ECONOMIA FUTEBOL CLUBE:
O LADO FINANCEIRO DO
GRAMADO
*
Everson Luis do Nascimento
RESUMO
A pesquisa mostra em dados numéricos o real valor gerado pelos
principais clubes Brasileiros e suas origens de receita. A partir daí, busca
comprovar através de análises comparativas que o mercado do futebol é
uma economia que ultrapassa o meio esportivo e movimenta valores que
se aproximam a tudo o que é produzido por uma cidade. Mostrará a
diferença dos cenários regionais, as empresas atuantes como agentes
patrocinadores e a evolução do futebol como negócio. Estes tópicos
servirão de base para exemplificação dos elementos principais que
modelam este mercado, “Os Jogadores e os Clubes”. O empenho da
pesquisa é medir a eficiência dos clubes, relacionando os resultados
financeiros à conquistas de títulos, bem como, os jogadores que como
elemento principal do mercado, conseguem ultrapassar as linhas da
produção do campo, para gerar valores em outros segmentos de atuação
extrafutebol. O que veremos é o quanto estas peças influenciam no
resultado da equipe “clube” e a diferença que existe entre as gestões
institucionais e que podem quebrar todo um planejamento quando o grau
de eficiência fica abaixo do esperado e não justifica os investimentos de
um time de futebol.
Palavras-chave: Futebol brasileiro. Clubes brasileiros. Esporte e
negócios. Futebol e PIB.
ABSTRACT
*
Economista pela Faculdade Boa Viagem. Analisa da Cengage 81 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Research shows numerical data on the real value generated by the leading
Brazilian clubs and their revenue sources. From there, search through
comparative analysis prove that the soccer market is an economy that goes
beyond the sports moves and values that approach to everything that is
produced by a city. Show the difference of regional scenarios, companies
acting as agents sponsors and the evolution of football as a business. These
topics form the basis for exemplification of the main elements that shape
this market, "and The Players Club." The commitment of the research is to
measure the efficiency of the clubs, the financial results relating to the
achievements of securities, as well as the players as the main element of
the market, can overcome the lines of the field production, to generate
values in other segments extrafutebol . What we see is how these parts
influence the outcome of the team "club" and the difference between the
managements and institutional that can break a whole when planning the
efficiency is lower than expected and does not justify the investment of a
football team.
Keywords: Brazilian Football. Brazilian clubs. Sport and business.
Football and GDP.
82 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 ECONOMIA FUTEBOL CLUBE:
O LADO FINANCEIRO DO
GRAMADO
Everson Luis do Nascimento
INTRODUÇÃO
O Presente estudo tem como principal elemento abordar o tema Economia
do Futebol medido sobre variáveis de eficiência econômica, para tal
análise a pesquisa foi resumida ao estudo econômico financeiro de clubes
brasileiros para explicar o que, de fato, este esporte movimenta em termos
monetários e sua representatividade quando comparado a um Produto
Interno Bruto (PIB) e também a clubes estrangeiros.
Este estudo está delimitado a dados dos últimos dois anos de clubes
brasileiros e em análise mais profunda, a pesquisa selecionou como
amostra as cinco maiores receitas e analisará clubes com particularidades
diferentes, medirá a eficiência e desempenho nos campeonatos disputados
dos últimos três anos.
Porque que os clubes que investem consideravelmente em termos de
jogadores e marketing esportivo conseguem os melhores resultados? Quais
as variáveis que podem explicar este fenômeno em termos de eficácia
83 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 econômica para um clube? Tudo será explicado através de uma análise
comparativa entre os vinte clubes brasileiros, mostrando suas receitas, as
fontes oriundas e onde eles possuem maiores arrecadações de um ano para
o outro.
Acredita-se, hipoteticamente, que alguns clubes não atuam de fato como
uma empresa privada, sua organização e principalmente planejamento de
médio e longo prazo, na maioria das vezes, não são compridos quando a
curto prazo os resultados não aparecem.
O objetivo principal deste estudo é descrever e analisar dados quantitativos
das receitas dos clubes brasileiros fornecidos pelo Banco Itaú e BDO
Auditores independentes. Através destes dados será possível medir o
desempenho
financeiro
dos
clubes
brasileiros
e
comparar
suas
rentabilidades e crescimentos de um ano para o outro. Antes disso,
faremos uma breve comparação de clubes Brasileiros com os times
estrangeiros e a receita dos clubes com o PIB de 2009 da cidade do Recife
em Pernambuco.
1. HISTÓRIA DO FUTEBOL NO BRASIL
Segundo Gurgel (2006, p. 66):
No desenho da expansão do futebol pelo mundo, a
América do Sul foi, desde o início, um território
fértil para este esporte. No fim do século XIX, já
havia gente batendo bola por aqui e, desde o começo
do século seguinte, surgem às primeiras
competições.
47 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados A citação do Professor Andersom Gurgel introduz uma pequena parte do
que veremos ao decorrer deste estudo. Entretanto, deve-se dizer que não
será foco principal da pesquisa adentrar em termos históricos, mas com o
grau de colaboração que os percussores do esporte tiveram, cabe-se aqui
informar como surgiu esta atividade no Brasil.
De acordo com Aidar (2000, p. 86):
O futebol foi introduzido oficialmente no Brasil em
1894, em São Paulo, por Charles Miller. Quando
chegou ao Brasil o futebol era um esporte proibitivo,
elitista, racista, praticado apenas nos clubes de elite.
Mas as várzeas devolveram ao povo o que era seu
por direito, já que este esporte, como o conhecemos
hoje, é originário das manifestações culturais das
camadas populares da Inglaterra do final do século
XIX.
O que se entende é que o futebol não foi algo imediato e disponível para
todos. Compreende-se que o chamado “esporte popular”, de fato, se
limitava apenas aos mais favorecidos da sociedade e que a sua prática era,
até então, tímida em termos de massa. Difícil imaginar que um esporte
democrático, que necessita de poucas ferramentas para compor uma
partida, fosse apenas praticado pela alta sociedade. Com passar do tempo o
esporte invade as periferias das grandes cidades. Começam a surgir clubes
mais populares que acabaria com a prática mais elitizada e, pela primeira
vez, começa a se pensar em cobrar ingressos. Mesmo assim, apenas na
década de 20 é que a grande expansão e consolidação do esporte tomam
85 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento outros rumos, a profissionalização, ascendente em todo o país, é rápida e
alcança todas as camadas da sociedade. Isto resulta em consumidores do
esporte como um evento e, inevitavelmente, a mistura entre ricos e pobres
se faz necessária, pois os grandes clubes começam a buscar na periferia
talentos que possam compor o time e, a partir daí, não se julga cor, raça ou
religião, o esporte está acima de tudo conforme lembra Aidar (2000).
O grande Boom no Brasil foi a partir da copa que sediamos no país,
segundo GURGEL (2006, p.68), depois da Guerra, com a Europa em
reconstrução, surgiu uma chance de ouro para o Brasil sediar a Copa de
1950. A idéia, além de ter força popular, agradava os interesses
governamentais, já que era corrente o uso do esporte como forma de
propaganda. Já em 1976, é que de fato os jogadores passam a ter os
direitos regidos através da regulamentação da CLT (consolidação das leis
do trabalho). Em consequência disto, profissionais liberais como
nutricionistas, fisioterapeutas, preparadores físicos se integram aos clubes,
para que os atletas possam render mais e utilizarem melhor suas
ferramentas de trabalho dentro de campo, ressalta Aidar (2000).
2. EVOLUÇÃO DO FUTEBOL COMO NEGÓCIO
Quando paramos para pensar no que o futebol se tornou e, principalmente,
o dinheiro que movimenta, passe-se longe daquilo que foi desenhado no
país por Charles Miller. A evolução deste esporte, no Brasil, ultrapassou
fronteiras que, com o passar do tempo, acabou nos projetando para o
86 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados mundo como o “País do Futebol”, com grandes estrelas e talentos
promissores que valem milhões de dólares. Tendo em vista os últimos
investimentos neste setor, a inserção do marketing fortemente inserido por
empresas multinacionais e a próxima copa do mundo no País, não
poderíamos deixar de buscar conhecimentos dos valores que serão
investidos e injetados na economia Brasileira com este mega evento.
O bom momento econômico pelo qual passa o Brasil
foi fundamental para atrair atenções e recursos de
grandes empresas, sejam fornecedores de material
esportivo, escritórios de arquitetura, construtoras,
fabricantes de cadeiras, seja agências de marketing.
Um estudo da empresa de consultoria Ketchum
indica que, apenas em infraestrutura -- área que vai
do sistema de transporte urbano à construção de
arenas, passando por hotéis, hospitais e aeroportos -, os dois eventos devem envolver investimentos que
superam 120 bilhões de reais. Além disso, o
faturamento anual do mercado esportivo, que inclui
venda de bolas, chuteiras e raquetes, realização de
eventos. Patrocínios e venda de direitos de
transmissão pela TV, deve subir dos atuais 40
bilhôes de reais para 80 bilhões em 2016. "O Brasil
se transformou no centro das atenções do mundo em
razão dos eventos esportivos", diz Stephen A.
Greyser, professor de marketing da Universidade
Harvard especializado em negócios do esporte.
(ONAGA, 2011, p.118.)
Com o decorrer do tempo, via-se o futebol apenas como atividade que
estava ligada a hábitos saudáveis e paixão por clubes e times, nada mais
87 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento até final dos anos 70. Depois o esporte iniciou uma nova era que jamais
voltaria a ser como antes, ou seja, entra de vez a visão de negócios e
oportunidades com esta atividade que movimentaria bilhões em todo o
mundo na década seguinte.
A constante presença dos atletas e clubes nas transmissões de televisão é
cada vez mais freqüentes. Duas vezes por semana estão expostos em
canais abertos, pois a audiência é cada vez maior e atrai diversas formas de
negócio, movimenta a economia gerando emprego e renda aos agentes que
se envolvem direta e indiretamente com o meio. Os interesses de empresas
em patrocinar equipes e jogadores individuais estão cada vez maiores. É
notório ver estampas em camisas de uniformes do clube em espaços que
jamais
foram
utilizados,
estes
patrocínios
vão
desde
empresas
farmacêuticas até montadoras de automóveis, dependendo muito da região
e da importância do clube. Segundo pesquisa realizada pela Sport+Markt
da Alemanha, os patrocínios aos clubes do futebol brasileiro, da primeira
divisão, foram maiores que competições do futebol Europeu como as de
França, Espanha e Itália em 2010.
3. FUTEBOL É UM NEGÓCIO RENTÁVEL
Uma empresa privada sobrevive dos seus lucros, para tal, ela possui uma
equipe que trabalha em prol de alcançar o objetivo desta empresa. O
futebol vende entretenimento, paixão e esperança de uma vida melhor para
muitas pessoas no mundo. Fazendo uma analogia de uma equipe de vendas
88 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados formada por vendedores e gerida por um gerente, podemos comparar a um
time de futebol profissional liderado por técnico. Cada um possui objetivos
distintos, porém, ambos têm a finalidade de bater uma meta, seja fazendo
gols, no caso do futebol, ou vendendo produtos, no caso de uma equipe de
vendas. Ambos os casos terão lucros e sucesso profissional ao alcançar
seus objetivos.
O esporte em si normalmente é definido como uma
fonte de diversão ou atividade física na qual as
pessoas se envolvem por prazer (Shank, 2002), ele
nos retira do nosso dia-a-dia e nos entretém de uma
forma geralmente mais envolvente e mais social de
que outros modos de diversão aprazível (assistir a
um filme ou ler um livro). Esta definição de esporte
sugere o estreito vínculo que as emoções e as
sensações têm com o consumo esportivo, além disso,
o esporte é visto como uma aprazível, já que não é
trabalho. (Morgan e Summers, 2008, p.10)
Esta seria uma visão não profissional do esporte, o que infelizmente
acontece em alguns clubes, Morgan e Summers (2008, p.11) também fala
que esta definição inicial sugere que o esporte é uma atividade amadora ou
informal.
O produto esportivo é intangível e perecível, assistir uma partida de
futebol em tempo real é diferente de assisti-la gravada em vídeo, o
momento de grande emoção é único, é o momento da partida, acabou o
jogo, seus resultados causarão a felicidade de uns e a infelicidade de
89 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento outros. O lucro maior fica com apenas um. Uma vez encerrado um eventos
esportivo, encerram-se também as possíveis vendas ao vivo.
4. ANÁLISE EXPLORATÓRIA DOS DADOS
4.1 O FUTEBOL BRASILEIRO E OS CLUBES ESTRANGEIROS
Fazendo uma analogia do nosso futebol, vamos então adentrar no cenário
internacional para elaborarmos um comparativo de clubes do futebol
europeu e os clubes brasileiros. A pesquisa apresentará as receitas e as
fontes de origem de cada uma delas para medir o quanto representam e
contribuem com a rentabilidade do futebol.
Segundo dados do Itaú, com referência aos dados publicados pela Futebol
Finance de Portugal, os Clubes Europeus possuem vasta arrecadação em
direitos televisivos e com patrocinadores, o que não foge à realidade
brasileira, porém com um diferencial, a forma como são administrados os
clubes. No cenário europeu, grande parte dos gestores, que assumem
cargos estratégicos, está a mais tempo envolvida com os projetos dos
clubes onde atua e melhor, são eleitos pelos votos dos sócios do clube, ou
seja, se o clube possui 100 mil sócios, todos participarão do processo de
eleição. No Brasil, o processo é denominado como eleições de conselho,
onde um pequeno grupo de sócios torcedores, em sua maioria empresários
ou pessoas influentes que atuam fora do futebol, nomeiam um presidente.
90 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados Abaixo veremos dados desses dois cenários de mercado tomando como
base suas receitas e o poder monetário que representam.
Este faturamento está ligado a moedas locais, portanto, para os clubes
Ingleses a moeda a ser considerada será a Libra, (Pounds).
Para elaboração da análise entre os dois mercados, tornam-se necessários
realizarmos a conversão do câmbio das moedas apresentadas na tabela
abaixo.
91 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento Veremos agora as receitas geradas por 20 clubes Brasileiros no ano de
2011. Estes números foram extraídos da publicação feita pela empresa
BDO auditores independentes e estão a amostra no website da empresa.
92 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados 93 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento Após os resultados coletados, podemos agora elaborar uma análise
comparativa entre os dois mercados:
•
Na tabela 1, notamos que apenas a receita gerada pelo Real Madrid
cobre facilmente as de Corinthians, São Paulo, Internacional,
Santos e Flamengo juntos. Ainda sobra parte para cobrir a do
Palmeiras, 6º colocado na arrecadação de receita segundo dados da
BDO.
•
Interessante nesta análise é que o último colocado na tabela
européia, Olimpic de Marseille, sozinho, consegue cobrir os
últimos dez colocados da tabela brasileira. Portanto se colocarmos
o Bayer de Munique na comparação, toda a receita gerada pelos
clubes brasileiros serão facilmente ultrapassadas com apenas três
clubes europeus.
4.2. RELAÇÃO FUTEBOL E PIB
Todos nós sabemos que PIB (Produto Interno bruto) é tudo aquilo
produzido em um País, estado, município ou região em um dado período
de tempo. No caso dos clubes de futebol, o PIB são suas receitas, os
produtos são os jogadores, os investimentos são as categorias de base e
agregados a marca do clube. Portanto, surge a curiosidade em comparar as
receitas dos clubes brasileiros e internacionais com a cidade do Recife para
94 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados vermos se existem disparidades nestas comparações ou se este setor da
economia, mais voltada ao esporte, encontra-se em ascensão no país.
A Cidade do Recife, capital Pernambucana, apresentou um PIB de 24
Bilhões de reais segundo IBGE no ano de 2010, com este número, elaborase uma análise comparativa com as receitas dos 16 clubes Europeus e 20
Brasileiros.
•
Montante de receita dos clubes Europeus: 10.561.080.700,00
•
Montante de receitas dos clubes Brasileiros: 1.516.890.000,00
•
Total das receitas: 12.077.970.000,00
Desta forma, realizando comparação entre os resultados PIB Recife X
Receita dos Clubes, temos a seguinte informação:
O montante da receita dos clubes corresponde a quase 49% do PIB do
Recife para o ano de 2011. Este número é sem dúvidas um valor
considerável, pois movimenta não apenas um setor da economia, mas
consegue envolver setores informais e grandes empresas do mercado.
Segundo pesquisa realizada pela Pluri consultoria do Paraná, com base nos
dados divulgados pelo Banco Central do Brasil, a estimativa é que
chegaremos a 4,1 trilhões de Reais gerados no ano de 2012. Deste total,
1,6% é representado pelo esporte no país cerca de 67,0 Bilhões,
equivalente ao PIB da Sérvia. Enquanto a perspectiva é que PIB Brasileiro
cresça 1,5, o crescimento do setor de esportes é de 6,4.
95 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento O Futebol tem um percentual considerável dentro do resultado do PIB
esportivo, representa 53% do total, isto, em valores reais, corresponde a
36,0 Bilhões de Reais, ou seja, 0,8% do PIB nacional, o que é igual,
tecnicamente, ao PIB do Paraguai.
O interessante da pesquisa é que o esporte no Brasil cresce a ritmo Chinês,
enquanto o país segue a normalidade de países europeus. Outro ponto a ser
destacado é que nos últimos cinco anos houve consideráveis aumentos no
setor futebolístico, referentes ao faturamento dos clubes. Os 20 maiores
clubes arrecadaram mais de 2,2 Bilhões de Dólares, um crescimento
estimado em 79% ao longo dos anos. Isto representa 12,3% de média
anual. Claro que isto depende muito de um clube para outro, mas em
contexto geral a perspectiva é de que os números aumentem para 10,6 nos
próximos dois anos. É claro que estes valores alteram muito de clube para
clube, pois depende muito de sua tradição e representatividade que ele
promove, no Brasil sabemos que os 20 clubes que atuam na série A
recebem mais receitas do que as da série B, e estes valores advêm de
diversas fontes que geram valores ao clube por temporada. Também
depende muito das competições que estes disputam, pois quanto maior a
quantidade de disputas, mais visibilidade e promoção do clube, conforme
informações da Pluri.
96 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados 4.3 EMPRESAS, CLUBES E SEGMENTOS
Para identificarmos estes clubes, extraímos amostra por região, baseada
em informações das federações estaduais e pesquisa realizada pela GSN
(Global Sports Network), consultoria especializada em esportes do Rio de
Janeiro, onde foram colocados para pesquisa 301 clubes da 1ª divisão de
27 estados, 5 regiões, 463 contratos de patrocínio e 34 segmentos
econômicos.
O Percentual da amostra de clubes por região ficou da seguinte forma:
v
Região Nordeste: 32,6%
9
Estados, 98 Clubes e 144 Contratos
v
Região Sudeste: 19,3%
4 Estados, 58 Clubes e 118 Contratos
v
Região Sul: 12,6%
3 Estados, 38 Clubes e 75 Contratos
v
Região Centro-Oeste: 15,3%
4 Estados, 46 Clubes e 55 Contratos
v
Região Norte: 20,2%
7 Estados, 61 Clubes e 71 Contratos
97 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento Segundo dados da pesquisa, do total de clubes da amostra, 54 não possuem
patrocinadores que corresponde a 17,9% da amostra e se mantém com
receitas geradas pelo próprio clube em jogos, retorno de marketing,
produtos agregados e sócios. Em alguns casos é de extrema importância a
participação destes clubes em campeonatos estaduais, pois isto é que
garante a sobrevivência destes clubes sem patrocínios.
A maior marca que aparece como forte patrocinador de clubes do futebol
brasileiro é o Banco BMG. Segundo dados da pesquisa, atualmente a
instituição patrocina 31 equipes do futebol nacional, o que representa
10,3% da amostra seguido da UNIMED com 25 Clubes e 8,9% do total
pesquisado.
Alguns clubes possuem mais de um patrocinador, porém o que denomina a
posição de patrocinador máster é mesmo a quantidade de dinheiro que as
instituições oferecem pelo melhor espaço na camisa ou até no short do
uniforme do clube. No início da década, era raro encontrar mais de um
nome na camisa de um clube, diante das oportunidades de mercado, alguns
clubes passam até despercebidos com seus escudos diante da quantidade
colorida estampada pelos patrocinadores no uniforme. O que se nota é que
bancos e financeiras são os maiores investidores do futebol Brasileiro,
seguidos de empresas do setor de saúde, varejista, telefonia, automotiva e
prefeituras. E quanto isto movimenta? Cerca de 330 Milhões de Reais foi o
valor estimado com patrocínios ao futebol pelas empresas em 2011, deste
98 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados total 78% destinados a clubes da série A do campeonato Brasileiro de
2011.
4.4
A
REALIDADE
ENTRE
DUAS
REGIÕES
E
SEUS
PATROCINADORES
Região Sudeste
Cerca de 45% dos clubes desta região possuem como patrocinador máster
bancos ou instituições financeiras como seus parceiros. Nesta região
também é onde podemos encontrar os maiores clubes do Brasil em termos
de geração de receita e com os maiores valores recebidos dos
patrocinadores, pois os clubes do eixo Rio- São Paulo possuem maior
torcida, nome e tradição no futebol nacional. Se pegarmos o caso
Corinthians e Flamengo, que são considerados os de maior torcida, e,
consequentemente, de maior consumo, qual patrocinador não irá querer
estampar o nome de sua empresa nestes uniformes? O banco BMG correu
com isso e hoje ocupa o lugar no uniforme de 22 equipes da região o que
corresponde a 38% da amostra, as prefeituras estão apoiando 07 clubes no
total.
Abaixo tabela que mostra os seguimentos de patrocínios na região:
99 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento A região sudeste é onde os clubes também recebem maiores receitas de
valores de transmissão de TV, além dos clubes que mais atraem torcedores
ao estádio devido aos seus jogadores que são considerados estrelas pelos
admiradores do esporte, e são estes clubes considerados os maiores do
Brasil, como Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Flamengo, Vasco,
Fluminense, Botafogo, Portuguesa e outros intermediários de valor como o
Grêmio Barueri, São Caetano, Ponte Preta, Guarani etc. Mas, este ponto
ficará para ser discutido mais adiante.
Região Nordeste
Aqui encontramos um contraste ao caso sudeste, pois cerca de 18% dos 93
clubes não receberam patrocínios para os campeonatos estaduais de 2011.
Neste cenário, os varejistas estão mais presentes e estampam suas marcas
em grande parte dos uniformes nordestinos, cerca de 17% ,e em seguida as
prefeituras que apoiam os clubes que carregam em sua maioria o nome das
cidades como exemplos de Serra Talhada, Petrolina, Fluminense de
Juazeiro, Fortaleza, Ceará, Largato-SE etc. Do total de 93 clubes, no
100 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados máximo 15 são de grande em expressão regional e médios a pequenos em
contexto nacional, os mais conhecidos por estado:
a) PE: Sport, Náutico e Santa Cruz;
b) PB: Campinense e Treze de Campina Grande;
c) RN: América e ABC de Natal;
d) AL: CRB e CSA;
e) BA: Vitória e Bahia;
f) CE: Fortaleza e Ceará;
g) MA: Motoclube;
h) SE: Largato;
i) PI: Flamengo do Piauí.
Abaixo tabela que mostra os patrocinadores destes clubes em termos
gerais:
A situação dos clubes no Nordeste difere e muito a região sudeste, ao
começar pelas receitas de transmissão, os clubes considerados fortes no
Nordeste possuem grande contexto de torcida, mas este número não reflete
101 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento a sócios, todo sócio é torcedor, mas nem todos torcedores se associam ao
clube. Isto impacta fortemente os caixas dos clubes que não conseguem se
estruturar para ficar mais de dois anos na primeira divisão. A média de
clubes do nordeste que conseguem se manter na primeira divisão é ainda
menor, nos últimos dez anos, os clubes nordestinos acumularam uma baixa
na elite do futebol brasileiro, segundo pesquisa realizada pela revista
Placar, no ano que o clube sobe para primeira divisão briga para não cair, e
os que se mantém no ano seguinte voltam para segunda divisão.
Em média os maiores clubes nordestinos passam cerca de dois a três anos
para regressar a elite, mas isto é uma média, pois existem outros que estão
há mais de seis anos e relutam para não cair para série C. O interessante é
que nenhum clube do Nordeste consegue adquirir novos torcedores em
outras regiões do Brasil, por exemplo, um Gaúcho jamais irá torcer pelo
Sport Recife, ou um Paulista jamais irá torcer pelo 13 de Campina Grande,
mas em contrapartida, diversos Nordestinos torcem por clubes de outras
regiões. Um exemplo disto é quando um clube da região Sul ou Sudeste
vem jogar em solo Nordestino, dependendo do clube adversário, a torcida
do Flamengo, Corinthians e São Paulo chega a ser maior que as torcidas de
clubes locais.
A disparidade entre os clubes das duas regiões é enorme. A prova disso
está na citação anterior e a vantagem dos grandes clubes está no poder de
mídia que alcançaram, portanto jogos destas equipes do sudeste em solos
Paraibanos, Alagoanos, Sergipanos e Potiguar espera-se sempre uma
102 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados torcida visitante lotada, pois os clubes locais não agradam nem ganham a
fidelidade dos novos torcedores mesmos nascidos no Nordeste.
4.5 SITUAÇÃO DOS CLUBES BRASILEIROS
Entraremos agora em um cenário que demostrará a situação dos clubes e
suas rentabilidades comparativas 2010 e 2011, o avanço que os clubes
alcançaram e seus custos, receitas e superávit ou déficit do exercício, esta
análise também colocará a fonte dos recursos e seus percentuais que
contribuem para a eficiência dos clubes, seu histórico no campeonato
brasileiro nos últimos anos, competições que disputou, gols marcados e
rentabilidade, ou seja, esta etapa medirá o grau de eficiência dos clubes,
veremos o quanto que os clubes investem em contratações refletem em
títulos boas campanhas e desempenho do clube em cada temporada. Será
que os clubes que mais gastam são os que mais ganham títulos? Esta
analogia será nosso foco principal do despertar desta pesquisa.
Colocaremos como base da pesquisa os 20 clubes já mencionados em
oportunidades anteriores neste trabalho, pois com base no trabalho
elaborado pela BDO Auditores independentes e Banco Itaú, os clubes com
maior representatividade nos últimos cinco anos foram estes que
colocaremos abaixo com suas receitas totais. Os dados foram publicados
pelos clubes em seus websites.
103 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento Os dados acima mostram que a maioria dos clubes obteve resultados de
crescimentos de um ano para outro. Em alguns casos como os do Coritiba
e Figueirense cresceram mais de 100% suas receitas e no parâmetro
montante, os clubes tiveram uma variação positiva de 27.21%. Estes
valores se referem diretamente as demonstrações de balanços dos clubes
104 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados segundo a BDO. Ao longo de cinco anos o histórico de crescimento dos
clubes chegam a 73% em números divulgados pelos clubes, acontece que a
maioria dos patrocinadores não divulga os balanços atrelados aos clubes e
daí torna-se inviável colocar valores reais do que realmente o clube
movimenta. Faremos agora uma analogia das origens de receita dos clubes,
pois como se espera, existem diversas fontes de receitas que são oriundas
de diferentes partes tendo em vista o poder que este mercado possui em
território nacional. Não podemos nos esquecer que futebol envolve
emoção com seus torcedores e telespectadores; que consegue quebrar
barreiras de aspectos sociais que independente da classe, cor, religião ou
etnia. Todos se envolvem neste evento que a cada partida promove
momentos de felicidade e tristeza para nós amantes do esporte. Então, se
diversas classes sociais são consumidoras deste mercado por que não
explorar esta fonte que permite alcançar as mais diversas fontes de
riqueza?
As receitas com origem de patrocinadores e televisivos são os que mais
impactaram nas receitas dos clubes analisados segundo a BDO. O gráfico
abaixo mostra toda fonte de valores criados pelos clubes inclusive com
transferência de jogadores.
Achamos por critério, colocarmos nesta análise apenas os clubes que mais
arrecadam e que são considerados “Grandes” pelos críticos, sejam por
números de títulos conquistados ou pelo número de torcedores. Nosso
método de análise se dividirá em quatro partes:
105 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento a) Representação percentual da receita total
b) Eficiência dos clubes nas competições dos últimos três anos
c) Abertura das dívidas
d) Receita, custo, superávit ou déficit.
4.6 RESULTADOS
•
Corinthians
A seguir analisaremos os percentuais das fontes de receitas que o clube
arrecadou em 2010-2011, nota-se um considerável aumento na receita de
direitos televisivos, enquanto a parte de patrocínio, arrecadação do social e
bilheteria
106 obtiveram
déficit.
REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados 107 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento • Análise
Clube brasileiro de maior arrecadação nos anos de 2010 e 2011, acreditase que estes valores de alta crescentes no Corinthians são reflexos das
empresas que investiram no clube com a contratação do atacante Ronaldo
em 2009. Desde então, os investimentos e retornos em marketing no clube
são um diferencial que a instituição se coloca no mercado. Camisas
comemorativas, programas geradores de receitas como o Fiel “Torcedor”,
além de campanhas nacionais e internacionais que faz com que o clube se
coloque como um dos 10 maiores contratos de patrocínio do mundo.
O Corinthians traçou planejamentos de médio e longo prazo que tiveram
rentabilidades
consideráveis
como
o
caso
jogadores
até
então
desconhecidos e que fazem parte da atual seleção Brasileira, isso cria valor
agregado ao produto “Jogadores” que são vendidos a clubes do futebol
Europeu a preços que chegam a 100 vezes o valor pago pelo atleta.
Na gestão do presidente Andrés Sanches, o clube conseguiu mesclar
juventude, com experiência uma receita que deu certo com garotos da base
e velhos conhecidos da torcida Brasileira. O Clube hoje é o que mais
recebe receita de direitos televisivos tendo em vista que em dias de jogo, a
torcida promove grande volume de audiência a Rede Globo.
São Paulo Futebol Clube, considerado um dos mais estruturados do País,
demonstrou os seguintes resultados:
108 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados 109 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento •
Análise
Nota-se que o São Paulo FC obteve um desempenho ineficiente nos
últimos campeonatos disputados, a não presença de jogadores famosos
capazes de atrair a torcida e a falta de títulos em três anos faz com o clube
perca poder de marketing no mercado. Na verdade o São Paulo é um dos
clubes considerados de grande porte que menos investe em marketing,
seus rendimentos com esta fonte não geram receitas expressivas e
apresenta-se como ponto fraco do clube nesta análise.
Um aspecto positivo é o aluguel de seu estádio para mega shows
internacionais, além das vendas de camarotes nestes eventos, esta fonte
110 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados gerou uma receita de 18% de seu faturamento em 2010 e 2011 e é um
diferencial do clube, pois a maioria dos mega shows que vem ao Brasil,
passam obrigatoriamente por São Paulo, e quase 100% dos shows vão para
o Morumbi. Nos dois anos de balanço do clube, o SPFC apresentou
capacidade de pagar salários, pois teve resultado operacional positivo.
Mais de sua metade da dívida é originária do banco BMG, porém o clube
consegue empréstimos junto a bancos considerados de primeira linha
como Bradesco e Itaú, fazendo assim, uma mixada dívida que passa por
diversas instituições e com prazos de vencimentos para 2015 e 2016. O
clube possui uma política muito arrojada de investimentos nas categorias
de base, apesar de não conter títulos constantes nesta categoria nos últimos
anos, o São Paulo promove vários destes garotos ao elenco profissional e
consegue obter lucros consideráveis. O caso mais recente foi do Atacante
Lucas, que foi vendido ao PSG da França por cerca de 108 Milhões de
Reais. Históricamente o clube foi o que conseguiu as maiores vendas para
clubes do exterior, antes de Lucas o São Paulo havia feito a negociação
com a venda do veterano Denilson para o futebol Espanhol por 32 Milhões
de dólares na época, nenhum jogador, exceto o Lucas foi vendido por este
preço.
• Santos
Clube de maior ascensão nos últimos anos devido a grandes estrelas como
Robinho, Ganso e Neymar, porém seu patrimônio maior ainda continua
111 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento sendo o grande ídolo Pelé. Abaixo resultado do Santos nos últimos dois
anos.
112 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados •
113 Análise
REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento Grande aumento em suas receitas principalmente em bilheteria, patrocínio
e direitos televisivos. Essas fonte são fruto do trabalho que foi feito em
cima do atacante Neymar, que é a principal estrela do clube na atualidade.
Estima-se que o atleta esteja recebendo salários que ultrapassam os 30
milhões de Reais por ano. O Santos recebeu mais verba da TV devido
justamente a presença do craque em campo que desperta até audiência de
outros torcedores que não torcem pelo Santos, mas que gostam de ver o
futebol do jogador. Em termos de lucro, o clube obteve um avanço em
109% comparado a 2010. Nenhum clube do futebol Paulista conseguiu
esse aumento em apenas um ano, claro que isto se deve a boa campanha,
neste caso eficiência, gerada pelo clube nos últimos dois anos onde o
mesmo ganhou 04 títulos importantes em nível nacional e Internacional
como a Libertadores de 2011. O que nota-se é que quanto mais o clube
participa de finais dos campeonatos suas receitas sobem gradativamente
independente do tamanho que o clube representa. O fato de conseguir um
bom jogador no elenco atrai o público ao estádio, que atrai outros
telespectadores, que vende mais a imagem do clube, é de verdade o que
chamamos de efeito cadeia, pois a cada título conquistado abre novas
competições que agregará mais receita ao clube.
• Internacional
Gostaríamos de destacar o Internacional de Porto Alegre devido ao clube
possuir o maior número de sócios entre os clubes do Brasil.
114 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados 115 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento Não existe abertura de dívida bancária.
Podemos observar nesta análise que a maior receita do clube é originária
de direitos televisivos e venda de jogadores, este último, cria uma grande
116 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados dependência do clube e pode ocasionar uma forte queda em sua receita
total no ano em que não conseguir vender seus atletas. Clube obteve um
crescimento de cerca de 11% de suas receitas totais de um ano para o
outro. Investiu forte em jogadores considerados estrelas internacionais nos
últimos anos e manteve a base de jogadores criados no próprio clube, o
mais recente feito do clube foi a contratação do melhor jogador da copa de
2010, o atacante Uruguaio Diego Forlán. O Inter, em termos de eficiência,
demonstrou que nos últimos três anos se manteve entre finalistas dos
campeonatos que disputou, conquistou dois títulos e foi e 2º colocado em
duas oportunidades.
Segundo fontes do Itaú, o Inter fez recentemente uma reavaliação do
imobilizado, terrenos pertencentes ao Internacional foram reavaliados e
somam um total de 434 Milhões de reais que poderá entrar nos cofres do
clube nos próximos anos. O Inter mantém uma carteira de sócios com mais
de 90 mil torcedores que contribuem com o clube, muitos é claro
inadimplentes, cerca de 32% segundo dados do próprio clube. Mesmo
assim é o clube que mais arrecada com sócios no Brasil e por muitas vezes
é comparado e níveis de torcida do futebol europeu.
• Flamengo
Considerado por muitos o mais querido do Brasil e maior em número de
torcedores, o clube apresentou os seguintes dados:
117 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento 118 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados O Flamengo por dois anos consecutivos se manteve na mesma posição do
ano anterior, é o 5º clube de maior arrecadação do futebol Brasileiro,
mesmo possuindo a maior torcida. Podemos observar que o clube possui a
maior margem de receita oriunda da televisão, teve um aumento de 45%
de 2010 para 2011 isto devido a participação na Libertadores da América
de 2011.
O clube, junto com o Corinthians, são os que mais recebem receitas de
direitos televisivos, em contra partida, o Flamengo se mostra como
péssimo gerador de receita com venda de jogadores, a cerca de três anos o
clube não revela nenhum jogador da base de grandes proporções, ou
mesmo outros que se destaquem para um possível repasse. Nos últimos
anos o Flamengo contratou diversos jogadores e seu elenco é quase 100%
com contratações, muito poucos garotos da categoria de base são
utilizados, ou conseguem se manter na equipe profissional.
Neste caso, ao compararmos o Flamengo com os demais clubes, é sem
sombra de dúvidas o que menos consegue ganhar capital com neste
aspecto, isto nos obriga a dizer que um clube que possui a maior torcida do
Brasil, e possivelmente uma melhor visibilidade, poderia utilizar dessas
vantagens para levantar recursos com venda de jogadores, o que não
acontece.
Em três anos foi campeão em três competições, porém o investimento que
o Flamengo faz em seu departamento de futebol muitas vezes não condiz
119 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento com a eficiência do clube. Vejamos o caso do Ronaldinho Gaúcho, por
exemplo, contratado por vencimentos fora da realidade brasileira, o
jogador ganhou apenas um título pelo clube e não conseguiu render o que
foi colocado de expectativa em cima dele e nem tão pouco o dinheiro
investido nisso, afinal não é apenas um jogador que decide um
campeonato, mas sim, um elenco forte.
CONCLUSÃO
Ao final da pesquisa conclui-se que os clubes que investem melhor no
marketing através de campanhas sócio torcedor, contratação de jogadores
consagrados, produtos agregados à marca afetam diretamente no
rendimento do clube e dos jogadores. Como podemos ver na PAG “” o
caso Ronaldo no Corinthians e Neymar Santos foram exemplos que
confirmaram uma das hipóteses da pesquisa. Claro que é necessário que
exista comprometimento da contraparte, pois este modelo não funcionou
no caso Adriano e Ronaldinho Gaúcho justamente por existirem algumas
variáveis externas e internas onde não se colocou o clube como empresa
ou e o jogador como funcionário, o estrelismo e vaidade, acabam por
muitas vezes tomando espaço e relação patrão empregado em muitos
clubes aparecem apenas quando os interesses de ambas as partes estão
destorcidos. Apesar disso, acredita-se em um efeito cadeia positivo, pois,
na medida em que os clubes atraem mais sócios e contratam os melhores
colaboradores do mercado acaba, consequentemente, gerando maiores
120 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81-­‐125 Economia Futebol Clube: O lado financeiro dos gramados receitas com vendas de bilheteria nos jogos, além de aumentar a venda de
produtos licenciados, atrair patrocinadores másters e garantir estádios
lotados em dias de jogos, que influenciam a equipe a conquistar a vitória.
O estudo conclui também que alguns clubes falham em suas gestões, pois
o planejamento de longo prazo sempre é estourado quando em curto prazo
não conseguem os resultados e são ameaçados de cair para uma divisão
inferior, exemplo disso, é a rotatividade de treinadores “gestores” durante
uma competição, e contratação de jogadores que não estavam no
planejamento orçamentário do clube e que mesmo assim são contratados.
Vimos o caso do Manchester United onde o gestor do clube “treinador”
independente do resultado da temporada está no cargo há mais de 25 anos,
isto alimenta a hipótese da pesquisa que tenta mostrar o clube como
empresa e jogadores e treinadores como funcionários.
Com as informações demonstradas nesta pesquisa, através dos dados do
Itaú e BDO auditores, pode-se concluir que os maiores clubes brasileiros
movimentam uma economia que pode ser comparada a um PIB de cidade.
As receitas aumentam consideravelmente a cada ano, porém seus custos
também crescem a um ritmo quase que proporcional. Uma problemática
que o estudo encontrou é que a maior parte da receita dos clubes é oriunda
de direitos televisivos, o que não deixa de ser um bom negócio, pois os
patrocinadores pagarão mais dinheiro para exibir suas marcas nos
uniformes do clube, porém com uma queda para divisões inferiores,
acarreta em uma considerável perda nesta fonte. O estudo acredita que
121 REVISTA NOVAS IDEIAS Recife, vol. 1, n. 1, julho – dezembro 2014, p. 81 -­‐125 Everson Luís do Nascimento uma maior receita na variável venda de jogadores de origem da base, ou
mesmo, aqueles que são comprados por X recebem aprimoramento e o
clube investe na exposição deste produto “Jogador” para serem vendidos
por X+Y é um ótimo escape para aumentar a participação desta variável
nas receitas do clube.
Ao final, conclui-se que as hipóteses acima mencionadas foram
respondidas e que ao decorrer da pesquisa sentiu-se falta de referências e
estudos acadêmicos sobre este mercado. O que chama a atenção é que as
pessoas ainda possuem uma visão emocional do futebol e a pesquisa
chama a atenção para uma visão econômica do negócio, o quanto de
oportunidades existe neste segmento, o que pode ser ainda mais explorado
para uma melhor rentabilidade dos agentes envolvidos.
O aprendizado que se teve neste estudo foi que o futebol é muito mais que
um simples jogo ou apenas uma competição, é sobre tudo, um negócio que
movimenta bilhões por ano, e que pensar nas oportunidades que este
mercado oferece sem dúvidas servirá de inspiração para futuras pesquisas,
pois muitos vivenciam uma partida de futebol, mas poucos têm a visão
econômica do negocio que o esporte movimenta.
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