AVALIAÇÃO DOS DETERMINANTES DO CONSUMO DE CARNE SUÍNA NO MUNICÍPIO DE PATOS DE MINAS – MG Daniel Luiz Amorim Couto 1 Adriana Vieira Ferreira 2 RESUMO – O artigo tem como objetivo a avaliação dos fatores condicionantes do consumo da carne suína em Patos de Minas – MG, evidenciando seus entraves e oportunidades e propondo alternativas para a ampliação e divulgação da carne suína no município. Para atender esses objetivos, foram elaborados questionários, aplicados em casas de carne e supermercados, visualizando os aspectos condicionantes da demanda por carne suína. Após tratamento estatístico, pôde-se inferir que o consumo da carne suína em Patos de Minas é muito baixo, uma vez que apenas cerca de 25% dos consumidores declaram consumi-la, pelo menos, três vezes na semana. Esse resultado está intimamente relacionado com os hábitos dos consumidores que, especialmente orientados pela classe médica e nutricionistas, evita o consumo pois consideram que esta carne possui muito colesterol. Assim, por não terem sido atingidos por campanhas elucidativas, consomem muita carne bovina, a despeito de seu preço mais elevado, quando comparado com a suína. As principais conclusões do trabalho apontam para a necessidade de campanhas que divulguem as características da carne suína, destacando as benesses de seu consumo e, diante do potencial de mercado no município, acredita-se que muito dinamizaria a economia local e regional. Palavras-chave: Suinocultura, Demanda, Consumo 1- Introdução A suinocultura brasileira provoca efeitos multiplicadores de renda e empregos, tornando-se de fundamental importância no contexto sócioeconômico, pois afeta positivamente toda a cadeia de insumos e comercialização do agronegócio. A perspectiva se torna ainda mais positiva diante do controle e erradicação de doenças, como a aftosa e a peste suína, de forma que a receita de exportações de carnes suínas brasileiras, em 2003, totalizou US$ 546,5 milhões, o que representou aumento de 13,52% em relação aos US$ 481 milhões apurados em 2002, segundo a Associação Brasileira da Indústria Produtora de Carne Suína (Abipecs). O volume das vendas externas do produto, no entanto, subiu apenas 3,28% no ano passado em comparação com o ano anterior, em função das cotas impostas pela Rússia - principal mercado comprador de carne suína brasileira - a partir de abril. Em dezembro de 2003, o volume de exportações de carne suína caiu 32,8% em relação a igual mês anterior, e a receita diminuiu 5,99% no mesmo período de comparação. A expectativa de desempenho das exportações de carne suína brasileira em 2004 1 Rua Deiró Borges, 75 – Centro, 38700-100 - Patos de Minas - MG. E-mail: [email protected] 2 Rua João Rodrigues Silveira, 39, Valparaíso, 38703– 076 - Patos de Minas – MG. E-mail: [email protected] depende das negociações do Governo brasileiro com a Rússia pela retirada da cota de importação, que é de 179,5 mil toneladas por ano por País exportador. Se o Governo russo concordar em reabrir o mercado, espera-se exportar no ano de 2004 mais de 500 mil toneladas de carne suína. Caso contrário, as vendas deverão ser somente de 330 mil a 350 mil toneladas. No entanto, mesmo com aumento significativo da produção brasileira, com grandes ganhos de produtividade, uma vez que, com aumento de apenas 27,6% em seu plantel alavancou em 74% sua produção nos últimos dez anos, a suinocultura brasileira ainda não foi eficaz em atingir grande consumo interno, que embora ainda pequeno, passou de 9,60 kg, em 1996 para 11,10 kg em 2001, e em 2003 atingiu a marca de 13 Kg per capita, porém manteve-se distante do consumo dos países desenvolvidos, conforme destacado nas Tabelas 1 e 2. Tabela 1: Consumo Per Capita de Carne Suína, países selecionados Países selecionados Dinamarca Espanha República Tcheca Áustria Alemanha Bélgica China Estados Unidos Rússia Brasil Fonte:Abipecs, 2003 Hab/ano em Kg 76 66 60 58 57 47 34 31 14 13 Tabela 2: Consumo mundial de carnes 2000 2001 Carne suína 81.017 82.784 Carne de 49.097 50.402 frango Carne de 4.663 4.725 peru Carne bovina 49.365 48.294 Fonte: USDA –Abipecs, 2004 *Dados Preliminares. **Estimativa (mil toneladas) 2004** 87.904 52.658 2002 85.639 51.277 2003* 86.732 51.351 4.728 4.699 4.717 49.951 48.800 48.634 Neste cenário, em que se verifica crescimento da produção e exportação e um modesto avanço em termos de consumo interno da carne suína, alguns fatores devem ser ressaltados como causadores desse resultado aquém do potencial do consumo brasileiro (Gráfico 1). 1 55% 60% 50% 35% 40% 30% 20% 10% 10% 0% Outros Faz m al/Perigosa Gordura/Colesterol Gráfico 1: Principais fatores que interferem no consumo da carne suína. Fonte: ROPPA, 2002 Fica patente que, em nível nacional, a inexpressividade do consumo deve-se, em grande parte à imagem de “não-saudável” da carne, desconsiderando por completo , a evolução do suíno cevado. Assim, conforme a Tabela 3, a redução do teor de gordura e calorias da carne suína reduziu-se, de 1963 a 1994, cerca de 82% e 55%, respectivamente. Tabela 3: Evolução dos teores de gordura e caloria no lombo cozido dos suínos ANO 1963 1983 1990 1994 % Redução 1963-94 Fonte: ROPPA, 2002 GORDURA (%) 34,8 13,7 8,1 6,2 82,2 CALORIAS (kcal/100g) 413 237 194 187 54,7 Outro fator importante, que interfere diretamente no consumo da carne suína, é a defasagem do preço do suíno na granja e o preço final no supermercado, que no Brasil chega atingir mais de 600% de inflação (Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul), tornando o preço ao consumidor mais alto e prejudicando os produtores. Assim, diante do potencial de consumo interno no Brasil, torna-se de fundamental importância a caracterização dos problemas recorrentes que recaem sobre o consumo de carne suína no Brasil, propondo alterações que busquem a eficiência ao longo da cadeia produtiva suinícola. 2 - Justificativa O Estado de Minas Gerais ocupa posição de destaque na fase produtiva da cadeia suinícola brasileira. Considerado tradicionalmente como produtor de suínos, possui o quarto maior rebanho do país, tendo, em 2002, 150.544 matrizes e um rebanho estimado de 3,4 milhões de cabeças, além de uma 2 produção estimada de 150.000 toneladas, de acordo com dados obtidos no IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária). A suinocultura moderna de Minas Gerais, de acordo com VELOSO (1998), concentra-se nas regiões da Zona da Mata, Noroeste, Metalúrgica e Campo das Vertentes. Sendo a base para a industrialização, esta distribuição espacial está relacionada, sobretudo, à formação de núcleos especializados em suinocultura, presentes nos municípios de Sete lagoas, Ponte Nova, Passos, Pará de Minas e Patos de Minas. No que diz respeito à comercialização e consumo da carne suína, Minas Gerais, por ser um estado que absorve grande parte da produção nacional, sendo o maior consumidor da carne in natura, apresenta grandes vantagens relacionadas à logística do setor suinícola no país, conforme destaca PINHEIRO (2000). No entanto, como é disseminado em todo o país, a ampliação do consumo da carne suína esbarra em conceitos errôneos, dentre eles, o de que a carne suína é gordurosa e faz mal à saúde (ROPPA, 2002). Ao contrário, esse alimento é altamente nutritivo e saboroso, rico em vitaminas e minerais e, portanto, um promissor mercado. Certamente, o aquecimento do consumo interno de carne suína geraria o aproveitamento da capacidade ociosa da indústria frigorífica. Nos últimos três anos, de acordo com a Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul - as agroindústrias abateram 3,1 milhões de suínos (média anual), utilizando cerca de 75% da capacidade instalada. A cidade de Patos de Minas – MG, objeto desse estudo, está situada na macrorregião do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba e sedia três das principais empresas de genética suína do país, sendo, portanto, pólo de biotecnologia da suinocultura tecnificada. De acordo com dados da Emater – MG, através do Sistema de Realidade Municipal (2002), o valor da produção anual da suinocultura foi de R$24.948 mil. O PIB - Produto Interno Bruto do setor Agropecuário do município, em 2002, foi de R$72.711mil. Vale destacar que a maior parte da produção agrícola se destina a indústrias, em especial, as de exportação. Diante da carência de artigos e trabalhos que informem a respeito do consumo da carne suína, torna-se de fundamental importância a existência de informações, qualitativas e quantitativas, que permitam a avaliação dos principais entraves ao consumo interno da carne suína em Patos de Minas, que sejam capazes de orientar as decisões de investimento e produção, mostrando as principais tendências e exigências do mercado. 3 – Objetivos Este trabalho objetivou analisar o consumo de carne suína em Patos de Minas, identificando os principais entraves ao consumo interno da carne suína. Especificamente, pretende-se: a) Identificar os fatores que condicionam o consumo de carne suína em Patos de Minas, bem como de seus substitutos; e b) Analisar as estratégias que vêm sendo ou poderiam estar sendo adotadas para a ampliação do consumo em Patos de Minas. 3 4 - Metodologia 4.1 - Referencial Teórico Elementos da Teoria do Consumidor 3 O estudo da demanda fundamenta-se no comportamento dos consumidores e, portanto, a teoria do consumidor deve direcionar a elaboração e interpretação de pesquisas de mercado. Além disso, essa teoria fornece métodos para se comparar à eficácia de diferentes políticas de incentivo ao consumidor. A demanda interna do produto ou serviço de um determinado produto determina a direção e o caráter de melhoria e inovação das indústrias e setores a ele ligados. Sendo assim, três atributos gerais da demanda são significativos: a composição, que determina a maneira pela qual as empresas percebem, interpretam e reagem às necessidades do comprador; o tamanho e padrão de crescimento; e os mecanismos pelos quais a preferência interna é transmitida aos mercados externos. O conhecimento da demanda interna influencia, portanto, os setores ou indústrias na medida em que disponibiliza um panorama mais claro e antecipado das necessidades do comprador do que o quadro de que dispõem as empresas rivais. O setor também se desenvolve mais se os compradores internos pressionam as empresas a inovar mais depressa e a obter vantagens competitivas mais sofisticadas, em comparação com rivais. No que diz respeito ao tamanho da demanda interna, é importante ressaltar que esta variável possui papel complexo no alcance dos objetivos de um segmento de mercado. Um mercado interno de grandes proporções pode gerar ganhos de escala ao estimular as empresas de um setor a investir em grandes instalações, desenvolvimento de tecnologia e melhoramentos produtivos. A existência de vários compradores, cada qual com suas próprias idéias sobre as necessidades de consumo, propicia um interesse maior em buscar e expandir informações do mercado, motivando o crescimento e aprimoramento da produção. 4.2 - Referencial analítico O modelo analítico tem como base a operacionalização (por meio de questionários) do modelo teórico apresentado anteriormente. Assim, como uma primeira fase do trabalho, foi feita uma pesquisa sobre as principais características do consumo regional de carne suína, a partir consultas aos livros, à internet, à revistas especializadas e bem como teses de mestrado e, ou, doutorado. Feito isso, passou-se a analisar os resultados obtidos com a realização de entrevistas, a partir de um processo de amostragem aleatória. Conforme já mencionado, a área de abrangência do estudo foi o município de Patos de Minas e foram selecionados os principais pontos de venda de carne suína (açougues e supermercados), nos quais foram aplicados questionários aos proprietários bem como aos consumidores finais da carne suína e substitutos. 3 Este tópico baseia-se em HALL e LIBERMAN (2003) 4 Dentre as variáveis relevantes para o dimensionamento dos problemas relacionados ao consumo da carne suína em Patos de Minas, foram avaliadas: o preço - é uma variável de grande relevância pois, normalmente, o consumidor está mais disposto a consumir a preços mais baixos; o preço de outras mercadorias - diante de preços mais altos, os consumidores buscam alternativas ao comparar os preços de outras mercadorias (complementares ou substitutas); a renda - a carne, sendo um bem normal, tem a sua quantidade demanda elevada/reduzida dado um aumento/queda na renda do consumidor; e os gostos e preferências dos consumidores - neste estudo, essas variáveis serão fundamentais para o conhecimento do perfil do consumidor de carne suína em Patos de Minas. Foram abordadas questões como a qualidade da carne suína, seu uso, insatisfações e satisfações, dentre outras. 4.2.1. População e amostragem A população, neste estudo, é composta de consumidores de carne suína no município de Patos de Minas, o que se traduz no conjunto de consumidores finais do produto, açougues e supermercados. Utilizou-se, para fins de cálculo do número mínimo de entrevistas a serem realizadas, a seguinte equação, com nível de confiança de 93% e tolerância de erro amostral de 7% para população. Z 2 pqN n= 2 d ( N − 1) + Z 2 pq em que N representa o tamanho da população; Z é a abscissa da curva normal padrão (93% = 1,645); p é a estimativa da verdadeira proporção de um dos níveis da variável escolhida (no caso, p = q = 0,7); e d é o erro amostral admitido. Foram, portanto, realizadas 134 entrevistas com consumidores finais, e 41 entrevistas com proprietários e, ou, gerentes dos supermercados e das casas de carne. As entrevistas foram realizadas durante os meses de julho e agosto de 2003, em dias e horários alternados, buscando reduzir os vieses nas informações coletadas. [ ( ) ] 5. Resultados e Discussão 5.1 Fatores que condicionam o consumo da carne suína e seus substitutos O consumo total de carne suína, na cidade de Patos de Minas, representou 21,81% do consumo de carne dos consumidores finais entrevistados. Especificamente, dos 134 consumidores entrevistados 15,5% consumiram na forma in natura e 5,6% em forma de embutidos. A maioria dos consumidores, 43,9%, consome carne suína in natura apenas uma vez por semana e 35,7% declararam consumir duas vezes por semana. No que diz respeito aos embutidos o consumo uma vez por semana foi de 65,7% e duas vezes por semana foi de 22,9%. Apesar desse baixo consumo, a preferência pelo sabor da carne suína foi maior que a de frango, 20% e 12,7%, respectivamente. 5 Observou-se que o consumo da carne suína é afetado expressivamente por datas específicas no ano. Nesse sentido 92,7% dos consumidores entrevistados declararam ampliar seu consumo nas festas de fim de ano. Esse fato acaba por gerar efeitos encadeados via aumento de preços e na renda dos suinocultores. Para o consumidor do município de Patos de Minas, a carne bovina é a melhor substituta da carne suína, o que representou 60,4% das respostas, seguido pela carne de frango, com 31,3%. Este resultado contrasta com a observação de que os consumidores acreditam que a carne de frango é ainda mais barata que a bovina, sendo, portanto, o sabor e a tradição definitivas para os resultados encontrados. Vale destacar que o consumo da carne suína em Patos de Minas está concentrado em intervalos de renda maiores, como o intervalo de R$437,00 a R$1064,00 mensais, que representam 60% do consumo dessa carne in natura (Tabela 4). Tabela 4: Consumo de carne suína por faixas de renda familiar, para o município de Patos de Minas – MG Faixas de renda familiar Consumo (%) Até R$ 262,00 5,5 R$ 497,00 até R$ 1064,00 38,3 R$ 1065,00 até R$ 2943,00 29,7 R$ 263,00 até R$ 496,00 16,4 Acima de R$ 2944,00 10,2 Total 100,0 Fonte: Resultados da Pesquisa Do ponto de vista das casas de carne, o preço da compra do suíno é determinante na colocação da venda ou não desse produto, conforme declaração de 39% dos gerentes ou proprietários das casas de carne entrevistadas. 5.2 Fatores que condicionam a expansão do consumo Pela pesquisa realizada verifica-se que a percepção do consumidor, bem como das casas de carne e supermercados, de que o preço da carne suína é menor do que a bovina, pode ser considerado como um fator a ser explorado e de potencial de ampliação do consumo. Assim, foi constado que, mais que o preço, o sabor e a tradição e a falta de informação sobre os benefícios da carne suína são decisivos para a ampliação do consumo. Dos entrevistados, 70,3% se declaram dispostos a aumentar o consumo da carne suína caso ela fosse mais saudável. Os médicos e nutricionistas foram apontados por cerca de 75% dos entrevistados como os principais agentes formadores de opinião e, caso fosse indicado por esses profissionais, estariam dispostos a alterar seus hábitos de consumo. Nesse sentido, quando indagados sobre o conhecimento dos cortes nobres do suíno, como a picanha, por exemplo, 50% dos consumidores declarou conhecer e quanto ao conhecimento do manejo e alimentação dos 6 suínos, 62,7% dos consumidores entrevistados, tem conhecimento de que é feita via ração balanceada. Na variável sabor notou-se uma particularidade de Patos de Minas sobre as opiniões nacional e mundial, em que a carne suína está em primeiro lugar, sendo que 50,4% dos patenses preferem a carne bovina, 21,3% preferem a carne suína, 14,2% preferem peixes, 13,4% preferem frango e 0,8% preferem outras carnes. Segundo a Associação dos Comerciantes de Carnes de Patos de Minas ACCP, isto ocorre porque devido à produção suinícola do município, há um número grande de descarte de matrizes (as mães dos cevados industriais) que não são adequadas para o consumo in natura, pois possuem nutrição e manejos direcionados à reprodução o que não proporcionam uma carne de boa qualidade. E essa diferença entre o que é cevado e o que é matriz não é conhecida por 37,7% dos consumidores. No abatedouro que abastece as casas de carnes da cidade são abatidos aproximadamente 80 suínos por dia, sendo que 60 são cevados e 20 são matrizes, porém os cevados têm um peso vivo médio de 90 kg e as matrizes de 250 kg. Sendo que 17,5% dos comerciantes não se preocupam com a origem dos seus animais e 35,4% dos consumidores não se preocupam com a origem da carne, e destes somente 50% exigem no momento da compra. No Brasil, os esforços da ABCS através de campanhas de marketing promovendo a qualidade da carne suína e estimulando o consumo, tem obtido um aumento no consumo per capita/ano em torno de 7,88%. No mundo a taxa de crescimento anual é de 2,5%. A colocação de cortes em embalagens adequadas, com uma oferta constante e preços acessíveis é uma das opções para o aumento do consumo da carne suína. (ABCS, 2004) Apesar das campanhas da ABCS a nível Brasil, apenas 32,6% dos consumidores patenses disseram ter sido atingindo por alguma campanha, sendo que 9,8% dos comerciantes, que podem ser disseminadores das qualidades da carne suína, dizem desconhecê-las, e dos que conhecem 18,4% não as divulgam. Mas nota-se uma disposição de 90,2% dos comerciantes em fazer promoções conjuntas com os suinocultores a fim de divulgá-la Estas campanhas tornam-se necessárias, pois os 92,3% dos consumidores acham as outras carnes mais saudáveis que a suína e, 27,4% deles ainda pensam que os suínos consomem restos de comida. E o fator imagem de “saudável” da carne, mais que as outras variáveis influencia no consumo, pois 70,3% dos consumidores dizem que consumiriam mais se ela fosse mais saudável que a bovina e a de frango, fato que ocorre com vários cortes. 6 - Conclusões A partir da análise de variáveis determinantes da demanda de carne suína, pode-se inferir que, para o município de Patos de Minas, o consumo de carne suína é ainda muito baixo, em virtude, principalmente, do preconceito existente pela carne. Ainda que o preço desta seja mais baixo que a de seu principal substituto, a carne bovina, a rejeição ao consumo está estreitamente relacionado à não indicação, por parte de médicos e nutricionistas, do 7 consumo da carne suína. A falta de informações sobre a realização do abate e processamento da carne, assim como dúvidas relacionadas à origem desta, é um dos fatores que foram apontados como inibidores da ampliação do consumo. O grande potencial de crescimento do consumo da carne suína em Patos de Minas está relacionado ao fato de ser esta região um pólo produtivo mas como fica claro com os resultados dessa pesquisa, tal expansão de consumo está vinculada a investimentos em marketing e propaganda, buscando a reversão da imagem negativa, associada à carne suína. Nesse sentido, os proprietários e gerentes de casas de carne e supermercados mostraram-se, quase em sua totalidade, dispostos a participar de campanhas buscando desmistificar o consumo da carne suína. 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