UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA CONDIÇÕES PARA ORGANIZAÇÃO DE DEMANDA E CONSUMO POR EMPREENDIMENTOS SOLIDÁRIOS EM DIFERENTES CADEIAS PRODUTIVAS Antonio Tadeu de Figueiredo Júnior São Carlos 2003 1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA CONDIÇÕES PARA ORGANIZAÇÃO DE DEMANDA E CONSUMO POR EMPREENDIMENTOS SOLIDÁRIOS EM DIFERENTES CADEIAS PRODUTIVAS Monografia Realizada como Exigência para Obtenção de Bacharelado em Psicologia. Antonio Tadeu de Figueiredo Júnior. Orientadora: Ana Lúcia Cortegoso São Carlos Janeiro de 2003 2 AGRADEÇO.... A Deus por animar meu corpo e iluminar minha alma..... Aos meus pais Elizabet e Tadeu por me educarem e me amarem incondicionalmente todos os dias de suas vidas....... Aos meus irmãos por me darem a oportunidade de juntos, aprender, ensinar, chorar, rir....... A minha avó Olga por rezar todos os dias por mim e pelo meu sucesso, estando sempre presente em meus pensamentos, apesar da distância.... As minhas tias Rita e Cida por me amarem como uma mãe ama seu filho... Aos meus primos por serem tão importantes na minha vida quanto os meus irmãos.... A minha namorada Nancy, sem a qual não teria conseguido o equilíbrio necessário para continuar minha jornada..... A minha orientadora Ana Lúcia Cortegoso que me proporcionou um grande aprendizado ao mesmo tempo que me fez cultivar uma grande amizade pela pessoa que ela representa para mim, um verdadeiro exemplo..... A todos vocês que ajudaram direta ou indiretamente na construção desse trabalho importante para minha jornada como estudante, mas principalmente, como pessoa, meu muito obrigado. Antonio Tadeu de Figueiredo Júnior 3 SUMÁRIO Resumo...............................................................................................................5 I. Demanda e consumo na organização de empreendimentos solidários Origem da Demanda por Produtos ou Serviços........................................6 Origem da Demanda Moderna..................................................................6 Organização das Demandas.....................................................................8 Outras Características da Demanda.........................................................8 Cooperativas Populares............................................................................9 Modo de Produção Cooperativista e seus Reflexos na Organização da Demanda...................................................................................................9 Organização de Demanda e de Consumidores: O Conhecimento Acumulado..............................................................................................11 II. Caracterização organização para de empreendimentos lidar com demanda solidários e quanto consumo: à sua aspectos metodológicos Participantes e informantes.....................................................................12 Informações obtidas................................................................................12 Coleta de Dados......................................................................................15 Análise de Dados....................................................................................15 III. Estratégias para lidar com organização de demanda e de consumidores nos empreendimentos Costura, Artesanato e Finanças. Conhecimento dos grupos sobre aspectos relevantes para a organização da demanda.......................................................................................................17 Situação dos grupos estudados em relação a aspectos relevantes para a organização de demanda ou consumo..............................................................29 IV. Dificuldades e soluções de empreendimentos solidários para lidar com a demanda por produtos e serviços..............................................................40 V. Referências Bibliográficas.........................................................................56 VI. Apêndices: Apêndice 1 - Instrumento para caracterização da relação produtor/prestador de serviço – consumidor/usuário em empreendimentos solidários............................................................................................................57 Apêndice 2 - Tabela de transcrição de informações...............................70 4 RESUMO Um dos grandes problemas com os quais se deparam os empreendimentos solidários de um modo geral, e cooperativas populares, de um modo particular, refere-se ao alcance dos consumidores dos produtos e serviços que podem oferecer. A definição de atividades produtivas de um grupo em processo de incubação para formação de cooperativas é uma das etapas deste processo quando o grupo não tem uma definição prévia desta atividade. Em casos em que existe uma definição preliminar acerca da atividade produtiva, ainda assim é fundamental examinar a viabilidade da prestação daquele serviço ou da inserção daquele tipo de produto, como forma de aumentar a probabilidade de sucesso do empreendimento. A despeito da existência de conhecimento sobre estes assuntos no que se refere a empreendimentos capitalistas, nem sempre este conhecimento está acessível e adaptado para as necessidades encontradas no âmbito da economia solidária, e esta relação com o consumidor representa sempre um desafio para estes empreendimentos. O objetivo deste trabalho foi caracterizar as maneiras como empreendimentos solidários têm lidado com esta situação, as dificuldades que encontraram e as soluções que apresentaram, de forma a sistematizar o conhecimento existente e produzir elementos para melhorar as condições favorecedoras de sucesso de empreendimentos solidários em relação à organização de demanda e consumidores. Para tanto, foram aplicados questionários e realizadas entrevistas com participantes de três empreendimentos, um que atua na área financeira, um de costura e um de artesanato, tendo sido obtidas descrições de cada grupo em relação à organização de demanda e de consumo. Os resultados sugerem que todos os grupos conhecem e atuam sobre algumas variáveis relacionadas à organização de demanda e consumo, havendo variação em relação a quais são as variáveis consideradas em cada grupo, porém esse conhecimento é restrito a alguns aspectos e limitado a verificações práticas do dia-a-dia, sem que tenha sido possível identificar sistematização do conhecimento disponível como ponto de partida para a definição de ações mais estratégicas e avanço no conhecimento sobre todos os aspectos relacionados à organização de demanda e consumo. 5 Demanda e consumo na organização de empreendimentos solidários Origem da Demanda por Produtos/Serviços: Ainda no neolítico - antes que os metais e a roda tivessem influência sobre a vida prática - quando os homens se agruparam em sociedades fixas e começaram a cultivar a terra através da agricultura produtora de excedentes, haviam grupos de pessoas que precisavam desse excedente pois não cultivavam a terra (sacerdotes e artesãos). Iniciava-se assim a época das trocas, que no neolítico eram feitas em espécie mas que depois foram substituídas pelas moedas (Weiss, 1966). Essa substituição não impediu que a troca de mercadorias gerasse lucros para alguns e dívidas para outros e foi por causa do lucro que produtores e prestadores de serviços sentiram a necessidade de conhecer o que as pessoas mais precisavam em seu cotidiano, que pode ser denominada de demanda do mercado. Porém, “o produtor possuía uma produção e uma oferta atomizadas, o que impedia a manipulação de preços pelos mesmos, sendo estes subjugados pela soberania do consumidor, o qual, expressando no mercado suas preferências, determinava ao aparelho produtivo o que e quanto produzir” (Cano, 1998, pg. 69). Conforme Mance (1999), produtores e prestadores de serviços passaram a se organizar melhor, enquanto que os consumidores permaneceram alheios ao que passaria a ocorrer na relação entre eles e os empresários, transformandose atualmente em consumidores alienantes e compulsivos. Origem da Demanda Moderna: Na atual sociedade, a busca pelos empreendedores, do conhecimento da demanda e, por isso, das necessidades de seus consumidores, se refinou tanto que hoje há a tentativa de transformar essas necessidades - que podem ser descritos como “sentimentos que nos levam a buscar coisas” (Frare, Nader, Sabbato, Nicolau, Oliveira, Barros & Pinho, 2001, pg.10) - em desejos. Dessa maneira, o autor diz que “desejamos produtos que acreditamos que nos 6 fornecerão algo que não temos”, formando-se assim o que será denominado por demanda moderna – algo que, conforme Mance (1999), é entendida como a soma das necessidades naturais com as necessidades culturais produzidas pelo cotidiano das sociedades. As demandas então podem ser caracterizadas, em um primeiro momento, como desejos, mas não por vários produtos e sim por aqueles específicos, já que “inúmeros mercados são formados, cada um com um interesse distinto, uma demanda específica e um perfil diferenciado” (Frare et al, 2001, pg. 17). Isso tudo devido, principalmente, à criação de uma importante área de conhecimento (Marketing) definida através do estudo de sua administração: "como a arte e a ciência da escolha de mercados-alvo e da captação, manutenção e fidelização de clientes por meio da criação, da entrega e da comunicação de um valor superior para o cliente" (Kotler, 2000, pg.30). O acréscimo no grau de alienação dos consumidores se deu portanto, através da concorrência entre empresas e do mau uso da expressão “valor superior para o cliente”, muitas vezes esquecida pelos diversos empreendimentos, já que "uma das definições mais sucintas de marketing é 'atender à necessidades de maneira lucrativa” (Kotler, 2000, pg.24). Essa alienação chegou a tal ponto que atualmente é possível conferir aos produtos e serviços certas qualidades 'virtuais', que acabam determinando a especificidade da aquisição e consumo dos mesmos, ao mesmo tempo que gera e extingue demandas em uma velocidade e intensidade muito grandes. De acordo com Mance (1999), essa alienação se deve, também, à carência de uma formação educativa e conseqüente falta de apreciação crítica do aparelho publicitário por parte dos consumidores. Nesse aspecto, Frare (2001) afirma, ainda, que a demanda acaba se tornando uma ferramenta para o empreendimento entender o mercado consumidor, ou seja, um produto ou serviço, antes de ser encaminhado ao mercado, preferencialmente teria que passar por estudos que levem em consideração as ameaças (ex. concorrentes, custo do produto) e oportunidades (ex. mercado potencial alto, pouca concorrência) que o ambiente tem e gera. Outro aspecto interessante à acrescentar é fornecido por Kotler (2000), onde ele afirma que a demanda, além de ser composta por desejos - sejam eles naturais ou alienantes - por produtos ou serviços específicos, possui uma 7 importante relação com as condições que o ambiente oferece, como as financeiras, que também se tornam importantes variáveis para a aquisição dos mesmos. Organização das Demandas: Sabendo-se que, de uma maneira geral, a demanda envolve desejos e condições financeiras, a organização de demandas exige muito conhecimento sobre o mercado no qual se pretende atuar. Dessa maneira, os produtores precisaram reunir o conhecimento que tinham e sistematizar uma área de conhecimento (que se tornou estratégica) para produzirem assim condições favoráveis para que essa área se desenvolvesse cada vez mais, de modo a trazer crescentes benefícios para seus empreendimentos. Foi assim que o Marketing conseguiu se institucionalizar como área de conhecimento, sendo responsável por inúmeros estudos cuja ênfase ocorre, principalmente, no que diz respeito ao conhecimento das necessidades das pessoas constituintes do mercado, seu poder de compra, concorrência, entre outros itens, para assim gerar condições mais acertadas de distribuição e vendas para o empreendimento que almejasse conquistas e sucesso (Salles, 2001). E essa condição de estudo do mercado se verifica na medida que, por exemplo, profissionais da área de comercialização investem cada vez mais em técnicas que levam em consideração sentimentos, desejos e necessidades que os consumidores possuem e que são peças fundamentais para o sucesso de seus empreendimentos. Outras Características da Demanda: No caso do Brasil, por exemplo, Frare (2001) afirma que o desejo por uma marca de produto ou serviço muitas vezes não é o critério fundamental para a constituição da demanda, apesar de muitas vezes as pessoas deixarem de comprar um produto ou serviço mais barato, por aquele cuja “marca” todo mundo têm - tornando o custo uma questão de interesse em estudos na organização de demandas aqui no país. E esse custo é regido pela famosa lei da oferta e da procura, que acaba se tornando assim a responsável pela 8 formação ou retração de determinada demanda, já que quanto mais variar a oferta, mais o preço também varia e os consumidores, sempre atentos a essa variação do custo, acabam comprando uma marca de um produto ou serviço que não desejam, porém necessitam, apenas por esse estar em promoção. Portanto, conforme este mesmo autor, para o empreendimento que deseja obter sucesso, o estudo da Economia é importante, pois de um modo geral, é necessário que exista um preço compatível, ou seja, um preço competitivo com a lei que rege o sistema capitalista, estando esse empreendimento sempre atento a outras variáveis que também interferem na definição do mesmo, tais como os atravessadores, o jogo da propaganda entre outros. Cooperativas Populares: As cooperativas populares, como o próprio nome indica, formam-se com a perspectiva de geração de renda para aqueles indivíduos excluídos da economia vigente, ou insatisfeitos com a constante geração de desigualdade provocada pelo capitalismo e que podem encontrar, na colaboração, um meio de conseguir renda suficiente para, consequentemente, melhorarem suas condições socioculturais. Segundo Salles (2001), essa maneira associada de trabalho e seu constante exercício facilita a busca de apoio ao empreendimento cooperativo, na medida que os trabalhadores tem potencializada sua pressão política e cidadã. Com esse apoio garantido e com a união no trabalho, as cooperativas populares oferecem, a cada cooperado, uma chance melhor de competição no mercado. Para conseguir isso, os cooperados precisarão levar em consideração dois fatores fundamentais, que são a “aceitação e a procura do mercado por seus produtos em uma escala que garanta, no mínimo, a rotatividade financeira do empreendimento, e a capacidade de oferecer produtos de uma maneira competitiva e em quantidade suficiente” (Salles, 2001, pg. 47). Modo de Produção Cooperativista e seus Reflexos na Organização da Demanda: 9 A organização cooperativa pauta-se por um conjunto de princípios que dão a ela especificidades importantes tanto como empreendimento de trabalho quanto como oportunidade para desenvolver condutas humanas diversas daquelas usualmente favorecidas pelo modo de organização capitalista, e mesmo de interferir na cultura do grupo social em que o empreendimento se insere. A ocorrência de distorções no âmbito dos empreendimentos solidários, em termos dos princípios cooperativistas que estabelecem a participação democrática dos membros nos processos de decisão sobre assuntos de interesse destes empreendimentos, pode constituir risco importante para seu sucesso, tanto em relação ao processo produtivo e organização interna, quanto à distribuição e venda dos produtos e/ou serviços. Neste último caso, um sucesso depende de dados precisos sobre a demanda e a capacidade de produção do empreendimento, de modo que a cooperativa possa saber qual é o seu mercado, mercado potencial, concorrência e jogo publicitário necessário para inserir no mercado produtos ou serviços advindos de um empreendimento solidário. Conforme Frare (2001), produtos e serviços advindos de empreendimentos solidários possuem características distintas dos demais e precisam ser muito bem discutidos pelos cooperados, pois precisam possuir qualidade ótima e, na medida do possível, passar valores agregados a uma economia mais justa, igualitária. A coesão interna do grupo, neste sentido, é elemento fundamental para garantir o potencial de pressão política na busca de incentivos para seus empreendimentos e de resolução de problemas de gestão do próprio empreendimento. Salles (2001) diz ainda que, com essa união, a determinação de uma estrutura de custos para o negócio, importante para o sucesso do mesmo, pode ser feita de uma maneira mais refinada e precisa, de modo a não expor o empreendimento a riscos. De acordo com o mesmo autor, uma providência inicial de cooperativas para aumentar sua probabilidade de sucesso, é organizar-se internamente de modo a conhecer melhor seu processo produtivo, principalmente seus custos, pois com estas informações em mãos é mais fácil conseguir uma idéia de suas potencialidades e das condições que têm para tentar disputar uma fatia do mercado (Salles, 2001). Organizando-se internamente, a cooperativa ou associação poderá então verificar o mercado em que está inserida, através 10 principalmente de um estudo e adequação dos conhecimentos que a área de Marketing traz sobre questões do trato com clientes/consumidores, fornecedores, etc. (incluindo organização de demanda e de consumidores) e que proporcionará, por meio de pesquisas, informações importantes mesmo quando há dificuldades na captação de recursos, tais como sazonalidade nas vendas, grau de poder aquisitivo do mercado, entre outros itens. Por isso, para o mesmo autor, é importante a busca da melhor maneira de se obter tais informações, pois é com essa pesquisa que as cooperativas poderão saber se precisam e podem abrir novos pontos de vendas, (ex. pesquisa que indica mercado potencial), se precisam melhorar a colocação de seus produtos nos pontos existentes (ex. pesquisa de preferência do consumidor) e se colocar o símbolo do cooperativismo atrairá mais consumidores ou manterá um tanto de mercado mais ou menos fiel devido à identificação com o cooperativismo etc. Portanto, o conhecimento em Marketing, para Salles (2001), é mais do que um instrumento que lida com relações do negócio com o mercado, é um meio de contato entre o empreendimento e a sociedade em geral, sendo assim um aspecto decisivo no desenvolvimento do negócio. Organização de Demanda e de Consumidores: o Conhecimento Acumulado: Dada 1) a existência de um conjunto considerável de iniciativas não acessíveis de organização interna de empreendimentos solidários para lidar com sua demanda, e 2) a necessidade de conhecimento capaz de subsidiar processos de proposição, planejamento, implantação e implementação de cooperativas populares, parece relevante, tanto do ponto de vista da atuação concreta no âmbito da Economia Solidária, quanto para a construção de conhecimento sobre os fenômenos envolvidos, a caracterização de experiências passadas ou presentes de empreendimentos solidários com relação à organização de demanda e de consumidores para seus produtos ou serviços, sistematizando-as e avaliando os instrumentos e procedimentos que esses empreendimentos usaram para lidar com o consumidor e com a demanda. Estes, portanto, constituíram objetivos deste trabalho. 11 Caracterização de empreendimentos solidários quanto à sua organização para lidar com demanda e consumo: aspectos metodológicos Participantes: Participaram do estudo três empreendimentos solidários, sendo dois situados em cidades do interior do estado de São Paulo, uma de grande porte (Campinas: grupo Costura), e outra de médio porte (São Carlos: grupo Artesanato), e um situado na capital deste estado (grupo Finanças). Informantes: Os grupos foram representados por informantes membros das cooperativas atuantes na área administrativa ou área intimamente ligada à organização de demanda e consumo nos empreendimentos solidários considerados. Informações obtidas: Como forma de responder às perguntas propostas neste estudo foi realizada uma caracterização de como empreendimentos solidários lidam ou lidaram com cada um dos seguintes aspectos identificados como potencialmente relevantes no processo de organização da demanda por produtos ou serviços: 1 – Forma de Contato com Consumidor: os aspectos relevantes que foram analisados nesse tópico se referiram à avaliação das condições financeiras que o empreendimento possuí para organizar sua demanda e consumidor e as condições financeiras desejáveis para que haja um bom contato com os consumidores, em termos de: (1) condições e recursos disponíveis e (2) condições e recursos necessários. 12 2 – Caracterização de Preços: existiram quatro aspectos relevantes a serem considerados pelos responsáveis por um empreendimento nessa área, que foram: (1) custos do produto ou serviço, com seus respectivos valores (custos de mão-de-obra, matéria-prima, tarifas legais, aquisição, manutenção e depreciação de máquinas e aparelhos, distribuição, promoção e propaganda, etc.); (2) investimentos necessários para manutenção e ampliação do empreendimento; (3) valores praticados pelo mercado (incluindo sazonalidade e concorrência) e (4) apreciação das condições da economia nacional ( tais como custo de vida e facilidades de crédito). 3 – Distribuição de Produtos e/ou Serviços: foi necessário levar em consideração, no que se refere à distribuição, aspectos como a velocidade de distribuição, abrangência/alcance desejável e possível da distribuição, o custo de distribuição, o volume da distribuição e o equilíbrio da distribuição em relação à demanda e demandantes ou usuários. 4 – Caracterização dos Concorrentes: nesta avaliação foram considerados aspectos como a existência de concorrentes, a quantidade de concorrentes, a abrangência, em termos de perímetro de atuação, onde os concorrentes possuem forte influência sobre os consumidores, a quantidade do mercado que é consumidor de produtos e/ou serviços concorrenciais e da satisfação e grau de fidelidade destes consumidores aos concorrentes. 5 – Caracterização do Consumidor Regular, Esporádico e do Nãoconsumidor com Relação ao Produto e/ou Empreendimento: foram caracterizados, neste sentido, tanto pessoas jurídicas quanto civis, em termos de atividade(s) econômica(s), grau de satisfação e razões pelas quais consome os produtos ou serviços, razões pelas quais consome pouco ou não consome e, ainda, no caso de pessoa civil, gênero e nível sócio econômico. Com relação ao item razões pelas quais consome, consome pouco ou não consome, alguns aspectos em específico precisarão ser examinados, tais como o grau de facilidade para compra, relação com saúde e cultura, conhecimento da existência do produto ou serviço, benefícios e malefícios do produto ou serviço, necessidade e uso feito deste produto ou serviço . 13 6 – Caracterização de Parcerias: em relação a este item, foram identificados a existência de parceria, os tipos de parceiros (com outras cooperativas, organizações não governamentais, órgãos públicos e outros tipos de empreendimentos), as razões pelas quais a parceria é desejável ou indesejável (benefícios e/ou malefícios da parceria, facilidades e dificuldades em sua realização), bem como a possibilidade e o desejo de se estabelecer parcerias. 7 – Controle e Garantia da Qualidade do Produto e/ou Empreendimento: esse tópico abrangeu o preço aplicado, a transmissão da qualidade do produto ou serviço e seus aspectos (qualidade ampliada, real e básica), a adequação da embalagem, adequação e utilidade do produto e/ou empreendimento, autenticidade e originalidade, a apresentação adequada do produto ou serviço ao cliente e os meios de disponibilidade ao cliente. 8 – Acompanhamento, Manutenção e Assistência aos Usuários: este aspecto envolveu, no caso dos empreendimentos solidários, a informação ao consumidor, mas principalmente a formação do consumidor em termos de uma cultura solidária e da economia de consumo justo. 9 – Caracterização de Fornecedores: esse tópico envolveu a identificação de fornecedores, a adequação do preço proposto em relação ao produto ou serviço oferecido, a verificação da adequação da matéria-prima utilizada e, particularmente importante no caso dos empreendimentos de economia solidária, do processo de produção em termos éticos (com os indivíduos e com a natureza); a capacidade de fornecimento e as condições de pagamento. 10 – Condição existente e potencial do consumo: em relação ao consumo instalado, foi relevante caracterizar a quantidade de produtos ou serviços consumidos, distribuição geográfica, distribuição no tempo (sazonalidade, por exemplo); em relação ao consumo potencial, foi relevante identificar, a partir do perfil do consumidor existente, as necessidades a que o 14 produto ou serviço busca atender e de suas características básicas e a preparação de consumidores com potencial imediato de utilização do produto ou serviço. Coleta de dados: Procedimentos de coleta de dados: Para coletar dados referentes às variáveis de interesse, foi aplicado um questionário contendo 95 questões abordando os diversos aspectos referentes à organização de demanda e consumo. Depois de feita a coleta de dados dos três grupos, verificou-se que algumas variáveis apontadas como importantes faltavam serem contempladas de maneira clara e objetiva no questionário. A partir destas observações, o questionário passou por mudanças, perfazendo um total de 105 questões em sua última versão (Apêndice 1). Em relação às variáveis não contempladas adequadamente no questionário inicialmente utilizado, foram realizadas entrevistas complementares com informantes dos grupos Costura e Artesanato, tendo sido também conferidas algumas respostas apresentadas inicialmente que se mostraram incompatíveis com as questões formuladas. Os grupos Costura e Artesanato participaram dessa segunda etapa de coleta de dados. A entrevista complementar com o grupo Finanças não pode ser realizada, tendo ficado algumas informações incompletas. Material: Além do questionário utilizado para obtenção de dados (Apêndice 1), foram utilizados materiais comuns para anotação de informações nas entrevistas. Análise dos Dados: As informações apresentadas pelos informantes de cada um dos grupos foram transcritas, de forma sucinta, para um conjunto de tabelas (Apêndice 2) das quais constavam as variáveis consideradas como relevantes para caracterizar a condição de cada grupo no que se refere à organização de 15 demanda e consumo dos produtos ou serviços oferecidos pelos grupos considerados agrupadas em categorias. Posteriormente, as informações foram organizadas de forma a destacar informações que referiam-se à disponibilidade ou não de conhecimento, por parte dos grupos considerados e de acordo com o ponto de vista dos informantes, acerca de aspectos significativos da organização da demanda, e informações que caracterizavam as especificidades da condição dos grupos em relação aos aspectos de interesse. 16 Estratégias para lidar com organização de demanda e de consumidores nos empreendimentos Costura, Artesanato e Finanças Os dados obtidos por meio de entrevistas são apresentados a seguir em três conjuntos, sendo o primeiro deles (Tabelas 1 a 10) relativo a respostas dos representantes de cada grupo diante de perguntas que previam duas alternativas mutuamente exclusivas e o segundo (Tabela 11) referente a um destaque de informações sobre disponibilidade de conhecimento, no grupo, sobre aspectos relevantes para a organização da demanda e do consumidor ou usuário, conforme indicado pelos entrevistados. O terceiro conjunto de dados é composto de descrições gerais de cada um dos grupos considerados, tendo como ponto de partida os relatos dos participantes, em relação a aspectos diversos da organização e funcionamento destes grupos no que se refere à relação com consumidores, a partir de questões abertas com possibilidades múltiplas de respostas. Conhecimento dos grupos sobre aspectos relevantes para a organização de demanda. Os dois primeiros conjuntos de dados apresentam uma visão panorâmica dos grupos sobre aspectos que são ou não considerados pelos empreendimentos como relevantes para o seu funcionamento, em algum grau. O grau de conhecimento dos grupos em relação aos mais diversos aspectos que constituem variáveis relevantes para o processo de organização da demanda e do consumidor ou usuário (indicado na Tabela 11) é um dos indícios da relevância atribuída pelo grupo a cada aspecto considerado. Em cada uma das tabelas anteriores a esta, os dados que correspondem a disponibilidade ou não de conhecimento sobre tais aspectos estão destacadas por meio de um fundo escuro. 17 A Tabela 1 evidencia aspectos relacionados aos recursos financeiros e humanos internos disponíveis para a organização da demanda e do consumidor. Tabela 1 - Distribuição das indicações dos entrevistados sobre aspectos relacionados a recursos internos disponíveis. Grupo Grupo Associação TOTAL Finanças Artesanato Costura SIM NÃO SIM NÃO SIM NÃO SIM NÃO 1 – Conhecimento sobre condições e recursos disponíveis para a X X 2 1 X organização de demanda ou consumidor. 2 – Conhecimento sobre condições e recursos desejáveis para a X X X 2 1 organização de demanda ou consumidor. SUBTOTAL 1 1 2 0 1 1 4 2 % 50 50 100 0 50 50 66,6 33,3 Os dados apresentados na Tabela 1 indicam que, do ponto de vista dos entrevistados, os respectivos empreendimentos conhecem, em algum grau, condições e recursos disponíveis ou desejáveis para a organização da demanda e do consumidor. Apenas um dos grupos (Artesanato) indica conhecer tanto as condições e recursos disponíveis para esta finalidade, quanto os desejáveis. Já os entrevistados dos outros grupos indicam dispor de conhecimento sobre apenas um destes aspectos. No caso do grupo Finanças, a indicação é de que o grupo conhece os recursos com que conta, mas não outros desejáveis, enquanto que o grupo Costura indica o contrário disso. A Tabela 2 apresenta os aspectos referentes à definição de preços dos produtos ou serviços dos empreendimentos. 18 Tabela 2 - Distribuição das indicações dos entrevistados sobre aspectos relacionados à definição de preços. Grupo Grupo Associação TOTAL Finanças. Artesanato Costura SIM NÃO SIM NÃO SIM NÃO SIM NÃO 1 – Existência de base de cálculo X X X 3 0 de produção de produtos/prestação de serviços. 2 – Conhecimento sobre X X X 2 1 investimentos necessários para a manutenção do empreendimento. 3 – Conhecimento sobre investimentos necessários para a X X X 1 2 ampliação do empreendimento. 4 – Existência de variação na oferta X do produto/serviço durante o ano. 5 – Existência de variação na X X 1 1 procura do produto/serviço durante o ano. 6 – Uso de informações sobre X X X 3 0 condições da economia nacional. SUBTOTAL 3 1 2 3 6 0 10 4 % 50 16 33,3 50 100 0 55,5 22,2 Os dados apresentados na Tabela 2 indicam que todos os empreendimentos contam com uma base de cálculo de preço para seu produto ou serviço. Com relação ao conhecimento sobre investimentos necessários para a manutenção do grupo, apenas o representante do grupo Artesanato indica desconhecer a dimensão destes recursos. O entrevistado do grupo Costura indicou que o grupo tem conhecimento sobre os recursos necessários para ampliar o empreendimento. Apenas no caso deste grupo foi feita indicação de variação na oferta e na procura dos produtos ou serviços dos empreendimentos durante o ano, pois a demanda é influenciada pelo inverno e festas de finais de ano. Os aspectos relacionados à distribuição dos produtos ou serviços dos empreendimentos estão evidenciados na Tabela 3. 19 Tabela 3 - Distribuição das indicações dos entrevistados sobre distribuição dos produtos ou serviços do empreendimento. Grupo Grupo Finanças Artesanato SIM NÃO SIM NÃO 1 – Disponibilidade de avaliação da X velocidade de distribuição. 2 – Disponibilidade de avaliação de X abrangência/alcance desejável e possível da distribuição. 3 – Disponibilidade de avaliação X dos custos de distribuição. 4 – Disponibilidade de avaliação do X volume da distribuição. 5 – Disponibilidade de avaliação de X equilíbrio da distribuição. SUBTOTAL 0 0 5 0 % 0 0 100 0 Nos grupos Costura e Artesanato, aspectos relacionados à Associação Costura SIM NÃO SIM NÃO X 2 0 X 2 0 X 2 0 X 2 0 X 2 0 5 100 conforme TOTAL 0 0 relato 10 67 de 0 0 seus representantes, há disponibilidade de avaliação para todos os aspectos relacionados à distribuição dos produtos ou serviços, porém essas avaliações não possuem registros que possibilitem uma sistematização dos dados sobre essa distribuição, dependendo muito de recursos como memória e “papeizinhos” ou notas de pedidos, que são os únicos documentos que registram alguns dados sobre distribuição de produtos ou serviços desse grupo. A Tabela 4 aponta os aspectos relacionados à concorrência. O que a Tabela 4 apresenta é que tanto o relato do grupo Artesanato quanto o relato do grupo Costura indicam o desconhecimento de ambos sobre a existência de concorrentes em seus âmbitos de ações e, por decorrência, de suas eventuais características. Somente o entrevistado do grupo Finanças apontou conhecimento sobre a existência de concorrentes, mas de somente um aspecto relacionado aos concorrentes, que é a área de atuação. Outros aspectos em relação à concorrência são indicados como desconhecidos pelo entrevistado deste grupo. 20 Tabela 4 - Distribuição das indicações dos entrevistados sobre aspectos relacionados à concorrência. Grupo Grupo Associação TOTAL Finanças. Artesanato Costura SIM NÃO SIM NÃO SIM NÃO SIM NÃO 1 – Conhecimento sobre existência X X X 1 2 de concorrentes. X X X 1 2 2 – Existência de concorrentes 3 – Conhecimento sobre X 0 1 Quantidade de concorrentes. 4 – Conhecimento da área de X 1 0 atuação do concorrente. 5 – Conhecimento da quantidade do mercado que é consumidor de X 0 1 produtos e serviços dos concorrentes. 6 – Conhecimento da satisfação e 0 0 grau de fidelidade dos consumidores aos concorrentes. SUBTOTAL 3 2 0 2 0 2 3 6 % 50 33,3 0 33,3 0 33,3 16,6 33,3 Os aspectos relacionados à caracterização do consumidor dos produtos ou serviços dos empreendimentos estão representados na Tabela 5. Tabela 5 - Distribuição das indicações dos entrevistados sobre caracterização do consumidor. Grupo Grupo Finanças. Artesanato SIM NÃO SIM NÃO 1 – Existência de consumidores. X X 2 – Disponibilidade de avaliação de X X tipos de consumidores e atividades econômica respectivas. 3 – Conhecimento das razões de X X consumo. SUBTOTAL 3 0 3 0 % 100 0 100 0 aspectos relacionados à Associação Costura SIM NÃO X TOTAL SIM 3 NÃO 0 X 3 0 X 3 0 3 100 0 100 9 100 0 0 No caso da caracterização do consumidor, os três entrevistados indicam que seus grupos conhecem a existência de consumidores e as razões de consumo do produto ou serviço que oferecem, bem como afirmam a disponibilidade de avaliações, por parte de seus empreendimentos, sobre seus consumidores, em termos de tipos e atividades econômicas destes consumidores. Porém, com relação ao item conhecimento das razões de consumo, os três grupos apontam as razões exaltando a qualidade de seus produtos ou serviços, baseados apenas em pesquisas de mercado não sistemáticas tais como a famosa pesquisa do “boca-a-boca”. 21 Os relatos dos entrevistados sobre aspectos relacionados a parcerias do empreendimento estão indicados na Tabela 6. Tabela 6 - Distribuição das indicações dos entrevistados sobre parcerias. Grupo Grupo Finanças Artesanato SIM NÃO SIM NÃO X X 1 – Existência de parceria. 2 – Existência de benefícios na X parceria. 3 – Existência de malefícios na X parceria. 4 Existência de fatores X facilitadores na realização da parceria. 5 Existência de fatores X dificultadores na realização da parceria. 6 – Disponibilidade de avaliação sobre formas possíveis e X X desejáveis de se estabelecer parcerias. SUBTOTAL 0 2 4 2 % 0 33,3 66,6 33,3 aspectos relacionados a Associação Costura SIM NÃO X X X X SIM 2 NÃO 1 2 0 0 2 2 X X 4 66,6 TOTAL 2 33,3 0 2 2 1 8 44,4 6 33,3 Com relação à existência de parcerias, o grupo Finanças apontou que não têm parceiros e que não dispõe de avaliação sobre formas possíveis e desejáveis de estabelecer parcerias, já que acredita que um empreendimento solidário não necessita de parceiros. Já o relato dos representantes dos grupos Artesanato e Costura evidencia a presença de parceiros que trazem somente benefícios e fatores facilitadores na realização da parceria. Além disso, ambos os relatos apontam disponibilidade de avaliação sobre formas possíveis e desejáveis de estabelecimento de parcerias, pois acreditam que as parcerias são indispensáveis para o negócio, uma vez que estes apóiam de diversas maneiras suas agências, propiciando educação, suporte e segurança para os grupos. A Tabela 7 indica os aspectos relacionados à adequação e qualidade dos produtos ou serviços que os empreendimentos oferecem. 22 Tabela 7 - Distribuição das indicações sobre aspectos relacionados do produto ou serviço. Grupo Grupo Finanças Artesanato SIM NÃO SIM NÃO 1 – Disponibilidade de avaliação da X Qualidade do produto ou da X prestação de serviço. 2 – Adequação do produto ou X X serviço prestado. 3 – Conhecimento sobre utilidade X X do produto ou serviço prestado. 4 – Apresentação adequada do NR NR X produto ou serviço ao cliente. SUBTOTAL 3 0 4 0 % 75 0 100 0 à adequação e qualidade Associação Costura SIM NÃO TOTAL SIM NÃO X 3 0 X 3 0 X 3 0 X 2 - 11 92 0 0 4 100 0 0 Para todos os entrevistados, os respectivos empreendimentos dispõem de avaliação da qualidade do produto ou serviço, há adequação do produto ou serviço ao mercado e o empreendimento dispõe de conhecimento sobre a utilidade do produto ou serviço ao consumidor ou usuário. Porém, essas avaliações são pautadas em critérios subjetivos, próprios dos grupos, sendo apenas o grupo Artesanato detentor de critérios mais rígidos sobre a qualidade e adequação de seus produtos, pois elaboram um produto exclusivo e de maneira artesanal, sendo ainda acompanhados de perto por seus parceiros, que os ajudam a controlar tais variáveis em seus produtos, mas ainda assim essas avaliações não possuem nenhum tipo de sistematização. Os aspectos sobre assistência, manutenção e acompanhamento de usuários ou consumidores, estão caracterizados na Tabela 8. Tabela 8 - Distribuição das indicações sobre aspectos relacionados à assistência, manutenção e acompanhamento de usuários ou consumidores. Grupo Grupo Associação TOTAL Finanças Artesanato Costura SIM NÃO SIM NÃO SIM NÃO SIM NÃO 1 – Existência de acesso do cliente X X X 3 0 ao produtor/prestador de serviço. 2 – Existência de qualidade ótima X X X 3 0 do produto ou serviço prestado. 3 – Formação do consumidor em X X X 2 1 Termos de uma cultura solidária e da economia de consumo justo. SUBTOTAL 3 0 3 0 2 1 8 1 % 100 0 100 0 66,6 33,3 88,8 11,1 23 Todos os grupos apresentam um bom conhecimento sobre assistência, manutenção e acompanhamento de usuários ou consumidores. A formação de consumidor nos termos de uma cultura solidária e de economia de consumo justo foi relatada como presente pelos grupos Finanças e Artesanato, enquanto que o relato do grupo Costura não indica que há a formação de seus consumidores para uma cultura do consumo ético e justo. A Tabela 9 apresenta os aspectos relacionados a fornecedores e outros diversos em relação ao funcionamento do empreendimento. Tabela 9 - Distribuição das indicações sobre aspectos relacionados a fornecedores e aspectos diversos do funcionamento do empreendimento. Grupo Grupo Associação TOTAL Finanças Artesanato Costura SIM NÃO SIM NÃO SIM NÃO SIM NÃO 1 – Existência de fornecedores. X X 2 1 X 2 – Adequação do preço proposto X X 1 2 X ao produto ou serviço oferecido. 3 - Adequação da matéria-prima X X X 3 0 utilizada. 4 - Existência de garantia de X X X 1 2 direitos aos cooperados. 5 – Existência de respeito ao meio NR NR X X 1 1 ambiente. 6 – Conhecimento da capacidade de fornecimento do produto ou X X 1 1 serviço prestado. 7 - Existência de condições de X X 2 0 pagamentos condizentes com as do cliente. SUBTOTAL 4 0 3 2 3 4 11 7 % 57 0 42,85 28,5 42,85 57 53 34 O relato do grupo Costura foi o único que negou a existência de fornecedores, já o relato do grupo Finanças foi o único que indica adequação do preço proposto ao produto ou serviço oferecido por eles. Todos os grupos indicaram adequação da matéria-prima utilizada ao produto ou serviço prestados. O grupo Finanças entendeu os cooperados, ou seja, os recursos humanos do empreendimento, como matéria-prima. Com relação à existência de garantia e direitos aos cooperados, o grupo Finanças foi o único a relatar a existência de práticas que visam garantir tais direitos. Com relação ao meio ambiente, o entrevistado deste grupo não respondeu, pois acredita que em sua área de atuação não se faz necessária tal 24 preocupação; já o grupo Artesanato relatou preocupação com a preservação do meio ambiente, enquanto que o relato do grupo Costura indica que não há preocupação específica com a questão da preservação ambiental. O relato do grupo Artesanato indica o desconhecimento por parte do grupo da capacidade de fornecimento de seus produtos; já o relato do grupo Costura indicou um conhecimento dessa capacidade de fornecimento de seus produtos e serviços. Ambos os grupo acreditam que existem condições de pagamento condizentes com as dos clientes ou usuários. Os aspectos relacionados à condição existente do empreendimento e potencial de consumo estão caracterizados na Tabela 10. Tabela 10 - Distribuição das indicações sobre aspectos relacionados à condição existente e potencial de consumo. Grupo Grupo Associação TOTAL Finanças Artesanato Costura SIM NÃO SIM NÃO SIM NÃO SIM NÃO 1 – Conhecimento sobre X X 1 1 quantidade de produtos e serviços consumidos. 2 – Avaliação da distribuição geográfica do produto e serviço X 0 1 prestado. 3 – Conhecimento sobre X X 1 1 distribuição do produto e serviço prestado no tempo. 4 – Existência de distribuição do X X 1 1 produto e serviço prestado no tempo. 5 – Adequação do produto e serviço prestado às necessidades X X X 3 0 do mercado. 6 – Existência de preparo de X X X 0 3 consumidores em potencial. SUBTOTAL 1 1 1 4 4 2 6 7 % 16,6 16,6 17 67 67 33,3 34 39 O relato do grupo Costura indicou que há conhecimento sobre a quantidade de produtos e serviços consumidos, mas mais uma vez este registro foi indicado como dependente de consulta a notas fiscais e da memória do grupo. Já o relato do grupo Artesanato indicou que eles não possuem conhecimento sobre a quantidade de produtos feitos, apresentando apenas estimativas de produção. O entrevistado do grupo Costura foi o único que indicou não existência de uma avaliação da distribuição geográfica do produto ou serviço prestado. 25 Com relação ao conhecimento da distribuição dos produtos ou serviços no tempo, o grupo Costura apresenta conhecimento de tal diferença na distribuição durante o tempo (sabe que existe uma maior demanda por seus produtos e serviços no inverno e no final do ano), e por isso confirmou a existência de tal diferença. Já o relato do grupo Artesanato indica desconhecimento de tal diferença na distribuição de seus produtos durante o tempo e, por isso, indicou a inexistência de tal diferença na distribuição de seus produtos. Todos os relatos indicam que há adequação dos produtos ou serviços às necessidades do mercado, porém essa adequação não aparece por meio de relatos de dados empiricamente comprovados ou sistematicamente conseguidos, como por exemplo, via pesquisa de mercado. Já no item existência de preparo de consumidores em potencial, todos os relatos indicaram a inexistência de tal preparo por parte dos empreendimentos. A Tabela 11 caracteriza, de maneira geral, a distribuição do conhecimento dos empreendimentos em relação aos mais diversos aspectos da organização de demanda e consumidores ou usuários, do ponto de vista dos entrevistados. 26 Tabela 11- Distribuição do conhecimento dos representantes sobre aspectos diversos relacionados à temática. Grupo Grupo Associação TOTAL Finanças Artesanato Costura SIM NÃO SIM NÃO SIM NÃO SIM NÃO 1 – Conhecimento sobre condições e recursos disponíveis para a X X 2 1 X organização de demanda ou consumidor. 2 – Conhecimento sobre condições e recursos desejáveis para a X X X 2 1 organização de demanda ou consumidor. 3 – Conhecimento sobre X X X 2 1 investimentos necessários para a manutenção do empreendimento. 4 – Conhecimento sobre X X X 1 2 investimentos necessários para a ampliação do empreendimento. 5 – Conhecimento sobre existência X X X 1 2 de concorrentes. 6 – Conhecimento sobre X 0 1 Quantidade de concorrentes. 7 – Conhecimento da área de X 1 0 atuação do concorrente. 8 – Conhecimento da quantidade do mercado que é consumidor de X 0 1 produtos e serviços dos concorrentes. 9 – Conhecimento da satisfação e 0 0 grau de fidelidade dos consumidores aos concorrentes. 10 – Conhecimento das razões de X X X 3 0 consumo. 11 – Conhecimento sobre utilidade X X X 3 0 do produto ou serviço prestado. 12 – Conhecimento da capacidade X X 1 1 de fornecimento do produto ou serviço prestado. 13 – Conhecimento sobre X X 1 1 quantidade de produtos e serviços consumidos. 14 – Conhecimento sobre X X 2 0 distribuição do produto e serviço prestado no tempo. SUBTOTAL 6 4 5 5 8 2 19 11 % 42,8 28,5 36 36 57,1 14,3 45,2 27 Com base nos dados apresentados na Tabela 11, é possível concluir que todos os grupos possuem parte dos conhecimentos sobre aspectos relacionados à organização de demanda e consumidores que podem ser relevantes para seu sucesso, porém o grupo que mais conhece tais aspectos é o grupo Costura, seguido respectivamente dos grupos Finanças e Artesanato. 27 É importante ressaltar, contudo, que este conhecimento indicado, em todos os grupos, baseia-se em informações não sistematizadas e de caráter fortemente subjetivo. 28 Situação dos grupos estudados em relação a aspectos relevantes para a organização de demanda ou consumo Grupo Finanças: A cooperativa de trabalho de profissionais da área de serviços financeiros – representada pelo nome Finanças – está operando no mercado da região metropolitana de São Paulo desde Abril de 2001 e conta, como membros, com técnicos especializados na área contábil. Em relação às variáveis indicadas como de interesse em relação à organização de consumo e de demanda, este empreendimento apresenta as seguintes características: Em relação ao contato com o consumidor, as informações sobre a Cooperativa Finanças indicam, como condições e recursos disponíveis para a organização de demanda ou consumidor, a disponibilidade de recursos humanos, que são os diretores do empreendimento e que realizam palestras para os usuários de serviços financeiros, e de recursos para divulgação, como folhetos e planilhas de demonstração do funcionamento do empreendimento, que fazem parte da estratégia de propaganda do grupo Finanças. Já em relação às condições e recursos considerados como desejáveis para a organização de demanda ou consumidor não foram apresentadas informações, tendo sido indicadas apenas metas a respeito da organização de demanda. Em relação aos custos dos serviços, as informações indicam a ocorrência de variação de acordo com a necessidade do cliente, mas os cooperados do grupo Finanças utilizam uma fórmula, não apresentada como parte destas informações, como base de cálculo para o serviço que prestam, pautada na relação entre receita e despesa que cada cliente provoca. Apenas os investimentos necessários para manutenção do empreendimento são conhecidos, e situam-se numa margem de R$ 30.000,00 mensais. Já o montante necessário para a ampliação do empreendimento foi indicada como desconhecida, apesar da questão de ampliação do empreendimento ser discutida pelo cooperados e a necessidade de conhecer tal montante de investimentos ter sido indicada como importante, porém difícil de ser calculada 29 devida à inconstância da clientela, o que impede que tal cálculo seja feito de maneira precisa. As condições da economia nacional (custo de vida e facilidade de crédito) são estudadas pelos cooperados por meio da televisão, de jornais, principalmente em um dos principais diários do país, “O Estado de São Paulo”, e na internet, em sites especializados. As informações buscadas são utilizadas nas áreas de Recursos Humanos, fiscal e tributária. Em relação à avaliação de concorrentes, o relato do grupo Finanças indica que há conhecimento da área de atuação de concorrentes, porém a especificação da área não foi contemplada pelo questionário. Já com relação à caracterização do consumidor, foi indicado que os consumidores típicos dos serviços do grupo Finanças são outros empreendimentos que atuam na área financeira, advindos principalmente da região metropolitana de São Paulo e que são importantes para o empreendimento, pois mantém o empreendimento em funcionamento. Já em relação à razões de consumo, uma das razões apontadas como facilitadora da aquisição de serviços pelos clientes do empreendimento foi a eficiência dos profissionais cooperados na prestação destes serviços e as habilidades técnicas dos cooperados. Essa questão é tão relevante para o grupo que, quando questionados sobre as razões que poderiam afetar negativamente a prestação de seus serviços, a principal causa indicada foi a baixa qualificação de cooperados. Em relação à parcerias, o relato do grupo Finanças não evidencia nenhum tipo de vínculo e tão pouco indica a necessidade de parcerias. Já em relação ao controle e garantia da qualidade do serviço e/ou empreendimento, os relatos indicaram uma boa avaliação dos cooperados quanto a prestação de serviço, sendo que essa prestação de serviços está orientada para a transmissão de informações aos clientes sobre as qualidades do serviço, pois é meta do atendimento a manutenção e preservação da imagem da cooperativa e, por isso, a preocupação com esses aspectos citados acima é indicada como presente. Além disso, os cooperados acreditam, em relação à adequação e utilidade do serviço que, para o empreendimento, o serviço é adequado e útil aos seus clientes, já que, para o grupo, o cooperativismo é um sistema que tem soluções interessantes para as empresas tomadoras de seus serviços, pois propõe um custo menor do que os 30 concorrentes, questão essa que também foi apontada como item referente à autenticidade e originalidade do serviço, que além dos custos baixos, oferece ao cliente agilidade no trato da administração de recursos humanos da área financeira. Em relação ao acompanhamento, manutenção e assistência aos usuários, o acesso do cliente ao prestador de serviço se dá através do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), com os clientes obtendo acesso a informações sobre a qualificação dos cooperados, tributação, normas e procedimentos e comprovantes de recolhimento de tributos. Já com relação à qualidade ótima do serviço, os cooperados indicaram que há uma extrema preocupação com relação à qualidade de seus serviços, apontada por eles como um dos diferenciais do empreendimento, porém não houve indicação de como é feito esse controle, tendo sido feita apenas a indicação de que há controle de qualidade de atendimento e controle de qualidade de vida para os cooperados. A preocupação com a formação do consumidor em termos de uma cultura solidária e da economia de consumo justo se dá por meio de reuniões expositivas e palestras com tomadores de serviços, nas quais a proposta cooperativista e a fundamentação dos objetivos da cooperativa são apresentados aos clientes em potencial. A relação com os fornecedores acontece através da adequação do preço proposto ao serviço oferecido e é compreendido pelos cooperados como adequado, pois satisfaz as necessidades da cooperativa e a coloca em condições de concorrência com os demais empreendimentos do ramo. Já com relação à adequação da matéria-prima utilizada, os cooperados acreditam que os recursos humanos do empreendimento, entendido pelo grupo como a “matéria-prima” do empreendimento, são especialistas na área em que atuam (finanças). A garantia de direitos aos cooperados também foi avaliada como muito boa por quem respondeu, em nome do empreendimento, ao questionário, pois estes acreditam estar garantindo todos os direitos dentro do sistema cooperativista. O respeito ao meio ambiente não foi citado pelos cooperados como aspecto em relação ao qual se preocupam, devido à natureza do empreendimento, que é de prestação de serviços na área financeira. 31 Em relação à condição de consumo existente atualmente e potencial de consumo, o relato do grupo Finanças indicou que as necessidades a que o serviço busca atender estão adequadas às necessidades do mercado, pois fornecem baixo custo e agilidade na administração de recursos humanos na área financeira. As variáveis relacionadas à distribuição de serviços não foi respondida pelo grupo. Um item relacionado aos fornecedores (capacidade de fornecimento do serviço e condições de pagamento condizentes com as do cliente) não foi contemplada adequadamente pelo questionário, assim como o item apresentação adequada do serviço ao cliente, relacionado à variável controle e garantia da qualidade do serviço e/ou empreendimento. Grupo Costura: O grupo de costureiras de Campinas – SP, é uma associação que atua no ramo de confecção, facção (mão-de-obra terceirizada) e artesanato de costura, sendo identificadas, neste texto, pelo nome grupo Costura. Esse grupo está atuando no mercado desde Agosto de 2000 trabalhando principalmente em facção, porém desejam apenas confeccionar produtos próprios, o que já fazem em pequena escala. Em relação às variáveis indicadas como de interesse em relação à organização de consumo e de demanda, este empreendimento apresenta as seguintes características: Em relação à avaliação (definição) de forma de contato com consumidor foi indicado que não existem recursos próprios disponíveis, pois os recursos são precários para qualquer tipo de investimento no empreendimento. Em relação às condições e recursos desejáveis para a organização de demanda e consumidores, o relato do grupo indica uma necessidade do grupo de captar empréstimos para investimentos no empreendimento, incluindo divulgação. Porém, não há metas, objetivos ou decisões já estabelecidas a respeito do assunto, apenas a vontade de produzir em larga escala. A definição de preços é dependente do produto, mas as cooperadas levam em consideração o custo de materiais, mão-de-obra, energia elétrica, tempo, luz: calculam o total correspondente a tudo isto e aplicam uma margem de lucro, não indicada. Para a manutenção do empreendimento, foi relatada a 32 necessidade de um montante de aproximadamente R$1.500,00, mas o capital de giro está em torno de R$1.000,00, o que tem possibilitado manter o empreendimento, porém não garante remuneração adequada para as cooperadas. Para a ampliação do empreendimento as cooperadas relataram a necessidade de mais R$1.500,00, o que permitiria ao grupo confeccionar seu próprio produto. Existe variação na procura dos produtos e serviços devido à época de inverno e do Natal, isso porque faltam costureiras para a demanda da época. E há variação nas ofertas, pois as cooperadas dependem de feiras e locais de exposição disponíveis, já que estão iniciando na área de confecção. Para manterem-se informadas sobre a economia nacional, acompanham a televisão (Programa especializado em pequenas empresas) e consultam assessores (contador que dá aula de contabilidade). Além disso, participam de reuniões entre cooperativas e associações sobre os mais diversos assuntos relacionados à Economia Solidária. Em relação à distribuição de produtos ou serviços, a velocidade de distribuição foi indicada como lenta, pois a capacidade de produção do grupo é limitada, apesar de existir o desejo coletivo de aumentar a produção. A abrangência desejável e possível da distribuição foi indicada como sendo muito dispersa e, por isso, inadequada, necessitando de um local fixo para a exposição. O custo de distribuição foi indicado como insuficiente, pois o recurso monetário é escasso até mesmo para a remuneração das associadas, estando a distribuição dependente de feiras de economia solidária na região de Campinas e espaço para exposição oferecido pelo parceiro. As cooperadas reconhecem que o volume da distribuição é insatisfatório e varia muito conforme os pedidos, mas possuem meio de calcular tal volume, baseado nas notas fiscais dos próprios pedidos. Já em relação ao equilíbrio da distribuição dos produtos confeccionados, o relato indica que essa distribuição está equilibrada, mas que existe dificuldade em se manter tal equilíbrio, pois não é sempre que existem recursos para a confecção. O relato do grupo Costura indicou a inexistência de concorrentes em seu âmbito de ação devido à distância que a cooperativa se encontra do centro 33 de Campinas e da inexistência de empreendimentos de mesmo caráter que os do grupo na região em que estão situados e até de outras oficinas de costura. Em relação à caracterização do consumidor os relatos indicam que os consumidores são preferencialmente indivíduos, amigos. Um tipo de consumidor predominante é uma faixa etária da população (jovens), pois, conforme relatos, são os jovens os maiores consumidores de roupas. Para conhecer a preferência do consumidor, as cooperadas pesquisam com comerciantes de Campinas os mais diversos aspectos sobre costura e moda, na tentativa de melhor concorrer com os produtos oferecidos no mercado, e apontaram como fatores importantes para aquisição de seus produtos a qualidade, o preço e os benefícios (formas de pagamentos e modelos das roupas). Apresentaram a má qualidade do produto como razão que poderia afetar a venda de seus produtos e serviços de maneira negativa para o empreendimento. Segundo as informações obtidas, o grupo Costura conta com a parceria com um grupo de caráter religioso, sendo que essa parceria foi relatada como beneficiadora do empreendimento, principalmente para aquisição de máquinas de costura e serviços de orientação profissional, não sendo apontado nenhum tipo de dificuldade ou malefício nessa parceria. O controle e garantia da qualidade do produto ou empreendimento é indicado como ótimo, com as cooperadas alegando que trabalham com o máximo de cuidado para que as peças não sejam devolvidas. Em relação à adequação e utilidade do produto/empreendimento, o relato do grupo Costura indica que o empreendimento acredita que, melhorando a qualidade de vida de ambas as partes (associadas e consumidores), é possível oferecer uma contribuição social, que é o que o grupo almeja. Além disso, acreditam ser importante o conhecimento sobre a utilidade do produto, pois é preciso ter esse conhecimento para se fazer um trabalho de qualidade. Acreditam também que o produto e serviço estão adequados às necessidades do mercado, uma vez que estão sempre se atualizando em relação à demanda geral da economia no setor. A autenticidade/originalidade do produto ou serviço reside na qualidade do produto e serviço prestados e a apresentação adequada do produto ou serviço ao cliente foi indicada como ótima, pois contam com uma clientela fiel e 34 passaram por experiências que melhoraram a apresentação do produto ou serviço ao cliente. Em relação ao acompanhamento, manutenção e assistência aos usuários, foi indicado apenas um tipo de registro para controle dos consumidores, que são folhas nas quais o balanço do fim do mês é anotado, e que contém informações do tipo: movimento de costura, consertos, peças produzidas (roupa e “artesanato”: bolsas, chapéus e almofadas de pano). Outro tipo de meio pelo qual as associadas mantém contato com o consumidor é através de contato direto, onde o consumidor pode entrar em contato com as associadas e seus produtos. Porém esse acesso limita-se apenas aos modelos das roupas, sendo que os consumidores não têm acesso à linha de produção. Esse acesso ao produtor se dá de maneira direta, apenas na hora da venda do produto ou serviço. Existe uma preocupação grande com relação à qualidade das peças e do serviço de costura. A apresentação das características da economia solidária é feita via panfletagem e contato direto. Já os valores da economia solidária não são apresentados ao consumidor, pois não são identificados pelas associadas como informações necessárias de serem transmitidas ao consumidor. Os relatos do grupo Costura indicam que elas não possuem fornecedores, possivelmente por compreenderem por fornecedores apenas aqueles que o sejam de forma sistemática, embora o fato de que realizem predominantemente facção possa efetivamente dispensar a existência de fornecedores, caso os intermediários forneçam todo o material necessário. A matéria-prima também foi apontada como adequada, por serem utilizadas malhas de boa qualidade para os produtos. A garantia dos direitos às cooperadas está em andamento, porém foi avaliada como inadequada, pois as cooperadas acreditam que é necessário a geração de um maior capital para que haja a garantia de todos os direitos. Em relação ao respeito ao meio-ambiente, os relatos indicam que acreditam não poluírem e que, por isso, acham ótima a relação do empreendimento com o meio ambiente. A atual condição do empreendimento em relação à organização e demanda e o preparo de consumidores em potencial evidenciou que o empreendimento não possui nenhuma forma de medir a quantidade de 35 produtos ou serviços prestados. A distribuição se dá de maneira dispersa, pois não possuem um local fixo para exposição de seus produtos, o que para elas seria importante, uma vez que acreditam que concentrando os produtos em um só local, conseguem atrair mais consumidores. Além disso, há variação na procura, pois há uma maior demanda na época do inverno e do natal. E há variação na oferta, pois dependem de feiras e locais para exposição, já que a associação está passando por um processo de modificação, passando de prestadora de serviço (facção) para confecção. Para o empreendimento, o produto e serviço estão adequados às necessidades do mercado, pois as cooperadas estão sempre em busca de atualização. Em relação à preparação de consumidores em potencial, os relatos indicam que não existe nenhum tipo de providência tomada pelo empreendimento nessa área. Grupo Artesanato: O grupo de artesanato de São Carlos – SP, está atuando no mercado desde Janeiro de 2002, produzindo artesanato que visa resgatar uma técnica específica de bordado. Esse grupo esta em vias de se legalizar como cooperativa, porém precisa contar com o número mínimo de cooperados exigido por lei para que esse fato aconteça. Em relação às variáveis descritas no método, as informações oferecidas pelos cooperados indicam, em relação ao empreendimento, as seguintes características: Os relatos dos cooperados do grupo Artesanato em relação ao contato com o consumidor indicam a não existência de recursos financeiros próprios do empreendimento para a divulgação, mas existência de investimentos do parceiro (Sebrae) nessa divulgação. Existe conhecimento por parte do grupo em relação às condições e recursos desejáveis, assim como metas e objetivos a respeito da organização da demanda e do consumidor. Foi indicada pelos cooperados a necessidade de recursos financeiros, humanos e motivacionais para que haja uma prática concreta em relação à organização de demanda e consumidores. Já com relação às metas a respeito dessa organização de demanda e consumidores, as mesmas dizem respeito à promoção de cursos de formação de opinião e ampliação de espaços de exposição. 36 Os preços praticados pelo grupo, segundo as informações obtidas, são definidos por meio de fórmula desenvolvida por estagiários da empresa jr. de uma universidade da região de São Carlos. A quantidade de investimentos necessários para a manutenção do empreendimento e para sua ampliação são desconhecidos pelos cooperados; porém, são discutidas as questões de investimentos necessários para a ampliação do empreendimento e a importância de o grupo conhecer a quantidade necessária desses investimentos, para a verificação da viabilidade do negócio. Em relação à variação na procura dos produtos no decorrer do tempo, os relatos indicam que não existe tal variação e a variação na oferta do produto no decorrer do tempo não foi indicada pelos cooperados. Os relatos indicam que o empreendimento não conta com informações sobre a economia nacional para sua administração, mas indicam que são buscadas informações sobre tendências de moda na decoração, adequação de matéria-prima e noções de administração para gerência do grupo. A velocidade de distribuição foi avaliada como inadequada, pois a distribuição ainda é pouca devido à falta de disciplina na execução do trabalho. A abrangência/alcance desejável e possível da distribuição foi avaliada como ótima, devido à excelente divulgação que é feita pelo parceiro. O custo de distribuição foi avaliado como precário, pois foi identificada a necessidade de ajustes entre produção e matéria-prima; já o volume da distribuição situa-se em uma média de 800 peças por mês, mas o empreendimento não possui forma de medir a quantidade produzida. O equilíbrio da distribuição em relação à demanda e demandantes ou usuários foi avaliado como precário, pois a demanda é maior que a capacidade de produção. Em relação aos concorrentes, os relatos indicam que o empreendimento não possui nenhum concorrente devido ao tipo de artesanato feito, que é um resgate de uma técnica específica e que poucas pessoas conhecem, tornando a existência de concorrência muito difícil. Na caracterização do consumidor, os relatos indicaram que os consumidores dos produtos do empreendimento são indivíduos e lojas, sendo que nenhum consumidor foi citado como mais relevante para o empreendimento. É usado um tipo de medida de satisfação dos clientes, que é feita de maneira não sistemática, através de contato direto na hora da venda, 37 via retorno do cliente. No entanto, não há medida utilizada para se descobrir a razão pela qual o produto é consumido. O que existe é a perspectiva geral do grupo de que o produto é consumido devido a sua qualidade e originalidade, mas o empreendimento não sabe apontar razões que afetam a venda de seus produtos. Os relatos indicam uma parceria entre o empreendimento e ONGs, órgãos públicos e o Sebrae. A parceria é relatada como beneficiadora do empreendimento, pois ajuda na divulgação, vendas e profissionalização do grupo, não existindo dificuldade na parceria, pois os cooperados acreditam que a “troca” é muito boa. Os relatos indicam também que é de interesse do empreendimento possuir parceiros para melhor estruturar e evoluir o negócio. Não foi citada a parceria com a universidade, porém essa parceria foi apontada em outro momento durante a entrevista, quando os cooperados relataram que a fórmula utilizada por eles para constituírem o preço do produto tinha sido elaborada pela empresa júnior. Em relação ao controle e garantia da qualidade do produto e/ou empreendimento, os relatos indicam que a embalagem foi avaliada como adequada, pois os cooperados acreditam ter aprimorado o produto para agradar o cliente em qualidade e aparência. Os cooperados também acreditam que o produto é importante para a sociedade, pois traz conforto, beleza e contribui para a cultura do município. Além disso, os cooperados acreditam ser necessário o conhecimento sobre a utilidade do produto, pois fortalece a história da cidade, do cidadão e contribui com o turismo e a educação. Os relatos indicam que os cooperados acreditam que o produto não traz nenhum diferencial, só diferencia-se no modelo, porém sua característica principal é igual a dos similares. Em relação ao controle de qualidade, existe um controle de qualidade no empreendimento, que funciona através do controle de qualidade do próprio produto, do ambiente de trabalho e da qualidade de vida dos cooperados. O acompanhamento, manutenção e assistência aos usuários é feito através do acesso dos consumidores a informações sobre a qualidade do produto, manutenção do produto, peso, características e história do produto via informações na embalagem e/ou folhetos, etiqueta, ou ainda em contato direto na hora da compra. É marcante a preocupação dos cooperados em relação à 38 qualidade do produto e em relação à transmissão das características do empreendimento, feita por meio de contato direto. Os princípios da economia solidária, tais como o que é cooperativismo, são transmitidos via atendimento aos clientes e via parceiro, através, principalmente, da divulgação que o parceiro promove. Os relatos indicam que os fornecedores de matéria-prima do empreendimento não fornecem um preço adequado, pois alegam que o grupo Artesanato, por não estar legalizado, não fornece garantias legais na hora da compra. Em relação à matéria-prima, foi indicado que ela é adequada, pois atende as necessidades e exigências do produto. Já em relação à garantia de direitos aos cooperados, os relatos indicam que essa garantia se dá de maneira regular, pois apesar de conhecerem a importância de respeitar o trabalho praticado, faltam condições financeiras e físicas para que sejam garantidos todos os direitos aos cooperados. O respeito ao meio ambiente foi indicado como sendo adequado, pois é de conhecimento dos cooperados a importância da redução de lixo e de descartes. A capacidade de fornecimento de matéria-prima é boa, pois compram de fornecedores de São Paulo – SP, que estão situados na capital da indústria do país e que, portanto, dispõem das melhores condições de fornecimento da matéria-prima. Para os cooperados, o preço que pagam pela matéria-prima está bom, mas acreditam que conseguiriam preço melhor se pesquisarem e se legalizarem como empreendimento solidário. Em relação à condição existente e potencial do consumo, os relatos indicam que a quantidade de produtos consumidos não é medida no empreendimento, já em relação à distribuição geográfica dos produtos, os relatos indicam que é boa, pois os cooperados acreditam que alcançaram uma excelente divulgação, via parceiro. A distribuição dos produtos no tempo foi avaliada como precária, pois a demanda é maior que a capacidade de produção, porém o produto está adequado às necessidades do mercado, devido sua utilidade e beleza para o cliente. Em relação ao preparo do consumidor em potencial, os relatos indicam que não há nenhum tipo de providência do empreendimento para verificação e preparo do mercado potencial. 39 Dificuldades e soluções de empreendimentos solidários para lidar com a demanda por produtos e serviços. Aspectos Gerais: O conjunto dos dados obtidos permite afirmar que os grupos investigados afirmam dispor de conhecimentos sobre aspectos relacionados à organização de demanda e consumidores. Dentre os três grupos, o que relatou conhecer mais aspectos sobre organização de demanda e consumo foi o grupo Costura. Os três empreendimentos considerados apresentaram, em relação aos diversos aspectos relacionados à organização de demanda e consumo, conhecimentos não sistematizados, derivados de experiências do cotidiano, o que lembra o tipo de organização de demanda e consumo que Cano (1969, pág. 69) indicou como sendo precursora da organização da demanda moderna, aquela na qual “o produtor possuía uma produção e uma oferta atomizadas, o que impedia a manipulação de preços pelos mesmos, sendo estes subjugados pela soberania do consumidor, o qual, expressando no mercado suas preferências, determinava ao aparelho produtivo o que e quanto produzir”. Portanto, os três empreendimentos parecem não utilizar o que Kotler (2000, pág.30) definiu como administração de Marketing, entendida “como a arte e a ciência da escolha de mercados-alvo e da captação, manutenção e fidelização de clientes por meio da criação, da entrega e da comunicação de um valor superior para o cliente”, pois nenhum tipo de registro e de ação sistemática foi indicada pelos representantes. Apenas ações esparsas e geralmente com subsídios de parceiros (no caso dos grupos Costura e Artesanato) foram descritas, o que reforça a idéia de um conhecimento limitado, por parte dos grupos, na área de organização de demanda e consumo. 40 Aspectos relacionados a especificidades da organização de demanda e consumo: Condições e recursos disponíveis para organização da demanda e consumo: Em relação às condições e recursos disponíveis para a organização da demanda ou consumo, foi possível notar que existe uma maior organização interna por parte do grupo Artesanato, dentre os três considerados. Uma hipótese para as diferenças observadas entre os três grupos neste aspecto é a de que o grupo Finanças está em pleno funcionamento, atendendo a demandas e se organizando em torno disso, enquanto que o grupo Costura, apesar de contar com uma demanda, essa mostrou-se insuficiente, pois foi indicada a existência de recursos precários, e sua percepção deve estar muito mais controlada por suas carências do que pelas possibilidades. Já o grupo Artesanato parece contar com uma situação mais controlada, pois oferta um produto exclusivo e relatou dificuldade em atender a demanda, que é maior do que a oferta, o que possibilita um maior controle da situação dos recursos. Além disso, o grupo parece ser, se comparado com o grupo Costura, o que possui maior apoio por parte de seus parceiros. Essa condição de conhecimento dos recursos internos disponíveis é uma variável que, quando devidamente conhecida pelos participantes do empreendimento, fornece um panorama sobre as fraquezas e as forças do empreendimento, possibilitando a criação e/ou elaboração de um planejamento estratégico mais objetivo e baseado na realidade do grupo. Neste sentido, seu desconhecimento pode representar uma dificuldade relevante para o avanço do grupo em termos de sua organização interna para lidar com a demanda existente ou potencial. Definição de Preços: Em relação aos aspectos referentes à definição de preços dos produtos ou serviços dos empreendimentos, os informantes indicaram que todos os empreendimentos contam com uma base de cálculo de preço para seu produto 41 ou serviço. Isto é, de modo geral, uma condição benéfica para os empreendimentos, pois indica que há conhecimento sobre o processo produtivo. De acordo com Salles (2001, pg. 21), o adequado conhecimento sobre o processo produtivo, principalmente seus custos, que é a base de cálculo dos preços dos produtos ou serviços oferecidos ao mercado, constitui um primeiro passo para a elaboração de um planejamento estratégico. Ainda conforme o autor, com a estrutura de custos determinada, o negócio passa a ter uma base sobre a qual ele pode obter sucesso. A importância do preço do produto ou serviço como critério para sua escolha por parte de usuários e consumidores é destacada também por Frare (2001), que enfatiza que, embora deva ser considerado, o desejo por uma marca de produto ou serviço muitas vezes, no Brasil, não é o critério fundamental para a constituição da demanda e sim o seu preço, tornando o custo uma questão de interesse em estudos na organização de demandas no país. Conhecimento sobre investimentos necessários e disponíveis para os empreendimentos: Com relação ao conhecimento sobre investimentos necessários para a manutenção do grupo, apenas o representante do grupo Artesanato indicou desconhecer a dimensão destes recursos. O entrevistado do grupo Costura indicou que o grupo tem conhecimento sobre os recursos necessários para ampliar o empreendimento. Todos os representantes indicaram a existência de uma base estabelecida de conhecimento sobre os produtos e serviços que fazem ou prestam, porém o grupo Finanças foi o que apresentou mais indicações sobre a existência de recursos financeiros disponíveis e necessários para a manutenção e ampliação do grupo. Essa diferença entre os grupos pode ser explicada talvez pelo fato do grupo Finanças atuar no ramo financeiro, o que o habilita para produzir este tipo de informação e para lidar com ela como elemento para sua própria organização. O desconhecimento, pelos grupos, sobre recursos disponíveis e necessários para sua manutenção e ampliação, dificulta a elaboração de um 42 planejamento estratégico de médio e longo prazo, incluindo a proposição e implementação de ações no âmbito da organização da demanda ou consumidores. Distribuição de Produtos e/ou Serviços: As informações obtidas em relação à distribuição dos produtos ou serviços, dizem respeito apenas aos grupos Costura e Artesanato, já que houve problemas na coleta de dados do grupo Finanças. Dessa maneira, os representantes dos grupos Costura e Artesanato indicaram a existência de conhecimentos esparsos sobre os aspectos relacionados á distribuição de seus produtos e/ou serviços. Além de escasso, este conhecimento é decorrente mais de conclusões baseadas em experiências do cotidiano do que de coleta e organização sistemáticas de informações, não existindo registros específicos para a caracterização da distribuição e até mesmo para controle de tal distribuição. São feitas menções apenas a registros feitos em pedaços de papel avulsos, e as informações apresentadas parecem extraídas apenas da memória das cooperadas. Caracterização de Concorrentes: As informações obtidas sobre concorrência indicaram desconhecimento tanto do informante do grupo Artesanato quanto do grupo Costuma sobre a existência de concorrentes em seus âmbitos de ações e, por decorrência, de suas eventuais características. Somente o entrevistado do grupo Finanças apontou conhecimento sobre a existência de concorrentes, mas de somente um aspecto relacionado aos concorrentes, que é a área de atuação. Outros aspectos em relação à concorrência são indicados como desconhecidos pelo entrevistado deste grupo. No caso do grupo Artesanato, o produto é exclusivo e praticamente não suscetível à cópia devido à complexidade e originalidade da manufatura do produto, sendo compreensível a inexistência de concorrência 43 neste tipo de situação. Já no caso do grupo Costura, as indicações de grande distância da sede do empreendimento em relação ao centro da cidade, local em que se concentram pontos de concorrência, e a inexistência de qualquer tipo de oficina de costura no bairro em que se situam, sugerem que o empreendimento, na verdade, não tem concorrentes (embora o informante tenha indicado no questionário o não conhecimento sobre a existência de concorrentes). O conhecimento limitado de aspectos dos concorrentes do grupo Finanças pode ser explicado, talvez, pela prática do grupo de estar constantemente em busca de novos clientes e em busca de atender às necessidades dos clientes, o que acaba deixando a avaliação da concorrência em segundo plano, devido, talvez, à falta de tempo dos cooperados em pesquisar demais aspectos relacionados aos concorrentes. Para Frare (2001), conhecer os concorrentes é um dos aspectos fundamentais para a verificação da viabilidade do empreendimento e a falta de conhecimentos sólidos do grupo Finanças a respeito de seus concorrentes coloca em risco a viabilidade de seu empreendimento devido, principalmente, ao risco de prejudicar uma organização de demanda que seja suficiente para suprir as necessidades básicas dos cooperados e do empreendimento como um todo e para enfrentar a concorrência. Caracterização do consumidor: No caso da caracterização do consumidor, os três entrevistados indicaram a existência de consumidores e as razões de consumo do produto ou serviço que oferecem, bem como afirmam dispor de avaliações, por parte de seus empreendimentos, sobre seus consumidores, em termos de tipos e atividades econômicas destes consumidores. Com relação ao item conhecimento das razões de consumo, os três grupos justificam este consumo exaltando a qualidade de seus produtos ou serviços. No entanto, tais considerações parecem baseadas fundamentalmente em opiniões e manifestações de grau de satisfação sobre produtos e serviços obtidas de 44 forma não sistemática e não controlada, podendo não garantir o que Frare (2001, pg. 7) propõe como elemento essencial para o sucesso de empreendimentos, em termos de compreensão do “mercado em que o empreendimento está inserido, isto é, quais suas necessidades, qual seu poder de compra, etc”. Dispor apenas de relatos, obtidos de forma circunstancial e eventualmente influenciados por acontecimentos fortuitos ou pouco representativos da efetiva qualidade dos produtos ou serviços como parâmetro para tomar decisões e implementar ações no âmbito do empreendimento, pode levar a resultados poucos favoráveis para os objetivos destes empreendimentos. A disponibilidade de avaliações também é baseada em aspectos remetidos à experiências do cotidiano e não sistemáticos, não existindo nos três empreendimentos nenhum tipo de medida para essa avaliação dos consumidores. Uma hipótese para a condição de inexistência de avaliações dos consumidores é o fato dos três empreendimentos estarem mais preocupados na busca de novos clientes do que na caracterização dos clientes que já possuem ou que já consumiram produtos e serviços de seus empreendimentos. Porém, conforme Frare (2001), além da captação de novos clientes, a manutenção e a fidelização dos mesmos é peça fundamental para os empreendimentos obterem o sucesso que almejam. Caracterização de parcerias: Com relação à existência de parcerias, os relatos indicaram a inexistência de parceria no grupo Finanças, enquanto que os relatos dos representantes dos grupos Costura e Artesanato apontaram a existência de parceria. Essa diferença entre os grupos pode estar em suas especificidades de atuação no mercado, sendo que o grupo Finanças depende fundamentalmente de suas capacidades técnicas (pois fornece serviços) e apresenta, conforme relatos, uma boa capacidade técnica. Já os grupos Costura e Artesanato, além da capacidade técnica, que ainda precisam aprimorar, dependem de materiais e ferramentas para trabalharem, ampliando suas necessidades de parceria. 45 Supondo, contudo, que todos os grupos tenham sido formados com a perspectiva de geração de renda para aqueles indivíduos excluídos da economia vigente, ou insatisfeitos com a constante geração de desigualdade provocada pelo capitalismo por meio da colaboração, a parceria parece ser, mais do que uma questão de escolha ou um meio de conseguir renda para os diretamente envolvidos com cada grupo, um princípio a ser garantido pelas ações dos grupos para uma adequada inserção na comunidade e atendimento aos princípios cooperativistas. A inexistência de parceria por parte do grupo Finanças, indicada pelo informante, pode estar relacionada ao fato de que o grupo Finanças, diferentemente dos dois outros grupos, parece não ter necessitado de parceiros para constituir-se como empreendimento. No entanto, a inexistência de parcerias por parte do grupo Finanças pode indicar a necessidade de avaliar em que medida ele está efetivamente estruturado como empreendimento solidário inserido na proposta cooperativista, que indica como fundamental para o fortalecimento do movimento solidário e para a própria diferenciação desses empreendimentos, a articulação entre empreendimentos solidários. Controle/garantia da qualidade do produto e/ou serviço: Para todos os entrevistados, os respectivos empreendimentos dispõem de avaliação da qualidade do produto ou serviço, há adequação do produto ou serviço ao mercado e os empreendimentos dispõem de conhecimento sobre a utilidade do produto ou serviço ao consumidor ou usuário. Porém, essas avaliações são decorrentes de conclusões a partir de contatos cotidianos dos grupos com seus usuários, sendo que apenas o informante do grupo Artesanato indicou a existência de critérios mais precisos sobre a qualidade e adequação de seus produtos, como por exemplo o cuidado na transmissão ao cliente do peso do produto, manutenção, outras características e história do produto. Esses critérios mais precisos são indicados como existentes, de acordo com o informante do grupo Artesanato, pelo fato de que o produto oferecido pelo grupo é exclusivo e elaborado de maneira artesanal, com crescente 46 especialização nas técnicas de manufatura do produto e rigor no controle de qualidade destes produtos. Os cooperados são acompanhados de perto por seus parceiros, que os ajudam a controlar a qualidade de seus produtos, mas ainda assim essas avaliações parecem ser não sistemáticas, mais presentes como disposição e preocupação do que com uma prática estruturada. A ênfase dada aos aspectos relacionados ao controle e garantia da qualidade de seus produtos e/ou serviços pelos empreendimentos, de acordo com os informantes, está na atenção especial que os cooperados têm em relação ao atendimento das necessidades dos consumidores, sendo esse aspecto bastante discutido pelos grupos e foco central do atendimento dos três empreendimentos. Esse aspecto, embora possa representar uma vantagem no sentido de garantir uma atenção nas necessidades dos usuários ou consumidores, pode também indicar que os empreendimentos permanecem naquela condição apontada por Cano (1998), em que os empreendimentos estão sob a ditadura do consumidor, o que dificulta o progresso do empreendimento. Assistência, manutenção, acompanhamento de usuários ou consumidores: Todos os grupos relataram a existência de conhecimento sobre assistência, manutenção e acompanhamento de usuários ou consumidores, porém esse conhecimento parece derivar das experiências do cotidiano, deixando os conhecimentos existentes de Marketing, Economia e outras áreas intimamente relacionadas com a organização de demanda e consumo, em segundo plano ou aos cuidados de seus parceiros, no caso do grupo Costura e Artesanato. Dessa maneira, as ações nesse âmbito limitam-se ao atendimento via contato direto com o consumidor, que atualmente não é a única maneira de se dar assistência ou de se acompanhar os usuários ou consumidores. Os representantes dos grupos Finanças e Artesanato indicaram a existência de uma sistemática de assistência, manutenção e acompanhamento de usuários ou consumidores que se dá, além do contato direto, através de panfletos, reuniões, etc. Uma hipótese para explicar essa diferença entre os 47 grupos Finanças e Artesanato e o grupo Costura, reside no fato dos dois grupos estarem mais organizados em relação ao produto ou serviço que prestam, pois o grupo Costura ainda trabalha com a prestação de serviços (facção), tendo pouco mercado e condições para sustentar sua própria produção, o que talvez permitisse uma melhor condição desse grupo em relação à assistência, manutenção e acompanhamento de seus consumidores. Caracterização de fornecedores: Embora o informante do grupo Costura tenha indicado inexistência de fornecedores, este informante fez menção ao uso e adequação da matériaprima, que deve ser conseguida com fornecedores, ainda que o grupo não os identifique como tais. Eventualmente, este não reconhecimento se deva ao fato de não contarem com fornecedores regulares e fixos. Esse problema de identificação de fornecedores sugere dificuldades na organização interna do grupo, com relação ao conhecimento de suas próprias estruturas, o que pode prejudicar o empreendimento e sua capacidade de permanecer no mercado. Adequação da matéria-prima: Todos os grupos indicaram adequação da matéria-prima utilizada ao produto ou serviço prestados, sendo que o grupo Finanças apontou os próprios cooperados como matéria-prima do empreendimento. Uma hipótese que explica a condição de indicação de adequação da matéria-prima, reside no fato dos empreendimentos estarem preocupados com o atendimento e satisfação das necessidades dos clientes e, por isso, buscarem sempre o que eles consideram melhor para o cliente, incluindo a matéria-prima (e no caso do grupo finanças, que indicou os cooperados como matéria-prima, a constante “reciclagem” que os cooperados fazem na área de finanças). Não foram obtidas, porém, informações sobre tipo de medida ou controle para verificação dessa adequação da matéria-prima, tendo sido indicado, no grupo artesanato, 48 que um dos fatores considerados fundamentais na compra de matéria-prima é o baixo preço do material, o que nem sempre indica alta qualidade da matériaprima. Garantia de direitos aos cooperados: Os grupos Artesanato e Costura indicaram precarização em relação ao atendimento às necessidades de seus cooperados, devido principalmente à problemas de remuneração dos empreendimentos, que ainda não são suficientes para atender todas as necessidades dos cooperados. Isso já não foi notado em relação ao grupo Finanças, que manifesta preocupação e sugere a existência de providências concretas para suprir as necessidades internas, de modo a garantir uma remuneração satisfatória aos cooperados e os direitos previstos na lei. Outro fator que poderia explicar a diferença entre os grupos reside no fato de que a manutenção dos grupos Costura e Artesanato envolve aspectos que não são necessários no grupo Finanças, tais como manutenção de máquinas e equipamentos e compra de matéria-prima. Essa condição de precarização de participantes de empreendimentos solidários merece atenção específica, não apenas considerando a proposta cooperativista, que busca retirar os indivíduos da situação de exploração, mas o próprio conhecimento acumulado na área de Marketing, pois como Salles (2001) diz, o conhecimento em Marketing é mais do que um instrumento que lida com relações do negócio com o mercado, é um meio de contato entre o empreendimento e a sociedade em geral, sendo assim um aspecto decisivo no desenvolvimento do negócio. O não atendimento desses direitos indica um problema desses empreendimentos em relação ao contato entre eles e a sociedade, afetando assim a organização de demanda e consumo na medida que o empreendimento pode ser visto pelos consumidores de uma maneira negativa, influenciando diretamente a venda de seus produtos e/ou serviços. Preservação do meio ambiente: 49 Em relação ao meio ambiente, tanto o entrevistado do grupo Finanças quanto o do grupo Costura relataram a despreocupação de seus grupos em relação ao meio ambiente, pois acreditam que tal preocupação não se faz necessária em seus empreendimentos. Já o grupo Artesanato relatou preocupação com a preservação do meio ambiente, sendo essa diferença entre os grupo Finanças e Costura de um lado e Artesanato de outro, explicada através da hipótese de que o grupo Artesanato esteja mais preparado em relação aos valores e ideais da economia solidária, onde o meio ambiente é considerado fator importante na atuação de qualquer empreendimento desse âmbito. Essa condição de preparar e apresentar ao consumidor ou usuário os valores da economia solidária é uma das condições importantes para a manutenção do empreendimento solidário no mercado pois, conforme Frare (2001), produtos e serviços advindos de empreendimentos solidários possuem características distintas dos demais e precisam ser muito bem discutidos pelos cooperados, pois precisam possuir qualidade ótima e, na medida do possível, transmitir valores agregados a uma economia mais justa, igualitária. Isso acaba refletindo diretamente na organização de demanda e consumo desses empreendimentos, pois apresentam um diferencial importante e que pode ser explorado pelos empreendimentos a seu favor na busca de um mercado fiel aos seus produtos e/ou serviços. Capacidade de fornecimento de produtos e/ou serviços: O grupo Finanças não respondeu às perguntas relacionadas à capacidade de fornecimento de seus produtos ou serviços; já o representante do grupo Artesanato indicou o desconhecimento por parte do grupo da capacidade de fornecimento de seus produtos, enquanto que o relato do grupo Costura indicou a presença de conhecimento dessa capacidade de fornecimento de seus produtos e serviços. Condições existentes e potencial de consumo: 50 O relato do grupo Costura indicou que há conhecimento sobre a quantidade de produtos e serviços consumidos, mas esse conhecimento não é sistemático, dependendo de notas fiscais e da “memória” do cooperados. Já o relato do grupo Artesanato indicou que eles não possuem conhecimento sobre a quantidade de produtos feitos, apresentando apenas estimativas de produção. Essa condição de conhecimento sobre a quantidade de produtos e serviços consumidos, sugere uma capacidade do grupo Costura em identificar seus problemas em relação à quantidade dos produtos feitos, atuando melhor, em relação a esse item, na organização de demanda e consumo. Um adequado conhecimento da quantidade de produtos e serviços consumidos é fator importante para o planejamento do processo de produção, pois é este conhecimento que permite aos cooperados diminuir, manter ou aumentar a produção mensal ou a distribuição geográfica de seus produtos e/ou serviços. Ao não planejar o processo de produção, o empreendimento corre o risco, conforme Frare (2001), de perder o cliente, devido ao não atendimento da demanda e de perder novas oportunidades de se fazer bons negócios. Distribuição geográfica do produto ou serviço: O entrevistado do grupo Costura foi o único que indicou a não existência de uma avaliação da distribuição geográfica do produto ou serviço prestado. Porém, o informante indicou possuir tal conhecimento quando apontou a necessidade de ir ao centro da Cidade buscar encomendas ou de necessitar de feiras e exposições de produtos e/ou serviços advindos de economia solidária para expor o trabalho do grupo. Com relação ao conhecimento da distribuição dos produtos ou serviços no tempo, o grupo Costura apresenta conhecimento de tal diferença na distribuição durante o tempo (sabe que existe uma maior demanda por seus produtos e serviços no inverno e no final do ano), e por isso confirmou a existência de tal diferença. Já o relato do grupo Artesanato indica 51 desconhecimento de tal diferença na distribuição de seus produtos no decorrer do ano, indicando a inexistência de tal diferença na distribuição de seus produtos. As explicações dos grupos para a distribuição de seus produtos e/ou serviços evidenciam que os grupos estão atentos apenas a condições que mais afetam a constituição de suas demandas e consumo, ou seja, aquelas condições facilmente notadas, não sendo explorada nenhum outro tipo de condição que poderia estar afetando negativamente ou positivamente a constituição de suas demandas. Adequação dos produtos e/ou serviços às necessidades do mercado: Todos os relatos indicam que há adequação dos produtos ou serviços às necessidades do mercado; no entanto, essa adequação não se fundamenta em relatos de dados empiricamente comprovados ou sistematicamente conseguidos, como por exemplo, via pesquisa de mercado sistematizada. Existe uma pesquisa de “mercado” informal, baseada em contatos diretos com vendedores ou através de feedback dos consumidores ou usuários aos cooperados. Uma hipótese que pode explicar essa busca pela adequação do produto e/ou serviço às necessidades do mercado, reside no fato dos empreendimentos estarem preocupados em serem competitivos. Por outro lado, o fato deles não empregarem métodos sistemáticos ou empiricamente verificáveis pode ser atribuído ao pouco tempo de atuação dos empreendimentos no mercado, o que dificulta uma pesquisa tão refinada e exigente, como é a pesquisa com métodos sistemáticos. E pelo fato de existir a prática, nesses empreendimentos, de focalizar todos ou quase todos os esforços de seus cooperados na busca de novos clientes/consumidores. Preparo de consumidores em potencial: No item existência de preparo de consumidores em potencial, todos os relatos indicaram a inexistência de tal preparo por parte dos empreendimentos, o que indica, talvez, uma necessidade dos três empreendimentos em satisfazer suas necessidades momentâneas, devido à precariedade de condições nas quais os empreendimentos estão inseridos. Essa é uma condição que dificulta 52 e muito a fidelização de um mercado consumidor e mantém os empreendimentos sempre sob a ditadura do consumidor, como afirma Cano (1998). Além disso, o preparo de novos consumidores para o consumo ético e justo é fator importante na Economia Solidária, pois os empreendimentos solidários são agentes ativos na transformação da economia e dos valores da sociedade capitalista. Esse despreparo dos consumidores, apontado pelos empreendimentos, indica que os mesmos estão com seu papel de agentes de modificação da sociedade estagnado e/ou limitado, além de estarem perdendo significativa chance de incrementar sua organização de demanda e consumidores, através da formação de mercados fiéis aos seus produtos e/ou serviços. Problemas metodológicos: A coleta de dados do grupo Finanças foi prejudicada, já que enquanto os outros dois grupos tiveram o questionário utilizado como roteiro de entrevista, o grupo Finanças respondeu ao questionário sem auxílio do pesquisador, o que pode ter prejudicado o “desempenho” do grupo em relação aos outros dois. Além disso, durante a fase de coleta de dados foram identificados problemas no questionário, com relação à adequação do questionário às variáveis a serem estudadas. Dessa maneira, o questionário sofreu uma alteração em seu conteúdo e o grupo Finanças não respondeu a essas novas perguntas do questionário, o que também prejudicou a coleta de dados sobre este grupo. Conclusão: De um modo geral os representantes de cada empreendimento indicaram, em relação a praticamente todos os aspectos relacionados à organização de demanda e consumo, a existência de conhecimentos que são fundamentais para o funcionamento e manutenção de seus empreendimentos e respectivamente da demanda e do consumo dos mesmos. O problema maior é que esse conhecimento é baseado em aspectos subjetivos e não 53 sistemáticos, sendo que alguns não são encarados nem mesmo como relevantes pelos empreendimentos. Essa condição vivida por esses grupos parece comum a muitos empreendimentos solidários, os quais precisam administrar a necessidade de satisfação imediata de suas demandas como grupo e empreendimento, em geral urgentes e referentes à própria sobrevivência dos indivíduos envolvidos e do próprio empreendimento. Assim, é possível encontrar evidências tanto do reconhecimento da necessidade de produção de conhecimento sobre suas ações do presente e do passado para a transformação do futuro do empreendimento, quanto das dificuldades para implementar as medidas relacionadas à organização da demanda por produtos e serviços desejáveis para o fortalecimento do empreendimento no mercado. É preciso verificar ainda, se as teorias elaborados pelo Marketing e Economia podem ser aplicadas nos empreendimentos solidários da mesma maneira que foram criadas para atender às demandas dos empreendimentos capitalistas, pois apesar dos três empreendimentos estudados não apresentarem nenhum tipo de sistematização de dados sobre os mais diversos aspectos relacionados à organização de demanda e consumidores, esses empreendimentos possuem conhecimentos sobre diversos desses aspectos e até mesmo esboçam intervenções que visam o entendimento do mercado em que atuam de modo a facilitarem a busca e manutenção de demandas e consumidores. Parece relevante, em estudos futuros, que seja ampliada a exploração das experiências de empreendimentos solidários em relação aos aspectos evidenciados como relevantes em termos de organização de demanda e consumo, e verificar o quanto os modelos de Marketing e Economia se prestam para esses empreendimentos ao invés de buscar adequar os empreendimentos solidários estudados em um modelo de organização de demanda e consumidores. Além disso, apesar da extensão do questionário elaborado, o mesmo se mostrou um tanto ineficaz como instrumento de coleta, pois não conseguiu extrair dos participantes todas as informações necessárias, sendo melhor aproveitado como roteiro de entrevista. Para tanto, é preciso uma análise mais apurada das variáveis consideradas como relevantes para a 54 organização de demanda e consumidores em busca de indicadores apropriados para a caracterização de grupos com diferentes características. Um acompanhamento das atividades dos grupos, com exame de documentos produzidos acerca das variáveis de interesse, pode oferecer elementos adicionais para caracterizar as estratégias utilizadas e dificuldades encontradas por empreendimentos solidários para lidar com seu consumidor 55 REFERÊNCIAS Cano, W. (1998). Introdução à Economia: uma abordagem crítica. São Paulo: Editora Unesp. Frare, A. P., Nader, G. L., Sabbato, T. D., Nicolau, O. S., OLIVEIRA. J. P., Barros, M. T. P., & Pinho, M. S. M. (2001). Princípios Básicos para a Comercialização de Produtos e Serviços de Cooperativas e Associações. Rio de Janeiro: DP&A: Fase. Kotler, P. (2000). Administração de Marketing. (10ª Edição). São Paulo: Editora Prentice Hall. Mance, E. A. (1999). A Revolução das Redes: a colaboração solidária como uma alternativa pós-capitalista à globalização atual. (2ªedição). Rio de Janeiro: Editora Vozes. Salles, R. H. (2001). Plano de Negócios para Cooperativas e Associações. Rio de Janeiro: DP&A: Fase. Weiss, H. (1969). Enciclopédia Delta de História Geral. Nova Iorque: Editora Delta S/A. 56 APÊNDICE 1 INSTRUMENTO PARA CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO PRODUTOR/PRESTADOR DE SERVIÇOCONSUMIDORES/USUÁRIOS/USUÁRIO EM EMPREENDIMENTOS SOLIDÁRIOS Observação: os itens indicados em itálico e negrito correspondem a acréscimos ou adequações de texto realizadas na versão inicial do questionário, e foram utilizados para complementar informações junto aos grupos Costura e Artesanato por meio de entrevistas. 57 INSTRUMENTO PARA CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO PRODUTOR/PRESTADOR DE SERVIÇO-CONSUMIDORES/USUÁRIOS/USUÁRIO EM EMPREENDIMENTOS SOLIDÁRIOS Apresentação: O presente instrumento tem por propósito coletar e possibilitar a sistematização de dados sobre empreendimentos solidários com relação à organização da demanda pelos produtos ou serviços oferecidos por estes empreendimentos, ou seja, a relação destes empreendimentos com consumidores dos produtos ou usuários dos serviços. O sigilo será garantido ao respondente, sendo os dados coletados usados e apresentados somente para fins científicos e acadêmicos. Instrução: Solicitamos que o formulário seja preenchido e encaminhado, de acordo com a modalidade escolhida de envio, o mais rapidamente possível, e dentro do prazo máximo de um mês. Não sendo possível atender a este prazo, solicitamos que entrem em contato conosco para combinar o retorno, já que as informações serão importantes mesmo que não possam ser utilizadas no presente estudo. Nos casos em que seja utilizada a versão impressa do formulário, solicitamos o uso de caneta e o encaminhamento pelo correio – por meio de envelope endereçado encaminhado conjuntamente com o formulário. Em caso de versão eletrônica, o preenchimento pode ser feito diretamente no arquivo, e este encaminhado via email para: [email protected] e para [email protected] indicando, no campo “assunto”: consumo solidário. Identificação: Nome do empreendimento: ............................................................................................................ Tipo de empreendimento: ( ) cooperativa de produção ( ) cooperativa de serviço ( ) associação ( ) cooperativa de crédito ( ) outro:........................................................................................... Ramo de atuação (tipo de produto ou serviço prestado): .............................................................. Endereço:....................................................................................Cidade: ....................................... Estado:.......Bairro:...........................................................Tel: ......................................................... e-mail:.............................................................................................................................................. Data de criação do empreendimento:.......................Data de início do funcionamento: ................. Nome do informante: ...................................................................................................................... Cargo, função ou papel do informante no empreendimento: ......................................................... Acompanhamento, Empreendimento: Manutenção, Assistência aos Usuários do 1 – Existe, no empreendimento, algum tipo de registro para controle dos consumidores ou usuários dos serviços ou produtos que vocês oferecem ? ( ) não ( ) sim 2 – Se existe, qual é (ou quais são)? ......................................................................................................................................................... 3 – Que informações são registradas? (se puder, anexe uma cópia dos modelos. Neste caso, não é preciso responder à pergunta, apenas indicar o anexo) Documento anexo: ( ) sim. Nome: ______________________________________________ ( ) não ......................................................................................................................................................... 58 4 – Os consumidores ou usuários têm acesso a informações sobre o produto ou serviço? (por exemplo, suas características, especificidades, forma de preparo etc.) ( ) não ( ) sim Se não, pule para a questão 7! 5 – Se sim, a quais informações os consumidores ou usuários têm acesso? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 6 – Como é este acesso? ( ) serviço de atendimento ao consumidores/usuários (SAC) ( ) Informações na embalagem ( ) outros: ........................................................................................................................ 7 – A característica de empreendimento de economia solidária é apresentada aos consumidores ou usuários de alguma forma? ( ) não ( ) sim Se não, pule para a questão 13! 8 – De qual(quais) forma(s)? (pode citar mais de um item) ( ( ( ( ) panfletagem ) mala direta ) contato direto ) outros: ................................................................................................................................... 9 – São apresentados aos consumidores ou usuários princípios (valores) da Economia Solidária, de modo a facilitar o conhecimento do próprio empreendimento pelos consumidores? ( ) sim ( ) não Se não, pule para a questão 12! 10 – Se sim, o que é transmitido para os consumidores? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 11 – De que(ais) maneira(s) se dá a apresentação destas informações sobre valores ou princípios da economia solidária? ( ) via produto/serviço. Como: ....................................................................................................... ( ) via atendimento. Como: ............................................................................................................ ( ) via parceiro (caso tenha). Como: .............................................................................................. ( ) outros: ....................................................................................................................................... 12 – Se não, qual(ais) o(s) motivo(s)? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... Forma de Contato com os Consumidores dos Produtos ou Usuários dos Serviços que o Empreendimento Oferece: 13 – Vocês realizam atividades de contato e organização (motivação e preparo) de possíveis consumidores para seus produtos ou serviços? ( ) não ( ) sim Se não realizam, pule para a questão 15! 59 14 – Se realizam, indique na tabela a seguir, nas colunas correspondentes e conforme o exemplo, que atividades são realizadas, a freqüência em que são realizadas, quem as realiza, como são feitas e, caso existam, os materiais utilizados. Se for possível, anexe materiais que já foram ou são utilizados para esta finalidade. Atividade Freqüência de Quem realiza realização Ex: cadastro Ex: a cada Ex: secretária de clientes operação; pelo menos mensalmente Como é feito Materiais utilizados Ex: preenchimento com Ex: ficha de cadastro dados do cliente efetivo ou potencial 15 – Existe, no empreendimento, recursos e condições para investimentos na organização (contato, motivação e preparo) do consumidor para uso do produto que vocês oferecem? ( ) sim ( ) não Se não há, pule para a questão 17! 16 – Se há, que tipos de recursos existem? (podem ser apontadas diversas alternativas). ( ) humanos. Quais: ...................................................................................................................... ( ) financeiros. Estimativa: ............................................................................................................ ( ) materiais. Quais: ...................................................................................................................... ( ) institucionais. De que tipo: ....................................................................................................... ( ) outros: ...................................................................................................................................... Pule para a questão 18! 60 17 – Se não existem recursos e condições para a organização (contato, motivação, preparo) dos consumidores, por que isto ocorre? .......................................................................................................................................................................... .......................................................................................................................................................................... 18 – Há condições ou recursos que vocês consideram que seriam desejáveis para a organização (contato, preparo) de seus consumidores? ( ) sim ( ) não Se não, pule para a questão 20! 19 – Se sim, cite quais condições e recursos seriam necessários: ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 20 – Há metas, objetivos ou decisões do grupo a respeito da organização de demanda e de consumidores ou usuários? ( ) não ( ) sim Se não, pule para a questão 24! 21 – Se há, quais são? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 22 – O que existe de metas, objetivos ou decisões já estabelecidas pelo grupo a respeito da organização de demanda e de consumidores ou usuários é considerada suficiente para o sucesso e bom funcionamento do empreendimento? ( ) não ( ) sim 23 – Por que? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... Avaliação de Concorrentes: 24 – O empreendimento possui concorrentes no seu âmbito de ação? ( ) não ( ) sim Se não possui, pule para a questão 27! 25 – Se possui, o empreendimento tem informações a respeito dos concorrentes? ( ) não ( ) sim Se não, pule para a questão 30! 26 – Caso exista essas informações, quais são elas? (indique tantas alternativas quantas desejar) ( ) Quantidade de concorrentes. Estimativa:................................................................................. ( ) grau de satisfação dos consumidores/usuários com os concorrentes ( ) regiões em que os concorrentes mais atuam ( ) especificidades do produto ou serviço oferecido por concorrentes ( ) quantidade de consumidores que adquirem produtos ou serviços dos concorrentes. Estimativa:...................................................................................................................................... ( ) outros: ....................................................................................................................................... Pule para a questão 30! 61 27 – Se não há concorrentes, já houve alguma vez? ( ) não ( ) sim 28 – Há razões conhecidas para a não existência de concorrentes? ( ) não ( ) sim Se não, pule para a questão 30! 29 – Se há, qual(is) é(são): ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... Definição de Preços dos Produtos ou Serviços Oferecidos pelo Empreendimento: 30 – O preço aplicado ao produto ou serviço, é compreendido pelo grupo responsável pelo empreendimento como adequado? ( ) sim ( ) não 31 – Por que? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 32 – O empreendimento tem alguma forma de medir a quantidade de produtos ou serviços consumidos ou prestados? ( ) sim ( ) não Se não, pule para a questão 37! 33 – Qual é a forma de medida utilizada ? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 34 – Qual é o volume médio de produtos ou serviços realizados pelo empreendimento por mês ou por ano? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 35 – Essa produção é satisfatória? ( ) sim ( ) não Se não, pule para a questão 37! 36 – Por que? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 37 – Vocês sabem dizer a quantidade, em investimentos, que é necessária para a manutenção do empreendimento? ( ) sim ( ) não Se não, pule para a questão 39! 38 – Se sim, qual é este valor? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 39 – É discutida a questão de investimentos necessários para a ampliação do empreendimento? ( ) sim ( ) não 62 Se não, pule para a questão 37! 40 - Vocês sabem dizer a quantidade, em investimentos, que é necessária para a ampliação do empreendimento? ( ) sim ( ) não Se não, pule para a questão 42! 41 – Se sim, de quanto é este investimento? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 42 – Vocês acreditam ser importante conhecer a quantidade desses investimentos? ( ) sim ( ) não 43 – Por que? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 44 – Vocês contam com informações sobre a economia nacional, para administrar o empreendimento? ( ) sim ( ) não Se não, pule para a questão 46! 45 – Se sim, como chegam a estas informações? ( ( ( ( ( ( ) televisão. Emissora: ................................................................................................................. ) jornais. Quais: .......................................................................................................................... ) revistas. Quais: ........................................................................................................................ ) internet. Quais fontes:............................................................................................................... ) assessores, consultores. Quais: .............................................................................................. ) outros: ...................................................................................................................................... 46 – Que(ais) tipo(s) de informação(ões) é(são) buscada(s) por vocês para ajudar na administração do empreendimento? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 47 – Qual é a base de cálculo do preço de seus produtos ou serviços? (podem ser indicadas mais do que uma alternativa) ( ( ( ( ( ) outras empresas do ramo ) pesquisa em revistas e jornais ) consulta profissionais ) utiliza fórmula. Qual: ................................................................................................................. ) outros: ....................................................................................................................................... 48 – Qual é o custo do produto ou da prestação de serviço no caso do empreendimento? ......................................................................................................................................................... 49 – Há variação na procura dos produtos ou serviços oferecidos por vocês no decorrer do tempo, em diferentes momentos do ano? ( ) não ( ) sim Se não, pule para a questão 52! 63 50 – Qual é essa variação? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 51 – Por que isso ocorre? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 52 – Há variação na oferta do produto ou serviço no decorrer do tempo, em diferentes momentos do ano? ( ) não ( ) sim Se não, pule para a questão 55! 53 – Qual é essa variação? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 54 – Por que isso ocorre? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 55 – Há algum(ns) tipo(s) de facilitador(es) para a comercialização ou oferta de serviços do empreendimento? ( ) não ( ) sim Se não, pule para a questão 57! 56 – Se há, qual(ais) tipo(s) ? Indique quantas alternativas desejar. ( ( ( ( ) incentivos estatais: .................................................................................................................... ) incentivos de ONGs: ................................................................................................................. ) outros empreendimentos solidários: ......................................................................................... ) outros: ....................................................................................................................................... Distribuição de Produtos ou Serviços do Empreendimento: 57 – A distribuição dos produtos ou da prestação de serviços do empreendimento é feita de que maneira? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 58 – O que é levado em consideração para fazer esta distribuição ? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 64 59 – Descreva, avalie segundo a escala 1 a 4 e justifique a avaliação da situação do empreendimento com relação aos itens a seguir: CARACTERÍSTICA DA DISTRIBUIÇÃO DOS PRODUTOS DESCRIÇÃO AVALIAÇAO (*) 1 2 3 4 JUSTIFICATIVA DO VALOR ATRIBUÍDO QUANTIDADE VELOCIDADE CUSTO EQUILÍBRIO ABRANGÊNCIA (*) 4 é o valor mais alto (positivo) e 1, o mais baixo (negativo). Consumidor Regular, Esporádico e do Não-consumidor com Relação ao Produto ou Serviço do Empreendimento: 60 – Quais são os consumidores/usuários dos produtos ou serviços do empreendimento ? (pode citar mais de um item caso necessário) ( ) outros empreendimentos: ......................................................................................................... ( ) indivíduos: ................................................................................................................................. ( ) ONGs:........................................................................................................................................ ( ) órgãos públicos: ........................................................................................................................ ( ) instituições religiosas: ............................................................................................................... ( ) outros: ....................................................................................................................................... 61 – Há um tipo de consumidor(es) ou usuário(s) em especial, que seja predominante(s) ou particularmente importante(s) para o empreendimento? ( ) não ( ) sim Se não há, pule para a questão 65! 62 – Se há, qual é(são)? ........................................................................................................................................................ 63 – Por que é importante? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 64 – De qual região provém o(s) maior(es) consumidore(s) ou usuário(s)? ......................................................................................................................................................... 65 – Há algum tipo de medida que o empreendimento usa para saber o grau de satisfação dos clientes, com relação ao produto ou serviço adquirido ? ( ) não ( ) sim Se não, pule para a questão 67! 66 – Se há, qual tipo? (se for utilizado algum impresso, anexar ao questionário) ( ) serviço de atendimento ao consumidor ( ) pesquisa com consumidores ( ) outra: ....................................................................................................................................... 65 67 – Há algum tipo de medida que o empreendimento usa para descobrir a razão pela qual o produto ou serviço é consumido ? ( ) não ( ) sim Se não há, pule para a questão 69! 68 – Se há, qual tipo? (se for utilizado algum impresso, anexar ao questionário) ( ) pesquisa com consumidores ( ) pesquisa com comerciantes ( ) Outra: ...................................................................................................................................... 69 – Indique, cite, dentre as alternativas abaixo, aquelas que são identificadas, pelo empreendimento, como favorecedores da aquisição do produto ou uso do serviço (razões para comprar ou usar) ( ( ( ( ) facilidade em conhecer o produto ou serviço ( ) preço ) propaganda ( ) falta de alternativas ) qualidade do produto ( ) benefícios: ............................. ) outra: ......................................................................................................................................... 70 – O empreendimento pode apontar alguma(s) razões que afetam ou poderiam afetar a venda de produtos ou serviços, seja para mais ou para menos? ( ) não ( ) sim Se não há, pule para a questão 72! 71 – Se há, cite exemplos: ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 72 – Há ou houve alguma providência utilizada pelo empreendimento para verificação de mercado potencial para seus produtos ou serviços? ( ) não ( ) sim Se não, pule para a questão 74! 73 – Se há, quais são essas providências? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... Parcerias: 74 – O empreendimento tem algum tipo de parceria? ( ) não ( ) sim Se não possui, pule para a questão 80! 75 – Se tem, com quem é feita essa parceria? ( ( ( ( ( ) ONGs: ..................................................................................................................................... ) órgãos públicos ) empreendimentos ) órgãos religiosos ) outros: ..................................................................................................................................... 76 – Há algum tipo de dificuldade na parceria? ( ) não ( ) sim Se não, pule para a questão 78! 66 77 – Quais são as dificuldades que essa parceria apresenta? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 78 – Essa parceria gera benefício para o empreendimento? ( ) não ( ) sim Se não, pule para a questão 81! 79 – Quais são os benefícios que essa parceria apresenta? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 80 – Se não tem parceiros, por que não possui? ( ( ( ( ) faltam oportunidades ) não é política do empreendimento ) ainda não há discussão sobre o assunto ) outros: .................................................................................................................................... 81 – É de interesse dos participantes do empreendimento ter parceiros? ( ) não ( ) sim 82 – Por que? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... Se não há interesse em parceiros, pule para a questão 84! 83 – Que parcerias seriam de interesse para o empreendimento? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... Controle e Garantia Empreendimento: da Qualidade do Produto ou Serviço do 84 – Em que medida os princípios abaixo são garantidos pelo empreendimento? Indique, para cada um deles, o valor correspondente, a justificativa do valor atribuído (porque) e o que falta ainda para atingir uma situação melhor. Caso existam outros princípios adotados pelo empreendimento, acrescente-os nas linhas inferiores da tabela. Princípios Avaliação 1 2 3 4 Justificativa O que falta Qualidade do serviço ou produto Preservação ambiental Direitos dos trabalhadores Transmissão ao consumidor da garantia e da qualidade do produto ou serviço 67 85 – O empreendimento considera o produto ou serviço que presta importante para a sociedade? ( ) sim ( ) não 86 – Por que? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 87 – O empreendimento acredita ser necessário esse conhecimento sobre a utilidade do produto ou serviço para os consumidores ou usuários? ( ) sim ( ) não 88 – Por que? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 89 – O produto ou serviço está adequado às necessidades do mercado? ( ) sim ( ) não 90 – Por qual(ais) razão(ões)? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 91 – O produto ou serviço oferecido pelo empreendimento, traz ao consumidor alguma vantagem em relação aos demais produtos ou serviços de mesma categoria? ( ) sim ( ) não Se não, pule para a questão 93! 92 – Se sim, qual(ais) é/são essa(s) vantagen(s)? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... Pule para a questão 94! 93 – Se não, por qual(ais) razão(ões) não existe vantagem? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 94 – O empreendimento possui algum controle de qualidade em relação ao produto ou serviço prestado? ( ) sim ( ) não Se não, pule para a questão 96! 95 – Se sim, qual é ou são? (pode citar mais de um) ( ( ( ( ( ) controle de qualidade do próprio produto ou serviço ) controle de qualidade de atendimento ) controle de qualidade ambiental ) controle de qualidade de vida aos cooperados ) outros: ....................................................................................................................................... Pule para a questão 98! 96 – Se não, o empreendimento acredita ser importante ter algum controle de qualidade? ( ) sim ( ) não 68 97 – Por que? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... Relação entre Empreendimento e seus Fornecedores: 98 – O empreendimento possui algum tipo de fornecedor? ( ) sim ( ) não Se não, pule para a questão 100! 99 – Se sim, de que tipo? ( pode marcar mais de um item) ( ) fornecedor de serviços ( ) fornecedor de matéria-prima ( ) fornecedor de produtos ( ) outros. Quais: .......................................................................................................................... 100 - A matéria-prima utilizada no produto ou serviço, é, na opinião dos cooperados, adequada? ( ) sim ( ) não 101 – Por qual(ais) motivo(s)? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 102 – Como o empreendimento classifica a prestação de serviço de seus fornecedores? ( ) ótima ( ) boa ( ) regular ( ) ruim ( ) péssima 103 – Por que? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 104 – O que os cooperados pensam a respeito do preço que seus fornecedores cobram? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 105 – Por que? ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... 69 APÊNDICE 2 Tabelas utilizadas para transcrição das informações oferecidas pelos informantes sobre aspectos relevantes da organização da demanda ou consumo para os três grupos considerados 70 TABELA DE ANÁLISE DE VARIÁVEIS: Avaliação (definição) de Forma de Contato com Consumidor (1) e Definição de preços (2). VARIÁVEIS Sim Não Grupo A GRUPOS Sim Não Grupo B 1.1 – condições e recursos disponíveis para a organização de demanda ou consumidor. 1.2 – condições e recursos desejáveis para a organização de demanda ou consumidor. 2.1 – custos de produção. 2.2 – investimentos necessários para manutenção e ampliação do empreendimento. 2.3 – valores praticados pelo mercado (sazonalidade e concorrência). 2.4 – condições da economia nacional (custo de vida e facilidade de crédito). 71 TABELA DE ANÁLISE DE VARIÁVEIS: Distribuição de Produtos/Serviços (3) e Avaliação de Concorrentes (4). VARIÁVEIS Sim Não Grupo A GRUPOS Sim Não Grupo B 3.1 – Velocidade de distribuição. 3.2 – Abrangência/alcance desejável e possível da distribuição. 3.3 – custo da distribuição. 3.4 – volume da distribuição. 3.5 – equilíbrio da distribuição. 4.1 – quantidade de concorrentes. 4.2 – conhecimento da área de atuação do concorrente. 4.3 – quantidade do mercado que é consumidor de produtos/serviços do(s) concorrente(s). 4.4 – satisfação e grau de fidelidade dos consumidores aos concorrentes. 72 TABELA DE ANÁLISE DE VARIÁVEIS: Caracterização do Consumidor Regular, Esporádico e do Não-consumidor com Relação ao Produto/Empreendimento (5) e Definição de Parcerias (6). VARIÁVEIS Sim Não Grupo A GRUPOS Sim Não Grupo B 5.1 – Tipos de consumidores e atividades econômicas respectivas. 5.2 –razões de consumo: facilidade de compra, benefícios do produto, conhecimento da existência, necessidade e uso do produto/serviço. 6.1 –parceiros em potencial. 6.2 – benefícios/malefícios da(s) parceria(s). 6.3 – facilidades/dificuldades em sua realização. 6.4 – formas possíveis e desejáveis de se estabelecer parcerias. 73 TABELA DE ANÁLISE DE VARIÁVEIS: Controle/garantia da Qualidade do Produto/Empreendimento (7) e Acompanhamento, Manutenção, Assistência aos Usuários (8). VARIÁVEIS Sim Não Grupo A GRUPOS Sim Não Grupo B 7.1 – embalagem/prestação de serviço com critérios que passam informação aos clientes sobre suas Qualidades. 7.2 – adequação e utilidade do produto ou empreendimento. 7.3 – autenticidade e originalidade do produto/serviço. 7.4 – apresentação adequada do produto/serviço ao cliente. 7.5 – acesso do cliente ao produtor/prestador de serviço. 8.1 – qualidade ótima do produto/serviço. 8.2 – agregação de outros valores da Economia Solidária e do cooperativismo ao produto/serviço. 74 TABELA DE ANÁLISE DE VARIÁVEIS: Relação com Fornecedores (9) e Condição existente e potencial do consumo (10). VARIÁVEIS Sim Não Grupo A GRUPOS Sim Não Grupo B 9.1 – adequação do preço proposto ao produto/serviço oferecido. 9.2 – adequação da matéria-prima utilizada. 9.3 – garantia de direitos aos cooperados. 9.4 – respeito ao meio ambiente. 9.5 – capacidade de fornecimento do produto/serviço. 9.6 – condições de pagamento condizentes com as do cliente. 10.1 – Quantidade de produtos/serviços consumidos. 10.2 – distribuição geográfica dos produtos/serviços. 10.3 – distribuição do produto/serviço no tempo (ex. sazonal). 10.4 – necessidades a que o produto/serviço busca atender. 10.5 – consumidores com potencial de consumo.(preparação de consumidores) 75 76