UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO Fernanda Maria de Oliveira Eficácia da fonoterapia no póspós-operatório de edema de Reinke em mulheres Ribeirão Preto 2012 Fernanda Maria de Oliveira Eficácia da fonoterapia no póspós-operatório de edema de Reinke em mulheres Dissertação apresentada à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo para a obtenção de título de Mestre em Ciências Médicas Área de concentração: Morfofisiologia de estruturas faciais Orientador: Prof. Dr. Hilton Marcos Alves Ricz Ribeirão Preto 2012 Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, dede que citada a fonte. Catalogação da Publicação Preparada pela Biblioteca do Serviço de Biblioteca e Documentação FICHA CATALOGRÁFICA Oliveira, Fernanda Maria de Eficácia da fonoterapia no pós-operatório de edema de Reinke em mulheres. Ribeirão Preto, 2012. 149 p.: il. ; 30 cm Dissertação de Mestrado, apresentada à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP. Área de concentração: Morfofisiologia de estruturas faciais. Orientador: Ricz, Hilton Marcos Alves. 1. Fonoterapia. 2. Cooperação do paciente. 3. Disfonia. 4. Edema de Reinke. 5. Fonocirurgia. Nome: Oliveira, Fernanda Maria Título: Eficácia da fonoterapia no pós-operatório de edema de Reinke em mulheres Dissertação apresentada à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo para a obtenção de título de Mestre Aprovado em: Banca Examinadora Prof. Dr. ______________________________Instituição: _____________________ Julgamento: _____________________ Assinatura: __________________________ Prof. Dr. ______________________________Instituição: _____________________ Julgamento: _____________________ Assinatura: __________________________ Prof. Dr. ______________________________Instituição: _____________________ Julgamento: _____________________ Assinatura: __________________________ Dedicatória A DEUS Por me amar primeiro, entregando Seu Filho. Por cuidar de mim em cada detalhe, desde antes de nascer. Porque é o único digno de receber todo o louvor e honra. Porque eu O amo mais que tudo. “Porque dEle, por meio dEle e para Ele são todas as coisas.” Romanos 11:36 AGRADECIMENTOS ESPECIAIS À minha mãe Lídia Que exigiu tanto de mim para que hoje eu pudesse estar aqui. Que me deu tantas provas de amor que muitas vezes eu não entendi. Que me ensinou tantas coisas no pouco tempo que estivemos juntas. (Porque 16 anos foi muito pouco para estar com alguém tão especial). Eu te amo muito e sinto sua falta. Ao meu pai Nilton Pai, obrigada por me incentivar a lutar por meus sonhos e pelo seu apoio em todos os momentos que precisei. Sua companhia e opinião são muito importantes pra mim. Os meus agradecimentos àquele que demonstrou que algumas atitudes demonstram amor para sempre. Obrigada pela correção do trabalho! Eu te amo muito. AGRADECIMENTOS À Ruth, pelas orações, paciência, conselhos e apoio, pelo exemplo de perseverança no Senhor. Obrigada pelo carinho. Ao meu orientador, Prof. Dr. Hilton, pelo cuidado com o trabalho, pelo ensino além da fonocirurgia, incentivo e orientação. À minha amiga, colega de trabalho e chefe, Profa. Dra. Lílian, que me auxilia até nas coisas pessoais da minha vida, que divide sonhos e segredos. Ela quem me ensinou, entre outras coisas, a trabalhar com a fonoterapia nas fonocirurgias e me mostrou a beleza da reabilitação destes pacientes. À Adriana, pelos anos de parceria no HC, pela amizade, apoio, carinho; por me suportar e ensinar sempre, pela ajuda na coleta, pelas orações e pela força. Sem você tudo teria sido muito mais difícil. À todas as companheiras da pós-graduação em Voz, especialmente a Telma, pela companhia, pela ajuda e por compartilhar as dificuldades. Também à Nathália e Sara pelo importante apoio nas análises. Às aprimorandas, residentes e alunas da graduação de Fonoaudiologia nos estágios de Diagnóstico de lesões benignas de laringe, às alunas do Curso de Especialização em Voz da USP. Obrigada por acompanhar meu trabalho e dar o suporte para a realização dele. Às colegas do Setor de Fonoaudiologia, que me apoiaram e acompanharam esta pesquisa e compartilham do prazer em ser fonoaudióloga. Este Setor concentra um conhecimento imenso de nossa profissão, que espero que ainda seja reconhecido como merece. Às secretárias do Setor de Fonoaudiologia, Juliana e Sandra, que ajudaram na parte burocrática, são especializadas no serviço e ainda o tornam mais agradável e sadio. Aos residentes de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço do HCFMRP, principalmente nos anos 2009, 2010 e 2011, pela colaboração na coleta de dados e realização das cirurgias. A todos que fazem parte da equipe de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço do HCFMRP, em especial à psicóloga Christiane pela amizade, e que compartilha da idéia de que a voz reflete muito mais do que harmônicos e formantes. Aos médicos assistentes da equipe de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço do HCFMRP, principalmente ao Dr. Daniel e à Profa. Dra. Fabiana, responsáveis pelos participantes deste trabalho. A satisfação de nossos pacientes não tem preço. Com muita satisfação agradeço aos meus familiares, avós, tios e primos; aos meus irmãos, cunhadas e sobrinhos, pelo carinho imenso, valorização do trabalho e apoio total. Com toda a certeza família é quem a gente escolhe. Obrigada por me escolher. Aos amados membros da Igreja Casa de Oração de Ribeirão Preto, principalmente ao pastor Hernandes, sua esposa Regina e aos jovens do grupo. Todos acompanharam este sonho desde o início do projeto e o sustentaram em oração. Obrigada por serem de fato meus irmãos em Cristo, vocês são muito importantes pra mim. Aos meus queridos amigos, em especial Priscila, Susie, Simone, Carol Roma e Lena, Lavínia, Marcela, Raquel, Lúcia, Carlos, Léo e Willian; que torceram muito para que esta etapa fosse concluída, opinaram em tantas coisas, dividiram meu sonho e multiplicaram minhas forças. A amizade definitivamente não se importa com tempo, distância e obstáculos. Ela simplesmente é. “Desde os tempos antigos ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu, e olho nenhum viu outro Deus, além de ti, que trabalha para aqueles que nEle esperam.” Isaías 64:4 NVI “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois assim dá Ele aos seus amados durante o sono.” Salmos 127:2 ARC RESUMO Oliveira FM. Eficácia da fonoterapia no pós-operatório de edema de Reinke em mulheres [dissertação]. Ribeirão Preto: Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, 2012. 149 f. O tratamento mais indicado para o edema de Reinke é a cirurgia, podendo ser associada à fonoterapia, que deve ser baseada nas orientações de saúde vocal e no treinamento utilizando técnicas vocais, com objetivo de promover adequada cicatrização e restabelecimento da voz em menor período de tempo. Diante disso, faz-se necessário avaliar a importância da terapia vocal como um instrumento que auxilia e influencia o restabelecimento da qualidade da voz e a reestruturação anatomofisiológica da prega vocal em indivíduos submetidos à fonomicrocirurgia. O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia da fonoterapia após fonomicrocirurgia em mulheres com edema de Reinke, por meio da auto-percepção de sinais e sintomas vocais, dos parâmetros acústicos e perceptivo-auditivos da voz. Foram avaliadas 22 mulheres, com idade média de 52 anos, submetidas à microcirurgia de laringe para tratamento de edema de Reinke e encaminhadas para avaliação fonoaudiológica no pré-operatório. Os sujeitos foram divididos em: grupo estudo (GE), composto de oito indivíduos que apresentaram adesão ao tratamento fonoaudiológico e grupo controle (GC), com 14 sujeitos, que não foram considerados aderentes. Os critérios de adesão foram: execução dos exercícios orientados, eliminação do abuso/mau uso vocal, realização do repouso vocal, hidratação adequada, eliminação do tabagismo e comparecimento à fonoterapia. Foram oferecidos, em média, cinco atendimentos fonoaudiológicos semanais. As mulheres foram submetidas à aplicação de escala visual analógica para auto-avaliação auditiva e tátil-cinestésica, utilizando o Questionário de Sintomatologia Vocal, mensuração do tempo máximo de fonação (TMF) e captura da amostra vocal para avaliação acústica, utilizando o software MDVP-Adv (KayPentax®), realizando análise da frequência fundamental e medidas de perturbação, de ruído, complementares e de estabilidade; e análise perceptivoauditiva realizada por três juízes fonoaudiólogos especialistas em Voz, fazendo-se uso da escala GIRBAS, acrescida do pitch e loudness. A coleta de dados foi realizada em quatro momentos: pré-operatório, uma semana de pós-operatório, de quatro a seis semanas depois da cirurgia e no retorno médico, cinco meses após. Observou-se redução dos sintomas vocais referidos pelos sujeitos de ambos os grupos, com o GE referindo melhora significativa para os sintomas táteiscinestésicos, especialmente a fadiga vocal, e para os auditivos, como rouquidão e pitch, comparado ao GC. Na avaliação perceptivo-auditiva e acústica, houve melhora nos sujeitos de ambos os grupos. Quando comparados, após o término do tratamento, o GE apresentou aumento significativo do TMF, da F0 e medidas de estabilidade, além de melhor desempenho para os parâmetros pitch e rugosidade, em relação ao GC. A maioria do GE continuou apresentando melhora dos parâmetros vocais nas avaliações perceptivo-auditiva e acústica, mesmo quatro meses após a alta fonoaudiológica. Com a comparação dos grupos, foi possível concluir que a fonoterapia oferecida foi eficaz, promovendo a melhora das queixas táteis-cinestésicas e de pitch grave referidas pelos sujeitos, o aumento da estabilidade vocal e da F0 obtidos pela análise acústica e a adequação do padrão vocal revelada pela avaliação perceptivo-auditiva. Palavras-chave: Fonoterapia, Cooperação do paciente, Disfonia, Edema de Reinke, Fonocirurgia. ABSTRACT Oliveira FM. Effectiveness of speech therapy in the postoperative period of Reinke's edema in women [thesis]. Ribeirão Preto: Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, 2012. 149 f. Reinke's edema is the accumulation of fluid in Reinke's space, a layer of the vocal folds, thickening and breakdown of the basement membrane, fibrosis and loss of flexibility. The main cause is smoking. The vocal fold vibration is damaged and the voice becomes hoarse and low pitch. The most common treatment is surgery, which may be associated with speech therapy. The therapy can be based on vocal health guidelines or training using vocal techniques, or both. As a complement to phonosurgery, speech therapy acts to promote proper healing and restoration of voice in a shorter time. For these goals are met, it is essential patient cooperation. The present study aimed to evaluate the effectiveness of speech therapy after phonosurgery in women with Reinke's edema, through self-perception of signs and symptoms vocals, acoustic and perceptual parameters. For this, we evaluated 22 women, mean age 52 years, mostly with basic education. The subjects were divided into study group (GE), with eight individuals who had adherence to therapy and control group (GC), with 14 subjects who were not adherent. The selection criteria for adherence were: implementation of targeted exercises, elimination of abuse / misuse vocal, vocal rest, adequate hydration, elimination of smoking and attendance at therapy. Were offered an average of five sessions weekly of voice therapy. The data was recorded preoperatively and seven days, five weeks and five months after the procedure. The instruments used for evaluation were: Vocal Symptomatology Questionnaire; Maximum Phonation Time (MPT), acoustic analysis of F0 and measures of disturbance, noise, complementary and stability, and perceptual analysis by GIRBAS scale, pitch and loudness. There was a reduction of vocal symptoms reported by subjects in both groups, with significant improvement in GE referring to the symptoms and tactile-kinesthetic pitch, compared to GC. In perceptual assessment and acoustic, there was improvement in the subjects in both groups. After the treatment, the GE had significant increase in the TMF, the F0 and stability measures, and better performance for pitch and roughness parameters. Most of GE continued to display improvement in vocal parameters in perceptual ratings and acoustic, even four months after discharge from rehabilitation. The collected sample confirms the dimensions reported and the results are also according to the literature. There was close relationship between clinical findings and complaints from individuals. The profile of patients who had treatment compliance were: older age, higher educational level, poor vocal quality and most vocal complaint. This may suggest that the severity of dysphonia may encourage adherence to treatment. With the comparison between groups was possible to conclude that the speech therapy was effective, promoting the improvement of complaints tactile-kinesthetic and low pitch reported by the subjects, increased stability and vocal F0 obtained by the acoustic analysis and the adequacy of the vocal pattern revealed by perceptual assessment. Keywords: Speech Therapy, Patient compliance, Dysphonia, Reinke's edema, Phonosurgery. LISTA DE TABELAS Tabela 1. Descrição da média, desvio-padrão (DP), mediana, mínimo (Mín) e máximo (Máx) para os valores atribuídos pelos sujeitos às perguntas do questionário “Análise do esforço e sintomatologia vocal” no pré-operatório (Pré-op), sendo 0mm = ausência de sinais e sintomas e 100mm = sensação extrema, para os dois grupos. (GE n= 7; GC n= 12) Todos os valores estão em milímetros....................................71 Tabela 2. Descrição da média, desvio-padrão (DP), mediana, mínimo (Mín) e máximo (Máx) para os valores atribuídos pelos sujeitos às perguntas do questionário “Análise do esforço e sintomatologia vocal” uma semana após a cirurgia (Pós-opA), sendo 0mm = ausência de sinais e sintomas e 100mm = sensação extrema, para os dois grupos. (GE n= 6; GC n= 10) Todos os valores estão em milímetros................72 Tabela 3. Descrição da média, desvio-padrão (DP), mediana, mínimo (Mín) e máximo (Máx) para os valores atribuídos pelos sujeitos às perguntas do questionário “Análise do esforço e sintomatologia vocal” cinco semanas após a cirurgia (PósopB), sendo 0mm = ausência de sinais e sintomas e 100mm = sensação extrema para os dois grupos. (GE n= 7; GC n= 11) Todos os valores estão em milímetros...73 Tabela 4. Descrição da média, desvio-padrão (DP), mediana, mínimo (Mín) e máximo (Máx) para os valores atribuídos pelos sujeitos às perguntas do questionário “Análise do esforço e sintomatologia vocal” cinco meses após a cirurgia (Pós-opC), sendo 0mm = ausência de sinais e sintomas e 100mm = sensação extrema para os dois grupos. (GE n= 6; GC n= 11). Todos os valores estão em milímetros...............74 Tabela 5. Descrição da média, desvio-padrão (DP), mediana, mínimo e máximo para o TMF, nos momentos: pré-operatório (pré-op), uma semana depois da cirurgia (pósopA), cinco semanas pós-operatório (pós-opB) e cinco meses após a cirurgia (pósopC), para ambos os grupos e o p-valor da comparação entre eles. (pré-op: GE, n= 8, GC n= 14; pós-opA: GE n=7, GC n=12; pós-opB: GE n=8, GC n=13; pós-opC: GE n=7, GC n= 12). Todos os valores estão em segundos............................................78 Tabela 6: Descrição da média, desvio padrão, mediana e valores mínimo (Mín) e máximo (Máx) da frequência fundamental (F0), em Hertz (Hz), nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), uma semana pós-operatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB)e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC). (pré-op: GE n= 7, GC n= 13; pós-opA: GE n= 7, GC n= 10; pós-opB: GE n= 8, GC n= 11; pós-opC: GE n= 7, GC n= 12) ............................................................................81 Tabela 7: Descrição da média, desvio padrão, mediana e valores mínimo (Mín) e máximo (Máx) dos parâmetros Amplitude Perturbation Quotient (APQ) e Pitch Period Perturbation Quotient (PPQ), em porcentagem (%), nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), uma semana pós-operatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB)e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC). (pré-op: GE n= 7, GC n= 13; pós-opA: GE n= 7, GC n= 10; pós-opB: GE n= 8, GC n= 11; pós-opC: GE n= 7, GC n= 12).............................................................................83 Tabela 8: Descrição da média, desvio padrão, mediana e valores mínimo (Mín) e máximo (Máx) dos parâmetros Noise-to-Harmonic Ratio (NHR), Soft Phonation Index (SPI) e Voice Turbulence Index (VTI), nos quatro momentos de avaliação: préoperatório (pré-op), uma semana pós-operatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB)e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC). (pré-op: GE n= 7, GC n= 13; pós-opA: GE n= 7, GC n= 10; pós-opB: GE n= 8, GC n= 11; pós-opC: GE n= 7, GC n= 12).........................................................................................................85 Tabela 9: Descrição da média, desvio padrão, mediana e valores mínimo (Mín) e máximo (Máx) dos parâmetros Degree of subharmonic components (DSH), Degree of Voiceless (DUV) e Degree of Voice Breaks (DVB), em porcentagem (%), nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), uma semana pós-operatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB)e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC). (pré-op: GE n= 7, GC n= 13; pós-opA: GE n= 7, GC n= 10; pósopB: GE n= 8, GC n= 11; pós-opC: GE n= 7, GC n= 12)..........................................88 Tabela 10: Descrição da média, desvio padrão, mediana e valores mínimo (Mín) e máximo (Máx) dos parâmetros Amplitude Tremor Intensity Index (ATRI); AmplitudeTremor Frequency (Fatr), em Hertz (Hz); F0-Tremor Frequency (Fftr), em Hertz (Hz); Frequency Tremor Intensity Index (FTRI), em porcentagem (%);Phonatory Fundamental Frequency Range (PFR), em semi-tons (st) e Coeficient of Fundamental Frequency Variation (vF0), em porcentagem (%), nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), uma semana pós-operatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB)e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC). (pré-op: GE n= 7, GC n= 13; pós-opA: GE n= 7, GC n= 10; pós-opB: GE n= 8, GC n= 11; pós-opC: GE n= 7, GC n= 12).............................................................................91 Tabela 11. Valores do parâmetro Astenia (A), segundo cada juiz, para cada sujeito.........................................................................................................................94 Tabela 12. Valores do coeficiente de correlação intra-classe (ICC), intervalos de confiança (Int Conf) e valor de p da avaliação dos juízes para os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de freqüência (I – F), nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), uma semana pós-operatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB)e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC).......................................................................................................95 Tabela 13. Valores do coeficiente Kappa, intervalos de confiança (Int Conf) e valor de p da avaliação dos juízes para os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F), Loudness e Pitch, nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), uma semana pós-operatório (pósopA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB) e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC)...................................................................................................................96 Tabela 14. Valores do coeficiente de correlação intra-classe (ICC), intervalos de confiança (Int Conf) e valor de p da avaliação intra-juízes para os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F)..........97 Tabela 15. Valores do coeficiente Kappa, intervalos de confiança (Int Conf) e valor de p da avaliação dos juízes para os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F), Loudness e Pitch..................97 Tabela 16: Distribuição dos sujeitos de acordo com os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F) e seus respectivos graus de severidade Normal (Nor), Discreto (Disc), Moderado (Mod) e Severo (Sev), nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), uma semana pósoperatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB) e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC). (pré-op: GE n= 8, GC n= 14; pós-opA: GE n= 7, GC n= 12; pós-opB: GE n= 8 e GC n= 13; pós-opC: GE n= 7 e GC n= 12)..........................98 Tabela 17: Distribuição dos sujeitos pela avaliação do Pitch de acordo com os graus de severidade, nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), uma semana pós-operatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB) e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC). (pré-op: GE n= 8, GC n= 14; pós-opA: GE n= 7, GC n= 12; pós-opB: GE n= 8 e GC n= 13; pós-opC: GE n= 7 e GC n= 12)............................................................................................................................103 Tabela 18: Distribuição dos sujeitos pela avaliação do Loudness de acordo com os graus de severidade, nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), uma semana pós-operatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pósopB)e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC). (pré-op: GE n= 8, GC n= 14; pósopA: GE n= 7, GC n= 12; pós-opB: GE n= 8 e GC n= 13; pós-opC: GE n= 7 e GC n= 12)............................................................................................................................105 LISTA DE FIGURAS Quadro 1. Caracterização dos sujeitos submetidos à cirurgia de edema de Reinke, com idade, escolaridade e se já havia interrompido tabagismo antes da primeira avaliação, divididos em GE e GC, de acordo com a adesão ao tratamento ............57 Quadro 2. Caracterização dos sujeitos submetidos à cirurgia de edema de Reinke, distribuídos pelos grupos GE e GC e a adesão ao tratamento fonoaudiológico, segundo cada item considerado para definição dos grupos......................................58 Fluxograma 1: Procedimentos realizados na pesquisa, na ordem em que ocorreram, e a definição dos grupos estudados, selecionados pelos critérios descritos............60 Quadro 3: Parâmetros acústicos utilizados na análise das vozes, com siglas, nomes, descrições e valores de normalidade para mulheres, segundo o MDVP................. 65 Quadro 4: Classificação do pitch e loudness e graduação utilizada para análise perceptivo-auditiva das voes realizada pelos experts.............................................. 66 Quadro 5: Valores do coeficiente Kappa e a classificação da força de concordância atribuída.................................................................................................................... 68 Gráfico 1: Valores da mediana do Questionário de Sintomatologia Vocal, em milímetros, dos sujeitos do GE nos momentos pré-operatório (pré-op) (n=7), e após cinco meses (pós-opC) (n=6) e os valores de p.........................................................75 Gráfico 2: Valores da mediana do Questionário de Sintomatologia Vocal, em milímetros, dos sujeitos do GE nos momentos uma semana pós-operatório (pósopA) (n= 6) e cinco semanas pós-operatório (pós-opB) (n=7), e os valores de p....76 Gráfico 3: Valores da mediana Questionário de Sintomatologia Vocal, em milímetros, dos sujeitos do GC nos momentos pré-operatório (pré-op) (n=12), e após cinco meses (pós-opC) (n= 10) e os valores de p...............................................................76 Gráfico 4: Valores da mediana do Questionário de Sintomatologia Vocal, em milímetros, dos sujeitos do GC nos momentos uma semana pós-operatório (pósopA) (n=10), e cinco semanas pós-operatório (pós-opB) (n= 11), e os valores de p.................................................................................................................................77 Gráfico 5: Valores da mediana do TMF, em segundos, dos sujeitos do GE nos momentos pré-operatório (pré-op) (n=8), e após cinco meses (pós-opC) (n=7) e o valor de p...................................................................................................................78 Gráfico 6: Valores da mediana do TMF, em segundos, dos sujeitos do GC nos momentos pré-operatório (pré-op) (n=14), e após cinco meses (pós-opC) (n= 12) e o valor de p...................................................................................................................79 Gráfico 7: Valores da mediana do TMF, em segundos, dos sujeitos do GE nos momentos uma semana pós-operatório (pós-opA) (n= 7) e cinco semanas pósoperatório (pós-opB) (n=8), e o valor de p................................................................79 Gráfico 8: Valores da mediana do TMF, em segundos, dos sujeitos do GC nos momentos uma semana pós-operatório (pós-opA) (n=12), e cinco semanas pósoperatório (pós-opB) (n= 13), e o valor de p..............................................................79 Gráfico 9: Valores da mediana da Frequência fundamental (F0), em Hertz, dos sujeitos nos momentos pré-operatório (pré-op) ( GE n=7, GC n= 14), e após cinco meses (pós-opC) (GE n= 7, GC n=13) e os valores de p..........................................81 Gráfico 10: Valores da mediana da Frequência fundamental (F0), em Hertz, dos sujeitos nos momentos uma semana pós-operatório (pós-opA) (GE n=7, GC n= 12), e cinco semanas pós-operatório (pós-opB) (GE n= 8, GC n=13) e os valores de p.................................................................................................................................82 Gráfico 11: Valores da mediana do Amplitude Perturbation Quotient (APQ) e Pitch Period Perturbation Quotient (PPQ), em porcentagem (%), dos sujeitos nos momentos pré-operatório (pré-op) ( GE n=7, GC n= 14), e após cinco meses (pósopC) (GE n= 7, GC n=13) e os valores de p..............................................................83 Gráfico 12: Valores da mediana da Amplitude Perturbation Quotient (APQ) e Pitch Period Perturbation Quotient (PPQ), em porcentagem (%), dos sujeitos nos momentos uma semana pós-operatório (pós-opA) (GE n=7, GC n= 12), e cinco semanas pós-operatório (pós-opB) (GE n= 8, GC n=13) e os valores de p..............84 Gráfico 13: Valores da mediana do Noise-to-Harmonic Ratio (NHR) e Voice Turbulence Index (VTI), dos sujeitos nos momentos pré-operatório (pré-op) (GE n=7, GC n= 14), e após cinco meses (pós-opC) (GE n= 7, GC n=13) e os valores de p.................................................................................................................................86 Gráfico 14: Valores da mediana da Noise-to-Harmonic Ratio (NHR) e Voice Turbulence Index (VTI), dos sujeitos nos momentos uma semana pós-operatório (pós-opA) (GE n=7, GC n= 12), e cinco semanas pós-operatório (pós-opB) (GE n= 8, GC n=13) e os valores de p.......................................................................................86 Gráfico 15: Valores da mediana do Soft Phonation Index (SPI) dos sujeitos nos momentos pré-operatório (pré-op) (GE n=7, GC n= 14) e após cinco meses (pósopC) (GE n= 7, GC n=13) e o valor de p...................................................................87 Gráfico 16: Valores da mediana do Soft Phonation Index (SPI) dos sujeitos nos momentos uma semana pós-operatório (pós-opA) (GE n=7, GC n= 12), e cinco semanas pós-operatório (pós-opB) (GE n= 8, GC n=13) e o valor de p...................87 Gráfico 17: Valores da mediana do Amplitude Tremor Intensity Index (ATRI); Amplitude-Tremor Frequency (Fatr), em Hertz (Hz); F0-Tremor Frequency (Fftr), em Hertz (Hz); Frequency Tremor Intensity Index (FTRI), em porcentagem (%);Phonatory Fundamental Frequency Range (PFR), em semi-tons (st) e Coeficient of Fundamental Frequency Variation (vF0), em porcentagem (%), dos sujeitos nos momentos pré-operatório (pré-op) ( GE n=7, GC n= 14), e após cinco meses (pósopC) (GE n= 7, GC n=13) e os valores de p..............................................................92 Gráfico 18: Valores da mediana da Amplitude Tremor Intensity Index (ATRI); Amplitude-Tremor Frequency (Fatr), em Hertz (Hz); F0-Tremor Frequency (Fftr), em Hertz (Hz); Frequency Tremor Intensity Index (FTRI), em porcentagem (%);Phonatory Fundamental Frequency Range (PFR), em semi-tons (st) e Coeficient of Fundamental Frequency Variation (vF0), em porcentagem (%), dos sujeitos nos momentos uma semana pós-operatório (pós-opA) (GE n=7, GC n= 12), e cinco semanas pós-operatório (pós-opB) (GE n= 8, GC n=13) e os valores de p.............92 Gráfico 19: Distribuição dos sujeitos do grupo estudo (GE) de acordo com os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F) e seus respectivos graus de severidade, na comparação dos momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), cinco meses depois da cirurgia (pós-opC) e seus p-valores. (pré-op: n= 8; pós-opC: n= 7)........................................99 Gráfico 20: Distribuição dos sujeitos do grupo controle (GC) de acordo com os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F) e seus respectivos graus de severidade e a comparação dos momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op) e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC). (pré-op: n= 14; pós-opC: n= 12)...............................................................99 Gráfico 21: Distribuição dos sujeitos do grupo estudo (GE) de acordo com os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F) e seus respectivos graus de severidade, e a comparação dos momentos de avaliação: uma semana pós-operatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB) e seus p-valores. (pós-opA: n= 7; pós-opB: n= 8).....100 Gráfico 22: Distribuição dos sujeitos do grupo controle (GC) de acordo com os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F) e seus respectivos graus de severidade, e a comparação dos momentos de avaliação: uma semana pós-operatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB) e seus p-valores. (pós-opA: n=12; pós-opB: n=13)...100 Gráfico 23: Distribuição dos sujeitos de acordo com os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F) e seus respectivos graus de severidade, na comparação dos momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), cinco meses depois da cirurgia (pós-opC)................................................103 Gráfico 24: Distribuição dos sujeitos pela avaliação do Pitch de acordo com os graus de severidade, na comparação dos momentos de avaliação: uma semana pósoperatório (pós-opA) e cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB) e seus p-valores. (pós-opA: n= 7, pós-opB: n= 8)................................................................................104 Gráfico 25: Distribuição dos sujeitos do grupo controle (GC) pela avaliação do Pitch de acordo com os graus de severidade, na comparação dos momentos de avaliação: uma semana pós-operatório (pós-opA) e cinco semanas depois da cirurgia (pósopB). (pós-opA: GC n= 12; pós-opB: n= 13)...........................................................104 Gráfico 26: Distribuição dos sujeitos grupo controle (GC) pela avaliação do Pitch de acordo com os graus de severidade, na comparação dos momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC) e seus pvalores. (pré-op: n= 14; pós-opC: n= 12)................................................................104 ANEXOS Anexo 1. Termo de Consentimento Livre e Esclarecido..........................................127 Anexo 2. Questionário de Sintomatologia Vocal......................................................131 Anexo 3. Protocolo Avaliação da Voz – Adulto........................................................133 Anexo 4. Orientações pós-operatórias para lesões benignas de laringe.................136 Anexo 5: Prova terapêutica para seleção de exercícios..........................................137 LISTA DE SIGLAS HCFMRP-USP - Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo TCLE - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido EVA - Escala auto-perceptiva visual-analógica CAPE-V - Consenso de Avaliação Perceptivo-Auditiva da Voz – ASHA 2002 TMF - tempo máximo de fonação DRGE – Doença do refluxo gastroesofágico F0 – Frequência fundamental DSI – Dysphonia Severity Index GIRBAS– Escala de avaliação vocal perceptivo-auditiva VHI – Voice Handicap Index (adaptado para a língua portuguesa como Índice de Desvantagem Vocal) GC – Grupo controle. Constituído de sujeitos que não seguiram à maior parte das orientações feitas pelo fonoaudiólogo quanto aos cuidados no período pósoperatório e à terapia vocal ou não compareceram. GE – Grupo estudo. Conjunto de indivíduos que apresentaram adesão ao tratamento fonoaudiológico auxiliar a fonomicrocirurgia. Pré-op - momento de avaliação antes da cirurgia Pós-opA – momento de avaliação uma semana após a cirurgia Pós-opB – momento de avaliação após o tempo correspondente à alta fonoaudiológica, em média cinco semanas Pós-opC – momento de avaliação de pós-operatório tardio, em média cinco meses após a cirurgia APQ - Amplitude Perturbation Quotient ATRI - Amplitude Tremor Intensity Index DSH - Degree of subharmonic components DUV - Degree of Voiceless DVB - Degree of Voice Breaks Fatr - Amplitude-Tremor Frequency Fftr - Fo-Tremor Frequency FTRI - Frequency Tremor Intensity Index NHR - Noise-to-Harmonic PFR - Phonatory Fundamental Frequency Range PPQ - Pitch Period Perturbation Quotient / SPI - Soft Phonation Index vFo - coefficient of Fundamental Frequency VTI - Voice Turbulence SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................25 1.1. Proposições ......................................................................................................27 2. REVISÃO DE LITERATURA ................................................................................29 2.1. Histopatologia do edema de Reinke ...............................................................33 2.2 Fonomicrocirurgias e cuidados pré e pós-operatórios .................................35 2.3. Terapia vocal .....................................................................................................45 3. CASUÍSTICA E MÉTODOS ..................................................................................54 3.1. Considerações éticas .......................................................................................55 3.2. Caracterização da amostra ..............................................................................55 3.3. Critérios de inclusão ........................................................................................56 3.4. Critérios de exclusão .......................................................................................56 3.5. Etapas da coleta de dados ..............................................................................59 3.6. Terapia fonoaudiológica ..................................................................................59 3.7. Questionário de Sintomatologia Vocal .........................................................62 3.8. Tempo máximo de fonação .............................................................................63 3.9. Análise vocal ....................................................................................................63 3.9.1. Análise acústica ............................................................................................64 3.9.2. Análise perceptivo-auditiva..........................................................................64 3.9.2.1. Seleção e treinamento dos juízes-fonoaudiólogos (expertos) ..............66 3.10. Análise estatística...........................................................................................68 4. RESULTADOS.......................................................................................................69 4.1 Resultados do Questionário de Sintomatologia Vocal...................................70 4.2 Resultados do Tempo Máximo de Fonação....................................................77 4.3 Parâmetros acústicos........................................................................................80 4.3.1 Average Fundamental Frequency (F0)..........................................................80 4.3.2. Medidas de Perturbação ...............................................................................82 4.3.3. Medidas de ruído............................................................................................84 4.3.4. Medidas complementares..............................................................................87 4.3.5. Medidas de estabilidade................................................................................89 4.4 Avaliação perceptivo-auditiva da voz...............................................................93 4.4.1. Análise da concordância entre juízes..........................................................93 4.4.2 Parâmetros perceptivo-auditivos...................................................................97 4.4.2.1. Grau geral da disfonia (G) .......................................................................101 4.4.2.2. Rugosidade (R) .........................................................................................101 4.4.2.3. Astenia (A) e Tensão (S) ..........................................................................101 4.4.2.4. Instabilidade (I) .........................................................................................102 4.4.2.5. Pitch ...........................................................................................................102 4.4.2.6. Loudness....................................................................................................105 5. DISCUSSÃO........................................................................................................106 6. CONCLUSÃO......................................................................................................122 7. FONTES CONSULTADAS..................................................................................124 8. ANEXOS..............................................................................................................126 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................138 1. INTRODUÇÃO 25 Introdução 1. INTRODUÇÃO A voz é o produto da vibração gerada nas pregas vocais e modificada pelo trato vocal. Ela é parte da fala e traz informações sobre o falante, como faixa etária, sexo, condições sociais, personalidade e estado emocional. A voz identifica o sujeito, torna a comunicação oral completa e é instrumento de trabalho para muitos. A disfonia é toda e qualquer dificuldade ou alteração na emissão natural da voz, que consequentemente afeta a comunicação oral em diferentes níveis. Os prejuízos sociais e ocupacionais causados pelas disfonias são cada vez mais discutidos, pois, na vida moderna, há uma valorização relevante da comunicação oral eficiente (Koufman et al., 1989; Rulnick et al., 1993; Zeitels et al., 2002; Krecicki et al., 2004; Dursun et al., 2007; Vukasinovic et al., 2008; Van Dinther et al., 2009; Cheng et al., 2010). Existem várias patologias que podem causar disfonia. Parte delas é caracterizada por lesões laríngeas e uma destas lesões é o edema de Reinke. O edema de Reinke tem como principal causa o tabagismo, associado ao uso abusivo da voz. O indivíduo com edema de Reinke pode apresentar dispnéia, sensação de corpo estranho e disfonia em vários graus, com presença de voz grave. Geralmente, a lesão é bilateral, identificada pelo inchaço das pregas vocais, provocando a aperiodicidade de vibração destas, gerando disfonia. O edema é progressivo e, em casos mais severos, deforma as pregas vocais (Vecerina-Volic et al., 1997; Murry et al., 1999; Marcotullio, Magliulo, Pietrunti et al., 2002; Lim et al., 2006; Chung et al., 2009; Hantzakos et al., 2009). Uma das mais importantes características desta lesão é que, quando acomete mulheres, faz com que muitas vezes, suas vozes se assemelhem às vozes masculinas (Bennett et al., 1987; Milutinovic, 1997; Vecerina-Volic et al., 1997). O diagnóstico inclui não só a identificação da lesão, como sua classificação e avaliação completa do indivíduo, para definição do tratamento. As possibilidades terapêuticas incluem tratamento conservador ou a microcirurgia de laringe. Esperase que estes sintomas sejam reduzidos ou, se possível, eliminados com o tratamento (Freedman et al., 1990; Shiba et al., 1992; Murry et al., 1999; Raabe et al., 1999; Goswami et al., 2003; Lim et al., 2006; Dursun et al., 2007; Vukasinovic et al., 2008). Para melhorar a qualidade vocal nestes casos é necessário que se tenha restauração da cobertura das pregas vocais, do ciclo glótico e das forças 26 Introdução mioelásticas da laringe. A remoção cirúrgica do edema e do excesso de tecido formado pela alteração do espaço de Reinke proporciona condições para que isso aconteça, mas não é o suficiente (Koufman et al., 1989; Behrman et al., 2003; Nawka, 2008). O indivíduo deve ter bons hábitos vocais, como hidratação correta, eliminação do abuso vocal, controle de alergias das vias aéreas superiores e da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e, obrigatoriamente, interromper o vício do fumo. Esta mudança de comportamento é orientada durante a terapia vocal e a cooperação do paciente é imprescindível. Para resolução da disfonia, as pregas vocais devem apresentar uma adequada vibração da mucosa, sem cicatrizes pós-operatórias e com um padrão diferente do que ocorria com a presença da lesão. A terapia fonoaudiológica após a cirurgia tem como objetivo auxiliar em todos estes níveis, promovendo saúde vocal, reabilitando o status laríngeo pós-operatório e proporcionando condições anatomofisiológicas necessárias para melhorar a qualidade vocal (Nielsen et al., 1986; Koufman et al., 1989; Lumpkin et al., 1990; Shiba et al., 1992; Murry et al., 1999; Raabe et al., 1999; Goswami et al., 2003; Dailey, 2006; Dursun et al., 2007; Sommer et al., 2007; Cikojevic et al., 2010). A fonomicrocirurgia, bem como a terapia vocal, são tratamentos que proporcionam resultados satisfatórios e a associação destes tratamentos foi descrita por vários autores (Nielsen et al., 1986; Koufman et al., 1989; Lumpkin et al., 1990; Shiba et al., 1992; Milutinovic, 1997; Caporrino Neto, 1998; Murry et al., 1999; Raabe et al., 1999; Remacle et al., 1999; Zeitels et al., 2002; Goswami et al., 2003; Dailey, 2006; Dursun et al., 2007; Sataloff et al., 2007; Sommer et al., 2007; Kluch et al., 2009; Cikojevic et al., 2010; Toran et al., 2011). A necessidade de avaliar os efeitos de um tratamento aumentou nos últimos anos em virtude da ciência baseada em evidências. Estudos a respeito da eficácia da fonoterapia são essenciais para a construção deste tipo de conhecimento na área. A terapia vocal exige não só o conhecimento da área e o planejamento de um programa de saúde vocal eficiente, mas também o domínio das técnicas utilizadas no treinamento, com a dosagem e frequência das realizações. Não há consenso na literatura sobre estes dados e poucos relatos detalhados, o que dificulta a definição das limitações terapêuticas e os prognósticos. 27 Introdução Diante disso, estudos que avaliem a importância da terapia vocal como instrumento que auxilia e influencia o restabelecimento da qualidade da voz e a reestruturação anatomofisiológica da prega vocal em indivíduos submetidos à microcirurgia de laringe podem proporcionar relevantes conhecimentos para a fundamentação do tratamento indicado e consequentemente, benefícios aos pacientes que necessitam da reabilitação da comunicação oral. Deve-se ressaltar que para avaliar um tratamento como efetivo não se pode desconsiderar a opinião do paciente, suas expectativas e o impacto dos sintomas nos domínios pessoal, profissional e social. As pesquisas que avaliam o tratamento da fonomicrocirurgia combinada à fonoterapia, em sua grande maioria, se atêm aos dados clínicos, sem verificar a satisfação do indivíduo submetido ao tratamento proposto. Portanto, apesar da conhecida importância dos cuidados após a cirurgia e do treinamento vocal para restabelecimento da voz, há poucos estudos a respeito da terapia fonoaudiológica complementar às microcirurgias de laringe que expõem detalhadamente os aspectos trabalhados, os resultados obtidos considerando o ponto de vista do clínico e do paciente, além da adesão ao tratamento. 1.1. Proposições Avaliar a eficácia da terapia fonoaudiológica após microcirurgia de laringe em mulheres com edema de Reinke, por meio: - da auto-percepção de sinais e sintomas vocais; - dos parâmetros acústicos; - das medidas perceptivo-auditivas da voz. 28 Revisão de literatura 2. REVISÃO DE LITERATURA 29 Revisão de literatura 2. REVISÃO DE LITERATURA O edema de Reinke é uma lesão laríngea benigna, de aspecto polipóide, difuso e está localizado na camada superficial da lâmina própria. É o acúmulo de fluído viscoso no espaço de Reinke (Murry et al., 1999; Marcotullio, Magliulo, Pietrunti et al., 2002; Lim et al., 2006; Hantzakos et al., 2009). O primeiro a identificar o compartimento atualmente chamado espaço de Reinke foi o anatomista alemão Friedrich Berthold Reinke (1862-1919) ao estudar um edema membranoso na laringe. Sua contribuição para a laringologia moderna foi notável e a caracterização da camada que recebeu seu nome é muito importante não só para compreensão do edema de Reinke, mas também de outras patologias laríngeas e processos terapêuticos (Drager et al., 2010). A camada superficial da lâmina própria, ou espaço de Reinke, é vital para a função fonatória. Esta camada é composta principalmente de fibras soltas e matriz extracelular, que é uma entidade dinâmica. São encontrados miofibroblastos em alta densidade. Acredita-se que sua presença indica que a prega vocal está passando por momentos de pequenas lesões e reparo constante e estes danos são maiores neste compartimento. Os fibroblastos sintetizam a matriz, que é constituída por fibras colágenas que aumentam a resistência ao estiramento, fibras elásticas paralelas à borda livre que mantém o formato do tecido quando submetido à pequenas trações, fibronectina para adesão e regeneração, podendo causar fibrose e o ácido hialurônico, que regula as propriedades viscoelásticas das pregas vocais absorvendo o choque e protegendo do trauma. O espaço de Reinke tem menor concentração de fibras elásticas e colágenas e oferece menor resistência à vibração. É como uma massa macia e gelatinosa. No espaço de Reinke, também são encontrados macrófagos, que combatem os agentes inflamatórios (Thibeault, 2005; Noordzij et al., 2006; Nawka, 2008; Cielo et al., 2011). É consenso de que a principal etiologia do edema de Reinke é o tabagismo (Vecerina-Volic et al., 1997; Marcotullio, Magliulo, Pietrunti et al., 2002). O uso intenso da voz é considerado um fator agravante. Alguns relacionam à doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e outros às doenças da tireóide (Murry et al., 1999; Lim et al., 2006; Chung et al., 2009; Hantzakos et al., 2009). Tsikoudas et al. (2006) ofereceram terapia de reposição hormonal à pacientes com edema de Reinke e não 30 Revisão de literatura observaram mudança na lesão após o tratamento, sugerindo que não há relação direta entre a função tireoidiana e o edema de Reinke. A lesão se desenvolve pela agressão por tempo prolongado causada pela exposição frequente ao tabaco e à tosse crônica, que altera a permeabilidade dos capilares e leva ao aumento do fluído no espaço de Reinke, com fibrose do tecido, promovendo aumento da pressão subglótica (Betkowski et al., 1992; Zeitels et al., 1997; Goswami et al., 2003; Lim et al., 2006; Cielo et al., 2011). Frequentemente é uma lesão bilateral, podendo ser assimétrica, é séssil e móvel durante a fonação. Pode levar meses ou anos para se desenvolver e gerar sintomas. Também chamado de degeneração polipóide, hipertrofia polipóide ou cordite polipóide, embora esta nomenclatura seja atualmente criticada (Filiaci et al., 1997; Murry et al., 1999; Dursun et al., 2007; Hantzakos et al., 2009). A voz pode ser fluída ou rouca em graus variados, com mudança do pitch, tornando a voz grave em relação à idade e sexo, o que é a sua principal característica. Pode haver aspereza e soprosidade, que ocorre pela perturbação da amplitude e presença de ruído (Cielo et al., 2011). A faixa de frequência fica alterada como um todo e a média da frequência fundamental (F0) para a fala torna-se diminuída (Bennett et al., 1987; Milutinovic, 1997; Vecerina-Volic et al., 1997). Isso se deve ao aumento da massa das pregas vocais provocado pelo edema. Segundo Milutinovic (1997), observa-se à videolaringoestroboscopia uma fase fechada prolongada e onda mucosa fortemente marcada. Alguns autores citam a relação entre a severidade da lesão e o grau de alteração vocal (Shiba et al., 1992; Sulica, 2005; Lim et al., 2006; Dursun et al., 2007). Szkielkowska et al. (2008) verificaram relação entre o grau da lesão com o resultado pós-cirúrgico. A prevalência é em mulheres de meia idade, com alguns estudos descrevendo predomínio de indivíduos do sexo masculino (Goswami et al., 2003; Lim et al., 2006). Acredita-se que isso se deve à alteração vocal ser mais evidente nas mulheres, que usualmente são confundidas com homens pela redução da F0 (Vecerina-Volic et al., 1997; Martins et al., 2009; Cielo et al., 2011). O diagnóstico das lesões laríngeas é feito pela anamnese, exame físico e exame de imagem, tendo como ferramentas a laringoscopia direta e indireta, estroboscopia, eletromiografia, videoquimografia, laboratório de voz com análise acústica, eletroglotografia, medidas aerodinâmicas, análise perceptivo-auditiva, protocolos de qualidade de vida e auto-percepção (Dailey, 2006; Dailey et al., 2007). 31 Revisão de literatura Exames de imagem, como a tomografia computadorizada não são adequadas para as lesões benignas da laringe, em especial no diagnóstico do edema de Reinke, pois a imagem radiológica é semelhante à massas tumorais (Jain et al., 2009). Friedrich e Dejonckere (2005) elaboraram um protocolo para padronizar a avaliação funcional da laringe na Europa. Seis centros especializados em voz participaram e demonstraram viabilidade, validade e aplicabilidade no protocolo, que foi aplicado em 94 sujeitos. Constavam as avaliações perceptivo-auditiva, videoestroboscópica, acústica, aerodinâmica e auto-avaliação do paciente. O edema de Reinke pode ser classificado de várias formas. A mais utilizada é a classificação de Yonekawa (1988), que define a lesão de acordo com a severidade da doença e as modificações na voz relatadas. O edema tipo 1 é aquele em que a prega vocal apresente edema na sua parte mais superficial, mantendo a mobilidade e permeabilidade normais. Já o edema tipo 2 é aquele que se estende até a camada inferior da superfície além das margens das pregas vocais, permitindo contato entre elas durante a inspiração. O edema classificado como tipo 3 é ainda mais extenso e a respiração é permitida apenas por um espaço na região posterior da laringe. Neste último caso o indivíduo não só se queixa de disfonia, mas também de dispnéia, o que torna indicada a cirurgia. Hellquist et al. (1982) acreditavam que a classificação de lesões causadas pelo tabagismo devem ser baseadas no grau de displasia, pois este tem uma influência sobre o prognóstico. Analisaram 193 pacientes e os separaram em três grupos: com hiperplasia e/ou queratose, com ou sem displasia leve (Grupo I), displasia moderada (Grupo II) e displasia grave e carcinoma in situ (Grupo III). Dos 98 pacientes do grupo I disponíveis para seguimento, 23 apresentaram recidiva. Foi encontrada displasia moderada em três pacientes, displasia grave em dois, e carcinoma invasivo em outros dois dentro de 3 e 3,5 anos e ambos foram submetidos a laringectomia. Entre os 24 pacientes do grupo II que compareceram ao seguimento, três apresentaram displasia severa e três apresentaram carcinoma invasivo até 13 anos após o diagnóstico inicial. Destes, um foi encaminhado para radioterapia e outro para laringectomia total após recidiva. Dos 39 pacientes com displasia grave e carcinoma in situ, 16 receberam radioterapia primária, três foram submetidos à laringectomia total e um a laringectomia parcial. Marcotullio et al.(2002) utilizaram a classificação histológica de Hellquist et al. (1982). O grupo um foi composto por indivíduos com hiperplasia epitelial e/ou 32 Revisão de literatura queratose com ou sem displasia discreta, o grupo dois compreendeu sujeitos com displasia moderada e o grupo três foi composto por achados de carcinoma in situ unilateral. Foi observada influência da quantidade de consumo de tabaco e o tempo de exposição. Alguns mostraram interferência da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e o mau uso/abuso vocal não foi considerado fator significativo. Branski et al. (2011) estudaram o efeito do cigarro nas pregas vocais, acreditando que o edema seria uma tentativa de mediar o metabolismo aberrante da matriz extracelular e a síntese de fibroblastos como mediadores da inflamação crônica na lâmina própria. Também sugerem que seja um efeito cíclico que aumenta pelo uso contínuo do fumo, independente da função de barreira epitelial, agravado pela secreção. Isto induz à fibrose, sendo o edema de Reinke uma resposta inflamatória, como uma proteção à malignização do tecido epitelial. Os pesquisadores analisaram a laringe de seis porcos expostos à fumaça de cigarro por quatro horas. Não foi observada mudança na resistência transepitelial, porém observou-se a indução na produção de fibroblastos e de enzimas formadoras de lipídios mediadores encontrados em processos patológicos como a ativação da proliferação descontrolada de células e gênese de tumores na presença de danos do DNA. Quando o edema está na sua forma inicial é possível ter boa resposta somente com a interrupção do tabagismo e a terapia vocal. Se não houver melhora da voz após o tratamento conservador ou se a lesão for de grande dimensão, a forma de tratamento mais relatada é a combinação de cirurgia e terapia vocal (Freedman et al., 1990; Shiba et al., 1992; Murry et al., 1999; Raabe et al., 1999; Goswami et al., 2003; Lim et al., 2006; Dursun et al., 2007; Vukasinovic et al., 2008). A recidiva após o tratamento é relativamente alta. Isso se deve à baixa adesão dos pacientes, principalmente na manutenção do tabagismo. Hojslet, et al (1990) avaliaram 29 indivíduos com edema de Reinke e apenas oito interromperam o tabagismo após orientação médica. Nestes, a laringite difusa desapareceu, mas a lesão se manteve e a voz não melhorou. Lumpkin et al. (1990) observaram recidiva em dois a três anos nos pacientes que mantiveram o tabagismo e o abuso vocal no pós-operatório. 33 Revisão de literatura 2.1. Histopatologia do edema de Reinke Assim como o nódulo e o pólipo, o edema de Reinke é considerado uma lesão exsudativa da laringe. Apesar de terem mecanismos fisiopatológicos e aspectos macroscópicos completamente diferentes, as análises patológicas mais simples das três lesões são muito semelhantes (Martins et al., 2009; Van Dinther et al., 2009; Cielo et al., 2011). Dikkers e Nikkels (1995) compararam histologicamente os nódulos, os pólipos e o edema de Reinke com diferentes métodos de colorações. Foi observado que no edema de Reinke ocorre espessamento da membrana basal, presença de áreas isoladas de edema e eritrócitos extravasculares, além de espessamento das paredes dos vasos. Nos pólipos vocais evidenciou-se acúmulo importante de fibrina na lâmina própria, sinais de hemorragia e trombose vascular, aumento do número de vasos e depósito de ferro. Nos nódulos houve predomínio de espessamento da membrana basal, porém com ausência de hemorragia e edema localizado. Em 1999, os mesmos autores observaram maior acúmulo de ácido hialurônico nos pólipos e presença de orientação transversa das fibras elásticas nos nódulos (Dikkers e Nikkels, 1999). Gray et al. (1995) referiram que uma melhor compreensão dos efeitos da deposição excessiva de glicoproteínas estruturais, tais como fibronectina e da deposição anormal de proteoglicanos pode levar a uma melhor caracterização da doença das pregas vocais e sua causa e, finalmente, um tratamento melhor. Eles identificaram uma lesão na zona da membrana basal e pouca deposição de fibronectina nos pólipos e edema de Reinke. Já nos nódulos foi observada deposição de fibronectina intensa na camada superficial da lâmina própria, com lesão da zona da membrana basal, indicado por espessas bandas de colágeno tipo IV. Tillmann et al. (1995) analisaram 60 amostras de mucosas de sujeitos com edema de Reinke. Os tecidos foram cuidadosamente extraídos em cirurgias e avaliados morfologicamente. Alterações típicas de edema de Reinke foram encontradas no tecido conjuntivo subepitelial da prega vocal. Não foi encontrada nenhuma evidência clara ou de microscopia eletrônica para alterações patológicas no epitélio da prega vocal, exceto para paraqueratose leve. Eles relataram que o edema de Reinke se desenvolve porque fluídos ricos em proteínas se acumulam nos espaços altamente ramificados do tecido conjuntivo subepitelial. A análise imuno- 34 Revisão de literatura histoquímica identificou células endoteliais vasculares alteradas. Os vasos linfáticos possuem uma membrana basal incompleta, enquanto as células de revestimento parietal exibiram várias características morfológicas que são típicas de fibroblastos, mas não das células endoteliais. Em microscopia eletrônica, foi possível distinguir células parietais, cujas propriedades imuno-histoquímicas muito se assemelham a células de uma articulação sinovial. Os espaços fissurados do tecido subepitelial da prega vocal seriam como uma "bainha do tendão." Remacle et al. (1996) estudaram as características histológicas do epitélio, da membrana basal e da lâmina própria de 163 lesões benignas das pregas vocais. No edema de Reinke foi observado espessamento da membrana basal, edema do córion, congestão dos vasos e fibrose. Nos nódulos a membrana basal era mais espessada e havia edema e fibrose do córion, além de paraqueratose do epitélio. Já nos pólipos, notou-se a mesma alteração no córion, acrescida de dilatação e proliferação vascular diferenciada, porém sem nenhum ou discreto espessamento da membrana basal. Pastuszek et al. (2003) também descreveram as características histológicas do edema de Reinke em 203 mulheres e 58 homens. Revelaram-se junções intercelulares soltas e alargamento dos espaços intercelulares. Foi observado edema do tecido subepitelial em 62% casos. Este fenômeno foi observado mais frequentemente em mulheres que em homens. Foram encontrados numerosos vasos largos no tecido subepitelial, com edema do endotélio. Leucoplasia estava presente em 8%, com maior freqüência em homens. Encontrou-se displasia em 6% da amostra. A presença de lesões displásicas do epitélio foi correlacionada com a idade dos pacientes e hábito de fumar. Segundo Volic et al. (2004), no edema de Reinke ocorre um espessamento e decomposição da membrana basal, além de excessiva produção de matriz extracelular. Há maior atividade metabólica das células epiteliais e estromais. Os autores analisaram 20 amostras de pregas vocais com edema de Reinke. Jovanovic et al. (2007) analisaram biópsias de 80 pregas vocais com edema de Reinke comparando com a telescopia de contato. Foi encontrada uma formação interessante da microcirculação da prega vocal em ambos. Na telescopia foram observadas diferentes formas de rede de vasos sanguíneos patológicos, com alças ou ramificações incomuns. Alguns canais vasculares dilatados apresentaram paredes muito finas e dentro dos capilares atípicos encontrou-se acúmulo de 35 Revisão de literatura eritrócitos parciais. Detalhes do fluxo de sangue também são visíveis, mostrando o fluxo de sangue multidirecional e descontínuo em vasos vizinhos. Sakae et al. (2008) analisaram 20 amostras das pregas vocais e observaram que a rede interligada de fibras colágenas é semelhante a uma cesta de vime. Notaram que as fibras colágenas estavam frouxamente organizadas, fragmentadas e misturadas com quantidades variadas de estroma mixóide. Houve predomínio de áreas de moderada e grande quantidade de desarranjo. A idade foi a única variável correlacionada com desarranjo de fibras colágenas. Os autores sugerem que no edema de Reinke ocorre a perda da estrutura flexível que mantém a uniformidade da lâmina própria, causada pelo desarranjo das fibras de colágeno. Estas modificações na prega vocal promovem a aperiodicidade de vibração das pregas vocais, provocando a disfonia, que é o primeiro sintoma que leva o paciente a procurar avaliação médica. Apesar de ser uma lesão benigna, deve ser adequadamente investigada pelos riscos oferecidos pelo cigarro (Marcotullio, Magliulo, Pezone, 2002; Cikojevic et al., 2010). Analisando estas alterações também é possível compreender a indicação de terapia vocal, inclusive complementar à fonocirurgia. 2.2 Fonomicrocirurgias e cuidados pré e pós-operatórios A cirurgia de laringe é indicada como tratamento em muitas situações. O avanço na avaliação da função vocal tem contribuído para uma terapêutica eficiente e aprimorado as cirurgias laríngeas (Milutinovic, 1996b; Ford, 1999; Wang et al., 2008). A fonocirurgia é um procedimento terapêutico para a recuperação, melhora ou modificação da voz. Existem as cirurgias que são realizadas nas pregas vocais com laringoscopia direta e auxílio de microscópio, sob anestesia geral, também chamadas fonomicrocirurgias, ou indireta, com nasofibrolaringoscópio sob anestesia local quando a sedação é contra-indicada (Bouchayer et al., 1992; Milutinovic, 1996a,b; Kleinsasser, 2001; Remacle et al., 2003; Sataloff et al., 2007). Existem ainda fonocirurgias realizadas com incisão cervical e não via endoscópica, pois atuam no arcabouço laríngeo. Elas foram descritas por Isshiki (1998), e são chamadas tireoplastias. Têm como objetivo modificar a posição ou comprimento das pregas vocais. 36 Revisão de literatura Para Milutinovic (1996a) as cirurgias indiretas são indicadas para lesões chamadas funcionais, com base estreita e bem delimitadas ou lesões de difícil acesso, em comissura anterior ou região posterior da glote. As demais tem indicação de técnicas endoscópicas. Na laringoscopia direta não é possível avaliar o comportamento vocal, mas permite melhor avaliação das lesões, inclusive com a palpação das pregas vocais (Dailey et al., 2007). Segundo Pontes et al. (2002), as fonomicrocirurgias podem ser divididas em conservadoras, parcialmente conservadoras e não-conservadoras. Na primeira, a integridade do epitélio de cobertura das pregas vocais é conservada, como por exemplo, a remoção de cistos, a inclusão de materiais, a sucção do edema de Reinke, entre outras. As cirurgias parcialmente conservadoras são aquelas onde há interrupção do epitélio, como nos sulcos tipo estria menor ou tipo bolsa. A terceira e última, envolve as cirurgias em que há perda de estrutura das pregas vocais e consequente modificação em sua arquitetura, como nas neoplasias iniciais ou lesões pré-malignas. A técnica mais adequada para a cirurgia deve ser escolhida, bem como os materiais adequados. Remacle et al. (2003) e Dailey (2006) dividiram as fonomicrocirurgias de outra forma, podendo ser utilizadas para lesões que impedem a vibração da mucosa das pregas vocais e exigem exérese, incisão e sucção (como o edema de Reinke), dissecção (como o sulco), coagulação ou vaporização (como a vasculodisgenesia) e incisão e colocação de molde (como no microdiafragma); ou para lesões que provocam desordens do movimento das pregas vocais e exigem correção da posição e/ou tensão (em paralisias), injeção de substâncias ou materiais (como na disfonia espasmódica) e exérese (das pregas vestibulares, por exemplo). As técnicas propostas para cirurgia do edema de Reinke são: descolamento da mucosa com aspiração do conteúdo do espaço de Reinke com ou sem remoção do tecido redundante e aproximação das bordas, decorticação da mucosa com remoção do edema ou simplesmente a aspiração do fluido. Se a ferida operatória for muito extensa, é recomendado que a outra prega vocal seja abordada em um novo tempo cirúrgico, após a cicatrização da primeira (Nielsen et al., 1986; Lumpkin et al., 1987; Lumpkin et al., 1990; Betkowski et al., 1992; Sataloff et al., 1993; Milutinovic, 1997; Raabe et al., 1999; Sant'anna et al., 2000; Dursun et al., 2007; Vukasinovic et al., 2008). A primeira, proposta por Hirano et al. (1976), é a mais indicada e que demonstrou resultados mais rápidos (Lumpkin et al., 1987). 37 Revisão de literatura Para a cirurgia pode-se utilizar material a frio e aspirador, microdebridador, laser (CO2, Yag, pulsed-dye) ou a associação destes. A escolha depende do material que a equipe dispõe e da experiência do cirurgião, pois ainda não foi comprovada diferença de resultado entre as técnicas. O objetivo é não só recuperar a voz, mas eliminar o sintoma de dispnéia. O procedimento deve ser feito de maneira a preservar o ligamento vocal e o máximo de cobertura da prega vocal, e assim restaurar a onda mucosa sem formação de cicatrizes (Betlejewski et al., 1997; Remacle et al., 1999; Remacle et al., 2003; Sataloff et al., 2007; Hoffman et al., 2008; Honda et al., 2010). Para isso, recomenda-se a incisão na face superior da prega vocal, confeccionando-se o microflap. O conteúdo aspirado no espaço de Reinke é o estroma mixóide da lâmina própria (Nielsen et al., 1986; Lumpkin et al., 1987; Lumpkin et al., 1990; Betkowski et al., 1992; Sant'anna et al., 2000; Zhang et al., 2002; Dursun et al., 2007; Wang et al., 2008). Milutinovic (1997) relatou 398 cirurgias para o edema de Reinke, dentre estas, 27 com técnicas indiretas para os casos de edema inicial em indivíduos que tinham contra-indicação de anestesia geral. Na maioria dos casos de edema de Reinke a cirurgia é eletiva. Para sua indicação devem ser consideradas, entre outras coisas, a severidade da doença, a queixa do paciente e sua adesão no pós-operatório. A expectativa do paciente frente ao tratamento deve ser considerada sempre e, muitas vezes, é decisória. O paciente deve estar ciente das limitações do tratamento e a necessidade de sua participação no processo (Sataloff et al., 2007). Alguns autores relatam uso de protocolos de qualidade de vida em voz para avaliar o impacto vocal, outros citam o uso de escalas para identificar a magnitude dos sintomas e outros ainda utilizam apenas a anamnese (Murry et al., 1999; Murry et al., 2000; Siupsinskiene, 2002; Dailey, 2006; Stajner-Katusic et al., 2008). Considerando os vários aspectos a serem analisados no tratamento cirúrgico para as disfonias, muitos são os métodos utilizados para verificar a eficácia do tratamento. Dejonckere et al (2001) elaboraram um protocolo básico para analisar o efeito do tratamento cirúrgico considerando a função vocal. Eles sugerem a utilização da avaliação perceptivo-auditiva, com escalas padronizadas como a GRBAS, seja por pontuação ou escala visual analógica (EVA); avaliação videolaringoestroboscópica, verificando o fechamento glótico, a regularidade e a simetria de vibração e a onda 38 Revisão de literatura mucosa; a avaliação aerodinâmica com o tempo máximo de fonação (TMF), capacidade vital e uso de pneumotacógrafo; a avaliação acústica, com Jitter, Shimmer, F0, faixa de frequência e intensidade; e por fim, a auto-avaliação vocal realizada pelo paciente com protocolos validados. Os autores acreditam que estes instrumentos sejam básicos para equipe que realiza fonocirurgias, assim como também citou Vukasinovic et al. (2008). Nielsen et al. (1986) avaliaram 111 sujeitos que realizaram cirurgia para edema de Reinke oito anos após. Somente 19% apresentaram voz normal e 58% tiveram recidiva. Woo (1994) avaliou 50 sujeitos com lesões benignas no pré e pós-operatório utilizando avaliação acústica, aerodinâmica e videolaringoestroboscópica. Observouse melhora em todos os parâmetros do exame laríngeo e algumas medidas acústicas, porém sem mudança significativa no TMF. Giovanni et al. (1999) utilizaram a avaliação perceptivo-auditiva e acústica para avaliar 27 sujeitos submetidos à cirurgia por pólipo, edema de Reinke, nódulo e cisto. Os indivíduos foram avaliados antes e três meses após a cirurgia. Não foram observados resultados expressivos na análise acústica, apenas na perceptiva. Murry et al. (1999) analisaram 8 sujeitos com edema de Reinke que fizeram terapia vocal pré-operatória por 3 a 12 meses. Os dados foram coletados uma semana antes, uma semana depois e quatro semanas depois da cirurgia. Foi indicado período de sete dias de repouso vocal absoluto no pós-operatório e todos interromperam o tabagismo antes da cirurgia. Os autores encontraram melhores resultados acústicos com uma semana de cirurgia e melhora da onda mucosa e fechamento glótico na videoestroboscopia. Uloza (1999) avaliou 56 pacientes com nódulos e pólipos no pré e duas semanas após a cirurgia, por meio de avaliação perceptivo-auditiva com a escala GRBAS, análise acústica com os parâmetros Jitter, Shimmer, F0 e NNE e autoavaliação com uma escala visual-analógica. Em todos os parâmetros observou-se melhora. Em 2002, Zhang et al. relataram que a recuperação da voz normal nos casos de edema de Reinke é de um a três meses após a cirurgia, observados em 31 casos. Siupsinskiene (2002) avaliou 80 pacientes submetidos a fonocirurgia, destes 18 com edema de Reinke. Para isso utilizou a escala GRBAS e o VHI. A primeira avaliação pós-operatória ocorreu, em média, uma semana após; a segunda 39 Revisão de literatura avaliação foi realizada, em média, seis semanas após e foi observada melhora progressiva da qualidade vocal. Welham et al. (2003) avaliaram a voz de sujeitos com sulco vocal, submetidos à fonocirurgia, utilizando limiar de pressão fonatória, medidas acústicas, videoestroboscopia, análise perceptivo-auditiva e auto-avaliação com o protocolo Voice Handicap Index (VHI). As amostras foram coletadas 24 horas após a cirurgia e depois, com um, seis e 12 meses de pós-operatório. Foi observada melhora significativa da qualidade vocal e dos parâmetros avaliados em todos os sujeitos no primeiro mês, porém a estabilidade vocal foi atingida em momentos variados. Xu et al. (2004) analisaram os resultados pós-cirúrgicos de 292 sujeitos com lesões benignas e observaram que a lesão que demorou mais tempo para recuperar foi o edema de Reinke, com três meses. Foram utilizadas avaliação perceptivoauditiva, videolaringoestroboscópica e acústica. Já Kluch et al. (2009) utilizaram os dois primeiros parâmetros e observaram que o edema de Reinke foi uma das lesões que apresentou maior sucesso após o tratamento. Neste último é relatada fonoterapia complementar á cirurgia. Em ambos os casos foi utilizado laser CO2. Uloza et al. (2005) avaliaram 88 indivíduos submetidos à fonomicrocirurgia nas situações pré e após duas semanas de cirurgia. A amostra incluiu nódulos, pólipo, papiloma, carcinoma e paralisia de prega vocal, porém apenas os sujeitos com as duas primeiras patologias foram comparados no antes e depois do tratamento. Para análise utilizou-se avaliação perceptivo-auditiva com a escala GRBAS, a auto-avaliação do paciente com EVA e análise acústica. Foi observado que houve melhora dos parâmetros nos três métodos utilizados. Fira et al. (2006) realizaram análise antes e três meses depois da cirurgia em 50 sujeitos com pólipo, edema de Reinke, granuloma, papiloma e cisto. Observou-se melhora dos parâmetros vocais, pelo uso da escala GRBAS, e laríngeos, utilizando a videolaringoestroboscopia. Lim et al. (2006) avaliaram 61 pacientes com edema de Reinke de todos os tipos, segundo a classificação de Yonekawa. Para isso, utilizaram a avaliação perceptivo-auditiva, com a escala GRBAS resumida, medidas aerodinâmicas (TMF, pressão subglótica e taxa média de fluxo aéreo), análise acústica (F0, Jitter, Shimmer e HNR) e medidas eletroglotográficas. Todos os indivíduos fizeram avaliação antes da cirurgia e alguns fizeram dois meses depois. Foi observada 40 Revisão de literatura relação entre o grau do edema e o TMF, a F0, o Shimmer e o HNR, além de todos os parâmetros na eletroglotografia, principalmente o índice de fechamento glótico. Dursun et al. (2007) acompanharam 15 profissionais da voz com edema de Reinke desde o pré até após um ano de cirurgia, a cada três meses. Para isso, utilizaram a videolaringoestroboscopia, a avaliação perceptivo-auditiva com a escala GRBAS. Kreciki et al. (2004) fizeram estudo semelhante, com 261 sujeitos, a maioria professores e vendedores. Os dois estudos mostraram melhora nos parâmetros perceptivo-auditivos e na avaliação laringoscópica. Van Dinther et al. (2008) utilizaram o VHI, o Dysphonia Severity Index (DSI), a videolaringoestroboscopia e avaliação perceptvo-auditiva com a escala GRBAS para avaliar 47 sujeitos com nódulos, pólipos e edema de Reinke (grupo de lesões exsudativas) e com cistos, sulco e microdiafragma (grupo de lesões estruturais/congênitas). Embora o DSI mostrasse melhora semelhante no pósoperatório de ambos os grupos, aqueles com lesões exsudativas apresentaram melhor qualidade vocal após a cirurgia. Na auto-avaliação também foi notada melhora dos sintomas depois do tratamento. Stajner-Katusic et al. (2008) utilizaram a escala GRBAS, a análise acústica com os parâmetros F0, Jitter, Shimmer, VTI, HNR, DVB, o LTAS, a auto-avaliação do paciente e avaliação da laringe no pré-operatório, com 1 mês e com 6 anos de pós-operatório de pólipo e observaram melhora nas avaliações de todos os instrumentos. Goksel e Topaloglu (2009) avaliaram 30 pacientes submetidos a microcirurgia de laringe por meio de análise acústica e aerodinâmica da voz. Foram comparados a 25 sujeitos com voz normal. Verificou-se que houve diferença significativa nos valores de índice S / Z, Jitter, Shimmer, TMF, HNR e intensidade aumentaram significativamente. Não ocorreram alterações importantes no F0. Na comparação entre o grupo estudo no pós-operatório com o grupo controle não foram observadas diferenças significativas. Na espectrografia também notou-se melhora após a cirurgia. Cheng e Woo (2010) avaliaram 21 indivíduos com pólipo, cisto, nódulo, papiloma e cicatriz de prega vocal pré e após 6 semanas de cirurgia. Foi utilizada análise acústica, o protocolo VHI e medidas aerodinâmicas, como TMF e limiar de pressão fonatória. Encontrou-se melhora em três das quatro dimensões avaliadas pelo VHI e apenas um em 13 parâmetros avaliados acusticamente. 41 Revisão de literatura Cikojevic et al. (2010) coletaram dados de 562 sujeitos submetidos a microlaringoscopia, divididos nos seguintes grupos: lesões benignas, lesões prémalignas e lesões malignas. No primeiro grupo foram inclusos 244 pacientes, com média de 48,14 anos, maioria de mulheres e tabagistas por aproximadamente 20 anos. Os autores referiram que a interrupção do tabagismo pode gerar a regressão do quadro patológico, a regeneração epitélio e sua estrutura, além de contribuir com a redução do fonotrauma causado pela tosse crônica e ressecamento da mucosa. Desta forma, compreende-se a necessidade de eliminar o mau hábito. Honda et al. (2010) avaliaram os resultados da cirurgia de edema de Reinke utilizando microdebridador, em 17 pacientes. Para isso utilizaram a escala GRBAS e a análise acústica. No pós-operatório observou-se melhora significativa nos parâmetros G, R, B, e S, assim como na F0, no Jitter e no Shimmer. Para a obtenção do sucesso das fonomicrocirurgias alguns cuidados devem ser tomados. No pré-operatório deve ser feito o diagnóstico correto e uma avaliação completa do comportamento vocal, além do conhecimento das expectativas do sujeito, realizados por uma equipe experiente e bem entrosada (Kleinsasser, 2001). O controle dos fatores limitantes se inicia na anamnese, onde são identificados e já procede-se a orientação (Vukasinovic et al., 2008; Van Dinther et al., 2009). Thibeault (2005) fez um levantamento sobre a densidade do ácido hialurônico nos períodos de cicatrização das pregas vocais de animais. Relatou densidade reduzida em coelhos e porcos com 15 dias após lesão, e densidade semelhante após dois meses em coelhos e 6 meses em cachorros. Nas pregas vocais de coelhos sugere-se regeneração de epitélio e lâmina própria ao décimo dia. Nawka (2008) relatou que após 48 a 72 horas de início de processo inflamatório a matriz extracelular começa a se recompor e o epitélio só está completo quando uma camada impermeável se forma. Fibras de colágeno tipo III são detectáveis apenas oito semanas depois. Segundo Ishikawa e Thibeault (2010) a cicatrização das lesões nas pregas vocais apresenta sete fases: hemostasia, inflamação, migração de células mesenquimais e proliferação, angiogênese, epitelização, síntese de proteínas e proteoglicanos, contração da ferida e remodelação. A fase de inflamação dura de quatro a sete dias e a epitelização em torno de seis dias. O refluxo laringo-faríngeo e as alergias nasais devem estar controlados por meio de orientações e, quando necessário, medicamentos. Os cuidados dietéticos e 42 Revisão de literatura ambientais auxiliam nesse controle (Sataloff et al., 2007; Nawka, 2008; Vukasinovic et al., 2008). Eles influenciam no processo cicatricial das pregas vocais e são fatores potencializadores na formação do edema de Reinke (Murry et al., 1999). Outra condição médica a ser considerada são as coagulopatias (Sataloff et al., 2007). É recomendado que a cirurgia seja realizada fora do período menstrual, entre o quarto e o 21º. dia do ciclo (Sataloff et al., 2007). A interrupção do etilismo deve ser orientada para melhores condições de cicatrização e melhor resultado, pois o álcool gera um desequilíbrio do balanço hídrico (Dailey, 2006; Nawka, 2008; Wan et al., 2008). A associação entre interrupção do tabagismo e a terapia vocal é importante para a efetividade do tratamento cirúrgico do edema Reinke (Nielsen et al., 1986; Koufman et al., 1989; Lumpkin et al., 1990; Shiba et al., 1992; Murry et al., 1999; Raabe et al., 1999; Goswami et al., 2003; Dailey, 2006; Dursun et al., 2007; Sommer et al., 2007; Cikojevic et al., 2010). Deve-se oferecer tratamento contra o vício do tabagismo ou encaminhar os pacientes para acompanhamento psiquiátrico (Hojslet et al., 1990; Dursun et al., 2007; Vukasinovic et al., 2008). A adesão à orientação de cessar o fumo é um capítulo à parte, amplamente discutida na literatura. É frequente na prática terapêutica que o sujeito cumpra com as demais orientações, mas se recuse a abandonar o hábito utilizando vários artifícios (Van Leer et al., 2008; Peters et al., 2009). Kravos et al. (2010) encontraram mais casos de rinite crônica no grupo com edema de Reinke do que no grupo controle, porém este fator não foi considerado um fator de risco para evolução do tratamento pós-operatório. Outros fatores como DRGE, abuso vocal, más condições de trabalho e doenças da tireóide foram significativamente mais frequentes no grupo com edema. No pós-operatório, o indivíduo deve ser aderente às orientações quanto ao uso das medicações prescritas e quanto ao repouso vocal para evitar a formação de cicatrizes (Milutinovic, 1997; Xu et al., 2007). A eliminação do abuso vocal após o procedimento também coopera para a manutenção dos resultados terapêuticos (Koufman et al., 1989). Para Ishikawa e Thibeault (2010) o uso da voz quando a prega vocal está em cicatrização limita significativamente a recuperação, devido a aumento na rigidez tecidual e a viscosidade. Por isso, a importância do repouso vocal. Embora a prescrição do repouso seja uma prática comum, não há consenso sobre o período 43 Revisão de literatura exato e modo de repouso. Os autores fazem comparação com o pós-operatório das articulações em geral e acreditam que a mobilização excessiva nesse período é prejudicial, porém a imobilização prolongada também pode trazer danos. Alguns autores citam o período de repouso prescrito após as cirurgias de edema de Reinke, que podem variar de zero a 14 dias de repouso absoluto, notando-se a maioria com sete dias (Rulnick et al., 1993; Murry et al., 1999; Sant'anna et al., 2000; Lim et al., 2006; Dursun et al., 2007). Ishikawa e Thibeault (2010), baseados em vários estudos com animais e humanos e pós-operatórios de vários tecidos, concluem que o período ideal de repouso é de sete dias, com início a fonoterapia logo em seguida, assim como Rulnick e Heuer (1993). Nawka (2008) discorreu sobre o processo cicatricial das pregas vocais e sugere um período importante de recuperação entre duas e oito semanas, sugerindo repouso vocal antes disso e cuidados com voz durante o período. O autor acredita que a cirurgia de edema de Reinke é muito delicada e cicatriza lentamente, sendo indicado sete dias de repouso absoluto, seguidos de três dias de voz em fraca intensidade, mais sete a 14 de repouso parcial. Relata ainda que é difícil verificar o cumprimento do repouso e que regras muito rígidas acabam causando maior estresse no paciente, devendo ser utilizada uma abordagem pragmática. Behrman e Sulica (2003) enviaram um questionário para cirurgiões, a fim de identificar a prática com relação ao repouso vocal no pós-operatório das fonocirurgias. Os autores identificaram que a maioria dos médicos não faz diferença entre as lesões, que 51,4% são favoráveis ao repouso vocal absoluto e 62,3% ao repouso relativo. A média de dias, independente do tipo de repouso, é de sete dias. Koufman e Blalock (1989) referem que muitos pacientes modificam a orientação sobre o repouso porque é muito difícil adaptar ao estilo de vida. Também relatam que o repouso varia de acordo com o cirurgião e que tanto o tratamento cirúrgico como o conservador não são padronizados para as disfonias orgânicas e funcionais. Segundo os autores o repouso vocal no pós-operatório impede o contato do sítio operatório com a outra prega vocal. Citam a técnica da conservação vocal pós-operatória obedecendo à seguinte sequência: limitação da fala por sete a dez dias, uso de ataque vocal suave, monitoramento do loudness, evitar comportamentos abusivos como pigarro. Para estes autores o repouso vocal absoluto é indicado apenas para lesões hemorrágicas. 44 Revisão de literatura Rousseau et al. (2011) avaliaram a adesão ao repouso vocal e observaram que os sujeitos que o fizeram no pós-operatório foram mais aderentes do que os que fizeram sem operar. O tempo de repouso foi em média 8,8 dias. Utilizaram questionário de qualidade de vida e observaram impacto importante durante o repouso, principalmente para os que eram cantores e para os mais jovens. Os sujeitos mais falantes e os que fizeram repouso por mais tempo referiram maior impacto. Alguns relataram se sentirem frustrados e até deficientes. Quando o paciente é profissional da voz, os cuidados se intensificam e há uma preocupação com o retorno às atividades laborais, pois a preocupação não é somente com a ausência ou presença de disfonia, mas com a qualidade da voz falada/cantada e a funcionalidade (Koufman et al., 1989; Rulnick et al., 1993; Zeitels et al., 2002; Krecicki et al., 2004; Dursun et al., 2007; Vukasinovic et al., 2008; Van Dinther et al., 2009; Cheng et al., 2010). Para Vucasinovic et al. (2008) a cirurgia não foi um tratamento efetivo para o edema de Reinke em cantores, discordando de Zeitels et al. (2002). De acordo com Durand (2008), Sataloff et al. (2007) e Nawka (2008) a indicação da fonocirurgia em profissionais da voz deve ser feita com base na análise do risco-benefício, considerando o nível de qualidade da voz exigido, a demanda vocal, as questões trabalhistas, a aptidão ao trabalho e o prognóstico da patologia. O último autor sugere início do canto aos 21 dias de pós-operatório, gradualmente até o 28º. dia, retomando o repertório e a carga prévios apenas seis semanas após. A hidratação das pregas vocais é fundamental para a boa qualidade da onda mucosa, mantendo as propriedades viscoelásticas ao manter a mucosa lubrificada. Pode ser usada como tratamento preventivo e auxilia nos processos terapêuticos, potencializando os biomecanismos da fonação (Nawka, 2008; Behlau et al., 2009). Existem três níveis de hidratação: sistêmica, direta e de superfície (Chan et al., 2002). Para recuperação no pós-operatório das fonocirurgias pelo menos um destes modos deve ser orientado ao paciente (Vukasinovic et al., 2008). Para Xu et al. (2007) a melhor forma de evitar as cicatrizes profundas após a fonocirurgia é a prevenção. Os autores sugerem o tratamento da patogenia e fonoterapia prévias, habilidade cirúrgica e medicações anti-escara e repouso vocal no pós-operatório. 45 Revisão de literatura 2.3. Terapia vocal Todos os cuidados referidos devem ser oferecidos na terapia fonoaudiológica, que pode ser oferecida como tratamento no edema de Reinke. A terapia de voz tem como objetivo restaurar, recuperar ou gerar a melhor voz possível, que seja funcional na comunicação oral na vida pessoal e ocupacional do cliente (Ramig et al., 1998; Carding, 2000; Colton et al., 2006). Stemple et al. (2010) descreveram as linhas filosóficas existentes na terapia vocal. A sintomática, que utiliza técnicas facilitadoras para eliminar o abuso e mau uso vocal. A psicológica identifica e modifica a dinâmica emocional e os distúrbios psicossociais associados à manutenção da disfonia. Já a terapia etiológica identifica e modifica ou elimina as causas da disfonia. A terapia eclética utiliza várias técnicas das outras linhas, de acordo com a necessidade do paciente e conhecimento do terapeuta. Enumeraram ainda a terapia fisiológica, que tem como objetivo modificar e melhorar a força, tônus e equilíbrio entre o esforço da musculatura laríngea e respiratória. A terapia vocal, segundo Ramig e Verdolini (1998), está indicada para: resolver o distúrbio de voz quando tratamentos cirúrgicos ou farmacológicos não são indicados, para ser o tratamento inicial ou adjuvante ao médico, antes e após o tratamento cirúrgico para maximizar os efeitos da cirurgia ou como tratamento preventivo para preservar a saúde vocal. Existem basicamente duas modalidades para terapia vocal: terapia indireta, na qual são fornecidas orientações sobre os fatores prejudiciais à laringe e à voz e oferecidos métodos para eliminar ou reduzir estes fatores, como treinamento auditivo e programas de saúde vocal e a terapia direta, na qual são oferecidos exercícios a fim de promover modificações na anatomofisiologia laríngea (Ruotsalainen et al., 2007). A terapia direta é mais eficaz do que os programas de saúde vocal (Nawka, 2008; Rodriguez-Parra et al., 2011). Também pode ser oferecida a combinação das duas modalidades, a fim de atingir as questões psicossociais e físicas das disfonias. Esta combinação tem mostrado ser mais eficaz, com evidência moderada (Ruotsalainen et al., 2007). Dejonckere e Lebacq (2001) definem o termo “plasticidade vocal” como o grau de melhora na qualidade vocal que pode ser observado imediatamente ou após um curto período de tempo, alterando condições básicas de vocalização, postura, 46 Revisão de literatura ressonância, entre outros. Para avaliar o índice de plasticidade vocal os autores utilizaram análise perceptivo-auditiva, acústica e videolaringoestroboscopia. Pannbacker (1998) fez uma revisão sobre as técnicas para tratamento vocal e verificou que alguns artigos focam-se no programa terapêutico e outros nas variáveis para sua aplicação ou eficácia. Notou ainda que poucos estudos mostraram dados sobre a intensidade e duração do tratamento. A extensão variou de quatro a 51 sessões, a duração das sessões variou de 30 minutos a 3,5 ou 4 horas e o tempo de cinco dias à sete meses. Reforça a necessidade de avaliar a percepção do paciente e uso de grupos controles para comparação. Para Morsomme et al. (2010) os fatores que afetaram a manutenção dos efeitos obtidos com a fonoterapia em voz foram: mudanças no trabalho, apoio psicológico, aulas de canto ou outra atividade com a voz falada, adaptações do ambiente de trabalho e diminuição do estresse. Para que sejam estabelecidos os objetivos adequados à terapia é preciso uma avaliação efetiva. É consenso que a voz é um fenômeno multidimensional e por isso precisa ser avaliada quanto à sua qualidade e função. Os meios mais utilizados para esta análise são avaliação perceptivo-auditiva, a análise acústica computadorizada, as medidas aerodinâmicas, a auto-percepção do paciente e a avaliação clínica da laringe (Speyer et al., 2004; Ragab et al., 2005; Uloza et al., 2005; Ruotsalainen et al., 2007; Nawka, 2008; Stajner-Katusic et al., 2008). A análise perceptivo-auditiva é considerada gold standart para avaliação da qualidade vocal (Giovanni et al., 1999). Apesar de ser subjetiva, captura a função global da voz e analisa mesmo as vozes que os programas de computador apresentam limitações (Cheng et al., 2010). A escala mais utilizada é a GRBAS, proposta por Hirano, em 1981 (Uloza et al., 2005). O uso do laboratório de voz tem sido referido amplamente na literatura e tem colaborado na avaliação e diagnóstico das disfonias e também na análise da evolução terapêutica (Vukasinovic et al., 2008; Toran et al., 2011). Deve ser uma avaliação complementar à avaliação perceptivo-auditiva, pois isoladamente pode não refletir a confiabilidade e a especificidade esperada (Carding et al., 2004). As medidas aerodinâmicas quantificam a eficiência do aparelho fonador quanto à coordenação pneumofonoarticulatória. O tempo máximo de fonação é a medida mais utilizada. 47 Revisão de literatura A satisfação do paciente também deve ser levada em consideração quando se avalia a efetividade de um tratamento (Murry et al., 2000). Embora existam muitos métodos para avaliação da função vocal, avaliar a efetividade da fonoterapia vocal ainda é um desafio. Devem ser considerados os muitos fatores que envolvem a anatomofisiologia da laringe, os fatores limitantes do tratamento, a fisiopatologia das lesões, a adesão do paciente ao tratamento, a homogeneidade da amostra, entre outros (Pannbacker, 1998; Speyer et al., 2004). Stemple et al. (1994) avaliaram a eficácia de um programa de terapia. Utilizaram análise acústica, aerodinâmica e videolaringoestroboscópica em 35 mulheres adultas sem alterações laríngeas. Os indivíduos foram divididos em três grupos: experimental, com o método de função vocal; placebo, com exercícios placebo e controle, sem intervenção. O grupo experimental mostrou melhora significativa nas três dimensões avaliadas quando comparado aos outros dois grupos. Segundo Verdolini-Marston et al. (1995), para um método de terapia vocal utilizado ser considerado eficiente deve ter capacidade de reverter o padrão de patogenicidade, ser de fácil aprendizado e ser comprovado. Os autores avaliaram a efetividade da terapia vocal, comparando um grupo que foi tratado com o método da voz ressonante, outro grupo com o método da voz confidencial e um grupo controle, sem intervenção. Os dois primeiros receberam terapia indireta combinada ao treinamento. Utilizaram medidas de esforço vocal, avaliação perceptivo-auditiva e avaliação laríngea. Foi observado que os dois grupos que receberam terapia apresentaram melhora após o tratamento, porém sem diferença entre os métodos. Mackenzie et al. (2001) avaliaram a eficácia da fonoterapia utilizando a nasofibrolaringoscopia, a avaliação perceptivo-auditiva com a escala de Buffalo, a análise acústica com medidas de Jitter e Shimmer e aplicaram a Escala de Ansiedade e Depressão (HADS) e o questionário de qualidade de vida SF-36 para avaliar a auto-percepção do paciente. Formaram-se dois grupos: um submetido à fonoterapia vocal e um grupo controle, sem intervenção. A terapêutica constava de aconselhamento vocal, com realização de até seis sessões, em um caso oito sessões, de 45 a 60 minutos cada. O número de sessões e tipo de tratamento dependiam da necessidade do paciente. O tratamento foi indireto ou direto, com treino respiratório, por exemplo. Os dados foram coletados no pré, no momento da 48 Revisão de literatura alta fonoaudiológica e seis semanas após. A terapia de voz mostrou-se eficaz em melhorar a qualidade de vida. A terapia vocal pode ser efetiva para aumentar a extensão vocal, problema comum no edema de Reinke. Speyer et al. (2003) verificaram esta mudança num grupo de pacientes com disfonia crônica após a terapia utilizando o fonetograma e ainda observaram continuidade da melhora após a alta. Speyer et al. (2004) avaliaram a efetividade de um programa terapêutico para disfonia crônica utilizando a avaliação perceptivo-auditiva, avaliação acústica e a videolarigoestroboscopia. Após o tratamento observou-se melhora nos três itens analisados. Petrovic-Lazic et al. (2009) analisaram o efeito da terapia vocal num grupo de 20 mulheres com nódulos vocais, comparando com um grupo controle de 21 mulheres sem disfonia. Foi utilizada a análise acústica e verificou-se melhora significativa dos parâmetros, sendo 11 deles significativos. Para Casper e Murry (2000) os fatores fundamentais para o sucesso da fonoterapia são: a orientação do paciente, as instruções sobre saúde vocal, a redução do abuso vocal, a capacidade de auto-monitoramento da qualidade vocal e o modelo oferecido pelo terapeuta. Obviamente que a efetividade da terapia fonoaudiológica depende também da adesão do paciente às orientações oferecidas, tanto na realização do treinamento vocal quanto ao aconselhamento sobre saúde vocal, modificando seu comportamento (Murry et al., 1999; Casper et al., 2000; Buck et al., 2007; PetrovicLazic et al., 2011). De acordo com Koufman e Blalock (1989) a fonoterapia é indicada para todos os que fazem abuso vocal independente do tratamento ser cirúrgico ou não. Os autores acreditam que a adesão do paciente e sua motivação são a chave para o sucesso em muitos tratamentos, inclusive o de voz. O principal benefício terapêutico em longo prazo é a mudança de comportamento e reeducação vocal. Morsomme et al. (2010) referiram que o melhor indicação do sucesso da fonoterapia em voz é a satisfação do cliente, na eficácia e qualidade do tratamento. Para avaliar estas questões utilizaram VHI, um questionário de perguntas semiabertas sobre a terapia e a escala GRB em 44 pacientes. Behrman et al. (2008) avaliaram 62 mulheres que foram divididas em dois grupos iguais aleatoriamente, um que recebeu terapia indireta com orientações 49 Revisão de literatura sobre saúde vocal e outro com terapia direta. Para ambos os grupos o tratamento constou de seis semanas, seguidas de quatro semanas de “auto-estudo”. Foi utilizado o VHI para avaliar o impacto da disfonia. Observou-se que o grupo que realizou treinamento vocal apresentou melhor desempenho comparado ao outro grupo. Apenas os participantes aderentes alcançaram uma melhora significativa. Ellis e Beltyukova (2011) compararam dois grupos com dez mulheres jovens em cada, fornecendo um programa terapêutico de exercícios de função vocal por 28 dias. O grupo estudo era monitorado gravando a realização diária dos exercícios e o outro não era monitorado. Ambos apresentaram melhora, porém, o grupo que foi monitorado apresentou desempenho significativamente maior. Como nas demais terapias de mudança de comportamento o abandono do tratamento é frequente. Portone et al. (2008) documentaram a adesão inicial do paciente para a terapia de voz. Revisaram 294 prontuários e perceberam que 38% dos pacientes não compareceram à avaliação fonoaudiológica após recomendação médica e daqueles que iniciaram a terapia de voz, 47% não retornaram após a primeira sessão de avaliação fonoaudiológica. Não houve diferença significativa para adesão por sexo ou por faixa etária. Os principais motivos relatados para não adesão foram as negações dos seguros, a resolução do problema e a distância até a clínica. A adesão ao tratamento fonoaudiológico esbarra no fato de que a voz alterada muitas vezes é socialmente aceita e a única preocupação de muitos pacientes é excluir o diagnóstico de câncer (Sataloff et al., 2007; Nawka, 2008; Van Leer et al., 2008). Por isso, avaliar o impacto vocal do disfônico com instrumentos adequados auxilia também na compreensão sobre o comprometimento do paciente. Hapner et al. (2009) analisaram os fatores que podem predizer abandono e verificaram que houve 65% de abandono de terapia, sem diferença significativa nas variáveis sexo, idade, raça, VHI, CAPE-V ou diagnóstico. Já, Li et al. (2009) verificaram que a idade e o nível de escolaridade interferiram no impacto vocal de 1766 pacientes com disfonia avaliados com o VHI. Van Leer et al. (2008) fizeram a adaptação do Transtheoratical Model para a terapia de voz. Eles citam os estágios observados na mudança de comportamento vocal: pré-contemplação, quando o indivíduo não aceita que seu comportamento está relacionado à doença; contemplação, quando o paciente considera o fato e avalia os prós e contras; preparação, na qual o sujeito está resolvido a participar do 50 Revisão de literatura tratamento; ação, estágio em que o paciente está engajado na terapia e cumpre o que é proposto e a quinta fase, de manutenção, quando o indivíduo está integrado ao tratamento e consciente de sua participação na produção vocal adequada. Para os autores a mudança de comportamento é um processo e este não é controlado pelo clínico, mas influenciado. Vários autores citam a fonoterapia como auxiliar à fonomicrocirurgia (Nielsen et al., 1986; Koufman et al., 1989; Lumpkin et al., 1990; Shiba et al., 1992; Milutinovic, 1997; Caporrino Neto, 1998; Murry et al., 1999; Raabe et al., 1999; Remacle et al., 1999; Zeitels et al., 2002; Goswami et al., 2003; Dailey, 2006; Dursun et al., 2007; Sataloff et al., 2007; Sommer et al., 2007; Kluch et al., 2009; Cikojevic et al., 2010; Toran et al., 2011). O objetivo destes atendimentos é complementar a terapêutica da cirurgia, pois a voz é um fenômeno complexo, representando a soma das modificações feitas pelo trato vocal de acordo com o comportamento de fala apresentado pelo indivíduo e não só pela vibração das pregas vocais (Vukasinovic et al., 2008). A terapia de voz pré-operatória está indicada para todas as fonocirurgias. Para qualquer patologia devem ser realizadas a avaliação da voz utilizando os recursos disponíveis e as orientações para os cuidados no pós-operatório com programa de saúde/conservação vocal (Karnell, 1991; Heuer et al., 1997). Rulnick e Heuer (1993) relataram que nos casos de lesões com indicação clara de cirurgia, a terapia dura uma ou duas sessões. Para Sataloff et al. (2007) é essencial a documentação pré-operatória, que inclui uma gravação da voz de alta qualidade. Antes da cirurgia também há indicação de terapia vocal com aplicação de exercícios que podem ter como objetivo resolução diagnóstica, nos casos de lesões com difícil diferenciação, como cistos ou nódulos; ou preparatória, para favorecer os resultados do pós-operatório e reduzir a hiperfunção (Heuer et al., 1997; Dejonckere, 2000; Sataloff et al., 2007; Xu et al., 2007). As orientações oferecidas no atendimento pré-operatório incluem: hidratação, cuidados dietéticos, atividade física, tosse ou outras funções com esforço, além do repouso vocal (Koufman et al., 1989; Karnell, 1991; Heuer et al., 1997). A terapia de voz no pós-operatório de lesões benignas tem como metas estabilizar a qualidade vocal, readequar os padrões vocais, orientar saúde vocal, favorecer a cicatrização organizada das pregas vocais, absorver o edema póscirúrgico, melhorar a vascularização e desativar a tratopatia de adaptação gerada 51 Revisão de literatura pela lesão, prevenindo a formação de nova lesão pelo abuso ou mau uso da voz (Koufman et al., 1989; Karnell, 1991; Rulnick et al., 1993; Speyer et al., 2002; Poels et al., 2003; Ragab et al., 2005; Dailey et al., 2007). Os autores que utilizaram a terapia após a cirurgia de lesões benignas referem seu início logo após a liberação do repouso vocal ou até um mês após a cirurgia (Rulnick et al., 1993; Milutinovic, 1997; Durand, 2008; Kluch et al., 2009). O tempo de duração da terapia fonoaudiológica também não é consenso na literatura. Para Petrovic-Lazic et al. (2011) é o fonoaudiólogo quem define o tempo necessário. Remacle et al. (1999) concordam e relatam que o usual seria entre 20 e 30 sessões. Wang e Huang (1994) ofereceram três a seis meses de fonoterapia. Portone-Maria et al. (2010) relataram ter observado forte relação entre o tempo de terapia e o tempo de espera para iniciar o tratamento fonoaudiológico com a adesão à terapia de voz. Para alcançar os objetivos propostos para a terapia de voz no pós-operatório são utilizados o aconselhamento vocal, o relaxamento e técnicas para hiperfunção ou para hipofunção, para redução de abusos, para otimização de resistência vocal e, principalmente para otimização da qualidade vocal (Karnell, 1991; Wang et al., 1994; Remacle et al., 1999; Speyer, 2008). Kluch et al. (2009) avaliaram o efeito do tratamento fonomicrocirurgia combinado à fonoterapia em 110 pacientes, sendo 29,2% destes com edema de Reinke. A terapia iniciou-se com 30 dias de pós-operatório. As patologias que mostraram melhor evolução após o tratamento foram pólipo e edema de Reinke. Utilizou-se a escala GRBAS e a videlaringoestroboscopia para avaliação. Alguns autores destacam a relação entre a auto-percepção do paciente e a análise do médico e/ou fonoaudiólogo relacionada à voz também no pós-operatório (Johns et al., 2004; Sommer et al., 2007; Stajner-Katusic et al., 2008). A melhor maneira de oferecer um atendimento que gere satisfação ao paciente é compreender a queixa que fez com que ele buscasse o atendimento médico ou fonoaudiológico (Murry et al., 2000). Para melhor avaliação a respeito da disfonia e o impacto que ela causa, sugere-se o uso de escalas baseadas na visão do profissional (médico e fonoaudiólogo) associadas à aplicação de escalas baseadas no parecer do paciente. Karnell et al. (2007) cita o uso das escalas GRBAS e CAPEV, utilizadas pelos profissionais e dos protocolos V-RQOL e IPVI utilizados pelos pacientes, com suas vantagens e desvantagens. 52 Revisão de literatura Durand (2008) utilizou a escala CAPE-V, a videoestroboscopia e o Voice Handicap Index para correlacionar a qualidade vocal e a auto-percepção com os achados laríngeos de sujeitos submetidos à fonomicrocirurgia para remoção de pólipo. Os dados foram coletados após uma semana, um mês e três meses de cirurgia. A fonoterapia pós-operatória iniciou em até um mês após a cirurgia. Relatou observar melhora significativa na qualidade vocal, estrutura e função na maior parte dos sujeitos apenas aos três meses de pós-operatório, porém melhora nos escores de qualidade de vida com um mês após a cirurgia e estabilização dos valores. Hakkesteegt et al. (2010) em seu trabalho questionam o uso de apenas um método para avaliação dos efeitos da terapia de voz e da fonocirurgia. Citam as limitações da videoestroboscopia, da avaliação perceptivo-auditiva e da acústica e as vantagens do VHI e do Dysphonia Severity Index (DSI). Além destes dois instrumentos, foram utilizadas medidas acústicas e aerodinâmicas. Os autores avaliaram os sujeitos antes e após intervenção, sendo um grupo tratado com terapia vocal pré e depois de três meses de tratamento e o outro grupo antes e dois meses depois da fonocirurgia associada à fonoterapia. Entre os indivíduos com lesões de massa, 20 foram operados, 58 receberam somente terapia e 22 não receberam nenhuma intervenção. Aqueles submetidos à terapia mostraram melhor desempenho nas medidas do que na redução das queixas e o contrário aconteceu com aqueles que foram tratados com cirurgia. Koufman e Blalock (1989) realizaram um estudo retrospectivo de 10 anos, sobre a fonoterapia pós-operatória, com 127 pacientes. Utilizaram como variáveis: idade, sexo, status de tabagismo, subgrupo diagnóstico, técnica cirúrgica, terapia vocal, adesão do paciente, duração da disfonia pós-operatória e qual técnica foi utilizada após o procedimento: repouso vocal ou conservação da voz. As lesões foram: nódulos, pólipo, edema de Reinke, leucoplasia, cisto, granuloma e carcinoma in situ. Foram excluídos sujeitos que haviam sido previamente submetidos à intubação orotraqueal, com hipotireoidismo, com DRGE e com doença neuromuscular. A conservação vocal foi utilizada em 75 indivíduos e os demais fizeram terapia pré e pós-operatória. A não-adesão foi julgada pelo fonoaudiólogo que atendeu. Considerou-se disfonia pós-operatória prolongada as que permaneceram por quatro semanas ou mais. A amostra continha 40% de tabagistas, 58% de mulheres, 31% foram operados com bisturi frio, 69% com laser, 26% fizeram repouso vocal absoluto e 74% conservação vocal. Do total, 37% tiveram disfonia 53 Revisão de literatura prolongada. Não houve diferença significante entre os grupos de patologias, entre sexo, entre tabagistas ou não, entre técnica cirúrgica, entre os cirurgiões e entre as orientações pós-operatórias. A fonoterapia pré-operatória não foi oferecida à 56% dos sujeitos e a maioria destes apresentaram disfonia prolongada no pós-operatório, com diferença estatisticamente significante. No grupo que seguiu as orientações fonoaudiológicas, independente da técnica oferecida, 22% apresentaram disfonia prolongada e naqueles que não apresentaram adesão, a incidência foi de 86%. Yun et al. (2007) avaliaram a eficácia da terapia indireta com 340 pacientes com pólipo vocal. Consideraram como fatores preditivos para melhora após o tratamento: idade, gênero, duração da disfonia, presença de hemorragia, tamanho dos pólipos, grau de demanda vocal ocupacional, tabagismo e sintomas de DRGE. Foi oferecido aos pacientes orientações sobre anatomofisiologia e etiologia da lesão e como modificar o ambiente, o comportamento, os hábitos vocais, físicos e alimentares. Para analisar o efeito do tratamento os sujeitos respondiam a um questionário com uma escala sobre o quanto das orientações cumpriram. Foram considerados como significantes para a melhora: sujeitos do sexo feminino, tempo da disfonia, as lesões pequenas, menor demanda vocal no trabalho e nãotabagistas. 54 Casuística e Métodos 3. CASUÍSTICA E MÉTODOS 55 Casuística e Métodos 3. CASUÍSTICA E MÉTODOS 3.1. Considerações éticas Este estudo foi realizado com obtenção de consentimento por escrito de cada sujeito, expresso em termos específicos para os diferentes procedimentos, após serem devidamente informados. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Processo HCRP nº 13352/2008. 3.2. Caracterização da amostra Foram analisados indivíduos com diagnóstico de edema de Reinke, encaminhados para terapia fonoaudiológica no Setor de Fonoaudiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, originários dos ambulatórios de laringologia das Divisões de Otorrinolaringologia e de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, submetidos à microcirurgia de laringe, entre fevereiro de 2009 e julho de 2011. A amostra constou de 22 participantes do gênero feminino, com diagnóstico de edema de Reinke, tratados por fonomicrocirurgia, com idade mínima de 38 e máxima de 68 anos, média de 52 anos. O diagnóstico foi realizado por médicos especialistas e, após indicação do tratamento cirúrgico, os sujeitos foram encaminhados para avaliação fonoaudiológica. Os indivíduos foram submetidos à microcirurgia de laringe sob anestesia geral, utilizando-se técnica cirúrgica consagrada, realizando-se aspiração do conteúdo do espaço de Reinke e remoção da mucosa redundante. Estabeleceu-se repouso vocal absoluto de sete dias após a cirurgia. Criaram-se dois grupos de sujeitos: grupo estudo (aderentes à terapia fonoaudiológica) e grupo controle (não aderentes à proposta terapêutica fonoaudiológica). O grupo-estudo (GE) foi composto por oito indivíduos, com idade entre 38 e 61 anos, média 48,2, que foram submetidos à terapia fonoaudiológica pós-operatória e cumpriram as orientações propostas, inclusive quanto à realização dos exercícios. Em relação à escolaridade, todos tinham, no mínimo, Ensino Fundamental Incompleto, metade dos sujeitos com nível acima deste. 56 Casuística e Métodos No segundo grupo, o grupo controle (GC), 14 sujeitos foram incluídos, com idade entre 41 e 68 anos, média 54,2. Quanto à escolaridade, dois eram analfabetos e apenas quatro tinham Ensino Fundamental Completo ou superior. Para inclusão dos sujeitos no GE, os requisitos para a adesão foram considerados: execução dos exercícios pós-operatórios com técnica e frequência adequados, eliminação do abuso/mau uso vocal, realização do repouso vocal absoluto na semana seguinte à cirurgia, hidratação via oral e inalatória adequada, eliminação do tabagismo e comparecimento à mais da metade das sessões de fonoterapia após a cirurgia. O quadro 1 demonstra as características da amostra e sua inclusão como grupo controle ou grupo estudo. Deve-se ressaltar que a fonoterapia foi oferecida a todos os indivíduos e, de acordo com a adesão ao tratamento, os sujeitos foram distribuídos nos grupos correspondentes. Os fatores que determinaram a inclusão no GE ou GC estão dispostos no quadro 2. 3.3. Critérios de inclusão Para a composição da amostra, 79 indivíduos, de ambos os sexos, com idade entre 24 e 72 anos, com média de 47,1, foram encaminhados para avaliação fonoaudiológica pré-operatória. Foram selecionados somente mulheres com diagnóstico de edema de Reinke, submetidos à microcirurgia de laringe, por técnica clássica (aspiração do conteúdo localizado na camada superficial da lâmina própria da prega vocal, entre o epitélio e o ligamento vocal, com remoção da mucosa redundante), após exposição laríngea endoscópica, utilizando instrumentos cirúrgicos frios. Aceitaram-se indivíduos com DRGE, desde que em tratamento médico. Das 22 mulheres apenas três haviam abandonado o tabagismo antes de iniciar o tratamento. Foram aceitas mulheres independente do ciclo menstrual. Nenhum sujeito realizou fonoterapia previamente. Para inclusão no estudo, a partir da indicação cirúrgica, o sujeito deveria comparecer à sessão de avaliação pré-operatória, onde foi convidado a participar da pesquisa e assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), anexo 1. 3.4. Critérios de exclusão Considerando os aspectos cirúrgicos, foram eliminados os indivíduos submetidos à microcirurgia de laringe e que utilizaram de bisturi elétrico, bisturi de 57 Casuística e Métodos alta frequência, laser de C02, e aqueles que não possibilitavam adequada exposição endoscópica laríngea. Também se excluiu indivíduos do sexo masculino, sujeitos com outras lesões laríngeas associadas, cirurgia prévia da laringe e aqueles com diagnóstico de distúrbios de linguagem oral e/ou fala, distúrbio auditivo, neurológico ou psiquiátrico. Os sujeitos que anteriormente fizeram terapia vocal e aqueles que não compareceram à avaliação e orientação fonoaudiológica pré-operatória foram recusados para o estudo. Interrupção prévia Sujeitos Idade Grupo Escolaridade 1 48 GE Ensino Fundamental Completo 2 38 GE Ensino Fundamental Incompleto 3 62 GE Ensino Fundamental Incompleto 4 53 GE Ensino Médio Completo Não Não Sim Sim 5 43 GE Ensino Médio Completo Não 6 58 GE Ensino Fundamental Incompleto 7 48 GE Ensino Fundamental Completo 8 50 GE Ensino Fundamental Incompleto 9 68 GC Ensino Fundamental Incompleto 10 46 GC Ensino Fundamental Incompleto 11 42 GC Ensino Fundamental Incompleto 12 50 GC Ensino Médio Incompleto 13 53 GC Ensino Fundamental Incompleto 14 60 GC Ensino Fundamental Incompleto 15 47 GC Ensino Fundamental Incompleto 16 51 GC Analfabeto 17 56 GC Ensino Médio Completo 18 63 GC Ensino Fundamental Incompleto 19 61 GC Analfabeto 20 48 GC Ensino Médio Incompleto 21 53 GC Ensino Fundamental Incompleto 22 56 GC Ensino Médio Completo Não Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não do tabagismo Quadro 1. Caracterização dos sujeitos submetidos à cirurgia de edema de Reinke, com idade, escolaridade e se já havia interrompido tabagismo antes da primeira avaliação, divididos em GE e GC, de acordo com a adesão ao tratamento 58 Casuística e Métodos Sujeitos No. de Grupo sessões Cumpriu freqüência de Usou técnica dos Manteve Manteve Faltou em mais da Cumpriu Fez exercícios indicada? exercícios correta? abuso vocal? tabagismo? metade das repouso vocal? hidratação? sessões? 1 5 GE Sim Sim Não Não Não Sim Sim 2 6 GE Sim Sim Não Não Não Sim Sim 3 5 GE Sim Não Não Não Não Sim Sim 4 5 GE Sim Sim Não Não Não Sim Sim 5 4 GE Sim Sim Sim Não Não Sim Sim 6 5 GE Não Sim Não Não Não Sim Sim 7 2 GE Sim Sim Não Não Sim Sim Sim 8 5 GE Sim Sim Não Não Não Sim Sim 9 6 GC Sim Não Sim Não Não Não Sim 10 0 GC Não Não Sim Sim Sim Não Não 11 2 GC Não Não Não Sim Sim Não Não 12 4 GC Sim Sim Não Sim Não Sim Sim 13 4 GC Não Sim Não Sim Não Não Sim 14 3 GC Não Sim Sim Não Sim Sim Sim 15 5 GC Não Não Não Sim Não Não Sim 16 4 GC Não Não Não Não Não Não Sim 17 3 GC Sim Sim Sim Sim Sim Não Sim 18 4 GC Sim Não Não Sim Não Sim Sim 19 3 GC Não Sim Sim Sim Sim Não Sim 20 4 GC Não Sim Sim Sim Não Não Não 21 2 GC Sim Sim Não Sim Sim Sim Sim 22 4 GC Sim Não Não Sim Não Não Sim Quadro 2. Caracterização dos sujeitos submetidos à cirurgia de edema de Reinke, distribuídos pelos grupos GE e GC e a adesão ao tratamento fonoaudiológico, segundo os critérios considerados para definição dos grupos 59 Resultados 3.5. Etapas da coleta de dados A partir do diagnóstico e agendamento da microcirurgia de laringe, os sujeitos foram encaminhados para avaliação fonoaudiológica, quando foram recrutados para o estudo. A coleta foi realizada entre fevereiro de 2009 e outubro de 2011 em quatro momentos: • no pré-operatório (pré-op); • uma semana após a cirurgia (pós-opA); • após o período correspondente à terapia fonoaudiológica, com tempo médio de 35 dias após a cirurgia (pós-opB); • no pós-operatório tardio, com tempo médio de cinco meses de pós-operatório (pós-opC), coincidindo com o retorno médico. No atendimento pré-operatório foram realizadas: anamnese, avaliação fonoaudiológica e as orientações para o período pós-cirúrgico. O protocolo utilizado e as orientações encontram-se anexos. Nesse instante, iniciou-se a coleta dos dados. Uma semana após a cirurgia, novamente realizou-se a coleta e deu-se início à fonoterapia. Na alta fonoaudiológica ou período correspondente para os que integraram o GC, aproximadamente quatro a seis semanas de cirurgia, com média de cinco, os sujeitos foram reavaliados e novamente coletou-se informações para a pesquisa. A quarta e última avaliação se repetiu no momento de pós-operatório tardio, após quatro a seis meses de cirurgia, com média de cinco meses, no retorno médico agendado. Em cada um desses momentos, os integrantes do estudo foram submetidos à aplicação da escala visual-analógica (EVA) para auto-avaliação perceptiva auditiva, tátil e cinestésica, mensuração do tempo máximo de fonação (TMF) e a captura da amostra vocal para avaliação acústica e perceptivo-auditiva. Os indivíduos do GC foram submetidos à avaliação idêntica ao do GE. Após o tratamento cirúrgico, os sujeitos foram encaminhados para o tratamento fonoaudiológico. O fluxograma 1 apresenta os procedimentos realizados na pesquisa. 3.6. Terapia fonoaudiológica A terapia fonoaudiológica foi oferecida pelo mesmo fonoaudiólogo, especialista em Voz e incluía uma sessão de pré-operatório, realizada antes da cirurgia e quatro a seis sessões semanais realizadas no pós-operatório, com início 60 Resultados sete dias após a cirurgia. As sessões foram individuais, com duração aproximada de 45 minutos. Seleção dos participantes segundo os critérios de inclusão e exclusão (n = 22) Avaliação fonoaudiológica Gravação da voz Aplicação do Questionário de sintomatologia vocal TCLE Realização das orientações pré-operatórias (n= 22) Fonomicrocirurgia 7 dias Avaliação fonoaudiológica Gravação da voz Questionário de sintomatologia vocal Início da fonoterapia 5 semanas Alta fonoaudiológica Gravação da voz Aplicação do questionário de sintomatologia vocal 5 meses Gravação da voz Aplicação do Questionário de sintomatologia vocal Sim Formação do GE (n = 8) Apresentou adesão à fonoterapia? Não Formação do GC (n = 14) Análise dos dados Fluxograma 1: Procedimentos realizados na pesquisa, na ordem em que ocorreram, e a definição dos grupos estudados, selecionados pelos critérios descritos 61 Resultados Para anamnese e avaliação fonoaudiológica dos participantes utilizou-se o protocolo estabelecido, utilizado rotineiramente no Setor de Fonoaudiologia do HCFMRP-USP (anexo 3). A entrevista foi realizada em data agendada no préoperatório, obtendo-se dados de identificação, história pregressa da queixa, comorbidades, maus hábitos relacionados à saúde vocal e características dos sintomas. Também se realizou a avaliação vocal e práxis de fala. No momento da avaliação pré-operatória foi oferecido um folheto (anexo 4) a todos os sujeitos, contendo ilustrações e as seguintes informações, referentes ao período de sete dias após a cirurgia: • repouso vocal absoluto, orientando-se o indivíduo utilizar a comunicação escrita, gestual ou por desenhos e/ou símbolos neste período; • cuidados com a alimentação, eliminando alimentos gordurosos, muito condimentados e ácidos, além de líquidos à base de cafeína e evitando permanecer mais do que três horas sem se alimentar; • evitar ingestão de líquidos gelados; • hidratação via oral, com cerca de dois litros de água diários para as mulheres e três litros diários para os homens, e inalatória, três vezes ao dia por cerca de cinco minutos; • restrição de atividades físicas com esforço; • cuidados com alergias nasais. A fonoterapia pós-operatória foi agendada, incluindo quatro a seis sessões, uma vez por semana, de 45 minutos cada, nas quais foram reforçadas as orientações sobre saúde vocal e aplicado treinamento vocal. O treinamento vocal era realizado sistematicamente compreendendo exercícios que deveriam ser realizados em fraca intensidade e alta frequência, com objetivo exclusivo de trabalhar a fonte glótica. As técnicas utilizadas para o treinamento vocal foram: • Sons vibrantes (Morrison e Rammage, 1993): vibração de língua, com a elevação da ponta da língua nos alvéolos dos dentes incisivos superiores e a sua vibração nas direções superior e posterior no interior da cavidade oral, com fonação; e vibração de lábios, com leve protrusão dos lábios e vibração entre eles, com fonação. 62 Resultados • Fricativas sonoras (Bloch, 1977): os sons utilizados foram /v/, /z/ ou / /, de forma prolongada. • Firmeza glótica (Behlau, 2005): posicionar o dedo indicador verticalmente nos lábios entreabertos e língua abaixada e relaxada, emitindo um sopro sonorizado. • Sons nasais (Bloch, 1977): emissão dos sons /m/, /n/ ou / / de forma suave e prolongada. • Glissando (Behlau, 2005): variar a frequência do som produzido, modulando de forma ascendente (para os agudos) ou descendente (para os graves). Foi associado a uma das técnicas descritas acima. Todas as técnicas foram treinadas com modelo do fonoaudiólogo e monitoradas pelo mesmo. Os exercícios não poderiam ter ataque vocal brusco ou tensão fonatória e deveriam ser praticadas em fraca intensidade, no tempo máximo de fonação. A escolha da técnica foi individualizada, de acordo com as características vocais de cada sujeito e tendo como critérios o domínio da técnica, o resultado apresentado imediatamente após a sua realização e a preferência do indivíduo (Anexo 5). Após treinadas as técnicas referidas acima, a partir destes critérios foi selecionado o exercício mais apropriado ao sujeito. As frequências e dosagens para realização das técnicas foram: na primeira semana por um a dois minutos, de hora em hora; na segunda semana por dois a três minutos, oito vezes ao dia; na terceira a sexta semana por três a quatro minutos, de quatro a seis vezes ao dia, com variação de glissando ascendente. No pós-operatório foram reforçadas as orientações quanto à saúde vocal, para eliminação do abuso/mau uso da voz, hidratação via oral mínima de dois litros de água por dia, hidratação inalatória quando necessário, cuidados dietéticos para prevenção de sintomas de refluxo gastroesofágico, interrupção e/ou eliminação do tabagismo e evitar o uso da voz cantada no primeiro mês. 3.7. Questionário de Sintomatologia Vocal Para conhecer os sinais e sintomas vocais do participante do estudo, utilizouse um o Questionário de Sintomatologia Vocal (anexo 2), contendo questões a respeito das manifestações táteis-cinestésicas e auditivas do uso vocal e uma escala visual analógica (EVA), utilizando-se uma régua de 0 a 10 centímetros, que 63 Resultados mostra apenas figuras para a marcação do sujeito e o avaliador registra o valor pela graduação. O questionário foi elaborado por Aguiar-Ricz e Pellicani (2011), após revisão bibliográfica a respeito da auto-percepção tátil-cinestésica e auditiva dos sinais e sintomas vocais e laríngeos e vem sendo utilizado na prática clínica. O questionário apresentado aos participantes, continha 13 perguntas fechadas e as respostas eram mensuradas por meio da escala numérica visual analógica com o uso de uma régua de 10 cm com sua parte inicial e final classificadas em “ausente” e “extremo”, respectivamente. O instrumento foi apresentado de forma oral pelo pesquisador ao participante em cada um dos quatro momentos da avaliação fonoaudiológica. Com o paciente sentado confortavelmente em uma cadeira, solicitou-se ao indivíduo a emissão prolongada da vogal /a/ para que posteriormente respondesse ao questionário a respeito das sensações táteis-cinestésicas e auditivas na régua milimetrada de zero a 10 cm, cujas extremidades foram classificadas em “ausência” que equivaleu a zero e “extremo”, considerado como 10. Os participantes marcaram na régua o quanto à voz estava diferente. A pergunta foi realizada sempre da mesma forma e a escala foi preenchida pelo mesmo fonoaudiólogo. 3.8. Tempo máximo de fonação O tempo máximo de fonação (TMF) foi mensurado pelo mesmo fonoaudiólogo, utilizando-se cronômetro digital da marca Dechatlon®Geonaute. Para aferição, solicitou-se ao participante, confortavelmente sentado, que a cada inspiração emitisse uma das vogais sustentadas /a/, /i/ e /u/, por três vezes, em frequência e intensidade vocais habituais, excluindo-se o ar de reserva. A prova foi realizada na sala com tratamento acústico. O TMF foi avaliado em segundos e considerou-se a medida aritmética obtida das três medidas mensuradas. As medidas foram realizadas nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório, início da fonoterapia (sete dias de pós-operatório), alta fonoaudiológica e pós-operatório tardio. 3.9. Análise vocal Em cada um dos quatro momentos de avaliação, as participantes se submeteram à captura da amostra vocal. Para a gravação da voz utilizou-se o software SoundForge 7.0® (Sony Pictures Digital Inc®) a uma taxa de amostragem 64 Resultados de 44.100Hz e 16 bits, arquivados em formato .wav, em computador PC, processador Pentium® e um microfone unidirecional Shure®, em sala com tratamento acústico, monitorado para que o ruído fosse inferior a 50dB, verificado pelo decibelímetro digital Decibel®. A captura do sinal sonoro da voz foi realizada por um mesmo fonoaudiólogo com o indivíduo posicionado em pé. Foi solicitado ao paciente que emitisse a vogal sustentada /a/, na intensidade e freqüência vocais habituais e confortáveis. A distância entre o microfone e os lábios dos participantes foi de 4cm, mantendo-se angulação de 45°, a fim de reduzir o ruído. As amostras vocais obtidas foram armazenadas em mídias eletrônicas de marca comercial para serem submetidas à avaliação computadorizada e extração dos parâmetros acústicos e apreciadas por fonoaudiólogos especialistas para análise perceptivo-auditiva. 3.9.1. Análise acústica Para a extração das medidas acústicas da onda sonora, foram selecionadas as emissões possíveis de análise fidedigna, classificadas como sinais sonoros de tipo 1, que é um sinal quase periódico, que não apresenta alterações qualitativas no segmento analisado, conforme proposto por Titze (1995). O início e o final da emissão da vogal sustentada foram desprezados, por suas características irregulares, aceitando-se um trecho de emissão sonora estável. O tempo de todas as amostras foi padronizado em três segundos. As amostras de vozes foram analisadas com o uso do software Advanced Multi-Dimensional Voice Program (MDVP-Adv), utilizando o Computerized Speech Lab (CSL 4500) da KayPentax®, registrados em computador PC com processador Intel® Core TM 2 Duo. Os parâmetros extraídos pelo software e utilizados estão descritos no quadro 3, com valor de normalidade para mulheres. 3.9.2. Análise perceptivo-auditiva Para a avaliação subjetiva das vozes capturadas em cada um dos quatro momentos de avaliação, fez-se uso da escala GIRBAS, proposta por Dejonckere et al. (1996). É uma escala categórica de quatro pontos, sendo: 0 = normal, 1 = leve, 2 = moderado e 3 = severo. Cada letra representa um parâmetro bem definido, 65 Resultados graduado por pontos individualmente. A letra G (grade) indica o grau geral de alteração vocal, o impacto da voz no ouvinte. A letra I (instability) reflete a instabilidade, flutuação na frequência fundamental e/ou na qualidade vocal, podendo ser expressa em quebra de sonoridade ou variação do pitch. Já a letra R (roughness) representa a irregularidade nas vibrações das pregas vocais. Indica a sensação de "rugosidade" na emissão. Breathness, a letra B, indica soprosidade, escape de ar na glote, alteração na coaptação glótica ou regularidade da onda mucosa. As letras A (astheny) e T (strain) são parâmetros opostos, pois o primeiro representa astenia, fraqueza vocal, perda de potência, energia vocal reduzida e harmônicos pouco definidos, enquanto o segundo, tensão, impressão de estado hiperfuncional e harmônicos agudos marcados. Além do tipo de voz foram considerados o pitch e loudness. O pitch é sensação psicoacústica da frequência de vibração das pregas vocais somadas à modificação feita pelo trato vocal. O loudness é a percepção da intensidade vocal, representando o fluxo aéreo transglótico amplificado pelo filtro. A graduação foi feita conforme o quadro 4. As amostras vocais foram avaliadas por três juízes fonoaudiólogos especialistas em voz. Pitch Loudness severamente grave severamente forte Alterado moderadamente grave Normal moderadamente forte discretamente grave discretamente forte adequado para idade e sexo adequado para idade e sexo discretamente agudo discretamente reduzido Alterado moderadamente agudo severamente agudo moderadamente reduzido severamente reduzido Quadro 4: Classificação do pitch e loudness e graduação utilizada para análise perceptivo-auditiva das voes realizada pelos experts 66 Resultados Parâmetro Descrição F0 (Hz) Normalidade Average Fundamental Frequency (F0): É a média da frequência fundamental, 150 - 250 Hz determinada fisiologicamente pelo número de ciclos que as pregas vocais realizam em um segundo. Medidas de Perturbação APQ (%) Amplitude Perturbation Quotient: Shimmer relativo. Indica a variabilidade à curto prazo da amplitude de onda. PPQ (%) Pitch Period Perturbation Quotient: Jitter relativo. Indica a variabilidade da F0 a curto prazo. Medidas de Ruído 1,397% 0,366% NHR (n) Noise-to-Harmonic Ratio. É a proporção harmônico-ruído. uma avaliação 0,112 geral do ruído presente no sinal analisado, feita a proporção de áreas com e sem harmônicos. SPI (n) Soft Phonation Index. Razão média da energia de baixa frequência 7,534 harmônica na faixa de 70-1550 Hz à energia de alta frequência harmônica na faixa de 1600-4200 Hz. VTI (n) Voice Turbulence Index. Mede o nível de energia relativa do ruído em alta 4,60% frequência, numa área onde a influência da freqüência e variações de amplitude, quebras de voz e componentes subharmônicos são mínimos. Medidas Complementares DSH (%) Degree of subharmonic components. Estima a avaliação relativa de subharmônicos para os componentes da F0. DUV (%) Degree of Voiceless. Estima as áreas onde não podem ser detectados F0 e harmônicos. DVB (%) Degree of Voice Breaks . Razão entre a extensão total das áreas que representam quebras de voz pelo tempo da amostra de voz completa. Medidas de Estabilidade ATRI (n) Fatr (Hz) Fftr (Hz) FTRI (%) PFR (st) vF0 (%) Amplitude Tremor Intensity Index. Taxa média da amplitude mais intensidade modulação de baixa freqüência (amplitude do tremor). Amplitude-Tremor Frequency. Componente mais intenso de baixa frequência de amplitude de modulação na faixa de análise especificado como amplitude de tremor. F0-Tremor Frequency. Componente mais intenso de baixa frequência de modulação da F0 na faixa de análise especificado pelo tremor em F0. Frequency Tremor Intensity Index. Média da freqüência do componente de modulação de baixa frequência mais intenso (tremor de F0). Phonatory Fundamental Frequency Range. O intervalo entre a frequência mais alta e mais baixa, expressa em número de semi-tons. É um dos indicadores de instabilidade. Coeficient of Fundamental Frequency Variation. Desvio padrão relativo da F0. Ele reflete, em geral, a variação da F0 (curto e longo prazo) dentro da amostra analisada. 0,20% 0,20% 0,20% 2,658% 2,375Hz 3,078Hz 0,304% 2,250 semitons 1,149% Quadro 3: Parâmetros acústicos utilizados na análise das vozes, com siglas, nomes, descrições e valores de normalidade para mulheres, segundo o MDVP 67 Resultados 3.9.2.1. Seleção e treinamento dos juízes-fonoaudiólogos (expertos) Para a análise perceptivo-auditiva foram selecionados três juízes fonoaudiólogos, mulheres, sem queixa auditiva, com tempo médio de oito anos de experiência na área e em avaliação perceptivo-auditiva, denominados: JZ1, JZ2 e JZ3 . Inicialmente, os expertos submeteram-se a treinamento, quando foram expostos os objetivos do estudo e apresentadas as descrições de cada variável utilizada. O objetivo foi explicar os conceitos de cada parâmetro da GIRBAS, atribuindo-lhe significados capazes de serem estimados de forma a assegurar a uniformização entre os avaliadores. Foi solicitada a apreciação dos juízes a respeito dos aspectos de clareza, de representatividade e de abrangência do que se desejou atingir em relação aos objetivos do presente estudo. A análise perceptivo-auditiva dos parâmetros vocais foi realizada por meio do julgamento independente de três juízes-fonoaudiólogos. Os expertos avaliaram as vozes utilizando a análise perceptivo-auditiva, após 24 horas de treinamento e calibragem para a realização da tarefa, durante quatro encontros semanais de seis horas cada, organizados pela pesquisadora. Tais encontros foram desenvolvidos no Laboratório Fonoaudiológico de Investigação da Voz e Fala (LIVF) do Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Previamente à análise efetiva da pesquisa foi oferecido 20% das vozes aos expertos, ou seja, uma amostra de 17 vozes, com a finalidade de equalizar os conceitos de caracterização dos parâmetros a serem avaliados e para a verificação da confiabilidade intra-avaliador. As amostras foram apresentadas aleatoriamente para as três avaliadoras, as quais ouviram as vozes, o quanto consideraram necessário. A calibragem das vozes e a análise foram realizadas mediante a apresentação das amostras pelo pesquisador, com auxílio de um computador principal (computador-mãe) com caixas de som posicionadas a distância média de um metro, sem que houvesse variação no volume. As vozes foram apresentadas de forma aleatória, em arquivos de áudio gravados, em formato .wav, sem que os juízes soubessem quem era o sujeito e sem 68 Resultados conhecimento dos dados contidos no protocolo de atendimento ou momento do tratamento. Para a análise, cada experto utilizou um computador específico do LIVF, registrando sua avaliação em uma planilha de Excel codificada e legendada. A avaliação do experto foi individual, sem acesso a qualquer resposta dos demais, como forma de garantir a fidedignidade das respostas. O estímulo da amostra foi oferecido três vezes, e posteriormente, solicitou-se que cada juiz fizesse a anotação a respeito dos parâmetros a serem mensurados. Para avaliar o grau de confiabilidade de cada expert, foi realizada a repetição da análise após sete dias de intervalo. 3.10. Análise estatística Na comparação entre os resultados do GE e do GC para o Questionário de Sintomatologia Vocal, o TMF e as análises perceptivo-auditiva e acústica foi utilizado o teste não-paramétrico de Mann-Whitney, adotando p≤ 0,05 como nível de significância. Para a comparação entre os grupos observando a efetividade da fonoterapia por meio dos instrumentos utilizados, foram analisados os valores de uma semana após a cirurgia (pós-opA), referente ao início da fonoterapia e aproximadamente um mês depois da cirurgia (pós-opB), período correspondente ao término da terapia; utilizando o teste não-paramétrico de Wilcoxon para amostras pareadas, adotando p≤ 0,05 como nível de significância. O mesmo foi feito para avaliar todo período analisado, comparando o pré-operatório (pré-op) e o momento final (pós-opC), de aproximadamente cinco meses após. Para verificar a confiabilidade dos juízes para a avaliação perceptivo-auditiva, foi analisada a concordância entre eles. Utilizou-se o cálculo do coeficiente de correlação intra-classe no modelo ICC (2,1) e o coeficiente Kappa para concordância, do software SPSS v. 17.0. Calculou-se o intervalo de confiança (IC) de 95%. O ICC foi calculado seguindo um modelo de ANOVA com efeitos aleatórios, onde os juízes são considerados uma amostra representativa de uma população de possíveis juízes e cada indivíduo (unidade amostra) foi avaliado por cada juiz. O coeficiente de Kappa foi introduzido por Cohen (1960) e mede o grau de concordância entre os julgadores em variáveis que são categóricas, sendo perfeita a 69 Resultados concordância quando o coeficiente é igual a 1. Landis e Koch (1977) fornecem categorizações para o Coeficiente de Kappa para indicar a força de concordância, como no quadro 5. Coeficiente Kappa Menor que zero 0,00 – 0,20 0,21 – 0,40 0,41 – 0,60 0,61 – 0,80 0,81 – 1,00 ABCDEF- Força da concordância poor (pobre) slight (desprezível) fair (suave) moderate (moderada) substantial (substancial, grande) almost perfect (quase perfeita) Quadro 5: Valores do coeficiente Kappa e a classificação da força de concordância atribuída. Fonte: Landis JR, Koch GG. The measurement of observer agreement for categorical data. Biometrics. 1977; 33(1):159–74 70 Resultados 4. RESULTADOS 71 Resultados 4. RESULTADOS Os resultados serão apresentados obedecendo à seguinte ordem: Questionário de Sintomatologia Vocal, TMF, análise acústica e análise perceptivoauditiva da voz. Os momentos apresentados são: pré-operatório (pré-op), uma semana após a cirurgia (pós-opA), aproximadamente cinco semanas após a cirurgia (pós-opB) e pós-operatório tardio, com cinco meses, em média (pós-opC). 4.1 Questionário de Sintomatologia Vocal Para análise dos dados do Questionário de Sintomatologia Vocal aplicado, foram comparados os dois grupos e os quatro momentos de avaliação. Um sujeito do GE não respondeu às perguntas por não comparecer à aplicação do questionário e houve uma falta justificada no momento pós-opA e outra no pós-opC. No GC dois indivíduos não foram incluídos nesta análise por apresentaram dificuldade em compreender as perguntas e a marcação da escala visual-analógica e ocorreram duas faltas no pós-opA, no pós-opC e uma falta no pós-opB. As tabelas 1 a 4 mostram os resultados obtidos para a auto-avaliação vocal em cada grupo com os valores de mediana, mínimo, máximo, média e desviopadrão de cada grupo para cada pergunta, com o valor de p para a comparação entre GE e GC. Foi possível observar que no GE as queixas de dor na garganta, dificuldade para falar e necessidade de esforço para fonação, contidas nas perguntas 4, 5 e 8, foram eliminadas com a fonoterapia. O único sintoma que ainda foi relatado pela maioria após a terapia foi quanto ao pitch grave, mas com valores menores, comparados ao pré-tratamento. Após cinco meses de cirurgia, a única queixa relatada pela maioria dos sujeitos que cumpriram a fonoterapia foi de sensação de pigarro ao utilizar forte intensidade, questão 9. Já no GC foi observado que as queixas de dificuldade para falar e necessidade de esforço para fonação, contidas nas perguntas 5 e 8, desapareceram após um mês de cirurgia, mesmo sem fonoterapia. Foram relatados pela maioria dos indivíduos, após cinco meses de cirurgia, as queixas de rouquidão e quebras de sonoridade, referentes às perguntas 1 e 3. 72 Resultados Tabela 1. Descrição da média, desvio-padrão (DP), mediana, mínimo (Mín) e máximo (Máx) para os valores atribuídos pelos sujeitos às perguntas do Questionário de Sintomatologia vocal no préoperatório (Pré-op), onde 0mm = ausência de sinais e sintomas e 100mm = sensação extrema, para os dois grupos (GE n= 7; GC n= 12). Todos os valores estão em milímetros Pré-op Parâmetro Grupo Média (mm) ± DP Mediana (mm) Mín – Máx (mm) Rouquidão GE 84,28 ± 15,59 87 55 - 100 p= 0,55 GC 73,17 ± 31,35 80 10 - 100 Garganta seca GE 49,57 ± 36,79 62 0 - 100 p= 0,53 GC 33,75 ± 43,12 0 0 - 100 Quebras na voz GE 61,28 ± 19,78 50 45 - 90 0 - 100 p= 0,93 GC 54,92 ± 40,34 57 Dor na garganta GE 25,28 ± 25,47 30 0 - 62 p= 0,004 GC 0 0 0 Dificuldade na emissão vocal GE 54,86 ± 32,23 65 0 - 100 p= 0,69 GC 25,83 ± 34,17 10 0 - 90 Voz mais aguda GE 0 0 0 p= 1 GC 0 0 0 Voz mais grave GE 81,43 ± 15,47 75 60 - 100 p= 0,70 GC 73,08 ± 26,26 78 28 - 100 Esforço para falar GE 65,71 ± 35,52 60 0 - 100 0 - 80 p= 0,05 GC 28 ± 34,03 5 Dor para engolir saliva GE 10 ± 18,03 0 0 - 45 p= 0,32 GC 8,33 ± 28,87 0 0 - 100 Voz mais fraca GE 62,14 ± 12,39 65 45 - 80 p= 0,02 GC 31,08 ± 29,95 35 0 - 78 Tensão em pescoço e ombros GE 55 ± 51,72 85 0 - 100 0 - 70 p= 0,03 GC 6,67 ± 20,15 0 Cansaço para falar GE 81 ± 22,55 80 35 - 100 p= 0,02 GC 42,58 ± 36,33 50,5 0 - 100 Necessidade de tossir ou pigarrear GE 82,14 ± 12,53 80 65 - 100 p= 0,00 GC 16,25 ± 29,98 0 0 - 80 73 Resultados Tabela 2. Descrição da média, desvio-padrão (DP), mediana, mínimo (Mín) e máximo (Máx) para os valores atribuídos pelos sujeitos às perguntas do Questionário de Sintomatologia Vocal uma semana após a cirurgia (Pós-opA), onde 0mm = ausência de sinais e sintomas e 100mm = sensação extrema, para os dois grupos (GE n= 6; GC n= 10). Todos os valores estão em milímetros Pós-opA Parâmetro Mediana (mm) Mín – Máx (mm) 82,5 ± 14,40 46,9 ± 30,56 77,5 65 - 100 53,5 0 - 90 70,83 ± 38,00 17,2 ± 22,77 82,5 0 - 100 0 0 - 50 67,83 ± 25,85 16,6 ± 25,21 58,5 45 - 100 0 0 - 70 Grupo Média (mm) ± DP Rouquidão GE p= 0,01 GC Garganta seca GE p= 0,009 GC Quebras na voz GE p= 0,006 GC Dor na garganta GE 0 - 90 GC 45 ± 38,86 5,5 ± 11,65 50 p= 0,02 0 0 - 30 Dificuldade na emissão vocal GE 64,17 ± 19,08 57,5 50 - 100 p= 0,004 GC 17,5 ± 24,07 10 0 - 90 Voz mais aguda GE 0 0 - 100 p= 0,64 GC 16,67 ± 40,82 4 ± 12,65 0 0 - 40 Voz mais grave GE 77,5 0 - 100 p= 0,19 GC 67,5 ± 36,57 47,2 ± 33,06 50 0 - 100 Esforço para falar GE 54,17 ± 34,27 50 0 - 100 p= 0,12 GC 24 ± 30,53 5 0 - 70 Dor para engolir saliva GE 29,17 ± 33,82 20 0 - 75 p= 0,02 GC 0 0 0 Voz mais fraca GE 73,33 ± 23,59 70 45 - 100 p= 0,01 GC 24,8 ± 29,73 15 0 - 80 Tensão em pescoço e ombros GE 32,5 ± 40,47 22,5 0 - 100 p= 0,11 GC 6,5 ± 13,75 0 0 - 35 Cansaço para falar GE 68,33 ± 20,65 67,5 45 - 100 p= 0,008 GC 15 ± 33,75 0 0 - 100 Necessidade de tossir ou pigarrear GE 28,33 ± 44,91 0 0 - 100 p= 0,47 GC 12,4 ± 27,48 0 0 - 80 74 Resultados Tabela 3. Descrição da média, desvio-padrão (DP), mediana, mínimo (Mín) e máximo (Máx) para os valores atribuídos pelos sujeitos às perguntas do Questionário de Sintomatologia Vocal cinco semanas após a cirurgia (Pós-opB), onde 0mm = ausência de sinais e sintomas e 100mm = sensação extrema para os dois grupos (GE n= 7; GC n= 11). Todos os valores estão em milímetros Pós-opB Mediana (mm) Parâmetro Grupo Média (mm) ± DP Mín – Máx (mm) Rouquidão GE 14,28 ± 19,65 0 0 - 50 p= 0,24 GC 24,1 ± 18,99 30 0 - 50 Garganta seca GE 17,14 ± 37,29 0 0 - 100 p= 0,65 GC 15,8 ± 27,08 0 0 - 60 Quebras na voz GE 15 ± 18,93 0 0 - 40 p= 0,92 GC 14,2 ± 16,15 10 0 - 42 Dor na garganta GE 0 0 0 p= 0,40 GC 3 ± 9,49 0 0 - 30 Dificuldade na emissão vocal GE 0 0 0 p= 1,0 GC 0 0 0 Voz mais aguda GE 6,43 ± 17,00 0 0 - 45 p= 0,73 GC 2 ± 6,32 0 0 - 20 Voz mais grave GE 27,86 ± 28,41 25 0 -60 p= 0,17 GC 12 ± 19,46 0 0 - 45 Esforço para falar GE 0 0 0 p= 1,0 GC 0 0 0 Dor para engolir saliva GE 4,28 ± 11,34 0 0 - 30 p= 0,86 GC 5,5 ± 17,39 0 0 - 55 Voz mais fraca GE 13,86 ± 23,75 0 0 - 52 p= 0,55 GC 8,5 ± 17,96 0 0 - 45 Tensão em pescoço e ombros GE 11,86 ± 20,27 0 0 - 43 p= 0,90 GC 10 ± 21,08 0 0 - 50 Cansaço para falar GE 4,28 ± 11,34 0 0 - 30 p= 0,86 GC 5,5 ± 17,39 0 0 - 55 Necessidade de tossir ou pigarrear GE 21,43 ± 26,84 0 0 - 55 p= 0,31 GC 10 ± 21,08 0 0 - 50 75 Resultados Tabela 4. Descrição da média, desvio-padrão (DP), mediana, mínimo (Mín) e máximo (Máx) para os valores atribuídos pelos sujeitos às perguntas do Questionário de Sintomatologia Vocal cinco meses após a cirurgia (Pós-opC), onde 0mm = ausência de sinais e sintomas e 100mm = sensação extrema para os dois grupos (GE n= 6; GC n= 11). Todos os valores estão em milímetros Pós-opC Mediana Mín – Máx (mm) (mm) Parâmetro Grupo Média (mm) ± DP Rouquidão GE 4 ± 8,94 0 0 - 20 p= 0,09 GC 28,33 ± 28,47 30 0 - 75 Garganta seca GE 10 ± 22,36 0 0 - 50 p= 0,73 GC 10,36 ± 16,51 0 0 - 40 Quebras na voz GE 13 ± 18,57 0 0 - 40 p= 0,32 GC 6,67 ± 17,75 0 0 - 60 Dor na garganta GE 6 ± 16,42 0 0 - 30 p= 0,45 GC 1,67 ± 5,77 0 0 - 20 Dificuldade na emissão vocal GE 3 ± 6,71 0 0 - 15 p= 0,57 GC 2,5 ± 8,66 0 0 - 30 Voz mais aguda GE 7 ± 15,65 0 0 - 35 p= 1,0 GC 10,42 ± 24,54 0 0 - 70 Voz mais grave GE 15 ± 20,61 0 0 - 40 p= 0,05 GC 40,58 ± 27,13 45 0 - 90 Esforço para falar GE 6 ± 13,41 0 0 - 30 p= 0,57 GC 6,67 ± 23,09 0 0 - 80 Dor para engolir saliva GE 7 ± 15,65 0 0 - 35 p= 0,45 GC 2,08 ± 7,22 0 0 - 25 Voz mais fraca GE 12 ± 16,81 0 0 - 35 p= 1,0 GC 16,25 ± 27,23 0 0 - 80 Tensão em pescoço e ombros GE 14 ± 31,30 0 0 - 70 p= 0,81 GC 11,25 ± 26,29 0 0 - 70 Cansaço para falar GE 13 ± 17,89 0 0 - 35 p= 0,36 GC 5,41 ± 10,33 0 0 - 30 Necessidade de tossir ou pigarrear GE 21 ± 21,33 0 0 - 45 p= 0,05 GC 4,09 ± 13,57 0 0 - 45 Após um ou cinco meses de cirurgia nenhum dos indivíduos atribuiu valores maiores do que no pré-operatório para as questões, porém o GE mostrou-se mais 76 Resultados satisfeito com o tratamento em longo prazo, atribuindo valores menores do que no GC para as perguntas na última avaliação. Os gráficoss 1 a 4 mostram as comparações entre os momentos mome pré-op e pósopC e entre o pós-opA opA e o pós-opB pós nos dois grupos. Sintomatologia vocal - GE Pré-op X Pós-opC 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 87 65 62 85 75 80 65 60 50 80 30 0 0 0 20 0 0 0 0 Pré-op 0 0 0 0 0 0 0 Pós-opC Gráfico 1: Valores da mediana do Questionário de Sintomatologia Vocal, em milímetros, milímetros dos sujeitos do GE nos momentos pré-operatório operatório (pré-op) (pré (n=7), e após cinco meses (pós-opC) (n=6) e os valores de p 77 Resultados Sintomatologia vocal - GE Pós-opA X Pós-opB 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 77,5 82,5 77,5 58,5 57,5 50 70 50 25 20 0 0 0 0 67,5 0 0 0 Pós-opA 0 0 22,5 0 0 0 0 0 Pós-opB Gráfico 2:: Valores da mediana do Questionário de Sintomatologia Vocal, em milímetros, milímetros dos sujeitos do GE nos momentos uma semana pós-operatório pós (pós-opA) (n= 6) e cinco semanas pós-operatório pós (pósopB) (n=7), e os valores de p Sintomatologia vocal - GC Pré-op X Pós-opC 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 80 78 57 45 50,5 30 35 0 0 0 0 0 10 0 0 0 Pré-op 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Pós-opC Gráfico 3:: Valores da mediana Questionário de Sintomatologia Vocal, em milímetros, milímetros dos sujeitos do GC nos momentos pré-operatório operatório (pré-op) (pré (n=12), e após cinco meses (pós-opC) (n= 10) e os valores de p 78 Resultados Sintomatologia vocal - GC Pós-opA X Pós-opB 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 45 30 30 0 0 10 0 0 0 0 0 0 0 Pós-opA 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Pós-opB Gráfico 4:: Valores da mediana do Questionário de Sintomatologia Vocal, em milímetros, milímetros dos sujeitos do GC nos momentos uma semana pós-operatório pós (pós-opA) (n=10), e cinco semanas pós-operatório pós (pós-opB) (n= 11), e os valores de p 4.2 Tempo Máximo de Fonação O TMF foi medido nos quatro momentos de avaliação. Antes da cirurgia os grupos estavam completos. Nas reavaliações pós-opA pós opA e no pós-opC pós um dos indivíduos do GE faltou.. Também houve absenteísmo no GC, com dois indivíduos indivíduo no pós-opA e no pós-opC opC e um no pós-opB. A tabela 5 apresenta os valores de mediana, mínimo, máximo, média e desvio-padrão para o TMF obtido em cada momento avaliado e os valores de p. O GC não apresentou diferença significativa entre os valores de TMF antes e após o tratamento. O GE, E, porém, apresentou valores significativamente maiores na reavaliação de cinco meses após a cirurgia comparando-se compar se o pré-operatório, pré com p= 0,03. Os gráficos 5 a 9 apresentam a comparação entre os valores de TMF nos momentos pré-operatório operatório e cinco meses de pós-operatório operatório para o GE e o GC e a 79 Resultados comparação das avaliações relacionadas ao período de fonoterapia para ambos os grupos. Tabela 5. Descrição o da média, desvio-padrão desvio (DP), mediana, mínimo e máximo para o TMF, nos momentos: pré-operatório operatório (pré-op), (pré uma semana depois da cirurgia (pós-opA), opA), cinco semanas póspós operatório (pós-opB) opB) e cinco meses após a cirurgia (pós-opC), (pós opC), para ambos os grupos e o p-valor p da comparação entre eles (pré-op: op: GE, n= 8, GC n= 14; pós-opA: pós opA: GE n=7, GC n=12; pós-opB: pós GE n=8, GC n=13; pós-opC: opC: GE n=7, GC n= 12). 12) Todos os valores es estão em segundos Momento Pré-op p= 0,58 Pós-opA p= 0,64 Pós-opB p= 0,48 Pós-opC p= 0,15 Grupos Mediana Mínimo - Máximo Média ± DP GE 7,3 5,3 - 9,6 7,1 ± 1,50 GC 5,95 3 - 12,6 6,93 ± 3,15 GE 7,95 5 - 12,3 8,1 ± 2,20 GC 8 3,6 - 11 7,39 ± 2,39 GE 6,95 5,3 - 10,3 7,39 ± 1,75 GC 9 4,3 - 14,6 8,4 ± 2,97 GE 9,95 7 - 10,6 9,45 ± 1,42 GC 6,75 4,6 - 14 7,71 ± 2,96 TMF - GE Pré-op X Pós-opC 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 9,95 7,3 TMF - Mediana p-valor = 0,03 Pré-op Pós-opC Gráfico 5: Valores da mediana do TMF, em segundos, dos sujeitos do GE nos momentos pré-operatório pré (pré-op) (n=8), e após cinco meses (pós-opC) (pós (n=7) e o valor de p 80 Resultados TMF - GC Pré-op X Pós-opC 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 5,95 6,75 TMF - Mediana p-valor = 0,22 Pré Pré-op Pós-opC Gráfico 6:: Valores da mediana do TMF, em segundos, dos sujeitos do GC nos momentos pré-operatório pré (pré-op) (n=14), e após cinco meses (pós-opC) opC) (n= 12) e o valor de p TMF - GE Pós-opA X Pós-opB 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 7,95 6,95 TMF - Mediana p-valor = 0,40 Pós-opA Pós-opB Gráfico 7:: Valores da mediana do TMF, em segundos, dos sujeitos do GE nos momentos uma semana pós-operatório (pós-opA) (n= 7) e cinco semanas pós-operatório pós (pós-opB) (n=8), e o valor de p TMF - GC Pós-opA X Pós-opB 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 9 8 TMF - Mediana p-valor = 0,83 Pós Pós-opA Pós-opB Gráfico 8:: Valores da mediana do TMF, em segundos, dos sujeitos do GC nos momentos uma semana pós-operatório (pós-opA) (n=12), ), e cinco semanas pós-operatório pós (pós-opB) (n= 13), e o valor de p 81 Resultados 4.3 Parâmetros acústicos Para análise comparativa dos parâmetros acústicos foram utilizados os valores obtidos em cada momento. As vozes excluídas foram consideradas sinais tipo 4, não fornecendo análise confiável, conforme critérios descritos por Titze, em 1994. O GE continha sete sujeitos no momento pré-op porque um dos indivíduos apresentou a voz extremamente alterada, não sendo possível análise deste tipo de sinal pelo software. No pós-opA e no pós-opC um dos indivíduos do GE faltou à gravação. Como no outro grupo, o GC também teve indivíduos com a voz apresentando alteração que impossibilitou a análise acústica; um sujeito no pré-op e dois no pós-opA. Também houve absenteísmo no GC, com dois indivíduos no pósopA e no pós-opC, e um no pós-opB. Os resultados estão apresentados na seguinte ordem: F0, medidas de perturbação e de ruído, medidas complementares e de estabilidade. 4.3.1 Average Fundamental Frequency (F0) A média da F0 apresentava-se fora da faixa considerada normal para todas as mulheres antes do tratamento. Uma semana após a cirurgia os valores aumentaram, a maioria tornando-se adequados. Na reavaliação depois de um mês e cinco meses de cirurgia, o GE apresentou discreto aumento progressivo da F0. No GC ocorreu o contrário, com pequeno decréscimo gradual. Os valores da tabela 6 descrevem a média, desvio padrão, mediana e valores mínimo e máximo da F0 para os dois grupos e os valores de p para as comparações entre eles. Nos gráficos 9 e 10 encontram-se as comparações entre os momentos de avaliação e os valores de p. Após cerca de cinco meses de cirurgia os valores de F0 nos sujeitos do GE foram significativamente maiores do que os do GC, com p= 0,03. Nos demais momentos de avaliação não houve diferença significativa. Na avaliação do tratamento completo, com a avaliação pré-operatória e cinco meses após a cirurgia, o GC não apresentou diferenças estatisticamente significativas. Comparando o mesmo período o significativamente maiores após o tratamento, com p= 0,03. GE mostrou valores 82 Resultados Tabela 6: Descrição da média, desvio padrão, mediana e valores mínimo (Mín) e máximo (Máx) da frequência fundamental (F0), em Hertz (Hz), nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório pré (préop), uma semana pós-operatório operatório (pós-opA), (pós opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB)e (pós cinco meses es depois da cirurgia (pós-opC) (pós (pré-op: GE n= 7, GC n= 13; pós-opA: opA: GE n= 7, GC n= 10; póspós opB: GE n= 8, GC n= 11; pós-opC: pós GE n= 7, GC n= 12) GE Parâmetro Momento Média ± DP GC Mediana Mín - Máx Média ± DP Mediana Mín - Máx Pré-op p = 0,72 125,21 ± 37,09 116,39 69,55 192,51 121,65 ± 26,28 116,24 81,44 176,44 Pós-opA p= 0,84 188,91 ± 83,11 156,6 114,61 330,81 161,80 ± 24,99 154,18 134,83 208,65 Pós-opB p= 0,19 161,32 ± 37,84 157,4 108,13 224,22 142,72 ± 24,97 131,13 117,76 194,76 Pós-opC p = 0,03 170,57 ± 23,77 167,45 135,18 202,51 139,74 ± 23,76 137,95 109,91 177,99 F0 (Hz) F0 - GE e GC Pré-op X Pós-opC 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 167,45 137,95 116,39 p= 0,03 GE Pré-op 116,24 p= 0,29 GC Pós-opC Gráfico ico 9: Valores da mediana da Frequência fundamental (F0),, em Hertz, dos sujeitos nos momentos pré-operatório operatório (pré-op) op) ( GE n=7, GC n= 14), e após cinco meses (pós-opC) opC) (GE n= 7, GC n=13) e os valores de p 83 Resultados F0 - GE e GC Pós-opA e Pós-opB 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 156,6 157,4 154,18 131,13 p= 0,73 GE Pós-opA p= 0,12 GC Pós-opB Gráfico ico 10: Valores da mediana da Frequência fundamental (F0),, em Hertz, dos sujeitos nos momentos uma semana póspós operatório (pós-opA) (GE n=7, GC n= 12), e cinco semanas pós-operatório operatório (pós-opB) (pós (GE n= 8, GC n=13) e os valores de p 4.3.2. .2. Medidas de Perturbação A tabela 7 apresenta os valores de média, desvio-padrão, d padrão, mediana, mínimo e máximo dos parâmetros APQ e PPQ para GE e GC e a comparação entre eles. Na avaliação do parâmetro APQ todos os sujeitos apresentaram valores alterados no pré-operatório. operatório. Mesmo após o tratamento todas as médias do APQ, para cada ada situação em ambos os grupos, mostraram-se mostraram se alteradas. Em todas as avaliações realizadas os valores de PPQ estiveram acima da normalidade, em ambos os grupos. A comparação dos do valores de APQ entre os dois grupos mostrou diferença significativa na avaliação pré-operatória, pré operatória, com o GE apresentando valores val maiores do que o GC, com p= = 0,07. Na situação uma semana após a cirurgia ciru isso também ocorreu, com p= = 0,03, sendo o GE com valores superiores ao GC. Comparando apenas o período referente à terapia vocal, vocal, entre uma semana e um mês após a cirurgia, o GC não apresentou diferença significativa para este parâmetro. Já o GE apresentou valores menores menores ao término da terapia, com p= p 0,03. Avaliando o tratamento completo, comparando o valor do pré-operatório pré operatório com o da avaliação de aproximadamente cinco meses após a cirurgia, o GE mostrou maior tendência a redução do valor, va com p= 0,07, para p= 0,21 no GC 84 Resultados Tabela 7: Descrição da média, desvio padrão, mediana e valores mínimo (Mín) e máximo (Máx) dos parâmetros Amplitude tude Perturbation Quotient (APQ) e Pitch Period Perturbation Quotient (PPQ), em porcentagem (%), nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório pré (pré--op), uma semana pósoperatório (pós-opA), opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB)e (pós opB)e cinco meses mes depois da cirurgia (pós-opC) (pré-op: op: GE n= 7, GC n= 13; pós-opA: pós GE n= 7, GC n= 10; pós-opB: opB: GE n= 8, GC n= 11; pós-opC: opC: GE n= 7, GC n= 12) GE Parâmetro Momento APQ PPQ GC Média ± DP Mediana Mín - Máx Média ± DP Mediana Mín - Máx p-valor Pré-op 1,77 ± 0,64 5 3,04 - 15,37 4,64 ± 3,74 2,78 1,58 - 14,27 p= 0,07 Pós-opA 7,53 ± 5,78 5,43 2,04 - 18,42 3 ± 2,03 2,59 1,11 - 7,97 p= 0,03 Pós-opB 2,58 ± 0,94 2,32 1,24 - 4,02 2,75 ± 2,32 2,34 0,89 - 9,24 p= 0,51 Pós-opC 2,53 ± 1,53 2,17 1,07 - 5,76 2,63 ± 1,9 1,8 0,80 - 7,43 p= 0,93 Pré-op 3,61 ± 4,51 2 0,98 - 13,67 1,43 ± 1,03 1,04 0,25 - 3,6 p= 0,13 Pós-opA 3 ± 1,24 2,45 1,78 - 4,88 1,49 ± 1,08 1,35 0,17 - 3,9 p= 0,007 Pós-opB 0,77 ± 0,45 0,6 0,38 - 1,7 1,13 ± 0,9 0,96 0,13 - 3,51 p=0,32 Pós-opC 0,78 ± 0,55 0,57 0,30 - 1,86 0,84 ± 0,56 0,68 0,32 - 2,4 p= 0,50 Os valores de PPQ no GE apresentaram redução significativa após o período da fonoterapia, de uma semana a um mês de pós-operatório, operatório, com p= p 0,02. Comparando a situação antes de cirurgia e cinco meses depois, também foi obtida obti redução significativa, com p= p= 0,03. No GC não foram encontradas diferenças significativas em nenhuma das comparações acima. Nos gráficos 11 e 12 encontram-se encontram se as comparações dos valores de APQ e PPQ para ambos os grupos nas comparações entre os momentos de avaliação. Med Perturbação- GE e GC Pré-op X Pós-opC 6 5 5 4 3 2,78 2,17 2 2 1,04 0,57 1 0 1,8 p= 0,07 p= 0,03 p= 0,21 GE APQ Pré-op Pré GC APQ Pós-opC PPQ Pré-op 0,68 p= 0,11 PPQ Pós-opC Pós Gráfico ico 11: Valores da mediana do Amplitude Perturbation Quotient (APQ) e Pitch Period Perturbation Quotient (PPQ), em porcentagem (%),, dos sujeitos nos momentos pré-operatório pré (pré-op) ( GE n=7, GC n= 14), ), e após cinco meses (pós-opC) (GE n= 7, GC n=13) e os valores de p 85 Resultados Med Perturbação - GE e GC Pós-opA X Pós-opB 6 5,43 5 4 3 2,59 2,45 2,32 2,34 2 1,35 0,6 1 0 p= 0,02 p= 0,03 GE APQ Pós--opA APQ Pós-opB p= 0,78 PPQ Pós-opA GC 0,96 p= 0,21 PPQ Pós-opB Pós Gráfico ico 12: Valores da mediana da Amplitude Perturbation Quotient (APQ) e Pitch Period Perturbation Quotient (PPQ), em porcentagem (%),, dos sujeitos nos momentos uma semana pós-operatório operatório (pós-opA) (GE n=7, GC n= 12), e cinco semanas pósoperatório (pós-opB opB) (GE n= 8, GC n=13) e os valores de p 4.3.3.. Medidas de ruído Na tabela 8 estão contidos os valores de média, desvio-padrão, desvio mediana, mínimo e máximo dos parâmetros NHR, SPI e VTI dos dois grupos e a comparação entre eles. Os valores do NHR estiveram acima do considerado normal no pré-operatório e após uma semana de cirurgia nos grupos GC e GE, com melhora depois de um mês. Cinco o meses depois da cirurgia apresentaram-se se muito próximos do limite da normalidade. Os valores de SPI estiveram acima do valor considerado normal em todas as avaliações, ões, tanto no GE quanto no GC. Até a avaliação de um mês após a cirurgia os valores em cada grupo estiveram muito próximos, com redução dos valores no GE, com cinco meses após o procedimento. No pré-operatório operatório os dois grupos apresentaram VTI acima do esperado para a normalidade, com redução observada ao longo das avaliações em ambos. Verificando o período do tratamento fonoaudiológico, comparando os valores de NHR depois de sete dias e de um mês de cirurgia, não foram encontradas diferenças significativas para o GC. No GE os valores após a terapia foram reduzidos, com p= 0,06. 86 Resultados Na comparação entre antes e cinco meses após a cirurgia o GE apresentou redução significante dos valores de NHR, com p= 0,03; enquanto o GC não mostrou diferença considerada significativa. Tabela 8: Descrição da média, desvio padrão, mediana e valores mínimo (Mín) e máximo (Máx) dos parâmetros Noise-to-Harmonic Ratio (NHR), Soft Phonation Index (SPI) e Voice Turbulence Index (VTI), nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), uma semana pós-operatório (pósopA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB)e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC) (pré-op: GE n= 7, GC n= 13; pós-opA: GE n= 7, GC n= 10; pós-opB: GE n= 8, GC n= 11; pós-opC: GE n= 7, GC n= 12). GE Parâmetro Momento NHR SPI VTI GC Média ± DP Mediana Mín - Máx Média ± DP Mediana Mín - Máx p-valor Pré-op 0,23 ± 0,2 0,18 0,11 - 0,68 0,19 ± 0,11 0,15 0,10 - 0,42 p= 0,36 Pós-opA 0,30 ± 0,26 0,22 0,11 - 0,85 0,15 ± 0,04 0,13 0,09 - 0,25 p= 0,09 Pós-opB 0,15 ± 0,01 0,15 0,12 - 0,17 0,13 ± 0,02 0,14 0,08 - 0,17 p= 0,36 Pós-opC 0,13 ± 0,02 0,14 0,09 - 0,16 0,14 ± 0,03 0,14 0,9 - 0,21 p= 0,45 Pré-op 19,78 ± 9,88 17,44 7,66 - 40,21 21,01 ± 13,47 15,47 9,28 - 55,26 p= 0,61 Pós-opA 18,21 ± 17,29 16,46 4,57 - 55,02 24,7 ± 17,41 18,46 4,73 - 57,06 p= 0,38 Pós-opB 21,07 ± 10,01 23,23 7,29 - 36,38 22,51 ± 10,37 22,02 5,7 - 36,39 p= 0,80 Pós-opC 15,87 ± 10,21 10,72 5,56 - 28,61 25,06 ± 15,38 24,06 6,58 - 61,32 p= 0,11 Pré-op 0,06 ± 0,03 0,06 0,04 - 0,13 0,14 ± 0,01 0,05 0,03 - 0,08 p= 0,19 Pós-opA 0,1 ± 0,12 0,07 0,03 - 0,37 0,06 ± 0,05 0,04 0,02 - 0,19 p= 0,24 Pós-opB 0,04 ± 0,01 0,05 0,02 - 0,05 0,04 ± 0,02 0,04 0,02 - 0,1 p= 0,51 Pós-opC 0,05 ± 0,01 0,05 0,03 - 0,05 0,04 ± 0,02 0,03 0,02 - 0,08 p= 0,23 Na comparação entre os valores de VTI das avaliações feitas uma semana e um mês após a cirurgia o GE obteve redução dos valores, com p = 0,06; diferença não observada no GC. A comparação destes parâmetros nos momentos do tratamento para cada um dos grupos estão nos gráficos 13 a 16. 87 Resultados Med de Ruído - GE e GC Pré-op X Pós-opC 0,5 0,4 0,3 0,2 0,18 0,15 0,14 0,1 0 0,06 p= 0,03 0,14 0,05 p= 0,25 GE NHR Pré-op VTI Pré-op 0,05 p= 0,33 0,03 p= 0,25 GC NHR Pós-opC VTI Pós-opC Gráfico ico 13: Valores da mediana do Noise-to-Harmonic Ratio (NHR) e Voice Turbulence Index (VTI), dos sujeitos nos momentos pré-operatório pré (pré-op) (GE n=7, GC n= 14), 14 e após cinco meses (pós-opC) opC) (GE n= 7, GC n=13) e os valores de p Med de Ruído - GE e GC Pós-opA X Pós-opB 0,5 0,4 0,3 0,22 0,2 0,15 0,07 0,1 0 0,13 p= 0,06 0,14 0,05 p= 0,06 GE NHR Pós-opA VTI Pós-opA 0,04 p= 0,57 0,04 p= 0,94 GC NHR Pós-opB VTI Pós-opB Gráfico ico 14: Valores da mediana da Noise-to-Harmonic Harmonic Ratio (NHR) e Voice Turbulence Index (VTI), dos sujeitos nos momentos uma semana pós-operatório (pós-opA) (GE n=7, GC n= 12), e cinco semanas pós-operatório operatório (pós-opB) (pós (GE n= 8, GC n=13) e os valores de p 88 Resultados SPI - GE e GC Pré-op X Pós--opC SPI - GE e GC Pós-opA opA X Pós-opC Pós 30 24,06 25 20 15 17,44 15,47 20 10 5 5 p= 0,17 GE SPI Pré-op 16,46 22,02 18,46 15 10,72 10 0 23,23 25 0 p= 0,53 GC SPI Pós-opC Pós Gráfico ico 15: Valores da mediana do Soft Phonation Index (SPI) dos sujeitos nos momentos prépré operatório (pré-op) (GE n=7, GC n= 14) e após cinco meses (pós-opC) (GE n= 7, GC n=13) e o valor de p p= 0,23 GE SPI Pós-opA p= 0,32 GC SPI Pós-opB Gráfico ico 16: Valores da mediana do Soft Phonation Index (SPI) dos sujeitos nos momentos uma semana pós-operatório (pós pós-opA) (GE n=7, GC n= 12), e cinco semanas pós-operatório pós (pós-opB) (GE n= 8, GC n=13) e o valor de p 4.3.4.. Medidas complementares Os valores de média, desvio-padrão, desvio padrão, mediana, mínimo e máximo dos parâmetros DSH, DUV e DVB encontrados no GE e no GC e a comparação entre eles nos quatro momentos de avaliação estão na tabela 9. O parâmetro ro DSH mostrou-se se alterado em ambos os grupos no prépré operatório. Uma semana após a cirurgia o GE demonstrou piora do valor, contudo apresentou melhora progressiva nas avaliações sucessivas. O GC apresentou pouca mudança neste parâmetro com sete dias de pós-operatório, pós operatório, porém com importante melhora nas demais avaliações. Os valores de DUV obtidos nos quatro momentos em ambos os grupos apresentaram-se se alterados. Nos dois grupos os valores de DVB estavam alterados no pré-operatório, porém o GE apresentou piores valores. No GC os valores obtidos após a cirurgia são considerados normais. No GE observou-se observou se que o parâmetro manteve-se manteve alterado na primeira semana pós-operatório, pós operatório, com melhora após a fonoterapia e posterioress valores dentro da normalidade. 89 Resultados Tabela 9: Descrição da média, desvio padrão, mediana e valores mínimo (Mín) e máximo (Máx) dos parâmetros Degree of subharmonic components (DSH), Degree of Voiceless (DUV) e Degree of Voice Breaks (DVB), em porcentagem (%), nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), uma semana pós-operatório (pósopA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB)e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC) (pré-op: GE n= 7, GC n= 13; pós-opA: GE n= 7, GC n= 10; pós-opB: GE n= 8, GC n= 11; pós-opC: GE n= 7, GC n= 12). GE Parâmetro DSH DUV DVB GC Momento Média ± DP Mediana Mín - Máx Média ± DP Mediana Mín - Máx p-valor Pré-op 2,8 ± 6,59 0 0 - 17,65 2,97 ± 5,76 0 0 - 15,38 p= 0,79 Pós-opA 3,93 ± 4,2 4,32 0 - 10,75 2,41 ± 3,81 0 0 - 9,09 p= 0,53 Pós-opB 0,82 ± 2,02 0 0 - 5,77 0 0 0 p= 0,09 Pós-opC 0,33 ± 0,42 0 0 - 9,09 0 0 0 p= 0,02 Pré-op 29,65 ± 41,95 5,62 0 - 99,15 7,6 ± 19,1 0 0 - 69,53 p= 0,05 Pós-opA 22,2 ± 24,47 13,49 0 - 58,59 5,7 ± 16,37 0 0 - 52,17 p= 0,04 Pós-opB 0,61 ± 1,72 0 0 - 4,88 2,44 ± 7,76 0 0 - 25,83 p= 0,74 Pós-opC 0,65 ± 1,47 0 0 - 3,94 2,9 ± 9,42 0 0 - 32,76 p= 0,64 Pré-op 8,45 ± 22,36 0 0 - 59,17 0,85 ± 2,08 0 0 - 5,70 p= 0,95 Pós-opA 5,6 ± 10,18 0 0 - 25,62 0 0 0 p= 0,08 Pós-opB 0 0 0 0,6 ± 2 0 0 - 6,65 p= 0,39 Pós-opC 0 0 0 0 0 0 p= 1,0 Na comparação entre grupos para o DSH notou-se diferença significativa apenas na avaliação cinco meses após a cirurgia, na qual o GE apresentou maiores valores do que o GC, com p= 0,02. Analisando o tratamento, tanto na comparação antes e cinco meses após a fonomicrocirurgia e com sete ou trinta dias de pósoperatório, não foram observadas diferenças significativas nos valores de DSH para nenhum dos grupos. Feita a comparação entre os grupos para o DUV, o GE apresentou valores significativamente maiores que o GC nas situações antes e sete dias após a cirurgia, com p= 0,05 e 0,04, respectivamente. Comparando o pré e o pós-operatório tardio, cerca de cinco meses, o GE apresentou redução significativa nos valores após o tratamento, com p= 0,03. Isso também ocorreu na comparação entre as avaliações feitas no início e no término da terapia, ou seja, com uma semana e com um mês após a cirurgia, com p= 0,03. No GC não foi observada melhora significativa dos parâmetros após o tratamento. Para o DVB realizou-se a comparação entre os grupos estudados e não foram encontradas diferenças significativas entre os valores obtidos nos quatro momentos de avaliação. Comparando-se as situações de uma semana e um mês após a 90 Resultados cirurgia e antes e após o tratamento, com reavaliação de cinco meses, não foram observadas diferenças significativas. 4.3.5. Medidas de estabilidade A tabela 10 apresenta média, desvio-padrão, mediana, mínimo e máximo dos parâmetros ATRI, Fatr, Fftr, FTRI, PFR e vF0 dos dois grupos e a comparação entre eles. Os valores de ATRI no GE apresentaram-se alterados antes e após uma semana de cirurgia. Ao término da terapia vocal a média dos valores esteve dentro da normalidade, permanecendo assim após cinco meses. Ao contrário, o GC apresentava valores dentro da normalidade antes do tratamento, com piora na média após uma semana da cirurgia e valor ainda mais alto um mês após o procedimento, recuperando-se somente cinco meses depois da fonomicrocirurgia. No pré-operatório os valores Fatr no GE estavam acima do limite de normalidade, o que não ocorreu com o GC. Na avaliação após uma semana de cirurgia os valores pioraram nos dois grupos, com melhora progressiva, alcançando a normalidade na última avaliação. O parâmetro Fftr mostrou-se ligeiramente elevado no pré-operatório em ambos os grupos e mostrou pouca variação nos períodos em que foi analisado, mantendo-se discretamente alterado na última avaliação. Os valores de FTRI em ambos os grupos estavam acima da normalidade em todas as avaliações, com pequena melhora gradual. Nos dois grupos os valores de PFR estavam alterados antes do tratamento. Após uma semana de cirurgia o GC apresentou melhora deste parâmetro, mantendo-se nas demais avaliações, porém ainda fora do limite da normalidade. No GE, após uma semana de cirurgia, o valor aumentou, melhorando após a fonoterapia. Os valores de vF0 permaneceram acima da normalidade nos grupos avaliados, com aumento do valor após uma semana de cirurgia no GE e redução após o mesmo período no GC. Na última avaliação ambos os grupos apresentaram valores reduzidos, próximos ao normal. O GE apresentou valores significativamente maiores do que o GC na situação sete dias após a cirurgia, com p= 0,02. 91 Resultados Comparando-se os valores de ATRI entre os grupos houve diferença significativa somente no pré-operatório, com valores maiores no GE, com p= 0,03. Os valores de PFR na primeira avaliação após a cirurgia foram significativamente mais altos no GE do que no GC, com p= 0,005. Comparando o valor deste parâmetro com uma semana e com um mês pósoperatório, o GE obteve redução estatisticamente significativa, com p= 0,03, diferença não observada no GC. Analisando os valores de vF0 antes e após o tratamento fonoaudiológico, uma semana após a cirurgia e um mês, o GE obteve redução significativa, com p= 0,02. O GC não apresentou diferença significativa. Comparando os valores do pré-operatório e cinco meses após a cirurgia, foram observadas diferenças significativas em nenhum dos grupos, o GE com p= 0,05 e o GC com p= 0,004. Nos gráficos 16 e 17 estão apresentadas as comparações entre os momentos de avaliação para ambos os grupos e os valores de p correspondentes. 92 Resultados Tabela 10: Descrição da média, desvio padrão, mediana e valores mínimo (Mín) e máximo (Máx) dos parâmetros Amplitude Tremor Intensity Index (ATRI); Amplitude-Tremor Frequency (Fatr), em Hertz (Hz); F0-Tremor Frequency (Fftr), em Hertz (Hz); Frequency Tremor Intensity Index (FTRI), em porcentagem (%);Phonatory Fundamental Frequency Range (PFR), em semi-tons (st) e Coeficient of Fundamental Frequency Variation (vF0), em porcentagem (%), nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), uma semana pós-operatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB)e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC) (pré-op: GE n= 7, GC n= 13; pós-opA: GE n= 7, GC n= 10; pós-opB: GE n= 8, GC n= 11; pós-opC: GE n= 7, GC n= 12). GE GC Parâmetro Momento ATRI Fatr Fftr FTRI PFR vF0 Média ± DP Mediana Mín - Máx Média ± DP Mediana Mín - Máx p-valor Pré-op 6,07 ± 4,65 5,64 0 - 15,17 1,67 ± 2,83 0 0 - 8,44 p= 0,03 Pós-opA 5,3 ± 4,68 5,75 0 - 12,31 2,6 ± 2,88 1,74 0 - 8,92 p= 0,24 Pós-opB 2,12 ± 2,11 2,46 0 - 4,8 3,99 ± 3,85 3,7 0 - 11,27 p= 0,36 Pós-opC 2,49 ± 3,25 0 0 - 7,72 1,5 ± 2,25 0 0 - 6,93 p= 0, 57 Pré-op 4,31 ± 3,13 4,21 0 - 9,52 1,59 ± 2,93 0 0 - 8,89 p= 0,03 Pós-opA 5,64 ± 4,17 6,45 0 - 11,11 2,6 ± 2,38 2,78 0 - 7,84 p= 0,14 Pós-opB 3,02 ± 3,35 2,2 0 - 7,55 2,87 ± 2,19 3,05 0 - 6,9 p= 0,86 Pós-opC 1,92 ± 2,43 0 0 - 4,88 1,25 ± 1,7 0 0 - 4,94 p= 0,64 Pré-op 4,05 ± 3,16 3,08 0 - 8,51 3,27 ± 2,57 2,94 0 - 7,84 p= 0,64 Pós-opA 2,98 ± 2,52 2,58 0 - 6,15 3,37 ± 1,75 3,71 0 - 5,97 p= 0,73 Pós-opB 4,54 ± 1,72 4,55 2,39 - 7,27 2,93 ± 2,09 3,74 0 - 5,63 p= 0,16 Pós-opC 4,71 ± 2,18 3,92 2,84 - 8,89 3,11 ± 2,17 3,06 0 - 8,16 p= 0,11 Pré-op 0,97 ± 1 0,48 0 - 2,67 1,72 ± 2,99 1,17 0 - 11,29 p= 0,97 Pós-opA 2,35 ± 3,74 0,77 0 - 10,35 0,68 ± 0,44 0,6 0 - 1,64 p= 0,70 Pós-opB 0,54 ± 0,29 0,45 0,25 - 1,05 0,48 ± 0,52 0,29 0 - 1,63 p= 0,36 Pós-opC 0,37 ± 0,21 0,3 0,20 - 0,78 0,51 ± 0,34 0,53 0 - 1,05 p= 0,35 Pré-op 7 2,0 - 15,0 8,38 ± 5,38 6 2,0 - 18,0 p= 1,0 18 5,0 - 39,0 5,7 ± 4 4 3,0 - 16,0 p= 0,005 Pós-opB 7,14 ± 3,98 18,43 ± 12,55 3,37 ± 1,41 3 2,0 - 6,0 4,82 ± 2,71 4 2,0 - 10,0 p= 0,27 Pós-opC 3,57 ± 1,51 3 2,0 - 6,0 3,67 ± 1,77 3 2,0 - 8,0 p= 1,0 Pré-op 6,19 ± 5,71 4,92 1,84 - 18,54 9,32 ± 11,07 4,99 0,89 - 35,18 p= 0,61 Pós-opA 22,1 ± 18,83 22,51 3,21 - 47,1 4,62 ± 4,05 3,03 1,65 - 14,81 p= 0,01 Pós-opA Pós-opB 1,94 ± 1 1,69 0,92 - 3,61 3,49 ± 2,23 2,55 0,94 - 7,74 p= 0,08 Pós-opC 1,77 ± 0,64 1,72 0,82 - 2,88 2,2 ± 0,92 1,92 1,3 - 3,93 p= 0,45 93 Resultados Med de Estabilidade - GE e GC Pré-op X Pós-opC 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 7 5,64 4,21 0 0 6 4,92 3,92 3,08 0,48 3 1,72 0,3 p= 0,25 p= 0,25 p= 0,50 p= 0,11 p= 0,05p= 0,05 GE 0 4,99 2,943,06 1,17 0,53 0 3 1,92 0 0 p= 0,76p= 0,78 p= 0,88 p= 0,18 p= 0,09 p= 0,04 GC ATRI Pré-op ATRI Pós-opC Pós Fatr Pré-op Fftr Pós-opC Fftr Pré-op op Fftr Pós-opC FTRI Pré-op FTRI Pós-opC Pós PFR Pré-op PFR Pós-opC vF0 Pré-op op vF0 Pós-opC Gráfico ico 17: Valores da mediana do Amplitude Tremor Intensity Index (ATRI); Amplitude--Tremor Frequency (Fatr), em Hertz (Hz); F0-Tremor Tremor Frequency (Fftr), em Hertz (Hz); Frequency Tremor Intensity Index (FTRI), em porcentagem (%);Phonatory Fundamental Frequency Range (PFR), em semi-tons semi tons (st) (st e Coeficient of Fundamental Frequency Variation (vF0), em porcentagem (%), dos sujeitos nos momentos pré-operatório pré (préop) (GE n=7, GC n= 14), ), e após cinco meses (pós-opC) (pós (GE n= 7, GC n=13) e os valores es de p Med de Estabilidade - GE e GC Pós-opA X Pós-opB 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 22,51 18 5,75 6,45 2,46 4,55 2,2 2,58 3 1,69 0,77 0,45 p= 0,14 p= 0,24 p= 0,31 p= 0,03 p= 0,02 p= 0,34 GE 3,7 1,74 p= 0,12 3,71 3,74 2,783,05 p= 0,91 4 0,6 0,29 4 3,03 2,55 p= 0,61 p= 0,17 p= 0,91 p= 0,67 GC ATRI Pós-opA ATRI Pós-opB Pós Fatr Pós-opA Fatr Pós-opB Fftr Pós-opA Pós Fftr Pós-opB FTRI Pós-opA FTRI Pós-opB Pós PFR Pós-opA PFR Pós-opB vF0 Pós-opA Pós vF0 Pós-opB Gráfico ico 18: Valores da mediana da Amplitude Tremor Intensity Index (ATRI); Amplitude--Tremor Frequency (Fatr), em Hertz (Hz); F0-Tremor Tremor Frequency (Fftr), em Hertz (Hz); Frequency Tremor Intensity Index (FTRI), em porcentagem (%);Phonatory Fundamental Frequency Range (PFR), em semi-tons tons (st) e Coeficient of Fundamental Frequency Variation (vF0), em porcentagem (%), dos sujeitos nos momentos uma semana pósoperatório (pós-opA) (GE n=7, GC n= 12), e cinco semanas pós-operatório (pós-opB) (GE n= 8, GC n=13) e os valores de p 94 Resultados 4.4 Avaliação perceptivo-auditiva da voz 4.4.1. Análise da concordância entre juízes O valor do ICC obteve p < 0,001, significativamente diferente de 0, para os parâmetros G, R, B e I – quebra de frequência, em todas as situações avaliadas, indicando alta confiabilidade na análise destes parâmetros. Para os parâmetros A, S e I – quebra de sonoridade houve a ocorrência de atribuição de um valor diferente em apenas uma de todas avaliações, como exemplificado na tabela 11. Com isso, o valor de p para o ICC foi 0,48, considerado não confiável. Este caso pode ser considerado com um erro do método de análise, possível de ocorrer devido as características do cálculo. Os resultados das análises de ICC para cada parâmetro estão na tabela 12. Os julgamentos foram considerados concordantes quando o Kappa foi maior ou igual de 0,61 e discordantes quando foi menor que 0,61 de cada parâmetro quantitativo avaliado. A tabela 13 mostra os valores de Kappa para cada parâmetro, o p-valor e o intervalo de confiança. Exceto pala avaliação do loudness feita cinco meses após a cirurgia, todas as outras avaliações se mostraram concordantes. Para confiabilidade intra-juiz, dez vozes foram selecionadas e reapresentadas posteriormente aos mesmos juízes, sem que soubessem quais eram as vozes. Foi utilizada a mesma análise estatística relatada acima, feita para a avaliação interjuízes. As tabelas 14 e 15 mostram respectivamente os valores de ICC e Kappa calculado intra-juízes. Para o ICC todos os parâmetros foram considerados concordantes, exceto pela instabilidade (I) – quebra de frequência. Para o Kappa foram considerados concordantes os parâmetros astenia, tensão, quebra de frequência e loudness. 95 Resultados Tabela 11. Valores do parâmetro Astenia (A), segundo cada juiz, para cada sujeito Sujeitos Juiz A Juiz T Juiz L 1 0 0 0 2 0 0 0 3 0 0 0 4 0 5 0 6 0 0 0 7 0 0 0 8 0 0 0 9 0 0 0 10 0 11 0 0 0 12 0 1 0 13 0 0 0 14 0 0 0 15 0 0 0 16 0 0 17 0 0 0 18 0 0 0 19 0 0 0 20 0 0 21 0 0 22 0 0 96 Resultados Tabela 12. Valores do coeficiente de correlação intra-classe (ICC), intervalos de confiança (Int Conf) e valor de p da avaliação dos juízes para os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F), nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), uma semana pósoperatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB)e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC). Parâmetro G R B A S I-S I-F Medida Momentos de avaliação Pré-op Pós-opA Pós-opB Pós-opC ICC 0,92 0,91 0,94 0,86 Int Conf 0,84 - 0,96 0,81 - 0,96 0,87 - 0,97 0,72 - 0,94 p-valor p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 ICC 0,92 0,94 0,98 0,92 Int Conf p-valor 0,84 - 0,96 p < 0,001 0,88 - 0,98 p < 0,001 0,95 - 0,99 p < 0,001 0,83 - 0,97 p < 0,001 ICC 0,96 0,96 0,75 0,93 Int Conf 0,91 - 0,98 0,92 - 0,98 0,54 - 0,88 0,85 - 0,97 p-valor p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 ICC 1,0 1,0 0 1,0 Int Conf 1,00 - 1,00 1,00 - 1,00 (-0,27 - 0,32) 1,00 - 1,00 p-valor p < 0,001 p < 0,001 p = 0,48 p < 0,001 ICC 0,8 0,92 0 0 Int Conf 0,64 - 0,90 0,98 - 0,98 (-0,27 - 0,32) (-0,27 - 0,32) p-valor p < 0,001 p < 0,001 p = 0,48 p = 0,48 ICC 0,62 0 0,89 0 Int Conf 0,39 - 0,81 (-0,27 - 0,32) 0,78 - 0,95 (-0,27 - 0,32) p-valor p < 0,001 p = 0,48 p < 0,001 p = 0,48 ICC 0,31 0,66 0,67 0,44 Int Conf 0,56 - 0,77 0,42 - 0,84 0,43 - 0,84 0,16 - 0,71 p-valor p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 97 Resultados Tabela 13. Valores do coeficiente Kappa, intervalos de confiança (Int Conf) e valor de p da avaliação dos juízes para os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F), Loudness e Pitch, nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), uma semana pósoperatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB) e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC). Parâmetro G R B A S I-S I-F Loudness Pitch Medida Pré-op Momentos de avaliação Pós-opA Pós-opB Pós-opC Kappa 0,88 0,89 0,68 0,86 Int Conf 0,70 - 0,98 0,72 - 0,99 0,44 - 0,86 0,72 - 0,94 p-valor p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 Kappa 0,88 0,89 0,95 0,79 Int Conf 0,70 - 0,98 0,72 - 0,99 0,84 - 1,00 0,61 - 0,92 p-valor p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 Kappa 0,94 0,9 0,62 0,93 Int Conf p-valor 0,85 - 1,00 p < 0,001 0,74 - 0,99 p < 0,001 0,42 - 0,80 p < 0,001 0,84 - 1,00 p < 0,001 Kappa 1,0 1,0 0,67 1,0 Int Conf 1,00 - 1,00 1,00 - 1,00 0,42 - 0,81 1,00 - 1,00 p-valor p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 Kappa 0,61 0,86 0,33 0,33 Int Conf p-valor 0,40 - 0,79 p < 0,001 0,72 - 0,94 p < 0,001 0,13 - 0,51 p = 0,01 0,13 - 0,51 p = 0,01 Kappa 0,43 0,33 0,66 -0,03 Int Conf 0,23 - 0,61 p < 0,001 0,13 - 0,51 p = 0,01 0,46 - 0,84 p < 0,001 0,23 - 0,10 p-valor Kappa 0,65 0,59 0,54 0,44 Int Conf 0,40 - 0,82 0,38 - 0,77 0,32 - 0,74 0,16 - 0,71 p-valor p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 Kappa 0,57 0,93 0,44 0,87 Int Conf 0,36 - 0,74 0,82 - 1,00 0,22 - 0,64 0,68 - 0,98 p-valor p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 p = 0,48 Kappa 0,82 0,87 0,9 0,82 Int Conf 0,68 - 0,92 0,68 - 0,97 0,74 - 1,00 0,66 - 0,94 p-valor p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 p = 0,69 Tabela 14. Valores do coeficiente de correlação intra-classe (ICC), intervalos de confiança (Int Conf) e valor de p da avaliação intra-juízes para os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), 98 Resultados Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F) Parâmetros Medidas ICC Int Conf G R B A S I-S I-F 0,82 0,64 0,67 1 1 1 0,11 0,42 - 0,95 0,06 - 0,90 0,11 - 0,91 1,00 - 1,00 1,00 - 1,00 1,00 - 1,00 (-0,53 - 0,67) p-valor 0,001 0,02 0,01 < 0,001 < 0,001 < 0,001 0,37 Tabela 15. Valores do coeficiente Kappa, intervalos de confiança (Int Conf) e valor de p da avaliação dos juízes para os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F), Loudness e Pitch Parâmetros Medidas G R B A S Q F Pitch Loudness Kappa 0,29 0,28 0,31 1 1 1 0,08 0,47 1 Int Conf (-0,13 0,7) (-0,15 0,7) (-0,09 0,77) 1,0 - 1,0 1,0 - 1,0 1,0 - 1,0 (-0,3 0,42) (0,01 0,93) 1,0 - 1,0 p-valor 0,1 0,11 0,11 < 0,001 < 0,001 < 0,001 0,61 0,05 < 0,001 4.4.2 Parâmetros perceptivo-auditivos A análise perceptivo-auditiva e seus valores serão apresentados a seguir, nesta ordem: grau geral da disfonia (G), rugosidade (R), soprosidade (B), astenia (A), tensão (S), instabilidade de sonoridade (I – S) e frequência (I – F), pitch, e por último, loudness. Antes da cirurgia os grupos estavam completos. Nas reavaliações pós-opA e no pós-opC um dos indivíduos do GE faltou à gravação. O mesmo ocorreu no outro grupo, no GC também houve absenteísmo, com dois indivíduos no pós-opA e no pós-opC e um no pós-opB. Na tabela 16 consta a distribuição dos sujeitos em cada grau dos parâmetros da escala GIRBAS de ambos os grupos, com a comparação entre eles e o p-valor correspondente. As comparações dos momentos de avaliação pela escala GIRBAS no GE e no GC e os valores de p estão nos gráficos 19 a 22. Tabela 16: Distribuição dos sujeitos de acordo com os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – 99 Resultados S) e Quebra de frequência (I – F) e seus respectivos graus de severidade Normal (Nor), Discreto (Disc), Moderado (Mod) e Severo (Sev), nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), uma semana pós-operatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB) e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC) (pré-op: GE n= 8, GC n= 14; pós-opA: GE n= 7, GC n= 12; pós-opB: GE n= 8 e GC n= 13; pós-opC: GE n= 7 e GC n= 12). GE GC Graus Graus Nor Disc Mod Sev Nor Disc Mod Sev Parâmetro Momento G R B A S I-S I-F p-valor Pré-op 0 0 1 7 0 1 5 8 0,14 Pós-opA 0 0 3 4 0 2 5 5 0,37 Pós-opB 0 6 1 1 0 3 6 2 0,09 Pós-opC 2 2 3 0 1 3 4 3 0,17 Pré-op 0 0 1 7 0 1 5 8 0,14 Pós-opA 0 0 3 4 0 3 4 5 Pós-opB 1 4 1 1 0 3 6 2 0,31 0,05 Pós-opC 2 2 3 0 1 3 4 3 0,17 Pré-op 0 7 1 0 4 7 3 0 0,47 Pós-opA 0 2 4 1 2 5 2 3 0,40 Pós-opB 3 5 0 0 4 5 2 0 0,61 Pós-opC 4 3 0 0 4 7 0 0 0,40 Pré-op 8 0 0 0 14 0 0 0 1,00 Pós-opA 6 0 1 0 12 0 0 0 0,19 Pós-opB 7 1 0 0 12 0 0 0 0,24 Pós-opC 7 0 0 0 11 0 0 0 1,00 Pré-op 6 1 1 0 14 1 0 0 0,23 Pós-opA 5 0 1 1 8 3 1 0 0,88 Pós-opB 8 0 0 0 12 0 0 0 1,00 Pós-opC 7 0 0 0 11 0 0 0 1,00 Pré-op 7 0 1 0 12 1 1 0 0,95 Pós-opA 6 0 0 1 12 0 0 0 0,19 Pós-opB 7 0 0 0 11 0 1 0 0,42 Pós-opC 7 0 0 0 11 0 0 0 1,00 Pré-op 1 1 5 1 0 6 8 0 0,39 Pós-opA 0 3 3 1 0 7 5 0 0,15 Pós-opB 1 5 2 0 1 8 2 0 0,88 Pós-opC 2 3 2 0 1 8 2 0 0,79 100 Resultados Avaliação Perceptiva-auditiva - GE Pré-op X Pós-opC 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 p= 0,02 p= 0,02 Normal p= 0,06 p= 1,0 Discreto p= 0,18 Moderado p= 0,32 p= 0,08 Severo Gráfico 19: Distribuição dos sujeitos do grupo estudo (GE) de acordo com os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F) e seus respectivos graus de severidade, na comparação dos momentos de avaliação: préoperatório (pré-op), cinco meses depois da cirurgia (pós-opC) e seus p-valores (pré-op: n= 8; pós-opC: n= 7) Avaliação Perceptiva-auditiva - GC Pré-op X Pós-opC 16 14 12 10 8 6 4 2 0 p= 0,02 p= 0,02 Normal p= 0,06 Discreto p= 1,0 p= 0,31 Moderado p= 0,18 p= 0,08 Severo Gráfico 20: Distribuição dos sujeitos do grupo controle (GC) de acordo com os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F) e seus respectivos graus de severidade e a comparação dos momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op) e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC) (pré-op: n= 14; pós-opC: n= 12) 101 Resultados Avaliação Perceptiva-auditiva - GE Pós-opA X Pós-opB 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 p= 0,05 p= 0,05 Normal p= 0,04 p= 0,65 Discreto p= 0,18 Moderado p= 0,32 p= 0,10 Severo Gráfico 21: Distribuição dos sujeitos do grupo estudo (GE) de acordo com os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F) e seus respectivos graus de severidade, e a comparação dos momentos de avaliação: uma semana pós-operatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB) e seus p-valores (pós-opA: n= 7; pós-opB: n= 8) Avaliação Perceptiva-auditiva - GC Pós-opA X Pós-opB 14 12 10 8 6 4 2 0 p= 0,06 p= 0,15 Normal p= 0,04 p= 1,0 Discreto p= 0,06 Moderado p= 0,32 p= 0,10 Severo Gráfico 22: Distribuição dos sujeitos do grupo controle (GC) de acordo com os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F) e seus respectivos graus de severidade, e a comparação dos momentos de avaliação: uma semana pós-operatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB) e seus p-valores (pós-opA: n= 12; pós-opB: n= 13) 102 Resultados 4.4.2.1. Grau geral da disfonia (G) O grau geral da disfonia (G) piorou uma semana após a cirurgia, melhorando a seguir em ambos os grupos. No pré-operatório o GE tinha 100% dos sujeitos com G severo ou moderado, já o GC tinha 92,86%. Após cinco meses de cirurgia houve diminuição do grau de disfonia, com 42,86% de indivíduos com G moderado no GE, no qual nenhum apresentou disfonia severa, enquanto 63,64% dos sujeitos do GC apresentaram disfonia moderada ou severa. O GE, quando comparado ao GC, apresentou valores significativamente inferiores, com p= 0,05 após a fonoterapia, com um mês de pós-operatório. A avaliação dos resultados obtidos com uma semana e com mês após a cirurgia demonstrou redução significativa dos valores em ambos os grupos, com p= 0,05 para GE e p= 0,04 para GC. Comparando o pré-operatório com cinco meses após a cirurgia, a redução dos valores foi significativa, no GE p= 0,05 e no GC p= 0,06. 4.4.2.2. Rugosidade (R) O parâmetro rugosidade (R) esteve alterado em todos os sujeitos antes do tratamento. Ao longo das avaliações a maioria melhorou, porém na última avaliação alguns regrediram. Na comparação entre os grupos, os valores na situação um mês após a cirurgia o GC apresentou valores significativamente superiores ao GE, com p= 0,05. Na avaliação realizada um mês após a cirurgia apenas o GE apresentou melhora significativa, com p= 0,05. Comparando-se o antes do tratamento com cinco meses após a cirurgia, ambos os grupos apresentaram redução significativa neste parâmetro, com p= 0,02 para GE e p= 0,05 para GC. Desta forma, o GE mostrou melhor desempenho neste parâmetro. 4.4.2.3. Soprosidade (B) Os valores de soprosidade (B) estiveram acima da normalidade para o GE em todos os sujeitos, e para a maioria do GC. Uma semana após a cirurgia o valor piorou em ambos os grupos, apresentando melhora nas avaliações seguintes. Com cinco meses de pós-operatório, no GE, 57,14% dos sujeitos foram considerados normais segundo esse parâmetro, enquanto no GC, foram 36,36%. 103 Resultados Os resultados obtidos na avaliação após o período de fonoterapia, com cerca de um mês após a cirurgia, comparados ao início, com uma semana de pósoperatório, foi observada redução significativa para os dois grupos, com p= 0,04 para ambos. Na avaliação comparativa entre os resultados de cinco meses com o préoperatório, tanto GE quanto GC apresentaram significativa redução, com p= 0,05. 4.4.2.4. Astenia (A) e Tensão (S) A astenia e a tensão são dois parâmetros opostos, ou seja, a presença de um exclui a possibilidade da presença de outro. Durante o período de tratamento alguns sujeitos apresentaram alterações nestes parâmetros, porém na avaliação de cinco meses após a cirurgia todos os indivíduos foram julgados dentro da normalidade. 4.4.2.6. Instabilidade (I) O parâmetro instabilidade foi dividido em quebras de sonoridade e quebras de frequência para melhor análise. As quebras de sonoridade estiveram presentes em alguns sujeitos no primeiro mês de pós-operatório, porém antes da cirurgia e cinco meses depois nenhum sujeito apresentou alteração neste parâmetro. Já a quebra de frequência foi observada em mais pacientes, porém cinco meses depois da cirurgia nenhum sujeito apresentou alteração para este parâmetro. 4.4.2.7. Pitch O pitch foi avaliado com o objetivo de retratar a maior queixa do sujeito com edema de Reinke. De acordo com a escala utilizada, em todas as avaliações feitas o GE apresentou melhores resultados do que o GC. Após cinco meses de cirurgia todos os sujeitos do GC apresentaram pitch grave para idade e sexo, em graus variados; enquanto no GE, 42,86% dos indivíduos apresentaram pitch adequado. A tabela 17 apresenta a distribuição dos indivíduos de cada grupo pela graduação da avaliação perceptivo-auditiva dos juízes nos quatro momentos. Ao comparar os dois grupos foi observado que na última avaliação os sujeitos do GE apresentaram valores significativamente menores do que o GC, com p= 0,05. 104 Resultados Na comparação entre antes e cinco meses depois da cirurgia evidenciou-se evidenciou redução significativa dos valores para ambos os grupos, maior do GE. Os valores de p obtidos foram 0,02 no GC e 0,01 no GE. Os gráficos 23 a 26 apresentam as comparações entre os momentos de avaliação e os p-valores valores obtidos. Tabela 17: Distribuição dos sujeitos pela avaliação do Pitch de acordo com os graus de severidade, nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório pré (pré-op), op), uma semana pós-operatório pós (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB) (pós e cinco meses depois da cirurgia rgia (pós-opC) (pós (pré-op: GE n= 8, GC n= 14; pós-opA: opA: GE n= 7, GC n= 12; 12 pós-opB: GE n= 8 e GC n= 13; pós-opC: pós GE n= 7 e GC n= 12) Pitch Agudo Agudo Agudo Grave Grave Grave Momento Grupos Normal severo moderado discreto discreto moderado severo Pré-op p= 0,91 GE 0 0 1 0 0 5 2 GC 0 0 1 0 3 5 5 Pós-opA p= 0,89 GE 0 1 1 1 1 2 1 GC 0 0 4 1 3 2 2 GE 0 0 0 4 2 1 1 GC 0 0 1 1 4 4 1 GE 0 0 0 3 3 1 0 GC 0 0 0 0 7 2 2 Pós-opB p= 0,15 Pós-opC p= 0,05 Pitch - GE Pré-op X Pós-opC . Grave severo 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Grave moderado Grave discreto Normal Agudo discreto Agudo moderado Pré-op p= 0,01 Agudo severo Pós-opC Gráfico 23: 23 Distribuição dos sujeitos de acordo com os parâmetros Grau geral de disfonia (G), Rugosidade (R), Soprosidade (S), Astenia (A), Tensão (S), Instabilidade – Quebra de sonoridade (I – S) e Quebra de frequência (I – F) e seus respectivos graus de severidade, severidade na comparação dos d momentos de avaliação: pré-operatório pré (pré-op), op), cinco meses depois da cirurgia ciru (pós-opC) e seus p-valores (pré-op: op: n= 8; pós-opC: opC: n= 7) 7 105 Resultados Pitch - GE Pós-opA X Pós-opB 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Grave severo Grave moderado Grave discreto Normal Agudo discreto Pós-opA p= 0,59 Agudo moderado Pós-opB Agudo severo Gráfico 24: Distribuição dos sujeitos pela avaliação do Pitch de acordo com os graus de severidade, na comparação dos momentos de avaliação: uma semana pós-operatório operatório (pós-opA) (pós e cinco semanas depois da cirurgia rgia (pós-opB) opB) e seus p-valores p (pós-opA: n= 7, pós-opB: n= 8) Pitch - GC Pré-op X Pós-opC Grave severo 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Grave moderado Grave discreto Normal Agudo discreto Agudo moderado Pré-op p= 0,02 Agudo severo Pós-opC Gráfico 25:: Distribuição dos sujeitos do grupo controle (GC) pela avaliação do Pitch de acordo com os graus de severidade, na comparação dos momentos de avaliação: uma semana pós-operatório pós operatório (pós-opA) opA) e cinco semanas seman depois da cirurgia (pós-opB) (pós-opA: opA: GC n= 12; pós-opB: opB: n= 13) Pitch - GC Pós-opA X Pós-opB Grave severo 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Grave moderado Grave discreto Normal Agudo discreto Agudo moderado Pós-opA p= 0,78 Agudo severo Pós-opB Gráfico 26: Distribuição dos sujeitos grupo controle (GC) pela avaliação do Pitch de acordo com os graus de severidade, na comparação dos d momentos de avaliação: pré-operatório pré (pré-op), op), e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC) opC) e seus p-valores p (pré-op: n= 14; pós-opC: n= 12) 106 Resultados 4.4.2.6. Loudness Finalizando, a avaliação da loudness nos sujeitos revelou que a maioria foi considerada como adequado para o ambiente. A tabela 18 apresenta a distribuição dos indivíduos de cada grupo pela graduação da avaliação perceptivo-auditiva dos juízes nos quatro momentos. Tabela 18: Distribuição dos sujeitos pela avaliação do Loudness de acordo com os graus de severidade, nos quatro momentos de avaliação: pré-operatório (pré-op), uma semana pós-operatório (pós-opA), cinco semanas depois da cirurgia (pós-opB)e cinco meses depois da cirurgia (pós-opC) (pré-op: GE n= 8, GC n= 14; pós-opA: GE n= 7, GC n= 12; pós-opB: GE n= 8 e GC n= 13; pós-opC: GE n= 7 e GC n= 12) Loudness Momento Grupos Pré-op p= 0,45 Pós-opA p= 0,22 Pós-opB p= 0,12 Pós-opC p= 0,71 Fraco Fraco Fraco Forte Forte Forte Normal severo moderado discreto discreto moderado severo GE 0 0 0 8 0 0 0 GC 0 0 0 13 1 0 0 GE 0 2 0 5 0 0 0 GC 0 0 2 8 2 0 0 GE 0 0 0 8 GC 0 0 0 8 0 2 0 1 0 0 GE 0 0 0 6 1 0 0 GC 0 0 0 10 1 1 0 Não foram encontradas diferenças significativas entre os grupos. As comparações entre os momentos de avaliação foram significativas somente ao comparar-se a avaliação de uma semana e um mês após a cirurgia, na qual o GC apresentou valores maiores, com p= 0,05. 106 Discussão 5. DISCUSSÃO 107 Discussão 5. DISCUSSÃO Para o tratamento do edema de Reinke o modo mais relatado é a combinação de cirurgia e terapia vocal (Freedman et al., 1990; Shiba et al., 1992; Murry et al., 1999; Raabe et al., 1999; Goswami et al., 2003; Lim et al., 2006; Dursun et al., 2007; Vukasinovic et al., 2008; Kluch et al., 2009). Contudo, não há consenso a respeito da terapia vocal nesses casos. Foi proposta a terapia por quatro a seis semanas, iniciada após uma semana de repouso vocal absoluto pós-operatório. Para comparação, o grupo controle foi constituído pelos sujeitos que não compareceram ou não seguiram as orientações. A amostra foi constituída por mulheres com edema de Reinke submetidas ao tratamento cirúrgico, de acordo com os critérios de inclusão. A média de idade foi 52 anos, a maioria não completou o Ensino Fundamental e não apresentou adesão ao tratamento fonoaudiológico. A maioria das pesquisas realizadas com pacientes com edema de Reinke também apresentaram amostras com a predominância de mulheres e com idade média acima dos 40 anos (Yonekawa, 1988; Dursun et al., 2007; Freedman e Amedee, 1990; Pastuszec et al., 2003; Raabe e Pascher, 1999). Para avaliação da efetividade da terapia foram utilizados três métodos: a auto-avaliação do sujeito, a avaliação perceptivo-auditiva da voz e a análise acústica. Estes métodos têm sido referidos como úteis para este fim e são utilizados para análise da eficácia tanto da terapia vocal como da fonomicrocrurgia (Dejonckere et al., 2001; Welham et al., 2003; Speyer et al., 2004; Friedrich et al., 2005; Ragab et al., 2005; Uloza et al., 2005; Dailey, 2006; Dailey et al., 2007; Ruotsalainen et al., 2007; Nawka, 2008; Stajner-Katusic et al., 2008). A técnica cirúrgica utilizada é a mais frequentemente referida como de melhores resultados, com aspiração do edema e remoção da mucosa redundante, com reaproximação das bordas (Hirano et al., 1976; Nielsen et al., 1986; Lumpkin et al., 1987; Lumpkin et al., 1990; Betkowski et al., 1992; Bouchayer et al., 1992; Milutinovic, 1996a; b; Sant'anna et al., 2000; Kleinsasser, 2001; Pontes et al., 2002; Zhang et al., 2002; Remacle et al., 2003; Dailey, 2006; Dailey et al., 2007; Dursun et al., 2007; Sataloff et al., 2007; Wang et al., 2008). Na cirurgia é necessário todo cuidado para manter a integridade do ligamento vocal e preservar o máximo de cobertura da prega vocal (Betlejewski et al., 1997; Remacle et al., 1999; Remacle et 108 Discussão al., 2003; Sataloff et al., 2007; Hoffman et al., 2008; Honda et al., 2010). Essas precauções ainda não garantem que a onda mucosa seja restaurada, nem tampouco que a voz seja recuperada, principalmente o pitch. A proposta terapêutica oferecida foi a combinação da terapia direta e a indireta, relatada em literatura como a mais eficiente (Ruotsalainen et al., 2007; Behrman et al., 2008; Nawka, 2008; Rodriguez-Parra et al., 2011). Wang e Huang (1994) enfatizaram que a terapia pós-operatória deve ter caráter holístico e ser composta de três métodos: repouso vocal, orientações sobre saúde vocal e terapia vocal com treinamento. Nos indivíduos do GE a terapia oferecida foi eclética, com base nas linhas etiológica e fisiológica, segundo a definição de Stemple et al. (2010). Os objetivos da terapia vocal devem incluir o trabalho com as alterações que são observadas no edema de Reinke, que é a mobilização de mucosa de forma organizada, o fluxo aéreo transglótico e a pressão subglótica (Betkowski et al., 1992; Zeitels et al., 1997; Goswami et al., 2003; Lim et al., 2006; Cielo et al., 2011). Em todos os sujeitos foi realizada avaliação e oferecida terapia indireta no pré-operatório. Esta conduta foi observada em vários outros estudos (Koufman et al., 1989; Karnell, 1991; Rulnick et al., 1993; Heuer et al., 1997; Sataloff et al., 2007; Vukasinovic et al., 2008; Van Dinther et al., 2009). A ênfase nas orientações de controle aos fatores limitantes da melhora da voz também foi realizada como preconiza a literatura (Sataloff et al., 2007; Xu et al., 2007; Nawka, 2008; Vukasinovic et al., 2008). Dailey (2006) discorreu sobre a preparação cirúrgica, com orientações sobre interrupção do tabagismo e etilismo, controle da rinite, das infecções de vias aéreas superiores e do refluxo laringofaríngeo, além de certificar-se que a paciente não está no período pré-menstrual. Na amostra estudada, para ambos os grupos, as orientações citadas acima foram realizadas, não só antes como depois da cirurgia (Dailey, 2006; Nawka, 2008; Wan et al., 2008; Kravos et al., 2010). O controle do uso da voz também foi orientado (Koufman et al., 1989; Ishikawa et al., 2010; Yun et al., 2007), bem como a hidratação oral e inalatória (Chan et al., 2002; Nawka, 2008; Vukasinovic et al., 2008; Behlau et al., 2009). Especificamente nestes sujeitos a orientação de eliminação do tabagismo é imprescindível, visto que a principal causa do edema de Reinke é o fumo (Nielsen et 109 Discussão al., 1986; Koufman et al., 1989; Hojslet et al., 1990; Lumpkin et al., 1990; Shiba et al., 1992; Vecerina-Volic et al., 1997; Murry et al., 1999; Raabe et al., 1999; Marcotullio, Magliulo, Pietrunti et al., 2002; Goswami et al., 2003; Dailey, 2006; Lim et al., 2006; Dursun et al., 2007; Sommer et al., 2007; Chung et al., 2009; Hantzakos et al., 2009; Cikojevic et al., 2010). A interrupção do tabagismo foi uma das condições utilizadas para inclusão do paciente no grupo estudo, devido a relação entre o fumo e a lesão tratada. Em relação ao repouso vocal pós-operatório, embora ainda existam muitas controvérsias, o período de sete dias de repouso vocal absoluto e o início da terapia após este são as condutas mais referidas (Rulnick et al., 1993; Milutinovic, 1997; Murry et al., 1999; Sant'anna et al., 2000; Behrman et al., 2003; Lim et al., 2006; Dursun et al., 2007; Xu et al., 2007; Durand, 2008; Nawka, 2008; Kluch et al., 2009; Ishikawa et al., 2010; Portone-Maira et al., 2010). O número de sessões referidas pela literatura também não é consenso. A grande maioria dos artigos que descrevem o tempo de terapia após a cirurgia relata um período maior do que o de seis semanas, utilizado neste trabalho (Wang et al., 1994; Remacle et al., 1999; Petrovic-Lazic et al., 2011). O período utilizado obedeceu à prática já realizada rotineiramente. Segundo a experiência clínica, a média de cinco semanas de terapia fonoaudiológica tem se mostrado suficiente para obter sucesso no restabelecimento pós-cirúrgico das pregas vocais, além da adequação e estabilização da qualidade vocal. O resultado do tratamento para o edema de Reinke é limitado e muitos sujeitos não terão voz normal para idade e sexo, devido à degeneração do tecido. Houve o cuidado de utilizar grupo controle, descrever o número de sessões e a percepção do paciente, como ressaltam Pannbacker (1998) e Stemple et al. (1994). As técnicas utilizadas também estão de acordo com os objetivos e estratégias referidos por outros autores (Koufman et al., 1989; Karnell, 1991; Rulnick et al., 1993; Wang et al., 1994; Remacle et al., 1999; Speyer et al., 2002; Poels et al., 2003; Ragab et al., 2005; Dailey et al., 2007; Speyer, 2008). A terapia de voz oferecida no presente estudo teve como objetivos: estabilizar a qualidade vocal, readequar o padrão vocal para idade e sexo, orientar saúde vocal, favorecer a cicatrização organizada das pregas vocais, absorver o edema pós-cirúrgico, melhorar a vascularização e desativar a tratopatia de adaptação. 110 Discussão A conscientização sobre o problema vocal e os cuidados que devem ser tomados também foi apontada por Hakkesteegt, Brocaar e Wieringa (2010) como uma vantagem da fonoterapia. Levantaram a hipótese de que os sujeitos com indicação de fonocirurgia mostram-se mais conscientes após a intervenção, pela necessidade do cuidado ou pelo impacto causado. O paciente deve estar ciente das limitações do tratamento e a necessidade de sua participação no processo (Sataloff et al., 2007). Por isso a importância de avaliar o impacto vocal, a qualidade de vida e as expectativas do paciente (Murry et al., 1999; Murry et al., 2000; Siupsinskiene, 2002; Dailey, 2006; Stajner-Katusic et al., 2008). A terapia de voz não se restringe a exercícios ou “proibições”. Ela tem como objetivo restaurar a voz, para a funcionalidade da comunicação oral na vida pessoal e ocupacional (Ramig et al., 1998; Carding, 2000; Colton et al., 2006; Morsomme, et al., 2010). A dificuldade observada na realização das mudanças de comportamento orientadas durante a terapia fonoaudiológica também foi descrita por vários autores (Koufman et al., 1989; Murry et al., 1999; Casper et al., 2000; Buck et al., 2007; Petrovic-Lazic et al., 2011; Rousseau et al., 2011). A maioria dos participantes desse estudo não apresentou adesão ao tratamento fonoaudiológico, como no trabalho de Hapner et al. (2009), sendo incluídos no grupo controle. A este fato pode ser atribuída a necessidade de restringir as estratégias terapêuticas, visto que a fonoterapia deveria obedecer aos critérios metodológicos propostos. Vários autores acreditam que a terapia deve ser adaptada ao paciente, considerando as individualidades (Stemple, 2010; VerdoliniMarston et al., 1995; Mackenzie et al., 2001). Casper e Murry (2000) citam vários elementos para o sucesso da terapia vocal, assim como Koufman e Blalock (1989) e Morsomme et al. (2010). A realização dos exercícios na dosagem correta é um dos desafios (Ellis et al., 2011) e a interrupção do tabagismo é uma das modificações mais difíceis (Van Leer et al., 2008; Peters et al., 2009), ou seja, a colaboração do paciente é essencial. Van Leer et al. (2008) citam três pontos importantes para que haja adesão à terapia vocal: adequar a intervenção não só ao objetivo, mas também ao paciente, modificar a estratégia caso a utilizada não seja eficiente segundo a avaliação usual do clínico e oferecer suporte ao paciente após o fim do processo terapêutico para manutenção das mudanças atingidas. 111 Discussão Devem ser consideradas as limitações sócio-econômicas, pela necessidade de comparecimento às sessões semanais. A amostra foi composta de indivíduos de vários locais, inclusive de cidades diferentes. Alguns eram trabalhadores autônomos, que não se beneficiam das declarações de comparecimento ou atestados médicos e tem prejuízos econômicos com o absenteísmo no trabalho. Portone et al. (2008) referem que para analisar a adesão à terapia deve ser considerado custo ao paciente. Também é importante relacionar a adesão do tratamento às queixas apresentadas pelos sujeitos e o impacto gerado pela qualidade vocal (Murry et al., 2000; Johns et al., 2004; Sommer et al., 2007; Stajner-Katusic et al., 2008). Como o edema de Reinke é causado pelo cigarro, foi observado durante as avaliações que muitos sujeitos tinham como maior preocupação a possibilidade do câncer, como relatado por vários autores (Sataloff et al., 2007; Nawka, 2008; Van Leer et al., 2008). Ao saber no retorno médico que a patologia realmente se tratava de uma lesão benigna, alguns não compareceram em nenhum dos atendimentos fonoaudiológicos. Li et al. (2009) observaram relação entre a idade e o nível de escolaridade com o impacto vocal. Portone et al. (2008) não observaram relação entre sexo e idade com o comparecimento à avaliação fonoaudiológica de voz. Hapner et al. (2009) não identificaram relação entre sexo, idade, raça, VHI, CAPE-V ou diagnóstico com o abandono da terapia vocal. Observou-se que o grupo estudo, composto de sujeitos com adesão ao tratamento e com maiores queixas vocais apresenta média de idade mais elevada. Na composição dos dois grupos, apesar de não existir resultados estatísticos que indiquem relação entre escolaridade e adesão notou-se que os indivíduos que não seguiram às orientações, apresentavam menor nível de escolaridade. Como o objetivo do estudo foi verificar a evolução e os ganhos obtidos com o tratamento fonoaudiológico após a cirurgia, optou-se por comparar as mudanças obtidas entre as situações pré e pós período de terapia, isolando-se as modificações decorrentes da cirurgia, também entre as situações antes e depois do tratamento como um todo. Após a análise do questionário de sintomatologia vocal utilizado para avaliar a auto-percepção do participante, notou-se que antes do tratamento todos os sujeitos 112 Discussão apresentaram, em diferentes níveis, queixas de voz mais grave do que os demais sujeitos do mesmo sexo e faixa etária e rouquidão. Estas queixas são compatíveis com a lesão (Vecerina-Volic et al., 1997; Martins et al., 2009; Cielo et al., 2011). Outros sintomas relatados pela maioria dos sujeitos antes do tratamento, foram a sensação de falhas na voz, garganta seca, fadiga vocal, redução do loudness, dificuldades à fonação, necessidade de esforço para emissão da voz, e necessidade de pigarrear ou tossir para fonação em forte intensidade; em ordem decrescente de importância. O GE pontuou com maiores valores a perguntas relacionadas aos sintomas físicos de fadiga vocal. Van Dinther et al. (2008) também observaram melhora dos sintomas referidos depois da fonomicrocirurgia na auto-avaliação dos sujeitos, assim como Cheng e Woo (2010), que referiram que os domínios físico, emocional e o escore total do VHI se mostraram melhores no pós-operatório de lesões benignas e ressaltam a importância da voz na qualidade de vida e o impacto das disfonias, principalmente nos profissionais da voz. Yonekawa (1988), ao descrever uma das classificações mais utilizadas para o edema de Reinke, caracterizou seu grupo de sujeitos com edema de Reinke tipo III como maioria de mulheres acima dos 40 anos. Todos apresentaram queixa de rouquidão e nove com queixa de dispnéia. Buck et al. (2007) referiram que a maioria dos pacientes com disfonia não demonstraram forte percepção sobre as causas, consequências ou a duração da disfonia. Aqueles com disfonia funcional relataram maiores consequências, menor percepção de controle e aumento da ansiedade quando comparados a pacientes com disfonia orgânica. Morsomme et al. (2010) notaram que os pacientes mais conscientes de seu estado vocal apresentavam maior adesão ao tratamento, cumprindo as orientações e fazendo os exercícios. No presente estudo, da mesma forma, o GE atribuiu valores maiores para 8 das 13 questões na avaliação sete dias após a cirurgia. É possível notar que as respostas que mostraram maior diferença significativa estão relacionadas a sintomas táteis-cinestésicos, como dor e fadiga. Sugere-se que os sintomas físicos sejam mais valorizados pelos pacientes do que a qualidade vocal ou que os indivíduos não tenham adequada percepção de sua própria voz. 113 Discussão Depois de cinco meses de cirurgia os sujeitos que cumpriram o que foi proposto na terapia vocal relataram melhora significativa do pitch grave, o que não ocorreu com o GC. Esta é a queixa mais característica do edema de Reinke e a fonoterapia mostrou-se efetiva na melhora deste parâmetro, não apenas de acordo com os sujeitos, mas também observada nas análises acústica e perceptivo-auditiva. Acredita-se que o reaparecimento desta queixa no GC pode indicar presença de recidiva da lesão, pela não realização dos exercícios e, principalmente, pela manutenção do tabagismo, fato também notado por Hojslet et al. (1990). No estudo de Dursun et al. (2007) não foi encontrada recorrência em nenhum paciente um ano após a cirurgia e não foi observada fibrose cicatricial no pósoperatório, com melhora dos valores da escala GRBAS. Em contrapartida, Lumpkin et al. (1990) observaram recidiva em dois a três anos nos pacientes que mantiveram o tabagismo e o abuso vocal no pós-operatório. Além dos sintomas físicos, após o período referente à fonoterapia, foi observada melhora significativa das queixas de quebra de sonoridade no GE, também indicada pela análise acústica e perceptivo-auditiva. Acredita-se na efetividade da terapia neste grupo estudado quanto ao objetivo de promover melhora da mobilização de mucosa e coaptação glótica. O único sintoma mais relatado pelo GE comparado ao GC no quinto mês de pós-operatório foi quanto à necessidade de pigarrear/tossir para fonação em forte intensidade. É possível que seja pelas constantes orientações de eliminação do abuso vocal feitas em terapia. As queixas de dificuldade para falar e necessidade de esforço para fonação reduziram em ambos os grupos após a cirurgia, permitindo a hipótese de que estes sintomas sejam causados exclusivamente pelo aumento de massa das pregas vocais, embora não sejam relatados com frequência. A fonomicrocirurgia como tratamento para o edema de Reinke foi efetiva para redução dos sinais e sintomas nos participantes deste estudo já com um mês de pós-operatório, como relatado também por Durand (2008). Observou-se, porém, que os sujeitos que realizaram a fonoterapia auxiliar ao procedimento se mostraram mais satisfeitos a curto e médio prazo, principalmente com a qualidade vocal, provavelmente devido ao anatomofisiológicas da laringe. restabelecimento mais rápido das condições 114 Discussão O TMF é uma medida que indica, entre outros elementos, a eficiência do fechamento glótico. Este, por sua vez, é um dos itens trabalhados na terapia vocal. Alguns autores utilizaram este parâmetro para avaliar os resultados do tratamento cirúrgico da laringe e não observaram diferenças significativas (Woo, 1994; Cheng, Woo, 2010). Lim et al. (2006) relataram aumento significativo do TMF após a cirurgia de edema de Reinke, assim como Goksel e Topaloglu (2009). No grupo que realizou apenas a cirurgia não foi notada diferença do TMF, porém o GE apresentou melhora significativa após cinco meses de cirurgia. Este resultado sinaliza o cumprimento de um dos objetivos da terapia, de maximização da coaptação glótica, com resistência. Quanto aos parâmetros acústicos, muito utilizados em estudos sobre eficácia do tratamento das disfonias, não há consenso em relação à sua contribuição, observando-se resultados muitos distintos na literatura (Vukasinovic et al., 2008; Toran et al., 2011). A limitação mais relatada é o fato de que os programas existentes não oferecem uma análise fidedigna para as vozes extremamente alteradas, consideradas sinais tipo 4, segundo a proposta de Titze (1995). Por este motivo, optou-se por não realizar análise acústica destas vozes neste trabalho. Os sujeitos não foram excluídos, pois são os que apresentaram maior queixa e expressa indicação cirúrgica e, consequentemente, esperava-se melhora significativa da voz após o tratamento. Para análise das vozes com alteração severa, somente a avaliação perceptivo-auditiva foi realizada. As medidas acústicas mais utilizadas são o Jitter, o Shimmer e o NHR. Contudo, devem ser complementares à avaliação perceptivo-auditiva (Carding, 2004). Giovani et al. (1999) citam a importância do uso dos parâmetros Jitter e Shimmer na avaliação vocal nos casos cirúrgicos, porém não observaram mudanças significativas após o tratamento. Os autores analisaram 27 pacientes utilizando análise acústica e perceptivo-auditiva, chamada de gold standart, porém apenas a última mostrou melhora. Uloza et al. (2005) observaram diferença significante nos parâmetros Jitter, Shimmer e NNE com duas semanas de pós-operatório em casos de nódulos e pólipos, sendo a última patologia com melhor resultado. Não foi observada mudança na F0. 115 Discussão A F0 é o parâmetro que está relacionado ao sintoma mais relevante do edema de Reinke, a voz grave (Bennett et al., 1987; Milutinovic, 1997; VecerinaVolic et al., 1997). Este parâmetro foi mensurado e comparado por vários autores para verificar a efetividade do tratamento. Alguns não observaram diferença significativa (Cheng, Woo, 2010; Goksel, Topaloglu, 2009), enquanto outros notaram melhora (Yonekawa, 1988; Lim et al., 2006, Dursun et al., 2007; Uloza et al., 1999; Honda et al., 2010). Murry et al. (1999) também observaram aumento da F0 no pós-operatório recente (uma semana) e pequeno decréscimo após quatro semanas. Wan e Huang (2008) verificaram redução da F0 e aumento nos parâmetros de Jitter, NNE e CQ num grupo de homens tabagistas e etilistas quando comparados a um grupo de homens com hábitos saudáveis. De acordo com Lim et al. (2006), apesar do conhecimento a respeito das muitas modificações causadas pelo edema de Reinke, os resultados pós-cirúrgicos ainda são controversos. Eles observaram relação entre o G e o R da escala GRBAS com os valores de Jitter e HNR. No indivíduo com edema de Reinke observa-se alteração no valor de Shimmer, indicando rouquidão e soprosidade. Segundo Lim et al. (2006) este é um parâmetro sensível às mudanças após o tratamento. Vários estudos relataram melhora do Shimmer após o tratamento (Yonekawa, 1988; Goksel, Topaloglu, 2009; Uloza et al., 1999; Dursun et al., 2007; Honda et al., 2010). No entanto, Cheng e Woo (2010) e Giovanni et al. (1999) não observaram diferença deste parâmetro. Apesar dos sujeitos do GE relatarem adesão às orientações feitas para cuidados no período de pós-operatório imediato, foi observado que estes apresentaram valores de Shimmer – APQ piores em relação ao GC. O mesmo ocorreu na situação de pós-operatório tardio. Isso pode ter ocorrido pelo fato de que antes da cirurgia os pacientes do GE já apresentavam valores maiores para este parâmetro. Porém, após cinco meses de cirurgia, os sujeitos que apresentaram adesão ao tratamento mostraram melhores resultados para APQ, quando comparados ao pré-operatório. Foi possível notar que a média do ATRI, parâmetro relacionado à instabilidade e tremor, no GC estava dentro da normalidade no pré-operatório e piorou progressivamente após a cirurgia, recuperando-se apenas depois de cinco 116 Discussão meses do procedimento. No GE ocorreu o oposto, com valores piores antes do tratamento, mas com melhora gradual. Embora ambos os grupos mostrassem valores dentro da normalidade no pós-operatório tardio, as modificações observadas ao longo das avaliações no grupo que apresentou adesão podem demonstrar a eficácia da terapia no aumento da estabilidade vocal. O valor de DSH reduziu para zero no GC nas avaliações após um e cinco meses de cirurgia, enquanto no GE puderam ser observados valores acima da normalidade. Isso ocorreu pela alteração presente em apenas um sujeito, que desviou valor da média. Nos demais indivíduos, porém, também não foi observada presença de DSH. Após o período de pós-operatório imediato o GC apresentou valores melhores do que o GE. Acredita-se que devido ao repouso vocal a eliminação dos subharmônicos seja mais lenta. Como este, vários parâmetros acústicos citados acima se mostraram piores no grupo que fez repouso vocal, quando analisados imediatamente após o fim do repouso. Por isso mostra-se necessária a fonoterapia adjuvante à cirurgia, não somente o repouso vocal, visto que todos estes parâmetros melhoraram nas demais avaliações. As queixas de quebra de sonoridade, notadas na avaliação da autopercepção, são compatíveis com os achados da análise acústica, no parâmetro DUV, para o GE; no qual houve melhora significativa após a fonoterapia, apesar de este grupo ter apresentado valores piores do que o GC pré-tratamento. Embora o GC tenha relatado melhora deste sinal ao longo do tempo, a análise acústica não mostrou esta evolução. Isto reforça a idéia de que a dificuldade na auto-percepção da voz influencia na adesão ao tratamento. Outro parâmetro que faz a mesma relação é o DVB, porém este não mostrou mudanças relevantes. O valor de Jitter, correspondente à perturbação da frequência, também está relacionado a sinais importantes, de rouquidão e instabilidade. Após o tratamento do edema de Reinke foi referida tanto a manutenção dos valores (Giovanni et al., 1999; Cheng, Woo, 2010), como sua melhora significativa (Yonekawa, 1988; Dursun et al., 2007; Goksel, Topaloglu, 2009; Uloza et al., 1999; Honda et al., 2010). As medidas de ruído são muito importantes na avaliação acústica da voz. Cheng e Woo (2010) não obtiveram melhora do NHR após o tratamento. Ao contrário, Dursun et al., (2007) relataram melhora significativa deste parâmetro e Lim et al., (2006) melhora do HNR, indicado pelos autores como sensível. 117 Discussão Petrovic-Lazic et al. (2009) observaram diferença significativa nos parâmetros STD, PER, JITA, JITT, RAP, vF0, ShdB, SHIM, APQ, VTI, SPI após a terapia de voz para nódulos vocais. Os valores dos parâmetros Fatr, ATRI e DUV no pré-operatório foram piores para o GE, assim como as queixas dos sujeitos relacionadas à fadiga vocal, refletidas na escala de auto-percepção. Ao mesmo tempo estes parâmetros acompanharam a melhora observada nas avaliações posteriores. Os valores de PFR, PPQ, VF0, APQ e DUV também foram piores no GE na avaliação com uma semana depois da cirurgia, assim como a maioria das perguntas sobre sintomatologia vocal. Isso sugere relação entre eles e que a instabilidade e fadiga vocal repercutida na auto-avaliação e análise acústica sejam indicadores de adesão ao tratamento, pelo impacto causado. Na comparação entre o período correspondente a fonoterapia o GC não apresentou diferença significativa para nenhum parâmetro na avaliação pósoperatória tardia. Contudo, no GE os parâmetros PFR, PPQ, vF0, APQ e DUV se mostraram significativamente menores após a terapia vocal, expressando a efetividade da terapia vocal, com a redução da rouquidão e instabilidade da voz. A análise acústica mostrou-se eficiente para avaliação dos sujeitos estudados. Para a seleção dos parâmetros deve ser considerado o resultado que deseja ser avaliado e as condições do tipo de sinal analisado, pois as vozes extremamente alteradas, não apresentam valores confiáveis. A gravação das vozes também deve ser cuidadosa, para que a amostra seja hábil para análise. Na avaliação do edema de Reinke todos os parâmetros utilizados se mostraram úteis para complementar tanto a sintomatologia vocal referida quanto a avaliação perceptivo-auditiva. Os principais parâmetros foram F0, APQ, NHR, DUV, DSH, PFR, PPQ e Fatr. A avaliação perceptivo-auditiva é considerada a mais relevante de todos os métodos de avaliação da voz (Giovanni, et al., 1999; Cheng et al., 2010). Foi utilizada a escala GIRBAS, assim como em muitos estudos semelhantes. Apenas um, dos 22 sujeitos da pesquisa, apresentou grau geral de disfonia classificado com discreto e nenhum apresentou voz normal. Como todos os indivíduos apresentavam edema de Reinke bilateral, com graus 2 e 3 da classificação de Yonekawa (1988), pode-se dizer que a severidade da lesão estava 118 Discussão relacionada ao grau de alteração vocal, como já está descrito em outros trabalhos, apesar de não ter sido correlacionada a avaliação vocal com a laringoestroboscópica (Shiba et al., 1992; Sulica, 2005; Lim et al., 2006; Dursun et al., 2007). Szkielkowska et al. (2008) relacionaram os resultados pós-operatórios com a severidade das lesões prévias. Em ambos os grupos a avaliação perceptivo-auditiva indicou melhora da qualidade vocal. Ao final do tratamento, porém, o GE apresentou melhores valores para os parâmetros rugosidade e pitch, em relação ao GC. O grau geral da disfonia e a soprosidade melhoraram significativamente em ambos os grupos, tanto na comparação entre uma semana de pós-operatório com um mês, como na comparação entre o antes com cinco meses após a cirurgia. Vários autores também relataram melhora das vozes após fonomicrocirurgia para edema de Reinke utilizando a escala GRBAS (Fira et al. ,2006; Giovanni et al., 1999; Yonekawa, 1988; Uloza et al., 2005; Honda et al., 2010). Siupsinskiene (2002) avaliou pacientes submetidos a fonocirurgia, sendo 18 com edema de Reinke. Na avaliação realizada sete dias após a cirurgia observou-se melhora do grau geral para zero em 13,8% dos pacientes. A avaliação realizada cerca de seis semanas após evidenciou que 63,8% obtiveram grau geral zero. Também observou-se redução do grau geral da disfonia nos sujeitos, porém apenas 16,67% obtiveram grau geral zero após cinco meses de cirurgia, sendo que nenhum indivíduo do GE apresentou grau severo. Nielsen, Hojslet e Karlsmose (1986) avaliaram 111 pacientes após oito anos de cirurgia de edema de Reinke e apenas 19% apresentaram voz normal depois deste período. Do total, 58% tiveram recidivas. O autor atribuiu este achado à manutenção do tabagismo e do abuso vocal. Também foi observado que no GC, que manteve o tabagismo, os achados da avaliação perceptivo-auditiva cinco meses após a cirurgia foram piores comparados aos que fizeram terapia e cessaram o tabagismo. O parâmetro rugosidade foi o que apresentou melhor resultado com a fonoterapia. Ele indica rouquidão e pode ser relacionado com as medidas de ruído. O pitch é, sem dúvida, o parâmetro mais característico do edema de Reinke. Os achados não foram diferentes, observado-se pitch grave para idade e sexo nas avaliações. Houve melhora deste parâmetro nos dois grupos, mas o GE se destacou 119 Discussão nas três avaliações pós-operatórias, tornando-se este talvez o melhor ganho com a terapia fonoaudiológica nesses casos. Mesmo após um mês de cirurgia foi possível notar que a plasticidade vocal, segundo Dejonckere e Lebacq (2001), foi evidente nos sujeitos do GE, em todas as avaliações, quando comparados ao GC. O mesmo foi referido por Behrman et al. (2008). A voz dos participantes mostrou-se melhor na última avaliação, com cinco meses de cirurgia, sugerindo um tempo prolongado de recuperação. Zhang et al. (2002) relataram três meses para restauração da voz, assim como Xu et al. (2004) e Durand (2008). Os estudos feitos com pregas vocais de animais sugerem um período de até seis meses para recuperação (Thibeault, 2005; Nawka, 2008). A continuidade da melhora da qualidade vocal após o término da fonoterapia também foi relatada por Speyer et al. (2003), em pacientes que realizaram só a terapia vocal, sem cirurgia. As alterações relatadas como provocadas pelo edema de Reinke são: espessamento e decomposição da membrana basal, edema do córion, espessamento das paredes e congestão dos vasos, fibrose, presença de áreas isoladas de edema e eritrócitos extravasculares, junções intercelulares soltas e alargamento dos espaços intercelulares, perda da estrutura flexível que mantém a uniformidade da lâmina própria, causada pelo desarranjo das fibras de colágeno, células endoteliais vasculares alteradas, vasos linfáticos com membrana basal incompleta, células de revestimento parietal com características de fibroblastos, fluxo de sangue multidirecional e descontínuo em vasos vizinhos, excessiva produção de matriz extracelular e maior atividade metabólica das células epiteliais e estromais (Tillmann et al., 1995; Dikkers, Nikkels, 1995; Gray et al., 1995; Remacle et al., 1996; Pastuszek et al., 2003; Volic et al., 2004; Jovanovic et al., 2007). Todas essas modificações promovem a aperiodicidade de vibração das pregas vocais, provocando a disfonia (Milutinovic, 1997). Grande parte destas alterações pode ser trabalhada na terapia vocal. Esta aperiodicidade foi revelada em ambos os grupos pela auto-avaliação dos sujeitos e pelas análises acústica e perceptivo-auditiva da voz, apesar de não se avaliar a laringoestroboscopia. Ao analisar os três métodos utilizados para avaliar o tratamento, é possível verificar que os sujeitos com edema de Reinke apresentaram queixas de sintomas 120 Discussão vocais e físicos, que foram evidentes nas avaliações acústica computadorizada e perceptivo-auditiva e o tratamento cirúrgico proporcionou melhora que podem ser observadas em todas as avaliações; contudo, a terapia vocal complementar ofereceu resultados ainda melhores nas três esferas, quando comparado ao grupo que seguiu às orientações e realizou treinamento. A rouquidão e o pitch grave relatados pelos sujeitos e observados nas avaliações acústica e perceptivo-auditiva, corroboram com a literatura como sendo os mais característicos desta patologia e foram os parâmetros de melhor resultado no GE analisando todas as avaliações. Isso sugere que o tratamento mais eficaz para casos avançados de edema de Reinke seja a fonomicrocirurgia associada à fonoterapia pós-operatória, baseada nas orientações sobre saúde vocal e modificação do comportamento e treinamento vocal. O impacto causado pelas alterações vocais pode refletir em várias áreas na vida do disfônico. Nos indivíduos com edema de Reinke pode ocorrer o impacto pessoal, com sintomas como rouquidão, dispnéia, fadiga vocal, odinofonia ou dificuldade para falar. A queixa de pitch grave traz não só incômodo ao sujeito, mas também nas relações pessoais, visto que frequentemente descaracteriza seu gênero. Além dos aspectos pessoais e sociais, as alterações causadas pelo edema de Reinke também se refletem no âmbito profissional, podendo inclusive causar prejuízos econômicos. Frente a todas estas alterações, a fonoterapia complementar a fonomicrocirurgia para tratamento do edema de Reinke é muito importante, pois reabilita a voz e mostrou-se eficaz para reduzir ou eliminar o impacto causado pela lesão, o que não ocorreu nos casos de cirurgia exclusiva. Os fatores de adesão ao tratamento foram identificados com base na prática clínica. Acredita-se que a amostra utilizada tenha características exclusivas, principalmente pelo fato da clientela ser oriunda do Sistema Único de Saúde, num hospital referência na região, constituída por uma maioria de indivíduos com baixa escolaridade, nível sócio-econômico médio e baixo e, alguns, moradores de outras cidades. Apesar disso, os fatores limitantes descritos são cotidianos do fonoaudiólogo especialista em Voz e podem ser considerados em qualquer terapia vocal. A descrição do tratamento oferecido contribui não só para a compreensão do desenho metodológico, mas também para a prática fonoaudiológica, contribuindo 121 Discussão com a experiência clínica e a possibilidade de indicadores para sucesso terapêutico e inclusão do fonoaudiólogo nas equipes de cirurgia laríngea. Os critérios de inclusão e exclusão proporcionam homogeneidade da amostra, porém limitam o seu tamanho, impedindo algumas análises. Sugere-se para pesquisas futuras o aumento do número de sujeitos, para permitir a formação de novos grupos considerando-se os critérios de adesão, como por exemplo, o tabagismo e a realização dos exercícios. Também é sugerida a comparação entre métodos de terapia fonoaudiológica no pós-operatório e a avaliação da eficácia no tratamento após a cirurgia de outras lesões, visto que as alterações serão diferentes. A proposta terapêutica mostrou-se eficaz de acordo com os critérios utilizados para análise, não só pelo sucesso em cumprir os objetivos selecionados, mas também pela satisfação do indivíduo com o resultado obtido. 122 Conclusão 6. CONCLUSÃO 123 Conclusão 6. CONCLUSÃO Conclui-se que a terapia fonoaudiológica após microcirurgia de laringe em mulheres com edema de Reinke se mostrou eficaz no grupo estudado, segundo as avaliações: • da auto-percepção de sinais e sintomas vocais dos sujeitos, com redução das queixas, principalmente de rouquidão, falhas na voz, voz grave e fadiga vocal; • dos parâmetros acústicos, com aumento da F0 e redução das medidas de APQ, NHR, DUV, DSH, PFR, PPQ e Fatr; • das medidas perceptivo-auditivas da voz, com aumento do tempo máximo de fonação e melhora de todos os parâmetros, principalmente redução da rugosidade e aumento do pitch. 124 Referências Bibliográficas 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 125 Referências Bibliográficas 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Behlau M, Oliveira G. Vocal hygiene for the voice professional. Curr Opin Otolaryngol Head Neck Surg. 2009 Jun; 17(3):149-54. Behrman A, Rutledge J, Hembree A, Sheridan S. 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ANEXOS 137 Anexos ANEXO 1 HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO DEPARTAMENTO DE OFTALMOLOGIA, OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO Ribeirão Preto, ....../....../............... TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Titulo do estudo: FONOTERAPIA APÓS FONOMICROCIRURGIA DE LARINGE: ANÁLISE COMPARATIVA DA EFICÁCIA Pesquisadora responsável: Fernanda Maria de Oliveira Orientador: Prof. Dr. Hilton M. Alves Ricz Local de contato: Ambulatório de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP. Av. Bandeirantes, 3900 – Ribeirão Preto. Fone: (16) 36022353. NOME DO PACIENTE: _______________________________________________ Registro HCRP nº.: ____________________ Endereço: ________________________________________________________ _________________________________________________________________. Telefone: ( )______-_____________ O senhor(a) está convidado(a) a participar do estudo científico que poderá aumentar os conhecimentos sobre a voz no pós-operatório de laringe, podendo contribuir, no futuro, para melhorar a reabilitação destes indivíduos. DO QUE SE TRATA O ESTUDO? Para falar, utilizamos as pregas vocais, que se encontram na laringe (garganta). O som da voz é produzido por meio da vibração e fechamento das pregas vocais, que ocorre pela passagem do ar que vem dos pulmões. Quando o indivíduo é submetido a uma cirurgia na prega vocal devido a uma lesão benigna (pólipos, nódulos, cistos ou edema de Reinke), a prega vocal 138 Anexos apresentará uma cicatriz. Para diminuir os efeitos dessa cicatriz, o senhor(a) deverá seguir algumas orientações no período após a cirurgia, especialmente o repouso da voz, que significa não falar de forma alguma; e a realização dos exercícios propostos pelo fonoaudiólogo nos atendimentos. O objetivo desse estudo é avaliar a voz por meio de gravações e exames de endoscopia da garganta (videolaringoestroboscopia) e relacionar o que foi encontrado com o que o senhor(a) sente a respeito da sua voz. COMO SERÁ REALIZADO O ESTUDO? Para avaliar o comportamento da laringe e a qualidade da voz após a cirurgia serão realizados alguns exames: a videolaringoestroboscopia, a análise da voz feita pelo fonoaudiólogo (avaliação perceptivo-auditiva) e pelo computador (análise acústica computadorizada). Também será aplicado um questionário, no qual o(a) senhor(a) responderá algumas perguntas sobre como está sua voz e sobre seu bem estar. Antes da cirurgia será feita a videolaringoestroboscopia, a gravação e análise da voz e o(a) senhor(a) responderá um questionário sobre seus sintomas. Quatro dias após a cirurgia será feita a gravação da voz no computador. Uma semana após a cirurgia será feita a videolaringoestroboscopia, a análise da voz com gravação e nova aplicação do questionário, repetindo-se estes procedimentos um mês após. A endoscopia da garganta (videolaringoestroboscopia) será realizada com o(a) senhor(a) sentado(a), com a boca aberta e a língua para fora. Se necessário, o(a) senhor(a) receberá anestesia na garganta, em forma de spray oral. O endoscópio será introduzido na garganta para a análise durante a respiração. Será solicitado ao senhor(a) a emissão das vogais “i” e “e”. A análise da voz (perceptiva- auditiva), será realizada a partir da gravação da sua voz durante a emissão das vogais “a”, “i” e “u” e contagem de 1 a 10, utilizando um microfone junto ao gravador e a gravação será feita dentro de uma sala sem ruído. A análise da sua voz pelo computador (acústica computadorizada) será realizada por um programa de computador durante a emissão da vogal “a”, também com microfone em uma sala com isolamento do som. 139 Anexos OS EXAMES SÃO DESCONFORTÁVEIS OU TRAZEM ALGUM RISCO? A videolaringoestroboscopia pode trazer um pequeno desconforto podendo causar enjôo (náuseas). Se isso ocorrer o(a) senhor(a) receberá anestesia da garganta em forma de spray. Para a realização do exame não é exigido jejum ou qualquer outro cuidado. Não haverá também quaisquer despesas para o(a) senhor(a). O QUE ACONTECE COM QUEM NÃO PARTICIPA DO ESTUDO? Nada. O seguimento e os retornos do(a) senhor(a) serão realizados independentemente da participação na Pesquisa Científica e este fato não influenciará de modo algum no tipo de tratamento ao qual o(a) senhor(a) tem direito. O acompanhamento ambulatorial se dará das maneiras corriqueiras no Ambulatório de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas da Fac. de Medicina de Ribeirão Preto, independentemente da participação ou não na pesquisa. COMO SÃO OS ATENDIMENTOS FONOAUDIOLÓGICOS? Os atendimentos agendados para o pré e pós-operatório serão feitos por um(a) fonoaudiólogo(a), semanalmente. A duração de cada atendimento é de 30 minutos. Em cada sessão serão orientados exercícios para serem feitos durante as semanas de pós-operatório. O objetivo destes exercícios é melhorar a qualidade da voz. E SE NÃO FOR POSSÍVEL VIR AOS ATENDIMENTOS FONOAUDIOLÓGICOS PÓS-OPERATÓRIOS? Caso você não possa comparecer aos atendimentos fonoaudiológicos no pósoperatório, não haverá nenhuma mudança em seus retornos médicos. Será feita a avaliação da voz, o exame médico e sua voz será gravada no pré-operatório, uma semana após a cirurgia e um mês após, mesmo não comparecendo aos atendimentos com o fonoaudiólogo. Após um mês de cirurgia, caso o(a) senhor(a) estiver interessado, será encaminhado para ser atendido semanalmente pelo fonoaudiólogo em outro momento. 140 Anexos UMA VEZ PARTICIPANDO DO ESTUDO É POSSÍVEL DESISTIR? Sim. Será mantido total sigilo sobre a identidade dos participantes e em qualquer momento o mesmo poderá desistir que estes dados sejam utilizados na presente pesquisa, sem quaisquer despesas ou interferências no tratamento da doença deste participante. Por último, caso se sinta lesado você tem o direito de solicitar indenização, conforme legislação vigente, embora não esteja prevista indenizações. Qualquer questionamento a respeito do estudo, antes ou durante a realização dele, será esclarecido ao participante. Em caso de dúvidas ou problemas com a pesquisa você pode procurar a pesquisadora responsável, a fonoaudióloga Fernanda Maria de Oliveira, no Setor de Fonoaudiologia do Hospital das Clínicas da Fac. de Medicina de Ribeirão PretoUSP, ou pelo telefone (16) 36022395. ________________________ PARTICIPANTE DA PESQUISA ___________________ Fga. Fernanda Maria de Oliveira CRFa 15604 141 Anexos ANEXO 2 HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO DEPARTAMENTO DE OFTALMOLOGIA, OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO FONOAUDIOLOGIA Escala Visual Analógica - Análise do esforço e sintomatologia vocal Perguntas: 1- Você AGORA acha que está rouco? ( ) sim ( ) não [equivale ao zero] Quanto? ______________________________________ Como perguntar: Agora, você acha que está rouco? Neste extremo seria o máximo de sua rouquidão, e do outro, seria NADA de rouquidão. 2- Sua garganta AGORA está seca? ( ) sim ( ) não [equivale ao zero] Quanto? ______________________________________ Como perguntar: AGORA, você acha que sua garganta está seca? Neste extremo seria o máximo de secura na garganta, e do outro, seria NADA de secura. 3- AGORA há quebras na sua voz, ou seja, ela falha? ( ) sim ( ) não [equivale ao zero] Quanto? ______________________________________ Como pergunta: AGORA, você acha que sua voz falha? Neste extremo seria o máximo da quantidade de falhas de, e do outro, seria NADA de falhas. 4- AGORA sua garganta dói? ( ) sim ( ) não [equivale ao zero] Quanto? _______________________________________ Como perguntar: AGORA, você acha que sua garganta dói? Neste extremo seria o máximo de dor, e do outro, seria NADA de dor. 5- AGORA está difícil para falar? ( ) sim ( ) não [equivale ao zero] Quanto? ______________________________________ Como perguntar: AGORA “ Neste momento, você acha que está difícil para falar? Neste extremo seria o máximo da dificuldade para falar AGORA, e do outro, seria NADA de dificuldade, então quanto é a sua sensação?” 6- Agora para você, sua voz está “fina” em relação a sua voz normal? ( ) sim [equivale ao zero] ( ) não Quanto? _____________________________________ Como perguntar: AGORA “ Neste momento, você acha que sua voz está mais “fina” que o normal? Neste extremo seria o máximo da diferença com a sua voz normal AGORA, e do outro, seria NADA de diferença, então quanto é a sua sensação? 7- AGORA para você, sua voz está “grossa” em relação a sua voz normal? ( ) sim [equivale ao zero] ( ) não 142 Anexos Quanto? ______________________________________ Como perguntar: AGORA “ Neste momento, você acha que sua voz está mais “grossa” que o normal? Neste extremo seria o máximo da diferença com a sua voz normal AGORA, e do outro, seria NADA de diferença, então quanto é a sua sensação?” 8-AGORA é necessário maior esforço para falar? ( ) sim ( ) não [equivale ao zero] Quanto? ______________________________________ Como perguntar: AGORA “ Neste momento, você acha que é necessário mais esforço para falar? Neste extremo seria o máximo da necessidade do esforço AGORA, e do outro, seria NADA de esforço, então quanto é a sua sensação?” 9-AGORA dói para engolir a saliva? ( ) sim ( ) não [equivale ao zero] Quanto? ______________________________________ Como perguntar:- AGORA: “Neste momento, você acha que dói para engolir a salivai? Neste extremo seria o máximo de dor AGORA, e do outro, seria NADA de dor, então quanto é a sua sensação?” 10- AGORA sua voz está fraca, ou seja, diminuiu o volume da sua voz? ( ) sim [equivale ao zero] ( ) não Quanto? ______________________________________ Como perguntar: AGORA “ Neste momento, você acha que o volume da sua voz está menor que o seu habitual? Neste extremo seria o máximo da diferença com a sua voz normal AGORA, e do outro, seria NADA de diferença, então quanto é a sua sensação? 11- AGORA seu pescoço e ombros doem ou estão tensos? ( ) sim ( ) não [equivale ao zero] Quanto? ______________________________________ Como perguntar: AGORA “ Neste momento, você sente dor ou tensão nos ombros e no pescoço? Neste extremo seria o máximo de dor AGORA, e do outro, seria NADA de dor, então quanto é a sua sensação? 12- AGORA está com cansaço para falar? ( ) sim ( ) não [equivale ao zero] Quanto? ______________________________________ Como perguntar: AGORA “ Neste momento, você sente cansaço para falar? Neste extremo seria o máximo de cansaço AGORA, e do outro, seria NADA de cansaço, então quanto é a sua sensação?” 13- AGORA em relação ao momento de fala em voz alta, precisou tossir ou pigarrear? ( ) sim não [equivale ao zero] ( ) Quanto? ______________________________________ Como perguntar: AGORA “No momento da leitura em voz alta, você precisou tossir ou pigarrear? Neste extremo seria o máximo de quantidade NAQUELE MOMENTO, e do outro, seria NADA de necessidade, então quanto foi a sua sensação? (Elaborado por: Fga. Ariane Pellicani e Dra. Lílian Neto Aguiar Ricz) 143 Anexos ANEXO 3 HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO SETOR DE FONOAUDIOLOGIA PROTOCOLO - DISTÚRBIOS DA VOZ IDENTIFICAÇÃO PESSOAL Nome:_______________________________________________Registro:________ Nacionalidade:___________Sexo:______________Estado Civil:_________ Idade: ______ Data de Nascimento: __ / __ / __ Residência:_____________________________________nº:______CEP:________ Cidade:________________Estado:______Telefone: ______________ Grau de Instrução:____________Profissão:____________Carga Horária:_________ Informante:______________ Data da triagem: __ / __ /___ ENCAMINHAMENTO: CCP ( ) ORL ( ) N.E.C ( ) Outros ( ) ________________ QUEIXA:____________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ANTECEDENTES PESSOAIS - Distúrbios alérgicos( ) Alterações ocasionais( ) Não há queixas( ) Tipo:________ - Distúrbios faríngeos( ) Alterações ocasionais( ) Não há queixas ( ) Tipo:________ - Distúrbios nasais( ) Alterações ocasionais ( ) Não há queixas ( ) Tipo:________ - Distúrbios otológicos( ) Alterações ocasionais( ) Não há queixas( ) Tipo:________ - Distúrbios pulmonares( ) Alterações ocasionais( ) Não há queixas( ) Tipo:________ - Distúrbios hormonais( ) Alterações ocasionais( ) Não há queixas( ) Tipo:________ - Distúrbios gástricos( ) Alterações ocasionais( ) Não há queixas ( ) Tipo:________ - Distúrbios bucais( ) Alterações ocasionais ( ) Não há queixas ( ) Tipo:________ Observações finais: __________________________________________________ ANTECEDENTES FAMILIARES Disfonia ( ) sim ( ) não Competição sonora ( ) sim ( ) não HIGIENE VOCAL Fumo :_____ Cigarro comum( ) Cigarro de palha( ) Outros( ) ____ Frequência: Vive em ambiente de fumante: ( ) Sim ( ) Não Hábito de ingerir gelado: ( ) Sim ( ) Não Faz uso de: Ar condicionado: ( ) Ventilador: ( ) Trabalha em ambiente ruidoso: ( ) Sim ( ) Não 144 Anexos Convive com pessoas surdas: ( ) Sim ( ) Não Tipo de alimentação: _____________________________________________ Bebe? ____Destilado ( ) Fermentado ( ) Frequência: ____________________ O que você faz para melhorar sua voz? (chá, gengibre, mel, própolis, spray, pastilha) Observações Complementares: ___________________________________________________________________ DISTÚRBIOS VOCAIS Quando teve início o distúrbio vocal? _____________________________________ Houve motivo aparente?_______________________________________________ O começo foi: brusco ( ) progressivo ( ) Há períodos de: melhora sim ( ) não ( ) período:______________________ piora sim ( ) não ( ) período: ______________________ Há fatores desencadeantes e agravantes? ________________________________ A sua intensidade diminuiu?__________ A fonação é dolorosa? ______________ Postura de vida diária:_________________________________________________ Vestuário: __________________________________________________________ Região da cintura escapular e pescoço: ( ) dor ( ) tensão ( ) não há queixas Relação Voz /Emoção: ________________________________________________ Fadiga vocal? _______________________________________________________ ATIVIDADES DE LAZER Esporte: ( ) sim ( ) não Bares: ( ) sim ( ) não Outras atividades reunião social, jogos, etc. ) ( ) sim ( ) não AVALIACÃO DA ESPECIALIDADE - Data: __/__/__ ________________________ __________________________________________________________________ TRATAMENTOS ANTERIORES E ATUAIS - cirúrgico (tipo): _____________________________________________________ - medicamentoso (hormônios, corticóides, vasodilatadores, outros):_____________ - fonoterápico: ______________________________________________________ - psicoterápico: ______________________________________________________ - outra especialidade: _________________________________________________ AVALIACÃO VOCAL T.M.F : /a/ ________ /i/_________ /u/ __________ /s/ ___________/z/ ________ Contagem ( 1 a 30):___________________________________________________ “Parabéns à você”:____________________________________________________ O que você acha da sua voz?___________________________________________ Análise percentual (subjetiva) Pitch: ______________________________________________________________ Loudness:___________________________________________________________ Entonação:__________________________________________________________ Velocidade de fala:____________________________________________________ Pausas: ____________________________________________________________ 145 Anexos Qualidade vocal - Escala GRBAS Legenda: Grau (G) - normal (O) discreto ( 1 ) moderado (2) severo (3) Rouquidão (R)- grau: ( ) Soprosidade (B) – grau: ( ) Astenia (A) – grau: ( ) Tensão fonatória (S) – grau : ( ) Outros: ____________________________________________________ Ressonância: ( ) nasal ( ) laringo-faríngea ( ) oral ( ) equilibrada Coordenação pneumofônica: fala espontânea ( ) adequada ( ) inadequada fala automática ( ) adequada ( ) inadequada Articulação: ( ) travada ( ) exagerada ( ) normal Ataque vocal: ( ) brusco ( ) suave Tensão: cintura escapular ( ) sim ( ) não musculatura mastigatória ( ) sim ( ) não Dor apalpação: ( ) sim ( ) não Nódulos de tensão: ( ) sim ( ) não Alterações durante a fonação: há engurgitamento de veias ( ) sim ( ) não elevação de ombros ( ) sim ( ) não movimentos associados ( ) sim ( ) não Relação corpo/voz/emoção: ( ) adequada ( ) inadequada Uso do ar de reserva: ( ) sim ( ) não Respiração: Tipo ( ) costo-diafragmática ( ) superior ( ) inferior Modo: ( ) nasal ( ) bucal ( ) mista ANÁLISE ACÚSTICA COMPUTADORIZADA (OBJETIVA) Nome do Programa: Frequência Fundamental: ___________________________________________ Jitter (%): ______________________________________________________ Shimmer (%): _____________________________________________________ Proporção Harmônico - ruído (dB): _____________________________________ Observações: _____________________________________________________ HIPÓTESE DIAGNÓSTICA FONOAUDIOLÓGICA: ________________________ ORIENTACÕES: ___________________________________________________ CONDUTA:__________________________________________________________ Fonoaudióloga Responsável: _________________________________________ 146 Anexos ANEXO 4 147 Anexos ANEXO 5 138 Referências Bibliográfica