1 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” FACULDADE INTEGRADA AVM PSICOMOTRICIDADE: O CORPO E SUA EXPRESSIVIDADE Por: Ilza Maria Pontes de Lima Orientadora: Profª. Ms. Fátima Alves Rio de Janeiro 2011 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” FACULDADE INTEGRADA AVM PSICOMOTRICIDADE: O CORPO E SUA EXPRESSIVIDADE Apresentação de Candido Mendes obtenção do monografia como grau à requisito de Psicomotricidade. Por: Ilza Maria Pontes de Lima. Universidade parcial para especialista em 3 AGRADECIMENTOS A todos que contribuíram para eu chegar até aqui, em especial, aos meus mestres queridos: Simone e Fátima Alves. 4 DEDICATÓRIA Aos meus pais pelo incentivo e apoio que sempre me deram aos estudos. 5 RESUMO O objetivo deste estudo é refletir sobre a psicomotricidade: o corpo e sua expressividade, com intuito de uma ação prazerosa, tendo o toque como um dos pontos importantes da psicomotricidade para o desenvolvimento da capacidade sensitiva. O foco é observar as diferentes formas expressivas das mulheres na academia de ginástica localizada; e identificar como elas se relacionam com suas expressões corporais, e também na dança, quando convidadas a descontraírem, após as aulas, sem a pretensão de alcançar resultados específicos. Para atingir tal objetivo, a metodologia aplicada foi à qualitativa pautada nos fundamentos da psicomotricidade, apoiados nas áreas básicas da imagem do corpo, aliado a um trabalho de campo, por meio de um questionário com perguntas abertas, com alunas de uma academia, de pequeno porte. Concluiu-se que não se pode entender a psicomotricidade, em sua totalidade (pensamento, movimento e afetividade), se não se levar em conta fatores de ordem emocional (experiências vividas no mundo exterior e as que são internalizadas, gerando construção do mundo interior de cada um). E que hoje, a prática de atividade física está ligada à perspectiva social da cultura e qualidade de vida. 6 METODOLOGIA A metodologia a ser utilizada para este estudo é a abordagem qualitativa por partir do fundamento de que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito. O objeto não é um dado inerte e neutro; está possuído de significados e relações que os sujeitos concretos criam em suas ações. (TAVARES, 2003, p.40-41). O cenário do estudo será uma academia de pequeno porte, localizada no município Rio de Janeiro. Possui atividades como: ginástica localizada, aeróbica, musculação, aero-jump, alongamento, dança de salão, dança do ventre, lutas dentre outras atividades. Será elaborado um roteiro de perguntas contendo questões abertas sobre o trabalho desenvolvido na academia junto a alunas que participam das aulas de ginástica localizada e dança. Os sujeitos do estudo são pessoas que fazem parte do cenário do estudo: grupo de alunas da academia que fazem ginástica localizada e dança. Observar a expressividade do corpo dessas alunas e, as respostas dos questionamentos. O grupo escolhido será o informante-chave deste estudo, para conseguir levantar qual a visão que esse grupo possui do tema em pauta, e como vêm lidando com o corpo em seu cotidiano, depois de terem entrado para o grupo de ginástica localizada, acompanhada de dança. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I - Conhecendo a Psicomotricidade: um breve estudo 15 CAPÍTULO II - A Psicomotricidade Relacional 22 CAPÍTULO III – Corporeidade: um novo olhar 30 CONCLUSÃO 48 ANEXOS 52 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 56 OUTROS SITES CONSULTADOS 64 ÍNDICE 65 FOLHA DE AVALIAÇÃO 66 8 INTRODUÇÃO Se a psicomotricidade baseia-se na relação de componentes como: pensamento, movimento e afetividade e, as academias, repletas de seres humanos que também buscam o equilíbrio entre estes componentes, mesmo que inconscientemente, nas aulas de ginástica localizada, musculação, dança dentre outras. Desse modo, de que forma a psicomotricidade contribui com o sujeito em seu processo de conhecimento corporal visando o seu equilíbrio? A psicomotricidade chegou ao Brasil na década de 80, dando início uma era científica, para “auxiliar e capacitar o indivíduo através do seu desenvolvimento motor”. (ALVES, 2003, p.9). Pensando nisso, as academias que surgiram na década de 80, como uma febre do bem-estar físico, tornou-se mania mundial. Levou ao boom das academias de ginástica e musculação. Parecia um modismo, persiste até hoje. No entanto, dando ênfase com o fim de moldar o corpo. Essa ênfase produz pessoas desequilibradas, entre o corpo e o intelecto. E assim, perde-se a conexão com o corpo: tato e inteligência de discriminar; olfato e respiração; visão e compreensão do mundo; audição e sentimentos sonoros; paladar e experiência cultural (MONTAGU, 1998). Séculos de negação reduziram a experiência corporal, toda a sua riqueza e sensualidade, a algo mecânico. Neste estudo, a atenção estará voltada à psicomotricidade, por apresentar um novo olhar para atividades que ocorrem em academias, como ginástica localizada e dança, podendo obter um resultado integrado do indivíduo. Ou seja, estimular a capacidade sensorial das pessoas adultas, que fazem academia, uma nova prática e maneira de fazer exercícios, enquanto corpo sensitivo, desfrutar o prazer corporal em sua relação consigo mesmo e com o mundo, possibilitarem a se comunicarem, aprenderem e sentirem melhores. Apesar de não existirem trabalhos específicos que trate da psicomotricidade em academias, mas ela está presente nos exercícios físicos, 9 “no toque, como forma de aproximação das pessoas” (Alves, 2003, p.137). Aliás, encontram-se referências de trabalhos realizados em Educação Física, Clínica (reeducação, terapia), consultoria e supervisão, além disso, a psicomotricidade, aos poucos, está se caracterizando não apenas como um trabalho reeducativo, mas também, técnica instrumental que dá vez à globalidade corporal, dando importância a relação, a emoção e a afetividade.(ALVES, 2007). É bom lembrar que no início a psicomotricidade era voltada para estudo médico, mais precisamente, neurológico, para nomear as zonas do córtex cerebral situadas mais além das regiões motoras. Mas, sua premissa básica é a integração mente-corpo, especificamente, a integração entre processos mentais e motricidade. Ela propõe uma forma de perceber o homem como um todo onde mente e corpo funcionam juntos não podendo ser compreendidos sem um o outro. (GOMES, 2008). É nesse sentido que se pretende direcionar este estudo, para a psicomotricidade relacional, por oferecer reflexões acerca de acontecimentos cotidianos com questões de outras pessoas, como dificuldade de comunicação e de contato, inibição, hiperatividade, agressividade, limite, afetividade dentre outras. (WIKIPÉDIA, 2011). Vale lembrar que a psicomotricidade é uma ferramenta essencial para a compreensão do ser humano em sua globalidade. Atualmente, é um diferencial na atuação profissional, tornando-se indispensável em vários segmentos, dentre eles, o de academia de ginástica. É através do corpo que se mostra os desejos, as frustrações, as necessidades, desde a mais tenra idade. Como diz André Lapierre, “A qualidade da vida é a qualidade do ser, e não do ter”. (TORRES, 2011). Haja vista, que Lapierre, desde o início dos seus trabalhos, já dava devida importância à dimensão prática, chamada de “formação pessoal”, cujo objetivo era a preparação para a relação motora que viriam a desenvolver na relação com o outro. Considerando que as atividades lúdicas trazem à tona o imaginário a partir da expressão do inconsciente, o autor alerta sobre a importância do 10 envolvimento do adulto como parceiro da criança por meio do jogo simbólico, acompanhando-a no imaginário à medida que favorece a expressão de seus fantasmas e dos sentimentos atrelados a estes. Daí deriva a importância da vivência psíquica do adulto antecedendo à prática, para que não ocorra o risco de projeção de conteúdos próprios na criança. (OLIVEIRA, 2010). Sob esse aspecto, é interessante lembrar que a ciência Psicomotricidade possui diferentes técnicas e é uma das ferramentas da Educação Física, recebeu esta herança epistemológica de grandes nomes como André Lapierre, Jean Le Boulch, Bernard Aucouturier, Victor da Fonseca, entre outros que tiveram sua formação em Escolas de Educação Física. Há também grandes nomes da Medicina como Ajuriaguerra, Pierre Vayer, Henry Head e Paul Schilder cujo fascínio pela motricidade humana contribuíram com o alicerce da Psicomotricidade.1 Dessas escolas, pretende-se eleger as obras de André Lapièrre e Le Boulch. O primeiro, logo no início de sua carreira questionava a respeito da forma estereotipada como os exercícios são ensinados, interessando-se pela anatomia e fisiologia do movimento humano. Atribui relevância ao conteúdo arraigado no inconsciente individual e coletivo, ao que é transmitido de geração em geração. Já Le Boulch, seus ensinamentos mudaram para sempre a avaliação da Educação Física no aprendizado. Ele chegou à conclusão de que todo o movimento não acontece sozinho, pois toda a ação tem uma intenção expressiva ou funcional qualquer, gesto é sustentado por um significado, portanto, pode-se dizer que psicomotricidade é o movimento com inteligência.2 Ainda, Le Boulch aponta também correntes distintas na psicomotricidade. Enquanto uma aponta para a educação psicomotora, outra, para a terapia e reeducação psicomotora. Estas correntes apontam não só para diferentes intervenções, de um modo superficial, sob a perspectiva de mercado e atuação profissional, mas, sobretudo, de diferentes olhares. 1 Psicomotricidade: uma ciência a serviço da vida. Disponível em http://www.psicomotricidade.com.br/ Acesso em 28/3/2011. 2 A ciência do movimento humano perde Le Boulch. Fascículo 4. Jornal De Fato. 2ª edição. Março/abril de 2002. 11 (http://interacaomentecorpo.blogspot.com/2010/psicomotricidade-historicoe.html). Sob essa perspectiva, o objeto deste estudo está voltado para os potenciais humanos apoiados nas áreas básicas da psicomotricidade que valorizam o corpo, as sensações, as percepções e as emoções. O objetivo desta monografia é refletir sobre a psicomotricidade: o corpo e sua expressividade, com intuito de uma ação prazerosa. Tendo o toque como um dos pontos mais importantes para o desenvolvimento da capacidade sensitiva. O foco é observar as diferentes formas expressivas das mulheres na academia de ginástica localizada; e identificar como elas se relacionam com suas expressões corporais. Lembrando que o corpo diante das relações interpessoais é um dos principais objetivos da psicomotricidade. Para o desenvolvimento desta pesquisa, delimita a perspectiva para definir o método de estudo, a dimensão ampla e complexa do assunto, o objeto deste estudo será construído a partir do século XX. Situa-se aí a importância indiscutível de uma abordagem pluridimensional da matriz teórica da psicomotricidade (Fonseca, 2008). Portanto, este estudo não é somente relevante, do ponto de vista do conhecimento educativo numa academia de ginástica, estará ampliando a capacidade das pessoas se relacionarem com o mundo e de tomar consciência de si, enquanto sujeito corporal, que vivem em comunicação com o seu entorno. - Metodologia A metodologia a ser utilizada para este estudo é a abordagem qualitativa por partir do fundamento de que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito. O objeto não é um dado inerte e neutro; está possuído de significados e relações que os sujeitos concretos criam em suas ações. (TAVARES, 2003, p.40-41). 12 Acresce ainda a autora, que a delimitação do problema em pesquisa qualitativa não resulta de uma afirmação prévia e individual, formulada pelo pesquisador e para a qual recolhe dados comprobatórios. Ensina Tavares (Ibidem), baseados nos resultados de uma pesquisa qualitativa pode-se iniciar várias pesquisas quantitativas, que poderão ampliar a compreensão de um fenômeno complexo que se está investigando. Uma pesquisa científica pode apontar novos caminhos para a consciência do sensível. Sob esse aspecto, Alves (1985, p.65) traz uma contribuição, a partir da obra C. Wright Mills, sobre A imaginação sociológica: “A precisão não é o único critério para a escolha do método e não deve ser confundida, como ocorre com frequência, com o “empírico” ou o “verdadeiro”. Deveríamos ser tão precisos quanto formos capazes em nosso trabalho sobre os problemas objetos da nossa atenção. [...].” Segundo Alves (Ibidem), o rigor metodológico pode frequentemente, deixar de ser um ideal científico válido e se transformar num artifício institucional pelo qual as intuições mais criativas são bloqueadas. É necessário que se lembre de que o rigor metodológico é apenas uma ferramenta provisória. Lembrando que a escolha do problema é um ato anterior à pesquisa, que tem a ver com os valores do investigador. - Cenário do estudo Uma academia de pequeno porte, localizada no município Rio de Janeiro. Possui atividades como: ginástica localizada, aeróbica, musculação, aero-jump, alongamento, dança de salão, dança do ventre, lutas dentre outras atividades. 13 - Instrumento e coleta de dados Roteiro de perguntas contendo questões abertas sobre o trabalho desenvolvido na academia junto a alunas que participam das aulas de ginástica localizada e dança.( Anexos:II e III - Termo de Consentimento e Entrevista). - Sujeitos do estudo Os atores eleitos são pessoas que fazem parte do cenário do estudo: grupo de alunas da academia que fazem ginástica localizada e dança. Observar a expressividade do corpo dessas alunas e, as respostas dos questionamentos. O grupo escolhido será o informante-chave deste estudo, para conseguir levantar qual a visão que esse grupo possui do tema em pauta, e como vêm lidando com o corpo em seu cotidiano, depois de terem entrado para o grupo de ginástica localizada, acompanhada de dança. As questões a serem aplicadas aos sujeitos deste estudo são: Qual seu nome? Por que entrou para academia? Quantas vezes você costuma fazer ginástica localizada na semana? Quais as aulas de ginástica que mais gosta de fazer? E a que menos gosta, e por que? Tem encontrado alguma dificuldade em acompanhar o ritmo de uma das ginásticas? Qual movimento? Tem notado alguma diferença em seu estado físico e emocional? Qual o tipo de melhora tem percebido? Que tipo de satisfação vem sentindo depois que passou a enfrentar as aulas de ginástica localizada e a dança? Qual a percepção e o sentimento que vem tendo de você interiormente e de seu corpo? - Análise dos dados Minayo (1994) chama atenção sobre as finalidades da fase de análise, apontando três finalidades para essa etapa: estabelecer uma compreensão dos dados coletados, confirmar ou não os pressupostos da pesquisa e/ou responder às questões formuladas, e ampliar o conhecimento sobre o assunto pesquisado, articulando-o ao contexto cultural da qual faz parte. A interpretação qualitativa de dados, que Minayo (Ibid.) destaca o método hermêutico-dialético, isto é, a fala dos atores sociais. Essa compreensão tem como ponto de partida, o interior da fala. A partir de então, a 14 autora destaca dois pressupostos desse método de análise: o primeiro diz respeito à ideia de que não há consenso e nem ponto de chegada no processo de produção do conhecimento. Já o segundo se refere ao fato de que a ciência se constrói numa relação dinâmica entre a razão daqueles que a praticam e a experiência que surge na realidade concreta. A fim de atingir o objetivo proposto, está pesquisa será desenvolvida em três capítulos. O primeiro, conhecer um pouco a psicomotricidade, seus conceitos e definições, como também as mudanças gradativas que o culto ao corpo foi ganhando com o tempo nas academias de ginástica. No segundo, refletir a psicomotricidade relacional, seus conceitos e definições; e o terceiro, discutir a corporiedade: um novo olhar. Propõe-se uma reflexão dos conteúdos acima, e projetá-los à pesquisa de campo. (Para maiores esclarecimentos, Anexo I – Glossário ). 15 CAPÍTULO I CONHECENDO A PSICOMOTRICIDADE: UM BREVE ESTUDO “Psicomotricidade transforma o é uma pensamento neurociência em ato que motor harmônico. É a sintonia fina que coordena e organiza as ações gerenciadas pelo cérebro e as manifesta em conhecimento e aprendizado.” (SBP, 2003). 1.1 – Definições conceituais A palavra psicomotricidade tem sido usada para nomear três objetos qualitativamente distintos: um conjunto de conhecimentos (ciência), uma função ou processo do sistema nervoso e uma prática terapêutica. Como ciência tem por objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. É sustentada por três movimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto.3 Na área do conhecimento visa destacar a relação existente entre a motricidade, a mente e a afetividade e procura facilitar a abordagem global da criança por meio de uma técnica. (DE MEUER e STAES, 1989). Nesse sentido, De Meuer e Staes (1989) ressaltam que a psicomotricidade foi evoluindo. Começou estudar o desenvolvimento motor, depois a relação entre o atraso no desenvolvimento motor e o atraso intelectual 3 A psicocomotricidade. Sociedade Brasileira de Psicomotricidade. Disponível em http://www.psicomotricidade.com.br/apsicomotricidade.htm. Acesso em 19/4/2011. 16 da criança. Mais tarde, o desenvolvimento da habilidade manual e aptidões em função da idade para atualmente, estudar também as ligações com a lateralidade, com a estruturação espacial e a orientação temporal e as relações das dificuldades de aprendizagem escolares de crianças de inteligência normal. Os autores alertam também para a tomada de consciência das relações existentes entre o gesto e a afetividade, como por exemplo, o fato de uma criança segura de si caminhar de forma muito diferente de uma criança tímida. Desse modo, a premissa básica da psicomotricidade é a integração mente-corpo, com aponta Alves (2003, p.15), envolve toda a ação realizada pelo indivíduo, que represente suas necessidades e permitem sua relação com as demais. É a integração psiquismo-motricidade. A motricidade pode ser definida como resultado da ação do sistema nervoso sobre a musculatura, como resposta à estimulação sensorial. Especificamente, ela é a unidade psique-corpo no que se refere ao movimento – ação motora voluntária – do ser humano inserido no ambiente físico e relacional. Segundo Fonseca (2004, p.33) “a ação ou motricidade humanas só podem ser concebidas em psicomotricidade quando o componente motor se inter-relaciona dinamicamente com o componente emocional e com o componente cognitivo, na medida em que é essa interação neuropsicomotora que lhe fornece a característica intrínseca e única da sua totalidade adaptativa e evolutiva.” Nessa perspectiva, os estudos sobre o sistema nervoso são esclarecedores. Por exemplo, a proposição de Damásio (1996), segundo a qual o eu ou a subjetividade é um estado biológico constantemente reconstituído e não uma entidade imaterial. Não se trata de compreender a mente isolada do organismo (corpo e entorno), mas compreender que a mente emerge do organismo, das interações cérebro-corpo. (NÓBREGA, 2008, p.144). Também, a psicomotricidade, constitui o estudo relativo às questões motoras e psicoafetivas do ser humano. A mesma seria ao ponto de encontro entre a expressão motora (o que a pessoa faz) e a caracterização pessoalemocional de cada ser humano (o que a pessoa sente). (RIBEIRO, 2005) 17 Explicita Ribeiro (Ibidem), a educação motora tem como objetivo ampliar as possibilidades do uso significativo de gestos e posturas corporais, demonstrando assim, também o movimento humano, pois ele é mais do que simples deslocamento do corpo no espaço: constitui-se em uma linguagem que permite as pessoas agirem sobre o meio físico a atuarem sobre o ambiente humano, mobilizando as pessoas por meio de seu teor expressivo assim como levar as expressarem sentimentos, emoções e pensamentos. Além disso, hoje, a psicomotricidade, enquanto saber, está inserida principalmente nos cursos de Psicologia, Educação Física e Pedagogia, tendo já sido organizada como cursos de graduação e pós-graduação. Enquanto prática, a psicomotricidade é utilizada como terapia na reabilitação (ou habilitação) de pessoas com deficiências físicas ou mentais – provenientes de patologias neurológicas ou psíquicas – e também como recurso educativo nas escolas, seja por meio das aulas de educação física ou de atividades desenvolvidas pelos professores, principalmente, no segmento da educação infantil. (GOMES, 2008, p.6) Como disciplina, a psicomotricidade além de aprimorar e desenvolver a compreensão dos processos mente-corpo no que se refere à motricidade, busca desenvolver técnicas e intervenção (e prevenção) que permitam não só corrigir falhas no desenvolvimento psicomotor, mas também estimular e facilitar esse desenvolvendo assegurando um maior aproveitamento das suas potencialidades. (Ibidem). “Proporciona ao indivíduo a capacidade de ser, ter, aprender a fazer e a fazer, na medida em que se reconhece por interior, alcançando a organização e o equilíbrio das relações com os diferentes meios e a sua distinção. Relacionando-se com o mundo de forma equilibrada”. (ALVES, 2003, p.136). Lièvre e Staes (1989, citados por Nuñes e Vidal, 1994) conceituam a psicomotriciade como a posição global do sujeito. Pode ser entendida como a função do ser humano que sintetiza psiquismo e motricidade com o propósito de permitir ao indivíduo adaptar-se de maneira flexível e harmoniosa ao meio que o cerca. Pode ser entendida como um olhar globalizado que percebe a 18 relação entre motricidade e o psiquismo como entre o indivíduo global e o mundo externo. Também ser entendida como uma técnica cuja organização de atividade possibilite à pessoa conhecer de uma maneira concreta o seu ser e o seu ambiente de imediato para atuar de uma maneira adaptada. Outros autores, como Pierre Yayer (1984) relacionam à psicomotricidade a educação psicomotora dizendo ser uma ação pedagógica e psicológica. 1.2 – A psicomotricidade e o significado do corpo “Meu corpo não é apenas um conjunto de órgãos, nem o dócil executor das decisões da minha vontade. Ele é o lugar onde vivo, sinto, onde existo. Lugar de desejo, prazer e sofrimento, domicílio da minha identidade, do meu ser.” (LAPIERRE, 2002). A psicomotricidade vista até aqui se referiu a percepção que o indivíduo tem do mundo depende das suas atividades motoras. A posição e o status do corpo irá regular a sua percepção de mundo. Convém dizer que o sistema perceptual e motor estão sempre interagindo em grande parte das atividades motoras. O corpo é a referência. Ele é a primeira forma de visibilidade humana. O sentido de sua presença invade lugares, exige entendimento, propõe funcionamentos sociais, cria disciplina e desperta interesse de diversas áreas do conhecimento. Para compreensão detalhada sobre o significado que o corpo adquiriu com o tempo, é preciso recorrer à história. A sociedade capitalista, na produção e reprodução das relações de trabalho, marcou o corpo com seus signos de dominação. Os modelos corporais, construídos nas escolas, difundidos pela mídia, sempre foram um meio sutil de alienação. A medicina dividiu o corpo, cada parte sob a ação de um “especialista” e todas estanques entre si, embora ainda com a ideia de que a soma das partes se iguala ao todo. O corpo produz 19 alienadamente e consome alienadamente; vende-se a barra de chocolate e a aula na academia de ginástica e o carro que transporta até lá. No início do século XX, as pessoas viveram sob um modelo corporal que privilegiava as formas arredondas e cheias – durante muito tempo signos de feminilidade (fertilidade e maternidade). (FREITAS, 2004, p.58-59). Já na década de 60, ocorreu um incremento do ingresso de mulheres na universidade e no mercado de trabalho até então reservado aos homens, seus corpos tornaram-se produtivos: surgiu o modelo ultramagro. As mulheres ativas e dinâmicas de hoje têm filhas que são bombardeadas com modelos de feminilidade como a Barbie. Essa incoerência, básica do capitalismo, transforma o corpo em palco de luta entre desejos opostos, entre o que se quer e o que se dever ser – tanto o desejo quanto o dever sendo socialmente determinados. Dessa maneira, o corpo é controlado, pois, debatendo-se na busca vã de uma solução para o conflito, torna-se incapaz de superá-lo, ou seja, de perceber as implicações ideológicas que se armam como pano de fundo. (Ibidem, p.59). Se, na Idade Média, o principal aparelho de controle ideológico era a instituição igreja (ao lado da instituição família), o capitalismo vai conferir tal função à escola. A escola não apenas reproduz as relações de trabalho, mas igualmente as produz. São agentes na criação e recriação da cultura dominante. A escola, ao cindir a teoria e prática, valorizando o trabalho intelectual em detrimento do trabalho manual e das atividades físicas. É desse modo que a Educação Física é relegada ao status de “disciplina” menor, quando em confronto com outras “disciplinas”. (Ibidem, p.60). Segundo Freitas (2004, p.60 apud Castellani Filho, 1988), no Brasil, a Educação Física iniciou-se seguindo o modelo do corpo disciplinado e dócil. Dela lançaram mão os higienistas que, à procura de um corpo saudável, robusto e harmonioso organicamente com o qual pudessem identificar os ideais burgueses, recomendavam a prática de atividades físicas. Ao ideal higienista, veio somar-se o ideal eugênico, visando à construção racial de um tipo físico brasileiro branco, forte, saudável. Assim foram modelados os corpos masculinos e femininos, por meio de práticas diárias e atividades físicas 20 diferenciadas (que levassem em conta a fragilidade da mulher e sua função primordialmente materna). Desse modo, a Educação Física foi reproduzindo as relações sociais, inculcando nas classes trabalhadoras um ideal de corpo burguês. Já dizia Jung (Jung, 1989 apud Freitas, 2004, p.61), a tendência de toda postura extrema é reverter-se em seu oposto, até o ponto de equilíbrio. Na Educação Física, que durante tanto tempo tão bem coadunou-se ao modelo capitalista, começaram a surgir indícios não apenas de crítica a esse modelo, mas também de sua superação. É em fins dos anos 70, sai de cena a ginástica localizada, uma variação da calistenia — espécie de ginástica rítmica, sem uso de aparelhos, para dar beleza, força e vigor ao corpo — (Houaiss, 2009) para dar lugar ao retorno ao fisioculturismo, prática comum dos anos 50, silhueta hipertrofiada se tornava uma obsessão para homens, incentivados pelos filmes de Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Enquanto a musculação em aparelhos se desenvolvia lentamente, pistas, parques e praias eram invadidos pelos adeptos da “corpomania”. Desde então, o número de academias crescia, mas as aulas de ginástica aeróbica ainda atraíam mais mulheres do que homens. Quem não tinha tempo e disposição para se exercitar, se sentia culpado. Esse sentimento aumentava na mesma proporção em que livros de dietas milagrosas para perder peso chegavam às livrarias. Em 1985 é lançado no Brasil o livro “A dança aeróbica”, da professora americana Barbie Allen, cujo programa prometia a perda de até 500 calorias por hora. (MARINHO, 2000, p.666-667). No Rio de Janeiro, a professora Lígia Azevedo foi à pioneira na aeróbica e sua academia se tornou uma referência da nova modalidade. Lembrando que a ginástica leve, de movimentos leves e cadenciados e que se preocupava com as formas corporais e a higiene mental, perdeu espaço rapidamente. Logo, a aeróbica se transformaria na melhor alternativa para deixar o corpo bonito e saudável. O interesse das pessoas pela nova maneira de se exercitar cresceu tanto que inspirou o humorista Jô Soares a criar um personagem que passava boa parte do seu tempo numa academia. Na época, Jô Soares contracenava 21 com a Cláudia Raia, que deixava os homens excitados com seu corpo esculpido pela dança. No início dos anos 90, sempre seguindo a tendência americana, surgiram outras variantes da aeróbica, como o step training, que consiste em subir e descer de uma plataforma, seguindo a coreografia comandada pelo professor. Inicialmente, o step servia para testar a capacidade aeróbica. Como explica do Professor de Educação Física Jefferson da Silva Novaes, no livro “Ginástica em academia no Rio de Janeiro”, 1991, atividade começou a chamar a atenção quando a professora de Educação Física Gim Miller passou a aplicar a técnica para se recuperar de uma lesão no joelho, por ironia decorrente do alto impacto nas aulas de aeróbica. Quando subia e descia da plataforma, Gim observou que fortalecia a musculatura da região. E verificou também que, apesar de monótono, o treinamento no step causava menos impacto nas articulações. Esta foi a primeira vez que se começou a ver a ginástica de forma mais científica. Hoje, a prática de atividades físicas está invariavelmente situada nas perspectivas sociais da cultura e qualidade de vida. Qualidade de vida é a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e no sistema de valores nos quais ele vive, em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. (FERNANDES e NOVAES, 2004, p.35). Nessa dimensão, na psicomotricidade um olhar para o corpo, relata a importância desta ciência e deixa claro o seu auxilio em todos os modismos de prática de exercícios, valorizando o trabalho com o corpo. Permite à pessoa “sentir-se bem na sua pele”, que se assuma como realidade corporal, possibilitando a livre expressão de seu ser, de acordo com Oliveira (2001), o indivíduo não é feito de uma só vez, mas se constrói paulatinamente, através da interação com o meio e de suas próprias realizações e a psicomotricidade desempenha ai um papel fundamental. 22 CAPÍTULO II PSICOMOTRICIDADE RELACIONAL “Para entender o que o indivíduo tem a dizer é importante que o educador saiba fazer isto ESCUTAR.” (ALVES, 2003, p.60). 2.1 - Definições conceituais A linguagem falada é raciocinada, enquanto a corporal é expressa por sentimentos nas formas de movimentar e, as reações, falam muito mais do que a verbalização. Nessa direção, a psicomotricidade relacional trabalha uma série de problemas nas relações interpessoais, seja em comportamentos agressivos, inibidos ou passivos, seja em decorrência de fatores externos que dizem respeito ao processo de aprendizagem e socialização. Para maior entendimento do que é psicomotricidade relacional, faz-se necessário introduzir algumas ideias de Piaget e Wallon e, o método relacional de André Lapierre em relação às ideias de Henri Wallon e Jean Piaget. Piaget se preocupou em estudar a relação evolutiva da psicomotricidade com a inteligência. A educação psicomotora preconizada por ele forma-se com a intenção de estimular as crianças de forma adequada em cada fase do seu desenvolvimento. (MORO, MACHADO, BARRICHELLO, WINKELER, 2007). A concepção de Piaget se diferencia daquela adotada por Wallon, porque este, de acordo com Fonseca (1995, p.15), há uma preocupação do movimento humano relacionado como instrumento de construção do psiquismo. Esta diferença permite a Wallon relacionar o movimento ao afeto, à emoção, ao ambiente e aos hábitos do indivíduo. 23 Wallon e Piaget destacam a importância corporal no desenvolvimento das funções cognitivas. No entanto, Wallon afirma que o pensamento nasce da ação para retornar a ele em decorrência da experiência com a cultura. (MORO, MACHADO, BARRICHELO, WINKELER, 2007). Sintetizam os autores que, para Wallon a inteligência é fruto do movimento ou da relação com o meio, com os objetos e com os outros. Ela é a primeira expressão emocional e de comportamento. Piaget “deu uma maior ênfase à construção da inteligência através da relação do indivíduo com os objetos”, desprezando a relação com o meio e com as outras pessoas. De acordo com Tavares (2003, p.80), quando se desenvolve a imagem de um objeto, integra-se a percepções variadas desse objeto e forma-se imagens que vão se modificando de acordo com as novas descobertas relacionadas ao objeto. A imagem obtida corresponde a uma vivência que engloba todos os registros referentes ao objeto sem corresponder a nenhum deles em separado. Embora não se possa predizer a imagem final partindo das partes, cada parte faz sentido na imagem final. O desenvolvimento da imagem mental se faz então da integração de variados elementos perceptivos pertinentes ao objeto. Sob esse aspecto, para compreender a percepção, a noção de sensação é fundamental. Em Corpo, percepção e conhecimento em MerleauPonty, Nóbrega (2008, p.142) diz que a percepção está relacionada à atitude corpórea. Enquanto, as sensações são compreendidas em movimento. A percepção das cores é um exemplo significativo da estesia4 apontado por Merleau-Ponty. “A apreensão das significações se faz pelo corpo: aprender a ver as coisas é adquirir um certo estilo de visão, um novo uso do corpo próprio, é enriquecer e reorganizar o esquema corporal”. (NÓBREGA apud MERLEAUPONTY, 1945/1994, p.212). Nessa linha de raciocínio, essa nova compreensão de sensação modifica a noção de percepção proposta pelo pensamento objetivo, fundado no empirismo e no intelectualismo, cuja descrição da percepção ocorre através da 4 É capacidade de perceber sensações; sensibilidade; capacidade de perceber o sentimento da beleza. (HOUAIS, 2009). 24 causalidade linear estímulo-resposta. Na concepção fenomenológica da percepção a apreensão do sentido ou dos sentidos se faz pelo corpo, tratandose de uma expressão criadora, a partir dos diferentes olhares sobre o mundo. (NÓBREGA, 2008, p.142). Cita Nóbrega (Ibidem) que na obra O visível e o invisível (MerleauPonty, 1964/1992) encontra-se a concepção de percepção compreendida como ação do corpo: “Antes da ciência do corpo – que implica a relação com outrem -, a experiência de minha carne como ganga de minha percepção ensinou-me que a percepção não nasce em qualquer outro lugar, mas emerge no recesso de um corpo.” Relacionada ao corpo em movimento, a percepção remete às incertezas, ao indeterminado, delineando assim o processo de comunicação entre o dado e o evocado. A fé perceptiva é uma adesão ao mundo, à realidade tal como se vê. No entanto, a percepção exige o exame radical da existência por meio do corpo e da imputação de sentidos. Merleau-Ponty (1964/1992) afirma que o sentido dos acontecimentos está na corporiedade. “É pela corporiedade que o homem diz que é carne e osso. Ela é a testemunha carnal de nossa existência. A corporiedade integra tudo o que o homem é e pode manifestar neste mundo; espírito, alma, sangue, ossos, nervos, cérebro, etc”. (SILVA, 1991, p.63 apud FREITAS, 1999, p.62). “O corpo é a entrada da alma, a dor e o prazer os fundamentos do pensamento”. (Alves, 1985, p.33). Uma ação instintiva implica experiência perceptiva, movimento do corpo com significado de transformação e ponto de conexão para outras percepções, movimentos e transformações do corpo. (TAVARES, 2003, p.88). Este aporte é interessante para entender como os teóricos conceituam a Psicomotricidade Relacional: “A Psicomotricidade Relacional visa desenvolver e aprimorar os conceitos relacionados ao enfoque da Globalidade Humana. Busca superar o dualismo cartesiano corpo/mente, enfatizando a importância da comunicação corporal, não apenas pela compreensão da organicidade de suas 25 manifestações, mas essencialmente, pelas relações psicofísicas e sócioemocionais do sujeito. Preza por uma abordagem preventiva, com uma perspectiva qualitativa e, portanto, com ênfase na saúde, não na doença.” (VIEIRA; BATISTA e LAPIERRE, 2005, p. 39). Ainda Vieira; Batista e Lapierre (2005, p.39-40) afirmam que o método de trabalho da Psicomotricidade Relacional “[...] proporciona um espaço de legitimação dos desejos e dos sentimentos no qual o indivíduo pode se mostrar na sua inteireza, com seus medos, desejos, fantasias e ambivalências, na relação consigo mesmo, com o outro e com o meio, potencializando o desenvolvimento global, a aprendizagem, o equilíbrio da personalidade, facilitando as relações afetivas e sociais”. Chama a atenção Lapierre (2005), que a psicomotricidade relacional não é uma técnica que se possa aprender intelectualmente nos livros. É mais um método, uma maneira de atuar, uma possibilidade de se estabelecer uma comunicação mais humana, mais verdadeira com qualquer pessoa, até mesmo com as crianças.” LAPIERRE, 2005). Talvez tenha sido nesse sentido que Lapierre fez a inclusão do adjetivo “relacional” ao termo “psicomotricidade” “ [...] para diferenciar suas concepções e sua prática em relação a outras técnicas que também têm o nome de psicomotricidade, que mais se diferenciam, pois consideram o corpo da criança prioritariamente sob seus aspectos cognitivos. Ele se refere à Psicomotricidade Relacional, acreditando que o corpo não é essencialmente cognição, mas também o lugar de toda sensibilidade, afetividade, emoção da relação consigo e com o outro. É visto como lugar de prazer, de desejo, de frustração e de angústia. Lugar de lembranças de todas as emoções positivas e negativas vividas pela criança em relação com os outros, particularmente, com as figuras parentais. (LAPIERRE,, 2005, p. 27). O próprio Lapierre (2002, p.34) afirma que foram todas as experiências vivenciadas anteriormente por ele que o levaram a essa nova terminologia: “O meu caminho conduziu-me àquilo que chamei de ‘psicomotricidade relacional’, 26 colocando a ênfase sobre a primazia da relação com o outro, com seus conteúdos projetivos, simbólicos e fantasmáticos”. Para Vieira (2009, p.65), a psicomotricidade relacional é o ser humano, criança, adolescente ou adulto nas suas dimensões psicossociais e afetivas, ressaltando as diversas formas relacionais estabelecidas em seus diferentes grupos de pertinências. Pretende compreender os diversos níveis de comunicação corporal estabelecida a partir do jogo espontâneo, para daí proporcionar os meios de codificação das nuances expressas nas relações, levando em consideração seu desenvolvimento psicomotor e sócio-histórico, com a finalidade de atender às necessidades de seres em formação, nos aspectos psíquicos, motores e emocionais que, em conjunto, influem diretamente na construção e desenvolvimento da personalidade. 2.2 - Aplicação e atuação da psicomotricidade relacional em academia de ginástica O principal objetivo da psicomotricidade relacional é promover o desenvolvimento integral do indivíduo nas várias etapas de crescimento, nos seus aspectos neurológicos de maturação, nos planos rítmico e espacial; no plano da palavra e no plano corporal. Envolvendo o intelecto (cognitivo), o emocional (querer), o mental (intenção), o movimento e o gesto (ALVES, 2003, p.133). Nessa perspectiva, a teoria e a prática da psicomotricidade relacional estão presentes o tempo todo nas academias de ginástica, seja em aulas de natação para bebês, para crianças, seja em aulas de pilates, em aulas de ginástica localizada, aulas de dança, dentre tantas outras atividades físicas. As atividades físicas, esportivas e de lazer são potencializadoras de experiências capazes de oportunizar o encontro do ser humano consigo e com seu próximo de forma sensível, espontânea e lúdica, o que é de inegável importância para os indivíduos que têm como objetivo fugir de suas rotinas 27 diárias ou se livrarem do estresse que o seu cotidiano de trabalho proporciona (DE GÁSPARI; SCHWARTZ, 2007). A dança pode se tornar um meio de extravasar as tensões emocionais, assim como uma fonte de lazer. Estes aspectos são, justamente, o que justificam a inserção de atividades lúdicas no contexto de academia de ginástica, uma vez que, estes elementos, por primarem pela criatividade, espontaneidade e menos rigidez, podem abrir espaço para a manifestação pessoal mais autêntica, promovendo, inclusive, ressonâncias significativas em todos os contextos.(NANNI, 1995 p.75-79). A concepção de corpo na qual o saber psicomotor focaliza seu objeto de estudo, caminha em direção de uma imagem corporal em constante processo de atualização, onde o corpo percebido apresenta-se como fruto de sensações e vivências individuais, provenientes das zonas sensoriais do organismo, somados a uma complexa rede de estruturação libidinal que se constrói em torno das zonas erógenas, concretizando desta maneira, e elaboração de uma imagem espacial do corpo, verificando-se assim, uma pluralidade de sujeitos juntamente com uma pluralidade de representações corpóreas, denotando a cada ser humano um ritmo e uma vivência corporal singulares. (PONTES, 2006). Sob essa perspectiva, para aplicar a psicomotricidade relacional em academia basta uma sala ou quadra, um espaço seguro para que o movimento flua. Facilita a integração social, eleva a capacidade das pessoas de enfrentar as novas situações e criar estratégias positivas para suas relações. Em aulas de ginástica localizada, um dos seus aspectos mais importantes é a musicalidade. É fundamental o conhecimento dos conceitos básicos de frase musical para uma boa harmonia da atividade e da música. Este conceito foi inserido mais enfaticamente com o começo da Ginástica Aeróbica nos anos 1980. As coreografias eram elaboradas e encaixadas dentro das músicas de maneira a sugerir um entrosamento dela com os exercícios propostos. Após a diminuição desta atividade, o conceito continua sendo utilizado por muitos profissionais da área, que tornaram suas rotinas mais atraentes com a utilização deste recurso. (DE APOLI, s/d). 28 Como também na dança, move-se de acordo com o tempo e espaço, desde os tempos imemoriais e, ao longo da história, vem sofrendo modificações, especialmente quando incluída nos diversos contextos sociais, como em academia de ginástica, para descontração depois de uma aula de ginástica localizada. A dança é uma das manifestações humanas que mais engloba componentes lúdicos da cultura e, a não ser para o dançarino profissional, a prática de dançar fundamenta-se essencialmente no lazer. O prazer e a espontaneidade são elementos importantes ao desenvolvimento da parte técnica, porém, torna-se importante que todos os recursos didáticos e pedagógicos sejam explorados, inclusive com a inserção do elemento lúdico, o qual, pode ser um excelente coadjuvante no processo motivacional. (MATVÉIEV, 1986, p. 17-28 apud TREVISAN et. al.). “O corpo é ao mesmo tempo instrumento de manifestação (relação meio-ambiente) e ao mesmo tempo reflexo da estrutura social (contexto determina padrões). As questões sociais vitais de prazer (sexualidade), energia (agressividade), alegria (lúdico), fazem parte da essência do homem são fomentadas pela sociedade através de valores racionalizados. Os movimentos retirados das práticas racionais onde estes fenômenos ocorrem, são manipulados através do corpo em função de facilitar a possibilidade de comunicação com o mundo exterior. O corpo age – interfere nos padrões de relações sociais. O corpo recebe – influências da sociedade.” (MINELLO, 2006). Por razões óbvias, não se pode pensar nestas atividades ginástica localizada ou dança divorciadas da psicomotricidade, porque sua história nasceu com a história do corpo. Um corpo que não é dado, ele é construído e inscrito por intermédio do desejo do outro. Já não se apresenta como uma totalidade, mas agora se permite descobrir-se como fração, como parte, como faltoso. Um corpo que é moldado e dividido, e se estrutura a partir do enodamento das instâncias real, simbólico e imaginário, elaborado num processo contínuo que tem como aporte primeiro, o desejo. (PONTES, 2006). 29 Para isso, Vierra, Batista e Lapierre (2005) chamam a atenção para a formação do psicomotricista relacional, é impossível, sob o risco de se prejudicar alguém, conduzir uma sessão de Psicomotricidade Relacional, com crianças, jovens ou adultos sem que se cumpra um processo de formação pessoal ordenado e de supervisão regular. Isso por que “ser Psicomotricista Relacional é, pois, desenvolver um modo de ser que envolve um processo de autoconhecimento e conhecimento do outro que não termina jamais, na medida em que, como pessoas, vamos nos modificando, conhecendo e reconhecendo ao longo de nossa vida. O Psicomotricista Relacional é, portanto, uma pessoa aberta e respeitadora, que busca a compreensão do Ser, que se coloca à escuta e à comunicação com o outro, aberto a novas experiências e conhecimentos que possam enriquecer sua vivência pessoal e profissional.” (VIEIRA, BATISTA e LAPIERRE, 2005, p.134). Enfatiza Vieira, et al (2005), que é por meio da formação pessoal que se adquire a experiência do saber vivido. Esse processo permite superar problemas pessoais, descobrir as projeções inconscientes, reestruturar a vida e aumentar a capacidade de compreensão de certos conceitos teóricos. “[...] O educador..., habita um mundo em que a interioridade faz uma diferença, em que as pessoas se definem por suas visões, paixões, esperanças e horizontes utópicos. [...] São atos de amor e paixão que se encontram nos momentos fundadores de mundos, momentos em que se encontram os revolucionários, os poetas, os profetas, os videntes [...]. (ALVES, 1985, p.19). Para a psicomotricidade relacional a aprendizagem e o desenvolvimento se produzem pelas formas de relação afetiva com o outro, de acordo com as possibilidades e limites de cada um, em comum acordo. A comunicação humana e comportamentos afetivo-emocionais são indispensáveis à conquista do conhecimento e ao bem-estar pessoal e social com função preventiva. (VIEIRA, 2005, p.66). Não é o corpo o centro absoluto, de onde tudo se irradia? 30 “[...] Minhas palavras são extensões do meu corpo, meus membros se apóiam nelas – daí que elas não são nunca, para o sujeito que sangra, meros reflexos ideais, sublimados, inversões óticas da realidade. Quando a realidade está em jogo, quem toca em uma das minhas palavras é como se tocasse na menina dos meus olhos... As palavras podem matar”.(ALVES, 1985, p.30-31). Portanto, a psicomotricidade relacional, Juntamente com a expressão corporal, atua como uma modalidade de intervenção da aprendizagem, seja criança ou adulto, proporciona possibilidades de conhecer e experimentar seu corpo, vivenciar ludicamente suas emoções e desenvolver-se de maneira global nas relações intra e inter-pessoais.(MORO, MACHADO, BARRICHELO e WINKELER, 2007, p.18). Relembrando o que disse Piaget e Wallon sobre a importância corporal nas funções cognitivas, presumi-se a conexão do indivíduo com o seu corpo. Para que o corpo se apresente como uma imagem na mente, é preciso que ele exista para si mesmo como um objeto concreto, significativo, que cause impacto e se distinga entre tantos outros objetos que se apresentam ao indivíduo produzindo imagens. Esse significado especial do corpo se constrói baseado nas primeiras relações objetais, remetendo à relação mãe-bebê. O desenvolvimento da identidade corporal está intimamente ligado ao processo de vivenciar sensações dimensionadas à singularidade de cada um as pulsões e da existência desde a mais tenra idade. (TAVARES, 2003, p.83) 31 CAPÍTULO III CORPOREIDADE: UM NOVO OLHAR ‘[...] o que caracteriza o homem não é a existência exclusiva desse espírito ou centelha divina que nos faria imortais, [...] o que marca o humano são as relações dialéticas entre esse corpo, essa alma e o mundo no qual se manifestam, relações que transformam o corpo humano numa corporiedade, ou seja, numa unidade expressiva da existência.” (FREITAS, 1999, p.52). Vayer & Toulousse (1985) citado por Bueno (1998, p.63), afirmam que não existe ação que seja corporal. A corporeidade é a vivência do corpo na relação com o outro e com o mundo, condição básica para a qualidade de vida do indivíduo. É um dos canais mais importantes para facilitar essa relação. Para se construir a noção de corporeidade, a melhor forma para desenvolvê-la é por meio dos movimentos. E essa construção se dá pela estruturação da imagem do corpo. Neste capítulo serão analisados e interpretados os dados levantados durante o trabalho de campo e, que emerge do objetivo deste estudo - as diferentes formas expressivas das mulheres na academia de ginástica localizada; e identificar como elas se relacionam com suas expressões corporais. Desse modo, o intuito é apresentar uma análise sobre como a psicomotricidade está presente em Academia de Ginástica, à luz da literatura. Foram feitas 09 (nove) entrevistas junto às candidatas que frequentam à academia de ginástica, sendo o perfil destas, por faixa etária e tempo que frequentam a academia: § 20 e 30 anos: 5 (cinco) frequentam entre 2 meses há 10 anos; 32 § 30 e 40 anos: 1 (uma) que frequenta há 19 anos. § 40 e 50 anos: 1 (uma) que frequenta há 3 anos. § 50 a 60 anos: 2 (duas) frequentam há 8 anos. As entrevistas foram elaboradas em forma de questionário. As candidatas responderam 09 (nove) questões. E estas, organizadas a partir das seguintes categorias: q FINALIDADE DE EXERCITAR q FREQUÊNCIA q EXERCÍCIOS MAIS GOSTAM q EXERCÍCIOS MENOS GOSTAM q DIFICULDADES EM ACOMPANHAR RITMOS q QUAL MOVIMENTO q ENTENDIMENTO DA DIFERENÇA ENTRE ESTADO FÍSICO E EMOCIONAL q PERCEPÇÃO E SATISFAÇÃO CORPÓREA q PERCEPÇÃO E SENTIMENTO Para identificar as candidatas na entrevista, substituiu-se os nomes por termos da psicomotricidade como: sensório-motor, cognição, hipercinesia, psicomotora, visomotora, psicomotricidade, motricidade, corporeidade e cinestesia. A maioria das entrevistadas se insere na faixa etária de 20 a 30 anos. O que pode ser explicado por Castro (1998): ocorre que a Academia de Ginástica, além de ser um local em que os corpos são expostos, caracteriza-se por ser um local frequentado por boa parte de jovens, o que leva a pensar que o corpo assume, de fato, lugar de centralidade na vida das pessoas, fato que pode ser pensado não somente para a juventude, mas também para todas as faixas etárias. Outra razão pode ser pensada com relação ao texto televisivo, que através do “fluxo” (Castro, 1998), transmite imagens de corpos perfeitos e formas para alcançá-lo, através dos mais variados formatos (peças publicitárias, programas de auditório, novelas, filmes, etc....). Por exemplo, a novela Malhação, no ar há mais de 10 anos, mostra o interior de uma 33 Academia, dentre os diversos ambientes, corpos que estão em evidência em termos de imagens, coxas, torsos, umbigos e bumbuns perfeitamente esculpidos. Isso leva a pensar que a imagem da juventude, associada ao corpo perfeito e ideal – envolve noções de saúde, vitalidade, dinamismo e, acima de tudo, beleza – atravessa, contemporaneamente, os diferentes gêneros, todas as faixas etárias e classes sociais, perpassando e compondo, de maneira diferenciada, diversos estilos de vida. 1ª CATEGORIA: FINALIDADE DE EXERCITAR “Para ganhar massa muscular.” (Sensório-motor). “No objetivo de emagrecer.”(Cognição). “Para ter condicionamento físico”. (Hipercinesia). “Objetivo principal cuidar da mente, pois com ela bem cuidada o corpo funciona bem melhor.” (Psicomotora). “Para melhorar meu condicionamento físico e emagrecer”. (Visomotora). “Para uma melhora física e mental.”(Psicomotricidade). “Dentre outros motivos melhorar a qualidade de vida.”(Motricidade). “Buscar qualidade de vida e prevenção de doenças que a vida sedentária traz”. (Corporeidade). “Sempre fiz ginástica, é próxima à minha residência e os professores são ótimos.” (Cinestesia). A busca por um belo corpo ainda é o que mais atrai as pessoas para as academias, como se pode observar nestas respostas: “Para ganhar massa muscular” (Sensório-motor). “Para melhorar meu condicionamento físico e emagrecer”. (Visomotora). Essas e as outras respostas conduzem a reflexão para esquema corporal e imagem corporal. Se o esquema corporal é, em princípio, o mesmo para todos os indivíduos, a imagem corporal é peculiar a cada um, porque está 34 ligada ao sujeito e à sua história; pode ser considerada como a encarnação simbólica inconsciente do sujeito desejante; é específica de um tipo de relação libidinal. (FERREIRA E ABREU, 2007). A imagem não está imbuída de sensações, mas é o símbolo das percepções e dos sentimentos. A imagem corporal, no dizer de Françoise Dolto (1984), é a cada momento, memória inconsciente das vivencias relacionadas e, ao mesmo tempo, ela é atual, viva, em situação dinâmica [...], camuflável ou atualizável na relação aqui e agora. (Ibidem). Nessa perspectiva, Ferreira e Abreu (2007) sinalizam, no que diz Winnicott, da imagem refletida no espelho, ou seja: “sou visto, logo existo”. Para que alguém se veja, é preciso que antes tenha sido visto pelo outro. Quando o existir é visto e compreendido por alguém, é devolvida, como uma face refletida em um espelho, evidencia de ter sido percebido como existente, sobressai o que tanto necessito. Para autores como Paul Shilder, Merleau-Ponty, Le Boulch e Lapierre, a imagem corporal está vinculada à identidade da pessoa e que se desenvolve de forma indissociável dos aspectos fisiológicos, sociais e psicológicos. (TAVARES, 2003, p.47). Sendo assim o desenvolvimento psicomotor é caracterizado pelo processo de desenvolvimento do ser humano integrando seu movimento, sua construção espacial, seu reconhecimento de objetos, suas posições, sua imagem corporal, seu ritmo e sua linguagem. Quando se pensa numa sociedade atrelada ao consumo, como a brasileira, à publicidade e aos meios de comunicação de massa, é quase inevitável pensar na dissolução da identidade do sujeito. Para existir socialmente, é necessário ser reconhecido, ser visto por alguém. 2ª CATEGORIA: FREQUÊNCIA “5 vezes”. (sensório-motor). “3 vezes”. (cognição). “3 a 4 vezes por semana.” (hipercinesia). 35 “3”. (psicomotora). “três vezes”. (visomotora). “5 vezes”. (psicomotricidade). “Todos os dias (2ª a 6ª feira)”. (motricidade). “3 x semana”. (corporeidade). “4 à 5 vezes”. (cinestesia). Essa categoria leva a pensar que o uso hábil do corpo foi importante na história da espécie humana durante milhares de anos, atingindo seu apogeu na cultura grega e no ocidente durante a era clássica. Desde então, a beleza da forma humana foi ressaltada através da arte, do atletismo. Mas foi no século XX, que o narcisismo e o individualismo exacerbaram-se com o capitalismo, que deslocou o foco das atenções da Europa para os EUA, a beleza do corpo foi enaltecida. Havia preocupação nas atividades físicas em desenvolver um corpo perfeito, proporcional e gracioso em todos os seus movimentos, no seu equilíbrio e na sua tonicidade. (FREITAS, 2004, p.48-49). Para isso, só mesmo uma prática regular e consciente da atividade física pode contribuir para a promoção da saúde das pessoas, seja ela de qualquer faixa etária. 3ª CATEGORIA: EXERCÍCIOS MAIS GOSTAM “Localizada”. (sensório-motor). “Localizada”. (cognição). “Local; Tae Bo; Spinning; Step; em suma todas”. (hipercinesia). “Localizada”. (psicomotora). “Localizada e step”. (visomotora). “Localizada, Tae Bo, Spinning”. (psicomotricidade). “Localizada”. (motricidade). “Tae bo, spinning e localizada”. (corporeidade). “Da Ilza e do Luciano”. (cinestesia). 36 Esta preferência tem história. A ginástica localizada vem de longe. Nos fins dos anos 70, praticamente a única atividade praticada pela maioria das frequentadoras de academia de ginástica, era a ginástica localizada e, continua até hoje, pois, a ginástica localizada, geralmente, proporciona muito prazer para as mulheres por ser em grupo e garante bastante resistência física e melhora o tônus. Além das aulas serem, quase todos os dias, diferentes porque muda o exercício, a coreografia e não se torna rotineira. E também porque a localizada é beneficia à socialização, ao fortalecimento muscular e ao emagrecimento, por isso, que as mulheres a prefere, também, por apresentar resultados mais rápidos. 4ª CATEGORIA: EXERCÍCIOS MENOS GOSTAM “Jump, não consigo acompanhar o ritmo”. (Cognição). “Musculação”. (Hipercinesia). “Musculação, quase não há interação”. (Psicomotora). “Spinning, pois fico muito cansada.” (Visomotora). “Musculação, não motiva”. (Psicomotricidade). “Musculação nunca me atraiu, acho monótono”. (Motricidade). “Musculação, esteira. Acho monótono.”. (Corporeidade). Apesar da musculação ser benéfica para as mulheres, é comprovado que ajuda a combater osteoporose, melhorar a força física e aumenta sua autoestima, ainda assim, as mulheres gostam menos, como se pode notar nas respostas “musculação, quase não há interação” (psicomotora). “Musculação, não motiva”. monótono”. (psicomotricidade). (motricidade). “Musculação “Musculação, nunca esteira. me Acho atraiu, acho monótono.”. (corporeidade). Há uma lei da Física que afirma: “o modo de observar, muda o objeto observado.” Esta máxima é apenas constatação. O indivíduo tem a oportunidade de ver que ele pode fazer e o fazer torna-se prazeroso. Talvez, as 37 mulheres não se identificam tanto com a musculação, porque o uso de aparelho é absorvido pelo ato, a inteligência não está disponível para aprender. É necessário criar vínculos sensoriomotores, mais precisos, organizando sinergias que liberem o gesto. Assim, como a psicomotricidade, consiste unidade dinâmica das atividades, dos gestos, das atitudes e posturas, enquanto sistema expressivo, realizador e representativo do “ser-em-ação” e da “coexistência” com outrem”. (Apud ALVES, 2003, p.15, Jacques Chazaud, 1976). E também como destaca Kamper (2004, p. 5, apud Fontanari e Nascimento, 2006) considera a “atenção pública” um grande problema presente na era das transformações eletrônicas, pois nesse tempo, nada pior do que ser-explorado e não ser observado [reconhecido]. Ou, nas palavras de Baitello (2005, p. 03 apud Fontanari e Nascimento, 2006): “Quanto mais vemos, menos vivemos, quanto menos vivemos, mais necessitamos de visibilidade. E quanto mais visibilidade, tanto mais, invisibilidade e tanto menos capacidade de olhar. Assim, o primeiro sacrifício desse círculo vicioso termina por ser o próprio corpo, em sua complexidade multifacetada, tátil, olfativa, auditiva performática e proprioceptiva.” O mesmo pode ser pensado das mulheres por gostarem menos de musculação, por não dá à visibilidade que as aulas de ginástica localizada. 5ª CATEGORIA: DIFICULDADES DE ACOMPANHAR RITMOS “Nenhuma”. (Sensório -motor). “Sim, Step.” (Cognição). “Não.” (hipercinesia). “Não”. (Psicomotora). “Não”. (Visomotora). “Não tem um movimento específico.” (Psicomotricidade). “Consigo acompanhar o ritmo de todos”. (Motricidade). 38 “Nenhum”. (Corporeidade). Dessas respostas, infere-se o gosto das pessoas em se movimentar, pois, a maioria não sente dificuldade alguma em acompanhar os ritmos. Isso também se deve ao professor, ter consciência da sua situação estratégica de estar a serviço de quem o procura. “[...] a educação pelo movimento é uma peça mestra da área pedagógica.... que permite.... desenvolver formas de atenção, pondo em jogo certos aspectos da inteligência”. (ALVES, 2003, p.138). Daí vale destacar uma reflexão o sobre o educador: “Por que se tornar um educador? Esta pergunta parece, de saída, impertinente. Não há coisa mais nobre que educar. Sou educador porque sou apaixonado pelo homem. Desejo criar condições para que cada indivíduo atualize todas as suas potencialidades”. (ALVES, 1985, p.75). A dificuldade de coordenação motora que uma das entrevistadas apresenta no “... step”. Faz lembrar os ensinamentos do Dr. Rubens Wajnsztejn – neuropediatra – que procura colocar em prática no dia a dia, como médico, neuropediatra, professor e indivíduo. “Coloco-me sempre no lugar do outro. Fico imaginando o que eu gostaria de receber, enquanto aluno ou paciente, se estivesse no lugar da pessoa com a qual estou me relacionando.”5 Essa veia didática do Rubens toca o âmago, em especial quando se atua em aulas de ginástica localizada, no relacionamento com as alunas, pensando como ajudá-las a aumentar a qualidade do trabalho que elas desenvolvem ou que pretendem desenvolver. Neste caso específico da aluna sentir dificuldade no step, também chama a atenção os ensinamentos de Cavallari (2002) quando começou a lecionar para professores que lidam com a educação infantil, percebeu a dificuldade deles em compreender como as crianças aprendem, assim também sou eu, desde que comecei a trabalhar em academia de ginástica, com aulas 5 Mecanismos cerebrais. Jornal DE FATO. Março/abril de 2002. Disponível em http://www.ispegae-oipr.com.br/jornal/pdf/2ed.PDF acesso 24/5/2011. 39 de ginástica localizada, senti a necessidade de me aperfeiçoar e fui em busca do conhecimento, curso de especialização em psicomotricidade. Com as orientações recebidas, somadas a experiência como professora de ginástica localizada, estou conseguindo ajudar melhor. Segundo Cavallari (2002), se começar a refletir sobre o movimento humano, chega-se à conclusão de que todo movimento não acontece sozinho, pois toda a ação tem uma intenção expressiva ou funcional. Qualquer gesto é sustentado por um significado, portanto, pode-se dizer que: psicomotricidade é o movimento com inteligência. Apesar da dificuldade que uma e outra tem em acompanhar o ritmo da ginástica localizada, deve-se também, às vezes, a disfunção do cérebro. Segundo as pesquisas da atualidade, os cientistas analisaram as metades do cérebro e chegaram à conclusão de que cada uma tem funções, capacidades em suas respectivas áreas, onde atuam as diferentes responsabilidades da psique humana. O lado esquerdo cuida da lógica, da linguagem, da leitura, da escrita, dos cálculos, do tempo, do pensamento digital e linear e do lado direito do corpo; entre outras coisas, enquanto que o direito se prende às percepções da forma, da sensação do espaço, da intuição, do simbolismo, da atemporalidade, da música, do olfato e do lado esquerdo do corpo, entre outras funções. Nesse sentido, o psicomotricista, atento à dificuldade do aluno, pode ajudar com o conhecimento da psicomotricidade, a superar. 6ª CATEGORIA: QUAL MOVIMENTO “As sequências”. (Cognição). “Não tem um movimento específico”. (Psicomotricidade). “Consigo acompanhar o ritmo de todos”. (Motricidade). “Nenhum”. (Corporeidade). Essa categoria remete à Psicomotricidade Geral por englobar as linhas de psicomotricidade educativa, reeducativa e terapêutica. Geralmente, 40 sustenta-se em diagnósticos do perfil psicomotriz e na prescrição de exercícios para sanar possíveis descompassos do desenvolvimento motor. O profissional psicomotrista pode analisar a dificuldade que o aluno apresenta nos movimentos a partir do emocional, que são expressas de modo verbal ou corporal. Técnicas de avaliação e exame psicomotor permitirão identificar e avaliar a natureza desta dificuldade, lançando mão da psicomotricidade. A lateralidade é uma dimensão da atividade motora humana marcada pela dominância de um lado corporal sobre o outro. Um lado do corpo, e consequentemente uma parte do cérebro assume uma ascendência nas variadas atividades motoras e perceptivas. A lateralidade pode ser compreendida como a bússola do esquema corporal. (SCHAPKE, 2010). A psicomotricidade educa o movimento, e ao mesmo tempo coloca em jogo as funções da inteligência. O movimento humano é a parte mais ampla e significativa do comportamento humano. É obtido através de três fatores básicos: os músculos, a emoção e os nervos, formados por um sistema de sinalizações que lhes permitem atuar de forma coordenada. Normalmente, o movimento dos exercícios nas aulas de ginástica localizada é adaptado a necessidade anatômica do grupo. Os exercícios mais comumente utilizados hoje na Ginástica Localizada são coincidentemente os utilizados nas séries de musculação, apenas com a diferença do descanso ativo, mais largamente utilizado nesta atividade. E o número de série e de subsérie deverá estar de acordo com o que se pretende trabalhar. Se a pessoa quer uma série de força, ela deverá ter poucas repetições com maior carga. Quando quer resistência, maior número de repetições e pouca carga. Por essa razão, a importância do planejamento para que seja alcançado o objetivo de cada aula. 7ª CATEGORIA: ENTENDIMENTO EMOCIONAL “Sim”. (Sensório-motor). DA DIFERENÇA ENTRE ESTADO FÍSICO E 41 “Sim, emagreci 26 kg, minha autoestima mudou, sou bem mais feliz”. (Cognição). “Sim”. (Hipercinesia). “Nossa!!! Resumindo, não paro nunca mais, rs!”. (Psicomotora). “Sim”. (Visomotora). “Muita.” (Psicomotricidade). “Sim”. (Motricidade). “Bastante. Sinto-me mais disposta física e emocionalmente.” (Corporiedade). “Ai de mim se não fosse à ginástica”. (Cinestesia). O exercício físico pode estar relacionado com a síntese de dopamina, devido a um aumento nos níveis de cálcio no cérebro. A dopamina está relacionada com o desempenho motor, a motivação locomotora e a modulação emocional (INGRAM, 2000 apud HORTENCIO, et. al.). A prática regular de exercícios físicos também apresentaria efeitos ligados à secreção e liberação da beta-endorfina. Isso acontece a partir da transmissão do impulso simpatoadrenal, que facilita a atividade simpática, aumenta o débito cardíaco, regula os vasos sanguíneos, aumenta o catabolismo do glicogênio e a liberação de ácidos graxos. As concentrações elevadas de catecolaminas, juntamente com o ACTH (hormônio adrenocorticotrófico), irão por sua vez, estimular a produção de beta-endorfina, um opiáceo natural. A beta-endorfina é uma substância endógena, similar à morfina, que interage com receptores nas áreas cerebrais envolvidas na maior tolerância à dor, melhor controle do apetite, do sono, da temperatura corporal e dos estados de raiva, tensão e ansiedade. A beta-endorfina desencadeia a denominada “alegria do exercício”, – um estado, descrito por alguns, como euforia e jovialidade à medida que progride a duração do exercício aeróbico, de moderado a intenso (POWERS; HOWLEY, 2000, p. 74-75). O corpo é um universo particular. Nele se move, sente, age, percebe e descobre novos universos. Tudo esta devidamente gravado nesse corpo, e é na infância que se determina a quem será bem gravado e a quem nem tanto. 42 Aprender, movimentar, sentir esse universo e partilhar com outros, será determinante na estruturação desse sujeito que se forma, assim respeitando as limitações de cada individuo, pois o processo de desenvolvimento pode não ser igual a todos. A psicomotricidade auxilia este universo em formação a se descobrir por inteiro, através de estimulação e exploração concreta do mundo (SILVA 2005, p.44). Considerando que todo conhecimento – inclusive o de si mesmo – passa pelo corpo. É o corpo que está envolvido no processo de compreender, de recordar, de se individuar. O corpo traz as marcas de sua história; sonha-se com corpos, projetam-se em corpos, os arquétipos manifestam-se como corpos. Os deuses têm corpos, e ainda hoje se imagina um Cristo cabeludo e um Deus de barbas brancas. (FREITAS, 2004, p.74). Como se viu no capítulo anterior, o corpo foi e continua sendo manipulado pelo modo de produção capitalista e como o corpo produtivo se tornou também corpo consumível e consumidor. (Ibidem). 8ª CATEGORIA: PERCEPÇÃO FÍSICA E SATISFAÇÃO PSÍQUICA “Tenho me sentido mais disposta e menos cansada.” (sensório-motor). “A perda de peso e o enrijecimento que a localizada me ajuda a manter”. (Cognição). “Tenho mais resistência física, além da perda de peso e tanto de massa magra. Me sinto bem hoje em dia com o meu corpo.” (Hipercinesia). “Disposição e bom humor. Acredito cegamente que a ginástica localizada está intimamente ligada à beleza interior”. (Psicomotora). “Fiquei com mais disposição.” (Visomotora). “Muitas, meu corpo voltou a mudar, e tenho me sentindo mais desinibida.” (Psicomotricidade). “Além da perda de peso, maior disposição pro dia a dia, menos cólicas menstruais e queda de cabelo”. (Motricidade). 43 “A dança traz equilíbrio e postura mais correta, e ainda aumenta minha autoestima.” (Corporeidade). “Saúde em geral. Não tomo remédios, bom astral e satisfação com o meu corpo.” (Cinestesia). A corporiedade refere-se à qualidade do que é corpóreo. No dizer da (Cognição): “A perda de peso e o enrijecimento que a localizada me ajuda a manter”. As atividades de raciocínio e físicas foram tradicionalmente percebidas na cultura brasileira de formas distintas e estanques. A valorização das atividades mentais em detrimento das atividades físicas. Diz a (Psicomotora): “Disposição e bom humor. Acredito cegamente que a ginástica localizada está intimamente ligada à beleza interior”. A percepção que o indivíduo tem do mundo depende das suas atividades motora. A posição e o status do próprio corpo irão regular a sua percepção de mundo. Pode-se dizer que o sistema perceptual e motor estão sempre interagindo em grande parte das atividades motoras. (Schapke, 2010). Como relata a (Corporeidade): “A dança traz equilíbrio e postura mais correta, e ainda aumenta minha autoestima.”. Como já mencionado, a imagem e esquema corporal são componentes do desenvolvimento psicomotor que se distingue em sua estruturação, pois está ligado às experiências relacionais e o outro, as experiências corporais funcionais que o indivíduo tem ao longo de sua vida. De acordo com a (Psicomotricidade): “Muitas, meu corpo voltou a mudar, e tenho me sentindo mais desinibida.” Vários autores têm assumido uma diferenciação acerca dos termos esquema e imagem corporal. De forma geral, para eles, esquema corporal estaria ligado à estrutura neurológica e a imagem corporal, ligada à vivência 44 afetiva do próprio corpo de cada um. Mas é interessante destacar a posição de Le Boulch: “[...] consideramos o esquema corporal ou imagem do corpo como intuição de conjunto ou um conhecimento imediato que temos de nosso corpo no estado estático ou em movimento, na relação de suas diferentes partes entre si e em suas relações com o espaço circundante dos objetos e das pessoas. Esta noção acha-se no centro de maior ou menor disponibilidade que temos de nosso corpo e no centro de relação vivida, universo-sujeito, sentida efetivamente e às vezes de modo simbólico.” (LE BOULCH, 1988, p.188). Quando muito jovens, surpreende-se muitas vezes com algumas imagens do corpo. A imagem corporal expande, encolhe, fragmenta e se reestrutura frequentemente. Com o tempo, à medida que se reconhece e familiariza-se com representações mentais do corpo sob várias perspectivas, a imagem corporal alcança maior “estabilidade”. (Tavares, 2003, p.136-137). Assim demonstra (Cinestesia): “Saúde em geral. Não tomo remédios, bom astral e satisfação com o meu corpo.” Segundo Castro (1998), a temática corpo ganha cada vez mais espaço desde os anos oitenta, quando nascem as duas maiores revistas voltadas ao tema: BOA FORMA (1984) e CORPO a CORPO (1987), as quais abriram o caminho para um filão que vem sendo habilmente explorado pelas indústrias editoriais. Ainda acrescenta, que a percepção do corpo na sociedade contemporânea é dominada pela existência de um vasto arsenal de imagens visuais. Featherstone chama a atenção para o fato de que "a lógica secreta da cultura de consumo depende do cultivo de um insaciável apetite para o consumo de imagens." (FEATHERSTONE, 1993, p. 178 apud CASTRO, 1998). 45 9ª CATEGORIA: PERCEPÇÃO E SENTIMENTO “Tenho notado uma melhora na minha postura e a minha autoestima aumentou em relação ao corpo”. (Sensório-motor). “De felicidade, pois perder 26k há 2 anos e, conseguir manter a mesma forma até hoje é muito bom.” (Cognição). “Me sinto mais bonita, atraente e confiante. O meu corpo está mais bonito e firme.” (Hipercinesia). “A cada dia que passa mais me admiro, sem narcisimo, rs. E ao mesmo tempo a percepção de que estou no caminho certo aumenta.” (Psicomotora). “Maior satisfação em me exercitar. Minha postura melhorou. Venho me sentindo melhor com meu corpo.” (Visomotora). “Muito boa, nos trás a sensação de que podemos fazer o que quisermos.” (Psicomotricidade). “Me sinto muito mais bonita e feliz! Indiscutivelmente exercício físico é essencial!” (Motricidade). “Sinto-me feliz em comprar uma roupa e saber que cairá bem. Aumenta meu metabolismo e sinto-me mais ereta e com postura melhor.” (Corporeidade). “Proporcionalidade corporal e autoestima elevada.” (Cinestesia). Esses depoimentos direcionam a reflexão sobre o papel do movimento na percepção. Muitos psicólogos cognitivos e filósofos de diversas escolas, sustentam a tese de que, ao transitar pelo mundo, as pessoas criam um modelo mental de como o mundo funciona (paradigma. Ou seja, elas sentem o mundo real, mas o mapa sensorial que isso provoca na mente é provisório, da mesma forma que uma hipótese científica é provisória até ser comprovada ou refutada ou novas informações serem acrescentadas ao modelo.6 6 Percepção. Disponível acesso em 24/5/2011. em http://pt.wikipedia.org/wiki/Percep%C3%A7%C3%A3o 46 “Tenho notado uma melhora na minha postura e a minha autoestima aumentou em relação ao corpo”. (Sensório-motor). Da percepção e controle do próprio corpo, ou seja, da interiorização das sensações relativas a esta ou aquela parte do corpo e a sensação do corpo como um todo, como se observa nas respostas: “De felicidade, pois perder 26k há 2 anos e, conseguir manter a mesma forma até hoje é muito bom.” (Cognição). “Muito boa, nos trás a sensação de que podemos fazer o que quisermos.” (Psicomotricidade). O homem considera que tem um corpo, considera que pode dispor dele como bem lhe aprouver, aliená-lo de si mesmo, vendê-lo como força de trabalho, privá-lo de prazeres para que sua alma imortal possa ser salva. Tal controle narcísico dos ritmos corporais conduz ao stress e à desintegração: horas excessivas de trabalho, compensadas com aulas “relaxantes” em academias de ginástica; enquadramento do corpo no padrão estético vigente; sedentarismo; atividades físicas de fim de semana; dietas; cirurgias plásticas. O indivíduo tem um corpo não é consciente dele, como também não pode ser consciente de um objeto – a relação que se estabelece é de posse e não de conhecimento íntimo. “Ter” um corpo é pretender que ele se cale e se submeta ao domínio daquele que o possui. Porém, é o homem quem se encontra nos “domínios” do corpo, sua condição é corporal e ele só se comunica com os outros porque tem um corpo que se expressa. (FREITAS, 1999, p.52-53). “A cada dia que passa mais me admiro, sem narcisimo, rs. E ao mesmo tempo a percepção de que estou no caminho certo aumenta.” (Psicomotora). “Maior satisfação em me exercitar. Minha postura melhorou. Venho me sentindo melhor com meu corpo.” (Visomotora). Trazer os sentimentos para a consciência para conhecê-los e melhor lidar com eles é um trabalho para a vida toda. No adulto, há predomínio do sentimento sobre a emoção, mas o corpo acompanha a verbalização do sentimento, portanto a emoção sempre está presente, mesmo quando não predomina, assim como presentes.(ARRUDA, 2005). o motor e o cognitivo, sempre estão 47 “Me sinto muito mais bonita e feliz! Indiscutivelmente exercício físico é essencial!” (Motricidade). “Sinto-me feliz em comprar uma roupa e saber que cairá bem. Aumenta meu metabolismo e sinto-me mais ereta e com postura melhor.” (Corporeidade). “Proporcionalidade corporal e autoestima elevada.” (Cinestesia). Ao considerar o indivíduo como um todo e não partes conjugadas ou somadas, a psicomotricidade une, a mente e a motricidade e acessa a totalidade do ser. 48 CONCLUSÃO Valendo-se do pensamento de Alves (1985, p.66), não há dúvidas de que uma das marcas da ciência é o método de que lança mão. Mas o uso rigoroso de um método não pode ser o critério inicial e final na determinação da pesquisa, e sim, a relevância do problema. Sabe-se que as questões realmente importantes, no campo das ciências humanas, são extremamente complicadas. Em cada problema se encontra a conjunção de uma série de fatores heterogêneos. Por exemplo, pensar na questão que motivou este estudo: de que forma a psicomotricidade contribui com o sujeito em seu processo de conhecimento corporal visando o seu equilíbrio. Nunca se pode prever com exatidão a dimensão exata desse questionamento, seu efeito em cada pessoa a curto e a longo prazo. Como professora de ginástica localizada, lidar com essa subjetividade exige consciência dessa complexidade que é atuar sem enveredar por caminhos lineares, reducionistas, que só serão prejudicais a manifestação da singularidade do aluno. Neste estudo “A psicomotricidade: o corpo e sua expressividade”, depois da análise dos depoimentos sobre as diferentes formas expressivas das mulheres na academia de ginástica localizada e, como se relacionam com suas expressões corporais, pôde-se concluir que não se pode entender a psicomotricidade, em sua totalidade (pensamento, movimento e afetividade), se não se levar em conta fatores de ordem emocional (experiências vividas no mundo exterior e as que são internalizadas, gerando construção do mundo interior de cada um). Para Alves (1985, p.67), qualquer análise interdisciplinar, empreendida por um pesquisador, tem, necessariamente, de ser frouxa do ponto de vista metodológico. Pois, de que maneira avaliar individualmente o desempenho de uma pessoa, se o trabalho é coletivo? O corpo participa com todas as suas dimensões representativas inserido em uma complexa rede de inter-relações, onde estão presentes conteúdos biológicos, psicólogos, somáticos, vivenciais, históricos e sociais. 49 “A subjetividade do ser humano está sempre vinculada às forças internas. As percepções, movimentos e relações afetivas emergem da confluência de forças internas e externas sobre o nosso corpo, transformandoo sem cessar. Ao representar um objeto tão dinâmico, tão instável, construímos imagens também dinâmicas e naturalmente mutáveis. Nosso corpo, assim, apresenta numerosas nuanças, conforme variam as interações das forças internas e externas sobre o nosso ser.”(TAVARES, 2003, p,131). Sob essa perspectiva, a psicomotricidade relacional pode oferecer reflexões significativas diariamente a cada um em relação a si mesmo, enquanto sujeito corporal, que vive em comunicação com o seu entorno. Por ser a corporeidade uma lógica corporal que cada pessoa vai adquirindo ao longo do processo. Depois de cada aluna sistematizar a corporeidade, procede-se ao trabalho de improvisações de ações, por exemplo, convidar as alunas para dançarem no intuito de descontraírem. Utiliza-se dessa ação para brincar como elemento motivador para provocar a exteriorização corporal da pessoa. Possibilita assim, um tempo e um espaço onde a pessoa, de forma espontânea e criativa, expressar sua liberdade e autenticidade todo o seu potencial motor, cognitivo, afetivo, social e relacional. Percebe-se que melhora o desenvolvimento global da pessoa, além da capacidade de adaptação social e afetiva. Nessa mediação, provoca-se, escuta-se, interagese com a pessoa como parceira no seu jogo simbólico. Essa intervenção pode abrir novos caminhos na existência das pessoas a partir dos contextos emocionais vividos, que vão se chocando com os sentimentos, emoções e valores, fazendo novas associações simbólicas e imagens, criando, assim, um novo corpo representativo. Esse processo de transformação da imagem poderá ser auxiliado pela psicomotricidade a qualquer tempo. Conforme citou Alves (1985), o ponto inicial e final de uma pesquisa não pode e não deve ser a metodologia, mas antes a relevância do problema. É nesse sentido que a abordagem científica da psicomotricidade evidencia a necessidade de ajustar as inteligências múltiplas para se obter como resultado final o valor integrado do indivíduo (COSTALLAT, 2001). 50 CORPO EMOÇÃO INTELIGÊNCIA Instrumento Tom Melodia/Letras Potencial motor Afetivo relacional Cognitivo Motricidade humana Harmonia Adaptabilidade social Equilibração Modificabilidade do processo de informação Portanto, este estudo constatou, por meio de um trabalho de campo, junto a alunas de academia de ginástica, que os exercícios preferenciais, os rejeitados, os desejos, vão sendo configurados por meio da estrutura subjetiva na qual correlacionam-se o tempo, o corpo, o mundo, as coisas e os outros. 51 ANEXOS Índice de anexos Anexo 1 >> Glossário; Anexo 2 >> Termo de consentimento res.196/96; Anexo 3 >> Entrevistas. 52 ANEXO I GLOSSÁRIO Cinestesia – sensações internas (dos músculos, dos ligamentos) que informam sobre os deslocamentos no espaço dos diferentes elementos corporais. Modalidade de sensibilidade proprioceptiva que informa o cérebro sobre os movimentos dos segmentos corporais. Participam nessa informação os fusos neuromusculares, os corpúsculos de Golgi e os corpúsculos de Ruffini. Cognição – o ato ou o processo de conhecimento. As várias aptidções do processo de conhecimento são sinônimos de aptidões cognitivas. Comportamento – maneira de ser habitual de um indivíduo diante das coisas, dos acontecimentos do outro. Comunicações – conjunto de trocas entre o ser e o mundo. Corporeidade – corpo vivido na sua totalidade, na sua unidade. Criatividade – função inventiva de imaginação, criadora, dissociada da inteligência (H. Pieron). Esquema corporal – organização das sensações relativas a seu próprio corpo, relacionadas com os dados do mundo exterior (utilização da imagem do corpo). Estímulo – conjunto de acontecimentos físicos, químicos, biológicos e sociais que atuam no indivíduo e provoca uma ação determinada em forma de resposta. Estrutura – disposição de elementos que constituem uma unidade. Estruturação espaço-temporal – apreensão das estruturas espaciais e temporais. Hipercinesia – movimento e atividade motora e constante e excessiva. Também designada por hiperatividade. Imagem do corpo – conjunto das sensações conscientes ao próprio corpo relacionados aos aspectos emocionais e psicoafetivos. Intelecto – inteligência, comunicação. Nas funções mentais designa pensamento abstrato e lógico. Labilidade – escorregadio, transitório. Lateralidade – dominância funcional, direita ou esquerda, da mão, do olho ou do pé. Implica conhecimento dos dois lados do corpo e a capacidade de os identificar como direita e como esquerda. Motricidade - conjunto de funções nervosas e musculares que permite os movimentos voluntários ou automáticos do corpo. Músculos – partes carnudas do corpo que puxam ou se contraem para que o corpo e os membros possam mover-se. Narcisismo – atenção exclusiva dirigida para si próprio. Nervomusculares – relativo a nervos e músculos. Neuromotricidade - aspectos da motricidade relacionados com o sistema nervoso, sua maturação e suas perturbações. Educação das sensações e das percepções que levam ao conhecimento dos objetos e dar relações entre eles. 53 Organização espacial – desenvolvimento das capacidades ligadas ao esquema corporal e à organização perceptiva para o domínio progressivo das relações espaciais. Percepção - Processo de organização e interpretação dos dados que são obtidos através dos sentidos. Perceptivo-motora (adaptação) – harmonia entre as percepções (auditivas, visuais...) e ações sucessivas. Sinônimo de sincronização sensório-motora. Praxia – movimento intencional, organizado, tendo em vista a obtenção de um fim ou de um resultado determinado. Não é um movimento reflexo nem automatizado, é um movimento voluntário, consciente, intencional, organizado, humanizado. Proprioceptivo – sistema sensorial resultante da atividade de receptores localizados ao nível do músculo (fuso neuromuscular) do tendão (corpúsculo de Golgi) e do labirinto, e que fornecem informações referentes à posição e ao movimento dos membros do corpo. Psicocinética – “método geral de educação que utiliza como material pedagógico o movimento humano, em todas as suas formas”. (Le Boulch). Psicomotricidade – interação das diferentes funções motoras e psíquicas e afetivas. Psicomotor - próprio ou referente a qualquer resposta que envolva aspectos motores e psíquicos, tais como os movimentos corporais governados pela mente. Raciocínio – ato de avaliar ideias ou coisas para conhecê-las e estabelecer uma relação entre elas. O encadeamento, aparentemente lógico, de juízos ou pensamentos. Relacionamento – conjunto de laços entre os indivíduos, entre indivíduos e objetos, entre indivíduos através de objetos. Sensibilidade proprioceptiva – informações reconhecidas pelos órgãos dos sentidos sobre as atitudes, os movimentos que permitem a postura e o ajustamento dos atos. Sensório-motor – termo aplicado para explicar a natureza dos atos que se encontram dependentes da combinação ou da função integrativa entre os sistemas sensoriais e as estruturas motoras. Social – relativo a ações, valores, decisões e relações dentro de grupo de pessoas. Tempo – ritmo próprio de um sujeito. Terapia - tratamento para a reabilitação da pessoa. Tônico (diálogo) - compreensão (aceitação e confiança do outro, proporcionada pelo contato ou pela mobilização corporal. Tônus muscular - estado de tensão ativa e involuntária do músculo. É o tônus muscular que permite manter a postura ereta. Visomotor – ato guiado essencialmente pela vista. Vivido (corporal) – consciência das sensações ligadas ao próprio corpo, com ou sem deslocamento segmentares, experimentadas por um sujeito em qualquer situação . 54 ANEXO II TERMO DE CONSENTIMENTO RES.196/96 55 ANEXO III ENTREVISTAS PARTE I: Nome: __________________________________________________________ Faixa etária:( )20 a 30 anos( ) 30 a 40 anos( )40 a 50 anos( ) 50 a 60 anos Tempo que frequenta a academia:_______________________________ PARTE II: Por que entrou para academia? __________________________________________________________ Quantas vezes você costuma fazer ginástica localizada na semana? __________________________________________________________ Quais as aulas de ginástica que mais gosta de fazer? __________________________________________________________ E a que menos gosta, e por que? __________________________________________________________ Tem encontrado alguma dificuldade em acompanhar o ritmo de uma das ginásticas? __________________________________________________________ Qual movimento? __________________________________________________________ Tem notado alguma diferença em seu estado físico e emocional? __________________________________________________________ Qual o tipo de melhora tem percebido? Que tipo de satisfação vem sentindo depois que passou a enfrentar as aulas de ginástica localizada e a dança? 56 BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS ALVES, Fátima. Psicomotricidade: corpo, ação e emoção. Rio de Janeiro: Wak, 2003. ALVES, Ricardo C.S. Psicomotricidade I. RJ-2007. http://www.psicomotricialves.com/PSICOMOTRICIDADEI.pdf. Disponível em Acesso em 28/3/2011. ALVES, Rubem. Conversas com quem gosta de ensinar. Coleção Polêmicas do Nosso Tempo. Cortez Editora. Autores Associados. 13ª ed. São Paulo, 1985. ARRUDA, Heloisa Paes de Barros. Percepção de sentimentos e emoções na videoconferência: um estudo com alunas do PEC-Municípios. PUC-SP, 2005. Disponível em: http://weblab.tk/sites/default/files/bibliografia/HeloisaArruda- mestrado.pdf. Acesso em 15/4/2011. BUENO, Jocain Machado. Psicomotricidade teoria & prática. Estimulação, educação e reeducação psicomotora com atividades aquáticas. São Paulo: Lovise, 1998. CASTRO, Ana Lucia de. Culto ao corpo, modernidade e mídia. 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Acesso em 14/4/2011. 65 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTO 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I CONHECENDO A PSICOMOTRICIDADE: UM BREVE ESTUDO 15 1.1 – Definições conceituais 15 1.2 – A psicomotricidade e o significado do corpo 18 CAPÍTULO II A PSICOMOTRICIDADE RELACIONAL (PR) 22 2.1 – Definições conceituais 22 2.2 – Aplicação e atuação da PR em academia de Ginástica 26 CAPÍTULO III CORPOREIDADE: UM NOVO OLHAR 31 CONCLUSÃO 48 ANEXOS 52 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 56 OUTROS SITES CONSULTADOS 64 ÍNDICE 65 FOLHA DE AVALIAÇÃO 66 66 FOLHA DE AVALIAÇÃO Nome da Instituição: Título da Monografia: Autor: Data da entrega: Avaliado por: Conceito: