FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE HÁBITOS ALIMENTARES NA
PRÉ- ESCOLA
TRAINING AND DEVELOPMENT OF EATING HABITS IN PRE-SCHOOL
Artigo Original
Flavia Gabriela Pinezi1
Carmen Luciane Sanson Abourihan2
RESUMO
Uma alimentação adequada, em qualquer idade, assegura o crescimento e o
desenvolvimento fisiológico, manutenção da saúde e do bem estar do indivíduo.
Quando se trata de crianças, o valor de uma dieta equilibrada torna-se muito maior,
porque elas se encontram em fase de crescimento, desenvolvimento e formação da
personalidade e de seus hábitos alimentares.Diante disto o presente trabalho teve como
objetivo desenvolver e aplicar uma atividade de educação nutricional para fornecer
informação básica sobre alimentação saudável e estimular hábitos saudáveis nessa fase
da vida, contribuindo, assim, para a prevenção de possíveis problemas de saúde
imediatos e também em longo prazo. Dentro desses parâmetros foram realizadas ações
de educação nutricional com alunos de uma pré- escola na região do Jardim das
Américas da cidade de Curitiba, por meio de uma pesquisa de observação e intervenção
qualitativa. A atividade realizada incluía figuras de alimentos de todos os grupos
alimentares (energéticos extras, energéticos, construtores e reguladores) utilizadas para
explicação da importância dos alimentos servidos e do consumo em proporção correta.
Concluiu-se que a alimentação em grupo favorece a modificação de hábitos alimentares,
facilita aceitação de novos alimentos uma vez que os resultados mostraram uma
diferença expressiva nas escolhas alimentares das crianças após a atividade e que estas
devem ser aplicadas por profissionais da area de alimentos para evitar quaisquer erros
de abordagem nutriononal.
1 Graduanda pela Faculdades Integradas do Brasil, rua: Dr. Heitor Valente nº 780 bairro: Tarumã CEP
82800-050 Curitiba –PR- Brasil telefone 96580419 Email : <[email protected]>.
2 Especialista em Vigilância Sanitária dos Alimentos, professora na faculdades Integradas do Brasil,
Graduada em Nutrição pela Universidade Federal do Paraná.
ABSTRACT
Adequate food, at any age, ensures the growth and physiological development,
maintenance of health and welfare of the individual. When it comes to children, the
value of a balanced diet becomes much greater because they are in a phase of growth,
development
and
formation
of
personality
and
their
eating
habits.
Therefore, this study aimed to develop processes of nutrition to provide basic
information about healthy eating and encourage healthy habits at this stage of life, thus
carrying out an action to prevent possible health problems early and also in the long
term. Within these parameters were carried out actions of nutrition education with
students from a pre-school in the Garden of the Americas in the city of Curitiba,
through a survey of qualitative observation and intervention. The activity carried out
with the children included pictures of foods from all food groups (extra energy, energy,
builders and regulators) used to explain the importance of food served and the
consumption of all groups in the right proportion. The findings of this study show that
group feeding promotes the modification of eating habits, facilitates acceptance of new
foods, which shows the need to promote nutrition education programs, since the results
showed a significant difference in children's food choices .
Keywords: NUTRITIONAL EDUCATION, FOOD HABITS, CHILDREN.
Palavras-chave: EDUCAÇÃO NUTRICIONAL; HÁBITOS ALIMENTARES,
CRIANÇAS.
2
INTRODUÇÃO
Uma
alimentação
adequada
na
infância
reflete
no
crescimento
e
desenvolvimento fisiológico, na saúde e bem estar da criança. Neste período valor de
uma dieta equilibrada torna-se maior, porque elas se encontram em fase de crescimento,
desenvolvimento, formação da personalidade e de seus hábitos alimentares (1).
Abordagem nutricional da criança a partir do primeiro ano de vida
requer o conhecimento das características biopsicossociais que são comuns ao
pré-escolar (1 a 6 anos) e ao escolar (7anos até a puberdade) (2).
A formação dos hábitos alimentares inicia-se com a bagagem
genética que interfere nas preferências alimentares e que vai
sofrendo diversas influências do meio ambiente: tipo de
aleitamento recebido nos primeiros seis meses de vida, a maneira
como foram introduzidos os alimentos complementares no
primeiro ano de vida, experiências positivas e negativas quanto à
alimentação ao longo da infância, hábitos alimentares e condição
socioeconômica, entre outros. Assim, as recomendações
nutricionais e os hábitos alimentares devem convergir para um
único fim: o bem – estar emocional, social e físico da criança (2:21).
Os pais têm grande influencia no desenvolvimento de hábitos alimentares nas
crianças, pois eles são responsáveis pelo processo de introdução alimentar, pelo padrão
alimentar oferecido e pelos exemplos de atitudes perante o alimento (3).
As preferências alimentares das crianças são aprendidas a partir de
experiências repetidas do consumo de determinados alimentos, esses hábitos refletem
em sua ingestão alimentar, condicionado às conseqüências fisiológicas e ao contexto
social em que a criança vive. Nessa fase existe preferência por alimentos mais calóricos,
pois eles causam mais saciedade e garantem o aporte energético necessário para as
necessidades básicas (2).
“A formação da personalidade e dos hábitos alimentares das crianças que
embasarão suas escolhas para toda a vida ocorre no início da vida escolar e social (3:53).”
Durante a fase inicial escolar, o crescimento e desenvolvimento
da criança quanto ao peso e a altura é mais lento, aumentando
cerca de 5 a 8 cm a mais na altura e cerca de 15 a 20 kg no peso.
O início das atividades escolares se estabelece com uma grande
mudança na rotina diária infantil. A criança passa a levantar mais
cedo e ter seus horários de refeições alterados. Nesse momento,
3
o estabelecimento de padrões, procedimentos e disciplina
alimentar é de suma importância (4).
Os hábitos alimentares, adquiridos em casa sofrem modificações nos primeiros
anos escolares, sob influencia dos novos esquemas alimentares e convivência com
outras crianças (4).
Goulard(5) cita Carvalho que fala sobre alguns fatores determinantes para o
fornecimento de uma alimentação adequada e desenvolvimento de praticas alimentar
saudáveis dentro do ambiente pré- escolar, ele afirma que os recursos financeiros, a
disponibilidade regional de alimentos, os produtos oferecidos nas cantinas e a oferta de
alimentos nas refeições, são variáveis que também interferem nesse processo de
educação nutricional e envolvem mais os adultos do que as próprias crianças (5).
Os autores argumentam a possibilidade de desenvolvimento de hábitos
alimentares saudáveis de forma efetiva quebrando de mitos e preconceitos ao realizar a
introdução adequada de alimentos, respeitando e permitindo à criança o acesso a toda a
variedade e riqueza de alimentos disponíveis em nossa cultura. Para que isso ocorra
seriam necessárias mudanças organizacionais, que possibilitariam alterações no
ambiente, na rotina ligada às refeições, na oferta de alimentos, na circulação de
informações entre os participantes e envolvem também o desenvolvimento de
comportamentos adequados referentes à alimentação. Destaca a necessidade do
desenvolvimento de projetos institucionais na área de nutrição.
Valle
(6)
pondera que a formação de hábitos alimentares se da na infância e
inclui determinantes internos e externos do sujeito. O entendimento destes fatores
possibilitara a elaboração de processos educativos que sejam efetivos para mudanças no
padrão alimentar das crianças. Criar atitudes positivas frente ao alimento, encorajar a
aceitação da necessidade de uma alimentação saudável e diversificada, promovera
compreensão entre alimentação e a saúde e promover o desenvolvimento de hábitos
alimentares saudáveis. Tais mudanças irão contribuir no comportamento alimentar na
vida adulta (6).
“Com o ingresso da criança na escola, o processo de educação nutricional
passa a sofrer ainda mais a influência do meio: a criança passa a fazer refeições fora de
casa, o alimento passa a ter uma representação social importante (amigos) e a escola
torna-se a principal fonte de conhecimento sobre alimentação (3:53).”
4
O nutricionista, que tem por atribuição profissional avaliar
as necessidades nutricionais da população atendida, supervisionar
a administração das unidades de alimentação e nutrição, em
função da situação peculiar das creches, adequar cardápios às
necessidades de grupos populacionais específicos, de forma a
aumentar a aceitabilidade e oferecer nutrientes para subgrupos
com desvios nutricionais, identificados por procedimentos de
vigilância
nutricional
como
os
inquéritos
nutricionais
e
antropométricos. Assim, desenvolver a educação nutricional para o
estabelecimento de hábitos alimentares saudáveis nesta população
constitui-se, nestas instituições, uma função primordial a ser
gerenciada por nutricionistas (5).
Dentro desses parâmetros este trabalho visou A realização de uma atividade
que favoreça a promoção de bons hábitos alimentares em alunos de uma pré- escola na
região do Jardim das Américas da cidade de Curitiba, através educação nutricional,
avaliar a efetividade da orientação dos professores nas escolhas alimentares dos alunos e
fornecer informação básica sobre alimentação saudável ÀS crianças em idade préescolar (de 3 a 6 anos), aos professores, funcionários da instituição e aos pais. Para isso
foi necessário esclarecer a importância da educação nutricional junto aos pais e
professores da escola, identificar as escolhas alimentares dos pré-escolares por meio da
primeira etapa da atividade ludo-pedagógica sugerida, promover atividade de educação
nutricional que vislumbrasse as escolhas alimentares saudáveis e através de um
formulário aprendizado das crianças sobre alimentação saudável após atividade
proposta.
METODOLOGIA
O presente trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Faculdades
Integradas do Brasil, sob número 39 ∕2011.
Na Escola de Educação Infantil Catavento do município de Curitiba-PR foi
realizada, durante quatro dias, uma atividade didática voltada à educação nutricional
com 36 crianças de 3 a 6 anos de idade, matriculadas nas turmas Jardim I, Jardim II e
5
Jardim III no ano letivo de 2011, não faltantes, cujos pais assinaram o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A atividade contemplou três etapas.
1) CAPACITAÇÃO DOS PROFESSORES:
Para concretização dessa pesquisa de observação e intervenção qualitativa foi
feita uma reunião para orientação, capacitação e sensibilização dos professores e
funcionários para realização da atividade educativa com as crianças, na qual foi
explicada a importância da educação alimentar na fase pré- escolar e a proposta da
atividade buscando a colaboração dos mesmos.
2) MATERIAIS UTILIZADOS PARA MONTAGEM DO SELF-SERVICE:
Imagens de alimentos extraídas do livro Nutrição e Metabolismo:
Consumo Alimentar Visualizando Porções, pratos plásticos e um formulário onde os
professores registravam as escolhas das crianças nos dois momentos da atividade (pré e
pós orientação) segundo o número de porções de cada grupo alimentar, classificados
conforme Fernandes (9) que distribui os grupos de alimentos como (energéticos) grupo
dos cereais, tubérculos e raízes; (Reguladores) grupo das hortaliças e grupo das frutas;
(construtores) grupo do leite e produtos lácteos; grupo das carnes e ovos; grupo das
leguminosas e, por fim, (energéticos- extras) grupo dos óleos e gorduras e grupo dos
açúcares e doces.
3) PRATICA DA ATIVIDADE:
A atividade foi aplicada pelos professores que em sua prática contemplou
primeiramente os alunos da turma do jardim I (3-4 anos), no primeiro momento da
atividade foi elaborado um Self-service com figuras de alimentos e diversos tipos de
imagens de preparações (saladas, guarnições, pratos principais, acompanhamento, sucos
e sobremesa). Cada criança escolheu as figuras de alimentos de sua preferência para a
composição do seu prato como em um Buffet. após a montagem dos pratos, os
professores observaram os grupos alimentares selecionados pelos aluno e registraram no
espaço do formulário individual. O formulário foi usado para melhor avaliação e
observação do professor em relação às escolhas dos alunos. Em seguida os professores
explicaram a importância dos alimentos oferecidos e a proporção correta do consumo de
6
cada grupo alimentar, mostrando como exemplo um prato montado com escolhas
corretas.
Após a explicação teve inicio o segundo momento onde a atividade foi repetida e
os professores observaram novamente os grupos alimentares selecionados pelas crianças
e registraram na segunda parte do mesmo formulário do aluno.
Ao final de cada dia de atividade foi realizada a sensibilização dos pais por meio
de um bilhete enviado através da agenda da criança, detalhando e explicando a
importância da educação nutricional realizada.
Esses mesmos procedimentos foram realizados com os alunos da turma do
jardim II (4-5 anos) e da turma do jardim III (5-6 anos) em dias diferentes.
ANÁLISE DOS DADOS:
Os dados obtidos por meio dos formulários aplicados foram analisados
descritiva e estatisticamente de forma qualitativa e quantitativa, para verificação da
efetividade da orientação dos professores nas escolhas alimentares dos alunos,
utilizando o programa Excel2007®.
RESULTADOS
Pode-se observar na figura 1 que o resultado mais expressivo ocorreu nas
escolhas do jardim I e jardim II, mostrando que após a explicação das professoras houve
um acréscimo de 20% nas escolhas dos alimentos do grupo dos construtores (leite,
produtos lácteos, carnes, ovos e leguminosas). Enquanto a turma jardim III mostrou
pouca aceitação aos alimentos deste grupo apresentando um resultado negativo após a
orientação com a diminuição de 5% na seleção das crianças, esses resultados são
contrários aos obtidos por Simon (10), no estudo realizado com crianças de dois a seis
anos de idade do município de São Paulo, SP, realizado em 2004/2005, a pesquisadora
concluiu que as crianças consumiam menor número de porções do que o recomendado
7
para os grupos de pães e cereais, verduras e legumes e quase 50% a mais do
recomendado do grupo de leite e produtos lácteos.
A hipótese a ser considerada é que o profissional mais capacitado para orientação
alimentar é o nutricionista, visto que foi uma professora que realizou a orientação e esta
pode ter abordado o assunto considerando as preferências pessoais e/ou conhecimentos
adquiridos não científicos podendo ter influenciado o aluno de forma inapropriada.
Figura 1 – Escolhas dos alunos pré-escolares das turmas do jardim I, jardim II e jardim
III em relação ao grupo dos alimentos construtores.
33%
35%
30%
25%
23%
20%
15%
13%
13%
10%
8%
3%
5%
0%
Jardim I
Jardim II
Antes da intervenção
JardimIII
Depois da intervenção
Fonte: Escola de Educação Infantil Catavento, 2011.
Relacionando as escolhas alimentares feitas pelas crianças do Jardim I (3 a 4
anos), Jardim II (4 a 5anos) e Jardim III (5 a 6 anos) antes da orientação verifica-se
(Figura 2) que existe um aumento gradativo, conforme a idade, em relação à escolha do
grupo das hortaliças e das frutas, ou seja, o grupo dos alimentos reguladores. A
diferença entre as escolhas da turma mais jovem (Jardim I) e as da mais velha (Jardim
III) é de 14%. Esse aumento não se mantém gradativo, após a explicação da professora,
observa-se uma modificação expressiva em relação às escolhas dos grupos alimentares,
principalmente no Jardim I e III, pois nesses grupos houve acréscimo de 30% ou mais
em relação à aceitação das hortaliças e frutas. Kranz
(11)
mostra em seus estudos que as
crianças méxico-americanas consomem tradicionalmente uma grande proporção de
8
frutas e vegetais com grande quantidade de fibras, o que aumenta a qualidade da dieta
na região. O que confirma que alguns hábitos alimentares são determinados por padrões
da cultura alimentar do grupo social das quais as crianças estão inseridas. De acordo
com os resultados que Skinner citado por Vitolo(2) em um estudo efetivado em 2002, os
alimentos menos apreciados pelas crianças foram os vegetais, eles observaram que as
mães não ofereciam aos filhos alimentos dos quais elas não gostavam e verificaram uma
relação direta entre as preferências alimentares da mãe e as das crianças, ou seja, se a
mãe apreciasse determinados alimentos, as crianças eram menos neofóbicas a esses
alimentos ( Figura 2).
Figura 2 - Escolhas dos alunos pré-escolares das turmas do Jardim I, Jardim II e Jardim
III referente ao grupo dos alimentos reguladores.
70%
58%
60%
50%
42%
38%
40%
26%
30%
21%
20%
12%
10%
0%
Jardim I
Jardim II
Antes da intervenção
Jardim III
Depois da intervenção
Fonte: Escola de Educação Infantil Catavento, 2011.
Comparando as escolhas feitas pelas turmas do Jardim I, Jardim II e Jardim III
em relação ao grupo dos alimentos energéticos, a mudança mais marcante foi o do
grupo Jardim III, essa turma teve alteração em cerca de 12% em suas seleções, ou seja,
as crianças de 5 a 6 anos de idade aumentaram a preferência por alimentos como dos
cereais, tubérculos e raízes. Enquanto o grupo do jardim I diminuiu cerca de 6% na
escolha por esse grupo alimentar. Essa redução não foi um resultado positivo, pois na
fase pré- escolar a criança necessita de no mínimo seis porções diárias de grãos
9
selecionados (12). É necessário um maior cuidado ao transmitir as informações para as
crianças para que elas não entendam que o consumo deste grupo alimentar é maléfico e
compreendam que os exageros sim podem prejudicá-los (Figura 3).
Figura 3 - Escolhas dos alunos pré- escolares das turmas Jardim I, jardim II e jardim III
referente ao grupo alimentar doas alimentos Energéticos.
Fonte: Escola de Educação infantil Catavento, 2011.
Confrontando a Figura 4 com as figuras 1, 2 e 3 são notáveis os resultados da
seleção das crianças em relação ao grupo dos alimentos energéticos- extras,
primeiramente este grupo foi o mais escolhido pelas crianças, demonstrando quem em
sua maioria o infante na fase pré- escolar tem preferência por alimentos ricos em óleos e
açúcares. Isso confirma os resultados que Skinner citado por Vitolo(2) encontrou, ele
realizou um estudo em 2002, no qual mostrou que os alimentos mais preferencialmente
aceitos foram refrigerantes, pipocas, bolinhos, massas, batata frita, batata chips e
cookies de chocolate. Vitolo(2) assegura que nessa fase existe preferência por alimentos
mais calóricos, pois eles causam mais saciedade e garantem o aporte energético
necessário para as necessidades básicas do infante(2). É notório que este grupo alimentar
foi o que mais sofreu alteração de seleção, após a intervenção das professoras houve
10
uma redução de aproximadamente 40% nas escolhas de todas as turmas, ou seja, todas
as turmas diminuíram significativamente a opção por este grupo alimentar.
Figura 4 - Escolhas dos alunos pré- escolares das turmas Jardim I, jardim II e jardim III
referente ao grupo alimentar doas alimentos Energéticos- extras.
Fonte: Escola de Educação Infantil Catavento, 2011.
Após a intervenção educacional das professoras as escolhas alimentares das
crianças sofreram alterações expressivas. Ao avaliar o grupo de alimentos energéticos,
nota-se uma diminuição de cerca de 3% isso demonstrou que apesar da orientação as
crianças diminuíram a prioridade por alimentos energéticos. Quantitativamente, existe a
necessidade de no mínimo seis porções diárias de alimentos como cereais, tubérculos e
raízes na fase pré- escolar do infante
(11).
Qualitativamente tem se a opção de escolhas
melhores dentro deste grupo alimentar como, por exemplo, a preferência por alimentos
integrais. O cuidado ao transferirmos as informações sobre alimentação a criança é
essencial para que haja o entendimento sobre a importância do consumo desses
alimentos, pois eles representam a fonte de energia mais importante proveniente da
11
dieta, são fornecedores energia rápida para utilização e contribuem para um maior
aporte calórico. Já no grupo dos alimentos reguladores houve um aumento expressivo
de 26% na seleção alimentar das crianças, ou seja, primeiramente elas optaram por 17%
dos alimentos reguladores e após a orientação 43%, o que é considerado um grande
avanço, pois existe a necessidade nessa faixa etária de um consumo de no mínimo 5
porções desse grupo alimentar(11). Alimentos como hortaliças e frutas destacam-se por
regular a síntese de muitos componentes corpóreos como ossos, pele, glândulas, nervos,
cérebro e sangue
(4)
. No grupo dos alimentos construtores as crianças obtiveram uma
alteração de 18% na escolha de alimentos como leite, produtos lácteos, carnes, ovos e
leguminosas, esse resultado também foi muito importante considerando a ação desses
alimentos na construção de tecidos e mais uma gama de papeis fisiológicos como
função hormonal, enzimática e imunológica. A recomendação da ingestão dos alimentos
do grupo dos construtores é de no mínimo 5 a 6 porções desse grupo alimentar
(12)
.
Nota- se que o grupo alimentar com resultados mais expressivos foi o é o grupo dos
alimentos energéticos- extra, ele foi o grumo mais escolhido pelas crianças em sua
totalidade esse resultado vai de acordo com o que Ramos
(12)
diz, ele assegura a
existência de uma tendência na fase pré-escolar que conduz o consumo de alimentos
com quantidade elevada de carboidrato, açúcar, gordura e sal, e baixo consumo de
alimentos como vegetais e frutas se comparados às quantidades recomendadas. Esta
tendência é originada na socialização alimentar da criança e depende, em grande parte,
dos padrões da cultura alimentar do grupo social ao qual pertencem. Mello
(13)
também
garante que o consumo de bebidas contendo açúcar refinado, lanches calóricos entre
outros, por crianças teve um aumento significativo nas ultimas décadas (Figura 5).
12
Figura 5 - Escolhas alimentares antes e após a intervenção com o total da amostra de 36
crianças em idade pré- escolar.
Fonte: Escola de Educação Infantil Catavento, 2011.
4. CONCLUSÃO
Na fase pré-escolar ocorre o início do vínculo entre a criança e o alimento, pois
ela começa a utilizar seus sentidos, testando os sabores, texturas e cores dos alimentos
para estabelecer seu poder de decisão sobre o que irão consumir.
A educação nutricional quando realizada na idade pré- escolar fornece
conhecimento e promove bons hábitos alimentares nas crianças cujas escolhas corretas
se perpetuarão. Para isso é necessário esclarecer a importância da educação nutricional
junto aos pais, professores e funcionários da escola. A intervenção realizada na escola
mostrou-se efetiva nas atitudes das crianças, ou seja, os resultados apontaram uma
diferença expressiva nas escolhas alimentares dos pré- escolares.
O nutricionista é o profissional que pode e deve envolver-se como educador no
que diz respeito à formação de hábitos alimentares da criança.
A alimentação em grupo favorece a modificação de hábitos alimentares, facilita
aceitação de novos alimentos, o que mostra a necessidade de se promover programas de
educação nutricional em ambiente escolar.
13
REFERÊNCIAS
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15
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7) Formação e desenvolvimento de hábitos alimentares