Os Serviços de Saúde da ANFIP *
Antônio Silvano Alencar de Almeida**
A ANFIP agradece a oportunidade de apresentar o seu Plano
de Saúde. Inicio afirmando o seguinte: a ANFIP não tem um contrato,
um plano de saúde para concorrer com as outras entidades. Sempre
falamos aos nossos colegas: feliz da categoria que tem a
possibilidade de resolver as suas questões de saúde de uma forma
tão ampla como a nossa. Temos a GEAP, que é tradicionalmente a
nossa operadora, à qual sou vinculado e estou muito satisfeito; temos
a Assefaz; temos o Unafisco Saúde; e a ANFIP, que há 14 anos, por
uma necessidade imperiosa, contratou a Unimed para prestar
assistência aos seus associados.
Nesses 14 anos passamos por vários produtos. No primeiro
momento, criou-se um desenho de um plano de saúde que com mais
ou menos dois anos, a operadora interrompeu: “não quero mais, não
tenho mais condições de continuar com isso, a massa de usuários
tem idade avançada e, como a semestralidade muito alta, estamos
tendo prejuízo”.
Mudamos de operara, fomos a Minas Gerais, São José do Rio
Preto, Goiás e chegamos, após completar 05 (cinco) anos, com a
Unimed de Vitória, aonde mantemos um contrato que se encontra em condições muito boas neste
momento.
Uma observação importante é a seguinte: não existe plano de saúde perfeito, ideal. E a
sugestão nossa é que quem estiver satisfeito com o seu plano de saúde deve continuar nele, e quem
não estiver satisfeito ou não tiver plano, que procure observar, realmente, condições de equilíbrio,
condições de atendimento, rede e cobertura para poder contratar um plano de saúde. Mas mudar de
plano de saúde por um incidente de marcação de procedimento ou coisas pontuais, não são requisitos
para sair à procura de uma nova operadora. Em anexo a apresentação em data show.
Então o nosso plano de saúde com a Unimed Vitória, é do tipo coletivo, chamado “medicina de
grupo”. A nossa rede é do Sistema Unimed, é uma rede nacional. É preciso observar que algumas
operadoras, acabam vendendo um produto que é realmente o que elas dizem ser. Encontrado um
plano de saúde nacional, quando você pode agendar o seu procedimento em qualquer praça,
diferentemente de algumas operadoras que vendem um plano nacional que dizem que você pode ser
atendido em qualquer lugar. Em regime de urgência e emergência, todos os planos de saúde são
obrigados a atender em qualquer praça. Então, é preciso ter cuidado na hora de contratar um plano de
saúde, porque um contrato de um plano que tenha atendimento nacional, você pode agendar em
qualquer praça o seu procedimento.
Então a nossa rede é a do Sistema Unimed, é uma rede ampla, bem extensiva no país. A
cobertura é definida pela Lei 9.656 e normativa da Agência Nacional de Saúde Complementar.
Cobertura em saúde é que um quesito que fica se atualizando todo dia. Todo dia tem um
procedimento que se inclui, ou se inclui de forma positiva, no papel, ou inclui pela pressão do próprio
usuário, da própria operadora, do próprio prestador de serviço, vai persistindo, vai persistindo e em
determinado produtos e serviços vão sendo incorporados dentro do plano de saúde, que não estão
dentro do rol obrigatório. Isso aí poderemos citar, que até bem pouco tempo a terapia não fazia parte, a
fisioterapia não fazia parte, a hidroterapia, fonoaudióloga. Então alguns procedimentos estavam fora e
graças a Deus, já estão dentro da lista de procedimentos obrigatórios.
E outros ainda vão ser inclusos. A pressão do usuário é que faz crescer a lista de procedimentos.
Então não dá para você dizer o que está fora, o que está fora é temporariamente, vai depender
também dos resultados dentro da prestação.
A nossa administração tem um call center, esse tem uma Central Exclusiva do nosso contrato e
tem uma Central de Regulação. Então temos um protocolo específico para atender o nosso usuário. E
a gente imagina que esse protocolo está dentro de padrões muito bons considerando o nível de
reclamação de chegam para a gente.
Então, dentro desse processo de administração, a gente faz a quatro mãos: a gente tem a
Unimed de Vitória, como operadora que atende o nosso usuário; temos o call center que atende o
nosso usuário; temos a ANFIP que atende o nosso usuário, que é o ponto de apoio; e dentro da ANFIP,
temos uma funcionária da operadora, como alternativa auxiliar de imediato naqueles casos mais
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urgentes e de emergência ela está ali do nosso lado.
Coloquei aqui que o nosso contrato é um contrato igual aos outros. Tem 10 faixas etárias e está
distribuído dessa forma, aí, por idade. Aqui não somei, mas o que pesa e que preocupa, é que 52%
dessas pessoas têm em 49 anos ou mais. E esse perfil é o mesmo lá da GEAP, que é o perfil que
preocupa, que é a idade avançada. Quem trabalha com plano de saúde sabe que a gente tem como
ponto de maior interesse, onde exige uma preocupação maior. Na idade tenra até os 05 anos (criança
é uma preocupação) e depois dos 40 anos, onde a gente começa a fazer a prevenção das mulheres,
da prevenção dos homens (câncer de mama, câncer de próstata, diabetes, pressão alta); é onde a
gente começa a gastar bastante com plano de saúde. E qual é o no border dentro dos planos hoje? É
que o nosso quadro de usuários não se renova. Os concursos levam muito tempo para haver, então o
número de pessoas com baixa idade é muito pequeno quando considerados o número de pessoas que
já tem uma idade avançada. Eu trabalhei num outro plano de saúde onde mais de 40% dos usuários
estavam na primeira e na segunda faixa. Então era confortável, dava para fazer um planejamento.
A última faixa era o menor percentual, que era um plano de saúde novo. No nosso caso, tanta
gente, lá na Unimed, na ANFIP, a GEAP e a Unafisco com certeza terão as mesmas dificuldades que é
essa faixa etária avançada.
Então temos 10 faixas, a nossa semestralidade estabelecida com padrão, ponto de equilíbrio, é
de 73,5%. Se a gente conseguir passar um ano com a semestralidade até 73,5%, o plano não será
reajustado. Esse é o ponto de equilíbrio. O que permite você verificar isso? Um acompanhamento feito
num período de 12 meses, que é o reajuste anual. Temos uma co-participação de 25% limitada a
R$175,00 por mês, quer dizer, você paga 25% em qualquer procedimento desde que não seja em
regime de internação. Quando você fica internado, você não tem nenhum tipo de despesa.
Além, da assistência médica e odontológica, temos mais os benefícios que estão dentro desse
contrato. É o auxílio funeral de R$8.000,00 para a família do titular e de R$2.000,00 para os
dependentes e dos agregados. Essa massa de agregados, no primeiro momento foi criada, até por
orientação da operadora, por experiência deles, que seria uma forma de a gente ter o associado e a
família do associado até 3º grau (pai, mão, irmão). Só que, no primeiro contrato, a operadora achou
que deveria deixar aberto, que você poderia ter os agregados (a empregada doméstica, o vizinho) e foi
o lado errado da gente. No primeiro momento, os agregados constituíram um número muito alto e só
se implantavam no plano, os idosos, as pessoas que gastavam. Por essa razão as operadoras nos
devolveram o contrato por três oportunidades. Porque os agregados, que eram colocados no plano, às
pessoas viam o preço (o valor), então o filho de 15 anos ele contratava um plano mais barato na praça.
E a sogra, o sogro ou avô, ele botava no nosso contrato. A gente viu e fez uma reformulação desse
processo e hoje a nossa situação é bastante equilibrada.
O gerenciamento de risco. Temos uma Central de Gerenciamento de Risco. Quais são os riscos
que a gente corre com o plano de saúde? MatMédicas. Ainda criamos uma Central de Compras; com
essa central de compras chegamos a uma economia que chega até 40% do valor do produto. Quem
trabalha com Plano de Saúde sabe que esse MatMédico (material e medicamentos) de alto custo,
aqueles especiais, muitos deles importados, eles não tem um preço pautado pelo mercado. Porque
esse mercado é pautado em função pelo que oferece, não é nem pela procura, a procura interfere um
pouco. Então quem vende o produto é quem dá o preço. E isso traz um desequilíbrio muito grande, por
que você compra por R$10.000,00 em Brasília/DF, no Rio de Janeiro/RJ custa R$15.000,00, no Piauí
R$8.00,00, em Pernambuco custa R$12.000,00. Então, há uma diferença de custo desses produtos. E
a forma que encontramos para dar um equilíbrio nesse quesito foi uma Central de Compras.
Temos uma Central de Autorizações. 85% das autorizações saem em até 6 horas. E alguém vai
dizer: “isso é um prazo muito grande”. Se fossem seis dias ainda não seria grande. Temos que fazer
uma separação entre procedimentos de caráter eletivo e o procedimento de urgência e de
emergência. Aquilo que é de urgência e de emergência, não precisa de autorização em plano nenhum.
E um procedimento de caráter eletivo, mesmo que a operadora autorize de imediato, a prestadora
também tem o seu protocolo (você tem que marcar o dia para fazer o exame e uma série de
procedimentos que precisam ser cumpridos). Então não vamos imaginar um procedimento eletivo,
como se fosse um privilégio de estar na primeira hora ou na segunda hora. São as condições de
prestação que dá o tempo de você ser atendido.
Então no nosso caso, 85% são até em 6 horas. Temos um percentual de negação, de pedidos
negados, de 3,8%. E o índice aceitável, que estabelecemos em nosso contrato, e que é o mesmo
índice do Sistema Unimed observa, é de 5%.
E quando é que um procedimento é negado? Se você for ao campo cirúrgico, por exemplo:
procedimento estético, ele é negado; se você for ao campo de medicamento ou de material (material
ou medicamento importado que tenha similar de fabricação nacional), o plano só está obrigado a
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oferecer aquele de fabricação nacional. A oferta do produto de origem estrangeira é facultada, ou seja,
às vezes a gente vai, conversa e às vezes consegue. Por exemplo, lente para cirurgia de catarata. Os
nossos médicos resistem e a usar lente de fabricação nacional, porque ela tem um padrão mais rígido
(na nossa linguagem de leigo, é um produto mais vitrificado). Exigia um corte maior na colocação e um
período de recuperação também maior. Então, um trauma um pouco maior do que uma lente
importada que ela tenha uma espessura gelatinosa, exige uma pequena incisão e uma recuperação
mais confortável.
Outra questão, a lente nacional ela costuma ficar embaçada e precisa ser feita uma limpeza com
a utilização de lazer. E a lente nacional dificilmente isso acontece. Então, no final das contas, fomos
fazer um levantamento, e compensa comprar a lente importada, porque tem lente importada com
preço razoável, que dá para usar. Então hoje já oferecemos lente importada, com um preço razoável,
para evitar esse procedimento posterior de se ficar utilizando da limpeza com raio lazer, como é dito na
linguagem da gente, que é leigo.
As internações. Temos que trabalhar o controle das internações. Não podemos manter uma
pessoa internada se ela tem condições de se restabelecer em casa, isso tanto é bom para a saúde do
plano, como é bom para o paciente. Quem está no hospital corre um risco de ter uma infecção
hospitalar; quem está em casa esse risco é muito menor. Então você melhora a saúde financeira do
plano, que é bom para o usuário. É preciso que a gente entenda que o preço do plano é determinado
pelo uso. Se você pode se restabelecer em casa, você alivia a despesa do plano. Conseqüentemente,
você vai ter um reajuste, uma semestralidade menor. Então, a gente faz esse controle de qualidade, vê
o que é possível ser recuperado em casa par à gente estabelecer tanto essa vantagem econômica e
financeira, como também no nível de segurança para o nosso usuário.
Temos, também, o processo estatístico onde a gente procura o nível de satisfação do usuário. A
gente fica acompanhando, todo ano a gente faz, para saber se o nosso trabalho tem realmente uma
qualidade aceitável, e também para medir a semestralidade. Então, os trabalhos que a gente tem feito
dentro do processo de administração de uma empresa que é administrada e contratada pela Unimed,
mas que ficamos sempre muito perto para não deixar sair do nosso controle.
A nossa tabela de preços para o segurado e para os dependentes diretos. Temos, na enfermaria,
o menor valor de R$ 71,00 e o maior valor é de R$ 398,00. Temos executivos e Rede Diferenciada.
Ocorre que muita gente tem uma avaliação um pouco distorcida dos três tipos de planos que
você tem. O que faz a diferença de um plano para o outro não é o serviço médico, não é o remédio, não
é o material, o que faz a diferença é a parte de hotelaria. Quando você tem um contrato do nível
executivo, você tem o direito de ficar num apartamento, só, e com acompanhante, com banheiro, é na
hotelaria. Mas o tratamento é o mesmo, tanto faz ser enfermaria, como executivo, como rede
diferencial. E a rede, a rede diferenciada (é porque o setor de saúde também incorporou valores; então
alguns hospitais investiram muitos deles apenas em hotelaria, construíram uma suíte, uma sala de
visita, e, diz, por ser mais caro, colocou uma tabela diferenciada, por isso rede diferenciada), mas eu
faço a seguinte observação: quando você procurar um hospital de rede diferenciada, verifique se ele
investiu em qualificação de seu pessoal, em qualificação de equipamentos. Porque isso é o que
importa para a gente. O mais importante é isso. Porque tivemos um problema, no Rio de Janeiro, por
exemplo, em Volta Redonda, onde só temos um estabelecimento, e que fizeram uma reforma do
prédio. E, de repente, ele passou de um hospital comum para um hospital de rede diferenciada por
exigência deles, e foi muito difícil negociar com ele. Porque ele decidiu que era rede diferenciada e o
pessoal da Unimed, dos planos de saúde, não era só a gente, sabe que não era rede diferenciada
porque a estrutura funcional, o corpo clínico, os equipamentos eram os mesmos, ninguém investiu em
nada.
Então é complicado se trabalhar nesse mercado porque o usuário tem pouca informação e fica
entendendo como produto essencial da saúde, a hotelaria. E o que é essencial na saúde não é
hotelaria. O exemplo disso, você vai à França; já não vemos isso, no Japão. Trata-se de um modelo
americano e por isso os americanos hoje têm 50 milhões de indigentes. Eles estão quebrados e vão
quebrar a gente. Por quê? Porque aqui no Brasil há um projeto de investimento na área de saúde, até
2020, que é para superar tudo o que se fez nos últimos 30 anos. E aí a gente vê todo dia surgindo novos
produtos. Exemplo é o que não falta. Uma discussão que vocês devem ter é em relação à um produto
farmacológico, se tem ou não tem esse produto e a que preço. Um custa R$2.000,00 ou R$3.000,00 e
outro custa de R$15.000,00 a R$20.000,00, dependendo da praça, porque o produto não preço
estabelecido. E os médicos, dizem as más línguas, que têm alguma vantagem na compra desses
produtos. E teriam como preferência, o mais caro.
De igual modo na área ortopédica. Temos hoje, por exemplo, que está na moda a cirurgia do
ombro e do joelho onde se usa âncora e um fio. Há 5 (cinco) anos tínhamos um parafuso de aço
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inoxidável e fio comum que ficava fazendo a sustentação dos tendões e dos ligamentos. Aí surgiu um
parafuso de titânio, mas o fio continuava sendo um fio não absorvível. Aí surgiu o parafuso de carbono
e o fio não absorvia. Agora, recentemente, surgiu um parafuso de carbono, fio de carbono, ambos
absorvíveis. No resultado do procedimento, qual é melhor? Isso é muito difícil de você dizer. Porque a
solicitação é, invariavelmente, pelo mais caro que é o de carbono e os fios absorvíveis para todos os
planos. Os planos vão buscando o que se usa mais hoje, no nosso é assim, na GEAP (porque eu
usuário da GEAP, e fiz a cirurgia para a minha mulher - também é assim), usamos mais o de titânio,
porque o de aço inoxidável criou um preconceito. Os médicos dizem que o de aço enferruja ou então
folga. Quando o médico chegar para você e disser que o parafuso folga, tenha cuidado com essa
informação. Se você fizer uma cirurgia com 30 anos de idade, com 20 anos de idade, quando você tiver
50 anos de idade você perdeu massa óssea porque esse parafuso poderá folgar porque você perdeu
massa óssea, não foi o parafuso que enferrujou e nem porque não era bom. Então é preciso ter uma
informação em casa para saber exatamente onde você está se tratando, e com quem e por que você
está pagando, e com o que você está pagando.
Temos a tabela de preços dos usuários agregados, quando o maior valor é R$791,00. Aqui a
gente fez uma espécie de pequena crítica no que diz respeito ao atendimento. Temos operadoras que
elas próprias fazem o seu call center , elas próprias fazem sua gestão. No caso da Unimed (o nosso
caso), a gestão é terceirizada, a gestão do plano, a gestão dos serviços é terceirizada. Mas algumas
operadoras preferem fazer diretamente. Você imagina o seguinte: a Unimed é uma cooperativa, então
todos os prestadores são também donos da Unimed. Eles têm interesse no resultado, então quanto
maior a semestralidade, maior é a participação desse cooperado. Em tese, é isso. Então é preciso que
haja um controle forte em cima disso para que as pessoas fiquem demandando de forma demasiada
para que aumente o seu resultado.
E tem operadora, que não sendo uma cooperativa, ela tem empregados. E aí ela é
hierarquizada, mas ela precisa ter lucro. Então ela pode reduzir, precarizar o atendimento para
aumentar o seu lucro. Então é preciso ter muito cuidado com a gestão, participar da gestão e conhecer
realmente o sistema, porque senão você fica como o nosso usuário fica.
Hoje mesmo eu recebi um telefone de um colega de Recife/PE, muito tenso porque a filha de um
associado nosso, tinha sido internado em regime de urgência, ontem deu entrada na Unimed local, a
Unimed não mandou o pedido para a Unimed de Vitória e até hoje, às 10 horas, nada tinha sido feito e o
pai estava muito apreensivo. Aí eu disse para ele: “olha, primeiro, o procedimento de urgência e
emergência o hospital, o médico, todo mundo sabe que não precisa de autorização; então se não é de
urgência ou emergência, se ela deu entrada ontem no hospital, e é eletivo, estamos dentro de um
prazo razoável. Mas vamos verificar o que está acontecendo” (parece que foi uma crise renal
provocada por inflamação calosa). Então já providenciamos, já resolvemos o problema, mas o
contribuinte precisa ser orientado, porque senão ele fica brigando com o dono. Eles já ligam para a
gente brigando. Eu recebi hoje um telefonema de um colega do Rio de Janeiro dizendo que não está
gostando do hospital. Por quê? “Ah, porque aqui demora tudo”. Aí eu ouvi da mulher dele “mas está
demorando o quê, você já fez dois exames, já está tomando remédio”. E ele reclamando e xingando. Aí
você tem que ouvir, etc., já liguei para a operadora, já mandamos uma assistente social para fazer uma
visita para ele para saber, realmente, o que é que está acontecendo lá no Rio de Janeiro a respeito
desse atendimento.
Sobre as terapias assistenciais como RPG, hidroterapia, todos esses procedimentos que ficam
à margem daquilo que é realmente saúde, as pessoas começam a dizer que fazer esses
procedimentos aliviam no custo do produto. Não existem estudos ainda, mas a minha pouca
observação, talvez eu esteja errado, não alivia em nada. As pessoas fazem isso aí, mas continuam
procurando um médico para se tratar. Eu acho que é apenas um custo a mais. Não sei se os colegas
têm conseguido alguma vantagem financeira por conta dessas terapias. Eu não consegui ver, ainda,
nessas nossas terapias, a redução de custos. Eu acho que elas trazem conforto, acho que são
importantes, acho que devemos buscá-las e administrá-la, mas não no sentido de que haja redução de
custo, eu não tenho observado isso.
E a inclusão de novos procedimentos, como eu já disse a Agência Nacional de Saúde
Complementar autoriza, depois vários experimentos e estar tudo comprovado, e a tabela que
seguimos é CID, HPM, são procedimentos que temos e mais alguma coisa. Ninguém obedece só uma,
porque todas as vezes que está na ponta do telefone, a mensagem de lá, vem pressão, e você começa
a buscar alternativas. Isso não acontece só conosco, acontece com a Unafisco Saúde, não acontece
só com a GEAP. Temos um colega que tem um filho com um problema na orelha, e ele estava em risco
de morrer com uma hemorragia, e eu consegui um tratamento nacional. Já tínhamos tentado, mas
conseguimos no país. Esse menino fez vestibular para medicina e foi o primeiro colocado. Interessou-
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se pelo problema dele e começou a entrar na Rede Internacional de Computadores e descobriu que o
seu tratamento era feito na França e na Suíça. E que, de tanto lutar, esse produto acabou chegando ao
Brasil (chama-se Ônix) que faz a cauterização dos vasos. O problema foi que plano de saúde (no caso
dele, a CASSI) autorizasse. Passamos quase um mês discutindo e conversando e tivemos que buscar
na justiça. Então esse problema não é só da Unimed, não é só da Unafisco, não é só da GEAP, nem de
plano de nenhum. Esses problemas fazem parte do sistema de saúde complementar que fica, hoje, de
um lado na compreensão de que é um serviço essencial, e do outro a sabe que saúde, hoje, é um
negócio, um negócio que tem que dar lucro. Se alguém tiver dúvida disso, pode passar um mês numa
operadora de um plano de saúde que ele vai verificar e reformular os seus conceitos.
Então, hoje como é que nos encontramos? Temos a rede Unimed, a maior rede de atendimento.
Foi uma da causas de agente contratar a Unimed porque a GEAP ainda é, para mim, uma das
melhores operadoras, para mim é a que, de longe, a que melhor atende a gente lá no meu estado. Mas
tem lugar em que a GEAP não atende. Interior, por exemplo, no interior grande, não é no interior onde
eu nasci que lá só tem ele, a mulher dele e o prefeito que perdeu a eleição. Mas em cidades grandes
não têm GEAP; no interior de São Paulo não tem GEAP ou onde tem não está atendendo
razoavelmente. Isso foi uma das causas de a gente buscar outro plano.
O gerenciamento da atividade de muitos donos. A gente sabe, eu já falei a Unimed é uma
cooperativa e a dificuldade é porque o prestador é cooperado e ele tem interesse no resultado do
negócio.
A concorrência interna do sistema, também traz algumas dificuldades. Porque o usuário pensa
que a Unimed é uma só, é como se fosse uma grande empresa com muitas filiais. Não é verdade, toda
Unimed é Unimed, separada da outra e não tem nada a ver uma com a outra. O que existe entre elas é
um protocolo, um acordo, chamado intercâmbio. E, por intermédio desse acordo que existe entre elas,
elas atendem os usuários umas das outras, e que têm uma participação nesses atendimentos. Então
imaginem os senhores: eu estou no Rio de Janeiro e sou presidente da Unimed de lá, e chega lá um
usuário da Unimed de São Paulo. Se, ao mesmo tempo, chegar um usuário do Rio de Janeiro e um de
São Paulo, quem é que eu vou atender primeiro? Eu estou me colocando no lugar na pessoa. Claro
que a pessoa que está no Rio de Janeiro vai dar preferência para o usuário da sua Unimed. Isso é uma
das dificuldades que você tem.
Primeiro, estou com problema, e são vários atendentes, e só tem um para atender intercâmbio.
Aí o colega fica na fila, ele reclama, a gente já trabalhou muito essa questão e ainda não conseguimos
resolver. Lá em Salvador tem um prédio chamado cidadela onde a Unimed atende a todos os
convênios, aí faz uma fila enorme, então todas as Unimed entram na fila. É um problema sério, já
tentamos resolver e ainda não conseguimos. E a gente está à disposição do pessoal de Salvador, no
que a gente puder ajudar, a gente ajuda. A gente colocar uma espécie de intermediação da própria
entidade. Ao invés de ir à cidadela, vai à associação, leva o pedido, a gente bota no scanner, a gente
escaneia e vai direto para a Unimed; resolve direto. Então a gente tem muita volta de atender o melhor
possível, mas, às vezes, a gente não pode.
Outra dificuldade nossa é a rede de atendimento. Aqui em Brasília/DF passamos um problema
sério, porque a rede não era boa, não era das melhores. A Unimed local “quebrou”, deixou de atender,
como somos de fora conseguimos um acordo com as Unimed do centro-oeste e Tocantins. Também
não deu certo, porque o médico que era cooperado da Unimed de Brasília/DF, tinha os seus proventos
seqüestrados, porque é assim que as cooperativas são, quer dizer, quando quebra, quem paga é o
cooperado, é o sócio. E aí eles se negavam a atender qualquer Unimed. Conseguimos uma solução
com uma entidade que é uma sociedade de donos de clínicas e laboratórios de Brasília/DF. Então
conseguimos resolver e melhoramos.
Você vai para Salvador, um estado importante, uma capital maravilhosa, mas a rede em saúde
em Salvador é difícil. Quem trabalha com plano de saúde sabe, eles cobram muito mais caro do que
um hospital de ponta de São Paulo. E aí os planos não têm condição de acompanhar porque os preços
ficam distantes da nossa capacidade de pagamento. Vamos para São Luis/MA, lá dispomos de uma
rede boa. Lá tem dois estabelecimentos que a gente vem atuando, há muito tempo, para fazer
convênio e só conseguimos com um que é rede diferenciada, que é o Hospital São Domingos.
Então, esses problemas que temos no contrato da Unimed, com certeza todas as outras
operadoras também tem, porque a rede é a mesma. Em São Luis/MA não tem rede, em Salvador não
tem rede, aqui em Brasília/DF a rede enfrenta problemas. Se você vai para o norte, também temos
problemas no norte, problemas de rede. Essas questões vão ter que ser solucionadas com
criatividade. Não dá para você resolver isso com uma decisão pronta porque não tem como resolver. É
difícil.
Aí eu coloquei alguns números para vocês terem a compreensão de como é que é hoje. Temos
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medicina de grupo só nas empresas não cooperadas. Só para vocês entenderem: AMIL, Golden
Cross, Sul América, essas empresas, hoje, tem 13,7 milhões de vidas. As cooperativas (na verdade, a
Unimed) têm 10,87 milhões de vidas. Ou seja, a Unimed sozinha tem quase tanto quanto as outras
operadoras. Por aí você vê o quanto que a Unimed cresceu. De auto-gestão tem 5 milhões (auto
gestão é GEAP, Unafisco, CASSIS e outros da área fechada). E tem há outras seguradoras, que foram
separadas aqui pelo apresentador, são aquelas que trabalham com apólices de saúde, que tem 4.600;
e as filantrópicas, que prestam, também, uma assistência, com 1 milhão e pouco. Então esse é o
desenho da saúde suplementar no país, isso são dados da Agência Nacional de Saúde.
Então já tivemos só na área médica, em torno de 43 milhões de usuários. Isso caiu, por quê?
Alguns fatores, mas esse percentual já vem se recuperando. Temos hoje 41,8 milhões de usuários da
área médica e odontológica; sendo que 1.327 operadoras e 15% têm quase a totalidade dos usuários
(80%); 23,3% de planos individuais. Por que os planos individuais estão diminuindo? Porque os planos
individuais têm os preços controlados pelo governo, a operadora não repõe o custo. Então todas as
operadoras estão tentando se livrar de contratos individuais, Sul América, Bradesco, está todo mundo
querendo sair do contrato individual. Estão mantendo aqueles que têm, mas você não tem muita
facilidade para o contrato individual; 76,7% são os planos coletivos, segundo Agência Nacional de
Saúde Complementar.
Para finalizar agradecendo a participação de vocês afirmo o seguinte: o nosso contrato, hoje,
está absolutamente equilibrado. Ele vai ser reajustado em janeiro, então em números de hoje o
reajuste entre no máximo de 4%. Se tiver uma perspectiva ruim, 7% em janeiro. E mesmo com essa
crise econômica a gente tem um gás para queimar da ordem de 30% ainda porque a nossa inflação de
contrato está abaixo da inflação de mercado, graças a esse controle com a Central de Compras de
Produtos. A gente tem, ainda, na nossa inflação do contrato, em torno de 30% abaixo da inflação de
mercado. Isso a gente fez uma avaliação recentemente.
Obrigado.
* Texto obtido a partir da degravação da exposição feita pelo autor no VIII Confisp e publicado
sem revisão previamente pelo autor.
**Antônio Silvano Alencar de Almeida é Vice-Presidente de Serviços Assistenciais da Anfip.
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Parte 8b - Fenafisp