CRISTIANE FERNANDES ZAPPELINI DOS SANTOS
ESTUDO COMPARATIVO DO DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR E
PERFIL PSICOSSOCIAL DE CRIANÇAS PRÉ-ESCOLARES ENTRE 03 E 05 ANOS
DE IDADE DOS CENTROS EDUCACIONAIS INFANTIS MICKEYLÂNDIA E
PIRULITO DE TERMAS DO GRAVATAL-SC
Tubarão, 2006
CRISTIANE FERNANDES ZAPPELINI DOS SANTOS
ESTUDO COMPARATIVO DO DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR E
PERFIL PSICOSSOCIAL DE CRIANÇAS PRÉ-ESCOLARES ENTRE 03 E 05 ANOS
DE IDADE DOS CENTROS EDUCACIONAIS INFANTIS MICKEYLÂNDIA E
PIRULITO DE TERMAS DO GRAVATAL-SC
Monografia apresentada ao Curso de Fisioterapia
como requisito para obtenção do título de Bacharel em
Fisioterapia.
Universidade do Sul de Santa Catarina
Orientador: Profa. MSc. Fabiana Durante de Medeiros
Tubarão, 2006
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a toda a minha família,
minha mãe Zélia, ao meu pai Jaime, ao meu
querido e saudoso irmão Sandro e ao meu
amado marido Paulo, que estiveram comigo
nestes anos de luta.
AGRADECIMENTOS
A DEUS, por me dar a vida, e fazer dela um imenso e largo sorriso, pois as oportunidades
foram as melhores e as pessoas que estiveram e estão ao meu redor são incomparáveis...
...ao meu pai Jaime, que entendeu e compreendeu os desafios que a vida nos proporciona,
com fé e garra seus sonhos e meus se realizaram...
...minha mãe Zélia, que deu a vida por seus filhos, que não mediu esforços diante das
surpresas da vida, mulher de garra, forte, honesta,...essa é minha mãe!
...ao meu querido e saudoso irmão, que onde estiver, sei que estás olhando por mim e eu
orando e pensando em você, saudades irmão...
...as minhas doces e queridas sobrinhas Júlia e Yasmin, que com seus sorrisos e afagos,
conseguiam me distrair das coisas ruins e do trabalho escolar é claro...
...minha cunhada Flávia por seu apoio, ajuda e compreensão nos atrasos dos materiais, sei que
não foi fácil, mas valeu!
Ao meu eterno e grande amor, meu marido Paulo, que me compreendeu, me apoiou e me
ajudou nos momentos difíceis desta jornada, abdicando de finais de semana, feriados, ficando
ao meu lado. Sem você minha vida não seria tão colorida quanto é, pois você me completa,
me realiza: AMO VOCÊ!
A toda minha família, pois a união que nos cerca, contagia mesmo quando você não está bem,
proporcionando um momento de alegria e paz...AMO VOCÊS!!!
A todos os professores que participaram da minha jornada até o final, que contribuíram de
uma maneira ou de outra para a conclusão deste sonho...
...em especial a professora Rita Teodoroski que não foi só uma mestre, mas uma amiga, que
me ouviu e me aconselhou nas horas em que precisei...
...ao professor Alexandre Zaboti, por quem sempre tive carinho...
...a professora Ester por suas aulas mais do que maravilhosas, espetaculares!!!
Ao professor Ralph, com “ph”, por seus conselhos e “broncas”, pois o verdadeiro mestre não
é aquele que dá as respostas, mas sim aquele que as faz...
...a minha orientadora e professora Fabiana, por seus conselhos, dedicação, interesse, pois um
bom trabalho resulta de uma boa parceria...
...a professora Inês Lima e ao professor Júlio César por terem aceito a fazer parte da banca
examinadora do meu trabalho de conclusão de curso, possibilitando maiores conhecimentos e
compreensão de um bom trabalho...
...a professora Dayane por sua amizade, dedicação, pois tudo se torna mais fácil, quando se
têm um amigo a seu lado...
...a professora e coordenadora Luci Fabiane, por seus préstimos ao curso, aos acadêmicos,
sua luta, que não é nada fácil, quando se está atrás de uma mesa com muitas
responsabilidades, só quem passa, é quem sabe...
Aos funcionários da Clínica Escola de Fisioterapia pela dedicação e respeito a nós, o meu
muito obrigado.
O meu agradecimento aos responsáveis pelos Centros Educacionais Infantis, pelo apoio e
dedicação dados no momento da elaboração desta pesquisa, e também aos pais pela
compreensão e por acreditarem na pesquisa.
As crianças, que contribuíram para esta pesquisa, meu muito obrigado, vocês são a alegria do
mundo adulto!
...a minha grande e melhor amiga Simone da Luz Rodrigues, que me compreendeu, me deu
apoio, me ajudou nas horas em que precisei. Sua amizade nestes anos foi essencial para minha
caminhada até aqui, amiga te adoro e te admiro muito!
As minhas grandes amigas Ediane Macari, Gilmara Martins, Gláucia Silvano, Cândida
Pitthan, Luana Isidoro, Mariana Ceolin, Monique Assis, Sabrina Moreira, Samanta
Rattis por seus conselhos, pela companhia, pelo apoio nos momentos mais difíceis do curso.
Vocês sempre estarão comigo!
Ao meu grande e melhor amigo Diego Alano, por seus conselhos, por sua ajuda, por seu jeito
MEIGO, foi bom te conhecer, e ver que ainda existem pessoas sinceras nesta vida. Sucessos
amigo.
Aos demais colegas minha admiração e respeito, suas amizades e compreensão nestes anos
foram essenciais para o meu crescimento profissional, pessoal e certamente espiritual. Adoro
vocês galera!!!
"Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém,
dizer o que ele deseja ouvir. Difícil é ser amigo
para todas as horas e dizer sempre a verdade
quando for preciso. E com confiança no que
diz."
Carlos Drummond de Andrade
RESUMO
O desenvolvimento motor é adquirido e aperfeiçoado pela criança através de tentativas e
erros, ou seja, ela usa, modifica e adapta suas experiências sensório-motoras presentes, sempre
na dependência da direção e do input sensorial, fornecido pela visão, audição, tato, pressão e
propriocepção. Assim esta pesquisa teve como finalidade avaliar o desenvolvimento motor de
crianças de 3 a 5 anos de dois Centros Educacionais Infantis – (CEI´s), sendo uma de caráter
público e a outra privado. Foram avaliadas 32 crianças – 16 crianças do CEI Pirulito (privado)
e 16 crianças do CEI Mickeylândia (público). Para a realização dos testes motores utilizou-se
a Escala de Desenvolvimento Motor – EDM (ROSA NETO, 2002), além de um questionário
psicossocial de autoria do CEFID/UDESC, 2000. Para o tratamento dos dados foi utilizado o
programa Epi-Info 6.0, a estatística descritiva e o teste estatístico para amostras independentes
de Wilcoxon. As áreas avaliadas foram motricidade fina e global, equilíbrio, esquema
corporal, organização espacial e temporal, lateralidade. Os resultados desta pesquisa
indicaram que os pré-escolares de ambos os CEI´s mostraram-se dentro de um perfil motor
considerado normal, com resultado significativo para o CEI Mickeylândia, mostrando a
importância das experiências motoras vivenciadas e exploradas pelos escolares. Através deste
estudo evidenciamos a importância de um fisioterapeuta atuando com outros profissionais,
preconizando a prevenção, que atualmente tem ganhado de maneira lenta e progressiva, um
espaço maior na área da saúde, dando um enfoque nos níveis “primário e secundário”,
identificando precocemente o fator causal e proporcionando uma intervenção mais expressiva
à atenção básica desta população.
Palavras-chave: desenvolvimento motor, crianças, prevenção
ABSTRACT
The motor development is acquired and perfected for the child through attempts and errors,
that is, it uses, modifies and adapt its sensory-motors experiences gifts, always in the
dependence of the direction and input sensorial, supplied for the vision, hearing, tate, pressure
and propriocepção. Thus this research had as purpose to evaluate the motor development of
children of three the five years of two Infantile Educational Centers - CEI´s, being one of
private character and another one of public character - through a descriptive-comparative and
quantitative research. Sixteen children of the CEI Pirulito (private) and sixteen children of the
CEI Mickeylândia had been evaluated thirty and two children - (public). For the
accomplishment of the motor tests it was used Scales the motor development - EDM (ROSA
NETO, 2002), beyond a psicossocial questionnaire of authorship of CEFID/UDESC, 2000.
For the treatment of the data the program was used Epi-Info 6,0, the descriptive statistics and
the statistical test for independent samples of Wilcoxon. The evaluated areas had been fine
and global motricity, balance, corporal project, space and secular organization, lateralidade.
The results of this research had indicated that preschool of both the CEI´s had revealed inside
of a normal considered motor profile, with significant result for the CEI Mickeylândia, having
shown the importance of the motor experiences lived deeply and explored by the pertaining to
school. Through this study we evidence the importance of a physiotherapist acting with other
professionals, praising the prevention, that currently has earned in slow and gradual way, a
bigger space in the area of the health, giving an approach in the levels “primary and
secondary”, identifying precociously the causal factor and providing a expressy intervention to
the basic attention of this population.
Key-words: motor development, children, prevention
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Pontuação de acordo com o nível de idade cronológica...........................................64
Tabela 2. Idade cronológica de acordo com o número de acertos (esquema corporal)............65
Tabela 3. Idade cronológica de acordo com o número de acertos
(organização temporal).............................................................................................................72
Tabela 4. Resultados de lateralidade de acordo com o número de repetições
exato de testes...........................................................................................................................74
Tabela 5. Classificação geral do desenvolvimento motor........................................................80
Tabela 6. Distribuição do número e % das crianças avaliadas no Centro
Educacional Infantil Pirulito, segundo idade e gênero no período de setembro
e outubro de 2006, na cidade de Gravatal/SC...........................................................................85
Tabela 7. Distribuição do número e % das crianças avaliadas no Centro
Educacional Infantil Mickeylândia, segundo idade e gênero no período de
setembro e outubro de 2006, na cidade de Gravatal/SC...........................................................86
Tabela 8. Distribuição do número e % - segundo idade da mãe no
momento do parto e condições da gravidez – CEI Pirulito......................................................86
Tabela 9. Distribuição do número e % - segundo idade da mãe no
momento do parto e condições da gravidez – CEI Mickeylândia.............................................88
Tabela 10. Distribuição da idade da mãe no momento do parto e o tempo
gestacional em semanas do CEI Pirulito...................................................................................89
Tabela 11. Distribuição da idade da mãe no momento do parto e o tempo
gestacional em semanas do CEI Mickeylândia.........................................................................89
Tabela 12. Distribuição do tempo gestacional da mãe em semanas e o peso
do bebê no momento do parto do CEI Pirulito.........................................................................91
Tabela 13. Distribuição do tempo gestacional da mãe em semanas e o peso
do bebê no momento do parto do CEI Mickeylândia...............................................................91
Tabela 14. Distribuição da idade da criança em relação às aquisições
do CEI Pirulito..........................................................................................................................92
Tabela 15. Distribuição da idade da criança em relação às aquisições
do CEI Mickeylândia................................................................................................................93
Tabela 16. Distribuição do sono da criança no primeiro ano de vida e
atualmente do CEI Pirulito........................................................................................................94
Tabela 17. Distribuição do sono da criança no primeiro ano de vida e
atualmente do CEI Mickeylândia..............................................................................................95
Tabela 18. Distribuição da escolaridade do pai, da mãe e do responsável pela
criança do CEI Pirulito..............................................................................................................95
Tabela 19. Distribuição da escolaridade do pai, da mãe e do responsável pela
criança do CEI Mickeylândia....................................................................................................96
Tabela 20. Condição de moradia da família das crianças do CEI Pirulito...............................97
Tabela 21. Condição de moradia da família das crianças do CEI Mickeylândia.....................97
Tabela 22. Distribuição da renda familiar dos pais das crianças do CEI Pirulito....................97
Tabela 23. Distribuição da renda familiar dos pais das crianças do CEI Mickeylândia..........98
Tabela 24. Análise do desenvolvimento motor/16 crianças do CEI Pirulito
de 3 a 5 anos..............................................................................................................................99
Tabela 25. Análise do desenvolvimento motor/16 crianças do CEI Mickeylândia
de 3 a 5 anos............................................................................................................................101
Tabela 26. Distribuição da média, desvio padrão e Wilcoxon para amostras
independentes no CEI Pirulito................................................................................................103
Tabela 27. Distribuição da média, desvio padrão e Wilcoxon para amostras
independentes no CEI Mickeylândia......................................................................................103
Tabela 28. Distribuição dos valores da idade motora – IM2 segundo o teste de
Wilcoxon para amostras independentes nos CEI´s Mickeylândia e Pirulito..........................104
Tabela 29. Distribuição dos valores do quociente motor - QM2 segundo o teste de
Wilcoxon para amostras independentes nos CEI´s Mickeylândia e Pirulito..........................105
TABELA DE GRÁFICOS
Gráfico 1. Quocientes motores obtidos em pesquisas, visto que QMG (A),
pertence ao CEI Mickeylândia................................................................................................105
Gráfico 2. Quocientes motores obtidos em pesquisas, visto que QMG (A),
pertence ao CEI Pirulito..........................................................................................................106
Gráfico 3. Distribuição dos níveis de desenvolvimento motor encontrados no
CEI Pirulito.............................................................................................................................107
Gráfico 4. Distribuição dos níveis de desenvolvimento motor encontrados
no CEI Mickeylândia..............................................................................................................108
Gráfico 5. Preferência da utilização de uma das partes simétricas do corpo: mão,
olho, ouvido e perna do CEI Mickeylândia............................................................................110
Gráfico 6. Preferência da utilização de uma das partes simétricas do corpo: mão,
olho, ouvido e perna do CEI Pirulito......................................................................................110
TABELA DE QUADROS
Quadro 1. População dos CEI´s distribuídas por idades cronológicas......................................51
Quadro 2. População dos CEI´s distribuídas por idade cronológica utilizada na pesquisa......52
Quadro 3. Como realizar os gestos simples com os movimentos das mãos.............................63
Quadro 4. Como realizar os gestos simples com os movimentos das braços...........................64
Quadro 5. Classificação quanto a lateralidade da criança........................................................74
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................18
2
DESENVOLVIMENTO MOTOR..................................................................................24
2.1 Características do desenvolvimento humano................................................................24
2.2 Etapas do desenvolvimento motor...................................................................................29
2.2.1 Motricidade Fina..............................................................................................................29
2.2.2 Motricidade Global..........................................................................................................31
2.2.3 Equilíbrio.........................................................................................................................32
2.2.4 Esquema corporal............................................................................................................34
2.2.5 Organização espacial.......................................................................................................35
2.2.6 Organização temporal......................................................................................................36
2.2.7 Lateralidade......................................................................................................................38
2.2.8 Linguagem........................................................................................................................40
2.3 Etapas cognitivas do desenvolvimento............................................................................42
2.4 A importância da estimulação no desenvolvimento da criança....................................43
2.5 Atraso Motor.....................................................................................................................43
2.6 Escala de Desenvolvimento Motor ..................................................................................45
2.6.1 Teste motor......................................................................................................................45
2.6.2 Prova motora....................................................................................................................46
2.6.3 Perfil motor......................................................................................................................46
2.7 A Fisioterapia no desenvolvimento motor......................................................................46
3 DELINEAMENTO DA PESQUISA..................................................................................49
3.1 Tipo de pesquisa................................................................................................................49
3.1.1 Tipo de pesquisa quanto ao nível.....................................................................................49
3.1.2 Tipo de pesquisa quanto à abordagem.............................................................................50
3.1.3 Tipo de Pesquisa quanto ao procedimento utilizado na coleta de dados.........................50
3.2 População e amostra.........................................................................................................51
3.2.1 Critérios de inclusão........................................................................................................52
3.3 Procedimentos utilizados na coleta de dados..................................................................53
3.3.1
Motricidade fina............................................................................................................54
3.3.2
Motricidade global........................................................................................................58
3.3.3
Equilíbrio......................................................................................................................60
3.3.4
Esquema corporal..........................................................................................................63
3.3.5
Organização espacial.....................................................................................................65
3.3.6
Organização temporal...................................................................................................70
3.3.7
Lateralidade...................................................................................................................73
3.3.8
Definição dos termos....................................................................................................74
3.4 Instrumentos utilizados na coleta dos dados.................................................................77
3.5 Tratamentos utilizados para análise dos dados..............................................................79
3.6 Classificação dos resultados.............................................................................................80
3.7 Aspectos legais, éticos e morais da pesquisa...................................................................80
3.7.1 Aspectos Legais................................................................................................................81
3.7.2 Aspectos Éticos................................................................................................................81
3.7.2.1 Pesquisa em seres humanos..........................................................................................81
3.7.3 Aspectos Morais...............................................................................................................82
4 APRESENTAÇÃO, INTERPRETAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.......84
4.1 Comparação dos resultados obtidos do questionário psicossocial aplicado aos pais
e/ou responsáveis pelas crianças nos CEI´s do município de Gravatal/SC.................85
4.2 Desenvolvimento motor....................................................................................................99
4.2.1 Lateralidade....................................................................................................................109
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................................................112
REFERÊNCIAS....................................................................................................................115
ANEXOS................................................................................................................................120
Anexo A – Labirinto...............................................................................................................121
Anexo B – Prova de imitação de gestos simples/Mãos...........................................................122
Anexo C – Prova de imitação de gestos simples/braços.........................................................123
Anexo D – Prova de rapidez...................................................................................................124
Anexo E – Prova de organização espacial/Tabuleiro posição normal....................................125
Anexo F – Prova de organização espacial/Tabuleiro posição invertida.................................126
Anexo G – Prova dos palitos...................................................................................................127
Anexo H – Jogo de Paciência..................................................................................................128
Anexo I – Direita e Esquerda/ Conhecimento sobre si...........................................................129
Anexo J – Execução de Movimentos......................................................................................130
Anexo L – Direita e Esquerda/Reconhecimento sobre o outro...............................................131
Anexo M – Lateralidade das mãos..........................................................................................132
Anexo N – Lateralidade dos pés.............................................................................................133
Anexo O – Lateralidade dos olhos..........................................................................................134
Anexo P – Ficha técnica da EDM...........................................................................................135
Anexo Q – Ficha de avaliação da EDM..................................................................................136
Anexo R – Termo de Consentimento......................................................................................137
Anexo S – Questionário Psicossocial......................................................................................139
Anexo T – Parecer consubstanciado do CEP..........................................................................143
1
INTRODUÇÃO
O padrão de crescimento, comportamento e desenvolvimento evolutivo do
aparelho motor humano, são facilmente modificados através do tempo, sofrendo influências,
que são inúmeras, comprometendo, afetando sua evolução. A adaptação de uma necessidade
específica a um movimento, um ato motor, caracteriza em bases científicas o movimento
intencional, provocado, com significância para o ser humano. De tal forma que, as influências
sofridas pelo mesmo em seu aparelho motor, nada mais é do que a combinação das mesmas,
ou seja, a maturação biológica com ação do meio. Com isso, o ser humano tende a se adaptar
neuropsicomotoramente ao meio onde vive.
Desde o momento da concepção o organismo humano tem uma lógica biológica,
uma organização, um calendário maturativo e evolutivo, uma porta aberta à interação e a
estimulação. As possibilidades motoras da criança evolucionam amplamente com sua idade,
sendo cada vez mais variadas e complexas. Durante a gestação, o feto começa a dar sinais de
vida ao mundo exterior fundamentalmente através de uma atividade motora (ROSA NETO,
1996).
Com isso o processo evolutivo se resume em apenas uma palavra: movimento.
Movimento o qual, está sempre projetado à frente de uma satisfação, de uma busca pela
necessidade.
Schwartzman (2000) afirma que o desenvolvimento se refere ao conjunto de
alterações seqüenciais na vida de um organismo e que podem ocorrer a nível molecular,
funcional ou comportamental. Estas modificações são idade-dependentes sendo quantitativas
e qualitativas. O desenvolvimento será, em última instância, o resultado final da interação
contínua entre potenciais biológicos geneticamente determinados e circunstâncias ambientais.
Portanto, podemos afirmar que o desenvolvimento motor é adquirido e
aperfeiçoado pela criança através de tentativas e erros, ou seja, ela usa, modifica e adapta suas
experiências sensório-motoras presentes, sempre na dependência da direção e do input
sensorial, fornecido pela visão, audição, tato, pressão e propriocepção. A qualidade da
atividade motora é de grande importância no desenvolvimento global da criança, considerando
que um bom controle motor permitirá a criança explorar seu meio, oferecendo-lhe
experiências concretas sobre as quais formar-se-ão as noções básicas para o seu
desenvolvimento intelectual.
Segundo Gesell (1996), a maneira como a criança utiliza seu potencial é sempre
influenciada pelo ambiente, considerando a importância do contexto sócio-afetivo.
Para Andraca (1998), um ambiente carente em estímulos pode atrasar o ritmo de
desenvolvimento, o que diminuiria a qualidade de interação da criança com o seu meio,
restringindo sua capacidade de aprendizagem.
É através da estimulação que a criança adquire maturação suficiente para
desenvolver suas potencialidades, sendo indispensável que as crianças sejam estimuladas
desde o nascimento e principalmente no início da vida escolar.
Em 1925 Heuyer (apud ROSA NETO, 2002, p. 13), que partiu da perspectiva de
Dupré, empregou o termo psicomotricidade a fim de ressaltar a associação estreita entre o
desenvolvimento da motricidade, da inteligência e da afetividade. Em sua memória sobre os
transtornos da motricidade em uma criança normal e em outra anormal, propôs o que seria a
prática reeducativa.
Com isso, Heuyer (apud ROSA NETO, 2002, p. 13), relata que crianças que
apresentam retardamento intelectual, é necessário conceder um lugar importante à educação
motriz ao lado da instrução pedagógica particular que deve receber um débil mental.
Não se pode esquecer do desenvolvimento da linguagem, a qual nos possibilita
representar as complexas abstrações que são o fundamento de nossa sociedade e nem a
lateralidade que é a preferência da utilização de uma das partes simétricas do corpo: mão,
olho, ouvido e perna; já que o mundo não foi feito mais para os destros do que para os
sinistros, desta maneira cada criança se adapta e adquire sua lateralidade conforme a
organização de suas atividades motoras. Nesse sentido, esse conjunto de ações, atividades
realizadas com a criança, nos permite uma visão ampla para a classificação da idade motora
da mesma, obtendo um resultado positivo ou negativo, neste último caso teríamos um atraso
motor em meses.
Segundo Ajuriaguerra (apud ROSA NETO, 2002, p. 27), o acesso à linguagem
propriamente dita se caracteriza por um abandono progressivo das estruturas elementares da
linguagem infantil e do vocabulário que é o próprio, substituindo-o por construções cada vez
mais parecidas com a linguagem do adulto. Ao mesmo tempo, a linguagem passa a ser um
instrumento de conhecimento, um substituto da experiência direta. A redundância com a ação
e com o gesto desaparece pouco a pouco. Desta forma, observa-se a constante relação entre as
aquisições verbais da criança e os estímulos recebidos no ambiente.
Há uma crescente preocupação em verificar como a dinâmica e o nível sócioeconômico de instituições que se destinam a matricular crianças pré-escolares está ou não
afetando o seu processo de desenvolvimento neuropsicomotor.
Atualmente, neste sistema de globalização, a mulher começou a participar de
forma mais ativa na sociedade, precisando dispor de mais tempo fora de casa. Neste processo
os pais até aqui responsáveis pelos cuidados diários de seus filhos, estão sendo substituídos
pelas creches, escolinhas e centros educacionais.
Têm-se mostrado que o ambiente coletivo de creche, centros educacionais e
escolinhas nem sempre traz oportunidades à criança de participar de todas as atividades
estimulantes necessárias ao seu desenvolvimento. O fato de ter muitas crianças juntas é quase
inevitável que sejam excluídas das atividades, além de se pretender que elas fiquem quietas e
obedientes. Isto reforça a teoria de que receberão menos atenção, afeição e estimulação em
uma instituição do que em casa (BOWLBY, 1988; MUSSEN et al 1995).
Através da análise sobre o desenvolvimento motor nas instituições, a pesquisa
pretende saber : o quociente motor geral é mais baixo na rede pública ou na particular? Qual
quociente motor específico está em maior desenvolvimento? Há diferença entre as
instituições? Se sim, qual a relação desta análise?
As condições familiares quando desfavoráveis, influenciam negativamente no
desenvolvimento da criança, em relação às instituições com qualidade, pois uma mãe
desequilibrada ou de baixa condição social afeta a saúde mental da criança e seu
desenvolvimento. Estas questões vêm sendo intensamente discutidas em pesquisas sobre o
apego e psicomotricidade (MUSSEN et al 1995; PAPALIA ; OLDS, 2000).
A avaliação do desenvolvimento motor geral destas crianças é importante no
diagnóstico de possíveis atrasos, evitando assim complicações que possam vir a ocorrer
futuramente.
De acordo com o exposto acima, pode-se conhecer melhor as alterações
precocemente nos pré-escolares, traçando desta maneira melhores objetivos e técnicas para a
população analisada.
Quanto mais precocemente for identificado tais alterações, melhor será o
desenvolvimento motor da criança, pois a fisioterapia atua de maneira efetiva junto as
alterações motoras, propiciando à mesma uma condição melhor de aprendizagem,
minimizando o fator causal que possa vir a provocar as alterações e complicações no
letramento do pré-escolar.
Nesse contexto, os cuidados proporcionados pela fisioterapia aplicada em
pediatria também objetivam a prevenção de alterações motoras, que se apresentam muito mais
freqüentes em crianças pré-escolares quando não estimuladas ou quando não se desenvolvem
adequadamente em seu meio, provocando um desequilíbrio em suas habilidades motoras.
Além de a fisioterapia minimizar e/ou prevenir o fator causal no pré-escolar, ela
proporcionará uma interdisciplinariedade entre os profissionais que atuam diretamente com a
criança, promovendo uma melhora no rendimento escolar, bem como atividades diretamente
ligadas ao desenvolvimento, e que possam estar sendo utilizadas em seu contexto escolar de
forma lúdica, promovendo desta forma um prazer maior a criança.
Por este motivo, há a necessidade de buscar medidas de prevenção e tratamento
para algumas dificuldades e alterações encontradas que possam interferir no rendimento e
aprendizado escolar, constatado através de provas de motricidade encontradas na Escala de
Desenvolvimento Motor (EDM) – Rosa Neto, e uma avaliação psicossocial obtida por um
questionário composto por questões abertas e fechadas, determinando a causa da possível
alteração. Os mesmos foram realizados em crianças na faixa etária de 3 a 5 anos nos CEI´s
Mickeylândia e Pirulito no bairro de Termas do Gravatal, na cidade de Gravatal/SC.
Lembrando que para determinadas atividades, há uma consideração em relação
aos êxitos e fracassos, conforme as normas estabelecidas pelo autor da escala.
Segundo Rosa Neto (2002, p. 27-28), “[...] é importante lembrar que o caráter
estatístico de nível normal de referência dos testes não engloba o mesmo valor para todas as
populações, tendo em vista os aspectos afetivos e sociais.”
Portanto, após a contextualização, justifica-se este projeto, através da experiência
já realizada e relatada na disciplina de Fisioterapia Preventiva II, em um bairro da cidade de
Tubarão-SC, considerado de baixa renda, a qual mostrou uma discrepância nos resultados dos
dados referentes ao gênero, quocientes motores e idade motora geral das crianças pesquisadas
bem como influências sócio-afetivas, o estado nutricional e neuropsicomotor. Trabalho este
publicado no II Congresso Internacional de Especialidades Pediátricas – Criança 2005, no
módulo de reabilitação, na forma de pôster.
Neste estudo, o objetivo geral foi o de analisar o desenvolvimento motor em
crianças pré-escolares. Esta pesquisa tem ainda como objetivos específicos, avaliar o
quociente motor geral, avaliar a motricidade fina e global, o equilíbrio, a organização espacial
e temporal, a lateralidade, comparar os quocientes motores entre as instituições.
Este estudo está subdividido em cinco capítulos. O primeiro consta da
apresentação do problema, justificativa e os objetivos do estudo. O segundo capítulo fala do
referencial teórico, descrevendo detalhadamente sobre o assunto da pesquisa. O terceiro
capítulo refere-se ao delineamento da pesquisa, expondo o tipo de pesquisa, população e
amostra, procedimentos, instrumentos e métodos utilizados na coleta dos dados, tratamento
para análise dos dados e classificação dos resultados. Já o quarto capítulo, relata a
apresentação, interpretação e discussão dos resultados. E o quinto capítulo refere-se às
considerações finais.
2 DESENVOLVIMENTO MOTOR
2.1 Características do desenvolvimento humano
Para Bee (1996), a expressão desenvolvimento motor é usada para descrever a
emergência das várias capacidades de movimentar-se, usar o corpo de maneiras hábeis. Ele
inclui várias habilidades de movimento, como engatinhar, caminhar, correr e andar de
bicicleta, assim como as habilidades manipulativas como agarrar e apanhar objetos, atirar uma
bola, segurar um lápis.
O desenvolvimento motor é uma série de transformações, caracterizadas pelos
processos de maturação que irão acontecer ao longo da vida através de interação entre o
biológico e o social. "A motricidade possibilita ao homem o confronto com o meio ambiente.
Para a criança, a melhora constante das capacidades motoras significa a aquisição da sua
independência e a capacidade de adaptar-se a fatos sociais." (FLEHMIG, 2000, p. 2).
Para Shepherd (1998), a coordenação motora de cada indivíduo é resultante do
desenvolvimento de habilidades que ele consegue na relação espontânea de seu corpo com o
mundo dos objetos e indivíduos. Por outro lado, também é resultante das aprendizagens
adquiridas através do treino das habilidades ou potencialização neuronal, em que a escola e as
atividades práticas têm um valor muito significativo.
Desde o nosso nascimento até a morte, sofremos variações constantes em nosso
desenvolvimento motor, dentro de um ritmo cronológico.
Para Ajuriaguerra (1983), o desenvolvimento passa por três etapas distintas. A
primeira fase compreende a organização da constituição motora, a organização tônica de
fundo, a organização proprioceptiva e o desaparecimento das reações primitivas. As crianças
nascem com as condições anatomofisiológicas de seus reflexos. Para que estes se tornem atos
é preciso que o ser tenha experiências em relação ao meio, através de estímulos que vem a
romper o equilíbrio de sua organização. O segundo período é da organização do plano motor,
onde ocorre a passagem da interação sucessiva para a integração simultânea. O ser humano
evolui para a mobilidade funcional, cujo desenvolvimento traz consigo a base de sua
construção em relação a uma maior plasticidade do funcionamento das formas anatômicas, em
relação à função cognitiva descoberta progressivamente. Por fim, a terceira etapa caracterizase pela automatização do movimento. Este, por sua vez, torna-se mais eficiente, adequando-se
de maneira mais eficaz às intenções da criança.
Segundo Rosa Neto (2002, p. 12) o desenvolvimento representa a aquisição de
funções cada vez mais complexas. Ocupa-se de fenômenos que indicam a diferenciação
progressiva dos órgãos e de suas especializações, no amadurecimento de sua função.
O desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) é o incremento organizado das
funções neuropsicomotoras cada vez mais complexas. O DNPM tem substrato
orgânico e depende da integridade do SNC maturação (mielinização) a qual
dependerá da nutrição adequada, estimulação psicomotora e afetiva. (ROSA NETO,
2002, p. 12).
Segundo Burns, McDonald (1999), a criança do primeiro mês até o oitavo mês de
idade desenvolve-se como descrito abaixo.
1º Mês
No primeiro mês a postura da criança está em flexão generalizada dos membros.
Resposta reflexa diante de estímulos sensoriais específicos. Quanto ao comportamento social
e emocional a criança consola-se quando pegada ao colo. Alerta aos sons e às imagens visuais,
reagindo à mãe. Tranqüiliza-se. Com seis semanas: sorri e se deixa acariciar. Quanto à
audição, vocalização, fala, linguagem sobressalta-se com o som de vozes. Com seis semanas:
presta atenção aos sons. Quanto à visão, manipulação olho-mão segue bola com o olhar:
horizontalmente com quatro semanas, verticalmente com seis semanas, em círculo com oito
semanas. Seu desempenho leva a mão à boca, movimentos ativos das pernas, alguns
movimentos com os braços.
4º Mês
No quarto mês a criança se mantém na posição sentada deixa a cabeça erguida e
equilibrada, em decúbito ventral apóia-se sobre os cotovelos e mãos, é capaz de virar-se para
o lado. Brinca com a mãe. Prevê quando levada ao colo. Percebe situações novas. Vocaliza
dois sons diferentes. Vira-se para a origem do som. Observa objeto puxado por corda. Explora
visualmente o espaço, olhos acompanhando todos os movimentos, convergindo e fixando
determinado objeto. Brinca com os próprios dedos, tenta pegar um brinquedo que lhe é
estendido em distância apropriada.
8º Mês
No oitavo mês a criança tem presente o Reflexo de Landau. Colocação com apoio,
suporte de peso, reação de endireitamento. Protege-se para adiante e lateralmente durante a
prova do pára-quedismo. Fica sentada sozinha, vira-se, arrasta-se e engatinha. Distingue entre
estranhos e amigos, embora cautelosa. Estende os braços para ser pega. Reage diante da
própria imagem no espelho. Chora quando lhe tiram o brinquedo. Presta atenção à fala,
balbucia "mamá, dadá", quatro sons diferentes. Bebe com copo, segurado pela mamãe. Pega
objeto bamboleante, transfere de um a mão para outra. Puxa brinquedos pelo cordão. Toca
uma sineta. Descobre um brinquedo escondido desde que mostrado. Manipula dois objetos,
um em cada mão.
Falando ainda sobre o desenvolvimento motor da criança, Holle (1990) relata do
décimo segundo mês até o sexto ano de vida da criança.
12º a 15º Mês
Do décimo segundo ao décimo quinto mês a criança fica de pé e dá alguns passos
sozinha. Vai da posição deitada à de pé, sem apoio. Come com colher, mas desperdiça boa
quantidade. Constrói torre de dois blocos. Pára de levar as coisas à boca. Reage ao seu próprio
nome. Compreende que todas as coisas e todas as pessoas têm nomes. Estende as pernas
quando está sendo vestida. Emprega a mão dominante com mais freqüência.
15º a 18º Mês
Do décimo quinto ao décimo oitavo mês a criança sobe escadas, caminha com os
pés separados. Bebe na caneca sozinha. Localiza rapidamente os sons e compreende algumas
frases simples. Compreende onde a bola foi quando ela rola para fora de seu campo visual.
18º a 24º Mês
Do décimo oitavo ao vigésimo quarto mês a criança desce escadas engatinhando
para trás. Sobe escada de pé, sozinha: segurando no corrimão. "Corre" desajeitadamente.
Caminha lateralmente e para trás. Chuta uma bola. "Salta" desajeitadamente. Come com uma
colher. Arremessa, mas sem direção definida. Constrói torre de três a quatro blocos. Ajuda a
despir-se. Balbucia, imitando o tom e o ritmo da mãe, repete sons. Pronuncia frases de duas
palavras. Compreende frases curtas, localiza sons em outra sala. Aponta algumas partes do
corpo. Coloca as figuras de maneira certa. Consegue associar banheiro/defecação e
banheiro/micção.
24º a 36º Mês
Com dois e três anos a criança articula o pé ao caminhar: marcha calcanhar-dedos.
Desce escadas sozinha, segurando no corrimão. Pára e muda subitamente de direção. Anda de
velocípede. Agarra uma bola grande com ambos os braços. Come com garfo. Diz o nome de
uma cor. Constrói torres de seis a oito blocos. Despeja líquido na xícara. Discrimina
quente/frio. Não balbucia mais, combina de três a cinco palavras, verbaliza ações, tem a
dentição completa e a mastigação trituradora. Diz o nome de algumas partes do corpo e
conhece seu próprio sexo.
36º a 48º Mês
Com três e quatro anos a criança ao caminhar não bamboleia, corre bem, sobe e
desce escadas facilmente. Caminha sobre uma linha. Agarra bola grande com os dedos abertos
e agarra bola pequena com dedos em concha. Constrói torres de nove blocos. Reconhece as
coisas pelo tato sem vê-las. Diz o nome das partes do corpo. Vai ao banheiro sozinha, mas
precisa se ajuda.
48º a 60º Mês
Com quatro e cinco anos a criança caminha em rotação. Ergue-se da posição
supina com um só movimento. Fica de pé sobre uma perna só, salta para frente sobre as duas
pernas. Agarra bola pequena com ambas as mãos. Diz o nome de todas as cores. Lava as mãos
e o rosto. Diz onde dói. Pronuncia frases longas, faz perguntas constantemente. Distingue o
pesado/leve.
60º a 72º Mês
Com cinco e seis anos a criança pula corda. Fica de pé sobre uma perna só. Salta
agilmente. Salta em um pé só. Come e desenha com preensão. Arremessa bola com
movimento completo. Visão totalmente completa. Reconhece os símbolos numéricos. Vestese sozinha e amarra os cordões dos sapatos. Pergunta os significados das palavras. Conhece
seu lado direito e esquerdo.
2.2 Etapas do desenvolvimento motor
A motricidade compreende o desenvolvimento das funções do corpo e de suas
partes. As atividades motoras buscam desenvolver funções perceptivas do organismo e a
organização destas informações na coordenação de respostas musculares.
De acordo com Rosa Neto (2002), a motricidade abrange os seguintes elementos a
serem estudados e avaliados na amostra: motricidade fina, motricidade global, equilíbrio,
esquema corporal, organização espacial, organização temporal, linguagem e lateralidade.
2.2.1 Motricidade fina
A motricidade fina engloba todas as habilidades da criança e requer a participação
de várias funções coordenativas para realização de um determinado movimento.
Motricidade fina, segundo Burns, McDonald (1999, p. 45) "[...] manifesta-se por
meio de construir usando a imaginação, com auxílio de blocos ou de materiais semelhantes,
de copiar ou de imitar as atividades dos adultos, de jogar bola, enfiar, desenhar, cortar com
tesoura ou escrever."
A coordenação visuo manual representa a atividade mais freqüente e mais comum
no homem, que atua para pegar um objeto e lançá-lo, escrever, desenhar, pintar, recortar, etc.
Inclui uma fase de transporte da mão seguida de uma fase de agarre de manipulação para
integrar um conjunto seus três componentes: objeto-olho-mão.
A atividade manual, guiada visualmente, faz intervir simultaneamente o conjunto
dos músculos que asseguram a manutenção dos ombros e dos braços, do antebraço e da mão
particularmente responsável do agarre manual ou do ato motor, assim como os músculos
óculo motores que regulam a fixação do olhar, as sacudidas oculares e os movimentos de
perseguição (ROSA NETO, 2002).
O giro pré-central e as áreas córtico-sensomotoras desempenham funções
importantes na motricidade.
Segundo Rosa Neto (2002), o giro pré-central corresponde à motricidade fina e
tem um papel fundamental no controle dos movimentos isolados das mãos e dos dedos para
pegar o objeto. A importância das áreas córtico-sensomotoras das mãos, dos dedos, faz
ressaltar a fineza extrema dos controles táteis e motores. As explorações tácteis e palmatória
permitem o reconhecimento das formas sem a intervenção da visão. As informações cutâneas
e articulares associadas à motricidade digital proporcionam as indicações a partir das quais as
formas podem ser reconstituídas.
Segundo Oliveira (1998), temos que ter condições de desenvolver formas diversas
de pegar os diferentes objetos. É através do ato de preensão que uma criança vai descobrindo
pouco a pouco os objetos do seu meio ambiente. A diversificação de experiências de
manipulação vai favorecer o controle tônico e visual dos movimentos das mãos e dedos,
estimulando o desenvolvimento eficiente da praxia fina.
• 2 anos: Construção de uma torre.
•
3 anos: Construção de uma ponte.
•
4 anos: Enfiar a linha na agulha.
•
5 anos: Fazer um nó.
•
6 anos: labirinto. (anexo A)
•
7 anos: Bolinhas de papel.
2.2.2
Motricidade global
A motricidade global se refere aos movimentos dos grandes grupos musculares
responsáveis pelo andar, correr, saltar...
A capacidade da criança, seus gestos, atitudes, seus deslocamentos, seu ritmo nos
permitem conhecer-lhe e compreender-lhe, às vezes, melhor que pelas palavras pronunciadas.
Naturalmente, a criança brinca imitando cenas da vida cotidiana: fala movimentando-se, canta
dançando ou o contrário, se põe primeiro a dançar e o canto nasce ao mesmo tempo. Expressa
sua afetividade e exercita sua inteligência simultaneamente (ROSA NETO, 2002).
Ainda Rosa Neto (2002, p. 26), "[...] é através da brincadeira espontânea que a
criança descobre os ajustes diversos, complexos e progressivos da atitude motriz, resultando
em um conjunto de movimentos coordenados em função de um fim a conseguir.”
Conforme Fiates (2001), a eficiência da motricidade global depende da integração
dos mecanismos como a tonicidade, o equilíbrio, o esquema corporal e a estruturação espaçotemporal. E, a partir destes mecanismos, a criança realiza ações econômicas e precisas.
A motricidade global diz respeito a movimentos de grande porte.
Para Fonseca (1995), as atividades normais da criança de correr, saltar, lançar,
arrastar-se, fazem parte da infância e representam as atividades de motricidade ampla. A
mesma depende do tônus muscular, do equilíbrio e da postura que juntos dão lugar a
movimentos homônimos, sincronizados e eficientes. Consiste na motricidade global quando
há uma organização cerebral.
[...] habilidades básicas são atividades motoras comuns, como uma meta geral, sendo
ela a base para atividades motoras mais avançadas e altamente específicas. Estudos
mostram que, até aproximadamente seis e sete anos de idade, o desenvolvimento
motor da criança se caracteriza basicamente pela aquisição, estabilização,
diversificação das habilidades básicas. Nos anos que seguem, até dez a doze anos, o
desenvolvimento se caracteriza pelo refinamento e diversificação na combinação
destas habilidades, em padrões seqüenciais cada vez mais complexos. (FONSECA,
1995, p. 54).
•
2 anos: Subir sobre um banco.
•
3 anos: Saltar sobre uma corda.
•
4 anos: Saltar sobre o mesmo lugar
•
5 anos: Saltar uma altura de 20 cm.
•
6 anos: Caminhar em linha reta.
•
7 anos: Pé manco.
2.2.3
Equilíbrio
O equilíbrio abrange o controle tônico-postural frente à força gravitacional que
atua sobre o indivíduo.
Segundo Fiates (2001, p. 26), "[...] o organismo alcança o equilíbrio quando é
capaz de manter e controlar posturas, posições e atitudes, e depende intimamente da função
proprioceptiva, da função vestibular e da visão, sendo o cerebelo o principal coordenador
destas informações."
A capacidade para manter o equilíbrio durante os movimentos realizados na
posição sentada ou bípede é fundamental para o funcionamento eficaz na vida cotidiana.
Um equilíbrio correto é a base essencial de toda coordenação dinâmica geral e
também de toda ação diferenciada dos membros superiores. Quanto mais o equilíbrio
é falho, maior é a absorção de energia útil para outros trabalhos, e esta luta constante
contra o desequilíbrio, ainda que inconsciente, fatiga o espírito e distrai
involuntariamente a atenção. (PICQ; VAYER, 1985, p. 29).
Rosa Neto (2002) afirma que o equilíbrio é a capacidade de manter o corpo em
uma mesma posição durante um tempo determinado. Entende-se por equilíbrio a capacidade
de assumir e sustentar qualquer posição do corpo contra a lei da gravidade e que, um
equilíbrio correto é à base de toda a coordenação dinâmica geral do corpo, bem como das
ações diferentes de seus seguimentos. Neste caso, se uma criança não adquiriu um equilíbrio
geral, os movimentos específicos, com grandes e pequenos músculos, poderão ficar
prejudicados, como por exemplo, ao receber uma bola, ao correr girando o pneu, ao recortar
com a tesoura, ao desenhar, etc., apresentando assim, um consumo maior de energia e,
conseqüentemente, estados de fadiga.
O equilíbrio é a base primordial de toda ação diferenciada dos segmentos
corporais. Quanto mais defeituoso é o movimento mais energia consome, tal gasto energético
poderia ser canalizado para outros trabalhos neuromusculares. Dessa luta constante, ainda que
inconsciente, contra o desequilíbrio resulta numa fatiga corporal, mental e espiritual,
aumentando o nível de estresse, ansiedade, e angústia do indivíduo. Em efeito, existem
relações estreitas entre as alterações ou insuficiências do equilíbrio estático e dinâmico e os
latentes estados de ansiedade ou insegurança (ROSA NETO, 2002).
•
2 anos: Equilíbrio estático sobre um banco.
•
3 anos: Equilíbrio sobre um joelho.
•
4 anos: Equilíbrio com o tronco flexionado.
•
5 anos: Equilíbrio nas pontas dos pés.
•
6 anos: Pé manco estático
•
7 anos: Equilíbrio em cócoras
2.2.4
Esquema corporal
A
construção
do
esquema
corporal
tem
um
papel
fundamental
no
desenvolvimento da criança, pois tal organização é o ponto de partida de suas diversas
possibilidades de ação.
Esquema corporal refere-se ao conhecimento que temos de nosso corpo em
movimento ou posição estática quanto aos objetos e ao espaço.
Para Picq e Vayer (1985, p. 25), "[...] o esquema corporal é a organização das
sensações relativas ao seu próprio corpo em relação aos dados do mundo exterior."
A
construção
do
esquema
corporal
tem
um
papel
fundamental
no
desenvolvimento da criança, pois tal organização é o ponto de partida de suas diversas
possibilidades de ação.
Para Fiates (2001), a aquisição do esquema corporal dá condições para adquirir o
conhecimento, consciência e domínio progressivo dos elementos que constituem o mundo, e
permite a conexão da criança consigo mesma e com o meio.
Mucchielli (apud PICQ; VAYER 1985) afirma que este processo que forma o
esquema corporal desenvolve-se lentamente na criança e é completado normalmente nos 1112 anos de idade. A criança na sua própria atividade constrói seu próprio esquema em relação
ao seu próprio corpo, através de sensações visuais e auditivas.
Segundo Rosa Neto (2002), os primeiros contatos corporais que a criança percebe,
manipula e com os quais joga são de seu próprio corpo. A construção do esquema corporal,
isto é, a organização das sensações relativas a seu próprio corpo em associação com dados do
mundo externo exerce um papel fundamental no desenvolvimento da criança, já que essa
organização é o ponto de partida das suas diversas possibilidades de ação, sendo assim,
esquema corporal é a organização das sensações a seu próprio corpo, associadas com dados do
mundo externo.
•
2 a 5 anos: Controle do próprio corpo (anexo B e C)
•
6 a 11 anos: Prova de rapidez (anexo D)
2.2.5
Organização espacial
Organização espacial diz respeito à capacidade de situar-se a si próprio, localizar
outros objetos num determinado espaço e orientar-se perante o meio. De Meyer e States
(1999) definem organização espacial como a tomada de consciência da situação de seu
próprio corpo em um meio ambiente; a tomada da situação das coisas entre si; e a
possibilidade do sujeito de organizar-se perante o mundo que o cerca, de organizar as coisas
entre si, de colocá-las em um lugar e de movimentá-las.
A partir da percepção do próprio corpo é que se pode perceber o espaço exterior.
Segundo Salgado Filho (2001), este espaço é explorado por uma dupla e simultânea
percepção: uma exteroceptiva, ligada à percepção imediata do meio ambiente, caracterizada
pelo espaço perceptivo ou sensoriomotor, e outra proprioceptiva, baseada sobre as operações
mentais que saem do espaço representativo e intelectual.
Para Rosa Neto (2002) a noção do espaço é uma noção ambivalente, ao mesmo
tempo concreta e abstrata, finita e infinita. Inclui tanto o espaço do corpo diretamente
acessível, como o espaço que nos rodeia, finito enquanto nos é familiar, porém que se estende
ao infinito, no inverso, e desvanece no tempo. O espaço físico absoluto existe independente de
seu conteúdo e de nós, enquanto que o espaço psicológico associado a nossa atividade mental
se revela diretamente em nosso nível de consciência. Na vida cotidiana utilizamos
constantemente os dados sensoriais perceptivos relativos ao espaço que nos rodeia. A
organização espacial depende simultaneamente da estrutura de nosso próprio corpo (estrutura
anatômica, biomecânica, fisiológica, etc.), da natureza do meio que nos rodeia e de suas
características. Diversas modalidades sensoriais entram no contexto da percepção espacial.
Ainda segundo o autor citado acima, todas as modalidades sensoriais participam
em certa medida na percepção espacial: a visão, a audição, o tato, a própria percepção e o
olfato. As informações recebidas não estão sempre de acordo e implicam, inclusive,
percepções contraditórias. A orientação espacial designa nossa habilidade para avaliar com
precisão a relação entre nosso corpo e o ambiente e para efetuar as modificações no curso de
nossos deslocamentos.
•
2 anos: Tabuleiro/ Posição normal (conforme modelo em anexo E).
•
3 anos: Tabuleiro/ Posição invertida (conforme modelo em anexo F).
•
4 anos: Prova dos Palitos (conforme modelo em anexo G).
•
5 anos: Jogo de Paciência (conforme modelo em anexo H).
•
6 anos: Direita/ Esquerda - Conhecimento sobre si (conforme modelo em
anexo I).
•
2.2.6
7 anos: Execução de Movimentos (conforme modelo em anexo J).
Organização temporal
Podemos perceber o tempo a partir do momento em que classificamos algum
acontecimento em antes ou depois, e através das mudanças ocorridas em um determinado
tempo.
Segundo Rosa Neto (2002) percebemos o transcurso do tempo a partir das
mudanças que se produzem durante um período estabelecido e da sua sucessão que transforma
progressivamente o futuro em presente e depois em passado. O tempo é antes de tudo
memória, à medida que leio, o tempo passa. Assim aparecem os dois grandes componentes da
organização temporal, a ordem e a duração, que o ritmo reúne, o primeiro define a sucessão
que existe entre os acontecimentos que se produzem, uns a continuação de outros, numa
ordem física irreversível; a segunda permite a variação do intervalo que separa dois pontos, o
princípio e o fim de um acontecimento. Esta medida possui diferentes unidades cronométricas
como o dia e suas divisões, horas, minutos e segundos. A ordem ou distribuição cronológica
das mudanças ou acontecimentos sucessivos representa o aspecto qualitativo do tempo e a
duração seu aspecto quantitativo.
Ainda de acordo com o mesmo autor, a organização temporal inclui uma
dimensão lógica (conhecimento da ordem e da duração, acontecimentos se sucedem com
intervalos), uma dimensão convencional (sistema convencional de referências, horas, dias,
semanas, meses e anos) e um aspecto de vivência que surge antes dos dois (percepção e
memória da sucessão e da duração dos acontecimentos na ausência de elementos lógicos ou
convencionais). A consciência do tempo se estrutura sobre as mudanças percebidas independentemente de ser sucessão ou duração, sua retenção está vinculada à memória e à
codificação da informação contida nos acontecimentos. Os aspectos relacionados à percepção
do tempo evoluem e amadurecem com a idade.
Para
Fiates
(2001),
a
estruturação temporal é
muito importante
no
desenvolvimento da criança, pois uma criança bem ajustada temporariamente é uma criança
dotada de gestos harmônicos e ritmados, capaz de orientar-se no tempo e espaço. Por outro
lado, a criança com distúrbios na percepção temporal apresenta dificuldades para organizar-se
em função do tempo e na ordenação e seqüencialização dos fatos.
•
2 anos: Frase de duas palavras, observação da linguagem espontânea.
•
3 anos: Repetir uma frase de seis a sete sílabas.
•
4 anos: Recorrendo às frases: "Você vai repetir".
•
5 anos: Lembrando as frases: "Bom, vamos continuar, você vai repetir".
2.2.7
Lateralidade
Vários autores possuem teorias diferentes sobre a lateralidade. Alguns autores
explicam pela hereditariedade, outros com a hipótese de dominância hemisférica ou influência
de fatores ambientais e outros defendem que é o resultado de uma associação de vários outros
fatores. A lateralidade na criança se tornar mais evidente pela diferenciação de lado esquerdo
do direito, a partir dos 6 a 8 anos de idade. A lateralidade ou lateralização constitui-se pelo
predomínio motriz dos segmentos direito ou esquerdo do corpo, ou seja, durante o
desenvolvimento, a criança define uma dominância lateral.
Segundo Le Boulch (apud SALGADO FILHO, 2001) "[...] a lateralidade é a
manifestação de um predomínio motor relacionado com as metades do corpo, predomínio este
que, por sua vez, provocam a aceleração do processo de maturação dos centros sensórios
motores dos hemisférios cerebrais.”
Quanto às origens da lateralidade existem várias teorias. Uma se refere à herança,
isto é, a lateralidade, relacionada com fatores genéticos. Outra se refere à dominância de um
lado do córtex cerebral sobre o outro.
Segundo Rosa Neto (2002), o corpo humano está caracterizado pela presença de
partes anatômicas pares e globalmente simétricas. Esta simetria anatômica se redobra, não
obstante, por uma assimetria funcional no sentido de que certas atividades só intervêm numa
das partes. Por exemplo, escrevemos com uma só mão; os centros de linguagem se situam na
maioria das pessoas no hemisfério esquerdo. A lateralidade é a preferência da utilização de
uma das partes simétricas do corpo: mão, olho, ouvido, membros superiores e inferiores; a
lateralização cortical é a especialidade de um dos dois hemisférios cerebrais em quanto ao
tratamento da informação sensorial ou em quanto ao controle de certas funções. Logo a
lateralidade está em função de um predomínio que outorga a um dos dois hemisférios a
iniciativa da organização do ato motor, o qual desembocará na aprendizagem e na
consolidação das praxias. Essa atitude funcional, que é suporte da intencionalidade, se
desenvolve de forma fundamental no momento da atividade de investigação, ao longo da qual
a criança vai preparar-se com seu meio. A ação educativa para colocar a criança nas melhores
condições para acender uma lateralidade definida, respeitando fatores genéticos e ambientais,
é a que lhe permite organizar suas atividades motoras. As primeiras manifestações da
lateralidade apresentam-se desde o nascimento. Nesta fase, a lateralidade axial referente à
organização tônica assimétrica do eixo do corpo é bastante visível.
Gesell (apud LE BOUCH, 1984) afirma que o estudo do reflexo tônico cervical no
lactente permite predizer a lateralização em 75% dos casos.
Zazzo (apud RODRIGUES, 2000) estudando este fenômeno, defende que a
lateralidade pode ser definida pela sua natureza, patológica ou normal, sem grau, mais ou
menos forte, homogenia ou cruzada.
Segundo o mesmo autor, a lateralização cruzada pode ser um fator de risco para o
surgimento de desequilíbrio e alterações.
Conforme Holle (apud SALGADO FILHO, 2001) a afirmação definitiva da
lateralidade começa em média aos 6 anos até a sua culminância aproximadamente aos 10-11
anos.
Para Picq e Vayer (1985), os distúrbios da lateralidade causam dificuldades para a
criança quanto à estruturação espacial e obstáculos paralelos à escrita, leitura e ditado.
A linguagem nos permite representar as complexas abstrações que são o fundamento
de nossa sociedade. No desenvolvimento da linguagem intervêm fatores biológico e
ambiental. A execução de tarefas construtivas práticas é uma das formas
manifestadas da atividade intelectual do homem. A segunda forma, muito mais
elevada, é o pensamento discursivo ou lógico verbal, mediante o qual o homem,
baseando-se nos códigos da linguagem, é capaz de ultrapassar os marcos da
percepção sensorial, refletir sobre relações simples e complexas, formar conceitos,
elaborar conclusões e resolver problemas teóricos complicados. Esta forma de
pensamento é singularmente importante. Utilizada de base à assimilação e emprego
dos conhecimentos e como meio fundamental da atividade cognitiva complexa do
homem. (AJURIAGUERRA apud ROSA NETO, 2002).
•
Lateralidade das mãos
•
Lateralidade dos olhos: Cartão furado
•
Lateralidade dos pés: Chutar uma bola
2.2.8
Linguagem
Segundo Newcombe (1999) a linguagem é a capacidade de se comunicar com os
demais por meio de palavras e frases, e é um componente poderoso da herança biológica
humana.
Segundo Rosa Neto (2002) graças à linguagem, o pensamento permite delimitar
os elementos mais essenciais da realidade; configurar em uma mesma categoria coisas e
fenômenos que, na percepção direta podem parecer diferentes; reconhecer os fenômenos que,
não obstante a semelhança externa pertence a esferas diversas da realidade. Na criança
normal, a aquisição da linguagem se desenvolve segundo um plano cuja regularidade não
deixa surpreender. A primeira etapa da aquisição da linguagem pode ser classificada como
período pré-linguístico.
Segundo Ajuriaguerra (1983) esta fase, igualmente chamada de pré-verbal, se
desenvolve durante os 10 primeiros meses de vida; é caracterizada por uma expressão
bucofonatória que, por si mesma, não tem significado comunicativo.
Segundo Rosa Neto (2002) a partir do primeiro mês, à medida que o bebê adquire
uma melhor coordenação respiratória, aparece o balbucio, que seria de sons não específicos
em resposta a estímulos sem especificações. O papel dessa atividade é importante para a
formação das coordenações neuropsicomotoras articulatórias.
Ainda dentro desse plano, aos 6 a 8 meses e outro autores dos 9 aos 12 meses de
idade, podemos observar a fase de ecolalia, que segundo Rosa Neto (2002), o bebê instaura
com seus pais uma espécie de sorte do "diálogo", o bebê responde a palavra do adulto
mediante uma série de melodia homogênea e contínua. Pouco a pouco as emissões sonoras se
transformam em emissões vocálicas e consonantais fundamentais. As primeiras palavras são,
na maioria das vezes, "papai" e "mamãe".
Segundo Lemos e Daenecke (2000), isto pode ser explicado pelo fato de /p/ e /m/
serem consoantes labiais, sendo que a emissão é mais visível e mais constante em todas as
línguas.
Passando a fase de ecolalia, se dá o período lingüístico, porém interpondo-se a
esse podemos observar o período da pequena linguagem.
Segundo Rosa Neto (2002), as primeiras palavras aparecem muitas vezes em
situação de ecolalia, porém, aos 12 meses, a criança deve ter adquirido de 5 a 10 palavras, e
aos 2 anos de idade o vocabulário pode alcançar 200 palavras, e dos 3 aos 5 anos, 1500
palavras.
Dentro do período lingüístico, temos o período de locução que, segundo
Ajuriaguerra (1983), a criança emprega as mesmas palavras de diversos significados para a
mesma situação. É também o período delocutivo que corresponde à aquisição e utilização
diferenciada dos elementos da frase. A criança emprega palavras-frase antes de chegar às
palavras na relação sujeito-predicado. A terceira fase diz respeito ao "aprendizado da
literatura".
O mesmo autor ainda relata que a criança começa a ler quando atinge certo grau
de maturidade; a fase da literatura sobrevém após a fase de organização oral, expressiva e
compreensiva. A leitura é uma nova forma de compreensão verbal, tende a libertar a criança
das formas primitiva verbo-orais.
Conforme Nascimento e Machado (1996), a grande maioria das crianças que é
portadora de um distúrbio psicomotor também apresenta problema de fala ou de linguagem.
Esse problema se revela mais freqüentemente sob a forma de atraso - a criança começa a falar
mais tarde, geralmente, após os quatro anos de idade cronológica e o faz com grande lentidão.
2.3 Etapas cognitivas do desenvolvimento
As funções cognitivas importantes que aparecem no início da infância, incluindo a
memória, a linguagem e a auto consciência, não estão localizadas em lugares específicos do
cérebro, de acordo com Newcombe (1995, p. 57), “[...] elas derivam de relações complexas
entre diferentes partes do cérebro. Esse crescimento se deve a maturação bem como a
experiência.”
Conforme Ratliffe (2000) Jean Piaget, o pesquisador suíço que influenciou
profundamente o campo do desenvolvimento infantil, identificou quatro estágios de
desenvolvimento pelos quais as crianças passam conforme se desenvolvem: estágio sensório
motor, que é caracterizado pela exploração dos sentidos. Aprendem a manipular os objetos,
leva-os a boca, aos pés e a todo corpo; estágio pré-operacional, onde a criança tem um
entendimento literal do ambiente, não são capazes de ter perspectivas alternativas. O
desenvolvimento da linguagem é do estágio pré-operacional; estágio operacional concreto,
onde a criança desenvolve a capacidade de usar a lógica que abrange o aqui e agora; estágio
operacional formal, que é quando a criança pode abstrair habilidades lógicas para criar
hipóteses.
2.4 A importância da estimulação no desenvolvimento da criança
A infância é a etapa da vida do ser humano primordial para o seu desenvolvimento
cognitivo, psicológico, biológico e motor, pois nesse período ocorrem as principais
maturações em seu organismo, sendo que a criança mais especificamente, em idade préescolar e escolar, está disponível à inúmeras formas relacionais com o corpo. Nesta fase, o
convívio escolar possibilita uma constante troca de informações nas áreas do seu
desenvolvimento biopsicossocial (PAPALIA; OLDS, 2000).
Segundo Rosa Neto (2002), “[...] a estimulação é um fator crucial no
desenvolvimento biopsicossocial da criança, sendo que a atividade motora é de suma
importância para o seu desenvolvimento global, pois através da exploração motriz ela
desenvolve a consciência de si mesma e do mundo exterior.”
2.5 Atraso motor
Nós nos expressamos com movimento, e até mesmo a fala precisa de uma boa
coordenação da musculatura da fala, da mesma maneira que os movimentos precisam da
coordenação dos músculos. Aprender a mover-se significa aprender a responder
adequadamente às demandas do ambiente e a desenvolver atividades funcionais para a
independência, e para mais tarde ser capaz de ir à escola.
A criança normal leva 5 anos de desenvolvimento físico e social para poder
beneficiar-se da escola. Ela precisa de muitas e de muito tempo de realizações no
desenvolvimento para estar pronta para a escola. O desenvolvimento social e emocional
também é afetado pela sua habilidade em mover-se, porque o movimento a faz independente
da atenção constante de sua mãe (MEDEIROS, 2003).
Portanto, todo e qualquer movimento, estímulo e a fala podem alterar nosso
desenvolvimento motor, tornando-o mais lento, desorganizado e incapaz de progredir
enquanto algum agente causal ou estímulo inadequado estiver presente provocando tais
alterações.
Segundo a mesma autora acima, as crianças pré-escolares na faixa etária de 3 a 5
anos podem ter seu desenvolvimento tardio quando apresentarem alguns indicadores que estão
diretamente ligados às fases de desenvolvimento.
Indicadores de atraso no Desenvolvimento Motor de 3 a 4 anos
•
Não conseguem diferenciar menino de menina
•
Não conseguem correr sozinha
•
Os meninos ainda não fazem xixi em pé
•
Não conseguem desenhar um quadrado
•
Não conseguem imitar um trem
•
Não conhecem longo e curto
•
Não conseguem diferenciar o pesado do leve
•
Não conseguem cortar com a tesoura
•
Não conseguem diferenciar e separar objetos com categoria
Indicadores de atraso no Desenvolvimento Motor de 4 a 5 anos
•
Não conseguem copiar um triângulo
•
Não conseguem saltar em um pé só
•
Não conseguem mudar de direção quando correm
•
Não conseguem fazer uma bola quicar
•
Têm dificuldade em dar nomes as texturas
•
Não distinguem a falta de um objeto quando tira um em um grupo de três
•
Não conseguem utilizar talheres apropriados
•
Não conseguem saltar para trás
•
Não é independente ao se tratar de hábitos de toallet
2.6 Escala de desenvolvimento motor
Compreende um conjunto de provas muito diversificadas e de dificuldade
graduada, conduzindo a uma exploração minuciosa de diferentes setores do desenvolvimento.
A aplicação em um sujeito permite avaliar seu nível de desenvolvimento motor, considerando
êxitos e fracassos, levando em conta as normas estabelecidas pelo autor da escala (ROSA
NETO, 2002).
2.6.1 Teste motor
É uma prova determinada que permite medir, em um indivíduo uma determinada
característica. Os resultados poderão ser comparados com os de outros indivíduos (ROSA
NETO, 2002).
2.6.2 Prova motora
Designa um conjunto de atividades marcadas por uma determinada idade. Permite
determinar o avanço ou o atraso motor de uma criança, de acordo com os resultados
alcançados nas provas (ROSA NETO, 2002).
2.6.3 Perfil motor
Segundo Rosa Neto (2002), consiste em uma reprodução gráfica de resultados
obtidos em vários testes de eficiência motora, a qual permite uma comparação simples e
rápida de diferentes aspectos do desenvolvimento motor, colocando em evidência os pontos
fortes e fracos do indivíduo.
2.7 A Fisioterapia no desenvolvimento motor
A fisioterapia apresenta uma missão primordial, de cooperação, mediante a nova
realidade de saúde que se apresenta, através da aplicação de meios terapêuticos físicos, na
prevenção, eliminação ou melhora de estados patológicos do homem, na promoção e na
educação em saúde.
A atenção fisioterapêutica propicia o desenvolvimento de ações preventivas
primárias, secundárias e terciárias. Mesmo antes da doença atingir o horizonte clínico, ou seja,
de exibir sinais e sintomas, podem ser desenvolvidas intervenções preventivas
(TEODOROSKI, 2005).
Fundamenta suas ações em mecanismos terapêuticos próprios, sistematizados
pelos estudos da Bilogia, das ciências morfológicas, das ciências fisiológicas, das patologias,
da bioquímica, da biofísica, da biomecânica, da cinesia, da sinergia funcional, e da cinesia de
patologias de órgãos e sistemas do corpo humano e as disciplinas comportamentais e sociais.
Além disto, a complexidade da profissão reside na necessidade do entendimento
global da fisiologia, anatomia, semiologia do homem, baseado na biofísica, bioquímica,
cinesiologia, biomecânica e outras ciências básicas.
Segundo a mesma autora acima, a Fisioterapia possui um corpo próprio de
conhecimentos, uma metodologia própria de intervenção, privativa do fisioterapeuta, ficando
a critério do mesmo a ordenação, intervenção, consulta e alta fisioterapêutica.
Seguindo este contexto, podemos afirmar que, quanto mais precoce for a
identificação das alterações motoras, melhor será o desenvolvimento da criança, pois a
fisioterapia atua de maneira efetiva junto as alterações motoras, propiciando à mesma uma
condição melhor de aprendizagem - sabendo-se que alterações motoras interferem no
rendimento escolar de uma criança, reduzindo o risco de complicações para o pré-escolar.
Desta forma, os cuidados proporcionados pela fisioterapia aplicada em pediatria,
têm como um dos objetivos a prevenção de alterações motoras, que se apresentam muito mais
freqüentes em crianças pré-escolares quando não estimuladas ou quando não se desenvolvem
adequadamente em seu meio, provocando um desequilíbrio em suas habilidades motoras. E a
transtornos motores já instalados, os quais o fisioterapeuta através de uma avaliação, julgará
qual a melhor maneira de se tratar e realizar as técnicas necessárias para o restabelecimento
funcional do aparelho locomotor da criança.
Boscaini (1988) considera importante valorizar os padrões motores da criança
durante o processo de aprendizagem escolar. Tais processos contribuem de forma relevante
para explicar as distintas dificuldades para a leitura, escrita e cálculo.
A utilização de testes motores para avaliar o desenvolvimento da criança permite
de uma forma mais segura, obter o perfil dos pré-escolares, facilitando na elaboração de um
programa de intervenção precoce, permitindo ao escolar alcançar o grau de maturação
necessário.
Por este motivo, há a necessidade de buscar medidas de prevenção e tratamento
para algumas dificuldades e alterações encontradas que possam interferir no rendimento e
aprendizado escolar, com parcerias, como foi o caso desta pesquisa, que contamos com a
compreensão e apreço das diretoras e professoras dos CEI´s, bem como dos pais e/ou
responsáveis pelas crianças que autorizaram as mesmas para fazerem parte da amostra desta
pesquisa, demonstrando interesse e respeito pelo estudo.
3 DELINEAMENTO DA PESQUISA
O delineamento da pesquisa, segundo Gil (1995, p.35), "[...] refere-se ao
planejamento da pesquisa em sua dimensão mais ampla, envolvendo tanto a sua diagramação
quanto à previsão de análise e interpretação dos dados.”
3.1 Tipo de pesquisa
A determinação do tipo de estudo deve levar em conta três critérios de
classificação: quanto ao nível, abordagem e procedimentos.
3.1.1 Tipo de pesquisa quanto ao nível
A pesquisa teve como base metodológica à pesquisa descritiva:
A pesquisa experimental e a descritiva pressupõem que o investigador tenha um
conhecimento aprofundado a respeito dos fenômenos e problemas que está
estudando. Há casos, porém, que não apresentam ainda um sistema de teorias e
conhecimento desenvolvido. Nesses casos é necessário desencadear um processo de
investigação que identifique a natureza do fenômeno e aponte as características
essenciais das variáveis que se quer estudar. (KÖCHE, 2003, p. 126).
Segundo Rudio (1998), a pesquisa descritiva é aquela que o pesquisador procura
conhecer e interpretar a realidade, sem nela interferir para modificá-la. Este tipo de pesquisa
está interessada em descobrir e observar fenômenos, procurando descrevê-los, classificá-los e
interpretá-los.
O tipo de pesquisa escolhido foi o melhor para determinar o processo de avaliação
do desenvolvimento motor, pois tal procedimento envolveu relações de variáveis, as quais
quando correlacionadas entre si, caracterizam uma população.
3.1.2 Tipo de pesquisa quanto à abordagem
Esta pesquisa quanto à abordagem foi caracterizada como uma pesquisa
quantitativa, porque esta pesquisa vai ser analisada, interpretada e explicada através de
gráficos a mensuração de variáveis, não se conformando com os dados bibliográficos.
Chizzotti (1991) caracteriza uma pesquisa quantitativa quando se analisa a
mensuração de variáveis preestabelecidas, procurando verificar e explicar a análise da
freqüência de incidências e de correlações estatísticas, sendo que o pesquisador descreve,
explica e prediz.
3.1.3 Tipo de pesquisa quanto ao procedimento utilizado na coleta de dados
Esta pesquisa quanto ao procedimento foi caracterizada como uma pesquisa de
levantamento, observacional e comparativa, porque o pesquisador levantar dados diretos da
amostra, interpretando e analisando conforme o obtido e o observado, para poder mensurar
depois com respaldo do que ele aplicou e viu durante os testes nos pré-escolares,
correlacionando-os entre os grupos.
O estudo observacional é aquele em que os participantes da pesquisa não são
sorteados para os respectivos grupos, porque já pertencem a eles antes da pesquisa.
O estudo de levantamento refere-se aquele em que os dados são colhidos, antes,
durante e depois dos testes, projetando-os em dados estatísticos.
Nos estudos comparativos testam-se dois ou mais grupos, utilizando as mesmas
variáveis e/ou são utilizados como meio informativo.
3.2 População e amostra
A população deste estudo foi composta por 48 crianças na faixa etária de 3 a 5
anos de idade cronológica do Centro Educacional Infantil Mickeylândia de caráter público e
do Centro Educacional Infantil Pirulito de caráter privado de ensino, ambas do bairro de
Termas do Gravatal/Gravatal – SC, por se tratarem dos dois únicos Centros de Educação
pertencentes ao mesmo bairro e cidade no mesmo período escolar.
É mostrado abaixo o quadro correspondente ao número de alunos em cada CEI:
C.E.I. Mickeylândia
C.E.I. Pirulito
(A)
(B)
População 03 anos
11
01
12
População 04 anos
10
06
16
População 05 anos
11
09
20
Total
32
16
48
Centros
A+B
Quadro1. População dos CEI’s distribuídas por idades cronológicas.
Conforme o critério de inclusão desta pesquisa, descrito abaixo no item 3.2.1, é
mostrado abaixo o quadro correspondente ao número de crianças utilizadas para compor a
amostra seguido anteriormente de uma escolha aleatória, ou seja, através de sorteio:
Centros
C.E.I. Mickeylândia
C.E.I. Pirulito
(A)
(B)
A+B
População 03 anos
01
01
02
População 04 anos
06
06
12
População 05 anos
09
09
18
Total
16
16
32
Quadro 2. População dos CEI’s distribuídas por idade cronológica utilizada na pesquisa.
A amostra foi então formada por trinta e duas crianças, entre três e cinco anos de
idade, pertencentes ao maternal I, infantil I e II dos CEI´s.
3.2.1 Critérios de inclusão
A amostra foi selecionada obedecendo aos seguintes critérios:
•
Crianças pré-escolares na faixa etária de 3 a 5 anos
•
Crianças que permanecem no mesmo horário e período no CEI
•
Ausência de patologias clínicas diagnosticadas
Os motivos da escolha deste critérios, foram embasados seguindo alguns autores
já citados neste trabalho, em que, se uma criança é portadora de alguma deficiência, patologia
clínica, naturalmente seu sistema locomotor estará comprometido, sendo este avaliado de
forma individualizada. Em relação à idade e ao período, este foi para tornar a pesquisa mais
fidedigna a seus resultados, pois uma criança na fase pré-escolar está mais propícia à
alterações do meio, já que a mesma, nesta fase estará em contato com mais estímulos e
descobertas junto ao meio onde vive. Em relação ao período em que permanece na instituição,
julga-se e subtende-se que a criança em período integral, será mais estimulada comparada a
que permanece em período parcial em uma instituição. Sendo assim optou-se pelo período
parcial, visto que a maioria das crianças permanecem por este tempo no CEI´s.
3.3 Procedimentos utilizados na coleta de dados
O método utilizado na investigação foi primeiramente ligar para as instituições
dos CEI´s já citados relatando sobre a pesquisa e a sua importância. Foi então marcada uma
reunião com os pais e responsáveis pelas instituições, colocando de maneira clara e objetiva o
trabalho que seria realizado com as crianças, desta forma pedindo autorização para realiza-la,
entregando o questionário aos mesmos, e nas datas combinadas com os responsáveis pela
instituição aplicando os testes, ou seja, os instrumentos de coleta de dados.
O questionário foi entregue para os pais levarem para casa e responderem, e
posteriormente entrega-los.
As atividades foram realizadas nas instituições com a presença do professor.
Primeiramente, os responsáveis das instituições assinaram um termo de acordo, e
os responsáveis pelas crianças assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido (ver
anexo R), contendo o esclarecimento sobre pesquisa.
Foi utilizada a folha de resposta, que conforme Rosa Neto (2002, p. 36) está
formatada para facilitar o registro dos resultados e dos apontamentos sobre o sujeito durante
as provas conforme anexo Q. Esta folha conta com os seguintes dados:
•
Identificação da criança;
•
Data do Exame;
•
Resultados;
•
Resumo de pontos;
•
Perfil Motor.
Os testes foram aplicados de acordo com a folha de resposta, ou seja, todos foram
testados a partir da idade de dois anos. O exame iniciou-se pela seqüência de provas motoras
citadas pelo autor da escala – Rosa Neto (2002). Durante o exame se, a criança têm êxito em
uma prova, o resultado será positivo e será registrado na folha de resposta com o símbolo
numérico 1. caso a criança não consiga realizar o exame, resultado então negativo, será
registrado 0. Se a prova exige habilidade com o lado direito e esquerdo do corpo, será
registrado 1, quando houver êxito com os dois membros. Se a prova tem resultado positivo
apenas com um dos membros (direito ou esquerdo), o resultado será registrado ½ na folha de
resposta. A idade de desenvolvimento encontrada na folha de resposta de acordo com a idade
deve ser dividida pela idade cronológica em meses, visto que o resultado deve ser
multiplicado por cem, logo se obtém o quociente de desenvolvimento em cada setor que é
representado através de um gráfico, no item perfil motor. As fórmulas estão demonstradas no
item 3.3.8 – definição dos termos.
Os valores de desenvolvimento dos gráficos do quociente de desenvolvimento em
cada setor e o quociente de desenvolvimento global são classificados segundo Rosa Neto
(2002), de acordo com os níveis encontrados no item 3.6 – classificação de resultados.
Os procedimentos descritos abaixo foram utilizados para a realização da coleta de
dados, no qual foram avaliados: motricidade fina e global, equilíbrio, esquema corporal,
organização espacial e temporal e lateralidade.
3.3.1 Motricidade fina
•
Construção de uma torre
Os 12 cubos estarão em desordem, sendo que se tomam quatro cubos e, com eles,
é montada uma torre diante da criança. Depois de demonstrado como se faz à torre, a criança
deverá fazê-lo igual com quatro ou mais cubos quando lhe for indicado.
•
Construção de uma ponte
Os 12 cubos estarão em desordem, sendo que se tomam três cubos e, com eles, é
construída uma ponte diante da criança. Depois de demonstrado como se faz esta ponte, a
criança deverá fazê-lo semelhante (igual). Pode-se ensinar várias vezes a forma de fazer a
ponte, sendo que a ponte se mantenha, mesmo que não esteja equilibrada.
•
Enfiar a linha na agulha
Com uma linha número 60 e agulha de costura (1cm x 1cm), a criança deverá
estar com as mãos separadas numa distância de 10cm. A linha deverá passar pelos dedos em
2cm, sendo que o comprimento total da linha é de 15cm. A criança deverá passar a linha por
dentro da agulha, com uma duração de 9 segundos podendo repetir somente duas vezes.
•
Fazer um nó
Com um par de cordões de sapatos de 45cm e um lápis, a criança deverá prestar
atenção na realização de um nó simples em um lápis realizado pela fisioterapeuta.
Então, a criança deverá fazer este nó simples no lápis ou no dedo da
fisioterapeuta, qualquer tipo de nó é aceito desde que não se desmanche.
•
Labirinto
A criança estará sentada em uma mesa diante de um lápis e uma folha contendo os
labirintos. Então ela traçará com um lápis uma linha contínua da entrada até a saída do
primeiro labirinto e, imediatamente, iniciar o próximo. Após 30 segundos de repouso, ela
começará o mesmo exercício com a mão esquerda.
Será considerado como erros: se a linha ultrapassar o labirinto mais de duas vezes
com a mão dominante e mais três vezes com a mão não dominante; se ultrapassar o tempo
máximo; se levantar mais que uma vez o lápis do papel.
A duração é de 1 minuto e 20 segundos para a mão dominante (direita ou
esquerda) e 1 minuto e 25 segundos para a mão não dominante (direita ou esquerda). A
criança terá somente duas tentativas em cada mão.
•
Bolinhas de papel
A criança deverá fazer uma bolinha compacta com um pedaço de papel de seda
(5cm x 5cm) com uma só mão, a palma deverá estar para baixo, e é proibida a ajuda da outra
mão. Após 15 segundos de repouso, o mesmo exercício deve ser realizado com a outra mão.
Será considerado com erros: se o tempo máximo for ultrapassado; se a bolinha for pouco
compacta. Tem como duração 15 segundos para a mão dominante e 20 segundos para a mão
não dominante. Ela terá somente duas tentativas para cada mão.
Na realização deste teste será observado se há sincinesias (movimentos
involuntários).
•
Ponta do polegar
Com a ponta do polegar, a criança deverá tocar com a máxima velocidade possível
os dedos da mão, um após o outro, sem repetir a seqüência. Ela iniciará do dedo menor para o
polegar, retornando novamente para o dedo menor. O mesmo exercício será realizado com a
outra mão. Será considerado como erros: se tocar várias vezes o mesmo dedo; se tocar dois
dedos ao mesmo tempo; se esquecer de um dedo e se ultrapassar o tempo máximo. Tem 5
segundo de duração para realizar este teste e duas tentativas para cada mão.
•
Lançamento com uma bola
A criança deverá arremessar uma bola (6cm de diâmetro), em um alvo de 25 X 25,
situado na altura do peito, 1,50m de distancia (lançamento a partir do braço flexionado, mão
próxima do ombro, pés juntos). Será considerado com erros se: deslocar de modo exagerado o
braço; não fixar o cotovelo ao corpo durante o arremesso; acertar menos de duas vezes sobre
três com a mão dominante e uma sobre três com a mão não dominante. Terá três tentativas
para cada mão.
•
Círculo com o polegar
A ponta do polegar esquerdo deve estar sobre a ponta do índice direito e, depois
ao contrário. O índice direito deixa a ponta do polegar esquerdo e, a idosa desenhará uma
circunferência ao redor do índice esquerdo, que irá buscar a ponta do polegar esquerdo,
entretanto, permanecerá o contato do índice esquerdo com o polegar direito.
Dez movimentos sucessivos regulares devem ser feitos com a maior velocidade
possível em um espaço de tempo de 10 segundos. Em seguida, a criança fechará os olhos e
continuará assim para realizar mais dez movimentos.
Será considerado errado se: o movimento ser mal-executado; haver menos de 10
círculos; executar a tarefa apenas com os olhos abertos. Ela terá apenas três tentativas.
•
Agarrar uma bola
A criança deverá agarrar uma bola (6cm de diâmetro) com uma mão, que será
lançada numa distancia de três metros. Ela manterá o braço relaxado ao longo do corpo até
que se diga “agarre”. Após 30 segundos de repouso, o mesmo exercício será realizado, mas
com a outra mão. Será considerado como errado se: agarrar menos de três vezes sobre cinco
com a mão dominante; menos de duas vezes sobre cinco com a mão não dominante. Ela terá
cinco tentativas para cada mão.
3.3.2 Motricidade global
•
Subir sobre um banco
A criança irá subir, com apoio, em um banco de 15cm de altura e descer. (O banco
estará situado ao lado de uma parede).
•
Saltar sobre uma corda
Com os pés juntos: saltar por cima de uma corda estendida sobre o solo (sem
impulso, pernas flexionadas). Será considerado errado se: os pés estarem separados; a criança
perder o equilíbrio e cair. A criança terá três tentativas, sendo que, duas tentativas deverão ser
positivas.
•
Saltar sobre o mesmo lugar
A criança deverá dar saltos, de sete ou oito sucessivamente, sobre o mesmo lugar
com as pernas ligeiramente flexionadas. Será considerado errado: movimentos não
simultâneos de ambas as pernas, cair sobre os calcanhares. Ela terá somente duas tentativas.
•
Saltar uma altura de 20 cm
Com os pés juntos, a criança irá saltar sem impulso uma altura de 20cm. Terá
como materiais dois suportes com uma fita elástica fixada nas extremidades dos mesmos,
numa altura de 20 cm. Será considerado errado se: tocar no elástico; cair (apesar de não ter
tocado no elástico); tocar no chão com as mãos. Ela terá três tentativas, sendo que duas deverá
ser positivas.
•
Caminhar em linha reta
A criança estará com os olhos abertos e irá percorrer uma distancia de 2 metros
em linha reta, posicionando alternadamente o calcanhar de um pé contra a ponta do outro.
Será considerado errado se: afastar da linha; balancear; afastar um pé do outro; executar ruim
o movimento. Terá somente três tentativas.
•
Pé manco
Com os olhos abertos, a criança irá saltar ao longo de uma distancia de 5 metros
com a perna esquerda, a direita estará flexionada num angulo reto com o joelho, os braços
relaxados ao longo do corpo. Após descansar por 30 segundos, irá realizar o mesmo exercício
com a outra perna. Será considerado errado se: distanciar mais de 50 cm da linha; tocar no
chão com a outra perna; balançar os braços. Terá duas tentativas para cada perna, sendo que o
tempo é indeterminado.
•
Saltar uma altura de 40 cm
Com os pés juntos a criança irá saltar sem impulso uma altura de 40 cm. Este teste
tem como materiais dois suportes com uma linha elástica fixada nas extremidades dos
mesmos, numa altura de 40 cm. Ela terá três tentativas no total, sendo que duas deverá ser
positivas.
•
Saltar sobre o ar
A criança irá saltar no ar, flexionando os joelhos para tocar os calcanhares com as
mãos. Considera-se errado se a criança não tocar nos calcanhares. Terá três tentativas.
•
Pé manco com uma caixa de fósforos
A criança estará com o joelho flexionado num angulo reto, braços relaxados ao
longo do corpo. A 25cm do pé que repousa no solo se coloca uma caixa de fósforos. Então, a
criança deverá levá-la(o) impulsionando-a(o) com o pé até o ponto situado a 5 metros. Será
considerado errado se: tocar no chão (ainda que uma só vez) com o outro pé; movimentos
exagerados com os braços; a caixa ultrapassar em mais de 50cm do ponto fixado; falhar no
deslocamento da caixa. Terá três tentativas.
•
Saltar sobre uma cadeira
A criança irá saltar sobre uma cadeira de 45cm à 50cm numa distancia de 10cm da
mesma. O encosto será sustentado pelo examinador. Considera-se errado: perder o equilíbrio e
cair; agarrar-se no encosto da cadeira. Terá três tentativas.
3.3.3 Equilíbrio
•
Equilíbrio estático sobre um banco
Sobre um banco de 15 cm de altura, a criança deve manter-se imóvel, pés juntos,
braços ao longo do corpo. Considera-se errado se: deslocar os pés, mover os braços. Tendo
duração de 10 minutos.
•
Equilíbrio sobre um joelho
Braços ao longo do corpo, pés juntos, apoiar um joelho no chão sem mover os
braços ou o outro pé. A criança deverá manter esta posição, com o tronco ereto (sem sentar-se
sobre o calcanhar). Após 20 segundos de descanso, o mesmo exercício com a outra perna.
Considera-se errado: tempo inferior a 10 segundos; deslizamentos dos braços, do pé ou
joelho; sentar-se sobre o calcanhar. Terá duas tentativas para cada perna.
•
Equilíbrio com o tronco flexionado
Com os olhos abertos, pés juntos, mãos apoiadas nas costas: flexionar o tronco em
ângulo reto e manter esta posição. Considera-se errado: mover os pés; flexionar as pernas;
tempo inferior a 10 segundos. Terá somente duas tentativas.
•
Equilíbrio nas pontas dos pés
Manter-se sobre a ponta dos pés, olhos abertos, braços ao longo do corpo, pés e
pernas juntos. Terá duração de 10 segundos e três tentativas.
•
Pé manco estático
Com os olhos abertos, manter-se sobre a perna direita, a outra permanecerá
flexionada em ângulo reto, coxa paralela à direita e ligeiramente em abdução, braços ao longo
do corpo. Fazer um descanso de 30 segundos, e fazer o mesmo exercício com a outra perna.
Considera-se errado: baixar mais de três vezes a perna levantada; tocar com o outro pé no
chão; saltar; elevar-se sobre a ponta do pé; balanceios. Terá duração de 10 segundos e três
tentativas.
•
Equilíbrio de cócoras
De cócoras, braços estendidos lateralmente, olhos fechados, calcanhares e pés
juntos. Considera-se errado: cair; sentar-se sobre os calcanhares; tocar no chão com as mãos;
deslizar-se; baixar os braços três vezes. Terá duração de 10 segundos e três tentativas.
•
Equilíbrio com o tronco flexionado
Com os olhos abertos, mão nas costas, elevar-se sobre as pontas dos pés e
flexionar o tronco em ângulo reto (pernas retas). Considera-se errado: flexionar as pernas mais
de duas vezes; moer-se do lugar; tocar o chão com os calcanhares. Terá duração de 10
segundos e duas tentativas.
•
Fazer o quatro
Manter-se sobre o pé esquerdo, a planta do pé direito apoiada na face interna do
joelho esquerdo, mãos fixadas nas coxas, olhos abertos. Após um descanso de 30 segundos,
executar o mesmo movimento com a outra perna. Considera-se errado: deixar cair uma perna;
perder o equilíbrio; elevar-se sobre a ponta dos pés. Terá duração de 15 segundos e duas
tentativas para cada perna.
•
Equilíbrio na ponta dos pés – olhos fechados
Manter-se sobre a ponta dos pés, olhos fechados, braços ao longo do corpo, pés e
pernas juntas. Considera-se errado: mover-se do lugar; tocar o chão com os calcanhares;
balançar o corpo (permite-se ligeira oscilação). Terá duração de 15 segundos e três tentativas.
•
Pé manco estático – olhos fechados
Com os olhos fechados, manter-se sobre a perna direita, o joelho esquerdo
flexionado em ângulo reto, coxa esquerda paralela à direita e em ligeira abdução, braços ao
longo do corpo. Após de 30 segundos de descanso, repetir o mesmo exercício com a outra
perna. Considera-se errado: baixar mais de três vezes a perna; tocar o chão com a perna
levantada; mover-se do lugar; saltar. Terá duração de 10 segundos e duas tentativas para cada
perna.
3.3.4 Esquema corporal
•
Esquema Corporal
•
Controle do próprio corpo
•
Prova de imitação dos gestos simples (movimentos das mãos/nível 2-5)
A criança estará de pé diante da examinadora, imitará os movimentos de mãos e
braços que a examinadora realizará; a examinadora ficará sentada próxima a criança, para
poder pôr suas mãos em posição neutra entre cada um destes gestos.
Item 1
A examinadora apresenta suas mãos abertas, palmas para face do sujeito (40 cm de
distância entre as mãos, a 20 cm do peito).
Item 2 O mesmo exercício, porém com os punhos fechados.
Item 3 Mão esquerda aberta, mão direita fechada.
Item 4 Posição inversa à anterior.
Item 5 Mão esquerda vertical, mão direita horizontal, tocando a mão esquerda em ângulo
reto.
Item 6 Posição inversa.
Item 7 Mão esquerda plana, polegar em nível do esterno, mão e braço direito inclinados,
distância de 30 cm entre as mãos, mão direita por cima da mão esquerda.
Item 8 Posição inversa.
Item 9 As mãos paralelas, a mão esquerda está diante da mão direita a uma distância de 20
cm, a mão esquerda está por cima da direita, desviada uns 10 cm. Previamente se
pede à criança que feche os olhos, a profundidade pode deduzir-se do movimento
das mãos do examinador.
Item 10 Posição inversa.
Quadro 3. Como realizar os gestos simples com os movimentos das mãos.
Fonte: Rosa Neto (2002, p. 60)
•
Prova de imitação de gestos simples (movimentos dos braços)
O movimento dos braços que foi realizado com a criança está demonstrado no
anexo C.
Item 11 A examinadora estende o braço esquerdo, horizontalmente para a esquerda, com a
mão aberta.
Item 12
Item 13
Item 14
Item 15
Item 16
Item 17
Item 18
Item 19
O mesmo movimento, porém com o braço direito, para a direita.
Levantar o braço esquerdo.
Levantar o braço direito.
Levantar o braço esquerdo e estender o direito para a direita.
Posição inversa.
Estender o braço esquerdo para diante e levantar o direito.
Posição inversa.
Com os braços estendidos obliquamente, mão esquerda no alto, mão direita abaixo,
com o tronco erguido.
Item 20 Posição inversa.
Quadro 4. Como realizar os gestos simples com os movimentos dos braços.
Fonte: Rosa Neto (2002, p. 62)
•
Pontuação
Tabela 1. Pontuação de acordo com o nível de idade cronológica
Idade Cronológica
Nível 3
Nível 4
Nível 5
Fonte: Rosa Neto (2002)
•
Pontos
7-12 acertos
13-16 acertos
17-20 acertos
Prova de rapidez (Nível 6-11)
Material: folha de papel quadriculado com 25 X 18 quadrados (quadro de 1cm de
lado), lápis preto no 2 e cronômetro. A folha quadriculada se apresenta em sentido
longitudinal. A criança pegará o lápis, e vai fazer um risco em cada quadrado, o mais rápido
que puder. Ela poderá fazer o risco que quiser, porém apenas um risco em cada quadrado.
A criança não deverá pular nenhum quadrado porque não poderá voltar atrás. A
mesma poderá pegar o lápis com a mão que preferir (mão dominante – ver anexo D).
Para a realização desta prova, a criança terá 1 minuto para realizá-la.
•
Critérios da prova:
Casos os traços forem lentos e precisos ou em forma de desenhos geométricos,
repetir uma vez mais a prova, mostrando claramente os critérios;
Observar durante a prova se a criança apresenta dificuldades na coordenação
motora, instabilidade, ansiedade, e sincinesias.
A pontuação é feita através dos números de traços.
Tabela 2. Idade cronológica de acordo com o número de acertos
NÍVEL
NÚMERO DE TRAÇOS
6
7
8
9
10
11
Fonte: Rosa Neto (2002)
57-73
74-90
91-99
100-106
107-114
115 ou mais
3.3.5 Organização espacial
•
Tabuleiro/ Posição normal
Apresenta-se o tabuleiro para a criança, com a base do triângulo frente a ela.
Então, tiram-se as peças posicionando-as na frente de suas respectivas perfurações. A criança
deverá colocar as peças nos buracos. Terá somente duas tentativas.
•
Tabuleiro/ Posição invertida
O mesmo material utilizado anteriormente, porém, deverá retirar as peças e deixá-
las alinhada com o vértice do triângulo posicionado para a criança. Dá uma volta no tabuleiro.
Não tem um limite de tempo. Somente, terá duas tentativas.
•
Prova dos palitos
Dois palitos de diferentes comprimentos: cinco e seis centímetros. Os palitos serão
colocados sobre uma mesa, que estarão paralelos e separados por 2,5cm. Então, a
examinadora irá perguntar para a criança qual é o palito mais comprido, e ela deverá colocar o
dedo em cima deste palito. Serão realizadas três provas trocando de posição os palitos. Se ela
falhar em uma das três tentativas, irá ser feito mais três trocando as posições dos palitos. O
resultado será positivo quando a criança acertar três de três tentativas ou cinco de seis
tentativas.
•
Jogo de paciência
Irá ser colocado um retângulo de cartolina de 14cm X 10cm e em sentido
longitudinal, diante da criança. Ao seu lado e um pouco mais próximo do sujeito, as duas
metades do outro retângulo, cortado pela diagonal, com as hipotenusas para o exterior e
separadas uns centímetros. Então, a criança deverá pegar os retângulos e juntá-los de maneira
que saia algo parecido ao retângulo. Ela terá três tentativas em 1 minuto, sendo que o número
de tentativas será duas, e para cada tentativa não deverá ultrapassar 1 minuto.
•
Direita/Esquerda - conhecimento sobre si
A criança deverá identificar em si mesma a noção de direita e esquerda. Ela
deverá:
1. Levantar a mão direita.
2. Levantar a mão esquerda.
3. Indicar o olho direito.
A examinadora não executará nenhum movimento, apenas a criança. A mesma
deverá realizar todos os movimentos corretamente acertando os três movimentos, porque não
haverá tentativas (anexo I).
•
Execução de movimentos
A examinadora irá solicitar à criança que realize os movimentos, de acordo com
esta seqüência a seguir:
1. Mão direita na orelha esquerda.
2. Mão esquerda no olho direito.
3. Mão direita no olho esquerdo.
4. Mão esquerda na orelha direita.
5. Mão direita no olho direito.
6. Mão esquerda na orelha esquerda.
Esta seqüência está sendo demonstrada no anexo J.
Destes seis movimentos a criança tem que acertar cinco.
•
Direita/Esquerda - reconhecimento sobre outro
A examinadora se colocará de frente para a criança e pedirá para que ela:
1. Toca na minha mão direita.
2. Toca na minha mão esquerda.
3. Em qual mão esta a bola?
A criança terá que acertar todos os três conforme anexo L.
•
Reprodução de movimentos - representação humana
Frente a frente, a examinadora irá executar alguns movimentos e a criança deverá
prestar muita atenção nos movimentos das mãos. A examinadora deverá explicar todo o
procedimento em relação aa mãos, orelhas e olhos direito e esquerdo. Se a criança entendeu o
teste, deverá ser prosseguido o teste.
Os movimentos são:
1. Mão esquerda no olho direito.
2. Mão direita na orelha direita.
3. Mão direita no olho esquerdo.
4. Mão esquerda na orelha esquerda.
5. Mão direita no olho direito.
6. Mão esquerda na orelha direita.
7. Mão direita na orelha esquerda.
8. Mão esquerda no olho esquerdo.
A criança terá direito de acertar seis movimentos dos oito pedidos.
•
Reprodução de movimentos - figura esquematizada
Frente a frente, a examinadora irá mostrar algumas figuras esquematizadas e a
criança terá que prestar muita atenção nos desenhos e depois irá produzi-los. Os mesmos
movimentos executados anteriormente (3.3.5.8), a criança irá realizar os mesmos
movimentos, mas com a mesma mão do boneco esquematizado.
Os movimentos são:
1. Mão esquerda no olho direito.
2. Mão direita na orelha direita.
3. Mão direita no olho esquerdo.
4. Mão esquerda na orelha esquerda.
5. Mão direita no olho direito.
6. Mão esquerda na orelha direita.
7. Mão direita na orelha esquerda.
8. Mão esquerda no olho esquerdo.
A criança deverá acertar seis movimentos dos oito realizados.
•
Reconhecimento da posição relativa de três objetos
Sentadas, frente a frente, a examinadora fará algumas perguntas para a criança que
permanecerá com os braços cruzados. Será utilizado como material: três cubos ligeiramente
separados (15cm) colocados da esquerda para a direita sobre a mesa, como segue: azul,
amarelo, vermelho. A examinadora irá perguntar: “você vê os três objetos (cubos) que estão a
sua frente. Você irá responder rapidamente as perguntas que irei fazer”.
1. O cubo azul está à direita ou à esquerda do vermelho?
2. O cubo azul está à direita ou à esquerda do amarelo?
3. O cubo amarelo está à direita ou à esquerda do azul?
4. O cubo amarelo está à direita ou à esquerda do vermelho?
5. O cubo vermelho está à direita ou à esquerda do amarelo?
6. O cubo vermelho está à direita ou à esquerda do azul?
Destas seis perguntas a criança deverá acertar cinco.
3.3.6
Organização temporal
•
Parte I (Nível de 2-5)
Linguagem
Estruturas temporais de linguagem expressiva e observação da linguagem
espontânea. Será bem resolvida a prova em que à criança consegue repetir ao menos uma das
frases sem erro.
•
Nível 2
Frase de duas palavras.
•
Nível 3
A criança deverá repetir as seguintes frases:
“Eu tenho um cachorro pequeno”.
“Meu irmão é professor”.
•
Nível 4
A criança deverá repetir as seguintes frases:
“Vamos comprar pastéis para a Maria”.
“O João gosta de caminhar”.
•
Nível 5
A criança deverá repetir as seguintes frases:
“Paulo vai construir um castelo de areia”.
“Luiz se diverte jogando futebol com seu amigo”.
•
Parte II (Nível 6-11)
Estrutura espaço-temporal
Reprodução para meio de golpes – Estruturas corporais
A examinadora e a criança estarão sentadas frente a frente, com um lápis na mão
de cada uma. Então, a criança irá escutar com atenção os diferentes sons, e com o lápis irá
repeti-los. O tempo curto será em torno de ¼ de segundo (00), dado como lápis sobre a mesa,
e o tempo longo em torno de 1 segundo (0 0 0), dado com o lápis sobre a mesa. A
examinadora dará golpes da primeira estrutura da prova e a criança repetirá os mesmos. A
examinadora golpeia outras estruturas e a criança continua repetindo. Enquanto os tempos
curtos e longos são reproduzidos corretamente. Os movimentos (golpes com um lápis) não
poderão ser vistos pela criança. Serão realizados ensaios no caso que se a criança falha, nova
demonstração e ovo ensaio. Parar definitivamente quando a criança cometer três erros
consecutivos. Estes períodos de tempo são difíceis de apreciar, mas o que importa é que a
sucessão seja correta.
•
Simbolização (desenho) de estruturas espaciais
As estruturas espaciais podem ser representadas com círculos (diâmetro de três
centímetros) colocados em um cartão. Então, a criança deverá desenhar umas esferas em um
papel com um lápis, de acordo com as figuras mostradas.
A prova deverá ser parada se a criança falhar duas estruturas sucessivas.
Simbolização de estruturas temporais
•
Leitura – reprodução por meio de golpes
As estruturas simbolizadas serão representadas exatamente da mesma maneira que
as estruturas espaciais.
Deve-se parar se houver falha em duas estruturas sucessivas.
Transcrição de estruturas temporais – ditado
•
A examinadora dará os golpes com o lápis e a criança irá desenhá-los.
Deve-se parar após dois erros sucessivos.
Resultados
•
Em todos os testes de organização temporal deve-se observa a mão utilizada, o
sentido das circunferências e compreensão do simbolismo (com ou sem explicação).
•
Pontuação
Tabela 3. Idade cronológica de acordo com o número de acertos
NÍVEL
6
7
8
9
10
11
Fonte: Rosa Neto (2002)
PONTOS
6-13 acertos
14-18 acertos
19-23 acertos
24-26 acertos
27-31 acertos
32-40 acertos
3.3.7 Lateralidade
•
Lateralidade das mãos
A criança estará em pé, sem nenhum objeto ao alcance de sua mão. “Você irá
demonstrar como realiza tal movimento” (anexo M)
1) Lançar uma bola com a mão direita
2) Utilizar um objeto (tesoura, pente, escova dental,...)
3) Escrever, pintar, desenhar, etc.
•
Lateralidade dos olhos
Com um cartão furado – de dimensão 15 cm x 25 cm com um furo no centro de
0,5 cm (de diâmetro). – “fazer com que a criança fixe bem o seu olhar neste cartão, onde há
um furo, e olhe por ele, aproximando-o lentamente de seu rosto”. Realizar primeiro como
demonstração e solicitar que a criança faça o mesmo depois (anexo O)
Com um telescópio faça o mesmo procedimento, porém solicitando que a criança
visualize um objeto.
•
Lateralidade dos pés
A criança deverá segurar com uma das mãos uma bola, soltando-a e proceder com
um chute sem deixá-la tocar no chão. A criança terá duas tentativas, após a demonstração
(anexo N)
•
Resultados
Tabela 4. Resultados de lateralidade de acordo com número de repetições exato de testes
Lateralidade
D (direito)
Mãos
3 provas com a mão
direita
E (esquerdo)
3 provas com a mão
esquerda
I (indefinido)
1 ou 2 provas com a
mão direita ou com a
mão esquerda
Fonte: Rosa Neto (2002, p. 75)
•
Olhos
2 provas com os olhos
direito
2 provas com o olho
esquerdo
1 prova com o olho
direito ou com o olho
esquerdo
Pés
2 chutes com o pé
direito
2 chutes com o pé
esquerdo
1 chute com o pé
direito ou com o pé
esquerdo
Pontuação Geral
DDD
Destro completo
EEE
Sinistro completo
DED/EDE/DDE
Lateralidade cruzada
DDI/EEI/EID
Lateralidade indefinida
Quadro 5. Classificação quanto a lateralidade da criança.
Fonte: Rosa Neto (2002, p.75)
3.3.8 Definição dos termos
•
Prova motora: é a prova correspondente a uma idade motora específica
(motricidade fina, equilíbrio, etc.).
•
Idade motora (IM): é o procedimento aritmético para pontuar e avaliar os
resultados dos testes.
•
Idade cronológica (IC): obtêm-se através da data de nascimento da criança
dada em anos, meses e dias. Logo, transforma-se essa idade em meses.
•
Idade motora geral (IMG): obtém-se através da soma dos resultados obtidos
nas provas motoras, expresso em meses. Os resultados positivos obtidos nos
testes são representados pelo símbolo (1); os valores negativos (0); os valores
parcialmente positivos são representados pelo símbolo (1/2).
IMG = IM1 + IM2 + IM3 + IM4 + IM5 + IM6
6
•
Idade negativa ou positiva (IN / IP): é a diferença entre a idade motora
geral e a idade cronológica. Os valores serão positivos quando a idade
motora geral apresentar valores numéricos superiores à idade cronológica,
geralmente expressa em meses. Os valores serão negativos quando a idade
motora geral apresentar valores numéricos inferiores à idade cronológica,
geralmente expressa em meses.
•
Idade motora 1 (IM1): é obtida através da soma dos valores positivos
alcançados nos testes de motricidade fina - expressa em meses.
•
Idade motora 2 (ID2): é obtida através da soma dos valores positivos
alcançados nos testes de coordenação global - expressa em meses.
•
Idade motora 3 (IM3): é obtida através da soma dos valores positivos
alcançados nos testes de equilíbrio - expressa em meses.
•
Idade motora 4 (IM4): é obtida através da soma dos valores positivos
alcançados nos testes de esquema corporal (controle do próprio corpo e
rapidez) - expressa em meses.
•
Idade motora 5 (IM5): é obtida através da soma dos valores positivos
alcançados nas provas de organização espacial - expressa em meses.
•
Idade motora 6 (IM6): é obtida através da soma dos valores positivos
alcançados nos testes de organização temporal (linguagem e estruturação
espaço temporal) - expressa em meses.
•
Quociente motor geral (QMG): é obtida através da divisão entre a idade
geral e idade cronológica multiplicado por 100.
QMC = IMG . 100
IC
•
Quociente motor 1 (QM1): é obtido através da divisão entre a idade
motora 1 e idade cronológica. O resultado é multiplicado por 100.
•
Quociente motor 2 (QM2): é obtido através da divisão entre a idade
motora 2 e idade cronológica. O resultado é multiplicado por 100.
•
Quociente motor 3 (QM3): é obtido através da divisão entre a idade
motora 3 e idade cronológica. O resultado é multiplicado por 100.
•
Quociente motor 4 (QM4): é obtido através da divisão entre a idade
motora 4 e idade cronológica. O resultado é multiplicado por 100.
•
Quociente motor 5 (QM5): é obtido através da divisão entre a idade
motora 5 e idade cronológica. O resultado é multiplicado por 100.
•
Quociente motor 6 (QM6): é obtido através da divisão entre a idade
motora 6 e idade cronológica. O resultado é multiplicado por 100.
A coleta de dados foi realizada no período de duas semanas, todos os dias, em um
único período, sendo que a cada dia os testes eram realizados com cinco crianças. Os locais de
exame utilizados foram os espaços físicos dos próprios CEIs, lugar este que teve
características de ser livre de barulhos (silencioso), bem iluminado e ventilado, livre de ruídos
e interrupções exteriores.
O local utilizado foi amplo facilitando as provas de motricidade global e de
equilíbrio, onde as mesmas necessitavam de um espaço de 5 a 6 metros de longitude,
propiciando também ao pesquisador manejar com facilidade o material próprio do exame.
3.4 Instrumentos utilizados na coleta de dados
Para a realização desta pesquisa, foram utilizados os seguintes instrumentos:
•
Questionário Psicossocial (Anexo S)
Estruturado com questões abertas e fechadas de autoria da CEFID – UDESC
(2000), com a finalidade de coletar dados quanto ao perfil psicossocial das famílias das
crianças dos CEI´s e também conhecer a história pregressa da criança.
•
Escala de desenvolvimento motor – EDM
O principal instrumento utilizado na pesquisa foi a Escala de Desenvolvimento
Motor – EDM (ROSA NETO, 2002), uma escala brasileira de desenvolvimento motor
desenvolvida por Franscisco Rosa Neto, que prevê a realização de testes de motricidade fina,
motricidade global, equilíbrio, esquema corporal, organização espacial e temporal,
lateralidade e linguagem, que vem com um Kit-EDM que segue um manual, folha de resposta,
instrumentos para aplicação dos testes, programa de informática conforme anexo P.
Para aplicação da escala foram utilizados os seguintes materiais auxiliares:
•
Seis cubos de 2,5 cm;
•
Linha no 60;
•
Agulha de costura (1cm x 1mm);
•
Um cordão de sapatos de 45 cm;
•
Cronômetro sexagesimal;
•
Papel de seda;
•
Bola de borracha ou bola de tênis de campo – 6 cm de diâmetro;
•
Cartolina branca;
•
Lápis no 2;
•
Borracha e folhas de papel em branco. (Motricidade Fina)
•
Banco de 15 cm;
•
Corda de 2 m;
•
Elástico;
•
Suporte para saltar;
•
Uma caixa de fósforos;
•
Uma cadeira de 45 cm de altura. (Motricidade Global)
•
Banco de 15 cm;
•
Cronômetro sexagesimal. (Equilíbrio)
•
Lápis no 2;
•
Cronômetro sexagesimal. (Esquema Corporal)
•
Tabuleiro com três formas geométricas;
•
Palitos de 5 e 6 cm de comprimento;
•
Um retângulo e dois triângulos de cartolina;
•
Três cubos de cores diferentes;
•
Figuras de bonecos esquematizados. (Organização Espacial)
•
Cronômetro sexagesimal;
•
Lápis no 2. (Organização Temporal)
•
Bola;
•
Tesoura;
•
Cartão de 15 cm x 25 cm com um furo no centro de 0,5 cm de diâmetro;
•
Tubo de cartão. (Lateralidade)
•
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (anexo R)
3.5 Tratamentos utilizados para análise dos dados
Para análise dos dados foram utilizados métodos estatísticos, confecção dos
gráficos e tabelas, apresentação dos resultados, conforme os dados obtidos nas avaliações.
Para a análise dos dados foi utilizado o programa Epi-Info versão 6.0
(FERNÁNDEZ MERINO, 1996), com o intuito de avaliar a variação dos padrões motores dos
grupos pertencentes à amostra, sendo empregado a estatística descritiva, a qual analisa a
freqüência simples e percentual; análise de variância; desvio padrão; valores mínimo, máximo
e mediana.
Foi utilizado o teste estatístico de Wilcoxon para amostras independentes com um
nível de significância de 95% (α= 0,05) para verificar se existe diferença estatística entre os
resultados encontrados nas coletas nos CEI´s.
Os resultados obtidos para uma melhor visualização, interpretação e entendimento
do estudo foram dispostos em forma de tabelas e gráficos utilizando o Microsoft Office Excel
e Word 2003.
3.6 Classificação de resultados
Tabela 5. Classificação geral do desenvolvimento motor
Meses
130 ou mais
120 – 129
110 – 119
90 – 109
80 – 89
70 – 79
69 ou menos
Fonte: Rosa Neto (2002, p. 39)
Classificação
Muito superior
Superior
Normal alto
Normal médio
Normal baixo
Inferior
Muito inferior
3.7 Aspectos legais, éticos e morais da pesquisa
Segundo Moore (1975) a ética é uma palavra de origem grega, com duas origens
possíveis. A primeira é a palavra grega éthos, com e curto, que pode ser traduzida por
costume, a segunda também se escreve éthos, porém com e longo, que significa propriedade
do caráter. A primeira é a que serviu de base para a tradução latina enquanto que a segunda é a
que, de alguma forma, orienta a utilização atual que damos à palavra Ética.
“Realmente os termos “ética” e “moral” não são particularmente apropriados para
nos orientarmos. Cabe aqui uma observação sobre sua origem, talvez em primeiro
lugar curiosa. Aristóteles tinha designado suas investigações teórico-morais - então
denominadas como “éticas” - como investigações “sobre o ethos”, “sobre as
propriedades do caráter”, porque a apresentação das propriedades do caráter, boas e
más (das assim chamadas virtudes e vícios) era uma parte integrante essencial destas
investigações. A procedência do termo “ética”, portanto, nada tem a ver com aquilo
que entendemos por “ética”. No latim o termo grego éthicos foi então traduzido por
moralis. Mores significa: usos e costumes. Isto novamente não corresponde, nem à
nossa compreensão de ética, nem de moral. Além disso, ocorre aqui um erro de
tradução. Pois na ética aristotélica não apenas ocorre o termo éthos (com 'e' longo),
que significa propriedade de caráter, mas também o termo éthos (com 'e' curto) que
significa costume, e é para este segundo termo que serve a tradução latina.”
(TUGENDHAT, 1997).
3.7.1 Aspectos Legais
Quando da elaboração de um estudo de caso ou parecer sobre um projeto de
pesquisa deve ser sempre verificada a sua adequação às leis, normas e diretrizes vigentes.
No Brasil, as exigências estabelecidas pela Resolução 196/96 do Conselho
Nacional de Saúde devem ser atendidas (GOLDIM, 1993).
Vale ressaltar que inúmeros outros textos legais impõem restrições e estabelecem
requisitos mínimos à realização de projetos de pesquisa em áreas específicas.
3.7.2 Aspectos Éticos
Segundo Goldim (1993), na pesquisa em saúde inúmeras situações podem ser
caracterizadas como sendo geradoras de dilemas éticos. Os aspectos éticos aplicados à
pesquisa em saúde podem ser abordados por quatro diferentes perspectivas:
•
envolvimento de seres humanos;
•
uso de animais;
•
relação com outros pesquisadores;
•
relação com a sociedade .
3.7.2.1 Pesquisa em seres humanos
Quando seres humanos são utilizados em pesquisas devem ser sempre preservados
os princípios bioéticos fundamentais do Respeito ao Indivíduo (Autonomia), da Beneficência
(incluindo a Não Maleficência) e da Justiça.
O respeito ao indivíduo pesquisado se materializa no processo de obtenção do
consentimento informado. A criteriosa avaliação da relação risco/benefício tem como base o
princípio da beneficência. A seleção dos indivíduos a serem pesquisados, por sua vez, deve ter
sempre presente o critério da justiça. Desta forma, não devem ser segregados grupos ou
pessoas (GOLDIM, 1993)
3.7.3 Aspectos Morais
Os cientistas têm deveres institucionais, sociais e profissionais. Os deveres
institucionais básicos são: a honestidade; a sinceridade; a competência; a aplicação; a lealdade
e a discrição. Os deveres sociais são: a veracidade, a não-maleficência e a justiça. Por fim, os
deveres profissionais são pesquisar adequada e independente, além de buscar aprimorar e
promover o respeito à sua profissão.
Os cientistas não devem fazer pesquisas que possam causar riscos não justificados
às pessoas envolvidas; violar as normas do consentimento informado; converter recursos
públicos em benefícios pessoais; prejudicar seriamente o meio ambiente ou conter erros
previsíveis ou evitáveis (GOLDIM, 1993).
Este estudo teve como questão ética, proteger a privacidade de crianças na faixa
etária de 3 a 5 anos, objetos da pesquisa, respeitando a sua dignidade e protegendo os seus
direitos e bem estar; contou com o consentimento dos pais e/ou responsável após ter recebido
uma explicação clara e completa sobre o tema da pesquisa, de tal forma que pode
compreender seus benefícios; teve a garantia de receber resposta a qualquer pergunta ou
esclarecimento a qualquer dúvida acerca dos procedimentos, riscos, benefícios e outros
relacionados com a pesquisa; teve, também, a liberdade de retirar o seu consentimento a
qualquer momento e deixar de participar da pesquisa; teve a segurança de que não seria
identificado e se manteria o caráter confidencial da informação relacionada com a sua
privacidade.
Esta pesquisa teve seu projeto enviado à Comissão de Ética em Pesquisa – CEP
UNISUL, no registro (código): 06.104.4.08 III, visto que o mesmo foi aprovado conforme
Legislação Federal Brasileira (Anexo T).
Os resultados encontrados foram dispostos em pastas, através de relatório, sendo
expostos e esclarecidos aos responsáveis das instituições, bem como aos pais das crianças. As
dúvidas surgidas foram respondidas e esclarecidas.
4
APRESENTAÇÃO, INTERPRETAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Na medida em que o meio externo ajuda a criança em si, a afirmar-se como uma
unidade afetiva e expressiva, favorece então o equilíbrio entre o dito espontâneo e o
controlado, sua motricidade global coordenada e rítmica traduz o bom desenvolvimento de
sua função de ajustamento.
Atualmente a visão da educação psicomotora não é bem difundida, pois muitos
educadores não percebem o quanto é importante a efetiva atuação junto à criança de modo que
a mesma possa passar por este estágio (3 aos 6 anos) sem produzir uma ruptura entre o
universo mágico, seu mundo imaginário no qual se projeta sua subjetividade e o universo
onde impera uma organização e uma estrutura.
Segundo Le Boulch (1982) a educação psicomotora na idade escolar deve ser
antes de tudo uma experiência ativa de confrontação com o meio. A ajuda educativa,
proveniente dos pais e do meio escolar, tem a finalidade não de ensinar à criança
comportamentos motores, mas sim de permiti-lhe, mediante o jogo, exercer sua função de
ajustamento, individualmente ou com outras crianças.
No estágio escolar, a primeira prioridade constitui a atividade motora lúdica, fonte
de prazer, permitindo à criança prosseguir a organização de sua “imagem do corpo”
ao nível do vivido e de servir de ponto de partida na sua organização práxica em
relação com o desenvolvimento das atitudes de análise perceptiva. (LE BOULCH,
1982, p. 129).
A pesquisa realizada refere-se e caracteriza os padrões motores avaliados das
crianças estudadas dos dois CEI´s. Visto que, os padrões motores serão analisados e
considerados segundo a EDM (ROSA NETO, 2002).
Foi também aplicado um questionário psicossocial junto aos pais das crianças, o
qual elucidou alguns valores obtidos nos testes realizados.
Cabe lembrar que a amostra estudada refere-se à dois grupos específicos de
crianças com idade entre 3 e 5 anos matriculadas em período parcial (vespertino), de CEI´s,
um de caráter público e outro de caráter privado de ensino da cidade de Gravatal/SC.
4.1 Comparação dos resultados obtidos através do questionário psicossocial aplicado aos
pais e/ou responsáveis pelas crianças nos CEI´s do município de Gravatal/SC
Tabela 6. Distribuição do nº e % das crianças avaliadas no Centro de Educação Infantil
Pirulito, segundo idade e gênero no período de setembro e outubro de 2006, na cidade de
Gravatal/ SC.
Sexo
Idade (anos)
Masculino
Feminino
03
04
05
Nº
01
02
02
%
20,00
40,00
40,00
Nº
0
04
07
%
36,00
64,00
Total
05
100,00
11
100,00
Quanto a distribuição de crianças no CEI Pirulito em relação a idade e gênero
masculino obteve-se 20% de crianças com idade de três anos, 40% com idade de quatro anos e
40% com idade de cinco anos.
Já em relação à idade e gênero feminino obteve-se 36% de crianças com idade de
quatro anos e 64% com idade de cinco anos.
Tabela 7 - Distribuição do nº e % das crianças avaliadas do Centro de Educação
Infantil – Mickeylândia - segundo idade e sexo, no período de setembro e outubro de
2006, na cidade de Gravatal/SC
Sexo
Idade
Masculino
Feminino
03
04
05
Nº
01
04
%
20,00
80,00
Nº
0
06
05
%
55,00
45,00
Total
05
100,00
11
100,00
Quanto à distribuição de crianças no CEI Mickeylândia em relação à idade e
gênero masculino obteve-se 20% de crianças com idade de três anos, 80% com idade de cinco
anos. Já em relação à idade e gênero feminino obteve-se 55% de crianças com idade de quatro
anos e 45% com idade de cinco anos.
Na tabela acima não se obteve números no gênero masculino na faixa etária de 4
anos, o qual não atrapalhou no resultado da amostra, pois o estudo não se dirigia a
comparação entre os gêneros.
Tabela 8 - Distribuição do nº e % - segundo idade da mãe no momento do parto e
condições da gravidez – CEI Pirulito
Idade da mãe
no momento do
parto
Menos de 20 anos
Entre 20 e 29 anos
Entre 30 e 39 anos
Entre 40 e 49 anos
Mais de 49 anos
Total
Gravidez
Normal
Nº
01
07
03
01
12
De risco
%
8,35
58,30
25,00
8,35
100,00
Nº
02
01
03
%
66,70
33,30
100,00
Obs. Uma das mães não soube responder, pois a criança é adotiva.
Pode-se observar na tabela acima, que a maioria das mães tiveram seus filhos
entre 20-29 anos representando 60% da amostra, tendo 02 casos de risco nesta faixa etária
relacionados ao controle da pressão arterial, evitando complicações futuras em relação à préeclâmpsia e eclâmpsia, fazendo uso de antihipertensivos e diuréticos.
Segundo Porto (1997) talvez a pré-eclâmpsia seja a patologia mais específica da
gravidez, embora pobremente desvendada, quer na fisiopatologia ou na etiologia. Ainda que
com gênese incerta, o processo fisiopatológico pode ser resumido, à luz do conhecimento
atual, em três fenômenos de papel fundamental no determinismo de todas as alterações
verificadas nas diversas áreas do organismo materno:
•
Vasoespasmo generalizado;
•
Lesão endotelial;
•
Adaptação trofoblástica inadequada.
A origem de todo processo poderia estar localizada na teoria imunológica proposta
há vários anos por Beer (apud PORTO, 1997), que refletiria uma incapacidade materna de
tolerância aos antígenos fetais de origem paterna. Evidências desta teoria poderiam ser
encontradas nos dados epidemiológicos, onde primigestas ou aquelas com troca de parceiro
em nova gestação passam a apresentar maior risco para desenvolver pré-eclâmpsia (PE).
O espasmo arteriolar universal é a manifestação príncipe da doença, cujo resultado
é a maior resistência periférica, conduzindo à hipertensão arterial. Uma seqüência de ensaios
apresentou marco fundamental com a publicação de Gant et al (1973 apud PORTO, 1997) de
seus resultados, onde se descrevia que determinado grupo de gestantes necessitava de menor
dose de infusão de angiotensina II para desenvolver uma resposta pressora anteriormente
padronizada. A observação prospectiva desse grupo específico demonstrou um poder de
predição para a instalação da patologia. Segundo estes autores, a análise dos dados obtidos
entre 28 e 32 semanas de gestação, antecipa que 90% das gestantes cuja resposta pressora
ocorreu com doses menores que 8 ng/kg/min, deflagraram PE 10 a 12 semanas mais tarde,
enquanto que mais de 90% das pacientes do grupo que necessitou de doses maiores que 8
ng/kg/min durante o mesmo período permaneceram normotensas.
A partir dos trabalhos de Walsh (apud PORTO, 1997) verifica-se que haveria
também o envolvimento importante do metabolismo de prostaglandinas representado pelo
desequilíbrio de suas ações, com maior predomínio de tromboxane A2, com ação
vasoconstritora e agregante plaquetária, em relação às prostaciclinas de ação vasodilatadora e
inibidora da agregação plaquetária, determinando maior resistência periférica.
A mãe menor de 20 anos teve uma gestação tranqüila sem intercorrências.
Já a mãe com idade entre 40-49 anos relatou a necessidade do uso de
antidepressivo, para modular a ansiedade e depressão.
Tabela 9 - Distribuição do nº e % - segundo idade da mãe no momento do parto e
condições da gravidez – CEI Mickeylândia
Idade da mãe
no momento do
parto
Gravidez
Normal
De risco
Menos de 20 anos
Entre 20 e 29 anos
Entre 30 e 39 anos
Entre 40 e 49 anos
Mais de 49 anos
Nº
02
07
06
-
%
13,30
46,70
40,00
Nº
01
-
%
100,00
-
Total
15
100,00
01
100,00
A maioria das mães (75%), deste CEI, relatou não ter usado nenhum tipo de
medicamento durante a gestação, e (25%) relataram ter usado medicamentos para náuseas e
anemia.
Como podemos notar, neste CEI também foi destaque a faixa etária de 20-29 anos
(46,70%) como o maior índice de gestações, sendo que obteve menor índice de gestação de
risco em comparação com a tabela do CEI Pirulito.
Tabela 10 - Distribuição da idade da mãe no momento do parto e o tempo gestacional em
semanas do CEI Pirulito
Idade da mãe
no momento do Menor que 32 semanas
Nº
%
parto
Menos de 20 anos
Entre 20 e 29 anos
Entre 30 e 39 anos
Entre 40 e 49 anos
Mais de 49 anos
Total
0
0
Duração da Gravidez
De 32 a 37 semanas
Nº
%
03
03
100,00
100,00
De 38 a 42 semanas
Nº
%
01
06
03
02
12
8,30
50,00
25,00
16,70
100,00
Obs. Uma das mães não soube responder a idade da mãe biológica.
Através desta tabela pode-se relacionar a idade cronológica da criança, em relação
a sua idade gestacional, ou seja, podemos reavaliar o padrão motor da criança sem que haja
um erro de significância muito grande, pois temos algumas crianças que não se saíram tão
bem em alguns testes, porém pode-se afirmar que estes foram adequados para a sua idade
cronológica, já que nasceram prematuramente.
Em relação aos partos, 81,25% (13) foram cesáreas e 18,75% (3) partos normais.
Desses partos, 18,75% (1) não soube responder a idade da mãe no momento do parto, pois a
criança é adotiva; 18,75% (1) como principal causa sugestiva a aspiração de mecônio e
62,50% (14) não relataram nenhum tipo de complicação ou intervenção durante o parto.
Tabela 11 - Distribuição da idade da mãe no momento do parto e o tempo gestacional em
semanas do CEI Mickeylândia
Idade da mãe
no momento do Menor que 32 semanas
Nº
%
parto
Menos de 20 anos
Entre 20 e 29 anos
Entre 30 e 39 anos
Entre 40 e 49 anos
Mais de 49 anos
Total
01
01
100
100,00
Duração da Gravidez
De 32 a 37 semanas
Nº
%
01
34,00
02
66,00
03
100,00
De 38 a 42 semanas
Nº
%
02
16,70
08
66,60
02
16,70
12
100,00
Em relação aos partos, 50% foram cesáreas e 50% foram partos normais. Desses
partos, 7% tiveram como complicação, hemorragia pós-parto, 93% não relataram nenhum tipo
de complicação ou intervenção durante o parto.
A questão da prematuridade é relevante não só pelos índices de mortalidade a ela
associados, mas também pela qualidade de vida restrita de muitos dos que a ela sobrevivem.
Embora os avanços tecnológicos permitam a sobrevivência de crianças cada vez menores (em
termos tanto de idade gestacional, como de peso ao nascer), as seqüelas dessa prematuridade
podem ser extremamente graves e penosas, seja para criança, seja para sua família (ZUCCHI,
1999).
Segundo Orr e Miller (1995, p. 165), “o nascimento pré-termo e o baixo peso ao
nascer são as principais causas de morbi-mortalidade infantil nos Estados Unidos, por
exemplo.”
Com o intuito de diminuir estes índices, vários estudos epidemiológicos têm sido
desenvolvidos, pesquisando fatores de risco para prematuridade, tais como: fatores sóciodemográficos, idade materna (abaixo de vinte anos), grau de pobreza, condições de saúde da
gestante (hipertensão, problemas de placenta, infecções), comportamentos da gestante
(especialmente o uso de cigarro, drogas e álcool), falta ou inadequação do acompanhamento
pré-natal (ORR; MILLER, 1995, p. 165).
De acordo estes autores, no entanto, tais fatores respondem apenas por uma parte
(em torno de 30%) dos nascimentos prematuros, o que leva a pesquisa dos fatores de risco
para a prematuridade em direção aos aspectos psicossociais (dentre outros).
Estudos prospectivos, como os de Victora et al (1996) realizados no sul do Brasil,
demonstram que a melhora nas condições sócio-econômicas, educacionais e nutricionais das
gestantes não são suficientes para redução do baixo peso ao nascer (o qual, por sua vez,
apresenta forte relação com a prematuridade e o crescimento intra-uterino retardado).
Tabela 12 - Distribuição do tempo gestacional da mãe em semanas e o peso do bebê no
momento do parto do CEI Pirulito
Duração da
Gravidez
> 32 semanas
32 a 37 semanas
38 a 42 semanas
Total
Peso do bebê ao nascer
> 2.500kg
Nº
%
01
50,00
01
50,00
02
100,00
2.500kg a 2.999kg
Nº
%
01
100,00
01
100,00
3.000kg a 3.999kg
Nº
%
01
9,10
10
90,90
11
100,00
< 4.000kg
Nº
%
01
100,00
01
100,00
A tabela acima mostra que não houve nenhuma gestação inferior a 32 semanas,
ficando a grande maioria (90,90%) entre 38-42 semanas, ou seja, a termo e com bebê pesando
entre 3.000 a 3.999Kg.
Porém observa-se que houve gestações pré-termo (prematuridade) e com baixo
peso ao nascer do bebê.
Tabela 13 - Distribuição do tempo gestacional da mãe em semanas e o peso do bebê no
momento do parto do CEI Mickeylândia
Duração da
Gravidez
> 32 semanas
32 a 37 semanas
38 a 42 semanas
Peso do bebê ao nascer
> 2.500kg
Nº
%
01
100
2.500kg a 2.999kg
Nº
%
-
3.000kg a 3.999kg
Nº
%
03
25,00
09
75,00
< 4.000kg
Nº
%
01
34,00
02
66,00
01
100,00
0,0
0,0
12
100,00
03
100,00
Total
A tabela acima mostra a grande maioria das gestações (90,90%) entre 38-42
semanas, ou seja, a termo e com bebê pesando entre 3.000 a 3.999Kg.
Uma gestação menor que 32 semanas, porém com bebê pesando acima de
4.000Kg, uma coisa rara de encontrar, porém com uma justificativa plausível para o parto
prematuro, visto que o bebê era muito grande e a mãe era multípara de partos normais, e
segundo a mãe, o parto foi tranqüilo, sem intercorrências. E 25% das gestações ficaram entre
32-37 semanas com bebês pesando entre 3.000Kg a 3.999Kg.
Tabela 14 - Distribuição da idade da criança em relação às aquisições do CEI Pirulito
Aquisições
Idade das
crianças
Mamou no peito
1 mês
2 meses
3 meses
4 meses
5 meses
6 meses
7 meses
8 meses
9 meses
10 meses
11 meses
12 meses
Acima 12
meses
Não sabe
Total
Comer alimentos
sólidos
Falar as
primeiras
palavras
Controlou
Xixi
Cocô
Nº
02
01
02
02
02
01
01
02
02
%
12,50
6,25
12,50
12,50
12,50
6,25
6,25
12,50
12,50
Nº
01
02
06
02
01
01
02
-
%
6,25
12,50
37,50
12,50
6,25
6,25
12,50
-
Nº
01
02
01
04
05
02
%
6,25
12,50
6,25
25,00
31,25
12,50
Nº
01
15
%
6,25
93,75
Nº
01
15
%
6,25
93,75
01
16
6,25
100,00
01
16
6,25
100,00
01
16
6,25
100,00 16
100,00
16 100,00
Em relação a tabela 14, vimos que obteve-se 12,50% que mamou durante só um
mês; 12,50% acima de 12 meses.
No quesito introdução de alimentos sólidos, 6,25% começaram com 4 meses; e
12,50% com 12 meses, em um período mais tardio.
As primeiras palavras foram pronunciadas em 6,25% com 6 meses; e no período
mais tardio 12,50% com 12 meses.
O controle de esfíncteres se deu na maioria dos casos acima de 12 meses, em uma
proporção de 93,75% da amostra.
Em relação à deambulação da criança, obteve-se uma média única e unânime na
faixa etária de 10-15 meses, onde seus primeiros passos foram dados, correspondendo a
93,75% da amostra.
Tabela 15 - Distribuição da idade da criança em relação às aquisições do CEI
Mickeylândia
Aquisições
Idade das
crianças
Até 29 dias
1 mês
2 meses
3 meses
4 meses
5 meses
6 meses
7 meses
8 meses
9 meses
10 meses
11 meses
12 meses
Acima 12
meses
Não mamou
Não controlou
Total
Mamou no peito
Comer alimentos
sólidos
Falar as
primeiras
palavras
Controlou
Xixi
Cocô
Nº
02
01
01
02
01
01
01
01
05
%
12,50
6,25
6,25
12,50
6,25
6,25
6,25
6,25
31,25
Nº
01
04
04
02
02
02
01
%
6,25
25,00
25,00
12,50
12,50
12,50
6,25
Nº
01
04
06
03
02
%
6,25
25,00
37,50
18,75
12,50
Nº
15
%
93,75
Nº
15
%
93,75
01
-
6,25
-
-
-
-
-
01
6,25
01
6,25
16
100,00
16
100,00
16
100,00 16
100,00
16 100,00
Em contrapartida, as mães do CEI Mickeylândia apresentaram uma variância
muito grande em relação ao tempo de amamentação.
O aleitamento materno esteve presente até os 6 meses de idade em 6,25% das
crianças, até 12 meses em 12,5%, até 3 meses em 12,5%, por mais de 12 meses em 31,25% e
6,25% de crianças nunca receberam essa substância, 12,5% até 29 dias, 6,25% até aos 9
meses.
No quesito introdução a alimentos sólidos, começaram aos 4 meses
correspondendo a 6,25% da amostra e em um período tardio, com 6,25% acima de 12 meses.
As primeiras palavras foram pronunciada aos 6 meses (6,25%) e a mais tardia
acima de 12 meses (12,50%).
Em controle de esfíncteres, a grande maioria (93,75%) acima de 12 meses e 6,25%
ainda não conseguiu controlar o xixi e o cocô.
Através da análise se obteve também os dados referentes à deambulação da
criança, visto que a mesma ficou evidenciada na faixa etária de 10-15 meses, onde seus
primeiros passos foram dados, correspondendo a 100% da amostra.
Tabela 16 - Distribuição do sono da criança no primeiro ano de vida e atualmente do
CEI Pirulito
No primeiro
Ano de vida
Sono da criança
Criança
Atualmente
Agitado
Tranqüilo
Não sabe
Nº
06
09
01
%
37,50
56,25
6,25
Nº
02
14
-
%
12,50
87,50
-
Total
16
100,00
16
100,00
Observou-se que a 35,50% da amostra no primeiro ano de vida apresentava um
sono agitado, alternando o mesmo para tranqüilo, ficando atualmente em 12,50%, obtendo
assim uma melhora de 25% na qualidade do sono. Segundo o questionário aplicado aos
responsáveis pelas crianças, as mesmas dormem em média 8hs por dia correspondendo à
31,25%, e os outros 68,75% da amostra dormem mais de 8hs.
A convivência familiar no mesmo lar em relação a quantidade de pessoas que
dividem o mesmo espaço, fazendo parte do desenvolvimento psicomotor da criança, ficou
caracterizado de forma que até três pessoas no mesmo lar contando com a criança
correspondem a 18,75% da amostra, outras com quatro pessoas correspondendo a 25%,
31,25% que correspondem a cinco pessoas e 31,25% que correspondem a seis.
Tabela 17 - Distribuição do sono da criança no primeiro ano de vida e atualmente do
CEI Mickeylândia
No primeiro
Ano de vida
Sono da criança
Criança
Atualmente
Agitado
Tranqüilo
Não sabe
Nº
04
12
-
%
25,00
75,00
-
Nº
02
13
01
%
12,50
81,25
6,25
Total
16
100,00
16
100,00
Segundo o questionário aplicado aos responsáveis pelas crianças, as mesmas
dormem em torno de 8hs por dia correspondendo à 37,50%, menos de 8hs que correspondem
a 6,25% e os outros 56,25% da amostra dormem mais de 8hs.
A maioria dos pais (75%) relatou que o sono da criança era tranqüilo no primeiro
ano de vida, enquanto que 25% classificaram como agitado. Já atualmente este índice
aumentou para 81,25% caracterizado como sono tranqüilo e 12,5% como agitado e 6,25% não
souberam responder.
A maioria das famílias residem com 4 pessoas na mesma casa correspondendo a
31,25%, com 5 pessoas 12,5%, 12,5% com duas pessoas e 43,75% com três pessoas.
Tabela 18 - Distribuição da escolaridade do pai, da mãe e do responsável pela criança do
CEI Pirulito
Escolaridade
Ensino Fundamental ( de 1ª a 4ª série – incompleto)
Ensino Fundamental ( de 1ª a 4ª série – completo)
Ensino Fundamental ( de 5ª a 8ª série – incompleto)
Ensino Fundamental ( de 5ª a 8ª série – completo)
Ensino Médio ( segundo grau – incompleto)
Ensino Médio ( segundo grau – completo)
Curso Superior (Universidade – incompleto)
Curso Superior (Universidade – completo)
Não responderam
Total
Pai
Nº
1
7
5
3
16
%
6,25
43,75
31,25
18,75
100,00
Mãe
Nº
1
6
1
8
16
%
6,25
37,50
6,25
50,00
93,75
Responsável
Nº
%
6,25
1
1
6,25
02
12,50
A escolaridade de 50% das mães foi referente ao curso superior completo, 37,5%
ensino médio completo, 6,25% ensino médio incompleto e 6,25% curso superior incompleto.
Já a escolaridade dos pais foi de 43,75% referentes ao ensino médio completo, 31,25% curso
superior incompleto, 18,75% curso superior completo e 6,25% ensino fundamental
incompleto de 5ª a 8ª série.
A escolaridade do responsável foi de 6,25% ensino fundamental completo de 1ª a
4ª série e 6,25% para ensino médio completo.
Tabela 19 - Distribuição da escolaridade do pai, da mãe e do responsável pela criança do
CEI Mickeylândia
Escolaridade
Ensino Fundamental ( de 1ª a 4ª série – incompleto)
Ensino Fundamental ( de 1ª a 4ª série – completo)
Ensino Fundamental ( de 5ª a 8ª série – incompleto)
Ensino Fundamental ( de 5ª a 8ª série – completo)
Ensino Médio ( segundo grau – incompleto)
Ensino Médio ( segundo grau – completo)
Curso Superior (Universidade – incompleto)
Curso Superior (Universidade – completo)
Não responderam
Total
Pai
Nº
1
1
4
2
6
1
1
16
%
6,25
6,25
25,00
12,50
37,50
6,25
6,25
100,00
Mãe
Nº
1
2
2
1
2
5
3
16
%
6,25
12,50
12,50
6,25
12,50
31,25
18,75
100,00
Responsável
Nº
%
0
0
Na distribuição da escolaridade dos pais, nota-se uma grande diferença no setor
educacional, pois a grande maioria dos pais do CEI Pirulito apresentam uma formação
educacional de nível superior completo, correspondendo a 69,00% da amostra. Ficando bem
dividido entre mãe e pai.
A escolaridade de 31,25% das mães foi referente ao ensino médio completo,
12,5% ensino médio incompleto e 18,75% curso superior incompleto, 6,25% ensino
fundamental incompleto de 1ª a 4ª série, 12,5% ensino fundamental completo de 1ª a 4ª série,
12,5% ensino fundamental incompleto de 5ª a 8ª série, 6,25% ensino fundamental de 5ª a 8ª
série completo. Já a escolaridade dos pais foi de 37,5% referentes ao ensino médio completo,
6,25% curso superior incompleto, 6,25% curso superior completo, 6,25% ensino fundamental
incompleto de 1ª a 4ª série, 6,25% ensino fundamental completo de 1ª a 4ª série, 25% ensino
fundamental 5ª a 8ª série incompleto e 12,5% ensino médio 5ª a 8ª série completo.
Tabela 20 – Condição de moradia da família das crianças do CEI Pirulito
Moradia
Casa própria
Aluguel
Outros
Total
No
14
02
16
%
87,50
12,50
100,00
Em relação à condição de moradia 87,5% possuem casa própria, 12,5% aluguel, o
que denota uma condição econômica mais estável.
Tabela 21 – Condição de moradia da família das crianças do CEI Mickeylândia
Moradia
Casa própria
Aluguel
Outros
Total
No
09
06
01
16
%
56,25
37,50
6,25
100,00
Em contrapartida na pública, a distribuição da moradia corresponde a 56,25%
residem em casa própria, 37,5% residem de aluguel e 6,25% de favor, existindo desta forma,
uma diferença em relação à situação econômica e provavelmente uma diferença social entre os
CEI´s.
Tabela 22 - Distribuição da renda familiar dos pais das crianças do CEI Pirulito
Renda Familiar
Até 1 salário mínimo
De 1 a 5 salários mínimos
De 5 a 10 salários mínimos
Mais de 10 salários mínimos
Total
No
7
8
1
16
%
43,75
50,00
6,25
100,00
Entre o grupo pesquisado na tabela acima, 43,75% possuía como renda per capita
a quantidade de 1 a 5 salários-mínimos, 50% de 5 a 10 salários e 6,25% acima de 10 salários.
Tabela 23 – Distribuição da renda familiar dos pais das crianças do CEI Mickeylândia
Renda Familiar
Até 1 salário mínimo
De 1 a 5 salários mínimos
De 5 a 10 salários mínimos
Mais de 10 salários mínimos
Total
No
03
12
01
16
%
18,75
75,00
6,25
100,00
Já no grupo acima, da tabela 23, 75% possuía como renda per capita a quantidade
de 1 a 5 salários-mínimos, 18,75% até 1 salário mínimo e 6,25% acima de 10 salários.
Nestes dados observa-se uma grande diferença em relação à renda per capita dos
grupos, evidenciando o nível econômico das famílias dos CEI´s.
A principal conclusão que chega a partir dos resultados é que efetivamente existe
evidência de que as desigualdades de renda e de educação estão negativamente
correlacionadas com a renda per capita. Além disso, verifica-se que há indicação de que o
grau de participação política têm correlação positiva com a renda. Destaca-se também a
verificação de que as evidências apontam a existência de correlação entre desigualdade de
renda e desigualdade educacional, a qual influencia diretamente no desenvolvimento motor
dos pré-escolares.
As dificuldades financeiras interferem na área nutricional, psicossocial, motora e
principalmente na afetiva, pois os pais quando passam por situações difíceis, refletem seus
desgostos no lar, muitas vezes sobre seus filhos, os quais de uma maneira sutil se voltam para
si, tornando-se tímidos, agressivos e carentes de afeto.
4.2 Desenvolvimento motor
Avaliados e considerados os testes motores realizados com a EDM (Rosa Neto,
2002), no qual foram testados as habilidades motoras individuais de cada criança dos CEI´s
estudados, qualificando e quantificando a idade motora geral (IMG), representada pela soma
da Motricidade Fina (IM1), Motricidade Global (IM2), Equilíbrio (IM3), Esquema Corporal
(IM4), Organização Espacial (IM5), Organização Temporal (IM6), dividida por 6 (número
exato das variáveis), bem como o quociente motor geral (QMG), que é obtido pela divisão da
IMG pela idade cronológica (IC), multiplicado por 100. O QMG está subdividido exatamente
6 áreas (QM1, QM2, QM3, QM4, QM5, QM6); que correspondem as mesmas áreas da
subdivisão da IMG.
Tabela 24 – Análise do desenvolvimento motor/16 crianças do CEI Pirulito de 3 a 5 anos
Variáveis
Média
Variância
Desvio
Padrão
Valor
Mínimo
Mediana
Valor
Máximo
IDADE CRONOLÓGICA –
IC
IDADE MOTORA GERAL
– IMG
Motricidade Fina – IM1
Motricidade Global – IM2
Equilíbrio – IM3
Esquema Corporal – IM4
Organização Espacial – IM5
Organização Temporal –
58.62
64.78
8.04
43.00
59.00
72.00
58.12
40.78
6.38
48.00
56.00
70.00
55.50
63.75
52.50
59.25
61.50
56.25
74.50
129.00
112.80
181.80
93.60
33.00
8.62
11.35
10.62
13.48
9.67
5.74
48.00
48.00
24.00
48.00
48.00
48.00
54.00
60.00
48.00
54.00
60.00
60.00
72.00
96.00
72.00
84.00
84.00
60.00
99.95
96.96
9.84
85.70
100.70
120.90
96.45
110.55
91.85
102.31
107.31
99.05
142.85
213.85
395.85
268.08
286.55
283.63
11.95
14.62
19.89
16.37
16.92
16.84
76.20
90.60
42.90
75.00
82.80
66.70
96.00
109.10
93.05
105.70
107.70
98.40
117.60
139.50
120.00
124.10
139.50
120.00
IM6
QUOCIENTE MOTOR
GERAL – QMG
Motricidade Fina – QM1
Motricidade Global – QM2
Equilíbrio – QM3
Esquema Corporal – QM4
Organização Espacial –
QM5
Organização Temporal –
QM6
Obs.: A média, valor mínimo, máximo e mediana da IC, IMG e IM1 – IM6 estão dispostas em meses.
Os resultados da tabela 24 quando analisada, mostram um desempenho motor
adequado para a idade cronológica quando comparada com a idade motora geral, pois segundo
Rosa Neto (1996), a idade motora representa a média da capacidade individual da criança em
todas as habilidades motoras e deve corresponder à idade cronológica.
Observa-se ainda que este grupo apresentou diferenças positivas consideráveis nas
áreas de motricidade global (IM2=63.75), esquema corporal (IM4=59.25), organização
espacial (IM5=61.50) e no quociente da motricidade global (QM2=110.55).
Segundo Negrine (1986) a orientação espacial determina a direcionalidade, e esta
tem culminância às noções de direita e esquerda no próprio corpo onde na maioria das
crianças irá definir-se a partir dos 6 anos de idade, embora não seja raro encontrar crianças
com lateralidade homogênea definida até mesmo aos 3 ou 4 anos
Segundo Rosa Neto (2002) a criança passa grande parte de sua vida na escola, e,
por isso, sua conduta está representada pela sua atividade motora. [...] a perfeição progressiva
do ato motor implica um funcionamento global dos mecanismos reguladores do equilíbrio e
da atitude.
Segundo Papalia e Olds (2000) nesta faixa etária as crianças fazem grandes
progressos nas habilidades motoras gerais, como saltar e correr, as quais envolvem os
músculos maiores. [...] seus ossos e músculos são mais fortes, e sua capacidade respiratória é
maior.
Obtivemos uma grande diferença negativa em relação as variáveis da motricidade
fina (IM1=55.50), equilíbrio (IM3=52.50) e na organização temporal (IM6=56.25).
Segundo Negrine (1986) a organização temporal pode apresentar dois níveis de
significação diferente: o primeiro que é o nível de percepção imediata, não redutível a um
outro mecanismo que pressuponha uma organização espontânea de fenômenos sucessivos; e o
segundo que é o nível da representação mental, permitindo-lhe “[...] a partir do momento em
que se situa, abraçar as perspectivas temporais passadas e futuras que constituem seu
horizonte temporal.”
Tabela 25 – Análise do desenvolvimento motor/16 crianças do CEI Mickeylândia de 3 a
5 anos
Variáveis
Média
Variância
Desvio
Padrão
Valor
Mínimo
Mediana
Valor
Máximo
IDADE CRONOLÓGICA –
IC
IDADE MOTORA GERAL
– IMG
Motricidade Fina – IM1
Motricidade Global – IM2
Equilíbrio – IM3
Esquema Corporal – IM4
Organização Espacial – IM5
Organização Temporal –
61.00
39.86
6.31
47.00
62.50
71.00
62.50
24.26
4.92
56.00
62.00
72.00
58.50
76.50
63.75
57.00
59.25
60.00
16.80
228.00
129.00
201.60
124.20
19.20
4.09
15.10
11.35
14.19
11.14
4.38
48.00
60.00
48.00
48.00
48.00
48.00
60.00
72.00
60.00
48.00
60.00
60.00
60.00
96.00
84.00
96.00
84.00
72.00
103.04
73.26
8.55
86.20
103.20
119.10
97.18
125.59
105.38
93.00
97.52
99.56
207.75
491.85
435.52
288.28
286.79
203.59
14.41
22.17
20.86
16.97
16.93
14.26
69.60
92.30
73.80
72.70
73.80
73.80
96.00
118.90
99.25
89.75
93.75
96.00
127.70
165.50
144.80
135.20
127.70
127.70
IM6
QUOCIENTE
MOTOR
GERAL – QMG
Motricidade Fina – QM1
Motricidade Global – QM2
Equilíbrio – QM3
Esquema Corporal – QM4
Organização Espacial –
QM5
Organização
Temporal
–
QM6
Obs.: A média, valor mínimo, máximo e mediana da IC, IMG e IM1 – IM6 estão dispostas em meses.
Os resultados apresentados na tabela acima apontam uma discrepância entre a
média da idade cronológica (IC=61.00) quando comparado com a média da idade motora
geral (IMG=62.50).
Como já citado acima, a idade motora geral deve corresponder à idade cronológica
da criança. Neste caso obtivemos uma grande variação entre as variáveis, o que indica uma
idade positiva superior à normalidade.
Observa-se ainda que o grupo apresentou também discrepâncias nas variáveis de
motricidade global (IM2=76.50), quociente da motricidade global (QM2=125.59), indicando
um alto índice de desenvolvimento quando comparado com o outro grupo.
Segundo Papalia e Olds (2000), a habilidade das crianças varia conforme sua
herança genética e suas oportunidades para aprender e praticar habilidades motoras. [...] as
áreas sensoriais e motoras do córtex estão mais desenvolvidas do que antes, permitindo
melhor coordenação entre o que as crianças querem fazer e o que podem fazer.
As crianças quando estimuladas e deixadas em ambientes livres, amplos realizam
consideravelmente uma progressão em suas habilidades motoras durante este período préescolar. O seu corpo sofre mudanças as quais, primeiramente os ossos e músculos maiores lhe
permitem correr e saltar grandes distâncias; uma melhor coordenação óculo-motor, como
fazer uso da tesoura e manejar talheres. Porém, tudo isso é possível quando a criança está
disposta em um meio o qual lhe permite sua exploração.
Segundo Le Boulch (1984) a criança delimita seu “corpo próprio” do mundo dos
objetos através da atividade práxica realizada na pesquisa do ambiente. Os jogos e o trabalho
de coordenação global permitem prolongar esta experiência vivenciada com o corpo durante o
período pré-escolar.
Segundo Rosa Neto (2002, p. 16-17), “[...] o movimento motor global, seja ele
mais simples, é um movimento sinestésico, tátil, labiríntico, visual, espacial, temporal, e
assim por diante. Os movimentos dinâmicos corporais desempenham um importante papel na
melhora dos comandos nervosos e no afinamento das sensações e das percepções. O que é
educativo na atividade motora não é a quantidade de trabalho efetuado nem o registro (valor
numérico) alcançado, mas sim o controle de si mesmo – obtido pela qualidade do movimento
executado, isto é, da precisão e da maestria de sua execução.”
Em um estudo comparativo entre os dois Centros, pode-se notar que a pública
apresentou melhor índice de desenvolvimento quando analisado e comparado a IC em relação
à IMG e na variável da idade motora de motricidade global (IM2) e no quociente da
motricidade global (QM2).
Afirma-se tal fato através da análise estatística de Wilcoxon para amostra
independepentes com significância de 95% (α=0,05), aplicada nos dados da pesquisa sendo
dispostos e descritos nas tabelas 26 e 27 abaixo.
Tabela 26 – Distribuição da média, desvio padrão e Wilcoxon para amostras
independentes no CEI Pirulito
Variáveis
Média
Desvio Padrão
Estatística (≠)
IDADE CRONOLÓGICA – IC
IDADE MOTORA GERAL – IMG
Motricidade Fina – IM1
Motricidade Global – IM2
Equilíbrio – IM3
Esquema Corporal – IM4
Organização Espacial – IM5
Organização Temporal – IM6
QUOCIENTE MOTOR GERAL –
QMG
Motricidade Fina – QM1
Motricidade Global – QM2
Equilíbrio – QM3
Esquema Corporal – QM4
Organização Espacial – QM5
Organização Temporal – QM6
58.62
58.12
55.50
63.75
52.50
59.25
61.50
56.25
99.95
8.04
6.38
8.62
11.35
10.62
13.48
9.67
5.74
9.84
Não
Não
Não
Sim
Não
Não
Não
Não
Não
96.45
110.55
91.85
102.31
107.31
99.05
11.95
14.62
19.89
16.37
16.92
16.84
Não
Sim
Não
Não
Não
Não
Tabela 27 – Distribuição da média, desvio padrão e Wilcoxon para amostras
independentes no CEI Mickeylândia
Variáveis
Média
Desvio Padrão
Estatística (≠)
IDADE CRONOLÓGICA – IC
IDADE MOTORA GERAL – IMG
Motricidade Fina – IM1
Motricidade Global – IM2
Equilíbrio – IM3
Esquema Corporal – IM4
Organização Espacial – IM5
Organização Temporal – IM6
QUOCIENTE MOTOR GERAL –
QMG
Motricidade Fina – QM1
Motricidade Global – QM2
Equilíbrio – QM3
Esquema Corporal – QM4
Organização Espacial – QM5
Organização Temporal – QM6
61.00
62.50
58.50
76.50
63.75
57.00
59.25
60.00
103.04
6.31
4.92
4.09
15.10
11.35
14.19
11.14
4.38
8.55
Não
Não
Não
Sim
Não
Não
Não
Não
Não
97.18
125.59
105.38
93.00
97.52
99.56
14.41
22.17
20.86
16.97
16.93
14.26
Não
Sim
Não
Não
Não
Não
De acordo com a tabela 26 acima, observa-se um escore do quociente motor
global classificando a amostra em nível “normal alto”. Os quocientes específicos da
motricidade fina, equilíbrio, esquema corporal, organização espacial e temporal apresentaram
nível “normal médio”.
O quociente motor geral também apresentou um nível “normal médio” nesta
amostra.
De acordo com a tabela 27, observa-se um escore do quociente motor global
classificando a amostra em nível “superior”. Os quocientes específicos da motricidade fina,
equilíbrio, esquema corporal, organização espacial e temporal apresentaram nível “normal
médio”. O quociente motor geral também apresentou um nível “normal médio” nesta amostra.
Podemos afirmar que conforme as tabelas demonstradas acima, os CEI´s se diferem nas áreas
IM2 e QM2, quando correlacionadas.
Conforme o teste estatístico de Wilcoxon abaixo disposto na tabela 28, o resultado
foi rejeitado para hipótese, ou seja, há uma evidência na amostra que difere as populações
entre si nas áreas de idade motora - Motricidade Global (IM2) e quociente motor –
Motricidade Global (QM2), esclarecendo a relação entre elas nestas áreas específicas.
Tabela 28 – Distribuição dos valores da idade motora – IM2 segundo o teste de Wilcoxon
para amostras independentes nos CEI´s Mickeylândia e Pirulito
Soma da Ordem do Teste de Wilcoxon de duas amostras Independentes
Significância α: 0.05
Número total da amostra
32
Soma da Ordem do CEI - Pública
326.00
Soma da Ordem do CEI - Particular
202.00
Média, µR
264.00
26.533
Desvio Padrão, σR
Teste Estatístico, z
-2.3367
Critical z
±1.9600
Reject the null Hipothesis
Data provides evidence that the samples come from different populations
Tabela 29 – Distribuição dos valores do quociente motor - QM2 segundo o teste de
Wilcoxon para amostras independentes nos CEI´s Mickeylândia e Pirulito
Soma da Ordem do Teste de Wilcoxon de duas amostras Independentes
Significância α: 0.05
Número total da amostra
32
Soma da Ordem do CEI - Pública
318.50
Soma da Ordem do CEI - Particular
209.50
Média, µR
264.00
26.533
Desvio Padrão, σR
Teste Estatístico, z
2.0540
Critical z
±1.9600
Reject the null Hipothesis
Data provides evidence that the samples come from different populations
A tabela acima mostra que a amostra foi rejeitada, para a hipótese em questão, ou
seja, a população quando comparada apresenta-se diferente na área da motricidade global,
tanto na idade quanto no quociente. O qual é confirmado nas tabelas 24, 25, 26 e 27.
Valores do Q uociente Motor Geral obtido em
Pesquisas
P o ntua çã o
150
103,04
100
84,6
101,9
QMG (A) Pesquisa
QMG (B) Rosa Neto
50
QMG (C) Rodrigues
0
1
(A)
(B)
(C)
Gráfico 1. Quocientes motores obtidos em pesquisas, visto que QMG (A),
pertence ao CEI Mickeylândia
Valores do Q uociente Motor Geral obtido em
Pesquisas
P o ntua çã o
150
99,95
100
84,6
101,9
QMG (A) Pesquisa
QMG (B) Rosa Neto
50
QMG (C) Rodrigues
0
1
(A)
(B)
(C)
Gráfico 2. Quocientes motores obtidos em pesquisas, visto que QMG (A),
pertence ao CEI Pirulito
Comparando-se os dados encontrados com outras pesquisas, em grupos “B” e “C”
considerados “normais”, usando o mesmo instrumento de teste, observamos a seguinte
correlação: seguindo os índices motores da EDM, o grupo “B”, com quociente motor geral de
84,6 que caracteriza um parâmetro motor baixo, o grupo “C” com quociente motor geral de
101,9 classificando-se como normal médio e o grupo “A” com quociente motor geral de
103,04 ficando com uma classificação de nível normal médio no CEI Mickeylândia e
quociente motor geral de 99,95 no CEI Pirulito, sendo classificado como normal médio,
apontando deste modo que os grupos desta pesquisa avaliados encontram-se com mesmos
índices motores dos estudos aqui citados, por Rosa Neto (1996) e Rodrigues (2000).
Distribuição geral da EDM no CEI Pirulito
13%
0%6%
0%
13%
68%
Muito superior
Normal médio
Superior
Nomal baixo
Normal alto
Inferior
Muito inferior
Gráfico 3. Distribuição dos níveis de desenvolvimento motor encontrados no
CEI Pirulito
A análise geral apresentada no gráfico 3 acima, apontou uma distribuição dos
níveis de desenvolvimento, o qual classifica a amostra, segundo a EDM, em normal médio
(68%), superior (6%), normal baixo (13%), normal alto (13%).
Cabe ressaltar que a condição “normal baixo” não denota atraso, e sim um sinal de
alerta que indica que um segmento e estimulação, deverá ser superado ou mantido.
Observou-se que mais de 60% das crianças avaliadas apresentaram padrões
motores de nível normal médio, o qual é esperado pela idade.
Segundo Bee (1996) [...] quase todas as habilidades básicas estão completas por
volta dos 6 ou 7 anos de idade, assim até esta idade, uma criança pode correr, e provavelmente
driblar uma bola de basquete,mas não pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Distribuição geral da EDM no CEI
Mickeylândia
6%0%
0% 13%
81%
M uito superior
Normal médio
M uito inferior
Superior
Nomal baixo
Normal alto
Inferior
Gráfico 4. Distribuição dos níveis de desenvolvimento motor encontrados no CEI
Mickeylândia
A análise geral apresentada no gráfico 4 acima, apontou uma distribuição dos
níveis de desenvolvimento, o qual classifica a amostra, segundo a EDM, em normal médio
(81%), normal baixo (6%), normal alto (13%).
Não deve ser esquecido de mencionar, que a condição “normal baixo” não denota
atraso, e sim um sinal de alerta que indica que um segmento e estimulação que deverá ser
superado ou mantido.
Observou-se que mais de 80% das crianças avaliadas apresentaram padrões
motores de nível normal médio, o qual é esperado pela idade.
No estudo de Lima et al (2004) foi encontrada alteração no desenvolvimento da
linguagem em crianças inseridas no ambiente de creches. É bem provável que o ambiente
propicie condições para um padrão diferente em crianças pré-escolares daquelas que
permanecem maior parte do tempo com um responsável, normalmente a mãe, em situações de
interação e comunicação um com o outro.
Segundo Lima et al (2004) a creche apresenta um ambiente estimulante para as
crianças, com jogos e atividades que propiciam seu desenvolvimento cognitivo e motor. Em
contraposição, o ambiente do lar, agravado pelas condições sociais baixas, pode não
apresentar tantos estímulos como na creche.
Para Alcantra e Marcondes (apud NEGRINE, 1987), o crescimento e o
desenvolvimento da criança são determinados por cinco fatores: genéticos, endócrinos,
nervosos, ambienteis e nutricionais, os quais adequadamente relacionados entre si, permitem
que ela realize funções cada vez mais complexas. O desequilíbrio entre esses fatores afeta o
crescimento e o desenvolvimento da criança.
4.2.1 Lateralidade
A lateralidade avaliada na EDM, refere-se a preferência que a criança como
indivíduo, adota o emprego de um dos lados do corpo (predomínio) sobre o outro lado, ou
seja, prefere o esquerdo ao invés do direito, e vice-versa.
Segundo Rosa Neto (2002) a lateralidade é a preferência da utilização de uma das
partes simétricas do corpo: mão, olho, ouvido, perna; a lateralização cortical é a especialidade
de um dos dois hemisférios quanto ao tratamento da informação sensorial ou quanto ao
controle de certas funções.
A dominância lateral da amostra encontra-se distribuída nos índices do gráfico 5,
mostrado abaixo.
Lateralidade do CEI Mickeylândia
0%
44%
56%
Lateralidade indefinida
Destro completo
Lateralidade cruzada
Sinistro completo
Gráfico 5. Preferência da utilização de uma das partes simétricas do corpo:
mão, olho, ouvido e perna
Lateralidade do CEI Pirulito
0%
44%
56%
Lateralidade indefinida
Destro completo
Lateralidade cruzada
Sinistro completo
Gráfico 6. Preferência da utilização de uma das partes simétricas do corpo:
mão, olho, ouvido e perna
Os resultados apresentados nos gráficos 5 e 6 referentes a lateralidade dos dois
grupos da amostra, aponta índices de igual valor, ou seja, uma predominância em todos os
aspectos, ficando 56% para lateralidade definida como destro completo e 44% para
lateralidade cruzada. Estes mesmos dados são encontrados nos estudos realizados por Rosa
Neto (1996) e Rodrigues (2000), que mostram uma predominância da lateralidade destra
completa e cruzada.
Oliveira (1998) destaca a importância dos estímulos do meio no processo de
lateralização da criança sendo fundamental a experimentação dos dois lados do corpo sem
imposições feitas pelo adulto. E relata ainda que criança de 0 a 7 anos precisa manipular e
explorar materiais diversos usando o lado do corpo de sua preferência para que a dominância
lateral possa se estabelecer com naturalidade e segurança.
Segundo Dekla (apud BURNS; McDONALD 1999) as habilidades motoras que
exigem força, velocidade repetida, uso de ferramentas e seqüências costumam ser mais bem
executadas com a mão direita, ao passo que as tarefas motoras que exigem colocação tátil e
visual correta no espaço são executadas tão bem ou até melhor com mão esquerda, inclusive
no indivíduo destro.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa permitiu observar que, ao se comparar os dois grupos, as crianças
que permaneciam no CEI da rede particular de ensino, se destacaram na área de organização
espacial e esquema corporal, porém as crianças do CEI da rede pública de ensino se saíram
melhor nas áreas de equilíbrio e motricidade global.
Comparando os resultados obtidos na coleta de dados, em relação ao quociente
motor global (QM2=125,59), pode-se notar uma diferença significativa, a qual denota um
melhor desempenho do CEI Mickeylândia, caracterizado como um nível superior de
motricidade.
Na lateralidade, na distribuição quanto à preferência ficou definido que os índices
igualaram-se, apontando a destra completa e a cruzada como absolutas.
O sono da criança foi considerado importante na pesquisa por ser
reconhecidamente uma função vital e, por conseguinte, essencial ao adequado crescimento e
desenvolvimento da criança.
Embora o desenvolvimento neuronal seja pré-programado geneticamente,
conexões neurais e a estabilização dessas conexões são funções cerebrais, sendo a ativação
endógena neuronal durante o sono em idade precoce, o principal recurso na maturação
cerebral (MIRMIRAN; MAAS; ARIAGNO, 2003).
Observando os dados obtidos através da avaliação realizada, aponta-se que as
crianças estão com seu desenvolvimento motor classificado na sua maioria como “normal
médio”, caracterizado segundo a EDM, dentro dos padrões de normalidade de acordo com
Rosa Neto (1996), Rodrigues (2000).
Os resultados desta pesquisa indicaram que os pré-escolares do CEI Mickeylândia
da rede pública e do CEI Pirulito da rede particular de ensino matriculados em período parcial
com idade entre 3 e 5 anos, mostraram-se dentro de um perfil motor considerado normal, com
resultado significativo para o CEI Mickeylândia da rede pública, mostrando a importância das
experiências motoras vivenciadas e exploradas pelos pré-escolares desta pesquisa.
Através deste estudo evidenciamos a importância de um fisioterapeuta atuando
interdisciplinarmente com outros profissionais, neste caso, os professores dos CEI´s, como
também na saúde coletiva, o qual preconiza-se a prevenção, que atualmente tem ganhado de
maneira lenta e progressiva, um espaço maior na área da saúde, de forma gradual, propondo
um enfoque nos níveis “primário e secundário”, visto que neste momento de globalização, há
um beneficiamento e acompanhamento de maneira sistemática da identificação precoce do
fator causal, bem como uma intervenção multidisciplinar para tornar mais expressivo a
atenção básica de uma população.
Podemos então afirmar, que as habilidades motoras de uma criança estão
diretamente ligadas com as oportunidades de interação de seu corpo e mente, com o meio o
qual permanece a maior parte de seu tempo, vivenciando explorações que mais tarde lhe
trarão resultados, sejam eles favoráveis ou não.
Segundo Barros et al (1978), quanto maior for o número de capacidades motoras,
maior será o número de opções da criança e, consequentemente, bem mais ricas serão suas
possibilidades de adaptação e criatividade.
Por isso, nós profissionais, temos que procurar conhecimentos pedagógicos,
técnicos, fisiológicos e estruturais do desenvolvimento de uma criança, com o intuito de
enriquecer o programa de educação, como de uma maneira especial ajudá-la, respeitando
sempre os limites impostos por ela e seu crescimento individual. Com isso contribuímos para
o seu desenvolvimento neuropsicomotor.
Esta pesquisa deixa claro que é importante a presença de um fisioterapeuta na vida
de uma criança, principalmente em seu desenvolvimento, pois desta forma possibilita-se a
mesma, um nível de prevenção primária e secundária. Sabe-se que a inclusão de fisioterapeuta
na saúde coletiva é de suma importância, pois muitos dos fatores que encontramos em
clínicas, a maioria poderia ter sido orientada e tratada precocemente, com cuidados
específicos.
Sugere-se que, a pesquisa seja feita com um número maior de crianças, na mesma
cidade, preconizando as comunidades de baixa renda que se encontram mais afastadas dos
grandes centros, para então, confirmar ou não os dados encontrados nesta pesquisa. Pode-se
ainda, elaborar um plano de atuação caso haja alguma alteração motora encontrada, e desta
forma tratar de forma efetiva, em trabalho multidisciplinar.
Sugere-se ainda, que o trabalho possa ser também realizado quanto ao gênero,
comparando os resultados, e posteriormente analisando se há realmente diferença entre eles,
quais serão as alterações e quais variáveis terão maior ou menor escore.
REFERÊNCIAS
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ANEXOS
Anexo A – Labirinto
ANEXO A - LABIRINTO
Anexo B – Prova de imitação de gestos simples/Mãos
ANEXO B - PROVA DE IMITAÇÃO DE GESTOS SIMPLES/MÃOS
Anexo C - Prova de imitação de gestos simples/braços
ANEXO C – PROVA DE IMITAÇÃO DE GESTOS SIMPLES/BRAÇOS
Anexo D – Prova de rapidez
ANEXO D – PROVA DE RAPIDEZ
Anexo E – Prova de organização espacial/Tabuleiro posição normal
ANEXO E – PROVA DE ORGANIZAÇÃO ESPACIAL/TABULEIRO POSIÇÃO
NORMAL
Anexo F - Prova de organização espacial/Tabuleiro posição invertida
ANEXO F – PROVA DE ORGANIZAÇÃO ESPACIAL/TABULEIRO POSIÇÃO
INVERTIDO
Anexo G – Prova dos palitos
ANEXO G – PROVA DOS PALITOS
Anexo H – Jogo de paciência
ANEXO H – JOGO DE PACIÊNCIA
Anexo I – Direita e Esquerda/Conhecimento sobre si
ANEXO I – DIREITA E ESQUERDA/CONHECIMENTO SOBRE SI
Anexo J – Execução de Movimentos
ANEXO J – EXECUÇÃO DE MOVIMENTOS
Anexo L – Direita e esquerda/Reconhecimento sobre o outro
ANEXO L - DIREITA E ESQUERDA/RECONHECIMENTO SOBRE OUTRO
Anexo M – Lateralidade das mãos
ANEXO M – LATERALIDADE DAS MÃOS
Anexo N – Lateralidade dos pés
ANEXO N – LATERALIDADE DOS PÉS
Anexo O – Lateralidade dos olhos
ANEXO O – LATERALIDADE DOS OLHOS
Anexo P – Ficha técnica da EDM
ANEXO P – FICHA TÉCNICA DA EDM
Anexo Q – Ficha de avaliação da EDM
ANEXO Q – FICHA DE AVALIAÇÃO DA EDM
Anexo R – Termo de Consentimento
ANEXO R – TERMO DE CONSENTIMENTO
UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA COMISSÃO DE ÉTICA
EM PESQUISA - CEP UNISUL TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E
ESCLARECIDO
Título do Projeto: "Estudo comparativo do desenvolvimento neuropsicomotor e perfil psicossocial de
crianças pré-escolares entre 03 e 05 anos de idade dos Centros Educacionais Infantis Mickeylândia e
Pirulito"
Gostaria de obter todas as informações
sobre este estudo:
a- tempo que terei de ficar disponível;
b- quantas sessões serão necessárias (com
dia e horário previamente marcados);
c- detalhes sobre todos os procedimentos
(testes, tratamentos, exercícios, etc.);
d- local onde será realizado;
e- equipamentos ou instrumentos que
serão utilizados;
f- se preciso vestir alguma roupa ou sapato
apropriado;
e quaisquer outras informações sobre o
procedimento do estudo a ser realizado em
mim.
Seu filho poderá fazer parte da pesquisa desde que você
autorize e o mesmo seja sorteado através da amostra
casual simples.
É uma única tarde, tendo como tempo de duração 2 horas
no máximo.
O objetivo deste estudo é o de avaliar o desenvolvimento
motor de seu filho, ou seja, como estão às aquisições
motoras como: pegar um objeto, carregar, sentar, correr,
pular, falar, memorizar, entre outros. Com isso
poderemos saber se, seu filho está com algum problema
no desenvolvimento (coordenação, equilíbrio e outros
ligados ao movimento) ou não, podendo desta forma
atuar diretamente de forma preventiva ou orientar quanto
aos problemas que possam ser detectados, uma maneira
de nós profissionais (Professor e Fisioterapeuta)
estarmos atuando junto para melhor cuidar de seu filho.
Serão realizadas várias atividades simples com a criança,
como por exemplo: formar uma ponte com cubos, andar
em linha reta, desenhar, formar um labirinto entre outros.
Todo o procedimento será realizado no próprio CEI.
Todos os equipamentos que serão utilizados serão
brinquedos, madeirinhas, cubos, papel, caneta, linha e
outros. Não será usado nada que machuque a criança ou
que traga risco a ela.
O ideal é que a criança esteja de malha confortável e
tênis.
Todos os dados obtidos referentes a seu filho serão
arquivados em CD-Rom e somente utilizados para este
estudo, tendo somente acesso o pesquisador responsável,
pesquisador externo, a instituição envolvida e você por
direito, como responsável pela criança.
Quais as medidas a serem obtidas?
As variáveis (áreas que serão testadas nas crianças) serão
todas direcionadas para a sua aquisição motora, ou seja,
os dados serão relacionados com o equilíbrio da criança,
o lado que é dominante – se usa a mão/pé direito ou
esquerdo, ou talvez trabalhe com os dois lados, trabalhos
mais precisos como: amassar um papel bem pequeno
formando uma bolinha; ou amplos como jogar bola.
Quais os riscos e desconfortos que podem
ocorrer?
Nenhum. Durante toda a pesquisa, a escala que será
usada e, os testes não trarão nenhum risco ou
desconforto a criança, pelo contrário utilizamos o lúdico
(brincadeira) para realizá-la, tornando o encontro mais
agradável.
Quais os meus benefícios e vantagens em
fazer parte deste estudo?
A vantagem de fazer parte do estudo, é que você poderá
saber se seu filho está se desenvolvendo motoramente
(movimentando-se) de acordo com a idade ou se está
com algum problema de equilíbrio, coordenação e outros
que já foram comentados. Desta forma, poderá atuar-se
de forma preventiva ou trabalhar nos problemas
encontrados de seu filho.
Quais as pessoas que estarão me
acompanhando durante os procedimentos
práticos deste estudo?
Será o responsável pela pesquisa e o pesquisador
externo, bem como também a presença da professora do
CEI responsável pela criança.
Existe algum questionário que preciso
preencher? Sou obrigado a responder a
todas as perguntas?
Sim há um questionário simples, o qual o responsável
pela criança deverá preencher, para que a pesquisa possa
ter maior segurança com os resultados obtidos, já que
muitos dos atrasos motores estão relacionados com
vários fatores (causas). Porém, o questionário é simples,
só precisa assinalar com um “X”, e em algumas
justificar, ou seja, esclarecer melhor. Levará menos de 5
minutos para realizar.
PESSOA PARA CONTATO:
NÚMERO DO TELEFONE:
Fabiana Durante de Medeiros
(pesquisador responsável)
(48) 9906-5383
ENDEREÇO: Tubarão/SC
Anexo S – Questionário Psicossocial
ANEXO S – QUESTIONÁRIO PSICOSSOCIAL
AVALIAÇÃO PSICOSSOCIAL
(realizada com os pais ou responsáveis)
Nome da criança: _______________________________________________________
Data____/____/____
Série: _______
Turma: _______
Questionário respondido por:
( ) Mãe
( )Avós
( ) Pai
( ) Tios
( ) Irmãos
( ) Outros
1. Como foi a gravidez da mãe?
( ) Normal
( ) De risco
Quais os riscos:
( )Pressão alta ( )Infecção ( )Sangramento
( )Ameaça de aborto ( )Outros_____________
2. Durante a gravidez, a mãe usou frequentemente:
(
(
(
(
(
) Álcool
) Medicamento - quais?__________________
) Cigarros
) Drogas - quais?
) Nenhum
3 Qual foi a duração da gravidez?
( ) Menor que 32 semanas
( ) 32 a 37 semanas
( ) 38 a 42 semanas
4. Como foi o parto?
(
(
(
(
) Normal
) Cesariana
) Fórceps (aparelho que puxa a criança pela cabeça)
) Outro
5. Teve complicações no parto?
( ) Não ( ) Sim.
Quais:________________________________
6. Qual foi o peso de seu filho ao nascer?
(
(
(
(
) Menos que 2,500 kg.
) Entre 2,500 kg. e 2,999 kg
) Entre 3,000 kg. e 3,999 kg.
) Mais que 4,000 kg.
7. Qual a idade da mãe no momento do parto?
(
(
(
(
(
) Menos de 20 anos
) Entre 20 e 29 anos
) Entre 30 e 39 anos
) Entre 40 e 49 anos
) Mais que 49 anos
8. Até que idade a criança mamou no peito da mãe?
9. Com que idade começou a comer alimentos sólidos?
10. Com que idade a criança falou as primeiras palavras (papa, mama, nenê, tata, etc.)?
11.Com que idade a criança caminhou sozinha?
( ) Entre 10 e 15 meses
( ) Entre 16 e 21 meses
( ) Mais que 21 meses
12. Com que idade a criança controlou:
Xixi?________________Cocô?_______________
13. Como era o sono da criança no primeiro ano de vida?
( ) Tranqüilo
( ) Agitado
14. Como é o sono da criança atualmente?
( ) Tranqüilo ( ) Agitado
15. A criança dorme:
( ) Menos de oito horas
( ) Oito horas
( ) Mais de oito horas
16. Com quem a criança mora? (assinalar todos que moram na mesma casa)
(
(
(
(
(
) Pai
( ) Mãe
) Irmão(ã) - Nº de irmãos ______ (escrever o número de irmãos)
) Padrasto ( ) Madrasta
) Avô
( ) Avó
) Outros – Quais?________________
17. A profissão do pai é:_______________________
18. A profissão da mãe é:_______________________
19. A profissão do responsável pela criança é:________
20. A escolaridade do pai é:
(
(
(
(
(
(
(
(
) Ensino Fundamental ( de 1ª a 4ª série – incompleto)
) Ensino Fundamental ( de 1ª a 4ª série –completo)
) Ensino Fundamental ( de 5ª a 8ª série – incompleto)
) Ensino Fundamental ( de 5ª a 8ª série – completo)
) Ensino Médio ( segundo grau – incompleto)
) Ensino Médio ( segundo grau – completo)
) Curso Superior (Universidade – incompleto)
) Curso Superior (Universidade – completo)
21. A escolaridade da mãe é:
(
(
(
(
(
(
(
(
) Ensino Fundamental ( de 1ª a 4ª série – incompleto)
) Ensino Fundamental ( de 1ª a 4ª série – completo)
) Ensino Fundamental ( de 5ª a 8ª série – incompleto)
) Ensino Fundamental ( de 5ª a 8ª série – completo)
) Ensino Médio ( segundo grau – incompleto)
) Ensino Médio ( segundo grau – completo)
) Curso Superior (Universidade – incompleto)
) Curso Superior (Universidade – completo
22. A escolaridade do responsável é:
(
(
(
(
(
(
(
(
) Ensino Fundamental ( de 1ª a 4ª série – incompleto)
) Ensino Fundamental ( de 1ª a 4ª série – completo)
) Ensino Fundamental ( de 5ª a 8ª série – incompleto)
) Ensino Fundamental ( de 5ª a 8ª série – completo)
) Ensino Médio ( segundo grau – incompleto)
) Ensino Médio ( segundo grau – completo)
) Curso Superior (Universidade – incompleto)
) Curso Superior (Universidade – completo)
23. Qual a condição de moradia?
( ) Casa própria
( ) Aluguel
( ) Outros Qual?__________________________________
24. Qual a renda familiar mensal?
(
(
(
(
) Até 1 salário mínimo
) De 1 a 5 salários mínimos
) De 5 a 10 salários mínimos
) Mais de 10 salários mínimos
Anexo T – Parecer consubstanciado do CEP
ANEXO T – PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP
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cristiane fernandes zappelini dos santos estudo