Pós-Graduação a distância
Educação Especial / Educação Inclusiva
Didática
Planejamento Pedagógico
Drª Maria Luisa Sprovieri
Sumário
Planejamento Pedagógico............................................................ 3
Elaboração de Projetos, Planos de Aula e Portfólio........................... 3
Planejamento pedagógico............................................................ 3
Pontos positivos do ato de planejar............................................... 7
O que é necessário para planejar.................................................. 7
Elaboração de Projetos................................................................ 8
Planos de Aula.......................................................................... 11
Portfólio................................................................................... 15
Estrutura do portfólio................................................................. 17
AMOSTRAS DE TRABALHOS........................................................ 22
ANÁLISE DO PORTIFÓLIO........................................................... 23
Planejamento é coisa séria.......................................................... 24
Planejamento Pedagógico
Planejamento Pedagógico
Elaboração de Projetos,
Planos de Aula e Portfólio
Planejamento pedagógico
Na prática pedagógica, a observação,
o registro, a avaliação e o planejamento são
instrumentos importantes. Nesta aula, em
que trataremos de planejamento pedagógico,
projetos, plano de aula e portfólio, vocês
terão oportunidade de comprovar essa
afirmação.
Para iniciar, vamos refletir sobre o que
significa planejar, verbo sempre presente em
nossa vida pessoal e profissional, não importa
qual seja nossa área de atuação. Façamos
também uma reflexão sobre tudo que
pode ocorrer quando não há planejamento,
desde a falta de uma lista de compras no
supermercado até iniciar o ano letivo sem
ter a mínima idéia do quê, como e a quem
ensinar.
Vídeo 1
http://www.youtube.com/watch?v=LQS6VFdf
nTY&feature=related
A leitura do texto abaixo nos ajudará nesta
tarefa de reflexão:
“PLANEJAMENTO É
1. Planejamento é processo de busca de
equilíbrio entre meios e fins, entre recursos e
objetivos, visando ao melhor funcionamento
de empresas, instituições, setores de
trabalho, organizações grupais e outras
atividades humanas. O ato de planejar é
sempre processo de reflexão, de tomada de
decisão sobre a ação; processo de previsão
de necessidades e racionalização de emprego
de meios (materiais) e recursos (humanos)
disponíveis, visando à concretização de
objetivos, em prazos determinados e
etapas definidas, a partir dos resultados das
avaliações (PADILHA, 2001, p. 30).
2. Planejar, em sentido amplo, é um
processo que “visa a dar respostas a um
problema, estabelecendo fins e meios que
apontem para sua superação, de modo a
atingir objetivos antes previstos, pensando
e prevendo necessariamente o futuro”, mas
considerando as condições do presente,
as experiências do passado, os aspectos
contextuais e os pressupostos filosófico,
cultural, econômico e político de quem
planeja e com quem se planeja. (idem, 2001,
p. 63). Planejar é uma atividade que está
dentro da educação, visto que esta tem como
características básicas: evitar a improvisação,
prever o futuro, estabelecer caminhos que
possam nortear mais apropriadamente
a execução da ação educativa, prever o
acompanhamento e a avaliação da própria
ação. Planejar e avaliar andam de mãos
dadas.
3. Planejamento Educacional é “processo
contínuo que se preocupa com o ‘para
onde ir’ e ‘quais as maneiras adequadas
para chegar lá’, tendo em vista a situação
presente e possibilidades futuras, para que o
desenvolvimento da educação atenda tanto
as necessidades da sociedade, quanto as do
indivíduo” (PARRA apud SANT’ANNA et al,
1995, p. 14).
Para Vasconcellos (1995, p. 53), “o
planejamento do Sistema de Educação é
o de maior abrangência (entre os níveis
do planejamento na educação escolar),
correspondendo ao planejamento que é feito
em nível nacional, estadual e municipal”,
incorporando as políticas educacionais.
4. Planejamento Curricular é o “processo
de tomada de decisões sobre a dinâmica
da ação escolar. É previsão sistemática e
ordenada de toda a vida escolar do aluno”.
Portanto, essa modalidade de planejar
www.posugf.com.br
3
Planejamento Pedagógico
constitui um instrumento que orienta a ação
educativa na escola, pois a preocupação é
com a proposta geral das experiências de
aprendizagem que a escola deve oferecer ao
estudante, através dos diversos componentes
curriculares (VASCONCELLOS, 1995, p. 56).
5. Planejamento de Ensino é o processo
de decisão sobre atuação concreta dos
professores, no cotidiano de seu trabalho
pedagógico, envolvendo as ações e situações,
em constante interações entre professor e
alunos e entre os próprios alunos (PADILHA,
2001, p. 33). Na opinião de Sant’Anna et al
(1995, p. 19), esse nível de planejamento
trata do “processo de tomada de decisões
bem informadas que visem à racionalização
das atividades do professor e do aluno, na
situação de ensino-aprendizagem”.
6. Planejamento Escolar é o planejamento
global da escola, envolvendo o processo de
reflexão, de decisões sobre a organização, o
funcionamento e a proposta pedagógica da
instituição. “É um processo de racionalização,
organização e coordenação da ação
docente, articulando a atividade escolar e a
problemática do contexto social” (LIBÂNEO,
1992, p. 221).
Tem sua expressão nos programas e,
mais especificamente, nos projetos, sendo
sobretudo tarefa de administradores, onde a
ênfase é o presente, momento de execução
para solucionar problemas (idem.).
(Baffi, Maria Adelia Teixeira. O planejamento em Educação:
revisando conceitos para mudar concepções e práticas, 2002)
Planejamento Pedagógico, também
chamado Projeto Político Pedagógico, é o
projeto integral da escola e envolve os aspectos pedagógicos,
comunitários e administrativos.
“Existem outros termos que se referem ao
planejamento.
Vamos acrescentá-los:
Plano: um documento utilizado para o registro de
decisões, como o que se pensa fazer, como fazer, quando
fazer, com quem fazer. Todo plano começa pela discussão
sobre os fins e objetivos do que se pretende realizar. Na
educação, ele apresenta de forma organizada as decisões
tomadas em torno das práticas educativas que serão
desenvolvidas. O plano é produto do planejamento e funciona
como guia do(a) professor(a). Como acompanha uma prática,
está sempre sujeito a modificações.
Há diferentes planos na educação
7. Planejamento Político-Social tem como
preocupação fundamental responder as
questões “para quê”, “para quem” e também
com “o quê”. A preocupação central é definir
fins, buscar conceber visões globalizantes
e de eficácia; serve para situações de crise
e em que a proposta é de transformação,
em médio prazo e/ou longo prazo. “Tem o
plano e o programa como expressão maior”
(GANDIN, 1994, p. 55).
8. No Planejamento Operacional, a
preocupação é responder as perguntas
“o quê”, “como” e “com quê”, tratando
prioritariamente dos meios. Abarca cada
aspecto isoladamente e enfatiza a técnica, os
instrumentos, centralizando-se na eficiência e
na busca da manutenção do funcionamento.
Plano Nacional de Educação: nele se reflete a
política educacional de um povo, num determinado momento
da história do país. É o de maior abrangência porque interfere
nos planejamentos feitos no nível nacional, estadual e
municipal.
Plano de Curso: é a organização do conjunto de
matérias que vão ser ensinadas e desenvolvidas durante o
período de duração de um curso. O
plano sistematiza a proposta geral de
trabalho do professor.
Plano de Ensino: o plano de disciplinas, de unidades
e experiências propostas pela escola, professores, alunos ou
pela comunidade. Ele é mais específico e concreto em relação
aos outros planos.
www.posugf.com.br
4
Planejamento Pedagógico
Plano de Aula: é o plano mais próximo da prática do
professor e da sala de aula. Refere-se totalmente ao aspecto
didático.
Projeto: a palavra projeto significa ir para a frente. O
projeto traz a idéia de movimento. No projeto são registradas
as decisões das propostas futuras. Como tudo que envolve
mudança, projetar significa sair de uma situação conhecida
para buscar uma outra.”
(Brasil – Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade.
Trabalhando com a educação de jovens
e adultos: avaliação e planejamento.
2006. Disponível em http://portal.mec.
gov.br/secad/arquivos/pdf/eja_caderno4.pdf, acesso em 18/12/2010)
Conforme Ribeiro (2000),
“uma das grandes inovações da nova LDB
é a indicação de que cada escola elabore a
sua própria proposta pedagógica, que neste
texto será entendida como semelhante à
ideia do Projeto Pedagógico. No capítulo IV,
art.12, ela afirma:
Os estabelecimentos de ensino,
respeitadas as normas comuns e as do seu
sistema de ensino, terão a incumbência de:
I – elaborar e executar a proposta
pedagógica;
No artigo seguinte, o 13, ela afirma:
Os docentes incumbir-se-ão de:
I – participar da elaboração da proposta
pedagógica do estabelecimento de ensino;
II – elaborar e cumprir plano de trabalho,
segundo a proposta pedagógica do
estabelecimento de ensino;
A inovação consiste em oferecer às
escolas a oportunidade de refletir sobre
sua realidade específica, enquanto corpo
único de alunos, professores e funcionários,
situados em um espaço específico, vivendo
uma realidade social e cultural específica. A
especificidade de cada escola deve expressarse pedagogicamente por meio de sua própria
proposta.
A possibilidade de construção de uma
proposta pedagógica é o reconhecimento
da diversidade cultural, social e geográfica
existente no território nacional em todos os
seus níveis, estadual e municipal, e, neste
caso, a grande diversidade existente em
cidades de grande dimensões como São
Paulo.”
Vale novamente ressaltar que o
planejamento pedagógico não é algo que
se faz às pressas, individualmente e sem
compromisso. Pelo contrário, ele é fruto do
trabalho coletivo e de um processo que se
reveste de muita responsabilidade e respeito
pelo aluno e pela educação. O texto abaixo,
retirado do site do Centro de Referência em
Educação Mário Covas, sintetiza bem essa
questão do trabalho coletivo:
“Da intenção à ação concreta
O processo de planejamento é um
momento precioso de reflexão coletiva, no
qual a escola tem a oportunidade de exercer
sua autonomia. Sob a liderança do diretor
e do coordenador pedagógico, ele envolve
todos os segmentos da escola - professores,
funcionários, pais e alunos, para traçar a
arquitetura do novo ano e lançar as bases
da construção do saber que se processará
por todo o período letivo. É também no
planejamento que a escola constrói, passo
a passo, sua identidade, transformando
intenções em ações concretas.”
(Disponível em http://www.crmariocovas.sp.gov.br/
prp_a.php?t=018, acesso em 06/01/2011)
Logo na apresentação desta aula,
aparece a palavra avaliação e alguém
pode se perguntar a razão do seu uso,
dessa maneira, vamos deixar clara a
www.posugf.com.br
5
Planejamento Pedagógico
relação estreita entre planejamento e
avaliação:PLANEJAMENTOVALIAÇÃO E
PLANEJAMENTO
“Pensar e agir é uma marca de todos
nós, seres humanos. Afinal, foi pensando e
agindo que chegamos ao nosso complexo
mundo de hoje. Durante toda nossa história,
mulheres e homens criaram, aprenderam e
transformaram o mundo tendo em mente
alcançar determinados sonhos ou resultados.
Algumas vezes, agiram sem ter clareza
do lugar onde queriam chegar. Foram,
simplesmente, fazendo e constatando o feito.
Outras vezes, agiram de modo planejado,
estabeleceram objetivos e buscaram alcançálos intencionalmente.
Planejar é a atividade em que se projetam
fins e se estabelecem os meios para chegar
até eles.
Planejar implica fazer escolhas. E, para
bem fazê-las é preciso conhecer a realidade
para poder determinar onde chegar e de que
forma ir até lá.
Mas, antes de planejar é necessário
descobrir onde estamos, para estabelecer
as bases que garantirão a construção do
planejamento. Esta prática que precede o
planejamento é a avaliação.
Neste sentido, avaliação e planejamento
caminham juntos.
Na escola não é diferente. Avaliação e
planejamento se unem à prática pedagógica
numa relação contínua. O (a) professor (a)
avalia para planejar, planeja para atuar junto
aos alunos, para voltar a avaliar, novamente
planejar, novamente atuar,... numa onda sem
fim.”
(Brasil – Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Trabalhando com a educação de jovens e adultos: avaliação e planejamento.
2006. Disponível em http://portal.mec.gov.br/
secad/arquivos/pdf/eja_caderno4.pdf, acesso em
18/12/2010)
Como todo processo, o planejamento
também pode apresentar problemas e
conflitos em sua elaboração. Fusari (1998)
aponta que:
“O contato direto com professores tem
revelado um certo grau de insatisfação destes
em relação ao trabalho de planejamento. O
que se ouve, com certa freqüência, são falas
do tipo: “Eu acho importante planejamento,
mas não da forma como vem sendo
realizado”; “Eu acho que dá para trabalhar
sem planejamento”; “Do jeito que as coisas
estão, impossível planejar o meu trabalho
docente; vivo de constantes improvisações’;
“Eu não acredito nos planejamentos
tecnicistas que a Rede vem elaborando
mecanicamente e que nada têm a ver com
a sala de aula”; “Eu sempre transcrevo o
planejamento do ano anterior, acrescento
algo quando dá, entrego e pronto. Cumpri a
minha obrigação”.
Diante desta realidade, uma questão
necessita ser colocada: por que os
professores percebem e apresentam estas
atitudes diante do planejamento do trabalho
pedagógico? Mais: isto não seria uma ponta
do problema? Como superá-lo?
Na educação não é diferente. Nela o planejamento busca
a intervenção mais eficiente do (a) professor(a), organizando
melhor os recursos disponíveis: o tempo do(a) professor(a)
e dos alunos, o espaço físico, os materiais pedagógicos
disponíveis, a experiência dos alunos etc.”
Diante do que foi exposto, tornase necessário então deixar explícito o
que se exige do educador no processo de
planejamento:
“O ato de planejar o processo de ensino
e de aprendizagem exige dos professores a
definição de valores, significados e concepção
de educação. Os documentos base desse
www.posugf.com.br
6
Planejamento Pedagógico
processo de integralização das ações
educativas são o PPP e Regimento Escolar.
zados no processo de ensino e
aprendizagem.
O que é necessário para
planejar
O planejamento de ensino constituise em espaço coletivo para discussão,
sistematização e apropriação da práxis de
instrumentos teórico-metodológicos, que
permitam a todos os envolvidos reafirmar
suas posições e avaliar suas práticas,
ressignificando-as. Nesta perspectiva, o
planejamento deve ser concebido,assumido
e vivenciado no cotidiano da prática social
docente como um ato político, de resgate dos
princípios que embasam a prática pedagógica
num processo de ação-reflexão-ação,como
base para a estruturação pedagógica da
escola.Através do planejamento, o professor
cria o contexto adequado para que ocorra
realmente a aprendizagem,bem como para
intervir neste processo corrigindo possíveis
desvios.
●● Respeito ao nível de desenvolvimento do aluno;
●● Contextualização com a realidade
social do educando;
●● Acesso aos documentos da Rede
Municipal de Ensino: Marcos de
●● Aprendizagem, PCN, RCNEI, PPP,
Diretrizes Curriculares do Ensino
Fundamental, da EJA, Ambiental, do Ensino da História e da
Cultura Afrobrasileira e Africana e
materiais didáticos.*
●● Capacidade de trabalho em equipe;
●● Iniciativa na busca de informações e autoformação ( seleção, organização e comparação
de informações);
●● Clareza dos objetivos, habilidades e competências que se
quer alcançar;
Pontos positivos do ato de
planejar
●● Tomada de decisões refletidas
e fundamentadas com base na
avaliação diagnóstica;
●● Esclarecimento dos objetivos
propostos nas atividades de ensino que serão realizadas;
●● Previsão de possíveis dificuldades;
●● Organização e articulação das
ações educativas;
●● Otimização de tempo e do espaço
pedagógico;
●● Previsão dos momentos
necessários para avaliar o desempenho acadêmico dos alunos;
●● Garantia da seqüência lógica e
didática no desenvolvimento das
atividades;
●● Monitoramento dos resultados da
aprendizagem;
●● Estabelecimento dos critérios e
instrumentos de avaliação utili-
Consideração ao conhecimento do aluno e
às suas capacidades.
O Planejamento engloba a organização de:
Plano de Ação – responsabilidade do
Coordenador Pedagógico em parceria com
participantes da comunidade escolar.
Plano de Ensino / Plano de Aulas –
responsabilidade do professor em parceria
com o Coordenador Pedagógico.”
(SALVADOR/SMEC. Coordenador pedagógico: traçando caminhos para a sua prática educativa. 2008)
* Isso no caso específico de Salvador,
mas cada planejamento requer o acesso a
documentos de acordo com o sistema de
ensino a que pertence a escola.
www.posugf.com.br
7
Planejamento Pedagógico
Elaboração de Projetos
Como já dissemos anteriormente, “a palavra
projeto significa ir para a frente. O projeto traz a idéia de
movimento. No projeto são registradas as decisões das
propostas futuras. Como tudo que envolve mudança, projetar
significa sair de uma situação conhecida para buscar uma
outra.”
Atualmente, fala-se muito em projetos, mas o que significa
elaborar um projeto pedagógico?
Ribeiro (2000) formula também as seguintes questões:
“Quais são os componentes de um projeto pedagógico? Por
onde começa a elaboração de um projeto pedagógico? Quem
participa? Quanto tempo leva para ser elaborado?”
E o mesmo autor apresenta respostas a essas indagações:
“Se nós tentarmos responder a essas
perguntas já teremos boas pistas para
elaborar um projeto pedagógico. Essas
perguntas mais aquelas que você e todos os
que participarem da elaboração do projeto
tiverem a imaginação, a ideia, a oportunidade
de formularem. Você, o professor, o diretor,
o pai, o coordenador, o aluno, o inspetor
de aluno, o diretor de ensino, enfim, todos
os que participam da vida de uma escola.
Quem sabe até aquele soldado da PM que,
ultimamente, tem se tornado tão familiar na
vida escolar, porque também a violência tem
se tornado parte da vida dela.
Concepção e Elaboração do Projeto
Pedagógico
●● Construção coletiva sob coordenação da direção
●● Participação dos professores
●● Participação dos alunos
●● Colaboração dos pais
●● Obediência às diretrizes estaduais e nacionais
●● Formação permanente dos professores
Elaborar o projeto é traçar rumos de
atuação para todos, organizando
o tempo, o espaço, as rotinas,
estabelecendo a natureza das relações entre
as pessoas, definindo a proposta curricular
(O que ensinar? Como ensinar? Para quem
ensinar?), sempre tendo em vista a realidade
(ponto de partida) e onde se deseja chegar.
A elaboração de um projeto pedagógico é
uma tarefa árdua, difícil, longa, permanente.
É muito importante que cada escola se
proponha a criar o seu projeto e levá-lo
adiante. Na sua fase inicial, ela pode levar de
seis meses a um ano.
É necessário, também, que cada
instituição, cada diretor, cada coordenador
pedagógico, cada professor, tenha consciência
de que esta é uma tarefa permanente. Um
Projeto Pedagógico nunca está pronto se a
escola é um espaço vivo, que está pensando
em si mesmo o tempo todo, pensando em
melhorar sua qualidade, a cada ação que
executa.
A elaboração de um projeto é um processo
por ser o conjunto de ações que todos os
atores de uma escola realizam por meio de
todas as suas ações individuais, ao longo do
tempo. São ações que adquirem sentido, e se
definem como proposta quando articuladas
umas às outras. Sem essa articulação, ela
não adquire significado. É ação desatinada
e sem direção, condenada a se perder no
vácuo, ação sem rastro.”
Os projetos na sala de aula
O trabalho com projetos educacionais
vem ganhando espaço devido às inúmeras
vantagens que apresenta, sendo a principal
delas a interação dos alunos. Trata-se de uma
estratégia de ensino que não deve ser vista
como um modismo, nem como desculpa para
preencher espaços considerados ociosos,
www.posugf.com.br
8
Planejamento Pedagógico
muito menos para “livrar” o professor da
tarefa de ensinar.
Os projetos permitem o rompimento da
passividade do aluno, situação tão conhecida
e apontada por muitos como o principal fator
do desinteresse, do fracasso e da evasão
escolar. Ao longo das etapas de execução
do projeto o aluno participa do processo de
construção do conhecimento, desenvolvendo
sua autonomia.
Qualquer projeto educacional deve
estar inserido no projeto pedagógico da
escola, além disso, deve ser apresentado de
forma clara aos alunos, sem pontos ocultos
ou obscuros, nem “pegadinhas”. Dito de outra
forma, os alunos devem se sentir incluídos no
projeto desde o primeiro momento.
“São diversos os benefícios proporcionados
pelo desenvolvimento de projetos”, aponta
Eyng (2009). Cita, entre eles, “a abordagem
interdisciplinar no processo ensinoaprendizagem e a ação colegiada no processo
pedagógico, além do potencial mobilizador,
que gera motivação, desafio, gratificação e
maior fundamentação na formação teórica e
prática de alunos e professores”.
Conforme Eyng,
“é importante assinalar, inicialmente, que
as demandas educativas atuais estabelecem
desafios novos para a escola, professores
e alunos. Essas demandas exigem que
sejam ampliados os entendimentos, os
tempos e os espaços da sala de aula. O
trabalho com projetos que tem como foco
a aprendizagem amplia o entendimento, o
tempo e o espaço da sala de aula. Tanto a
reflexão teórica quanto as experiências de
aplicação demonstram que os benefícios
proporcionados pelo desenvolvimento de
projetos são diversos. Num trabalho de
formação continuada de professores de
uma rede municipal de ensino do Estado do
Paraná, que tive o privilégio de assessorar e
no qual pudemos estudar, planejar, aplicar
e avaliar o trabalho com projetos, ao final
sistematizamos os benefícios possibilitados.
Assim, podemos listar como benefícios
do trabalho com projetos que abrangem a
escola, os professores e os alunos:
1. a avaliação do projeto da escola;
2. a formação continuada dos profissionais
da escola;
3. a aprendizagem continuada do professor
no movimento ação-reflexão-ação extensivo
a toda a organização escolar;
4. a ação colegiada no processo
pedagógico;
5. a prática pedagógica reflexiva;
6. a superação das dificuldades de
aprendizagem (de alunos, professores e da
escola), manifestadas por intermédio da
rotina, insegurança ou medo;
7. a quebra de paradigmas superando
modelos mentais arraigados;
8. a apresentação de potencial mobilizador,
gerando motivação, desafio, gratificação e
maior fundamentação na formação teóricoprática de alunos e professores;
9. a abordagem interdisciplinar no
processo ensino-aprendizagem;
10. a melhora da aprendizagem no
processo pedagógico;
11. a ampliação do espaço e do tempo da
aprendizagem.”
No que diz respeito ao desempenho
dos alunos, Eyng ressalta que a melhora é
bastante significativa, além disso,
“os problemas de comportamento (tais
como competição, indisciplina, indiferença,
acomodação, briga, desrespeito, conflito) e
as dificuldades na aprendizagem (tais como
atenção, aprender a pensar, audição, dicção,
interpretação, concentração, coordenação
motora, expressão corporal, leitura e escrita,
matemática – situações-problema, tabuada,
divisão, associar o número à quantidade,
etc.), relacionados pelos professores no início
da capacitação, já referida, foram atenuados
e/ou superados.
Isso ocorre quando se dá ao aluno
a oportunidade de refletir e pesquisar,
www.posugf.com.br
9
Planejamento Pedagógico
vinculando as suas referências, sua bagagem
de conhecimento ao conhecimento científico,
já sistematizado, relacionando-os com a
realidade. Dando-lhe, ainda, a oportunidade
de experimentar, investigar, trocar ideias.
Assim, o aluno estará pesquisando e
construindo um conhecimento significativo
que lhe permite compreender e significar o
cotidiano e os diversos contextos locais e
globais.
No trabalho com projetos, os diferentes
estilos de aprendizagem, considerando as
características, os talentos e as qualidades
dos aprendizes, podem ser mobilizados com
o intuito de superar as dificuldades que
impedem a aprendizagem. Outra estratégia
importante é valorizar as atividades
preferidas pelo grupo, pois elas têm grande
poder mobilizador.
A proposta permite o desenvolvimento
da criatividade, da inovação, da quebra
das rotinas, da utilização de materiais
diversificados. Na contextualização do
projeto, a maior riqueza da proposta está
na utilização da realidade como fonte de
pesquisa, pois essa se constitui, sem dúvida,
numa fonte disponível, barata e inesgotável
de informações.
Eyng afirma que o trabalho com
projetos
“se pauta na pesquisa, vinculada ao
projeto pedagógico da escola, que seja fruto
de reflexão coletiva e continuada, e que de
preferência se paute numa concepção de
currículo integrado.
A participação irá se dar por meio
de planejamento, aplicação e avaliação
participativa de projetos de pesquisa
interdisciplinar. Essa participação, a que me
refiro, dá-se em dois níveis:
1. a participação efetiva do professor na
elaboração do projeto da escola – a partir do
qual irá desenvolver os projetos em sala de
aula;
2. a participação dos alunos no
planejamento, aplicação e avaliação do
projeto de aprendizagem.
O currículo integrado, nessa proposta,
poderá contribuir na superação da
dicotomia e da fragmentação formativa,
pois enfatiza a produção do conhecimento
interdisciplinar, contextualizado e inovador.
O currículo integrado seria aquele capaz
de promover a interrelação teórico-prática
no processo formativo e, ainda mais,
permitir às disciplinas interatuarem como
unidades integradas e contextualizadas. Esta
modalidade enfatiza a problematização na
construção do conhecimento.”
Sobre o encaminhamento metodológico,
Eyng sugere a consideração de quatro etapas
interrelacionadas e complementares:
“A) Mobilização para o conhecimento:
na mobilização, definido coletivamente o
tema da aprendizagem, cabe ao professor
provocar, nos aprendizes, a curiosidade, a
motivação para aprender, enfim, mobilizálos para que o processo de aprendizagem
se inicie. Sugestão de procedimentos:
observação e análise de filmes, fotografias,
músicas, poemas, pequenos textos, gravuras
e gráficos, além de perguntas e relato de
fatos do cotidiano.
B) Pesquisa do conhecimento
sistematizado: no segundo momento, na
pesquisa do conhecimento sistematizado,
objetiva-se o levantamento dos conceitos
básicos e iniciais já sistematizados
disponíveis a respeito do tema,
compreendendo o conhecimento sobre a
realidade. Esses conceitos iniciais são de
extrema relevância para a operacionalização
da fase seguinte, que objetiva interrogar a
realidade, questionando o conhecimento já
sistematizado. Sugestão de procedimentos:
coleta de informações sistematizadas sobre
o tema consultando livros, revistas, jornais e
meios eletrônicos.
C) Pesquisa de campo: no terceiro
momento, processa-se a pesquisa de campo,
quando o aprendiz irá aprender com, na e da
realidade. Os sujeitos interrogam a realidade,
inseridos, envolvidos nela. Sugestão de
procedimentos: coleta de informações na
www.posugf.com.br
10
Planejamento Pedagógico
vida real, utilizando observação, entrevistas,
aplicação de questionários.
D) Atividades de aplicação,
aprofundamento e sistematização do
conhecimento: é no quarto momento
que o conhecimento é sistematizado e
reintegrado à prática, mediante atividades de
aplicação, aprofundamento e sistematização
do conhecimento produzido. Aqui se abrem
novos questionamentos que poderão
desencadear um novo processo. Sugestão
de procedimentos: produção de textos
individuais e coletivos, debates, elaboração
de relatórios, organização de campanhas de
conscientização da comunidade, palestras,
confecção de maquetes, painéis, criação de
poesias, músicas, peças teatrais, gráficos e
tabelas.”
Vídeo 2
http://www.youtube.com/watch?v
=dQ7aifxh16Y&feature=related - Celso
Antunes: Trabalhando com projetos
Delia Lerner, uma das autoras mais
presentes em concursos na área da Educação
por seu reconhecido trabalho na área de
ensino da escrita e da leitura e também da
Matemática, é uma grande defensora do
trabalho com projetos.
Ao tratar das dificuldades envolvidas na
escolarização das práticas de leitura e escrita
e as tensões entre os propósitos didáticos
e as práticas sociais de leitura e escrita,
como a de determinar quando e como elas
são aprendidas, e, principalmente, o que
se aprende, e a de encontrar um equilíbrio
entre os propósitos didáticos e os propósitos
comunicativos, Lerner aponta como saída
o trabalho com projetos de produçãointerpretação. Esse tipo de projeto permite
que “todos os integrantes da classe – e
não só o professor – orientem suas ações
para o cumprimento de uma finalidade
compartilhada”.
O trabalho por projetos, afirma Lerner,
possibilita a resolução de outros dois
problemas: a relação entre o tempo e o
saber e a necessidade da escola de controlar
a aprendizagem, pois favorece a autonomia
dos alunos. Como exemplo de projeto, Lerner
cita a elaboração de uma carta de leitor, com
um tema atual e que se relacione com a
realidade do aluno.
A educadora observa, ainda, que trabalhar
com projetos requer entrecruzar práticas que
demandam tempos diferentes de realização,
assim o aluno pode, simultaneamente,
participar de diferentes atividades.
Vídeo 3
http://www.youtube.com/watch?v=Y
dKIkbk1Ajs&feature=related - Projetos
Educacionais e Avaliação
Planos de Aula
Video 4 - Planejamento tintim por
tintim
http://www.youtube.com/watch?v=P
nRUXfyHHNY&p=B159E7863E73D086
“O preparo das aulas é uma das atividades
mais importantes do trabalho do profissional
de educação escolar. Nada substitui a tarefa
de preparação da aula em si. Cada aula é um
encontro curricular, no qual, nó a nó, vai-se
tecendo a rede do currículo escolar proposto
para determinada faixa etária, modalidade ou
grau de ensino.
Também aqui vale reforçar que faz parte
da competência teórica do professor, e dos
seus compromissos com a democratização do
ensino, a tarefa cotidiana de preparar suas
aulas, o que implica ter claro, também, quem
é seu aluno, o que pretende com o conteúdo,
como inicia rotineiramente suas aulas, como
as conduz e se existe a preocupação com
uma síntese final do dia ou dos quarenta ou
www.posugf.com.br
11
Planejamento Pedagógico
cinqüenta minutos vivenciados durante a
hora-aula. A aula, no contexto da educação
escolar, é uma síntese curricular que
concretiza, efetiva, constrói o processo de
ensinar e aprender.
O aluno precisa ir percebendo, sentindo e
compreendendo cada aula como um processo
vivido por ele para que, na especificidade da
educação escolar, avance, comodiz SAVIANI
(1987), do “senso comum” à “consciência
filosófica”.
A aula, por sua vez, deve ser concebida
como um momento curricular importante, no
qual o educador faz a mediação competente
e critica entre os alunos e os conteúdos
do ensino, sempre procurando direcionar
a ação docente para: estimular os alunos,
via trabalho curricular, ao desenvolvimento
da percepção crítica da realidade e de
seus problemas;. estimular os alunos ao
desenvolvimento de atitudes de tomada de
posição ante os problemas da sociedade;
valorizar nos alunos atitudes que indicam
tendência a ações que propiciam a superação
dos problemas objetivos da sociedade
brasileira.(Fusari, 1998)”
Video 5 - Planejamento tintim por
tintim
http://www.youtube.com/watch?v=P
nRUXfyHHNY&p=B159E7863E73D086
A mesma opinião sobre a importância do
plano de aula é compartilhada por Marlene
Grillo (2008), pois é por meio dele que
“o educador pode fazer a previsão dos
conteúdos que serão dados, as atividades
que serão desenvolvidas, os objetivos que
pretende alcançar, e as formas de avaliação.”
Um plano de aula tem sempre sua origem
num projeto pedagógico institucional que
dinamiza as direções do ensino, detalhadas
num plano de curso e de unidade. É uma
previsão de atividades vinculadas a um
plano de ensino mais amplo desenvolvidas
em etapas seqüenciais, em consonância
com objetivos e conteúdos previstos. Serve
para organizar a intenção do professor e o
modo de operacionalizá-la. Expressa, ainda,
as opções desse professor diante de seu
contexto de trabalho, que implica pensar
simultaneamente o conteúdo e os sujeitos
com os quais interage.
Todo plano de aula, além de ser um guia,
traz implícitas questões pessoais do professor
comprometido com sua tarefa e com seus
alunos: por que faço o que faço ao ensinar?
o que é uma aula: espaço de parceria ou
de resistência? como mobilizar o aluno
para aprender? como verificar se o aluno
aprendeu?” (Grillo, 2008)
Um ponto importante a ser observado
no plano de aula é que ele não deve ser
visto como uma camisa-de-força, pois é na
hora de ser colocado em prática que podem
surgir dificuldades inesperadas. Desse modo,
observa Grillo, “o cenário da aula exige
permanente atitude reflexiva do professor
para recriar e redirecionar ações sempre que
novos interesses e necessidades imprevistas
surgirem, o que não significa despreparo
docente, mas competência para ‘agir na
urgência e decidir na incerteza’, como ensina
Perrenoud. (...) O plano, como resultado
do processo de planejamento, permite
ao professor distanciar-se de sua prática,
sistematizá-la e tornar mais conscientes as
opções para a organização da aula. O plano
documenta a experiência em suas intenções
iniciais e permite o retorno a ela após o
vivido para sua avaliação.”
Grillo ressalta também que:
“Mais do que saber elaborar um plano, é
necessário acreditar que ele é o instrumento
pessoal e intransferível de trabalho do
professor, e expressa as concepções teóricas
que sustentam suas atividades docentes.
Importante não é estabelecer um roteiro
/ modelo padrão de plano, mas o registro
dos aspectos que orientam o professor para
estruturar a prática. O estabelecimento de
modelos pode burocratizar o planejamento
e restringir as possibilidades de auto-
www.posugf.com.br
12
Planejamento Pedagógico
organização do professor na elaboração do
plano.
Além de elaborar o plano, o professor
deve levar em consideração a relação entre
suas intenções e o modo como os alunos
as percebem, pois às vezes são necessários
pequenos ajustes em qualquer dos elementos
do plano para uma boa condução da aula.”
A respeito de situações que necessitam
ajustes temos esse interessante relato de
uma professora alfabetizadora de jovens
adultos:
A linguagem escolar e o que a escola
requisita aos alunos é algo próprio a ela.
É uma linguagem e um modo de tratar o
conhecimento diferente daquele construído
nas experiências cotidianas. Muito nos
ajudaria entender como esses processos de
aprendizagem ocorrem com nossos alunos
e como podemos estabelecer as necessárias
conexões de forma a não impor uma forma
que idesconsidere os estilos de aprendizagem
já trazidos por eles, mas, ao contrário,
ampliá-los.
Uma experiência interessante sobre o
assunto é descrita pela professora Denise
Lino de Araújo5, na cidade de Cosmópolis.
Ela relata a observação realizada em seu
próprio trabalho, onde algo que parecia tão
claro para ela não era igualmente entendido
por seus alunos. Criava-se assim um
distanciamento entre o que ela solicitava
e o que os alunos realizavam. Ela pensava
que por meio dos textos propostos em aula
seria possível estabelecer um trabalho a
partir do conteúdo estudado, pois para ela
os textos eram interessantes e traziam
questões importantes para a classe. Ela
detectou dois problemas principais: para
ela o texto escrito era o “elemento central e
estruturador da aula” (2001:162-170), ou
seja, todo o desenvolvimento do trabalho
proposto partiria do texto. Este teria a
função de buscar ou confirmar informações
e servir como modelo-padrão de escrita.
Outro problema: por sua formação escolar e
profissional, exigia dos alunos uma resposta
pouco flexível, quer dizer, esperava que os
alunos reagissem à proposta da atividade
de uma determinada maneira. O que ela
verificou, a partir da reflexão de sua prática,
e por isso é importante que ponderemos
sobre nossa prática, foi que, em relação ao
texto, os alunos o viam como suporte para
uma atividade didática. Melhor dizendo, o
texto seria utilizado porque dele se pediria
uma tarefa escrita. Por sua experiência em
resolver e discutir os assuntos necessários e
importantes por intermédio da oralidade, os
alunos não tinham uma relação com os textos
escritos como a professora esperava (que era
a que ela tinha). Dessa forma, algumas vezes
a professora fazia um esforço em focar a aula
para aquilo que o texto trazia, e os alunos
freqüentemente desviavam a discussão
para fatos que julgassem mais oportunos
ou interessantes. Geralmente esse debate
coletivo tomava mais o tempo da aula do que
a polêmica centrada no artigo, mesmo com
a utilização de proposições que a professora
julgava serem importantes e interessantes
para os alunos. A professora pôde observar
que o problema central residia no fato de que
o texto tinha uma importância determinada
para o seu plano de aulas. Em contrapartida,
os alunos atribuíam outra noção de valor ao
mesmo. A partir daí, foi possível reelaborar
sua didática.
(Para conhecer todo o relato da experiência
ler o capítulo “O Mal-Entendido em Sala de
Aula e as Diferenças na Apreensão do Texto
como Objeto de Estudo”, capítulo integrante
do livro O Ensino e a Formação do Professor.
In Orientações Didáticas: Alfabetização e
Letramento EJA e MOVA, 2008)
Video 6 - Planejamento tintim por
tintim
http://www.youtube.com/watch?v=P
nRUXfyHHNY&p=B159E7863E73D086
Muitas vezes, o professor tem um modelo
de plano de aula proposto pelo sistema de
ensino a que pertence, entretanto isso não
www.posugf.com.br
13
Planejamento Pedagógico
significa que a elaboração do plano se resuma
a um simples preencher de formulário, como
deixamos bem claro no que foi exposto até
agora.
A seguir apresentamos um modelo,
do qual você deverá fazer uma análise
crítica para, a partir daí, poder identificar os
pontos positivos e os negativos. No primeiro
caso, você poderá extrair ensinamentos,
sugestões e, também, adaptar o modelo às
necessidades da instituição escolar da qual
você faz parte.
“Ler e escrever com Parlendas
22.09.2008
Autora Eliane Candida Pereira
SAO PAULO - SP Universidade de São Paulo
Estrutura Curricular
Modalidade/Nível de Ensino: Ensino
Fundamental Inicial
Componente Curricular: Língua Portuguesa
Tema: Análise e reflexão sobre a língua
Modalidade/Nível de Ensino: Ensino
Fundamental Inicial
Componente Curricular: Alfabetização
Tema: Processos de Leitura
O que o aluno poderá aprender com esta
aula
Realizar antecipações e interpretações
durante a leitura; ajustar o texto falado ao
texto escrito durante a leitura; desenvolver
habilidades de expressão escrita e oral;
desenvolver a atitude de colaboração.
Duração das atividades
4 aulas
Conhecimentos prévios trabalhados pelo
professor com o aluno
Faça um levantamento sobre quais são as
parlendas conhecidas dos alunos.
Estratégias e recursos da aula
1ª. Etapa:
Lendo parlendas...
Para iniciar o trabalho é importante
saber quais parlendas os alunos conhecem
e comentar que muitas parlendas são
conhecidas também como canções. Em
seguida, faz-se a apresentação do vídeo A
Velha a Fiar.
A velha a fiar
Após exibição do vídeo, distribui-se cópias
da parlenda e propõe-se que acompanhem
a leitura ouvindo a canção. Proponha o jogo
de acompanharem a leitura com o dedo até
que o vídeo seja colocado em pause para
que comparem em que palavra pararam,
verificando se estâo conseguindo fazer o
ajuste entre o texto falado e o escrito. Após
exploração da parlenda nesse jogo, solicitase que descubram parlendas diferentes,
perguntando a familiares e amigos.
2ª. Etapa:
Escrevendo parlendas...
Na aula seguinte, organize duplas para
escrita de uma das parlendas pesquisadas.
Nesse momento é importante cuidar para
que os agrupamentos sejam produtivos,
organizando os alunos de forma que tenham
saberes diferentes a serem compartilhados.
Todos os alunos podem ser incluídos
na escrita da parlenda, mesmo aqueles
que ainda não não lêem e escrevem
convencionalmente. Uma possibilidade é
oferecer jogos de letras-móveis para que
cada participante da dupla coloque uma
letra, justificando até que ponto a parlenda
escolhida foi escrita.
3ª. Etapa:
Compartilhando parlendas...
As parlendas escolhidas irão compor um
livro acompanhado de CD de audio, com as
duplas apresentando-as. Deve-se propor aos
alunos observarem como é a organização de
um livro: capa, dados de autoria, sumário...
Coletivamente escolham o que irão colocar na
capa, se haverá ilustração, etc. Para gravar
o CD utilize microfone e os computadores do
laboratório de informática da escola. É muito
simples:
1. Plugar um microfone no PC.
2. Abrir o gravador, apontando para
Menu Iniciar > Programas > Acessórios >
Entretenimento > Gravador de Som:
www.posugf.com.br
14
Planejamento Pedagógico
3. A partir dali, é só começar a gravar os
sons e salvar o resultado!
Algumas parlendas para o professor
também apresentar aos alunos:
Lá em cima do piano,
Tem um copo de veneno.
Quem bebeu morreu.
O azar foi seu!
Fui no cemitério,
Tério, tério, tério,
Era meia noite,
Noite, noite, noite,
Tinha uma caveira,
veira, veira, veira,
Era vagabunda,
Bunda, bunda, bunda,
Olha o respeito,
Peito, peito, peito
Hoje é domingo,
Pé de cachimbo.
O cachimbo é de ouro,
Bate no touro.
O touro é valente,
Bate na gente.
A gente é fraco,
Cai no buraco.
O buraco é fundo,
Acabou-se o mundo.
Rei, capitão,
Soldado, ladrão.
Moça bonita
Do meu coração
Um, dois,
Feijão com arroz,
Três, quatro,
Feijão no prato,
Cinco, seis,
Fico freguês,
Sete, oito,
Comer biscoito,
Nove, dez,
Comer pastéis.
Meio dia,
Panela no fogo,
Barriga vazia.
Macaco torrado,
Que vem da Bahia,
Fazendo careta,
Pra dona Sofia.
Portfólio
Vídeo 7 – Princípios do Portfólio
http://www.youtube.com/watch?v=D
yTVHZmbVdw&feature=related O que é um portfólio? Como essa
ferramenta pode ser utilizada na avaliação
dos alunos?
A primeira dessas duas perguntas pode
parecer a mais fácil de ser respondida, no
entanto, ainda há muitos equívocos quando
se trata de definir o que é um portfólio. A
segunda, que poderia representar a mais
complexa, só pode ser respondida a partir
da compreensão do que é e o que significa o
portfólio.
Comecemos pela primeira: portfólio é
um instrumento de identificação da qualidade
do ensino e da aprendizagem mediante a
avaliação do desempenho do aluno e do
professor. Deve conter a compilação dos
trabalhos realizados pelos alunos durante o
período que se pretende avaliar.
Nesse ponto, esse instrumento de
avaliação se aproxima muito do que
conhecemos como portfólio: aquelas
pastas apresentadas por artistas plásticos,
fotógrafos, atores de teatro e cinema que
contêm o registro de sua formação e de seus
www.posugf.com.br
15
Planejamento Pedagógico
trabalhos, ressaltando suas características
pessoais e profissionais, e enfatizando sua
capacidade criadora.
Nos últimos anos, o portfólio vem sendo
usado como um instrumento autêntico e
precioso na avaliação do desenvolvimento.
Na área da Educação, diversas experiências
têm sido realizadas no sentido de utilizar o
portfólio quer na avaliação do professores em
formação, quer na aprendizagem dos alunos.
Sobre o portfólio podemos dizer ainda
que, além de ser uma coleção organizada
e devidamente planejada de trabalhos
produzidos por um aluno ao longo de
um dado período de tempo, procura
evidenciar os diversos componentes do seu
desenvolvimento integral e do seu percurso
escolar.
Ao utilizar esse instrumento, o professor
deve ter claro que o objetivo é contribuir
para que o aluno desenvolva a habilidade de
auto-avaliação, o que é possível mediante
o registro de forma sistemática e reflexiva
de sua trajetória, o que lhe permite rever e
analisar suas aprendizagens.
Dentre as vantagens que o portfólio
apresenta, temos a avaliação mais autêntica
e individualizada. É preciso ressaltar,
no entanto, que essas vantagens só se
concretizam quando é bem planejado e
organizado. Outra vantagem é ser reflexivo,
permitindo rever crítica, consciente e
sistematicamente o trabalho efetuado,
estimulando o desenvolvimento da
autonomia, promovendo a descoberta,
a pesquisa e a experimentação,
desempenhando importante papel na
estruturação e organização do currículo,
pois proporciona ao professor um
melhor conhecimento sobre o aluno,
suas características e necessidades, da
metodologia que melhor se adapta a
qualquer um, contribuindo para o aumento
da auto-estima do aluno, na medida que
lhe possibilita mostrar o que sabe e o que
consegue fazer.
Como você pode observar, avaliação é um
conceito associado a portfólio, sendo assim,
vamos nos estender um pouco mais sobre o
tema:
www.posugf.com.br
“A avaliação tem sido um saber marginalizado na formação de professores.
O uso do portfólio pode ser uma forma
de colocá-la em debate justamente em
um dos espaços a ela destinados, o da
formação de professores. Isso requer
mudança de concepção da avaliação: o
professor deixa de ser o “examinador”
e o aluno, o “examinado”. Atua-se em
parceria, sem com isso se perder o
rigor e a seriedade que a atividade impõe. Pelo contrário, a avaliação tornase mais exigente porque passa a ser,
também, transparente. Isso não significa retirar a responsabilidade do professor para transferi-la ao professoraluno, mas possibilitar a este vivenciar
o processo que ele possa desenvolver
com seus alunos, de modo que sejam
superados os problemas que tanto
temos combatido. Contudo, alerta
Murphy (1997, p. 87), isso somente
poderá ocorrer em ambiente que
propicie o desenvolvimento profissional
do professor, incluída a sua autonomia
intelectual e condições adequadas de
trabalho.
(...)
O portfólio possibilita avaliar as capacidades de pensamento crítico, de articular e solucionar problemas complexos, de trabalhar colaborativamente,
de conduzir pesquisa, de desenvolver
projetos e de o aluno formular os seus
próprios objetivos para a aprendizagem (Murphy, 1997, p. 72). O professor e o próprio aluno avaliam todas
as atividades executadas durante um
largo período de trabalho, levando
em conta toda a trajetória percorrida.
Não é uma avaliação classificatória
nem punitiva. Analisa-se o progresso
do aluno. Valorizam-se todas as suas
produções: analisam-se as últimas
comparando-as com as primeiras, de
modo que se perceba o avanço obtido.
Isso requer que a construção do portfólio se baseie em propósitos de cuja
formulação o aluno participe, para que
se desenvolva o sentido de “pertencimento”. Murphy (1997, p. 73) considera que os portfólios “oferecem uma
das poucas oportunidades escolares
em que os alunos podem exercer seu
julgamento, iniciativa e autoridade”.
(Villas Boas, 2005)
16
Planejamento Pedagógico
Conforme Almeida (2007/2008), “a
construção do Portfólio apresenta-se
assim, como uma atividade geradora da
autoformação do professor, em particular
do desenvolvimento de uma atitude de
questionamento sobre as suas práticas e
a consciencialização da necessidade de
aprofundamento contínuo das matérias a
lecionar, de estratégias a usar no processo
de ensino e aprendizagem, tendo em conta o
contexto onde o mesmo decorre e que difere
de turma para turma, de aluno para aluno…”
Estrutura do portfólio
Do Aluno
O portfólio poderá incluir diversos itens,
conforme a sua definição e organização, e de
acordo com o contexto. É recomendado que
contenha uma folha de abertura com o nome
do aluno, do professor, curso, disciplina,
série, ano, instituição. A seguir, apresentamos
exemplos de itens que podem compor o
portfólio do aluno:
●● Relatórios, anotações, rascunhos,
esboços.
●● Notícias e textos lido com comentários críticos.
●● Relatos descritivos e registros de
aulas, com observações sobre o
que aprendeu em cada aula.
●● Registros das reuniões de pais.
●● Reações a visitas de estudo e
outras atividades.
●● Provas.
●● Trabalhos individuais e em grupo.
●● Trabalhos de casa.
●● Desenhos, histórias, produções
artísticas.
●● Reflexões do aluno, pesquisas
feitas por sua iniciativa
●● Indicações de leituras, sites e
filmes.
●● Resoluções de exercícios e de
problemas.
●● Fotografias dos momentos de
aprendizagem.
Do Professor
Tratando-se de um instrumento pessoal,
o Portfólio deverá ser construído por cada
professor de uma forma continuada no
decurso do ano letivo, tendo em conta aquilo
que para cada um [professor] seria mais
significativo no seu percurso de ensino e
aprendizagem, reuniões, projetos…
Contudo, a sua estrutura deve ser
dinâmica, embora definida em função
de um objetivo explícito. O processo de
registro (descrição/narração/argumentação/
reflexão/meta-reflexão) deverá integrar as
experiências práticas e as teorias que as
sustentam, recorrendo a múltiplas fontes de
evidência (relatos, fotografias, observações,
textos de pesquisa e de apoio, autoreflexões,...)
Sendo um documento pessoal ele é, por
isso, de estrutura flexível. Contudo poderá
incluir:
- capa;
- identificação do professor;
- índice;
- introdução - contextualização, finalidades
do Portfólio/pertinência do
mesmo…),
- “corpo do trabalho”(a);
- conclusão;
- apêndices ou anexos(b)
(a) O “corpo do trabalho” do Portfólio
poderá ser constituído por duas
grandes dimensões: i) – o trabalho
desenvolvido na preparação das aulas, nas
reuniões…; ii) a descrição/reflexão sobre
o trabalho desenvolvido pelo professor,
incluindo a análise cuidada e reflexiva da
www.posugf.com.br
17
Planejamento Pedagógico
dimensão anterior, numa perspectiva de
interação e complementaridade das duas
dimensões.
(b) Podem ser considerados como
apêndices todos os documentos construídos
pelo professor e que não estejam
contemplados no “corpo do trabalho”; como
anexos todos os documentos construídos
por outros, mas utilizados pelo professor,
produtos dos alunos… (Vieira, R. 2003;
Almeida, M. I. T. O. M. 2005).
Na perspectiva de Nunes (2000), o
Portfólio do professor deverá incluir duas
componentes fundamentais: (i) evidências
das capacidades e competências
profissionais; e (ii) reflexões sobre essas
evidências e sobre as práticas de ensino.
Ainda de acordo com o mesmo investigador,
no caso concreto das reflexões, os registros
efetuados devem ser focados em questões
como: porque selecionaram determinados
materiais e tarefas; o que aprenderam [os
professores] com os mesmos; quais os que
melhor os ilustram como professores…”
(Almeida, 2007/2008)
Já que estamos falando do professor,
vale a pena ler o que nos diz Ceia sobre a
importância do portfólio na formação de
professores. Embora você já tenha passado
desse estágio em sua vida profissional, a
leitura desse texto lhe dará importantes
subsídios para a prática pedagógica:
“Um porta-fólio da prática pedagógica
(teaching portfolio ou, de forma
mais próxima da formação inicial de
professores, student professional teaching
portfolio) é um conceito novo nas ciências
da educação e nas ciências sociais e
humanas, em Portugal, mas já com alguma
tradição em outras práticas profissionais,
em particular nas artes plásticas, de onde
provém o conceito. Hoje em dia, nos Estados
Unidos e na Austrália, por exemplo, muitas
instituições de ensino exigem a apresentação
de um porta-fólio profissional (professional
portfolio) a quem pretende aí lecionar.
Entende-se, neste caso, que um porta-fólio
(do italiano portafoglio, “recipiente onde se
guardam folhas soltas”) é uma descrição
pormenorizada das habilitações profissionais
do candidato, incluindo provas de práticas
de ensino realizadas. Em outras situações,
exige-se a construção e apresentação de
um porta-fólio de curso (course portfolio),
que é um documento comprovativo do
desenvolvimento curricular e pedagógico de
um
determinado curso desenhado e lecionado.
Na formação inicial de professores, que
é o caso que nos interessa, um porta-fólio
da prática pedagógica é o resultado visível e
objetivo de todo o trabalho educativo de um
professor-estagiário. Representa um olhar
auto-crítico sobre aquilo que se ensinou,
sobre os métodos de ensino utilizados e sobre
o processo de avaliação a que o professorestagiário se sujeitou.
(...)
O Departamento de Estudos AngloPortugueses exige, no seu novo
quadro de avaliação da prática pedagógica,
um pouco mais do que o simples relatório de
auto-avaliação e/ou a recolha de materiais
de ensino — elementos que constam
normalmente do dossier de estágio —, porque
se pretende que o porta-fólio inclua também
uma parte de investigação que nos parece
essencial. Por outro lado, e ao contrário do
que foi prática corrente em anos anteriores,
a construção do porta-fólio envolve a natural
participação do orientadores locais dos
professores estagiários, sobretudo como
conselheiros da prática pedagógica, mas não
como co-autores e/ou avaliadores do portafólio em si mesmo, tarefas que competem
à coordenação científica do Departamento
de Estudos Anglo-Portugueses. Em termos
comparativos, podemos dizer que o portafólio é uma amostra do que deve ser o
www.posugf.com.br
18
Planejamento Pedagógico
dossier de estágio (em alguns países, como o Canadá, é costume chamar ao porta-fólio um
dossier). O dossier é o recipiente onde se
guardam todos os materiais produzidos durante o Estágio Pedagógico; o portafólio é uma
seleção representativa do dossier, é aquilo que formalmente se vai apresentar para avaliação.
Como na prática se torna impossível avaliar objetivamente todos os dossiers, a síntese
proposta no porta-fólio, com alguns elementos de investigação pedagógica, é mais exequível
e permite que o trabalho diário dos professores estagiários seja conhecido na sua globalidade
por todos os intervenientes no processo de formação de professores.
A adoção do porta-fólio da prática pedagógica, como documento orientador do Estágio e
do Seminário Pedagógico, encontra ainda no novo quadro da formação inicial de professores,
cuja reforma se prepara para um futuro próximo, uma grande aproximação aos princípios de
qualidade da formação e de formação contínua ao longo do processo de profissionalização.
O porta-fólio da prática pedagógica é, portanto, o elemento principal de avaliação nos
Seminários Pedagógicos de Português e de Inglês, respeitando a especificidade de cada uma
das disciplinas, que têm avaliações independentes. A estrutura interna do porta-fólio adotado
é a seguinte:
Capa
1. Identificação da instituição universitária e da escola
básica/secundária afiliada;
2. Nome do formando/estagiário;
3. Nome do seminário;
4. Nome do docente do seminário;
5. Ano de escolaridade leccionado;
6. Data
1 página
(seguida de
1 página em
branco)
1. Organização do porta-fólio;
Máximo
5 páginas
Índice
Introdução
2. Descrição geral das condições de trabalho e da
organização do Estágio na escola afiliada;
3. A importância do porta-fólio na prática pedagógica;
4. A importância do Estágio Pedagógico na experiência
profissional do professor estagiário (Resposta à
pergunta: Porque é que ensino?).
www.posugf.com.br
19
Planejamento Pedagógico
I.
Trabalho
De
Planificação
1. Breve descrição dos métodos de planificação e
programação de aulas assistidas e regências adoptados
na escola afiliada;
Ponto 1
Máximo
1 página
2. Exemplo de uma planificação de unidade didáctica
(incluindo enunciado de teste sumativo realizado em
função desta unidade);
3. Planificação da primeira aula dessa unidade didáctica;
4. Planificação de uma aula assistida;
5. Planificação de uma aula de regência;
6. Reflexão crítica sobre os prós e os contras do trabalho
realizado neste campo (com indicação das principais
dificuldades encontradas).
II.
Execução
e
1. Heteroavaliação das planificações apresentadas na
secção anterior;
2. Autoavaliação das planificações apresentadas na
secção anterior;
Avaliação
3. Reflexão crítica sobre as formas de execução do
trabalho planificado;
III.
Trabalho de
projeto
1. Descrição de um trabalho de projecto realizado
durante o Estágio Pedagógico.
IV.
1. Um exemplo de um trabalho realizado por um aluno
(composição, ensaio, reportagem, entrevista, projecto,
peça literária, jornal escolar, prova escrita, produção
com novas tecnologias, etc.) que represente um
momento de sucesso escolar;
Exemplos
de boa
prática
pedagógica
2. Comentário do professor sobre o exemplo
apresentado, justificando porque o considera uma
prova de boa prática pedagógica.
www.posugf.com.br
Ponto 6
Máximo
2 páginas
Máximo
5 páginas
Máximo
10 páginas
Máximo
1 página
20
Planejamento Pedagógico
V.
Metodologia
específica
do ensino
da
disciplina
1. Como se identificaram as principais dificuldades dos
alunos da disciplina em causa?
2. Como se encorajaram esses alunos a ultrapassar tais
dificuldades? Que técnicas se utilizaram?
Máximo
5 páginas
3. Houve necessidade de introduzir o ensino
diferenciado? Que procedimentos se adoptaram?
4. Que tipo de resultados se obtiveram em estreita
relação com a metodologia escolhida pelo professor?
VI.
Relação com
a
Comunidade
Educativa
VII.
1. Descrição objectiva de todas as actividades realizadas
com o objectivo de integrar o trabalho e a função do
professor estagiário na comunidade educativa em que
está inserido;
Máximo
3 páginas
2. Reflexão crítica sobre a realidade escolar em que o
professor estagiário está inserido.
1. Reflexão crítica sobre o trabalho pedagógico realizado
em comum com os outros professores estagiários;
Máximo
2 páginas
Relações
2. Reflexão crítica sobre o trabalho pedagógico e
Interpessoais profissional realizado com os orientadores
pedagógicos locais e os coordenadores científicos do
Departamento de Estudos Anglo-Portugueses.
VIII.
Síntese
final
1. Breve reflexão sobre o percurso de formação inicial;
2. Pontos fortes do Estágio Pedagógico;
3. Pontos fracos do Estágio Pedagógico;
Máximo 2
páginas
4. Expectativas pessoais de futuro na profissão
Vídeo 8
Cálculo mental e registros em portfólio
http://revistaescola.abril.com.br/matematica/pratica-pedagogica/calculomental-registros-portfolio-431349.shtml
www.posugf.com.br
21
Planejamento Pedagógico
Sugestão de constução do Portfólio do
Aluno
Processo de montagem do Portifólio:
●● Definir o por quê da avaliação
por Portifólio;
●● Coletar amostras de trabalho;
●● Consultar o planejamento do professor e o registro dos alunos;
●● Realizar entrevistas;
●● Realizar registros e observações
de trabalhos dos alunos;
●● Preparar relatórios narrativos;
●● Utilizar em reuniões com pais e
com o aluno;
●● Usar em situações de transição.
“O portifólio pode ser definido como uma
coleção de itens que revela, conforme o
tempo passa, os diferentes aspectos do
crescimento e do desenvolvimento de cada
criança.
Podem conter anotações dos alunos
e professores, amostra de trabalhos,
fotografias, entrevistas com os alunos e com
os pais e registros de desempenho.
●● Por que usar Portifólio:
●● ara melhorar a dinâmica na sala
de aula;
●● Para evitar os testes padronizados;
●● Para envolver efetivamente a
família no processo de avaliação
dos alunos;
●● Para oferecer à criança aquilo
que ela realmente necessita para
seu progresso e para não utilizar
a avaliação como um instrumento
de classificação;
●● Para ultrapassar os limites da
técnica e incorporar em sua
dinâmica a dimensão ética, imersa na pedagogia da inclusão;
●● Para substituir o padrão de homogeneidade pelo da heterogeneidade;
●● Para possibilitar que o erro possa
ser visto como um processo de
construção do conhecimento que
dá pistas sobre o modo como
cada um está organizando seu
pensamento;
●● Para possibilitar que todos possam aprender e ter valorizados
seus conhecimentos, no seu
tempo, por seus caminhos, com
seus recursos e com a ajuda do
coletivo.
AMOSTRAS DE TRABALHOS
Fotografias: As fotografias são um
método poderoso de preservar e de
apresentar informações sobre o que é e como
as crianças estão aprendendo. Elas mostram
detalhes de cenas e eventos que muitas
vezes somente a observação ou descrição
não conseguem captar.
Desenhos: Desenhos, redações,
atividades variadas são evidências claras do
desenvolvimento cognitivo e das habilidades
criativas dos alunos. Coletar sempre as fontes
primárias, que são os materiais que não
foram revisados. A professora deve escrever
breves comentários sobre o trabalho
Ditados: Os ditados são atividades
importantes, porque demonstram à criança
as conexões tanto entre a experiência e a
narrativa como entre a linguagem oral e
escrita.
Entrevista: As entrevistas são ocasiões
em que o professor e a criança discutem
um único conteúdo em profundidade. As
anotações escritas de entrevistas possibilitam
atender as necessidades individuais dos
alunos.
www.posugf.com.br
Como realizar:
22
Planejamento Pedagógico
Com os pais:
●● Decidir se a entrevista será com
uma ou mais crianças e qual o
assunto que será abordado;
●● Dizer à criança sobre qual o
assunto conversarão. Ex.: “eu
quero saber o que você pensa
sobre isto”?
●● Utilizar os materiais do aluno,
caderno, livros etc...
●● Observar o material, questionar e
registrar as respostas. Ler para o
aluno o que você escreveu. Colocar a data.
●● Concluir a entrevista ajudando a
criança a fazer anotações no seu
caderno.
●● Relato Narrativo: Os relatos narrativos demonstram o
progresso global da criança e
ajudam o professor a preparar
estratégias para suprir suas necessidades.
Agendar o encontro com antecedência;
Atender individualmente;
Delimitar o tempo de cada encontro;
Informar às crianças que você mostrará o
portifólio para os pais.
A reunião com os pais não tem apenas
o objetivo de mostrar os trabalhos, mas
permite aos professores conhecer as idéias
dos pais sobre o aprendizado de seus filhos.
Usar as reuniões também para envolvêlos em atividades de classe e em projetos.
Mostrar aos pais as escolhas das crianças.
Que tipo de trabalho temos em seu
portifólio?
Quais são seus melhores trabalhos?
Qual você gostaria de ter feito de outro
jeito?
Com as professoras do próximo ano:
Agendar um encontro com o (a) professor
(a) da série que o aluno irá freqüentar no
próximo ano.
Analisar com ele (a) toda a produção que
conste no portifólio.
Amostras representativas de trabalho
que demonstre avanços importantes
ou problemas persistentes, devem ser
discutidos.
A observação sistemática do aluno leva
ao aperfeiçoamento e à experimentação
dos diferentes estilos de ensino, e permite
aos profissionais um maior conhecimento
sobre a abordagem de uma certa criança ao
aprendizado.
Dessa maneira, os professores descobrem
o que motiva as crianças a aprenderem,
como elas aprendem e como podem ser
avaliadas.
Outra característica importante é o
respeito à diversidade que deverá se refletir
no projeto político-pedagógico da escola e
especialmente nas práticas pedagógicas na
sala de aula.”
No final da reunião, ajudar a criança a
escrever um resumo de seus progressos
e projetos para o futuro. Se a criança não
conseguir escrever, escreva para ela.
(Extraído de Diretrizes Curriculares para
a Educação Municipal – Educação Especial
– Secretaria de Educação da Prefeitura de
Santa Maria (RS), 2008)
ANÁLISE DO PORTIFÓLIO
Com os alunos:
Capacitar as crianças a pensar sobre
seu desenvolvimento como aprendizes e a
definir objetivos para si própria é uma parte
importante do portifólio.
Iniciar a análise examinando todos os
registros e trabalhos que estão na pasta.
Fazer algumas perguntas:
www.posugf.com.br
23
Planejamento Pedagógico
Planejamento é coisa séria
Numa roda de amigos, em uma
conversa informal, bastam dez minutos para
que sejam contados vários casos de gente
“que se deu mal” por não planejar suas
ações. É verdade que pode sempre aparecer
aquele que conte o caso do primo “que se
deu bem”, mas isso é exceção e se formos
investigar bem o ocorrido vamos descobrir
que nem tudo foi obra do acaso.
O planejamento na escola também
não pode ser feito na base do improviso,
pelo contrário, ele exige conhecimento da
situação, da comunidade, dos alunos, dos
recursos, estabelecimento de objetivos bem
definidos e muita reflexão. Um dos pontos
fundamentais a serem levados em conta
é que o planejamento do ano letivo a ser
iniciado começa na análise e avaliação dos
resultados obtidos no ano anterior, e não
termina com a entrega da avaliação final,
porque supõe rupturas com o presente e
promessas para o futuro.
Além disso, nunca é demais ressaltar
que se trata de uma ação intencional fruto de
um compromisso assumido coletivamente.
No último vídeo escolhido para esta
aula você terá a oportunidade de retomar
de maneira clara e concisa os aspectos do
planejamento escolar.
Vídeo 9 - Aspectos do Planejamento
Escolar
http://www.youtube.com/watch?v=u
CQCtHOnwkM&playnext=1&list=PL3F4A
6154760220A5&index=24
www.posugf.com.br
24
Baixar

Pós-Graduação a distância