UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS Unidade Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas Coordenação de Licenciatura em Química Supervisão do Trabalho de Conclusão de Curso DANIELLE BERNARDO OLIVEIRA O USO DAS TIC’s COMO FERRAMENTA MEDIACIONAL E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES DE QUÍMICA PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA Anápolis- GO 2011 DANIELLE BERNARDO OLIVEIRA O USO DAS TIC’s COMO FERRAMENTA MEDIACIONAL E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES DE QUÍMICA PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA Trabalho de conclusão de curso sob a orientação do Professor MSc Claudio Roberto Machado Benite submetido ao corpo Docente da coordenação de Química Licenciatura da Universidade Estadual de Goiás como parte dos requisitos necessários para obtenção do título Licenciado em Química Licenciatura. Orientador: Profº MSc Cláudio Roberto Machado Benite Anápolis – GO 2011 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a todos que acreditaram em mim, na realização da pesquisa. Ao meu orientador Claudio Roberto Machado Benite, pela sua paciência e sua inteligência, no qual, me motivou na realização do trabalho. A minha mãe Darci, meu pai Vinicius e minha irmã Simony que sempre me deram força, alegria e animo para seguir em frente. Ao meu avô Saul, que neste momento está nos céus, pelos seus conselhos de fé e carinho, e a minha vovó Maria pela compreensão de minha ausência e pelo amor que tem me proporcionado a cada dia. Ao meu namorado Bruno que sempre esteve ao meu lado, pelo seu amor, carinho, atenção e compreensão. AGRADECIMENTOS Quero agradecer primeiramente ao meu grandioso Deus, por me proporcionar uma tamanha fé, para seguir em frente nos meus estudos, me dando força, esperança e sabedoria para a minha vida. A minha mãe, uma mulher de fé, que sempre esteve ao meu lado, me acalmando diante das dificuldades, pelo seu apoio de carinho, amor e atenção, pela sua compreensão, que quando minha maior parte do tempo era fora de casa, por causa dos estudos. Ao meu pai, um homem batalhador, pela sua força de vontade e esforço, por ter me motivado nos momentos mais difíceis e cansativos, por acreditar que sou capaz de vencer todas as barreiras, e por acreditar que apesar da deficiência eu consegui dar o melhor de mim. O que seria de mim sem vocês, AMO MUITO! A minha irmã (Fofa), que sempre esteve presente em minha vida, na alegria, tristeza e nas brincadeiras, sempre torcendo por mim, e pela alegria de saber que vou ser titia. Ao meu namorado Bruno, por estar sempre alegrando a minha vida, pelo seu companheirismo, amor e carinho, por me fazer sorrir o quando eu queria era chorar, por me ajudar quando o desespero falou mais alto, e por acreditar que sou capaz de ir muito além, obrigada por me aconselhar, pelo seu ombro amigo e por me ouvir quando mais precisei. Amo-te. Aos meus colegas e queridos amigos, pelas alegrias que tivemos durante os quatro anos, pelas brincadeiras, pelos estudos em grupo, pelo apoio que aqueles que contribuíram para que eu chegasse até aqui. Ao meu orientador Prof°. Cláudio Roberto Machado Benite pela orientação e toda a sua competência, pela sua paciência, atenção e apoio, e que contribuiu para o enriquecimento do trabalho, sempre disposto a ouvir e ajudar, muito OBRIGADA! Enfim a todos que direta ou indiretamente fazem parte dessa história. Meu carinho e muito obrigado! “Temos o direito de ser igual, sempre que a diferença nos inferioriza. Temos o direito de ser diferentes, sempre, que a igualdade nos descaracteriza”. (Boaventura Souza Santos, 1996). RESUMO OLIVEIRA, Danielle Bernardo. O uso das TIC’s como ferramenta mediacional e suas contribuições na formação inicial de professores química para a educação inclusiva. 60 folhas. Monografia. (Curso de Licenciatura em Química) — Unidade de Ciências Exatas e Tecnológicas (UnUCET), Universidade Estadual de Goiás. O processo de inclusão tem sido um dos temas bastante discutidos, representando como desafios na sociedade. A educação das crianças, jovens e adultos com necessidades educacionais especiais apresentaram mudanças no seu paradigma, deixando de ser segregados, marginalizados, excluídos e passando a ter o direito de todos assegurado pela Constituição Brasileira, ou seja, o direito de aprender e estudar nas escolas comuns, no qual a sua interação nas classes regulares é importante para o seu desenvolvimento no processo de ensino-aprendizagem. Dessa forma, para que se tenha uma educação favorável, é necessário que se tenham profissionais qualificados para atender uma sala de aula diversificada, e no que se observa é um despreparo desses professores, falta de informações e falta de planejamento de atividades didáticas para trabalhar com eficiência na aprendizagem dos demais alunos. Enfim, o uso das TIC‘s pode contribuir na construção do conhecimento, no qual os professores têm como base, uma troca de saberes e experiências. Nesta perspectiva, nos resultados busca analisar as principais contribuições e reflexões dos participantes do curso de Química Licenciatura da Unidade Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas da Universidade Estadual de Goiás, realizado em uma ambiente virtual de aprendizagem (Moodle), no qual visa contribuir para a formação de futuros professores de química para a educação inclusiva. Palavras-chaves: Educação Inclusiva, TIC‘s, Formação de professores. SUMÁRIO INTRODUÇÃO.............................................................................................................9 1. Educação Inclusiva .............................................................................................13 1.1. Contexto Histórico............................................................................................13 1.2. Educação Especial e Educação Inclusiva.......................................................17 2. Sobre a Formação de Professores.....................................................................19 2.1. A Formação de Professores para a Educação Inclusiva...............................19 2.2. Formação de Professores de Ciências/Química e a Educação Inclusiva ....................................................................................................................................23 3. As Redes Sociais e as TIC’s: Contribuições para a formação de professores de química ...............................................................................................................25 4. Metodologia..........................................................................................................27 5. Resultados e Discussão .....................................................................................29 5.1. O Moodle como Ferramenta de Discussão.....................................................29 5.2. Ensino de Química no Âmbito da Educação Inclusiva: Reflexões em Rede Colaborativa .............................................................................................................31 5.2.1. Educação Inclusiva .......................................................................................36 5.2.1.1. Uso das Terminologias...............................................................................39 5.2.2. Formação de Professores.............................................................................41 5.2.2.1. A Importância de Cursos Específicos na Formação Docente ...............43 5.2.2.2. Reflexões e Sugestões para a Formação de Professores.......................44 5.2.2.3. Exclusão Escolar ........................................................................................46 5.2.3. Preconceito ....................................................................................................47 6. Considerações Finais-.........................................................................................50 Referências Bibliográficas .................................................................................52 9 INTRODUÇÃO Atualmente a educação inclusiva tem sido um dos focos principais das escolas, sendo que o aluno em situação de deficiência tem o mesmo direito de um aluno considerado normal. A partir dai, podemos dizer que ficou assegurado pela Constituição Brasileira (1988) o direito de todos à educação garantindo, também, o atendimento educacional de pessoas que apresentam necessidades educacionais especiais (MIRANDA, 2003). Com isso, a inclusão escolar pode ser uma boa proposta para o grande avanço na educação, contrapondo-se ao final da década de 70 em que os alunos com necessidades especiais tinham que se adaptar às escolas por meio da integração. Todavia, no decorrer das reformas educacionais, mudanças ocorreram em função da necessidade de um redirecionamento da prática educativa a favor da Educação Inclusiva e não mais à adaptação de alunos em situação de deficiência, por exemplo, ao sistema educativo como movimento de integração. Desta forma: A principal mudança é que no movimento de Integração Escolar o aluno deveria se adaptar à escola, ao contrário do que prevê a política de Inclusão, em que a escola é que deve se adaptar para atender a todos os alunos. Assim, a opção pela política de inclusão acompanha um movimento mundial e define-se como meta a garantia de que todos os alunos tenham acesso ao ensino regular, confrontando assim as discussões sobre inclusão e educação especial (SASSAKI, 1997 apud LACERDA, 2007, p. 260). Sailor (2002 apud Mendes, 2006) descreve que a educação inclusiva ocorreu no início da década de 90 e, “embora tivesse implicações políticas semelhantes às do termo inclusão” (p.394), com isso a educação inclusiva proponha a participação “de todos os estudantes como membros de uma classe comum” (MENDES, 2006, p. 394). Desta forma, pode-se afirmar que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, lei 9.394/96, mostra um grande desenvolvimento para a educação inclusiva, no qual possam receber a todos com um atendimento adequado e uma boa qualificação dos professores (MIRANDA, 2003). Entretanto, propostas como essas não devem ser pautadas apenas em leis, mas sim criar escolas, formar profissionais capacitados e obter recursos que possam atender a todos. É importante destacar que na formação de professores, ―é consenso de que os cursos de formação não conseguem responder às necessidades de nenhum 10 nível de ensino‖ (BENITE et al, 2010, p. 257). Concordando com Schnetzler e Aragão (1995), que os cursos de licenciaturas no Brasil, são ―pouco eficientes para a formação de professores‖ (p.27), e essa falta de formação não abrange só no Brasil, mas também nos Estados Unidos e em outros países (MCDERMOTT, 1990 apud BENITE et al, 2010). Assim para a formação de professores de química: As críticas são feitas, principalmente, pelos alunos desses cursos quando começam a frequentar disciplinas de formação pedagógica ou nos encontros em que refletem a sua formação. Os estudantes criticam, com razão, desde a falta de didática da maioria dos professores da Graduação, passando pela dicotomia das aulas práticas e teóricas, até a falta de transparência dos conteúdos de Química para o ensino secundário e elementar (MALDANER, 2003, p. 46-47). Portanto, para que se tenha uma boa formação docente, é necessário que venha a ampliar o seu conhecimento, refletindo sobre a sua prática pedagógica ―de modo a tornar explícitos os saberes tácitos provenientes de sua experiência‖ (BENITE et al, 2010, p.258). Neste caso Schön (1987), afirma que desenvolver os ―saberes tácitos é o primeiro passo para que o profissional possa efetuar questionamentos sobre as estratégias e as teorias nas quais acreditam, o que lhe possibilitaria transformar seus modos de atuação‖ (apud BENITE et al, 2010, p.258). Atualmente, a educação inclusiva tem sido pautada pela falta de professores qualificados para atuar. De acordo a Resolução CNE/CP nº01/2002 que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica: As instituições de Ensino Superior devem prever em sua organização curricular, que a formação docente seja voltada à diversidade e contemple conhecimentos sobre as especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais (BRASIL, 2002). Partindo desses pressupostos, concorda-se com Sacristán e Gómez (2000) que o propósito das universidades ―é preparar professores que tenham perspectivas críticas sobre as relações, sobre a escola e as desigualdades sociais e um compromisso moral para contribuir para a correção de tais desigualdades mediantes as atividades cotidianas na aula e na escola‖ (p. 26), ou seja, que o professor esteja preparado para atuar numa sala de aula na diversidade. 11 No que diz respeito a professores de Ciências/Química é fundamental o investimento nas políticas de formação e sua adaptação às novas realidades e tecnologias, já que é o professor, a priori, o elemento essencial para fornecer mudança de mentalidade e atitude de seus alunos (LÉVY, 1999). Desta forma, os professores devem estar preparados para lidar com uma geração tecnologizada e com mais facilidade de acesso a novas fontes de busca, como a Internet. Tais adequações implicam em mudanças profundas no paradigma educacional, focalizando as novas tecnologias como instrumentos para a interação e mediação pedagógica (FARIA, 2004). As tecnologias de informação e comunicação (TICs) são instrumentos com alta possibilidade de aplicação na educação, não substituindo o professor, mas modificando e podendo ainda ampliar suas funções no processo educativo (MORAN, 1995). A tarefa do professor de apenas passar o conteúdo aos alunos se torna obsoleta, já que existem bancos de dados com enormes quantidades de informação a realizam, passando o professor a ter funções muito mais complexas, mediando a informação entre aluno e tecnologia (DEMO, 2001). Dados da literatura permitem inferir que na maioria dos cursos brasileiros de licenciatura não há qualquer formação básica em informática ou tecnologia, e que essa deficiência contribui para o desinteresse na utilização das TIC`s nos processos de ensino/aprendizagem. Além da deficiência na formação inicial, há aqueles professores que já estão em exercício e não têm perspectiva alguma de se atualizarem, somadas às condições precárias das escolas, que desencorajam quaisquer iniciativas. Essas razões enumeradas são algumas das que explicam o porquê de existirem poucos professores que fazem das TIC`s ferramentas de trabalho (BRILHA et al, 1999). Partindo desses pressupostos, torna-se plausível que se aproveite dessas novas ferramentas tecnológicas inclusive nos cursos de formação de professores, já que podem oferecem possibilidades educacionais diferenciadas, inclusive a abertura das fronteiras para discussões em ambientes virtuais, propiciando a construção coletiva do conhecimento, com a tecnologia como ferramenta da ação docente mediada (FARIA, 2004). A partir de suas habilidades os professores devem-se interagir através da tecnologia para buscar uma grande carga de conhecimento para contribuir para a formação de futuros professores, onde os meios de comunicação possuem como 12 principal meio de reflexão sobre sua prática docente, e isso pode ser devido as tecnologias de comunicação e informação (TIC‘s), no qual, as TIC‘s são consideradas como um elemento integral desses novos modos de ser e desempenham papéis importantes na sustentação de um juízo reflexivo e da ação social do indivíduo (SELWYN, 2008). Desta forma, este trabalho se configura com elementos da pesquisa participante (PP), no qual possui como estratégia para o desenvolvimento de futuros professores de química e pesquisadores de modo que eles possam utilizar a análise das discussões para aprimorar seu conhecimento e sua prática (TRIPP, 2005). Sendo que a coleta de dados foi feita pelas análises das discussões refletidas pelos participantes no ambiente virtual de aprendizagem – moodle. Para uma melhor compreensão e desenvolvimento, este trabalho foi dividido em seis tópicos, dispostos da seguinte forma: No tópico 1 aborda a trajetória de um contexto histórica da educação inclusiva e a diferenciação da educação especial da educação inclusiva. No tópico 2 são abordados aspectos referente a formação de professores de ciências/química para a educação inclusiva. No tópico 3 diz a respeito as redes sociais e o uso das TIC’s como contribuições para a formação de professores de química. No tópico 4 refere-se os métodos utilizados para a análise do desenvolvimento deste trabalho e suas ferramentas para a coleta de dado. No tópico 5 são mostrados os resultados obtidos e suas respectivas análises referente a eles. E por final, no tópico 6 estão apresentados as considerações finais referentes ao tema exposto no trabalho. 13 1. EDUCAÇÃO INCLUSIVA 1.1. CONTEXTO HISTÓRICO A educação das crianças, jovens e adultos com necessidades especiais tem sofrido algumas alterações ao longo dos anos, fato de que anteriormente milhares de pessoas que apresentavam algum tipo de deficiência tiveram grandes acontecimentos rumo à educação inclusiva, onde eles sofriam de desigualdade social, no qual eram discriminados e excluídos da sociedade. Com isso, a luta pela inclusão foi marcada historicamente, desde que impossibilitavam o acesso dessas pessoas com deficiência à educação (MACIEL, 2000). A partir desses fatos, ocorreu uma grande evolução educacional, no qual, ―é descrita como um processo evolutivo que atravessa um período de segregação, passa por esforços integrativos e deságua no movimento inclusivista‖ (PEREIRA et al, 2009, p.117). Com base no movimento na década de 1960 à 1970, aqueles que apresentavam alguma deficiência eram segregados e impedidos de ter alguma aproximação à educação, onde afirma Mendes (2006), ―a segregação era baseada na crença de que eles seriam mais bem atendidos em suas necessidades educacionais se ensinados em ambientes separados‖ (p.387-388). Sendo que em séculos passados na história da Educação Especial, foram criados ‗instituições‘ para que pudesse fornecer uma educação para as pessoas com alguma deficiência, tais como abrigos, hospitais, asilos e alguns centros de reabilitação no qual disponibilizava atendimento especializado para cada deficiente (WALBER e SILVA, 2006). Partindo desse pressuposto, onde afirma Aranha (2001) que o processo de institucionalização se refere: [...] pela retirada das pessoas com deficiência de suas comunidades de origem e pela manutenção delas em instituições residenciais segregadas ou escolas especiais, freqüentemente situadas em localidades distantes de suas famílias. Assim, pessoas com retardo mental ou outras deficiências, freqüentemente ficavam mantidas em isolamento do resto da sociedade, fosse a título de proteção, de tratamento, ou de processo educacional (p.8). A partir de então, o processo de institucionalização trouxe vários questionamentos em busca dos direitos as pessoas com deficiência, segundo Silva (2003), os deficientes que se mantinham nestas instituições não eram atendidos de 14 forma adequada, pela falta de cuidado prejudicavam a vida desses deficientes e exigia muita dispensa para o governo. Sendo que na Dinamarca no ano de 1959, foi colocada em pauta, a preocupação daqueles com deficiência sobre o seu ensino fora do ‗sistema regular‘ (SANCHES e TEODORO, 2006), onde começaram a negar o processo de segregação, buscando a idéia de ‗normalização‘ para auxiliar e incluir o deficiente dentro dos padrões de vida das pessoas consideradas ‗normais‘ (ROGALSKI, 2010, p.4), contexto que foi espalhado por toda a Europa e América do Norte (MENDES, 2006). De acordo com o documento publicado pelo MEC (1994), Política Nacional de Educação Especial, diz a respeito de normalização como: Princípio que representa a base filosófico-ideológica da integração. Não se trata de normalizar as pessoas, mas sim o contexto em que se desenvolvem, ou seja, oferecer, aos portadores de necessidades especiais, modos e condições de vida diária o mais semelhantes possível às formas e condições de vida do resto da sociedade (MEC/SEESP,1994:22). Em decorrer disso, na tentativa de proteger o deficiente do isolamento e do preconceito, originou-se o movimento de integração escolar e sua ação de ―desinstitucionalização‖ (SANCHES e TEODORO, 2006, p. 65) com o objetivo de afastar as pessoas com deficiência das instituições e inseri-las na sociedade (MENDES, 2006). Conforme afirma Freitas (2010) ―os portadores de necessidades educativas especiais passam a ser vistos como cidadãos, com direitos e deveres de participação na sociedade‖ (p.82). De fato essas concepções evoluíram para o movimento de integração na década de 70, fazendo com que esses alunos que possui algum tipo de deficiência tem o direito de inserir nas escolas regulares (GOFFREDO, 1999), no qual é garantido pela declaração Universal dos direitos humanos de 1948, que prevê o direito de todos à educação, inclusive aqueles com necessidades educacionais especiais, no qual independe das condições físicas de cada aluno (UNESCO, 1994). No que se refere à integração social no contexto de Sassaki (1997 apud, WALBER e SILVA, 2006), pessoas em situação de deficiência deve ser introduzidas nas escolas de ensino regular desde que tenham habilidades e capacidades de permanecerem no ensino sem o auxílio de recursos. A partir desse contexto Mrech (1999) relata que: 15 O que se tornou uma prática comum é que o deficiente jamais poderia se adaptar aos moldes de normalidade que lhe eram propostos socialmente. O efeito deste tipo de procedimento no Paradigma da Integração é que ele acabou responsabilizando os deficientes pelos próprios problemas que eles apresentavam (p. 12). Desta forma, o processo da integração é de fato quando uma criança em situação de deficiência deve ser ensinada até o nível de sua capacidade (MIRANDA, 2003), contudo, Omete (2004) explica que: [...] só eram passíveis de integração escolar aqueles estudantes que conseguissem se adaptar à classe comum, portanto, sem modificações no sistema, sendo que aqueles que não conseguiam se adaptar ou acompanhar os demais alunos eram excluídos (p.63). As dificuldades dos portadores de deficiência dentro do processo de integração relatam, portanto, os grandes problemas sociais e a falta de informação da população (MAZZOTTA, 2005). Destacam-se ainda, como obstáculos à integração: a desinformação por parte da comunidade em geral; as reações de negação à deficiência ou de superproteção por parte das famílias; a falta de análise crítica e reflexiva acerca da integração, envolvendo técnicos e portadores de deficiência; insuficiência de ações coordenadas dos serviços disponíveis da comunidade, governamentais e não-governamentais, acarretando pulverização de meios; as ambigüidades na interpretação de textos dos documentos legais referentes aos portadores de deficiência; a morosidade nas ações dos vários órgãos governamentais relativas ao atendimento das necessidades das pessoas portadores de deficiência; a insuficiência de recursos humanos devidamente qualificados para seu atendimento (p.35). No final da década de 1980, houve reorganizações estruturais e mudanças escolares para atender melhor as necessidades dos deficientes, colocando em prática a conscientização da sociedade rumo à educação inclusiva. Esta proposta foi iniciada nos Estados Unidos (EUA), com a finalidade de ―racionalizar, democratizar e melhorar o atendimento às necessidades diferenciadas de alunos especiais‖ (MENDES, 2006, p.392). Devido a esses movimentos internacionais em favor daqueles em situação de deficiência que surgiram a importante evolução da historia da humanidade, a educação inclusiva, fato este que foi fortalecendo por toda a Europa e Canadá (ROGALSKI, 2010). 16 A partir desses fundamentos foi realizado na Espanha (1994), que deu origem a Declaração de Salamanca em evento da Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, envolvendo a participação de vários representantes e governantes, no qual afirma a Educação de Todos, ―reconhecendo a necessidade e urgência do providenciamento de educação para as crianças, jovens e adultos com necessidades educacionais especiais dentro do sistema regular de ensino‖ (UNESCO, 1994). Na visão de Bueno (1999), a declaração de Salamanca ressalta a importância governamental em função da escola buscando ―a mais alta prioridade política e financeira ao aprimoramento de seus sistemas educacionais no sentido de se tornarem aptos a incluírem todas as crianças, independentemente de suas diferenças ou dificuldades individuais‖ (UNESCO, 1994, p.IX). É importante destacar também a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), lei n°9394/96, que relata no Título II, em seu artigo 3 o propósito da educação que tem por finalidade a ―Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; liberdade de aprender [...]‖ e o ―respeito à liberdade e apreço a tolerância‖, onde cada indivíduo independente de sua deficiência ou não, possui o direito à educação. Vale ressaltar que, não é necessário somente criar leis que irá assegurar uma boa educação inclusiva para as crianças e jovens com necessidades especiais, ou seja, o ensino escolar deve estar preparado para receber e se responsabilizar na grande diversidade de alunos, independente de suas necessidades ou aparências (MIRANDA, 2003). No que se refere à educação inclusiva, Santos (2002) afirma que: Incluir não é somente delegar à criança um espaço físico em sala de aula, é propor ao indivíduo atividades significativas capazes de promover seu desenvolvimento e remover as barreiras a seu acesso e participação na aprendizagem e na sociedade. Ressalvando (mas não ressaltando), sempre, que todos podem apresentar dificuldades em alguma área do conhecimento ou etapa da vida. As limitações existem em qualquer indivíduo, o que não significa que não possa ser um indivíduo participativo ou capaz de aprender (p.31). Entretanto, no Brasil a inclusão social ganha força em meados da década de 90, no qual o processo de inclusão se caracteriza a importância do alunado aprender na diversidade, seja aqueles portadores de necessidades educativas ou 17 não, realizando assim trocas de experiências e respeitando a diferença de cada individuo (MIRANDA, 2003). Diferentemente da inclusão escolar, vale lembrar que a integração escolar diz a respeito da luta das crianças e jovens com portadores de necessidades educativas em inserir no ensino de classe comum, já no caso da inclusão se refere uma grande diversidade de alunos (BUENO, 1999), sendo assim: [...] crianças deficientes e superdotadas, crianças de rua e que trabalham, crianças de origem remota ou de população nômade, crianças pertencentes a minorias lingüísticas, étnicas ou culturais e crianças de outros grupos marginalizados (Conferência Mundial de Educação Especial, 1994, p. 4). Sendo assim, a busca pela igualdade e oportunidades daqueles com necessidades especiais frente educação inclusiva está na luta pela inclusão escolar, abrangendo toda a sociedade de diferentes aspectos, sendo eles, físico, culturais e econômicos. 1.2. EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO INCLUSIVA É importante destacar que, a educação é um processo de interação com a humanidade, tendo assim a ―possibilidade de uma pessoa conviver com qualidade na sociedade‖ (ROGALSKI, 2010, p. 3), ou seja, se refere a relação do indivíduo de aprender na diversidade, sendo que no dicionário a educação significa uma ―instrução‖ ou um ―ensino‖ (BUENO, 1996). Assegura-se que na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em seu art. 2º (Lei n°9394/96): A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1996, p.1). Historicamente no Brasil a educação para todos, teve início em meados da década de 1970, quando houve a preocupação por parte do governo em relação às crianças, jovens e adultos com necessidades especiais no qual eram excluídas da sociedade e não tinha uma educação especializada, neste caso, foram criados instituições para que pudessem enquadrar esses indivíduos, dando início à educação especial (ROGALSKI, 2010), que ―tradicionalmente se configurou como 18 um sistema paralelo e segregado de ensino, voltado para o atendimento especializado de indivíduos com deficiências‖ (GLAT et al, 2007, p.2). Partindo desse pressuposto, o autor explicita que: [...] a Educação Especial manteve-se funcionando como um serviço especializado paralelo: com currículos, metodologias, pessoal, e organização própria. As classes especiais serviam mais como espaços de segregação para aqueles que não se enquadravam nas normas do ensino regular, do que uma possibilidade de ingresso de alunos com deficiências nas classes comuns (ibidem, p.4). No que diz o contexto da educação especial, o atendimento das pessoas ―deficientes‖ eram traçadas em uma concepção assistencialista, não realizando as políticas públicas de acesso universal à educação e promoção da autonomia e independência (VALDUGA, 2009). Pode-se considerar, portanto, que este modelo houve questionamentos e discussões, buscando incluir novas práticas pedagógicas menos segregativas e a socialização dos marginalizados em uma nova proposta de educação. Que foi realizada nos anos 90 com um novo modelo educacional, ou seja, a educação inclusiva (GLAT et al, 2007). Entende que a educação inclusiva propõe a idéia de que todos os alunos dependentes de suas condições físicas, origem, raça, sexo ou até mesmo religião, devem ter o mesmo direito e as mesmas oportunidades de ensino. No que se refere à escola inclusiva, no contexto da Declaração de Salamanca (1994) afirma que: A escola inclusiva é o lugar onde todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que elas possam ter, conhecendo e respondendo às necessidades diversas de seus alunos, acomodando ambos os estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade a todos (p. 11). VILELA-RIBEIRO (et all, 2009, p.1-2) explica que o contexto da educação inclusiva determina que todo o alunado sejam especiais e que ―o papel fundamental da educação inclusiva é oferecer escolarização a todas as pessoas que enfrentam algum tipo de barreira, educação essa que é representada, por exemplo, pelo movimento Educação para todos‖. A proposta da inclusão mostra a importância desses alunos em aprender na diversidade, sendo que: 19 Educando todos os alunos juntos, as pessoas com deficiência têm oportunidade de preparar-se para a vida em comunidade, os professores melhoram as suas habilidades profissionais e a sociedade toma a decisão consciente de funcionar de acordo com o valor social da igualdade para todas as pessoas, com os conseqüentes resultados de melhoria da paz social. Para conseguir realizar o ensino inclusivo, os professores em geral e especializados, bem como os recursos, devem aliar-se em um esforço unido e consciente. (STAINBACK e STAINBACK, 1999, p. 21). Partindo deste pressuposto, a inserção dos alunos em situação de deficiência em ensino regular deve exigir preparação e apoio dos professores e também à conscientização da população. Na defesa da educação inclusiva Batista (2006) mostra que para garantir o aprendizado daqueles com necessidades educativas especiais, devem disponibilizar recursos para que possam aprender juntos com os demais alunos, neste caso, o mesmo autor enfatiza que ―esse atendimento não é facilitado, mas facilitador, não é adaptado, mas permite ao aluno adaptar-se às exigências do ensino comum, não é substitutivo, mas complementar ao ensino regular‖ (p.26). Neste caso, para obter um ensino de qualidade para os portadores de necessidades especiais e os demais alunos, é necessário que a escola que tenha um papel inclusivista, capacitando professores para que possam atuar numa sala de aula voltada pra diversidade, fato de que: Inclusão não significa, simplesmente, matricular os educandos com necessidades especiais na classe comum, ignorando suas necessidades especificas, mas significa dar ao professor e à escola o suporte necessário à sua ação pedagógica (MEC-SEESP, 1998). Portanto, com base no que foi dito a escola e principalmente os professores devem estar preparados e qualificados para atender a todos, inclusive os alunos que apresentam necessidades especiais, pois para melhorar a educação inclusiva, não basta somente inserir o aluno nas escolas regulares, mas sim fazer a diferença. 2. SOBRE A FORMAÇÃO DE PROFESSORES 2.1. A FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA 20 A educação inclusiva no Brasil ganhou força na década de 90 onde foi mostrado em seu contexto a diversidade dos alunos em sala de aula e o direito de todos em aprender por igual, deixando de lado todo o preconceito e discriminação da sociedade. Mas o que se observa na realidade é a falta de formação especializada de futuros professores para poder trabalhar com o desenvolvimento desses alunos (SANT‘ANA, 2005), porém o fato mais fundamental é que ―o professor esteja preparado para lidar com as diferentes necessidades de aprendizagem de cada aluno, inclusive os deficientes‖ (VILELA-RIBEIRO et al, 2010, p.587). Com isso, atualmente o grande objetivo nos cursos de formação de professores ―é o de produzir conhecimentos que possam desencadear novas atitudes que permitam a compreensão de situações complexas de ensino‖ (PLETSCHI, 2009, p. 148), dando capacidade de o docente ter habilidade de ensinar em sala de aula. E esta preparação deve ocorrer durante sua formação docente, ou seja, na universidade, onde tem como fator principal ―para a criação, transferência e aplicação de conhecimentos e para a formação e capacitação do indivíduo, como também para o avanço da educação em todas as suas formas‖ (CASTANHO e FREITAS, 2005, p. 1) Sendo assim, segundo Tiballi (2003, apud VILELA-RIBEIRO et al, 2010) destaca os três principais elementos fundamentais e importantes para a educação inclusiva, ou seja: o aluno, o professor e o conhecimento; para o professor deve haver qualificação profissional de maneira que ele saiba distinguir todas as diferentes formas de aprender que os alunos apresentam em uma mesma sala de aula (p.587). E esta qualificação se dá a partir de sua formação inicial, onde a preparação adequada de professores está preconizada a partir da Declaração de Salamanca (Brasil, 1994) e na atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação n.º 9.394/1996 (Brasil, 1996), ―como fator fundamental para a mudança em direção às escolas integradoras‖ (SANT‘ANA, 2005, p.228). Partido desse pressuposto, Glat et al (1998) estabelece que: o que tem acontecido nos cursos de formação docente, em termos gerais, é a ênfase dada aos aspectos teóricos, com currículos distanciados da prática pedagógica, não proporcionando, por conseguinte, a capacitação 21 necessária aos profissionais para o trabalho com a diversidade dos educandos (apud SANT‘ANA, 2005, p.228). A partir deste fato, de acordo com Proposta de Diretrizes para a Formação de Professores da Educação Básica coloca alguns conceitos fundamentais que exigem como postura no papel docente para essa educação inclusiva como: Orientar e mediar o ensino para a aprendizagem dos alunos; responsabilizar-se pelo sucesso da aprendizagem dos alunos; assumir e saber lidar com a diversidade existente entre os alunos; incentivar atividades de enriquecimento curricular; elaborar e executar projetos para desenvolver conteúdos curriculares; utilizar novas metodologias, estratégias e material de apoio; desenvolver hábitos de colaboração e trabalho em equipe (MEC, 2000, apud PLETSCHI, 2009 p.146-147). No âmbito do ensino inclusivo Beyer (2006 apud RINALDI et al, 2007) aponta ―que a formação inicial ou continuada do educador deve possibilitar uma capacitação crescente para o fazer pedagógico inclusivo‖ (p. 91). Porém a Declaração de Salamanca (1994) afirma que: [...] atenção especial deveria ser dada à preparação de todos os professores para que exercitem sua autonomia e apliquem suas habilidades na adaptação do currículo e da instrução no sentido de atender as necessidades especiais dos alunos, bem como no sentido de colaborar com os especialistas e cooperar com os pais (Declaração de Salamanca, 1994). Entende-se que de acordo com a declaração, nota a importância da preparação de futuros professores para uma escola inclusiva que tem como participação todos os excluídos da sociedade, porém a ―educação é uma questão de direitos humanos, e os indivíduos com deficiência devem fazer parte das escolas, as quais devem modificar seu funcionamento para incluir todos os alunos‖ (STAINBACK E STAINBACK, 1999, p. 21). Desta forma, a educação inclusiva “[...] exige do professor a consciência de que sua formação nunca esta terminada e das chefias e do governo, a assunção do principio de formação continuada‖ (ALARCÃO, 1996, p.24). Pois uma boa formação obtém condições necessárias para que se tenha uma educação inclusiva positiva. Concordando com Castro Pereira (2010) que ―a formação para a educação inclusiva é um processo gradativo e, desta forma, requer uma reflexão 22 contínua que leve a uma busca do saber‖ (p. 30). Relata, porém como um aspecto básico a importância da necessidade de preparação dos profissionais educacional que seja voltada para uma prática-reflexiva, de tal maneira que cabe o professor refletir sobre suas teorias e ações nas práticas pedagógicas (JESUS, 2004). Dentro desta perspectiva, para Schön (2000): A criação de um ensino prático demanda tipos de pesquisa que são novos à maioria das escolas profissionais: pesquisa sobre a reflexão-na-ação característica de profissionais competentes, especialmente em zonas indeterminadas da prática, e pesquisa sobre a instrução e a aprendizagem no fazer. Se não procederem assim, será difícil para as escolas determinar como suas concepções anteriores de conhecimento profissional e ensino estão colocadas em relação às competências que são centrais à prática e ao ensino prático. Seus esforços para criar um ensino prático reflexivo podem produzir apenas uma nova versão de um currículo dual, no qual o ensino de sala de aula e a prática não têm entre si qualquer relação possível de discernir (p.133). Portanto, no que se refere a ação reflexiva o professor deve ser um investigador e um pesquisador de conhecimento crítico e reflexivo, esse professor precisa entender que existe como quebrar essas barreiras em uma sala de aula voltada à diversidade (BEHRENS, 2006), pois essa reflexão de sua pratica pedagógica desenvolve para a sua formação docente. Portanto podemos entender no contexto de Geraldi (et al, 1998) que: A ação reflexiva é um processo que implica mais do que a busca de soluções lógicas e racionais para os problemas; envolve intuição, emoção; não é um conjunto de técnicas que possa ser empacotado e ensinado aos professores. A busca do professor reflexivo é a busca de equilíbrio entre a reflexão e a rotina, entre o ato e o pensamento (p.248). Diante disso cabe a universidade de formar futuros profissionais para a educação, onde esse desafio não seja apenas de transmitir o conhecimento para esses educadores, mas sim criar atitudes, valores, apoio de profissionais experientes na educação para então encarar à diversidade humana (GLAT e PLETSCH, 2004). A partir desses fatos podemos concordar com Ferrari e Sekkel (2007): A possibilidade de o professor poder contar com o apoio dos colegas e de outros profissionais, de repensar a estratégia de aula, de rever o plano de ensino e de contar com a participação dos alunos e sua contribuição na resolução das questões específicas que se apresentarem é de importância fundamental numa proposta educacional voltada para a inclusão (p.644). 23 Neste caso as universidades proponham desenvolver na formação de docente uma melhoria nas condições da prática pedagógica voltada para a educação inclusiva, fato de que ―a universidade é um lugar onde os valores e práticas de educação inclusiva precisam ser vivenciados‖ (CASTANHA e FREITAS, 2005, p.1). Sobretudo, o professor só vai obter um pensamento crítico sobre o ensino inclusivo se vivenciar dentro dos cursos de formação (WARTHA e GRAMACHO, 2010 apud ECHEVERRÍA e ZANON, 2010). Concordando com Aranha (2005) que ―o conhecimento é uma atividade que não tem um fim em si mesmo, mas está voltado para a experiência‖ (p.171), fato este que os profissionais da educação precisam ter conhecimentos sobre os fatos reais que acontecem nas escolas inclusivas. Além da preparação de professores, seja ele reflexivo e das universidades que tem como papel principal fornecer conhecimento e preparar os docentes para a diversidade, a escola também tem que investir na formação dos profissionais em educação, em que Moreira (2005) afirma que: Uma educação que prime pela inclusão deve ter, necessariamente, investimentos em materiais pedagógicos, em qualificação de professores, em infra-estrutura adequada para ingresso, acesso e permanência e estar atento a qualquer forma discriminatória (p.43). Além disso, essa proposta seja voltada para que os professores saibam lidar em um ensino com diferentes alunos, seja ele deficiente ou não. Porém será discorrida nos próximos parágrafos a formação dos professores de química no âmbito da educação inclusiva. 2.2. FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS/QUÍMICA E A EDUCAÇÃO INCLUSIVA O professor de ciências (Química, Física e Biologia) deve estar preparado para lidar com as diferenças dos alunos em sala de aula, inclusive com aqueles com necessidades educativas especiais, e, por isso, a importância de se discutirem as políticas educacionais de formação inicial de professores de ciência (VILELA-RIBEIRO e BENITE, 2010, p. 587). Nessa perspectiva os autores supõem previamente que o ensino de ciências/química tem como fator importante para a formação desses alunos como futuros cidadãos, e isso seja voltado para todos os alunos em sala de aula, 24 especialmente os alunos com necessidades especiais, pois ―deve-se ensinar ciências para permitir ao cidadão ser protagonista do mundo que vive‖ (BENITE et al, 2009, p.3). De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais afirma que: (...) os conhecimentos difundidos no ensino de Química permitem a construção de uma visão de mundo mais articulada e menos fragmentada, contribuindo para que o indivíduo se veja como participante de um mundo em constante transformação (BRASIL, 1999, p. 66). Sobre esta visão, cabem os professores entender que apesar de o ensino de ciência ser complexo, ele deve procurar métodos que possam ensinar de forma igual para todos, principalmente quando se tem alunos com necessidades especiais em uma sala de aula, e é a partir daí ―surge a importância do papel do professor mediador, representante legítimo da cultura a ser ensinada‖ (PEREIRA et al, 2011, p. 49). Entendemos que: Como mediador o professor deve explorar sua sensibilidade, a fim de perceber quais são os significados construídos por seus alunos com referência aos conceitos que estão sendo formados, quer sejam conceitos mais elementares ou complexos (ORRÚ, 2010, p. 9). Pode-se dizer então que a falta de preparação de futuros professores podem prejudicar o ensino dos alunos com deficiência sendo que essa despreparação pode ser provocada pela ―falta de motivação, manifestados pelos licenciandos nas disciplinas pedagógicas‖ (BENITE et al, 2010, p. 258). Sendo assim, o mesmo autor afirma que consequentemente a ―ausência da perspectiva pedagógica pode gerar situações que comprometam a mediação adequada à significação dos conceitos científicos‖ (ibidem). Com base no ensino de ciências/química para uma sala de aula inclusiva é preciso que professores estejam preparados e capacitados para ensinar a todos os alunos sem que haja exclusão por parte dos considerados deficientes, no entanto o estudo de ciências tem como importância o: [...] fato de possibilitar, à pessoa, o desenvolvimento de uma visão crítica sobre a realidade que a cerca, podendo, assim, utilizar seu conhecimento adquirido no cotidiano, analisar diferentes situações e ter condições para avaliar assuntos de importância na determinação de sua qualidade de vida (CACHAPUZ et al, 2005 apud VILELA-RIBEIRO, 2010, p. 587). 25 É importante ressaltar que: [...] para assumir novas perspectivas filosóficas, que contemplem visões inovadoras de ensino e escola, aproveitando-se das amplas possibilidades comunicativas e informativas das novas tecnologias, para a concretização de um ensino crítico e transformador de qualidade (KENSKI, 2006, p. 73). Assim podemos considerar que a utilização das tecnologias e informação é adequada para o processo de ensino e aprendizagem dos alunos, produzindo de fato, como ferramenta mediacional para facilitar ou até mesmo melhorar o conhecimento desses alunados. 3. AS REDES SOCIAIS E AS TIC’s: CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE QUÍMICA As tecnologias de informação e comunicação (TIC‘s) possuem como base teórica a importância de sua utilização para ampliar seu conhecimento, desde que essas informações se convertem em conhecimento, buscando experiências e troca de sabedoria (MORAN, 1995). Ferreira (1998) descreve que a escola deve adotar esses recursos de comunicação para um processo de interação no qual resultará numa grande melhoria no ensino aprendizagem dos alunos, assim ―a questão do uso das novas tecnologias na escola não significa apenas um modismo, se as escolas e universidades pretendem formar cidadãos para se integrarem na sociedade‖ (p.781). Enfim, a partir do uso das TIC‘s, as escolas utilizam como ferramenta para buscar uma melhoria na qualidade de ensino ―promovendo atividades que possam estimular e ajudar o aluno na compreensão dos conceitos como: questionamentos, debates, investigação, trabalhos em grupos [...]‖ (BENITE e BENITE, 2008, p.4) e assim os alunos buscam uma forte interação entre o mundo real e o virtual (MORAN, 1995). No que se refere ao ensino de química é unânime o uso das tecnologias em sala de aula, assim Benite e Benite (2008) fazem um breve histórico entre a década de 60 e 70 do uso das tecnologias no ensino de química sendo que o: [...] uso da informática por professores de química, na escola, data de 1959 nos Estados Unidos (Hood, 1994). Entretanto, ainda de acordo com Hood, o 26 foco principal do programa não era o ensino de química, mas sim, a pesquisa acadêmica. Somente a partir de 1969, foi desenvolvido, na Universidade do Texas, um projeto de avaliação de uma simulação de experimentos de laboratório para ser usado em aulas de química (p.5). Ainda segundo o autor, o Brasil por volta da década de 90, se desenvolveu: pela possibilidade de uso da multimídia e do Windows. Assim, foi possível dispor de uma interface mais amigável, com ícones e janelas para acessar os programas, evitando os áridos comandos do sistema operacional MSDOS (digitados em inglês). A multimídia, sem dúvida, permitiu uma maior interação entre o usuário e o computador. Esse fato coincidiu com o surgimento da World Wide Web (www) [...] (ibidem). Partindo desses contextos, os professores devem utilizar as ferramentas tecnológicas para ampliar seu conhecimento e buscar novas idéias para colocar em prática pedagógica, assim o uso das tecnologias de informação e comunicação é sem dúvida uma troca de experiências para a possível aprendizagem no ensino de química, de acordo com essas palavras ―é favorecer um ensino de/sobre ciência e tecnologia que vise à formação de indivíduos com a perspectiva de se tornarem cônscios de seus papéis como participantes ativos da transformação da sociedade em que vivem‖ (LINSINGEN, 2007, p. 13). Portanto alguns autores como Pandelides (1995), Edwards (1996) e Sima (1997) afirmam que o uso de computadores traz vantagens como, por exemplo: Estimula estudantes a serem aprendizes mais ativos, pois requer e promove maior interatividade; Promove a motivação do estudante, pois possibilita novas formas de visualização de informações, ilustrando também características, processos, etc. [...]; Possibilita a entrega imediata feedback, sob várias formas (correio eletrônico, material impresso, salas de discussão, etc.); Permite que o estudante tenha seu próprio ritmo de aprendizado, o que também irá determinar o seu rendimento; Oferece muitas possibilidades para aprendizes não tradicionais, incluindo os desabilitados fisicamente; Pode ser usada como uma poderosa ferramenta de treinamento e de simulação ( apud RODELLO et all, 2002, p. 3-4) Assim a partir das TIC‘s foram criadas as redes sociais onde ―podem promover integração social e cooperativa entre os diferentes níveis de ensino (professor formador; professor em formação (inicial) e professor do ensino básico (formação continuada) conjugando ensino e pesquisa)‖ (FRIEDRICH et al, 2009, p. 6). A partir desse fato as tecnologias contribuem para a formação de futuros 27 professores, tornando assim um professor reflexivo a partir de sua prática docente, sendo que é importante destacar que: Pela rede é possível a troca de informações sobre projetos e muitas outras atividades desenvolvidas entre pesquisadores, alunos e professores de várias escolas, em diferentes cidades, regiões e países, por meio de e-mail (eletronic-mail ou correio eletrônico), grupos de discussão, fóruns, chats, vídeo e teleconferências (BENITE e BENITE, 2008, p. 6). Essa troca de informações e experiências envolve a interação daqueles que irão se formar como professores e aqueles que já atuam na área pedagógica, ou seja, a ―aplicação permite que alunos e professores de diferentes localizações interajam em um mundo virtual compartilhado, via uma rede de comunicação‖ (RODELLO et al, 2002, p.4). No entanto a utilização das redes sociais proporciona um incentivo para a atuação de futuros professores de forma diversificada, onde a atuação das redes sociais: [...] justifica-se a importância de compreender modos de mediação de sujeitos em condição formativa diversificada, a exemplo dos espaços que produzimos e investigamos, em busca de formas de problematizar, fundamentar e reconstruir práticas interativas na perspectiva de contribuir para a constituição de profissionais que não venham a simplesmente reproduzir, tacitamente, modelos ambientalistas vivenciados ao longo da formação da escola e na universidade (HAMES et al, 2006, p.3). Com isso, o uso intenso da utilização das redes através das tecnologias de informação e comunicação pode contribuir e proporcionar uma melhoria de forma efetiva no ensino de química. 4. METODOLOGIA Esta pesquisa se configura como uma Pesquisa Participante (PP), no qual envolve a participação de professores formadores e licenciandos em um contexto composto de interações dialógicas proporcionando uma troca de conhecimento, idéias e experiências vividas que podem ser refletidas e analisadas possibilitando a elaboração de ações para melhorar a formação dos envolvidos, ou seja, essas discussões são de fato um processo onde ―começa com reflexão sobre a prática comum a fim de identificar o que melhorar‖ (TRIPP, 2005, p. 454). 28 Nessa perspectiva de diálogo e formação, as transformações da prática passam a ser consideradas como sínteses de mediações, continuamente renovadas, entre ação e reflexão e requerem o papel ativo do professor construindo o seu próprio desenvolvimento profissional (FRANCO, 2005, p. 439). De fato, a pesquisa participante (Demo, 2007) ―está intricada com a relação teoria/prática e através de um questionamento, caminha para a construção de um conhecimento buscando a inovação do saber e assim mudar a realidade em que está inserida” (apud PEREIRA, 2010, p.24), com base nesse conceito pode destacar que essa pesquisa se caracteriza não somente pelo envolvimento do pesquisador dentro de grupos sociais que pretende analisar, mas também envolvem a participação dos grupos que estão sendo pesquisados. Nesta perspectiva, essa pesquisa foi desenvolvida por meio de um minicurso oferecido na disciplina presencial de Didática das Ciências com a participação de alunos do curso de química licenciatura da Unidade Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas da Universidade Estadual de Goiás. A análise foi realizada nos diálogos travados entre professor e aluno num ambiente virtual o ―Moodle‖. A realização deste mini-curso foi oferecido no Moodle, no qual ―estas interfaces ampliam o espaço para discussão dos conceitos que são trabalhados nas disciplinas, permitindo que sejam estabelecidas práticas colaborativas de aprendizagem‖ (ALVEZ, 2009a, p.188). As discussões tiveram como foco a formação de professores para a educação inclusiva, no qual foi disponibilizado um texto para leitura intitulado “A radicalização do debate sobre inclusão escolar no Brasil”. A partir dessas interações, os participantes do mini-curso aprimoraram a sua prática pedagógica no sentido de contribuir para a sua formação. A nomenclatura dos participantes do mini-curso que será utilizada durante esta investigação será apresentada a seguir: P1 – Professora do Laboratório de Pesquisas em Educação Química e Inclusão (LPEQI) localizado no Instituto de Química da Universidade Federal de Goiás, representante da Rede Goiana Interdisciplinar de Pesquisa em Educação Especial/Inclusiva (RPEI) pós-graduada em Educação em Ciências e Matemática com o foco da pesquisa em formação de professores de ciências para a educação inclusiva. 29 A1 - A14): licenciandos da disciplina presencial de Didática das Ciências do curso de Química Licenciatura da UEG. 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO Antes de iniciar a discussão dados coletados do mini-curso realizado em ambiente virtual – Moodle, será apresentado no item 5.1 um breve entendimento sobre a origem do Moodle e suas contribuições como ferramenta de ensino. 5.1. O MOODLE COMO FERRAMENTA DE DISCUSSÃO A plataforma moodle é um espaço on-line (www.moodle.org) que ajuda no desenvolvimento dos alunos em ensinos superiores, contribuindo para a formação inicial de futuros professores, disponibilizando diálogos e conteúdos abertos para a construção do conhecimento. Desta forma, Santos e Araújo (2009) argumentam que: A comunidade Moodle é formada por redes de sujeitos e grupos sujeitos do mundo inteiro que desenvolvem e compartilham soluções para diversas modalidades educacionais e de aprendizagem, tanto no âmbito educacional escolar, acadêmico, corporativo, das organizações não governamentais, como também dos movimentos sociais organizados (p.239). Cabe o professor utilizar dessa ferramenta, para trabalhar com a motivação dos alunos, mediando e interagindo através de diálogos, compartilhamento e trocas de experiências. Assim, os estudantes se sentem à vontade para expor suas opiniões e idéias desenvolvidas durante o mini-curso, pois o moodle possui como característica enriquecer o processo de ensino, favorecer a interação dos sujeitos envolvidos de forma autônoma e aumentar os saberes através da troca de informações. Baseado em Masetto (2000), o processo de mediação é envolvido pelo movimento dialógico, incentivado pelo professor, visando aproximar o aprendiz do conhecimento a ser apresentado, numa dinâmica colaborativa. Com o avanço das tecnologias no mundo atual a mediação do professor em ambiente virtual acompanhando o momento presencial de sala de aula é de fato uma nova maneira de permitir os alunos se apropriarem de conhecimento necessários para sua formação, trazendo uma motivação a mais à prática docente. 30 Portanto, cabe aos professores buscarem estratégias desse tipo (Ambientes Virtuais de Aprendizagem – AVAs), visando melhorar e incentivar sua prática. ―A mudança constante do saber, na forma de informação, no âmbito da rede, demonstra a força comunicativa do ciberespaço (Internet). Na medida que a internet se propaga pelo globo, em especial, na instituição de ensino, a capacidade de inteligência coletiva aumenta, porque na troca de informações entre indivíduos de diferentes etnias ocorre, incondicionalmente, uma ampliação interpretativa sobre um tema em comum.‖ (ANDRADE e ANJOS, 2008. p. 9). O ambiente virtual de aprendizagem (AVA) tem como objetivo a participação ativa dos alunos por meio da interatividade possibilitando proporcionar uma reflexão sobre a sua prática através das discussões, no qual, este ambiente serve como auxilio para aumentar o conhecimento de cada indivíduo. As propriedades interativas do canal (e também ambiente) comunicacional é que vão determinar o grau de interatividade por eles proporcionados. Além do mais, a interatividade garante a rapidez das respostas dos professores ou tutores às dúvidas dos alunos e vice-versa (feedback), fazendo com que o aluno consiga progredir mais rapidamente (SANTOS e KERBAUY, 2009, p. 3). No que se refere ao AVA, este método está sendo adotado pelas universidades para proporcionar aos docentes um ensino diferenciado, ou seja, utilizando o Moodle como uma ferramenta de apoio para o ensino presencial. O ambiente virtual Moodle foi desenvolvido pelo cientista computacional Martin Dougiamas em 1999 na Austrália, no qual tem como objetivo, promover a interação de estudantes e professores através do curso on-line, podendo favorecer aos participantes uma troca de experiências e saberes (ALVEZ, 2009). Assim o foco do ambiente virtual moodle é disponibilizar aos educadores uma melhor ferramenta de aprendizagem, contudo, esse ambiente tem como características: fóruns de discussão configuráveis, ainda que de forma limitada; gestão de conteúdos, permitindo a edição direta de documentos em formato texto e HTML (HyperText Markup Language); criação de questionários com possibilidade de opção por vários tipos de resposta; sistema de Chat com registro de histórico configurável; sistema de Blogues; editor Wiki; sistema de distribuição de inquéritos estandardizados; sistema de gestão de tarefas dos utilizadores, etc (VALENTE et al, 2009, p.44). 31 Com isso, a palavra Moodle refere-se como ―Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment‖, que é caracterizado como ―um software livre, que apresenta interfaces de comunicação e gerenciamento de informações que poderão mediar as atividades, tanto na modalidade presencial quanto a distância‖ (ALVEZ, 2009, p.188). Concorda-se com Alvez (2009) que para aplicar o Moodle nos cursos presenciais de forma adequada ―é fundamental que o professor interaja bastante com o ambiente, construindo significado para cada uma delas, estabelecendo sempre relação com a sua disciplina e com os conceitos que os alunos precisam construir‖ (p. 190), fato este que, através das discussões e interações no ambiente virtual, o papel do professor tem como importância, ensinar e ajudar na apropriação do conhecimento. Assim, a utilização das tecnologias em um ambiente de aprendizagem não é simplesmente transferir conhecimento, ou seja, o aluno não deve apenas ser um receptor do conhecimento, aquele que lê e repete a idéia do professor, deve atuar como um pesquisador, de forma crítica e participativa. 5.2. ENSINO DE QUÍMICA NO ÂMBITO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: REFLEXÕES EM REDE COLABORATIVA Em relação à análise da discussão travada no mini-curso em questão, vale lembrar que a escolha do tema ―Educação Inclusiva‖ foi devido a necessidade da formação de professores para a inclusão muito discutida atualmente por pesquisadores educacionais e foco das políticas públicas. Assim, antes de iniciar as discussões foi disponibilizado o artigo intitulado ―A radicalização do debate sobre inclusão‖ que relata a importância de saber o contexto histórico da educação inclusiva como contribuições para a formação de professores. Desta forma, o mini-curso foi iniciado e apresentado pelo professor da disciplina presencial de Didática das Ciências. PQ: Aqui começa o nosso mini-curso com representantes legítimos de professores que pesquisam na área de Inclusão e atuam na formação inicial e continuada de professores para a inclusão do Estado de Goiás. Espero que todos tirem proveito desse trabalho para suas formações. Bons estudos!! 32 Na realização do mini-curso houve a participação da professora (P1) da Universidade Federal de Goiás (UFG), representante da Rede Goiânia Interdisciplinar de Pesquisa em Educação Especial/Inclusiva (RPEI), com formação inicial em Química na Universidade Estadual de Goiás e formação continuada (mestrado) em Educação em Ciência e Matemática na Universidade Federal de Goiás com o foco dos estudos em formação de professores de ciências para a educação inclusiva. Assim, o envolvimento da professora (P1) neste ambiente teve como objetivo, ampliar o conhecimento dos docentes e analisar opiniões abrangendo aspectos importantes da realidade da educação inclusiva no Brasil. Com isso, a P1 apresentou-se sua fala no início das discussões: P1 - “Este curso vai ser muito interessante, haja vista a compreensão de um contexto histórico que marcou e marca toda essa discussão sobre a Educação Inclusiva [...]”. Desta forma, a educação inclusiva é marcada por fatores importantes na sociedade, dentre eles tem-se: o preconceito da sociedade, a falta de formação de professores para atuar nesta área educacional e conseqüentemente a falta de apoio das políticas públicas. Neste sentido, concorda-se com Veiga-Neto e Lopes (2007) a importância de: [...] discutir a inclusão na medida em que, com esses debates, abre-se a oportunidade de problematizar várias questões sociais, culturais, políticas e pedagógicas que, de outra maneira, permaneceriam à sombra, ou seriam consideradas resolvidas ou, até mesmo, nem seriam vistas como problemáticas. (p.948) Porém, a rede social pode-se servir como espaço no sentido de provocar uma aprendizagem colaborativa para a contribuição dos docentes como futuros professores de química, ou seja, por meio das discussões, os participantes percebem o quanto se devem estar preparados para a diversidade. Neste caso, a rede colaborativa que reúnem os participantes se configura como: [...] estratégia de formação inicial e continuada de professores em ciências, estabelecendo um processo interacional que busca a reflexão da prática pedagógica como principio articulador e privilegia a formação do professor pesquisador de sua própria ação no âmbito da educação especial/inclusiva (PROCÓPIO et al, 2010, p.445). 33 Vale destacar que dentre os licenciandos participantes do mini-curso, uma (A14) possui deficiência auditiva, como pode ser visto na sua apresentação. A14 - Boa tarde pessoal!! Sei que a maioria da turma já me conhece, então estou aqui para que possamos trabalhar juntos, estou aqui como representante, na qual a inclusão já faz parte da minha vida. Espero a colaboração de todos. Bons estudos!! O mini-curso foi registrado com 118 turnos, com um total de quinze participantes. Desta forma, é essencial notar que os envolvidos nas interações ―se esforçam no sentido de compreender e refletir sobre o que significa a constância mencionada no texto que orienta a leitura‖ (PROCÓPIO et al, 2010, p.444). Os principais pontos discutidos foram convergidos em categorias que são: educação inclusiva, preconceito e a formação de professores para a educação inclusiva. A tabela 1 apresenta a quantidade de turnos referente as respectivas categorias surgidas, com o maior percentual (42,4%) voltado para a formação de professores para a educação inclusiva. Quantidade de turnos (falas) identificadas no AVA. Tema Quantidade de turnos Formação de professores 50 Educação Inclusiva 26 preconceito 19 Outros 23 Tabela 1. – Fontes: PROCÓPIO et al, 2010. Desta maneira, através dos dados proposto na tabela 1, é realizado a elaboração da figura 1, estabelecendo a porcentagem da quantidade de debates para os principais categorias identificadas durante a discussão do mini-curso. 34 Fo ro s ce on pr ec O ut ito a du ca çã o E rm aç ão de pr o fe s In c so lu s iv re s Porcentagem (%) 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Quantidade de falas Figura 1 - Quantidade de falas em porcentagem para cada tema discutido durante o debate sobre a educação inclusiva. Inicialmente, após se apresentarem, os alunos expõem críticas quanto a falta de apoio governamental à educação inclusiva, como pode ser visto nas falas a seguir. A1 - Bom, pensando historicamente no contexto educacional brasileiro, pode-se notar uma apatia do governo, quando trata-se de educação, fato esse que torna muito mais difícil a inclusão de pessoas deficientes no sistema regular de ensino [...] A2 - Penso que para haver mudança, é necessário, em primeiro lugar, a conscientização dos governantes desse país. Mas, na minha opinião, eles não estão interessados em melhoria, mas sim em dados estatísticos e dados mentirosos, pois a educação pública brasileira é precária e vergonhosa[...]. A3 - Sabemos quando se trata de educação em nosso país, percebemos sempre o descaso dos governantes (isso é um histórico que infelizmente insiste em continuar em nosso país, principalmente quando se trata de educação básica). Isso talvez, se deve ao fato dos governantes não quererem que os menos esclarecidos se tornem esclarecidos. [...] Para que ocorra uma mudança é preciso um maior empenho dos dirigentes em mudar as bases da educação brasileira (base essa que a médio e longo prazo proporcionará ao país uma verdadeira mudança [...]). No que se refere às políticas públicas educacionais, é necessário que o governo se preocupe mais com a educação inclusiva, devem fornecer verbas e proporcionarem uma estrutura adequada especializado para cada aluno, pois a cada mudança de governo seu projeto perde a continuidade e acaba sendo interrompido, alterado e desvalorizado (MACIEL, 2000). Desta maneira, o governo deve assumir o 35 compromisso e a responsabilidade de contribuir com a sua parte em tornar as escolas inclusiva, democrática e de boa qualidade. No plano de governo, o que se vê são programas, propostas, projetos, leis e decretos com lindas e sonoras siglas, que ficam, na maioria das vezes, só no papel. Programas similares e simultâneos são lançados em duas ou três pastas, sem que haja integração de objetivos e metas entre eles (MACIEL, 2000, p.53). Partindo desse pressuposto, é importante destacar que no Brasil, apesar de possuir leis e projetos educacionais para atender as necessidades da inclusão social, nem sempre o poder público cumpre suas funções para melhorar a educação deste país, portanto ―o que não impede que cada um assuma sua parte e se torne sujeito dessa história‖ (MENDES, 2006, p.401). Assim, para melhorar a educação brasileira e de vários outros países, é preciso a colaboração e o amparo de toda a sociedade, como aponta P1 em sua fala. P1 – Não devemos só ficar indignados com a atitude dos governantes, devemos fazer a nossa parte. Apesar das indignações apontadas pelos participantes quanto a omissão do governo em apoiar sua próprias medidas, de acordo com as estatísticas, o debate sobre a educação inclusiva teve o foco voltado mais para a formação de professores, isso relata que o problema não está apenas na educação inclusiva e sim na falta de formação dos professores para atuar nesta área educacional. Os licenciandos alegaram entusiasmo pelos assuntos decorridos, abordando críticas e idéias positivas para o decorrer da profissão, como pode ser ilustrado nas falas seguintes: A13 - [...] partir desta discussão vamos trabalhar juntos para uma melhor aprendizagem sobre a inclusão social, pois somos futuros professores e temos que ter conhecimentos básicos sobre o preconceito vivido por pessoas que possuem alguma deficiência e a forma de lidar com eles em sala [...]. A1 – [...] vamos que vamos... e o que deve-se fazer, e que já mencionaram e achei muito importante, é a divulgação dessa discussão para as pessoas leigas no assunto...expor esse conhecimento, aqui adquirido, nos trará grandes ganhos. Em relação ao conhecimento adquirido pelos participantes durante os discursos, nos itens a seguir, serão analisadas algumas reflexões importantes que 36 foram destacados durante as falas de cada aluno em relação ao assunto decorrido no fórum de discussões. 5.2.1. EDUCAÇÃO INCLUSIVA A educação é um direito de todos, porém todas as crianças e jovens com ou sem deficiência tem a igualdade e a liberdade de estudar em ambientes iguais, sem exclusão, desta forma pode-se afirmar na constituição federal do Brasil, em seu Art. 5° que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros, residentes no país, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade" (BRASIL, 1988), desta forma, podemos destacar na fala dos alunos sobre o direito da sociedade como um importante avanço na educação: A10 - defendo o direito de todo deficiente de estudar com outras crianças e acredito que isso levará a uma abertura da escola a diversidade, na qual tornará participante da vida social, econômica e política respeitando o direito da sociedade, pelo estado e pelo poder público consequentemente mudando a educação do país. A11 - Toda criança tem o direito a educação, independente de sua limitação. Concorda-se que a escola é um ambiente favorável para promover uma mudança neste paradigma da educação, portanto: [...] a escola precisa formar seus professores e equipe de gestão, bem como rever as formas de interação vigentes entre todos os segmentos que a compõem e que nela interferem. Isto implica em avaliar e re-desenhar sua estrutura, organização, projeto político-pedagógico, recursos didáticos, práticas avaliativas, metodologias e estratégias de ensino (GLAT et al, 2007, p. 2). Com isso é fundamental levar em consideração que a inclusão neste aspecto envolve o: [...] compromisso que a escola deve assumir de educar cada criança, contemplando a pedagogia da diversidade, pois todos os alunos deverão estar dentro da escola regular, independente de sua origem social, étnica ou lingüística (LACERDA, 2007, p.260). Partindo desse pressuposto cabe aqui destacar que a escola não deve somente matricular os alunos com necessidades especiais em ensino regular sem modificar a sua prática, sua estrutura física e suas metodologias, ou seja, não se 37 deve somente cumprir normas e leis criadas pelo ministério da educação, deve-se também obter uma estrutura adequada, criar um atendimento educacional especializado e fornecer capacitação aos professores para que possam atender as necessidades diversificadas de cada um. A14 – [...] as escolas devem participar da inclusão, ou seja, uma escola inclusiva deve ser ativa e interativa, onde também a escola deve entender que alunos com necessidades especiais servem como desafio. P1 – A lei hoje é bastante clara [...], dificultar a entrada de um aluno em situação de deficiência na escola é crime e a escola pode sofrer penalizações. Porém, para que a escola seja inclusiva e que venha proporcionar um ambiente adequado, devem, portanto, ter o apoio e compromisso dos governantes ou autoridades, em fornecer mais investimento para receber e adaptar essa diversidade de alunos. Assim como no diálogo a seguir se refere a visão dos estudantes quando se trata da educação inclusiva no Brasil. A3 - Para que ocorra uma mudança é preciso um maior empenho dos dirigentes em mudar as bases da educação brasileira (base essa que a médio longo prazo proporcionará ao país uma verdadeira mudança tão necessária para nossa nação). A5 - Como já foi mencionado antes, um dos grandes problemas da educação no Brasil, está no descaso do governo, isto é, o mesmo não investe na educação por não querer formar cidadãos críticos, e sim números estatísticos para seu governo, tal situação também é explícita na inclusão de crianças em situação de deficiência na escola de ensino regular. Apesar das dificuldades apresentadas, podemos destacar que a educação daqueles com necessidades educacionais especiais prosseguiu de um processo de segregação para a integração, até chegar ao contexto de uma educação inclusiva, contudo no percorrer das discussões uma aluna relatou em seu debate uma reflexão crítica e de forma errônea. A13 - [...] se tivermos mais profissionais qualificados poderia ter escolas somente para alunos "especiais", pois assim haveria mais respeito em ambas as partes. A realidade inclusiva é um dos aspectos que merecem ser bastante discutido, deixar um aluno em situação de deficiência fora do ensino regular significa isolar do meio social, portanto, não se deve impedir e nem separar dos demais alunos só pela falta de profissionais especializados. Analisando que: 38 ―[...] a escolarização de crianças em escolas especiais ou classes especiais na escola regular, deveria ser uma exceção, só recomendável naqueles casos, poucos freqüentes, nos quais demonstre que a educação nas classes comuns não pode satisfazer as necessidades educativas ou sociais da criança [...]‖ ―[...] em casos excepcionais, em que seja necessário escolarizar crianças em escolas especiais, não é necessário que sua educação seja completamente isolada‖ (BRASIL, 2001, p.16). Concorda-se com Figueiredo (2002) que ―a educação inclusiva requer uma escola aberta para todos os alunos, visto que ela propõe inserir na escola todos os excluídos, garantir qualidade na educação, considerar as diferenças e valorizar a diversidade‖ (p.77), assegurando o direito das pessoas com deficiência. Ainda mencionando sobre o diálogo anterior, no decorrer do debate A1 discordou e explicitou elementos importantes sobre as falas da A13: A1 - Discordo de você quando fala "devem haver escolas somente para alunos especiais", pois [...] esse fato gera uma segregação com tais pessoas, assim provocando o preconceito e a exclusão desses alunos na sociedade e, conseqüentemente, não os fazem cidadãos. Portanto, segregá-los em escolas especiais não resolve o problema... Neste caso, o processo de ensino-aprendizagem só acontece quando os alunos que possuem necessidades educativas especiais se relacionam com os demais, pois a sua participação e interação no espaço escolar pode melhorar e contribuir para o seu desenvolvimento, levando a entender que ―cada criança tem características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem que lhe são próprias‖ (BRASIL, 2001, p.14). Sobre isso, Sassaki (2003) afirma que: A inclusão escolar é o processo de adequação da realidade das escolas à realidade do aluno que, por sua vez, deve representar toda a diversidade humana. Nenhum tipo de aluno poderá ser rejeitado pelas escolas. As escolas passam a ser chamadas inclusivas no momento em que decidem aprender com os alunos o que deve ser eliminado, modificado, substituído ou acrescentado nas seis áreas de acessibilidade (arquitetônica, atitudinal, comunicacional, metodológica, instrumental e programática) a fim de que cada aluno possa aprender pelo seu estilo de aprendizagem e com o uso de todas as suas inteligências (p. 34). No sentindo de compreender o meio educacional, no fórum de debate os participantes manifestaram e descreveram a educação inclusiva como um processo da integração: 39 A2 - A integração, a meu ver deve começar nas escolas. Se as crianças crescerem sabendo lhe dar com a deficiência, que os deficientes não são "inúteis" e podem ser mão-de-obra como eles, futuramente os donos de empresas contratarão deficientes por conta própria sem o governo obrigá-los e as construções serão feitas pensando na melhor mobilidade de todos. A propósito, deve ser lembrado que o movimento da integração é quando os alunos em situação de deficiência são inseridos no ensino regular sem que ao menos haja uma mudança no centro escolar para se adequar com os demais alunos. Desta forma, A2 apresenta uma visão equivocada de inclusão confundindo-a com o movimento de integração que é logo corrigido por P1. P1 - A integração pressupõe que o aluno deva se adequar a realidade da escola. Dessa forma nós enquanto professores não podemos nos remeter a integração. O nosso papel é fazer a inclusão escolar A2 - Agora entendi... Quando se trata de integração, o deficiente que tem que se adequar ao meio escolar, mas quando se trata de inclusão, são os professores e escolas que devem possibilitar a adaptação do deficiente!! P1 - Muito bem! Até mais... Vale ressaltar que, na política de inclusão, a escola deve fornecer e propor atendimento estrutura adequada para ensinar a todos os alunos, inclusive aqueles que possuem algumas dificuldades. No percorrer da análise dos resultados nota-se que o ensino tem base de interação, troca de conhecimento e diferentes opiniões. Nesse sentido, o movimento dialógico no Moodle pode contribuir para o aprendizado dos participantes. Neste contexto, é necessário compreender que a inclusão exige o reconhecimento da comunidade, o apoio, o respeito no lugar da marginalização, pois ―a falta de conhecimento da sociedade, em geral, faz com que a deficiência seja considerada uma doença crônica, um peso ou um problema‖ (MACIEL, 2000, p.53), levando a acreditar que esses indivíduos não são capazes de aprender juntos daqueles que não possuem dificuldades de aprendizagem. Desta forma, cabe então informar à população que independente das peculiaridades de cada indivíduo, eles possuem condições de evoluir como todos os outros alunos. 5.2.1.1 USO DAS TERMINOLOGIAS 40 No âmbito da educação inclusiva, durante o fórum de discussões os participantes fizeram questionamentos a respeito do uso das terminologias para aqueles que apresentam alguma necessidade de aprendizagem. A4 - Gostaria de saber se é correto falar portadores de deficiência, tal enfatizado na introdução do texto. Sabe-se que [...] foram criadas várias teorias e formas para evitar tal preconceito e inclusão de tais na sociedade. A partir desta análise, pode-se destacar que, atualmente foram criados termos lingüísticos para diminuir a prática do preconceito e dos grupos marginalizados. Portanto, pessoas que eram excluídas e viviam até a Segunda Guerra Mundial se referia como pessoas incapacitadas, loucas, inválidos e bestiais, fato este que, após a guerra muitos soldados que perderam suas partes físicas durante as batalhas, passaram a ser considerados como deficientes. A partir destes acontecimentos, criaram corporações para que pudessem capacitar os soldados ao acesso e a aproximação na educação e serviços públicos como cidadãos. Desta forma, em meado de 1960 apareceram os novos termos como proposta para evitar o pronunciamento de ―deficiente‖, passando a dizer como: portadores de necessidades especiais, pessoas especiais e assim pessoas com necessidades educativas especiais (ALMEIDA e PAULA, 2008). Nas interações, o uso do termo ―portador de necessidades especiais‖ foi bastante questionado pelos participantes, pois isto é, ―portar algo e não, ser alguém‖ (QUADROS, 2003 apud PROCOPIO et al, 2010, p.451), no que se entende é que há uma diferença com o uso do termo ―pessoas com necessidades especiais‖. A3 - Olha sinceramente não acho legal falar isso, uma vez que todos somos deficientes em alguns aspectos, definir apenas os com uma maior limitação como deficientes não é legal uma vez que todos nós somos deficientes em algo. P1 - O termo portador vem do verbo "portar" que significa transportar, levar. Neste caso, será possível a uma pessoa portar uma deficiência? Ou desportar? Ninguém porta uma deficiência e logo desporta. Esse termo não deveria ser utilizado. A5 - [...] O termo portador e especiais, usados para nomear pessoas em situação de deficiência é errado. Pois, portador refere-se a carregar, o deficiente não carrega a deficiência! Nesta lógica, é viável que dependendo do uso das terminologias apropriadas à inclusão podem resultar em preconceito, discriminação e desrespeito 41 pelo indivíduo. No entanto, na fala seguinte P1 apresenta a utilização correta do termo desmistificando tal terminologia. P1 - Desta forma, alguns autores propõem a utilização de termos como "criança em situação de deficiência" ou também como está posta nas legislações mais atuais "criança com necessidades educacionais especiais". A utilização destes termos amenizam nosso discurso sem que haja contradições. De forma mais abrangente, encontra-se na Declaração de Salamanca que o termo necessidades educativas especiais não diz respeito apenas aos indivíduos em situação de deficiência mas a todos que apresentem qualquer tipo de dificuldade: a expressão ‖necessidades educativas especiais‖ refere-se a todas as crianças e jovens cujas carências se relacionam com deficiências ou dificuldades escolares. Muitas crianças apresentam dificuldades escolares e, conseqüentemente, têm necessidades educativas especiais, em determinado momento da sua escolaridade (1994, p.6). Na perspectiva de inclusão, quando se fala que um aluno possui necessidades educacionais especiais, se refere o fato de que este aluno independente de sua deficiência ou não, possui dificuldades de aprendizagem e que, de fato, precisam de cuidados e meios educacionais para atender as suas respectivas necessidades (CARDOSO, 2003). 5.2.2. FORMAÇÃO DE PROFESSORES É na escola que crianças e jovens com necessidades especiais se desenvolvem e tem a oportunidade de serem futuros cidadãos. Portanto, é preciso proporcionar e capacitar profissionais qualificados para que possam contribuir para o futuro desses alunos na sociedade. Relembrando as estatísticas, a formação de professores no processo de inclusão escolar foi a categoria mais discutida nas interações dos participantes. Assim, os próximos diálogos se referem a importância de preparar professores para atuar em sala de aula inclusiva. A9 - Receber o aluno com deficiência na sala de aula não significa inclusão, há necessidade do preparo do professor para conhecer o tipo de deficiência e a história 42 de vida do aluno, sua relação com seus familiares e vice-versa; saber como trabalhar com outros alunos e com suas famílias, é este o termo inclusivo. P1 - O professor deve estar qualificado para atender dentro de uma sala regular a diversidade. Assim como foi dito [...], todos somos diferentes. Precisamos de professores comprometidos com essa causa. A2 - Para que haja uma mudança na melhoria de alguma coisa é necessário antes de tudo informação e ela deve ser passada nas escolas. Esse é o papel do professor!!! Ensinar transmitindo informações construtivas, que ajudarão as pessoas à colocá-las em prática no dia-a-dia. Partindo destas análises, A9 e A2 destacam a importância do professor conhecer o tipo de dificuldade de cada aluno, suas características e necessidades apresentadas para que, posteriormente, possam solucionar, organizar e estabelecer estratégias mais efetivas no ensino para a diversidade. Buscando tais informações, os professores poderão criar maneiras de enfrentar a heterogeneidade da sala de aula regular. Entretanto, há a necessidade de capacitação e qualificação profissional. Juntar crianças em uma sala de aula ―não lhes garante ensino de qualidade, não lhes garante que a escola cumprirá seu papel, não lhes garante aprendizagem e, portanto, não lhes garante desenvolvimento‖ (PADILHA, 2004, p. 96). A aula inclusiva visa responder à diversidade de estilos de aprendizagem na sala de aula; então, qualquer ação de desenvolvimento e aperfeiçoamento de práticas de ensino e aprendizagem de professores para a inclusão deve ajudá-los a refletir sobre formas de levantamento de informações sobre seu/sua/s aluno (a)s e planejamento de diversas atividades que abranjam os estilos de aprendizagem individual (FERREIRA, 2006, p. 231). Desta forma, entende-se que o despreparo dos professores pode ser um obstáculo para a educação inclusiva. Segundo Tessaro (2005) ―estudos evidenciam que os professores na sua maioria, não são consultados e muito menos preparados para receber em suas salas alunos deficiêntes, e sentem-se inseguros, preocupados e desamparados em sua atuação profissional‖ (p. 52), isto é, sentem medo, angústia e insegurança quando se deparam com alunos em situação de deficiência na sala de aula regular. Neste caso, os professores preparados para ensinar na diversidade, encaram o desafio aperfeiçoando suas práticas pedagógicas, experiências positivas desenvolvendo-se profissionalmente. adquirindo 43 Ainda nas discussões sobre a formação de professores, observa-se a seguir que A14 destaca as características necessárias, ou melhor, o perfil de formação do professor. A14 - Olá pessoal acredito que os professores devem ser pesquisadores e mediadores de conhecimento, onde facilita o aprendizado dos alunos com necessidades especiais [...] Porém, concorda-se com Maldaner (2003) o papel do professor pesquisador é “aquele capaz de refletir a respeito de sua prática de forma crítica, de ver a sua realidade de sala de aula para além do conhecimento na ação e de responder, reflexivamente, aos problemas do dia-a-dia nas aulas” (p.30). Com isso, quando se trata de um professor mediador segundo Vygotsky (1996) é aquele ―o professor ao trabalhar com o aluno buscando na sua estrutura cognitiva os pontos relevantes que servirão de base para o que quer ensinar, procura verificar, através do diálogo, se a sua fala foi compreendida‖ (p.98), buscando desenvolver o raciocínio dos alunos através de interações. 5.2.2.1 A IMPORTÂNCIA DE CURSOS ESPECÍFICOS NA FORMAÇÃO DOCENTE Para se preparar professores é necessário uma boa formação docente, fato este que em muitas universidades não proporcionam um ensino especializado para fornecer uma educação inclusiva de qualidade. Porém, alguns participantes fizeram críticas sobre a falta de informações e cursos, resultando em uma aprendizagem insuficiente para lidar com diferentes tipos de alunos no ensino regular. A13 - Na minha opinião cada curso de licenciatura deveria ter pelo menos um ano de disciplina para qualificar o professor para lidar com esse tipo de situação. Assim, o problema da falta de professor qualificado diminui. Pois, estará formando um professor qualificado pronto para lidar com a diversidade, com a diferença de cada aluno, seja ela deficiência ou apenas dificuldade de aprendizado. A2 - Como estamos nos formando em licenciatura, tenho pra mim que deveríamos, sempre que pudermos, fazermos cursos especializados nessas áreas. Assim, não teremos tantas dificuldades em ensinar deficientes e saberemos lidar com as situação inesperadas nas salas de aula. 44 Observa-se que para melhorar a educação daqueles que apresentam necessidades educativas especiais, deve primeiro formar profissionais qualificados. No entanto, pode-se observar nas falas dos participantes a importância de fornecer cursos específicos para desenvolver e adquirir habilidades necessárias durante sua atividade docente. Apoiado em Rinaldi et al (2007), os cursos de licenciaturas não possuem métodos e orientações para a inclusão, ou seja, precisa-se de disciplinas e conteúdos que sejam voltados para a educação dos que possuem necessidades especiais. Para isso, ―todos os níveis dos cursos de formação de professores devem sofrer modificações em seu currículo, de modo que os futuros professores aprendam práticas de ensino adequadas às diferenças‖ (MANTOAN, 2006, p. 30). Neste cenário, destaca-se a importância de práticas pedagógicas como esta nos cursos superiores voltadas para a formação docente na diversidade, enquanto não são oferecidas disciplinas obrigatória neste sentido. 5.2.2.2 REFLEXÕES E SUGESTÕES PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES Para refletir sobre professores que atuam em sala de aula inclusiva, durante o fórum de discussões a professora P1 elaborou a análise a seguir para que os participantes buscassem caminhos e soluções em como lidar com esse tipo aluno em sala de aula. P1 – B. F. S, nove anos de idade, com diagnóstico clínico de deficiência mental, atualmente freqüentando o segundo ano do ensino fundamental apresentou na avaliação psicopedagógica os seguintes dados: * prejuízo na função mental de atenção (se dispersa facilmente); *prejuízo na função mental de memória (visual e auditiva); *alterações de linguagem receptiva (dificuldade em executar instruções complexas) e emissiva (substituições e omissões de fonemas, prejudicando o entendimento de algumas palavras); *relativa habilidade em solucionar problemas cotidianos (consegue comprar pão na padaria próxima a sua casa, por exemplo); *demonstra interesse por assuntos que envolvam música (consegue cantar músicas da mídia). Quando se depara em uma sala de aula que possui a presença de um aluno com necessidade especial, apesar do ensino de química ser um conteúdo bastante complexo e abstrato, o professor deve ensinar a todos sem restrições, sugerindo métodos adequados para tornar a aprendizagem dos alunos de forma eficiente. No que concerne a formação de professores, os participantes sugeriram 45 opiniões e propostas insuficiente para trabalhar com aluno que apresenta deficiência mental: A1 - Pelas deficiências apresentadas pelo aluno, uma das soluções cabíveis, como o aluno gosta de música, é criar uma paródia, ensinando química, ou qualquer outra disciplina, buscando um ludismo e assim despertar o interesse, não somente deste aluno, mas de todos os demais.[...] mostrar para o aluno o papel dele como cidadão pois, a química busca explicar os fenômenos ocorrentes em nosso dia-a-dia. A11 - Os jogos são uma alternativa simples e viável, que quando proposto como uma realidade em sala de aula, têm resultados positivos no que se refere ao ensino. A2 - Acredito que será bem mais fácil para esse aluno, se a matéria que for dada a ele, for associada a seu dia-a-dia, que tenha desenhos e sejam bem coloridos para chamar sua atenção. Não diria música na sala de aula porque tiraria a atenção dos outros alunos, a não ser que a música ajudasse todos em alguma atividade (não ajudasse somente o aluno deficiente para se interessar pela matéria e melhorar seu entendimento e sim a sala como um todo). A14 - Acredito que uma boa maneira para chamar atenção deste aluno que possui deficiência mental, seria uma brincadeira em uma forma de conteúdo, pois a partir dai o aluno poderá utilizar sua imaginação, ou seja, uma boa brincadeira serve para melhorar a sociabilidade desse aluno e que serve como motivação do desenvolvimento e aprendizagem. Desta forma, observa-se que os docentes discutiram aspectos de forma criativa para lidar com este tipo de deficiência, onde os jogos no ensino de ciências podem proporcionar um ensino diferenciado na construção do conhecimento. Segundo Miranda (2001): vários objetivos podem ser atingidos a partir da utilização dos jogos didáticos, como os relacionados à cognição (desenvolvimento da inteligência e da personalidade, fundamentais para a construção de conhecimentos); à afeição (desenvolvimento da sensibilidade e da estima e atuação no sentido de estreitar laços de amizade e afetividade); à socialização (simulação de vida em grupo); à motivação (envolvimento da ação, do desfio e mobilização da curiosidade) e à criatividade (apud ZANON et al, 2008, p.74). Partindo desse pressuposto, o autor afirma que a execução dos jogos pedagógicos em sala de aula pode contribuir para o desenvolvimento da aprendizagem de cada aluno, fazendo com que todos participam, sociabilizam e criam habilidades, mas o que se observa é que este tipo de socialização não leva ao ensino suficiente para este aluno em situação de deficiência, é necessário, buscar e criar idéia mais inovador no qual, possa contribuir para o conhecimento de todos os alunos. Portanto o profissional frente a estas concepções deve-se: 46 Orientar e mediar o ensino para a aprendizagem dos alunos; responsabilizar-se pelo sucesso da aprendizagem dos alunos; assumir e saber lidar com a diversidade existente entre os alunos; incentivar atividades de enriquecimento curricular; elaborar e executar projetos para desenvolver conteúdos curriculares; utilizar novas metodologias, estratégias e material de apoio; desenvolver hábitos de colaboração e trabalho em equipe (MEC, 2000, p. 5). A inclusão escolar é um processo gradativo (LACERDA, 2007), com isso os professores precisam trabalhar em equipe, planejar e trocar experiências, a fim de tornar possível uma educação de qualidade e excelência para que sirva a todos. 5.2.2.3 EXCLUSÃO ESCOLAR A educação inclusiva pode se tornar efetiva desde que a escola abra as portas para todos que estão fora do ensino e desde que se tenha um atendimento educacional especializado para cada sujeito que enfrenta dificuldades. Porém, para atender a todos os alunos é fundamental que uma escola inclusiva passe por transformações físicas e pedagógicas para garantir a acessibilidade desses alunos, pois não adianta aceitar como um desafio sem modificar seu currículo. É preciso ter a clara consciência de que há, sim, um processo de exclusão, seja por omissão do Estado, seja pela falta de esclarecimento da sociedade em geral, seja pela falta de investimento em infra-estrutura e capacitação de profissionais de todas as áreas para trabalhar com as pessoas com deficiência, desde sua tenra idade até sua vida adulta, proporcionando-lhes uma melhor qualidade de vida, e, da parte dos próprios deficientes, os quais, em muitas vezes não se unem em torno de uma causa de forma sólida, não passaram pela auto-aceitação ou se utiliza dos fatores gerados pelas circunstâncias conjunturais por que passam (ALMEIDA e PAULA, 2008, p.4). Desta forma, no movimento pela inclusão é essencial que se tenham professores responsáveis e conscientes para defender a causa, ―para o professor deve haver qualificação profissional de maneira que ele saiba distinguir todas as diferentes formas de aprender que os alunos apresentam em uma mesma sala de aula‖ (VILELA-RIBEIRO e BENITE, 2010, p.587). Assim no decorrer do debate, foi relatado por um dos participantes, que é deficiente auditivo, uma situação de exclusão vivida na sala de aula regular. 47 A14 - Eu possuo deficiência auditiva e já tive muitas dificuldades de aprendizagem! Mas na maioria das vezes por parte do professor, que não se comportava como deveria. Quando eu era criança, os professores tinham mania de passar o conteúdo através de ditado, o que dificultava o meu aprendizado, pois eu tinha dificuldade de entender o que o professor estava falando. Então, o professor deve sempre estar atento em sala de aula para não excluir o aluno. P1 - O pior tipo de exclusão é a falsa inclusão. Sentir-se excluída dentro de uma escola que se diz inclusiva é uma enorme contradição! Enquanto professores devemos ter essa consciência! Sempre me coloco no lugar desses indivíduos, ao imaginar um filho meu nessa condição. Eu iria querer o melhor para ele independente de sua deficiência. A9 - [...] independente das dificuldades que iremos encontrar, como futuros professores, temos que aprender a educar [...], tendo responsabilidade de ensinar de forma que todos ali entendam o assunto sem nenhuma discriminação. A14 - [...] apesar de muitas escolas aceitarem alunos com necessidades especiais, muitos professores não colaboram e acabam excluindo esses alunos. E na maioria das vezes isso pode se transformar em práticas preconceituosas com esses alunos. Hoje os professores tem que aceitar qualquer aluno, independente de sua deficiência [...]. Nesse sentido, esse tipo de exclusão pode ser proveniente de um despreparo profissional, falta de informações e falta de planejamento de atividades didáticas para trabalhar com a diversidade. Desta forma, ―para que tenhamos uma mudança paradigmática na educação inclusiva, o primeiro a ser mudado é o professor‖ (HOFFMAN, 2004 apud VILELA-RIBEIRO e BENITE, 2010, p.587). 5.2.3. PRECONCEITO A12 - Deficiência não significa incapacidade, mas é algo a ser superado pelas próprias pessoas com necessidades especiais; não significa estorvo porque elas acabam aprendendo (ou até mais) igual a nós mas do seu jeito[...]. Por isso, não existem motivos sérios ou ridículos para evitá-los em nosso meio, e nem negar a eles o desejo de aprenderem, ou receberem educação, um direito garantido por lei para todas as pessoas, independente de sua situação física, emocional, financeira, social, etc. Basta para tanto preconceito, não somos juizes para retirar deles essa oportunidade, devemos ser agentes transformadores e mostrar a todos que eu posso fazer algo melhor por eles na escola. A fala de A12 mostra que o preconceito também foi um dos destaques nas falas dos participantes, mostrando que o preconceito e a discriminação ainda permanecem no ambiente escolar e na sociedade. Porém, cabe aos futuros professores informar à comunidade que os indivíduos em situação de deficiência são cidadãos e que possuem capacidade de aprender e desenvolver suas habilidades. 48 A5 - [...] infelizmente ainda há de certa forma o preconceito proveniente de falta de informações. Muitas das vezes tal preconceito origina-se até mesmo do próprio professor que, por não ter uma boa formação, tem medo que aquele indivíduo possa atrapalhar o desempenho da turma. Acredito que esse tema deve ser discutido com a sociedade[...]. O que se observa é que o professor em um processo de inclusão, é um componente fundamental para superar barreiras do preconceito e segregação, afastando as atitudes da população sobre ―o pressuposto moral da piedade e benemerência que impedem de ver as potencialidades e possibilidades‖ (CORRÊA, 2011, p.14) das pessoas com necessidades especiais, pois esse professor pode mostrar resultados positivos e favoráveis na vida social. Desta forma, Silva (2006) configura o preconceito daqueles em situação de deficiência como: um mecanismo de negação social, uma vez que suas diferenças são ressaltadas como uma falta, carência ou impossibilidade. [...] A estrutura funcional da sociedade demanda pessoas fortes, que tenham um corpo 'saudável', que sejam eficientes para competir no mercado de trabalho. O corpo fora de ordem, a sensibilidade dos fracos, é um obstáculo à produção [...] (SILVA, 2006, p.426). Ainda no discurso sobre o preconceito, os participantes expressaram opiniões e sugestões. A12 - Não basta só a inclusão, e necessário bater de frente com o preconceito. A área de atuação deve ser em 4 frentes: aos alunos, aos professores, a sociedade e ao espaço de trabalho e estudo. A resposta para esses problemas se resume em duas palavras: informação e prática. Só assim, derrubaremos o preconceito, e a inclusão atingirá seu objetivo e os resultados serão grandes, positivos e transformadores. A13 - o professor deve evitar o preconceito. Por exemplo, quando você cita "aos alunos, aos professores, a sociedade, e ao espaço de trabalho e estudo". Se deve que aos alunos existem certos preconceitos da parte deles deixando de lado os alunos "especiais" muita das vezes excluindo-os, aos professores que precisam estar preparados para todas as situações e que não ocorra preconceitos da parte deles, a sociedade que é onde eles sofrem mais preconceitos e ao espaço de trabalho e estudo que por mais que tenha um pouco de respeito as pessoas não deixam de olhar deferente para eles. Porém se nós futuros professores começarmos a fazer nossa parte em sala de aula, a fazer diferente a partir de agora, no futuro não teremos ou pelo menos será menor o preconceito. Na fala de A12, o participante relata que no espaço de trabalho do professor, a sala de aula, muitas das vezes surge preconceito por parte dos alunos quando se tem um colega ―deficiente‖. Nesse caso, cabe ao professor orientá-los a respeitar e conviver com as diferenças (MACIEL, 2000). Portanto: 49 A13 - [...] cabe tanto ao professor quanto aos colegas de sala aprender a conviver com a diferença e de não serem preconceituosos. É função da escola, dos profissionais na área educacional e da sociedade encarar a educação inclusiva como um desafio transformador, tendo a consciência de que trazem resultados e conhecimentos construtivos tanto na vida social quanto na vida profissional, sendo que ―não é tarefa fácil, mas é possível. Quando ocorre, torna-se uma experiência inesquecível‖ para todos (MACIEL, 2000, p.55). 50 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS A educação inclusiva é um processo bastante debatido na sociedade, no qual, vem se modificando ao longo de sua história, mostrando suas dificuldades apresentadas durante a sua trajetória, como o preconceito, falta de estrutura para atender a todos e falta de profissionais especializados. Desta forma, este trabalho relatou a expectativa dos docentes estarem preparados para atuar em sala de aula inclusiva, no qual, o professor é o elemento principal numa mudança paradigmática no processo de inclusão, sendo que, o professor deve-se possuir um papel de mediador, reflexivo e pesquisador, buscando no seu ramo profissional uma melhoria na educação das crianças e jovens com necessidades especiais. Sendo assim, esta pesquisa mostrou a importância do uso das tecnologias como um processo de construção do conhecimento, desenvolvendo diálogos através do moodle, que serve de base para trocar experiências e saberes, incentivando os participantes a manifestarem interesses em relação ao tema discutido. Desta forma, este meio interacional proporciona uma reflexão sobre a sua prática, levando a entender de que é possível ensinar a todos os alunos sem nenhuma exclusão. Portanto, a discussão teve como foco a formação de professores qualificados como um dos aspectos mais importante para se tornar uma educação inclusiva de qualidade. Em relação ao conhecimento dos participantes, muitos mostraram interesses ao assunto decorrido, expondo opiniões, dúvidas e críticas, em busca de um novo modelo educativo, que possa favorecer a todos os alunos, sendo eles, com ou sem deficiência. No entanto, cabe ressaltar que esta proposta ainda deve ser discutida em todo o momento nas universidades, para promover e proporcionar melhoria na profissão dos futuros professores. Com isso, o futuro da educação inclusiva está na formação de professores aptos para atender essa diversidade, no qual, possa melhorar o ensinoaprendizagem desses alunos, desenvolvendo métodos eficazes na sua prática pedagógica. 51 Neste contexto, é inegável que os professores devem se preparar dia após dia, buscando uma formação continuada, cursos específicos e informações nos profissionais experientes, para aumentar o seu conhecimento em relação aos alunos que apresentam alguma dificuldade de aprendizagem. 52 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALARCÃO, I. Reflexão crítica sobre o pensamento de D. Schön e os programas de formação de professores. In: ALARCÃO, I. Formação reflexiva de professores: Estratégias de supervisão. Portugal: Porto Editora, 1996. ALMEIDA, K. P.; PAULA, B. R. Caminhos e descaminhos do processo de inclusão do aluno com deficiência no sistema regular de ensino. 4ª Semana do Servidor e 5ª Semana Acadêmica. Universidade Federal de Uberlândia, 2008, p.1-8. ALVES, L. 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