Fonte: tabela 6 (Relatório de compras, vendas, encargos e demais receitas e despesas com atualização da inflação e expectativa de vendas) O mapa auxiliar de entradas de caixa a prazo apresentado acima, considerando o período de julho/2014 a dezembro 2014, demonstra que o mês de outubro será o mês com menor entrada de caixa a prazo do período analisado, apenas R$ 12.702,84. Em contrapartida, neste mesmo mês as vendas à vista apresentaram um valor razoável, R$ 32.562,32 mantendo o equilíbrio em relação aos outros períodos. O mês com maior entrada a prazo de caixa será em dezembro, R$ 15.326,92. Em relação as vendas à vista, o maior volume está previsto para o mês de novembro R$ 39.625,63, enquanto o menor volume de vendas ocorrerá no mês de setembro R$ 30.549,16. Destaca-se em geral, que o mês em que haverá o maior volume de entradas, considerando-se a soma das vendas à vista e a prazo, será novembro, com R$ 56.451,14. 65 4.2.2 Mapa auxiliar de saída de caixa O mapa de saída é composto pela compra de materiais. As compras realizadas pela Mafra Alumínios são pagas 10% à vista, e 90% a prazo, em até 2 vezes. No mapa auxiliar de saídas de caixa a prazo, apresentado a seguir, estão projetados os valores que deverão sair do caixa mês a mês, de maio a dezembro de 2014, embora, para fins de análise, serão considerados os meses de julho a dezembro de 2014, os quais comporão o fluxo de caixa projetado. Tabela 8 – Mapa auxiliar de saídas de caixa a prazo Eventos mai/14 jun/14 jul/14 ago/14 set/14 out/14 nov/14 dez/14 Total das compras 14.462,44 19.125,91 15.574,85 17.912,04 16.414,28 13.544,98 22.055,36 21.298,15 Total à vista (10%) 1.445,87 1.912,59 1.557,48 1.791,20 1.641,42 1.354,50 2.205,54 2.129,82 Total a prazo (90%) 13.016,57 17.213,32 14.017,37 16.120,84 14.772,86 12.190,48 19.849,82 19.168,33 6.508,29 6.508,29 8.606,66 8.606.66 7.008.69 Fluxo de entrada de 7.008,69 8.060,42 vendas a prazo 8060,42 7.386,43 7.386,43 6.095,24 6.095,24 9.924,91 Total de saídas a prazo 6.508,29 15.114,95 15.615,35 15.069,11 15.446,85 13.481,67 16.020,15 Fonte: tabela 6 (Relatório de compras, vendas, encargos e demais receitas e despesas com atualização da inflação e expectativa de vendas) Percebe-se que o mês com maior desembolso de caixa a prazo será dezembro, com R$ 16.020,15, já o menor desembolso ocorrerá em novembro, com R$ 13.481,67. Considerando-se os desembolsos à vista, de julho a dezembro, o mês de maior saída será novembro, com R$ 2.205,54, e o mês com menor desembolso será outubro, com R$ 1.354,50. O valor alto do total de compras no mês de novembro, R$ 22.055,36, é reflexo de várias compras de matéria-prima, devido ao grande volume de vendas realizadas no mês em questão. 66 4.3 Fluxo de caixa projetado O fluxo de caixa projetado foi elaborado com base nas compras e vendas de mercadorias e demais ingressos e desembolsos previstos para os meses de julho a dezembro de 2014. 4.3.1 Manual de instruções Visando um melhor entendimento deste trabalho, segue abaixo um breve manual de instruções para o fluxo de caixa projetado. Este manual foi desenvolvido pelo professor orientador e adotado pelas acadêmicas. (1) Registrar todos os recebimentos e pagamentos mensais previstos relacionados às atividades operacionais. (2) Este resultado pode ser negativo ou positivo. É o confronto das entradas e saídas da ATIVIDADE OPERACIONAL. (3) Registrar todas as entradas e saídas mensais de numerários previstas relacionadas a transações de itens do ativo permanente. (4) Este resultado pode ser negativo ou positivo. É o confronto das entradas e saídas da ATIVIDADE DE INVESTIMENTO. (5) Registrar todas as entradas e saídas de recursos financeiros relacionadas ao financiamento das operações (empréstimos bancários, integralização de capital, etc). (6) Este resultado pode ser negativo ou positivo. É o confronto das entradas e saídas da ATIVIDADE DE FINANCIAMENTO. (7) Este saldo é a soma algébrica dos resultados (2); (4) e (6), podendo ser negativo ou positivo. Obs: Após encontrar os resultados do item (7), seguir as regras (sinais algébricos) do modelo. (8) O saldo inicial de cada período é sempre igual ao final do período anterior. 67 (9) Aqui, deve ser registrada a entrada do dinheiro pelo resgate da aplicação (o valor principal). (10) Registrar a entrada do dinheiro pelos rendimentos (juros) das aplicações realizadas. (11) Registrar a saída do dinheiro pelo pagamento do empréstimo contraído (só o principal). (12) Nesta linha, registrar a saída do dinheiro pelo pagamento dos juros sobre os empréstimos contraídos. (13) Nesta linha, registrar o valor do empréstimo (principal) necessário para que se tenha o saldo final de caixa conforme projetado. Ao apurar o valor do empréstimo, lançar o principal e juros nos itens (11) e (12), respectivamente, conforme o mês previsto para pagamento. (14) Nesta linha, registrar as aplicações (principal) a serem efetuadas quando sobrar recursos de acordo com o saldo final de caixa projetado. Ao apurar o valor da aplicação, lançar o principal e juros nos itens (9) e (10), respectivamente, conforme o mês previsto para resgate. (15) Este saldo é projetado conforme política da empresa (não esquecer que o saldo inicial de cada período é sempre igual ao saldo final do período anterior). Obs: Os saldos (8) e (15), podem, e devem ser definidos (de acordo com as informações) antes de qualquer procedimento relativo ao fluxo de caixa projetado. ATIVIDADES OPERACIONAIS – envolvem todas as atividades relacionadas com a produção e entrega de bens e serviços e os eventos que não sejam definidos como atividades de investimento ou financiamento. Normalmente, relaciona-se com as transações que aparecem na Demonstração de Resultados. ATIVIDADES DE INVESTIMENTOS – relacionam-se normalmente com o aumento e diminuição dos ativos de longo prazo que a empresa utiliza para poder produzir bens e serviços. Inclui a concessão e recebimento de empréstimos, a aquisição e venda de instrumentos financeiros e patrimoniais de outras entidades e a aquisição e alienação do imobilizado. ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO – relacionam-se com os empréstimos de credores e investidores à entidade. Inclui a obtenção de recursos dos donos e o pagamento a estes de retorno sobre seus investimentos ou do próprio reembolso do investimento; inclui também a obtenção de empréstimos credores e a amortização 68 ou liquidação destes; e também a obtenção e pagamento de recursos de créditos a longo prazo. A tabela seguinte é a demonstração do fluxo de caixa projetado para a empresa estudada, para os meses de julho a dezembro de 2014, com base nos dados coletados. Tabela 9 – Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014 ATIVIDADES OPERACIONAIS (1) Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro (+) Recebimentos de vendas à vista 32.827,86 31.736,72 30.549,16 32.562,32 39.625,63 37.810,48 (+) Recebimentos de vendas a prazo 14.682,20 14.865,03 13.713,34 12.702,84 12.905,47 15.326,92 Total de entradas 47.510,06 46.601,75 44.262,50 45.265,16 52.531,11 53.137,40 (-) Pagamentos a fornecedores à vista 1.557,48 1.791,20 1.641,42 1.354,50 2.205,54 2.129,82 (-) Pagamentos a fornecedores a prazo 15.114,95 15.615,35 15.069,11 15.446,85 13.481,67 16.020,15 (-) Salários com encargos 9.811,27 9.811,27 9.811,27 9.811,27 9.811,27 13.016,71 (-) Despesas administrativas 3.105,90 3.095,72 3.725,83 3.889,76 4.609,83 4.761,40 (-) Despesas tributárias 3.946,82 3.512,37 3.386,99 3.014,98 3.479,30 4.233,84 Total de saídas 33.536,42 33.825,91 33.634,62 33.517,36 33.587,61 40.161,92 Caixa Líquido consumido/ gerado por atividades operacionais (2) 13.973,64 12.775,84 10.627,88 11.747,80 18.943,50 12.975,48 - - - - - - 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 1.263,36 (1.263,36) (1.263,36) (1.263,36) (1.263,36) (1.263,36) (1.263,36) - - - - - - 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 2.730,00 Entradas Saídas: ATIVIDADES DE INVESTIMENTO (3) Entradas: (+) Vendas de Imobilizado Saídas: (-) Aquisição de veículo Caixa líquido consumido/gerado por atividade de investimento (4) ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO (5) Entradas: (+) Integralização de capital Saídas: (-) Empréstimo Bancário Continua 69 Continuação Julho Agosto Setembro Outubro 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 2.500,00 (5.230,00) (5.230,00) (5.230,00) (5.230,00) (5.230,00) (5.230,00) Aumento/ Diminuição líquido nas disponibilidades (7) 7.480,28 6.282,48 4.134,52 5.254,44 12.450,14 6.482,12 (+) Saldo inicial de caixa (8) 15.000,00 15.000,00 15.000,00 15.000,00 15.000,00 15.000,00 (=) Disponibilidade Acumulada I 22.480,28 21.282,48 19.134,52 20.254,44 27.450,14 21.482,12 (+) Resgate de aplicações (9) - 7.480,28 13.801,66 18.007,95 23.356,03 35.927,62 (+) Rendimento de aplicação (10) - 38,90 71,77 93,64 121,45 186,82 (-) Liquidação de empréstimos (11) - - - - - - (-) Juros pagos s/ empréstimos (12) - - - - - - (=) Disponibilidade Acumulada II (*) 22.480,28 28.801,66 33.007,95 38.356,03 50.927,62 57.596,56 (+) Empréstimos Bancários a Curto Prazo (13) - - - - - - (-) Aplicações Financeiras de Excedentes (14) 7.480,28 13.801,66 18.007,95 23.356,03 35.927,62 42.596,56 (=) Saldo Final de caixa (*) (15) 15.000,00 15.000,00 15.000,00 15.000,00 15.000,00 15.000,00 (-) Retirada de Lucro Caixa Líquido consumido/ gerado por atividade de Financiamento (6) Novembro Dezembro Fonte: Tabelas 6, 7 e 8 (Relatório de compras, vendas, encargos e demais receitas e despesas com atualização da inflação e expectativa de vendas; mapa auxiliar de entradas de caixa a prazo e mapa auxiliar de saídas de caixa a prazo, respectivamente) (*) Disponibilidade acumulada II (–) Saldo Final de Caixa = Excedentes ou Escassez de Recursos Financeiros do Período, que será igual ao valor da aplicação a ser realizada (excedentes) ou do empréstimo (escassez de recursos) a ser contraído, de acordo com o nível de caixa desejado. Nas atividades operacionais relatam-se as entradas e saídas de caixa procedentes de suas atividades institucionais. Analisando o fluxo de caixa projetado, foi possível verificar que nas atividades operacionais, haverá excedentes de caixa em todos os períodos, destacando-se, o mês de novembro R$ 18.943,50. Porém, se a empresa tivesse que captar algum recurso, o fluxo de caixa projetado indicaria o montante necessário, dessa forma a empresa poderia se planejar com antecedência e buscar fontes de empréstimos mais vantajosas. 70 Na tabela 9, foi utilizada a taxa de 0,52% ao mês para o cálculo do rendimento das aplicações, sendo ela aplicada aos valores mensais do item resgate de aplicações. Nas entradas operacionais de caixa de julho a dezembro, percebe-se que o mês de setembro será o de pior desempenho, com R$ 44.262,50. Já o mês de dezembro apresentará o melhor resultado, com entradas de caixa projetadas de R$ 53.137,40. Em relação ao total de saídas, destaca-se o mês de dezembro, com o total de R$ 40.161,92, representando o maior valor de desembolsos mensais do período projetado. O mês de outubro será o mês com menor desembolso, R$ 33.517,36. As atividades de investimentos, classificadas como aquisição de veículo, estão representadas pela compra de uma caminhonete, utilizada para transporte dos produtos da empresa e seu financiamento, com parcela fixa mensal de R$ 1.263,36. Quanto às atividades de financiamento, ocorrerão saídas referentes a retirada de lucros, fixada no valor de R$ 2.500,00. E pagamento mensal de um empréstimo bancário no valor de R$ 2.730,00. Para que a empresa possa liquidar suas obrigações em dia, projetou-se o valor de R$ 15.000,00 como saldo de caixa inicial, que somado as vendas e recebimentos de início de cada mês, serão utilizados para pagar as despesas com vencimento no inicio do mês. Com a implantação do fluxo de caixa projetado ficará mais visível para o proprietário da empresa ver quais resultados ela obtém, podendo analisar, planejar ou aplicar seus recursos da melhor maneira possível. Além do que, o fluxo de caixa é uma ferramenta de fácil análise, oferecendo informações básicas para a tomada de decisão com mais realidade, sendo que os controles dos ingressos e desembolsos são fáceis de acompanhar, as informações diárias dão margem para um planejamento e administração financeira, representando base de determinação, saúde e o grau de liquidez da empresa. No gráfico 1 apresenta-se as entradas das atividades operacionais à vista e entradas a prazo. 71 Gráfico 1 – Comparação entre os recebimentos à vista e a prazo Fonte: Tabela 9 (Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014) Neste gráfico percebe-se a diferença entre os recebimentos à vista e a prazo. Os recebimentos à vista serão superiores em todos os meses, com destaque para o mês de novembro, onde ocorrerá o maior volume, R$ 39.625,63. O mês em que os recebimentos a prazo mais se aproximarão dos recebimentos à vista será agosto, sendo apenas R$ 14.865,03. No gráfico 2 é feita uma comparação entre os pagamentos a fornecedores a prazo e à vista. Gráfico 2 – Comparação entre os pagamentos à vista e a prazo Fonte: Tabela 9 (Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014) 72 O gráfico 2 demonstra a parcela que as saídas a prazo representam em relação ao total de saídas à vista. O mês com maior destaque será outubro, em que ocorrerá a maior diferença entre saídas à vista e saídas a prazo, sendo R$14.092,35. O mês de outubro será o período em que está previsto o menor valor de saída à vista e novembro terá o menor desembolso de saídas a prazo. Gráfico 3 – Comparação dos pagamentos a fornecedores a prazo em relação ao total de entradas (em R$) Fonte: Tabela 9 (fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014) Observa-se no gráfico a parcela que os pagamentos a fornecedores a prazo representam em relação ao total de entradas. O mês com maior destaque é novembro, em que ocorrerá a maior diferença entre entradas e pagamentos a fornecedores, sendo R$ 39.049,44, representando 25,66%. O mês de setembro será o período em que está previsto o menor valor total de entradas e o mês de novembro o menor valor de pagamento de fornecedores a prazo. No gráfico 4 é possível visualizar, em forma de percentual, a proporção de pagamentos a fornecedores a prazo em relação ao total de entradas. 73 Gráfico 4 – Porcentagem dos pagamentos a fornecedores a prazo em relação ao total de entradas Fonte: Tabela 9 (Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014) Percebe-se com a visualização do gráfico que o mês de outubro é o mês em que haverá uma maior porcentagem de diferença entre as entradas e os pagamentos a prazo a fornecedores 34,13%, representando o valor destinado a pagamentos de fornecedores a prazo em relação ao total de entradas. Já o mês de novembro, é o que possui a menor porcentagem, sendo que do total de entradas, apenas 25,66% são destinados a pagamentos a fornecedores a prazo. No gráfico 5 demonstra-se o total de entradas, comparado com o total de saída de cada mês, em relação às atividades operacionais. 74 Gráfico 5 – Total de entradas versus total de saídas operacionais (em R$) Fonte: Tabela 9 (Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014) Neste gráfico é possível observar que o total de entradas será superior ao total de saídas em todos os meses do período analisado, mostrando que a empresa conseguirá cumprir com suas obrigações mensais, em termos operacionais, e ainda haverá um excedente de caixa. O mês que apresentará maior sobra é o mês de novembro, com uma diferença de R$ 18.943,50. Gráfico 6 - Proporção das saídas de caixa em relação ao total de desembolsos (em %) Fonte: Tabela 9 (Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014) 75 O gráfico 6 mostra a parcela que cada saída de caixa, proveniente das atividades operacionais, atividade de investimento e atividade de financiamento representa do total dos desembolsos. Os valores descritos representam a média mensal de cada item durante os seis meses para os quais o fluxo de caixa foi projetado. Percebe-se no gráfico 7 a porcentagem do caixa líquido gerado pelas atividades operacionais. Os percentuais foram apurados tomando-se como base as sobras mensais em relação ao total do semestre. Gráfico 7 – Caixa Líquido gerado pelas atividades operacionais Fonte: Tabela 9 (Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014) O caixa líquido gerado pelas atividades operacionais é a diferença entre o total de entradas e total de saídas do período projetado. Este gráfico permite a visualização dos meses em que ocorrerão os maiores volumes de caixa líquido gerado, sendo os meses de novembro, com R$ 18.943,50 e julho com R$ 13.973,64. Os meses que apresentarão as menores parcelas são os meses de setembro com R$ 10.627,88 e outubro R$ 11.747,80. O gráfico 8 demonstra a variação do Aumento/Diminuição Líquido nas disponibilidades dos meses de julho a dezembro de 2014. Destaca-se que os 76 montantes mensais representam as entradas e saídas do caixa provenientes das três atividades (operacionais, investimentos e financiamentos). Gráfico 8 - Aumento/Diminuição líquido nas disponibilidades (em R$) Fonte: Tabela 9 (Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014) Nota-se que no mês de setembro o saldo líquido de caixa apresentará resultado inferior aos demais períodos, com apenas R$ 4.134,52 de disponibilidade. Comparado com novembro, mês com melhor desempenho, este valor se revela muito baixo. Por meio do gráfico é possível perceber que haverá uma variação considerável nos valores de cada mês. Neste sentido, é importante que o proprietário considere o período como um todo, e utilize os excedentes dos meses com melhor desempenho para compensar os meses com pior resultado. Nos meses de julho e agosto deverão ser reservadas quantias para compensar os desembolsos de setembro, visto que se ocorrer algum imprevisto, esta reserva poderá suprir quaisquer eventualidades no decorrer deste mês. No gráfico 9 mostrar-se as aplicações financeiras proporcionadas pelos excedentes mensais de caixa que ocorrerão no segundo semestre de 2014. 77 Gráfico 9 – Aplicações financeiras dos excedentes de caixa no 2º semestre de 2014 Fonte: Tabela 9 (Fluxo de caixa projetado para o segundo semestre de 2014) As aplicações financeiras dos excedentes estão demonstradas de forma cumulativa ao longo do semestre. Assim, através da análise do gráfico, percebe-se que os valores aumentam gradualmente conforme o passar dos meses. Em julho o valor será de R$ 7.480,28 e em dezembro R$ 42.596,56, representando um aumento de 469,45% considerando-se a sobra prevista para o mês de julho de 2014 com o montante acumulado em dezembro. A projeção do fluxo de caixa permite que se planeje com antecedência as ações (investimentos, empréstimos, promoções, entre outros). Com o fluxo de caixa projetado, a empresa Mafra Alumínios poderá ampliar as possibilidades para que se possa evitar a falta de recursos, permitindo cumprir com suas obrigações, assim como planejar investimentos para os meses em que haverá excedentes de caixa. Embora se realize a projeção, deve-se realizar um acompanhamento dos resultados, a fim de comparar o que foi planejado com o que de fato se consolidou. A projeção não garante que os objetivos sejam atingidos, portanto, toda a empresa deve se esforçar para alcançar as metas propostas. Para a empresa estudada, que nunca se utilizou de um fluxo de caixa, esta projeção servirá de base para o desenvolvimento que o proprietário planeja para os 78 anos seguintes, demonstrando de maneira clara o que esperar para os próximos meses. 79 5 SUGESTÕES PARA A EMPRESA O resultado obtido com elaboração do trabalho, juntamente com a vivência das estagiárias na empresa, permitiu visualizar alguns fatos que contribuirão para a formação e manutenção de futuras ferramentas de gestão para a organização. Apresentam-se a seguir algumas sugestões, no sentido de propiciar ao gestor da empresa estudada uma gestão financeira adequada. • Separar as contas pessoais das contas da empresa, para melhor controle das despesas da organização, pois a separação destas despesas auxiliará na verificação do lucro ou prejuízo mensal da empresa, ou seja, o real resultado obtido com os negócios. • Elaborar uma planilha de controle diário com os gastos da empresa, para que possa ser desenvolvido o fluxo de caixa. • Desenvolver tabelas referentes aos ingressos e desembolsos, manter um controle rigoroso do caixa, para manutenção do capital de giro e do controle do fluxo de caixa mensal. Podendo-se visualizar de maneira mais ampla quais as entradas e saídas que mais afetam o caixa da empresa. • Manter o fluxo de caixa projetado atualizado, para que o proprietário possa tomar as decisões relativas à área financeira. • Estabelecer um controle bancário é essencial, para que se tenha certeza de que todas as entradas previstas estejam realmente sendo creditadas na conta, tanto pagamentos de notas a cobrar, cheques, cartões de crédito e débito, depósitos etc., além do controle de taxas cobradas pelos bancos, conferindo com o extrato bancário. • As sobras mensais devem ser reinvestidas na empresa, ou em uma poupança para serem recuperadas no curto prazo. Esta reserva poderá ser utilizada para cobrir alguma necessidade de caixa em algum mês em que ocorra falta de capital de giro, ou ampliar os negócios. 80 • Investir em divulgações da empresa em alguns veículos de comunicação, como listas telefônicas, internet, rádio para que seja reconhecida no mercado, e dessa forma também divulgar vagas de emprego disponíveis. • Sugere-se ao proprietário que inicie um curso de gestão financeira, para possibilitar um melhor entendimento e controle tanto da gestão financeira da empresa, como das finanças pessoais. • Destaca-se, também, a necessidade do treinamento de mais uma pessoa para auxiliar nos processos internos financeiros e administrativos da organização, para que desta forma todas as sugestões anteriores sejam realizadas continuamente, além de que caso algum funcionário tenha que ser substituído por motivo de férias, doenças etc., a empresa tenha um profissional para suprir esta necessidade. • Proceder análise dos custos e despesas incorridos na empresa, visando conhecer a margem de contribuição dos diferentes produtos e se os preços atualmente praticados estão gerando a lucratividade desejada. 81 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Embora as pequenas e médias empresas sejam responsáveis por grande parte do desenvolvimento da economia do país, em que caracterizam-se por possuir crescimento acelerado e adaptar-se rapidamente às mudanças do mercado, a grande maioria dessas mesmas empresas não sobrevivem mais de dois anos. O gerenciamento das pequenas empresas é exercido, em sua maioria, de maneira familiar, ocasionando a ausência e falta de conhecimento de ferramentas seguras para a tomada de decisões. Sendo assim, foi apresentado à empresa objeto de estudo o fluxo de caixa, um excelente instrumento de planejamento, através de conceitos, objetivos, características e elementos necessários para a sua implantação e elaboração. Com o fluxo de caixa, é possível obter a visão antecipada das sobras ou necessidades de caixa, servindo como uma das ferramentas gerenciais mais importantes para planejamento dentro das empresas, e tornando-se primordial para a gestão eficaz dos administradores financeiros (ZDANOWICZ, 1989). Nesse sentido, a realização deste trabalho objetivou fornecer, mediante a obtenção de conhecimentos através de bibliografias na área de administração financeira em geral e fluxo de caixa, em particular, bem como da premissa de seus objetivos específicos, a sustentação para propor a implantação do fluxo de caixa como forma de planejamento financeiro, até então inexistente na empresa, de modo a esclarecer a sua utilização e elaboração, a fim de otimizar todo o processo decisório da empresa em questão. Para atingir os objetivos específicos pré-determinados neste estudo, primeiramente verificou-se se a empresa utilizava algum instrumento de gestão com a finalidade de planejamento financeiro. Com isso, constatou-se que a empresa utilizava relatórios que serviam apenas como controle de contas a receber e a pagar, mas que não eram utilizados para fim de planejamento. Esses relatórios consistem em planilhas elaboradas a partir do Excel, que são alimentados com os valores a receber de seus clientes, bem como valores a pagar relativos à mão-de-obra. Outras contas a pagar como serviços de terceiros, fornecedores, materiais de escritório, dentre outros, eram anotados manualmente em uma agenda de controle diário, ou 82 seja, não servindo da mesma forma, como meio de projeção para a tomada de decisão e o proprietário não separava as despesas pessoais das despesas da empresa. Os dados foram coletados através de pesquisa documental e informações financeiras, considerando os meses de maio a dezembro de 2013 e analisados posteriormente para a elaboração do fluxo de caixa projetado. Também foram desenvolvidos mapas auxiliares para o registro diário de todos os dados e informações. Assim, a partir do final de cada mês, o gestor financeiro obtém o montante final e, posteriormente, alimenta as informações no fluxo de caixa, para então realizar as projeções. Por fim, foi elaborado o fluxo de caixa projetado para os meses de julho a dezembro de 2014, apresentando resultados positivos em todos os meses analisados. A concretização deste estudo permitiu verificar que haverá excedente de caixa em todos os meses analisados. O Aumento/Diminuição Líquido nas disponibilidades, apesar de ser positivo em todos os meses, não apresentará crescimento contínuo. Os valores variaram mensalmente, de julho a dezembro: R$ 7.480,28, R$ 6.282,48, R$ 4.134,52, R$ 5.254,44, R$ 12.450,14 e R$6.482,12, respectivamente. Os excedentes mensais serão aplicados a curto prazo, sendo resgatados nos meses seguintes. A Disponibilidade Acumulada II, por sua, vez, apresentou resultados continuamente crescentes, com aumento de aproximadamente 156%, comparando-se julho (R$ 22.480,28) e dezembro (R$ 57.596,56). Também se observou que a principal fonte de desembolsos serão os pagamentos de fornecedores a prazo, com média para o período analisado de R$ 15.124,68, o que totaliza aproximadamente 44% de todas as saídas de caixa no período. As aplicações financeiras de excedentes, considerando-se as sobras acumuladas ao longo do período projetado atingirão, de julho a dezembro de 2014, os valores mensais de R$ 7.480,28, R$ 13.801,66, R$ 18.007,95, R$ 23.356,03, R$ 35.927,62 e R$ 42.596,56 respectivamente. Estes valores são positivos para a empresa estudada, visto que poderão ser utilizados para saldar dívidas decorrentes da ampliação dos negócios ou aplicados em investimentos no mercado financeiro, entre outras alternativas de investimento. 83 Os resultados obtidos contribuirão para que a Mafra Alumínios planeje suas 0,ações para o segundo semestre de 2014, bem como para períodos posteriores, e maximize sua eficiência financeira. O trabalho realizado foi importante para as acadêmicas, que puderam adquirir mais conhecimentos sobre a área financeira e sobre a empresa, para a universidade, que estabeleceu mais uma parceria com uma empresa da região e, principalmente, para a Mafra Alumínios, que passou a conhecer uma importantíssima ferramenta para a gestão financeira, que poderá aplicá-la continuamente para continuar crescendo e se tornar referência absoluta no mercado em que atua. 84 7 REFERÊNCIAS ANDRADE, Maria M. Introdução à metodologia do trabalho científico. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997. _____. Administração do capital de giro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997. _____. Administração do capital de giro. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002. _____. Finanças corporativas e valor. São Paulo: Atlas, 2003. BEZERRA FILHO, C. Empréstimos e financiamentos: operações de crédito para empresas. 2. ed. João Pessoa: CKS, 1995. BRAGA, Roberto. Fundamentos e técnicas de administração financeira. São Paulo: Atlas, 1989. _____. 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