CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO 1.1. Identificação do Problema A busca da sociedade por um desenvolvimento sustentável fez com que surgissem várias pesquisas com foco ambiental. Estes estudos levam em conta os impactos causados por diversas atividades industriais na natureza e como estes podem ser amenizados. Este trabalho vem mostrar que a pavimentação viária, tanto na parte revestimento como na base e sub-base, pode ser uma ótima alternativa na reutilização de materiais, já que o volume de materiais utilizados é relativamente grande, com isso reduz o consumo de matérias primas e o despejo de materiais refugados na natureza. Pode-se observar por meio de artigos, dissertações, teses, etc., a potencialidade da utilização de resíduos na Pavimentação Viária, pois os mesmos apresentam comportamentos mecânico e ambiental satisfatórios. No que diz respeito ao aspecto ambiental, quando reutilizado fora da atividade que o gerou, não representam nenhum risco potencial que possa contaminar com metais pesados e/ou outras substâncias que interfiram nas características normais do meio ambiente; quanto ao mecânico, apresentam propriedades bem próximas das obtidas quando se utiliza recursos não renováveis (agregados). 1.2 Justificativa Muitos materiais, resíduos, não aproveitados pelas indústrias de modo geral, podem ser reutilizados na Pavimentação Viária, com isso diminuindo a agressão do meio ambiente, tanto no que se refere ao esgotamento de recursos naturais (matérias primas) como resíduos contaminantes lançados no meio ambiente. Dessa forma, a reutilização desses materiais na pavimentação viária, Resíduo de Pneu, Areia de fundição, Escória de Aciaria, Entulho de Construção Civil, entre outros, se torna uma 1 medida bastante eficaz para a preservação do meio ambiente, além de se tentar melhorar com novas tecnologias a qualidade dos pavimentos flexíveis. Para esse estudo, teve-se como sustentáculo várias pesquisas em artigos, teses e livros na área de pavimentação flexível. Contudo foi preciso se aprofundar na reutilização de resíduos industriais como materiais alternativos na pavimentação flexível, ao se estudar a reutilização e de onde os resíduos são gerados, observouse que: resíduos provenientes das indústrias siderúrgicas são reutilizados para o revestimento do pavimento, enquanto que os resíduos provenientes da construção civil têm como características, sua reutilização nas camadas de base e sub-base da pavimentação. 1.3 Objetivos 1.3.1 Objetivo geral Estudar o reaproveitamento de alguns resíduos industriais nas camadas (revestimento, base e sub-base) de pavimentos asfalticos. Para tanto, foram analisadas seis pesquisas (entulho da construção civil, escória de aciaria, borracha de pneu, areia de fundição, rejeitos minerais e cinzas pesadas) referentes ao assunto. 1.3.2 Objetivo específico Apresentar alternativas para a reutilização de materiais (resíduos) como insumo para compor as camadas (revestimento, base e sub-base) de pavimentos asfálticos, atendendo características como durabilidade, conforto, resistência, redução de custos de produção e principalmente redução dos impactos ambientais, com a diminuição da extração de recursos não renováveis e destinação final dos resíduos adequada de forma que não comprometa o meio ambiente. 1.4 Estrutura do trabalho Este trabalho é estruturado em cinco capítulos, incluindo a Introdução (Capitulo 1). No segundo capítulo é abordado a Revisão Bibliográfica referente aos materiais enfocados (entulho da construção civil, escória de aciaria, borracha de pneu, areia de fundição, rejeitos minerais e cinzas pesadas). No terceiro capítulo será descrito o procedimento realizado pelos pesquisadores Carneiro et al., (2000), Rohde, (2003), Ceratti et al., (2004), Coutinho Neto, (2004), Carvalho, (2006) e 2 Trichês et al., (2006), assim como os materiais utilizados nas pesquisas. O quarto capítulo aborda os resultados obtidos pelos autores sendo denominado apresentação e analise dos resultados. Por ultimo o quinto capítulo, baseado em conclusões elaboradas de acordo com os resultados obtidos, que é a Conclusão de todo o estudo realizado neste trabalho. 3 CAPÍTULO 2 – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Neste capítulo, abordam-se as características de cada material a ser estudado, com o intuito de esclarecer como e onde ele é produzido, quais os rejeitos formados e quantidades, entre outras informações importantes para saber o quanto o meio ambiente vai ser beneficiado com a reutilização desses materiais (resíduos). Analisar as propriedades dos materiais é importante para que se possa saber sua composição (química e física), obtenção, reações químicas possíveis no seu uso, entre outras características importantes para se possa saber se sua reutilização irá comprometer o meio ambiente, e também se o pavimento irá apresentar as qualidades exigidas pelas normas. Dentre os quais serão estudados entulho da construção civil, escória de aciaria, borracha de pneu, areia de fundição, rejeitos minerais e cinzas pesadas. 2.1 Entulho da Industria da Construção Civil Segundo a Resolução CONAMA (2002) os resíduos sólidos da construção civil também conhecidos pela sigla RCD (Resíduos de Construção e Demolição) são definidos como materiais provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica, etc., e são comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha. A geração destes materiais, em diversos lugares do mundo, tem sido motivo de preocupação, em virtude da expressiva quantidade produzida, e com o meio ambiente. Segundo Ângulo et al., (2002); Schneider, (2003) no Brasil, os números relacionados à geração de resíduos de construção são escassos, mas alguns deles são apresentados na Tabela 2.01, que mostra a produção anual destes materiais em 4 seis cidades pertencentes ao estado de São Paulo. No Brasil, a preocupação com os grandes montantes de resíduos de construção gerados vai mais além, em função de um agravante que é a disposição irregular, que ocorre principalmente em locais como vias, rios, córregos, terrenos baldios e áreas de mananciais, o que contribui para a degradação urbana (Figura 2.01). Os resíduos sólidos da construção civil dispostos irregularmente podem trazer riscos à população, já que podem se tornar foco de proliferação de transmissores de doenças provocar o assoreamento dos recursos hídricos e obstruir os sistemas de drenagem com conseqüente aumento das enchentes nas estações chuvosas. No Brasil, quando coletados para disposição final, os resíduos de construção são encaminhados para unidades de aterros sanitários. Segundo Ângulo et al. (2003) estes materiais são os grandes responsáveis pelo esgotamento destes locais de destinação em cidades de médio e grande portes, uma vez que correspondem a mais de 50% dos resíduos sólidos urbanos. Pinto (1999) mostrou em sua pesquisa que esta porcentagem pode chegar a 70% da massa de resíduos sólidos. Tabela 2.01: Geração de resíduos em municípios do estado de São Paulo (PINTO,1999; SCHNEIDER, 2003) População Geração Geração aprox. Município aprox. RCD RCD per capita (x 10³hab) (ton/dia) (kg/ano) Jundiaí 293 712 758 1997 Ribeirão Preto 456 1043 714 1995 São José do Rio Preto 324 687 662 1997 Santo André 626 1013 505 1997 São Paulo 10000 16000 499 2003 São José dos Campos 486 733 471 1995 Ano Muitas vezes, o esgotamento dos aterros pode implicar em dois tipos de problemas como: um relacionado a gastos adicionais dos recursos públicos com desapropriações que visam à criação de novas áreas de destinação de resíduos, e outro à dificuldade de se encontrar locais adequados nas grandes cidades para a implementação destes novos aterros de resíduos, uma vez que áreas livres estão 5 localizadas em distâncias remotas de difícil acesso e geralmente, pertencem a locais ambientalmente protegidos (BODI et al., 1995). Figura 2.01: Descarte irregular de entulho de construção civil nas vias e terrenos com áreas de mananciais (REVISTA ESPAÇO ACADÊMICO, 2007; BRESSAN, 2007) A composição dos resíduos de construção pode variar significativamente e está condicionada a características específicas da região geradora. Segundo Ângulo et al. (2002) o resíduo de construção no Brasil é uma mistura composta de cerâmica ou blocos de concreto, argamassa, concreto armado, aço, plástico, amianto e madeira, sendo que a porção de produtos oriundos do gesso tem aumentado e tende a se tornar uma parte significativa do resíduo nos próximos anos. Nos Estados Unidos e na Europa, o gesso é encontrado em larga escala nas construções (PINTO, 1999). 2.1.1 Reciclagem A reciclagem de resíduos de construção no Brasil, iniciou-se ainda na década de 80, com a utilização de pequenos moinhos instalados durante a construção de edifícios, onde os resíduos de alvenaria eram reaproveitados para a produção de argamassas (LIMA, 1999). De forma pioneira, a Prefeitura do Município de São Paulo implantou, no ano de 1991, a primeira usina recicladora do Brasil (CARNEIRO et al., 2000) em Itatinga, na zona sul da cidade, com a finalidade de produzir agregados reciclados para subbase de pavimentos. Este equipamento de reciclagem permaneceu desativado 6 durante alguns anos e mais tarde voltou a operar no bairro de Itaquera, na zona leste do município (SCHNEIDER, 2003). Os agregados reciclados têm a finalidade de substituir parcialmente ou totalmente o material natural empregado. Desta forma, podendo gerar grandes reduções como podemos ver citados abaixo: 9 redução no consumo de recursos naturais não-renováveis, quando substituídos por resíduos reciclados; 9 redução de áreas necessárias para aterro, pela minimização de volume de resíduos pela reciclagem. Destaca-se aqui a necessidade da própria reciclagem dos resíduos de construção e demolição, que representam mais de 50% da massa dos resíduos sólidos urbanos; 9 redução do consumo de energia durante o processo de produção. Destaca-se a indústria do cimento, que usa resíduos de bom poder calorífico para a obtenção de sua matéria-prima (co-incineração) ou utilizando a escória de alto forno, resíduo com composição semelhante ao cimento; 9 redução da poluição; por exemplo, para a indústria de cimento, que reduz a emissão de gás carbônico utilizando escória de alto forno em substituição ao cimento portland. As maiores diferenças verificadas entre os reciclados e os naturais podem ser resumidas em: forma do grão e textura superficial, que o material reciclado tende a ser mais irregular; densidade, que normalmente é menor nos agregados reciclados devido à sua alta porosidade; absorção de água, que é a diferença mais marcante entre os dois materiais, em se tratando de propriedades físicas. De forma geral, os números relacionados à reciclagem no Brasil ainda são pouco significativos, pois equivalem a menos de 5% dos resíduos de construção gerados. 2.1.2 Processo de Reciclagem Segundo Ângulo et al. (2002) a reciclagem de resíduos de construção é, de forma simplificada, um beneficiamento mineral. Em linhas gerais, este processo compreende num conjunto de operações unitárias que podem ser divididas em: concentração; fragmantação; peneiramento (LUZ et al., 2004; CHAVES, 2002). 2.1.2.1 Operação de concentração Segundo Luz et al., (2004) os resíduos de construção são compostos por 7 componentes minerais misturados com outros materiais como madeira, metais, restos de tintas e esmaltes, e gesso. Sendo assim, para ser utilizado em diversas finalidades como obras rodoviárias, o resíduo deve ser submetido à retirada das substâncias estranhas à fração mineral. A operação de concentração resume-se à separação dos diferentes componentes do resíduo de construção por processos como catação ou separação magnética, podendo ser feita antes ou depois da operação de redução. 2.1.2.2 Operação de cominuição A operação de cominuição, também chamada de britagem, consiste em reduzir as dimensões do material para adequar o tamanho dos grãos à sua finalidade ou às operações subseqüentes (ÂNGULO et al., 2003; CHAVES, 2002; LUZ et al., 2004). Após a britagem, os grãos tornam-se mais resistentes à compressão, se comparados ao resíduo bruto, uma vez que a fragmentação se dá no plano de menor resistência do material. A britagem pode ser feita por diferentes tipos de equipamentos, sendo estes os mesmos ou uma adaptação daqueles utilizados em mineração. O tipo de britagem é capaz de influenciar algumas características dos agregados reciclados como graduação, forma e resistência dos grãos (LIMA, 1999). 2.1.2.3 Operação de peneiramento A operação de peneiramento consiste em selecionar granulometricamente os grãos, passando-os por peneiras. A operação de peneiramento pode ser suprimida do processo de reciclagem nos caso sem que haja interesse por material sem classificação granulométrica, sendo este comumente denominado como brita corrida. 2.1.3 Emprego do Agregado Reciclado Os agregados reciclados podem ser utilizados em diversos serviços de engenharia como camadas drenantes (com ausência de finos), lastro para assentamento de tubos ou de guias, envelopamento de galerias e estabilização de solos expansíveis ou com baixa capacidade de suporte (BRITO FILHO, 1999). Os agregados reciclados também podem ser empregados em regularização e cascalhamento de ruas de terra, sendo vantajosos tecnicamente neste tipo de 8 situação em relação às britas corridas comuns em virtude de sua coesão proveniente de reações pozolânicas que o tornam menos erodíveis (BRITO FILHO, 1999). Além de todas as possibilidades de uso já citadas, os agregados reciclados de resíduos de construção podem ser empregados em camadas de base, sub-base ou reforço do subleito de pavimentos, cujo tema é o tema deste trabalho. Segundo Luz et al. (2004) mencionam que o agregado reciclado tem uma boa aceitação no mercado de materiais para obras rodoviárias como pavimentação. 2.1.4 Pavimentação com Agregado Reciclado no Brasil Segundo Bodi et al., (1995) em muitas vias urbanas na cidade de São Paulo, a população utilizou resíduos de construção civil como revestimento primário, a fim de minimizar a ocorrência de lama em períodos chuvosos ou poeira em períodos de estiagem, apesar de não terem recebido uma pavimentação definitiva, estas vias passaram a requerer menores intervenções. Verificou-se que houve uma progressão na estabilidade do subleito com a compactação do tráfego local e com a incidência de chuvas. O esquema estrutural de um pavimento com entulho de construção civil, onde se percebe que as camadas de reforço do subleito e sub-base foram construídas com agregados reciclados (Figura 2.02). 3cm de pré-misturado a frio 15 cm de brita corrida comum 10cm de entulho 10cm de entulho CBR do subleito 12% Figura 2.02: Esquema de pavimento com entulho (BODI et al., 1995). 9 2.1.4.1 Algumas pesquisas realizadas no Brasil As pesquisas realizadas no Brasil são voltadas, principalmente, para a área de concretos de cimento Portland com agregado reciclado, já para a pavimentação há em menor numero, contudo existem pesquisas com esta finalidade, como as que serão citadas a seguir. Bodi et al. (1995) analisaram três tipos de agregados reciclados na cidade de São Paulo: branco, vermelho e misto. A pesquisa incluiu a análise da mistura de agregado reciclado misto com solo siltoso (saprolítico) e argiloso (com comportamento laterítico), sendo feitos ensaios de compactação e ISC (Índice de Suporte Califórnia), para emprego nas camadas de base e sub-base de pavimentos. Trichês e Kryckyj (1999) pesquisaram agregados reciclados de Florianópolis separados nas frações branca e vermelha e também misturados com solo arenosiltoso e argiloso. Foram realizados ensaios de peneiramento para obtenção da granulometria, além de compactação e ISC. Os resultados obtidos demonstraram que o material se apresenta como uma excelente alternativa para o uso em camadas de reforço do subleito e sub-base, além de possuir potencial para ser empregado na redução de plasticidade do solo de fundação. Carneiro et al. (2000) estudaram agregados reciclados na cidade de Salvador nas frações graúda e miúda, além de suas misturas com solo laterítico e saprolítico em diferentes proporções. Foram feitos ensaios de caracterização física e mecânica, dentre os quais incluem análise granulométrica, abrasão Los Angeles, compactação e ISC. Com os resultados obtidos, foi concluído que o agregado reciclado de Salvador, em ambas as frações, se apresentou como material adequado à aplicação em bases e sub-bases de pavimentos. Fernandes (2004) pesquisou as características do agregado reciclado in natura na cidade do Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A primeira usina de reciclagem forneceu material selecionado nas frações de britas 0 e 1, pedrisco e pó-de-pedra, sendo todas do tipo misto. Já a segunda cedeu agregados reciclados em forma de brita corrida dos tipos misto e concreto. O autor realizou ensaios de caracterização física como granulometria, abrasão Los Angeles e índice de forma, e ainda analisou o comportamento mecânico dos materiais citados perante ensaios de Módulo de Resiliência. Com os resultados, concluiu que o uso de agregados reciclados em pavimentação é viável. 10 2.2 Escória de Aciaria Segundo Barsa (2003), o aço é um material largamente usado pela humanidade, tem-se registros que, desde o Egito Antigo (aproximadamente, 2900 a.C), o homem já trabalhava com o aço. Contudo a descoberta desse material se deu ocasionalmente, com fogueiras construídas a base de pedras de minério de ferro que promoviam o contato de partículas suficientemente quentes de carbono com partículas de óxido de ferro, dando início ao processo de redução, resultando em uma massa escura, não fundida, mas em contra-partida permitindo a sua deformação plástica por meio de técnicas de forjamento, produzindo utensílios de diferenciadas propriedades mecânicas. Devido a sua característica permissiva de transformação plástica, o aço vem ao longo da historia se caracterizando como uma das grandes descobertas do homem, pois sua influencia é grande na historia, já que o domínio da tecnologia poderia garantir o domínio sobre nações, como no caso da China por volta do ano 221 a.c que começou a produzir o ferro carburado, mais tarde chamado de ferrogusa, que dominou praticamente todos os reinos circundantes. Sua utilização, atualmente, é bastante diversificada, podendo ser encontrado em aviões, carros, navios, linhas de transmissão de energia, tubulações de água, talheres, panelas, e na construção civil é um dos materiais fundamentais podendo ser encontrado na forma de vergalhões, perfis de estrutura metálica, chapas, etc. podendo-se até dizer que o nível de desenvolvimento de uma nação pode ser avaliado pelo consumo per capta de aço. No Brasil são utilizados dois processos de produção do aço, que consistem no refino de sucata e ferro-gusa sólido em fornos elétricos a arco, onde é feita a combinação do refino oxidante (ocorre no forno elétrico) e o refino redutor (ocorre no forno panela) para levar o aço a composição desejada, e no refino de ferro-gusa liquido produzido, basicamente, a partir de minério de ferro, carvão e cal em conversores a oxigênio, também conhecidos como conversores LD devido a operação feita com este tipo de equipamento em 1952, em Lins e Donawitz na Áustria, onde os óxidos formados durante o sopro do oxigênio combinam-se com o CaO e MgO, dissolvidos, formando então a escoria estável e distinta do banho metálico. A fabricação do aço pode ser dividida, conforme (Figura 2.03), nas etapas de preparação da carga, redução, refino, lingotamento e laminação. 11 Dentre estes processos de fabricação do aço, é relevante o fato da produção das aciarias elétricas serem mais interessante para uma analise, já que de acordo com o exposto o processo em si já obtém um ganho ambiental em relação às aciarias LD, com a utilização da sucata como matéria prima, contudo o escoria gerada por ambos os processos pode ser utilizada para mesma finalidade, apresentando características físico-quimicas similares, com presença predominante de CaO, MgO e SiO2. Figura 2.03: Processo de Produção do Aço. (ABM, 2007) No ano de 2000, o Brasil produziu aproximadamente 28 milhões de toneladas de aço e com isso geraram de 1.960.000 a 4.760.000 toneladas de escória, mas segundo o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS, 2001), as Siderúrgicas que utilizam forno elétrico foram responsáveis por 21% da produção de aço do país. Segundo Rohde (2003) “a escória de aciaria elétrica é o produto resultante da combinação de CaO e MgO com os elementos a serem retirados por oxidação da sucata metálica, formando silicatos e óxidos.”, este material vem sendo uma alternativa utilizada com sucesso na pavimentação viária em diversos países como a Austrália, Bélgica, EUA, Alemanha, Japão, entre outros. No Brasil já existem vários 12 trechos executados a mais de 20 anos (LIMA et al. 1 , 2000 apud ROHDE, 2003, p.14), sendo apenas 35% desse material gerado, utilizado especialmente como agregado na construção de estradas, sendo o restante estocado. A utilização desse material pode minimizar as agressões à natureza, causada pela extração de matéria-prima que poderia ser substituída pela escória, disposição final inadequada, emissão de gases, etc, e, deverá ser feita após se observar às características dos componentes da escoria, pois alguns elementos são instáveis, e suas reações como a corrosão e oxidação do ferro metálico residual e a hidratação da Cal livre e do Periclássio, são responsáveis por características importantes do material como a expansibilidade, essa característica pode levar a um aumento de volume de até 14%, causando a fragmentação do agregado, sendo este o fator a ser combatido na utilização da escoria de aciaria elétrica na pavimentação viária. O problema da expansão pode ser minimizado com um período de estocagem para ser feita a cura do material, esse período varia de três meses a um ano, sendo fator preponderante para esta definição o conteúdo de Cal livre no material, onde o tempo comumente usado é de seis meses. De acordo com dados obtidos por Kandhal e Hoffman 2 (1998 apud ROHDE, 2003, p.14), através do método PTM 130, a cura do material otimiza a utilização do mesmo, pois ao se comparar com o material não exposto ao período de cura de seis meses, nota-se que as porcentagens de expansão são de 0,3% para amostras curadas e 2,8% para as não curadas, onde o máximo especificado para utilização como agregado para pavimentação é de 0,5%. 2.3 Borracha de Pneus Segundo SENAI-PR (2001) a borracha teve seu grande início com a descoberta, de um processo de vulcanização, ao se expor ao fogo o produto, misturado com enxofre. Com isso as rodas de madeiras e ferro usadas em carroças e carruagens desde dos primórdios, foram substituídas pela borracha o que levou sua grande descoberta a revolucionar o mundo. Além de ser mais resistente e durável, a 1 LIMA, N. P.; NASCIMENTO, J. F.; FILHO, V. P. V. e C. A. V. ALBERNAZ (2000). Pavimentos de alto desempenho estrutural executados com escória de aciaria. Anais da X Reunião de Pavimentação Urbana, ABPv, Uberlândia. 2 KANDHAL, P. S.; HOFFMAN, G.L. (1998). Evaluation of Steel Slag Fine Aggregate in Hot-Mix Asphalt Mixtures. Transportation Research Record, Washington, D.C., n.1583, p.28-36. 13 borracha absorve melhor o impacto das rodas com o solo, tornando-se o transporte muito mais pratico e confortável. Com a revolução no setor dos transportes, a utilização dos pneus de borracha trouxe consigo a problemática do impacto ambiental (Figura 2.04), uma vez que a maior parte dos pneus descartados é abandonado em locais inadequados, causando grandes transtornos para a saúde e para a qualidade da vida humana (SENAI-PR, 2001). Segundo Bertollo; Fernandes Jr. e Schalch (2002) o depósito final dos pneus representa um problema de difícil solução, pois são objetos que ocupam grande volume e que precisam ser armazenados em condições apropriadas para evitar riscos de incêndio e a proliferação de insetos e roedores. A disposição final em aterros sanitários se torna inviável, pois os pneus inteiros apresentam baixa compressibilidade e degradação muito lenta. No Brasil não existe dados sobre o destino final dos pneus, por isso não tem como saber o quanto eles prejudicam o meio ambiente. Uma estimativa baseada na frota de veículos indica que são geradas mais de 44 milhões de carcaças de pneus anualmente e que existem mais de 100 milhões de pneus abandonados em todo o país. Devidos a esses dados, foi feita uma Resolução de nº 258 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), que obriga as empresas fabricantes e importadoras de fazer a coleta e dar destinação final dos pneus inservíveis no país de acordo com suas proporções relativas a quantidades fabricadas e importadas. Inicialmente, para cada quatro pneus novos fabricados no Brasil ou importados, (inclusive aqueles que acompanham os veículos importados) os fabricantes e as importadoras deverão reciclar ou reutilizar um pneu inservível. Segundo Bertollo; Fernandes Jr. e Schalch (2002) a reciclagem de pneus envolve um ciclo que compreende a coleta, o transporte, a trituração e a separação de seus componentes (borracha, aço, náilon ou poliéster), transformando sucatas em matérias primas para o mercado. A reciclagem de pneus foi uma das formas para diminuir disposição dos pneus em aterros sanitários, reduzindo um grande problema que vem aumentando a cada ano. Os pneus descartados nos aterros sanitários são inteiros, eles ocupam grandes espaços, com isso dificultam a compactação e acumulam os gases (metano) da decomposição do material orgânico, vindo à tona mesmo depois de aterrados, com isso causando incêndios nos aterros sanitários, provocando grandes 14 quantidades de fumaça tóxica contribuindo pra o aumento das doenças pulmonares da população e principalmente nas crianças que moram ao redor dos aterros sanitários. Estagio 1: Estagio 2: Estagio 3: Estagio 4: Estagio 5: Extração Processo Processo Coleta pneus Destinação Matéria Manufatura Consumo Descartados Final Disposição ilegal de pneus Recauchutagem Pneus usados Produção de Borracha e Aço Produção de novos pneus Consumo de pneus retratados Coleta para disposição Consumo de pneus novos Queima indireta de pneus Aterro de pneus Coleta para recuperação Reutilização de pneus Recuperação de energia Consumo de pneus usados Coleta para reuso Trituração de pneus Reciclagem industrial Figura 2.04: Ciclo de vida do pneu (BEUKERING & JANSSEN, 2001) Esses pneus que são descartados nos aterros sanitários podem ser utilizados em varias formas como, inteiro e em pedaços, e em diferentes tipos de aplicação, como: compostagem ele não pode ser transformado em adubo, mas sua borracha cortada em pedaços de 5cm pode servir para aeração de compostos orgânicos; contenção de erosão do solo eles são colocados inteiros associados a plantas de raízes grandes, podem ser utilizados para ajudar na contenção da erosão do solo; reforço de aterros eles são amarrados com fitas de poliéster, que são uma matériaprima barata e eficiente para a construção de aterros sem comprometer a qualidade da obra; recauchutagem é o processo de reforma de um pneu usado onde se 15 recoloca e vulcaniza a camada superior de borracha da banda de rolamento. A recauchutagem dos pneus é vastamente utilizada no Brasil, atingindo aproximadamente 70% da frota de transporte de carga e passageiros; combustível de forno para a produção de cimento ele é altamente combustível, um grande gerador de energia, seu poder calorífico gira entre 12 mil a 16 mil BTUs por quilo, superior ao do carvão. Outras formas de utilização desses pneus é na forma de várias granulometrias que é o processo de trituração (Figura 2.05). De acordo com a granulometria ela é encaminhado para cada tipo de industria que a utiliza como matéria-prima na fabricação de seus produtos. A granulometria com diâmetro de 1,5 e 3mm, são utilizados como matéria-prima na pavimentação misturando com o asfalto formando o asfalto-borracha e como agregado conhecido como agregadoborracha. Armazenamento de pneus pra a trituração Triturador Maquina de trturação Pneus após a trituração Figura 2.05: Processo de trituração de pneu (LAGUNO, 2003) 16 2.3.1 Métodos de Adição de Borracha de Pneu A borracha de pneu triturada é usada como matéria-prima na mistura para a pavimentação asfáltica como agregado, formando o agregado-borracha e misturado com o ligante, formando o asfalto-borracha. 2.3.1.1 Via seca ou agregado-borracha A borracha triturada é introduzida diretamente no misturador da usina de asfalto. Neste caso a borracha entra como um agregado na mistura com o ligante asfáltico. A transferência de propriedades importantes da borracha ao ligante é prejudicada, embora seja possível agregar melhorias à mistura asfáltica, desde que na sua fabricação seja possível obter uma mistura homogênea. 2.3.1.2 Via úmida ou asfalto-borracha A borracha é previamente misturada ao ligante, modificando-o permanentemente. Nesta modalidade ocorre a transferência mais efetiva das características de elasticidade e resistência ao envelhecimento para o ligante asfáltico original. Segundo Salini e Marcon (1998) este novo material que, acredita-se, possuir características bastante favoráveis, aliadas ao seu custo reduzido e a sua maior durabilidade frente ao concreto asfáltico usinado a quente tradicional (CAUQ), também denominado concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ), pode transformar-se numa excelente alternativa para a recuperação de pavimentos deteriorados, bem como, a execução de novos pavimentos, seja em rodovias, vias urbanas. O asfalto-borracha é uma mistura efetuada a quente (Figura 2.06), sob condições controladas, de ligante asfáltico (cimento asfáltico de petróleo - CAP), borracha moída de pneus, onde o teor da borracha varia de 15% a 20% em relação ao peso total da mistura, diluentes e alguns aditivos especiais se houver necessidade (PETROBRÁS, 2003). Segundo Cury et al. (2002) a primeira tentativa de se modificar as propriedades dos betumes com borracha datam de 1898 na Inglaterra, cujo processo patenteado originava um produto chamado “rubber-bitumen”. Mas o considerado “pai” do asfalto-brracha é o americano Charles H. McDonald, que no ano de 1963, que desenvolveu um material altamente elástico para ser utilizado na manutenção de pavimentos asfálticos, composto de ligante 17 asfáltico e 25% de borracha moída de pneu, que foi chamado de Overflex e em meados de 1970, a Arizona Refining Company Inc. criou um novo ligante contendo borracha reciclada batizado de Arm-R-Schield (SALINI e MARCON, 1998). Processo Úmido Tipo de Ligante Teor de Ligante CIMENTO ASFÁLTICO BORRACHA MOÍDA Tipo de Borracha Tamanho das Partículas Teor de Borracha Temperatura e Tempo de Reação Diluente LIGANTE ASFALTO-BORRACHA Figura 2.06: Esquema da produção do ligante asfalto-borracha (ODA, 2000) No Brasil o início deste tipo de modificação dos asfaltos convencionais iniciouse, muito tardiamente, em 1995 e o primeiro trecho de asfalto-borracha, foi com, aproximadamente, dois quilômetros, que só foi construído em agosto de 2001 no Estado do Rio Grande do Sul. Algumas vantagens são apontadas como benéficas com a adição de borracha de pneu moída no asfalto tradicional como se pode destacar: 9 redução da espessura do pavimento asfáltico construído; 9 aumento da vida útil do pavimento; 9 melhor aderência pneu-pavimento proporcionada no uso; 9 redução do ruído provocado pelo tráfego entre 65 e 85%; 9 redução da aquaplanagem e do efeito “spray” sob chuva (névoa que se forma quando o veículo passa sobre o asfalto molhado), o que contribui para a redução no número de acidentes e de vítimas fatais nas rodovias. O ligante asfalto-borracha tem sido aplicado em vários serviços de pavimentação, não ficando só restrito às atividades de reabilitação (remendo, selante de trincas e juntas), mas também têm sido utilizado em tratamento superficial, transição entre pavimento existente e camada de reforço e revestimento de concreto asfáltico (ODA, 2000). 18 As características do ligante asfalto-borracha é avaliado através dos ensaios adotados pelo Programa SHRP (Strategic Highway Research Program), além dos ensaios normalmente utilizados para ligantes asfálticos. Segundo Oda e Fernandes Jr. (2000) a produção pelo processo úmido consiste na mistura de cimento asfáltico de petróleo (CAP) e borracha moída (5 a 25%), a uma temperatura elevada (150 a 200ºC), durante um determinado período de tempo (20 a 120 minutos). O grau de modificação do ligante depende de vários fatores: o tipo de pneu moído, a granulometria (tamanho das partículas) e a porcentagem (teor) de borracha, o cimento asfáltico utilizado (tipo de ligante), a proporção de cimento asfáltico e borracha (teor de ligante), o tempo e a temperatura de reação, a compatibilidade do ligante com a borracha, a energia mecânica durante a mistura e a reação e o uso de diluentes. 2.4 Areia de Fundição Aceita-se que o descobrimento do metal pelo homem tenha ocorrido a cerca de oito mil anos, portanto, logo após o período neolítico (idade da pedra polida), quando o homem aprendeu a dominar o fogo e a confeccionar artefatos de argilas, tendo portanto dois elementos essenciais para a fundição de metais: o fogo para produzir calor para fundi-los e o vasilhame para contê-los durante as fases de fusão e vazamento. Segundo Ferreira (2004), Fundição é um substantivo feminino que é definido como “ato, efeito, arte ou fabrica de fundir”. Este processo consiste na fabricação de peças metálicas, onde Kondic 3 (1973 apud COUTINHO NETO, 2004, p.08) definiu como sendo qualquer processo de fusão e vazamento de metais em moldes, que possa permanecer em contato com o fogo ou suportar calor elevado, sem alterações significativas em suas características (refratário), tendo como objetivo a produção de peças com formas e dimensões previamente estabelecidas. Este processo é descrito por Siegel et al. 4 (1982 apud COUTINHO NETO, 2004, p.10) sendo composto pelas etapas de modelação, moldagem, macharia, fusão, vazamento, desmoldagem e rebarbação – limpeza. 3 KONDIC, V. (1973). Princípios metalúrgicos de fundição. Tradução de Cláudio Luiz Mariotto e outros. São Paulo: Polígono, Ed. da Universidade de São Paulo. 4 SIEGEL, M. et al. (1982). Fundição. Notas de aulas. ABM – Associação Brasileira de Metais. 13.ª ed. São Paulo: Édile Serviços gráficos e editora ltda. 19 Estes autores afirmam que os processos básicos de fundição são caracterizados pelo seu processo de moldagem, sendo classificados como em areia verde; em areia seca; em areia – cimento; em areia de macho; pelo processo de CO2; em casca (Shell moding); pelo processo de cera perdida ou pelo investimento (Investment casting); em moldes permanentes; em moldes semipermanentes; em fundição por centrifugação. Contudo, embora existam vários processos, a moldagem em areia ainda é a responsável pela maior quantidade de peças metálicas produzidas, devido a grande quantidade desse material na natureza, o que diminui o custo da produção, e a boa qualidade das peças obtida por esse método, embora a preferência por este tipo de moldagem faz com que a natureza sofra com a utilização desses recursos naturais. As areias utilizadas são na maioria das vezes quartzosas, podendo também serem utilizadas areias de zirconita, de cromita e de olivina, sendo oriundas da decomposição de rochas e tendo suas propriedades influenciadas pelas mesmas. É importante que estas areias não contenham impurezas, que são minerais que tenham baixo ponto de fusão, pois estes minerais como feldspato e calcinita fundemse no vazamento do metal fundido, comprometendo a qualidade da peça ao fim da produção. A areia (base) deve estar dentro de uma determinada faixa granulometrica que depende, principalmente, do acabamento superficial do produto fundido, caracterizado pelo processo de moldagem usado. De um modo geral, a areia utilizada nos diversos processos de fundição apresentam tamanho entre 0,075 e 1,0mm, tendo cerca de 85 a 95% de material passando na peneira nº 30 (0,59mm) e retido da nº 100 (0,149mm). A areia utilizada nesta pesquisa apresenta, aproximadamente, 90% de material passando na 30 e retido na 100. Além das características acima mencionadas, a outras que são de suma importância no agregado base/mistura de moldagem. Destacando-se: granulometria, resistência mecânica, permeabilidade, refratariedade, entre outras. Lembrando que esta mistura de moldagem também é composta por aglomerantes (orgânicos e inorgânicos), água e aditivos. Segundo McIntyre et al., 5 (1992 apud COUTINHO NETO, 2004, p.01) a cada tonelada de metal produzida, tem-se aproximadamente uma tonelada de resíduo de 5 MCINTYRE, S. W. et al. (1992). Benefication and Reuse of Foundry Sand Residuals: A Preliminary Report. Transactions of the American Foundrymen`s Society, vol. 100, p.201-208. 20 fundição, consequentemente, em 2003, o Brasil gerou mais de dois milhões de toneladas desse resíduo, pois neste ano o país produziu de janeiro a novembro, 2.083.581 de toneladas de produtos fundidos (ABIFA, 2003). 2.07.a: Vazamento do metal 2.07.b: Molde após preenchimento Figura 2.07: Vazamento do metal no molde (COUTINHO NETO, 2004) Este resíduo gerado poderia ser classificado, segundo a NBR-10004/87, como resíduo “inerte” (Classe III), mas a presença da areia de macho no descarte faz com que se encontre uma teor acima do permitido por norma de materiais nocivos ao meio ambiente, fazendo com que a areia de fundição seja classificada como resíduo “não inerte” (Classe II), e até resíduos perigosos (Classe I), dependendo das substancias e teores encontrados. Desta forma a reutilização desse material é bastante salutar, e avaliada para emprego na construção civil de varias maneiras, como: confecção de tijolos, concreto, aterros para construção de rodovias, como agregado fino em misturas asfálticas e pavimentação asfáltica armada. Dentre as reutilizações citadas, as atividades relacionadas a movimentos de terra e pavimentação asfáltica, são uma alternativa interessante já que são atividades onde o consumo de bens não renováveis é grande, e diversos estudos já comprovaram o potencial de utilização do material em aterro, subleito de rodovias, agregado fino em material de baixa resistência controlada (Flowable fill) e como agregado fino no concreto asfáltico. 21 Como classificado anteriormente, o resíduo das indústrias de fundição pode apresentar uma composição química preocupante, com base nisso Bina, Castro e Alves 6 (2003, apud COUTINHO NETO, 2004, P.37) concluiram que a utilização mais segura é a pavimentação asfáltica armada, que consiste na colocação de uma camada composta de tela de aço e lama asfáltica (1 a 1,5 cm de espessura) entre duas camadas de CBUQ, sendo a camada inferior com espessura de 5 a 12 cm e a superior, de 5 a 7cm. 2.5 Rejeitos Minerais São resíduos oriundos da exploração de diversos minerais como quartzito, granito, mármore, entre outros. A exploração do quartzito, por exemplo, nos estados de Goiás e Minas Gerais, vêm sendo desenvolvidas há anos com grande produção de resíduos. Estudos desenvolvidos nessas regiões revelam que é muito baixo o aproveitamento da matéria-prima, com isso há a geração de uma quantidade de rejeito considerável com cerca de 10% de matéria-prima e 90% de rejeito, ou seja, um aproveitamento muito baixo. Isso ocorre devido às técnicas que são aplicadas na exploração que são chamadas de “desmonte”. A exploração desse minério é, normalmente, direcionada para a construção civil, para revestimento e ornamentações de ambientes internos e externos. Devido ao baixo rendimento, a exploração pela técnica de desmonte, esta atividade é considerada predatória, causando grande passivo ambiental. Do ponto de vista econômico, essas empresas representam mais de um terço da economia local. Esse tipo de exploração tem crescido bastante, no ano de 2000 a produção de quartzito em Minas Gerais foi de 35.417,61 toneladas e em 2001 a produção foi para 50.390,10 toneladas, correspondendo a uma alta de 42,27%. Segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM, 2004), a produção de quartzito em 2004 apresentou um crescimento médio de 37,6% em relação a 2003. Algumas pesquisas foram realizadas dentro dos rejeitos de quartzito com aplicação em vários segmentos da engenharia civil, como agregado no concreto pra 6 BINA, P.; CASTRO, P. R. F. de; ALVES, J. H. (2003). Utilização de areia de fundição descartada na pavimentação: como aprovar e transformar resíduo em faturamento. 34.ª Reunião anual de pavimentação – Campinas/SP. 22 pré-moldados, ou como agregado para pavimentação. Segundo Kropp 7 (1999 apud BERNUCCI, 2005 p.1363) afirma que a busca de alternativas de uso para esses materiais foi apenas iniciada e que a abrangência do tema pode ser acentuadamente estendida, principalmente, levando-se em consideração que a quantidade de resíduo já gerado e ainda a ser gerado, o que justificaria o esforço. Segundo Leite et. al. (2003) para diminuir a poluição ambiental com os rejeitos dos minerais, surge o processo de pavimentação asfáltica, que além do cimento asfáltico de petróleo (CAP), utiliza também cerca de 95% de agregados minerais em sua composição. 2.6 Cinzas Pesadas Na produção de energia nas usinas termelétricas, quando o carvão mineral pulverizado é queimado, cerca de 80% do material não queimado e as cinzas do processo de queima são recuperados nas tubulações de exaustão de gás. Esse material é conhecido como cinza volante, sendo, na atualidade, totalmente utilizado pela industria como um insumo do cimento portland pozolânico. Os 20% restantes são cinzas secas pesadas (bottom ash). As cinzas pesadas são coletadas por um recipiente cheio de água posicionado em baixo da câmara de combustão, sendo retiradas, sempre que atingem quantidade suficiente no recipiente, por um jato de água de alta pressão conduzido por um canal de limpeza para tanques de disposição ou para bacias de decantação para perda de umidade. Segundo Trichês et al., (2006), anualmente na usina termelétrica Jorge Lacerda, localizada no município de Capivari de Baixo, sul do estado de Santa Catarina, são produzidas cerca de 300.000 toneladas de cinza pesada que são armazenadas em bacias de sedimentação e, posteriormente, parte é utilizada em aterro de terrenos e parte tem causado transtorno, pois etá gerando um grande passivo ambiental. A composição química da cinza pesada é controlada basicamente pela fonte do carvão mineral, sendo composta principalmente por sílica ( SiO2 ) e alumina ( Al 2 O3 ), que correspondem à cerca de 50% e 30%, respectivamente, na 7 KROPP, L. (1999). Universidade Técnica de Bremem. Alemanha. Comunicação pessoal. 1999. 23 composição em massa do material (KE e LOWELL 8 , 1992 apud TRICHÊS, 2006). Quanto as características físicas, possui uma forma arredondada, estrutura porosa, uma densidade real de 1,92 e 100% passante na peneira de nº 10, e ainda apresenta uma umidade natural em torno de 30%. Essas características fizeram com que vários pesquisadores destacassem a importância de um estudo referente a aspectos que credenciem esse resíduo, de forma que ele seja reaproveitado na construção civil, em especial na pavimentação viária. A utilização de rejeitos industriais, na pavimentação viária está se tornando realidade, e em paises como Reino Unido e Estados Unidos já existem procedimentos padronizados para a avaliação desses materiais visando seu emprego. Entretanto, a utilização de cinzas pesadas em obras de infra-estrutura viária tem sido pouco pesquisada ou documentada, tendo as aplicações em vias periféricas dos municípios de Charqueada e São Jerônimo, no Rio Grande do Sul, como registro de sua utilização no Brasil. Ensaios comprovam que a cinza pesada quando aplicada individualmente, tem um péssimo comportamento geotécnico, além de ser um resíduo sólido não inerte, sendo passível de solubilizar compostos químicos presentes em sua constituição quando submetidos a percolação de água, sendo necessária a adição de um composto cimentante, que tem capacidade de imobilizar certos compostos metálicos visando o sucesso da inertização desse resíduo e dar melhoria no comportamento mecânico da mistura. 8 KE, T. C.; LOWELL, C. W. (1992) Corrosity of Indiana Bottom Ash. Transportation Research Board. Washington – DC. Artigo técnico. Disponivel em: http://www.tfhrc.gov/hnr20/recycle/waste/cbabs1.htm 24 CAPÍTULO 3 – MATERIAIS E MÉTODOS Neste capítulo será abordado a metodologia e materiais utilizados pelos autores Carneiro et al., (2000); Rohde, (2003); Ceratti et al., (2004); Coutinho Neto (2004); Carvalho, (2006) e Trichês (2006). Referente, respectivamente as pesquisas que tratam do reaproveitamento do entulho da construção civil, da escória de aciaria, da borracha de pneus inservíveis, da areia de fundição, de rejeitos minerais e de cinzas pesadas. 3.1 Entulho da Indústria da Construção Civil (CARNEIRO et al., 2000) 3.1.1 Uso do Agregado Reciclado de Salvador em Camadas de Base e Subbase de Pavimentos Com a implantação, a partir de 1997, do projeto de gestão diferenciada do entulho de Salvador, apresentado no capitulo IV, estão sendo produzidos pela usina de reciclagem cerca de 200 t/dia de agregado reciclado. Para viabilizar o uso desse material, foram desenvolvidos estudos laboratoriais, pelo Projeto Entulho Bom, sobre o uso do agregado reciclado da Industria da Construção Civil de Salvador em pavimentos. Esses estudos buscam contribuir para o aumento da oferta de pavimentação de vias necessárias à expansão urbana e à fundamentação do meio técnico/empreiteiro a respeito dessa forma de reciclagem. A avaliação da viabilidade do uso do agregado reciclado de Salvador, em camadas de base e sub-base de pavimentos, consistiu na: 9 determinação das características físicas dos solos e do agregado reciclado de Salvador para utilização em base e sub-base de pavimentos; 9 avaliação das propriedades físicas e mecânicas dos materiais produzidos; 9 identificação das proporções mais adequadas dos materiais e análise das diferentes situações em que é viável a utilização do agregado reciclado de 25 3.1.1.1 Materiais utilizados Foram utilizados dois solos geneticamente distintos e típicos da região de Salvador: um solo de comportamento laterítico, proveniente da formação barreiras, classificado pedologicamente como latossolo amarelo de textura arenosa, e um solo de comportamento não laterítico, do horizonte pedológico C saprolítico, de rocha metamórfica de fácil granulito. Foi utilizado, também, entulho de Salvador reciclado (britado e classificado) nas frações agregado reciclado miúdo (material passante na peneira 4,8 mm) e agregado reciclado graúdo (material passante na peneira 19 mm). As características e a classificação AASHTO (American Association of State Transportation Highway Officials, 1978) dos materiais utilizados estão apresentados resumidamente na Tabela 3.01 O agregado reciclado miúdo e o agregado reciclado graúdo são, predominantemente, constituídos de areia (grossa, média e fina) e pedregulho, respectivamente, ambos apresentando baixos percentuais granulométricos de argila e silte. Esse resultado indica que o agregado reciclado apresenta-se como material adequado para ser utilizado em base e sub-bases de pavimentos. O agregado reciclado miúdo apresenta limites de consistência e equivalente de areia de acordo com as especificações da NBR 11804/91. Devido à ausência de plasticidade, o agregado reciclado apresenta comportamento adequado para a estabilização de solos plásticos, como é o caso do solo saprolítico utilizado neste trabalho. Suas características granulométricas e seu coeficiente de permeabilidade também indicaram a possibilidade de utilização desse material na execução de camadas drenantes de pavimentos, ou em locais onde o lençol freático é elevado. O agregado reciclado graúdo apresentou 45% de desgaste no ensaio de abrasão Los Angeles. Esse material atendeu às especificações da NBR 11804/91 para sub-base e base de pavimentos (< 55%). As proporções dos materiais adotadas neste estudo e apresentadas na Tabela 3.02, foram definidas com o objetivo de analisarem-se diferentes situações que permitam a utilização de agregado reciclado na execução de camadas de base e sub-base. As amostras que continham apenas solo, Am 0 e Am 1 serviram de referência 26 para a análise das demais amostras. Esse procedimento permitiu analisar e comparar o comportamento do agregado reciclado, bem como o comportamento da sua mistura com dois solos típicos da região de Salvador. Tabela 3.01: Características dos materiais utilizados Métodos Propriedades Utilizado Pedregulho Solo Solo Ag. Rec. Ag. Rec. Laterítico Saprolítico Miúdo Graúdo % 0 0 0 50 % 80 32 82 44 Unidade Análise Areia Granulométrica Silte % 1 30 2 3 Argila % 19 38 16 3 _ _ _ _ 2,22x10 _ A-2-4(0) A-7-5(15) A-2-4(0) A-2-4(0) NBR 7181 Coeficiente de permeabilidade Hazen Classificação AASHTO/ HRB ASHTO/ (índice de grupo) HBR Limite de liquidez NBR 6459 % 20 62 NL _ Limite de plasticidade NBR 7180 % 5 42 NP _ Índice de plasticidade NBR 7180 % 15 20 _ _ % 14 2 68 _ Equivalente de areia NBR 12052 Massa unitária NBR 7251 g/cm³ 1,27 1,05 1,30 1,07 Massa especifica dos sólidos NBR 6508 g/cm³ 2,59 2,65 2,59 2,19 Abrasão Los Angeles NBR 6465 % _ _ _ 45 3.2.1.2 Métodos de avaliação Os métodos utilizados para avaliação das propriedades dos materiais foram baseados em normas técnicas da ABNT — Associação Brasileira de Normas Técnicas, procedimentos consolidados no meio técnico e métodos específicos para a análise dos solos tropicais. Assim, a caracterização e a avaliação dos materiais foram realizadas de acordo com o Método Tradicional e MCT (Miniatura Compactactado Tropical). A avaliação pelo método tradicional visou à análise das propriedades dos materiais e à compreensão do seu comportamento mecânico. Além dos ensaios de caracterização dos materiais, foram realizados ensaios para avaliação das misturas estudadas: distribuição granulométrica (NBR 7181/84), compactação na energia intermediária (NBR 7182/82), Índice de Suporte Califórnia (NBR 9895/87) e degradação. A análise dos materiais realizada pelo método MCT teve por objetivo determinar a classificação geotécnica (Mini-MCV e ensaios associados) e as propriedades mecânicas e hidráulicas (Mini-CBR e ensaios associados) dos 27 -2 materiais utilizados, visando à avaliação do seu uso em bases e sub-bases de pavimentos. Tabela 3.02: Proporções e materiais avaliados. Identificação da amostra Materiais Proporção em Massa de Agregado Rec. na Mistura (%) Am 0 Solo Laterítico 0 Am 1 Solo Saprolítico 0 Am 2 Ag. Rec. Miúdo 100 Am 3 Ag. Rec. Graúdo 100 Am 4 Solo Laterítico / Ag. Rec. Miúdo 30 Am 5 Solo Laterítico / Ag. Rec. Miúdo 50 Am 6 Solo Laterítico / Ag. Rec. Miúdo 70 Am 7 Solo Laterítico / Ag. Rec. Miúdo 30 Am 8 Solo Saprolítico / Ag. Rec. Miúdo 50 Am 9 Solo Asprolítico / Ag. Rec. Miúdo 70 Am 10 Solo Laterítico / Ag. Rec. Graúdo 70 Am 11 Solo Saprolitico / Ag. Rec. Graúdo 70 Am 12 Ag. Rec. Miúdo / Ag. Rec. Graúdo 70 Para o método MCT, foram realizados ensaios com os solos laterítico e saprolítico, com o agregado reciclado miúdo e com as misturas constituídas de 50% de solo laterítico cada material (amostras Am 0, Am 1, Am 2, Am 5 e Am 8). As misturas foram estudadas para análise e comparação das características e propriedades geotécnicas obtidas pela junção desses materiais. As atividades laboratoriais necessárias para o desenvolvimento da pesquisa foram realizadas no laboratório de Geotecnia da Escola Politécnica da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e no Setor de Pesquisa Tecnológica do Departamento de Infra-estrutura e Rodagens da Bahia (DER/BA). Foi realizada, ainda, a avaliação econômica preliminar da implementação dos processos de produção de bases e sub-bases de pavimentos com utilização do agregado reciclado de Salvador. Essa avaliação teve por objetivo analisar a viabilidade econômica dessa forma de reciclagem e colaborar, assim, no desenvolvimento dos processos de gestão de resíduos da construção civil. 28 3.2 Escória de Aciaria (ROHDE, 2003) Para a realização desta pesquisa foi formada uma pilha de estocagem com a escória de aciaria elétrica gerada durante o período de um mês, visando garantir a representatividade do resíduo gerado pela siderúrgica estudada. A pilha formada apresentou dimensões aproximadas de 20x25x3 (m) contendo cerca de 2500 tf de agregado com diâmetro máximo de uma polegada. A partir do término da formação da pilha de estocagem, foram realizadas amostragens mensais durante seis meses, buscando avaliar o comportamento do material quando exposto a diferentes períodos de envelhecimento ao ar livre. Tendo em vista as limitações dos métodos de amostragem recomendados pelas normas utilizadas no Brasil, o pesquisador optou por empregar um método alternativo para a coleta das amostras. Dividiu-se horizontalmente a pilha em seis quadrantes e verticalmente em duas profundidades. A cada amostragem, com o auxilio de uma máquina retroescavadeira com pá pequena, foram coletadas amostras de pelo menos três quadrantes distintos, tanto na parte superior da pilha quanto na inferior, sendo retiradas a cada mês cerca de 500 kg de agregado. As características físicas e mecânicas do agregado foram determinadas por meio de ensaios de granulometria, durabilidade ao sulfato de sódio, abrasão no equipamento Los Angeles, compactação, Índice de Suporte Califórnia (ISC) e modulo de resiliência, seguindo as especificações do extinto DNER. A expansibilidade da escória de aciaria foi avaliada utilizando o método ASTM D-4792/95 – Potential Expansion of Aggregates from Hydration Reactions. Este método foi escolhido por ser o mais utilizado e recomendado na bibliografia internacional (COOMARASAMY; WALSAK 9 , 1995; CHESNER et al. 10 , 2001 apud ROHDE, 2003, p.15). Este ensaio consiste, basicamente na medida da expansão volumétrica de três amostras compactadas de escórias imersas em água à temperatura de (70 ± 3)ºC durante um período de sete dias (168 horas). A expansão dos corpos-de-prova foi determinada a partir das leituras dos deslocamentos verticais. Para possibilitar leituras quase continuas, foram instalados sensores de deslocamento conectados a um sistema de aquisição de dados que executa 9 COOMARASAMY, A.; WALZAK, T. L. (1995). Effects of moisture on surface chemistry of steel slags and steel slag asphalt paving mixes. Transportation Research Record, Washington, D. C., n .1492, p.85-95. 10 CHESNER, W. H.; STEIN, C. W.; COLLINS, R. J.; VAN HELDEN (2001). Waste and Recycled Materials in the Transportation Industry. NCHRP 4-21 – Information Database, version 1.0.8. American Association of State Highway and Transportation Officials. em CD-ROM. 29 medições a cada 30 minutos, com resolução de 0,01 mm. Os dados obtidos são então colocados em gráficos mostrando a variação do percentual de expansão em função do tempo de imersão, para avaliar se os valores de expansão estão dentro dos limites estabelecidos de forma a utilizar o material nas camadas de base e subbase de pavimentos. 3.3 Borracha de Pneus (CERATTI et al., 2004) Estudos de um segmento de um pavimento experimental, realizado no laboratório de pavimentação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), utilizando um simulador de tráfego para análise da aplicação do asfalto convencional (CAP-20) e do asfalto-borracha (Ecoflex-A) produzido pela empresa Greca Asfaltos. 3.3.1 Aplicação das Misturas Asfálticas em um Pavimento Experimental Para a obtenção de resultados em curto prazo, aplicou-se a técnica de ensaios acelerados, com emprego do simulador de tráfego linear do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER/UFRGS) em um pavimento experimental com duas trilhas, uma de CAP-20 e outra de Ecoflex-A com o CAP-20 com adição de 20% de Borracha Moída de Pneu (BMP) dentro de um projeto de pesquisa desenvolvido pelo grupo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), através do Laboratório de Pavimentação (LAPAV), a empresa Greca Asfaltos e o Consórcio Univias. 3.4 Areia de Fundição (COUTINHO NETO, 2004) Foram realizados ensaios diversos, caracterizando os materiais por meios de suas propriedades mecânicas como: dosagem pelo método Marshall; moldagem de corpos-de-prova nos teores específicos de vazios (3, 4 e 5%); envelhecimento (curto e/ou longo prazo); cantabro; umidade induzida; resistência a tração por compressão diametral; módulo de resiliência por tração indireta, com carregamento repetitivo; fluência por compressão uniaxial estática, em dois níveis de tensão (0,1 e 0,4 MPa), sendo que na tensão de 0,4 MPa, este ensaio foi executado com prato superior de carregamento normal (diâmetro do corpo-de-prova) e reduzido (diâmetro de 51 mm). Complementando o estudo foram realizados ensaios ambientais observando o seu potencial de contaminação do meio ambiente, através dos ensaios como: lixiviação, solubilização de resíduos e massa bruta, nas misturas asfálticas soltas 30 contendo 10% de areia virgem (areia antes de passar pelo processo de fundição) e 15% de areia de fundição e lixiviação alterada com extrator soxhlet, em amostra de cimento asfáltico e no corpo-de-prova compactado (5% de vazios), com o objetivo de avaliar o comportamento da mistura a longo prazo. O ensaio de lixiviação de resíduos foi executado com o objetivo de extrair substâncias contidas na areia de fundição, contaminantes (fenóis, metais pesados e outras) ou não do meio ambiente, por meio de lavagem ou percolação e desta forma, classificar esse resíduo conforme seu potencial contaminante (ABNT-NBR 10004/87). Este ensaio foi realizado de acordo com os procedimentos descritos na NBR 10005/87. Os valores máximos permitidos para as diversas substancias contaminantes são apresentados na NBR 10004/87. O ensaio de solubilização de resíduos (NBR 10006/87) foi realizado com o intuito de diferenciar os resíduos da classe II (não-inertes), que é o caso da areia de fundição utilizada neste estudo, dos resíduos da classe III (inertes), sendo aplicado somente para resíduo no estado físico sólido. Os valores máximos permitidos (Limites máximos no extrato – mg/L) são os que constam na NBR 10004/87. Os ensaios para a classificação de resíduos, lixiviação, solubilização e massa bruta, foram realizados em amostras de areia de fundição (resíduo de fundição), de areia virgem (areia antes da utilização no processo de fundição), de massa asfáltica contendo 15% de areia de fundição e de massa asfáltica contendo 10% de areia virgem (ambas não compactadas). O ensaio de lixiviação alterada com extrator soxhlet foi executado em amostra de massa asfáltica compactada, com areia de fundição incorporada, para verificar se a areia de fundição, na presença de agregados e principalmente asfalto, liberaria substancias tóxicas, em concentrações tais, que viessem a comprometer o meio ambiente. Assim, o objetivo da realização deste teste foi avaliar o comportamento do resíduo incorporado a pavimentos de vias, em termos ambientais e em longo prazo quando submetidos à ação de agentes naturais de alteração por meio de solicitações físicas e físico-químicos. Para a execução do ensaio de lixiviação alterada foi utilizado um corpo de prova cilíndrico compactado (diâmetro de 101,8 mm, altura de 63,48 mm e peso de 1255,5 gf) de mistura asfáltica com 15% de areia de fundição (≈190 gf) e com volume de vazios de, aproximadamente, 5%. A duração do ensaio foi de três meses (90 dias) em sistema de “lavagem” intermitente, com água percolando por, 31 aproximadamente, 12 horas, seguida, por igual período sem percolação. Foram programadas cinco coletas da solução com os lixiviados. Em cada coleta, o volume de água destilada foi de 2,1 litros, sendo este extrato destinado á analise química. O extrato coletado, conforme a programação (Tabela 3.03), foi submetido à analise química nos Laboratórios de Saneamento da EESC/USP e de Recursos Hídricos da UNAERP/SP para quantificar as substancias presentes e desta forma, avaliar se as concentrações estavam compatíveis com os padrões de potabilidade de água, conforme a listagem n.º 8 da norma ABNT-NBR 10004/87. A alteração ativada ocasiona uma lixiviação continua (durante o ciclo, considerado neste estudo de 12 horas), em virtude da água percolar pela amostra a uma temperatura alta (em torno de 60ºC), possibilitando a “lavagem” de substancias nela contidas (no caso, mistura asfáltica compactada) para a solução. Nesse processo, a água ferve, o vapor ascendente passa pelo material asfáltico, entra em contato com o cendensador de vidro, se liquefaz e pinga sobre a superfície da amostra, lavando-a (Figura 3.01). Os ensaios de alteração, geralmente, impõem condições mais severas do que as que geralmente ocorrem, como, por exemplo, em relação à temperatura e umidade, que neste ensaio são muito mais elevadas que as encontradas no meio ambiente. Figura 3.01: Equipamento utilizado para o ensaio de lixiviação com extrator soxhlet Além dos ensaios de avaliação do comportamento das misturas em termos ambientais e dos ensaios de dosagem MARSHALL (DNER-ME 043/95), foram realizados ensaios de dano por umidade induzida (AASHTO T 283/99), cantabro (NLT-325/86), fluência por compressão uniaxial estática, resistência à tração por 32 compressão diametral (DNER-ME 138/94) e modulo de resiliência (DNER-ME 133/94) para avaliar o desempenho do concreto asfáltico obtido com a areia de fundição. Tabela 3.03: Cronograma de coleta do extrato resultante do ensaio de lixiviação com extrator soxhle. Coletas Tempo de lixiviação (h) Duração do ensaio (d) primeira 12 1 segunda 84 7 terceira 252 21 quarta 540 45 quinta 1080 90 O ensaio de umidade induzida foi executado para avaliar a susceptibilidade da mistura ao deslocamento (stripping) da película asfáltica do agregado em longo prazo (quatro a 12 anos, segundo AASHTO T 283/99) e avaliar ainda a eventual necessidade de se utilizar um aditivo antistripping (dope). A areia de fundição é de natureza silicosa (hidrófila) e apresenta em sua superfície uma fina camada composta de carvão queimado, argila, resina, pó e, dependendo da natureza do produto fundido, resíduos de metais ferrosos e não-ferrosos, que podem dificultar a adesividade do filme asfáltico, resultando em perda de agregado fino (a areia) e, consequentemente, na deterioração acelerada do pavimento. Os corpos-de-prova podem ser preparados em laboratório ou extraídos da pista e devem ter diâmetro de 101,6 mm (4”) e altura de 63,5 mm (2,5”) ou 150 mm de diâmetro (6”) e altura de 95 mm (3,75”), com volume de vazios de 7 ± 1% ou o esperado no campo (item 6.5 da AASHTO T 283/99). Neste estudo, os corpos-de-prova foram de 4” de diâmetro (101,6 mm) e 2,5” de altura (63,5 mm), com 4% de vazios (volume de vazios esperado no campo), tendo sido os ensaios conduzidos como o padronizado na AASHTO T 283/99. Os ensaios de fluência por compressão axial estática foram executados tomando-se como base o descrito em diversos trabalhos segundo Coutinho Neto, 2004 (De Hilster e Van de Loo, 1977 (SHELL); Von Quintus et al., 1991 (AAMAS); Litle et al., 1993; Coelho, 1996; Mugayar, 2003). O procedimento de ensaio constou, em linhas gerais, das seguintes etapas: preparação dos corpos de prova (polimento 33 e medições); condicionamento em estufa, na temperatura de 40ºC, por pelo menos seis horas; pré-condicionamento com dois minutos de aplicação da tensão de ensaio, nesta pesquisa, 0,1 e 0,4 MPa, seguida de um período de descarregamento ou recuperação do corpo de prova de cinco minutos; imediatamente, após o período de recuperação, inicia-se o ensaio, submetendo os corpos-de-prova aos parâmetros preestabelecidos (tensão e temperatura) durante 60 minutos; após esse período, o carregamento é retirado automaticamente e inicia-se o período de recuperação, com duração de 15 minutos; durante as fases de carregamento (fluência) e de recuperação, os deslocamentos são registrados automaticamente a intervalos de tempo regulares. As deformações especificas, elásticas, viscosas ou visco-plásticas (εvp), obtidas dos deslocamentos axiais medidos em cada LVDT, são calculadas mediante a expressão 1. Os parâmetros indicadores da sensibilidade à deformação permanente da mistura, são a deformação total média para uma hora de carregamento, a inclinação do estado secundário da curva deformação versus tempo de carregamento (m) e o modulo de fluência (Sc), e podem ser calculadas pelas expressões 3.01, 3.02 e 3.03, respectivamente. O estagio secundário (trecho de fluência constante) é determinado entre 1000 e 3600 segundos de tempo de ensaio. εt = Δht h0 ⎛ε ⎞ log⎜⎜ 3600 ⎟⎟ ⎝ ε 1000 ⎠ m= 0,5563 Sc = σ εt (3.01) (3.02) (3.03) Onde: ε t , ε 1000 , ε 3600 : deformações axiais especificas, respectivamente, em qualquer instante t; para 1000 e 3600 segundos de ensaio; Δht : variação da altura do corpo de prova em qualquer instante t [mm]; h0 : medida inicial da altura do corpo-de-prova [mm]; σ: nível de tensão do ensaio [MPa]; m: tempo de carregamento; S c : modulo de fluência. 34 O ensaio cantabro tem a finalidade de avaliar a perda por desgaste de misturas asfalticas empregando o equipamento de abrasão Los Angeles. Ele consiste, basicamente, em introduzir o corpo de prova na maquina de abrasão Los Angeles, sem nenhuma carga abrasiva e submetê-lo a 300 revoluções, no caso de concreto asfáltico usinado a quente. Esse ensaio permite também avaliar indiretamente a coesão, assim como a resistência a desagregação da mistura perante a sucção e os efeitos abrasivos originados pelo trafego. A determinação da perda por desgaste é a media das massas perdidas dos corpos-de-prova ensaiados individualmente na expressão 3.04. Os ensaios foram executados conforme a norma espanhola NLT-325/86. P= (P1 − P 2 )× 100 P1 (3.04) Onde: P: porcentagem de massa perdida [%]; P1 e P2: respectivamente, massa inicial e final do corpo-de-prova [g]. O ensaio de resistência à tração indireta (por compressão diametral estática) foi realizado conforme o método DNER-ME 138/94, com velocidade de deformação de 0,8 ± 0,1 mm/s e temperatura de 25ºC, até a ruptura do corpo-de-prova por separação em duas metades, segundo o plano diametral vertical. A resistência à tração obtida deste ensaio serve como parâmetro para o ensaio do módulo de resiliência, que no caso de ser realizado sob tensão controlada, deve utilizar nível de tensão menor ou igual a 30% dessa resistência (DNER-ME 133/94). A determinação do modulo de resiliência foi feita sempre em duas direções, 0 e 90º, em corpos-de-prova moldados segundo o método Marshall. Os ensaios foram realizados em sala climatizada, com temperatura em torno de 25ºC, onde os corposde-prova permaneceram por pelo menos 12 horas antes do inicio dos ensaio e foram seguidos os procedimentos descritos no método de ensaio DNER-ME 133/94. Para a execução dos ensaios de fluência por compressão uniaxial estática e de modulo de resiliência foi utilizada uma prensa com sistema pneumático de aplicação de carga. Um programa computacional, desenvolvido em Labview ®, controlou a aquisição das leituras dos deslocamentos (por LVDT’s) e das cargas, a aplicação e a retirada da carga, assim como o armazenamento de dados. 35 3.5 Rejeitos Minerais (CARVALHO, 2006) 3.5.1 Origem do Rejeito e do CAP O rejeito utilizado neste trabalho trata-se de um granito de uma pedreira da região de Medeiros Neto – BA. Em relação ao ligante asfáltico o autor da pesquisa só denominou de CAP, não o especificando. 3.5.2 Beneficiamento e Caracterização do Rejeito 3.5.2.1 Britagem A amostra foi recebida com granulometria maior do que duas polegadas. Foi feita uma britagem em três estágios, a fim de separar a amostra em três frações diferentes: brita 1, entre 12,70 e 9,50 mm; brita 0, entre 9,50 mm e # 8 e pó de pedra, com granulometria menor do que # 8. Para esse procedimento, foram utilizados três britadores, onde um era britador de rolos e os outros britadores de mandíbulas. Dessa forma a amostra estava preparada para utilização nos ensaios. 3.5.2.2 Análises química e mineralógica As análises química e mineralógica foram realizadas pela Coordenação de Análises Minerais (COAM) do Centro de Tecnologia Mineral (CETEM). 3.5.2.3 Análise granulométrica Utilizou-se a norma preconizada pelo DNIT – ME 083-98, onde cada fração da amostra foi quarteada de forma que fossem extraídas das mesmas alíquotas representativas com massa entre 1 e 1,5 kg. Para cada granulometria, foram utilizadas três alíquotas e obteve-se a média entre estas. O tempo de peneiramento foi de cinco minutos e as peneiras utilizadas foram: 38,10, 25,40, 19,10, 12,70, 9,50, 4,80, 2,00, 0,42 e 0,074 mm. 3.5.2.4 Abrasão Los Angeles Depois da análise granulométrica, verificou-se que a peneira com maior retenção do material foi a de 9,5 mm. Com isso, o agregado foi peneirado de forma que fossem obtidos pouco mais de 5000 g do mesmo nessa granulometria. Foi feita a lavagem e secagem do material e então 5000 g do agregado, livre de poeira, foi adicionado ao moinho de bolas. O moinho de bolas possui as dimensões especificadas na norma 36 DNER-ME 035/98. O equipamento operou numa rotação entre 30 e 33 r.p.m. até que se atingisse 500 rotações. Ao término da operação, o moinho foi esvaziado e o material peneirado numa # 12. A fração passante foi descartada e o material retido foi lavado, seco em estufa e pesado para o cálculo da abrasão. 3.5.2.5 Densidades real e aparente e absorção de água A densidade do agregado foi obtida de acordo com a norma DNER - ME 081/94 para britas 1 e 0 e ME 084/94 para o pó de pedra. Cada amostra foi lavada e seca, até que ocorresse constância de massa, e então imersa em água durante 24 horas. A amostra foi retirada da água e obteve sua massa na condição de superfície seca saturada, onde toda a água visível na superfície do agregado foi removida com o auxílio de um pano absorvente. Em seguida, realizou uma pesagem hidrostática do material, registrando a leitura na balança e após a secagem, determinou a massa do agregado seco. De posse das três leituras, foram determinadas então médias para a densidade real, densidade aparente e absorção de água de cada fração. 3.5.3 Avaliação da Interação Físico-Química entre o CAP e o Rejeito 3.5.3.1 Adesividade O ensaio de adesividade foi realizado baseado no método DNER-ME 078/94, utilizando-se o CAP e a parte graúda do agregado. Este ensaio avalia o deslocamento da película betuminosa que recobre o agregado, quando a mistura CAP-brita é imersa em água destilada a 40ºC durante 72 horas. Os resultados são caracterizados pelo deslocamento total, deslocamento parcial ou não deslocamento da película. 3.5.3.2 Adsorção Para os ensaios de adsorção pesou 0,5 g de rejeito mineral, britado e peneirado (diâmetro de partícula <0,149 mm), respeitando as normas de dosagem Marshall estabelecidas na norma DNER-ME 043/95, sendo colocados em 10 tubos na centrífuga. A cada tubo adicionou 25 ml de uma solução de CAP, com concentração variando de 0,0005 mg/L a 0,02 mg/L. Os tubos foram agitados por 4 horas a 200 r.p.m. e centrifugado por 30 minutos a 3000 r.p.m.. O material sobrenadante foi 37 analisado em espectrofotômetrro de Ultravioleta – visível, em comprimento de onda fixo de 402 mm (GONZÁLES e MIDDEA, 11 1990 apud CARVALHO, 2006 p.3). 3.5.4 Moldagem dos Corpos-de-Prova de Mistura Asfáltica 3.5.4.1 Determinação da composição dos corpos de prova O método consiste em adequar o teor de cada fração, britas 0 e 1 e pó de pedra, às especificações de alguma faixa granulométrica (A, B ou C), preconizadas pelo DNIT para agregados em composição asfáltica. A faixa correspondente depende da granulometria do material 3.5.4.2 Confecção dos corpos-de-prova Determinada a faixa granulométrica adequada, pode-se determinar a composição dos agregados a serem utilizados na mistura asfáltica. Porém, foi necessário determinar o teor ideal de CAP a ser utilizado na mistura. Foram utilizados cinco teores de ligante: 4,5; 5,0; 5,5; 6,0 e 6,5, onde foram confeccionados três corpos-deprova para cada teor, totalizando 15 corpos de prova de aproximadamente 1,2 kg cada. As misturas afálticas foram compactadas em um compactador Marshall, com cada corpo de prova sendo golpeado 75 vezes. Os corpos de prova permaneceram nos moldes para que fossem resfriados ao ar, sendo posteriormente retirados para avaliação de suas resistências mecânicas. 3.5.4.3 Determinação da resistência mecânica do pavimento A determinação da resistência mecânica das misturas seguiu as especificações Superpave - AASHTO T 283/89 LOTTMAN, (apud CARVALHO, 2006 p.4) 12 onde cada conjunto com os diferentes teores de ligante foi dividido em três grupos: o primeiro grupo de corpos de prova foi avaliado quanto à compressão, à tração por compressão diametral sem nenhum tipo de condicionamento. O segundo grupo de corpos de prova foi imerso em água, a uma pressão de vácuo de 25,4cm a 66cm de coluna de mercúrio por um período de 5 a 10 minutos, para aumento do grau de saturação. O corpo de prova saturado foi revestido com filme plástico e colocado em sacos plásticos contendo aproximadamente 10 ml de água. Os corpos de prova 11 GONZALES, G. e MIDDEA, A., Peptization of asphaltene by various oil soluble amphiphiles, Energy and Fuels, 1990. 12 AASHTO (1993). Guide for Design of Pavement Structures. Washington - 283/89 – LOTTMAN 38 foram então resfriados a uma temperatura de –18ºC por 16 horas. Em seguida foram retirados da refrigeração sendo imediatamente analisadas quanto à resistência à tração por compressão diametral. O terceiro grupo, após sofrer a etapa de congelamento, foi imerso num banho à temperatura de 60ºC por 24 horas, sendo então levado a outro banho a 25ºC por duas horas e só então sofrendo o ensaio de resistência à tração por compressão diametral. O resultado é obtido em termos da razão de resistência (RR), que é calculado pela média dos valores de resistência dos corpos de prova que sofreram condicionamento, dividido pela resistência do corpo de prova que não sofreu condicionamento, multiplicado por 100. Valores superiores a 80% são considerados adequados. 3.6 Cinzas Pesadas (TRICHÊS, 2006) Nessa pesquisa foi utilizado um solo residual de granito, proveniente de uma jazida que é explorada pela prefeitura de Tubarão (SC) para a execução de aterros e camada final de terraplenagem de vias urbanas no município. Esse solo será utilizado na mistura solo/cinza pesada, a composição química da cinza pesada é descrita na Tabela 3.04. Tabela 3.04: Composição química da cinza pesada SiO2 Al 2 O3 Fe2 O3 MgO CaO Na2 O K 2O TiO2 S L.O.I 56,00 26,70 5,80 0,60 0,80 0,20 2,60 1,30 0,10 4,60 Contudo a metodologia consite na comparação de valores obtidos em ensaios de compactação (Proctor Normal), Ensaio de CBR com medida de expansão e Determinação do módulo resiliente do solo puro e das misturas solo/cinza pesada (conforme Tabela 3.05). Além das misturas com adição de certos teores de cal (Tabela 3.06), teores adotados a partir do qual as misturas modificassem seus comportamentos, estes avaliados através do método das Pastilhas (FORTES et. al., 2002). 39 Misturas Tabela 3.05: Misturas solo/cinza pesada analisadas % de solo % de cinza Representação 1 100 0 100/0 2 70 30 70/30 3 50 50 50/50 4 30 70 30/70 5 0 100 0/100 Tabela 3.06: Teores de cal para a estabilização do solo, da cinza pesada e das misturas solo/cinza pesada Misturas Teor de cal em peso (%) Representação 100/0 (Solo puro) 4 100/0/4 70/30 4 70/30/4 50/50 3 50/50/3 30/70 6 30/70/6 0/100 5 0/100/5 40 CAPÍTULO 4 – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Neste capítulo constam os resultados e discussões feitas pelos autores das pesquisas citadas na metodologia deste trabalho. Neste são apresentados por meio de gráficos e tabelas os resultados obtidos nos ensaios pertinentes (mecânico e/ou ambiental) a cada pesquisa. 4.1 Entulho da Indústria da Construção Civil (CARNEIRO et al., 2000) 4.1.1 Método Tradicional As curvas granulométricas das misturas dos dois solos estudados com o agregado reciclado miúdo não se enquadraram nas faixas granulométricas especificadas pela NBR 11804/91 para pavimentos produzidos com materiais convencionais como podemos observar nas Figuras 4.01 e 4.02. Contudo, a prática tem mostrado que, no caso de solo-agregado que contém finos lateríticos, a deficiência granulométrica do material fica compensada pela melhor qualidade das partículas finas (NOGAMI & VILLIBOR, 1995). Além disso, o agregado reciclado é um material pouco estudado e com características diferentes dos agregados naturais. Nesse sentido, as especificações desenvolvidas para materiais tradicionais não devem ser consideradas como fatores limitantes para utilização do material, e sim como referência para a análise do desempenho desses insumos alternativos. As curvas granulométricas das misturas contendo agregado reciclado graúdo apresentaram-se dentro do intervalo das faixas granulométricas como podemos observar na Figura 4.03, especificadas pela NBR 11804/91. Pode-se perceber que os materiais estudados apresentam granulometria contínua e as curvas não apresentaram patamares, ou seja, não são descontinua. 41 Figura 4.01: Curvas granulométricas do solo laterítico, do agregado reciclado miúdo e suas misturas Além disso, as misturas estudadas (com exceção da Am 1) atenderam à especificação da NBR 11804/91 relativa à quantidade de material passante na peneira 0,075 mm ser inferior a 2/3 do material passante na peneira 0,42 mm. A umidade ótima das misturas que continham agregado reciclado miúdo e solo laterítico tenderam a crescer na medida em que houve o aumento da proporção de material reciclado na dosagem. Esse comportamento como podemos observar a Figura 4.04, pode ser justificado pela alta absorção de água das partículas do agregado reciclado. De acordo com os ensaios de granulometria o agregado reciclado miúdo apresentou 10,4% de absorção de água, enquanto que o agregado reciclado graúdo apresentou apenas 8,2%. Nas misturas de agregado reciclado miúdo e solo saprolítico, o comportamento foi inverso. Nesse caso, a redução da umidade ótima pode ser atribuída ao decréscimo significativo de partículas finas presentes na mistura, haja vista que o agregado reciclado apresenta partículas finas com melhor qualidade (não plásticas) e menor quantidade que o solo saprolítico. Comparando-se, ainda, as massas específicas secas máximas do solo saprolítico e suas respectivas misturas, pode-se perceber que houve um ganho de densificação até aproximadamente 70% de adição do agregado reciclado miúdo, tendo um pequeno decréscimo a partir desse referido ponto como podemos analisar na Figura 4.05. As misturas contendo 42 solo laterítico, por sua vez, apresentaram tendência ao decréscimo nos valores de massa específica seca máxima com o aumento da proporção de agregado reciclado. Figura 4.02: Curvas granulométricas do solo saprolítico, do agregado reciclado miúdo e suas misturas Figura 4.03: Curvas granulométricas do agregado reciclado graúdo e suas misturas com os solos e o agregado reciclado miúdo 43 Umidade ótima (%) 20 18 16 14 12 10 0 20 40 60 80 100 Teor de ag. rec. miúdo da mistura (%) Solo saprolítico Solo laterítico Figura 4.04: Umidade ótima dos solos lateríticos e saprolíticos e das respectivas misturas com agregado reciclado Através da análise dos resultados de CBR obtidos para as misturas de solo laterítico e saprolítico com agregado reciclado miúdo, pode-se perceber que as misturas e materiais estudados (com exceção da amostra Am 7) apresentaram-se adequadas à utilização em sub-bases de pavimentos como podemos observar na Figura 4.06, visto que tenham sido obtidos valores de CBR acima de 20%, conforme a especificação da NBR 11804/91. Os valores de CBR obtidos para as misturas que continham solo laterítico e agregado reciclado miúdo mostraram-se satisfatórios, uma vez que todos se apresentaram acima de 60% (limite mínimo exigido para bases de pavimentos de Massa especifica máxima seca (g/cm²) acordo com a NBR 11804/91). 20 18 16 14 12 10 0 20 40 60 80 100 Teor de ag. rec. miúdo da mistura (%) Solo saprolítico Solo laterítico Figura 4.05: Massa específica máxima seca dos solos laterítico e saprolítico e das respectivas misturas com agregados reciclados miúdo 44 Contudo, o aumento da proporção de agregado reciclado miúdo nas misturas que continham solo laterítico mostrou uma tendência ao decréscimo desses valores de CBR. Essa redução pode ser explicada pela diminuição da coesão das amostras, uma vez que tanto o agregado reciclado miúdo quanto o solo laterítico são materiais arenosos. As misturas que continham solo saprolítico, por sua vez, aumentaram a resistência com o aumento da proporção de agregado reciclado miúdo e passaram a apresentar valores de CBR adequados às especificações da ABNT para bases de pavimentos, a partir da adição de 70% de agregado reciclado. 140 120 CBR(%) 100 80 60 40 20 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Teor de ag. rec.da mistura (%) Solo saprolítico Solo laterítico Figura 4.06: Resultados de CBR dos solos lateriticos e saprolítico e das respectivas misturas com agregado reciclado miúdo A expansão das misturas que continham solo saprolítico diminuiu significativamente à medida que se aumentou o teor de agregado reciclado miúdo na mistura (Figura 4.07). Tem-se, portanto, que a adição de agregado reciclado miúdo ao solo saprolítico utilizado neste trabalho melhora significativamente a estabilidade do material. Além disso, a expansão das misturas que continham solo laterítico e agregado reciclado miúdo foi praticamente nula, confirmando a possibilidade de empregá-las em locais com lençóis freáticos elevados. Adicionando-se agregado reciclado graúdo aos solos e ao agregado reciclado miúdo, a maioria dos valores de umidade ótima e CBR aumentaram (Tabela 4.01). A expansão nas misturas com agregado reciclado graúdo se mostrou praticamente nula. Com base nesses resultados, percebe-se o grande potencial de utilização do agregado reciclado graúdo em pavimentos, visto que as misturas se apresentaram 45 adequadas à utilização em camadas de base (com exceção da amostra Am 11) e sub-base (sem exceção). 6 Expansão (%) 5 4 3 2 1 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Teor de ag. rec. da mistura (%) Solo saprolítico Solo laterítico Figura 4.07: Resultados de expansão dos solos laterítico e saprolítico e das respectivas misturas com agregado reciclado miúdo Tabela 4.01: Comparação dos resultados das misturas contendo agregado reciclado graúdo Expansão Amostra Materiais hótima (%) ρseca (g/cm³) CBR (%) (%) Am 0 Am 10 Am 1 Am 11 Am 2 Am 12 100% solo laterítico 30% solo laterítico / 70% ag. Rec. graúdo 100% Solo Saprolítico 30% Solo Saprolítico / 70% Ag. Rec. Graúdo 100% Ag. Rec. Miúdo 30% Ag. Rec. Miúdo / 70% Ag. Rec. Graúdo * hótima – umidade ótima; 9,3 1,83 114,6 0,14 14,2 16,2 112,0 0 22,0 1,38 25,5 5,69 25,8 1,52 50,7 0,65 16,0 1,60 70,0 0 16,2 1,69 100,0 0 ρseca – massa especifica seca Foram realizados ensaios de distribuição granulométrica antes e após a compactação das amostras que continham agregado reciclado, com o objetivo de calcular o índice de degradação desse material. Esse procedimento tinha como objetivo analisar o comportamento do agregado reciclado miúdo e graúdo em função 46 do desgaste sofrido durante a compactação, além de comparar as características granulométricas das misturas analisadas, antes e depois do processo de compactação. As amostras que continham agregado reciclado miúdo não apresentaram índice de degradação significativo como podemos observar na Tabela 4.02. Por sua vez, as amostras que continham agregado reciclado graúdo apresentaram valores altos nos índices de degradação, entre 8,8 e 15,9%. É válido ressaltar que as amostras com agregado reciclado graúdo, avaliadas nesse ensaio, foram compostas pelo material retido na peneira 4,8 mm, ou seja, retirou-se a fração “areia” do agregado reciclado graúdo. Esse procedimento contribui para maximizar os resultados de degradação das misturas contendo agregado reciclado graúdo. Tem-se observado que os solos agregados, constituídos de pedregulhos lateríticos e saprolíticos, que não satisfazem às condições impostas pelas especificações tradicionais, sobretudo no que se refere à faixa granulométrica e à resistência dos grãos, têm apresentado desempenho adequado para material de base de pavimentos. (NOGAMI & VILLIBOR, 1995) Tabela 4.02: Índice de degradação das amostras contendo agregado reciclado Índice de degradação Amostras Materiais (%) Am 2 Ag. Rec. Miúdo _ Am 4 Solo Laterítico / Ag. Rec. Miúdo _ Am 5 Solo Laterítico / Ag. Rec. Miúdo 1,0 Am 6 Solo Laterítico / Ag. Rec. Miúdo 0,4 Am 7 Solo Saprolítico / Ag. Rec. Miúdo 1,1 Am 8 Solo Saprolítico / Ag. Rec. Miúdo 1,3 Am 9 Solo Saprolítico / Ag. Rec. Miúdo — Am 3* Ag. Rec. Graúdo 15,9 Am 10* Solo Laterítico / Ag. Rec. Graúdo 9,9 Am 11* Solo Saprolítico / Ag. Rec. Graúdo 11,0 Am 12* Ag. Rec. Miúdo / Ag. Rec. Graúdo 8,8 * Amostra modificada: agregado reciclado graúdo com 92 % de material retido na peneira 4,8 mm 47 Os elevados índices de degradação das amostras com agregado reciclado graúdo indicam a fragmentação parcial dos grãos durante a compactação. Essa fragmentação pode ser percebida analisando-se as curvas granulométricas das misturas com agregado reciclado graúdo obtidas após a compactação, que se apresentaram mais contínuas que as obtidas antes desse procedimento (Figura 4.08). A quebra de grãos resultou numa mudança na granulometria do material, possibilitando o aumento do grau de entrosamento das partículas. O melhor entrosamento dos grãos influi na coesão e resistência do material, melhorando as propriedades da camada compactada. A – 100% ag. rec. graúdo (Am3) B – 30% solo laterítico / 70% ag. rec. graúdo (Am 10) C – 30% solo saprolítico / 70% ag. rec. graúdo (Am 11) D – 30% ag. rec. miúdo / 70% ag. rec. Graúdo (Am 12) Figura 4.08: Curvas granulométricas obtidas antes e após a compactação das amostras contendo agregado reciclado graúdo 4.1.2 Método MCT (Miniatura, Compactado, Tropical) Os resultados obtidos nos ensaios de classificação geotécnica MCT (Figura 4.09) confirmaram o comportamento laterítico das proporções que continham esse solo (LA — areias com baixo teor de finos lateríticos, permeáveis, com baixa coesão e pouco contrácteis, mas com características adequadas para sua utilização em bases 48 e sub-bases de pavimentos). A mistura do agregado reciclado miúdo com o solo laterítico apresentou coeficiente e’ superior ao da proporção de 100% de solo laterítico, indicando que a adição de agregado reciclado miúdo reduz o seu Coeficiente e' comportamento laterítico. 2,1 1,7 1,3 0,9 0,5 0 0,5 1 1,5 2 2,5 Coeficiente c' 100%Solo laterítico (Am 0) 100%Solo saprolítico (Am 1) 50% Solo laterítico / 50% Ag. Rec. miúdo (Am 5) 50% Solo saprolítico / 50% Ag. Rec. miúdo (Am 5) Figura 4.09: Gráfico de classificação MCT, contendo a localização dos materiais O solo saprolítico foi classificado como NS’ (solos silto-arenosos saprolíticos com baixa capacidade de suporte e elevada expansibilidade). Esse tipo de material apresenta características inadequadas para sua utilização em bases e sub-bases de pavimentos. (NOGAMI & VILLIBOR, 1995) A mistura que continha solo saprolítico e agregado reciclado miúdo apresentou comportamento laterítico (LA). Tem-se, portanto, que a adição de agregado reciclado ao solo saprolítico melhora as características relativas à aplicação do material em pavimentos. Como esperado, a mistura que continha agregado reciclado miúdo e solo saprolítico apresentou maior valor de Mini-CBR (umidade de moldagem) que a mistura contendo apenas solo (Tabela 4.03). As misturas que continham solo laterítico não apresentaram diferença significativa de capacidade de suporte. Esse comportamento mostra que a adição do agregado reciclado melhorou as propriedades do material, no caso das misturas com solo saprolítico, e não alterou significativamente suas propriedades, no caso das misturas com solo laterítico, fato confirmado pelo método tradicional. 49 As amostras estudadas, com exceção da amostra Am 0 após imersão, apresentaram-se adequadas à utilização em sub-bases de pavimentos, visto que seus valores de Mini-CBR se mantiveram iguais ou acima de 20%, como estabelecem as especificações para essa camada de pavimento (NBR 11804/91). A adição de agregado reciclado miúdo melhorou significativamente a capacidade de suporte após imersão do solo laterítico, possibilitando a utilização desse material também em bases de pavimento (Mini-CBR > 60%). Tabela 4.03: Mini-CBR máximo das misturas estudadas Mini-CBR (%) Amostra Misturas NA UMIDADE APÓS IMERSÃO (%) 80,5 35,4 43,97 78,0 63,1 80,90 33,9 3,5 10,32 46,0 38,5 83,70 DE MOLDAGEM Am 0 Am 5 Am 1 Am 8 100% Solo Laterítico 50% Ag. Rec. Miúdo / 50% Solo Laterítico 100% Solo Saprolítico 50% Ag. Rec. Miúdo / 50% Solo Saprolítico RIS A Relação de Índice de Suporte (RIS), parâmetro que indica a perda de resistência dos materiais após a imersão, permitiu comparar os valores de Mini-CBR obtidos antes e após a saturação das amostras analisadas. Como esperado, o solo saprolítico apresentou significativa perda de resistência (RIS em torno de 10%), enquanto que o solo laterítico apresentou RIS próximo de 45%. Nota-se, ainda, que as misturas de solo laterítico e saprolítico com o agregado reciclado miúdo (Am 5 e Am 8) apresentaram RIS em torno de 80%, evidenciando a estabilidade do material proporcionada pela presença do material reciclado. A amostra constituída apenas de agregado reciclado miúdo (Am 2), um material bastante arenoso, não se mostrou adequada para a realização do ensaio de Mini-CBR. Portanto, não foi possível comparar os valores de Mini-CBR obtidos para esse material com os obtidos para as demais amostras. 50 4.1.3 Avaliação Econômica A avaliação de aspectos econômicos é de fundamental importância para promover a aceitação dessa forma de reciclagem do entulho. Os aspectos tecnológicos, apresentados nos itens anteriores, comprovam que o agregado reciclado possui desempenho adequado para utilização em camadas de pavimentos. Contudo, a efetiva aplicação do material só será bem sucedida caso o material apresente também competitividade no mercado. Nesse sentido, foi realizada a avaliação preliminar dos aspectos econômicos da utilização do agregado reciclado em base e sub-base de pavimentos. Comparou-se o custo de execução de pavimentos que utilizam agregado reciclado com o daqueles que utilizam materiais convencionais (solo, brita e brita graduada). A composição de custo foi baseada nas obras desenvolvidas pela Prefeitura de Salvador e expressa em reais por metro cúbico de camada executada, pois a espessura dos pavimentos varia em cada caso. As despesas com equipamento, mão-de-obra e materiais foram cotadas no mercado de Salvador, no período de abril/maio de 2000. As camadas de base e sub-base produzidas com agregado reciclado apresentam custo de construção significativamente menor que as camadas produzidas com brita graduada ou brita adicionada ao solo (Figuras 4.10). Essa redução pode representar uma economia entre 50% e 62% ao se utilizar o agregado reciclado em substituição aos materiais convencionais. Essa economia se deve ao menor preço do agregado reciclado (cerca de R$ 11,00/m³), em relação à brita graduada (cerca de R$ 26,00/m³) e brita (cerca de R$ 35,00/m³). Contribuem para essa redução de custo: 9 a menor distância de transporte — a brita é produzida em locais distantes do centro, enquanto que as usinas que irão reciclar o entulho estão localizadas na área urbana; 9 a simplicidade do processo de produção — a produção do agregado natural utiliza explosivos no desmonte da rocha e necessita de diversas etapas de britagem para reduzir o tamanho das partículas; a reciclagem do entulho não utiliza explosivos, a sua britagem é feita em uma única etapa e a produtividade (t/hora) pode ser maior, pois parte do entulho bruto já se encontra com granulometria reduzida. Buscando, efetivamente, os aspectos econômicos da reciclagem, deverão ser analisados, além dos custos de execução, os custos de manutenção dos 51 pavimentos. Deve-se também acrescentar a essa análise as vantagens para a administração pública, pela redução dos custos de coleta, transporte e disposição em aterro desse material com alto potencial de reciclagem. A grande quantidade de entulho gerado tem reduzido significativamente a vida útil dos aterros, e encontrar novas áreas para disposição é uma tarefa cada vez mais difícil nos centros urbanos. Mat. Convecional de Base (R$) X Mat. Reciclado (R$) Valor (R$/m³) 60 50 40 30 20 10 0 100 70 50 30 0 Proporção de agregado na mistura (%) Brita / Brita graduada Agregado reciclado Figura 4.10: Comparação de custo por m³ de base de pavimento utilizando material convencional e material reciclado misturados com solo do próprio Local Além disso, a reciclagem de um resíduo que causa tantos problemas ao meio ambiente urbano contribui para a redução de impactos ambientais e sociais tais como a degradação das áreas de extração de matéria prima natural, o esgotamento de jazidas, o consumo de combustíveis fosseis e a geração de poluição na produção e transporte dos materiais, além dos problemas causados pela destinação inadequada dos resíduos de construção e demolição (alagamentos, deslizamentos de encostas, proliferação de vetores de doenças, entre outros). Esses impactos têm um custo para a sociedade, nem sempre mensurado, mas que deve ser considerado ao se fazer uma análise global dos aspectos econômicos da reciclagem do entulho. Estudos realizados em outras cidades também têm demonstrado que essa forma de reciclagem possibilita economia significativa à Prefeitura na execução de pavimentos (PINTO, 1997). Entretanto, deve-se evitar a generalização dos resultados, uma vez que os fatores que mais influem no custo (produção e distância de transporte dos materiais, qualidade do solo, entre outros) variam em cada caso. 52 Nos casos em que a utilização de agregado reciclado em pavimentação não for economicamente atrativa aos empresários, a administração pública deverá fazer uma análise dos custos de gestão desse resíduo e avaliar as vantagens econômicas que a reciclagem do entulho poderá proporcionar. Quando for o caso, poderá introduzir benefícios fiscais para fomentar essa forma de reciclagem. 4.2 Escória de Aciaria (ROHDE, 2003) Após o resfriamento, a escória de aciaria passa por um processo de beneficiamento que consiste basicamente da britagem e da separação da fase metálica que ainda pode estar presente. O processo de britagem não possui nenhum controle quanto à distribuição granulométrica do material, apenas observa-se o diâmetro maximo (bitola). Por outro lado, o processo de amostragem adotado garantiu amostras com distribuições granulométricas bem semelhantes nos diferentes tempos de estocagem. A analise granulométrica das amostras revelou que a granulometria da escória estudada não se enquadra em nenhuma das faixas exigidas pela especificação do DNER (1994) para a utilização como base granular de pavimentos (DNER-ES 010/94), aproximando-se mais ao limite inferior da distribuição da Faixa C. Este fato alerta para a necessidade de corrigir-se a granulometria da escoria estudada, através de britagem e composição. Além disso, durante a execução do ensaio de compactação enfrentou-se dificuldade de obter uma boa compactação dos corpos-de-prova, que por sua vez dificultaria a desmoldagem das amostras, inviabilizando a realização dos ensaios de módulo de resiliência. Alguns autores relatam que escórias de aciaria podem apresentar Índice de Suporte Califórnia (ISC) acima de 100%, alcançando até 300% (Chesner et al., 2001; Silva, 1994; Lima et al., 2000). Dessa forma a obtenção de valores de ISC inferiores aos esperados, aliado aos fatores já expostos, deixou clara a necessidade das alterações na distribuição granulométrica das amostras. Sendo assim optou-se pela correção granulométrica, que se iniciou com as amostras referentes ao quarto mês de estocagem, tendo em vista que não havia material disponível para realizar o processo de fracionamento para os meses anteriores. O material resultante da correção granulométrica foi denominado Escória com Granulometria Corrigida (EGC). 53 Conforme era esperado, a alteração da distribuição granulométrica do material proporcionou melhorias na trabalhabilidade, na compactação e nos resultados de ISC. Pode-se observar na Figura 4.11 que os valores de ISC para a EGC ficaram sempre acima de 100%, verificando-se um aumento da capacidade de suporte do material quando empregado com a granulometria corrigida se comparado ao agregado com a granulometria original (meses 1 a 3). Figura 4.11: Variação do ISC das amostras de escória e EGC (escória com granulometria corrigida) em função do tempo de cura. Características como a perda de massa por abrasão no equipamento de Los Angeles, a perda de massa devida ao ataque por sulfatos, a densidade e a absorção de água não sofreram variações significativas em função do tempo de exposição (Tabela 4.04). Tabela 4.04: Características da escória de aciaria estudada Perda de massa por abrasão Los Angeles 38% Perda de massa devida ao ataque por sulfatos 0,5% Densidade 3,4% Absorção de água 2,6% Ao realizar-se os ensaios de expansão com as amostras de escória na granulometria original observou-se a ocorrência de uma provável distorção de resultados em função da compactação deficiente, sendo observada contração inicial das amostras. A deficiência da compactação é uma conseqüência da predominância 54 da fração pedregulho na distribuição granulométrica do material. Durante os três primeiros meses os ensaios de expansão foram realizados utilizando a escoria com granulometria original. Para caracterizar a influencia da distribuição granulométrica e, por conseguinte, da compactação das amostras, foi coletada uma nova amostra que não passou por período de estocagem. Foram realizados ensaios para a verificação do potencial expansivo com amostras com granulometria corrigida e com amostras com a granulometria original. A norma americana ASTM D-2940/92 – Standard specification for graded aggregate material for bases or subbases for highways or airports, que fixa os requisitos dos agregados para a utilização como base ou sub-base de rodovias e aeroportos, estabelece para o ensaio de expansão um limite maximo de 0,5% de expansão aos sete dias (168 horas) de ensaio. Comparando-se os resultados obtidos, e apresentados na Figura 4.12, comprovaram que a escória com granulometria original obteve valor superior ao limite estabelecido por norma, enquanto que a amostra com granulometria corrigida se manteve em torno de 0,20% de expansão, conclui-se que a correção granulométrica era fundamental para a quantificação do potencial expansivo da escoria de aciaria. Tendo em vista que esta característica é função também da distribuição granulométrica, é essencial que os ensaios sejam realizados com amostras com granulometria proposta para a utilização do agregado. Figura 4.12: Variação da expansão média em função do tempo de ensaio para escória sem período de estocagem com granulometrias original e corrigida 55 A análise dos resultados das médias de expansão dos corpos-de-prova ensaiados com amostras de EGC não exposta e curada por 4 meses demonstradas na Figura 4.13, permitiu concluir que a escória de aciaria estudada pode ser liberada para utilização como agregado para pavimentação após 4 meses de cura. Figura 4.13: Variação da expansão média em função do tempo de ensaio para amostras de EGC não curada e exposta por 4 meses Tendo em vista que a EGC pode ser empregada como substituta de materiais convecionais, é interessante comparar o seu comportamento quanto a deformabilidade elástica com o verificado para alguns agregados, tradicionalmente, empregados nas camadas de base e sub-base de pavimentos. Os módulos de resiliência (Figura 4.14) da EGC com os obtidos para britas de basalto (Marmitt, 2002), granito (Ceratti, 2000) e saibro (LAPAV, 2001). Observa-se que a EGC apresenta módulo de resiliência superior aos dos outros materiais granulares para qualquer nível de tensão confinante, comprovando seu excelente comportamento quanto a deformações elásticas. Tal diferença pode ser função da forma e textura superficial rugosa do agregado que garantiram um maior intertravamento entre as partículas de escória em relação aos agregados tradicionais. Vários autores citados por Lekarp et al. (1999 apud Rohde 2002) concluíram em seus estudos que agregados com partículas com superfície rugosa 56 apresentam módulos de resiliência superiores aos agregados de superfície lisa. Barksdale e Itani (1989) ao estudarem diversos tipos de agregados observam que o módulo de resiliência de agregados com partículas angulares e com superfície rugosa são superiores aos de agregados com partículas arredondadas. Figura 4.14: Módulos de resiliência da EGC e de materiais granulares convecionais 4.3 Borracha de Pneus (CERATTI et al., 2004) 4.3.1 Solicitação dos Pavimentos Experimentais com Simulador de Tráfego A Figura 4.15 e a Figura 4.16 apresentam as estruturas solicitadas pelo simulador de tráfego. Foram aplicados mais de 98.000 ciclos de carga de eixo na estrutura com o asfalto convencional e aproximadamente 123.000 ciclos na faixa de tráfego com asfalto-borracha. Inicialmente, aplicaram-se 2.000 ciclos com carga de eixo de 8,2 tf, visando uma acomodação inicial do material, e a seguir cargas de eixo de 10 tf, que foram aplicadas até o final do ensaio em cada estrutura, onde se realizaram levantamentos defletométricos e de afundamentos de trilhas de roda. Na Tabela 4.05 apresenta-se o histórico de solicitação das estruturas experimentais. 57 4cm recape de concreto asfáltico convencional 4cm concreto asfáltico trincado 30cm base em brita graduada 50cm subleito em solo argiloso Figura 4.15: Estrutura com recape em concreto asfáltico convencional (AC) 4cm recape de concreto asfáltico com adição de borracha vulcanizada 4cm concreto asfáltico trincado 30cm base em brita graduada 50cm subleito em solo argiloso Figura 4.16: Estrutura com recape em concreto asfáltico com borracha (AR) 4.3.2 Medidas de deflexões Os levantamentos defletométricos foram feitos, em sua maioria, com a utilização da viga Benkelman. As deflexões após o recapeamento, e antes do início das aplicações de cargas, nas duas trilhas foram semelhantes, como pode ser observado na Figura 4.17. Embora antes do início da solicitação a estrutura com recapeamento em concreto asfáltico com ligante modificado com borracha (AR) tenha apresentado uma pior condição estrutural (com deflexões um pouco mais elevadas do que na trilha em concreto asfáltico com ligante convencional), ao longo dos períodos de carregamento, esse pavimento mostrou um comportamento elástico significativamente superior, como mostram as Figuras 4.18 e 4.19. Nestas figuras estão identificadas as deflexões medidas sobre áreas que apresentavam ou não trincas na camada asfáltica subjacente ao recapeamento. 58 Tabela 4.05: Histórico de solicitação das estruturas experimentais Estrutura com Ligante Convencional Estrutura com Asfalto-Borracha Mês Carga de eixo Numero acumulado aplicada de solicitações Mês Carga de eixo Numero acumulado aplicada de solicitações (tf) (tf) Julho 10 25.535 Outubro 10 25.426 Agosto 10 60.002 Novembro 10 52.813 Setembro 10 98303 Dezembro 10 91.916 Janeiro 10 123.356 Deflexões (0,01mm) Comparativo das deflexões entre as duas trilhas carga 100KN - Após recapeamento N=0 70 60 50 40 30 20 2 3 4 5 6 7 Seções Asfalto convecional Asfalto borracha Figura 4.17: Deflexões nas duas trilhas após o recapeamento e antes do início do ensaio Deflexões (0,01 mm) Evolução das deflexões - Asfalto convencional 80 75 70 65 60 55 50 45 40 0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 N (carga do eixo = 100 KN) Médias das deflexões nas áreas não trincadas previamente Média das deflexões nas áreas trincadas previamente Figura 4.18: Evolução das deflexões médias na trilha AC 59 Deflexões (0,01 mm) Evolução das deflexões - Asfalto Borracha 80 70 60 50 40 0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 140000 N (carga do eixo = 100 KN) Médias das deflexões nas áreas não trincadas previamente Média das deflexões nas áreas trincadas previamente Figura 4.19: Evolução das deflexões médias na trilha com AR No recapeamento com ligante asfáltico convencional (AC), as deflexões experimentaram redução inicial seguida de um aumento progressivo e significativo após 80.000 ciclos de carga, sugerindo a fadiga do pavimento. Já na estrutura com recapeamento com ligante modificado com borracha (AR) as deflexões aumentaram no início do período de solicitação, diminuindo após 60.000 ciclos de carga e apresentando no final do ensaio o mesmo nível defletométrico inicial, sem prenúncio de fadiga. 4.3.3 Afundamentos nas trilhas de roda Os afundamentos nas trilhas de roda (ATR) foram medidos semanalmente com emprego de um perfilógrafo. A Figura 4.20 apresenta a evolução dos ATR médios com o tráfego, em cada estrutura. Os afundamentos de trilha de rodas apresentaram evoluções semelhantes, embora com menor magnitude na estrutura com recapeamento em asfalto convencional. É possível que o pior comportamento da estrutura com recapeamento em asfalto borracha tenha sido causado pelas diferenças entre as temperaturas durantes os períodos de ensaio, uma vez que a estrutura com asfalto convencional foi ensaiada no inverno, enquanto que o pavimento com asfalto-borracha foi ensaiado em meses de primavera e início do verão. 60 ATR médio Evolução das flechas médias 8 7 6 5 4 3 2 1 0 0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 N (carga do eixo=100KN) Asfalto Borracha Asfalto Convecional Figura 4.20: Comparação entre os ATR registrados nas estruturas ensaiadas 4.3.4 Reflexão de trincas Quanto à evolução do trincamento com o tráfego no revestimento com o asfaltoborracha, obteve um grande desempenho como pode ser observado na Figura 4.21. Trincamento (cm/m²) 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 140000 Numero de ciclos de carga de eixo de 10 tf Asfalto borracha Asfalto convencional Figura 4.21: Evolução do trincamento nas duas trilhas analisadas As primeiras fissuras refletidas foram observadas na trilha com asfalto convencional, após 14.000 ciclos de carga, evoluindo até tornarem-se trincas. As trincas existentes na camada asfáltica subjacente propagaram-se através do recapeamento, de tal forma que ao final do ensaio o revestimento estava completamente trincado. 61 Observou-se, ainda, que o trincamento também ocorreu em áreas que não tinham trincas na camada subjacente. Já na trilha com recapeamento em asfalto-borracha, a única trinca refletida apareceu em cima de uma canaleta serrada no revestimento antigo para instalação dos cabos elétricos da instrumentação, somente aos 123.000 ciclos de carga. 4.3.5 Resultados de ensaios de laboratório em corpos-de-prova extraídos das trilhas Os resultados dos ensaios de módulo de resiliência (MR) e de resistência à tração por compressão diametral (RTCD), realizados nos corpos-de-prova extraídos das trilhas experimentais, podem ser analisados nas Tabelas 4.06 e 4.07. Tabela 4.06: Módulos de resiliência e Resistência à tração dos corpos-de-prova de AC CAP (AC) - Trilha Módulo de Resistência a Tração por Relação Asfalto Resiliência Convencional (Kgf/cm2) 1 65.810 6,27 10.496 2 69.500 7,06 9.644 3 43.990 7,31 6.018 4 29.880 7,32 4.082 5 37.300 7,71 4.838 6 49.290 7,71 6.393 49.295 7,23 6.945 Médias Estatísticas Compressão Diametral MR/RTCD (Kgf/cm2) Observou-se que os corpos-de-prova da mistura com ligante modificado com borracha (AR) apresentam módulo de resiliência em média 31% menores do que os correspondentes à mistura convencional (AC), ou seja, a incorporação de borracha ao ligante reduziu significativamente a rigidez da mistura asfáltica. Como as resistências à tração dos dois materiais são muito semelhantes, a relação MR/RTCD da mistura AR é 34% inferior à da mistura AC. Este fato, do ponto de vista da mecânica, é muito interessante, já que o que se deseja é uma mistura tão flexível quanto possível, desde que a resistência à tração seja razoável. 62 Tabela 4.07: Módulos de resiliência e Resistência à tração dos corpos-de-prova de AR CAP (AR) - Trilha Módulo de Resistência a Tração por Relação Asfalto-Borracha Resiliência Compressão Diametral (Kgf/cm2) MR/RTCD (Kgf/cm2) 1 43.720 6,62 6.604 2 39.200 6,38 6.144 3 46.850 6,37 7.355 4 29.810 8,03 3.712 5 22.330 6,88 3.246 6 32.440 8,10 4.005 37.525 7,06 5.178 Médias Estatísticas Os resultados experimentais obtidos através da solicitação das estruturas com o simulador de tráfego mostraram que o recapeamento com concreto asfáltico com ligante modificado com borracha (AR) teve um comportamento muito superior ao recapeamento com asfalto convencional (AC). Praticamente não houve reflexão de trincas quando o ligante empregado na mistura asfáltica foi modificado pela adição de borracha (AR), enquanto no recapeamento em AC houve reflexão total de trincas e surgimento de trincas de fadiga em áreas não trincadas. Além disso, o recapeamento com AR proporcionou ao pavimento melhor condição estrutural, como mostraram os levantamentos defletométricos e as deformações registradas por sensores inseridos na interface entre o revestimento antigo trincado e os recapeamentos. 4.4 Areia de Fundição (COUTINHO NETO, 2004) Nos itens seguintes são apresentados os resultados da avaliação das misturas 10% AF e 10% AV, tanto do ponto de vista de sua utilização como material de construção em obras viárias, assim como do ponto de vista de riscos ambientais. 63 4.4.1 Resultados dos ensaios de avaliação de comportamento mecânico. Na Tabela 4.08 são exibidos os resultados da dosagem Marshall (DNER-ME 043/95) e os valores da superfície especifica e da espessura da película asfaltica, calculados para as misturas com 10% de areia de fundição (AF10%) e a de referencia, com 10% de areia virgem (AV10%), em função dos teores de asfalto utilizados. Na Tabela 4.09 são apresentados os resultados dos ensaios que avaliaram as propriedades mecânicas das misturas: cantabro, umidade induzida, resistência a tração por compressão diametral, módulo de resiliência por tração indireta e fluência por compressão uniaxial estática, tendo sido, este último, realizado em dois níveis de tensão (0,1 e 0,4 MPa). Nas Figuras 4.22 e 4.23 são apresentados os resultados, da Resistência à Tração e a Perda de Massa no ensaio Cantabro versus o teor de asfalto e nas Figuras 4.24 e 4.25, as relações do módulo de resiliência com a resistência à tração em função do teor de asfalto e o módulo de resiliência em função do teor de asfalto. Tabela 4.08: Resultados da dosagem Marshall, superfície especifica e espessura de película asfáltica MISTURAS AF10% AV10% Teor de Vazios Teor de Vazios PARÂMETROS 3% 4% 5% 3% 4% 5% Teor de Asfalto (%) 6,00 5,50 5,10 5,85 5,30 5,00 Teor de Agregado (%) 94,00 94,50 94,90 94,15 94,70 95,00 Densidade Teórica Máxima 2,584 2,606 2,623 2,591 2,614 2,628 Densidade Aparente 2,506 2,502 2,492 2,513 2,509 2,497 Estabilidade (N) 11520 12650 12250 11900 12700 12330 Fluência (mm) 3,55 2,90 2,60 4,00 3,40 3,20 Coeficiente de Suporte Marshall (N/mm) 3245 4362 4711 2975 3735 3853 Vazios preenchidos por asfalto (%) 14,71 13,51 12,47 14,42 13,07 12,25 83 77 71 83 77 71 Vazios do Agregado Mineral (%) 17,71 17,51 17,47 17,42 17,07 17,25 S (m²/kg) 12,68 12,68 12,68 12,68 12,68 12,68 EPA (μm) 4,95 4,51 4,16 4,81 4,34 4,08 Relação Betume – Vazios (%) EPA – Espessura da Película Asfáltica (μm = 0,000001 m); S – superfície especifica da combinação de agregado. 64 Tabela 4.09: Resultados dos ensaios para avaliação das propriedades mecânicas asfálticas. MISTURAS AF10% AV10% Teor de Asfalto Teor de Asfalto ENSAIOS / PARÂMETROS 6,00% 5,50% 5,10% 5,85% 5,30% 5,00% Cantabro – P (%). 6,17 7,60 10,10 5,57 6,92 7,60 Umidade Induzida – RRT (%). NR 78 NR NR 73 NR RT – Resistência à Tração (MPa). 1,43 1,51 1,65 1,50 1,55 1,48 MR – Módulo de Resiliência. 5372 6663 8145 6648 8677 6429 Relação MR/RT. 3756 4412 4936 4432 5598 4343 Fluência por Compressão Uniaxial Estática (Tensão = 0,1 MPa – De Hilster e Van de Loo, 1977). Deformação Total (%). 0,22 0,28 0,19 0,21 0,17 0,22 m. 0,125 0,088 0,063 0,093 0,075 0,061 Recuperação (%). 57 41 59 46 52 53 Modulo de Fluência – 3600 s (MPa). 43 37 52 48 61 47 Modulo de Fluência – 4500 s (MPa). 119 63 127 89 169 103 Fluência por Compressão Uniaxial Estática (Tensão = 0,4 MPa – Little et al., 1993). Deformação Total (%) 0,35 0,36 0,28 0,34 0,27 0,30 m. 0,061 0,087 0,036 0,071 0,045 0,037 Recuperação (%) 68 60 74 63 71 78 Modulo de Fluência – 3600 (MPa) 118 109 141 123 159 134 Modulo de Fluência – 4500 (MPa) 371 298 596 345 526 624 P – Perda de massa; RRT – Relação de Resistência à Tração; NR – Não Realizado; m – Inclinação do estágio secundário da curva de fluência 10000 MR (MPa) 9000 8000 7000 6000 5000 4000 4,80 5,00 5,20 5,40 5,60 5,80 6,00 6,20 Teor de Asfalto (%) MR - 10%AF MR - 10%AV Figura 4.22: Resistência à Tração versus Teor de Asfalto 65 12 Perda (%) 10 8 6 4 2 4,80 5,00 5,20 5,40 5,60 5,80 6,00 6,20 Teor de Asfalto (%) Perda de massa - 10%AV Perda de massa - 10%AF Figura 4.23: Perda de massa no ensaio Cantabro versus Teor de Asfalto 10000 MR (MPa) 9000 8000 7000 6000 5000 4000 4,80 5,00 5,20 5,40 5,60 5,80 6,00 6,20 Teor de Asfalto (%) MR - 10%AF MR - 10%AV Figura 4.24: Modulo de resiliência versus o Teor de Asfalto 6000 5500 MR/RT 5000 4500 4000 3500 3000 4,80 5,00 5,20 5,40 5,60 5,80 6,00 6,20 Teor de Asfalto (%) MR/RT - 10%AF MR/RT - 10%AV Figura 4.25: Modulo de resiliência versus o Teor de Asfalto 66 Segundo a BIOAGRI AMBIENTAL LTDA 13 (2003a; 2003b apud Coutinho Neto, 2004), a areia de fundição foi classificada como resíduo Classe II – Não Inerte, em virtude das concentrações para os parâmetros fenóis, fluoretos, alumínio, cloretos e ferro ultrapassem os limites máximos no extrato para o teste de solubilização (NBR 10004/87). A areia virgem foi classificada como resíduo Classe III – Inerte, em função das concentrações nos parâmetros obtidos do lixiviado, do solubilizado e da massa bruta estarem abaixo dos valores permitidos. Já para as amostras de massas asfalticas com 10% de areia virgem e com 15% de areia de fundição, as concentrações dos parâmetros não ultrapassaram os limites máximos nos extratos do lixiviado e do solubilizado e na massa bruta, fixados pela NBR 10004/87; dessa forma, as misturas foram classificadas como resíduos de Classe III – Inerte. Os resultados do ensaio de lixiviação alterada com extrator soxhlet, para as 1ª, 2ª, 3ª e 5ª coletadas estão apresentados. Esses resultados (Tabela 4.10) são as concentrações acumuladas do parâmetro analisado do parâmetro analisado, em mg/l, baseado nos padrões para o teste de solubilização. A quarta coleta foi desprezada devido a problemas e, portanto, o período referente à quinta coleta passou a ser 792 horas (1080h – 288h). 4.3.2 Resultados dos ensaios de avaliação de risco ambiental Os resultados da avaliação do risco ambiental referem-se aos seguintes ensaios: lixiviação, solubilização e massa bruta das areias virgem e de fundição utilizadas, isoladamente, isto é, antes de suas inclusões na massa asfáltica e das misturas asfalticas com a incorporação destas areias, no caso da areia de fundição, na situação mais desfavorável (15% de areia de fundição). Apresentam-se, como material de controle, os resultados desses ensaios para a areia virgem, isoladamente, e para massa asfáltica com a sua inclusão no teor de 10%. Os resultados da analise química dos extratos do ensaio de lixiviação alterado com extrator soxhlet em corpo-de-prova compactado (5% de vazios) são apresentados em quatro condições distintas, a saber: com 12 h (um dia), 84 h (sete dias), 252 h (21 dias) e 792 h (66 dias) de lixiviação. 13 BIOAGRI AMBIENTAL LTDA (2003a). Caracterização de Resíduos segundo a NBR 10004 – Areia virgem. Boletim de analise N.º1347/03 – amostra N.º 03656/03. Piracicaba/SP. __________ (2003b). Caracterização de Resíduos segundo a NBR 10004 – Areia de fundição. Boletim de analise N.º1997/03 – amostra N.º 05498/03. Piracicaba/SP. 67 Tabela 4.10: Resultado da análise química do ensaio de lixiviação alterada com extrator sokhlet Parametros Unidade Resultado analítico LQ NBR 10004 1ª C 2ª C 3ª C 5ª C VMP Arsênio (As) mg/l 0,001 NA NA NA NA 0,050 Bário (Ba) mg/l 0,010 <0,010 <0,010 <0,010 0,028 1,000 Cádmio (Cd) mg/l 0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 0,005 Chumbo (Pb) mg/l 0,001 <0,001 <0,001 <0,001 0,019 0,050 Cianetos (CN) mg/l 0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 0,100 Cromo total (Cr) mg/l 0,001 <0,001 <0,001 <0,001 0,010 0,050 Índice de Fenóis mg/l 0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 0,001 Fluoretos (F) mg/l 0,010 0,030 0,120 0,280 1,260 1,500 Mercúrio (Hg) mg/l 0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 0,001 Nitratos (N-NO3) mg/l 0,010 0,135 0,283 0,564 9,084 10,000 Prata (Ag) mg/l 0,001 <0,001 <0,001 <0,001 0,003 0,050 Selênio (Se) mg/l 0,010 NA NA NA NA 0,010 Alumínio (Al) mg/l 0,001 0,010 0,320 0,610 1,210 0,200 Cloretos (Cl) mg/l 0,500 0,260 0,750 1,300 1,630 250,000 Cobre (Cu) mg/l 0,001 0,004 0,008 0,009 0,029 1,000 Dureza Total (CaCO3) mg/l 1,000 5,850 11,290 17,560 22,99 500,000 Ferro (Fe) mg/l 0,050 0,056 0,124 0,170 0,409 0,300 Manganês (Mn) mg/l 0,001 <0,001 <0,001 <0,001 0,015 0,100 Sódio (Na) mg/l 0,100 3,550 11,910 27,800 69,600 200,000 Surfactantes mg/l 0,010 <0,100 <0,100 0,108 0,403 0,200 Sulfatos (SO4) mg/l 1,000 <1,000 <1,000 5,850 12,95 400,0 Zinco (Zn) mg/l 0,001 0,003 0,059 0,059 0,134 5,0 8,70 8,75 8,85 9,90 pH LQ – Limite de Quantificação; h – horas; C – coleta; VMP – valor maximo permitido pela NBR 10004; NA – não analisado. 4.5 Rejeitos Minerais (CARVALHO, 2006) 4.5.1 Caracterização do Rejeito 4.5.1.1 Análise química O resultado da análise química do rejeito, juntamente com os resultados da análise química de um basalto (RIBEIRO, 2003), amplamente utilizado em pavimentação, estão apresentados na Tabela 4.11. Pode-se observar uma composição similar, onde se verificam altos teores de sílica e alumina, com relações SiO2/Al2O3 em torno de 3,90 para o rejeito e 4,40 para o basalto, característico de um sílico-aluminato 68 (ABOLLINO 14 et al., 2003 e FARRAH 15 , 1977 apud CARVALHO, 2006 p4.). Esse resultado preliminar indica a idéia de utilização deste rejeito na composição da mistura asfáltica, uma vez que sua composição é semelhante à de um agregado basáltico padrão, porém, os resultados mais específicos devem ser avaliados. Tabela 4.11: Resultados de análise química do rejeito e de um agregado mineral basáltico Composição(%) Rejeito Basalto SiO2 70,50 72,40 Al2O3 18,00 16,54 K2O 5,60 6,69 Na2O 2,70 3,08 Fe2O3 1,40 2,49 CaO 1,20 7,51 Tio2 0,03 3,17 MgO 0,10 2,91 4.5.1.2 Análise mineralógica O resultado da análise mineralógica realizada com o rejeito pode ser observado na Tabela 4.12 onde se pode verificar uma alta concentração de feldspato, chegando a valores em torno de 64%, e quartzo em torno de 34%. Comparando com o basalto, verifica-se a similaridade no percentual de feldspato, indicando ser este, o mineral responsável pelos resultados de adsorção e adesividade com o CAP. 4.5.1.3 Abrasão Los Angeles O valor de abrasão obtido foi de 52,85%, que é considerado alto, mas que ainda encontra-se dentro dos padrões estabelecidos. O valor máximo de abrasão Los Angeles permitido para uso em misturas asfálticas é limitado entre 40% para 14 ABOLLINO, O., ACETO, M., MALANDRINO, M., SARZANINI, C. AND MENTASTI, E., Adsorption of heavy metals on Na-montmorillonite. Effect of pH and organic substances, Water Research, 37, 1619-1627, Italy, 2003. 15 FARRAH, H. AND PICKERING, The Sorption of lead and cadmium species by clay minerals, Aust. J. Chem 30, 1977. 69 algumas agências americanas a 60% para outras (ROBERTS 16 et al. 1996 e MARQUES 17 , 2001 apud CARVALHO, 2006 p.5). Tabela 4.12: Composição Mineralógica dos Agregados Minerais Minerais(%) Rejeito Basalto Feldspato 63,60 64 Quartzo 34,40 2 Granada 2 -- Piroxênios -- 30 4.5.1.4. Densidades real e aparente e absorção de água As médias dos resultados de densidade real aparente e absorção de cada fração do rejeito estão apresentados na Tabela 4.13. Os valores de densidade obtidos, em torno de 2,5 g/ml, são adequados para este tipo de rocha, pois, segundo KIEHL (1979) o valor médio para este tipo de rochas é da ordem de 2,55 g/ml, isto porque os constituintes minerais principais dessas rochas, feldspato e quartzo, apresentam valores de densidade real em torno de 2,5 e 2,6 g/ml. Em relação a absorção de água, verifica-se que o rejeito apresenta baixa interação com a mesma, apresentando, em média, um absorção de 1,5%. Estes resultados são favoráveis, uma que o rejeito tenderá a absorver com mais intensidade o CAP. Tabela 4.13: Valores de densidades real e aparente e absorção de água de cada fração do rejeito Brita 1 Brita 0 Pó de pedra Dreal média(g/ml) 2,373 Dreal média(g/ml) 2,296 Dreal média(g/ml) 2,549 Daparente média(g/ml) 2,311 Daparente média(g/ml) 2,215 Daparente média(g/ml) 2,586 Absor. média(%) 1,134 Absor. média(%) 1,593 Absor. média(%) 1,458 16 ROBERTS, F. L., KANDHAL, P. S., BROWN, E. R.; LEE D. Y. e KENNEDY T. W., “Hot mix asphalt materials, mixture design and construction”, in: NAPA Research and Education Foundation, Lanham, Maryland, 1996. 17 MARQUES, G. L. O., “Procedimentos de avaliação e caracterização de agregados minerais usados na pavimentação asfáltica”,in: I Seminário de Qualificação ao Doutorado, COPPE-UFRJ, Rio de Janeiro, 2001. 70 4.1.5 Análise granulométrica Os resultados da distribuição granulométrica para cada fração do rejeito, podem ser verificadas na Tabela 4.14 onde se observa o enquadramento do rejeito na faixa B, segundo às normas do DNIT. Tabela 4.14: Distribuição granulométrica de cada fração do rejeito Brita 1 (21,90%) Brita 0 (30,00%) Pó de pedra (46,00%) Peneiras Média(% passante) Média(% passante) Média(% passante) 11/2” 100,00 100,00 100,00 1” 100,00 100,00 100,00 3/4” 100,00 100,00 100,00 1/2" 100,00 87,10 100,00 3/8” 94,20 6,90 100,00 4# 34,00 1,60 100,00 10# 1,10 0,90 92,20 40# 0,30 0,30 28,50 80# 0,10 0,10 12,70 200# 0,10 0,00 4,50 Fundo 0,00 0,00 0,00 4.5.2 Avaliação da Interação Físico-Química entre o CAP e o Rejeito 4.5.2.1 Adesividade Após 72 horas em água, não houve nenhum deslocamento algum da película do CAP, o que constitui uma ótima adesividade do ligante ao rejeito. Tal resultado corrobora os resultados da baixa absorção de água por parte do rejeito. 4.5.2.2 Adsorção Os resultados da adsorção do CAP à superfície do rejeito e do basalto. Podem ser vizualizadas na Figura 4.26. Observa uma adsorção de CAP similar às superfícies das rochas basálticas, observando-se valores máximos, em torno de 4,5 mg/g a uma concentração de CAP de 18 mg/L. Tal fato pode estar relacionado com similaridade em suas composições químicas e mineralógicas. Com isso pode se fazer utilização do rejeito em estudo como um novo agregado para o processo de pavimentação asfáltica. 71 Adsorção(mg/g) 5 4 3 2 1 0 0 5 10 15 20 Concetração de equilibrio(mg/L) Basalto Finos de granito Figura 4.26: Adsorção de CAP às superfícies do rejeito fino de granito e do basalto 4.5.3 Determinação da composição dos corpos-de-prova de misturas asfáticas A composição mais equilibrada segundo as normas do DNIT foram as seguintes composições dos agregados: brita 1: 21,90%; brita 0: 30,00%; pó de Pedra: 46,00%, e tendo 2,1% de filer. Sendo o CAP variando nas seguintes percentagens em peso: 4,5; 5,0; 5,5; 6,0 e 6,5, até a obtenção do valor de resistência mecânica mais adequado. 4.5.4 Determinação da Razão de Resistência Mecânica do Pavimento Pode-se verificar um valor de razão de resistência mecânica de 86,9%, o máximo valor de razão de resistência foi de 94,89% com um teor de 5,5% de ligante. Os demais resultados encontraram-se nessa faixa, porém também acima do mínimo exigido, que é de 80%. 4.6 Cinzas Pesadas (TRICHÊS, 2006) Em um primeiro momento analisando as misturas solo/cinzas pesadas sem a adição de cal, como era de se esperar, apresentam uma massa especifica aparente seca menor que a do solo puro além de aumento da umidade ótima de compactação (Figura 4.22). Porém, quando utilizados os materiais, isoladamente, (100/0 e 0/100), demonstram que a adição de cinzas pesadas revelam uma certa melhora nas propriedades geotécnicas (aumento do valor da capacidade de suporte do solo, redução da expansibilidade e redução da massa especifica aparente seca), pois os materiais puros apresentaram resultados insatisfatórios nos aspectos 72 mecânicos.Como, no caso do solo puro, expansibilidade variando de 1,5 a 3% e CBR em torno de 5 a 11% como podemos observar na Figura 4.27, e no caso da cinza pesada, elevada umidade ótima (42%), uma baixa capacidade de suporte (5%) e baixa massa especifica aparente (0,95 g/cm³). Além do fator ambiental, que a Massa esp. aparente seca (g/cm³) cinza pesada tem capacidade de desenvolver reações perigosas ao meio ambiente. 1,75 1,50 1,25 1,00 0,75 0,50 0 10 20 30 40 50 Umidade (%) 100/0 70/30 50/50 30/70 0/100 Figura 4.27: Curva de compactação das misturas solo/cinza pesada O solo utilizado na pesquisa apresentou um comportamento resiliente pouco sensível a pressão de confinamento e para baixos níveis de pressão de confinamento (< 0,2 kgf/cm² ou 19,61 kPa) ele tende a apresentar um comportamento dos materiais do Grupo B da classificação resiliente (PINTO; PREUSSLER 18 , 2001 apud TRICHÊS, 2006). Tais características que pode torná-lo interessante para aplicação em camada final de terraplenagem, porém não sendo indicado para camada de reforço. Por sua vez os resultados obtidos para a cinza pesada indicam que ela possui um comportamento de material granular, porém com elevado grau de resiliência (Grupo A da classificação), maior que o do solo estudado. O módulo resiliente da cinza pesada é muito dependente da pressão de confinamento e os valores são muito baixos, caracterizando um comportamento extremamente ruim como material de camada final de terraplenagem. No caso das misturas solo/cinza pesada (70/30; 50/50, 30/70), apresentaramse relativamente bem, pois ocorreu uma estabilização granulométrica do material, 18 PINTO, S; PREUSSLER, E (2001) Pavimentação Rodoviaria – Conceitos fundamentais sobre pavimentos flexíveis. 1ed. – Rio de Janeiro: Copiadoras e Artes Gráficas Ltda. 259p. 73 melhorando significativamente o comportamento geotécnico do material, sendo obtidos valores de CBR da ordem de 20%, porém quando analisadas quanto ao comportamento dinâmico apresentaram um péssimo comportamento, só podendo serem utilizadas em rodovias de baixo volume de trafego, e representando ainda risco ao meio ambiente. Na Figura 4.28, pode-se observar que a mistura 50/50 apresentou os maiores valores de CBR. Com a adição de 50% (em peso) de cinza pesada no solo, o valor do CBR aumenta para cerca de 22% e a expansão se aproxima de 0%. A cinza pesada torna a mistura não expansiva, pouco sensível à umidade e com a capacidade de suporte apresentada ela poderia ser empregada até em camadas de sub-base, notadamente em vias de baixo e médio volume de tráfego. Os ensaios de resiliência com a mistura 70/30 indicaram que a adição de cinza pesada não apresentou melhora no comportamento resiliente do solo e que a mistura se enquadra no Grupo A (comportamento ruim). Partindo para etapa da anáise das misturas com adição de cal, pode-se dizer que a avaliação servirá para verificar a influencia da cal no comportamento mecânico das misturas além da influência da cal nas interações ambientais. Em função da adição da cal, pode-se constatar, conforme Figura 4.29, que a sua influência foi praticamente nula na variação da massa específica aparente seca das misturas. 30,00 CBR (%) 25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 Umidade (%) 100/0 70/30 50/50 30/70 0/100 Figura 4.28: Variação do CBR das misturas solo/cinza pesada 74 Massa Específica Aparente Seca (g/cm³) 1,75 1,50 1,25 1,00 0,75 0,50 0 10 20 30 50 40 Umidade (%) 100/0/4 70/30/4 50/50/3 30/70/6 0/100/5 Figura 4.29: Curva de compactação das misturas solo/cinza pesada/cal Contudo, pode-se observar na Figura 4.30, que a adição de 3 a 4% de cal nas misturas propicia, mesmo com apenas 4 dias de cura, um aumento significativo no valor de CBR de todas as misturas, e redução a zero da expansão. 50,00 CBR (%) 40,00 30,00 20,00 10,00 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 Umidade (%) 100/0/4 70/30/4 50/50/3 30/70/6 0/100/5 Figura 4.30: Curva de CBR das misturas solo/cinza pesada/cal (cura de 4 dias) Em se tratando do comportamento resiliente da mistura com adição de cal, constatou-se que a mistura 70/30, estabilizada com 4% de cal (70/30/4) e com 15 dias de cura, apresentou um comportamento enquadrado no Grupo B, podendo ser empregado em camadas de sub-base de pavimentos flexíveis. A mistura 50/50, estabilizada com 3% de cal (50/50/3) e também com 15 dias de cura, apresentou um comportamento resiliente superior ao da mistura 70/30/4. 75 Resumindo, a incorporação de cal à mistura, serviu para estabilizá-la e alcançar uma melhora na capacidade de suporte, chegando a valores próximos de 60%, e também melhorar o comportamento resiliente (mesmo com apenas 15 dias de cura), tornando possível o seu emprego em camadas de sub-base de pavimentos flexíveis, podendo-se então concluir, de acordo com os resultados obtidos, que as misturas 70/30/4 e 50/50/3 têm o melhor potencial para serem aplicadas nas camadas de sub-base de pavimentos de vias de baixo e médio volume de tráfego, além de, com a inertização feita pela adição de cal, não apresentarem risco a natureza. 76 CAPÍTULO 5 – CONCLUSÕES Este trabalho procurou esclarecer aspectos quanto a reutilização de materiais que são expurgados por diversas áreas da indústria nacional, que podem ser reaproveitados na pavimentação asfáltica, trazendo assim um ganho econômico na diminuição de gastos com transporte dos materiais, no pagamento de taxas de utilização de aterros industriais e o barateamento do produto final das industrias, com a diminuição destas despesas indiretas da produção industrial e, principalmente, ambiental por se dar destinação a estes resíduos e também fazendo com que a substituição, de recursos naturais por materiais alternativos, reduza a agressão sofrida pela natureza ao longo da historia da humanidade. Dentre as pesquisas abordadas, pode-se concluir que: 5.1 Entulho da Construção Civil O entulho da construção civil é visto como um grande causador de problemas, ele deve se visto também como uma grande fonte de materiais alternativos para a utilização na própria fonte geradora do resíduo, como também para o emprego em camadas de bases e sub-bases da pavimentação flexível abordado. Neste trabalho foi visto que a utilização de materiais reciclados da construção civil em camadas de base e sub-base na pavimentação viária pode ter uma grande economia na execução do pavimento e na parte ambiental reduzindo a exploração das matérias primas que são utilizados em grande escala nessa área, houve também uma melhoria na resistência das camadas de base e sub-base, em comparação com outros agregados tradicionais. 77 5.2 Escória de Aciaria Elétrica Devido vários aspectos analisados nos ensaios citados pode se ver que a escória de aciaria elétrica é um material que atende as exigências das normas DNER-ES 010/94 e ASTM D-2940/92, tendo algumas características que obrigam a se fazer tratamentos, tais como a correção granulométrica e a cura do material, que são medidas fundamentais para o seu emprego nas camadas de base e sub-base. De acordo com resultados obtidos por Rohde (2003), a escória de aciaria quando comparada com outros materiais granulares tradicionais, apresenta o modulo de resiliência superior aos demais para qualquer tensão confinante. 5.3 Borracha de Pneu Neste trabalho concluiu-se que o emprego de borracha de pneus em ligantes asfálticos utilizados para a pavimentação, se mostra como uma técnica bastante promissora nessa área para aumentar a durabilidade em nossas rodovias. Com a adição de borracha na mistura asfáltica, o material se torna mais elástico, portanto o pavimento apresenta uma maior flexibilidade, capaz de suportar amplas variações de temperatura e tráfego pesado sem apresentação de fissuras e maior resistência às deformações das trilhas de rodas. Neste trabalho foi apresentado resultados obtidos por Ceratti et al., (2004), com experiências reais sobre o assunto, com isso espera-se uma conscientização da sociedade para os impactos ambientas que os pneus inservíveis provocam nas cidades e solucionar o problema causado pela disposição inadequada destes. 5.4 Areia de Fundição De acordo com as analises feitas por Coutinho Neto (2004), pode-se concluir que, tanto pelo ponto de vista ambiental como pelas características mecânicas de interesse a pavimentação, é viável o emprego da areia de fundição em misturas asfalticas densas. Essa alegação pode ser feita haja visto, que o residuo é gerado pela industria de fundição em grandes quantidades necessitando de uma destinação adequada, e a adição da areia de fundição à mistura nos teores de 5, 10 e 15% em peso produz misturas que darão ao revestimento asfáltico propriedades mecânicas satisfatórias para a pavimentação, alem de não apresentarem risco ao meio ambiente quando devidamente incorporada a mistura. 78 5.5 Rejeitos Minerais Concluiu-se que os rejeitos utilizados nos ensaios realizados por Carvalho (2006), apresentaram-se de forma satisfatória, de acordo com a norma estabelecida pelo DNIT para a utilização como agregados, esse agregado teve boa aceitação com o CAP apresentando grandes resistências mecânicas. Outro beneficio desse rejeito é na parte ambiental que ele reduz grande parte dos rejeitos jogados no ao meio ambiente com isso reduzindo o impacto ambiental e o custo da pavimentação. 5.6 Cinzas Pesadas No que diz respeito a misturas solo/cinzas pesadas, pode-se dizer que quando utilizados os materiais separadamente (solo e cinzas pesadas), os resultados não são satisfatórios pelos aspectos geotécnicos e ambientais, se estendendo para as misturas sem adição de cal, que apresentam comportamento resiliente ruim, não sendo portanto adequado a utilização na pavimentação viária. Contudo, também, de acordo com valores obtidos por Trichês (2006), pode-se concluir que a reutilização de cinzas pesadas é viável, desde que seja adicionada cal a mistura, o que dá um ganho de 60% na capacidade de suporte e melhora no comportamento resiliente, estabilizando e tornarndo o material não perigoso ao meio ambiente, estando apto para emprego em camadas de sub-base de pavimentos flexíveis. 5.7 Conclusão Geral Com base nas pesquisas, notou-se que o aspecto ambiental não foi, por alguns autores considerado como barreira na utilização dos materiais, e no entanto um dos objetivos desse estudo é obter um ganho ambiental. Tendo esse aspecto sido abordado por Coutinho Neto (2004) e Trichês (2006). Em relação as propriedades mecânicas os materiais abordados apresentam resultados satisfatórios, o que viabiliza o seu emprego com os devidos tratamentos necessários, ou seja, com cura e correção granulométrica como no caso da escória de aciaria e a adição de outros materiais como no caso das cinzas pesadas que se adicionou cal a mistura solo/cinza pesada. 79 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRIETTA, A. J. Pneus e Meio Ambiente: Um Grande Problema Requer uma Grande Solução. <www.reciclarepreciso.hpg.ig.com.br/recipneus.htm> ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (1987). NBR 10004/87: Residuos Sólidos. Rio de Janeiro. ______. (1984). NBR 7182: Solo – Ensaio de compactação. Rio de Janeiro. ______. (1987). NBR 10005/87: Lixiviação de residuos. Rio de Janeiro. ______. (1987). NBR 10006/87: Solubilização de residuos. Rio de Janeiro. ______. (1987). NBR 10007/87: Amostragem de residuos. Rio de Janeiro. ______. (1990). NBR 11798: Materiais para sub-base ou base de solo-cimento. 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