Os sujeitos da Educação de Jovens e Adultos (EJA)
Kelry Alves Gonçalves
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem se revelado na realidade, embora ainda
camuflado por preconceitos e desconhecido pela maioria da população. Na verdade, como
apontam Carmem Eiterer e Maria Pereira (2009), muitas sombras escondem a verdadeira EJA, principalmente os sujeitos dessa educação, pois estes são muitas vezes desconhecidos até
mesmo pelos professores atuantes nessa modalidade de ensino, sendo que estes sujeitos chamados jovens e adultos fazem a EJA, pois este ensino é voltado para este grupo.
A EJA tem sido confundida com o ensino noturno e outras vezes com outros programas que já existiram no Brasil para avançar o atraso escolar da população como o Mobral e o
Supletivo (exemplo dessa confusão é chamar “o EJA” sendo que o correto é “a EJA”, essa
troca de artigos vem pelo fato de se pensar no Supletivo, no Mobral e não na Educação de
Jovens e Adultos). Além disso, essa educação ainda luta por um espaço dentro das escolas e
pela permanência de turmas abertas, já que segundo os dados apresentados, cerca de quinze
milhões de brasileiros acima de quinze anos não concluíram o ensino fundamental e o número
de turmas abertas para atender essa demanda gira em torno de um milhão (lembrando que esse
dado se refere a todo o território brasileiro, assim se remete ao que traz o Relatório Introdutório ao VI CONFINTEA que existem espaços vagos e falta de turmas da EJA no Brasil). E
além do ensino fundamental, o ensino médio possui uma alta de pessoas que precisam da EJA
e a conseqüente baixa de turmas que não atende cerca de 15% dessa demanda e antes destes a
alfabetização que se encaixa no mesmo quadro.
Entretanto, como abordam Carmem Eiterer e Maria Pereira (2009) muitos estudos,
pesquisas, seminários, conferências tem se levantado para aprofundar na EJA e o que se observa é que além da falta da EJA em certos locais, o fechamento de turmas, está também as
crenças e fatos que não permitem essa população, que precisa desse ensino, procurar a escola
e continuar firme até a conclusão do ensino. Por isso, apara entender a EJA, segundo Marta
Oliveira, é preciso conhecer os sujeitos da EJA.
Carmem Eiterer e Maria Pereira (2009) afirmam que estes sujeitos são homens, mulheres, adultos, jovens (e alguns adolescentes, pois adentra como aluno na EJA a partir dos
quinze anos). São pessoas com gênero, faixa etária, passado, história de vida, experiências,
cultura e realidades diversas. Pessoas que embora estejam em um mesmo grupo (alunos da
EJA) são heterogêneas. Ou seja, como está no Relatório Introdutório ao VI CONFINTEA é
um grupo marcado pela diversidade.
Para abordar melhor sobre esses sujeitos Oliveira (1999) os colocam em três campos
que são citados por Carmem Eiterer e Maria Pereira (2009). O primeiro campo se baseia no
fato de que não são crianças, na verdade são jovens que não fazem o estilo vestibulando, são
adultos que não fazem o estilo de estarem se aprofundando no conhecimento, são estes, jovens e adultos que possuem a marca da interrupção dos estudos, que abandonaram a escola
por razões diferentes. Estes jovens e adultos diferente da criança trazem para a sala de aula
uma experiência, um passado. Oliveira (1999) também cita outra oposição entre a criança que
chega à escola e o jovem e adulto que retornam a ela, o fato de existir uma psicologia infantil
que conhece e traça o perfil da criança naquilo que ela pode aprender e quando chegará a aprender, já o jovem e adulto é visto como o ponto de chegada no qual não existe mudança.
O segundo campo trazido por Oliveira (1999) trata destes sujeitos como pessoas excluídas da escola. Algumas crenças e fatos concretizam essa realidade, por exemplo, o quanto é
impossível para a mulher permanecer na escola quando precisa sustentar a casa, quando tem
filhos pequenos e/ou um marido ciumento. Além disso, existe por parte desses sujeitos a mágoa de não terem conseguido ser o melhor aluno, a tristeza de não preencherem o modelo de
aluno que a escola exigia. Carmem Eiterer e Maria Pereira (2009) mostram que o adulto traz
um preconceito de ser um “velho em meio a crianças” dentro da à escola, porem acima disso
quando voltam ao estudo, no caso como um aluno de EJA, este também claro qual o papel do
professor e o papel do aluno e possui bem fixo a busca pela escola que conheceu antes com
sua metodologia de memorização e repetição (mesmo que este modo de ensino foi aquele que
afastou ou impediu o aluno de aprender, este adulto coloca a culpa somente sobre ele mesmo).
Através da pesquisa com alunos da EJA, foi constatado que os motivos para estes sujeitos
terem saído, retornado ou não para a escola (necessário alertar que existem alunos que se matriculam todo ano, mas não consegue concluir, ou seja, não passam de série) são vários e diversos entre si, entretanto houve um que envolveu a maioria, o trabalho.
O terceiro campo colocado por Oliveira (1999) é a participação desses sujeitos em diferentes grupos culturais, ou seja, a inclusão deles nesses grupos reflete sobre suas personalidades, forma de agir, pensar o que os tornam ainda mais diferentes, fato que leva essas divergências se tornarem até conflitantes.
Nos vídeos “Brasil Alfabetizado”, é possível confirmar alguns destes traços trazidos
por estas autoras e pelo Relatório do VI CONFINTEA. Estes vídeos se formam por turmas da
EJA na favela, no interior, na capital, no nordeste, no quilombola; por sujeitos que são trabalhadores (cortador de cana, catador de papel), mães, pais, jovens, adultos, pertencentes a uma
cultura, mas se voltam a buscar a escola para aprender a ler, escrever e concluir os estudos,
mesmo precisando encarar o preconceito por parte de familiares e amigos, a violência, o cansaço. Entretanto existe a gratificação do conhecimento melhorar a pessoa, de se sentir parte e
descobridor do mundo e o sonho de ter algo melhor para si e para oferecer a sua família.
Conhecendo assim os sujeitos da Educação de Jovens e Adultos a função do professor,
segundo Carmem Eiterer e Maria Pereira (2009), não é de confrontá-lo, mas de levá-lo a ser
alguém interpretativo e crítico, uma pessoa que saiba pensar por si mesmo. Há necessidade de
tratar o aluno da EJA como alguém que precisa além de decodificar as letras possa ter letramento, ou seja, saber ler, escrever e interpretar o que leu e/ou escreveu. Dessa forma, o sujeito
da EJA poderá alcançar a leitura do mundo almejada por Paulo Freire. Então, precisa fazer
esse ensino ser interessante ao aluno da EJA, pois este vem do trabalho e ainda tem suas responsabilidades em casa, precisa assim encontrar na EJA uma forma de aprender com algo
envolvido no seu mundo, ou seja, estudar a partir do assunto que o rodeia, o trabalho.
Concluindo, os sujeitos da EJA podem ser resumidos na diversidade, embora muitas
crenças e fantasia precisem ser quebradas pela verdade para impedir o preconceito que afastam tantos de um direito seu (pois é garantido pelos Direitos Humanos, pela Constituição Brasileira e muitos outros documentos que firmam a educação). Também é necessário que essas
verdades sobre a EJA alcance o governo e a população em geral para possibilitar o crescimento da educação e ensino na EJA de uma maneira ética e profissional.
Referências
EITERER, Carmem Lucia; PEREIRA, Maria Antonieta. Propostas de trabalho no currículo da
EJA. In: Presença Pedagógica, v. 15, n. 88, p. 71-76, jul./ago. 2009.
KHOL, Marta de Oliveira. Jovens e Adultos como sujeitos de conhecimento e aprendizagem.
In: Revista Brasileira de Educação. São Paulo, n. 12, 1999, p.59-72.
Videografia: - Histórias de Um Brasil Alfabetizado - Documentário PDE/MEC.
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