Data: 30 de Novembro de 2000. Início da reunião: 15h00. Fim da reunião: 2h20 do dia 1 de Dezembro de 2000. Local: Sala do Plenário no Edifício da Assembleia Legislativa, Praça da AL, Aterros da Baía da Praia Grande de Macau. Assessor do Gabinete do SOPT, Wan Kin Nam; Assessor do Gabinete do SOPT, Lei Chan Tong; Assessor do Gabinete do SOPT, Wai Chi Lon; Assessor do Gabinete do SOPT, Chio Chan Cheong; Assessor do Gabinete do SEF, Ng Hoi Ian. Ordem do Dia: Debate sobre o domínio do Transporte e Obras Públicas das políticas das Linhas de Acção Governativa para o ano de 2001. Presidente: Susana Chou. Primeiro-Secretário: Leonel Alberto Alves. Sumário: O debate dos Srs. Deputados versou sobre as políticas de Transportes e Obras Públicas, na presença do Sr. Secretário para os Transportes e Obras Públicas e dos representantes do Executivo, presentes no debate. Segundo-Secretário: Kou Hoi In. Acta: Vice-Presidente: Lau CheokVa. Deputados presentes: Susana Chou, Lau Cheok Va, Leonel Alberto Alves, Kou Hoi In, Ng Kuok Cheong, Vitor Ng, Chow Kam Fai David, aliás, David Chow, Anabela Sales Ritchie, Tong Chi Kin, Iong Weng Ian, Au Chong Kit, aliás, Stanley Au, Chui Sai Cheong, Cheong Vai Kei, João Baptista Manuel Leão, Leong Heng Teng, Hoi Sai Iun, Philip Xavier, Ho Teng Iat, Fong Chi Keong, Vong Hin Fai, David Liu, José Manuel de Oliveira Rodrigues, Kwan Tsui Hang. Convidados: Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long; Director da DSSOPT, Jaime Carion; Director da DSMG, Fong Soi Kun; Directora da CPM, Wong Wai Man; Director do IHM, Cheang Kuok Meng; Substituto do Director da DSCC, Cheong Chio Kei; Director dos CTT, Carlos Alberto Roldão Lopes; Presidente da AACM, Rui Balacó; Director das ON, Chao Chon; Director da DSF, Carlos Fernando de Abreu Á vila; Presidente do CA, Ng Pak Meng; Chefe do Gabinete do Gabinete para o Desenvolvimento das Telecomunicações e Tecnologia da Informação, Tou Weng Keong; Chefe do Gabinete do para o Apoio ao Desenvolvimento, Lo Teng Pong; Chefe do Gabinete do SOPT, Wong Chan Tong; Presidente: Srs. Deputados, vamos dar início à sessão Plenária. Em primeiro lugar, eu, em nome da Assembleia Legislativa gostaria de dar as boas-vindas ao Sr. Secretário Ao Man Long e aos membros do Governo. Hoje, vamos debater a área dos Transportes e Obras Públicas das LAG para o ano de 2001. Agora, peço ao Sr. Secretário para apresentar as respectivas políticas. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Excelentíssima Sra. Presidente da Assembleia Legislativa, Excelentíssimos Srs. Deputados, minhas Senhoras e meus Senhores: A elaboração da política de Transportes e Obras Públicas, deve não apenas ser baseada na manutenção do normal funcionamento da cidade e no aumento da qualidade de vida da população, como ainda numa visão a longo prazo. Deve ter em conta o desenvolvimento económico e a estratégia delineada para a urbanização de Macau, com vista ao constante aperfeiçoamento do seu enquadramento físico de investimento, aumentando a sua competitividade no exterior e criando condições para a cooperação inter-regiões. Assim sendo, planear-se-á ao desenvolvimento da Região, por forma pragmática, e segundo a prioridade dos projectos, acções que possibilitem a concretização das tarefas N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série essenciais e objectivos de longo alcance, tendo em conta o aproveitamento racional dos recursos existentes. É do conhecimento geral que, a economia de Macau tem estado estagnada nos últimos anos. Nestas circunstâncias, além da concretização dos trabalhos essenciais planeados, são importantes as acções no âmbito de Transportes e Obras Públicas para o ano 2000, com medidas relativas à revitalização da economia da RAEM. Sete meses após a aprovação, em Abril, das Linhas de Acção Governativa pela Assembleia Legislativa, os trabalhos no domínio dos Transportes e Obras Públicas estão a desenrolar-se, basicamente, de acordo com o planeado. Na execução da linhas gerais da acção governativa traduzidas na máxima de "consolidação de bases e desenvolvimento sustentado", as políticas do próximo ano neste domínio, é aperfeiçoar o enquadramento físico do desenvolvimento urbano, consonante com a aceleração da recuperação económica, impulsionar o desenvolvimento das ciências e da tecnologia, e aumentar a qualidade de vida da população. Aperfeiçoamento e enquadramento físico do desenvolvimento urbano. Para o constante aperfeiçoamento do enquadramento físico e do desenvolvimento urbanístico de Macau, torna-se necessária a elaboração de planeamentos atempados e adequados em relação às infra-estruturas, aos empreendimentos inter-territoriais, à urbanização, aos transportes, aos equipamentos de trânsito e aos empreendimentos da cidade. Tendo em conta os melhores passageiros e viaturas que se movimentam diariamente nas Portas do Cerco e o previsível aumento nos próximos tempos, é premente a construção do novo Posto Fronteiriço nas Portas do Cerco e a sua necessidade incontestável. Desejamos aproveitar a oportunidade da construção do novo Posto Fronteiriço das Portas do Cerco para a formulação da rede viária e dos equipamentos de trânsito daquela zona. Com o novo arranjo paisagístico, visando a melhor solução do problema do trânsito e proporcionando tanto a população, como aos turistas, um ponto de atracção em ambiente ordenado e agradável, melhorando a imagem de Macau no exterior. O Governo da RAEM já apresentou ao Conselho do Estado Chinês uma proposta sobre a utilização de parte do terreno entre as Portas do Cerco de Macau e Guongbei, no intuito de resolver o problema do terreno do novo Posto Fronteiriço. Se tudo correr bem, o concurso público para a adjudicação das obras poderá ter lugar em princípios do próximo ano, enquanto que, a conclusão das obras, se prevê para finais do ano 2002. Durante o decurso das obras, o Governo tomará de todas as diligências que permitam garantir o funcionamento normal do Posto, eliminando na medida do possível, todas as inconveniências para os cidadãos e turistas. O grande aterro de COTAI, situado entre Taipa e Coloane, e numa península como Macau, com escassos terrenos, desempenharão um importante papel no desenvolvimento social e económico, constituindo um aperfeiçoamento da rede viária, bem como os empreendimentos complementares, uma acção prioritária que se desenrola nesta fase, e que permitirão aumentar os factores de atracção daquela zona pelos investidores. As obras da construção da via a Sul da Baía da Nossa Senhora da Esperança e da nova estrada entre a rotunda Flor de Lótus e a Central Térmica de Coloane, que se iniciaram no corrente ano, podem estar concluídas, em Abril e Outubro do próximo ano, respectivamente. Por outro lado, está planeada, para finais do corrente ano, a construção de uma nova via que ligará a Avenida da Praia e o Istmo Taipa Coloane. Está ainda programado para o próximo ano, a construção de uma nova via que ligará o Porto de Ká-Hó e a Central Térmica à zona industrial, projecto que ficará concluído em 2002, e contribuirá para o aumento do papel complementar entre o Aeroporto Internacional de Macau e o Porto Ká-Hó, por forma a 2 permitir uma maior capacidade e fluidez do escoamento do tráfego da Zona Portuária Industrial de Ká-Hó, em direcção ao município de Zhuhai e à província de Cantão, e outras cidades, através da Ponte Flor de Lótus ou do Aeroporto de Macau. Estando Macau localizada no litoral ao Sul da província de Cantão, numa das regiões mais desenvolvidas da economia da China -- Delta do Rio das Pérolas. É necessário esforçarmo-nos para a criação de condições que permitam aumentar a colaboração entre Macau e as regiões adjacentes, no sentido de se ultrapassar o obstáculo de ser um pequeno território, com escasso recursos, criando assim mais espaço para o seu desenvolvimento. A Ponte Flor de Lótus foi aberta ao público em 28 de Março do corrente ano, sendo dos dois Postos Fronteiriços o mais afastado, e por isso, ainda é necessário aperfeiçoar as infra-estruturas e os empreendimentos complementares; comerciais, industriais e sociais, na zona envolvente. Por estas circunstâncias, não se verifica grande circulação de viaturas e passageiros na Ponte Flor de Lótus para a entrada e a saída de Macau e Zhuhai. No intuito de melhorar a eficácia da Ponte, os Grupos de Ligação de Macau e de Zhuhai, tiverem várias negociações no corrente ano, com vista a ponderar o horário de funcionamento e o escoamento de passageiros, entre outros, obtendo bons resultados. Estabelecendo-se um projecto preliminar de horário de funcionamento, que está pendente de decisão do serviço competente dos Assuntos Fronteiriços do Governo Central. Entretanto, ainda está em cursos a negociação com os serviços competentes e com o Governo local, sob a extensão da auto-estrada Cantão, Zhuhai a Macau, a fim de permitir a ligação de Macau com Pequim e com outras grandes cidades da China. Para concretizar a colaboração entre Cantão e Macau, proceder-se-á ainda no próximo ano a vários estudos de viabilidade, dos quais se destacam o estudo sobre a construção de uma via única para transporte de mercadorias para exportação, entre Macau e Zhuhai, entre a zona franca junto a Kou Lan, Zhuhai e Macau, e o estudo sobre os empreendimentos necessários à abertura da zona de turismo da Ilha da Montanha, fruto da colaboração entre Macau e Zhuhai. A Ponte Nobre de Carvalho e a Ponte da Amizade, obras que impulsionaram o rápido desenvolvimento das Ilhas, foram abertas ao público em 1974 e 1995, respectivamente. Nomeadamente a Ponte Nobre de Carvalho fez com que a anterior forma de transporte, por barco, ficasse completamente diferente, fazendo com que a vida e a actividade profissional dos habitantes da Península e das Ilhas ficassem intimamente ligadas. Devido ao diminuto terreno da Península de Macau, é previsível o aumento do papel das Ilhas no futuro desenvolvimento económico e social da RAEM. O encerramento permanente das duas pontes Macau-Taipa, em situações de mau tempo, não é compatível nesta nova era e tendo em consideração a necessidade de manutenção das duas pontes, designadamente da Ponte Nobre de Carvalho, que necessita de uma manutenção global. Temos que olhar para o futuro, de modo a estudar medidas para melhorar os equipamentos de transporte entre Macau e a Taipa, tomando medidas eficazes e oportunas para o futuro desenvolvimento de Macau. Face ao exposto, realizámos os estudos de viabilidade para a construção da terceira ligação Macau-Taipa, rentabilidade económica, efeitos para o planeamento urbano, redes viárias, ambiente e técnicas de construção, entre outros, são os principais aspectos analisados no estudo e que permitirão responder às interrogações sobre a futura necessidade, localização e tipo de solução. Este estudo ficará concluído até finais do corrente ano, e permitirá o Governo fundamentar as suas N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série opções futuras quanto a esta questão e iniciar as preparações da primeira fase. Já iniciámos a obra do viaduto do Reservatório e da via da Ilha Verde, será aberta em breve, a via que liga a Avenida Padre Tomás Pereira junto à Universidade de Macau à Baía do Pak On. Estando para breve, o início das obras de construção do túnel para peões, que vai da Avenida da Amizade junto ao Hotel Lisboa até ao jardim do NAPE. O reordenamento da rede rodoviária e do sistema de esgotos da Areia Preta e Iao Hon. No âmbito para as infra-estruturas para o próximo ano, os trabalhos concentrar-se-ão nos arruamentos, nos transportes e na rede de drenagem. A partir das referidas obras, proceder-se-á ainda à construção da rede rodoviária da zona Noroeste, ao reordenamento do Porto Interior, ao novo arranjo paisagístico da Avenida da Praia Grande, ao reordenamento dos arruamentos da Avenida Ouvidor Arriaga, ao alargamento da Estrada Almirante Marques Parteiro na Taipa e ao aperfeiçoamento da drenagem residual e pluvial da Ilha de Coloane-Ká-Hó. Entretanto, não conseguimos desenvolver, de acordo com o plano previsto, as obras de construção de um viaduto de ligação da Avenida Horta e Costa à Avenida do Patane Norte e de outro viaduto de ligação da Estrada Almirante Marques Parteiro na Taipa ao acesso à Ponte da Amizade, devido a problemas com direitos de propriedade dos terrenos envolvidos. O Governo continuará a negociar com os proprietários para que os projectos possam desenvolver favoravelmente. Sra. Presidente, Srs. Deputados. Devido às dificuldades nos anos anteriores, mesmo que a economia de Macau já tem ultrapassado o seu tempo mais difícil e se verifiquem crescimentos, é ainda necessário algum tempo para a sua recuperação total. Neste sentido, é indispensável o esforço do Governo, dos empregadores e dos trabalhadores, bem como dos diferentes tratos da sociedade, no intuito de possibilitar que todos sejam beneficiados pela recuperação da economia. Das linhas de transportes e obras públicas traçadas para o próximo ano, a criação de condições para os diferentes sectores, tendo em conta as estratégias dos outros secretários, por forma a acelerar a recuperação económica, é o nosso trabalho. Os trabalhos do sector da construção civil têm tido muitos problemas nos últimos anos, devido à interrupção do desenvolvimento do próprio sector. Para avaliar esta acção, acelerámos o início de várias obras. Com os empreendimentos e as obras públicas projectados para o corrente ano, conseguímos criar mais 2 mil postos de trabalho para trabalhadores dos sectores da construção civil e decoração de interiores. A criação de mais postos de trabalho, é ainda acção prioritária do próximo ano, e que tem por finalidade aumentar a taxa de emprego sob o aumento adequado das infra-estruturas. Prevê-se que com a construção do novo Posto Fronteiriço das Portas do Cerco, o aperfeiçoamento das infra-estruturas da COTAI, a construção do Pavilhão Desportivo Polivalente na COTAI, tendo em vista a realização dos Jogos da Á sia Oriental em 2005, a construção da nova cadeia em Coloane, bem como do novo Posto do Corpo de Bombeiros no Lago da Praia Grande, as obras de arruamento e rede de drenagem, e a concretização dos projectos de investimento particulares já concedidos. Tais como: a doca dos pescadores, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau e o Centro de realização TV por via satélite, podem criar mais de 6 mil postos de trabalho para o próximo ano. O Governo segue o espírito jurídico da Lei de Bases da Política de Emprego e dos Direitos Laborais e cumpre rigorosamente o estipulado, sob a atribuição de prioridade aos trabalhadores residentes no acesso ao emprego, sempre que aprecie propostas para adjudicação de empreitadas das 3 obras públicas. O Governo só aprova a importação de trabalhadores não residentes para postos que exigem técnicas especiais, para os quais não conseguem encontrar trabalhadores locais habilitados. O Governo vai efectuar um planeamento adequado de certas zonas da cidade e proceder ao aperfeiçoamento das instalações de trânsito e de drenagem. Acompanhando o constante desenvolvimento socio-económico e colaborando na concretização das acções de promoção do sector do turismo e da economia, criando condições para mostrar a singularidade das diferentes zonas da cidade. As instalações das Oficinas Navais e da oficina da Capitania dos Portos na zona da Barra, serão transferidos no próximo ano. Entretanto, o alargamento das vias daquela zona, a construção de vias subterrâneas e o aumento de estacionamento destinados aos automóveis de turismo, bem como o estudo sobre a expansão do Museu Marítimo, são ainda projectos do próximo ano. O que poderá tornar o Templo da A-Má, o Museu Marítimo e a singularidade de algumas construções, elementos constitutivos de uma zona temática do turismo. Por outro lado, procederão o novo planeamento entre a zona do ex-casino e Praça de Ponte e Horta para criar condições de revitalização da média e pequena actividade comercial e industrial da zona. Por outro lado, proceder-se-á ao estudo de transformação da zona do Tap Seac, no espaço de criatividade, tirando proveito da arquitectura da zona adjacente com características estilísticas do Sul da Europa. E ao planeamento do trânsito das instalações complementares, de modo a criar condições mais atractivas de investimento do âmbito do design, de vestuário, arquitectura e artes, entre outros. Está ainda planeado o rearranjo paisagístico da Estrada Marginal que liga a vila de Coloane ao Templo Tam Kong. Transformando aquela zona numa feira típica de pequena povoação para atrair mais turistas, tornando-a, por isso, mais próspera. Preceder-se-á à revisão do plano da Baía da Nossa Senhora da Esperança, transformando-a num centro de turismo e diversões, por forma a corresponder ao ajustamento da política relativa às actividades de fortuna e azar e às estratégias do desenvolvimento económico e social. Na área de apoio técnico, serão sucessivamente aumentados os trabalhos no domínio da cartografia e cadastro, procedendo-se à constante actualização da cartografia de base de Macau, Taipa e Coloane. Através da aplicação da tecnologia do sistema de posicionamento global GPS, de modo a obter informações, de forma mais eficiente e precisa, sobre a dinâmica dos terrenos, por forma a corresponder ao ordenamento urbano. Face à rápida evolução das telecomunicações e tecnologias de informação, o Governo esforça-se para o desenvolvimento desta área. Em comparação com os países mais avançados e com as regiões limítrofes, estamos ainda atrasados no impulso do desenvolvimento económico de Macau, através das telecomunicações e tecnologias de informação por carência de recursos financeiros. Porém, diferentes limitações, levam a que sejamos mais decisivos e determinantes em impulsionar diante estratégias segura e firme. O desenvolvimento das telecomunicações e tecnologias de informação, considerando as necessidades de Macau, liberalizando o mercado com a introdução da livre concorrência, tornando a indústria de telecomunicações e tecnologias de informação um dos principais factores do desenvolvimento económico de Macau. Esperamos com a diversificação dos serviços de telecomunicações e tecnologias de informação, "boa qualidade a preços razoáveis", se melhore o ambiente de investimento de Macau, baixando assim o custo de exploração e melhorando a competitividade de Macau. Para melhor adequação do desenvolvimento económico, separaram-se neste ano, as competências dos Correios das Telecomunicações. Após a recolha de informações do sector, N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série foram elaborados os projectos de regulamentação sobre o licenciamento provisório dos serviços de telecomunicações móveis e terrestres do uso público e o licenciamento provisório dos serviços da “Internet”, no intuito de melhor aproveitamento das oportunidades de comércio. Processando-se a sua apreciação com base em critérios definidos no regulamento, tendo em conta os interesses globais do desenvolvimento social e económico de Macau. Foram atribuídas duas licenças provisórias para a exploração dos serviços de telecomunicações, estando os operadores em fase de preparação. Estamos a elaborar o projecto do enquadramento jurídico das telecomunicações e tecnologias de informação, seguindo-se uma consulta aos operadores, no final do corrente ano. Após a conclusão do estudo por uma Companhia Consultora, por forma a aperfeiçoar o respectivo enquadramento. O trabalho mais importante desta área, no próximo ano, é a elaboração do projecto de regularização da inter-ligação com outras redes e a portabilidade, de modo a diminuir os conflitos entre os operadores, criando uma concorrência justa. Efectuar-se-á ainda um estudo de introdução do mecanismo de concorrência no âmbito dos serviços liberalizados, criando condições para a eventual instalação na RAEM, centros de formação e centros de dados, pelas organizações ou empresas internacionais ou regionais nas áreas das telecomunicações e da tecnologia da informação. Para criar condições e promover o desenvolvimento do comércio electrónico, será realizado um estudo sobre a instalação de um órgão de autenticação, aumentando a colaboração entre os diversos serviços públicos, no sentido de harmonizar os vários factores, incluindo o estabelecimento dos regulamentos, as técnicas usadas na “Internet”, autenticação de operações comerciais via “Internet” e a sua promoção, etc.. A revitalização económica das regiões vizinhas e a gradual concretização da política da abertura das liberdades no âmbito da aviação civil, permitiram registar uma tendência favorável no desenvolvimento das actividades do Aeroporto Internacional de Macau, com o aumento de dois dígitos em passageiros e carga, criando-se mais rotas e aumentado o número de aviões em circulação. Mesmo assim, e perante a concorrência dos Aeroportos sitos nesta Região e o desafio derivado da abertura dos três meios de comunicação entre a China e Taiwan, temos que estar seriamente preparados para criar mais condições que permitam aumentar a competitividade do Aeroporto Internacional de Macau. Tendo em vista a sua promoção com plataforma de tráfego de passageiros e de carga na Região onde está inserido, para o ano, continuaremos a esforçarmos pela criação de novas rotas, fomentando uma maior utilização do Aeroporto de Macau pelas companhias aéreas. Tendo em conta que o tráfego na área da aviação civil pode superar o desenvolvimento espacial da actual modalidade de tráfego de mercadorias, pretendemos incentivar a expansão das instalações afectas ao transporte de carga pela sociedade do Aeroporto Internacional de Macau SARL, estudando a viabilidade da criação de um centro afecta a circulação de carga aérea do Aeroporto Internacional de Macau e a construção de um Terminal Marítimo junto do mesmo. Com o enquadramento normativo e desenvolvimento de infra-estruturas e de ligação inter-modal por forma a possibilitar o incremento do tráfego. Entretanto, através da definição de políticas correctas e da elaboração de legislação adequada, promover-se-á Macau como um centro de correio rápido de carácter regional. A criação de um sistema electrónico de controle de entrada e saída de embarcações, simplificando os procedimentos e as 4 formalidades administrativas, o aperfeiçoamento do regime jurídico sobre o registo das embarcações, o incremento das relações entre os armadores dos navios estrangeiros, companhias de segurança marítima e entidades de gestão de embarcações, atraindo activamente o investimento do exterior, bem como aumentar o número de registos de embarcações melhorando a sua qualidade, são tarefas que destacamos no âmbito das actividades marítimas. Entretanto, continuamos a estudar a aplicação de medidas que possibilitem o impulso do desenvolvimento da economia dos portos. Sabemos que talvez a aplicação de medidas cujos efeitos são imediatos, vão saber a resolver o problema da procura e da oferta do sector imobiliário de Macau. Todavia, sendo o Governo responsável, temos que ter um pensamento geral, ponderado em todos os aspectos, em consonância com os interesses globais da sociedade e da população para resolver os problemas existentes. Não queremos quebrar o resultado fundamentado, no desenvolvimento sustentado da sociedade e da economia de Macau, só com o fim de obter efeitos imediatos. Face à questão dos fogos em stock no mercado imobiliário privado, temos agido de forma pragmática e prudente, tendo em vista a situação global do mercado e em conformidade com a evolução e da necessidade da sociedade e da economia no plano a médio e a longo prazo. Nestas circunstâncias, não haverá luz verde para a concessão de terrenos afectos à construção de habitações públicas. Entretanto, dar-se-á continuidade ao plano da bonificação de juros a 4%, medida que, a curto prazo, contribuirá para o desenvolvimento dos outros sectores, cuja eficácia será reavaliada no próximo ano. Para além da construção de instalações que impulsionem o desenvolvimento dos sectores dos serviços do turismo e das ciências e tecnologia, a concessão de terrenos para a construção de edifícios afectos à finalidade habitacional e comercial e numa perspectiva de prudência será baseada na situação do mercado. O Governo continuará a acompanhar a revisão do plano de concessões, adoptando medidas que salvaguardam o interesse da RAEM, de modo a resolver o problema do pagamento de prémios já vencidos e em atraso. Estamos convictos de que à medida que a economia de Macau e das regiões vizinhas se revitaliza, a tomada de medidas positivas pelo Governo, o aperfeiçoamento gradual do ambiente investimento em Macau, o melhoramento do ambiente económico, bem como, o aumento da promoção no exterior do sector do imobiliário, possam incentivar o desenvolvimento do mercado local, melhorando sucessivamente o actual desequilíbrio entre a procura e a oferta. O aperfeiçoamento da legislação na área das obras públicas e transportes, é um trabalho programado e de longo prazo, e visa promover as actividades industriais e comerciais, e atrair mais investimentos. Por outro lado, criámos um grupo de trabalho inter-serviços para revisão do «Regulamento de Segurança Contra Incêndios», seguindo o princípio de salvaguarda da segurança e da vida dos residentes, e da promoção do desenvolvimento comercial e industrial do território, prevendo-se a sua publicação para breve. O conteúdo da revisão é vasto e foi baseado nas opiniões dos sectores envolvidos, tendo em conta as necessidades reais de Macau, com o enorme trabalho na tradução devido à utilização de linguagem técnica específica. Para a melhor eficácia e aperfeiçoamento na revisão, não publicaremos leis por forma negligente, apenas por estar de acordo com o planeado, e contudo, para acelerar a apreciação dos projectos e para a conveniência dos operadores, o Governo através de recomendações internas, aplicou N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série desde o mês de Agosto, parte do articulado revisto, para o qual se tinha obtido o respectivo consenso dos operadores. Os trabalhos preparatórios da revisão do «Regulamento Geral da Construção Urbana» estão em curso e vão ser desenvolvidos após a conclusão da revisão do «Regulamento de Segurança Contra Incêndios». Por outro lado, o Conselho Consultivo de Trânsito voltou a funcionar após algum tempo de interrupção, tendo sido convidados para participarem na sessão realizada, em meados do corrente mês, representantes dos sectores das organizações e das associações. As opiniões construtivas em relação à revisão de alguns artigos do «Código da Estrada», são informações significativas para esse grupo de trabalho interserviços. Para diferentes obras públicas definimos, este ano, diferentes critérios de apreciação das propostas nos concursos de adjudicação de obras, de modo a aperfeiçoar o mecanismo da apreciação, elevando a transparência dos processos. O Governo aperfeiçoa constantemente os mecanismos consoante as realidades. Por outro lado, o Governo tem também acelerado a apreciação de projectos de investimento de capitais privados e de decoração de interiores, esforçando-se pela simplificação dos trâmites administrativos relativos à construção urbana, de modo a acelerar a aprovação dos projectos e a emissão das licenças de obra. Com o ajustamento da política relativas às actividades de fortuna e azar, prevê-se um aumento de investidores no sector de turismo, diversões e serviços. O Governo manterá a sua estratégia de, com flexibilidade, acelerar o processo de apreciação dos projectos, aumentando o estímulo para mais investimentos e aumentando a atracção por Macau. Senhora Presidente Srs. Deputados O século XXI é a era da economia baseada no saber e na informação. O saber desempenha um papel cada vez mais importante no desenvolvimento económico. A importância da inovação tecnológica tendo, gradualmente, a ultrapassar a dos recursos naturais, financeiros e laborais, sendo um vector decisivo para o crescimento económico e principal factor de mais valia dos serviços e dos produtos. O ano 2000, é ano muito importante para o desenvolvimento das ciências e tecnologias. A Assembleia Legislativa aprovou, em Julho, a «Lei de Bases das Ciências e da Tecnologia», que constituem um sistema jurídico programático de forma firme e sistemática para o desenvolvimento das ciências e da tecnologia de Macau. Uma vez sensibilizados para a premência de elevar e promover o nível das ciências e tecnologia de Macau, estão delineadas as acções nas Linhas de Acção Governativa de Macau, para o ano 2001. Face à tendência do desenvolvimento económico mundial, bem como da concorrência e desafios das zonas vizinhas, Macau deve ajustar-se para responder às tendências do desenvolvimento económico do mundo. Esforçando-se para elevar o nível e reforçar a capacidade de inovação e transformação das ciências e das tecnologias da RAEM, permitindo aumentar a produtividade e intensificar a competitividade, de modo a promover o desenvolvimento sustentado, social e económico. Quanto ao programa de acções neste domínio, o Governo tem que olhar para o futuro, tendo em conta o passado, face à chegada da era da economia baseada no saber e tendo em conta os seus desafios, passa ao débil desenvolvimento na área das ciências e da tecnologia e aos recursos financeiros diminutos, o Governo tem agido de uma maneira pragmática e com visão estratégica. Além disso, ainda é 5 necessário criar medidas viáveis que possibilitem a instalação e desenvolvimento das ciências e da tecnologia em Macau. Para concretizar a «Lei de Bases das Ciências e da Tecnologia, o Governo da RAEM desempenhará activamente o papel de motor de impulso, coordenação e apoio, estimulando as empresas a estudar, explorar, introduzir e adoptar novas e altas tecnologias científicas, com vista a elevar a sua produtividade, capacidade de crescimento do valor dos serviços e do produto, bem como remodelar e aperfeiçoar a indústria tradicional e a estrutura industrial, reforçando a competitividade de Macau. Será criado, no próximo ano, um fundo para a inovação e para o desenvolvimento das ciências e da tecnologia. Entretanto, o estudo sobre a viabilidade de criação do centro de apoio para a criação de empresas e o reforço de cooperação com o Continente Chinês, com a União Europeia e outros países. A consolidação de um mecanismos de cooperação, a incentivação da cooperação entre estabelecimentos de ensino superior e empresas, a promoção da formação dos quadros da área das ciências e da tecnologia, bem como a promoção da propaganda e da educação para divulgar os conhecimentos e a sensibilidade sobre as ciências e tecnologia, são outras das acções destacadas. Sra. Presidente, Srs. Deputados: Não obstante o esforço para a criação de condições que visem impulsionar o desenvolvimento económico e elevar a competitividade de Macau no exterior, o Governo não negligenciará as questões intimamente ligadas à vida da população. De facto, o espírito de "servir a população" é o pensamento directivo na elaboração das linhas, tendo em vista a fortificação do bem estar dos cidadãos, a par do impulso do desenvolvimento sustentado, social e económico. Assim sendo, dedicamo-nos às questões programadas e intimamente ligadas à vida da população para que, conjuntamente com a população, vamos esforçarmos pela criação do melhor ambiente de vida. O transporte é um facto fundamental do desenvolvimento sócio-económico e condições indispensável para o normal e eficiente funcionamento duma cidade e para a vida normal da sua população. Procedemos a várias obras de melhoramento do trânsito, no corrente ano, e preocupámo-nos com a inconveniência para a população de alta circulação de viaturas nos viadutos próximos das zonas de habitação, prevendo-se que a adjudicação das obras de montagem de instalação isoladora de som seja iniciada muito em breve. Para além do melhoramento das infra-estruturas, proceder-se-á ainda a uma avaliação global sob a capacidade de escoamento da rede viária actual, pretendendo-se instalar o maior número de sinais de indicação rodoviária em locais, onde se julgue necessário, estudar a localização das paragens dos autocarros de acordo com a realidade. Por outro lado, aumentámos a fiscalização da qualidade de serviços das companhias de transportes públicos, promovendo campanha de sensibilização rodoviária. Relativamente ao trânsito e à segurança marítima, vamos continuar a reforçar as medidas que eficazmente e durante o período de proibição de pesca, no corrente ano, foram tomadas. Com a finalidade de criar e manter um ambiente marítimo seguro e ordenado. Entretanto, e para reforçar a capacidade do combate aos incêndios ocorridos no mar, encomendaremos embarcações de combate contra incêndios, iremos reforçar os equipamentos de controle e fiscalização da entrada e saída de embarcações, com o objectivo da protecção da vida humana e bens no mar. N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série Na satisfação da procura de habitações por parte dos cidadãos, o Governo, de acordo com o planeado, prosseguirá às diligências que permitam às famílias ocuparem progressivamente as habitações. Por outro lado, acompanhará activamente o cumprimento dos contratos de desenvolvimento para a habitação, anteriormente celebrados. Todavia, não haverá lugar à celebração de novos contratos de desenvolvimento para habitação nos próximos tempos. Prevê-se que em 2005, a capacidade da Central de Incineração atinge o seu ponto de saturação, pelo que se torna necessário estudar desde já as medidas adequadas para o aumento da sua capacidade. Por outro lado, é necessário a criação de um Reservatório de Efluentes na ETAR de Macau para tratamento dos efluentes durante os períodos de ponta. No intuito de proporcionar à população, "serviços de boa qualidade a preços razoáveis", permitindo mais contactos com o mundo da informação, vamos introduzir, no corrente ano, mecanismos de concorrência nas vertentes telecomunicações e tecnologias de informação, tendo as tarifas de licenças de pager e de TV satélite sido já reduzidas. Por outro lado, ajustar-se-á ainda o tarifário da licença de telemóvel, prevendo-se a sua aplicação a partir do dia 1 de Janeiro do próximo ano. Na vertente dos Serviços de Correios, no próximo ano, continuar-se-á a adaptação da rede de vendas aos desenvolvimento urbano e demográfico, e à necessidades da população e clientes, estabelecendo-se um banco postal e continuar-se-á o esforço ao aperfeiçoamento e ao aumento da qualidade dos serviços dos correios. A obra da construção do Museu das Comunicações está a desenrolar-se a bom ritmo, prevendo-se a sua entrada em funcionamento do próximo ano, dispondo-se assim de outro Museu singular. Entretanto, reforçámos e melhorámos o serviço público de meteorologia, com a instalação na Taipa dum Centro de Monitorização Automática da Qualidade do Ar. Permitindo ainda ao público receber mensagens ou ter acesso às informações meteorológicas via telemóvel. No próximo ano, implementar-se-á um plano de monitorização das fontes poluidoras fixas e móveis, e no desenvolvimento na previsão climática, passando a fornecer serviços meteorológicos de boa qualidade. Mesmo que a qualidade ambiental de Macau esteja no nível aceitável em comparação com as regiões vizinhas, o Governo não afrouxa na procura de medidas eficazes que permitam salvaguardar o ambiente de Macau. Para a redução da poluição causada pelos gases emitidos pelos automóveis, o Governo promulgou em Agosto uma ordem executiva, que determina o teor de enxofre no gasóleo para os veículos comercializados em Macau. Por outro lado, continuará a fiscalização da qualidade do gasóleo e dos gases emitidos pelos automóveis e motociclos de two strowks, estudando-se a viabilidade da importação de automóveis ligeiros dotados de equipamentos destinados à protecção do meio de ambiente. Entretanto, reforçar-se-á ao estabelecimento de um grupo de trabalho permanente entre Macau e Cantão, aperfeiçoando-se as infra-estruturas e prestando-se apoios ao aperfeiçoamento do quadro legislativo relativamente à protecção do ambiente. Na área dos combustíveis, para além da fiscalização da qualidade dos produtos, atendemos ainda à criação de condições de atracção de novos operadores, com objectivo de garantir a oferta de produtos dos combustíveis de qualidade aos consumidores e a preços razoáveis. É por isso que se colocam essas acções nas linhas do ano 2001, e se elaboraram algumas medidas, das quais se destacam: a instalação de mais postos de abastecimento, atribuindo 6 prioridade aos novos operadores, sem prejuízo da segurança patrimonial e pessoal da população, e atendendo à condições reais; o estudo sobre a revisão da legislação pertinente, permitindo a criação de depósitos de combustíveis no exterior, simplificando as formalidades quanto à sua importação; o estudo da viabilidade de instalação do novo depósito e de um posto intermédio; elaboração de uma lei sob instalação de preçário em lugar visível; e o reforço das competências da Comissão de Inspecção das Instalações de Produtos Combustíveis. O abastecimento de energia eléctrica e da água está intimamente ligada à qualidade de vida dos cidadãos e ao funcionamento dos estabelecimentos industriais e comerciais. Nestas circunstâncias, o Governo tem rigorosamente vindo a fiscalizar a qualidade e tarifas dos serviços prestados pelas concessionárias, de acordo com os respectivos contratos de exploração exclusiva para salvaguarda do interesse público. A redução das tarifas levado a cabo pelas concessionários, no corrente ano, contribuiu para aliviar os encargos dos residentes e empresários dos sectores industrial e comercial. O Governo acompanhará activamente os trabalhos que as duas concessionárias têm de desenvolver, como seja a melhoria por parte da CEM, dos seus equipamentos, de forma a evitar incidentes de interrupção de distribuição graves, enquanto que a SAAM vai tomar medidas adequadas para a melhoria da qualidade das águas, resolvendo o problema da sua salinidade. Sra. Presidente, Srs. Deputados: A apreciação, de hoje, das políticas no domínio dos transportes e obras públicas de 2001, não significa que as acções traçadas no ano 2000 tenham sido já concluídas. Pelo contrário, só o desenvolvimento de novos trabalhos com base nos trabalhos anteriores é estratégia e método de longo prazo. Entretanto, só com constante reavaliação dos defeitos é que se permite o melhor desempenho das acções futuras. Para o próximo ano, vamos desenvolver acções tendo em conta o aperfeiçoamento do enquadramento físico e o desenvolvimento urbanístico de Macau, de harmonia com a retoma da revitalização da economia, impulsionando o desenvolvimento ao nível das ciências e da tecnologia melhorando a qualidade de vida. De facto, não só no corrente ano, como no ano 2001, e nos próximos anos, o nosso objectivo a longo prazo é o do melhoramento do ambiente investimento de Macau e o aumento da sua competitividade, o impulso da cooperação regional, concretizando do desenvolvimento sustentado da economia e sociedade, permitindo uma melhor qualidade de vida a toda a população. Muito obrigado. Presidente: Muito obrigada pela apresentação do Sr. Secretário Ao Mana Long. Agora, vamos iniciar o debate de hoje. Tenho na minha posse 8 inscrições dos Srs. Deputados para intervenção. Em primeiro lugar, peço ao Sr. Deputado Chui Sai Cheong para usar da palavra. Chui Sai Cheong: Ao longo dos anos, na elaboração da revisão das leis, o Governo só se tem limitado à revisão das leis já existentes, e esta abordagem não é completa, nem activa. Esta alteração ao «Regulamento de Segurança Contra Incêndios», o Sr. Secretário e os relacionados serviços têm elaborado trabalhos mais profundos, e além disso, antes da publicação da nova lei, efectuou-se ainda um tratamento flexível. Creio que esta forma, N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série basicamente, obteve consenso por parte dos operadores desse sector. Embora esta revisão abrange uma dimensão ampla, mas existem determinadas pessoas sectoriais que ainda acham insuficiente. Pelo que, antes da sua publicação, pessoalmente, espero que o Sr. Secretário possa estudar ainda mais, a fim de obter um verdadeiro ponto de equilíbrio. Relativamente ao aspecto do «Código da Estrada», creio que a situação é mais complexa do que o «Regulamento de Segurança Contra Incêndios», porque envolve um âmbito e sectores ainda mais vastos e amplos. Desta forma, espero que o Sr. Secretário Ao e os relacionados serviços possam seguir a mesma forma que adoptaram para alterar o «Regulamento Contra Incêndios». Com isso, creio que se poderá obter um reconhecimento por parte da população em geral. Gostaria de aproveitar esta ocasião para desejar os maiores sucessos na revisão das duas legislações. Presidente: Sr. Deputado Chui, se bem que a sua intervenção não se trate de uma questão, mas manifestou a sua opinião pessoal. Sr. Secretário, faça o favor de apresentar o ponto da situação sobre a revisão das duas legislações. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: No início do corrente ano, recebemos muitas opiniões preciosas dos operadores desse sector, em relação à revisão do «Regulamento de Segurança Contra Incêndios», na esperança de que através da revisão, se possa impulsionar o sector da construção civil de Macau e, no entanto, se possa dar mais um passo no desenvolvimento do sector da indústria da manufactura até aos outros sectores de prestação de serviços. No decurso dos trabalhos, realizámos uma sessão plenária consultiva, através da qual, recebemos muitas opiniões construtivas dos sectores. Além do mais, ainda estabelecemos um grupo de trabalho destinado à revisão do «Regulamento de Segurança Contra Incêndios». De acordo com os planos previstos, prevê-se a sua conclusão em Julho e Agosto do corrente ano, mas no processo consultivo, verificámos que muitos dos operadores desse sector apresentaram opiniões profundas acerca de muitos artigos concretos. Tendo em consideração as opiniões apresentadas, que poderão influenciar profundamente todo o funcionamento global deste sector, daí, prorrogámos o prazo da consulta, e até ao presente momento, está basicamente concluído. Conseguiu-se encontrar um ponto de equilíbrio para cada artigo, o que é uma questão que temos em consideração. Relativamente à revisão do «Código da Estrada», em Junho do corrente ano, recebemos alguns pedidos das relacionadas associações, a fim de acompanharmos as opiniões. Para esse efeito, constituímos, de imediato, um grupo de trabalho interdepartamental, com vista a resolver, em primeiro lugar, as questões por eles colocadas. Na verdade, em meados do corrente mês, realizámos uma reunião no Conselho Superior de Trânsito para auscultarmos amplamente os operadores deste sector e as associações relacionadas. Cremos que, depois desta sessão consultiva, podemos captar ainda mais opiniões globais. Deste modo, poder-se-á contribuir ainda mais para o aperfeiçoamento da revisão do «Código da Estrada» no Conselho Superior de Trânsito. Pessoalmente, estou plenamente de acordo com a opinião que o Deputado Chui referiu que em relação à revisão da lei é indispensável obedecer a dois grandes princípios: "evitar uma visão parcial" e "indispensável uma auscultação ampla", o que se pode adequar ao tempo, aquando da revisão à lei. Agradeço a 7 opinião que o Sr. Deputado Chui apresentou. Presidente: Tem a palavra o Deputado Ng Kuok Cheong. Ng Kuok Cheong: Pessoalmente, concordo com os trabalhos desenvolvidos pelo Sr. Secretário para as revisões acima referidas. Na verdade, o citado regulamento e código, merecem desde sempre uma indispensável alteração global. É do conhecimento de todos que se houver alguma imperfeição na legislação, também pode provocar situações injustas, quer para os cidadãos, quer para os investidores, dado que estão perante uma lei perversa, o que poderá originar situações de irregularidades, por isso, há necessidade em alterar a sua globalidade. Pessoalmente, saliento que os citados regulamento e código são muito importantes, porque desta forma, espero que o Governo possa promulgar os mesmos com um processo legislativo. Por outro lado, e no respectivo processo de alteração, para além de se consultar opiniões dos operadores do sector, ainda temos que ter em consideração a harmonização de Macau com o exterior. Por exemplo, no «Código da Estrada», está previsto que os residentes de HK que possuam carta de condução, têm de efectuar um registo antes de conduzir em Macau, e os que possuem uma carta de condução internacional, se residirem permanentemente em Macau, têm que requisitar uma carta de condução emitida em Macau. Sendo assim, tudo isto tem a ver com a alteração que vão introduzir às mesmas, a fim de permitir que Macau se harmonize da melhor forma a nível mundial. Em relação ao regulamento sobre o trânsito marítimo, será que vão introduzir uma revisão global, com vista a eliminar os diversos problemas existentes? Obrigado. Presidente: Tem a palavra o Deputado Leong Heng Teng. Leong Heng Teng: Pessoalmente, também concordo perfeitamente com os trabalhos desenvolvidos pelo Governo sobre este aspecto. Acho que ao adoptar-se a forma actual antes da revisão é uma forma adequada. Por exemplo, antes da publicação do «Regulamento de Segurança Contra Incêndios», foi adoptado uma forma de ordem interna para tratar das questões urgentes, o que eu acho que é adequado. Outro exemplo, no aspecto do «Regulamento Geral da Construção Urbana» também se adoptou a mesma forma, e com isso, pode contribuir-se para resolver questões concretas. Gostaria de apresentar algumas opiniões sobre a legislação para a fiscalização do ruído ambiental. Por exemplo, o aspecto do critério de baixa frequência ainda não corresponde à necessidade real de Macau. Queria perguntar ao Governo se tem ou não ponderado sobre esta questão, e se tem ou não desenvolvido os relacionados trabalhos? Presidente: Tem a palavra a Deputada Anabela Sales Ritchie. Anabela Sales Ritchie: Há dias, fiz uma intervenção sobre a revisão do «Código da Estrada», por isso, não faz sentido eu repetir o que disse há dias. Gostaria de apresentar algumas opiniões sobre a questão da poluição sonora que o Deputado Leong Heng Teng colocou. Em Agosto do corrente ano, fiquei satisfeita ao registar que o Governo publicou uma ordem executiva N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série respeitante ao nível do teor de enxofre no gasóleo que todos os veículos comerciais em Macau usam, o que é muito importante. Como todos sabem que, antes do mês de Junho, foi aprovada no Conselho Legislativo de Hong-Kong uma legislação sobre o combate à poluição produzida pelos veículos, cujas respectivas sanções sofreram um aumento de 450 dólares para 1000 dólares. A referida legislação tinha um "vacacio legis" de 6 meses para a sua entrada em vigor, a fim de permitir que as pessoas pudessem ter tempo suficiente para conhecerem melhor a nova legislação e para que o Governo possa adquirir os relacionados equipamentos para controlar o fumo poluidor que os veículos produzem. Hong-Kong está a enfrentar uma questão grave da poluição do ar, por isso, é indispensável esta legislação. Felizmente, a situação de Macau ainda não atingiu esse ponto, mas legislando sobre este aspecto, creio que se poderá produzir uma certa eficácia. Neste momento, Macau ainda não dispõe de sanções para aplicar aos gazes poluentes que os veículos motorizados produzem, e além disso, Macau apenas exige que alguns veículos especiais sejam sujeitos a uma inspecção anual e a uma percentagem que estes ocupam, o que são apenas cerca de 6 mil. Isto significa que, deixando de fora, a maioria dos veículos sujeitos a inspecção anual, ou seja, uma inspecção quando perfaz os 10 anos e, além do mais, os veículos que forem reprovados na inspecção, é-lhes aplicado apenas uma sanção de mil e quinhentas patacas. Entretanto, ainda existem muitos problemas, pelo que alerto os respectivos trabalhadores desta área para darem mais atenção às questões acima colocadas. Têm de proceder a estudos profundos ou servir de referência a experiência de Hong-Kong, concedendo competências aos agentes policiais, com vista a multar os veículos que produzam grande quantidade de gazes poluentes nas ruas. O padrão que definimos na legislação, deve aproximar-se, na medida do possível, do nível internacional, porque o nível de padrão que adoptámos é, de facto, demasiado baixo. Pessoalmente, reitero que apoio os trabalhos desenvolvidos pelo Governo neste aspecto e espero que possam desenvolvê-lo o mais depressa possível. Presidente: Hoje, estamos a debater as LAG, e quanto às questões concretas de alteração na especialidade, podem ser abordadas num futuro próximo. Principalmente no que diz respeito a Hong-Kong, não vale a pena abordarmos, a fim de evitar desentendimentos e problemas desnecessários. Tem a palavra o Deputado Cheong Vai Kei. Cheong Vai Kei: O Governo anterior, aquando da publicação da nova legislação, por exemplo a nova legislação sobre a construção civil ou o imobiliário, nunca chegaram a conceder um "vacacio legis" ou insuficiência no prazo previsto, tornando assim uma adaptação difícil para os operadores deste sector. Pessoalmente, alerto que, antes da publicação de qualquer nova legislação, deve determinar-se um período de isenção na nova legislação, ou então, um período de adaptação, de modo a evitar que os investidores locais ou investidores exteriores recuem os seus investimentos devido à mudança constante na legislação de Macau. Presidente: Tem a palavra o Deputado Ng Kuok Cheong. Ng Kuok Cheong: Pessoalmente, gostaria de acompanhar a questão do ruído ambiental. O Conselho do Ambiente, com a experiência adquirida no tratamento da questão das Docas, têm ou não ponderado em alterar 8 as condições para obtenção do licenciamento, determinando assim um prazo de trabalho? Por outro lado, aquando do debate sobre o domínio da segurança e do turismo, cheguei a questionar os serviços competentes do Governo se possuíam ou não uns aparelhos que pudessem medir concretamente o ruído. Por exemplo, equipamentos que pudessem medir o ruído ou os gazes poluentes, com vista a obter-se uma medição justa ou um resultado de investigação justo. Esta questão merece que lhe prestemos atenção. Também concordo em determinar um prazo flexível antes da publicação de uma nova legislação. Porém, gostaria de perguntar ao Governo se pode ponderar em criar um mecanismo para queixas, especialmente para tratar das queixas que tenham a ver com a discordância da nova legislação? Presidente: Faça o favor de responder Sr. Secretário. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Pessoalmente, vou responder às questões que os Deputados apresentaram. O Deputado Ng Kuok Cheong referiu que uma lei perversa, poderá originar situações de irregularidades, com o que eu concordo com este ponto de vista. No que diz respeito à forma de lei para tratar dos regulamentos legislativos, a publicação dos regulamentos com forma de lei ou diplomas administrativos, sempre foram conflituosas. Cito um exemplo. O enquadramento jurídico das Telecomunicações da minha área das LAG, pertence a uma lei básica, e demonstra claramente que é necessário basear-se num tratamento da forma de lei. Em primeiro lugar, apresenta-se um projecto de lei para ser apreciado no Conselho Executivo e depois vai ser apreciado e aprovado na AL. Em relação a alguns diplomas que possuam uma técnica elevada, se adoptarmos uma forma de lei, quando for necessário introduzir uma alteração, é indispensável obedecer ao método de tratamento para a alteração à lei, o que pode constituir um obstáculo ao desenvolvimento da sociedade. Por exemplo o «Código da Estrada», o relacionado regulamento envolve a atribuição da carta de condução, o registo, a segurança rodoviária e até o aspecto da preservação ambiental. Acontece que é alterado constantemente de acordo com as mudanças da era, pelo que, para este tipo de regulamento se adoptássemos uma forma de lei, não seria adequado. Pelo contrário, a «Lei de Bases da Tecnologia» aprovada na AL, em Julho, é indispensável basear-se numa forma de lei, porque a mesma fornece legislação básica para o desenvolvimento da tecnologia de Macau. Outro exemplo, e quanto ao diploma legislativo sobre o aspecto ambiental, as questões de enquadramento são adequadas em adoptar uma forma de lei para o seu tratamento e, no que se refere às questões na especialidade, tal como a produção de gazes e o padrão do ruído, serão adoptadas adequadamente em forma de diplomas. No corrente ano, para além da revisão ao «Regulamento de Segurança Contra Incêndios», ao «Regulamento Global da Construção Urbana» e ao «Código da Estrada», bem como a outros diplomas da minha área de tutela, tais como os respeitantes às Telecomunicações, Tecnologias e Informação, Viação e Portos, também irão ser revistos e concretizados no próximo ano em conformidade com as exigências da era e com as necessidades reais de aplicação. Esta é a razão pela qual prestamos muita atenção aos trabalhos de elaboração de diplomas, porque, aquando N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série da elaboração de políticas pelo Governo, enfrentámos sempre um problema, que se prendia com a lei existente anteriormente, ou com as leis que estavam fora de uso e que constituem obstáculos para podermos avançar e para o nosso desenvolvimento. O mais satirizado é por exemplo o caso da liberalização do mercado das telecomunicações e o aspecto do desenvolvimento do impulsionar da tecnologia e da informação, e dado que não existe uma legislação básica, o que faz com que, após a liberalização do mercado, conseguir-se-á ou não criar um ambiente de competitividade justo? Por isso, estou totalmente de acordo com o que um dos Deputados referiu, que é necessário aperfeiçoar o ponto de vista sobre o regime de regulamento. Há pouco, o Deputado Leong Heng Teng referiu que, antes de concluírem os trabalhos de revisão ao regulamento, devemos adoptar um ponto de vista flexível ao seu tratamento. Já se referiu que, no corrente ano, e no aspecto da revisão ao «Regulamento de Segurança Contra Incêndios», tínhamos adoptado, em primeiro lugar, uma forma de ordem interna para resolver as questões que já obtiveram um consenso. Os edifícios que não infringem o regulamento de construção civil, e sob a premissa de não influenciarem a segurança pública, também se adoptou uma medida flexível para o seu tratamento até se concluir a revisão ao «Regulamento Geral da Construção Urbana». No que diz respeito à adaptação da «Lei do Ruído» de acordo com o desenvolvimento da sociedade, na verdade, aquando da sua elaboração, e uma vez que não se ponderou no factor objectivo da rápida transformação social, daí ter originado uma inadequação. Através deste exemplo, demonstra-nos que algumas vertentes concretas e de alta tecnologia, não serão adequadas se se adoptar a forma de lei para o seu tratamento. A Deputada Anabela Ritchie referiu no «Código da Estrada», o ruído e a questão do teor de enxofre. Em termos globais, tem em consideração a questão do enquadramento da lei para a protecção ambiental. Lembro-me que, há uns anos atrás, em primeiro lugar, tivémos condições para aprovar a «Lei do Ruído», mas depois da sua aprovação, esta sofreu discussões a longo prazo. Mesmo depois da sua publicação, ainda foi necessário adiar por dois ou três anos para poder ser aplicada na totalidade em Macau e, nessa altura, Macau estava mesmo numa época alta para a construção de grandes empreendimentos. Se fosse aplicada de imediato, as obras em causa certamente que iriam ser impedidas. Em relação ao aspecto do regulamento para as águas residuais, a situação é semelhante. Depois da sua publicação, não havia condições para a sua implementação, devido à falta de legislação para a sua regulamentação. De um outro ponto de vista, se não existir uma legislação relacionada ainda nos pode fornecer um espaço para que possamos estudar seriamente sobre a questão em causa. Pessoalmente, concordo plenamente com o que um dos Deputados referiu, que se devem elaborar leis para a preservação ambiental, a fim de se aperfeiçoar o ambiente de investimento e de se elevar a qualidade de vida dos cidadãos. Mas, a elaboração de políticas para a preservação ambiental acarreta uma tarefa prudente. Uma vez que não existem condições objectivas na sociedade para a sua execução, de certeza que originam consequências negativas, que podem ser de dois tipos. Por um lado, não se consegue executar, o que prejudica a dignidade da lei, por outro lado, pode fazer com que as empresas existentes ou os investimentos do exterior recuem, tornando assim mais fraca a economia de Macau. Deste modo, temos que encontrar 9 cuidadosamente um ponto de equilíbrio. Actualmente, o Conselho do Ambiente está a desenvolver activamente os diversos trabalhos de acompanhamento. Espero que possam resolver, a curto prazo, as questões urgentes, tal como o padrão de baixa frequência no aspecto do ruído, harmonizando-se, assim, com os grupos de trabalho interdepartamentais. Finalmente, também concordo largamente com o ponto de vista da Deputada Anabela Ritchie. Ela referiu que, depois de se promulgar uma determinada lei na União Europeia, também são necessários 8 a 10 anos para se poder implementar na totalidade. Podem imaginar que, mesmo a UE que já se consegue alcançar um determinado nível e uma base, também encontram obstáculos. Olhando novamente para as condições de Macau, já podem imaginar. Outro exemplo, são os EUA quando implementaram as medidas de peso, as quais também se iniciaram há 20 anos atrás e, até agora, ainda existem ao mesmo tempo, o regime novo e o regime antigo. Por isso, concordo que devemos proceder a estudos, e quanto mais cedo possível estudar a questão, tendo em conta a situação da economia de Macau, temos que a tratar prudentemente. O Deputado Cheong referiu que, antigamente, antes da publicação de uma lei, não havia um período de reflexão, por isso mesmo, com o desconhecimento das legislações de Macau, influenciaram alguns investidores a não investirem em Macau. Não nos descuidamos em relação a esta questão. Cito um exemplo. Antes de implementarmos o regulamento do relacionado teor baixo, iremos conceder tempo suficiente para os postos de combustível e para os operadores dos postos de combustível para a sua preparação, com vista a alterar as obras relacionadas. Além disso, ainda nos reuniremos com os operadores deste sector, para nos inteirarmos das suas dificuldades, bem como iremos ponderar prudentemente sobre a racionalização do tempo de reflexão que irão propor. Por último, e face à questão que o Deputado Ng Kuok Cheong colocou, na criação de um mecanismo para tratar das condições de licenciamento, por enquanto, ainda não dispomos deste mecanismo. Quanto à boa proposta que o Deputado apresentou, iremos dar importância e desenvolver estudos, sobretudo quando revermos os grandes regulamentos. Presidente: Depois de debatermos em torno da questão da revisão apresentada pelo Deputado Chui Sai Cheong, podemos passar ao tema seguinte. Tem a palavra o Deputado Ng Kuok Cheong. Ng Kuok Cheong: Gostaria de acompanhar a questão do relacionamento entre a lei e o regulamento. Acho que os diplomas que têm a ver com a vida da população, ou com os actos dos investidores, devem ser fundamentadas em leis de bases. Embora estas leis pertençam ao aspecto de critério, e que são relativamente simples, mas são indispensáveis que existam. Acho que, se se adoptar o regulamento para substituir uma lei existente, como base e como regulamento para ser executado o seu critério, não é viável. No passado, existiam regulamentos legislativos que continham situações confusas e, no entanto podem melhorar-se. Presidente: Tem a palavra a Deputada Kwan Tsui Hang. Kwan Tsui Hang: Pessoalmente, concordo com o método N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série aplicado pelo Sr. Secretário. É adequado, porque aquando da elaboração da lei, em primeiro lugar, auscultam-se as opiniões dos operadores do sector, e depois de recolhidas as respectivas opiniões, por fim, encontra-se um ponto de equilíbrio. A partir de agora, todas as leis que tenham a ver com a economia e com a vida da população, também se devem obter várias opiniões e só depois é que se elabora. Naturalmente que o seu reconhecimento também será elevado. Pessoalmente, gostaria de ficar ainda mais esclarecida em relação ao aspecto que o Sr. Secretário focou em relação às limitações jurídicas encontradas aquando do desenvolvimento dos trabalhos. Será que se está a referir que algumas leis imperfeitas impõem restrições para se poderem desenvolver os trabalhos e outras devido à falta de lei de bases para se poder impulsionar? Espero que o Sr. Secretário possa explicar melhor sobre este aspecto. Se assim for, não me atrevo em concordar arbitrariamente. Acho que no processo da aplicação da lei, esta deve ser revista constantemente. O Governo deve ter em conta se a lei condiz com a realidade, se é ou não indispensável ser revista, ou se até há ou não lugar a uma nova elaboração, por isso, o Governo deve enfrentar as questões de uma forma mais activa, caso contrário, muitos trabalhos não poderão ser desenvolvidos. Muitas pessoas também questionam porque se, afinal, devem ou não existir as leis? A alçada do Sr. Secretário irá desenvolver trabalhos de revisão no corrente ano sobre alguns grandes códigos, incluindo o «Código da Estrada», o «Regulamento Geral da Construção Urbana» com que muitas pessoas se preocupam. Espero que me possa responder claramente se, no corrente ano, se conseguem ou não definir novas normas relacionadas. Obrigada. Presidente: Tem a palavra o Deputado Stanley Au. Au Chong Kit, aliás, Stanley Au: O Sr. Secretário Ao Man Long fez uma explicação pormenorizada sobre a elaboração e a alteração de leis. Aproveito esta oportunidade para questionar o seguinte. Haverá ou não necessidade em se criar uma legislação anti-monopólio, "anti-trust"? Porque há dez dias atrás, 32 empresas de informática e de fax entregaram-me um abaixo assinado, e além disso, ainda enviaram 6 representantes para entrarem em contacto comigo, reclamando que a exploração de produtos informáticos e de fax não tenham espaço para a sua sobrevivência. Razão pela qual é devido à forma adoptada pela CTM, por isso, não podem competir justamente. Por exemplo, a CTM adopta formas para divulgar os produtos e serviços, tal como quando se faz o uso do seu serviço, oferecem equipamentos e descontos significativos, a fim de atrair mais clientes. Duas das empresas de HK, manifestaram-me que, se a situação persistisse, estariam a ponderar em deixar de investir em Macau. De facto, nos países avançados com legislações perfeitas, também possuem leis que podem ter um efeito de combater o monopólio. Mesmo na China, também estão a aperfeiçoar constantemente as legislações relacionadas. Actualmente, existem, na verdade, fenómenos de competitividade injusta, o que tem a ver com o regime de concessão exclusiva, fazendo com que os outros operadores não sejam tratados justamente. Gostaria de perguntar ao Sr. Secretário se tem ou não ponderado em criar uma lei anti-monopólio? E, gostaria de acrescentar, no entanto as orientações adequadas, com vista a fornecer uma determinada garantia aos investidores e aos fornecedores. Obrigado. 10 Presidente: Tem a palavra a Deputada Iong Veng Ian. Iong Weng Ian: Há pouco, os colegas manifestaram muitas opiniões respeitantes ao «Código da Estrada». Este código está intimamente ligado à vida quotidiana da população. Porém, todos devem saber que, muitos dos regulamentos consagrados neste código, foram introduzidos pelo estrangeiro, e o que acrescentaram foi uma tradução. Por isso, muitas vezes os cidadãos não conseguem perceber o seu conteúdo, e desta forma, podem ser sancionados. Agora, sabemos que, em meados do corrente ano, o Governo auscultou amplamente as opiniões de diversos sectores, pelo que têm a intenção de o alterar na sua totalidade. Espero que o Governo possa alterar o respectivo código de uma forma nítida, a fim de permitir que as pessoas possam compreender facilmente. No corrente ano, o Governo alterou muitas leis, e acontece que ainda existem fenómenos de difícil entendimento na sua forma de exprimir. Mesmo nós, os Deputados, também encontrámos dificuldades aquando do debate. Muitas vezes, só depois de perguntarmos que perguntar aos assessores jurídicos é que podemos compreender bem a sua ideia. As leis são dedicadas aos cidadãos, por isso, só depois deles compreenderem é que se podem cumprir, e também será mais fácil para o Governo executar. Obrigada. Presidente: Sr. Secretário Ao, faça o favor de responder. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Muitos Deputados também manifestaram opiniões sobre a elaboração e a alteração das leis. Em primeiro lugar, vou responder à questão que o Deputado Ng colocou. Basicamente, concordo com o que o Deputado Ng referiu. Tudo que tem a ver com a lei de bases. Deve ser tratada sob a forma de lei. Na verdade, este conceito já inclui a alçada da minha tutela. Por exemplo, as concessões das obras públicas e as concessões dos serviços públicos, a lei nº3/90, criou-se uma lei de bases para as obras públicas e para os serviços públicos. Outro exemplo, a questão de regulamentar a gestão e o desenvolvimento dos terrenos, tal como a «Lei das Terras», que também é uma lei. A «Lei de Bases da Ciência e Tecnologia», aprovada em Julho, também é uma lei, porque a elaboração da política da tecnologia fornece orientações sob a perspectiva de uma lei de bases. Pessoalmente, comprometi-se que, no final do corrente ano, iria implementar o enquadramento básico das telecomunicações. Em primeiro lugar, irei auscultar as opiniões dos relacionados sectores, e depois será discutido no Conselho Consultivo, e finalmente, será aprovado pela AL. Esta lei de enquadramento básico também adoptará uma forma de lei para a sua publicação. Depois de se obter um enquadramento básico, irá criar-se, sucessivamente uma série de regulamentos e de diplomas técnicos relacionados. Por isso, no próximo ano, os trabalhos neste aspecto estarão um pouco apertados. Em relação à restrição que a Deputada Kwan colocou, apenas foquei um conceito. Aquando do desenvolvimento das nossas políticas, estivémos sob restrições das leis antigas e das leis desactualizadas, o que não se consegue articular com leis e diplomas que servem para a época. O Governo já tomou a N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série iniciativa de apresentar alterações, e posso citar dois bons exemplos encontrados na minha área de tutela, tal como acontece com o «Regulamento de Segurança Contra Incêndios» e o despacho do baixo teor de enxofre. No próximo ano, tanto o «Regulamento Geral da Construção Urbana», como o «Código da Estrada», também iremos adoptar o mesmo rumo de trabalho. 11 alterarmos as leis, vamos alterá-las, na medida do possível, de uma forma mais clara, para que os leitores possam compreender facilmente a ideia do seu articulado. Obrigado. Presidente: Tem a palavra o Deputado Tong. Tong Chi Kin: Obrigado, Senhora Presidente: O Deputado Stanley Au referiu a questão da lei de anti-monopólio. Quanto a esta matéria, irei acompanhá-la com opiniões mais pormenorizadas. É do conhecimento de todos que as políticas da minha alçada, e reforçou-se que iríamos criar, na medida do possível, condições para se introduzir uma competitividade justa, por forma a captar mais investimentos exteriores para apoiar o nosso desenvolvimento económico. Este é um princípio orientador para definirmos as políticas. Pessoalmente, tenho as minhas reservas no tocante à criação de uma lei anti-monopólio. Como sabem que, antes de elaborarmos uma lei, temos que ter em consideração a sua harmonização com a situação real. Não a podemos afastar da realidade para alcançarmos os países desenvolvidos. Além do mais, a economia de Macau é de pequena dimensão. É considerada pelos países mais avançados como uma zona em franco desenvolvimento, por isso, o seu desenvolvimento sofre limitações de muitos factores, pelo que, em termos de elaboração das políticas, temos que ser prudentes, caso contrário, podemos criar obstáculos ao desenvolvimento da economia. Elaborar uma lei acima referida, em relação às empresas que têm sucesso e que não adoptam as referidas formas, pode originar um grave sofrimento às mesmas. Essas empresas existem em Macau. Além disso, como todos sabem, existem muitas empresas em Macau que são de concessão exclusiva. Antes de atingirem uma fase madura, em termos sociais e económicos, se implementarmos a referida lei, podemos originar uma enorme quantidade de processos judiciais. Desde que me encarreguei por esta alçada, ao longo dos 11 meses, tive que enfrentar constantemente processos judiciais apresentados pelas empresas internacionais que foram deixados pelo Governo anterior, pelo que, por enquanto, ainda não temos condições para implementar este tipo de lei. Espero que possam ponderar bem. Por outro lado, existem basicamente garantias de anti-monopólio consagradas numa parte do «Código Comercial». Também existem mecanismos de fiscalização para os contratos de concessão exclusiva, a fim de permitir que o Governo possa fiscalizar rigorosamente as empresas de concessão exclusiva, com vista a salvaguardar os interesses da população em geral, dos sectores comerciais e industriais. Por exemplo, a redução das tarifas da SAAM e da CTM, no corrente ano, a liberalização limitada do mercado da CTM, que são exemplos claros. Por isso, pessoalmente, tenho as minhas reservas quanto à implementação da lei anti-monopólio nesta fase. O Governo, antes pelo contrário, dá mais importância em adoptar formas diferentes para criar condições, a fim de promover uma competitividade justa. A Deputada Iong Weng Ian falou na dificuldade de compreensão sobre o articulado das leis. Respeitante a esta questão, é sobretudo as leis actuais, porque os seus modelos são inspirados basicamente nos modelos de Portugal. É através do raciocínio dos especialista de Portugal, baseado num pensamento da Europa que redigiram, que depois serão traduzidas para o chinês. Na verdade, as redacções redigidas em chinês, têm uma sensação "dura", e não estou a culpar os tradutores, mas se actualmente elaborarmos leis baseando-as na nossa língua materna, ou seja, o chinês, creio que seria mais fácil de compreender. Seja como for, no futuro, quando Depois de ouvir as intervenções do Sr. Secretário Ao e de tantos Deputados, acho que, quer envolva o «Código da Estrada», quer envolva o «Regulamento de Segurança Contra Incêndios», quer envolva as leis ou diplomas, naturalmente que envolvem muitos problemas técnicos. Recentemente, e depois dos contactos que tive com os operadores do sector, fiquei a saber que eles ficaram satisfeitos com a alteração do «Regulamento de Segurança Contra Incêndios». Relativamente ao «Código da Estrada», houve muitas críticas desde a sua publicação em 1992, por isso, acho que é indispensável acelerarem-se o ritmos dos trabalhos, concentrando-se também as forças da Câmara Municipal de Macau ou de outros serviços relacionados para estudarem profundamente sobre esta matéria, no sentido de resolver a questão o mais depressa possível. Quanto à questão que o Deputado Stanley Au referiu, de facto, também existem rumores semelhantes. Actualmente, Macau executa um regime de concessão exclusiva. Quanto a este regime, será que existem ou não empresas que se aproveitam desta concessão exclusiva para facilitar a sua promoção, ou adoptam formas injustas para a sua promoção? O ponto fulcral desta questão depende se a lei é perfeita ou não. Obviamente que concordo com o seu ponto de vista, ou seja, se está em causa uma questão grave para criar uma lei anti-monopólio. De facto, é difícil de elaborar, porque a lei carece de um período de tempo de percurso. Falando na Companhia das Telecomunicações de Macau, concedemos um contrato exclusivo, e até ao presente momento, sinceramente, ela adopta uma forma de rede, não é? Mas as pessoas do mesmo sector reflectiram muitas opiniões. Por exemplo, se entrarem na nossa rede, podem adquirir computadores a preços baixos, mas não oferecem. Se oferecerem, posso entrar em mais redes. Quantos pontos vale uma rede? No caso de se oferecer mesmo um computador, adiro a mais duas redes, mais duas redes para utilização, o que não é nada mau. Porém, porque é que apareceram estes problemas? Ou seja, será que pode fazer com que os operadores de informática não possuam meios de resolução para continuarem a explorar e a deixar, ou fechar, mesmo a empresa? Será que ir à falência é favorável? Eu próprio também não sei se é favorável. Claro que não é vantajoso, não é verdade? Deve existir uma competitividade justa no mercado, por isso, estimulamos os investidores, não é assim? Mas onde reside o problema? Espero que possam fiscalizar a CTT de Macau. Tanto na lei, como no «Código Comercial», também existe um mecanismo de fiscalização. Além disso, ainda existe uma lei aprovada pela AL, só que nunca me lembro do nome, parece-me que é uma lei semelhante a da economia e do comércio, etc.. Deve ter sido elaborada pela Comissão do Sr. Deputado Leonel Alberto Alves. No caso de se constatar uma exploração incorrecta ou uma anomalia na promoção, será que se pode adoptar alguma forma? Claro que se podem adoptar outras formas, porque ainda não se atingiu um monopólio. É apenas uma forma de promoção que se adopta para vencer os outros. Creio que podemos estudar directamente o caso de acordo com as leis existentes. Mas acho que não nos podemos descuidar ou não ouvir as opiniões da N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série sociedade. Obrigado. Presidente: Tem a palavra o Deputado Ng Kuok Cheong. Ng Kuok Cheong: Gostaria de acompanhar as opiniões do Sr. Deputado Stanley Au sobre a lei do anti-monopólio. O Sr. Secretário referiu que tem reservas quanto à implementação da lei anti-monopólio em Macau, e que actualmente, já está previsto no «Código Comercial» a garantia de liberdade na competitividade. Respeitante a esta questão, gostaria de colocar uma questão simples. Em caso de haver um impedimento na liberdade de competitividade, em que é conflituoso e até que ponto carece de uma auscultação das opiniões dos especialistas jurídicos? Por exemplo, baseado na forma de "uniformização de preços" para controlar o mercado, ou baseado no direito exclusivo para "produtos de forma de pacotes", a fim de controlar o mercado, será que podemos tratar desta questão baseando-nos na lei? O Governo, aquando da execução da garantia de liberdade e da competitividade prevista no «Código Comercial,» desempenha ou não um papel fundamental? Qual a área de tutela que pertence à fase de estudos e de adoptar medidas? Como se distribuem os respectivos trabalhos? Presidente: Tem a palavra a Deputada Kwan Tsui Hang. Kwan Tsui Hang: Agradeço a resposta do Sr. Secretário. Pessoalmente, compreendo que o Sr. Secretário fez uma apresentação sobre a sua própria situação. De facto, espero que, através do debate de hoje, se possa suscitar mais informação. Esta informação tem como objectivo desejar que o Governo, aquando da elaboração e da alteração das leis, possa adoptar uma atitude activa no desempenho dos trabalhos. Verifiquei que nas LAG do Sr. Secretário, sobretudo no tratamento do combustível, já se adoptaram muitos novos meios, bem como se está a preparar a elaboração de algumas leis relacionadas, pelo que é uma atitude empreendedora. Os serviços públicos, através do cumprimento, executam as leis, portanto, as relacionadas leis podem ou não ser implementadas ou executadas? Apenas os serviços públicos é que devem conhecer bem. Depois de auscultadas as opiniões públicas, e do desenvolvimento dos devidos estudos, devem apresentar-se activamente novas leis ou rever as leis existentes. Obrigada. Presidente: Tem a palavra o Deputado Leong Heng Teng. Leong Heng Teng: Este debate é mais pormenorizado comparado com o debate na área da Administração e Justiça. Pessoalmente, tenho uma opinião a colocar. Se adoptássemos uma forma de "ordem interna", era provável que tivéssemos que encarar os processos, porque uma "ordem interna" não pode ser superior a uma lei ou a um decreto-lei. No conjunto de legislações que possuímos, todas que tenham a ver com questões de articulado, devem ser tratadas e apresentadas as suas alterações com a maior brevidade possível. Registo com agrado verificar que o «Regulamento Geral da Construção Urbana" está já numa fase concreta de trabalho, porque irá resolver muitas questões existentes. De facto, já deviam ter sido iniciados os trabalhos de alteração à respectiva lei, porque uma "ordem interna" é apenas considerada como uma medida provisória. Tanto as leis, como os decretos-leis, assim como os regulamentos administrativos, o mais 12 importante é tomar uma iniciativa e adoptar-se uma atitude activa para os encarar. O domínio da área do Sr. Secretário originou especialmente um debate amplo, porque implicava questões muito concretas. Por isso, acho que, mesmo adoptando-se uma forma de "regulamentos" para se tratarem de alguns assuntos, devem actuar como recentemente, ou seja, primeiro, auscultar amplamente as opiniões das pessoas do sector e torná-los públicos para que as pessoas possam conhecer e participar. Esta forma é vantajosa para alterar a lei em causa, para a sua publicação e para a sua implementação. Obrigado. Presidente: Tem a palavra o Deputado Fong Chi Keong. Fong Chi Keong: Gostaria de colocar opiniões conceituosas sobre a questão da economia. Pessoalmente, concordo perfeitamente com o que se referiu nas LAG do Sr. Secretário para o ano de 2001. É necessário aperfeiçoar o enquadramento físico do desenvolvimento urbano, é necessário fornecer um ambiente favorável para o investimento, impulsionar o desenvolvimento económico das ciências e da tecnologia, e aumentar a qualidade de vida da população. Acho que o método do desenvolvimento acima referido é totalmente correcto, porque uma vez não tendo o presente, não se poderá gerar um futuro. Porém, actualmente, a economia de Macau tem sofrido algumas dificuldades ao longo de 6 a 7 anos, e ainda poderá ter boas mudanças. De facto, todos os sectores também encaram dificuldades de exploração. Uma vez que os operadores enfrentam dificuldades, é óbvio que são eles que conhecem bem as suas situações. Na verdade, a situação da receita de alguns sectores está a piorar, por isso, poderá gerar uma nova crise económica. Presidente: Peço desculpa interromper a sua intervenção. Espero que possa intervir em torno da primeira questão. Fong Chi Keong: A minha forma de intervenção é um pouco diferente dos outros, mas tenho as minhas opiniões. Actualmente, muitas empresas também manifestam que têm que poupar, ou que têm mesmo que conter as suas despesas correntes. Se uma ou duas empresas adoptassem este meio, apenas afectaria um pouco da sociedade. Mas se todas as empresas adoptassem este meio, poderia fazer com que todos os capitais da sociedade não circulassem. Deste modo, apareceria na economia da sociedade um fenómeno negativo, pelo que o Governo tem de conhecer onde residem os problemas. A economia de Macau não depende apenas de uma execução e já pode ser recuperada. Na minha opinião pessoal, acho que ampliar a visão é uma boa política, no sentido de conhecermos os diferentes meios de vida das diversas vertentes. Entretanto, também existem pontos de vista diferentes, tal como "os pobres e os ricos têm de estar em dois lados opostos, ou seja, cada qual na sua posição, porque têm céus diferentes". Se a nossa sociedade conseguir obter mais liberdade e mais abertura, creio que tanto os sectores diversificados, como o número de postos de trabalho, também aumentarão com certeza. A questão de se evitar, apenas constitui um obstáculo para a nossa visão. Temos que aceitar tudo que nos dão, quer seja bom, quer seja mau. O essencial é saber utilizar e tratar de uma forma flexível. Por exemplo, muitas pessoas acham que "bate-fichas" é uma profissão desfavorável, mas eu pergunto, se não existisse esta profissão, de onde vinham as despesas de Macau? Dado que, através dos "bate-fichas", podemos atrair jogadores de HK para Macau. N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série Naturalmente que alguns operadores deste sector também são "ovelhas negras", mas desde que haja uma gestão bem fiscalizada, que tornem o sector normal, o problema desaparecerá. Por isso, temos que ter uma atitude tolerante para ampliar a nossa visão. Se todas as pessoas da sociedade tivessem o conceito de que todas as profissões têm o seu valor, certamente que contribuiria para o aparecimento constante de novos sectores, e além disso, aumentaria também mais postos de trabalho. Portanto, cada qual tem a sua profissão e tem o seu próprio gosto. Por isso, temos que ter uma atitude mais tolerante e menos rigorosa para tratar os assuntos, e não podemos obrigar as pessoas a correrem para um beco sem saída. Cito um exemplo simples. Algumas pessoas não têm dinheiro para comprar um CD que custa cerca de 100 patacas, mas se quiserem comprar duas no exterior, já dizem que não podem comprar por razões de razonabilidade. Além disso, nem todas as pessoas gostam de comer carne de porco "transportados nos bolsos das calças", mas a verdade é que, algumas famílias, quando querem comer carne de porco têm de a transportar dentro dos bolsos das calças. Perante estas situações acho que devem ser mais tolerantes. No caso de se executar tudo de uma forma rigorosa, e só se o Governo tomar conta de tudo, desde a nascença até à morte da população. Todavia, e na verdade, Macau não possui estas condições. Quanto mais o Governo interfere, quanto mais a população se torna dependente. Por isso, a vida dos cidadãos deve ser adaptada e resolvida autonomamente. Obrigado. Presidente: Tem a palavra o Deputado Kou Hoi In. Kou Hoi In: Pessoalmente, manifesto que concordo com os conceitos das LAG do Sr. Secretário para o próximo ano. Hoje em dia, quer a sociedade, quer a tecnologia, também estão constantemente a progredir, mas as leis elaboradas do passado, ainda não tiveram tempo suficiente para serem alteradas, limitando assim o nosso desenvolvimento. É um prazer verificar que, hoje, o Governo toma a iniciativa e tem uma atitude activa para se preocupar com as dificuldades dos diversos sectores. Além do mais, e aquando da elaboração das leis devemos encontrar, na medida do possível, formas para equilibrar os interesses de todos os sectores. Desde o estabelecimento da RAEM até ao presente momento, já lá vão 11 meses, e os operadores ainda estão a aguardar por esta fase, portanto, ainda não sabem se podem continuar a sobreviver. De facto, neste período de tempo, o Governo deve dar uma informação aos operadores dos diferentes sectores e aos investidores exteriores, para que eles possam saber que podem ter muitas esperanças num futuro próximo. Mas é de lamentar que ainda exista uma falta de confiança no futuro, pelo que o Governo deve dar mais confiança ou prestar mais apoios às pequenas e médias empresas, a fim de permitir que as mesmas possam continuar a investir e a explorar em Macau, mesmo enfrentando uma situação de estagnação na economia. Por outro lado, o Governo da RAEM tem conhecimento que o mundo já se encaminhou para uma época económica de conhecimentos, para além de que as redes de informação e o desenvolvimento rápido das tecnologias, podem promover o que é importante para o desenvolvimento da economia de Macau, por exemplo, a liberalização do mercado das telecomunicações, o criar de mecanismos de competitividade justa e aperfeiçoar as respectivas legislações. A utilização das redes de “Internet” e as bases de dados são cada vez mais generalizadas, o que implica a questão de confidencialidade e a questão protecção da privacidade. Além disso, existem muitas organizações e pessoas individuais que se aproveitam da lacuna da “Internet” para desenvolverem 13 actividades de branqueamento de capitais e até mesmo infracções. Pelo que, aquando do processo da liberalização do mercado da “Internet”, é indispensável definir-se atempadamente, regulamentos adequados com vista a permitir que o mercado se desenvolva sem sobressaltos. Na elaboração da legislação sobre a “Internet”, a Administração competente, para além de ter em conta o desenvolvimento rápido do comércio electrónico, ainda é necessário adaptar-se à realidade do mercado. Por exemplo, criando articulados que possam prevenir situações de criminalidade comercial. O desenvolvimento do mundo exterior é rápido, e se não actuarmos também rapidamente, poderá gerar retrocessos em Macau. Por isso, espero que o Governo possa ter em conta o desenvolvimento da nossa sociedade. Presidente: Espero que os Srs. Deputados não intervenham, na medida do possível, fora do tema, porque, hoje, não estamos a debater a área da economia. Tem a palavra o Deputado Hoi Sai Iun. Hoi Sai Iun: Em relação à questão da revisão das leis, há pouco, muitos colegas já manifestaram muitas opiniões e o Sr. Secretário também já deu muitas respostas, o que nos demonstra uma atitude responsável. Pessoalmente, manifesto que estou de acordo. A minha opinião é que, depois da alteração de uma determinada lei, e aquando da sua publicação, deve reforçar-se a sua divulgação. Por um lado, devemos dá-la a conhecer aos cidadãos para que a possam cumprir, e por outro lado, traz vantagens para a sua execução. Obrigado. Presidente: Sr. Secretário Ao, acho que alguns Deputados, embora não tenham colocado questões concretas, mas sim opiniões, mas também espero que, num futuro próximo, e quando elaborarem as respectivas políticas, possam prestar mais atenção. Em relação às questões concretas que apresentaram, peço ao Sr. Secretário para responder. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Há pouco, houve um Deputado que referiu que devemos acelerar os passos nos trabalhos da alteração ao «Código da Estrada» com o que eu pessoalmente concordo plenamente. Actualmente, já estabelecemos um grupo de trabalho interdepartamental, que se reuniu por várias vezes, no sentido de rever o «Código da Estrada». No seu processo de revisão, auscultámos muitas opiniões públicas, a fim de podermos aperfeiçoar este trabalho. Em termos de princípios, é claro que temos que acelerar o ritmo da revisão ao código, mas temos que estar atentos, porque algumas leis e regulamentos importantes, são indispensáveis de serem tratados de uma forma cautelosa. Tal como aconteceu em Abril passado, quando apresentei as minhas LAG para o ano de 2000 na Assembleia Legislativa, onde me comprometi que iria implementar o «Regulamento de Segurança Contra Incêndios», com a maior brevidade possível. Mas, no decurso dos trabalhos do grupo, verificámos que, na verdade, os trabalhos não eram tão fáceis de concluir, como pensámos. Acontece que tivémos que prorrogar o prazo de auscultação e atrasar a sua entrada em vigor. Não vamos ter apenas em conta o prazo, e descuidarmo-nos da qualidade. Este é o princípio no qual nos vamos basear quando alterarmos as leis ou regulamentos mais importantes. N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série Relativamente à questão da lei anti-monopólio, embora tenhamos indicado que, por enquanto, não temos condições para implementar a lei, mas isso não quer dizer que, quando existirem situações de competitividade injusta, não os possamos encarar, tal como a situação da CTM que foi referida, sobretudo nas políticas da mesma, em que salientámos que, depois da entrada em vigor da lei do enquadramento da CTM, nos finais do corrente ano, todos os regulamentos que estivessem relacionados com a liberalização das telecomunicações, também iriam ser concluídas pouco a pouco, incluindo a protecção à “Internet” e aos números das contas para que os operadores possam ter um tratamento justo, pelo que podemos certificar que prestamos atenção à questão de anti-monopólio. Por outro lado, o Deputado Ng referiu que algumas empresas, através da "uniformização de preços" e dos "produtos de forma de pacotes", originam um ambiente comercial injusto. Quanto a esta matéria, o Governo também presta atenção, principalmente na minha área de tutela. Todos sabem que um dos pontos importantes para as LAG do próximo ano é promover uma "competitividade justa". Naturalmente que este trabalho é necessário de ser partilhado por muitos Secretários, por exemplo, como a política do combustível que para além de envolver a economia, ainda envolve a área da viação. Por isso, é necessário estabelecerem-se laços de coordenação e de cooperação mútua entre os diferentes Secretários. Mas temos confiança que podemos resolver os problemas. A Deputada Kwan referiu que é necessário possuir uma atitude activa e tomar uma iniciativa para alterar as leis desactualizadas. O Governo continuará a adoptar esta forma para desenvolver os trabalhos. O Deputado Leong falou que a "ordem interna" poderá originar processos litigiosos. Na verdade, já enfrentámos estes processos, tal como a questão da liberalização das telecomunicações, ou seja, na fase da avaliação, já se pode originar um processo litigiosos, por isso, faremos os possíveis para encontrar um ponto de equilíbrio. Relativamente à opinião que o Deputado Fong Chi Keong colocou, se a Sra. Presidente não se importar, pessoalmente, não queria responder a esta questão dentro do tema do debate de hoje. Espero que o Sr. Deputado Fong não leve a mal. No tocante à opinião do Deputado Kou, é do conhecimento de todos que o Governo, aquando da implementação de políticas, esteve constantemente sob limitações das leis do passado, e além do mais, os trabalhos de revisão também acarretam muito tempo. Perante estas duas dificuldades, como é que o Governo consegue intensificar a confiança das pequenas e médias empresas para um futuro próximo? Na verdade, é uma questão que temos que encarar. Sendo assim, como podemos resolver a questão? Pessoalmente, vou tentar citar um exemplo concreto relativo a antenas públicas. Tomamos a iniciativa em convidar os operadores deste sector para se reunirem connosco, apresentando-lhes a política do Governo sobre este aspecto. Dado que este sector de serviços fornece serviços de imagem a longo prazo, e serviços de informação visual, pelo que o Governo respeita os cidadãos para que eles possam ter direito de opção destes serviços. Deste modo, as políticas básicas já incluem os diversos operadores deste sector de actividade, de maneira que o Governo irá elaborar leis adequadas consoante o desenvolvimento da sociedade, com vista a fundar perfeitamente 14 as bases para o desenvolvimento deste mesmo sector de actividades. Em relação à segurança da rede de “Internet”, a confidencialidade e a questão da privacidade, depois da publicação da lei do enquadramento das telecomunicações, vamos implementar uma série de regulamentos. De momento, apenas a Companhia da Consultadoria e o Gabinete para o Desenvolvimento da Informação estão a desenvolver estes trabalhos. Aproveito esta oportunidade para vos informar do seguinte. Recentemente, quando visitei o Japão, o responsável do Ministério das Telecomunicações do Japão, manifestou claramente que iria prestar apoios técnicos para Macau poder prevenir a criminalidade na “Internet". Finalmente, o Deputado Hoi referiu que era necessário reforçar a divulgação aquando da publicação dos regulamentos. Esta é uma opinião vantajosa. De futuro, e antes de publicarmos as novas legislações, o Governo irá intensificar os trabalhos de divulgação. No corrente ano, antes da publicação do regulamento sobre o baixo teor de enxofre, o Conselho do Ambiente também efectuou trabalhos de campanhas de divulgação, imprimindo a publicidade. Peço ao Sr. Director Tou para explicar os trabalhos sobre a confidencialidade da “Internet” e sobre a prevenção da criminalidade na “Internet”. Presidente: Tem a palavra o Director Tou. Director do Gabinete para o Desenvolvimento das Telecomunicações e da Ciência das Tecnologias e Informação, Tou Weng Keong: A “ Internet”é uma rede informática aberta, por isso, é natural que se preocupem com a confidencialidade dos dados que navegam na rede “Internet”. Pessoalmente, acho que devemos tratar desta questão sob dois aspectos; por um lado, é elaborarem-se leis relacionadas, e por outro lado, é criar-se um centro de certificação da assinatura electrónica com a maior brevidade possível, a fim de salvaguardar a segurança de todos quando emitam ou recebam qualquer dados da via “Internet”, incluindo o procedimento de comércio electrónico e de correio electrónico. Iremos, muito em breve, desenvolver os trabalhos relacionados com a articulação. Era só isto que gostaria de complementar. Obrigado. Presidente: Tem a palavra o Deputado Vitor Ng. Depois da intervenção do Sr. Deputado Ng, iremos interromper a sessão. Vitor Ng: Conforme o meu entendimento, há pouco, o tema do debate era em torno do «Regulamento de Segurança Contra Incêndios» e do «Código da Estrada». Presidente: Podem colocar todas as opiniões acerca das leis da área da tutela do Sr. Secretário Ao. Vitor Ng: Pessoalmente, vou abordar um pouco sobre estes dois regulamentos. Concordo com o relatório das LAG do Sr. Secretário, do mesmo modo que temos que realizar conferências com os representantes das associações, com vista a auscultarmos as opiniões. Acho que se trata de um método vantajoso. O que me preocupo são os trabalhos de revisão ao «Regulamento de Segurança Contra Incêndios» e o «Código da N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série Estrada». Se se conseguisse responder verdadeiramente às exigências da população, seria o mais importante de tudo. Sabendo que mesmo auscultando as opiniões, elas podem ser aceites ou não, por isso, depois da sua revisão, e aquando da sua publicação, o mais importante será corresponder às necessidades reais de Macau e aos operadores deste sector de actividades. Espero que o Sr. Secretário possa explicar melhor sobre este aspecto. Em relação à questão de monopólio da CTM, é uma questão com a qual também me preocupo. Acho que houve uma falta de concentração aquando da revisão por parte do Governo. Que eu saiba e sobre a alteração às leis, deve ser concentrada e uniformizada na área da Administração e Justiça. Porém, a actual situação, não é bem assim. É por isso mesmo que se originou o debate sobre a questão do anti-monopólio. Sugiro que quando fizerem uma alteração, uma revisão, ou um ajustamento às leis, é necessário ter em conta uma coordenação. Não se pode desenvolver cada qual da sua maneira, porque desse modo, pode concentrar-se em desenvolver um debate. Hoje, registo com muito agrado, verificar que o Sr. Secretário consiga responder às questões que envolvam diversas áreas. Seja como for, gostaria que o Sr. Secretário me respondesse como é que se deve efectuar uma revisão para que a mesma possa corresponder às necessidades reais da sociedade de Macau, com vista a apoiar o ambiente de investimento e desenvolver a economia. Obrigado. Presidente: Declaro interromper a sessão por 20 minutos. Presidente: Antes de interrompermos a sessão... O Sr. Deputado Leonel Alberto Alves quer intervir? Leonel Alberto Alves: Muito obrigado, Senhora Presidente Srs. Colaboradores Srs. Deputados A breve trecho, a matéria que gostaria de abordar está intrinsecamente relacionada com as questões legislativas e, apesar do Sr. Deputado Chui Sai Cheong ter feito referência a dois diplomas da tutela o Sr. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, o certo é que a temática se centrara, essencialmente, na questão da legislação em geral. Pelo que, nesta fase, estaria interessado em saber algo mais, já que não consegui detectar, do discurso introdutório do Sr. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a mais pequena alusão a uma eventual revisão, global (ou pontual, pouco importa!) à questão “Lei de Terras”. De resto, muitíssimo importante para a economia e sociedade da Região. Trata-se, efectivamente, de uma lei com, pelo menos, 20 anos de vida, contendo matérias que podem merecer um tratamento diferente, face à entrada em vigor da Lei Básica. Refiro-me, naturalmente, à questão da venda de terrenos, pois, como se sabe, a Lei de Terras permite a venda de pequenas parcelas de terreno na Região que não sejam susceptíveis de aproveitamento económico, essencialmente porque são demasiado pequenas, muitas vezes confinadas a outras, como propriedade de terceiros. No entanto, a Lei Básica parece impor medidas restritivas quanto à hipótese de alienação de terrenos. Efectivamente, em Macau há situações em que, confinante ao terreno de um particular, existem outros, de dois ou dez metros quadrados, de pequenas dimensões e sem valor 15 económico autónomo que, de resto, só o terá se houver um aproveitamento simultâneo dos terrenos circundantes. Não obstante, há razões de ordem política e jurídica a envolver a questão Lei de Terras e, bem assim, outras questões que possam ter, digamos, interesse legislativo. Refiro-me, nomeadamente, à questão da “renovação das concessões”. Como se sabe, há uns dez anos atrás a Assembleia Legislativa aprovou uma lei que veio introduzir alterações à Lei de Terras no capítulo da “renovação de contratos por arrendamento”. De salientar que, nessa altura, tomou-se a iniciativa de se começar a exigir o pagamento de uma contribuição especial a título de prémio pela “renovação das concessões”. Ainda que tal decisão tenha sido tomada na década de noventa, não vejo inconveniente se se voltasse a estudar a hipótese da razoabilidade do pedido, especialmente numa região como Macau, em que os terrenos são ocupados por prédios em propriedade horizontal. Porque se trata de fracções autónomas, os terrenos, não sendo muito extensos ao ponto de proporcionarem um aproveitamento económico, acabam por ser ocupados para habitação e indústria, fraccionados em unidades destinadas a apartamentos, fábricas ou lojas. Eis que surge uma pergunta: será politicamente correcto haver quem compre uma fracção autónoma que, por coincidência, dois anos depois, quando termine o prazo da concessão, se veja obrigado a pagar a contribuição especial, sobretudo porque, em Macau, não há uma diferença significativa de preço entre fracções de prédios construídos em terrenos particulares e outros, em terreno concedidos por arrendamento ou aforamento. Portanto, em termos práticos, não há diferenças entre o valor da fracção! Como disse, seria uma questão a colocar em sede legislativa com a finalidade de se retocar a Lei de Terras que precisa de sofrer alguns ajustamentos que possam aligeirar a sua tramitação. Importa referir, no entanto, que a Lei de Terras data, salvo erro, de 1981 e encerra em si uma tramitação burocrática relativamente pesada. Como é óbvio, não quero com isto dirigir crítica alguma aos serviços competentes e aos seus dirigentes ou funcionários, mas, sim, fazer o reparo do seguinte: o processo foi pensado e posto em prática num período em que a tramitação administrativa apresentava uma matriz burocrática, própria de um serviço público, mas que, efectivamente, em questões de funcionamento pode não estar de acordo com as actuais exigências da economia local, sem esquecer, no entanto, que a concessão dos terrenos deve ser perspectivada como “um negócio” da administração, uma vez que disponibiliza os terrenos com a ideia de que alguém o possa vir a aproveitar e, consequentemente, receber as contrapartidas, a que chamamos “prémio”. Daí se depreende que, quanto mais depressa se venha a efectivar a concessão e melhor se trave a negociação dos termos das condições do contrato, mais depressa a Região receberá as receitas, providenciando o factor económico subsequente. Por exemplo, caso se trate de uma habitação, a venda vai-se efectuando, o que faz com que a Região vá recebendo o dinheiro dos impostos, e por aíadiante. Parece-me, pois, que em sede de tramitação dos processos de “concessão” ou de “revisão de concessão”, a Região ou o Governo deve encarar este aspecto não numa perspectiva tão burocrática, mas, sim, negocial capaz de maximizar o efeito de um bem económico que escasseia na Região e que são os terrenos ou, então, permitir que alguém o aproveite e esteja disposto a aceitar as contrapartidas do Governo. N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série A meu ver, a Lei de Terras merece ser reponderada, sobretudo atendendo à fase de viragem que Macau ainda há bem pouco tempo sofreu. De facto, do que me foi dado a conhecer relativamente aos assuntos tratados nas LAG, não me parece que tenha sido dada grande ênfase a eventuais alterações ao diploma em questão, no meu entender, muito importante para a Região. Muito obrigado. Presidente: Tem a palavra a Deputada Anabela Sales Ritche. Anabela Sales Ritchie: Muito obrigado, Senhora Presidente Srs. Deputados Gostaria de pedir um esclarecimento aos representantes do Executivo sobre “o regime de expropriação de utilidade pública” que, se não laboro em erro, a Assembleia Legislativa definiu em 1992. No âmbito das disposições finais, vinha expressa a vontade de o Executivo vir a autorizar a publicação de “legislação complementar”que regulamentasse a lei em referência, o que me parece que ainda não aconteceu! Daí o meu interesse em saber do Sr. Secretário para os Transportes e Obras Públicas se há já algum trabalho preparado em termos de “legislaçõa complementar”, uma vez que me parece muito importante atender a esta questão, pois, quem sabe, não virá ajudar o próprio Executivo a resolver a questão dos “direitos de propriedade”, nomeadamente de certo tipo de problemas que, tanto quanto julgo saber, há muito vêm preocupando o Governo da Região e que estãp relacionados com os acessos à Ponte da Amizade, do outro lado da Ilha da Taipa. Refiro-me, mais concretamente, aos viadutos, cuja construção apenas viria beneficiar a população do outro lado da margem do Rio. De facto, a partir da criação desse tipo de legislação, seria certamente mais fácil definir os critérios de caracterização de solos e, principalmente, as “indemnizações”ou as “normas processuais e, enfim, as variadas formas de cálculo. Agradecia, pois, os esclarecimentos que o Sr. Secretário me pudesse prestar. Presidente: Peço ao Sr. Secretário Ao para responder às questões que os três Deputados colocaram. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Antes do intervalo, o Deputado Vitor Ng falou sobre a revisão dos dois regulamentos, e se a lei do anti-monopólio é ou não adequada para ser discutida aqui. Há pouco, já houve Deputados que, quando debatemos sobre a questão da concessão exclusiva da minha alçada, também chegou a colocar questões semelhantes. Na altura, expliquei adequadamente sobre a matéria. Na minha área de tutela, existem 18 empresas de concessão exclusiva. Julgo que há necessidade em apresentar a questão de uma forma mais simples. O Deputado Leonel Alves referiu a alteração à «Lei de Terras» que não foi incluída nas LAG para o ano de 2001. Esta é uma verdade, mas não significa que não reconheço os pontos de vista do Sr. Deputado Leonel Alves, nomeadamente a questão 16 relacionada com a resolução dos terrenos confinados e a simplificação dos procedimentos para eliminar os pontos de vista burocráticos. De facto, também é uma perspectiva que queremos alcançar. No que diz respeito às políticas dos terrenos, a península de Macau tem menos que 7 km2, incluindo as duas Ilhas, e a área de Macau tem apenas 23.8 km2. Fazendo face a um recurso tão reduzido e precioso, o Governo apenas adoptará uma atitude prudente nas políticas de terrenos, e faremos o melhor na medida do possível para se articular com as necessidades da sociedade e com o desenvolvimento económico. Enfrentando a questão da acumulação dos imobiliários desocupados nos últimos anos, o Governo já adoptou uma forma de ajustamento para o fornecimento de terrenos, a fim de permitir que o mercado possa ter um desenvolvimento favorável a longo prazo. Na concessão de terrenos, para além de se conformar com as formalidades de tratamento previstas na «Lei de Terras», ainda temos que apreciar prudentemente os requerimentos de rubricas, no sentido de confirmar se os mesmos se adaptam aos interesses globais da sociedade e às exigências do planeamento urbanístico, e ainda à capacidade de desenvolvimento do concessionário. Não nos baseamos apenas na «Lei de Terras», porque logo que recebamos os requerimentos, concedemo-los de imediato aos procedimentos de concessão. Este é um método que não se articula com o princípio da realidade, dado que o sector do turismo e Jogos está, a pouco e pouco, a ser ajustado e aberto, e as rubricas congéneres que apresentam requerimentos para concessão de terrenos também irão ser ponderados com prioridade. Isto quer dizer que, em primeiro lugar, apreciamos os respectivos requerimentos que se articulam, ou não, com os interesses gerais da população desta sociedade, e o outro passo é actuarmos conforme o tratamento dos procedimentos legais. O Deputado Leonel Alves referiu, num dos despacho de 1993, que envolve a forma de prémio, que resolve as questão da indemnização da concessão. Como todos sabem que, desde a criação do novo Governo e até ao presente momento, herdámos um enorme volume de processos que envolvem os prémios em atraso e que ainda não foram resolvidos. Por esta razão, também se geraram muitos processos envolventes. Antes da resolução dos processos em causa, se apresentarmos precipitadamente à AL uma alteração à «Lei de Terras», que se originem ainda mais processos. Concordo em simplificar os procedimentos para a concessão de terrenos, mas temos que ponderar prudentemente se se poderão originar situações de concessão arbitrária de terrenos. Em termos gerais, vamos resolver as questões consoante a ordem de urgência, portanto, não podemos resolver todas as questões de uma só vez. Isto não impede o nosso trabalho, e se houver opiniões favoráveis, o grupo de trabalho em causa, pode desenvolver os trabalhos de estudo sobre a possibilidade de revisão à «Lei de Terras». Quanto aos investidores locais e exteriores que requerem junto do Governo a concessão de terrenos, sempre conseguem uma concessão de prémios baixos. Se as outras rubricas conseguirem promover o desenvolvimento do território, de acordo com a «Lei de Terras», iremos definir os procedimentos para propor ao Sr. Chefe do Executivo, com vista a conceder uma prioridade adequada, o que é uma atitude legal, mas, no fundo, a decisão final cabe ao Chefe do Executivo. Por exemplo, a expropriação de um terreno do Jardim de Estrelas da Taipa, ou o terreno nº9 F do Porto exterior para militares, são tratados baseando-nos neste conceito, e que são bons exemplos. Além disso, ainda vamos avaliar de acordo com a situação real dos determinados requerimentos. Por exemplo, N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série a imprensa chegou a reportar que esperávamos que, através do direito de propriedade, resolvêssemos a questão do "Long Tin", a fim de alargar a rede viária desde a Av. Horta e Costa até à zona Norte. Depois das obras de ampliação do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco, a rede viária da zona do Norte, merece que seja aperfeiçoada. Mas, pelo facto da questão do direito de propriedade, fez com que os projectos dos viadutos fossem obrigados a serem adiados. Estamos, neste momento, a unir esforços para negociarmos sobre a questão das indemnizações. Obrigado. Presidente: Obrigada, Sr. Secretário Ao Man Long. Tem a palavra a Deputada Anabela Sales Ritche. Anabela Sales Ritchie: Muito obrigada, Senhora Presidente. Não sei se foi falha minha, mas não registei qualquer esclarecimento a respeito da “legislação complementar” que, como disse, não sei se chegou a ser publicada ou se continua em estudo. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Em relação à expropriação para finalidade pública, já está consagrado no disposto da lei 12/92. Quanto ao procedimento de expropriação, já foi promulgado num decreto-lei em 1997. Presidente: Agora, vamos debater o tema seguinte. Tem a palavra o Deputado Ng Kuok Cheong. Ng Kuok Cheong: Gostaria de colocar uma questão sobre a "redução de tarifas" ao Sr. Secretário. Creio que o Sr. Secretário está preparado para responder a esta questões. Julgo que só irei colocar daqui a pouco. Agora, gostaria de colocar questões sobre o "planeamento urbanístico". Pessoalmente, acho que, tanto os cidadãos, como os investidores, também devem ter o direito de informação acerca do planeamento urbanístico e da situação da utilização de terrenos, de modo a evitar o aparecimento de fenómenos de injustiça. Se apenas as pessoas que estão próximas do Governo, tal como os membros do Conselho Executivo, pudessem ter um acesso atempado a essas informações, os outros seriam prejudicados. Deste modo, o ambiente de investimento seria substancialmente prejudicado. Do mesmo modo, os cidadãos também devem ter o direito de serem informados acerca de previsíveis mudanças de ambientes, resultantes do desenvolvimento urbano, devem saber onde se encontram as suas habitações ou as fracções autónomas que pretendem adquirir. Há dias, no discurso proferido sobre as LAG, o Sr. Chefe do Executivo confirmou que a futura política demográfica da RAEM iria ser determinada com prudência e que a entrada de pessoas iria ser controlada, assim como a taxa de natalidade natural que é de 0,005%. Nestes termos, em virtude da estabilidade da estrutura demográfica e com base nas orientações do Governo para o desenvolvimento económico, a médio e curto prazo, deve poder ser elaborado um plano geral de desenvolvimento urbanístico da cidade, o que contribuirá para alterar situações anteriores caracterizadas, quer pela falta de coerência global, devido ao planeamento ter sido anteriormente pensado apenas em função de determinadas zonas, quer pela falta de transparência. Uma vez que os projectos não foram submetidos à auscultação pública, não foram determinados nem publicados em forma de diploma. Gostaria que o Sr. Secretário esclarecesse se o 17 futuro planeamento urbanístico poderá ultrapassar a ideia de se desenvolver superativamente conforme as referências nas LAG, para além da necessária garantia do direito à informação. Poderá o mesmo planeamento ser determinado e publicado em forma de diploma, impondo a coerência global no desenvolvimento urbano por zonas? Obrigado. Presidente: Sr. Secretário Ao, faça o favor de responder. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Antes de responder à questão que o Deputado Ng colocou, em primeiro lugar, queria apresentar-vos a actual situação de Macau. O Governo da RAEM é um Governo constituído muito recentemente, daí, ter de herdar todas as questões deixadas no passado. A nossa cidade não é uma cidade satélite, nem é uma cidade nova, mas sim, uma cidade que percorreu 400 anos de História. Desde os anos 70 aos anos 90, gerou-se um desenvolvimento rápido, em que todas as infra-estruturas foram construídas nos finais dos anos 80. Já existe planeamento em muitas zonas, incluindo a península de Macau até às Ilhas da Taipa e de Coloane. Também existem políticas determinadas, assim como a zona de aterros de COTAI entre Taipa e Coloane. Desta forma, e em relação à questão do direito à informação, de facto, de acordo com o actual sistema de cartografia, principalmente quando se conclui a informação do sistema geográfico, vamos introduzir muitos dados respeitantes ao cadastro, e ainda vamos inserir o ensino, o satélite, a comunicação, a saúde, a vida da população e os dados relativos aos investimentos dos sectores comercial e industrial no mesmo sistema. Na verdade, actualmente, os investidores podem, através da rede informática, deslocarem-se pessoalmente ao DSCC, a fim de obtermos os dados que pretende. Quanto às rubricas concretas do planeamento urbano, o designado "projecto geral", no caso de existir um novo planeamento, os respectivos serviços irão certamente divulgá-lo publicamente. Além disso, os cidadãos podem requerer essas informações junto do mesmo serviço. Por exemplo, a nova cidade da Ilha da Taipa e de Coloane, dos quais imprimimos alguns folhetos, qualquer pessoa, ou até mesmo os investidores que estejam interessados, podem obter esses dados através do nosso Gabinete para Construções. Todavia, não podemos esquecer que vamos ponderar prudentemente se podemos, ou não, divulgar as linhas dos projectos gerais determinados sob a forma de regulamentos, porque qualquer desenvolvimento de uma cidade é dinâmica e não estática. Dinâmica está no sentido de que uma vez que o desenvolvimento social está carente, daí, faz-se o planeamento da cidade, incluindo as funções, os pontos turísticos, beleza e até a fusão da cultura social. Durante o seu percurso, vamos auscultar opiniões de diferentes sectores, e no final, o projecto é silencioso, mas em termos objectivos e realistas é na mesma dinâmica. Além do mais, ainda se modifica constantemente consoante o desenvolvimento das zonas adjacentes e do desenvolvimento da nova tecnologia, pelo que, se adoptarmos uma forma de regulamento para determinar o projecto de planeamento urbano, torna-se mais difícil responder às necessidades das diversas transformações. Deste modo, creio que merece estudarmos sobre a questão. Relativamente a um outro aspecto; porque é que adoptámos uma forma selectiva no reordenamento de algumas zonas nas LAG do próximo ano, para o desenvolvimento dos trabalhos de planeamento urbanístico? Podem pensar que, mesmo que o nosso grupo de trabalho se encarregue do planeamento urbanístico, consiga consultar todas as opiniões da população, e ainda consiga alcançar um consenso. Creio que depois de N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série chegarmos a um consenso, a sociedade poderá ter uma outra mudança na sua situação. Por isso, acho que adoptar-se a forma selectiva ao reordenamento de algumas zonas é relativamente mais vantajosa para os trabalhos no desenvolvimento urbano. Obviamente que para se implementar nos trabalhos da cidade satélite e para os trabalhos de planeamento de uma nova cidade é sempre mais fácil, porque não é necessário introduzirem-se mudanças na zona antiga. Sendo assim, para as LAG para o próximo ano, vamos tentar, corajosamente, introduzir novos conceitos de planeamento para as zonas antigas, mas também não nos podemos esquecer que, para se poder implementar mesmo, é necessário um percurso muito longo, porque não se trata de um assunto simples. Por exemplo, implica muitas questões sobre o direito de propriedade. Acontece que podemos desenvolver simplesmente os planeamentos básicos, fornecendo instalações básicas. Em primeiro lugar, vamos propor o planeamento para a zona de S. Lázaro e para a Caixa Escolar (Tap Seac), mas por enquanto, não vou aprofundar a apresentação nesta fase, porque a relacionada questão vai ser resolvida especialmente para o próximo ano. Quanto ao relatório de avaliação sobre o planeamento preliminar, também vai ser divulgado nos finais do corrente ano. Talvez aproveite alguns minutos para vos apresentar o conceito. Estamos a planear em realçar os pontos típicos na península de Macau e nas Ilhas. Pessoalmente, não concordo em modificar totalmente de um dia para o outro a península de Macau e as duas Ilhas, porque é considerado um pensamento não realista. No que se refere a indústrias inovadoras, tomámos as experiências de zonas com sucesso, como a zona norte de Itália, da Finlândia e que a Holanda tiveram, no sentido de tentarmos desenvolver a zona de Macau numa zona com actividades inovadoras. Trata-se de uma concepção nova, que poderá proteger mutuamente esse sector com o sector do Jogo e do Turismo de Macau, o que não quer dizer que estamos a discriminar um determinado sector. Salientamos que vamos gerar, pouco a pouco, uma complementaridade entre os sectores. Além disso, ainda esperamos que possamos aproveitar desse desenvolvimento para desenvolver alguns sectores que possuam potencialidades para o desenvolvimento económico, com vista a fazer com que a relacionada zona da cidade, para além de ter menos poluição, possa ter mais actividades de valor acrescentado. Seleccionámos esta zona, porque as construções na zona de Tap Seac possuem um ar típico da Europa do Sul, por isso, há uma função de viabilidade para a sua transformação. Uma vez que ainda não definimos um plano concreto, não vale a pena continuar a avançar com a descrição da paisagem. O outro planeamento é na zona do porto interior. Como todos sabem que as pequenas e médias empresas dessa zona, têm sofrido fenómenos negativos no seu desenvolvimento económico. Por isso, esta transformação é propositada, na esperança de que a mesma possa ser reanimada em termos económicos. Assim como na zona da Barra, que vai ser transformada devido à construção da terceira ponte. Acontece que irá transformar-se numa zona turística temática. Naturalmente que estão em causa muitos problemas sobre a infra-estrutura, mas vamos melhorá-los passo a passo. Além disso, ainda vamos tirar proveito das obras de ampliação das Portas do Cerco, melhorando assim a rede rodoviária da zona Norte e do planeamento urbano. Quanto à Ilha da Taipa, e a fim de se harmonizar com a abertura do sector do jogo, no próximo ano, planeou-se em reordenar a zona da Baía da Nossa Sra. da Esperança, estabelecendo-se um 18 centro recreativo e de diversões. Quanto à Ilha de Coloane, também vamos adoptar o modelo selectivo ao reordenamento de algumas zonas. Em primeiro lugar, vamos construir uma feira tradicional na zona do Templo Tam Kong para produzir a característica de uma pequena povoação, no sentido de se tornar o sector do turismo com vivacidade. Os exemplos concretos acima referidos, demonstram-nos as políticas de forma selectiva ao reordenamento de algumas zonas por parte do Governo. É claro que concordamos com o Sr. Deputado Ng que, referiu que todas as informações devem ser públicas, a fim de permitir que os investidores possam ter um acesso mais facilitado, mas em termos de funcionamento concreto, existem problemas de vertentes e de procedimentos. Assim, para além de aproveitarmos as novas tecnologias, através do sistema de informações geográficas para fornecermos os dados aos investidores, de facto, ainda dispomos de muitos meios adequados que permitem que os mesmos possam conhecer as nossas políticas de desenvolvimento, sobretudo as políticas para o planeamento urbanístico. Obrigado. Presidente: Tem a apalavra o Deputado Ng Kuok Cheong. Ng Kuok Cheong: Sei que a partir do próximo e, nos anos vindouros, o Governo continuará a adoptar a forma selectiva para transformar a cidade, e para proceder a trabalhos de ajustamento. Concordo que existem dificuldades em elaborar um planeamento geral para o desenvolvimento da cidade, mas como a cidade de Macau é uma cidade muito pequena, podemos considerar que é uma vantagem, porque o aspecto demográfico previsto está sob controlo. Além disso, desde que Macau é governado pelas suas gentes, o conhecimento cívico da população intensificou-se, o que também é uma vantagem. Por isso, tem a sua vantagem em elaborar-se um planeamento urbano depois de uma consulta, porque através dela, ou dos procedimentos, a população e os investidores também podem participar, sugerindo as suas opiniões. Desta forma, podemos fazer com que os mesmos possam estar integrados no assunto, e apresentem também as suas propostas com a maior brevidade possível. Naturalmente que, depois de elaborada, pode-se através de uma forma de regulamento, publicar as novas alterações. Mas seja como for, com esta forma pode garantir-se o direito de informação dos mesmos e garantir os meios de consulta pública. Referente ao acesso de informações urbanísticas, certamente que a DSCC pode fornecer através da”Internet”, mas as informações que referi anteriormente não tratam apenas da DSCC, mas sim dos dados da actual situação e dos dados para o futuro desenvolvimento. Só com a fusão destes é que podemos saber como é que se aproveitam os respectivos espaços. Actualmente, limita-se apenas aos profissionais e aos investidores que têm capacidades em analisar os dados da DSCC por via “Internet”, e os cidadãos em geral, não têm conhecimento sobre o fornecimento desses dados. Daí que, ainda há mais necessidade em demonstrar claramente o planeamento urbano, a fim de permitir que os cidadãos possam saber quais os planos definidos e qual o desenvolvimento para esse espaço. Isto é, depois do Governo definir os rumos gerais ao desenvolvimento urbanístico, deve criar-se um procedimento nítido para que a população possa participar no planeamento urbano, caso contrário, o mesmo é apenas definido pelos órgãos do Governo. Claro que tinham auscultado, anteriormente, as opiniões dos cidadãos e das N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série associações, mas será que conseguem dispor de um procedimento sistemático para absorver amplamente as opiniões? Pessoalmente, ainda gostaria de colocar uma questão sobre o planeamento parcial. Há pouco, tive conhecimento que irá ser implementado um planeamento na zona da Praia Grande e na zona do S. Lázaro, onde se irão desenvolver indústrias inovadoras. Gostaria de saber quais foram as bases ou as origens para poder formar este conceito? Ou seja, tratam-se de opiniões dos membros do Governo ou dos cidadãos? Por outro lado, será que também é possível implementar-se um planeamento no aspecto hidráulico? Será que é devido à falta de uma zona hídrica na RAEM que se enfrentam obstáculos para desenvolver o planeamento hidráulico? Além do mais, poderão ou não ponderar na possibilidade de desenvolver o transporte fluvial? Porque, depois do regresso à pátria, algumas barreiras podem ser eliminadas. Por exemplo, será que podem movimentar a barragem de Chin San para Macau, ligando-a à Ilha Wan Chai, com vista a fazer com que o porto interior de Macau se possa ligar com o transporte da província de Kuong Tong? Será que estas novas concepções merecem ser ponderadas? Presidente: Gostaria de perguntar se mais algum Deputado quer manifestar a sua opinião acerca da questão do planeamento urbanístico? Tem a palavra o Deputado João Baptista Leão. João Baptista Leão: Há pouco, o Sr. Secretário Ao fez uma explicação pormenorizada acerca das várias questões que dizem respeito ao planeamento urbanístico. Pessoalmente, queria apresentar algumas opiniões. É do conhecimento de todos da pequena dimensão de Macau; a população demográfica é concentrada e as anteriores construções tinham uma falta de limitações em relação ao planeamento urbanístico. As fábricas no interior da cidade, as instituições comerciais e as habitações estão todas misturadas. Embora, o ex-Governo tenha diplomas que controlam e que coordenam a situação, tal como o regime de licenciamento, mas com o desenvolvimento rápido da sociedade, a concentração da indústria, do comércio e das fracções autónomas, geram-se cada vez mais conflitos e tornam-se graves as situações de contradição. Todos os dias existem conflitos por parte dos cidadãos devido à poluição ambiental e à poluição sonora, ao qual merece prestarmos ainda mais atenção. Servindo a Zona Norte como exemplo, na zona da Areia Preta e no Bairro Iao Hon, também existem muitas fábricas que produzem poluição ambiental e sonora, afectando assim as zonas mais próximas. Realça-nos claramente a existência da questão do planeamento urbanístico. Neste momento, o sector do imobiliário está numa fase de estagnação, daí, existirem muitas fracções autónomas desabitadas. O Governo tem ou não ponderado em aproveitar essas fracções autónomas para reordenar o planeamento urbano? O método é o seguinte; demolir as indústrias mais antigas, o comércio e as habitações que não tenham um valor de preservação. Por um lado, pode trazer mais oportunidades de emprego, o que é vantajoso para o desenvolvimento económico. Por outro lado, pode aproveitar-se uma parte das fracções autónomas, para fins de indústria, comércio ou habitação que estão desabitadas ao longo de muito tempo. Além disso, e para além de fornecer aos turistas exteriores um ambiente turístico, ao mesmo 19 tempo, ainda pode melhorar a vida da população, o que de facto, é um bom método. Espero que o Sr. Secretário possa ponderar na sugestão acima apresentada, a fim de se desenvolverem estudos concretos e a viabilidade da mesma. Obrigado. Presidente: Sr. Secretário Ao, o Deputado Ng Kuok Cheong colocou uma questão concreta e o Deputado João Baptista Leão apresentou uma sugestão. Faça o favor de responder. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: O Governo, aquando da elaboração das políticas para o desenvolvimento urbanístico, quer os serviços internos, quer as associações cívicas, também apresentaram opiniões inovadoras. Depois do respectivo tratamento, as opiniões viáveis foram incluídas nas políticas para o planeamento urbano para o ano de 2001. Portanto, actualmente, ainda estamos somente numa fase de concepção preliminar. O nosso procedimento de trabalho é, em primeiro lugar, recolher os dados. De seguida formar um conceito, e depois realizar estudos sobre a viabilidade na fase inicial, e por último é que é a fase do planeamento concreto. Nesta fase, só podemos considerar que, até aos finais de Dezembro, ainda estaremos numa fase de planeamento superficial, ou seja, um conceito muito preliminar. Depois de formar o conceito, iremos auscultar amplamente as opiniões. Por exemplo, o planeamento do Porto Interior, prevê-se que, desde o ex-casino até à Praça da Ponte e Horta, também é considerado um planeamento importante. Incluindo a recente feira popular, que obteve sucessos, também está integrada no respectivo planeamento, daí que, iremos ponderar seriamente. Actualmente, possuo comigo muitos dados, e se estiverem interessados, daqui a pouco, posso fazer uma apresentação mais aprofundada. Mesmo depois de obtermos um conceito preliminar, ainda vamos auscultar as opiniões das pessoas e das associações envolventes. No entanto, iremos empenhar-nos da melhor forma ,na medida do possível, principalmente na zona do Porto Interior e na zona da Barra. No passado, o Governo chegou a colocar muitas propostas, mas devido ao envolvimento de demasiados problemas, fez com que não tivessem meios suficientes para as implementar, porque os trabalhos de transformação nas zonas antigas são difíceis, daí, neste processo, ser indispensável resolver muitos problemas. Porém, iremos esforçar-nos para se poder resolver, pouco a pouco. Além disso, e no decurso deste processo, ainda é indispensável auscultarmos opiniões, no intuito de se tornar o planeamento viável. Quanto às questões de transporte marítimo, daqui a pouco, peça à Sra. Directora Wong para responder a esta questão. Antes de mais, aproveito para responder à questão que o Deputado João Baptista Leão colocou. Como sabem, Macau já se desenvolveu numa cidade de modelo médio económico. Acho injusto se culparmos na totalidade para o insucesso do planeamento do passado, devido à situação da concentração do sector industrial e comercial com as fracções habitacionais. Pessoalmente, tenho as minhas reservas quanto a este aspecto, porque para qualquer especialista em planeamento, creio que seria muito difícil para se proceder a um planeamento aperfeiçoado com menos de 7 km2 e, ainda por cima, num local com grande envergadura de sector industrial e comercial, pelo que, perante restrições objectivas do ambiente, num futuro próximo, quando procedermos ao planeamento da nova zona da cidade, vamos ter em conta o aperfeiçoamento, mas também não se pode afastar da realidade do mercado local. Aproveito esta oportunidade para frisar que, há muito tempo atrás, tinha-se definido uma proposta N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série para a nova cidade da Taipa e Coloane. Acontece que até ao momento, ainda está constantemente a ser revista. A razão é que se insistirmos em adoptar a proposta geral já definida, poderá originar como resultado um desinteresse por parte dos investidores em investirem cá, porque para os investidores o mais importante é a perspectiva do desenvolvimento. Por isso, o planeamento urbano tem de ser realista. A probabilidade de introduzirmos poucos ou muitos ajustamento é consoante o desenvolvimento da sociedade. O Sr. Deputado Leão ainda referiu que a zona do Norte sofre muita poluição e sugere a demolição e mudanças para se melhorar o ambiente. Relativamente a esta matéria, acho que o maior obstáculo encontrado é, Macau para além de possuir um desenvolvimento económico liberal, ainda tem de respeitar o princípio do direito de propriedade particular, de maneira que o direito de propriedade de muitos edifícios com fins comerciais ou habitacionais, está fora do alcance do Governo. No caso de insistirmos em adoptar a forma de indemnização para alcançarmos o citado objectivo, creio que vamos encarar muitas dificuldades. Assim sendo, e tendo em conta os limitados recursos, podemos adoptar simplesmente consoante a ordem de urgência, no intuito de resolvermos os diversos problemas. Deste modo, acho que devemos aguardar até possuirmos condições melhores para ponderamos na sugestão do Deputado Leão. Além do mais, também é devido à razão desta questão não constar nas LAG. Sra. Presidente, se me permite, peço à Sra. Directora Wong para responder à questão do transporte marítimo. Presidente: Tem a palavra a Sra. Directora Wong. Directora da Capitania dos Portos, Wong Wai Man: Em relação à questão dos transportes que o Deputado Ng colocou, gostaria de salientar que a Capitania do Portos tem vindo a fiscalizar a segurança marítima, de acordo com a sua área de competência. É aplicado a Macau a política de livre transporte marítimo. Os investidores podem criar em Macau, de livre vontade, as suas empresas para transporte marítimo, bem como desenvolver o citado sector. De acordo com a política económica de Macau, existe uma atitude aberta para o tratamento desta questão, ou seja, não se impõem muitas limitações. Todos os presentes devem saber que Macau sofre muitas restrições devido às objectivas condições geográficas, tal como a profundidade das águas territoriais. É por esta razão que o Governo conjuga esforços, a fim de construir um Porto de águas profundas em Coloane, mas mesmo assim, a profundidade não é desejável, porque tem apenas cerca de 6 a 7 metros, de maneira que permite apenas o estacionamento de barcos mais pequenos. Posso divulgar-vos alguns dados recentes. As unidades de contentores que Macau enfrenta anualmente, tem como critério de tratamento apenas os que possuam 20 pés, o que abrange cerca de 100 mil contentores. A taxa de tratamento assumido pelo Porto Interior, ocupa cerca de 55% e quanto aos restantes são assumidos pelo Porto de Ká-Hó, em Coloane. No que diz respeito ao tratamento de produtos que não são tratados em forma de contentores, o Porto Interior ocupa 20%, o Porto de Ká-Hó ocupa 5% e os restantes são assumidos dispersamente pelo Terminal de Combustível e pelo Terminal de Cimento, pelo que Macau se encontra limitado devido às condições de natureza. Neste momento, o Governo está a criar condições, de uma forma activa, a fim de permitir que os sectores envolventes possam continuar a sobreviver. Por exemplo, a criação de um sistema electrónico para a entrada e a saída das embarcações, bem como a redução de formalidades administrativas, com vista a apoiar ainda mais os sectores envolventes. Tanto as instalações de apoio, como 20 as de salvamento também faremos os possíveis, para que possam ser aperfeiçoados, o que também faz parte do compromisso do sector de transporte marítimo. Relativamente à mudança da barragem Chin San, de facto, esta barragem tem como efeito prevenir que a salinidade se infiltra na terra, a fim de proteger o sector da agricultura. Por isso, não é nada fácil efectuarmos esta mudança. Por outro lado, ainda não se registou qualquer influência negativa no transporte marítimo, dado que o transporte fluvial, serve como leito entre as duas pontes, passando pelo túnel para chegar à zona Oeste de Toi San do Rio das Pérolas, para Kong Mun, entre outras zonas. Quanto ao aspecto do transporte de passageiros, uma vez que já estão específicos nos dados estatísticos fornecidos pela DSEC, acho que não vou adiantar mais. Obrigada. Presidente: O Deputado Ng Kuok Cheong perguntou se o planeamento urbano inclui ou não o planeamento hídrico. Acho que esta questão é um pouco complexa, porque, no fundo, não existe uma zona hídrica em Macau. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Na verdade, não ponderámos directamente no planeamento hídrico. Mas, quando procedermos às obras de aterro para o planeamento, automaticamente relaciona-se com a questão hídrica. Como devem saber que, antes da reunificação, o Conselho do Estado já havia publicado que a gestão hídrica de Macau manter-se-ia como o costume. Isto quer dizer que a RAEM, conforme o costume, procede-se à gestão e ao planeamento hídrico, respeitando as provas científicas para desenvolver os trabalhos relacionados com o fim de estudos. Deste modo, tanto no passado, como agora, a Capitania dos Portos tem vindo a dialogar e a criar laços de intercâmbio frequentes com a Comissão dos Recursos Hídricos do Rio das Pérolas, a fim de abordaram sobre a questão hídrica. As opiniões desta Comissão não têm restrições, mas, de qualquer forma, vamos analisá-la prudentemente. Assim sendo, verifica-se que quando efectuámos o planeamento urbanístico, também poderámos nas questões relacionados com este aspecto. Cito um exemplo; o pedido de concessão para as Docas dos Pescadores, que envolve as obras de aterro no Porto Exterior, é necessário estudar as questões sobre as rotas o aspecto hídrico, no sentido de prevenir influências negativas no funcionamento normal de transporte. Um outro exemplo: a futura construção da 3ª Ponte, também é indispensável que ponderemos na questão hídrica. Obrigado. Presidente: Peço atenção dos Srs. Deputados, porque neste momento, estamos a debater a questão do planeamento urbanístico. Tem a palavra o Deputado Fong Chi Keong. Fong Chi Keong: Pessoalmente, vou manifestar o meu ponto de vista. O Sr. Secretário referiu que, aquando do processo do planeamento urbano ou do reordenamento das zonas antigas, o Governo aceitava as opiniões participadas pelas associações. Acho que não é correcto, porque está em causa a dúvida do nível delas. Portanto, acho que deve ser participado nestes trabalhos as pessoas ou os interessados que tenham os conhecimentos relacionados, e não qualquer opinião arbitrária que surja. Por exemplo, actualmente, existem muitos desempregados, e daí, se propôs-se a N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série construção de uma nova ponte, o que também não é racional. Outro exemplo; algumas pessoas sugeriram criar um teleférico na zona da Barra, o que também não acho ser realista, porque estamos a imitar a Montanha Wong San da nossa pátria, onde se transportam as pessoas em liteiras para apreciarem as paisagens. Olhando, agora, para o teleférico da nossa Guia já se sabe onde está a vantagem. Presidente: Tem a palavra o Deputado Ng Kuok Cheong. Ng Kuok Cheong: Pessoalmente, acho que o planeamento urbanístico deve levar em conta o equilíbrio entre as opiniões dos peritos e do público que participem. Muitas vezes, as opiniões apresentadas pelo público são inovadoras. Naturalmente que, no final, certamente que são os peritos que vão decidir. Gostaria de frisar que temos que regulamentar sob a forma de procedimento racional, e ter em conta a decisão dos peritos e da participação do público, beneficiando assim o planeamento urbanístico. Para além de se poder garantir o direito de participação e o direito de informação do público, ainda se podem garantir as opiniões emitidas pelos peritos, ao mesmo modo que os peritos podem explicar ao público a razão da sua decisão. De acordo com o princípio de "Macau governado pelas suas gentes", todas as pessoas de Macau devem ter o direito de emitir as suas opiniões sobre o desenvolvimento dos terrenos de Macau, e depois a questão deve ser decidido pelos peritos, explicando e fundamentando a sua opção. Presidente: Tem a palavra o Deputado Fong Chi Keong. Fong Chi Keong: Pessoalmente, discordo com a opinião acabada de emitir pelo Deputado. Quando não se aprende não se tem uma técnica, e se não faz parte do sector, como é que se podem emitir opiniões? Se se pedir opinião às pessoas que não estejam envolvidas nesse sector, é como se fosse informar o caminho a um cego. De momento, está na moda o acto de auscultar as opiniões, o que até suscitou uma anedota, em que o doente ensina o médico a curar doenças. Isto é um pouco ridículo. Presidente: Tem a palavra o Deputado Leong Heng Teng. Leong Heng Teng: O planeamento urbanístico é um tema com que a sociedade se preocupa. Tal como o Sr. Secretário referiu, estamos, neste momento, a herdar muitos problemas deixados pelo passado. Hoje, registo com agrado e prazer, verificar que consta nas LAG a consideração global para o planeamento urbanístico de algumas zonas. Creio que, antes de se definir o planeamento, já foram auscultadas as opiniões de muitos peritos e muitas opiniões sociais. No passado, verificaram-se muitos insucessos. De facto, há necessidade em rectificar e em melhorar-se. Cito um exemplo. Em frente ao Jardim do Bairro Iao Hon estava prevista uma paragem de autocarro, mas não sei qual a razão de não ter sido concretizada. A mesma situação acontece também na zona do Manduco, e isto é resultante devido à alteração arbitrária do plano original. Pessoalmente, acho que o Sr. Secretário foi muito claro em determinar as políticas para o planeamento urbanístico nas LAG, levando em conta a harmonização da situação real. Por exemplo, harmoniza-se com a política para a promoção do desenvolvimento do turismo a médio e a longo prazo. Além disso, ainda se salientou 21 que se vai aperfeiçoar a questão do trânsito e das instalações básicas de drenagem, produzindo, então, a característica típica de todas as zonas. Acho que o Governo aquando da elaboração do planeamento urbanístico, devem auscultar as opiniões da população. Embora as opiniões sejam todas diferentes, mas o Governo pode efectuar um estudo, do ponto de vista profissional, de forma a tomar-se uma decisão, pois, só assim é que a população pode ter conhecimento sobre o rumo do Governo. Tal como a política dos terrenos a que se referiu anteriormente, o Governo salientou que todos os pedidos de concessão que sejam vantajosos para o sector do turismo e para o sector da prestação de serviços, são tratados prioritariamente. Trata-se de uma informação muito nítida. Através do actual planeamento urbano, creio que se podem reflectir os pensamentos dos residentes das diversas zonas, mas o mais importante e o mais indispensável é concretizar, porque apenas falando-se, não se consegue obter um resultado. Tal como há uns anos atrás, o Governo chegou a auscultar opiniões dos residentes da Ilha de Coloane e das respectivas associações, com vista a desenvolver-se um planeamento urbanístico em Coloane, mas até agora, ainda não houve nenhuma determinação concreta. Há pouco, o Sr. Secretário referiu que a Baía da Nossa Sra. de Esperança, na Taipa, vai ser desenvolvida em conformidade com o ajustamento do sector do turismo e de diversões. Nesta zona, existe uma grande quantidade de terreno que envolve a fábrica de panchões Iek Long, que está relacionado com o desenvolvimento global da Ilha. Trata-se de um bom exemplo que nos reflecte que a questão merece que seja tratada, assim como a actual situação da NAPE, na qual todos consentiram que se suscitaram problemas neste planeamento, daí, merecer um melhoramento atempado. Por isso, tanto os cidadãos, como a AL, exigimos que o Governo assuma uma maior responsabilidade, o que é de compreender. Obrigado. Presidente: Sr. Secretário Ao, faça o favor de responder. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Há pouco, o Deputado Fong manifestou que discorda com Governo, em relação ao auscultar das opiniões não profissionais. Cito um exemplo. Os produtores de automóveis, antes de produzirem um automóvel, é indispensável efectuarem, em primeiro lugar, um inquérito ao mercado, no intuito de conhecer o modelo mais procurado e o gosto dos utilizadores. Só depois é que se faz o projecto da produção. Tal como o edifício da AL, em que antes do projecto, também auscultou as opiniões dos Srs. Deputados. Naturalmente que a nossa atitude não é aceitar todas as opiniões apresentadas pelos utilizadores, porque por último, também carece de uma opinião profissional dos peritos. Para uma zona, os utilizadores são os cidadãos e os investidores, por isso, aquando do planeamento, é muito natural e racional que se auscultem as opiniões deles. Pessoalmente, não tenho intenção de aprofundar aqui a questão da construção da 3ª Ponte. Porém, saliento que a implementação dos grandes empreendimentos não é apenas para se criarem oportunidades de emprego, porque este é simplesmente um dos N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série objectivos do seu processo. Relativamente à questão da criação do teleférico, trata-se somente de uma opinião de empresas privadas e não da parte do Governo. Se os serviços das Obras Públicas receberem os relacionados requerimentos, é que se assumirá em ponderar na globalidade. O Deputado Ng fez menção sobre o equilíbrio das opiniões dos peritos e do público no planeamento urbanístico. Pessoalmente, quando respondi à questão do Deputado Fong, apresentei o princípio das políticas que o Governo respeita, por isso, não vale a pena repeti-las. Em relação à elaboração do planeamento urbanístico, será que é necessário passar por um processo de apreciação, a fim de se tornarem as políticas mais objectivas e realistas. Quanto a este ponto, creio que vale a pena estudarmos. Friso que o planeamento urbanístico é dinâmico e não estático. De acordo com o decorrer do tempo, houve necessidade em se alterar e modificar constantemente. Obviamente que não significa que não se podem estabelecer determinados mecanismos ou procedimentos, só gostaria de apontar que, mesmo que se adopte uma forma de diploma para regulamentar o processo de decisão, receio ainda a existência de insuficiências, porque actualmente muitas pessoas apontam constantemente que os serviços públicos são diferentes dos das instituições particulares devido à falta de flexibilidade e de firmeza. Nesta época de modernização na gestão, esperamos introduzir o conceito de gestão modernizada no funcionamento administrativo do Governo, pelo que, se ainda tivermos que regulamentar o processo de decisão, será ou não um método muito justo? Pessoalmente, acho que o actual processo de consulta para a elaboração do planeamento urbanístico, já é suficiente para enfrentar as necessidades reais. É claro que com as necessidades do desenvolvimento, não impede que, no futuro, provavelmente se introduza uma revisão. Presidente: Gostaria de alertar os Srs. Deputados que o tema que estamos a debater é sobre o planeamento urbanístico. Tem a palavra o Deputado David Chow. Chow Kam Fai David, aliás. David Chow: No debate de Março passado, cheguei a debater com o Sr. Secretário sobre muitas questões. Uma vez que sinto que os Srs. Deputados demonstram muito interesse no plano de desenvolvimento de Macau, também gostaria de aproveitar esta oportunidade para apresentar a minha opinião pessoal, e espero que suscite interesse por parte do Sr. Secretário, a fim de garantir os interesses dos investidores de Macau, e para evitar que o planeamento de Macau sirva de anedota, e tal como o Deputado Leong Heng Teng também referiu, temos de ser realistas para encarar toda a situação. O Sr. Secretário apontou que o planeamento urbanístico tem como rumo principal apoiar o desenvolvimento do sector turístico. Além disso, ainda tem como linhas de trabalho, consultar e só depois definir as políticas. Perante a situação manifesto a minha posição a favor. Acho que o turismo é um sector que implica o exterior, e que tem como objectivo principal atrair turistas. Olhando para as actuais condições que Macau possui, os turistas podem ter acesso a 22 Macau através de três meios; marítimo, terrestre e aéreo. No aspecto aéreo, se o Aeroporto Internacional conseguir utilizar favoravelmente as 5ª liberdades, poder-se-á criar uma rota directa entre Dubai, no Médio Oriente e Macau, assim como poderá encurtar a distância de Macau entre Europa e Á frica. Pessoalmente, tenho confiança na futura perspectiva do AIM. No aspecto terrestre, actualmente, já dispomos da infra-estrutura da Ponte Flor de Lótus, bem como das obras de ampliação nas Portas do Cerco, que também irão ser desenvolvidas em breve. De momento, em todos os feriados ou fins de semana, existem mais de 100 mil passageiros que atravessam por este Posto Fronteiriço. Creio que, no futuro, os turistas que utilizam o meio terrestre, vão aumentar consideravelmente. No acesso marítimo, há pouco, através da referência da Sra. Directora Wong, fiquei a saber que o número de pessoas que entram e saem do Terminal Marítimo, ultrapassam os 10 milhões. Pessoalmente, também tenho um plano de desenvolvimento para esta zona. Depois de um estudo profundo e de uma avaliação, desde 2002 até 2003, a estimativa do número de turistas que visitarão Macau atingirá os 13 milhões. Quanto à sua concretização, depende do efeito produzido pelo planeamento urbanístico de Macau. Acho que, uma vez existindo estes dados, obviamente que trará vantagens para o desenvolvimento em diversos aspectos. De facto, e depois de ouvir a apresentação da Sra. Directora Wong, gostaria de salientar que, no futuro, certamente que aumentará constantemente o número de turistas que utilizam o meio terrestre, pelo que o transporte marítimo é um dos aspectos mais importantes para o futuro desenvolvimento de Macau. A situação geográfica de Macau, de facto, constitui um grande obstáculo. Por exemplo, a zona do ex-casino, em dias de chuva intensa, certamente que ocorrem inundações. Desde que mudámos o Terminal Marítimo para o Porto Exterior, a quantidade de turistas passou de 3 mil para 10 mil. Creio que também é devido ao resultado do planeamento urbano por parte do Governo. De facto, é indispensável o Governo conhecer a importância do dragar do rio para o desenvolvimento de Macau. Actualmente, apenas dependemos da STDM, mas não é o suficiente, porque apenas podemos escoar e não podemos resolver a questão da profundidade do leito. Quando chove, quer a zona nova, quer a zona velha da cidade também são afectadas, pelo que prejudica o desenvolvimento da península de Macau e das duas Ilhas. Tal como as vedações de prevenção perto do Terminal que estão todas cobertas pelas águas, por isso, não se consegue produzir o seu efeito e é muito perigoso quando se enfrenta um tufão. Sabemos que servir apenas uma mesa de Bacarol para atrair os turistas não é o suficiente. Ainda se devem melhorar as instalações dos meios marítimos, terrestres e aéreos, e as instalações do meio marítimo são das mais importantes. Deste modo, espero que o Sr. Secretário possa prestar atenção ao facto de ser indispensável articular-se o planeamento urbanístico com as instalações marítimas. Falando de uma forma exagerada, os bens das pessoas de Macau estão nas mãos da Capitania dos Portos. De momento, gostaria de apresentar opiniões em relação à sugestão do Sr. Deputado João Baptista Leão. Há pouco, o Sr. Secretário referiu que Macau adopta o princípio de mercado livre, por isso, em caso de obrigar os relacionados proprietários para entregarem ou demolirem as suas propriedades, é um método que infringe o princípio. Quanto a esta questão, manifesto que estou de acordo. Na verdade, e para se desenvolver a zona antiga, em primeiro lugar, é necessário criar instalações ou equipamentos, a fim de aumentar a afluência das pessoas, questão esta que encara muitas dificuldades, porque os sectores que pretendem investir na N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série zona antiga, também acham que as instalações básicas desta zona são insuficientes, tal como a questão da falta de parques de estacionamento, pelo que concordo com a opinião que o Deputado Leong referiu, e também apoio o ponto de vista do Governo. Gostaria de perguntar ao Sr. Secretário se quando enfrentam obstáculos relacionados com o direito de propriedade ou de terreno na elaboração do planeamento urbano, o Governo irá impor a sua intervenção? Porque, uma vez que o Sr. Secretário referiu anteriormente que existem dificuldades sob a premissa de não infringir o princípio de livre mercado. Presidente: O Deputado Stanley Au já se inscreveu para intervir sobre a questão da ponte, mas como acho que esta questão pode originar um debate muito amplo, e por razões de tempo limitado, daí que, se o Deputado não se importar, sugiro adiar o seu tema para deixar os outros Deputados intervirem, e só depois é que vamos debater a questão da construção da ponte. Agora, tem a palavra o Deputado Fong Chi Keong. Fong Chi Keong: Pessoalmente, concordo perfeitamente com a resposta do Sr. Secretário. Eu sempre tive confiança nas coisas de "marca", ou seja dos especialistas, e não duvido do efeito que os mesmos produzem. Mas acontece que, actualmente, as vozes da sociedade são especiais. Seja qual for o assunto, também necessita da participação da população e das associações para que emitam opiniões. Queria perguntar se este apelo é racional? Porque é que as instituições públicas estão dispostas a ouvir todas as opiniões das associações cívicas? Gostaria de perguntar, se afinal, é o Governo que dirige, ou se são as associações cívicas que dirigem? Têm ou não estas capacidades? De facto, as associações cívicas podem emitir opiniões, mas no fundo, quem irá dirigir é o Governo, e o ponto fulcral reside apenas na maneira como o Governo dialoga com as associações cívicas. É apenas necessário manifestar que se respeitam as associações, e desta forma, será muito mais fácil resolver muitos problemas. Cito um exemplo. Não faz sentido se um Director perguntar ao aluno que tenha cometido erro, se pode ou não castigá-lo. Mas no caso de conseguir encontrar um exemplo para este aluno servir como referência, apontando que não tem razão, naturalmente que o aluno aceita o castigo. Obrigado. Presidente: Gostaria de perguntar ao Sr. Deputado Leong Heng Teng quais as questões levantadas que não foram respondidas? Leong Heng Teng: Pessoalmente, coloquei várias questões, mas ainda não obtive respostas. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Sra. Presidente, peço desculpa. Há pouco, não respondi às questões que o Deputado Leong colocou. Presidente: Faça o favor de responder Sr. Secretário Ao. Em relação ao tema do Sr. Deputado Stanley Au, sugiro adiá-lo para debatermos a seguir ao jantar, porque o seu tema envolve a questão da 3ª Ponte. Creio que muitos Deputados irão colocar opiniões acerca desta questão. Tem a palavra o Sr. Secretário Ao Man Long. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Há pouco, o Deputado Leong Heng Teng referiu que o Governo, aquando da elaboração do planeamento urbanístico, tem 23 a necessidade de existência de uma determinação clara, com o que pessoalmente, concordo totalmente. Na verdade, quando elaborámos o planeamento urbanístico, também adoptámos esta atitude, tal como, nas LAG para o ano de 2001, onde podem verificar que a definição preliminar possui toda a clareza, mas mesmo que o planeamento concreto ainda não esteja divulgado, o rumo e os trabalhos básicos já foram determinadas. É claro que, no decurso dos trabalhos vindouros, há a possibilidade de ser revista. Em relação à criação da paragem de autocarro na zona Norte e na Zona do Manduco, de facto, esta criação não depende apenas do acto do Governo, porque, para além de envolver o planeamento urbanístico, ainda envolve as duas concessionárias, pelo que esta própria questão é relativamente complexa. É óbvio que a competência cabe ao Governo apreciar e aprovar os itinerários dos autocarros. Porém, as duas concessionárias têm sempre opiniões divergentes sobre os itinerários, e o Governo também tem opiniões opostas. Se bem que, no final, seja o Governo que vai determinar, mas não podemos evitar que existem situações de sobreposição nos itinerários, sobretudo na zona do Centro, e que é mais visível. Reconhecemos que determinadas paragens de autocarro são estáticas, e muitas vezes geram problemas que não podem ser resolvidos de imediato para que todos possam aceitar. Seja como for, quanto a estas duas paragens, iremos em conjunto, com as duas empresas de transportes, acompanhar esta questão. No tocante à questão de ser, ou não, uma mudança arbitrária para o planeamento urbanístico? Acho que se modificarmos com demasiada arbitrariedade, iremos gerar muitos problemas. Todavia, não quer dizer que não esperemos alcançar um planeamento urbano perfeito, e também é devido a esta razão que iremos adoptar a forma de selecção para transformar, a pouco e pouco, o nosso ambiente urbanístico. Quanto à questão de Coloane que o Deputado Leong referiu, no planeamento urbano do próximo ano, também focamos principalmente que a zona do Templo Tam Kong em Coloane, será transformada numa pequena povoação que possui características de uma feira tradicional. Respeitante à aldeia de Ká-Hó, ainda não determinámos um planeamento. Nas LAG não se fez qualquer menção propositada sobre o planeamento global na zona junto à Fábrica de Panchões Iek Long. A razão fundamental é devido à questão do direito de propriedade particular que ainda não conseguimos resolver, mas cremos que, depois de resolvida a questão, esta zona também irá ser transformada num local que possua algumas características culturais. Mesmo não estando mencionada nas LAG, na realidade, os respectivos trabalhos já estão em curso. O Deputado Chow Kam Fai David acha que, quer os turistas, quer o dragar do rio são questões intimamente relacionadas e que são inseparáveis. Falando na questão do dragar do rio, têm de conhecer que, actualmente, devido à questão do contrato exclusivo, a responsabilidade do dragar do rio é assumida pela STDM, e que é uma das claúsulas complementares do contrato de exclusivo. Mas não quer dizer que não nos interessemos por esta responsabilidade, de facto, o âmbito não incluído no respectivo contrato, a CPM tem vindo a estudar projectos com os serviços relacionados da China e com o Ministério dos Assuntos Portuários de HK. Quanto ao planeamento terrestre, é necessário articular-se com o planeamento marítimo, e nós sempre prestámos muita N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série atenção a esta matéria. Com o desenvolvimento temporal, na verdade, as vedações merecem ser remodeladas. Vamos acompanhar esta questão. Quanto à questão da demolição, não quer dizer que o Governo não intervenha em qualquer uma das situações, porque quando está em causa a questão da apropriação por interesse público, iremos basear-nos nas competências que a legislação nos confere para resolver as questões em causa. Para alcançar os interesses públicos, vamos juntar esforços, com vista a resolver, na medida do possível, a questão do direito de propriedade, e obviamente que vamos proceder às devidas indemnizações. No caso do Governo e do proprietário em causa não conseguirem chegar a um consenso sobre o montante de indemnização, podemos apresentar um processo litigioso através da relacionada legislação. Uma vez que é o Tribunal que determina o valor da indemnização, quanto a este aspecto, a legislação vigente já tem uma certa garantia. Finalmente, o Deputado Fong Chi Keong referiu se o Governo deve, ou não, tomar a iniciativa para auscultar as opiniões das associações. Já cheguei a focar a posição do Governo quanto a esta matéria, por isso, não vale a pena adiantar mais. Mas tenho de frisar que o Governo também pondera nas questões de um ponto de vista profissional e não abandonámos o nosso direito de tomar a iniciativa, porque esperamos que, através da auscultação de opiniões, possamos elaborar políticas que forneçam serviços que elevem a qualidade de vida dos utilizadores. O Governo desenvolveu muitos trabalhos, e tem como objectivo fundamental promover o desenvolvimento económico de Macau, e para que a qualidade de vida da população possa ser elevada continuamente, pelo menos na minha área de tutela, adoptámos esta forma de trabalho. Presidente: Muito obrigada pela explicação do Sr. Secretário Au. Agora, como já são 20 horas, em primeiro lugar, vamos fazer uma pausa. Retomamos a sessão às 22 horas. O Deputado Stanley Au vai ser o primeiro a intervir. Au Chong Kit, aliás, Stanley Au: Obrigado, Senhora Presidente. Presidente: Srs. Deputados, vamos continuar com a nossa sessão. O tema do debate continua a ser o planeamento urbanístico. Agora, peço ao Sr. Deputado Stanley Au para intervenção. Au Chong Kit, aliás, Stanley Au: Há pouco, quando o Sr. Secretário nos apresentou o planeamento urbanístico, fez menção à questão da construção da 3ª Ponte. Sendo assim, gostaria de intervir sobre esta questão. De momento, o Governo da RAEM está a ponderar em construir uma 3ª ponte, no intuito de escoar o engarrafamento do trânsito na Ponte antiga. Pessoalmente, creio que todos devem ter conhecimento que, no próximo ano financeiro, ainda aparecerá um déficit, pelo que temos que tirar máximo proveito dos recursos existentes para melhorar a situação. Gostaria de perguntar ao Sr. Secretário se irá ou não ponderar em implementar a política de circulação de sentido único nas duas pontes? Ou seja, a ponto antiga, o sentido de circulação é da Taipa para Macau, e na nova ponte é de Macau para a Taipa. Desta forma, e para além de se 24 poder aproveitar ao máximo a ponte nova, ainda se pode resolver a questão do engarrafamento na ponte velha, assim como o trânsito das zonas próximas também podem ser escoadas. Creio que esta forma, para além de poder articular-se com o planeamento urbanístico da Taipa, ainda pode conter os recursos, na medida do possível. Presidente: Tem a palavra o Deputado Tong Chi Kin. Tong Chi Kin: Pessoalmente, concordo perfeitamente com o Sr. Secretário Au quando se referiu ao planeamento urbanístico ser um acto dinâmico. Na verdade, a sociedade modifica continuamente, e as exigências também se elevam continuamente. Acho que o planeamento urbanístico carece de um fundamento dos peritos, porque para além de envolver questões sociais, ainda gera muitas questões técnicas. É óbvio que é uma política social, mas não um assunto imaginário, portanto, é um assunto concreto. Por isso, se não adoptarmos uma forma séria para proceder ao planeamento urbanístico, não podemos demonstrar as nossas vantagens, bem como não conseguimos articular com o desenvolvimento da economia, do turismo, da cultura, entre outros. Desta forma, a próxima geração, certamente que nos vai culpar, pelo que, aquando da elaboração do planeamento urbanístico, temos que obedecer aos princípios acima referidos. Podem pensar que, antigamente, quando o rei Chon Chi Wong mandou construir a Muralha da China, utilizou muitos recursos humanos e recursos financeiros, e o povo estava contra e insatisfeito com esta construção. Foi por esta razão que se gerou uma lenda em que uma mulher (Mang Keong Loi) chorou tanto que até quebrou a muralha com as suas lágrimas. Na altura, as pessoas achavam que este projecto não era viável, mas acontece que, hoje em dia, as pessoas dizem que "quem nunca pousou na muralha, não é considerado um grande homem". Mesmo os astronautas que olham para a Terra, a única construção que conseguem ver é a Muralha da China. Com isto, fez com que os chineses se sintam orgulhosos. Assim como na altura do início da reforma, na abertura da cidade de Zhuhai, aquando do planeamento urbanístico, foi necessário construir um acesso exclusivo para peões à beira mar, e também a colocação de uma estátua de uma pescadora, como símbolo da cidade de Zhuhai. Ainda me lembro que os cidadãos desta cidade culparam o Governo que não devia gastar centenas de milhares de ren man bi nesta construção. Daí, até o responsável (Governo Civil) desta zona, não se atreveu a comentar. Até ao presente momento, com o desenvolvimento da cidade, todos os pares de namorados também acham belo este acesso exclusivo para peões à beira mar, e as pessoas até dizem que a população daquela altura não tinham uma vista longa, porque colocaram uma estátua muito pequena e que não condizia muito com o ambiente que os rodeia. Este é um bom exemplo sobre o valor que se modifica de um momento para o outro. Acho que o planeamento urbanístico de Macau deve ser efectuado de acordo com a característica típica de Macau, com a economia e com o desenvolvimento da cidade, com vista a proceder-se a uma avaliação e argumento, e quando for correcto deve ser implementado. É necessário auscultar as opiniões de uma forma ampla, e quando são vantajosas, devem ser incluídas ou adoptadas. Todavia, se encarregarmos apenas a sociedade para debater sobre a questão, receio que nem daqui 8 a 10 anos podemos obter um resultado. De um modo geral, se não nos empenharmos bem, a próxima geração vai culpar-nos, e se desenvolvermos bem, a próxima geração irá elogiar-nos. Pessoalmente, não tenho grandes opiniões em relação às N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série políticas para o planeamento urbanístico. Espero apenas que o Governo possa prestar mais atenção aos planeamentos que estão relacionados com a vida da população. Cito a construção do viaduto a título de exemplo. As obras de um dos viadutos foram adiados devido à questão da indemnização para uma propriedade particular, questão esta que não temos meios para resolver, mas temos que tomar a iniciativa em argumentar se determinadas zonas devem ou não ter viadutos. Por exemplo, entre o Hotel Lisboa e o Ngai Un devem construir uma passagem aérea para peões, dado que ainda não se consegue detectar a sua implementação. Será que estão à espera de mais vítimas mortais para resolverem o caso? Esta é uma atitude demasiada passiva. De facto, não se gasta muito dinheiro para se construir um viaduto, daí quando for necessário, deve ser construído. Entretanto, peço ao Governo que os planeamentos que digam respeito à vida da população, seja viaduto, como passagens para peões, também acarretam um estudo ou um acompanhamento, dado que se verifica que as construções para o planeamento urbanístico são de grande envergadura. Será que podemos construir algumas com menos dimensão, no intuito de responder às necessidades dos cidadãos? Obrigado. Presidente: Tem a palavra o Deputado Vitor Ng. Vitor Ng: Pessoalmente, já manifestei muitas opiniões acerca do planeamento urbanístico ao longo de muitos anos. Gostaria de colocar um exemplo concreto para conhecer a resolução do Sr. Secretário. O Pak On da Taipa, ou seja, em frente à Universidade de Macau, os exploradores construíram mais de 10 vivendas, encostadas à montanha, viradas para o mar e com uma vista muito bela. Acontece que, posteriormente, foram permitidas as obras de aterro no mar em frente das vivendas. Após as obras do aterro, construíram edifícios de grande envergadura. Este facto demonstra-nos que o planeamento urbanístico originou influências negativas para os investidores. É óbvio que, há pouco, o Sr. Secretário referiu que o planeamento urbano é um acto dinâmico, mas queria perguntar se esta situação referida poderá, ou não, fazer com que os investidores achem que o planeamento urbano de Macau se está a modificar continuamente? Cito outro exemplo. Uma determinada zona foi definida como zona para desenvolvimento das habitações, mas mais tarde, decidiram criar uma zona industrial mesmo ao lado desta zona, e esta situação ainda é existente. Desta forma, queria perguntar ao Sr. Secretário se este dinamismo poderá ou não afectar a confiança dos investidores. Será que tem alguma forma para que estas situações não continuam a persistir? Peço ao Sr. Secretário para prestar mais atenção às situações que possam afectar a confiança dos investidores. Obrigado. Presidente: Srs. Deputados, ainda querem colocar opiniões sobre o planeamento urbanístico? Sr. Secretário Ao, faça o favor de responder. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: O Deputado Stanley Au aproveitou o planeamento urbanístico para questionar a questão da 3ª ligação. Vou tentar explicar a todos aqui presentes sobre o designado "acesso de ligação", e não é tão conveniente designá-lo por "ponte". De momento, já possuímos basicamente um projecto preliminar. Prevê-se que, em Dezembro, ou seja, no próximo mês, o relatório final poderá divulgar a sua viabilidade. Já que colocou esta questão, vou fazer uma apresentação superficial em relação ao relatório 25 preliminar de avaliação. Todos sabem que, actualmente, dispomos de duas ligações entre Macau e Taipa, a Ponte Nobre de Carvalho e a Ponte da Amizade. A concepção de criar uma 3ª ponte tem como objectivo articular-se com o futuro desenvolvimento de Macau. Uma vez que hoje estamos a debater sobre a questão do planeamento urbanístico, nada impede que procedemos a um estudo aprofundado sobre a questão. No último relatório das LAG, cheguei a apresentar-vos, pela primeira vez, esta concepção e comprometi-me que iria estudar a sua viabilidade. O contexto principal do estudo inclui a eficácia económica, o planeamento urbanístico, a rede viária, a técnica de construção, a selecção da localização, etc.. Iremos desenvolver estudos mais científicos e fundamentados sobre os referidos aspectos. Possuímos 8 projectos com avaliações diferentes, incluindo a construção de um túnel subterrâneo, mas esta concepção não é muito viável, porque o preço de construção é muito elevado, dado que ultrapassa os 2 biliões de patacas. Assim como a saída do túnel de Macau não se consegue articular com a actual rede rodoviário, mesmo adoptando-se a forma de aterro para resolver a questão, também não ajuda muito. Além disso, as despesas de manutenção e de reparação também são caríssimas. Depois da sua construção, é necessário ajustar-se com a situação das duas pontes existentes, em relação à cobrança de portagens. Finalmente, esta rubrica de investimento acarreta um financiamento muito relevante. O Governo não irá gastar, basicamente, os próprios recursos para este investimento, e a única forma viável que se pode adoptar é o financiamento "BOT". Isto é uma exploração com participação de associações exteriores ou o agrupamento das associações exteriores com as de Macau, através da forma de financiamento "BOT", o que também está em causa uma concessão exclusiva para uma determinada empresa. Os factores de restrição que citei anteriormente, demonstram-nos que não se trata de um método vantajoso para construir um túnel subterrâneo. Dado que, agora, a questão mais preocupante são os dias de tufão, em que é necessário encerrarem-se as pontes, e é por esta razão que ponderámos a construção de um túnel subterrâneo, a fim de se resolver a questão de ligação nos dias de mau tempo, principalmente nos dias de tufão. Depois de ponderarmos a introdução dos recursos financeiros e das técnicas, achámos que podíamos adoptar a forma de uma ponte com dois tabuleiros, no intuito de alcançarmos o efeito de circulação rodoviária permanente. A parte superficial da ponte é para ser utilizada normalmente, e nos dias de mau tempo, abrimos a parte subterrânea da ponte, que é fechada, para a circulação rodoviária. Além disso, ainda possui uma vantagem. Quando o planeamento urbanístico atingir um determinado nível e, em caso necessário, de se construir o metropolitano, este projecto da ponte também se consegue harmonizar com este sistema. É claro que, de momento, ainda não possuímos um projecto sobre a construção do sistema. Por outro lado, a outra questão com que todos se preocupam é a selecção do local. Algumas pessoas questionaram a razão de não se construir a 3ª ponte ao lado da Ponte Nobre de Carvalho. De facto, tal como todos têm conhecimento que o fluxo rodoviário da ponte velha já atingiu o seu apogeu, ou melhor, a saturação. Esta ponte já tem cerca de 30 anos, e desde as grandes obras de reparação realizadas em 1996, já foi decretado que não era permitido a circulação de automóveis pesados, na esperança de prolongar a vida desta ponte. A nova ponte, ou seja, a Ponte da Amizade foi construída em 1995, e também foi ponderada prudentemente sobre N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série a selecção do local. Em Macau, está ligada às Portas do Cerco, e a Taipa está ligada ao AIM, o que permite a circulação do transporte de mercadorias. Actualmente, ainda se consegue ter uma ligação com a Ponte Flor de Lótus até outras cidades no Delta do Rio das Pérolas, o que também permite uma ligação com o transporte marítimo do Porto de Ká-Hó. Esta ponte, para além de produzir um efeito de partilhar os trabalhos no transporte de mercadorias, ainda pode fazer com que os camiões pesados de mercadorias não circulem na cidade. Deste modo, pode contribuir imenso para aliviar o engarrafamento da cidade, a redução da poluição ambiental produzido pelos automóveis e a questão da poluição sonora. Estas foram as razões fundamentais da altura para a construção da 2ª ponte. Voltando novamente à questão, o relatório preliminar da 3ª ponte demonstra-nos que, com a abertura gradual das 5ª liberdades e com a diversificação progressiva do desenvolvimento do transporte marítimo e aéreo de mercadorias, que terá como destino o desenvolvimento na zona do Delta do Rio das Pérolas, se possuirmos condições de melhoramento, poderemos atrair uma parte do transporte de mercadorias a utilizarem os Portos de Macau, o Aeroporto ou a Ponte Flor de Lótus. Por outro lado, no relatório ainda se prevê que a quantidade de utilização da Ponte da Amizade irá ficar saturada em 2001, pelo que antes da mesma estar saturada, é natural que se gere uma nova ponderação em relação à construção de uma nova ponte. Em Abril do corrente, cheguei a manifestar que iríamos ultimar, ainda no corrente ano, o relatório sobre a viabilidade da construção da nova ligação. De acordo com o relatório, a construção da mesma é um projecto viável, daí termos uma série de trabalhos para desenvolver, tal como a realização de um concurso público internacional para adjudicação de propostas, e também o desenvolvimento dos trabalhos que se articulam com a entrada e a saída da rede rodoviária. Há pouco, o Deputado Au questionou que, uma vez que estamos a encarar uma situação de contenção de recursos, será que devemos implementar esta infra-estrutura? De facto, as despesas previstas no PIDDA para o ano de 2001, para o orçamento da nova ponte, são apenas 50 milhões de patacas, e cerca de 30 milhões de patacas são para serem aplicadas em obras relacionadas, porque no presente momento, ainda estamos numa fase inicial de trabalhos. Mesmo em meados do próximo ano, se decidirmos implementar o projecto da construção da ponte, acarreta 7 a 8 meses, só para os cadernos de encargos para o concurso público de adjudicação, e na altura, já estamos aproximadamente no mês de Setembro ou Outubro. Mesmo que o projecto, o plano e o concurso estejam concluídos, ainda temos que aguardar até 2002 para podermos utilizar o orçamento, a fim de se proceder ao concurso público internacional. Se tudo correr bem, prevê-se que possamos o mais depressa possível concluir a construção da ponte, prevista para os finais de 2003 ou início de 2004, e nessa altura, a Ponte Nobre de Carvalho vai ter uma obra de grande reparação. Vou fazer uma apresentação sobre a localização da nova ponte. Depois do fundamento científico, excluímos o projecto de construção para equilibrar a Ponte Nobre de Carvalho, razão pela qual persiste a actual hora de "ponta". A velha ponte de dois sentidos, no total de duas faixas, já atingiu o seu ponto de saturação na circulação. Imaginem que se construirmos no mesmo local uma ponte com 6 faixas, certamente que trará ainda mais congestionamentos. Se a cidade de Macau desenvolver até ponderar na criação do metropolitano, ou de outros sistemas de circulação, na altura, é capaz de acarretar com a construção de 26 mais uma ponte que liga Macau à Taipa, Taipa à Coloane, a Ponte Flor de Lótus a outras zonas do Delta do Rio das Pérolas, e se continuarmos assim sucessivamente, iremos desperdiçar grande quantidade dos nossos recursos financeiros. Por outro lado, se construirmos uma nova ponte junto da Ponte Nobre de Carvalho, até parecerá um gigante ao lado de uma criança, porque uma possui duas faixas e a outra possui 6, e até parece mal em termos paisagísticos. Uma vez que a ponte velha já foi construída há 30 anos atrás, as bases estão subterrados a cerca de 70 metros, e no caso de construirmos uma ao lado, poderemos afectar as estruturas da ponte velha, ou seja, iremos acelerar o processo de por fim à vida da ponte. Estas situações são pouco desejáveis. Portanto, temos que utilizar uma forma dispersa para tratar das questões actuais. Se a construção da nova ponte se localizará junto da ponte velha, as despesas também são mais significativas, pelo que, depois de passar pelo processo de argumento, excluindo esta hipótese, mesmo parte das pessoas esperam que seja construída neste local, mas, de facto, levando em conta as condições objectivas, este local não é adequado nem viável. A localização da nova ponte vai ser junto às Portas de Entendimento, porque consegue harmonizar-se com a rede rodoviária daquela zona, principalmente com as vias do Lago de Nam Van. Depois da conclusão das obras da nova ponte, os veículos que circulem desde a sede dos serviços públicos até ao Hotel Lisboa, apenas levam 2 minutos. Se este projecto for aceite por todos, também se pode evitar a circulação de veículos pesados dentro do centro da cidade, e previne situações de engarrafamento e de poluição. A outra saída da nova ponte, irá ter à zona da Meia Laranja e da Barra, formando assim um projecto global. A saída na Taipa pode dar à nova cidade da Taipa que, no futuro terá grandes desenvolvimentos, depois da Ponte Flor de Lótus ligar com a zona do Delta do Rio das Pérolas. No aspecto dos investimentos nas infra-estruturas, para além de se ter em conta a ligação do trânsito e a harmonização com o futuro desenvolvimento económico, ainda iremos ponderar em tirar proveito das infra-estruturas para criar mais postos de trabalho, o que poderá trazer ainda mais vantagens para promover o acréscimo do novo ponto da economia. Porém, qualquer outra rubrica de infra-estrutura que tenha uma maior influência ou conflituosa, também iremos adoptar uma forma aberta e prudente para o seu tratamento. Além do mais, iremos auscultar amplamente as opiniões públicas e desenvolver seriamente estudos sobre a viabilidade, sobretudo, e de acordo com o princípio de tratamento do Sr. Chefe do Executivo, "gestão prudente e racionalização na distribuição dos recursos financeiros". O Deputado Au apontou que a situação orçamental é deficitária. De facto, no corrente ano, basicamente, não utilizámos muitos recursos para desenvolver as infra-estruturas, e com cerca de 1.5 biliões de patacas de PIDDA comparado com cerca de 1.2 biliões de patacas no ano de 2000, apenas sofreu um aumento de 300 milhões de patacas. O aumento do orçamento é dedicado especialmente para desenvolver as rubricas específicas. Por exemplo, a construção de um Pavilhão Desportivo Polivalente para se harmonizar com os Jogos da Á sia Oriental em 2005. Por outro lado, e uma vez que ponderámos que é necessário utilizar os recursos racionalmente, por isso, e mesmo para aperfeiçoarem algumas instalações sociais ou rubricas específicas que acarretem o investimento destes recursos financeiros, para o design e para o início das obras, também iremos ponderar em reduzir as futuras despesas de manutenção, pelo que exigímos aos grupos de projectistas que, para além de terem em N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série conta a preservação do ambiente e ainda a rentabilidade, pois só assim é que nos podemos basear nos recursos limitados para produzir um efeito máximo, e que sejam bem utilizados. Por exemplo, as futuras instalações da polivalente, nada impede que exija a reutilização das instalações e do óleo residual, a fim de reduzirmos ao máximo as despesas de funcionamento. Com este método de raciocínio, estamos a ponderar se podemos aplicar também no Centro Cultural. Todas esta ponderações, vão no sentido de se poder concretizar o conceito que o Chefe do Executivo frisou sobre o "desenvolvimento firme". Relativamente à viabilidade de implementar a medida de sentido único nas duas pontes, depois de responder à questão que o Deputado Tong colocou, irei passar a palavra ao Director Carion para explicar esta situação. O Deputado Tong referiu que o planeamento urbanístico carece de uma visão longa, e que é difícil concretizar na totalidade, com o que concordo com este ponto de vista. Quanto à questão da passagem aérea para peões desde o Hotel Lisboa até Ngai Un, de facto, e antes de construirmos a actual passagem provisória, já temos um projecto de criar uma passagem subterrânea para peões. Esta decisão tem como objectivo principal condizer com o arranjo paisagístico do planeamento urbanístico. De momento, toda a Avenida da Liberdade, com a excepção de uma passagem aérea para peões junto do Hotel Mandarim Oriental, não dispomos de mais nenhuma passagem naquela zona e, ainda por cima, a taxa de utilização desta passagem é muito baixa. Achamos que criar passagens subterrâneas naquela zona é mais conveniente para corresponder à exigências do arranjo paisagístico. Naturalmente que algumas pessoas se preocupam com a situação de segurança nestas passagens, principalmente à noite em que as pessoas receiam passar pelas passagens subterrâneas. Para coordenar bem estes dois aspectos, ponderou-se que é indispensável a instalação de iluminação suficiente e um sistema de câmaras, com vista a elevar a taxa de utilização destas passagens. Por outro lado, e sobretudo na primeira fase de utilização, iremos cooperar com a Brigada de Trânsito, no sentido de ensinar os cidadãos e os turistas a protegerem a sua própria segurança, utilizando as novas instalações para atravessaram as avenidas. No tocante às pequenas obras que têm a ver com a vida da população, na verdade, já fiz uma explicação pormenorizada na minha área das LAG. Por exemplo, na 4ª parte onde diz "como elevar a qualidade de vida da população" já há uma menção pormenorizada, que tem em conta a questão do tempo, por isso, não vale a pena adiantar mais. Se o Deputado Tong não se importar, faça o favor de consultar a minha intervenção sobre as LAG. Em relação à questão do Deputado Ng, saliento que, de um ponto de vista global e a longo prazo, o planeamento urbanístico é dinâmico e não estático. Mas se é dinâmico não quer dizer que o planeamento seja alterado de um dia para o outro. Eu invoquei que um planeamento urbanístico dinâmico vai-se modificando em determinado tempo consoante as transformações da cidade, da tecnologia ou dos costumes da vida da população nas zonas adjacentes, bem como o sentimento diferente dos investidores sobre o mercado de Macau, e daí carece um reajustamento. Mas este reajustamento é lento, micro e não quer dizer que se divulgarmos hoje um projecto global de uma determinada zona, amanhã vamos negar o plano divulgado para introduzir imediatamente um outro plano diferente para substituir o mesmo. Não é esta a nossa ideia, nem o dinamismo que invoquei. O plano 27 dinâmico que foquei é só, e em caso necessário, e tendo em conta as mudanças do desenvolvimento do período, a nossa ideia é que neste ponto de vista, por isso, não trará grandes influências para o ambiente de investimento. O Deputado Ng citou como exemplo as vivendas situadas na zona Pak On. Antes da concessão do planeamento, a parte frontal não tinha qualquer obra de aterro, mesmo agora, a parte esquerda que sofreu algumas obras de aterro, ou seja, a zona do terreno onde entregaram um plano ao Governo no qual vai ser construído um Parque Temático Oceânico de acordo com os projectos de desenvolvimento. No fundo, não trará, basicamente, quaisquer influências quanto ao valor do investimento daquela zona em frente à UM. Num futuro breve, a zona de Pak On irá ter planos relevantes, através da forma de um lago artificial, mas iremos minimizar as influências que poderão causar aos actuais planos de investimento. Resumindo e concluindo, com esta apresentação podem verificar que a nossa política do planeamento urbanístico não vai mudar de um dia para o outro. Quanto à sugestão de utilizar o sentido único nas duas pontes, peça ao Sr. Director Carion para abordar sobre a questão. Director da Direcção de Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, Jaime Carion: Em relação ao melhoramento rodoviário das duas pontes, anteriormente, a DSSOPT já havia procedido a um estudo técnico sobre a sua viabilidade. Alterando da circulação rodoviária das duas pontes para sentido único, não seria uma forma viável, por causa da situação do trânsito da sua saída. Ou seja, na parte de Macau, a rotunda junto do Hotel Lisboa e na Taipa, as duas saídas envolvem muitos problemas. Por exemplo, na zona do Hotel Lisboa, tanto a Avenida de D. João IV, como a Avenida Mário Soares, também irão sofrer uma situação de bloqueamento. Dentro de um curto prazo, o único método de resolução é que a ponte nova deve partilhar a quantidade de circulação de automóveis que atravessam a ponte velha, ou seja, dispersar a circulação. Com o desenvolvimento do concurso público de adjudicação, em finais do corrente ano, ou seja, em Dezembro, iniciarão as obras de construção de uma estrada que liga a zona em frente à UM até à Ponte da Amizade. Naquela altura, os automóveis não precisam de circular junto do Edifício Chun Leong e da fábrica de química para terem acesso à Ponte da Amizade. Achamos que esta é a única medida a que, a curto prazo, podemos proceder ao escoamento de trânsito na ponte velha. Tenho aqui alguns dados estatísticos, mas creio que não vale a pena apresentar-vos. Tentámos implementar a viabilidade de sentido único em alturas mais movimentadas, para além de ponderarmos nas questões que foquei anteriormente, ainda ponderámos em criar obras na rotunda junto ao Hotel Lisboa para a harmonização, só que é muito difícil realizar obras. Há possibilidade de ter que encerrar o parque de estacionamento subterrâneo desta rotunda, por isso, existem muitas questões técnicas envolventes. Deste modo, o escoamento para dispersar a circulação do trânsito é a única forma. Quanto à obra da nova estrada acima referida, prevê-se o início das suas obras nos finais do corrente ano e a conclusão das mesmas em Março do próximo ano. Secretário para os Transportes e Obras Públicas. Ao Man Long: Gostaria de dar uma pequena achega em relação à explicação que o Sr. Director fez. Em Março do próximo ano, depois da entrada em funcionamento da nova estrada em frente à N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série UM, Av. Padre Tomás Pereira, pode estimular uma parte de condutores a utilizarem a Ponte da Amizade para Macau. Para além deste acesso, no próximo ano, ainda se irão iniciar as obras de uma estrada directa junto ao Edifício Chun Leong, Avenida Almirante Marques Esparteiro, que vai ter acesso directo à Ponte da Amizade, o que também pode produzir um efeito de dispersar e escoar o trânsito. Além disso, na saída da ponte velha na Taipa, também se realizará no próximo ano, obras de ampliação da via. Depois desta ampliação, certamente que se conseguem aliviar as pressões de engarrafamento em alturas mais movimentadas. Obrigado. Presidente: Sr. Deputado Stanley Au, pretende intervir? Au Chong Kit, aliás, Stanley Au: Agradeço imenso a explicação pormenorizada do Sr. Secretário sobre a construção da nova ponte. Já compreendemos a ponderação por parte do Governo para a construção da nova ponte. Sua Excelência, como responsável pela área de Transportes e Obras Públicas, naturalmente que é necessário criarem-se políticas para investir nos diversos e grandes empreendimentos do Governo. Se bem que, no próximo ano e no ano posterior ao próximo, continuaremos a enfrentar uma situação de contenção financeira. Tenho uma boa sugestão a apresentar que, para além de obter um efeito de receitas nos capitais, ainda pode encarar as despesas dos planos de infra-estruturas. Actualmente, o Governo possui 38 instituições privadas, incluindo o Departamento da Caixa Económica Postal da CTT que é um dos departamentos que possui melhores rendimentos, pelo que pode produzir ... Presidente: Sr. Deputado Au, faça o favor de concluir o tema que está a debater para passarmos depois ao tema seguinte. Au Chong Kit, aliás Stanley Au: Pessoalmente, estou a abordar a questão de financiamento. Presidente: Sei bem que é isso, mas uma vez que muitos Deputados se inscreveram para intervir sobre o tema que estavam a debater, acho que se assim for, é muito injusto para os outros Deputados. Au Chong Kit, aliás, Stanley Au: Pessoalmente, aceito. Presidente: Dado que o Deputado João Baptista Leão não pretende intervir, por isso, dou a palavra à Deputada Ho Teng Iat. Sr. Deputado Stanley Au, faça o favor de aguardar, porque daqui a pouco certamente que chega a sua vez para intervir. Au Chong Kit, aliás Stanley Au: Sra. Presidente. Compreendo a sua decisão, e dado que sou um "servidor fiel", daí obedeço às suas ordens! Ho Teng Iat: Pessoalmente, gostaria de colocar questões sobre a área de ciências da tecnologia e informação. É do conhecimento de todos que o próximo século é a época da economia, e que traz conhecimentos e tecnologias da informação. É a primeira vez que as LAG incluem os trabalhos de tecnologia como tema individual. Pode verificar-se que o Governo segue a tendência do desenvolvimento económico mundial para impulsionar o 28 desenvolvimento tecnológico de Macau, nomeadamente, através da divulgação da utilização tecnológica, a fim de elevar a produtividade e aumentar a competitividade, que também visa promover o desenvolvimento económico de Macau. Acho que, este meio corresponde bastante com a situação real de Macau, porque aproveitamos a tecnologia para alcançar o objectivo de reconversão. É uma das condições prioritárias ponderadas pelo Governo, bem como o nosso futuro rumo de desenvolvimento tecnológico. Pessoalmente, estou de pleno acordo com a posição do Governo em relação ao futuro desenvolvimento tecnológico de Macau. O Sr. Secretário especificou no relatório das LAG que, para o próximo ano, irá implementar as políticas e as medidas tecnológicas, e ainda referiu que irá desempenhar um papel de promoção, de coordenação e de apoio. Através de apoios adequados e medidas preferenciais para impulsionar e criar inovações, por exemplo, apoiar as empresas de pequena e média dimensão para desenvolver a transformação das técnicas e da inovação, com vista a atrair empresas exteriores para servirem em Macau, como um local de apoio e de utilização tecnológica. Gostaria de perguntar ao Sr. Secretário se tem alguma concepção ou algum plano para este aspecto? Quais as condições que Macau possui para atrair empresas exteriores, a fim de estabelecerem a sua sede de utilização tecnológica? Ao mesmo tempo, a propriedade de informação já faz parte do pilar da economia do conhecimento, bem como uma moda para o actual desenvolvimento tecnológico. Como é que o Governo aproveita esta oportunidade para impulsionar o desenvolvimento da tecnologia e da informação de Macau? Obrigada, Sr. Secretário. Presidente: Sr. Secretário Ao, faça o favor de responder. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: A Deputada Ho colocou duas questões concretas; uma tem a ver com como atrair investimentos exteriores para participarem na promoção da nossa propriedade tecnológica, e a outra é como aproveitar esta boa oportunidade para impulsionar a nossa ciência da tecnologia e da informação. Antes de responder directamente às questões, gostaria de fazer uma apresentação sobre as políticas da tecnologia do Governo, no corrente ano. Como sabem, a AL aprovou, em Julho do corrente ano, a «Lei de Bases das Ciências e da Tecnologia», no sentido de fundar uma base legislativa para a promoção do desenvolvimento da tecnologia, e também é a primeira vez que o Governo inclui esta matéria nas LAG. No passado, Macau nunca chegou a especificar claramente o desenvolvimento da tecnologia, como uma política do Governo para ser implementada. Nós, aquando da elaboração de políticas, demos muita importância ao conceito. Ainda me lembro que, quando fui convidado para participar e emitir opiniões sobre a «Lei de Bases das Ciências e da Tecnologia», na comissão de trabalho da AL, salientei que: as futuras políticas tecnológicas para Macau, não podiam ser semelhantes às políticas de outras zonas ou países que determinam um ponto relativamente elevado, ou como objectivo principal desenvolver estudos ou explorações. O Governo, aquando da determinação de políticas tecnológicas, devia servir os materiais da tecnologia e a força da mesma para elevar a competitividade da indústria e melhorar a estrutura da mesma. Aproveitando o resultado da tecnologia para intensificar a competitividade dos nossos produtos e os seus valores acrescentados, pelo que, quando elaborámos as políticas tecnológicas, tivémos que ponderar uma atitude pragmática. Por isso, não determinámos um ponto elevado, por exemplo, não imitámos Shangai ao estabelecer um terminal de informação, e N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série também não imitámos HK ao estabelecer um terminal digital. Gostaria de vos informar, em primeiro lugar, sobre este conceito nítido. Macau deve possuir um rumo de desenvolvimento com as suas próprias características, o que é um dos pontos principais em que ponderámos. Quanto à questão da Deputada Ho, como podemos aproveitar a política tecnológica para atrair investimentos exteriores. Neste momento, estamos a desenvolver estudos sobre um conceito, que é impulsionar a criação de um Centro de Apoio para Iniciativas Empresariais. Porque é que incluímos o Centro de Apoio para Iniciativas Empresariais numa das políticas tecnológicas? Porque alguns sectores inovadores, quando requerem um financiamento nos fundos de investimentos do exterior, este fundos só interessam se a actividade que a empresa requerente irá desenvolver, poderá ou não obter um apoio do Governo local. Por isso, frisei nas LAG que o Governo desempenhará o papel de promoção, de coordenação e de apoio, no intuito de incentivar as empresas a introduzirem tecnologias, visando a elevação da própria produtividade e a intensificação da estrutura dos produtos, de forma a intensificar a sua própria capacidade de concorrência, pelo que um dos nossos conceitos é, para algumas empresas de pequena e média dimensão que possuam potencialidades, inclusivamente os sectores inovadores de informação e as empresas que desenvolvem actividades inovadores, também prestamos apoio. Uma vez que a política da ciência tecnológica é uma novidade para Macau, ou seja, sem precedente, pelo que temos que ter muita cautela para dar o primeiro passo. Todas as políticas importantes, não podemos defini-los sem termos em conta a prudência, porque podem influenciar muito o futuro desenvolvimento de Macau. O Sr. Chefe do Executivo quando apresentou o seu relatório das LAG na AL, também mencionou nitidamente que, no próximo ano, procederá à reestruturação da Comissão das Ciências, da Tecnologia e da Inovação e, naquela altura, o Governo recolherá muitas opiniões vantajosas dos especialistas nesta área. No entanto, o Governo ainda referiu que irá ponderar na criação do Fundo de Apoio para Iniciativas Empresariais, no intuito de desempenhar um fundo de "semente" para as empresas com potencialidades e com inovações. Todavia, é indispensável ter o conhecimento que estes investimentos são apenas simbólicos. Além disso, também não existem muitos exemplos com sucessos, a nível mundial. Aguardamos até que estas empresas cresçam e depois iremos retirar os nossos investimentos, mas já contribuímos para que as mesmas possam efectuar um empréstimo bancário ou captar os investimentos exteriores para Macau. Esta matéria tem a ver com um dos meios concretos que a Deputada Ho questionou. Após a criação do dito Centro de Apoio, a fim de permitir que os jovens empresários dos sectores inovadores possam dedicar-se especialmente à rubrica que estão a desenvolver, produtos ou serviços, iremos apoiar em formas diversificadas, inclusivamente, na legislação, na administração, na financeira, na contribuição, no financiamento, no estabelecimento de exploração até o software de pessoal administrativo, com vista a apoiá-los a ultrapassarem as dificuldades encontradas na criação do sector de actividades. É claro que, para além disso, ainda acarreta uma articulação do ambiente exterior. De facto, existem dois factores que impõem restrições ao desenvolvimento tecnológico de Macau. Um é devido ao pensamento inovador que não é generalizado, que também é um dos factores que não nos permite avançar com o desenvolvimento. O outro é a restrição imposta pelos regulamentos absoletos. Por isso, quando promovemos a política tecnológica, salientámos que tínhamos que eliminar estes dois factores, que impunham restrições ao nosso desenvolvimento. Se bem que é um pouco 29 tarde para Macau criar um Centro de Apoio, mas, na verdade, comparado com os outros, Macau tem falta de capitais, talentos e técnicas, por isso, não é tão conveniente determinarmos um ponto de partida demasiado elevado. Ouvi dizer que, actualmente, algumas lojas comerciais de melhor qualidade, apenas exigem 7 patacas por cada m2 de terreno arrendado, pelo que podemos prestar apoio através do Centro e promover, no entanto, o desenvolvimento do relacionado sector de actividades. Creio que a resposta que dei consegue responder à questão que a Deputada Ho colocou. Ho Teng Iat: Agradeço a resposta muito nítida do Sr. Secretário. Presidente: Tem a palavra o Deputado Ng Kuok Cheong. Ng Kuok Cheong: Apenas gostaria de obter mais dados sobre o Centro de Apoio para Iniciativas Empresariais. Por exemplo, tem ou não um orçamento previsto, e em caso afirmativo, qual o montante envolvido? Como é o sistema de concepção? Por exemplo, a instituição que vai financiar é o CPTTM, o IPIM, a Comissão das Ciências, da Tecnologia e da Inovação ou o Gabinete para o Desenvolvimento das Telecomunicações e da Tecnologia da Informação? Ou será que é uma entidade autónoma que vai tratar do Fundo? Presidente: Tem a palavra o Deputado Tong Chi Kin. Tong Chi Kin: Pessoalmente, concordo com as intervenções dos Srs. Deputados. As ciências da tecnologia e da informação foram incluídas nas LAG; o que é uma questão que muitas pessoas desejavam ao longo de muitos anos. Agora, e uma vez que já possuímos a «Lei de Bases das Ciências e da Tecnologia», o Governo também possui uma concepção concreta para a incluir nas LAG. Espero que, em 2001, a indústria inovadora de Macau possa alcançar um ponto de início favorável. Na verdade, já é um pouco tarde para implementarmos o nosso início. Podem constatar que Tong Kun é a maior cidade informática do país. Entretanto, sugiro a todos os presentes visitarem esta cidade, pois recentemente, foram construídas muitas fábricas e os seus produtos são diversificados. Além do mais, o Governo local, determinou muitas políticas favoráveis, fornecendo apoios em termos financeiros; quer em termos de legislação, quer em termos de software e hardware, o que permitiu que também se procedesse a uma abertura de certo nível. Daí que, mesmo nas zonas montanhosas distantes também tenham estabelecido fábricas de electrónica com grande envergadura, o que é muito de difícil imaginarmos. Deste modo, acho que devemos tirar o maior proveito das condições que Macau possui no presente momento. Se bem que Macau ainda se baseie no sector do turismo como o pilar mais importante, e serve o sector da manufactura como base, mas para desenvolvermos o IT, não significa que pomos de lado os sectores acima referidos. Creio que os investidores que estejam interessados em investir em Macau, a primeira pergunta que colocam é, quais as políticas que o Governo vai lançar? O que não significa que pretendam que o Governo os apoie em termos financeiros, mas sim, conhecer as políticas lançadas pelo Governo. Por isso, as medidas lançadas pelo Governo são muito importantes. Acho que, para atrairmos investimentos do exterior, o primeiro passo a dar é definir claramente as nossas políticas. O Governo deve demonstrar claramente o papel que vai desempenhar. Para além da área da tutela do Sr. Secretário Ao, bem como os outros N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série Secretários, também devem proceder desta forma. Sei que, agora, existem muitas empresas que se deslocam a Macau para investigarem o mercado, e desde que possuímos políticas claras, creio que teremos certamente um início favorável. Gostaria de salientar que Macau ainda possui insuficiências em alguns aspectos, tal como o regime de autenticação, o qual espero que possam resolver a questão com a maior brevidade possível. Tenho conhecimento que a CTT está neste momento a desenvolver os respectivos trabalhos. Também espero que possam obter um resultado com a maior brevidade possível, porque, de facto, o regime de autenticação já foi implementado em HK há vários anos. Mesmo nos EUA já possuem outro novo regime, que tem um ritmo de funcionamento muito acelerado. Além disso, também tem uma elevada garantia, por isso, temos que nos apressar, a fim de alcançarmos o objectivo pretendido. Espero que, com a liberalização da rede, possa atrair muitos operadores desta área para investirem em Macau. Sabendo que, de momento, as tarifas das redes internas e externas ainda são muito caras, mas em muitas zonas as redes internas já são quase praticamente gratuitas. Há pouco, o Sr. Secretário referiu que enfrentamos muitas dificuldades originadas pelas limitações de pensamento. Na verdade, a nossa própria base não é muito favorável, e por isso, temos que resolver a questão atempadamente e da melhor maneira. Espero que, depois da abertura, possa atrair mais pessoas para investirem em Macau, e por outro lado, temos que intensificar a nossa promoção de políticas. Obrigado. Presidente: Gostaria de perguntar aos Srs. Deputados se ainda querem intervir sobre este tema? Se não quiserem, queria pedir ao Sr. Secretário para responder às questões colocadas. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Quanto à questão que o Deputado Ng levantou sobre os recursos do Fundo de Apoio às Iniciativas Empresariais, em 2001, não prevemos qualquer recurso para a criação deste Fundo. Porém, quando incluímos esta matéria nas LAG, dialogámos com o Sr. Chefe do Executivo e este assunto também foi debatido no seio do Conselho Executivo. No próximo ano, muito provavelmente, podemos obter recursos adequados após a fusão das duas fundações, e além disso, também já chegámos a dialogar com o responsável do Conselho dos Curadores que é um dos membros do Conselho Executivo sobre esta matéria. Por outro lado, concordo com o ponto de vista do Deputado Tong, que o nosso ponto de partida para o desenvolvimento das ciências da tecnologia e da informação é mais tardio do que o das outras zonas próximas. Sendo assim, é indispensável definirmos políticas firmes, fortes e claros, por forma a promover o desenvolvimento deste aspecto e acelerar os passos até alcançar os outros. Também concordo com a criação do regime de autenticação electrónico, porque uma vez que já procedemos à abertura da rede informática, também contribuirá para promover os trabalhos do comércio electrónico e do Governo electrónico. Tudo isto está relacionado com o regime de autenticação electrónico. Aproveito esta oportunidade para vos apresentar o seu ponto de situação. No aspecto da autenticação electrónica, basicamente, e conforme a calendarização, o respectivo serviço competente está a proceder activamente aos estudos relacionados. Provavelmente, poderemos ter dois projectos; um é aproveitar os hardwares 30 instalados nas zonas adjacentes, com vista a implementar o regime de autenticação electrónica com a maior brevidade possível. O outro é, nós próprios, desenvolvermos os hardwares para promover, e se for a segunda hipótese, creio que demorará muito mais tempo para a sua implementação, no caso da primeira hipótese, creio que vai ser mais rápido, mas acontece que ainda não foi definido o projecto. Todos devem saber que, depois da abertura na nossa rede informática (“via Internet”), as outras redes de apoio também irão ser abertas progressivamente. Ao mesmo tempo, ainda irão introduzir mecanismos, por forma a fazer com que os operadores possam utilizar os serviços diversificados de redes existentes a preços razoáveis. Esperamos que com esta medida possamos dar mais um passo no melhoramento e na promoção do desenvolvimento deste aspecto. Há pouco, quando se referiu a questão da tecnologia, pessoalmente, aproveitei a oportunidade para demonstrar claramente o nosso pensamento sobre esta matéria, porque é provável que muitas pessoas possam ter um mal entendimento de que, quando promovemos as políticas da ciência e da tecnologia, não privilegiámos a importância da indústria tradicional e dos sectores favoráveis que possuímos. De facto, é essencialmente o contrário, porque queremos aproveitar estes pensamentos inovadores e criativos e com os relacionados materiais para se aproximar ou juntar com as nossas indústrias favoráveis, de modo a fazer com que se elevem os produtos e os serviços, permitindo assim uma competitividade mais intensa. Este é que é o nosso raciocínio para promovermos a política da tecnologia. Cito o sector do Jogo como exemplo. Após a fusão do sector tradicional, favorável com o pensamento inovador e com a ciência da tecnologia e da informação, creio que podemos, certamente, dar mais um passo no desenvolvimento. Na verdade, 3 ou mais anos mais tarde, quer o sector da indústria tradicional, quer o sector inovador, também não terão grande diferenciação. Existem muitas empresas ".com" que se estabelecem, mas também existem muitas que já foram à falência. Podem pensar que, as empresas ".com" que ainda continuam a funcionar, porque de facto, muitas delas também se conjugam com a situação favorável das próprias indústrias tradicionais, e só assim é que conseguem continuar a desenvolverem-se. Os sectores que não tencionem progredir, creio que daqui a 3 a 7 anos, nem terão mais encomendas, porque, num futuro próximo, se não caminharem para a tecnologia, não conseguirão com certeza competir com os outros. Deste modo, acho que, se conseguirmos conjugar o nosso favorável sector adequadamente com a tecnologia, inovação e criatividade, é que é um caminho que deve ser desenvolvido. Obrigado. Presidente: Tem a palavra o Deputado Leong Heng Teng. Leong Heng Teng: Gostaria de acompanhar uma pequena questão. É a primeira vez que o âmbito da ciência da tecnologia é incluída nas LAG. Na realidade, Macau não dispõe de muitas escolas superiores, por isso, a capacidade técnica deste aspecto ainda é insuficiente. No corrente ano, a AL aprovou a «Lei de Bases das Ciências e da Tecnologia». Na altura, também tive oportunidade de ouvir as explicações pormenorizadas e claras do Sr. Secretário, e quanto aos colegas também tinham uma boa perspectiva em relação a esta lei de bases. Hoje em dia, e dado que o âmbito das ciências e da tecnologia já está incluída nas LAG, e também sugerem muitas medidas concretas. Porém, reparei que as relacionadas medidas envolvem várias áreas de tutela, por exemplo, N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série os estudos desenvolvidos pelos institutos superiores e o os laços de ligação e estudos com as instituições tecnológicas do exterior. Como é que o Governo pode garantir a promoção das relacionadas políticas através das instituições? Obrigado. Presidente: De facto, o Deputado Ng Kuok Cheong também colocou a mesma questão. Faça o favor de responder. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: O Deputado Leong e o Deputado Ng também questionaram que, dado que as políticas da ciência da tecnologia envolvem muitas áreas de tutela, daí, como se funcionam? De facto, esta questão é um facto. É por este motivo que a Comissão das Ciências, da Tecnologia e da Inovação conta com a participação dos 3 Secretários. Esta determinação já funcionava anteriormente. No próximo ano, e aquando da reestruturação desta Comissão, é óbvio que as 3 áreas de tutela também assumem a responsabilidade de promover as políticas envolventes e, quanto ao seu funcionamento concreto, compete à Comissão das Ciências, da Tecnologia e da Inovação proceder ao respectivo estudo. Na verdade, e de acordo com a organização dos trabalhos, já dialogámos com o Sr. Chefe do Executivo sobre esta matéria. Embora a respectiva Comissão tenha sido criada em 1998, mas até ao ano de 2000, apenas se reuniram duas vezes e, na altura, eu também fui um dos membros desta Comissão, por isso, conheço a situação. Naquela altura, depois de realizada a reunião, a relacionada concepção nunca chegou a ser acompanhada, mas, afinal, onde reside o problema? Porque, de acordo, com a estrutura daquela altura, o Sr. Governador era o Presidente da Comissão e os membros eram provenientes de diversas áreas de tutela dos Secretários-Adjuntos. Porém, não dispunham de uma instituição concreta, a fim de acompanhar e concretizar a relacionada decisão. Num futuro próximo, através de mecanismos adequados, iremos resolver esta questão da melhor forma. Também é por esta razão que o Sr. Chefe do Executivo decretou incluir os trabalhos da área da tecnologia na minha área de tutela das LAG para vos apresentar. Mas, em relação ao funcionamento concreto do futuro, certamente que envolverão várias áreas de diferentes tutelas. 31 Tem a palavra o Deputado Stanley Au. Au Chong Kit, aliás, Stanley Au: De entre as 38 instituições particulares, a Caixa Económica Postal dos CTT, que é uma das instituições que possui um saldo significante ou com um maior rendimento. Nos CTT, podemos desenvolver as potencialidades da mesma para competir com as outras empresas de correio rápido e da Caixa Económica Postal. Também podemos estender os seus serviços prestados ao mercado de venda a retalho de Macau. Reconhece-se, internacionalmente, que a rentabilidade dos serviços de utilidade pública seja inferior à dos prestados por particulares. Caso sejam privatizados esses serviços, os lucros obtidos, poderão ser aplicados e investidos em obras de construção na RAEM. Gostaria de perguntar ao Sr. Secretário, se se pondera na hipótese da privatização da Caixa Económica Postal dos CTT, de modo a elevar as suas funções. Obrigado. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Nas LAG para o ano de 2001, não se prevê a privatização das funções de correio e da Caixa Económica Postal da instituição particular dos CTT. Naturalmente que, no passado, também já houve a hipótese de transformar o serviço público em privatização. Por exemplo, na década de 80, foi através da privatização que se elevou a eficiência das funções dos serviços de limpeza. De acordo com as experiências, podemos conhecer que, realmente, traz vantagens para elevar a eficiência do seu funcionamento. No que diz respeito à questão da possibilidade de privatizar os serviços de correios, de facto, no caso das telecomunicações, já aplicámos uma parte da privatização. Em primeiro lugar, iremos desenvolver estudos aprofundados, e só depois é que iremos incluir a questão da privatização nas LAG. Talvez não se limite apenas aos CTT. Em termos macro, a introdução de uma privatização nos serviços públicos, é uma questão muito abrangente, pelo que, de momento, não me vou aprofundar aqui sobre esta questão, mas, seja como for, iremos considerar esta questão na óptica de um sistema global da administração pública. Obrigado. Presidente: Tem a palavra o Deputado Ng Kuok Cheong. Obrigado. Presidente: Tem a palavra o Deputado Leong Heng Teng. Leong Heng Teng: Agradeço a resposta do Sr. Secretário. Na verdade, existem muitos domínios que envolvem várias áreas de tutelas diferentes. Por exemplo, no domínio da juventude, inclui a participação de 3 Secretários e 8 Departamentos. Conforme as experiências do passado, constatámos que quanto maior for uma comissão, menos trabalhos consegue desenvolver, porque implica um âmbito bastante amplo e aquando da execução concreta, enfrentam muitos obstáculos. Depois de ouvir a apresentação do Sr. Secretário, concordo com a sua opinião de que o respectivo trabalho deve ser encarregue por um serviço para desenvolver o acompanhamento. Se bem que esta política implique muitas áreas, mas aquando da execução, os trabalhos de promoção devem ser responsabilizados por um serviço. Obrigado. Presidente: Gostaria de perguntar se mais algum Deputado quer intervir neste tema? Se não quiserem, vamos passar para o debate do próximo tema. Ng Kuok Cheong: Aquando do debate no domínio da Administração e Justiça foi abordado que, depois do estabelecimento da RAEM, e a fim de alcançar as exigências da simplificação na estrutura administrativa, daí, ter originado algumas reestruturações. Inclusivamente os CTT, bem como a criação do Gabinete para o Desenvolvimento das Telecomunicações e da Tecnologia da Informação. Todavia, após a reestruturação, não se procedeu à redução correspondente do pessoal do quadro. Deste modo, gostaria de saber se é ou não indispensável reduzir as unidades de sub-direcção e de departamentos? Presidente: O Deputado Ng Kuok Cheong invocou a questão do quadro dos CTT. Todas as questões que os Srs. Deputados queiram colocar sobre os CTT, podem apresentá-los. Se não quiserem, peço ao Sr. Secretário para responder à questão. Secretário para os Transportes e Obras públicas, Ao Man Long: Depois da reestruturação dos CTT em 30 de Junho do corrente ano, uma parte de funções e pessoal já foram transferidos N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série para o Gabinete para o Desenvolvimento das Telecomunicações e da Tecnologia da Informação. No tocante ao aspecto do quadro do pessoal, se sofreu ou não um ajustamento, sobre esta matéria tenho que explicar ao Sr. Deputado Ng separadamente em duas situações. Foi em Março do corrente ano, que tivémos a ideia de se proceder à reestruturação dos CTT, e em 30 de Junho, executámos concretamente. Dentro do curto espaço de tempo do processo, tivémos que resolver muitas questões, respectivamente a organização do pessoal, a organização financeira e a organização de outros recursos, como por exemplo, os equipamentos do respectivo gabinete. Para além disso, ainda encontrámos uma grande dificuldade, que é a alteração aos decretos-leis. Cremos que não envolve a alteração à lei, mas há muitos outros decretos-leis envolvidos. Perante esta situação, achámos que em conformidade com a calendarização da estruturação, não podíamos proceder, em primeiro lugar, à alteração ampla sobre a estrutura orgânica global e os decretos-leis que diziam respeito ao CTT, e por isso só depois é que procedemos à reestruturação. O método que adoptámos foi transferir algumas funções respeitantes aos serviços de telecomunicações, que os diplomas orgânicos lhes conferem, para serem aplicadas no Gabinete, com vista a concretizar a reestruturação a um curto prazo. Este é um método temporário para não aguardarmos o seu tratamento até revermos, em concreto, o relacionado decreto-lei da orgânica. Por outro lado, ainda ponderámos que, se bem que a actual estrutura orgânica deles permita a existência de 3 subdirectores, mas a vaga concreta a preencher é a do Director Tou, quando deixar as suas funções nos CTT. Quer dizer que, conforme o quadro, devem existir 3 cargos de Sub-Director, o que na verdade, apenas existem 2 Sub-Directores que gerem, respectivamente, os outros serviços de correios. Por isso, não houve qualquer atrofiação em concreto devido à respectiva reestruturação. Obviamente que, de acordo com as necessidade do quadro dos CTT, vamos proceder uma avaliação global. Acontece que só podemos concretizá-la depois de transferirmos alguns serviços das telecomunicações para serem responsabilizados por outros gabinetes. Ainda existe outro aspecto que merece atenção. Por exemplo, os novos serviços de autenticação electrónica, podemos ponderar em entregá-los aos CTT para os desenvolver. Assim sendo, sugeríamos que só depois da avaliação global das estratégias para o futuro desenvolvimento dos CTT, é que devíamos decidir como reajustar a sua estrutura. Porém, o conceito da simplificação da estrutura, é um dos princípios orientadores para a nossa futura avaliação global. Principalmente, aquando da reestruturação dos CTT, ao mesmo tempo, procedemos à fusão dos dois gabinetes provisórios, de modo a reduzir o fenómeno do aumento de instituições. Estes são os trabalhos que conseguimos concretizar no corrente ano. Obrigado. Presidente: Queria perguntar aos Srs. Deputados se ainda têm mais opiniões a colocar sobre esta questão? Se não tiverem, tem a palavra o Deputado Leong Heng Teng. Leong Heng Teng: Obrigado, Senhora Presidente. Sr. Secretário, Srs. membros do Governo, caros colegas. Apenas queria pronunciar-me sobre uma questão antiga, que diz respeito à segurança das instalações públicas e à manutenção e reparação dos edifícios particulares. Esta questão sempre suscitou muita preocupação por parte da sociedade, mesmo no telejornal também podemos verificar que os incidentes ocorridos nos elevadores dos 32 edifícios, ou seja, devido à fraca manutenção, origina ferimentos nas crianças. Uma vez que faz parte dos trabalhos de manutenção das propriedades particulares, em princípio, devem ser responsabilizados pelos particulares. Dado que muitas das manutenções dos edifícios particulares também envolvem uma parte de obras públicas, principalmente nos edifícios mais antigos com poucos andares, aqueles que não possuem as relacionadas associações dos condóminos para se proceder à coordenação. Deste modo, a manutenção das instalações do próprio edifício não podem ser considerados como um único assunto que carece de uma única resolução. Todos conhecem os problemas, mas muitas vezes apenas dizem: "Ai, não sei como resolver!" Na verdade, o Governo tem responsabilidades em prestar apoio. A outra questão é que existem duas formas de administração geral nos edifícios; uma é ser administrada pelos próprios condóminos, e a outra é encarregar uma companhia de administração. Seja qual das formas, também é devido à falta de conhecimentos por parte dos próprios condóminos e devido à participação parcial sobre a necessidade de legislação, de contabilidade, de obras, etc. na administração do edifício, pelo que, se não houver um apoio externo, o seu funcionamento será limitado. Se for administrada por uma companhia de administração, acontece que muitas vezes, elas têm que enfrentar dificuldades na cobrança das despesas de condomínio. Ou no caso de suscitar problemas ao funcionamento de fundos ou conflitos na manutenção, serão difíceis de serem resolvidos. Quanto a esta questão, há uns dias atrás, e no âmbito da Administração e Justiça, muitos colegas referiram a possibilidade da criação do Tribunal de Pequenas Causas. Mas parece-me que, dentro de um curto prazo, também não podemos verificar o fenómeno de resolução, de maneira que estes problemas, poderão vir a ser transformados em questões sociais. Entretanto, já alertei para esta situação por várias vezes, do mesmo modo que já dialoguei com o Secretário ou com o Governo, de modo a prestarem apoio nos assuntos relativos aos edifícios particulares. Peço mais uma vez ao Sr. Secretário para considerar a função do Instituto de Habitação de Macau, a fim de efectuarem alguns reajustamentos, porque o IHM, que possui direito governamental, de facto, é um dos serviços que possui condições para acompanhar as questões das habitações. Conforme as experiências, o IHM já se iniciou na administração das habitações económicas e sociais ao longo de muitos anos, e também já obteve muitos elogios em relação aos trabalhos desenvolvidos. De uma óptica técnica, o IHM também conhece as lei relacionadas que dizem respeito à administração de edifícios, e como também possui recursos suficiente e poderes administrativos. Nestes termos, espero que o Governo possa levar em consideração porque, se for através desta forma, é provável que não necessite de grandes investimentos para criar algumas instituições semelhantes aos centros de recursos do IHM, no sentido de prestar apoio aos condóminos para além das questões relacionadas com as habitações económicas, sociais e arrendatárias, visando o aperfeiçoamento da qualidade na administração. Além disso, e se bem que a administração da habitação particular adopta o "meio de mercado" para administrar, isso não quer dizer que o Governo não possa tomar uma atitude mais activa para o tratamento. Obrigado. Presidente: Faça o favor de responder Sr. Secretário Ao. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Obrigado, Senhora Presidente. O Deputado Leong referiu a necessidade de considerar alguns apoios técnicos na manutenção e reparação das instalações públicas dos edifícios particulares e N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série também questionou se o IHM da minha área de tutela se pode aproveitar das suas funções, a fim de fornecer condições neste aspecto. Em primeiro lugar, reconheço a opinião do Sr. Deputado de que a segurança do edifício e a manutenção das instalações acarretam um certo apoio. Lembro-me que, no debate das últimas LAG, as questões que foram abordadas envolviam as propriedades particulares e a gestão dos edifícios particulares. Em termos essenciais, alguns serviços da área dos Transportes e Obras Públicas, nomeadamente o IHM, têm como função fundamental, fornecer habitação pública, respectivamente económica e social, para as pessoas que necessitam. Para além disso, ainda tem de proceder à administração e à manutenção das mesmas; mas, de facto, esta função não tem como destinatário os edifícios particulares. Olhando para as zonas próximas, basicamente, é através de um órgão especial para apoiar as propriedades particulares na criação de associações ou organizações para o tratamento das questões de condóminos, que o mesmo desempenha um papel que fornece orientações em termos técnicos, e que apoia em termos de administração. Concordo perfeitamente com o ponto de vista do Deputado Leong e, relativamente a esta questão, cheguei a questionar e a informar-me junto do serviço competente. Naturalmente que na estrutura governamental de Macau, não tem a mesma designação, mas cheguei a abordar com a Secretária dessa alçada e, pessoalmente, também irei desenvolver estudos aprofundados. Como desta vez o assunto voltou a ser apresentado na AL, continuarei a sugerir à Sra. Secretária da área de Justiça e, além disso, também estudarei profundamente com a respectiva Secretária. Uma vez que esta questão incide provavelmente nos conflitos das propriedades particulares, daí que, muitas vezes, não seja apenas uma questão de prestar simplesmente um apoio técnico. Acontece muitas vezes que, como serviço de Obras Públicas, depois de se disporem as orientações, já não possuem capacidades para o seu acompanhamento, e se suscitarem conflitos, seria muito difícil, porque não têm condições para resolver uma situação que pertence ao aspecto de Justiça. No fundo, é provável que dê origem a algumas acções que serão resolvidas através do processo civil ou do processo judicial. Na verdade, a DSSOPT ainda não possui estas condições. Mesmo se dissermos que podemos incluir algumas funções no respectivo serviço, ao fim e ao cabo, também não se consegue resolver a questão em causa, porque, no fundo, encara questões que não podem ser resolvidas, o que não quer dizer que as competências e funções tenham sido alargadas e que já se consiga resolver as questões; não é bem assim. A questão fundamental não incide no facto de possuir ou não esta competência, porque um serviço com natureza de obras públicas, não pode enfrentar assuntos que pertençam a um outro serviço. O apoio que preste principalmente aos edifícios particulares, e como constituir associações ou organizações de condóminos, é uma questão que envolve muitos procedimentos da área de Justiça. Obviamente que não afasto a hipótese de quando os serviços da área de Justiça elaborarem regulamentos para apoiar os edifícios particulares, a DSSOPT certamente que se irá harmonizar, em termos técnicos e em termos de manutenção. Por exemplo, também podemos colaborar na manutenção de elevadores, na instalação de ares condicionados fora do edifício, etc.. Além do mais, ainda podemos apresentar alguns regulamentos técnicos, tal como, as circunstâncias em que se pode proceder às obras de demolição obrigatória. Porém, se se disser que os edifícios particulares são apenas questões da área de Justiça, e que os nossos serviços se apoiam directamente, a fim de resolverem a questão. Nesta fase, creio que merece levarmos em consideração. Não queremos ceder as responsabilidades, mas, na verdade, se 33 depositarem as responsabilidades na nossa área, também não se consegue resolver concretamente a questão. Antes pelo contrário, poderão fazer com que muitos dos conflitos, além de não poderem ser resolvidos, ainda podem tornar-se mais complexos. Obrigado, Senhora Presidente. Leong Heng Teng: Tenho muitas reservas quanto à questão que o Sr. Secretário referiu, porque, de acordo com os contactos dos últimos anos que mantive com o IHM e com a DSSOPT, creio que, com o apoio técnico destes dois serviços, se poderá, com certeza, resolver a questão. O que estamos a abordar, de momento, não é apoiá-los na criação de organizações, mas sim, se num futuro próximo, se suscitar mesmo uma acção em termos legislativos, ainda acarreta resolver-se a questão de uma outra vertente. O que referi invoca especialmente o apoio em termos técnicos e de legislação, para se articular com as propriedades particulares. Porém, também respeito o ponto de vista do Sr. Secretário. Espero que possa estudar mais uma vez profundamente sobre esta matéria. Obrigado. Presidente: Sr. Deputado Ng Kuok Cheong. Ng Kuok Cheong: Relativamente a esta questão antiga, apenas gostaria de acompanhar a questão de uma forma simples, porque esta questão, ou seja, a gestão das propriedades particulares, é uma questão que mesmo antes da reunificação, também já foi debatida. Como podemos intervir para apoiar melhor? Outra forma que pode ser ponderada é adoptar-se o regime de licenciamento para fiscalizar as companhias para administração de propriedades; mas acontece que tem de envolver a entidade licenciadora, para poder ser viável. Na altura, ponderámos se o IHM podia, de acordo com as experiências acumuladas ao longo de tantos anos, desempenhar o papel de emissor de licenças, bem como na possibilidade de criar um centro de consulta no aspecto da gestão dos edifícios particulares. Em caso afirmativo, ao fim e ao cabo, será que o IHM tem capacidades profissionais para assumir este centro de consulta ou será melhor criar-se mesmo no IHM? Nestes termos, gostaria de ouvir a opinião por parte do Sr. Secretário. Sei que o Sr. Secretário não concorda em transformar o IHM e a DSSOPT numa instituição de natureza de arbitragem, com vista a resolver os problemas dos edifícios particulares. Mesmo estes dois serviços ao desempenharem estas funções, quando as pessoas não concordarem com o resultado, continuarão a recorrer junto do Tribunal. Mas, se desempenharem funções de emissor para fiscalização ou um centro de consulta técnica, no fundo, estes dois serviços possuem ou não estas capacidades para fornecer estas funções? Presidente: Sr. Deputado Leonel Alberto Alves Leonel Alberto Alves: Muito obrigado, Senhora Presidente Srs. Deputados Gostava de aproveitar para dar ênfase a dois ou três aspectos que me parecem importantes. Começava, por dizer que antigamente, nas décadas de sessenta e setenta, Macau era um cidade muito pequena e pouquíssimos eram os prédios com mais de cinco pisos, onde as pessoas viviam numa grande paz, sem conflitos de maior e sem que fosse necessário a intervenção dos tribunais para dirimir litígios da índole de condomínio. N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série Efectivamente, as relações que envolvem questões de condomínio travam-se, essencialmente, entre privados. Os compradores das casas não podem optar pela compra de propriedades autónomas, uma vez que a Região não lhes oferece condições para que o possam fazer, vendo-se as pessoas, assim, obrigadas a morar em fracções autónomas e sujeitas às condições impostas pelo regime de condomínio. Era, pois, o cenário que se vivia em Macau nas décadas de sessenta e setenta. O certo é que problemas não havia: os moradores comparticipavam convenientemente nas despesas mínimas, v.g., para pagar as horas de trabalho à empregada que ia fazer limpeza ou ajudar à compra das lâmpadas, sempre que preciso era trocá-las. De uma forma quase repentina, eis que começam a nascer edifícios, em meados da década seguinte, nomeadamente o Hoi Fu e outros que compreendiam entre trezentas a quatrocentas fracções autónomas, o que implicava que muitas famílias tivessem de viver em espaços exíguos, em prédios ou blocos, talvez, com maior índice populacional do que certas vilas de países como a Nova Zelândia. É que o Edifício Hoi Fu concentra, seguramente, mais de mil habitantes, número que muitas vilas ou mesmo cidades espalhadas pelo mundo não chegam a concentrar. Desta forma, aquilo que antigamente se traduzia por questões apenas respeitantes a particulares, sempre que as fracções habitacionais eram de pequena dimensão, tomou proporções bem maiores e mais complexas, mal os edifícios começaram a crescer e a albergar muitas famílias ao mesmo tempo. A partir daqui, facilmente se depreende que em jogo passaram a estar questões de interesse público, porque, efectivamente, já não se tratava apenas de assuntos como a simples troca das lâmpadas ou pagar as horas de trabalho da senhora da limpeza, mas de questões, muitas vezes, relacionadas com a própria administração de fundos. É que, quem paga o condomínio não está apenas a suportar as despesas do mês que decorre, mas também a constituir reservas monetárias ou fundos que possam vir a cobrir os encargos que, de quando em vez, ocorrem e que estão relacionados com a reparação ou a substituição de certos bens ou equipamentos dos edifícios. A partir daqui, outro tipo de questões se levanta, como a da idoneidade e da seriedade das empresas que administram os prédios. Ora, tanto quanto julgo saber, não há qualquer regulamento, enquadramento legal ou até mesmo quaisquer requisitos que a Administração possa chamar ao cumprimento em defesa de um interesse que deixou de ser meramente particular e passou a ser público e que se traduz pela necessidade de se precaverem situações que possam advir do facto das pessoas terem de habitar em fracções autónomas. Dadas as circunstâncias, é preciso que haja alguém que administre tal interesse público. Em Macau há empresas privadas de segurança que se fazem reger por uma regulamentação própria. A este respeito, trago à lembrança situações antigas, em que a Administração confundia as empresas privadas com as outras, de administração de prédios que, muitas vezes, como sabemos, “importam aqueles nossos amigos” vindos do Continente e que vestem uma farda (não sei se se fazem munir de uma arma. Mas, talvez, de uma matraca!) que os confunde com o pessoal de segurança das empresas privadas. Ora, como sabemos, estas empresas estão sujeitas a um licenciamento, digamos, muito apertado, ao ponto de as pessoas que se dedicam a essa actividade estarem sujeitas a multas muito 34 elevadas (por vezes, chegando a estar em jogo centenas de milhares de patacas). Parece-me, no entanto, importante que se comece a pensar, coisa que até não aconteceu, em exigir o licenciamento às empresas de administração de propriedades. Porquê? Porque ninguém sabe se, por exemplo, os gerentes são pessoas idóneas, se são ou não pessoas capazes e, bem assim, definir os critérios para a constituição dos fundos e de que maneira poderão as empresas vir a ser supervisionadas, isto é, quem deve proceder à fiscalização. Caso se trate de prédios como o Hoi Fu (sem querer fazer publicidade. Até porque o prédio está mais do que vendido!) composto por muitas fracções autónomas, obviamente que em causa estarão grandes somas de dinheiro, arrecadado dos condóminos precisamente para a constituição de fundos que venham a cobrir encargos futuros. Mas, eis que outra questão se levanta: quem nos garante a boa gerência desses fundos? Quer dizer, sem uma base ou enquadramento legais, quem nos garante que esses fundos são aplicados na altura certa ou que realmente existem quando sejam precisos. Ninguém nos garante que os funcionários não possam fugir, já que, em Macau, nem mesmo serviços como a Autoridade Monetária e Cambial ou o Instituto de Habitação têm tais empresas sobre a sua alçada. Ora, daqui a uns dez anos os prédios que foram construídos na década de oitenta e que têm, em média, um tempo de trinta anos, vão trazer algumas preocupações, quando seja necessário substituir este ou aquele bem ou equipamento, normalmente, de custo elevado. Muito provavelmente, os elevadores deixarão de funcionar e, depois, é ver nas ruas a populaça a manifestar-se, porque efectivamente não têm resistência física para diariamente subirem vinte ou mais andares. Portanto, importa prever esta situação e pensar, desde já, nas soluções a encontrar. Nesta linha de pensamento, parece-me, pois, fundamental a implementação de um controlo mais rigoroso das actividades destas empresas, desde o momento da sua constituição, exigindo-lhes uma licença e exercendo sobre elas uma fiscalização ou supervisão mais apertadas, dando-lhes a conhecer certas regras de funcionamento que devem cumprir, uma vez que em jogo estão fundos alheios, isto é, o dinheiro dos condóminos. Muito obrigado. Presidente: Sr. Deputado Vong Hin Fai. Vong Hin Fai: Obrigado, Senhora Presidente. Sr. Secretário, Srs. membros do Governo, caros colegas. Em relação à gestão das partes comuns nos edifícios particulares, há pouco, os colegas já debateram sobre esta questão e eu apenas queria dar uma pequena achega. Tal como os colegas referiram, e no que diz respeito à gestão das partes comuns nos edifícios particulares, de facto, envolve a questão de salvaguardar os direitos fundamentais dos pequenos condóminos. É óbvio que a salvaguarda aos direitos dos pequenos condóminos, deve estar relacionada com os interesses públicos, tal como disse o Deputado Leonel Alves, que são realmente questões de interesse público. De acordo com o regime vigente em Macau, a Administração competente tem a responsabilidade de resolver determinados conflitos particulares. Por exemplo, a DSTE tem vindo a tratar, N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série diariamente, os conflitos entre os empregados e empregadores. Se existir um conflito entre o empregado e o empregador, geralmente, o empregado não recorre de imediato ao Tribunal; é através da Administração que tentam chegar a uma conciliação. No que diz respeito à salvaguarda dos direitos particulares, existem duas grandes espécies de salvaguardas. Uma é a salvaguarda em termos administrativos, que envolve a Administração, e quanto aos procedimentos administrativos, em princípio, são mais simples e gratuitos. Para os cidadãos, esta é a resposta mais rápida que eles podem obter. Só apenas quando os procedimentos administrativos não conseguem corresponder às expectativas dos interessados, ou quando os interessados envolventes não estão conformados com a decisão do procedimento administrativo, só nesta altura é que o Tribunal ou a instituição judicial intervém em resposta ao devido pedido. Desta forma, já se transformou numa situação mais complicada, e envolve uma acção ainda mais burocrática no tribunal. Enquanto que através do procedimento administrativo para resolver os conflitos, existem muitos meios, inclusivamente o meio de prevenção. Tal como disse o Deputado Ng e o Deputado Alves, que se poderá adoptar o meio de licenciamento administrativo para impor limitações às companhias de administração, é um dos meios que pode ser adoptado. Para além do meio de prevenção, ainda existe outro meio. Por exemplo, o meio de conciliação. Se existir um conflito entre o condómino e a companhia da administração, a Administração pode proceder ao meio de conciliação. Para além dos meios de prevenção e de conciliação, ainda existem outros meios, que é a Administração, e que conforme a sua competência, exerce o poder punitivo. Uma vez determinado o meio, e se a companhia de administração violar as normas impostas, a Administração pode exercer o poder de punição por multa à respectiva companhia infractora. Naturalmente que, se a companhia de administração achar que a Administração competente aplica uma sanção de multa ilegalmente, pode recorrer junto do Tribunal. Nestes termos, concordo perfeitamente com os pontos de vista que os colegas apresentaram, sobretudo na questão de gestão das propriedades particulares. De facto, é mesmo uma questão social, e esta já persiste ao longo de muitos anos na nossa sociedade. A questão fundamental é que geralmente, as formas utilizadas pelos interessados, é recorrer a um apoio de "arbitragem" junto das associações. Esta "arbitragem" não se trata de uma arbitragem constante na lei, é apenas uma "negociação extrajudicial", mas quanto a este apoio de negociação não consegue resolver a questão a 100%, por isso, ainda existem muitos problemas na sociedade que aguardam até podem ser resolvidos legalmente. Em Março do corrente ano, na primeira discussão das LAG, também houve membros do Governo que manifestaram preocupação sobre esta matéria. Naquela altura, referiu-se que, tal como disse o Deputado Leong, quando se encara este tipo de conflito, e se se criar o Tribunal de Pequenas Contas, é viável que se consiga resolver este tipo de conflitos. De momento, podemos verificar claramente que o relacionado regime, ou seja, a criação do Tribunal não irá ser implementada a curto prazo, mas acontece que estes conflitos sociais continuam a persistir, pelo que, pessoalmente, espero que a Administração competente possa levar esta questão social em consideração. No meu ponto de vista, a Administração não tem de desempenhar um papel conciliador, mas, pelo menos, deve ter função em termos administrativos, com vista a coordenar os conflitos dos condóminos. Tal como referiu o Deputado Leong, deve estudar como encarar o contexto complexo da legislação para constituir uma comissão a fim de reunir os condóminos, e resolver as formalidades necessárias impostas pela legislação. Repito, esta 35 questão merece que seja reflectida e que se preste mais atenção. Obrigado, Senhora Presidente. Presidente: Gostaria de perguntar aos Srs. Deputados se ainda têm mais opiniões a colocar cobre esta matéria? Se não tiverem, faça o favor de responder Sr. Secretário. Secretário para os Transportes e Obras públicas, Ao Man Long: Obrigado, Senhora Presidente. Há pouco, vários Deputados pronunciaram-se sobre algumas situações relacionadas com a gestão dos edifícios particulares, nomeadamente a sua modificação na história, de uma simples questão particular ou de uma questão de salvaguarda dos direitos dos condóminos passou para uma questão de interesse público. Será que a administração da propriedade horizontal acarreta um licenciamento? Será necessário determinar um regime? Todas estas questões levantadas, invocam que deve haver a possibilidade de algumas formas administrativas, visando algumas medidas de prevenção, de conciliação, de punição, etc.. Auscultei com muita atenção as intervenções dos Srs. Deputados, sobretudo a do Sr. Deputado Vong, que focou que estas questões eram questões dos condóminos particulares, mas que já evoluíram para questões sociais. No entanto, também reparei que ele referiu muitas questões que se relacionam com as legislações. Por exemplo, na elaboração do regime de licenciamento para a gestão das propriedades, ou no aspecto da execução. Para se resolverem as questões, é necessário o apoio das legislações como suportes legais, o que excedeu os apoios técnicos prestados pela DSSOPT, pelo que concordo com a opinião de todos no que diz respeito à questão da gestão dos edifícios. Inicialmente era uma questão particular, mas com o desenvolvimento da sociedade, e uma vez que a gestão dos edifícios com muitos andares evoluiu constantemente, daí, é provável origine uma questão social. Vou estudar seriamente e em conjunto com os outros Secretários, principalmente com a Secretária para a Justiça sobre a questão em causa. Reafirmo que, no futuro, quando o serviço competente elaborar esses regimes, a área dos Transportes e Obras Públicas estará inteiramente disposta a prestar apoios no aspecto das obras públicas, mas limita-se apenas a um auxílio interno e indirecto, e não a um auxílio directo. Também reparei nas intervenções dos Srs. Deputados que, se bem que tenham invocado as formas administrativas, não conseguiram afastar o relacionamento da legislação, principalmente na forma de fiscalização. Concordo plenamente com a evolução que invocaram, mas tenho as minhas reservas no que se refere à minha área de tutela, que são as obras públicas. A sua natureza de trabalho não pode assumir uma responsabilidade na área de Justiça. Aproveito para referir que, levando em conta a situação real de Macau, os edifícios de grande envergadura sofrem uma taxa elevada de fracções desabitadas, o que poderá originar outras questões. Ao fim e ao cabo, o facto também está muito relacionado com a elevada taxa de fracções desabitadas nos edifícios de grande envergadura. Não sei se a minha resposta, sintetizada, conseguiu, ou não satisfazer as questões que colocaram. Obrigado. Presidente: Se mais nenhum Deputado quer intervir acerca desta questão, passo a palavra ao Deputado Tong Chi Kin. Tong Chi Kin: Obrigado, Senhora Presidente. De acordo com as palavras proferidas pelo Sr. Secretário para a Economia e Finanças, no corrente ano, prevê-se um montante de 900 milhões de patacas para as receitas dos prémios dos terrenos, mas, N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série concretamente, são apenas algumas dezenas de milhões de patacas. Sei que, antes da reunificação, a questão da não cobrança dos prémios, viria a ser arrastada até ao Governo da RAEM, o que poderá suscitar grande preocupação. Queria perguntar ao Sr. Secretário, afinal, qual o montante envolvido nos terrenos que já foram concedidos e que ainda não pagaram os devidos prémios? A tal situação também se verifica com as novas concessões, ou seja, os terrenos que foram concedidos depois do estabelecimento da RAEM? Uma vez concedidos os terrenos, e se não conseguirem receber os prémios, naturalmente que deve cobrá-los sob a forma de amortização, de acordo com o previsto na lei, porque as pessoas devem pagá-las. Entretanto, quanto aos terrenos já concedidos anteriormente, e que ainda não foram aproveitados, dado que já passou muito tempo e que já se concedeu um período de tolerância, quais as outras medidas que foram adoptadas? Uma vez que os terrenos ainda não têm sido aproveitados, será que podemos recuperá-los, de acordo com o previsto na lei vigente? Esta é a primeira questão e a segunda questão. A terceira questão é se os terrenos já aproveitados, ou seja, já com habitações construídas, se pelo facto do mercado desfavorável, ficaram desabitadas. Os comerciantes, devido à questão dos juros, não conseguem pagar os prémios em atraso. Será que podemos adoptar a forma de "pagar com a própria propriedade construída", ou seja, devolver a dívida com as propriedades que já estão construídas? Esta forma irá enfrentar muitos problemas técnicos, porque não existe em Macau "uma reavaliação". Se o Governo insistir na cobrança das dívidas, os comerciantes vão basear-se no custo inicial, que é basicamente muito elevado e pedem ao Governo para as recolher. Neste caso, o Governo pode achar que, conforme o mercado actual, já não vale tanto como antes, daí, e em termos de números, cada qual puxa a brasa à sua sardinha. Se bem que, de momento, Macau não possua uma forma de reavaliação, mas se esta forma for viável, não se afasta a hipótese de a adoptar para avaliar as propriedades desabitadas, determinando os seus valores para que o Governo possa recuperar, com vista a preencher o montante dos prémios em atraso. Se nunca tiverem um método de resolução viável, mesmo que o Governo tente perseguir mas, no fundo, não consegue, e nesta altura envolve ainda a questão dos juros, ou melhor, os prémios mais com os juros, e o montante de dívida aumentará sucessivamente. Gostaria de perguntar quais são as medidas a adoptar para resolver os 3 problemas citados? Obrigado. Presidente: Sr. Secretário Ao, faça o favor. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Sra. Presidente. O Deputado colocou 3 questões em relação aos prémios em atraso por parte dos comerciantes. É verdade que, recentemente, o Sr. Secretário para a Economia e Finanças revelou que, no corrente ano, prevê-se uma receita do Governo de 900 milhões de patacas, que são provenientes dos prémios em atraso. Devido à ponderação deste facto, em 2001, o Secretário para a Economia e Finanças reduziu essas receitas para cerca de 300 milhões de patacas. Porém, e concretamente, apenas receberam algumas dezenas de milhões de patacas. A razão incide essencialmente na concessão de terrenos. De acordo com o novo contrato de concessão e o pagamento dos prémios em atraso conforme os prazos definidos, assim sendo, não haverá grandes problemas. A actual situação concreta dos prémios em atraso, basicamente, é uma situação herdada do passado. Se calhar existem muitos rumores. Por exemplo, alguns grandes empreendimentos ainda não pagaram os devidos prémios. De facto, sempre houve rumores de que o projecto do Lago da Praia Grande 36 ainda não pagou os devidos prémios, mas acontece que, antes da reunificação, ou seja, antes do dia 20 de Dezembro de 1999, já havíamos cobrado os prémios em atraso. Temos no total 900 milhões de patacas de prémios envolvidos e não tem nada a ver com o Lago da Praia Grande. Quanto a este aspecto, com certeza que tenho de deixar tudo bem claro. É claro que a segunda questão tem a ver com alguns terrenos que ainda não foram aproveitados. Será que podemos recuperar de acordo com as cláusulas definidas no contrato? Relativamente a esta questão, temos que ponderar em muitos aspectos. De momento, o nosso método adoptado é se o concessionário do terreno possui um fundamento suficiente, porque substituir constantemente o plano de investimento? Vamos dar um prazo de tolerância para que eles possam adoptar um meio, no sentido de resolverem a questão dos prémios em atraso. Este é o outro método. A terceira situação, é se os terrenos já foram aproveitados, ou até já com prédios construídos. Será que se podem utilizar os fogos ou as construções feitas para devolver uma parte dos prémios em atraso? De facto, nos últimos 6 meses, já procedemos desta forma. Mas, infelizmente, existem poucas situações como estas. Em algumas construções já concluídas, contactámos os respectivos proprietários, a fim de dialogarmos sobre a utilização da propriedade horizontal para devolver os prémios em atraso. No futuro, depois de definirmos um preço, basicamente, podem ser utilizados por alguns serviços públicos. Ou talvez, no futuro, possamos ponderar que, aquando da promoção dos estudos sobre o Centro de Apoio às Iniciativas Empresariais, possamos decidir se se deve aproveitar ao máximo do edifício comercial, ou se se deve ser recuperado pelo Governo. Na verdade, já começámos a proceder desta forma. Todavia, no processo concreto de negociação, tal como disse o Deputado Tong sobre o preço do mercado, é verdade que existe uma certa dificuldade. Porém, o andamento está óptimo, porque procedemos à estimativa do valor de acordo com o decreto-lei do ano de 1993, ou seja, para se calcular um equilíbrio nos prémios em dívida. A percentagem concreta que ocupa, claro que não convém ser divulgada, porque estamos numa ocasião pública. Mas, em termos de proporção, existem vários grandes empreendimentos que ocuparam quase todo o valor dos prémios em atraso, o que é uma proporção muito importante. Já afirmei que não é o caso do Lago da Praia Grande, porque já se pagou tudo antes de 1999, antes do regresso à pátria. Quanto aos outros, são rubricas menos significantes, e que muitas vezes, apenas têm a ver com o processo de alteração ao contrato, e não é a intenção deles em arrastarem o pagamento dos prémios. Existem ainda outras dívidas, em termos de contabilidade, porque estão apenas a alterar constantemente o plano e ainda não se iniciou a sua exploração. Nestes casos, o Governo tem a responsabilidade de recuperar, e quer da minha área, quer da área do Secretário Tam, estamos constantemente a perseguir devido às dívidas, o que é uma função que temos que desempenhar. Respeitante a esta matéria, ainda gostaria de estudar profundamente convosco sobre a outra questão dos prémios em atraso. A parte que está em dívida, de facto, inclui também os juros. Por outro lado, o próprio terreno não acontece como os empréstimos celebrados nos Bancos. Em termos de contabilidade, é uma dívida, mas em termos concretos o terreno ainda existe. Se é ou não aproveitado, principalmente, nesta fase de crise, francamente, mesmo deixando-os vazios, também não haverá tantos investidores para consumirem. Provavelmente pode haver alguém com interesse para estes terrenos e com interesse para continuar a aproveitar, pelo que sob condições objectivas, os nossos prejuízos não devem ser baseados nos números constantes da contabilidade para considerarmos as questões, porque, primeiro; N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série não é uma conta duvidosa porque possuímos os terrenos. Se não pretende desenvolver, os outros promotores podem desenvolver. Além do mais, nem todos os casos são semelhantes a este, porque de acordo com o actual ambiente de investimento, às vezes, vêm muitos investidores para dialogarem connosco. Quer grupos locais, quer grupos exteriores, quando eles se inteiram das nossas políticas de concessão e o pagamento dos prémios, estudando em conjunto com o plano que vão investir, nunca mais me contactam, porque, na verdade, uma vez não havendo uma atracção no mercado, eles não terão vontade de investir. Por isso, sinceramente, é indispensável reflectirmos melhor na política de concessão, pelo que quando se fez referência ao planeamento urbanístico, muitas vezes, porque é que se discorda, porque tem de se ter em consideração a globalidade. O que estamos a procurar é o pragmatismo e não alguns peritos, engenheiros, arquitectos, que depois de observarem o local, fazem as respectivas plantas que vão servir para os nossos planeamentos urbanísticos globais. Os investidores do mercado vão ter em conta o proveito que podem tirar no investimento, caso contrário, como podem vir investir? Por este motivo, prometemos que vamos acompanhar de perto a questão dos juros, o que faz parte da nossa responsabilidade. Ao mesmo tempo, espero que possam compreender que esperamos ter tempo suficiente para resolvermos os problemas existentes. Na realidade, os nossos prejuízos não são tantos quanto julgam. Não se esqueçam que eles vão sobrepondo os juros, e a taxa dos juros não é nada baixa, tem anualmente cerca de 7%. Cada ano vai-se acumulando. No caso de possuir uma dívida de 100 milhões de patacas, são muito significativo os juros a cobrar. Deste modo, espero que possam pensar na questão segundo uma óptica macro. Obrigado. Presidente: Sr. Deputado Tong Chi Kin, faça o favor. Tong Chi Kin: Obrigado pela explicação do Sr. Secretário. Os terrenos não aproveitados, se se disser que acarretam uma alteração ao prazo da construção da habitação, creio que tanto no contrato inicial, como no contrato de concessão, também devem especificar bem quantas vezes é que o prazo pode ser prorrogado. Se a minha memória não me falha, devem ser duas vezes. Seja como for, concordo com o seu ponto de vista que, devido à estagnação económica, se os comerciantes pretenderem voltar a investir, mesmo tendo dinheiro, também não iriam investir, quanto mais os outros que provavelmente já não têm dinheiro. Desta forma, e se não houver confiança a investir nos terrenos já concedidos, claro que originam influências. Por exemplo, o orçamento do corrente ano, também sofre influências. No que se refere aos terrenos que já foram aproveitados, continuo a sugerir e também concordo com a forma adoptada pelo Governo, porque também contribui com vantagens para os comerciantes. Os edifícios desabitados implicam que o Governo tenha de contar constantemente com os juros. Que tal vendê-los ao Governo, para que assim o Governo possa recuperar algumas propriedades? Esta forma traz vantagens para ambas as partes (se bem que não sustente muito). Obviamente que, se o Governo conseguir negociar com os comerciantes, tudo bem, mas em caso negativo, sugiro que o Governo recorra às instituições de reavaliação para estimar o valor das propriedades envolvidas, porque esta forma é mais justa para ambas as partes, e até seria a melhor maneira. Assim sendo, por um lado, pode aliviar um pouco as dívidas, e por outro, despacha algumas propriedades. Com isso, creio que contribui vantajosamente para ambas as partes. (Toca a sineta) Agora, 37 percebi a sua resposta. Obrigado. Presidente: Sr. Deputado Ng Kuok Cheong. Ng Kuok Cheong: Referente à questão de não se conseguir recuperar os prémios. Antes do regresso à pátria, sempre questionei esta questão e só até agora, consegui obter uma resposta relativamente aceitável. A resposta do Sr. Secretário dá-me a sensação que aproveitou uma oportunidade económica para controlar, mas qual o tratamento concreto? Qual o meio a adoptar para recuperar os terrenos? Ou será que vai continuar a contar com os juros? Em termos de ideias, consigo aceitar, mas em termos de procedimentos, ainda continua a suscitar muitos obstáculos, inclusivamente na concessão de um terreno com um contrato elevado, o que pode impor mesmo restrições quanto às alterações. Se existisse anteriormente uma restrição, julgo que já se ultrapassariam os limites há muito tempo. Não havendo limites, certamente que deverão existir novos regulamentos de "jogo", que é para quando não se explorar um terreno, todos, incluindo o Governo também continuarão a participar no jogo. Tudo isto para saber qual o valor da oportunidade? Se o Governo achar que não existe um valor suficiente para a exploração, poderão enfrentar prejuízos, de maneira que, continua envolvido no jogo, mas a questão reside em termos procedimentais, porque ainda existe o incómodo. Desta forma, poderão originar situações não muito desejáveis, porque não se consegue explicar bem ao público a razão de não se conseguir a recuperação. É natural que possa haver uma decisão que é o valor da oportunidade, mas acontece que o público não tem conhecimento sobre este valor da oportunidade. Porque não conseguem explicar porque é que esse terreno não tem oportunidade de desenvolvimento? Com esta situação, poderá originar outra situação pouco desejável e, além disso, continua a incomodar-nos, por isso, acho que, num futuro breve, deverão encontrar-se meios para melhorar o regime. Presidente: Sr. Deputado Leonel Alberto Alves. Leonel Alberto Alves: Muito obrigado, Senhora Presidente. Sr. Secretário Srs. Colaboradores No meu entender, a questão do “prémio” é mais complexa do que parece! De facto, a solução parece não ser fácil, quer para quem concede o terreno, quer para o concessionário. Porquê? Porque, como se pode constatar na prática, não é nada que as pessoas criem, pois são as circunstâncias que fazem com que elas não paguem o valor dos prémios como deveriam fazer. Portanto, quase que podíamos dizer que as razões que levam ao não pagamento dos prémios se prendem com o ciclo económico que se vive na Região. De facto, a situação não deixa de ser incómoda, uma vez que os terrenos não estão sequer a ser convenientemente aproveitados. Pode dizer-se que cada caso é singular, uma vez que há terrenos que não são aproveitados, mas cujos prémios foram pagos. Outros há, porém, que mostram um ligeiro atraso quanto ao aproveitamento dos terrenos, continuando os prémios por pagar, etc.. Portanto, há toda uma diversidade de situações que merecem a devida atenção. N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série Na minha opinião, a solução não passa por se impor esta ou aquela vontade à pessoa, dizendo-lhe, por exemplo: “Se o senhor não aproveita o terreno, rescinde-se o contrato para o concedermos de novo”. Na minha óptica, a política do Governo relativamente às questões da “rescisão e recuperação de terrenos” não deve ser alheio à necessidade de se arranjar um substituto do anterior concessionário. Pois, se para esse terreno está prevista a construção de um prédio de vinte pisos, suponhamos, por vinte milhões de patacas é preciso que o substituto invista nas mesmas proporções, ou seja, que esteja disposto a construir um prédio com o mesmo número de pisos e a gastar igual soma de dinheiro. Caso não apareça quem de imediato substitua o primeiro concessionário, corre-se o risco de haver lugar a injustiças e falta de equidade, uma vez que os investidores que pagam parte do montante do prédio, por razões alheias à sua vontade que não são senão o reflexo da crise económica, não merecem que o Governo adopte a estratégia pouco sensata de tentar reaver o terreno para conceder a outrém que o venha a aproveitar. 38 uma vez que ele vai arrecadando, ainda que o faça virtualmente (por se tratar de uma receita virtual), os juros na fasquia dos 7%, farão com que o investidor mergulhe numa situação difícil que, não tendo dinheiro para pagar o prémio, vai deixando acumular as prestações, ao ponto de acabar por pagar tanto como o próprio Capital, o que eu considero um autêntico “suicídio”. Por todas as razões que apontei, parece-me que a Administração deveria caracterizar a sua acção por um espírito negocial e uma capacidade de resposta eficaz, ao ponto de ser capaz de renegociar prazos de pagamento e ainda, por que não, definir novos parâmetros de aproveitamento das terras, ou seja, em vez de construir um prédio de 20 pisos, que há vinte anos era economicamente viável, que o converta num prédio de 5 pisos, o que quer dizer que pode revogar o anterior e substituí-lo por outro. Como disse, tudo passa pela capacidade negocial do próprio Governo e da sua vontade em resolver as questões numa perspectiva de paridade ou empresarial e não burocrática de “poder instituído”. Muito obrigado. Julgo, pois, que a estratégia do Governo não pode ser tão simplista ao ponto de rescindir o contrato, caso o pagamento dos prémios não seja efectuado. A menos, como disse, que o Governo procuro encontrar um substituto imediato que capaz de investir em iguais proporções e que esteja disposto a pagar o dinheiro do prémio ao Governo da Região. O que acabo de dizer vem na sequência do que havia dito na minha primeira intervenção e, face à resposta do Sr. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, não quero desenvolver muito mais a questão, uma vez poderia correr o risco de me desviar do seu âmbito. Refiro-me, mais concretamente, àquilo a que chamei “simplificação da estrutura da Lei de Terras”. Importa dizer que o termo “simplificação” (ou “simplificar”) não é sinónimo de “menosprezo pelos critérios de análise da capacidade de realização do investimento” por parte do concessionário. Pelo contrário, na minha ideia, o verbo “simplificar” significa incutir em determinado sector governamental um espírito empresarial na forma de tratamento destas questões. Correria o risco, talvez, de estar a ser injusto se jogasse com toda a minha franqueza e dissesse que o “aproveitamento de terrenos” ou o “pagamento dos prémios” são questões que estão a ser tratadas sobre uma perspectiva de “poder público” que passa pelo “requerimento”, “despacho” e “notificação”, processo este que leva o seu tempo. De facto, ao ritmo a que as coisas vão, a Administração não tem capacidade negocial para encontrar outras formas para resolver o problema. Que formas? Peguemos na forma de procedimento dos Bancos que não fazem senão o reescalonar do pagamento dos prémios. Ora, atravessando nós uma fase de instabilidade económica, há quem se tenha tornado num devedor aos Bancos e, em vez de pagar as amortizações em três prestações, poderia pagá-las de forma faseada, em mais de três prestações. Só que, tal iniciativa iria requerer a promoção do diálogo entre os dois parceiros que, em pé de igualdade, tomariam decisões. Um, fazia a concessão e o outro, pagava por ser quem está obrigado a fazê-lo, uma vez que é o concessionário. Tudo isto teria de ser reescalonado e redefinido, eventualmente, pedindo o perdão total (ou parcial) dos juros, uma vez que a ideia de que “se a pessoa não paga o prémio, isso não constituirá um problema para o Governo, Presidente: Sr. Deputado Fong Chi Keong. Fong Chi Keong: Muito obrigado, Senhora Presidente. Há pouco, o Deputado Leonel Alves invocou o espírito dos empresários e, na verdade, possui uma força enorme para impulsionar a sociedade. Antes de ontem, também referi que, quer os trabalhadores terem ou não trabalho, quer os Bancos terem ou não uma circulação de recursos financeiros, também dependem dos empresários. Os empresários contribuem verdadeiramente para a sociedade. Para além de planearem os seus próprios negócios, ainda contribuem para a sobrevivência de muitas pessoas envolvidas. Deste modo, quando eles encaram dificuldades, dificuldades objectivas do ambiente que os afectam, não será que devemos dar uma oportunidade para os empresários? A concessão de terrenos é dada através de prestações, e é provável que os concessionários tenham sido pagos uma parte do montante. Porém, uma vez que os terrenos ainda não tiveram oportunidades de serem desenvolvidos, tal como disse o Deputado Leonel Alves, que o terreno ainda está nas mãos do Governo, e se se pretendem recuperar, parece-me pouco humano. No caso de suscitar problemas num determinado terreno, acho que as várias partes devem assumir as suas responsabilidades. O Governo deve assumir a responsabilidade, porque não avaliou esta situação. Além disso, e para se poder explorar o terreno necessita-se de uma concessão e de um controlo por parte do Governo. O Governo também possui uma estatística, daí, deve conhecer o número de consumo anual, porque é ele que conhece e que possui os dados. Por que razão ainda tem de pôr em hasta pública para as pessoas competirem? Dado que o Governo possui tanto dinheiro, de momento, possui 10 biliões de patacas, que é metade do montante arrecadado no fundo de terras. Ou por outras palavras, nos últimos anos, os terrenos que foram postos em hasta pública, ultrapassavam os 20 biliões de patacas. Depois do regresso à pátria, o Governo da RAEM recebeu 10 biliões de patacas, porque conseguiu recuperar algumas dívidas. O dinheiro que constatámos é proveniente dos exploradores. Eles são mesmo ilustres, quando os seus terrenos são lucrativos, ainda pagam impostos ao Governo, e além do mais, ainda contribuem imenso para apoiar os sectores de beneficiência. Quando o N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série Governo tiver algo para desenvolver, eles também apoiam. O espírito liberal dos empresários merece o nosso apreço. Pois, face a este ambiente, não devemos prejudicá-los. Antes pelo contrário, alguns colegas dão tudo para os mais carenciados, e nem sequer ficam com o dinheiro para o seu funeral. Ao fim e ao cabo, é ou não racional? Por isso, não posso ficar calado, senão os meus colegas vão espancar-me. Obrigado. Presidente: Sr. Deputado Vitor Ng. Vitor Ng: Obrigado, Senhora Presidente. Relativamente à questão dos prémios, depois de ouvir tantas intervenções dos Deputados, acho que existem aqui vários princípios. Naturalmente que é um facto objectivo que o explorador não consegue pagar os devidos prémios, pois existem muitas razões. De uma óptica objectiva, não está em causa a questão de não querer pagar. No fundo, não têm mesmo dinheiro para pagarem, por razões de um ambiente económico desfavorável. Estão aqui duas questões envolvidas; uma é executar-se em conformidade com a lei, isto é, executar-se de acordo com o previsto no contrato. Se todos tivessem razões para não cumprirem a lei, que invocamos, sempre para cumprirem, ainda há quem não consiga cumprir facilmente. Nestes termos, não podemos esquecer que quando se inicia a hasta pública dos terrenos, os que apresentaram propostas, não deviam possuir uma visão? O que irão explorar? Quando se prevê que há lugar a lucros, apresenta-se a proposta, e não havendo lucros, para quê apresentar a proposta? Devido à estagnação económica, fez com que não haja dinheiro para pagar as dívidas, mas não será que originaram uma situação em que só "podem ganhar e não são sujeitos a perda"? Acho que esta forma de negociar, é em primeiro lugar, indispensável que obedeça às leis. Segundo; como um negociante, não há razão de só "poder ganhar e não estar sujeito a perdas". Creio que ninguém consegue aceitar esse conceito. Por outro lado, acho que a forma adoptada pelo Governo não é totalmente incorrecta. No entanto, e para resolvermos a questão dos prémios, devemos encontrar um ponto de equilíbrio, tal como o Secretário referiu. Temos que estudar a questão em dois aspectos, a fim de encontrarmos uma resolução. O essencial é cumprirmos ainda o previsto na lei, que é um dos supremos princípios. Existindo leis e não as cumprindo, a AL que elaborou tantas leis e as pessoas não as cumprem, para que serve de facto a AL? Este é o meu ponto de vista, e levando em conta a situação real, não estou a elogiar nem criticar os empresários ou os investidores. Presidente: Sr. Deputado Tong Chi Kin. Tong Chi Kin: Obrigado, Senhora Presidente. Espero que o Governo possa resolver a questão tendo em conta a situação dos exploradores. Se o prédio dispõe de 5 fracções autónomas para o Governo como contrapartida, mesmo o prédio em si também tem vantagens, porque fica mais movimentado. Deste modo, e para além de evitar o acréscimo das dívidas, ainda se pode aliviar mais os juros envolvidos. Tal como disse o Deputado, os juros vão acumulando, e mesmo ele também receia que não terão possibilidades para devolver. O Governo tem de encontrar meios para resolver a questão, caso contrário, não conseguirá recuperar as receitas previstas. Portanto, basicamente, concordo com o espírito do Secretário Ao para resolver a questão. Vou guardar os 40 segundos para serem utilizados daqui a pouco. Presidente: Sr. Deputado Chui Sai Cheong. 39 Chui Sai Cheong: Obrigado, Senhora Presidente. Sr. Secretário Ao, Srs. membros do Governo, caros colegas. No tocante a esta questão, no ano passado e antes da reunificação, têm-se manifestado muitas opiniões, e também cheguei a estudar profundamente com o Secretário Ao. É apenas hoje que conheço a forma adoptada pelo Governo para o tratamento das propriedades concluídas e que as registo com agrado. Acho que algumas propriedades, sobretudo as partes que não são favoráveis afectam muito o mercado, e é o caso das construções das obras que ainda estão por concluir e que foram suspensas. Não sei se o Sr. Secretário Ao pode estudar a situação com os respectivos serviços, a fim de se encontrar uma solução, por exemplo, a forma de pagamento ou outras formas. Já que o IPIM dispõe de um serviço "one stop", podem aproveitar este serviço para cooperar com os novos investidores, desde que determinem antecipadamente um valor para que os investidores posteriores não sofram grandes prejuízos. No futuro, quando explorarem essas propriedade, podem negociar com o IPIM, e além disso, ainda podem depositar a forma de resolução no IPIM, por forma a permitir que os investidores possam conhecer claramente qual o montante de prémio que já foi pago e o montante ainda em dívida. Se alguém estiver interessado em explorar, também se pode servir de uma nova oportunidade e com isso pode contribuir para um aumento nas receitas do território. Caso contrário, apenas pode afectar o mercado com as obras que os lotes vagos ainda estão por concluir, pelo que é indispensável criarem-se negociações mútuas, no sentido de se encontrarem formas viáveis para a resolução. Quanto aos terrenos que ainda não estão explorados, devem conceder um determinado tempo para eles colocarem em funcionamento, tal como o método que o Secretário Ao referiu. Por um lado vai cobrando os juros, e por outro, encontram saídas para eles. Nestes termos, e para além dos exploradores conseguirem sobreviver, o Governo também consegue recuperar as dívidas. Apoiando-se um a outro de uma forma recíproca, pois é só assim que conseguimos sobreviver numa situação de estagnação económica, do mesmo modo que ainda pode contribuir com vantagens para a economia global. Se conseguirmos recolher mais opiniões para reflectirmos, certamente que encontraremos soluções. Presidente: Sr. Deputado David Chow. Chow Kam Fai David, aliás, David Chow: Sra. Presidente. Sr. Secretário, Srs. membros do Governo, caros colegas. O Sr. Secretário chegou a reunir muitos esforços para criar a Doca dos Pescadores, o que me ajudou muito, e gostaria de manifestar aqui os meus agradecimentos. Quanto à questão dos prémios, tenho um ponto de vista um pouco diferente. O aspecto principal é onde reside o valor da cidade de Macau? Qual o valor do imobiliário? Os exploradores, baseando-se no ilustre espírito para desenvolver Macau, mas há pessoas que não querem pagam as despesas de condomínio. Por isso, onde está o valor de Macau? No presente momento, o valor dos terrenos sofreram uma queda incalculável, e se não resolvermos a questão do imobiliário, e apenas nos dedicarmos ao desenvolvimento, poderão originar-se grandes prejuízos. Numa noite podemos sofrer um prejuízo de mais de 2 biliões de patacas, porque mesmo o LandMark desvalorizou, valia 4.5 biliões de patacas e agora só 1.8 biliões de patacas. Até já pedi um empréstimo ao Banco para despesas de construção, e felizmente, pago o prémio com um montante pouco elevado e o Banco reduziu os juros para que eu pudesse continuar a desenvolver. Concordo com as palavras proferidas pelo Deputado Leonel Alves, que é indispensável ao Governo utilizar uma visão N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série económica para encarar a questão. É óbvio que temos de cumprir as leis, mas a lei também não deixa de ter a sua faceta humana, porque estamos a viver num mercado de economia livre. O Governo tem de tomar uma atitude rígida, com vista a manter o preço dos terrenos. Se alguém sugerir a troca, ou em contrapartida pagar com o imobiliário construído, porque é que não me escolhem a mim? Então prefiro não pagar. O sector do imobiliário é o maior recurso para o desenvolvimento económico a nível mundial. O Governo dá oportunidades para que possamos desenvolver, mas uma vez que o Governo herdou todas as dificuldades do passado, portanto, acho que o Governo deve ser mais rígido no tratamento dos terrenos, porque ainda têm o seu valor. Além disso, acho que a política da habitação é contraditória ao preço do mercado. Hoje, vou deixar algum tempo para intervir daqui a pouco. Presidente: Quanto a esta questão, se não tiverem mais opiniões, peço ao Sr. Secretário Ao para responder às questões que vários Deputados colocaram. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Obrigado, Senhora Presidente. Há pouco, vários Deputados referiram a questão dos prémios em atraso, o que sempre originou o aparecimento de outros problemas. Se me permite, vou apresentá-los um a um. Quando o Deputado Tong continuou a acompanhar a questão dos prémios, sugeriu-nos a troca de fracções como um meio de pagamento, e se não conseguirmos chegar a um consenso aquando da discussão, podemos ponderar na forma de reavaliação. O Deputado Ng focou os custos de oportunidade, e perguntou se existem contratos de concessão em que não se imponham limitações às alterações, originando assim situações indesejáveis de "portas fechadas". Quando o requerente, ou o interessado, não conseguir desenvolver o terreno concedido dentro do prazo estipulado, pode requerer a prorrogação do prazo junto do serviço competente. De momento, muitos dos processos, no fundo, foram deixados pelo Governo anterior e os prazos de prorrogação já foram tratados. No que diz respeito aos novos requerentes, ou os casos que tenham termo de prazo e que pretendam uma prorrogação, são ponderados os seus fundamentos apresentados, e se são suficientes de acordo com o previsto na lei, e também quais as condições para a decisão da prorrogação. De um modo geral, não carece de uma indemnização ou de uma sanção para a prorrogação, por isso, não suscitam situações irregulares indesejáveis. A Comissão de Terras, que se responsabiliza pela concessão de terrenos, é constituída por membros de muitos serviços, tais como da Conservatória e da Câmara Municipal que são serviços fora da minha alçada, pelo que o seu funcionamento é rigoroso. Porém, o Deputado Leonel Alves falou se se podia introduzir uma simplificação à Comissão de Terras. Pessoalmente, também acho que existem problemas, mas se disser que existem situações irregulares indesejáveis, eu tenho as minhas reservas. O Deputado Leonel Alves falou no ponto de vista da concessão do Governo e dos empresários. De facto, a gestão modernizada da Administração Pública introduziu factores empresariais, que fazem parte de uma tendência, com o que nós estamos de pleno acordo. Alguns contratos, antes do período de exploração, e devido a determinados factores objectivos, exige a necessidade de redialogarmos e de reajustarmos. Por exemplo, quando se pede um empréstimo ao Banco, se o ambiente objectivo sofrer transformações, embora ainda não tenha sido cobrado o montante da hipoteca, mas certamente que o Banco renegocia com o requerente. O que já não acontece entre o Governo e os 40 empresários, porque estamos sob restrições impostas pelas leis. O Deputado Fong mencionou o espírito dos empresários, e sugeriu especialmente que o Governo, aquando da concessão dos terrenos, deve assumir responsabilidades, com o que também concordo muito. De facto, as políticas de concessão para o ano de 2001 já mencionaram claramente que é uma orientação de rumo, na esperança de que, através das políticas nítidas, permita que os investidores se inteirem claramente, a fim de tomar uma decisão. Por exemplo, no próximo ano, as acções que se articulem com o turismo e com a prestação de serviços ser-lhe-á dada uma prioridade. É natural que ainda existem outros factores. Por exemplo, o planeamento global urbanístico, a concessão de um terreno, a criação de uma oficina poluidora, mas a última, claro, que não vai ser ponderada e autorizada. Portanto, o princípio de concessão de terrenos e a posição das políticas estão especificadas claramente nas LAG, bem como não impede uma decisão de investimento. O Deputado Vitor Ng referiu que devemos tratar dos assuntos de acordo com o previsto na lei. Qualquer requerente que queira adiar o aproveitamento do terreno, carece um processo complexo de apreciação. Primeiro; é estudado nas reuniões da Comissão de Terras, e a seguir seguem-se os procedimentos legislativos que são morosos, e só depois é que se emite uma autorização sobre a sua prorrogação, ou se possui condições para a prorrogação do prazo. Podem verificar que todo o processo carece de um cumprimento às leis. O Deputado Chui invocou algumas situações em que parte das construções dos lotes, foram suspendidos dentro dos prazos de exploração, o que afecta muito o mercado. Basicamente, no passado, tomávamos a iniciativa para apoiar os grandes empreendimentos, na esperança de encontrar uma saída. Porém, e tal como disse o Deputado Leonel Alves, os grandes empreendimentos que devem prémios em atraso, a maior parte deles foram concedidos de acordo com o decreto-lei do ano de 1993, tal como a questão do valor que o Deputado Chow referiu. Dado que os antigos investidores celebram o contrato de acordo com o valor daquela altura, agora, já é muito difícil encontrar novos investidores que queiram investir ou assumir estes investimentos. Também existem aqueles que já pagaram uma parte dos prémios, e ainda devem uma parte devido a factores indeterminados, o que nos conduz a ajudá-los e a encontrar uma saída. Seja como for, apoiá-los a encontrar uma saída, não vai contrariar com o princípio da economia livre. Os investidores têm o direito de opção sobre o investimento, e perante um perigo relevante, a intervenção adequada será uma posição correcta da nossa parte. Entretanto, as políticas da concessão de terrenos, do corrente ano, é desequilibrada, e para podermos salvaguardar a oferta e a procura das fracções desabitadas, não nos podemos desequilibrar. O Deputado Chow salientou que devemos ser rigorosos no tratamento dos terrenos. Na realidade, tanto nas LAG para o ano de 2000, como para o ano de 2001, basicamente, já estamos a ser mais rigorosos, principalmente no tratamento das habitações económicas e das habitações sociais, dado que não vão haver mais contratos a conceder. Vitor Ng: Queria esclarecer o seguinte. Há pouco, referi que a legalidade no tratamento dos assuntos, visa os concessionários que devem cumprir o previsto na lei. Não foi minha intenção dirigir-me ao Sr. Secretário que não cumpre a lei no tratamento dos assuntos. Presidente: Não havendo mais Deputados que queiram intervir sobre a questão, passemos para o tema seguinte. Tem a palavra o Deputado Ng Kuok Cheong. N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série Ng Kuok Cheong: Vou colocar uma questão à qual penso que o Sr. Secretário está preparado para responder. Com o objectivo de criarem condições para o alívio das dificuldades originadas pela prolongada crise económica, e a criação de condições favoráveis à retoma dos diversos sectores de actividades, devem ser tomadas medidas, directas e indirectas, tendentes à redução de custos e de rubricas prioritárias dos mesmos. Por exemplo, a tarifa da licença dos telemóveis e a tarifa da licença das antenas por satélites, neste caso, poderão ou não ser reduzidas a um nível não superior ao que se verifica nos territórios vizinhos? Dado que os diferentes mercados têm condições de competitividade diferentes, ao fim e ao cabo, e quanto à tarifa da licença das antenas por satélites, será calculada a flexibilidade pela globalidade dos edifícios ou por fracções autónomas? Após a reestruturação dos CTT, no actual CTT verificou-se uma diminuição das suas atribuições, embora o quadro não tenha sido alterado, as tarifas que dizem respeito aos interesses públicos, de momento, ainda são elevadas, mas pode haver um espaço de redução. O Sr. Secretário, na última vez, analisou que Macau não pode adquirir a força eléctrica do interior da China para atenuar as tarifas de electricidade, bem como não faz frente à questão do aumento definido de investimentos na CEM. A razão fundamental é devido à unidade eléctrica de Macau. Será que podem elevar até ao nível de cooperação económica entre a China e Macau? Ao mesmo tempo, os preços dos produtos petrolíferos da China também são distantes dos preços praticados em Macau. Aquando da adjudicação da exploração de novos postos de combustível, será que poderão ponderar em introduzir condições que possam gerir os respectivos preçários? Em termos globais, pondera-se na redução das tarifas, mas têm ou não ponderado a ordem de prioridade para a sua implementação? Presidente: Sr. Secretário Ao. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Sra. Presidente, o Deputado Ng referiu o ajustamento geral das políticas de cobrança por parte do Governo. Na verdade, há globalidade e há ordem de prioridade. Primeiro, implementamos uma redução da tarifa dos serviços das telecomunicações. Uma vez que as informações têm um desenvolvimento rápido, e como a sua utilização tem vindo a aumentar a qualidade de vida da população, e dado que visa aumentar a competitividade das empresas de exploração. Portanto, uma política clara da nossa parte vai no sentido de prestar ainda mais serviços de informação diversificada à população. Por isso, foi adoptada a forma de redução gradual no aspecto da sua tarifa. Amanhã (1 de Dezembro), em primeiro, iremos publicar a redução das tarifas das licenças dos pagers e das antenas por satélites, e no dia 1 de Janeiro, ainda existem muitos outros serviços móveis que também irão ser reduzidos, incluindo as tarifas para a licença dos telemóveis, que também irão ser reduzidas. Com o esforço que envidámos, no corrente ano, a respectiva companhia de transportes vai promover o lançamento de promoções e com isso, podemos verificar que o Governo, para além de apresentar um nível de redução, ainda vai atrair outros operadores investidores das linhas de HK e de outras zonas, de modo a entrarem na concorrência de Macau, pois acreditamos que poderá contribuir para a redução dos preços de transporte marítimo, o que também acontece com as tarifas da luz e da água. O Deputado Ng preocupa-se, porque é que não adquirimos a energia eléctrica da China ou porque é que não dialogamos com os serviços competentes da China, a fim de se reduzirem as tarifas praticadas em Macau. Nesta fase, creio que não é necessário uma 41 intervenção por parte do Governo. Com a adesão da China à OMC, com os reflexos do mercado, e como a zona litoral de Kuong Tong produz demasiada energia eléctrica, certamente que irá aumentar a competitividade, pelo que não há necessidade de se tratar com os procedimentos administrativos. Só quando precisarmos de utilizar um terreno, a longo prazo, tal como a utilização do terreno entre GongBei e as Portas do Cerco, é que carece requisitarmos junto do Governo Central. Relativamente aos preços dos produtos petrolíferos, dado que são bens indispensáveis para a vida actual, por enquanto, ainda não temos produtos para a sua substituição. Uma vez que a venda do combustível não se trata de um exclusivo, e no que diz respeito à fiscalização de preços, não podemos actuar antes de reflectirmos profundamente, porque poderá originar reflexos negativos. Além disso, podemos tomar muitas medidas viáveis para que os novos operadores de transporte e os operadores actuais possam ter uma concorrência pública justa, e também para que possamos adoptar legislações adequadas para que os produtos externos possam ser importados directamente para Macau. Ou então, proceder-se a uma concorrência não a nível tarifária e, depois da criação de serviços intermédios, desta forma, podemos melhorar a situação de competitividade justa. No fundo, tenho as minhas reservas quanto à fiscalização das tarifas, porque no livre sistema económico, necessita de um tratamento com muita cautela. Obrigado. Presidente: Sr. Deputado Ng Kuok Cheong. Ng Kuok Cheong: Quanto a esta matéria, tenho apenas uma questão a colocar. A redução das tarifas no mercado das telecomunicações, que o Sr. Secretário considera como assunto primordial, portanto deu-lhe prioridade. Baseando-nos no espírito dos empresários, depois de muitas concorrências não executarem gradualmente, sendo assim, o melhor de tudo é fazer com que possamos encontrar condições que não sejam inferiores às tarifas praticas nas zonas próximas. Presidente: Sr. Deputado Kou Hoi In. Kou Hoi In: Obrigado, Senhora Presidente. Sr. Secretário, Srs. membros do Governo, caros colegas. Gostaria de obter 3 respostas em relação às tarifas das antenas por satélite. Primeiro, actualmente, estão a preparar para se determinar um novo parâmetro, e qual o motivo dessa necessidade? Até que parâmetro estão preparados a reduzir? Segundo; qual será a simplificação das formalidades para requerer antenas por satélite? Terceiro; e como à noite se gastam menos energia eléctrica, daí, como é que é possível fazer com que iluminem mais a cidade de Macau? Poder-se-ão tomar medidas em termos de tarifas, a fim de estimular os comerciantes para iluminarem mais durante a noite, de modo a atrair mais turistas? Obrigado. Presidente: Sr. Deputado Leonel Alves. Leonel Alberto Alves: Muito obrigado, Senhora Presidente. Gostava de desenvolver uma questão levantada pelo Sr. Deputado Kou Hoi In que tem a ver com a política de preços ou de tarifas praticadas pela CEM. Como se sabe, nas décadas de cinquenta e sessenta Macau deparava-se com sérios problemas a nível de fornecimento de energia eléctrica. De facto, Macau não se N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série distanciava assim tanto dos “países do terceiro mundo”, porquanto havia cortes ou interrupções frequentes no fornecimento de energia eléctrica, para além de outro tipo de problemas. Mais tarde, na década de oitenta, eis que surgem os primeiros investimentos apoiados pela própria Administração. Lembro-me agora que, uma das minhas primeiras tarefas, na qualidade de Deputado foi preparar um parecer sobre um aval do Território à Companhia de Electricidade de Macau, não se antevendo ainda, nessa altura, os “lucros” que uma empresa exclusiva viria a ter mais tarde. Entretanto, eis que se abate na Região um período de crise e, é curioso constatar que, para além da STDM que detém o monopólio do Jogo, outra empresa mostra ter um certo paralelismo, na medida em que também vem registando lucros significativos. Refiro-me à Companhia de Electricidade de Macau (CEM). De facto, em Macau não há outra que apresente um “curriculum” tão invejável quanto a CEM que, mesmo em período de crise, ainda é capaz de ter grandes lucros. Enquanto se discutiam as políticas da área da economia defendia-se que uma das iniciativas impulsionadoras da economia da Região era manter custos baixos a nível de salários e daí a necessidade de se recorrer à importação de mão-de-obra, sobretudo para as indústrias, já que, doutra forma, os produtos locais seriam de fraca competitividade quando comparados com outros de outros países asiáticos e é quase inelutável a necessidade de tal recurso para manter baixos custos na produção. Quero com isto dizer que os custos da energia eléctrica são igualmente imputados no produto final da produção e, devo dizer, que Macau deve ser das cidades que apresenta os custos mais elevados do mundo em termos de utilização de energia eléctrica, o que, obviamente, se repercute nas nossas indústrias, o que faria com que os produtos locais viessem a ser afectados em termos de competitividade com os de outros países. Ora, atendendo ao facto de o Governo ser, salvo o erro, um dos accionista da CEM que projecção poderemos nós fazer relativamente às tarifas de fornecimento de energia eléctrica para tentar contornar a iniciativa de fazer baixar, na medida do possível, os custos de produção com algum decréscimo dos lucros de uma companhia, detentora desse exclusivo de fornecimento. Parece-me, pois, mais justo que o “mal seja dividido por todos”. Como disse, é agradável sabermos que em pleno período de crise há uma empresa local que ainda é capaz de apresentar lucros invejáveis. Só que, sem dúvida, essa situação apenas vem prejudicar as indústrias locais e as famílias com menos recursos económicos, porque se vêem obrigadas a pagar somas de dinheiro para o consumo de energia eléctrica. Muito obrigado. Presidente: Os Srs. Deputados ainda querem manifestar opiniões em relação a esta questão? Se não quiserem, Sr. Secretário Ao, faça o favor de responder às questões apresentadas pelo Deputado Kou Hoi In e pelo Deputado Leonel Alberto Alves. 42 apenas iniciámos esta liberalização há meio ano. Embora o território vizinho tenha sido reduzido para 30 a 50 hk dólares, em Maio do corrente ano, também se percorreu ao longo de um determinado tempo. Nós, a partir de amanhã, vamos ter uma redução superior a 50%. Além disso, ainda há outra razão, que é no aspecto dos utilizadores dos telemóveis e da “Internet”. Com isso, prevemos que as receitas do Governo possam ser aumentadas. Se bem que as tarifas por unidade tenham sido reduzidas, mas dado que se estimula a utilização de ainda mais serviços, pelo que se consegue manter com as receitas globais. Dado que as zonas próximas possuem um mercado maior, daí o ritmo de redução também seja mais rápido. Por exemplo, os telemóveis de 2.ª geração, certamente que o mercado de HK é muito maior, mas quanto à questão de acelerar o ritmo, nós iremos com certeza estudar a possibilidade. O Deputado Kou falou nas tarifas da licença da antena por satélite, e a partir de amanhã, os preços vão ser reduzidos de 2.880 patacas para 960 patacas, e podem verificar que a proporção da redução é muito elevada. Esta redução acelerada deve-se à generalização deste serviço e do aumento de utilizadores. Referente aos procedimentos para a requisição de licenças, no passado, o respectivo serviço já havia determinado uma orientação, portanto, e de momento, as formalidades já foram simplificadas. Quanto à questão da iluminação durante a noite, pode contribuir para efeitos de atracção de mais turistas. Cheguei a sugerir para instalarem caixas de publicidade com iluminação nas paragens de autocarros. Como podemos actuar a fim de criarmos incentivos para se poder alcançar um determinado nível de benefício, mesmo que a utilização da energia eléctrica não esteja em hora de ponta? Respeitante a esta matéria, já existe uma política que concede benefícios aos grandes utilizadores da energia eléctrica durante a noite, a fim de levar em conta o desenvolvimento do sector industrial e comercial, e a vida da população, dado que esta matéria merece a nossa atenção. O responsável da CEM, em Setembro do corrente ano, prometeu que não irá aumentar as tarifas de electricidade nos próximos 3 anos. Num futuro breve, com a introdução dos novos geradores eléctricos, ou com a introdução de gás natural, podemos ainda ter mais espaço para redução. Obrigado. Presidente: Se os Srs. Deputados não tiverem mais questões a colocar, vou passar a palavra ao Deputado Stanley Au. Au Chong Kit, aliás, Stanley Au: Através das LAG, tomei conhecimento que foram registados mais de 3 milhões de turistas que utilizaram o AIM no ano de 2000, e comparado com o ano transacto, houve um aumento de 20%. Mas com a eventual ligação directa entre a China e Taiwan, poderá haver uma redução bruta dos nossos utentes do AIM. Nestes termos, qual será o plano de contingência a tomar? Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Obrigado, Senhora Presidente. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Obrigado, Senhora Presidente. No tocante à questão à qual vários Deputados se pronunciaram, mais precisamente as tarifas na área das telecomunicações, por que razão é que esta redução é gradual, e não é uma redução rápida? As zonas próximas, tal como em HK, o decurso da abertura iniciou-se há mais de 2 anos, e nós No corrente ano, iniciou-se a abertura das 5ª liberdades. Até Outubro já foram registados mais de 2 milhões e 700 mil utentes, e prevê-se que poderemos ultrapassar os 3 milhões de utentes. Os passageiros Taiwaneses ocupam mais de 65%, e até Outubro verificámos que já ultrapassavam os 1 milhão e 800 mil N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série passageiros. Prevê-se que, mesmo com as perdas dos 3 meios, ainda temos 1 milhão e 800 mil visitantes. Não se sabe bem se na altura poderá ou não haver uma perda de cerca de 30%. Prevemos que vamos lutar para que as outras agências de viagens utilizem o AIM para se deslocarem para outros locais, e para além disso, ainda vamos tentar criar mais rotas aéreas para o interior da China, de modo a cooperar mutuamente com os aeroportos da zona Oeste do Delta do Rio das Pérolas. Por outro lado, e com a criação de um centro de circulação de carga no Aeroporto de Macau, vai contribuir imenso para o desenvolvimento do transporte de mercadorias no Delta do Rio das Pérolas. Au Chong Kit, aliás, Stanley Au: Obrigado, Senhora Secretário Ao. Presidente: Tem a palavra o Deputado Ng Kuok Cheong. 43 De qualquer forma, quando estão autorizados a sobrevoar zonas habitadas, fazem-no sempre a uma altitude que esteja de acordo com os parâmetros internacionais de segurança. Muito obrigado. Ng Kuok Cheong: Lamento imenso por ter passado a vez dos colegas. Apenas aproveitei a matéria da aviação para colocar uma questão. Que eu saiba, muitos residentes da zona Norte também já reflectiram opiniões e tentaram obter informações junto da AACM sobre a altitude dos voos serem muito baixos. Por isso, espero que possam esclarecer o padrão regulamentado para a altitude, com vista a permitir o conhecimento dos residentes. Ng Kuok Cheong: Naturalmente que ainda esperamos que, com a abertura das 5ª liberdades, possam trazer ainda mais vantagens para nós. Conforme o que os membros do Governo revelaram, trata-se de um assunto que irão concretizar muito em breve. Presidente: Gostaria de perguntar se algum Deputado quer intervir acerca desta questão? Aproveito ainda para colocar outra questão. Os residentes na zona do Norte acham que os aviões voam a uma altitude muito baixa, ou seja, muito perto das habitações. Gostaria de saber se têm ou não prestado atenção a esta matéria? Tong Chi Kin: Pessoalmente, gostaria que o Sr. Secretário me esclarecesse, mais uma vez, sobre a abertura das 5ª liberdades, tanto os planos para o transporte de mercadorias, como o plano para o transporte de passageiros, porque se trata de uma estratégia muito importante. Se conseguirem dominar bem, poderá contribuir com muitas vantagens para Macau. Obrigado. Presidente: Embora a sua questão tenha estado fora do tema, felizmente, ainda tenho as inscrições dos Deputados Leong Heng Teng e Tong Chi Kin, pelo que, se os dois Deputados não se importarem, gostaria de dar a palavra ao Sr. Secretário para responder às questões colocadas. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Quanto à questão dos aviões voarem a uma altitude muito baixa, queria pedir primeiro ao Sr. Presidente da AACM, Rui Balacó para responder a esta questão. Faça o favor. Presidente da Autoridade de Aviação Civil, Rui Balacó: Muito obrigado, Senhora Presidente. Começava por dizer que a regulamentação que recai sobre a actividade dos Serviços da Autoridade de Aviação Civil de Macau não permite, em nenhum ponto da cidade, que aviões, avionetas ou helicópteros sobrevoem abaixo de determinada altura considerada “altura de segurança”. Penso que os Srs. Deputados se referiam aos voos que são efectuados por helicópteros que, ao se aproximarem do Heliporto, nunca sobrevoam áreas habitadas, porque traçam o seu trajecto pelo lado Norte da cidade, passando pelo Reservatório e do lado Sul, sobre o Mar ou a zona que fica entre o Heliporto e o Hotel Lisboa. Portanto, os voos nunca são efectuados sobre as zonas habitadas da cidade. De salientar ainda que, quando o trânsito é efectuado entre Macau e Coloane, o trajecto é feito sobre o canal ou pela linha do Aeroporto, nunca sobrevoando zonas habitadas. Tem a palavra o Deputado Tong Chi Kin. Presidente: Gostaria de perguntar se mais algum Deputado quer intervir sobre esta questão? Se não quiserem, peço ao Sr. Secretário para responder às questões. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: No que diz respeito à questão do transporte de mercadorias do Aeroporto que o Deputado Tong colocou, antes de mais, queria apresentar-vos a situação do aumento no transporte de carga do Aeroporto, no corrente ano. No corrente ano, o transporte de mercadorias no Aeroporto, teve um aumento significativo, ou melhor, teve números assustadores. Em determinados meses, o nível de aumento atingiu os 60% até ao mês de Outubro e, em termos globais, teve um aumento de cerca de 20%. Devido à respectiva tendência de aumento, determinámos nas LAG que vamos pressionar a CAM, de modo a ponderar a ampliar as instalações para o transporte de carga. Para além disso, ainda ponderámos que, se as condições o permitam criar-se-á um centro que afecta a circulação de carga, o que pode contribuir ainda mais para promover o desenvolvimento do transporte de carga do Aeroporto. Por outro lado, iremos implementar uma forma de interligação entre o transporte marítimo e o transporte aéreo, no sentido de aproveitar ao máximo o porto das águas profundas de Ká-Hó, a zona industrial, de modo a permitir o escoamento de mercadorias vindas do aeroporto, por via marítima. Para este efeito, criámos uma delegação para se deslocar a HK, com vista a dialogar concretamente com o Posto nº1 de transportes de mercadorias de HK. Eles demonstraram muito interesse que, aquando da ampliação do Terminal de contentores de HK, iriam directamente através da via marítima... Que é um outro meio para que o nosso transporte de mercadorias possa aumentar N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série constantemente a sua quantidade. Por outro lado, a articulação complementar é um dos factores decisivos para atrair outras zonas, de modo a servir o AIM para transportar mercadorias. Estamos neste momento a unir esforços, de uma forma activa, para criar mais pontos para transporte de mercadorias. No corrente ano, um dos pontos criados foi o de Chicago. Ainda temos o de San Francisco, entre outros, portanto, as mercadorias podem ser transportadas directamente através do Aeroporto de Macau para várias cidades dos EUA. Além disso, a Companhia Aérea de Macau está agora a envidar activamente esforços para cooperar com a Companhia Aérea Chong Tak no aspecto da transformação e no aspecto da manutenção, pois desta forma, podemos transformar e reparar os nossos aviões. Também obtivémos o apoio da Autoridade Geral de Aviação da RPC para nos conceder determinadas quotas para que o AIM pudesse proceder a obras de transformação e a reparação dos aviões para passageiros que tenham mais de 15 anos em aviões para mercadorias. Através destes serviços, cremos que, no futuro, podemos ter mais aviões para aliviar o aumento do transporte de mercadorias. Com os esforços conjuntos, envidados pelas diversas companhias do aeroporto, cremos que, com a articulação do harware no transporte aéreo, podemos ser optimistas quanto à sua perspectiva. No que diz respeito à articulação do software, vamos, com a colaboração dos novos Serviços de Alfândega e da DSE, aperfeiçoar, a pouco e pouco, as legislações que imponham limitações às formalidades alfandegárias, e também vamos promover o sistema de EDI para as formalidades alfandegárias, na esperança de que, quer em termos de hardware ou de software, também adquiram eficiência relativa para o aumento do transporte de mercadorias. 44 satisfazer à questão que apresentou. Presidente: Sr. Deputado Leong Heng Teng, pretende colocar questões? Leong Heng Teng: Queria colocar uma questão que tem a ver com as habitações económicas e sociais. Nas LAG fez-se menção à política da habitação incluída na utilização de terrenos. Gostaria de ficar esclarecido sobre o seguinte. No passado, e devido à falta de planeamento global, gerou-se assim uma situação complicada para o fornecimento de habitação económica e de habitação social. Actualmente, já adoptam a forma de concurso público, e também possuem os números básicos. Dado que, a curto prazo, não irão conceder novos terrenos, só espero que não influencie as expectativas dos interessados inscritos (lista de espera). Não sei se é possível. Creio que daqui a pouco, o Sr. Secretário irá dar uma resposta a esta questão. A outra questão tem a ver com uma questão já colocada há muito anos atrás, que é a habitação económica situada no centro da cidade da Ilha da Taipa. Chegou a haver indícios de obras. Os trabalhos de mudanças também chegaram a ser acelerados e verificaram-se materiais de construção neste terreno, mas, mais tarde, as obras foram novamente suspensas. Não se trata de uma nova concessão de terrenos, porque já foi concedido há mais de 10 anos. Gostaria de conhecer qual o actual ponto de situação. Obrigado. Obrigado, Senhora Presidente. Presidente: Faça o favor de responder Sr. Secretário Ao. Presidente: Tem a palavra o Deputado David Chow. Chow Kam Fai David, aliás, David Chow: No aspecto do transporte aéreo de mercadorias, se não haver erros nos cálculos, registou-se um aumento de 68%, comparado com o aumento global de há dois anos atrás, facto este que é muito estimulante, e espero que possa continuar a aumentar. No aspecto do transporte aéreo de passageiros, gostaria de saber se os preços dos bilhetes são determinados livremente, ou se estão sob uma fiscalização? Presidente: Gostaria de perguntar aos Srs. Deputados se ainda querem manifestar opiniões sobre este aspecto? Sr. Secretário Ao, faça o favor de responder. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: De facto, existe apenas em Macau uma companhia aérea, que é a Air Macau, que é uma empresa particular. No aspecto dos preços dos bilhetes, esta empresa determina os preços de acordo com o preço do mercado. Se forem muito elevados, dificilmente poderão competir com as outras empresas. Por exemplo, o voo para Shangai, os passageiros não têm apenas uma alternativa, ou seja, através da Air Macau, porque eles podem seleccionar em adoptar voos de outras companhias aéreas. Dado que Macau tem um mercado de economia livre, daí, o Governo não irá fiscalizar os preços definidos, porque mesmo aplicando uma fiscalização, nem sempre poderá trazer grandes vantagens. O Governo acha que deve ser a concorrência livre a fixar os preços, pois assim é mais racional. Não sei se a minha resposta conseguiu Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: A primeira questão que o Deputado Leong colocou, irei passar ao Sr. Director Cheang para responder. Em primeiro lugar, vou responder à segunda questão. Relativamente à actual situação do contrato de concessão do respectivo terreno situado na Taipa, recentemente, o respectivo explorador entregou um novo plano, alterando uma parte da sua utilidade. O dito requerimento, ainda está nos serviços competentes para ser apreciado, portanto, não se consegue avançar mais com a situação, porque ainda está em fase de apreciação. Creio que depois de concluído o processo de apreciação, o respectivo explorador irá explorar de acordo com as necessidades do mercado. Não sei se o Sr. Deputado Leong quer que avance com mais explicações. Leong Heng Teng: Ainda gostaria que me esclarecesse melhor. Queria perguntar ao Sr. Secretário, em termos do actual andamento, se pode ou não responder quando é que se poderá concluir este processo de apreciação? Porque, na realidade, a questão deste terreno já se arrasta há muito tempo, e acontece que os residentes daquela zona apenas têm uma alternativa que é continuar a esperar, e alguns até já se mudaram. Como o ambiente de habitação desses residentes é péssimo, afinal, quanto tempo ainda têm de esperar? Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Dado que o explorador apresentou um projecto de alteração N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série sobre a utilização do respectivo terreno, que envolve a nova instalação das lojas e dos centros comunitários, pelo que carece ainda de uma negociação entre ambas as partes, no que diz respeito ao plano. O andamento depende de quando é que o Governo e o explorador chegam a um consenso. Em caso afirmativo, creio que a formalidade para a concessão, terá um andamento normal. Por isso, neste momento, o mais importante é ponderar se a proposta do explorador contraria ou não com o princípio do plano inicial do Governo. É este o actual andamento. Depois do explorador dialogar com o Governo, creio que a questão poderá ser resolvida com brevidade. Pessoalmente, acho a situação optimista. Agora, dou a palavra ao Sr. Director Cheang para responder à primeira questão. 45 adoptar, de modo a resolver esta questão. Porém, e segundo os dados, o número total de veículos que circularam em Macau, nos finais de 1997 é cerca de 96.321 veículos, e em Setembro do ano de 2000, aumentou para 112.576, portanto, registou-se um aumentou de 16.9%. Quanto aos motociclos, desde 1997 haviam 46.871, e até Setembro de 2000 aumentaram para 57.455, registando-se um aumento de 22.6%. Embora o nível de aumento dos veículos não seja tão significativo como o aumento dos motociclos, mas comparando, há um aumento de cerca de 11.5%. De acordo com esta situação, prevê-se que os veículos em Macau, continuem a sofrer um aumento constante, se bem que também tenham aumentado mais estradas, mas será que se conseguirá continuar a suportar? Sendo assim, gostaria de conhecer melhor a situação. O Governo, para além de adoptar as medidas invocadas nas LAG, ainda possui mais medidas, com vista a melhorar a situação do trânsito para que não venha a piorar? Obrigado. Presidente: Sr. Director Cheang, faça o favor de responder. Presidente: Sr. Secretário Ao, faça o favor de responder. Director do IHM, Cheang Kuok Meng: Em relação à primeira questão que o Deputado Leong levantou, tal como se referiu nas LAG do Sr. Secretário que, dentro de curto prazo, não iremos conceder novos terrenos. Mas, em termos de médio e de longo prazo, iremos ter em conta as necessidades da população. Quanto à actual situação da distribuição de habitação económica, devido à concorrência económica, só em 1999 é que definimos a lista, enquanto que o aspecto da habitação social, só em Julho do corrente ano é que vamos concretizar a lista definitiva. O prazo de validade para o concurso público destas duas espécies de habitações também são de 3 anos, portanto, cremos que, dentro de um curto prazo, a política das habitações públicas continuarão a ser executadas consoante a ordem da lista definida para se efectuar à respectiva distribuição das habitações públicas. Leong Heng Teng: Já fiquei mais esclarecido sobre esta situação, mas ainda queria perguntar o seguinte. Dado que dentro de um curto prazo não irão conceder novos terrenos, qual o grau de influências que pode trazer para os interessados que estão inscritos nas listas? Presidente: Faça o favor de responder Sr. Secretário Au. Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Continuo a pedir ao Sr. Director Cheang para responder a esta questão. Director do IHM, Cheang Kuok Meng: Pessoalmente, creio que, de acordo com a actual situação, as pressões por enquanto não são grandes, e por isso, resta apenas ao IHM aguardar pela distribuição de habitações. Presidente: Gostaria de perguntar aos Srs. Deputados se ainda têm novas questões a colocar? Tem a palavra o Deputado Kou Hoi In. Kou Hoi In: Bom dia a todos. Todos os dias de manhã, quando saímos de casa, também temos que encarar a situação do engarrafamento de trânsito. Com o desenvolvimento da sociedade, a questão do engarrafamento de trânsito é suscitada frequentemente, e ainda por cima, Macau possui muitos carros e muitas ruas estreitas. Felizmente, nas LAG fez-se menção a muitas das medidas a Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: Respeitante à questão do trânsito da cidade que o Deputado Kou referiu, principalmente no aumento de dois dígitos nos veículos motorizados, como é que o serviço competente pode enfrentar a questão do aumento bruto no fluxo de trânsito? Há pouco, os números que o Deputado invocou, são muito correctos. De momento, o número total de veículos motorizados existentes em Macau, ultrapassam os 110 mil. Porém, e quanto ao comprimento global das vias públicas até meados do corrente ano, ainda se mantém dentro dos 330 km, e comparado com HK, em que o comprimento global é 5.5 vezes mais que Macau. Mas, enquanto que, comparado com o número total de veículos motorizados é de 8.5 vezes a mais. Ou seja, o nível de pressões na percentagem das vias públicas e dos veículos motorizados em HK, é 3 vezes mais do que nós. Mesmo assim, e para encararmos a questão do trânsito, basicamente, todos os anos também realçamos nas LAG sobre o melhoramento do trânsito da cidade. No corrente ano, de facto, já encarregámos a Companhia de Consultadoria para efectuar uma avaliação global sobre o fluxo do trânsito e, no próximo ano, também continuaremos a proceder a uma avaliação sobre esta matéria. Porém, um dos trabalhos importantes a desenvolver é, adoptarem-se, na medida do possível, medidas para escoamento, na esperança de se poder orientar aos poucos, com vista a reduzir o número de veículos que circulam pelo centro da cidade. Cito um exemplo concreto. Neste ano, vamos promover um plano sobre a criação de um viaduto junto do Reservatório, de modo a produzir o efeito de escoamento para os veículos que se concentrem em utilizar o túnel da Guia. Como sabem, a situação de congestionamento é muito grave na saída do túnel da Guia para o sentido da Av. Horta e Costa. Antigamente, e aquando da construção do túnel, não ponderaram no ritmo do desenvolvimento dos veículos motorizados nem o ambiente natural da Guia, daíque, apenas se tivesse construído um túnel com duas faixas de rodagem e com 2 sentidos. De uma óptica do plano geral dos túneis, trata-se de um método relativamente perigoso, pelo que, no corrente ano, e mais precisamente, depois de alguns acidentes graves de viação, os respectivos serviços das Obras Públicas já tomaram medidas provisórias. Recentemente, encomendámos uns equipamentos em França, que irão ser instalados muito em breve no túnel da Guia, com vista a atenuar as limitações, aquando da circulação de veículos. Por outro lado, e para além de incentivar os veículos pesados a circularem, na medida do possível, menos vezes no Centro, ainda vamos construir viadutos nas estradas principais. N.° 42/2000 - 30-11-2000 Diário da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau – I Série Deste modo, poder-se-á contribuir para o escoamento do fluxo dos veículos, bem como, através da semaforização e dos sinais de trânsito, melhorar a situação do trânsito. Acho que a questão do trânsito em Macau ainda não é considerada grave, porque nos países do Sudeste Asiático, ou nas grandes cidades da RPC, as situações de engarrafamento são muito mais graves. Mas não quer dizer que a nossa rede rodoviária seja melhor do que a dos outros. As nossas condições prioritárias são, se bem que as nossas estradas tenham apenas 330 km de comprimento, não nos podemos esquecer que, à excepção do número dos motociclos, existem cerca de 50 mil veículos ligeiros, dado que os destinos são relativamente próximos, por isso, na realidade, o tempo de circulação dos veículos nas vias é relativamente curto, fez com que o tempo de engarrafamento também não seja longo. Esta é uma das características de Macau. Relativamente à adopção de medidas administrativas para limitar o número de veículos, creio que, até ao momento, ainda não foi ponderada esta questão nas políticas governativas, porque tal medida poderá originar muitos problemas. Conforme a nossa avaliação, ainda podemos enfrentar a actual situação. Além disso, e a fim de combater o ruído produzido pelos motociclos de "two strocks" e a produção de gazes poluidores, referiu-se nas LAG que vamos estudar algumas medidas, no intuito de controlar o aumento destes motociclos, porque provocam muita poluição ambiental. Também vamos ponderar se podemos implementar o conceito de veículos para a preservação ambiental. Obviamente que se trata de um ponto experimental, e também chegámos a conhecer a situação junto dos importadores, para tentarmos saber o nível de oportunidade em poder implementar-se este conceito. Acreditamos que isto pode contribuir para a preservação ambiental. Numa óptica do planeamento urbanístico, também vamos promover, a título experimental, mas conforme a avaliação preliminar talvez não consigamos concretizar, mas se no futuro conseguirmos concretizar, muitas zonas, por exemplo, a zona de Tap Seac (Caixa Escolar), algumas ruas e becos, provavelmente poderão transformar-se em zonas de acesso exclusivo para peões. Desta forma, podemos reduzir muitos problemas de trânsito. Quanto à situação deste aspecto, dado que acarreta um longo período de ponderação, ainda é necessário uma articulação na mentalidade da população, por isso, não posso revelar mais. De facto, muitas promoções de políticas, actualização de mentalidades da população e melhoramento gradual dos costumes da vida, também estão intimamente relacionados com a implementação favorável das políticas. Presidente: Tem a palavra o Deputado Kou Hoi In. Kou Hoi In: Depois de uma explicação pormenorizada do Sr. Secretário, não tenho mais questões a colocar. 46 Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long: O número total dos nossos estacionamentos já ultrapassaram os 76 mil. Os 13 parques de estacionamento particulares, que já entraram em funcionamento, fornecem cerca de 6 mil lugares, e quanto aos restantes números, são partilhados pelos parques de estacionamento ainda em fase de construção, que fazem parte dos edifícios particulares, dos parques nas vias públicas com e sem parquímetros. Não incluindo os motociclos, de momento, temos um total de 50 mil veículos pesados e ligeiros. Logicamente, os parques de estacionamento são suficientes para responder ao número de veículos. Mas porque é que as situações de infracção de estacionamento continuam tão graves? A razão é porque muitos cidadãos não querem estacionar o carro nos parques distantes, ou seja, infringem a lei devido à facilidade. Cito as Ilhas a título de exemplo. Muitos residentes também não querem adquirir, nem alugar os parques de estacionamento dos próprios edifícios onde habitam, e preferem procurar estacionamento na rua, pelo que, quanto à questão de estacionamento, não tem nada a ver com o número de parques se corresponde ou não com o número de veículos existentes, mas está relacionado sim, com o conhecimento cívico dos cidadãos ou dos condutores. Relativamente a esta matéria, prevê-se implementar acções para divulgação da segurança rodoviária, através do Conselho Consultivo de Trânsito, no sentido de elevar o conhecimento cívico da população. Creio que se trata de um aspecto muito importante. Obrigado. Presidente: Sr. Deputado David Chow. Chow Kam Fai David, aliás, David Chow: Bom-dia a todos. Pessoalmente, estou inteiramente satisfeito com todas as respostas do Sr. Secretário. Acho que existem dois aspectos que são realmente difíceis de se proceder a uma estatística. Um é relacionado com o estacionamento. Não sei como é que o Governo consegue proceder a estatísticas. O meu parque de estacionamento, a título de exemplo, nunca ninguém lá estaciona. A outra questão é a política da habitação. Queria apresentar um tema para debatermos, mas agora, penso que vou aguardar a questão para debatermos no futuro. Com a existência de tantas fracções desabitadas, o Governo ainda promove outras tantas habitações. Bom, aguardo para a próxima vez. Presidente: Gostaria de perguntar aos Srs. Deputados se ainda querem colocar outro tema para o debate? Não havendo, declaro encerrado o debate sobre as LAG para o ano de 2001. Presidente: Sr. Deputado Ng Kuok Cheong. Ng Kuok Cheong: Aproveitando os dados da rede viária e dos veículos, gostaria de perguntar se têm ou não comparado o número de estacionamentos com HK? Através da comparação dos dados, não sei se pode responder porque é que os nossos números de mal estacionamento são mais elevados do que os outros? Agradeço imenso a presença do Sr. Secretário Ao Man Long e dos seus colaboradores. Também manifesto os meus sinceros agradecimentos pelo trabalho desenvolvido pelos funcionários. Declaro encerrada a sessão. Inérpretes-Tradutores: Gabinete de Tradução Presidente: Sr. Secretário Ao. Redactores: Gabinete de Registo e Redacção