IBMEC SÃO PAULO Faculdade de Economia e Administração Renato Steffen Barnabe DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DA AMÉRICA LATINA: UMA ANÁLISE DOS DETERMINANTES DO CRESCIMENTO ENTRE 1960 E 2008 São Paulo 2009 1 Renato Steffen Barnabe Desenvolvimento Econômico da América Latina: uma análise dos determinantes do crescimento entre 1960 e 2008 Projeto de Monografia apresentada ao curso de Ciências Econômicas, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel do Ibmec São Paulo. Orientador: Prof. Dr. Celso Toledo – Ibmec São Paulo São Paulo 2009 2 Barnabe, Renato Steffen Desenvolvimento Econômico da América Latina: uma análise dos determinantes do crescimento entre 1960 e 2008. – São Paulo: Ibmec, 2009. 26 f. Monografia: Faculdade de Economia e Administração. Ibmec São Paulo. Orientador: Prof. Dr. Celso de Campos Toledo Neto 1.Crescimento 2. América Latina 3. Determinantes 3 Renato Steffen Barnabe Desenvolvimento Econômico da América Latina: uma análise dos determinantes do crescimento entre 1960 e 2008 Monografia apresentada à Faculdade de Economia, do Ibmec como parte dos requisitos para conclusão do curso de graduação em Economia. EXAMINADORES ___________________________________________________________________________ Prof. Dr. Celso de Campos Toledo Neto Orientador ___________________________________________________________________________ Prof. Dr. Eraldo Genin Fiore Examinador(a) Prof. Dr. Eduardo Correia de Souza Examinador(a) 4 Resumo BARNABE, Renato Steffen. Desenvolvimento Econômico da América Latina: uma análise dos determinantes do crescimento entre 1960 – 2008. São Paulo, 2009. 26p. Monografia – Faculdade de Economia do Ibmec-Sp. Este trabalho busca atualizar o trabalho feito por Loayza, Fajnzylber e Calderón (2004), com os determinantes do crescimento econômico da América Latina durante a primeira década do século XXI. Mostra-se de grande importância para o período políticas econômicas que visam a estabilidade monetária e diminuição da volatilidade cíclica do produto. Palavras-Chave: Crescimento, América Latina, Determinantes, Políticas Estruturais 5 Sumário 1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 1.1 Motivação e Objetivo. .. . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 1.2 Revisão bibliográfica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8 2 Metodologia . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 2.1 Modelo. . . . . . . . . . . . . . . ... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 2.2 Determinantes do Crescimento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 2.3 Estimação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 2.4 Amostragem e Estatística Descritiva ... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 3 Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .20 3.1 Resultados da Regressão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 3.2 Comparação com os resultados de Loayza et al (2004). . . . . . . . . . . . . . . . . 22 3.3 Análise das Previsões feitas em Loayza et al (2004). . . . . . . . .. . . . . . . . . . . 24 4 Conclusão. .. . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 5 Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 6 Apêndice. . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 6 Lista de Tabelas e Figuras Tabela I - Estatística Descritiva dos Determinantes do Crescimento . . . . . . . . . .. . . . . 19 Tabela II – Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 Tabela III – Comparação dos Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 Tabela IV – Projeção do Crescimento de Loayza et al (2004) e Resultados Reais. . .. . 25 Figura I – Histograma: Taxa do Crescimento do Produto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 7 1. Introdução 1.1 Motivação e objetivo A análise do desenvolvimento econômico da América Latina é relevante já que este conjunto de países tem passado por experiências econômicas distintas e, por isso mereceu tratamento extenso na literatura acadêmica. Ver, por exemplo, De Gregorio (1992), Easterly, Loayza e Montiel (1987) e Calderón e Servén (2003). Tais autores, entre outros, possuem teses distintas sobre os determinantes do crescimento econômico da região. Porém, há consenso quanto algumas características vivenciadas por eles. Tomando por base o trabalho de Loayza, Fajnzylber e Calderón (2004), esse trabalho tentará explicar os determinantes do crescimento econômico dessa região na primeira década dos anos 2000. A opinião dos estudiosos quanto à importância do crescimento e desenvolvimento econômico não costuma divergir. Segundo Loayza et al (2004) quando os países conseguem atingir taxas de crescimento sustentáveis, há redução dos índices de criminalidade e violência, diminuição da pobreza, aumento da estabilidade política, além da busca pela minimização do prejuízo ambiental. Dada a importância desse estudo, nesse projeto será feita uma atualização do trabalho de Loayza et al (2004), com os objetivos de (i) reproduzir os resultados que os autores encontraram para o período de 1960 a 1999 e (ii), analisar o desempenho dos países na primeira década do século XXI. Espera-se que haja pequenas alterações nos resultados, já que será realizada uma coleta de dados mais atualizada e, em alguns casos, os dados serão obtidos de fontes distintas. No trabalho citado acima, os autores analisam um conjunto extenso de dados com o objetivo de entender a relevância dos impactos de variáveis associadas às características políticas, sociais, econômicas e institucionais dos países sobre o crescimento econômico da América Latina e do Caribe durante o período de 1960 a 1999. Esse trabalho se diferenciará pelo fato de estender a análise ao período posterior. Será elucidativo verificar, com aproximadamente uma década adicional de informações, se os parâmetros estimados para o período anterior mantiveram-se constantes entre os anos 2000 e 2008 e, se for o caso, buscar explicações para eventuais mudanças. Além disso, o trabalho tem o objetivo de comparar os resultados efetivamente obtidos pelos países com as previsões feitas pelos autores, identificando se as diferenças se devem a mudanças de parâmetros, premissas não 8 concretizadas ou combinações dos dois fatores E caso não tenham sido, esse trabalho tentará entender os motivos que levaram a tais divergências. 1.2 Revisão Bibliográfica Em Loayza et al (2004), há uma abrangente revisão bibliográfica dos trabalhos publicados sobre o processo de desenvolvimento econômico da América Latina e do Caribe. As principais diferenças entre os trabalhos revisados estão na seleção dos períodos e países para a análise. Porém, os autores extraem desses trabalhos algumas conclusões comuns relacionadas à dinâmica de desenvolvimento econômico. Por exemplo, muitos estudos corroboram a tese de que há convergência condicional, ou seja, países mais pobres tendem a crescer mais rápido que os países mais ricos, dado que os retornos do capital são decrescentes. Ainda importante, o capital humano, desenvolvimento do mercado financeiro, infraestrutura e baixas interferências governamentais normalmente têm uma relação positiva com o crescimento econômico, já que, por exemplo, através do primeiro é possível aproveitar a maior quantidade de tecnologia da fronteira tecnológica, o segundo é relacionado à taxa de investimento interno e externo, a infra-estrutura permite a ligação dos mercados, e as baixas interferências governamentais permitem maior eficiência. Outro fator que deve ser destacado é que altas e voláteis taxas de inflação, juntamente com taxas de câmbio desalinhadas, são ruins ao crescimento econômico, indicando uma relação positiva entre estabilidade macroeconômica e o crescimento de longo-prazo. Por último, choques externos, como no fluxo de capital internacional e nos termos-de-troca, impactam significativamente no crescimento econômico. Loayza et al (2004) fizeram uma análise cross-country dos países da América Latina e do Caribe no período entre 1960 e 1999 e dividiram o trabalho em três partes. Na primeira, descrevem-se os fatos estilizados do crescimento econômico verificado na América Latina e no Caribe ao longo de cada década entre 1960 e 2000. A maioria dos países experimentou crescimento expressivo durante as décadas de 60 e 70, seguido de uma forte queda das taxas de crescimento econômico, chegando a índices negativos, na década de 80, que, por isso, foi chamada de “década perdida”. Já nos anos 90, houve recuperação e os países voltaram a crescer, porém a taxas inferiores àquelas dos anos 70. Os autores buscam entender os fatores que determinam o crescimento sustentável de longo 9 prazo e por isso dividem, através de um filtro de Baxter & King, o crescimento em duas fontes: tendência de crescimento e crescimento cíclico. O último seria uma melhor aproximação para o crescimento de um período menor (em torno de cinco anos), já o primeiro, representaria melhor um crescimento de um período maior (dez anos)1. Ainda na primeira seção, os autores fazem um exercício tradicional de decomposição crescimento, tendo por base o modelo de Solow, que separa os determinantes do produto (Y) em Capital (K) e Trabalho (L), atribuindo-se a parte não explicada às oscilações da produtividade – por isso chamada de Produtividade Total dos Fatores (PTF). Os autores também refinam o exercício de decomposição, considerando explicitamente a influência do capital humano e a taxa de utilização desse fator. Com tais decomposições, os autores conseguiram determinar que as variações das taxas de crescimento econômico se deveram principalmente pelas oscilações da produtividade total dos fatores, ao invés do crescimento na acumulação do capital e do trabalho (mais estáveis). Ao final, os autores estimam um VAR (vetor auto-regressivo) para ver se há relações dinâmicas entre investimento, taxa de poupança e taxa real de crescimento do PIB. A conclusão dessa seção é que o crescimento ajuda a prever o comportamento do investimento, da poupança nacional e da poupança externa. Trata-se de resultado que, à primeira vista é contra-intuitivo. O ponto relevante é que os investimentos confundem-se com a noção de crescimento econômico – na medida em que equivalem ao produto não consumido. O ponto crucial é entender o que faz a economia investir mais. A evidência sugere que o crescimento (produtividade) maior estimula a poupança e o trabalho, favorecendo os investimentos. Dado que mudanças no investimento e na poupança não ajudam a prever as variações do crescimento, e que não foi a acumulação de capital, mas sim a produtividade, a responsável pelo crescimento econômico da região, os autores buscaram em mudanças estruturais, tais como na política e nas instituições, a determinação dos fatores que explicam a atratividade dos países para investimentos O filtro Baxter & King permite a decomposição de séries de tempo como uma soma de componentes que oscilam com periodicidade dentro de intervalos determinados. Normalmente, associam-se as oscilações com períodos inferiores a 32 trimestres aos ciclos econômicos; flutuações com periodicidade menor são atribuídas a mudanças na tendência das séries. 1 10 (produtividade). Isto permite identificar as razões fundamentais para o crescimento econômico. Sendo assim, a seção 2 é iniciada com uma análise de regressão para explicar as taxas de crescimento dos países, tomando-se como variáveis explicativas: (i) o logaritmo da renda inicial (já que convergência condicional explica taxas de crescimento mais altas em países mais pobres, como já dito anteriormente), (ii) o hiato do produto (para modelar o efeito cíclico, pois a análise levará em conta períodos médios de 5 e 10 anos), (iii) uma matriz com os determinantes do crescimento, tais como variáveis sociais, econômicas e políticas, além de variáveis para controlar fatores como condições internacionais de crédito. Há ainda a preocupação de levar em conta fatores específicos de cada país. Na terceira seção do paper, os autores fazem previsões do crescimento econômico para os países da América Latina e do Caribe na primeira década dos anos 2000, dados os resultados das regressões da seção anterior, e premissas quanto à evolução dos determinantes. 2. Metodologia 2.1 Modelo Para analisar o crescimento econômico da América Latina, será utilizada a mesma metodologia de Loayza et al (2004), que emprega a amostra de vários países (inclusive alguns que não constituem a América Latina, já que busca-se identificar os fatores que afetam o crescimento econômico de qualquer país e aplicálos à região específica) entre 1960 e 2008, utilizando médias de cinco e dez anos não justapostos. Será seguida a maior vertente da teoria do crescimento endógeno, que visa ligar o desempenho econômico dos países a fatores econômicos, políticos e sociais. A equação estimada por Loayza et al (2004), e também utilizada nesse trabalho, para o crescimento econômico é a seguinte: 11 Em que representa o valor do log do produto per capita do país i no período t. A variável mede a renda per capita dos países no período inicial e busca entender se a teoria de convergência condicional (explicada acima) é importante para explicar parte do crescimento econômico dos países. Já representa a componente de tendência de longo prazo do crescimento, e entra nessa equação para controlar o hiato do produto como fator determinante do crescimento econômico a curto prazo2. A matriz X engloba as variáveis associadas aos principais determinantes do crescimento, e suas componentes serão explicitadas a seguir. representa alguma mudança específica do período e busca controlar condições internacionais que afetam o crescimento econômico. Já procura controlar fatores não observados específicos a cada país e que podem afetar o crescimento econômico. Tal modelo diferencia-se dos modelos “tradicionais” de crescimento endógeno por incluir nas variáveis explicativas o hiato do produto, e . 2.2 Determinantes do Crescimento Como falado em Loayza et al (2004), há um grande número de variáveis políticas, econômicas e sociais que podem ser consideradas determinantes do crescimento de um país. O foco desse trabalho será as que têm recebido mais atenção na literatura acadêmica e podem ser subdivididas em cinco grupos: convergência, reversão cíclica, políticas estruturais e instituições, políticas de estabilização e contexto internacional. Em Loayza et. al (2004), a base de dados de seis das onze variáveis que não são calculadas pelo autor vieram dos relatórios do Banco Mundial de 2000 e 2002. Nesse trabalho, as variáveis não calculáveis serão buscadas de dois relatórios desenvolvidos pelo Banco Mundial. O primeiro, será o mesmo utilizado em Loayza et. al (2004), chamado de “Global Development Network” (“Rede de Desenvolvimento Global”), e, por só possuir dados desse período, será a fonte dos dados entre 1960 e 1999. Para o período posterior, os dados serão extraídos do relatório “Indicadores de Desenvolvimento Mundial” de 2008 (WDI, sigla em inglês), 2 Esse trabalho busca entender o crescimento econômico de longo prazo dos países, mas como são analisados períodos curtos (5-10 anos) o hiato do produto torna-se uma importante variável explicativa. 12 também criado pelo Banco Mundial e que nessa versão contém 869 (oitocentos e sessenta e nove) indicadores relacionados ao desenvolvimento econômico, para 227 (duzentos e vinte e sete) países. Convergência O modelo econômico neoclássico prevê que a taxa de crescimento de um país dependerá da posição inicial de sua economia. Como já discorrido acima, a convergência condicional prevê que países pobres terão taxas de crescimento maiores do que os ricos graças aos retornos decrescentes do capital, tudo mais constante. Tal efeito está absorvido em nossa equação pela introdução do termo , que indica o log do PIB per capita real em dólares constantes. Como utilizaremos duas bases de dados distintas, cada uma tem um ano base distinto, o que gera mudanças no nível de tal variável. Para controlar tal efeito, foi incluída uma dummy para os períodos entre 2000 e 2008. Reversão cíclica Como nosso modelo utilizará períodos de tempo relativamente curtos (médias de cinco anos), a reversão cíclica é importante para descrever parte do crescimento econômico, sendo assim, tal efeito é controlado com a inclusão do hiato do produto (diferença entre produto potencial ( ) e o produto do período ( )), já que se espera um crescimento mais forte após períodos em que o PIB esteve abaixo do potencial. Para calcular o produto potencial, será utilizada a mesma metodologia de Loayza et. al (2004): o filtro Baxter & King (descrito na introdução), decompondo assim o PIB per capita em tendência e ciclo. Políticas estruturais e Instituições A principal inovação dos estudiosos de crescimento endógeno é a idéia de que políticas públicas e instituições podem mudar o caminho de crescimento dos países. Ainda hoje, há muitas divergências quanto as políticas que devem ser tomadas para os países atingirem maiores taxas de crescimento econômico, porém, já é de certa forma consensual o conceito que governantes e suas políticas podem e certamente afetam o crescimento dos mesmos. 13 Buscando separar políticas econômicas anticíclicas de tendências de crescimento alteradas via políticas de longo-prazo, Loayza et. al (2004), dividiram as variáveis em dois grupos: políticas de estabilização e políticas estruturais e instituições. Nessa parte serão descritas as variáveis do último grupo, enquanto a próxima, explicará as variáveis do primeiro. A primeira área de políticas estruturais e instituições que será analisada nesse trabalho será a educação e o capital humano. Tal variável pode afetar o crescimento de longo prazo de diversas formas. Primeiramente, o capital humano atua como um complemento dos outros fatores de produção como o capital físico, além de determinar a taxa de inovações tecnológicas e aumentar o nível de absorção de capital da fronteira tecnológica. Como aproximação dessa variável, será utilizada nesse trabalho a taxa da população matriculada no segundo grau, independente da idade, assim como em Loayza et. al (2004). Ambos os relatórios descritos anteriormente possuíam a mesma variável, o que não incorre em problemas para a realização da regressão. A segunda área de políticas estruturais e instituições analisada no trabalho é o nível de desenvolvimento do mercado financeiro e está relacionado ao crescimento econômico principalmente por facilitar a diversificação do risco dos investidores. Sendo assim, torna-se mais fácil identificar investimentos com potencial de lucro e direcionar capital ao mesmo. Além disso, o desenvolvimento de mercados financeiros ajuda os investidores a acompanharem os gestores da empresa, por exemplo, via governança coorporativa, reduzindo assim o risco de efetuarem investimentos ineficientes. Para mensurar tal variável, será utilizada o percentual do M2 sobre o PIB, que é diferente do utilizado por Loayza et al (2004), (taxa de crédito doméstico privado sobre o PIB) mas serve como uma boa aproximação, e é extensamente utilizado na literatura especializada, conforme comentado por Loayza et. al (2004). Seguindo no âmbito de políticas econômicas, a próxima variável analisada é o nível de abertura comercial ao mercado internacional. Em Loayza et al (2004) são apontadas cinco vias pelas quais tal variável afeta o crescimento econômico de longo prazo. A primeira é que com maior nível de abertura comercial, os países buscariam se especializar nos produtos em que têm vantagens comparativas, e com isso haveria ganhos de produtividade. Segundo, com maior nível de abertura, há um maior número de mercados potenciais a ser explorado, o que permite às firmas se 14 beneficiarem das vantagens das economias de escala e também aumentarem a produtividade. Terceiro, o comércio gera dois efeitos: difusão de inovações tecnológicas e melhoras nas práticas de gestão das empresas através de uma maior interação com as empresas estrangeiras e os mercados internacionais. Quarto, maiores níveis de abertura comercial tendem a diminuir atitudes anti-competitivas das empresas domésticas. Por último, a liberalização do comércio reduz os incentivos das firmas de procurarem atividades de rent-seeking que são em sua maioria improdutivas. A medida de abertura comercial utilizada nesse trabalho será a mesma de Loayza et al (2004), (módulo de exportações mais importações sobre o PIB) ajustado (por dummys) pelo tamanho (área e população) do país para caso ele seja basicamente um exportador de petróleo ou um país litorâneo. Tal ajuste é justificado pelos autores porque seria injusto atribuir uma política de abertura comercial a uma característica estrutural do país que depende da exportação do petróleo como base de sua economia. A próxima variável analisada nesse grupo é relacionada à atuação governamental e busca focar na limitação que a ação governamental pode representar à atividade privada. As ações governamentais podem gerar benefícios à economia, por exemplo, tomando medidas anticíclicas em períodos de recessão, porém, também pode atuar como limitador do crescimento se impuser altas tarifas e usar essa receita para manter programas públicos ineficazes e alimentar uma grande burocracia que atrasa o desenvolvimento de novos projetos, e conseqüentemente a economia. Loayza et al (2004) utilizaram como aproximação para tal variável a parcela do PIB representada pelos gastos do governo, e explicaram que a racionalidade de usar essa variável se dá pelo motivo que muito dos gastos dos governos não tem um retorno social real, e de fato são direcionados ao pagamento dos salários que alimentam a alta burocracia. O mesmo será feito nesse projeto. A quinta variável dentro de políticas estruturais e instituições é relacionada a serviços públicos e infra-estrutura. Por serem tratados como bens públicos, a infraestrutura e os serviços públicos podem afetar o crescimento entrando diretamente como inputs na função de produção, alterando a PTF, além de encorajar os investimentos através da garantia dos direitos de propriedade. Para medir tal influência, será utilizado o número de linhas telefônicas por mil habitantes, assim como feito por Loayza et al (2004). Essa medida se justifica por conseguir capturar a 15 quantidade de infra-estrutura per capita provida pelo governo. É importante citar que poderiam ser utilizadas outras aproximações, assim como quilômetros de rodovias pavimentadas por habitante, ou então capacidade de geração de energia elétrica. Porém, como explicado por Loayza, essas medidas são muito correlacionadas e não afetariam os resultados obtidos. A última variável dentro desse grupo de políticas estruturais é relacionada ao nível de governança e contempla vários aspectos da qualidade institucional do governo, incluindo respeito por direitos civis e políticos, eficiência burocrática, ausência de corrupção, garantia dos contratos e manutenção da lei e da ordem. Em Loayza et al (2004), foi utilizado o principal componente de quatro indicadores do Guia Internacional do Risco País (ICRG, sigla em inglês). Porém ao realizar a regressão os autores verificaram que tal variável tinha valor estatisticamente zero, e refizeram o modelo excluindo tal variável. Nesse trabalho, governança mostrou-se a variável mais complexa para conseguir dados, uma vez que a fonte utilizada pelos autores do trabalho citado acima é extremamente cara e de difícil acesso. Foi tentado utilizar algumas aproximações, como uma variável encontrada no WDI, a CPIA (Avaliação Institucional e das Políticas dos Países, em inglês) sobre direitos de propriedade e qualidade de governança nos países (CPIA Property Rights and rulebased governance rating), porém havia apenas dados do ano 2005 em diante. Outra variável que se tentou utilizar foram os índices de governança do Índice de Governança Mundial (WGI, sigla em inglês). Esta base mostrou-se um pouco mais abrangente, porém possuía apenas dados de 1996 a 2008. Devido aos resultados obtidos por Loayza et al (2004) e pelos problemas que seriam gerados com a limitação da amostra para apenas 2 períodos em análise, foi decidido retirar tal variável da regressão nesse trabalho. Políticas de Estabilização Como já dito anteriormente, por esse trabalho utilizar dados de relativo curtoprazo para as estimações (médias de cinco anos), nos obriga a adotar como políticas governamentais o que muitas vezes é considerado períodos de estabilização e crise. Como explicado por Loayza et al (2004), ao controlar esses efeitos, evita-se criar estimadores viesados para os efeitos relacionados à convergência condicional e políticas estruturais. Outro fator importante para a 16 inclusão desse grupo de variáveis é que elas não só afetam flutuações cíclicas do produto, como o crescimento de longo prazo. As duas primeiras variáveis das políticas de estabilização estão relacionadas ao ambiente macroeconômico dos países. Ter um ambiente macroeconômico estável é importante para reduzir as incertezas futuras e com isso incentivar os investimentos das firmas. Além de ajudar os tomadores de decisões econômicas a concentrar as atenções em atividades produtivas ao invés de buscar o controle de um maior risco. Dessa forma, o controle dos preços torna-se uma variável determinante para o crescimento econômico e será medido pela inflação média do período para cada país. A outra variável será a volatilidade cíclica do PIB, que refletirá a estabilidade do PIB e será medido pelo desvio-padrão do hiato do produto. A terceira variável desse grupo é relacionada a riscos de crises no balanço de pagamentos e é mensurada via um índice de apreciação real da moeda local. Será medido de uma forma alternativa à utilizada em Loayza et al (2004): foi empregado um filtro HP (metodologia semelhante à utilizada para retirar a parte cíclica do produto) na taxa real de câmbio dos países em análise e utilizada a parte cíclica. Se os dados fossem positivos, significaria que a taxa estaria depreciada, já que o câmbio corrente seria superior à tendência e vice-versa. Tal medida tem correlação média de 0,67 com os dados utilizados por Loayza et al (2004), e o motivo para ser utilizado essa base de dados é a maior quantidade de períodos em análise. Tal variável captura o impacto de políticas monetárias e cambiais que distorcem a alocação de recurso entre os setores exportador e doméstico. Essa possível má alocação leva a grandes desequilíbrios externos que geralmente leva a crises nos balanços de pagamentos e recessões. A quarta variável relacionada a políticas de estabilização busca medir crises bancárias sistemáticas que têm efeitos negativos na atividade econômica, principalmente no curto e médio-prazo, principalmente por exaurir o crédito às empresas e aos bancos. Crises bancárias geralmente são o resultado de instituições financeiras com má regulação, o que leva a níveis insustentáveis de empréstimos. Tal variável será medida conforme em Loayza et al (2004), pelo número de anos que o país passa por crises bancárias sistemáticas no período correspondente. 17 Contexto internacional Como dito em Loayza et al (2004), não só as condições internas dos países afetam o crescimento econômico, mas também fatores internacionais. Há uma ampla evidência de transmissão de choques entre países via comércio internacional, fluxos financeiros, e a mudança de percepção dos investidores sobre a lucratividade dos investimentos na economia global. Para capturar tais efeitos no crescimento econômico dos países, serão introduzidas mais duas variáveis. A primeira são os choques nos termos-de-troca que afeta cada país individualmente. Já a segunda é uma mudança específica ocorrida no período que afetam todos os países conjuntamente. Os choques nos termos-de-troca buscam capturar mudanças na demanda internacional pelos bens exportados pelos países, assim como mudanças no custo de produção. Já mudanças específicas ocorridas em algum período refletem condições globais, como recessões e booms, e capturam mudanças no custo do fluxo de capital internacional e inovações tecnológicas. 2.3 Estimação Nesse trabalho será realizada uma análise de painel (cross-country), com países selecionados seguindo o critério descrito no próximo parágrafo, visando modelar o crescimento do PIB per capita para períodos médios de cinco e dez anos não justapostos. A estimação do modelo descrito acima aponta duas dificuldades iniciais. A primeira é relacionada aos períodos sem dados para alguns países, que será controlada via inclusão de variáveis dummy, caso o país tenha ou não dados nesse período. A segunda dificuldade é a presença de efeitos específicos para cada país. Tal problema mostra-se um pouco mais complicado e será eliminado tirando a primeira diferença da equação (1). Após resolvê-los, outro desafio se apresenta: a maioria das variáveis explicativas tende a ser conjuntamente endógenas, e é necessário um cuidado para não gerar estimadores enviesados, devido à causalidade reversa ou simultaneidade. Assim como em Loayza et. al (2004), será utilizado o Método dos Momentos Generalizados (GMM, sigla em inglês), para estimação de modelos dinâmicos de painel. Tal método possui duas vantagens para esse tipo de modelo: controle dos efeitos não observados através da primeira diferença, conforme comentado acima, e na utilização, como instrumentos, de valores anteriores das próprias variáveis e das 18 mesmas defasadas, cuidando assim da endogeneidade, e evitando criar estimadores viesados. Após colocar o hiato do produto no grupo de variáveis X e retirar a primeira diferença para eliminar os efeitos específicos de cada país, podemos reescrever a equação (1) da seguinte forma: Em que os valores t-1 indicam que as variáveis estão defasadas em um período. 2.4 Amostragem e Estatística Descritiva A seleção de países para esse trabalho será limitada pela disponibilidade de dados. Levando-se em conta que temos muitas variáveis, e um longo período (de 1960 a 2008), entrarão na nossa amostra apenas os países que possuírem um mínimo de quatro períodos de cinco anos não justapostos. Tal número é necessário para aplicar a metodologia de variáveis instrumentais explicada anteriormente. Ao total, são 61 países (listados no apêndice A) e 205 observações incluídas na regressão. A Tabela I apresenta a estatística descritiva dos determinantes do crescimento para a amostra selecionada. Em relação à variável dependente, Taxa de Crescimento do Produto, é possível perceber uma grande dispersão nos dados, o que demonstra comportamentos distintos do crescimento das economias ao longo dos anos em análise. As demais variáveis também apresentam uma grande abrangência, com destaque ao índice de supervalorização da moeda, que possui um desvio-padrão muito significativo, indicando a presença de outliers na amostra. A Figura I apresenta o histograma da taxa de crescimento do produto, no qual podemos perceber uma alta concentração nos valores próximos a 0,08 e a grande variabilidade citada acima. 19 Tabela I - Estatística Descritiva dos Determinantes do Crescimento Médias de 5 Anos não Interpolados Crescimento do Produto (em Log) Produto Per Capita Inicial (em Log) Hiato do Produto (em Log) Educação (em Log) Mercado Financeiro (em Log) Abertura Comercial (em Log) Infra-Estrutura (em Log) Supervalorização da Moeda (em Log) Crises Bancárias Sistemáticas Termos de Troca Ausência de Estabilidade de Preços (em Log(100+infl)) Volatilidade Cíclica do Produto (desv. Padrão) Atuação Governamental (em Log) Período de Análise: 1960 – 2008 DesvioMín Máx Média Padrão 0,071 0,1265 -0,53 0,54 7,856 1,1488 5,42 10,76 -0,003 0,0965 -0,40 0,42 3,410 1,3133 0,00 5,05 3,357 0,8944 0,08 5,38 3,675 0,8901 1,94 5,87 3,264 2,1495 -1,85 6,59 0,998 126,2181 0,068 0,2090 0,00 1,00 -1,22 12,8954 -275,05 34,79 4,752 1,2384 4,57 7,80 0,039 0,0319 0,00 0,21 3,232 1,5450 2,14 14,44 -1369,2 662,02 Fonte: Construção do Autor Figura I – Histograma: Taxa de Crescimento do Produto Fonte: Construção do Autor 20 3. Resultados 3.1 Resultados da Regressão Primeiramente serão descritos os resultados obtidos neste trabalho, e posteriormente, os mesmos serão comparados com àqueles encontrados por Loayza et al (2004). A Tabela II apresenta os resultados da regressão GMM com períodos médios de cinco anos entre 1960 e 2008. Podem-se perceber alguns resultados não intuitivos, como o coeficiente negativo das variáveis Educação, Infraestrutura, Apreciação real da moeda e Atuação Governamental, porém ambas são estatisticamente zero. O nível de desenvolvimento do Mercado Financeiro possui coeficiente maior do que zero, o que é esperado, porém não é significativo, uma vez que seu p-valor é superior a 10%. O produto per capita inicial apresenta-se com o sinal esperado e é significativo. O fato do sinal ser menor do que zero indica a presença de convergência, já que países com menores PIB’s per capita terão taxas de crescimento superiores àqueles com produtos mais elevados, conforme descrito na seção 2.2. O Hiato do produto também apresenta resultado robusto, uma vez que se pode rejeitar a hipótese que seu valor é estatisticamente zero. Dessa forma, chegase à conclusão que fatores cíclicos afetam o crescimento dos países em períodos médios de cinco anos, o que já era esperado. O coeficiente menor do que zero indica que países que estão com o PIB acima da tendência de longo-prazo terão taxas de crescimento inferiores, e países que estão com níveis de produto per capita abaixo da tendência, terão taxas de crescimento mais altas. Através do coeficiente estimado, pode-se mensurar que um país que verificou um produto per capita 5% abaixo da tendência, tenderá a crescer aproximadamente 3,57% mais rápido nos anos seguintes. Das variáveis chamadas na parte 2.2 de Políticas Estruturais e Instituições apenas abertura comercial apresenta-se com sinal esperado e é significativa. Obteve-se um coeficiente positivo para esta, o que indica que quanto maior o nível de abertura comercial de um país, tão maior será seu crescimento econômico. Tal fato era esperado pelos cinco vetores que levavam um país aberto ao crescimento ((i) especialização, (ii) mercados potenciais a serem explorados, (iii) difusão de 21 tecnologia, (iv) diminuição de atitudes anti-competitivas e (v) queda na procura por atividades rent-seeking) explicados na seção 2.2 Tabela II - Resultados Médias de 5 Anos não Interpolados Produto Per Capita Inicial Período de Análise: 1960 - 2008 Coef Estat. T -0,1420924 1,99 -0,7151021 -7,05 -0,0090733 -0,24 0,0126998 0,42 0,1427541 4,52 -0,0138043 -0,52 0,0000103 0,34 -0,0728743 -2,53 -0,0009776 -2,76 -0,105136 -4,24 -1,012084 -4,59 0,0144363 0,74 -0,0095236 -0,96 (em Log) Hiato do Produto (Log (Produto atual/Prod. Potencial)) Educação (Inscrição no Ensino Secundário, em log) Mercado Financeiro (M2/PIB) , Em Log Abertura Comercial (Índice de abertura do WDI, em Log) Infra-Estrutura (Linhas telefônicas/1000 Hab, em Log) Supervalorização da Moeda (Log(TRC Atual/TRC Potencial))* Crises Bancárias Sistemáticas (freqüência de anos que um país esteve sob crise; 0-1) Termos de Troca (tx. Crescimento Termos de troca) Ausência de Estabilidade de Preços (Índice de inflação local, em Log(100+inf)) Volatilidade Cíclica do Produto (desvio-padrão do Hiato do Produto) Atuação Governamental (G/PIB, em Log) Intercepto * TRC = Taxa Real de Câmbio Fonte: Cálculo do Autor 22 As variáveis chamadas de Políticas de Estabilização são significativas (exceção feita para Supervalorização da Moeda, como dito anteriormente) e possuem os sinais esperados, o que indica que para o período selecionado, políticas macroeconômicas são muito importantes para sustentar o crescimento de longo prazo. A ausência de estabilidade de preços apresenta relação negativa com o crescimento econômico. Este resultado já era esperado, uma vez que altas taxas de inflação aumentam as incertezas do cenário macroeconômico futuro, diminuindo os investimentos, além disso, uma maior estabilidade dos preços permite que os tomadores de decisão concentrem seus esforços no desenvolvimento de atividades produtivas, e não na busca do controle de um maior risco, aumentando o crescimento econômico, conforme discorrido na seção 2.2. A presença de crises bancárias sistemáticas tem uma relação negativa com o crescimento econômico, o que também é esperado, já que países com um sistema bancário ineficiente não conseguem fornecer crédito às empresas, governos e bancos, diminuindo o investimento e o crescimento, como vastamente explicado na seção 2.2. Uma maior volatilidade cíclica do produto diminui o crescimento econômico, por conseqüência de um aumento na incerteza das firmas e investidores. Quanto maior a volatilidade do produto, mais difícil prever o nível do produto nos períodos posteriores, afetando assim o crescimento atual do PIB per capita. Em relação ao contexto internacional, mensurado pela taxa de crescimento dos termos-de-troca, encontra-se um resultado negativo, ou seja, quanto maior o crescimento dos termos de troca, menor será o crescimento econômico. Porém, tal resultado é contra-intuitivo, uma vez que, espera-se que um país cresça mais conforme o valor relativo de suas exportações supere o de suas importações. 3.2 Comparação com os Resultados de Loayza et al (2004) Em Loayza et al (2004), os autores chegaram a resultados diferentes daqueles encontrados nesse trabalho. A Tabela III apresenta a comparação dos resultados nos dois trabalhos, e as respectivas estatísticas t (entre parênteses) dos coeficientes estimados. Na segunda coluna são apresentados os resultados deste trabalho, enquanto na terceira coluna são apresentados aqueles encontrados por 23 Loayza et al (2004). É importante lembrar que a amostra de países é diferente nos dois trabalhos e que o trabalho de Loayza et al (2004) utilizada médias de cinco anos entre 1960 até 1999, enquanto neste trabalho também são utilizadas médias de cinco anos, porém entre 1960 e 2008. Além disso, alguns dados foram coletados de fontes distintas, o que pode ajudar a entender tais distorções. Tabela III - Comparação dos Resultados Médias de 5 Anos não Interpolados Produto Per Capita Inicial (em Log) Hiato do Produto (Log (Produto atual/Prod. Potencial)) Educação (Inscrição no Ensino Secundário, em log) Mercado Financeiro (M2/PIB) , Em Log Abertura Comercial (Índice de abertura do WDI, em Log) Infra-Estrutura (Linhas telefônicas/1000 Hab, em Log) Supervalorização da Moeda (Log(TRC Atual/TRC Potencial))* Crises Bancárias Sistemáticas (frequência de anos que um país esteve sob crise; 0-1) Termos de Troca (tx. Crescimento Termos de troca) Ausência de Estabilidade de Preços (Índice de inflação local, em Log(100+inf)) Volatilidade Cíclica do Produto (desvio-padrão do Hiato do Produto) Atuação Governamental (G/PIB, em Log) 1960 - 2008 1960 -2000 Coef (Regressão deste trabalho) Coef (Loayza et al (2004)) -0,1420924 (1,99) -0,0176 (-3,80) -0,7151021 (-7,05) -0,2371 (-8,52) -0,0090733 (-0,24) 0,0172 (6,70) 0,0126998 (0,42) 0,0066 (4,28) 0,1427541 (4,52) 0,0096 (3,14) -0,0138043 (-0,52) 0,0071 (2,71) 0,0000103 (0,34) -0,0061 (-3,90) -0,0728743 (-2,53) -0,0289 (-7,42) -0,0009776 (-2,76) 0,0720 (4,98) -0,105136 (-4,24) -0,0048 (-1,89) -1,012084 (-4,59) -0,2771 (-3,90) 0,0144363 (0,74) -0,0154 (-3,18) 24 Intercepto -0,0095236 (-0,96) 0,1216 (2,79) * TRC = Taxa Real de Câmbio Fonte: Cálculo do Autor Apesar dos resultados distintos para as variáveis Educação, Supervalorização da Moeda e Mercado Financeiro é importante destacar que quando Loayza, Fajnzylber e Calderón regridem para períodos médios de dez anos, tais variáveis também apresentam índice de significância baixo, ou seja, são estatisticamente zero, assim como encontrado neste trabalho. Especialmente para educação, tais autores fazem um adendo dizendo que, dado os resultados obtidos nas diversas especificações realizadas (MQO – Mínimos Quadrados Ordinários, GMM no nível e GMM nas diferenças), talvez a variável de aproximação para capital humano (percentual de estudantes inscritos no segundo grau, independentemente da idade) não seja a mais indicada. 3.3 Análise das previsões feitas em Loayza et al (2004) Para fazer as previsões do crescimento econômico da América Latina, os autores de Loayza et al (2004) utilizaram os coeficientes estimados na regressão por GMM, e dividiram o trabalho em duas partes. Na primeira, consideraram um cenário realista, e para isso, utilizaram as tendências recentes dos valores das variáveis estruturais como projeção do comportamento na próxima década. Na segunda, estimaram um cenário otimista, com uma melhora de 25% nas variáveis como educação, infra-estrutura e mercado financeiro, e com isso tentaram estimar um “limite” do crescimento possível para a região. Conforme é sabido, não houve melhoras significativas próximas a 25% em tais variáveis nos países da América Latina durante a primeira década dos anos 2000, sendo assim, neste trabalho compararemos os resultados obtidos pelas projeções do crescimento econômico no cenário realista, e, com isso, será possível analisar se o que Loayza, Fajnzylber e Calderón projetaram realmente ocorreu. Porém é importante notar que os autores não consideraram um possível crescimento da economia mundial na década em análise, entretanto, houve uma melhora significativa entre os anos de 2003 e 2007, que influenciou diretamente as economias latino-americanas e caribenhas. 25 A tabela IV mostra as comparações das projeções do crescimento feitas em Loayza et al (2004) e o crescimento realizado nos países em análise. Tabela IV - Projeção do Crescimento de Loayza et al (2004) e Resultados Reais 1990 - 1999 2000 – 2010 2000 - 2008 Resultados Reais Resultados Estimados por Loayza et al (2004) Resultados Reais Argentina Bolívia Brasil Chile Colômbia Costa Rica República Dominicana Haiti Honduras Jamaica México Nicarágua Panamá Paraguai Peru Trinidad e Tobago Uruguai Venezuela 3,72% 1,53% 1,07% 5,00% 0,72% 3,48% 3,75% -2,91% 0,12% -0,62% 1,42% 0,33% 2,80% -0,60% 2,32% 2,08% 2,70% -0,30% 1,52% 1,58% 3,72% 4,00% 1,73% 4,05% 0,54% -0,59% 0,93% 2,11% 3,05% 2,84% 2,33% 0,80% 2,21% 3,06% 1,46% -0,82% 2,80% 1,68% 2,04% 2,71% 2,71% 2,74% 3,22% -1,00% 2,60% 0,96% 1,17% 1,77% 3,88% 1,53% 3,95% 6,22% 2,66% 2,36% Média 1,48% 1,92% 2,44% Fonte: Construção do autor Podemos perceber uma variabilidade considerável entre os resultados previstos pelos autores e aqueles propriamente realizados. Dentre os dezoito países da amostra, onze o crescimento realizado é superior àquele previsto. É importante destacar o crescimento de Trinidad e Tobago no período, atingindo uma taxa média anual de 6,22% entre 2000 e 2008. Para este país, é possível perceber uma queda significativa na volatilidade do produto, além de uma boa estabilidade no nível de preços e uma maior abertura comercial no período em foco. Dentre os países com crescimento econômico inferior àquele previsto, é possível destacar o desempenho do Haiti. Em Loayza et al (2004), os autores citam que mesmo projetando -0,59% como taxa de crescimento do produto per capita, tal valor seria superior àquele 26 observado na década de 1990, na qual o país cresceu à -2,91%. Essa melhoria seria devido à menor volatilidade cíclica do produto e uma melhor política educacional. Porém nos dados reais para o período, não há disponibilidade para dados educacionais, e a volatilidade cíclica, apesar de cair entre 1995-2000, volta a subir entre 2000-2008, sendo assim, o crescimento real da economia haitiana foi inferior àquele previsto no trabalho. Análise do Brasil para o período em destaque Em Loayza et al (2004) os autores observam que o Brasil atingiria taxas de crescimento maiores na primeira década dos anos 2000 através de investimentos em uma forte expansão na educação, abertura comercial e infra-estrutura, assim como na solução de três problemas; (i) inflacionário, (ii) crise no balanço de pagamentos e (iii) crises bancárias sistemáticas. Podemos observar que realmente houve uma melhoria no nível de educação, passando de níveis médios de 70 alunos matriculados no ensino secundário (não importando a idade) para cada 1 represente da faixa etária oficial do ensino secundário entre 1990 e 2000, para 105 entre 2000 e 2008. A abertura comercial também sofre melhorias no período, enquanto média da soma dos valores das mercadorias exportadas e importadas sobre o PIB era de 13,8 entre 1990-2000, passou para 20,8 entre 2000-2008. Em relação à infra-estrutura, também é possível ver uma melhoria. Enquanto no período 1990-2000 existiam em média 8,9 linhas telefônicas fixas para cada 100 habitantes, entre 2000-2008 esse valor passa para 21, indicando um investimento em infra-estrutura, possivelmente guiado pelas privatizações ocorridas no início da primeira década dos anos 2000. As expectativas dos autores quanto às mudanças macroeconômicas do período para o Brasil também se concretizaram. A inflação se manteve controlada durante todo o período, o país passou a ser credor do FMI em 2008 e a crise bancária originada nos EUA afetaram relativamente menos o Brasil do que outros países. Porém, mesmo com todas essas evoluções citadas acima, o Brasil não conseguiu crescer à taxa média de 3,72% prevista por Loayza, Fajnzylber e Calderón, o que indica que o crescimento econômico brasileiro é menos sensível a tais variáveis do que a média dos países na amostra. Além disso, outros fatores podem levar a tal resultado, como o baixo crescimento no início dos anos 2000, 27 causado principalmente pela baixa credibilidade dos países Latino-Americanos gerados pela crise da Argentina. 4. Conclusão A América Latina e o Caribe passaram por momentos distintos no crescimento econômico entre 1960-2008. A maioria dos países teve um forte crescimento durante as décadas de 1960 e 1970, porém sofreu uma forte queda durante os anos 80, fruto principalmente da diminuição do crescimento mundial e da reversão cíclica natural após períodos de forte crescimento. Porém, ao contrário de alguns países da África Subsaariana, que, importante citar, também tiveram crescimento durante as décadas de 1960-70 e sofreram uma queda nos anos 80, os países da América Latina conseguiram se recuperar na década de 1990, entretanto, atingindo taxas de crescimento inferiores àquelas verificadas nas décadas posteriores ao meio do século. Analisando a primeira década dos anos 2000, o que se nota é uma melhora no desempenho econômico dos países da América Latina e do Caribe, em relação à década de 1990. Apesar de a reversão cíclica atuar como redutora do crescimento, a menor volatilidade cíclica do produto, o controle da inflação e um cenário internacional favorável, desempenharam papel fundamental nas taxas de crescimento da região, que foram em média 0,9% superiores à década anterior. Outro fator que ajudou a formar esse resultado foi uma maior abertura comercial dos países em questão. Através dos resultados da regressão realizada neste trabalho, fica difícil analisar os efeitos da educação, infra-estrutura, atuação governamental e a supervalorização da moeda no processo de desenvolvimento econômico latinoamericano na primeira década dos anos 2000, já que os coeficientes estimados são estatisticamente zero. Este resultado, apesar de ser diferente daquele atingido em Loayza et al (2004) quando os autores utilizaram médias de 5 anos não interpolados, são semelhantes àqueles que tais autores chegaram ao regredir para períodos médios de 10 anos, portanto não representa grande divergência do trabalho citado acima. 28 Para variáveis chamadas neste trabalho de políticas de estabilização fica clara suas relações com o crescimento econômico. Países que atuam de forma a diminuir a volatilidade do produto, controlar a taxa de inflação e evitar crises bancárias sistemáticas atingem invariavelmente taxas de crescimento mais altas. Além disso, em períodos de análise relativamente curtos (como realizado neste trabalho) reversão cíclica mostrou afetar diretamente o crescimento econômico, conforme projetado nas seções anteriores. Outro ponto que merece destaque é que para a amostra de países selecionada, há convergência condicional, já que países com produto per capita menores atingem taxas de crescimento superiores àqueles com nível de produto per capita maior. Em relação às projeções realizadas em Loayza et al (2004), é possível perceber uma grande variabilidade. Os autores não conseguiram acertar com precisão nenhuma taxa de crescimento dos países da América Latina para o período 2000-2008. Porém, ao comparar com o crescimento atingido na década de 1990, Loayza, Fajnzylber e Calderón conseguiram acertar se os países conseguiriam crescer mais, ou menos em 13 dos 18 países em análise. 5. Bibliografia LOAYZA, N., Fajnzylber, P., e Calderón, C. 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(2008). “Systemic Banking Crises: A New Database”, IMF Working Paper - Research Department, Novembro MILEVA E., (2007). “Using Arellano – Bond Dynamic Panel GMM Estimators in Stata”, Fordham University – Economics Department, Julho 6. Apêndice 6.1 Apêndice A – Países na Amostra Apêndice A - Países da Amostra Argentina Austrália Bolívia Brasil Burkina Faso Burundi Camarões Canadá Chade Chile Colômbia Congo, Dem. Rep. Costa Rica Cote d'Ivoire Dinamarca República Dominicana Egito Etiópia Gabão Gâmbia Grécia Haiti Honduras Islândia Índia Indonésia Iran Israel Jamaica Japão Coréia do Sul Lesoto América Latina e Caribe x x x x x x x x x x 30 Madagascar Malásia Mauritius México Marrocos Nepal Nicarágua Níger Noruega Paquistão Panamá Paraguai Peru Senegal Cingapura África do Sul Sri Lanka Suíça Síria Tanzânia Tailândia Togo Trinidad e Tobago Tunísia Turquia Estados Unidos Uruguai Venezuela Zâmbia x x x x x x x x