UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI
RODRIGO NOGUEIRA DE OLIVEIRA
CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL NA
CONSTRUÇÃO CIVIL - LEED
SÃO PAULO
2009
ii
RODRIGO NOGUEIRA DE OLIVEIRA
CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL NA
CONSTRUÇÃO CIVIL - LEED
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado como exigência parcial
para a obtenção do título de Graduação
do Curso de Engenharia Civil da
Universidade Anhembi Morumbi
Orientador: Profa. Dra. Adir Janete Godoy dos Santos
SÃO PAULO
2009
iii
RODRIGO NOGUEIRA DE OLIVEIRA
CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL NA
CONSTRUÇÃO CIVIL - LEED
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado como exigência parcial
para a obtenção do título de Graduação
do Curso de Engenharia Civil da
Universidade Anhembi Morumbi
Trabalho____________ em: ____ de_______________de 2009.
______________________________________________
Profa. Dra. Adir Janete Godoy dos Santos
______________________________________________
Profº Me. Antonio Calafiori Neto
Comentários:_________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
iv
À Vivi
v
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Universidade Anhembi Morumbi pela oportunidade de desenvolvimento
profissional e deste trabalho.
À professora Adir pela paciência.
Ao Instituto Jatobás, mantenedor do Centro de Cultura Max Feffer, que permitiu o uso do
projeto como estudo de caso.
À Amima Arquitetura na figura da Arq. Leiko Motomura que gentilmente disponibilizou o
projeto.
À OTEC Otimização Energética, David e Rodrigo, pelas explicações sobre a certificação
LEED.
E ao Eng. Natan Jacobson Levental, projetista estrutural e amigo que como sempre é um
grande exemplo profissional.
“A vida que a gente quer,
depende do que a gente faz”.
Max Feffer (1926-2001)
vi
RESUMO
O trabalho a seguir tem por objetivo apresentar um dos vários modelos existentes para
certificação ambiental para construção civil no mundo, o modelo americano LEED
(Leadership in Energy and Environmental Design ou em português, Liderança em Energia
e Design Ambiental), idealizado pelo USGBC (United States Green Building Council ou
em português, Conselho de Edifícios Verdes dos Estados Unidos) que certifica o edifício
conforme sua eficiência energética e por quanto sustentável ele pode ser em sua
operação. A certificação se dá em quatro categorias diferentes a partir de uma
classificação por pontos. Para se entender alguns dos pontos analisados para a
certificação está sendo apresentado dados sobre a construção civil, consumo energético
e de água potável, além de um pouco da evolução do pensamento sustentável na
construção civil, edifícios verdes e gestão de edifícios. Foi analisado como estudo de
caso, o projeto, construção e atual utilização do Centro de Cultura Max Feffer em
Pardinho, município de São Paulo, que é referência em desenho sustentável e foi
idealizado nos moldes de eficiência energética e atualmente pleiteia a maior classificação
LEED, o selo LEED PLATINUN. Nesse trabalho são apresentados também outros
modelos de certificação além de alguns edifícios com iniciativas sustentáveis com
certificação LEED ou sem qualquer tipo de certificação.
Palavras Chave: Bambu, Certificação Ambiental, Green Building, LEED, Max Feffer,
Pardinho, Sustentabilidade, USGBC.
vii
ABSTRACT
This following paper is objected to present a variety of existent models for environment
certifications related to construction engineering world wide. The American model LEED
(Leadership in Energy and Environmental Design) created by USGBC (United States
Green Building Council), certificates the building based on its electric efficiency and
sustainability on its operation. This certification is obtained in four different categories
based on point categorization system. To understand some points to this certification, it is
presented data related to civil construction, electric efficiency, drinking water, green
buildings, and building administration. The study for this matter was based on the project
and actual operation of The Cultural Center Max Feffer located at city Pardinho state of
São Paulo, that is a role model on sustainability holding the biggest LEED classification –
The LEED Platinum stamp. This work presents also others samples of certifications of
sustainability based on LEED certifications and without any certification whatsoever.
Key word: Bamboo, Environmental certification, Green Building, LEED, Max Feffer,
Pardinho, Sustainability, USGBC.
viii
LISTA DE FIGURAS
Figura 5.1 - Integração das áreas no processo LEED ....................................................... 23 Figura 5.2 - Selos de classificação LEED .......................................................................... 24 Figura 6.1 - Centro de cultura Max Feffer - (Corbioli 2009) ............................................... 43 Figura 6.2 - Estrutura em eucalipto e bambu ..................................................................... 46 Figura 6.3 - Parede de tijolos de solo-cimento................................................................... 47 Figura 6.4 - Caixilho feitos a partir de madeira de demolição ............................................ 48 Figura 6.5 - Portões feitos a partir de resíduos de estamparia .......................................... 48 Figura 6.6 - Corrimãos de barras de ônibus ...................................................................... 49 Figura 6.7 - Bancos de colunas de pias de banheiro ......................................................... 49 Figura 6.8 - Bebedouros de rodas de arado ...................................................................... 50 Figura 6.9 - Sistema de filtragem de águas cinza e de chuva ........................................... 51 Figura 6.10 - Filtro de carvão e dosador de cloro .............................................................. 52 Figura 6.11 - Sanitários com caixa acoplada e duplo acionamento ................................... 52 Figura 6.12 - Torneiras de fechamento automático ........................................................... 53 Figura 6.13 - Mictórios não utiliza água nem produtos químicos ....................................... 53 Figura 6.14 - Projeto da zona de raízes ............................................................................. 55 Figura 6.15 - Projeto da zona de raízes ............................................................................. 55 Figura 6.16 - Área destina a zona de raízes, ainda sem as plantas .................................. 56 Figura 6.17 - Planta baixa com tubulação para parede trombe ......................................... 57 Figura 6.18 - Corte com tubulação e troca de ar da parede trombe .................................. 58 Figura 6.19 - Parede Trombe............................................................................................. 58 Figura 6.20 - Detalhe do controle de ar interno ................................................................. 58 Figura 6.21 - Detalhe de poste de iluminação com painel fotovoltaico e Led .................... 59 Projeto 1 - Implantação
77 Projeto 2 - Planta do pav. Térreo
78 Projeto 3 - Planta do pav. Superior
79 Projeto 4 - Cortes transversais
80 Projeto 5 - Elevação longitudinal
81 Projeto 6 - Elevações transversais
82 ix
LISTA DE TABELAS
Tabela 5.1 - Tabela de classificação por pontuação e tipo de construção ........................ 25 Tabela 5.2 - Tabela de pontuação máxima para categoria edifício comercial (NC e CS) .. 26 Tabela 5.3 - Tabela de pré-requisitos por categoria avaliada ............................................ 26 Tabela 5.4 - Tabela de pontuação por Espaços Sustentáveis ........................................... 27 Tabela 5.5 - Tabela de pontuação por Eficiência no Uso de Água .................................... 27 Tabela 5.6 - Tabela de pontuação por Energia e Atmosfera ............................................. 28 Tabela 5.7 - Tabela de pontuação por Materiais e Recursos ............................................ 29 Tabela 5.8 - Tabela de pontuação por Qualidade do Ambiente Interno ............................ 30 Tabela 5.9 - Tabela de pontuação por Inovação e Processo do Projeto ........................... 30 x
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AQUA
Alta Qualidade Ambiental
AsBEA
Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura
ASHRAE
American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning
Engineers (Sociedade Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Ar
Condicionado)
BRE
Building Research Establishment (Instituto de Pesquisa em Edifícios)
BREEAM
BRE Environmental Assessment Method (Instituto de Pesquisa em
Edificação e Sistema de Avaliação do Ambiente)
CASBEE
Comprehensive Assessment System for Building Environmental
Efficiency (Avaliação Abrangente de Sistema do Edifício em Eficiência Ambiental)
CBCS
Conselho Brasileiro de Construção Sustentável
CSTB
Scientifique et Technique du Bâtiment ( Estudo e Técnicas de
Construção)
GBC Brasil
Green Building Council Brasil (Conselho Brasileiro de Edifícios Verdes)
GBTOOL
Green Building Tool (Instrumentos de Edifícios Verdes)
HQE
Haute Qualité environnementale (Alta Qualidade Ambiental)
IPT
Instituto de Pesquisas Tecnológicas
xi
ISO
International Organization for Standardization (Organização Internacional
de Padronização)
LEED
Leadership in Energy and Environmental Design (Liderança em Energia e
Design Ambiental)
PIB
Produto Interno Bruto
SBAT
Sustainable Building Assessment Tool (Instrumento de Avaliação para
Edifícios Sustentáveis)
SindusCon-SP Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo
USGBC
United States Green Building Council (Conselho de Edifícios Verdes dos
Estados Unidos)
VOC
Volatile organic compound (Compostos Orgânicos Voláteis)
xii
SUMÁRIO
1.
INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 1
2.
OBJETIVOS ................................................................................................................. 3
2.1
Objetivo Geral................................................................................................. 3
2.2
Objetivo Específico ........................................................................................ 4
3.
MÉTODO DE TRABALHO ........................................................................................... 5
4
JUSTIFICATIVA ........................................................................................................... 6
5
CERTIFICAÇÃO LEED ................................................................................................ 7
5.1
Construção Civil Brasileira ........................................................................... 7
5.2
Sustentabilidade ............................................................................................ 9
5.2.1
Sustentabilidade ambiental ..................................................................... 10
5.2.2
Sustentabilidade Social ........................................................................... 10
5.2.3
CONSTRUÇÃO CIVIL SUSTENTÁVEL .................................................. 10
5.2.3.1 Redução do consumo energético ........................................................... 11
5.2.3.2 Uso Eficiente da Água ............................................................................ 12
5.2.3.3 Materiais Certificados e Renováveis ....................................................... 12
5.2.3.4 Implantação Sustentável ......................................................................... 12
5.2.3.5 O projeto Sustentável ............................................................................. 13
5.2.3.6 Utilização Consciente dos Equipamentos e do Edifício Pelo Usuário ..... 14
5.2.4
Sustentabilidade no Brasil ...................................................................... 14
5.2.5
A Não Sustentabilidade no Brasil............................................................ 15
5.2.6
CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável) ........................ 15
5.2.7
Compensação de Carbono ..................................................................... 16
5.2.7.1 Pegada ecológica ................................................................................... 16
5.2.7.2 Pegada de Carbono ................................................................................ 16
xiii
5.3
Green Building ............................................................................................. 17
5.3.1
O que é Green Building? ........................................................................ 17
5.3.2
Benefícios do Green Building.................................................................. 17
5.4
Certificações Ambientais ............................................................................ 17
5.4.1
LEED (Leadership in Energy and Environmental Design - Liderança em
Energia e Design Ambiental)) ............................................................................... 18
5.4.2
BREEAM (BRE Environmental Assessment Method - Instituto de Pesquisa em
Edifícios e Sistema de Avaliação do Ambiente) .................................................... 19
5.4.3
HQE( Haute Qualité environnementale - Alta Qualidade Ambiental) ...... 19
5.4.4
CASBEE (Comprehensive Assessment System for Building Environmental
Efficiency (Avaliação Abrangente de Sistema do Edifício em Eficiência Ambiental)20
5.4.5
GBTOOL (Green Building Tool - Instrumentos para Edifícios Verdes) ... 20
5.4.6
Método IPT (Instituto de Pesquisas tecnológicas) .................................. 21
5.4.7
AQUA (Alta Qualidade Ambiental) .......................................................... 21
5.5
Certificação LEED ........................................................................................ 22
5.5.1
Certificação LEED – História................................................................... 22
5.5.2
LEED - Processo de Certificação / Classificação / Pontuação................ 22
5.5.3
Etapas do processo ................................................................................ 23
5.6
LEED Brasileiro ............................................................................................ 30
5.6.1
Custos do processo de certificação LEED .............................................. 32
5.6.2
Aumento estimado no custo de construção certificada com o LEED ...... 33
5.6.3
Fatores após a ocupação de um Edifício Certificado LEED ................... 33
5.6.3.1 Para os ocupantes .................................................................................. 33
5.6.3.2 Para os Inquilinos ................................................................................... 34
5.6.3.3 Para os Proprietários .............................................................................. 34
5.6.3.4 Para o investidor ..................................................................................... 35
5.6.3.5 Atual público dos Edifícios Certificados no Brasil ................................... 35
5.6.4
Edifícios LEED no Brasil ......................................................................... 36
5.6.5
Empreendimentos Registrados LEED Não-Sigilosos no Brasil............... 36
5.7
Dificuldades na certificação LEED ............................................................. 38
xiv
5.8
6
Crescimento Econômico x Globalização x Sustentabilidade................... 39
ESTUDO DE CASO – CENTRO DE CULTURA MAX FEFFER ................................ 40
6.1
Max Feffer ..................................................................................................... 40
6.2
Município de Pardinho ................................................................................. 41
6.3
O Edifício ...................................................................................................... 42
6.4
Sustentabilidade no Centro de cultura Max Feffer.................................... 44
6.4.1
– Implantação e projeto .......................................................................... 44
6.4.2
- Uso de fibras vegetais como o bambu e o eucalipto. ........................... 45
6.4.3
- Uso de tijolos solo-cimento ................................................................... 46
6.4.4
- Uso de tijolos e madeira de demolição ................................................. 47
6.4.5
- Reuso de resíduo industrial e material de desmanche de ônibus......... 48
6.4.6
- Bancos e bebedouros com reuso de resíduos...................................... 49
6.4.7
- Reuso de água cinza e de chuva.......................................................... 50
6.4.8
- Metais hidrosanitários econômicos e mictório seco .............................. 52
6.4.9
- Uso do descarte da zona de raízes para irrigação do jardim ................ 54
6.4.10
- Tinta à base de água e baixo VOC ....................................................... 56
6.4.11
- Parede Trombe ..................................................................................... 57
6.4.12
- Baixo consumo energético.................................................................... 58
6.4.13
- Outras iniciativas sustentáveis.............................................................. 59
6.4.14
- Utilização sustentável ........................................................................... 59
7
A CERTIFICAÇÃO LEED PARA O CENTRO DE CULTURA MAX FEFFER ........... 61
8
CONCLUSÕES .......................................................................................................... 67
9
REFERÊNCIAS .......................................................................................................... 70
APÊNDICE A - DIPLOMA LEED AP ................................................................................ 72
APÊNDICE B – TABELAS ORIGINAIS USGBC .............................................................. 73
xv
APÊNDICE C – CHECK LIST – CERTIFICAÇÃO LEED NC............................................ 75
APÊNDICE D – PROJETO ARQUITETÔNICO. ............................................................... 77
APÊNDICE E – FOTOGRAFIAS. ..................................................................................... 83
APÊNDICE F – QUALIDADE DO AMBIENTE INTERNO. ............................................... 86
APÊNDICE G – ESPAÇOS SUSTENTÁVEIS - ACESSO A TRANSPORTE PÚBLICO. . 87
APÊNDICE H – DEPÓSITO E COLETA DE MATERIAIS RECICLÁVEIS........................ 88
ANEXO A – OUTROS EDIFÍCIOS CERTIFICADOS NO BRASIL .................................... 89
1. INTRODUÇÃO
A construção civil brasileira cresceu 8,0% em 2008 (IBGE, 2009) e representa uma
significativa parcela da economia no Brasil. O programa Minha Casa Minha Vida
pretende construir um milhão de casas nos próximos anos (minhacasaminhavida,
2009). São produzidas 240 mil toneladas de lixo por dia no país (IBGE, 2009), o
dobro do que se produziam ha 15 anos. O consumo de energia no Brasil, que inclui
tanto energia elétrica quanto combustível em geral, apresentou crescimento de 5,6%
em 2008 (Balanço Energético Nacional, 2009). Nesse cenário ganha força à busca
do equilíbrio e a transformação de práticas e métodos tidos como predatórios
transformando-os em sustentáveis. A construção civil, que poderia ser considerado
um dos setores menos preocupados com questões ambientais, se vê agora diante
de uma "onda verde", com o surgimento de inúmeros estudos e iniciativas que
visam, acima de tudo, disseminar conhecimento e criar engajamento no setor, desde
os produtores de matéria-prima, construtoras até usuários finais. Fazem parte desse
movimento, as certificações ambientais para construção civil que normalmente
partem de associações civis sem fins lucrativos e classificam os empreendimentos
segundo critérios de sustentabilidade e eficiência energética.
O LEED (Leadership in Energy and Environmental Design ou em português,
Liderança em Energia e Design Ambiental) é um sistema de classificação de
edificações, a partir de critérios de sustentabilidade ambiental em diferentes
categorias. Desenvolvido pela organização USGBC (United States Green Building
Council), o LEED envolve pré-requisitos obrigatórios, é um sistema de pontuação
cumulativa que permite às edificações obterem diferentes classificações.
O sistema LEED determina uma metodologia para a otimização dos rendimentos do
edifício, bem como a obtenção de resultados satisfatórios aos conceitos de
sustentabilidade. A metodologia LEED fornece diretrizes para a adoção de
estratégias para o desenvolvimento sustentável, desde a escolha do terreno,
conservação de água, eficiência energética, especificação de materiais e controle de
qualidade de ar interno.
2
O sistema orienta o projeto do edifício para cada item citado através de um método
compreensível de avaliação, visando a máxima eficiência, e oferecendo, quando
atendido suas normas, a certificação do projeto, qualificação do profissional e
treinamento.
O trabalho foi desenvolvido a partir de pesquisa sobre o sistema de obtenção da
certificação, analisando-se os critérios de classificação, os itens obrigatórios, itens
pontuados, a influência da certificação no planejamento da edificação e os
resultados finais quanto a eficiência energética.
Foi apresentado como estudo de caso o Centro de Cultura Max Feffer, que foi
idealizado segundo princípios da certificação LEED.
3
2. OBJETIVOS
O objetivo desse trabalho é entender, analisar, questionar e apresentar o sistema de
certificação ambiental LEED, procurando discutir seus critérios, analisando a forma
de classificação e adequação do sistema a realidade brasileira e sua aplicação
pratica em um empreendimento brasileiro.
2.1 Objetivo Geral
Esse trabalho tem por objetivo de estudar e analisar o sistema de certificação
ambiental para construção civil LEED. O LEED classifica a edificação a partir de
critérios que definem quanto sustentável é seu terreno e implantação, quanto
eficiente é o uso da água e energia, se são sustentáveis os materiais utilizados, a
qualidade dos ambientes para os usuários finais e as inovações nos processos
utilizados na construção. A Certificação LEED ganhou projeção a partir da
divulgação dos novos “Edifícios Verdes” ou “Green Buildings”, e tem sido aceito
como alternativa em empreendimentos privados, públicos e do terceiro setor em um
momento em que a sociedade se compromete ambientalmente com suas ações.
Essa classificação se dá por pontos atribuídos a cada subitem dos critérios citados,
sendo que a avaliação do atendimento ou não do item, é feita por um profissional da
USGBC, por meio de um processo feito em inglês por um consultor brasileiro
registrado no órgão.
Esse trabalho pretende interpretar os itens de classificação, analisando-os para a
realidade brasileira e em um empreendimento local. Atualmente existe um grupo
brasileiro “tropicalizando” a certificação LEED, enquanto esse trabalho não está
finalizado, os empreendimentos continuam sendo certificados segundo critérios
definidos para a realidade America e de acordo com a interpretação de um
profissional americano, nos EUA.
4
2.2 Objetivo Específico
Como complemento ao estudo dos critérios para certificação LEED, será estudado
um empreendimento projetado e construído visando a certificação, e por isso feito
com base nos critérios LEED.
O empreendimento, que é um centro cultural localizado no interior de São Paulo, tem
a intenção de servir de referência sustentável, e busca “despertar e deixar fluir a
construção de um caminho coletivo sustentável, com criatividade, simplicidade,
coerência, ética e amor” (Instituto Jatobás, 2009). A construção é ao mesmo tempo
simples pois faz usos de materiais e técnicas bastante simples como o bambu e
parede trombe, e ao mesmo tempo, bastante complexo, como por exemplo, os
medidores de CO2 e mictórios sem água ou produtos químicos.
A proposta do empreendimento de ser sustentável e educativo o faz ter iniciativas de
reciclagem e aproveitamento que talvez o torne um caso especial, e assim não
possa servir de referência para edifícios privados ou empreendimentos que visam
lucro.
Esse trabalho não tem o objetivo de avaliar o prédio ou suas intenções de seus
idealizadores, e sim se a certificação LEED o classifica de forma correta, e se o
sistema LEED dá realmente suporte para iniciativas sustentáveis na construção civil.
5
3. MÉTODO DE TRABALHO
O desenvolvimento do trabalho se deu inicialmente por pesquisa do material
disponível em publicações técnicas como artigos, livros, jornais, teses, sites,
seminários e, principalmente, no material disponibilizado para os profissionais
registrados como consultores LEED.
Concluído embasamento teórico, foi iniciadas entrevistas com profissionais da área e
o estudo de alguns projetos existentes e em implantação no Brasil que buscam a
certificação LEED.
A segunda fase do trabalho consiste na análise completa e detalhada das etapas de
implantação de um projeto de edificação certificada no estado de
São Paulo
avaliando a implantação do projeto e que foi considerado na escolha do local de
implantação, nas diretrizes de projeto e na construção, como é desenvolvido o
projeto para um edifício com certificação ambiental, quais os cuidados e ferramentas
utilizadas, como foi conduzida a obra, quais são as técnicas, os materiais e a mão de
obra empregada, como é feita a avaliação do desempenho, quais são os critérios e
cuidados na utilização do edifício, e a manutenção da certificação e quais os custos
envolvidos.
Para isso foi analisado projetos, planilhas e feita visitas técnicas ao edifício, tendo
por objetivo comparar os processos sustentáveis a construções convencionais,
quanto ao custo, tempo de implantação, vantagens e dificuldades.
6
4 JUSTIFICATIVA
A sustentabilidade ambiental é tema recorrente e cada vez mais evidente sua
importância. A cada dia obtemos novas informações que quantificam e qualificam o
quanto a atividade humana é, ou foi predatória ao meio ambiente. Torna-se visível
que assim como o meio natural evoluiu e se organizou de forma a garantir a
existência de todas as espécies, a sociedade atual e a futura, terá o desafio de
consumir cada vez menos, mais eficientemente e, ainda, repor e reparar os danos já
causados. A tarefa não é fácil, como consumir e garantir que nunca se esgote? A
sustentabilidade no uso dos recursos naturais tem esse objetivo, amenizar os efeitos
da atividade humana, e combinada com outras iniciativas pode reverter parte ou
todo o dano feito ao longo da história. Ser sustentável implica em ter controle total
sobre os impactos que cada atividade traz e como pode ser diminuído, anulado ou
revertido.
O tema é vasto, e pode ser discutido em qualquer campo da atividade humana. Esse
trabalho discutiu uma das ferramentas utilizadas na construção civil, onde se busca
classificar um edifício, seja ele residencial, comercial ou industrial, a partir de quanto
sustentável foi a sua construção e quanto sustentável ele está sendo em sua
operação.
A certificação LEED, objeto do estudo, não questiona hábitos e costumes, e por
esse motivo não é suficiente para garantir uma sociedade sustentável, mas é um
passo importante para a construção civil. É um assunto atual e um campo muito
interessante para a atuação do engenheiro. Reforça o uso de produtos reciclados,
economia de energia e parâmetros da saúde na pós-ocupação. O engenheiro civil
compõe equipes que atuam nessas áreas, sendo muito importante discutir e difundir
os conceitos adotados para adequação ambiental das práticas executadas na
construção civil tradicional.
Este TCC se justifica, pois contribui para a difusão do conhecimento sobre quesitos
e exigências nos diferentes níveis de certificação de obras civis, segundo a sigla
LEED, conhecimento importante na atuação do engenheiro civil.
7
5 CERTIFICAÇÃO LEED
Por se tratar de uma certificação de sustentabilidade especifica para construção civil,
antes de tratar do assunto especificamente, serão expostos alguns dados e
informações importantes para se entender o processo e as intenções envolvidas.
5.1 Construção Civil Brasileira
De acordo com o professor Vanderley Moacir John, da Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo (Poli/USP), a construção civil corresponde a
aproximadamente 15% do PIB Brasileiro e tende a crescer, sem contar as obras
públicas e o incremento que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que
deve trazer, ao setor investimentos da ordem de 500 bilhões de reais nos próximos
quatro anos. “O Brasil se prepara para reativar a construção civil, e surge à
oportunidade de fazer as coisas de forma diferente”, destaca, sem esconder sua
preocupação com o silêncio do governo federal (Silva, 2007).
Com essa representativa participação na economia brasileira, o setor possui impacto
ambiental e social compatíveis.
A construção e a manutenção da infra-estrutura do país consomem até 75% dos
recursos naturais extraídos, sendo a cadeia produtiva do setor a maior consumidora
destes recursos da economia.
A quantidade de resíduos de construção e demolição é estimada em torno de 450
kg/hab.ano ou cerca de 80 milhões de toneladas por ano, impactando o ambiente
urbano e as finanças municipais. A este total devem ser somados os outros resíduos
industriais formados pela da cadeia.
Os canteiros de obras são geradores de poeira e ruído e causam erosões que
prejudicam os sistemas de drenagem.
8
A construção causa a diminuição da permeabilidade do solo, mudando o regime de
drenagem, causando enchentes e reduzindo as reservas de água subterrânea.
A
utilização
de
madeira
extraída
ilegalmente,
além
de
comprometer
a
sustentabilidade das florestas representa séria ameaça ao equilíbrio ecossistêmico.
A cadeia produtiva da construção contribui para a poluição, inclusive na liberação de
gases do efeito estufa, como CO2 durante a queima de combustíveis fósseis e a
descarbonatação de calcário e de compostos orgânicos voláteis, que afetam
também os usuários dos edifícios.
A preocupação com a contaminação ambiental pela lixiviação de biocidas e metais
pesados de alguns materiais vem crescendo;
A operação de edifícios no Brasil é responsável por cerca de 18% do consumo total
de energia do país e por cerca de 50% do consumo de energia elétrica;
Os edifícios brasileiros consomem aproximadamente 21% da água potável do país.
Do ponto de vista da sustentabilidade social, o setor é o maior gerador de empregos
diretos e indiretos no país. No entanto, a informalidade abrange não somente a
autoconstrução da habitação dos das classes mais baixas, mas também as cadeias
de materiais de construção, projeto e desenvolvimento urbano. Boa parte dos
operários do setor se encontra na linha da pobreza. A baixa produtividade em alguns
setores da indústria de materiais e, particularmente, nas atividades de construção e
manutenção é um fator importante para os baixos salários. Por sua vez, esta baixa
remuneração diminui a atratividade de novos talentos, gerando um ciclo vicioso
negativo aos processos de desenvolvimento nacional (Silva, 2007).
9
5.2 Sustentabilidade
Segundo o Dicionário brasileiro de ciências ambientais, a qualidade de um sistema
que é sustentável, que tem a capacidade de se manter em seu estado atual durante
um tempo indefinido, principalmente devido à baixa variação em seus níveis de
matéria e energia, desta forma não esgotando os recursos de que necessita (Silva,
2007).
Um importante marco para a compreensão do termo Sustentabilidade foi
apresentado pela “World Commission on Environment and Development” (Comissão
Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento) que sob a presidência da
primeira-ministra norueguesa Gro Harlem Brundtland, definiu em 1987 o termo
Desenvolvimento Sustentável:
“Suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações
futuras de suprir as suas” (Brundtland, 1987)
Se considerado isoladamente, ou seja, extraído de seu contexto, qualquer animal
vivo é insustentável. A sustentabilidade faz sentido apenas quando se considera
todo o conjunto complexo onde este animal está inserido. Sendo o homem um
representante do reino animal, não faz sentido falar de indivíduo sustentável a
menos que se mapeie toda a sua atividade e influência no mundo e em seu habitat.
O que é inegável é que o simples fato de alguém existir já gera algum impacto
ambiental e social. Esse impacto pode ser maior ou menor, dependendo de suas
decisões e ações como indivíduo (Portal da Sustentabilidade, 2009).
A sustentabilidade é baseada em aspectos ambientais, econômicos, culturais e
sociais, e devem existir em equilíbrio. Como estes aspectos representam variáveis
independentes, as escolhas resultantes serão diferentes em cada situação
apresentada. Portanto, não existem receitas nem cálculos absolutos que determinem
o que deve ser feito ou não para que um projeto caminhe na direção de uma maior
sustentabilidade, sendo a proposta de cada projeto fruto de escolhas específicas,
únicas e originais.
10
5.2.1 Sustentabilidade ambiental
“O conceito de sustentabilidade ambiental refere-se às condições sistêmicas
segundo as quais, em nível regional e planetário, as atividades humanas não devem
interferir nos ciclos naturais em que se baseiam tudo o que a resiliência (capacidade
de regeneração) do planeta permite e, ao mesmo tempo, não devem empobrecer
seu capital natural, que será transmitido às gerações futuras” (silva, 2007)
5.2.2 Sustentabilidade Social
A sustentabilidade social está baseada no princípio da equidade, na distribuição de
renda e de bens, no princípio da igualdade de direitos a dignidade humana. Tem
como referência o desenvolvimento e como objeto a melhoria da qualidade de vida
da população. Em países com desigualdades, implica a adoção de políticas
distributivas e/ou redistribuitivas e a universalização do atendimento na área social,
principalmente na saúde, educação, habitação e eqüidade de direitos. Para a
construção civil, fica como marca de falta de sustentabilidade a desobediências nas
leis trabalhistas, de segurança no trabalho e principalmente na informalidade
presente em grande parcela do setor. Prova disso, é a pratica comum de que quem
não tem capacitação, torna-se operário da construção civil, e por não ter capacitação
acaba por aceitar as condições impostas.
5.2.3
CONSTRUÇÃO CIVIL SUSTENTÁVEL
A Construção Sustentável é um sistema que promove intervenções sobre o meio
ambiente, sem esgotar os recursos naturais, preservando-os para as gerações
futuras. Esse modelo de construção utiliza materiais e soluções, que promovem a
redução da poluição, o bom uso e a economia dos materiais, água e de energia
além do conforto e salubridade de seus usuários.
O Grupo de Trabalho de Sustentabilidade da AsBEA (Associação Brasileira dos
Escritórios de Arquitetura) reuniu em um texto simples e sucinto, os pontos
entendidos como básicos na conceituação do que é uma obra sustentável, bem
11
como os procedimentos mais imediatos que levarão a uma ação em prol da redução
do impacto ambiental causado pelas obras civis:
- Redução do consumo energético
- Redução dos resíduos
- Redução do consumo de água
- Aproveitamento de condições naturais locais
- Implantação e Análise do Entorno
- Reciclar, reutilizar e reduzir os resíduos sólidos
- Inovação
5.2.3.1 Redução do consumo energético
São medidas que resultam em uma redução do consumo energético ou maior
eficiência do uso em edifícios:
Especificação de equipamentos com menor consumo e melhor eficiência possível na
utilização do gás natural para todos os fins. Automatização de transporte vertical
com otimização de carga e menor consumo energético possível com a adoção de
sistemas eficientes como o ADC (antecipação de chamadas), Iluminação de baixo
consumo
energético
nas
áreas
comuns
de
uso
contínuo,
e
iluminação
“incandescente” com acionadores por sensor de presença nas áreas de uso
esporádico ou intermitente.
Este princípio, com maior tolerância, também é válido para as unidades privadas.
Planejamento do consumo energético e utilização de equipamentos para gerar
energia em períodos de pico. Melhor aproveitamento possível da iluminação natural,
levando-se em conta a necessidade do seu controle. Melhor condição de conforto
térmico evitando a incidência da radiação solar direta através da adoção de soluções
arquitetônicas tipo brises-soleil, venezianas, telas termo-screen externas, prateleiras
de luz, vidros especiais que dispensam o uso de brises, etc.
Implementação e otimização de ventilação natural. Adoção preferencial de
acabamentos claros nas áreas de grande incidência de luz solar. Tratamento das
coberturas do edifício analisando a possibilidade de implementação de áreas verdes
ou, caso esta solução não seja possível, utilizar pinturas reflexivas para diminuir a
12
absorção de calor para o edifício. Uso de soluções alternativas de produção de
energia como a eólica ou a solar, de acordo com as condições locais. A indústria
brasileira está se tornando cada vez mais forte na produção de equipamentos para
estes fins, tornando viáveis estes projetos.
5.2.3.2 Uso Eficiente da Água
São exemplos eficientes e sustentáveis de utilização da água a captação,
armazenamento e tratamento de águas pluviais para reutilização na irrigação,
limpeza, refrigeração, sistema de combate a incêndio e demais usos permitidos para
água não potável. Utilização de bacias acopladas e válvulas especiais com o fluxo
opcional por descarga, ou de sistemas a vácuo. Reaproveitamento das águas de
lavagem, com tratamento local, para utilização sanitária. A utilização de torneiras
com acionamento eletrônico ou temporizador por pressão em todas as aplicações
passíveis.
5.2.3.3 Materiais Certificados e Renováveis
Maximização na especificação de materiais sustentáveis objetivando o maior volume
possível de utilização de materiais certificados, de manejo sustentável e reciclável.
Planejamento para maior durabilidade possível nas especificações visando alto
desempenho e evitando obsolescência prematura. Utilização de materiais cujos
processos
de
extração
de
matérias
primas,
beneficiamento,
produção,
armazenamento e transporte causem menor índice de danos ao meio ambiente nem
estejam baseados em condições de trabalho indignas para os operários.
5.2.3.4 Implantação Sustentável
Uma implantação sustentável depende de; Projetar utilizando técnicas que permitam
uma construção mais econômica, menos poluente e que impacte de forma menos
agressiva o meio ambiente. Evitar ao máximo a impermeabilização do solo, Evitar
danos à fauna, flora, ecossistema local e ao meio ambiente. Planejar toda a obra e
futura operação do edifício procurando minimizar a geração de lixo e resíduos. Evitar
todo e qualquer tipo de contaminação, degradação e poluição de qualquer natureza,
13
visual, sonora, ar, luminosa, etc. Promover a segurança interna e externa do edifício
e seus usuários. Implantação e otimização de todos os recursos para a correta
coleta seletiva do lixo visando a reciclagem de materiais e a menor geração de
resíduos descartáveis. Evitar grandes movimentos de terra, preservando sempre que
possível a conformação original do terreno. Elaborar um plano eficiente de drenagem
do solo para durante e após a execução das obras, evitando-se danos como erosão
ou rebaixamento de lençol freático.
5.2.3.5 O projeto Sustentável
De acordo com o Grupo de Trabalho de Sustentabilidade da AsBEA, antes de tudo,
é necessário que se conheça alguns conceitos básicos que devem nortear a
elaboração de um projeto de arquitetura na busca de melhores condições de
sustentabilidade. São eles:
•
A sustentabilidade não é um objetivo a ser alcançado, não é uma situação
estanque, mas sim um processo, um caminho a ser seguido. Advém daí que a
expressão mais correta a ser utilizada é um projeto “mais” sustentável. Todo o
trabalho nesta área é feito a partir de intenções que são renovadas continua e
progressivamente.
Intenções
estas
genuínas,
que
devem
estar
verdadeiramente compromissadas com os valores do Cliente, a saber, o
contratante, o usuário e a comunidade onde a obra esta inserida. Conhecer
os valores do Cliente, e entender que projeto é o exercício de intenções e
decisões, resulta em uma obra mais sustentável. É esta a demanda da
sociedade atual.
•
A sustentabilidade é baseada em três aspectos: o ambiental, o econômico e o
social, que devem coexistir em equilíbrio. Como estes aspectos representam
variáveis independentes, as escolhas resultantes serão diferentes em cada
situação apresentada. Portanto, não existem receita nem cálculo absoluto que
determine o que deve ser feito ou não, para que um projeto caminhe na
direção de uma maior sustentabilidade, sendo a proposta de cada projeto
fruto de escolhas específicas, únicas e originais.
14
•
A busca pelo caminho da maior sustentabilidade cabe a todos os envolvidos
no projeto e execução do ambiente edificado. É um trabalho coletivo (em
rede) onde todos devem fazer sua parte, e ao mesmo tempo incentivar os
demais a fazê-lo. As decisões devem ser resultado de uma ação orquestrada
com os demais projetistas, gerenciadores, consultores, fornecedores,
executores e usuários, na medida em que esta escolha pode condicionar
ações a serem efetivadas pelos demais.
A certificação entra neste processo como um reconhecimento de um trabalho
desenvolvido sem, no entanto, ser sua representação fiel. Um motivo para esta
dicotomia é a não existência de processo adequado às condições regionais
culturais, econômicas e físicas que permitam uma real avaliação do resultado obtido
pelo esforço de tornar uma edificação mais sustentável. Os critérios de certificação,
portanto, devem ser utilizados como referências auxiliares, mas não determinantes
na escolha de materiais e sistemas construtivos.
5.2.3.6 Utilização Consciente dos Equipamentos e do Edifício Pelo Usuário
O projetista deve elaborar o projeto sempre com o apoio de quem irá operar o
edifício, criando espaços e sistemas racionalizados, de baixo custo operacional e
com mínimo impacto ambiental.
Quando se entrega uma obra, não importa a escala, esta deveria ser acompanhada
de Manual de Operação, Gestão e Manutenção. Orientar a criação e promoção de
um curso de gestor ambiental do edifício. Amparar todo corpo de funcionários com
treinamento adequado visando a educação, desenvolvimento intelectual e
criatividade. Difusão para o corpo de funcionários e todos os usuários do edifício dos
princípios de sustentabilidade e conservação do meio ambiente (CBSC, 2009)
5.2.4 Sustentabilidade no Brasil
Atualmente, materiais certificados ainda têm preço elevado, o barateamento destes
materiais virá com a economia de escala de produção pelo aumento da demanda. O
aumento da demanda virá com o barateamento dos materiais. Como já aconteceu
15
em outros países, este círculo virtuoso pode ser estimulado com a redução, mesmo
que temporária, da carga tributaria e a disseminação do conceito pelos lideres de
mercado. Atualmente, a certificação ambiental para edifícios está e alta crescente,
está aumentando o numero de materiais certificados e os cuidados com resíduos de
obra e reciclagem (Silva, 2007).
5.2.5 A Não Sustentabilidade no Brasil
De acordo com o professor Vanderley Moacir John, da Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo (Poli/USP), Cada metro quadrado construído pesa, em
média, 1,2 toneladas. Assim, alguém que resida num apartamento de cem metros
quadrados terá consumido aproximadamente 120 toneladas de materiais apenas no
local onde mora. John acrescenta que já começa a faltar areia em Passo Fundo, RS,
e em Teresina, PI, assim como há escassez de argila em Londrina, PR. A areia para
obras em São Paulo viaja cerca de 200 quilômetros. “São provas de que os recursos
naturais não são infinitos”, observa.
Estima-se que a taxa anual de resíduos da construção esteja em 450 quilos por
habitante, que é quantidade superior à do lixo doméstico urbano e que metade do
consumo de energia elétrica em grandes cidades vem dos edifícios (Silva, 2007).
5.2.6 CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável)
O CBCS é uma associação civil sem fins lucrativos que tem por objetivo social
contribuir para a promoção do desenvolvimento sustentável por meio da geração e
disseminação de conhecimento e da mobilização da cadeia produtiva da construção
civil, de seus clientes e consumidores.
CBCS busca constituir-se como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse
Público forte, coesa e participativa que, orientada pela ética e transparência de suas
ações, seja reconhecida por seus pares nacionais e internacionais, como líder da
busca da sustentabilidade ambiental, social e econômica em toda a cadeia produtiva
da Construção Civil, no Brasil.
16
A CBCS tem por missão promover a melhoria da qualidade de vida da população
brasileira e a preservação de seu patrimônio natural, pelo desenvolvimento e
implementação de conceitos e práticas mais sustentáveis e que contemplem as
dimensões social, econômico e ambiental da cadeia produtiva da indústria da
construção civil (CBSC, 2009).
5.2.7 Compensação de Carbono
5.2.7.1 Pegada ecológica
Saber o quão sustentável é um método, pratica ou material e vital para um processo
sustentável, e a pegada ecológica é uma forma de atribuir valores as atividades
humanas. E assim possibilitar escolhas ou formas de compensação ambiental. O
termo foi primeiramente usado em 1992 por William Rees, um ecologista e professor
da Universidade de Colúmbia Britânica. Em 1995, Rees e o co-autor Mathis
Wackernagel publicaram o livro chamado Our Ecological Footprint: Reducing Human
Impact on the Earth.
Em linhas gerais, o método traça uma comparação entre o consumo humano e a
capacidade da natureza de suportá-lo. O resultado dessa conta é o indicador do
impacto ambiental que exercemos sobre o planeta. Com esse cálculo em mãos é
possível planejar o uso dos recursos naturais de forma mais consciente, menos
predadora. Atualmente, a pegada ecológica da Terra está 23% acima da
capacidade. É necessário um ano e dois meses para regenerar o que nós
consumimos em um ano (Dias, 2002)
5.2.7.2 Pegada de Carbono
Uma pegada de carbono é apenas um dos componentes da pegada ecológica
A Pegada de Carbono (ou Carbon Footprint) é a medida de quanto uma pessoa ou
uma organização emite de carbono nas suas atividades do dia-a-dia (essa medida é
realizada por unidades de gás carbônico - CO2 - principal causador do efeito estufa).
Existem sites na internet como Safeclimate ( http://www.safeclimate.net/calculator/ )
ou Stopglobalwarming ( http://www.stopglobalwarming.org/ ) que desenvolveram
17
sistemas para calcular o quanto cada pessoa ou atividade contribui para o
aquecimento global a partir do seu consumo de carbono.
5.3 Green Building
5.3.1 O que é Green Building?
Criado na década de 1970 por arquitetos e ecologistas, o termo, ao pé da letra,
significa "construção verde". No contexto dos ambientalistas, ser verde implica estar
de bem com a natureza, não agredi-la. Trazido para a arquitetura, uma construção
verde, então, é aquela projetada, construída e mantida com o mínimo consumo de
água e energia, dando prioridade a materiais que não poluem o ambiente durante
sua produção e não provocam danos à saúde dos trabalhadores. Com o
crescimento dos movimentos ambientalistas e a demanda da legislação e dos
investidores estrangeiros, investirem na qualidade e na gestão ambiental passou a
ser também um bom negócio e um excelente marketing. Deste modo englobam
critérios ”verdes” para localização, projeto, construção, operação e manutenção,
remoção de resíduos e remoção/renovação da edificação ao final de sua vida útil
(Capello, 2007).
5.3.2 Benefícios do Green Building
Aumento de eficiência no uso da energia elétrica, no consumo de água potável,
geração de esgoto, otimização na aplicação e utilização de materiais, redução do
impacto ambiental, redução das emissões de carbono e aumento de áreas verdes. O
Green Building traz também melhorias na qualidade do ambiente interno com maior
satisfação dos usuários, redução dos problemas de saúde e assim maior
produtividade
5.4 Certificações Ambientais
Certificações
Ambientais
são
normalmente
conferidas
por
organizações
independentes que garantem que a empresa certificada mantém em funcionamento
18
ou completou um processo de acordo com um sistema de garantia da qualidade
ambiental. A certificação ambiental mais comumente utilizada e á ISO 14000. A ISO
14000 é uma série de normas desenvolvidas pela ISO International Organization for
Standardization (Organização Internacional de Padronização) e que estabelecem
diretrizes sobre a área de gestão ambiental dentro de empresas. Para construção
civil existem varias iniciativas e cada país usa um selo próprio de certificação para
edifícios sustentáveis ou adota e regionaliza um selo estrangeiro. As siglas, em
geral, remetem os objetivos buscados em cada um deles. Em comum, todos têm a
meta de aliar ferramentas da arquitetura e tecnologia para projetar sem gerar danos
para a natureza e para os moradores / usuários dos edifícios. Os selos mais
importantes são:
•
LEED - Leadership in Energy and Environmental Design – Estados Unidos
•
BREEAM – BRE Environmental Assessment Method – Inglaterra
•
HQE – Haute Qualité Environnementale – França
•
CASBEE – Comprehensive Assessment System for Built Environment
Efficiency – Japão
•
GBTOOL
•
Método IPT
•
Aqua – Alta Qualidade Ambiental – Brasil / França
5.4.1 LEED (Leadership in Energy and Environmental Design - Liderança em
Energia e Design Ambiental))
O LEED é um sistema de certificação aplicado pelo USGBC (United States Green
Building Council) que foi visivelmente influenciado pelo BREEAM, tendo estrutura e
conceitos muito semelhantes, mesclando aspectos prescritivos e de desempenho,
onde também há versões para usos específicos de edifícios. Os aspectos avaliados
pelo LEED referem-se ao impacto gerado ao meio ambiente em conseqüência dos
processos relacionados ao edifício (projeto, construção e operação); contemplando
aspectos relativos ao local do empreendimento, o consumo de água e de energia, o
aproveitamento de materiais locais, a gestão de resíduos e o conforto e qualidade do
ambiente interno da edificação (USGBC, 2009).
19
5.4.2 BREEAM (BRE Environmental Assessment Method - Instituto de
Pesquisa em Edifícios e Sistema de Avaliação do Ambiente)
O BREEAM é o primeiro método de avaliação de desempenho ambiental de
edifícios, desenvolvido pelo Building Research Establishment (BRE), no Reino
Unido, já no início da década de 1990, contendo eminentemente exigências de
caráter prescritivo. Tais exigências enfocavam o interior da edificação, o seu entorno
próximo e o meio ambiente. Já nesse momento ficava claro o conceito de se buscar
boas condições de conforto e salubridade para o ser humano com o menor impacto
ambiental tanto em termos de consumo de recursos como de emissões. A avaliação
contém itens com caráter de atendimento obrigatório e outros classificatórios,
abordando questões sobre os impactos do edifício no meio ambiente, saúde e
conforto do usuário e gestão de recursos. O atendimento dos itens obrigatórios e um
número mínimo de itens classificatórios irá corresponder à classificação do edifício
em um dos níveis de desempenho possíveis. Destaca-se que a pontuação mínima
exigida varia de acordo com a versão do método, bem como os níveis de
classificação. Atualmente, dispõem-se de critérios para vários tipos de edifícios,
como
de
escritórios,
shopping
Center,
habitações
térreas
e
edifícios
multipavimentos, fábricas e, até para prisões (Revista Techne, 2009).
5.4.3 HQE( Haute Qualité environnementale - Alta Qualidade Ambiental)
O HQE é uma base de avaliação francesa que consiste em dois sistemas
relacionados entre si, que aferem o desempenho ambiental de edifícios. Sua
estrutura subdivide-se em gestão do empreendimento – SMO (Système de
Management
de
l'Opération)
–
e
qualidade
ambiental
–
QEB
(Qualité
Environnementale du Bâtiment) –, que avaliam as fases de projeto, execução e uso,
cada qual com uma certificação em separado. O método Francês é diferenciado do
BREEAM e LEED, apresentados anteriormente. A avaliação não possui escala de
pontuação, mas sim uma estrutura baseada em um perfil ambiental determinado
pelo empreendedor, dentre os quatro blocos de avaliação, que possuem juntos 14
itens. Os blocos são: impactos do empreendimento no meio ambiente, gestão de
recursos, conforto ambiental e saúde do usuário. Na composição do perfil ambiental
são escolhidos itens que deverão atender aos níveis de desempenho definidos. Há
20
três níveis de desempenho, o máximo (Très Performant), que representa os
melhores níveis de desempenho que podem ser obtidos, o médio (Performant) e o
mínimo (Base), que já corresponde às boas práticas correntes.
Para se obter a certificação, dos 14 itens quatro devem atender pelo menos ao nível
médio, e pelo menos três, ao nível máximo. As outras categorias devem se
enquadrar no nível base. Não há classificação do desempenho do edifício em níveis,
obtendo-se ou não a certificação. O sistema está todo baseado em exigências
normativas e legais de cada localidade (revista techne, 2009).
5.4.4 CASBEE (Comprehensive Assessment System for Building
Environmental Efficiency (Avaliação Abrangente de Sistema do Edifício
em Eficiência Ambiental)
O CASBEE possui quatro instrumentos de avaliação: voltados ao projeto (em
desenvolvimento), construções novas, edifícios existentes e reformas. Os critérios de
avaliação abordam a qualidade ambiental e desempenho do edifício (Q – Building
environmental quality and performance) e diminuição de cargas ambientais (LR –
Reduction of building environmental loadings). O "Q" considera questões relativas à
qualidade do ambiente interno (conforto e saúde do usuário), qualidade do serviço
(funcionalidade, durabilidade) e meio ambiente local (preservação vegetal e animal,
e características paisagísticas, culturais locais, etc.). Já o "LR" aborda eficiência
energética (desempenho da envoltória, uso de energia renovável, eficiência dos
sistemas e sua operação), gestão de recursos (economia e reuso de água, reuso e
reciclagem de materiais etc.) e impactos na vizinhança (poluição do ar, sonora,
vibrações etc.) A pontuação dos dois sistemas é ponderada e resulta em uma nota
final (BEE – Building Environmental Efficency) que corresponde à classificação do
edifício em um dos cinco níveis possíveis (revista techne, 2009).
5.4.5 GBTOOL (Green Building Tool - Instrumentos para Edifícios Verdes)
O GBTOOL é uma ferramenta internacional de avaliação ambiental de edifícios,
resultante de um consórcio que envolve vários países da Europa, Ásia e América
(Green Building Challenge) na busca do desenvolvimento de incentivos à execução
21
de edifícios mais adequados do ponto de vista ambiental. Desse modo, não possui
um órgão certificador específico, sendo uma ferramenta de discussão e
aprimoramento de projetos podendo ser adotada por qualquer entidade de avaliação
que defina fatores de ponderação para os elementos considerados. Os assuntos
abordados referem-se ao consumo de recursos, cargas ambientais, qualidade do
ambiente interno, qualidade do serviço, aspectos econômicos e gestão antes da
ocupação do edifício. (revista techne, 2009).
5.4.6 Método IPT (Instituto de Pesquisas tecnológicas)
O método desenvolvido pelo IPT visa oferecer uma avaliação ambiental de edifícios
adequada às condições brasileiras e, caso o resultado seja satisfatório, conceder
uma Referência Ambiental-IPT, nos mesmos moldes da Referência Técnica - RT/IPT
que vigora para produtos. Sua estrutura é semelhante à do LEED e BREEAM, com
itens com caráter de atendimento obrigatório e outros classificatórios. A sistemática
do IPT enfatiza os aspectos ambientais tradicionais como características do terreno,
de água, energia, materiais, resíduos e conforto ambiental. Considera também
aspectos mais abrangentes como de acessibilidade e relação do edifício com o meio
urbano. Sua grande diferença está na importância dada a cada aspecto e na
inserção de preocupações relativas à realidade brasileira (revista techne, 2009).
5.4.7 AQUA (Alta Qualidade Ambiental)
Recentemente foi lançado pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini a certificação
Aqua (Alta Qualidade Ambiental) que é baseada em normas européias, com
indicadores adequados à realidade brasileira. A iniciativa decorre de parceria entre a
entidade, o Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo e o Centre Scientifique et Technique du Bâtiment
(CSTB), instituto francês considerado referência mundial em pesquisas na
construção civil. Uma das diferenças entre o Aqua e o selo norte-americano LEED, é
a avaliação e a certificação do edifício em fases, atendendo a requisitos (revista
techne, 2009).
22
5.5 Certificação LEED
LEED significa; Leadership in Energy and Environmental Design em português,
Liderança em Energia e Design Ambiental e consiste em um sistema de
classificação de edificações a partir de critérios de sustentabilidade em diferentes
categorias. Desenvolvido pela organização Americana United States Green Building
Council (USGBC), o LEED envolve pré-requisitos obrigatórios, que não valem
pontos, e um sistema de pontuação cumulativa que permite às edificações obter
diferentes classificações.
O sistema de pontuação utilizado para a certificação LEED foi criado com o objetivo
de transformar o setor de construção em um setor sustentável. Ele fornece padrões
que definem o que é um green building e é aprimorado constantemente através de
um processo de discussão aberto à participação do setor publico, produtivo e do
terceiro setor (GBCBrasil, 2009).
5.5.1 Certificação LEED – História
O critério LEED foi desenvolvido por um conselho aberto e voluntário em escala
mundial, o USGBC (United States Green Building Council - Conselho de Edifícios
Verdes dos Estados Unidos), que congrega lideranças de vários setores da indústria
da construção, hoje em torno de 8.500 profissionais. Uma espécie de rede de
informações, um processo de troca de conhecimento em contínuo desenvolvimento
e aperfeiçoamento, provendo o mercado de idéias e informações que visam
promover e transformar a construção convencional em construção sustentada.
No Brasil, recentemente, foi criado o GBCBrasil (Green Building Council Brasil Conselho de Edifícios Verdes do Brasil), entidade que será responsável pela
adaptação e regionalização dos critérios do LEED para as condições e realidades
brasileiras.
5.5.2 LEED - Processo de Certificação / Classificação / Pontuação
Para o processo de certificação é necessário que um profissional habilitado e
registrado ao USGBC seja consultor (ver apêndice A – Diploma LEED AP) durante
todo o planejamento e implantação do empreendimento, onde será montado um
23
processo que enviado ao USGBC, que será avaliado, questionado e certificado ou
não de acordo com as diversas categorias. Para conseguir o selo de construção
sustentável LEED é preciso seguir à risca os critérios estipulados e divididos em nas
seguintes áreas:
•
Espaço sustentável (SS - Sustainable Sites)
•
Eficiência do uso da água (WE - Water Efficiency)
•
Energia e Atmosfera (EA - Energy & Atmosphere)
•
Materiais e Recursos (MR - Materials & Resources)
•
Qualidade ambiental interna (EQ - Indoor Environmental Quality)
•
Inovação e Processos (IN - Innovation & Design Process)
Figura 5.1 - Integração das áreas no processo LEED
Antes, durante e depois da obra, o profissional registrado no conselho de
certificação (USBGC) avaliam o desempenho do empreendimento, através de
questionários, relatórios técnicos e simulações. Ao final, os dados são transformados
em pontos num ranking, que podem ou não resultar na certificação.
5.5.3 Etapas do processo
•
Registro do projeto
•
Coleta de informações pelo consultor
24
•
Cálculos e preparação de memoriais e plantas
•
Envio da primeira fase (Projetos) para a USBGC
•
Coleta e preparação de documentos da segunda fase
•
Envio da segunda fase (Construção Final) para a USBGC
•
Treinamento para ocupação
•
Pré-operação e pós entrega
•
Análise para certificação
De acordo com a pontuação, um edifício poderá ser enquadrado nas categorias. (do
menor para o maior)
•
Certificado (Certified)
•
Prata (Silver)
•
Ouro (Gold)
•
Platina (Platinum)
Figura 5.2 - Selos de classificação LEED
As pontuações e pré-requisitos de uma certificação LEED dependem do tipo de
empreendimento, e são organizados nas seguintes categorias:
•
LEED NC – (New construction - Prédios novos) Nesta categoria, a certificação
é realizada considerando o terreno e a edificação como um todo. Geralmente
25
são prédios de utilização de uma única empresa ou entidade como:
corporações, universidades, escolas, hospitais, etc.
•
LEED EB – (Existing buildings - Prédios existentes) Nesta categoria, a
certificação é realizada com base no desempenho de operação e na melhoria
desta em edificações existentes.
•
LEED CI – (Comercial interiors - Interiores de edificações comerciais) Nesta
categoria, a certificação é realizada somente para os inquilinos de áreas de
escritórios em melhorias de instalações existentes ou novas edificações.
•
LEED CS – (Core and Shell - Prédios de múltiplos usuários ou core e
fachada) – Nesta categoria, a certificação é realizada para o terreno e para as
áreas comuns da edificação, onde o empreendedor não tem responsabilidade
sobre o projeto das áreas internas de cada unidade. Geralmente são prédios
de uso coletivo para venda ou locação.
•
LEED for Homes – (Residências) Nesta categoria está incluso residências
unifamiliares e prédios multifamiliares de até três pavimentos.
•
LEED ND - Desenvolvimento urbano – Nesta categoria, a certificação é
realizada para a parte urbanística de um condomínio, de um bairro ou de uma
quadra residencial ou comercial.
•
LEED Schools – Para escolas
O processo de certificação classificará o edifício em umas das categorias acima
citadas, e o grau de sustentabilidade do edifício será avaliado a partir de uma
pontuação que definirá o nível de certificação alcançado. Na Tabela 1 segue a
classificação para os tipos de edifícios comerciais.
Tabela 5.1 - Tabela de classificação por pontuação e tipo de construção
Nível de certificação
LEED Nova Construção
LEED múltiplos usuários
(LEED-NC - New Construction)
(LEED-CS - Core and Shell)
Certificado
26 a 32 pontos
23 a 27 pontos
Prata
33 a 38 pontos
28 a 33 pontos
Ouro
39 a 51 pontos
34 a 44 pontos
Platina
52 a 69 pontos
45 a 61 pontos
(PORTAL DO ARQUITETO, 2007) Original em inglês (USGBC, 2009).
26
A Tabela 5.2, apresenta a pontuação máxima alcançada pelo edifício em cada
categoria avaliada na classificação LEED NC e CS versão 2.2.
Tabela 5.2 - Tabela de pontuação máxima para categoria edifício comercial (NC e CS)
Categoria
Abrangência
Ustainable Sites (SS)
Terreno, implantação, entorno,
Espaços Sustentáveis
transporte público
Water Efficiency (WE)
Eficiência no consumo de água no
Eficiência no uso de água
edifício
Energy & Atmosphere (EA)
Eficiência do consumo de energia no
Energia e Atmosfera
edifício
Materials & Resources (MR)
Uso de materiais renováveis, e
Materiais e Recursos
recursos renováveis
Indoor Environmental Quality (EQ)
Qualidade do ar interno do edifício e
Qualidade do Ambiente Interno
na obra
Innovation & Design Process
Inovação nas técnicas e processos
Inovação e Processo do Projeto
envolvidos
Total
Pontos
Pontos
(NC)
(CS)
14
15
5
5
17
14
13
11
15
11
5
5
69
61
(PORTAL DO ARQUITETO, 2007) Original em inglês (USGBC, 2009) – original consta no apêndice
O processo de certificação tem alguns pré-requisitos por categoria que são
obrigatórios, e seguem na Tabela 5.3:
Tabela 5.3 - Tabela de pré-requisitos por categoria avaliada
Sustainable Sites (SS) - Pré- Reduzir poluição das atividades de construção, controlando
requisito 1 – Poluição
poeira, erosão do solo e sedimentação de canais de água.
Energy & Atmosphere (EA) - Pré- Verificar se os sistemas de energia estão instalados,
requisito 1 – Desempenho das calibrados e com desempenho de acordo com o previsto em
instalações
projeto.
Energy & Atmosphere (EA) - Pré- Estabelecer nível mínimo de eficiência energética para o
requisito 2 – Melhor desempenho prédio
e
seus
sistemas.
Abrange
relação
energético
opacidade/transparência das fachadas
Energy & Atmosphere (EA) - Pré- Reduzir a destruição da camada de ozônio - não usar CFC
requisito 3 – controle sobre gases
nos sistemas de ar condicionado
Materials & Resources (MR) - Pré- Prever espaço para coleta seletiva de lixo
requisito 1 – Coleta seletiva
Indoor Environmental Quality (EQ) - Estabelecer qualidade mínima para o ar interno e aprimorá-la,
Pré-requisito 1 – Qualidade do ar
contribuindo para o conforto e bem-estar dos funcionários.
interno
Indoor Environmental Quality (EQ) - Minimizar a exposição de ocupantes do prédio, superfícies
Pré-requisito 2 - Controle do fumo
internas e sistema de distribuição de ar à fumaça de cigarro
(PORTAL DO ARQUITETO, 2007) Original em inglês (USGBC, 2009) – original consta no apêndice
27
O processo de pontuação é avaliado a partir de tabelas que definem o grau de
sustentabilidade do edifício nas categorias: Espaço sustentável; Eficiência do uso da
água; Energia e Atmosfera; Materiais e Recursos; Qualidade ambiental interna e
Inovação e Processos. Segue abaixo tabelas com subitens e pontos possíveis para
cada categoria para certificação em edifício novo (NC versão 2.2) – As tabelas
originais em inglês contam nos apêndice
Espaços Sustentáveis (14 Pontos)
Tabela 5.4 - Tabela de pontuação por Espaços Sustentáveis
Pré-requisito
Prevenção de Poluição na Construção
Obrigat.
Crédito 1
Seleção do Local
1
Crédito 2
Densidade Urbana e Conexão com a Comunidade
1
Crédito 3
Remediação de Áreas Contaminadas
1
Crédito 4.1
Acesso a Transporte Público
1
Crédito 4.2
Bicicletário e Vestiários
1
Crédito 4.3
Incentivo ao uso de veículos de baixa emissão de CO2
1
Crédito 4.4
Redução de área para estacionamento
1
Crédito 5.1
Proteção e recuperação das espécies locais
1
Crédito 5.2
Redução da área construída
1
Crédito 6.1
Controle de Enxurrada – Quantidade
1
Crédito 6.2
Controle de Enxurrada - Qualidade
1
Crédito 7.1
Redução do Efeito Ilha - áreas abertas
1
Crédito 7.2
Redução do Efeito Ilha – coberturas
1
Crédito 8
Redução da Poluição Luminosa
1
(PORTAL DO ARQUITETO, 2007) Original em inglês (USGBC, 2009) – original consta no apêndice
Eficiência no Uso de Água (5 Pontos)
Tabela 5.5 - Tabela de pontuação por Eficiência no Uso de Água
Crédito 1
Irrigação Eficiente Redução de 50%
1
Crédito 1.2
Irrigação Eficiente Redução de 100%
1
Crédito 2
Tecnologias de Reuso
1
Crédito 3.1
Redução no Uso de água Potável - 20%
1
Crédito 3.2
Redução no Uso de água Potável - 30%
1
(PORTAL DO ARQUITETO, 2007) Original em inglês (USGBC, 2009) – original consta no apêndice
28
Energia e Atmosfera (17 Pontos)
Tabela 5.6 - Tabela de pontuação por Energia e Atmosfera
Pré-req. 1
Comissionamento dos Sistemas de Energia do Prédio
Obrigat.
Pré-req. 2
Desempenho Mínimo no uso da Energia
Obrigat.
Pré-req.3
Não Uso de CFC’S
Obrigat.
Crédito 1
Otimização do Desempenho no uso de Energia
1 to 10
10.5% Prédios Novos ou 3.5% Prédios Reformados
1
14% Prédios Novos ou 7% Prédios Reformados
1
17.5% Prédios Novos ou 10.5% Prédios Reformados
1
21% Prédios Novos ou 14% Prédios Reformados
1
24.5% Prédios Novos ou 17.5% Prédios Reformados
1
28% Prédios Novos ou 21% Prédios Reformados
1
31.5% Prédios Novos ou 24.5% Prédios Reformados
1
35% Prédios Novos ou 28% Prédios Reformados
1
38.5% Prédios Novos ou 31.5% Prédios Reformados
1
42% Prédios Novos ou 35% Prédios Reformados
1
Geração Local de Energia Renovável
1 to 3
2.5% Energia Renovável
1
7.5% Energia Renovável
1
12.5% Energia Renovável
1
Crédito 3
Melhoria no Comissionamento
1
Crédito 4
Melhoria no Uso de Gases Refrigerantes
1
Crédito 5
Medições e Verificações
1
Crédito 6
Energia Verde
1
Crédito 2
(PORTAL DO ARQUITETO, 2007) Original em inglês (USGBC, 2009) – original consta no apêndice
29
Materiais e Recursos (13 Pontos)
Tabela 5.7 - Tabela de pontuação por Materiais e Recursos
Pré-requisito 1
Depósito e Coleta de Materiais Recicláveis
Obrigat.
Crédito 1.1
Reuso de materiais – Manut. 75% Paredes Forros e Coberturas
1
Crédito 1.2
Reuso de materiais - Manut. 100% Paredes Forros e Coberturas
1
Crédito 1.3
Reuso de materiais - Manut. 50% Paredes Forros e Coberturas
1
Crédito 2.1
Gestão dos Resíduos da Construção - Destinar 50% reuso
1
Crédito 2.2
Gestão dos Resíduos da Construção - Destinar 75% reuso
1
Crédito 3.1
Reuso de Materiais 5%
1
Crédito 3.2
Reuso de Materiais 10%
1
Crédito 4.1
Conteúdo Reciclado, 10% (post-consumer + 1/2 pre-consumer)
1
Crédito 4.2
Conteúdo Reciclado, 20% (post-consumer + 1/2 pre-consumer)
1
Crédito 5.1
Materiais Regionais 10% extraído, processado e fabricado
1
regionalmente
Crédito 5.2
Materiais Regionais 20% extraído, processado e fabricado
1
regionalmente
Crédito 6
Materiais de Rápida Renovação
1
Crédito 7
Madeira Certificada
1
(PORTAL DO ARQUITETO, 2007) Original em inglês (USGBC, 2009) – original consta no apêndice
30
Qualidade do Ambiente Interno (15 Pontos)
Tabela 5.8 - Tabela de pontuação por Qualidade do Ambiente Interno
Pré-requisito 1
Desempenho Mínimo na Qualidade de Ar Interno
Obrigat.
Pré-requisito 2
Controle do fumo
Obrigat.
Crédito 1
Monitoração de Ar Externo
1
Crédito 2
Aumento da Ventilação
1
Crédito 3.1
Plano de Qualidade do Ar, Durante a Construção
1
Crédito 3.2
Plano de Qualidade do Ar, Antes da Ocupação
1
Crédito 4.1
Materiais de baixa emissão, Adesivos & Selantes
1
Crédito 4.2
Materiais de baixa emissão, Tintas
1
Crédito 4.3
Materiais de baixa emissão, Carpetes
1
Crédito 4.4
Materiais de baixa emissão, madeiras compostas e agrofibras
1
Crédito 5
Controle de Poluentes e Produtos Químicos
1
Crédito 6.1
Controle de Sistemas – Iluminação
1
Crédito 6.1
Controle de Sistemas – Conforto Térmico
1
Crédito 7.1
Conforto Térmico, Projeto
1
Crédito 7.2
Conforto Térmico, Verificação
1
Crédito 8.1
Luz do dia e paisagem - 75% dos espaços
1
Crédito 8.2
Luz do dia e paisagem - 90% dos espaços
1
(PORTAL DO ARQUITETO, 2007) Original em inglês (USGBC, 2009) – original consta no apêndice
Inovação e Processo do Projeto (05 pontos)
Tabela 5.9 - Tabela de pontuação por Inovação e Processo do Projeto
Crédito 1.1
Inovação no Projeto – Insira o título
1
Crédito 1.2
Inovação no Projeto – Insira o título
1
Crédito 1.3
Inovação no Projeto – Insira o título
1
Crédito 1.4
Inovação no Projeto – Insira o título
1
Crédito 2
Profissional a crédito do LEED
1
(PORTAL DO ARQUITETO, 2007) Original em inglês (USGBC, 2009) – original consta no apêndice
5.6 LEED Brasileiro
O GBC Brasil está encarregado da Adaptação da certificação LEED para a realidade
brasileira. A entidade que reúne especialistas em construção e meio ambiente,
professores e pesquisadores universitários, empresários e fabricantes de matéria-
31
prima e de equipamentos e associações de classe. O grupo é liderado pelo Eng.
Manoel Gameiro e tem a coordenação do Eng. Marcos Casado responsável pela
primeira certificação LEED no Brasil.
Incluem questões referentes ao sistema métrico, medidas de desempenho, como as
do sistema ASHRAE (American Society of Heating, Refrigerating and AirConditioning Engineers - Sociedade Americana de Engenheiros de Aquecimento,
Refrigeração e Ar Condicionado) que é uma organização dos EUA que regulamenta
ventilação e ar condicionado, que deverá ser adaptado ao clima brasileiro.
O LEED Brasileiro levará em consideração as peculiaridades do nosso setor de
construção. Haverá uma reavaliação de seus temas centrais e possível
redimensionamento do sistema de pontos com o objetivo de estimular a adoção de
práticas sustentáveis mais adequadas ao Brasil (GBCBrasil, 2009).
Percebe-se que o número de pontos por redução de consumo de energia pode ser
minimizado no caso brasileiro já que utilizamos amplamente a energia hidroelétrica que é menos poluente que a termo elétrica. Outro caso a ser avaliado é a pontuação
pela utilização do conceito de reciclagem, amplamente adotada pelo setor de
construção civil brasileiro (GBCBrasil, 2009).
Por outro lado, deve-se aumentar o número de pontos pela escolha e recuperação
de locais degradados uma prática incomum em nosso país. Na perspectiva
brasileira, o tema da sustentabilidade está intrinsecamente relacionado às questões
sócio-ambientais.
Pretende-se
criar
duas
novas
categorias,
referentes
à
biodiversidade e ao impacto social positivo, principalmente para a mão de obra
informal tanto na construção em si, quanto na fabricação e obtenção de matéria
prima de uma construção. Ambas reverterão pontos para a certificação LEED
(GBCBrasil, 2009)
O conselho Brasileiro terá que adaptar os critérios LEED à realidade brasileira,
percebendo com objetividade as principais diferenças para os critérios de pontuação
e classificação. Provavelmente o processo de regionalização do LEED pontuará com
critérios diferentes questões como o uso da água, já que o Brasil tem maior
disponibilidade do recurso, no consumo energético, pois as fontes de geração de
32
energia
elétrica no Brasil (hidrelétricas) são mais “limpas” que nos EUA
(termoelétricas).
O LEED atualmente não considera questões relacionadas à sustentabilidade social
em seus critérios, acredito que isso ocorra pelo fato de os EUA não terem problemas
com informalidade no trabalho ou mesmo o trabalho escravo ou infantil recorrente no
Brasil.
5.6.1 Custos do processo de certificação LEED
Os custos do processo de certificação LEED no Brasil, ainda são definidos tendo por
base os custos nos EUA, sendo que um consultor profissional brasileiro organiza o
processo e manda para ser certificado na USGBC. Com a finalização do processo
de adaptação do LEED para o Brasil, é provável que a certificação seja feita no país
e os preços definidos de acordo com a realidade local.
Custo para obtenção da certificação LEED (EUA)
•
Registro do Projeto junto ao USGBC
U$600,00
•
Análise de Projeto
U$1.500,00 até 5.000m2
U$0,030 / m2 até 50.000m2
U$15.000,00 mais de 50.000m2
•
Certificação Obra
U$750,00 até 5.000m2
U$0,015 / m2 até 50.000m2
U$7.500,00 mais de 50.000m2
•
Consultoria (Não obrigatória) aprox. 1% do custo (GBCBrasil, 2009).
33
5.6.2 Aumento estimado no custo de construção certificada com o LEED
Segundo Luiz Henrique Ceotto, diretor de Design da Construção da Tishman
Speyer, construtora e incorporadora, depende da quantidade de itens que o
construtor vai incluir no prédio. É possível começar de um bom nível de
sustentabilidade com 0,5% a mais no custo de construção. Mas, se você quiser
utilizar todas as tecnologias disponíveis hoje no Brasil, esse valor pode chegar a 7%
(Carvalho, 2007).
E de acordo com Wanick Thassanee, presidenta do conselho deliberativo brasileiro
de prédios verdes (GBC Brasil) o custo vem caindo mais à medida que se aprende a
implementar um projeto [para certificação LEED]. “Mas o custo-benefício fica para o
usuário do edifício. Existe um custo mais alto no começo do empreendimento. É
claro que vai custar mais caro que um prédio que não tenha aquecedor solar, que
não capture água da chuva. Mas o importante é que o conceito é para o usuário, e aí
a manutenção pode ser 50% mais barata.” Wanick (Spatuzza, 2008).
5.6.3 Fatores após a ocupação de um Edifício Certificado LEED
5.6.3.1 Para os ocupantes
Edifícios com certificação LEED trazem enumeras vantagens não só ao meio
ambiente e ao meio construído, mas também para seus ocupantes, que entre outras
vantagens terão:
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Melhoria na produtividade e renda devido a melhor ambiente de trabalho que
leva a mais saúde, menor stress e menor absenteísmo;
Melhor Conforto térmico: menor oscilações da temperatura;
Melhor Qualidade do ar, diminuindo os problemas respiratórios, de humor,
alérgicos e outros;
Controle de CO2;
Controle sobre os COV (compostos orgânicos voláteis) ;
Controle sobre fumaça de tabaco;
Maior número de trocas de ar;
Reduz doenças respiratórias de 9 a 20%
Menor disseminação de gripes;
Melhor ambiente de trabalho que diminui o stress e acalma as pessoas;
Percepção da Iluminação natural;
34
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Visão integrada com o exterior para os ocupantes proporcionando amplitude
de espaço;
Iluminação artificial complementar à natural e projetada para atender as
necessidades do local de trabalho;
Estímulo ao transporte alternativo mais saudável e relaxante;
Preocupação com a infra-estrutura de transportes e proximidade das
facilidades de serviços;
Estímulo ao transporte solidário (carona);
Estímulo ao uso de bicicletas;
Estímulo a utilização futura de veículos com baixa emissão;
Treinamento de não desperdício, que será expandido para as residências dos
funcionários, incrementando a renda;
Uso racional de energia;
Uso racional de água;
Origem dos materiais empregados;
Separação de lixo;
Reciclagem de materiais (Sustentax, 2008)
5.6.3.2 Para os Inquilinos
•
•
•
•
Menores custos Operacionais:
ƒ
Energia 30%
ƒ
Água 30 a 50%
ƒ
Lixo 50 a 97 %
Menor remanejamento de funcionários;
Menor reconfiguração do escritório;
Criação de uma consciência de não desperdício que será expandida para as
residências dos funcionários, incrementando a renda (Sustentax, 2008)
5.6.3.3 Para os Proprietários
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Imagem associada à empreendimentos responsáveis;
Qualidade ambiental;
Baixo custo operacional;
Maior valor de mercado do empreendimento;
Maior nível de ocupação;
Satisfação do inquilino;
Melhores valores de aluguel - 5 a 10%;
Maior retenção do inquilino;
Menores taxas de vacância;
Mais rapidez na venda ou aluguel;
Menores prêmios de seguro;
35
•
•
•
Menor custo de manutenção e melhorias prediais;
Menor risco do negócio;
Maiores taxas de retorno pela maior estabilidade (Sustentax, 2008)
5.6.3.4 Para o investidor
Segundo Roberto Teitelroit a construção certificada promove a redução de 30% do
consumo de energia e 35% das emissões de gases do efeito estufa ao longo da vida
útil. “A grande meta hoje é mexer na legislação para que o prédio pague menos
imposto”, comenta (Scheidt 2008).
De acordo com Luiz Henrique Ceotto, diretor de Design da Construção da Tishman
Speyer, construtora e incorporadora, hoje, o mercado não dá o valor que deveria dar
a um imóvel certificado sustentável. Mas existe um potencial muito grande. “Eu
acredito que, para um edifício residencial sustentável, consiga-se agregar de 15% a
20% a mais no valor do imóvel se o construtor obtiver uma redução expressiva no
custo de operação, condomínio, consumo de água, de luz. Se esse prédio consumir
30% menos de água e luz, ele valorizará entre 17% e 20 seu preço de venda.” Alerta
Ceotto (Carvalho 2007).
Ainda, segundo Wanick Thassanee, presidenta do conselho deliberativo do capítulo
brasileiro do conselho de prédios verdes (GBC Brasil) sustentabilidade não é
doação, não é caridade. Sustentabilidade aumenta lucro e abaixa os impactos
negativos ambientais e sociais. “O problema é a falta de informação correta e [os
críticos] acham que o LEED não funciona no Brasil. Como que o LEED não funciona
se 48 edifícios no Brasil estão buscando certificação?” (Spatuzza, 2008).
5.6.3.5 Atual público dos Edifícios Certificados no Brasil
Ceotto alerta que basicamente, prédios de apartamentos para a classe média e
média alta, com valor mínimo de R$ 2,5 mil por metro quadrado e escritórios,
principalmente os de alto padrão, em que o imóvel é alugado por valores entre R$
40 e R$ 80 por metro quadrado estão entre os certificados atualmente. (Carvalho,
2007)
36
5.6.4 Edifícios LEED no Brasil
No Brasil, a certificação LEED ganha popularidade, e é cada vez mais aplicada a
edifícios, principalmente os de uso comercial. Segue abaixo alguns edifícios com
certificação LEED no Brasil.
Ag. Granja Viana Banco Real – Cotia – LEED NC 2.2 Silver
Laboratório Delboni Auriemo – São Paulo – LEED NC 2.2 Silver
Edifício Cidade Nova – Rio de Janeiro – LEED CS 2.0 Certified
Eldorado Business Tower – São Paulo – LEED CS 2.0 Platinum
Morgan Stanley Bank – São Paulo – LEED CI Platinum
Rochavera Corporate Towers Torre B – São Paulo – LEED CS 2.0 Gold
Ventura Corporate Towers Torre Leste– Rio de Janeiro – LEED CS 2.0 LEED Gold
WT Nações Unidas 1 e 2 – São Paulo – LEED CS 2.0 Silver
Centro de Distribuição BOMI – Itapevi – SP – LEED Silver
RIV – Bertioga – SP – LEED Certified
(GBCBrasil, 2009)
5.6.5 Empreendimentos Registrados LEED Não-Sigilosos no Brasil
Aroeira Office Park – Curitiba – LEED CS 2.0
Ag. Pirituba Banco do Brasil – São Paulo – LEED NC 2.2
Banco Votorantim – São Paulo – LEED CI 2.0
Centro de Cultura Max Feffer – Pardinho – LEED NC 2.2
Cidade Jardim Corporate Center – São Paulo – LEED CS 2.0
CNH P&S Brasil Sorocaba Depot – Sorocaba – LEED NC 2.2
Colégio Cruzeiro – Rio de Janeiro – LEED NC 2.1
Concórdia Business Tower – Nova Lima – LEED CS 2.0
Condomínio Edifício Eluma – São Paulo – LEED EB O&M
Condomínio New Century – São Paulo – LEED EB O&M
EcoLife Independência – São Paulo – LEED CS 2.0
Ecomercado Palhano – Londrina – LEED CS 2.0
Edifício Alvino Slaviero – São Paulo – LEED CS 2.0
37
Edifício Cidade Jardim – São Paulo – LEED CS 2.0
Edifício Fecomercio – São Paulo – LEED CS 2.0
Firmenich - Fibras II – Cotia – LEED EB O&M
Fleury Medicina Diagnostica – São Paulo – LEED CI 2.0
Iguatemi Alphaville – Barueri – LEED CS 2.0
Instituto Pereira Passos – Rio de Janeiro – LEED NC 2.2
Mariano Torres Corporate – Curitiba – LEED CS 2.0
Morumbi – São Paulo – LEED CS 2.0
Nova sede AEA – São José dos Campos – LEED CS 2.0
Auditório do edifício Sede Odebrech – Salvador – LEED NC 2.2
Panamerica Park II – São Paulo – LEED CS 2.0
Plaza Mayor Alto da Lapa – São Paulo – LEED NC 2.2
Primavera Office Building – Florianopolis – LEED NC 2.1
Príncipe de Greenfield – Porto Alegre – LEED CS 2.0
Raja Business Center – Belo Horizonte – LEED CS 2.0
Renaissance Work Center – Belo Horizonte – LEED CS 2.0
Rio de Janeiro Office Tower – Rio de Janeiro – LEED CS 2.0
San Pelegrino Shopping Mall – Caxias Do Sul – LEED CS 2.0
SAP Labs – São Leopoldo – LEED NC 2.2
SAP Labs Brasil – São Leopoldo – LEED NC 2.2
SBIBHAE - Edifício 1 – São Paulo – LEED NC 2.2
SBIBHAE - Edifício 2 – São Paulo – LEED NC 2.2
SBIBHAE - Edifício 3 – São Paulo – LEED NC 2.2
SBIBHAE - Unidade Morumbi – São Paulo – LEED EB 2.0
SBIBHAE - Unidade Perdizes – São Paulo – LEED NC 2.2
Sede Serasa – São Paulo – LEED EB 2.0
Technology Center Powetrain – Hortolôndia – LEED NC 2.2
The Gift - Green Square – São Paulo – LEED CS 2.0
Torre Santander – São Paulo – LEED EB O&M
Torre Vargas – Rio de Janeiro – LEED CS 2.0
Ventura Corporate Towers Torre Oeste – Rio de Janeiro – LEED CS 2.0
Veranum Tempus Soluções – São Paulo – LEED CI 2.0
Vida a frente – Santo André – LEED CS 2.0
WT - Águas Claras – Minas Gerais – LEED CS 2.0
38
WT - Henrique Valadares – Rio de Janeiro – LEED CS 2.0
WT - JK Hotel – São Paulo – LEED CS 2.0
WT - JK Torre II – São Paulo – LEED CS 2.0
WT - JK Torre São Paulo – São Paulo – LEED CS 2.0
(GBCBrasil, 2009)
5.7 Dificuldades na certificação LEED
Wanick Thassanee diz que o maior entrave é não querer mudar. “Certa vez fui
conversar com executivos de uma grande construtora para falar sobre reuso de água
e outras tecnologias. Eles me disseram que não iriam mudar porque queriam
trabalhar do jeito que vinham trabalhando, que o jeito deles dava resultados. Aí eu
digo: se as pessoas sempre fazem o mesmo, então estas pessoas vão ficar
obsoletas. Eles se preocupam que apenas vai custar mais. Isto é uma grande
confusão. A maioria das pessoas não sabe o que é sustentabilidade. Eles acham
que é uma coisa social, uma coisa triste” (Spatuzza, 2008).
Segundo o prof. da Poli-USP Vanderley M. John algumas centenas ou milhares de
edifícios certificados, por si, não vão alterar a sustentabilidade da construção
brasileira a menos que estes empreendimentos sejam indutores: inspirem novos
empreendedores, criem mercados para produtos ecoeficentes e incentivem
inovações tecnológicas. Não existem evidências de que só o efeito indutor da
certificação seja suficiente para alterar substancialmente a cadeia da construção,
especialmente em um país como o Brasil. A existência de mais de um sistema cria
sinais confusos. Portanto, é possível que em alguns mercados as certificações
resultem apenas em um grupo edifícios extremamente ecoeficientes, ilhas dentro de
um mundo, digamos, cinza. Podemos produzir uma centena de edifícios certificados
por ano o que seria uma vitória, sem alterar a sustentabilidade média da construção.
Admitamos: uma tragédia. Um exemplo: nestes países, diferentemente do Brasil,
problemas sociais, informalidade e mesmo qualidade já não são importantes, são
problemas superados. As certificações concentram-se em ecologia.
Um exemplo brasileiro: a introdução no mercado da bacia sanitária de 6,8 litros,
articulada dentro do PBQP-H. “Quanto tempo a indução simples levaria para
concretizar este feito? Precisaremos, portanto, desenvolver nosso próprio sistema de
39
certificação, adequado aos nossos problemas, articulado com um conjunto de ações
e planos setoriais. Esta é a necessidade” (Silva, 2007).
5.8 Crescimento Econômico x Globalização x Sustentabilidade
Será que existe sustentabilidade sem uma economia estável ou em crescimento?
Existe uma preocupação relacionada a globalização que interfere diretamente com a
sustentabilidade. Se existe alguém no mundo que queira ter iniciativas não
sustentáveis, sempre haverá alguém disposto a vender dessa forma, e sendo assim,
a sustentabilidade se torna um assunto global.
Sendo assim, se a China, por
exemplo, quer construir 400 milhões de casas até 2012, de onde você acha que vem
a madeira e matéria-prima? Por isso o Brasil precisa tomar conta dos seus recursos
naturais. Alerta o prof. Vanderley M. John (Silva, 2007).
40
6 ESTUDO DE CASO – CENTRO DE CULTURA MAX FEFFER
Idealizado pelo Instituto Jatobás, o Centro de Cultura Max Feffer é uma das
iniciativas do Projeto Pardinho, criado em parceria com o Instituto EcoAnima, que
tem por objetivo implantar um modelo de desenvolvimento sustentável no município
de Pardinho, no oeste paulista. Considerada berço da música de raiz, a cidade de
aproximadamente seis mil habitantes situa-se em uma área de nascentes que fazem
parte do aqüífero Guarani, significativa reserva mundial de água potável (Corbioli,
2009).
Construído em área de seis mil metros quadrados cedida pela Prefeitura Municipal, o
Centro de Cultura Max Feffer traz uma série de técnicas inovadoras de edifícios
verdes. Abriga biblioteca, centro de inclusão digital que disponibilizará cursos e
acesso a internet para a população, palco com auditório aberto com capacidade
para 500 pessoas, museu do bambu, sala de exposições com mostra permanente
em Memória a Max Feffer e sala de reuniões com completa infra-estrutura para uso
da população (Instituto Jatobás, 2009).
6.1 Max Feffer
“A vida que a gente quer, depende do que a gente faz”. Max Feffer (1926-2001)
Max Feffer nasceu em 11 de dezembro de 1926. Seu pai, o imigrante russo Leon
Feffer, havia anos antes se lançado à saga empresarial que deu origem ao Grupo
Suzano (empresa de papel e celulose). Em meio à luta pelo sucesso nos negócios,
Leon – ao lado da esposa, Antonietta – também se dedicou com intensidade,
durante toda a vida, ao trabalho social e comunitário.
A personalidade de Max Feffer foi marcada, assim, por valores e educação
humanistas, revelando-o como empreendedor de muitos talentos. Apaixonado pela
música desde criança, Max foi um estudioso de violino e pistão, além de ter
aprendido, como autodidata, a tocar vários outros instrumentos. Só não se tornou
profissional da música porque decidiu suceder o pai nos negócios. Nessa área, foi o
41
grande responsável pelo desenvolvimento da celulose de eucalipto como matériaprima para a produção de papel, em substituição ao insumo importado. Essa
iniciativa beneficiou todo o setor no Brasil, que passou de importador a exportador
de celulose. Max também dirigiu a diversificação dos negócios e a profissionalização
da gestão do Grupo Suzano.
Na vida pública, em 1976 Max Feffer assumiu a Secretaria da Cultura, Ciência e
Tecnologia do Estado de São Paulo durante o governo de Paulo Egydio Martins
(1975-1979). Como Secretário, foi responsável, por exemplo, pela criação do
Festival Internacional de Jazz e pela construção do novo auditório de Campos do
Jordão. Na área de Ciência e Tecnologia, Max colaborou para a instalação da
Academia de Ciências do Estado de São Paulo e para a reformulação do Instituto de
Pesquisas Tecnológicas (IPT).
Atuante em causas comunitárias, Max trabalhou em prol de instituições como a
Federação Israelita do Estado de São Paulo, o clube A Hebraica, o Hospital Albert
Einstein, entre outras. Também abraçou propostas ligadas à cultura e ao apoio
social, como a Sociedade Cultura Artística e a Fundação para o Livro do Cego no
Brasil. Foi o principal responsável pela criação do Instituto Ecofuturo, uma
organização não governamental que surgiu em 1999, que teria a partir de então o
Grupo Suzano como principal mantenedor.
Max Feffer faleceu em 2001, aos 74 anos, deixando como principal legado seus
ideais e seu exemplo de vida (Instituto Jatobás, 2009)
6.2 Município de Pardinho
Localizada no Oeste Paulista, a cidade de Pardinho. Está a cerca de 1.100 metros
de altitude, a região tem clima de montanha e belíssimas paisagens, de onde
afloram muitas nascentes, como a do importante Rio Pardo – daí o nome do
município. Pardinho pertence a uma área de recarga do Aqüífero Guarani, uma das
maiores reservas de água potável do mundo.
42
A cidade tem 5.546 habitantes sua base econômica é, sobretudo, a agropecuária. A
cultura regional é riquíssima: Pardinho é considerada um dos berços da música de
raiz (Instituto Jatobás, 2009).
6.3 O Edifício
O centro de cultura ocupa parte de uma praça cedida pela prefeitura e oferece à
população espaço para atividades comunitárias, entretenimento e aprendizado. No
local antes havia um palco elevado, aberto para a lateral menor da praça. O vão sob
o palco abrigava um pequeno grupo de sanitários públicos. Partindo dessas
estruturas existentes, a arquiteta Leiko Motomura desenvolveu a nova proposta de
uso da área. O projeto e a obra foram pautados para empregar o máximo de
soluções sustentáveis e obter a certificação LEED. Entre os recursos adotados estão
soluções de baixo consumo de água e de energia elétrica, tratamento de esgoto e
aproveitamento de materiais reciclados.
Apesar de a atual área construída ser bastante superior à antiga, a permeabilidade
do terreno agora é significativamente maior devido às linhas de drenos para a
absorção das águas pluviais e ao piso drenante que substituiu os passeios
impermeabilizados. O próprio paisagismo, que foi recriado com desenho mais
orgânico e incluiu o plantio de mudas de árvores de grande porte, é mais uma
ferramenta que contribui para a retenção da água no solo. Ecológica, a cobertura foi
desenvolvida com bambu, matéria-prima renovável que tem papel de destaque no
modelo de desenvolvimento sustentável que visa transformar a cidade em ecopolo
de negócios.
Com metragem superior a 800 metros quadrados, a cobertura apoiada em vigas e
pilares de eucalipto é o elemento que dá personalidade ao projeto. Ela combina
linhas sinuosas, áreas vazadas que possibilitam a entrada de luz natural pelas duas
laterais e partes opacas com telhas de fibra vegetal pintadas de branco recobrindo o
bambu. “Essa telha é bem flexível e acompanha as ondulações”, explica a arquiteta
(Corbioli, 2009).
43
Ficha técnica
Arquitetura Leiko Hama Motomura
Colaboradores Carolina Maihara, Danielle Muhle, Luciana Takaesu, Marcelo Nunes,
Mauricio Alito, Thaís Cunha
Local Pardinho, SP
Conclusão 2008
Área do terreno 7130 m2
Área construída 1651 m2
Estrutura Natan J. Leventhal
Conforto Ambiental Anésia B. Frota e Leonardo M. Monteiro
Hidráulica e Elétrica HPF Engenharia
Otimização Energética OTEC
Paisagismo da praça Mauricio Alito
Proprietário Instituto Jatobás
Implantação, plantas cortes e elevações constam no Anexo D
Mais Fotos constam no Anexo E
Figura 6.1 - Centro de cultura Max Feffer - (Corbioli 2009)
44
6.4 Sustentabilidade no Centro de cultura Max Feffer
A construção do edifício abriga diversas iniciativas sustentáveis, que foram
desenvolvidas por iniciativa do Instituto Jatobás, da Arquiteta Leiko e dos
profissionais envolvido, sempre com base na certificação LEED e com assessoria da
empresa OTEC que presta serviços para a otimização energética. As iniciativas
sustentáveis serão descritas a seguir.
6.4.1 – Implantação e projeto
O terreno onde o projeto foi implantado, foi cedido pela prefeitura de Pardinho,
sendo sua escolha feita em conjunto com com a prefeitura, o inst. Jatobás e a
arquiteta.
A implantação foi definida garantindo a menor impermeabilização possível, e
garantindo assim a maior permeabilidade do solo e área livre para praça.
No projeto de autoria da Arq. Leiko Motomura, teve como partido os critérios de
sustentabilidade ambiental, e atender as regras para a certificação LEED Platina. A
arquiteta já havia desenvolvido outros projetos com o uso do bambu, é isso
provavelmente influenciou na escolha da profissional.
Por ser um centro de cultura, e ter a intenção de servir como referência ambiental, o
Centro de Cultura Max Feffer teve iniciativas no uso de alguns materiais que um
empreendedor do setor privado não teria, como por exemplo; a utilização de
resíduos, ou materiais reaproveitados, que em alguns casos podem impedir
padronizações, exigem alguns cuidados com a qualidade e eficiência, além de ter
menos trababilidade e portanto mão de obra mais cara.
O projeto foi desenvolvido com o auxilio do consultor que desenvolvera o processo
para certificação LEED, esse profissional acompanha todo o trabalho, de toda a
equipe de projeto, determinando diretrizes que poderão fazer parte do processo de
certificação.
45
A construção do edifício se dá de forma convencional, sendo as fundações em
tubulão, estrutura principal em concreto armado. Os cuidados com a obra que
envolvem a certificação estão mais envolvidos no que diz respeito ao terreno, quanto
a contaminação, movimento de terra, aproveitamento de resíduos, e destinação
correta das sobras e entulho.
A obra foi feita por uma construtora, que foi contratada para todo o processo e foi
responsável pela mão de obra.
O desempenho e eficiência dos sistemas sustentáveis do edifício, são sempre
medidos, em comparação com o que é feito habitualmente, ou parametrizado pela
norma, por exemplo; a norma determina que para o dimensionamento do volume de
reserva de água de chuva em uma residência, se determine 200 l/dia/habitante, e 2
dias de reserva, no processo de certificação, é avaliado o sistema empregado, e se
por exemplo; o sistema de reaproveitamento de água de chuva me proporciona o
uso nos vasos sanitários, e isso uma economia de 50 l/dia/habitante, isso
corresponde a 25% de economia, portanto se comprovado, a certificação LEED
pontuara o relativo a 25% de economia de água. O mesmo processo é feito para
todos os itens relativos a economia.
6.4.2 - Uso de fibras vegetais como o bambu e o eucalipto.
A estrutura que suporta o telhado (vigas e pilares) é feita em tora de eucalipto da
região, que é uma matéria prima renovável retirada de floresta de reflorestamento. O
telhado em si é composto por bambu vindo do Paraguai (na estrutura), material este
também renovável e sustentável e as telhas feitas com fibras vegetais e pintadas de
branco na superfície superior para aumentar a reflexão dos raios solares,
demonstradas na foto abaixo.
46
Bambu
Eucalipto
Figura 6.2 - Estrutura em eucalipto e bambu
O fato de se trazer o bambu de tão longe pode questionar a sustentabilidade desse
item, pois a distância torna o transporte caro e poluente, além de não incentivar o
uso de matéria prima local. Como o centro de cultura, tem como umas de suas
bandeiras o incentivo ao uso do bambu, que é atualmente plantada em outra área do
instituto, e ainda não existe matéria prima com as características necessárias no
Brasil, aceitou-se essa opção.
6.4.3 - Uso de tijolos solo-cimento
O solo-cimento é um material de baixo custo, feito a partir da mistura de solo, água e
cimento. A massa compactada em uma prensa endurece com o tempo, e em poucos
dias ganha consistência para o uso. O solo-cimento é uma evolução de técnicas de
construção, como o adobe e a taipa. A vantagem é que os aglomerantes naturais, de
características variáveis e instáveis, foram substituídos pelo cimento. Os tijolos não
precisam ser queimados, e por isso, são conhecidos como ecológicos.
47
Figura 6.3 - Parede de tijolos de solo-cimento
No projeto, os tijolos foram instalados tipo “espelho”, aproveitando a furação do tijolo
para ventilação natural dos ambientes.
Os tijolos podem facilmente serem fabricados na obra com matéria prima obtida no
próprio terreno e uso de uma prensa, isso não aconteceu no centro de cultura por
falta de tempo e espaço para armazenamento.
6.4.4 - Uso de tijolos e madeira de demolição
A obra utilizou-se de matéria prima obtida de demolições na região, aproveitando
tijolos de barro e madeira. Os tijolos de excelente qualidade e de tamanho não mais
produzido foram usados na parede de fundo do palco, e a madeira foi transformada
nos caixilhos de toda a obra, sendo possível observarmos nos caixilhos, as marcas
de prego originais do uso anterior.
48
Figura 6.4 - Caixilho feitos a partir de madeira de demolição
6.4.5 - Reuso de resíduo industrial e material de desmanche de ônibus
Os portões do edifício foram confeccionados a partir de resíduos da indústria, as
chapas remanescentes do processo de estamparia para peças metálicas foram
apenas emolduradas para formarem os portões do edifício. Já as barras de apoio de
passageiros de ônibus desmontados formam os guarda corpos e corrimãos de todo
centro de cultura.
Figura 6.5 - Portões feitos a partir de resíduos de estamparia
49
Figura 6.6 - Corrimãos de barras de ônibus
6.4.6 - Bancos e bebedouros com reuso de resíduos
Os bancos da grande mesa foram feitos utilizando-se resíduos de demolição
(colunas de pias de banheiro) e os bebedouros da praça utilizam rodas de arado
substituídas por desgaste e encontradas em ferro velho.
Figura 6.7 - Bancos de colunas de pias de banheiro
50
Figura 6.8 - Bebedouros de rodas de arado
6.4.7 - Reuso de água cinza e de chuva
As águas cinza (originadas das pias e chuveiros) e toda água de chuva do terreno
ou que cai do telhado é captada e conduzida para o sistema de micro filtragem, onde
passa por pré-filtragem em uma caixa de brita nº 2, e micro filtragem com carvão
mineral e vegetal, passando para uma caixa de desinfecção onde recebe cloro a
partir de um dosador automático e parte para a cisterna e caixa d’água superior para
posterior uso nas bacias sanitárias. Só é lançado em via publica a água que excede
a capacidade do sistema.
51
Figura 6.9 - Sistema de filtragem de águas cinza e de chuva
52
Figura 6.10 - Filtro de carvão e dosador de cloro
6.4.8 - Metais hidrosanitários econômicos e mictório seco
Todos dos vasos sanitários do edifício são com caixa acoplada e duplo
acionamento, com fluxo de 3 e 6 litros de água, conforme a necessidade. As
torneiras possuem sistema hidromecânico de fechamento automático e os mictórios
não utilizam água nem produtos químicos, o sistema se baseia em um sifão que
capta os odores e que funciona da seguinte forma: quando a urina entra na parte
interior do cilindro, ela aciona uma bóia hidrostática que fecha o sifão na parte
superior.
Figura 6.11 - Sanitários com caixa acoplada e duplo acionamento
53
Figura 6.12 - Torneiras de fechamento automático
Figura 6.13 - Mictórios não utiliza água nem produtos químicos
54
6.4.9 - Uso do descarte da zona de raízes para irrigação do jardim
O sistema zona de raízes é empregado com sucesso na purificação natural de
efluentes residuais da fossa séptica. O processo consiste na despoluição da água
através da implantação de juncos na área a ser tratada, pois várias destas espécies
possuem grande capacidade de desenvolvimento nas condições de baixa
oxigenação dos solos saturados de água. Fornecendo oxigênio pela raiz, o junco
cria condições ideais para as bactérias, que se alimentam de matéria orgânica. Ao
contrário dos sistemas convencionais, este método faz com que os dejetos sejam
quase que completamente processados e transformados em materiais inofensivos e
até mesmo úteis para o desenvolvimento das plantas. Este processo é natural e não
necessita energia externa.
O tamanho da instalação foi determinado por 4 fatores: o volume em m³; a DBO
(Demanda Bioquímica de Oxigênio) da água a ser tratada; as análises do solo e as
exigências dos Órgãos do Meio Ambiente.
A instalação possui vida útil de aproximada de 50 anos. O fator que limita este tempo
é, principalmente, a saturação do solo com fosfatos. Além disso, a presença de
grande quantidade de metais pesados ou desejos? tóxicos na água também pode
diminuir o tempo de duração da instalação. Nestes casos, o solo deverá ser
removido e substituído com novos substratos, isto fará com que o tratamento esteja
pronto para novos 50 anos.
A água proveniente da zona de raízes é usada na irrigação de jardins e áreas
gramadas e em uma fonte localizada na praça a uma cota mais baixa. O sistema
ainda não está completo, pois ainda não foi plantando os juncos. O sistema de zona
de raízes e o aproveitamento da água remanescente do sistema na irrigação fazem
com que o edifício não tenha ligação de esgoto com o sistema publico.
55
Figura 6.14 - Projeto da zona de raízes
Figura 6.15 - Projeto da zona de raízes
56
Figura 6.16 - Área destina a zona de raízes, ainda sem as plantas
6.4.10 - Tinta à base de água e baixo VOC
Compostos orgânicos voláteis, representados pela sigla VOC’s, são todos os
compostos que possuem carbono na composição e temperatura de ebulição entre
50 e 260 ºC. Os VOC’s são considerados poluentes perigosos, sendo que alguns
deles são tóxicos e carcinogênicos. Portanto, a inalação destes compostos pode
produzir efeitos adversos e diretos na saúde humana, principalmente a exposição
em concentrações elevadas e por um longo período de tempo. Estes compostos são
liberados por materiais sintéticos usados em acabamentos de casas: aditivos de
pintura, vernizes, solventes de tintas. Em materiais decorativos (revestimentos como
carpetes e papéis de parede) e nos produtos de limpeza seca.
A concentração dos VOC’s fica mais intensa em ambientes fechados do que ao ar
livre. A maioria das pessoas permanece grande parte do tempo em seus
apartamentos, local de trabalho (escritórios), e escolas, todos estes locais são
abafados e favorecem a inalação de grandes porcentagens destes poluentes.
A exposição compostos orgânicos voláteis pode causar irritação nos olhos, nariz e
garganta e ainda provocar náuseas, vertigens e redução da força física (Mundo
Educação, 2009).
57
Na obra do Centro de Cultura Max Feffer foi utilizado tintas e vernizes com baixo
VOC.
6.4.11 - Parede Trombe
A parede Trombe é uma técnica de aproveitamento de calor, que consiste em um
sistema composto por um vidro exterior voltado para a face mais ensolarada, que no
caso do Centro de Cultura é a face norte, uma caixa de ar e uma parede de elevada
inércia térmica, que nesse caso é de pedra (gabião). Uma vez construída, a parede
trombe acumula o calor do sol recebe ar frio por baixo, e libera o ar quente por cima,
que é dutado até o interior do edifício.
Figura 6.17 - Planta baixa com tubulação para parede trombe
58
Figura 6.18 - Corte com tubulação e troca de ar da parede trombe
Figura 6.19 - Parede Trombe
Figura 6.20 - Detalhe do controle de ar interno
6.4.12 - Baixo consumo energético
O uso de sensores de presença nos banheiros, células fotoelétricas na iluminação
externa, células fotovoltaicas e iluminação com LEDs além de iluminação zenital
contribuíram para o baixo consumo de energia elétrica no edifício.
59
Figura 6.21 - Detalhe de poste de iluminação com painel fotovoltaico e Led
6.4.13 - Outras iniciativas sustentáveis
Outras iniciativas contribuem para a sustentabilidade do edifício e sua classificação
na certificação, como por exemplo; O fato de todo o piso da praça ser drenado para
o sistema de filtragem, o edifício ser aberto, o que favorece a ventilação natural, o
aumento do índice de absorção do terreno com criação de drenos de garrafa pet nas
periferias dos canteiros, o aumento da retenção de água com o plantio de 37 árvores
de médio porte na praça, a ocupação da construção de apenas 15% do total do
terreno, favorecendo a permeabilidade do solo, por 63% da área do terreno ser
composta por vegetação nativa, pela definição de locais para coleta seletiva de lixo,
pela separação de resíduos da obra de acordo com classificação e, destinação para
locais adequados para reciclagem ou utilização na própria obra.
6.4.14 - Utilização sustentável
Faz parte do projeto do Centro de Cultura Max Feffer o planejamento de suas
operações e eventos de forma sustentável. Exemplo disso será O 5º Festival da
Musica Raiz de Pardinho, o evento bastante conhecido na região atrai todos os anos
milhares de pessoas a cidade, e a partir de 2009 passará a ser sediado no Centro
de Cultura Max Feffer. Na sua primeira edição em novo endereço, o evento planeja
60
ser carbono zero, ou seja, está previsto a compensação do carbono gerado pelo
evento.
Isso se dará a partir do estudo de uma empresa especializada que levantará todo
carbono gerado na realização do evento, além da possibilidade dos visitantes, que a
partir da distância que viajaram para o evento, compram créditos de compensação
de carbono de sua viajem, os créditos vendidos além do levantamento de carbono
do evento será compensando com plantio de arvores que serão monitoradas e terão
seu crescimento garantido pela organização do evento.
61
7 A CERTIFICAÇÃO LEED PARA O CENTRO DE CULTURA MAX
FEFFER
O processo de certificação começou logo no inicio do projeto, com a consultoria da
empresa OTEC que presta serviços para a otimização energética e é a responsável
pelo processo de certificação LEED. Inicialmente, em reuniões entre o cliente,
projetistas e o consultor para certificação, fica estabelecido qual é o objetivo quanto
a classificação LEED que se pretende alcançar (certificado, prata, ouro ou platina),
esse processo é baseado em fatores como o custo, tempo, e por pesquisa previa
que orienta sobre possíveis pontos que podem ser ganhos a partir do terreno e
outras questões ligadas a localização.
O processo inicia-se com o registro do empreendimento no USGBC americano, e a
consultoria permanente da empresa consultora que formatará o processo de
certificação ao longo de todo o projeto, projetos complementares e tomadas de
decisões.
Concluído os projetos, inicia-se a obra que continua com a assessoria, que garante
que os critérios para certificação estão sendo seguidos, e registra os dados para
posterior processo para o USGBC.
Terminada a obra, a empresa contratada para a certificação elabora um processo,
onde classifica a obra, que no caso do Centro de Cultura é uma nova construção
(new construction) e que será classificado a partir da versão 2.2 do LEED. A versão
NC 2.2 determina que para ser certificado, o empreendimento deve satisfazer; 26 a
32 pontos para certificado, 33 a 38 pontos para prata, 39 a 51 pontos para ouro e 52
a 69 pontos para platina. Partiu-se com a intenção de se obter a classificação
Platina, e para isso o processo defendia a obtenção de 54 pontos, ou seja, 2 a mais
que o mínimo necessário.
O processo é composto pela planilha que constam os pontos requeridos, esses
compostos pelos pontos obrigatórios e os pontos alcançados. Cada ponto defendido
62
na planilha e complementado por um processo a parte (em inglês) com projeto,
fotos, textos e documentos que tentam provar que o ponto do item requerido é
realmente valido.
O processo de certificação está em andamento nesse momento, sendo que o
material já foi enviado e já recebeu resposta a primeira fase de questionamentos. O
processo foi enviado pretendendo alcançar a certificação platina, e para isso deve
alcançar no mínimo 52 pontos, o consultor que defende a certificação elaborou um
processo defendendo 54 pontos, ou seja 2 a mais que o mínimo necessário.
Na primeira resposta o USGBC, já concedeu 17 pontos, questionou 33 (pedindo
mais informações) e já negou 4 pontos.
Pelo fato do processo está ainda em processo, não foi liberada a planilha original
com a classificação requerida, somente 4 exemplos de como é defendido os itens
requeridos e os 17 pontos que foram reproduzidos na planilha abaixo.
Espaços Sustentáveis (14 Pontos possíveis)
Tabela de pontuação por Espaços Sustentáveis
Pré-requisito
Prevenção de Poluição na Construção
Obrigat.
Crédito 1
Seleção do Local
1
Crédito 2
Densidade Urbana e Conexão com a Comunidade
0
Crédito 3
Remediação de Áreas Contaminadas
0
Crédito 4.1
Acesso a Transporte Público
1
Crédito 4.2
Bicicletário e Vestiários
0
Crédito 4.3
Incentivo ao uso de veículos de baixa emissão de CO2
0
Crédito 4.4
Redução de área para estacionamento
1
Crédito 5.1
Proteção e recuperação das espécies locais
1
Crédito 5.2
Redução da área construída
1
Crédito 6.1
Controle de Enxurrada – Quantidade
0
Crédito 6.2
Controle de Enxurrada - Qualidade
0
Crédito 7.1
Redução do Efeito Ilha - áreas abertas
0
Crédito 7.2
Redução do Efeito Ilha – coberturas
1
Crédito 8
Redução da Poluição Luminosa
0
63
Eficiência no Uso de Água (5 Pontos possíveis)
Tabela de pontuação por Eficiência no Uso de Água
Crédito 1
Irrigação Eficiente Redução de 50%
0
Crédito 1.2
Irrigação Eficiente Redução de 100%
1
Crédito 2
Tecnologias de Reuso
1
Crédito 3.1
Redução no Uso de água Potável - 20%
1
Crédito 3.2
Redução no Uso de água Potável - 30%
0
Energia e Atmosfera (17 Pontos possíveis)
Tabela de pontuação por Energia e Atmosfera
Pré-req. 1
Comissionamento dos Sistemas de Energia do Prédio
Obrigat.
Pré-req. 2
Desempenho Mínimo no uso da Energia
Obrigat.
Pré-req.3
Não Uso de CFC’S
Obrigat.
Crédito 1
Otimização do Desempenho no uso de Energia
1 to 10
10.5% Prédios Novos ou 3.5% Prédios Reformados
0
14% Prédios Novos ou 7% Prédios Reformados
0
17.5% Prédios Novos ou 10.5% Prédios Reformados
0
21% Prédios Novos ou 14% Prédios Reformados
0
24.5% Prédios Novos ou 17.5% Prédios Reformados
0
28% Prédios Novos ou 21% Prédios Reformados
0
31.5% Prédios Novos ou 24.5% Prédios Reformados
0
35% Prédios Novos ou 28% Prédios Reformados
0
38.5% Prédios Novos ou 31.5% Prédios Reformados
0
42% Prédios Novos ou 35% Prédios Reformados
0
Geração Local de Energia Renovável
1 to 3
2.5% Energia Renovável
0
7.5% Energia Renovável
0
12.5% Energia Renovável
0
Crédito 3
Melhoria no Condicionamento
0
Crédito 4
Melhoria no Uso de Gases Refrigerantes
0
Crédito 5
Medições e Verificações
0
Crédito 6
Energia Verde
0
Crédito 2
64
Materiais e Recursos (13 Pontos)
Tabela de pontuação por Materiais e Recursos
Pré-requisito 1
Depósito e Coleta de Materiais Recicláveis
Obrigat.
Crédito 1.1
Reuso de materiais – Manut. 75% Paredes Forros e Coberturas
0
Crédito 1.2
Reuso de materiais - Manut. 100% Paredes Forros e Coberturas
0
Crédito 1.3
Reuso de materiais - Manut. 50% Paredes Forros e Coberturas
0
Crédito 2.1
Gestão dos Resíduos da Construção - Destinar 50% reuso
0
Crédito 2.2
Gestão dos Resíduos da Construção - Destinar 75% reuso
0
Crédito 3.1
Reuso de Materiais 5%
1
Crédito 3.2
Reuso de Materiais 10%
0
Crédito 4.1
Conteúdo Reciclado, 10% (post-consumer + 1/2 pre-consumer)
0
Crédito 4.2
Conteúdo Reciclado, 20% (post-consumer + 1/2 pre-consumer)
0
Crédito 5.1
Materiais Regionais 10% extraído, processado e fabricado
0
regionalmente
Crédito 5.2
Materiais Regionais 20% extraído, processado e fabricado
0
regionalmente
Crédito 6
Materiais de Rápida Renovação
1
Crédito 7
Madeira Certificada
1
Qualidade do Ambiente Interno (15 Pontos)
Tabela de pontuação por Qualidade do Ambiente Interno
Pré-requisito 1
Desempenho Mínimo na Qualidade de Ar Interno
Obrigat.
Pré-requisito 2
Controle do fumo
Obrigat.
Crédito 1
Monitoração de Ar Externo
0
Crédito 2
Aumento da Ventilação
1
Crédito 3.1
Plano de Qualidade do Ar, Durante a Construção
0
Crédito 3.2
Plano de Qualidade do Ar, Antes da Ocupação
0
Crédito 4.1
Materiais de baixa emissão, Adesivos & Selantes
0
Crédito 4.2
Materiais de baixa emissão, Tintas
1
Crédito 4.3
Materiais de baixa emissão, Carpetes
0
Crédito 4.4
Materiais de baixa emissão, madeiras compostas e agrofibras
0
Crédito 5
Controle de Poluentes e Produtos Químicos
1
Crédito 6.1
Controle de Sistemas – Iluminação
0
Crédito 6.1
Controle de Sistemas – Conforto Térmico
0
Crédito 7.1
Conforto Térmico, Projeto
0
Crédito 7.2
Conforto Térmico, Verificação
1
Crédito 8.1
Luz do dia e paisagem - 75% dos espaços
0
Crédito 8.2
Luz do dia e paisagem - 90% dos espaços
1
65
Inovação e Processo do Projeto (05 pontos)
Tabela de pontuação por Inovação e Processo do Projeto
Crédito 1.1
Inovação no Projeto – Insira o título
0
Crédito 1.2
Inovação no Projeto – Insira o título
0
Crédito 1.3
Inovação no Projeto – Insira o título
0
Crédito 1.4
Inovação no Projeto – Insira o título
0
Crédito 2
Profissional a crédito do LEED
0
Seguem 4 exemplos desse processo.
Pontuação obrigatória referente ao controle do fumo.
Qualidade do Ambiente Interno (15 Pontos)
Tabela de pontuação por qualidade do ambiente interno
Pré-requisito 2
Controle do fumo
Obrigat.
Para comprovar esse ponto, no processo constam fotos do edifício com as placas de
proibido fumar, e copia da lei estadual nº 13.541 /2009 que proíbe fumar em locais
de uso coletivo e sua tradução para o inglês, ficando assim defendido que o item é
atendido.
Pontuação referente à qualidade e controle do ar interno
Qualidade do Ambiente Interno (15 Pontos)
Tabela de pontuação por qualidade do ambiente interno
Crédito 5
Controle de Poluentes e Produtos Químicos
1
Um dos itens defendidos para a melhoria da qualidade do ar interno foi a adoção de
grandes capachos de polipropileno reciclado, o que diminuiria a quantidade de
material carregado nos pés dos usuários, e conseqüentemente a quantidade de pó e
material particulado no ar interno. Nesse documento é demonstrado com planta de
localização, descrição e fotografia que os capachos estão localizados em todas as
entradas. (apêndice F)
66
Espaços Sustentáveis (14 Pontos)
Tabela de pontuação por Espaços Sustentáveis
Crédito 4.1
Acesso a Transporte Público
1
Esse item se refere a proximidade e incentivo ao uso de transporte publico. E foi
defendido com um mapa que demonstra onde estão localizados os pontos de ônibus
mais próximos e de uma carta e sua tradução em inglês da empresa de transporte
publico com as linhas e horários dos ônibus. (apêndice G)
Materiais e Recursos (13 Pontos)
Tabela de pontuação por Materiais e Recursos
Pré-requisito 1
Depósito e Coleta de Materiais Recicláveis
Obrigat.
Para o atendimento desse pré requisito, foi adotado coleta seletiva, com lixeiras
publicas instaladas na praça e no processo demonstrado com plantas e fotos.
(anexo H)
67
8 CONCLUSÕES
Em uma época em cada vez mais se fala de sustentabilidade, eficiência energética e
meio ambiente, a certificação LEED surge como um norte que ajuda a direcionar
algumas iniciativas sustentáveis no setor da construção civil no Brasil. Não seria
verdade afirmar que o pensamento sustentável seja exatamente uma “novidade” na
construção civil brasileira, a muito se vê iniciativas que induzem a economia e a
eficiência. É exemplo disso a famosa arquitetura moderna brasileira que há tempos
faz bom uso de artifícios como o brise-solei, ventilação cruzada, iluminação natural,
fachada dupla e boa orientação solar, itens citados nas certificações e facilmente
observados nos projetos de Rino Levi (edifício Fiesp), João Figueiras (Hospitais rede
Sarah) e muitos outros. Nenhuns desses profissionais ao longo de seus projetos
pleiteavam um selo que certificasse seu projeto e sim eram motivados por ter um
bom projeto, com boa arquitetura, boa construção,
ambiente termicamente
agradável e características próprias ao seu entorno.
Esse trabalho não visa determinar culpados ou os caminhos da arquitetura e da
construção civil nacional ao longo do tempo, mas fica claro que de algumas décadas
para cá foram adotados padrões e características importadas, talvez por exigência
dos clientes ou iniciativas dos arquitetos, sem a adequada adaptação à realidade
brasileira os famosos edifícios envidraçados, tão eficientes em países frios por seu
efeito estufa e captação de calor, no Brasil são uma tragédia e até o advento do
vidro refletivo e tecnologia low-e, essa carga térmica elevada ficava a cargo do ar
condicionado.
Até que surgem os edifícios verdes, e as certificações, como o LEED, que parecem
resolver todos os nossos problemas como mágica. Alguns desses problemas, que
em minha opinião, não tínhamos quando o objetivo era o bom projeto e obra e não o
marketing e as vendas. Mais é fato inegável, que iniciativas sustentáveis e
preocupações com o consumo energético são boas e vem em boa hora, sendo elas
certificadas por um selo ou não.
68
A certificação ambiental LEED foi desenvolvida nos EUA, baseada nas
características territoriais, climáticas, de geração de energia e obtenção de água dos
EUA. Está em processo de tropicalização por um grupo brasileiro, mas atualmente é
utilizado no Brasil sem qualquer espécie de adaptação. Mesmo sendo baseado em
pontos e esses pontos em itens atendidos por eficiência e economia, a falta de
adaptação à realidade brasileira gera, no mínimo, desequilíbrio em itens que seriam
mais importantes no Brasil que nos EUA. Exemplo disso são os pontos dados a
economia de água e energia; tendo o Brasil mais água que os EUA, é possível que
esse item mereça modificação, além da geração de energia que no Brasil é
considerada mais “limpa” que nos EUA.
Por outro lado, questões sociais e de
relações trabalhistas, que nos EUA já não são um problema, no Brasil poderiam ser
levados em consideração. O LEED americano já pontua a descontaminação do
terreno e no Brasil poderia ser interessante que o LEED proporcionasse algum
favorecimento a empreendimentos que requalificassem áreas degradadas. Mas é
claro que o LEED não tem o papel de salvar o mundo e todas essas iniciativas
devem primeiro partir da administração pública.
O LEED teve boa aceitação no mercado brasileiro, principalmente pelas ações de
marketing nos empreendimentos imobiliários que cada vez mais envolvem ecologia
e meio ambiente. Como qualquer certificação, a exemplo as ISO’s, que são usadas
para demonstrar ao seu cliente que você realmente atende aos padrões, o LEED se
tornou uma eficiente ferramenta de marketing, já que qualquer iniciativa sustentável
pode ser tomada sem existir necessariamente um selo certificador.
Para o Centro de Cultura Max Feffer, que foi pensado e desenvolvido para ser um
centro de referência, a certificação LEED é mais um dos itens de divulgação e de
confirmação de que as iniciativas sustentáveis realmente funcionam e trazem
vantagens. Por ser um centro de cultura e ter a intenção de servir como referência
ambiental, o Centro de Cultura Max Feffer teve iniciativas no uso de alguns materiais
que um empreendedor do setor privado não teria, como por exemplo; a utilização de
resíduos e materiais reaproveitados, que em alguns casos podem impedir
padronizações, exigem alguns cuidados com a qualidade e eficiência, além de ter
menos trababilidade e, portanto, mão de obra mais cara.
69
No caso do Centro de Cultura Max Feffer, o alcance de suas atividades vai muito
além da sustentabilidade ambiental do edifício, pois o centro, e o Instituto Jatobás
promovem cursos, palestras, shows e atuam diretamente nos assuntos do município
como, por exemplo, a implantação de coleta seletiva e destinação para reciclagem
que já existe em todo município. O Centro de Cultura Max Feffer além de referência
em sustentabilidade ambiental, é referência em sustentabilidade social.
A presença do LEED em si, ou qualquer espécie de certificação não tem o poder de
resolver todas as questões relacionadas à sustentabilidade, mas serve como
catalisador e divulgador do pensamento sustentável. Como o LEED ajuda a
desenvolver processos, materiais e técnicas, vamos ter um dia, em que ser
sustentável vai ser o normal e corriqueiro, não mais a sustentabilidade econômica
vai guiar os projetos, e sim a ambiental. É exemplo disso as tintas com baixo VOC,
bacias com duplo fluxo de água, iluminação com LED, torneiras de fechamento
automático e tantas outras iniciativas que pertenciam a um protótipo de edifício
ecologicamente correto e que hoje são largamente utilizados.
70
9 REFERÊNCIAS
Balanço Energético Nacional. www.ben.epe.gov.br. 1 de 11 de 2009.
https://ben.epe.gov.br (acesso em 1 de 11 de 2009).
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revista téchne, 2007: 62-65.
Corbioli, Nanci. “Amima Arquitetura.” PROJETODESIGN, 2009: 38-42.
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em 15 de 06 de 2009).
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11 de 2009).
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http://www.centrodeculturamaxfeffer.org.br/sobre.html (acesso em 01 de 06 de
2009).
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Mundo Educação. www.mundoeducacao.com.br. 02 de 11 de 2009.
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(acesso em 02 de 11 de 2009).
Portal da Sustentabilidade . Um mundo sustentável - Ações individuais. 30 de 05 de
2009.
http://www.sustentabilidade.org.br/antigo/doku.php?id=portug:um_mundo_sustentav
el:individuo:individuo (acesso em 15 de 07 de 2009).
71
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2007. http://www.portaldoarquiteto.com/destaques-na-arquitetura/destaques-naarquitetura/leed_3.html (acesso em 04 de 05 de 2008).
revista techne. “Avaliação ambiental.” revista techne, 2009: 53 - 58.
Scheidt, Paula. Carbono barail. 03 de 10 de 2008.
http://www.agsolve.com.br/noticia.php?cod=736 (acesso em 20 de 03 de 2009).
Silva, Jaime. “Mais eficiência e menos desperdício.” FINESTRA (Arco Editorial Ltda.)
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Spatuzza, Alexandre. Revista Sustentabilidade. 05 de 05 de 2008.
http://www.revistasustentabilidade.com.br/s02/noticias/certificacao-leed-desconstroimitos-sobre-construcao-civil#>. (acesso em 15 de 06 de 2009).
SUSTENTABILIDADE. Editora Vespa.
<http://www.revistasustentabilidade.com.br/s02/noticias/certificacao-leeddesconstroi-mitos-sobre-construcao-civil#>. (acesso em 2009 de setembro de 2009).
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de 2009).
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2009).
72
APÊNDICE A - DIPLOMA LEED AP
73
APÊNDICE B – TABELAS ORIGINAIS USGBC
Tabelas de classificação originais USGBC para certificação LEED NC (nova
construção) em inglês.
74
75
APÊNDICE C – CHECK LIST – CERTIFICAÇÃO LEED NC
76
77
APÊNDICE D – PROJETO ARQUITETÔNICO.
Projeto 1 - Implantação
78
Projeto 2 - Planta do pav. Térreo
79
Projeto 3 - Planta do pav. Superior
80
Projeto 4 - Cortes transversais
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Projeto 5 - Elevação longitudinal
82
Projeto 6 - Elevações transversais
83
APÊNDICE E – FOTOGRAFIAS.
84
85
86
APÊNDICE F – QUALIDADE DO AMBIENTE INTERNO.
87
APÊNDICE G – ESPAÇOS SUSTENTÁVEIS - ACESSO A
TRANSPORTE PÚBLICO.
88
APÊNDICE H – DEPÓSITO E COLETA DE MATERIAIS RECICLÁVEIS.
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ANEXO A – OUTROS EDIFÍCIOS CERTIFICADOS NO BRASIL
Eldorado Business Tower
Aflalo & Gasperini
Integrado ao Shopping Eldorado por uma passarela vedada com vidro, o Eldorado
Business Tower está localizado em área estratégica, que proporciona vista para a
avenida Nações Unidas, o Jockey Club e as regiões dos Jardins, da Faria Lima e da
avenida Paulista. Trata-se de uma torre de 141 metros de altura e 33 pavimentostipo - com áreas variando entre 1.950 e 2.004 metros quadrados -, dotada de
sofisticada tecnologia construtiva e engenhosas soluções de ocupação e circulação.
O projeto de arquitetura criou um térreo elevado, definido como ponto principal de
circulação. Nessa cota foram implantados uma grande praça, a passarela de
integração com o centro de compras e os acessos ao hall do edifício. A conexão
entre esse térreo e o nível da rua é feita por elevadores e escadas rolantes, estas
protegidas por uma caixa de vidro. A volumetria da edificação foi estudada de forma
que transparecesse certa leveza e se reduzisse o impacto que sua massa pudesse
causar. As fachadas ganharam soluções que intercalam grelhas brancas e lâminas
de vidro - volumes em balanço vedados com vidros verdes avançam na parte inferior
das fachadas com grelhas e quebram visualmente a altura, segundo o arquiteto
Roberto Aflalo Filho.
Eldorado Business Tower
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A caixa de vidro protege as escadas rolantes que ligam a rua ao térreo elevado, onde se dá o acesso
ao hall do edifício
No revestimento do hall e outras áreas internas foi aplicado o vidro iron free termolacado branco, com
película de segurança
Texto resumido a partir de reportagem de Cida Paiva e Jaime Silva
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 53 Junho de 2008
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Edifícios de escritórios, São Paulo
Aflalo & Gasperini Arquitetos
Vista para o empreendimento e para a estação ferroviária do Morumbi, a partir da margem oposta do
rio Pinheiros
Localizado na marginal do rio Pinheiros, o Rochaverá é um empreendimento da
categoria triple A e conjuga com habilidade linhas simples e arrojadas na volumetria
das fachadas. Formado por quatro torres, das quais duas já foram concluídas, ele se
diferencia pela implantação com praça de caráter semipúblico, aberta aos pedestres,
e por atender a requisitos de sustentabilidade que lhe garantiram uma das primeiras
certificações LEED do Brasil.
Implantado em uma grande gleba entre a marginal do rio Pinheiros e o Morumbi
Shopping, o Rochaverá Corporate Towers destaca-se como um dos primeiros
empreendimentos corporativos do país a conquistar a certificação Leadership in
Energy and Environmental Design (LEED), do United States Green Building (USGB).
Durante a fase de projeto, alcançou a pré-certificação na categoria ouro,
classificação a ser confirmada por auditoria de avaliação dos sistemas em
funcionamento. O conjunto recebeu em 2008 distinções como o Prêmio AsBEA na
categoria edifícios de serviços e o Prix d’Excellence como projeto sustentável,
concedido pela Federação Internacional das Profissões Imobiliárias (Fiabci). Além de
reunir diferenciais tecnológicos e de sustentabilidade, o empreendimento apresenta
arquitetura arrojada, com uma volumetria de impacto que o torna um dos mais
interessantes exemplos de edifícios de escritórios da atualidade no Brasil.
92
Quando totalmente concluído, o Rochaverá será formado por quatro torres com mais
de 120 mil metros quadrados de área de carpete. As duas primeiras concluídas,
chamadas torres A e B, possuem basicamente o mesmo projeto, com 16
pavimentos-tipo, fachadas inclinadas e lajes maiores nos andares superiores. A
principal diferença entre elas está nas plantas, que são espelhadas. A parte já
inaugurada compreende ainda as praças de acesso e central. Passando agora por
sua segunda etapa, os trabalhos em andamento abrangem a terceira edificação e os
demais subsolos. “A torre D é a menor das quatro. Ela está em início de obras e já
tem ocupante definido”, ressalta Roberto Aflalo, um dos autores do projeto. A
terceira fase, cujo cronograma está em detalhamento, prevê a construção do
edifício-garagem e da torre C, a maior de todas. Somente na última etapa será
implantada a grande praça entre as unidades A e D, formando uma área 100%
permeável, a ser ocupada por jardim e bosque com árvores de grande porte.
As fachadas são divididas em dois elementos verticais bem definidos: os menores apresentam
fachada-cortina e os maiores são marcados horizontalmente pelos peitoris pré-fabricados de concreto
com revestimento de granito
Texto de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 350 Abril de 2009
93
Edifícios de escritórios, São Paulo
Edo Rocha Espaços Corporativos
O empreendimento é formado por dois edifícios que combinam linhas retas e curvas
Passarelas unem edifícios com áreas de laje diferentes
Para o condomínio WTorre Nações Unidas, Edo Rocha optou pela implantação de
dois edifícios menores e com diferentes gabaritos, em escala inferior à dos demais
prédios da região. As fachadas paginadas com laminado melamínico de alta
resistência e painéis de ACM estabelecem identidade própria para o conjunto, que
deve receber certificação LEED para o núcleo e os envoltórios. A interligação por
meio de passarelas e duas opções em área de laje visam dar mais flexibilidade à
locação.
Dois novos edifícios, relativamente baixos em comparação com os demais do
entorno, chamam a atenção de quem passa pela marginal do rio Pinheiros, nas
proximidades da ponte Eusébio Matoso. O empreendimento é o WTorre Nações
Unidas, marcado por grandes recuos que atendem à legislação - devido à presença
de uma vila na parte posterior direita do lote e ao posicionamento frontal à grande
avenida. Ocupando a porção central do terreno, os prédios têm 13 pavimentos-tipo
94
(com altura equivalente a 17 andares) e dez pavimentos-tipo e cobertura (gabarito
correspondente a 14 pisos).
O empreendimento pleiteia a classificação Prata do LEED, conferida pelo United
States Green Building Council (USGBC), na categoria que abrange o conjunto
formado por núcleo e envoltórios.
Entre os recursos sustentáveis da edificação estão sistema de captação e
tratamento das águas pluviais, que são destinadas aos sistemas de irrigação e de ar
condicionado, coberturas verdes que liberam a água da chuva gradativamente e
fachadas com menos de 50% de área translúcida a fim de reduzir a entrada de calor
e o consumo de energia com o condicionamento do ar. Adicionalmente, foram
empregados vidros importados de nova geração que apresentam elevados índices
de transmissão luminosa e baixos níveis de absorção de calor. “No início das obras
os fornecedores ainda não estavam estruturados para atender aos parâmetros
exigidos pelo LEED”, explica Halluli.
Outras características do empreendimento são as fachadas iluminadas por leds,
geradores que atendem 100% às necessidades operacionais e ar condicionado
insuflado pelo piso elevado.
Texto de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 350 Abril de 2009
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Edifício Cidade Nova - RJ
Ruy Rezende
Corte esquemático - análise de reflexão de calor - Sistemas geram economia de energia
Em vez de uma ilha de calor, uma ilha de sustentabilidade. O projeto do edifício
Cidade Nova, no Rio de Janeiro, adotou todos os conceitos que garantem seu
credenciamento com o selo LEED, do United States Green Building Council
(USGBC), com destaque para o sistema de ar condicionado insuflado pelo piso.
O prédio tem fachadas duplas, vidros de baixa emissividade e clarabóia com
persianas movimentadas por controle remoto, mas os dispositivos que o tornam
sustentável vão muito além. São decisões tomadas na fase de projeto que resultam
em eficiência não apenas energética, como econômica e de menor impacto
96
ambiental, a partir dos sistemas utilizados. Dos projetos à execução do edifício,
todos os cuidados foram tomados. Na etapa de fundação, foi prevista a
descontaminação do solo e o descarte apropriado do lixo e do entulho. Um
programa de coleta seletiva e reciclagem de materiais permitiu que todo o resíduo
gerado pela obra fosse selecionado e encaminhado para empresas de reciclagem
credenciadas. Para otimizar o uso da água foram implantados sistemas de coleta
pluvial e da condensação do sistema de ar condicionado, que atendem a cerca de
40% do consumo diário do Cidade Nova, segundo informações do arquiteto Ruy
Rezende, autor do projeto de arquitetura.
Mas a implantação de todos esses dispositivos teria sido em vão, não fosse o foco
direcionado para o sistema de ar condicionado, projetado para garantir a redução da
emissão de CFC pela escolha do gás, a eficiência energética do próprio
equipamento e a geração de água gelada por múltiplos chillers a ar, com ampla
capacidade de modulação. Com isso, otimizou-se o desempenho daquele que é
apontado como o grande vilão quando o assunto é a eficiência energética das
edificações, responsável, segundo estudos, por cerca de 50% a 60% do consumo de
energia em um prédio do porte do Cidade Nova.
O sistema de condicionamento do ar implantado no edifício é do tipo água gelada
com distribuição de ar predominantemente pelo piso, com volume variável. Os
ventiladores de distribuição de ar são acionados por variadores de freqüência com
redução da vazão em carga parcial, economizando energia. O que diferencia esse
sistema daqueles normalmente utilizados em edifícios comerciais é o insuflamento
pelo piso, com elevada eficiência, tanto de energia quanto de qualidade do ar. "Essa
solução resulta em economia de energia em torno de 25% em relação ao processo
convencional", explica o engenheiro Edison Tito Guimarães, diretor geral da Datum,
empresa responsável pelo projeto de ar condicionado do Cidade Nova.
O ar é insuflado pelo piso e tem retorno pelas frestas, no fundo das luminárias e,
depois, pelo entreforro, até as casas de máquinas, em altura considerada zona de
conforto térmico para o ser humano. Com isso, segundo Guimarães, obtém-se
rendimento melhor do que aquele proporcionado por dutos instalados em tetos e
paredes - a qualidade do ar é melhor, com redução no consumo de energia, já que o
97
condicionamento atende somente a área ocupada (até 1,80 metro). Sensores de
temperatura, instalados em áreas preestabelecidas, captam a temperatura do
ambiente e acionam o sistema de automação, aumentando ou diminuindo a vazão
de ar até chegar ao índice de conforto. O próprio piso elevado funciona como um
duto plenum, que são câmaras pressurizadas positivamente, com pressão superior à
do ambiente, tendo a função de garantir o escoamento homogêneo do ar.
Além do condicionamento normal, foram projetados sistemas de tratamento do ar
exterior por filtragem e desumidificação, pressão positiva e uso de barreiras
progressivas de resíduos, que garantem o conforto ambiental. O aproveitamento
máximo dos vidros contribuiu, igualmente, para o conceito sustentável. Fachadas
estanques e duplas colaboram com o desempenho térmico e acústico. Houve ainda
o cuidado do tratamento do ruído interno por suas diversas fontes geradoras, como
casas de máquinas, auditórios e espaços corporativos. Foram implantados grupos
distintos de elevadores para atender aos subsolos e andares-tipo, de forma que todo
acesso realizado pelo subsolo tenha de fazer, necessariamente, baldeação no
térreo. Isso reduz o trajeto dos elevadores dos andares-tipo e otimiza as paradas.
Se comparado com um edifício construído nos moldes tradicionais, um green
building como o Cidade Nova proporciona redução de 75% de resíduos gerados pela
obra, de 30% no consumo de energia, 35% na emissão de CO2, 30% a 50% no
consumo de água, 40% em custos com condomínio e manutenção, segundo dados
apresentados pelo escritório de arquitetura. De acordo com Ruy Rezende, para
construir no Brasil uma edificação alinhada com as exigências de um green building,
o investimento adicional é de cerca de 10% (nos Estados Unidos essa porcentagem
já está em 7%), mas o retorno previsto ocorre em apenas dois anos.
Texto resumido a partir de reportagem
de Cida Paiva
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 54 Setembro de 2008
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Sidonio Porto Arquitetos Associados
Centro de treinamento, São Gonçalo, RJ
Um pátio coberto ocupa a parte interna do encontro dos dois lados do L
Com pé-direito triplo, pátio coberto articula prédio em forma de L
Inaugurado no início de 2009, o Centro de Integração do Comperj tem como função
formar e treinar mão de obra para trabalhar nas instalações industriais do futuro
complexo petroquímico da Petrobrás. O escritório Sidonio Porto Arquitetos
Associados, de São Paulo, é autor do projeto da edificação, para a qual a estatal
pretende obter a certificação de construção sustentável.
São Gonçalo, a segunda maior cidade do Rio de Janeiro em número de habitantes,
atrás apenas da capital, integra a região metropolitana e é um dos municípios que se
encontra sob a área de abrangência do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro
(Comperj), que a Petrobrás está implantando na vizinha Itaboraí. Quando pronto, o
Comperj processará cerca de 150 mil barris diários de óleo pesado nacional - e a
estatal estima que, com a instalação de outras indústrias na região, serão gerados
cerca de 212 mil postos de trabalho.
99
Parte desses empregos requer mão de obra especializada e o Centro de Integração
do Comperj, desenhado por Sidonio Porto Arquitetos Associados, deverá suprir essa
demanda. O escritório foi vencedor de concorrência realizada pela Petrobrás, da
qual participaram outros quatro estúdios de arquitetura.
O município de São Gonçalo é extremamente adensado, carente de arborização e
de melhor qualidade em seus espaços urbanos, avalia Márcio Porto, sócio do
escritório. Ainda que em escala reduzida, o projeto do centro pretende ser indutor de
uma qualificação desses aspectos, além de atender ao programa.
A preocupação com a eficiência energética começou pela disposição do edifício no
terreno, implantado de forma a minimizar a incidência da luz solar nas fachadas. As
faces mais sujeitas a ela são protegidas por brises automatizados, que, segundo
Porto, podem ser programados para operar de acordo com variação da insolação ao
longo do ano. A cor dos vidros das fachadas também foi especificada para evitar que
o calor penetre no interior do prédio. A pintura das paredes e da cobertura na cor
branca foi outra medida adotada nesse sentido.
Nas áreas externas, a pavimentação é totalmente permeável. Abaixo do nível do
solo, foram instaladas cisternas: uma para armazenar a água da chuva, para reuso
em descargas de sanitários e em irrigação; a outra com água potável, que abastece
o conjunto em caso de falha de fornecimento na rede pública. O centro conta
também com uma estação de tratamento de esgotos, e a água depurada no
processo retorna às instalações internas para reutilização. No topo do edifício há três
caixas d’água, uma para água potável, outra para água de chuva e a terceira para a
água proveniente do tratamento de esgoto.
Márcio Porto acrescenta que o edifício está em processo de certificação LEED - é a
Petrobrás que está pleiteando o documento.
Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 354 Agosto de 2009
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certificação ambiental na construção civil - leed