>> Para diminuir as dificuldades no meu
negócio, freqüentei cursos, seminários e
palestras do Sebrae. Agora, a minha
empresa vai pra frente. >>
O conhecimento que os empresários de micro e pequenos negócios precisam está no Sebrae.
Juliana lutou muito para manter a sua loja aberta. Os altos e baixos do mercado influenciam nas vendas e no
faturamento. Por isso, ela foi ao Sebrae em busca de aprimoramento para gerenciar melhor a sua empresa. Foi lá
que conheceu os programas de capacitação. Ela fez cursos, aprendeu muito pela internet e ainda participou de
seminários e palestras. O Sebrae também oferece material técnico, projetos coletivos, assessoria e consultoria,
além de promover feiras e exposições Juliana sabe que, para crescer, todo tipo de informação é importante. Seja em
revistas, jornais, internet e até por programas de rádio e TV. Bem mais preparada, Juliana ganhou um forte aliado
para competir no mercado: o conhecimento.
0800 72 66 500
w w w. s e b r a e . c o m . b r
Editorial
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas é na prática
uma agência de desenvolvimento dos pequenos negócios. Uma de suas
diretrizes estratégicas é ampliar a participação deles no mercado.
Outras atribuições do Sebrae para fortalecer e dar vida longa à pequena
empresa são capacitar, dar orientação empresarial, promover o acesso
à atualização tecnológica e a recursos financeiros. Nada disso valerá a
pena, porém, se depois ela não encontra mercado, se não tem a quem
vender.
É por isso que temos, na nossa estrutura, a Unidade de Acesso a Mercados,
cuja função é de justamente prover o Sistema Sebrae de conhecimento e
soluções, fazer articulação e multiplicar parcerias buscando aumentar o
mercado para os pequenos negócios.
Há várias formas de se fazer isso, como compras governamentais, rodadas de negócios e participação em missões, feiras e exposições. Outro
mecanismo bastante eficaz para expandir mercado à pequena empresa
é incluí-la de maneira sustentável e competitiva em cadeias produtivas,
como fornecedora de grandes compradores.
E N T R E
O S
G R A N D E S
P A U L O O K A M O T T O | Diretor-Presidente do Sebrae
Só para citar um exemplo, estamos atuando com sucesso na cadeia de
petróleo e gás, envolvendo como fornecedores do setor em dez estados
1.500 micro e pequenas empresas que dão emprego a quase 30 mil
brasileiros.
O Sebrae trabalha permanentemente com o conceito de cadeia produtiva
e nessa linha patrocinou, recentemente, em São Paulo, o seminário Grandes Compradores & Pequenos Fornecedores – A responsabilidade empresarial para o desenvolvimento.
Representantes de grandes compradores nacionais e internacionais, estatais e privados, como Petrobras, Vale do Rio Doce, Belgo Mineira, de governos estaduais e prefeituras, de um lado, e pequenas empresas do país
inteiro, de outro, se reuniram para elaborar uma agenda de trabalho.
O objetivo central é estabelecer condições para que os pequenos se tornem fornecedores dos grandes com qualidade e prazo. Ganham as pequenas empresas, ganham as grandes empresas, ganha sobretudo o Brasil,
com mais emprego e renda a partir das cadeias produtivas.
“Grandes Compradores
& Pequenos Fornecedores
– A responsabilidade
empresarial para o
desenvolvimento, foi
o primeiro passo.”
Sumário
10
As micro e pequenas
empresas representam
20% do PIB. São
5 milhões e 100 mil e
empregam 57% da força
de trabalho que atua no
setor formal urbano.
16
Geração de cerca de
790 mil empregos por
ano com a possível
participação de micro
e pequenas empresas
como fornecedores nas
compras públicas.
20
900 famílias do Piauí
que exportam mel
para os Estados Unidos
e Europa.
Avanços no acesso a
novos mercados para
as micro e pequenas
empresas, a Lei Geral dos
pequenos fornecedores.
26
Empregando quase
30 mil funcionários,
o Prominp reúne mais
de 1.400 micro e
pequenas empresas.
Uma parceria para um
país mais justo – Grandes
Compradores e Pequenos
Fornecedores.
Expediente
36
42
Presidente do Conselho
Deliberativo Nacional
Armando de Queiroz Monteiro Neto
Diretor-Presidente
Paulo Tarciso Okamotto
Diretor Técnico
Edição
Paula Menna Barreto
(MTb DF2434)
Projeto Gráfico, Diagramação e Ilustrações
Compográfica
Tiragem
Luiz Carlos Barboza
5.000 exemplares
Diretor de Administração e Finanças
Fotolito e Impressão
César Acosta Rech
Gerente da Unidade de
Acesso a Mercados
Raissa Rossiter
Equipe Técnica
Luis Augusto Castro Pacheco
Robson José de Carvalho Schmidt
Reportagem
Paula Menna Barreto
Luciana Vasconcelos
Corgraf
PEQUENOS FORNECEDORES
GR ANDES COM PRADORES
&
Relações entre grandes
e pequenas empresas:
fator de competitividade
nas cadeias produtivas
8
Luiz Carlos Barboza *
“As micro e pequenas
empresas, urbanas e
rurais, são hoje um
exército de 20 milhões
de negócios e
para 2010 a expectativa
é que estejam
participando efetivamente
do desenvolvimento
do país.”
A responsabilidade social das grandes corporações e das micro e pequenas
empresas deve ser a da sustentabilidade.
Por força do mercado e não apenas do
ponto de vista da simples ação social.
As micro e pequenas empresas, pela
sua relevância econômica e social, se
credenciam, cada vez mais, como importante foco estratégico para o desenvolvimento sustentável dos negócios e
da sociedade. Assim, é possível exercer
a responsabilidade social em micro e
pequenas empresas e obter resultados
expressivos nos mais diversos setores e,
principalmente para as cadeias produtivas de valor.
Para 2010 a expectativa é que as micro e pequenas empresas estejam participando efetivamente do desenvolvimento
do país, atuando em um ambiente favorável, com alto índice de formalização,
competitividade e sustentabilidade. A
recente aprovação da Lei Geral cria este
ambiente favorável, com maior justiça,
possibilitando um alto índice de formalização.
As micro e pequenas empresas, urbanas e rurais, são hoje um exército de 20
milhões de negócios, mas a mortalidade
ainda é alta e diz respeito à sustentabilidade dessas empresas. O Sebrae estimula
e participa de várias ações para colaborar
com a redução deste índice. Uma parte é
a Lei Geral, a outra parte é a preparação
das empresas.
Nesse contexto, o relacionamento
entre as grandes corporações e os pequenos empreendimentos pode contribuir de
forma decisiva para o desenvolvimento
sustentável. São cerca de 500 mil novos
negócios formais sendo criados por ano
no Brasil, o mesmo número dos negócios
nos Estados Unidos. E quando se conseguir diminuir a mortalidade, muito mais
pequenos negócios existirão, gerando
renda de forma distribuída.
Assim, as grandes corporações, que
têm papel importante na sociedade para
geração e distribuição de riqueza, têm
também o desafio de desenvolver uma
visão ampliada do conceito de responsabilidade social, passando do conceito
de ação social para o de responsabilidade
social e empresarial.
O Estado e as grandes corporações
têm um grande poder de compra que
pode ser usado como indutor de desenvolvimento das micro e pequenas empre-
9
PEQUENOS FORNEC EDOR E S
* Luiz Carlos Barboza é Diretor
Técnico do Sebrae Nacional
&
quenos negócios. Na última Rodada de
Negócios do setor, na Rio Oil & Gás, no
Rio de Janeiro, em setembro de 2006,
foram realizados mais de R$ 100 milhões
entre pequenas e grandes empresas. Isso
mostra que a pequena empresa tem condições de competitividade em qualquer
setor desde que esteja preparada para o
mercado.
Outra ação, a metodologia da Gestão Estratégica Orientada para Resultados (Geor), foi desenvolvida para
dar transparência, legitimidade aos
projetos e seus resultados, facilitando
a integração de ações e concentração
de esforços, conferindo objetividade e
precisão às parcerias dos vários agentes
envolvidos.
Atualmente estão na metodologia
Geor 987 projetos em todo o Brasil, envolvendo cerca de 200 mil empresas e
que representam 70% dos recursos aplicados pelo Sebrae. Isso significa mais
recursos e mais apoio para que as micro
e pequenas empresas se tornem mais
competitivas.
GRANDES COMPRADORES
sas. E é importante o uso desse poder
de compra para alavancar boas práticas,
novos modelos de gestão. Alguns países
já adotam o uso do poder de compra pelo
Estado para beneficiar as micro e pequenas empresas. Nos Estados Unidos, por
exemplo, por força de lei federal, as compras até US$ 100 mil devem ser feitas de
pequenos negócios. É possível garantir
crescimento econômico, gerar emprego
e renda e reduzir a pobreza, induzindo a
um novo ciclo de desenvolvimento justo,
equilibrado, inclusivo e sustentável.
Segundo dados do governo federal,
o Brasil gasta com contratações públicas cerca de R$ 30,5 bilhões, sendo
que 17% deste valor (R$ 5,5 bilhões)
são com micro e pequenas empresas.
Ainda é pouco comparado com outros
países. Há muito o que fazer, preparar
os compradores do governo, melhorar
os processos burocráticos e informar as
pequenas empresas para serem fornecedores desses governos.
No que se refere às grandes corporações privadas, é preciso ter uma visão
ampliada do conceito de responsabilidade social e empresarial. É importante
pensar a micro e pequena empresa como
foco estratégico para o desenvolvimento
sustentável dos negócios e da sociedade
e inseri-las nas cadeias de valor competitivas, criando condições para que
possam competir, como acesso a crédito,
tecnologia, informação.
Um convênio entre o Sebrae e a
Petrobras, por exemplo, mostra como é
possível uma grande corporação inserir
os pequenos fornecedores em seu sistema de produção. O convênio já capacitou mais de 1,4 mil empresas para serem
fornecedoras da Petrobras, envolvendo
cerca de 30 mil funcionários desses pe-
“O relacionamento entre
as grandes corporações
e os pequenos
empreendimentos
pode contribuir de
forma decisiva para
o desenvolvimento
sustentável. São cerca
de 500 mil novos
negócios sendo criados
por ano no Brasil.”
A responsabilidade empresarial para o desenvolvimento
PEQUENOS FORNECEDORES
&
10
GR ANDES COM PRADORES
I Seminário
Grandes Compradores
& Pequenos Fornecedores
“As micro e pequenas empresas representam
99% do mercado brasileiro e 20% do PIB.
Elas empregam 57% da mão-de-obra e são
fundamentais para a estabilidade social do país.”
11
Fornecedores – A responsabilidade empresarial para o desenvolvimento.
O encontro apresentou resultado
imediato quanto à sensibilização dos
grandes compradores para com os pequenos fornecedores. E despertou em
todos os participantes a necessidade de
adequação aos processos de compra e
investimentos na área.
Para o superintendente do Sebrae SP,
José Luis Ricca, o desafio da atualidade
é vender, colocar produtos no mercado
com qualidade e competitividade. E, segundo ele, tudo que se refere a acesso
a mercados é fundamental para qualquer
empresa. “As micro e pequenas empresas
micro e pequenos negócios são essenciais para a cadeia produtiva nacional e
entende que elas são um elo fundamental na corrente de sustentabilidade. ”Não
existe possibilidade de bons negócios em
um país deteriorado. Ser micro neste país
é optar por uma vida turbulenta, heróica.
Uma estratégia competitiva pode evitar
muitos dissabores, como, por exemplo, a
informalidade. É preciso mudar o cenário,
reduzir o cipoal de impostos e ações hostis, desprezo e sabotagem dos próprios
consumidores. É preciso dar aos micro
e pequenos fornecedores condições de
igualdade de competir junto a grandes
empresas e concorrentes”, observou.
dade. Além disso, a falta de um rigoroso
sistema de controle de qualidade e um
pós-venda eficiente. Os grandes compradores avaliam ainda que, na tentativa de
adequação às suas exigências, o pequeno fornecedor acaba transformando-se
em um “especialista” em determinado
produto e/ou serviço, sem permitir a
expansão e maturidade do próprio negócio, criando assim a pior e mais temida
dependência.
Para o Sebrae, é possível para grandes empresas fazer um trabalho de responsabilidade social empresarial com a
inserção de micro e pequenas empresas
na sua cadeia de fornecimento, condu-
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
O seminário abordou a inserção de
micro e pequenos na cadeia de fornecimento. Para as MPE, os conhecidos
empecilhos, a burocracia, a impraticável
carga tributária, o escasso e quase sempre inexistente capital de giro, as limitações tecnológicas e de pessoal, são os
principais problemas.
Já para os grandes compradores, tanto públicos quanto privados, uma questão levada em consideração para comprar
de pequenos fornecedores diz respeito às
dificuldades em cumprir prazos e quanti-
&
representam 99% do mercado brasileiro
e 20% do PIB. Elas empregam 57% da
mão-de-obra e são fundamentais para a
estabilidade social do país”, salientou.
José Ricca ressaltou ainda que o seminário serviu para construir caminhos e
para poder oferecer e aproximar as grandes empresas das pequenas empresas.
“Vai ter um número enorme de fornecedores cada vez mais desenvolvido e com
qualidade”, garante.
O presidente do Instituto Ethos,
Ricardo Young, também avaliou que os
GRANDES COMPRADORES
A Unidade de Acesso a Mercados
(UAM), com o apoio da Unidade de Políticas Públicas (UPP), do Serviço Brasileiro
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae), em parceria com o Instituto
Ethos, a Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social (Fides), a Associação Brasileira de Franchising (ABF),
a Associação Franquias Solidárias (Afras)
e a Associação Brasileira de Comunicação
Empresarial (Aberje), realizou, em agosto
de 2006, na capital paulista, o I Seminário Grandes Compradores & Pequenos
PEQUENOS FORNECEDORES
&
GR ANDES COM PRADORES
12
zindo e promovendo o desenvolvimento local.
André Friedhein, da Associação Brasileira de Franchising (ABF), que congrega
empresas franqueadoras, franqueados e
fornecedores do sistema de franchising,
um sistema que cresceu e vem crescendo
durante os últimos anos no Brasil, ressaltou durante o Seminário que a ABF é tipicamente composta por micro e pequenas
empresas. “Representamos uma série de
rede de franquias, formamos uma rede de
negócios, e essa rede de negócios é ativa
ando em algumas linhas interessantes.
Uma é a adesão à lei do aprendiz, proposta pelo governo federal. Entendendo
que a micro empresa não passa pelo
regime de cotas, exigido pelo governo,
mas pode dar essa contribuição para a
sociedade”, relatou.
Para Alberto Perazzo, da Fundação
Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social (Fides), o objetivo do
encontro deve ser também o estabelecimento de um diálogo real, duradouro,
prático entre grande e pequena empresa
Loreni Fracasso Foresti, diretora do
Departamento de Logística e Serviços
Gerais do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão (MPOG), acredita
que a iniciativa do I Seminário tenha
sido importante. “O Ministério do Planejamento já tem parceria com o Sebrae
desde 2003, quando começamos a preparar o projeto da lei geral de micro e
pequenas empresas, e agora teremos um
novo acordo de cooperação”, contou.
O projeto visa à capacitação de compradores governamentais para comprar
“O primeiro passo para promover a interação entre grandes e pequenas empresas foi
dado com a realização do I Seminário Grandes Compradores & Pequenos Fornecedores.”
no mercado, ela sempre está comprando
e promovendo o sistema de franquias no
Brasil”, disse, lembrando ainda que estava pronto para fazer novas parcerias com
o sistema de franquias.
A Associação Franquia Solidária
(Afras) foi representada por Cláudio Tiegui no I Seminário Grandes Compradores
& Pequenos Fornecedores, que lembrou
que a Afras congrega dentro do sistema
de franchising cerca de 50 marcas que
investem e se concentram de uma forma
um pouco mais expressiva. “Estamos atu-
e a geração de trabalho. “Este diálogo
entre pequeno, grande cliente e fornecedor, é um elemento de base fundamental para permitir essa geração de
trabalho”, disse.
Representando a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje),
Gilberto Galan disse que o tema compradores e fornecedores é responsabilidade
social. “Responsabilidade social, principalmente, é um processo de diálogo.
Questão de fornecedores e compradores
é um processo de diálogo”.
de pequenas e microempresas, com o Sebrae capacitando os fornecedores para os
governos, principalmente para o governo
federal que no ano passado comprou R$
21 bilhões, segundo Loreni Foresti. De
acordo com a diretora, essa é uma grande possibilidade de inserir os pequenos
e micronegócios nas compras governamentais.
Para Cândida Maria Cervieri, diretora do Departamento de Micro, Médias
e Pequenas Empresas, do Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio
13
MICRO E PEQUENAS EMPRESAS EM NÚMEROS
5 milhões de empresas formais (99% das empresas formais)
e 10 milhões de informais
Ainda no setor formal, as micro e pequenas empresas
empregam 57% da força de trabalho que atua no
setor formal urbano (excluindo os empregados governamentais)
No meio rural, as micro e pequenas empresas representam
4,1 milhões de proprietários familiares
26% da massa salarial
20% do PIB
17% do fornecimento para governos
2% das exportações
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
de promover a interação entre grandes e
pequenas empresas foi dado com a realização do I Seminário Grandes Compradores & Pequenos Fornecedores. E com os
projetos que já foram implementados. “A
proposta é mobilizar todas as entidades
parceiras e o setor empresarial em torno
de um projeto que alargue a política já
adotada por algumas grandes empresas
de incluir o acesso das pequenas empresas às compras que realizam, dentro de
um projeto de responsabilidade social”,
assinalou Raissa.
&
emprego e renda, agregação de valor e
redução das igualdades sociais no país.
Destacou ainda o desenvolvimento com
sustentabilidade e inclusão social. “Este
é um Brasil que nós temos que construir,
este é um Brasil que juntos começamos
a tratar políticas públicas, com programas concretos, com metas e com resultados.”
A gerente da Unidade de Acesso a
Mercados do Sebrae Nacional, Raissa
Rossiter, acredita que o primeiro passo
para que fossem definidas ações capazes
GRANDES COMPRADORES
Exterior (MDIC), o acesso das micro e pequenas empresas ao sistema de compras
corporativos e de governo foi um tema
essencialmente oportuno, porque mostra
a importância do setor. “São 5 milhões
e 100 mil micro e pequenas empresas
na formalidade e mais 10 milhões na informalidade. Sem falarmos de mais de 9
milhões de artesãos no país, e praticamente todos na informalidade”, disse.
A diretora lembrou questões como
ética, transparência, responsabilidade
social, acesso aos mercados, geração de
Micro e pequenas empresas de todo o país poderão ampliar sua
participação de negócios de R$ 260 bilhões com governos
PEQUENOS FORNECEDORES
14
GR ANDES COM PRADORES
&
Compras Governamentais
Crescer no mercado do poder público
é fundamental, porque apesar de quase
todas as 5 milhões de empresas formais
no Brasil serem hoje micro e pequenas
empresas, a participação no volume de
compras governamentais, nas três instâncias de administrações públicas é
inferior a 20%.
As micro e pequenas empresas de
todo o país poderão ampliar sua participação no mercado de compras governamentais, estimado em R$ 260 bilhões,
segundo o Sebrae. O objetivo é que, den-
tro de dois anos, as pequenas empresas
possam participar em 32% das compras
públicas, um aumento de 15% contra os
17% atuais.
Para isso, uma parceria entre o Sebrae
e o Ministério do Planejamento, prevê a
capacitação de 10 mil fornecedores do
segmento e de 500 funcionários públicos
responsáveis pelas operações de compra
de produtos e serviços do governo federal, avaliado em mais de R$ 20 bilhões.
Os empresários de micro e pequenos
negócios receberão orientações sobre
como participar do processo de compras governamentais, especialmente por
meio de pregão eletrônico, considerado
mais econômico, menos burocrático e
que oferece maior possibilidade de participação de todos os perfis de fornecedores.
Estudo realizado pela Unidade de
Políticas Públicas do Sebrae, em parceria com o Ministério do Planejamento,
projeta que há possibilidade de geração
de cerca de 790 mil empregos por ano
caso a participação das micro e pequenas
15
“O objetivo é em dois
anos aumentar para 32%
a participação de micro e
pequenas empresas em
compras públicas.”
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
Há três anos Solange Vale do Castro,
proprietária de pequena empresa de
Manaus (AM), começou a vender para
alguns órgãos do governo. Forneceu
embalagens, como sacolas de papel,
para o Corpo de Bombeiros e para a
Manaustur, agência de turismo ligada à
administração municipal. Ela conta que
passou a vender para o governo depois
que aumentou a organização da empresa. “Eles exigem muito. Então passamos
a nos organizar mesmo”.
A empresária também contou com
o apoio do Sebrae, participou de atividades de consultoria e cursos voltados
para gerenciamento, produção e atendimento de qualidade e produção mais
limpa. Solange diz que na sua empresa
a venda para o governo não é alta, e
que gostaria de expandir as vendas. No
entanto, ela reclama que o pagamento
feito por órgãos públicos muitas vezes
demora, o que pode prejudicar o negócio. “Não temos como nos programar. É
difícil ter de ficar esperando o dinheiro”, observa.
A Infraero é um dos órgãos governamentais que compra de micro e pequenas
empresas. A maior parte da compra feita
pela Infraero é de material de consumo,
micro e pequenas empresas que vendem
e depois não são mais encontradas, fecharam as portas.
Costa conta ainda que há muitas
micro e pequenas empresas que prestam
um serviço de boa qualidade para a Infraero.
De acordo com o superintendente
da Infraero, a quantidade de micro e
pequenas empresas fornecedoras para a
Infraero é grande. No entanto, relata que
quando a demanda é alta, como a construção de um terminal em um aeroporto,
por exemplo, uma companhia maior é
contratada. Nesse caso, a pequena tem
dificuldade em competir.
Durante o I Seminário Grandes Compradores & Pequenos Fornecedores – A
responsabilidade empresarial para o desenvolvimento, realizado em São Paulo,
em agosto, as micro e pequenas empresas
com experiência em vendas para grandes
compradores públicos e/ou de economia
mista, sugeriram que haja maior agilidade nos processos administrativos e que
os contratos sejam divididos, gerando
desenvolvimento local.
&
COMPRAR E VENDER
PARA GOVERNOS
como caneta, papel e lápis. Álvaro Luiz
Miranda Costa, superintendente de Administração Geral da Infraero, afirma que
na Infraero os pagamentos são feitos na
data prevista.
Entretanto, ao negociar com um empresário de pequeno negócio, o superintendente da Infraero aponta como uma
das dificuldades a garantia da pós-venda. Segundo ele, esse é um dos motivos
para as exigências nos contratos serem
rigorosas. “Decorre da necessidade de ter
garantia da pós-venda”, alega. Segundo
Álvaro Costa, existem muitos casos de
GRANDES COMPRADORES
empresas nas compras públicas ampliem
dos atuais 17% para 32%.
Atualmente, segundo dados do Ministério do Planejamento, dos processos
de compras homologados pelo governo
federal, 67% são relativos às micro e
pequenas empresas. No entanto, a participação no valor monetário das compras
da União cai para 28%, conforme registrado em 2005.
Manaus aperfeiçoou seus métodos e aumentou o percentual de micro
e pequenas empresas como fornecedoras para empresas públicas
PEQUENOS FORNECEDORES
&
16
GR ANDES COM PRADORES
Melhorar processos de compra
pública é uma decisão política
“Micro e pequenas
empresas representam
32% das compras
governamentais na
capital amazônica.”
Situada no meio da selva amazônica, com extraordinário estoque de recursos naturais e mais de 1 milhão e meio de habitantes, uma população concentrada, Manaus
tem um parque industrial apenas de montagens, segundo a secretária de Planejamento
e Administração da Prefeitura, Rita Suely Bacuri de Queiroz. Sem indústrias pesadas, a
cidade mostra que a modernidade das mais de 600 empresas pode conviver harmoniosamente com a paisagem local.
E apresenta um dado invejável de participação de micro e pequenas empresas em
processos de compras governamentais. Elas representam 32% nos processos de compras da capital amazônica contra a média nacional de 17%, segundo dados do Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Isso, segundo Rita de
Queiroz, graças à implantação de um modelo de pregão presencial para a contratação
de serviços e compra de materiais.
17
GRANDES COMPRADORES
&
processo depois simplificado para aquisição de produtos”, explica.
De acordo com a secretária, com a
instalação do pregão presencial foi possível mudar a antiga lógica da licitação e
também acabar com o modelo que estava
vigente. “Tinham empresas que vendiam
da seringa ao pneu. Parece brincadeira, mas é exatamente isso”, conta. Ela
explica que, como uma mesma empresa
vendia praticamente todos os tipos de
produtos e as licitações eram por lotes,
as empresas ganhavam a licitação e tinham a hegemonia no mercado. “Eles
terceirizavam. Ganhavam a licitação,
compravam pães da cooperativa de pães,
por exemplo, que nunca conseguiu participar, a um valor de 11 centavos e vendiam para o município a 21 centavos”,
conta. “No segundo pregão realizado, a
cooperativa ganhou e conseguimos comprar o pão por 18 centavos. Então veja
bem, é relação ganha-ganha”.
Para a secretária de Planejamento da
Prefeitura de Manaus, é aí que entra a
decisão política do município. Ela diz que
foi a resolução de eliminar um formato
de licitação viciada e da vontade de dar
oportunidade de participação às micro e
pequenas, de onde vem o sucesso do modelo de Manaus. “O modelo é exatamente
esse: no item a item, não importa se daí
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
Com 70% da população do Amazonas concentrada em Manaus, a cidade
tem um desafio significativo. Considerando a administração da cidade com
foco no desenvolvimento municipal,
Rita de Queiroz diz que a cidadania e
inclusão social, desenvolvimento urbano e o desenvolvimento econômico
sustentável, além de gestão pública,
estratégica, moderna e participativa,
são os principais objetivos da prefeitura
da cidade.
Defensora da vontade política como
alicerce para o desenvolvimento econômico, a secretária de Planejamento
conta que a experiência das compras
governamentais da prefeitura começou
ainda como promessa de campanha. “Era
prioridade dar oportunidade para as micro e pequenas empresas participarem do
processo de compras governamentais”,
diz. “Houve um empenho na perspectiva
de comprometer a gestão com as micro e
pequenas empresas”.
Um ponto-chave era inicialmente a
estratégia de democratização e licitação,
segundo Rita de Queiroz. Para ela, existia
um problema de falta de transparência
nos processos, que ela atribui a distância
e à permanência de grupos políticos por
muito tempo no poder. “Foi instituído o
pregão presencial, imediatamente, e um
PEQUENOS FORNECEDORES
&
GR ANDES COM PRADORES
18
“O sucesso do modelo
de Manaus decorreu
de uma decisão
política, da vontade de
dar oportunidade de
participação às micro e
pequenas empresas.”
vai decorrer em 100 contratos, não importa”, relata Rita de Queiroz.
Segundo ela, a instituição do processo simplificado para aquisição de bens
de entrega imediata em qualquer modalidade licitatória, independentemente do
valor e dos pregões feitos item a item,
viabilizaram a participação de pequenos
fornecedores. Além disso, foi reduzida
significativamente a quantidade de documentos a serem apresentados pelas
micro e pequenas empresas.
Rita de Queiroz relata que há, em Manaus, uma preocupação em sensibilizar
integrantes das comissões permanentes
de licitações responsáveis pela elaboração dos editais. “E aí há um investimento do Sebrae, que também é parceiro, e
é responsável direto pela formação dos
pregoeiros, para acompanhar”, conta.
“São turmas formadas sistematicamente,
sem vícios, vão aprender tudo, estamos
criando uma nova mentalidade no trato
da coisa pública.”
A secretária de Planejamento da
Prefeitura de Manaus explica que não
especificamente só em processos de licitação, mas em ganhos reais para a
Prefeitura, em 2005, conseguiu-se economizar R$ 52 milhões, revendo contratos e realizando pregões. Rita de
Queiroz conta ainda sobre o processo
simplificado para aquisição por meio de
licitações. “Foi encontrada uma brecha
na 8.666, que “A documentação poderá ser dispensada nos fornecimentos
de bens para pronta entrega até 30
dias”, isso favorece muito as micro”,
revela. “Toda aquela burocracia que é
impeditiva para que a micro possa participar”.
Isso revela um pouco o caso de sucesso de Manaus, segundo Rita Suely
de Queiroz. “Orgulha-nos ter conseguido alcançar um índice de 32% no ano
passado com as nossas compras governamentais de micro e pequenas empresas”, lembra. “É um percentual muito
satisfatório.”
Para o diretor superintendente do
Sebrae Amazonas, José Carlos Reston,
os números positivos de Manaus se dão
principalmente pelo envolvimento da
prefeitura da cidade. “É uma grande conquista alcançada e se deve pela grande
participação da prefeitura”, diz. José
Carlos Reston explica que com a mudança
na legislação, as licitações sendo feitas
por itens e não de forma globalizada e
pelo menor preço, o segmento da micro e
pequena empresa têm hoje a forma mais
adequada de participar dos negócios com
grandes compradores.
A Prefeitura de Manaus já realizou
54 pregões em 2006, garante a secretária. O valor estimado de itens licitados
19
• Art. 32 § 1º da Lei 8.666/93 (...) A documentação poderá ser dispensada nos
&
fornecimentos de bens para pronta-entrega (até 30 dias).
de documentos exigidos.
• Dispensa na assinatura do contrato. Por quê? Livre do pagamento do extrato e da garantia.
foi de R$ 41 milhões, e o valor licitado
global de R$ 30 milhões. Uma economia
aos cofres públicos de R$ 10 milhões já
este ano.
Entretanto, a secretária faz um comentário sobre o quadro encontrado
atualmente com relação às micro e pequenas empresas. Para Rita de Queiroz,
diferentemente de 2005, hoje, as micro e
pequenas empresas estão se afastando.
“Estão voltando aquelas grandes empresas que antes ganhavam todas”, revela.
A secretária faz então um apelo ao Sebrae e a todos os empresários de micro
e pequenos negócios que não deixem
de participar de processos de licitação.
“Não deixem de participar, porque existe essa história de carta marcada. Outra
coisa importante é a documentação. Às
vezes, é doloroso para nós termos de excluir uma micro ou uma pequena empresa por conta da documentação não estar
correta.”
Segundo a secretária de Planejamento da Prefeitura de Manaus, trabalhar com o desenvolvimento de micro e
pequenos “é apaixonante”. Ela acredita
que o compromisso hoje com a micro
significa um compromisso cidadão com
o desenvolvimento do Brasil, que é um
compromisso de todos.
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
• Instituição do Decreto nº 7.885, 04/05/2005 (Fornecimento de pronta-entrega).
• Nas compras com entrega imediata (até 30 dias) e integral há considerável redução do número
Fonte: Diário Oficial de Manaus – Janeiro a Junho de 2005.
GRANDES COMPRADORES
Processo simplificado para aquisições por meio de licitações
PEQUENOS FORNECEDORES
Como uma associação de produtores de mel exporta para os Estados Unidos
20
GR ANDES COM PRADORES
&
Mel produzido no Piauí
ultrapassa fronteiras
No semi-árido nordestino um grupo
de pequenos produtores de mel está de
olho no mercado externo. É a Associação
de Apicultores da Microrregião de Simplício Mendes (AAPI), no Piauí, que já vendeu mel para Estados Unidos e Europa.
“Temos o melhor mel do Brasil”, afirma
com orgulho Dionísio Moura, um dos responsáveis pela administração da associação. A AAPI conta com 930 famílias em
29 comunidades rurais e assentamentos
espalhados pela Microrregião de Simplício Mendes.
Os agricultores começaram a trabalhar com a produção de mel há 15 anos.
Na época, a Diocese de Oeiras-Floriano
deu o impulso inicial para a atividade em
três comunidades de Simplício Mendes.
O resultado não poderia ter sido melhor
e despertou a atenção para o potencial
apícola da região. Em dezembro de 1994
foi criada a Associação de Apicultores
para facilitar a comercialização do produto e evitar atravessadores que ofereciam
um preço insignificante pelo mel. Desde
então, várias ações foram desenvolvidas
para profissionalizar o trabalho e expandir a venda dos pequenos produtores.
Nas comunidades foram construídas
“Casas de Mel” para o beneficiamento
do produto e um entreposto onde o produto é processado e vendido. Hoje, cada
uma das famílias da AAPI tem em média 10 colméias. O mel colhido garante
renda extra às famílias que trabalham
na agricultura e na criação de pequenos
animais.
O Sebrae apóia a iniciativa oferecendo capacitação gerencial e tecnológica,
21
O Piauí ocupa o 6º lugar entre os maiores exportadores de mel do país, fican-
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
LABORATÓRIO MÓVEL
do atrás de São Paulo, Santa Catarina,
Rio Grande do Sul, Ceará e Paraná. O
Sebrae apóia diversas ações no estado de desenvolvimento da apicultura.
Conta com o projeto Apis Arararipe, na
microrregião de Picos; com o Projeto
Serra da Capivara, na microrregião de
São Raimundo Nonato e no litoral do
estado.
Uma das ações do Sebrae, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Federação
das Entidades (Feapi), foi a aquisição do
primeiro laboratório móvel do país para
atender os apicultores, realizando análise do mel e capacitação no Piauí.
Outra iniciativa do Sebrae será a instalação, ainda este ano, da Casa Apis,
uma Central de Cooperativas do SemiÁrido Brasileiro, com sede em Picos, a
306 km ao sul de Teresina. “Hoje, todas
as comunidades preservam a produção
de mel de qualidade”, diz Francisco Holanda, gerente de carteira de projetos da
Apicultura do Sebrae do Piauí.
&
Dionísio Moura, conta que, com o
mel, muitos produtores da região conseguiram progredir e adquirir bens como
geladeira e televisão. Além disso, o
comércio local também foi impulsionado. Ele diz que há agricultor que, com
a renda do mel, está deixando de lado
o cavalo como meio de transporte e começando a usar a moto. “Começa com
cavalo e logo vai indo para a moto”, diz.
Além disso, é possível perceber redução
no êxodo rural, por ser uma atividade
que atrai jovens e mulheres.
Um dos segredos do sucesso é o
trabalho em grupo desenvolvido pela
associação. Por exemplo, na época da
colheita, os trabalhadores se reúnem
para fretar carro e ajudar seus vizinhos.
É a “mão-de-obra familiar agregada com
a mão-de-obra da boa vizinhança” que,
segundo Dionísio, faz a diferença.
GRANDES COMPRADORES
além de prospecção de mercado e participação em feiras e eventos. Em 2001, a
associação recebeu o selo de exportação
do Serviço de Inspeção Federal (SIF) do
Ministério da Agricultura e passou a vender pequenas quantidades de mel para a
Itália. Também já exportou cerca de 20
mil quilos de mel para a Alemanha.
Atualmente, a AAPI exporta aproximadamente 80% de sua produção para
os Estados Unidos. Além disso, passou a
comercializar para grandes grupos nacionais, como o Pão de Açúcar. A associação
vende para o grupo sachês de 100 e 200
gramas e bisnagas de 340 gramas. Paulo José da Silva, um dos representantes
da AAPI, diz que, com o mel, o produtor
pode receber por mês até R$ 300,00.
“Para quem antes não tinha trabalho,
passava necessidade, o impacto é grande”, afirma. Ele aproveita para elogiar o
trabalho do Sebrae de apoio à associação. “Se a gente não tivesse recebido a
orientação que recebeu do Sebrae, não
tinha chegado onde chegou.”
A Associação dos Apicultores da
Microrregião de Simplício Mendes também conta com apoio da Agência dos
Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid). Ano passado,
a organização iniciou atividades de
apoio a acesso a mercados externos
em quatro setores: açaí, moda praia,
castanha de caju e mel. E a AAPI foi
um dos quatro escolhidos. Uma das primeiras ações foi o desenvolvimento de
uma análise do setor de mel em nível
mundial, procurando compreender o
mercado, suas tendências, comportamento de oferta e demanda. O objetivo
é estabelecer uma estratégia de longo
prazo que capitalize as vantagens competitivas da associação.
PEQUENOS FORNECEDORES
&
GR ANDES COM PRADORES
22
Entrevista
CÂNDIDA MARIA CERVIERI
Compras
governamentais:
oportunidade
para as micro e
pequenas empresas
Para participar desse mercado, as micro e pequenas empresas
devem estar preparadas
As micro e pequenas empresas têm pela frente uma excelente oportunidade de alavancar seus negócios se tornando fornecedores do governo e de grandes corporações.
Para aumentar a participação das micro e pequenas empresas nesse mercado, várias
ações vêm sendo desenvolvidas pelo governo, associações e entidades de classe. Vender
ao governo requer que o pequeno empresário esteja preparado. É o que observa Cândida
Maria Cervieri, diretora do Departamento de Micro, Pequenas e Médias Empresas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Nesta entrevista, ela ressalta
a importância das micro e pequenas empresas estarem organizadas e capacitadas para a
conquista de um mercado que pode render bons negócios.
Cândida fala sobre o Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno
Porte, também conhecido como Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que foi aprovado na Câmara dos Deputados e tramita no Senado Federal em regime de urgência.
23
Hoje existem 5 milhões e 100 mil micro e pequenas empresas na formalidade e 10 milhões na informalidade.
Como o governo está se preparando
para trazer essas empresas para a formalidade?
Um dos princípios básicos na concepção do Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte é o
da formalização dos micro e pequenos
negócios. Nesse sentido, destacam-se
medidas como a unificação do sistema
de registro de empresa e recolhimento
de tributos, conforme o projeto de criação da Rede Nacional de Simplificação
do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios – Redesim, a ampliação
do setor de serviços no Simples e de
outras atividades intensivas em mãode-obra (empresas de construção civil,
Como o Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte
poderá melhorar as perspectivas para
os pequenos fornecedores?
O Estatuto Nacional é um passo importante e inovador. Porém, não pode ser
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
Qual a maior dificuldade apresentada
pelas micro e pequenas empresas para
participarem desse mercado?
Grande parte dessas empresas não tem
consciência do mercado potencial que
Esse incentivo gerará empregos?
A geração de empregos e a inclusão são
uma decorrência. Na medida em que as
empresas aumentam suas vendas, alcançando novos mercados e expandindo seus negócios, gerarão um volume
maior de receita, lucros e investimentos, com efeito multiplicador sobre o
emprego e a renda.
contabilidade, informática, imobiliárias, escolas de idiomas, etc.), a instituição do Super Simples que engloba
oito tributos (IRPJ, IPI, CSLL, COFINS,
PIS, INSS sobre a folha de pagamentos,
ICMS e ISS) e que permitirá uma redução de até 40% na carga tributária das
empresas nele enquadradas (de 300 a
400 mil), a preferência para as micro
e pequenas empresas nas compras governamentais de até R$ 80 mil. Além
dessas, devem ser citadas, também, a
criação de um Sistema Nacional de Garantias de Crédito, com o objetivo de
facilitar o acesso das micro e pequenas
empresas ao crédito e a outros serviços junto às instituições financeiras, o
estímulo à inovação, os consórcios de
exportação e o acesso a tribunais específicos.
É preciso ressaltar que o governo
vem trabalhando de forma integrada e
consensualizada. As ações, medidas e
programas estão sendo discutidos, compartilhados e construídos com o setor e
a sociedade civil organizada. Um exemplo concreto é a formulação das políticas
no âmbito do Fórum Permanente das
Microempresas e Empresas de Pequeno
Porte e nos seus seis Comitês Temáticos (Racionalização Legal e Burocrática,
Formação e Capacitação Empreendedora,
Investimento e Financiamento, Tecnologia e Inovação, Comércio Exterior e Integração Internacional, e Informação).
&
Como as micro e pequenas empresas
podem ter uma participação maior
nesse mercado de compras governamentais?
Esta resposta está diretamente relacionada à pergunta anterior. É fundamental termos presente que os pequenos
fornecedores precisam conhecer o funcionamento do processo de licitação do
governo e as suas normas regulatórias
e, para tanto, têm que estar organizados e preparados. Outro fator importante é o pequeno fornecedor ter um
produto competitivo e com qualidade,
com escala e preço, fazer uma análise
do mercado e da concorrência e buscar
novas formas de associativismo.
está se abrindo para elas. A maior dificuldade que elas encontrarão, como já
foi dito anteriormente, será de se estruturarem para o processo licitatório e
com isso, também, dominarem as normas regulatórias. Caberá ao governo,
setor privado e associações de classe,
conjuntamente, concentrarem esforços
nessa tarefa de preparação dos empresários do setor, bem como na formulação de ações para sua capacitação.
GRANDES COMPRADORES
É possível que as micro e pequenas
empresas atinjam a participação de
30% nas compras governamentais?
Acredito ser possível chegarmos à participação de 30% das micro e pequenas
empresas nas compras governamentais.
Para isso, é necessário que haja um
planejamento de curto, médio e longo
prazo com definição de metas e ações
envolvendo órgãos de governo, entidades de classe (federações, associações e
confederações de microempresas e empresas de pequeno porte) e em especial
o Sebrae, o Sistema “S” e a sociedade civil organizada. O objetivo comum deverá ser o da preparação dos empresários
para os desafios desse mercado junto ao
governo e às grandes corporações.
PEQUENOS FORNECEDORES
&
GR ANDES COM PRADORES
24
considerado único. Tem de vir agregado
a políticas públicas, parcerias, fortalecimento do associativismo e cooperativismo, bem como de programas de
capacitação e de normas regulatórias.
Por isso, não se pode dizer que ele solucionará todos os problemas das micro e
pequenas empresas deste país. Na verdade, percebe-se uma conscientização
maior da sociedade em relação a elas.
Este é, sem dúvida, um momento muito particular, pois alguns capítulos do
Estatuto Nacional ainda precisarão ser
regulamentados.
Qual outro tipo de ação do governo
para estimular as micro e pequenas
empresas?
O governo vem trabalhando na construção de políticas industriais, de tecnologia e inovação, no aperfeiçoamento das
diretrizes para compras governamentais, em ações de sensibilização e capacitação voltadas aos empresários de
micro e pequenas empresas, no fortalecimento do associativismo, em políticas
educacionais positivas e inclusivas, no
fortalecimento das escolas de ensino
tecnológico, na criação de uma rede de
agentes de desenvolvimento de políticas de compras no âmbito do Ministério
do Planejamento, Orçamento e Gestão,
na participação efetiva dos empresários
na formulação de políticas públicas no
Fórum Permanente das Microempresas e
Empresas de Pequeno Porte.
O Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, através
da Secretaria do Desenvolvimento da
Produção, vem trabalhando 15 Fóruns
de Competitividade Setoriais (têxtil e
confecções, madeira e moveis, gemas
e jóias, da construção civil, transformados plásticos, complexo eletrônico,
biotecnologia, etc.), além do Fórum de
Franquias.
O fortalecimento das associações e
federações de micro e pequenas empresas, também, é uma ação que o governo
vem estimulando. Temos trabalhado no
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior uma política
de desenvolvimento, fortalecimento e
consolidação dos APLs - Arranjos Produtivos Locais. Atualmente, os arranjos
fazem parte do Plano Plurianual e das
ações da Política, Industrial e Tecnológica do governo federal. O objetivo é
promover o desenvolvimento integrado
e aumentar a competitividade das micro
e pequenas empresas que fazem parte
destes conglomerados.
Outras ações têm sido abordadas
como o maior acesso ao crédito e garantias, o extensionismo e cooperativismo, programas de inovação, centrais de
negócios, telecentros de informação e
negócios, programas voltados ao agronegócio e à agricultura familiar, políticas voltadas ao artesão, entre outras.
Esses são apenas alguns exemplos
de ações que o governo vem desenvolvendo.
As Micro e Pequenas Empresas estão
aos poucos conseguindo entrar nesse
mercado de grandes empresas?
Esse é um processo lento e que precisa
ser planejado. Grandes empresas como,
por exemplo, a Petrobras, o Boticário,
a Natura e outras que participaram do
Seminário Grandes Compradores & Pequenos Fornecedores, promovido pelo
Sebrae, com a participação do Institu-
to Ethos, da Fides, ABF, Aberje e Afras,
em São Paulo, são pontos de referência
nesta discussão. Há, também, um aspecto social e econômico a ser levado
em consideração: as micro e pequenas
empresas representam 98% do tecido
produtivo brasileiro e respondem por
cerca de 40% da geração de emprego
e renda. Existe, hoje, uma conscientização por parte da classe empresarial
e econômica deste país da necessidade
de se promover um espaço maior para o
segmento.
Há um mercado à frente das micro e
pequena empresas. Para isso elas precisam...
Estar organizadas, capacitadas e conscientes do momento que vivem. Precisam ter produtos e serviços competitivos, com qualidade, com preços compatíveis com os do mercado em que atuam
e ter escala. Necessitam conhecer a
concorrência, os canais de distribuição
e, principalmente, trabalhar em redes
de cooperação. Mas, infelizmente, neste momento, não conseguem fazer isso
sozinhas. E é neste ponto que entram
os governos, as agências de desenvolvimento, o Sistema “S”, a sociedade civil
organizada, as entidades de classe e
outras instituições, principalmente no
estímulo à capacitação, à gestão e na
preparação de suas empresas.
Por fim, as lideranças precisam ter visão de longo curso e não de cabotagem.
Então, se uma micro e pequena empresa quiser aumentar seu mercado
deve procurar apoio?
Sim. Mas deve ter presente o papel de
cada uma das instituições envolvidas
25
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
As ações dependem apenas do governo?
Algumas ações dependem do governo,
outras dependem da parceria do governo com a iniciativa privada, entidades
de classes, Sebrae, grandes corporações, sistema financeiro. Enfim, com
as instituições que de alguma forma
tenham uma interface com as micro e
pequenas empresas.
Costumo dizer que políticas públicas
se constroem em parceria, respeitando
os papéis institucionais, e que todos,
como cidadãos brasileiros, temos uma
parcela importante na construção dessas proposições.
&
Que ações podem ser destacadas nesse
grupo que está pensando no fortalecimento das políticas públicas voltadas
para compras governamentais das micro e pequenas empresas?
Inicialmente, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior, o Sebrae, associações de classe e entidades civis organizadas.
Vou citar apenas algumas das políticas que estão em construção: o
aperfeiçoamento das diretrizes de
compras governamentais para MPEs, a
identificação de experiências exitosas
como as que foram apresentadas no
Seminário Grandes Compradores & Pequenos Fornecedores, a revisão da Lei
nº 8.666/93, de 21.06.93, que instituiu
normas para as licitações e contratos
da administração pública, incluindo
a modalidade que contemple as compras governamentais para as MPEs, a
instituição de um Grupo de Trabalho
de compras governamentais no Fórum
Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, a divulgação
dos principais benefícios do Estatuto
Nacional das Microempresas e Empresas
de Pequeno Porte, a identificação de
programas de qualificação e desenvolvimento de fornecedores no Brasil para
disseminar as boas práticas de inserção
de MPEs, a elaboração de estudo para
incluir na legislação de licitações pontuação para as empresas que realizarem
subcontratações de micro e pequenas
empresas, bem como articulações nas
diversas esferas públicas para definição
de incentivos fiscais aos compradores
de micro e pequenas empresas.
GRANDES COMPRADORES
com o setor e as suas demandas. Lembrando que o governo, as instituições
de crédito, as agências de desenvolvimento, o Sistema “S” e, em especial,
o Sebrae, entre outros, têm um papel
fundamental junto às MEs e EPPs. Além
disso, possuem programas, projetos e
ações específicas voltadas para o segmento e técnicos preparados.
Que outras diretrizes?
Destaco, também, a sensibilização de
grandes compradores públicos para divisão de lotes regionalizados que oportunizem o desenvolvimento local e a
inserção de micro e pequenas empresas,
o reforço da política de concessão de
crédito, com juros baixos, facilidades
de acesso ao crédito desburocratizado, como os já praticados por algumas
instituições financeiras oficiais, a sensibilização das MPEs para que participem de associações, APLs e consórcios,
como forma de se tornarem potenciais
fornecedoras de grandes empresas e do
governo.
Há várias ações sendo pensadas
e gestadas. Mas, como já manifestado anteriormente, elas precisam
ser planejadas com metas de curto,
médio e longo prazo. O governo tem
uma preocupação muito grande com
este segmento. E essa preocupação
se traduz na proposição de ações
concretas, justas, transparentes e
responsáveis.
PEQUENOS FORNECEDORES
GR ANDES COM PRADORES
&
A Lei Geral dos
pequenos fornecedores
26
Avanços no acesso a novos mercados para as micro
e pequenas empresas
As micro e pequenas empresas têm
agora a garantia de melhores condições
para participar de um mercado de quase
R$ 300 bilhões. É o que assegura o projeto
da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que já passou pela Câmara, deve ser
aprovado pelo Senado e sancionado ainda
este ano pelo presidente da República.
São algumas soluções para que possam ser aperfeiçoadas as diretrizes de
compras governamentais, ampliando de
17% para 32% a participação das micro
e pequenas empresas como fornecedores nesse mercado, o que possibilitaria
a criação de mais de 1 milhão de novos
postos de trabalho direto e 3 milhões indiretos. “Um impacto sistêmico na economia, na sociedade”, diz Bruno Quick,
gerente da Unidade de Políticas Públicas
do Sebrae Nacional.
Para empresários de pequenos negócios
com experiência em vendas para grandes
compradores públicos e/ou de economia
mista, as licitações deveriam ser mais claras e específicas quanto ao detalhamento
do produto e serviço. Segundo André Silva
Spínola, consultor da Unidade de Políticas
Públicas do Sebrae Nacional, se as licitações fossem feitas por itens já permitiria
a participação de micro e pequenas empresas. “Quanto mais produtos agregados ao
lote, menos acesso a pequena empresa tem
para participar da licitação”, diz.
27
Lei Geral aprovada na Câmara
A aprovação na Câmara do projeto de Lei Geral da
Micro e Pequena Empresa é uma importante injeção de
ânimo para os que acreditam no reconhecimento do
trabalho das mais de 10 milhões de micro e pequenas
empresas brasileiras que sobrevivem na informalidade. É
especialmente um ganho para todo o Brasil que poderá,
em 2007, quando a lei for promulgada, ter a formalização
de 13 milhões de trabalhadores do setor que não têm a
carteira de trabalho assinada. A formalização vai beneficiar diretamente a 23 milhões de pessoas e indiretamente
a 69 milhões de brasileiros que dependem das micro e
pequenas empresas. De acordo com o relator do projeto,
deputado Luiz Carlos Hauly, o Brasil prepara o caminho
para um futuro sistema tributário compatível com os melhores sistemas tributários do mundo. “Com essa lei o
Brasil passa a ter uma das mais modernas leis voltadas ao
incentivo das micro e pequenas empresas e à geração de
emprego e renda”. O projeto de Lei Geral deve ser aprovado pelo Senado, podendo ser sancionado ainda esse ano
pelo presidente.
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
No caso de um empate por preço entre
pequena e grande empresa participante
de licitação, será assegurado, como critério de desempate, a preferência de contratação para as micro e pequenas empresas quando o preço oferecido for maior
que a da grande empresa em até 10%.
O conhecido empenho, uma declaração de pagamento referente a compra,
poderá ser descontado na rede bancária,
como um cheque ou duplicata, por exemplo. “Há bons pagadores, mas também
existem muitas prefeituras, órgãos públicos que não pagam em dia e/ou deixam
de pagar”, explica André Spínola. A micro
contrato de publicidade, por exemplo,
desde que não exceda a 30% do total
licitado. “Não o trabalho estratégico,
mas tudo o que a empresa tem de comprar de terceiros poderá ser incluído,
inclusive contará pontos para ganhar o
edital”, diz André Spínola. O consultor
do Sebrae explica que já na proposta,
a micro e pequena empresa incluirá os
itens subcontratados e isso valerá como
ponto positivo para desempate na licitação. Além disso, o licitante poderá pagar
direto ao subcontratado, uma facilidade
significativa, segundo Spínola.
De acordo com o consultor do Sebrae, existem aqui fundamentos sócio-econômicos muito embasados que
justificam comprar da micro e pequena
empresa. A Lei Geral terá abrangência
nas três esferas do poder público. O que
significa ser aplicada no âmbito federal,
estadual, distrital e municipal, trazendo
mais eficácia e resultados concretos para
os pequenos negócios, que passarão a
ser regidos por um sistema legal uniforme, em uma espécie de consolidação de
todo o conjunto de obrigações em único
sistema.
&
DESTAQUES NA LEI GERAL
e a pequena empresa poderá então, após
30 dias do vencimento, receber os valores empenhados, é a emissão da cédula
de crédito microempresarial, prevista na
Lei Geral.
A idéia é que em contratações públicas seja dado um tratamento diferenciado
e simplificado para as micro e pequenas
empresas para promover o desenvolvimento econômico e social no município
e na região. Assim, aumenta-se também
a eficiência das políticas públicas e o incentivo à inovação tecnológica, prevê a
Lei Geral, mas desde que previsto e regulamentado na legislação do respectivo
ente municipal e/ou regional.
Em contratações de até R$ 80 mil
e havendo no mínimo três empresas de
micro e pequenos negócios competindo pela conta, a preferência será dada
às pequenas. De acordo com o Sebrae,
assim, as prefeituras poderão realizar as
licitações com compras de empresas da
própria cidade, o que beneficia a economia local.
Outra questão considerada importante é a possibilidade de subcontratação
nos grandes contratos, como obras ou
GRANDES COMPRADORES
Assim, é importante que a Lei Geral seja regulamentada nos municípios,
estados e governo federal para que, por
exemplo, as certidões negativas exigidas
para as micro e pequenas empresas sejam
apresentadas somente caso elas vençam
a licitação. E, mesmo vencendo, se surgir
algum problema, que seja concedido ao
empresário de micro e pequeno negócio
quatro dias úteis para resolver as pendências.
No Prominp são 1.431 micro e pequenas empresas participando dos
projetos, empresas que empregam praticamente 30 mil funcionários
PEQUENOS FORNECEDORES
&
28
GR ANDES COM PRADORES
Petrobras e Sebrae – parceiros
das micro e pequenas empresas
“São R$ 27 milhões
comprometidos no
programa, incluindo
valores de
51 parceiros, uma
surpresa agradável.”
Há mais de 10 anos o Programa de
Mobilização da Indústria de Petróleo e
Gás Natural (Prominp), uma parceria da
Petrobras e o Sebrae, com a iniciativa do
Ministério de Minas e Energia, promove a
inserção competitiva e sustentável de Micro e Pequenas Empresas (MPEs) na cadeia
produtiva de petróleo, gás e energia.
São R$ 27 milhões comprometidos
no programa, incluindo valores de 51
parceiros. “No início do programa imaginamos conseguir uma adesão em torno
de 3 milhões e hoje tem em termos de
comprometimento em torno de 27 milhões”, conta Marco Aurélio da Rosa Ramos, gerente-executivo de materiais da
Petrobras. “Isso foi uma surpresa muito
agradável, significa que tem mais gente
no mesmo barco que nós”.
Para a gerente da Unidade de Atendimento Coletivo – Indústria, do Sebrae
Nacional, Miriam Zitz, o principal aspecto dessa parceria é a oportunidade dada
para as micro e pequenas empresas de
participar dos negócios. “Para os próximos cinco anos a Petrobras estima que o
mercado movimente U$ 87 bilhões. Um
volume significativo para o desenvolvimento dos micro e pequenos empreendimentos”, diz.
Segundo o gerente da Petrobras,
inicialmente o projeto foi desenvolvido
porque a empresa percebeu que, além
da responsabilidade social, uma lógica
econômica precisava estar presente na
operação da Petrobras nas próprias cidades onde atuava. “A nossa inserção
dentro das comunidades locais não era
só uma questão de uma boa inserção,
muito mais, uma solução mais barata por
conseguir solução local, e solução local
quer dizer micro e pequenas empresas,
locais”, explica.
Rosa Ramos lembra-se do tempo em
que era necessário encontrar uma solução
para o descarte de lâmpadas fluorescentes, que tem um gás que afeta a camada
de ozônio. A Petrobras tinha uma em-
presa em São Paulo que fazia a retirada
do gás, entretanto, mandar as lâmpadas
do Rio Grande do Norte ou Salvador, por
exemplo, não era prático. “No meio do
caminho quebrava a metade, o objetivo
todo se perdia. Então seria ótimo se a
gente tivesse soluções locais”, diz ele.
O gerente-executivo da Petrobras
conta que a percepção dessa realidade
foi tomando corpo dentro da companhia
e as diversas iniciativas que vinham sendo tomadas nas muitas unidades operacionais, se transformaram. “Acabaram
desaguando numa iniciativa de caráter
institucional, onde a corporação Petrobras fez um convênio com o Sebrae, a
nível nacional”, diz. Miriam Zitz explica
que a parceria com a Petrobras é uma
conquista muito grande e importante e
contém um olhar de responsabilidade social. “É como se as empresas estivessem
sendo certificadas, elas ganham em qualidade, aprimoram o processo produtivo”,
diz a gerente.
Segundo Rosa Ramos, a Petrobras tem
atuação em praticamente todos os estados brasileiros, mas cita alguns estados
onde se concentra a atividade industrial
como exemplos dessa parceria. “Na região
da Amazônia tem a refinaria em Manaus e
uma atividade de exploração e produção
29
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
focar no que interessa, no que tem relação
direta com a empresa e onde ela vê como
maior potencial, identificando, portanto,
o que tem na cadeia produtiva. Existe
ainda a parte de capacitação e desenvolvimento, que é a preparação das micro e
pequenas empresas para acessarem esse
mercado específico de óleo e gás. Além
disso, mais adiante no processo, tem as
redes de cooperação. “São as diversas empresas e micro-empresas que se associam
de alguma forma no sentido de prover uma
solução completa que individualmente
não conseguiriam ou até mesmo, às vezes, de suprir demandas que sozinhas não
conseguem”, explica Rosa Ramos.
&
óleo e gás da Petrobras e do país. Além
disso, em São Paulo, tem uma quantidade enorme de refinarias. Como no Rio
Grande do Sul existe a Refap e, no Paraná, a refinaria do Paraná.
De acordo com Marco Aurélio da Rosa
Ramos, gerente de Materiais da Petrobras, não adianta proceder de maneira
desorganizada, o importante nesse processo é ter uma ação estruturada e uma
ação de mobilização, que gere por si só
movimento. “A gente não vai conseguir
conduzir esse processo isoladamente,
esperamos que esse processo inicie, que
possamos ajudar a iniciar e que o próprio
mercado o carregue”, defende.
O convênio tem algumas etapas. Uma
delas é identificar a cadeia produtiva local,
GRANDES COMPRADORES
de gás e óleo. Lá no Ceará tem uma fábrica de lubrificantes, a Luminor”, conta.
Listando os estados brasileiros de
atuação da empresa, o executivo diz que
no Rio Grande do Norte/Ceará também
existe uma área de exploração e produção
de óleo e gás. Assim como na região de
Sergipe/Alagoas tem uma unidade de negócios nessa atividade de exploração de
óleo e gás e na Bahia existe a refinaria e
uma série de outros trabalhos do setor.
Segundo ele é importante citar ainda
Minas Gerais, com a refinaria da Gabriel
Paz; o Espírito Santo também com a exploração e produção de óleo e gás. Sem
mencionar o estado do Rio de Janeiro,
que tem refinaria, centro de pesquisas,
produção e é o maior pólo produtor de
PEQUENOS FORNECEDORES
&
GR ANDES COM PRADORES
30
(*) Expectativa
A articulação em rede é um aspecto importante, segundo o gerente da Petrobras.
Rosa Ramos diz que assim é possível dar
ao empresário de micro e pequena empresa algum poder de fôlego para que assim
possam enfrentar as dificuldades típicas de
quando se trabalha sozinho.
Outra questão, de acordo com Rosa Ramos, é a mobilização de maiores fornecedores com o próprio engajamento das micro e
pequenas empresas como subfornecedores
locais. “É carrear para dentro desse processo outras entidades, outras empresas,
outras corporações que se interessem pelo
assunto, quer dizer, não é intenção da Petrobras fazer uma iniciativa isolada com
o SEBRAE, é ao contrário, gostaríamos de
alavancar isso, porque se está dando resultado conosco, certamente vai dar resultado
com outros também”, defende o gerente.
Para o gerente da Petrobras, devem-se
capacitar as empresas para atender às demandas. Segundo ele, a Petrobras já tem
em seu cadastro 210 micro e pequenas
empresas em condições de integrar a lista de fornecedores qualificados. “Até agora
13% dessas empresas conseguiram êxito
sem muita dificuldade, as outras estão em
processo, precisam se qualificar ainda em
um ponto ou outro, com o tempo a gente
consegue um resultado maior”, espera.
Os números do Prominp impressionam. Várias rodadas de negócios, diagnósticos empresariais, empresas assistidas, cursos de formação e capacitação.
Existem atualmente 1.431 micro e pequenas empresas participando dos projetos
dos convênios. Empresas que empregam
praticamente 30 mil empregados. E, com
a expectativa em termos de negócio que
foram fechados ou que estão sendo fechados em rodadas, na faixa de R$ 93
milhões, segundo a Petrobras.
31
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
presas, como Petrobras, Shell, El Paso
e Halliburton. Na primeira edição, em
2004, foram negociados contratos no
valor de R$ 25 milhões ao longo de todo
o ano.
O evento realizado no Rio de Janeiro
foi organizado pelo Sebrae e a Organização Nacional da Indústria do Petróleo
&
A rodada de negócios realizada na
13ª edição da Rio Oil & Gás nos dias 12
e 13 de setembro pode ser considerada
um sucesso, segundo o Serviço Brasileiro
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae). Foram negociados R$ 100,3
milhões entre 163 micro, pequenas e
médias empresas fornecedoras e 25 em-
(Onip). No total, participaram da rodada
cerca de 200 micro e pequenas empresas,
a maioria do Rio de Janeiro. As demais
vieram dos estados do Rio Grande do Sul,
Minas Gerais, Alagoas, Bahia, Rio Grande
do Norte, Amazonas, Sergipe, Espírito
Santo e São Paulo.
Mais de 800 itens foram ofertados,
desde materiais elétricos, ferramentas
mecânicas e válvulas, até suprimentos
de informática, mobiliário, tintas, confecção de brindes e equipamentos de
proteção individual.
O principal objetivo da realização
de rodadas como essa é aproximar os
pequenos fornecedores dos grandes compradores. As micro e pequenas empresas
ainda atuam timidamente no mercado
de petróleo e gás. Para se ter uma idéia,
em 2005, a Petrobrás realizou US$ 11,4
bilhões em aquisições, mas dos 6 mil fornecedores de seu cadastro, apenas 10%
são micro e pequenas empresas.
As grandes empresas participantes
foram: Petrobras, Transpetro, BR Distribuidora, Shell, El Paso, Ipiranga, Halliburton, Schulumberger, Repsol YPF, Statoil, Maersk, Transocean, Brasil Supply,
Brasken, Chevron, Coester, Hanover, TBG,
Turbomeca, Petroquímica Triunfo, Petrorecôncavo, UTC Engenharia, Metalmec,
Sprink e Altus.
Em entrevista concedida à imprensa
após a rodada, o diretor-superintendente
do Sebrae/ RJ, Sergio Malta, disse que
houve um amadurecimento dos pequenos
fornecedores e que os ofertantes se prepararam para atender às demandas dos
compradores, identificadas previamente
pela organização.
GRANDES COMPRADORES
Rio Oil & Gás 2006
PEQUENOS FORNECEDORES
32
GR ANDES COM PRADORES
&
Do Rio para o Rio
Grandes compradores e pequenos fornecedores
atuando juntos no estado
Uma das dificuldades encontradas
por empresários brasileiros de pequenos
negócios é chegar a grandes corporações para comercializar seu produto. A
atividade que pode parecer complicada
no início vem sendo estimulada pelo
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas (Sebrae) em diversos locais do país.
No Rio de Janeiro, o Sebrae vem
promovendo rodadas de negócio, dentro
do projeto Compra Rio, da Secretaria de
Desenvolvimento do Estado, que conta
com apoio da Federação das Indústrias
do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e
Federação do Comércio do Estado
do Rio de Janeiro (Fecomércio). Um dos
objetivos do programa é fazer com que
empresas cariocas comprem de micro e
pequenas empresas do próprio estado.
Desde o ano passado, o Sebrae já
promoveu cinco rodadas de negócio com
a mesma característica – durante um dia
inteiro, o departamento de compras de
uma grande empresa é colocado em contato direito com micro e pequenos produtores, potenciais fornecedores. Já participaram das rodadas grandes empresas
como, Pão de Açúcar, Wal Mart, Leader
Magazine, além da Universidade Estácio
de Sá e Metrô do Rio. O número de participantes pode variar de acordo com a
demanda da empresa. Em geral, são de
90 a 120 pequenos fornecedores.
Segundo o gerente da área de Acesso a Mercados do Sebrae (RJ), Marcus
Maurell, as rodadas facilitam o acesso
de pequenos fornecedores a grandes
empresas. “Abre portas. É uma forma de
fazer com que a micro e pequena empresa tenha acesso ao mercado de grande
empresa”, afirma. “A grande empresa,
muitas vezes se surpreende quando conhece a pequena empresa, que às vezes
está na mesma rua e ela não conhece,
e pode oferecer produto de qualidade e
no prazo”.
Alceir José Corrêa, empresário de
pequeno negócio, já participou de duas
rodadas de negócios do Sebrae promovidas com grandes empresas. A primeira
experiência não teve êxito, mas ele não
se sentiu desestimulado e, da segunda
vez, um encontro com a rede de lojas Wal
Mart, conseguiu comercializar seu produto - um acendedor de churrasqueira.
“É uma bolinha, pouco menor que uma
jujuba que ajuda a acender o fogo. Dispensa técnicas como pão misturado com
álcool, que é perigoso e nem sempre traz
resultados”, explica.
O produto também é vendido para
hotéis da região serrana do estado e no
Rio Grande do Sul, onde é utilizado, usualmente, em lareiras.
Alceir diz que a parceria com o Wal
Mart está crescendo. A empresa começou a vender para duas lojas do Rio de
Janeiro, e recentemente, em caráter experimental, oferece o produto para uma
filial em São Paulo. Por mês, consegue de
R$ 1,5 mil a R$ 2 mil e espera conseguir
aumentar as vendas e alcançar outras lojas da grande empresa. “Temos um bom
potencial, o produto tem uma imagem
boa. Queremos ir para a Lua”, diz.
Mesmo quando o negócio não é fechado, os pequenos empresários não
desistem. É o caso de André Vidal, que
participou da rodada com a Universidade Estácio de Sá. Segundo ele, não foi
33
GRANDES COMPRADORES
&
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
possível fechar um acordo, mas conta
que não se arrepende de ter participado
e pode ir a outras rodadas. “Tenho interesse”, afirma.
RODADA DE NEGÓCIOS
A próxima rodada de negócios está
marcada para o dia 25 de outubro. Será
com o Mundo Verde. A empresa é uma
grande rede de lojas franqueadas de
produtos naturais que possui mais de
113 lojas em diversas cidades do Brasil.
O Mundo Verde tem 20 segmentos de
produtos, incluindo alimentação natural, produtos orgânicos, suplementos
alimentares, cosmética natural, dietéticos, complementos alimentares, produtos ecológicos, produtos para o bemestar, CDs e livros.
Para participar da rodada de negócio, a micro e pequena empresa deve
estar registrada, assim como o produto
a ser oferecido. O responsável deve levar também uma tabela de preços com
as condições de pagamentos praticados
no mercado.
As inscrições são gratuitas e devem
ser feitas pela internet até o dia 20 de
outubro no site: www.sebraerj.com.br
COMPRA RIO
O projeto “Compra Rio” atua e incentiva
negócios em mais duas frentes. A primeira nas compras efetuadas pela administração pública. Nesse caso, as empresas
do Rio de Janeiro têm isenção de ICMS.
Além disso, o programa estimula o
morador do estado a comprar produtos
fabricados no Rio de Janeiro.
PEQUENOS FORNECEDORES
GR ANDES COM PRADORES
&
Pequenos fornecedores:
o tamanho realmente
importa no mercado?
34
Raissa Rossiter *
“As micro e pequenas
empresas têm apenas
17% de participação no
volume de cerca de R$
260 bilhões de compras
governamentais.”
No esforço de consolidar sua participação em mercados mais diferenciados e complexos, as micro e pequenas
empresas (MPE) necessitam adotar cada
vez mais estratégias orientadas para segmentos específicos para a oferta de seus
produtos e serviços.
As 500 maiores empresas divulgadas
na edição especial da Revista Exame, Maiores e Melhores, de julho de 2006, faturaram
em 2005 cerca de US$ 577 bilhões. O PIB
naquele ano foi de US$ 796.284.000,00
(setecentos e noventa e seis bilhões e duzentos e oitenta e quatro milhões de dólares), segundo relatório do IBGE. Portanto,
esse faturamento representa 72,4% do PIB
brasileiro. Não há estatísticas consolidadas
sobre a participação das pequenas nesses
mercados. Por outro lado, sabe-se que as
MPE têm apenas 17% de participação no
volume de cerca de R$ 260 bilhões das
compras governamentais.
Dentro dessa lógica, fica simples perceber a existência de boas oportunidades de negócios para micro e pequenas
empresas nas cadeias de suprimentos
dos grandes compradores, privados ou
públicos. Com o aumento da competitividade, grandes empresas acabaram
terceirizando alguns de seus processos,
repassando-os, muitas vezes, para os
próprios empregados.
Atualmente, é possível observar
crescente número de empresas de grande
porte no Brasil que começam a desenvolver iniciativas pontuais com o objetivo
de inclusão de pequenos fornecedores em
suas cadeias de suprimento de produtos
e serviços. São, sem dúvida, oportunidades de novos e substantivos mercados
que se abrem para as MPE.
No entanto, as micro e pequenas
empresas que não surgiram a partir de
processos de terceirização carecem ainda de oportunidades para inserção na
cadeia de suprimentos das grandes empresas. Um dos motivos mais fortes que
contribuem para a exclusão das MPE é a
falta de orientações com relação às especificações dos insumos que as grandes
exigem para atender aos seus padrões de
qualidade.
Como forma de suprir essa lacuna,
surgiram os Programas de Qualificação
ou de Desenvolvimento de Fornecedores,
os quais têm estreitado as relações entre
pequenos fornecedores e grandes compradores com vantagens para ambos. O
que se busca é o aumento do volume de
fornecimento das MPE e o atendimento
das especificações exigidas. Além disso,
para os grandes compradores, é fundamental a redução do tempo de produção
e a necessidade de estoques.
35
“O tamanho da empresa
ainda importa, sim, e é
fator restritivo no Brasil
para acesso a mercados de
compras corporativas.”
* Raissa Rossiter é gerente da
Unidade de Acesso a Mercados
do Sebrae Nacional.
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
competitividade das MPE no mercado.
Essas, por sua vez, podem se constituir
no maior reduto de geração de riqueza,
empregos e redução de desigualdades
sociais caso participem de forma mais
permanente e duradoura das compras
governamentais e das grandes empresas. É a partir desse valioso e necessário engajamento de grandes compradores e pequenos fornecedores, apoiados
por programas e políticas públicas adequadas, que poderemos consolidar no
país práticas de negócios éticas, sustentáveis e comercialmente recompensadoras. Bom para os pequenos, bom
para os grandes, ótimo para o desenvolvimento do país.
&
de uma quantidade menor e mais qualificada de fornecedores, garantindo prazos,
preços e quantidades compatíveis com
suas demandas. Por isso, as estratégias
de colaboração horizontal entre pequenos fornecedores são fundamentais
para ajudá-los a criar mecanismos de
organização coletiva de compra e venda, respondendo de forma apropriada às
exigências de grandes clientes públicos
e privados.
Por todas as evidências observadas,
o tamanho da empresa ainda importa,
sim, e é fator restritivo no Brasil para
acesso a mercados de compras corporativas. Ser um fornecedor de pequeno
porte, pelas limitações internas e externas que enfrenta, ainda é uma condição que restringe o acesso a informações, oportunidades, e, o que é mais
decisivo para sua sustentabilidade, aos
negócios existentes em mercados de
compras corporativas. Para resolver
essas questões é que o Sebrae busca
articular esforços com parceiros públicos e privados.
Conscientes desse cenário de muitos desafios para as MPE e, em última
instância, para a economia brasileira
como um todo, pelo grande desequilíbrio entre os grandes e os pequenos
fornecedores, é que o Sebrae e parceiros estarão trabalhando um plano de
ação compartilhado, fruto da sugestão de mais de 100 representantes de
MPE, grandes empresas públicas, de
economia mista, do setor privado e várias entidades de classe. O objetivo é
obter uma participação mais justa do
segmento das empresas de menor porte
nesses mercados.
Sem dúvida, grandes empresas podem atuar como indutoras para a maior
GRANDES COMPRADORES
Esta relação “ganha-ganha” é que
tem possibilitado o crescimento desses
programas, mas ainda de forma incipiente para a necessidade do país em termos
de aumento de competitividade.
Nos países desenvolvidos, há muita
experiência acumulada e diversas corporações públicas e privadas de grande porte já possuem políticas definidas para o
fortalecimento de pequenos fornecedores
nas suas estratégias de compras, como
prática de sistemática de negócios. Nos
Estados Unidos, Japão e Alemanha, por
exemplo, a capacitação tecnológica e de
inovação das micro e pequenas empresas sofrem processos de incentivos das
grandes empresas e do governo, como
forma de se obter ganhos de qualidade,
produtividade e competitividade visando
à inserção dos pequenos em outros blocos econômicos.
No Brasil, estamos caminhando nessa direção, mas ainda há etapas importantes a percorrer. Na ótica das grandes
empresas, apesar do interesse, freqüentemente são citadas dificuldades de comprar dos pequenos, tal como desconhecimento sobre informações fundamentais.
Ou seja, onde estão, quem são e qual a
capacidade de entrega dos potenciais
fornecedores de pequeno porte, em face
da menor capacidade de suprimento e
de uma política de comunicação ainda
tímida e não-dirigida das pequenas junto
aos seus potenciais clientes. Do ponto
de vista da gestão, muitas grandes ainda
não possuem registro de porte de fornecedores em seus cadastros, mas poderão,
como clientes, estruturar mecanismos
mais sistemáticos de relacionamento
com seus pequenos fornecedores.
Outra dificuldade dos grandes é como
compatibilizar a necessidade de compra
PEQUENOS FORNECEDORES
GR ANDES COM PRADORES
&
Grandes compradores,
pequenos fornecedores
36
Uma parceria para um país mais justo – ajustes para
atender às exigências do mercado
“São 1.550 micro,
pequenas e médias
empresas que fornecem
tudo que for necessário
para o desenvolvimento
de uma obra.”
Mercado atrativo. A grande compradora Construtora Norberto Odebrecht,
comprou em 2005 U$ 300 milhões e já
projeta crescimento de 20% para 2007.
A empresa tem projetos de engenharia
em 18 países, principalmente na América
do Sul e África. “Tudo o que a obra precisa e não há no local, compramos por
aqui”, diz Bruno Wegmann, responsável
pelo planejamento estratégico da área de
exportação, o departamento encarregado
das compras, de logística e exportação.
São 1.700 fornecedores que a Odebrecht tem cadastrado atualmente, entre
eles, 1.550 são micro, pequenas e médias
empresas. Os fornecedores da Odebrecht
são principalmente as pequenas e médias empresas. “Fornecem basicamente
produtos alimentícios, de limpeza, vestuário, higiene, para obras, para operários, enfim, tudo o que é necessário para
o desenvolvimento do projeto”, explica
Wegmann.
A Odebrecht faz uma análise do fornecedor, uma pontuação. É um cadastro
de avaliação. “Encontramos ainda problemas principalmente com relação a
cumprimento de prazos e embalagem”,
37
Há 15 anos a Instaladora Tocantins trabalha com materiais elétricos e presta
serviços na área. Hoje são apenas oito
funcionários em uma empresa que já
chegou a ter 20 empregados e faturou
R$ 1,5 milhão por ano. “Os anos de 2004
e 2005 foram os melhores, quando trabalhava com grandes compradores”, diz
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
O PEQUENO
FORNECEDOR
&
não acredita que vá aumentar o número de fornecedores de micro e pequenas
empresas, principalmente por conta
das compras em grande escala e em
função do perfil de compra da própria
Odebrecht. “Acabamos direcionando
para os grandes fornecedores, somente compras pulverizadas vão para os
micro e pequenos empresários”, relata
Wegmann.
GRANDES COMPRADORES
diz Bruno Wegmann. Como o material
comprado pela empresa será exportado
para os locais das obras, é importante
que a embalagem seja adequada senão a
Odebrecht precisa embalar novamente.
A empresa está implantando a cotação online. Com o novo sistema a Odebrecht espera agilizar o trabalho de compras. “Ainda tem fornecedor que manda
a cotação por fax, isso atrasa, prejudica
o trabalho”, explica o responsável pelo
planejamento estratégico da área de
exportação. Para ele é importante o desenvolvimento tecnológico por parte dos
fornecedores. “Alguns nem têm acesso à
internet e prejudica a operação, perdemos agilidade”.
A tendência da Odebrecht é reduzir
o número de fornecedores, concentrar
nas empresas que já apresentam melhores índices de avaliação. A empresa
Anderson Rodrigo dos Santos, um dos
sócios da Instaladora.
Anderson dos Santos conta que a empresa não conseguiu renovar um grande
contrato, dos que mantinha com grandes empresas de telefonia celular, e os
funcionários foram dispensados. Segundo ele, a instaladora já prestou serviços
também para indústrias e construtoras.
De acordo com o empresário do pequeno negócio, uma dificuldade é o gerenciamento. E, para isso, está estudando e fazendo cursos de aperfeiçoamento
para atender às exigências de mercado.
“Fiz inclusive alguns cursos no Sebrae,
espero fazer com que a empresa cresça e
supere as dificuldades”, descreve.
A Instaladora Tocantins sofre ainda
uma grande dificuldade, o fluxo de caixa. O empresário relata que muitas vezes
o pagamento proveniente de um grande
comprador pode levar 60 dias ou mais.
“Nessas condições fica difícil manter o
negócio”. E por isso Anderson dos Santos disse que está procurando preparar
a empresa para casos assim. “No início
fomos muito penalizados porque eu não
esperava a demora de alguns pagamentos. Quando o contrato é grande então,
se atrasa fica ainda mais complicado”,
pondera o empresário.
Ainda assim ele diz que a pequena
empresa está otimista. Estão trabalhando para fechar um novo contrato com
uma grande empresa de telefonia. “Nos
pediram que fizéssemos manutenção
preventiva de rede”, comemora o empresário, afirmando que também está
estudando novas frentes de atuação
com outras empresas no estado e loteamentos onde pode fazer eletrificação de
média tensão.
PEQUENOS FORNECEDORES
38
GR ANDES COM PRADORES
&
Ponto Solidário
Preservando as questões culturais, uma característica
social com valor comercial
“A comercialização
desses produtos
artesanais tem
uma característica
fundamental,
tem como base o
comércio justo.”
O projeto “Ponto Solidário”, que
funciona na rede Yázigi Internexus, vem
desde 2002 atuando com artesãos, associações e pequenas empresas que trabalham com artesanato.
A idéia do projeto surgiu porque a
missão da rede de ensino de idiomas
contempla a formação do cidadão, e para
isso lança mão de uma série de recursos, quer seja na proposta educacional,
na elaboração dos temas que vão para
os seus livros, quer na atitude dentro das
escolas ou no espaço arquitetônico onde
funcionam as escolas.
Tudo começou com a matriz da rede
Yázigi, em São Paulo, onde existe uma das
lojas com as peças artesanais em exposição. “Temos, por exemplo, um acervo de
artesanato indígena trazido pelos irmãos
Villas Boas, em exposição permanente”,
diz Cláudio Tieghi, diretor da Associação
de Franquias Solidárias (Afras).
Ele explica que o material causa
impacto. “Os nossos próprios colaboradores, funcionários da matriz, queriam
entender um pouco mais o que era essa
ação”, relata. Cláudio conta que, aos
poucos, as pessoas, independentemente
de fazerem cursos no Yázigi, passaram a
ir até as lojas para conhecer e comprar os
trabalhos artesanais. “A comercialização
desses produtos tem uma característica
fundamental, tem como base o comércio
justo”, conta.
O trabalho da rede Yázigi compreende dar oportunidade ao artesão, à
pequena cooperativa e às associações
que desenvolvem trabalho com artesanato, a possibilidade de expor seus
trabalhos em um espaço privilegiado e
assim comercializá-los a melhores preços. “Muitas vezes a comunidade produz
um artesanato de altíssima qualidade e
não consegue vendê-lo na própria comunidade”, ressalta.
Para Cláudio Tieghi, é possível obter
o artesanato de alto nível preservando
as questões culturais, preservando a comunidade, resgatando valores por vezes
perdidos. “Isso tem um valor próprio
de característica social e tem um valor
comercial também”, diz. Ele explica que
o conceito de comércio justo significa
que o material artesanal chega à loja do
Ponto Solidário e passa por uma reflexão
de origens de materiais. “Por exemplo,
tudo que é oferecido no Ponto Solidário
e que leva madeira é acompanhado para
saber se essa madeira é ou não fruto de
desmatamento ou de qualquer outra ação
desordenada”, conta.
Segundo Cláudio, o Ponto Solidário
leva em consideração a produção e a própria sustentabilidade da loja. O projeto
tem hoje produção artesanal de todo o
Brasil, desde comunidades indígenas no
Mato Grosso até as do sul do país.
São duas lojas, em São Paulo e em
Vitória, com apoio do Sebrae do Espírito
Santo, e, de acordo com Cláudio, a produção tem reconhecimento internacional.
“É muito comum encontrar estrangeiros,
pessoas de outras cidades que incluem
na sua programação de passeio turístico
em São Paulo, por exemplo, uma passadinha no Ponto Solidário para fazer uma
compra justa, para fazer uma compra que
transforma e para contribuir no desenvolvimento das nossas pequenas comunidades, desses pequenos fornecedores”,
exalta.
O diretor da Afras diz que o projeto
do Ponto Solidário é uma onda constante
de transformação, preservação de cultura, sustentabilidade de comunidades e
sensibilização do consumidor.
DM9 É DDB
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Responsabilidade social empresarial é uma forma de gestão
e deve estar no centro das estratégias dos negócios
PEQUENOS FORNECEDORES
&
40
GR ANDES COM PRADORES
Gestão socialmente responsável
voltada a mercados
A responsabilidade social empresarial está diretamente relacionada com
o desenvolvimento. Entretanto, o comportamento empresarial responsável nem
sempre tem por trás a mais nobre das intenções com relação à sociedade, segundo Patrícia Sogayar, do Instituto Ethos.
O presidente da Integrare, Silas Cezar da Silva, partilha da mesma opinião.
“A responsabilidade social não é só para
o bem do país, é porque é bom para a
empresa”, afirma. O que quer dizer que
responsabilidade social empresarial é
uma forma de gestão. E esse conceito
de gestão para a sustentabilidade deve
estar no centro das estratégias dos negócios, de acordo com o presidente do
Instituto Ethos, Ricardo Young.
Segundo o Instituto Ethos, a responsabilidade social empresarial agrega
valor à marca da empresa, contribui para
melhorar desempenho (produtividade e
comércio) e posiciona a empresa estrategicamente no mercado.
Tanto o Instituto Ethos, que hoje
agrega 1.200 associados, quanto a Integrare, uma associação empresarial com
mais de 3.600 corporações, defendem o
acesso qualificado das micro e pequenas
empresas às grandes cadeias produtivas.
“Quando falamos de responsabilidade
social e empresarial, falamos de resgate
do poder de as empresas poderem ser
agentes de transformação social ao mesmo tempo melhorando tanto o ambiente
onde elas estão, quanto o próprio negócio delas, sustentabilidade tanto da sociedade quanto dos negócios”, comenta
Patrícia Sogayar, do Instituto Ethos.
A vantagem das micro e pequenas
empresas, de acordo com o presidente da
Integrare, Silas Cezar da Silva, é que elas
são mais ágeis, mais criativas, rapidamente se adaptam ao cliente, além de serem
flexíveis. “Não são pesadas e o custo em
algumas operações é menor”, afirma. Silas
Cezar da Silva defende o trabalho de micro
e pequenas empresas que sejam formadas
por negros, deficientes e indígenas, e diz
que a sociedade é feita de grupos distintos. “Grupos tradicionalmente excluídos
que pouco atuam como empreendedores,
por exemplo”, conta ele.
Sugestões como implantar uma carta de princípios, melhorar o processo de
governança de gestão, realizar investimento social privado, é um começo também considerado por Patrícia como uma
forma de levar responsabilidade social
empresarial a todas as empresas. “São
parcerias com organizações não-governamentais, políticas públicas, etc., que
falamos do comportamento sustentável
e socialmente responsável na cadeia de
valor”, diz.
Engajamento governamental, com
legislação específica e políticas públicas,
é o que o presidente da Integrare diz ser
necessário. Ele pede mais proatividade
por parte do Governo. “Hoje a máquina
governamental está atrasada”, afirma.
Para Silas Cezar da Silva, algumas empresas do mercado estão fazendo um bom
trabalho, mas ainda não há conscientização por parte de todos. “Estão fazendo
sem incentivo governamental, imagine
se tivesse”, indaga.
41
Um programa do Instituto Ethos de Empresas e
Responsabilidade Social e o Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID), com o apoio do Sebrae e a
adesão de 120 pequenas e médias empresas, além das
grandes.
A idéia é disseminar o conhecimento sobre responsabilidade social e aumentar as oportunidades de
mercado das pequenas e médias empresas nos próximos três anos com um orçamento de US$ 2,600
milhões.
Assim, é incentivada a gestão socialmente responsável nas pequenas e médias empresas que atuem
na cadeia de valor de empresas estratégicas em sete
setores da economia: petróleo e gás; energia elétrica;
varejo; construção civil; mineração; siderurgia; e açúcar
e álcool. Em cada um destes segmentos, foi identificada
uma “empresa-âncora”, com experiências avançadas em
responsabilidade social empresarial, que seleciona 15
pequenas e médias empresas da sua cadeia de valor, e
com as quais se compromete a trabalhar para a incorporação / ampliação da gestão socialmente responsável
nos processos internos destas pequenas e médias empresas e no relacionamento entre as partes.
Em paralelo ao trabalho desenvolvido com as pequenas e médias empresas, o Programa Tear também
vai buscar envolver parceiros que possam multiplicar
a experiência para outros setores, tornando o conhecimento disponível a todos os interessados e induzindo a
adoção da responsabilidade social empresarial por mais
empresas de cada um dos setores.
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
TEAR – Tecendo Redes Sustentáveis
&
Uma organização que promove a intermediação entre grandes empresas e empresas de grupos sociais tradicionalmente excluídos. “Só portadores de deficiência
são 20 milhões no Brasil”, destaca Silas Cezar da Silva,
presidente da Integrare. Ele ressalta que os grupos precisam se organizar.
Na busca do empreendedorismo, do acesso qualificado às grandes cadeias produtivas, a Integrare promove o desenvolvimento empresarial, a integração e
negócios sustentáveis entre empresas pertencentes a
pessoas negras, indígenas e portadoras de deficiência
(EFIs - Empresas Fornecedoras da Integração) e empresas e corporações comprometidas com o desenvolvimento sustentável do Brasil.
Valorizar a diversidade humana, étnica, de gênero,
entre outras, nos negócios e na sociedade é uma busca
constante da Integrare que já tem 30 corporações que
apóiam e participam do programa.
É uma organização atuante no desenvolvimento
empresarial e dos negócios, com qualidade e competitividade, que reconhece a importância dos valores
humanos.
GRANDES COMPRADORES
INTEGRARE – Centro de Integração de Negócios
PEQUENOS FORNECEDORES
&
GR ANDES COM PRADORES
42
Sebrae impulsiona
Programa de Desenvolvimento
de Fornecedores no ES
A meta do PDF é atingir 300 micro e pequenas empresas de
10 municípios capixabas fazendo aproximação de fornecedores,
grandes empresas compradoras, governo e associações de classe
No Espírito Santo, o Programa de
Desenvolvimento de Fornecedores (PDF)
procura aproximar empresas locais aos
grandes compradores e detentores de
tecnologia que atuam na região. O PDF
foi criado em 1995 pela DVF Consultoria e
tomou novo impulso este ano com apoio
do Sebrae, que serviu para incrementar o
programa e proporcionar a participação
de micro e pequenas empresas.
O PDF tem quatro grandes empresasâncoras: Aracruz Celulose, Companhia
Siderúrgica de Tubarão (CST), Companhia
Vale do Rio Doce (CVRD) e Samarco Mineração. Tem como meta atingir 300 micro
e pequenas empresas de 10 municípios.
O Sebrae, que vem ajudando a implantar o programa no estado, promoveu
este ano seis eventos com as grandes
empresas e detentores de tecnologia.
Participaram dos encontros mais de 400
pessoas e foram feitos mais de 250 contatos entre os fornecedores locais e as
grandes corporações e detentores de tecnologia.
A metodologia envolve a aproximação de fornecedores, grandes empresas
compradoras, governo e associações de
classe, uma vez que todos estes, mesmo que por motivos diferentes, têm
A figura mostra as formas de interação e operacionalização dos atores envolvidos pelo PDF:
Fonte: DVF Consultoria
43
CERTIFICAÇÃO AJUDA FORTALECIMENTO
DE EMPRESAS NO ESPÍRITO SANTO
Um dos fatores que ajudam as micro e pequenas empresas a comercializar com grandes corporações são certificados que garantem a qualidade da produção. No Espírito
Santo, existe o Programa de Desenvolvimento e Qualificação
de Fornecedores (Prodfor) que desde 1997 atende empresários da região com a intenção de organizar o seu Sistema de
Gestão da Qualidade em Fornecimento (SGQF).
O apoio e coordenação do programa é da Federação
das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes) e Instituto Euvaldo Lodi (IEL-ES). O Prodfor
é uma ação conjunta das principais empresas instaladas no estado. Tem como
objetivo estabelecer e implementar um
sistema integrado para desenvolver e
qualificar fornecedores de bens e serviços para as empresas mantenedoras, e
contribuir para a melhoria de fornecimento. Além disso,
busca promover a melhoria e o desenvolvimento das empresas fornecedoras instaladas no estado.
Participam como mantenedoras 12 grandes empresas
que estão no Espírito Santo: Aracruz Celulose, Nexen, Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan), Chocolates Garoto, Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), Companhia Vale do
Rio Doce, Espírito Santo Centrais Elétricas, Flexibrás Tubos
Flexíveis, Petrobras, Samarco Mineração e Telemar - Telecomunicações do Espírito Santo S.A.
Atualmente, 239 empresas já implantaram o Sistema
de Gestão da Qualidade em Fornecimento (SGQF), que possui
os mesmos requisitos da norma ISO 9001. A expectativa é
alcançar até o fim do ano 300 empresas, sendo que a maioria é um micro ou pequeno negócio.
Para o coordenador executivo do Prodfor, Luciano Raizer Moura, o programa representa uma “revolução” para o
estado. Segundo ele, há dez anos 1% das empresas locais
negociavam com as grandes, e hoje esse número já chega a
30%. Luciano Moura acredita que se não
fosse o Prodfor, o aumento seria menor.
Ele explica que a certificação garante um produto de qualidade uma vez que
antes de implantar o SGQF, o participante
passa por treinamentos e consultoria. “O
programa trouxe competência requerida
para o fornecedor local atender às grandes empresas”, diz.
Uma empresa que retirou o certificado do Prodfor é
a Cofervil Indústria e Comércio de Ferros que comercializa 80% da sua produção para a Companhia Siderúrgica de
Tubarão CST. O fornecedor, que possui cerca de 160 funcionários, trabalha com sucata. De acordo com a assessora de
qualidade da Cofervil, Jenecke Piffer, a empresa teve crescimento após a parceria, além de ter um produto com mais
qualidade. “Tem mais controle e inspeções durante todo o
processo produtivo. Com isso diminuiu o re-trabalho, ou
seja, ter que fazer de novo”, observa.
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
divulgação das empresas participantes.
E por fim, assessoria às negociações
por meio de workshops com grandes
empresas e detentores de tecnologia e
empresas locais. Ao final está prevista a
implantação dos planos de ação.
Em 1998 o PDF foi levado também a
Minas Gerais, Maranhão, Pará, Bahia, e
em 2005, chegou à Bolívia.
&
grandes empresas. Depois é identificada
a demanda atendida e não por empresas
locais. São verificados ainda os pontos
fracos que impedem essas empresas de
garantir fornecimento às maiores.
Em terceiro lugar, é construído um
plano de trabalho contemplando a capacitação e certificação de empresas,
trabalhadores e gestores; a promoção e
GRANDES COMPRADORES
interesse no desenvolvimento local. “A
idéia é fortalecer as empresas locais e
ver como ampliar o desenvolvimento da
empresa local”, afirma Evandro Barreira Milet, diretor técnico de Produto do
Sebrae/ES.
Ele explica que o programa busca fazer em primeiro lugar um diagnóstico dos
fornecedores locais e das compras das
PEQUENOS FORNECEDORES
&
GR ANDES COM PRADORES
44
Responsabilidade empresarial,
responsabilidade social
Ricardo Young *
“Cada vez mais as grandes
empresas estão se
tornando conscientes e,
por isso, estão ainda mais
preocupadas com sua
cadeia de fornecedores e
com as micro e pequenas
empresas, que são um elo
fundamental nas correntes
de sustentabilidade. Elas
vão ocupar gradativamente
um lugar decisivo para a
prosperidade das próprias
grandes empresas.”
Muitas vezes olha-se para uma pequena empresa como se ela estivesse no
fim de uma cadeia de valor, no fim de
uma cadeia de fornecedores e não se percebe o quanto ela mesma é determinante
para o sucesso e a competitividade das
grandes empresas. A qualidade da micro
e pequena empresa é fundamental para
ganhos de competitividade em todos os
segmentos da economia.
Cada vez mais as grandes empresas
estão se tornando conscientes e, por
isso, estão ainda mais preocupadas com
sua cadeia de fornecedores e com as micro e pequenas empresas, que são um elo
fundamental nas correntes de sustentabilidade. Elas vão ocupar gradativamente
um lugar decisivo para a prosperidade
das próprias grandes empresas.
Neste cenário a responsabilidade social empresarial como uma nova forma de
gestão torna-se imprescindível. Não estamos falando de uma ação isolada de uma
empresa com a sua comunidade ou do
apoio a algum projeto social específico.
Estamos falando em incorporar ao planejamento estratégico as demandas dos
públicos de interesse e, de modo geral,
da sociedade. Estamos, por isso, falando
de construir diálogos com os vários atores
sociais num processo ético e transparente
capaz de forjar uma relação solidária, de
verdadeira entre empresa e sociedade.
Faz parte da decisão socialmente
responsável de mudar a maneira de gerir
os negócios, por exemplo, adotar a diversidade como critério fundamental da
política de Recursos Humanos; ou estabelecer um novo tipo de relacionamento
com fornecedores, integrando-os de fato
a uma cadeia produtiva que compartilhe
resultados com todas as partes interessadas.
É preciso entender responsabilidade
social empresarial como gestão para a
sustentabilidade, isto é, como um compromisso permanente, por parte do empresário, em adotar comportamento ético e contribuir para o desenvolvimento
econômico junto com qualidade de vida
para seus empregados e familiares, bem
como para a comunidade local e a sociedade em geral.
Num mundo de incertezas, a melhor
forma de competir e sobreviver é construir e manter relações de confiança.
São elas que permitem o enfrentamento de crises, de conflitos, das mudanças
bruscas no cenário macroeconômico no
conjunto das empresas e dos mercados.
Portanto, as metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável consideram que a responsabilidade da
empresa vai além da produção de resultado econômico.
INDO ALÉM DO LUCRO
Por mais inquestionável que seja a importância dos resultados econômicos,
eles não são suficientes para que uma
45
* Ricardo Young é presidente
do Instituto Ethos
PEQUENOS FORNEC EDO R E S
lidade, o achaque dos fiscais, o cipoal
de corrupção, golpes e fraudes dos seus
funcionários, ações hostis dos seus próprios concorrentes, o esquecimento dos
consumidores. Em segundo lugar, porque
uma micro e pequena empresa socialmente responsável passa a ter igualdade
de condições na concorrência e nas licitações. Várias grandes empresas já estão
adotando a RSE como um dos critérios
para definição de fornecedores. E as licitações públicas também avançam neste
sentido.
Portanto, a adoção de um sistema
de gestão socialmente responsável para
a sustentabilidade não é privilégio das
grandes empresas, é uma condição para
negócios duradouros e para modelos de
desenvolvimento de países como um
todo. A empresa – independentemente
do porte ou do setor onde atue – que
ainda não adotou a gestão socialmente
responsável deve fazê-lo, porque é um
rio de competitividade, um rio de oportunidades. Então, você quer continuar
perdendo ou vamos começar a ganhar
todos nós?
&
Entre os 100 maiores PIBs mundiais, 30
são de empresas, ou seja, as empresas
são maiores que países, estão em vários
países, têm comando, causam impacto
em várias cadeias de valor, influem em
várias legislações.
Para as pequenas e microempresas,
a concorrência se realiza num ambiente
institucional deteriorado e hostil, com
impostos insuportáveis, propostas de
suborno no meio público e condições
extremamente duras para participar da
cadeia produtiva das grandes empresas. Temos muitas esperanças de que a
Lei Geral das PMEs corrija uma série de
desvios. No entanto, os pequenos e microempresários podem adotar os princípios da gestão socialmente responsável
e levar o negócio a um novo patamar
de competitividade, lançando as bases
para a consolidação da sustentabilidade
no longo prazo.
Tecnologias, sistemas de informação,
redes de apoio e aprendizado dinâmico e
coletivo são também algumas das ferramentas importantes para garantir a competitividade do negócio. Se uma microempresa tem acesso à tecnologia de uma
rede de franquia, por exemplo, e agrega
a isso a gestão socialmente responsável,
vai conseguir uma condição competitiva
fantástica.
Muitos empreendedores ainda acreditam que a RSE é “coisa para empresa
grande”. Algo para o qual se deve dar
atenção “depois que o negócio crescer”.
No mundo atual, não há crescimento
sem gestão socialmente responsável,
principalmente para as PMEs. Gestão
socialmente responsável é a estratégia
competitiva para este segmento. Primeiro, por exigir a aplicação de critérios de
ética e transparência, evita a informa-
GRANDES COMPRADORES
empresa alcance um patamar de sustentabilidade no longo prazo. Há pelo
menos uma década, o mundo vem discutindo o conceito do triplo resultado dos
negócios, que é a agregação de valor
econômico (resultados do seu processo
produtivo ou de serviço) ao valor socioambiental. A união do econômico
com as vertentes social e ambiental
mostram qual o impacto da atividade da
empresa na sociedade, o que seus processos, produtos e serviços contribuem
(ou não) para um desenvolvimento que
distribua riqueza.
Num mundo de miséria, desemprego,
meio ambiente degradado, corrupção e
violência, gestão socialmente responsável e sustentabilidade dos negócios
deixam de ser opções para as empresas.
São necessidades estratégicas. Não há
possibilidade de negócios num ambiente deteriorado, não há empresa saudável em sociedades doentes. É impossível
fazer bons negócios em países que estão
com suas instituições deterioradas, que
estão com doenças sociais graves, que
estão vivendo instabilidade política ou
mesmo, como no Brasil, esta tragédia
da corrupção.
A corrupção emperra a competitividade e faz mal à saúde das instituições
democráticas. Num ambiente corrupto,
ser bom empresário, desenvolver negócios, empreender visões, semear riqueza
e produzir para o conjunto da sociedade
torna-se praticamente uma batalha.
Daí a importância da gestão que olha
para o triplo resultado (econômico, social e ambiental). Empresariar hoje está
intimamente ligado à responsabilidade
das empresas pela qualidade da gestão
pública. As empresas são hoje a principal força organizada das sociedades.
Quer conhecimento? Tem sempre um Sebrae pertinho de você.
O Sebrae está no Brasil inteiro, sempre de portas abertas para receber os empreendedores que já
têm ou sonham em abrir um negócio. Com essa lista de endereços, vai ficar muito fácil encontrar a
instituição que dá apoio e orientação aos donos de pequenos negócios de todo o país. Você encontra
o Sebrae no site www.sebrae.com.br ou em uma cidade bem pertinho de você.
ACRE - Rua Rio Grande do Sul, 109 - Centro
CEP: 69903-420 - Rio Branco/AC - Fone: (68) 3216-2100
PARAÍBA - Av. Maranhão, 983 - Bairro dos Estados
CEP: 58030-261 - João Pessoa/PB - Fone: (83) 3218-1000
ALAGOAS - Rua Dr. Marinho de Gusmão, 46 - Centro
CEP: 57020-560 - Maceió/AL - Fone: (82) 3216-1600
PARANÁ - Rua Caeté, 150 - Prado Velho
CEP: 80220-300 - Curitiba/PR - Fone: (41) 3330-5800
AMAPÁ - Av. Ernestino Borges, 740 - Bairro do Laguinho
CEP: 68908-010 - Macapá/AP - Fones: (96) 3214-1400/1408
PERNAMBUCO - Rua Tabaiares, 360 - Ilha do Retiro.
CEP: 50750-230 - Recife/PE - Fone: (81) 2101-8400
AMAZONAS - Rua Leonardo Malcher, 924 - Centro
CEP: 69010-170 - Manaus/AM - Fone: (92) 2121-4900
PIAUÍ - Av. Campos Sales, 1046 - Centro Norte
CEP: 64000-300 - Teresina/PI - Fone: (86) 3216-1300
BAHIA - Travessa Horácio César, 64 - Largo dos Aflitos
CEP: 40060-350 - Salvador/BA
Fones: (71) 3320-4300/0800-284000
RIO DE JANEIRO - Rua Santa Luzia, 685 - 7º, 8º e 9º
andares - Centro - CEP: 20030-041 - Rio de Janeiro/RJ
Fone: 0800-782020
CEARÁ - Av. Monsenhor Tabosa, 777 - Praia de Iracema
CEP: 60150-010 - Fortaleza/CE - Fone: (85) 3255-6600
DISTRITO FEDERAL - SIA Trecho 03 - Lote 1580
CEP: 71200-030 - Brasília/DF - Fone: (61) 3362-1600
ESPÍRITO SANTO - Av. Jerônimo Monteiro, 935 - Centro
CEP: 29010-003 - Vitória/ES - Fone: 0800-399192
GOIÁS - Av. T-3 N, 1000 - Setor Bueno
CEP: 74210-240 - Goiânia/GO - Fone: (62) 3250-2000
RIO GRANDE DO SUL - Av. Sete de Setembro, 555 - Centro
CEP: 90010-190 - Porto Alegre/RS - Fone: (51) 3216-5006
RONDÔNIA - Av. Campos Sales, 3421 - Bairro Olaria
CEP: 78902-080 - Porto Velho/RO - Fone: (69) 3217-3800
RORAIMA - Av. Major Willians, 680 - São Pedro
CEP: 69301-110 - Boa Vista/RR - Fone: (95) 3623-1700
MARANHÃO - Av. Prof. Carlos Cunha, s/nº - Jaracaty
CEP: 65076-820 - São Luís/MA - Fone: (98) 3216-6166
MATO GROSSO - Av. Historiador Rubens de Mendonça, 3999 CPA - CEP: 78050-904 - Cuiabá/MT - Fone: (65) 3648-1200
MATO GROSSO DO SUL - Av. Mato Grosso, 1661 - Centro
CEP: 79002-950 - Campo Grande/MS
Fones: (67) 2106-5511 / 08007035511
MINAS GERAIS - Av. Barão Homem de Melo, 329 - Nova Suíça
CEP: 30460-090 - Belo Horizonte/MG - Fone: (31) 3269-0180
PARÁ - Rua Municipalidade, 1461 - Bairro do Umarizal
CEP: 66050-350 - Belém/PA - Fone: (91) 3181-9000
RIO GRANDE DO NORTE - Av. Lima e Silva, 76 - Lagoa Nova
CEP: 59075-970 - Natal/RN - Fones: (84) 3616-7900/
3616-7954 / 0800-842020
SANTA CATARINA - Av. Rio Branco, 611 - Centro
CEP: 88015-203 - Florianópolis/SC - Fones: (48) 3221-0800/
0800-483300
SÃO PAULO - Rua Vergueiro, 1117 - Paraíso
CEP: 01504-001 - São Paulo/SP - Fone: 0800-780202
SERGIPE - Av. Tancredo Neves, 5500 - América
CEP: 49080-480 - Aracaju/SE - Fone: (79) 2106-7700
TOCANTINS - 102 Norte Av. LO 4 Lote 1, cj. 2
Plano Diretor Norte. CEP: 77006-006 - Palmas/TO
Fone: (63) 3223-3300
www.sebrae.com.br
>> Para ampliar meu
negócio, participei de
feiras e exposições do
Sebrae. Agora, a minha
empresa vai pra frente >>
O conhecimento que os empresários de micro e pequenos negócios precisam está no Sebrae.
A pequena indústria do Antônio Oliveira está indo muito bem. Mas para crescer é preciso ampliar a rede de novos clientes e
fornecedores. Por isso mesmo, ele conheceu as feiras e exposições promovidas pelo Sebrae. O Antônio expôs os seus produtos, se relacionou com outros empresários do seu setor e comercializou parte do seu estoque. Ele acredita no poder de
negócio das feiras e no conhecimento. O Sebrae também oferece cursos, seminários, palestras, publicações, consultorias,
inclusão em grupos de negócios e acesso à tecnologia. O Antônio sabe que,
para sua empresa crescer, todo tipo de informação é importante. Seja em
revistas, jornais, internet e até por programas de rádio e TV. Com mais informação, o Antônio vai dar o passo certo, só que bem mais preparado.
0800 72 66 500
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Grandes compradores & Pequenos Fornecedores - Sebrae-SP