Pós-Graduação a distância Educação Especial / Educação Inclusiva Didática Planejamento Pedagógico Drª Maria Luisa Sprovieri Sumário Planejamento Pedagógico............................................................ 3 Elaboração de Projetos, Planos de Aula e Portfólio........................... 3 Planejamento pedagógico............................................................ 3 Pontos positivos do ato de planejar............................................... 7 O que é necessário para planejar.................................................. 7 Elaboração de Projetos................................................................ 8 Planos de Aula.......................................................................... 11 Portfólio................................................................................... 15 Estrutura do portfólio................................................................. 17 AMOSTRAS DE TRABALHOS........................................................ 22 ANÁLISE DO PORTIFÓLIO........................................................... 23 Planejamento é coisa séria.......................................................... 24 Planejamento Pedagógico Planejamento Pedagógico Elaboração de Projetos, Planos de Aula e Portfólio Planejamento pedagógico Na prática pedagógica, a observação, o registro, a avaliação e o planejamento são instrumentos importantes. Nesta aula, em que trataremos de planejamento pedagógico, projetos, plano de aula e portfólio, vocês terão oportunidade de comprovar essa afirmação. Para iniciar, vamos refletir sobre o que significa planejar, verbo sempre presente em nossa vida pessoal e profissional, não importa qual seja nossa área de atuação. Façamos também uma reflexão sobre tudo que pode ocorrer quando não há planejamento, desde a falta de uma lista de compras no supermercado até iniciar o ano letivo sem ter a mínima idéia do quê, como e a quem ensinar. Vídeo 1 http://www.youtube.com/watch?v=LQS6VFdf nTY&feature=related A leitura do texto abaixo nos ajudará nesta tarefa de reflexão: “PLANEJAMENTO É 1. Planejamento é processo de busca de equilíbrio entre meios e fins, entre recursos e objetivos, visando ao melhor funcionamento de empresas, instituições, setores de trabalho, organizações grupais e outras atividades humanas. O ato de planejar é sempre processo de reflexão, de tomada de decisão sobre a ação; processo de previsão de necessidades e racionalização de emprego de meios (materiais) e recursos (humanos) disponíveis, visando à concretização de objetivos, em prazos determinados e etapas definidas, a partir dos resultados das avaliações (PADILHA, 2001, p. 30). 2. Planejar, em sentido amplo, é um processo que “visa a dar respostas a um problema, estabelecendo fins e meios que apontem para sua superação, de modo a atingir objetivos antes previstos, pensando e prevendo necessariamente o futuro”, mas considerando as condições do presente, as experiências do passado, os aspectos contextuais e os pressupostos filosófico, cultural, econômico e político de quem planeja e com quem se planeja. (idem, 2001, p. 63). Planejar é uma atividade que está dentro da educação, visto que esta tem como características básicas: evitar a improvisação, prever o futuro, estabelecer caminhos que possam nortear mais apropriadamente a execução da ação educativa, prever o acompanhamento e a avaliação da própria ação. Planejar e avaliar andam de mãos dadas. 3. Planejamento Educacional é “processo contínuo que se preocupa com o ‘para onde ir’ e ‘quais as maneiras adequadas para chegar lá’, tendo em vista a situação presente e possibilidades futuras, para que o desenvolvimento da educação atenda tanto as necessidades da sociedade, quanto as do indivíduo” (PARRA apud SANT’ANNA et al, 1995, p. 14). Para Vasconcellos (1995, p. 53), “o planejamento do Sistema de Educação é o de maior abrangência (entre os níveis do planejamento na educação escolar), correspondendo ao planejamento que é feito em nível nacional, estadual e municipal”, incorporando as políticas educacionais. 4. Planejamento Curricular é o “processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar. É previsão sistemática e ordenada de toda a vida escolar do aluno”. Portanto, essa modalidade de planejar www.posugf.com.br 3 Planejamento Pedagógico constitui um instrumento que orienta a ação educativa na escola, pois a preocupação é com a proposta geral das experiências de aprendizagem que a escola deve oferecer ao estudante, através dos diversos componentes curriculares (VASCONCELLOS, 1995, p. 56). 5. Planejamento de Ensino é o processo de decisão sobre atuação concreta dos professores, no cotidiano de seu trabalho pedagógico, envolvendo as ações e situações, em constante interações entre professor e alunos e entre os próprios alunos (PADILHA, 2001, p. 33). Na opinião de Sant’Anna et al (1995, p. 19), esse nível de planejamento trata do “processo de tomada de decisões bem informadas que visem à racionalização das atividades do professor e do aluno, na situação de ensino-aprendizagem”. 6. Planejamento Escolar é o planejamento global da escola, envolvendo o processo de reflexão, de decisões sobre a organização, o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição. “É um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social” (LIBÂNEO, 1992, p. 221). Tem sua expressão nos programas e, mais especificamente, nos projetos, sendo sobretudo tarefa de administradores, onde a ênfase é o presente, momento de execução para solucionar problemas (idem.). (Baffi, Maria Adelia Teixeira. O planejamento em Educação: revisando conceitos para mudar concepções e práticas, 2002) Planejamento Pedagógico, também chamado Projeto Político Pedagógico, é o projeto integral da escola e envolve os aspectos pedagógicos, comunitários e administrativos. “Existem outros termos que se referem ao planejamento. Vamos acrescentá-los: Plano: um documento utilizado para o registro de decisões, como o que se pensa fazer, como fazer, quando fazer, com quem fazer. Todo plano começa pela discussão sobre os fins e objetivos do que se pretende realizar. Na educação, ele apresenta de forma organizada as decisões tomadas em torno das práticas educativas que serão desenvolvidas. O plano é produto do planejamento e funciona como guia do(a) professor(a). Como acompanha uma prática, está sempre sujeito a modificações. Há diferentes planos na educação 7. Planejamento Político-Social tem como preocupação fundamental responder as questões “para quê”, “para quem” e também com “o quê”. A preocupação central é definir fins, buscar conceber visões globalizantes e de eficácia; serve para situações de crise e em que a proposta é de transformação, em médio prazo e/ou longo prazo. “Tem o plano e o programa como expressão maior” (GANDIN, 1994, p. 55). 8. No Planejamento Operacional, a preocupação é responder as perguntas “o quê”, “como” e “com quê”, tratando prioritariamente dos meios. Abarca cada aspecto isoladamente e enfatiza a técnica, os instrumentos, centralizando-se na eficiência e na busca da manutenção do funcionamento. Plano Nacional de Educação: nele se reflete a política educacional de um povo, num determinado momento da história do país. É o de maior abrangência porque interfere nos planejamentos feitos no nível nacional, estadual e municipal. Plano de Curso: é a organização do conjunto de matérias que vão ser ensinadas e desenvolvidas durante o período de duração de um curso. O plano sistematiza a proposta geral de trabalho do professor. Plano de Ensino: o plano de disciplinas, de unidades e experiências propostas pela escola, professores, alunos ou pela comunidade. Ele é mais específico e concreto em relação aos outros planos. www.posugf.com.br 4 Planejamento Pedagógico Plano de Aula: é o plano mais próximo da prática do professor e da sala de aula. Refere-se totalmente ao aspecto didático. Projeto: a palavra projeto significa ir para a frente. O projeto traz a idéia de movimento. No projeto são registradas as decisões das propostas futuras. Como tudo que envolve mudança, projetar significa sair de uma situação conhecida para buscar uma outra.” (Brasil – Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Trabalhando com a educação de jovens e adultos: avaliação e planejamento. 2006. Disponível em http://portal.mec. gov.br/secad/arquivos/pdf/eja_caderno4.pdf, acesso em 18/12/2010) Conforme Ribeiro (2000), “uma das grandes inovações da nova LDB é a indicação de que cada escola elabore a sua própria proposta pedagógica, que neste texto será entendida como semelhante à ideia do Projeto Pedagógico. No capítulo IV, art.12, ela afirma: Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: I – elaborar e executar a proposta pedagógica; No artigo seguinte, o 13, ela afirma: Os docentes incumbir-se-ão de: I – participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; II – elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; A inovação consiste em oferecer às escolas a oportunidade de refletir sobre sua realidade específica, enquanto corpo único de alunos, professores e funcionários, situados em um espaço específico, vivendo uma realidade social e cultural específica. A especificidade de cada escola deve expressarse pedagogicamente por meio de sua própria proposta. A possibilidade de construção de uma proposta pedagógica é o reconhecimento da diversidade cultural, social e geográfica existente no território nacional em todos os seus níveis, estadual e municipal, e, neste caso, a grande diversidade existente em cidades de grande dimensões como São Paulo.” Vale novamente ressaltar que o planejamento pedagógico não é algo que se faz às pressas, individualmente e sem compromisso. Pelo contrário, ele é fruto do trabalho coletivo e de um processo que se reveste de muita responsabilidade e respeito pelo aluno e pela educação. O texto abaixo, retirado do site do Centro de Referência em Educação Mário Covas, sintetiza bem essa questão do trabalho coletivo: “Da intenção à ação concreta O processo de planejamento é um momento precioso de reflexão coletiva, no qual a escola tem a oportunidade de exercer sua autonomia. Sob a liderança do diretor e do coordenador pedagógico, ele envolve todos os segmentos da escola - professores, funcionários, pais e alunos, para traçar a arquitetura do novo ano e lançar as bases da construção do saber que se processará por todo o período letivo. É também no planejamento que a escola constrói, passo a passo, sua identidade, transformando intenções em ações concretas.” (Disponível em http://www.crmariocovas.sp.gov.br/ prp_a.php?t=018, acesso em 06/01/2011) Logo na apresentação desta aula, aparece a palavra avaliação e alguém pode se perguntar a razão do seu uso, dessa maneira, vamos deixar clara a www.posugf.com.br 5 Planejamento Pedagógico relação estreita entre planejamento e avaliação:PLANEJAMENTOVALIAÇÃO E PLANEJAMENTO “Pensar e agir é uma marca de todos nós, seres humanos. Afinal, foi pensando e agindo que chegamos ao nosso complexo mundo de hoje. Durante toda nossa história, mulheres e homens criaram, aprenderam e transformaram o mundo tendo em mente alcançar determinados sonhos ou resultados. Algumas vezes, agiram sem ter clareza do lugar onde queriam chegar. Foram, simplesmente, fazendo e constatando o feito. Outras vezes, agiram de modo planejado, estabeleceram objetivos e buscaram alcançálos intencionalmente. Planejar é a atividade em que se projetam fins e se estabelecem os meios para chegar até eles. Planejar implica fazer escolhas. E, para bem fazê-las é preciso conhecer a realidade para poder determinar onde chegar e de que forma ir até lá. Mas, antes de planejar é necessário descobrir onde estamos, para estabelecer as bases que garantirão a construção do planejamento. Esta prática que precede o planejamento é a avaliação. Neste sentido, avaliação e planejamento caminham juntos. Na escola não é diferente. Avaliação e planejamento se unem à prática pedagógica numa relação contínua. O (a) professor (a) avalia para planejar, planeja para atuar junto aos alunos, para voltar a avaliar, novamente planejar, novamente atuar,... numa onda sem fim.” (Brasil – Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Trabalhando com a educação de jovens e adultos: avaliação e planejamento. 2006. Disponível em http://portal.mec.gov.br/ secad/arquivos/pdf/eja_caderno4.pdf, acesso em 18/12/2010) Como todo processo, o planejamento também pode apresentar problemas e conflitos em sua elaboração. Fusari (1998) aponta que: “O contato direto com professores tem revelado um certo grau de insatisfação destes em relação ao trabalho de planejamento. O que se ouve, com certa freqüência, são falas do tipo: “Eu acho importante planejamento, mas não da forma como vem sendo realizado”; “Eu acho que dá para trabalhar sem planejamento”; “Do jeito que as coisas estão, impossível planejar o meu trabalho docente; vivo de constantes improvisações’; “Eu não acredito nos planejamentos tecnicistas que a Rede vem elaborando mecanicamente e que nada têm a ver com a sala de aula”; “Eu sempre transcrevo o planejamento do ano anterior, acrescento algo quando dá, entrego e pronto. Cumpri a minha obrigação”. Diante desta realidade, uma questão necessita ser colocada: por que os professores percebem e apresentam estas atitudes diante do planejamento do trabalho pedagógico? Mais: isto não seria uma ponta do problema? Como superá-lo? Na educação não é diferente. Nela o planejamento busca a intervenção mais eficiente do (a) professor(a), organizando melhor os recursos disponíveis: o tempo do(a) professor(a) e dos alunos, o espaço físico, os materiais pedagógicos disponíveis, a experiência dos alunos etc.” Diante do que foi exposto, tornase necessário então deixar explícito o que se exige do educador no processo de planejamento: “O ato de planejar o processo de ensino e de aprendizagem exige dos professores a definição de valores, significados e concepção de educação. Os documentos base desse www.posugf.com.br 6 Planejamento Pedagógico processo de integralização das ações educativas são o PPP e Regimento Escolar. zados no processo de ensino e aprendizagem. O que é necessário para planejar O planejamento de ensino constituise em espaço coletivo para discussão, sistematização e apropriação da práxis de instrumentos teórico-metodológicos, que permitam a todos os envolvidos reafirmar suas posições e avaliar suas práticas, ressignificando-as. Nesta perspectiva, o planejamento deve ser concebido,assumido e vivenciado no cotidiano da prática social docente como um ato político, de resgate dos princípios que embasam a prática pedagógica num processo de ação-reflexão-ação,como base para a estruturação pedagógica da escola.Através do planejamento, o professor cria o contexto adequado para que ocorra realmente a aprendizagem,bem como para intervir neste processo corrigindo possíveis desvios. ●● Respeito ao nível de desenvolvimento do aluno; ●● Contextualização com a realidade social do educando; ●● Acesso aos documentos da Rede Municipal de Ensino: Marcos de ●● Aprendizagem, PCN, RCNEI, PPP, Diretrizes Curriculares do Ensino Fundamental, da EJA, Ambiental, do Ensino da História e da Cultura Afrobrasileira e Africana e materiais didáticos.* ●● Capacidade de trabalho em equipe; ●● Iniciativa na busca de informações e autoformação ( seleção, organização e comparação de informações); ●● Clareza dos objetivos, habilidades e competências que se quer alcançar; Pontos positivos do ato de planejar ●● Tomada de decisões refletidas e fundamentadas com base na avaliação diagnóstica; ●● Esclarecimento dos objetivos propostos nas atividades de ensino que serão realizadas; ●● Previsão de possíveis dificuldades; ●● Organização e articulação das ações educativas; ●● Otimização de tempo e do espaço pedagógico; ●● Previsão dos momentos necessários para avaliar o desempenho acadêmico dos alunos; ●● Garantia da seqüência lógica e didática no desenvolvimento das atividades; ●● Monitoramento dos resultados da aprendizagem; ●● Estabelecimento dos critérios e instrumentos de avaliação utili- Consideração ao conhecimento do aluno e às suas capacidades. O Planejamento engloba a organização de: Plano de Ação – responsabilidade do Coordenador Pedagógico em parceria com participantes da comunidade escolar. Plano de Ensino / Plano de Aulas – responsabilidade do professor em parceria com o Coordenador Pedagógico.” (SALVADOR/SMEC. Coordenador pedagógico: traçando caminhos para a sua prática educativa. 2008) * Isso no caso específico de Salvador, mas cada planejamento requer o acesso a documentos de acordo com o sistema de ensino a que pertence a escola. www.posugf.com.br 7 Planejamento Pedagógico Elaboração de Projetos Como já dissemos anteriormente, “a palavra projeto significa ir para a frente. O projeto traz a idéia de movimento. No projeto são registradas as decisões das propostas futuras. Como tudo que envolve mudança, projetar significa sair de uma situação conhecida para buscar uma outra.” Atualmente, fala-se muito em projetos, mas o que significa elaborar um projeto pedagógico? Ribeiro (2000) formula também as seguintes questões: “Quais são os componentes de um projeto pedagógico? Por onde começa a elaboração de um projeto pedagógico? Quem participa? Quanto tempo leva para ser elaborado?” E o mesmo autor apresenta respostas a essas indagações: “Se nós tentarmos responder a essas perguntas já teremos boas pistas para elaborar um projeto pedagógico. Essas perguntas mais aquelas que você e todos os que participarem da elaboração do projeto tiverem a imaginação, a ideia, a oportunidade de formularem. Você, o professor, o diretor, o pai, o coordenador, o aluno, o inspetor de aluno, o diretor de ensino, enfim, todos os que participam da vida de uma escola. Quem sabe até aquele soldado da PM que, ultimamente, tem se tornado tão familiar na vida escolar, porque também a violência tem se tornado parte da vida dela. Concepção e Elaboração do Projeto Pedagógico ●● Construção coletiva sob coordenação da direção ●● Participação dos professores ●● Participação dos alunos ●● Colaboração dos pais ●● Obediência às diretrizes estaduais e nacionais ●● Formação permanente dos professores Elaborar o projeto é traçar rumos de atuação para todos, organizando o tempo, o espaço, as rotinas, estabelecendo a natureza das relações entre as pessoas, definindo a proposta curricular (O que ensinar? Como ensinar? Para quem ensinar?), sempre tendo em vista a realidade (ponto de partida) e onde se deseja chegar. A elaboração de um projeto pedagógico é uma tarefa árdua, difícil, longa, permanente. É muito importante que cada escola se proponha a criar o seu projeto e levá-lo adiante. Na sua fase inicial, ela pode levar de seis meses a um ano. É necessário, também, que cada instituição, cada diretor, cada coordenador pedagógico, cada professor, tenha consciência de que esta é uma tarefa permanente. Um Projeto Pedagógico nunca está pronto se a escola é um espaço vivo, que está pensando em si mesmo o tempo todo, pensando em melhorar sua qualidade, a cada ação que executa. A elaboração de um projeto é um processo por ser o conjunto de ações que todos os atores de uma escola realizam por meio de todas as suas ações individuais, ao longo do tempo. São ações que adquirem sentido, e se definem como proposta quando articuladas umas às outras. Sem essa articulação, ela não adquire significado. É ação desatinada e sem direção, condenada a se perder no vácuo, ação sem rastro.” Os projetos na sala de aula O trabalho com projetos educacionais vem ganhando espaço devido às inúmeras vantagens que apresenta, sendo a principal delas a interação dos alunos. Trata-se de uma estratégia de ensino que não deve ser vista como um modismo, nem como desculpa para preencher espaços considerados ociosos, www.posugf.com.br 8 Planejamento Pedagógico muito menos para “livrar” o professor da tarefa de ensinar. Os projetos permitem o rompimento da passividade do aluno, situação tão conhecida e apontada por muitos como o principal fator do desinteresse, do fracasso e da evasão escolar. Ao longo das etapas de execução do projeto o aluno participa do processo de construção do conhecimento, desenvolvendo sua autonomia. Qualquer projeto educacional deve estar inserido no projeto pedagógico da escola, além disso, deve ser apresentado de forma clara aos alunos, sem pontos ocultos ou obscuros, nem “pegadinhas”. Dito de outra forma, os alunos devem se sentir incluídos no projeto desde o primeiro momento. “São diversos os benefícios proporcionados pelo desenvolvimento de projetos”, aponta Eyng (2009). Cita, entre eles, “a abordagem interdisciplinar no processo ensinoaprendizagem e a ação colegiada no processo pedagógico, além do potencial mobilizador, que gera motivação, desafio, gratificação e maior fundamentação na formação teórica e prática de alunos e professores”. Conforme Eyng, “é importante assinalar, inicialmente, que as demandas educativas atuais estabelecem desafios novos para a escola, professores e alunos. Essas demandas exigem que sejam ampliados os entendimentos, os tempos e os espaços da sala de aula. O trabalho com projetos que tem como foco a aprendizagem amplia o entendimento, o tempo e o espaço da sala de aula. Tanto a reflexão teórica quanto as experiências de aplicação demonstram que os benefícios proporcionados pelo desenvolvimento de projetos são diversos. Num trabalho de formação continuada de professores de uma rede municipal de ensino do Estado do Paraná, que tive o privilégio de assessorar e no qual pudemos estudar, planejar, aplicar e avaliar o trabalho com projetos, ao final sistematizamos os benefícios possibilitados. Assim, podemos listar como benefícios do trabalho com projetos que abrangem a escola, os professores e os alunos: 1. a avaliação do projeto da escola; 2. a formação continuada dos profissionais da escola; 3. a aprendizagem continuada do professor no movimento ação-reflexão-ação extensivo a toda a organização escolar; 4. a ação colegiada no processo pedagógico; 5. a prática pedagógica reflexiva; 6. a superação das dificuldades de aprendizagem (de alunos, professores e da escola), manifestadas por intermédio da rotina, insegurança ou medo; 7. a quebra de paradigmas superando modelos mentais arraigados; 8. a apresentação de potencial mobilizador, gerando motivação, desafio, gratificação e maior fundamentação na formação teóricoprática de alunos e professores; 9. a abordagem interdisciplinar no processo ensino-aprendizagem; 10. a melhora da aprendizagem no processo pedagógico; 11. a ampliação do espaço e do tempo da aprendizagem.” No que diz respeito ao desempenho dos alunos, Eyng ressalta que a melhora é bastante significativa, além disso, “os problemas de comportamento (tais como competição, indisciplina, indiferença, acomodação, briga, desrespeito, conflito) e as dificuldades na aprendizagem (tais como atenção, aprender a pensar, audição, dicção, interpretação, concentração, coordenação motora, expressão corporal, leitura e escrita, matemática – situações-problema, tabuada, divisão, associar o número à quantidade, etc.), relacionados pelos professores no início da capacitação, já referida, foram atenuados e/ou superados. Isso ocorre quando se dá ao aluno a oportunidade de refletir e pesquisar, www.posugf.com.br 9 Planejamento Pedagógico vinculando as suas referências, sua bagagem de conhecimento ao conhecimento científico, já sistematizado, relacionando-os com a realidade. Dando-lhe, ainda, a oportunidade de experimentar, investigar, trocar ideias. Assim, o aluno estará pesquisando e construindo um conhecimento significativo que lhe permite compreender e significar o cotidiano e os diversos contextos locais e globais. No trabalho com projetos, os diferentes estilos de aprendizagem, considerando as características, os talentos e as qualidades dos aprendizes, podem ser mobilizados com o intuito de superar as dificuldades que impedem a aprendizagem. Outra estratégia importante é valorizar as atividades preferidas pelo grupo, pois elas têm grande poder mobilizador. A proposta permite o desenvolvimento da criatividade, da inovação, da quebra das rotinas, da utilização de materiais diversificados. Na contextualização do projeto, a maior riqueza da proposta está na utilização da realidade como fonte de pesquisa, pois essa se constitui, sem dúvida, numa fonte disponível, barata e inesgotável de informações. Eyng afirma que o trabalho com projetos “se pauta na pesquisa, vinculada ao projeto pedagógico da escola, que seja fruto de reflexão coletiva e continuada, e que de preferência se paute numa concepção de currículo integrado. A participação irá se dar por meio de planejamento, aplicação e avaliação participativa de projetos de pesquisa interdisciplinar. Essa participação, a que me refiro, dá-se em dois níveis: 1. a participação efetiva do professor na elaboração do projeto da escola – a partir do qual irá desenvolver os projetos em sala de aula; 2. a participação dos alunos no planejamento, aplicação e avaliação do projeto de aprendizagem. O currículo integrado, nessa proposta, poderá contribuir na superação da dicotomia e da fragmentação formativa, pois enfatiza a produção do conhecimento interdisciplinar, contextualizado e inovador. O currículo integrado seria aquele capaz de promover a interrelação teórico-prática no processo formativo e, ainda mais, permitir às disciplinas interatuarem como unidades integradas e contextualizadas. Esta modalidade enfatiza a problematização na construção do conhecimento.” Sobre o encaminhamento metodológico, Eyng sugere a consideração de quatro etapas interrelacionadas e complementares: “A) Mobilização para o conhecimento: na mobilização, definido coletivamente o tema da aprendizagem, cabe ao professor provocar, nos aprendizes, a curiosidade, a motivação para aprender, enfim, mobilizálos para que o processo de aprendizagem se inicie. Sugestão de procedimentos: observação e análise de filmes, fotografias, músicas, poemas, pequenos textos, gravuras e gráficos, além de perguntas e relato de fatos do cotidiano. B) Pesquisa do conhecimento sistematizado: no segundo momento, na pesquisa do conhecimento sistematizado, objetiva-se o levantamento dos conceitos básicos e iniciais já sistematizados disponíveis a respeito do tema, compreendendo o conhecimento sobre a realidade. Esses conceitos iniciais são de extrema relevância para a operacionalização da fase seguinte, que objetiva interrogar a realidade, questionando o conhecimento já sistematizado. Sugestão de procedimentos: coleta de informações sistematizadas sobre o tema consultando livros, revistas, jornais e meios eletrônicos. C) Pesquisa de campo: no terceiro momento, processa-se a pesquisa de campo, quando o aprendiz irá aprender com, na e da realidade. Os sujeitos interrogam a realidade, inseridos, envolvidos nela. Sugestão de procedimentos: coleta de informações na www.posugf.com.br 10 Planejamento Pedagógico vida real, utilizando observação, entrevistas, aplicação de questionários. D) Atividades de aplicação, aprofundamento e sistematização do conhecimento: é no quarto momento que o conhecimento é sistematizado e reintegrado à prática, mediante atividades de aplicação, aprofundamento e sistematização do conhecimento produzido. Aqui se abrem novos questionamentos que poderão desencadear um novo processo. Sugestão de procedimentos: produção de textos individuais e coletivos, debates, elaboração de relatórios, organização de campanhas de conscientização da comunidade, palestras, confecção de maquetes, painéis, criação de poesias, músicas, peças teatrais, gráficos e tabelas.” Vídeo 2 http://www.youtube.com/watch?v =dQ7aifxh16Y&feature=related - Celso Antunes: Trabalhando com projetos Delia Lerner, uma das autoras mais presentes em concursos na área da Educação por seu reconhecido trabalho na área de ensino da escrita e da leitura e também da Matemática, é uma grande defensora do trabalho com projetos. Ao tratar das dificuldades envolvidas na escolarização das práticas de leitura e escrita e as tensões entre os propósitos didáticos e as práticas sociais de leitura e escrita, como a de determinar quando e como elas são aprendidas, e, principalmente, o que se aprende, e a de encontrar um equilíbrio entre os propósitos didáticos e os propósitos comunicativos, Lerner aponta como saída o trabalho com projetos de produçãointerpretação. Esse tipo de projeto permite que “todos os integrantes da classe – e não só o professor – orientem suas ações para o cumprimento de uma finalidade compartilhada”. O trabalho por projetos, afirma Lerner, possibilita a resolução de outros dois problemas: a relação entre o tempo e o saber e a necessidade da escola de controlar a aprendizagem, pois favorece a autonomia dos alunos. Como exemplo de projeto, Lerner cita a elaboração de uma carta de leitor, com um tema atual e que se relacione com a realidade do aluno. A educadora observa, ainda, que trabalhar com projetos requer entrecruzar práticas que demandam tempos diferentes de realização, assim o aluno pode, simultaneamente, participar de diferentes atividades. Vídeo 3 http://www.youtube.com/watch?v=Y dKIkbk1Ajs&feature=related - Projetos Educacionais e Avaliação Planos de Aula Video 4 - Planejamento tintim por tintim http://www.youtube.com/watch?v=P nRUXfyHHNY&p=B159E7863E73D086 “O preparo das aulas é uma das atividades mais importantes do trabalho do profissional de educação escolar. Nada substitui a tarefa de preparação da aula em si. Cada aula é um encontro curricular, no qual, nó a nó, vai-se tecendo a rede do currículo escolar proposto para determinada faixa etária, modalidade ou grau de ensino. Também aqui vale reforçar que faz parte da competência teórica do professor, e dos seus compromissos com a democratização do ensino, a tarefa cotidiana de preparar suas aulas, o que implica ter claro, também, quem é seu aluno, o que pretende com o conteúdo, como inicia rotineiramente suas aulas, como as conduz e se existe a preocupação com uma síntese final do dia ou dos quarenta ou www.posugf.com.br 11 Planejamento Pedagógico cinqüenta minutos vivenciados durante a hora-aula. A aula, no contexto da educação escolar, é uma síntese curricular que concretiza, efetiva, constrói o processo de ensinar e aprender. O aluno precisa ir percebendo, sentindo e compreendendo cada aula como um processo vivido por ele para que, na especificidade da educação escolar, avance, comodiz SAVIANI (1987), do “senso comum” à “consciência filosófica”. A aula, por sua vez, deve ser concebida como um momento curricular importante, no qual o educador faz a mediação competente e critica entre os alunos e os conteúdos do ensino, sempre procurando direcionar a ação docente para: estimular os alunos, via trabalho curricular, ao desenvolvimento da percepção crítica da realidade e de seus problemas;. estimular os alunos ao desenvolvimento de atitudes de tomada de posição ante os problemas da sociedade; valorizar nos alunos atitudes que indicam tendência a ações que propiciam a superação dos problemas objetivos da sociedade brasileira.(Fusari, 1998)” Video 5 - Planejamento tintim por tintim http://www.youtube.com/watch?v=P nRUXfyHHNY&p=B159E7863E73D086 A mesma opinião sobre a importância do plano de aula é compartilhada por Marlene Grillo (2008), pois é por meio dele que “o educador pode fazer a previsão dos conteúdos que serão dados, as atividades que serão desenvolvidas, os objetivos que pretende alcançar, e as formas de avaliação.” Um plano de aula tem sempre sua origem num projeto pedagógico institucional que dinamiza as direções do ensino, detalhadas num plano de curso e de unidade. É uma previsão de atividades vinculadas a um plano de ensino mais amplo desenvolvidas em etapas seqüenciais, em consonância com objetivos e conteúdos previstos. Serve para organizar a intenção do professor e o modo de operacionalizá-la. Expressa, ainda, as opções desse professor diante de seu contexto de trabalho, que implica pensar simultaneamente o conteúdo e os sujeitos com os quais interage. Todo plano de aula, além de ser um guia, traz implícitas questões pessoais do professor comprometido com sua tarefa e com seus alunos: por que faço o que faço ao ensinar? o que é uma aula: espaço de parceria ou de resistência? como mobilizar o aluno para aprender? como verificar se o aluno aprendeu?” (Grillo, 2008) Um ponto importante a ser observado no plano de aula é que ele não deve ser visto como uma camisa-de-força, pois é na hora de ser colocado em prática que podem surgir dificuldades inesperadas. Desse modo, observa Grillo, “o cenário da aula exige permanente atitude reflexiva do professor para recriar e redirecionar ações sempre que novos interesses e necessidades imprevistas surgirem, o que não significa despreparo docente, mas competência para ‘agir na urgência e decidir na incerteza’, como ensina Perrenoud. (...) O plano, como resultado do processo de planejamento, permite ao professor distanciar-se de sua prática, sistematizá-la e tornar mais conscientes as opções para a organização da aula. O plano documenta a experiência em suas intenções iniciais e permite o retorno a ela após o vivido para sua avaliação.” Grillo ressalta também que: “Mais do que saber elaborar um plano, é necessário acreditar que ele é o instrumento pessoal e intransferível de trabalho do professor, e expressa as concepções teóricas que sustentam suas atividades docentes. Importante não é estabelecer um roteiro / modelo padrão de plano, mas o registro dos aspectos que orientam o professor para estruturar a prática. O estabelecimento de modelos pode burocratizar o planejamento e restringir as possibilidades de auto- www.posugf.com.br 12 Planejamento Pedagógico organização do professor na elaboração do plano. Além de elaborar o plano, o professor deve levar em consideração a relação entre suas intenções e o modo como os alunos as percebem, pois às vezes são necessários pequenos ajustes em qualquer dos elementos do plano para uma boa condução da aula.” A respeito de situações que necessitam ajustes temos esse interessante relato de uma professora alfabetizadora de jovens adultos: A linguagem escolar e o que a escola requisita aos alunos é algo próprio a ela. É uma linguagem e um modo de tratar o conhecimento diferente daquele construído nas experiências cotidianas. Muito nos ajudaria entender como esses processos de aprendizagem ocorrem com nossos alunos e como podemos estabelecer as necessárias conexões de forma a não impor uma forma que idesconsidere os estilos de aprendizagem já trazidos por eles, mas, ao contrário, ampliá-los. Uma experiência interessante sobre o assunto é descrita pela professora Denise Lino de Araújo5, na cidade de Cosmópolis. Ela relata a observação realizada em seu próprio trabalho, onde algo que parecia tão claro para ela não era igualmente entendido por seus alunos. Criava-se assim um distanciamento entre o que ela solicitava e o que os alunos realizavam. Ela pensava que por meio dos textos propostos em aula seria possível estabelecer um trabalho a partir do conteúdo estudado, pois para ela os textos eram interessantes e traziam questões importantes para a classe. Ela detectou dois problemas principais: para ela o texto escrito era o “elemento central e estruturador da aula” (2001:162-170), ou seja, todo o desenvolvimento do trabalho proposto partiria do texto. Este teria a função de buscar ou confirmar informações e servir como modelo-padrão de escrita. Outro problema: por sua formação escolar e profissional, exigia dos alunos uma resposta pouco flexível, quer dizer, esperava que os alunos reagissem à proposta da atividade de uma determinada maneira. O que ela verificou, a partir da reflexão de sua prática, e por isso é importante que ponderemos sobre nossa prática, foi que, em relação ao texto, os alunos o viam como suporte para uma atividade didática. Melhor dizendo, o texto seria utilizado porque dele se pediria uma tarefa escrita. Por sua experiência em resolver e discutir os assuntos necessários e importantes por intermédio da oralidade, os alunos não tinham uma relação com os textos escritos como a professora esperava (que era a que ela tinha). Dessa forma, algumas vezes a professora fazia um esforço em focar a aula para aquilo que o texto trazia, e os alunos freqüentemente desviavam a discussão para fatos que julgassem mais oportunos ou interessantes. Geralmente esse debate coletivo tomava mais o tempo da aula do que a polêmica centrada no artigo, mesmo com a utilização de proposições que a professora julgava serem importantes e interessantes para os alunos. A professora pôde observar que o problema central residia no fato de que o texto tinha uma importância determinada para o seu plano de aulas. Em contrapartida, os alunos atribuíam outra noção de valor ao mesmo. A partir daí, foi possível reelaborar sua didática. (Para conhecer todo o relato da experiência ler o capítulo “O Mal-Entendido em Sala de Aula e as Diferenças na Apreensão do Texto como Objeto de Estudo”, capítulo integrante do livro O Ensino e a Formação do Professor. In Orientações Didáticas: Alfabetização e Letramento EJA e MOVA, 2008) Video 6 - Planejamento tintim por tintim http://www.youtube.com/watch?v=P nRUXfyHHNY&p=B159E7863E73D086 Muitas vezes, o professor tem um modelo de plano de aula proposto pelo sistema de ensino a que pertence, entretanto isso não www.posugf.com.br 13 Planejamento Pedagógico significa que a elaboração do plano se resuma a um simples preencher de formulário, como deixamos bem claro no que foi exposto até agora. A seguir apresentamos um modelo, do qual você deverá fazer uma análise crítica para, a partir daí, poder identificar os pontos positivos e os negativos. No primeiro caso, você poderá extrair ensinamentos, sugestões e, também, adaptar o modelo às necessidades da instituição escolar da qual você faz parte. “Ler e escrever com Parlendas 22.09.2008 Autora Eliane Candida Pereira SAO PAULO - SP Universidade de São Paulo Estrutura Curricular Modalidade/Nível de Ensino: Ensino Fundamental Inicial Componente Curricular: Língua Portuguesa Tema: Análise e reflexão sobre a língua Modalidade/Nível de Ensino: Ensino Fundamental Inicial Componente Curricular: Alfabetização Tema: Processos de Leitura O que o aluno poderá aprender com esta aula Realizar antecipações e interpretações durante a leitura; ajustar o texto falado ao texto escrito durante a leitura; desenvolver habilidades de expressão escrita e oral; desenvolver a atitude de colaboração. Duração das atividades 4 aulas Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno Faça um levantamento sobre quais são as parlendas conhecidas dos alunos. Estratégias e recursos da aula 1ª. Etapa: Lendo parlendas... Para iniciar o trabalho é importante saber quais parlendas os alunos conhecem e comentar que muitas parlendas são conhecidas também como canções. Em seguida, faz-se a apresentação do vídeo A Velha a Fiar. A velha a fiar Após exibição do vídeo, distribui-se cópias da parlenda e propõe-se que acompanhem a leitura ouvindo a canção. Proponha o jogo de acompanharem a leitura com o dedo até que o vídeo seja colocado em pause para que comparem em que palavra pararam, verificando se estâo conseguindo fazer o ajuste entre o texto falado e o escrito. Após exploração da parlenda nesse jogo, solicitase que descubram parlendas diferentes, perguntando a familiares e amigos. 2ª. Etapa: Escrevendo parlendas... Na aula seguinte, organize duplas para escrita de uma das parlendas pesquisadas. Nesse momento é importante cuidar para que os agrupamentos sejam produtivos, organizando os alunos de forma que tenham saberes diferentes a serem compartilhados. Todos os alunos podem ser incluídos na escrita da parlenda, mesmo aqueles que ainda não não lêem e escrevem convencionalmente. Uma possibilidade é oferecer jogos de letras-móveis para que cada participante da dupla coloque uma letra, justificando até que ponto a parlenda escolhida foi escrita. 3ª. Etapa: Compartilhando parlendas... As parlendas escolhidas irão compor um livro acompanhado de CD de audio, com as duplas apresentando-as. Deve-se propor aos alunos observarem como é a organização de um livro: capa, dados de autoria, sumário... Coletivamente escolham o que irão colocar na capa, se haverá ilustração, etc. Para gravar o CD utilize microfone e os computadores do laboratório de informática da escola. É muito simples: 1. Plugar um microfone no PC. 2. Abrir o gravador, apontando para Menu Iniciar > Programas > Acessórios > Entretenimento > Gravador de Som: www.posugf.com.br 14 Planejamento Pedagógico 3. A partir dali, é só começar a gravar os sons e salvar o resultado! Algumas parlendas para o professor também apresentar aos alunos: Lá em cima do piano, Tem um copo de veneno. Quem bebeu morreu. O azar foi seu! Fui no cemitério, Tério, tério, tério, Era meia noite, Noite, noite, noite, Tinha uma caveira, veira, veira, veira, Era vagabunda, Bunda, bunda, bunda, Olha o respeito, Peito, peito, peito Hoje é domingo, Pé de cachimbo. O cachimbo é de ouro, Bate no touro. O touro é valente, Bate na gente. A gente é fraco, Cai no buraco. O buraco é fundo, Acabou-se o mundo. Rei, capitão, Soldado, ladrão. Moça bonita Do meu coração Um, dois, Feijão com arroz, Três, quatro, Feijão no prato, Cinco, seis, Fico freguês, Sete, oito, Comer biscoito, Nove, dez, Comer pastéis. Meio dia, Panela no fogo, Barriga vazia. Macaco torrado, Que vem da Bahia, Fazendo careta, Pra dona Sofia. Portfólio Vídeo 7 – Princípios do Portfólio http://www.youtube.com/watch?v=D yTVHZmbVdw&feature=related O que é um portfólio? Como essa ferramenta pode ser utilizada na avaliação dos alunos? A primeira dessas duas perguntas pode parecer a mais fácil de ser respondida, no entanto, ainda há muitos equívocos quando se trata de definir o que é um portfólio. A segunda, que poderia representar a mais complexa, só pode ser respondida a partir da compreensão do que é e o que significa o portfólio. Comecemos pela primeira: portfólio é um instrumento de identificação da qualidade do ensino e da aprendizagem mediante a avaliação do desempenho do aluno e do professor. Deve conter a compilação dos trabalhos realizados pelos alunos durante o período que se pretende avaliar. Nesse ponto, esse instrumento de avaliação se aproxima muito do que conhecemos como portfólio: aquelas pastas apresentadas por artistas plásticos, fotógrafos, atores de teatro e cinema que contêm o registro de sua formação e de seus www.posugf.com.br 15 Planejamento Pedagógico trabalhos, ressaltando suas características pessoais e profissionais, e enfatizando sua capacidade criadora. Nos últimos anos, o portfólio vem sendo usado como um instrumento autêntico e precioso na avaliação do desenvolvimento. Na área da Educação, diversas experiências têm sido realizadas no sentido de utilizar o portfólio quer na avaliação do professores em formação, quer na aprendizagem dos alunos. Sobre o portfólio podemos dizer ainda que, além de ser uma coleção organizada e devidamente planejada de trabalhos produzidos por um aluno ao longo de um dado período de tempo, procura evidenciar os diversos componentes do seu desenvolvimento integral e do seu percurso escolar. Ao utilizar esse instrumento, o professor deve ter claro que o objetivo é contribuir para que o aluno desenvolva a habilidade de auto-avaliação, o que é possível mediante o registro de forma sistemática e reflexiva de sua trajetória, o que lhe permite rever e analisar suas aprendizagens. Dentre as vantagens que o portfólio apresenta, temos a avaliação mais autêntica e individualizada. É preciso ressaltar, no entanto, que essas vantagens só se concretizam quando é bem planejado e organizado. Outra vantagem é ser reflexivo, permitindo rever crítica, consciente e sistematicamente o trabalho efetuado, estimulando o desenvolvimento da autonomia, promovendo a descoberta, a pesquisa e a experimentação, desempenhando importante papel na estruturação e organização do currículo, pois proporciona ao professor um melhor conhecimento sobre o aluno, suas características e necessidades, da metodologia que melhor se adapta a qualquer um, contribuindo para o aumento da auto-estima do aluno, na medida que lhe possibilita mostrar o que sabe e o que consegue fazer. Como você pode observar, avaliação é um conceito associado a portfólio, sendo assim, vamos nos estender um pouco mais sobre o tema: www.posugf.com.br “A avaliação tem sido um saber marginalizado na formação de professores. O uso do portfólio pode ser uma forma de colocá-la em debate justamente em um dos espaços a ela destinados, o da formação de professores. Isso requer mudança de concepção da avaliação: o professor deixa de ser o “examinador” e o aluno, o “examinado”. Atua-se em parceria, sem com isso se perder o rigor e a seriedade que a atividade impõe. Pelo contrário, a avaliação tornase mais exigente porque passa a ser, também, transparente. Isso não significa retirar a responsabilidade do professor para transferi-la ao professoraluno, mas possibilitar a este vivenciar o processo que ele possa desenvolver com seus alunos, de modo que sejam superados os problemas que tanto temos combatido. Contudo, alerta Murphy (1997, p. 87), isso somente poderá ocorrer em ambiente que propicie o desenvolvimento profissional do professor, incluída a sua autonomia intelectual e condições adequadas de trabalho. (...) O portfólio possibilita avaliar as capacidades de pensamento crítico, de articular e solucionar problemas complexos, de trabalhar colaborativamente, de conduzir pesquisa, de desenvolver projetos e de o aluno formular os seus próprios objetivos para a aprendizagem (Murphy, 1997, p. 72). O professor e o próprio aluno avaliam todas as atividades executadas durante um largo período de trabalho, levando em conta toda a trajetória percorrida. Não é uma avaliação classificatória nem punitiva. Analisa-se o progresso do aluno. Valorizam-se todas as suas produções: analisam-se as últimas comparando-as com as primeiras, de modo que se perceba o avanço obtido. Isso requer que a construção do portfólio se baseie em propósitos de cuja formulação o aluno participe, para que se desenvolva o sentido de “pertencimento”. Murphy (1997, p. 73) considera que os portfólios “oferecem uma das poucas oportunidades escolares em que os alunos podem exercer seu julgamento, iniciativa e autoridade”. (Villas Boas, 2005) 16 Planejamento Pedagógico Conforme Almeida (2007/2008), “a construção do Portfólio apresenta-se assim, como uma atividade geradora da autoformação do professor, em particular do desenvolvimento de uma atitude de questionamento sobre as suas práticas e a consciencialização da necessidade de aprofundamento contínuo das matérias a lecionar, de estratégias a usar no processo de ensino e aprendizagem, tendo em conta o contexto onde o mesmo decorre e que difere de turma para turma, de aluno para aluno…” Estrutura do portfólio Do Aluno O portfólio poderá incluir diversos itens, conforme a sua definição e organização, e de acordo com o contexto. É recomendado que contenha uma folha de abertura com o nome do aluno, do professor, curso, disciplina, série, ano, instituição. A seguir, apresentamos exemplos de itens que podem compor o portfólio do aluno: ●● Relatórios, anotações, rascunhos, esboços. ●● Notícias e textos lido com comentários críticos. ●● Relatos descritivos e registros de aulas, com observações sobre o que aprendeu em cada aula. ●● Registros das reuniões de pais. ●● Reações a visitas de estudo e outras atividades. ●● Provas. ●● Trabalhos individuais e em grupo. ●● Trabalhos de casa. ●● Desenhos, histórias, produções artísticas. ●● Reflexões do aluno, pesquisas feitas por sua iniciativa ●● Indicações de leituras, sites e filmes. ●● Resoluções de exercícios e de problemas. ●● Fotografias dos momentos de aprendizagem. Do Professor Tratando-se de um instrumento pessoal, o Portfólio deverá ser construído por cada professor de uma forma continuada no decurso do ano letivo, tendo em conta aquilo que para cada um [professor] seria mais significativo no seu percurso de ensino e aprendizagem, reuniões, projetos… Contudo, a sua estrutura deve ser dinâmica, embora definida em função de um objetivo explícito. O processo de registro (descrição/narração/argumentação/ reflexão/meta-reflexão) deverá integrar as experiências práticas e as teorias que as sustentam, recorrendo a múltiplas fontes de evidência (relatos, fotografias, observações, textos de pesquisa e de apoio, autoreflexões,...) Sendo um documento pessoal ele é, por isso, de estrutura flexível. Contudo poderá incluir: - capa; - identificação do professor; - índice; - introdução - contextualização, finalidades do Portfólio/pertinência do mesmo…), - “corpo do trabalho”(a); - conclusão; - apêndices ou anexos(b) (a) O “corpo do trabalho” do Portfólio poderá ser constituído por duas grandes dimensões: i) – o trabalho desenvolvido na preparação das aulas, nas reuniões…; ii) a descrição/reflexão sobre o trabalho desenvolvido pelo professor, incluindo a análise cuidada e reflexiva da www.posugf.com.br 17 Planejamento Pedagógico dimensão anterior, numa perspectiva de interação e complementaridade das duas dimensões. (b) Podem ser considerados como apêndices todos os documentos construídos pelo professor e que não estejam contemplados no “corpo do trabalho”; como anexos todos os documentos construídos por outros, mas utilizados pelo professor, produtos dos alunos… (Vieira, R. 2003; Almeida, M. I. T. O. M. 2005). Na perspectiva de Nunes (2000), o Portfólio do professor deverá incluir duas componentes fundamentais: (i) evidências das capacidades e competências profissionais; e (ii) reflexões sobre essas evidências e sobre as práticas de ensino. Ainda de acordo com o mesmo investigador, no caso concreto das reflexões, os registros efetuados devem ser focados em questões como: porque selecionaram determinados materiais e tarefas; o que aprenderam [os professores] com os mesmos; quais os que melhor os ilustram como professores…” (Almeida, 2007/2008) Já que estamos falando do professor, vale a pena ler o que nos diz Ceia sobre a importância do portfólio na formação de professores. Embora você já tenha passado desse estágio em sua vida profissional, a leitura desse texto lhe dará importantes subsídios para a prática pedagógica: “Um porta-fólio da prática pedagógica (teaching portfolio ou, de forma mais próxima da formação inicial de professores, student professional teaching portfolio) é um conceito novo nas ciências da educação e nas ciências sociais e humanas, em Portugal, mas já com alguma tradição em outras práticas profissionais, em particular nas artes plásticas, de onde provém o conceito. Hoje em dia, nos Estados Unidos e na Austrália, por exemplo, muitas instituições de ensino exigem a apresentação de um porta-fólio profissional (professional portfolio) a quem pretende aí lecionar. Entende-se, neste caso, que um porta-fólio (do italiano portafoglio, “recipiente onde se guardam folhas soltas”) é uma descrição pormenorizada das habilitações profissionais do candidato, incluindo provas de práticas de ensino realizadas. Em outras situações, exige-se a construção e apresentação de um porta-fólio de curso (course portfolio), que é um documento comprovativo do desenvolvimento curricular e pedagógico de um determinado curso desenhado e lecionado. Na formação inicial de professores, que é o caso que nos interessa, um porta-fólio da prática pedagógica é o resultado visível e objetivo de todo o trabalho educativo de um professor-estagiário. Representa um olhar auto-crítico sobre aquilo que se ensinou, sobre os métodos de ensino utilizados e sobre o processo de avaliação a que o professorestagiário se sujeitou. (...) O Departamento de Estudos AngloPortugueses exige, no seu novo quadro de avaliação da prática pedagógica, um pouco mais do que o simples relatório de auto-avaliação e/ou a recolha de materiais de ensino — elementos que constam normalmente do dossier de estágio —, porque se pretende que o porta-fólio inclua também uma parte de investigação que nos parece essencial. Por outro lado, e ao contrário do que foi prática corrente em anos anteriores, a construção do porta-fólio envolve a natural participação do orientadores locais dos professores estagiários, sobretudo como conselheiros da prática pedagógica, mas não como co-autores e/ou avaliadores do portafólio em si mesmo, tarefas que competem à coordenação científica do Departamento de Estudos Anglo-Portugueses. Em termos comparativos, podemos dizer que o portafólio é uma amostra do que deve ser o www.posugf.com.br 18 Planejamento Pedagógico dossier de estágio (em alguns países, como o Canadá, é costume chamar ao porta-fólio um dossier). O dossier é o recipiente onde se guardam todos os materiais produzidos durante o Estágio Pedagógico; o portafólio é uma seleção representativa do dossier, é aquilo que formalmente se vai apresentar para avaliação. Como na prática se torna impossível avaliar objetivamente todos os dossiers, a síntese proposta no porta-fólio, com alguns elementos de investigação pedagógica, é mais exequível e permite que o trabalho diário dos professores estagiários seja conhecido na sua globalidade por todos os intervenientes no processo de formação de professores. A adoção do porta-fólio da prática pedagógica, como documento orientador do Estágio e do Seminário Pedagógico, encontra ainda no novo quadro da formação inicial de professores, cuja reforma se prepara para um futuro próximo, uma grande aproximação aos princípios de qualidade da formação e de formação contínua ao longo do processo de profissionalização. O porta-fólio da prática pedagógica é, portanto, o elemento principal de avaliação nos Seminários Pedagógicos de Português e de Inglês, respeitando a especificidade de cada uma das disciplinas, que têm avaliações independentes. A estrutura interna do porta-fólio adotado é a seguinte: Capa 1. Identificação da instituição universitária e da escola básica/secundária afiliada; 2. Nome do formando/estagiário; 3. Nome do seminário; 4. Nome do docente do seminário; 5. Ano de escolaridade leccionado; 6. Data 1 página (seguida de 1 página em branco) 1. Organização do porta-fólio; Máximo 5 páginas Índice Introdução 2. Descrição geral das condições de trabalho e da organização do Estágio na escola afiliada; 3. A importância do porta-fólio na prática pedagógica; 4. A importância do Estágio Pedagógico na experiência profissional do professor estagiário (Resposta à pergunta: Porque é que ensino?). www.posugf.com.br 19 Planejamento Pedagógico I. Trabalho De Planificação 1. Breve descrição dos métodos de planificação e programação de aulas assistidas e regências adoptados na escola afiliada; Ponto 1 Máximo 1 página 2. Exemplo de uma planificação de unidade didáctica (incluindo enunciado de teste sumativo realizado em função desta unidade); 3. Planificação da primeira aula dessa unidade didáctica; 4. Planificação de uma aula assistida; 5. Planificação de uma aula de regência; 6. Reflexão crítica sobre os prós e os contras do trabalho realizado neste campo (com indicação das principais dificuldades encontradas). II. Execução e 1. Heteroavaliação das planificações apresentadas na secção anterior; 2. Autoavaliação das planificações apresentadas na secção anterior; Avaliação 3. Reflexão crítica sobre as formas de execução do trabalho planificado; III. Trabalho de projeto 1. Descrição de um trabalho de projecto realizado durante o Estágio Pedagógico. IV. 1. Um exemplo de um trabalho realizado por um aluno (composição, ensaio, reportagem, entrevista, projecto, peça literária, jornal escolar, prova escrita, produção com novas tecnologias, etc.) que represente um momento de sucesso escolar; Exemplos de boa prática pedagógica 2. Comentário do professor sobre o exemplo apresentado, justificando porque o considera uma prova de boa prática pedagógica. www.posugf.com.br Ponto 6 Máximo 2 páginas Máximo 5 páginas Máximo 10 páginas Máximo 1 página 20 Planejamento Pedagógico V. Metodologia específica do ensino da disciplina 1. Como se identificaram as principais dificuldades dos alunos da disciplina em causa? 2. Como se encorajaram esses alunos a ultrapassar tais dificuldades? Que técnicas se utilizaram? Máximo 5 páginas 3. Houve necessidade de introduzir o ensino diferenciado? Que procedimentos se adoptaram? 4. Que tipo de resultados se obtiveram em estreita relação com a metodologia escolhida pelo professor? VI. Relação com a Comunidade Educativa VII. 1. Descrição objectiva de todas as actividades realizadas com o objectivo de integrar o trabalho e a função do professor estagiário na comunidade educativa em que está inserido; Máximo 3 páginas 2. Reflexão crítica sobre a realidade escolar em que o professor estagiário está inserido. 1. Reflexão crítica sobre o trabalho pedagógico realizado em comum com os outros professores estagiários; Máximo 2 páginas Relações 2. Reflexão crítica sobre o trabalho pedagógico e Interpessoais profissional realizado com os orientadores pedagógicos locais e os coordenadores científicos do Departamento de Estudos Anglo-Portugueses. VIII. Síntese final 1. Breve reflexão sobre o percurso de formação inicial; 2. Pontos fortes do Estágio Pedagógico; 3. Pontos fracos do Estágio Pedagógico; Máximo 2 páginas 4. Expectativas pessoais de futuro na profissão Vídeo 8 Cálculo mental e registros em portfólio http://revistaescola.abril.com.br/matematica/pratica-pedagogica/calculomental-registros-portfolio-431349.shtml www.posugf.com.br 21 Planejamento Pedagógico Sugestão de constução do Portfólio do Aluno Processo de montagem do Portifólio: ●● Definir o por quê da avaliação por Portifólio; ●● Coletar amostras de trabalho; ●● Consultar o planejamento do professor e o registro dos alunos; ●● Realizar entrevistas; ●● Realizar registros e observações de trabalhos dos alunos; ●● Preparar relatórios narrativos; ●● Utilizar em reuniões com pais e com o aluno; ●● Usar em situações de transição. “O portifólio pode ser definido como uma coleção de itens que revela, conforme o tempo passa, os diferentes aspectos do crescimento e do desenvolvimento de cada criança. Podem conter anotações dos alunos e professores, amostra de trabalhos, fotografias, entrevistas com os alunos e com os pais e registros de desempenho. ●● Por que usar Portifólio: ●● ara melhorar a dinâmica na sala de aula; ●● Para evitar os testes padronizados; ●● Para envolver efetivamente a família no processo de avaliação dos alunos; ●● Para oferecer à criança aquilo que ela realmente necessita para seu progresso e para não utilizar a avaliação como um instrumento de classificação; ●● Para ultrapassar os limites da técnica e incorporar em sua dinâmica a dimensão ética, imersa na pedagogia da inclusão; ●● Para substituir o padrão de homogeneidade pelo da heterogeneidade; ●● Para possibilitar que o erro possa ser visto como um processo de construção do conhecimento que dá pistas sobre o modo como cada um está organizando seu pensamento; ●● Para possibilitar que todos possam aprender e ter valorizados seus conhecimentos, no seu tempo, por seus caminhos, com seus recursos e com a ajuda do coletivo. AMOSTRAS DE TRABALHOS Fotografias: As fotografias são um método poderoso de preservar e de apresentar informações sobre o que é e como as crianças estão aprendendo. Elas mostram detalhes de cenas e eventos que muitas vezes somente a observação ou descrição não conseguem captar. Desenhos: Desenhos, redações, atividades variadas são evidências claras do desenvolvimento cognitivo e das habilidades criativas dos alunos. Coletar sempre as fontes primárias, que são os materiais que não foram revisados. A professora deve escrever breves comentários sobre o trabalho Ditados: Os ditados são atividades importantes, porque demonstram à criança as conexões tanto entre a experiência e a narrativa como entre a linguagem oral e escrita. Entrevista: As entrevistas são ocasiões em que o professor e a criança discutem um único conteúdo em profundidade. As anotações escritas de entrevistas possibilitam atender as necessidades individuais dos alunos. www.posugf.com.br Como realizar: 22 Planejamento Pedagógico Com os pais: ●● Decidir se a entrevista será com uma ou mais crianças e qual o assunto que será abordado; ●● Dizer à criança sobre qual o assunto conversarão. Ex.: “eu quero saber o que você pensa sobre isto”? ●● Utilizar os materiais do aluno, caderno, livros etc... ●● Observar o material, questionar e registrar as respostas. Ler para o aluno o que você escreveu. Colocar a data. ●● Concluir a entrevista ajudando a criança a fazer anotações no seu caderno. ●● Relato Narrativo: Os relatos narrativos demonstram o progresso global da criança e ajudam o professor a preparar estratégias para suprir suas necessidades. Agendar o encontro com antecedência; Atender individualmente; Delimitar o tempo de cada encontro; Informar às crianças que você mostrará o portifólio para os pais. A reunião com os pais não tem apenas o objetivo de mostrar os trabalhos, mas permite aos professores conhecer as idéias dos pais sobre o aprendizado de seus filhos. Usar as reuniões também para envolvêlos em atividades de classe e em projetos. Mostrar aos pais as escolhas das crianças. Que tipo de trabalho temos em seu portifólio? Quais são seus melhores trabalhos? Qual você gostaria de ter feito de outro jeito? Com as professoras do próximo ano: Agendar um encontro com o (a) professor (a) da série que o aluno irá freqüentar no próximo ano. Analisar com ele (a) toda a produção que conste no portifólio. Amostras representativas de trabalho que demonstre avanços importantes ou problemas persistentes, devem ser discutidos. A observação sistemática do aluno leva ao aperfeiçoamento e à experimentação dos diferentes estilos de ensino, e permite aos profissionais um maior conhecimento sobre a abordagem de uma certa criança ao aprendizado. Dessa maneira, os professores descobrem o que motiva as crianças a aprenderem, como elas aprendem e como podem ser avaliadas. Outra característica importante é o respeito à diversidade que deverá se refletir no projeto político-pedagógico da escola e especialmente nas práticas pedagógicas na sala de aula.” No final da reunião, ajudar a criança a escrever um resumo de seus progressos e projetos para o futuro. Se a criança não conseguir escrever, escreva para ela. (Extraído de Diretrizes Curriculares para a Educação Municipal – Educação Especial – Secretaria de Educação da Prefeitura de Santa Maria (RS), 2008) ANÁLISE DO PORTIFÓLIO Com os alunos: Capacitar as crianças a pensar sobre seu desenvolvimento como aprendizes e a definir objetivos para si própria é uma parte importante do portifólio. Iniciar a análise examinando todos os registros e trabalhos que estão na pasta. Fazer algumas perguntas: www.posugf.com.br 23 Planejamento Pedagógico Planejamento é coisa séria Numa roda de amigos, em uma conversa informal, bastam dez minutos para que sejam contados vários casos de gente “que se deu mal” por não planejar suas ações. É verdade que pode sempre aparecer aquele que conte o caso do primo “que se deu bem”, mas isso é exceção e se formos investigar bem o ocorrido vamos descobrir que nem tudo foi obra do acaso. O planejamento na escola também não pode ser feito na base do improviso, pelo contrário, ele exige conhecimento da situação, da comunidade, dos alunos, dos recursos, estabelecimento de objetivos bem definidos e muita reflexão. Um dos pontos fundamentais a serem levados em conta é que o planejamento do ano letivo a ser iniciado começa na análise e avaliação dos resultados obtidos no ano anterior, e não termina com a entrega da avaliação final, porque supõe rupturas com o presente e promessas para o futuro. Além disso, nunca é demais ressaltar que se trata de uma ação intencional fruto de um compromisso assumido coletivamente. No último vídeo escolhido para esta aula você terá a oportunidade de retomar de maneira clara e concisa os aspectos do planejamento escolar. Vídeo 9 - Aspectos do Planejamento Escolar http://www.youtube.com/watch?v=u CQCtHOnwkM&playnext=1&list=PL3F4A 6154760220A5&index=24 www.posugf.com.br 24