Ano 22 – No 83 – julho de 2013 – DISTRIBUIÇÃO GRATUITA – www.fsindical.org.br – www.twitter.com/centralsindical Jaélcio Santana ÓRGÃO OFICIAL DA FORÇA SINDICAL Centrais sindicais fazem protestos unitários para melhorar o País O movimento sindical organizado definiu um dia de greves, mobilizações e passeatas contra pág. 8 a intransigência do governo federal, que se recusa a negociar a pauta trabalhista Jaélcio Santana Arquivo Sind. das Costureiras Pobre paga mais imposto no Brasil A estrutura é regressiva e a tributação pesa muito sobre produtos e serviços pág. 3 Termina primeira etapa rumo ao 7o Congresso Nacional As resoluções aprovadas apontam para a garantia e ampliação de direitos, mais págs. 4 e 5 empregos e cidadania Cai o total de acordos que repõem a inflação Em campanha salarial, os trabalhadores prometem greves e manifestações para fechar bons acordos págs. 6 e 7 Empregado debate serviço especializado Dirigentes debatem o fim da ideia de atividade-meio e atividade-fim na terceirização págs. 11 editorial www.fsindical.org.br tributação Centrais anunciam grandes atos e muitas greves para julho A artigo O despertar do povo pelo movimento sindical S em bandeira, sem partido e de cara limpa. Foi assim que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar por melhor qualidade de vida, numa marcha independente mas que nos faz lembrar as lutas do movimento sindical. Trabalhadores anônimos se uniram por todo o País para defender os seus direitos e a democracia brasileira. Uma manifestação sem rosto e sem idade, mas com o propósito de acabar com a exploração e com os desvios do dinheiro público. Aos poucos, o povo abraçou a causa que parecia ser uma discussão por centavos, mas o “cofre de porquinho” já estava cheio e, para quebrar, foi apenas uma questão de tempo. O levante teve início com os estudantes e ganhou o respeito e o apoio dos trabalhadores, que aprenderam em suas entidades de classe que é através da união e da manifestação que se conquistam vitórias. Ainda é cedo para definir os rumos que essa MARCHA tomará. Mas com certeza o País não será o mesmo após a caminhada, porque o brasileiro acompanha as mudanças que ocorrem no mundo. Hoje, a sociedade está mais organizada, e tem consciência da importância do seu papel e do seu voto. O povo brasileiro está atingindo um outro estágio na evolução política. Isto é fruto das lutas proporcionadas por várias gerações. É um processo de construção da história de um povo, de uma nação que, por meio de embates, conquistou a liberdade de expressar seus sentimentos e indignação nas ruas sem ser perseguido. Nós proporcionamos aos nossos filhos este legado, fornecendo a eles proteção e conhecimento para saber discernir e se Eusébio Pinto Neto, posicionar na hora certa. pres. do Sinpospetro-RJ e FUNDADOR: Luiz Antonio de Medeiros PRESIDENTE: Paulo Pereira da Silva (Paulinho) x p www.fsindical.org.br d i SECRETÁRIO-GERAL: e n João Carlos Gonçalves (Juruna) t Lea, Gleides Sodré Almazan, Vilma Pardinho, Adalberto Galvão, Maria Rosângela Lopes, Ruth Monteiro Coelho, Raimundo Nonato, Severino Augusto da Silva, José Lião, Lourival F. Melo, Mara Valéria Giangiullio, Neusa Barbosa, Evandro Vargas dos Santos, Reinaldo Rosa, Antonio Silvan, Defendente F. Thomazoni, Valdir Lucas Pereira, Carlos Lacerda, Antonio Johann, Ezequiel Nascimento, Elmo Silvério Lescio, Leodegário da Cruz Filho, Daniel Vicente, Manoel Xavier, Walzenir Oliveira Falcão, Valdir Pereira, Mauro Cava, Milton Batista (Cavalo), Núncio Mannala, Luis Carlos Silva Barbosa, Moacyr Firmino dos Santos Assessoria Política: Antonio Rogério Magri, Hugo Martinez Perez, João Guilherme Vargas, Marcos Perioto www.twitter.com/centralsindical O s 10% mais pobres pagam de imposto o equivalente a 32,8% de sua renda, enquanto para os 10% mais ricos — que concentram três quartos de toda a riqueza do País — a tributação total alcança 22,7% da renda. “Quem é pobre no Brasil está condenado a pagar mais impostos”, segundo avaliação do economista e ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, no artigo intitulado ‘O mito da tributação no Brasil’. Por que isso? Por, basicamente, dois motivos: primeiro, os impostos, taxas e contribuições incidem regressivamente (quem ganha menos paga mais imposto e vice-versa) sobre os brasileiros. Como o País mantém uma péssima distribuição de renda, há setores sociais que praticamente não sentem o peso da tributação, ao contrário de outros que pagam muito imposto. “Os ricos brasileiros quase não pagam impostos, taxas e contribuições”, analisa Pochmann. Como a tributação brasileira é pesadamente indireta, isto é, atinge principalmente produtos e serviços, isto pesa mais para quem ganha menos. Além disto, a tributação sobre a renda e os bens é muito tímida em termos de progressividade. Os impostos de renda que, nos EUA, tem cinco faixas e alíquotas de até 40%, e, na França, 12 faixas, que vão até 57%, no Brasil são apenas quatro faixas, com alíquotas de 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%. No País, impostos sobre o patrimônio, como IPTU ou ITR, nem progressividade tem. No Brasil, do total da carga tributária, 48% vêm dos impostos indiretos, que incidem sobre o consumo; outros 22% correspondem a impostos sobre a renda; 21% são arrecadados com a contribuição sobre a folha de pagamento; e apenas 4% referem-se à tributação sobre o patrimônio, explica o economista e técnico da subseção Dieese da Força Sindical, Miguel Huertas Neto. O segundo motivo é que, a cada R$ 3 (valor bruto) arrecadados pela tributação, somen- Carga tributária brasileira por base de incidência 2008 (em %) e TESOUREIRO: Luiz Carlos Motta FORÇA SINDICAL NOS ESTADOS (presidentes) DIRETORIA EXECUTIVA: Melquíades Araújo, Miguel E. Torres, Antonio de S. Ramalho, Eunice Cabral, Almir Munhóz, João B. Inocentini, Paulo Ferrari, Levi Fernandes Pinto, Abraão Lincoln, Luiz Carlos Pedreira, Wilmar G. Santos, Terezinho Martins, Ivandro Moreira, Maria Augusta S. Marques, Sérgio Luis Leite (Serginho), Valclécia Trindade, Edson Geraldo Garcia, Francisco Sales, Miguel Padilha, Minervino Ferreira, Herbert Passos, Nilton S. Silva (Neco), Antonio Vítor, Mônica O. Lourenço Veloso, Geraldino S. Silva, Oscar Gonçalves, Carlos R. Malaquias, Antonio Farias, Luciano M. Lourenço, Nelson Silva de Souza, Ari Alano, Cícero Firmino (Martinha), Cídia Fabiane C. Santos, José Pereira, Arnaldo Gonçalves, Elvira Berwian Graebin, Paulo Zanetti, João Peres Fuentes, Cláudio Magrão, Maria Auxiliadora, Maria Susicléia, Jeferson Tiego, Francisca e Arquivo Sinpospetro/RJ Bob Wolfenson Então, não nos surpressim que as Centrais ende as grandes maniSindicais anunciaram festações de protesto que vão promover promovidas pelo povo uma série de manifestações brasileiro, que exige mue greves por todo o País danças na economia, pelos direitos dos trabalhaquer a melhora dos serdores e pela manutenção viços públicos, rejeita a da democracia, a presipolítica tradicional e reidenta Dilma Rousseff nos Paulo Pereira da Silva vindica um combate duro chamou a Brasília para ne- (Paulinho) e sistemático contra as gociar a pauta trabalhista. Presidente da Força Sindical práticas de corrupção. Chegamos ao Palácio As manifestações populares mosdo Planalto crentes de que iríamos debater com a presidenta itens como tram, também, um descontentameno combate à inflação, redução da jor- to com a falta de sensibilidade da nada de trabalho, revogação do Fator presidenta Dilma em negociar as Previdenciário, regulamentação da grandes demandas nacionais com terceirização, valorização das apo- os vários segmentos da sociedade, sentadorias, melhorias no transporte entre os quais trabalhadores das cipúblico, recursos para a educação dades e do campo, estudantes, mue a saúde e a proposta para acabar lheres, jovens, pessoal sem moradia e dezenas de movimentos sociais. com os leilões do petróleo. Por isto, onde for possível os trabaMas a presidenta nada falou sobre os nossos pleitos. Levantou-se e foi lhadores vão cruzar os braços, no dia embora. Foi uma reunião em que ouvi- 11 de julho, para exigir do governo memos somente os planos mirabolantes, didas econômicas que reduzam a inflamas nada de solução para os proble- ção e reivindicar, também, mudanças na política econômica. A pauta que mas dos trabalhadores. Aliás, em todas as reuniões que ti- tentamos negociar com a presidenta vemos com o governo até hoje, nada é resultado de um amplo acordo unitáfoi resolvido. E nesta reunião foi pior, rio aprovado pelas Centrais na Confeporque ela nem deu andamento a nos- rência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), realizada em junho de 2010. sa pauta. Nos sentimos enganados. Quem paga imposto no Brasil é o POBRE AC – Luiz Anute dos Santos; AL – Albegemar Casimiro Costa; AM – Vicente de Lima Filizzola; AP – Moisés Rivaldo Pereira; BA – Nair Goulart; CE – Raimundo Nonato Gomes; DF – Carlos Alves dos Santos (Carlinhos); ES – Alexandro Martins Costa; GO – Rodrigo Alves Carvelo (Rodrigão); MG – Luis Carlos de Miranda Faria; MS – Idelmar da Mota Lima; MT – Manoel de Souza; PA – Ivo Borges de Freitas; PB – Evanilton Almeida de Araújo; PE – Aldo Amaral de Araújo; PI – Vanderley Cardoso Bento; PR – Nelson Silva Souza (Nelsão); RJ – Francisco Dal Prá; RN – José Antonio de Souza; RO – Francisco de Assis Pinto Rodrigues; RR – José Nilton Pereira da Silva; RS – Cláudio Renato Guimarães Silva (Janta); SP – Danilo Pereira da Silva; SC – Osvaldo Olavo Mafra; SE – Willian Roberto Cardoso Arditti; TO – Carlos Augusto Melo de Oliveira www.facebook.com/CentralSindical é uma publicação mensal da central de trabalhadores FORÇA SINDICAL Rua Rocha Pombo, 94 – Liberdade – CEP 01525-010 Fone: (11) 3348-9000 – São Paulo/SP – Brasil C. Gonçalves (Juruna) Diniz (MTb: 12967/SP) EDITOR DE ARTE: Jonas de Lima Redação: Dalva Ueharo e Val Gomes revisão: Edson Baptista Colete Assistentes: Fábio Casseb e Rodrigo Lico Diretor responsável: João Jornalista responsável: Antônio ESCRITÓRIO NACIONAL DA FORÇA SINDICAL em BRASÍLIA: SCS (Setor Comercial Sul) – Qd 02 – Edifício Jamel Cecílio – 3o andar Sala 303 – ASA Sul – 70302-905 – Fax: (61) 3037-4349 – Fone: (61) 3202-0074 www.flickr.com/photos/forca_sindical Fonte: IBGE. Contas Nacionais; Observatório da Equidade 2 jornal da força sindical — no 83 te R$ 1 vai para o Estado. Os R$ 2 restantes apenas passeiam pela máquina pública, e retornam imediatamente aos ricos (recebimento de juros da dívida), às empresas (subsídios e incentivos) e aos beneficiários de aposentadorias e pensões. Na visão de Pochmann, o uso da carga tributária bruta no País se transforma num indicador pouco eficaz para aferir o peso real da tributação. Neste sentido, a tributação elevada no País é um mito, pois a carga tributária líquida permanece estabilizada em 12% do PIB há tempos. O movimento sindical precisa lutar por mudanças radicais no sistema tributário, que promovam e assegurem a justiça social. Assim, o Dieese apresenta 10 propostas para uma tributação mais justa, que constam da cartilha ‘10 ideias para uma tributação mais justa’ (veja quadro à direta). Propostas do Dieese e dos Trabalhadores • Aumentar a transparência sobre a tributação; • Desonerar a cesta básica; • Tributar os bens supérfluos e de luxo; • Corrigir a tabela do Imposto de Renda e aumentar sua progressividade; • Tributar os lucros e dividendos distribuídos; • Melhorar a cobrança do imposto sobre herança e doações; • Aumentar os impostos sobre a propriedade da terra; • Tributar sobre a remessa de lucros; • Cobrar IPVA sobre embarcações e aeronaves; e • Instituir o imposto sobre grandes fortunas. julho de 2013 3 Evanilton Almeida de Araújo Presidente da Força -PB Força-RO Francisco Dal Prá Presidente da Força-RJ o 7 Congresso Nacional da Força Sindical Willian Roberto C. Arditti Presidente da Força-SE 4 Vicente de Lima Filizola Presidente da Força-AM jornal da força sindical — no 83 Vanderlei Cardoso Bento Presidente da Força-PI Souza garantiu lutar pelos trabalhadores rurais, que sofrem com a seca, e pela recuperação das perdas do FGTS. Minas Gerais O Congresso da Força Minas Gerais foi em Belo Horizonte, em 14 de junho, com a eleição de Luiz Carlos Miranda, secretário de Relações Públicas da CNTM, para a Presidência da Central. “Além da pauta trabalhista e da ação coletiva do FGTS, vamos fortalecer as entidades filiadas na luta por melhores condições de trabalho para a classe trabalhadora”. Ele prometeu brigar por um piso regional e Rodrigo Alves Carvelo Presidente da Força-GO Osvaldo Olavo Mafra Presidente da Força-SC não com especulação financeira”, disse Janta. No Congresso de João Pessoa, a Força Sindical da Paraíba elegeu para presidente o companheiro Evanilton Almeida de Araújo, do Sindicato dos Frentistas de Campina Grande. Aldo Amaral de Araújo foi eleito presidente da Força Pernambuco, em Recife, no dia 15 de junho. “Estamos de olho nas vagas Nelson S. de Souza, Nelsão Presidente da Força-PR Moisés Rivaldo Pereira Presidente da Força-AP Força-MG Força-AP Nair Goulart Presidente da Força-BA Jaélcio Santana construir ações para a juventude, visando sua inclusão no mercado de trabalho, na educação e em atividades culturais e esportivas. No início de junho, Cláudio Janta foi eleito presidente da Força Rio Grande do Sul no Congresso realizado em Porto Alegre. “Queremos mais indústrias, mais postos de trabalho, e isto se faz com indústria e mercado interno fortes, Jaélcio Santana Jaélcio Santana Raimundo Nonato Gomes Presidente da Força-CE Geraldino e Juruna defenderam a intensificação da luta pela pauta trabalhista no congresso em Porto Alegre Força-PR peração das perdas do FGTS. Antes, Danilo Pereira da Silva foi eleito presidente da Força-SP no Congresso de Americana, com o compromisso de avançar nas conquistas, superando o discurso patronal de crise e garantindo ganhos reais para as categorias. Eleito presidente da Força Sindical-PR, Nelson Silva de Souza, o Nelsão, prometeu acelerar a luta trabalhista da Central no Estado. Em 21 de junho, no Congresso Estadual do Rio Grande do Norte, realizado em Natal, o presidente eleito José Antonio de Força-GO Força-PI Jaélcio Santana Jaélcio Santana do de 24 a 26 de julho em Praia Grande/SP. Com o tema “Garantir Conquistas, Mais Empregos, Direitos e Cidadania”, terá perto de 3.500 delegados eleitos nos Congressos Estaduais e definirá o programa da Central e a ação sindical para os próximos quatro anos. No dia 21 de junho, o Congresso Estadual do Rio Grande do Norte, realizado em Natal, encerrou a série de eventos estaduais. Eleito presidente da Força-RN, José Antonio de Souza prometeu lutar pelos trabalhadores rurais, que sofrem com a seca, e pela recu- Força-CE D e março a junho foram realizados 26 Congressos Estaduais da Força Sindical, que reuniram milhares de dirigentes em amplos debates sobre as questões trabalhistas, econômicas, políticas e sociais. “A participação nos eventos estaduais foi um sucesso, expressiva e democrática, um reconhecimento do crescimento e da importância da Central”, diz o secretário de Relações Sindicais, Geraldino dos Santos Silva. Esses eventos foram preparatórios ao 7º Congresso Nacional da Central, a ser realiza- do setor de infraestrutura. Queremos o crescimento de nossa região, com qualidade e ganho para o trabalhador”, disse. No dia 29 de maio foi realizado, em Belém, o Congresso da Força Pará com o tema “Desenvolvimento Regional, Meio Ambiente e Qualidade de Vida”. Ivo Borges de Freitas, eleito presidente, diz que é preciso “mais investimentos para melhorar os salários dos trabalhadores paraenses e melhor atender à demanda do setor produtivo”. O Congresso da Força Amapá foi realizado em Macapá, em 27 de maio, com a eleição para presidente do companheiro Moisés Rivaldo Pereira. Já foram realizados Congressos na Bahia, Amazonas, Roraima, Espírito Santo, Ceará, Acre, Sergipe, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Piauí, Alagoas e Rio de Janeiro. O Congresso Estadual da Força Sindical Maranhão foi suspenso. Arquivo Força-RS Termina a etapa preparatória ao Francisco de A. P. Rodrigues Presidente da Força-RO Manoel de Souza Presidente da Força-MT José Antonio de Souza Presidente da Força-RN Força-RR Danilo Pereira da Silva Presidente da Força-SP Claúdio Guimarães (Janta) Presidente da Força-RS Jaélcio Santana Força-PB Jaélcio Santana Força Sindical Carlos Augusto M. Oliveira Presidente da Força-TO José Nilton Pereira da Silva Presidente da Força-RR Divulgação Carlos A. Santos (Carlinhos) Presidente da Força-DF Idelmar da Mota Lima Presidente da Força-MS Jaélcio Santana Alexandro Martins Costa Presidente da Força-ES Ivo Borges de Freitas Presidente da Força-PA Jaélcio Santana Aldo Amaral de Araujo Presidente da Força-PE Força-TO Força-GO Jaélcio Santana Força-PE Força-AL Albegemar C. Costa (Gima) Presidente da Força-AL Força-RN www.fsindical.org.br congresso Luis Carlos Miranda Presidente da Força-MG Luiz Anute dos Santos Presidente da Força-AC julho de 2013 5 www.fsindical.org.br campanhas salariais Araújo: “Sem aumento real, vamos à greve” Miguel: “Sem ganho real, vamos parar as fábricas Arquivo Sintetel maternidade de 180 dias e combate ao trabalho análogo à escravidão para os 90 mil trabalhadores da categoria. A presidenta do Sindicato, Eunice Cabral, disse que a data-base passou de julho para agosto para um melhor posicionamento nas negociações. “Mas é preciso mobilização para Os trabalhadores da Atento, no bairro do Belém, cruzaram os braços por duas horas contra a mudança do convênio médico 6 jornal da força sindical — no 83 Greve na Marfrig Para exigir aumento real de salário, cerca de quatro mil trabalhadores cruzaram os braços nas duas unidades da Marfrig da cidade de Promissão, onde é feito o abate e o processamento de bovinos. A informação é do diretor da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Estado de São Paulo (Fetiasp), Ovídio Garcia Fernandes, que coordena as negociações salariais da área de frio com os patrões. “Se não chegarmos a um acordo, a tendência é paralisar as unidades da JBS e da Minerva”, prometeu. Eunice e Antônio Ramalho (presidente do Sintracon-SP) afirmam que é preciso lutar para alcançar as reivindicações Dulce Helena Ferreira, presidenta do truir desde já uma proposta de reajuste STI de Alimentação de Araçatuba, expli- e de PLR condizente com o crescimento cou que nem precisou fazer assembleia da montadora”, diz Sérgio Butka, presipara iniciar a paralisação. “Bastou os tra- dente do Sindicato. balhadores serem informados de que os empresários não concederiam sequer o Bento Gonçalves INPC para iniciar a greve. E prometem Os metalúrgicos de Bento Gonçalves, retomar só quando obtiverem aumento Monte Belo e Santa Tereza conquistaram real”, disse. reajuste de 8,5% (aumento real de 1,34%). A Fetiasp e os filiados conquistaram au- Segundo Elvio de Lima, presidente do sinmento de 8,5% para os trabalhadores do dicato da categoria, o piso foi aumentado setor de rações que ganham até R$ 5.500 para R$ 838,20 – este valor depois de 90 (acima deste valor, reajuste fixo de R$ dias passa para R$ 902. 467), cesta básica de R$ 100 e piso de R$ O Sindicato dos Metalúrgicos de Goiânia 1.030. Ainda faltam acordos nos setores faz campanha para cerca de 20 mil metalúrde usina, doces e conservas, suco, carnes gicos de aproximadamente 5 mil empresas e bebidas. “Sem aumento real, vamos à da capital e região. Como o setor patronal greve”, ameaça Melquíades de Araújo, pre- não fez nenhuma proposta digna, os metasidente da Fetiasp. A categoria reivindica lúrgicos entraram em greve em 3 de junho. também licença-maternidade de 180 dias, reembolso creche e igualdade salarial en- Atento tre homens e mulheres, entre outras. Os trabalhadores da Atento, da unidaO Sindicato dos Metalúrgide localizada no bairro do Becos da Grande Curitiba busca lém, em São Paulo, cruzaram na Bosch do Brasil um acoros braços por duas horas, em do semelhante aos fechados junho. Motivo: mudança no com as demais empresas. Os convênio médico. A empresa 3.600 trabalhadores reivindiacabou com o atendimento cam 3,5% de aumento real, de obstetrícia às novas traabono mínimo de R$ 4 mil e balhadoras. O grupo americavale mercado. Os seis mil trano BAIN, os novos donos da balhadores da Renault aprovaAtento, querem tornar pior o conquista ram o início das negociações Elvio: que já era ruim, informou o de aumento real e o piso de 2014. “O objetivo é cons- salarial chega a R$ 838,20 Sintetel-SP. PLR garantida na GM de São Caetano e Mogi das Cruzes Para os 12 mil trabalhadores da General Motors (GM), em São Caetano do Sul, a PLR conquistada foi de R$ 13.000,00 para 100% das metas (produção de 370 mil veículos), com primeira parcela de R$ 7.200,00 paga em 5 de junho. “Foi uma negociação difícil, concretizada após cinco assembleias e com proposta a força de uma Cidão: aprovada após categoria pronta cinco assembleias para entrar em greve”, diz Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do município. Já os 750 trabalhadores da planta da GM em Mogi das Cruzes, fabricante de peças, aprovaram a proposta de reajuste na PLR da empresa, que este ano será de R$ 9.700,00 para cumprimento de 100% das metas. Segundo o diretor Silvio Bernardo, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, o acordo foi fechado após 30 dias de muita mobilização, reuniões com os patrões , diversas assembleias e estado de greve. Também ficou acertado o valor de R$ 6.000,00 como primeira parcela no dia 13 de junho. “Foi um avanço com relação às propostas anteriores”, diz Jorge Carlos de Morais, Arakém, secretário-geral do Sindicato. Humberto Pastore que a nossa voz seja ouvida e as reivindicações acatadas”. A Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo, e 11 Sindicatos filiados, estão fechando acordos para os 35 mil trabalhadores do setor álcool-etanol em quase 200 municípios. “Os reajustes estão entre 8% e 8,5%, com aumento real de 0,78% a 1,25%”, informa o presidente Sérgio Luiz Leite, o Serginho. Outras conquistas: PLR, cesta básica, tíquete-refeição e tíquete-alimentação. Em algumas regiões as negociações continuam: “Onde não houver avanço, haverá greve”, diz Edson Dias Bicalho, secretário-geral da Fequimfar. A Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados da Alimentação de Santa Catarina (Fetiaesc), presidida por Miguel Padilha, conquistou reajuste de 8,8% (aumento real de 1,8%) para cerca de 20 mil trabalhadores da BRF Brasil Foods, em ação conjunta com os Sindicatos de Guatambu, Xanxerê, Capinzal, Herval do Oeste, Videira e Itajaí. O piso foi para R$ 880 (após 90 dias, com a efetivação, o valor será de R$ 920). Arquivo Força Sindical Iugo Koyama Arquivo Fetiasp O s metalúrgicos do País ligados à Força Sindical podem entrar em greve por aumento real de salário na data-base da categoria, 1º de setembro. É que índices de ganho real negociados por muitas categorias já estão menores do que em 2012, além do que os 2% de aumento efetivo conquistados pelos metalúrgicos no ano passado já foram corroídos pela inflação. “Sem aumento real, vamos parar as fábricas”, ameaçou Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e da CNTM (Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos), que representa 1,2 milhão de trabalhadores do País. Balanço preliminar do Dieese, com base nas negociações do primeiro trimestre de 2013, mostra sinais de piora: 8,6% dos trabalhadores tiveram perda salarial real, ou seja, não conseguiram repor a inflação, contra apenas 1% no ano passado. Já 86% das categorias conseguiram aumento acima da inflação, com ganho real médio de 1,4%. A pauta de reivindicações do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco inclui mais de 220 itens, entre os quais reposição da inflação, aumento real, cesta básica, PLR, jornada menor, licença- Arquivo Sind. das Costureiras Mobilização e greve garantem avanços e aumento real julho de 2013 7 de 300 sindicatos filiados à Central já ingressaram com ações na Justiça Federal, pleiteando a correção de 88,3% sobre as contas do FGTS. Em reunião realizada no dia s Centrais Sindicais de28 de junho, a diretoria nacional cidiram promover greves da Força Sindical e represene manifestações de protantes de diversas categorias testo no Brasil, no dia 11 de juprofissionais das 27 unidades lho, pela democracia e pelos dida Federação decidiram que reitos dos trabalhadores. “Será no dia 11 de julho serão realizaum dia de luta com abrangêndas greves aonde for possível, cia nacional, com paralisações manifestações, atos públicos e protestos em todos os Estae passeatas. Junto com a Cendos”, declarou o presidente da tral, participarão também a CTB, Força Sindical, Paulo Pereira da CUT, Nova Central e UGT, CSPSilva, o Paulinho. Conlutas, CGT, MST e UNE. Segundo ele, o movimento Durante a reunião ficou desindical exige do governo fecidido que os estivadores, os deral e do Congresso Nacional Centrais Sindicais e os movimentos sociais definiram a pauta unitária de reivindicações metalúrgicos, os trabalhadomedidas para aprovar e por em prática as reivindicações dos trabalhadores obra, como infraestrutura, transporte públi- res da construção pesada e da construção civil, entre outros, irão cruzar os braços que constam da pauta trabalhista, aprovada co, saúde, educação e moradia. no dia 11 de julho. “Esta será uma das pelas Centrais em julho de 2010 (ver box). maiores manifestações dos trabalhadoEle explicou que a luta busca tornar o Fundo de Garantia Brasil um país melhor, com desenvolviAlém da pauta unitária das Centrais, a res”, declarou Paulinho O presidente da Força Sindical do mento, inflação baixa, valorização do traba- Força Sindical está intensificando a luta lho, distribuição de renda e justiça social. para recompor as perdas que os trabalha- Rio Grande do Sul, Cláudio Guimarães Os trabalhadores também pleiteiam, dores tiveram com a correção manipulada Janta, afirmou que “este governo não é continua ele, maciços investimentos em das contas do Fundo de Garantia do Tem- mais nosso, está praticando uma polítisetores de grande demanda por mão de po de Serviço. Paulinho disse que mais ca neoliberal”. Jaélcio Santana A NOSSA PAUTA Dilma deixa sindicalistas falando sozinhos • Fim André Oliveira ta, porém a presidenta nada falou sobre isso. “Apresentamos a nossa pauta e a presidenta se levantou e foi embora. Sequer deu encaminhamento aos nossos pleitos”, declarou, irritado, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. Paulinho e Juruna reclamaram que a presidenta não quis discutir a pauta sindical 8 jornal da força sindical — no 83 do Fator Previdenciário; •J ornada de 40 horas semanais, sem redução salarial; •R eajuste digno para os aposentados; •M ais investimentos em saúde, educação e segurança; •T ransporte público de qualidade; •F im do Projeto de Lei 4330, que amplia a terceirização; •R eforma Agrária; • Fim dos leilões do petróleo. Governo dificulta aprovação da desaposentação O projeto de lei que garante o recálculo das aposentadorias de segurados do INSS (aqueles que continuam contribuindo após a concessão do benefício) poderá voltar a tramitar Inocentini: desaposentação em comissões do deve ser um direito Senado. Conhecida também como desaposentação, a matéria está na pauta trabalhista do movimento sindical. Como o aposentado não pode acumular dois benefícios previdenciários, a saída é o beneficiário, por meio de um recálculo, abrir mão do benefício atual por outro mais vantajoso economicamente. Recurso do líder do governo na Casa, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), contra a chamada desaposentação, foi aceito pela Mesa Diretora. O pedido contesta o PLS 91/2010, do senador Paulo Paim (PTRS), aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) em caráter terminativo. Com isso, o projeto não irá mais direto para a Câmara, adiando mais uma vez a aprovação da matéria. “Praticamente podemos dizer que já é um consenso que a desaposentação deve ser um direito de quem se aposenta, mas quer continuar a trabalhar e contribuir com o INSS”, avalia o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), João Batista Inocentini. “O caminho para que este direito se torne uma lei é pressionar o Congresso e multiplicar o total de ações judiciais. Segundo dados da Advocacia-Geral da União, são mais de 24 mil processos que tramitam no Judiciário”, completa ele. Para o sindicalista, a intenção do governo é impedir a aprovação da lei da desaposentação sob alegação de que aumenta o déficit previdenciário. Trabalho Doméstico Garantir direitos na regulamentação da lei A vamos admitir o rebaixamento de direitos”, diz Jorge, prometendo vigília em Brasília. A regulamentação do emprego doméstico está em tramitação no Congresso Nacional, com uma proposta de acabar com a multa de 40% do FGTS. Além disso, o senador Romero Jucá, relator da emenda do trabalho doméstico, propôs a redução das contribuições patronais ao INSS, o que pode gerar um impacto financeiro grande na Previdência Social. Ruth Coelho Monteiro, secretária de Cidadania e Direitos Humanos da Força Sindical, diz ser contra a diferenciação de direitos entre as categorias. Força Sindical quer evitar retrocessos na lei das domésticas e defende para o trabalhador os mesmos direitos das demais categorias profissionais regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Para Jorge Ednar Francisco, presidente do Sindicato dos Empregados Domésticos do Grande ABC, entidade que representa 50 mil trabalhadores em sete cidades da região, não é correto acabar com as garantias da lei. “Esta conquista ampliou os direitos trabalhistas dos empregados domésticos, livrando a categoria de uma situação análoga ao trabalho escravo. Não hoteleiros Fortalecer a unidade O 1º Encontro Nacional dos Sindicatos do Setor da Rede Accor debateu a relação da multinacional com os seus trabalhadores e sindicatos. O evento foi promovido pela Força Sindical, contou com o apoio da AFL–CIO (Central Sindical dos Estados Unidos) e foi realizado na sede do Sindicato dos Hoteleiros/RJ. Foram discutidos também temas como troca de experiências, a atuação da Rede Accor no Brasil e a criação de um secretariado para o setor na Força Sindical. O evento recebeu as principais lideranças sindicais do setor hoteleiro filiado à Central, entre os quais o presidente dos Hoteleiros do Rio de janeiro, Raimundo Cassiano de Souza, e a vice-presidenta, Maria Conceição Cassiano. Os representantes da AFL–CIO Jana Karen Silverman e Stiven Michael Strong demonstraram preocupação com as políticas e práticas antissindicais da multinacional, principalmente nos Estados Unidos e nos países da América Latina. Também foi apresentado um questionário para que se Divulgação Protestos pela democracia e direitos trabalhistas Tão logo as Centrais Sindicais anunciaram o Dia Nacional de Luta com greves e mobilizações, a presidente Dilma Rousseff chamou os representantes dos trabalhadores para uma reunião no Palácio do Planalto, em Brasília. O objetivo era discutir a pauta trabalhis- www.fsindical.org.br aposentados Jaélcio Santana DIA NACIONAL DE LUTA Dirigentes dos hoteleiros do Rio, sindicalistas e representantes da AFL-CIO no encontro dos Sindicatos do setor da Rede Accor conheça mais a fundo as políticas e práticas da Rede Accor no Brasil. Segundo os representantes e dirigentes sindicais do Brasil, a empresa reconhece a representação sindical e negocia com os Sindicatos. Porém, consideraram importante a troca de experiências no âmbito nacional e internacional para fortalecer a unidade de ação, a solidariedade e a luta por melhores condições de trabalho para a categoria no Brasil e no mundo. julho de 2013 9 Ruth critica as restrições à liberdade sindical no Brasil em Conferência da OIT 10 jornal da força sindical — no 83 correção Comemorações do 1o de MAIO Arquivo Força Sindical-SP D Ministério Público persegue as entidades sindicais atacando suas fontes de financiamento. “Não há luta sindical sem recursos financeiros”, disse. Em relação à forma de negociação tripartite, a sindicalista reclamou dos governos que tomam decisões sem consultar a sociedade. Como exemplo, Ruth citou medidas para eliminar o trabalho infantil e as formas de atividades análogas à condição de escravo. “Estas negociações precisam envolver, além dos governos, os trabalhadores e os patrões”, destacou. A manifestação do Dia do Trabalhador realizada em Campinas priorizou as reivindicações da pauta trabalhista, entre as quais a redução da jornada de trabalho sem o corte nos salários, revogação do Fator Previdenciário, reforma agrária, igualdade de oportunidades entre homens e mulheres e ampliação do investimento público. O ato foi organizado pela Regional Campinas da Força Sindical, Sindicato dos Trabalhadores em Refeições de Campinas e Região e Prefeitura Municipal. Centrais debatem conceito de serviço especializado A ideias de atividade-meio e “Por exemplo, se uma ino mesmo tempo em que pressioatividade-fim, na economia dústria de plástico precisar nam o Congresso e o governo para moderna, são imprecisas. As terceirizar uma atividade, ela derrubar o Projeto de Lei 4330, que sugestões dos trabalhadores terá de contratar uma empreamplia a terceirização no País, as Centrais alteram o substitutivo do desa da área plástica”, afirmou Sindicais admitem debater um novo conputado Arthur Maia (PMDBSerginho. trato de prestação de serviços terceirizaBA) ao PL 4330, que propõe A contratação da empresa dos e as relações de trabalho decorrentes. regulamentar a terceirização para a prestação de serviços Esta proposta, que também está no PL do trabalho no País. será considerada fraudulen4330, introduz o conceito de serviço esta quando não forem obserpecializado e extingue a ideia de atividade“As Centrais Não à ‘pejotização’ vados os mesmos direitos Serginho: meio e atividade-fim. Sindicais avançaram De acordo com avaliação de representação sindical e no debate” Pela proposta do Projeto de Lei, permido Diap, a proposta das Cena extensão de benefícios ente-se a contratação de empresas espetre os trabalhadores da contratante e da trais impede ainda a ‘pejotização’, que, se cializadas para serviços de vigilância e de adotada, substituiria a contratação com contratada. conservação e limpeza, entre outros. direitos trabalhistas e previdenciários pela “As Centrais Sindicais avançaram no decompra de serviço, sem qualquer comproFiscalização bate sobre a terceirização ao aprofundar o Além disso, a empresa contratante de- misso de ordem social. conceito de trabalho especializado. Desta O projeto está em análise na Câmara e, verá fiscalizar o cumprimento das obrigaforma, o conceito de meio e fim pode ser ções trabalhistas devidas pela contratada. se aprovado, poderá ir direto para apreciaabandonado”, avalia o 1º secretário da ForSe não houver fiscalização, a responsabili- ção do Senado. Isto não ocorrerá caso haja ça Sindical, Sérgio Luiz Leite, o Serginho recurso pedindo a votação do projeto no dade será solidária. Segundo ele, o projeto também admite Na visão do movimento sindical, as plenário da Câmara. a contratação de companhias especializadas para as atividades acessórias ou complementares, a fim de agregar ganho de produtividade e de qualidade técnica na prática destas atividades específicas. Brasil tem hoje 8,2 mi- duzindo o País ao quarto no partamento de Sociologia do Para Serginho, poderá lhões de trabalhadores ranking dessa modalidade, Instituto de Filosofia e Ciênocorrer, em caráter excepterceirizados, de acordo atrás dos Estados Unidos, cias Humanas (IFCH) da Unicional, a contratação de emcom pesquisa do Instituto Japão e Reino Unido. É nos camp, Ricardo Antunes, dispresas especializadas em Brasileiro de Geografia e Es- picos das datas sazonais que se que há uma precarização outras atividades empresatatística (IBGE). A atividade esta demanda mais se inten- trabalhista mundial e alertou riais somente se a contraterceirizada empregou mais sifica, sobretudo no comér- para uma possível queda no tada pertencer à mesma de 1,5 milhão de pessoas cio. No Natal, das 140 mil va- trabalho formal no Brasil. Secategoria econômica da toentre 2009 e 2010. Dos 37 gas criadas, cerca de 40 mil gundo o estudioso, a precamadora de serviços. milhões de trabalhadores foram efetivadas depois das rização leva à terceirização Neste caso, ficará asformais, 22,2% do total (8,2 festividades de fim de ano, e – que já soma 10 milhões de segurado aos empregamilhões) são trabalhadores cerca de 30% dos temporá- trabalhadores no País. Diz Antunes: “Terceirizados dessas empresas os de empresas prestadoras rios conseguiram o seu prição não é sinônimo de inmesmos direitos, a mesmeiro emprego. de serviços. ma convenção coletiva (ou Em entrevista concedida formalidade, mas se torna Em 2010, a demanda por acordo coletivo) e o mestemporários se situou em ao programa Roda Viva, da informal muito fácil. Há termo sindicato da atividade média mensal que superou TV Cultura, no fim do ano ceirização dentro da emprepreponderante da tomado900 mil pessoas/dia, con- passado, o professor do De- sa e fora da empresa”. ra de serviços. Arquivo Força Sindical Resoluções Ao fim da Conferência da OIT, no dia 20 de junho, em Genebra, na Suíça, os delegados aprovaram resoluções que buscam responder às demandas de um mundo do trabalho em rápida transformação e melhorar as condições sociais e de emprego das pessoas, como o diálogo social e o tripartismo. São princípios da OIT destinados a promover a justiça social, relações de trabalho harmoniosas e o trabalho decente mediante o respeito à liberdade sindical, de associação e garantindo o direito de negociação coletiva, levando em conta a Declaração da OIT sobre os princípios e direitos fundamentais no trabalho. Em relação ao trabalho decente, a resolução definiu que os quatro pilares do programa são o diálogo social, a proteção social, os direitos ao trabalho e ao emprego. O desenvolvimento sustentável permite satisfazer as necessidades da atual geração sem prejudicar as demandas das gerações futuras, levando em conta os objetivos do trabalho decente, a inclusão social e a erradicação da pobreza. Ao reconhecer que as transições demográficas têm repercussões importantes no mercado de trabalho e nos sistemas de proteção social, a resolução explica ser essencial aumentar o emprego formal e as taxas de participação da força de trabalho para atender às necessidades de proteção social e de desenvolvimento econômico dos países. Desafio é responder às transformações do trabalho urante a 102ª Conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a secretária de Cidadania e Direitos Humanos da Força Sindical, Ruth Coelho Monteiro, denunciou que há restrições ao diálogo social no Brasil para eliminar o trabalho infantil e a atividade laboral análoga à condição de escravo. Segundo ela, as decisões do governo não são resultado de negociações tripartites, além do que há restrições à liberdade sindical. Suas declarações foram feitas na sessão da Conferência que discutia a ‘Contribuição brasileira para a estratégia de cooperação SUL-SUL da OIT’, que inclui os Estados africanos de língua portuguesa. “Diálogo social pressupõe negociações tripartites, que reúnem governo, trabalhadores e empregadores, assim como liberdade sindical”, explicou. De acordo com a dirigente, três anos atrás as Centrais Sindicais apresentaram um projeto de cooperação Sul-Sul para o governo brasileiro, que, infelizmente, não foi levado a sério. A secretária de Cidadania e Direitos Humanos denunciou que no Brasil há restrições à liberdade sindical. Não são admitidas organizações nos locais de trabalho, o Poder Judiciário impõe limites à greve com os interditos proibitórios e o www.fsindical.org.br terceirização Arquivo Força Sindical conferência da oit País tem mais de 8 milhões de terceirizados O julho de 2013 11 memória sindical 33 anos preservando a história Q uando ocorreram as greves pela reposição salarial em 1978, partindo de São Bernardo, para todo o ABC, para São Paulo, Osasco, Guarulhos e para outros Estados e categorias, um grupo de jornalistas, entre os quais estava o Sérgio Gomes, criou uma cooperativa de jornalistas para cobrir aquelas greves e trabalhar para o movimento sindical, a Oboré. A ideia, segundo Serjão, em conversa que tive com ele sobre a história do Centro de Memória Sindical, era que a Oboré fosse uma imprensa ativa, participativa, que não apenas registrasse as notícias, mas influenciasse nos debates sindicais. Naquele contexto surgiu a ideia de editar a publicação “A Greve na Voz dos Trabalhadores”, com entrevistas de pessoas que participaram da greve. Depois do projeto realizado, os jornalistas e pesquisadores envolvidos resolveram continuar a gravar depoimentos de sindicalistas que topassem fazêlo. Como ainda era época da ditadura militar, nem todo mundo queria gravar entrevistas por causa da perseguição política. Patrimônio cultural imaterial do sindicalismo brasileiro, o Centro de Memória Sindical tem como objetivo demonstrar que a história é feita pelos trabalhadores. por: A partir do acúmulo deste material se formou um movimento pela fundação do Centro de Memória Sindical, segundo o qual, quando houvesse ao menos 10 sindicatos apoiando, e o mínimo de 200 horas de depoimentos gravados, o objetivo seria atingido. O movimento entrou pelos anos de 1978 até 1980, e o Centro de Memória Sindical foi fundado no dia 14 de junho de 1980, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, com apoio do presidente Joaquim dos Santos Andrade (Joaquinzão). Ao longo de sua história o Centro de Memória teve outros quatro presidentes: o eletricitário Hugo Perez, que também era presidente do Dieese, Antonio Toschi, Cláudio Magrão de Camargo Crê, ambos ex-presidentes do Sindicato Fundação do CMS em 14 de junho de 1980. O eletricitário Hugo Perez (no centro, segurando o microfone) foi o primeiro presidente 12 jornal da força sindical — no 83 Carolina Maria Ruy* dos Metalúrgicos de Osasco, e Milton Cavalo, que é o presidente atual do Centro e é também tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco. A ideia era de que, como o Dieese e o Diesat, o Centro de Memória Sindical fosse uma instituição intersindical, a serviço dos sindicatos e mantida pelos mesmos. O lema adotado por aquele grupo de jovens idealistas era aquele de Walter Benjamin, que diz que não se trata de preservar a memória, mas sim de realizar suas esperanças. E assim, por uma década o CMS manteve uma atuação dinâmica, publicando livros, fazendo parcerias, seminários e debates, entre outras coisas. Até entrar, no início da década de 1990, em um longo período de ostracismo e ser reativado a partir de 2010, em um contexto nacional de valorização da memória. Pode-se dizer que, não apenas o CMS, mas toda a sociedade brasileira passou muitos anos sem dar a devida atenção aos seus arquivos e a sua memória. A maioria dos sindicatos não tem a memória gravada e não tem seus documentos históricos organizados. Neste contexto, um dos principais desafios do Centro de Memória Sindical é incentivar os sindicatos e os sindicalistas a organizarem seus arquivos e trabalhar no resgate de suas histórias. E esta valorização da memória vem ganhando força. Desde 2010, quando foi feita a mudança da sede do CMS, do Sindicato dos Têxteis para o Sindicato Nacional dos Aposentados, já foram realizadas exposições fotográficas sobre a história da Força Sindical, o livro sobre os 20 anos da Força Sindical, exposições fotográficas e um livro sobre os 70 anos do Sindicato dos Telefônicos do Estado de São Paulo (Sintetel), e uma exposição fotográfica sobre a Imigração Italiana em São Paulo, que circulou nas principais estações de metrô da cidade e foi apresentada na Embaixada do Brasil em Roma, na Itália (e também se tornou um livro com as fotos da exposição). Registrar e preservar a história dos trabalhadores é fundamental para que eles reforcem suas identidades e se percebam como um grupo organizado e atuante na sociedade. Um grupo que é capaz de mudar os rumos da história, como já aconteceu em 1968, em 1978 e, mais recentemente, entre 2001 e 2009, nas Marchas da Classe Trabalhadora, que pressionaram o governo a mudar o cálculo do salário mínimo. Além disso, o acervo tem um valor informativo e documental único, que pode ser usado como provas e registros, e pode contribuir para o desenvolvimento da Comissão Nacional da Verdade, para a qual o Centro foi chamado a participar do grupo de trabalho que trata das questões sindicais. *Carolina Maria Ruy é jornalista, coordenadora de projetos do Centro de Cultura e Memória Sindical