ECONOMIA FUTEBOL CLUBE: O LADO FINANCEIRO DO GRAMADO * Everson Luis do Nascimento RESUMO A pesquisa mostra em dados numéricos o real valor gerado pelos principais clubes Brasileiros e suas origens de receita. A partir daí, busca comprovar através de análises comparativas que o mercado do futebol é uma economia que ultrapassa o meio esportivo e movimenta valores que se aproximam a tudo o que é produzido por uma cidade. Mostrará a diferença dos cenários regionais, as empresas atuantes como agentes patrocinadores e a evolução do futebol como negócio. Estes tópicos servirão de base para exemplificação dos elementos principais que modelam este mercado, “Os Jogadores e os Clubes”. O empenho da pesquisa é medir a eficiência dos clubes, relacionando os resultados financeiros à conquistas de títulos, bem como, os jogadores que como elemento principal do mercado, conseguem ultrapassar as linhas da produção do campo, para gerar valores em outros segmentos de atuação extrafutebol. O que veremos é o quanto estas peças influenciam no resultado da equipe “clube” e a diferença que existe entre as gestões institucionais e que podem quebrar todo um planejamento quando o grau de eficiência fica abaixo do esperado e não justifica os investimentos de um time de futebol. Palavras-chave: Futebol brasileiro. Clubes brasileiros. Esporte e negócios. Futebol e PIB. ABSTRACT * Economista pela Faculdade Boa Viagem. Analisa da Cengage 81 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Research shows numerical data on the real value generated by the leading Brazilian clubs and their revenue sources. From there, search through comparative analysis prove that the soccer market is an economy that goes beyond the sports moves and values that approach to everything that is produced by a city. Show the difference of regional scenarios, companies acting as agents sponsors and the evolution of football as a business. These topics form the basis for exemplification of the main elements that shape this market, "and The Players Club." The commitment of the research is to measure the efficiency of the clubs, the financial results relating to the achievements of securities, as well as the players as the main element of the market, can overcome the lines of the field production, to generate values in other segments extrafutebol . What we see is how these parts influence the outcome of the team "club" and the difference between the managements and institutional that can break a whole when planning the efficiency is lower than expected and does not justify the investment of a football team. Keywords: Brazilian Football. Brazilian clubs. Sport and business. Football and GDP. 82 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 ECONOMIA FUTEBOL CLUBE: O LADO FINANCEIRO DO GRAMADO Everson Luis do Nascimento INTRODUÇÃO O Presente estudo tem como principal elemento abordar o tema Economia do Futebol medido sobre variáveis de eficiência econômica, para tal análise a pesquisa foi resumida ao estudo econômico financeiro de clubes brasileiros para explicar o que, de fato, este esporte movimenta em termos monetários e sua representatividade quando comparado a um Produto Interno Bruto (PIB) e também a clubes estrangeiros. Este estudo está delimitado a dados dos últimos dois anos de clubes brasileiros e em análise mais profunda, a pesquisa selecionou como amostra as cinco maiores receitas e analisará clubes com particularidades diferentes, medirá a eficiência e desempenho nos campeonatos disputados dos últimos três anos. Porque que os clubes que investem consideravelmente em termos de jogadores e marketing esportivo conseguem os melhores resultados? Quais as variáveis que podem explicar este fenômeno em termos de eficácia 83 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 econômica para um clube? Tudo será explicado através de uma análise comparativa entre os vinte clubes brasileiros, mostrando suas receitas, as fontes oriundas e onde eles possuem maiores arrecadações de um ano para o outro. Acredita-se, hipoteticamente, que alguns clubes não atuam de fato como uma empresa privada, sua organização e principalmente planejamento de médio e longo prazo, na maioria das vezes, não são compridos quando a curto prazo os resultados não aparecem. O objetivo principal deste estudo é descrever e analisar dados quantitativos das receitas dos clubes brasileiros fornecidos pelo Banco Itaú e BDO Auditores independentes. Através destes dados será possível medir o desempenho financeiro dos clubes brasileiros e comparar suas rentabilidades e crescimentos de um ano para o outro. Antes disso, faremos uma breve comparação de clubes Brasileiros com os times estrangeiros e a receita dos clubes com o PIB de 2009 da cidade do Recife em Pernambuco. 1. HISTÓRIA DO FUTEBOL NO BRASIL Segundo Gurgel (2006, p. 66): No desenho da expansão do futebol pelo mundo, a América do Sul foi, desde o início, um território fértil para este esporte. No fim do século XIX, já havia gente batendo bola por aqui e, desde o começo do século seguinte, surgem às primeiras competições. 47 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados A citação do Professor Andersom Gurgel introduz uma pequena parte do que veremos ao decorrer deste estudo. Entretanto, deve-se dizer que não será foco principal da pesquisa adentrar em termos históricos, mas com o grau de colaboração que os percussores do esporte tiveram, cabe-se aqui informar como surgiu esta atividade no Brasil. De acordo com Aidar (2000, p. 86): O futebol foi introduzido oficialmente no Brasil em 1894, em São Paulo, por Charles Miller. Quando chegou ao Brasil o futebol era um esporte proibitivo, elitista, racista, praticado apenas nos clubes de elite. Mas as várzeas devolveram ao povo o que era seu por direito, já que este esporte, como o conhecemos hoje, é originário das manifestações culturais das camadas populares da Inglaterra do final do século XIX. O que se entende é que o futebol não foi algo imediato e disponível para todos. Compreende-se que o chamado “esporte popular”, de fato, se limitava apenas aos mais favorecidos da sociedade e que a sua prática era, até então, tímida em termos de massa. Difícil imaginar que um esporte democrático, que necessita de poucas ferramentas para compor uma partida, fosse apenas praticado pela alta sociedade. Com passar do tempo o esporte invade as periferias das grandes cidades. Começam a surgir clubes mais populares que acabaria com a prática mais elitizada e, pela primeira vez, começa a se pensar em cobrar ingressos. Mesmo assim, apenas na década de 20 é que a grande expansão e consolidação do esporte tomam 85 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento outros rumos, a profissionalização, ascendente em todo o país, é rápida e alcança todas as camadas da sociedade. Isto resulta em consumidores do esporte como um evento e, inevitavelmente, a mistura entre ricos e pobres se faz necessária, pois os grandes clubes começam a buscar na periferia talentos que possam compor o time e, a partir daí, não se julga cor, raça ou religião, o esporte está acima de tudo conforme lembra Aidar (2000). O grande Boom no Brasil foi a partir da copa que sediamos no país, segundo GURGEL (2006, p.68), depois da Guerra, com a Europa em reconstrução, surgiu uma chance de ouro para o Brasil sediar a Copa de 1950. A idéia, além de ter força popular, agradava os interesses governamentais, já que era corrente o uso do esporte como forma de propaganda. Já em 1976, é que de fato os jogadores passam a ter os direitos regidos através da regulamentação da CLT (consolidação das leis do trabalho). Em consequência disto, profissionais liberais como nutricionistas, fisioterapeutas, preparadores físicos se integram aos clubes, para que os atletas possam render mais e utilizarem melhor suas ferramentas de trabalho dentro de campo, ressalta Aidar (2000). 2. EVOLUÇÃO DO FUTEBOL COMO NEGÓCIO Quando paramos para pensar no que o futebol se tornou e, principalmente, o dinheiro que movimenta, passe-se longe daquilo que foi desenhado no país por Charles Miller. A evolução deste esporte, no Brasil, ultrapassou fronteiras que, com o passar do tempo, acabou nos projetando para o 86 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados mundo como o “País do Futebol”, com grandes estrelas e talentos promissores que valem milhões de dólares. Tendo em vista os últimos investimentos neste setor, a inserção do marketing fortemente inserido por empresas multinacionais e a próxima copa do mundo no País, não poderíamos deixar de buscar conhecimentos dos valores que serão investidos e injetados na economia Brasileira com este mega evento. O bom momento econômico pelo qual passa o Brasil foi fundamental para atrair atenções e recursos de grandes empresas, sejam fornecedores de material esportivo, escritórios de arquitetura, construtoras, fabricantes de cadeiras, seja agências de marketing. Um estudo da empresa de consultoria Ketchum indica que, apenas em infraestrutura -- área que vai do sistema de transporte urbano à construção de arenas, passando por hotéis, hospitais e aeroportos -, os dois eventos devem envolver investimentos que superam 120 bilhões de reais. Além disso, o faturamento anual do mercado esportivo, que inclui venda de bolas, chuteiras e raquetes, realização de eventos. Patrocínios e venda de direitos de transmissão pela TV, deve subir dos atuais 40 bilhôes de reais para 80 bilhões em 2016. "O Brasil se transformou no centro das atenções do mundo em razão dos eventos esportivos", diz Stephen A. Greyser, professor de marketing da Universidade Harvard especializado em negócios do esporte. (ONAGA, 2011, p.118.) Com o decorrer do tempo, via-se o futebol apenas como atividade que estava ligada a hábitos saudáveis e paixão por clubes e times, nada mais 87 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento até final dos anos 70. Depois o esporte iniciou uma nova era que jamais voltaria a ser como antes, ou seja, entra de vez a visão de negócios e oportunidades com esta atividade que movimentaria bilhões em todo o mundo na década seguinte. A constante presença dos atletas e clubes nas transmissões de televisão é cada vez mais freqüentes. Duas vezes por semana estão expostos em canais abertos, pois a audiência é cada vez maior e atrai diversas formas de negócio, movimenta a economia gerando emprego e renda aos agentes que se envolvem direta e indiretamente com o meio. Os interesses de empresas em patrocinar equipes e jogadores individuais estão cada vez maiores. É notório ver estampas em camisas de uniformes do clube em espaços que jamais foram utilizados, estes patrocínios vão desde empresas farmacêuticas até montadoras de automóveis, dependendo muito da região e da importância do clube. Segundo pesquisa realizada pela Sport+Markt da Alemanha, os patrocínios aos clubes do futebol brasileiro, da primeira divisão, foram maiores que competições do futebol Europeu como as de França, Espanha e Itália em 2010. 3. FUTEBOL É UM NEGÓCIO RENTÁVEL Uma empresa privada sobrevive dos seus lucros, para tal, ela possui uma equipe que trabalha em prol de alcançar o objetivo desta empresa. O futebol vende entretenimento, paixão e esperança de uma vida melhor para muitas pessoas no mundo. Fazendo uma analogia de uma equipe de vendas 88 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados formada por vendedores e gerida por um gerente, podemos comparar a um time de futebol profissional liderado por técnico. Cada um possui objetivos distintos, porém, ambos têm a finalidade de bater uma meta, seja fazendo gols, no caso do futebol, ou vendendo produtos, no caso de uma equipe de vendas. Ambos os casos terão lucros e sucesso profissional ao alcançar seus objetivos. O esporte em si normalmente é definido como uma fonte de diversão ou atividade física na qual as pessoas se envolvem por prazer (Shank, 2002), ele nos retira do nosso dia-a-dia e nos entretém de uma forma geralmente mais envolvente e mais social de que outros modos de diversão aprazível (assistir a um filme ou ler um livro). Esta definição de esporte sugere o estreito vínculo que as emoções e as sensações têm com o consumo esportivo, além disso, o esporte é visto como uma aprazível, já que não é trabalho. (Morgan e Summers, 2008, p.10) Esta seria uma visão não profissional do esporte, o que infelizmente acontece em alguns clubes, Morgan e Summers (2008, p.11) também fala que esta definição inicial sugere que o esporte é uma atividade amadora ou informal. O produto esportivo é intangível e perecível, assistir uma partida de futebol em tempo real é diferente de assisti-la gravada em vídeo, o momento de grande emoção é único, é o momento da partida, acabou o jogo, seus resultados causarão a felicidade de uns e a infelicidade de 89 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento outros. O lucro maior fica com apenas um. Uma vez encerrado um eventos esportivo, encerram-se também as possíveis vendas ao vivo. 4. ANÁLISE EXPLORATÓRIA DOS DADOS 4.1 O FUTEBOL BRASILEIRO E OS CLUBES ESTRANGEIROS Fazendo uma analogia do nosso futebol, vamos então adentrar no cenário internacional para elaborarmos um comparativo de clubes do futebol europeu e os clubes brasileiros. A pesquisa apresentará as receitas e as fontes de origem de cada uma delas para medir o quanto representam e contribuem com a rentabilidade do futebol. Segundo dados do Itaú, com referência aos dados publicados pela Futebol Finance de Portugal, os Clubes Europeus possuem vasta arrecadação em direitos televisivos e com patrocinadores, o que não foge à realidade brasileira, porém com um diferencial, a forma como são administrados os clubes. No cenário europeu, grande parte dos gestores, que assumem cargos estratégicos, está a mais tempo envolvida com os projetos dos clubes onde atua e melhor, são eleitos pelos votos dos sócios do clube, ou seja, se o clube possui 100 mil sócios, todos participarão do processo de eleição. No Brasil, o processo é denominado como eleições de conselho, onde um pequeno grupo de sócios torcedores, em sua maioria empresários ou pessoas influentes que atuam fora do futebol, nomeiam um presidente. 90 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados Abaixo veremos dados desses dois cenários de mercado tomando como base suas receitas e o poder monetário que representam. Este faturamento está ligado a moedas locais, portanto, para os clubes Ingleses a moeda a ser considerada será a Libra, (Pounds). Para elaboração da análise entre os dois mercados, tornam-se necessários realizarmos a conversão do câmbio das moedas apresentadas na tabela abaixo. 91 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento Veremos agora as receitas geradas por 20 clubes Brasileiros no ano de 2011. Estes números foram extraídos da publicação feita pela empresa BDO auditores independentes e estão a amostra no website da empresa. 92 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados 93 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento Após os resultados coletados, podemos agora elaborar uma análise comparativa entre os dois mercados: • Na tabela 1, notamos que apenas a receita gerada pelo Real Madrid cobre facilmente as de Corinthians, São Paulo, Internacional, Santos e Flamengo juntos. Ainda sobra parte para cobrir a do Palmeiras, 6º colocado na arrecadação de receita segundo dados da BDO. • Interessante nesta análise é que o último colocado na tabela européia, Olimpic de Marseille, sozinho, consegue cobrir os últimos dez colocados da tabela brasileira. Portanto se colocarmos o Bayer de Munique na comparação, toda a receita gerada pelos clubes brasileiros serão facilmente ultrapassadas com apenas três clubes europeus. 4.2. RELAÇÃO FUTEBOL E PIB Todos nós sabemos que PIB (Produto Interno bruto) é tudo aquilo produzido em um País, estado, município ou região em um dado período de tempo. No caso dos clubes de futebol, o PIB são suas receitas, os produtos são os jogadores, os investimentos são as categorias de base e agregados a marca do clube. Portanto, surge a curiosidade em comparar as receitas dos clubes brasileiros e internacionais com a cidade do Recife para 94 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados vermos se existem disparidades nestas comparações ou se este setor da economia, mais voltada ao esporte, encontra-se em ascensão no país. A Cidade do Recife, capital Pernambucana, apresentou um PIB de 24 Bilhões de reais segundo IBGE no ano de 2010, com este número, elaborase uma análise comparativa com as receitas dos 16 clubes Europeus e 20 Brasileiros. • Montante de receita dos clubes Europeus: 10.561.080.700,00 • Montante de receitas dos clubes Brasileiros: 1.516.890.000,00 • Total das receitas: 12.077.970.000,00 Desta forma, realizando comparação entre os resultados PIB Recife X Receita dos Clubes, temos a seguinte informação: O montante da receita dos clubes corresponde a quase 49% do PIB do Recife para o ano de 2011. Este número é sem dúvidas um valor considerável, pois movimenta não apenas um setor da economia, mas consegue envolver setores informais e grandes empresas do mercado. Segundo pesquisa realizada pela Pluri consultoria do Paraná, com base nos dados divulgados pelo Banco Central do Brasil, a estimativa é que chegaremos a 4,1 trilhões de Reais gerados no ano de 2012. Deste total, 1,6% é representado pelo esporte no país cerca de 67,0 Bilhões, equivalente ao PIB da Sérvia. Enquanto a perspectiva é que PIB Brasileiro cresça 1,5, o crescimento do setor de esportes é de 6,4. 95 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento O Futebol tem um percentual considerável dentro do resultado do PIB esportivo, representa 53% do total, isto, em valores reais, corresponde a 36,0 Bilhões de Reais, ou seja, 0,8% do PIB nacional, o que é igual, tecnicamente, ao PIB do Paraguai. O interessante da pesquisa é que o esporte no Brasil cresce a ritmo Chinês, enquanto o país segue a normalidade de países europeus. Outro ponto a ser destacado é que nos últimos cinco anos houve consideráveis aumentos no setor futebolístico, referentes ao faturamento dos clubes. Os 20 maiores clubes arrecadaram mais de 2,2 Bilhões de Dólares, um crescimento estimado em 79% ao longo dos anos. Isto representa 12,3% de média anual. Claro que isto depende muito de um clube para outro, mas em contexto geral a perspectiva é de que os números aumentem para 10,6 nos próximos dois anos. É claro que estes valores alteram muito de clube para clube, pois depende muito de sua tradição e representatividade que ele promove, no Brasil sabemos que os 20 clubes que atuam na série A recebem mais receitas do que as da série B, e estes valores advêm de diversas fontes que geram valores ao clube por temporada. Também depende muito das competições que estes disputam, pois quanto maior a quantidade de disputas, mais visibilidade e promoção do clube, conforme informações da Pluri. 96 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados 4.3 EMPRESAS, CLUBES E SEGMENTOS Para identificarmos estes clubes, extraímos amostra por região, baseada em informações das federações estaduais e pesquisa realizada pela GSN (Global Sports Network), consultoria especializada em esportes do Rio de Janeiro, onde foram colocados para pesquisa 301 clubes da 1ª divisão de 27 estados, 5 regiões, 463 contratos de patrocínio e 34 segmentos econômicos. O Percentual da amostra de clubes por região ficou da seguinte forma: v Região Nordeste: 32,6% 9 Estados, 98 Clubes e 144 Contratos v Região Sudeste: 19,3% 4 Estados, 58 Clubes e 118 Contratos v Região Sul: 12,6% 3 Estados, 38 Clubes e 75 Contratos v Região Centro-Oeste: 15,3% 4 Estados, 46 Clubes e 55 Contratos v Região Norte: 20,2% 7 Estados, 61 Clubes e 71 Contratos 97 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento Segundo dados da pesquisa, do total de clubes da amostra, 54 não possuem patrocinadores que corresponde a 17,9% da amostra e se mantém com receitas geradas pelo próprio clube em jogos, retorno de marketing, produtos agregados e sócios. Em alguns casos é de extrema importância a participação destes clubes em campeonatos estaduais, pois isto é que garante a sobrevivência destes clubes sem patrocínios. A maior marca que aparece como forte patrocinador de clubes do futebol brasileiro é o Banco BMG. Segundo dados da pesquisa, atualmente a instituição patrocina 31 equipes do futebol nacional, o que representa 10,3% da amostra seguido da UNIMED com 25 Clubes e 8,9% do total pesquisado. Alguns clubes possuem mais de um patrocinador, porém o que denomina a posição de patrocinador máster é mesmo a quantidade de dinheiro que as instituições oferecem pelo melhor espaço na camisa ou até no short do uniforme do clube. No início da década, era raro encontrar mais de um nome na camisa de um clube, diante das oportunidades de mercado, alguns clubes passam até despercebidos com seus escudos diante da quantidade colorida estampada pelos patrocinadores no uniforme. O que se nota é que bancos e financeiras são os maiores investidores do futebol Brasileiro, seguidos de empresas do setor de saúde, varejista, telefonia, automotiva e prefeituras. E quanto isto movimenta? Cerca de 330 Milhões de Reais foi o valor estimado com patrocínios ao futebol pelas empresas em 2011, deste 98 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados total 78% destinados a clubes da série A do campeonato Brasileiro de 2011. 4.4 A REALIDADE ENTRE DUAS REGIÕES E SEUS PATROCINADORES Região Sudeste Cerca de 45% dos clubes desta região possuem como patrocinador máster bancos ou instituições financeiras como seus parceiros. Nesta região também é onde podemos encontrar os maiores clubes do Brasil em termos de geração de receita e com os maiores valores recebidos dos patrocinadores, pois os clubes do eixo Rio- São Paulo possuem maior torcida, nome e tradição no futebol nacional. Se pegarmos o caso Corinthians e Flamengo, que são considerados os de maior torcida, e, consequentemente, de maior consumo, qual patrocinador não irá querer estampar o nome de sua empresa nestes uniformes? O banco BMG correu com isso e hoje ocupa o lugar no uniforme de 22 equipes da região o que corresponde a 38% da amostra, as prefeituras estão apoiando 07 clubes no total. Abaixo tabela que mostra os seguimentos de patrocínios na região: 99 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento A região sudeste é onde os clubes também recebem maiores receitas de valores de transmissão de TV, além dos clubes que mais atraem torcedores ao estádio devido aos seus jogadores que são considerados estrelas pelos admiradores do esporte, e são estes clubes considerados os maiores do Brasil, como Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Portuguesa e outros intermediários de valor como o Grêmio Barueri, São Caetano, Ponte Preta, Guarani etc. Mas, este ponto ficará para ser discutido mais adiante. Região Nordeste Aqui encontramos um contraste ao caso sudeste, pois cerca de 18% dos 93 clubes não receberam patrocínios para os campeonatos estaduais de 2011. Neste cenário, os varejistas estão mais presentes e estampam suas marcas em grande parte dos uniformes nordestinos, cerca de 17% ,e em seguida as prefeituras que apoiam os clubes que carregam em sua maioria o nome das cidades como exemplos de Serra Talhada, Petrolina, Fluminense de Juazeiro, Fortaleza, Ceará, Largato-SE etc. Do total de 93 clubes, no 100 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados máximo 15 são de grande em expressão regional e médios a pequenos em contexto nacional, os mais conhecidos por estado: a) PE: Sport, Náutico e Santa Cruz; b) PB: Campinense e Treze de Campina Grande; c) RN: América e ABC de Natal; d) AL: CRB e CSA; e) BA: Vitória e Bahia; f) CE: Fortaleza e Ceará; g) MA: Motoclube; h) SE: Largato; i) PI: Flamengo do Piauí. Abaixo tabela que mostra os patrocinadores destes clubes em termos gerais: A situação dos clubes no Nordeste difere e muito a região sudeste, ao começar pelas receitas de transmissão, os clubes considerados fortes no Nordeste possuem grande contexto de torcida, mas este número não reflete 101 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento a sócios, todo sócio é torcedor, mas nem todos torcedores se associam ao clube. Isto impacta fortemente os caixas dos clubes que não conseguem se estruturar para ficar mais de dois anos na primeira divisão. A média de clubes do nordeste que conseguem se manter na primeira divisão é ainda menor, nos últimos dez anos, os clubes nordestinos acumularam uma baixa na elite do futebol brasileiro, segundo pesquisa realizada pela revista Placar, no ano que o clube sobe para primeira divisão briga para não cair, e os que se mantém no ano seguinte voltam para segunda divisão. Em média os maiores clubes nordestinos passam cerca de dois a três anos para regressar a elite, mas isto é uma média, pois existem outros que estão há mais de seis anos e relutam para não cair para série C. O interessante é que nenhum clube do Nordeste consegue adquirir novos torcedores em outras regiões do Brasil, por exemplo, um Gaúcho jamais irá torcer pelo Sport Recife, ou um Paulista jamais irá torcer pelo 13 de Campina Grande, mas em contrapartida, diversos Nordestinos torcem por clubes de outras regiões. Um exemplo disto é quando um clube da região Sul ou Sudeste vem jogar em solo Nordestino, dependendo do clube adversário, a torcida do Flamengo, Corinthians e São Paulo chega a ser maior que as torcidas de clubes locais. A disparidade entre os clubes das duas regiões é enorme. A prova disso está na citação anterior e a vantagem dos grandes clubes está no poder de mídia que alcançaram, portanto jogos destas equipes do sudeste em solos Paraibanos, Alagoanos, Sergipanos e Potiguar espera-se sempre uma 102 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados torcida visitante lotada, pois os clubes locais não agradam nem ganham a fidelidade dos novos torcedores mesmos nascidos no Nordeste. 4.5 SITUAÇÃO DOS CLUBES BRASILEIROS Entraremos agora em um cenário que demostrará a situação dos clubes e suas rentabilidades comparativas 2010 e 2011, o avanço que os clubes alcançaram e seus custos, receitas e superávit ou déficit do exercício, esta análise também colocará a fonte dos recursos e seus percentuais que contribuem para a eficiência dos clubes, seu histórico no campeonato brasileiro nos últimos anos, competições que disputou, gols marcados e rentabilidade, ou seja, esta etapa medirá o grau de eficiência dos clubes, veremos o quanto que os clubes investem em contratações refletem em títulos boas campanhas e desempenho do clube em cada temporada. Será que os clubes que mais gastam são os que mais ganham títulos? Esta analogia será nosso foco principal do despertar desta pesquisa. Colocaremos como base da pesquisa os 20 clubes já mencionados em oportunidades anteriores neste trabalho, pois com base no trabalho elaborado pela BDO Auditores independentes e Banco Itaú, os clubes com maior representatividade nos últimos cinco anos foram estes que colocaremos abaixo com suas receitas totais. Os dados foram publicados pelos clubes em seus websites. 103 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento Os dados acima mostram que a maioria dos clubes obteve resultados de crescimentos de um ano para outro. Em alguns casos como os do Coritiba e Figueirense cresceram mais de 100% suas receitas e no parâmetro montante, os clubes tiveram uma variação positiva de 27.21%. Estes valores se referem diretamente as demonstrações de balanços dos clubes 104 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados segundo a BDO. Ao longo de cinco anos o histórico de crescimento dos clubes chegam a 73% em números divulgados pelos clubes, acontece que a maioria dos patrocinadores não divulga os balanços atrelados aos clubes e daí torna-se inviável colocar valores reais do que realmente o clube movimenta. Faremos agora uma analogia das origens de receita dos clubes, pois como se espera, existem diversas fontes de receitas que são oriundas de diferentes partes tendo em vista o poder que este mercado possui em território nacional. Não podemos nos esquecer que futebol envolve emoção com seus torcedores e telespectadores; que consegue quebrar barreiras de aspectos sociais que independente da classe, cor, religião ou etnia. Todos se envolvem neste evento que a cada partida promove momentos de felicidade e tristeza para nós amantes do esporte. Então, se diversas classes sociais são consumidoras deste mercado por que não explorar esta fonte que permite alcançar as mais diversas fontes de riqueza? As receitas com origem de patrocinadores e televisivos são os que mais impactaram nas receitas dos clubes analisados segundo a BDO. O gráfico abaixo mostra toda fonte de valores criados pelos clubes inclusive com transferência de jogadores. Achamos por critério, colocarmos nesta análise apenas os clubes que mais arrecadam e que são considerados “Grandes” pelos críticos, sejam por números de títulos conquistados ou pelo número de torcedores. Nosso método de análise se dividirá em quatro partes: 105 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento a) Representação percentual da receita total b) Eficiência dos clubes nas competições dos últimos três anos c) Abertura das dívidas d) Receita, custo, superávit ou déficit. 4.6 RESULTADOS • Corinthians A seguir analisaremos os percentuais das fontes de receitas que o clube arrecadou em 2010-2011, nota-se um considerável aumento na receita de direitos televisivos, enquanto a parte de patrocínio, arrecadação do social e bilheteria 106 obtiveram déficit. REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados 107 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento • Análise Clube brasileiro de maior arrecadação nos anos de 2010 e 2011, acreditase que estes valores de alta crescentes no Corinthians são reflexos das empresas que investiram no clube com a contratação do atacante Ronaldo em 2009. Desde então, os investimentos e retornos em marketing no clube são um diferencial que a instituição se coloca no mercado. Camisas comemorativas, programas geradores de receitas como o Fiel “Torcedor”, além de campanhas nacionais e internacionais que faz com que o clube se coloque como um dos 10 maiores contratos de patrocínio do mundo. O Corinthians traçou planejamentos de médio e longo prazo que tiveram rentabilidades consideráveis como o caso jogadores até então desconhecidos e que fazem parte da atual seleção Brasileira, isso cria valor agregado ao produto “Jogadores” que são vendidos a clubes do futebol Europeu a preços que chegam a 100 vezes o valor pago pelo atleta. Na gestão do presidente Andrés Sanches, o clube conseguiu mesclar juventude, com experiência uma receita que deu certo com garotos da base e velhos conhecidos da torcida Brasileira. O Clube hoje é o que mais recebe receita de direitos televisivos tendo em vista que em dias de jogo, a torcida promove grande volume de audiência a Rede Globo. São Paulo Futebol Clube, considerado um dos mais estruturados do País, demonstrou os seguintes resultados: 108 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados 109 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento • Análise Nota-se que o São Paulo FC obteve um desempenho ineficiente nos últimos campeonatos disputados, a não presença de jogadores famosos capazes de atrair a torcida e a falta de títulos em três anos faz com o clube perca poder de marketing no mercado. Na verdade o São Paulo é um dos clubes considerados de grande porte que menos investe em marketing, seus rendimentos com esta fonte não geram receitas expressivas e apresenta-se como ponto fraco do clube nesta análise. Um aspecto positivo é o aluguel de seu estádio para mega shows internacionais, além das vendas de camarotes nestes eventos, esta fonte 110 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados gerou uma receita de 18% de seu faturamento em 2010 e 2011 e é um diferencial do clube, pois a maioria dos mega shows que vem ao Brasil, passam obrigatoriamente por São Paulo, e quase 100% dos shows vão para o Morumbi. Nos dois anos de balanço do clube, o SPFC apresentou capacidade de pagar salários, pois teve resultado operacional positivo. Mais de sua metade da dívida é originária do banco BMG, porém o clube consegue empréstimos junto a bancos considerados de primeira linha como Bradesco e Itaú, fazendo assim, uma mixada dívida que passa por diversas instituições e com prazos de vencimentos para 2015 e 2016. O clube possui uma política muito arrojada de investimentos nas categorias de base, apesar de não conter títulos constantes nesta categoria nos últimos anos, o São Paulo promove vários destes garotos ao elenco profissional e consegue obter lucros consideráveis. O caso mais recente foi do Atacante Lucas, que foi vendido ao PSG da França por cerca de 108 Milhões de Reais. Históricamente o clube foi o que conseguiu as maiores vendas para clubes do exterior, antes de Lucas o São Paulo havia feito a negociação com a venda do veterano Denilson para o futebol Espanhol por 32 Milhões de dólares na época, nenhum jogador, exceto o Lucas foi vendido por este preço. • Santos Clube de maior ascensão nos últimos anos devido a grandes estrelas como Robinho, Ganso e Neymar, porém seu patrimônio maior ainda continua 111 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento sendo o grande ídolo Pelé. Abaixo resultado do Santos nos últimos dois anos. 112 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados • 113 Análise REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento Grande aumento em suas receitas principalmente em bilheteria, patrocínio e direitos televisivos. Essas fonte são fruto do trabalho que foi feito em cima do atacante Neymar, que é a principal estrela do clube na atualidade. Estima-se que o atleta esteja recebendo salários que ultrapassam os 30 milhões de Reais por ano. O Santos recebeu mais verba da TV devido justamente a presença do craque em campo que desperta até audiência de outros torcedores que não torcem pelo Santos, mas que gostam de ver o futebol do jogador. Em termos de lucro, o clube obteve um avanço em 109% comparado a 2010. Nenhum clube do futebol Paulista conseguiu esse aumento em apenas um ano, claro que isto se deve a boa campanha, neste caso eficiência, gerada pelo clube nos últimos dois anos onde o mesmo ganhou 04 títulos importantes em nível nacional e Internacional como a Libertadores de 2011. O que nota-se é que quanto mais o clube participa de finais dos campeonatos suas receitas sobem gradativamente independente do tamanho que o clube representa. O fato de conseguir um bom jogador no elenco atrai o público ao estádio, que atrai outros telespectadores, que vende mais a imagem do clube, é de verdade o que chamamos de efeito cadeia, pois a cada título conquistado abre novas competições que agregará mais receita ao clube. • Internacional Gostaríamos de destacar o Internacional de Porto Alegre devido ao clube possuir o maior número de sócios entre os clubes do Brasil. 114 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados 115 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento Não existe abertura de dívida bancária. Podemos observar nesta análise que a maior receita do clube é originária de direitos televisivos e venda de jogadores, este último, cria uma grande 116 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados dependência do clube e pode ocasionar uma forte queda em sua receita total no ano em que não conseguir vender seus atletas. Clube obteve um crescimento de cerca de 11% de suas receitas totais de um ano para o outro. Investiu forte em jogadores considerados estrelas internacionais nos últimos anos e manteve a base de jogadores criados no próprio clube, o mais recente feito do clube foi a contratação do melhor jogador da copa de 2010, o atacante Uruguaio Diego Forlán. O Inter, em termos de eficiência, demonstrou que nos últimos três anos se manteve entre finalistas dos campeonatos que disputou, conquistou dois títulos e foi e 2º colocado em duas oportunidades. Segundo fontes do Itaú, o Inter fez recentemente uma reavaliação do imobilizado, terrenos pertencentes ao Internacional foram reavaliados e somam um total de 434 Milhões de reais que poderá entrar nos cofres do clube nos próximos anos. O Inter mantém uma carteira de sócios com mais de 90 mil torcedores que contribuem com o clube, muitos é claro inadimplentes, cerca de 32% segundo dados do próprio clube. Mesmo assim é o clube que mais arrecada com sócios no Brasil e por muitas vezes é comparado e níveis de torcida do futebol europeu. • Flamengo Considerado por muitos o mais querido do Brasil e maior em número de torcedores, o clube apresentou os seguintes dados: 117 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento 118 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados O Flamengo por dois anos consecutivos se manteve na mesma posição do ano anterior, é o 5º clube de maior arrecadação do futebol Brasileiro, mesmo possuindo a maior torcida. Podemos observar que o clube possui a maior margem de receita oriunda da televisão, teve um aumento de 45% de 2010 para 2011 isto devido a participação na Libertadores da América de 2011. O clube, junto com o Corinthians, são os que mais recebem receitas de direitos televisivos, em contra partida, o Flamengo se mostra como péssimo gerador de receita com venda de jogadores, a cerca de três anos o clube não revela nenhum jogador da base de grandes proporções, ou mesmo outros que se destaquem para um possível repasse. Nos últimos anos o Flamengo contratou diversos jogadores e seu elenco é quase 100% com contratações, muito poucos garotos da categoria de base são utilizados, ou conseguem se manter na equipe profissional. Neste caso, ao compararmos o Flamengo com os demais clubes, é sem sombra de dúvidas o que menos consegue ganhar capital com neste aspecto, isto nos obriga a dizer que um clube que possui a maior torcida do Brasil, e possivelmente uma melhor visibilidade, poderia utilizar dessas vantagens para levantar recursos com venda de jogadores, o que não acontece. Em três anos foi campeão em três competições, porém o investimento que o Flamengo faz em seu departamento de futebol muitas vezes não condiz 119 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento com a eficiência do clube. Vejamos o caso do Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, contratado por vencimentos fora da realidade brasileira, o jogador ganhou apenas um título pelo clube e não conseguiu render o que foi colocado de expectativa em cima dele e nem tão pouco o dinheiro investido nisso, afinal não é apenas um jogador que decide um campeonato, mas sim, um elenco forte. CONCLUSÃO Ao final da pesquisa conclui-se que os clubes que investem melhor no marketing através de campanhas sócio torcedor, contratação de jogadores consagrados, produtos agregados à marca afetam diretamente no rendimento do clube e dos jogadores. Como podemos ver na PAG “” o caso Ronaldo no Corinthians e Neymar Santos foram exemplos que confirmaram uma das hipóteses da pesquisa. Claro que é necessário que exista comprometimento da contraparte, pois este modelo não funcionou no caso Adriano e Ronaldinho Gaúcho justamente por existirem algumas variáveis externas e internas onde não se colocou o clube como empresa ou e o jogador como funcionário, o estrelismo e vaidade, acabam por muitas vezes tomando espaço e relação patrão empregado em muitos clubes aparecem apenas quando os interesses de ambas as partes estão destorcidos. Apesar disso, acredita-se em um efeito cadeia positivo, pois, na medida em que os clubes atraem mais sócios e contratam os melhores colaboradores do mercado acaba, consequentemente, gerando maiores 120 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados receitas com vendas de bilheteria nos jogos, além de aumentar a venda de produtos licenciados, atrair patrocinadores másters e garantir estádios lotados em dias de jogos, que influenciam a equipe a conquistar a vitória. O estudo conclui também que alguns clubes falham em suas gestões, pois o planejamento de longo prazo sempre é estourado quando em curto prazo não conseguem os resultados e são ameaçados de cair para uma divisão inferior, exemplo disso, é a rotatividade de treinadores “gestores” durante uma competição, e contratação de jogadores que não estavam no planejamento orçamentário do clube e que mesmo assim são contratados. Vimos o caso do Manchester United onde o gestor do clube “treinador” independente do resultado da temporada está no cargo há mais de 25 anos, isto alimenta a hipótese da pesquisa que tenta mostrar o clube como empresa e jogadores e treinadores como funcionários. Com as informações demonstradas nesta pesquisa, através dos dados do Itaú e BDO auditores, pode-se concluir que os maiores clubes brasileiros movimentam uma economia que pode ser comparada a um PIB de cidade. As receitas aumentam consideravelmente a cada ano, porém seus custos também crescem a um ritmo quase que proporcional. Uma problemática que o estudo encontrou é que a maior parte da receita dos clubes é oriunda de direitos televisivos, o que não deixa de ser um bom negócio, pois os patrocinadores pagarão mais dinheiro para exibir suas marcas nos uniformes do clube, porém com uma queda para divisões inferiores, acarreta em uma considerável perda nesta fonte. O estudo acredita que 121 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -‐125 Everson Luís do Nascimento uma maior receita na variável venda de jogadores de origem da base, ou mesmo, aqueles que são comprados por X recebem aprimoramento e o clube investe na exposição deste produto “Jogador” para serem vendidos por X+Y é um ótimo escape para aumentar a participação desta variável nas receitas do clube. Ao final, conclui-se que as hipóteses acima mencionadas foram respondidas e que ao decorrer da pesquisa sentiu-se falta de referências e estudos acadêmicos sobre este mercado. O que chama a atenção é que as pessoas ainda possuem uma visão emocional do futebol e a pesquisa chama a atenção para uma visão econômica do negócio, o quanto de oportunidades existe neste segmento, o que pode ser ainda mais explorado para uma melhor rentabilidade dos agentes envolvidos. O aprendizado que se teve neste estudo foi que o futebol é muito mais que um simples jogo ou apenas uma competição, é sobre tudo, um negócio que movimenta bilhões por ano, e que pensar nas oportunidades que este mercado oferece sem dúvidas servirá de inspiração para futuras pesquisas, pois muitos vivenciam uma partida de futebol, mas poucos têm a visão econômica do negocio que o esporte movimenta. REFERÊNCIAS AIDAR, Antônio Carlos Kfouri; LEONCINI, Marvio Pereira; OLIVEIRA, João José de (Orgs.). A nova Gestão do futebol. São Paulo: FGV, 2000. ALVES, José Carlos Ferreira. São Paulo futebol clube: balanço patrimonial 2011. Disponível em: 122 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados <http://www.saopaulofc.net/media/53687/Balanco2011-3.pdf>. Acesso em: 15 out. 2012. ALVITO, Marcos. A parte que te cabe neste latifúndio: o futebol brasileiro e a globalização. 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