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Perito contábil judicial: um estudo exploratório sobre a inserção do perito
contador no mercado de trabalho1
Idalberto José das Neves Júnior2
Waldiney Marinho de Melo3
Resumo
O mercado de perícia contábil judicial proporciona uma vasta área de atuação a ser
explorada pelo perito contador. No entanto, é um mercado de difícil acesso, que
exige do perito contador desenvolver algumas estratégias para nele se inserir. Este
estudo explorou o mercado de perícia contábil judicial nas unidades federativas
brasileiras por meio de pesquisa de campo dirigida aos peritos contadores que
realizam trabalhos na esfera judicial. O objetivo da pesquisa foi buscar as possíveis
estratégias de atuação utilizadas pelos peritos contadores para se inserirem no
mercado de perícia contábil judicial. A pesquisa foi realizada nos meses de agosto e
setembro/2008. Foram 54 peritos contadores respondentes e 1.782 dados. Os
dados foram tratados no programa estatístico Statistical Package for the Social
Sciences (SPSS) para posterior análise. Como resultados, foram identificadas
práticas utilizadas pelos peritos que usadas concomitantemente tem uma maior
eficácia, entre elas, a distribuição de currículo e a participação em associações de
peritos. Outras práticas também foram identificadas: trabalhar com perito experiente,
fazer entrevista com o juiz, apresentar trabalhos de qualidade quando atuando como
perito assistente, indicar amizade, visitar fóruns, etc. No entanto, ainda há uma
necessidade de se conhecer, desenvolver e utilizar mais estratégias de marketing
pessoal para conquistar o mercado.
1. Introdução
Vários grupos da sociedade esperam que os contadores forneçam serviços
mais completos e confiáveis, em áreas de governança coorporativa, relatórios
financeiros, detectando e prevenindo atividades financeiras fraudulentas (REZAEE,
BURTON,1997).
Essa afirmação leva a refletir sobre a qualidade e a confiabilidade dos
serviços prestados pelo profissional contábil.
Vindo de vários profissionais, incluindo auditores, contadores,
investigadores de fraudes, especialistas em prevenção de fraudes, advogados,
educadores e criminologistas, eles coletam evidências, tomam testemunhos,
escrevem relatórios e acompanham investigações de fraudes das mais variadas
formas (CARNES e GIERLASINSKI, 2001).
Grandes são as demandas na justiça de litígios envolvendo o patrimônio de
pessoas tanto físicas quanto jurídicas. E, no campo patrimonial, o Conselho Federal
de Contabilidade (CFC) entende que ninguém melhor que o profissional contábil
para tratá-los. O perito contador, ao exercer a função de perito do juízo, fornecerá ao
magistrado, laudos técnicos fundamentados de forma que o auxilie a resolução
1
Artigo publicado Revista Brasileira de Contabilidade - Ano xxxix número 185 - setembro/outubro 2010, pp. 55-69 69.
Publicado no site www.contadoresforenses.net.br com autorização dos autores.
2
Mestre em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação pela Universidade Católica de Brasília. Graduado em
Ciências Contábeis e Tecnologia em Processamento de Dados. Professor e Assessor do Curso de Ciências Contábeis da
Universidade Católica de Brasília. Gerente de Divisão da Diretoria de Controladoria do Banco do Brasil. Endereço: Rua Ipê
Amarelo, Lote 2/4, Bloco B, Apartamento 204, Águas Claras, Taguatinga – DF, CEP 71.908-000. Telefone: 0xx61 9272-9352.
E-mail: [email protected]. Universidade Católica de Brasília.
3
Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Católica de Brasília. Endereço: AC 01 Lote 01, Edifício Residencial Terra
Nova, Apto 104, Riacho Fundo – DF, CEP 71.810-100. Telefone: 0xx61 8413-6019. E-mail: [email protected].
Universidade Católica de Brasília.
2
desses litígios. Para tanto, o perito deve estar habilitado e capacitado para exercer a
função que lhe será atribuída.
A habilitação diz respeito ao profissional Bacharel em Ciências Contábeis e
com o registro no órgão de classe. Já a capacitação refere-se ao domínio absoluto
nas normas e leis, principalmente no que se diz respeito à prática pericial. Deve
ainda possuir um amplo conhecimento da matéria a ser tratada, além de estar em
constante processo de aperfeiçoamento, tanto pessoal quanto profissional.
Considerando que o profissional seja possuidor de todos esses requisitos,
não seria problema a sua inserção neste mercado, sem preocupar-se muito com
suas estratégias.
Entende-se como mercado o local físico, ou não, onde as pessoas (físicas e
jurídicas) realizam a troca de bens e serviços e, como estratégia, a forma e o modo
pelo qual se pretende alcançar um objetivo. Fazendo-se uma analogia, o mercado
seria o de perícia contábil judicial, onde se encontram os litígios, e o objetivo seria
servir de opção para ser indicado pelo magistrado.
Atualmente existem duas formas de o perito contador atuar em juízo. A
primeira é sendo indicado pelo magistrado, quando exercerá a função de perito
judicial, e a segunda se dá quando indicado pelas partes, assumindo o papel de
perito contador assistente. O público-alvo do perito contador são as varas cíveis, da
Fazenda Pública, federais, partes envolvidas em questões judiciais ou extrajudiciais.
Partindo da premissa de que a habilitação e capacitação ainda não lhes são
suficientes, para garantir seu ingresso neste mercado promissor, que estratégias
adotar?
Entenda como estratégias as práticas utilizadas pelos peritos contadores
com o objetivo de se inserir no mercado de perícia.
Sendo assim, o objetivo desta pesquisa é apresentar as práticas utilizadas
pelos peritos contadores para se inserirem no mercado de perícia contábil judicial.
Esta pesquisa se classifica quanto a sua finalidade em exploratória e
descritiva, pois foi realizada em área na qual há pouco conhecimento acumulado e
sistematizado, além de expor características de determinada população ou de
determinado fenômeno. Quanto aos meios de investigação, pode ser classificada
como pesquisa bibliográfica uma vez que o estudo sistematizado foi desenvolvido
com base em material publicado e de campo colhido através da aplicação de
questionários (VERGARA, 2000).
Para tanto, foi desenvolvida pesquisa de campo, por meio de questionário
de pesquisa aplicado a peritos contadores que atuam no ramo de perícia contábil
judicial. Foram 54 peritos contadores respondentes e 1.782 dados.
2. Revisão da Literatura
2.1 Fundamentos da Perícia Contábil
Hoog (2007, p. 87) afirma que os “fundamentos da perícia contábil, logo,
tecnologia da Ciência Contábil, são um dos meios de prova que se utilizam para o
conhecimento da verdade real, que visa identificar no processo judicial, seus
aspectos essenciais à formação de uma decisão, sentença.”
O Conselho Federal de Contabilidade (CFC), pela Resolução n.º 858/99, a
qual reformula a NBC T 13, define perícia contábil como sendo “um conjunto de
3
procedimentos técnicos e científicos destinados a levar à instância decisória
elementos de prova necessários a subsidiar a justa solução do litígio, mediante
laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil, em conformidade com as normas
jurídicas e profissionais, e a legislação específica no que for pertinente”.
Para Ornelas (2003, p. 33), “a perícia inscreve-se num dos gêneros de
prova pericial, ou seja, é uma das provas técnicas à disposição das pessoas naturais
ou jurídicas, e serve como meios de prova de determinado fatos contábeis, ou de
questão contábeis controvertidas.”
Sá (2007 p. 14) define a perícia contábil como a verificação de fatos ligados
ao patrimônio individualizado, visando oferecer opinião, mediante questão proposta.
Ainda citando Sá (2007 p. 63), “perícia contábil judicial é a que visa servir de
prova, esclarecendo o juiz sobre assuntos em litígio que merecem seu julgamento,
objetivando fatos relativos ao patrimônio aziendal ou de pessoas.”
Pode-se, então, chegar à seguinte dedução sobre perícia contábil judicial:
perícia contábil judicial é um dos gêneros da prova pericial, fundamentada nas leis e
nas normas jurídicas e profissionais, que busca trazer a verdade dos fatos, em
questões contábeis controversas, visando subsidiar o magistrado, para a justa
sentença ou decisão, mediante fornecimento de laudo, emitido por profissional
contábil legalmente habilitado.
2.2 Perito Contador como Auxiliar da Justiça
Contadores estão sendo requisitados para níveis mais altos em suas
habilidades, para que possam entender e encontrar atividades fraudulentas dentro
das organizações (CARNES e GIERLASINSKI, 2001).
Os auxiliares da justiça são tratados no Código do Processo Civil em seu
Capitulo V. Nesse Capítulo, tem-se a seção II, que trata exclusivamente do perito.
Diz o Código de Processo Civil (CPC), art. 139 e 145:
Art. 139. São auxiliares do juízo, além de outros, cujas atribuições
são determinadas pelas normas de organização judiciária, o escrivão
o oficial de justiça, o perito, o depositário, o administrador e o
interprete.
Art. 145. Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico
ou científico, o juiz será assistido por perito, segundo o disposto no
art. 421.
§1° Os perito serão escolhidos entre os profissiona is de nível
universitário, devidamente inscritos no órgão de classe competente
respeitando o disposto do Capítulo VI, seção VII, deste código.
§ 2º Os peritos comprovarão sua especialidade na matéria sobre que
deverão opinar, mediante certidão do órgão profissional em que
estiverem inscritos.
Conforme se vê, o CPC contemplou o perito como auxiliar de justiça no art.
139, e, no art. 145, citou o momento de sua solicitação, bem como definiu o perfil do
perito com requisitos para exercer a competência das atribuições.
A Norma Brasileira de Contabilidade NBC P 2 define perito como sendo o
contador regularmente registrado no Conselho Regional de Contabilidade, que
exerce a atividade pericial de forma pessoal, devendo ser profundo conhecedor, por
suas qualidades e experiência, da matéria periciada.
4
2.3 Mercado e Público-Alvo
Mercado é o conjunto pessoas físicas ou jurídicas que afetam ou
demandam um determinado serviço ou bem (HOOG; 2007 p. 151).
O mercado do perito abrange as Justiças Federal e Estadual, varas cíveis
criminais, de falência e concordata, família, precatórias, execução fiscais e
trabalhistas, além de empresas públicas e privadas.
O perito contador tem como público-alvo as varas cíveis, da Fazenda
Pública, federais, partes envolvidas em questões judiciais ou extrajudiciais e as
pessoas jurídicas ou físicas que busquem opiniões especializadas.
O perito contador pode atuar tanto na esfera judicial quanto na extrajudicial.
As principais varas judiciais são apresentadas a seguir (HOOG, 2007):
Nas Varas Criminais – fraudes e vícios contábeis, adulterações de
lançamentos e registros, desfalques e alcances, apropriações
indébitas, inquérito judicial para efeitos penais, crimes contra a
ordem econômica e tributaria, e outras.
Na Justiça do Trabalho – indenizações de diversas modalidades,
litígios entre empregadores e empregados de diversas espécies.
Nas Varas Cíveis Estaduais – ordinária, apuração de haveres,
avaliação de patrimônio incorporado, busca e apreensão,
consignação em pagamento, comissão de pena pecuniária, cambiais,
compensação de créditos, consignação e depósito para pagamento,
desapropriação e bens, dissolução de sociedade, exclusão de sócio,
embargos de impedimento de consumação de alienação, estimativa
de bens penhorados, exibição de livros e documentos, extravio e
dissipação de bens, falta de entrega de mercadorias, fundo de
comércio, indenização por danos, inventários na sucessão
hereditária, liquidação de empresas, lucros cessantes, medidas
cautelares, possessória, prestação de contas, rescisória, revisão de
contratos bancários.
Nas Varas de Falências e Concordatas – perícias falimentares em
geral e concordatas preventivas, suspensivas.
Nas Varas de Fazenda Pública e Execuções Fiscais – perícia
envolvendo tributos de um modo geral, tais como ICMS, ISS, IPTU.
Nas Varas de Família – avaliação de pensões alimentícias,
avaliações patrimoniais e outras.
Na Justiça Federal – execução fiscal (INSS, FGTS, tributos federais
em geral), revisão do SFH, quando envolve a CEF, ações que
envolvem a União (ex.: desapropriação de terra por parte da União),
etc.
Na Justiça Arbitral – os mais variados segmentos da indústria,
comércio e associações criaram câmaras de juízo arbitral onde
avultam questões de perícia contábil. Nesta situação especial,
admite-se que o juiz seja o próprio perito.
Na esfera extrajudicial, o perito pode atuar nos casos de fusão, cisão,
incorporação, medidas administrativas, reavaliação de ativos e patrimônio líquido e
outras.
Como visto, o perito contador tem amplas oportunidades de atuar na esfera
judicial de acordo com as necessidades processuais. Para tanto, vale a pena investir
em uma estratégia de marketing para abraçar as oportunidades que o mercado
judicial e extrajudicial oferece.
5
2.4 Marketing, Marketing Pessoal e Estratégia
Com o mercado mais competitivo, o marketing torna-se cada vez mais o
melhor aliado para quem quer oferecer seus produtos. Isso vale tanto para empresas
quanto para o profissional independente. Uma boa estratégia de marketing ajudará
bastante o profissional a se lançar no mercado.
Kotler (1998, p. 27) “marketing é um processo social e gerencial pelo qual
indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e
troca de produtos de valor com outros.” Para Kotler, o marketing começa com
necessidades e desejos humanos sendo importante distingui-los. Necessidade
humana é um estado de privação de alguma satisfação básica, enquanto os desejos
são carências por satisfações específicas para atender às necessidades.
Segundo Rizzo (2006, p. 29), “com efeito, pode ser entendido como toda
atividade de negócios para dirigir o fluxo de bens e serviços do produtor ao
consumidor ou utilizador, onde se considera o produto como sendo a pessoa, neste
momento defini-se marketing pessoal.”
Cobra (1996, p. 31) apud Rizzo (2006) relata que “o composto de marketing,
também conhecido como marketing mix, constitui-se nos elementos básicos a serem
trabalhados, e que foram criados para o atendimento do mercado-alvo”.
Na prática, o composto marketing mix é constituído pelos 4P, representados
pelo Produto, Preço, Promoção e Ponto, respectivamente.
Produto – Cobra (1986, p. 398) apud Rizzo (2006), fazendo uma analogia
direta, a definição de embalagem indica que é destinada a envolver, proteger e, ao
mesmo tempo, garantir o destaque da marca e o conteúdo do produto. Para o ser
humano e profissional em geral, está diretamente ligada à forma de trajar-se
convenientemente para cada ocasião (RIZZO 2006, p. 32).
Preço - Está intimamente ligado ao valor das ideias, do trabalho e
principalmente, da imagem que representa no meio social ou profissional (RIZZO
2006, p. 33).
Promoção - Constitui-se para o marketing pessoal como forma de se
colocar em evidência, portanto, não é, pelo menos para este caso, um meio
impessoal de comunicação (KOTLER 1998, p. 437).
Ponto - São os canais de distribuição, pontos de venda ou de apresentação
da pessoa ou do profissional; estão ligados diretamente aos ambientes por onde
transitam (RIZZO 2006, p. 38).
6
Figura 1 – 4S - Fonte: adaptação de Rizzo (2006, p. 32)
Hoog (2007, p. 151) considera o marketing como o fator que faz a diferença
na atuação do perito contador no mercado e que a segurança e a idoneidade na
apuração dos fatos são o carro chefe do marketing. Completa ainda dizendo que
nada supera a eficiência e a eficácia empregadas à solução do ponto controvertido.
O referido autor ainda disponibiliza uma pirâmide na qual imprime uma
sequência de vantagens competitivas, que, segundo ele, fazem o produto do serviço
ser campeão.
Preço baixo aviltado é a maior desvantagem; prejudica sensivelmente a
segurança, a qualidade e a solução, formando a estratégia pobre.
A segurança representa vantagem competitiva por estar estribada na
idoneidade, sigilo, na confiança e no compromisso moral e ético. Uma grande
vantagem competitiva é o controle da qualidade do serviço prestado.
Garantia, representa uma expressiva vantagem pela certeza da diligência e
da verdade; um status de produto diferenciado.
A estratégia deve ser o alicerce quando o referente é a solução que o
cliente espera para seu problema. Quesitos e respostas têm base na pesquisa e
análises científicas tecnológicas; esta é a principal vantagem, pois tem como alvo a
prova pericial.
Figura 2 - Vantagens Competitivas – Adaptação
Fonte: Hoog (2007, p. 155)
Para Hamel e Prhalad (1995, p. 127) apud Rizzo (2006), “Uma arquitetura
estratégica define que precisamos fazer certo agora para interceptar o futuro. Uma
arquitetura estratégica é o vínculo essencial entre o hoje e o amanhã, entre o curto e
o longo prazo; fundamentalmente, é um plano para abordar oportunidades”.
3. Pesquisa de Campo
3.1 População e Amostra
7
Foram aplicados questionários a 54 (cinquenta e quatro) peritos contadores
que atuam no ramo de perícia contábil judicial nos estados do Brasil. Foram tratados
1782 dados.
Utilizando os preceitos de Stevenson (2001), a amostra de 54 peritos
contadores pôde ser classificada com base no Teorema do Limite Central, no qual
30 observações são suficientes para o desenvolvimento do estudo.
Como requisitos, o Teorema pressupõe que, para uma amostra
suficientemente grande – a de peritos contadores do Brasil –, a distribuição de
probabilidade da média amostral pode ser aproximada por uma distribuição normal,
com média e variância iguais às da população.
Portanto, sempre que a amostra for maior que 30 (n > 30), essa distribuição
de médias amostrais se aproxima de modo satisfatório a uma distribuição normal.
Ademais, é importante destacar a carência de publicações sobre o tema
Mercado de Perícia Contábil no Brasil.
3.2 Coleta e Análise de Dados
A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de questionário, cujo
objetivo será a verificação das práticas utilizadas pelos peritos contadores para se
inserirem no mercado de perícia contábil judicial.
O questionário foi dividido em duas partes, sendo que uma parte
caracterizava os respondentes, porém não os identificava. A outra foi composta de
18 questões, sendo onze questões objetivas, três questões de múltipla escolha e
três questões dissertativas no qual o entrevistado poderia fazer algum comentário
sobre o assunto que o questionário deixou de abordar.
Para a elaboração do questionário, foram utilizados os fundamentos de
marketing, estratégias pessoais, ética, competência profissional, fatores pessoais,
como comportamento e apresentação e a qualidade dos serviços. Como referências
para esses assuntos, utilizaram-se os estudos de Sá (2007), Hoog (2007), Rizzo
(2006) e Ornelas (2003).
O questionário foi elaborado com base na escala Likert, pois é a escala
ideal para investigação social, ou seja, baseada na percepção de outras pessoas.
Os cinco primeiros questionários respondidos por peritos contadores foram utilizados
como pré-teste para certificar-se da qualidade e da clareza das questões
apresentadas, nos quais os entrevistados puderam opinar sobre o resultado da
pesquisa.
As considerações apresentadas durante o pré-teste foram analisadas e
incorporadas ao questionário de acordo com o objetivo da pesquisa, para finalmente
ser aplicado para o restante da amostra. As observações dos respondentes surgiram
da dificuldade de interpretação na redação de algumas questões, em especial da
questão de n.º 13 (múltipla escolha). Sendo assim, as questões foram revisadas
para sua aplicação.
Para a tabulação dos dados, foi utilizado o software Excel, que,
posteriormente, foram analisados por meio de um método de estatística descritiva
com o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS).
3.3 Procedimentos Adotados
8
Os dados foram coletados por meio de questionário e tabulados no Excel.
Posteriormente foram analisados através do software Statistical Package for the
Social Sciences (SPSS).
Abaixo, a Figura n.º 6, que representa o protocolo de pesquisa que
possibilitará uma visão geral do processo incorrido na pesquisa.
Figura 3: Protocolo de Pesquisa
Fonte: Adaptado de Yin (1989)
4. Resultado da Pesquisa
Esta seção contempla os resultados da pesquisa, a apresentação dos
respondentes, a tabulação dos questionários, a análise da percepção dos
respondentes.
4.1 Caracterização dos Respondentes
Os peritos respondentes possuem as seguintes características: 79,6% são
do sexo masculino, enquanto 20,4% são do sexo feminino.
Para a característica Idade, foram consideradas 5 (cinco) faixas etárias: (1)
até 30 anos; (2) de 31 a 40; (3) de 41 a 50 anos; (4) de 51 a 60 anos; e a (5) acima
de 60 anos. As três primeiras faixas etárias obtiveram o mesmo percentual de
respondentes: 29,9%.
Apenas 13% dos peritos tinham idade até 30 anos, ao passo que 9,3%
possuíam idade acima dos 60 anos; 66,7% dos peritos possuem experiência acima
de 6 anos. A Tabela 1 apresenta a distribuição das frequências do tempo de atuação
dos profissionais peritos contadores:
9
Frequência
%
Acumulado
%
Até 2 anos
5
9,3
9,3
De 2 a 4 anos
6
11,1
20,4
De 4 a 6 anos
3
5,6
25,9
Acima de 6 anos
36
66,7
92,6
Não informado
Total
4
54
7,4
100,0
100,0
Tabela 1: Tempo de atuação dos peritos contadores participantes da pesquisa
Do total de 54 peritos, 48 atuam como peritos oficiais da justiça, 5 já
atuaram e apenas um não atua e nem atuou; 64,8% já operaram gratuidades,
enquanto que 34,2% nunca operaram gratuidades.
Com relação à localização dos peritos contadores, verificou-se que a
maioria dos respondentes atua nas regiões Sudeste e Centro Oeste. A seguir é
apresentada a Tabela 2, que caracteriza a estatística dos respondentes por regiões
brasileiras.
Frequência
%
Acumulado
%
Norte/Nordeste
11
20,4
20,4
Sudeste
18
33,3
53,7
Centro Oeste
15
27,8
81,5
Sul
Total
10
54
18,5
100,0
100,0
Tabela 2: Localização dos peritos contadores participantes da pesquisa
4.2 Tabulação e Análise dos Dados dos Questionários de Pesquisa
Esta subseção apresenta a tabulação e a análise dos dados das questões
do questionário de pesquisa. No primeiro momento, são apresentados os resultados
das questões de 1 a 12.
A tabela abaixo apresenta uma visão geral dos resultados obtidos por meio
da tabulação das questões de 1 a 12.
Questã
o
1
2
3
Descrição
Desenvolveu estratégias?
Teve dificuldades?
A conquista dos serviços
depende tanto do custo
quanto da qualidade
SIM
NÃO
Não
Inf.
Conc.
Total
Conc.
Nem
conc/dis
c
Disc.
Disc.
Total
63%
37%
-
-
-
-
-
-
55,6%
42,6%
1,9%
-
-
-
-
-
-
-
-
35,2%
42,6%
13%
5,6%
3,7%
10
4
5
6
7
8
9
10
11
12
Os fatores pessoais de
vestuário, apresentação e
material de trabalho
mercado.
O marketing pessoal está
ligado à qualidade de vida.
A etiqueta e a ética são
características desejáveis
A participação do
profissional contábil em
constantes processos de
educação continuada, É
utilizada como estratégia de
marketing.
A criação de núcleo de
núcleo de prática de perícia
pode ser uma estratégia
para atuação futura?
Sempre que há necessidade
de prova técnica o juiz
indica e nomeia o perito.
Essa indicação é aleatória e
é feita pelo cartório de
distribuição.
A atuação do perito
contador como perito
assistente aproximando o
profissional do juiz é uma
boa estratégia para atuar
como perito judicial?
Em um mundo de, a
estratégia é vender-se bem,
para junto levar o produto,
objeto da negociação.
Executar perícia trabalhista
com recebimento dos
honorários no final do
processo judicial é uma
estratégia, para realizar
trabalhos futuros.
-
-
-
57,4%
35,2%
7,4%
-
-
-
-
1,9%
35,2%
42,6%
13%
7,4%
-
-
-
1,9%
72,2%
25,9%
-
-
-
-
-
-
57,4
27,8%
7,4%
5,6%
1,9%
-
-
-
31,5%
44,4%
9,3%
11,1%
3,7%
-
-
-
7,4%
20,4%
24,1%
35,2%
13%
-
-
-
22,2%
35,2%
33,3%
7,4%
1,9%
-
-
1,9%
14,8% 48,10%
25,9%
9,30%
-
-
-
-
5,6%
18,5%
27,8%
9,3%
38,9%
Tabela 3: Questões de 1 a 12
As questões de 13 a 18, por terem características de respostas dissertativas,
não foram tabuladas na Tabela 3.
4.3 Detalhamento das percepções dos respondentes
Esta subseção contempla o detalhamento da percepção dos respondentes
como segue:
Na questão 1, perguntou-se aos peritos se eles desenvolveram estratégias
de marketing pessoal para atuar no mercado de perícia contábil Judicial? 63% dos
peritos contadores responderam que desenvolveram estratégias, enquanto 37% não
desenvolveram estratégias para atuar.
Na questão 2, perguntou-se se os peritos tiveram dificuldades para se
inserir no mercado de perícia contábil judicial? 55,6% dos respondentes tiveram
dificuldades para se inserir no mercado de trabalho, ao passo que 42,6% não
tiveram. Pode-se perceber quase um equilíbrio entre os respondentes.
A questão 3 afirma que a conquista dos serviços depende tanto do custo
quanto da qualidade em que são oferecidos; 77,8% dos respondentes concordaram,
enquanto 13% não concordaram, tendo 9,3% dos respondentes discordando da
afirmação.
11
Na questão 4, sobre a afirmação “Os fatores pessoais de vestuário,
apresentação e material de trabalho são essenciais para a nossa imagem no
relacionamento com o mercado.”, obteve-se o seguinte resultado: 92,6% dos
respondentes concordaram com a afirmação, enquanto 7,4% não concordaram e
nem discordaram. Pode-se dizer que a imagem do profissional continua tendo
significância na conquista de mercado, pois é importante causar boa impressão.
A questão 5 apresentou a seguinte afirmação: “O marketing pessoal está
ligado à qualidade de vida e está diretamente ancorado no equilíbrio harmônico
entre o trabalho, lazer esporte e alimentação”. Obteve-se o seguinte resultado:
77,8% dos respondentes concordaram; 13% não concordaram e nem discordaram; e
9,3% discordaram da questão. Segundo o referencial, deve haver um equilíbrio entre
os fatores apresentados.
A questão 6 tratou da seguinte afirmação: a etiqueta e a ética são
características desejáveis a todos os profissionais liberais; 98,1% respondentes
concordaram com a afirmação. Pretendia-se nessa questão apenas causar reflexão
sobre essas características imprescindíveis a profissional de todos os ramos, mesmo
porque uma trata do comportamento profissional e a outra do comportamento social
do indivíduo.
A questão 7 afirmou: “A participação do profissional contábil em constantes
processos de educação continuada, para constar em seu currículo, é utilizada como
estratégia de marketing.” No total, 85,2% dos respondentes concordaram com a
afirmação e 7,4% não concordaram e nem discordaram.
Uma vez que uma das práticas adotadas pelos peritos é a distribuição de
currículo em cartórios e a magistrados, sendo ele seu cartão de visita, é importante
que conste seus aperfeiçoamentos profissionais, que certamente dará mais
confiança ao magistrado na hora da indicação.
A questão 8 afirmou: “A criação de núcleo de prática de perícia contábil,
para graduandos em Contabilidade, para elaborar relatórios periciais com
gratuidades, pode ser uma estratégia para atuação futura.” Obteve-se o seguinte
resultado: 75,9% respondentes concordaram com a afirmação, enquanto 14,8%
discordaram da afirmação proposta.
Pode-se concluir, por meio dos resultados obtidos, que quanto mais cedo o
trabalho do profissional ficar conhecido menos dificuldade ele terá para se inserir
mercado de trabalho.
A questão 9 trouxe a seguinte afirmação: “Sempre que há necessidade de
prova técnica, o juiz indica e nomeia o perito. Essa indicação é aleatória e é feita
pelo cartório de distribuição.” Obteve-se o seguinte resultado: 48,2% discordaram;
27,8% concordaram; ao passo que 24,10% não concordam e nem discordaram da
afirmação.
Sobre a afirmação da questão 10: “A atuação do perito contador como perito
assistente, aproximando o profissional do juiz, é uma boa estratégia para atuar como
perito judicial.” Chegou-se ao seguinte resultado: 57,4% dos respondentes
concordaram e 33,3% discordaram da afirmação proposta.
O perito contador assistente é indicado pelas partes, tendo contato direto
com os advogados. Leva-se em consideração que os advogados mantêm mais
contatos com os magistrados do que os peritos, o que pode justificar o percentual de
57,4% das repostas obtidas.
12
A questão 11 apresentou a seguinte afirmação: “Em um mundo de
inovações e de concorrências quase predatórias, a estratégia é vender-se bem,
para, junto, levar o produto, objeto da negociação.”. Obteve-se o seguinte resultado:
63% dos respondentes concordaram com a afirmação; 25,9% não concordaram e
nem discordaram.
Na questão 12, a partir da afirmação “Executar perícia trabalhista com
recebimento dos honorários no final do processo judicial é uma estratégia para
realizar trabalhos futuros.”, chegou-se ao seguinte resultado: 44,5% dos
respondentes concordaram com a afirmação proposta; 37% discordaram; e 18,5%
respondentes não concordaram e nem discordaram.
Comparando-se os respondentes que concordaram e discordaram, pode-se
dizer que não há diferença significativa nas respostas. O que se apresenta é que a
ideia de se trabalhar para receber depois, com algum risco, não é bem visto pelos
peritos contadores.
Complementadas as análises das questões apresentadas, a afirmativa de
n.º 13 permitiu verificar empiricamente a correlação entre as práticas utilizadas pelos
peritos contadores e os fundamentos teóricos apresentados por Hoog (2007) em sua
pirâmide de vantagens competitivas.
Para tanto, efetuou-se a mensuração dos fatores da pirâmide pela média
percentual das respostas apresentadas pelos peritos contadores. Essa pirâmide
contempla 5 (cinco) fatores: preço, segurança, qualidade, garantia e estratégia e
solução.
De acordo com o resultado das análises apresentado, o autor diz que a
Estratégia e Solução deve ser o primeiro elemento da pirâmide, pois representa seu
alicerce, porque tem como alvo a prova pericial. Segundo os respondentes, a
qualidade na prestação dos serviços é o alicerce da pirâmide.
Em segundo lugar está a Garantia, que representa a certeza da diligência e
da verdade. Para os respondentes, o segundo fator mais importante é Segurança.
Na terceira base da pirâmide, está a Qualidade do serviço prestado. Na
opinião dos respondentes, tal colocação pertence à Estratégia e Solução.
A quarta base da pirâmide está representada pela Segurança na prestação
dos serviços, ou seja, o sigilo, a idoneidade. Para os respondentes, nesse lugar
encontra-se a garantia dos serviços.
Por fim, a última base da pirâmide é a mesma dos respondentes. O fator
Preço ficou em último lugar como fator de vantagem competitiva. A figura abaixo
apresenta como ficou o resultado das vantagens competitivas entre as apresentadas
por Hoog (2007) e os resultados da pesquisa.
13
Figura 5: Percepção dos respondentes
(adaptado)
Figura 4: Vantagens Competitivas (HOOG
2007, p. 155)
A partir das análises apresentadas, foi possível inferir que há diferença
significativa entre os grupos analisados: Hoog (2007) e Percepção dos
respondentes. Contudo, efetuou-se teste estatístico de comparação de médias,
Independent Samples Test no SPSS, e foi possível ratificar essa diferença entre os
grupos analisados, uma vez que o nível de tolerância obtido foi superior a 5%.
Na questão 14, foram apresentadas algumas estratégias utilizadas pelos
peritos para se inserir no mercado. Foi deixado um campo livre, de forma que se
pudesse acrescentar outra opção que não se encontrasse entre as oferecidas na
questão.
Podem-se obter três principais resultados: 33,3% dos respondentes
distribuem currículo e, concomitantemente, participam de associações de peritos.
24,1% apenas distribuem currículo e 14,8%, participam de associação de peritos.
Escolha abaixo uma ou mais opções.
Opções
Percentual
Participa de associação de peritos e distribui currículo.
33,3%
Distribui currículo
24,1%
Participa de associação Peritos
14,8%
Tabela 4: Questão 14
A questão 15, de múltipla escolha, apresentava a seguinte pergunta: “Como
você classifica o mercado de trabalho de perícia contábil judicial no seu
estado/cidade?” A Tabela 3 apresenta o resultado da questão.
Como você classifica o mercado de trabalho de perícia contábil judicial no seu
estado/cidade?
Opções
A demanda de serviços está restrita a uma pequena parcela de peritos.
Percentual
37,%
A demanda de serviços é grande, e a quantidade de peritos atuantes é pequena
29,6%
A demanda de serviços é proporcional à quantidade de peritos atuantes
14,8%
A demanda de serviços é pequena e quantidade de peritos atuantes é bem maior
13%
Outras opções
5,6%
Total
100%
Tabela 5 – Questão 15
As perguntas subjetivas (16, 17 e 18) tiveram o propósito de identificar quais
as estratégias utilizadas que não deram resultados, quais as estratégias que deram
14
resultados e como os peritos avaliam planejamento e execução de estratégias para
se inserir no mercado.
Quanto à primeira questão, notou-se que não foram as estratégias que não
deram resultados, mas a forma como foram utilizadas. No entanto algumas práticas
foram descritas como não recomendadas pelos peritos como aviltamento de
honorários: aceitar trabalhos sem competência técnica; oferecer vantagens e
brindes; e aceitar trabalhos gratuitos para conquistar o magistrado.
No que dizia respeito às estratégias que deram resultados, ficou
evidenciado que o uso das estratégias em conjunto tem uma maior eficácia. Ainda
foram sugeridas algumas práticas como: trabalhar com perito experiente; fazer
distribuição do currículo nos cartórios; fazer entrevista com o juiz; apresentar
trabalhos de qualidade quando na qualidade de perito assistente; amizade
(indicação); visitar fóruns constantemente; ter publicações; buscar associação de
peritos, educação continuada (currículo) e estágios em escritórios de perícia
contábil.
Na terceira questão, sobre como os peritos avaliam o planejamento e as
estratégias para se inserir no mercado, verificou-se que, para alguns peritos por falta
de conhecimento, usam-se pouco as estratégias. Alguns peritos acham que não
adianta desenvolver estratégias, pois o problema está na conquista da simpatia do
juiz. Outros peritos consideram importante o planejamento e as estratégias, apesar
de não conhecerem muitas estratégias. Poucos peritos apresentaram a seguinte
observação nos questionários: “Se existir alguma estratégia, gostaria de saber.”
4.4 Agrupamentos dos respondentes
Após análise e detalhamento das repostas obtidas, os respondentes foram
agrupados pelo software SPSS, através da opção analisy, classify, twostep cluster, o
qual gerou dois grupos: o primeiro grupo com 20 respondentes e o segundo com 34
respondentes. O agrupamento é feito por aproximação de características ou
semelhança entre os respondentes. Abaixo tabela de distribuição de cluster gerada
pelo SPSS.
Agrupamento
Respondentes
Percentual
Cluster 1
20
37%
Cluster 2
34
63%
Total
54
100%
Tabela 6: Distribuição dos Clusters
De forma a validar a classificação dos grupos, aplicou-se a técnica estatística
de análise discriminante e obteve-se um percentual de acertos de 98,1%. A seguir, é
apresentada a estatística desta análise:
Análise Discriminante
Cluster
Qtde.
1
2
1
2
Total
1
33
1
34
0
20
20
15
%
1
97,1
2
,0
98,1% dos casos originais foram classificados corretamente.
Tabela 7: Validação dos clusters
2,9
100,0
100,0
100,0
4.4.1 Características dos clusters
Nessa subseção, são apresentadas as características predominantes de
cada cluster e ao final será nomeado cada cluster de acordo com suas principais
características.
A partir das características apresentadas por cada cluster, pode-se
identificar o cluster 1 como o composto por peritos com menos experiência e que
menos atuaram gratuidades. E o cluster 2 será representado pelos peritos com mais
experiência e que mais atuaram gratuidades. A Tabela 8 apresenta uma
comparação entre as características que compõem cada cluster.
Características
Quesitos
Respondentes
Idade média
Tempo médio de formação
Tempo médio de atuação
Sexo masculino %
Sexo feminino
Região predominante
Atuaram gratuidades
Atuam como perito oficial
Cluster 1
20
45
8 anos
6 anos
30,2%
63,6%
50% Nordeste
17,1%
29,2%
Cluster 2
34
52
9 anos
7 anos
69,8%
36,4%
72,2% Sudeste
82,9%
70,8%
Tabela 8: Comparativo Clusters
4.4.2 Discussão sobre as respostas dos clusters
Este tópico apresentará as observações obtidas entre o cruzamento das
informações dois clusters quanto aos resultados das questões do questionário de
pesquisa.
Verificando-se as estratégias utilizadas pelo cluster 1, percebeu-se que
eram as mesmas utilizadas pelo cluster 2, só que elas eram utilizadas isoladamente,
o que reduziu sua eficácia.
Pode-se chegar a duas conclusões a partir das análises acima: a primeira é
que não adianta apenas utilizar estratégias isoladamente. Faz-se necessário adotar
um conjunto de estratégias que possam viabilizar a entrada do profissional no
mercado.
A segunda infere a importância do profissional contábil em participar de
associações organizadas da sua categoria profissional. Essas associações estão
assumindo grande relevância na vida profissional do perito contador, como formas
de divulgação dos seus associados, ajudando a inseri-los no mercado de trabalho. A
16
Tabela 9 apresenta as principais estratégias e seus respectivos percentuais mais
utilizados pelos peritos de acordo com cada cluster, para se inserir no mercado.
Escolha abaixo uma ou mais opções
Opções
Distribui currículo
Participa de associação de Peritos
Participa de associação de peritos e distribui
currículo.
Cluster 1
Cluster 2
61,5%
38,5%
25%
75%
22,2%
77,8%
Tabela 9: Questão 14
Na questão 15, percebeu-se quanto ao cluster 1 que a demanda de serviço
é grande em relação à quantidade de peritos, embora esteja restrita a uma pequena
parcela de peritos. Os integrantes deste cluster podem aproveitar melhor essa
oportunidade, utilizando conjuntamente suas estratégias, ou seja, o mesmo recurso
do cluster 2 para vencer essa dificuldade.
O cluster 2 apresentou 85,7% dos respondentes que marcaram a opção em
que dizia que a demanda é menor em relação a quantidade de peritos. No entanto,
apresentaram poucas dificuldades de se inserir, pois, conforme Tabela 14, foi o que
mais utilizou estratégias conjuntamente.
Como você classifica o mercado de trabalho de perícia contábil judicial no seu estado/cidade?
Opções
Cluster 1
Cluster 2
A demanda de serviços é proporcional à quantidade de peritos
atuantes
-
100%
A demanda de serviços está restrita a uma pequena parcela de
peritos.
55%
45%
A demanda de serviços é grande, e a quantidade de peritos
atuantes é pequena
43,8%
56,3%
Outras opções
33,3%
66,7%
A demanda de serviços é pequena e quantidade de peritos
atuantes é bem maior
14,3%
85,7%
Tabela 10: Questão 15
5. Considerações Finais e Recomendações
Quanto ao objetivo proposto neste artigo, pode-se afirmar que foi alcançado,
uma vez que se evidenciaram as práticas utilizadas pelos peritos contadores para se
inserirem no mercado de trabalho de pericia judicial contábil.
Verificou-se que, entre as práticas mais adotadas pelos peritos, as
predominantes foram a distribuição de currículo e a participação em associações de
peritos, sendo que elas se tornaram mais eficazes quando utilizadas conjuntamente.
Outras práticas, como trabalhar com perito experiente, fazer entrevista com o juiz,
apresentar trabalhos de qualidade quando atuando como perito assistente, indicar
amizade, visitar fóruns constantemente, ter publicações, buscar associação de
peritos, educação continuada (currículo) e estágios em escritórios de perícia contábil
também são bastante válidas.
17
E as práticas não recomendadas pelos peritos como aviltamento de
honorários, aceitar trabalhos sem competência técnica, oferecer vantagens e brindes
e aceitar trabalhos gratuitos para conquistar o magistrado, além de serem práticas
antiéticas, não oferecem benefícios ao perito contador.
Quanto à pirâmide de vantagens competitivas, há divergências entre os
fundamentos apresentados e a percepção dos peritos contadores entrevistados. À
exceção do fator preço, todos os demais fatores apresentaram ordem de prioridade
diferentes das apresentadas pelo autor.
Em relação à limitação da pesquisa, tem-se a necessidade de ampliação da
amostra. No entanto, os resultados apresentados podem ser comprovados em
outras pesquisas.
Como contribuição, essa pesquisa possibilita ao perito contador que está
tentando se inserir no mercado de perícia judicial uma visão das estratégias
adotadas pelos peritos que já atuam e que tendem a facilitar sua inclusão no
mercado judicial. E, para os peritos que já atuam, permite uma reflexão sobre a
eficiência da utilização de estratégias em conjunto para a inserção no mercado de
perícias judiciais.
Como sugestão para trabalhos futuros, poder-se-á realizar nova pesquisa
de campo nas unidades federativas brasileiras com o propósito de traçar um perfil
dentro da localidade aonde o perito contador deseja atuar.
6. Referências
CARNES, Kay C.; GIERIASINSK, Norman j. Forensinc accounting skills: will supply finally
catch up to demand? Managerial auditing journal (vol. 16 n.º 6, 2001, p. 378-382).
CÓDIGO DO PROCESSO CIVIL Disponível em
http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Leis/L5869.htm> Acesso em 5/4/2007.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Princípios fundamentais e normas
brasileiras de contabilidade de auditoria e perícia. CFC: Brasília, 2006.
HOOG, Wilson Alberto Zappa. Prova pericial contábil: aspectos práticos & fundamentais.
5ª ed. Curitiba: Juruá 2007.
KOTLER, Philip; tradução BRANDÃO, Ailton Bonfim. Administração de marketing: análise,
planejamento, implementação e controle. 5ª ed. São Paulo, Atlas 1998.
ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia contábil. 4 ed. São Paulo: Atlas 2003.
REZAEE, Zabihollah; BURTON, E. James. Forensinc accounting education: insights from
academicians and certified fraud examiner practitioners . Managerial auditing journal,( vol.
12, nº. 9, 1997, p. 479-489).
RIZZO, Cláudio. Marketing pessoal no contexto pós-moderno. São Paulo: Trevisan
Editora Universitária, 2006.
SÁ, Antônio Lopes de. Perícia contábil. 7 ed. São Paulo: Atlas, 2007.
STEVENSON, William J. Estatística Aplicada à Administração. Harbra, 2001.
18
VERGARA, Sylvia Constant. Projeto e relatório de pesquisa em administração.
São Paulo: Atlas, 2000.
YIN, Robert. Case study research: design and methods. Newbury: Sage
Publications, 1989.
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Perito contabil judicial u