Métodos de Avaliação do Gasto Energético Profa. Dra. Josefina Bressan Departamento de Nutrição e Saúde Universidade Federal de Viçosa METABOLISMO ENERGÉTICO EM OBESIDADE Profa. Dra. Josefina Bressan Departamento de Nutrição e Saúde Universidade Federal de Viçosa OBJETIVOS - Apresentar as técnicas existentes para avaliação do gasto energético (GE), com suas vantagens e limitações - Discutir as alterações no GE associadas à obesidade e suas possíveis explicações, apresentando as diferentes técnicas utilizadas nos estudos Gasto Energético Todo organismo requer energia para manutenção e realização de diversas funções vitais e orgânicas. Oxidação dos macronutrientes (Diener, 1997) Oxidação dos Nutrientes Energia química circulação atividade física temperatura impulsos nervosos respiração (SCHUTZ & DEURENBERG, 1996; IOM, 2002) Gasto Energético GASTO ENERGÉTICO: Processo de produção de energia pela combustão de substratos. (Labayen et al., 1997) Gasto energético Fonte: Dias et al. (2009) - Projeto Diretrizes – Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina. Gasto Energético Balanço Energético: Ingestão calórica – Gasto energético Manutenção, Perda ou Ganho de Peso Corporal Gasto Energético Total A energia total requerida pelo organismo (GET) é determinada pela soma de 3 componentes: Gasto Energético Basal (GEB) Termogênese Induzida pela Dieta (TID) Atividade Física (AF) (IOM, 2002) Gasto Energético Basal Energia mínima, necessária para manutenção das funções vitais. Corresponde as calorias gastas por minuto ou hora e extrapoladas para 24 horas. 60 a 70% do GET (sedentários) 50% do GET (fisicamente ativos) (Wahrlich & Anjos, 2001; Gayton, 2002; Oliveira et al., 2008) Gasto Energético Basal Estado pós-absortivo 8 horas de sono Jejum 12 a 14 h Posição de repouso (supina) Acordado Sem movimentos Ambiente com controle: temperatura, umidade (Rocha, 2001; IOM, 2002) Gasto Energético Basal No entanto sua medida requer que o indivíduo durma na unidade metabólica. Gasto energético de repouso (GER). (Rocha, 2001) Gasto Energético de Repouso Período pós-absortivo 3-10% maior GEB 30 minutos de repouso 3-5 horas de jejum (Schneider & Meyer, 2005) Fatores que Influenciam Etnia Peso Composição Corporal Idade Tabagismo Atividade Física (Diener, 1997; Klausen et al., 1997; Wahrlich & Anjos, 2001) Fatores que Influenciam Dieta Ciclo Menstrual Tempo de jejum Condições do ambiente: temperatura, ruído e umidade Fatores técnicos relacionados ao equipamento (Diener, 1997; Klausen et al., 1997; Wahrlich & Anjos, 2001) TID Energia digestão, absorção, utilização e estocagem dos nutrientes 5% a 15% do GET 0-3% lipídios, 5-10% carboidratos, proteínas e dieta mista 10% 20-30% (Tappy, 1996; Prat-Larquemin et al., 2000) FATORES RELACIONADOS COM A ENERGIA DISPONÍVEL A PARTIR DOS LIPÍDIOS, DOS CARBOIDRATOS E DAS PROTEÍNAS INGERIDAS _______________________________________________________________ Lipídios Carboidratos Proteínas DM _______________________________________________________________ Digestibilidade média (%) 95 97 91 95 Termogênese induzida pela dieta (TID) (%) 3-4 Energia usada para armazenamento (%) 3 Custo/~P(Kcal/enlace) 18,6 10-15 15-20 5 (glicogênio) <15-20 15 (triglicerídios) 17,6 22,7 6-8 6-10 19 % máximo de Kcal em ATP ~40 ~40 32-34 39 _______________________________________________________________ Fonte: Linda MC, 1988 DM: dieta mista(45%CHO, 45%lipídios, 10% proteínas) TID Dividida em duas fases: Cefálica (facultativa) Gastrointestinal (obrigatória) (Hermsdorff et al., 2003) Fatores que Influenciam a TID Hormônios Palatabilidade da dieta Atividade Física Composição corporal Composição da dieta (Weststrate, 1993; Tappy, 1996; De Jonge & Bray, 1997; Labayen & Martinez, 2002) Atividade Física Efeito térmico de qualquer atividade que exceda o GEB. Grande variabilidade inter e intraindividual. Indivíduos ativos Sedentários 1 a 2 vezes o GEB. menos que metade do GEB. (IOM, 2002; Rodrigues et al., 2008) Fatores que Influenciam - Determinação do fator de atividade física: Duração, tipo e intensidade do exercício Estilo de vida Idade EPOC (excess post exercise O2 consumption) - Elevação do dispêndio energético acima dos níveis de repouso durante a recuperação - Pode levar ao aumento de 15% do GEB REMOÇÃO DE LACTATO HORMÔNIOS ELEVADOS RESSÍNTESE DE CP NO MÚSCCULO EPOC RESTAURAÇÃO DOS ESTOQUES DE OXIGÊNIO DOS MÚSCULOS E DO SANGUE ELEVAÇÃO DA FC E FR PÓSEXERCÍCIO ELEVAÇÃO DA TEMPERATURA CORPORAL Métodos Disponíveis para determinação do GE Há muitos métodos Não há consenso sobre o mais acurado para uso individual ou populacional. Calorimetria Direta Medida da troca de calor entre o corpo e o ambiente. Equipamento altamente sofisticado e grande Permite algum grau de atividade (Schutz, 1995; Melo et al., 2008) Vantagens e Limitações Vantagem: Padrão-ouro Limitações: Requer o confinamento do indivíduo em uma câmara, hermeticamente fechada (24 horas ou mais) Alta complexidade e alto custo (Schutz, 1995; Melo et al., 2008) Calorimetria Indireta Baseado na medida do calor gasto para oxidar os nutrientes (consumo de O2 e produção de CO2) Não-invasivo, muito acurado (erro menor do que 1%) Alta reprodutibilidade (Schneider & Meyer, 2005; Marson et al., 2003) Calorimetria Indireta Padrão-ouro Estima GEB e GER Identifica qual substrato predominantemente sendo oxidado está (Schneider & Meyer, 2005; Marson et al., 2003) •Substratos participam das reações de combustão, lipogênese e gliconeogênese •A taxa de excreção de nitrogênio urinário representa o catabolismo protéico simultâneo •O organismo está em estado de equilíbrio Cálculos da TMB, QR, TID: •Volume de oxigênio inspirado (VO2) e volume de gás carbônico expirado (VCO2), ambos em mL/minuto • Composição da dieta utilizada • Excreção urinária de N2 Equações: C6H12O6 + 6 O2 6 CO2 + 6 H2O RQ = CO2 / O2 = 6 / 6 = 1 Então, QR = VCO2 / VO2 em L/Min QR - CHO = 1,0 QR - PTIN = 0,8 QR - LIP = O,7 QR - Dieta mista = 0,85 1g de proteína + 0,966 L O2 = 0,744 L CO2 + 0,45g H2O 1g de glicose + 0,746 L O2 = 0,746 L Co2 + 0,6g H2O 1g de lipídios + 2,019 L O2 = 1,427 L CO” + 1,09 H2O Equações: TMB (kcal/min.) = (16,4 x VO2) + (4,5 x VCO2) - (3,4 x N (g/min.)) / 4,18 TMB (kcal/24 horas) = TMB (kcal/min.) em jejum x tempo (min.) TID (%) total = (((GM (kcal/kg/min.) pós-prandial - GMR (kcal/kg/min.) em jejum) x tempo (min.) x 100) / kcal da dieta administrada TID (%/min.) = ETD (%) total / 1440 Calorimetria Indireta Respiratória Fórmula de Weir: Fórmula completa: GE= [3,9(VO2) +1,1 (VCO2)] Fórmula abreviada: GE= [3,9(VO2) +1,1 (VCO2)] 1,44 onde: GE= gasto energético (kcal/dia) VO2= oxigênio consumido (ml/min) VCO2= dióxido de carbono produzido (ml/min) UN= nitrogênio urinário (g/d) Cálculo do nitrogênio urinário de 24 horas (NU/24h): NU= (uréia urinária (gramas/24h)/ 2,14 (+2 a 4g) 1,44 - 2,17 (UN) Calorimetria Indireta Respiratória Calcula-se o QR (CO2/ O2). Utilização do substrato pelo organismo. Quociente respiratório não protéico (RQNP)= Volume de CO2 não protéico (VCO2NP)/ Volume de O2 não protéico (VO2NP) Oxidação de carboidratos (g/min)= VO2NP x (RQNP- 0,707) / (0,293 x 0,746) Oxidação de lipídios (g/min)= VO2NP x (1-RQNP) / (0,293 x 0,746) Oxidação de proteínas (g/min)= (N x 6,25) / 0,966 Gasto energético (Kj/min)= 16,4 VO2 + 4,5 VCO2 – 3,4 N (DIENER, 1997; LABAYEN, 1999) Calorimetria Indireta Respiratória GER: após determinação de QR e a excreção de NU 24hs (PORTER & COHEN, 1996). Quociente respiratório (QR): metabolismo dos macronutrientes QR= VCO2/VO2 Calorimetria Indireta Respiratória Carboidrato: oxidação da glicose (glicólise via aeróbica e ciclo do ácido cítrico): QR=¨6 CO2 / 6 O2= 1,0 (PORTER & COHEN, 1996). Calorimetria Indireta Respiratória Proteína: oxidação da proteína (transaminação, gliconeogênese, glicólise e ciclo do ácido cítrico): QR= 87 CO2 / 105,3 O2= 0,83 (PORTER & COHEN, 1996). Calorimetria Indireta Respiratória Lipídio: oxidação do triglicerídeo (oxidação e ciclo do ácido cítrico): QR= 55 CO2 / 77,5 O2= 0,71 (PORTER & COHEN, 1996). Calorimetria Indireta Respiratória Lipogênese (a partir da glicose): QR= 26 CO2 / 3 O2= 8,67 (PORTER & COHEN, 1996). Calorimetria Indireta Respiratória Cetogênese: QR= 0,111L CO2 / 0,437 LO2= 0,25 (PORTER & COHEN, 1996). Oxidação em situações especiais Dieta normocalórica: oxidação igual e prontamente dos macronutrientes Dieta hipercalórica: Oxidação lipídica não bem estimulada (PERSEGHIN, 2001) Calorimetria Indireta CALORÍMETRO Coletor de gases que se adapta ao indivíduo (campânula) Sistema que mede o volume e a concentração de O2 e CO2 minuto a minuto. GE é calculado pela fórmula de Weir. (Merilainen, 1987; Ravussin & Swinburn, 1993; Schutz, 1995; Diener, 1997) Calorimetria Indireta Respiratória Indivíduo expira e inspira um volume de ar conhecido Válvula unidirecional Colhem-se amostras de ar expirado Quantificar volume e [ ] de O2 e CO2. Conhecido estes volumes, calcula-se o GE através da fórmula de Weir ( MERILAIEN, 1987; RAVUSSIN & SWINBURN, 1993; SHULTZ, 1995; DIENER, 1997; SILVA & WAITZBERG, 2000) Calorimetria Indireta Fonte: (Diener, 1997) SISTEMA FECHADO Calorimetria Indireta Fonte: (Diener, 1997) SISTEMA ABERTO Calorimetria Indireta Cuidados, Vantagens e Limitações Requer cuidados referentes ao indivíduo, ambiente e equipamento. Vantagem: Pode fazer realizar medidas em um curto tempo. Limitações: Caro, relativamente complexo, requer pessoal treinado. (Schutz, 1995; Labayenet al.,1997; Diener, 1997) Calorimetria Indireta Circulatória ou Princípio de Fick Monitorar o consumo de O2 e GER quando a UTI não possui CI. Baseia-se na técnica de termodiluição Requer a inserção de um cateter (cateter de SwanGanz) na artéria pulmonar para estimar o débito cardíaco (Flancbaum, 1999; Melo et al., 2008) Calorimetria Indireta Circulatória ou Princípio de Fick Calorimetria Indireta Circulatória ou Princípio de Fick Permite analisar a gasometria sanguínea (arterial e venosa), que se baseia na concentração de hemoglobina e sua saturação de O2 Possível calcular o O2 consumido (diferença do conteúdo arterio-venoso x débito cardíaco). (Marson et al., 2003) Vantagens e Limitações Vantagens: Prático e relativamente simples Limitações: Invasivo Pessoal capacitado para inserção do cateter Baseado em medidas instantâneas (Flancbaum et al., 1999;Rocha, 2001; Frankenfield et al., 2007) Água Duplamente Marcada (ADM) Maneira + precisa de terminar água corporal total (ACT) = método ouro ou padrão Isótopo= igual lugar Elemento que difere somente no peso atômico Medida da ACT usa princípio da diluição Elemento em [ ] e vol. conhecido (C1 e V1) se dilui em outro volume distinto (V2), e a nova [ ] pode ser calculada. C1 x V1 = C2 x V2 (SALAZAR, 1998) Água Duplamente Marcada (ADM) Princípio: Turnover do oxigênio: determinado pelo fluxo de água, pelo O2 inspirado e CO2 expirado Turnover do hidrogênio: determinado pelo fluxo de água ADM: pode medir o GE total dos indivíduos por períodos entre uma a duas semanas (SPEAKMAN, 1998) Medição: administração oral de um vol e [ ] do isótopo Difusão pelo corpo (3 horas) Energia gasta pelo organismo: CO2 e H2O são produzidos CO2 eliminado pelos pulmões Água : pulmões, pele, urina Taxa de perda: medida pelo declínio na [ ] dos isótopos nos fluidos corporais Mede-se então a concentração A diferença entre taxa de perda é usada para estimar a taxa de produção de CO2 Determina-se assim, o GE (equação de Weir) Isótopo Estável Água duplamente marcada (ADM): 2H218O Deutério: 2H2O A técnica se baseia na diferença nas taxas de turnorver do 2H2O e 2H218O na água corporal Entrada 2H 18O 2 Saída 2H 18O 2 2H DOSE Água Alimento e água Vapor atmosférico Corporal 18O CO2 Água Água e CO2 Água Duplamente Marcada (ADM ou DLW) Medida do GET Acurado e preciso Não requer confinamento Sem mudança na rotina Seguro Padrão-ouro (Scagliusi & Lancha-Júnior, 2005 ) Água Duplamente Marcada Baseado no princípio da diluição isotópica. Indivíduos ingerem estes elementos de concentração e volume conhecidos (C1 e V1) que se difundem através dos fluidos corporais (com um volume (V2)), e uma nova concentração (C2) pode ser calculada pela fórmula: C1 x V1 = C2 x V2 (Salazar, 1998; Speakman, 1998 ) Água Duplamente Marcada Difusão através do corpo – 2 a 6 horas Como energia é gasta pelo corpo – produção de CO2 e H2O. (Matthews & Gilker,1995; Bray, 1997; Salazar, 1998) Água Duplamente Marcada 2H 18O 2 DOSE 2H 18O 2 Água 2H Alimento e água Vapor atmosférico ENTRADA Água Água e CO2 Corporal 18O CO2 SAÍDA Enriquecimento do Isótopo, % Água Duplamente Marcada Deutério Oxigênio-18 0 1 2 3 4 Dias 5 6 7 8 9 Vantagens e Limitações Vantagem: Validar outros métodos Limitações: Caro Equipamentos sofisticados e pessoal treinado Não fornece informação relacionada a atividade física realizada e oxidação de substratos (Paul et al., 2004) CATHERINE M. CHAMPAGNE, CM; BRAY GA; KURTZ, AA; BRESSAN, J; DELANY, JP. J Am Diet Assoc. 2002; 102:1428-1432. Bioimpedância Elétrica Estima composição corporal, incluindo a distribuição de fluidos corporais no espaços intra e extracelulares Estima GER magra) equações preditivas (massa (Barbosa et al., 2001) Bioimpedância Elétrica Equipamentos com 2, 4 ou 8 eletrodos Bioimpedância Elétrica Baseado no príncipio de que os tecidos possuem diferentes propriedades elétricas Massa Magra – alta condutividade (alta quantidade de água e eletrólitos) Massa gorda, ossos e pele – baixa condutividade (Barbosa et al., 2001; Kamimura et al., 2004) Vantagens e Limitações Vantagens: Menor custo, prático, rápido e nãoinvasivo. FATORES QUE INFLUENCIAM (Limitações): Estado de hidratação Dieta Atividade Física Uso de diuréticos Período Menstrual (Barbosa et al., 2001; Kamimura et al., 2004) SENSORES DE MOVIMENTOS Fundamentados Consistem na acelerometria de dispositivos que são fixados em partes específicas do corpo, capazes de medir os movimentos em até três eixos corporais: ântero-posterior, lateral e vertical Utilizado para determinar padrões de atividade física e o GE relacionado a ela Possui relógio interno que descrimina os padrões de atividade estruturada e não-estruturada Níveis de atividade: 0; 0-5; 1 – 9 (aceleração do pulso por mais de 4 segundos consecutivos) Goris et al., Am J Clin Nutr. 2000;71(1):130-4; Harris & Benedict 1919; Dobratz et al., J Parenter Enteral Nutr. 2007;31:217-27 SENSORES DE MOVIMENTOS Acelerômetro unilateral: avalia movimentos só no sentido vertical e não do sentidos antero-posterior e médio-lateral Alto níveis de atividade Este método de determinação possui as vantagens de poder avaliar o indivíduo em sua vida cotidiana, além do baixo custo Por outro lado, é necessária uma escolha apropriada do local de fixação do dispositivo, pois há o risco de o dispositivo se soltar do corpo Goris et al., Am J Clin Nutr. 2000;71(1):130-4; Harris & Benedict 1919; Dobratz et al., J Parenter Enteral Nutr. 2007;31:217-27 Sensor de movimento e calor SenseWear Pro 2 Armband Dispositivo prático recentemente desenvolvido (Jakicic et al., 2004; Papazoglou et al., 2006; St-Onge et al., 2007) Sensor de movimento e calor GE - equações (fluxo de calor, acelerômetro, temperatura, sexo, idade, altura, peso, tabagismo) (Jakicic et al., 2004; Papazoglou et al., 2006; St-Onge et al., 2007) Sensor de movimento e Calor Até o momento os estudos mostram que este dispositivo requer ajustes para realizar estimativas mais acuradas do GER como do GE com atividade física. QUESTIONÁRIOS PARA AVALIAÇÃO DO GASTO ENERGÉTICO DIÁRIO Dimensão ampla do GE pela atividade física diária: Relato de todos os tipos de atividade realizados durante o dia, com o maior grau de detalhamento possível Método cercado de subjetividade, em grande parte das vezes acaba sendo um método complementar de grande importância Questionários indiretos: relato do tempo e do grau de percepção do esforço de categorias de atividade = nível de atividade do indivíduo Exemplo: IPAQ (International Physical Activity Questionary), desenvolvido nos Estados Unidos (Jequier et al., Am J Clin Nutr. 1983;38(6):989-98) e validado para a população brasileira (McArdle et al., 1998.) Questionários de Atividade Física Estimam o GET a partir de uma descrição detalhada de todas as atividades físicas realizadas ao longo de todo o dia Considerado um método complementar (método subjetivo) (Amorin & Gomes, 2003) Questionários de Atividade Física Códigos para o tipo e intensidade de atividade física Investigar as relações entre atividade física, saúde e doença Avaliar a contribuição de cada tipo de atividade para o GET (Ainsworth et al., 2000) Questionários de Atividade Física Compêndio de atividade física (1993) Códigos de 5 dígitos (atividades e intensidades específicas, realizadas em determinadas situações) Expressas em unidade de equivalência metabólica (METs) (Ainsworth et al., 1993; Amorin & Gomes, 2003) Questionários de Atividade Física GET = peso x duração da atividade física (minutos) x valor de MET descrito no compêndio. (Ainsworth et al., 1993; Amorin & Gomes, 2003) Vantagens e Limitações Vantagens: Ampla variedade de atividades físicas listadas Pode ser sempre atualizada (inclusão ou correção atividades específicas para região ou país) (Amorin & Gomes, 2003) Vantagens e Limitações Limitações: Diferentes autores – diferentes códigos Comparação entre estudos – limitada Não considera as diferenças individuais (Amorin & Gomes, 2003) Questionários de Atividade Física Sugestão: Fator de correção para ajustes individuais, considerando gênero, idade, estado fisiológico, composição corporal. (Amorin & Gomes, 2003) Questionários de Ingestão Alimentar Estima o GET Vantagens: Barato, prático e simples. Limitações: Subnotificação ou mesmo supernotificação ingestão calórica Erros inerentes aos entrevistadores da (Johnson et al., 1998; Bellisle, 2001) Questionários de Ingestão Alimentar Interpretado com cautela Estimativa do GET - deve ser feita em conjunto com outros métodos para obter uma maior confiabilidade nos resultados Até 1985 Recomendações Baseadas em estudos populacionais Informações sobre consumo alimentar de pessoas saudáveis Porém, estes valores subestimados, quando comparados com outros métodos Sugerido: acrescentar múltiplos de GEB ( composição corporal, EN, idade, sexo, demografia) ( SCHOELLER, 1999; WAHRLICH & ANJOS, 2001) Primeiras equações: 1919: HARRIS & BENEDICT 136 homens, 103 mulheres e 94 crianças saudáveis norte americanas (CI) Peso, idade, estatura Próprio autor evidenciou inadequação Superestimativa do GE (HARRIS & BENEDICT, 1919; WAHRLICH & ANJOS, 2001) Equação de Harris-Benedict (1919)Pacientes Enfermos Esta equação leva em consideração a idade, sexo, altura e o peso e o estado clínico metabólico do indivíduo, se subdivide em: GET (kcal/dia) = GED x FA x FI x FT Homens: GEB = 66 + (13,7 x P (kg)) + (5 x A (cm)) – (6,8 x I (anos)) Mulheres: GEB = 655 + (9,6 x P (kg)) + (1,7 x A (cm)) – (4,7 x I (anos)) Equação de Harris-Benedict (1919)Pacientes Enfermos Fator de Atividade Física (AF): Confinado ao leito = 1,2 Confinado mais móvel =1,25 Deambulando = 1,3 Fator Térmico (FT): 38o. C = 1,1 39o. C = 1,2 40o. C = 1,3 41o. C = 1,4 Equações Preditivas Várias equações na literatura (GER e GET). Primeira (1919) – Harris-Benedict - Indivíduos de peso normal - Superestimação (Daly et al., 1985; Harris & Benedict, 1919; Carrasco et al., 2007; Oliveira et al., 2010) Equações Preditivas Author Age Sex (years) Harris and 15 - 74 Male 54 Benedict (1919) 15 - 74 Female in kcal/day Equation 66.4730 + 13.7516(W) + 5.0033(H) – 6.7550(A) 655.0955 + 9.5634(W) + 1.8496(H) – 4.6756(A) Fonte: Volp et al., 2011 – Adaptado de Oliveira et al., 2010. Em 1985, SCHOFIELD compilou dados de 114 estudos de GEB Objetivo: derivar equações para uso internacional Seriam recomendadas pelo Comitê da FAO/OMS Estimar necessidade energética Autor usou períodos de significado clínico, com modelo de utilização de massa corporal ( SCHOFIELD, 1985, WARLICH & ANJOS, 2001) A OMS adotou posteriormente estas equações Porém o banco de dados já continha 11.000 dados de GEB Próprio autor apontou que estas equações não poderiam ser usadas de forma internacional Países desenvolvidos, em desenvolvimento, clima temperado Superestimar ou subestimar indivíduos (SCHOFIELD, 1985; FAO/ OMS/ UNU, 1985) Com base nestas inadequações, HENRY & REES (1991) Propôs novas equações Trópicos (equações superestimavam) China, Japão, Malásia, Hawaí, América do Sul (estudos) Fez novas equações (HENRY & REES, 1991) Equações Preditivas Schofield (1985) – compilação de dados de GEB de 114 estudos. – Equações internacional. consideradas apropriadas para uso (Schofield, 1985; WHO/FAO/UNU, 1985; Carrasco et al., 2007; Oliveira et al., 2010) Equações Preditivas Posteriormente adotadas pela WHO/FAO/UNU (1985) após pequenas modificações. Equações baseadas, principalmente, em informações de indivíduos europeus e americanos. (Schofield, 1985; WHO/FAO/UNU, 1985; Carrasco et al., 2007; Oliveira et al., 2010) Equações Preditivas Author Schofield (1985) 57 in MJ/day Age (years) 10- 17 18- 29 30 13-- 59 >=60 FAO/ WHO/ UNU (1985)58 in MJ/day 10- 17 18- 29 30- 60 >=60 Sex Male Female Male Female Male Female Male Female Male Female Male Female Male Female Male Female Equation 0.074(W) + 2.754 0.056(W) + 2.898 0.063(W) + 2.896 0.062(W) + 2.036 0.048(W) + 3.653 0.034(W) + 3.538 0.049(W) + 2.459 0.038(W) + 2.755 0.0732(W) + 2.72 0.0510(W) + 3.12 0.0640(W) + 2.84 0.0615(W) + 2.08 0.0485(W) + 3.67 0.0364(W) + 3.47 0.0565(W) + 2.04 0.0439(W) + 2.49 Fonte: Volp et al., 2011 – Adaptado de Oliveira et al., 2010. Equações Preditivas Henry and Rees (1991) – novas equações - Justificativa – Equações propostas por Shofield (1985) superestimavam GEB de indivíduos de regiões tropicais. (Henry & Rees, 1991; Schneider & Meyer, 2005) Equações Preditivas Novas equações: - Menores valores de GEB comparado as equações de Shofield e WHO/FAO/UNU - Contudo, valores ainda superestimados indíviduos de regiões tropicais para (Henry & Rees, 1991; Schneider & Meyer, 2005) Equações Preditivas Author Age (years) Sex 10- 17 Male Henry and Rees (1991)60 in Female MJ/day 18- 29 Male Female 30- 59 Male Female Equation 0.084(W) + 2.122 0.047(W) + 2.951 0.056(W) + 2.800 0.048(W) + 2.562 0.046(W) + 3.160 0.048(W) + 2.448 Fonte: Volp et al., 2011 – Adaptado de Oliveira et al., 2010. Equações Preditivas Ireton-Jones (1989) – equações para estimar o GEB de pacientes obesos. - Respiração Espontânea - Em ventilação mecânica - Sem ventilação mecânica (Ireton-Jones, 1989) Equações Preditivas Author *Ireton-Jones (1989)68 in kcal/day Age (years) Sex Equation Male Female Spontaneous Breathing 629 – (11 x H) + (25 x W) – 609 x O 629 – (11 x H) + (25 x W) – 609 x O Male Female Mechanical Ventilation 606 + (9 x W) – (12 x H) + (400 x MV) + 1,444 (9 x W) – (12 x H) + (400 x MV) + 1,444 Fonte: Volp et al., 2011 – Adaptado de Oliveira et al., 2010. Obs: = Não leva em consideração idade. O = obesity; O absent = 0; O present = 1. Equações Preditivas Mifflin-St Jeor (1990) - Equação desenvolvida a partir de amostra de indivíduos eutróficos, sobrepeso, obesos. - Estudo não especificou etnia e uma limitação foi a baixa representação de idosos. (Mifflin et al., 1990) Equações Preditivas Author Age Sex (years) Mifflin-St Jeor 19-78 Male (1990)63 in 19-78 Female kcal/day Equation 10 x W + 6,25 x H – 5 x A + 5 10 x W + 6,25 x H – 5 x A – 161 Fonte: Volp et al., 2011 – Adaptado de Oliveira et al., 2010. Equações Preditivas Owen et al. (1986) and Owen et al. (1987) - Equações para homens e mulheres Amostra de homens: - Brancos, negros e asiatícos IMC: normal a obeso Idosos: amostra não representativa Equações Preditivas Amostra de mulheres: IMC : baixo peso a obesidade grau III Dados de atletas e idosas excluídos Não há informação sobre etnia. (Owen et al., 1996) Equações Preditivas Author Owen (1986) and Owen (1987)65 66 Age Sex (years) 18-65 Female 18-65 Male Equation 795 + 7.18 × W (kcal/day) 879 + 10.2 x W (kcal/day) Fonte: Volp et al., 2011 – Adaptado de Oliveira et al., 2010. Equações Preditivas IOM (2002) - Equações para indivíduos eutróficos - 0 a 100 anos - Baseadas em resultados ADM Indivíduos sobrepeso e obeso: Novas equações (IOM, 2002) Table 3: Predictive equations for total energy expenditure, for adults older than 19 years old, according to nutritional status. Normal Weight (a) Overweight Obesity (b) Normal Weight Overweight Obesity (c) Men EER = 662 – 9.53 x A + PA x (15.91 x W + 539.6 x H) PA = 1.00 if sedentary PA = 1.11 if low active PA = 1.25 if active PA = 1.48 if very active EER = 1086 – 10.1 x A + PA x (13.7 x W + 416 x H) PA = 1.00 if sedentary PA = 1.12 if low active PA = 1.29 if active PA = 1.59 if very active EER =864 – 9.72 x A + PA x (14.2 x W + 503 x H) PA = 1.00 if sedentary PA = 1.12 if low active PA = 1.27 if active PA = 1.54 if very active Women EER = 354 – 6.91 x A + PA x (9.36 x W + 726 x H) PA = 1.00 if sedentary PA = 1.12 if low active PA = 1.27 if active PA = 1.45 if very active EER = 448 – 7.95 x A + PA x (11.4 x W + 619 x H) PA = 1.00 if sedentary PA = 1.16 if low active PA = 1.27 if active PA = 1.44 if very active EER = 387 – 7.31 x A + PA x (10.9 x W + 660.7 x H) PA = 1.00 if sedentary PA = 1.14 if low active PA = 1.27 if active PA = 1.45 if very active Source: Oliveira et al. (2010) and IOM (2002)33. Abbreviations: EER= estimated energy requirement; W= body weight (kg); H= height (m); A= age (years); PA= physical activity; Sedentary if the category physical activity level (PAL) is estimated to be ≥1.0 <1.4; low active if PAL is estimated to be ≥1.4 <1.6; Active if PAL is estimated to be ≥1.6 <1.9; Very active if PAL is estimated to be ≥1.9 <2.5. if PAL is estimated to be ≥ 1.0 < 1.4 Equações Preditivas - Horie-Waitzberg & Gonzalez (2011) Indivíduos com obesidade (n=120) 69,2% de mulheres IMC: obesidade grau I a grau III Brasileiros (Horie-Waitzberg et al., 2011) Equações Preditivas Author Age Sex Equation (years) Horie-Waitzberg & 18-62 Male and 560.43 + 5.39 x W(kg) + 14.14 x FF (kg) Gonzalez (2011) Female PESO AJUSTADO Peso ajustado (kg) = [( peso atual – peso ideal) x 0,25] + peso ideal Tecido adiposo é metabolicamente menos ativo (0,25) (Wilkens, 1984) ESTUDO DE CASO Métodos MifflinIretonTanita BIA CI WHO/FAO/UNU (GER)/ St Jeor Jones (kcal) (kcal) (kcal) 1985 (kcal) Voluntários (kcal) (kcal) 1 2 3 2184 1966 1789 2356 2070 2015.5 2167.69 1978 2060 1838.75 1964.2 1760 1730 1691 1820.38 2232.5 1900 1665 HorieWaitzberg & Gonzalez (kcal) 2180.727 1932.29 1781.23 ESTUDO DE CASO Métodos (GET)/ Voluntários 1 2 3 TEE1 (kcal) TEE2 (kcal) Mifflin- St Jeor (kcal) 2904.91 2906.45 2441.65 3586.94 3538.46 3124.03 2742.65 2762.80 2206.50 WHO/FAO/UNU 1985 (kcal) 2978.11 3858.49 3044.51 Tabla III Correlación de Pearson entre los diferentes métodos para calcular el GEB MUJERES Métodos Correlación Probabilidad (r) HOMBRES Correlación (r) Probabilidad BIA – CI 0,618 0,000 0,749 0,000 BIA – FAO 1985 0,905 1,143 0,907 2,598 BIA – FAO 2001 0,902 1,760 0,909 1,951 CI - FAO 1985 0,548 0,001 0,748 0,000 CI- FAO2001 0,545 0,001 0,751 0,000 FAO1985- FAO2001 1,000 3,782 1,000 6,729 F. C. Esteves de Oliveira y cols. Nutr Hosp. 2008;23(6):554-561 F. C. Esteves de Oliveira y cols. Nutr Hosp. 2008;23(6):554-561 Tabla IV Correlación de Pearson entre los diferentes métodos de evaluación del GET MUJERES Métodos Fleish – EER Fleish - FAO 1985 Fleish - FAO 2001 EERFAO 1985 EER - FAO 2001 FAO1985 – FAO 2001 HOMBRES Correlación Probabilidad Correlación (r) (p) (r) Probabilidad (p) 0,711 0,655 0,000 0,000 0,786 0,679 3,808 0,000 0,664 0,000 0,688 0,000 0,790 0,000 0,853 0,000 0,792 0,000 0,855 0,000 1,000 3,136 1,000 6,697 EER: requerimiento estimado de energía, Fleish, FAO 1985 y FAO 2001: fórmulas predictivas; p<0,001. F. C. Esteves de Oliveira y cols. Nutr Hosp. 2008;23(6):554-561 F. C. Esteves de Oliveira y cols. Nutr Hosp. 2008;23(6):554-561 O QUE DEVE SER CONSIDERADO PARA A ESCOLHA ADEQUADA DE UM MÉTODO PARA AVALIAR O GE? Perguntas Que métodos, preferencialmente devem ser utilizados em pesquisas científicas? Que métodos podem ser utilizados na prática clínica? Que métodos eutróficos? utilizar para indivíduos Perguntas Que métodos utilizar para indivíduos obesos? Que métodos utilizar para indivíduos extremamente obesos? Consideração Diferenças encontradas entre os estudos também podem ser devidas a análise estatística aplicada aos dados. Consideração Análises de correlação e regressão não são as mais adequadas para validar equações. Uma medida de acurácia individual - a porcentagem de indivíduos com valores estimados entre ± 10% dos valores mensurados. (Sheiner et al., 1981; Weijs, 2008) Consideração Comparação estatística (teste t ou ANOVA com um teste post hoc) que indica uma diferença não significativa entre as médias do grupo não é o mesmo que um ajuste preciso, porque altos erros positivos podem contrabalançar elevados erros negativos AGRADEÇO