>> Para diminuir as dificuldades no meu negócio, freqüentei cursos, seminários e palestras do Sebrae. Agora, a minha empresa vai pra frente. >> O conhecimento que os empresários de micro e pequenos negócios precisam está no Sebrae. Juliana lutou muito para manter a sua loja aberta. Os altos e baixos do mercado influenciam nas vendas e no faturamento. Por isso, ela foi ao Sebrae em busca de aprimoramento para gerenciar melhor a sua empresa. Foi lá que conheceu os programas de capacitação. Ela fez cursos, aprendeu muito pela internet e ainda participou de seminários e palestras. O Sebrae também oferece material técnico, projetos coletivos, assessoria e consultoria, além de promover feiras e exposições Juliana sabe que, para crescer, todo tipo de informação é importante. Seja em revistas, jornais, internet e até por programas de rádio e TV. Bem mais preparada, Juliana ganhou um forte aliado para competir no mercado: o conhecimento. 0800 72 66 500 w w w. s e b r a e . c o m . b r Editorial O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas é na prática uma agência de desenvolvimento dos pequenos negócios. Uma de suas diretrizes estratégicas é ampliar a participação deles no mercado. Outras atribuições do Sebrae para fortalecer e dar vida longa à pequena empresa são capacitar, dar orientação empresarial, promover o acesso à atualização tecnológica e a recursos financeiros. Nada disso valerá a pena, porém, se depois ela não encontra mercado, se não tem a quem vender. É por isso que temos, na nossa estrutura, a Unidade de Acesso a Mercados, cuja função é de justamente prover o Sistema Sebrae de conhecimento e soluções, fazer articulação e multiplicar parcerias buscando aumentar o mercado para os pequenos negócios. Há várias formas de se fazer isso, como compras governamentais, rodadas de negócios e participação em missões, feiras e exposições. Outro mecanismo bastante eficaz para expandir mercado à pequena empresa é incluí-la de maneira sustentável e competitiva em cadeias produtivas, como fornecedora de grandes compradores. E N T R E O S G R A N D E S P A U L O O K A M O T T O | Diretor-Presidente do Sebrae Só para citar um exemplo, estamos atuando com sucesso na cadeia de petróleo e gás, envolvendo como fornecedores do setor em dez estados 1.500 micro e pequenas empresas que dão emprego a quase 30 mil brasileiros. O Sebrae trabalha permanentemente com o conceito de cadeia produtiva e nessa linha patrocinou, recentemente, em São Paulo, o seminário Grandes Compradores & Pequenos Fornecedores – A responsabilidade empresarial para o desenvolvimento. Representantes de grandes compradores nacionais e internacionais, estatais e privados, como Petrobras, Vale do Rio Doce, Belgo Mineira, de governos estaduais e prefeituras, de um lado, e pequenas empresas do país inteiro, de outro, se reuniram para elaborar uma agenda de trabalho. O objetivo central é estabelecer condições para que os pequenos se tornem fornecedores dos grandes com qualidade e prazo. Ganham as pequenas empresas, ganham as grandes empresas, ganha sobretudo o Brasil, com mais emprego e renda a partir das cadeias produtivas. “Grandes Compradores & Pequenos Fornecedores – A responsabilidade empresarial para o desenvolvimento, foi o primeiro passo.” Sumário 10 As micro e pequenas empresas representam 20% do PIB. São 5 milhões e 100 mil e empregam 57% da força de trabalho que atua no setor formal urbano. 16 Geração de cerca de 790 mil empregos por ano com a possível participação de micro e pequenas empresas como fornecedores nas compras públicas. 20 900 famílias do Piauí que exportam mel para os Estados Unidos e Europa. Avanços no acesso a novos mercados para as micro e pequenas empresas, a Lei Geral dos pequenos fornecedores. 26 Empregando quase 30 mil funcionários, o Prominp reúne mais de 1.400 micro e pequenas empresas. Uma parceria para um país mais justo – Grandes Compradores e Pequenos Fornecedores. Expediente 36 42 Presidente do Conselho Deliberativo Nacional Armando de Queiroz Monteiro Neto Diretor-Presidente Paulo Tarciso Okamotto Diretor Técnico Edição Paula Menna Barreto (MTb DF2434) Projeto Gráfico, Diagramação e Ilustrações Compográfica Tiragem Luiz Carlos Barboza 5.000 exemplares Diretor de Administração e Finanças Fotolito e Impressão César Acosta Rech Gerente da Unidade de Acesso a Mercados Raissa Rossiter Equipe Técnica Luis Augusto Castro Pacheco Robson José de Carvalho Schmidt Reportagem Paula Menna Barreto Luciana Vasconcelos Corgraf PEQUENOS FORNECEDORES GR ANDES COM PRADORES & Relações entre grandes e pequenas empresas: fator de competitividade nas cadeias produtivas 8 Luiz Carlos Barboza * “As micro e pequenas empresas, urbanas e rurais, são hoje um exército de 20 milhões de negócios e para 2010 a expectativa é que estejam participando efetivamente do desenvolvimento do país.” A responsabilidade social das grandes corporações e das micro e pequenas empresas deve ser a da sustentabilidade. Por força do mercado e não apenas do ponto de vista da simples ação social. As micro e pequenas empresas, pela sua relevância econômica e social, se credenciam, cada vez mais, como importante foco estratégico para o desenvolvimento sustentável dos negócios e da sociedade. Assim, é possível exercer a responsabilidade social em micro e pequenas empresas e obter resultados expressivos nos mais diversos setores e, principalmente para as cadeias produtivas de valor. Para 2010 a expectativa é que as micro e pequenas empresas estejam participando efetivamente do desenvolvimento do país, atuando em um ambiente favorável, com alto índice de formalização, competitividade e sustentabilidade. A recente aprovação da Lei Geral cria este ambiente favorável, com maior justiça, possibilitando um alto índice de formalização. As micro e pequenas empresas, urbanas e rurais, são hoje um exército de 20 milhões de negócios, mas a mortalidade ainda é alta e diz respeito à sustentabilidade dessas empresas. O Sebrae estimula e participa de várias ações para colaborar com a redução deste índice. Uma parte é a Lei Geral, a outra parte é a preparação das empresas. Nesse contexto, o relacionamento entre as grandes corporações e os pequenos empreendimentos pode contribuir de forma decisiva para o desenvolvimento sustentável. São cerca de 500 mil novos negócios formais sendo criados por ano no Brasil, o mesmo número dos negócios nos Estados Unidos. E quando se conseguir diminuir a mortalidade, muito mais pequenos negócios existirão, gerando renda de forma distribuída. Assim, as grandes corporações, que têm papel importante na sociedade para geração e distribuição de riqueza, têm também o desafio de desenvolver uma visão ampliada do conceito de responsabilidade social, passando do conceito de ação social para o de responsabilidade social e empresarial. O Estado e as grandes corporações têm um grande poder de compra que pode ser usado como indutor de desenvolvimento das micro e pequenas empre- 9 PEQUENOS FORNEC EDOR E S * Luiz Carlos Barboza é Diretor Técnico do Sebrae Nacional & quenos negócios. Na última Rodada de Negócios do setor, na Rio Oil & Gás, no Rio de Janeiro, em setembro de 2006, foram realizados mais de R$ 100 milhões entre pequenas e grandes empresas. Isso mostra que a pequena empresa tem condições de competitividade em qualquer setor desde que esteja preparada para o mercado. Outra ação, a metodologia da Gestão Estratégica Orientada para Resultados (Geor), foi desenvolvida para dar transparência, legitimidade aos projetos e seus resultados, facilitando a integração de ações e concentração de esforços, conferindo objetividade e precisão às parcerias dos vários agentes envolvidos. Atualmente estão na metodologia Geor 987 projetos em todo o Brasil, envolvendo cerca de 200 mil empresas e que representam 70% dos recursos aplicados pelo Sebrae. Isso significa mais recursos e mais apoio para que as micro e pequenas empresas se tornem mais competitivas. GRANDES COMPRADORES sas. E é importante o uso desse poder de compra para alavancar boas práticas, novos modelos de gestão. Alguns países já adotam o uso do poder de compra pelo Estado para beneficiar as micro e pequenas empresas. Nos Estados Unidos, por exemplo, por força de lei federal, as compras até US$ 100 mil devem ser feitas de pequenos negócios. É possível garantir crescimento econômico, gerar emprego e renda e reduzir a pobreza, induzindo a um novo ciclo de desenvolvimento justo, equilibrado, inclusivo e sustentável. Segundo dados do governo federal, o Brasil gasta com contratações públicas cerca de R$ 30,5 bilhões, sendo que 17% deste valor (R$ 5,5 bilhões) são com micro e pequenas empresas. Ainda é pouco comparado com outros países. Há muito o que fazer, preparar os compradores do governo, melhorar os processos burocráticos e informar as pequenas empresas para serem fornecedores desses governos. No que se refere às grandes corporações privadas, é preciso ter uma visão ampliada do conceito de responsabilidade social e empresarial. É importante pensar a micro e pequena empresa como foco estratégico para o desenvolvimento sustentável dos negócios e da sociedade e inseri-las nas cadeias de valor competitivas, criando condições para que possam competir, como acesso a crédito, tecnologia, informação. Um convênio entre o Sebrae e a Petrobras, por exemplo, mostra como é possível uma grande corporação inserir os pequenos fornecedores em seu sistema de produção. O convênio já capacitou mais de 1,4 mil empresas para serem fornecedoras da Petrobras, envolvendo cerca de 30 mil funcionários desses pe- “O relacionamento entre as grandes corporações e os pequenos empreendimentos pode contribuir de forma decisiva para o desenvolvimento sustentável. São cerca de 500 mil novos negócios sendo criados por ano no Brasil.” A responsabilidade empresarial para o desenvolvimento PEQUENOS FORNECEDORES & 10 GR ANDES COM PRADORES I Seminário Grandes Compradores & Pequenos Fornecedores “As micro e pequenas empresas representam 99% do mercado brasileiro e 20% do PIB. Elas empregam 57% da mão-de-obra e são fundamentais para a estabilidade social do país.” 11 Fornecedores – A responsabilidade empresarial para o desenvolvimento. O encontro apresentou resultado imediato quanto à sensibilização dos grandes compradores para com os pequenos fornecedores. E despertou em todos os participantes a necessidade de adequação aos processos de compra e investimentos na área. Para o superintendente do Sebrae SP, José Luis Ricca, o desafio da atualidade é vender, colocar produtos no mercado com qualidade e competitividade. E, segundo ele, tudo que se refere a acesso a mercados é fundamental para qualquer empresa. “As micro e pequenas empresas micro e pequenos negócios são essenciais para a cadeia produtiva nacional e entende que elas são um elo fundamental na corrente de sustentabilidade. ”Não existe possibilidade de bons negócios em um país deteriorado. Ser micro neste país é optar por uma vida turbulenta, heróica. Uma estratégia competitiva pode evitar muitos dissabores, como, por exemplo, a informalidade. É preciso mudar o cenário, reduzir o cipoal de impostos e ações hostis, desprezo e sabotagem dos próprios consumidores. É preciso dar aos micro e pequenos fornecedores condições de igualdade de competir junto a grandes empresas e concorrentes”, observou. dade. Além disso, a falta de um rigoroso sistema de controle de qualidade e um pós-venda eficiente. Os grandes compradores avaliam ainda que, na tentativa de adequação às suas exigências, o pequeno fornecedor acaba transformando-se em um “especialista” em determinado produto e/ou serviço, sem permitir a expansão e maturidade do próprio negócio, criando assim a pior e mais temida dependência. Para o Sebrae, é possível para grandes empresas fazer um trabalho de responsabilidade social empresarial com a inserção de micro e pequenas empresas na sua cadeia de fornecimento, condu- PEQUENOS FORNEC EDO R E S O seminário abordou a inserção de micro e pequenos na cadeia de fornecimento. Para as MPE, os conhecidos empecilhos, a burocracia, a impraticável carga tributária, o escasso e quase sempre inexistente capital de giro, as limitações tecnológicas e de pessoal, são os principais problemas. Já para os grandes compradores, tanto públicos quanto privados, uma questão levada em consideração para comprar de pequenos fornecedores diz respeito às dificuldades em cumprir prazos e quanti- & representam 99% do mercado brasileiro e 20% do PIB. Elas empregam 57% da mão-de-obra e são fundamentais para a estabilidade social do país”, salientou. José Ricca ressaltou ainda que o seminário serviu para construir caminhos e para poder oferecer e aproximar as grandes empresas das pequenas empresas. “Vai ter um número enorme de fornecedores cada vez mais desenvolvido e com qualidade”, garante. O presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young, também avaliou que os GRANDES COMPRADORES A Unidade de Acesso a Mercados (UAM), com o apoio da Unidade de Políticas Públicas (UPP), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com o Instituto Ethos, a Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social (Fides), a Associação Brasileira de Franchising (ABF), a Associação Franquias Solidárias (Afras) e a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), realizou, em agosto de 2006, na capital paulista, o I Seminário Grandes Compradores & Pequenos PEQUENOS FORNECEDORES & GR ANDES COM PRADORES 12 zindo e promovendo o desenvolvimento local. André Friedhein, da Associação Brasileira de Franchising (ABF), que congrega empresas franqueadoras, franqueados e fornecedores do sistema de franchising, um sistema que cresceu e vem crescendo durante os últimos anos no Brasil, ressaltou durante o Seminário que a ABF é tipicamente composta por micro e pequenas empresas. “Representamos uma série de rede de franquias, formamos uma rede de negócios, e essa rede de negócios é ativa ando em algumas linhas interessantes. Uma é a adesão à lei do aprendiz, proposta pelo governo federal. Entendendo que a micro empresa não passa pelo regime de cotas, exigido pelo governo, mas pode dar essa contribuição para a sociedade”, relatou. Para Alberto Perazzo, da Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social (Fides), o objetivo do encontro deve ser também o estabelecimento de um diálogo real, duradouro, prático entre grande e pequena empresa Loreni Fracasso Foresti, diretora do Departamento de Logística e Serviços Gerais do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), acredita que a iniciativa do I Seminário tenha sido importante. “O Ministério do Planejamento já tem parceria com o Sebrae desde 2003, quando começamos a preparar o projeto da lei geral de micro e pequenas empresas, e agora teremos um novo acordo de cooperação”, contou. O projeto visa à capacitação de compradores governamentais para comprar “O primeiro passo para promover a interação entre grandes e pequenas empresas foi dado com a realização do I Seminário Grandes Compradores & Pequenos Fornecedores.” no mercado, ela sempre está comprando e promovendo o sistema de franquias no Brasil”, disse, lembrando ainda que estava pronto para fazer novas parcerias com o sistema de franquias. A Associação Franquia Solidária (Afras) foi representada por Cláudio Tiegui no I Seminário Grandes Compradores & Pequenos Fornecedores, que lembrou que a Afras congrega dentro do sistema de franchising cerca de 50 marcas que investem e se concentram de uma forma um pouco mais expressiva. “Estamos atu- e a geração de trabalho. “Este diálogo entre pequeno, grande cliente e fornecedor, é um elemento de base fundamental para permitir essa geração de trabalho”, disse. Representando a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), Gilberto Galan disse que o tema compradores e fornecedores é responsabilidade social. “Responsabilidade social, principalmente, é um processo de diálogo. Questão de fornecedores e compradores é um processo de diálogo”. de pequenas e microempresas, com o Sebrae capacitando os fornecedores para os governos, principalmente para o governo federal que no ano passado comprou R$ 21 bilhões, segundo Loreni Foresti. De acordo com a diretora, essa é uma grande possibilidade de inserir os pequenos e micronegócios nas compras governamentais. Para Cândida Maria Cervieri, diretora do Departamento de Micro, Médias e Pequenas Empresas, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio 13 MICRO E PEQUENAS EMPRESAS EM NÚMEROS 5 milhões de empresas formais (99% das empresas formais) e 10 milhões de informais Ainda no setor formal, as micro e pequenas empresas empregam 57% da força de trabalho que atua no setor formal urbano (excluindo os empregados governamentais) No meio rural, as micro e pequenas empresas representam 4,1 milhões de proprietários familiares 26% da massa salarial 20% do PIB 17% do fornecimento para governos 2% das exportações PEQUENOS FORNEC EDO R E S de promover a interação entre grandes e pequenas empresas foi dado com a realização do I Seminário Grandes Compradores & Pequenos Fornecedores. E com os projetos que já foram implementados. “A proposta é mobilizar todas as entidades parceiras e o setor empresarial em torno de um projeto que alargue a política já adotada por algumas grandes empresas de incluir o acesso das pequenas empresas às compras que realizam, dentro de um projeto de responsabilidade social”, assinalou Raissa. & emprego e renda, agregação de valor e redução das igualdades sociais no país. Destacou ainda o desenvolvimento com sustentabilidade e inclusão social. “Este é um Brasil que nós temos que construir, este é um Brasil que juntos começamos a tratar políticas públicas, com programas concretos, com metas e com resultados.” A gerente da Unidade de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional, Raissa Rossiter, acredita que o primeiro passo para que fossem definidas ações capazes GRANDES COMPRADORES Exterior (MDIC), o acesso das micro e pequenas empresas ao sistema de compras corporativos e de governo foi um tema essencialmente oportuno, porque mostra a importância do setor. “São 5 milhões e 100 mil micro e pequenas empresas na formalidade e mais 10 milhões na informalidade. Sem falarmos de mais de 9 milhões de artesãos no país, e praticamente todos na informalidade”, disse. A diretora lembrou questões como ética, transparência, responsabilidade social, acesso aos mercados, geração de Micro e pequenas empresas de todo o país poderão ampliar sua participação de negócios de R$ 260 bilhões com governos PEQUENOS FORNECEDORES 14 GR ANDES COM PRADORES & Compras Governamentais Crescer no mercado do poder público é fundamental, porque apesar de quase todas as 5 milhões de empresas formais no Brasil serem hoje micro e pequenas empresas, a participação no volume de compras governamentais, nas três instâncias de administrações públicas é inferior a 20%. As micro e pequenas empresas de todo o país poderão ampliar sua participação no mercado de compras governamentais, estimado em R$ 260 bilhões, segundo o Sebrae. O objetivo é que, den- tro de dois anos, as pequenas empresas possam participar em 32% das compras públicas, um aumento de 15% contra os 17% atuais. Para isso, uma parceria entre o Sebrae e o Ministério do Planejamento, prevê a capacitação de 10 mil fornecedores do segmento e de 500 funcionários públicos responsáveis pelas operações de compra de produtos e serviços do governo federal, avaliado em mais de R$ 20 bilhões. Os empresários de micro e pequenos negócios receberão orientações sobre como participar do processo de compras governamentais, especialmente por meio de pregão eletrônico, considerado mais econômico, menos burocrático e que oferece maior possibilidade de participação de todos os perfis de fornecedores. Estudo realizado pela Unidade de Políticas Públicas do Sebrae, em parceria com o Ministério do Planejamento, projeta que há possibilidade de geração de cerca de 790 mil empregos por ano caso a participação das micro e pequenas 15 “O objetivo é em dois anos aumentar para 32% a participação de micro e pequenas empresas em compras públicas.” PEQUENOS FORNEC EDO R E S Há três anos Solange Vale do Castro, proprietária de pequena empresa de Manaus (AM), começou a vender para alguns órgãos do governo. Forneceu embalagens, como sacolas de papel, para o Corpo de Bombeiros e para a Manaustur, agência de turismo ligada à administração municipal. Ela conta que passou a vender para o governo depois que aumentou a organização da empresa. “Eles exigem muito. Então passamos a nos organizar mesmo”. A empresária também contou com o apoio do Sebrae, participou de atividades de consultoria e cursos voltados para gerenciamento, produção e atendimento de qualidade e produção mais limpa. Solange diz que na sua empresa a venda para o governo não é alta, e que gostaria de expandir as vendas. No entanto, ela reclama que o pagamento feito por órgãos públicos muitas vezes demora, o que pode prejudicar o negócio. “Não temos como nos programar. É difícil ter de ficar esperando o dinheiro”, observa. A Infraero é um dos órgãos governamentais que compra de micro e pequenas empresas. A maior parte da compra feita pela Infraero é de material de consumo, micro e pequenas empresas que vendem e depois não são mais encontradas, fecharam as portas. Costa conta ainda que há muitas micro e pequenas empresas que prestam um serviço de boa qualidade para a Infraero. De acordo com o superintendente da Infraero, a quantidade de micro e pequenas empresas fornecedoras para a Infraero é grande. No entanto, relata que quando a demanda é alta, como a construção de um terminal em um aeroporto, por exemplo, uma companhia maior é contratada. Nesse caso, a pequena tem dificuldade em competir. Durante o I Seminário Grandes Compradores & Pequenos Fornecedores – A responsabilidade empresarial para o desenvolvimento, realizado em São Paulo, em agosto, as micro e pequenas empresas com experiência em vendas para grandes compradores públicos e/ou de economia mista, sugeriram que haja maior agilidade nos processos administrativos e que os contratos sejam divididos, gerando desenvolvimento local. & COMPRAR E VENDER PARA GOVERNOS como caneta, papel e lápis. Álvaro Luiz Miranda Costa, superintendente de Administração Geral da Infraero, afirma que na Infraero os pagamentos são feitos na data prevista. Entretanto, ao negociar com um empresário de pequeno negócio, o superintendente da Infraero aponta como uma das dificuldades a garantia da pós-venda. Segundo ele, esse é um dos motivos para as exigências nos contratos serem rigorosas. “Decorre da necessidade de ter garantia da pós-venda”, alega. Segundo Álvaro Costa, existem muitos casos de GRANDES COMPRADORES empresas nas compras públicas ampliem dos atuais 17% para 32%. Atualmente, segundo dados do Ministério do Planejamento, dos processos de compras homologados pelo governo federal, 67% são relativos às micro e pequenas empresas. No entanto, a participação no valor monetário das compras da União cai para 28%, conforme registrado em 2005. Manaus aperfeiçoou seus métodos e aumentou o percentual de micro e pequenas empresas como fornecedoras para empresas públicas PEQUENOS FORNECEDORES & 16 GR ANDES COM PRADORES Melhorar processos de compra pública é uma decisão política “Micro e pequenas empresas representam 32% das compras governamentais na capital amazônica.” Situada no meio da selva amazônica, com extraordinário estoque de recursos naturais e mais de 1 milhão e meio de habitantes, uma população concentrada, Manaus tem um parque industrial apenas de montagens, segundo a secretária de Planejamento e Administração da Prefeitura, Rita Suely Bacuri de Queiroz. Sem indústrias pesadas, a cidade mostra que a modernidade das mais de 600 empresas pode conviver harmoniosamente com a paisagem local. E apresenta um dado invejável de participação de micro e pequenas empresas em processos de compras governamentais. Elas representam 32% nos processos de compras da capital amazônica contra a média nacional de 17%, segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Isso, segundo Rita de Queiroz, graças à implantação de um modelo de pregão presencial para a contratação de serviços e compra de materiais. 17 GRANDES COMPRADORES & processo depois simplificado para aquisição de produtos”, explica. De acordo com a secretária, com a instalação do pregão presencial foi possível mudar a antiga lógica da licitação e também acabar com o modelo que estava vigente. “Tinham empresas que vendiam da seringa ao pneu. Parece brincadeira, mas é exatamente isso”, conta. Ela explica que, como uma mesma empresa vendia praticamente todos os tipos de produtos e as licitações eram por lotes, as empresas ganhavam a licitação e tinham a hegemonia no mercado. “Eles terceirizavam. Ganhavam a licitação, compravam pães da cooperativa de pães, por exemplo, que nunca conseguiu participar, a um valor de 11 centavos e vendiam para o município a 21 centavos”, conta. “No segundo pregão realizado, a cooperativa ganhou e conseguimos comprar o pão por 18 centavos. Então veja bem, é relação ganha-ganha”. Para a secretária de Planejamento da Prefeitura de Manaus, é aí que entra a decisão política do município. Ela diz que foi a resolução de eliminar um formato de licitação viciada e da vontade de dar oportunidade de participação às micro e pequenas, de onde vem o sucesso do modelo de Manaus. “O modelo é exatamente esse: no item a item, não importa se daí PEQUENOS FORNEC EDO R E S Com 70% da população do Amazonas concentrada em Manaus, a cidade tem um desafio significativo. Considerando a administração da cidade com foco no desenvolvimento municipal, Rita de Queiroz diz que a cidadania e inclusão social, desenvolvimento urbano e o desenvolvimento econômico sustentável, além de gestão pública, estratégica, moderna e participativa, são os principais objetivos da prefeitura da cidade. Defensora da vontade política como alicerce para o desenvolvimento econômico, a secretária de Planejamento conta que a experiência das compras governamentais da prefeitura começou ainda como promessa de campanha. “Era prioridade dar oportunidade para as micro e pequenas empresas participarem do processo de compras governamentais”, diz. “Houve um empenho na perspectiva de comprometer a gestão com as micro e pequenas empresas”. Um ponto-chave era inicialmente a estratégia de democratização e licitação, segundo Rita de Queiroz. Para ela, existia um problema de falta de transparência nos processos, que ela atribui a distância e à permanência de grupos políticos por muito tempo no poder. “Foi instituído o pregão presencial, imediatamente, e um PEQUENOS FORNECEDORES & GR ANDES COM PRADORES 18 “O sucesso do modelo de Manaus decorreu de uma decisão política, da vontade de dar oportunidade de participação às micro e pequenas empresas.” vai decorrer em 100 contratos, não importa”, relata Rita de Queiroz. Segundo ela, a instituição do processo simplificado para aquisição de bens de entrega imediata em qualquer modalidade licitatória, independentemente do valor e dos pregões feitos item a item, viabilizaram a participação de pequenos fornecedores. Além disso, foi reduzida significativamente a quantidade de documentos a serem apresentados pelas micro e pequenas empresas. Rita de Queiroz relata que há, em Manaus, uma preocupação em sensibilizar integrantes das comissões permanentes de licitações responsáveis pela elaboração dos editais. “E aí há um investimento do Sebrae, que também é parceiro, e é responsável direto pela formação dos pregoeiros, para acompanhar”, conta. “São turmas formadas sistematicamente, sem vícios, vão aprender tudo, estamos criando uma nova mentalidade no trato da coisa pública.” A secretária de Planejamento da Prefeitura de Manaus explica que não especificamente só em processos de licitação, mas em ganhos reais para a Prefeitura, em 2005, conseguiu-se economizar R$ 52 milhões, revendo contratos e realizando pregões. Rita de Queiroz conta ainda sobre o processo simplificado para aquisição por meio de licitações. “Foi encontrada uma brecha na 8.666, que “A documentação poderá ser dispensada nos fornecimentos de bens para pronta entrega até 30 dias”, isso favorece muito as micro”, revela. “Toda aquela burocracia que é impeditiva para que a micro possa participar”. Isso revela um pouco o caso de sucesso de Manaus, segundo Rita Suely de Queiroz. “Orgulha-nos ter conseguido alcançar um índice de 32% no ano passado com as nossas compras governamentais de micro e pequenas empresas”, lembra. “É um percentual muito satisfatório.” Para o diretor superintendente do Sebrae Amazonas, José Carlos Reston, os números positivos de Manaus se dão principalmente pelo envolvimento da prefeitura da cidade. “É uma grande conquista alcançada e se deve pela grande participação da prefeitura”, diz. José Carlos Reston explica que com a mudança na legislação, as licitações sendo feitas por itens e não de forma globalizada e pelo menor preço, o segmento da micro e pequena empresa têm hoje a forma mais adequada de participar dos negócios com grandes compradores. A Prefeitura de Manaus já realizou 54 pregões em 2006, garante a secretária. O valor estimado de itens licitados 19 • Art. 32 § 1º da Lei 8.666/93 (...) A documentação poderá ser dispensada nos & fornecimentos de bens para pronta-entrega (até 30 dias). de documentos exigidos. • Dispensa na assinatura do contrato. Por quê? Livre do pagamento do extrato e da garantia. foi de R$ 41 milhões, e o valor licitado global de R$ 30 milhões. Uma economia aos cofres públicos de R$ 10 milhões já este ano. Entretanto, a secretária faz um comentário sobre o quadro encontrado atualmente com relação às micro e pequenas empresas. Para Rita de Queiroz, diferentemente de 2005, hoje, as micro e pequenas empresas estão se afastando. “Estão voltando aquelas grandes empresas que antes ganhavam todas”, revela. A secretária faz então um apelo ao Sebrae e a todos os empresários de micro e pequenos negócios que não deixem de participar de processos de licitação. “Não deixem de participar, porque existe essa história de carta marcada. Outra coisa importante é a documentação. Às vezes, é doloroso para nós termos de excluir uma micro ou uma pequena empresa por conta da documentação não estar correta.” Segundo a secretária de Planejamento da Prefeitura de Manaus, trabalhar com o desenvolvimento de micro e pequenos “é apaixonante”. Ela acredita que o compromisso hoje com a micro significa um compromisso cidadão com o desenvolvimento do Brasil, que é um compromisso de todos. PEQUENOS FORNEC EDO R E S • Instituição do Decreto nº 7.885, 04/05/2005 (Fornecimento de pronta-entrega). • Nas compras com entrega imediata (até 30 dias) e integral há considerável redução do número Fonte: Diário Oficial de Manaus – Janeiro a Junho de 2005. GRANDES COMPRADORES Processo simplificado para aquisições por meio de licitações PEQUENOS FORNECEDORES Como uma associação de produtores de mel exporta para os Estados Unidos 20 GR ANDES COM PRADORES & Mel produzido no Piauí ultrapassa fronteiras No semi-árido nordestino um grupo de pequenos produtores de mel está de olho no mercado externo. É a Associação de Apicultores da Microrregião de Simplício Mendes (AAPI), no Piauí, que já vendeu mel para Estados Unidos e Europa. “Temos o melhor mel do Brasil”, afirma com orgulho Dionísio Moura, um dos responsáveis pela administração da associação. A AAPI conta com 930 famílias em 29 comunidades rurais e assentamentos espalhados pela Microrregião de Simplício Mendes. Os agricultores começaram a trabalhar com a produção de mel há 15 anos. Na época, a Diocese de Oeiras-Floriano deu o impulso inicial para a atividade em três comunidades de Simplício Mendes. O resultado não poderia ter sido melhor e despertou a atenção para o potencial apícola da região. Em dezembro de 1994 foi criada a Associação de Apicultores para facilitar a comercialização do produto e evitar atravessadores que ofereciam um preço insignificante pelo mel. Desde então, várias ações foram desenvolvidas para profissionalizar o trabalho e expandir a venda dos pequenos produtores. Nas comunidades foram construídas “Casas de Mel” para o beneficiamento do produto e um entreposto onde o produto é processado e vendido. Hoje, cada uma das famílias da AAPI tem em média 10 colméias. O mel colhido garante renda extra às famílias que trabalham na agricultura e na criação de pequenos animais. O Sebrae apóia a iniciativa oferecendo capacitação gerencial e tecnológica, 21 O Piauí ocupa o 6º lugar entre os maiores exportadores de mel do país, fican- PEQUENOS FORNEC EDO R E S LABORATÓRIO MÓVEL do atrás de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Ceará e Paraná. O Sebrae apóia diversas ações no estado de desenvolvimento da apicultura. Conta com o projeto Apis Arararipe, na microrregião de Picos; com o Projeto Serra da Capivara, na microrregião de São Raimundo Nonato e no litoral do estado. Uma das ações do Sebrae, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Federação das Entidades (Feapi), foi a aquisição do primeiro laboratório móvel do país para atender os apicultores, realizando análise do mel e capacitação no Piauí. Outra iniciativa do Sebrae será a instalação, ainda este ano, da Casa Apis, uma Central de Cooperativas do SemiÁrido Brasileiro, com sede em Picos, a 306 km ao sul de Teresina. “Hoje, todas as comunidades preservam a produção de mel de qualidade”, diz Francisco Holanda, gerente de carteira de projetos da Apicultura do Sebrae do Piauí. & Dionísio Moura, conta que, com o mel, muitos produtores da região conseguiram progredir e adquirir bens como geladeira e televisão. Além disso, o comércio local também foi impulsionado. Ele diz que há agricultor que, com a renda do mel, está deixando de lado o cavalo como meio de transporte e começando a usar a moto. “Começa com cavalo e logo vai indo para a moto”, diz. Além disso, é possível perceber redução no êxodo rural, por ser uma atividade que atrai jovens e mulheres. Um dos segredos do sucesso é o trabalho em grupo desenvolvido pela associação. Por exemplo, na época da colheita, os trabalhadores se reúnem para fretar carro e ajudar seus vizinhos. É a “mão-de-obra familiar agregada com a mão-de-obra da boa vizinhança” que, segundo Dionísio, faz a diferença. GRANDES COMPRADORES além de prospecção de mercado e participação em feiras e eventos. Em 2001, a associação recebeu o selo de exportação do Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura e passou a vender pequenas quantidades de mel para a Itália. Também já exportou cerca de 20 mil quilos de mel para a Alemanha. Atualmente, a AAPI exporta aproximadamente 80% de sua produção para os Estados Unidos. Além disso, passou a comercializar para grandes grupos nacionais, como o Pão de Açúcar. A associação vende para o grupo sachês de 100 e 200 gramas e bisnagas de 340 gramas. Paulo José da Silva, um dos representantes da AAPI, diz que, com o mel, o produtor pode receber por mês até R$ 300,00. “Para quem antes não tinha trabalho, passava necessidade, o impacto é grande”, afirma. Ele aproveita para elogiar o trabalho do Sebrae de apoio à associação. “Se a gente não tivesse recebido a orientação que recebeu do Sebrae, não tinha chegado onde chegou.” A Associação dos Apicultores da Microrregião de Simplício Mendes também conta com apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid). Ano passado, a organização iniciou atividades de apoio a acesso a mercados externos em quatro setores: açaí, moda praia, castanha de caju e mel. E a AAPI foi um dos quatro escolhidos. Uma das primeiras ações foi o desenvolvimento de uma análise do setor de mel em nível mundial, procurando compreender o mercado, suas tendências, comportamento de oferta e demanda. O objetivo é estabelecer uma estratégia de longo prazo que capitalize as vantagens competitivas da associação. PEQUENOS FORNECEDORES & GR ANDES COM PRADORES 22 Entrevista CÂNDIDA MARIA CERVIERI Compras governamentais: oportunidade para as micro e pequenas empresas Para participar desse mercado, as micro e pequenas empresas devem estar preparadas As micro e pequenas empresas têm pela frente uma excelente oportunidade de alavancar seus negócios se tornando fornecedores do governo e de grandes corporações. Para aumentar a participação das micro e pequenas empresas nesse mercado, várias ações vêm sendo desenvolvidas pelo governo, associações e entidades de classe. Vender ao governo requer que o pequeno empresário esteja preparado. É o que observa Cândida Maria Cervieri, diretora do Departamento de Micro, Pequenas e Médias Empresas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Nesta entrevista, ela ressalta a importância das micro e pequenas empresas estarem organizadas e capacitadas para a conquista de um mercado que pode render bons negócios. Cândida fala sobre o Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, também conhecido como Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que foi aprovado na Câmara dos Deputados e tramita no Senado Federal em regime de urgência. 23 Hoje existem 5 milhões e 100 mil micro e pequenas empresas na formalidade e 10 milhões na informalidade. Como o governo está se preparando para trazer essas empresas para a formalidade? Um dos princípios básicos na concepção do Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte é o da formalização dos micro e pequenos negócios. Nesse sentido, destacam-se medidas como a unificação do sistema de registro de empresa e recolhimento de tributos, conforme o projeto de criação da Rede Nacional de Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios – Redesim, a ampliação do setor de serviços no Simples e de outras atividades intensivas em mãode-obra (empresas de construção civil, Como o Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte poderá melhorar as perspectivas para os pequenos fornecedores? O Estatuto Nacional é um passo importante e inovador. Porém, não pode ser PEQUENOS FORNEC EDO R E S Qual a maior dificuldade apresentada pelas micro e pequenas empresas para participarem desse mercado? Grande parte dessas empresas não tem consciência do mercado potencial que Esse incentivo gerará empregos? A geração de empregos e a inclusão são uma decorrência. Na medida em que as empresas aumentam suas vendas, alcançando novos mercados e expandindo seus negócios, gerarão um volume maior de receita, lucros e investimentos, com efeito multiplicador sobre o emprego e a renda. contabilidade, informática, imobiliárias, escolas de idiomas, etc.), a instituição do Super Simples que engloba oito tributos (IRPJ, IPI, CSLL, COFINS, PIS, INSS sobre a folha de pagamentos, ICMS e ISS) e que permitirá uma redução de até 40% na carga tributária das empresas nele enquadradas (de 300 a 400 mil), a preferência para as micro e pequenas empresas nas compras governamentais de até R$ 80 mil. Além dessas, devem ser citadas, também, a criação de um Sistema Nacional de Garantias de Crédito, com o objetivo de facilitar o acesso das micro e pequenas empresas ao crédito e a outros serviços junto às instituições financeiras, o estímulo à inovação, os consórcios de exportação e o acesso a tribunais específicos. É preciso ressaltar que o governo vem trabalhando de forma integrada e consensualizada. As ações, medidas e programas estão sendo discutidos, compartilhados e construídos com o setor e a sociedade civil organizada. Um exemplo concreto é a formulação das políticas no âmbito do Fórum Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte e nos seus seis Comitês Temáticos (Racionalização Legal e Burocrática, Formação e Capacitação Empreendedora, Investimento e Financiamento, Tecnologia e Inovação, Comércio Exterior e Integração Internacional, e Informação). & Como as micro e pequenas empresas podem ter uma participação maior nesse mercado de compras governamentais? Esta resposta está diretamente relacionada à pergunta anterior. É fundamental termos presente que os pequenos fornecedores precisam conhecer o funcionamento do processo de licitação do governo e as suas normas regulatórias e, para tanto, têm que estar organizados e preparados. Outro fator importante é o pequeno fornecedor ter um produto competitivo e com qualidade, com escala e preço, fazer uma análise do mercado e da concorrência e buscar novas formas de associativismo. está se abrindo para elas. A maior dificuldade que elas encontrarão, como já foi dito anteriormente, será de se estruturarem para o processo licitatório e com isso, também, dominarem as normas regulatórias. Caberá ao governo, setor privado e associações de classe, conjuntamente, concentrarem esforços nessa tarefa de preparação dos empresários do setor, bem como na formulação de ações para sua capacitação. GRANDES COMPRADORES É possível que as micro e pequenas empresas atinjam a participação de 30% nas compras governamentais? Acredito ser possível chegarmos à participação de 30% das micro e pequenas empresas nas compras governamentais. Para isso, é necessário que haja um planejamento de curto, médio e longo prazo com definição de metas e ações envolvendo órgãos de governo, entidades de classe (federações, associações e confederações de microempresas e empresas de pequeno porte) e em especial o Sebrae, o Sistema “S” e a sociedade civil organizada. O objetivo comum deverá ser o da preparação dos empresários para os desafios desse mercado junto ao governo e às grandes corporações. PEQUENOS FORNECEDORES & GR ANDES COM PRADORES 24 considerado único. Tem de vir agregado a políticas públicas, parcerias, fortalecimento do associativismo e cooperativismo, bem como de programas de capacitação e de normas regulatórias. Por isso, não se pode dizer que ele solucionará todos os problemas das micro e pequenas empresas deste país. Na verdade, percebe-se uma conscientização maior da sociedade em relação a elas. Este é, sem dúvida, um momento muito particular, pois alguns capítulos do Estatuto Nacional ainda precisarão ser regulamentados. Qual outro tipo de ação do governo para estimular as micro e pequenas empresas? O governo vem trabalhando na construção de políticas industriais, de tecnologia e inovação, no aperfeiçoamento das diretrizes para compras governamentais, em ações de sensibilização e capacitação voltadas aos empresários de micro e pequenas empresas, no fortalecimento do associativismo, em políticas educacionais positivas e inclusivas, no fortalecimento das escolas de ensino tecnológico, na criação de uma rede de agentes de desenvolvimento de políticas de compras no âmbito do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, na participação efetiva dos empresários na formulação de políticas públicas no Fórum Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, através da Secretaria do Desenvolvimento da Produção, vem trabalhando 15 Fóruns de Competitividade Setoriais (têxtil e confecções, madeira e moveis, gemas e jóias, da construção civil, transformados plásticos, complexo eletrônico, biotecnologia, etc.), além do Fórum de Franquias. O fortalecimento das associações e federações de micro e pequenas empresas, também, é uma ação que o governo vem estimulando. Temos trabalhado no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior uma política de desenvolvimento, fortalecimento e consolidação dos APLs - Arranjos Produtivos Locais. Atualmente, os arranjos fazem parte do Plano Plurianual e das ações da Política, Industrial e Tecnológica do governo federal. O objetivo é promover o desenvolvimento integrado e aumentar a competitividade das micro e pequenas empresas que fazem parte destes conglomerados. Outras ações têm sido abordadas como o maior acesso ao crédito e garantias, o extensionismo e cooperativismo, programas de inovação, centrais de negócios, telecentros de informação e negócios, programas voltados ao agronegócio e à agricultura familiar, políticas voltadas ao artesão, entre outras. Esses são apenas alguns exemplos de ações que o governo vem desenvolvendo. As Micro e Pequenas Empresas estão aos poucos conseguindo entrar nesse mercado de grandes empresas? Esse é um processo lento e que precisa ser planejado. Grandes empresas como, por exemplo, a Petrobras, o Boticário, a Natura e outras que participaram do Seminário Grandes Compradores & Pequenos Fornecedores, promovido pelo Sebrae, com a participação do Institu- to Ethos, da Fides, ABF, Aberje e Afras, em São Paulo, são pontos de referência nesta discussão. Há, também, um aspecto social e econômico a ser levado em consideração: as micro e pequenas empresas representam 98% do tecido produtivo brasileiro e respondem por cerca de 40% da geração de emprego e renda. Existe, hoje, uma conscientização por parte da classe empresarial e econômica deste país da necessidade de se promover um espaço maior para o segmento. Há um mercado à frente das micro e pequena empresas. Para isso elas precisam... Estar organizadas, capacitadas e conscientes do momento que vivem. Precisam ter produtos e serviços competitivos, com qualidade, com preços compatíveis com os do mercado em que atuam e ter escala. Necessitam conhecer a concorrência, os canais de distribuição e, principalmente, trabalhar em redes de cooperação. Mas, infelizmente, neste momento, não conseguem fazer isso sozinhas. E é neste ponto que entram os governos, as agências de desenvolvimento, o Sistema “S”, a sociedade civil organizada, as entidades de classe e outras instituições, principalmente no estímulo à capacitação, à gestão e na preparação de suas empresas. Por fim, as lideranças precisam ter visão de longo curso e não de cabotagem. Então, se uma micro e pequena empresa quiser aumentar seu mercado deve procurar apoio? Sim. Mas deve ter presente o papel de cada uma das instituições envolvidas 25 PEQUENOS FORNEC EDO R E S As ações dependem apenas do governo? Algumas ações dependem do governo, outras dependem da parceria do governo com a iniciativa privada, entidades de classes, Sebrae, grandes corporações, sistema financeiro. Enfim, com as instituições que de alguma forma tenham uma interface com as micro e pequenas empresas. Costumo dizer que políticas públicas se constroem em parceria, respeitando os papéis institucionais, e que todos, como cidadãos brasileiros, temos uma parcela importante na construção dessas proposições. & Que ações podem ser destacadas nesse grupo que está pensando no fortalecimento das políticas públicas voltadas para compras governamentais das micro e pequenas empresas? Inicialmente, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Sebrae, associações de classe e entidades civis organizadas. Vou citar apenas algumas das políticas que estão em construção: o aperfeiçoamento das diretrizes de compras governamentais para MPEs, a identificação de experiências exitosas como as que foram apresentadas no Seminário Grandes Compradores & Pequenos Fornecedores, a revisão da Lei nº 8.666/93, de 21.06.93, que instituiu normas para as licitações e contratos da administração pública, incluindo a modalidade que contemple as compras governamentais para as MPEs, a instituição de um Grupo de Trabalho de compras governamentais no Fórum Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, a divulgação dos principais benefícios do Estatuto Nacional das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, a identificação de programas de qualificação e desenvolvimento de fornecedores no Brasil para disseminar as boas práticas de inserção de MPEs, a elaboração de estudo para incluir na legislação de licitações pontuação para as empresas que realizarem subcontratações de micro e pequenas empresas, bem como articulações nas diversas esferas públicas para definição de incentivos fiscais aos compradores de micro e pequenas empresas. GRANDES COMPRADORES com o setor e as suas demandas. Lembrando que o governo, as instituições de crédito, as agências de desenvolvimento, o Sistema “S” e, em especial, o Sebrae, entre outros, têm um papel fundamental junto às MEs e EPPs. Além disso, possuem programas, projetos e ações específicas voltadas para o segmento e técnicos preparados. Que outras diretrizes? Destaco, também, a sensibilização de grandes compradores públicos para divisão de lotes regionalizados que oportunizem o desenvolvimento local e a inserção de micro e pequenas empresas, o reforço da política de concessão de crédito, com juros baixos, facilidades de acesso ao crédito desburocratizado, como os já praticados por algumas instituições financeiras oficiais, a sensibilização das MPEs para que participem de associações, APLs e consórcios, como forma de se tornarem potenciais fornecedoras de grandes empresas e do governo. Há várias ações sendo pensadas e gestadas. Mas, como já manifestado anteriormente, elas precisam ser planejadas com metas de curto, médio e longo prazo. O governo tem uma preocupação muito grande com este segmento. E essa preocupação se traduz na proposição de ações concretas, justas, transparentes e responsáveis. PEQUENOS FORNECEDORES GR ANDES COM PRADORES & A Lei Geral dos pequenos fornecedores 26 Avanços no acesso a novos mercados para as micro e pequenas empresas As micro e pequenas empresas têm agora a garantia de melhores condições para participar de um mercado de quase R$ 300 bilhões. É o que assegura o projeto da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que já passou pela Câmara, deve ser aprovado pelo Senado e sancionado ainda este ano pelo presidente da República. São algumas soluções para que possam ser aperfeiçoadas as diretrizes de compras governamentais, ampliando de 17% para 32% a participação das micro e pequenas empresas como fornecedores nesse mercado, o que possibilitaria a criação de mais de 1 milhão de novos postos de trabalho direto e 3 milhões indiretos. “Um impacto sistêmico na economia, na sociedade”, diz Bruno Quick, gerente da Unidade de Políticas Públicas do Sebrae Nacional. Para empresários de pequenos negócios com experiência em vendas para grandes compradores públicos e/ou de economia mista, as licitações deveriam ser mais claras e específicas quanto ao detalhamento do produto e serviço. Segundo André Silva Spínola, consultor da Unidade de Políticas Públicas do Sebrae Nacional, se as licitações fossem feitas por itens já permitiria a participação de micro e pequenas empresas. “Quanto mais produtos agregados ao lote, menos acesso a pequena empresa tem para participar da licitação”, diz. 27 Lei Geral aprovada na Câmara A aprovação na Câmara do projeto de Lei Geral da Micro e Pequena Empresa é uma importante injeção de ânimo para os que acreditam no reconhecimento do trabalho das mais de 10 milhões de micro e pequenas empresas brasileiras que sobrevivem na informalidade. É especialmente um ganho para todo o Brasil que poderá, em 2007, quando a lei for promulgada, ter a formalização de 13 milhões de trabalhadores do setor que não têm a carteira de trabalho assinada. A formalização vai beneficiar diretamente a 23 milhões de pessoas e indiretamente a 69 milhões de brasileiros que dependem das micro e pequenas empresas. De acordo com o relator do projeto, deputado Luiz Carlos Hauly, o Brasil prepara o caminho para um futuro sistema tributário compatível com os melhores sistemas tributários do mundo. “Com essa lei o Brasil passa a ter uma das mais modernas leis voltadas ao incentivo das micro e pequenas empresas e à geração de emprego e renda”. O projeto de Lei Geral deve ser aprovado pelo Senado, podendo ser sancionado ainda esse ano pelo presidente. PEQUENOS FORNEC EDO R E S No caso de um empate por preço entre pequena e grande empresa participante de licitação, será assegurado, como critério de desempate, a preferência de contratação para as micro e pequenas empresas quando o preço oferecido for maior que a da grande empresa em até 10%. O conhecido empenho, uma declaração de pagamento referente a compra, poderá ser descontado na rede bancária, como um cheque ou duplicata, por exemplo. “Há bons pagadores, mas também existem muitas prefeituras, órgãos públicos que não pagam em dia e/ou deixam de pagar”, explica André Spínola. A micro contrato de publicidade, por exemplo, desde que não exceda a 30% do total licitado. “Não o trabalho estratégico, mas tudo o que a empresa tem de comprar de terceiros poderá ser incluído, inclusive contará pontos para ganhar o edital”, diz André Spínola. O consultor do Sebrae explica que já na proposta, a micro e pequena empresa incluirá os itens subcontratados e isso valerá como ponto positivo para desempate na licitação. Além disso, o licitante poderá pagar direto ao subcontratado, uma facilidade significativa, segundo Spínola. De acordo com o consultor do Sebrae, existem aqui fundamentos sócio-econômicos muito embasados que justificam comprar da micro e pequena empresa. A Lei Geral terá abrangência nas três esferas do poder público. O que significa ser aplicada no âmbito federal, estadual, distrital e municipal, trazendo mais eficácia e resultados concretos para os pequenos negócios, que passarão a ser regidos por um sistema legal uniforme, em uma espécie de consolidação de todo o conjunto de obrigações em único sistema. & DESTAQUES NA LEI GERAL e a pequena empresa poderá então, após 30 dias do vencimento, receber os valores empenhados, é a emissão da cédula de crédito microempresarial, prevista na Lei Geral. A idéia é que em contratações públicas seja dado um tratamento diferenciado e simplificado para as micro e pequenas empresas para promover o desenvolvimento econômico e social no município e na região. Assim, aumenta-se também a eficiência das políticas públicas e o incentivo à inovação tecnológica, prevê a Lei Geral, mas desde que previsto e regulamentado na legislação do respectivo ente municipal e/ou regional. Em contratações de até R$ 80 mil e havendo no mínimo três empresas de micro e pequenos negócios competindo pela conta, a preferência será dada às pequenas. De acordo com o Sebrae, assim, as prefeituras poderão realizar as licitações com compras de empresas da própria cidade, o que beneficia a economia local. Outra questão considerada importante é a possibilidade de subcontratação nos grandes contratos, como obras ou GRANDES COMPRADORES Assim, é importante que a Lei Geral seja regulamentada nos municípios, estados e governo federal para que, por exemplo, as certidões negativas exigidas para as micro e pequenas empresas sejam apresentadas somente caso elas vençam a licitação. E, mesmo vencendo, se surgir algum problema, que seja concedido ao empresário de micro e pequeno negócio quatro dias úteis para resolver as pendências. No Prominp são 1.431 micro e pequenas empresas participando dos projetos, empresas que empregam praticamente 30 mil funcionários PEQUENOS FORNECEDORES & 28 GR ANDES COM PRADORES Petrobras e Sebrae – parceiros das micro e pequenas empresas “São R$ 27 milhões comprometidos no programa, incluindo valores de 51 parceiros, uma surpresa agradável.” Há mais de 10 anos o Programa de Mobilização da Indústria de Petróleo e Gás Natural (Prominp), uma parceria da Petrobras e o Sebrae, com a iniciativa do Ministério de Minas e Energia, promove a inserção competitiva e sustentável de Micro e Pequenas Empresas (MPEs) na cadeia produtiva de petróleo, gás e energia. São R$ 27 milhões comprometidos no programa, incluindo valores de 51 parceiros. “No início do programa imaginamos conseguir uma adesão em torno de 3 milhões e hoje tem em termos de comprometimento em torno de 27 milhões”, conta Marco Aurélio da Rosa Ramos, gerente-executivo de materiais da Petrobras. “Isso foi uma surpresa muito agradável, significa que tem mais gente no mesmo barco que nós”. Para a gerente da Unidade de Atendimento Coletivo – Indústria, do Sebrae Nacional, Miriam Zitz, o principal aspecto dessa parceria é a oportunidade dada para as micro e pequenas empresas de participar dos negócios. “Para os próximos cinco anos a Petrobras estima que o mercado movimente U$ 87 bilhões. Um volume significativo para o desenvolvimento dos micro e pequenos empreendimentos”, diz. Segundo o gerente da Petrobras, inicialmente o projeto foi desenvolvido porque a empresa percebeu que, além da responsabilidade social, uma lógica econômica precisava estar presente na operação da Petrobras nas próprias cidades onde atuava. “A nossa inserção dentro das comunidades locais não era só uma questão de uma boa inserção, muito mais, uma solução mais barata por conseguir solução local, e solução local quer dizer micro e pequenas empresas, locais”, explica. Rosa Ramos lembra-se do tempo em que era necessário encontrar uma solução para o descarte de lâmpadas fluorescentes, que tem um gás que afeta a camada de ozônio. A Petrobras tinha uma em- presa em São Paulo que fazia a retirada do gás, entretanto, mandar as lâmpadas do Rio Grande do Norte ou Salvador, por exemplo, não era prático. “No meio do caminho quebrava a metade, o objetivo todo se perdia. Então seria ótimo se a gente tivesse soluções locais”, diz ele. O gerente-executivo da Petrobras conta que a percepção dessa realidade foi tomando corpo dentro da companhia e as diversas iniciativas que vinham sendo tomadas nas muitas unidades operacionais, se transformaram. “Acabaram desaguando numa iniciativa de caráter institucional, onde a corporação Petrobras fez um convênio com o Sebrae, a nível nacional”, diz. Miriam Zitz explica que a parceria com a Petrobras é uma conquista muito grande e importante e contém um olhar de responsabilidade social. “É como se as empresas estivessem sendo certificadas, elas ganham em qualidade, aprimoram o processo produtivo”, diz a gerente. Segundo Rosa Ramos, a Petrobras tem atuação em praticamente todos os estados brasileiros, mas cita alguns estados onde se concentra a atividade industrial como exemplos dessa parceria. “Na região da Amazônia tem a refinaria em Manaus e uma atividade de exploração e produção 29 PEQUENOS FORNEC EDO R E S focar no que interessa, no que tem relação direta com a empresa e onde ela vê como maior potencial, identificando, portanto, o que tem na cadeia produtiva. Existe ainda a parte de capacitação e desenvolvimento, que é a preparação das micro e pequenas empresas para acessarem esse mercado específico de óleo e gás. Além disso, mais adiante no processo, tem as redes de cooperação. “São as diversas empresas e micro-empresas que se associam de alguma forma no sentido de prover uma solução completa que individualmente não conseguiriam ou até mesmo, às vezes, de suprir demandas que sozinhas não conseguem”, explica Rosa Ramos. & óleo e gás da Petrobras e do país. Além disso, em São Paulo, tem uma quantidade enorme de refinarias. Como no Rio Grande do Sul existe a Refap e, no Paraná, a refinaria do Paraná. De acordo com Marco Aurélio da Rosa Ramos, gerente de Materiais da Petrobras, não adianta proceder de maneira desorganizada, o importante nesse processo é ter uma ação estruturada e uma ação de mobilização, que gere por si só movimento. “A gente não vai conseguir conduzir esse processo isoladamente, esperamos que esse processo inicie, que possamos ajudar a iniciar e que o próprio mercado o carregue”, defende. O convênio tem algumas etapas. Uma delas é identificar a cadeia produtiva local, GRANDES COMPRADORES de gás e óleo. Lá no Ceará tem uma fábrica de lubrificantes, a Luminor”, conta. Listando os estados brasileiros de atuação da empresa, o executivo diz que no Rio Grande do Norte/Ceará também existe uma área de exploração e produção de óleo e gás. Assim como na região de Sergipe/Alagoas tem uma unidade de negócios nessa atividade de exploração de óleo e gás e na Bahia existe a refinaria e uma série de outros trabalhos do setor. Segundo ele é importante citar ainda Minas Gerais, com a refinaria da Gabriel Paz; o Espírito Santo também com a exploração e produção de óleo e gás. Sem mencionar o estado do Rio de Janeiro, que tem refinaria, centro de pesquisas, produção e é o maior pólo produtor de PEQUENOS FORNECEDORES & GR ANDES COM PRADORES 30 (*) Expectativa A articulação em rede é um aspecto importante, segundo o gerente da Petrobras. Rosa Ramos diz que assim é possível dar ao empresário de micro e pequena empresa algum poder de fôlego para que assim possam enfrentar as dificuldades típicas de quando se trabalha sozinho. Outra questão, de acordo com Rosa Ramos, é a mobilização de maiores fornecedores com o próprio engajamento das micro e pequenas empresas como subfornecedores locais. “É carrear para dentro desse processo outras entidades, outras empresas, outras corporações que se interessem pelo assunto, quer dizer, não é intenção da Petrobras fazer uma iniciativa isolada com o SEBRAE, é ao contrário, gostaríamos de alavancar isso, porque se está dando resultado conosco, certamente vai dar resultado com outros também”, defende o gerente. Para o gerente da Petrobras, devem-se capacitar as empresas para atender às demandas. Segundo ele, a Petrobras já tem em seu cadastro 210 micro e pequenas empresas em condições de integrar a lista de fornecedores qualificados. “Até agora 13% dessas empresas conseguiram êxito sem muita dificuldade, as outras estão em processo, precisam se qualificar ainda em um ponto ou outro, com o tempo a gente consegue um resultado maior”, espera. Os números do Prominp impressionam. Várias rodadas de negócios, diagnósticos empresariais, empresas assistidas, cursos de formação e capacitação. Existem atualmente 1.431 micro e pequenas empresas participando dos projetos dos convênios. Empresas que empregam praticamente 30 mil empregados. E, com a expectativa em termos de negócio que foram fechados ou que estão sendo fechados em rodadas, na faixa de R$ 93 milhões, segundo a Petrobras. 31 PEQUENOS FORNEC EDO R E S presas, como Petrobras, Shell, El Paso e Halliburton. Na primeira edição, em 2004, foram negociados contratos no valor de R$ 25 milhões ao longo de todo o ano. O evento realizado no Rio de Janeiro foi organizado pelo Sebrae e a Organização Nacional da Indústria do Petróleo & A rodada de negócios realizada na 13ª edição da Rio Oil & Gás nos dias 12 e 13 de setembro pode ser considerada um sucesso, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Foram negociados R$ 100,3 milhões entre 163 micro, pequenas e médias empresas fornecedoras e 25 em- (Onip). No total, participaram da rodada cerca de 200 micro e pequenas empresas, a maioria do Rio de Janeiro. As demais vieram dos estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Alagoas, Bahia, Rio Grande do Norte, Amazonas, Sergipe, Espírito Santo e São Paulo. Mais de 800 itens foram ofertados, desde materiais elétricos, ferramentas mecânicas e válvulas, até suprimentos de informática, mobiliário, tintas, confecção de brindes e equipamentos de proteção individual. O principal objetivo da realização de rodadas como essa é aproximar os pequenos fornecedores dos grandes compradores. As micro e pequenas empresas ainda atuam timidamente no mercado de petróleo e gás. Para se ter uma idéia, em 2005, a Petrobrás realizou US$ 11,4 bilhões em aquisições, mas dos 6 mil fornecedores de seu cadastro, apenas 10% são micro e pequenas empresas. As grandes empresas participantes foram: Petrobras, Transpetro, BR Distribuidora, Shell, El Paso, Ipiranga, Halliburton, Schulumberger, Repsol YPF, Statoil, Maersk, Transocean, Brasil Supply, Brasken, Chevron, Coester, Hanover, TBG, Turbomeca, Petroquímica Triunfo, Petrorecôncavo, UTC Engenharia, Metalmec, Sprink e Altus. Em entrevista concedida à imprensa após a rodada, o diretor-superintendente do Sebrae/ RJ, Sergio Malta, disse que houve um amadurecimento dos pequenos fornecedores e que os ofertantes se prepararam para atender às demandas dos compradores, identificadas previamente pela organização. GRANDES COMPRADORES Rio Oil & Gás 2006 PEQUENOS FORNECEDORES 32 GR ANDES COM PRADORES & Do Rio para o Rio Grandes compradores e pequenos fornecedores atuando juntos no estado Uma das dificuldades encontradas por empresários brasileiros de pequenos negócios é chegar a grandes corporações para comercializar seu produto. A atividade que pode parecer complicada no início vem sendo estimulada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em diversos locais do país. No Rio de Janeiro, o Sebrae vem promovendo rodadas de negócio, dentro do projeto Compra Rio, da Secretaria de Desenvolvimento do Estado, que conta com apoio da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio). Um dos objetivos do programa é fazer com que empresas cariocas comprem de micro e pequenas empresas do próprio estado. Desde o ano passado, o Sebrae já promoveu cinco rodadas de negócio com a mesma característica – durante um dia inteiro, o departamento de compras de uma grande empresa é colocado em contato direito com micro e pequenos produtores, potenciais fornecedores. Já participaram das rodadas grandes empresas como, Pão de Açúcar, Wal Mart, Leader Magazine, além da Universidade Estácio de Sá e Metrô do Rio. O número de participantes pode variar de acordo com a demanda da empresa. Em geral, são de 90 a 120 pequenos fornecedores. Segundo o gerente da área de Acesso a Mercados do Sebrae (RJ), Marcus Maurell, as rodadas facilitam o acesso de pequenos fornecedores a grandes empresas. “Abre portas. É uma forma de fazer com que a micro e pequena empresa tenha acesso ao mercado de grande empresa”, afirma. “A grande empresa, muitas vezes se surpreende quando conhece a pequena empresa, que às vezes está na mesma rua e ela não conhece, e pode oferecer produto de qualidade e no prazo”. Alceir José Corrêa, empresário de pequeno negócio, já participou de duas rodadas de negócios do Sebrae promovidas com grandes empresas. A primeira experiência não teve êxito, mas ele não se sentiu desestimulado e, da segunda vez, um encontro com a rede de lojas Wal Mart, conseguiu comercializar seu produto - um acendedor de churrasqueira. “É uma bolinha, pouco menor que uma jujuba que ajuda a acender o fogo. Dispensa técnicas como pão misturado com álcool, que é perigoso e nem sempre traz resultados”, explica. O produto também é vendido para hotéis da região serrana do estado e no Rio Grande do Sul, onde é utilizado, usualmente, em lareiras. Alceir diz que a parceria com o Wal Mart está crescendo. A empresa começou a vender para duas lojas do Rio de Janeiro, e recentemente, em caráter experimental, oferece o produto para uma filial em São Paulo. Por mês, consegue de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil e espera conseguir aumentar as vendas e alcançar outras lojas da grande empresa. “Temos um bom potencial, o produto tem uma imagem boa. Queremos ir para a Lua”, diz. Mesmo quando o negócio não é fechado, os pequenos empresários não desistem. É o caso de André Vidal, que participou da rodada com a Universidade Estácio de Sá. Segundo ele, não foi 33 GRANDES COMPRADORES & PEQUENOS FORNEC EDO R E S possível fechar um acordo, mas conta que não se arrepende de ter participado e pode ir a outras rodadas. “Tenho interesse”, afirma. RODADA DE NEGÓCIOS A próxima rodada de negócios está marcada para o dia 25 de outubro. Será com o Mundo Verde. A empresa é uma grande rede de lojas franqueadas de produtos naturais que possui mais de 113 lojas em diversas cidades do Brasil. O Mundo Verde tem 20 segmentos de produtos, incluindo alimentação natural, produtos orgânicos, suplementos alimentares, cosmética natural, dietéticos, complementos alimentares, produtos ecológicos, produtos para o bemestar, CDs e livros. Para participar da rodada de negócio, a micro e pequena empresa deve estar registrada, assim como o produto a ser oferecido. O responsável deve levar também uma tabela de preços com as condições de pagamentos praticados no mercado. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pela internet até o dia 20 de outubro no site: www.sebraerj.com.br COMPRA RIO O projeto “Compra Rio” atua e incentiva negócios em mais duas frentes. A primeira nas compras efetuadas pela administração pública. Nesse caso, as empresas do Rio de Janeiro têm isenção de ICMS. Além disso, o programa estimula o morador do estado a comprar produtos fabricados no Rio de Janeiro. PEQUENOS FORNECEDORES GR ANDES COM PRADORES & Pequenos fornecedores: o tamanho realmente importa no mercado? 34 Raissa Rossiter * “As micro e pequenas empresas têm apenas 17% de participação no volume de cerca de R$ 260 bilhões de compras governamentais.” No esforço de consolidar sua participação em mercados mais diferenciados e complexos, as micro e pequenas empresas (MPE) necessitam adotar cada vez mais estratégias orientadas para segmentos específicos para a oferta de seus produtos e serviços. As 500 maiores empresas divulgadas na edição especial da Revista Exame, Maiores e Melhores, de julho de 2006, faturaram em 2005 cerca de US$ 577 bilhões. O PIB naquele ano foi de US$ 796.284.000,00 (setecentos e noventa e seis bilhões e duzentos e oitenta e quatro milhões de dólares), segundo relatório do IBGE. Portanto, esse faturamento representa 72,4% do PIB brasileiro. Não há estatísticas consolidadas sobre a participação das pequenas nesses mercados. Por outro lado, sabe-se que as MPE têm apenas 17% de participação no volume de cerca de R$ 260 bilhões das compras governamentais. Dentro dessa lógica, fica simples perceber a existência de boas oportunidades de negócios para micro e pequenas empresas nas cadeias de suprimentos dos grandes compradores, privados ou públicos. Com o aumento da competitividade, grandes empresas acabaram terceirizando alguns de seus processos, repassando-os, muitas vezes, para os próprios empregados. Atualmente, é possível observar crescente número de empresas de grande porte no Brasil que começam a desenvolver iniciativas pontuais com o objetivo de inclusão de pequenos fornecedores em suas cadeias de suprimento de produtos e serviços. São, sem dúvida, oportunidades de novos e substantivos mercados que se abrem para as MPE. No entanto, as micro e pequenas empresas que não surgiram a partir de processos de terceirização carecem ainda de oportunidades para inserção na cadeia de suprimentos das grandes empresas. Um dos motivos mais fortes que contribuem para a exclusão das MPE é a falta de orientações com relação às especificações dos insumos que as grandes exigem para atender aos seus padrões de qualidade. Como forma de suprir essa lacuna, surgiram os Programas de Qualificação ou de Desenvolvimento de Fornecedores, os quais têm estreitado as relações entre pequenos fornecedores e grandes compradores com vantagens para ambos. O que se busca é o aumento do volume de fornecimento das MPE e o atendimento das especificações exigidas. Além disso, para os grandes compradores, é fundamental a redução do tempo de produção e a necessidade de estoques. 35 “O tamanho da empresa ainda importa, sim, e é fator restritivo no Brasil para acesso a mercados de compras corporativas.” * Raissa Rossiter é gerente da Unidade de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional. PEQUENOS FORNEC EDO R E S competitividade das MPE no mercado. Essas, por sua vez, podem se constituir no maior reduto de geração de riqueza, empregos e redução de desigualdades sociais caso participem de forma mais permanente e duradoura das compras governamentais e das grandes empresas. É a partir desse valioso e necessário engajamento de grandes compradores e pequenos fornecedores, apoiados por programas e políticas públicas adequadas, que poderemos consolidar no país práticas de negócios éticas, sustentáveis e comercialmente recompensadoras. Bom para os pequenos, bom para os grandes, ótimo para o desenvolvimento do país. & de uma quantidade menor e mais qualificada de fornecedores, garantindo prazos, preços e quantidades compatíveis com suas demandas. Por isso, as estratégias de colaboração horizontal entre pequenos fornecedores são fundamentais para ajudá-los a criar mecanismos de organização coletiva de compra e venda, respondendo de forma apropriada às exigências de grandes clientes públicos e privados. Por todas as evidências observadas, o tamanho da empresa ainda importa, sim, e é fator restritivo no Brasil para acesso a mercados de compras corporativas. Ser um fornecedor de pequeno porte, pelas limitações internas e externas que enfrenta, ainda é uma condição que restringe o acesso a informações, oportunidades, e, o que é mais decisivo para sua sustentabilidade, aos negócios existentes em mercados de compras corporativas. Para resolver essas questões é que o Sebrae busca articular esforços com parceiros públicos e privados. Conscientes desse cenário de muitos desafios para as MPE e, em última instância, para a economia brasileira como um todo, pelo grande desequilíbrio entre os grandes e os pequenos fornecedores, é que o Sebrae e parceiros estarão trabalhando um plano de ação compartilhado, fruto da sugestão de mais de 100 representantes de MPE, grandes empresas públicas, de economia mista, do setor privado e várias entidades de classe. O objetivo é obter uma participação mais justa do segmento das empresas de menor porte nesses mercados. Sem dúvida, grandes empresas podem atuar como indutoras para a maior GRANDES COMPRADORES Esta relação “ganha-ganha” é que tem possibilitado o crescimento desses programas, mas ainda de forma incipiente para a necessidade do país em termos de aumento de competitividade. Nos países desenvolvidos, há muita experiência acumulada e diversas corporações públicas e privadas de grande porte já possuem políticas definidas para o fortalecimento de pequenos fornecedores nas suas estratégias de compras, como prática de sistemática de negócios. Nos Estados Unidos, Japão e Alemanha, por exemplo, a capacitação tecnológica e de inovação das micro e pequenas empresas sofrem processos de incentivos das grandes empresas e do governo, como forma de se obter ganhos de qualidade, produtividade e competitividade visando à inserção dos pequenos em outros blocos econômicos. No Brasil, estamos caminhando nessa direção, mas ainda há etapas importantes a percorrer. Na ótica das grandes empresas, apesar do interesse, freqüentemente são citadas dificuldades de comprar dos pequenos, tal como desconhecimento sobre informações fundamentais. Ou seja, onde estão, quem são e qual a capacidade de entrega dos potenciais fornecedores de pequeno porte, em face da menor capacidade de suprimento e de uma política de comunicação ainda tímida e não-dirigida das pequenas junto aos seus potenciais clientes. Do ponto de vista da gestão, muitas grandes ainda não possuem registro de porte de fornecedores em seus cadastros, mas poderão, como clientes, estruturar mecanismos mais sistemáticos de relacionamento com seus pequenos fornecedores. Outra dificuldade dos grandes é como compatibilizar a necessidade de compra PEQUENOS FORNECEDORES GR ANDES COM PRADORES & Grandes compradores, pequenos fornecedores 36 Uma parceria para um país mais justo – ajustes para atender às exigências do mercado “São 1.550 micro, pequenas e médias empresas que fornecem tudo que for necessário para o desenvolvimento de uma obra.” Mercado atrativo. A grande compradora Construtora Norberto Odebrecht, comprou em 2005 U$ 300 milhões e já projeta crescimento de 20% para 2007. A empresa tem projetos de engenharia em 18 países, principalmente na América do Sul e África. “Tudo o que a obra precisa e não há no local, compramos por aqui”, diz Bruno Wegmann, responsável pelo planejamento estratégico da área de exportação, o departamento encarregado das compras, de logística e exportação. São 1.700 fornecedores que a Odebrecht tem cadastrado atualmente, entre eles, 1.550 são micro, pequenas e médias empresas. Os fornecedores da Odebrecht são principalmente as pequenas e médias empresas. “Fornecem basicamente produtos alimentícios, de limpeza, vestuário, higiene, para obras, para operários, enfim, tudo o que é necessário para o desenvolvimento do projeto”, explica Wegmann. A Odebrecht faz uma análise do fornecedor, uma pontuação. É um cadastro de avaliação. “Encontramos ainda problemas principalmente com relação a cumprimento de prazos e embalagem”, 37 Há 15 anos a Instaladora Tocantins trabalha com materiais elétricos e presta serviços na área. Hoje são apenas oito funcionários em uma empresa que já chegou a ter 20 empregados e faturou R$ 1,5 milhão por ano. “Os anos de 2004 e 2005 foram os melhores, quando trabalhava com grandes compradores”, diz PEQUENOS FORNEC EDO R E S O PEQUENO FORNECEDOR & não acredita que vá aumentar o número de fornecedores de micro e pequenas empresas, principalmente por conta das compras em grande escala e em função do perfil de compra da própria Odebrecht. “Acabamos direcionando para os grandes fornecedores, somente compras pulverizadas vão para os micro e pequenos empresários”, relata Wegmann. GRANDES COMPRADORES diz Bruno Wegmann. Como o material comprado pela empresa será exportado para os locais das obras, é importante que a embalagem seja adequada senão a Odebrecht precisa embalar novamente. A empresa está implantando a cotação online. Com o novo sistema a Odebrecht espera agilizar o trabalho de compras. “Ainda tem fornecedor que manda a cotação por fax, isso atrasa, prejudica o trabalho”, explica o responsável pelo planejamento estratégico da área de exportação. Para ele é importante o desenvolvimento tecnológico por parte dos fornecedores. “Alguns nem têm acesso à internet e prejudica a operação, perdemos agilidade”. A tendência da Odebrecht é reduzir o número de fornecedores, concentrar nas empresas que já apresentam melhores índices de avaliação. A empresa Anderson Rodrigo dos Santos, um dos sócios da Instaladora. Anderson dos Santos conta que a empresa não conseguiu renovar um grande contrato, dos que mantinha com grandes empresas de telefonia celular, e os funcionários foram dispensados. Segundo ele, a instaladora já prestou serviços também para indústrias e construtoras. De acordo com o empresário do pequeno negócio, uma dificuldade é o gerenciamento. E, para isso, está estudando e fazendo cursos de aperfeiçoamento para atender às exigências de mercado. “Fiz inclusive alguns cursos no Sebrae, espero fazer com que a empresa cresça e supere as dificuldades”, descreve. A Instaladora Tocantins sofre ainda uma grande dificuldade, o fluxo de caixa. O empresário relata que muitas vezes o pagamento proveniente de um grande comprador pode levar 60 dias ou mais. “Nessas condições fica difícil manter o negócio”. E por isso Anderson dos Santos disse que está procurando preparar a empresa para casos assim. “No início fomos muito penalizados porque eu não esperava a demora de alguns pagamentos. Quando o contrato é grande então, se atrasa fica ainda mais complicado”, pondera o empresário. Ainda assim ele diz que a pequena empresa está otimista. Estão trabalhando para fechar um novo contrato com uma grande empresa de telefonia. “Nos pediram que fizéssemos manutenção preventiva de rede”, comemora o empresário, afirmando que também está estudando novas frentes de atuação com outras empresas no estado e loteamentos onde pode fazer eletrificação de média tensão. PEQUENOS FORNECEDORES 38 GR ANDES COM PRADORES & Ponto Solidário Preservando as questões culturais, uma característica social com valor comercial “A comercialização desses produtos artesanais tem uma característica fundamental, tem como base o comércio justo.” O projeto “Ponto Solidário”, que funciona na rede Yázigi Internexus, vem desde 2002 atuando com artesãos, associações e pequenas empresas que trabalham com artesanato. A idéia do projeto surgiu porque a missão da rede de ensino de idiomas contempla a formação do cidadão, e para isso lança mão de uma série de recursos, quer seja na proposta educacional, na elaboração dos temas que vão para os seus livros, quer na atitude dentro das escolas ou no espaço arquitetônico onde funcionam as escolas. Tudo começou com a matriz da rede Yázigi, em São Paulo, onde existe uma das lojas com as peças artesanais em exposição. “Temos, por exemplo, um acervo de artesanato indígena trazido pelos irmãos Villas Boas, em exposição permanente”, diz Cláudio Tieghi, diretor da Associação de Franquias Solidárias (Afras). Ele explica que o material causa impacto. “Os nossos próprios colaboradores, funcionários da matriz, queriam entender um pouco mais o que era essa ação”, relata. Cláudio conta que, aos poucos, as pessoas, independentemente de fazerem cursos no Yázigi, passaram a ir até as lojas para conhecer e comprar os trabalhos artesanais. “A comercialização desses produtos tem uma característica fundamental, tem como base o comércio justo”, conta. O trabalho da rede Yázigi compreende dar oportunidade ao artesão, à pequena cooperativa e às associações que desenvolvem trabalho com artesanato, a possibilidade de expor seus trabalhos em um espaço privilegiado e assim comercializá-los a melhores preços. “Muitas vezes a comunidade produz um artesanato de altíssima qualidade e não consegue vendê-lo na própria comunidade”, ressalta. Para Cláudio Tieghi, é possível obter o artesanato de alto nível preservando as questões culturais, preservando a comunidade, resgatando valores por vezes perdidos. “Isso tem um valor próprio de característica social e tem um valor comercial também”, diz. Ele explica que o conceito de comércio justo significa que o material artesanal chega à loja do Ponto Solidário e passa por uma reflexão de origens de materiais. “Por exemplo, tudo que é oferecido no Ponto Solidário e que leva madeira é acompanhado para saber se essa madeira é ou não fruto de desmatamento ou de qualquer outra ação desordenada”, conta. Segundo Cláudio, o Ponto Solidário leva em consideração a produção e a própria sustentabilidade da loja. O projeto tem hoje produção artesanal de todo o Brasil, desde comunidades indígenas no Mato Grosso até as do sul do país. São duas lojas, em São Paulo e em Vitória, com apoio do Sebrae do Espírito Santo, e, de acordo com Cláudio, a produção tem reconhecimento internacional. “É muito comum encontrar estrangeiros, pessoas de outras cidades que incluem na sua programação de passeio turístico em São Paulo, por exemplo, uma passadinha no Ponto Solidário para fazer uma compra justa, para fazer uma compra que transforma e para contribuir no desenvolvimento das nossas pequenas comunidades, desses pequenos fornecedores”, exalta. O diretor da Afras diz que o projeto do Ponto Solidário é uma onda constante de transformação, preservação de cultura, sustentabilidade de comunidades e sensibilização do consumidor. DM9 É DDB �������������������������� ��������������������������� ������������������������ ���������������������� ������������������������������������ ��������������������������������� ������������������������� ������������������� ��� ������� ��� ������� ����� ��������� ���� ���������� �� �������� ����� ������� ��������� �� ���� �������� ���� ������������������������������������������������� ����������������������������������������������������� ���������������������������������������������� Responsabilidade social empresarial é uma forma de gestão e deve estar no centro das estratégias dos negócios PEQUENOS FORNECEDORES & 40 GR ANDES COM PRADORES Gestão socialmente responsável voltada a mercados A responsabilidade social empresarial está diretamente relacionada com o desenvolvimento. Entretanto, o comportamento empresarial responsável nem sempre tem por trás a mais nobre das intenções com relação à sociedade, segundo Patrícia Sogayar, do Instituto Ethos. O presidente da Integrare, Silas Cezar da Silva, partilha da mesma opinião. “A responsabilidade social não é só para o bem do país, é porque é bom para a empresa”, afirma. O que quer dizer que responsabilidade social empresarial é uma forma de gestão. E esse conceito de gestão para a sustentabilidade deve estar no centro das estratégias dos negócios, de acordo com o presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young. Segundo o Instituto Ethos, a responsabilidade social empresarial agrega valor à marca da empresa, contribui para melhorar desempenho (produtividade e comércio) e posiciona a empresa estrategicamente no mercado. Tanto o Instituto Ethos, que hoje agrega 1.200 associados, quanto a Integrare, uma associação empresarial com mais de 3.600 corporações, defendem o acesso qualificado das micro e pequenas empresas às grandes cadeias produtivas. “Quando falamos de responsabilidade social e empresarial, falamos de resgate do poder de as empresas poderem ser agentes de transformação social ao mesmo tempo melhorando tanto o ambiente onde elas estão, quanto o próprio negócio delas, sustentabilidade tanto da sociedade quanto dos negócios”, comenta Patrícia Sogayar, do Instituto Ethos. A vantagem das micro e pequenas empresas, de acordo com o presidente da Integrare, Silas Cezar da Silva, é que elas são mais ágeis, mais criativas, rapidamente se adaptam ao cliente, além de serem flexíveis. “Não são pesadas e o custo em algumas operações é menor”, afirma. Silas Cezar da Silva defende o trabalho de micro e pequenas empresas que sejam formadas por negros, deficientes e indígenas, e diz que a sociedade é feita de grupos distintos. “Grupos tradicionalmente excluídos que pouco atuam como empreendedores, por exemplo”, conta ele. Sugestões como implantar uma carta de princípios, melhorar o processo de governança de gestão, realizar investimento social privado, é um começo também considerado por Patrícia como uma forma de levar responsabilidade social empresarial a todas as empresas. “São parcerias com organizações não-governamentais, políticas públicas, etc., que falamos do comportamento sustentável e socialmente responsável na cadeia de valor”, diz. Engajamento governamental, com legislação específica e políticas públicas, é o que o presidente da Integrare diz ser necessário. Ele pede mais proatividade por parte do Governo. “Hoje a máquina governamental está atrasada”, afirma. Para Silas Cezar da Silva, algumas empresas do mercado estão fazendo um bom trabalho, mas ainda não há conscientização por parte de todos. “Estão fazendo sem incentivo governamental, imagine se tivesse”, indaga. 41 Um programa do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com o apoio do Sebrae e a adesão de 120 pequenas e médias empresas, além das grandes. A idéia é disseminar o conhecimento sobre responsabilidade social e aumentar as oportunidades de mercado das pequenas e médias empresas nos próximos três anos com um orçamento de US$ 2,600 milhões. Assim, é incentivada a gestão socialmente responsável nas pequenas e médias empresas que atuem na cadeia de valor de empresas estratégicas em sete setores da economia: petróleo e gás; energia elétrica; varejo; construção civil; mineração; siderurgia; e açúcar e álcool. Em cada um destes segmentos, foi identificada uma “empresa-âncora”, com experiências avançadas em responsabilidade social empresarial, que seleciona 15 pequenas e médias empresas da sua cadeia de valor, e com as quais se compromete a trabalhar para a incorporação / ampliação da gestão socialmente responsável nos processos internos destas pequenas e médias empresas e no relacionamento entre as partes. Em paralelo ao trabalho desenvolvido com as pequenas e médias empresas, o Programa Tear também vai buscar envolver parceiros que possam multiplicar a experiência para outros setores, tornando o conhecimento disponível a todos os interessados e induzindo a adoção da responsabilidade social empresarial por mais empresas de cada um dos setores. PEQUENOS FORNEC EDO R E S TEAR – Tecendo Redes Sustentáveis & Uma organização que promove a intermediação entre grandes empresas e empresas de grupos sociais tradicionalmente excluídos. “Só portadores de deficiência são 20 milhões no Brasil”, destaca Silas Cezar da Silva, presidente da Integrare. Ele ressalta que os grupos precisam se organizar. Na busca do empreendedorismo, do acesso qualificado às grandes cadeias produtivas, a Integrare promove o desenvolvimento empresarial, a integração e negócios sustentáveis entre empresas pertencentes a pessoas negras, indígenas e portadoras de deficiência (EFIs - Empresas Fornecedoras da Integração) e empresas e corporações comprometidas com o desenvolvimento sustentável do Brasil. Valorizar a diversidade humana, étnica, de gênero, entre outras, nos negócios e na sociedade é uma busca constante da Integrare que já tem 30 corporações que apóiam e participam do programa. É uma organização atuante no desenvolvimento empresarial e dos negócios, com qualidade e competitividade, que reconhece a importância dos valores humanos. GRANDES COMPRADORES INTEGRARE – Centro de Integração de Negócios PEQUENOS FORNECEDORES & GR ANDES COM PRADORES 42 Sebrae impulsiona Programa de Desenvolvimento de Fornecedores no ES A meta do PDF é atingir 300 micro e pequenas empresas de 10 municípios capixabas fazendo aproximação de fornecedores, grandes empresas compradoras, governo e associações de classe No Espírito Santo, o Programa de Desenvolvimento de Fornecedores (PDF) procura aproximar empresas locais aos grandes compradores e detentores de tecnologia que atuam na região. O PDF foi criado em 1995 pela DVF Consultoria e tomou novo impulso este ano com apoio do Sebrae, que serviu para incrementar o programa e proporcionar a participação de micro e pequenas empresas. O PDF tem quatro grandes empresasâncoras: Aracruz Celulose, Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e Samarco Mineração. Tem como meta atingir 300 micro e pequenas empresas de 10 municípios. O Sebrae, que vem ajudando a implantar o programa no estado, promoveu este ano seis eventos com as grandes empresas e detentores de tecnologia. Participaram dos encontros mais de 400 pessoas e foram feitos mais de 250 contatos entre os fornecedores locais e as grandes corporações e detentores de tecnologia. A metodologia envolve a aproximação de fornecedores, grandes empresas compradoras, governo e associações de classe, uma vez que todos estes, mesmo que por motivos diferentes, têm A figura mostra as formas de interação e operacionalização dos atores envolvidos pelo PDF: Fonte: DVF Consultoria 43 CERTIFICAÇÃO AJUDA FORTALECIMENTO DE EMPRESAS NO ESPÍRITO SANTO Um dos fatores que ajudam as micro e pequenas empresas a comercializar com grandes corporações são certificados que garantem a qualidade da produção. No Espírito Santo, existe o Programa de Desenvolvimento e Qualificação de Fornecedores (Prodfor) que desde 1997 atende empresários da região com a intenção de organizar o seu Sistema de Gestão da Qualidade em Fornecimento (SGQF). O apoio e coordenação do programa é da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes) e Instituto Euvaldo Lodi (IEL-ES). O Prodfor é uma ação conjunta das principais empresas instaladas no estado. Tem como objetivo estabelecer e implementar um sistema integrado para desenvolver e qualificar fornecedores de bens e serviços para as empresas mantenedoras, e contribuir para a melhoria de fornecimento. Além disso, busca promover a melhoria e o desenvolvimento das empresas fornecedoras instaladas no estado. Participam como mantenedoras 12 grandes empresas que estão no Espírito Santo: Aracruz Celulose, Nexen, Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan), Chocolates Garoto, Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), Companhia Vale do Rio Doce, Espírito Santo Centrais Elétricas, Flexibrás Tubos Flexíveis, Petrobras, Samarco Mineração e Telemar - Telecomunicações do Espírito Santo S.A. Atualmente, 239 empresas já implantaram o Sistema de Gestão da Qualidade em Fornecimento (SGQF), que possui os mesmos requisitos da norma ISO 9001. A expectativa é alcançar até o fim do ano 300 empresas, sendo que a maioria é um micro ou pequeno negócio. Para o coordenador executivo do Prodfor, Luciano Raizer Moura, o programa representa uma “revolução” para o estado. Segundo ele, há dez anos 1% das empresas locais negociavam com as grandes, e hoje esse número já chega a 30%. Luciano Moura acredita que se não fosse o Prodfor, o aumento seria menor. Ele explica que a certificação garante um produto de qualidade uma vez que antes de implantar o SGQF, o participante passa por treinamentos e consultoria. “O programa trouxe competência requerida para o fornecedor local atender às grandes empresas”, diz. Uma empresa que retirou o certificado do Prodfor é a Cofervil Indústria e Comércio de Ferros que comercializa 80% da sua produção para a Companhia Siderúrgica de Tubarão CST. O fornecedor, que possui cerca de 160 funcionários, trabalha com sucata. De acordo com a assessora de qualidade da Cofervil, Jenecke Piffer, a empresa teve crescimento após a parceria, além de ter um produto com mais qualidade. “Tem mais controle e inspeções durante todo o processo produtivo. Com isso diminuiu o re-trabalho, ou seja, ter que fazer de novo”, observa. PEQUENOS FORNEC EDO R E S divulgação das empresas participantes. E por fim, assessoria às negociações por meio de workshops com grandes empresas e detentores de tecnologia e empresas locais. Ao final está prevista a implantação dos planos de ação. Em 1998 o PDF foi levado também a Minas Gerais, Maranhão, Pará, Bahia, e em 2005, chegou à Bolívia. & grandes empresas. Depois é identificada a demanda atendida e não por empresas locais. São verificados ainda os pontos fracos que impedem essas empresas de garantir fornecimento às maiores. Em terceiro lugar, é construído um plano de trabalho contemplando a capacitação e certificação de empresas, trabalhadores e gestores; a promoção e GRANDES COMPRADORES interesse no desenvolvimento local. “A idéia é fortalecer as empresas locais e ver como ampliar o desenvolvimento da empresa local”, afirma Evandro Barreira Milet, diretor técnico de Produto do Sebrae/ES. Ele explica que o programa busca fazer em primeiro lugar um diagnóstico dos fornecedores locais e das compras das PEQUENOS FORNECEDORES & GR ANDES COM PRADORES 44 Responsabilidade empresarial, responsabilidade social Ricardo Young * “Cada vez mais as grandes empresas estão se tornando conscientes e, por isso, estão ainda mais preocupadas com sua cadeia de fornecedores e com as micro e pequenas empresas, que são um elo fundamental nas correntes de sustentabilidade. Elas vão ocupar gradativamente um lugar decisivo para a prosperidade das próprias grandes empresas.” Muitas vezes olha-se para uma pequena empresa como se ela estivesse no fim de uma cadeia de valor, no fim de uma cadeia de fornecedores e não se percebe o quanto ela mesma é determinante para o sucesso e a competitividade das grandes empresas. A qualidade da micro e pequena empresa é fundamental para ganhos de competitividade em todos os segmentos da economia. Cada vez mais as grandes empresas estão se tornando conscientes e, por isso, estão ainda mais preocupadas com sua cadeia de fornecedores e com as micro e pequenas empresas, que são um elo fundamental nas correntes de sustentabilidade. Elas vão ocupar gradativamente um lugar decisivo para a prosperidade das próprias grandes empresas. Neste cenário a responsabilidade social empresarial como uma nova forma de gestão torna-se imprescindível. Não estamos falando de uma ação isolada de uma empresa com a sua comunidade ou do apoio a algum projeto social específico. Estamos falando em incorporar ao planejamento estratégico as demandas dos públicos de interesse e, de modo geral, da sociedade. Estamos, por isso, falando de construir diálogos com os vários atores sociais num processo ético e transparente capaz de forjar uma relação solidária, de verdadeira entre empresa e sociedade. Faz parte da decisão socialmente responsável de mudar a maneira de gerir os negócios, por exemplo, adotar a diversidade como critério fundamental da política de Recursos Humanos; ou estabelecer um novo tipo de relacionamento com fornecedores, integrando-os de fato a uma cadeia produtiva que compartilhe resultados com todas as partes interessadas. É preciso entender responsabilidade social empresarial como gestão para a sustentabilidade, isto é, como um compromisso permanente, por parte do empresário, em adotar comportamento ético e contribuir para o desenvolvimento econômico junto com qualidade de vida para seus empregados e familiares, bem como para a comunidade local e a sociedade em geral. Num mundo de incertezas, a melhor forma de competir e sobreviver é construir e manter relações de confiança. São elas que permitem o enfrentamento de crises, de conflitos, das mudanças bruscas no cenário macroeconômico no conjunto das empresas e dos mercados. Portanto, as metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável consideram que a responsabilidade da empresa vai além da produção de resultado econômico. INDO ALÉM DO LUCRO Por mais inquestionável que seja a importância dos resultados econômicos, eles não são suficientes para que uma 45 * Ricardo Young é presidente do Instituto Ethos PEQUENOS FORNEC EDO R E S lidade, o achaque dos fiscais, o cipoal de corrupção, golpes e fraudes dos seus funcionários, ações hostis dos seus próprios concorrentes, o esquecimento dos consumidores. Em segundo lugar, porque uma micro e pequena empresa socialmente responsável passa a ter igualdade de condições na concorrência e nas licitações. Várias grandes empresas já estão adotando a RSE como um dos critérios para definição de fornecedores. E as licitações públicas também avançam neste sentido. Portanto, a adoção de um sistema de gestão socialmente responsável para a sustentabilidade não é privilégio das grandes empresas, é uma condição para negócios duradouros e para modelos de desenvolvimento de países como um todo. A empresa – independentemente do porte ou do setor onde atue – que ainda não adotou a gestão socialmente responsável deve fazê-lo, porque é um rio de competitividade, um rio de oportunidades. Então, você quer continuar perdendo ou vamos começar a ganhar todos nós? & Entre os 100 maiores PIBs mundiais, 30 são de empresas, ou seja, as empresas são maiores que países, estão em vários países, têm comando, causam impacto em várias cadeias de valor, influem em várias legislações. Para as pequenas e microempresas, a concorrência se realiza num ambiente institucional deteriorado e hostil, com impostos insuportáveis, propostas de suborno no meio público e condições extremamente duras para participar da cadeia produtiva das grandes empresas. Temos muitas esperanças de que a Lei Geral das PMEs corrija uma série de desvios. No entanto, os pequenos e microempresários podem adotar os princípios da gestão socialmente responsável e levar o negócio a um novo patamar de competitividade, lançando as bases para a consolidação da sustentabilidade no longo prazo. Tecnologias, sistemas de informação, redes de apoio e aprendizado dinâmico e coletivo são também algumas das ferramentas importantes para garantir a competitividade do negócio. Se uma microempresa tem acesso à tecnologia de uma rede de franquia, por exemplo, e agrega a isso a gestão socialmente responsável, vai conseguir uma condição competitiva fantástica. Muitos empreendedores ainda acreditam que a RSE é “coisa para empresa grande”. Algo para o qual se deve dar atenção “depois que o negócio crescer”. No mundo atual, não há crescimento sem gestão socialmente responsável, principalmente para as PMEs. Gestão socialmente responsável é a estratégia competitiva para este segmento. Primeiro, por exigir a aplicação de critérios de ética e transparência, evita a informa- GRANDES COMPRADORES empresa alcance um patamar de sustentabilidade no longo prazo. Há pelo menos uma década, o mundo vem discutindo o conceito do triplo resultado dos negócios, que é a agregação de valor econômico (resultados do seu processo produtivo ou de serviço) ao valor socioambiental. A união do econômico com as vertentes social e ambiental mostram qual o impacto da atividade da empresa na sociedade, o que seus processos, produtos e serviços contribuem (ou não) para um desenvolvimento que distribua riqueza. Num mundo de miséria, desemprego, meio ambiente degradado, corrupção e violência, gestão socialmente responsável e sustentabilidade dos negócios deixam de ser opções para as empresas. São necessidades estratégicas. Não há possibilidade de negócios num ambiente deteriorado, não há empresa saudável em sociedades doentes. É impossível fazer bons negócios em países que estão com suas instituições deterioradas, que estão com doenças sociais graves, que estão vivendo instabilidade política ou mesmo, como no Brasil, esta tragédia da corrupção. A corrupção emperra a competitividade e faz mal à saúde das instituições democráticas. Num ambiente corrupto, ser bom empresário, desenvolver negócios, empreender visões, semear riqueza e produzir para o conjunto da sociedade torna-se praticamente uma batalha. Daí a importância da gestão que olha para o triplo resultado (econômico, social e ambiental). Empresariar hoje está intimamente ligado à responsabilidade das empresas pela qualidade da gestão pública. As empresas são hoje a principal força organizada das sociedades. Quer conhecimento? Tem sempre um Sebrae pertinho de você. O Sebrae está no Brasil inteiro, sempre de portas abertas para receber os empreendedores que já têm ou sonham em abrir um negócio. Com essa lista de endereços, vai ficar muito fácil encontrar a instituição que dá apoio e orientação aos donos de pequenos negócios de todo o país. Você encontra o Sebrae no site www.sebrae.com.br ou em uma cidade bem pertinho de você. ACRE - Rua Rio Grande do Sul, 109 - Centro CEP: 69903-420 - Rio Branco/AC - Fone: (68) 3216-2100 PARAÍBA - Av. Maranhão, 983 - Bairro dos Estados CEP: 58030-261 - João Pessoa/PB - Fone: (83) 3218-1000 ALAGOAS - Rua Dr. Marinho de Gusmão, 46 - Centro CEP: 57020-560 - Maceió/AL - Fone: (82) 3216-1600 PARANÁ - Rua Caeté, 150 - Prado Velho CEP: 80220-300 - Curitiba/PR - Fone: (41) 3330-5800 AMAPÁ - Av. Ernestino Borges, 740 - Bairro do Laguinho CEP: 68908-010 - Macapá/AP - Fones: (96) 3214-1400/1408 PERNAMBUCO - Rua Tabaiares, 360 - Ilha do Retiro. CEP: 50750-230 - Recife/PE - Fone: (81) 2101-8400 AMAZONAS - Rua Leonardo Malcher, 924 - Centro CEP: 69010-170 - Manaus/AM - Fone: (92) 2121-4900 PIAUÍ - Av. Campos Sales, 1046 - Centro Norte CEP: 64000-300 - Teresina/PI - Fone: (86) 3216-1300 BAHIA - Travessa Horácio César, 64 - Largo dos Aflitos CEP: 40060-350 - Salvador/BA Fones: (71) 3320-4300/0800-284000 RIO DE JANEIRO - Rua Santa Luzia, 685 - 7º, 8º e 9º andares - Centro - CEP: 20030-041 - Rio de Janeiro/RJ Fone: 0800-782020 CEARÁ - Av. Monsenhor Tabosa, 777 - Praia de Iracema CEP: 60150-010 - Fortaleza/CE - Fone: (85) 3255-6600 DISTRITO FEDERAL - SIA Trecho 03 - Lote 1580 CEP: 71200-030 - Brasília/DF - Fone: (61) 3362-1600 ESPÍRITO SANTO - Av. Jerônimo Monteiro, 935 - Centro CEP: 29010-003 - Vitória/ES - Fone: 0800-399192 GOIÁS - Av. T-3 N, 1000 - Setor Bueno CEP: 74210-240 - Goiânia/GO - Fone: (62) 3250-2000 RIO GRANDE DO SUL - Av. Sete de Setembro, 555 - Centro CEP: 90010-190 - Porto Alegre/RS - Fone: (51) 3216-5006 RONDÔNIA - Av. Campos Sales, 3421 - Bairro Olaria CEP: 78902-080 - Porto Velho/RO - Fone: (69) 3217-3800 RORAIMA - Av. Major Willians, 680 - São Pedro CEP: 69301-110 - Boa Vista/RR - Fone: (95) 3623-1700 MARANHÃO - Av. Prof. Carlos Cunha, s/nº - Jaracaty CEP: 65076-820 - São Luís/MA - Fone: (98) 3216-6166 MATO GROSSO - Av. Historiador Rubens de Mendonça, 3999 CPA - CEP: 78050-904 - Cuiabá/MT - Fone: (65) 3648-1200 MATO GROSSO DO SUL - Av. Mato Grosso, 1661 - Centro CEP: 79002-950 - Campo Grande/MS Fones: (67) 2106-5511 / 08007035511 MINAS GERAIS - Av. Barão Homem de Melo, 329 - Nova Suíça CEP: 30460-090 - Belo Horizonte/MG - Fone: (31) 3269-0180 PARÁ - Rua Municipalidade, 1461 - Bairro do Umarizal CEP: 66050-350 - Belém/PA - Fone: (91) 3181-9000 RIO GRANDE DO NORTE - Av. Lima e Silva, 76 - Lagoa Nova CEP: 59075-970 - Natal/RN - Fones: (84) 3616-7900/ 3616-7954 / 0800-842020 SANTA CATARINA - Av. Rio Branco, 611 - Centro CEP: 88015-203 - Florianópolis/SC - Fones: (48) 3221-0800/ 0800-483300 SÃO PAULO - Rua Vergueiro, 1117 - Paraíso CEP: 01504-001 - São Paulo/SP - Fone: 0800-780202 SERGIPE - Av. Tancredo Neves, 5500 - América CEP: 49080-480 - Aracaju/SE - Fone: (79) 2106-7700 TOCANTINS - 102 Norte Av. LO 4 Lote 1, cj. 2 Plano Diretor Norte. CEP: 77006-006 - Palmas/TO Fone: (63) 3223-3300 www.sebrae.com.br >> Para ampliar meu negócio, participei de feiras e exposições do Sebrae. Agora, a minha empresa vai pra frente >> O conhecimento que os empresários de micro e pequenos negócios precisam está no Sebrae. A pequena indústria do Antônio Oliveira está indo muito bem. Mas para crescer é preciso ampliar a rede de novos clientes e fornecedores. Por isso mesmo, ele conheceu as feiras e exposições promovidas pelo Sebrae. O Antônio expôs os seus produtos, se relacionou com outros empresários do seu setor e comercializou parte do seu estoque. Ele acredita no poder de negócio das feiras e no conhecimento. O Sebrae também oferece cursos, seminários, palestras, publicações, consultorias, inclusão em grupos de negócios e acesso à tecnologia. O Antônio sabe que, para sua empresa crescer, todo tipo de informação é importante. Seja em revistas, jornais, internet e até por programas de rádio e TV. Com mais informação, o Antônio vai dar o passo certo, só que bem mais preparado. 0800 72 66 500 w w w. s e b r a e . c o m . b r