Relatório de Actividade Projecto “O Meu Brinquedo é um Livro” Seminário de formação para Técnicos Local: Auditório da Biblioteca Municipal de Faro – António Ramos Rosa Data: 13 de Janeiro de 2007 Horário: entre as 9.30h e as 12.30h e entre as 15.00h e as 18.30h Participantes: 41. Técnicos autárquicos, docentes de vários graus de ensino e bibliotecários municipais, escolares e do ensino superior. A sessão de formação para técnicos sobre actividades de promoção da leitura e do livro e sobre literacia emergente, organizada pela Biblioteca Municipal de Faro e dinamizada pelo projecto “O Meu Brinquedo é um Livro”, decorreu no auditório da Biblioteca Municipal, tendo sido participada pelo conjunto de técnicos que, maioritariamente desenvolvem a sua actividade no concelho de Faro A sessão, que iniciou com a apresentação, pelo coordenador do projecto, dos objectivos e dinâmicas que presidiram à organização e execução do Projecto “O Meu Brinquedo é um Livro”, dos motivos que levaram as Associações de Profissionais de Educação de Infância e de Professores de Português a investir num projecto de promoção da leitura e do livro, de onde se destaca a importância de levar as famílias a compreender a necessidades de investir na formação literácitas dos seus membros, designadamente dos seus filhos. A filosofia do Projecto “O Meu brinquedo é um Livro”, bem como as linhas orientadoras para a sua continuação nos próximos meses, na qual está incluído o processo de definição de critérios de selecção para a mudança, provavelmente através de um concurso nacional de autoria e ilustração, da história e do livro a incluir no pacote. Rui Marques Veloso, Professor da Escola Superior de Educação de Coimbra, apresentou uma conferência que versou, entre outros aspecto importantes, os modelos de promoção da leitura e da escrita, numa perspectiva de formação e ensino, e os efeitos das políticas definidas ao longo dos últimos anos. Foi também com esta conferência que os presentes tomaram conhecimento de alguns números, nas palavras do conferencista, “assustadores”, sobre a comparação dos efeitos de formação e ensino, bem como do sucesso e do abandono escolares em Portugal em termos europeus, que, nas suas palavras, comprometem definitivamente o desenvolvimento do país. Comparativamente, os países que agora aderiram à União Europeia apresentam níveis de desenvolvimento literácito muito mais elevados que Portugal, não tendo beneficiado, como o nosso país, dos enormes investimentos da União Europeia em desenvolvimento e formação. Nesta linha, apresentou também algumas práticas de sucesso seguidas em países europeus (Finlândia, Irlanda, etc.) no que concerne ao desenvolvimento literácito, e dos seus efeitos em termos 1 de desenvolvimento global. Apresentou aos presentes ainda os conceitos de “iliteracia económica” numa perspectiva do desadequado investimentos que se tem feito na educação de infância e numa implementação efectiva das práticas de promoção do livro e da leitura, sejam elas colocadas no centro da comunidade, na escola ou na família. Após a comunicação do professor Rui Marques Veloso, os presentes iniciaram o debate, vivo e participado que permitiu, pela primeira vez, a intervenção e discussão dos temas propostos, e de onde se destaca a apresentação de alguma das práticas dos presentes, que se desenvolvem, essencialmente, em bibliotecas escolares, em bibliotecas do ensino superior e mesmo em espaços de pré-escolar. Destas intervenções fica a ideia de um longo caminho a percorrer ainda no envolvimento dos pais e famílias nos processos de desenvolvimento literácito, e do papel esperado a desempenhar pelos técnicos, de onde se destacou a importância do modelo e do exemplo como garante da mudança de hábitos e práticas consideradas, pelos presentes, negativas. Depois do almoço, oferecido pela Câmara Municipal a todos os presentes, reiniciou-se o espaço de partilha com a apresentação de duas práticas de promoção da leitura baseadas no Projecto, designadamente da Câmara Municipal de Mação, e do Agrupamento Vertical de Escolas de Portel. Vanda Serra, responsável pelo gabinete de acção social da Câmara Municipal de Mação relatou aos presentes a dinâmica escolhida pelo município para a distribuição dos pacotes aos recém nascidos do concelho. De toda a dinâmica, destaca-se o envolvimento dos parceiros e os processos de envolvimento dos parceiros, que, neste caso em concreto a Câmara Municipal de Mação, através da Biblioteca/Ludoteca, o Serviço de Acção Social de Mação, o Centro de Saúde de Mação, a Santa Casa da Misericórdia de Mação, através da sua Creche e da C.P.C.J. Mação (Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo). Este processo de envolvimento, que começou na própria definição da escolha das actividades a desenvolver para a promoção da literacia e, assumidamente, do combate à desertificação e de apoio à fixação das famílias, tem vindo a ter um enorme eco, nomeadamente pela comunicação social, como de resto ficou evidente na apresentação. Após esta apresentação, Luís Ribeiro, Vice-Presidente do Agrupamento vertical de escolas de Portel, apresentou o trabalho feito nos últimos quatro anos pelo Agrupamento, na promoção de contextos de desenvolvimento literácito. A posição do Agrupamento é a de envolver a comunidade na definição de políticas e, sobretudo, a de abrir a Escola à Comunidade, partindo do princípio de que a instituição escolar possui as condições técnicas (recursos humanos e materiais) e a dinâmica adequada para definir os processos de implementação de propostas válidas. Uma delas, a apresentada neste seminário, foi a constituição de uma Rede e Bibliotecas Escolares/Centros de Recursos composta pelas escolas do agrupamento (8), onde, e através do envolvimento de todas as instituições locais (IPLBME, Câmara Municipal, Juntas de freguesia, Centro de Emprego, etc.), foi possível angariar financiamentos específicos para dotar todos os espaços com um acervo bibliográfico considerável (cerca de 300 títulos por cada centro), computadores com ligação à internet com Banda Larga, CDs, DVDs e jogos vários. 2 Partindo da definição do Projecto Educativo do Agrupamento, onde a participação e envolvimento dos docentes foi notória, e com base no inquérito de avaliação desenvolvido pelo agrupamento, chegou-se à definição de alguns princípios orientadores de onde se destaca: Uma BE/CRE em cada EB1/JI/Freguesia (descriminação positiva das escolas/jardins mais pequenos); Integradas dentro dos espaços escolares (por forma a poderem mais facilmente ser utilizadas duma forma sistemática como recurso curricular); Organizadas segundo a lógica das bibliotecas da rede de leitura pública no que diz respeito às áreas funcionais (zona de leitura informal, zona de periódicos, zona de áudio, vídeo e multimédia, …) e equipamento (televisões, leitores de CDs’s e DVDs’s, computadores, …); Terem fundos documentais (livro e não livro) adequados à população escolar o mais diversificado possível e sem repetições (privilegiou-se a diversidade em detrimento da quantidade); Haver rotação dos fundos documentais entre as BE/CRE do concelho (todos os leitores usufruem de todos os fundos documentais); Serem dotadas de recursos humanos tão qualificados quanto possível e Estarem abertas à comunidade não escolar em horário compatível. Nas palavras de Luís Ribeiro, as maiores dificuldades partiram da própria escola (docentes) tendo, contudo, em virtude do processo participado e de envolvimento, sido facilmente ultrapassadas algumas questões iniciais. Actualmente, a rede de BE/CRE do Agrupamento de Escolas de Portel disponibiliza actividades de promoção literácita através da disponibilização dos espaços e dos serviços não só às escolas mas também à comunidade, na medida em que horário de funcionamento dos centros, de segunda a sábado, é das 9.00h (fundamentalmente para actividades escolares no período escolar) até às 20.00h (com actividades dirigidas à comunidade a partir das 15.30h). O número de utilizadores diários médios de cada BE/CRE é a seguinte: das 15:30 às 18:00 horas – toda a população escolar da respectiva EB1/JI, das 18:00 às 20:00 – cerca de 10 leitores e aos sábados – cerca de 15 leitores. Após a apresentação das dinâmicas destes dois projectos, e depois de um breve intervalo, a Biblioteca Municipal de Faro apresentou o Projecto Bebéteca – Brincar a Ler que pressupõe a organização de actividades constantes e coordenadas dirigidas às famílias e a crianças entre os 0 e os 5 anos. Salomé Horta, coordenadora da Biblioteca, apresentou os considerandos do projecto, onde se incluem a vontade de organizar e unificar as propostas antes desenvolvidas neste âmbito de actividade, e que pressupõe também a organização de recursos (materiais e humanos) com vista à definição de dinâmicas apoiadas e de envolvimento num programa, a dois anos, dirigido a famílias e crianças, onde se integrarão diversas acções de promoção do livro e da leitura. Também nesta linha, a oferta do Pacote “O Meu Brinquedo é um Livro” a todas as crianças entre os 0 e os 5 anos que se constituam leitores da biblioteca é uma forma de motivar a adesão e a visita à Biblioteca. Também o próprio espaço da Bebeteca foi adequado ao projecto, tendo sido reestruturado de forma a definir um maior cuidado, ao nível da sua funcionalidade e do equipamento a este nível etário. É intenção da Biblioteca continuar a apostar e a promover a aproximação das famílias aos processos de leitura, tendo, para isso, desenvolvido um espaço de comunicação adequado, e, como referido pela Coordenadora, de baixo custo, onde se destaca o envolvimento de muitos parceiros. 3 Após a apresentação dos projectos, deu-se lugar à reflexão conjunta, entre todos os participantes sobre algumas sugestões a dinâmicas que podem contribuir para o prosseguimento do projecto “O Meu brinquedo é um Livro”, e a sua actualização. Seguindo-se a distribuição de alguns pacotes a famílias com filhos pequenos que entretanto se juntaram aos restantes participanetes. De entre muitas ideias, todas ela válidas, retêm-se as relativas à definição da escolha de um novo livro, mais adequado à idade dos potenciais leitores (0-5 anos), baseado na narrativa, de preferência num modelo de concurso para motivar a participação de novos autores/ilustradores e dessa forma promover o envolvimento dos autores nacionais. Também as propostas relativas ao formato do livro, que deve ser mais manuseável pelas crianças, que deve ser numerado, para permitir dinâmicas de promoção da numeracia, com cantos redondos e num tamanho mais pequeno (em comparação com o actual) e a dispensabilidade de um objecto anexo (que, contudo poderá ser substituído por um simples marcador de página ou um pequenos objecto relacionado, que não brinquedo) em virtude da relevância do Livro como um Brinquedo em si, foram das sugestões mais unânimes. Por último, o facto da importância de manter o Guia de pais, reforçando ainda a sua pertinência e utilidade. Após a conclusão desta reflexão, deu-se por encerrada a sessão, tendo os presentes manifestado a importância e a necessidade de continuar a apostar na organização destes espaços de reflexão. Faro, 13 de Janeiro de 2007 O Coordenador APEI Henrique Santos 4