O PRIMEIRO ANDAR A Sala Anna Freud exibe aspectos do seu trabalho e da sua personalidade: mobílias do seu escritório (entre elas o divã analítico) e o tear que ficava no seu quarto de dormir. Anna gostava muito de tecer e de tricotar. Tricotava durante as sessões de análise de seus pacientes. Nasceu em 1895, a sexta e a mais nova criança de Sigmund e Martha Freud. Em 1914 começou a sua formação para ser professora primária mas em 1918 começou também a sua formação como psicanalista leiga, analisando-se com seu pai. Embora curta, a sua carreira na área de ensino serviu de base para o seu trabalho pioneiro no campo da psicologia infantil. O seu trabalho Introdução à Técnica da Análise da Criança foi publicado em 1927 e seu influente O Ego e os Mecanismos de Defesa, em 1936. A partir de 1923 passou a ser a secretária e a representante oficial de seu pai. Algumas fotos e objetos nesta sala ilustram o trabalho de Anna Freud em Viena e em Londres, onde tinha Dorothy Burlingham como assistente, uma psicanalista que morou aqui na casa 20 da Maresfield Gardens até a sua morte em 1979. No patamar encontram-se dois retratos de Freud: uma gravura de Ferdinand Schmutzer, e um desenho de Salvador Dali. A gravura de Schmutzer foi feita em 1926. Freud elogiou-a, escrevendo, numa carta de agradecimento para o artista, que “ela me proporciona um grande prazer e, na verdade, eu deveria agradecer-lhe pelo trabalho que teve em reproduzir este meu rosto desagradável e repito a minha afirmação de que apenas agora me sinto preservado para a posteridade.” O desenho de Salvador Dali foi feito em 1938. Stefan Zweig apresentou o artista surrealista a Freud no dia 19 de julho quando ainda estava morando na Elsworthy Road. Durante o encontro, Dali fez, às escondidas, um croqui e mais tarde um desenho a bico de pena. Freud não viu nenhum dos dois porque Zweig achava que ambos prenunciavam a sua morte iminente. FLOOR PLAN 4 Museum Guide Portuguese 3 1 2 FREUD PRIMEIRO ANDAR 1. Patamar 2. Sala de Exibições 3. Sala de Vídeo 4. Sala Anna Freud 1 2 4 3 TÉRREO 1. Loja (Jardim de Inverno) 2. Sala de Jantar 3. Hall de Entrada 4. Gabinete e Biblioteca Freud Museum Collections, Exhibitions, Education, Public Events, Research and Publications 20 Maresfield Gardens, London NW3 5SX Telephone +44(0)20 7435 2002, Fax +44(0)20 7431 5452 Email [email protected], Website www.freud.org.uk © Freud Museum 1998 MUSEUM LONDON O MUSEU FREUD O TERREO Foi nesta casa que Sigmund Freud passou o último ano da sua vida. Mudou-se para cá em 27 de setembro de 1938 e aqui permaneceu até a sua morte, aos 83 anos, em 23 de setembro de 1939. Sua esposa Martha, sua cunhada Minna, sua filha Anna e a empregada Paula Fichtl continuaram na casa, que permaneceu ocupada até a morte de Anna Freud em 1982. De acordo com o seu testamento, a casa foi convertida para um museu e aberta ao público em 1986. O jardim de inverno no fundo da casa originalmente era uma varanda aberta; as portas abrem para o jardim e foi desenhado pelo arquiteto Ernst, filho de Freud. O aposento contíguo é a sala de jantar que contém mobília campestre austríaca, pintada, proveniente da casa de campo de Anna Freud e Dorothy Burlingham em Hochrotherd na Áustria. Também nesta sala encontra-se um conjunto de pequenos retratos de diferentes pontos nos Alpes, onde Freud passou algumas de suas férias, andando no campo que tanto amava. Freud veio para Londres como um refugiado dos nazistas. Obras suas e de seus colegas psicanalistas foram publicamente queimadas em 1933 na Alemanha. Os anos que se seguiram presenciaram a emigração de membros da comunidade psicanalítica de Viena, que era, na sua grande maioria, judaica. Mas Freud se recusou a sair; depois que a Áustria fora anexada pela Alemanha em 1938 e a família Freud tinha sido objeto de perseguições nazistas, Freud partiu da Berggasse 19, em Viena, que fora o seu lar por 47 anos. Chegou em Londres no dia 6 de junho para uma casa alugada no número 39 da Elsworthy Road. Enquanto isto, o seu ambiente de trabalho era recriado aqui, na casa 20 da Maresfield Gardens, pelo seu filho Ernst e a governanta Paula Fichtl, exatamente como tinha sido em Viena. Nos últimos 16 anos da sua vida, Freud sofreu com um câncer no palato. Mesmo assim, continuou o seu trabalho: Moisés e o Monoteísmo foi concluído nesta casa e o seu trabalho final, O Esboço de Psicanálise, foi todo escrito aqui em Londres. Também continuou com a sua prática, recebendo pacientes que vinham a Maresfield Gardens para suas sessões. O quarto que era seu gabinete, com a sua biblioteca, foi conservado por Anna Freud depois da sua morte. Lá está o divã analítico original, trazido da Bergasse 19, onde os pacientes se deitavam confortavelmente enquanto Freud, fora do alcance deles na sua poltrona verde, escutava suas “livres associações”. Eles deveriam falar tudo que lhes viesse à mente, sem peneirar ou selecionar, conscientemente, as informações. Este método tornou-se o alicerce sobre o qual a psicanálise foi construída. assim como psicologia, medicina e psicanálise. Na prateleira atrás da escrivaninha de Freud estão alguns dos seus autores prediletos: não apenas Goethe e Shakespeare mas também Flaubert, Heine e Anatole France. Freud reconhecia que poetas e filósofos tinham alcançado perspectivas do inconsciente que a psicanálise procurava explicar sistematicamente. Na parede do gabinete estão os quadros e as gravuras de Freud, nos mesmos lugares onde ele os dispusera: entre eles “Édipo e o Enigma da Esfinge” e “A aula de Dr. Charcot” além de fotos de Martha Freud, Lou Andreas-Salomé, Yvette Guilbert, Marie Bonaparte e Ernst von Fleischl. Esta casa, onde Freud concluiu a sua obra e a sua vida, oferece agora uma perspectiva ímpar do alicerce da psicanálise. O gabinete é repleto de peças antigas gregas, romanas, egípcias e do Oriente. Freud visitou alguns sítios arqueológicos (embora não no Egito) mas a maioria das peças foram adquiridas na mão de antiquários em Viena. Dizia que a paixão por colecionar antiguidades só era superada em intensidade pelo seu vício de fumar charutos. A importância da coleção é também evidente no uso que Freud fez da arqueologia como uma metáfora para a psicanálise. Um exemplo disto é a explicação de Freud para um paciente, que o material consciente “se desgasta” enquanto que o que é inconsciente é relativamente imutável: “Ilustrei minhas observações apontando para os objetos antigos da minha sala. De fato, eles eram, eu disse, apenas objetos encontrados numa tumba e o sepultamento havia sido a preservação deles.” As circunstâncias impediram Freud de trazer todos os seus livros de Viena mas a biblioteca de Maresfield Gardens contém aqueles escolhidos por ele. Abrangem uma vasta gama de assuntos: arte, literatura, arqueologia, filosofia e história, Freud por Salvador Dali, 1938