EDUCAÇÃO ALIMENTAR DE CRIANÇAS DE UMA ESCOLA
PARTICULAR EM FORTALEZA, CE.
Patrícia Sobreira Holanda Costa 1
Maria Nilka de Oliveira 2
Thereza Maria Tavares Sampaio 2
RESUMO
O presente trabalho teve como objetivo implementar e desenvolver a educação alimentar junto às crianças (do
pré-escolar e 1º ano fundamental) matriculadas no Colégio Santa Isabel e suas famílias. Para isso foram
realizadas diversas atividades com as crianças (teatro sobre alimentação saudável; apresentação da pirâmide de
alimentos; preparação de sanduíche natural; preparo de vitamina de frutas; teatro de fantoches), e com seus pais,
através de palestras abordando o assunto em foco, bem como pelo envio semanal de sugestões de lanche
saudável, receitas e dicas sobre alimentação saudável na infância. Através dos resultados obtidos foi possível
concluir que as atividades lúdicas para crianças são grandes aliadas ao trabalho de educação alimentar; é na
idade pré-escolar onde a criança desenvolve bons hábitos alimentares; e a aceitação de novos alimentos deve ser
sempre trabalhada como forma de tornar hábito uma alimentação variada, devendo essa ser incentivada através
do trabalho educativo.
PALAVRAS-CHAVE: Crianças, Educação Alimentar, Alimentação Saudável.
1 INTRODUÇÃO
Este trabalho é resultante de pesquisa realizada em uma escola da rede particular do
município de Fortaleza-Ce, Colégio Santa Isabel (CSI), que apresentou como objetivos gerais:
desenvolver um trabalho de educação alimentar junto às crianças e suas famílias; desenvolver
nas crianças a percepção pelos alimentos saudáveis. E como objetivos específicos: promover
um trabalho de educação alimentar junto às crianças da educação infantil do Colégio Santa
Isabel através de atividades lúdicas; favorecer o desenvolvimento de bons hábitos alimentares
nas crianças da educação infantil; orientar os pais ou responsáveis sobre a importância de uma
alimentação balanceada para as crianças nessa fase da vida; identificar as várias opções de
lanches saudáveis que as crianças podem levar para a escola.
Realizou-se este trabalho devido ao consumo sem moderação de alimentos tidos como
prejudiciais ou desnecessários (refrigerantes, salgadinhos industrializados, biscoitos
1
Graduada em Economia Doméstica (Universidade Federal do Ceará), [email protected]. 2 Mestre em
tecnologia de Alimentos e Doutora em Bioquímica, Universidade Federal do Ceará,
[email protected], [email protected], respectivamente.
1
recheados, etc) observados nessa população. Considerando que crianças nessa fase (préescolar), faixa etária compreendida entre 2 e 6 anos, fazem parte de um grupo vulnerável
nutricionalmente, possuindo altas necessidades nutricionais para um desenvolvimento físico e
intelectuais adequados. Além de ser uma faixa etária favorável para a aquisição de bons
hábitos alimentares que podem se solidificar até a vida adulta.
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Características nutricionais e fisiológicas na infância
O crescimento infantil apresenta como característica um processo complexo
envolvendo a dimensão corporal e a quantidade de células e é influenciado por fatores
genéticos, ambientais e psicológicos. Algumas características fisiológicas são comuns a essa
faixa etária, o funcionamento do sistema metabólico e digestivo, que apresentam funções
semelhantes às de um indivíduo adulto, possuem pequena capacidade de volume gástrico (de
200 a 300 ml) e apetite inconstante (VITOLO, 2003).
A faixa pré-escolar se caracteriza por ser uma fase na qual, apesar de haver lenta
velocidade de crescimento, a oferta adequada de macro e micronutrientes propiciarão
repleção, que será utilizada para a última fase de rápido crescimento. Dentre os
micronutrientes, destaca-se o ferro por sua função no crescimento e desenvolvimento, no
transporte e armazenamento de oxigênio, reações de liberação de energia, co-fator de reações
enzimáticas e inúmeras outras. A anemia por deficiência de ferro representa um dos maiores
problemas nutricionais da população mundial, independentemente de idade e gênero,
estimando-se que 66 a 80%. Além dos fatores fisiológicos, nutricionais e infecciosos, devem
ser lembrados como agentes agravantes, e muitas vezes determinantes da deficiência de ferro,
o baixo nível socioeconômico e cultural, as condições de saneamento básico e de acesso aos
serviços de saúde. O crescimento e o desenvolvimento de crianças sofrem influências do meio
ambiente, que refletem os aspectos socioeconômicos, psicológicos e nutricionais. Na
literatura, há associação de distúrbios nutricionais com o baixo nível socioeconômico
(SAWAYA, 1997; MOTTA & SILVA, 2001; OLIVEIRA et al., 2008).
Ornellas (1996) afirma que o pré-escolar (2 a 6 anos) possui como característica a
vulnerabilidade às carências nutricionais, exposição às enfermidades e infestações por
2
vermes. Sá (1983) complementa afirmando que esse grupo possui necessidades nutricionais
altas. Para Mahan e Escott-Stump (2005), nessa fase a criança apresenta um ritmo de
crescimento lento e em decorrência disso há também uma diminuição do apetite. Isso se
explica pelo fato da criança, nessa fase, apresentar maior interesse pelas descobertas ao seu
redor do que pelo alimento, o que representa motivo de ansiedade para os pais. Nessa fase a
criança tem a tendência de recusar alimentos aceitos anteriormente.
2.2 Necessidades nutricionais na infância
A nutrição adequada na infância contribui para o bom crescimento e desenvolvimento,
estruturando um dos fatores para que se previnam algumas doenças na fase adulta
(LAMOUNIER, LEÃO, 1998). Devido ao seu crescimento e desenvolvimento de ossos,
dentes, músculos e sangue a criança apresenta maior necessidade de ingestão de alimentos
mais nutritivos e podem estar em risco de desnutrição se a inapetência persistir por um
prolongado período (MAHAN e ESCOTT-STUMP, 2005).
Crianças com uma alimentação escassa podem apresentar retardos em seu
desenvolvimento e crescimento, suscetibilidade às infecções, mau aproveitamento escolar e
morte prematura. As ingestões dietéticas de referência são recomendadas de modo a melhorar
a saúde da população em longo prazo, através da redução de risco de doença crônica e
prevenção de doenças nutricionais. Amaya-Farfan et al. (2001) destacam que as definições
usuais são as RDA (Recomendações de Doses ou Cotas Alimentares), que significa o nível de
consumo alimentar de cada nutriente, suficiente para atender aos requerimentos do indivíduo
saudável (entre 97 e 98%); a AI (Ingestão Adequada) representando um valor de consumo
recomendável, baseado em levantamentos, determinações ou aproximações de dados
experimentais, sendo utilizado quando a RDA não pode ser determinada; o UL (Limite de
Ingestão Máxima Tolerável), sendo o mais alto nível de ingestão de um nutriente que não
causará efeitos adversos à saúde da maioria das pessoas e a EAR (Estimativa do
Requerimento Médio) que são as médias estimadas para garantir o requerimento de 50% dos
indivíduos sadios compreendidos num determinado estágio da vida (SÁ, 1983; MAHAN,
ESCOTT-STUMP, 2005).
As necessidades de energia são determinadas a partir do metabolismo basal, taxa de
crescimento e gasto calórico, devendo ser suficiente a fim de evitar a utilização da proteína
3
como forma de energia, sendo sugerido a ingestão da proporção energia de 10 a 15 % em
forma de proteína, 25 a 35% como gordura e 50 a 60% como carboidrato. Assim, percebe-se
que as necessidades de proteínas por quilograma de peso, durante a infância, são maiores em
relação às de um adulto (LAMOUNIER; LEÃO, 1998; VITOLO, 2003; MAHAN, ESCOTTSTUMP, 2005). A carência nutricional causa diminuição dos tecidos seguidos de perdas das
reservas orgânicas produzindo modificações funcionais, que podem ser consideradas como
lesões bioquímicas. A ingestão de cálcio é de grande importância, pois nessa fase, ocorre a
formação dos ossos e dentes (VITOLO, 2003). Há necessidade da ingestão de cálcio para a
mineralização do osso em crescimento nas crianças. As recomendações de cálcio para as
faixas etárias de 1 a 3 anos e de 4 a 8 anos são de 500 a 800mg/dia (VITOLO, 2003;
MAHAN, ESCOTT-STUMP, 2005). Nas crianças em idade pré-escolar, aproximadamente
100mg de cálcio são incorporados aos ossos diariamente. A ingestão de duas a três porções de
produtos lácteos preenche as recomendações. É comprovado que a vitamina A reduz a
gravidade das doenças e a mortalidade nas crianças, devido a função que exerce no sistema
imunológico. A deficiência de vitamina A em crianças ocasiona suscetibilidade às infecções.
(VITOLO, 2003).
O zinco é essencial para o crescimento, podendo ocorrer retardos no crescimento, falta
de apetite, cicatrização de feridas prejudicada, devido à sua deficiência. As recomendações de
zinco é de 3mg/dia para crianças de 1 a 3 anos e 5mg/dia para crianças de 4 a 8 anos
(MAHAN, ESCOTT-STUMP, 2005).
2.3 Conceitos, importância e objetivos da educação alimentar
Para Radaelli (2005), “alimentação saudável é o mesmo que dieta equilibrada ou
balanceada e pode ser resumida por três princípios: variedade, moderação e equilíbrio”.
Ninguém duvida, existe uma relação direta entre nutrição, saúde e bem-estar físico e mental
do indivíduo. As pesquisas comprovam que a boa alimentação tem um papel fundamental na
prevenção e no tratamento de doenças. A alimentação atua diretamente sobre a saúde do
indivíduo e sua capacidade de realizar suas atividades (SÁ, 1983).
Uma alimentação adequada pode ser orientada através de Guias, sendo a Pirâmide de
Alimentos um guia prático e útil para a população de um modo geral. Baseia-se na divisão dos
alimentos em grupos, com o objetivo de auxiliar nas seleções alimentares levando em
4
consideração a necessidade de nutrientes do indivíduo, assim como a função dos mesmos no
organismo
humano.
Possui
como
conceitos
básicos:
variedade,
moderação
e
proporcionalidade (PESSA, 1998).
De acordo com Mahan e Stump (2005), os primeiros anos de vida são ideais para
educar a criança nutricionalmente, através da promoção de atitudes positivas, dos adultos,
sobre os alimentos. São vários os fatores que influenciam na ingestão de alimentos, entre eles,
o ambiente familiar, as tendências sociais e a mídia. Para Vitolo (2003), atitudes como
disfarçar os alimentos, distrair a criança com brincadeiras ou televisão na hora da refeição,
utilizar chantagens e artifícios para obrigar a criança a comer podem ocasionar uma
desorganização no comportamento alimentar
3 METODOLOGIA
3.1 Educação alimentar
A educação alimentar foi realizada junto às crianças e os pais das crianças do Colégio
Santa Isabel (CSI), buscando alertá-los para os perigos do consumo freqüente de alimentos
industrializados e sugerindo uma alimentação saudável. Durante todas as atividades houve a
intenção de mostrar os prejuízos causados pelos alimentos que a maioria das crianças leva
para lanchar na escola ou a compram na cantina. Para isso, efetuaram-se as seguintes
atividades:
1. Teatro sobre alimentação saudável. Para todas as turmas, foi apresentada uma peça de
teatro envolvendo personagens da literatura clássica infantil, entre eles Chapeuzinho
Vermelho e alguns personagens do Sítio do Pica Pau Amarelo.
2. Apresentação da Pirâmide de Alimentos. Para todas as turmas foi apresentada uma
pirâmide de alimentos, onde foi explicada a sua função como guia alimentar, a
importância de cada grupo de alimentos dispostos nos níveis da pirâmide, a quantidade
ideal a ser consumida para um bom desenvolvimento do organismo. Para finalizar essa
atividade, as crianças do infantil II e III confeccionaram um dedoche com desenho de
frutas; para as crianças do infantil IV foi proposto a elaboração de cartazes de alimento
saudáveis e não-saudáveis; os alunos do infantil V e 1º ano confeccionaram um jogo de
dominó com figuras de alimentos saudáveis.
5
3. Preparação de sanduíche natural. Atividade realizada com todas as turmas, em dias
distintos. Inicialmente foi apresentado um cartaz com figuras dos ingredientes que
compunham o sanduíche (pão, alface, cenoura, tomate, ovo cozido, requeijão e queijo)
mostrando para as crianças a importância dos nutrientes presentes nesses alimentos. Em
seguida foram apresentados os ingredientes, sendo os vegetais previamente higienizados,
preparado e servido o sanduíche com suco natural de frutas.
4. Preparo de vitamina de frutas. Para as turmas do infantil V foi preparada uma vitamina
composta por frutas variadas (mamão, banana, maçã, morango, laranja). As frutas
previamente higienizadas foram apresentadas aos alunos destacando-se a importância de
seus nutrientes. Em seguida foram cortadas pelas crianças, liquidificadas com leite e
açúcar e servida.
Para as turmas do nível II e III foram preparadas vitamina de abacate. Antes do
preparo da vitamina, a fruta foi apresentada e cortada explicando-se para as crianças a sua
importância. Em seguida as crianças cheiraram, provaram e por último foi preparada e
servida a vitamina de abacate.
5. Reunião com os pais das crianças. Para mostrar a importância e objetivos da educação
alimentar na formação de bons hábitos alimentares, na idade pré-escolar. O recurso
utilizado para essa atividade foi data show e distribuição de panfletos com informações
sobre alimentação saudável na infância.
6. Envio semanal de sugestões de lanche saudável, receitas e dicas sobre alimentação na
infância. Para a realização desta atividade, foi elaborado e enviado semanalmente para os
pais um folheto com orientações em relação ao lanche de seus filhos. Sendo sugestões de
lanche saudável, normalmente compostos por: frutas in natura ou na forma de suco e
vitamina de frutas, sanduíche, biscoitos sem recheio, bolos sem coberturas e alimentos
regionais como tapioca, canjica, cuscuz, etc. Também foi enviado semanalmente
“mosquitinhos”, sobre educação alimentar na infância. Ao final, os pais avaliaram os
resultados.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A educação alimentar realizada junta às crianças do CSI teve o objetivo de
desenvolver nas mesmas a percepção pelos alimentos saudáveis, buscando favorecer o
6
desenvolvimento de bons hábitos alimentares, bem como estendê-los às suas famílias. Para
isso foram realizadas várias atividades com todas as crianças da educação infantil fazendo
abordagem lúdica de assuntos referentes à importância de uma alimentação saudável para o
desenvolvimento físico e intelectual adequados, e manutenção da saúde, assim como os
prejuízos causados pelo consumo excessivo de alguns alimentos industrializados. De acordo
com Nunes (2009), o lúdico apresenta dois elementos que o caracterizam: o prazer e o esforço
espontâneo.
A atividade composta pela peça de teatro sobre alimentação saudável foi realizada
para todas as turmas, envolvendo personagens da literatura clássica infantil e teve como
objetivo de mostrar para as crianças os benefícios de uma boa alimentação para a saúde e os
perigos do consumo de alimentos considerados prejudiciais ou desnecessários (refrigerantes,
xilitos, biscoitos recheados, etc.), que não contribuem com o desenvolvimento físico e
intelectual por serem pobres em nutrientes. Observou-se durante toda a apresentação o
envolvimento das crianças, e no final algumas participavam distinguindo alimentos saudáveis
e não saudáveis. Em seguida as crianças confeccionaram máscaras com desenho de frutas e
legumes, escolhendo de acordo com sua preferência.
Dando continuidade à atividade anterior, realizou-se uma atividade com todas as
turmas sobre a pirâmide de alimentos como guia de uma alimentação equilibrada mostrando a
importância de cada grupo de alimentos para o organismo a quantidade a ser consumida
diariamente. Os guias alimentares são ferramentas de orientação e informação à população
que visa promover saúde e hábitos alimentares saudáveis (PHILIPI et al, 1999). No
desenvolvimento desta atividade observou-se um envolvimento maior das crianças das turmas
do Infantil IV, V e 1º ano ao relatarem o que suas mães preparavam para comer no almoço ou
mesmo para levar na lancheira da escola. Durante toda a explicação foi feita uma relação
referente ao lanche que algumas crianças levam diariamente para a escola, e as mesmas
perceberam que alimentos como as guloseimas (refrigerantes, xilitos, biscoitos recheados,
etc.) devem ser consumidos com moderação. Para complementar essa atividade foram
confeccionados dedoches com as turmas do infantil II e III; cartazes de alimentos saudáveis e
não-saudáveis com as turmas do infantil IV e jogo de dominó com figuras de alimentos
saudáveis com as turmas do infantil V e 1º ano.
Com o objetivo de trabalhar a aceitação para hortaliças como alface, tomate e cenoura,
com todas as turmas, realizou-se um lanche coletivo no qual foi preparado sanduíche natural
7
que foi servido com suco de frutas. Para mostrar a importância de cada um dos ingredientes
utilizados na elaboração do sanduíche (pão, alface, cenoura, tomate, ovo cozido, requeijão e
queijo), apresentou-se um cartaz com ilustrações dos ingredientes, o que ajudou a facilitar o
entendimento. Ressaltou-se também para as crianças a variedade de cores dos vegetais que
compunham o sanduíche e explicou-se que em todas as refeições é importante que se tenham
alimentos variados, para que as mesmas sejam mais nutritivas, saborosas e saudáveis. De
acordo com Ornellas (1995), é importante a inclusão de hortaliças. Em seguida os
ingredientes foram apresentados para as crianças e as mesmas participaram da montagem dos
sanduíches. A atividade de preparo de alimentos pelas crianças favorece a prática e o
fortalecimento do conhecimento nutricional das mesmas, também demonstra o seu
aprendizado cognitivo (MAHAN, ESCOTT-STUMP, 2005). Observou-se a aceitação do
sanduíche pela maioria das crianças, inclusive de algumas crianças que inicialmente
apresentaram uma postura negativa em relação ao lanche, mas que ao ver outros colegas
aceitando-o, provavelmente foram influenciadas. De acordo com Mahan e Escott-Stump
(2005), a influência dos colegas aumenta com a idade e interfere nas atitudes e escolhas
alimentares, podendo resultar na rejeição ou aceitação de algum alimento. Mahan e EscottStump (2005), ainda afirma que por influência dos colegas as crianças normalmente comem
bem em instituições em grupo, sendo esses locais ambientes ideais para desenvolvimento de
programas de educação nutricional.
Os alunos das turmas do infantil V elaboraram uma vitamina composta por frutas
variadas, tais como mamão, banana, maçã, morango, laranja, com o objetivo de incentivar a
aceitação da vitamina. Foi explicada para as crianças a importância dos nutrientes presentes
nas frutas, assim como a recomendação da quantidade a ser consumida diariamente. Com as
turmas do infantil II e III, foi realizado um lanche coletivo no qual se preparou vitamina de
abacate. Inicialmente a fruta foi apresentada para as crianças ressaltando-se a sua importância
e as maneiras como poderia ser consumida, em seguida foi cortada e apresentada novamente
para que as crianças pudessem cheirar e provar, com o objetivo de desenvolver nas mesmas a
percepção pelo alimento. Para finalizar, foi preparada uma vitamina com a fruta. Observou-se
que no momento das explicações as crianças permaneceram atentas e a maioria consumiu o
lanche. Esses resultados reforçam a afirmação de Lopes e Bernardes (2009) sobre a
importância da conscientização das crianças sobre alimentação saudável na prevenção e
modificação do quadro que atualmente se configura na população brasileira.
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Posteriormente, foi realizada uma palestra com os pais das crianças do CSI sobre
educação alimentar, abordando-se assuntos relacionados à importância de uma alimentação
saudável para as crianças em idade pré-escolar, os desafios enfrentados diariamente pelo
responsável pela alimentação da criança, os riscos do sobrepeso e sua ligação com as doenças
crônicas não transmissíveis (diabetes, hipertensão, doenças coronarianas, etc.). Os pais
demonstraram interesse pelo assunto abordado, e no decorrer da semana posterior à palestra,
verificou-se que a maioria das crianças levou lanche saudável para a escola, normalmente
composto por bolos, biscoitos sem recheio e frutas in natura ou na forma de sucos. Devido a
escola não produzir o lanche das crianças, as mesmas levam de casa ou adquirem na cantina
da escola. Com o envio semanal de sugestões de lanche saudável observou-se que alguns pais
enviavam o lanche saudável sugerido, no entanto foi observado no decorrer do estudo que
outras crianças permaneciam levando lanches compostos por guloseimas (refrigerantes,
salgados e batatas em pacote, biscoitos recheados, alimentos à base de chocolate, etc.), que
fornecem unicamente “calorias vazias”. Foi observado também que algumas crianças que
inicialmente levavam refrigerantes tiveram uma mudança passando a consumir sucos, porém
industrializados. Provavelmente isso ocorra pela escassez de tempo por parte do responsável
pela alimentação da criança em preparar o suco natural de frutas, para que a mesma leve para
a escola. Para Mahan e Escott-Stump (2005), em decorrência do pouco tempo, as rotinas de
compra de alimentos e preparo de refeições podem ser alteradas para incluir mais alimentos
de conveniência. Ao final do estudo os pais avaliaram a proposta, relatando a aquisição de
bons hábitos alimentares de seus filhos com as atividades realizadas e afirmaram que o
trabalho deveria ser contínuo.
Diante desses resultados é importante ressaltar que a educação alimentar deve ser
contínua e além da contribuição da escola na educação da criança com o objetivo de promover
hábitos alimentares saudáveis, é uma tarefa a ser exercida principalmente pela família.
5 CONCLUSÃO
Diante do que foi exposto conclui-se que:
ü A idade pré-escolar é bastante propicia para que a criança desenvolva bons hábitos
alimentares;
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ü A aceitação de novos alimentos deve ser sempre trabalhada como forma de tornar hábito
uma alimentação variada, devendo essa ser incentivada através do trabalho educativo;
ü As atividades lúdicas para crianças são grandes aliadas ao trabalho de educação alimentar;
ü A escola é um ambiente favorável para o trabalho da educação alimentar, porém, o mesmo
deve ser reforçado em casa, pela família.
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