CAMILA FEOLA PRINCIPAIS FATORES A CONSIDERAR PARA MELHORAR A INTEGRIDADE NA TERMOSSOLDAGEM DAS EMBALAGENS FLEXÍVEIS DE POLIPROPILENO BIORIENTADO SÃO CAETANO DO SUL 2009 Livros Grátis http://www.livrosgratis.com.br Milhares de livros grátis para download. CAMILA FEOLA PRINCIPAIS FATORES A CONSIDERAR PARA MELHORAR A INTEGRIDADE NA TERMOSSOLDAGEM DAS EMBALAGENS FLEXÍVEIS DE POLIPROPILENO BIORIENTADO Dissertação apresentada à Escola de Engenharia Mauá do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia para obtenção do título de Mestre em Engenharia de Processos Químicos e Bioquímicos Linha de Pesquisa: Engenharia de Embalagem Orientador: Prof. Dr. Antonio Carlos Dantas Cabral SÃO CAETANO DO SUL 2009 Feola, Camila Principais fatores a considerar para melhorar a integridade na Termossoldagem das embalagens de polipropileno biorientado / Camila Feola.— São Caetano do Sul, SP: CEUN-EEM, 2009. 89 p. Dissertação de Mestrado — Programa de Pós-Graduação. Linha de Pesquisa: Engenharia de Embalagem — Escola de Engenharia Mauá do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia, São Caetano do Sul, SP, 2009. Orientador: Prof. Dr. Antonio Carlos Dantas Cabral 1. Microfuros 2. Máquinas verticais – Filme de polipropileno I. Instituto Mauá de Tecnologia. Centro Universitário. Escola de Engenharia Mauá. II. Título. CAMILA FEOLA PRINCIPAIS FATORES A CONSIDERAR PARA MELHORAR A INTEGRIDADE NA TERMOSSOLDAGEM DAS EMBALAGENS FLEXÍVEIS DE POLIPROPILENO BIORIENTADO Dissertação apresentada à Escola de Engenharia Mauá do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia para obtenção do título de Mestre em Engenharia de Processos Químicos e Bioquímicos Linha de Pesquisa: Engenharia de Embalagem Banca examinadora: Prof. Dr. Antonio Carlos Dantas Cabral Orientador Escola de Engenharia Mauá Profa. Dra. Susana M.G. Lebrão Escola de Engenharia Mauá Prof. Dr. Jose de Assis Fonseca Faria Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp SÃO CAETANO DO SUL 2009 AGRADECIMENTOS • Ao Prof. Dr. Antonio Carlos Dantas Cabral pela orientação a este trabalho. • Ao Luiz Claudio Carvalho, que foi um dos importantes responsáveis pelo ingresso a este Mestrado. • Ao Alexandre, meu marido pelas noites e finais de semana que compreendeu a minha ausência para concentrar-me na elaboração deste trabalho. • A todos que direta ou indiretamente me apoiaram e incentivaram a vencer esta batalha tão sonhada. RESUMO Embalagens flexíveis laminadas para salgadinhos são compostas por duas camadas de polipropileno biorientado sendo a primeira transparente, usada como veículo de impressão e a segunda, metalizada que é barreira à passagem de luz e umidade. Para o enchimento de embalagens do tipo almofada, denominação comum de mercado para embalagens flexíveis de salgadinhos, é utilizada máquina do tipo forma – enche – sela. Os controles de processo adotados, para avaliar a qualidade do fechamento das embalagens, assegurando a vida útil para os produtos, não são suficientes para evitar altos índices de falhas, especialmente, microfuros bem acima de 1%, que é o máximo tolerado. Não existem, na literatura técnica, procedimentos operacionais que estabeleçam a melhor combinação entre a espessura total do material versus perfil do mordente horizontal versus temperatura de termossoldagem versus velocidade de enchimento, para obtenção de embalagens com termossoldagens íntegras. Obtê-las foi o foco do trabalho que considerou os seguintes parâmetros: a) três composições de estruturas laminadas de polipropileno biorientado com espessuras total de 40, 45 e 50µ; b) três perfis de mordente horizontal [M1 (Passo= 2 mm/ ângulo= 120º, largura= 10 mm e Profundidade= 0,49 mm), M2 (Passo= 2 mm/ ângulo= 60º, largura= 10 mm e Profundidade= 1,45mm) e M3 (Passo= 1,5 mm/ ângulo= 60º, largura= 12 mm e Profundidade= 1,5mm)]; c) três diferentes combinações de velocidade de enchimento e temperatura de termossoldagem (50 embalagens/ min a 120ºC, 60 embalagens/ min a 140ºC e 80 embalagens/ min a 160ºC). Os resultados mostraram que condições operacionais próximas da ideal foram obtidas com filme de 40µ, usado atualmente pela Pepsico do Brasil Ltda, utilizando um perfil específico de mordente (M2), operando a 50 embalagens/ minuto com temperatura de termossoldagem igual a 120ºC. Palavras-chave: Embalagens flexíveis, termossoldagem, microfuros. ABSTRACT Laminated flexible packaging for savory snacks are composed by two layers of bi-oriented polypropylene, one transparent and other metallized. The first one worked as a vehicle for impression and the second one worked as a light and moisture barrier. A machine type form – fill – seal was used to fill with products the pillow bags, regular market name for flexible packaging for snacks. The process control used to evaluate the quality of packaging sealing ensuring a larger shelf-life of the products are not sufficient to avoid high defects index, especially, micro holes, normally much higher than 1% (maximum acceptable value). There are no operational procedures in the technical literature that establish the best combination among total material thickness, horizontal sealing jaw profile, heat sealing temperature and fill speed to obtain packaging with full sealing. The objective of this work was obtaining these operational procedures considering the following parameters: a) three types of laminated structure of bi-oriented polypropylene with total thickness of 40, 45 e 50µ; b) three horizontal sealing jaw profile [M1 (height= 2 mm/ angle= 120º, width = 10 mm and depth= 0,49 mm), M2 (height= 2 mm/ angle= 60º, width = 10 mm and depth = 1,45mm) e M3 (height= 1,5 mm/ angle= 60º, width= 12 mm and depth = 1,5mm)]; c) three different types of fill speed and heat sealing temperature (50 units/ min at 120ºC, 60 units/ min at 140ºC and 80 units/ min at 160ºC). The results shown the best operational conditions were achieved with film of 40µ, used recently by Pepsico of Brazil Ltda, a specific sealing jaw (M2), operating at 50 units/min with heat sealing temperature of 120ºC. Key words: flexible packaging, heat sealing, micro holes. LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 1 – IMPORTÂNCIA DOS SEGMENTOS DE SALGADINHOS NO MERCADO BRASILEIRO ................ 14 FIGURA 2 – ESTIMATIVA DE CRESCIMENTO DE POLIPROPILENO BIORIENTADO EM TONELADAS ......... 20 FIGURA 3 – ESQUEMA DE OBTENÇÃO DO POLIPROPILENO ......................................................................... 22 FIGURA 4 – CORTE TÍPICO DE EXTRUSORA.................................................................................................... 24 FIGURA 5 – EXTRUSORA PLANA ....................................................................................................................... 24 FIGURA 6 – EXEMPLO DE COEXTRUSÃO DE POLÍMEROS ............................................................................. 26 FIGURA 7 – ETAPAS DE ORIENTAÇÃO DO POLIPROPILENO BIORIENTADO................................................ 28 FIGURA 8 – EQUIPAMENTO DE METALIZAÇÃO A ALTO VÁCUO .................................................................... 29 FIGURA 9 – MÁQUINA DE EMPACOTAMENTO VERTICAL ............................................................................... 40 FIGURA 10 – COLARINHOS................................................................................................................................. 41 FIGURA 11 – MORDENTE HORIZONTAL DE AQUECIMENTO COM ESTRIAS HORIZONTAIS ....................... 42 FIGURA 12 – MORDENTE HORIZONTAL DE AQUECIMENTO COM ESTRIAS VERTICAIS ............................. 43 FIGURA 13 – MORDENTE HORIZONTAL DE AQUECIMENTO COM ESTRIAS DIAGONAIS ............................ 43 FIGURA 14 – MORDENTE HORIZONTAL DE AQUECIMENTO LISO ................................................................. 44 FIGURA 15 – MORDENTE HORIZONTAL DE IMPULSO ..................................................................................... 44 FIGURA 16 – MORDENTE VERTICAL ................................................................................................................. 45 FIGURA 17 – ESQUEMA DE TIPOS DE ABERTURA DE EMBALAGENS FLEXÍVEIS........................................ 47 FIGURA 18 – ESQUEMA DE ABERTURA E FECHAMENTO DO MORDENTE HORIZONTAL ........................... 49 FIGURA 19 – FLUXOGRAMA DE FABRICAÇÃO DE BATATA CHIPS ................................................................ 51 FIGURA 20 – TEXTURA DE ALIMENTOS EM FUNÇAO DA ATIVIDADE DE ÁGUA (Aw) .................................. 59 FIGURA 21 – RESULTADOS DE UMIDADE DE BATATAS CHIPS EM EMBALAGENS DE BOPP/ BOPP MET DURANTE 10 SEMANAS ...................................................................................................................................... 60 FIGURA 22 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE PERFIL DE MORDENTE............................................... 64 FIGURA 23 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA PARA VERIFICAÇÃO DE ALINHAMENTOS DOS MORDENTES ........................................................................................................................................................ 66 FIGURA 24 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DOS PONTOS DE CONTROLE DE TEMPERATURA DO MORDENTE .......................................................................................................................................................... 66 FIGURA 25 – ESQUEMA PARA COLETA DA AMOSTRA .................................................................................... 68 FIGURA 26 – ANÁLISE VISUAL DE RESISTÊNCIA DE TERMOSSOLDAGEM .................................................. 69 FIGURA 27 – DOBRAS NA TERMOSSOLDAGEM .............................................................................................. 69 FIGURA 28 – RUGAS NA TERMOSSOLDAGEM ................................................................................................. 69 FIGURA 29 – CÂMARA DE VÁCUO PARA TESTE DE INTEGRIDADE DE SELAGEM – ENSAIOS DE BOLHAS................................................................................................................................................................. 71 FIGURA 30 – ESQUEMA PARA IDENTIFICAÇÃO DE MIRCOFUROS................................................................ 71 FIGURA 31 – MEDIÇÃO DE AIR FILL................................................................................................................... 73 FIGURA 32 – FATIAS DE BATATAS FRITA INTEIRAS........................................................................................ 73 FIGURA 33 – FATIAS DE BATATAS FRITA PARCIAIS........................................................................................ 74 FIGURA 34 – SCRAPS DE FATIAS DE BATATAS FRITA.................................................................................... 74 FIGURA 35 – LÓGICA DOS TESTES DA ETAPA 3 PARA OS PERFIS DE MORDENTES 2 OU 3..................... 77 LISTA DE TABELAS TABELA 1 – TOTAL DE SALGADINHOS NO BRASIL EM VOLUME (TONELADAS) E VALOR (R$) .................. 13 TABELA 2 – O MERCADO BRASILEIRO DE EMBALAGENS – MIL TONELADAS.............................................. 19 TABELA 3 – PARTICIPAÇÃO DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM FLEXÍVEIS NO MERCADO BRASILEIRO .. 20 TABELA 4 – O MERCADO DE EMBALAGENS PARA ALIMENTOS – TONELADAS - 2008 ............................... 21 TABELA 5 – PROPRIEDADES DOS FILMES DE POLIPROPILENO BIORIENTADO METALIZADOS ............... 31 TABELA 6 – COMPARAÇÃO DE BARREIRA COM OUTROS SUBSTRATOS EM FILMES DE 25µ ................... 35 TABELA 7 – ESPESSURAS, GRAMATURAS, TPO2 E TPVA DOS MATERIAIS DE BOPP/ BOPP MET ............ 63 TABELA 8 – PERFIL DOS MORDENTES ............................................................................................................. 64 TABELA 9 – PONTOS MÉDIOS DE TEMPERATURA versus TEMPO DE CONTACTO DOS MORDENTES ..... 65 TABELA 10 – CONDIÇÕES OPERACIONAIS DO EQUIPAMENTO ETAPA 1 ..................................................... 75 TABELA 11 – CONDIÇÕES OPERACIONAIS DO EQUIPAMENTO ETAPA 2 ..................................................... 76 TABELA 12 – CONDIÇÕES OPERACIONAIS DO EQUIPAMENTO ETAPA 3 ..................................................... 76 TABELA 13 – TEMPERATURA AO LONGO DO PERFIL DOS MORDENTES HORIZONTAIS – M1 .................. 79 TABELA 14 – RESULTADOS DA ETAPA 1 .......................................................................................................... 79 TABELA 15 – RESULTADOS DA ETAPA 2 FILME 2............................................................................................ 81 TABELA 16 – RESULTADOS DA ETAPA 2 FILME 3............................................................................................ 82 TABELA 17 – TEMPERATURA AO LONGO DO PERFIL DOS MORDENTES HORIZONTAIS – M2 .................. 84 TABELA 18 – RESULTADOS DA ETAPA 3 FILME ATUAL MORDENTE M2 ....................................................... 84 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 12 1.1 OBJETIVO ..................................................................................................................... 12 1.2 JUSTIFICATIVA............................................................................................................. 13 1.3 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA ........................................................................................ 16 1.4 QUESTÃO DA PESQUISA ............................................................................................ 17 1.5 CONTRIBUIÇÃO DO TRABALHO ................................................................................. 17 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ........................................................................................... 18 2.1 FILME FLEXÍVEL DE POLIPROPILENO BIORIENTADO (BOPP)................................. 18 2.1.1 Mercado de embalagens flexíveis............................................................................ 19 2.1.2 Matéria-prima ............................................................................................................ 21 2.1.3 Processo de fabricação............................................................................................ 23 2.1.3.1 Extrusão................................................................................................................... 23 2.1.3.2 Coextrusão .............................................................................................................. 25 2.1.3.3 Biorientação............................................................................................................. 27 2.1.3.4 Metalização.............................................................................................................. 28 2.1.4 Propriedades físicas, químicas e mecânicas do BOPP ......................................... 29 2.1.4.1 Propriedades de filmes de polipropileno biorientado ................................................ 30 2.1.5 Fornecedores de polipropileno biorientado............................................................ 31 2.1.5.1 Filmes de polipropileno biorientado – Vitopel Ltda ................................................... 32 2.1.6 Conversão ................................................................................................................. 33 2.1.7 Outras considerações .............................................................................................. 35 2.2 MÁQUINAS DE EMPACOTAMENTO – VFFS ............................................................... 36 2.2.1 Fabricantes................................................................................................................ 37 2.2.2 Princípios de funcionamento ................................................................................... 39 2.2.2.1 Tubo formador ......................................................................................................... 40 2.2.2.2 Correias de arraste .................................................................................................. 41 2.2.2.3 Mordentes................................................................................................................ 42 2.2.3 Termossoldagem ...................................................................................................... 45 2.2.3.1 Tipos de abertura..................................................................................................... 47 2.2.3.2 Elementos da termossoldagem................................................................................ 48 2.3 DESEMPENHO DO FILME DE POLIPROPILENO BIORIENTADO EM MÁQUINA VERTICAL NA INDÚSTRIA DE SALGADINHOS................................................................. 50 2.3.1 Batata Frita ................................................................................................................ 52 2.3.1.1 Qualidade ................................................................................................................ 54 2.3.2 Empacotamento primário......................................................................................... 55 2.3.2.1 Controle de qualidade da embalagem...................................................................... 56 2.3.2.2.Controle de qualidade do alimento.............................................................................57 3. MATERIAIS E MÉTODOS............................................................................................... 62 3.1 MATERIAIS ................................................................................................................... 62 3.2 EQUIPAMENTOS .......................................................................................................... 63 3.2.1 Condições de operação do equipamento ............................................................... 65 3.3 METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO DAS EMBALAGENS................................................ 67 3.3.1 Inspeção .................................................................................................................... 68 3.3.1.1 Integridade do sistema de fechamento .................................................................... 70 3.3.1.2 Nível de ar interno (air fill) ........................................................................................ 72 3.4 ETAPAS ........................................................................................................................ 75 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO....................................................................................... 78 4.1 ETAPA 1........................................................................................................................ 78 4.2 ETAPA 2........................................................................................................................ 80 4.3 ETAPA 3........................................................................................................................ 83 5. CONCLUSÃO.................................................................................................................. 86 6. SUGESTÕES .................................................................................................................. 87 REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 88 12 1. INTRODUÇÃO O problema é da máquina ou da embalagem flexível? Este dilema é muito comum, na maioria das empresas, tanto as que utilizam quanto as que fabricam a embalagem, pois em determinadas questões, estes últimos têm profundo conhecimento do insumo e da estrutura final e nenhuma das partes conhece as características ideais do equipamento de enchimento automático para formação de uma embalagem. Tal fato ocorre por não existir na literatura técnica, procedimentos operacionais que estabeleçam a interação entre o tipo do material de embalagem e os parâmetros de funcionamento dos equipamentos de enchimento, que resultem em embalagens íntegras e com qualidade de fechamento e que assegure a vida útil dos produtos industrializados. Esta foi a força motriz deste trabalho: correlacionar os parâmetros de máquinas verticais de enchimento automático e as características do material de embalagem com o intuito de determinar as condições operacionais ideais para que os padrões de qualidade de termossoldagem das embalagens sejam atingidos. 1.1 OBJETIVO O objetivo deste trabalho foi propor condições ideais de operação de máquinas verticais do tipo VFFS1, utilizando filme de polipropileno biorientado laminado, para se obter embalagens flexíveis do tipo almofada com termossoldagem íntegra para batatas fritas industrializadas. 1 Vertical form fill seal, (vertical - forma – enche – sela). 13 1.2 JUSTIFICATIVA Os produtos industrializados consumidos em refeições rápidas ou muito leves são denominados salgadinhos e podem ser fritos tais como: batatas fritas, produtos extrusados e expandidos, os amendoins e produtos similares. O mercado de salgadinhos, em 2007, apresentou forte crescimento em relação a 2006, em volume (53.105 toneladas) e em valor (R$1,00 milhão), conforme apresentado na Tabela 1. TABELA 1 – TOTAL DE SALGADINHOS NO BRASIL EM VOLUME (TONELADAS) E VALOR (R$) Ano 2004 2005 2006 2007 Volume (Tons) 86.443 96.022 105.340 158.355 Valor (Milhões de R$) 1.222 1.490 1.737 2.742 FONTE: ACNielsen 2008 Analisando o mercado de salgadinhos em todas as categorias apresentadas na Figura 1 verifica-se que a participação de batata frita industrializada do tipo snacks, apresentou relativa estabilidade entre 2006 e 2007, não ultrapassando 12% do volume total de salgadinhos no mercado brasileiro frente às demais categorias. 14 FIGURA 1 – IMPORTÂNCIA DOS SEGMENTOS DE SALGADINHOS NO MERCADO BRASILEIRO FONTE: ACNielsen 2008 Para comercializar as batatas fritas industrializadas é preciso proteger o produto adequadamente a fim de assegurar a manutenção da qualidade dentro dos parâmetros estabelecidos pelo fabricante. A embalagem deve cumprir essa missão ao minimizar: a) a passagem de luz que potencializa a oxidação do produto pelo contato com oxigênio existente do espaço; b) a passagem de umidade mantendo a crocância do produto. E é por isso que os fabricantes utilizam filmes laminados metalizados, à base de Polipropileno Biorientado - BOPP2, pois esses materiais são barreiras à umidade e à luz. As embalagens que utilizam esse material são formadas em equipamentos verticais do tipo VFFS, os mais usados pelas indústrias de salgadinhos no Brasil. Se a embalagem de batatas fritas for especificada corretamente, mas apresentar microfuros, decorrentes do manuseio abusivo ou de condições inadequadas de termossoldagem, pode ocorrer a redução da vida – de – prateleira do produto devido à perda de crocância. Assim sendo, no ambiente industrial, todo o cuidado deve ser tomado para que ela não apresente falhas que possam comprometer a proteção 2 BOPP – Poliropileno Biorientado. 15 oferecida pelo material. Para tanto, mede-se a sua resistência mecânica e avalia-se a sua integridade. Convém lembrar que a termossoldagem é essencial para manutenção das propriedades de barreira à umidade do material na embalagem final (MILTZ, 1980; YOUNG, 1985). Motta. A. et al (2004), analisaram embalagens de salgadinhos ao longo de toda a cadeia produtiva, até os pontos de venda, e constataram que 80% daquelas que estão no mercado têm deficiência na termossoldagem, expondo o produto aos riscos já mencionados. As falhas podem ocorrer na fábrica, no equipamento VFFS e, até o momento, não foi identificado um meio de eliminá-las. A bibliografia sobre o tema não é muito extensa, concentra-se na especificação das condições de termossoldagem em laboratório e deixa claro serem necessárias adaptações dos resultados obtidos para aplicação no ambiente fabril. Em um desses trabalhos, Oliveira (1995) mostrou a influência dos perfis de mordente na qualidade de termossoldagem em embalagens plásticas metalizadas. Na conclusão do estudo conduzido em laboratório, sugeriu a continuidade da pesquisa a ser realizada em escala industrial. Dois fatos apresentados justificam a execução desse trabalho: a) a necessidade de se reduzir perdas reais e potenciais ao eliminar os microfuros nas embalagens, e b) a inexistência de bibliografia técnica específica sobre e influência dos perfis de mordentes na qualidade das termossoldagens em condições normais de operação. 16 Em síntese, este estudo irá avaliar interações entre a estrutura de BOPP e o equipamento de enchimento VFFS, que são os mais usados no mercado e pela Pepsico do Brasil Ltda, visando: a) identificar qual a espessura recomendada para os filmes convertidos com barreira à umidade máxima de 0,5g H2O/m2.dia e usados em embalagens de salgadinhos – serão utilizados materiais convertidos com três espessuras totais diferentes.; b) determinar as temperaturas dos mordentes e velocidades de enchimento que devem ser consideradas nas máquinas verticais para se obter embalagens com percentual de microfuros inferior ao que existe hoje; c) determinar qual o melhor perfil de mordente para a termossoldagem dos filmes de polipropileno biorientado – serão utilizados 3 perfis diferentes de mordentes. 1.3 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA A incidência de microfuros em estruturas laminadas de polipropileno biorientado em máquinas verticais do tipo forma – enche - sela é muito freqüente e, atualmente, não há recomendação técnica para eliminar ou pelo menos minimizar essa ocorrência e os prejuízos dela advindos. A solução do problema deverá ser obtida através de testes experimentais, que serão realizados em máquinas de enchimento do tipo VFFS instaladas na unidade fabril da empresa Pepsico do Brasil Ltda –Itu - SP. 17 1.4 QUESTÃO DA PESQUISA A questão central da pesquisa é a seguinte: Quais as condições operacionais das máquinas verticais - temperaturas, perfil de mordentes, velocidades de empacotamento e espessuras dos filmes de BOPP, que devem ser adotadas para minimizar ou eliminar imperfeições na termossoldagem de embalagens destinadas ao acondicionamento de salgadinhos? 1.5 CONTRIBUIÇÃO DO TRABALHO O trabalho será planejado de forma a analisar criteriosamente todo o sistema de embalagem de polipropileno biorientado para salgadinhos, permitindo: a) identificar quais os parâmetros a se considerar na escolha da estrutura laminada à base de BOPP para resultar em termossoldagens íntegras; b) propor alternativas que possibilitem o melhor desempenho de filmes laminados de polipropileno biorientado em máquina de enchimento vertical. Os resultados poderão ser adaptados, com facilidade, a qualquer outra instalação industrial que utilize embalagens e equipamentos semelhantes. 18 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA A seguir serão referenciados os temas que são mais evidentes e necessários de conhecimentos para realização deste trabalho. 2.1 FILME FLEXÍVEL DE POLIPROPILENO BIORIENTADO (BOPP) A biorientação de filmes de polipropileno é um processo físico de orientação de cadeias moleculares do polímero, que permite a obtenção de filme muito fino, e com propriedades adequadas à conservação e ao manuseio. Isso ocorre porque o processo promove um aumento na resistência à tração e na rigidez do material, melhoria na transparência, brilho e lisura. Em polímeros cristalinos como o polipropileno, ocorre um significativo efeito de redução de permeabilidade aos gases e ao vapor de água, da ordem de 50%, dependendo da temperatura de orientação (OLIVEIRA, 2007). O filme de polipropileno biorientado é resultado da orientação das cadeias poliméricas através da aplicação da força de tensionamento do material na direção da máquina3 e na direção transversal4, seguidos, em ambos os casos, de rápido resfriamento, uma vez que para os estiramentos, a temperatura está por volta de 160º C (ÁLVAREZ, 2007). Este tipo de material flexível, quando metalizado, é usado em embalagens de salgadinhos fritos a fim de manter a qualidade deste tipo de produto em toda a cadeia de distribuição, devido à boa barreira à luz e umidade. 3 4 Direção de máquina (DM) é a direção de fabricação do filme; Direção transversal à máquina (DT) é a direção transversal à de fabricação do filme 19 2.1.1 Mercado de embalagens flexíveis Segundo Datamark (2007), a indústria brasileira de embalagens registrou alta de 4,04% em 2007 (Tabela 2), comparada a 2006, movimentando um volume de 7,223 milhões de toneladas de embalagens de todos os materiais, gerando em valor US$ 22,103 bilhões, um aumento de 21,7% sobre o ano anterior. TABELA 2: O MERCADO BRASILEIRO DE EMBALAGENS – MIL TONELADAS Caixas de papelão Duplex/ triplex Flexíveis Metais Papel Plásticos Vidro 2006 2179 466 520 944 313 1504 1005 2007 2254 474 542 1044 331 1594 984 FONTE: DATAMARK – Anuário Brasileiro de Fornecedores de Embalagem 2009. No Brasil o volume de embalagens flexíveis é de, aproximadamente, 490 tons e o polipropileno biorientado ocupa a terceira posição, 12% deste volume total, dentre os materiais flexíveis apresentados na Tabela 3. 20 TABELA 3: PARTICIPAÇÃO DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM FLEXÍVEIS NO MERCADO BRASILEIRO Material Papel Polietileno de baixa densidade Polipropileno biorientado Alumínio Poliéster Poliamida 5 Celofane Polipropileno PVC PVDC Tons 283.392 77.731 Percentagem (%) 58 16 59.580 34.623 12.320 7.800 4.393 7.129 762 1.476 12 7 3 2 1 1 0 0 FONTE: DATAMARK – Relatório Brasil Pack 2005. A utilização deste material tem perspectiva de crescimento de 27% até 2010, conforme ilustrado na Figura 2. 64 70 67 76 73 60 2005 2006 2007 2008 2009 2010 FIGURA 2: ESTIMATIVA DE CRESCIMENTO DE POLIPROPILENO BIORIENTADO EM TONELADAS FONTE: DATAMARK – Relatório Brasil Pack - 2005. A categoria de alimentos farinhas e cereais, na qual os salgadinhos estão inseridos, utilizou, em 2008, aproximadamente, 290,5 mil considerando os tipos de materiais descritos na Tabela 4. toneladas de embalagem, 21 TABELA 4: O MERCADO DE EMBALAGENS PARA ALIMENTOS – TONELADAS - 2008 Flexíveis Metais Papel Plásticos Vidro Cereais e Farinhas 60.056 22.059 108.272 100.243 - FONTE: DATAMARK – Anuário Brasileiro de Fornecedores de Embalagem 2009. Neste segmento, no qual os salgadinhos estão inseridos, há uma perspectiva de crescimento de 21% no uso dos materiais de embalagens flexíveis . O BOPP tem expressiva participação no mercado de embalagens desta categoria o que evidencia sua competitividade comercial. Isso porque, não há nenhum outro material que possa substituí-lo, com o mesmo peso, na participação dos custos dos produtos alimentícios, pois no processo de biorientação, há sensível redução na espessura do filme formado, fato que torna a relação custo/ benefício extremamente vantajosa, quando comparada a outros materiais. 2.1.2 Matéria - prima O polipropileno, na forma de grãos, usado como material de alimentação ao processo de extrusão do filme de BOPP é obtido pela polimerização do propileno, um dos compostos provenientes do processo de craqueamento do petróleo. Esse monômero, submetido a determinadas condições de temperatura e pressão e em presença de catalisador, produz o polímero, composto basicamente por mil unidades de propileno ligadas de formar linear (Figura 3). 22 FIGURA 3 – ESQUEMA DE OBTENÇÃO DO POLIPROPILENO FONTE: ÁLVAREZ (2007) Os tipos de resinas usadas na fabricação de BOPP são: a) Homopolímeros: obtidos exclusivamente por meio da polimerização do propileno. Apresenta densidade específica na ordem de 0,9g/mL, ponto de fusão cristalino em torno de 140 a 150ºC, boa barreira ao vapor de água, boa resistência aos óleos e gorduras e aos produtos químicos, boa resistência à abrasão, boa estabilidade térmica e não é susceptível ao fissuramento sob tensão (stress cracking). É sensível à degradação oxidativa a alta temperatura, requerendo, portanto, antioxidantes para ser processado. b) Copolímeros propileno e eteno: obtidos através da copolimerização com eteno, resultando num material com menor rigidez e maior resistência à tração que o homopolímero. Os tipos básicos de copolímeros de polipropileno e polietileno são: a) Randômico: formado pela incorporação aleatória 0,5% a 4% de eteno à estrutura do polipropileno. É mais transparente por ser pouco cristalino, uma vez que o copolímero interfere na aproximação entre as cadeias. Tem temperatura de fusão de 135ºC. b) Heterofásico: formado pela incorporação específica das moléculas de eteno ao polipropileno. Apresenta, por isso, maior quantidade de fases amorfas dos monômeros. É mais opaco e tem maior resistência ao impacto que o homopolímero. A temperatura de fusão é de 151ºC. 23 A matéria-prima principal na fabricação do BOPP e, portanto, a mais consumida é o homopolímero. 2.1.3 Processo de fabricação O processo de fabricação para obtenção do filme de BOPP, compreende basicamente as seguintes etapas: extrusão e/ou coextrusão; formação e resfriamento do filme de polipropileno; estiramento mecânico na DM, que promove a orientação das cadeias de polipropileno na direção longitudinal; estiramento mecânico na DT, que promove a orientação na direção transversal; tração e tratamento da película orientada e embobinamento. A seguir, serão apresentados os principais aspectos de cada uma dessas etapas. 2.1.3.1 Extrusão A extrusão principal comumente é composta de duas extrusoras: sendo uma responsável pela fusão do polipropileno e a outra pela sua dosagem. As roscas destes equipamentos têm de 6 – 8 metros de comprimento com diâmetro aproximado de 0,24 metros e um canhão de superfície extremamente polida (PORTZ, 2005). Nesse processo, os grãos de polipropileno são alimentados por gravidade na extrusora, que os transporta ao longo de um tubo aquecido que a envolve (Figuras 4 e 5). Com o calor fornecido pelo equipamento e pela compressão, os grãos se fundem e 24 a densidade aparente, originariamente 0,5g/mL para os grãos, passa a 0,85g/mL para a massa fundida. FIGURA 4 – CORTE TÍPICO DE EXTRUSORA FONTE: WORKSHOP OPERACIONAL DE EMBALAGENS FLEXÍVEIS (2005)l FIGURA 5 – EXTRUSORA PLANA FONTE: http://portuguese.alibaba.com/product-gs/twin-screw-extruder-two-stage-extruder-extruder-51773409 Nesta etapa do processo a rosca e o canhão merecem atenção especial, uma vez que qualquer alteração ou mesmo defeito nestes componentes geram instabilidade na linha ou na qualidade do produto final. Um desalinhamento entre canhão e rosca pode gerar atrito entre estes elementos, danificando a estrutura polimérica e até ocasionando aparecimento de metal na massa fundida. 25 Para atender às necessidades especiais do mercado (barreiras ao oxigênio, à gordura, ao vapor de água, aos aromas e às limitações do equipamento de enchimento) são utilizados copolímeros de polipropileno, dosados a partir de silos menores, no processo denominado coextrusão(PORTZ, 2005). 2.1.3.2 Coextrusão A coextrusão consiste em unir os materiais extrusados simultaneamente (Figura 6), de modo a formar camadas unidas umas às outras pelo calor, resultando em um filme único, fabricado em apenas uma etapa. Um exemplo de necessidade de coextrusão é quando se precisa obter um filme com características de termossoldagem que não são típicas do poplipropileno biorientado. Nesse caso, usa-se uma resina de polietileno modificado ou copolímeros olefínicos, que têm pontos de fusão inferiores e faixas de termossoldagem mais largas que o BOPP (GUISE, 1993; LOPAPA, 1994). Tanto as extrusoras como as coextrusoras conduzem o polímero fundido até a zona de conformação e resfriamento, mais precisamente à matriz. Esta peça de material extremamente polido, resistente à abrasão, é capaz de organizar os fluxos de materiais de tal forma que aquele proveniente da extrusora principal forme o núcleo (camada central) do filme e aqueles vindos das coextrusoras formem as camadas externas. O número de coextusoras varia conforme o propósito da unidade fabril. O mais comum é encontrar duas delas além das extrusoras principais, de modo que o filme típico de 26 polipropileno biorientado é produzido em três camadas (vide esquema da Figura 6), com as seguintes características: a) camada externa (fluxo fundido da coextrusora 2), que confere brilho, boa impressão, boa laminação, possibilidade de metalização e bom deslizamento. Como exemplos, podem ser citadas as resinas de polietileno de alta densidade, que são selecionadas para proporcionar barreira à umidade e melhorar o desempenho do material em máquina; b) camada intermediária (fluxo fundido da extrusora principal), no caso em estudo o polipropileno, responsável pela rigidez e pelas propriedades de barreira; c) Camada interna (fluxo fundido da coextrusora 1) responsável pela termossoldagem, constituída geralmente de resinas de polietileno de baixa densidade ou de baixa densidade linear. Fluxo fundido da extrusora principal Fluxo fundido da coextrusora 1 Fluxo fundido da coextrusora 2 Fluxo de fundido para a matriz FIGURA 6 – EXEMPLO DE COEXTRUSÃO DE POLÍMEROS FONTE: ROMANI (2005) Ao deixar a matriz o filme é forçado contra um rolo de superfície de baixa rugosidade, denominado Chill Roll. A adesão a estes rolos ocorre devido a facas de ar, que sopram o filme na direção da superfície do rolo. Estes rolos conduzem o filme até uma banheira com água à temperatura controlada, para definição da cristalinidade do polímero. O filme denominado cast deixa o Chill Roll e passa através de um sistema 27 de resfriamento e remoção de água, que se baseia em rolos de borracha e jatos de ar. Assim o filme está pronto para adentrar a próxima zona do processo (PORTZ, 2005). 2.1.3.3 Biorientação No começo dos anos 60, Montecatini, na Itália, desenvolveu o processo para converter o polipropileno em filme biorientado. Com a biorientação, que ocorre após a etapa de extrusão / coextrusão é possível melhorar notavelmente as propriedades ópticas, mecânicas e de barreira ao vapor de água do filme. Sarantopóulus et al (2002) definem as etapas do processo de fabricação do polipropileno biorientado que estão ilustradas na Figura 7 e comentadas a seguir: a) Resfriamento, através de rolos resfriados com água corrente. A estrutura cristalina do polímero é determinada pela velocidade de resfriamento que influencia as propriedades gerais do filme após a orientação; b) Biorientação: é a fase principal do processo. A temperatura de estiramento está abaixo da temperatura de fusão do filme, mas acima da temperatura de transição vítrea. A razão de estiramento está normalmente entre 4:1 no estiramento no sentido da máquina e 10:1 no estiramento no sentido transversal à máquina; c) Relaxamento: reaquecimento do filme para proporcionar, de forma controlada, uma ligeira contração e estabilização do material. Nesta etapa ocorre o relaxamento de tensões internas decorrentes da orientação; d) Tratamento superficial: descarga elétrica para tornar a superfície do filme receptiva a tintas de impressão, metalização ou adesivos; 28 e) Embobinamento: ocorre sob tensão controlada. A bobina resultante, denominada jumbo5 é armazenada para relaxamento e estabilização posterior, antes de sofrer operações subseqüentes. Formação e Resfriamento (Chill-Roll) Unidade de Estiramento na direção Longitudinal (DM) Unidade de Estiramento na direção Transversal (DT) Unidade de Puxada, corte de orelhas e tratamento superficial (Pull Roll) Unidade de Armazenamento (estoque intermediário) Corte e armazenamento FIGURA 7 – ETAPAS DE ORIENTAÇÃO DO FILME DE POLIPROPILENO BIORIENTADO FONTE: ROMANI (2005) Ao final do processo as bobinas jumbo passam pela etapa de relaxamento, e seguem para o processo de corte em larguras menores para conversão e/ou metalização, processo que será descrito no próximo subitem deste capítulo. 2.1.3.4 Metalização A metalização é um processo de evaporação de alumínio, estanho ou outras ligas metálicas especiais em alto vácuo, que se condensam sobre os filmes (Figura 8). As propriedades como lisura e estabilidade dimensional e a sua reduzida espessura tornam os filmes biorientados adequados à metalização. 5 Jumbo – bobina resultante do processo de fabricação do filme 29 FIGURA 8 – EQUIPAMENTO DE METALIZAÇÃO A ALTO VÁCUO FONTE: ANJOS dos (2007) A metalização de um filme plástico é uma forma econômica de reduzir a permeabilidade (aumentar a barreira) ao vapor de água, gases e luz, tanto na faixa visível como no comprimento de onda ultravioleta. Além disso, melhora a receptividade para impressão e o brilho (MALAGA, 2007) 2.1.4 Propriedades físicas, químicas e mecânica do BOPP Os filmes de polipropileno biorientados disponíveis no mercado apresentam maior resistência à tração e rigidez, e têm maior transparência, brilho e lisura, quando comparados a outros materiais não orientados. Há redução da permeabilidade aos gases e ao vapor de água, na ordem de 50%, dependendo da temperatura de 30 orientação. (ROBERSTON, 1993 e CULTER, 1989 apud SARANTOPÓULUS, 2002 p.18). Por outro lado, a orientação reduz a capacidade de alongamento e a resistência ao rasgo do filme, assim como compromete a capacidade de termossoldagem do material. Neste último caso, o problema é resolvido pela coextrusão com polímeros de etileno na camada interna. As propriedades de resistência mecânica (tração, alongamento), barreira à umidade (TPVA)6, gorduras e oxigênio (TPO2)7, transparência e opacidade (Transmitância, Haze), estabilidade térmica (encolhimento), rigidez (espessura, módulo) são provenientes da camada intermediária do filme. Já as propriedades de termossoldagem a quente (temperatura e resistência de selagem), deslizamento (COF)8, brilho ou aspecto fosco são provenientes da camada interna e externa do filme. 2.1.4.1 Propriedades de filmes de polipropileno biorientado As principais propriedades dos materiais flexíveis de polipropileno biorientado metalizado que serão descritas neste capítulo, são: - Faixa de termossoldagem: relacionada com a faixa de temperatura de fusão do material de embalagem, - Resistência de termossoldagem: possibilitará a avaliação do desempenho da termossoldagem, 6 TPVA – Taxa de permeabilidade ao vapor de água TPO2 – Taxa de permeabilidade ao oxigênio 8 COF– do ingles, coeficient of friction 7 31 - Barreiras à umidade e ao oxigênio: expressas usualmente como Taxa de Permeabilidade ao Vapor de Água (TPVA) e Taxa de Permeabilidade ao Oxigênio (TPO2), que proporcionarão proteção quanto à oxidação do produto. A título de exemplo, a Tabela 5 mostra algumas propriedades de filmes de polipropileno biorientado, consideradas na especificação de materiais de embalagens, tanto para proteção dos produtos fritos industrializados como para definição do tipo de máquina de enchimento, que formará a sua embalagem primária. TABELA 5 – PROPRIEDADES DOS FILMES DE POLIPROPILENO BIORIENTADO METALIZADOS Fabricante Denominação Espessura (micra) Faixa de selagem quente (ºC) Força de selagem (N/15mm) TPO2 (cm3 O2/m2.dia) a 23ºC 1 atm TPVA (g H2O/ m2.dia) a 38ºC 90% UR Polo Films Vitopel Ltda Sigdopack S.A. TMS20 MSE20 20 20 105-130 105-145 2,3 3,2 100 80 0,50 0,40 ME FIH 20 105-140 2,4 60 0,2 FONTE: www.vitopel.com.br, www.polofilms.com.br, www.sigdopackcom/portugues/linea.htm e Os materiais apresentados nesta tabela encontram-se disponíveis no mercado mundial para aplicação em diferentes sistemas de embalagens para produtos que demandem proteção à umidade, além de facilidade de abertura das embalagens já formadas. 2.1.5 Fornecedores de polipropileno biorientado A estrutura flexível usada pela Pepsico do Brasil Ltda para acondicionar batatas fritas, é constituída de um filme de polipropileno biorientado coextrusado transparente laminado a outro, de polipropileno biorientado metalizado, de modo a que a barreira ao vapor de água seja no máximo de 0,5g/m2dia. 32 No Brasil, os principais fornecedores desse filme são a Polo Films e a Vitopel Ltda. Além dos fabricantes nacionais, existem outras indústrias de filmes de polipropileno biorientado internacionais, dentre elas está a Sigdopack S.A. com plantas no Chile e na Argentina. A diferença de qualidade entre os materiais nacionais e importados não é significativa no que se refere ao desempenho dos mesmos no sistema embalagem em questão. Por este motivo, a Pepsico do Brasil Ltda optou em usar os materiais fabricados pela Vitopel no Brasil, que serão objetos desta pesquisa. 2.1.5.1 Filmes de polipropileno biorientado – Vitopel Ltda A Vitopel Ltda possui atualmente três unidades fabris, sendo uma na Argentina e duas no Brasil nas cidades de Mauá e Votorantim, com capacidade produtiva total de 127 mil toneladas ao ano. Dentre os diversos filmes produzidos pela Vitopel Ltda, foram escolhidos dois, cujas propriedades do metalizado foi mostrada na Tabela 5, que atendem as necessidades de proteção dos salgadinhos. a) MSE20: filme de polipropileno biorientado coextrusado termosselável na face não metalizada; b) TSE20: filme de polipropileno biorientado, transparente coextrusado, termosselável nas duas faces e tratado na face interna para impressão e/ou laminação, desenvolvido para ser laminado a outros filmes metalizados. 33 2.1.6 Conversão A conversão é a fabricação do material de embalagem que será usado diretamente nas máquinas de enchimento. Os materiais monocamadas são “convertidos” em embalagens, o processo proporciona ao material de embalagem os efeitos visuais e as propriedades técnicas especificadas. O processo de conversão possui as quatro etapas descritas a seguir: o Pré-impressão que consiste na gravação dos cilindros no caso de impressão via rotogravura ou gravação dos clichês que serão usados na flexografia. A arte final da embalagem passa por um processo de tratamento de imagens e separação de cores sendo que, para cada uma delas é gravado um cilindro ou um clichê; o Impressão é a etapa de transferência das imagens dos clichês ou cilindros para o substrato (BOPP) que se deseja imprimir. Os dois processos mais comuns são: o rotogravura: é do tipo rotativo e utiliza cilindro gravado em baixo relevo (alvéolos). Este cilindro está parcialmente submerso num tanque com tinta que enche os alvéolos. O excesso é eliminado por uma faca, (em inglês, “doctor blade”). Após a impressão de cada uma das cores, o filme impresso passa por um processo de secagem em estufas aquecidas; o flexografia: é do tipo rotativo e utiliza clichês (fotopolímeros) gravados em alto relevo. Um cilindro parcialmente submerso num tanque com tinta transfere uma fina camada dessa tinta para o clichê que, por sua vez, imprime no substrato. o Laminação: quando um material sozinho não satisfaz todos os requerimentos de proteção para um determinado produto, ele pode ser combinado com outros 34 através do processo de laminação, definida como a união de um ou mais substratos plásticos e pode ser feita com base solvente e sem solvente9. O equipamento para laminar os substratos sem solvente não possui túnel de secagem e o adesivo é 100% sólido. No processo de laminação base solvente um adesivo especial poliuretânico é aplicado na parte interna de um dos substratos, que passará pela estufa para evaporação dos solventes. Em seguida, vai para uma calandra aquecida que prensa o filme empregando o adesivo contra o filme de apoio, laminando a estrutura. É importante que o processo de laminação tenha a temperatura controlada para que haja volatilização dos compostos químicos e não haja migração dos mesmos na embalagem. Isso porque, há regulamentações governamentais sob o percentual de resíduos químicos dos adesivos e solventes residuais nas embalagens de alimentos (DRISCROLL & PATERSON, 1999). Há cinco fatores que afetam a adesão entre as camadas laminadas: viscosidade do adesivo, temperatura, pressão, período de contacto entre as camadas e funcionalidade entre as resinas adjacentes das camadas. o Corte e refile: é o corte da bobina “mãe” seguindo as dimensões especificadas pelo usuário final, e seu alinhamento eletrônico por um cabeçote fotoelétrico. Esta etapa permite que o material convertido se torne apto ao uso em máquinas verticais. 9 Esse processo é também conhecido como Solventless, do inglês, que significa sem solvente 35 2.1.7 Outras Considerações Atualmente, o filme de polipropileno biorientado, é a melhor opção em custo para uso em embalagens flexíveis de salgadinhos fritos. Isso se deve à alta demanda do mercado pelo filme. O material de embalagem laminado com dois filmes de BOPP (transparente e metalizado) que será usado como objeto deste estudo, proporciona um benefício de proteção à umidade e oxigênio à batata frita industrializada em toda a cadeia, desde a produção até a distribuição. A Tabela 6 apresenta um comparativo de TPVA e TPO2 dos diferentes substratos que estão disponíveis para aplicação em embalagens flexíveis. TABELA 6 - COMPARAÇÃO DE BARREIRA COM OUTROS SUBSTRATOS EM FILMES DE 25 µ FILME TPO2 (cm3/m2.dia) 23ºC, 0% UR TPVA (g/m2.dia) 37,8ºC, 90% UR Polietileno de baixa densidade – PEBD Polietileno de alta densidade – PEAD BOPP Poliéster – Pet Poliamida biorientada – BOPA BOPP metalizado Poliéster metalizado Poliamida biorientada metalizada 6500 20 2500 8 2300 55 20 60 2 1 4 7 170 0.6 1 2.6 FONTE: ÁLVAREZ (2007). Apesar do material em questão não apresentar boa barreira ao oxigênio as principais barreiras a serem consideradas para o produto em questão são à umidade e à luz, pois como no interior da embalagem existe espaço livre com 21% deste gás, só faria sentido controlar a sua permeabilidade se o produto fosse acondicionado a vácuo. 36 2.2 MÁQUINAS DE EMPACOTAMENTO – VFFS O processo FFS pode ser vertical ou horizontal. O mais antigo e comum é o tipo vertical, normalmente utilizado para enchimento de pequenos volumes de produtos sólidos como salgadinhos, arroz, feijão e outros (AARON, 1997). As máquinas verticais utilizam materiais flexíveis tais como papel, filmes laminados com papel, filme ou alumínio, formando embalagens com o auxílio de um tubo formador com intervalos de termossoldagem regular na região vertical e horizontal superior e inferior. Segundo Paine (1990), as máquinas verticais produzem três tipos de embalagem: a) Almofada: apresentam termossoldagem vertical entre a camada selante do substrato interno10 ou sobreposta entre os substratos interno e externo11 além de termpsoldagens horizontal superior e inferior. O sistema de embalagem tipo almofada formada em máquinas verticais é um dos mais econômicos e populares tipos de embalagem existentes, é favorecido pelo uso de materiais flexíveis comuns e com custos reduzidos; b) Quatro soldas: apresentam quatro termossoldagens que fecham a embalagem nos quatro lados; c) Tira picotada: exposição no ponto de venda de embalagens unidas por um picote que separa cada unidade individual de consumo. Os equipamentos que serão utilizados nesse estudo formam embalagens do tipo almofada. 10 11 Finseal, do inglês, selagem vertical interno x interno Overlap do inglês, selagem vertical interno x externo 37 2.2.1 Fabricantes Dentre os fabricantes de máquinas verticais utilizadas para encher e formar embalagens de salgadinhos, destacam-se os seguintes: a) TNA, multinacional australiana, com a fábrica localizada em Melbourne, mantém desenvolvimentos em diversos países no mundo. TNA Robag é um dos modelos de máquinas de enchimento do tipo form – fill –seal produzidos pela TNA, suas vantagens são: excelente performance à alta velocidade, fácil troca de formatos de embalagens e tipo de produtos e facilidade de operação (TNA, 2007); b) Rovema, multinacional com fábricas na Alemanha, Espanha e Estados Unidos. As máquinas verticais que têm em seu portfólio são capazes de encher e formar embalagens nos formatos: - almofada, fundo chato simples e com três ou quatro termossoldagens e stand-up pouch. Dentre os modelos que se encontram no portfólio está o VPK-260 (ROVEMA, 2007); c) Masipack, multinacional de origem brasileira, é líder no mercado latinoamericano no setor de equipamentos para enchimento. Possuem filiais nos Estados Unidos, México e Argentina. Atualmente, possui 12 diferentes tipos de máquinas VFFS, porém, a mais usada pela Pepsico do Brasil Ltda, para o enchimento de salgadinhos (exceto batatas fritas) é a do modelo Ultra VS, capaz de formar embalagens tipo almofada, fundo chato, quatro e cinco termossoldagens. (MASIPACK, 2007); d) Fabrima, Conglomerado do Grupo Oystar The Process & Packaging Group. A Fabrima, bem como todas as empresas do Grupo The Packaging foram adquiridas pelo grupo de investimentos Alemão Odewald & Compagnie desde 20/04/07 e a partir de 1º de agosto todas as empresas do grupo denominam-se Oystar The Process & Packaging Group. Reúne mais de 20 empresas. Os 38 formatos de embalagens possíveis de serem formados nas máquinas verticais que possui em seu portfólio são: pouch com cinco termossoldagens, formato tetraedro, fundo chato e almofada, e o melhor modelo de máquina vertical disponível é o Flexibag Bi/Bc. (OYSTAR FARBRIMA, 2007); e) UVA, especializada em máquinas verticais, está localizada em Eindhoven, na Alemanha, e desde 1980 possui instalações industriais em Richmond – Virgínia nos Estados Unidos. A máquina de enchimento vertical mais recente e mais moderna que está em seu portfólio atualmente é a Newton, que é capaz de encher e formar embalagens do tipo almofada, fundo chato no fundo e topo, doy shape, pouches com três e quatro termossoldagens e aplicação de refecho auto-adesivo. (UVA PACKAGING, 2007); f) Bosch, sediada em Waiblingen, na Alemanha. A divisão de embalagens, denominada Robert Bosch GmbH, conta com 27 plantas no mundo. Possui dois modelos de máquinas verticais disponíveis para uso em indústrias de salgadinhos, e as mesmas são capazes de formar diferentes formatos de embalagem, tais como tipo almofada, fundo chato, stand-up pouch e embalagens com quatro termossoldagens (SIGPACKBOSCH, 2007). Neste trabalho será usado equipamento de enchimento da marca Bosch - SVE 1800MR, pelo fato de ser o único modelo de máquina disponível na linha de batatas fritas da Pepsico do Brasil Ltda, que é líder de mercado neste segmento. A expectativa é que os resultados obtidos do estudo em questão com o uso deste equipamento da marca Bosch possam ser replicados para outras marcas de máquinas VFFS que tenham sistema intermitente para formação e enchimento das embalagens. 39 2.2.2 Princípios de funcionamento O princípio de funcionamento de uma máquina VFFS, modelo Bosch, ilustrada na Figura 9, e que será usada para formação de embalagens do tipo almofada, objeto de análise deste trabalho, é o seguinte: a) o material de embalagem é tracionado por correias de arraste a partir de uma bobina e é conduzido por diferentes roletes guias até o tubo formador. O filme envolve o tubo de alimentação do produto, onde é termossoldado longitudinalmente; b) depois da termossoldagem vertical o mordente transversal faz a termossoldagem inferior, o produto cai na embalagem após a pesagem feita por balanças alimentadoras e, em seguida, ocorre o movimento do filme para baixo, numa distância equivalente a um passo de fotocélula. Imediatamente após esse movimento ocorre a termossoldagem superior, que é simultânea à inferior da próxima embalagem a se formar. No momento da termossoldagem ocorre o corte, ou separação das embalagens, através de um mecanismo integrado aos mordentes transversais; c) o passo de fotocélula é equivalente à altura da embalagem final. É assim denominado, pois é a leitura da marca de fotocélula impressa na embalagem, feita por um fotossensor, que indica o momento da parada do filme para ocorrer o corte e a termossoldagem horizontal. Cada embalagem tem o seu passo de fotocélula dimensionado para acondicionar um tipo de produto em função do seu peso e sua densidade. Cada tipo de produto tem o seu tempo de queda, que determinará a velocidade do empacotamento. 40 Tubo Formador Correias de arraste Mordente Vertical Mordente Horizontal Traseiro Mordente Horizontal Dianteiro FIGURA 9 – MÁQUINA DE EMPACOTAMENTO VERTICAL FONTE: http://pa.bosch.com/brasil/ptg/69454.asp A operação de uma máquina de empacotamento é considerada a etapa crítica do processo de fabricação de um produto, porque é o último momento para verificar a sua qualidade. Visando facilitar a interpretação dos resultados, alguns detalhes técnicos do tubo formador, correias de arraste e mordentes são apresentados nos subitens que se seguem. 2.2.2.1 Tubo formador Segundo Behara e Guerin (1996) o tubo formador é constituído de duas peças metálicas, o tubo e o colarinho, que atua como guia para entrada do filme no equipamento. O colarinho pode ser fabricado em diversos tamanhos e nos formatos, 41 quadrado, circular e elíptico, podendo ser aplicado em máquinas horizontais e verticais. São fabricados em aço inoxidável com recobrimento de cromo duro, que conferem dureza e deslizamento excepcionais. Como é uma peça fabricada a pedido do cliente o colarinho também é desenhado para que a termossoldagem vertical seja feita de acordo com o material e com o formato da embalagem, ou seja: à esquerda, à direita ou centralizada, finseal e overlap (Figura 10). 2 1 1 FIGURA 10 – COLARINHOS. FONTE: www.carlini.com.ar Ilustrações 1: termossoldagem vertical finseal centralizada. Ilustração 2: termossoldagem vertical overlap centralizada. As quatro principais funções do tubo formador são: dar ao filme forma cilíndrica, ser a base para o mordente vertical efetuar a termossoldagem, ser a base para as correias de arraste tracionarem o filme e ser o meio para que o produto chegue à bolsa. 2.2.2.2 Correias de arraste As correias de arraste são as responsáveis pela “puxada” do filme. Elas são apropriadas para esta finalidade e são acionadas por um redutor de dupla saída. 42 2.2.2.3 Mordentes Os mordentes são responsáveis pelo fechamento (termossoldagem) das embalagens, para que cumpram com o papel de proteção. Nas máquinas verticais há dois mordentes: o Mordente horizontal: Baldini (2009) afirma que existem vários tipos de mordentes horizontais, podendo ter diferentes tamanhos e perfis, definidos de acordo com o material de embalagem utilizado, a necessidade de hermeticidade e resistência mecânica da embalagem para proteção do produto de forma eficaz. • Mordente horizontal de aquecimento: consiste em um corpo metálico maciço com furos longitudinais, onde é colocado uma resistência e um termopar. Permanece aquecido e com temperatura controlada. Este sistema é usado para maioria das embalagens, entretanto, o seu perfil deve ser adequado para cada tipo de estrutura. Estrias horizontais (Figura 11): recomendado uso para estruturas de embalagens monocamadas ou laminadas. FIGURA 11 – MORDENTE HORIZONTAL DE AQUECIMENTO COM ESTRIAS HORIZONTAIS FONTE: BALDINI (2009) Estrias verticais (Figura 12): apresenta as mesmas características do mordente com estrias horizontais, porém as 43 estrias verticais permitem maior eficiência de termossoldagem de estruturas de polipropileno laminado ou monocamada. FIGURA 12 – MORDENTE HORIZONTAL DE AQUECIMENTO COM ESTRIAS VERTICAIS FONTE: BALDINI (2009) Estrias diagonais (Figura 13): permitem maior eficiência de resistência mecânica em embalagens que utilizam sistema de gancheira12,por exemplo; FIGURA 13 – MORDENTE HORIZONTAL DE AQUECIMENTO COM ESTRIAS DIAGONAIS FONTE: BALDINI (2009) Liso (Figura 14): mais estreito, logo proporciona uma termossoldagem com área menor e fusão mais rápida. 12 Gancheira – corte realizado por acessório do mordente horizontal que facilita a execução do prontudo no ponto de venda. 44 Recomendado uso para materiais mais elásticos e sensíveis ao aquecimento como, por exemplo, polietileno. FIGURA 14 – MORDENTE HORIZONTAL DE AQUECIMENTO LISO FONTE: BALDINI (2009) o Mordente horizontal de impulso (Figura 15): consiste em um corpo metálico maciço, que contém um eletrodo de NiCr em todo o seu perfil, este eletrodo recebe a proteção de uma fita Armalon para que não entre em contacto direto com o mordente nem com o filme. O eletrodo de NiCr, recebe impulsos elétricos cíclicos para que aqueça e permita a termossoldagem da embalagem. o FIGURA 15 – MORDENTE HORIZONTAL DE IMPULSO FONTE: BALDINI (2009) 45 Os perfis dos mordentes podem compensar problemas de ajuste de máquina, transferência de calor e distribuição de pressão heterogênea (MÜNDERLEIN & HOFMANN, 1981apud OLIVEIRA, 1995), Para a embalagem atualmente em uso para as batatas fritas industrializadas é recomendado o uso de mordentes de barras aquecidas com perfis específicos. Estabelecer esse perfil será um dos resultados do presente trabalho. o Mordente vertical (Figura 16): responsável pelo fechamento cilíndrico da embalagem quando o material reveste o tubo formador. FIGURA 16 – MORDENTE VERTICAL. FONTE: www.envasa.com,br/principal.htm 2.2.3 Termossoldagem A termossoldagem é a junção, pelo calor, de duas superfícies de materiais de modo a conferir formato e assegurar a hermeticidade da embalagem. Ela só se concretiza após a solidificação da estrutura, que ocorre durante a etapa de resfriamento. O processo de termossoldagem para embalagens flexíveis, pode ser realizado por: 46 a) Mordentes de barras aquecidas: duas barras metálicas maciças são mantidas a uma temperatura constante, pré-determinada durante todo o ciclo de termossoldagem. Quando essas barras são pressionadas pneumaticamente, uma na direção da outra, tem-se um fluxo contínuo de calor exterior para o interior da região de fechamento, que ocasiona a fusão do material e proporciona a termossoldagem (BROWN & KEEGAN, 1973; DOWNES, 1984). Este sistema é geralmente usado em máquina de enchimento vertical automática. O ponto crítico do processo de termossoldagem é manter as duas barras metálicas planas com superfície homogênea o bastante para garantir perfeito contato entre si e, consequentemente, entre os materiais a serem fundidos (YOUNG,1985). Por isso é necessário definir o perfil ideal de mordente. Nas máquinas verticais para o empacotamento de salgadinhos, utilizam-se mordentes de barras aquecidas, devido ao fato de se tratar de equipamentos automáticos com sistema de mordentes pneumáticos que formam, enchem e fecham as embalagens. b) Mordente por impulso elétrico: barras metálicas maciças que contém eletrodo de NiCr, que recebe impulsos elétricos (BALDINI, 2009). Quando essas se fecham sobre o material a ser selado, aplica-se, por um período de tempo pré-estabelecido, uma diferença de potencial que causa uma corrente elétrica através da resistência aquecendo-a. Este calor é transferido ao material plástico que se funde, promovendo a termossoldagem e o fechamento da embalagem. 47 2.2.3.1 Tipos de abertura O passo seguinte a considerar são os dois tipos de abertura da embalagem para utilização do seu conteúdo pelo consumidor: a) Abertura fácil b) Abertura difícil. A abertura fácil é encontrada em embalagens de produtos alimentícios onde o consumidor busca conveniência, como é o caso dos salgadinhos. Trata-se de uma termossoldagem temporária (BROWN & KEEGAN, 1973). Segundo Sugiyama & Itoh (1986) existem três mecanismos de fácil abertura que podem ser utilizados em embalagens flexíveis, esquematizados na Figura 17: a) Esfoliação das superfícies: caracteriza-se pela separação de duas camadas selantes, como no caso das embalagens flexíveis de salgadinho; b) Esfoliação das camadas: caracteriza-se por delaminação da camada selante do corpo rígido de uma embalagem ao se aplicar força para abertura como nos potes de iogurte. c) Esfoliação coesiva: caracteriza-se por falha dentro da camada resultante da fusão das duas camadas internas. A’ B A Esfoliação das superfícies A’ A A Esfoliação das camadas Onde: A e B – camadas internas FIGURA 17 – ESQUEMA DE TIPOS DE ABERTURA DE EMBALAGENS FLEXÍVEIS FONTE: SUGIYAMA & ITOH (1986) Esfoliação Esfoliação coesiva por coesiva 48 Já a abertura difícil é utilizada quando o produto a ser envasado ou o material utilizado, ou o equipamento de envase ou o sistema de distribuição do produto exigem elevada resistência mecânica, como nas embalagens flexíveis autoclavadas. Em geral, para abertura deste tipo de termossoldagem é necessário um instrumento cortante. 2.2.3.2 Elementos da termossoldagem A operação de termossoldagem deve ser monitorada pelos indicadores temperatura (aquecimento), pressão, tempo e resfriamento. Temperatura e pressão são aplicadas através dos mordentes para induzir a fusão dos materiais. Para que se mantenham uniformes durante o processo será necessário que o perfil dos mordentes seja cuidadosamente projetado evitando a deflexão do material. Caso não sejam, é provável que a qualidade da termossoldagem não seja homogênea e sua resistência à tração seja comprometida, pois os termopares neles instalados monitoram apenas a temperatura pontual. O ciclo de termossoldagem compreende as seguintes etapas: • aquecimento do mordente até a temperatura ideal para amolecimento do material; • fechamento dos mordentes com pressão controlada e por um intervalo de tempo pré-definido; • resfriamento dos mordentes até temperatura pré-estabelecida, mantendo a pressão constante; • abertura dos mordentes para liberar a embalagem. 49 Em processos automatizados a duração dos ciclos de aquecimento e de resfriamento é definida de acordo com o tipo de material e velocidade da linha de produção. O desenho do mordente é outro elemento importante para um bom desempenho de termossoldagem, pois pode minimizar o tempo total da fusão do material e aumentar a produtividade. O material usado na sua fabricação deve ser delgado com um mínimo de massa para ser aquecido e resfriado rapidamente, geralmente usa-se alumínio devido à excelente propriedade de condutividade térmica. Os mordentes devem estar planos e alinhados para garantir contacto uniforme de pressão e temperatura na face de selagem. É muito importante que a pressão, a temperatura e tempo sejam cuidadosamente sincronizados, assim como apresentado na Figura 18. 1 2 3 4 5 6 FASE 1 A pressão está desligada, temperatura está baixa e o mordente está aberto. FASE PRESSÃO FASE 2 A pressão está ligada, temperatura aumetando conforme definida e mordente está fechando. LIGADO A DESLIGADO DESLIGADO FASE 3 A pressão está controlada, a temperatura está conforme definida e os mordentes se fecham por completo. TEMP. SET POINT B FASE 4 A pressão está controlada, o calor está sendo transferido para o material e o material está selando, os mordentes estão fechados. COOLING FASE 5 A pressão está desligada, barras de selagem estão resfriando e os mordentes estão fechados. AÇÃO DO MORDENTE C ABERTO ABERTO FECHANDO ABRINDO FASE 6 A pressão está desligada, a temperatura das barras continua fria e os mordentes estão abrindo. FECHADO FIGURA 18 – ESQUEMA DE ABERTURA E FECHAMENTO DO MORDENTE HORIZONTAL. FONTE: www.toolsheatseal.com 50 2.3 DESEMPENHO DO FILME DE POLIPROPILENO BIORIENTADO EM MÁQUINA VERTICAL NA INDÚSTRIA DE SALGADINHOS Conhecidos o filme de BOPP e os equipamentos, cumpre discutir as possíveis interações, visando desenhar o cenário no qual será desenvolvido o trabalho. Antes, porém, cabe apresentar um breve resumo sobre o processo industrial para fabricação de batatas fritas da Pepsico do Brasil Ltda, conforme apresentado na Figura 19. 51 Batata in natura Lavagem Descasque e Fatiador Fritura Aromatização Balanças dosadoras Filme plástico flexível Colarinho Empacotamento primário Tubo formador Termossoldagem vertical Termossoldagem Horizontal Superior e Inferior Esteira transportadora Mesa giratória Acondicionamento em caixas de papelão Paletização Centro de distribuição Carretas tipo baú Filiais de distribuição Vendas Varejo Vendas do Canal Organizado FIGURA 19 – FLUXOGRAMA DE FABRICAÇÃO DE BATATA CHIPS FONTE: MATZ (1984) 52 2.3.1 Batata frita A industrialização de batatas frita compreende, de forma resumida, as seguintes etapas: a) Seleção da matéria-prima: a batata utilizada pela Elma Chips em larga escala (1500Kg/h), caracteriza-se por ter alto percentual de sólidos, casca fina e dimensões relativamente uniformes; b) Descasque Harrignton e Shaw (1967), apud Matz, (1984) as batatas são lavadas em água corrente, transportadas por esteiras com aberturas para drenagem e inspeção de qualidade e, em seguida, descascadas por abrasão contra discos afiados. As cascas são excluídas do processo através de água. A importante característica deste sistema é a mínima perda de peso bruto da matéria-prima. c) Fatiador: As batatas descascadas são fatiadas em um fatiador rotativo através de força centrífuga. Segundo Matz (1984) é muito importante a uniformidade na espessura das fatias, pois é este parâmetro que irá conferir a uniformidade na coloração dos chips de batatas frita. Se houver rupturas das células da batata devido aos rasgos das fatias ocorrerá perda excessiva de solúveis e, conseqüentemente, alta absorção de óleo. As fatias são lavadas com jatos de água para exclusão do amido, passam por secadores centrífugos de onde saem secas, o suficiente, para redução no tempo de fritura e cozimento. d) Fritador: as fatias secas são conduzidas por esteiras imersas em óleo para fritura. Os elementos essenciais no processo de fritura são: • Tanque de óleo aquecido para cozimento das fatias; • Meio de circulação e aquecimento do óleo; 53 • Filtro para remover as partículas do óleo; • A esteira que transporta as fatias de batata para fora do tanque de fritura; • Reservatório para aquecimento do óleo, que é aquecido antes da dosagem no tanque de fritura; • Retirada do vapor formado acima do fritador (MATZ, 1984). As duas principais funções do óleo de fritura são: servir de transferência de calor para as fatias de batata e ser um ingrediente para finalizar o produto (KING et al., 1936, apud MATZ, 1984). É importante o uso de óleos altamente refinados para proporcionar estabilidade e sabor aos chips. Sabor, textura e aparência é função da percentagem de absorção de óleo pelas fatias. A temperatura do óleo para fritura varia entre 177 a 190ºC. As fatias de batatas após a fritura têm de 35-40% de gordura. Os fatores que mais afetam a absorção de óleo nas fatias são: conteúdo de sólidos no tubérculo; temperatura do óleo de fritura; tempo de residência na fritura; e espessura das fatias. e) Aromatização: as fatias de batatas frita são aromatizadas ou, simplesmente salgadas logo após a saída do fritador, quando a gordura ainda está líquida e permite melhor aderência do aroma em pó ou sal. f) Enchimento: após aromatização, as fatias são transportadas por esteiras para resfriamento e posterior enchimento das embalagens. Para conservar a qualidade do produto até o consumidor é necessária a escolha correta do material de embalagem que é dependente dos seguintes fatores: natureza do produto, parâmetros mercadológicos e sistema de distribuição do produto. O material de embalagem selecionado terá tanta influência quanto o sistema de selagem empregado (BEHARA & GUERIN, 1996). 54 2.3.1.1 Qualidade Man (2000), diz que em geral os fatores que podem influenciar o shelf-life de alimentos são: a) Intrínsecos: matérias-primas, produtos usados na formulação/ composição, pH e potencial de oxi-redução. b) Extrínsecos: processamento, higiene, sistema e materiais de embalagem, sistema de distribuição e exposição nos pontos de venda. Para salgadinhos fritos os fatores que devem ter maior atenção para obtenção de produto com qualidade são: a) Óleo: deve apresentar resistência química à oxidação e polimerização até 180ºC, estabilidade de cor, pureza, características nutricionais e estabilidade prolongada da gordura durante a exposição na área das fatias da batata; b) Aroma: deve estar de acordo com o perfil de sabor aprovado em pesquisa quantitativa de conceito e produto com os consumidores; c) Processo: deve ser determinada a temperatura máxima de fritura para prevenir a degradação do óleo. A limpeza deve ser apropriada a fim de minimizar os riscos de contaminação pelos produtos usados através de equipamentos ou materiais dos mesmos; d) Material de embalagem: para que os salgadinhos tenham qualidade durante a distribuição ao mercado é necessário que a embalagem apresente barreira à umidade, barreira à luz (densidade óptica) e integridade na termossoldagem. 55 2.3.2 Empacotamento primário Especificado o material de embalagem para que o mesmo exerça a função de proteção às batatas fritas, ocorre o empacotamento em máquinas verticais, que são ajustadas para formar as embalagens do tipo almofada. O controle da temperatura para a termossoldagem do filme laminado à base de polipropileno biorientado, nas três barras de termossoldagem (vertical, horizontal traseira e horizontal dianteira) deve ser preciso, pois o intervalo de temperatura deste tipo de material varia em média +/-10ºC. A produtividade do empacotamento primário está ligada diretamente à velocidade da máquina, tempo necessário para início do processo e perdas durante o empacotamento. Antes de iniciar o empacotamento é necessário revisar os principais pontos críticos de controle, tais como: a) Termopares de controle das barras de termossoldagem: verificar se está instalado e funcionando, possibilitando dissipar de forma homogênea o calor aplicado em toda a extensão das áreas de termossoldagem, evitando assim, micro vazamentos e termossoldagens queimadas; b) Alinhamento das barras de termossoldagem horizontal: as barras de termossoldagem devem estar alinhadas para que a pressão aplicada em toda a largura da embalagem seja uniforme resultando em termossoldagens íntegras; c) Limpeza dos colarinhos e tubos formadores: ambos devem estar livres de materiais estranhos nas áreas de contato com o material flexível para prevenir contaminantes no corpo da embalagem ou ranhuras que possam ocasionar perda na barreira do material. d) Velocidade de empacotamento: este parâmetro está totalmente ligado à temperatura de termossoldagem e tempo de contacto das barras aquecidas 56 com o material de embalagem. Qualquer irregularidade – excesso ou falta de calor – pode causar termossoldagens queimadas ou falsas, respectivamente. Se todos os cuidados acima forem verificados, a velocidade real ficará bem próxima ao valor nominal do equipamento (50 a 60 golpes / minuto) e as perdas de material de embalagem serão menores ou iguais a 1%. 2.3.2 1 Controle de qualidade da embalagem Para que a embalagem cumpra o seu verdadeiro papel no resultado final do produto, ou seja, proteger e preservar a qualidade proporcionando conveniência de consumo e apelo de vendas, é necessário que a mesma apresente: - termossoldagens íntegras, sem microfuros e com air fill13 dentro do especificado. A avaliação do material de embalagem deve considerar não somente as propriedades de proteção, mas também as propriedades que interferem o bom funcionamento do equipamento de enchimento e formação da embalagem (MATZ, 1984). O processo usado na Pepsico do Brasil Ltda para aprovação do material de embalagem usado para batatas frita segue respondendo às seguintes questões (PORNER,1974 apud MATZ, 1984): a) Desempenho do material de embalagem em máquina: (1) O deslizamento está correto? (2) As termossoldagens horizontais e verticais estão fortes o suficiente? (3) A 13 Air-fill do inglês, preenchimento de ar 57 faixa de temperatura de termossoldagem está muito ampla ou estreita? (4) O enchimento está na sua velocidade ótima? Para respostas a estas questões são realizadas análises visuais: - Qualidade visual da termossoldagem: fusão do material que deve manter-se intacta durante um aperto com ambas as mãos de 5 a 10 segundos; - Defeitos: termossoldagem com defeitos devido à má formação no momento da fusão do material; - Nível de ar interno: nível de ar que fica dentro das embalagens estudadas (150 x 220mm) já formadas varia de 50 a 60 mm; b) Análises em laboratório: (1) Coeficiente de atrito, (2) Força de termossoldagem, (3) Integridade do sistema de fechamento 2.3.2 2 Controle de qualidade do alimento Uma vez que as batatas frita estejam na embalagem, há três formas de rejeição do produto por parte dos consumidores: produto quebrado, absorção de umidade que leva à perda de crocância e oxidação que desenvolve sabor de ranço. (MATZ, 1984). Estes atributos são controlados ao longo do processo produtivo. A quebra do produto pode ocorrer devido ao manuseio excessivo do produto e/ou embalagens, este problema é prevenido e controlado através da quantidade de ar no interior da embalagem. 58 A perda de crocância é a modificação de textura sofrida pelos alimentos ao longo do seu tempo de prateleira. A água, devido ao seu efeito plasticizante, é um dos principais elementos responsáveis por esta alteração (LEITE, MURR & PARK, 2005). Durante a armazenagem, muitos alimentos trocam umidade com o ambiente, o que resulta em alterações estruturais como a transição vítrea entre o estado vítreo e gomoso. É essa a causa da perda de crocância de batatas frita após a abertura das embalagens, ou até devido a falhas na termossoldadem da mesma. Alimentos como batatas frita industrializadas precisam ter baixa atividade de água (Aw)14 para serem crocantes. Katz & Labuza (1981) estudaram a textura de alimentos crocantes correlacionando com a Aw, concluindo que existe uma Aw máxima, geralmente entre 0,35-0,50, a partir da qual o alimento começa a amolecer e deixa de ser agradável ao paladar. Se observado na Figura 20, as batatas frita encontram-se na região 2 como alimento firme, seco e flexível, porém são hidratados rapidamente em contacto com a saliva para facilitar a mastigação. 14 AW – do inglês, water activity (atividade de água): água disponível para crescimento microbiano e reações que possam deteriorar o alimento. 59 FIGURA 20 – TEXTURA DE ALIMENTOS EM FUNÇÃO DA ATIVIDADE DE ÁGUA (Aw) FONTE: ADAPTADO DE BOURNE (1987) A determinação das propriedades de estado em alimentos, em função da temperatura e da concentração de água, fornece informações valiosas no estabelecimento da formulação, processamento, embalagem e estocagem, para que seja evitada a mudança de fase (vítreo-gomoso), mantendo o alimento de forma desejada para o consumo pelo maior tempo possível (ROOS & KAREL, 1991a). A embalagem de batatas frita industrializadas deve protegê-las da perda ou ganho de umidade, rancificação da gordura devido a presença de luz, ao contacto do produto com o oxigênio e quebra das fatias, devido à falta de ar no interior da embalagem que atua como amortecedor de impactos. A entrada de luz é evitada através do uso de material opaco ou metalizado (FULLER et al., 1971 apud MATZ, 1984). Isso porque, o comprimento de onda ultravioleta na faixa 60 de 290 – 400 nm aceleram o processo de oxidação e a rancificação do produto. (EMBLEM, 2000). A permeabilidade da embalagem pode ser calculada baseada no tempo de vida de prateleira que se deseja. A Figura 21 apresenta um resultado real de estudo de shelf-life feito com batatas frita da Pepsico do Brasil Ltda, junto aos consumidores, que rejeitaram o produto com 3% de umidade. A baixa taxa de permeabilidade ao vapor de água do material de embalagem minimiza a absorção de umidade pelo produto. Para Sarantópoulus et al. (2001), quando a umidade nas fatias de batatas fritas ultrapassa 3% a crocância do produto estará comprometida, como mostrado também na Figura 21. Essa perda pode ser explicada pela influência da água na matriz amido / proteína, plastificando-a e reduzindo a resistência mecânica do produto. Perda de crocância FIGURA 21 – RESULTADOS DE UMIDADE DE BATATAS CHIPS EM EMBALAGENS DE BOPP/BOPP MET DURANTE 10 SEMANAS. FONTE: SENSORY (2006) 61 O teor de umidade (g de água/ 100g de sólidos) é o grau que a água interage com os componentes químicos presentes e contribui para a textura do alimento (LABUZA, 1975). A força que promove as reações com água num alimento é proporcional ao potencial químico da água existente nele. A Aw num alimento pode ser variada ou controlada pelo processamento ou formulação. Desta forma, o principal fator na estabilidade de um alimento não é o teor de umidade e sim a disponibilidade de água para o crescimento de microrganismos e reações químicas. 62 3. MATERIAIS E MÉTODOS Para responder à questão central deste projeto foi necessário observar, estudar e compreender os elementos básicos da termossoldagem da embalagem de salgadinhos. Nos subitens que se seguem, serão descritos os filmes, as condições operacionais e os controles utilizados neste trabalho, que foi conduzido na planta da Pepsico do Brasil Ltda em Itu – SP. 3.1 MATERIAIS O material de embalagem, identificado abaixo como “atual”, é comum a todas as seis linhas de enchimento. Além dele, foram utilizados dois outros, identificados como Filme 2 e Filme 3. As suas estruturas são as seguintes: • Atual: BOPP transparente (20 µm) + tinta + adesivo + BOPP metalizado (20 µm) • Filme 2: BOPP transparente (25 µm) + tinta + adesivo + BOPP metalizado (20 µm) • Filme 3: BOPP transparente (30 µm) + tinta + adesivo + BOPP metalizado (20 µm) Convém esclarecer que assim como a opção atual os filmes “2” e “3” apresentados na Tabela 7 foram definidos e homologados pela Pepsico do Brasil Ltda, considerando materiais fabricados pela empresa Vitopel Ltda, com fábrica no Brasil. 63 TABELA 7 – ESPESSURAS, GRAMATURAS, TPO2 e TPVA DOS MATERIAIS DE BOPP/BOPP MET Parâmetro Espessura Total (µm) Filme Atual 40 Filme 2 45 Filme 3 50 Espessura Parcial (µm) CE – 20 CI – 20 CE – 25 CI – 20 CE – 30 CI – 20 Gramatura Total (g/m2) 36,4 41 45,8 Gramatura Parcial CE – 18,2 CI – 18,2 CE – 22,8 CI – 18,2 CE – 27,6 CI – 18,2 TPO2 (23ºC/ 0%UR) Máx 80cm3 O2/ m2.dia Máx 80cm3 O2/ m2.dia Máx 80cm3 O2/ m2.dia TPVA (38ºC/ 90%UR) Máx. 0,40g H2O/m2dia Máx. 0,40g H2O/m2dia Máx. 0,40g H2O/m2dia (g/m2) CE - Camada Externa CI – Camada Interna FONTE: www.vitopel.com/fichas_tecnicas_port_emb.asp A metalização das três opções de material apresentadas na Tabela 7 está localizada na face interna do polipropileno biorientado, ou seja, após a laminação ficará em contacto com o adesivo, estando protegida a camada que confere barreira à umidade e à luz. 3.2 EQUIPAMENTOS Atualmente na fábrica da Pepsico do Brasil Ltda em Itu-SP existem os seguintes equipamentos de enchimento vertical, cujas correias e mordentes operam com o sistema intermitente. • Masipack Discovery • Masipack Ultra 250 64 • Masipack Ultra 300 • Bosch SVE 1800 MR Para os testes deste trabalho foi utilizada a máquina Bosch SVE 1800 MR, pois este é o único modelo de equipamento de enchimento instalado na linha de produção de batatas fritas industrializadas da Pepsico do Brasil Ltda. O resultado obtido nesta máquina poderá ser facilmente aplicado nos demais modelos disponíveis na fábrica em questão. Apesar da semelhança nos equipamentos, são utilizados três diferentes perfis de mordentes horizontais que têm em comum apenas o comprimento de 200 mm e o material de fabricação – aço SAE-1045, com tratamento de níquel duro. A diferença dos perfis se dá na largura, passo entre as estrias e ângulos das estrias, como mostrado na Tabela 8 e ilustrado na Figura 22. TABELA 8 – PERFIL DOS MORDENTES Perfil Pa (mm) Α (º) L (mm) P (mm) M1 M2 M3 2,0 2,0 1,5 120 60 60 10 10 12 0,49 1,45 1,5 Pa – Passo entre as estrias α – Ângulo das estrias L – Largura do mordente P – Profundidade das estrias Pa P α L Pa – Passo entre as estrias α – Ângulo das estrias L – Largura do mordente P – Profundidade das estrias FIGURA 22 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE PERFIL DE MORDENTE. 65 3.2.1 Condições de operação do equipamento Para a realização dos testes foram adotadas três diferentes condições de temperatura e velocidade, as quais estão apresentadas na Tabela 9 e que são semelhantes às utilizadas pelos operadores das máquinas de enchimento da Pepsico do Brasil Ltda. TABELA 9 – PONTOS MÉDIOS DE TEMPERATURA versus TEMPO DE CONTACTO DOS MORDENTES Opção Temperatura (ºC) 1 2 3 T1=120 T2=140 T3=160 Velocidade (golpes/min) nominal V1=50 V2=60 V3=80 As embalagens utilizadas no teste tinham 150 mm de largura e 220 mm de passo de fotocélula, e continham 50g de batata frita da marca Ruffles. Essas embalagens, agrupadas em 40 unidades, foram acondicionadas em caixas de papelão ondulado (comprimento = 500 mm x largura = 340 mm x altura = 312 mm). Para o preparo das amostras a pressão de contacto dos mordentes foi mantida fixa em 40 lbf/pol2. Assim sendo, somente foram avaliadas as combinações de temperatura nominal e velocidade, as quais são dependentes do tempo de termossoldagem do equipamento. O alinhamento dos mordentes foi verificado de acordo com o método utilizado e recomendado pelo fabricante da máquina de empacotamento da marca Bosch (Figura 23). 66 MORDENTE PAPEL BRANCO CARBONO PAPEL BRANCO MORDENTE FIGURA 23: REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA PARA VERIFICAÇÃO DE ALINHAMENTO DOS MORDENTES Após a montagem do esquema apresentado na Figura 23 os mordentes são acionados manualmente provocando a marcação das estrias nos papéis brancos e possibilitando a avaliação da homogeneidade da pressão. A medida de temperatura ao longo dos mordentes é feita por termopares com comprimento de 75 mm colocados no início do mordente entre a resistência e as estrias sendo um para cada mordente horizontal. A temperatura nos mordentes foi monitorada através da leitura dos pirômetros da máquina e também com um controle externo (pistola de laser Roytec modelo Roynger ST20) em pontos extremos do mordente e no ponto central do mesmo, conforme ilustrado na Figura 24, antes da liberação da máquina para coleta do lote a ser avaliado. A B C FIGURA 24 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DOS PONTOS DE CONTROLE DE TEMPERATURA DO MORDENTE 67 3.3 METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO DAS EMBALAGENS As amostras de embalagem foram coletadas seguindo Norma ABNT NBR 5426 – Planos de Amostragem e Procedimentos na Inspeção por Atributos (1985). Para tanto, foram adotadas as seguintes definições: - Lote: conjunto de unidades de uma só espécie, produzido sob as mesmas condições e no mesmo período. Para este estudo foram consideradas 1600 embalagens de batatas frita industrializada da marca Ruffles, que correspondem a um pallet de produção, que foi produzido após a estabilização dos parâmetros de processo, definidos nas Tabelas 8 e 9 e de acordo com as etapas e respectivas combinações definidas no item 3.4 deste capítulo. - Amostra: unidades do produto retiradas de forma aleatória do lote a ser inspecionado, com o objetivo de fornecer informações, mediante inspeção, sobre a conformidade deste lote de acordo com as exigências especificadas. Neste trabalho, foi considerado o nível de inspeção II, que para o lote de 1600 embalagens, corresponde à letra K=125 embalagens. Foi escolhido este nível II por se tratar de um espaço amostral onde não é possível correr riscos e que não há histórico de qualidade. - Unidade: é o elemento (uma embalagem de batata frita) a ser inspecionado no sentido de ser classificado como defeituoso ou não. Para que haja um padrão na coleta das amostras, foi definido o seguinte plano (Figura 25): 68 25 embalagens em cada camada do pallet Total: 125 embalagens FIGURA 25 – ESQUEMA PARA COLETA DA AMOSTRA 3.3.1 Inspeção As inspeções que foram realizadas para responder à questão central deste trabalho tiveram foco na análise de integridade do sistema de fechamento de acordo com ASTM D3078-94,2001 e no nível de ar, que indicará imediatamente se a quantidade de ar especificado está se mantendo na embalagem. Os parâmetros de qualidade usados para liberação da Pepsico do Brasil Ltda seguem procedimentos internos desta empresa e são: - Qualidade visual de resistência da termossoldagem: O analista deverá apertar cada embalagem com as duas mãos conforme ilustrado na Figura 26 por 10 segundos e a termossoldagem deverá se manter intacta, ou seja, não poderá apresentar nenhum tipo de vazamento de ar (MACHADO, 2007). 69 FIGURA 26 – ANÁLISE VISUAL DE RESISTÊNCIA DE TERMOSSOLDAGEM - Defeitos: o analista deverá avaliar visualmente as termossoldagens das embalagens e verificar se as mesmas estão perfeitamente fundidas ou se há sobreposição do material nas regiões fundidas que resultem em dobras e ou rugas conforme ilustrado nas figuras 27 e 28 (MACHADO, 2007). FIGURA 27 – DOBRAS NA TERMOSSOLDAGEM FIGURA 28 – RUGAS NA TERMOSSOLDAGEM As dobras são formadas pelo desalinhamento dos mordentes ou quando o tempo de fechamento dos mesmos está desajustado com a queda do produto, ou seja, os mordentes se fecham para formar a termossoldagem horizontal inferior antes da queda do produto ou vice versa. Já as rugas têm como principal causa o aumento da temperatura dos mordentes efetuado pelo operador da máquina de enchimento, com a intenção de melhorar a integridade da termossoldagem. Após liberação da qualidade das embalagens pelo Departamento de Qualidade da Pepsico do Brasil Ltda, foi coletado o lote estabelecido para este estudo. 70 3.3.1.1 Integridade do sistema de fechamento De maneira geral, um fechamento é considerado íntegro quando assegura ao produto, no mínimo, a mesma proteção que é conferida pelo material da embalagem. O objetivo desta análise é garantir que as embalagens de batatas frita da marca Ruffles tenham seu fechamento íntegro e preservado mesmo depois de solicitações mecânicas que ocorrem durante o manuseio e transporte. O princípio básico desse ensaio destrutivo consiste na criação de um diferencial de pressão entre o interior e o exterior da embalagem e, caso haja vazamento, observase a formação de bolhas no lado de baixa pressão. A sensibilidade do método é dependente do diferencial de pressão, do gás utilizado e do líquido usado no ensaio como meio externo (ASTM D3078-94 2001) Para este ensaio foi usado um sistema composto de (Figura 29): - câmara de vácuo totalmente transparente com dimensões adequadas para imersão total da embalagem a ser ensaiada no líquido escolhido. - líquido de imersão – água + 1/3 de glicerina para reduzir a tensão superficial e promover o crescimento de bolhas. 71 FIGURA 29: CÂMARA DE VÁCUO PARA TESTE DE INTEGRIDADE DE TERMOSSOLDAGEM – ENSAIO DE BOLHAS A embalagem foi colocada dentro da câmara de vácuo, imersa no líquido (água+1/3 de glicerina). A pressão na câmara de vácuo foi reduzida e observado se havia formação de bolhas em um ou mais pontos da embalagem. O nível de vácuo foi mantido por 30 segundos a uma pressão de 570mmHg, logo após o vácuo foi quebrado e a embalagem examinada visualmente. Para esta análise serão avaliados seis pontos nas embalagens conforme ilustrado na Figura 30. 1 2 5 4 3 6 FIGURA 30 – ESQUEMA PARA IDENTIFICAÇÃO DE MICROFUROS Pontos 1, 3: cantos horizontais superiores. Pontos 4, 6: cantos horizontais inferiores. Ponto 2: intersecção entre a selagem vertical e horizontal superior. 72 Ponto 5: intersecção entre a selagem vertical e horizontal inferior. De acordo com incidência de microfuros nos pontos definidos na Figura 30 é importante atenção a: • Pontos 1 e 3: deve-se avaliar a pressão, tempo e temperatura dos mordentes horizontais; • Pontos 4 e 6: deve-se avaliar a pressão, tempo e temperatura dos mordentes horizontais; • Ponto 2: deve-se avaliar a pressão, tempo e temperatura dos mordentes vertical e horizontal; • Ponto 5: deve-se avaliar a pressão, tempo e temperatura dos mordentes vertical e horizontal Para cada uma das etapas que foram descritas no item 3.4 foram realizadas todas as análises descritas neste subitem. 3.3.1.2. Nível de ar interno (air fill) Matz (1984) recomenda o controle de ar no interior das embalagens de batatas fritas industrializadas para prevenção de quebras das fatias durante o acondicionamento em caixas de embarque e transporte. Neste estudo foi seguido o procedimento disponibilizado pela Pepsico do Brasil Ltda (MACHADO, 2007). Uma embalagem de cada vez foi colocada na posição horizontal no equipamento que mede o ar no interior da embalagem. Na Figura 31 está ilustrado um medidor de air fill 73 efetuando a medida da altura de ar na embalagem que ocorre através da barra vertical milimetrada. FIGURA 31 – MEDIÇÃO DE AIR FILL O nível de ar especificado pela Pepsico do Brasil Ltda para este tipo de produto e que serão usadas neste estudo é de 50 à 60 mm. Esse valor foi definido experimentalmente e garante proteção contra a quebra do produto durante a distribuição, que é percebida pelo consumidor, que tolera até 50% de fatias quebradas no interior da embalagem de 50g. As fatias de batatas frita quando realizado a análise de quebrados, classificam-se em: • Fatias Inteiras: Chips completos independente do tamanho, ou fatias com corte reto, liso proveniente da etapa de seleção/corte (Figura 32). FIGURA 32: FATIAS DE BATATAS FRITA INTEIRAS. 74 • Fatias parciais: Chips quebrados que possuem área superficial maior ou igual a 1,9cm x 1,9cm, conforme ilustrado na Figura 33. FIGURA 33: FATIAS DE BATATAS FRITA PARCIAIS. • Scraps: Qualquer chip incompleto (quebrado) menor que 1,9cm x 1,9cm conforme a Figura 34. FIGURA 34: SCRAPS DE FATIAS DE BATATAS FRITA. Se uma fatia tem uma extremidade reta resultada por um corte de faca da área de seleção de batata, será considerada uma 'fatia inteira'. Somente fatias com extremidades quebradas ou deformadas serão classificadas como parciais ou scraps. 75 3.4 ETAPAS As amostras para análise serão preparadas considerando as combinações para cada uma das etapas apresentadas a seguir. Etapa 1: Ajustar velocidade e temperatura de empacotamento para que as embalagens formadas não apresentem microfuros nas regiões de termossoldagem (Tabela 10). Para esta etapa, serão mantidos fixos os seguintes parâmetros: - Perfil de mordente: Passo= 2 mm/ Ângulo=120º/ Largura=10 mm e Profundidade=0,49 mm - Identificação do filme: Filme atual, 40 µm (Filme atual – tabela 7 desta dissertação). TABELA 10 – CONDIÇÕES OPERACIONAIS DO EQUIPAMENTO NA ETAPA 1 Temperatura (ºC) 120 140 160 Velocidade (pacotes / min.) 50 60 80 Caso as variáveis (temperatura de termossoldagem e velocidade de enchimento) testadas com os parâmetros atuais de filme e mordentes usados pela Pepsico do Brasil Ltda não resultassem na redução da incidência de microfuros para o máximo de 1% das amostras testadas, seria seguido o racional descrito na Etapa 2.considerando o histórico de resultados desta Etapa 1. Etapa 2: manter o perfil do mordente utilizado na Etapa 1 e testar duas alternativas de materiais com espessuras diferentes da atual (Tabela 11). 76 TABELA 11 – CONDIÇÕES OPERACIONAIS DO EQUIPAMENTO NA ETAPA 2 Identificação e espessura do filme F2, 45 µm F3, 50 µm F2, 45 µm F3, 50 µm F2, 45 µm F3, 50 µm Temperatura (ºC) Velocidade (pacotes / min) 120 120 140 140 160 160 50 50 60 60 80 80 Caso a combinação das variáveis (temperatura de termossoldagem, velocidade de enchimento e espessura de filme) da Etapa 2 não resultasse na redução da incidência de microfuros para o máximo de 1% das amostras testadas, seria seguido o racional descrito na Etapa 3, considerando o histórico das etapas anteriores. Etapa 3: avaliar dois outros perfis de mordente, descritos a seguir, para que as embalagens formadas não apresentem microfuros nas regiões de termossoldagem. As condições operacionais são mostradas na tabela 12. - Perfil de mordente 2: Passo= 2,0mm/ Ângulo=60º/ Largura=10mm e Profundidade= 1,45mm TABELA12 – CONDIÇÕES OPERACIONAIS DO EQUIPAMENTO NA ETAPA 3 Identificação e espessura do filme F1, 40 µm F2, 45 µm F3, 50 µm F1, 40 µm F2, 45 µm F3, 50 µm F1, 40 µm F2, 45 µm F3, 50 µm Velocidade (pacotes / min) 50 50 50 60 60 60 80 80 80 Temperatura (ºC) 120 120 120 140 140 140 160 160 160 Foi previsto que a interpretação dos resultados consideraria o histórico de resultados das três etapas. . 77 Caso a combinação das variáveis (temperatura de termossoldagem, velocidade de enchimento, espessura de filme e perfil de mordente 2) não resultasse na redução de incidência de microfuros para o máximo de 1% das amostras testadas, seria seguido o mesmo racional mas, considerando o mordente com o perfil 3 (Figura 35) que segue abaixo: - Perfil de mordente 3: Passo= 1, 5mm/ Ângulo=60º/ Largura=12 mm e Profundidade= 1,5 mm FIGURA 35 – LÓGICA DOS TESTES DA ETAPA 3 PARA OS PERFIS DE MORDENTES 2 OU 3. 78 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados do trabalho são apresentados seguindo a lógica demonstrada ao final do Capítulo 3 (Figura 35). 4.1 ETAPA 1 Para liberação da coleta do lote do teste referente à Etapa 1 foram avaliados o alinhamento dos mordentes horizontais de perfil 1 seguindo o esquema indicado na Figura 23 até a obtenção da máxima homogeneidade na pressão dos mordentes. O equipamento foi colocado em ritmo de produção para embalagens de 50g e o Departamento de Qualidade da Pepsico do Brasil Ltda precisou de 2 horas, em média, para realizar todas as análises visuais (item 3.3.1) de cada parâmetro (temperatura e velocidade) definido para esta etapa. Antes do início da coleta de cada lote amostral (1600 embalagens) foi feita uma medição da temperatura em cada um dos pontos pré-definidos dos mordentes horizontal dianteiro e traseiro (Figura 24), utilizando uma pistola de laser Roytec modelo Roynger ST20, para assegurar que não havia diferença entre a temperatura indicada no painel do equipamento de enchimento e a temperatura real em três pontos do comprimento total do mordente.. Os resultados dessas medições são apresentados na tabela 13. 79 TABELA13: TEMPERATURA AO LONGO DO PERFIL DOS MORDENTES HORIZONTAIS – M1 Mordentes Pontos pré-definidos Horizontal Dianteiro A B C A B C Horizontal Traseiro Média Mínimo Máximo Desvio Padrão 120ºC 122,70 113,10 121,30 119,00 116,50 120,20 118,80 113,10 122,70 3,50 Temperatura Real (ºC) 140ºC 160ºC 146,30 162,90 136,40 158,30 141,80 161,50 142,70 159,80 139,50 157,10 141,00 160,30 141,28 159,98 136,40 157,10 146,30 162,90 3,30 2,10 O monitoramento ao longo do comprimento do perfil dos mordentes horizontal dianteiro e traseiro apresentados na tabela 13 mostrou que há variação entre o valor de temperatura do painel da máquina de enchimento e a realidade das temperaturas médias encontradas. Desvio padrão variando entre 2,10 à 3,50 dependendo da temperatura. Além disso, foi detectado que no centro dos mordentes as temperaturas são inferiores às extremidades do mesmo. Tal fato ocorre porque uma das extremidades do mordente dianteiro e traseiro é o local de instalação dos termopares que têm apenas 75 mm de comprimento cada. Essa variação é considerada normal pelo fabricante do equipamento. Os resultados obtidos nesta Etapa 1 são apresentados na Tabela 14. TABELA14: RESULTADOS DA ETAPA 1 Condição (ºC/ pacotes/min/ µm) 120/50/40 140/60/40 160/80/40 Air Fill (mm) Incidência de microfuros Méd. Máx Mín D.Pad P1 P2 P3 P4 P5 P6 51 50 49 57 56 54 39 36 39 3,5 2,6 2,2 4 3 4 7 9 13 1 2 3 5 4 2 8 13 12 3 4 7 Air fill especificado: 50 – 60mm. Microfuros máximo tolerado 1%. Total Embalagens com microfuros Unid = (%) 14 = 11% 19 = 15% 29 = 23% 80 O nível médio de ar interno encontrado estava no mínimo especificado e para uma das condições abaixo do mínimo especificado e, além disso, foi encontrada alta incidência de microfuros não só no % de embalagens versus o total da amostra, mas também nos pontos pré-definidos na figura 30. Avaliando as incidências de microfuros encontradas por ponto, o resultado apesar de alto foi coerente uma vez que a maior quantidade está na união da termossoldagem horizontal e vertical (pontos 2 e 5) que é onde está a maior espessura de material de toda a largura da embalagem. Este fato é comum de ser obtido devido ao fato da pressão no comprimento total do mordente ser a mesma e a temperatura de ajuste também, ou seja, não há nenhum tipo de controle espcecial no equipamento de enchimento que considere o aumento de espessura de material a ser termossoldado na região central da largura da embalagem. Os resultados obtidos indicam que não foi atingido o nível desejado de microfuros, fato que tornou necessária a execução da Etapa 2. 4.2 ETAPA 2 Para liberação da coleta do lote do teste referente à Etapa 2 foi alterado o material de embalagem para o filme 2, descrito na tabela 7 e o equipamento foi colocado em regime industrial uma vez que não foi alterado o perfil do mordente. O Departamento de Qualidade da Pepsico do Brasil Ltda precisou de 2 horas, em média, para realizar todas as análises visuais (item 3.3.1) de cada parâmetro (temperatura, velocidade e espessura do material) definido para esta hipótese. 81 Neste caso não foi avaliada a variação entre a temperatura indicada no painel do equipamento de enchimento versus a temperatura real do mordente por se considerar que a variação já era conhecida e aprovada para operação usual. Os resultados obtidos nesta etapa, para o filme 2 são apresentados na tabela 15. TABELA15: RESULTADOS DA ETAPA 2 FILME 2 Condição (ºC/ pacotes/min/ µm) 120/50/45 140/60/45 160/80/45 Air Fill (mm) Incidência de microfuros Méd. Máx Mín D.Pad P1 P2 P3 P4 P5 P6 49 48 45 57 56 56 30 44 49 3,0 2,1 2,0 4 4 1 13 16 8 3 4 14 5 5 5 18 11 19 7 3 9 Total Embalagens com microfuros Unid = (%) 30= 24% 37= 30% 54= 43% Air fill especificado: 50 – 60mm. Microfuros máximo tolerado 1%. Neste caso nota-se que a média do nível de ar interno está fora da faixa especificada (50-60 mm) e inferior aos resultados obtidos na etapa anterior. Além disso, houve aumento considerável na incidência de microfuros em relação à Etapa 1. Em outras palavras, o padrão de operação não foi atingido . É provável que o aumento desta incidência ocorreu pelo aumento de espessura do material. Avaliando as incidências de microfuros encontradas por ponto o resultado foi alto também, mas, continua coerente uma vez que a maior quantidade está na união da termossoldagem horizontal e vertical (pontos 2 e 5) que é onde está a maior espessura de material de toda a largura da embalagem. Isto se dá pelo mesmo motivo já explicado na discussão dos resultados da Etapa 1. 82 Em seguida foi realizado o teste com o filme 3 após o equipamento ter sido colocado em regime industrial uma vez que não foi alterado o perfil do mordente. Os resultados são apresentados na tabela 16. TABELA16: RESULTADOS DA ETAPA 2 FILME 3 Condição (ºC/ pacotes/min/ µm) 120/50/50 140/60/50 160/80/50 Air Fill (mm) Incidência de microfuros Méd. Máx Mín D.Pad P1 P2 P3 P4 P5 P6 49 48 47 51 54 53 41 44 40 2,50 1,90 3,10 4 9 11 13 29 35 5 8 6 9 5 5 21 26 29 7 10 14 Total Embalagens com microfuros Unid = (%) 32= 26% 78= 62% 91= 73% Air fill especificado: 50 – 60mm. Microfuros máximo tolerado 1%. Analisando criteriosamente os resultados da tabela 16, observa-se que ocorreu um aumento ainda mais significativo na incidência de microfuros não só no percentual de embalagens defeituosas como também na incidência de microfuros avaliada nos pontos pré-definidos. Este considerável aumento de microfuros para o cenário da etapa 2 foi discutido com o fabricante de filme base (Vitope Ltda) e com o fabricante do equipamento de enchimento e as hipóteses levantadas para tais resultados foram: - fabricante de filme base: o racional de aumento total de espessura no filme convertido só faria sentido para redução de microfuros se a espessura da camada selante tivesse sido aumentada proporcionalmente. Isso porque, foi aumenta a espessura total para transferência de calor durante a termossoldagem , mas a camada selante do material coextrusado se manteve fixa em 1,5 micra. - fabricante do equipamento de enchimento: para o aumento da espessura total do material seria necessário revisar o sistema de mordentes: perfil e sistema de dissipação de calor uma vez que a transferência de calor precisaria ser mais rápida para atingir a mesma espessura de camada selante. 83 Desta forma, constatando o sensível aumento na incidência de microfuros resultantes do uso das duas alternativas de filmes (2 e 3), e sabendo que para este estudo não seriam aumentadas proporcionalmente a espessura da camada selante para os filmes mais espessos foi definida a não utilização dos mesmos na Etapa 3 4.3 ETAPA 3 Para liberação da coleta do lote do teste referente à Etapa 3 foram avaliados o alinhamento dos mordentes horizontais de perfil 2 seguindo o esquema indicado na Figura 23 até a obtenção da máxima homogeneidade na pressão dos mordentes. O equipamento foi colocado em ritmo de produção para embalagens de 50g conforme já havia sido realizado nas Etapas anteriores e liberado para coleta das amostras somente após liberação do Departamento de Qualidade da Pepsico do Brasil Ltda. Antes do início da coleta de cada lote amostral (1600 embalagens) foi feita uma medição em cada um dos pontos pré-definidos dos mordentes horizontal dianteiro e traseiro (Figura 24) para verificar se a influência dos termopares do novo mordente (M2) manteria a mesma variação entre os valores de temperatura indicados no painel do equipamento de enchimento e a temperatura real em três pontos do comprimento total do mordente. A medição foi feita com o mesmo aparelho usado na Etapa 1 pistola de laser Roytec modelo Roynger ST20. . Os resultados dessas medições são mostrados na tabela 17. 84 TABELA17: TEMPERATURA AO LONGO DO PERFIL DOS MORDENTES HORIZONTAIS – M2 Mordentes Pontos pré-definidos Horizontal Dianteiro A B C A B C Horizontal Traseiro Média Mínimo Máximo Desvio Padrão Temperatura Real (ºC) 140ºC 160ºC 141,10 159,80 137,00 157,90 139,50 161,20 143,80 160,00 139,00 156,40 140,30 161,70 140,12 159,50 137,00 156,40 143,80 161,70 2,28 2,01 120ºC 124,50 118,70 119,80 122,10 117,2 121,00 120,55 117,20 124,50 2,59 O monitoramento ao longo do comprimento do perfil dos mordentes horizontal dianteiro e traseiro (M2) apresentados na tabela 17 mostrou que há variação entre o valor de temperatura do painel da máquina de enchimento e a realidade das temperaturas médias encontradas. Desvio padrão variando entre 2,01 à 2,59 dependendo da temperatura. A mesma constatação já encontrada para o perfil de mordente M1 foi encontrada para o M2, ou seja, no centro do mordente a temperatura é inferior do que na lateral do mesmo. Assim como para o mordente M1 as variações encontradas foram consideradas normais pelo fabricante do equipamento. Desta forma, foi considerado que nas três temperaturas da Etapa 3 a termossoldagem operou dentro dos padrões usuais. Os resultados obtidos nesta etapa para o filme atual são apresentados na tabela 18. TABELA18: RESULTADOS DA ETAPA 3, FILME ATUAL, MORDENTE M2 Condição: M2 (ºC/ golp/min/ µ) 120/50/40 140/60/40 160/80/40 Méd. Máx Mín D.Pad P1 P2 P3 P4 P5 P6 Total Embalagens com microfuros Unid = (%) 58 53 50 60 59 56 50 47 40 3,3 2,9 2,3 0 3 1 1 6 11 0 1 0 0 0 6 1 4 8 0 2 5 2= 1% 14= 11% 23= 18% Air Fill (mm) Air fill especificado: 50 – 60mm. Microfuros máximo tolerado 1%. Incidência de microfuros 85 Os valores apresentados na tabela 18 mostram que a utilização de um novo perfil de mordente reduziu a incidência de microfuros ao nível desejado – máximo de 1% para a primeira condição avaliada – filme atual. Este resultado confirmou que o perfil do mordente deve ser definido em conjunto com o tipo de material que se deseja utilizar, bem como com a velocidade de enchimento e temperatura de termossoldagem, ou seja, aumento de espessura ou aumento de temperatura não podem ser considerados como parâmetros isolados para solução de problemas com integridade de termossoldagem. Entretanto, o que se observa é que a única embalagem que apresentou microfuros, os mesmos apareceram nos pontos 2 e 5 pré-definidos na figura 30. Tal fato leva a entender que a oportunidade para melhorar ainda mais a integridade das termossoldagens em máquinas de enchimento industrial seria a alteração da localização dos termopares para que o calor se dissipasse de uma maneira mais uniforme, pois no ponto mais crítico das embalagens tipo almofada (maior espessura, devido à união das termossoldagens horizontal e vertical) é aonde chega menos calor/ temperatura para ajudar na fusão do material. Esta constatação somente foi possível devido ao controle externo realizado com a pistola a laser em 3 pontos de cada um dos mordentes horizontais (dianteiro e traseiro). 86 5 CONCLUSÃO Considerando os resultados obtidos nas 3 etapas testadas, conclui-se que as condições de operação para máquina VFFS que permite a incidência de perdas dentro do limite tolerável de 1% é a seguinte: - Filme atual (40 µ), perfil de mordente M2 (Passo= 2,0 mm/ Ângulo=60º/ Largura= 10 mm e Profundidade= 1,45 mm), temperatura de termossoldagem igual a 120 ºC e velocidade de 50 pacotes / minuto. O racional deste estudo, realizado com embalagens laminadas compostas por dois filmes de BOPP (transparente + metalizado), poderá ser facilmente aplicável em sistemas de embalagens semelhantes, que use materiais laminados mesmo que diferentes dos utilizados neste trabalho e sistema de termossoldagem intermitentes. 87 6 SUGESTÕES Os resultados obtidos comprovaram que a maior incidência de microfuros ocorre na união das termossoldagens horizontal e vertical – região central do mordente, inclusive esta foi a única incidência de microfuros na condição operacional recomendada ao final deste estudo. Desta forma, acredita-se ser de grande importância a continuidade do estudo em pauta, repensando quanto ao local de instalação dos termopares do mordente a fim de que a dissipação de calor seja mais uniforme no comprimento total do mordente. Uma sugestão para este estudo seria aproveitá-lo para que a manutenção das resistências e termopares dos mordentes seja mais fácil e, consequentemente, demande menos tempo para execução, pois devido a esta dificuldade a operação industrial posterga esta atividade que certamente causa problemas de integridade no fechamento das embalagens formadas em máquina de enchimento vertical. 88 REFERÊNCIAS AARON, L. B.; KENETH, S. M. The Wiley encyclopedia of packaging technology. 2. ed. New York: Wiley, c1997. 1023 p. ACNIELSEN. Competitive analysis. Disponível em: <http://www.nielsenbusinessmedia.com/8_Nielsen-Business-Media-Brazil.html>. Acesso em: 13 jan. 2007. ANJOS, P. dos. Conversão de materiais de embalagem flexíveis. In: WORKSHOP DE EMBALAGENS PEPSICO DO BRASIL, 1., 2007, São Paulo. Slide 21. ÁLVAREZ, F. Processo de fabricação e aplicações de filmes de BOPP. In: WORKSHOP DE EMBALAGENS PEPSICO DO BRASIL, 1., 2007, São Paulo. Slide 11. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 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