0
UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA
FACULDADE DE GESTÃO E NEGÓCIOS
CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS
ESTUDO COMPARATIVO DA ANÁLISE DINÂMICA FINANCEIRA DAS
EMPRESAS (MODELO FLEURIET) COM ANÁLISE DOS INDICADORES DE
LIQUIDEZ DE UMA EMPRESA DO RAMO TÊXTIL.
AGNALDO HENRIQUE ESTEVES
PIRACICABA, SP.
2010
1
AGNALDO HENRIQUE ESTEVES
ESTUDO COMPARATIVO DA ANÁLISE DINÂMICA FINANCEIRA DAS
EMPRESAS (MODELO FLEURIET) COM ANÁLISE DOS INDICADORES DE
LIQUIDEZ DE UMA EMPRESA DO RAMO TÊXTIL.
Monografia apresentada em cumprimento
às exigências curriculares do Curso de
Graduação em Ciências Contábeis da
Faculdade de Gestão e Negócios da
Universidade Metodista de Piracicaba,
área de concentração em Contabilidade
Geral.
Orientadora: Prof.ª Maria A Fioravanti
PIRACICABA, SP.
2010
2
AGNALDO HENRIQUE ESTEVES
ESTUDO COMPARATIVO DA ANÁLISE DINÂMICA FINANCEIRA DAS
EMPRESAS (MODELO FLEURIET) COM ANÁLISE DOS INDICADORES DE
LIQUIDEZ DE UMA EMPRESA DO RAMO TÊXTIL.
Monografia julgada adequada para aprovação na disciplina Monografia II do Curso
de Ciências Contábeis da Faculdade de Gestão e Negócios da Universidade
Metodista de Piracicaba
__________________________________________________
Profa. Ms. Miltes Angelita Machuca Martins
Coordenadora do Curso
Componentes da banca:
_________________________________________________
Profa. Ms. Maria Antonia Fioravanti (orientadora)
_________________________________________________
Prof(a).
_________________________________________________
Prof(a).
Piracicaba, 07 de novembro de 2010.
3
AGRADECIMENTOS
A “DEUS”
Cuja imagem nunca vi, cuja voz nunca ouvi, mas cuja presença ao longo de
minha jornada estudantil pude sentir muitas vezes.
E este nosso criador cujo amparo e estimulo possibilitou-me a concretização
deste ideal.
Minha orientadora profª Maria Antonia, pelo carinho e dedicação dispensada
para a realização deste trabalho.
4
Feliz aquele que transfere o que
Sabe e aprende o que ensina.
(Cora Coralina)
5
RESUMO
Este trabalho teve como propósito comparar o resultado da aplicação da análise
tradicional de balanços, a partir dos índices de liquidez, com a análise dinâmica do
capital de giro, proposta pelo modelo Fleuriet, em uma empresa do setor têxtil da
cidade de Americana-SP. A pesquisa configura-se como descritiva, pois apresenta
as características da técnica de análise da dinâmica financeira das empresas
(modelo Fleuriet), bem como as técnicas de análise tradicional de balanços,
concretizado através de uma pesquisa teórico-prática, com base em fontes
bibliográficas pertinentes e o exercício profissional, ao qual também se utilizam de
documentos contábeis que estão disponíveis no departamento de controladoria da
empresa estudada. O estudo buscou conhecer, comparar e citar as duas análise
descritas, e verificar quais delas seriam mais conveniente a empresa, diante de sua
necessidade atual. O estudo concluiu que a análise dinâmica é vantajosa à empresa
em relação à análise tradicional, pois trouxe maiores benefícios propostos pelo
modelo Fleuriet.
Palavras-chave: análise de balanços, índices de liquidez, modelo Fleuriet.
6
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 7
2 A CONTABILIDADE COMO INSTRUMENTO NA GESTÃO FINANCEIRA DAS
EMPRESAS .............................................................................................................. 14
3 ANÁLISE DE BALANÇOS .................................................................................... 16
3.1 Análise através dos índices .......................................................................... 18
3.1.1 Indicadores de liquidez e suas características ...................................... 19
3.1.2 Estrutura e classificação de Balanço, segundo o modelo tradicional 22
3.1.3 Índices de prazos médios de recebimento de vendas, pagamento de
compras, renovação de estoques e giro do ativo. ......................................... 24
3.2 Introdução ao Modelo análise dinâmica financeira (Fleuriet) .................... 25
3.2.1 Estrutura e classificação de Balanço, segundo o Modelo Fleuriet;..... 26
3.3 Variáveis do Modelo Fleuriet ......................................................................... 28
3.3.1 Necessidade liquida de capital de giro - NLCDG ................................... 28
3.3.2 Tesouraria – T ........................................................................................... 29
3.3.3 Longo Prazo – L.P. ................................................................................... 30
3.3.4 Recursos Próprios Realizáveis – R.P.R................................................. 30
3.3.5 Capital de Giro – CDG .............................................................................. 31
3.3.6 Ciclo Econômico Financeiro – CEF. ....................................................... 32
4 ESTUDO DE CASO ............................................................................................... 35
4.1 A empresa ....................................................................................................... 35
4.2 Demonstrações Financeiras.......................................................................... 36
4.3 Aplicação e análise dos modelos (Tradicional e Fleuriet) .......................... 42
4.3.1 Análise, segundo o método tradicional.................................................. 42
4.3.2 Análise, segundo o método Fleuriet ....................................................... 45
4.3.3 Gráfico do “efeito tesoura”. .................................................................... 53
4.3.4 Relatório de análise pelo modelo Fleuriet.............................................. 53
5 CONCLUSÂO ........................................................................................................ 57
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁGFICAS ...................................................................... 59
7
1 INTRODUÇÃO
Diante do cenário econômico das organizações brasileiras, inseridas
em um ambiente cada vez mais competitivo, o aumento da carga tributária em
alguns setores, em especial nas empresas do segmento têxtil, há uma necessidade
cada vez maior de informações úteis e precisas, em particular aos gestores e
administradores das organizações, para que esses tomem as decisões certas que
garantam a continuidade das empresas.
É aí que entra o papel da contabilidade, considerada um poderoso
sistema de informações capaz de gerar informações aos seus usuários. Segundo
(ARÁUJO; ARRUDA, 2004, p.31) “A contabilidade pode ser definida como o sistema
de informações capaz de captar, registrar, reunir, divulgar e interpretar os
fenômenos avaliáveis monetariamente que afetam as situações patrimoniais,
financeiras de qualquer ente”.
Dentre as funções da contabilidade, destaca-se a Análise de
Balanços ou como sugere alguns autores, Análise das Demonstrações Financeiras,
capaz de transformar dados contábeis em informações, através de regras contábeis.
Matarazzo (1998, p.18) conceitua que dados são números ou descrição de objetos
que isoladamente não provocam nenhuma reação ao usuário, enquanto que
informações representam uma comunicação que pode produzir reação ou decisão.
Segundo Assaf Neto (2010, p.35) a análise de balanços visa relatar,
com base nas informações contábeis fornecidas pelas empresas, à posição
econômico-financeira atual, passada e futura das empresas.
Com base nesse contexto é que entram algumas técnicas de análise
das demonstrações contábeis. Uma delas é a análise através dos índices, modelo
8
apresentado por Alexander Wall em 1919, considerado por Matarazzo (1998), o pai
da análise de balanços. Analisar através dos índices consiste em estabelecer
relações entre contas ou agrupamento de contas dos demonstrativos contábeis
(balanço patrimonial, demonstração de resultados) e afirmar a relação entre elas.
Há uma infinidade de índices aplicados na análise de balanços para
as mais diversas possibilidades de extração de informações das empresas.
Entretanto, o presente estudo foca o índice de liquidez, que é a base da situação
financeira das empresas.
O estudo visa estabelecer, ainda, uma relação entre a performance
de curto prazo revelada pelos indicadores de liquidez com a análise dinâmica do
capital de giro, proposta pelo estudioso francês Michel Fleuriet.
Segundo Fleuriet (2003, p.7) o comportamento dos elementos
patrimoniais de curto prazo, seria avaliado de forma dinâmica e não com base em
relações estáticas como proposto pela análise financeira tradicional.
Para melhor compreensão do modelo de análise financeira que se
pretende definir, Fleuriet (2003, p.7) acredita que as contas do ativo e passivo
devem ser consideradas em relação à realidade dinâmica das empresas, ou seja, as
contas devem ser classificadas de acordo com o seu ciclo, isto é, o tempo que se
leva para se realizar uma rotação.
Problematização
Fundada na década de 30, por imigrantes russos, a empresa
instalou-se anteriormente na cidade de São Paulo, dando início à fabricação de
tapetes, passadeiras, forrações e veludos. Foi o início da empresa, que viria a ser
uma das maiores produtoras de tapetes e carpetes da América Latina.
Em meados da década de 50, o segmento têxtil de produção de
tapetes e carpetes passa por uma revolução tecnológica no tocante à máquinas e
matérias primas, com o surgimento das fibras sintéticas. A empresa, em grande
expansão na época, reconhecida como uma importante produtora de tapetes e
carpetes, passa a investir em máquinas tecnologicamente mais modernas e começa
9
a produzir fios de poliamida (nylon), polyester e acrílico, sendo essas as suas
principais matérias primas.
Em 1975, a empresa transfere seu parque fabril para a cidade de
Americana, estado de São Paulo, em uma área de 287 mil metros quadrados, com
área produtiva de 30 mil metros quadrados.
Atualizada tecnologicamente, a empresa se coloca hoje como uma
das mais tradicionais e importantes empresas no segmento de tapetes e carpetes,
tanto no cenário nacional, quanto no latino americano. Segundo o ICT –
Internacional Consultants to the Carpety Industry, a empresa está entre as 100
maiores fabricantes de tapetes e carpetes do mundo. No Brasil, sua marca se
consagra, dando credibilidade a seus produtos. É a única empresa brasileira do
setor certificada a fornecer carpetes para forrações aeronáuticas, fazendo parte dos
aviões da TAM.
Sua capacidade de produção anual é de 7,5 milhões de metros
quadrados de carpetes e 2,7 milhões de metros quadrados de tapetes e passadeiras
e 120 mil metros quadrados de carpetes em placas, atendendo os mais diversos
mercados: residencial (atacado e varejo); institucional (hotéis, motéis, flats,
escritórios, entretenimento); auto-serviço (hipermercados, home-centers) e especiais
(aeronáuticos). A empresa também exporta para vários países dentre eles Portugal,
Austrália, Chile, Argentina entre outros.
Dentre tantas histórias de sucesso, a empresa também vivenciou
altos e baixos em seus negócios. No final da década de 90, a empresa passou a
apresentar problemas financeiros, quando a instabilidade da oscilação cambial
passou a afetar o principal item de custo dos produtos (as matérias-primas
importadas), o que acabou impactando seu resultado operacional.
A crise financeira culminou com o pedido de concordata da empresa
no ano de 2001 e exigiu uma série de medidas para garantir a sua continuidade.
Isso foi o suficiente para que a empresa perdesse, notoriamente, o prestígio junto ao
mercado.
Nesta época, vários grupos nacionais e internacionais passaram a
avaliar a possibilidade de aquisição da empresa, considerando que, apesar da crítica
situação financeira, a empresa apresentava elevado potencial de geração de valor,
10
tornando-a atrativa para potenciais investidores. Houve a intervenção de um
importante grupo da região, assumindo todo o seu ativo e passivo e iniciou-se como
desafio medidas importantes para redução de custos, algumas consideradas
drásticas: redução do quadro de funcionários em 50%; restrição de benefícios aos
funcionários e reestruturação completa da empresa.
Por outro lado, o grupo implementou a cultura de remuneração com
base em resultados, através do pagamento de um bônus para todos os funcionários,
em função do atingimento das metas de vendas – fator considerado como
estratégico para a retomada do crescimento e recuperação do resultado da
organização.
Tais medidas, apesar de afetarem num primeiro momento o moral
dos funcionários, conseguiram limitar os prejuízos do período e retomar o
crescimento das vendas.
Em 2003, outros desafios emergiram e os objetivos fixados foram:
reverter o saldo negativo do Fluxo de Caixa, crescimento de vendas de 20% e
eliminação do prejuízo na Demonstração de Resultados anual.
As restritivas metas para o saneamento financeiro do curto prazo
não podiam, no entanto, comprometer a competitividade da empresa no médio e
longo prazos. Cientes disso, os investidores do grupo haviam programado medidas
para retomar a concessão de benefícios aos funcionários e realizar projetos de
investimento visando à modernização do parque fabril, o que seria feito através de
recursos próprios do grupo.
Novamente, com a crise mundial no final de 2008, a empresa
passou novamente por dificuldades, que embora mais branda, foi o suficiente para
que o grupo decidisse pela sua venda.
No ano de 2009, a empresa é vendida novamente a um novo e
importante grupo da região, que assume todo o seu ativo e passivo, instituindo
políticas de alavancagem nos negócios da empresa, principal foco na redução de
custos, aumento do seu portfólio e retomada de sua tradição perante o mercado.
A implantação do modelo proposto de estudo visa auxiliar a empresa
a enfrentar e superar esses desafios e garantir as condições para a consecução de
11
seu principal objetivo estratégico : retornar à posição de liderança na indústria de
carpetes e tapetes da América Latina.
A idealização deste projeto se dará plenamente alcançado após
constatado a melhora significativa da saúde financeira da empresa, resultado da
ligação dos objetivos propostos, com as metas e estratégias definidas para a
organização.
No sentido de imprimir consistência a referida idealização, este
estudo pretende superar o seguinte questionamento: será o Modelo proposto por
Fleuriet, mais eficaz que o modelo tradicional de análise de balanços diante da
necessidade da companhia estudada?
Objetivo geral
O objetivo do estudo é a realização de análise nas demonstrações
contábeis de uma empresa do setor têxtil da cidade de Americana, utilizando a
técnica da dinâmica do capital de giro, modelo Fleuriet e o modelo de análise
tradicional dos indicadores de liquidez e verificar as principais relações e diferenças
apresentadas por cada um deles.
Objetivos específicos
1. Pesquisar sobre a análise dinâmica financeira das empresas,
modelo Fleuriet;
2. Pesquisar sobre as técnicas de análise de liquidez de balanços,
modelo tradicional.
3. Buscar no departamento de controladoria da empresa em
questão, os relatórios contábeis.
4. Analisar o Balanço e aplicar os dois modelos citados.
Justificativa
O motivo pela escolha em estudar esse assunto parte-se de um
especial interesse por parte do aluno, por fazer parte do departamento de
12
controladoria da empresa e vivenciar diariamente as dificuldades enfrentadas na
administração dos recursos da empresa. Por esse motivo, acredita-se que será de
grande valia para a empresa a proposta de implementar um modelo de análise de
balanços,
aplicar e comparar os modelos propostos, e com isso propor aos
gestores, um novo modelo de análise das informações contábeis da empresa.
Acredita-se que este trabalho acadêmico de pesquisa na área de
contabilidade geral possa despertar interesse dos seus usuários, seja para a tomada
de decisões ou até mesmo aqueles que têm algum tipo de interesse pela área.
Acredita-se, ainda, que essa pesquisa sirva de referência para
outras empresas até mesmo as que não estejam necessariamente inseridas no
mesmo segmento têxtil, e ainda, sirva como instrumento para as empresas que
tenham o desejo e necessitam de maior qualidade na administração de suas
finanças, e espera-se que este trabalho contribua de alguma forma para que os
gestores interessados em saber a real estrutura financeira e patrimonial da empresa,
possam estar preparados para prevenção de riscos e continuidade de suas
operações.
Esse trabalho é viável, pois há bibliografia sobre o assunto, bem
como, material disponível de fácil acesso através do departamento de controladoria
da empresa em questão.
Metodologia
Segundo
Bervian,
(1996,
p.
46)
“métodos
são
técnicas
suficientemente gerais para se tornarem procedimentos comuns a uma área das
ciências”.
Quanto aos objetivos do trabalho, refere-se a uma pesquisa
descritiva, pois descreve sobre as características da técnica de análise da dinâmica
financeira das empresas (modelo Fleuriet), bem como as técnicas de análise
tradicional de balanços. Segundo Bervian (1996, p.49) “a pesquisa descritiva
observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos sem manipulá-los”.
Trata-se de uma pesquisa teórico-prática. Teórica porque quanto
aos procedimentos utiliza-se de fontes bibliográficas secundárias, e prática porque
13
também quanto os procedimentos utilizam-se de documentos contábeis que estão
disponíveis no departamento de controladoria da empresa estudada.
Logo quanto aos procedimentos, esta pesquisa classifica-se como
bibliográfica e documental. Quanto à abordagem do problema, essa pesquisa,
classifica-se como qualitativa, pois não requer o uso de métodos e técnicas
estatísticas. Souza, Fialho e Otani (2007, p.40) consideram que a interpretação dos
fenômenos e atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa
qualitativa, de modo que o ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o
pesquisador é o instrumento-chave.
Para Souza, Fialho e Otani (2007, p.41) a pesquisa documental
assemelha-se a pesquisa bibliográfica. A natureza essencial está na natureza das
fontes. A pesquisa documental fundamenta-se na utilização de materiais impressos
e divulgados que não receberam ainda tratamento analítico, e destaca: documentos
de arquivos, públicos e privados, cartas, gravações, etc.
14
2 A CONTABILIDADE COMO INSTRUMENTO NA GESTÃO FINANCEIRA DAS
EMPRESAS
Vários são os desafios de uma organização para a manutenção de
suas atividades empresariais, sobretudo no cenário brasileiro, determinados pelo
ramo de atividade na qual esteja inserida, como por exemplo, a excessiva carga
tributária, entre outros desafios. Porém, pode-se dizer que o mais importante desafio
corresponde à garantia de geração de recursos para honrar seus compromissos
atuais e reservas para aplicação em investimentos que suportem os retornos futuros.
Diante deste contexto, o papel do profissional contábil é produzir
prognósticos sobre a situação econômico-financeira da organização, utilizando-se da
contabilidade, um poderoso instrumento capaz de fornecer informações aos seus
usuários através dos relatórios contábeis ou mais comumente chamados de
demonstrações financeiras. Esses relatórios são apresentados em forma de balanço
patrimonial, demonstração dos resultados, demonstração do fluxo de caixa, entre
outros, é a base de sustentação para a tomada de decisões da empresa.
“A contabilidade pode ser definida como o sistema de informações
capaz de captar, registrar, reunir, divulgar e interpretar os fenômenos avaliáveis
monetariamente que afetam as situações patrimoniais, financeiras de qualquer ente.”
(ARÁUJO; ARRUDA, 2004, p.31).
Entretanto, Padoveze (1998, p.55) faz uma observação no tocante à
rapidez da informação contábil, ou seja, para maior proveito das informações
contábeis, é necessário que esta seja explicita no menor prazo possível. Uma
informação morosa ou atrasada perderá toda a sua validade e conseqüente não
atenderá os objetivos propostos.
15
A gestão financeira das empresas é função exercida pelo
administrador financeiro, profissional inserido na política financeira da empresa,
responsável pelo planejamento e controle financeiro da organização, levando em
conta os objetivos dos acionistas e proprietários das empresas.
Hendriskem e Van Breda (1999, p.93) citam que a divulgação
financeira devem fornecer informações úteis para seus usuários, ao qual visam a
tomada racional de decisões de investimento, crédito e outras semelhantes e
conclui: as informações devem ser compreensíveis aos que possuem uma noção
razoável dos negócios e das atividades econômicas.
Conclui-se, com base na opinião dos autores supracitados, que a
informação financeira é a base de sustentação das decisões, ao passo que essas
subsidiem seus usuários na tomada de decisões.
16
3 ANÁLISE DE BALANÇOS
Nas transações que se operam em um comércio, indústria, banco,
ou qualquer que seja a instituição, quando se deseja dimensionar sua situação
econômico-financeira, reporta-se à arquitetura patrimonial articulada à aritmetização
de suas receitas, custos e despesas é por meio dos balanços que é possível fazê-lo.
Sá (2005, p.15) define o Balanço Patrimonial:
Como uma fotografia mostra uma pessoa, um lugar, uma coisa,
tal como o momento ela é, assim, também, o balanço evidencia
a realidade patrimonial.
A prática da análise das demonstrações contábeis, ou simplesmente
análise de balanço, como sugere alguns autores, já se tem notícia desde os
primórdios da Contabilidade. O professor Sérgio de Iudícibus (1998, p.17) cita em
sua obra indícios do surgimento de tal técnica:
A necessidade de analisar demonstrações contábeis é pelo
menos tão antiga, quanto a própria origem de tais peças. Nos
primórdios da Contabilidade, quanto esta se resumia,
basicamente, à realização de inventários, já o “analista” se
preocupava em anotar as variações quantitativas e qualitativas
das várias categorias de bens incluídos em seu inventário. É
muito provável que já realizasse algum tipo de análise
horizontal ou vertical.
A partir do exposto acima, tem se idéia da necessidade de análise
de balanços desde antigamente, isto é, da premência da avaliação da situação
patrimonial da empresa, articulada com os parâmetros avaliativos setoriais e com a
trajetória macroeconômica.
Entretanto, a análise de balanços é notada com mais importância a
partir da segunda metade do século passado, quando os banqueiros foram
responsáveis pela sua inserção e utilização no mundo dos negócios.
17
Matarazzo (1998, p.22) explica que a análise de balanços surgiu
dentro do sistema bancário americano, quando passaram a exigir balanços das
empresas tomadoras de empréstimos. Esta medida ganhou aceitação quando, em 9
de fevereiro de 1895, o conselho executivo da associação dos bancos de Nova York
resolveu recomendar aos seus membros que solicitassem aos tomadores de
empréstimos declarações assinadas de seus ativos e passivos. Isso foi o primeiro
passo para o início das análises patrimoniais.
Matarazzo (1998, p.22), finaliza esclarecendo que a consagração ao
uso das demonstrações financeiras deu-se a partir do ano de 1915, a partir do qual o
Federal Reserve Board (Banco Central dos Estados Unidos), determinou que só
obteriam crédito as empresas que apresentassem seus balanços ao banco.
No Brasil, a análise de balanços era pouco utilizada, pois na prática,
só se difundiu nos anos 70, após a criação do SERASA, empresa que possui um
dos maiores bancos de dados do mundo, onde são armazenadas informações
negativas de empresas e cidadãos que indicam dividas vencidas e não pagas, bem
como registro de protestos de títulos, cheques sem fundos e outras informações
dessa natureza. Essa empresa opera como central de análise de balanços dos
bancos comerciais, lojas do comércio e outros, com o objetivo de dar apoio às
decisões de crédito. (SERASA, 2010)
A análise de balanços constitui-se num processo de meditação
sobre os demonstrativos contábeis, objetivando uma avaliação da situação da
empresa, em seus aspectos operacionais, econômicos, patrimoniais e financeiros. A
finalidade é detectar os pontos fortes e os pontos fracos do processo operacional e
financeiro da empresa, objetivando propor alternativas de curso futuro a serem
tomadas e seguidas pelos gestores da empresa, conforme afirmação de Padoveze
(2000, p.131).
De acordo com o professor Iudícibus (1998, p.21) para entendimento
mais profundo das vantagens e limitações da análise de balanços, existe um
conjunto de informações e conhecimentos necessários, e o mais importante,
segundo o professor, são os princípios de contabilidade.
O analista vale-se de uma série de cálculos matemáticos, traduzindo
os demonstrativos contábeis em indicadores de análise de balanço. Esses
18
indicadores evidenciam as características das principais integrações existentes entre
a situação apresentada pelo balanço e a dinâmica da empresa, representada pela
demonstração de resultados, conceitua Padoveze (2000, p.132).
De acordo com Sá (2005, p.24) conhecida a finalidade da análise e
os aspectos particulares do balanço, o analista possui em mãos as condições
principais para iniciar seu trabalho. Entretanto, deve ser selecionado o método do
qual se valerá para levar a efeito a análise. Sá acredita que o método mais utilizado
na prática é o dos quocientes, o qual se fundamenta no exame de relações entre
valores, estabelecidos por divisões aritméticas, ou seja, é estabelecida a relação
entre dois elementos de um mesmo exercício.
Diante das considerações acima, é importante que o analista, além
de saber interpretar os indicadores, tenha conhecimento sobre contabilidade, bem
como interpretar o conteúdo das demonstrações contábeis. Os relatórios de análise
de balanço devem ser elaborados com linguagem de fácil entendimento, de modo
que o usuário não venha a se confundir com possível utilização de termos técnicos
de quem os elabora. Segundo Padoveze (1998, p.19) a análise de balanços deve
assumir o papel de tradução dos elementos contidos nas demonstrações financeiras,
ou seja, transformar os dados dos demonstrativos financeiros em informações úteis.
3.1 Análise através dos índices
Segundo o dicionário Houaiss, um índice pode ser definido como:
relação entre valores de qualquer medida ou gradação; padrão indicador ou guia de
capacidade.
Matarazzo (1998, p.153) define índice como sendo a relação entre
contas ou grupo de contas das demonstrações financeiras, que visa evidenciar
determinado aspecto da situação econômica ou financeira da empresa, constituindose a técnica de análise mais empregada. E conclui brilhantemente: “Um índice é como
uma vela acesa num quarto escuro”, contudo um índice por si só não fornece base
suficiente para uma análise satisfatória, mas serve de medida para diversos aspectos
econômicos e financeiros das empresas. Porém, o importante não é o cálculo de um
grande número de índices, mas sim o suficiente para análise que se queira realizar.
19
Em 1919, Alexandre Wall, considerado por Matarazzo (1998), o pai
da análise de balanços, ao discordar da análise apresentada na época pelos
banqueiros em 1914, que consistia em comparar os bens correntes do ativo com o
passivo, pois julgavam ser mais importantes a concessão de crédito, apresentou um
modelo de análise de balanços através de índices, demonstrando a necessidade de
considerar outras relações, além do ativo circulante contra passivo circulante
apresentado nos balanços patrimoniais.
Posteriormente, foram desenvolvidas outras fórmulas matemáticas
de avaliação de empresas ponderando diversos índices extraídos de balanços.
Segundo Matarazzo (1998, p.24), a partir de 1931, foram elaborados índices-padrão
para diversos ramos de atividade nos Estados Unidos, que vem sendo divulgados
até hoje.
Iudícibus (1998, p.98) frisa que o mais importante na análise de
balanços é o cálculo e avaliação do significado de quocientes, relacionando com
itens e grupos do balanço patrimonial e demonstração de resultados, pois para ele, é
muito mais indicado comparar, por exemplo, ativo circulante com passivo circulante
do que analisar simplesmente elementos individualmente. E conclui a idéia afirmando
que o uso de quocientes tem finalidade principal de permitir ao analista extrair
tendências e comparar quocientes com padrões pré-estabelecidos.
Na opinião do professor Lopes de Sá (2005, p.23) uma análise de
balanços, para ser eficaz, deve-se basear em levantamentos abrangentes, reunindo
todos os dados possíveis para se ter um convencimento sobre a situação examinada,
considerando com rigor: fim, tipo de opinião requerida e aspectos particulares.
A partir dessas premissas, observa-se que através do estudo dos
índices podem-se obter informações diversas sobre diferentes aspectos da empresa.
3.1.1 Indicadores de liquidez e suas características
Segundo estudiosos da área, infindos são os indicadores utilizados
para diagnosticar a saúde econômico-financeira das empresas, cada um com o seu
objetivo proposto. Sá (2005, p.17) conceitua:
20
Para que se possa escolher o critério de analisar, para se
possuir orientação para traçar um plano de trabalho, é preciso
saber qual a finalidade a ser atendida. É preciso saber qual a
utilidade que a tarefa analítica vai ter, ou ainda, a que e a quem
servirá a opinião que o profissional vai emitir.
A presente pesquisa restringirá apenas a evidenciar os indicadores
apreciados de acordo com o objeto de estudo proposto, ou seja, os indicadores de
liquidez, além dos cálculos relativos aos prazos e giros de correntes das atividades
operacionais.
O índice de liquidez, de modo geral, é um indicador financeiro que
tem como objetivo avaliar a capacidade da empresa em honrar seus compromissos
junto aos credores, que por sua vez, utilizam para avaliar a concessão de novos
créditos a empresa. Entretanto, Matarazzo (1998, p.169) observa que há uma
confusão ao interpretar esse índice, extraído do balanço patrimonial, com o índice de
capacidade de pagamento, extraídos do fluxo de caixa, ao qual compara as entradas
e saídas de dinheiro, ou seja, o índice de liquidez procura medir quão sólida é a
base financeira da empresa, contudo, uma empresa com bons índices de liquidez,
tem condições de ter boa capacidade de pagar suas dívidas, mas não estará,
obrigatoriamente, pagando suas dívidas em dia, em função de variáveis como prazo,
renovação de dívidas, etc.
Sá (2003, p.95) faz uma observação quanto ao índice de liquidez,
ao citar o quão estático é esse índice, pois não considera quando os meios de
pagamento estarão todos transformados em dinheiro para liquidar as obrigações e
nem quando estas serão realmente exigíveis. Por se tratar de uma comparação que
não entra em detalhes sobre épocas de disponibilidades e nem as épocas de
necessidade de pagamento, tem, portanto, aspecto estático, porque não considera o
tempo e a tempestividade.
Diante de tal situação, Sá (2003, p.95) sugere: “Esta é a razão de
se realizarem outros cálculos para que se consiga uma situação dinâmica, a qual
considera os tempos de circulação ou giros”.
De acordo com Iudícibus (1998, p.99) são quatro os índices de
liquidez: liquidez imediata, liquidez corrente, liquidez seca e liquidez geral. Cada um
revela determinada situação, como é exposto a seguir:
21
O índice de liquidez imediata, representado pelo quociente Ativo
Disponível / (dividido pelo) Passivo Circulante, representa o valor que a empresa
dispõe imediatamente para saldar a dívida a curto prazo. Para cada $ 1 de dívida
total. Quanto maior, melhor, de acordo com a análise tradicional.
Ativo disponível_
Passivo circulante
Para o índice de liquidez corrente, ora representado pelo quociente
Ativo Circulante / (dividido pelo) Passivo Circulante, representa o quanto a empresa
dispõe em aplicações a curto prazo, com relação às dividas a curto prazo. Para cada
$ 1 de dívida total. Quanto maior, melhor, pela lógica estática.
Ativo Circulante_
Passivo circulante
A seguir verifica-se o quociente de liquidez seca, aqui representado
pelo quociente Ativo Circulante – (menos) Estoque / (dividido por) Passivo
Circulante, o qual visa medir o grau de excelência da situação financeira,
desprezando os estoques, muitas vezes objeto de incerteza e distorções, às vezes
influenciado por mudanças no critério de valorização. Para cada $ 1 de dívida total.
Quanto maior, melhor, pelos mesmos critérios dos acima expostos.
Ativo Circulante - Estoque_
Passivo circulante
Por fim, o índice de liquidez geral, representado pelo quociente
Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo / (dividido por) Passivo Circulante +
Exigível a Longo prazo, que revela de modo geral, o quanto a empresa possui de
direitos e haveres, ou seja, quanto a empresa possui de direitos para cada $ 1,00
de haveres. O resultado obtido pode ser interpretado: o quanto maior, melhor, se
forem desconsiderados os aspectos dinâmicos das mutações patrimoniais.
Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo_
Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo.
22
3.1.2 Estrutura e classificação de Balanço, segundo o modelo tradicional
O Balanço apresenta a posição patrimonial e financeira de uma
empresa em dado momento. Segundo Assaf Neto (2002, p.58) a informação
apresentada por esse demonstrativo é totalmente estática, ou seja, apresenta um
“retrato”
da
situação
patrimonial
da
empresa
em
determinado
momento.
Provavelmente, sua estrutura pode alterar-se, caso um novo fato ocorra.
Sustentado na Lei das Sociedades Anônimas - 6.404/76, art. 178,
que define a estrutura e classificação de balanços e recentemente alterada pela Lei
nº 11.638/2007 e 11941/2009, com o objetivo de convergência as normas
internacionais de contabilidade, o balanço patrimonial é representado da seguinte
maneira:
Quadro 1: estrutura do balanço patrimonial.
ATIVO
PASSIVO
Aplicações de Fundos
Origens dos Fundos
A CURTO PRAZO
ATIVO
CIRCULANTE
ATIVO NÃO
CIRCULANTE
A CURTO PRAZO
Aplicações por menos de 365 dias
Fundos disponíveis por menos de 365
dias
REALIZÁVEL A LONGO PRAZO
EXIGÍVEL A LONGO PRAZO
Aplicações por mais de 365 dias
Fundos disponíveis por mais de 365
dias
PASSIVO
CIRCULANTE
PASSIVO NÃO
CIRCULANTE
INVESTIMENTOS
IMOBILIZADO
INTANGÍVEIS
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
CAPITAL SOCIAL
RESERVA DE CAPITAL
RESERVAS DE LUCROS
PREJUIZOS ACUMULADOS
Fonte: FIORAVANTI (1999,p.7)
Nota-se que no quadro acima, a estrutura foi modificada de sua
fonte original, e apresentada, conforme interpretação da Lei nº 11.638/2007 e
11941/2009.
23
Conforme se observa no quadro acima, o balanço compõe-se de
três grandes grupos: ativo, passivo e patrimônio líquido, dispostos em ordem
decrescente de grau de liquidez no Ativo e crescente de vencimento no Passivo.
No grupo do ativo evidencia os elementos patrimoniais positivos, ou
seja, aplicação dos recursos, representados por bens e direitos, distribuídos em
circulantes por apresentarem alta rotação, como: valores em caixa, valores a receber
a curto prazo, etc.; em ativos realizáveis a longo prazo, com valores a receber em
mais de 365 dias , e em ativos classificados como investimentos, imobilizado e
intangíveis. ASSAF NETO (2002, p.58)
Já o passivo, evidencia os elementos patrimoniais negativos, ou
seja, origem dos recursos, cujos valores encontram-se investidos nos ativos
representados por obrigações e valor patrimonial dos donos e acionistas. Os
recursos dos passivos são classificados como curto e longo prazo, sendo definidos,
respectivamente, por passivo circulante e exigível à longo prazo. O patrimônio
liquido é representado pela diferença entre o total do ativo e o total do passivo.
Identifica os recursos próprios da empresa, sendo composto de capital social,
reservas de capital, reservas de lucros e prejuízos acumulados.
24
3.1.3 Índices de prazos médios de recebimento de vendas, pagamento de
compras, renovação de estoques e giro do ativo.
Segundo Matarazzo (1998, p.317) uma das descobertas mais
interessantes da análise de balanços, é a possibilidade de calcular, através dos
dados das demonstrações financeiras, os índices de prazos médios. De acordo com
o autor, são basicamente três os índices que podem ser encontrados a partir das
demonstrações financeiras, a seguir:
1. Prazo médio de recebimento de vendas – PMRV
O PMRV, mostra o volume de investimento em duplicatas a receber
e o prazo médio para recebimento. Abaixo segue a fórmula:
PMRV = Duplicatas a receber x 360
----------------------------------Vendas brutas
2. Prazo médio de pagamento de compras – PMPC
O PMPC, mostra o volume de investimentos em compras de
mercadorias e o prazo médio para pagamento:
PMPC = Fornecedores x 360
----------------------------------Compras brutas
3. Prazo médio de renovação de estoques – PMRE
O PMRE, mostra o tempo de giro do estoque, ou seja, o período que
se leva o ciclo de compra, estocagem e venda de produtos.
PME =
360
-------Giro
Giro =
CPV
------------Estoque
25
No que se refere ao Giro do Ativo, Matarazzo (1999,p.182) conceitua
como sendo o indicador que mede o volume de vendas da empresa em relação ao
capital todo investido. Pode ser exemplificado na fórmula:
GA = Vendas liquidas
---------------------Ativo
E indica o quanto a empresa vendeu para cada $ 1 investido.
3.2 Introdução ao Modelo análise dinâmica financeira (Fleuriet)
O objetivo inicial era buscar uma instituição na Europa que apoiasse
a implementação dos programas de desenvolvimento gerencial, da Fundação Dom
Cabral. No empenho em desenvolver métodos e sistemas gerenciais apropriados ao
ambiente brasileiro, a referida fundação firmou, na década de 70, um convênio com
o Centre d’Enseignement Supérieur des Affaires - CESA (França), a julgar pelo fato
deste possuir os requisitos necessários ao seu empreendimento: quadro de
especialistas de alto gabarito, e também, os mesmos estavam empenhados, na
época, em desenvolver um processo de adaptação dos modelos americanos de
gestão para a realidade francesa que, demandava necessidade de ajustar e criar
seu próprio método e processo de gestão, de acordo com a realidade do país. Tal
situação era semelhante ao nosso país, considerando-se que, na época, nossa
economia apresentava-se num estágio de crescimento permanente, além de bruscas
mudanças de rumo nas performances dos mercados financeiros e de capitais.
(FIORAVANTI, 1999, p.4).
Este acordo possibilitou a vinda ao Brasil, do professor Michel
Fleuriet, que conduziu os trabalhos de montagem do método de análise da dinâmica
financeira das empresas, estimulado e sustentado pelo empenho da equipe da
Fundação Dom Cabral em buscar uma metodologia coerente com a dinâmica
operacional das empresas brasileiras.
Dessa forma, foram iniciados os contatos com as empresas e
instituições brasileiras para o levantamento do perfil de suas
carências na área financeira, encarando finanças não sob o
aspecto puramente contábil, mas como poderoso instrumentos
de gestão empresarial de uma realidade muito específica
nossa. (FLEURIET; KEHDY; BLANC; 2003, p.xiii)
26
Nascia, então, o método de análise dinâmica financeira das empresas, mais
conhecida como Modelo Fleuriet, nome que traz de um dos seus criadores.
De acordo com FIORAVANTI (1999, p.4), o objetivo era superar o modelo
obsoleto dos sistemas analíticos tradicionais. Assim a equipe da Fundação Dom
Cabral executou um intenso processo de investigação que foi sistematizado, em
1978, no livro: A Dinâmica Financeira das Empresas Brasileiras - um novo Método
de Análise, Orçamento e Planejamento Financeiro, de autoria do Professor Michel
Fleuriet, juntamente com Ricardo Kehdy e Georges Blanc.
3.2.1 Estrutura e classificação de Balanço, segundo o Modelo Fleuriet
Ao contrário da análise financeira tradicional, que apresenta a
posição estática da situação financeira do balanço patrimonial, Fleuriet (2003, p.7)
considera que as contas do ativo e do passivo devem ser classificadas conforme a
realidade dinâmica das empresas, de acordo com o seu ciclo, ou seja, o tempo que
se leva para realizar uma rotação.
Certas contas movimentam-se lentamente, quando analisadas
isoladamente ou em relação ao conjunto de outras contas, que numa abordagem de
curto prazo, podem ser consideradas como permanentes ou não cíclicas. Outras
apresentam um movimento contínuo e cíclico, existindo, por fim, as que se
caracterizam por um movimento descontínuo e errático. FIORAVANTI (1999, p.11).
Diante do exposto acima, Fleuriet, propõe uma reestruturação das
contas do balanço que esteja fundamentada no grau de sensibilidade com que os
saldos das mesmas reajam à dinâmica operacional da empresa, como é
exemplificado a seguir:
27
Quadro 2: estrutura do balanço patrimonial pelo modelo Fleuriet.
ATIVO
C
O
N
T
A
S
A
T
I
V
O
C
I
R
C
U
L
A
N
T
E
PASSIVO
Circulante
Circulante
- Numerário em Caixa.
- Bancos Conta Movimento.
- Títulos e Valores Mobiliários,
etc.
- Duplicatas Descontadas
- Empréstimos Bancários a
Curto Prazo, etc.
C
O
N
T
A
S
E
E
R
R
R
R
Á
Á
T
T
I
I
C
C
A
A
S
S


C
O
N
T
A
S
C
- Duplicatas a Receber.
- Estoques de Produtos
Acabados.
- Estoques de Produção em
Andamento.
- Estoques de Matérias Primas,
etc.
- Fornecedores.
- Obrigações Tributárias.
- Obrigações Trabalhistas.
C
O
N
T
A
S
C
Í
Í
C
C
L
L
I
I
C
C
A
A
S
C
O
N
T
Realizável a Longo Prazo
Exigível a Longo Prazo
- Empréstimos a Terceiros.
- Títulos a Receber, etc.
- Empréstimos de Terceiros.
- Financiamentos, etc.
A
C
I
R
C
U
L
A
N
T
E
C
O
N
T
A
Resultados de Exercícios
Futuros
S
N
Ã
O
S
N
N
Ã
Ã
O
O
C
Í
C
L
I
C
I
R
C
U
L
A
N
T
E
S
___
A
T
I
V
O
P
A
S
S
I
V
O
Permanente
- Investimentos.
- Imobilizado.
- Diferido
Patrimônio Líquido
- Capital Social.
- Lucros Acumulados
- Reservas.
C
Í
C
L
I
C
C
A
A
S
S
Fonte: FIORAVANTI (1999,p.10).
P
A
S
S
I
V
O
N
Ã
O
C
I
R
C
U
L
A
N
T
E
28
3.3 Variáveis do Modelo Fleuriet
De acordo com Fioravanti (1999, p.18) com as variáveis do método é
possível se obter a situação econômico-financeira da empresa, podendo assim se
detectar os principais problemas que se encontra no momento, bem como identificar
quais medidas necessárias para corrigi-las.
3.3.1 Necessidade liquida de capital de giro - NLCDG
Barbosa apud Silva, J.P. (1996, p.32) conceitua a necessidade
liquida de capital de giro:
A chamada necessidade liquida de capital de giro é uma
metodologia de análise de relativa simplicidade e de grande
utilidade no auxílio da determinação da saúde financeira de
uma empresa, fornecendo uma visão sistemática do impacto
das diversas áreas de decisão na empresa e de suas
interações.
Segundo Fleuriet (2002, p.10) a NLCDG é definida pela dinâmica do
funcionamento da empresa, é muito sensível às modificações que ocorrem no
ambiente econômico em que a empresa opera. Modificações como redução do
crédito de fornecedores, aumento de estoques, etc. alteram a curto prazo a NLCDG
da empresa, uma vez que afetam o volume e o ritmo em que se dá o fluxo de
recursos através da empresa, pois além de depender pelas condições de prazos
impostas pela natureza do negócio, a NLCDG é conseqüência natural das contas
que a compõem.
De acordo com Fioravanti (1999, p.10) a NLCD é o resultado da
diferença das contas cíclicas do ativo circulante, compreendidas como aplicações
necessárias ao giro, com as contas cíclicas do passivo circulante, compreendidas
como fontes do giro, expressa pela seguinte equação: Aplicações do Giro (-) Fontes
do Giro = NLCDG.
Ainda de acordo com a autora, quando a NLCDG apresentar
resultado positivo, significa dizer que as fontes do giro são insuficientes para
financiar as aplicações do giro, indicando que a empresa tem a necessidade de
buscar fontes alternativas para financiamento de suas operações, fontes estas que
29
poderão constituir-se de capital de terceiros de curto prazo, longo prazo ou ainda
recursos próprios.
Quando a NLCDG for negativa, entende-se que a empresa não tem
necessidade de fontes alternativas, pois as fontes espontâneas são mais que
suficientes para financiar as aplicações do giro. Este excesso de fontes será dirigido
ao financiamento de ativos que não os do giro.
3.3.2 Tesouraria – T
Barbosa (2002, p.17) cita em seu trabalho que a variável Tesouraria
é o resultado da reclassificação das contas do Ativo e Passivo Circulante,
especificamente aqueles cujos saldos não se relacionam com a atividade
operacional da empresa e cujo valores se alteram de forma aleatória, são chamadas
de contas erráticas. Representado pela equação abaixo:
Contas erráticas do passivo circulante (-) contas erráticas do ativo circulante =
Tesouraria.
Alessandra confirma que se o saldo de tesouraria for positivo,
significa dizer que o saldo das disponibilidades e demais aplicações, (realizáveis no
curto prazo), são suficientes para liquidar as obrigações vencíveis a curto prazo,
representando, assim, folga financeira para a empresa.
Por outro lado, se o resultado da tesouraria for negativo, é um
indicativo de endividamento no curto prazo, pois as disponibilidades somadas às
aplicações de curto prazo, não são suficientes para saldar os compromissos
assumidos com vencimentos até 360 dias.
De acordo com Fioravanti (1999, p.11) a variável tesouraria,
analisada em simultaneidade com a NLCDG, indica folga financeira ou
endividamento de curto prazo. Quando ocorrer resultado negativo na variável em
questão, utiliza-se da apuração do termômetro financeiro, que determina qual o
percentual da NLCDG que é financiada com endividamento de curto prazo,
esquematizado pela seguinte equação:
Termômetro financeiro =
|(T)|___
NLCDG
30
3.3.3 Longo Prazo – L.P.
Conforme De Santi Filho; Olinquevitch (1995 apud Barbosa, 2002,
p.18) a variável longo prazo, obtida pela diferença dos saldos das contas do
realizável a longo prazo e do exigível a longo prazo, expressa fontes de recurso de
longo prazo financiando as atividades da empresa (quando positiva) ou aplicações
de recursos no longo prazo (quando negativa). A expressão dessa variável
apresenta-se da seguinte maneira; LP = Exigível a Longo Prazo (-) Realizável a
Longo Prazo.
Fioravanti (1999, p.16) esclarece que a interpretação dessa variável
de acordo com seu resultado positivo ou negativo, pode trazer interpretações
distintas, no sentido de estruturar informações que revelem a composição do
financiamento da empresa em termos de utilização ou não de recursos de terceiros
de longo prazo.
De acordo com a autora, quando o resultado for positivo, ou seja, o
exigível a longo prazo for maior que o realizável a longo prazo, significa que a
empresa possui fontes de terceiros de longo prazo financiando as aplicações do giro
e/ou do ativo permanente. Caso o resultado seja o contrário, ou seja, o exigível a
longo prazo for menor que o realizável a longo prazo, significa dizer que as
aplicações do exigível a longo prazo estão a demandar recursos para seu
financiamento, quer sejam próprios ou de terceiros.
3.3.4 Recursos Próprios Realizáveis – R.P.R.
Fioravanti (1999, p.33) propõe, além das três variáveis existentes do
modelo: Necessidade Líquida de Capital de Giro (NLCDG), Tesouraria (T) e Longo
Prazo, a inclusão ao modelo de uma quarta variável, denominada Recursos Próprios
Realizáveis (RPR), pois em sua opinião as variáveis anteriormente avaliadas não
consideram o patrimônio líquido e o ativo permanente. O R.P.R é a diferença obtida
das contas do patrimônio liquido e do ativo permanente, e está assim equacionada:
RPR = Patrimônio Liquido (-) Ativo Permanente.
De acordo com Fioravanti (1999, p.33) se o resultado da equação for
positivo, significa que há disponibilidade de recursos próprios para o financiamento
das necessidades do giro, como também do realizável a longo prazo. Sendo o
31
resultado negativo, indica insuficiência de recursos próprios até mesmo para o
financiamento dos ativos permanentes, sendo, portanto uma situação de
dependência de capitais de terceiros, ou seja, de descapitalização.
3.3.5 Capital de Giro – CDG
Segundo Fleuriet (2002, p.11), o capital de giro é a diferença entre
as contas não cíclicas do ativo permanente, com as contas não cíclicas do passivo
permanente. O autor considera como CDG, a diferença entre o passivo realizável a
longo prazo, mais o patrimônio líquido, menos o ativo exigível a longo prazo, mais o
permanente. De acordo com o autor, a equação será definida da seguinte maneira:
CDG = Realizável a Longo Prazo + Patrimônio Liquido (-) Exigível a
Longo Prazo + Ativo Permanente.
Conforme Hoji, M (2001 apud Alessandra, 2002, p.20), o capital de
giro corresponde aos recursos aplicados em ativos circulantes, que se transformam
constantemente dentro do ciclo operacional.
Fleuriet (1999, p.13) afirma que o CDG possui o mesmo valor que o
Capital Circulante Líquido, definido no sentido financeiro clássico como a diferença
entre o ativo circulante e o passivo circulante. Apesar do cálculo ser realizado de
maneira diferente, os resultados são idênticos.
Ainda de acordo com o autor, o CDG constitui uma fonte de fundos
permanente utilizada para financiar a NLCDG da empresa. Quando o CDG for
negativo, ou seja, o ativo permanente é maior que o passivo permanente, a empresa
financia parte de seu ativo permanente com fundos de curto prazo. Embora essa
condição aumente o risco de insolvência, a empresa poderá se desenvolver, desde
que sua NLCDG também seja negativa.
Fioravanti (1999, p.15) por considerar pouca representatividade que
os grupos de longo prazo, tanto exigíveis, quanto realizáveis, exprimem na
mensuração dos valores patrimoniais, quer pelas históricas indefinições acerca das
expectativas futuras, no caso dos exigíveis, como também pelos comportamentos
disfuncionais de nossos mercados financeiros e de capitais, no que diz respeito aos
itens exigíveis. A autora finaliza justificando que a convivência do modelo proposto
por Fleuriet, impõe limites a uma análise mais contextualizada quanto às fontes e
32
aplicações de recursos da empresa, por esta razão as contas do longo prazo devem
ser estudadas em destaque das contas não cíclicas.
Diante do exposto acima, a autora sugere que o modelo proposto
por Fleuriet, seja combinado com uma variável denominada Recursos Próprios
Realizáveis – R.P.R.
3.3.6 Ciclo Econômico Financeiro – CEF.
O ciclo econômico financeiro – CEF indica quantos dias de vendas a
empresa destina ao financiamento da necessidade do capital. Alessandra Barbosa
(2002,p.22) conceitua o CEF como:
A necessidade liquida de capital de giro – NLCDG está
diretamente ligada com o ritmo e volume das atividades
operacionais da empresa. Resumidamente, o Ciclo Econômico
Financeiro é a NLCD medidas em dias de vendas.
É representado pela seguinte equação:
CEF =
NLCD
x 360
--------------------Vendas brutas
De acordo com De Santi Filho; Olinquevitch (1995 apud Alessandra,
2002,p.23), o ciclo econômico financeiro pode se decompor nas contas cíclicas do
ativo e passivo, onde são determinados por um componente financeiro que é a
medida do ritmo operacional e pelo componente econômico que é a medida do
volume.
Para Fioravanti (1999, p.31) a equação da decomposição do
componente econômico financeiro está representado da seguinte maneira:
Comp. Financ. = contas cíclicas
---------------------Vendas brutas
x 360
E o componente Econômico, assim representado:
Comp. Econ. . =
inf. Adicional*
---------------------Vendas brutas
x 360
33
A informação adicional acima citada representa a relação entre a
conta cíclica e seu componente de decomposição, isto é, as contas que registram a
medida do volume ou nível operacional. No caso desta empresa, fica assim definido
o componente de decomposição:
• Duplicatas a Receber decompõe-se com Vendas Brutas
• Estoques decompõe-se com CPV
• Despesas Antecipadas decompõe-se com Despesas Antecipadas do Período
• Fornecedores decompõe-se com Compras
• Obrigações Tributárias decompõe-se com Impostos sobre as vendas (DRE)
• Obrigações Trabalhistas decompõe-se com Salários, Encargos do Período
Fioravanti (1999, p.31) esclarece a representatividade de cada um
dos componentes financeiros:
Duplicatas a receber é possível identificar a evolução do
investimento em clientes com as variações do prazo médio de recebimento,
evidenciando se houve alterações no ciclo econômico financeiro provocado por um
prazo mais elástico concedido pela empresa e/ou por um maior volume de vendas a
prazo, ou ainda, atrasos de recebimentos;
Estoques demonstra nitidamente a relação entre o investimento em
estoques com prazo médio de estocagem e o custo do que se estoca. Os estoques
tem uma forte ligação com o giro, se a empresa apresentar uma variação positiva,
pode se observar se a mesma foi em função da queda do giro e/ou do aumento do
custo do produto estocado. O componente econômico está diretamente ligado com o
lucro da empresa;
Despesas antecipadas demonstra o investimento em despesas
antecipadas gasto no período. É possível apurar o prazo de antecipação e ao
montante gasto no período com tais despesas;
Fornecedores através deste detalhamento é possível identificar se
houve alteração no prazo médio de pagamento. Detectando atrasos no pagamento
dos fornecedores influenciando no tamanho do ciclo econômico financeiro, tornando
o menor;
34
Obrigações tributárias determina a participação das obrigações
tributárias em dias de vendas, quantos dias de vendas se faz necessário para o
recolhimento de seus impostos;
Obrigações trabalhistas identifica a evolução dos prazos de
recolhimentos, e também o nível de emprego.
Nas tabelas 19 e 20 estão os demonstrativos da decomposição dos
componentes econômicos e financeiros da empresa.
35
4 ESTUDO DE CASO
A idéia de comparar os dados financeiros da empresa em questão,
utilizando-se a análise dinâmica financeira das empresas (modelo Fleuriet), com a
análise dos indicadores de liquidez tradicional, deu-se pela expectativa de que o
modelo Fleuriet possa trazer vantagens significativas aos gestores se comparado
aos modelos tradicionais de análise de balanço. A resposta para essa questão será
apresentada nos tópicos a seguir.
Para tanto, a análise dará início a partir dos dados financeiros da
empresa, tais como o balanço patrimonial, a demonstração de resultados, do
exercício de 2009, bem como o de setembro de 2010, que será exposta com
maiores detalhes no tópico 6 deste trabalho.
É importante frisar que a análise dos resultados do período de
setembro/2010, além de necessária, é também muito importante, pois com a entrada
do novo grupo, no mês de maio/2010, houve significativas mudanças na gestão da
empresa, instituindo políticas de alavancagem nos negócios com foco na redução
dos custos e retomada de sua tradição perante o mercado.
Daqui em diante, o intuito é mostrar se os objetivos da nova gestão
da empresa estão sendo alcançados, com base nos resultados e sustentados pelas
análises propostas.
4.1 A empresa
Após extensa apresentação do histórico da empresa na parte
introdutória do presente trabalho, será narrado, neste tópico, a situação atual da
empresa, após a aquisição recente do grupo e os esforços para posicionamento da
marca e a retomada da empresa no mercado.
As primeiras medidas cautelares tomada pelos novos gestores, após
estarem à par da verdadeira realidade operacional, financeira e econômica da
36
organização, foi a revisão dos controles internos, com o intuito de verificar possíveis
desperdícios de recursos financeiros, materiais e intelectuais.
Para avaliação dos recursos financeiros, a fim de promover a
redução dos altos juros pagos às instituições financeiras e fornecedores, bem como
a revisão da capacidade de pagamento dos compromissos a curto prazo, os
gestores promoveram com os credores, inúmeras reuniões com o objetivo de
diminuição das taxas de juros e aumento de prazos de pagamentos. Houve, ainda,
cessação de parcerias com credores pertencentes ao antigo grupo e início de
algumas parcerias já conhecidas do grupo.
No tocante aos controles internos, a fim de verificar possíveis
desperdícios de recursos materiais e intelectuais, os gestores, permaneceram com a
política do 5s (senso de utilização, ordenação, limpeza, normalização e
autodisciplina, cujo objetivo é a organização de quaisquer ambientes como proposta
de melhorar a eficiência através da destinação adequada de materiais), implantada
pela gestão anterior, pois observou-se ser uma importante ferramenta para
conscientizar os colaboradores sobre os desperdícios encontrados. Quanto aos
recursos intelectuais, foi promovida extensa reestruturação do pessoal. Após análise
de cargos e funções feita a cada colaborador, os gestores decidiram realocar alguns
para outros setores, pois acreditavam que poderiam ser melhor aproveitados na
nova função, gerando menos custos, enquanto que os colaboradores sem potencial
para contribuir com a empresa, foram dispensados, promovendo-se, pois, uma
reconfiguração das habilidades e um novo modelo de negócio.
Hoje, a empresa tenta manter-se, a todo custo, com recursos
próprios. Entretanto, há ainda, uma significativa parcela de recursos de terceiros
financiando seu ativo, porém, esse cenário deverá perder superfície ao longo do
tempo.
4.2 Demonstrações Financeiras
Para subsidiar as análises propostas, extraiu-se os Balanços
Patrimoniais e Demonstração de Resultados a partir do sistema de contabilidade
integrado da empresa, encerrados em 31/12/2009, bem como os relatórios referente
ao fechamento contábil de 30/09/2010. Houve também a necessidade de algumas
37
informações adicionais, estritamente gerenciais, que não constavam nos relatórios
citados: total de compras referente ao mesmo período em questão.
Os relatórios foram importados para o Excel e formatados de modo
que facilitasse a manipulação dos dados, bem como a classificação e identificação
das contas de acordo com o ciclo dinâmico proposto por Fleuriet, para a aplicação
da análise dinâmica. As letras “E”; “C” e “NC” indicadas nas laterais dos balanços de
2009 e 2010, representam as contas erráticas; cíclicas e não cíclicas,
respectivamente, conceituadas no tópico 3.2.1.
É oportuno elucidar que foram depuradas algumas informações dos
balanços de 2009 e 2010, por se tratar de dados que não condiziam com a realidade
patrimonial da empresa. No que se refere aos passivos, no ano de 2008, com o
propósito de um planejamento tributário e com o objetivo de aderir ao programa do
governo federal, denominado REFIS da crise de 2008, os gestores decidiram realizar
uma grotesca atualização dos juros do passivo tributário, no final do exercício de
2008, de toda a dívida até o período citado e atualizando até setembro/2010,
gerando um passivo que não condizia com a realidade da empresa e
conseqüentemente um prejuízo fiscal, com o objetivo de aproveitá-los para
abatimento do montante dos juros e mora da dívida tributária quando da realização
do programa REFIS da crise. Foi necessário expurgar dos balanços, todos os
valores de juros anteriormente atualizados, para trazer de volta a situação
patrimonial da empresa de acordo com a realidade.
No que se refere aos ativos, antecipando o desejo da atual diretoria,
ao qual já havia sugerido que fosse feito em caráter de urgência um levantamento
dos valores dos ativos permanentes existentes na empresa, a fim de trazer os
valores a realidade e que fosse demonstrado nos balanços a verdadeira situação
dos ativos fixos, foi expurgado do balanço, uma antiga reavaliação dos ativos que
havia sido realizada no ano de 2005, pela então gestão anterior, pelo fato de
acreditar que os valores dos ativos permanentes representados no balanço
patrimonial daquele ano, não condiziam com a realidade.
38
Quadro 3: Balanço Patrimonial do Exercício de 2009
ATIVO
PASSIVO
E
E
E
E
DISPONIVEL
Caixa
Bancos c/Movimento
Títulos vinc.c/Mercado Aberto
Mútuos c/terceiros
1.025.069,62
8.701,87
207.068,37
8.444,65
800.854,73
C
E
C
C
C
CREDITOS
Clientes
Duplicatas Descontadas
Provisão p/Devedores Duvidosos
Adiantamentos a Empregados
Cheques a Receber
C
C
C
C
C
ESTOQUES
Matérias-Primas
Almox.Pecas e Diversos
Produtos em Elaboração
Produto Acabado
Importações em Andamento
7.211.726,40
2.938.753,44
623.896,43
1.958.352,59
1.690.723,94
0,00
C
E
C
E
C
C
C
DESPESAS ANTECIPADAS
Adiantamentos a fornecedores
Outros adiantamentos
Seguros
Juros s/financ a apropriar
Aprop diversas
Adiantam Despesas de Viagem
REFIS
2.615.859,63
635.895,30
2.609,58
181.056,54
1.770.555,68
6.600,14
18.342,39
800,00
10.948.830,79
13.000.981,72
-2.296.161,51
0,00
47.666,31
196.344,27
ATIVO CIRCULANTE
21.801.486,44
NC
NC
NC
NC
NC
NC
REALIZAVEL LONGO PRAZO
Apólice da Dívida Pública
Empréstimos - Mútuos
Precatórios do Estado de São Paulo
Depósitos Judiciais
Impostos à Compensar - IPI
Impostos à Compensar - IRPJ, CSLL
25.068.743,97
1.003.788,18
509.197,60
21.728.501,32
1.538.038,57
226.263,04
62.955,26
NC
NC
NC
NC
NC
NC
PERMANENTE
Imóveis com Reavaliação
Maquinários/Aparelhos/Instalações
Veículos
Moveis e Utensílios
Equip de Informática
Depreciação Acumulada
55.053.723,40
9.602.310,27
83.116.337,13
721.666,18
1.674.252,80
1.020.670,69
-41.081.513,67
NC
NC
NC
INTANGIVEL
Marcas e Patentes
Direitos de Uso
Amortização
ATIVO NÃO CIRCULANTE
ATIVO TOTAL
C
C
C
C
C
C
E
C
C
E
C
C
E
E
NC
NC
NC
NC
NC
NC
NC
NC
NC
NC
NC
NC
NC
Fornecedores
Salários e ordenados a pagar
Obrigações previdenciárias
Impostos a recolher
Provisão para férias e 13º salário
Provisão encargos s/ férias e 13º salário
Duplicatas Caucionadas
Adiantamento de Clientes
Representantes c/comissões
Provisão inventário e assistência técnica
Parcelamento Municipal
Parcelamento Estadual
Financiamentos Moeda Nacional
Financiamentos Moeda Estrangeira
PASSIVO CIRCULANTE
13.721.027,02
103.808,05
1.757.320,01
2.939.865,46
543.129,91
193.891,55
530.968,67
296.041,86
257.814,88
0,00
3.639,88
482.425,00
1.113.079,48
430.650,27
22.373.662,04
EXIGIVEL A LONGO PRAZO
Fornecedores com acordo
Empréstimos - Mútuos
Financiamentos Moeda Nacional
Financiamentos Moeda Estrangeira
Impostos a recolher 2008
Obrigações previdenciárias 2008
REFIS - Progr.Recup.Fiscal
Impostos a recolher Refis Crise
Debêntures
77.169.812,64
1.456.270,25
261.464,86
26.108.772,03
1.519.778,20
0,00
0,00
2.714.491,70
12.527.756,60
32.581.279,00
PASSIVO NÃO CIRCULANTE
77.169.812,64
Capital Social
Reservas de Reavaliação
Resultado de Exercícios Anteriores
Resultado do Exercício
PATRIMONIO LIQUIDO
32.581.279,00
25.751.050,48
-50.727.170,05
-4.348.425,40
3.256.734,03
876.254,90
164.067,09
796.344,22
-84.156,41
80.998.722,27
102.800.208,71
Fonte: documentos da empresa adaptado pelo autor.
PASSIVO TOTAL
102.800.208,71
39
Quadro 4: Demonstração do resultado do exercício de 2009
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO EM 31 DE DEZEMBRO DE 2009
(+)
(-)
(-)
(=)
(-)
(=)
RECEITA OPERACIONAL BRUTA
DEVOLUÇÕES
IMPOSTOS
RECEITA OPERACIONAL LIQUIDA
CUSTO DE VENDAS
LUCRO BRUTO
(-)
(-)
(-)
DESPESAS OPERACIONAIS
DESPESAS GERAIS E ADMINISTRATIVAS
DESPESAS COM VENDAS
DESPESAS TRIBUTARIAS
(-)
DESPESAS FINANCEIRAS
Descontos concedidos
Juros/comissões sb financiamentos
Correção Monetária
Multas Diversas
Variações cambiais
Juros diversos
Despesas bancárias / cobrança
OUTRAS DESPESAS
Outras Despesas_
(+)
RECEITAS FINANCEIRAS
Descontos Obtidos
Juros Recebidos
Variações Cambiais_
Correção Monetária_
Renda Aplic. Financeiras Tributável
Recuperação de despesas
54.736.127,64
-3.797.855,00
-15.330.991,55
35.607.281,09
-22.307.317,59
13.299.963,50
-5.464.255,90
-7.159.932,04
-1.103.544,81
-11.948.826,32
-1.439.023,77
-5.407.188,82
-388.412,32
-750.299,91
713.900,32
-3.122.310,60
-1.555.491,22
-8.861.326,52
-8.861.326,52
2.735.069,64
19.413,65
1.702.887,94
-61.491,87
953.371,59
888,33
120.000,00
OUTRAS RECEITAS
Outras Receitas
14.154.327,05
14.154.327,05
(=)
(-)
(-)
LUCRO (PREJUIZO) OPERACIONAL
CUSTOS NAO OPERACIONAIS
Custos Alienações Investimentos
Custos Alienações Imobilizações
Outros Custos não operacionais
RECEITAS NAO OPERACIONAIS
Receitas Alienações Imobilizações
Outros Receitas não operacionais
LUCRO (PREJUIZO) ANTES DA CSSL E IR
Contribuição Social sb o lucro
Imposto de Renda
-4.348.525,40
0,00
0,00
0,00
0,00
100,00
100,00
0,00
-4.348.425,40
0,00
0,00
(=)
LUCRO/PREJ. LIQUIDO DO EXERCICIO
-4.348.425,40
(=)
(-)
(+)
Fonte: documentos da empresa adaptado pelo autor.
40
Quadro 5: Balanço Patrimonial do Exercício de 2010 posição em Set/2010.
ATIVO
PASSIVO
E
E
E
E
DISPONIVEL
Caixa
Bancos c/Movimento
Títulos vinc.c/Mercado Aberto
Mútuos c/terceiros
1.002.654,11
7.357,24
168.301,40
9.009,58
817.985,89
C
E
C
C
C
CREDITOS
Clientes
Duplicatas Descontadas
Provisão p/Devedores Duvidosos
Adiantamentos a Empregados
Cheques a Receber
C
C
C
C
C
ESTOQUES
Matérias-Primas
Almox.Pecas e Diversos
Produtos em Elaboração
Produto Acabado
Importações em Andamento
6.244.801,23
2.456.283,93
591.804,41
1.437.085,31
1.602.343,44
157.284,14
C
E
C
E
C
C
C
DESPESAS ANTECIPADAS
Adiantamentos a fornecedores
Outros adiantamentos
Seguros
Juros s/financ a apropriar
Aprop diversas
Adiantam Despesas de Viagem
REFIS
1.154.914,41
820.433,27
2.609,58
94.381,80
20.148,06
34.533,15
178.408,55
4.400,00
7.100.019,39
8.438.278,10
-1.159.613,84
-261.525,00
50.410,73
32.469,40
ATIVO CIRCULANTE
15.502.389,14
NC
NC
NC
NC
NC
NC
REALIZAVEL LONGO PRAZO
Apólice da Dívida Pública
Empréstimos - Mútuos
Precatórios do Estado de São Paulo
Depósitos Judiciais
Impostos à Compensar - IPI
Impostos à Compensar - IRPJ, CSLL
26.356.658,53
1.003.788,18
0,00
23.518.443,31
1.545.208,74
226.263,04
62.955,26
NC
NC
NC
NC
NC
NC
PERMANENTE
Imóveis com Reavaliação
Maquinários/Aparelhos/Instalações
Veículos
Moveis e Utensílios
Equip de Informática
Depreciação Acumulada
20.791.554,71
2.179.353,24
52.163.816,70
416.943,02
1.112.954,90
1.006.462,73
-36.087.975,88
NC
NC
NC
INTANGIVEL
Marcas e Patentes
Direitos de Uso
Amortização
C
C
C
C
C
C
E
C
C
E
C
C
E
E
NC
NC
NC
NC
NC
NC
NC
NC
NC
NC
NC
NC
NC
NC
Fornecedores
Salários e ordenados a pagar
Obrigações previdenciárias
Impostos a recolher
Provisão para férias e 13º salário
Provisão encargos s/ férias e 13º salário
Duplicatas Caucionadas
Adiantamento de Clientes
Representantes c/comissões
Provisão inventário e assistência técnica
Parcelamento Municipal
Parcelamento Estadual
Financiamentos Moeda Nacional
Financiamentos Moeda Estrangeira
PASSIVO CIRCULANTE
7.986.547,59
99.569,96
655.275,89
3.109.362,17
728.084,76
259.494,93
310.573,44
710.367,15
122.539,90
144.099,10
910,09
219.658,83
1.213.079,48
230.650,27
15.790.213,56
EXIGIVEL A LONGO PRAZO
Fornecedores com acordo
Empréstimos - Mútuos
Financiamentos Moeda Nacional
Financiamentos Moeda Estrangeira
Impostos a recolher 2009
Impostos a recolher 2008
Obrigações previdenciárias 2009
Obrigações previdenciárias 2008
REFIS - Progr.Recup.Fiscal
Impostos a recolher Refis Crise
Debêntures
64.473.354,28
656.144,91
0,00
14.235.130,53
608.957,16
2.039.865,46
0,00
783.568,68
0,00
1.040.651,94
12.527.756,60
32.581.279,00
PASSIVO NÃO CIRCULANTE
64.473.354,28
Capital Social
Resultado de Exercícios Anteriores
Resultado do Exercício
PATRIMONIO LIQUIDO
32.581.279,00
-55.075.595,45
5.717.149,93
-16.777.166,52
835.798,94
164.067,09
802.060,84
-130.328,99
ATIVO NÃO CIRCULANTE
47.984.012,18
ATIVO TOTAL
63.486.401,32
Fonte: documentos da empresa adaptado pelo autor.
PASSIVO TOTAL
63.486.401,32
41
Quadro 6: Demonstração do resultado do exercício de Set/2010
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO EM 30 DE SETEMBRO 2010
(+)
(-)
(-)
(=)
(-)
(=)
RECEITA OPERACIONAL BRUTA
DEVOLUÇÕES
IMPOSTOS
RECEITA OPERACIONAL LIQUIDA
CUSTO DE VENDAS
LUCRO BRUTO
(-)
(-)
(-)
DESPESAS OPERACIONAIS
DESPESAS GERAIS E ADMINISTRATIVAS
DESPESAS COM VENDAS
DESPESAS TRIBUTARIAS
-4.968.830,13
-7.346.776,75
-300.167,97
DESPESAS FINANCEIRAS
Descontos concedidos
Juros/comissões sb financiamentos
Correção Monetária
Multas Diversas
Variações cambiais
Juros diversos
Despesas bancárias / cobrança
-5.113.232,39
-468.780,26
-2.685.293,12
-475.256,93
-7.688,80
-384.890,75
-724.741,17
-366.581,36
OUTRAS DESPESAS
Outras Despesas_
-3.296.482,25
-3.296.482,25
(-)
(+)
(=)
(-)
(+)
(=)
(-)
(-)
43.949.553,06
-1.385.843,39
-11.897.020,71
30.666.688,96
-18.396.366,39
12.270.322,57
RECEITAS FINANCEIRAS
Descontos Obtidos
Juros Recebidos
Variações Cambiais_
Correção Monetária_
Renda Aplic. Financeiras Tributável
Recuperação de despesas
7.557.965,75
15.126,63
1.075.353,52
288.224,90
787.848,28
564,93
5.390.847,49
OUTRAS RECEITAS
Outras Receitas
7.555.460,52
7.555.460,52
LUCRO (PREJUIZO) OPERACIONAL
CUSTOS NAO OPERACIONAIS
Custos Alienações Investimentos
Custos Alienações Imobilizações
Outros Custos não operacionais
RECEITAS NAO OPERACIONAIS
Receitas Alienações Imobilizações
Outros Receitas não operacionais
LUCRO (PREJUIZO) ANTES DA CSSL E IR
Contribuição Social sb o lucro
Imposto de Renda
6.358.259,35
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
6.358.259,35
-400.570,34
-240.539,08
LUCRO/PREJ. LIQUIDO DO EXERCICIO
5.717.149,93
(=)
Fonte: documentos da empresa adaptado pelo autor.
42
4.3 Aplicação e análise dos modelos (Tradicional e Fleuriet)
Para a comparação e estudo do modelo dinâmico de análise
proposto por Fleuriet, primeiramente, foi realizada a análise seguindo os padrões
tradicionais de balanço, utilizando-se apenas quatro indicadores tradicionais de
liquidez, ou seja, liquidez imediata; liquidez corrente; liquidez seca e por fim liquidez
geral. Posteriormente, foi realizada a análise segundo o modelo dinâmico (Fleuriet).
4.3.1 Análise, segundo o método Tradicional
A partir dos dados extraídos dos balanços analisados, as tabelas
abaixo revelam os resultados dos cálculos dos índices de liquidez, conforme exposto
e conceituado no tópico 3.1.1 do trabalho.
Tabela 1: demonstrativo do cálculo do índice de liquidez imediata.
Índice de Liquidez Imediata
Ativo Disponível
Passivo Circulante
Set/2010
0,06
1.002.654,11
15.790.213,56
Dez/2009
0,05
1.025.069,62
22.373.662,04
Fonte: o autor.
Tabela 2: demonstrativo do cálculo do índice de liquidez corrente.
Índice de Liquidez Corrente
Ativo Circulante
Passivo Circulante
0,98
15.502.389,14
15.790.213,56
0,97
21.801.486,44
22.373.662,04
Fonte: o autor.
Tabela 3: demonstrativo do cálculo do índice de liquidez seca.
Índice de Liquidez Seca
Ativo Circulante (-) Estoque
Passivo Circulante
Fonte: o autor.
0,59
9.257.587,91
15.790.213,56
0,65
14.589.760,04
22.373.662,04
43
Tabela 4: demonstrativo do cálculo do índice de liquidez geral.
Índice de Liquidez Geral
(+) Ativo Circulante
(+) Realizável a Longo Prazo
(+) Passivo Circulante
(+) Exigível a Longo Prazo
0,52
15.502.389,14
26.356.658,53
15.790.213,56
64.473.354,28
0,47
21.801.486,44
25.068.743,97
22.373.662,04
77.169.812,64
Fonte: o autor.
As tabelas abaixo demonstram os cálculos realizados sobre os
prazos médios, bem como o giro do ativo, analisados de acordo com a análise
tradicional, expostos e conceituados no tópico 3.1.3.
Tabela 5: demonstrativo do cálculo do PMRV.
Prazo Médio de Recebimento de Vendas
PMRV =
Duplicatas a Receber x 360*
Vendas Brutas
52
8.438.278,10
43.949.553,06
86
13.000.981,72
54.736.127,64
131
7.986.547,59
16.464.436,68
211
13.721.027,02
23.356.508,13
92
92
3
116
116
3
3
18.396.366,39
6.244.801,23
3
22.307.317,59
7.211.726,40
Fonte: o autor.
Tabela 6: demonstrativo do cálculo do PMPC.
Prazo Médio de Pagamento de Compras
PMPC =
Fornecedores x 360*
Compras Brutas
Fonte: o autor.
Tabela 7: demonstrativo do cálculo do PMRE.
Prazo Médio de Renovação de Estoques
PMRE =
360*_
Giro
GIRO =
CPV
Estoque
Fonte: o autor.
44
Tabela 8: demonstrativo do cálculo do giro do ativo.
Giro do Ativo
GA =
Vendas Liquidas
Ativo
0,48
30.666.688,96
63.486.401,32
0,35
35.607.281,09
102.800.208,71
Fonte: o autor.
* Para Set/2010 Utilizou-se 270 dias.
O resultado obtido pela aplicação do índice de liquidez imediata
mostrou que a empresa não dispõe de recursos financeiros para honrar suas dívidas
de curto prazo. Percebe-se insignificativa melhora na capacidade de pagamento do
ano de 2010, se comparado ao ano de 2009.
Para o índice de liquidez corrente, mostra também que a empresa
apresenta situação muito preocupante para honrar suas obrigações a curto prazo
com recursos a curto prazo, percebe-se resultado parecido à liquidez imediata,
apesar da também insignificativa melhora na capacidade de pagamento, do ano de
2009 para 2010.
O índice de liquidez seca, proporciona uma análise das dívidas a
curto prazo, com os recursos de curto prazo, excluindo-se valores em estoque que
acabam distorcendo os recursos de curto prazo. Essa análise seria interessante,
caso a empresa possua algum problema com o controle do estoque, devido à
incertezas no método de valorização.
Apesar da análise mostrar um resultado
preocupante, a empresa mantém um rigoroso sistema de controle de estoque e
periodicamente faz inventários para validar as informações contábeis. Acredita-se
que esse índice, apesar de ter mostrado um dado preocupante e apresentar um leve
aumento no que se refere de 2009 para 2010, não poderia ser aplicado à
organização pelo motivo apresentado.
O último índice aplicado à empresa, o índice de liquidez geral, como
o próprio nome sugere, mostra de modo geral, o quanto a empresa dispõe de
recursos a curto e a longo prazo para honrar com as dívidas também à curto e a
longo prazo. No casso dessa análise mostrou-se uma modesta sobra de recursos do
ano de 2009 para 2010.
A maior dificuldade encontrada na aplicação das quatro análises
acima foi a dificuldade em analisar determinados “grupos” de contas, pois os
45
indicadores em si, trabalham com a premissa de analisar “grupo de contas” e não
contas contábeis específicas, ao qual algumas tem giros específicos, como sugere o
modelo Fleuriet.
O que se pode observar claramente nesse estudo, o que mais
contribuiu para o fracasso das análises, além das altas dívidas constituídas com os
grupos que já fizeram parte da organização, os impostos também são responsáveis
por parte da dívida. No tocante às dividas com os grupos anteriores, a empresa
mantém um acordo estabelecido, o qual poderá honrar com os valores a partir do
momento que surtir resultados positivos. Com as análises dos prazos médios
observou-se, uma significativa melhora em sua gestão.
4.3.2 Análise, segundo o método Fleuriet
Nas tabelas abaixo estão demonstrados os cálculos das variáveis do
modelo Fleuriet, realizados a partir dos balanços patrimoniais da empresa. O
conceito das variáveis estão expostos no tópico 3.3 deste trabalho.
Tabela 9: cálculo da necessidade líquida do capital de giro – NLCD.
Contas cíclicas do AC
1. Clientes (+) Cheques (-) Adto Clientes (-) P.D.D.
2. Estoques (+) Adto Forn (+) Adto Empr (+) Imp Andto
3. Desp Antec + Outras Despesas
Set/2010
14.926.224,08
7.498.855,35
7.115.645,23
311.723,50
Dez/2009
21.003.371,21
12.901.284,13
7.895.288,01
206.799,07
Contas cíclicas do PC
4. Fornecedores
5. Obrigações Tributárias
6. Obrigações Trabalhistas
13.181.444,12
7.986.547,59
3.329.931,09
1.864.965,44
20.002.921,76
13.721.027,02
3.425.930,34
2.855.964,40
7.498.855,35
8.438.278,10
32.469,40
710.367,15
261.525,00
12.901.284,13
13.000.981,72
196.344,27
296.041,86
0,00
Memória de cálculo para formação das contas cíclicas
1. Clientes
(+) Clientes
(+) Cheques a Receber
(-) Adiantamento de Clientes
(-) Provisão p/Devedores Duvidosos
46
2. Estoques
(+) Estoques MP, Almox, PE, PA
(+) Importação em Andamento
(+) Adiantamento a Fornecedor
(+) Adiantamento a Empregados
7.115.645,23
6.087.517,09
157.284,14
820.433,27
50.410,73
7.895.288,01
7.211.726,40
0,00
635.895,30
47.666,31
311.723,50
94.381,80
34.533,15
178.408,55
4.400,00
206.799,07
181.056,54
6.600,14
18.342,39
800,00
4. Fornecedores
(+) Fornecedores
7.986.547,59
7.986.547,59
13.721.027,02
13.721.027,02
5. Obrigações Tributárias
(+) Impostos a recolher
(+) Parcelamento Municipal
(+) Parcelamento Estadual
3.329.931,09
3.109.362,17
910,09
219.658,83
3.425.930,34
2.939.865,46
3.639,88
482.425,00
5. Obrigações Trabalhistas
(+) Salários e Ordenados a pagar
(+) Obrig Previdenciárias (INSS, FGTS)
(+) Provisão p/ Férias e 13. Salário
(+) Provisão Encargos S/ Férias e 13. Salário
(+) Representantes c/Comissões
1.864.965,44
99.569,96
655.275,89
728.084,76
259.494,93
122.539,90
2.855.964,40
103.808,05
1.757.320,01
543.129,91
193.891,55
257.814,88
1.744.779,96
14.926.224,08
13.181.444,12
1.000.449,45
21.003.371,21
20.002.921,76
3. Despesas Antecipadas
(+) Seguros
(+) Apropriações Diversas*
(+) Adto Despesa de Viagem
(+) Adto Refis
* Aprop IPTU, Revistas e Periódicos e V Transporte
= Necessidade Liquida de Capital de Giro
(+) Contas cíclicas do AC
(-) Contas cíclicas do PC
Fonte: o autor
Tabela 10: demonstrativo do cálculo do Capital Circulante Liquido – CCL.
= Capital Circulante Liquido
(+) Ativo Circulante - AC
(-) Passivo Circulante - PC
Fonte: o autor
-287.824,42
15.502.389,14
15.790.213,56
-572.175,60
21.801.486,44
22.373.662,04
47
Tabela 11: demonstrativo do cálculo da Tesouraria.
= Tesouraria
(+) Capital Circulante Liquido - CCL
(-) Necessidade Líquida de Capital de Giro - NLCD
-2.032.604,38
-287.824,42
1.744.779,96
-1.572.625,05
-572.175,60
1.000.449,45
Fonte: o autor
Tabela 12: demonstrativo do cálculo do Termômetro Financeiro - |T|.
= Termômetro Financeiro
(=) Tesouraria
(/) Necessidade Liquida de Capital de Giro
116
2.032.604,38
1.744.779,96
157
1.572.625,05
1.000.449,45
38.116.695,75
64.473.354,28
26.356.658,53
52.101.068,67
77.169.812,64
25.068.743,97
Fonte: o autor
Tabela 13: demonstrativo do cálculo do Longo Prazo – LP.
= L.P.
(+) Exigível a Longo Prazo
(-) Realizável a Longo Prazo
Fonte: o autor
Tabela 14: demonstrativo do cálculo dos Recursos Próprios Realizáveis – RPR.
= R.P.R.
(+) Patrimônio Liquido
(-) Imobilizado
-38.404.520,17
-16.777.166,52
21.627.353,65
-52.673.244,27
3.256.734,03
55.929.978,30
Fonte: o autor
Tabela 15: demonstrativo do cálculo do Capital de Giro – CDG.
= C.D.G.
(=) Passivo Permanente
(-) Ativo Permanente
-287.824,42
47.696.187,76
47.984.012,18
-572.175,60
1.000.449,45
-1.572.625,05
Fonte: o autor
Após o cálculo de cada uma das variáveis, dimensiona-se a
montagem do modelo (interação entre as variáveis), para diagnóstico da situação
patrimonial.
48
Montagem do modelo:
Tabela 16: demonstrativo da montagem do modelo.
Set/2010
Dez/2009
1.744.779,96 A
1.000.449,45 A
T
-2.032.604,38 F
-1.572.625,05 F
LP
38.116.695,75 F
52.101.068,67 F
RPR
-38.404.520,17 A
-52.673.244,27 A
NLCDG
Termômetro Financeiro
CDG
116
157
-287.824,42
-572.175,60
Fonte: o autor
Após definido os valores das quatro variáveis acima (NLCDG, T, LP,
RPR), de acordo com Fioravanti (1999, p.22), as mesmas apresentam os seguintes
significados:
•
NLCDG – significa uma aplicação (A), pois evidencia excesso de
aplicações do giro em relação às suas fontes.
•
T – o resultado negativo revela-se uma fonte (F), uma vez que as
fontes, que se exigem no curto prazo, dimensionam-se maiores
que as aplicações disponíveis em igual período;
•
LP – será classificada como fonte (F), pois seu resultado é positivo,
por definir a existência de fontes de terceiros de longo prazo
financiando outras aplicações, além das realizáveis de longo prazo.
•
RPR – por apresentar resultado negativo, será denominado uma
aplicação (A), uma vez que as aplicações permanentes resultam
maiores que o patrimônio liquido – PL, indicando escassez de
recursos próprios para o financiamento das mesmas.
49
Após a identificação de cada variável como aplicação (A) ou fonte
(F), é possível dimensionar a equação do modelo, conforme na tabela abaixo:
Equações do Modelo
Tabela 17: demonstrativo
da equação modelo Fleuriet
2010
Fontes (F)
T + LP
40.149.300,13
=
Aplicações (A)
=
=
NLCDG + RPR
40.149.300,13
2009
Fontes (F)
T + LP
53.673.693,72
=
Aplicações (A)
=
NLCDG + RPR
53.673.693,72
Fonte: o autor.
A partir da equação do modelo acima, viabiliza-se um diagnóstico da
situação patrimonial da empresa, o qual está reportado no tópico 4.3.4 deste
trabalho.
Cálculo do Ciclo Econômico – CEF
O Ciclo Econômico Financeiro – CEF, significa a NLCDG
representadas em dias de vendas, abaixo o cálculo do CEF da empresa em estudo.
CEF (2009) =
1.000.449,45
x 360
=
7 dias de vendas
54.736.127,64
CEF (2010) =
1.744.779,96 x 270
=
11 dias de vendas
43.949.553,06
O CEF representado acima, revelou que em 2009 a empresa
necessitou de 7 (sete) dias para financiar suas necessidades do giro, até set/2010,
a necessidade foi de 11 (onze) dias.
50
A tabela a seguir (18), expõe com mais detalhes a representação
das contas cíclicas que resultaram na NLCDG, também em dias de vendas, através
da divisão de seus valores monetários pelas vendas médias diárias, dos 2 (dois)
anos em análise.
Ciclo Econômico Financeiro (detalhamento)
Tabela 18: demonstrativo do
ciclo econômico financeiro
2010
DR
EST
DA
FO
OTRI
OUTRA
CEF
Conta Cíclica
7.498.855,35
7.115.645,23
311.723,50
-7.986.547,59
-3.329.931,09
-1.864.965,44
Dias de Vendas
46
43
2
-49
-20
-11
11
Fonte: o autor.
Onde:
DR - Duplicatas a Receber
EST - Estoques
DA - Despesas Antecipadas
FO - Fornecedores
OTRI - Obrigações Tributárias
OUTRA - Obrigações Trabalhistas
2009
Conta Cíclica Dias de Vendas
12.901.284,13
85
7.895.288,01
52
206.799,07
1
-1.372.1027,02
-90
-3.425.930,34
-22
-2.855.964,40
-19
7
51
A decomposição dos dias de vendas em seus componentes
econômicos e financeiros irá expor, com mais detalhes as contas que mostraram-se
os vetores de tais reduções.
Decomposição do Ciclo Econômico Financeiro
Tabela 19: decomposição do ciclo econômico
financeiro
DR
EST
DA
FO
OTRI
OUTRA
2010
2009
Conta Cíclica
Inf. Adicional
Conta Cíclica
Inf. Adicional
7.498.855,35
43.949.553,06 12.901.284,13
54.736.127,64
7.115.645,23
18.396.366,39 7.895.288,01
22.307.317,59
311.723,50
2.121.595,12
206.799,07
5.076.974,63
7.986.547,59
16.464.436,68 13.721.027,02
23.356.508,13
3.329.931,09
11.866.379,32* 3.425.930,34
14.778.754,46*
1.864.965,44
6.374.275,09 2.855.964,40
10.936.610,59
Fonte: o autor.
*Estimado em 27%
Onde:
Duplicatas a Receber decompõe-se com Vendas Brutas
Estoques decompõe-se com CPV
Despesas Antecipadas decompõe-se com Despesas Antecipadas do Período
Fornecedores decompõe-se com Compras
Obrigações Tributárias decompõe-se com Impostos sobre as vendas (DRE)
Obrigações Trabalhistas decompõe-se com Salários, Encargos do Período
52
A tabela a seguir demonstra a análise da evolução dos parâmetros
para a gestão do capital de giro, e a interpretação dos dados está exposto no tópico
4.3.4 do estudo.
Parâmetros para a Gestão do Capital de Giro
Tabela 20: demonstrativo dos parâmetros para a
gestão do capital de giro.
2010
2009
Contas
Comp Financ
Comp Econ
Dias de
Contas
Comp Financ
Comp Econ
Dias de
Cíclicas
(dias)
(%)
vendas
Cíclicas
(dias)
(%)
vendas
DR
46
1,00
46
DR
85
1,00
85
EST
104
0,42
43
EST
127
0,41
52
DA
40
0,05
2
DA
15
0,09
1
FO
131
0,37
49
FO
211
0,43
90
OTRI
76
0,27
20
OTRI
83
0,27
22
OUTRA
79
0,15
11
OUTRA
94
0,20
19
11
CEF
CEF
Tabela 20: demonstrativo dos parâmetros para a gestão do capital de giro.
Componente financeiro =
conta cíclica
Inf. Adicional
Componente econômico = Inf. Adicional
Venda Bruta
x 360 ou 270 para 2010
7
53
4.3.3 Gráfico do “efeito tesoura”.
Conforme ficou evidenciado no gráfico acima, a empresa encontrase sob o “efeito tesoura” nos dois anos analisados. A amplitude do efeito tesoura
reflete a distância entre o CDG (fontes de longo prazo) e a NLCDG.
4.3.4 Relatório de análise pelo modelo Fleuriet
A empresa apresentou, tanto em 2009 quanto em 2010, resultado
positivo para a Necessidade Liquida de Capital de Giro – NLCDG, o que evidencia
serem as fontes espontâneas do giro inferiores às aplicações do giro e portanto,
havendo necessidade de fontes alternativas para a sua sustentabilidade operacional,
porém com sensível aumento de um período para outro.
54
A variável Tesouraria mostrou-se negativa, em ambos os períodos,
significando, pois, de acordo com o resultado do Termômetro Financeiro – |T|, de
157,19% para 2009 e 116,50% para 2010, que a empresa utilizou endividamento de
curto prazo, não somente para financiar as necessidades do giro, mas também
ativos de realização superior a 1 (um) ano. Entretanto, reduziu-se o Efeito Tesoura
de 2009 para 2010.
A variável Longo Prazo – LP, que destaca das fontes de longo prazo
que influenciam o giro (CDG) aquelas provenientes de recursos de terceiros, pelos
resultados apurados, identificou um representativo endividamento de longo prazo,
com tendências reducionista em 2010.
Quanto aos resultados obtidos para a variável Recursos Próprios
Realizáveis – RPR, nos 2 (dois) períodos, constatou-se, a total inexistência de
recursos próprios para o financiamento dos ativos, sendo a empresa totalmente
dependente de recursos de terceiros de curto e longo prazo. Entretanto, houve uma
redução de 27% da posição negativa, de 2009 para 2010.
A variável Capital de Giro – CDG, que tem a função de evidenciar o
montante de recursos de longo prazo (terceiros e próprios), que financiam o giro dos
negócios e que foi, anteriormente, desmembrada nas variáveis Longo Prazo - LP e
Recursos Próprios Realizáveis – RPR, vem reforçar a situação de vulnerabilidade da
empresa pelos resultados negativos apurados, embora com menos contundência em
2010.
Em 2009, a inexistência de recursos próprios para o financiamento
dos ativos realizáveis, conferiu à empresa a necessidade de endividar-se no curto
prazo, em 157% de suas necessidades do giro, como também de ficar dependente
de recursos de terceiros de longo prazo. O patrimônio liquido negativo reforça a
situação de risco e vulnerabilidade da empresa, envolvendo um custo de capital em
patamares bastante elevados pelo risco residual a ser compensado.
Em setembro de 2010, os indicadores configurados no modelo
Fleuriet demonstraram as mesmas interações de dezembro de 2009, ou seja, total
dependência de capitais de terceiros de curto prazo (116% das necessidades do
giro) e longo prazo. Entretanto, o modelo tem se deslocado para uma trajetória mais
condizente com a normalidade, pela menor insuficiência de recursos próprios em
55
relação às necessidades do ativo, o que permitiu uma ligeira redução dos
endividamentos.
O Ciclo Econômico Financeiro – CEF, que representa o número de
dias de faturamento que a empresa necessita para financiar suas necessidades do
giro, apresentou os seguintes resultados: dezembro/2009, 7 (sete) dias de vendas e
setembro/2010, 11 (onze) dias de vendas.
Outra interpretação possível do CEF, é o número de dias de vendas
que a empresa espera para recuperar (realizar, tornar líquidos) os recursos
aplicados no giro dos negócios.
O detalhamento do CEF revela que seu aumento, em 4 (quatro) dias
de vendas, de 2009 para 2010, deveu-se à redução de aplicações do giro
(duplicatas a receber e estoques), mas sobretudo, às diminuições nas fontes do giro
(fornecedores, obrigações tributárias e obrigações trabalhistas).
A decomposição dos dias de vendas em seus componentes
econômicos e financeiros irá expor, com mais detalhes as contas que mostraram-se
os vetores de tais reduções.
A análise dos parâmetros para a gestão do capital de giro,
demonstrou de 2009 para 2010, a seguinte evolução:
Duplicatas a Receber – o investimento em clientes passou de 85
(oitenta e cinco) dias de vendas para 46 (quarenta e seis) dias de vendas, em
função da queda no Prazo Médio de Recebimento, pois o percentual de vendas à
prazo permaneceu em 100% das vendas brutas nos dois períodos. A adoção de
políticas de crédito e cobrança mais eficientes permitiu essa evolução positiva.
Estoques – o investimento em estoques, reduziu-se de 52
(cinqüenta e dois) dias para 43 (quarenta e três) dias de vendas pelo menor Período
Médio de Estocagem, demonstrando uma interlocução mais fluída entre as áreas
financeira e logística, cujo efeito residual deverá ser sentido, nos próximos períodos,
com maior ênfase.
Fornecedores – o financiamento do giro pelos fornecedores de
bens e serviços representou uma redução de 90 (noventa) para 49 (quarenta e
nove) dias de vendas, indicando uma tendência aos prazos normalmente vigentes
56
no mercado, pois em 2009, os dias de vendas estavam contaminados por atrasos,
que provocavam uma artificialidade no valor da Necessidade Liquida de Capital de
Giro – NLCDG, por anularem a espontaneidade de que é característica essencial
das contas cíclicas.
Obrigações Tributárias – a redução dos dias de vendas desta
conta, de 22 (vinte e dois) para 20 (vinte) dias de vendas evidencia outro caso de
contaminação, nos dois períodos, uma vez que os atrasos permanecem em 2010.
Esta questão torna-se visível se for considerado que, em média, os impostos
incidentes sobre as vendas devem ser recolhidos entre 25 e 30 dias, que resultaria
em dias de vendas em torno de 8 (oito). Portanto, nesta fonte do giro também ocorre
quebra da espontaneidade.
Obrigações Trabalhistas – esta fonte do giro teve seus dias de
vendas reduzidos de 19 (dezenove) para 11 (onze), devido ao menor atraso, em
2009 no recolhimento dos encargos sociais, numa tendência de conformar esta
conta à sua real dimensão.
57
5 CONCLUSÂO
O diagnóstico da situação patrimonial demonstrou que, embora a
empresa se encontre sob o “efeito tesoura” nos dois períodos analisados, com uma
fragilidade considerável em relação às fontes de financiamento, houve uma melhora
na performance dos endividamentos, pela redução da defasagem entre o patrimônio
liquido e os ativos imobilizados.
Fica, portanto, visível a tendência da nova gestão em reduzir o risco
do negócio, a ser possível, em um médio prazo, uma vez que a situação patrimonial
da empresa era enfaticamente comprometedora quanto à sustentação de resultados
futuros compensadores.
Quanto às vantagens da análise dinâmica em relação aos
parâmetros avaliativos tradicionais, destacam-se:
•
Maior densidade na interpretação da situação de curto prazo
da empresa, ao substituir uma medida estática que é o índice
de liquidez corrente, por duas, sendo uma de caráter
dinâmico-operacional – Necessidade Liquida do Capital de
Giro – NLCDG, e outra de caráter financeiro – Tesouraria;
•
Considera ritmo (prazos) - componente financeiro - associado
a volume monetário - componente econômico – da operação,
na determinação dos parâmetros para gestão do capital de
giro – CD;
•
Realça a representatividade dos impostos sobre vendas, ao
tomar como base de cálculos de seus indicadores, o valor de
vendas brutas.
58
O presente estudo permitiu efetivação e acepção de conceitos
propostos pelo modelo Fleuriet, na busca de revelar o sistema proposto, de forma
dinâmica ao modelo tradicional de análise de balanços, onde desvelou as respostas
diante de uma necessidade característica focada na situação patrimonial da
empresa em questão, por apresentar benefícios supracitados.
O presente trabalho aborda a importância da pesquisa cientifica para
o ensino da contabilidade gerencial, proporcionando um aprendizado independente.
As etapas explanadas anteriormente se aplicam também ao conhecimento contábil.
É importante destacar a construção do conhecimento cientifico e para isso se faz
necessário apropriar-se das formas de conhecimento existentes, estabelecendo,
então, um paralelo.
59
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁGFICAS
ARAÚJO, Inaldo; ARRUDA, Daniel. Contabilidade Pública: da teoria à prática. São
Paulo: Saraiva, 2004.
ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e Análise de Balanços: um enfoque
econômico-financeiro. 7. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2002.
BARBOSA, A. O processo de fusão da Ambev: um estudo do impacto na
performance financeira da organização através da análise da dinâmica financeira. 59
f. Monografia (conclusão do curso de Ciências Contábeis) – UNIMEP. Piracicaba.
2002.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Brasília, 2010. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6404consol.htm>.
Acessado
em:
18
set..2010. 22h12’.
CERVO, A L.; BERVIAN, P.A Metodologia científica. 4 Ed. São Paulo: Makron
Books, 1996.
DE IUDÍCIBUS, Sérgio. Análise de Balanços: análise da liquidez e do
endividamento, análise do giro, rentabilidade e alavancagem financeira. 7. Ed. São
Paulo: Editora Atlas, 1998.
DE SÁ, Antônio L. Moderna Análise de Balanços ao Alcance de Todos. Curitiba:
Jarua Editora, 2005.
FIORAVANTI, Maria A. A análise dinâmica financeira das empresas: uma
abordagem didática do “modelo Fleuriet”. 112 f. Dissertação (Mestrado em
Administração) – UNIMESP, São Paulo, 1999.
FLEURIET, Michel; Kehdy Ricardo; Blanc, Georges. O Modelo Fleuriet: A dinâmica
financeira das empresas brasileiras. 2. Ed. Rio de Janeiro: Fundação Dom Cabral,
2003.
60
HENDRISKEN, Eldson S.; VAN BREDA, Michael F. Teoria da Contabilidade. 5. Ed.
São Paulo: Editora Atlas, 1999.
MATARAZZO, Dante C. Análise Financeira de Balanços: abordagem básica e
gerencial. 5. Ed. São Paulo: Editora Atlas, 1998.
PADOVEZE, Clóvis L. Contabilidade Gerencial: um enfoque em sistema de
informação contábil. 3. Ed. São Paulo: Editora Atlas, 2000.
SERASA,
Centralização
dos
Serviços
Bancários
<http://www.serasaexperian.com.br/guiaidoso/serasa.htm>.
S/A.
Disponível
Acessado
em
em:
18
set..2010. 21h18’.
SOUZA, Antonio C; FIALHO, Francisco A; OTANI, Nilo. TCC: métodos e técnicas.
Florianópolis: Visual Books, 2007.
Download

estudo comparativo da análise dinâmica financeira das