FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA Hospital São Lucas Santa Casa Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR INTRODUÇÃO 1. Anatomia e fisiopatologia 2. Neurologia 3. Biomecânica 4. Diagnóstico por imagem 5. Classificação 6. Avaliação inicial 7. Tratamento farmacológico 8. Fraturas despercebidas da coluna 9. Estabilidade 10. Tratamento Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR INTRODUÇÃO Lesão neurológica em 40% dos pctes com fratura cervical e em 15% a 20% com fratura toracolombar Causa mais frequente de lesão da coluna vertebral: 45% acidente automobilístico 20% quedas 15% esportes 15% atos de violência Obs.: em idosos (>75anos), 60% são por queda. Incidência: 4 homens : 1 mulher. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ANATOMIA E FISIOPATOLOGIA Conhecimento básico de estruturas ósseas e neurológicas Conhecimento do padrão da fratura possibilita avaliar a estabilidade, risco de lesão neurológica e tratamento específico Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ANATOMIA E FISIOPATOLOGIA Medula Espinhal Preenche 35% do canal ao nível do atlas (C1) e 50% nos outros níveis. O restante do canal é preenchido por LCR, gordura epidural e duramáter. Raízes: C1-C7 saem acima da vértebra correspondente C8 sai entre C7 e T1 T1 abaixo, saem abaixo da vértebra correspondente Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ANATOMIA E FISIOPATOLOGIA Medula Espinhal Motor: os neurônios motores superiores originam-se no córtex cerebral, cruzam para o lado oposto, descem no trato corticoespinhal lateral para fazer sinapse com os seus respectivos neurônios motores inferiores no corno anterior na substância cinzenta. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ANATOMIA E FISIOPATOLOGIA Medula Espinhal Sensitivo: entrada ascendente no corno posterior da substância cinzenta passando por diferentes áreas da medula, dependendo do tipo de sensibilidade. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ANATOMIA E FISIOPATOLOGIA Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ANATOMIA E FISIOPATOLOGIA Cauda Eqüina Raízes motoras e sensitivas abaixo do cone medular. Tendem a ser menos traumatizadas, porque dispõem de mais espaço no canal e não estão fixadas no mesmo grau que a medula espinhal. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ANATOMIA E FISIOPATOLOGIA Arco Reflexo Via sensitivo motora simples capaz de funcionar sem axônios ascendentes ou descendentes, logo, se o nível do arco reflexo estiver intacto, o reflexo funcionará mesmo com lesão espinhal em nível superior. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ANATOMIA E FISIOPATOLOGIA Choque Espinhal Disfunção do tecido nervoso da medula espinhal baseada em interrupção fisiológica e não estrutural. O choque espinhal resolve-se quando os arcos reflexos abaixo do nível de lesão voltam a funcionar, como por exemplo o reflexo bulbocavernoso, que retorna em até 24h em 99% dos pacientes. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ANATOMIA E FISIOPATOLOGIA Choque Neurogênico Hipotensão vascular + bradicardia como resultado de traumatismo espinhal. Os primeiros poucos minutos após a lesão medular associam-se com hipertensão e taquicardia, com uma subseqüente diminuição da PA e do pulso. É atribuído à interrupção traumática da eferência simpática T1-L2 e ao tônus vagal sem oposição. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA As lesões podem ser: Primárias (ocorrem no momento do trauma): Contusão: principal mecanismo, por absorção de energia cinética, com morte neuronal e hemorragia. Compressão Estiramento Laceração Secundárias (isquemia e edema), que resultam de processos reacionais. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA Lembrar sempre que a compressão vista no momento do diagnóstico pode não ser a mesma do momento do trauma (luxações instáveis). Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA Padrões de lesão neurológica: Distinguir inicialmente entre: Lesões Completas Lesões Incompletas Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA Padrões de lesão neurológica: Lesões completas: se manifestam por perda motora e sensitiva total, distalmente à lesão, com reflexo bulbocavernoso presente. Reflexo bulbocavernoso presente (S3/S4), choque espinhal ausente. A recuperação é vista em apenas 3% nas primeiras 24 horas, e virtualmente nunca após 24 a 48 horas. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA Padrões de lesão neurológica: Lesões Incompletas: lesões em que alguma função motora ou sensitiva é preservada distalmente à lesão medular, tem um bom prognóstico pelo menos para alguma recuperação motora funcional. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA Escala de FRANKEL dos déficits neurológicos em pacientes com trauma raquimedular : A. B. C. D. E. Função motora e sensitiva ausentes Sensibilidade presente, e Função Motora ausente Sensibilidade presente, e FM presente mas não útil (graus 2 ou 3) Sensibilidade presente, e FM ativa e útil (graus 4 e 5) Sensibilidade presente, e FM normal. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA ASIA Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA Sd. da Medula Espinhal: Sínd. Medular Central É a lesão medular incompleta mais comum Consiste da destruição da área central da medula espinhal, incluindo tanto a substância cinzenta, quanto a branca. Afeta mais comumente os tratos responsáveis pelos MMSS, poupando as pernas, causando uma quadriparesia envolvendo principalmente as extremidades superiores. A preservação sensitiva é variável, mas geralmente há preservação da sensação sacral à aplicação de um alfinete. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA Sd. da Medula Espinhal: Sínd. Medular Central Normalmente os pacientes exibem recuperação imediata quando postos em tração. O prognóstico é variável mas mais de 50% retomam o controle vesical e intestinal, voltam a andar e melhoram a função da mão. Esta síndrome geralmente ocorre em pessoas mais idosas com osteoartrose, por um mecanismo de hiperextensão, sendo que a medula fica imprensada entre o corpo vertebral anteriormente e o ligamento amarelo deformado posteriormente. Também pode ocorrer em jovens por lesões em flexão. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA Sd. da Medula Espinhal: Sínd. de Brown-Séquard Lesão de qualquer das metades da medula espinhal, sendo comumente o resultado de uma fratura laminar ou pedicular unilateral, lesão penetrante ou rotacional resultante de uma subluxação. Se caracteriza por debilidade motora no lado da lesão e perda contralateral da sensação de dor e temperatura. O prognóstico é bom, com significativa melhora neurológica. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA Sd. da Medula Espinhal: Sínd. Medular Anterior Causada por lesões em hiperflexão, os fragmentos ósseos comprimem a medula e a artéria espinhal anterior. Perda motora completa, e perda da discriminação da dor e da temperatura abaixo do nível de lesão. As colunas posteriores são poupadas em graus variáveis o que explica a preservação do tato profundo, sentido de posição e sensação vibratória. O prognóstico é sombrio. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA Sd. da Medula Espinhal: Sínd. Medular Posterior Envolve as colunas dorsais e produz uma perda do sentido vibratório e de propriocepção, enquanto que as outras funções motoras e sensitivas estão normais. É rara e comumente associada a lesões em extensão. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA Sd. da Medula Espinhal: Sínd. Mista É uma combinação não classificável de várias síndromes. Descreve a pequena percentagem de lesões incompletas da medula espinhal que não se enquadram em nenhuma síndrome acima descrita. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA Sd. da Medula Espinhal: Sínd. do Cone Medular Lesão da raízes e nervos lombares no interior do canal espinhal, resulta em arreflexia da bexiga, intestino e extremidades inferiores. Ocorrem entre T11 e L2, resultando em uma paralisia flácida no períneo e na perda de controle de toda a musculatura perianal e da bexiga. A natureza irreverssível desta lesão fica comprovada pela ausência do reflexo bulbocavernoso, e do reflexo perianal. A função motora das extremidades inferiores entre L1 e L4 poderá estar presente, se as raízes nervosas estiverem presentes. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA Sd. da Medula Espinhal: Sínd. da Cauda Eqüina Lesão entre o cone e as raízes dos nervos lombosacrais no interior do canal espinhal, também resulta na arreflexia da bexiga, intestino e MMII. Diante de uma lesão incompleta da cauda eqüina todos os nervos periféricos para a bexiga, intestinos, área perianal e extremidades inferiores perdem sua função, os reflexos bulbocavernoso e anal, além de toda atividade reflexa dos MMII estará ausente, indicando a ausência de função da cauda eqüina. Geralmente ela se apresenta como uma lesão neurologicamente incompleta. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR A=B Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA Sinais de bom prognóstico nas lesões medulares : 1) Preservação de algum movimento voluntário, incluindo movimentos dos dedos ou contração voluntária do esfíncter anal 2) Preservação da sensação perineal indica que as raízes sacrais estão poupadas e a melhora neurológica é possível. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR NEUROLOGIA Sinais de mau prognóstico nas lesões medulares: 1) 2) 3) 4) Reflexo bulbocavernoso Reflexo superficial anal Flexão lenta dos dedos e extensão na estimulação plantar; Presença de priapismo. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR BIOMECÂNICA Compreender a biomecânica é importante para interpretar o mecanismo de fratura e um programa eficaz de tratamento. Movimentos da coluna: Flexão extensão no plano sagital Angulação Flexão lateral no plano frontal Rotação em torno do eixo craniocaudal Ântero posterior no plano sagital Translação Médio lateral no plano frontal Alongamento ou encurtamento do eixo craniocaudal por translação vertical O movimento principal é por angulação. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR BIOMECÂNICA Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR BIOMECÂNICA A maioria das lesões ocorrem nesta área de transição toracolombar, em que há modificação da orientação das facetas no plano coronal para sagital, e modificação da cifose torácica para lordose lombar. A junção toracolombar é a 1ª zona móvel distal à influência estabilizadora da caixa costal, atuando como fulcro de movimento para o tórax. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR BIOMECÂNICA Forças: Os corpos vertebrais e os discos funcionam principalmente para suportar cargas compressivas, e os processos espinhosos para resistir à tração. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR BIOMECÂNICA Conceito das Colunas de Denis: A coluna anterior: ligamento longitudinal anterior, a porção anterior do disco, e a metade anterior do corpo vertebral A coluna média: ligamento longitudinal posterior, a parte posterior do disco e a metade posterior do corpo vertebral. A coluna posterior: pedículo, facetas, lâminas e o complexo ligamentar posterior (ligamento supra-espinhal, infra-espinhal, amarelo, e cápsula das articulações facetárias). Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR BIOMECÂNICA Conceito das Colunas de Denis: Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR DIAGNÓSTICO POR IMAGEM O estudo radiográfico permite localizar o nível da lesão, sugerir lesões de partes moles e fornece as informações necessárias para determinar a estabilidade da lesão. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR DIAGNÓSTICO POR IMAGEM Rx: determinar a fratura e sua localização. - AP: presença de hematoma paraespinhal pode ser evidenciado pelo alargamento da linha paraespinhal na coluna torácica e pela modificação da sombra do psoas na área lombar. - Perfil: colapsos vertebrais, exagero na lordose lombar pode ser evidência de fratura-luxação. A distância aumentada entre os processos espinhosos adjacentes pode ser evidência indireta de lesão ligamentar. O desalinhamento ou rotação das apófises espinhosas, num paciente não escoliótico, pode ser evidência de dano no arco neural ou complexo ligamentar posterior. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR DIAGNÓSTICO POR IMAGEM TAC: é o exame ideal para complementar os achados radiográficos, fornecendo informações sobre a coluna média e os elementos posteriores. Demonstra com precisão o estreitamento do canal raquidiano, e a presença de fragmentos dentro dele. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR DIAGNÓSTICO POR IMAGEM RNM: lesões intramedulares, extramedulares, e radiculares são mais precisamente diagnosticadas. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR DIAGNÓSTICO POR IMAGEM Mielografia: Raramente usada em trauma agudo. Principal indicação em lesão aguda lesão incompleta causada por material não ósseo, tal como hérnia de disco ou hematoma. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR CLASSIFICAÇÃO - Holdsworth: baseado em duas colunas - Fergusson e Allen - AO - Denis: maior aceitação, teoria das três colunas (que podem falhar individualmente ou em combinação). Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR CLASSIFICAÇÃO AO Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR CLASSIFICAÇÃO - DENIS Tipo da Fratura Compressão Explosão Cinto de segurança Fratura Luxação Mecanismo Anterior Flexão anterior Lateral Flexão lateral A Carga axial B Carga axial mais flexão C Carga axial mais flexão D Carga axial mais rotação E Carga axial mais flexão lateral Tipo Chance (osso) Flexão distração Através de Tec. Moles Flexão distração Flexão rotação Flexão rotação Flexão distração Flexão distração Cisalhamento Cisalhamento (AP ou PA) Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR CLASSIFICAÇÃO - DENIS Col. Anterior Col. Média Col. Posterior Compressão Compressão Nenhum Nenhum ou distração (em lesões graves) Explosão Compressão Compressão Nenhum ou distração Distração Nenhum ou compressão Distração Distração Fratura Luxação Compressão e/ou rotação, cisalhamento Distração e/ou rotação, cisalhamento Distração e/ou rotação, cisalhamento Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ESTUDOS RADIOGRÁFICOS Fratura Compressão: Rx: a altura anterior do corpo vertebral está diminuída, altura posterior permanece normal. Normalmente são estáveis e raramente envolvem comprometimento neurológico. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ESTUDOS RADIOGRÁFICOS Fraturas de Explosão: Uma queda de altura de pé é o mecanismo típico desta fratura. Rx perfil: diminuição da altura do corpo vertebral. Rx AP: aumento da distância interpedicular. Coluna posterior habitualmente está poupada, porém quando há associação com angulação anterior pode haver lesão do complexo ligamentar posterior criando uma fratura explosão instável. São descritos 5 tipos: Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ESTUDOS RADIOGRÁFICOS Fraturas de Explosão: A – afeta ambas as placas terminais B – apenas a placa terminal superior C – placa terminal inferior D – envolve rotação E – encunhamento lateral do corpo vertebral Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ESTUDOS RADIOGRÁFICOS Fraturas por Flexão Distração: O mecanismo típico é uma colisão frontal de veículo a motor enquanto usando um cinto de segurança subabdominal. A ruptura das 3 colunas pode comprometer principalmente osso (Fratura tipo Chance) ou ligamentos e pode estender-se a mais de um nível espinhal. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ESTUDOS RADIOGRÁFICOS Fraturas por Flexão Distração: Rx AP: distância aumentada entre as apófises espinhosas. Rx perfil: aparece aumentada a altura posterior. Raramente se associam com lesões neurológicas, a não ser que uma quantidade importante de translação seja observada no perfil, mas aí se estará lidando com uma fratura-luxação. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ESTUDOS RADIOGRÁFICOS Fratura–Luxação: Ruptura das 3 colunas por uma combinação de compressão, tensão, rotação e/ou cisalhamento. Por flexão-rotação, a coluna anterior falha por compressão e rotação, enquanto a coluna média falha principalmente em rotação. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ESTUDOS RADIOGRÁFICOS Fratura–Luxação: Por flexão-distração diferem das lesões tipo Chance, pela presença de translação importante, lesão esta muito instável associada a comprometimento neurológico, lacerações durais e lesão intraabdominal, de órgãos retroperitoneais Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ESTUDOS RADIOGRÁFICOS Fratura–Luxação: Por cisalhamento: todas as 3 colunas falham por forças de cisalhamento, que podem ser póstero-anterior, ou ântero-posterior. Nas PA os corpos vertebrais permanecem intactos, porém há múltiplas fraturas pelo arco posterior, consequentemente a lâmina destaca-se do segmento do corpo vertebral desviado anteriormente, resultando em uma lâmina flutuando livremente, e lacerações durais ocorrem com freqüência. Nas lesões AP o arco posterior pode ser desviado posteriormente sem que a faceta inferior limite o desvio, portanto nestes casos raramente ocorrem lacerações durais. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR AVALIAÇÃO INICIAL ADCDE Decúbito dorsal sobre uma prancha com a coluna cervical imobilizada. Suspeitar em todos os pacientes politraumatizados, especialmente aqueles que estão inconscientes, intoxicados ou com lesões na cabeça e pescoço. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR AVALIAÇÃO INICIAL Externamente procuram-se sinais de deformidade na coluna, escoriações e equimoses no dorso, desnivelamento ou degraus nos processos espinhosos vertebrais. Com o paciente acordado testa-se a força motora, e a sensibilidade. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR AVALIAÇÃO INICIAL Os principais reflexos a serem testados são: - Plantar (Babinski, que significa a presença de extensão do hálux e os artelhos se espalham, denotando lesão do neurônio motor superior); - da Crista Tibial (Oppenheim, significado igual ao Babinski) - Cremastérico (T12-L1) – provocado estimulando-se a face interna da coxa proximal e avaliando-se a resposta da bolsa escrotal, anormal é quando não há reação da bolsa; - Piscadela anal (S2-S4) – estimulando-se a pele em torno do esfíncter anal, anormal é a ausência de contração; - Reflexo bulbocavernoso (S3-S4) – no homem envolve espremer a glande, e na mulher pressão sobre o clítoris, e sentir o esfíncter anal contrair-se de encontro a um dedo enluvado. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR AVALIAÇÃO INICIAL Reflexo Bulbocavernoso Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR AVALIAÇÃO INICIAL Reflexo e Tônus anal Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR AVALIAÇÃO INICIAL Tratamento Farmacológico: Glicocorticóides: Corticosteróides: Antagonistas dos opiáceos: hormônio liberador da tirotropina (TRH) Antagonistas dos receptores dos opiáceos: naxolona Iniciar metilpredinisolona (meticorten) nas primeiras 8h após o trauma: 30mg/Kg IV em bolo por 15 min, e após 45 min (1h), 5,4mg/Kg por 23h Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR AVALIAÇÃO INICIAL Fraturas Despercebidas de Coluna: Retardo de diagnóstico no trauma de: - coluna cervical é 22 a 33% - coluna toracolombar cerca de 5% A principal causa é o baixo índice de suspeição, intoxicação, politraumatismos, nível diminuído de consciência, e fraturas não contíguas de coluna (4% a 5%). 50% a 60% dos pacientes com lesão espinhal têm uma lesão não espinhal associada. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR AVALIAÇÃO INICIAL Estabilidade das Fraturas: Segundo White e Panjabi, instabilidade espinhal: “é a perda da capacidade da coluna de, sob cargas fisiológicas, manter as relações entre as vértebras de tal maneira que não haja nem lesão nem subsequente irritação da medula espinhal ou de suas raízes, além disso não haja nenhum desenvolvimento de deformidades ou dor incapacitantes”. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR AVALIAÇÃO INICIAL Critérios de Instabilidade / White e Panjabi: Ø Fraturas com lesões neurológicas associadas, uma vez que a coluna já falhou como estrutura protetora (exclui traumatismo penetrante). Ø Falha de pelo menos 2 das 3 colunas de Denis. Ø Perda de 50% da altura do corpo vertebral Ø Angulação da junção toracolombar maior do que 20°. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR TRATAMENTO NÃO OPERATÓRIO Permanece sendo o padrão para as fraturas por compressão e algumas por explosão brandas. É importante não igualar instabilidade a tratamento operatório (Ex.: fratura por compressão com perda de mais de 50% da altura do corpo vertebral ou uma angulação maior que 20º pode ser considerada instável, mas ainda responderia bem ao tratamento em aparelho gessado bem modelado em hiperextensão). Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR TRATAMENTOS ESPECÍFICOS Fratura Compressão: Geralmente são estáveis, raramente envolvem comprometimento neurológico. Na maior parte são tratadas sintomaticamente, a deambulação precoce é incentivada com uma órtese, ou um gesso em hiperextensão. Porém, quando há perda de mais de 50% da altura do corpo vertebral, angulação de mais de 20º ou múltiplas fraturas por compressão adjacentes, é considerada instável e exige tratamento em um aparelho gessado em hiperextensão ou possivelmente uma redução aberta e fixação interna usando-se instrumentação e artrodese posteriores, dependendo da gravidade. posterior com artrodese instrumentada dependendo da gravidade. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR TRATAMENTOS ESPECÍFICOS Fratura Explosão: Ø Fratura estável, ausência de lesão neurológica: aparelho gessado em hiperextensão. Ø Lesão neurológica, perda de altura do corpo vertebral maior que 50%, angulação maior que 20º ou comprometimento do canal maior que 30%: estabilização precoce posterior afim de restaurar o alinhamento. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR TRATAMENTOS ESPECÍFICOS Fratura por Flexão Distração: Ø Fraturas tipo Chance (através do osso): aparelho gessado em hiperextensão Ø Colunas anterior e média falham por ruptura ligamentar: artrodese posterior da coluna com sistema de compressão Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR TRATAMENTOS ESPECÍFICOS Fratura Luxação: Ø Usualmente associadas a comprometimento neurológico grave. Ø O objetivo é realinhar a coluna vertebral e fornecer estabilização posterior de modo a possibilitar mobilização precoce, que diminui a morbidade e a mortalidade e ao mesmo tempo aumentando a capacidade do paciente de retornar a um estilo de vida produtivo. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR TIPOS DE INSTRUMENTAÇÃO ü Hastes de Harrington: considerada “padrão ouro”. Classicamente fixa três vértebras acima e duas abaixo da lesão. ü Hastes espinhais de ganchos travados (Hastes de Jacobs): mais rígida, mais forte e demonstrou permitir mobilização mais precoce do paciente, tempo mais curto de reabilitação, e mais alta porcentagem de pacientes retornando a um estilo de vida funcional quando comparada à Haste de Harrington. Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR TIPOS DE INSTRUMENTAÇÃO ü Hastes de Cotrel-Dubousset: bastante flexível, principalmente para fraturas torácicas ü Hastes de Luque: não é adequada ao tratamento de fraturas ü Sistemas de parafusos pediculares podem ser divididos em: Sistema de hastes-parafusos (mais versátil) e; Sistema de placas-parafusos Dr. Larsen FRATURAS DA COLUNA TORACOLOMBAR ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA Hospital São Lucas Santa Casa Dr. Larsen