SEMINÁRIO TEMÁTICO VII: COMÉRCIO EXTERIOR AULA 02: OS FLUXOS COMERCIAIS BRASILEIROS TÓPICO 01: FLUXO COMERCIAL DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRA Caros alunos, bem vindos a nossa aula sobre "Os Fluxos Comerciais Brasileiros". Ela têm como objetivo discutir o que é e como se processa os fluxos comerciais do Brasil com os demais países, para compreender seu dinamismo, agilidade e interatividade. COM O PASSAR DO TEMPO Fonte [1] Robson Crusoé, conhecida personagem literária do escritor inglês Daniel Defoe, quando se viu na condição de náufrago solitário numa ilha deserta, próxima ao Brasil, preocupou-se, num primeiro momento, em garantir sua sobrevivência e, por essa razão, utilizou as mercadorias retiradas do navio naufragado e materiais coletados na natureza para prover-se de alimentos, vestuário e abrigo seguro. Com o passar do tempo, Crusoé passou a produzir –com técnicas e ferramentas rudimentares- muito mais do que necessitava para sua simples sobrevivência. Mas essa mercadoria excedente, embora fosse extremamente útil para a manutenção da sua vida em tempos difíceis, não podia ser trocada por outra que ele não possuía ou não tinha condição de produzir, por exemplo, uma enxada de ferro para cultivar a terra com maior eficiência. Robson Crusoé vivia, portanto, numa economia fechada e auto suficiente, porque necessitava produzir todos os bens que consumia e, consequentemente, esses produtos, mesmo que excedentes a sua subsistência, não detinha nenhum valor de troca, simplesmente porque não havia ninguém com quem trocá-los. O aventureiro não podia aumentar o seu nível de satisfações realizando comércio exterior com outras economias, ou ilhas, que detivessem excedente dos bens que ele não possuía, como é o caso da enxada de ferro ou outros. (SOARES,2004, p. 19-20) A vida solitária de Robson Crusoé ilustra, portanto, as questões sobre comércio exterior, ou seja, os fluxos comerciais ou mais especificamente as exportações e importações e sua importância no contexto mundial. FLUXO COMERCIAL DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRA Neste tópico o objetivo é relatar sobre as exportações brasileiras no contexto histórico e mundial mostrando a evolução dos produtos vendidos e seus destinos. O QUE SÃO OS FLUXOS COMERCIAIS BRASILEIRO? São as entradas e saídas de mercadorias do país, podemos dizer também que são as importações e exportações de mercadorias. Nós brasileiros temos hoje 3% da população mundial, e menos de 1% do fluxo comercial do mundo, ou seja, estamos aquém das nossas possibilidades ( -- (WERNECK, 2005 p. 5).) . Esses fluxos podem ser estudados por determinados períodos ou datas, pois conforme a localização temporal teremos algumas variações levando-se em conta os cenários mundiais de cada época. Os fluxos internacionais são realizados através dos diversos tipos de transporte de cargas que serão apresentados a seguir, em cinco principais modalidades: MULTIMÍDIA A movimentação de cargas entre as nações, ou seja, as importações e exportações são feitas através do transporte marítimo na sua grande maioria e uma das razões é o custo do frete. No filme que você verá a seguir poderá observar os vários terminais que serão instalados no porto do Pecém, se tornando assim num terminal portuário intermodal, com atividades portuárias complementares. Assista aqui um filme de um porto em execução: EXPANSÃO DO PORTO DE PECÉM [2] Segundo Maluf (2003) a intervenção do governo no comércio exterior, pode ser observada através de três tipos de controle: VERSÃO TEXTUAL ADMINISTRATIVO Exigências e estabelecimento do tratamento administrativo aplicável a cada um dos produtos e a determinadas situações. CAMBIAL Controle e política cambial. ADUANEIRO Estabelecimento de procedimentos e regimes aduaneiros peculiares. Por ter implementado na prática os conceitos que envolvem as vantagens de exportações, o Brasil tem conseguido um excelente desempenho exportador com aumento das exportações no PIB. A partir de níveis muito baixos em meados dos anos 80 (em torno de 6%), esta participação estava acima de 12% em 2007. O País também logrou aumentar sua participação nas exportações mundiais nos últimos anos, alcançando 1,17% em 2007, tendo partido de apenas 0,85% em 1999-2000. Embora pareça pouco, esse aumento de 0,22 ponto percentual representa, em valores atuais, um acréscimo de cerca de US$ 44 bilhões. A movimentação de cargas entre as nações, ou seja, as importações e exportações são feitas através do transporte marítimo na sua grande maioria e uma das razões é o custo do frete. A evolução recente do comércio exterior brasileiro evidencia uma sequência de bons resultados. Nossa corrente de comércio está aumentando, tanto em termos absolutos quanto em proporção do PIB. Nos últimos cinco anos, acumulamos saldos comerciais de mais de US$ 204 bilhões e os destinos de nossas vendas têm se diversificado de forma acentuada. Fonte: SECEX/MDIC. Faremos agora um breve estudo sobre a tramitação burocrática para que se concretize uma exportação. Quadro - Trâmites de exportação (WERNECK, 2005 p. 41) EXPORTAÇÃO DESPACHO DE EXPORTAÇÃO DESEMBARAÇO ADUANEIRO NA EXPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO É a saída de qualquer bem do território aduaneiro, em definitivo ou por prazo determinado, a título gratuito ou oneroso, com ou sem transmissão de propriedade. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO É o procedimento mediante o qual é verificada a exatidão dos dados declarados pelo exportador, em relação à mercadoria a ser exportada, aos documentos apresentados e à legislação específica, com vistas a seu desembaraço aduaneiro e a sua saída para o exterior. A conferência aduaneira na exportação tem por finalidade identificar o exportador, verificar a mercadoria e a veracidade das informações relativas à sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da exportação. DESEMBARAÇO ADUANEIRO NA EXPORTAÇÃO É o ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência aduaneira, e autorizado o embarque da mercadoria ou sua transposição da fronteira. A diversidade e complexidade do comércio internacional acarretam a necessidade de formas distintas de processamento das diferentes situações possíveis, evitando-se utilizar um mesmo método na exportação de toneladas de soja, transportada em imensos navios, e na de um singelo CD de chorinho enviado pelos correios. Os fluxos das exportações do Brasil têm crescido a cada ano. Conforme o MDIC (2013), a situação atual dos fluxos comerciais brasileiro é: O intercâmbio comercial brasileiro do mês de junho de 2013 cresceu 5,4% em comparação ao mês de junho de 2012. As exportações aumentaram 9,2%, e as importações, 1,5%. O saldo da balança comercial de junho de 2013 registrou superávit de US$ 2,3 bilhões em comparação ao saldo positivo de US$ 800 milhões do mês de junho 2012. No mês de junho de 2013, o intercâmbio comercial brasileiro reduziu-se em 6,8% em relação ao mês de maio de 2013, com diminuição de 3,2% nas exportações e de 10,6% nas importações. O superávit na balança comercial de junho de 2013 foi de US$ 2,3 bilhões em comparação a saldo positivo de US$ 760 de maio de 2013. No 1° semestre de 2013, a balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 3,1 bilhões contra saldo positivo de US$ 7,1 bilhões no primeiro semestre de 2012. Na figura abaixo podemos observar a evolução das exportações brasileiras e mundial no período de 2002/2010 – 2012(JAN-JUN): Fonte:Ministério das Relações Exteriores (2012) (Disponível em (http://www.brasilglobalnet.gov.br/ARQUIVOS/IndicadoresEconomicos/ComExtBrasileiroJUL2012.pdf) Acesso em 12/12/2012.) A tabela a seguir apresenta as exportações brasileiras por fator agregado ( -- fator agregado é gerado pelo valor agregado, relacionado aos setores econômicos.) . Fonte: Ministério das Relações Exteriores(2012). (Disponível em: (http://www.brasilglobalnet.gov.br/ARQUIVOS/IndicadoresEconomicos/ComExtBrasileiroJUL2012.pdf) Acesso:12/12/2012.) Valor agregado - diz-se do valor monetário global obtido em uma determinada etapa da cadeia produtiva, subtraído do valor monetário global obtido na etapa anterior. Ou seja, é quanto uma determinada etapa produtiva, adiciona em termos de valor monetário vis-à-vis a etapa imediatamente anterior (GIORDANO, 1999: p.85) OLHANDO DE PERTO É importante observar que o fluxo de exportações no Brasil tem saído da condição de vendedor de commodities ( -- significa mercadorias em inglês) , ou seja, da venda de mercadorias como minérios e gêneros agrícolas, para produtos manufaturados que possuem maior valor agregado maior conteúdo tecnológico. Conforme Ministério das Relações Exteriores (2012): " O total das exportações brasileiras para o mundo sofreu incremento de 326% entre 2002 e 2011, passando de US$ 60,4 bilhões para US$ 256 bilhões. Entre 2010 e 2011, as vendas brasileiras cresceram 27%, passando de US$ 202 bilhões para US$ 256 bilhões. No primeiro semestre de 2012, registrou-se expansão de 1,7% no intercâmbio comercial brasileiro ante o mesmo período de 2011, tendo havido queda de 0,9% nas exportações e aumento de 4,6% nas importações. Em termos absolutos, o intercâmbio comercial passou de US$ 224 bilhões para US$ 227 bilhões. Disso resultou superavit comercial de US$ 7,1 bilhões no 1° semestre do ano em curso, inferior, todavia, ao saldo positivo registrado no mesmo período do ano passado (US$ 13 bilhões). O saldo da balança comercial no período foi cerca de 55% inferior ao mesmo intervalo de 2011. Entre os primeiros semestres de 2002 e de 2012 as exportações brasileiras para a China cresceram cerca de 3100%, passando, em termos absolutos, de aproximadamente US$ 700 milhões para US$ 21,2 bilhões. Ressalte-se, entretanto, que entre janeiro- junho de 2011 e janeiro-junho de 2012 o crescimento dos embarques nacionais para a China foi de somente 6%, inferior, portanto, ao crescimento das exportações nacionais para a India (98%), Venezuela (32%) e Estados Unidos (17%). O crescimento dos embarques para a India no período decorreu do forte aumento das exportações de óleo bruto de petróleo, os quais, em valores absolutos, passaram de US$ 535 milhões para US$ 1,5 bilhão. O crescimento das vendas para a Venezuela decorreu, essencialmente, do aumento de embarques de máquinas mecânicas, carnes e animais vivos. Por fim, óleo bruto de petróleo (aumento de US$ 1 bilhão), ferro/aço e máquinas mecânicas e elétricas responderam pelo incremento das vendas brasileiras para o mercado norte-americano. Os embarques brasileiros sofreram redução de 19% para o Chile, 19% para a Alemanha, 15% para a Argentina e 13% para o Japão. No caso do Chile, houve redução de vendas de óleo bruto de petróleo (que passou de US$ 1,2 bilhão para US$ 600 milhões). No da Alemanha, minério de ferro e café responderam por grande parte das quedas dos embarques brasileiros para esse mercado. No caso da Argentina, automóveis, máquinas mecânicas, combustíveis e minério de ferro responderam pela diminuição das exportações nacionais ". Nas figuras a seguir observamos os principais parceiros do Brasil: Fonte: Ministério das Relações Exteriores (2012) (Disponível em: (http://www.brasilglobalnet.gov.br/ARQUIVOS/IndicadoresEconomicos/ComExtBrasileiroJUL2012.pdf) Acesso em: 12/12/2012.) MULTIMÍDIA Assista ao vídeo abaixo para conhecer aspectos relevantes sobre os fluxos de exportações do estado do Ceará. Para assistir ao vídeo, acesse o Ambiente Solar. Conforme o com o MDIC, por mercados de destino, destaque para a Ásia. As vendas aumentaram 31,3%, garantindo à região a primeira posição de mercado comprador de produtos brasileiros em 2010, superando a América Latina e Caribe e a União Europeia, que também registraram aumento expressivo de, respectivamente, 40,5% e 22,7%." A movimentação de cargas entre as nações, ou seja, as importações e exportações são feitas através do transporte marítimo na sua grande maioria e uma das razões é o custo do frete. Commodity - Designa um produto de troca ou comércio, especialmente produtos agrícolas ou minérios, algo que pode ser útil ou transformado em bem comercializado ou outra vantagem. Do latim commoditas, commodus = conveniente HERITAGE DICTIONARY(1982: 298). segundo o AMERICAN Existem quatro tipos de commodities: COMMODITIES AGRÍCOLAS COMMODITIES MINERAIS COMMODITIES FINANCEIRAS COMMODITIES AMBIENTAIS COMMODITIES AGRÍCOLAS Soja, suco de laranja congelado, trigo, algodão, café, borracha etc. Soja Fonte [4] Suco de laranja congelado Fonte [5] Trigo Fonte Algodão Fonte [6] Café Fonte [7] COMMODITIES MINERAIS Minério de ferro, alumínio, petróleo, ouro, níquel, prata etc. Alumínio Fonte [8] Minério de ferro Fonte Petróleo Fonte COMMODITIES FINANCEIRAS Moedas negociadas em vários mercados, títulos públicos de governos federais, etc. Moedas negociadas em vários mercados Fonte [9] Commodities Fonte [10] COMMODITIES AMBIENTAIS Créditos de Carbono. Fonte [11] OLHANDO DE PERTO Como você estudou as exportações representam um fator importante para o desenvolvimento do país, pois é responsável pela arrecadação de divisas para investimentos internos no país. Aprofunde seus conhecimentos fazendo uma leitura do material "Comércio Exterior Brasileiro 2013" (Visite a aula online para realizar download deste arquivo.), disponível no nosso material de apoio. FÓRUM Aproveite este momento e discuta com os seus colegas o fórum "Aula – os fluxos comerciais brasileiros" e apresente um comentário crítico sobre estes questionamentos e não se esqueça de comentar a fala dos colegas: 1. Qual o papel da exportação e importação do modelo de país em que viverão as próximas gerações, neste mundo globalizado de hoje? 2. Comente o vídeo sobre as exportações no estado do Ceará. DICAS Para saber mais sobre as exportações brasileiras, visite o sítio do Ministério do Desenvolvimento pesquise sobre o tema da aula no link: http://www.mdic.gov.br/sitio/ [12] ATIVIDADE DE PORTFÓLIO Conforme foi destacado nesta aula os fluxos internacionais são realizados por meio de diversas modalidades de transporte. É importante salientar que o transporte das mercadorias deve ser feito com garantias de segurança. Escreva um texto sobre os procedimentos necessários à contratação de transporte e seguro e poste no seu portfólio. Leia o capítulo 14 do "Manual Básico para Exportação (Clique aqui) (Visite a aula online para realizar download deste arquivo.)". REFERÊNCIAS GIORDANO, Samuel Ribeiro. Competitividade Regional e Globalização. Trabalho de defesa de tese de doutorado. Universidade de São Paulo – USP. São Paulo: 1999. Disponível em http://br.monografias.com/trabalhos913/competitividade-regionalglobalizacao/competitividade-regional-globalizacao.shtml [13]. Acesso em ago/2009. LOPES, Vasquez, Jose. comércio Exterior Brasileiro - São Paulo Atlas 1995. MALUF,Samia Nagib. Administrando o comércio Exterior do Brasil São Paulo - Aduaneiras 2000. RATTI, Bruno. comércio Internacional e Cambio -10 ed - São Paulo Aduaneiras 2000 SILVA, Moazart Foschete da. Relações Econômicas Internacionais – São Paulo - Aduaneiras 1999. SOARES, Cláudio César. Introdução ao comércio Exterior: Fundamentos Teóricos do comércio Internacional –São Paulo – Saraiva WERNECK, Paulo de Lacerda. Comércio Exterior 1. ed. - Rio de Janeiro : [s. n.], 2005. 84 p. Reprográfico. FONTES DAS IMAGENS 1. http://4.bp.blogspot.com/_3USkC4Qw7xE/RwpHOmTh_OI/AAAAAAA AAEU/Mclg7Fsg5-k/s400/Robinson+Cruso%C3%A9.jpg 2. http://www.youtube.com/watch?v=ORb916MzFUs 3. http://www.adobe.com/go/getflashplayer 4. http://4.bp.blogspot.com/-JE1nDQsyxx0/T0kCd9oqqwI/AAAAAAAABJ M/nOEtRFSDX1Y/s1600/df.jpg 5. http://www.vocecidade.com.br/trezetilias/wpcontent/uploads/2012/08/voce-cidade-o-melhor-da-cidade-pra-voce-sucode-laranja-347x176.jpg 6. http://www.iapar.br/arquivos/Image/noticias/algodao_floco.jpg 7. http://www.senado.gov.br/sf/senado/portaldoservidor/jornal/jornal89 /Imagens/cafe.jpg 8. http://www.rexamcan.com.br/imagens/img_aluminio.jpg 9. http://economico.sapo.pt/public/uploads/articles/foto_pagina/euro2_ pagina.jpg 10. http://economiaclara.files.wordpress.com/2009/04/commodities22.jp g 11. http://www.ciflorestas.com.br/arquivos/e_curso_mdl_27905.jpg 12. http://www.mdic.gov.br/sitio/ 13. http://br.monografias.com/trabalhos913/competitividade-regionalglobalizacao/competitividade-regional-globalizacao.shtml Responsável: Professora Conceição de Moura Pinheiro Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual