Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Professora Ms Érica Peroni www.posugf.com.br 1 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz SUMÁRIO Informações importantes sobre a disciplina 4 Capítulo 1. Conhecendo os agentes da educação a distância 4 1.1. Quem são os profissionais de EaD nas IES públicas e privadas? 4 Capítulo 2. Autoria em EaD: elaboração de material didático7 2.1. Quem é o professor-autor? 7 2.2. Passos importantes para a elaboração de material didático 8 2.3. A importância dos direitos autorais na elaboração de materiais didáticos 13 2.4. Os Recursos Educacionais Abertos (REAs) 16 2.5. Os MOOCs (Massive Online Open Course) 17 Capítulo 3. Tutoria em EaD17 3.1. Docência em EaD: professor ou tutor? 18 3.2. As atribuições do tutor (professor on-line) 18 3.3. Interação e interatividade na EaD 19 3.4. Tipos de interação em EaD 20 3.5. Sistemas de gerenciamento de conteúdo e aprendizagem 21 3.6. Avaliação em EaD 24 3.6.1. Principais atividades avaliativas utilizadas em AVAs: 25 3.7. Motivação na EaD 30 3.7.1. Técnicas para motivação 32 3.8. Técnicas e habilidades essenciais na tutoria34 Capítulo 4. Equipe de produção de conteúdo para EaD 36 4.1. O design instrucional e a equipe de produção de conteúdo 36 4.2. Modelos de design instrucional 37 4.3. Design instrucional ou design educacional? 37 4.4. Desenho didático em EaD 39 4.5. Elementos fundamentais do design instrucional 41 www.posugf.com.br 2 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz 4.5.1. Objetos de aprendizagem 41 4.5.2. Storyboards 43 4.5.3. Padrão Scorm 44 4.6. As competências do designer instrucional 45 4.7. Atividades de aprendizagem 47 4.8. Equipe de produção: características e atribuições multimídias 50 4.8.1. Revisores de textos: 51 4.8.2. Diagramador 51 4.8.3. Produtores de vídeo 53 4.8.4. Designer ilustrador 54 4.8.5. Designer animador 55 Modelo de Roteiro para Animação55 Referências Bibliográficas www.posugf.com.br 3 57 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Capítulo 1. Conhecendo os agentes da educação a distância Informações importantes sobre a disciplina Prezados alunos (as). Saudação a todos! A disciplina Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz é mais uma importante etapa do curso. Ela prevê uma compreensão geral do processo de produção do material didático-pedagógico para os cursos de educação a distância, englobando os diferentes profissionais envolvidos nessa produção e na própria concepção do curso. O percurso inicial da aula é compreender a distribuição hierárquica dos agentes que compõe as estruturas Neste primeiro capítulo vamos conhecer quem são os dos cursos, explicando as respectivas funções de cada um principais agentes da educação a distância. De forma si- dos agentes, tomando por base a legislação para EaD em milar à composição dos cursos existentes presenciais de vigor. ensino superior, a educação a distância não é muito diferente. As estruturas funcionais de cada curso são compos- O conteúdo dessa disciplina está dividido em quatro tas por coordenadores, professores, entre outros agentes capítulos. Essa distribuição foi pensada para que você con- que designam funções importantes para a constituição e siga organizar melhor o seu tempo, lendo um capítulo por desenvolvimento do curso. No entanto, nos modelos de semana. Também será apresentada, de forma generali- educação a distância, houve a adesão de novos profissio- zada, a composição da equipe de produção e gestão de nais, visto que a estrutura do próprio modelo de educação cursos a distância, especificando as atribuições de cada um dos profissionais envolvidos: coordenadores, tutores, é distinta do modelo presencial, como por exemplo, a me- conteudistas, revisores, designers instrucionais, diagrama- diação tecnológica através de computadores conectados à dores, animadores etc. Internet, como veremos a seguir. 1.1. Quem são os profissionais de EaD nas IES públicas e privadas? Além de contemplar a função de cada um dos agentes envolvidos, teremos um enfoque específico nos papéis dos professores conteudistas e tutores, enfatizando as seguintes questões: quais são as principais regras para elabora- No intuito de apresentar os principais profissionais en- ção de conteúdo EaD? Qual é o papel do tutor? Quais são volvidos nos atuais modelos de ensino a distância, iniciare- os critérios para avaliação dos alunos? mos essa composição a partir do modelo vigente das Instituições de Ensino Federais (IES) e os respectivos órgãos Desde já, desejo excelentes leituras e que as próximas de regulamentação. semanas sejam ricas em aprendizado, discussões e troca de experiências entre nós. Para contextualizar, iniciaremos apresentando a Universidade Aberta do Brasil (UAB), instituída pelo Decreto 5.800, de 8 de junho de 2006, que tem por função integrar universidades públicas que oferecem cursos de nível supe- Profa. Erica Peroni rior para camadas da população que possuem dificuldade www.posugf.com.br 4 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz de acesso à formação universitária por meio do uso da De acordo com a Resolução CD/FNDE nº 26, os profissionais que atuam no Sistema UAB dispõem das seguintes metodologia da educação a distância. atribuições: O público em geral é atendido pelo sistema, mas os • professores que atuam na educação básica do país têm Coordenador-adjunto: responsável pela coorde- prioridade de formação, seguidos dos dirigentes, gestores nação e apoio aos polos presenciais e no desen- e trabalhadores em educação básica dos estados, municí- volvimento de projetos de pesquisa relacionados pios e do Distrito Federal. O intuito da UAB é implementar aos cursos e programas implantados no âmbito formação pública de qualidade em locais distantes e iso- do Sistema. lados, incentivando o desenvolvimento de municípios com • Coordenador de curso: responsável pelas ativi- baixos IDH (Índice de desenvolvimento Humano) e IDEB dades de coordenação de curso implantado no (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). âmbito do Sistema UAB e no desenvolvimento de projetos de pesquisa relacionados aos cursos. Por sua vez, o Sistema UAB é o articulador responsável entre as instituições de ensino superior e os governos • Coordenador de tutoria: responsável pela coor- estaduais e municipais, com o intuito de atender às de- denação de tutores dos cursos implantados no mandas locais por educação superior. Desta forma, a UAB âmbito do Sistema UAB e no desenvolvimento de define qual instituição de ensino deve ser responsável por projetos de pesquisa relacionados aos cursos. ministrar determinado curso em um município ou micror- • região por meio dos polos de apoio presencial. Cabe tam- Professor-pesquisador (conteudista): professor ou pesquisador designado ou indicado pelas IPES bém ao Sistema UAB prover fomento e assegurar o bom (Instituição Pública de Ensino Superior) vincula- funcionamento dos cursos. das ao Sistema UAB, que atuará nas atividades típicas de ensino, de desenvolvimento de projetos e Figura 1 – síntese do funcionamento do sistema UAB. de pesquisa, relacionadas aos cursos e programas implantados no âmbito do Sistema UAB. • Tutor: profissional selecionado pelas IPES vinculadas ao Sistema UAB para o exercício das atividades típicas de tutoria. • Coordenador de polo: responsável pela coordenação do polo de apoio presencial. A remuneração dos profissionais que atuam nos cursos e polos de apoio presencial do Sistema UAB é feita por meio de bolsas de estudo e pesquisa concedidas pela CAPES/MEC e pagas pelo FNDE/MEC, conforme disposto na Resolução CD/FNDE nº 26, de 5 de junho de 2009. Para o exercício das funções especificadas pelo Sistema UAB é exigido formação mínima em nível superior, tempo mínimo de experiência no magistério superior ou a vinculação a programa de pós-graduação de mestrado ou doutorado. As bolsas são pagas através de conta-benefício, Fonte da imagem: http://www.uab.capes.gov.br/index. php?option=com_content&view=article&id=7&Itemid=19 vinculada ao Banco do Brasil, concedida pelo período máximo de quatro anos. www.posugf.com.br 5 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz e implementam os conteúdos do curso e suporte técnico. • Professor on-line ou tutor: profissional designado para o exercício das atividades típicas de tutoria como orientação ao aluno e correção de avalia- Clique aqui para ver os valores de bolsas atual- ções. Da mesma forma como ocorre nas IES, o mente pagos pelo Governo Federal através do Siste- tutor, não necessariamente, precisa ser o autor ma UAB do conteúdo. http://uab.capes.gov.br/index.php?option=com_ content&view=article&id=73&Itemid=29 A descrição acima nos proporciona uma visão mais ampla dos processos gerenciais que compõem as estruturas de ensino a distância. É vedado aos bolsistas o acúmulo de bolsas pelas agências de fomento de âmbito federal. Entretanto, há uma É imprescindível para o gestor de EaD ter essa visão exceção para alunos matriculados em programas de pós- ampla do processo, mas o esquema apresentado a seguir -graduação no país, e selecionados para atuarem como nos auxilia na compreensão mais precisa deste fluxo, in- tutores de cursos a distâncias. Eles, por sua vez, terão cluindo as atribuições dos principais agentes que compõem suas respectivas bolsas preservadas conforme as Leis nº os atuais modelos aplicados nas diferentes instituições de 11.273, de 6 de fevereiro de 2006 e nº 11.502, de 11 de ensino superior do país. julho de 2007. Já nas instituições de ensino superior privadas, verifi- Figura 2 – fluxo de trabalho na produção de ma- camos que os agentes da educação a distância possuem terial didático para EAD, adaptado pela autora. uma organização similar ao modelo vigente que compõe o atual cenário do Sistema UAB. No entanto, não é possível apresentarmos um modelo fechado e abrangente, uma vez que essas organizações privadas acabam por adequar a composição dos agentes, conforme a infraestrutura, público-alvo e recursos financeiros disponíveis. Portanto, apresentaremos um modelo generalizado, composto pelos principais agentes que atuam nesse processo e se enquadram em modelos segmentados de EaD: • Coordenador: responsável pela estruturação pedagógica do curso, coordenação do corpo docente, apoio ao aluno e acompanhamento de atividades docentes. • Professor-autor ou conteudista: professor ou pesquisador designado que atua na elaboração do material didático, vídeo-aulas, atividades on-line e avaliação. • Equipe de produção: composta por copidesque Fonte da imagem: elaborado pela professora. (revisor de texto), designer instrucional, produtores e editores de vídeos, diagramadores, ilustra- É importante ressaltar que nesta disciplina o enfoque dores, webdesigners, programadores e adminis- será dado a dois dos agentes apresentados anteriormen- tradores de rede que, em conjunto, desenvolvem te: o conteudista, responsável pela autoria e conteúdos www.posugf.com.br 6 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz 2.1. Quem é o professor-autor? dos cursos e o professor on-line, também conhecido como tutor. Também estudaremos a composição da equipe técnica, responsável pela produção dos cursos. Entretanto, veremos as principais atribuições do conteudista e do tutor apresentadas de forma mais detalhada nos capítulos 2 e 3. Os principais agentes da educação a distância são: •Coordenador-adjunto • Coordenador de curso • Coordenador de tutoria • Professor-pesquisador (conteudista) • Equipe de produção • Professor Tutor parte dos casos, professores convidados pela coordena- • Coordenador de polo ção dos cursos. Geralmente, o conteudista é indicado ou Os conteudistas de cursos a distância são, na maior admitido por ser reconhecido por sua competência de domínio, entendimento e/ou publicações sobre o assunto a Capítulo 2. Autoria em EaD: elaboração de material didático ser desenvolvido. A formação do conteudista, por sua vez, dependerá exclusivamente do projeto pedagógico do curso. Nos cursos de ensino superior, por exemplo, a preferência será dada aos docentes que possuem mestrado e doutorado, tendo em vista que a LDB exige que o corpo docente das universidades seja composto de, no mínimo, um terço de professores mestres e doutores. A mesma regra é validada para os conteudistas que ingressam em cursos a distância oferecidos pelo Sistema UAB. Nos editais publicados pelas universidades federais Você tem ideia de como elaborar um conteúdo para en- do país, exige-se que o professor-pesquisador (responsá- sino a distância? Conhece as etapas que envolvem o pro- vel pela produção de conteúdo) comprove a experiência cesso? Você sabe qual é o papel do professor conteudista? de três anos no magistério superior. Os que não comprovarem essa experiência docente devem possuir formação Neste capítulo, abordaremos cada um dos atores res- mínima em nível superior e experiência de um ano no ma- ponsáveis pela produção de material para educação a dis- gistério superior ou vinculação a programa de pós-gradu- tância e o conjunto de ações que compõe as diferentes ação de mestrado. Para ambos os casos, haverá diferen- etapas deste processo. tes classificações: Professor-pesquisador I para o primeiro caso e Professor-pesquisador II para o segundo, sendo www.posugf.com.br 7 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz que as diferentes categorias possuem valor diferenciado • de bolsa de estudo. Etapa 2 - Combinação: do conteúdo a ser trabalhado com o seu estilo de escrita (coloquial, claro etc.). As formas de ingresso como professor pesquisador nas instituições federais ocorre por meio de editais publicados, • Etapa 3 - Avaliação: para autoavaliar o seu de- e os critérios são similares aos concursos para professores sempenho como professor em um curso de EaD da rede federal de ensino. (AZEVEDO; SILVA, 2011 p. 52).D PEDAGÓGICA NA No entanto, os cursos a distância não criam vínculos empregatícios. Há somente pagamento de bolsa de estu- Outro elemento imprescindível de ser avaliado e que do. Nas instituições privadas, os critérios para seleção e deve compor o planejamento da produção textual para vinculação à instituição é livre, podendo cada uma delas conteúdo EaD é a carga horária correspondente ao con- estipular a melhor maneira de contratar esses profissio- teúdo. A definição deste cálculo, por sua vez, pode variar nais. de acordo com a instituição de ensino, e provavelmente estará especificado no projeto pedagógico do curso. No 2.2. Passos importantes para a elaboração de entanto, é possível considerarmos uma média correspon- material didático dente a duas laudas de texto por hora/aula. Para se ter uma ideia, vamos tomar como base o cálculo que utiliza- O primeiro passo para desenvolver um bom conteúdo mos para a produção dos conteúdos da pós-graduação da para EaD é articular alguns quesitos importantes que aju- nossa instituição desde 2010: dam a visualizar todo o contexto no qual o conteúdo será aplicado. Essa verificação preliminar deve contemplar: o plano de ensino, a carga horária do conteúdo, a divisão do texto (hierarquia), o público-alvo, bem como a linguagem a ser aplicada. • Disciplinas de 20 horas: 40 páginas. • Disciplinas de 40 horas: 80 páginas. • Disciplinas de 60 horas: 120 páginas. Como dito anteriormente, essa variação de laudas não A partir dessa verificação, juntamente com a ementa é fixa e dependerá do contexto pelo qual o conteúdo será do curso, do objetivo geral e específicos, e dos objetivos ministrado. Entre outros elementos, o cálculo da carga ho- de aprendizagem que, por sua vez, indicam as prioridades rária deve considerar a inclusão de vídeos, objetos e exer- de um conteúdo e definem o que o aluno deverá alcançar cícios interativos, animações e simuladores, transmissão, após ter estudado aquele material, esses elementos con- chat e videoconferência que o aluno deverá dispor para duzirão para uma produção mais direcionada do conteúdo, estudar. Além disso, é importante considerar os critérios proporcionando uma aprendizagem mais eficaz. de distribuição do conteúdo (AVA - Ambiente Virtual de Dessa forma, tomaremos como exemplo a sugestão de Aprendizagem -, banda e velocidade de conexão), tempo um roteiro que contempla três etapas a serem realizadas estimado para o cumprimento da carga horária, execução antes de escrever um texto para educação a distância. das atividades e avaliações. Para Rodrigues (apud AZEVEDO; SILVA, 2011) essas etaPara ser mais claro, vamos tomar como exemplo as pas referem-se à seleção, combinação e avaliação do con- disciplinas ministradas em nosso curso. Os estudantes têm teúdo, descritas da seguinte forma: acesso ao curso através de um sistema de gerenciamento • Etapa 1 - Seleção: de pontos importantes - pon- do curso, visto que o AVA foi personalizado para atender tos que servem para multiplicidade de conexões; às necessidades da instituição. Para cumprir todas as eta- pontos que necessitam de pré-requisitos. pas da disciplina, é disponibilizada ao estudante, no decorwww.posugf.com.br 8 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz a) Capa ou página de apresentação: rer de 30 dias corridos, uma disciplina contendo uma ou duas aulas, que totalizam uma carga horária de 40 horas. • • Carga horária: 40 horas. • Período de duração: 30 dias corridos. Título: especificado no início de cada capítulo. O texto deve ser conciso, claro e objetivo. • Autor: a identificação do conteudista (autor). • Apresentação: texto de boas-vindas, conteúdo da Ou seja, o material de estudo completo é disponibilizado disciplina, objetivos etc. Neste texto, também po- no primeiro dia de aula da disciplina, cabendo ao estudante dem ser incluídas algumas palavras de encoraja- administrar a sua rotina de leitura e realização de tarefas mento, apresentando os objetivos e informações e avaliações durante o período disposto. relevantes sobre a dinâmica do conteúdo. • Sumário: o sumário deve mostrar a organização e distribuição dos tópicos que serão desenvolvidos. • Unidade Didática: o conteúdo deve ser dividido em unidades que tenham por finalidade facilitar a compreensão do aprendiz. É importante redigir um texto para cada unidade, apresentando os seus objetivos. Em outras instituições de ensino com a mesma carga horária citada, o tempo de disponibilização, realização das tarefas e avaliações pode ser ministrados em etapas segmentadas, conforme apresentadas a seguir: • Carga horária: 40 horas. • Período de duração: 30 dias – quatro semanas. • Número de unidades: quatro unidades. • Disponibilização de conteúdo: uma unidade + b) Introdução uma atividade por semana. O texto introdutório deve motivar e esclarecer o aluno Neste segundo caso, o conteudista deverá desenvolver sobre a sequência de estudos que serão desenvolvidos. A o conteúdo dividido em unidades que correspondam ao linguagem deve ser clara, concisa e apresentar as seguin- período estipulado pela instituição. Esse modelo, por sua tes informações: vez, é bastante utilizado nas instituições de ensino federais que adotam o Moodle como ambiente virtual para minis- a) tração do curso a distância. Indicar a importância da unidade didática no contexto do curso e da disciplina, além de rela- Para Azevedo e Silva (2001), existem alguns aspectos cioná-la com a formação do aluno. importantes na elaboração de conteúdo para educação a distância. Para as autoras, a estrutura do texto didático b) deve conter: Mostrar como será desenvolvida a unidade: partes, procedimentos e atividades previstas. www.posugf.com.br 9 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz h) c) d) Uso de linguagem dialógica, utilizando um voca- Relacionar a unidade com as demais que inte- bulário familiar e pronomes pessoais – eu, você, gram a disciplina. nós. d) Ajudas Intratextuais Estabelecer o processo de comunicação previsto para o diálogo entre você (autor) e o aluno, no a) caso de esclarecimentos ou de explicações adi- Glossário para indicar o significado de expressões, termos ou conceitos mais complexos, considera- cionais. dos fundamentais para o entendimento do texto. e) b) Indicar ajudas complementares como leituras e/ Os ícones indicam “paradas na leitura” para que o aluno possa ser incentivado a realizar reflexões, ou orientação. obter informações complementares e fixar pontos importantes, como por exemplo: c) Conteúdo Na elaboração do conteúdo (corpo do texto), alguns critérios importantes devem ser considerados: a) Leitura fácil, com vocabulário acessível e linguagem simples, precisa, exata e limpa. b) A estrutura do texto deve possibilitar a assimilação dos conhecimentos em pequenas dosagens. A divisão e subdivisão dos tópicos facilitam a percepção - por parte do aluno - da estrutura de desenvolvimento das ideias. c) • Questões em cada uma das partes que desperte formações, sugerir sites e leituras complementares. o interesse do aluno. Podem ser inseridas ao longo do texto. d) Saiba Mais: pode ser um espaço para acrescentar in- • No espaço Anote Aqui podem ser destacados os pontos importantes que o aluno deve lembrar. Texto escrito em linguagem dialógica que estimule a interatividade. • Ao inserir uma caixa chamada Reflexão, estamos selecionando questões que estimulem o aluno a e) pensar (uma situação-problema, uma integração Uso de frases curtas, verbos na voz ativa e frases dos assuntos já abordados, um convite à reflexão). na ordem direta. f) Os termos técnicos devem ser explicados. g) Dar ênfase (negrito) em palavras e conceitos im- • Inserir ao final de cada unidade ou, sempre que se fizer necessário, um box chamado Resumindo, apresentando um breve resumo do que está sendo estudado, auxiliando o aluno na conclusão de portantes. conceitos importantes. www.posugf.com.br 10 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz c) Autoavaliação: são propostas de atividades e questões que estimulem o estudante a verificar a evolução da sua aprendizagem. Para que o material de EaD apresente uma organização que facilite o entendimento do aluno, os conteúdos, os módulos ou as disciplinas devem ser subdivididos em unidades didáticas. Essa divisão em partes tem a finalidade de separar o conteúdo para facilitar o entendimento do aluno. Assim, estudando em partes, o aluno não se sente É importante ter ciência de que a tarefa de planejar sobrecarregado de conteúdos, e no final poderá ter a composição visual da tela ou página para estudo é de uma ideia do todo, facilitando a aprendizagem. responsabilidade da equipe de produção de conteúdo e a principal atribuição do designer instrucional (DI) - vere- e) Imagens, gráficos e Ilustrações mos com detalhes no item 4.1. No entanto, é importante o conteudista ter consciência da necessidade de se criar redundância para principais conceitos do conteúdo e lan- É imprescindível que as imagens, fotos, esquemas, çar mão desses recursos. tabelas e quadros utilizados de outras obras devam necessariamente possuir licença para uso ou ser de domínio Em algumas situações, os modelos de EaD não con- público, além de indicar a fonte do local (sites, revistas, templam um profissional de DI ou não haverá prazo para livros etc) de onde foram retiradas. o desenvolvimento do desenho instrucional. Por isso, deve ficar claro para o conteudista que os aspectos de redundância são extremamente importantes na educação a distância, podendo prever e recorrer no conteúdo aos itens mencionados anteriormente (intertextuais), apresentando ou reforçando conceitos através de recursos visuais como imagens, gráficos, além de vídeos e animações, como veremos a seguir. f) Vídeos, filmes e animações Cabe também ao conteudista prever a inserção de filmes e animações no conteúdo, como complemento da Além disso, é importante que o autor do material didá- aprendizagem. Para a inserção (upload) de vídeos no tico exemplifique os conceitos e crie associações, explo- AVA da instituição, é importante que o conteudista atente rando o máximo possível os recursos visuais. Ainda que o para a capacidade máxima permitida por arquivo anexa- material didático esteja em formato de apostila impressa, do. As animações podem ser desenvolvidas com o intuito o uso de imagens ajuda a criar intervalos e pausas impor- de apresentar ou reforçar conceitos e até mesmo sugerir tantes para a leitura (em tela ou impresso), auxiliando e estudo de casos para alimentar debates e discussões no reforçando o aprendizado. fórum ou nas avaliações. www.posugf.com.br 11 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Lista de sites gratuitos para pesquisa de imagens, filmes e ilustrações: http://www.sxc.hu http://office.microsoft.com/pt-br/clipart/ default.aspx http://www.portacurtas.com.br Para isso, o conteudista deve desenvolver um pré-roteiro, http://portaldoprofessor.mec.gov.br que será encaminhado ao DI ou roteirista de animação e http://www.dominiopublico.gov.br acompanhar a elaboração da animação ou vídeo juntamente http://bibliotecavirtual.sp.gov.br com a equipe de produção (veremos esse assunto no tópico http://www.nead.ufpr.br (com sugestões de 4.8.3). Além dos vídeos gravados pelo professor, outros víde- endereços de bibliotecas virtuais). os também podem ser indicados através de links disponíveis em portais de notícias, canais do YouTube ou Vimeo. Esses canais indicam que os vídeos devem ser assisti- g) Avaliação dos nos próprios portais e, nem sempre, os vídeos estão disponíveis para download ou incorporação em ambientes Para as avaliações e atividades de aprendizagem, re- restritos de navegação, como os AVAs. No entanto, ao uti- comenda-se que o conteudista proponha pelo menos uma lizarmos os links, é importante atentar para a permanência atividade de aprendizado (reforço ou memorização) para desses vídeos na Internet. cada unidade da aula ou disciplina, tendo como referência a utilização de algumas ferramentas disponíveis no AVA No YouTube, por exemplo, a indicação é que o conteu- da instituição. Além disso, o conteudista também possui dista crie o seu próprio canal realize a postagem ou compar- a atribuição de elaborar todas as atividades avaliativas do tilhamento do vídeo que deseja usar, ou solicitar a inclusão conteúdo e capacitar os tutores para a correção adequada do vídeo no canal da instituição de ensino para assegurar dessas atividades (nos casos em que a tutoria é realizada que o mesmo não será excluído no decorrer do curso. por outros profissionais). É sugerido que o autor elabore atividades inter-relacionadas ao conteúdo, como por exemplo, uma tarefa que estimule a conversação entre alunos e professores via chat No download de vídeos, filmes e animações de- ou promova um debate no Fórum, ou inclua a realização vem ser retirados de endereços que permitam o de tarefas que possibilitem o envio de arquivo de texto ou acesso gratuito, evitando problemas futuros re- imagem, para correção e feedback (veremos esse assunto lacionados aos direitos autorais. Filmes, comerciais detalhadamente no tópico 3.6). e desenhos em geral possuem direitos autorais reh) Referências e citações servados, sendo possível somente a exibição de pequenos trechos, desde que a reprodução não seja o objetivo principal da obra nova e não prejudique a No conteúdo para EaD, é imprescindível que todas as exploração normal da obra reproduzida, conforme referências (livros, periódicos, jornais, revistas, endereços prevê o capítulo IV da Lei 9610/1998. da Internet etc) sejam inseridas nas referências finais, e os autores devidamente referenciados no corpo do texto, de www.posugf.com.br 12 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz acordo com as normas da ABNT. É fundamental que todos protegida por direito autoral. No Brasil, o autor detém au- os autores citados no texto escrito também constem nas tomaticamente os direitos autorais completos sobre suas referências. criações, logo que elas são criadas e registradas. O copyright, ou o símbolo © indica “todos os direitos reservados”, seja em uma página na Internet ou em qualquer material impresso. O símbolo copyright, por sua vez, proíbe o download, a distribuição, comercialização ou adaptação da obra, ainda que ela esteja disponível na Internet. O material didático é o principal mediador do processo de aprendizagem, uma vez que ele assume Quanto aos direitos autorais, eles podem ser divididos o papel de instrumento de diálogo para esta mo- em duas partes: direitos morais e patrimoniais. No Brasil, dalidade educacional. Por isso, deve ser desenvolvi- os direitos autorais patrimoniais são direitos disponíveis do para atender ao projeto do curso, refletindo sua – ou seja, podem ser transmitidos a terceiros total ou par- concepção pedagógica e atendendo às necessidades de diálogo entre professor e aluno, e não ser visto cialmente. Já os direitos morais do autor não podem ser apenas como um simples repasse de informações, desconstituídos ou transferidos a terceiros. conteúdos e atividades estruturadas. O conceito e possibilidade das “licenças” só são plausíveis com o reconhecimento e a garantia do direito autoral 2.3. A importância dos direitos autorais na elaboração de materiais didáticos no contexto destas leis. Existem algumas exceções ou permissões de uso para materiais protegidos pela lei. Essas exceções e limitações Não podemos esquecer que os direitos autorais são os são essenciais para o equilíbrio entre os interesses públi- direitos do autor, do criador, do tradutor, do pesquisador cos e privados. ou do artista para controlar e garantir o uso que se faz de sua obra. De acordo com o que está disposto na Lei do Di- Por exemplo, não infringe a lei a reprodução de notícia, reito Autoral, cabe ao autor o direito exclusivo de utilizar e artigo informativo, desde que citados o nome do autor e a dispor suas obras como lhe convém (Lei 9.610/98), e para publicação de onde foram retirados. Para o uso de obras li- que a obra seja utilizada, é necessária a autorização prévia terárias, artísticas ou científicas, é permitida a reprodução do autor, ou seja, a cessão dos direitos de uso. para uso exclusivo de deficientes visuais, mediante o sistema Braille ou outro suporte desde que sem fins comerciais. A lei também frisa a necessidade de autorização prévia No artigo 46 da Lei 9610/1998 e expressa do autor ou detentor dos direitos autorais para a utilização da obra, por quaisquer modalidades, incluin- [...] não constitui ofensa aos direitos autorais: do a reprodução parcial ou integral da obra. Portanto, a citação em livros, jornais, revistas ou qualquer produção comercial ou a reprodução (mesmo parcial) não outro meio de comunicação, com a finalidade de autorizada são, perante a Lei, passíveis de punição nas estudo, crítica ou polêmica, desde que mencio- esferas cível e criminal (EDUCAÇÃO ABERTA, 2011). nado o nome do autor e a origem da obra. Isso Com a infinidade de informações presentes na Internet, permite que alunos e docentes criem textos e temos várias limitações quanto ao uso legal desses mate- teses, por exemplo a representação artística de riais. Existem restrições e leis que regulamentam direitos peças, músicas, entre outros, para fins unica- do autor e por isso, grande parte dos conteúdos que estão mente didáticos nos estabelecimentos de ensino, acessíveis na Internet (imagens, vídeos, sons, texto etc) é não havendo em qualquer caso a intenção de lucro. (EDUCAÇÃO ABERTA, 2011 p. 46). www.posugf.com.br 13 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Por outro lado, as licenças de Creative Commons re- das sob os mesmos termos desta. Dessa forma, as obras presentam os conteúdos de uso livre ou de permissões derivadas também poderão ser usadas para fins comer- específicas, sendo que existem diferentes classificações da ciais. licença. c) Atribuição Uso Não Comercial (BY-NC) A Creative Commons é uma organização não governamental que tem principal objetivo a elaboração e manutenção de licenças livres, que contribui largamente com a CC-BY-NC cultura de criação e compartilhamento. Esta licença permite que outros remixem, adaptem, e As licenças Creative Commons possuem diferentes atri- criem obras derivadas sobre sua obra sendo vedado o uso buições e são classificadas por uma escala que indica as com fins comerciais. As novas obras devem conter menção obras mais permissivas e outras mais restritivas. De acor- a você nos créditos e também não podem ser usadas com do com o Caderno REA (2011), essa classificação obedece fins comerciais. Porém, as obras derivadas não precisam a seguinte ordem: ser licenciadas sob os mesmos termos desta licença. a) Atribuição (BY) d) Atribuição - Uso Não Comercial - Compartilhamento pela mesma Licença (BY-NC-SA) CC-BY CC-BY-NC-SA Esta licença permite que outros distribuam, remixem, adaptem ou criem obras derivadas, mesmo que para uso Esta licença permite que outros remixem, adaptem e com fins comerciais, contanto que seja dado crédito pela criem obras derivadas sobre sua obra com fins não comer- criação original. ciais, contanto que atribuam crédito a você e licenciem as novas criações sob os mesmos parâmetros. Esta é a licença menos restritiva de todas as oferecidas, Outros podem fazer o download ou redistribuir sua em termos de quais usos outras pessoas podem fazer de obra da mesma forma que na licença anterior, mas eles sua obra. também podem traduzir, fazer remixes e elaborar novas b) Atribuição - Compartilhamento pela mesma histórias com base na sua obra. Toda nova obra feita com Licença (BY-SA) base na sua deverá ser licenciada com a mesma licença, de modo que qualquer obra derivada, por natureza, não poderá ser usada para fins comerciais. CC-BY-SA e) Atribuição - Não a Obras Derivadas (BY-ND) Esta licença permite que outros remixem, adaptem, e criem obras derivadas ainda que para fins comerciais, contanto que o crédito seja atribuído a você e que essas obras CC-BY-ND sejam licenciadas sob os mesmos termos. Esta licença é geralmente comparada a licenças de sof- Esta licença permite a redistribuição e o uso para tware livre. Todas as obras derivadas devem ser licencia- fins comerciais e não comerciais, contanto que a obra www.posugf.com.br 14 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz seja redistribuída sem modificações e completa, e que os reitos são restritos e, caso seja o contrário, será permitido créditos sejam atribuídos a você. utilizar o recurso se estiver expresso uma licença livre. E mesmo nesses casos, a fonte original deverá ser citada f) Atribuição - Uso Não Comercial - Não a Obras como referência. Derivadas (BY-NC-ND) CC-BY-NC-ND É importante lembrar que, enquanto não existir uma legislação específica para materiais didáticos Esta licença é a mais restritiva dentre as seis licenças em EaD, a Lei de Direitos Autorias prevalece. principais, permitindo redistribuição. Ela é comumente chamada “propaganda grátis”, pois permite que outros façam download de suas obras e as compartilhem, contanto Uma questão muito frequente e comum está relacio- que mencionem e façam o link a você, mas sem poder nada à utilização de textos publicados na Wikipédia. Sem modificar a obra de nenhuma forma, nem utilizá-la para dúvida, a enciclopédia virtual livre é um projeto muito im- fins comerciais. portante e inovador, sendo a principal referência de construção colaborativa na Internet. Mas qual é a importância dos direitos autorais para a elaboração de material didático para EaD? O que eu preciso saber para não usar indevidamente um conteúdo? Podemos pensar essa questão em duas esferas distintas: primeiramente, o conteudista que irá desenvolver um material para EaD precisa elaborar um material autoral e em conformidade com as exigências que a instituição propõe para a elaboração do material. O conteudista irá usar os conceitos fundamentais do conteúdo, referenciando devidamente os autores utilizados em sua fonte de pesquisa. Ou seja, o trabalho é muito similar à produção de um artigo ou de um trabalho acadêmico, sendo necessário adap- Embora ela seja um excelente projeto, não é recomen- tar a linguagem e atender às demais exigências previstas dável utilizá-la como fonte primária de informação. Nela, no projeto pedagógico do curso. alguns artigos construídos coletivamente podem ser considerados relevantes, mas outros artigos podem ser me- É comum que alguns alunos e professores usem a In- ras reproduções de trechos de livros que detém direitos ternet para baixar conteúdos (textos, imagens, músicas e autorais. vídeos) sem qualquer atenção aos direitos do autor. Infelizmente, tal ato pode gerar uma consequência negativa, Se utilizá-los, você poderá infringir a Lei sem o devido uma vez que ao utilizar tais recursos sem a permissão do conhecimento. Por isso, a melhor alternativa é não utilizá- autor é uma infração ao direito de terceiros. Não pode- -la em seu conteúdo de autoria. mos usar, adaptar ou redistribuir nenhum material sem a expressa autorização do autor, mesmo quando não há Uma boa alternativa para utilização de conteúdos edu- nenhuma explicação na página na qual o conteúdo foi dis- cacionais, livres de direitos autorais, são os Recursos ponibilizado. Neste caso, você deverá assumir que os di- Educacionais Abertos, como veremos a seguir. www.posugf.com.br 15 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Dentre esses recursos podemos encontrar cursos completos, módulos, planos de aula, livros didáticos, artigos, testes, softwares, ilustrações ou qualquer outra ferramenta de conteúdo educacional. O professor pode ser um importante colaborador desse movimento, uma vez que ele também poderá ceder parte do seu material didático usado em sala de aula para outros colaboradores. Confira as regras para utilização de obra intelectual conforme determina a lei http://senaed2009.wordpress.com/2009/05/30/ regras-para-utilizacao-de-obra-intelectual-conformedetermina-a-lei/ A ideia é que os professores utilizem os recursos existentes, mas também contribuam para o aprimoramento ou modificação de um recurso já existente. Esses recursos podem estar disponíveis em diversos repositórios on-line específicos, blogs, portais ou até mesmo em sites de imagens como o Flickr, por exemplo. Um bom exemplo é o site Matemática Multimídia (www. m3.mat.br), que contém uma vasta coleção de projetos, planos de matemática para o ensino médio com licença aberta. Há também um mecanismo de busca do Creative Commons (http://search.creativecommons.org/) para http://www.lacardigital.com.ar quem está a procura de material com licença aberta. 2.4. Os Recursos Educacionais Abertos (REAs) Já o site Jamendo (www.jamendo.com/br/creativecommons) é uma comunidade de música livre, na qual artistas publicam e compartilham músicas, e podem definir licença Como vimos (ou veremos) na disciplina de Introdução aberta para alguma delas. à EaD, os REAs são materiais de ensino, pesquisa ou mídia que estão sob domínio público ou licenciadas de maneira Além dessas dicas, é possível encontrar diversos con- aberta, ou seja, são obras que permitem a utilização ou teúdos com licenças livres, disponibilizados na Web. adaptação por terceiros. www.posugf.com.br 16 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Para saber mais sobre o REA, acesse o caderno Para saber mais sobre os Moocs, lendo o artigo para professores disponíveis no site: publicado no site Porvir: http://porvir.org/porpessoas/moocs-mudam-ensino-dentro-fora-da-universidade/20130404 Professor autor (ou conteudista): É o professor indicado pela coordenação do curso, e reconhecido por possuir domínio sobre o assunto a ser desenvolvido como tema de aula. Principais etapas para elaboração de conteúdo: 2.5. Os MOOCs (Massive Online Open Course) - A partir da carga horária, definir o conjunto de elementos que farão parte do conteúdo: texto em laudas, vídeos, imagens, objetos de aprendizagem. Os MOOCs são cursos online abertos e dirigidos a um - O conteúdo deve conter apresentação, introdu- público amplo (na sigla inglesa para Massive Online Open ção, conteúdo e ajudas intertextuais, além de exer- Course). É um curso online que utiliza AVAS (Ambientes cícios de aprendizagem e avaliações. - Ao escrever, deve-se ter atenção com os direi- Virtuais de Aprendizagem) e incluem a emissão de certifi- tos autorais. Por isso, é importante parafrasear e cado de participação. usar as citações corretamente. Atentar-se também à possibilidade de desenvolver ou reutilizar recursos O termo massivo se remete à oferta do curso para um educacionais abertos. grande número de alunos e com grande quantidade de material. Em 2008, George Siemens e Stephen Downes oferece- Capítulo 3. Tutoria em EaD ram um curso sobre “Connectivism and Connective Knowledge” (Conectivismo e Conhecimento Conectivo) para 25 alunos pagantes da Universidade de Manitoba (Canadá) e Neste capítulo, vamos apresentar as principais atribuições para outros 2300 estudantes que puderam participar do e qualificações que o professor tutor deve adquirir para que curso gratuitamente pela internet. a sua atuação em cursos a distância seja eficiente. Essa iniciativa foi chamada de MOOC por Dave Cormier, Trataremos de conceitos essenciais, desde a concepção Gerente de Comunicação na Web e Inovações na Univer- da atividade nas quais são incluídas as principais atribui- sidade de Prince Edward Island, e pesquisador Sênior do ções, a importância da interação e da motivação até a Instituto Nacional de Tecnologia na Educação Libera. responsabilidade de avaliar os aprendizes. www.posugf.com.br 17 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz É importante saber que o processo de avaliação em presenciais e os momentos a distância (Art. 2° EaD possui algumas especificidades; o tutor, além de do- da portaria de n° 4.059/2004). minar o conteúdo, deve conhecer profundamente as fer- O quadro técnico e pedagógico para o fun- ramentas de avaliação e empregá-las corretamente, em cionamento de cursos e programas a distância conformidade com a proposta pedagógica do curso. autorizados explicita que a função de tutoria terá que ser exercida por professores. (Deliberação Ao final, apresentaremos as atitudes positivas para ava- CEE-RJ n° 297/2006). liar os aprendizes adequadamente, reforçando e tornando mais eficaz o processo de aprendizagem. O MEC também reconheceu o tutor como o 3.1. Docência em EaD: professor ou tutor? profissional selecionado pelas IES vinculadas ao Sistema UAB para o exercício das atividades típicas de tutoria, sendo exigida formação de nível A atividade de tutoria costuma ser encarada de maneira superior e experiência mínima de 01 (um) ano pejorativa por alguns professores, que atribuem a ideia de no magistério do ensino básico ou superior, ou rebaixamento da função docente, quando na verdade não é. ter formação pós-graduada, ou estar vinculado a programa de pós-graduação (Resolução CD/ Para Mattar (2012), esse problema se dá pela inade- FNDE/Nº 08, de 30 de abril de 2010). quação do termo, da forma como ele é conhecido amplamente, e na atribuição da função, no caso da docência. Em Dessa forma, a concepção diminutiva atribuída ao termo linguagem jurídica, tutor é aquele que exerce tutela, ou não condiz com a realidade da função desempenhada. O seja, tem a incumbência de proteger alguém mais frágil. tutor, de forma similar ao professor presencial, possui a Na maioria das vezes, o tutor é nomeado por um juiz para responsabilidade de orientar, acompanhar, mediar e avaliar tomar decisões em nome de uma pessoa (geralmente me- a aprendizagem. nor, ou incapaz), e zelando por sua vida civil. 3.2. As atribuições do tutor (professor on-line) Na tentativa de minimizar os desajustes do termo tutor, outros autores defendem que a função docente em O tutor, por sua vez, deve realizar inúmeras funções EaD deve utilizar o vocábulo “professorar”, uma vez que docentes simultaneamente. Para Mattar, (2012), entre o termo indica melhor a função de trabalhar como docen- essas atribuições, ele organiza a classe virtual, define o te. Para autores como Bruno e Lemgruber (apud Mattar, calendário do curso, é o responsável pela divisão de gru- 2012, p. 23), tal nomenclatura deve ser descartada ou re- pos, tarefas e o principal agente responsável por promo- conceituada. ver a interação entre os participantes. Para acompanhar o aprendizado dos alunos, o tutor deve organizar o tempo Para eles, existem dois documentos legais que ressal- de acesso aos materiais e orientá-los na realização das tam o entendimento do tutor como professor - o Art. 2° atividades do período. da portaria de n° 4.059/2004 e a Deliberação CEE-RJ n° 297/2006) -, que especificam a função no seguinte aspecto: Para o MEC (2009), as atribuições do tutor e suas atribuições na Universidade Aberta do Brasil (UAB), conforme § Único. Para os fins desta Portaria, entende- publicado no Manual de atribuições dos bolsistas devem se que a tutoria das disciplinas ofertadas na ser: modalidade semipresencial implica na existência de docentes qualificados em nível compatível • ao previsto no projeto pedagógico do curso, com carga horária específica para os momentos Mediar a comunicação de conteúdos entre o professor e aprendizes. www.posugf.com.br 18 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz • Acompanhar as atividades discentes, conforme o O tutor também deve auxiliar os alunos na interpretação do material visual multimídia, considerando que alguns alu- cronograma das atividades docentes. • nos não possuem habilidade com informática, o que pode Manter a regularidade de acesso ao AVA e dar re- prejudicar o seu desempenho durante a aprendizagem. torno às solicitações dos cursistas no prazo máximo de 24 horas. • Assim, o tutor também desempenha o papel tecnológi- Estabelecer contato permanente com os alunos e co auxiliando, ainda que a distância, nas dúvidas técnicas mediar as atividades discentes. • e dificuldades encontradas para utilizar os recursos pedagógicos do AVA. Colaborar com a coordenação do curso na avaliação dos estudantes. • 3.3. Interação e interatividade na EaD Participar das atividades de capacitação e atualização promovidas pela Instituição de Ensino. • Você já se deparou com os termos interação e interati- Elaborar relatórios mensais de acompanhamento vidade? O que significam? Eles são idênticos, diferentes ou dos alunos e encaminhar à coordenação de tutoria. • equivalentes? Você sabe? Participar do processo de avaliação da disciplina Na verdade, os termos aparentam ser similares, mas sob orientação do professor responsável. • seus significados são distintos. Porém, uma característica Apoiar operacionalmente a coordenação do curso importante a ressaltar é que os termos são complemen- nas atividades presenciais nos polos, em especial tares e, por esse motivo, cria-se essa confusão conceitual na aplicação de avaliações. com os termos, conforme nos apresenta MATTAR: Nas interações promovidas em classe, o tutor é responsável pelo contato inicial dos alunos, motivando a partici- A confusão conceitual está, então, armada. pação dos mais tímidos e que não se expõem com facili- Alguns autores utilizam os dois termos indis- dade no AVA. criminadamente, trocando um pelo outro, sem diferenciar seus significados, enquanto outros O fundamental no papel do tutor é gerar um senso de procuram construir definições precisas e distin- comunidade na turma e, para isso, deve-se ter um eleva- tas para cada um dos conceitos. do grau de inteligência interpessoal, desempenhando um papel social. Uma das formas de interação que o tutor Alguns autores criticam inclusive o uso do deve prezar é enviar mensagens de agradecimento e for- termo interatividade, aceitando apenas o sentido necer feedback rápido para os alunos. Por sua vez, “o tutor de interação, enquanto, para outros, a interati- desempenha um papel administrativo e organizacional”. vidade é um dos fenômenos mais importantes (MATTAR, 2012, p. 25) da modernidade, que estaria provocando uma revolução na educação. (MATTAR, 2012, p.112). Dentre atribuições importantes do tutor, uma delas é avaliar as atividades desenvolvidas pelos alunos no curso. Segundo o Houaiss, interação é uma “atividade ou tra- E consequentemente, desempenhar o papel pedagógico e balho compartilhado, em que existem trocas e influências intelectual do curso (MATTAR, 2012, p. 27). Segundo o au- recíprocas”. Já a interatividade é a “capacidade de um sis- tor, esse papel consiste em elaborar atividades, incentivar tema de comunicação ou equipamento de possibilitar a a pesquisa, investigar, relacionar comentários e respostas interação”. E, por fim, interativo (termo que não foi citado, dos cursistas, coordenar discussões, sintetizando os pon- mas é importante) é a ação ou mecanismo que “permite tos principais, além de desenvolver o clima intelectual do ao indivíduo interagir com a fonte ou emissor”. Veremos a curso, encorajando-os na construção do conhecimento. relação entre interação e interatividade a seguir. www.posugf.com.br 19 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz d) 3.4. Tipos de interação em EaD Professor/professor: As redes de comunicação on-line têm possibilitado inúmeras oportunidades de interação entre professores, que utilizam esses es- Mattar (2012, p. 41) define nove classificações para paços para discussão e conversação pedagógica e diferentes tipos de interação: acadêmica. Muitas vezes, essas interações também ocorrem de forma presencial, durante encontros, a) seminários e congressos, ou informalmente. Aluno/professor: essa interação pode ocorrer de maneira síncrona e assíncrona, fornecendo motivação e e) feedback com os alunos no auxílio da aprendizagem. dos para o ensino a distância torna-se um dos elementos essenciais para a EaD. O conteúdo contex- Para explicitar melhor, uma pergunta do professor tualizado, desenvolvido pedagogicamente, auxiliado respondida pelo aluno não chega a ser interativa, por objetos de aprendizagem acabam por desempe- pois não houve o feedback. Isso faz que a interati- nhar um papel primordial no design educacional dos vidade em EaD necessite também ser analisada do cursos. Na EaD, o professor também interage com ponto de vista do aluno, e esta, por sua vez, é uma o conteúdo de diversas formas, através de comen- das principais reclamações por parte dos alunos. É tários direcionados, na sugestão de outras fontes de necessário que o tutor mantenha um timing certo consulta, propondo atividades e recursos que enri- para a resposta. Se o feedback é demorado, o ob- queçam o próprio material do curso. jetivo da interação não se cumpre. b) f) Aluno/conteúdo: O aluno interage com as informa- Conteúdo/conteúdo: Atualmente, alguns programas possuem recursos de inteligência artificial e ções fornecidas pelo material de estudo. Portan- são semiautônomos. Esses aplicativos podem re- to, é possível desenvolver conteúdos multimídia e cuperar informações ou operar outros programas e objetos de aprendizagem em diferentes formas: até mesmo monitorar outro programa. Para exem- texto, som, imagens, vídeos, animações etc. As- plificar, podemos citar os leitores de feeds e RSS’s, sim, o aluno interage com o material multimídia, que atualizam automaticamente as referências so- navegando, selecionando, construindo, criando o bre determinado tema. Esses recursos podem ser seu ambiente pessoal de aprendizagem. c) Professor/conteúdo: O desenvolvimento de conteú- bem empregados por alunos e professores de EaD. Aluno/aluno: Essa interação caracteriza-se pelo g) Aluno/interface: A interação aluno/interface se dá aprendizado colaborativo e cooperativo, que no com as interações que ocorrem entre o aluno e a âmbito social é denominado interação interpessoal. tecnologia, uma vez que é necessário que ele a utili- Atividades desenvolvidas por esse escopo promo- ze para interagir com o conteúdo, com o professor e vem a interação entre os alunos, diminuindo a sen- com outros alunos. As diferentes interfaces influen- sação de isolamento do estudo a distância. Desta ciam na aprendizagem e no design das interações, forma, os alunos trabalham em equipe, geralmente abrangendo aspectos como usabilidade, funcionali- em grupos de discussão destinados a uma ativi- dade, comunicação e estética. Para isso, a interface dade específica ou em trabalhos que podem ser deve ser atrativa, desafiadora e envolvente. comentados e avaliados por outros alunos. Nos AVAs, geralmente é utilizado o recurso de Fórum h) Autointeração: Esse conceito enfatiza a importân- para promover a interatividade entre os grupos. A cia da conversa do aluno consigo mesmo, durante parte negativa dessa interação pode ocorrer com a o envolvimento com o conteúdo. Ou seja, as refle- baixa participação dos alunos, e cabe ao professor xões do aluno sobre o próprio conteúdo no proces- desempenhar o seu papel na organização e na sus- so de aprendizagem, também chamada de opera- tentação do aprendizado em grupo. ções metacognitivas. www.posugf.com.br 20 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Para exemplificar, a autointeração inclui atividades Os sistemas de gerenciamento de conteúdo e aprendi- de síntese, revisão de notas, preparação de resu- zagem também são conhecidos por outras denominações, mos para avaliações etc. Uma forma de alimentar entre eles: AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem), adequadamente essa conversa didática, o profes- LMS (Learning Management System), IMS (Instructional sor-conteudista (ou o DI) deve inserir recursos vi- Management Systems), entre outros, como CMS (Course suais que direcionam a atenção do aluno para os Management System ou Content Management System) e aspectos importantes do conteúdo, que por sua LCMS (Learning Content and Management System). vez ativam conhecimentos prévios dos aprendizes Mas existe alguma similaridade entre os termos? Eles como, por exemplo, criar analogias ou destaques são equivalentes? O uso dos termos pode ser indistinto ou (em forma de box, resumo etc) ao longo do conteú- existem diferenças entre eles? do. i) Sim. Existe uma distinção conceitual entre AVA e LMS Interação vicária: É uma interação silenciosa, na que se refere ao gerenciamento de sistema e arquitetura qual o aluno observa as discussões e debates sem computacional. O LMS, por sua vez, permite o gerencia- participar ativamente. Ao observar e processar as mento e armazenamento de informações, bem como a interações, o aluno observador processa ativamen- comunicação entre os usuários, rastreamento de dados e te os dois lados da interação, que pode ocorrer relatórios de progresso dos estudantes etc. Já o AVA con- entre professor-aluno ou aluno-aluno. Ainda que tém a ideia de estrutura de gerenciamento, mas reflete o a interação vicária tenha uma aparência passiva, conceito de sala de aula on-line. esse método pode contribuir significativamente para o aprendizado, uma vez que o aluno estrutu- Nos AVAs, há entendimento intrínseco de que a edu- ra, processa e absorve o conteúdo em discussão. cação só pode ser realizada através de ação e interação entre os atores, o que por sua vez, o torna um conceito Os tópicos acima indicam com precisão a importância mais completo (FILATRO, 2008). da interação nos processos de aprendizagem dos cursos a distância, sendo que a interação na EaD poderá ocorrer de De maneira geral, os AVAs são ambientes baseados na maneiras diferenciadas: entre alunos e professores, com o web, destinados ao gerenciamento eletrônico de cursos e ati- próprio conteúdo e entre os aprendizes. A partir dessa com- vidades de aprendizagem virtuais que, por sua vez, são em- preensão, é importante que o tutor elabore estratégias que pregados no ensino a distancia, em ações de blended lear- possibilitem interações mais interessantes e agradáveis, ning ou como apoio de atividades presenciais. Para Tori (2010 que irão potencializar os processos de aprendizagem do p.44), os principais recursos encontrados nos AVAs são: conteúdo. Nesse contexto, veremos mais adiante, no item 3.7, algumas dicas importantes de motivação que poderão • ser aplicadas na tutoria de cursos e, possivelmente, torna- Gerenciamento do curso: Criação, administração rão os processos de interação mais interessantes e eficazes. (disciplinas, alunos), disponibilização de acesso 3.5. Sistemas de gerenciamento de conteúdo e aprendizagem ção de notas etc. (senhas, registro de atividades), cálculo, publica• Gerenciamento de conteúdo: Armazenamento, gerenciamento, edição, exibição de conteúdo multi- Desde o início do nosso conteúdo, vimos várias refe- mídia. rências aos AVAs e LMS. É possível que você saiba o signi- • ficado dos termos, ou talvez nem saiba. Neste subtópico, Correio eletrônico: Serviços de e-mail interno (dentro do próprio sistema) ou externos. abordaremos as diferenças existentes entre AVAs e LMS e • apresentaremos os principais ambientes virtuais disponí- Mensagem instantânea: Serviço de mensagem que possibilita a comunicação síncrona e a troca veis para educação a distância que você, possível tutor ou de documentos entre usuários conectados. gestor de EaD, precisa conhecer. www.posugf.com.br 21 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz • Chats (salas de bate-papo): Sala virtual para troca de mensagens de texto, voz ou vídeo. • Fórum de discussão: Espaço para discussões assíncronas por assunto, que podem ser separados por curso, turma, grupo, etc. • Quadro de avisos: Área para publicação de informes de interesse geral. • Lousa virtual: Compartilhamento de uma tela (whiteboard) que pode receber informações como desenhos, textos, diversas mídias, podendo ser configurada apenas para visualização dos estudantes ou compartilhamento. • Avaliação: aplicação, gerenciamento e correção de avaliações, geralmente aplicadas através de testes ou provas dissertativas. O gerenciamento proporciona a possibilidade de sorteio, correção automática, cálculo, geração de estatística de desempenho. Nessa disciplina, faremos uma breve introdução dos principais AVAs utilizados em programas de educação a distância no Brasil, sem adentrarmos nas especificidades de cada um. De fato, existe um crescente surgimento desses sistemas, que também podem ser personalizados e oferecerem diferentes aplicações, recursos e valores, de acordo com a infraestrutura da instituição. a)Blackboard – É um produto comercial, desenvolvido pela empresa Blackboard, e custos variados de acordo com número de alunos, forma de contratação etc. Hoje é considerada uma das melhores plataformas para EaD. A versão mais atual é a 9.1 e possui como diferencial os recursos de autoaprendizado (criação de exercícios com gabaritos e comentários), portfólio (área para publicação dos alunos) e whiteboard. Usado por diversas instituições no Brasil e no mundo, entre elas: SENAC SP, GrupoA (Artmed), IESB (Instituto de Educação Superior de Brasília), UNIP (Universidade Paulista), Universidade Anhembi Morumbi, entre outras. (http://www.blackboard.com/) Assista ao vídeo de apresentação do Blackboard no YouTube: http://www.youtube.com/watch?feature=player_ embedded&v=sfQ4uFeJRDs Figura 4 – home do AVA Blackboard Fonte da imagem: http://aprendizasistenciaadministrativa.blogspot.com.br/2011/02/pantallazo-plataforma-blackboard.html www.posugf.com.br 22 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz a) COL: (Cursos on-line) é um sistema de gerenciamento e apoio à aprendizagem desenvolvido pelo Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores (Larc) do Departamento de Engenharia de computação e Sistema Digitais da USP. Atualmente, o sistema é utilizado por toda a Universidade. Além de possuir as ferramentas mais comuns disponíveis nos AVAs, o COL trabalha o conceito modular (ou módulos), sendo que os módulos podem ser associadas às diferentes disciplinas e turmas, em diferentes cursos. http://col.redealuno.usp.br/ portal/ c) Teleduc: é um software livre, nacional, desenvolvido pelo Núcleo de Informática aplicada à Educação (Nied) da Unicamp. Além dos recursos básicos, o sistema oferece as ferramentas portfólio e intermap, que mostram graficamente as interações realizadas pelos alunos nos chats, fóruns, e correio, mostrando a intensidade e distribuição das interações. Sistema utilizado pela Unicamp e UFRGS. http://www.teleduc.org.br/ d) Moodle: (Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment) é um dos sistemas mais populares de código aberto, de baixo custo, desenvolvido por Martin Dougimas, como parte de sua tese de doutorado na Universidade Curtin da Austrália. O sistema oferece as ferramentas básicas dos AVAs e a sua principal vantagem é ter a arquitetura aberta e flexível para instalação, adaptação e expansão de outros recursos. Utilizado principalmente pelas IES federais: UFMG, UFSC, UNB, UFBA e PUC-SP. Figura 5 – home do AVA Moodle Fonte da imagem: http://www.ceaduab.ufla.br/ www.posugf.com.br 23 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz 3.6. Avaliação em EaD Vamos trabalhar nesse tópico uma das mais importantes atividades de tutoria para educação a distância: a Saiba mais sobre o Ambiente Virtual de Aprendi- avaliação dos aprendizes. Se você já foi ou é docente, vai zagem Moodle acessando o Manual do Moodle para reconhecer facilmente alguns termos que iremos abordar, professores. visto que os conceitos de avaliações em EaD são baseadas nas avaliações do ensino presencial. e) Outros AVAs: e-College da Pearson (www.ecolle- O tutor participa diretamente do processo de avaliação, ge.com/brasil), LearningSpace (www.learnings- por isso, é necessário entender todo o processo, mesmo pace.org), Saba Learning Suite (www.saba.com/ quando a elaboração das avaliações fica sob a responsa- products/learning), Virtus da UFPE (www.virtus. bilidade do conteudista. No entanto, há especificidades ufpe.br), WebCT da British Columbia University e minúcias de trabalharmos com a mediação tecnológica (www.webct.com), AE da FAPESP (http://tidia-ae. e torna-se imprescindível ao tutor conhecer as principais usp.br/portal), Projeto Amadeus da UFPE (http:// www.slideshare.net/pugpe/projeto-amadeus) ferramentas e formas de avaliação disponíveis nos AVAs. e Algumas delas serão reconhecidas facilmente já que no Dokeos (http://www.dokeos.com/). papel de aluno, você foi avaliado em alguma disciplina do nosso curso. Dentre os modelos de EaD predominantes no país e utilizados pelas instituições públicas e privadas, as avaliações mais comuns dessas instituições se enquadram nos O portal WCET’s EduTools é uma importante perfis de avaliação formativa e a avaliação somativa do referência que possibilita a comparação entre até aluno. dez sistemas selecionados. Primeiramente, a avaliação formativa é “aquela que se http://www.edutools.info realiza durante o curso, ou seja, não apenas em momentos estanques, no seu início ou final” (MATTAR, 2012, p. 140). Isso quer dizer que a definição de frequência e as É importante que os tutores tenham bastante conhe- diferentes avaliações são aplicadas aos alunos durante o cimento das ferramentas existentes nos AVAs das insti- curso, considerando a participação e realização delas em tuições de ensino, bem como todas as suas aplicações. todas as atividades estipuladas, avaliando o progresso da Algumas ferramentas mais tradicionais da web (como chat aprendizagem. e fórum) já possuem uma identificação e usabilidade mais intuitiva, por serem utilizadas em outros ambientes e con- Diferente da avaliação formativa, o CAED (Centro de textos. No entanto, é dever do tutor reconhecer todas as Políticas Públicas e avaliação da educação) define a ava- funcionalidades e as especificidades de cada ferramenta, liação somativa como uma modalidade avaliativa pontual para conduzir corretamente as atividades e orientar os alu- que ocorre ao fim de um processo educacional (ano, se- nos iniciantes, que possuem pouco conhecimento sobre o mestre, bimestre, ciclo, curso etc). Para essa avaliação, ambiente. É importante lembrar que o tutor também deve determina-se o grau de domínio de alguns objetivos pré- promover, por intermédio das ferramentas, a interativida- -estabelecidos, realizando um balanço somatório de uma de entre os alunos, evitando dessa forma o isolamento ou várias sequências de um trabalho de formação. É tam- virtual. bém conhecida por avaliação das aprendizagens. A prinwww.posugf.com.br 24 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz cipal característica desta avaliação é a capacidade de informar, situar e classificar o aluno, tendo a perspectiva de conclusão ao final de um processo educacional, ou seja, avaliar o estudante no final de uma fase de aprendizagem. Segundo Santos (2006) avaliar é diagnosticar. É tomar decisões sobre a avaliação e assumir essa responsabilidade perante o processo de construção de conhecimentos. Para a autora, na educação on-line, é importante garantir uma multiplicidade de avaliações que envolvem processos individuais, colaborativos e cooperativos. No escopo de avaliação definido pela autora, existem três diferentes categorias que são aplicadas às avaliações formativa e somativa: • Autoavaliação: O avaliador é o autor da ação, da produção ou da performance avaliada. O autor é responsável e consciente pelo seu processo de aprendizagem. • Coavaliação: O avaliador é um par da ação, da produção ou da performance avaliada. Este “par” deve ser na verdade o grupo que de forma cooperativa e compartilhada vai intervir no processo de forma global, agregando valor às produções de todos os envolvidos. • Heteroavaliação: O avaliador é um ator mais experiente, geralmente o professor da atividade, no tratamento do objeto de estudo a ser avaliado. É alguém que tem um repertório amplo e que interage com pluralidade de todo o grupo de forma intencional e planejada. (SANTOS, 2006, p. 321) 3.6.1. Principais atividades avaliativas utilizadas em AVAs: a) Questionários e Exercícios: Os AVAs permitem criar uma variedade de exercícios, que podem servir para as avaliações formativas ou somativas. Eles são instrumentos bastante eficazes como uma das atividades que compõe um conjunto de outras avaliações do curso. Para os exercícios, pode-se criar um banco de questões que incluem exercícios de verdadeiro/falso, múltipla escolha, correspondência, avaliação, combinação, ordenação, preenchimento de espaços etc. Os AVAs geralmente possuem recursos para configuração de tempo para realização da atividade, número de tentativas, randomização e feedbacks (ao final da questão ou no final do questionário). As opções de questionários mais comuns, disponibilizados pelos AVAs, podem ser: • Calculados: questões numéricas e matemáticas. • Múltipla escolha: restrita à escolha de uma resposta, ou mais de uma resposta. • Verdadeiro ou falso: preenchimento de colunas com respostas verdadeiras e falsas. • Associativas: associação entre colunas. • Dissertativas: questões abertas que o sistema não avalia, devendo o professor corrigir e dar um feedback geral ou individual, dependendo da proposta apresentada. www.posugf.com.br 25 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz • Respostas embutidas (cloze): Consiste em uma passagem de texto com uma ou várias respostas embutidas dentro dela, incluindo escolha múltipla, respostas breves e respostas numéricas. Outros recursos permitem aos professores disponibilizar palavras cruzadas, questionários de múltipla escolha, frases truncadas, associações e entre outras criadas por meio do software Hot Potatoes, disponível no site: http://hotpot.uvic. ca/. b) Fórum de Discussão: É um dos espaços mais comuns para debates temáticos realizados por meio de envio e distribuição de mensagens (assíncrona) dos participantes. As mensagens publicadas em uma área comum obedecem a uma ordem de organização lógica, também conhecida como threads (fios condutores). Dependendo da instituição, as atividades de fórum podem avaliar a participação dos alunos no curso ou até mesmo propor discussões mais abertas, para avaliar a capacidade interpretativa e argumentativa dos estudantes. Figura 6: Fóruns disponíveis na área do curso – Sistema Moodle Fonte da imagem: http://www.ceaduab.ufla.br/ Figura 7: Tópicos de um fórum – Sistema Moodle Fonte da imagem: http://www.ceaduab.ufla.br c) Lição e tarefa: A lição, muito conhecida no sistema Moodle, permite elaborar uma atividade com várias páginas, incluindo apresentações, arquivos e a inclusão de questões. Sua configuração é mais complexa e envolve a con- www.posugf.com.br 26 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz figuração de parâmetros e fases. No Moodle por exemplo, o recurso permite a inserção de páginas de múltipla escolha, verdadeiro ou falso, resposta breve, numérica, associativa e dissertativa. Já o recurso tarefa seve para um conjunto de diferentes atividades e permite aos professores avaliar, no próprio sistema, os materiais enviados pelos alunos. Em alguns modelos semipresenciais, o recurso também é utilizado para entrega de trabalhos, apresentações, entre outras atividades. Ou seja, o professor pode propor a pesquisa de um tema, resenha, artigo ou até mesmo lista de exercícios, que deverão ser enviadas ao professor para correção através desse recurso do sistema. Figura 8: Recurso Tarefas – Sistema Moodle Fonte da imagem: http://www.ceaduab.ufla.br/ Figura 9: Tópicos de tarefas – Sistema Moodle Fonte da imagem: http://www.ceaduab.ufla.br/ d) Wiki: É uma página web, disponível no Moodle, que pode ser editada colaborativamente pelos alunos. Qualquer participante da sala de aula pode inserir, editar, apagar textos. O recurso pode ser utilizado para um tipo de avaliação específica, na qual o professor propõe uma atividade em grupo, que deve ser cumprida pelos integrantes. Essa atividade pode ser, por exemplo, a pesquisa de um tema que deverá ser exposto em forma de artigo na Wiki. Sendo assim, os alunos deverão combinar entre eles como editar esse artigo. É importante que o professor ofereça suporte às atividades propostas, acompanhe o seu desenvolvimento e promova a aprendizagem colaborativa. Figura 10: Recurso Tarefas – Sistema Moodle www.posugf.com.br 27 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Fonte da imagem: http://www.ceaduab.ufla.br/ Figura 11: Tópicos de Wikis – Sistema Moodle Fonte da imagem: http://www.ceaduab.ufla.br/ www.posugf.com.br 28 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Figura 12 : Menu de edição das Wikis – Sistema Moodle Fonte da imagem: http://www.ceaduab.ufla.br/ As atividades apresentadas são as mais comuns encontradas nos programas de educação a distância. Outras atividades também podem ser desenvolvidas para avaliação de cursos, como por exemplo, webquests ou atividades que envolvam publicação em blogs ou atividades em redes sociais na Internet. A validade dessas avaliações depende da abertura pedagógica e proposta pedagógica existentes no curso, além da adequação da avaliação para o perfil de alunos do curso, alinhado aos objetivos gerais do curso. www.posugf.com.br 29 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Mas afinal, para que serve a motivação? Por que a motivação é um tema tão relevante para todas as ações que envolvem as relações interpessoais? Quando a incumbência de elaborar as avaliações Segundo o Houaiss, motivação é um “conjunto de pro- é do professor conteudista, é importante desenvolver cessos que dão ao comportamento uma intensidade, uma um roteiro de correção das avaliações, a fim de direção determinada e uma forma de desenvolvimento preservar os objetivos das avaliações. Clique aqui próprias da atividade individual”. para ver um modelo para elaborar um roteiro de correção de avaliação para os tutores. 3.7. Motivação na EaD Daqui em diante, iremos abordar a importância da motivação na EaD como estímulo e reforço da aprendizagem. E antes de abordarmos o tema com maior profundidade, será feita uma breve explanação sobre o conceito de motivação. Existem alguns estudiosos, na literatura acadêmica, que discorrem sobre o conceito de motivação. Muito além de conquistar objetivos e suprir necessidades pessoais, vemos que a motivação se tornou um ele- A pirâmide de Mashlow é um diagrama que re- mento indispensável para as empresas, e são aplicados presenta uma hierarquia de necessidades do ser hu- em diferentes equipes por lideranças que buscam alcançar mano. metas e resultados. Na educação a distância não é diferente, sendo a moti- O psicólogo Abraham Mashlow é um dos teóricos mais vação um dos fatores mais importantes a ser exercida pelo importantes e desenvolveu a teoria que apresenta as dife- professor tutor. rentes categorias de necessidades básicas do ser humano. Na pirâmide de Mashlow, o teórico apresenta um diagrama De acordo com Gonzalez (2005), é importante estabe- que representa uma hierarquia de necessidades que o ser lecer ações motivacionais do educando logo nos primeiros humano deseja suprir, seguindo uma sequência de priori- contatos com os alunos, devendo o tutor dispor de uma dades. conversa franca, objetiva com os seus alunos, para saber Para Gonzalez (2005), os teóricos do comportamento o que os levaram a ingressar no curso e quais são as suas behavioristas e cognitivistas afirmam que a motivação é perspectivas. intrínseca do ser humano e fundamentada no princípio hedonista de que o homem vive em busca do prazer e, ao Essas ações geralmente ocorrem na abertura do curso, mesmo tempo, tenta se afastar da dor e do sofrimento. mas a ação deve ser repetida quando não há participação Ou seja, nessa concepção, os humanos reforçam ações do aluno nas atividades propostas. em busca de resultados desejados que, por sua vez, são prazerosos. www.posugf.com.br 30 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz O tutor deve se comportar como um animador, no sentido de apresentar o curso e os conteúdos de maneira lúdica e criativa, com o intuito de propiciar a interação contínua entre todos os envolvidos, explorando ao máximo as ferramentas interativas disponíveis no curso como chats, lista de discussão, murais virtuais, correio eletrônico, telefone ou videoconferência. Quer saber mais sobre a Teoria de Mashlow? O livro “Motivation and Personality” é considerado um dos clássicos do autor e está disponível na Biblioteca Virtual do CRA-RJ. http://www.cra-rj.org.br/site/leitura/textos_ class/traduzidos/MOTIVATIVACAO_PERSONALIDADE/index.html#/14/ www.posugf.com.br 31 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz 3.7.1. Técnicas para motivação a) Avaliação diagnóstica: O primeiro passo antes de iniciar um processo motivacional na tutoria é elaborar uma lista de perguntas para serem introduzidas nos primeiros bate-papos e trocas de e-mails entre alunos e professores. Além disso, pode-se sugerir que os alunos descrevam as questões no mural de publicações ou no próprio perfil, descrevendo um pequeno resumo (também chamado de bio) contendo algumas informações importantes sobre a sua formação e interesses. Figura 13: Perfil e bio do usuário – Sistema Moodle Fonte da imagem: http://www.ceaduab.ufla.br/ Os tópicos mais importantes que o tutor deve saber dos alunos são: • Motivo para escolha do curso. • Importância do curso/formação para a vida pessoal e profissional. • Disponibilidade de tempo semanal para estudar. • Área de atuação profissional e formação acadêmica. • Pontos fortes e fracos (memorização, concentração, dedicação, organização etc). • Como o professor tutor poderá auxiliá-lo na aprendizagem. Alguns desenhos instrucionais de cursos permitem ao tutor abrir um tópico de Apresentação no fórum de discussão, para que todos os alunos se apresentem e escrevam sobre as suas expectativas no curso. Através dessa apresentação, é possível que os professores tutores obtenham também um diagnóstico dos alunos, que permitirá oferecer ações de apoio, reforço e orientações mais adequadas. www.posugf.com.br 32 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz são é orientar os alunos para se organizarem quanto aos b) Técnicas para cumprir metas de estudo estudos, tarefas e avaliações que devem ser realizadas no Muitos alunos, no decorrer dos estudos, sentem-se decorrer do curso. Para isso, é imprescindível que o pro- desmotivados pela falta de metas inicialmente propostas. fessor tutor exercite, nas suas tarefas com os alunos, as Algumas dessas técnicas são utilizadas por psicólogos, seguintes práticas: educadores físicos, professores e outros profissionais que necessitam condicionar e modelar atitudes, no intuito • Incentivar os alunos para que distribuam o tempo de obterem resultados desejados em programas de disponível para suas atividades instrucionais, re- emagrecimento ou para o abandono de vícios, como o servando um determinado horário para ler, estu- cigarro. dar, pesquisar e realizar tarefas do curso. A técnica Fatia da Pizza sugere ao estudante dividir em • “pequenas fatias” as tarefas a serem executadas, com o Orientar os alunos a usar técnicas de resumo e fichamento do material a ser estudado. intuito de driblar a impressão de que o trabalho será penoso e exaustivo, quando ele é visualizado no todo. Ao dividir as • tarefas, o contato com cada “fatia” permite que a apren- Estimular a discussão com outros colegas de turma sobre os temas abordados. dizagem ocorra em níveis mais profundos e duradouros, fixando melhor o conhecimento em casa uma das etapas. • Reforçar aos alunos que busquem informações extras, em livros, apostilas, documentos eletrôni- Outra técnica bastante conhecida é a dos Três Pati- cos disponíveis na Internet, como forma de am- nhos, usada por um reforço mnemônico para lembrar de pliar o conhecimento. metas tendo como símbolo o número 222, sendo que o • número dois, por sua forma, se remete à imagem de um Orientar os alunos para que realizem sistematicamente os exercícios, mostrando que essa prática patinho. Nessa técnica, o estudante irá escrever em folhas tem o poder de consolidar o processo de apren- de papel separadas e deixar em local visível o que ele de- dizagem. seja realizar dentro de um período de duas semanas, dois meses e dois anos. De acordo com Gonzalez (2005), estu- • dos da neurolinguística demonstram que se uma pessoa se Estimular os aprendizes para que cumpram os prazos estipulados as tarefas sugeridas pelos pro- visualiza realizando alguma coisa, ajuda a pôr em prática fessores, enviando-as para avaliação e revisão em o que foi imaginado. tempo hábil. Já a técnica da autorrecompensa é uma das atividades • de maior força motivacional, pois, desde crianças fomos Incentivar os alunos a buscar o apoio da tutoria no momento que pairem dúvidas sobre o conteú- condicionados a cumprir determinadas ações para receber do ou os procedimentos regulamentares do curso recompensas por elas, inclusive nas escolas que, por sua realizado. vez, premiam os alunos com notas e avaliações por bom comportamento, oferecendo viagens, material escolar en- • tre outras recompensas. Dentre as técnicas apresentadas Planejar com cada aluno seu esquema de estudo, orientando-o sobre o tempo ideal, a metodologia e outras técnicas também sugeridas por GONZALEZ, como e as técnicas mais indicadas para aprender. a de mensagens subliminares, todas elas reforçam a ideia de memorização e organização do tempo como forma de • estímulo e motivação para reforçar a aprendizagem. Comunicar-se habitualmente com os alunos, de todas as maneiras possíveis, previstas ou não no desenho instrucional do curso. Sobretudo com Para os tutores que não confiam nas eficácias das téc- aqueles que apresentam maior dificuldade para nicas, é importante ter em mente que sua principal mis- prosseguir nos estudos. (GONZALEZ, 2005, p.48). www.posugf.com.br 33 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz É notável a relevância do papel do tutor nos cursos grupo de alunos sob a sua tutoria (GONZALEZ, de EaD que, por sua vez, exige que o profissional adquira 2005, p.81). habilidades e competências muito específicas e quase paradigmáticas. Por isso, é fundamental que o tutor seja capaz de auxiliar os alunos no planejamento das atividades progra- Para isso, o tutor deve ter domínio da política educativa madas, promovendo uma comunicação que atinja os ob- da instituição e conhecimento atualizado das disciplinas jetivos de formação, exercendo, sobretudo, a capacidade sob sua responsabilidade, exercendo sedução pedagógica analítica. adequada no processo educativo. 3.8. Técnicas e habilidades essenciais na tutoria Mas como exercer essa sedução pedagógica? Sendo carismático e despertando simpatia. Desta forma, será possível reduzir as dificuldades encontradas em alguns Neste último tópico, abordaremos algumas técnicas e conteúdos. habilidades essenciais que devem ser adquiridas e aprimoradas durante a tutoria de cursos em EaD. O tutor deve gostar desses conteúdos e inovar os métodos de ensino, cativando o aluno e o levando-o ao cami- Será ressaltado também algumas atitudes positivas do nho desejado. É importante que o professor tutor estabe- tutor que devem ser empregadas para positivar a avaliação leça uma relação de respeito e confiança com os alunos, do curso. Os itens a seguir foram elaborados por Matias despertando interesse pelo conteúdo e reduzindo os obs- Gonzalez, no livro Fundamentos da Tutoria em Educação táculos encontrados no processo de aprendizagem. a Distância. O papel do tutor é muito importante e pode compro- a) Técnicas e habilidades a serem trabalhadas: meter todo o andamento do curso. Ele é o elo ou fio tênue que liga os alunos à instituição de ensino. Diante do isola- • mento virtual, o aluno sente-se desamparado e o processo Exercer continuamente o reforço positivo, principalmente com os alunos com dificuldade de de aprendizagem fica comprometido, muitas vezes, por aprendizado. A eficácia do reforço depende da falta da interação. A relação estabelecida entre o tutor e proximidade estabelecida com os alunos. o aluno deve ser aprofundada, tendo em vista a relação como uma prática educativa que está ligada à formação de • valores e prática do indivíduo para a vida social. Promover recompensas positivas aos aprendizes, através de um elogio de um trabalho entregue no prazo ou pela avaliação acima da média ou, até Outra característica que deve ser aprimorada pelo tutor mesmo, pelo esforço e dedicação empreendidos. é a sua capacidade de atuar como mediador, possibilitan- É importante elogiar o desempenho do aprendiz, do diálogos permanentes, ouvindo e oferecendo soluções louvando a sua responsabilidade, pontualidade e para as questões apresentadas, tendo atitudes de coope- desempenho. ração, participação e tomada de decisão, que inclui as dimensões pessoais e educacionais dos alunos. • O tutor deve ter domínio das ferramentas de interatividade utilizadas no curso. É essencial, portanto, que o profissional que atua como professor tutor tenha, dentre outras • qualidades, facilidade de comunicação, dinamis- O tutor deve sempre estar disponível para ouvir e responder, tão logo que solicitado, às dúvidas mo, criatividade, liderança e iniciativa para reali- apresentadas pelos alunos. Durante os contatos zar com eficácia o trabalho de facilitador junto ao www.posugf.com.br 34 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz estabelecidos por correio eletrônico, estima-se testes, estudo de casos, solução de problemas, que o prazo ideal para resposta aos alunos seja atividades práticas observadas etc. de até 24 horas. • Quando possível, realizar um teste ensaio. Essa técnica visa minimizar a tensão dos alunos e é • Cabe ao tutor manter um comportamento profis- ideal para estabelecer parâmetros e conhecer o sional e ético irrepreensível. A falta de confiança nível de conhecimento dos alunos. ou desapontamento é uma das maiores causas de • evasão nos cursos a distância. O tutor deve sempre fornecer feedback aos alunos, inclusive das avaliações, descrevendo comentários e sugestões claras. • Um bom tutor promove empatia e possui habilida- • Ao elaborar comentários devolutivos, deve-se evi- de de colocar-se no lugar do outro, promovendo tar expressões que possam conter carga negativa uma sintonia afetiva através da comunicação ex- ou depreciativa. pressa e na atitude de escutar respeitosamente o • aluno. Os comentários realizados nas correções de trabalho devem ser claros, assinalando-se sempre que possível o caminho para a resposta adequada. • • Como mediador, o tutor deve manter a postura O tutor deve evitar as avaliações paternalistas e de condutor do conhecimento, e não agir como severas, não cedendo pontos sem que o aluno te- detentor do conhecimento. Ainda que a sua ex- nha merecido ou exagerando no rigor das corre- periência profissional indique caminhos e soluções ções. É importante estabelecer critérios uniforme mais exatas, deve estar aberto a novos conheci- nas avaliações. • mentos e sugestões significativas provindas dos Ao elaborar uma avaliação, deve-se ser claro e objetivo no enunciado da questão proposta e a alunos. esta deve ser pertinente aos temas já estudados É importante ousar na arte de educar, bus- e revisados. A questão deve ser lógica e tratar cando conhecer todos os métodos e recursos já de temas significativos para a aprendizagem dos experimentados e provados. Torna-se imperativo alunos. • a todos os envolvidos na tutoria em EaD romper velhos paradigmas e abraçar a missão de educar fixados pela disciplina. Dessa forma, a resolução sem medo, sem receio de se aproximar demais, da avaliação definirá em que medida o aluno al- de estreitar laços de afeto e, sobretudo, sem o cançou o alvo proposto, ao iniciar o estudo. • excessivo pudor de exercer por amor a sutil arte ção, com o intuito de detectar os distintos tipos de com avidez pelo saber libertador. (GONZALEZ, alunos, bem como o seu aproveitamento. b) Atitudes positivas em avaliação Definir com clareza como avaliar a aprendizagem, apresentando os objetivos propostos do conteúdo e do curso. • Combinar questões de fácil, média e difícil resolu- de seduzir pedagogicamente os que esperam 2005, p.86) • O tutor deve guardar conexão com os objetivos Se houver testes práticos, definir os aspectos que serão observados e comunicá-los previamente, apontando se ela ocorrerá ao final de cada aula, unidade ou no final do curso. É importante expor os critérios estabelecidos, se haverá aplicação de www.posugf.com.br 35 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Todas as técnicas apresentadas definem algo imprescin- Capítulo 4. Equipe de produção de conteúdo para EaD dível na tutoria de cursos on-line: estar presente a distância. Essa presença, na verdade, é uma redução do termo Neste último capítulo, vamos tratar especificamente “telepresença”, um processo mediado por tecnologia da dos profissionais que atuam na equipe de produção de qual os atores envolvidos, de certa forma, não consideram cursos a distância. Iniciaremos apresentando o designer a intermediação tecnológica ou os seus efeitos são minimi- instrucional, uma nova categoria profissional que expan- zados mediante a interação promovida. diu basicamente em função da emergência dos cursos a distância. Embora a profissão ainda não esteja regulamen- É bastante claro que essa ideia não substitui a pre- tada, o designer instrucional hoje é bastante procurando sença real, promovida pelo encontro face a face, mas as por empresas e sites de recrutamento, tendo também interações promovidas nos cursos aumentam significativa- uma boa remuneração variando entre R$ 3.000,00 e R$ mente a sensação de presença social dos usuários. 4.000,00. A formação para designer instrucional requer formação específica de capacitação e pós-graduação. No Brasil existem algumas instituições que oferecem essa formação, e geralmente abrange os profissionais que já são especialis- O professor tutor: tas em comunicação e pedagogia. É o professor que acompanha os alunos durante a execução das aulas no ambiente virtual. Ele deve Além de apresentarmos a incumbência do designer ins- dominar o conteúdo, conhecer profundamente as trucional e a sua importância para a produção de conteú- ferramentas de avaliação e empregá-las em confor- dos para EaD, vamos apresentar outros profissionais que midade com a proposta pedagógica do curso. atuam numa equipe de produção de cursos a distância. Principais atribuições do professor tutor: • 4.1. O design instrucional e a equipe de produção de conteúdo Mediar a comunicação de conteúdos entre o professor e aprendizes. • O termo design instrucional não é um conceito total- Acompanhar as atividades e estabelecer mente fechado, e não há uma definição muito clara sobre contato permanente com os alunos. • o termo, sendo que ainda não existe um consenso sobre a concepção mais adequada para essa atividade. Primeira- Promover interação entre os alunos e moti- mente, a definição surge a partir do termo design, origina- vá-los. Se for necessário, oferecer estraté- da do inglês, que significa “’intenção, propósito, arranjo de gias para leitura e cumprimento de prazos • das avaliações. elementos num dado padrão artístico’; do latim designare, Manter a regularidade de acesso ao AVA e nhar’” (FILATRO, 2003, p.55). ‘marcar, indicar’ ou do francês designer, ‘designar, dese- dar retorno às solicitações dos aprendizes. • Já o termo instrução tem sua origem embasada na Conhecer os alunos e ter sensibilidade às ideia de instrução programada, treinamento ou doutrina- formas de avaliação, que por sua vez, de- ção, e surgiu na II Guerra Mundial com o intuito de treinar vem ser individuais. militares por intermédio de materiais instrucionais. Baseado nessas concepções, o design instrucional engloba a www.posugf.com.br 36 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz elaboração de um projeto ou desenho instrucional, com fins educacionais, pedagógicos ou didáticos e Filatro (2003) o define como: a ação intencional e sistemática de ensino, que envolve o planejamento, o desenvolvimento e a utilização de métodos, técnicas, atividades, materiais, eventos e produtos educacionais em situações didáticas específicas, a fim de facilitar a aprendizagem humana a partir dos princípios de aprendizagem e instrução conhecidos (FILATRO, 2003, p. 64). A autora também afirma que o design instrucional é o resultado de um processo ou atividade funcional com propósitos e intenções claramente definidos, e o profissional (o designer instrucional), por sua vez, poderá atuar em planejamentos específicos de uma unidade ou disciplina, ou de forma ampla, em projetos pedagógicos de um curso ou de uma instituição. Esse profissional irá compor a equipe de trabalho multidisciplinar que busca soluções educacionais. 4.2. Modelos de design instrucional Três diferentes modelos de design instrucional para atender às diferentes necessidades educacionais: DI fixo (ou fechado) DI aberto DIC (contextualizado) Baseado na separação completa das fases de concepção (design) e execução (implementação), com planejamento criterioso e produção dos componentes instrucionais antes da ação de aprendizagem. O DI elabora documentos de especificação (roteiros ou storyboards) que antecipam decisões essenciais relacionadas à apresentação dos conteúdos tais como objetos, recursos, organização, linguagem, layout, ilustrações e locuções, fluxo de aprendizagem, regras de sequenciamento, estrutura e interações. O resultado é um design fixo e inalterado, centrado no conteúdo. Processo mais artesanal e orgânico, que privilegia os processos de aprendizagem. A especificação é menos rigorosa, geralmente realizado no AVA, onde se dará a execução da ação educacional. O DI desenvolverá gabaritos, manuais e o conteúdo a partir do LMS, com um conjunto de opções pré-configuradas, tendo liberdade de adaptá-lo a partir do feedback dos alunos. Em alguns casos, possui um ambiente menos estruturado e links que indicam referências externas. Busca equilíbrio entre automação e contextualização da situação didática, usando ferramentas da Web 2.0. Utiliza unidades fixas e préprogramadas, e aplica mudanças e personalização assegurados por recursos adaptáveis e previamente programados. O DI especifica o cenário no qual ocorrerá a aprendizagem, incluindo elementos como título, autor ou instituição responsável pela oferta. O aprendizado eletrônico é inserido em um contexto mais amplo e dinâmico, centrado no aprendiz. ]Fonte da imagem: Adaptado de Filatro (2008) 4.3. Design instrucional ou design educacional? Entretanto, Mattar (2012) defende a ideia da utilização da nomenclatura design educacional (DE) por considerar o design instrucional vinculado ao behaviorismo e aos modelos de EaD fordistas, limitadas à concepção de instrução. A nova designação propõe um design pedagógico e centrado no aprendiz, integrando diferentes elementos que indicam um ambiente de aprendizagem mais interativo e instigante para os alunos. Para o autor, a definição de DE é apresentada por intermédio de um curso on-line ofertado pela Artesanato Educacional: www.posugf.com.br 37 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Definição: explora a teoria e prática do • Contexto de orientação: Anterior à aprendizagem, Design Educacional, que inclui o planejamento, influencia a motivação futura do aluno e o prepara a elaboração e o desenvolvimento de projetos cognitivamente para aprender. pedagógicos, materiais educacionais, ambientes • colaborativos, atividades interativas e modelos Contexto de aprendizagem: Em geral determinado temporalmente pela situação didática em si de avaliação para o processo de ensino e (curso, programa, aula), envolve as pessoas e os aprendizagem. O curso procura apresentar um recursos físicos, sociais e simbólicos reunidos em modelo de Design Educacional mais flexível e um dado momento com o objetivo de aprender. menos rígido que os modelos tradicionais de Design Instrucional, incorporando elementos • Contexto de transferência: Posterior à aprendiza- de interatividade e design de games. (MATTAR, gem, engloba basicamente o ambiente ou a situa- 2012, p. 61) ção em que a aprendizagem é aplicada. • Enquanto o DI é rígido e estrutural, centrado no conte- Ao examinar o contexto em termos de nível de abrangência, chegamos às seguintes perspecti- údo, o DE é flexível e com a análise voltada para o apren- vas: a perspectiva individual do aluno, a perspec- diz, também chamada de análise contextual. A análise tiva imediata do entorno mais próximo onde acon- contextual é a avaliação dos diferentes níveis contextuais tece a situação didática (contexto pedagógico/ existentes no público-alvo (aprendizes), considerando a andragógico) e a perspectiva instrucional (relativa identificação de necessidades ou problemas de aprendi- a um grupo ou instituição). (FILATRO, 2008, p.36) zagem, as restrições técnicas, administrativas e culturais pelas quais o curso será desenvolvido. (FILATRO, 2008, p.36). Essa análise serve para indicar uma situação didá- Figura 14: Contexto e dimensões tica bem delimitada e identificar as variáveis mais impor- do processo de aprendizagem tantes que podem restringir ou favorecer um determinado processo de aprendizagem. Fonte da imagem: FILATRO, A. Design instrucional contextualizado: educação e tecnologia. A tarefa de incluir a análise de contexto no design de um curso é minuciosa e requer um planejamento adequado, que inclui levantamento de informações tais como: a identificação das necessidades de aprendizagem, caracte- Para a autora, os contextos podem ser divididos em rização dos alunos, levantamento de restrições e proposta três tipos: de soluções. www.posugf.com.br 38 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz 4.4. Desenho didático em EaD O desenho didático é uma importante fase do design instrucional, e implica que o profissional realize uma análise minuciosa do material existente e o contexto educacional no qual ele será aplicado. Esse procedimento é importante para definir os objetivos, estratégia e adaptação do conteúdo para o seu público-alvo, desenvolvendo o desenho didático através da abordaTodo esse desenvolvimento envolve coleta e análise de gem pedagógica e a transposição didática (FILATRO, 2008). dados para preparar e planejar o ensino. A proposta da Mas o que vem a ser a abordagem pedagógica e análise contextual é criar um ambiente mais dinâmico e a transposição didática? participativo, permitindo que os alunos tenham uma base mais ampla de conhecimento, mais aberta e experimental do que propriamente direcionada, como ocorre no DI fixo. Entretanto, em nossa disciplina, não foi previsto o aprofundamento desse tema. Sugiro aos interessados que querem se aprofundar nesse contexto, leiam o livro: Através da abordagem pedagógica, o designer instrucional propõe soluções educacionais para os objetivos de aprendizagem, imprescindíveis para definir os recursos que atenderão os diferentes tipos de aprendizagem. Os diferentes tipos de abordagens pedagógicas se resumem em: • Comportamentalista: Baseada nos estudos de Skinner e Gagné é a aprendizagem por associação. • Construtivista individual: Para Piaget, as pessoas aprendem a partir da exploração do mundo e ao receberem feedback de suas ações, e elaboram as conclusões sobre isso. • (colocar link http://www.editorasenacsp.com.br/portal/produto.do?appA ction=vwProdutoDetalhe&idProduto=20142) Construtivista social: Para Vygotsky, a descoberta individual de princípios é apoiada pelo ambiente social. www.posugf.com.br 39 40 Skinner, Gagné Teorias Teóricoschave www.posugf.com.br Implicações para a avaliação Implicações para a aprendizagem Reprodução acurada de conhecimentos ou habilidades; desempenho de partes ou componentes; critérios claros: feedback rápido e fidedigno. Construtivista (social) Piaget Certificados de participação; desempenho estendido, incluindo contextos variados; autenticidade na prática (valores, crenças, competências); envolvimento de pares. Criação de ambientes seguros para participação; apoio ao desenvolvimento de identidades; facilitação de diálogos e relacionamentos de aprendizagem; elaboração de oportunidades de aprendizagem autênticas. Ambientes colaborativos e desafios apropriados; encorajamento à experimentação e à descoberta compartilhadas; foco em conceitos e habilidades existentes; modelagem de habilidades, inclusive sociais. Compreensão conceitual; desempenho Compreensão conceitual; desempenho estendido; processos e participação tanto estendido; processos e resultados; certificados quanto resultados; certificados variados de variados de excelência; auto-avaliação: excelência; avaliação por pares e autonomia na aprendizagem. responsabilidade compartilhada. Participação em práticas sociais de investigação e aprendizagem; aquisição de habilidades em contextos de uso; desenvolvimento de identidade como aluno; desenvolvimento de relações profissionais e de aprendizagem. Lave e Wenger; Cole e Engstrom As pessoas aprendem ao participar de comunidades de prática, progredindo de uma posição de novatas até a de especialistas pela observação, reflexão, mentoria e legítima participação periférica. Assim como o socioconstrutivismo, a abordagem situada enfatiza o contexto social da aprendizagem, com a diferença de que esse contexto deve ser muito mais próximo – ou idêntico – à situação na qual o aluno eventualmente aplicará a aprendizagem adquirida. A aprendizagem baseada em trabalho e o desenvolvimento profissional continuado são exemplos típicos de aprendizagem situada. Aqui, a autenticidade do ambiente de aprendizagem é tão significativa quanto o apoio que ele provê, com atividades menos formais. Situada Desenvolvimento conceitual por meio de atividades colaborativas; problemas pouco estruturados; oportunidades para discussão e reflexão; domínio compartilhado da tarefa. Vygotsky A descoberta individual de princípios é As pessoas aprendem ao explorar apoiada pelo ambiente social. Colegas de ativamente o mundo que as rodeia, escola e educadores desempenham papelrecebendo feedback de suas ações e chave no desenvolvimento do aluno, ao formulando conclusões. A capacidade de travarem diálogo desenvolvem uma construir leva à integração de conceitos e compreensão compartilhada da tarefa e habilidades dentro das estruturas de provêem feedback de suas atividades e competências ou de modelos mentais já representações. A teoria existentes no aluno. Assim, a socioconstrutivista se preocupa com o aprendizagem pode ser aplicada a novos modo como conceitos e habilidades contexto e expressa em novas formas. A emergentes são apoiados pelos outros de teoria construtivista se preocupa forma que o aluno vá além do que seria basicamente com o que acontece entre os capaz individualmente (zona de inputs (entradas) do mundo exterior e os desenvolvimento proximal). A atenção comportamentos, isto é, com o modo aqui está voltada aos papéis dos alunos como os conhecimentos e as habilidade em atividades colaborativas e à natureza são integrados pelo aluno. das tarefas desempenhadas. Construtivista (individual) Rotinas de atividades; Progressão por meio de componentes conceituais e de habilidades; Construção ativa e integração de conceitos; Objetivos e feedbacks claros; Percursos Problemas pouco estruturados; oportunidades individualizados correspondentes a para reflexão; domínio da tarefa. desempenhos anteriores. Ambientes interativos e desafios apropriados; Análise e decomposição em unidades; encorajamento à experimentação e à Sequências progressivas de componentes Implicações descoberta de princípios; adaptação a como conceitos ou habilidades complexos; conceitos e habilidades existentes; para o ensino Abordagem instrucional clara para cada treinamento e modelagem de habilidades unidade; objetivos altamente focados. metacognitivas. As pessoa aprendem por associação. Inicialmente, esse aprendizado se dá por meio de um condicionamento estímuloresposta simples e, posteriormente, mediante a capacidade de associar conceitos em uma cadeia de raciocínio ou de associar passos em uma cadeia de atividades para construir uma habilidade complexa. A teoria associativa não se preocupa com o modo como os conceitos ou as habilidades estão representados internamente, mas sim com a maneira como eles se manifestam em comportamentos externos. Uma vez que não há uma ‘janela mágica’ que permite ver o que acontece dentro da mente humana, toda aprendizagem formal repousa sobre a evidência externa (comportamento), que é um indicador do que foi aprendido. Comportamentalista ABORDAGENS PEDAGÓGICAS/ANDRAGÓGICAS (Fonte: Adaptado de Andrea Filatro in Design instrucional na prática) Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Fonte da imagem: http://issuu.com/anasimoes/docs/abordagens_pedagogico-andragogicas Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz • Situada: Os estudos de Lave e Wenger; Cole e 4.5. Elementos fundamentais do design instrucional Engstrom concluem que as pessoas aprendem ao participarem de comunidades de prática, e evoluem da posição de novata para especialista a 4.5.1. Objetos de aprendizagem partir da observação, reflexão, mentoria e legítima participação periférica. Na educação tradicional, temos pleno conhecimento que os professores utilizam diferentes materiais de apoio Já a transposição didática implica em transformar um para auxiliar o aprendizado em sala de aula, como livros, objeto de saber em um objeto de ensino, ou seja, é o ato revistas, jornais, apostilas, CDs, DVDs etc. Com o advento de transpor um conteúdo, mensagem ou informação em das novas tecnologias, temos as novas mídias baseadas linguagem didática, ensinável e compreensível para que o em tecnologias interativas que atualmente são incorpora- aluno consiga aprender, mesmo estando sozinho. das aos planos de ensino. Os objetos de aprendizagem são definidos pelo IEEE (Institute of Electrical and Eletronics Ao realizar a transposição didática, o design instrucio- Engineers) como “qualquer entidade, digital ou não, que nal não irá alterar o conteúdo, mas adaptá-lo de acordo possa ser usada para aprendizagem, educação e treina- com a matriz de design instrucional e storyboard e em mento” (TORI, 2010, p.112). O termo, por sua vez, foi conformidade com as necessidades e objetivos previstos originado pelo Learning Technology Standards Committee no projeto educacional (FILATRO, 2008). (LTSC) do IEEE, definindo-os por: Os objetivos, conteúdos, ferramentas, ambientes e ava- [...] uma entidade, digital ou não digital, liação são elementos básicos do processo educacional e são que pode ser usada e reutilizada ou referenciada organizados em uma matriz de design instrucional que por durante um processo de suporte tecnológico ao sua vez, verifica os níveis de interação, organização, dura- ensino e aprendizagem. Exemplos de tecnologia ção e período. Ou seja, essa matriz serve como instrumento de suporte ao processo de ensino e aprendiza- de orientação para a equipe de adequação ao projeto edu- gem incluem aprendizagem interativa, sistemas cacional do curso ou instituição. instrucionais assistido por computadores inteligentes, sistemas de educação a distância, e am- Quando o conteudista de um conteúdo ou disciplina co- bientes de aprendizagem colaborativa. Exemplos nhece os recursos tecnológicos disponíveis, ele pode acres- de objetos de aprendizagem incluem conteúdos cer e sugerir atividades que poderão ser utilizadas no con- de aplicações multimídia, conteúdos instrucio- teúdo. Caso contrário, a equipe ou responsável pelo design nais, objetivos de aprendizagem, ferramentas instrucional deve realizar um trabalho em conjunto com o de software e software instrucional, pessoas, conteudista para realização de atividades que contemplam organizações ou eventos referenciados durante os recursos e objetivos pedagógicos previstos na matriz ins- o processo de suporte da tecnologia ao ensino e trucional do curso. aprendizagem (LOM,2000). Por sua vez, os objetivos de aprendizagem descrevem Consideramos que grande parte dos docentes, quan- um resultado pretendido, ou seja, contempla a finalidade do preparam os objetos de aprendizagem de suas aulas, de aprendizado na qual o aluno terá como domínio. Os elaboram-nos de forma artesanal e individual. No entanto, objetivos de aprendizagem são importantes na descrição no contexto atual, é importante verificar a necessidade de da matriz instrucional para a orientação da equipe de pro- elaborar objetos de aprendizagem reutilizáveis, que este- dução, e deve contemplar o ponto de vista de aprendizado jam em concordância com a convergência entre educação a ser alcançado pelo aluno. presencial e virtual e que contemplem as características de www.posugf.com.br 41 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz serem reutilizados, armazenados e distribuídos, de acordo com a proposta dos REAs. Objeto de aprendizagem é qualquer entidade, digital ou não, que possa ser referenciada e reutili- Os objetos de aprendizagem também funcionam como zada em atividades de aprendizagem. (TORI, 2010, p.112) “partes de conhecimento” que auxiliam na aprendizagem de um conteúdo educacional e podem ser usados em diferentes contextos e aplicados a diferentes ambientes virtuais de aprendizagem (FILATRO, 2009). Segundo a autora, A metáfora do LEGO© é utilizada para explicar o conceito esses objetos se diferenciam dos demais recursos digitais de objeto de aprendizagem. Para Tori (2010), os blocos utilizados em um curso por possuírem as seguintes carac- podem ser reutilizados para a criação de diversos brin- terísticas: quedos, devido à sua simplicidade e padronização, uma vez que existem inúmeras possibilidades de um bloco se • Reusabilidade, modularidade e portabilidade. • Armazenagem em repositórios de objetos de combinar com qualquer outro, sem restrições. Figura 15: Brinquedo LEGO© aprendizagem. • Identificação por descritores (informações sobre autores, palavras-chaves). • Indexação e metadados, que permitem uma busca rápida nos repositórios de objetos. • Desenvolvimento através de diversas mídias: jogos, vídeos, simulações, animações etc. Fonte da imagem: http://creative.lego.com/en-us/Products/5508.aspx Sobre a construção dos objetos de aprendizagem, é importante compreender dois importantes conceitos: combinação e granularidade. A combinação, por sua vez, ocorre durante a montagem e sequenciamento das atividades nos objetos de aprendizagem, a partir da construção de blocos reutilizáveis que convergem para um único ou diferentes objetivos de aprendizagem. Já a granularidade, por sua vez, está relacionada ao tamanho do objeto. Uma granularidade mais alta significa que o objeto é menor e mais simples, proporcionando uma maior reutiAtualmente, existem outras denominações para obje- lização e mais trabalho interpretativo e de construção do tos de aprendizagem: learning object, inteligente object, aprendiz. Já uma granularidade alta exige um agrupamen- instructional object, educational object, knowledge object, to maior de objetos e menos esforço interpretativo e de intelligent object ou data object. No geral, o conceito tem construção pelo aprendiz. Por exemplo, num curso on-line como propósito facilitar a decomposição de sistemas edu- que exige pouco esforço e desenvolvimento por parte do cacionais, baseados em computador, com o intuito de criar aprendiz terá uma granularidade baixa e maior dificulda- pequenos módulos de ensino potencialmente reutilizáveis. de de reutilização em outro contexto. Já um objeto que www.posugf.com.br 42 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz 4.5.2. Storyboards contém apenas uma imagem, por exemplo, poderá ter a granularidade mais alta se possibilitar a sua aplicação em diferentes contextos educativos (WILEY apud TORI, 2010, Já o storyborard (SB) é um instrumento para elabora- p. 113). ção de um esboço de um projeto multimídia que descreve em telas a estrutura e fluxo de informações de um curso, Tendo em vista esses conceitos, é importante estabele- e congrega diversos elementos como textos, animações, cer parâmetros de utilização durante a elaboração desses imagens, gráficos, vídeos e estrutura de navegação. objetos em consonância com o objetivo pelo qual ele deve ser construído. É um elemento elaborado pelo DI e indispensável para a orientação da equipe de desenvolvimento. Se o intuito é desenvolvê-lo com um maior nível de reusabilidade, o ideal é construí-lo com maior granularidade. O desenvolvimento do SB pode ocorrer de duas formas distintas: a primeira se trata de um roteiro textual, redigido Mas nada impede a construção de um objeto de menor e editado em um documento de texto, informando toda granularidade e isso não o classifica como incorreto ou a disposição dos conteúdos e descrevendo a forma pela inadequado. qual os elementos devem ser apresentados. Ambos são importantes e serão reutilizáveis, tendo a A segunda, trata-se de um SB mais elaborado e prevê noção de que um objeto de maior granularidade terá uma um projeto multimídia mais extenso que inclui muitas inte- extensão maior de aplicabilidade. rações e animações, ou seja, funcionará como uma série de esquetes que mostram visualmente uma sequência de Nos tópicos 4.7, 4.8.4 e 4.8.5, trataremos detalhada- ações que devem ser desenvolvidas. mente sobre o processo de elaboração e construção dos objetos de aprendizagem. Antes de avançarmos para os outros elementos do DI (ou DE), é essencial que a abordagem sobre os objetos de aprendizagem e repositório de objetos esteja muito clara para você. Para isso, propomos a seguinte atividade: ex- Acesse o site da Pearson Learning e veja alguns plore os repositórios de objetos de aprendizagem de aces- exemplos de SB de cursos on-line: sos gratuito e disponíveis na web: http://wps.prenhall.com/br_filatro_1/87/22398/5734016. Projeto CESTA da UFRGS: http://cesta.cinted.ufrgs.br/ cw/index.htm cesta.login.php O BIOE, elaborado pela SEED/MEC: http://objetosedu- Informações indispensáveis para elaboração de um SB: cacionais2.mec.gov.br/ Universidade Aberta do SUS: http://ares.unasus.gov. br/acervo/handle/ARES/87 Elementos Informações no SB Informações Gerais Data, versão, responsável, título da instituição, programa, módulo, unidade de estudo, atividade ou tela e copyright (créditos). CAREO da Campus Alberta Repository of Educational Objects: http://theguide.ntic.org/ Merlot http://www.merlot.org/merlot/index.htm www.posugf.com.br 43 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Tela Principal (área que será visualizada pelo aluno) Títulos e textos Imagens prontas ou orientações para ilustração Animações Títulos, plano de fundo, margens, botões de navegação, identificadores de navegação, rodapés, controles de mídia, textos, ícones, menus, orientações aos alunos. Tamanho e tipo das fontes, espaçamento entre linhas, alinhamento, posicionamento na tela, bullets ou listas enumeradas, recursos gráficos, balões de diálogo, efeitos de animação. Fluxos de informação Estrutura linear ou sequencial, hierárquica, mapa ou rede ou rizomática. Agentes pedagógicos Personagem virtual que atua como orientador do processo de aprendizagem ao longo de uma unidade ou curso. Fonte da imagem: adaptado (FILATRO, 2008) 4.5.3. Padrão Scorm O padrão Scorm (shareable courseware objective Posicionamento na tela, integração de texto-imagem, orientação para criação de imagens, efeitos de animação, gráficos e tabelas. reference model) é um conjunto de padrões que devem ser aplicados aos conteúdos de um curso, com o objetivo de produzir objetos de aprendizagem reutilizáveis. Movimentação de elemento, mudança de forma, cor ou textura, efeitos especiais (fade in, fade out etc), movimentos de câmera e foco de luz. A sua concepção partiu da Advanced Distributed Learning (ADL) ligada ao departamento de Defesa NorteAmericano e hoje possui duas versões (1.1 e 1.2). Segundo Filatro (2008), o padrão Scorm garante o Sons e vídeos Vídeos, textos dos diálogos e narração off, efeitos sonoros, música de fundo, podcast. Interações Opções de resposta, número de tentativas, tipo de feedback etc. Feedback Formato (janelas, marcas, ícones, sons), conteúdo (texto oral ou escrito) e condições de exibição (tempo ou ao término de uma ação). Âncoras ou hiperlinks acessibilidade de conteúdos, garantindo a sua funcionalidade em qualquer ambiente virtual de aprendizagem. Quando o padrão é implementado, temos um curso produzido com as seguintes características: • Modelo de conteúdo: Nomenclatura que define os componentes de conteúdo de uma experiência Tipos de identificação (realce, alterações de cor, moldura), direcionamento, textos e ícones associados. de aprendizagem. • Empacotamento de conteúdo: Representação da estrutura do conteúdo em uma ação e agregação de recursos e atividades de aprendizagem Transição entre telas / objetos (se houver) Definição da forma de entrada e saída. Velocidade (se houver) Telas mostradas por segundo, velocidade da locução. Documentação de apoio compartilhamento, a interoperabilidade, a durabilidade e para que eles se movimentem em diferentes ambientes. • Sequenciamento e navegação: Conjunto de regras que descrevem a sequência e ordenação Versão para impressão, hiperlinks externos e referências bibliográficas. de atividades desejadas – atividades estas que podem ou não fazer referências a recursos entregues ao aluno. (FILATRO, 2008, p. 124). www.posugf.com.br 44 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Conheça o site oficial do Scorm e obtenha mais informações http://scorm.com/pt/ 4.6. As competências do designer instrucional O IBSTPI - International Board of Standards for Training, Performance and Instruction – é um grupo de pesquisa e desenvolvimento que define o conceito de competência para o designer instrucional. Essa concepção de competência envolve diferentes conhecimentos, habilidades e atitudes relacionadas que ajudam o profissional a desempenhar de forma eficaz as atividades de uma determinada função, de acordo com os padrões esperados. O IBSTPI publicou as competências do designer instrucional, dispostas em quatro níveis: Fundamentos Profissionais 1. Comunicar efetivamente por meios visual, oral e escrito. (Essencial). 2. Aplicar pesquisas e teorias atualizadas na prática de desenho instrucional. (Avançado). 3.Atualizar e melhorar suas habilidades, atitudes e conhecimentos referentes ao desenho instrucional e às áreas relacionadas. (Essencial). 4. Aplicar habilidades básicas de pesquisa em projetos de desenho instrucional. (Avançado). 5. Identificar e resolver problemas éticos e legais que surjam no trabalho de desenho instrucional. (Avançado). Planejamento e Análise 6. Conduzir um projeto de levantamento de necessidades. (Essencial). 7. Desenhar um currículo ou programa. (Essencial). 8. Selecionar e usar uma variedade de técnicas para definir conteúdo instrucional. (Essencial). 9. Identificar e descrever as características da população-alvo. (Essencial). 10. Analisar as características do ambiente de aprendizagem. (Essencial). 11. Analisar as características de tecnologias existentes e emergentes e seus usos em um ambiente instrucional. (Essencial). 12. Refletir sobre os elementos de uma situação antes de finalizar decisões sobre soluções e estratégias de desenho. (Essencial). www.posugf.com.br 45 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Desenho e Desenvolvimento 13. Selecionar, modificar ou criar um modelo apropriado de desenho e desenvolvimento para um determinado projeto. (Avançado). 14. Selecionar e usar uma variedade de técnicas para definir e sequenciar o conteúdo e estratégias instrucionais. (Essencial). 15. Selecionar ou modificar materiais instrucionais existentes. (Essencial). 16. Desenvolver materiais instrucionais. (Essencial). 17. Desenhar instrução que reflita a compreensão da diversidade de alunos individuais ou em grupo. (Essencial). 18. Avaliar a instrução e seu impacto. (Essencial). Implementação e Gerenciamento 19. Planejar e gerenciar projetos de desenho instrucional. (Avançado). 20. Promover colaboração, parcerias e relacionamentos entre os participantes de um projeto de desenho. (Avançado). 21. Aplicar habilidades de negócio no gerenciamento ao desenho instrucional. (Avançado). 22. Desenhar sistemas de gerenciamento de instrução. (Avançado). 23. Providenciar a implementação eficaz de produtos e programas instrucionais. (Essencial). Em resumo, as atividades que compõem um projeto de design instrucional podem ser apresentadas da seguinte forma: Figura 16: Estrutura analítica do projeto de DI Fonte da imagem: FILATRO, Andréia. Design Instrucional na prática. Ed. SENAC, 2008, p. 162. www.posugf.com.br 46 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz 4.7. Atividades de aprendizagem As atividades de aprendizagem são a realização de tarefas para alcançar um objetivo e também são consideradas objetos de aprendizagem. Essas atividades, por sua vez, se diferenciam dos objetivos do curso por envolver um conjunto de ações para que os alunos as realizem para alcançar um determinado objetivo. Quando o DI preenche a matriz instrucional de um curso, é necessário incluir objetivos específicos para as atividades previstas em um curso. É importante notar que as diferentes teorias de aprendizagem propõem conotações distintas às diferentes teorias de aprendizagem. Para exemplificar, podemos ver na abordagem comportamentalista o entendimento da atividade como forma de apreensão do conhecimento. Já na abordagem cognitivista, a aprendizagem se relaciona com as operações mentais, e a socioconstrutivista entende a atividade como forma de interação entre o sujeito e o ambiente social. (FILATRO, 2008, p.48). Veja a seguir os quadros que descrevem as diferentes estratégias e atividades de aprendizagem que podem ser empregadas durante a elaboração e design de cursos. Em cada categoria, será fornecido um ou mais exemplos de objetos de aprendizagem que podem ser elaborados para EaD, mas é importante lembrar que essas categorias também são aplicadas ao ensino presencial: (adaptados do livro Design instrucional na prática). Estratégias de aprendizagem Estratégias de recordação (recall): recordar e aprender conteúdos que necessitam de significado (por exemplo, lista de personagens históricos, datas, rios e afluentes, tabela de elementos químicos). Atividade meramente reprodutiva e apoiada na memorização. Atividades de Aprendizagem Recitar, nomear ou copiar várias vezes. Recordar um fato. Declarar a definição de um conceito ou princípio. Listar os passos de um procedimento. Descrever um comportamento. Jogo: As Capitais do Brasil - UOL Educação http://educacao.uol.com.br/ quiz/desafio/2013/02/07/voce-sabe-o-nome-das-capitais-do-brasil.htm • Estabelecer elo verbal entre imagem e termos que devem ser associados. Estratégias de elaboração: Buscar uma relação, referencial ou significado comum através de itens a serem apreendidos. São bastante empregadas no ensino de vocabulário estrangeiro, aprendizagem de termos específicos. • Apreender listas de itens pela formação de siglas, rimas etc. • Elaborar resumos escritos. • Tomar notas a partir de textos escritos, locutados ou animados. www.posugf.com.br 47 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Estratégias de organização: Ajudam a relacionar novos conceitos a conceitos anteriores, de forma que a organização ajuda a criar um maior número de conexões, atribuindo um significado maior aos elementos que compõem o material. • Estudar ou elaborar mapas conceituais. • Estruturar um tema na forma de perguntas e respostas. • Categorizar itens em grupos ou comparar ideias. • Sequenciar objetos ou ideias no tempo ou no espaço. • Expor livremente ideias em busca de soluções criativas de um problema (braimstorming). • Elencar aspectos negativos ou que devem ser excluídos ou relacionados a um tema ou problema (braimstorming inverso). Estratégias de criatividade: Envolve o levantamento de hipóteses e deduções, o teste e revisão de ideias, bem como a comunicação de resultados. • Escrever livremente sobre um tópico ou tema aprendido. • Pensar metaforicamente ou elaborar histórias completas. • Criar enigmas ou simular aspectos da realidade que permitem a tomada de decisão. Estratégias de pensamento crítico: • Classificar ideias a partir de uma análise crítica. • Listar aspectos mais ou menos interessantes de um São usadas para selecionar informações, avaliar ou determinar a força de um argumentos, reco- tópico. • Realizar estudos de casos que envolvem tomadas de nhecer preceitos e formular conclusões. decisão. Estratégias de cooperação: Envolve o compartilhamento de ideias entre alunos para a produção • Corrigir, revisar e avaliar temas entre pares. • Contar e recontar uma informação. • Promover mesas-redondas e formar grupos de discussão. coletiva de conhecimento. • Desenvolver projetos colaborativos. Exemplo: Construção coletiva em Wikis Para Filatro (2008), o aprendizado eletrônico possibilita a criação e adaptação de atividades diferenciadas que podem agregar diferentes estratégias de aprendizagem (vistas nos quadros anteriores) ou adaptar-se a elas. A seguir, apresentaremos outros quadros de atividades que podem ser desenvolvidas por meio do aprendizado eletrônico: www.posugf.com.br 48 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Descrição de atividades Possibilidades de elaboração Minute paper: O educador ou aluno propõe questões que devem ser respondidas dentro de um prazo determinado (um minuto ou mais, dependendo do objetivo de aprendizagem). • Em salas de bate-papo ou mensageiros instantâneos. • Em blogs ou wikis. • Testes ou enquetes com tempo de resposta programado. • Webquest: Pesquisar os sites e responder questões colocadas pelo professor. Pesquisa orientada na Web para ser realizada em grupos. Um desafio é lançado e os alunos devem pesquisar sites indicados pelo professor ou realizar a pesquisa livremente. • Desenvolver projetos ou criar produtos. • Discutir tópicos selecionados. • Pesquisar e responder questões pontuais, colocadas pelo professor. Caçada eletrônica: • Outra modalidade de pesquisa orientada na Web. Desenvolver desafios mais específicos, que atinjam um objetivo de aprendizagem. Controvérsia estruturada: Debate sobre tema • O tema pode ser apresentado e discutido em fóruns, blogs e wikis (atividade assíncrona). polêmico, em que se atribui ao aluno posturas predefinidas (contra ou a favor) ou papéis definidos (relator, crítico ou mediador). • O tema pode ser apresentado em salas de bate-papo ou mensageiro instantâneo (atividade síncrona). • A discussão pode ser desenvolvida em fóruns, blogs e wikis (atividade assíncrona) ou em salas de bate-papo ou mensageiro instantâneo (atividade síncrona). Debate circular: Os alunos devem seguir uma ordem pré-estabelecida ou aleatória, discutindo uma questão em • A discussão pode ser desenvolvida em grupos específicos criados em redes sociais na Internet, como o Face- comum. book ou pelo Twitter. Quebra-cabeças: Atividade realizada em partes distribuídas como tare- • fas aos alunos e publicadas em área coletiva para síntese A atividade pode ser publicada em blogs e wikis ou em grupos específicos no Facebook. e avaliação. www.posugf.com.br 49 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz • Exemplos e regras: Atividades que são apresentadas em vários exemplos (trechos de livros, notícias, vídeos, propagandas) entre os quais os alunos devem buscar regularidades e diferenças que os vinculam. Pode ser realizada individualmente ou em grupo. O tema pode ser apresentado e discutido em fóruns, blogs e wikis (atividade assíncrona) ou em salas de bate-papo ou mensageiro instantâneo (atividade síncrona). Outras atividades: • Pesquisa e votações, comentários interativos, O tema pode ser apresentado e discutido em fóruns, blogs e wikis (atividade assíncrona) ou em salas de bate- feedback para os colegas, publicações e até mes- -papo ou mensageiro instantâneo (atividade síncrona). mo a formação de simpósio e debates com especialistas. A relação de atividades é imprescindível para as ações desenvolvidas pelo designer instrucional. Para uma elaboração consistente, é necessário considerar o letramento tecnológico dos aprendizes, alcançada através da elaboração da análise de contexto. Outro fator que deve ser considerado é a preparação do docente para a condução dos trabalhos individuais e em grupo, no decorrer do curso. O professor precisa receber orientação e formação contínua, uma vez que algumas das ferramentas tecnológicas apresentadas modificam-se rapidamente e novas ferramentas surgem a cada dia. 4.8. Equipe de produção: características e atribuições multimídias Neste tópico, vamos apresentar os principais profissionais que compõe uma equipe de produção de EaD. Esses profissionais desenvolvem suas atividades em consonância de outros profissionais integrados ao processo. Para isso, é necessário que o gestor ou coordenador de equipe tenha a visão do todo e conheça detalhadamente o processo para conduzir e acompanhar cada uma das etapas para o desenvolvimento de um curso a distância, e esteja apto a planejar, estipular prazos e delegar tarefas aos seus colaboradores cumprindo, dessa forma, um cronograma de fluxo dos processos. Esse gestor, por sua vez, poderá ser um especialista em conteúdos multimídia, além de um bom administrador. Ele deverá verificar todo o processo de produção, desde a entrega do conteúdo pelo professor conteudista, a revisão do material, o design instrucional, a produção de vídeos, ilustrações, objetos e animações, além de acompanhar a diagramação, desde o estágio inicial até o fechamento do conteúdo no prazo estipulado, com a inserção de todas as inclusões (gráficos, ilustrações, objetos etc.) previstas para o conteúdo. É importante ressaltar que apresentaremos o processo e o fluxo de trabalho baseado em uma determinada equipe de produção, apresentando a formação dessa equipe de forma geral. As equipes de produção podem ser diferenciadas ou adaptadas de acordo com a estrutura oferecida pela instituição, e as metas que ela deseja alcançar. De toda forma, será possível obter essa visão geral do processo, oferecendo os subsídios necessários para a orientação de novos gestores da equipe de produção. Cada um dos profissionais que compõem a equipe de produção, e serão apresentados a seguir, terão as suas principais atribuições descritas, dando enfoque às suas contribuições para o desenvolvimento de conteúdo para EaD. Não será possível adentrar nas especificações técnicas, mas apresentaremos minuciosamente as principais atividades, recursos e contribuições de todos eles. www.posugf.com.br 50 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz 4.8.1. Revisores de textos: O diagramador de conteúdos para EaD é o profissional responsável pela organização e distribuição dos elementos em tela (texto, imagem e objetos) que compõe um con- O revisor de texto é o profissional responsável pela re- teúdo. visão gramatical e ortográfica do conteúdo. Considerando que o professor conteudista ou especialista em conteúdo tenha domínio do tema abordado e bom conhecimento do Esse profissional, por sua vez, tem uma missão impor- idioma, ainda sim, é indispensável a revisão para a produ- tantíssima, uma vez que o design será o produto final que ção em EaD. chegará aos aprendizes. O revisor irá submeter o texto às normas de publica- Ele tem por função, como os outros profissionais, se- ção definidas para essa modalidade, conforme definido guir as orientações que o DI ou DE previu para as telas. no planejamento pedagógico do curso. Geralmente, um Em algumas equipes que não possuem esses profissionais, Manual de Padronização é definido pelo gestor da equipe o diagramador tem a incumbência de elaborar e planejar de produção, podendo ser elaborado em conjunto com os as telas de conteúdo. Fato é que o diagramador não pode coordenadores pedagógicos, diretores e especialistas em substituir o DI. publicações on-line e e-learning. A revisão poderá corrigir e adaptar diferenças linguísticas no texto (através de Ainda que ele produza adequadamente todo o plane- copidesque), organizar a hierarquia textual e resguardar jamento visual e a boa distribuição dos elementos, dificil- eventuais publicações que possam ferir o direito de pro- mente ele conseguirá produzir o contexto pedagógico pelo priedade intelectual. qual o DI e o conteudista são os responsáveis. a) Profissionais, equipe técnica e infraestrutura a) Profissionais, equipe técnica e infraestrutura Os profissionais de revisão são, na maioria, graduados em letras ou jornalismo. O exercício da profissão requer Este profissional possui conhecimentos e habilidades constante atualização dos padrões ortográficos, possuir em plataformas e softwares para edição de texto, como um bom vocabulário e o domínio gramatical. A infraes- Dreamweaver, Indesign e editores de e-learning como trutura requer basicamente computadores com softwares Quick Lessons, Gomo Learning, entre outros. editores de textos atualizados, impressoras e bons dicionários, além de acesso a ferramentas de verificação de Atualmente, para produção de EaD, o profissional pre- autenticidade do texto. cisa ter outros conhecimentos além de diagramação, e cada vez mais as habilidades de um webdesigner são re- 4.8.2. Diagramador quisitadas para essa função. b) Aplicações importantes para a diagramação de conteúdo para EaD: • Legibilidade: Atributo resultante da escolha de elementos como a família tipográfica, corpo e espaçamento, que afetam a velocidade da leitura. Ao contrário dos materiais impressos, a serifa (haste perpendicular que termina os principais traços de algumas fontes) é inadequada no design digital, uma vez que elas dificultam a legibilidade. www.posugf.com.br 51 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Figura 17 – Fontes com e sem serifa Fonte da imagem: http://patriciad351.blogspot.com.br/2012/11/texto.html • Destaques: textos em negrito chamam a atenção do leitor como se fossem falados em um tom mais alto. Funciona como uma afirmação ou destaque, e devem ser aplicados a palavras ou expressões isoladas em uma frase. No entanto, o recurso deve ser usado com cautela, uma vez que eles retardam a leitura e nunca devem ser usados em parágrafos inteiros, uma vez que perdem o seu valor retórico. Já os destaques em itálico implicam na mudança de velocidade da leitura e do tom de voz. Em geral, é usado em palavras ou expressões estrangeiras. • A cor é um recurso importante em um design de interface, podendo ser utilizada como elemento de destaque para um texto. Mas também deve ser usada com cautela e bom senso, para não exagerar na dose. Uma boa dica é usar o software Adobe Kuler (https://kuler.adobe.com/) para testar combinações de paleta de cores e ajudam a desenvolver um visual mais harmônico. No entanto, deve-se ter cuidado com a utilização de textos coloridos. A cor azul, por exemplo, pode representar links de hipertexto. Portanto, é importante verificar se ele ocupa essa função ou não, para não ser confundido pelo aprendiz. Figura 18 – Diferenças de distribuição em cores e textos www.posugf.com.br 52 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz • O alinhamento de textos para leitura digital é pre- também não devem ser hifenizados. A hifenização ferencialmente à esquerda, ponto de partida para também não deve ser aplicada em casos de colu- o sentido de leitura ocidental. Textos centralizados na muito estreitas. costumam ser estáticos e não deve ser usados em textos corridos, e o alinhamento à direita é • • Atenção para: textos difíceis de ler, elementos que uma solução muito usada para criar destaque em tiram a atenção em relação à informação impor- frases e epígrafes. tante, formatação inadequada, abuso de maiúsculas, falta de clareza e identificação dos links, O design deve considerar quatro princípios impor- animações que nunca param, navegação pouco tantes: contraste para que itens distintos sejam clara, frames, falta ou excesso de pontos focais diferenciados; alinhamento para criar conexão (MATTAR, 2012, p.70) visual entre os itens da página; repetição em elementos-chaves, para gerar consistência e proximidade para itens relacionados, que devem ser agrupados (CARP apud MATTAR, 2012, p.68). • A navegação deve ser clara, garantindo que os usuários saibam navegar pela interface; o design deve ser simples, utilizando as mesmas estruturas Veja a demonstração de um curso diagramado na de grid e layouts. É importante que o usuário visu- ferramenta Quick Lessons, com diferentes recursos alize a informação rapidamente e garanta um fe- de diagramação e DI aplicados adequadamente. edback visual (LOHR apud MATTAR, 2012, p.70). Além disso, o demonstrativo apresenta as principais funcionalidades da ferramenta. c) o que deve ser evitado na diagramação de cursos: • http://www.quicklessons.com/demos/pt/presentation-home/ course.htm?start_path= Trechos COM TODAS AS LETRAS MAIÚSCULAS devem ser usados em casos extremos, que exi- 4.8.3. Produtores de vídeo gem muita ênfase. Caso contrário, pode se assimilado a um grito na comunicação digital. • • O vídeo é definido como a sequência de imagens em O texto sublinhado em comunicação digital deve ser reservado apenas para indicação de hiperlinks, movimento, que por sua vez, se diferencia da animação no e não atribuídos como ênfase. sentido de trabalhar com imagens reais. A combinação de estilos com mais de três famí- Mas quais seriam as vantagens de incluirmos vídeos em lias misturadas resultam em um design ruim. A conteúdos de EaD? regra também é válida para cores, efeitos, caixas, sombras, setas e outros elementos que, se usados inadequadamente, podem confundir e resultar em A inclusão de vídeos nos cursos de EaD apresenta vários pobreza visual. • benefícios, mas por outro lado, possui algumas limitações e a sua inserção deve ser ponderada e planejada em um Hifenizações de palavras ao final das linhas devem curso; por isso, algumas limitações também fazem parte ser usadas com moderação. Deve-se evitar o uso dessa mídia. em três linhas seguidas ou no início de parágrafo. Textos alinhados à esquerda ou centralizados www.posugf.com.br 53 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz No planejamento do curso, por exemplo, é necessário ceitos, introduzam ou finalizem tópicos, que serão definir a duração dos vídeos e considerar as limitações associados ao conteúdo textual. Em muitos casos, de banda, capacidade de armazenamento do servidor de a estrutura de uma sala de aula também pode ser hospedagem ou do AVA. Além disso, o uso massivo de adaptada para uma transmissão de aula ou para vídeos também pode prejudicar o aprendizado, mas tudo uma gravação, utilizando outros recursos audiovi- depende do planejamento e do objetivo que se pretende suais como projetores, lousa comum e até mesmo alcançar no curso. uma lousa digital, com a vantagem de reproduzir a) Profissionais, equipe técnica e infraestrutura visualmente para o aluno o ambiente de sala de Os profissionais que compõe uma equipe de vídeo 2) Vídeos de reprodução de sequências de maneira para EaD são basicamente os mesmos que compõem uma realista: Esses vídeos podem apresentar uma se- equipe de produção televisiva: jornalistas e apresentadores, quência de aparelhos, equipamentos em funciona- sonoplastas, cinegrafistas, editores e produtores de vídeo, mento ou sequências esportivas, de atendimento diretores de arte e direção. profissional e várias outras possibilidades que pos- aula. sam conferir autenticidade quando são exibidas. No entanto, o desafio para a EaD é que os professores e coordenadores se adaptem às essas tecnologias, e estejam Os vídeos educativos também podem contemplar reportagens, entrevistas com especialistas, repro- aptos a gravarem suas aulas e estejam familiarizados com dução e encenação de situação-problema, entre essa equipe, uma vez que ele desempenha um papel outras possibilidades. crucial na produção de vídeos para EaD. Dar aulas para uma câmera, para alguns professores, pode não ser 4.8.4. Designer ilustrador tão simples, e a falta de interação com os alunos pode dificultar a naturalidade da exposição. O designer ilustrador é o responsável pelas ilustrações produzidas para um conteúdo de EaD. Essas ilustrações, por sua vez, são produzidas para diferentes áreas do cur- Quanto à infraestrutura, depende dos recursos e ver- so, estando presentes na representação de uma imagem bas disponíveis pela instituição. Basicamente, é necessária específica (desenho), gráficos, ícones e botões ou na com- a mesma infraestrutura de um estúdio de vídeo: computa- posição de personagens e cenários de uma animação. dores de alta performance, softwares de edição, câmeras de vídeos digitais, softwares de edição, microfones, ilumi- a) Profissionais, equipe técnica e infraestrutura nação para estúdio, teleprompter, croma key etc. O designer ilustrador é um desenhista ou artista gráfico b) Mídias audiovisuais produzidas para EaD: que possui conhecimento das técnicas de desenho manual, geralmente adquiridas e aperfeiçoadas em escolas de arte específicas. 1) Vídeos de conteúdo, videoaulas e videoconferências: Entre os vários benefícios proporcionados Além da habilidade adquirida e aperfeiçoada com o pelos vídeos na EaD, podemos listar entre eles a treino e emprego da técnica, existem softwares e equipa- apresentação dos participantes. mentos que permitem a digitalização dos desenhos. Assim, professores, coordenadores, especialistas e convidados podem gravar trechos contendo depoimentos, comentários ou vídeos que expliquem conwww.posugf.com.br 54 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz trabalho minucioso que deve ser planejado com O software mais conhecido para ilustração é o Adobe bastante cautela. (FILATRO, 2008) Ilustrator, juntamente com tablets para desenho como o Bamboo. a) Profissionais, equipe técnica e infraestrutura b) Ilustrações produzidas para EaD: 1) Os profissionais responsáveis pelo desenvolvimento de Ilustrações representativas de diferentes áreas animações são os designers animadores. do conhecimento (ver pasta ilustrações). Esses profissionais, por sua vez, possuem conhecimen2) Gráficos representativos, transformacionais ou tos de programação computacional e edição, e utilizam representativos, diagramas ou fluxogramas co- softwares específicos para o desenvolvimento de anima- nhecimento (ver pasta ilustrações). ções. Os softwares mais utilizados são: Adobe Flash, Adobe Premiére, After Effects, entre outros, e para 3D os mais 3) conhecidos são o 3D Canvas, 3D StudioMax e Blender. Sequência de quadros ilustrados para uma animação conhecimento (ver pasta ilustrações) Obs. Geral: verificar um script para executar se- Os computadores requerem processadores de alta per- quência de imagens, separadas pelas categorias formance, grande capacidade de armazenamento de da- acima. dos (geralmente, os arquivos gerados ocupam muito espaço no HD) e placas de vídeo de alta definição. Informações indispensáveis que o conteudista precisa enviar à equipe de animação, em forma de um pré-roteiro, para o desenvolvimento de animação, jogo ou simulador: Assista o comercial da Wacom Bamboo Connect e veja como é o trabalho de um ilustra- Modelo de Roteiro para Animação dor, usando o tablet. https://www.youtube.com/ watch?v=IKV2KxwcHXk Objetivo: Qual objetivo final do objeto, quais conceitos, teorias e ideias devem ser transmitidas com a narrati- 4.8.5. Designer animador va? Qual enfoque e abordagem o objeto deve ter? A animação pode ser definida como uma se- Introdução: Fazer uma pequena introdução ao tema, quência de imagens em movimento, que exibem assunto ou disciplina, para que o designer animador tenha uma narrativa através de imagens em sequência. maior conhecimento do assunto a ser abordado e possa As animações também apresentam um efeito in- se familiarizar. discutível sobre a visão periférica humana, além de proporcionar domínio em nossa consciência. Palavras, conceitos e termos técnicos: Quando A principal função da animação é chamar houver necessidade, deixar um glossário com significado atenção sobre um determinado aspecto e apre- de palavras, conceitos ou termos técnicos, que são pró- sentar a ideia de sofisticação, mas requer um prios de cada disciplina. www.posugf.com.br 55 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Situações, cenários e personagens: É importante descrever cenários, situações específicas, objetos utilizados além de características importantes dos personagens e do cenário. Anexos e referências: Quando houver necessidade, deixar anexado ao material fonte as referências de imagem, vídeo ou animação. Utilizar esse tópico de anexos para enviar materiais que possam ser úteis para pesquisa e produção. b) As diferentes animações produzidas para EaD: Há vários tipos de animações que podem ser desenvolvidas num conteúdo para EaD. Existem animações simples, cuja finalidade é chamar a atenção. Essa animação pode ser um texto animado, deslizando da direita para a esquerda, um ícone ou elemento que salte, ou até mesmo a aplicação de efeitos de redimensionamento. É interessante ressaltar que uma a animação em uma tela não deve ser contínua, mas interrompida depois da primeira exibição, durante um período determinado, para que o aluno leia o texto estático. Outras animações que apresentam cases ou narrativas mais elaboradas são desenvolvidas em 2D e 3D. Elas, por sua vez, possuem sons, narração off, sequência de quadros e são baseadas em imagens, gráficos e lustrações. No contexto, as animações geralmente apresentam um estudo de caso, uma situação-problema ou até mesmo podem explicar um conceito. Stop Motion - https://www.youtube.com/watch?v=niN5sqz_Tek Você conhece ou já ouviu falar dos simuladores ou objetos interativos? Considerando que as animações, em sua essência, apresentam uma narrativa audiovisual, sequencial e linear, os objetos interativos ou simuladores também são desenvolvidos pelos designers animadores, e proporcionam maior interatividade e intervenção do aprendiz. Esses objetos interativos mais simples podem ser representados por atividades de aprendizagem (vistos anteriormente no tópico 4.7) sendo alguns deles Caça-palavras, palavras-cruzadas, entre outros exercícios que o professor conteudista ou DI podem inserir no conteúdo. Outros objetos interativos mais complexos podem configurar-se em simuladores ou jogos interativos, que requerem especificações mais complexas (concepção, roteiro e programação) e maior tempo de produção. O vídeo a seguir é uma breve demonstração de como elaborar um stop motion. Veja: h t t p s : / / w w w. y o u t u b e . c o m / watch?v=432MZuuiFoc Quer saber mais sobre a técnica? Clique aqui (http://www.massinha.com/arquivos/oqueesm.pdf) www.posugf.com.br 56 Agentes da Educação a Distância - Autor, Tutor e Aprendiz Resolu%C3%A7%C3%A3o-No-8-30-de-abril-de-2010Bolsas-UAB.pdf. Acesso em 25 jan. 2013. BRASIL. UAB/CAPES. Resolução CD/FNDE Nº 26, de 5 DE junho de 2009. Estabelece orientações e diretrizes Conhecendo a equipe de produção de materiais para pagamento das bolsas do Sistema Universidade Aber- para EaD - ta do Brasil. Disponível em: http://uab.capes.gov.br/images/stories/downloads/legislacao/resolucao_fnde_n26. Design Instrucional (ou Educacional): Profis- pdf>Acesso em 24 fev. 2013. sional responsável pela elaboração de objetos de aprendizagem e aplicação pedagógica nos CAED. Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Edu- conteúdos. Através de Análise do contexto, cação. Disponível em: http://www.portalavaliacao.caedu- elabora as telas e objetos de aprendizagem, fjf.net/pagina-exemplo/tipos-de-avaliacao/avaliacao-so- usando os recursos de roteiro e storyboard mativa/ Acesso em 26 jan. 2013. que, posteriormente, são encaminhados à produção de cursos. Sendo eles: o copidesque EDUCAÇÃO ABERTA. Recursos Educacionais Abertos (revisores), diagramadores, ilustradores, ani- (REA): Um caderno para professores. Campinas, SP: Edu- madores, administradores de redes e suporte, cação Aberta, 2011. Disponível em: http://www.educaca- entre outros. - oaberta.org/wiki. Durante a execução do projeto, o professor conteudista geralmente grava vídeos de con- FILATRO, A. Design instrucional contextualizado: edu- teúdo ou transmite aulas ao vivo (on demand), cação e tecnologia. São Paulo: Editora Senac, 2003. juntamente com os profissionais de vídeo e edição. - FILATRO, A. Design instrucional na prática. São Paulo: Para diagramação, é importante atentar às re- Pearson Education do Brasil, 2008. gras de distribuição dos elementos (texto, imagens, vídeos e etc), quando não previstos, ou GONZALEZ, M. Fundamentos da Tutoria em Educação a seguir o roteiro enviado pelo DI. Essas regras Distância. São Paulo: Avercamp, 2005. incluem os elementos: cores, fontes, alinhamento, repetição e contraste. IBSTPI International Board of Standards for Training, Performance and Instruction. Instructional Design Compe- Referências Bibliográficas tencies in Portuguese. Disponível em: http://www.ibstpi. org/downloads/id_competencies_in_portuguese.pdf acesso em 16 mar. 2013. AZEVEDO, I. SILVA, R.L. Produção de Material didático para EAD. Curitiba: CIPEAD, 2011. Disponível em: http:// LOM. (2000). IEEE LTSC, Draft Standard for Learning www.nead.ufpr.br/arquivosMoodle/EspecializacaoEAD/ Object Metadata, working draft 5, November 2000. 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