CENTRO UNIVERSITÁRIO VILA VELHA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA DE ECOSSISTEMAS Dissertação de Mestrado EFEITO CRÔNICO DO COBRE EM ROBALO PEVA (Centropomus parallelus) RODRIGO NUNES OSS VILA VELHA MARÇO DE 2011 CENTRO UNIVERSITÁRIO VILA VELHA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA DE ECOSSISTEMAS Dissertação de Mestrado EFEITO CRÔNICO DO COBRE EM ROBALO PEVA (Centropomus parallelus) Dissertação apresentada ao Centro Universitário Vila Velha, como prérequisito do Programa de Pós-graduação em Ecologia de Ecossistemas, para a obtenção do título de Mestre em Ecologia. RODRIGO NUNES OSS Orientador: Prof. Dr. Levy de Carvalho Gomes CENTRO UNIVERSITÁRIO VILA VELHA (UVV) VILA VELHA MARÇO DE 2011 Catalogação na publicação elaborada pela Biblioteca Central / UVV-ES O84e Oss, Rodrigo Nunes. Efeito crônico do cobre em robalo peva (Centropomus parallellus) / Rodrigo Nunes Oss. – 2011. 62 f. : il. Orientador: Levy de Carvalho Gomes. Dissertação (mestrado Ecologia de Ecossistemas) - Centro Universitário Vila Velha, 2011. Inclui bibliografias. 1. Robalo (peixe). 2. Toxicologia ambiental. 3. Cobre. 4. Água – Poluição. I. Gomes, Levy de Carvalho. II. Centro Universitário Vila Velha. III. Título. CDD 639.3 A Deus por me sustentar até aqui e aos meus pais, Luiz Valentin Oss e Ivone Maria Nunes Oss, por todo amor e apoio. DEDICO AGRADECIMENTOS Agradeço, primeiramente, a Deus, O autor da vida, por me dar mais esta Vitória, pelo sustento e amor, por me fazer forte quando me senti fraco. A Ele toda Honra e Glória! Aos meus pais, Luiz Valentin Oss e Ivone Maria Nunes Oss por todo amor dedicado, estando sempre ao meu lado sem medir esforços, sacrificando-se para me conceder toda ajuda e apoio. Eles são os meus maiores e melhores exemplos. Eu amo vocês! À minha esposa, Sarah Silveira Azoury Oss, por sempre me apoiar em todo esse trajeto, por compreender minha ausência em muitos momentos. À esta que é minha grande companheira, meus sinceros agradecimentos. Princesa, Eu te amo! Ao meu Orientador, Levy de Carvalho Gomes, por mais esta oportunidade de trabalhar com ele, acrescentando novos ensinamentos e pela paciência. Ao Bruno Ferreira, Juliana Rabbi Alexandre, Maria Lorraine Fonseca Oliveira, Laila Carine Medeiros, Maria Luiza Cosme Dias, Lara Schayder de Medeiros, Larissa Novaes Simões, Adriana Amaral, Rômulo Salla, Felipe Domingues e Vinícius Baroni pela ajuda na realização dos experimentos, incentivo e companheirismo. Este trabalho também é de vocês! Aos funcionários do Biopráticas, Adriana Canal, Marlene Ximenes, Claudinha e Robson, por toda ajuda, sendo essenciais para a conclusão deste trabalho. Ao Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular/INPA, aos professores Adalberto Val e Vera Val, a Nazareth Paula, Thiago Nascimento, Rafael Duarte, Reginaldo Oliveira e Ramon Baptista por me abrirem as portas. Aos meus colegas de curso pela amizade e aos professores. A FAPES pelo apoio através da bolsa PROCAP 2009. SUMÁRIO Resumo...................................................................................................... 1 Abstract...................................................................................................... 2 1. Introdução Geral.................................................................................... 3 2. Fundamentação Teórica........................................................................ 5 2.1. O Cobre em peixes......................................................................... 5 2.2. Recuperação………….................................................................... 6 2.3. Testes Ecotoxicológicos................................................................. 6 2.4. Organismo-teste ............................................................................ 7 3. Objetivos…............................................................................................ 9 4. Referências Bibliográficas..................................................................... 10 5. Capítulos: Capítulo 1: Efeitos de concentrações subletais de cobre em robalo peva (Centropomus parallelus) em exposição crônica Resumo………………………………...…………....……................... 13 Abstract............................................................................................ 14 Introdução……………………………….....………………....…........... 15 Material e Métodos…………………………………........………......... 17 Resultados…………………………………………...……................... 20 Discussão…………………………………………...………................. 25 Conclusões…………………………………………………….............. 30 Referências Bibliográficas………………………………………......... 31 Capítulo 2: Recuperação de robalo peva (Centropomus parallelus) após exposição crônica ao cobre Resumo……………………………….....………………....……........... 36 Abstract............................................................................................ 37 Introdução...............................….....………………....…................... 38 Material e Métodos……………………………...........……................. 39 Resultados………………............................……………................... 41 Discussão………………………………………………….................... 46 Conclusões………………………………………………..................... 51 Referências Bibliográficas…………………………………................. 52 RESUMO EFEITO CRÔNICO DO COBRE EM ROBALO-PEVA (Centropomus parallelus) A contaminação dos corpos d’água é um dos problemas ambientais mais antigos, sendo ainda observado atualmente. Tal situação é observada em muitos rios e estuários do Brasil e do Mundo, sendo necessárias medidas para minimizar a contaminação e controlar a qualidade desses corpos d’água. Os testes ecotoxicológicos são formas de monitoramento, utilizando biomonitores a fim de determinar os efeitos tóxicos de substâncias tóxicas. O cobre é uma das substâncias que merecem atenção quanto aos seus efeitos tóxicos, sendo encontrado nos efluentes da maioria dos processos industriais e esgotos domético. O robalo peva, Centropomus parallelus, é encontrado desde a Flórida/EUA até o Sul do Brasil, sendo de grande importância econômica e utilizada como fonte alimentar em todo litoral. O objetivo deste trabalho foi verificar: 1) os efeitos da adição de baixas concentrações de cobre em robalo-peva, em exposição crônica; 2) a recuperação de indivíduos de C. parallelus após exposição crônica em meio com adição de baixa concentração de cobre. No primeiro trabalho os organismos foram expostos por 30 e 60 dias em tratamentos em que foram adicionados 13 e 26 µg Cu+2/L e no segundo o tempo de exposição foi de 30 dias nas concentrações de 26 e 52 µg Cu+2/L, seguido de recuperação em 4, 10 e 30 dias. Para os testes ecotoxicológicos e de acúmulo de metal foi coletado sangue e tecidos (brânquias, fígado e músculo) dos peixes. Os resultados do ensaio cometa e micronúcleo do primeiro experimento mostraram a genotoxicidade do cobre, o que também verificou-se através do teste de micronúcleo do segundo teste, o qual mostrou que mesmo após 30 dias de recuperação essa situação não se modifica. O cobre adicionado também interferiu no desenvolvimento dos peixes expostos ao cobre no primeiro teste. No primeiro experimento não foi observada diferença significativa dos níveis de glicose e cortisol entre os peixes. Verificou-se maior acúmulo de cobre nas brânquias dos peixes expostos ao metal em ambos os testes, sendo que no segundo observou-se a recuperação após 30 dias. No segundo trabalho verificou-se o acumulo de cobre no músculo dos indivíduos expostos a meio com adição de cobre, identificando a recuperação em 4 dias. Nesse também foi possível observar inibição da GST, a qual retornou aos níveis do tratamento com exposição a concentração basal nos tempos 10 e 30 dias de recuperação. O cobre mesmo em baixas concentrações se mostrou tóxico para o robalo peva. Palavras-chave: ECOTOXICOLOGIA, METAIS ECOTOXICOLÓGICOS, CONTAMINAÇÃO AQUÁTICA. 1 PESADOS, TESTES ABSTRACT EFFECT CHRONIC OF COPPER IN ROBALO PEVA (Centropomus parallelus) The contamination of water bodies is one of the oldest environmental problems and is still observed today. This situation is observed in many rivers and estuaries in Brazil and the World, being necessary measures to minimize contamination and quality control of these water bodies. The ecotoxicity tests are forms of monitoring, using biomonitors to determine the toxic effects of toxic substances. Copper is one of the substances that need attention in relation to its toxic effects being found in effluents of most industrial processes and domestic sewage. The fat snook, Centropomus parallelus, is found from Florida/USA to southern Brazil and is of great economic importance and used as food resources around the coast. The aim of this study was to determine: 1) the effects of adding low concentrations of copper in fat snook in chronic exposure, 2) the recovery of C. parallelus after chronic exposure in medium with addition of low concentrations of copper. In the first study the organisms were exposed for 30 and 60 days in treatments that have been added 13 and 26 µg Cu+2/L and the second exposure time was 30 days at concentrations of 26 and 52 µg Cu+2/L followed by recovery at 4, 10 and 30 days. For ecotoxicological tests and the accumulation of metal was collected blood and tissues (gills, liver and muscle) of fish. The results of comet assay and micronucleus first experiment showed the genotoxicity of copper, which was also observed by micronucleus test of the second test, which showed that even after 30 days of recovery does not change this situation. Copper added also interfered with the development of the fish exposed to copper in the first test. In the first experiment there was no significant difference in levels of glucose and cortisol between fish. A higher accumulation of copper in the gills of fish exposed to the metal in both tests, while in the second recovery was observed after 30 days. In the second study there was an accumulation of copper in the muscle of individuals exposed to medium with the addition of copper, identifying recovery in 4 days. This was also observed inhibition of GST, which returned to the levels of treatment exposure to basal concentrations at 10 and 30 days of recovery. Even at lower concentrations the copper was toxic to fat snook. Keywords: ECOTOXICOLOGY, HEAVY METALS, ECOTOXICOLOGICAL TESTS, AQUATIC CONTAMINATION 2 1. INTRODUÇÃO A crescente contaminação dos corpos d’água por produtos e compostos químicos oriundos das atividades antropogênicas, principalmente os processos industriais, é um dos principais problemas ambientais atuais (Bopp et al., 2008). Esses processos têm capacidade de modificar os ambientes, alterando ciclos naturais de várias substâncias químicas, fazendo com que muitas delas retornem à superfície terrestre como contaminantes (Pinheiro, 2004). Segundo Pinheiro (2004) muitos rios e lagos recebem diariamente uma elevada quantidade de esgoto sem tratamento ou com tratamento ineficazes e de efluentes industriais que despejam metais pesados, entre eles o cobre (Bopp et al., 2008). Desta maneira, fica claro, que os organismos aquáticos estão sofrendo ação direta destes agentes tóxicos, causando nestes o acúmulo de metais em seus tecidos. Além disso, no ambiente aquático os metais transitam por diversos níveis da cadeia trófica e acabam atingindo o homem (Vieira et al., 2009; Bopp et al., 2008). Alguns destes metais presentes nos efluentes lançados nos corpos d’água também são encontrados e fazem parte dos sistemas aquáticos naturais, e são requeridos em pequenas concentrações (partes por milhão a partes por bilhão), nos processos fisiológicos normais dos organismos, sendo então denominados elementos-traço (Buratini e Brandelli, 2006; Bopp et al., 2008; Oliveira et al., 2008; Vieira et al., 2009). Mas estas substâncias quando em altas concentrações tem efeito tóxico, sendo nocivo ao organismo, resultando em inúmeras disfunções. Estas disfunções ocorrem devido a interações inapropriadas de tais elementos com estruturas celulares. Os efeitos nocivos podem ser subletais, quando o indivíduo apresenta mudanças em parâmetros bioquímicos, iônicos e fisiológicos, no crescimento, na morfologia, na reprodução, no comportamento entre outros. E, ainda, letal, causando a morte deste (Oliveira, 2003; Tomita e Beyruth, 2002). Na maioria dos casos, os metais são transportados pelo sangue e assim podem ter efeito nocivo em todos os órgãos (Nader, 2005). Dessa forma, torna-se necessário a contenção da entrada desses elementos nos corpos d’água por meio de medidas socioambientais e a aplicação da Legislação. Essa deve ser com base em estudos e pesquisas científicas para assegurar a eficiência dos padrões estabelecidos. É claro que são várias as substancias que precisam ter seu lançamento no meio natural controlado, mas podemos destacar o cobre como um dos elementos mais nocivo e disponível, tendo 3 em vista sua ampla utilização. Assim, fazem-se necessários estudos para conhecer melhor os efeitos desse químico nos ambientes e nos indivíduos que neles habitam. 4 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1. O Cobre em peixes O cobre é um dos metais presente em efluentes industriais despejados nos corpos d’água, e também desempenham funções nos organismos. Nos peixes, o cobre tem importantes funções, sendo necessário para o metabolismo de vários nutrientes e ainda como constituinte de varias enzimas (Ferrari et al., 2004; Oliveira et al., 2008). Ele atua na cadeia respiratória, fazendo parte do complexo citocromo oxidase; participa como cofator da enzima ALA-desidrogenase, a qual participa na síntese do grupo prostético heme em sua incorporação à globulina formando o pigmento hemoglobina. O cobre é um constituinte de eritrocupreína no eritrócito; no aproveitamento adequado do ferro; na síntese do colágeno e da elastina; e está presente no centro ativo da lisil oxidase, enzima que produz interligações entre as cadeias polipeptídicas (Ferrari et al., 2004; Lenhinger, 2000; Gagnon et al., 2006). Porém, o desenvolvimento urbano e a crescente atividade industrial vêm aumentando o lançamento in natura deste metal em corpos d’água. O uso do sulfato de cobre (CuSO4) como fungicida nas práticas agrícolas bem como no controle de algas e patógenos na aqüicultura, principalmente nos sistemas extensivos de produção, têm aumentado a concentração de cobre em sistemas aquáticos (Chairi et al., 2010). Além disso, os acidentes ocasionais em indústrias têm contribuído para o agravamento da situação, introduzindo quantidades substanciais de cobre em ambientes aquáticos (Carvalho e Fernandes, 2008). Essas altas concentrações acarretam disfunções aos peixes como a perda de apetite, crescimento reduzido, elevada morte de embriões. Além disso, essa contaminação pode gerar perda de íons, podendo resultar na hemoconcentração massiva. Diminuição da atividade aeróbica, alterações histológicas das brânquias, do fígado e dos rins são mais alguns dos efeitos deletérios do cobre em peixes. Também, o cobre, induz o estresse oxidativo, promovendo a formação de espécies altamente reativas de oxigênio, afetando as membranas lipídicas e a integridade do DNA, podendo resultar em necrose e morte celular por apoptose (Oliveira et al., 2008). Essas disfunções podem culminar na mortalidade dos indivíduos (Gagnon et al., 2006; Carvalho e Fernandes, 2008). A toxicidade do cobre para peixes é bem documentada, principalmente pela sua letalidade aguda, gerando uma ampla gama de respostas toxicológicas dos diversos órgãos, as quais têm sido relatadas em inúmeros trabalhos com várias 5 espécies de peixes. Porém estudos de tratamentos crônicos com concentrações subletais e seus efeitos ainda são poucos e se fazem necessários, pois na maioria das águas naturais os metais pesados são geralmente presente apenas nas concentrações subletais. Além disso, pouco se sabe sobre os efeitos da exposição crônica de concentrações subletais em peixes (McGeer et al., 2000). Absorção de cobre em peixes ocorre principalmente através das brânquias, seguido da pele e do intestino, agindo diretamente sobre os componentes celulares ou gerando respostas de estresse (Mazon et al., 2004). Em ambos os casos o rompimento da integridade celular é uma conseqüência da deficiência dos sistemas bioquímicos (Carvalho e Fernandes, 2008). 2.2. Recuperação: Muitos esforços têm sido feitos para a recuperação de áreas degradadas e poluídas, e isso não é diferente nos corpos d’água. A recuperação visa o retorno de condições mais próximas ao original, objetivando melhores condições a biota na área. Assim, deve-se avaliar as respostas dos organismos, após exposição em meio contaminado, em meio com baixa e/ou poluição ausente. Sabe-se que posteriormente a exposição, a recuperação começa com o aumento dos processos de biossíntese (mitose e aumento da síntese de proteínas), ajudando na reparação dos danos e distúrbios fisiológicos. Ocorre também a fase de mobilização dos metais, executada por algumas proteínas como a metalotioneína, e um aumento da regulação de outros caminhos para neutralizar ou competir com os efeitos deletérios do metal, por exemplo aqueles relacionados à regulação iônica (McGeer et al., 2000). Posteriormente, a fisiologia interna do animal pode retornar para a condição pré-exposição, ou, estabelecer um novo equilíbrio durante o período final de maior tolerância (McGeer et al., 2000). 2.3. Testes Ecotoxicológicos: Os testes ecotoxicológicos são necessários para a determinação das ações e efeitos dos agentes tóxicos nos organismos. Estes testes podem ser relacionados a genotoxicidade do xenobiótico, absorção do químico pelos indivíduos expostos, alterações de alguns parâmetros fisiológicos, enzimáticos e histológicos. Assim, para as análises de genotoxicidade já é bem documentado o Teste de Micronúcleo e o Ensaio Cometa, principalmente por se tratar de testes rápidos e 6 de baixo custo, além de ter boa aplicabilidade e eficiência. O Ensaio Cometa (EC) é capaz de detectar danos no DNA induzidos por agentes tóxicos, podendo ser feito com animais e plantas (Chairi et al., 2010). Através deste teste pode-se verificar a intensidade da quebra da fita de DNA. Com o teste micronúcleo pode-se detectar lise cromossômica e aneuploidia, o que ocorre quando o material genético é fragmentado ou perdido e não pode ser incorporado ao núcleo da célula filha, originando um novo núcleo de tamanho menor que o principal, assim denominado micronúcleo (Cavas e Konen, 2008). Os metais e outros tóxicos podem se acumular em vários órgãos. No caso do cobre o principal órgão de absorção é o fígado, onde ocorre a homeostase deste metal (Carvalho e Fernandes, 2008; Oliveira et al., 2008). As brânquias também podem absorver tóxicos presentes na água, pois está em contato direto com a água, com a qual troca gases e outras substâncias, sendo também um importante órgão para a realização de testes de absorção (Oliveira et al., 2008). Outros testes eficientes para determinação do efeito de xenobióticos em organismos são os de alterações enzimáticas (Lee et al., 2008; Chairi et al., 2010). A exposição a poluição pode gerar alterar os níveis da atividade das enzimas em respostas a este estresse, como mecanismo de detoxificação das vias metabólicas (Vieira et al., 2009; Chairi et al., 2010). A Glutationa S-transferase (GST), Catalase (CAT) e a Acetilcolinesterase (AChE), são exemplos de enzimas que podem ser utilizadas para identificar alterações das atividades enzimáticas em organismos contaminados (Vieira et al., 2009; Chairi et al., 2010). O cortisol é uma resposta primária de alterações ambientais, tal como a exposição ao cobre (Gagnon et al., 2006). Peixes expostos as essas condições apresentam hiperatividade interrenal, resultando em aumento da concentração plasmática de corticosteróides e inibição da resposta inflamatória e imune. Como resposta secundária, a Glicose é responsável pela canalização das ações e dos efeitos imediatos da resposta primária, resultante do aumento dos batimentos cardíacos e da absorção de oxigênio, aumentando a circulação dos corticosteróides no sangue e tecidos (Gagnon et al., 2006). 2.4. Organismo-teste: Para testes ecotoxicológicos existem peixes utilizados mundialmente como organismo teste, como o Danio rerio e Pimephales promelas. Porém novas 7 pesquisas têm direcionado para utilização de espécies representativas de uma determinada Bacia Hidrográfica e Região (Mazon et al., 2002; Oliveira, 2003; Vieira et al., 2009). Para estabelecimento de organismos testes algumas características devem ser observadas, tais como: a espécie deve ser preferencialmente nativa, ecologicamente importante, adaptável às condições de laboratório, além de ser abundante e facilmente disponível (Boock, 2005). Robalos são peixes da família Centropomidae, habitando a região costeira marinha, se reproduzindo em sistemas estuarinos e de água doce (Borges et al., 2010; Tsuzuki et al., 2007). Após a reprodução eles podem continuar o ciclo de vida em estuários ou ainda alternar entre o ambiente marinho e dulcicula, dependendo de suas condições reprodutivas e alimentares, podendo ser encontrados em lagoas salobras e hipersalinas (Borges et al., 2010; Tsuzuki et al., 2007). São encontrados desde o sudeste da Flóriada, EUA até Florianópolis, Sul do Brasil. São citadas quatro espécies de robalo no litoral brasileiro, Centropomus undecimalis, Centropomus parallelus, Centropomus ensiferus e Centropomus pectinatus, sendo C. parallelus, robalo-peva, predominante na região sudeste (Borges et al., 2010; Tsuzuki et al., 2007). Devido ao seu alto valor comercial e qualidade de sua carne, o robalo-peva, é muito apreciado para pesca esportiva e artesanal, e por isso tem sido intensamente capturado, afetando seus estoques naturais (Borges et al., 2010; Tsuzuki et al., 2007). O robalo é carnívoro, alimentando-se principalmente de peixes, sem seleção de espécies, incluindo em sua dieta crustáceos, moluscos, ovos de peixes e crustáceos, e até insetos (Borges et al., 2010; Lemos et al., 2006). Em geral, esses peixes adaptam-se bem às condições de cativeiro e às dietas artificiais, são resistentes ao manejo e variações dos parâmetros físico-químicos da água, por isso possuem potencial para o cultivo (Lemos et al., 2006; Tsuzuki et al., 2007). 8 3. OBJETIVOS O objetivo deste trabalho foi verificar: 1) os efeitos da adição de baixas concentrações de cobre (13 e 26 µg Cu+2/L) em robalo-peva, Centropomus parallelus, em exposição crônica (30 e 60 dias); 2) a recuperação em 4, 10 e 30 dias de indivíduos de C. parallelus após exposição crônica em meio com adição de baixa concentração de cobre (26 e 52 µg Cu+2/L). 9 4. REFERÊNCIAS Boock MV, Neto JGM. (2005) Estudos sobre a toxicidade aguda do oxicloreto de cobre para o peixe Poecilia reticulata. Boletim do Instituto de Pesca. 01: 29-35 Bopp SK, Abicht HK, Knauer K. (2008) Copper-induced oxidative stress in rainbow trout gill cells. Aquatic Toxicology. 86: 197–204. Borges JCS, Pressinotti LNP, Gomes V, Cunha da Silva JRM. (2010) Lipidic and proteic absorption in digestive tract of tropical fat snook (Centropomus parallelus, POEY 1860). Journal of Experimental Marine Biology and Ecology. 386: 39–44. Buratini SV, Brandelli A. (2006) Bioacumulação. In: Zagatto, P. A. & Bertoletti, E. Ecotoxicologia aquática: Princípios e aplicações. 1 ed. São Carlos: Rima, p. 55–88. Carvalho CS, Fernandes MN. (2008) Effect of copper on liver key enzymes of anaerobic glucose metabolism from freshwater tropical fish Prochilodus lineatus. Comparative Biochemistry and Physiology, Part A. 151: 437–442. Çavas, T, Könen S. (2008) In vivo genotoxicity testing of the amnesic shellfish poison (domoic acid) in piscine erythrocytes using the micronucleus test and the comet assay. Aquatic Toxicology. 90: 154-159. Chairi H, Fernandez-Diaz C, Navas JI, Manchado M, Rebordinos L, Blasco J. (2010) In vivo genotoxicity and stress defences in three flatfish species exposed to CuSO4. Ecotoxicol. Environ. Saf. doi:10.1016/j.ecoenv.2010.07.028. Ferrari JEC, Barros MM, Pezatto LE, Gonçalves GS, Hisano H, Kleemann GK. (2004) Níveis de cobre em dietas para a tilápia do Nilo, Oreochromis niloticus. Acta Scientiarum. Animal Sciences. 26: 429-436. 10 Gagnon A, Jumarie C, Hontela A. (2006) Effects of Cu on plasma cortisol and cortisol secretion by adrenocortical cells of rainbow trout (Oncorhynchus mykiss). Aquatic Toxicology. 78: 59–65. Lee K, Raisuddin S, Rhee J, Hwang D, Yu IT, Lee Y, Park HG, Lee J. (2008) Expression of glutathione S-transferase (GST) genes in the marine copepod Tigriopus japonicus exposed to trace metals. Aquatic Toxicology. 89: 158–166. Lehninger AL. (2000) Príncipios de bioquímica. 3 ed. São Paulo: Sarvier. Lemos D, Netto B, Germano A. (2006) Energy budget of juvenile fat snook Centropomus parallelus fed live food. Comparative Biochemistry and Physiology, Part A. 144: 33–40. Mazon AF, Monteiro EAS, Pinheiro GHD, Fernandes MN. (2002) Hematological and physiological changes induced by short-term exposure to copper in the freshwater fish, Prochilodus scrofa. Brazilian Journal of Biology. 62: 621-631. Mazon AF, Nolan DT, Lock RAC, Fernandes MN, Wendelaar Bonga SE. (2004) A short-term in vitro gill culture system to study the effects of toxic (copper) and nontoxic (cortisol) stressors on the rainbow trout, Oncorhynchus mykiss (Walbaum). Toxicology in Vitro. 18: 691–701. Mcgeer JC, Szebedinszky C, Mcdonald DG, Wood CM. (2000) Effects of chronic sublethal exposure to waterborne Cu, Cd or Zn in rainbow trout. 1: Iono-regulatory disturbance and metabolic costs. Aquatic Toxicology. 50: 231–243. Nader LMZ. (2005) Alterações bioquímicas e cardio-respiratórias de tilápia do nilo (Oreochromis niloticus) frente à exposição sub-letal ao sulfato de cobre. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós Graduação em Ciências Fisiológicas, Universidade Federal de São Carlos, SÃO CARLOS. Oliveira CP. (2003) Efeito de cobre e chumbo, metais pesados presentes na água de formação derivada da extração do petróleo da província petroleira do Urucu – AM, sobre o tambaqui, Colossoma macropomum (Curvier, 1818). Dissertação de 11 Mestrado. Programa de Pós Graduação em Biologia de Água doce e Pesca Interior, INPA/UFAM, MANAUS. Oliveira M, Serafim A, Bebianno MJ, Pacheco M, Santos MA. (2008) European eel (Anguilla anguilla L.) metallothionein, endocrine, metabolic and genotoxic responses to copper exposure. Ecotoxicology and Environmental Safety. 70: 20–26 Pinheiro GHD. (2004) Respostas fisiológicas ao estresse em Prochilodus scrofa durante a exposição ao cobre e subseqüente recuperação em água sem cobre. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós Graduação em Ecologia e Recursos Naturais, Universidade Federal de São Carlos, SÃO CARLOS. Tomita RY, Beyruth Z. (2002) Toxicologia de agrotóxicos em ambiente aquático. Biológico. 64: 135-142. Tsuzuki MY, Sugai JK, Maciel JC, Francisco CJ, Cerqueira VR. (2007) Survival, growth and digestive enzyme activity of juveniles of the fat snook (Centropomus parallelus) reared at different salinities. Aquaculture. 271: 319–325. Vieira LR, Gravato AC, Soares CAMVM, Morgado CF, Guilhermino L. (2009) Acute effects of copper and mercury on the estuarine fish Pomatoschistus microps: Linking biomarkers to behavior. Chemosphere. 76: 1416–1427. 12 CAPÍTULO I EFEITOS DE CONCENTRAÇÕES SUBLETAIS DE COBRE EM ROBALO PEVA (Centropomus parallelus) EM EXPOSIÇÃO CRÔNICA Comparative Biochemistry and Physiology - Part C: Toxicology & Pharmacology RESUMO Os processos antropogênicos têm afetado várias comunidades através do lançamento de efluentes contaminados nos corpos d’água. Para verificar os efeitos dessa contaminação têm-se utilizado testes ecotoxicológicos, os quais são bem difundidos no meio científico. O cobre pode ser encontrado nos efluentes da maioria dos processos industriais e em outros efluentes. O robalo peva, Centropomus parallelus, é encontrado desde a Flórida/EUA até o Sul do Brasil, sendo de grande importância econômica e utilizada como fonte alimentar em todo litoral. Este trabalho teve como objetivo a determinação dos efeitos do Cobre na espécie C. parallelus. Os organismos foram levados para o laboratório e posteriormente a 15 dias de aclimatação foram expostos por 30 e 60 dias em tratamentos em que foram adicionados 13 e 26 µg Cu+2/L. Através do ensaio cometa e micronúcleo foi possível observar efeito genotóxico do cobre, principalmente nos indivíduos expostos às maiores concentrações. A exposição ao cobre também foi prejudicial ao crescimento dos indivíduos de robalo peva. Observou-se que houve acúmulo do metal nas brânquias dos peixes expostos, diferença não encontrada no fígado e músculo, comparando com o grupo sem adição do metal. Glicose e cortisol mantiveram níveis normais, indicando que tais concentrações não foram estressantes. Palavras-chave: ECOTOXICOLOGIA, METAIS ECOTOXICOLÓGICOS, CONTAMINAÇÃO AQUÁTICA. 13 PESADOS, TESTES EFFECTS OF COPPER IN SUBLETHAL CONCENTRATIONS OF FAT SNOOK (Centropomus parallelus) IN CHRONIC EXPOSURE ABSTRACT The anthropogenic processes have affected different communities through the launch of contaminated effluents in water bodies. To verify the effects of such contamination have been used ecotoxicological tests, which are very widespread in the scientific. Copper can be found in the effluents of most industrial processes and other effluent. The fat snook, Centropomus parallelus, is found from Florida/USA to southern Brazil and is of great economic importance and used as food resources around the coast. This study aimed to determine the effects of copper in the species C. parallelus. The tests were performed in the laboratory of Aquatic Ecotoxicology/UVV with specimens acquired in aquaculture. The organisms were exposed for 30 and 60 days in treatments that have been added 13 e 26 µg Cu+2/L. Through the comet assay and micronucleus was observed genotoxic effects of copper, especially in individuals exposed to higher concentrations. Copper exposure was also damaging to the growth of individuals of fat snook. Observed accumulation of metal in the gills of exposed fish, a difference not found in liver and muscle, compared with the group without addition of metal. Glucose and cortisol levels remained normal, indicating that such concentrations were not stressful. Keywords: ECOTOXICOLOGY, HEAVY METALS, ECOTOXICOLOGICAL TESTS, WATER CONTAMINATION. 14 INTRODUÇÃO É notória a contaminação dos corpos d’água, situação gerada pela falta de controle dos efluentes gerados pelo homem (Bopp et al., 2008). Muitos rios e lagos recebem diariamente uma elevada quantidade de esgoto sem tratamento ou com tratamento ineficazes e de efluentes industriais que despejam metais pesados, entre eles o cobre (Bopp et al., 2008), afetando os organismos aquáticos. Essa situação é existente em vários rios, estuários e baías do mundo. Na baía de São Francisco, Califórnia/EUA, apesar da diminuição das concentrações de cobre, ainda são encontradas concentrações significativas desse metal (Buck et al., 2007). Também na Baía de Vitória/ES foi verificada a presença de metais pesados, entre eles o cobre, em peixes (Joyeux et al., 2004). No ambiente aquático os metais transitam por diversos níveis da cadeia trófica, alcançando vários organismos, entre eles o homem (Vieira et al., 2009; Bopp et al., 2008). O cobre é um desses metais presente em efluentes industriais despejados nos corpos d’água, e também desempenham funções nos organismos. No organismo dos peixes, o cobre tem importantes funções, sendo necessário para o metabolismo de vários nutrientes e ainda como constituinte de varias enzimas (Ferrari et al., 2004; Oliveira et al., 2008). Porém, em altas concentrações acarretam disfunções no organismo de peixes como a perda de apetite, crescimento reduzido, elevada morte de hemoconcentração embriões, massiva, perda de diminuição íons, da a qual atividade pode aeróbica, resultar na alterações histológicas das brânquias, fígado e rins (Oliveira et al., 2008; Gagnon et al., 2006). Assim, se faz necessário o monitoramento dos efeitos de agentes tóxicos, como o cobre, nos organismos. Estes testes podem ser relacionados à genotoxicidade do xenobiótico, absorção do químico pelos indivíduos expostos, alterações de alguns parâmetros fisiológicos, enzimáticos e histológicos. Para este trabalho foi utilizado como organismo teste o robalo-peva, Centropomus parallelus, peixes da família Centropomidae, que habita a região costeira marinha, desde o Sudeste da Flóriada/EUA até Florianópolis, Sul do Brasil, se reproduzindo em sistemas estuarinos e de água doce (Borges et al., 2010; Tsuzuki et al., 2007). 15 Assim, o objetivo deste trabalho foi verificar os efeitos em robalo-peva, Centropomus parallelus, da adição de baixas concentrações de cobre no meio, em exposição crônica (30 e 60 dias), através de testes ecotoxicológicos. 16 MATERIAL E MÉTODOS Foram adquiridos juvenis de C. parallelus de uma piscicultura particular situada em São Mateus/ES, os quais foram transportados para o Laboratório. Nesse, os peixes foram acondicionados e aclimatados em tanques de 500L por um período de 15 dias com aeração contínua, sendo observada as condições de saúde dos indivíduos e adaptação ao novo meio aquático. Para alimentação foi utilizada a ração INVE® NRD 1,2mm, a qual foi oferecida 0,18±0,004 por aquário, 3 vezes ao dia. A substância para exposição foi o sulfato de cobre pentahidratado, (CuSO4·5H2O; Sigma®). Exemplares de robalo-peva, 1,18±0,36 g e 4,83±0,53 cm, foram adicionados à água na concentração nominal de 13 e 26 µg Cu+2/L. Houve também o grupo exposto a concentração basal, a qual não havia qualquer adição de cobre durante os experimentos, existindo uma pré concentração do metal. O teste foi do tipo crônico, sendo os indivíduos de C. parallelus expostos por 30 e 60 dias em 18 aquários de 30 litros com aeração constante, contendo 10 peixes cada. Durante o período de exposição, os peixes foram alimentados diariamente 3 vezes ao dia, até a saciedade. O fotoperíodo foi controlado (14:10h) e 50% da água foi trocada a cada 3 dias. Para cada combinação de concentração e tempo foram feitas 3 réplicas. Após cada período de exposição os animais foram anestesiados com benzocaína 1%, o sangue foi coletado por meio de punção da veia caudal com utilização de seringas heparinizadas, sendo posteriormente cada indivíduo pesado e medido (biometria), utilizado uma balança semi-analítica (três casas decimais) e paquímetro, respectivamente. Após a biometria foram coletadas amostra de músculo, brânquia e o fígado. O sangue foi utilizado para os testes de genotoxicidade (micronúcleo e cometa), e estresse (glicose e cortisol). Já os tecidos foram coletados para quantificação da absorção do metal. A fim de calcular-se os parâmetros de crescimento, foi quantificado a ração consumida em cada tratamento e suas réplicas. Para o teste de micronúcleo foi feito um esfregaço do sangue em lâmina, posteriormente fixadas com metanol P.A. por 30 minutos e seguindo a coloração da mesma com Giemsa 5% por 40 minutos (Grisolia et al., 2005). Após o preparo da lâmina a mesma foi analisada em microscópio óptico, onde contou-se 1000 células 17 sanguíneas (eritrócitos) de cada indivíduo, a fim de se quantificar os micronúcleos presentes. O ensaio Cometa foi baseado em Tice et al. (2000) e Andrade et al. (2004). O sangue foi diluído 20 vezes em tampão fosfato e posteriormente, misturouse 10ml do sangue diluído com 100ml de agarose low melting (0,15g de agarose em 20 ml de tampão fosfato alcalino, pH 7,4) a 40oC. Em seguida, uma alíquota desta diluição foi distribuída sobre uma lâmina preparada coberta com agarose 1,5% (1,80g de agarose e 120 ml de tampão fosfato alcalino, pH 7,4) e recobrindo-a por uma lamínula, a qual foi retirada posteriormente a solidificação do gel. Na próxima etapa colocou-se as lâminas em solução de lise (146,1g NaCl (2,5M), 37,2g EDTA (100mM), 1,2g de Tris (10mM), 1 litro de água destilada e o pH da solução ajustado para 13 com NaOH e no momento do uso adicionados 1% de Triton X-100 e 10% DMSO) por um período mínimo de 2 horas em geladeira e protegidos da luz. Posteriormente as lâminas foram transferidas para cuba de eletroforese com solução tampão (300 mM NaOH e 1mM EDTA em pH>13), onde ficaram de repouso por 20 minutos e depois 15 minutos de corrida eletroforética (25V e 300mA). Estas etapas foram feitas sem incidência de luz. Após o processo de eletrofore, as lâminas foram fixadas em solução fixadora (15% de ácido tricloácetico, 5% de sulfato de zinco (heptahidratado), 5% de glicerol e 1 litro de água destilada) por 10 min e distribuídas em cubeta com solução de prata para coloração (66 ml da solução de carbonato de cálcio (12,5g de carbonato de cálcio para 250 ml de água) e 34 ml da solução de nitrato de prata (50mg de nitrato de prata, 50mg de nitrato de amônio, 250mg de ácido tungstosalicílico e 125ml de formaldeído) por 15 minutos a 37oC., sendo posteriormente analisadas em microscópio óptico. Para a determinação de acúmulo de cobre nos tecidos, as amostras de brânquias, de fígado e de músculo branco foram lavadas com água deionizada, pesadas e digeridas com ácido nítrico 10% em estufa à 80oC por 24 horas. O total de cobre nas amostras foi medido por espectrofotometria de absorção atômica com forno de grafite, utilizando o equipamento AANALYST 800, da marca Perkin Elmer. Os resultados foram expressos em µg/g de peso fresco. Também foi determinada a quantidade de cobre total e dissolvido (filtrado com filtro Millipore Millex 0,45 µm) na água de exposição. A Glicose foi quantificada posteriormente a retirada de sangue utilizando um aparelho digital medidor de Glicose (Accu®, Germany). Já o Cortisol foi mensurado através do Kit Elisa de Cortisol da marca Humam®. 18 Durante os experimentos, o oxigênio dissolvido, a temperatura e a condutividade foram mensurados com o multiparâmetro YSI 85, o pH foi medido com um pHmetro digital (Quimis Q400). A dureza e amônia total foram medidos de acordo com APHA (1992). Para o cálculo de ganho de peso (GP) foi utilizada a fórmula GP=(∆peso), a taxa de crescimento específico (TCE) foi determinada por TCE= ([ln peso final – ln peso inicial]/tempo) x 100. Conversão alimentar (CA) foi calculado a partir da fórmula CA= (ração consumida/GP) e o fator de condição (FC),teve seu cálculo de acordo com a formula FC=(peso x 100/comprimento3). O coeficiente de variação (CV) do comprimento foi determinado pela fórmula CV=(desvio padrão/média) x 100. Foram utilizados os testes de Análise de variância de dois fatores (ANOVA two way) e teste de Tukey (p<0,05) para determinação das diferenças significativas entre os tratamentos testados, comparando as diferentes concentrações de cobre, o tempo de exposição e a interação entre eles. Para tais testes foi utilizado o software SigmaStat®. 19 RESULTADOS As características físico-químicas da água utilizada nos ensaios foram as seguintes: pH 7,26±0,27 unidades; a temperatura 26,0±0,37ºC; a condutividade 151,2±6,28 µs/cm, concentração de oxigênio 6,89±0,59 mg/L. A dureza foi de 35,5±1,41 mg CaCO3/L e Amônia total de 2,05±0,37 mg/L. O cobre total e dissolvido da água sem adição da substância foi de 56,05±15,51 e 38,72±8,72 µg/L, respectivamente. Nos tratamentos em que houve a adição de 13 µg Cu+2/L, apresentou concentração total de cobre de 73,23±11,79 µg/L e dissolvido de 64,04±6,85 µg/L. Já nos que foram adicionados 26 µg Cu+2/L a concentração de cobre total e dissolvido foi de 89,84±9,00 e 74,83±5,35 µg/L, respectivamente. Os peixes do tratamento sem adição de cobre apresentaram um crescimento em peso e comprimento médio maior que os tratamentos com a adição (tabela 1). Tabela 1: Peso e comprimento em robalo peva (Centropomus parallelus) expostos a diferentes concentrações de Cu+2 (0, 13 e 26 µg/L) e diferentes tempos (30 e 60 dias). Cobre adicionado Tempo (dias) Peso (g) Comprimento (cm) (µg/L) 0 30 2,90±0,29* 6,57±0,17* 60 5,07±0,49* 7,96±0,53* 13 30 2,61±0,27 6,34±0,16 60 4,94±0,42 7,93±0,25 26 30 2,50±0,66 6,16±0,56 60 4,74±0,31 7,74±0,44 ANOVA (two-way) Cobre (P) 0,046 0,013 Tempo (P) <0,001 <0,001 Interação (P) 0,815 0,573 Os parâmetros de produção não apresentaram diferença significativa entre os tratamentos com adição e o sem adição do metal (Tabela 2). Tabela 2: Parâmetros de produção de robalo peva (Centropomus parallelus) expostos a diferentes concentrações de Cu+2 (0, 13 e 26 µg/L) e diferentes tempos (30 e 60 dias). Concentração de cobre (mg/L) Parâmetros 0 0,013 0,026 Ganho de Peso (g) 3,87±0,49 3,75±0,43 3,54±0,31 TCE (%) 2,40±0,16 2,35±0,15 2,29±0,11 Conversão alimentar 0,93±0,11 0,96±0,17 1,04±0,06 Fator de condição 1,06±0,24 1,05±0,18 1,11±0,28 CV comprimento 5,26 7,07 6,76 20 O ensaio Cometa mostrou que os indivíduos expostos por 30 dias em meio com incremento de 26 µg Cu+2/L apresentaram danos no DNA significativamente maiores que os expostos por igual período ao grupo com adição de 13 µg Cu+2/L e o sem adição (Tabela 3). Peixes expostos no período de 60 dias apresentaram diferença significativa entre as duas concentrações e o grupo exposto à concentração basal, quando analisado o comprimento da cauda, não havendo diferenças na análise do momento da cauda. Tabela 3: Comprimento e momento da cauda de células robalo peva (Centropomus parallelus) expostos a diferentes concentrações de Cu+2 (0, 13 e 26 µg/L) por diferentes tempos (30 e 60 dias). Cobre adicionado Comprimento da cauda Momento da cauda (µg/L) 30 dias 0 19,03 0,98 13 17,86 1,01 26 23,60* 1,98* 60 dias 0 11,14 0,03 13 12,60* 0,06 26 12,53* 0,05 No teste micronúcleo, os tratamentos com adição do cobre apresentaram diferença significativa entre eles e comparado com o grupo sem adição, mas não houve diferença entre os tempos e na interação tempo x tratamento (Figura 1). Em 30 dias o tratamento sem adição do metal apresentou média de 0,33±0,48 micronúcleos por indivíduo e 2,29±1,68 micronúcleos por indivíduo no tratamento com adição de 26 µg/L. Na exposição por 60 dias encontrou-se 0,26±0,45 e 3,18±2,16, tratamento sem adição e com adição de 26 µg Cu+2/L, respectivamente. 21 6 Frequência de Micronúcleos (nº) c 5 c 4 3 30 b 60 b 2 a 1 a 0 0 13 Concentração µg Cu+2/L 26 Figura 1: Número de micronúcleos cronúcleos em robalo peva (Centropomus Centropomus parallelus) parallelus expostos a +2 diferentes concentrações de Cu (0, 13 e 26 µg/L) por diferentes tempos (30 e 60 dias). As letras indicam diferença significativa de um mesmo tratamento nos diferentes tempos (P≤ 0,05). 90 80 Glicose (mg/dL) 70 60 50 40 30 dias 30 60 dias 20 10 0 0 13 26 Concentração de Cobre (µg/L) Figura 2: Glicose (mg/dL) em robalo peva ((Centropomus parallelus)) expostos a diferentes concentrações de Cu+2 (0, 13 e 26 µg/L) por diferentes tempos (30 e 60 dias). As letras iguais indicam que não houve dif diferença significativa entre os tratamentos e nos diferentes tempos (P≤ 0,05). Tanto a Glicose como o Cortisol não tiveram diferença significativa entre os tratamentos e tempo de exposição, ou seja, não houve diferença nos indicadores de estresse dos organismos expostos a diferentes conc concentrações entrações de cobre (Figura 2 e 3). 22 80 70 Cortisol (ng/mL) 60 50 40 30 dias 30 60 dias 20 10 0 0 13 26 Concentração de Cobre (µg/L) Figura 3: Cortisol (ng/mL) em robalo peva ((Centropomus parallelus)) expostos a diferentes concentrações de Cu+2 (0, 13 e 26 µg/L) por diferentes tempos (30 e 60 dias). As letras iguais indicam que não houve dif diferença significativa entre os tratamentos e nos diferentes tempos (P≤ 0,05). Não houve diferença significativa na concen concentração tração de cobre nas brânquias no grupo exposto à concentração basal e tratamento com adição de 13 µg Cu+2/L (Figura 4). O tratamento em que se adicionou 26 µg Cu+2/L apresentou diferença iferença significativa quando comparado aos demais demais.. Na interação tempo x tratamento nto não foi observado diferença significativa. A concentração de cobre no fígado ígado e músculo não apresentou diferença significativa entre os tratamentos e nem na interação tempo x tratamento (Figura 5 e 6). Concentração de Cobre (µg/g) 250 b 200 b 150 100 a a 30 Dias a a 60 Dias 50 0 0 13 26 Concentração de Cobre adicionado (µg/L) Figura 4: Concentração de cobre nas brânquias em robalo peva (Centropomus Centropomus parallelus) parallelus expostos a diferentes concentrações de Cu+2 (0, 13 e 26 µg/L) por diferentes tempos (30 e 60 dias). As letras indicam diferença significa significativa tiva de um mesmo tratamento nos diferentes tempos (P≤ 0,05). 23 450 Concentração de Cobre (µg/g) a a 400 350 a a a 300 a 250 200 30 Dias 150 60 Dias 100 50 0 0 13 26 Concentração de cobre adicionado (µg/L) Figura 5: Concentração de cobre no fígado em robalo peva (Centropomus parallelus) expostos a diferentes concentrações de Cu+2 (0, 13 e 26 µg/L) por diferentes tempos (30 e 60 dias). As letras iguais indicam que não houve diferença significativa entre os tratamentos e nos diferentes tempos (P≤ 0,05). 45 a Concentração de Cobre (µg/g) 40 35 30 a a a a 25 a 20 30 Dias 15 60 Dias 10 5 0 0 13 26 Concentração de cobre adicionado (µg/L) Figura 6: Concentração de cobre no músculo em robalo peva (Centropomus parallelus) expostos a diferentes concentrações de Cu+2 (0, 13 e 26 µg/L) por diferentes tempos (30 e 60 dias). As letras iguais indicam que não houve diferença significativa entre os tratamentos e nos diferentes tempos (P≤ 0,05). 24 DISCUSSÃO Os testes de toxicidade possibilitam, além do estabelecimento de limites permissíveis de substâncias químicas para a proteção da vida aquática, avaliar o impacto momentâneo e contínuo que esses contaminantes causam à biota dos ecossistemas aquáticos (Aragão e Araújo, 2006). Dentre os metais que mais tem recebido atenção da comunidade científica está o cobre, por ser considerado um dos metais potencialmente mais tóxico para peixes. A preocupação com o cobre em organismos aquáticos fica clara quando são vistos os inúmeros trabalhos publicados sobre este metal (Sudo e Aiba, 1973); Nussey et al., 1995; Hall et al., 1997; Chen e Lin, 2000; Untersteiner et al., 2003; O’Gara et al., 2004; Monterio et al., 2005; Handy e Shaw, 2006; AbdelTawwab et al., 2007; Boopp et al., 2008; Wang et al., 2009; Chairi et al., 2010. Demonstrando uma continuidade necessária de estudos que enfoquem tal metal para maior controle e conhecimentos dos efeitos causados por ele. Para assegurar a qualidade da água foram observados alguns parâmentros físico-químicos, os quais foram o pH, a temperatura, a condutividade e a concentração de oxigênio, os quais devem ser monitorados tendo em vista que eles podem afetar a saúde do peixe e toxicidade do químico (Carvalho e Fernandes, 2008). Esses parâmetros estavam de acordo com a qualidade da água de outros trabalhos de exposição de peixes a metais como os de Carvalho e Fernandes, (2008), e Monteiro et al. (2005). As concentrações de ions divalentes de cálcio e magnésio determinam a dureza da água. Esses cátions podem estar ligando-se às substâncias, as deixando mais ou menos disponíveis para absorção pelos organismos (Markich et al., 2006). No caso do cobre, quanto maior a dureza menor é a biodisponibilidade do químico (Markich et al., 2006). A água deste trabalho possui pouca quantidade de cátions, cálcio e magnésio, sendo uma água mole, estando disponibilizado a maior parte do cobre adicionado (Pastrana-Martínez et al., 2010). Segundo Randall e Tsui (2002), altas concentrações de amônia no ambiente natural são tóxicas aos organismos aquáticos, podendo resultar em disfunções e deve ser controlada. As concentrações de amônia total neste estudo estiveram abaixo das concentrações reconhecidas como deletérias para vários peixes (Randall e Tsui, 2002; Ruyet et al., 1995). 25 A diferença do crescimento dos indivíduos do grupo exposto à concentração basal quando comparado com os dos tratamentos com adição de cobre pode ser resultante do metal adicionado nestes. Segundo Hasen et al. (2002) a diminuição da taxa de crescimento dos organismos expostos cronicamente a concentrações subletais de cobre não é resposta direta de uma menor atividade alimentar, mas sim ao consumo maior de energia pelos mecanismos de desintoxicação, fazendo com que parte do alimento consumido seja revertido em energia para tal fim. Resposta semelhante foi encontrado por Kim e Kang (2004), que observaram correlação invertida entre a concentração de cobre e o crescimento, onde os peixes expostos a concentrações de cobre, mesmo baixas, tendem a ter crescimento menor comparado ao controle. Campagna et al. (2008) avaliou o crescimento do Danio rerio expostos a 20, 60, 120 e 360 µg Cu+2/L, em teste agudo (96h) e observou que mesmo em concentração baixas e exposição aguda, o cobre compromete o crescimento e sobrevivência do organismo testado. Assim, os organismos do presente trabalho expostos ao cobre, possivelmente, tiveram maior gasto energético para atender a demanda dos processos de desintoxicação e manter o metabolismo funcionando normalmente, tendo diminuído a incorporação de parte da energia adquirida pela alimentação, resultando num menor crescimento quando comprado com os organismos do grupo exposto a concentração basal. Entre os tempos (30 e 60 dias) a diferença encontrada é natural, pois é esperado que o organismo cresça no decorrer do tempo, implicando assim que em 60 dias os peixes cresceram mais que em 30 dias. Ainda, a análise comparando a interação tratamento x tempo não apresentou diferença significativa, indicando que os testes podem ser desenvolvidos apenas com 30 ou 60 dias, pois este menor prazo também dará subsídios para chegar-se as mesmas conclusões, quanto ao crescimento. A exposição ao cobre, apesar de ter influenciado o crescimento, não afetou significativamente o ganho de peso (GP), conversão alimentar (CA), taxa de crescimento específica (TCE) e fator de condição (FC), parâmetros relacionados à produção. Em teste subcrônico, com exposição à 150 e 300 µg Cu+2/L por 15 dias, Liu et al., (2010), observaram diferença significativa de GP e taxa de TCE em Synechogobus hasta quando comparado com seu grupo controle. Resultado diferente foi obtido no presente trabalho, o que pode estar relacionado às altas 26 concentrações testadas por Liu et al. (2010), sendo mais de 10 vezes maior que neste estudo. Testando concentrações profiláticas de sulfato de cobre (1,5 ppm), utilizadas para controle de patógenos em piscicultura, Sanchez et al., (2006), verificaran que este químico causa diminuição no crescimento de Ictalurus punctatus, sendo necessário o cuidado na aplicação deste nos tanques a fim de não comprometer a produção. Os testes de Cometa e Micronúcleo têm sido amplamente utilizados em trabalhos de Ecotoxicologia, havendo já publicações de vários contaminantes, sendo testes eficientes para mensuração da genotoxicidade desses elementos (Çavas e Konen, 2008; Frenzilli et al., 2009; Oliveira et al., 2008). A elevação do comprimento e momento da cauda, verificado no ensaio cometa, dos peixes expostos por 30 dias à 26 µg Cu+2/L indicaram que nessas condições, tempo e concentração, há danos ao material genético. O mesmo foi possível verificar no comprimento da cauda dos indivíduos expostos a 13 e 26 µg Cu+2/L por 60 dias. É possível observar que mesmo em concentrações baixas, o cobre é genotóxico e desta forma pode influenciar toda uma população, podendo gerar prejuízos ao material genético e culminar em mutações irreversíveis e prejudiciais aos organismos (Cavas et al., 2005). Essa resposta também foi encontrada por Frenzilli, et al., (2009), verificando que embriões de Danio rerio expostos a cobre apresentaram dano ao material genético quando avaliado por meio de teste Cometa. Atenta-se para a necessidade de precaver principalmente a exposição de embriões ao cobre e a outros químicos a fim de assegurar o desenvolvimento pleno dos organismos. Micronúcleos são massas de cromatina citoplasmáticas, oriundos de fragmentos ou cromossomos inteiros que ficaram para trás na anáfase, refletindo problemas estruturais e/ou alterações cromossômicas durante a mitose (Cavas et al., 2005). Nesse teste, foram observadas alterações nos padrões dos indivíduos expostos quando comparados com o grupo sem adição de cobre, sendo elevada a frequência de micronúcleos nos grupos com adição desse metal. Assim, verificou-se a genotoxicidade do cobre para robalo peva. Em exposições agudas com truta arcoíris é possível verificar a maior frequência de micronúcleos nos tratamentos com adição do cobre (Bagdonas e Vosyliene, 2006). O mesmo ocorreu em exposições crônicas no presente estudo. Maior frequência de micronúcleos foi encontrado em Cyprinus carpio, Carassius gibelio e Corydoras paleatus, expostos por 21 dias a concentrações que variaram de 10 a 250 µg Cu+2/L. Estudos demonstraram também 27 aumento significativo na freqüência de micronúcleos em Anguilla anguilla L., em exposição à 0,2 µmol Cu+2/L (27 µg Cu+2/L) por 7 dias (Oliveira et al., 2008). Yadav e Trivedi (2009) expuseram indivíduos de Channa puncata por 7 dias a 0,407 mg CuSO4·5H2O/L, ou seja, 100 µg Cu+2/L, sendo observado aumento significativo da freqüência de micronúcleos. Entre os tempos (30 e 60 dias) não houve diferença significativa, desta forma o efeitos genotóxicos observado pelo teste micronúcleo resultantes da exposição ao cobre em robalo peva é, estatisticamente, igual em 30 e 60 dias. Neste caso, o teste executado em 30 ou 60 dias obtiveram os mesmo resultados, sendo mais interessante do ponto de vista logístico que seja feito em 30 dias. A maior frequência de micronúcleos pode está relacionada com efeitos carcinogênicos, devendo ser observada com atenção, já que tal efeito pode causar riscos a conservação e manutenção das espécies. Sabe-se que assegurar um ambiente com qualidade para a conservação do é importantíssimo para biodiversidade, oque é um apelo ambiental, mas, devido ao seu valor comercial e qualidade de sua carne, a proteção dessa espécie é de interesse econômico também. Então, a proteção de C. parallelus não estará apenas assegurando a biodiversidade, mas também a economia de várias comunidades pesqueiras. Peixes expostos a substâncias tóxicas, tal como o cobre, tendem a ativar vários mecanismos compensatórios, dos quais alguns são mediados por respostas não-específicas ao estresse (Monteiro et al., 2005). O Cortisol é uma dessas respostas e tem como objetivo proteger o epitélio branquial às perdas de íons e diminuir a permeabilidade epitelial (Monteiro et al., 2005). Indivíduos de C. parallelus expostos nos tratamentos com incremento de 13 e 26 µg Cu+2/L apresentaram níveis de cortisol semelhante, o que pode ser resultante do teste ser crônico. Segundo os resultados de Monteiro et al., (2005), revelaram uma queda significativa no cortisol plasmático de Oreochromis niloticus após 14 dias de exposição ao cobre. Isso indica que em períodos longos de exposição os organismos podem apresentar adaptação da sua resposta às condições do meio. A Glicose, é uma resposta secundária ao estresse, sendo comum o aumento dessa em decorrência de uma elevação do nível de cortisol, objetivado pela necessidade do aumento da circulação de corticosteróides no sangue e tecidos. No presente trabalho, as concentrações de Glicose e Cortisol não apresentaram diferença significativa entre os tratamentos e tempo de exposição. Assim, de acordo com as respostas de Cortisol e Glicose obtidas neste trabalho, verificou-se que a 28 exposição crônica por 30 e 60 dias em meio com adição de 13 e 26 µg Cu+2/L não são estressantes para Centropomus parallelus. A diferença de acúmulo de cobre nas brânquias de C. parallelus exposto em tratamento com adição de 26 µg Cu+2/L, resultado semelhante aos encontrados por Monteiro et al., (2005), os quais verificaram um incremento significativo de cobre nesse tecido em O. niloticus exposto ao cobre. Papagiannis et al. (2004) encontraram concentrações de 0,12 µgCu+2/L no lago Pamvots, na Grécia, concentrações ainda mais baixas do que as testadas no presente estudo. Os autores verificaram que mesmo estas baixas concentrações causaram acúmulo de Cobre em exemplares de Cyprinus carpio. Apesar da diferença encontrada no acúmulo de cobre nas brânquias dos tratamentos em relação ao grupo controle, o mesmo não foi observado no fígado e músculo. Isso indica que as concentrações de cobre adicionadas não causam acúmulo no tecido hepático e muscular. O acúmulo observado nas brânquias pode estar relacionado com o contato direto desse órgão com o meio contaminado, sendo mais passível a interação com o metal e acúmulo do mesmo. 29 CONCLUSÕES A adição das concentrações 13 e 26 µg Cu+2/L, mesmo que baixas, em exposição crônica, afetam o crescimento do Centropomus parallelus. Ainda, essas concentrações testadas, apesar de não serem cronicamente estressantes, mostraram-se genotóxicas para robalo-peva. 30 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Abdel-Tawwab, M., Mousa, M. A. A., Abbass, F. E., 2007. Growth performance and physiological response of African catfish, Clarias gariepinus (B.) fed organic selenium prior to the exposure to environmental copper toxicity. Aquaculture 272, 335–345. Andrade, V. M., Freitas, T. R. O., Silva, J., 2004. Comet assay using mullet (Mugil sp) and sea catfish (Netuma sp) erythrocytes for the detection of genotoxic pollutants in aquatic environment. Mutation Research. 560, 57-67. Aragão, M. A.; Araújo, R. P. A., 2006. Métodos de ensaios de toxicidade com organismos aquáticos. In: Zagatto, P. A. & Bertoletti, E. Ecotoxicologia aquática: Princípios e aplicações. 1 ed. São Carlos: Rima.117-152. Bagdonas, E., Vosyliene, M.Z., 2006. A study of toxicity and genotoxicity of copper,zinc and their mixture to rainbow trout (Oncorhynchus mykiss). 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Foi observada acumulação de cobre em brânquias e músculo após a exposição. Nas brânquias só houve diminuição significativa da acumulação após 30 dias, já nos músculos a recuperação já foi observada a partir de 4 dias. A glutationa-s-transferase foi inibida nos indivíduos expostos nos tratamentos com adição de cobre, retornando ao níveis dos expostos a concentração basal em 10 dias. Assim, o cobre apresentou-se genotóxico para Centropomus parallelus, não havendo recuperação desse efeito após 30 dias de recuperação, acumula-se em brânquias e músculo e inibe a atividade da GST. Palavras-chave: ECOTOXICOLOGIA, CONTAMINAÇÃO AQUÁTICA. METAIS 36 PESADOS, RECUPERAÇÃO, RECOVERY FAT SNOOK (Centropomus parallelus) AFTER CHRONIC EXPOSURE TO COPPER ABSTRACT The contamination of aquatic environments is a notorious problem in many water bodies in the world, which is generated by lack of control and monitoring of the effluent. This study aimed to determine the effects of copper in C. parallelus in chronic exposure and subsequent recovery. The organisms were exposed for 30 days in treatments that have added 26 and 52 µg Cu+2/L and subsequent recovery by 4, 10 and 30 days. Through the micronucleus test was observed genotoxic effects in individuals exposed copper in the medium with the addition of copper, the recovery was not observed after 30 days in medium without added copper. Copper accumulation was observed in gills and muscle after exposure. Gills only significant decrease in accumulation after 30 days, since the muscles recovery was already observed after 4 days. Glutathione-s-transferase was inhibited in the exposed individuals with addition of copper, returning to levels of exposure to basal concentrations within 10 days. Thus, copper presented genotoxic Centropomus parallelus, there was no recovery of this effect after 30 days of recovery, accumulates in gills and muscle inhibited the activity of GST. Keywords: ECOTOXICOLOGY, CONTAMINATION. HEAVY 37 METALS, RECOVERY, AQUATIC INTRODUÇÃO A poluição por metais pesados é um problema importante, principalmente pela sua acumulação e persistência no meio ambiente, constituindo um risco a conservação da biodiversidade. Os corpos d’água são os destinatários dos poluentes produzidos por fontes naturais e antropogênicas (Fleeger et al., 2003). Dentre os vários poluentes lançados nos corpos d’água encontra-se o cobre. Em níveis naturais, esse metal desempenha várias funções nos organismos, atuando no metabolismo, sendo requerido em pequenas concentrações (Ferrari et al; 2004; Oliveira et al., 2008). Porém em altas concentrações é tóxico, gerando vários danos ao organismo, inclusive de peixes. Entre outros efeitos deletérios o cobre induz o estresse oxidativo, promovendo a formação de espécies altamente reativas de oxigênio, afetando as membranas lipídicas e a integridade do DNA (Carvalho e Fernandes, 2008). Conhecer ainda mais os efeitos de poluentes é imprescindível, mas devese atentar também para a depuração dos organismos em condições de ausência ou baixa poluição. Sabe-se que posteriormente a exposição, a recuperação começa com o aumento dos processos de biossíntese (mitose e aumento da síntese de proteínas), ajudando na reparação dos danos e distúrbios fisiológicos. Ocorre também a fase de mobilização dos metais, executada por algumas proteínas como a metalotioneína, e um aumento da regulação de outros caminhos para neutralizar ou competir com os efeitos deletérios do metal, por exemplo aqueles relacionados à regulação iônica (McGeer et al., 2000). O robalo-peva, Centropomus parallelus, foi escolhido como organismo teste por ser nativo, possuir importância econômica, e ser amplamente utilizado como fonte alimentar (Tsuzuki et al., 2007). Assim, o objetivo deste trabalho foi verificar os efeitos em robalo-peva, Centropomus parallelus, da adição de pequenas concentrações de cobre no meio, em exposição crônica por 30 dias, e posterior recuperação em 4, 10 e 30 dias. 38 MATERIAL E MÉTODOS Os indivíduos de C. parallelus foram adquiridos numa piscicultura particular situada em São Mateus/ES. Esses foram transportados para o Laboratório onde foram aclimatados por um período de 15 dias em tanques de 500L com aeração contínua, sendo observadsa as condições de saúde dos indivíduos e adaptação ao novo meio aquático. Para alimentação foi utilizada a ração INVE® NRD 1,2mm, a qual foi oferecida 2 vezes ao dia. O teste foi do tipo crônico, sendo os indivíduos de C. parallelus expostos por 30 dias em 36 aquários com 25 litros de água, com aeração constante, havendo 5 peixes em cada aquário. Durante o período de exposição, os peixes foram alimentados 2 vezes ao dia. O fotoperíodo foi controlado (14:10h) e 80% da água foi trocada a cada 1 dia. A substância para exposição foi o sulfato de cobre pentahidratado, (CuSO4·5H2O; Sigma®). Exemplares de robalo-peva, 1,98±0,58 g e 5,96±0,64 cm, foram expostos a um meio com adição de 26 e 52 µg Cu+2/L. Houve também o grupo com concentração basal, a qual não havia qualquer adição de cobre durante os experimentos, existindo uma pré-concentração do metal. Foram utilizadas 12 réplicas por tratamento. Também foi observada a mortalidade de peixes, sendo estes retirados. Devido à mortalidade no grupo com adição de 52 µg Cu+2/L não foi possível a etapa de recuperação deste tratamento, a qual foi realizada com os tratamentos sem adição de cobre e com adição de 13 µg Cu+2/L. Após a exposição por 30 dias, os peixes de 3 réplicas de cada concentração foram anestesiados com benzocaína 1%, o sangue foi coletado por meio de punção da veia caudal com utilização de seringas heparinizadas, sendo posteriormente cada indivíduo pesado e medido (biometria), utilizado uma balança semi-analítica e paquímetro, respectivamente. Após a biometria foram coletadas amostra de músculo, as brânquias e o fígado de cada indivíduo. As demais réplicas foram divididas em grupos de recuperação, resultando em 3 réplicas de cada tratamento por períodos de recuperação, os quais foram de 4, 10 e 30 dias. Após esse período foi retirado sangue, tecidos e realizada a biometria, conforme processo supracitado. O sangue foi utilizado para o teste de micronúcleo. As brânquias e o músculo foram coletados para verificação da acumulação do metal e o fígado para quantificação da Glutationa-S-transferase (GST). 39 Para o teste de micronúcleo foi feito um esfregaço do sangue em lâmina, posteriormente fixadas com metanol P.A. por 30 minutos e seguindo a coloração da mesma com Giemsa 5% por 40 minutos (Grisolia et al., 2005). Após o preparo da lâmina a mesma foi analisada em microscópio óptico, onde contou-se 1000 células sanguíneas (eritrócitos) de cada indivíduo, a fim de se quantificar os micronúcleos. Para a determinação de acúmulo de cobre nos tecidos, as amostras de brânquias, de fígado e de músculo branco foram lavadas com água deionizada, pesadas e digeridas com ácido nítrico 10% em estufa à 80oC por 24 horas. O total de cobre nas amostras foi medido por espectrofotometria de absorção atômica com forno de grafite, utilizando o equipamento AANALYST 800, da marca Perkin Elmer. Os resultados foram expressos em µg/g de peso fresco. Também foi determinada a quantidade de cobre total e dissolvido (filtrado com filtro Millipore Millex 0,45 µm) na água de exposição. Durante os experimentos, o oxigênio dissolvido, a temperatura e a condutividade foram mensurados com o multiparâmetro YSI 85, o pH foi medido com um pHmetro digital (Quimis Q400). A dureza e amônia total foram medidos de acordo com APHA (1992). Os níveis de atividade enzimática foram realizados no tecido hepático, utilizando a técnica descrita por Ramos-Vasconcelos e Hermes-Lima (1998), baseando-se no seguinte protocolo: 50mM de tampão fosfato, 1mM GSH (glutationa reduzida) pH 7,2 a 25oC. As reações iniciaram com adição de 1mM de CDNB (1cloro-,4-dinitrobenzeno). A leitura das absorbâncias foi realizada em 340nm. A atividade absoluta foi estimada usando o coeficiente de extinção do CDNB. Foram utilizados os testes de Análise de variância (ANOVA) e teste de Tukey (p<0,05) para determinação das diferenças significativas entre os tratamentos testados, comparando as diferentes concentrações de cobre e o tempo de recuperação. Para tais testes foi utilizado o software Systat 12. 40 RESULTADOS As características físico-químicas da água utilizada nos ensaios foram as seguintes: pH 7,16±0,07 unidades; a temperatura 22,73±0,22ºC; a condutividade 69,2±6,71 µs/cm, concentração de oxigênio 7,96±0,08 mg/L. A dureza foi de 24,4±0,64 mg CaCO3/L e Amônia total de 0,33±0,21 mg/L. A concentração basal de cobre, total e dissolvido, foi de 37,5±19,5 e 26,3±16,7 µg /L. Nos tratamentos em que houve a adição de 26 µg Cu+2/L, a concentração total de cobre foi de 74,9±22,9 µg/L e dissolvido de 63,2±21,7 µg /L. Já nos que foram adicionados 52 µg Cu+2/L a concentração de cobre total e dissolvido foi de 109,1±21,0 e 98,5±23,8 µg/L, respectivamente. Foi detectada na água de recuperação a concentração dissolvida de 13,3±5,6 µg Cu+2/L, e total de 16,0±4,9 µg Cu+2/L. No tratamento em que houve adição de 52 µg Cu+2/L, iniciou a mortalidade de indivíduos após 9 dias de exposição (Figura 1). Já no tratamento com adição de 26 µg Cu+2/L ocorreu a morte de peixes no 28º e 29º dia de exposição, totalizando 91,6% de peixes mortos no tratamento com maior adição de Mortalidade (%) cobre e 3,3% na menor (Figura 1). 100,0 90,0 80,0 70,0 60,0 0 µg/L 26 µg/L 52 µg/L 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 Dias de Exposição Figura 1: Mortalidade acumulada de peixes expostos a diferentes concentrações de cobre por 30 dias. No teste de micronúcleo, os tratamentos apresentaram diferença significativa entre eles (Figura 2). Em 30 dias de exposição (0 dias de recuperação) os peixes expostos a concentração basal apresentaram, em média, 1,09±0,83 micronúcleos por indivíduo, já nos tratamentos em que houve a adição de 26 µg 41 Cu+2/L, a frequência de micronúcleos foi de 3,82±2,14 e na maior concentração adicionada foi de 10,00±5,65. A frequência de micronúcleo não apresentou uma variação significativa em um mesmo tratamento nos diferentes tempos de amostragem. A frequência de micronúcleo nos peixes expostos ao tratamento com adição de 26 µg Cu+2/L, foi significativamente maior do que os peixes expostos a concentração basal de cobre em todos os tempos de amostragem. Frequência de Micronúcleos (nº) 18 C 16 0 µg/L 26 µg/L 52 µg/L 14 12 10 8 Ba 6 Ba 4 Aa 2 Aa Ba Aa Ba Aa 0 0 4 10 30 Dias de Recuperação Figura 2: Frequência de micronúcleos de peixes expostos a diferentes concentrações de cobre por 30 dias (0 dias de recuperação) e posterior tempo de recuperação (4, 10 e 30 dias). Letras maiúsculas indicam diferença entre os grupos em um determinado tempo de recuperação (P<0,05). Letras minúsculas indicam diferença de um determinado grupo nos diferentes tempos de recuperação (P≤0,05). Após 30 dias de exposição (0 dias de recuperação) a concentração de cobre na brânquia dos peixes do tratamento com incremento de 52 µg Cu+2/L foi significativamente maior do que a dos peixes expostos a concentração basal e a 26 µg Cu+2/L (Figura 3). Com 30 dias de recuperação, houve uma diminuição significativa na concentração de cobre na brânquia dos peixes do tratamento 26 µg Cu+2/L (Figura 3). A concentração de cobre na brânquia dos peixes expostos ao tratamento basal foi semelhante ao longo do tempo, não apresentando diferença significativa. 42 600 B Concentração de Cobre (µg/g) 500 400 0 µg/L 26 µg/L 300 200 Ba 52 µg/L Ba Ba Aa Aa Aa 100 Aa Ab 0 0 4 10 Dias de recuperação 30 Figura 3: Concentração de cobre nas brânquias de peixes expostos a diferentes concentrações de cobre por 30 dias (0 dias de recuperação) e posterior tempo de recuperação (4, 10 e 30 dias). Letras maiúsculas indicam diferença entre os grupos em um determinado tempo de recuperação (P< 0,05). Letras minúsculas indicam diferença de um determinado grupo nos diferentes tempos de recuperação (P≤0,05). Após 30 dias de exposição, os tratamentos com adição de cobre apresentaram diferença significativa da concentração de cobre no músculo quando comparado com o grupo em que não houve adição do metal. Logo após 4 dias de recuperação a diferença entre o grupo com adição de 26 µg Cu+2/L e a concentração basal não foi mais observada, (Figura 4). A concentração de cobre no músculo dos peixes expostos ao tratamento basal foi semelhante ao longo do tempo, não apresentando diferença significativa. 43 100 Ba 90 80 Concentração de Cobre (µg/g) 0 µg/L B 26 µg/L 70 52 µg/L 60 50 40 30 Aa Aa Ab Ab Aa Ab Aa 20 10 0 0 4 10 Dias de recuperação 30 Figura 4: Concentração de cobre no músculo de peixes expostos a diferentes concentrações de cobre por 30 dias (0 dias de recuperação) e posterior tempo de recuperação (4, 10 e 30 dias). Letras maiúsculas indicam diferença entre os grupos em um determinado tempo de recuperação (P<0,05). Letras minúsculas indicam diferença de um determinado grupo nos diferentes tempos de recuperação (P≤0,05). Posterior ao tempo de exposição, observou-se uma atividade maior da Glutationa-S-transferase (GST) no grupo exposto a concentração basal, sendo esta significativamente diferente dos grupos com incremento de 26 e 52 µg Cu+2/L, os quais se mostraram semelhantes (Figura 5). Nos tempos de recuperação, em 10 e 30 dias, os níveis de GST do grupo com adição de 26 µg Cu+2/L não apresentou diferença significativa do tratamento exposto a concentração basal (Figura 5). 44 700 600 Aa 0 ug/L Aa Aa GST (nmol/min/mg proteina) 26 ug/L 500 Aa µg/L 5652ug/L 400 Aa Aa 300 200 Ba Ba Ba Aa 100 0 0 4 10 30 Dias de Recuperação Figura 5: Atividade da GST de peixes expostos a diferentes concentrações de cobre por 30 dias (0 dias de recuperação) e posterior tempo de recuperação (4, 10 e 30 dias). Letras maiúsculas indicam diferença entre os grupos em um determinado tempo de recuperação (P<0,05). Letras minúsculas indicam diferença de um determinado grupo nos diferentes tempos de recuperação (P≤0,05). 45 DISCUSSÃO Análises biológicas, tais como os testes de toxidade com organismos aquáticos, tem sido cada vez mais utilizados na caracterização e concentração basal dos resíduos provenientes de indústrias e residências lançados nos corpos d’água, os quais podem causar impactos ao ambiente aquático, sendo estes bastante eficazes (Cavas et al., 2005). Qualidade da água: A dureza da água é um fator que afeta a toxicidade dos metais, entre eles o cobre, influenciando na sua biodisponibilidade. Elevadas concentrações de cátions polivalentes de cálcio e magnésio diminuem a toxicidade do metal (Buratini e Brandelli, 2006). A água utilizada nos testes é classificada como mole de acordo com Pastrana-Martínez et al., (2010), ou seja, possuía pouca quantidade de cátions. Isso significa que grande parte do cobre colocado nos aquários estava disponível, podendo ser absorvida pelos indivíduos. Elevada concentração de amônia no ambiente aquático é capaz de gerar vários efeitos deletérios aos organismos, entrando no sistema dos indivíduos por ter alta permeabilidade às membranas (Randall e Tsui, 2002). A concentração de amônia total neste esteve dentro dos padrões de qualidade da água e abaixo das concentrações reconhecidas como deletérias aos peixes (Randall e Tsui, 2002). As demais características físico-químicas da água utilizada nos ensaios do presente trabalho estiveram todas dentro dos padrões de qualidade de água de trabalhos de exposição a metais. Assim, os organismos estavam em um meio sem outros fatores que não a adição de cobre que pudesse gerar efeitos deletérios, assegurando que os resultados obtidos são válidos para a observação da toxicidade do cobre em C. parallelus. Mortalidade A mortalidade de indivíduos expostos a baixas concentrações de cobre mostra a vulnerabilidade do organismo testado a este metal. Verifica-se um pico de crescimento da mortandade no 9º dia de exposição, indicando o limite de suporte do organismo a esta concentração de metal adicionado e que a adição de 52 µg Cu+2/L em exposição crônica é altamente nociva ao robalo peva. É importante destacar que a reta formada pela frequência de mortalidade não tende a estabilizar e/ou cair, mostrando que não há adaptação do organismo a esta concentração gerada pela 46 adição do cobre, podenso-se supor que havendo maior período de exposição todos os indivíduos morreriam. Assim, mesmo que pequeno, um lançamento de cobre em determinado corpo d’água se alcançar tal concentração de cobre pode afetar sensívelmente a população de robalo peva após certo período de exposição. Observou-se também que ao final do período de exposição os organismos expostos em meio com incremento de 26 µg Cu+2/L começaram a morrer também, podendo supor que ocorreria o mesmo fenômeno do tratamento com a adição de 52 µg Cu+2/L. Anormalidades nucleares Ensaio de Micronúcleo é uma ferramenta importante e eficaz para a avaliação da genotoxicidade, uma vez que é simples, confiável, sensível e é independente das características cariotípicas do animal de ensaio. Peixes são excelentes organismos para o estudo do potencial efeito mutagênico ou carcinogênico de contaminantes que podem estar presentes em amostras de água, pois metabolizam, concentram e armazenam estes poluentes da água. Essa anormalidade é caracterizada pelo aparecimento de massas de cromatina citoplasmáticas, geradas por uma falha na anáfase (mitose), onde fragmentos ou cromossomos inteiros ficam para trás (Cavas et al., 2005). A presença de células com tal anormalidade é uma reflexão de falhas estruturais e/ou aberrações cromossômicas numéricas surgidas durante a mitose (Cavas et al., 2005). Esta divisão celular anormal resultaria em desequilíbrio genético nas células, que também podem estar envolvidos na carcinogênese. Estudos comprovam que o teste micronúcleo em peixes é uma técnica válida para monitoramento de efeitos genotóxicos induzidos por metais pesados, inclusive o cobre (Bombail et al., 2001; Cavas et al., 2005). Foi possível observar o efeito genotóxico do cobre em robalo peva exposto às concentrações testadas. Assim, os indivíduos expostos nos tratamentos com adição de cobre apresentaram maior frequência de micronúcleos, quando comparados com o grupo sem adição de cobre (concentração basal). Observou-se que quanto maior a concentração de cobre em que os peixes foram expostos, maior foi a frequência dessas anormalidades nucleares eritrocitárias. Oliveira et al., (2008), encontrou resultado semelhante, quando expôs Anguilla anguilla L., à 27 µg Cu+2/L por 7 dias e observou aumento significativo na frequência de micronúcleos. O mesmo foi visto em testes com Cyprinus carpio, Carassius gibelio e Corydoras 47 paleatus, expostos ao cobre (10 – 250 µg Cu+2/L) por 21 dias, onde os indivíduos expostos na maior concentração apresentaram aumento significativo na freqüência de micronúcleos, tendo o cobre efeito genotóxico nessas espécies. Indivíduos de Channa puncata expostos a 100 µg Cu+2/L, por 7 dias apresentaram aumento na freqüência de micronúcleos nos períodos intermediários ao total de tempo de exposição (1, 2, 3 e 4 dias), elevando o número de micronúcleos proporcionalmente ao tempo de exposição (Yadav e Trivedi, 2009). Levando em consideração que a maior freqüência de micronúcleos é indicativo de problemas no DNA, refletindo em efeito carcinogênico, clastogênico e aneugênico, é de extrema importância resguardar e monitorar os ambientes aquáticos a fim de mantê-los com concentrações naturais de cobre, visando assim a preservação das espécies nativas, como o robalo peva, assegurando a reprodução e permanência dessas. Isso é ainda mais essencial quando observa-se os resultados da frequência de micronúcleo após 30 dias de recuperação, ou seja, em água sem adição de cobre, onde não foi verificado a diminuição da frequência do micronúcleo. Infere-se assim, que o robalo peva ainda que em meio sem adição de cobre não recupera-se após 30 dias. Segundo Campana et al., (1999) a variação da frequência de micronúcleos está relacionada com a cinética de substituição das células sanguíneas. Logo, esse período de recuperação pode não ser suficiente para substituição das células sanguíneas, não sendo possível a eliminação dessas células com anormalidades. Acúmulo de cobre O acúmulo do cobre nas brânquias dos indivíduos expostos no tratamento com maior adição de cobre é similar aos resultados de Grosell et al., (2004), que verificou um incremento linear e contínuo de cobre no tecido branquial de Opsanus beta exposto ao cobre por 30 dias. Após 4 e 10 dias de recuperação os níveis de acumulação de cobre nas brânquias era o mesmo que verificado depois da exposição por 30 dias no tratamento com adição de 26 µg Cu+2/L, mostrando que nesse período não há recuperação desse tecido. A recuperação foi observada após 30 dias em meio sem incremento do metal. Esse resultado na recuperação é diferente do encontrado na acumulação do cobre no músculo. Os indivíduos expostos em meio com adição de cobre 48 apresentaram aumento da acumulação desse metal no tecido muscular, mas a recuperação foi verificada já após 4 dias. Assim, o tempo para que o nível de cobre no músculo seja reduzido é semelhante a dos indivíduos do grupo exposto na concentração basal e é de 4 dias em meio sem adição de cobre. Mostra-se assim que a brânquia possui recuperação mais lenta que o músculo, o que pode estar relacionado com a influência que as brânquias têm na bioacumulação de cobre, sendo um dos tecidos com maior importância na absorção de metais (Gale et al., 2003). As brânquias tendem a acumular maiores concentrações de cobre, o que está veiculado com a maior permeabilidade desse tecido em relação ao músculo, resultando nessa maior concentração (Grosell et al., 2004). Também, essa menor bioacumulação de metal no músculo pode estar relacionado à indução de proteínas de ligação de metais, tais como a metalotioneínas (Uysal et al., 2008). Porém é importante frisar que enquanto exposto o tecido muscular apresentou alto acúmulo de cobre. Se tratando de um processo contínuo de exposição ao longo do desenvolvimento do organismo, tal acumulação pode apresentar risco de biomagnificação, elevando os níveis de cobre naqueles que o consumirem. No caso do robalo, esse risco é real também para população humana, já que é um peixe bastante utilizado como fonte alimentar. Assim, este é mais um ponto para que sejam maximizados os esforços para diminuir e controlar o lançamento desse metal nos corpos d’água. Mesmo que em baixas concentrações é possível que o cobre seja acumulado por peixes, podendo gerar efeitos deletérios relacionados a contaminação desse metal, mesmo que a médio e/ou longo prazo, não apenas aos organismos expostos, mas também a toda cadeia alimentar. Em trabalho realizado por Papagiannis et al. (2004), foi encontrado concentrações de 0,12 µgCu+2/L no lago Pamvots, na Grécia, as quais resultaram em acúmulo de cobre em exemplares de Cyprinus carpio. Também Joyeux et al., (2004) observaram em espécimes de Centropomus sp. e Mugil sp., na Baía de Vitória, no Brasil, acumulo de vários metais, entre eles o cobre. Estresse oxidativo A GST tem importante função tanto na desintoxicação quanto na prevenção da peroxidação lipídica. Produtos petroquímicos, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos induzem a atividade deste grupo de enzimas, porém, quanto 49 ao efeito dos metais nesse grupo de enzimas, vários tipos de mecanismo de ação e efeitos contraditórios têm sido relatados. Cunha et al. (2007) verificou significativa redução da atividade da GST de indivíduos de Nucella lapillus expostos ao cobre. Resposta semelhante encontrou Dautrememepuits et al. (2002), quando verificou inibição da GST em Cyprinus carpio em exposição aguda de 96h a 100 e 250 µgCu+2/L. No presente trabalho resultados semelhantes aos estudos supracitados foram encontrados, mesmo que em concentrações menores, sendo verificada uma diminuição da atividade da GST nos tratamentos com adição do cobre. Isso pode ter ocorrido pela ação direta do metal sobre a enzima, ou indiretamente pela interação das espécies reativas de oxigênio, induzidas pela contaminação, com a enzima e assim o esgotamento de seu substrato (Cunha et al., 2007). Assim a acumulação de metal nas células pode resultar em diminuição da GSH (substrato da GST) devido tanto a ligação quanto a oxidação (Cunha et al., 2007). A inibição observada após 4 dias de recuperação pode estar relacionada com o estresse, e assim possível desencadeamento de espécies reativas de oxigênio, causado pela troca de água e demais atividades de manutenção necessária para a fase de recuperação. Em 10 e 30 dias foi possível verificar a recuperação dos níveis da atividade da GST, quando os indivíduos expostos em meio com adição de cobre, após esses períodos, tiveram a atividade da GST semelhante aos indivíduos expostos a concentração basal. 50 CONCLUSÕES A adição das concentrações 26 e 52 µg Cu+2/L, mesmo que baixas, em exposição crônica, são genotóxicas a Centropomus parallelus e mesmo após 30 dias esses prejuízo não é recuperado. Ainda, essas concentrações testadas aumentam as concentrações de cobre nas brânquias e músculo, ou seja, é bioacumulado. A diminuição das concentrações de cobre nas brânquias ocorre após 30 dias e no músculo 4 dias já são suficientes para a recuperação. O cobre inibiu a atividade da GST, retornando aos níveis semelhantes ao do grupo exposto a concentração basal entre 5 e 10 dias. 51 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Bombail, V., Dennis, A. W., Gordon, E. Batty, J. 2001. 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