R E V I S TA P O R T U G U E S A ARTIGO DE REVISÃO DE CIÊNCIAS VETERINÁRIAS Hipertensão pulmonar em cães: considerações para anestesia Pulmonary hypertension in dogs: considerations for anesthesia 1 2 Patrícia Cristina Ferro Lopes , Newton Nunes 1 Programa de Pós-Graduação em Cirurgia Veterinária, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, UNESP, Jaboticabal, SP, Brasil 2 Departamento de Clínica e Cirurgia Veterinária, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias,UNESP, Campus de Jaboticabal, Via de Acesso Prof. Paulo Donato Castellane s/n, CEP:14884-900, Jaboticabal, SP, Brasil Resumo: A hipertensão pulmonar (HP) é definida como o aumento da pressão arterial pulmonar, e em cães, um número crescente de casos tem sido relatado. As causas mais comuns de HP em caninos são a tromboembolia, afecções pulmonares, cardiopatia congênita, vasculite pulmonar, dirofilariose, neoplasias entre outras, no entanto, quando não definida a sua origem a HP é denominada primária. Contudo, o manuseio da HP é um desafio para o anestesiologista, pois modificações fisiológicas durante a anestesia e cirurgia podem causar aumento agudo da resistência vascular pulmonar e insuficiência do ventrículo direito, agravando o quadro hipertensivo pulmonar. Isto posto, objetivou-se, com este trabalho, ressaltar os aspectos fisiológicos e clínicos da HP em cães, com intuito de proporcionar maiores informações aos profissionais, para que estejam atentos a possíveis casos de HP em sua rotina clínica. Palavras-chave: cão, hipertensão pulmonar, fisiologia, diagnóstico, anestesia. Summary: Pulmonary hypertension (PH) is defined as the pulmonary artery pressure increase and, in dogs, an increasing number of cases have been related. The common etiology includes tromboembolism, pulmonary disease, cardiomyopathies, pulmonary vascular disease, heartworm disease, neoplasias and others. However, management of PH is a challenge to anesthesiologist, because physiological alterations during anesthesia and surgery can induce acute increase in pulmonary vascular resistance and right ventricle failure, and this can *Correspondência: [email protected] Tel: + 55 (16) 3209-2626 worsen pulmonary hypertension. This study, therefore, was aimed to describe physiological and clinical aspects of PH in dogs to provide knowledge for the professional to be aware about possible cases of PH that can appear in his daily clinic routine. Keywords: dog, pulmonary hypertension, physiology, diagnostic, anesthesia Introdução Crescentes números de casos de hipertensão pulmonar (HP) em cães são descritos atualmente, tendo como algumas de suas causas tromboembolia, afecções pulmonares, cardiopatia congênita, vasculite pulmonar, dirofilariose e neoplasias entre outras, não sendo, portanto, uma afecção exclusiva do homem. Entretanto, quadros de HP primária têm sido diagnosticados, com ausência de qualquer traço de doença conhecida que poderia ter originado este distúrbio (Glaus et al., 2004a). O manuseio da HP é um desafio para o anestesiologista, seja em procedimentos emergenciais ou planejados previamente e principalmente, para o profissional da área de veterinária que possui poucas informações sobre tal quadro. Nesses casos, modificações fisiológicas normais durante a anestesia e cirurgia podem causar aumento agudo da resistência vascular pulmonar (RVP) e insuficiência do ventrículo direito (Maranhão, 2006), agravando o quadro hipertensivo pulmonar. Para esse profissional, uma das preocupações deve ser a manutenção da integração dos sistemas cardiovascular e respiratório, objetivando evitar quadros de hipoxemia, hipercapnia e acidose que proporcionam a piora do quadro de HP (Fischer et al., 2003; Maranhão, 2006). Deste modo, a atenção à ventilação e conseqüente oxigenação do paciente, conjuntamente com o protocolo anestésico e o monitoramento constante de portadores de HP são de extrema importância. Contudo para obter êxito durante o procedimento anestésico são necessários conhecimentos sobre a 17 Lopes PCF et al. afecção. Portanto, com este trabalho objetivou-se ressaltar os aspectos fisiológicos e clínicos da hipertensão pulmonar em cães, com intuito chamar a atenção dos profissionais da área de anestesiologia, já que a HP pode estar presente em inúmeros cães a serem anestesiados. Definição A hipertensão pulmonar é definida como o aumento da pressão arterial pulmonar (PAP) e quase sempre é problema secundário (Hawkins, 1997). Entretanto, quando a etiologia da HP é desconhecida, denomina-se como primária (Steele e Henik, 2004), sendo esta última rara em cães (Rich, 2001). Desta forma, o conhecimento de valores de PAP dentro da normalidade para espécie canina é de extrema importância. Em cães não sedados, respirando ar ambiente registrou-se valor de pressão da artéria pulmonar média (PAPm) igual a 15±4 mmHg (Haskins, 2007). Segundo Thomas e Sisson (1999), em pequenos animais anestesiados com pentobarbital, os valores normais obtidos por meio da cateterização cardíaca das pressões da artéria pulmonar sistólica (PAPs), diastólica (PAPd) e média foram 25±5 mmHg; 10±3 mmHg e 15±5 mmHg, respectivamente. Lopes (2005) em cães adultos saudáveis anestesiados com propofol e submetidos à fração inspirada de oxigênio (FiO2) de 0,6, registrou valores de PAPm=13±4 mmHg, enquanto Nishimori et al. (2006) obtiveram valores de PAPm igual a 12±4 mmHg, em cães anestesiados com isofluorano e FiO2=1,0. Ainda na espécie canina, mas anestesiados com a halotano e FiO2=1,0, Moro (2006) registrou PAPm=14±5 mmHg. Dois grupos de cães saudáveis anestesiados com desfluorano apresentaram valores de PAPm de 16±1 mmHg e 14±2 mmHg (Souza et al., 2004). Portanto, segundo Johnson (1999), a HP existe quando a PAPs e/ou PAPm estão acima de 30 e 20 mmHg, respectivamente. Pyle et al. (2004), em seu estudo com 54 cães, classificaram a HP em graus, sendo suave quando os valores de PAPs estão entre 30 e 55 mmHg, moderada quando PAPs foi de 56 a 79 mmHg e grave quando os valores ultrapassaram 79 mmHg. Esses autores constataram que a dirofilariose teve a menor importância, enquanto as doenças valvulares crônicas foram as causas mais importantes nos casos de HP suave e moderada, e as doenças respiratórias como determinantes de HP severa. Em outro estudo, Johnson et al. (1999) observaram que, em 53 cães com HP secundária, a maior causa foi distúrbios da válvula mitral, sendo também registrados, nesse grupo, casos de dirofilariose, troboembolismo pulmonar, cardiomiopatia dilatada, fibrose pulmonar e pneumonia. Além disso, estes autores diagnosticaram em cinco animais HP primária. 18 RPCV (2008) 103 (565-566) 17-23 Tipos de hipertensão pulmonar A HP pode ser dividida em três tipos principais: passiva, causada por pressão venosa pulmonar aumentada, como se verifica na insuficiência da válvula mitral ou na insuficiência ventricular esquerda; hipercinética, em virtude do aumento acentuado no fluxo sanguíneo pulmonar como ocorre nos grandes desvios de esquerda para direita, no caso do ducto arterioso persistente e defeitos septais ventriculares; e vasoclusiva, resultante de uma variedade de causas que produzem obliteração, obstrução ou vasoconstrição aumentada de artérias pulmonares (ex. pneumonia, bronquite, fibrose pulmonar, dirofilariose e "mal das montanhas"), podendo sobrecarregar o ventrículo direito, provocando insuficiência congestiva cardíaca ventricular direita (Detweiler, 1996). O tipo passivo da HP geralmente é resultado de anormalidades estruturais ou funcionais do coração esquerdo embora lesões das veias pulmonares também possam obstruir a drenagem. Nessa situação, há uma pressão venosa pulmonar elevada, geralmente acima de 25 mmHg, a qual é transmitida para as artérias pulmonares. Portanto, a vasoconstrição da artéria pulmonar ocorre em resposta à elevação passiva da pressão venosa pulmonar e ainda piora a HP (Rich, 2001). Johnson et al. (1999) atribuíram o quadro de hipertensão pulmonar observada em 23 cães, de um total de 53 animais, a hipertensão venosa pulmonar. Na HP hipercinética com aumento do fluxo sangüíneo pulmonar (Detweiler, 1996), a RVP diminui para manter a PAP constante. No entanto, se o fluxo sangüíneo aumenta 4 a 6 vezes, a pressão da artéria pulmonar se eleva, pois há vasoconstrição mediada por várias substâncias vasoativas endógenas em uma tentativa de proteger a microvasculatura pulmonar. Alterações vasculares nas paredes de pequenas artérias pulmonares ocorrem devido aos danos causados pelo fluxo e pela vasoconstrição prolongada (Oswald e Orton, 1993). A hipertensão pulmonar vasoclusiva pode ser subdividia de acordo com a etiologia do aumento da RVP, dentre as quais obstrução ou obliteração da vasculatura pulmonar ou doenças crônicas do parênquima pulmonar (Johnson, 1999; Rich, 2001). As obstruções dos vasos pulmonares podem ocorrer secundariamente à presença de parasitas (Johnson, 1999; Nicolle et al., 2006), ou doenças tromboembólicas, reduzindo o fluxo sangüíneo pulmonar total e, conseqüentemente, aumentando a resistência vascular pulmonar, sendo que cerca de 25 a 50% do leito vascular pulmonar deve ser obstruído antes que ocorra HP (Allen e Mackin, 2002). A fisiopatologia do tromboembolismo pulmonar envolve o mecanismo de obstrução dos vasos e a reação de vasoconstrição mediada por substâncias vasoativas, na qual plaquetas liberam histaminas, serotonina e tromboxana A2, enquanto endotelinas são liberadas pelo endotélio Lopes PCF et al. (Schulman e Matthay, 1992). No outro subtipo da HP vasoclusiva, as doenças crônicas do parênquima pulmonar são as que contribuem para o desenvolvimento do problema, por meio da vasocontrição induzida pela hipóxia, embora a vasoconstrição secundária reativa à acidose tecidual também possa auxiliar. Conseqüentemente, as artérias pulmonares desenvolvem hipertrofia muscular e fibrose inicial que sustentam o estado hipertensivo (Johnson, 1999; Rich, 2001). Sinais clínicos A HP pode afetar qualquer idade ou raça de cães, não havendo predileção por sexo, sendo que os sinais clínicos podem variar dependendo da etiologia e se a afecção é crônica ou aguda (Steele e Henik, 2004). A maioria dos animais exibe tosse, dispnéia, letargia, intolerância ao exercício e cianose (Johnson, 1999; Kellum e Stepien, 2007), que pode ser oriunda da diminuição do débito cardíaco (DC) associada à vasoconstrição, sistêmica ou secundária, e a relação ventilação/perfusão (V/Q) deficiente, tendo como resultado a hipoxemia (Johnson, 1999). Na maioria das vezes, o diagnóstico de hipertensão pulmonar é obtido após exames em cães, que apresentam suspeitas de problemas cardíacos ou respiratórios (Kellum e Stepien, 2007). Nicolle et al. (2006) relataram um caso de HP por Angiostrongylosus vasorum em um cão. O diagnóstico foi obtido pelo exame ecocardiográfico Doppler por meio do qual se registrou PAPs estimada de 115 mmHg. O animal no exame físico apresentava-se alerta, mas dispnéico e taquipnéico. As membranas mucosas estavam rosa e úmidas, e o tempo de preenchimento capilar era normal. A auscultação pulmonar revelou aumento bilateral dos sons respiratórios, enquanto na cardíaca foi possível auscultar murmúrios sistólicos de grau V/VI e baixo grau de murmúrio diastólico sobre a área da tricúspide. Na análise bioquímica não foram encontradas alterações importantes. No relato de 54 casos de HP em cães, Pyle et al. (2004) afirmaram que os achados mais comuns estavam relacionados com o sistema respiratório, e que além da tosse estavam inclusos nesses sinais a dispnéia, taquipnéia, ortopnéia e o estado ofegante. Esses autores afirmaram ainda, que há numerosos outros indícios, sendo os murmúrios sistólicos os mais comuns encontrados no exame físico. Múrmurios cardíacos também foram observados em 23% de 22 cães com HP estudados por Kellum e Stepien (2007). Johnson et al. (1999) relataram a ocorrência de síncope em 23% dos 53 animais que apresentaram evidências de HP derivadas do exame ecocardiográfico Doppler, enquanto Kellum e Stepien (2007) observaram o mesmo fato em 32 % de seus pacientes. RPCV (2008) 103 (565-566) 17-23 Diagnóstico Cateterização cardíaca A cateterização cardíaca do coração direito é o único método que pode estabelecer definitivamente o diagnóstico hemodinâmico da hipertensão pulmonar, sendo possível mensurar a pressão da artéria pulmonar e a função cardíaca (Johnson e Hamlin, 1995; Fischer et al., 2003; Hoeper et al., 2006), já que, como descrito anteriormente, a HP existe quando a PAPs e/ ou PAPm estão acima de 30 e 20 mmHg respectivamente (Johnson, 1999). Este procedimento de diagnóstico invasivo é realizado com emprego do cateter de Swan-Ganz, o qual permite mensurar a pressão venosa central (PVC), pressão atrial direita, pressão ventricular direita, PAP e pressão capilar pulmonar média (PCPm), as quais permitem a diferenciação da etiologia da HP secundária (Johnson e Hamlin, 1995). Quando o sistema vascular pulmonar é normal, o fluxo sangüíneo pulmonar cessa no final da diástole e a pressão diastólica da artéria pulmonar é igual à pressão do átrio esquerdo. Entretanto, na presença de HP causada pela RVP elevada, a PAPd é maior que a pressão capilar pulmonar, pressão do átrio esquerdo e pressão do ventrículo esquerdo, no final da diástole (Mark, 1998). Segundo Hoeper et al. (2006), em pacientes humanos com HP, a cateterização cardíaca tem sido associada à baixa morbidade e baixas taxas de mortalidade. Para tal procedimento, esses autores empregaram os acessos venosos pelas veias jugular, subclávia, femoral e braquial. Enquanto em cães saudáveis, para introdução do cateter de Swan-Ganz, têm sido usadas como acesso as veias femoral (Souza et al., 2004; Nishimori et al., 2006) e jugular (Lopes, 2005; Moro, 2006) não sendo reportadas dificuldades nesse tipo de exame. Para o acesso venoso pela veia femoral é necessário iniciar-se pela incisão na pele do terço superior da face interna do membro pélvico, seguida de divulsão do tecido subcutâneo e musculatura, de extensão suficiente para exposição da veia femoral. Depois de isolada e ter o fluxo sangüíneo interrompido, a veia femoral deve ser perfurada com um cateter intravenoso periférico 14G, para permitir a inserção, em seu interior, do cateter de termodiluição, cuja extremidade deverá ser posicionada na artéria pulmonar pela observação das ondas de pressão no monitor multiparamétrico, conforme técnica descrita por Swan-Ganz e citada por Sisson (1992). Lopes (2005) e Moro (2006) utilizaram o acesso pela veia jugular, para introdução do cateter de Swan-Ganz, sendo inserido por punção transcutânea um cateter por meio do qual foi introduzido o cateter de termodiluição, cuja extremidade distal foi 19 Lopes PCF et al. posicionada no lúmen da artéria pulmonar pela observação das ondas de pressão, como descrito anteriormente. A importância da monitoração da PAPs, PAPd e PAPm, em humanos durante a anestesia, tem sido justificada pela ocorrência de quadros de HP durante procedimentos cirúrgicos tais como ortopédicos, laparoscopia, cirurgias cardíacas devido à ocorrência de tromboembolismo, êmbolos de dióxido de carbono ou ar (Martin e Bernard, 2001). A HP também pode ser originária de quadros de hipóxia, acidose, formação de radicais livres, mediadores inflamatórios, excesso de tromboxana ou endotelina, entre outros no período intraopertaório (Fischer et al., 2003). Contudo, em Medicina Veterinária, a cateterização cardíaca ainda não é aplicada na rotina hospitalar durante as cirurgias, não existindo relato de tais ocorrências em animais. Cabe ressaltar que a avaliação hemodinâmica por meio do cateter de termodiluição, trata-se de um exame de custo elevado, pois para sua realização são necessárias as aquisições do cateter de Swan-Ganz, transdutor de pressão e do monitor adequado. Desta forma, justifica-se o restrito emprego desse exame na rotina hospitalar veterinária. Ecocardiografia Por meio do exame ecocardiográfico, é possível observar as alterações típicas que podem ser encontradas na HP, como dilatação atrial e ventricular direita, hipertrofia ventricular direita, dilatação da artéria pulmonar e hipertrofia do septo interventricular (Johnson e Hamlin, 1995; Johnson, 1999; Johnson et al., 1999), além disso pode-se verificar dimensões do ventrículo esquerdo menores e a fração de encurtamento diminuída (Johnson, 1999). Quando a PAP está aumentada, há abertura rápida da valva pulmonar durante o início e seu semifechamento no meio da sístole (Allen e Mackin, 2002). A medição ecocardiográfica Doppler da velocidade de fluxos regurgitantes pode ser utilizada para estimar, indiretamente, a pressão arterial pulmonar na presença de insuficiência das valvas tricúspide ou pulmonar (Johnson e Hamlin, 1995; Johnson, 1999; Johnson et al., 1999, Allen e Mackin, 2002; Kellum e Stepien, 2007). Uma elevação na velocidade de regurgitação da valva tricúspide (acima de 2,5 m/s) durante a sístole indica aumento da pressão ventricular direita e, indiretamente, aumento da PAPs. Já a velocidade de regurgitação aumentada na valva pulmonar durante a diástole indica aumento na PAPd (Allen e Mackin, 2002). Na ausência da mensuração dos fluxos regurgitantes da tricúspide, a severidade da HP pode ser estimada por meio de imagens ecocardiográficas obtidas através do modo-M e de parâmetros derivados do Doppler (Glaus et al., 2004b). 20 RPCV (2008) 103 (565-566) 17-23 Achados radiográficos Os achados radiográficos mais comumente observados em cães com HP são a cardiomegalia, infiltrados no parênquima pulmonar e artérias pulmonares grandes e tortuosas (Johnson e Hamlin, 1995; Johnson, 1999). Além disso, evidências de embolismo pulmonar, falência do coração direito, bronquite crônica ou bronquiectasia, fibrose pulmonar ou colapso traqueobronquial, podem estar presentes (Johnson e Hamlin, 1995) nas radiografias torácicas. Kellum e Stepien (2007) avaliando 20 cães com HP encontraram, no exame radiográfico de 73% dos animais, infiltrado pulmonar e, com menor freqüência, colapso traqueal, atelectasia, bronquiectasia e lesão no parênquima pulmonar. Hemograma e avaliação bioquímica Em relato de 54 casos de HP, em cães, o exame hematológico foi realizado em 47 animais, sendo encontrados resultados normais em 21 caninos. Vinte pacientes apresentaram aumento moderado das células brancas, em quatro, observou-se aumento de plaquetas enquanto em dois registrou-se diminuição dessas células. Em um cão com presença de vermes no coração, foi constatada alta eosinofilia (Pyle et al., 2004). Outros achados hematológicos incluíram policitemia sugestiva de hipóxia crônica secundária a altas altitudes ou doença pulmonar crônica (Ducan et al., 1994). Pyle et al. (2004) encontraram alterações na avaliação bioquímica, em cachorros portadores de HP passiva, hipercinética e vasoclusiva. A avaliação bioquímica revelou níveis não normais das enzimas hepáticas devido à congestão crônica passiva no coração direito deficiente ou hepatopatias. Outras doenças que predispõem os animais a tromboembolismo pulmonar e HP podem também resultar em alterações dos parâmetros bioquímicos séricos, como por exemplo, no hiperadrenocorticismo, no qual há aumento da fosfatase alcalina, da alanina transferase e do colesterol; na síndrome nefrótica e sepse (Johnson e Hamlin, 1995). Análise dos gases sanguíneos arteriais A hemogasometria deve ser realizada sempre que possível, pois, como citado anteriormente, a hipoxemia é uma característica encontrada na HP e sua severidade pode indicar o grau da disfunção pulmonar (Johnson e Hamlin, 1995; Johnson, 1999). Ellison et al. (1961), em seu estudo em cães, observaram que, quando a PAPs excede 40 mmHg, há a diminuição na pressão parcial de oxigênio no sangue arterial (PaO2) e aumento na mistura arteriovenosa e na diferença da tensão de oxigênio alveolar e arterial [P(A-a)O2], indicando mistura arteriovenosa e difusão anormais. Lopes PCF et al. Anestesia Até o momento não há indicações de qual o melhor protocolo anestésico e condutas a serem utilizados em cães com HP. Provavelmente, a ausência de informações, sobre anestesia em caninos com essa afecção, seja oriunda do número pequeno de diagnósticos definitivos, já que este é obtido pela cateterização cardíaca (Johnson e Hamlin, 1995; Fischer et al., 2003; Hoeper et al., 2006), que é pouco realizada na rotina hospitalar. Apesar de a ecocardiografia Doppler ser utilizada para estimar a PAP (Johnson e Hamlin, 1995; Johnson, 1999; Allen e Mackin, 2002), para tal exame são necessários equipamentos específicos que estão disponíveis somente nos grandes centros de Medicina Veterinária, dificultando, portanto o diagnóstico de HP. Segundo Maranhão (2006) o manuseio anestésico de pacientes portadores de hipertensão pulmonar é ainda um desafio, devido ao alto risco de insuficiência cardíaca direita. É sabido que os fármacos e as técnicas anestésicas podem diretamente ou indiretamente afetar a RVP devido às alterações no débito cardíaco e fluxo pulmonar. Com a resistência vascular pulmonar fixa, um aumento no DC promove um aumento da PAP. Inversamente, um aumento na RVP atenua o débito do ventrículo direito e, conseqüentemente, reduz o fluxo sanguíneo pulmonar e o débito do ventrículo esquerdo (Fischer et al., 2003). Desta maneira, segundo Blaise et al. (2003) e Maranhão (2006), os cuidados com esses pacientes devem objetivar a diminuição da RVP, o que pode ser obtido atuando sobre os fatores que influenciam a circulação pulmonar. Portanto, deve-se melhorar a oxigenação, evitar acidose respiratória e corrigir a metabólica, não proporcionar hiperinsuflação ou hipoinsuflação pulmonar; promover analgesia adequada e sedação com intuito de evitar a liberação de catecolaminas e controlar a temperatura. Desta forma, para o portador de HP, no período pré-operatório os exames complementares indicados são: eletrocardiografia, radiografia do tórax, hemogasometria arterial, ecocardiografia e cateterização cardíaca, por meio da qual se avaliam a PAP, o DC, a resposta aos vasodilatores, a presença do forame oval e avaliação da circulação coronariana (Kaddoum et al., 2006; Maranhão, 2006). As medicações, de uso crônico, administradas para o tratamento dessa doença, devem ser mantidas até o dia da cirurgia e reiniciadas o mais breve possível após o procedimento. Além disso, o fornecimento de oxigênio é benéfico em pacientes com hipoxemia (saturação de oxigênio menor que 90%), a qual pode promover vasoconstrição e aumento da RVP. Na presença da disfunção do coração direito proporcionando edema, o emprego de diuréticos deve ser realizado com cautela, pois a diurese excessiva pode ser prejudicial devido à redução da pré-carga. (Blaise et al., 2003; Maranhão, 2006). RPCV (2008) 103 (565-566) 17-23 Na pré-medicação os fármacos deverão ser administrados cuidadosamente, evitando a diminuição da pressão arterial sistêmica (Blaise et al., 2003; Maranhão, 2006). Os benzodiazepínicos, como o midazolam, em doses baixas são uma boa opção para pacientes humanos, pois reduzem a ansiedade sem, entretanto, deprimir a respiração (Kaddoum et al., 2006; Maranhão, 2006). A manutenção do fluxo sanguíneo pulmonar e o não aumento da RVP devem ser os objetivos do anestesiologista (Blaise et al., 2003; Kaddoum et al., 2006; Maranhão, 2006). Portanto, fatores como hipoxemia, acidose, hipercapnia, hipotermia e aumento da estimulação simpática devem ser evitados (Fischer et al., 2003; Maranhão, 2006). Para a indução anestésica em humanos, Kaddoum et al. (2006) propuseram que opióides como fentanil, alfentanil, sufentanil e remifentanil devem ser administrados em doses que bloqueiam a resposta cardio respiratória à intubação, pois estes fármacos não apresentam efeito vascular direto nos vasos pulmonares. Estes autores também afirmaram que o propofol, etomidato e relaxantes musculares podem ser empregados nessa fase. Contudo, bloqueadores neuromusculares que liberam histamina devem ser evitados, pois diminuem a resistência vascular sistêmica causando hipotensão arterial e diminuição da pressão de perfusão coronariana (Blaise et al., 2003; Maranhão, 2006). Para a manutenção da anestesia o isofluorano é o anestésico volátil mais empregado, mas o sevofluorano e desfluorano também podem ser administrados (Kaddoum et al., 2006). Todavia, em cães anestesiados com propofol (18 mg/kg/h) ou isofluorano (1,4% V) e induzidos à hipertensão pulmonar embólica, o agente inalatório, quando comparado ao intravenoso, promoveu diminuição da contratilidade do miocárdio, mas manteve a pós-carga inalterada a despeito da pequena redução no tônus vascular pulmonar (Ewalenko et al., 1997). Apesar do moderado impacto na pressão pulmonar, o óxido nitroso (N2O) tem sido utilizado frequentemente em pacientes com HP sem resultados danosos (Knostadt et al., 1990). Em cães, o N2O não tem efeito sobre o tônus vascular pulmonar em lobo isolado, no entanto em animais intactos a RVP aumenta (Heerdt e Caldwell, 1989). Maranhão (2006) afirma que é importante evitar o uso de óxido nitroso em pacientes com HP. Já o óxido nítrico (NO) endógeno, em cães, torna-se um importante vasodilatador durante PAP elevada (Sander et al., 2003). A inalação de NO é utilizada no tratamento de HP e, na dose 3ppm, pode atenuar as alterações hemodinâmicas em caninos depois de embolismo pulmonar, mas sem melhorar a oxigenação pulmonar (Tanus-Santos et al., 1999). A anestesia peridural também tem sido empregada em pacientes obstétrica com HP, sendo seu maior risco a redução do retorno venoso e da pressão arterial 21 Lopes PCF et al. devido ao bloqueio simpático (Blaise et al., 2003; Maranhão, 2006). Atualmente, na Medicina Veterinária, têm sido realizados estudos experimentais sobre HP, a qual pode ser induzida em cães pela infusão contínua de serotonina (5HT) diretamente na artéria pulmonar (Hirota et al., 2002; Hashiba et al., 2000). NozikGrayck et al. (2002) também utilizaram a serotonina em coelhos, com a mesma finalidade, sendo que, após 20 minutos da administração de 5HT, a PAP retornou aos seus valores basais. A partir dessa técnica, Nunes (2007) estudou os efeitos do sevofluorano e do isofluorano em cães, sob ventilação espontânea, induzidos à hipertensão pulmonar pela serotonina. Esse autor não registrou diferenças significativas entre o emprego dos dois anestésicos inalatórios. Contudo Maranhão (2006) afirmou que o isofluorano em humanos diminui o índice cardíaco (IC) e a PAP sem alterar a RVP, enquanto o sevofluorano pode diminuir de maneira importante a pressão da artéria pulmonar média ou aumentar a PCPm, IC e PAP. Lopes et al. (2007a) e Lopes et al. (2007b) empregando a mesma metodologia citada por Hirota et al. (2002) e Hashiba et al. (2000), induziram HP em cães submetidos a infusão contínua de propofol ou tiopental e mantidos em ventilação controlada. O propofol em pacientes humanos tem demonstrado diminuir a PAPm, a RVP bem como a pressão arterial média, sendo seu efeito controverso sobre a função do ventrículo direito (Maranhão, 2006). Todavia, Lopes (2005) observou em cães submetidos à infusão contínua de propofol e mantidos em ventilação espontânea com diferentes FiO2, estabilidade nos parâmetros cardiovasculares e ecocardiográficos. A respeito do tiopental sabe-se que na dose 10 mg/kg reduz a RVP (Fischer et al., 2003). Para a monitoração da profundidade anestésica Lopes et al. (2007a) empregaram o índice biespectral em cães anestesiados com propofol e induzidos a HP, e concluíram ser um método de monitoramento eficaz e confiável. Além do monitoramento dos parâmetros comum, os pacientes portadores de HP devem ser avaliados pela mensuração invasiva da PVC, preferencialmente por meio do cateter de artéria pulmonar e, se possível, ecocardiografia, lembrando que cateteres na circulação central podem causar arritmias cardíacas devendo ser introduzidos cuidadosamente. Dificuldades podem ser encontradas na passagem do cateter pela artéria pulmonar em pacientes com HP severa (Blaise et al., 2003; Maranhão, 2006). No período pós-operatório, todas as precauções devem ser tomadas para evitar hipoxemia, hipotensão e hipovolemia, além de estabelecer um controle efetivo da dor (Blaise et al., 2003). 22 RPCV (2008) 103 (565-566) 17-23 Conclusões É possível sugerir que, a hipertensão pulmonar seja relativamente comum dentro dos centros cirúrgicos veterinários. Dessa forma, são necessários estudos extensos sobre esse assunto, para definir as intervenções, os protocolos anestésicos e o monitoramento mais adequado para os cães que apresentam HP, a fim de proporcionar o melhor bem estar para o animal e diminuir os riscos dos procedimentos anestésicos. Agradecimento Os autores agradecem a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) pela concessão da Bolsa de Doutorado. Bibliografia Allen DG, Mackin A (2002). Cor pulmonale. In: Manual de cardiologia para cães e gatos, 3ª Edição. Editores: LP Tilley e JK Goodwin. Roca, São Paulo: 185-202. Blaise G, Langleben D, Hubert B (2003). 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