SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO – SEED
SUPERINTENDÊNCIA DA EDUCAÇÃO – SUED
DIRETORIA DE POLÍTICAS E PROGRAMAS EDUCACIONAIS –
DPPE
PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL – PDE
Av. Água Verde, 2140 – CEP 80240-900 – Curitiba – Paraná
1 – FICHA DE IDENTIFICAÇÃO
Título: O ENSINO DA LITERATURA AFRICANA E AFRO-BRASILEIRA NO
CONTEXTO SOCIOCULTURAL.
Autor:
GERALDO VÍTOR TURCO
Disciplina/Área:
LÍNGUA PORTUGUESA
Núcleo Regional de Educa- LARANJEIRAS DO SUL
ção:
Escola de Implementação: COLÉGIO ESTADUAL OLAVO BILAC- E.F.M.
Município:
CANTAGALO
Professor Orientador:
Dr. EDSON SANTOS SILVA
Instituição de ensino Supe- UNICENTRO-IRATI
rior:
Relação Interdisciplinar:
Não tem
Público Alvo:
ALUNOS DOS 2º ANOS DO ENSINO MÉDIO
Resumo:
Este Caderno Pedagógico foi elaborado considerando a realidade de muitas escolas em que o ensino de literatura afro-brasileira e africana não é
abordado como determina a lei. Acredita-se que a
iniciação em textos de identidade afro-brasileira
possibilita e promove a integração, a diminuição do
preconceito, traz o trabalho em equipe, a cooperação, o respeito a si mesmo e ao próximo, o desenvolvimento intelectual e social dos alunos. É necessário que se reflita acerca da prática pedagógica e
as aulas de literatura oferecem vasta gama de textos e visões de mundo diferenciadas. Pretende-se
com este material proporcionar o conhecimento e a
prática da leitura e interpretação enquanto produtos
de construção cultural, social e histórica do indivíduo, desenvolvendo a criatividade, a imaginação e
Palavras-chave:
Formato:
a integração por meio dos diferentes apontamentos
discursivos e discutir a problemática do preconceito
por meio da construção de suporte intelectual utilizando contos, fábulas, poemas, letras de música e
textos para análise.
Este Caderno será trabalhado com aproximadamente 35 alunos, do 2º ano do Ensino Médio do
Colégio Estadual Olavo Bilac. Será aplicado em
32h/a no 1º trimestre de 2013.
Literatura afro-brasileira; Africanidade; Cultura;
Diversidade.
CADERNO PEDAGÓGICO
Professor/a, este material é um Caderno Pedagógico: é possível trabalhar as
Unidades Didáticas sem seguir a ordem que aqui se apresenta. Por conta disso, é indispensável que o professor/a conheça o material na íntegra antes de
aplicá-lo com os alunos.
UNIDADE DIDÁTICA 01
Professor/a, esta primeira Unidade pretende fornecer elementos de discussão.
Discutir com os alunos acerca do que é efetivamente a literatura afro-brasileira
e africana, bem como que os alunos encontrem peculiaridades nos diferentes
textos.
A De Ó (Estamos Chegando)
Estamos chegando do fundo da terra,
Estamos chegando do ventre da noite,
Da carne do açoite nós somos,
Viemos lembrar.
Estamos chegando da morte nos mares,
Estamos chegando dos turvos porões,
Herdeiros do banzo nós somos,
Viemos chorar.
Estamos chegando dos pretos rosários,
Estamos chegando dos nossos terreiros,
Dos santos malditos nós somos,
Viemos rezar.
Estamos chegando do chão da oficina,
Estamos chegando do som e das formas,
Da arte negada que somos, viemos criar.
Estamos chegando do fundo do medo,
Estamos chegando das surdas correntes,
Um longo lamento nós somos,
Viemos louvar.
[...]
Pedro Tierra, Pedro Casaldáliga, Milton Nascimento
MARÇAL, José Antonio. A formação de intelectuais negros(as). Políticas de
ação afirmativa nas Universidades brasileiras. Belo Horizonte: Nandyala, 2012.
http://2.bp.blogspot.com/_Ky1m0XpywhY/Si_lZ8xx5vI/AAAAAAAAAjo/rTcZB-94G8/s1600/terras+de+preto.gif Acesso em: 30 nov. 2012
Conhecer a literatura afro-brasileira e africana
Este Caderno tem por objetivo o estudo de obras cuja temática é a africanidade. Encontrar na história das literaturas africana e brasileira a presença do negro como sujeito do processo de autoafirmação, liberdade, transformação do
meio...
É a procura de Textos que tratem da problemática da exclusão, racismo, discriminação, preconceito.
Objetivos específicos:
1. Incentivar a pesquisa e a reflexão a respeito da produção literária dos brasileiros afrodescendentes.
2. Procurar as diferenças e semelhanças entre textos escritos por autores
brancos e negros.
3. Mostrar que a literatura afro-brasileira representa as muitas vozes, hoje esquecidas ou desqualificadas, quase todas oriundas das margens do tecido social.
4. Estudar autores africanos, cujas obras não aparecem nos cânones da literatura...
O que seria, enfim um escritor afro-brasileiro?
1. Escritores brasileiros que se nomeiam escritores negros e que proclamam a
literatura negra, isto é, afro-brasileira, ressaltando sua africanidade.
2. São intérpretes e porta-vozes dos anseios, dos sentimentos e ressentimentos da maioria anônima dos brasileiros de origem africana.
Professor/a, pensar com os alunos o que é discriminação, preconceito, desrespeito à diferença. Para tanto, buscar na história brasileira o que se fala, comenta-se entre o povo, acerca da diversidade racial e cultural. Verificar como os
negros foram retratados no decorrer dos tempos na literatura oficial bem como
na oralidade.
http://3.bp.blogspot.com/_4I0hQ9LI86I/TEiBULzoQI/AAAAAAAAAcw/aaLuOOhzrtk/s1600/racismo2.jpg Acesso em: 20 nov. 2012
Atividade:
a) O que esta imagem representa?
b) A escola tem desenvolvido projetos de conscientização com respeito à diversidade?
c) Afinal, o que é respeito?
d) Quais são as principais manifestações de racismo, preconceito e discriminação mais presentes no dia a dia?
O racismo brasileiro é o resultado histórico de uma discriminação dos
brancos contra as pessoas de fenótipo africano devido ao processo econômico,
social e cultural que aqui foi construído.
A representação da África na literatura brasileira representa a origem e
também o sonho de evasão.
A africanidade é o reconhecimento das origens: culturais, sociais, operatórias...
Não é possível que se pense nação, identidade e pertencimento, sem
que se pense em África. E isso inclui todos os brasileiros, não só os afrodescendentes.
O que é o sentimento de Africanidade?
Como trabalhar a Literatura Africana e Afro-brasileira nas aulas de Língua
Portuguesa com o Ensino Médio, mostrando aos alunos as diferentes culturas
e etnias que o Brasil por sua diversidade abraça?
UNIDADE DIDÁTICA 02
DANÇANDO NEGRO
Não sou festa para os teus olhos
de branco diante de um show!
Quando eu danço há infusão dos elementos
sou razão.
O meu corpo não é objeto,
sou revolução.
http://trilhasdosorixas.blogspot.com.br. Acesso em: 21nov.2012
Na história da Literatura Brasileira encontram-se alguns expoentes que
tratam dos conflitos étnicos e da discriminação. Contudo, ficam à margem, regionalizados, sem o respaldo nacional. Foram tantos os nomes de abolicionistas, contudo estes em sua maioria eram brancos ou comprometidos, de alguma
forma, com a ordem vigente. Afinal, aquela sociedade jamais poderia ser alterada sob o risco de perder-se o controle econômico e social.
Luis Gama foi vendido como escravo pelo próprio pai
http://n.i.uol.com.br/licaodecasa/biografias/luisgama.jpg Acesso em: 30 nov. 2012
O caso heróico de Luis Gama, que inaugurou a imprensa humorística
paulistana ao fundar, em 1864, o jornal "Diabo Coxo". Afrodescendente, poeta
satírico, ocultou-se, por vezes, sob o pseudônimo de Afro, Getulino e Barrabás.
Sua principal obra foi "Primeiras trovas burlescas de Getulino", de 1859, onde
se encontra a sátira "Quem sou eu?", também conhecida como Bodarrada.
Autodidata, Luís Gama tornou-se advogado e iniciou suas atividades contra a escravidão, conseguindo libertar mais de 500 escravos. É dele a frase:
"Perante o Direito, é justificável o crime do escravo perpetrado na pessoa do
Senhor". Conhecido como o "amigo de todos", tinha em casa uma caixa com
moedas que dava aos negros em dificuldades que vinham procurá-lo.
http://educacao.uol.com.br/biografias/luis-gama.jhtm Acesso em: 30 nov. 2012
Do Sentimento de Africanidade
A cultura africana e afro-brasileira é vastíssima. Na realidade brasileira ela
se manifesta em quase tudo. Na fala, no ritmo, na música, na ginga, na comida,
no vestuário, no comportamento, enfim, no colorido típico. O Brasil deve muito
à África e a seu povo que de lá foi arrancado contra sua vontade.
Não se admite chamar o negro de escravo, sim de escravizado, devido ao
processo de escravização imposta pelos mercantilistas europeus da época.
Quando africanos aqui foram desembarcados não pertenciam a uma
mesma etnia. Havia culturas mais adiantadas e mais atrasadas. Provinham de
diferentes regiões da grande África. Aqueles do Norte, bem como os sudaneses, malês e nagôs, eram muçulmanos que sabiam ler e escrever. Estes organizaram diversas revoltas contra os dominadores brancos.
No período da escravidão desenvolveram-se mecanismos de preservação
da cultura e dos costumes. Contudo, essa cultura múltipla sofreu o processo de
sincretismo, expandindo-se ao culto religioso, à expressão dogmática da crença.
Desde 2003, as instituições de ensino público são obrigadas a incluir em
seus conteúdos a temática do afrodescendente e do africano. Desde 2008,
ninguém pode ignorar a obrigatoriedade do ensino das histórias e culturas afrobrasileira e indígena. O Governo do Estado do Paraná possibilitou encontros
para educadores negros em Faxinal do Céu desde 2008. Algo inédito num estado em que se proclamava a formação populacional oriunda de imigrantes
europeus. Neste estado, educadoras(res) afrodescendentes tiveram, agora de
forma tímida com este Governo, a oportunidade de estudar a história do povo
negro, suas relações com o poder, os conflitos que existem numa sociedade
racista e segregadora como a brasileira. Mais ainda, procurou-se elevar o orgulho da etnia, a sua potencialidade para medir forças de igual para igual com o
histórico opressor. Ouviam-se palestras de referenciais renomados da música,
da sociologia, do cinema, daqueles que conseguiram superar os complexos do
homem subjugado pela tortura da discriminação e tomou as rédeas de sua
própria trajetória de vida.
O importante nisso tudo é o despertar da consciência para se fazer uma
realidade menos racista e preconceituosa. Fazer com que o respeito pelo outro
seja garantido e levado às instâncias da lei. É óbvio que não se resolverão conflitos seculares de receio, aversão, desconfiança, através da precária legislação
e uns estudos metódicos em sala de aula com professores que ainda fazem
vista grossa com esses temas. É preciso muito mais que isso. É fundamental
uma nova postura no momento: a segurança da autoconfiança, a luta da negritude pelo sentimento de negritude.
Da Negritude
O movimento da Negritude não é tão novo. Vem de remotas eras, mas
como história moderna teve sua origem nos movimentos culturais protagonizados por negros, brancos, mestiços que, desde as décadas de 10, 20, 30 do
século XIX, vinham lutando pelo renascimento negro. A ideia era revalorizar as
raízes culturais africanas, crioulas e populares em diversos países onde era
grande a concentração de afro-descendentes, bem como descendentes de quilombolas ou escravizados negros e índios. Como movimento reivindicador foi
marcado por uma literatura engajada de forte cunho político, uma afirmação de
independência, um clamor por reconhecimento e dignidade.
A ideia desse renascimento do sentimento negro e indígena surgiu como
consequência dos ideais do Romantismo no século XIX. Tantas obras de poetas e romancistas foram produzidas no intuito de discutir a problemática e levantar possíveis soluções. No Brasil, essas luzes acabaram acendendo o espírito da abolição em meados do século XIX e instituindo uma vontade dos povos
subjugados, negros e índios, assumirem a liberdade e igualdade tão almejadas
por artistas, poetas e escritores do século das Revoluções burguesas: a Francesa e a Industrial. O termo "Negritude" segundo Nelson Câmara:
aparece pela primeira vez escrito por Aimé Césaire, em 1938, no seu
livro de poemas, "Cahier d'un retour au pays natal"; está intimamente
associado ao trabalho reivindicativo de um grupo de estudantes africanos em Paris, nos princípios da década de 30, de que se destacam
como principais responsáveis e dinamizadores Léopold Sédar Senghor (1906) senegalês, Aimé Césaire (1913), martinicano, e Leon
Damas (1912), ganês. Estes autores da Negritude legaram-nos uma
obra literária da máxima importância; mas foi Senghor que, com a
Presidência do seu Pais (Senegal) e uma larga aceitação Ocidental
(política literária e acadêmica) contribuiu decisivamente para a divulgação da Negritude. (CÂMARA, 2009, p. 414)
Sédar Senghor foi quem atribuiu as primeiras tentativas de definição do conceito de Negritude. Designou o "Conjunto dos valores culturais do mundo negro”.
Eis alguns valores característicos do homem negro citadas por Câmara:
- o homem negro é essencialmente religioso e cultural, ritual e celebrante, porque para ele existe um ente supremo, o "sagrado", que é o
verdadeiro real
- o homem negro é simbólico, porque o seu mundo é o mundo das
imagens e do concreto; todas as realidades materiais, visíveis e imediatas são anunciadoras e portadoras de outras realidades
- o homem negro é o homem de coração, porque, para além do corpo, da força vital, da habilidade, do entendimento e de todas as outras qualidades humanas, é ainda pelo coração que o homem se define, que o homem vale e é julgado; para usar a categoria de um provérbio africano: "o coração do homem é o seu rei".(CAMARA, 2009,
415)
Expressões Ocidentais disseram que a negritude também era um movimento racista. Segundo os líderes da negritude, o sentimento racista do início
fazia-se necessário para realçar seus valores, a sua dignidade e afirmá-los.
Seu teórico mais expressivo, Sédar Senghor, chegou a declarar que a “Negritude é um humanismo, porque todas as raças tinham lugar neste universo civilizacional de inspiração do homem.
É de capital importância referir-se ainda que a "Negritude" não surgiu apenas com o objetivo da recuperação da dignidade e da personalidade do homem africano, mas também como um movimento propulsor da descolonização
em África. É a vontade de retorno, de voltar às raízes na busca da Mãe-África.
Você sabia que as cores simbólicas do povo negro
são o VERDE e o VERMELHO?
Essas cores vêm da bandeira oficial da África do Sul, que são: o verde,
representando as matas, o amarelo representando as riquezas, o azul é o vasto céu que cobre a África, o preto da nação negra, o branco da nação branca e
o vermelho representando o sangue dos que lutaram pela independência e igualdade.
http://www.geledes.org.br/images/plg_imagesized/10366-a-legio-negra1.jpg Acesso em:
30 nov. 2012
Trabalhando com o livro A Legião Negra, de Oswaldo Faustino
O livro é considerado uma simples homenagem aos valorosos combatentes da Legião Negra, os chamados “Pérolas Negras”. Esta Legião foi criada
para integrar o Exército Constitucionalista por dissidentes da Frente Negra Brasileira.
Professor/a, tentar a construção pela alteridade, a relação com o outro, que
permita o contato com o outro. É o exercício do diálogo, do raciocínio, o pensamento problematizante. Enfim, exercitar a dialética.
Encaminhamentos:
a) Pode-se ler algum capítulo do romance, por partes, explicando as nuanças
da linguagem, o sentido metafórico do texto. O professor/a pode utilizar slides
do Power Point.
b) Discutir o período histórico com os alunos, Revolução de 30, a era Vargas,
as elites dominantes, as formas de repressão...
c) O que foi a política do Café-com-leite?
d) Entender que a obra literária se utiliza de fatos reais para criar uma realidade
verossimilhante. Explicar esse processo de construção.
e) Citar outras obras literárias do período de 30, tais como os romances de
Graciliano Ramos, Rachel de Queirós, José Lins do Rego, para situar os alunos junto ao Cânone Literário:
f) Pesquisar no Laboratório de Informática acerca da Revolução Constitucionalista de 1932. Construir um panorama geral do que foi o conflito armado.
g) Discutir cultura de massa durante a década de 30:
O RÁDIO
O desenvolvimento tecnológico de transmissão e recepção radiofônica, durante
a década de 30, coincidiu com a ideia de publicidade comercial, que incrementou as programações e a profissionalização do meio. Os grandes líderes da
época passaram a utilizar espaços no rádio para expor suas ideias. Os nazistas
estatizaram o setor, em 1933, e não se pode imaginar a figura de Hitler sem o
seu hipnótico vociferar diante dos microfones. Stálin e Roosevelt também usaram o rádio com enorme talento para animar seus povos. Getúlio Vargas não
apenas sabia falar com a população, mas tratou de instrumentalizar o novo
meio dentro de seus objetivos políticos. Em 1938, surgiria o mais famoso serviço radiofônico do planeta, a BBC (British Broadcasting Corporation), cujo papel
na resistência à selvageria nazista foi inigualável.
http://educaterra.terra.com.br/literatura/romancede30/2003/07/07/000.htm Acesso em:
20 nov. 2012
h) Trabalhar a música Três Apitos, de Noel Rosa: (Tom Jobim tem excelente
versão)
TRÊS APITOS
Quando o apito da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você
Mas você anda
Sem dúvida bem zangada
Ou está interessada
Em fingir que não me vê
Você que atende ao apito de uma chaminé de barro
Porque não atende ao grito
Tão aflito
Da buzina do meu carro
Você no inverno
Sem meias vai pro trabalho
Não faz fé no agasalho
Nem no frio você crê
Mas você é mesmo artigo que não se imita
Quando a fábrica apita
Faz reclame de você
Nos meus olhos você lê
Que eu sofro cruelmente
Com ciúmes do gerente
Impertinente
Que dá ordens a você
Sou do sereno poeta muito soturno
Vou virar guarda-noturno
E você sabe porque
Mas você não sabe
Que enquanto você faz pano
Faço junto ao piano
Estes versos pra você
http://letras.mus.br/noel-rosa-musicas/299248/ Acesso em: 30 nov. 2012
Da discussão do romance histórico A Legião Negra
Este romance histórico conta a história do batalhão composto por afrodescendentes que lutou contra a ditadura de Getúlio Vargas pleiteando uma
Constituição para o Brasil. O narrador, um centenário ex-combatente, volta atrás muitas décadas para recordar personagens e fatos da Revolução Constitucionalista de 1932, na qual perdeu amigos, conviveu com heróis e covardes,
conheceu a dor e a coragem.
O livro traz um subtítulo: A luta dos afro-brasileiros na Revolução Constitucionalista de 1932. O jornalista Oswaldo Faustino em seu romance de estreia
resgata o período histórico de um dos maiores conflitos armados ocorridos no
Brasil. Com a Revolução de 30, Getúlio Vargas toma o poder e estabelece uma
ditadura, rompendo com a política do Café-com-Leite, quando se alternavam
no Governo Federal as elites de São Paulo e Minas Gerais, a classe que caracterizava a chamada República Velha. Alijada do poder, a classe dirigente de
São Paulo passou a exigir do Governo Federal maior participação, o que não
foi atendida pelo ditador gaúcho, que fez mais, nomeou um interventor não para governar o estado do café e de seus barões. A arbitrariedade de Getúlio gerou descontentamento geral entre os paulistas que levou ao conflito de proporções nacionais. Foram três meses de batalhas. Cerca de 135 mil soldados aderiram à luta. Houve em torno de 900 mortos do lado paulista.
Pelo que se lê no livro, a propaganda pelo rádio e jornais da época influenciou na tomada de decisão. Foi importante o enfoque que se deu por esses
meios de comunicação. O povo era levado a acreditar que o mal deveria ser
combatido com todas as forças, custasse o que custasse. Getúlio representava
a aniquilação de São Paulo, um ultraje às elites conservadoras e responsáveis
pela política até então. Os radialistas utilizavam-se da palavra para lançar a
campanha de guerra contra aquilo que eles chamavam de inconstitucional.
Convocavam todos à luta. Isso coincide com a formação da Frente Negra Brasileira. Uma Frente de negros que estudaram, formaram-se, arranjaram empregos e davam certo status. Mas isso não bastava para conquistar o respeito total
da sociedade. A união era para construir as condições para plantar a mudança.
As lideranças, algumas delas, eram de “classe”, outras defendiam a instauração do III Império e eram chamados de patrianovistas. Alguns eram católicos
que assistiam à missa e comungavam todos os dias e atacavam a República,
chamando-a de Ré...pública, aquela que leva para trás. Entretanto, o povo
simples, o negro pobre e morador dos becos, não sabia discernir republicano
de monarquista. E o autor coloca as palavras na boca da personagem Tião:
“Para ser alguma coisa, ou alguém, é preciso estudar. Por isso não sou nada.
Não estudei, não sou ninguém”. A Frente Negra Brasileira estava muito preocupada em ser igual às elites brancas, que construir realmente as bases da
liberdade e da democracia, levando consciência de classe ao negro que estava
marginalizado dos bens de produção.
E os jornais incitavam todos a participar da guerra contra Getúlio; para
tanto, demagogos em discursos exacerbados bradavam:
Os nossos irmãos de cor, cujos ancestrais ajudaram a formar este
Brasil grandioso, seguem cheios de fé, ao nosso lado, ao lado de todos os brasileiros que levantaram alto a bandeira do ideal da constitucionalização, para a cruzada cívica, sagrada, da união de todos os
Estados, sob o lábaro sacrossanto da pátria estremecida. (FAUSTINO, 2012)
Assim formou-se a Legião Negra, composta, basicamente de soldados recrutados no meio da massa popular negra, trabalhadores avulsos ou desempregados, que naquele período abundavam nos centros urbanos. Não tinham
treinamento tático, porém em poucos dias estariam “aptos” a morrer nessa
guerra que não era deles. Segundo o romance, os negros buscaram pela participação fazerem-se notar. Eles entraram na conversa de que seriam recom-
pensados com um Brasil soberano e igualitário para todos. É o caso de Maria,
logo Maria Soldado. Uma empregada doméstica que ouvia o rádio da cozinha
na mansão em que trabalhava.
Maria parece bastante conformada com sua situação. Mulher negra, solteira, vinda do interior e, há mais de dez anos, trabalhando
naquela mansão. Chegou menina e já é uma mulher de 30 anos,
humilde e submissa. Acha que deveria ser grata por poder trabalhar para uma família tão importante (FAUSTINO, 2012)
Maria acreditava no rádio, no entanto ouvia informações que não conseguia digerir totalmente: “Por que será que o rádio odiava tanto os interventores de São Paulo?” A única fonte de informação da cozinheira era o rádio,
que trazia uma linguagem estranha ao seu dia a dia: “Enfim, um interventor
paulista e civil, ligado à oligarquia. A palavra de ordem era: „derrubar a ditadura‟. O poder deveria ser devolvido aos seus verdadeiros donos, a elite
paulista”. Paulista, Maria era. Só não sabia bem o que era elite. Conhecia
um clube com esse nome, onde preto não podia entrar, “mas como o locutor
do rádio falava na Legião Negra, sempre afirmava que ela era „a elite da
população negra e deu seu sangue para defender São Paulo‟. Então Maria
concluiu que para fazer parte da elite paulista tinha que pertencer à Legião
Negra como voluntária e ingressou nas fileiras de batalha.
Lembre-se que Legião Negra, de Oswaldo Faustino, 2011, é uma obra
de ficção, baseada, contudo, em fatos verídicos. O autor pesquisou em jornais da época certos discursos ideológicos e os deixou em letras destacáveis. Certamente realizou alguma pesquisa em livros, utilizando-se de autores e pesquisadores como Petrônio José Domingues, Jeziel de Paula, do
cartunista Maurício Pestana, Flávio Carranca, Cuti (Luís Silva) e Arlindo
Veiga dos Santos. As personagens do romance basicamente são: o centenário Tião, Miro, Maria Soldado, Bento, Luvercy, Orlando, Madalena, Dona
Berenice, Neo, John e outros.
Tião é um velhinho que todas as manhãs ressona no mesmo banco. É
o homem das lembranças, relembranças, revivências. Olha para dentro de
si em vez do mar de edifícios, dos automóveis no bairro da Barra Funda, na
capital paulista. Relata por meio do fluxo de consciência os principais acon-
tecimentos que moveram seu povo, sua gente, em lutas absurdas. Concentra-se na Revolução Constitucionalista de 1932, quando participou com muitos amigos e perdeu muitos deles.
Tião lembra a história pessoal de Teodomiro Patrocínio. Apesar do peso do sobrenome, só descobriu que era negro na fase adulta. Menino criado
e educado pela madrinha aprendeu português, inglês, italiano, francês. Pretendia se tornar advogado. Quando começa a escrever artigos em favor da
restauração da monarquia, angaria uma porção de inimigos. Deixa de usar
os pseudônimos e é descoberto. Precisa fugira às pressas. Acaba se ocultando numa cidade do interior, a Noroeste, para os lados de Minas. Lá conhece um coronel italiano, ex-prefeito e mandatário do lugar. Este lhe monta
um consultório médico e lhe dá a filha em casamento. Miro não foi feliz na
união conjugal até que é descoberto pela mulher prevaricando com uma exprostituta, então mulher de outro coronel rival do sogro. Precisa fugir novamente. Nesse momento é que descobre que é negro. Foi quando o vozerio
das pessoas, cada vez berram mais alto: “Negro!”; “Preto sem vergonha”;
“Negro violentador”; “Preto abusador de mulher casada”; “Negro! Negro!
Negro!”; “Só podia ser preto!” . Foge para Santos. Lá procura algum trabalho
no cais do porto, pois só na estiva um preto poderia obter trabalho. Não
consegue, pois devido ao crack da bolsa de 1929 a Companhia está dispensando pessoal. Num bar, conhece Jonh Washington, um jamaicano que vive
nos Estados Unidos. É um militante e luta contra o racismo institucionalizado
em vários estados americanos. Seu líder Marcus Garvey foi preso e ele embarcara clandestinamente em um navio. Estava em Santos de passagem. O
jamaicano explica as ações do movimento a Miro, a redenção negra por
meio da volta à África. Miro finalmente entra em contato com ideias do movimento negro internacional e deixa de acreditar “na mentira da igualdade
racial”, na “democracia cordial”.
Miro aprendera desde cedo que era mais simpático ser descendente
de índio, pois assim ele representava o “bom selvagem” rousseauano. O
ideal de homem bom por natureza. E o narrador relata:
Para esse ex-alienando, isso tudo é fascinante. Nunca havia ouvido falar no movimento de retorno à África nem no pan-africanismo.
Imagina uma luta sem fronteiras, com base no pensamento de que
os filhos da África, dispersos pelo mundo pela diáspora, são um
povo só e podem se organizar como tal! E ele, que a vida inteira
tinha se considerado índio, agora, quer conhecer melhor suas raízes africanas (FAUSTINO, 2012, p. 152)
Miro se compromete em traduzir do inglês textos e manifestos da luta
dos negros organizados. Devido à propaganda de recrutamento para a Legião Negra, Miro acaba se alistando também. Recebe o posto de cabo, logo
passando à patente de sargento para levar uma tropa ao Vale do Paraíba.
John diverte-se com esse leilão de patentes. Os enfrentamentos em campo
de batalha se intensificam. O rádio continua na sua estratégia de luta ideológica: “Recusando-se a falar e a negar que fosse paulista o obrigaram a
escavar a própria cova e o fuzilaram”. O locutor exalta a bravura deste herói
que morreu dizendo: “Morro, mas São Paulo vence!” p.156. Sempre vangloriam o heroísmo da Legião Negra chamando-a de “Pérolas Negras!” Mas há
quem queira pensar diferente, com ares de intelectualidade, um jovem de
terno tomando um absinto, expressa para si: “Pela raridade, a pérola negra
tem um inestimável valor no mercado de pedras preciosas. Mas não podemos esquecer que as pérolas decorrem de uma enfermidade da ostra. E
essas pérolas, em especial, de uma grande enfermidade social”. Como John
não pode se alistar, pois não é brasileiro, a conselho de Miro passa-se por
mudo e é adicionado ao contingente. Dias depois, vai banhar-se num córrego e canta: “Michael row the boat aschore, Hallelujah!”. É descoberto como
impostor e preso. Outros batalhões são dizimados pelas forças federais, que
são muito mais numerosas.
A Legião Negra tinha batalhões com nomes sugestivos: Henrique Dias, André Rebouças, José do Patrocínio, Luís Gama, Marsílio Franco, Vidal
de Negreiros e Felipe Camarão. Estes batalhões estavam mais próximos do
Distrito Federal e, assim, mais vulneráveis de serem abatidos. Outros batalhões, mas à retaguarda, eram dos portugueses, dos italianos, dos espanhóis, dos sírio-libaneses, dos alemães, dos ingleses, dos da Frente Católica. Todos, no entanto, juntos por São Paulo.
Enquanto os soldados descansam, Orlando estava de sentinela e aproveita para observar o filho e seu grupo de combate, junto à fogueira, fala:
“Querem saber? Eu nem imagino por que nem contra quem a gente está
lutando”.
Miro teve um braço arrancado por estilhaços de granada. Foi levado a
tempo à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, onde passaria pelo menos três meses. A guerra civil terminaria e ele não teria certeza de quem
saiu vencedor. Na verdade, era uma guerra desigual: centenas de milhares
de soldados desafiados por menos de 35 mil paulistas.
Uma situação desfavorável na relação de forças, tanto numérica
quanto belicamente. Um David enfrentando Golias. E a esperança
na pedra de uma funda. O curioso é que, a despeito da própria
história bíblica, todos acreditavam que o verdadeiro gigante fosse
São Paulo (FAUSTINO,2012, p.213).
UNIDADE DIDÁTICA 03
Quem sou eu?
Se negro sou, ou sou bode,
Pouco importa. O que isto pode?
Bodes há de toda a casta,
Pois que a espécie é muito vasta...
Há cinzentos, há rajados,
Baios, pampas e malhados,
Bodes negros, bodes brancos,
E sejamos todos francos,
Uns plebeus, e outros nobres,
Bodes sábios, importantes
E também alguns tratantes...
Luiz Gama
MARÇAL, José Antonio. A formação de intelectuais negros(as). Belo Horizonte:
Nandyala, 2012, p.82.
Luiz Gama usava a ironia como principal estratégia argumentativa nos textos
jornalísticos e na literatura. Por exemplo, em seu único livro, Primeira trova
burlesca de Getuliano, lançado em 1859, Gama aborda o problema da
identidade do mestiço. Não se furtando de sua condição de negro, na sua
literatura, Luiz Gama procurou remeter os mestiços às suas origens africanas.
Ironizou a forma como a sociedade tratava a questão racial.
A escola como espaço de discussão da cultura Afro-brasileira – na busca
da identidade cultural africana no Brasil.
O
ensino
da
Literatura Africana
e Afro-brasileira
no
contexto
sociocultural.
Caro professor/a, a Lei Federal nº 10.639/2003 instituiu o ensino de
História e Cultura Afro-brasileira. Tornou-se obrigatório nos currículos
escolares. Justifica-se a importância deste estudo, que pretende promover
pesquisas, leituras, debates, seminários a respeito da literatura afro-brasileira e
sua inserção no dia a dia dos alunos, promovendo a cidadania, a inclusão e a
tolerância.
Com a intenção de reverter a imagem negativa dos negros no Brasil, no
que se refere aos termos “negro”, “afro” e outros termos pejorativos, a literatura
negra é tida como uma forma de salientar a identidade brasileira dos povos
afrodescendentes, passando a ideia de uma democracia inter-racial. No
entanto, alguns autores como Bernd (1988) avaliam que a literatura negra tem
como aspecto principal o desejo de renomear o mundo criado pelo branco,
portanto, nada mais legítimo do que utilizar a expressão “literatura negra”:
nomear é tornar algo visível.
a) Quais as diferenças e semelhanças entre textos escritos por autores brancos
e negros?
b) O que torna a escrita afro-brasileira distinta do conjunto das letras
nacionais?
c) Que elementos diferenciam e conferem especificidade à produção literária
dos brasileiros descendentes de africanos?
Professor/a, nota-se um conflito de concepções, pois a nação brasileira é
híbrida e miscigenada e não haveria nenhum tipo de diferença entre os escritos
de um autor negro e um branco. Mesmo com tantos conflitos entre os autores,
houve a necessidade de uma lei que obrigasse o ensino da literatura africana e
afro-brasileira nas escolas.
UMA LITERATURA AFRO-BRASILEIRA
O Brasil como um país multicultural, de descendência indígena,
africana e portuguesa que pode ser percebida nas mais diferentes
manifestações culturais, como na música, dança, culinária, literatura e
principalmente no idioma falado e no comportamento de sua população,
deveria salientar de todas as formas essa diversidade. A cultura africana,
indiscutivelmente, faz parte da história do Brasil. Esta cultura possui afinidade
em diversos sentidos e em muitas formas de expressão como: a culinária, o
vestuário, a música, todos estes aspectos socioculturais e estéticos devem ser
levados em conta na hora de se ensinar literatura nas escolas brasileiras.
Conforme Castro (1999), o negro só ingressaria na literatura do
Brasil a partir de 1850. A falta de conhecimento das pessoas deixa passar a
verdade acerca da literatura africana, que compõe umas das maiores correntes
do mundo. Iniciou-se nas décadas de 1920 e 1930, em Paris, com o movimento
chamado Negritude, mas ganhou expressão na década de 1940 e desde então
se propagou e ganhou o mundo. No Brasil, a literatura negra começa a existir a
partir do momento que o negro passa a relatar suas próprias experiências.
A literatura africana começou a se estudada entre as décadas de
1970 e 1980, quando diversas universidades brasileiras iniciaram uma
abordagem dos textos de escritores africanos de língua portuguesa. Na
Universidade de Brasília, logo no início de 1980, já estava introduzida nas
grades dos cursos de graduação e pós-graduação em Letras, a disciplina de
Literatura Africana de Língua Portuguesa, termo que substituiu “Literaturas
Africanas de Expressão Portuguesa” que vigora desde 1978 quando uma
equipe de estudiosos decidiu que este termo seria o mais adequado para
defini-lo (FERREIRA, 1986).
Inclusos nos Parâmetros Curriculares nacionais, no volume 10,
Pluralidade Cultural,
[...] A escola tem um papel crucial a desempenhar nesse processo.
Em primeiro lugar porque é o espaço em que pode se dar a
convivência entre crianças de origens e nível socioeconômico
diferentes, com costumes e dogmas religiosos diferentes daqueles
que cada uma conhece, com visões de mundo diversos daquilo que
compartilha em família. Em segundo, porque é um dos lugares onde
são ensinadas as regras do espaço público para o convívio
democrático com a diferença. Em terceiro lugar, porque a escola
apresenta à criança conhecimentos sistematizados sobre o país e o
mundo e aí a realidade plural de um país como o Brasil fornece
subsídios para debates e discussões em torno de questões sociais
[...] (BRASIL, 1997, p. 21)
UNIDADE DIDÁTICA 04
Páscoa-Paz
Paz da morte injuriada que se irmana à vida.
Paz da Terra revivida pelas Águas.
Águas que organizam
E, para além dos rebanhos, produzem a luz.
Luz que exorciza as fontes do mal,
Que dissipa as densas trevas do Medo,
Que rearticula com a rigidez dos ventos
A fragilidade das mãos e dos pensamentos
De nós seres criados diuturnamente.
Luz acostumada aos trilhos das Grandes Águas,
Que firma os passos nos desertos,
Que sulca em nossa carne de retirantes
Os traços definitivos da Libertação...
Padre Josimo Tavares, o “padre negro de sandálias surradas”, como os
lavradores o identificavam, morreu assassinado por latifundiários em
Imperatriz-GO. Transformando-se num dos maiores mártires da luta pela terra
no Brasil.
MORISSAWA, Mitsue. A história da luta pela Terra e o MST. São Paulo:
Expressão Popular, 2001, p.142.
http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcS6PNZPxuvkvy56cf-i25beuvPuiRqaL1nvnpK4UgZoUBUUazv Acesso em: 30 nov. 2012
Professor/a, utilizar algumas estratégias de ação:
1. Pesquisa no Laboratório de informática e biblioteca
2. Debate em grupo
3. Estudo de textos africanos: contos, poesia, música, teatro
4. Pesquisa acerca da cultura africana: imagens, música, dança, crenças,
culinária, etc.
5. Seminário temático:
Alunos divididos em 5 grupos de 4 componentes realizam pesquisa
em outras turmas buscando resolver as questões:
a) O que se sabe da história dos negros ou da África?
b) Você já tinha ouvido falar da Lei 10639/03?
c) Você já presenciou algum tipo de preconceito?
d) Em qual local ocorreu?
e) Na mídia (TV, jornais, revistas, filmes, novelas, internet) você já presenciou
algum tipo de discriminação?
f) Como as ilustrações em livros didáticos representam os negros?
g)Como a comunidade vê os afrodescendentes?
h) Como os professores de História trabalham o tema da diversidade étnica em
sala de aula?
i) O que tem sido feito para diminuir o preconceito existente contra outras
etnias?
http://doolharnegro.blogspot.com.br/2011/05/25-de-maio-dia-da-africa-e-celebrado-no.html
Acesso em: 21 nov. 2012
Atividade 01:
UM INFORME MILITAR SOBRE A “NATUREZA DO NEGRO”
Apesar do fim da escravidão e da conquista de direitos formais de igualdade,
os negros continuaram a ser discriminados dentro do mundo dos brancos norte-americanos. Isso pode ser percebido no informe preparado em 1937 por oficiais da cúpula de Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos. O objetivo do informe era preparar as Forças Armadas para incorporar cidadãos negros às corporações militares.
Individualmente, o negro é dócil, afável, bem-humorado, despreocupado e de
boa natureza. Se injustiçado, torna-se teimoso e turrão, embora por pouco
tempo. É despreocupado, irresponsável e conspirativo. Não suporta ser censurado e é melhor controlado através de elogios ou exposição ao ridículo. É amoral, mente e sua noção de ética é primitiva (...). De outro lado, o negro é alegre,
leal e geralmente não reclama quando bem alimentado. Tem natureza musical
e um marcante senso de ritmo. Sua arte é rústica. Ele é religioso. Adequadamente orientado, torna-se produtivo. É emotivo e pode ser levado a estado de
grande exaltação e entusiasmo. Sua emoção é instável e sua reação imprevisível.
José Arbex Jr. A outra América- apogeu, crise e decadência dos Estados Unidos. São Paulo: Moderna, 1998, p.45
Questões para debate em sala de aula:
a) Como o negro é mostrado na televisão brasileira?
b) Quais as profissões em que os negros menos aparecem?
c) Quais as possíveis razões para esse “desaparecimento” do negro no mercado de
trabalho?
d) Qual era a finalidade deste informe militar de 1937?
e) Como o preconceito se manifesta no Exército Brasileiro?
Atividade 02:
MITO E LITERATURA
No estudo da mitologia africana surge logo um obstáculo. Não há livros antigos. Há incontáveis histórias, já que todas as etnias africanas gostam de contálas, mas que nunca foram passadas ao papel até os tempos modernos. As primeiras coletâneas dos mitos africanos foram então feitas por autores europeus
ou americanos que escreveram aquilo que os africanos iam lhes contando. Hoje, a mitologia do continente já é registrada pelos próprios africanos, após o seu
acesso à instrução, e que o vão fazendo antes que seja tarde, prevenindo-se
assim o desaparecimento ou alteração das histórias originais.
Muitas lendas descrevem a forma como qualquer coisa foi criada: seres humanos, o mundo, os animais, as relações entre os homens. Os mitos constituem, no fundo, a "história sagrada" dos povos. A maior parte dos mitos expressa
a crença no ser humano, na eternidade e em Deus. Sendo a cultura Africana
uma sociedade predominantemente oral, os mitos contados e recontados são a
forma mais eficaz de se manter a tradição e os costumes. É a chamada "tradição oral" - a memória de um povo - que vai passando de geração em geração,
numa versão sempre atualizada da realidade.
As lendas e mitos africanos não devem ser encarados como simples historinhas, uma vez que estão sempre inseridos num contexto social, trazendo sempre uma lição de ética ou moral nas entrelinhas. Neles se fala do respeito ao
Deus Criador, das relações sociais entre os homens e das razões de ser dos
acontecimentos naturais. Os pequenos ao ouvirem os mais velhos contar estes
mitos acreditam que os animais falam mesmo a sério. Senão como é que eles
podiam conversar uns com os outros e viver as histórias que são contadas?
Acreditam mesmo, que os animais sabem pensar. Se assim não fosse, como
poderiam existir animais estúpidos e animais espertos como os mais velhos
dizem? E quando os mais velhos imitam a fala do coelho, uma fala fininha, tremida, e a fala do elefante, uma fala grossa, forte, tudo parece correto porque
sabem que o coelho é pequeno e o elefante grande.
E assim, enquanto crescem, vão compreendendo que as histórias que os
mais velhos contavam, eram as próprias histórias da vida.....
http://www.folcloreartebrasil.com.br/estudos/africa.html Acesso em: 12 set. 2012
Questões para responder:
a) Como a cultura e a literatura africanas chegaram até nós?
b) Quem fez as primeiras coletâneas dos mitos africanos?
c) O que a maioria das lendas descrevem?
d) Como os mitos são considerados para os africanos?
e) O que é uma sociedade predominantemente oral?
f) Você conhece alguém na comunidade que relata histórias antigas?
g) Na sua opinião, por que essas histórias fantásticas são contadas?
Atividade 03:
Imagem: http://www.infoescola.com/geografia/africa/ Acesso em: 13 set. 2012
A mitologia africana é muito diversificada tendo em vista a extensão do território que é dividido em regiões, países, estados, cidades, tribos, culturas, grupos
linguísticos e grupos étnicos. Nas tribos onde os dirigentes corriam o risco de
serem destronados se não seguissem as vontades divinas. Estes deuses seguem padrões muito diferentes e irregulares e são divididos em deuses criadores, semideuses e espíritos. Muitos nomes divinos são encontrados nas mitologias da África Ocidental: Ngewo, deusdos Mende de Serra Leoa, Amma
dos Dogon do Mali,Mawu dos Éwés no Abomey; Olodumare ou Olorun dos Yor
ubás, Chukwu dos Igbo, Soko dos Nupe, Nzambi ou Zambi dos povos
de Angola e Congo Bantus. http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitologia_africana Acesso em:
13 set. 2012
Questões para responder:
a) Por que se diz que a mitologia africana é muito diversificada?
b) Como o território é dividido?
c) O que são grupos linguísticos e grupos étnicos?
d) Como os seres divinos são classificados ou divididos?
e) Na sua opinião, por que existem as mitologias?
f) Quais nações africanas tiveram pessoas retiradas para a escravidão brasileira?
Atividade 04:
Os orixás eram venerados na África somente pelos iorubas ou nagôs, um
povo que vive no sudoeste da Nigéria e no sudeste da atual República do Benim. Como outras religiões africanas, as dos orixás era um conjunto de cultos
locais, ligados a santuários próprios. Quando os seus fiéis foram tirados à força
de suas terras e atravessaram o Atlântico, tiveram de se ajustar a uma situação
inteiramente nova, na qual os seus deuses viajaram com eles e, inicialmente,
só tinham altares em seus corações.
No caso da religião dos orixás, vários deuses locais já se haviam tornado,
no chamado Iorubo, ou terra dos iorubas, deuses nacionais. Xangô, por exemplo, um rei ancestral divinizado de Oió, e Ogum, um rei ancestral divinizado da
cidade-estado de ire, não se expandiu na África. Não conta com adeptos entre
sereres, banhuns, ibos, andongos, iacas, angicos, xonas, macuas, zulus ou
outros povos africanos, que a desconhecem. E se retraiu no próprio Iorubo, sob
o impacto do Cristianismo e do Islamismo. Foi nas Américas, a partir sobretudo
do Brasil e de Cuba, que ela se tornou uma religião universal, com deuses que
não pertencem exclusivamente a um povo, mas a toda a humanidade. No Brasil, a religião dos orixás fez adeptos não só entre originários de outras nações
africanas, mas também entre descendentes de guaranis, cariris, pataxós, fulniôs, portugueses, espanhóis, italianos e muitos outros povos.
Sua história não é, assim, diferente da história do cristianismo e do islamismo, que começaram como religiões locais ─ de um punhado de judeus,
num caso, e de um grupo de árabes, no outro ─ e se expandiram pelo mundo.
SILVA, Alberto da Costa e. A África explicada aos meus filhos. Rio de Janeiro:
Agir, 2008, p.64
Questões para responder:
a) Quem venerava os orixás?
b) Em que região da África viviam os iorubás?
c) Como os orixás atravessaram o Atlântico?
d) Por que em determinadas regiões da África o culto aos orixás foi retraído?
e) Como o culto aos orixás se tornou universal?
f) Por que se diz que a história da religião dos orixás não é diferente da história
do Cristianismo e do Islamismo?
Atividade 05:
Iyemanjá, Yemanjá, Yemaya, Iemoja, Iemanjá ou Yemoja é
um orixá africano, cujo nome deriva da expressão IorubáYèyé omo ejá ("Mãe
cujos filhos são peixes"), identificada no jogo do merindilogun pelos odus ejibe e ossá. É representado no candomblé através do assentamento sagrado denominado igba yemanjá.
http://4.bp.blogspot.com/lWFm6VMlM7E/Tcmza4zeGRI/AAAAAAAAAOc/NdTapr2qwic/s320/IEMANJ%25C3%25811.gif Acesso em: 30
nov. 2012
Shango orixá dos raios, trovões, grandes cargas elétricas e do fogo. É viril e
atrevido, violento e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Tornado Orixá de caráter violento e vingativo. Por esse motivo, a morte
pelo raio é considerada infamante. Da mesma forma, uma casa atingida por um
raio é uma casa marcada pela cólera de xangô. Xangô é o Orixá do Poder, ele
é a representação máxima do poder de Olorum.
http://4.bp.blogspot.com/-icSDQAEhPVo/Ta36dgA6TI/AAAAAAAAAKE/pbhOdrLvOW4/s200/xango.jpg Acesso em: 30 nov. 2012
Ogum (em yoruba: Ògún) é, na mitologia yoruba, o orixá ferreiro, senhor
dos metais. O próprio Ogum forjava suas ferramentas, tanto para a caça, como para
a agricultura, e para a guerra. Na África seu culto é restrito aos homens, e existiam
templos em Ondo, Ekiti e Oyo. Era o filho mais velho de Oduduwa, o fundador de Ifé,
identificado no jogo do merindilogun pelos odu etaogunda,odi e obeogunda, representado materialmente e imaterial pelo candomblé, através do assentamento sagrado
denominado igba ogun.
Ogum é considerado o primeiro dos orixás a descer do Orun (o céu), para
o Aiye (a Terra), após a criação, um dos semideuses visando uma futura vida humana.
Em comemoração a tal acontecimento, um de seus vários nomes é Oriki ou Osin Imole, que significa o "primeiro orixá a vir para a Terra".
Ogum foi provavelmente a primeira divindade cultuada pelos povos yorubá
da África Ocidental. Acredita-se que ele tenha wo ile sun, que significa "afundar na
terra e não morrer", em um lugar chamado 'Ire-Ekiti'.
É também chamado por Ògún, Ogoun, Gu, Ogou, Ogun e Oggún. Sua primeira aparição na mitologia foi como um caçador chamado Tobe Ode.
http://3.bp.blogspot.com/_NGJLiXpr-_0/S859eFq-tyI/AAAAAAAABak/NIVULPU5sI/s200/Ogum.jpg Acesso em: 30 nov. 2012
Questões para responder:
a) Quem são os orixás?
b) Cite manifestações religiosas de matriz africana de que você ouviu falar:
c) Qual orixá foi considerado o primeiro a descer à terra?
d) Como Ogum aparece primeiramente na mitologia?
Atividade 06:
O PODER DA IMAGINAÇÃO
“A imaginação foi sempre o húmus do jardim de Clio. No caso da África, antes
do século XVII, é particularmente válido o definir-se a história como o adivinhar
do passado. Dele, abstraídas a Etiópia, a franja sudanesa infiltrada pelo islão e
as cidades-estados do Índico, áreas que conheceram a escrita e nos deixaram
alguns poucos documentos – poucos, muitas vezes tardios e também contaminados por lendas –, sabemos apenas o que nos devolve uma arqueologia que
mal arranhou as imensas extensões africanas, o que anotaram, a partir do século IX, viajantes e eruditos árabes e, mas tarde, os portugueses e outros europeus, bem como o que nos chegou das tradições e das crônicas orais dos
povos negros. Se, nos textos em que se profetiza às avessas, ainda que fundados sobre o registro, o depoimento e a memória escrita, o rigor de quem os
compõe não afasta de todo o mito e deixa que ele freqüente a narrativa e nela
se imiscua, é porque é também importante contar, ao lado do que se julga ter
realmente sucedido, as imaginações que se fizeram fatos e os fatos que se
vestiram de imaginário, porque se incorporaram ao que um povo tem por origem e rastro, e, por isso, o marcam, definem e distinguem. Oraniã, Xangô,
Tsoede, Cibinda Ilunga aparecem como personagens neste livro de história
porque pertencem iniludivelmente à realidade dos iorubas, dos nupes e dos
lundas e quiocos. Eles estão aqui como Enéias e sua viagem de Troia ao Lácio, e como Réia Sílvia, a loba, Rômulo e Remo, nos compêndios sobre história
romana, cujos autores os sabem mitos, mas não ignoram que fecundaram um
destino.”
SILVA, Alberto da Costa e. A enxada e a lança: a África antes dos portugueses.
3.ed. revista e ampliada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. p.15-16
Questões para debate em sala de aula
a) O que são mitos?
b) Quando uma história se torna mítica?
c) Quais os principais mitos da história brasileira?
d) Que casos poderiam ser considerados mitos modernos?
e) Qual o papel da imaginação no registro do fato?
Atividade 07:
OXALÁ CRIA OS HOMENS
Oxalá fracassou em sua tentativa de criar o mundo e Odudua substituiu-o
como um feliz resultado. Agora veremos como Oxalá saiu-se em sua nova incumbência de criar os seres humanos.
─ Espero que não me decepcione novamente! ─ disse Olorum, o deus
supremo, a Oxalá.
O deus do pano branco, porém, afirmou que as coisas correriam bem
desta vez.
─ O culpado de tudo foi o desgraçado do Exu! ─ disse o deus criador. ─
Ele provocou-me uma sede tão terrível, quando eu estava a caminho de criar a
terra que tive de parar diante de uma palmeira para tomar um bom bole de vinho.
─ Chama de “bom gole” beber até cair?
─ Foi parte da magia, grande deus! Exu pôs algo enfeitiçante naquele vinho!
─ Basta de acusações! Vá agora e cumpra com a segunda parte do plano
da criação.
─ O que deseja que eu faça, grande deus?
─ Quero que crie os seres que habitarão a terra. Apesar de tudo, ainda
confio nos seus dotes criativos.
Oxalá partir, afinal, levando na cabeça as mais diversas idéias.
“Que espécie de seres criarei?”, pensava ele, enquanto descia do céu pela gigantesca teia de aranha (pois ta era a estrada que os deuses se valiam
para chegar à terra).
Então, de repente, fez-se a luz em sua cabeça.
─ Já sei! Sendo a terra uma cópia do céu, farei de seus habitantes cópias
quase perfeitas dos deuses!
Oxalá, então, entregou-se a uma série de experimentos e, graças ao auxílio de Nanã-Burucu – a deusa do lodo dos fundos dos rios e dos lagos –, conseguiu criar do barro o primeiro homem.
Oxalá tinha nas mãos, enfim, o primeiro protótipo humano.
─ Nada mau! – disse ele, a admirar a criatura toda preta como os deuses.
─ Agora, assim como há deuses e deusas, farei também uma parceira para
este belo boneco!
Oxalá trabalhou duro e fez a contrapartida do homem.
─ Você se chamará mulher! ─ disse ele, admirando a sua Eva africana.
Acabado o primeiro casal, Oxalá entregou-se à atividade exaustiva de fabricar dezenas de cópias (pois não tivera, ainda, a feliz ideia de fazê-los procriarem entre si).
Durante dias, Oxalá esteve entregue a este trabalho estafante. No começo, até que resistiu bem, mas depois de haver empilhado uma verdadeira montanha destes bonecos pretos, começou a sentir sede.
“Puxa, um bom golezinho agora!”, pensou ele, lembrando do vinho fatídico.
Ao mesmo tempo, surgiu-lhe, numa névoa mental, a figura severa de Olorum, a dizer-lhe com as sobrancelhas unidas: “Não me decepcione outra vez!”
Oxalá voltou ao trabalho, mas a sede mais e mais o atormentava.
─ Não, assim não dá! ─ exclamou ele, afinal, mandando às favas as caretas e as advertências.
Com a língua de fora, correu até a palmeira onde se encharcara de vinho.
─ Só um golezinho! ─ disse ele, arregalando de tal maneira o bocão que
quase engoliu a árvore.
─Muito ótimo, isto! ─ exclamou ele, alisando a pança preta por debaixo do
manto alvíssimo.
Então, vendo que o vinho ainda jorrava copiosamente do tronco, atirou-se
a ele com fúria.
─ Quem toma um gole toma cem! ─ disse ele, bebendo até enfarar-se.
Desta vez, porém, antes que o sono pudesse vencê-lo, Oxalá voltou à sua
ocupação.
─ Desta vez, ninguém me verá caído por aí feito um borracho! ─ disse ele, trocando as pernas na direção da sua improvisada olaria. ─ Mãos à obra! ─
gritou, enterrando as mãos, outra vez, no barro primordial.
Entretanto, com os olhos nublados pelo vinho, não percebeu que colocara
terra demais no dorso dos infelizes bonecos, criando-lhe assim, deformidades
enormes.
Com as mulheres não era diferente: umas vinham com seios demais, outras com seios de menos, umas mancas e outras até mesmo sem pernas, de
tal sorte que daí para diante não surgiu um único boneco de ambos os sexos
que não trouxesse consigo algum defeito: um nascia sem olhos, outro sem nariz, outro sem orelhas, outro sem língua ─ um verdadeiro exército de deficien-
tes físicos que só não povoou o planeta inteiro porque o deus, exausto, adormecera outra vez.
(...)
FRANCHINI, A. S., As melhores histórias da mitologia africana/ A.S. Franchini
& Carmem Seganfredo. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2008, p.120
Questões para debater e responder:
a) Qual o assunto do texto?
b) Esta história é parecida com qual outra?
c) Quais os deuses mitológicos que aparecem no texto?
d) Quem é o deus supremo, segundo o conto?
e) Parece que os deuses respeitam uma hierarquia de poder. Como você explica essa classificação entre os deuses?
f) Como que o mito africano explica as diferenças entre os humanos?
g) Qual a relação do conto com o livro bíblico do Gênesis?
Atividade 08:
Música (Professor/a, pode-se utilizar o violão e percussão para cantar, a letra
cifrada pode ser encontrada no site www.vagalume.com.br)
Meu caboclo não deixa pegar (Noriel Vilela)
Não adianta fazer teu feitiço
Porque meu caboclo não deixa pegar
Não adianta fazer teu feitiço
Porque meu caboclo não deixa pegar!
Tenho um caboclo que mora na mata
Que guia meus passos, abre meu caminho.
Não adianta fazer teu feitiço
Com esse caboclo não fico sozinho.
Não adianta...
Já apontaram uma arma pra mim
Um quarenta e cinco, meu Deus, que horror!
Quando o margina puxou o gatilho
Em vez de uma bala saiu uma flor!
Não adianta...
O meu caboclo mandou te avisar
Que quem faz o mal acaba pagando
E não adianta fazer teu feitiço
Pois tu vais fazendo e ele vai desmanchando!
Não adianta...
www.vagalume.com.br Acesso em: 02 dez. 2012
Questões para responder:
a) Quais os significados para a palavra “feitiço”?
b) Quem é o caboclo que dá proteção?
c) Que tipo de proteção o caboclo faz às pessoas?
d) Por que se pode dizer que esta canção pertence ao repertório afrobrasileiro?
e) O que o caboclo recomenda a todos?
Atividade 09:
Precisamos mesmo é introduzir as mais novas concepções do ato de aprender
dos sujeitos cognoscentes. Precisamos urgentemente desenvolver uma pedagogia afirmativa que leve também em conta os aspectos afetivo-cognitivo nos
espaços das aprendizagens, que possam favorecer a inclusão de novas metodologias e didáticas, que impliquem nas aprendizagens significativas, em que o
ato de aprender seja um ato criador por excelência.
Em que, crianças e adolescentes, jovens e adultos negros, possam se sentirem
bem no espaço da escola, que é ainda um espaço montado/criado para educandos brancos. É só reparar no formato de nossas salas de aula. Nossa ancestralidade, nossos-“quefazeres” como negros In África, nos permitiam o ir e
vir livremente. Nossa escola pública no Brasil ainda é montada nos paradigmas
de que negro não é competente, por isso não podia/devia estudar. Era/é uma
classe menos inteligente! E para que preparar um espaço pedagógico assim?
─ prazeroso, livre, se a educação vindo d‟Europa era seletiva? Uma educação
não da oralidade, como na África Mãe, mas uma educação da ciência escrita. E
essa ciência escrita valia/vale mais. Precisamos hoje rever nossos currículos.
Não que queiramos mudar de foco etnocêntrico para um foco afrocêntrico, mas
precisamos garantir o estudo da história da África e dos africanos, a luta de
negros e negras no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da
sociedade nacional pertinentes à história do Brasil. Bebendo na fonte dos saberes dos educandos e educandas afrodescendentes. In África tínhamos também
vários achados científicos. Era um continente também rico de conhecimentos,
mas isso tudo em sintonia com o Ser Mais de cada Um. E isso iria ajudar a
mudar o rumo da história.
(...) Que possamos dizer a palavra que liberta e que possamos realçar a importância “sine qua non” de crianças e adolescentes no processo de mudança de
paradigmas racistas, discriminatórios e desmotivantes. E que possamos dizer
bem alto: VUTLARI = Saber, conhecimento, discernimento, prudência, acuidade, percepção, habilidade de articular pensamentos e compreender a vida.
ARRUDA, Jorge. Educando pela diversidade afrobrasileira e africana. João
Pessoa: Dinâmica, 2006, p.58
Perguntas e respostas:
a) Sua Escola vem incorporando práticas de rompimento de posições tradicionais quanto às questões étnico-raciais?
b) Como tem sido o posicionamento da equipe escolar diante das questões
raciais?
c) Como vem a Escola interagindo com a população negra?
d) Sua Escola vem pensando em construir um projeto pedagógico, para construir uma educação antirracista?
Atividade 10:
VERMELHO (na voz de Fafá de Belém)
A cor do meu batuque tem o toque e tem som da minha voz
Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão
O velho comunista se aliançou ao rubro do rubor do meu amor
O brilho do meu canto tem o tom e a expressão da minha cor.
A cor do meu batuque tem o toque e tem som da minha voz
Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão
O velho comunista se aliançou ao rubro do rubor do meu amor
O brilho do meu canto tem o tom e a expressão da minha cor.
Meu coração
Meu coração é vermelho, hei, hei, hei,
De vermelho vive o coração, ê, ô, ê, ô
Tudo é garantido após a rosa vermelhar
Tudo é garantido após o sol vermelhecer
Vermelhou no curral a ideologia do folclore avermelhou
Vermelhou a paixão, o fogo de artifício da vitória avermelhou
Vermelhou no curral a ideologia do folclore avermelhou
Vermelhou a paixão, o fogo de artifício da vitória avermelhou
http://1.bp.blogspot.com/_zZqHBSjA-DQ/S8iZwTEq6I/AAAAAAAAAZI/CW_n0iCs8LU/s1600/benetton1.jpg Acesso em: 22 nov. 2012
Trabalhado o texto:
a) Discuta se o sangue que corre nas veias do SER HUMANO é igual no mundo todo!
b) Qual a palavra mais significativa do texto?
c) Elabore um desenho representando a letra da música.
d) Além da cor do sangue, qual o significado da cor vermelha na canção?
e) Aponte possíveis explicações diferenciadas para as palavras: vermelho,
vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão.
Professor/a, o texto trata, principalmente, do vermelho como a cor significativa
da luta socialista e comunista. As diferenças entre as palavras do texto interferem na compreensão do grau de politização de cada cidadão dentro do contexto sociocultural em que se está inserido. Quem já está vermelho, supõe-se,
obteve a consciência. Vermelhaço é o aumentativo, está em crescente procura.
Vermelhusco está no início do processo de militância. Vermelhante é a pessoa
sujeita ao processo de politização, enquanto vermelhão já está pronto.
Atividade 11:
MENESTREL DAS ALAGOAS – Milton Nascimento
Quem é esse viajante
Quem é esse menestrel
Que espalha esperança
E transforma sal em mel?
Quem é esse saltimbanco
Falando em rebelião
Como quem fala de amores
Para a moça do portão?
Quem é esse que penetra
No fundo do pantanal
Como quem vai manhãzinha
Buscar fruta no quintal?
Quem é esse que conhece
Alagoas e Gerais
E fala a língua do povo
Como ninguém fala mais?
Quem é esse?
De quem essa ira santa
Essa saúde servil
Que tocando a ferida
Redescobre o Brasil?
Quem é esse peregrino
Que caminha sem parar?
Quem é esse meu poeta
Que ninguém pode calar?
Quem é esse?
http://letras.mus.br/milton-nascimento/441460/ Acesso em: 22 nov. 2012
Questões:
a) O que a música apresenta de real?
b) Atualmente os negros e os afrodescendentes têm direito à saúde?
c) Como está o sistema de saúde para a população afrodescendente?
d) Temos ainda uma visão escravocrata ─ de uma saúde servil?
e) Podemos construir a Escola da pedagogia da Esperança?
f) Como podemos intervir para a melhoria da qualidade de vida nossa e de todos os afrodescendentes?
g) O que são palavras da língua do povo?
h) Desenvolva uma releitura das “falas-escritas” dos antepassados afrobrasileiros:
i) Defina, construindo um texto, o que é “racismo”:
Atividade 12
PRETA DE PICHE E OS SETE NEGRÕES
No continente africano
A paz entre os negros reinava
O homem branco chegou
E logo a intriga ele implantava
Daí por diante
A perversidade foi instalada
A guerra mata negro
E a minha escravidão foi decretada.
Na nação Sogai
Uma grande guerra foi travada
Muitos súditos foram mortos
E a linda princesa foi presa e sequestrada.
E para as terras de além-mar
Esta bela mulher foi levada
No local onde ficou
A sua beleza incomodava.
Os homens queriam possuí-la
Os mesmos a desejavam
E as mulheres por inveja
A ela detestavam.
A intriga e a despeita
Fervia no coração das malvadas
E começaram a chamá-la preta de piche
Aquela linda negra de pele aveludada.
A ira daquelas mulheres foi ao extremo
E a preta de piche por elas foi envenenada
E em um bosque distante
A pobre desfalecida foi jogada.
O veneno não a matou
Mas desfaleceu a coitada
E depois de certo tempo
Por sete negrões foi encontrada.
Os sete negrões guerreiros quilombolas
Que das ervas tinham saber
Logo fizeram um chá milagroso
E deram para preta de piche beber.
Aquela linda mulher
Em pouco tempo acordou
E aqueles sete negros formosos
Ela mesma abençoou.
E no Quilombo dos Palmares
Aquela linda princesa
Guerreira se consagrou
Esta antiga linda história
Foi um preto velho quem contou.
Carlos Quilombo E Pessoa de Ogun – PE
ARRUDA, Jorge. Educando pela Diversidade Afro-brasileira e Africana. As
Ações Afirmativas – Ressignificando os Temas Transversais Lei 10.639/2003.
João Pessoa: Dinâmica, 2006.
Questões:
a) Por que na Escola não podemos contar a história da Preta de Piche e os
Sete Negrões?
b) Por que na Escola só falamos de Branca de Neve?
c) Por que o estudo deste texto provocaria certo estranhamento entre os alunos?
d) Faça uma pesquisa acerca dos Quilombos no Estado do Paraná.
e) Teatro:
f) Escreva um poema acróstico com a temática MENINA MORENA: (duas estrofes sextilhas, com rimas nos versos pares)
Atividade 13
QUADRO DE DATAS COMEMORATIVAS DO POVO NEGRO
1/1
9/1
9/1
25/1
2/2
11/2/1990
17/2/1988
21/3
4/4
3/5
12/5
13/5/1888
7/6/1978
28/6/1890
3/7/1951
9/7/1880
24/8/1882
28/8/430 D.C.
6/9/1839
Dia de Oxalá. Oxalá representa o Deus da criação. De acordo com a religião de matriz africana, o candomblé
Nascimento do primeiro Bispo Negro do Brasil – que se
chamava Dom Silvério Pimenta
Foi a promulgação da lei 10.639 – que obriga as escolas
brasileiras incluírem o estudo do continente áfrica no e suas
contribuições na formação do povo brasileiro
Ocorreu na Bahia a maior Revolução Urbana do povo Malê
– Escravos Muçulmanos
Dia da Divindade do Candomblé, chamada Iemanjá – é venerada como a patriarca mãe de todos os Orixás, bem como
dos seres humanos e dos peixes. Por isso a reverência pelos filhos e filhas de santo ao Mar
Libertação do grande Líder Nelson Mandela, que ficou preso
durante cerca de 28 anos por desejar uma África livre
Perda singular para os negros e negras, em Pernambuco
morre o grande líder e poeta negro Solano Trindade
O mundo todo comemora o dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial
Dia de Martin Luther King, morto nos Estados Unidos ele
pregava a desobediência civil, mas sem violência
Dia reservado à divulgação do Dia Nacional do Combate ao
Racismo na Educação
Dia dedicado à Escrava Anastácia – que simboliza todas as
mulheres negras torturadas e estupradas, até morrerem,
pelos senhores de fazendas
Dia em que foi declarado legalmente o fim da escravidão no
Brasil, que foi o último dos países a realizar a Abolição
Início da organização do Movimento Negro Unificado
O governo Republicano, ao abrir as portas da navegação
para os imigrantes europeus, definiu que africanos e asiáticos só poderiam entrar no Brasil mediante aprovação do
Congresso
Aprovação da Lei Afonso Arinos, que condena, como contravenção Penal, a discriminação de raça, cor e religião
Fundação da Sociedade Brasileira contra a Escravidão por
Joaquim Nabuco
Morre o abolicionista Luiz Gama
Morre Santo Agostinho, bispo africano
Martírio de Manuel Congo, líder do Quilombo de Vassouras,
no Rio de Janeiro
5/10/1988
7/10
12/10
1/11/1922
6/11/1866
20/11/1695
20/11
22/11/1910
14/12/1890
Entrada em vigor da nossa Constituição Federal que criminaliza o racismo (art. 5° XLII) e determina a titulação das
terras remanescentes de quilombos (art.68)
Dia de Nossa Senhora do Rosário, padroeira dos afrobrasileiros
Dia da Raça; Dia de Nossa Senhora Aparecida
Morte do escritor Lima Barreto, no Rio de Janeiro
Decreto Imperial determina a alforria de todos os escravos
da nação que se alistassem para a Guerra do Paraguai
Martírio do líder negro Zumbi dos Palmares
Dia Nacional da Consciência Negra
João Cândido liderou a revolta da Chibata, no Rio
Rui Barbosa determina a queima dos documentos relativos
à escravidão no Brasil
Questões:
a) Pesquise: quem foi Nelson Mandela?
b) Como é a religião do Candomblé?
c) Qual a lei que obriga as escolas brasileiras a incluírem o estudo do continente africano e suas contribuições para a formação do povo brasileiro?
d) Pesquise acerca da obra do poeta negro Solano Trindade.
e )Quem foi Joaquim Nabuco?
f) Como foi chamada a Lei que Aboliu a escravatura no Brasil?
g) O que era/é o termo ALFORRIA?
h) O que eram os Quilombos?
i) Quem é considerado Quilombola?
j) O que sua Escola tem feito no Dia da Consciência Negra?
Atividade 14:
CORDEL DO ESCRAVIZADO (G. Vítor Turco)
Decido cantar agora
Uma história que aprendi:
O Brasil, minha nação,
Passo a retratar aqui.
Cantando espalharei
A realidade que vi.
Como forma escolherei
Sílabas que se combinam,
Formando as redondilhas,
Que às dezenas ensinam.
As histórias da nação
De agora em diante nos rimam.
Como todos comerciantes.
Não ligavam para a vida:
Só lucro em poucos instantes.
Bom cordel nem sempre é fácil,
Precisa imaginação:
Alguns toques de paciência,
Uma pitada de opinião.
Mas o tema vale a pena
E agradeço-lhe a atenção.
Ouro parecia escasso
Ou dele inda não sabiam,
Buscaram outro comércio,
Que altos preços obtinham,
Era o açúcar da cana,
Mas mão de obra não tinham.
Povo nunca foi escravo,
Mas foi sim escravizado.
Muitas palavras enganam
Pelo sentido tomado.
É o uso do cachimbo
Que faz o beiço entortado.
Tentaram primeiramente
Os índios escravizar.
Mas era mais lucrativo
Negros contrabandear.
Ganhavam rios de dinheiro
Tirando negros de seu lar.
As palavras quando assumem
Outra significação,
É que tem algo escondido
Merecendo revisão.
Há sempre quem acredite
No poder da persuasão.
O comércio era ilegal:
Traficaram africanos.
Arrancavam de suas terras
E ao mar abriam panos.
Atingiam altos preços
Vendendo seres humanos.
Mentir e fazer de conta
É uma especialidade.
Para os colonizadores
Era uma normalidade.
Roubaram e espoliam
Vendo naturalidade.
Em porões de embarcações
Ali eram amontoados.
Sendo a carga gente humana
De negreiros eram chamados.
Os traficantes cruéis
De relhos nas mãos armados.
Com o fim da escravidão
Dizem: negro é preguiçoso.
Não tem casa pra morar
E dizem que é buliçoso.
Desamparado e sem lar
Dizem que é libidinoso.
Correntes nos tornozelos,
Foices e enxadas nas mãos.
Lidam de manhã à noite
Estando doentes ou sãos.
Por tudo eram castigados
Pois não eram cidadãos.
O Brasil entra na história
No século dezesseis.
Claro que existia antes,
Mas quem estava na vez
Eram brancos europeus:
Espanhol e português.
Até mesmo a Madre Igreja
Sistema justificava.
Ela queria o dinheiro
Que o fazendeiro mandava.
Nenhum negro possui alma
Era o que o bispo pregava.
Invadiram novas terras
Pisaram seus habitantes.
Buscavam ouro, fortunas,
Capatazes do sistema,
Repetiam autoridade,
Dizem “negro não tem alma,
E são nossa propriedade,
Podem ser escravizados,
Batamos-lhes sem piedade.
E fonte de ameaça.
Diz não haver preconceito
Nem diferença de raça.
Muitos tentavam fugir,
Esquecer o cativeiro,
Porém, a morte encontravam
No ódio do fazendeiro.
Quem conseguisse escapar
Era como um desordeiro.
No discurso da escola
Tudo é sério e bonito.
No entanto, não se enxerga
Que tudo é muito esquisito.
O aluno só repete
Vazio como um periquito.
Nas longas noites de festas
No meio da polvadeira,
Pra esquecer do trabalho
Inventaram a capoeira.
Mistura de dança e luta,
No feitor passar rasteira.
Não se quer aprofundar
Conteúdos abordados.
Que por certo vai magoar
Os muito afortunados.
De todos males no mundo
Sempre foram os culpados.
Nas matas se refugiavam,
Procuravam nova vida.
Comunidades, quilombos
Eram a paz adquirida.
Nada aconteceu sem luta,
Sem coragem aguerrida.
O preconceito e o racismo
Estão muito disfarçados.
Há quem não o veja e negue
Que houve negros forçados,
Trabalhando nas lavouras,
Nas minas e nos roçados.
História sempre contou
O dono do capital.
Ocultou informações
E produziu grande mal.
Fez acreditar em tudo
Portando-se como tal.
Preconceito é escondido
Pois é vergonha assumi-lo.
Enquanto se nega o fato
É mais fácil difundi-lo.
Negro tem medo de ser
Pois tentaram confundi-lo.
A História é inventada
Pelo sistema opressor.
Não há homem que detenha
Este rolo compressor.
Fazem-nos acreditar
No pior caluniador.
Fazem o negro ter vergonha,
Não o deixam ter consciência
De sua pele, sua cor.
Impõem-lhe a dependência,
Gozações e apelidos:
Desejam-lhes decadência.
É o sistema econômico
Que dita aos demais sistemas.
As ações são combinadas
A enfrentar todos os problemas.
No mundo quem manda é o rico,
Pobre enfrenta este dilema.
Oh, quanto constrangimento
Tem na aula o moreninho.
Quando se toca no assunto
É um verdadeiro espinho.
O menino se encolhe,
Esconde-se o coitadinho.
Na escola é que acontece
A injustiça e a desgraça.
Ensino que é excludente
São tantas e tão terríveis
As formas de humilhação.
O negro é intimidado
Na alma e no coração.
Hoje se nega o direito
Ao construtor da nação.
E hoje homenageados.
Em tantas rodovias
Têm seus nomes mencionados.
Nunca contaram direito
A História da abolição.
Negro sim fez o progresso
Durante a escravidão.
Logo depois de liberto
Foi chamado de ladrão.
Foi num vinte de novembro
Que na serra ele tombou.
Foi tiro de bandeirante
Que na mata ribombou.
Era Zumbi que caía,
Pois o branco ele enfrentou.
Tantas as limitações,
Chamam-no de favelado.
Quase sempre imundo e sujo
Ou traficante e drogado.
Mas a todas essas mentiras
Teve alguém encomendado.
Chico Rei, rei africano
Com sua tribo capturado!
Perdeu toda sua família
No mar ao ser transportado.
Ao chegar a Vila Rica
Foi vendido como gado.
Não se considera a luta
Contra o mal e a tirania.
Fala-se de uma princesa
Que assinou soberania.
Nisso aos negros se negou
Sua própria autonomia.
Com o tempo o rei comprou
Sua própria liberdade.
Trabalhou além da conta
Apesar de toda idade.
Comprou uma mina de ouro
E lutou pela igualdade.
Aquele treze de maio
Foi mais uma inverdade.
E a luta dos ancestrais
Em busca da identidade?
O que dizer dos quilombos
Refúgios de liberdade?
Nós, latino-americanos
Precisamos ter consciência.
Criar uma outra cultura
Que nos tire a decadência.
E respeitemo-nos todos
Dentro da mesma decência.
Um dos piores assaltos
Que se fez a toda a gente.
Despediram-nos sem nada
A viver pobre e carente.
Do passado esquecer,
Não tendo esperança a frente.
As nossas instituições
Seguem um mesmo padrão.
A criança branca ou negra
Recebe orientação.
Segue os mesmos modelos
Não fazendo distinção.
E Zumbi, líder do povo
Do Quilombo de Palmares?
Para o colonizador,
Bandido de tantos males.
Foi morto por bandeirante
Tão lembrado em muitos lares.
A criança educada
Nas instâncias da cultura
Vê o branco como beleza,
Símbolo da raça pura.
Vão querer embranquecer
E ter uma vida futura.
Em muitos livros didáticos
Bandeirantes são lembrados.
Muitos foram assassinos
Valores assimilados
Faz perder a identidade.
Vão tentar a todo custo
Um lugar na sociedade.
Nega-se a cor da pele,
Nega-se a realidade.
Não somente disfarçar.
Pois muita gente sabida
Não faz mais do que negar.
O Brasil é excludente:
Eis um retrato social.
Maltrata as diferenças
Não vê crime racial.
As atitudes racistas
Estão na mídia geral.
Aproveitando o momento
A todos faço um convite.
Porque todo preconceito
Nunca conheceu limite.
Faz um estrago danado
Quando a outro se transmite.
Diferenças nos salários
Do branco e do negro é fato,
O trabalho é o mesmo;
Mas o sistema insensato
Não vê nisso algo errado.
Se reclama é ingrato.
A justiça só se faz
Ao se enfrentar este fado.
Devemos considerar
Este mal tão arraigado.
Lutarmos pela igualdade,
Buscando outro resultado.
A marginalização
Fere negros e mulatos.
Camufla a convivência
Inventando outros relatos.
O passado é esquecido,
Fica só com literatos.
Causas do pior racismo
É necessário entender.
Desmontar a estrutura
Para a luta compreender.
Evitar graves conflitos
Pra melhor poder viver.
Contam tantos desafios
Os sérios educadores.
Tratar de assunto tão grave
Depende de alguns fatores:
Antes conhecer a história
Dos negros e suas dores.
Precisamos todos juntos
Cerrarmos estas fileiras.
Numa luta incessante
Contra as injustas barreiras.
Pois um homem só é feliz
Quando vence as asneiras.
E o que dizer das piadas
Imensamente racistas?
Fazem chorar um menino
Estes pseudo-artistas.
Arrasam-lhe a autoestima,
Monstros terríveis sadistas.
Todo racismo é idiota,
É coisa de atrasado.
Quem ainda hoje mantém
Mesmos vícios do passado,
Não pode viver no mundo
Nem cidadão ser chamado.
Pisar nos outros é fácil
Longe de ser fraternal.
Onde está a cidadania
Com problema racial?
Sociedade tolerante
É a busca principal.
O negro sempre foi visto
Como um ser inferior.
Com posições subalternas
Sendo igual trabalhador.
Depois disso é maltratado
Por pessoas sem valor.
Enfrentar todo racismo
No universo escolar.
Verificar o problema,
Dizem que o negro só serve
Para fazer carnaval.
Dançar e fazer folia,
Numa torpeza total.
Dessa forma justificam
O preconceito racial.
Falam que no futebol
O negro age como rei.
Mas é torpe e viciado,
Um descumpridor da lei.
Noite e dia a matar tempo
Preguiçoso que nem sei.
Mas quem diz isso não sabe
Que é bem outra esta história.
Negros não querem ser pobres,
Só nos outros ver vitória.
Grande a discriminação
Que é mui difícil ter glória.
A sociedade é injusta
Pra muitos fecha a saída.
Que pensar de gerações
De esperança subtraída?
Supera as expectativas
O negro que crê na vida.
O preconceito é um mal
Que se aprende desde a infância.
São milênios de conflitos,
De ferrenha intolerância.
É duro encarar o outro
Baseado na arrogância.
Não respeitar ser humano
É assunto de polícia.
Crer na superioridade
É ter na alma a malícia.
Divulgar tais pensamentos
Está muito aquém da burrice.
Grande foi a exploração.
Vítimas que não se foram:
Infelicidade e dor.
Torturas que inda povoam
Onde não há luta e força.
Restam cantos que ressoam.
Questões:
a) O que é um cordel?
b) Onde o cordel é mais utilizado?
c) Como é a estrutura do texto Cordel do Escravizado?
d) Quais os diversos temas abordados no texto?
e) Fazer leitura do texto encenando-o como peça teatral.
f) Há aproximadamente 11 maneiras de escrever um cordel. Você sabia que
existe a Academia Brasileira de Literatura de Cordel? Visitemos o site:
www.ablc.com.br
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8a/Literatura_de_cordel.jpg/30
0px-Literatura_de_cordel.jpg Acesso em: 23 nov. 2012
História de Cordel
Na época dos povos conquistadores greco-romanos, fenícios, cartagineses,
saxões, etc, a literatura de cordel já existia, tendo chegado à Península Ibérica
(Portugal e Espanha) por volta do século XVI. Na Península a literatura de cordel recebeu os nomes de "pliegos sueltos" (Espanha) e "folhas soltas" ou "volantes" (Portugal). Florescente, principalmente, na área que se estende da Bahia ao Maranhão esta maravilhosa manifestação da inteligência brasileira merecerá no futuro, um estudo mais profundo e criterioso de suas peculiaridades
particulares.
Oriunda de Portugal, a literatura de cordel chegou no balaio e no coração dos
nossos colonizadores, instalando-se na Bahia e mais precisamente em Salvador. Dali se irradiou para os demais estados do Nordeste. A pergunta que mais
inquieta e intriga os nossos pesquisadores é "Por que exatamente no nordeste?". A resposta não está distante do raciocínio livre nem dos domínios da razão. Como é sabido, a primeira capital da nação foi Salvador, ponto de convergência natural de todas as culturas, permanecendo assim até 1763, quando foi
transferida para o Rio de Janeiro.
Na indagação dos pesquisadores, no entanto, há lógica, porque os poetas de
bancada ou de gabinete, como ficaram conhecidos os autores da literatura de
cordel, demoraram a emergir do seio bom da terra natal. Mais tarde, por volta
de 1750 é que apareceram os primeiros vates da literatura de cordel oral. Engatinhando e sem nome, depois de relativo longo período, a literatura de cordel
recebeu o batismo de poesia popular.
Foram esses bardos do improviso os precursores da literatura de cordel escrita.
Os registros são muito vagos, sem consistência confiável, de repentistas ou
violeiros antes de Manoel Riachão ou Mergulhão, mas Leandro Gomes de Bar-
ros, nascido no dia 19 de novembro de 1865, teria escrito a peleja de Manoel
Riachão com o Diabo, em fins do século passado.
Sua afirmação, na última estrofe desta peleja (ver em detalhe) é um rico documento, pois evidencia a não contemporaneidade do Riachão com o rei dos autores da literatura de cordel. Ele nos dá um amplo sentido de longa distância ao
afirmar:
"Um
velho
daquela
época
a
tem
ainda
gravada". http://www.paragonbrasil.com.br/conteudo.php?item=2704 Acesso em: 24 nov. 2012
Atividade 15:
Conto de Lima Barreto, autor afrodescendente:
Afonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro, 13 de maio de 1881 - Rio
de Janeiro, 1° de novembro de 1922), melhor conhecido como Lima Barreto,
foi um jornalista e um dos mais importantes escritores libertários brasileiros.
Era filho de João Henriques de Lima Barreto (mulato nascido escravo) e de
Amália Augusta (filha de escrava agregada da família Pereira Carvalho). O seu
pai foi tipógrafo. Aprendeu a profissão no Imperial Instituto Artístico, que imprimia o periódico "A Semana Ilustrada". A sua mãe foi educada com esmero,
sendo professora da 1ª à 4ª séries. Ela faleceu quando ele tinha apenas 6 anos
e João Henriques trabalhou muito para sustentar os quatro filhos do casal. João Henriques era monarquista, ligado ao visconde de Ouro Preto, padrinho do
futuro escritor. Talvez as lembranças saudosistas do fim do período imperial no
Brasil, bem como as remotas lembranças da Abolição da Escravatura na infância tenham vindo a exercer influência sobre a visão crítica de Lima Barreto sobre o regime republicano.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lima_Barreto Acesso em: 23 nov. 2012
O PECADO
Quando naquele dia São Pedro despertou, despertou risonho e de bom
humor. E, terminados os cuidados higiênicos da manhã, ele se foi à competente repartição celestial buscar ordens do Supremo e saber que almas chegariam
na próxima leva.
Em uma mesa longa, larga e baixa, um grande livro aberto se estendia e
debruçado sobre ele, todo entregue ao serviço, um guarda-livros punha em dia
a escrituração das almas, de acordo com as mortes que Anjos mensageiros e
noticiosos traziam de toda a extensão da terra. Da pena do encarregado celeste escorriam grossas letras, e de quando em quando ele mudava a caneta para
melhor talhar um outro caráter caligráfico.
Assim páginas ia ele enchendo, enfeitadas, iluminadas em os mais preciosos tipos de letras. Havia no emprego de cada um deles, uma certa razão de
ser entre si guardavam tão feliz disposição que encantava o ver uma página
escrita do livro. O nome era escrito em bastardo, letra forte e larga; a filiação
em gótico, tinha um ar religioso, antigo, as faltas, em bastardo e as qualidades
em ronde arabescado.
Ao entrar São Pedro, o escriturário do Eterno, voltou-se, saudou-o e, à reclamação da lista d‟almas pelo Santo, ele respondeu com algum enfado (endado do ofício) que viesse à tarde buscá-la.
Aí pela tardinha, ao findar a escrita, o funcionário celeste (um velho jesuíta encanecido no tráfico de açúcar da América do Sul) tirava uma lista explica-
tiva e entregava a São Pedro a fim de se preparar convenientemente para receber os ex-vivos no dia seguinte.
Dessa vez ao contrário de todo o sempre, São Pedro, antes de sair, leu
de antemão a lista; e essa sua leitura foi útil, pois que se a não fizesse talvez,
dali em diante, para o resto das idades ─ quem sabe? ─ o Céu ficasse de todo
estragado. Leu São Pedro a relação: havia muitas almas, muitas mesmo, delas
todas, à vista das explicações apensas, uma lhe assanhou o espanto e a estranheza. Leu novamente. Vinha assim:
P. L. C., filho de..., neto de..., bisneto de..., ─ Carregador, quarenta e oito
anos. Casado. Casto. Honesto. Caridoso. Pobre de espírito. Ignaro. Bom como
São Francisco de Assis. Virtuoso como São Bernardo e meigo como o próprio
Cristo. É um justo.
Deveras, pensou o Santo Porteiro, é uma alma excepcional; como tão extraordinárias qualidades bem merecia assentar-se à direita do Eterno e lá ficar,
per saecula saeculorum, gozando a glória perene de quem foi tantas vezes
Santo...
─ E porque não ia? Deu-lhe vontade de perguntar ao seráfico burocrata.
─ Não sei, retrucou-lhe este. Você sabe, acrescentou, sou mandado...
─ Veja bem nos assentamentos. Não vá ter você se enganado. Procure,
retrucou por sua vez o velho pescador canonizado.
Acompanhado de dolorosos rangidos da mesa, o guarda-livros foi folheando o enorme Registro, até encontrar a página própria, onde com certo esforço achou a linha adequada e com o dedo afinal apontou o assentamento e leu
alto:
─ P. L. C., filho de... neto de... bisneto de... ─ Carregador. Quarenta e oito
anos. Casado. Honesto. Caridoso. Leal. Pobre de espírito. Ignaro. Bom como
São Francisco de Assis. Virtuoso como São Bernardo e meigo como o próprio
Cristo. É um justo.
Levando o dedo pela pauta horizontal e nas “Observações”, deparou
qualquer coisa que o fez dizer de súbito:
─ Esquecia-me... Houve engano. É! Foi bom você falar. Essa alma é a de
um negro. Vai para o purgatório.
Revista Sousa Cruz, Rio, agosto 1924.
BARRETO, Lima. O homem que sabia javanês e outros contos. Curitiba: Pólo
Editorial do Paraná, 1997
Questões:
a) O que nos surpreende no final do texto?
b) O que significa a expressão: “negro de alma branca”?
c) Quais outras expressões preconceituosas você conhece?
Atividade 16:
Conto de Mário de Andrade
FOI SONHO
─ Antão, Frorinda, que é isso! Você tá lôca!...
Será que você qué abandoná seu negro pru causo de outra muié?... Inda que
eu fosse um desses miserave que dêxum fartá inté pão im casa, mais eu, Frorinda! Que nunca te dexei sem surtimento! E inté trago tudo de sobra pá gente
pudê sê filiz... Quando que na casa de sua mãi ocê usô argola nas orêia, feito
deusa? Sô eu, que quero ocê bunita sempe, bunita pr‟eu querê bem, e não bunita pâ gozá... Quando o Romero compro aquela brusa de seda pra muié dele,
num comprei logo um vistido intero p‟ocê?... Dêxa disso Frorinda, eu ixprico
tudo! Num bamo agora se disfraçá pr‟uma coisinha de nada!
(...)
... Eu onte caí na farra, tanta gente mascarado divirtino, você tava tão longe
pr‟eu í busca... Depois minha muié num é pra farra não! Eu quis muié foi pá tá
im casa me sirvindo cum doçura, intrei na premera venda e bibi. Antão me deu
uma corage de sê o que num tenho sido, você bem sabe que num tenho sido,
mais quis caí na farra uma veiz. Inté tava bem triste pruque de repente me alembrei que dê-certo o Romero tava im casa cum a famia, im veiz de andá sozinho cumo eu tava, feito sordado na vida... Porém já tinha bibido outra veiz,
fiquei contente, puis num tenho que dá sastifação ninhuma p‟u Romero, eu sô
eu! Fui dexá as ferramenta na premera venda que eu sô cunhicido lá, tava todo
sujo do brabaio, mai‟ justifiquei que pra caí na farra num caricia de me trocá.
Farra é vergonha, pa sujo de pensamento, sujo de corpo num faiz má.
Agora nem num sei si devo contá o resto, Frorinda, pruque eu quero é num te
matratá, já tava bem tanto quano incontrei ela. Nunca tinha visto simiante criatura mais ela vinha vistida de apache, que agora as muié deu pra visti carça no
Carnavá... Vai, ela oiô pra mim e falô ansim. “Ôta mulato proletaro, bam‟ fazê
cuminismo pa i no baile do Colombo junto”. Eu inté num achei graça, mais porém todos tavum rindo do meu jeito, num quis ficá purtrais, me ri tamem. Intão
ela s‟incostô todinha e suspirô fingido. Todos caíram numa gargaiada que nem
mum sei o que me deu: pensei logo cumigo que seu negro, Frorinda, é hôme
pra uma, duas, déiz muié,eu tava mêrmo tonto, inté jurguei que ocê havia de
ficá sintida de seu hôme num demonstrá que era capais de tudo, dei um tapa
na padaria dela que ela vuô longe. Antão ela chego otra vêiz, sem brincadêra,
e segredo baixinho: “Bamo”? Praque que hei-de falá... mais me deu ua vontade
de i cu‟ela. Todos tavum reparando e senti sastifação. Garrei na cintura dela e
fui andano. Minha tenção era chegá nargum lugá sem gente e dá o fora, porém, você me discurpe, Frorinda, era só tenção, cheguemo no Colombo.
Foi a conta! Ansim qu‟inxerguei aquela gentarada na maió imoralidade, me
cunvinci difinitivo que tinha caído na farra, era tudo um sonho, nada num fazia
má, bibi, dancei, caçuei c‟os otro, ela só se ajeitando pa meu lado... Despois,
quano me convido pâ i cu‟ela, eu disse: “eu vô”.
E agora você num qué mais eu só pur causo desse mulé!... Ocê tá maginano
que tenho argum amo pur aquela pirdida!... Eu inté paguei ela!... Foi que ela
me falô que o pai apareceu lá im casa da patroa e pidiu cinco mirréis, dizendo
que batia nela, eu tive dó, arrispundi: “Pur isso não, você tá quereno i cumigo,
intão bamo que despois de eu fazê o sirviço, te dô os cinco mirréis”. Também
quantas veiz lá no trabaio, passa o bananero, me dá ua vontade, “Óia aqui, me
dá duzentão de bana”, você zanga? Pago, como, num trago niúma pr‟ocê, você
zanga? Diga!... Home quano vê muié jeitosa, mermo que num seje sua mulé,
vontade ele tem memo... Me deu vontade cumo das banana. Tamém cumi, paguei, num truxe nada pro ocê. E ocê zangô!...
Isso de “nossa cama”, “nossa cama”, bamo dexá de bobage, Frorinda! Eu tava
bebo, bêbado não! Tava só tonto, num sei que tontice me deu, num tinha lugá,
mato eu num gosto, levei ela pra nossa casa. Eu tava bebo memo, puis você
divia riagi... Im veiz de saí de casa toda chorano, me chamando de “sem vergonha”, sem-vergonha não! Que eu sempre tive vergonha na vida, num robo,
num bebo, nunca fiz má pra ninguém! Vô fazê má é pra mim, pruque si ocê me
dexá sinto que vô sofrê demais de te vê disgraçada.
... Nem sei si levei ela im casa na tenção de sê na nossa cama, eu quiria é lugá
siguro... você acordô c‟u riso dela. Mais porém quano ocê me chamô de semvergonha na frente dela, me bateu um ódio de tá manera, eu disse: Há-de sê
na tua cama, quente de teu corpo, sua!... E fiz. Você divia riagi!
Puis é... Hoje de-manhãzinha ela me apareceu lá im casa fazeno um bué danado. Fui me acordando e pricurei logo ocê, era o custume. Ocê num tava...
Antão veio tudo num crarão e logo pircibi que tinha feito ua bestera. “Ói, que eu
falei pr‟ela, é mio você num metê cumigo não, qu‟eu já sô de otra". Ela garrô
chorano arto pr‟us vizinho, diz-que eu tinha tirado a honra dela... Fiquei surprindido, mais despois sortei ua gargaiada, “Ôh negrinha, ocê num vem cum
parte não! Que quantos num te cunheceru, heim, negra”!... Mais ela num vê de
pará, tava juntano gente, ela gritava que era virge, que inté o Sandrino c‟o Romero vinherum pa me ajudá. Eu antão fiquei tão cego que crisci pra cima dela,
mia vontade era matá, me sigurarum. Daí ela saiu correno, gritano que ia na
Puliça. Foi quano o Romeu priguntô de ocê, eu fui, fiquei bem Carmo, arrispundi que ocê tinha ido na casa de sua mãi. Filizmente que ninguém num tinha
iscuitado a increnca da noite...
Antão arresorvi vim buscá ocê. Ói, Frorinda, ocê bem sabe que nujm sô home
pra ta tirano a honra de muié... Só tirei a honra de uma, foi você, pruque nóis
dois se pirtincia. Mais porém te dei a minha, que ocê é que guarda a honra de
seu negro, num é mermo?... diga! E agora, será que ocê tá quereno me dishonrá... Antão você vai dá de mostrá pr‟us otro que tu é uma disgraçada, quano
num é!...
Eu inté num gosto de jurá pruque sô home cumpridô de sua palavra, mais... oi!
Te juro que nunca mais hei-de oiá pra otra muié, é ocê que eu quero bem, te
juro! Bamo fingi que tudo o que sucedeu, num sucedeu, foi sonho, e hei-de te
prová que foi sonho memo, num dexô siná. Bamo cumigo, Frorinda...
ANDRADE, Mário. Os melhores contos de Mário de Andrade / seleção de Telê
Ancona Lopez. 2.ed. São Paulo: Global, 1988.
Questões:
a) Como você pode identificar as personagens do texto
b) Em que partes do texto aparecem referências de que as personagens são
afro-brasileiras?
c) Como é a linguagem do narrador?
d) Este texto é monofônico ou polifônico? Explique a diferença.
e) Que espécie de preconceito o narrador expressa?
f) Qual a diferença entre sexismo e machismo?
g) Quais as características da obra de Mário de Andrade?
Atividade 17:
Fragmento de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis:
O MENINO É O PAI DO HOMEM
Cresci, e nisso é que a família não interveio; cresci naturalmente, como crescem as magnólias e os gatos. Talvez os gatos são menos matreiros, e, com
certeza, as magnólias são menos inquietas do que eu era na minha infância.
Um poeta dizia que o menino é pai do homem. Se isto é verdade, vejamos alguns lineamentos do menino.
Desde os cinco anos merecera a alcunha de “menino diabo”; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto,
traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher de doce de coco que estava fazendo, e, não
contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce
“por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era
o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos
queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão,
fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, ─ algumas vezes
gemendo ─ , mas obedecia sem dizer palavra, ou quando muito, um ─ “ai,
nhonhô”─ ao que eu retorquia: ─ “Cala a boca, besta!”
ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. 5ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2001, p. 31
Questões:
a) Como era o comportamento do menino Brás Cubas?
b) Em que época se passa a narrativa de Brás Cubas?
c) Como era a relação do menino Brás Cubas com os serviçais da casa?
d) Qual a intenção de Machado de Assis ao descrever o comportamento da
célebre personagem?
e) Existem ainda hoje meninos com esse comportamento?
f) Qual era a relação de poder de Brás Cubas com as demais pessoas?
Atividade 18:
Trecho extraído de Os Pastores da Noite, de Jorge Amado:
(...) O avô do Padre Gomes fora escravo, dos últimos a fazer viagem num navio
negreiro, tivera o dorso cortado pela chibata, chamava-se Ojuaruá, era um chefe em sua terra. Fugira de um engenho de açúcar em Pernambuco deixando o
capataz esvaído em sangue, tomara parte num quilombo, andara errante pelos
matos, na Bahia amigara-se com uma mulata clara e forra, terminara a vida
com três filhas e uma quitanda.
Sua filha mais velha, Josefa, casara-se, já após a abolição, com um moço de
armazém, lusitano branco e bonito, doido pela mulata de ancas altas e dentes
limados. O velho Ojuaruá pegara os dois deitados ao lado do muro, ainda era
um touro de forte, apertou o gasganete do maroto, só o soltou quando marcaram o dia do casamento. (...)
AMADO, Jorge. O compadre de Ogun. Rio de Janeiro: Record, 1995, p.55
Questões:
a) Neste pequeno fragmento de texto há muitas palavras de origem africana.
Enumere-as:
b) No primeiro parágrafo aparece uma série de informações acerca do avô do
Padre Gomes, todas resumidas e ligadas umas às outras pelo estilo do autor.
Separe cada acontecimento, reescrevendo o parágrafo inteiro.
c) O que significa moço de armazém?
Atividade 19:
(...) Estavam, ainda que não o soubessem, na vanguarda de seu século, mas
não incluíram nas suas intenções revolucionárias a abolição da escravatura,
nisto também acompanhando os próceres que fizeram a independência dos
Estados Unidos: Thomas Jefferson não pensou em libertar os seus escravos, e
George Washington só o fez em testamento. Não há como esquecer que o
próprio Tiradentes possuía quatro escravos. Adelto Gonçalves desfaz, porém, a
lenda de um Tomás Antônio Gonzaga envolvido com o mercadejo de almas e
corpos em Moçambique. E nos conta como a um outro contemporâneo, que,
embora participante das conspirações pela independência, escapou da rede
repressora Lusitana, foi reservado o destino de tornar-se um dos grandes traficantes negreiros da Contracosta. É possível que não passasse pela mente de
Eleutério José Delfim que o comércio a que se entregara contrariava inteiramente as suas convicções de republicano, liberal e maçom, pois, ao que parece, a liberdade, a igualdade e a fraternidade não incluíam, então, os africanos.
Não deve, por sinal, ter sido ele o único, ainda estando por estudar-se a participação de maçons, “afrancesados” e “jacobinos” no tráfico negreiro até as
vésperas de sua extinção. Talvez não venhamos a saber jamais, por exemplo,
se aquele Domingos José Martins, que foi um dos maiores mercadores de escravos da África atlântica, herdou, junto com o nome, algumas idéias de seu
pai, fuzilado pelos portugueses, por haver sido um dos cabeças da Revolução
Pernambucana de 1817.
SILVA, Alberto da Costa e. Das mãos do Oleiro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011. p.22
Questões:
a) Quem foi Tomás Antônio Gonzaga?
b) Como Tomás acabou em Moçambique, na África?
c) Que ocupação Tomás tomou para si em Moçambique?
d) Qual movimento político defendia a Liberdade, Igualdade, Fraternidade?
e) Por que no texto se diz que esses ideais não incluíam os africanos?
f) Quem eram os “jacobinos”?
Atividade 20:
LUTAS, PERSEGUIÇÕES E LINCHAMENTOS
Os escravos africanos começaram a chegar ao Brasil em meados do século
XVI, mas só no início do século seguinte é que começaram a entrar me grandes contingentes. A desorganização dos trabalhos da lavoura aliadas a falta de
mão-de-obra tornaram os Quilombos e, mais adiante a campanha abolicionista
as principais preocupações do Império e dos senhores escravocratas. A partir
de meados do século XVIII foi a época em que o escravo sofreu a mais vil, torpe e violenta perseguição no Brasil. A história registra como a época “a que
mais crimes registrou, provocando, em revide, a disseminação dos quilombos e
o suceder de vinganças sangrentas perpetradas pelas vítimas”. Afonso Arinos
de Mello Franco, no livro “Agitação dos Escravos no Rio de Janeiro”, conta que
a perseguição foi tal que “até as cadeias públicas arrancavam negros para serem linchados”.
Um das mais importantes rebeliões do tipo foi liderada pelo negro Manuel Congo, escravo do Capitão-Mor Manuel Francisco Xavier, proprietário da fazenda
Freguesia. Depois de matar um lavrador branco e expulsar os feitores, os lutadores depredaram a fazenda, fortificando-se nas matas de Santa Catarina, onde Manuel Congo foi aclamado rei. Com as derrotas sucessivas das tropas da
Guarda Nacional, os fazendeiros alarmados solicitaram providências do Governo Imperial. Os revoltosos foram derrotados em fins de 1838 por uma tropa
comandada ─ nada mais nada menos que ─ , pelo “famoso” Duque de Caxias,
caçador e matador de negros e índios, patrono do nosso exército. Manuel Congo foi enforcado em 6 de setembro de 1839 e os demais prisioneiros receberam o castigo de “650 chicotadas”, cada um.
Revista AfricAxé, Instituto Cultural e de Pesquisas Ilu Aye Odara. Janeiro 2005ano II-n°2.
Questões:
a) Quando que foi intensificado o tráfico Negreiro?
b) O que favorecia o surgimento dos primeiros Quilombos?
c) O que é um senhor escravocrata?
d) Quando a violência contra os escravos se agravou?
e) Por que no texto, aparece a expressão “nada mais nada menos” separada
do restante?
f) Como a história oficial descreve o “famoso” Duque de Caxias?
Atividade 21:
O erro maior, cujas consequências sofremos até hoje, foi a marginalização econômica e social do negro. Num país pouco povoado, retirou-se das atividades produtivas uma enorme massa de indivíduos, no momento exato em que
passavam, ao menos formalmente, a ser parte da nação. Pôs-se de lado, como
se não existisse, muito do que de melhor tinha o país, pois o africano, mal descido do navio negreiro, logo se acostumara à terra e a domara, soubera adaptar-se aos novos sistemas de vida que lhe impuseram e, apesar de humilhado
e diariamente ofendido, procurara e conseguira preservar os seus valores, com
uma criatividade que contrasta com a paspalhice da maioria de seus donos.
Força é não esquecer que geralmente eram os escravos que ensinavam os
escravos.
O país era pouco povoado e atrasado. Mas quase nada se fez para atrair pessoas com as aptidões e qualidades necessárias para ajudar-nos a apressar o
passo ou, melhor, a correr para os sucessivos presentes. A política imigratória
da República continuou a ser uma sequência de desacertos. Não se queriam
comerciantes, nem professores, nem jornalistas, nem artistas. Só se esperava
que aqui desembarcassem braços para a lavoura e, depois para as fábricas.
SILVA, Alberto da Costa e. Das mãos do Oleiro. Aproximações. 2.ed. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 2011, p.45
Questões:
a) Quais as formas de marginalização do negro no Brasil?
b) Quem, de fato, sabia trabalhar a terra?
c) Por que as classes dirigentes da nação optaram em atrair imigrantes para o
trabalho em vez de utilizar o que já havia?
d) Por que as classes dirigentes da nação não queriam comerciantes, professores, jornalistas ou artistas?
e) O que estava por trás dos interesses econômicos dessas classes?
Atividade 22:
Prof. Geraldo com alunos no Teatro Iguassu, Laranjeiras do Sul, para a execução do Hino da
África do Sul, Encontro das Diversidades em 18 nov. 2012.
Vamos trabalhar o Hino da África do Sul:
Nas cinco línguas oficiais da
África do Sul
Nkosi sikelel' iAfrika
Maluphakanyisw' uphondo
lwayo,
AYizwa imithandazo yethu,
Nkosi sikelela, thina lusapho
lwayo.
Morena boloka setjhaba sa heso,
O fedise dintwa le matshwenyeho,
O se boloke, O se boloke set-
Tradução para o português
Deus abençoe a África
Que suas glórias sejam exaltadas
Ouça nossas preces
Deus nos abençoe, porque somos seus filhos
Deus, cuide de nossa nação
Acabe com nossos conflitos
Nos proteja, e proteja nossa nação
À África do Sul, nação África
do Sul
jhaba sa heso,
Setjhaba sa South Afrika - Sou- Dos nossos céus azuis
th Afrika.
Das profundezas dos nossos
mares
Uit die blou van onse hemel,
Sobre as grandes montanhas
Uit die diepte van ons see,
Onde os sons se ecoem
Oor ons ewige gebergtes,
Waar die kranse antwoord gee, Soa o chamado para nos unirmos
Sounds the call to come togeth- e juntos nos fortalecermos
er,
Vamos viver e lutar pela liberAnd united we shall stand,
dade
Let us live and strive for freeNa África da Sul a nossa terra.
dom,
In South Africa our land.
http://www.suapesquisa.com/paises/africa_do_sul/hino_africa_do_sul.htm Acesso em: 23 nov.
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