Luiz Gustavo Lobo
IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO ABC NO
PLANEJAMENTO E CONTROLE DE ESTOQUES COMO VANTAGEM
COMPETITIVA: UM ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA DO
SEGMENTO DE FITAS DE CETIM.
Centro Universitário Salesiano de São Paulo
Americana
2008
Luiz Gustavo Lobo
IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO ABC NO
PLANEJAMENTO E CONTROLE DE ESTOQUES COMO VANTAGEM
COMPETITIVA: UM ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA DO
SEGMENTO DE FITAS DE CETIM.
Projeto de Pesquisa elaborado para
apresentação no programa de Bolsa de
Iniciação Científica – BicSal – do Centro
UNISAL de Americana, sob orientação do
Prof. Dr. Moacir Pereira.
Centro Universitário Salesiano de São Paulo
Americana
2008
AGRADECIMENTOS
Agradeço, primeiramente, a DEUS, que me possibilitou realizar esta obra.
A minha família, minha namorada e seus familiares. Sem a colaboração, o apoio e o
incentivo de cada um seria impossível a realização deste trabalho.
A todos os professores que contribuíram para o meu enriquecimento cultural ao longo
desses quatro anos de graduação.
Em especial ao meu orientador Profº Dr. Moacir Pereira, pelo apoio, conversas e
discussões no processo de elaboração desta monografia, que compartilhou parte da sua
sabedoria, conduzindo o trabalho de maneira firme, porém amiga, deixando uma
contribuição extremamente importante e positiva nesta fase da minha vida acadêmica.
Aos colegas de sala e a todos que, direta ou indiretamente, colaboraram para a conclusão
deste trabalho.
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO......................................................................................................4
2
PROPOSTA............................................................................................................5
3
RETRATO DA ORGANIZAÇÃO..........................................................................7
3.1
Dados Gerais ..........................................................................................................7
3.2
Histórico .................................................................................................................7
3.3
Negócio ..................................................................................................................9
3.4
Missão ....................................................................................................................9
3.5
Princípios................................................................................................................9
3.6
Visão ....................................................................................................................10
4
O SETOR TEXTIL: MERCADO, DEMANDA E OFERTA.................................11
4.1
Variável Econômica..............................................................................................12
5
ADMINISTRAÇÃO DE ESTOQUES ..................................................................15
6
CLASSIFICAÇÃO DOS ESTOQUES..................................................................17
7
RELEVÂNCIA DO TEMA ..................................................................................18
8
SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO ABC...............................................................19
9
RESULTADO DA PESQUISA.............................................................................21
10
CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................23
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA................................................................................24
4
1
INTRODUÇÃO
É evidente, hoje em dia, a busca das organizações pela melhoria na qualidade de seus
produtos, a eficiência e eficácia de seus processos e a sustentabilidade do meio o qual
está inserida.
Vivemos num mundo globalizado, buscamos constantemente otimizar processos,
reduzir despesas, fazer parcerias, diminuir níveis de estoques, e entre outras tantas
coisas atender e fidelizar o nosso cliente. A globalização nos exige rapidez e
dinamismo.
Para que seja possível alcançar os objetivos pretendidos e em especial a fidelização de
nossos clientes, é preciso respeitá-lo, tê-lo como parceiro, ser justo e ético; mas
principalmente é preciso atendê-lo.
Pretende-se, ao longo deste trabalho, demonstrar como foi possível melhorar o processo
produtivo de uma empresa do segmento têxtil, fabricante de fitas de cetim, com a
implantação do Sistema de Classificação ABC no planejamento e controle de estoque.
O leitor poderá desfrutar dos conceitos mostrados durante o trabalho e também o passoa-passo do desenvolvimento do projeto. Da escolha do tema à implantação e benefícios
obtidos através do projeto. Poderá acompanhar como o sistema ABC ajudou a
organização a melhorar o tempo de fabricação e entrega de seu produto e
consequentemente a fidelização de seus clientes.
5
2
PROPOSTA
Atualmente, os produtos e serviços prestados pelas organizações tendem a se tornar
semelhantes. As empresas, para alcançar uma “fatia” maior de mercado, terão que
buscar diferenciais para sobreviver em um mundo competitivo.
Dentre as inúmeras possibilidades de pesquisa, o presente projeto tem por finalidade
identificar falhas no planejamento e controle de estoques por meio da elaboração de
uma análise de estoque baseada no Sistema de Classificação ABC. Com a observação
do cotidiano da empresa de pequeno porte do segmento de fitas de cetim, será possível
diagnosticar a atual forma de planejamento e controle de estoque analisando-o com as
ferramentas apontadas na literatura para que, na comprovação das falhas, seja elaborado
um plano de ação simples e eficaz de como deve ser realizado o planejamento e controle
de estoque por meio do Sistema de Classificação ABC, objetivando vantagem
competitiva no mercado para a empresa.
Para conquistar os clientes e fidelizá-los, já que há várias opções de compra, a empresa
necessita encontrar algum diferencial para que os clientes se sintam satisfeitos e tornemse fiéis à empresa.
Ser mais rápido que os concorrentes. Esse diferencial está diretamente ligado ao tempo
de entrega do produto ao cliente e receber o que foi solicitado no menor tempo de
espera é um dos exemplos de diferencial que os clientes buscam. Para isso, o Sistema de
Classificação ABC determina a importância dos itens do estoque permitindo assim
diferentes níveis de controle baseados na importância relativa dos itens e
conseqüentemente uma maior eficiência na administração da demanda.
6
Nesta perspectiva, define-se como tema: Implantação do Sistema de Classificação ABC
no planejamento e controle de estoques como vantagem competitiva: um estudo de caso
em uma empresa do segmento de fitas de cetim.
A elaboração do projeto de pesquisa analisará a atual forma de planejamento e controle
de estoque da empresa focada pelo projeto.
Objetiva-se com isso propor a adoção do Sistema de Classificação ABC visando
eliminar possíveis falhas de planejamento e controle de estoques, no sentido de
proporcionar entrega rápida de produto acabado ao cliente. Acredita-se que será
possível maior agilidade em produção e entrega de produtos gerando fidelização dos
clientes.
7
3
RETRATO DA ORGANIZAÇÃO
Aborda-se neste tópico a organização em que o trabalho foi desenvolvido; sua história e
sua cultura através do estudo do Negócio, Missão, Princípios e Visão da organização.
Espera-se com isso levar ao leitor uma abordagem completa e um melhor entendimento
da importância do trabalho desenvolvido.
3.1
Dados Gerais
Razão Social: Peruchi Indústria Têxtil Ltda EPP.
CNPJ: 55.412.407/0001-18
Endereço: Rua José Nicolau Lux, 412 – Parque Industrial Cillo – Cep: 13457-162.
Telefone: (19) 3461.6144 / 3405-6353
E-mail: [email protected]
Capacidade Instalada: 9 milhões metros/ano.
Setor de atividade: Secundário (Indústria).
Área de atuação: Fabricação de outros artigos têxteis – exceto vestuário.
Tipos de Produtos: Artigos têxteis (fitas e cadarços têxteis).
3.2 Histórico
A Peruchi Indústria Têxtil Ltda EPP, a qual, no decorrer da apresentação deste projeto
será denominada Peruchi, é uma empresa têxtil, que tem como atividade principal a
fabricação de fitas de cetim para o comércio atacadista.
Em 1986, David Peruchi funda a Peruchi Mecânica LTDA, prestadora de serviços para
empresas têxteis. Dois anos após sua fundação, a empresa muda o foco de seu negócio e
8
com dois teares de braço adaptados, passa a fabricar fitas para colchão, em pequenas
quantidades somente para cidade de Americana. Com a pequena margem de lucro
obtida, novos investimentos foram realizados possibilitando a compra de três novos
teares, aumento da produção e conquista de novos clientes.
No final da década de 80, a rescisão do contrato com seu maior comprador, devido a
forte concorrência, juntamente com a desaceleração da economia e a falta de capital,
acarretaram numa séria crise que marcou o início dos anos 90.
Vendo a necessidade de obter recursos, David Peruchi deixou a empresa a cargo da sua
esposa e sócia Aparecida Peruchi, que distribuía seu tempo entre cuidar da empresa e de
quatro filhos, e voltou a trabalhar como gerente industrial em outra empresa da região.
A tática surtiu efeito e com o capital adquirido, a empresa se reestruturou e começou a
diversificar seus produtos, conquistando o mercado regional.
Em 1996, as importações de tecidos caíram cerca de 30% em relação ao ano anterior.
Nesse mesmo ano, controlou-se a tendência de aumento das importações devido
algumas medidas adotadas pelo governo federal, que elevou as alíquotas de importação
de 18% para 70%, vigorando até 27 de abril de 1996.
Mesmo com o curto período de vigência, as medidas provocaram uma significativa
redução nas importações.
Apesar da política econômica vigente neste período, entre 1996 e 1997, os
investimentos da Peruchi cresceram substancialmente, por meio da aquisição de
equipamentos importados, com significativas melhorias começa a produção de fitas de
cetim, alavancando a produção.
Com o aumento da demanda, em 1999, a empresa muda para sua localização atual,
aumentando sua produção e quadro de funcionários.
9
No ano de 2004 a empresa fez a aquisição de seu próprio terreno e em 2009 a Peruchi
iniciará o ano na sua nova sede projetando maior capacidade instalada, melhores
condições de trabalho, investimento, crescimento e desenvolvimento sustentável.
3.3 Negócio
Segundo Vasconcellos (2001, p.37) “negócio é entendimento do principal benefício
esperado pelo cliente”.
O negócio da Peruchi é: “Soluções inovadoras com beleza e estilo”.
3.4 Missão
“A missão de uma empresa significa a razão de sua existência, é a finalidade ou o
motivo pelo qual a empresa foi criada e para que ela deve servir”. (VASCONCELLOS,
2001 p.52).
Tudo que vem à existência tem um objetivo. No caso de uma empresa ela existe e
prospera graças à colaboração e ao compromisso de pessoas e de outras organizações.
“Satisfazer com excelência as expectativas de nossos clientes, aliando sempre
qualidade, criatividade, eficiência e ética”. Essa é a missão da Peruchi.
3.5 Princípios
Segundo Vasconcellos (2001, p. 139) “princípios são os balizamentos para o processo
decisório e comportamento da empresa no cumprimento da sua missão”.
Os princípios da Peruchi são:
Ética
10
Amor
Profissionalismo
Diálogo
Dedicação
Organização
Verdade
3.6 Visão
Enxergar além do óbvio é uma capacidade fundamental no mundo moderno, isto é
especialmente importante quando se trata de desbravar novos caminhos. A evolução
diária exige que estejamos atentos às mais diversas formas de mudanças, sejam elas
estratégicas, sociais ou políticas. O mais importante é tomar rapidamente a melhor
decisão possível, seja qual for o caso.
“Ser reconhecida pela qualidade de seus produtos pregando sempre a transparência em
suas relações”. Essa é a visão da Peruchi.
11
4
O SETOR TEXTIL: MERCADO, DEMANDA E OFERTA
O mercado de fitas de cetim é muito competitivo no âmbito nacional, porém o que mais
preocupa os empresários do setor têxtil hoje é a concorrência desleal dos produtos
asiáticos, especialmente os produtos chineses.
Os produtos chineses são fortemente subsidiados, além de possuírem um valor agregado
muito baixo, entre outros fatores, o que facilita sua entrada no mercado nacional. Seus
preços são praticamente imbatíveis tendo, no entanto, uma qualidade inferior aos
produtos nacionais.
O interessante é que entre uma fita de custo alto e de boa qualidade oferecida por seus
principais concorrentes e uma fita de custo extremamente baixo e de péssima qualidade
oriunda da China, o mercado começa a aderir a uma fita de custo “médio” e de boa
qualidade, produzida pela Peruchi. Tal cenário demonstra que a empresa consegue
manter sua demanda inelástica, afinal, uma variação no preço provocaria uma variação
menor na quantidade demandada.
“Demanda (ou procura) é a quantidade de um bem ou serviço que um consumidor
deseja e está disposto a adquirir por determinado preço e em determinado momento”
(SANDRONI, 1994, p.89).
“Oferta é a quantidade de bem ou serviço que se produz e se oferece no mercado, por
determinado preço e em determinado período de tempo”. (SANDRONI, 1994, p.244).
A demanda e a oferta das fitas de cetim da empresa em estudo são realizadas por meio
do contato entre os clientes e a empresa, através do escritório administrativo interno,
onde:
12
1) os clientes enviam pedidos de compras, geralmente mensal, de produtos já
desenvolvidos e aprovados, dando a possibilidade da Peruchi elaborar uma previsão de
fabricação (caso não tenha em estoque) e entrega da fita.
2) Em geral esses pedidos são enviados dentro de 15 dias a contar da data do pedido.
3) A média para pagamento é de 45 a 60 dias
Como a venda é feita somente pela programação dos clientes, o estoque chega ao seu
máximo com um mês de produção.
4.1
Variável Econômica
O principal indicador da atividade econômica é o Produto Interno Bruto - PIB.
O mesmo
sintetiza o
resultado
final da atividade produtiva, expressando
monetariamente a produção, sem duplicações, de bens e serviços produzidos no país.
Sua taxa de crescimento é obtida pela comparação entre tudo o que se produziu em um
ano com o total do ano anterior.
No gráfico e tabela 1 é evidenciada a variação percentual do PIB Real, PIB Setorial e a
variação percentual do faturamento da empresa, no período de 2001 a 2005.
Tabela 1 – Análise de Conjuntura Econômica (%)
Crescimento / Ano Peruchi
Têxtil
PIB
2001
25,49
-5,32
-0,50
2002
1,10
0,30
2,57
2003
14,76
-4,58
0,07
2004
22,07
8,00
6,18
2005
18,64
1,65
2,52
Fonte: Dados do PIB, Setor – Conjuntura Econômica e Empresa – dados modificados proporcionalmente.
13
ANÁLISE DE CONJUNTURA ECONÔMICA (%)
PERÍODO 2001 A 2005
30
25
25,49
22,07
20
18,64
15
14,76
10
8
5
2,57
-0,5
0
-5
-10
0,07
2,52
6,18
1,1
1,65
0,3
-5,32
2001
-4,58
2002
Fitas Peruchi
2003
PIB do Setor
2004
2005
PIB Nacional
Fonte: Dados do PIB, Setor – Conjuntura Econômica (2006) e Empresa – dados modificados
proporcionalmente.
Nota-se que na transição do ano de 2001 para 2002, houve grande queda na variação do
crescimento da empresa, passando de 25,49% a 1,10%, devido à inadimplência de
alguns clientes, tornou-se inviável continuar com a produção de fitas de colchão em
grande escala, trazendo como conseqüência a desaceleração do crescimento.
De 2002 para 2003, houve queda no PIB Nacional e Setorial, porém a empresa
continuou com um crescimento elevado. Tal fato é evidenciado devido à invasão de
novos entrantes observados no país, em especial os produtos chineses, que ofereceram
produtos de baixa qualidade e preços atrativos. Nesse contexto a Peruchi consegue se
estabelecer no mercado através da produção de fitas de cetim com custo médio e alta
qualidade.
Nos anos posteriores, a empresa segue a tendência mantendo o crescimento acima da
média do PIB setorial e nacional.
14
A empresa faz parte de uma estrutura de mercado onde predomina a concorrência
imperfeita e uma competição com o objetivo de ganhar market share1 muito acirrada.
Concorrência Imperfeita: Situação de Mercado entre a concorrência perfeita e
o monopólio absoluto – e que, na prática, corresponde à grande maioria das
situações reais. Caracteriza-se, sobretudo pela possibilidade de os vendedores
influenciarem a demanda e os preços por vários meios (diferenciação de
produtos, publicidade, dumping etc.). (SANDRONI, 1994, p.67)
1
Market Share: fatia de mercado detida por uma organização.
15
5
ADMINISTRAÇÃO DE ESTOQUES
Para se obter o máximo valor dos recursos, devem-se projetar processos produtivos que
tornem os produtos eficientes ao máximo.
É necessário administrar suas operações, isso significa planejar e controlar os recursos
utilizados no processo (trabalho, capital e material) para produzir bens de maneira mais
econômica.
Se o material exato não estiver disponível no tempo exato, o processo não poderá render
o que deveria. Trabalho e maquinário seriam mal utilizados e consequentemente a
lucratividade e a existência da empresa seriam ameaçadas.
Segundo Arnold (1999), os estoques podem ser de materiais e suprimentos que uma
empresa ou instituição mantém, seja para venda ou para o processo de produção. Todas
as empresas ou instituições precisam manter estoques. Freqüentemente, os estoques
constituem uma parte substancial dos ativos totais.
Em termos financeiros, os estoques são importantes para as empresas de manufatura. No
Balanço patrimonial, eles representam de 20% a 60% dos ativos totais. À medida que os
estoques vão sendo utilizados, seu valor se converte em dinheiro, o que melhora o fluxo
de caixa e o retorno sobre o investimento.
A administração de estoque é responsável pelo planejamento e controle de estoque,
desde o estágio de matéria-prima até o produto acabado entregue aos clientes.
Um dos objetivos dos estoques é minimizar custos e maximizar o atendimento aos
clientes. Para se atingir estes objetivos, as operações de depósitos devem ser eficientes e
desempenhar as seguintes tarefas:
1.
Oferecer atendimento pontual aos clientes;
16
2.
Manter um controle dos itens, de modo que eles possam ser encontrados
pronta e corretamente;
3.
Minimizar o esforço físico total e, conseqüentemente, o custo de
transporte para dentro e fora do depósito;
4.
Fornecer elos de comunicação com os clientes.
17
6
CLASSIFICAÇÃO DOS ESTOQUES
Moreira (2003) apud Pereira (2008), define o estoque em razão de duas funções
principais: garantir o suprimento dos materiais necessários à produção ou prestação de
serviços e funcionar como um amortecedor que garanta as oscilações entre produção e
demanda.
Existem vários tipos de estoque, quando tratamos de contabilidade, administração de
empresas, indústrias, engenharia de produção ou de sua produção.
Do ponto de vista do processo produtivo, os mais relevantes são:
Estoque de matéria-prima: São itens comprados e recebidos que ainda não entraram
no processo de produção.
Estoque de produto em processo: Matérias-primas que já entraram no processo de
produção e estão em operação ou aguardando para entrar em operação.
Estoque de produto acabado: É o estoque composto pelo produto que teve o seu
processo de fabricação finalizado. São produtos que estão destinados a serem vendidos,
fornecidos, ou alugados.
Estoque de segurança ou mínimo: São as quantidades guardadas para garantir o
andamento do processo produtivo caso ocorram aumento na demanda do item por parte
do processo ou atraso no abastecimento futuro.
18
7
RELEVÂNCIA DO TEMA
A boa administração dos estoques é de vital importância para a saúde financeira das
empresas, uma vez que grande parte do capital das empresas estão nos materiais
envolvidos na produção. Assim, reduções no montante estocado se traduz na liberação
de grande volume do capital necessário ao andamento do negócio como um todo. É
justamente neste ponto que se torna importante a utilização do Sistema de Classificação
ABC evidenciado no próximo tópico.
A utilização do sistema poderá auxiliar no planejamento da produção; abaixar o nível de
estoque e melhorar o lead time de entrega. Do ponto de vista do fornecedor, esse é o
tempo que decorre desde o recebimento de uma encomenda até a entrega do produto.
Da perspectiva do cliente, pode incluir o tempo também da preparação e a transmissão
da encomenda. Os clientes esperam que o lead time de entrega seja tão curto quanto
possível e a produção deve projetar uma estratégia que dê conta disso.
O objetivo é tornar possível entregar o que os clientes querem, quando e onde eles
querem e fazê-lo a um custo mínimo.
19
8
SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO ABC
Qual é a importância do item do estoque? Como os itens são controlados? Segundo
Arnold (1999), o Sistema de Classificação ABC de estoques responde à estas perguntas
determinando a importância relativa dos itens permitindo assim diferentes níveis de
controle baseados na importância relativa dos itens. Como a maioria das empresas
mantém um grande número de itens em estoque se faz útil e necessário classificar estes
itens de acordo com sua importância para se ter um controle melhor a um custo
razoável. Geralmente, essa classificação se baseia em valores monetários, mas outros
critérios podem ser utilizados.
O princípio ABC baseia-se na observação de que um pequeno número de itens
freqüentemente domina uma grande fatia dos resultados monetários.
Para Slack et al. (1997) qualquer estoque que contenha mais de um item sempre terá
itens mais importantes para a organização do que outros. Pode-se ter itens com alta taxa
de uso, de modo que, se faltassem, muitos consumidores ficariam desapontados. Outros
itens podem ter valores particularmente altos, de modo que níveis de estoque excessivos
seria muito caro.
De acordo com Dias (2005) o Sistema de Classificação ABC é um importante
instrumento para o administrador pois permite identificar quais itens justificam atenção
e tratamento adequado quanto à sua administração. Dias argumenta que o sistema tem
sido usado pela a administração de estoques, para a definição de políticas de vendas,
para o estabelecimento de prioridades, para a programação da produção e uma série de
outros problemas usuais nas empresas.
20
Para distinguir diferentes valores ou significâncias relacionadas aos tipos de estoque, o
Sistema de Classificação ABC usa a lei de Pareto2 ou algumas vezes chamada de regra
80/20. É chamada assim porque tipicamente em torno de 80% do valor do estoque de
uma operação são responsáveis por somente 20% de todos os tipos de itens estocados.
Geralmente observa-se que a relação entre a porcentagem de itens e a porcentagem da
utilização anual em valores monetários segue o seguinte padrão:
a. Cerca de 20% dos itens correspondem a aproximadamente 80% da utilização
em valores monetários
b. Cerca de 30% dos itens correspondem a aproximadamente 15% da utilização
em valores monetários
c. Cerca de 50% dos itens correspondem a aproximadamente 5% da utilização
em valores monetários
É importante ressaltar que os percentuais são aproximados não devendo ser tomados
como absolutas.
2
Pareto: Vilfredo Pareto foi um economista italiano que fez esta observação pela primeira vez.
21
9
RESULTADO DA PESQUISA
Inicialmente, elaborou-se um levantamento de dados sobre a demanda de fitas de cetim.
Posteriormente, montou-se a classificação ABC com base nos valores vendidos durante
o primeiro semestre de 2008.
Junto com a diretoria da empresa, definiram-se os seguintes parâmetros de classificação:
Para itens A = 75% do valor total obtido;
Para itens B = 20% do valor total obtido e,
Para itens C = 5% do valor total obtido.
Por uma questão estratégica, a empresa não autorizou a divulgação total dos dados da
pesquisa.
Deve-se esclarecer que os valores demonstrados a seguir foram modificados
proporcionalmente por uma questão de confidencialidade solicitada pela direção da
organização.
Atualmente, a Peruchi produz 59 cores de fitas de cetim, divididas em 15 tipos
diferentes entre largura e tamanho; no total são 885 itens.
Dessa forma verificou-se que as 16 primeiras cores equivalem a R$ 6.253,74 (item A), e
as próximas 25 cores equivalem a R$ 1.720,80 (item B).
Com os resultados e informações obtidas através do levantamento de dados, algumas
medidas já foram tomadas pela direção da empresa.
O programa de produção da Peruchi passa a se basear também na classificação ABC,
intensificando a atenção e aperfeiçoando o planejamento nos produtos item A e B.
Pela análise feita com a direção da empresa, estima-se reduzir inicialmente 15% dos
estoques de item C.
22
A empresa passou
a acompanhar
mensalmente as
vendas de cada
fita;
consequentemente, através da classificação ABC e da previsão média mensal de vendas
acredita-se atingir o objetivo proposto pelo trabalho que é o de obter acurácia em seus
níveis de estoque e por conseqüência produzir com excelência, tendo como resultado,
entregar o que o cliente quer, onde ele quer e faze-lo a um custo mínimo.
23
10 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tal projeto procurou demonstrar a importância do uso do Sistema de Classificação ABC
para um melhor planejamento e controle de estoque na Indústria Têxtil fabricante de
fitas. Embora a implantação ainda esteja no início, já foi possível deslumbrar algumas
melhorias que o sistema poderá trazer à organização.
O cenário atual enfrenta constantes mudanças, e temos que estar preparados para
acompanhá-las. Entregar mais rápido que o concorrente é um grande diferencial
competitivo, e o sistema ABC vem auxiliar este diferencial.
No decorrer do trabalho o leitor pôde compreender melhor a relevância do tema
abordado, o cenário têxtil, a organização estudada e muitos conceitos de estoque.
Também foi possível verificar que o Sistema de Classificação ABC pode ser utilizado
por qualquer empresa e/ou organização que trabalha com estoque.
Espera-se com este trabalho:
•
Diminuir os níveis de estoque dentro da organização;
•
Melhorar tempo de entrega do produto;
•
Melhorar o planejamento e controle da produção;
•
Atender o cliente de imediato.
Foi possível ter uma melhor visão da empresa, seus departamentos, sua linha de
produção, suas instalações e sua visão perante o mercado.
Uma análise correta da empresa, considerando fatores como fornecedores, concorrentes
e clientes, pode ajudar a entender as dificuldades e conseguir superá-las, para que a
mesma consiga atingir um crescimento sustentável e consistente.
24
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ARNOLD, J. R. Tony. Administração de Materiais. São Paulo: Atlas, 1999.
DIAS, M. A. P. Administração de Materiais: Princípios, Conceitos e Gestão. 5ª ed.
São Paulo: Atlas, 2005.
NEVES, Silvério das; VICENCONTI, Paulo E. V. Introdução à Economia. 4ª ed. São
Paulo: Frase Ltda, 2000.
PEREIRA, Moacir. Logística Hospitalar: reposição contínua de medicamentos na
farmácia. Piracicaba: Moinho Editorial, 2008.
PORTER, Michael E. Vantagem Competitiva: criando e sustentando um desempenho
superior. 17ª ed. São Paulo: Campos, 1989.
ROESCH, Sylvia Maria Azevedo. Projetos de estágio do curso de administração: guia
para pesquisas, projetos, estágios e trabalho e conclusão de curso. São Paulo: Atlas,
1996.
ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à Economia. 18ª ed. São Paulo: Atlas S/A,
2000.
SANDRONI, Paulo. Dicionário de Economia. 3ª ed. São Paulo: Best Seller, 1994.
SLACK, N.; CHAMBERS, S.; HARLAND, C.; HARRISON, A.; JOHNSTON, R.;
Administração da Produção. São Paulo: Altas, 1997.
VASCONCELLOS, Paulo Filho; PAGNONCELLI, Dernizo de. Construindo
Estratégias para Competir no Século XXI. 3ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 2001.
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