S E P SINDICATO DOS ENFERMEIROS PORTUGUESES AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO MS impôs as suas soluções MEMORANDO DA TROIKA E a nossa indignação... HÁ SOLUÇÕES! Aumento do tecido produtivo Taxar as tran transações nsações financeiras TRIMESTRAL | ANO XX A B R I L / M A I O / J U N H O 2011 Nº84 4€ ficha técnica SUMÁRIO Editorial Título Enfermagem em Foco Periodicidade José Carlos Martins 2 Trimestral Destaque Director José Carlos Martins. Coordenação Natália Filipe. Redacção Avaliação do Desempenho Memorando da TROIKA Comissão Executiva do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. 3 10 Acção Sindical Colaboradores Permanentes Cândida Fino (Ficheiro). CDI Documentalista Maria de Fátima Costa Santos. Comissão Científica Eulália Novais, Isidora Loupa Camarro, Lucília Rosa Mateus Nunes, Maria Arminda Amaro Monteiro, Maria Isabel Costa e Silva, Maria José Viana Almeida, Teresa Maria Dotti Monteiro e Zélia Almeida Cavaco. Secretariado de redacção Dora Galvão e Fernando Gama. Propriedade A Revista Enfermagem em Foco é propriedade do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. Av. 24 de Julho, 132 – 1350-346 Lisboa. Tel.: 213 920 350 • Fax: 213 968 202. E-mail: [email protected] • http://www.sep.pt Todos os artigos não assinados são da responsabilidade da Direcção Nacional do SEP. Os artigos da rúbrica “Regiões” são da responsabilidade das respectivas Direcções Regionais. Os artigos assinados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Os trabalhos publicados no “Espaço do Autor” são submetidos à apreciação de uma Comissão Científica e independente, segundo critérios pela mesma elaborados. Tiragem: 17.500 exemplares. Preço: € 4,00. Depósito Legal n.º 39770/90. ICS n.º 115 126 • ISSN: 0871-8008. Paginação, Pré-impressão e Impressão: DPI Cromotipo, Rua Alexandre Braga, 21B 1150-002 Lisboa Distribuição gratuita aos sócios do SEP. Permitida a reprodução dos artigos publicados desde que a fonte seja devidamente referenciada. Frente Comum – Manifestação Conjunta 15 ENEE – XXXII Encontro Nacional de Estudantes de Enfermagem Privado – As Parcerias Público Privadas na Saúde – Grupo Galilei – Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa – Os horários de trabalho dos enfermeiros Combater a Desigualdade: Melhorar o Acesso e a Equidade – ICN – CNR e Conferência REGIÕES 19 20 21 21 22 24 34 COLEGA, TOME NOTA Licença por nascimento de filho FICHEIRO 42 42 CDI Selecções do CDI 44 Investigação 45 Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 JOSÉ CARLOS MARTINS e d i t o r i a l Coordenador Nacional do SEP Mobilizar e Resistir! … Governo maioritário suportado por dois dos partidos que negociaram o Memorando da Troika. … o programa do Governo pretende ir mais longe. … a primeira medida do governo foi … retirar em cerca de 50% o subsídio de Natal. … mais um imposto que mais uma vez serão os funcionários públicos a suportar quase na totalidade. … governo não apresentou nenhuma proposta sobre o sector financeiro … dos mais culpados pela situação do país. … resistir à vontade expressa de diminuição do valor do trabalho e das condições de vida. … é nossa função não permitir que a situação se agrave exigindo que outras soluções sejam encontradas. O SEP … apresentará um caderno reivindicativo que também divulgará junto dos enfermeiros. … matérias que importa continuar a analisar, discutir e solucionar… Entre a anterior revista e esta decorreram as eleições legislativas que determinaram a mudança de figurino, na Assembleia da República. Um Governo maioritário suportado por dois dos partidos que negociaram o Memorando da Troika. Se aquele documento já aponta para o que se pretende fazer no país – diminuir o Estado Social, privatizar empresas públicas, diminuir serviços públicos essenciais, etc – o programa do Governo pretende ir mais longe. Muitos poderão pensar que esta é a única solução para retirar o país do “lodo” em que se encontra. Não sejamos ingénuos! Subjacente às propostas do governo está uma forte componente ideológica, tão válida como outra qualquer, caso não pusesse em causa as condições de vida da maioria dos portugueses. A CGTP tem apresentado alternativas, nomeadamente, no que diz respeito ao aumento da receita do país: aumento do tecido produtivo seja na indústria, na agricultura ou nas pescas, aumento da qualificação dos trabalhadores, taxar as transacções financeiras, nomeadamente, as efectuadas em bolsa, etc. Contrariamente a trilhar este caminho, a primeira medida do governo foi, mais uma vez, impor um imposto que permitirá retirar em cerca de 50% o subsídio de Natal. Muitos vieram logo dizer que este imposto era muito mais justo porque se aplica a todos os portugueses. É falso! Sabendo que quem tem uma remuneração igual ao salário mínimo nacional não será abrangido por este imposto (justíssimo), a verdade é que muitas são as empresas que contratam trabalhadores impondo desde logo que só declarem o SMN sendo que o resto da remuneração é pago, por exemplo, mediante apresentação de facturas de variadíssima natureza. Estas são situações, entre outras, que configuram fraude mas que nunca são fiscalizadas. Ou seja, o governo decide por mais um imposto que mais uma vez serão os funcionários públicos a suportar quase na totalidade. Curiosamente, o governo não apresentou nenhuma proposta sobre o sector financeiro, reconhecidamente, dos mais culpados pela situação do país. Neste contexto, mobilizar e resistir é um imperativo para todos. Mobilizar‑nos colectivamente em torno de propostas concretas e resistir à vontade expressa de diminuição do valor do trabalho e das condições de vida. Segundo os resultados divulgados recentemente mas referentes a 2009, 1/5 da população idosa vive em risco de pobreza sendo que é na população com menos de 18 anos que esta taxa mais cresceu. Que valores se registarão em 2011? Teremos dúvida que aumentou? Teremos dúvida que se vai agravar? Então é nossa função não permitir que a situação se agrave exigindo que outras soluções sejam encontradas. O SEP em breve irá solicitar uma reunião ao novo Ministro da Saúde e apresentará um caderno reivindicativo que também divulgará junto dos enfermeiros. Nele constarão todas as matérias que importa continuar a analisar, discutir e solucionar: emprego, precariedade, reforma dos cuidados de saúde primários, postos de trabalho para enfermeiro principal, negociação dos acordos colectivos de trabalho, direcção de enfermagem, etc. sep – sindicato dos enfermeiros portugueses Avaliação do desempenho seP não fez acordo, Ministério da saúde impôs as suas soluções e remeteu Portaria para publicação decorreu no dia 23 de Março a última reunião negocial sobre a Portaria da avaliação do desempenho entre o Ministério da Saúde e a cnESE. a CNESE/SEP não fez acordo (ver Acta em anexo) e, como aconteceu com o d.l. n.º 122/2010 (diploma relativo a “grelhas salariais, rácios e transições”), o Ministério da Saúde impôs as suas soluções e remeteu a Portaria para o circuito legislativo e foi publicada. B – Articulação entre a Portaria da Avaliação do Desempenho e aspectos remuneratórios. Foi exigência da cnESE/SEP, e, conseguiu-se para os enfermeiros, a contagem do tempo de serviço (Pontos) relativo aos anos de 2004 a 2010 nas condições que a lei geral já consagrava. ou seja, nos termos do n.º 6 do art.º 23º da Portaria n.º 242/2011, “aos desempenhos ocorridos nos anos de 2004 a 2010, ambos inclusive, é aplicável o disposto no art.º 113º da lei n.º 12 –a/2008. Significa que a generalidade dos enfermeiros (cfr. ª n.º 1, al. a); n.º 2, al. d) e n.º 6, do art.º 113º da lei n.º 12-a/2008), a 31 de dezembro de 2010, já detém 10,5 Pontos contáveis, para acTa do ProcESSo nEGocial A – Articulação entre a Portaria da Avaliação do Desempenho e o DL n.º 122/2010 de 11 de Novembro. a Portaria n.º 242/2011 foi publicada em 21 de Junho e entrou em vigor a 22 de Junho (cfr.ª art. º 27º). assim, a 22 de Junho produz efeitos (é operacionalizavel) Todo o decreto lei n.º 122/2010 (cfr.ª art.º 10º). Significa que, a partir desta data, designadamente: • os Mapas de Pessoal das instituições para 2012 (que são elaborados em Junho/Julho) têm que, legalmente, considerar as dotações (os rácios) para a categoria de Enf.º Principal consagrados no art.º 3º. • as instituições devem operacionalizar a Transição de carreira e o respectivo reposicionamento Salarial (cfr.ª art.º 23º do dl n.º 248/2009 e n.º 1, art.º 5º do dl n.º 122/2010) – Processualmente, TODAS as Instituições estão legalmente obrigadas a: i) Afixar Listas Nominativas de Transição e Manu‑ tenção em local público; ii) Notificar, individualmente, cada um e todos os enfermeiros da Instituição (independentemente de manter a sua actual categoria ou de já terem sido reposicionados em nova posição remuneratória/Enf. Graduados, escalão 1). – Alertamos para a importância de TODOS os enfermeiros guardarem a referida Notificação da Transição. 1 ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 efeitos de mudança de Posição remuneratória (“progressão”), na Posição remuneratória onde são reposicionados após a Transição (22 de Junho). importa reter que, nos termos do n.º 2 do art.º 2º do dl n.º 122/2010, a “alteração de posição remuneratória na categoria efectua-se nos termos previstos nos artigos 46 a 48 da lei n.º 12-a/2008” e que, nos termos do n.º 6 do art.º 47º da referida lei n.º 12-a/2008, “há lugar a alteração obrigatória para a posição remuneratória imediatamente seguinte … quando … tenha acumulado 10 Pontos nas avaliações do seu desempenho…”. Em síntese, a generalidade dos enfermeiros, a partir de 22 de Junho, já detém o número de Pontos suficiente (10 Pontos) para mudar obrigatoriamente de Posição Remuneratória. contudo, a mudança obrigatória de Posição remuneratória não é passível de ser concretizada porque a lei do orçamento de Estado para 2011 (lei n.º 55-a/2010 de 31/12) vedou legalmente (entre 1/Janeiro e 31/dezembro/2011) a prática de quaisquer actos que consubstanciem valorizações remuneratórias (cfr.ª n.ºs 1 e 2, art.º 24º da lei n.º 55-a/2010). 2 com a entrada em vigor da Portaria n.º 242/2011 e a consequente operacionalização integral do dl n.º 122/2010 (cf.ª art.º 10º), já seria possível efectivar a aplicação do seu art. º 4º (“remuneração das funções de direcção e chefia”) nos termos e condições legalmente aí fixadas. contudo, a atribuição do suplemento remuneratório de 200 euros (Enf.ºs chefes, Supervisores e em chefia nos termos do art.º 18º do dl n.º 248/2009) e de 300 euros (Enf.ºs directores) não é passível de ser concretizada porque a lei do orçamento de Estado para 2011 (lei n.º 55-a/2010 de 31/12) vedou legalmente (entre 1/Janeiro e 31/dezembro/2011) a prática de quaisquer actos que consubstanciem valorizações remuneratórias (cfr.ª n.ºs 1 e 2, art.º 24º da lei n.º 55-a/2010). C – Sobre a Avaliação do Desempenho dos Enfermeiros 3 4 sep – sindicato dos enfermeiros portugueses Entretanto, sem prejuízo duma abordagem mais pormenorizada em próxima revista, destacamos alguns aspectos da referida Portaria n.º 242/2011: • A Avaliação do Desempenho dos Enfermeiros é exclusivamente feita por Enfermeiros (n.º 1, art.º 9º) • É fundamental a existência dos dois Enfermeiros Avaliadores consagrados no art.º 9º. Isto determina a existência de Enf.ºs Principais (abertura de concursos) e de Enf.ºs em Chefia nos termos do art.º 18º do DL n.º 248/2009, ao nível do Serviço/Unidade ou Conjunto de Serviços/Unidades, onde não existam enfermeiros com as Categorias de Enf.º Chefe e Supervisor. Contudo, só podem existir Enf.ºs em Chefia nos termos do art.º 18º do DL n. º 248/2009, após a negociação e publicação da Portaria regulamentadora da Direcção de Enfermagem (n.º 5 do art.º 18 do DL n.º 248/2009 em articulação com o n.º 3 do art. º 4º do DL n.º 122/2010). • A nova Avaliação do Desempenho apenas se aplica aos desempenhos que tenham lugar a partir de 1.1.2012. Durante o ano de 2011 a avaliação do desempenho é feita nos termos do DL n.º 437/91 e prepara-se todo o processo inerente à aplicação da nova Avaliação do Desempenho (cfr.ª art.º 23º). PORTARIA N.º 242/2011 ANO XX ABRIL/MAIO/JUNHO 2011 Nº 84 5 6 SEP – SINDICATO DOS ENFERMEIROS PORTUGUESES ANO XX ABRIL/MAIO/JUNHO 2011 Nº 84 7 8 SEP – SINDICATO DOS ENFERMEIROS PORTUGUESES ANO XX ABRIL/MAIO/JUNHO 2011 Nº 84 9 Memorando da TROIKA Análise do SEP Decorrente da grave situação económica e financeira do país, consequência das várias politicas que os sucessivos governos têm vindo a adoptar e que se aprofundou nos últimos dois anos com a utilização dos dinheiros públicos para “reabilitar” os bancos que durante anos sustentaram os seus lucros na venda da dívida, o anterior governo decidiu pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional. Desde pedido de ajuda resultou um entendimento entre o PS, o PSD e o CDS/PP, o FMI, o Banco Central Europeu e a União Europeia que ficou conhecido pelo “Memorando da TROIKA”. Tendo sido concretizado antes das eleições legislativas de 5 de Junho, este Memorando foi parte integrante dos programas com que aqueles partidos políticos se apresentaram aos eleitores. Pela gravidade das medidas inscritas no Memorando e os prazos que ali estão previstos, importa que todos lhe dedicamos um pouco de atenção e que todos tenhamos consciência da forma como a nossa vida vai estar condicionada, nos próximos anos. O objectivo em termos de política orçamental é reduzir o défice público para menos de 10068 milhões de euros (equivalente a 5,9% do PIB) já em 2011, 7645 milhões de euros em 2012 (4,5% do PIB) e 5224 milhões de euros (3% do PIB) em 2013. A forma como os 3 partidos políticos entenderam que seria a forma para atingir este objectivo, como se verá a seguir, incide essencialmente no aumento de impostos, diminuição do valor do trabalho através da redução da massa salarial (salários e desenvolvimento nas carreiras profissionais). Pelo contrário, também poderemos constatar que relativamente ao sistema financeiro não há nenhuma medida concreta nem a imposição de qualquer prazo levando‑nos a questionar “porque não ajudam eles a pagar a crise” ou indo mais longe “porque não pagam eles a crise que criaram”. SAÚDE Medidas Prazo •Rever e aumentar as taxas moderadoras através da revisão das categorias de isenção existentes. •Aumento das taxas moderadoras em determinados serviços assegurando que as taxas moderadoras nos cuidados de saúde primários são menores do que as aplicáveis a consultas de especialidade e episódios de urgência. •Reduzir em dois terços os deduções fiscais relativas a encargos com a saúde, incluindo seguros privados. • Estabelecer o preço máximo do primeiro genérico introduzido no mercado em 60% do preço do medicamento de marca com uma substância activa similar. • Tornar obrigatória a prescrição electrónica de medicamentos e meios de diagnóstico, abrangidos por sistemas de comparticipação pública, para todos os médicos tanto no sector público como no sector privado. •A avaliação (no âmbito da monitorização da prescrição de medicamentos e meios de diagnóstico) será efectuada através de uma unidade específica do Ministério da Saúde tal como o Centro de Conferência de Facturas. Sanções e penalizações serão previstas e aplicadas no seguimento da avaliação. •Incentivar os médicos, a todos os níveis do sistema, tanto público como privado, a prescrever genéricos e os medicamentos de marca que sejam menos dispendiosos. • Estabelecer o enquadramento legislativo e administrativo de um sistema centralizado de aprovisionamento para a compra de dispositivos médicos no âmbito do SNS (equipamentos, aparelhos, fármacos), através dos recentemente criados Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), de forma a reduzir custos através de acordos de preços/volume e combater desperdícios. • Prosseguir com o reforço dos serviços de cuidados de saúde primários, de modo a continuar a redução do recurso desnecessário a consultas de especialidades e às urgências e de modo a melhorar a coordenação dos cuidados, através do aumento do número de USF’s contratualizadas com as ARS’s, continuando a recorrer a uma combinação de pagamento de salários e de pagamentos baseados no desempenho. Assegurar que o novo sistema conduz a uma redução de custos e a uma prestação de cuidados mais eficazes. • Serviços Hospitalares – estabelecer um calendário vinculativo para liquidar todos os pagamentos em atraso (pagamentos devidos a fornecedores nacionais com atraso superior a 90 dias) e introduzir procedimentos de controlo padronizados em todas as entidades, para evitar o reaparecimento de pagamentos em atraso. 10 sep – sindicato dos enfermeiros portugueses 3 Trimestre de 2011 até ao final de Setembro de 2011 SAÚDE Medidas Prazo • Prosseguir com a publicação das normas de orientação clínica e criar um sistema de auditoria da sua implementação. •Actualizar anualmente o inventário de todos os médicos no activo por especialidade, idade, região, centro de saúde e hospital, no sector público e privado, de modo a identificar os médicos no activo, incluindo internos, e a exercer e as actuais e futuras necessidades em termos de recursos humanos nas diferentes categorias elencadas. •Reduzir os custos com o transporte de doentes em 1/3. 3 Trimestre de 2011 até ao final de Setembro de 2011 • Poupança em 100 milhões de euros através de, entre outras medidas, a redução dos cargos dirigentes em resultado da concentração e da racionalização nos hospitais públicos e nos centros de saúde. •Rever e aumentar as taxas moderadoras do SNS através da indexação automática à inflação. •Os custos orçamentais dos sistemas de saúde dos funcionários públicos (ADSE) serão reduzidos através do decréscimo das contribuições da entidade empregadora e pelos ajustamentos do âmbito dos benefícios de saúde. • Elaborar um plano estratégico para o sector da saúde, no contexto de, e consistente com, o enquadramento orçamental de médio prazo. • Melhorar o sistema de monitorização da prescrição de medicamentos e meios de diagnóstico. • Estabelecer regras claras de prescrição de medicamentos e de meios complementares de diagnóstico e terapêutica, baseadas nas orientações internacionais de prescrição. •Remover todas as barreiras à entrada de genéricos, especialmente através da redução de barreiras administrativas/legais, com vista a acelerar a comparticipação de genéricos. •Implementar efectivamente a legislação existente que regula a actividade das farmácias. •Alterar o cálculo das margens de lucro para instituir uma margem comercial regressiva e um valor fixo para as empresas distribuidoras e para as farmácias, na base da experiência adquirida noutros Estados Membros. • Finalizar o sistema uniforme de codificação e um registo comum de fornecimentos de material médico. 4 trimestre de 2011 •Adoptar medidas para aumentar a concorrência entre prestadores privados e reduzir em pelo menos 10% a despesa global (incluindo taxas) do SNS com entidades privadas que prestem serviços de meios complementares de diagnóstico e terapêutica do SNS até ao final de 2011, e de 10% adicionais até ao final 2012. • Prosseguir com o reforço dos Cuidados de Saúde Primários, de modo a continuar a redução do recurso desnecessário a consultas de especialidade e às urgências e de modo a melhorar a coordenação dos cuidados através da criação de mecanismo para a garantir a presença de médicos de família em áreas carenciadas, de modo a possibilitar uma distribuição mais equitativa dos médicos de família pelo país. • Melhorar os critérios de selecção e adoptar medidas para assegurar uma selecção mais transparente dos presidentes e dos membros das administrações hospitalares. Estes deverão ser, por lei, pessoas de reconhecido mérito na saúde, gestão e administração hospitalar. • Preparar relatórios anuais, o primeiro a ser publicado até finais de Março de 2012, apresentando planos de afectação de recursos humanos no período que decorre até 2014. O relatório especifica planos para reafectar recursos qualificados e de apoio dentro do SNS. APRECIAÇÃO do SEP: Tal como em relação a outros sectores, o acordo da “Troika” prevê uma intervenção já para este ano com o objectivo de reduzir a despesa pública. A previsão da diminuição dos custos está estimada em 200 milhões entre 2011 e 2012 e 375 milhões em 2013, principalmente à custa de uma maior fiscalização/regulação na política do medicamento, com várias medidas a incidir nessa área. Também, a monitorização das prescrições de exames complementares de diagnóstico podem ter um impacto positivo na sustentabilidade do SNS. Neste contexto, importa estar atento e, neste aspecto, os enfermeiros têm um papel preponderante que passa por garantir que os utentes/doentes continuarão a ter o acesso a todos os exames complementares de diagnóstico e/ou medicamentos que efectivamente necessitam. Outras medidas vão incidir directamente no “bolso” dos trabalhadores, e também dos enfermeiros, como por exemplo a redução do financiamento para a ADSE (reduzir inscritos e comparticipações) em 50% já nos próximos dois anos esperando‑se que seja auto finan‑ ciada até 2016. Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 11 O aumento das taxas moderadoras vai ser mais uma das penalizações com a agravante de estar previsto a indexação dos aumentos à taxa de inflação que em cada ano se vier a registar. O Serviço Público de Saúde está inscrito na Constituição Portuguesa com um direito geral, universal e tendencialmente gratuito. Ainda que os sucessivos governos afirmem que as taxas moderadoras servem para “moralizar” a utili‑ zação dos serviços de saúde, a verdade é que estes aumentos podem ter como consequência a não utilização dos mesmos apenas porque os cidadãos não têm dinheiro disponível para pagar. A criação de centros hospitalares numa lógica de rentabilização dos equipamentos, de acordo com o governo, é uma medida que está a ser seguida pela maioria dos países da União Europeia. Esta medida poderá ser viável se forem criadas outras condições ao nível da comunidade, como por exemplo, o reforço dos cuidados de saúde primários. A evolução das necessidades em cuidados de saúde por parte da população portuguesa evidência que já hoje assenta, essencialmente, em cuidados de manutenção resultante do envelhecimento populacional e do aumento das situações de doença crónica. Neste contexto, a especialização dos hospitais para a resolução de episódios agudos de doença poderá ser o que dará mais garantias de resposta rápida e eficaz naquelas situações. E, sendo assim, a redução de cargos dirigentes pode fazer sentido. Contudo, há questões relevantes que deverão ser tomadas em linha de conta como por exemplo, as características de cada uma das instituições e a cultura organizacional das mesmas. Ainda, a medida prevista de comparar o desempenho dos hospitais com características semelhantes pode ser avaliada como importante. O corte previsto de 15% nos custos operacionais é outra medida que terá que ser acompanhada, isto é, se essa redução se fizer à custa de despedimentos, de não admissão de trabalhadores, e (também enfermeiros), da redução de vencimentos e do não pagamento de trabalho extraordinário deverá merecer o nosso mais veemente repúdio e a intervenção individual de cada enfermeiro, requerendo o pagamento pelo trabalho extraordinário efectuado em conjunto com o SEP. Já a medida que prevê a melhoria dos critérios com o objectivo de assegurar uma selecção mais transparente dos presidentes e dos membros das administrações hospitalares que deverão ser, por lei, pessoas de reconhecido mérito na área da saúde, gestão e administração hospitalar, é correctíssima. É importante não esquecer o que aconteceu a partir de 2002, com a alteração da Lei de Gestão Hospitalar que permitiu que os presidentes dos conselhos de administração dos hospitais fossem pessoas sem qualquer formação nesta área e que, em alguns casos teve consequências catastróficas como por exemplo, a tentativa de imposição de apenas um cirurgião em intervenções do foro cardíaco, num hospital especializado naquela área ou, até, a tentativa de reduzir o número de enfermeiros nas salas operatórias, contrariando tudo o que são normas internacionais sobre esta matéria. Nos Cuidados de Saúde Primários, o documento aponta para a continuidade da reforma dos cuidados de saúde primários ainda que dando quase a totalidade do enfoque às USF´s. Aponta para a possibilidade de implementar as USF’s modelo “C”, ou seja, o modelo privado de USF’s previsto no decreto de lei que reorganizou os cuidados de saúde primários. O SEP defende que não se deve avançar para a implemen‑ tação deste modelo sem que se sustente o funcionamento das unidades hoje existentes. Relacionar o salário com o desempenho já hoje está consagrado para as USf ’s modelo B e também está previsto para as UCC, ainda que tal não esteja a acontecer. A não admissão associado com a medida que prevê a mobilidade de profissionais dentro e entre as regiões de saúde significará sempre um aumento dos conflitos, da desmotivação e do descontentamento. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Medidas Prazo •Reduzir os cargos dirigentes e os serviços em, pelo menos, 15% na administração central. •Com vista a aumentar a eficiência da administração central e racionalizar a utilização de recursos, implementar uma segunda fase do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE). •Com vista a aumentar a eficiência da administração local e racionalizar a utilização de recursos, o Governo submeterá à Assembleia da República uma proposta de lei até ao 4 trimestre de 2011. 4 trimestre de 2011 •Atingir um défice das administrações públicas não superior a 10.068 milhões de euros. •Rever o nível de serviço público prestado por todas as empresas públicas. •Limitar as admissões de pessoal na administração pública para obter decréscimos anuais em 2012‑2014 de 1% por ano na administração central e de 2% na administração local e regional. •Através de uma política de substituição, apenas parcial, dos trabalhadores que saiam, reduzir o número de funcionários públicos na administração central em 1% quer em 2012 quer em 2013. •A racionalização da administração pública ao nível da administração local e regional permitirá reduções adicionais de custos, incluindo a redução do emprego público em 2%/ano. 12 sep – sindicato dos enfermeiros portugueses 2012‑2014 2012‑2013 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA APRECIAÇÃO do SEP: À semelhança do que já vinha a acontecer as admissões na administração pública estão profundamente condicionadas e a previsão é a redu‑ ção do número de funcionários públicos – extinção dos postos de trabalho quando os trabalhadores se aposentam e/ou colocar trabalhado‑ res nas listas dos disponíveis. Não está prevista nenhuma medida para pôr fim à precariedade de trabalhadores admitidos para fazer face a necessidades permanentes dos serviços. SALÁRIOS E PENSÕES Medidas Prazo •Os salários e pensões serão congelados até 2013 excepto no caso das pensões mais baixas. • Será introduzida em 2012 uma contribuição especial com incidência sobre as pensões acima de 1500 euros, ficando isentas as pensões mais baixas. 2011‑2013 2012 •Ajustamentos salariais de acordo com a produtividade ao nível das empresas. APRECIAÇÃO do SEP: O objectivo central é o de diminuir os rendimentos dos trabalhadores através de várias medidas até 2013. Até 2013 não haverá aumentos salariais independentemente do valor da inflação que possa acontecer em 2011, 2012 e 2013 da mesma forma que com o congelamento das progressões nas carreiras, nenhum trabalhador poderá usufruir de revalorizações salariais decorrentes do desenvolvimento profissional. Associado a estas medidas e atendendo ao brutal aumento de impostos que estão previstos significa que todos estaremos confrontados com uma diminuição brutal do rendimento mensal. Ainda, as medidas que no documento estão inscritas na rubrica “aumentar a competitividade” mais não significam que o aprofundamento da exploração dos trabalhadores – menos pessoas a trabalhar (não admitem) e com a pretensão de manter a qualidade significa o aumento dos ritmos de trabalho dos outros e a compensação é... menos rendimento disponível. Paralelamente será mais fácil despedir trabalhadores e com direito a menos protecção social. O aumento do salário mínimo que estava acordado ser efectivado para os 500 euros já este ano prevê agora só acontecer em 2013 e apenas se o mercado económico e laboral evoluir positivamente. SISTEMA FISCAL – IMPOSTOS Medidas Prazo • IRS – Estabelecer um tecto global para as deduções relativas a encargos com a saúde, a educação e a habitação, diferenciado em conformidade com o escalão de rendimento e eliminar progressivamente as deduções dos encargos com juros de crédito à habitação e com rendas, através de legislação a aprovar até ao final de 2011. • IMI – isenção temporária será consideravelmente reduzido no final de 2011. 4 trimestre de 2011 • Modificar a tributação de bens imóveis com vista a nivelar os incentivos ao arrendamento com os de aquisição de habitação própria. • IVA – aumentar a taxa do IVA na electricidade e no gás bem como tributar em sede de impostos especiais sobre o consumo a electricidade, •Imposto sobre a eletricidade. •As taxas mais elevadas de IVA, IRS e IRC incluídas no OE 2011 permanecerão em vigor até 2013. 2012 2011‑2013 •Aumento dos impostos sobre os veículos e sobre o tabaco. •Congelar todos os benefícios e incentivos fiscais e eliminar alguns deles. APRECIAÇÃO do SEP: As medidas falam por si! Mais e mais impostos, alguns deles indexados à taxa de inflação como é o caso do imposto de electricidade. Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 13 ParEcEr Guilherme Fonseca Guilherme Fonseca Juiz – Conselheiro Jubilado Tribunal Constitucional e Supremo Tribunal de Justiça Juiz – Conselheiro Jubilado Tribunal Constitucional e Supremo Tribunal de Justiça Terceira e breve abordagem ao “Memorando de entendimento sobre condicionalismos específicos de política económica” subscrito por UE/FMI/BCE e PS/PSD/CDS O “Memorando da TROIKA” e a nossa INDIGNAÇÃO - Identificação “da duplicação potencial de actividades e de outras ineficiências entre a administração central, a administração local e serviços da administração central desconcentrados”, para “eliminar as ineficiências identificadas”. No seguimento das anteriores reflexões, e adquirida a subserviência do no Governo às medidas constantes do “Memorando da Troika”, que aposta querer implementar, cumprindo até a calendarização que é imposta pela TROIKA, é importante analisar, em poucas palavras, o impacto dessas medidas na Administração Pública (AP), com a consequente violação de direitos e interesses legítimos dos seus trabalhadores. 2. Quanto a serviços partilhados o objectivo essencial é desenvolver “a utilização de serviços partilhados na administração central”, tendo em vista, em especial, a redução do número de entidades de tecnologias de informação em ministérios ou outras entidades públicas e a redução do “número de serviços desconcentrados ao nível dos ministérios (por exemplo, impostos, segurança social, justiça)”, que “deverão ser objecto de fusão em lojas do cidadão”. É especificamente um capitulo do ponto 3 do memorando, com a epigrafe de “medidas Orçamentais Estruturais”, subdivindo-se nos subcapítulos das “Administração central, regional e local”, “Serviços partilhados” e “Recursos humanos”. 3. Quanto a recursos humanos: - preparação de “um plano abrangente para promover a flexibilidade, a adaptabilidade e a mobilidade dos recursos humanos na Administração Pública”. Sem entrar em linha de conta com as medidas tratadas a propósito da política orçamental, e que foram objecto de registo na anterior segunda e breve abordagem, muitas delas atingindo de imediato os trabalhadores da AP, sobretudo, a nível de remunerações e de pensões e também a nível, em geral, dos impostos, o “Memorando da TROIKA” começa por enunciar a propósito fundamental de “aumentar a eficiência e a eficácia na Administração Pública” e depois passa à identificação das medidas, como sejam: - Limitações das “admissões de trabalhadores na Administração Pública, com vista a atingir decréscimos anuais em 2012-2014 de 1% por ano na administração central e de 2% por ano nas administrações regional e local” (e daí a intimação ao Governo para tomar iniciativas, como seja, uma proposta de lei, para implementar a medida ao nível da administração local e das Regiões Autónomas). 4. Mas não fica por aqui o “quadro negro” a impor à AP, pois há muitas outras medidas noutros capítulos do “Memorando de TROIKA”, como seja, por exemplo, no capitulo da saúde, em que se pretende “reformar o Sistema de Saúde”, implicando, entre o mais, a revisão e o aumento das “taxas moderadoras do SNS”, a redução do custo global orçamental dos sistemas actuais de ADSE, ADM (Forças Armadas) e SAD (Forças Policiais), o corte, a doer nos gastos dos hospitais públicos, pretendendo-se uma redução “nos custos operacionais dos hospitais” incluindo “a redução de cargos dirigentes”. E ainda o corte a alcançar com a introdução de regras “ para aumentar a mobilidade dos profissionais de saúde (incluindo médicos) dentro e entre as várias Administrações Regionais de Saúde, com a redução das despesas em horas extraordinárias e o controlo mais rigoroso das horas de trabalho e das actividades dos profissionais nos hospitais e com a redução dos “custos com o transporte de doentes em 1/3”. 1. Quanto à Administração central, regional e local: - redução dos cargos dirigentes e dos serviços “em, pelo menos, 15% na administração central”, passado por “implementar uma segunda fase “do PRACE 2007, e, relativamente às administrações regional e local, passando por iniciativas legislativas para se atingir o mesmo objectivo de redução “dos seus cargos dirigentes e unidades administrativas no mínimo de 15% até final de 2012”. - elaboração de “uma análise detalhada do custo/benefício de todas as entidades públicas ou semi-publicas, incluindo fundações, associações e outras entidades, em todos os sectores das administrações públicas”, seguindo-se a decisão de encerrar ou de manter tais entidades. - Regulamentação, através de lei, da criação e do funcionamento “de fundações, associações e outras entidades semelhantes pela administração central e local”, o que pode permitir “o encerramento de entidades existentes quando tal se justifique” (e iniciativas necessárias serão tomadas” para que o mesmo objectivo seja atingido pelas Regiões Autónomas”). Enfim, quanto à saúde, a palavra de ordem da TROIKA é cortar/reduzir, o que irá reflectir-se no desempenho do SNS, em desfavor dos cidadãos. - Reorganização da “estrutura da administração local”, tendo em vista “reorganizar e reduzir significamente o número destas entidades” (municípios e freguesias), para “entrar em vigor no próximo ciclo eleitoral local”. 1 1 Guilherme Fonseca Juiz – Conselheiro Jubilado Tribunal Constitucional e Supremo Tribunal de Justiça CONCLUSÃO Do que fica sumamente descrito a única conclusão que, no essencial, pode colher-se é a de que os trabalhadores da AP, independentemente do que já se disse a propósito de política orçamental, vão ser ainda mais atingidos, e de modo grave, com tudo o que se passa resultou do encerramento/extinção de entidade públicas e semi publicas (o relevo da extinção de municípios e de freguesias) e de unidades administrativas, da extinção de serviços públicos e de cargos públicos, em especial, de cargos dirigentes, a par da limitação das admissões dos trabalhadores. É que, são com certeza postos de trabalho que irão reduzir-se ou até desaparecer, com todo o cortejo de dificuldades que vão sentir os trabalhadores da AP no quotidiano negro que se avizinha. É mais um factor de empobrecimento dos trabalhadores da AP, o alvo preferencial da TROIKA no corte das remunerações e das pensões, na imposição de mais impostos, na perda de postos de trabalho, na dificuldade no acesso ao trabalho, enfim, todo um rol de medidas que vão traduzir-se num autêntico retrocesso social, com a perda de direitos e interesses legítimos que já se tinham consolidado. Estar atento e lutar pelo respeito da CRP e da Lei, eis o aviso que se lança e nos deve manter permanentemente alertados. 3 4 sep – sindicato dos enfermeiros portugueses 2 2 frente comum Manifestação conjunta Em Portugal milhares de trabalhadores portugueses e de muitas nacionalidades que aqui lutam por uma vida melhor saíram à rua e desfilaram, denunciando a exploração de que são vítimas, gritando a injustiça das políticas sociais e laborais decretadas pelos grandes grupos económicos nacionais e multinacionais e implementadas pelo Governo do PS de Sócrates. Foram milhares em todo o país que, mesmo em ambiente de festa, exigiram o fim das políticas de direita e da exploração desenfreada. Os mesmos que tentam apagar a memória da Revolução de Abril são os que querem a todo o custo retirar ao 1º de Maio o seu significado para obrigar os trabalhadores a fazerem deste dia um dia normal e por isso mais um dia de trabalho, na maior parte das vezes mal remunerado. É preciso que todos tenhamos presente que esta data se comemora precisamente para lembrar que o 1º de Maio é um dia muito especial e com elevada significância para os trabalhadores de todo o mundo. Este trimestre a que a nossa revista se refere foi um período de tempo marcado por 3 momentos particularmente importantes para os portugueses. No concreto referimo‑nos ao 25 de Abril, ao 1º de Maio e a mais um momento de luta e resistência dos trabalhadores que, no seu dia‑a‑dia, dão o seu melhor para que o país se desenvolva – a manifestação de 19 de Maio. Lembremos a sua origem, numa altura em que o grande patronato, em nome de uma alegada crise mundial e apoiado pelos governos nacionais, quer aumentar os lucros à custa dos sacrifícios dos trabalhadores, num claro retrocesso secular Contra a vontade de “velhos valores”, a revolução de Abril foi mais uma vez comemorada. Não temos dúvidas que, tendo ocorrido há 37 anos, permanece a necessidade de lembrar Abril de 1974, hoje e em cada dia da nossa vida, porque nos deu a liberdade de ser, de conquistar e ter e também de lutar para não perder o que tanto custou às gerações anteriores de trabalha‑ dores. E Abril tem que ser comemorado e lembrado, para que a memória colectiva não se apague, prestando – se desta forma homenagem aos que generosamente deram muitos anos da sua vida e muitos deram mesmo a vida para que finalmente Abril rompesse as trevas da ditadura salazarista. Só assim as novas gerações poderão compreender e valorizar devidamente os direitos que temos e dar novo impulso à luta para novas conquistas, visando uma sociedade melhor, mais justa e de bem‑estar. A jornada de trabalho chegava a mais de 12 horas por dia. Os filhos dos operários eram encaminhados aos 7, 8 ou 9 anos, para o trabalho duro com Chicago, Estados Unidos, amanheceu no dia 1º de Maio de 1886, tensa e com milhares de trabalhadores nas ruas. As condições de trabalho, os baixos salários e a exploração do trabalho infantil nas fábricas norte‑americanas repetiam o modelo da Europa, sobretudo da Inglaterra, que usava repressão violenta da polícia para conter os protestos e as greves. Abril é o nosso “facho olímpico” que passará de mão em mão, atravessando gerações. Contra ventos e marés, a Revolução está viva, temos que a cuidar, fazendo de cada dia um dia de Abril. Viva a revolução de Abril! 1.º de Maio Dia Mundial dos Trabalhadores Em 2011 o 1º de Maio foi “contra as injustiças mudar de políticas – emprego, salários e direitos” Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 15 jornadas extenuantes. As primeiras organizações operárias reivindicavam o respeito pela lei, o fim do trabalho infantil e, principalmente, a redução da jornada para 8 horas diárias e apenas 4 horas aos Domingos. Em 1885, a Federação dos Grémios e Sindicatos Operários dos Estados Unidos decidiu convocar uma greve geral para o dia 1º de Maio do ano seguinte. Um ano depois, num sábado chuvoso, estourou a greve. Em diversas cidades dos EUA a paralisação decorreu normalmente. Os 350 mil operários das fábricas de Chicago cruzaram os braços. No dia seguinte a polícia entrou em choque com os grevistas numa cidadezinha perto de Chicago. Nove mortos. Um dos líderes da greve convocou para dia 4 de Maio um grande ato contra a repressão policial. Quando ele iniciava o seu discurso, o chefe da polícia exigiu que descesse do palanque. Enquanto discu‑ tiam, uma bomba explodiu no meio da multidão. Um policial morreu. A polícia abriu fogo. Resultado: 80 operários assassinados. A polícia iniciou caça aos líderes. Depois de serem presos, o processo encerrou ‑se em Outubro de 1887, 4 foram enforcados, 5 foram condenados à morte, 3 foram condenados a prisão perpétua e um quinto foi morto na prisão miste‑ riosamente. Em 14 de Julho de 1889 o Congresso Internacional dos Partidos Socialistas, reunido na França, fundou a Segunda Internacional Socialista e decidiu proclamar o 1º de Maio como “Dia Internacional do Trabalho”, em homenagem aos mortos de Chicago. Registe‑se a história para deixar claro que os trabalhadores de todo o mundo têm razões mais do que suficientes para continuar a comemorar o 1º de Maio para impedir o retrocesso e para reivindicar melhores condições de vida e trabalho para salvaguardar o futuro das novas gerações. 1º de Maio será sempre para quem trabalha dia de unidade e luta. 19 de Maio Manifestação Nacional em Lisboa e Porto Grandiosa jornada de protesto e luta que mobilizou muitos milhares de trabalhadores, contra a imposição de mais sacrifícios aos mesmos de sempre: os trabalhadores. Mais uma vez a primeira linha de ataque é aos trabalhadores da Admi‑ nistração Pública e aos serviços públicos e, consequentemente aos cidadãos que dependem dos serviços públicos nas suas diversas áreas: congelamento de salários – degradação do poder de compra – aumento da precariedade – privatização o sector empresarial do estado – destruição do aparelho produtivo – ataque à democracia e ao poder local. Perante uma tal perspectiva, a Cimeira de Sindicatos da Administração Pública reunida no dia 12 de Maio de 2011 aprovou o Manifesto “PELO PAÍS, PELO FUTURO É PRECISO MUDAR DE RUMO Defender os salários, o emprego, os direitos, as pensões, os serviços públicos e a democracia”, que denuncia o estado a que os sucessivos governos de direita levaram o País e apela à mobilização dos trabalhadores para o combate a estas políticas. 16 sep – sindicato dos enfermeiros portugueses MANIFESTO Os Memorandos entre a troika estrangeira (FMI/UE/BCE) e a troika nacional (PS/PSD/CDS), no seguimento de décadas de política de sacrifícios e degradação das condições de vida dos trabalhadores e de apoio ao grande capital, constituem o maior ataque aos trabalhadores, aos reformados/aposentados, ao povo e ao país, desde o derrube do fascismo. A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública considera que só o desenvolvimento da luta pode travar e, no futuro, inverter o retrocesso social, cujo agravamento é exponencialmente potenciado pela intervenção directa da troika UE/FMI/BCE no nosso país. Os ataques aos direitos fundamentais dos trabalhadores e das populações, constitucionalmente consagrados, que a Administração Pública deve assegurar, põem em causa bases fundamentais da revolução de Abril e da própria demo‑ cracia. A Frente Comum tem acompanhado de perto e assumido posições muito claras sobre a situação político‑sindical no nosso país e a sua evolução, de que desta‑ camos as seguintes: •Defender serviços públicos de qualidade – nomeadamente na Educação, na Saúde, na Segurança Social, na Justiça, na Água, no Ambiente – constitui premissa fundamental para o desenvolvimento do país e da qualidade de vida dos cidadãos. •A venda da falsa imagem positiva da externalização dos serviços, por parte dos governos do PS (com o apoio do PSD e CDS/PP), objectivamente, tem vindo a destruir sector público e o papel do Estado na satisfação das neces‑ sidades primárias dos portugueses, favorecendo os grandes grupos económico ‑financeiros. •É inaceitável que se atire o peso da crise económica do capitalismo para as costas dos trabalhadores, assim como os inadmissíveis retrocessos sociais e civilizacionais daí decorrentes que lançam na miséria e na marginalidade cada vez mais portugueses. A Frente Comum denuncia que o governo PS (com o apoio do PSD e CDS) retira direitos sociais fundamentais, aumenta os impostos aos trabalhadores e rouba e degrada salários (a percentagem destes no PIB já é inferior, em mais de 8 p.p. à que se verificava no final do regime fascista);mas, em simultâneo, favorece com escandalosos benefícios fiscais o capital financeiro Especulativo. A luta dos trabalhadores foi determinante para a derrota do PEC IV. Mas as testas de ferro do capital, vendo que estavam em causa os seus futuros e choru‑ dos lucros, impuseram o recurso à “ajuda” externa da UE/FMI/BCE – isto é, pediram ajuda à máquina de guerra do capitalismo contra o nível de vida e os direitos dos trabalhadores e das populações. Com os Memorandos já assinados pelo PS (governo) /PSD/CDS a Adminis‑ tração Pública e os seus trabalhadores são particularmente penalizados, desig‑ nadamente com as seguintes medidas: •Congelamento de remunerações e pensões até final de 2013, bem como das promoções; •Continuação da redução das Despesas com Pessoal nas Administrações Públicas, eliminando serviços (menos 20% das delegações municipais de Finanças) e reduzindo o numero de trabalhadores (redução anual de 1% na Administração Central e de 2% na Administração Local – que poderá ser maior); •Fusão de serviços, designadamente da Direcção Geral dos Impostos (DGCI), da Direcção‑Geral da Informática Tributária e Aduaneira (DGITA), da Direcção Geral das Alfandegas e Impostos Especiais (DGAIEC) e, eventu‑ almente, do serviço de cobrança da Segurança Social; •Reorganização dos concelhos e freguesias, e redução significativa do seu número; •Redução das transferências do OE para a ADSE, ADM, e SAD em 100 milhões euros em 2012 e mais de 100 milhões posteriormente, com a consequente redução dos benefícios aos trabalhadores, continuando a redução de forma a que, em 2016, estes sistemas sejam auto‑suficientes sem transferências do OE; •Redução das transferências para o SNS em 550 Milhões euros em 2012, e em 375milhões euros em 2013; e, na educação, em 195 milhões euros em 2012 e em 175 milhões de euros em 2013; •Aumento das taxas moderadoras do SNS e redução significativa do número de portugueses isentos do seu pagamento; •Redução das transferências para a Administração Local e Regional em 175 milhões euros em 2012 e em igual montante em 2013; •Redução do investimento público em 500 milhões de euros em 2012 e em 350 milhões de euros em 2013; •Aumento significativo dos impostos (IVA, Imposto Consumo, IRS, IMI) e criação de outros (por ex., sobre o consumo de electricidade), que vão acele‑ rar o aumento dos preços e a redução dos rendimentos; •Mudança do conceito de justa causa, alterando o despedimento por inadap‑ tação e extinção do posto de trabalho, tornando assim o despedimento individual mais fácil – previsivelmente, estas alterações serão também introduzidas no RCTFP; o PSD já fala em rescisões de contratos na Função Pública. Refira‑se que parte significativa da dita “ajuda” – 12.000 milhões de euros – vai directamente para a banca, sem que esta tenha de assumir qualquer obrigação ou condicionamento à sua aplicação. Para além disto, o Estado também lhe garantirá avales até ao limite de 35.000 milhões de euros. É um verdadeiro escândalo! Com esta “ajuda”, os sacrossantos lucros continuarão intocáveis: continuarão a distribuir dividendos, a pagar um IRC inferior ao da generalidade das empre‑ sas, a ver resguardadas as mais‑valias obtidas na especulação financeira, a fazerem transferências sem taxação para os offshores , a não temer a criação de um imposto sobre as transacções financeiras. Ao contrário, procede‑se ao roubo de salários e pensões, corta‑se nas prestações sociais, fomentam‑se os despedi‑ mentos, eleva‑se ainda mais o grau de precariedade no trabalho, reduz‑se as despesas com a saúde, a educação e a generalidade dos serviços públicos essenciais à população. Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 17 Assim, não é indiferente para os trabalhadores quem detém o poder político e de que modo o exerce. Por isso, impõe ‑se uma reflexão sobre esta questão, no sentido de aproveitar a oportunidade aberta pelas eleições legislativas de 5 de Junho para alterar a correlação de forças políticas que tem permitido a conti‑ nuidade, há mais de 35 anos, da brutal e desastrosa política contra os traba‑ lhadores e o país e a favor dos grandes detentores da riqueza. • U m horário noturno entre as 20 horas de um dia e as 7 horas do dia seguinte; • O respeito pelos acordos negociados com as entidades públicas, contra o congelamento da sua publicação e aplicação; • O fim da externalização e da privatização de serviços públicos, com a sua inerente degradação. A Frente Comum e os trabalhadores da Administração Pública vão continuar a lutar – também em conjunto com os trabalhadores do setor privado – por uma política alternativa à que tem sido desenvolvida pelo PS/PSD/CDS, a favor da maximização dos lucros e da concentração da riqueza. Uma política que seja orientada para a melhoria das condições de vida e de trabalho, tanto dos trabalhadores como dos reformados/aposentados e da generalidade da população portuguesa, reforçando a autonomia do poder local e a prestação dos serviços públicos às populações, melhorando a sua qualidade. Nesta luta por uma sociedade mais justa, é imprescindível o reforço da unidade e da luta de todos os trabalhadores. O desenvolvimento económico nacional é inseparável da melhoria das condições de trabalho e do nível de vida dos trabalhadores e das camadas mais desfavo‑ recidas da população! A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública não aceita as medidas de austeridade e sacrifícios impostos, que se traduzem em mais cortes nos salários e pensões na retirada de direitos fundamentais aos trabalhadores da Administração Pública. Há outras soluções, mas os apoiantes desta política de direita, PS/PSD/CDS, não querem tocar nos lucros. Por isso é preciso: • A cabar com os escandalosos benefícios fiscais da Banca, que, em 2010, teve um lucro diário de mais de 6 milhões de euros; • Não permitir “habilidades” como a verificada com a antecipação de divi‑ dendos de empresas monopolistas, para fugirem ao imposto de 2011, como, por exemplo, aconteceu na PT; • Aplicar uma taxa efetiva de 25% de IRC às empresas e grupos económicos com lucrossuperiores a 50 milhões de euros; • Taxar as transferências para os off shores ; • Criar um imposto sobre as transações financeiras. Os trabalhadores da Administração Pública vão, pois, continuar a lutar e a reivindicar: • A revogação e substituição da legislação resultante do PRACE – Plano de Reestruturação da Administração Central do Estado – no respeito pelos direitos fundamentais dos trabalhadores e aposentados; • A defesa do emprego público, com a reposição do vínculo público de nomeação, suportes fundamentais de uma administração com serviços públicos de qualidade; • A defesa e anualização dos salários e pensões, enquanto fator determinante do desenvolvimento do país, contra a sua degradação ou inaceitáveis cortes; • A estabilidade laboral, contra os despedimentos; • U m sistema de avaliação do desempenho nos diversos setores, justo e exequível, contra o injusto e irracional sistema de quotas; • A reposição dos direitos retirados na aposentação; • A contagem de todo o tempo de serviço; • C arreiras profissionais dignas, contra a sua destruição, a polivalência e a mobilidade especial; 8 sep – sindicato dos enfermeiros portugueses A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública continuará a pau‑ tar a sua atuação pelo aprofundamento da discussão e da participação demo‑ crática de todos os Sindicatos que a integram, com o objetivo de elevar a consciência de classe dos trabalhadores da Administração Pública e de melho‑ rar continuamente a sua organização e capacidade de intervenção social e política, na defesa dos direitos adquiridos e na conquista de melhores condições de vida e de trabalho. A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública continuará a denunciar e a lutar contra esta política de desastre nacional, pelos direitos dos trabalhadores e das populações e por uma verdadeira política alternativa, que respeite e tenha em conta os direitos de quem trabalha. Por uma Administração Pública dignificada e eficaz ao serviço do povo português! Cimeira da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública.” Foi assim que, em 19 de Maio, juntando as suas razões às dos restantes trabalhadores do sector público os trabalhadores da administração Pública participaram na grandiosa manifestação: – conTra a inGErÊncia da uE/FMi; – conTra MaiS MEdidaS dE auSTEridadE, QuE diMinuaM aS condiçÕES dE Vida doS TrabalHadorES, aTaQuEM oS SEuS SalÁrioS E dirEiToS; – conTra o auMEnTo dE iMPoSToS SobrE o TrabalHo; – conTra a rEdução Salarial E o conGElaMEnTo daS carrEiraS, daS ProMoçÕES E ProGrESSÕES; – conTra a adaPTabilidadE E FlEXibilidadE doS HorÁrioS dE TrabalHo; – conTra a MobilidadE ESPEcial; – conTra o SiadaP, Por uMa aValiação JuSTa E SEM QuoTaS; – PEla rEVoGação E/ou alTEração daS norMaS GraVoSaS da noVa lEGiSlação da adMiniSTração Pública; Há alternativas para sair da crise, que passam pela renegociação da dívida, pela contenção de despesas desnecessárias e abusivas, pelo combate à economia clandestina, a fraude e a fuga fiscal, pelo investi‑ mento no sector produtivo e por políticas de emprego digno que valorize o trabalho e os trabalhadores, factor essencial para a dinami‑ zação da economia, assim o queiram os governos; os trabalhadores continuarão a luta por estes objectivos. ENEE XXXII Encontro Nacional de Estudantes de Enfermagem Realizou-se, entre os dias 24 e 29 de Maio de 2011, no Parque de Campismo de Armação de Pêra e organizado pela Associação de Estudantes da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, o XXXII Encontro Nacional de Estudantes de Enfermagem (ENEE). e participado activamente nestes eventos, utilizando este espaço para promover a reflexão e troca de opiniões que nos permitam, em cada momento, decidir o melhor no caminho para a construção da profissão que permita que tenhamos mais e melhores conquistas. O ENEE tem vindo ao longo dos anos a revelar-se e a conquistar um espaço sem paralelo no panorama estudantil em Portugal, quer pelo número de participantes, alunos de enfermagem e enfermeiros, quer por constituir um momento de confraternização, de solidariedade, de tertúlia e de reflexão sobre o actual estado do ensino e da profissão de Enfermagem. No XXXII ENEE não foi diferente. O SEP esteve presente usando o seu espaço (uma banca de informação sindical) para efectuar milhares de contactos com estudantes de enfermagem e jovens enfermeiros, divulgando a sua informação sindical, esclarecendo dúvidas sobre o ingresso no mundo do trabalho (contratos, concursos, elaboração de currículos, etc.), sobre os principais direitos que assistem os enfermeiros, sobre a nova carreira de enfermagem e aproveitando também para se fortalecer sindicalizando. É também imbuído neste espírito que o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) tem apoiado as sucessivas comissões organizações dos ENEE´s Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 19 Privado As Parcerias Público Privadas na Saúde No âmbito do Serviço Nacional de Saúde o estabelecimento das Parcerias Público‑Privadas em Saúde (PPPs), tomou especial relevo na reforma da saúde que se estabeleceu em 2002. …“ ou seja, apesar da geometria variável que cada contrato de gestão pudesse vir a tomar, a estabilização dos enfermeiros do hospital a substituir nunca estaria em causa. Na expressão do diploma de enquadramento – Decreto‑Lei nº 185/2002, de 20 de Agosto – “As parcerias em saúde, em regime de gestão e finan‑ ciamento privados, visam, fundamentalmente, obter melhores serviços com partilha de riscos e benefícios mútuos entre as entidades públicas que têm a responsabilidade pelos serviços públicos e outras entidades que se lhe associam com carácter duradouro.” Por outro lado fomos constatando que a entidade pública estabelecia em contrato, um determinado número de enfermeiros, normalmente superior ao número de enfermeiros existente no hospital a substituir, por ser de menor dimensão, sem haver qualquer distinção nas competência e nas capacidades técnicas desses Enfermeiros, ao invés do que acontecia com outro grupo profissional técnico. Desta forma e assente numa relação contratual – contrato de Gestão – (a PPP) estabelece que o parceiro privado, presta um serviço em substituição do parceiro público, sob controlo e a fiscalização deste. Havia uma nítida intenção por parte da entidade pública contratante, de não diferenciar aquilo que são as competências que os enfermeiros vão adquirindo ao longo da sua vida profissional e que são sinónimo de qualidade e de segurança nos cuidados aos utentes. Previsto na Lei de Bases da Saúde e no Estatuto do Serviço Nacional de Saúde, o contrato de gestão constitui um instrumento de natureza concessória que tem por referencial um estabelecimento de saúde prestador, podendo através dele o Estado associar privados na prossecução do serviço público de saúde, com transferência e partilha de riscos e recurso a financiamento de outras entidades. O contrato de gestão reveste, assim, a natureza de verdadeiro contrato de concessão de serviço público, embora a sua designação pretenda clarificar que, no âmbito da saúde, o Estado mantém a responsabilidade, designadamente, garantindo que todos os cidadãos, sem excepção, mantenham o acesso a cuidados de saúde através de um Serviço Nacional de Saúde que observe as características de generalidade e universalidade, ainda que com a participação de outras entidades na sua gestão. O contrato de gestão constitui, por isso, a matriz dos instrumentos contratuais para o estabelecimento das parcerias, pelo que os restantes meios de as concretizar o têm por modelo. Foi portanto e desta forma que o Governo através do Decreto Regula‑ mentar 14/2003 de 30 Junho, estabeleceu os princípios base do que iriam ser os diferentes contratos de Gestão que em função das parcerias em saúde se foram estabelecendo, podendo as mesmas assumir uma multiplicidade de formatos, o que é expresso no preâmbulo do referido Decreto Regulamentar. Atendendo ao que nos interessa – recursos humanos de enfermagem – verificamos que o referido Decreto Regulamentar define que as entidades gestoras devem dispor de uma adequada estrutura de recursos humanos, sendo que, como é referido no Artigo 89º “ com a celebração do contrato de gestão a entidade gestora do estabelecimento obriga‑se a integrar a totalidade do pessoal que pertença ao quadro do hospital a substituir 20 sep – sindicato dos enfermeiros portugueses Identifica‑se um determinado número de enfermeiros como se fora um qualquer instrumental não havendo distinção ou haver referência à sua competência! Por outro lado, as parcerias que entretanto tinham sido criadas, não só iriam substituir os anteriores hospitais como seriam, no entender do Legislador, um instrumento de rejuvenescimento do próprio SNS, através também, da construção de novas Unidades. Candidataram‑se várias entidades privadas, contudo ou porque em determinadas situações não houvesse concorrentes (caso do Centro de Medicina e Reabilitação do Sul gerido pelo Grupo Galilei – ex‑BPN –) ou porque os candidatos estavam suportados por grandes grupos económicos os candidatos a parceiros privados foi‑se reduzindo. As Parcerias na Saúde ficaram então circunscritas a 3 grandes grupos: • Hospitais Privados de Portugal (HPP – Caixa Geral de Depósitos) que há 2 anos gere o novo Hospital de Cascais e que já geria outra parceria – Linha Saúde 24 – esta com características diferentes por ser uma linha de aconselhamento telefónico. • JMello Saúde – com Gestão no Hospital de Braga (Escala Braga) e Vila Franca ( Escala Vila Franca) este ainda na fase de transição que ocorre desde 1 de Junho no “velho” Reynaldo dos Santos. • Espírito Santo Saúde que está a construir e que irá gerir o novo hospital de Loures, neste caso sem ir substituir qualquer hospital do SNS. Estamos portanto num momento crucial, não só com a perspectiva do aumento da privatização dos cuidados de saúde, mas também através do desenvolvimento de outras parcerias na Saúde (recordo que inicialmente estariam previstas 12 parcerias público privadas na Saúde) como sejam as Parceria Público – Sociais no âmbito da Rede Nacional dos Cuidados Continuados tão do agrado das Misericórdias. maioria dos enfermeiros estava contra, ou seja queriam transitar para os novos hospitais mantendo o seu vinculo contratual. Geridas por entidades privadas, cujo fim último é o lucro e espartilhadas pelos contratos que tinham assinado, as entidades privadas encetaram o seu ataque aos recursos humanos de enfermagem, num momento em que as faculdades de enfermagem formam para além do que o mercado de trabalho pretende absorver. Se o processo no Hospital HPP Cascais‑Dr José de Almeida, foi relativamente pacífico, apesar de inicialmente ter havido alguma pressão por parte da entidade privada, no final tudo decorreu com normalidade. Hoje, 40% dos trabalhadores neste hospital têm vínculo público. Muitos optaram por entrar em processos de cedência para a ARS LVT. Desta forma e porque os enfermeiros com mais anos de exercício têm vencimentos superiores, interessava que os mesmos ou se auto‑excluíssem (através da antecipação de reformas), de processos de mobilidade de exoneração ou de licenças de longa duração (enquanto as houve). Já no Hospital de Braga‑Escala Braga a situação foi deveras difícil, suportada na incongruência da ARS‑Norte que não tomando qualquer posição ou decisão até praticamente ao fim do processo de transição possibilitou e potenciou para que a instabilidade e a insegurança fossem uma constante. As entidades privadas, estavam obrigadas pelo contrato de gestão a contratar um determinado número de enfermeiros contudo, o que pretendiam era manter os trabalhadores enfermeiros mais “baratos” forçando a que “os mais caros” ficassem a cargo da entidade contratante – ARS / Ministério da Saúde. A Escala‑Braga defendia‑se dizendo que para o novo hospital só iria quem fizesse um CIT, posição que manteve até muito perto do final do ano passado. Esta tem sido a razão principal, apesar de não ser explicita, que tem levado as entidade contratadas (o parceiro privado das parcerias) a afirmarem sistematicamente que só manteriam os enfermeiros com contrato em função pública por tempo indeterminado, enquanto estivesse a decorrer o processo de transição e que, aquando da passagem para a nova unidade, só “levariam” ou integrariam, os que optassem por fazer com eles, um contrato individual de trabalho (CIT) Contra isto se bateu o SEP! Sendo uma questão de opção individual houve enfermeiros que optaram pela desvinculação para fazer CIT mas a grande Grupo Galilei O grupo Galilei, gestor do Hospital British Hospital XXI reuniu com o SEP em Março de 2011, sobre a aplicação do CCT da Hospitalização Privada naquela Unidade no que respeita à Organização do Tempo de Trabalho dos enfermeiros naquela Unidade. O BH XXI tem ao seu serviço 70 enfermeiros sendo que, só 7 são vinculados à Instituição. Desta forma e apesar de nos expressarem o desejo de querer cumprir com o CCT a que estão obrigados, só o farão para os 7, uma vez que os restantes são prestadores de serviços e como tal o CCT não se lhes aplica, pois são maioritariamente regimes de acumulação e configuram um regime liberal. A reunião ocorreu sem a presença de qualquer representante de enfermagem, não nos tendo sido autorizada reunião com a Supervisão de Enfermagem. O representante dos Recursos Humanos do Grupo Galilei mostrou‑se disponível para abordar posteriormente, as questões específicas da Parceria Público Privada do Centro de Medicina Fisica e Reabilitação do Sul em S.Brás de Alportel. O SEP continuava a defender que todos deveriam transitar levando consigo o vínculo contratual que tinham há muito adquirido. No final, a ARS como entidade pública contratante acabou por ceder aos interesses da Escala Braga, e sem se saber a razão ou os critérios, aceitou e impôs a 18 enfermeiros num total de 33 trabalhadores, que os mesmos não iriam transitar para o novo Hospital. Por outro lado conseguimos que os restantes enfermeiros mantivessem o seu vínculo no novo Hospital de Braga. O SEP iniciou o processo de defesa dos enfermeiros que não transita‑ ram para a nova Unidade Hospitalar e que foram colocados em postos de trabalho na ARS‑Norte. Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa No início do ano de 2011 SEP em articulação com o Sindicato de Hotelaria elaborou uma proposta de aumentos salariais que apresentou à Entidade Gestora do Hospital da Cruz Vermelha. Mais uma vez e agora escudando‑se nas restrições orçamentais, uma vez que o seu maior cliente assenta na proveniência de utentes do SNS, declinou actualizar a tabela salarial em vigor desde 2008. Contudo e face à instabilidade económica existente, esta entidade propôs que se pudesse reavaliar a possibilidade de actualização salarial em Setembro de 2011. Os enfermeiros nossos associados, a trabalhar na Instituição, aceita‑ ram este compasso de espera, reforçando na altura que os aumentos salariais nunca poderão estar condicionados à velha reivindicação da entidade gestora de implementar um horário semanal de 40 horas. Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 21 Os horários de trabalho dos enfermeiros Os horários de trabalho foram sempre uma matéria de conflito entre os enfermeiros e as administrações, independentemente do local onde os mesmos trabalhem. Em causa, está o tempo necessário para a produção e para a manutenção dos cuidados, os custos inerentes ao tempo de trabalho, as normas reguladoras existentes e por outro lado o tempo de descanso e de recuperação necessários, associados com a desarticulação social que estes trabalhadores são sujeitos face à variabilidade dos seus horários de trabalho. Tendo um período de funcionamento que se estende pelas 24 horas, os Hospitais, ou seja, as organizações hospitalares têm de articular este período de funcionamento com a essência do seu serviço, ou seja as pessoas com défices nos diferentes estados de desenvolvimento humano, procuram estas Instituições para resolução dos seus problemas e por outro lado e no caso que nos interessa, com os enfermeiros que têm ao seu serviço. Na realidade os horários de trabalho têm sido sistematicamente “abal‑ roados” pelos diferentes intervenientes, levando muitas das vezes à implementação duma anarquia gestionária que foi servindo os interesses de cada um (administrações e profissionais) em função de cada momento. Desta forma foram‑se implementando “esquemas” e sequências de horário que preconizava e define. Tudo isto vem a propósito da escassez de enfermeiros nas organizações, sejam elas de âmbito hospitalar ou de cuidados primários de saúde, e da utilização abusiva destes profissionais, através de sobrecargas de trabalho. Mas, as organizações são dirigidas por pessoas e neste caso por enfermeiros que foram compactuando, seja lá por que razão for, com a adulteração das regras básicas de organização dos tempos de trabalho dos seus próprios colegas. Era esperado que esses enfermeiros, dentro das balizas relativamente abertas das normas de elaboração de horários de trabalho, conseguissem organizar da melhor forma os cuidados a prestar, e/ou fossem os primeiros a impedir que os enfermeiros seus subordinados, fossem não mais do que uma peça que se utiliza gasta e deita fora. Sendo enfermeiros e sendo gestores de cuidados de enfermagem deveriam ser os primeiros a advertir as organizações que os cuidados que se estavam e estão a prestar, levam a situações de desgaste rápido dos seus próprios colegas, para além de poderem colocar em causa os cuidados que as pessoas precisam. O que se pedia, era tão simplesmente, que se aplique o que estava na regulamentação especifica da Carreira de Enfermagem do Sector Público, aos enfermeiros e …NÃO que: • Os períodos de referência fossem feitos ao MÊS – nunca foi, nem nunca serão compagináveis a aferição dos horários de trabalho por períodos de 4 semanas com a referência mês (excepto no mês de Fevereiro e é preciso que não seja ano bissexto). • Inexistência de um período normal de trabalho diário, considerando muitas vezes que se o enfermeiro estivesse a trabalhar, teria feito 8 horas, mas se faltou ou esteve de férias só lhe seja contabilizadas as horas da média das horas semanais. • Existência de semanas de trabalho sem folgas e com trabalho ininterrupto para além de 6 dias. • Existam períodos de trabalho ditos “normais”, muito para além de 10 horas. • A inexistência de “Folga” depois de uma Noite de trabalho. • Os Horários estão sistematicamente alterados em função do planeamento de outros profissionais com “obrigação” de se disponibilizarem para comparecer em função do livre arbítrio de quem os coordena. Todas estas “atrocidades”, para que sejam alteradas não dependem de legislação, nem de qualquer outro esclarecimento, para além do que já existe. Depende sim do envolvimento dos enfermeiros com funções de direcção e chefia, na defesa da enfermagem e dos enfermeiros porque caso contrário, a desregulamentação que alguns “apadrinham” mais tarde ou mais cedo irá voltar‑se contra as administrações e por sua vez contra estes enfermeiros que em determinada fase colocaram os interesses da Administração e de outros grupos profissionais em detrimento dos enfermeiros e da Enfermagem. Horários de Trabalho no Hospital Escala – Braga Desde que se deu início ao período de transição do Hospital de S. Marcos em Braga para a Escala‑Braga que a entidade gestora privada começou por introduzir alterações não só na dotação de Enfermeiros nos serviços, como também, na gestão do tempo de trabalho. Efectivamente, a Administração do Escala‑Braga deparou‑se com um conjunto de irregularidades, que há muito se praticavam no Hospital de S. Marcos, relativamente aos horários de trabalho dos enfermeiros, o que, em determinadas situações, provocava o aumento de gastos em termos de horas extraordinárias. Utilizando este mote e sempre com a escusa de rentabilização dos recursos, o Escala Braga, começou por redistribuir os recursos 22 sep – sindicato dos enfermeiros portugueses humanos de enfermagem, diminuindo o número de enfermeiros nos turnos de fim‑de‑semana e feriados, ainda nas antigas instalações do S. Marcos. Desde sempre que o SEP tinha identificado a regulamentação dos horários no S. Marcos como problemática e tentou, desde o último ano, abordar esta matéria na busca de alternativas não só junto da Administração do Escala Braga como junto dos enfermeiros. O novo Hospital (Maio de 2011), de maior dimensão e com necessidade de mais recursos humanos, começou a ”propor/impor” horários com 12 horas de duração. Na realidade a grande maioria dos enfermeiros não tudo aceite os contratos individuais de trabalho continuava com 35 horas semanais ao invés das 40 horas que a entidade gestora propunha (por cada 7 enfermeiros a 40 horas menos um enfermeiro a 35 horas). Escala Braga Propõe/Impõe horários mais longos Esta medida veio gerar uma grande contestação por parte dos colegas e em 30 de Maio 2011, reunidos em Plenário no Hospital, os colegas para além de mandatarem o SEP para apresentar uma proposta de organização do seu tempo de trabalho decidiram que: •O tempo de trabalho normal seria de 8 horas (correspondente a um turno da Manhã) •Ao longo das 24 horas haveria 3 turnos. •O turno mais extenso seria o da Noite com 10h •Depois de uma Noite teria que haver uma Folga •Deveria haver tempo de sobreposição de turnos para passagem de informação •Deveria haver uma base ou matriz para rotação de turnos adequada a cada serviço ou unidade e em função do contrato ser de 35 ou de 40 horas de trabalho semanal Tendo por base o enquadramento legal existente D.L 248/2009 e 247/2009 ambos articulados com o D.L 437/91 artigos 54 a 57 e D.L 62/79 e a Circular Normativa 18/92 e com as propostas dos colegas, o SEP construi uma base de trabalho, que remeteu à Direcção de Recur‑ sos Humanos do Hospital, com pedido de reunião. Da reunião entre Entidade Gestora e o sep A entidade gestora reconheceu que são ilegais mas, foi dizendo que existem enfermeiros que aceitam fazê‑los. Tendo em conta que o HORÁ‑ RIO REGRA é o acima referido ENTÃO o horário de 12 h será sempre uma excepção e de decisão voluntária dos enfermeiros que poderão a qualquer momento rever. Ainda, ficou definido que os enfermeiros que se decidem pelo horário de excepção (12h) e os serviços que se organizam desta forma, NÃO poderão introduzir outras quaisquer variantes, nomeadamente, fazerem nuns dias 12 h e noutras 8 horas. Isto poderá significar a mobilização de enfermeiros que não querem fazer 12h para serviços cuja maioria dos enfermeiros não aceitou esta ilegalidade. FINALMENTE, ficou aceite que o horário regra seria introduzido de imediato e experimentado por um período de 3 meses, após os quais, e caso houvesse necessidade, haveria nova reunião. O SEP afirmou que essa reunião seria necessária, após o contacto com os enfermeiros, para se inteirar das razões do “ruído” explicitado pela entidade gestora e que levou à imposição, para já, da entrada às 00:00 no turno da Noite. Ficou aceite que o horário regra seria introduzido de imediato e experimentado por um período de 3 meses, após os quais, e caso houvesse necessidade, haveria nova reunião. O SEP afirmou que essa reunião seria necessária, após o contacto com os enfermeiros, para se inteirar das razões do “ruído” explicitado pela entidade gestora e que levou à imposição, para já, da entrada às 00:00 no turno da Noite. Em 15 de Junho 2011 o SEP reuniu com os representantes da Escala Braga tendo ficado clarificado: SEP Semana de Trabalho é de segunda‑feira a domingo. Período de Aferição – na carreira de enfermagem o período de referência é de 4 semanas. Intervalo de descanso entre turnos – A recomendação é de 16 horas. Carga horária normal diária de Trabalho – é a que resultar da média de horas trabalhadas nas 24h, por três turnos, ou seja, 8 horas. Horário por turnos — Os horários devem ter como base ou matriz preferencial a seguinte sequência de turnos: M, M, T, D, N, F. PROPOSTA AFERIDA com os enfermeiros: Manhã 08:30H – 16:30H (duração de 08:00H) Tarde 16:00H – 23:30H (duração de 07:30H) Noite 23:00H – 09:00H (duração de 10:00H) A PROPOSTA consagra os 30 minutos de sobreposição para a passagem de turno. Descanso Semanal – Cada semana contempla 2 dias de descanso: o descanso complementar (DC) equivalente ao Sábado e o descanso semanal obrigatório (F) equivalente ao Domingo e deverão, em cada 4 semanas, coincidir com o Sábado ou com o Domingo; Nas semanas em que haja 2 descansos a seguir à N, o segundo será o Obrigatório. ESCALA – BRAGA A Entidade Gestora aceitou que os horários dos enfermeiros devem ser elaborados de acordo com a legislação em vigor. Neste contexto, aceitaram que: • o horário regra será de 3 turnos; • o cumprimento das 16 h de descanso entre turnos; • a seguir à NOITE haverá sempre uma FOLGA; •A existência de uma matriz de horários e, neste caso, aceitaram a proposta do SEP, ou seja, M, M, T, D, N, F podendo haver algumas diferenças tendo em conta os horários semanais de 40 horas. CONTRAPROPOSTA da Entidade Gestora: Manhã 08:30H – 16:30H (duração de 08:00H) Tarde 16:00H – 00:30H (duração de 08:30H) Noite 00:00H – 09:00H (duração de 09:00H) A contraproposta consagra a sobreposição dos 30 minutos para a passagem de turno SOBRE A CONTRAPROPOSTA IMPORTA SALIEN‑ TAR QUE a entrada no turno da noite às 00:00h poderá não ser definitivo. A opção deveu‑se, afirmou a Enf. Directora, ao “ruído” produzido pelos enfermeiros porque é entendimento destes que a entrada às 23h no dia de Descanso determina o não gozo de 24 horas de efectivo descanso. CONTUDO, estão dispostos a rever esta questão caso o “ruído” desapareça. Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 23 Combater a Desigualdade: Melhorar o Acesso e a Equidade ICN – CNR e Conferência Rosemary Bryant – resumo do relatório A continuidade do trabalho, o compromisso de manter a unidade e a promoção da representatividade, presença e impacto do ICN, a nível mundial, são a base do relatório destes primeiros dois anos da presidência de Rosemary Bryant. O objectivo do ICN continua a ser o de assegurar qualidade nos cuidados de enfermagem para todos, intervir nas políticas de saúde, o avanço do conhecimento em enfermagem e a promoção de uma força de trabalho competente e motivada. A reunião do Conselho Nacional de Representantes e a Conferência do ICN realizou‑se, este ano, entre os dias 2 e 7 de Maio, em Malta. O CNR realiza‑se de dois em dois anos, sendo um órgão de decisão do ICN. Portugal, desde 2003, faz‑se representar através do FNOPE (Fórum Nacional das Organizações de Profissionais de Enfermeiros) e, este ano, a delegação foi constituída pelo Enfermeiro António Manuel responsável pelo Departamento das Relações Internacionais da Ordem dos Enfermeiros – em representação da Bastonária que desde 2009 é membro do Conselho Directivo do ICN –, o Enfermeiro João Fernandes, Associação Portuguesa de Enfermeiros, em representação das associações profissionais e a Enfermeira Guadalupe Simões, Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, em representação, também do Sindicato dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira. Deste CNR destacam‑se os relatórios apresentados por Rosemary Bryant, Presidente do ICN e de David Benton, Secretário‑geral que nos permitem ter uma visão e avaliar o trabalho dos últimos dois anos. Ainda, a definição de um plano estratégico que orientará o trabalho futuro, a continuidade da discussão do novo modelo de “inclusividade” que poderá, no futuro, possibilitar a inclusão como membro do ICN mais do que uma organização por país. Relevantes são, também, as conclusões saídas dos fóruns cujas associações são convidadas a enviar contributos, antes do CNR. Pela sua importância, publicaremos os contributos enviados por Portugal e o resultado das discussões. 24 sep – sindicato dos enfermeiros portugueses São 134 os países que fazem, agora, parte do ICN sendo que neste CNR foram admitidos a Índia, a Costa Rica, o Ruanda e Montenegro. Este número crescente de países que fazem parte do ICN permite, cada vez mais, “falar a uma só voz” e continuar a defender, globalmente, altos níveis de formação e que a profissão seja auto regulada. Ainda, afirmar que os enfermeiros, neste momento de restrições económicas, estão bem posicionados para demonstrar a sua capacidade e competências para continuar a oferecer cuidados de saúde para todos a preços competitivos e, ainda assim, manter a qualidade. A Presidente refere ainda a importância do ICN e das associações nacionais continuarem a fazer “lobbie” no sentido de ser aberto o concurso para o lugar de Direcção, na OMS, anteriormente ocupado por uma enfermeira. Salienta que, após a intervenção do ICN junto da OMS, o concurso para ocupar aquela vaga foi descongelado ainda que não tenha sido efectivado a abertura do mesmo. De igual forma, realça a importância de enfermeiros integrarem as delegações governamentais que participam na assembleia mundial da OMS, particularmente a que ocorreu este ano, já que foi discutida uma resolução sobre a enfermagem. Foi referida a importância das associações analisarem e considerarem o documento da OMS 2011‑2015 – Direcções estratégicas para a Enfermagem e para as Parteiras – com um instrumento de intervenção junto dos governos e dos parceiros. Em todos os momentos o ICN tem como objectivo reforçar o papel dos enfermeiros na promoção da saúde e na prevenção da doença. Isto mesmo foi novamente demonstrado pelos esforços desenvolvidos para a criação de uma Agência para as Mulheres, nas Nações Unidas. Foi conseguido a 2 de Julho de 2010 com a criação da Entidade para a Igualdade de Género e Fortalecimento do papel das Mulheres, cuja Presidente é Michelle Bachelet. Como afirmou em Durban: “Acredito profundamente na enfermagem – como uma carreira e como uma forma de facilitar mudanças em nós próprios enquanto profissionais, nos outros e no Mundo”. O modelo de inclusividade que está a ser discutido deste há dois anos é outra das preocupações subjacentes no relatório. A inclusividade tem sido o coração do ICN desde sempre e é um dos seus 5 valores. Como forma de impulsionar o aumento de membros foram criados três prémios: crescimento, “inclusividade” (representatividade) e inovação. O ICN continua a trabalhar regularmente para aumentar o acesso às comunidades através de várias iniciativas e dos vários parceiros: Tuberculose multirresistente, HIV/AIDS, Biblioteca Móvel, ICNP, Instituto para a Liderança, Educação para as raparigas, entre outras. Durante a apresentação deste relatório, Rosemary convidou as colegas que presidem às Associações Nacionais do Japão e do Haiti tendo em conta a dimensão das catástrofes que ocorreram naqueles dois países. Pelos testemunhos das duas colegas mais uma vez se comprova que os enfermeiros estão sempre na linha da frente para dar as respostas necessárias sendo que, o aumento de situações de catástrofes naturais, deverá determinar uma melhor articulação entre países para que mais rapidamente possam dar as respostas necessárias e, também, um trabalho de articulação com cientistas e investigadores, nomeadamente geólogos, para que, tanto quanto possível, se possa prevenir aquelas situações. David Benton – resumo do relatório A apresentação do relatório por parte do Secretário‑geral, pela sua objectividade, permitiu ficar com uma visão global do trabalho desenvolvido, as preocupações que estamos confrontados em termos mundiais, nomeadamente, os que decorrem da crise económica e os desafios aos quais temos que dar resposta, a vários níveis. David Benton destaca a co‑responsabilidade atribuída a todas as associações no sentido de desenvolver o trabalho necessário para que o reconhecimento da enfermagem em termos internacionais se fortaleça. “O ICN não é um edifício em Genéve, é um trabalho de parceria e de sinergias para que se construa o futuro tendo em conta as fundações que já construímos”. A importância de ouvir tendo em conta o momento, ter mensagens orientadas e politicas chaves, explorar soluções para resolver os problemas e implicar‑se activamente são desafios aos quais temos que dar respostas. E para aqueles que têm dificuldade em acreditar na importância de “lobbie” da enfermagem foram dados 3 exemplos. Um dos mais relevantes foi a intervenção por parte dos enfermeiros que integravam a delegação do ICN e dos enfermeiros das delegações oficiais, junto dos governantes, na assembleia mundial da OMS que permitiu que outra resolução sobre a enfermagem fosse aceite para ser discutida na Assembleia deste ano. Outra questão bem relevante prende‑se com a situação económica mundial. A resolução 58.33 de 2005 da OMS consagra o direito ao acesso à saúde. A crise económica está a colocar em causa este princípio. Os governos dos diferentes países cortam postos de trabalho e orçamentos independentemente da forma como são financiados os sistemas de saúde e educação. A carência de enfermeiros continua a ser uma evidência ainda que as admissões estejam congeladas, na maior parte dos países, e os cortes na formação de base sejam cada vez maiores. A migração continua não só no sector da saúde mas também em serviços públicos cruciais. As greves que se realizaram em vários países possibilitaram alertar os governos para o sector da saúde e as consequências da carência de recursos humanos. Contudo, os cortes efectuados em alguns países tem impossibilitado que os enfermeiros posicionados em categorias intermédias das carreiras e/ou mais experientes sejam preteridos relativamente a jovens enfermeiros determinando um aumento de conflito. O risco de uma visão curta pode colocar em risco as populações nomeadamente através dos benefícios, aumenta da pobreza mundial, maiores desigualdades, maiores tensões sociais, maiores desajustes entre competências e o mercado. “Onde estamos agora?” Desemprego, migração, falta de regulamentação da profissão, etc, qual será o impacto disto nos enfermeiros, na profissão, nos cuidados de enfermagem e nas pessoas? A dinâmica de crescimento e envelhecimento da população, espera‑se, deve atingir os níveis mais elevados em 2050. Este conhecimento “deve‑nos fazer reflectir que cuidados serão necessários e como nos devemos organizar”. Uma das preocupações constantes, é a intervenção dos enfermeiros para minimizar os problemas das populações nos teatros de guerra. Os acontecimentos no norte de áfrica e no médio oriente podem ter impactos para o qual nos devemos preparar. Também, as catástrofes naturais e as suas consequências devem merecer uma atenção especial. O terramoto no Haiti vitimou mais de 280 000 pessoas, um sem número de feridos e sem abrigo. Mais de 500 estudantes de enfermagem morreram no colapso das escolas de enfermagem e muitos enfermeiros morreram no colapso dos hospitais. O terramoto no Chile provocou danos em 71% dos hospitais tendo tido como consequência que muitos enfermeiros ficaram sem trabalho. A crise económica, ainda que em algumas partes do mundo parece estar a evoluir positivamente, noutras como é o caso da Europa, o problema está longe de ser resolvido determinando um aumento severo do desemprego. Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 25 Os Fóruns A realização de fóruns durante o CNR foi um modelo de trabalho adoptado em 2005 com o objectivo de permitir que todas as associações possam discutir e propor linhas de actuação do ICN. Este modelo de trabalho é facilitador porquanto, em grupos mais pequenos, facilita e potencia a intervenção de todos. Os temas a serem discutidos são propostos pelas associações membros, antes do CNR e é pedido que sejam enviados contributos, por escrito. Os temas escolhidos para este ano foram: • Mercados de trabalho em mudança; •Os determinantes sócias da saúde; • Prescrição em Enfermagem; • Falar a uma só voz. Publicam‑se aqui os contributos consensualizados no âmbito do FNOPE e enviados por Portugal, antes do CNR, e no final de cada, a síntese da análise/discussão no CNR. Fórum – MERCADOS DE TRABALHO EM MUDANÇA O mercado de trabalho está em constante evolução e nem sempre as mudanças são fáceis de reconhecer no dia‑a‑dia. Conseguimos identificar mudanças e tendências quando reflectimos sobre um período temporal previamente definido. Desde 1974 que Portugal tem estado em permanente mudança política, social e culturalmente. Nestes quase 40 anos, as razões que conduziram à mudança são diferentes mas todas tiveram consequências. Esta situação, aliada à actual crise económica, não facilita distinguir as mudanças das tendências decorrentes do normal desenvolvimento dos mercados de trabalho das que advêm da evolução da sociedade e, consequentemente, as que podem perdurar das que são transitórias. No caso concreto do “mercado de trabalho português da Saúde”, têm acontecido mudanças consecutivas (até simultâneas) que, apesar de terem algum impacto, não tiveram tempo para produzir os efeitos esperados e desejados. Identificaremos algumas situações que interferiram com este mercado de trabalho e que consideramos precisar de especial atenção por parte dos enfermeiros. Os enfermeiros portugueses trabalham, maioritariamente, no SNS (hospitais e centros saúde públicos) e enfrentam desafios consideráveis a todos os níveis. O mais evidente é a crescente dificuldade para encontrar o primeiro emprego ainda que exista uma enorme carência de enfermeiros naquelas instituições. Em consequência, um número considerável de enfermeiros está a abandonar o País à procura de emprego ainda que existam cidadãos que não têm acesso a cuidados de Enfermagem e que um largo número de profissionais estejam sobrecarregados de trabalho. Num País onde as pessoas estão cada vez mais isoladas, onde há num número cada vez maior de famílias monoparentais, mais doentes crónicos 26 sep – sindicato dos enfermeiros portugueses e mais dependentes, novas doenças e onde começa a ser norma as altas antecipadas nos hospitais, os enfermeiros poderiam agarrar a oportunidade e “reinventar os seus papéis” em algumas das novas áreas de intervenção. No entanto, se por um lado, o quadro legislativo e a segurança social reconheçam o papel autónomo e a intervenção dos enfermeiros, por outro, não encoraja e apoia as suas práticas independentes. Todavia, no decurso do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no âmbito da «Reforma dos Cuidados de Saúde Primários» foi criada uma nova unidade funcional de cuidados de saúde, que é dirigida por um enfermeiro – a Unidade de Cuidados na Comunidade. Estas unidades são recentes no nosso País e os resultados da sua avaliação serão instrumentais para iniciativas futuras. Foi aprovada uma nova carreira de Enfermagem e que é completamente diferente da que estava em vigor há 30 anos. A nova carreira surge depois de um longo período de negociação com os sindicatos e foi imposta pelos Ministérios da Saúde e das Finanças. A implementação desta nova carreira irá trazer desafios importantes cuja abordagem terá que ser feita correctamente. A diminuição do número de categorias para que tornasse possível que todos pudessem atingir o topo, determinou a ausência de categorias específicas para os enfermeiros especialistas e para os enfermeiros gestores (a nível operacional e estratégico) e a característica transitória dos cargos de gestão. A nova estrutura da carreira tem apenas duas categorias: enfermeiro e enfermeiro principal e o acesso à segunda categoria só é possível após cinco anos de exercício efectivo e a aquisição do título de enfermeiro especialista (atribuído pela Ordem dos Enfermeiros). Apenas os enfermeiros principais são elegíveis para cargos de gestão. O aumento da carga horária semanal para os enfermeiros com contratos nos hospitais públicos mas com uma gestão privada, o recente aumento da idade de reforma dos 57 para 65 anos também serão desafios significativos para os enfermeiros e para o mercado de trabalho. Terão de se procurar novas formas de organizar e distribuir o trabalho para garantir a segurança e os legítimos direitos e expectativas de doentes e enfermeiros. É altamente provável que vários desafios laborais surjam no próximo ano se a nova Directiva dos Cuidados de Saúde Transfronteiriços for aprovada. Apesar disso, Espera‑se que os constrangimentos económicos façam dis- parar a procura de formas menos dispendiosas para prestar cuidados. Os enfermeiros deverão estar atentos, também, para a tentativa dos decisores políticos substituírem‑nos por trabalhadores com menor formação e capacidades. saúde, a equidade e a solidariedade. Nesta fase, vários estudos que sustentam o plano já foram produzidos, nomeadamente «Saúde e cidadania»; «Equidade e acesso à Saúde», «Qualidade dos cuidados e nos serviços» e «Políticas de Saúde». Da discussão no CNR: A Ordem dos Enfermeiros não tem uma estratégia concreta no que respeita aos «determinantes sociais da saúde». Apesar disso, muitas das suas actividades são concebidas tendo em conta questões que aí terão impacto. Alguns dos deveres individuais do enfermeiro, tal como são referidos no seu Código Deontológico, estão de várias formas ligadas com a salvaguarda e a promoção dos «determinantes sociais da Saúde». Aí encontramos fundamentos que orientam a actividade dos enfermeiros no que respeita aos seus deveres para com a vida, a qualidade de vida e os valores humanos; para com a comunidade; para com o direito aos cuidados de saúde e à informação. É um problema que atinge os enfermeiros à escala mundial, ainda que não pelas mesmas razões. A carência de enfermeiros é referenciada por inúmeros países, para além de Portugal, também a Polónia, Índia, Irlanda, República Dominicana, Eslováquia, Etiópia, Filipinas, Chile, Bulgária, todos os países africanos presentes, etc, etc. Curioso a situação da Holanda que espera ter em 2020 uma carência de 14.000 profissionais e a Suécia que refere, essencialmente, a carência de enfermeiros especialistas., Baixos salários, congelamento dos aumentos salariais, aumento dos ritmos de trabalho, substituição de enfermeiros por outros profissionais não qualificados, não admissão de enfermeiros qualificados, não admissão dos enfermeiros formados no país em detrimento de emigrantes que aceitam salários mais baixos, aumento da influência do sector privado com grande oportunismo, sem ética e sem preocupação com a qualidade dos cuidados prestados, a pouca atractividade pela profissão por parte dos jovens num número crescente de países relacionado directamente com as poucas condições de trabalho e os baixos salários; a situação inversa também acontece, ou seja, há alguns países que registam um aumento do número de jovens que querem ser enfermeiros mas a não abertura de vagas nas instituições, ainda que carenciadas, constitui um obstáculo difícil de ultrapassar. Tudo são preocupações que merecem a especial atenção de todos os intervenientes. Outra preocupação manifestada, nomeadamente pelos países que estão a enfrentar problemas decorrentes da crise económica é o que vai acontecer e como estará a profissão após a crise… A não admissão, hoje, conjugada com o abandono da profissão e/ou as reformas antecipadas e o envelhecimento dos profissionais pode colocar em risco a profissão no momento a seguir. A Irlanda, por exemplo, refere que a maioria dos enfermeiros tem mais de 45 anos! É neste contexto que algumas das associações nacionais entendem ser importante o ICN definir um ratio enfermeiro/doente, defender um código de ética para o recrutamento e maior intervenção ao nível, por exemplo, da OMS. Fórum – OS DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE A Ordem dos Enfermeiros e os seus parceiros de colaboração no Fórum Nacional das Organizações Profissionais de Enfermeiros (FNOPE) têm sempre na sua agenda os designados «determinantes sociais da saúde». Apesar da expressão ser recente em Portugal e não ser amplamente utilizada ou reconhecida, os enfermeiros têm estado atentos a esta questão e têm trabalhado diversas das suas componentes tal como são identificados e mencionados na literatura: os primeiros anos do ciclo de vida e o estado de saúde, educação, condições de trabalho e emprego, bem‑estar e protecção social, pobreza, sistemas de saúde e comunidades De uma forma similar, actualmente, o Plano Nacional da Saúde (2011‑2016) que está a ser desenvolvido, apesar de não referir como factor os «determinantes sociais da Saúde», tem‑nos na sua base, uma vez que considera como valores fundamentais: o acesso universal aos cuidados de Alguns exemplos das acções e actividades da OE acima mencionadas são: – a concepção e aprovação de um novo quadro de referência para a Especialização em Enfermagem que tem como “coluna dorsal” o «ciclo de vida», e inclui uma «matriz para a individualização de novas especialidades» que terão a sua origem nas necessidades de saúde da pessoa; – a aprovação das competências específicas de uma nova Especialidade: Enfermagem de Saúde Familiar; – a celebração de há uns anos a esta parte, do Dia Internacional e Europeu da Amamentação e da Semana Europeia do Aleitamento Materno (Agosto e Outubro), com um programa de actividades especiais que incluem várias intervenções; – a comemoração anual do Dia Mundial da Criança com programas temáticos especiais que, por exemplo, em 2006, se centraram na adopção de estilos de vida saudáveis e, em 2008, na segurança rodoviária e no transporte seguro das crianças; – um ciclo especial de cinema dedicado à Saúde Mental, promovido recentemente, que incluiu a projecção dos filmes seguidos de comentários de especialistas e debate públicos. Tendo em conta a crise económica e o seu previsível impacto na Saúde, o Conselho Directivo está a preparar uma proposta para desenvolver uma actividade no início de 2011 envolvendo várias entidades ligadas à saúde. Este «Pacto Para a Saúde», que está ainda numa fase inicial de planeamento, pretende trazer para a agenda política e social a necessidade de estabelecer um compromisso para a área da Saúde, a médio e longo prazo. O objectivo é evitar que os constrangimentos económicos e cortes orçamentais coloquem em risco a resposta às necessidades básicas de Saúde da população portuguesa, nomeadamente, do mais de meio milhão de cidadãos que vivem no limiar da pobreza. Está previsto que esta actividade culmine com uma reunião com todos os partidos políticos com representação parlamentar. Da discussão no CNR: Segundo o relatório da Comissão dos Factores Sociais Determinantes da Saúde (OMS 2008) apresentado à OMS, os factores determinantes da saúde são as condições em que as pessoas nascem, vivem, trabalham e envelhecem, incluindo o sistema de saúde. Estas circunstâncias estão relacionadas com a distribuição do dinheiro, o poder e os recursos mundiais, nacionais e locais que influenciam as opções politica, em geral. Os Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 27 factores estruturais e as condições de vida diária constituem conjuntamente os determinantes sociais da saúde e deles dependem uma grande quantidade de desigualdades e as diferenças no acesso à saúde dos países e entre eles. Tradicionalmente, a sociedade, tem recorrido ao sector da saúde para resolver as suas preocupações de saúde e de doença, frequentemente à margem de outros sectores que incidem directamente na saúde, como por exemplo a água potável e o saneamento básico, o uso de cintos de segurança e capacetes de protecção. Sem dúvida, o sistema de saúde é, em si mesmo, um factor social determinante que influencia e é influenciado por outros. Sem cuidados de saúde, perder‑se‑á muitas das oportunidades de melhorar a saúde e não poderemos atingir cuidados de saúde universais contribuindo para a iniquidade dos sistemas de saúde. Sistemas de saúde acessíveis, adequadamente desenhados e bem geridos podem contribuir para que se atinja os Objectivos de Desenvolvimento para o Milénio. Os sistemas de saúde são de vital importância para a saúde e para o desenvolvimento das populações. O peso da doença, a incapacidade e a morte prematura devem ser abordados mediante actuações multissectoriais relacionadas com os factores sociais determinantes da saúde. Isto significa tratar das causas fundamentais e das condições estruturais em que as sociedades estão organizadas e que podem causar desigualdades e determinar a saúde das populações. As populações com saúde deficiente e com recursos escassos, a distribuição desigual e as claras desigualdades de saúde dentro dos países e entre eles, são resultado de uma distribuição desigual do poder, dos bens e dos serviços. A distribuição desigual dos recursos manifesta‑se na desigualdade das condições de vida das pessoas e no acesso aos cuidados de saúde, na educação, nas condições de trabalho e de descanso, nas suas casas, nas suas comunidades, nos seus povos e cidades e nas suas possibilidades de viver uma vida produtiva. Esta distribuição desigual resulta de uma combinação de políticas e programas sociais deficientes, acordos económicos injustos e más politicas. A compreensão dos factores social determinantes da saúde são importantes para os enfermeiros e para as suas associações para que possam influenciar e defender política de saúde, social e económica saudáveis. É necessário um enfoque multissetorial. O sistema de saúde deve trabalhar em colaboração com outros sectores para defender os factores sociais determinantes da saúde, estabelecer políticas fortes que fomentem a equidade e facilitem opções de saúde às populações. As políticas e os programas devem abranger os sectores chave da sociedade, entre eles a agricultura, a produção de alimentos, a educação, a habitação, os transportes, a comunicação, para além do sector da saúde. Neste processo os enfermeiros e as associações de enfermagem estão bem posicionadas para influenciar a construção de politicas sólidas de saúde, sociais e económicas que permitam aumentar o acesso e a equidade para todas as populações. Os sectores essenciais onde se deve actuar: • Melhorar as condições de vida, ou seja, as condições em que as pessoas nascem, crescem, trabalham e envelhecem; 28 sep – sindicato dos enfermeiros portugueses •Abordar a injusta distribuição do poder, do dinheiro e dos recursos — enquanto elementos estruturais impulsionadores dessas condições de vida — no plano mundial, nacional e local; • Medir o problema, avaliar a actuação, aumentar a base de conhecimentos, desenvolver a formação dos recursos humanos e tornar o público mais consciente dos factores sociais determinantes da saúde. Naturalmente, os problemas a ultrapassar são muitos: •Colaboração intersectorial limitada e vinculações também limitadas com os serviços de saúde; •Ambientes não saudáveis que tornam difícil a adopção de estilos de vida saudáveis; • Falta de participação da comunidade devido a estruturas desenhadas de “cima para baixo”; • Sistemas de saúde centrados na doença e programas verticais cujo o foco é apenas uma doença; •Diferenças evidentes na saúde entre os países e dentro dos países que estão relacionados com as diferenças sociais; • Falta de critérios nos cuidados de saúde primários ao prestar os cuidados; • Falta de cobertura universal com financiamento e prestações deficientes; •Desigualdades no acesso aos cuidados de saúde entre as zonas rurais e as zonas urbanas por má distribuição dos trabalhadores da saúde e das instituições; • Escassez de recursos humanos da saúde e desequilíbrio entre a densidade de trabalhadores e as zonas rurais e urbanas; •Deficiente compreensão, por parte dos profissionais de saúde, dos factores sociais determinantes da saúde. Os factores sociais determinantes da saúde criam sinergias com os modelos dos cuidados de saúde primários e os Objectivos para o Desenvolvimento do Milénio e incorporam um novo plano para abordar o desenvolvimento e a desigualdade na saúde. Para tratar as questões da desigualdade e da justiça social, o ICN recorre a uma gama de estratégias que fomentam o intercâmbio de conhecimento, a criação de capacidades e disseminação da evidência para a acção, a influência e a defesa. Através da política, das redes especiais, as competências, defesa, a elaboração e difusão de informação, o ICN presta apoio e impulsiona a tomada de posição por parte da enfermagem. Há a salientar a importância dos temas e documentos do Dia Internacional do Enfermeiro, Declaração politica sobre a água potável, sobre a carta dos Direitos Humanos, sobre a enfermagem e o desenvolvimento, sobre os serviços públicos acessíveis financiados pelos dinheiros públicos, perspectivas e contribuição dos enfermeiros nos cuidados de saúde primários, etc. Os factores sociais determinantes da saúde associados aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio têm que passar a fazer parte do discurso dos enfermeiros. Não temos dúvidas que, pela proximidade, são os enfermeiros que estão na linha da frente das respostas que as populações necessitam. O acesso a condições de vida sustentáveis e o acesso à saúde têm que estar na ordem do dia e hoje mais do que nunca. Os ganhos em saúde que já foram conseguidos podem estar em risco tendo em conta as más opções políticas que têm vindo a ser adoptadas, um pouco por todo o mundo e, em particular em Portugal. Manter os níveis de saúde da população é um desafio enorme mas ter a visão do que poderá acontecer após a crise económica não é um desafio menor! Fórum – PRESCRIÇÃO EM ENFERMAGEM Em Portugal, o acesso a medicação, apesar de regulado é relativamente simples. As farmácias estão sujeitas a legislação específica que define regras em relação à sua propriedade, ao número e à sua distribuição geográfica, horário de funcionamento o que inclui a obrigação de ter, pelo menos, uma farmácia por região aberta à noite, aos domingos e feriados oficiais (recentemente algumas farmácias foram autorizadas a funcionar 24 horas por dia). Há formulários especiais para a prescrição de terapêutica prolongada (para doenças crónicas), que permitem que a mesma receita possa ser utilizada três vezes. Há um considerável número de medicamentos que não requer receita médica e que são vendidos em farmácias e em para‑farmácias (algumas dentro de supermercados). Além disso, não podemos ignorar o facto de que, num número eventualmente considerável de farmácias, os cidadãos conseguem comprar “medicamentos de receita obrigatória” sem a respectiva receita. O quadro legal da Enfermagem Portuguesa define que os cuidados de Enfermagem se centram na promoção do projecto de saúde individual do cidadão. Neste contexto, e ao longo de todos os estádios do ciclo de vida, os enfermeiros satisfazem as necessidades básicas dos cidadãos, previnem a doença, promovem processos de readaptação e a maior independência nas actividades diárias, a adaptação funcional através de processos de aprendizagem. Os estatutos da Ordem dos Enfermeiros distinguem dois tipos de intervenção de Enfermagem: autónoma e interdependente. As intervenções autónomas são iniciadas pela prescrição do enfermeiro sob a sua iniciativa e responsabilidade; as interdependentes são as iniciadas por outros membros da equipa de Saúde. Os enfermeiros assumem a responsabilidade de implementar as intervenções de Enfermagem que derivam da prescrição de outro elemento da equipa. Nas intervenções de Enfermagem iniciadas pela prescrição do enfermeiro, este assume a responsabilidade pela sua prescrição e implementação técnica. O referido documento (Intervenções dos enfermeiros) afirma que [os enfermeiros] «desenvolvem a administração de terapêutica prescrita, detectando os seus efeitos e agindo em conformidade e, em situações de emergência, actuam em concordância com as qualificações e conhecimento que possuem, com vista à manutenção e restauração das funções vitais», o que inclui a prescrição e administração de medicamentos com capacidade para salvar a vida. No contexto acima descrito, a prática dos enfermeiros difere consideravelmente e podem ser encontrados num vasto número de situações. O enfermeiro que “recomenda” a um doente uma medicação de venda livre; o enfermeiro que “decide” que produto vai utilizar no tratamento de uma ferida; o enfermeiro que monitoriza os níveis de glicose de um doente e que, de acordo com um esquema predeterminado “administra” insulina ou glicose, o enfermeiro que testemunha uma reacção anafiláctica a um medicamento e “administra” adrenalina, etc. É isto “prescrição em Enfermagem”? Em Portugal, até há pouco tempo, prescrição em Enfermagem, mais concretamente prescrição de medicamentos era um assunto excluído das discussões formais e não era alvo da atenção dos enfermeiros. Contudo, dois factos chamaram a atenção da comunicação social: a aprovação em Espanha de legislação que atribuiu poderes prescritivos aos enfermeiros e de duas organizações de Enfermagem, no decorrer de reuniões científicas, terem vindo a público reclamar as vantagens da prescrição em Enfermagem. A Ordem dos Enfermeiros começou a dedicar mais atenção a este assunto sabendo da situação vivida noutros países, especialmente no País vizinho, e das tendências na Europa (prescrição electrónica, movimentos transfronteiriços de doentes e profissionais de Saúde). A decisão de dedicar um fórum do CNR a este assunto veio formalizar a discussão entre a Ordem dos Enfermeiros e o FNOPE. Acreditamos que as situações acima descritas marcam o ponto de partida para uma discussão alargada sobre o assunto em Portugal: dentro da profissão, com outros profissionais de saúde, na sociedade e com as autoridades governamentais. Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 29 Da discussão no CNR: Esta matéria tem assumido importância principalmente porque nos últimos anos se tem registado importantes alterações nas funções dos enfermeiros em numerosos países. Numa informação recente da Organização para o Desenvolvimento Económico confirma‑se que muitos países estão a tentar melhorar as prestações de cuidados de saúde mediante a revisão das funções dos profissionais de saúde e, entre eles, os enfermeiros. Nesta informação podemos ler que a criação de funções mais avançadas para os enfermeiros pode contribuir para aumentar o acesso aos cuidados e diminuir os custos. Relativamente à prescrição por enfermeiros, nos últimos dez anos houve um aumento do número de países em que esta função foi implementada ou está na agenda politica. As razões para a autorização da prescrição por enfermeiros foram: •O acesso cada vez maior, especialmente nas zonas carenciadas de profissionais de saúde e em grupos vulneráveis. •Conseguir resultados eficientes e responsáveis. • Maior eficiência na gestão. •Aumentar a possibilidade de escolha pelo consumidor. •Reconhecer que as capacidades de enfermeiros com alto nível de formação podem estar a ser sub‑utilizados. •Reconhecer que a prescrição por enfermeiros podem contribuir para uma maior acessibilidade, custos mais eficientes e mais eficazes. •Colmatar a carência de médicos. A possibilidade dos enfermeiros prescreverem evoluiu de forma diferente. O ICN define o enfermeiro de pratica avançada como o enfermeiro especialista, perito, capaz de tomar decisões completas e com a competência clínica para a pratica especializada, cujas características estão de acordo com o contexto e/ou o país em que está credenciado para trabalhar. Nem todos os enfermeiros especialistas prescrevem nem todos os que prescrevem são enfermeiros especialistas. Por exemplo, na Irlanda e no Reino Unido, aumentaram as funções dos enfermeiros e permitiu‑se que os enfermeiros especialistas fizessem uma formação adicional para que pudessem prescrever. Noutros, a possibilidade de prescrever foi incorporada nas funções dos enfermeiros especialistas como por exemplo nos enfermeiros de saúde na comunidade ou nos enfermeiros de cuidados de saúde primários. A possibilidade de prescrição também difere tendo em conta as regiões clínicas. Um estudo internacional levado a cabo pela OMS e pelo ICN, relativamente aos enfermeiros especialistas de saúde mental, constata‑se que em 14% dos 172 países, os enfermeiros podem prescrever psicotrópicos. Podemos constatar, ainda, que os enfermeiros dos países africanos mais pobres têm mais possibilidades de prescrever que os países mais ricos. Grande parte da diversidade sobre a forma como evoluiu a possibilidade de prescrição está relacionado com as diferenças dos sistemas de saúde, a distribuição geográfica da população e a posição da enfermagem, no país. O nível, a medida, o âmbito e a prevalência de prescrever são diferentes, no que se refere: •Nível de autoridade para prescrever e a sua independência. Podem agrupar‑se em prescrição independente, prescrição dependente/su 30 sep – sindicato dos enfermeiros portugueses plementar, protocolos de grupo e protocolos específicos para cada doente. •A amplitude no que se refere a quem está autorizado a prescrever. O tipo de enfermeiros que podem prescrever e o numero do grupo designado para prescrever (e a capacidade para educar e regular o grupo designado) pode definir como está difundido, no plano nacional, a possibilidade de prescrição. •As situações em que os enfermeiros podem prescrever. A possibilidade de prescrever pode estar limitada a condições de saúde ou especialidades. •Diversidade regional/local, principalmente nos países federados em que a legislação varia de Estado para Estado. •A gama de medicamentos: a diversidade de quanto e o que se pode receitar, desde formulários limitados até aos completos. Em muitos casos a gama de medicamentos e produtos que se pode receitar é revisto periodicamente, quando se reconhece as consequências das suas limitações. •A vontade nacional/politica. Sem políticas e linhas de orientação nacionais fortes, a resistências de outros interessados, por exemplo as associações de médicos e de empregadores, pode impedir a aplicação. Assim, mesmo quando os enfermeiros têm a formação e as funções e é um imperativo que prescrevam, a oposição de outras profissões impedem as alterações legislativas. Há um número crescente de evidência sobre o valor da função dos enfermeiros especialistas mas não tanto quando relacionamos com a prescrição. A investigação disponível é de um número pequeno de países (principalmente nos EUA e no reino Unido) e que no geral se refere aos aspectos seguintes: aceitabilidade, relação doente/profissional, acesso aos cuidados, oportunidade de tratamento, adequação do tratamento e utilização dos recursos. A Irlanda completou uma avaliação desta função em 2009, dois anos após ter sido introduzido no país. A avaliação demonstra que a extensão de prescrever aos enfermeiros especialistas foi um importante desenvolvimento, particularmente pelo impacto que teve nos cuidados aos doentes, e na profissão Também demonstra que a prescrição por enfermeiros é seguro e eficaz e que os doentes irlandeses são muito favoráveis e aceitam que esta função também seja dos enfermeiros porque reduz os tempos de espera e melhora o acesso. Contudo, várias são as questões que se colocam: • em muitos países as associações nacionais e os reguladores trabalham para que os enfermeiros possam prescrever mas esta é frequentemente uma luta politica e interprofissional; • a autoridade para prescrever requer, geralmente, alterações na legislação, pelo que a sua introdução pode levar muito tempo; • para que os enfermeiros possam prescrever é necessário alterar currículos, a pratica, a existência de estruturas de regulamentação idóneas e o compromisso de todos e dos múltiplos interessados; • nos países em que é permitido a prescrição aos enfermeiros especialistas há uma grande diversidade quando aos requisitos constantes relativamente à supervisão pelos médicos, acordos de colaboração, prescrição de acordo com determinadas listas, alterações legislativas, etc; • em alguns países, para satisfazer as necessidades das populações e na falta de alternativas, os enfermeiros prescrevem sem a formação necessária e sem suporte da autoridade de regulação; • nas zonas rurais e remotas, onde a regulação existe, os requisitos para os acordos de colaboração são difíceis de satisfazer e pode resultar em prática descontinuada e pode chegar a limitar o acesso público a serviços muito necessários.; • em muitos países onde os enfermeiros podem prescrever, enfrentam problemas de compensação (por exemplo no acesso à facturação) e de seguros que torna difícil prestar cuidados completos e globais às populações; • numero limitado de investigação para evidenciar, aos políticos, as vantagens da prescrição por enfermeiros; • o numero de enfermeiros que prescrevem continua a ser muito baixo na maioria dos países onde foi concedida esta possibilidade. O ICN desenvolve várias estratégias para apoiar e fomentar a contribuição dos enfermeiros na construção e consolidação de sistemas de saúde mais acessíveis, económicos e eficientes. Sobre esta matéria tem tomado posições que podem ser recolhidas no site do ICN. Em Portugal a prescrição de cuidados de Enfermagem está regulamentada desde 1996 no REPE e depois nos Estatutos da Ordem dos Enfermeiros. É verdade que quando se fala em prescrição associamos, normalmente, à prescrição medicamentosa e não tanto ao decurso das intervenções autónomas que, diariamente, desenvolvemos em todas as áreas da prática profissional. Também é verdade que a prescrição de medicamentos começa cada vez mais a estar na ordem do dia, nas discussões entre os enfermeiros portugueses, razão pela qual deveremos continuar a reflectir. Contudo, parece‑nos, esta discussão não deverá levar‑nos a falsas construções de autonomia tal como se registam em outros países, como por exemplo em Espanha e em França, onde os primeiros só podem prescrever medicamentos que em Portugal são adquiridos sem receita médica (nas para‑farmácias) e os segundos, nos cuidados de saúde primários prescrevem mas para que os doentes possam usufruir da comparticipação da segurança social é necessário a assinatura de um médico. Fórum – FALAR A UMA SÓ VOZ Os tempos estão a mudar rapidamente. A Enfermagem está perante um permanente desafio e os enfermeiros têm constantemente de se ajustar e reagir às novas tendências e novas situações. A Enfermagem não pode continuar a repetir trabalho e a desperdiçar esforços. Pode correr sério risco se os enfermeiros não forem capazes de encontrar formas de colaborar a nível nacional e internacional. Às vezes é difícil ultrapassar as diferenças. Mas acreditamos que, apesar de existirem diferentes mandatos, arenas e formas de intervenção, todas as partes interessadas na profissão partilham os mesmos valores e crenças. Mesmo quando parece impossível chegar a um acordo, é da máxima importância que a compreensão mútua e o compromisso com a profissão possam ser suficientemente fortes para que a «voz da Enfermagem» possa ser ouvida. Em Portugal temos seis tipos de «entidades» que contribuem para o que podemos intitular de «voz da Enfermagem»: –O regulador nacional – Ordem dos Enfermeiros – de natureza pública, possui funções de representação e regula todos assuntos relacionados com a prática profissional; –Os Sindicatos Profissionais – de natureza privada, possuem funções de representação dos seus associados e regulam todas as questões laborais e de bem‑estar socioeconómico; – Associações – de natureza privada, possuem funções de representação dos seus associados e aprofundam matérias relacionadas com interesses particulares de grupos de enfermeiros e a participação organizada da profissão; –O Fórum Nacional das Organizações Profissionais de Enfermeiros (FNOPE), que foi constituído em 2003 com o objectivo de assegurar a representação internacional da Enfermagem Portuguesa. Reúne, de acordo com um protocolo de modelo de colaboração acordado por todos os aderentes ao FNOPE, ou seja, o regulador nacional de Enfermagem, sindicatos e associações de Enfermagem; – Chief Nursing Officer (CNO) (Assessor Ministerial de Enfermagem), que é um cargo recente em Portugal e, actualmente, está inserido na Direcção Geral de Saúde, onde o CNO também tem outras responsabilidades noutras áreas dos Cuidados de Saúde; –A «sexta entidade» é a internet, com as páginas e blogs dedicados à Enfermagem. Apesar de serem muito recentes, têm muita notoriedade em algumas áreas e possivelmente têm grande alcance. Contudo, ainda não é possível determinar a sua influência. Por esta razão consideramos que são um elemento a ter em conta, mas não o iremos abordar na nossa análise. O curto período de existência e as poucas acções conjuntas que têm ocorrido com o CNO levam a que também não o incluamos na presente abordagem. A Enfermagem enquanto profissão teve uma evolução importante nos últimos 40 anos. Vários foram os factores que tornaram esta evolução possível. O mais importante foi, sem dúvida, a capacidade de «falar a uma só voz» quando necessário. Alguns sucessos deste facto foram: –O fim dos auxiliares de Enfermagem (1975); –A integração da formação em Enfermagem no Sistema Educativo Nacional e no Ensino Superior (1988); –O direito à auto‑regulação (1998); –A oposição bem‑sucedida à criação da nova profissão ligada à prestação dos cuidados de saúde que viria a apropriar‑se de parte do âmbito de prática profissional do enfermeiro generalista (2004). 2004 foi um ano importante para a voz da Enfermagem Portuguesa, uma vez que marcou a criação oficial do FNOPE. Este fórum foi criado em consequência de um longo processo negocial entre todas as organizações portuguesas de Enfermagem que decidiram aderir tendo em vista a adopção de um modelo de representação internacional. Foi assinado um «protocolo de constituição» e, entre outras disposições, prevê que «o FNOPE deve procurar alcançar o consenso para cada decisão». Além disso, estabelece regras para as ocasiões em que tal não for possível, o que ainda não ocorreu. Nestes seis anos de intensa actividade e colaboração todas as decisões foram consensuais. A nossa experiência diz‑nos que a coesão entre todas as organizações profissionais transforma‑se numa força capaz de sustentar posições que maximizam as melhores soluções. A força provém da unidade e uma profissão – com uma tão vasta representatividade como a da Enfermagem – pode modificar qualquer política de saúde se todos formos uma força e falarmos a uma só voz, a todos os níveis: nacional, regional (nomeadamente na União Europeia, com as suas características únicas) e global. Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 31 Da Discussão no CNR: A importância da sua discussão prende‑se com um dos objectivos do ICN em torno do modelo de inclusividade, principalmente tendo em conta os tempos que correm. A introdução do ICN a este tema relembra que a necessidade da Enfermagem Falar a Uma só Voz foi pela primeira vez relatada nos tempos idos de 1890, também num período de grandes alterações e desafios. A resposta foi a criação do ICN em 1899. Passado mais de um século a necessidade de a enfermagem ter uma voz forte em termos nacionais e internacionais é crucial para concretizar o bem‑estar das populações. Em termos de política global de saúde e social, o ICN foi uma das organizações que mais defendeu a criação da Organização Mundial de Saúde e foi a primeira organização profissional a ter relações oficiais com a sua Direcção, na sua reunião inaugural. Adicionalmente, o ICN foi uma das organizações não‑governamentais acreditada como observadora na Conferência das Partes, órgão do governo do Convénio que marca o início da luta da OMS contra o Tabaco e que entrou em vigor em 2005. Este Convénio da OMS é, talvez, um dos avanços mais importantes da política de saúde mundial dos últimos 20 anos e é um dos mais amplamente aceites na história das Nações Unidas. No plano internacional, o ICN colabora com outras vozes mundiais da enfermagem e da obstetrícia na reunião bianual da Tríade. Em 2010 os Nursing Chief Office, as associações nacionais de enfermagem e os órgãos reguladores de 85 países assistiram à 3ª reunião da Tríade e analisaram temas importantes como: a crise económica, consequências e modo de avançar; o aumento das doenças crónicas; e o fortalecimento dos sistemas de saúde. Ainda, na introdução, o ICN aponta o exemplo português de representação da enfermagem em termos internacionais — modelo de colaboração que agrega a Ordem, Sindicatos e Associações Profissionais generalistas e de especialidade — como um excelente exemplo de “falar a uma só voz”. As oportunidades de “falar a uma só voz” são muitas mas também existem muitas dificuldades para assegurar o consenso entre a população de uma profissão mundial tão ampla e divergente como é a enfermagem. A Profissão participará na discussão mas, apesar dos esforços, poderemos não chegar a um consenso ou a uma decisão. Nos últimos 100 anos o número de associações que aderiram ao ICN foi sempre crescendo. A actividade da comissão executiva do ICN, de acordo com as decisões da Direcção (CNR) continuará a ser a colaboração com os interessados e colaboradores essenciais, no plano, mundial para conseguir que a voz da enfermagem se faça ouvir, se entenda e se respeite. Entre as diferentes actividades incluem‑se: •Adoptar a condição de observador no Conselho Executivo da OMS, na Assembleia Mundial de Saúde e noutras reuniões regionais e foros intergovernamentais e não governamentais da OMS. • Participar na redacção de resoluções, declarações e exposições de resultados para influenciar as partes no que se refere à enfermagem, à saúde e à politica social. • Preparar as intervenções mundiais e regionais relacionadas com os problemas de saúde e da enfermagem. No decorrer do Fórum e apesar das diferenças reais que existem na enfermagem, a nível mundial, ninguém duvida da necessidade da enfermagem 32 sep – sindicato dos enfermeiros portugueses estar unida em torno de objectivos concretos. A necessidade da enfermagem estar representada ao mais alto nível na OMS (lugar por ocupar desde o ano passado) é um deles. Há países que consideram que os pareceres e/ou posições emitidas pelo ICN deveriam ter um carácter mais vinculativo como forma de obrigar os governos dos países a adoptá‑los. Na verdade, este é um trabalho que é da responsabilidade das associações nacionais que deverão desenvolver os esforços que permita que tal aconteça até na salvaguarda das diferenças. E entre as diferenças, por exemplo: • Há países que têm mais enfermeiros especialistas que generalistas; •Noutros, é assumido que a formação de enfermeiros é essencialmente para exportar representando isso uma percentagem considerável de entrada de divisas. •Na sua maior parte, não existem sindicatos profissionais de enfermagem. Ou estão integrados nos departamentos de saúde das confederações, ou estão integrados nas associações que ou são associações reguladoras ou profissionais. •Ainda, situações há, que os membros da direcção de sindicatos e/ou associações são também membros do governo o que retira a independência na tomada de decisão. •A existência de diferentes níveis de formação(desde o universitário até a cursos técnico profissionais) e de auxiliares de enfermagem. Todas estas realidades podem ser difíceis de ultrapassar mas não são impeditivos de FALAR A UMA SÓ VOZ. Respeitar as diferenças e fazer delas a FORÇA pode ser o motor para continuarmos a consolidar a enfermagem nacional e internacionalmente. Tal como há 100 anos atrás, os desafios com os quais estamos confrontados, hoje, são muitos e muito graves. A carência de enfermeiros, o aumento das doenças crónicas, a crise económica, o aumento da influência do sector privado, a tentativa de diminuição do valor do trabalho com propostas de diminuição dos níveis de formação dos enfermeiros, a desregulação, a desregulamentação da legislação laboral, etc, são questões merecem a nossa especial atenção e acompanhamento. Construção do Plano estratégico do ICN para 2011-2014 A definição de um plano estratégico para 2011-2014 foi outro dos pontos altos deste CNR. A discussão foi desenvolvida em grupos (mesas redondas) onde era solicitado que sobre 4 pontos mais concretos fossem estabelecidos sub‑objectivos, formas para os medir e o impacto e/ou resultados. Os temas que estiveram subjacentes à discussão nos grupos foram: •Influenciar a enfermagem, a politica de saúde e social as normas profissionais e as condições de emprego e de trabalho, no mundo: •Ajudar as associações nacionais de enfermeiros a melhorar a qualidade os cuidados de enfermagem e a competência dos seus membros; • Promover o desenvolvimento de fortes associações nacionais de enfermeiros; •Representar os enfermeiros e a enfermagem a nível internacional; •Constituir, receber e gerir os fundos que contribuam para a melhoria dos cuidados de enfermagem e permitam de uma forma mais eficaz, atingir os objectivos do ICN. E, tendo em conta o acima referido os grupos tinham que propor os tais sub‑objectivos de acordo com as seguintes 4 questões: • Membros e parceiros •Desempenho financeiro • Processos organizacionais • Educação e inovação. De salientar que a visão, a missão, os objectivos e os valores do ICN estão hoje descritos em inúmeros documentos, a começar pelos seus estatutos: •A visão do ICN para o futuro dos enfermeiros, • a Missão é representar a enfermagem e fazer avançar a profissão e influenciar as politicas a nível mundial; •Os três objectivos: representar a enfermagem do mundo inteiro (uma só voz) fazer progredir os cuidados de enfermagem e influenciar a politicas de saúde; •Os cinco valores fundamentais: uma liderança visionaria que mantenha a profissão de enfermagem na linha da frente dos contributos de uma politica contemporânea, saúde e bem estar; a inclusividade que permita que enfermeiros e parceiros possam, em conjunto, decidir; a inovação assegurando que as organizações têm um pensamento de futuro, dinâmica e atenta; a parceria para que os enfermeiros e a enfermagem sejam uma das chaves dos contributos e iguais no debate politico e na construção dos sistemas; transparência garantindo modelos de acção e decisão abertas e responsáveis. Com este plano, o conselho de administração do ICN pretende uma maior responsabilidade, transparência e coerência por parte de todas associações membros. O resultado do trabalho desenvolvido pelos grupos estará disponível na página do ICN e até Agosto, poderão ser acrescentados mais contributos. Conferência do ICN Realizou‑se imediatamente a seguir ao CNR e decorreu entre 4 e 7 de Maio. Importa salientar que muitos foram os painéis que se debruçaram sobre a preocupante crise económica e financeira que os países atravessam e as consequências para a profissão. Interessante foi também a intervenção da mulher do presidente do Ruanda, no debate sobre o “papel das mulheres” trazendo a realidade do país. No Ruanda, como é do conhecimento geral, aconteceu um dos maiores genocídios que há memória, ainda não há muito anos. É hoje um país em reconstrução, não apenas no que diz respeito às suas infra‑estruturas mas também em termos sociais. Haverá poucas famílias cujo um ou mais membros não foram mortos e, os relatos de violação de mulheres e crianças são indescritíveis. E é nesta reconstrução que as mulheres estão a desempenhar um papel importantíssimo. É o país que mais mulheres têm no parlamento e em todos os restantes órgãos de decisão, nomeadamente no supremo tribunal, tribunal de contas, etc. Muitas são também as mulheres que criaram e assumem‑se como as gestoras de empresas. Ruanda, será um país a acompanhar e certamente um exemplo a ter em conta! Os Hospitais “Íman” (Magnet Hospitals) – O Centro Americano de Credenciação de Enfermeiros (ANCC) apresentou Programa de Acreditação Íman que desenvolveu com o objectivo de atrair e reter enfermeiros nos hospitais e, consequentemente, na profissão – Magnet Recognition Program. Às instituições acreditadas é atribuído um “selo de garantia” que a reconhece como tendo um ambiente favorável à prática, qualidade nas prestações, segurança e altos índices de satisfação para os profissionais e para os doentes. Lideranças com visão, influência e com um profundo conhecimento da prática de enfermagem são uma das chaves para transformar as organizações em função das necessidades do futuro. Desenvolvimento de parcerias com todos os tipos de organizações na comunidade que potencie os melhores resultados para os doentes. Uma prática profissional exemplar é considerada como a verdadeira essência e o motor de uma organização “Magnet” já que a questão é: “o que se pode atingir com determinada prática profissional”. O estabelecimento de relações de confiança com os doentes, famílias, comunidade e na equipa multidisciplinar é outro factor importante assim como o desenvolvimento do conhecimento e da inovação, outra das características destas instituições. Novos modelos de cuidados com base na evidência, novas evidências e contributos visíveis para a ciência da enfermagem tendo com objectivo dar resposta não a “o que fazemos?” ou “como fazemos?” mas “QUE DIFERENÇA FIZEMOS?” Os enfermeiros valorizam o ambiente favorável, a autonomia, a segurança e, nestas instituições, a taxa de abandono da profissão diminuiu. Também, os outros profissionais, reconhecem a importância deste programa reconhecendo que é nestas instituições que “estão os melhores enfermeiros, onde a moral é mais alta e onde existem mais e melhores recursos. Queremos estar onde os enfermeiros querem estar”. Este programa de acreditação foi agora estendido a países, nomeadamente europeus e pode ser aplicado em qualquer instituição, nomeadamente nos cuidados de saúde primários. Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 33 Região Alentejo O acordo assinado entre o INEM e a Administração Regional de Saúde do Alentejo que prevê a integração dos profissionais da ambulância SIV nos Serviços de Urgência Básica (SUB), fez diminuir o número de enfermeiros na SUB. que detivessem esta categoria até 31/12/2004 e com Avaliação do Desempenho positiva. Desde o dia 09 de Maio que a Urgência Básica de Odemira, tem menos um enfermeiro escalado por turno, o que põe em causa a prestação e a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados á população de Odemira. O SEP contrapôs esta situação com a circular informativa emanada pela ACSS que orienta de forma clara como deveriam ser efectuadas as transições. O SEP defende a integração dos enfermeiros das SIV’S nos Serviços de Urgência Básica e/ou nos serviços de urgência dos hospitais como forma de permitir a manutenção, por parte dos profissionais, das competências nesta área. Contudo, esta integração não pode servir para que as ARS’s, neste caso a ARS do Alentejo, se aproveitem para diminuir despesas. É absolutamente fundamental que esta integração se efectue SOB A FORMA DE SUPRA NUMERÁRIO! O SEP, reuniu no passado dia 17 de Maio com o Presidente da Câmara de Odemira, Presidente da Assembleia Municipal e Representantes dos Partidos Políticos na Assembleia Municipal e o que se constatou é que estas medidas são tomadas à margem dos responsáveis autárquicos já que nenhum tinha conhecimento desta situação razão pela qual assumiram o compromisso de exigir a manutenção de 2+1 enfermeiros. Reunião com o Conselho de Administração da Unidade Local Saúde Baixo Alentejo, EPE Reunimos no passado dia 09 de Maio, tendo sido abordados os assuntos que a seguir desenvolvemos: Reposicionamento dos Enfermeiros Graduados O SEP frisou que este reposicionamento já deveria ter acontecido a 1 de Janeiro de 2011 para os Enfermeiros Graduados do 1.º escalão 34 O CA informou que aguardava orientações superiores para efectuar o reposicionamento. Alertamos os colegas que se encontrem nesta situação a estarem atentos e caso não se verifi‑ quem os reposicionamentos a contactarem o SEP. Majoração de Dias de Férias O SEP informou o CA de que tinha sido contactado por vários enfermeiros que referiam lhes terem sido retirados dias de férias pelo facto de terem aderido a greves. O CA informou que nunca emitiu essa orientação e que possui, nesta matéria, o mesmo entendimento que o SEP, isto é, que nenhum enfermeiro deverá ser penalizado nos seus dias de férias por aderir a greves. Apelamos a todos os enfermeiros que tenham sido alvo da retirada de dias de férias por terem aderido a greves que façam um requerimento a solicitar a reposição da legalidade e que informem o SEP da resposta que tiverem a esse requerimento. Abertura de SUB´s na ULSBA, EPE O SEP alertou o CA para o facto da SUB de Moura estar a funcionar abaixo da dotação de enfermeiros prevista na legislação. Para além disso questionamos o CA sobre a data provável de abertura da SUB de Serpa. O CA referiu que o que se passou em Moura não foi a abertura do SUB mas sim a utilização das instalações com melhores condições para os profissionais e utentes pelo SAP que já funcionava nesse Centro de Saúde. Houve o compromisso por parte do CA que a SUB só abrirá quando a ULSBA, EPE tiver o número de enfermeiros necessários para cumprir o que está legalmente estabelecido. Relativamente à SUB de Serpa, o CA informou o SEP de que ainda não há data prevista para a abertura. sep – sindicato dos enfermeiros portugueses Substituição de Rampas de Oxigénio por Enfermeiros O SEP informou o CA do desconforto sentido pelos enfermeiros de algumas unidades pelo facto da Directora dos Serviços Farmacêuticos ter emanado uma orientação onde referia que a substituição das rampas de oxigénio era da responsabilidade dos enfermeiros. Referimos, ainda, que demos orientação aos nossos sócios para não cumprirem essa orientação uma vez que essa tarefa não tem enquadramento no nosso conteúdo funcional nem faz parte das competências dos enfermeiros. Assim sendo, o SEP exigiu que o CA revogasse essa orientação criando condições para que essa tarefa seja feita por quem está habilitado para o fazer. O CA concordou com a orientação do SEP e considerou também que não cabe ao enfermeiro fazer a substituição dessas rampas frisando que irão contrariar a orientação e avaliar a possibilidade de introduzir um sistema mecânico que faça a substituição automática. Apelamos aos enfermeiros que se recusem a proceder à substituição das respectivas rampas de oxigénio uma vez que esta tarefa não tem enquadramento no nosso conteúdo funcional. Tentativa de Retirada de Conteúdo Funcional a Enfermeiros Chefes O SEP informou o CA do facto de termos conhecimento da existência de algumas pressões e tentativas de retirada do conteúdo funcional de alguns Enfermeiros Chefes em alguns Centros de Saúde. O CA referiu que também tinha conhecimento dessa situação e que deliberou, após reunião do CA, que a Carreira de Enfermagem, no que diz respeito ao conteúdo funcional dos Enfermeiros Chefes, fosse integralmente cumprida. Solicitamos aos Enfermeiros Chefes que sejam alvo destas pressões e tentativas de retirada de conteúdo funcional para que caso a situação não esteja normalizada contactem o SEP para nova intervenção. O SEP pediu reunião à ARSA que se concretizou no dia 8 de Junho. Reposicionamento dos enfermeiros graduados Os colegas graduados pelo menos desde 2004 dos vários ACES da ARSA, com vencimento base inferior a 1.201€. terão já transitado para a primeira posição da nova grelha salarial, com retroactivos a 1 de Janeiro do presente ano. Segundo informação da presidente do Conselho Directivo da ARSA, a transição destes colegas foi realizada, estando já a ser preparadas as listas para os anos de 2012 e 2013 (que ficarão condicionadas ao Orçamento de Estado dos respectivos anos). SUB Odemira O Conselho Directivo sustenta uma linha de cortes e contenção de custos à margem da lei e das preocupações vertidas pelo SEP, com os cuidados de saúde adequados às necessidades e características da população do Alentejo. Assumindo que a medida de reduzir para 2 o número de enfermeiros nas SUBs é para aplicar a outras unidades! O SEP defende: Uma gestão de recursos idónea com cortes onde existe efectivo desperdício e sem prejuízo para a população. O cumprimento da lei obriga a 2 colegas permanentemente nos SUB. Cuidados de saúde prestados em condições que garantam a segurança das populações e profissionais. Posicionamento na Carreira de Enfermagem Caso tenhas um posicionamento na carreira em que tenhas sido prejudicado, faz uma exposição dirigida ao Conselho Directivo da ARSA porque o SEP colocou a questão e a presidente comprometeu‑se a analisar caso a caso. Se precisares de apoio, contacta Direcção Regional do SEP. beir a alta Foco”, conseguimos concretizar o objectivo que tínhamos estabelecido, isto é, (re)eleger toda a rede de Delegados Sindicais da região, tendo em conta as reestruturações institucionais verificadas e a nova realidade existente. Reuniões sobre a Nova Carreira de Enfermagem DRBA: Eleição de Delegados Sindicais No dia 29 de Março de 2011, a Direcção Regional da Beira Alta organizou duas reuniões sobre a Nova Carreira de Enfermagem, com a seguinte ordem de trabalhos: De acordo com o que tínhamos afirmado no número anterior da revista “Enfermagem em 1 – Nova Carreira de Enfermagem; 2 – Operacionalização da Nova Carreira nos Cuidados de Saúde Primários; 3 – Avaliação do Desempenho/Cuidados de Saúde Primários; 4 – Outros aspectos. Da parte da manhã reunimos com os Enfermeiros dos ACES do Distrito da Guarda e, no período da tarde, com os Enfermeiros dos ACES do Distrito de Viseu. De realçar a boa adesão por parte dos Enfermeiros, registando‑se a presença de cerca de meia centena de Enfermeiros – 21 do distrito da Guarda e 28 do distrito de Viseu. Assim, com inicio a 20 de Maio e términos a 6 de Junho, programamos um processo eleitoral para cada Instituição, com a excepção do ACES Dão Lafões I onde ainda não conseguimos reunir as condições necessárias para a concretização deste objectivo, organizando mesas de voto em TODOS os locais de trabalho do Distrito da Guarda e de Viseu. De realçar aqui a renovação dos quadros sindicais eleitos, uma vez que mais de 50% dos Neste sentido foram eleitos os seguintes elementos: INSTITUIÇÃO ACES Dão Lafões II ACES Douro Sul ACES Dão Lafões III DELEGADOS SINDICAIS LOCAL DE TRABALHO Efectiva: – Célia Grilo CS Sátão Suplentes: – Paulo Duarte – Tony Lopes CS Aguiar da Beira SUB São Pedro do Sul Efectivo: – Francisco Simão CS São João da Pesqueira Efectivo: – Artur Almeida CS Mangualde Suplentes: – Manuel Cruz CS Santa Comba Dão DATA ELEIÇÃO 20 Maio Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 24 Maio 25 Maio 35 Delegados Efectivos eleitos e mais de 75% dos suplentes, assumem esta função pela primeira vez. Como tal desejamos‑lhes as boas vindas e contamos com eles para as lutas que se aproximam, assim como com o seu contributo para a afirmação do SEP na região transformando‑o, cada vez mais, no “Sindicato dos Enfermeiros Portugueses”. INSTITUIÇÃO CH Tondela Viseu ULS Guarda DELEGADOS SINDICAIS LOCAL DE TRABALHO Efectivos: – Catarina Amaral – David Ramos – Mara Lopes – Nuno Valentim – Rui Libório – Vítor Duarte HST Viseu HCF Tondela HST Viseu HST Viseu HST Viseu HCF Tondela Efectivos: – Bruno Macedo – Fernando Mendes – Jorge Santos – José Maria – Pedro Antunes – Ricardo Correia HSM Guarda HNSA Seia HSM Guarda CS Gouveia CS Sabugal HSM Guarda Suplentes: – Cristina Valente – Filipa Salema – Gisela Bento – Mara Lúcia – Paulo Pontinha – Pedro Martins CS Almeida CS Pinhel CS Figueira Castelo Rodrigo HNSA Seia CS Sabugal CS Celorico da Beira DATA ELEIÇÃO 31 Maio 6 Junho castelo br anco Actividade Sindical Maio – Medicina do Trabalho Na sequência da aposentação da médica de medicina do trabalho da ULSB‑EPE, os dirigentes da direcção regional decidiram, face à relevância do trabalho desenvolvido, tomar uma posição pública de reconhecimento à referida médica, através de uma nota à comunicação social que curiosamente não obteve eco nos órgãos de comunicação social regional. Neste contexto, publicamos, aqui, esperando também que rapidamente seja encontrado um substituto para o lugar agora deixado vago. Nota à Comunicação Social A Direcção Regional de Castelo Branco do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, vem publicamente prestar um merecido tributo à Drª Teresa, médica de medicina do trabalho da ULSCB‑EPE, que se aposentou recentemente, e que em todos os anos que esteve como responsável e única médica deste departamento, garantiu mais e melhor atenção à saúde de todos os trabalhadores, com total disponibilidade, empenho, dedicação, rasando em várias situações a abnegação. 36 Sendo esta uma área crucial e determinante também para a segurança, higiene e saúde no trabalho, cremos que a ULSCB‑EPE continuará a dar a merecida atenção a esta área, procedendo à rápida substituição da referida médica (...). 6 de Maio de 2011 Maio/Junho – Passagens nos locais de trabalho Na 2ª, 3ª e 4ª semana de Maio e 1ª de Junho, a DRCB deslocou‑se a todos os locais de trabalho, CS/UCSP e serviços de ambos os Hospitais, com o objectivo de mobilizar e sensibilizar para as reuniões da carreira. Junho – Reuniões – Carreira A DRCB, realizou 2 reuniões no distrito, a 14 e 16 de Junho, no CHCB‑EE e ULSCB‑EPE respectivamente, tendo para o efeito convidado todos os enfermeiros quer dos Cuidados de Saúde Primários, quer dos hospitais a participarem. As reuniões foram conduzidas pelo Coordenador do SEP – José Carlos Martins. A participação nas duas reuniões foi aceitável (23 enfermeiros no CHCB‑EPE e 55 na sep – sindicato dos enfermeiros portugueses ULSCB‑EPE), ficando no entanto aquém face à sua importância, fundamentalmente para os não sócios, pois este foi um dos poucos momentos em que tiveram oportunidade para tomar contacto com as novas dinâmicas de aplicação de carreira e de poderem colocar dúvidas e problemas. Mesmo para os sócios, receptores de toda a informação produzida pelo SEP, incluindo a revista foi um momento privilegiado no aprofundamento e compreensão da explicação escrita. Nas reuniões foram entregues pastas com documentos e legislação. Julho Na semana de 11 a 15 de Julho, a DRCB vai proceder à distribuição do Comunicado explicativo da carreira em todos os locais de trabalho e Instituições. Actualização de Dados Solicitamos a todos os sócios o envio de dados actualizados, nomeadamente endereço electrónico, para: [email protected]. Região faro XXXII Encontro Nacional de Estudantes de Enfermagem À semelhança do que tem vindo a acontecer ao longo dos anos, o SEP tem marcado presença no Encontro Nacional de Estudantes de Enfermagem (ENEE). A 32ª edição, teve lugar em Armação de Pêra e foi organizada pela Escola Superior de Enfermagem de Lisboa (ESEL), sendo que a responsabilidade do espaço do SEP esteve a cargo das delegações de Faro e de Lisboa. Ao longo da semana os delegados e dirigentes de ambas as delegações foram‑se deparando com inúmeras questões colocadas tanto pelos estudantes como pelos profissionais que frequentaram o evento. Foi altura de esclarecer dúvidas, sindicalizar colegas e divulgar o SEP no meio académico. Ao longo da semana demonstrámos a importância de se estar sindicalizado, dando a conhecer a intervenção politico‑sindical, as reivindicações, quais as nossas intervenções, onde podemos agir e apoiar os enfermeiros, realizando também a divulgação da Revista Enfermagem em Foco. sua importância enquanto um dos pilares da profissão. O desenvolvimento autónomo da profissão foi consagrado pela primeira vez com esta legislação em 1996 e, cada vez mais, é importante que os enfermeiros se apropriem do que ali está previsto. Para alguns alunos no início desta etapa académica, a existência do SEP foi uma surpresa, para outros já na recta final, exigiam a presença dos nossos delegados juntos das turmas finalistas, com “sede” de conhecimento, com carência de conhecimentos ao nível das questões laborais, surgindo dúvidas em relação aos contratos, estágios profissionais e recibos verdes. Curiosamente, o documento mais procurado pelos estudantes e até pelos enfermeiros foi o Regulamento do Exercício Profissional dos Enfermeiros sendo que muitos demonstravam um total desconhecimento do mesmo e/ou da Em termos de apreciação do Encontro, a Direcção Regional de Faro do SEP não pode deixar de lamentar que não tivesse sido previsto pela organização, uma tomada de posição sobre questões importantes para os futuros enfermeiros, como por exemplo, a exigência da publicação do novo modelo de desenvolvimento profissional que salvaguarda o exercício tutelado durante 9 meses a todos os enfermeiros que terminam os cursos e que lhes permitirá adquirir as competências que lhes são exigidas. Esta questão é tanto mais importante porquanto são cada vez mais os relatos de jovens enfermeiros que, sem qualquer período de integração nas instituições, são confrontados com a necessidade de tomar decisões e assumir as responsabilidades daí decorrentes, podendo colocar em causa o seu futuro enquanto profissionais. lisboa Tertúlia/Debate do 25 de Abril passado dia 28 de Abril, no auditório do Hospital Pulido Valente, um Debate subordinado ao tema “As Tecnologias na Enfermagem”. Tal como informámos na anterior revista, decorreu no passado dia 28 de Abril, no Auditório do SEP, um Debate comemorativo do 37º aniversário do 25 de Abril e da instauração da Democracia em Portugal e do 1º de Maio, como Dia do Trabalhador. A exemplo de anos anteriores, a Direcção Regional de Lisboa (DRL) convidou representantes sindicais e profissionais, que de viva voz transmitiram as suas experiências e conhecimentos, relativos à luta sindical, antes e pós‑25 de Abril de 1974. Estiveram presentes, Arménio Carlos, membro da Comissão Executiva da CGTP‑IN e Libério Domingues, Coordenador da União de Sindicatos de Lisboa, para além de actuais e antigos elementos da DRL, assim como outros colegas. O debate centrou‑se na história sindical, quer do Movimento Sindical Unitário (MSU), quer do SEP, com episódios vividos e relatados pelos convidados, tendo culminado com a luta sindical actual, em que os sindicatos continuam a sua acção em defesa dos trabalhadores, numa altura em que com o argumento da chamada crise económica, se tentam destruir direitos e liberdades, conquistados nos últimos anos. Debate “As Tecnologias na Enfermagem” A Direcção Regional de Lisboa do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (DRL/SEP) realizou no Além de Nuno Santos do Instituto Bento Jesus Caraça, que abordou questões ligadas à segurança e saúde no trabalho, participaram ainda colegas como, António Matias da Direcção Regional de Lisboa do SEP e vencedor de Medalha de Ouro e duas de Prata em 200, 2001 e 2005 (respectivamente) do “ Salon International des Iventions Genève” que nos falou sobre as novas tecnologias e a sua aplicação na enfermagem; Marco Menaia, do Hospital Curry Cabral que nos falou sobre a importância da implementação dos sistemas de informação na enfermagem e, finalmente, Pedro Frias da Direcção Nacional do SEP que falou sobre a Nova Carreira de Enfermagem. Com a realização destes debates, abordando temas do interesse dos enfermeiros, procuramos reflectir em conjunto sobre práticas e atitudes e esperamos contribuir para a consciencialização Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 37 da importância do papel do Enfermeiro na saúde e na sociedade. A iniciativa contou com a colaboração dos colegas presentes revelando‑se o debate muito produtivo, com uma rica partilha de experiências. Encontro CSP Realizou‑se no dia 10 de Maio, o XI Encontro dos Cuidados de Saúde Primários de Lisboa, no Auditório do SEP, este ano centrado essencialmente na interacção e funcionamento das Unidades Funcionais, que incluiu uma descrição do funcionamento da UCC de Torres Vedras, nas questões ligadas ao Exercício e à Carreira de Enfermagem. Foi aprovada uma Moção, entregue no dia 31 de Maio na ARSLVTejo, exigindo condições de operacionalidade e interacção nos ACES do distrito, reclamando Dotações Seguras de Enfermeiros; Efectivação dos cerca de 800 Enfermeiros em vínculos precários; Reforço de Meios Materiais e Humanos, designadamente de viaturas, motoristas e auxiliares e ainda uma articulação da prestação dos Cuidados de Enfermagem, através da reconfiguração das diferentes hierarquias de Enfermagem. Reuniões com CA Foram realizadas várias reuniões com Conselhos de Administração hospitalares e Direcções Executivas de ACES, assim como com o Conselho Directivo da ARSLVT (esta a 2 de Maio), sobre as questões do Reposicionamento dos Enfermeiros Graduados, conforme o DL nº 122/2010; da aplicação do DL nº 62/79, reforçada com os recentes Acórdãos Judiciais; dos Concursos para colocação dos Enfermeiros contratados, da Subcontratação e da precariedade de vínculos, assim como de assuntos específicos da cada instituição. Sobre cada uma destas reuniões, foram emitidos Comunicados, que entretanto foram divulgados junto dos colegas das respectivas instituições e podem ser consultados na página do SEP na Internet, na área da Direcção Regional de Lisboa. Bancários do Sul e Ilhas (SBSI) e dos respectivos SAMS, foram convocados pela respectiva Comissão de Trabalhadores, para uma reunião que decorreu na Sala Cinzenta, na Rua de S. José, em Lisboa, no dia 12 de Maio, onde foram debatidas questões relativas aos Acordos de Empresa e designadamente, sobre Fundos de Pensões e Avaliação do Desempenho. Reunião Trabalhadores Hospital de Vila Franca de Xira Por iniciativa do SEP decorreu uma reunião com os trabalhadores do Hospital Reynaldo dos Santos, no dia 24 de Maio, convocada em conjunto com outros sindicatos que são nossos parceiros no Movimento Sindical: Sindicato da Função Pública, Sindicato dos Médicos da Zona Sul e Sindicato das Ciências e Tecnologias da Saúde. Com a passagem do Grupo Melo e da respectiva Parceria Público‑Privada, para gestão do Hospital de Vila Franca de Xira, levantavam‑se algumas questões e a necessidade de esclarecimento dos trabalhadores da instituição. Estiveram presentes 62 trabalhadores, representativas dos vários grupos profissionais, que colocaram as questões que mais os preocupavam, aos respectivos representantes sindicais, tendo estes também relatado experiências, entretanto verificadas noutras instituições geridas por idênticas parcerias e designadamente, no Hospital de Braga, explorado pelo mesmo grupo económico. Mil Assinaturas Pelos Mil Enfermeiros Com Vínculo Precário da Região de Lisboa e Vale do Tejo Na região de Lisboa e Vale do Tejo existem cerca de 1.000 Enfermeiros com vínculos precários nas instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Reunião da CT do SBSI/SAMS com os Sindicatos O SEP, assim como os demais Sindicatos representativos dos trabalhadores do Sindicato dos 38 sep – sindicato dos enfermeiros portugueses onde exercem funções de carácter permanente. Esta situação perpetua‑se com a legalização da precariedade permitida pela última alteração ao Código do Trabalho e à legislação da Administração Pública. Contrastando com a evidente falta de enfermeiros nos serviços, a precariedade, o desemprego e a emigração, são uma realidade crescente entre os jovens enfermeiros. Situação esta agravada desde o PEC II, apresentado em 2010, que congelou a abertura de novos concursos de admissão nas instituições públicas, colocando em risco dezenas de postos de trabalho, designadamente, no caso dos enfermeiros que não conseguirem “entrar” nos últimos concursos de admissão. Para agravar este quadro, o governo promove a Subcontratação de enfermeiros nas Instituições do Sector Público Administrativo, por meio de empresas de trabalho temporário, penalizando‑os em direitos e em salários e provocando uma maior despesa ao Estado português. Entendemos que a precariedade e a elevada rotatividade de mão‑de‑obra, não favorecem a valorização profissional e a aquisição de competências especificamente direccionadas para as necessidades das populações, por parte dos enfermeiros. Por isto e porque queremos a melhor prestação de cuidados de saúde aos utentes, defendemos o vínculo efectivo, para estes enfermeiros que exercem funções de carácter permanente. Desta forma e no sentido de alertar a população para esta situação, entregamos no passado dia 31 de Maio, na ARS Lisboa e Vale do Tejo mais de 1.000 assinaturas de um abaixo‑assinado exigindo a efectivação dos enfermeiros com estes vínculos precários. Esta foi uma acção promovida pelos núcleos de jovens das Direcções Regionais de Lisboa, Setúbal e Santarém do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. Maternidade Dr. Alfredo da Costa Teve lugar no dia 01/07/2011 uma reunião a pedido da Direcção Regional de Lisboa (DRL) do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) com o Conselho de Administração (CA) da Maternidade Alfredo da Costa (MAC). Em representação do CA estiveram presentes a Enfermeira Directora Gabriela Moura e o Director Clínico Abílio Lacerda. A reunião teve a seguinte Ordem de trabalhos: 1 – Reposicionamento dos Enfermeiros Gra‑ duados de 2004 na nova Carreira de Enfermagem O CA informou‑nos que o reposicionamento dos enfermeiros graduados (1º escalão) está em execução, pelo que os enfermeiros que estejam enquadrados nesta situação serão alvo do respectivo reposicionamento e consequente pagamento. O SEP apela a todos os enfermeiros que estejam nesta situação que regularizem as suas avaliações do desempenho e que contactem o sindicato, caso o reposicionamento não se verifique. 2 – Trabalho Extraordinário Realizado aos Domingos, Feriados em Dias de Descanso Compensatório (folga) – Direito Cumu‑ lativo à Retribuição e Dia de Descanso O CA informou que esta situação está em conformidade com o legalmente previsto. O SEP apela que nos informem sobre eventuais atropelos a este direito. 3 – Concurso para Enfermeiros com Contrato de Trabalho em Funções Públicas (CTFP) a Tempo Indeterminado (TI) Sobre esta matéria o CA deu a conhecer que este processo está em fase de conclusão. Existem cerca de 20 enfermeiros que não ficaram nas vagas previstas. 4 – Subcontratação de Enfermeiros A refere que existem 19 enfermeiros com este tipo de vínculo, cuja contratação foi renovada a partir do dia 30 de Junho por um período de 2 meses pelos serviços partilhados do Ministério da Saúde. A partir desta data não se sabe qual o futuro destes colegas. O SEP defende o fim dos contratos precários, por considerarmos que a necessidade de postos de tra‑ balho permanentes que os enfermeiros ocupam, deve corresponder a vínculos efectivos. Ou seja, os colegas contratados a termo certo e os subcontratados, necessários à manutenção dos serviços, devem ter um vínculo efectivo. 5 – Criação do Grupo Hospitalar do Centro de Lisboa e Reorganização dos Serviços Fomos informados pelo CA que se realizaram várias reuniões no Ministério da Saúde (MS) onde se discutiu/planeou a criação do Grupo Hospitalar Lisboa Central com o “objectivo de reduzir custos e obter ganhos de eficiência” (Portaria n.º 172/2011de 27 de Abril). Posteriormente foi publicada a Portaria n.º 214‑A/2011 de 30 de Maio onde descreve a “necessidade de optimização dos recursos existentes, procedendo‑se à reorganização e articulação dos serviços dos hos‑ pitais que integram o grupo”. Foi definido que os enfermeiros e médicos do Hospital D. Estefânia (HDE) iriam assegurar o serviço de Urgência e Bloco de Partos durante dois dias por semana, sendo a 2ªfeira fixa e outro dia rotativo (sexta, sábado ou domingo) da maternidade. A MAC defende a total integração dos enfermeiros do HDE nas equipas de enfermagem da instituição. Foram criados grupos de trabalho para avaliarem quais as actividades da MAC que vão passar para o HDE. SEP manifestou a sua posição relativamente a este assunto: 1 –Defendemos a manutenção dos serviços da Maternidade do HDE. 2 –O conflito entre as duas instituições do novo Grupo Hospitalar, deve ser resolvida superiormente (MS) e não se deve reflectir nas equipas de enfermagem. 3 –Os horários dos enfermeiros não devem ser prejudicados. O horário semanal dos enfermeiros é de 35 horas semanais, aferidos às 4 semanas, a carga horária não deve exceder as 10 horas e o descanso entre dois turnos deve ser de 16 horas (ver Circular Normativa nº 18/92 da DGH). O SEP reafirma a sua disponibilidade para realizar reuniões com os enfermeiros para análise e discussão das situações geradas pela criação do Grupo Hospi‑ talar do Centro de Lisboa. Maternidade Hospital D. Estefânia Após vários pedidos de reunião à Sr.ª Enf.ª Directora do Centro Hospitalar Lisboa Central, o SEP (Direcção Regional de Lisboa), reuniu no passado dia 16 de Julho no Hospital de São José com a seguinte ordem de trabalhos: 1.Criação do Grupo Hospitalar Lisboa Central; 2.Reorganização de serviços; Fomos informados que se realizaram várias reuniões no Ministério da Saúde onde se discutiu/planeou a criação do Grupo Hospitalar Lisboa Central com o “objectivo de reduzir custos e obter ganhos de eficiência” (Portaria n.º 172/2011de 27 de Abril). Posteriormente foi publicada a Portaria n.º 214‑A/2011 de 30 de Maio onde descreve a “necessidade de optimiza‑ ção dos recursos existentes, procedendo‑se à reor‑ ganização e articulação dos serviços dos hospitais que integram o grupo”. Foi afirmado pelos representantes do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Central que não está previsto o nem encerramento nem fusão de serviços. Foi definido que os enfermeiros e médicos do Hospital D. Estefânia (HDE) iriam assegurar o serviço Urgência e Bloco de Partos durante dois dias por semana, sendo a 2ªfeira fixa e outro dia rotativo (sexta, sábado ou domingo). A equipa de enfermagem, composta maioritariamente por Enfermeiros com título de Especialista em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica, estão a ser a integrados na Urgência/Bloco de Partos da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) durante 4 semanas, estando previsto que a partir do 4 Julho, os enfermeiros estarão integrados e serão autónomos para começar a prestar cuidados junto e exclusivamente com a equipa médica do HDE nos dias previamente determinados. Estão a ser criados grupos de trabalho para avaliarem quais as activi- Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 39 dades da MAC que vão passar par o HDE. O restante horário dos enfermeiros (a maioria tem um horário de 35h/semana) será cumprido nas instalações do HDE. Para já os enfermeiros irão gozar horas e feriados em atraso. O SEP reafirma a sua disponibilidade para realizar reuniões com os enfermeiros para análise e discussão das situações geradas pela criação do Grupo Hospitalar Lisboa Central. Mantemos dúvidas ainda não esclarecidas: – Quais os horários que os enfermeiros farão? – Qual o futuro da Maternidade do HDE? (defendemos a sua manutenção). Minho Condução de viaturas por enfermeiros De há uns tempos a esta parte temos vindo a ser confrontados com um maior número de enfermeiros a denunciarem situações de tentativa de imposição, por parte, principalmente, de directores executivos de ACES, da condução de viaturas por enfermeiros. A situação mais recente ocorreu na USF de Guimarães/Vizela. A questão da condução de viaturas por parte dos enfermeiros é uma temática que importa reflectir. No desenvolvimento das suas responsabilidades e de acordo com os diagnósticos de enfermagem, os enfermeiros traçam um plano de cuidados. Para dar prossecução a esse plano, a condução de uma viatura pode ser encarada como uma “ferramenta” para atingir os objectivos. Caso assim se entenda, há aspectos relacionados com a condução que precisam ser assegurados, ainda que: •A condução de viaturas, não faz parte do conteúdo funcional dos enfermeiros, que como é reconhecido, estão consagrados no Decreto de Lei nº 248/2009; •Igualmente, esta actividade não está prevista nas competências, regulamentadas pela Ordem dos Enfermeiros nem para os enfer- meiros generalistas nem para os enfermeiros especialistas; •Decorre daqui que a possibilidade da condução de viaturas, pelos enfermeiros, terá que acontecer, apenas e só, pela decisão e opção dos próprios; •Os enfermeiros e/ou as equipas de enfermagem são responsáveis pela programação das suas intervenções, nomeadamente, das visitas domiciliárias; • E, para o desenvolvimento das suas intervenções exige‑se as melhores condições de trabalho. •A condução de viaturas não é qualquer coisa que se enquadre nas aptidões inatas dos seres humanos •Razão pela qual esta tarefa não pode ser imposta, pelo contrário, os enfermeiros deverão ser abordados relativamente à sua disponibilidade/vontade. •A condução de viaturas, nomeadamente em espaços urbanos, tem condicionantes que devem ser avaliados, nomeadamente, a inexistência de espaços para estacionar perto das casas dos doentes; os parqueamentos pagos cuja responsabilidade do seu pagamento não pode ser atribuído aos profissionais até porque, já hoje há evidência que a preocupação de ter que estacionar a viatura determina uma considerável perda de tempo “roubado” à efectiva prestação de cuidados de enfermagem aos doentes e às famílias. Finalmente existem um conjunto de questões que decorre da condução de viaturas por parte de enfermeiros que importa de uma vez por todas serem esclarecidas: • tipo e características das apólices: seguros previsto em caso de processo cível e/ou pro cesso‑crime; • quem se responsabiliza pelo pagamento de coimas • quem se responsabiliza por qualquer dano, qualquer que seja a natureza , na viatura • quem se responsabiliza pela manutenção da viatura. A profissão de enfermagem pela sua natureza é de risco e penosidade, infelizmente não reconhecida, na remuneração. A condução de viaturas aumenta consideravelmente esse risco e penosidade razão pela qual deveria ser obrigatório, aos enfermeiros que se disponibilizassem, a obrigatoriedade de frequentar cursos de condução defensiva. Sobre a situação da USF de Guimarães /Vizela, o Director Executivo não agendou a reunião solicitada pelo SEP relegando para a ARS Norte as respostas às questões colocadas sendo que, como tem sido apanágio da actuação daquela instituição, também não responde e não agenda reuniões. Espera‑se que com a mudança de Governo mudem também as personagens que se sentam nas cadeiras do “poder”…. Santarém A Direcção Regional de Santarém levou a cabo algumas reuniões com os colegas do Distrito, no âmbito, do esclarecimento sobre a Carreira de Enfermagem publicada. A reunião com Enfermeiros Chefes do Hos‑ pital de Santarém decorreu no dia 26 de Abril. Foram levantadas algumas questões sobre a 40 aplicação da nova Carreira, nomeadamente, o futuro da gestão na Enfermagem. No dia 26 de Abril, de tarde, houve um Plenário de Enfermeiros do Hospital de Santarém, onde participaram cerca de 70 enfermeiros. Foi uma reunião muito participada onde se discutiram as questões mais relevantes para a Enfermagem. sep – sindicato dos enfermeiros portugueses No dia 17 de Junho efectuamos a reunião com os Enfermeiros Chefes e Supervisores dos Aces do Distrito. Só participaram 6 Enfermeiros, apesar de, ter sido pedida Dispensa aos Directores Executivos dos Aces para a referida reunião. Pensamos que foi um bom momento de esclarecimento dos colegas. Ainda durante o mês de Julho e Agosto será realizada uma reunião com os Enfermeiros Chefes e Supervisores do Centro Hospitalar Médio Tejo. Serão efectuados plenários, um por cada Hospital, com os Enfermeiros do Centro Hospitalar Médio Tejo. A Direcção Regional de Santarém irá realizar um Encontro de Cuidados de Saúde Primários no Distrito. Este será o espaço onde estes colegas poderão retirar dúvidas e esclarecer as questões da nova Carreira de Enfermagem. O Aces Ribatejo emitiu uma circular sobre as folgas após trabalho extraordinário. Era referido que os Enfermeiros tinham direito à folga, mas implicava terem de realizar na semana seguinte as mesmas 35 horas. O SEP enviou uma denúncia da ilegalidade desta circular à Acss e ao Director executivo do ACes Ribatejo. Após algum tempo o Agrupamento continuava com o mesmo entendimento. Numa reunião com a ARS Lisboa e Vale do Tejo foi denunciada a situação e entregue a circular com os pareceres do SEP. Até á presente data, pensamos que este problema está sanado, tendo os enfermeiros direitos à folga e ao respectivo pagamento se recair num descanso semanal. Setúbal Seixal – Cordão humano No dia 21 de Maio o SEP‑DRS esteve presente no cordão Humano no Seixal, que se realizou como forma de reivindicação de melhores condições para a UCSP de Corroios, que embora remodelada, abre com graves défices em termos de funcionalidade, estando, desde logo, sub dimensionada para a população que serve. Enquanto defensor do SNS, o SEP‑DRS esteve presente e teve oportunidade de intervir no sentido de dar a conhecer a posição solidária e preocupada que os enfermeiros têm para com as justas reivindicações da população. Os colegas da UCSP, tudo têm feito no sentido de prestar os melhores cuidados, mesmo nas condições adversas e apesar do aumento de número de utentes. Reuniões nas instituições: Foram realizadas no mês de Maio várias reuniões por toda a região, designadamente: Centro Hospitalar de Setúbal Hospital dia16, Hospital Garcia de Orta dia 18, Centro Hospitalar Barreiro – Montijo dia 23 e reunião dia 24 no Hotel Esperança em Setúbal, acerca das questões que concernem as funções de chefia e direcções de enfermagem. Estas reuniões aconteceram com o propósito de criar espaço para discussão e clarificação da nova carreira, onde, entre pares, se pôde debater o presente e futuro da profissão. Todas as reuniões foram conduzidas pelo coordenador do SEP José Carlos Martins. 1.Reposicionamento dos Enf. Graduados para a nova grelha salarial Questionado pelo SEP o CA afirma que está já a decorrer o reposicionamento dos colegas gradu‑ ados e com avaliação positivas desde 2004. Segundo a Enf. Directora há cerca de 100 colegas nesta situação a quem foi pedida a avaliação do triénio em atraso. O SEP alertou para a necessidade de faseamento dos retroactivos para não penalizar os colegas por via dos cortes salariais impostos pelo governo. 2.Majoração dos dias de férias dos colegas com Contratados Individual de Trabalho (CIT) Vários colegas com CIT viram a majoração dos dias de férias 22+3 dias ser retiradas por faltas ao abrigo da greve. O SEP entende e tem defendido que este entendimento está incorrecto, a Enf. Directora assumiu que é também entendimento do C.A e comprometeu‑se a solucionar a questão junto aos recursos humanos. 3.Pagamento de horas extraordinárias O SEP reafirmou junto ao CA que todo o trabalho que vai para além da jornada semanal de trabalho é trabalho extraordinário e tem que ser pago como tal. No caso do turno extraordinário que recaia sobre o dia de descanso complementar (F) corresponde o direito ao pagamento em dinheiro e ao gozo de um dia, cumulativamente. 4.Pagamento das horas de qualidade pelo DL 62/79 aos colegas CIT Decorrente da aplicação do Orçamento de Estado, o SEP entende e defende que as instituições devem pagar aos enfermeiros(as) a CIT segundo legislação especifica, ou seja, pelo DL 62/79. O SEP fez esta exposição ao CA que vai pedir parecer à ACSS. Foram ainda abordados os seguintes assuntos: • Majoração dos dias de ferias dos colegas em caso de acidente em serviço. •Dotações. • Horários de trabalho. Poderás ainda, na página do SEP – www.sep.org. pt, no menu “Sindicato” + “Delegações” + “Setúbal” e “Lisboa”, tomar conhecimento da reunião com a ARS do Alentejo, ARS Lisboa e Vale do Tejo e da iniciativa comum da entrega das mil assinaturas em abaixo‑assinado, exigindo a efectivação dos enfermeiros com vínculos precários. Reunião CA Centro Hospitalar de Setúbal: Dia 24 de Maio no período da manhã o SEP – DRS reuniu com o CA do CHS destacando‑se os seguintes assuntos: Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 41 C O L E G A , T O M E N O TA Licença por nascimento de filho A licença parental inicial, tem início no primeiro dia de ausência ao trabalho por motivo de parto. Está regulada no artigo 40 do Código do trabalho. A mãe e o pai trabalhadores têm direito, por nascimento de filho, a licença parental inicial de 120 ou 150 dias consecutivos, cujo gozo podem partilhar. A licença partilhada é acrescida em 30 dias (ver requisitos da partilha, nº2 do artº 40). Uma sócia do SEP, requereu à instituição onde trabalha, que o período de internamento a seguir ao parto não fosse contado para efeitos da Licença parental inicial. Os pais informam os respectivos empregadores, até 7 dias após o parto, o inicio e o termo dos períodos a gozar por cada um, entregando para o efeito declaração conjunta ( nº 4. art.º 40). É obrigatório o gozo, por parte da mãe, de seis semanas de licença a seguir ao parto (n.º 2 do art.º 41). A CITE, respondeu que “… atendendo à exposição de V.Ex.as, assim como aos respectivos anexos remetidos a esta Comissão, afigura‑se que o internamento hospitalar da mãe e da criança não decorre de um acontecimento superveniente ao parto mas de um internamento para a realização do parto, pelo que não existirá possibilidade de pedir suspensão da referida licença parental inicial, por esse motivo”. Em caso de internamento hospitalar da criança ou do progenitor que estiver a gozar a licença (parental inicial), durante o período após o parto, o período de licença suspende‑se, a pedido do progenitor, pelo período de duração do internamento (n.º 7 do art.º 40). A suspensão da licença prevista no n.º 7 do artigo 40 do CT, “apenas se verifica em caso de ocorrência de um acontecimento superveniente ao parto, medicamente comprovado, nos termos do n.º8 do artigo 40º do Código do Trabalho”. Decreto Legislativo Regional n. º 3/2011/A. D.R. n. º 44, Série I de 2011‑03‑03 Região Autónoma dos Açores – Assembleia Legislativa Cria a Comissão Regional para a Igualdade no Trabalho e no Emprego dos Açores. Decreto Legislativo Regional n. º 4/2011/A. D.R. n. º 44, Série I de 2011‑03‑03 Região Autónoma dos Açores – Assembleia Legislativa Primeira alteração ao Decreto Legislativo Regional n. º 19/2009/A, de 30 de No‑ vembro, que cria o Vale Saúde na Região Autónoma dos Açores. Decreto Legislativo Regional n. º 5/2011/A. D.R. n. º 44, Série I de 2011‑03‑03 Região Autónoma dos Açores – Assembleia Legislativa Estabelece o regime de dispensa de medicamentos em unidose pelos serviços farmacêuticos das unidades de saúde do Serviço Regional de Saúde e pelas farmácias de oficina instaladas na Região Autónoma dos Açores. Despacho n. º 4106/2011. D.R. n. º 44, Série II de 2011‑03‑03 Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social – Gabinete do Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional Constituição de um grupo de trabalho com o objectivo de identificar 100 profissões estratégicas para o desenvolvimento da economia portuguesa, correspondendo a perfis profissionais em falta e/ou emergentes no mercado de trabalho, para as quais será promovida formação visando a reconversão profissional de desempregados. Regulamento n. º 165/2011. D.R. n. º 47, Série II de 2011‑03‑08 Ordem dos Enfermeiros Estabelece os princípios e as regras para obtenção pelo enfermeiro do aconse‑ lhamento ético e deontológico para efeitos de divulgação de informação sujei‑ ta a segredo profissional, no âmbito do dever de sigilo, previsto na alínea c) do artigo 85. º do Estatuto da Ordem dos Enfermeiros. Regulamento n. º 166/2011. D.R. n. º 47, Série II de 2011‑03‑08 Ordem dos Enfermeiros Estabelece as regras aplicáveis à atribuição do título de enfermeiro especia‑ 42 sep – sindicato dos enfermeiros portugueses A Instituição indeferiu. O SEP fez pedido de parecer à Comissão para a Igualdade no trabalho e no Emprego (CITE). lista pela Ordem dos Enfermeiros, até ao início de produção de efeitos da re‑ gulamentação necessária à atribuição do título de enfermeiro especialista, de acordo com os n.os 4 e 5 do artigo 7. º do Estatuto da Ordem dos Enfermeiros. Regulamento n. º 167/2011. D.R. n. º 47, Série II de 2011‑03‑08 Ordem dos Enfermeiros Estabelece os princípios, a estrutura e os processos de acreditação da idonei‑ dade formativa dos contextos de prática clínica e da certificação de competên‑ cias do supervisor clínico em Prática Tutelada em Enfermagem (PTE), no âm‑ bito do Sistema de Certificação de Competências da Ordem dos Enfermeiros. Ficheiro Revista Enf. Foco Nº 84 2. Regulamento n. º 168/2011. D.R. n. º 47, Série II de 2011‑03‑08 Ordem dos Enfermeiros Define os critérios de validação para a individualização das especialidades, a matriz de individualização das especialidades e o processo de reconhecimento de novas especialidades clínicas de Enfermagem. Acórdão n. º 63/2011. D.R. n. º 48, Série II de 2011‑03‑09 Tribunal Constitucional Não julga inconstitucional a norma do artigo 9. º da Lei n. º 60/2005, de 29 de Dezembro, na parte em que revoga a obrigatoriedade de inscrição na Caixa Geral de Aposentações, estabelecida pelo artigo 1. º do Decreto‑Lei n. º 134/79, de 18 de Maio. Lei n. º 6/2011. D.R. n. º 49, Série I de 2011‑03‑10 Assembleia da República Procede à terceira alteração à Lei n. º 23/96, de 26 de Julho, que «Cria no orde‑ namento jurídico alguns mecanismos destinados a proteger o utente de servi‑ ços públicos essenciais». Decreto Legislativo Regional n. º 6/2011/A. D.R. n. º 49, Série I de 2011‑03‑10 Região Autónoma dos Açores – Assembleia Legislativa Estabelece o regime jurídico das farmácias de oficina na Região Autónoma dos Açores. Despacho n. º 4371/2011. D.R. n. º 49, Série II de 2011‑03‑10 Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social – Gabinete do Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional Fixação de um conjunto de medidas que se destinam a aumentar a competiti‑ vidade do mercado de trabalho, designadamente por via de iniciativas que vi‑ sam reforçar a empregabilidade dos jovens e dos desempregados e melhorar a eficiência dos serviços de emprego e formação profissional. Deliberação n. º 657/2011. D.R. n. º 49, Série II de 2011‑03‑10 Ministério da Saúde – Administração Regional de Saúde do Norte, I. P. Lista dos enfermeiros avaliadores da Administração regional de Saúde do Norte. Despacho normativo n. º 5/2011. D.R. n. º 52, Série II de 2011‑03‑15 Ministério da Saúde – Gabinete do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde Aprova o Regulamento de Candidaturas para Adesão ao Modelo das Unidades de Saúde Familiar. Ficheiro Revista Enf. Foco Nº 84 3. Lei n. º 7/2011. D.R. n. º 52, Série I de 2011‑03‑15 Assembleia da República Cria o procedimento de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil e procede à décima sétima alteração ao Código do Registo Civil. Resolução da Assembleia da República n. º 36/2011. D.R. n. º 52, Série I de 2011‑03‑15 Assembleia da República Recomenda ao Governo que utilize sistemas de teleconferência e videoconfe‑ rência em substituição de reuniões presenciais. Resolução da Assembleia da República n. º 37/2011. D.R. n. º 52, Série I de 2011‑03‑15 Assembleia da República Recomenda ao Governo a adopção de sistemas de comunicação electrónicos em substituição de reuniões presenciais. Resolução da Assembleia da República n. º 53/2011. D.R. n. º 57, Série I de 2011‑03‑22 Assembleia da República Cumprir ou justificar no universo das empresas públicas não financeiras. Decreto‑Lei n. º 40/2011. D.R. n. º 57, Série I de 2011‑03‑22 Ministério das Finanças e da Administração Pública Estabelece o regime da autorização da despesa inerente aos contratos públi‑ cos a celebrar pelo Estado, institutos públicos, autarquias locais, fundações públicas, associações públicas e empresas públicas. Decreto Legislativo Regional n. º 7/2011/A. D.R. n. º 57, Série I de 2011‑03‑22 Região Autónoma dos Açores – Assembleia Legislativa Segunda alteração ao Decreto Legislativo Regional n. º 7/2008/A, de 24 de Mar‑ ço, alterado e republicado pelo Decreto Legislativo Regional n. º 17/2009/A, de 14 de Outubro (regime jurídico do sector público empresarial da Região Autó‑ noma dos Açores). Decreto‑Lei n. º 42/2011. D.R. n. º 58, Série I de 2011‑03‑23 Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social Define um regime transitório do financiamento dos produtos de apoio a pes‑ soas com deficiência e da identificação da lista desses produtos e altera o Decreto‑Lei n. º 93/2009, de 16 de Abril, que cria o sistema de atribuição de produtos de apoio a pessoas com deficiência e a pessoas com incapacidade temporária. Ficheiro Revista Enf. Foco Nº 84 4. Decreto Legislativo Regional n. º 9/2011/A. D.R. n. º 58, Série I de 2011‑03‑23 Região Autónoma dos Açores – Assembleia Legislativa Estabelece o regime jurídico de apoios financeiros a conceder, pela adminis‑ tração regional autónoma dos Açores, na área da saúde. Portaria n. º 115/2011. D.R. n. º 59, Série I de 2011‑03‑24 Ministérios das Finanças e da Administração Pública e do Trabalho e da Solidariedade Social Procede à actualização anual das pensões de acidentes de trabalho. Aviso n. º 21/2011/A. D.R. n. º 63, Série II de 2011‑03‑30 Região Autónoma dos Açores – Vice‑Presidência do Governo Projecto de regulamento de extensão do acordo colectivo de trabalho n. º 1/2009 (acordo colectivo de carreiras gerais), publicado no Diário da República, 2.ª série, n. º 188, de 28 de Setembro de 2009. Despacho n. º 5511/2011. D.R. n. º 63, Série II de 2011‑03‑30 Ministério da Saúde – Gabinete da Ministra Nomeia coordenador nacional da Saúde Mental o Dr. Álvaro Andrade de Car‑ valho. Portaria n. º 145‑A/2011. D.R. n. º 68, Suplemento, Série I de 2011‑04‑06 Ministério das Finanças e da Administração Pública Altera a Portaria n. º 83‑A/2009, de 22 de Janeiro, que regulamenta a tramita‑ ção do procedimento concursal nos termos do n. º 2 do artigo 54. º da Lei n. º 12‑A/2008, de 27 de Fevereiro. Resolução da Assembleia da República n. º 70/2011. D.R. n. º 66, Série I de 2011‑04‑04 Assembleia da República Recomenda ao Governo que assegure a construção de um hospital pediátrico em Lisboa. Resolução da Assembleia da República n. º 72/2011. D.R. n. º 66, Série I de 2011‑04‑04 Assembleia da República Recomenda ao Governo que assegure a construção do novo hospital pediá‑ trico de Lisboa num edifício independente inserido no campus do Hospital de Todos‑os‑Santos. Ficheiro Revista Enf. Foco Nº 84 5. Resolução da Assembleia da República n. º 75/2011. D.R. n. º 66, Série I de 2011‑04‑04 Assembleia da República Recomenda ao Governo a regulamentação do Decreto‑Lei n. º 101/2006, de 6 de Junho, respeitante à Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados. Resolução da Assembleia da República n. º 76/2011. D.R. n. º 66, Série I de 2011‑04‑04 Assembleia da República Recomenda ao Governo que promova acções de sensibilização no sentido de evitar a discriminação dos doentes portadores de esclerose múltipla e que promova mecanismos de adequação dos tempos de trabalho à incapacidade gerada pela doença. Portaria n. º 149/2011. D.R. n. º 70, Série I de 2011‑04‑08 Ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Saúde Estabelece a coordenação nacional, regional e local das unidades e equipas prestadoras de cuidados continuados integrados de saúde mental. Decreto Regulamentar Regional n. º 9/2011/A. D.R. n. º 72, Série I de 2011‑04‑12 Região Autónoma dos Açores – Presidência do Governo Estabelece o regime de atribuição de incentivos de fixação aplicável ao pes‑ soal de enfermagem, aos técnicos de diagnóstico e terapêutica e aos técnicos superiores, bem como a outro pessoal de que os centros de saúde e unidades de saúde de ilha carecem. Lei n. º 9/2011. D.R. n. º 72, Série I de 2011‑04‑12 Assembleia da República Décima quarta alteração do Estatuto dos Magistrados Judiciais e décima alte‑ ração do Estatuto do Ministério Público, em matéria de aposentação, reforma e jubilação e de adaptação do regime de proibição de valorizações remunera‑ tórias de 2011 ao sistema judiciário. Decreto‑Lei n. º 52/2011. D.R. n. º 73, Série I de 2011‑04‑13 Ministério da Justiça Altera o Regulamento das Custas Processuais, aprovado pelo Decreto‑Lei n. º 34/2008, de 26 de Fevereiro, e o Código de Processo Civil Ficheiro Revista Enf. Foco Nº 84 6. Despacho n. º 6359/2011. D.R. n. º 73, Série II de 2011‑04‑13 Ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Saúde Cria uma equipa coordenadora local (ECL), para a coordenação operativa da rede nacional de cuidados continuados integrados (RNCCI), em cada agrupa‑ mento de centros de saúde (ACES), e em cada unidade local de saúde, que não tenha ACES constituído. Ano XX abril/maio/Junho 2011 nº 84 43 O acesso permanente à informação Um apoio à pesquisa e desenvolvimento profissional dos enfermeiros Visite-nos em www.cdi.sep.pt Selecções do CDI Divulgamos, neste número, cinco documentos (um livro e quatro artigos) que, em comum, têm os temas centrais: cuidados paliativos e Enfermagem. Ao relacionarem os dois temas, oferecem perspectivas diversificadas, sob o ângulo do diagnóstico e das intervenções em Enfermagem, da ética e da humanização dos cuidados, das competências e atitudes dos profissionais face ao doente e face à morte, além de panorama geral da situação dos cuidados paliativos em Portugal. Os documentos, dos quais se apresenta a referência bibliográfica e o resumo, encontram‑se disponíveis no CDI. Para requisitar a sua consulta, pode contactar ‑nos por telefone: 213 920 350 ou por correio electrónico: [email protected]. sofrimento, com recurso a identificação precoce e tratamento rigoroso dos problemas não só físicos, mas também espirituais e psicossociais. Numa altura em que estamos, em Portugal, numa fase central do processo de implementação dos serviços de Cuidados Paliativos, é fundamental fazer o retrato da situação nacional. [Adaptação do Resumo do Editor] Humanização do cuidar em enfermagem ao doente terminal. Perspectiva ética Autores: Henrique Guilherme Martins Afonso, Sílvia do Rosário Piteira Natário de Lourenço Publicação: Nursing. Nº 267 (Mar. 2011), p. 16‑23 ISSN: ISSN 0871‑6196 Este estudo exploratório realizado num serviço de internamento de um Hospital Central do Porto teve por objectivo investigar estratégias utilizadas por enfermeiros para humanizar o cuidar ao doente terminal. Os participantes inseridos na investigação destacaram como principais estratégias para humanizar o cuidado ao doente terminal a comunicação verbal e não‑verbal e a construção de uma relação empática entre enfermeiro‑doente e família, comedida no respeito, compreensão e valorização do ser humano na sua totalidade, revelando‑se assim o compromisso ético dos enfermeiros ao cuidar deste tipo de doentes. [Adaptação do Resumo do Editor]. Medos e dificuldades pessoais ao cuidar de pessoas em cuidados paliativos Cuidados paliativos para uma morte digna. Catálogo da Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (cipe ) Autores: Conselho Internacional de Enfermeiros; Trad. Hermínia Castro Publicação: Lisboa: Ordem dos Enfermeiros, 2010 Descrição física: 69 p. ISBN: 978‑989‑844402‑8 Autores: Alberto Paulo Madureira Mendes Publicação: Hospitalidade. Nº 290 (Out.‑Dez. 2010), p. 26‑30 ISSN: ISSN 0871‑0090 ® Reconhece‑se, hoje, que os cuidados paliativos são, ao mesmo tempo, uma concepção sobre a vida e os cuidados e um modelo estruturado de prestação de cuidados, em contexto de equipa multidisciplinar, em qualquer etapa do ciclo vital. O Modelo de Cuidados de Preservação da Dignidade, enquanto referencial de base, organiza os enunciados de diagnóstico, intervenção e resultados para este catálogo, a partir de três subtemas: preocupações relacionadas com a doença, reportório de preservação da dignidade e inventário da dignidade social. O catálogo torna‑se assim um subconjunto numa área específica ou numa área de foco da Enfermagem. Não podendo (nem pretendendo) substituir o juízo clínico nem a tomada de decisão em situação concreta, consideramos que é um contributo importante nesta matéria específica e delicada, dos cuidados paliativos. A obra compreende o Quadro de Referência do Catálogo de Cuidados Paliativos para uma Morte Digna; Enunciados do Catálogo CIPE® de Cuidados Paliativos para uma Morte Digna; Resumo, Bibliografia e Anexos, com os os enunciados e códigos CIPE® de diagnósticos, resultados e de intervenção, bem como os enunciados do catálogo utilizados nos registos electrónicos de saúde. [Adaptação do Resumo do Editor] Cuidados paliativos. Situação nacional Autores: Carolina Miguel Graça Henriques, Nelson Alexandre Simões de Oliveira Publicação: Nursing. Nº 266 (Fev. 2011), p. 8‑13 ISSN: ISSN 0871‑6196 Os Cuidados Paliativos, fazendo parte integrante dos cuidados continuados, não são mais que uma abordagem multidisciplinar, que visa a melhoria da qualidade de vida dos doentes e suas famílias, que enfrentam problemas decorrentes de uma doença incurável ou com prognóstico limitado, através da prevenção e alívio do Os medos e dificuldades para trabalhar em cuidados paliativos são de vários níveis e de natureza diversa. Neste artigo, o seu autor, mestrando em cuidados paliativos, faz uma pequena reflexão pessoal sobre algumas inquietudes do trabalho em cuidados paliativos, como por exemplo: o ver morrer, a realidade da morte, acompanhar no sofrimento, transmitir más notícias, controlo de emoções, conjugar ciência e humanismo, responder a questões difíceis dos doentes e seus familiares, saber ver o sofrimento total para lá do que está visível, saber respeitar o espaço e tempo do outro, etc. Todas as dificuldades são seguidas de pequenas sugestões em aberto. [Adaptação do Resumo do Editor]. Acompañar en la muerte. Competencias de afrontamiento y autieficacia Autores: Montserrat Salvador Borrell Publicação: Revista Rol de enfermería. Vol. 33, Nº 11 (Nov. 2010), p. 22‑34 ISSN: ISSN 0210‑5020 Parte da competência de uma enfermeira é cuidar dos doentes em situação terminal. O tempo, a experiência, a formação, e a sua atitude pessoal e profissional propiciam que cuidar a pacientes moribundos se converta numa das experiências humanas mais gratificantes da vida. É imprescindível que as enfermeiras assumam a morte como uma realidade natural e inevitável para conseguir que os cuidados que exercem sejam competentes. O objectivo principal do estudo foi avaliar a competência no confronto e a autoeficácia das enfermeiras de cuidados paliativos que trabalham com pacientes adultos em final de vida. Para isso, realizou‑se uma investigação por inquéritos descritivos quantitativos para avaliar o confronto e autoeficácia das enfermeiras. Como instrumentos utilizaram‑se a Escala Bugen de Confronto com a Morte (1980‑1981) e a Escala de Autoeficácia frente à morte dos Pacientes de Robbins (1992). [Adaptação do Resumo do Editor] Ecos em fim de vida: representações sociais do doente oncológico em enfermagem Autores: Filomena da Conceição Pinto Correia Martins Data: 2008 Âmbito: Mestrado em Oncologia Universidade: Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar Disponível em: http://repositorio‑aberto.up.pt/handle/10216/19372 Investigação Continuamos neste número da Enfermagem em Foco a rubrica de divulgação da pesquisa em Enfermagem desenvolvida no nosso país, desta vez centrando‑nos em investigação realizada no campo da Gerontologia e da Oncologia. Salientamos que a Tese de Mestrado Dependência no idoso foi oferecida ao CDI/SEP pelo seu Autor. Se quiser divulgar o seu trabalho de investigação, envie ‑nos a referência [nome, título, ano, âmbito, universidade] e um pequeno resumo para [email protected] ou um exemplar do trabalho (em papel ou digital) para que possa ser integrado no fundo documental do CDI/SEP. Dependência no idoso. Factores determinantes Autores: Renato Miguel Barra Assunção Data: Maio 2010 Âmbito: Mestrado em Gerontologia Social Universidade: Instituto Superior Bissaya Barreto Disponível em: CDI/SEP, por oferta do seu Autor O objectivo deste trabalho de investigação foi determinar quais os factores deter‑ minantes que influenciam o grau de dependência nos idosos com suporte social formal. Partiu‑se do pressuposto que este estudo permitirá uma intervenção atem‑ pada e preventiva/optimizadora desta condição tão frequente na população idosa e que tem implicações significativas na sua qualidade de vida. A análise dos dados obtidos verifica que a dependência se encontra intimamente relacionada com os factores determinantes: estado civil; internamentos hospitalares; doenças neurológicas; resposta social formal; atitudes face ao envelhecimento; serviços de apoio formal; estado nutricional; e saúde percebida, numa relação de causa‑efeito. No entanto, não ficou claramente demonstrado que a idade, género, habilitações literárias, estatuto socioeconómico e rendimento per capita dos idosos contribuam para a dependência nos mesmos. A relação verificada entre o grau de dependência e os factores determinantes referidos anteriormente realça a multicausalidade biopsicossocial inserida no conceito de dependência, o que vislumbra a necessidade de uma intervenção multidisciplinar e integradora dos técnicos de saúde em Gerontologia. [Adaptação do resumo do Autor] Uso do conhecimento e identidade profissional do gerontólogo Autores: Fernando Pereira Data: 2011 Âmbito: VII Congresso Luso‑Espanhol de Gerontologia. Bragança Universidade: Instituto Politécnico de Bragança, Escola Superior de Saúde Disponível em: http://bibliotecadigital.ipb.pt/handle/10198/3975 O objectivo central deste artigo é partilhar um conjunto de reflexões sobre o uso do conhecimento em contexto de trabalho do gerontólogo assim como dos pro‑ cessos de construção da sua identidade profissional. Os dados preliminares deste estudo indiciam que estes cuidadores de idosos enfrentam a necessidade de marcação do território com profissionais (assistentes sociais, enfermeiros, sociólogos e psicólogos) que “ocupam” desde há muito o terreno de excelência dos gerontólogos. É igualmente marcante a importância da socialização primária na escolha da profissão, assim como a confiança depositada na preparação técnica, científica e humana, adquirida ao longo do curso superior. Por fim, o caso dos gerontólogos ilustra muito bem toda a complexidade do seu campus profissional. [Adaptação do resumo do Autor] Este trabalho centra‑se na análise das representações sociais do doente oncológico, do doente oncológico em fim de vida e na morte, numa população de 182 sujeitos de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 18 e os 57 anos, constitu‑ ída por estudantes de enfermagem, enfermeiros que trabalham num serviço de oncologia e enfermeiros que não trabalham em serviços de oncologia. Esta investigação permitiu‑nos aferir que o sexo influi nas representações sociais da morte (Oliveira, 1995, 1999, 2004, 2008). As mulheres revelam uma atitude mais ritualista e participativa e um maior envolvimento emocional. Constatámos também que, de uma forma geral, os participantes mais velhos mostram uma concepção mais subjectiva, associados a rituais e a pensamentos difusos perante a perda. No que concerne a experiência profissional, os estudantes interpretam a morte numa perspectiva pessoal, como o incógnito e o que provoca mal‑estar. Os enfermeiros revelam uma representação mais concreta, com referência aos rituais de expressão de perda na perspectiva do que é observado no outro, As representa‑ ções sociais do doente oncológico, à semelhança do que foi referido por vários autores (e.g. Die Trill, 2002, Duarte, 2000; Sontag, 1998) traduzem, no nosso estudo, uma forte ancoragem ao sofrimento, à morte e à dor. Contudo, as mulhe‑ res revelam uma percepção mais positiva do tratamento e de possibilidade de cura. Os homens expressam pensamentos/sentimentos que traduzem a dificuldade em lidar com a situação à qual associam a morte. No que diz respeito às idades, cons‑ tatámos que os participantes mais velhos, de uma forma geral, revelam uma con‑ cepção mais objectiva das alterações físicas e psicológicas provocadas pela doença. Todos os grupos profissionais representam o doente oncológico pelas suas alterações físicas. Os sentimentos associados ao doente oncológico e ao doente oncológico em fim de vida revelam o mal‑estar associado à incapacidade em lidar com a situação. [Adaptação do resumo da Autora] O doente oncológico em fase terminal: a sua hospitalização no discurso do familiar significativo Autores: Tânia Margarida Arruda Machado Data: 2010 Âmbito: Mestrado em Ciências de Enferma‑ gem Universidade: Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar Disponível em: http://repositorio‑aberto.up. pt/handle/10216/26867 Com o objectivo de conhecer as vivências dos familiares significativos de doen‑ tes oncológicos em fase terminal, em contexto hospitalar, realizámos um estudo exploratório e descritivo de abordagem qualitativa. Da análise resultaram quatro unidades temáticas: Implicações para o familiar que acompanha um doente oncológico em fase terminal; Experiência em relação ao acompanhamento do familiar durante a hospitalização; As necessidades sentidas; Os sentimentos vivenciados. Tendo por base os resultados obtidos, consideramos que a experiência de acompa‑ nhar um familiar com doença oncológica em fase terminal, em contexto hospita‑ lar, inclui componentes físicas, sociais, emocionais e espirituais de diversa intensidade. Os efeitos da doença e de repetidas hospitalizações e tratamentos, sobre as necessidades de vida e o sistema de valores do doente e família, provocam múltiplas respostas ao longo de todo o processo de doença. [Adaptação do resumo da Autora] Contactos CDI/SEP Avenida 24 de Julho, 132, 1º andar 1350-346 LISBOA 21 392 03 50 [email protected] www.cdi.sep.pt/