UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS COORDENAÇÃO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO SERVIÇO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ADMINISTRAÇÃO GILBERTO PEDROSA LEITE GESTÃO DE ESTOQUES DA LIVRARIA PAULUS – JOÃO PESSOA João Pessoa –PB, 18 de abril de2008. GILBERTO PEDROSA LEITE GESTÃO DE ESTOQUES DA LIVRARIA PAULUS – JOÃO PESSOA Monografia apresentada à Coordenação do serviço de Estágio Supervisionado em Administração do Centro de Ciências Sociais Aplicadas Da Universidade Federal da Paraíba, em Cumprimento às Exigências para a Obtenção do Grau de Bacharela em Administração. Orientador: Prof. Rosivaldo de Lima Lucena Coordenador do SESA: Prof. Rosivaldo de Lima Lucena Nome da Organização: Paulus Livraria – João Pessoa Período de Realização do Estágio: 19/11/07-25/04/08 João Pessoa –PB, abril de 2008. Ao Professor Orientador Rosivaldo de Lima Lucena, Dr. Solicitamos examinar e emitir parecer no Trabalho de Conclusão de Estágio do aluno Gilberto Pedrosa Leite. João Pessoa, 18 de abril de 2008. Prof. Rosivaldo de Lima Lucena, Dr. Coordenador do SESA Parecer do Professor Orientador: GILBERTO PEDROSA LEITE GESTÃO DE ESTOQUES DA LIVRARIA PAULUS – JOÃO PESSOA Trabalho de Conclusão de Estágio Aprovado em: 18 de abril de 2008. Banca Examinadora Prof. Rosivaldo de Lima Lucena – DA/CCSA/UFPB Prof. Carlos Eduardo Cavalcante - DA/CCSA/UFPB Prof. Jorge de Oliveira Gomes, MS - DA/CCSA/UFPB DEDICATÓRIA Com todo carinho, dedico ao meu pai José Pedrosa Leite e a minha Ana Mamede Carvalho, que sempre me ensinou o caminho a ser trilhado, constantemente me mostrando a importância dos estudos. Com amor, dedico a minha esposa Karla Alves Pedrosa, por ter sido minha companheira e me dado força para não desistir nunca. Com estima, dedico aos meus irmãos pelo apoio e o incentivo. Com gratidão, dedico este trabalho a Deus. AGRADECIMENTOS Ao meu orientador, Professor Rosivaldo de Lima Lucena, que soube compreender minhas dificuldades, ensinando-me os caminhos mais inteligentes na condução deste trabalho. Sempre com muita paciência e compreensão. A Alexandre Ramalho da Silva, gerente da Paulus Livraria – João Pessoa por ter estado sempre disponível a me atender durante o período da elaboração da monografia. Aos colaboradores da Paulus Livraria – João Pessoa por me recebido e me ajudado a entender as etapas do gerenciamento de estoques da Livraria. Aos amigos que contribuíram direta e indiretamente para elaboração desse trabalho. RESUMO O objetivo do presente estudo foi apresentar como ocorre a gestão de estoques da Paulus Livraria – João Pessoa. Para tanto, utilizou como método de pesquisa o Estudo de Caso, uma vez que além do levantamento e interpretação de dados, possibilitou a proposta de sugestões para aperfeiçoamento do processo de gestão de estoques. Como resultados alcançados, destaca-se a automatização da emissão, do envio e de lançamento dos pedido e das notas fiscais dos produtos de terceiros, firmar contratos com os fornecedores para melhor controlar o tempo de envio de produtos de terceiros. Palavras-chave: Gestão de Estoques. Paulus Livraria. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO _________________________________________________________9 1.1 Delimitação Do Tema E Apresentação Do Problema ____________________________9 1.2 Justificativa ____________________________________________________________10 1.3 Objetivos ______________________________________________________________12 1.4 Objetivo Geral __________________________________________________________12 1.5 Objetivos Específicos ____________________________________________________12 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA __________________________________________13 2.1 Função e Objetivo de Estoque______________________________________________14 2.2 Política de Gestão de Estoques _____________________________________________15 2.3 Previsão de Estoques _____________________________________________________16 2.2.1 Método do último Período_______________________________________________17 2.2.2 Método da Média Móvel ________________________________________________17 2.2.3 Método da Ponderação Exponencial _______________________________________18 2.4 Custos de Estoques ______________________________________________________19 2.4.1 Custo de Capital _______________________________________________________20 2.4.2 Custo com Pessoal _____________________________________________________20 2.4.3 Custo com Edifício _____________________________________________________20 2.4.4 Custo com Manutenção _________________________________________________20 2.4.5 Custo com Falta de Estoque ______________________________________________21 2.4.6 Custo com Armazenagem _______________________________________________21 2.5 Sistema de Gestão de Estoques _____________________________________________22 2.5.1 Classificação ABC _____________________________________________________23 2.5.2 Lote Econômico _______________________________________________________24 2.5.3 Sistema de Duas Gavetas ________________________________________________24 2.5.4 Sistema dos Máximo-Mínimo ____________________________________________26 2.5.5 Sistema M.R.P. ________________________________________________________27 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS __________________________________29 3.1 Tipo de Pesquisa ________________________________________________________29 3.2 Ambiente da Pesquisa ____________________________________________________29 3.3 Participantes __________________________________________________________29 3.4 Instrumento ___________________________________________________________29 3.5 Tratamento de Dados ____________________________________________________29 4 TRATAMENTO E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS_________________________31 4.1 A Pia Sociedade de São Paulo ( Paulus)______________________________________31 4.1.1 Histórico_____________________________________________________________31 4.1.2 A Paulus Livraria – João Pessoa___________________________________________31 4.1.3 Missão da Paulus_______________________________________________________32 4.1.4 Visão da Paulus________________________________________________________32 4.1.5 Planejamento Estratégico da Paulus________________________________________32 4.1.6 A Concorrência _______________________________________________________33 4.2 Gerenciamento de Estoques da Paulus Livraria -João Pessoa ____________________33 4.2.1 Previsão de Estoque____________________________________________________33 4.2.1.1 Produtos Próprios____________________________________________________34 4.2.1.2 Os Lançamentos e os Produtos Sazonais__________________________________35 4.2.1.3 Produtos de Terceiros_________________________________________________36 4.2.2 Logística____________________________________________________________37 4.2.2.1 Logística dos Produtos Próprios________________________________________38 4.2.2.2 Logística dos Produtos de Terceiros_____________________________________49 4.2.2.3 Malote____________________________________________________________40 4.2.3 Estocagem dos Produtos________________________________________________40 4.2.4 Custos de Estoques____________________________________________________41 4.2.5 Sistema de Gestão de estoques___________________________________________42 5 CONCLUSÃO__________________________________________________________45 5.1 Considerações Finais____________________________________________________45 5.2 Sugestões Para Novas Pesquisas___________________________________________47 REFERÊNCIAS________________ _________________________________________48 APÊNDICE_____________________________________________________________50 9 1 INTRODUÇÃO 1.1 Delimitação do Tema e Formulação do Problema da Pesquisa O mundo está passando por uma fase de mudança muito rápida. O que tem trazido ameaças e oportunidades. Para que a empresa se mantenha no mercado, é necessário que ela tenha uma estratégia competitiva através de um amplo e consistente planejamento que envolva o todo da empresa. Não faz mais sentido entender a empresa apenas a partir de um ponto de visto; quer financeiro, quer econômico; quer histórico, quer do ponto de visto do setor de recursos humanos, quer de estoques. A empresa precisa ser entendida como um todo; percebendo que cada departamento tem sua importância de maneira equivalente e que para que a empresa tenha sucesso é preciso que todos os setores também o tenham. As empresas estão mergulhadas num mundo globalizado e bastante competitivo. A busca por diminuição dos custos e melhor gerenciamento dos processos gerenciais se tornaram um fator de diferenciação entre as empresas. Uma gerência eficaz e eficiente desses processos pode ser decisivo para o sucesso de uma organização. É nesse sentido que ter uma boa gestão de estoques ganha destaque primordial para uma empresa moderna que quer crescer e sobreviver no contexto atual. O surgimento de ferramentas de gerenciamento de estoques se torna de suma importância para uma gestão moderna, eficiente e eficaz na busca de atingir os objetivos gerenciais de uma organização. A gestão de estoque assume as características de planejar, organizar, dirigir, coordenar e avaliar todos os produtos que entram e saem da empresa. O controle de estoques é de suma importância para a empresa, sendo que controlam-se os desperdícios, desvios, apuram-se valores para fins de análise, bem como apura o demasiado investimento, o qual prejudica o capital de giro. O objetivo central do gerenciamento de estoque é encontrar o equilíbrio entre aquilo que se compra e aquilo que se vende, buscando uma maior interação com os outros departamentos: de compras, de produção, de vendas, de marketing. A administração de estoque tem o papel de coordenar as atividades relacionadas com entrada e saída de materiais, estabelecendo normas, procedimentos e funções, de modo que tudo funcione de acordo com o planejado. A administração geral precisa caminhar junto com a administração de estoque analisando os critérios e políticas de atuação. Estas políticas passam pela definição de 10 produtos que devem ser estocados, determinação de um estoque mínimo e máximo para cada produto, controlar o estoque quanto à qualidade dos materiais, condições em que os materiais devem ser estocados, manter inventários periódicos, identificar e retirar do estoque itens danificados ou sem condições para comercialização, definição de lugares adequados e suficientes para uma quantidade de produtos, período de entrega de produtos aos clientes, dentre outras. As definições das políticas são muito importantes ao bom funcionamento da administração de estoques. Percebe-se, então, que uma gestão inadequada pode resultar em efeitos danosos, tais como: insegurança na empresa, custo elevado, perda de tempo, falta de confiabilidade de funcionários, fornecedores e clientes. Resultando no possível fechamento da empresa. Inserida nesse contexto, a Paulus Livraria – João Pessoa vem buscando melhorar cada vez mais o modelo de gerenciamento de estoque por meio de sistema de informação moderno e qualificação de seus funcionários, visando a ser uma empresa competitiva e com diferencial diante dos seus concorrentes. Ela sabe que ser eficiente e eficaz no controle de estoque pode significar uma vida mais longa e sadia no contexto do mercado atual. Diante do que foi apresentado, a monografia se propõe a responder o seguinte problema: como a Paulus Livraria realiza a gestão de estoques? 1.2 Justificativa As empresas modernas precisam adotar um sistema de gestão que lhes garantam sobrevivência financeira e garantia de mais dias de vida no mercado. Entender que a empresa faz parte de um sistema maior chamado mercado, é o primeiro passo para se obter o sucesso. Ela precisa entender que neste novo cenário não tem espaço para priorização de setores em detrimento de outro. É importante que a organização perceba que investir na qualificação das pessoas e na modernização dos processos gerenciais é mais que necessário para o prolongamento das atividades da empresa. Neste sentido, investir no gerenciamento de estoques pode ser o diferencial de uma organização. Deve-se exigir que investimentos em estoques proporcionem os mesmos padrões de performance de outros investimentos. As exigências de eficiência e eficácia devem fazer parte do processo gerencial de estoques. Para isso é importante que se tenha claro o que seja gestão e estoque e sua importância para o sucesso da organização. 11 Dias (1996, p. 56) define gestão de estoque “como sendo o conjunto das ações que direcionam um plano para executá-las. O controle inclui o monitoramento do que aconteceu na realidade em comparação com o que fora planejado e as ações para providenciar as mudanças necessárias para o realinhamento do plano”. A gestão passa tanto pelo planejamento como pelo controle. São duas questões diferentes, mas que devem caminhar juntas para o sucesso do gerenciamento. Em um contexto competitivo onde a diminuição dos custos dos processos de entrada e saída de produto se torna fundamental como estratégia competitiva para a concorrência, um bom gerenciamento de estoque é mais que necessário. É sempre bom entender que não existe uma fórmula mágica para se fazer um bom gerenciamento de estoque. Cada empresa, a partir da realidade e da cultura organizacional, pode e deve montar a melhor forma de se fazer essa gestão. O mais importante é que saiba utilizar-se das ferramentas que se conhece e possa adequá-la, buscando atingir as metas definidas pela própria empresa. Para isso, existem os métodos ligados à tecnologia da informação que podem agilizar e melhorar os níveis de informação necessários para se fazer um bom gerenciamento de estoque. O presente estudo foi feito na Paulus Livraria, uma empresa que atua nos setores de livrarias espalhadas por 16 estados brasileiros, editoração, gráfica, ensino superior, radiodifusão e outros meios de comunicação. Porém, este trabalho basear-se-á nas atividades realizadas pela Paulus Livraria de João Pessoa na Paraíba. Ela comercializa, dentre os itens principais, livros, cds, dvds, cartões, artigos religiosos. A Paulus Livraria é caracterizada como uma empresa moderna e que possui uma forma de administrar por meio de uma gestão participativa. Procura ouvir os funcionários no processo de implementação de inovações. Procura valorizar o desenvolvimento profissional dos funcionários visando maior eficácia nas atividades que desempenham. Ela está em João Pessoa há 5 anos e já possui um número considerável de clientes fiéis. A partir do exposta pode-se perceber a importância e a viabilidade de um estudo sobre a gestão de estoques que a Paulus Livraria aplica. O trabalho procurou entender cada passo desse processo, viabilizando a percepção de ganhos e perdas vivenciadas e, talvez, não detectados. 12 1.3 Objetivos 1.3.1 Objetivo Geral Apresentar e analisar a gestão de estoques realizada pela Paulus Livraria – João Pessoa. 1.3.2 Objetivos específicos Analisar os benefícios do uso de tecnologia da informação para o gerenciamento do estoque na Paulus Livraria. Os benefícios serão apresentados ao longo do trabalho. Identificar perdas e ganhos no modelo vigente na Paulus Livraria. Serão apresentados ao longo de todo o trabalho. Sugerir possíveis melhorias no processo de gestão de estoque da Paulus Livraria. Serão apresentadas no final do trabalho. 13 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O objetivo de qualquer empresa com fins lucrativo é garantir a maximização do lucro como resultado de suas atividades e do seu devido planejamento. Uma etapa de suma importância para se atingir esse objetivo é gerenciar adequadamente o fluxo de entradas (compras) e saídas (vendas) de seus produtos ou serviços. Para que o resultado final ocorra de acordo com o que a empresa deseja é importantíssimo investir no planejamento estratégico de gestão de estoques que para Dias (1993, p. 23) “é maximizar este efeito lubrificante no feedback de vendas não realizadas e o ajusto do planejamento da produção. Simultaneamente a administração de estoques deve minimizar o capital total investido em estoques, pois ele é caro e aumenta continuamente, uma vez que os custos financeiros aumentam.”. A preocupação não é eliminar os estoques, mas saber equilibrar bem a relação entrada e saída dos produtos estocados. Ou seja, comprar aquilo que seja necessário para a organização. Outro aspecto de muito relevância para o gerenciamento do estoque é a congruência desse setor com as demais gerências. É preciso entender que a gestão de estoques é parte de uma organização e, por isso, não pode tomar decisões apenas a partir da sua realidade. O gestor de estoques precisa planejar suas ações em conjunto com os departamentos de compras, com o de produção, o de vendas e, conseqüentemente, com o departamento financeiro. Nem sempre o que se precisa comprar ou produzir, se tem condições financeiras para tal. Não adiante querer estocar uma quantidade de produtos, se o departamento de vendas não está envolvido com o planejamento. A conseqüência poderá ser estoques lotados e poucos produtos vendidos; o que poderá colocar em risco a saúde financeira da empresa. Portanto, a administração de estoques deverá ser bastante cautelosa para saber medir e se relacionar com os outros departamentos para se atingir os objetivos determinados pela empresa. A administração de estoques enfrenta alguns desafios que, quase sempre, colocam em risco todo o planejamento realizado. Os desafios segundo Dias (1993, p. 25) são : Dilatação dos prazos de entrega para os produtos acabados e do tempo de reposição da matéria-prima; Maior quantidade estocada e produção constante; Elevação de número de cancelamento de pedidos ou devoluções de produtos acabados; Produção parada por falta de matéria-prima; Falta de espaço para o armazenamento; 14 Baixa rotação dos estoques e obsoletismo em demasia. Para superá-los é preciso haver um trabalho em conjunto com os vários departamentos da empresa e um planejamento eficiente e flexível para que se possa corrigir as eventuais falhas. O processo de gestão de estoques deve abranger questões bem claras e, ao mesmo tempo, bem estruturadas. Faz-se necessário saber qual a função e objetivo do estoque, a política de gestão de estoques, como serão definidas e quais os meios para se definir as previsões de estoques, quais serão os custos de estoques e quais sistemas de gestão de estoques serão adotados. Esses são pontos importantes que deverão ser abordados e estudados antes de se tomar uma decisão sobre gestão de estoques. Será apresentado cada ponto acima mencionado. 2.1 Função e Objetivo de Estoque O estoque é o elemento regula o fluxo de entrada e saída de produtos. A empresa, procurando maximizar o lucro, obter mais produtos na certeza de que eles traduzirão as expectativas em realidades, ou seja, trarão todo o capital investido, mais lucro e uma margem de dinheiro para novos investimentos. O estoque é a garantia de que a empresa possui condições de permanecer no mercado por algum tempo, desde que seja feito de forma racional e por meio de técnicas seguras e adequadas. Ele é responsável pela otimização do investimento em matéria prima e produtos, aumentando o uso eficiente dos meios interno da empresa e minimizando as necessidades do capital investido. O estoque tem uma função peculiar na gestão de uma organização, pois também é responsável pelo sucesso ou não de uma organização. Sem estoque, nem que seja o mínimo possível, não se pode trabalhar. Dentro do espaço globalizado, onde a competição e o esclarecimento dos clientes é uma realidade, não se é mais possível negligenciar o gerenciamento de estoques. É importante também entender o estoque dentro de um conjunto mais complexo dentro da organização. A decisão de se adquirir estoques precisa estar intimamente ligada com as decisões dos setores de compra, com o setor financeiro, setor de produção (em algumas empresas) e o setor de vendas, procurando harmonizar as ações da empresa como um todo. Não adiante querer comprar se a empresa não dispõe de recursos financeiros ou se ela não possui uma política de vendas que garanta a saída e o retorno financeiro desejado. É preciso que a administração de estoques esteja em consonância com ou outros departamentos para não 15 prejudicar a operacionalidade da empresa. Muitas vezes, é melhor comprar muitos lotes com poucos pedidos para compensar os custos utilizados. Isso torna mais claro no exemplo de Ballou (2001, p.213) “quanto maiores as quantidades estocadas, maiores serão os custos de manutenção. Será necessária menor quantidades de pedidos, com lotes maiores, para manter os níveis de inventários. Lotes maiores, implicam menores custos de aquisição e de faltas”. 2.2 Política de Gestão de Estoques A definição de uma política de gestão de estoques é muito importante para direcionar as atividades da empresa. Essa etapa não pode ser relevada ao segundo plano, pois definir uma política é dizer como as coisas deverão ser feitas. Ela servirá também para medir o desempenho das atividades. Poderá dizer se as ações estão apontando para o lado certo ou não. Compete a política de gestão de estoques definir: O tempo de entrega dos produtos aos clientes; Definir o onde, o quê, como e em que condições estocar; Quais níveis de estoques serão ideais para atender a demanda do cliente sem que este seja prejudicado e onde a empresa possa cumprir com os seus compromissos; Saber declarar qual a rotatividade dos produtos a serem estocados; Saber comprar na hora certa, nem antes e nem depois. Planejar e realizar inventários periódicos, podendo avaliar as quantidades e as qualidades dos produtos estocados, visando eliminar a obsolescência e os prejuízos. Uma definição de política não planejada pode prejudicar o sucesso de todo o planejamento organizacional. Decidir manter estoques altos visando futuros aumento de preços ou algo semelhante é muito arriscado como atesta Valle (1994, p.11) “os estoques existem e são necessários por uma serie de motivos, sobretudo para garantir a segurança de que não haverá interrupções por falta de material, permitindo a continuidade das operações mesmo quando surgem demandas extraordinárias ou quando as aquisições de rotinas não são bem-sucedidas como no caso de entregas atrasadas ou rejeitadas. Entretanto, encomendas de compras em quantidades não adequadas terão como efeito a formação de estoque além dos limites que, do ponto de vista técnico e econômico, não seriam recomendáveis nem aceitáveis”. O gestor de estoques precisa ser capaz de estar envolvido com cada etapa do processo da cadeia de suprimento para que não venha colocar em risco o planejamento realizado. 16 Definir bem cada ponto mencionado não é tarefa fácil, mas, se houver envolvimento e participação das pessoas diretamente relacionadas com a execução das atividades, o trabalho se tornará mais prazeroso e com mais chances de ocorrer tudo como o planejado. 2.3 Previsão de Estoques A previsão de estoques deve ser o ponto de partida de qualquer planejamento e gerenciamento de estoques. Ter uma previsão de consumo e de demanda de determinado produto é um passo primordial para o sucesso do plano para estoques. Ela possibilita conhecer quais e quantos os produtos estão sendo vendidos ou procurados. Porém, a previsão de estoques deve ser sempre encarada como previsão e não como verdade absoluta. Por mais que os métodos sejam eficientes, é sempre arriscado colocar cem por cento de confiança nas previsões. Isso porque o cenário do mercado está sempre variando e as pessoas fazem compras ou não de acordo com vários estímulos que, nem sempre, são controlados e detectados. O comportamento das pessoas é sempre dinâmico, possibilitando erros nas previsões. Qualquer mudança no comportamento dos consumidores, maior os riscos de se ter uma distancia entre o real e o previsto. Para se evitar grandes disparates as empresas estão utilizando-se de técnicas matemáticas e de computadores para minimizarem os riscos como afirma Ballou (1995, p. 215) “pode-se combinar técnicas matemáticas e computadores para gerar previsões de milhares de itens com periodicidade semanal e mensal. Isto tornou procedimentos científicos de controle de estoques viáveis em 85% das empresas americanas”. Previsão é a possibilidade de uma determinada coisa ou fato se realizar dentro daquilo que se planejou. Para se ter uma previsão coerente, se faz necessário métodos eficazes e eficientes. Porém, mesmo assim, se pode trabalhar com valores aproximados para mais ou para menos. Dentro dessa visão, a gestão de estoques precisa ter clareza das técnicas a serem utilizadas. Outro ponto importante é que, o departamento de estoques terá que ter uma margem de resposta para as possíveis falhas das previsões. Para isso, alguns dados se fazem necessários, quais sejam: Saber a evolução de cada produto, ou seja, qual foi sua história. Vendeu muito ou não; Quanto tempo o produto passou do momento da produção até sua venda; Qual o público alvo? Onde eles estão localizados? Qual a renda média dos consumidores? 17 Ouvir os envolvidos (gerentes, vendedores, compradores) e fazer pesquisa de mercado. Para melhor cruzar essas informações, existem técnicas e métodos que auxiliam o administrador de estoques no alcance dos resultados. Serão apresentados alguns modelos como parâmetro para os demais. 2.3.1 Método do Último Período Esse é o modelo mais simples e muito usado por organizações de pequeno porte. A previsão é feita a partir das vendas realizadas no último período. Nesse modelo não há o uso de base matemática. Porém, da mesma forma que é fácil e simples de se aplicar, é um dos métodos menos seguros na previsão de estoques. Aqui o pedido de compra seguirá tal qual o pedido do período anterior. Não são levadas em consideração as mudanças no comportamento das pessoas, mudanças no mercado, novos concorrentes, maiores ofertas, dentre outros. Esse modelo também não exige pesquisa de mercado para buscar entender o novo cenário existente. É claro que as informações passadas são de suma importância para o gerenciamento de estoques, porém, ter isto como a única forma de se fazer uma previsão para o período atual, é muito arriscado e perigoso. 2.3.2 Método da Média Móvel Define o consumo médio como sendo a soma de produtos consumidos, divididos pelo número de períodos envolvidos. Esse é mais um modelo simples e não muito confiável. Isto porque também não leva em consideração as mudanças no consumo dos clientes. É uma conta simples, mas que esconde o perigo. Como posso achar que esse período é igual a qualquer um outro? Também não é levada em conta a variabilidade de um mês para o outro. O risco é fazer um pedido abaixo ou acima da demanda. A conseqüência pode ser perdas devastadoras que comprometerão todo o planejamento da empresa. Segundo Dias (1996, p.37) a fórmula para se calcular a média móvel é a seguinte: CM = C1 + C2 +C3+...+Cn N CM = consumo médio C = consumo nos períodos anteriores N = números de períodos 18 2.3.3 Método da Ponderação Exponencial Esse método apresenta menor manuseio de informações passadas. Ele utiliza a previsão do último período, a soma de uma constante de amortecimento (ponderação dada aos valores mais recentes) e multiplica pelo erro de previsão (diferença entre a demanda real e a prevista). É o modelo mais utilizado. Segundo Ballou (1995, p. 215) “isto acontece porque ela tem algumas qualidades especiais. Antes de mais nada, é muito fácil de usar. Alem disso, necessita de relativamente de poucos dados acumulados, o que é particularmente importante quando se deve armazenar informação para alguns milhares de itens. E, finalmente, ela é adaptável, ou seja, ela se autocorrige conforme haja alteração no comportamento das vendas”. Esse modelo é mais vantajoso que o anterior porque valoriza os dados mais recentes, e utiliza-sede poucas informações passadas. Não vai precisar das informações dos vários períodos anteriores, mas apenas do último. Exemplificando ficará mais fácil de entender esse modelo: no período anterior previu-se um consumo de 50 palitos de churrasco, no entanto o consumo real foi apenas 40 palitos. Para obter uma nova previsão para o período atual é preciso entender que há duas possibilidades para que essa variação tenha ocorrido. A primeira pode ter sido por motivos aleatórios e que, por isso, não houve mudança nos padrões de consumo; portanto a previsão seguirá a mesma do período passado que era de 50 palitos. A segunda possibilidade é que parte da variação ocorreu por mudanças no padrão de consumo das pessoas; suponhamos que seja 20%. Levando em conta que o consumo real foi 40 palitos e que a mudança de padrão do consumidor foi de 20%, portanto 2 palitos, a nova previsão será de 48 palitos para o atual período. Para Dias (1996, p. 40) a fórmula básica da ponderação exponencial é a seguinte: P = A x (DR) +(1-A) x (PA) P = previsão atual A = constante de suavização exponencial DR = demanda real PA = previsão anterior. Para calcular citado acima: Não esquecer que no exemplo a constante de suavização exponencial é igual a 0.2 (20%). 19 P= 0.2 x 40 +(1-0.2) x 50 P= 8 + (0.8) x 50 P = 8 + 40 P = 48 palitos. Outras técnicas poderão ser utilizadas e aperfeiçoadas. O que vai definir vai ser a realidade de cada empresa e as condições que ela oferece para a aplicação das técnicas e dos modelos. O mais importante é que a previsão de estoques seja uma forma de melhoramento do processo de gestão de estoques. Saber usar um modelo e, ao mesmo tempo, ser flexível, para aplicar outro quando aquele não mais responder às expectativas, é sinal de maturidade administrativa. É importante saber adequar as técnicas aos resultados como afirma Ballou (2001, p. 240) “a preocupação final é fazer o melhor com as técnicas de previsão disponíveis. A discussão até agora centrou-se no uso de modelos e de métodos individuais. Na prática, um único modelo de previsão não pode ser o melhor o tempo todo. Em vez disso, combinar resultados de diversos modelos pode dar previsões mais estáveis e mais acuradas”. 2.4 Custo de Estoques Na definição de custos feita por Alvarenga e Novaes (1994, p.5) “o custo constitui a soma dos insumos (mão-de-obra, energia, materiais diversos equipamentos, instalações fixas, etc.) necessários para realizar um determinado serviço ou operação, avaliados monetariamente”. A definição de custo de estoque passa pelo reconhecimento dos vários elementos que contribuem e influenciam para a existência do estoque de uma organização, desde a decisão de se ter estoque até a venda do produto. Os custos são complexos e precisam de muita atenção para não ocorrer muitas compras, muitas vendas e poucos resultados. Há vários tipos de custos: com juros, armazenagem, aluguel, depreciação, manutenção, capital investido, de pessoal, por falta, dentre outros. Para Ballou (2001, p. 256) “custos de estoques resultam da estocagem, manutenção dos bens por um período de tempo e são proporcionais à quantidade média dos bens mantidos”. Quanto maior tempo os produtos passam no estoque, maiores os custos. Da mesma forma acontece com o volume de estoque; quanto maior a quantidade de produto estocado, maior o número de pessoas envolvidas, maior o espaço utilizado, maior o uso de 20 energia e insumos, maior uso de equipamentos e maior a necessidade de manutenção. O calculo desses custos, geralmente, são feitos por meio de cálculos matemáticos e por meio de computadores, agilizando e garantindo um resultado mais seguro para a empresa. 2.4.1 Custos de Capital É o custo referente ao dinheiro investido na obtenção dos produtos estocados e na aquisição de maquinas e equipamentos e outros bens que estejam relacionado com os estoque. Suponhamos, ainda que a empresa precisou adquirir novos produtos e não tinha dinheiro em caixa e precisou fazer empréstimos ao banco. O juro, as taxas e os impostos também devem ser inclusos nos cálculos dos custos de capital. Estão inclusos também, a depreciação dos produtos, entre outros. Não se pode entender custo de capital apenas o valor pago pelas mercadorias como afirmam Alvarenga e Novaes (1994. p.36) “uma forma mais correta de calcular o custo do capital considera não somente a parcela do investimento propriamente dito, como também os custos financeiros incorridos”. É preciso que seja levado em consideração todos os custos e não somente aqueles diretos. Leva-se em consideração todos os insumos, serviços e investimentos envolvidos. 2.4.2 Custos com Pessoal É o custo referente ao pagamento de salário das pessoas envolvidas e seus respectivos encargos sociais. 2.4.3 Custo com Edifício É o custo referente ao aluguel do prédio, pagamento de água, luz, conservação, impostos e outros afins. 2.4.4 Custo de Manutenção É o custo referente a deterioração, obsolescência dos equipamentos. A contabilidade da empresa poderá calcular os custos por meio da setorização da empresa e apontar os custos devidos a cada setor. Portanto, essa dedução dos custos referente às máquinas e equipamento é de grande validade para que se tenha um raios X correto dos custos com estoques. 21 2.4.5 Custo de Falta de Estoque Segundo Ballou (2001, p. 257) “os custos de falta são incorridos quando um pedido é colocado, mas não pode ser preenchido do estoque ao qual o pedido foi designado. Há dois tipos de custos de falta de estoques: custo das vendas perdidas e custo de pedidos em aberto. Cada um pressupõe certas ações por parte do cliente, e, por causa de sua natureza intangível, são difíceis de serem medidos acuradamente”. Talvez seja mais difíceis de se calcular e de controlar. Isso porque é preciso que acompanhe todos os pedidos não atendidos dos clientes bem como todos os pedidos que só serão atendidos no futuro. Ballou (1995, p.212) esclarece “os custos de vendas perdidas ocorre quando um cliente cancela seu pedido caso o produto desejado esteja em falta. Este custo pode ser estimado como lucro perdido na venda agregada de qualquer perda de lucro futuro, devido ao efeito negativo que essa falta possa ter na boa vontade do cliente (...) Na verdade é um tipo de custo de oportunidade, onde não desembolso direto”. Ele também esclarece os custos de atraso “são de medida mais fácil, pois resultam em gastos diretos da empresa. Quando o cliente aceita atrasar sua compra até que o estoque tenha sido reposto, certos custos adicionais acontecem no atendimento deste pedido. O atraso pode acarretar gasto adicional devido a custos administrativos e de vendo no reprocessamento do pedido, além de custos extraordinários de transporte e manuseio, caso o suprimento deva ser realizado fora do canal normal de distribuição”. É importante ter claro que enquanto maior o número de estoques, mais elevado os seus custos. Quanto maior produto estocado, maior necessidade de se contratar pessoas, maior o espaço utilizado, maior a necessidade de manutenção e, ainda, pode aumentar o número de obsolescência. O processo se torna circular e com efeito diretamente proporcional. Saber medir a quantidade ideal com a necessidade demandada resultará no sucesso do gerenciamento dos custos de estoques. 2.4.6 Custo de Armazenagem Durante muito tempo se negligenciou os custos com estocagem dos produtos, deixando essa responsabilidade para o almoxarife. No entanto, hoje as empresas buscam cada 22 vez mais diminuir os custos com armazenagem de produtos procurando ser um diferencial competitivo no mercado. Existem varias maneiras para se calcular os custos com armazenagem, vai depender do ponto de referência adotado. Será apresentado um modelo levando em consideração que o custo de armazenagem é proporcional ao estoque médio e que o preço unitário constante no período analisado. Para Dias (1996, p.46) a fórmula básica para calcular o custo de armazenagem é a seguinte: CA = Q x T x P x I 2 CA = custo de armazenagem Q = quantidade de materiais em estoque no período analisado T = tempo considerado na armazenagem P = preço unitário do material I = taxa de armazenamento (expresso em porcentagem) 2.5 Sistemas de Gestão de Estoques Um dos maiores desafios do gestor de estoques é reduzir ou aumentar estoques sem interferir negativamente no setor de produção. A empresa tem ciência de que os setores de estoque com o de produção devem caminhar juntos de forma ordenada, porém nem sempre isso acontece. É nesse momento que as habilidades dos gestores podem ser decisivo. A preocupação em determinar o quanto pedir, o quanto produzir, o quanto estocar era o fator decisivo para definir um bom gerenciamento de estoques. Atualmente, o foco passa a ser outro. Saber definir a quantidade ideal é importante, porém o mais relevante é saber quando, como e em que condições efetuar um pedido, uma compra ou um processo de estocagem. Tomar uma decisão no momento certo poderá elevar os resultados da empresa. Fazer um pedido na hora certa para atender a uma demanda certa de cliente, passa a ser um bom teste de desempenho para o gestor de estoques. Outro fator importante é definir quais os produtos são mais e quais os poucos rentáveis. Para isso, é de suma importância conhecer bem os produtos e como se comportam dentro da empresa. Quais deles vendem mais e quais trazem maiores e melhores resultados? Produtos que vendem menos nem sempre são os que dão menos resultados. A quantidade nem sempre reflete a qualidade. 23 Existem ferramentas que auxiliam o gestor de estoques nas tomadas de decisão. Ferramentas para conhecer os produtos mais rentáveis, mais vendidos, os mais rotativos. Serão apresentadas algumas dessas ferramentas, procurando anotar suas importâncias para o gestor de estoques como também para toda a empresa. 2.5.1 Classificação ABC A classificação ABC é uma curva que permite ao gestor de estoques reconhecer quais os produtos que oferecem maior, médio e menor rentabilidade. Ela é importante para que se defina quais os produtos merecem maior atenção. É a percepção que de cada produto contribui em proporção diferente na rentabilidade da empresa. Ballou (2002. p. 280) contribui para essa percepção dizendo que “as vendas do produto indicam um fenômeno do ciclo de vida, que começa com a introdução do produto com baixos níveis, aumenta rapidamente em algum ponto, nivela-se e, finalmente, declina. Os produtos de uma empresa, geralmente, estão em vários estágios de seus ciclos de vida e, conseqüentemente, contribuem para as vendas e os lucros de maneira desproporcional. Isto é, alguns itens podem contribuir com uma proporção elevada para o volume de vendas”. A grande vantagem de se utilizar a classificação ABC é que se poderá dar uma atenção diferenciada para determinados produtos que contribui mais para a lucratividade da empresa. O primeiro passo para se utilizar o gerenciamento de estoques a partir da classificação ABC é definir a importância dos produtos para o resultado econômico da empresa. Em seguida, poderá agrupa-los em classes A,B e C. Os produtos da classe A são mais importantes e que devem ser tratados de maneira especial. São aqueles que trazem maior rentabilidade. Os produtos da classe B são aqueles que estão numa posição intermediária. Os produtos da classe C são os de menos importância e que não vai ser preciso uma atenção especial. Nessa classificação, os produtos de maiores rentabilidades são em número menor. Adota-se, geralmente, alguns parâmetros para essa classificação. Os itens da classe A representam até 20% dos produtos da empresa. Os itens da classe B até 30% e os da classe C até 50%. Para Heskett (1986, p.16) com método ABC, “os gerentes estabelecem regras de estoque mais restritivas itens de alto valor e baixo volume de vendas do que para outros na linha de produto. Este esforço reduz os custos de manutenção de estoque em relação a um dado volume de vendas. Isto representa uma maneira na qual a relação 80/20 pode ser utilizada eficientemente como parte integrante da estratégica de uma empresa”. 24 Uma outra forma de entender a classificação ABC é definir que os produtos da classe A são aqueles que apresenta maior nível de movimentação. Os itens da classe B possuem movimentação média e os itens da classe C possuem menor nível de movimentação. Esta visão é menos usada e aceita, pois só leva em consideração o aspecto quantitativo e não qualitativa da movimentação. As duas perspectivas trazem de importância a necessidade de perceber que cada produto tem um ciclo diferente do outro e, por isso, precisa ser entendido de maneira diferente. Para Ballou (2001, p. 280) “não há uma definição precisa de afirmar que os itens estão agrupados em uma categoria ou outra, ou mesmo de determinar quantas categorias usar. Entretanto, classificar ordenadamente os itens pela vendas e, então, dividi-los em poucas categorias, é um começo. Alguns itens podem ser reclassificados para outras categorias conforme dita a sua importância”. É importante entender que essa classificação tem um sentido de facilitar o planejamento, de forma que não pode ser entendido como uma classificação fechada em si mesma. O que vai determinar sua classificação é o grau de interesse e que melhor facilite o gerenciamento dos produtos. 2.5.2 Lote Econômico O lote econômico é outra ferramenta gerencial para facilitar na tomada de decisão do gestor de estoques. Essa ferramenta procura ser útil na análise da viabilidade econômica ou não de se estocar ou não um determinado produto. Dentro do planejamento de estoques, fazse a pergunta sobre a compensação de estocar um produto. Procura-se responder aos seguintes questionamentos: é econômico estocar o item? É viável estocar um item, mesmo economicamente inviável, somente para atender ao cliente e melhorar o relacionamento com ele? São, basicamente, essas respostas que o lote econômico procura oferecer. Para se saber a viabilidade ou não de um produto estocado, procura-se entendê-lo a partir de uma visão ampla de custo como defende Sandroni (2000, p. 290) ao dar a seguinte afirmação sobre lote “é a quantidade de matéria-prima, produtos semi-acabados ou acabados que uma empresa encomenda de cada vez para minimizar seu custo total, levando em conta as despesas de armazenamento, os juros do capital empatado e as despesas gerais de compra”. 2.5.3 Sistema Duas Gavetas 25 A definição de um estoque ideal, onde a empresa possa assumir os compromissos com os clientes e não ter grandes perdas com estocagem, é o grande desafio de quem é responsável para o gerenciamento do estoque. Por um lado, a empresa precisa calcular um nível de estoque que possa atender a demanda. Por outro lado, precisa definir as condições, os recursos para que a decisão seja acertada como um todo. Em tempos de grandes oscilações no consumo, época em que estamos vivendo, não é tarefa fácil tomar uma decisão sobre níveis de estoques. O consumo nem sempre é estável. Além da sazonalidade, a concorrência, a entrada de produtos similares no mercado e a pirataria são elementos que dificultam ainda mais uma tomada de decisão sobre o nível de estoques. Por isso, é preciso que o gestor de estoques conheça bem a demanda exigida e esteja atento às mudanças no mercado. Sobre a importância de definir limites de estoques Ballou (2002, p.284) diz que “estoques representam um investimento substancial de capital para muitas empresas. Por causa disso, freqüentemente os gerentes colocam um limite na quantidade de estoques a ser mantida. A política do controle de estoques deve ser ajustada para atingir este objetivo”. A globalização traz consigo a competitividade. Ter o produto na hora certa e com o custo que o consumidor precisa é um fator diferencial e estratégico para a conquista e para a fidelização de um cliente. Não deixar faltar o produto pode garantir o sucesso de todo um planejamento realizado. Para garantir o equilíbrio desejado entre atender o pedido do cliente e não deixar estoque oneroso para a empresa, o gestor de estoques pode se beneficiar de algumas ferramentas de controle de estoques; uma delas é o sistema de duas gavetas. Esse método é muito simples para controlar estoques. É um método muito usado para o comércio varejista de pequeno porte. O método de duas gavetas compõe-se de duas caixas ou gavetas. Uma, onde podemos chamar de A, deve conter uma quantidade de produtos suficiente para garantir a demanda durante o período de reposição dos produtos. A caixa B deve conter a quantidade de produtos consumidos num determinado período. O estoque deve começar com as duas caixas cheias. Quando houver uma solicitação de produtos, devem ser retirados da caixa B até esta chegar a zero. Nesse momento, faz-se um novo pedido e a caixa A passará a ser responsável pelo atendimento dos pedidos até que os novos produtos cheguem, começando um novo processo. A grande vantagem desse método é que não precisa de grandes análises para se chegar ao ponto de pedido. Será uma percepção visual e de fácil identificação. Não correrá o risco, se feito corretamente, de faltar o produto na loja. O cliente terá garantido o produto e a 26 empresa poderá planejar os custos com maior tranqüilidade, pois conhece o quanto terá que comprar e estocar. O gestor de estoques terá um acompanhamento da rotatividade dos produtos e poderá ir percebendo o quanto cada produto gira ou não dentro das gavetas. A limitação desse método é a necessidade que se tem de estocar um determinado número de produtos. Isso vai acarretar mais custos, maior estoque, mais espaço, mais pessoas para o controle e o risco de perdas por avarias, obsolescência e capital empatado. Para superar ou diminuir essas limitações, o gerente de estoques terá que saber definir, com maior exatidão possível, o verdadeiro número de produtos consumidos num determinado tempo. Depois precisa fazer avaliações constantes para que os números definidos não se tornem alheios à realidade. Caso os números definidos não mais correspondam, terá que refazê-los. Esse dinamismo é conseqüência de uma boa gestão de estoques que todas as organizações, mergulhadas na globalização e no mercado competitivo, terão que ter nos dias atuais. 2.5.4 Sistemas dos Máximos-Mínimos Sabendo que não é fácil definir o consumo exato de um determinado produto num certo período como se queria com o sistema das duas gavetas, pode usar o método máximomínimo. Esse modelo é muito comum. Pode ser usado manualmente e por meio de computadores através de um sistema Kardex. Esse sistema permite mostrar o ciclo de vida do produto, desde a entrada do item na empresa, quanto tempo passou e quando saiu. Esse método, segundo Dias (1996, p.117) segue a seguinte estrutura: a) Determinação dos consumos previstos para o item desejado; b) Fixação do período de consumo previsto por esse produto; c) Cálculo do ponto de pedido em função do tempo de reposição do item pelo fornecedor; d) Cálculos dos estoques mínimos e máximos; e) Cálculo dos lotes de compra. Esse método permite a reposição imediata de um determinado item quando este atinge o fator mínimo. Todas as vezes que um produto chega ao seu fator quantitativo mínimo, automaticamente se faz um pedido para abastecê-lo para atingir o fator máximo. O objetivo é que o produto possa oscilar dentro de uma margem mínima e máxima. Esse sistema é aconselhado quando a demanda não é regular. Ballou (2002, p. 275) afirma que “a abordagem mínima-máxima para controle de estoques é um método apropriado 27 para ser usado quando a demanda é irregular, ou errática. A demanda irregular freqüentemente está associada com os itens de movimentação lenta, mas não necessariamente limitada a eles. Realmente, a característica da demanda irregular pode ser vista em até 50% dos itens da linha de produtos para muitas empresas”. A principal vantagem desse método é a possibilidade de rápida reposição e o uso de computadores para o melhor controle. Outra vantagem é que se pode usar com todos os produtos da empresa, não se limita a uma classe ou outra. Uma limitação é que não há um estoque de segurança em caso de um eventual pedido de grande porte. Não está garantido o atendimento de um produto que esteja acima da quantidade máxima definida. 2.5.5 Sistema Materials Requeriments Planning (M.R.P) É o método que procura atender ao planejamento de necessidade de materiais. O propósito do método é a identificação das necessidades de se ter uma quantidade ou não de um determinado produto. O método procura traçar um planejamento global que envolva todos os setores da empresa que estão ligados diretamente com a gestão de estoques. Envolver dentro do planejamento os departamentos de compras, produção, financeiro, controle de ações empresarial, na busca de traçar um mapa de previsões para cada departamento. Com isso, procura-se eliminar os custos com produtos que geram estoques de grande valor financeiro e quantidades obsoletas. A principal preocupação é a definição de previsões daquilo que realmente será necessário para o sucesso das atividades da empresa, ou seja, comprar, produzir, vender num determinado espaço de tempo que não gere perdas ou danos causados por falta de planejamento estratégico. Para Ballou (2001, p.317) MRP “é um método usado principalmente para programação de peças, materiais suprimentos por encomenda de alto valor cuja demanda é razoavelmente conhecida. A finalidade do MRP, de um ponto de vista logístico, é evitar tanto quanto possível, manter esses itens em estoque”. A procura de se conhecer a demanda para um determinado período é a garantia de sucesso desse método. Conhecer o tempo preciso do fluxo de matérias para satisfazer as demandas é o ponto chave do MRP. Uma grande vantagem do MRP é o uso de sistemas computadorizados na definição do planejamento das etapas do método. Defini-se os níveis de estoques que serão demandados num determinado período; mostra-se a quantidade necessária para atender essa demanda, 28 somando com a quantidade necessária para a possível reposição dos itens. Os softwares são aliados fortes no sucesso da realização das atividades de controle de estoques. Sistemas computadorizados já devem fazer parte de qualquer empresa que pense no futuro de suas atividades. Para Heskett (1986, p.28) “a logística constitui uma atividade orientada para a tecnologia. Os investimentos em tecnologia freqüentemente produzem bons retornos, sugerindo continuados esforços de significativa magnitude”. Pensar em modernidade e gestão estratégica é, necessariamente, pensar no uso de tecnologia de computadores. O MRP parte desse modelo moderno de administrar resultados. Segundo Dias (1996) o MRP pode ser pensado como um sistema integrado e constituído por três etapas: a primeira constituída por um planejamento global, que envolve os vários setores da empresa, como setor de produção, estocagem, vendas. Nessa fase define-se as previsões de demandas, os pedidos a serem feitos, as limitações de capacidades financeiras e de estrutura física. A segunda é o levantamento do número de produtos finais existentes na empresa. A terceira é o planejamento e o acompanhamento das compras. O MRP procura definir a necessidade bruta da empresa, ou seja, determinar qual a real quantidade de itens que se precisa para atender os pedidos num determinado tempo. Define-se a previsão de demanda. Depois verifica-se quantos itens finais se têm na empresa e determina o pedido de compra, podendo ainda incluir um número de itens de segurança para garantir o sucesso do planejamento. O método deve ser flexível e periódico, permitindo uma rápida avaliação e que evite o re-planejamento, que sempre é sinônimo de mais trabalho, mais despesas, mais pessoas envolvidas e mais tempo perdido. A idéia da eficiência e eficácia é parte integrante desse método. 29 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 3.1 Tipo de Pesquisa A presente pesquisa seguiu a classificação adotada por Faria, Cunha e Felipe (2002) que a define a partir de dois aspectos: de acordo com os objetivos propostos e pela técnica e procedimento utilizados. Quanto aos objetivos propostos, a pesquisa será descritiva, onde visa apresentar como é a gestão de estoques realizada pela Paulus Livraria - João Pessoa. Segundo Faria, Cunha, Felipe (2007, p.31) “nas pesquisas descritivas o pesquisador apresenta o objeto da pesquisa, procurando descrever e demonstrar como um determinado fenômeno ocorre, quais são suas características e relações com outros fenômenos”. Quanto à técnica e procedimento utilizado, a pesquisa será de campo, pois irá coletar dados da Paulus Livraria - João Pessoa. Para Faria, Cunha, Felipe (2007, p.34) “as pesquisas de campo trabalham com amostragens que representam uma parte da população que se pretende estudar”. 3.2 Ambiente de Pesquisa O estudo foi realizado na Paulus Livraria - João pessoa, que está localizada na Praça Dom Adauto s/n, Centro de João Pessoa – PB. 3.3 Participantes Os participantes foram aqueles que estão ligados diretamente ao controle de estoques: o estoquista – faturista e o gerente de loja. 3.4 Instrumento O instrumento de pesquisa utilizado para coleta de dados foi um questionário aplicado diretamente às pessoas que exercem atribuições acerca do objeto estudado. Tal instrumento de 30 pesquisa, em anexo no apêndice deste trabalho, foi composto por perguntas abertas e fechadas, tendo como base a seqüência dos conteúdos abordados por Dias (1996) . 3.5 Tratamento dos Dados Os dados deste presente trabalho de conclusão de curso foram sujeitados a dois tipos de tratamentos: qualitativa e quantitativa, concomitantemente. 31 4 TRATAMENTO E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS 4.1 A Pia Sociedade de São Paulo (Paulus) 4.1.1 Histórico Há 73 anos, em 20 de agosto de 1931, desembarcavam no porto de Santos, com destino à cidade de São Paulo, os padres italianos Xavier Boano e Sebastião Trosso, dois religiosos da Pia Sociedade de São Paulo Apóstolos (Congregação dos Paulinos ), fundada em 1914 pelo bem-aventurado Thiago Alberione, em Alba, Itália. Tinha como missão primeira “evangelizar com os atuais meios de comunicação social”. O propósito era trabalhar na difusão do Evangelho de Jesus Cristo e dos valores cristãos. A Obra do Pe. Alberione ganhou forma e se espalhou por muitos paises da Europa e pelos outros continentes, chegando ao Brasil no dia 7 de maio de 1933, publicando alguns periódicos religiosos. Foi responsável pela primeira impressão da Bíblia em terras brasileiras. Na década de 60, a Pia Sociedade de são Paulo passa a atuar no meio radiofônico. Com o passar dos anos, ela intensifica sua atuação em educação, meio gráfico, editoração e logo em livraria. Hoje ela possui duas gráficas, um centro de distribuição (CEPAD),uma faculdade, vários centros educacionais, rádios, 29 livrarias espalhadas por quase todo o Brasil, dentre outros. No seu portfólio de produtos constam: artigos religiosos; livros dos mais diversos segmentos: Filosofia, Sociologia, Antropologia, Comunicação, educação, auto-ajuda, teologia, bíblico, infanto-juvenil, saúde; música e vídeo. Quase todos levam sua própria marca. 4.1.2 A PAULUS LIVRARIA –JOÃO PESSOA A Paulus Livraria - João Pessoa é uma das 29 filias da Pia Sociedade de São Paulo espalhadas por todo o Brasil. A Paulus livraria está presente na Paraíba, com uma única loja, desde de Novembro de 2002. Está localizada na praça Dom Adauto, no centro de João Pessoa. Possui seis funcionários (gerente, auxiliar de vendas, estoquista-faturista, caixa, divulgador e vendedores), um estagiário e um vendedor externo. 32 A Paulus Livraria – João Pessoa está ligada diretamente à administração da sede do Brasil,em São Paulo. A loja trabalha com produtos próprios (livros, cds, dvds, cartões), que representam quase 90%, e produtos de terceiros (livros, cds, dvds, cartões, artigos religiosos em geral). A paulus Livraria – João Pessoa procura ter uma administração mais aberta. Há espaço para que qualquer funcionário possa dar opinião sobre como se pode melhorar a forma de administrar e gerenciar a loja. A empresa possui um sistema de computador (Microsiga) que auxilia o gerente nas tomadas de decisão: consulta de vendas de cada período, acompanhar quanto e quais os produtos estão sendo vendidos, quem está vendendo mais ou menos, banco de dados de clientes, sendo possível saber a capacidade de compra de cada um, a periodicidade de entrada e saída de produtos, medir níveis de estoque, previsão de estoques. Os funcionários também têm acesso à internet e intranet, melhorando a circulação de informação interna. 4.1.3 Missão da Paulus Humanizar a sociedade a fim de que seja resgatada a dignidade do ser humano independente da fé que professe, por meio de conteúdos que possibilitem a reflexão sobre a influencia da comunicação social no cotidiano das pessoas, uma vez que a educação e a cultura ampliam a liberdade de expressão. 4.1.4 Visão da Paulus Ser reconhecida como espaço de encontro, de evangelização e de cultura, tornando-se referencia no seu segmento. 4.1.5 Planejamento Estratégico da Paulus Conquistar uma maior fatia do mercado em seu segmento, por ser relativamente nova no Estado, priorizando a venda dos produtos que levam a sua marca. 33 4.1.6 A Concorrência A concorrência direta da Paulus livraria é as Editoras e Livrarias Paulinas, Vozes, Ave-maria, Loyola e algumas locais, mas sem grandes expressões. O forte da Paulus é ter uma estrutura própria que possibilita trabalhar e editar seu próprio produto. A marca também e um ponto a ser destacado. Assim como a concorrência a marca paulus e muito forte, chegando ate supera-la. Outro ponto forte da paulus e o investimento em recursos humanos. A Empresa investe muito na qualificação e treinamento dos funcionários. Acredita na ascensão dos colaboradores. Oferece benefícios extras para todos. O cenário aponta favorável a Paulus. 4.2 Gerenciamento de Estoques da Paulus Livraria – João Pessoa O Gerenciamento da Paulus Livraria - João Pessoa está diretamente ligado à administração da Paulus Sede em São Paulo. É a sede quem define as diretrizes mestras das políticas de compras, de estoques, de venda, de relacionamento com clientes, fornecedores. Contudo, não anula a participação da filial em ações mais regionalizadas, desde que não tire o foco das principais ações e metas desenvolvidas pela Sede. A Paulus Livraria - João Pessoa comercializa com produtos próprios e de terceiros. Para cada tipo de grupo (produtos próprios ou terceiros) possui uma forma de agir diferentemente. A maior parte do que se comercializa vem da própria empresa, sendo prioridade a divulgação e a comercialização de livros, cds, dvs e cartões da própria editora. O gerenciamento de estoques está intimamente ligado aos outros setores da empresa. Por isso, esse trabalho vai apresentar também o processo logístico e estocagem da Paulus Livraria – João Pessoa, procurando mostrar, de maneira mais clara, todo o percurso do produto que sai do fornecedor até a chegada ao consumidor final (clientes). 4.2.1 Previsão de Estoques O processo de previsão de estoques da Paulus Livraria – João Pessoa é relativamente simples. É feito de duas maneiras: um método computadorizado (para os produtos próprios) e 34 outro manual (para os produtos de terceiros). O método mais utilizado é o Método do Último Período. É um método relativamente falho, porém como as compras são feitas em um período relativamente pequeno, a possibilidade de sucesso do método é maior. Foge desse método os lançamentos, pois não se é possível fazer comparações de demandas e ofertas. Serão apresentados como é feita a tomada de decisão é o processo de compra de cada grupo de produtos. 4.2.1.1 Produtos Próprios A Paulus é também editora e produz livros, cds, dvds, cartões de mensagens. Os produtos são produzidos na Paulus Editora, são armazenados no Centro Paulino de Difusão (CEPAD). É desse centro que os produtos são enviados para as 29 lojas espalhadas pelo Brasil. A decisão de compra desses produtos passa por uma série de etapas. 1 – É feito o cadastro de todos os produtos existentes no CEPAD; 2 – É definido um dia fixo da semana para se enviar o pedido de compra. Esse pedido é realizado por meio do programa utilizado pela Empresa (Microsiga). 3 – Emite-se um relatório dos produtos vendidos na semana anterior; 4 – Seguindo os passos definidos pelo programa obtém-se os itens e as quantidades desejadas. Os pedidos são recebidos imediatamente e processados para serem enviados para a loja. A grande vantagem é que a emissão do pedido é feita automaticamente e a partir dos produtos vendidos na mesma semana. Quando ocorre uma demanda que está além da quantidade previamente definida, o sistema permite que se faça a alteração necessária para atender a demanda exigida. O programa não é fechado, mas permite fazer alterações importantes na tomada de decisão e controle de estoques. Esse método permite que a empresa tenha maior agilidade e eficiência no processo de reposição e atendimento de demando de produtos. O responsável pela realização e envio do pedido de compra é o estoquista-faturista, com a aprovação e acompanhamento do gerente de loja. É estoquista-faturista quem faz todo o levantamento dos produtos que precisam ser pedidos. É responsável também pela verificação de produtos que, por ventura, sejam solicitados acima do nível pré-definido pelo 35 sistema. É ele quem gerencia o pedido de compra, controle de estoque, armazenagem, conservação e reposição dos produtos. Tudo é realizado por meio de computadores. Outro fator importante é que se em uma determinada semana o responsável pelo envio do pedido de compra achar que a movimentação de estoque não foi favorável e não quiser enviar nenhum pedido não há nenhum problema, basta não realizar nenhum procedimento de envio eletrônico que a Sede entenderá que não será necessário reposição de produtos naquela loja. Desse modo a loja pode controlar o nível de custo, evitando acúmulo de despesas e de produtos e liberando as vendas para equilibrar o caixa da empresa. A filial não é obrigada a emitir pedido de compra toda semana. Porém, ela precisa ter clareza ao tomar essa decisão, pois poderá colocar em risco sua confiabilidade dos clientes, visto que, se não realizar pedido e o cliente desejar um produto que não tenham na loja, este poderá se demandar para a concorrência. Portanto, a decisão de fazer ou não um pedido de compra não deve ser baseada em intuição, em “achismo” ou em medo de correr riscos, mas deve ser alicerçada em bases sólidas e matemáticas fornecidas pelo sistema, no intuito de diminuir os máximo de erro possível. É preciso que o responsável pelos pedidos de compras possua um bom conhecimento sobre o assunto em pauta. 4.2.1.2 Os Lançamentos e Sazonais Os lançamentos seguem um panorama diferente dos demais produtos. Em primeiro lugar, a loja define uma quantidade a ser enviada todas as vezes que um novo produto Paulus for lançado no mercado. Esses dados são computadorizados e armazenados no sistema, de modo que, o CEPAD está autorizado a enviar aquela quantidade definida pela loja sem nenhuma outra consulta prévia. A limitação dessa atitude é não considerar produtos de maior e menor valor financeiro, maior e menor custo, maior e menor demanda. Alguns produtos são direcionados ao publico de formação acadêmica mais elevada, portanto a tendência é de que a procura será restrita e outros produtos são destinados ao público em geral, portanto de maior procura. Não são levados em conta esses fatores. Essa atitude poderá elevar os níveis de estoques e aumentar o volume de dinheiro parado, os custos e colocar em risco o planejamento adotado pela filial. Para os produtos sazonais segue o mesmo critério adotado pelos lançamentos. A loja define uma quantidade de um determinado produto a partir daquilo que foi vendido nos períodos anteriores e com base nas projeções de crescimento exigidas pela Sede e o CEPAD envia a quantidade solicitada. 36 4.2.1.3 Produtos de Terceiros A Paulus Livraria – João Pessoa comercializa livros e artigos religiosos proveniente de terceiros. Uma parcela bem pequena de produtos é adquirida por meio de fornecedores externos, que geralmente estão localizados nas regiões sul e sudeste do Brasil. A decisão de se fazer a compra desses produtos é bem diferente da utilizada na aquisição de produtos da própria empresa. Não existe um detalhamento a ser seguido para a realização de uma compra desses produtos. Serão apresentados alguns passos que se tornaram mais comuns na Paulus Livraria – João Pessoa: 1. Inicialmente, todos os fornecedores precisam estar cadastrados no sistema da Paulus. Caso ainda não o esteja, será necessário o seu cadastro imediato. É feito uma analise do novo fornecedor para verificar as condições daquela empresa prestar seu serviço a Paulus. 2. Alguns produtos só são cadastrados após sua chegada na loja. Isso se explica pelos vários produtos e empresas que se lançam no mercado a cada dia, não sendo possível ter um cadastro atualizado de todos os produtos que aparecem no mercado. 3. Não há nenhum registro de estoques máximos e mínimos dos produtos eletronicamente definidos. 4. Não há um dia definido para se fazer o pedido. A decisão de se fazer um pedido de produtos de terceiros acontece de forma perceptiva, ou seja, visual. O responsável por compras verifica aleatoriamente os produtos que faltam e, num tempo por ele definido, faz-se o pedido. O grande problema encontrado aqui é que não se é feito um levantamento eletrônico para se saber quantos produtos foram vendido e quantos precisam pedir. O caminho é verificar nos pedidos passados a quantidade solicitada para cada produto. Outro entrave é que os fornecedores fazem as exigências para o envio dos produtos. O pedido de compra precisa ultrapassar um determinado valor, que é variável entre os vários fornecedores, para que possa emitir uma fatura e liberar os produtos. Ou seja, enquanto não tiver uma demanda que ultrapasse o valor estipulado não se pode emitir pedido de compra. Na prática, funciona da seguinte maneira: se um cliente precisar comprar um produto que esteja em falta, a loja só poderá fazer se esse produto ultrapassar o valor definido pelo fornecedor ou se a loja 37 arriscar comprar mais produtos, tendo que aumentar seus estoques e correr o risco de não vender esses outros itens adquirido por força das políticas adotadas. 5. A média de tempo utilizada para se fazer um pedido de compra de terceiros varia entre um mês e dois meses. 6. Todo o processo de emissão do pedido de compra é feito manualmente, o que o torna lento e inseguro. 7. Os pedidos são, geralmente, enviados por fax, com poucas exceções feitas por internet. Os fornecedores ainda não se equiparam para um relacionamento mais rápido e objetivo. 8. Os pedidos de compras são de responsabilidade pelo encarregado do setor e com a vistoria do gerente de loja. A partir do que foi apresentado, fica fácil perceber que a o processo de aquisição de produtos de terceiros é muito complexo e requer muita atenção e melhoramentos. Embora represente uma porcentagem bem menor que os produtos Paulus, não se deve negligenciar o cuidado com os produtos de terceiros, pois estes podem ser responsáveis pelo insucesso de todo planejamento realizado para toda a filial. Um dado bastante relevante é que o número de falta de produto de terceiro é bem maior que os produtos Paulus. Nem sempre os fornecedores conseguem atender a demanda, o que torna ainda mais difícil o gerenciamento de todo o processo logístico da empresa. 4.2.2 Logística Não é o foco deste trabalho explicar as funções de transportes. Também não o objetivo dessa pesquisa analisar e apresentar os vários processos de transportes. Será apresentada a rotina logística dos produtos adquiridos pela Paulus Livraria – João Pessoa com o objetivo de perceber as implicações que isso provoca para o gerenciamento de estoques. Mostrar, de forma básica, o tempo que se passa entre a emissão de um pedido até estar livre para os clientes. É importante para o responsável pelo controle de estoques quanto tempo será necessário para se ter o produto na loja e, assim, fazer um ajuste entre o número de produto que se deve ter na loja e o tempo que levará para que esse mesmo produto possa estar disponível para os clientes. Será mostrado a complexidade de se trabalhar com um número grande de fornecedores. 38 Na Paulus Livraria – João Pessoa o processo logístico dos Produtos Próprios e dos de Terceiros também é diferente um do outro. Será apresentado cada processo, procurando deixar claro essas diferenças. 4.2.2.1 Logística dos Produtos Próprios A primeira fase é a emissão do pedido de compra por meio de intranet e no mesmo instante a Sede recebe o pedido e o envia para o setor operacional, encarregado de receber a segunda via do pedido, separar todo o material e disponibilizá-lo para o transporte. Logo após a emissão da Nota Fiscal. A etapa seguinte é o transporte. A Paulus Sede possui um contrato com uma transportadora que se responsabiliza de fazer entrega dos produtos advindo da Paulus Sede para todas as lojas da Paulus. Se por acaso a Paulus vier abrir uma loja em uma cidade em essa transportadora não atua, ela (a transportadora) se responsabilizará pela contratação de uma outra empresa para fazer o transporte de tais produtos. Dentro desse contrato firmado entre as duas empresas, existe a cláusula que determina um prazo para que os produtos chequem a uma determinada filial, de acordo com a distância de cada uma; exceto em eventualidades devidamente justificadas e comunicadas. O prazo máximo determinado para que a transportadora entregue os produtos que saem do CEPAD para a Paulus Livraria – João Pessoa é de sete dias úteis. Portanto, o planejamento de estoques e reposição de produtos é feito tendo por base esse prazo. Depois que a transportadora entrega a mercadoria ela precisa ser conferida e devidamente encaminhada para loja ou para o estoque de reserva, dependendo da sua finalidade. Não há uma formalização de um prazo que o estoquista tenha para a conferência e reposição dos produtos. É a urgência ou não desses produtos que vai definir o esse tempo. Normalmente, não passa de dois dias. O maior tempo é destinado para a conferência, já que o lançamento da Nota Fiscal é feito eletronicamente. É de responsabilidade da Paulus Sede os custos logísticos dos produtos vindo do CEPAD. A filial não paga nenhum frete, desde que os pedido sejam emitidos de acordo com a política de compras determinada pela Sede. 39 4.2.2.2 A Logística dos Produtos de Terceiros O processo logístico dos produtos de terceiros é muito diferente. Não se é possível fazer um detalhamento desse processo, pois não se conhecem os procedimentos utilizados por pelas empresas fornecedoras de produtos de terceiros. Após o envio do pedido pela loja, que geralmente é feito ou por fax ou por e-mail, não é claro como cada empresa procede. Alguns fornecedores chegam a passar até um mês para enviar os produtos. Outro fator de extrema relevância é a falta de transportadora cadastrada e liberada para fazer transporte dos produtos de terceiros solicitados pela Paulus Livraria. Em alguns casos, o transporte é feito via Correios, o que torna lento e limitado o processo logístico. O tempo destinado para a conferência e a reposição dos produtos para a venda também vai depender da urgência ou não desses produtos. Aqui o processo de conferência e de reposição é lento porque a emissão da Nota Fiscal é feita manualmente no sistema. Muitas vezes, a conseqüência de todo esse tempo existente para o processo logístico, é a perda de venda e de clientes. Uma outra diferença é que os custos logísticos são de inteira responsabilidade da Filial. E como não se é possível ter plena liberdade para escolher o fornecedor de transporte mais barato, devido o que já foi falado acima, ocorre, muitas vezes, de se ter um custo muito elevado, até mesmo pela distância dos fornecedores de produtos (regiões sul e sudeste). Isso influencia diretamente no gerenciamento de estoques, pois faz com que a loja possa adotar uma política de riscos: elevar a quantidade de produtos para diminuir os custos com transportes e, encontra partida, elevar os custos com produtos estocados. A grande limitação encontrada pela Paulus Livraria – João Pessoa para a solução desse gargalho é o número reduzido de fornecedores que distribuem um mix maior de produtos. Existem poucos fornecedores e, quase todos, oferecendo poucos ou os mesmos produtos. Isso faz com que, a loja não possa concentrar suas compras em algumas empresas. Cogitou-se, algumas vezes, que a Sede poderia fazer um pedido centralizado e repassaria os produtos para as lojas, porém essa medida, segundo a própria Empresa, só aumentaria os problemas. Primeiro porque aumentariam os estoques na Sede, aumentaria os custos com logísticas e com pessoal, dentre outros. Segundo porque o processo seria ainda mais longo, pois colocaria mais um elemento na cadeia de suprimento. 40 4.2.2.3 Malote O uso do malote como meio de transporte de mercadoria é quase que evitado, isso porque é mais caro e pouco eficiente devido a limitação do tamanho, ou seja, só serve para transportar pequenas quantidades. Existe um peso máximo para o uso do malote acima disso é cobrado uma taxa a mais por cada quilo ultrapassado. Ou seja, não se pode enviar coisas pesas e volumosas. A Filial não paga pelo uso do malote, porém paga pelo excesso de peso. Portanto, o uso do malote, para esses fins, é pouco aconselhável. Usa-se o malote em caso de urgência quando se quer atender um cliente, que de outra forma não seria possível. O malote é usado é caso de transferência de produtos existentes no CEPAD ou em outras lojas da Paulus. A espera de produto vindo pelo malote é, geralmente, de dois dias úteis. Tempo razoavelmente pequeno dentro do espaço utilizado pelas transportadoras e Correios. É uma vantagem competitiva, porém é preciso que se tenha um planejamento adequado para não correr o risco de estar gastando muito com as taxas por excesso de peso, que muitas vezes, podem ser maiores que o ganho obtido pela venda de tais produtos. Não se é proibido o uso de malote, mas é preciso que seja feito de maneira racional e clara para que todos as informações possam auxiliar a uma tomada de decisão precisa ou, pelo menos, mais acertada. A partir do que foi apresentado sobre processo logístico, fica bem claro que é uma etapa bastante relevante para o gerenciamento de estoques. Conhecer bem o processo logístico é um passo a mais para o sucesso de todo o planejamento organizacional e para o sucesso da empresa dentro de um mundo globalizado e competitivo. Para isso, é preciso que o gerente de estoques possa ter conhecimento técnico e prático de todas essas etapas. Uma tomada de decisão a partir da experiência pode ser um fator limitado e gerador de insucesso. 4.2.3 Estocagem dos Produtos A Paulus Livraria – João Pessoa possui uma sala exclusiva e com tamanho suficiente para o estoque dos produtos. Possui uma pessoa responsável para o recebimento, conferencia, estocagem e reposição dos produtos. Os produtos são estocados em prateleiras de ferro de modo a evitar cupim ou outras pragas. São, geralmente, protegidos por sacolas, evitando umidade e sujeira. 41 Os produtos são organizados de forma alfabética para facilitar o controle e a reposição. As exceções a esse modelo de organização são os produtos sazonais e os produtos grandes demandas. Dentro da loja os produtos são agrupados por temas ou secções. Os produtos de terceiros são estocados dentro da própria loja, visando a fácil reposição e por representarem um número muito pequeno dos produtos existentes na loja. Existem produtos que saem do estoque semanalmente e, por outro lado, há produtos que passam anos no estoque. 4.2.4 Custos de Estoques Não há uma análise detalhada dos custos de estoques feito pela Filial. Tudo é feito de maneira detalhada e cientifica pela Sede. O gerente de loja acompanha, apenas, os custos gerais com estoques. Os custos de capital, de pessoal, de manutenção e com edifício são facilmente identificados a partir do programa de computador que libera automaticamente por meio de uma simples emissão de relatório de custos. Todas as despesas e os custos são lançados no sistema com um código especifico para cada item e o computados se encarrega se agrupa-los de acordo com seu grupo, de modo que é muito fácil perceber esses custos mais abrangentes. Outra vantagem para o gerente de loja é que ele recebe mensalmente esses relatórios para que possa analisar as despesas e os custos, podendo fazer um planejamento estratégico a partir dos relatórios, procurando avançar ou retrair em algum custo que por ventura não esteja correspondendo às expectativas. A partir dos dados emitidos, a Sede emite um parecer favorável ou não a respeito dos resultados obtidos ou não. O mais limitado é o detalhamento de custos por falta e por armazenagem, que dificilmente a Sede poderia calcular com precisão, devido a distância e as informações precárias. Não há nenhum método utilizado para detectar e apresentar esses custos. A análise é feita de maneira intuitiva e perceptiva, o que torna o método inadequado e inseguro. Há um desejo voltado para impedir que o cliente venha na loja e não encontre o produto, porém não é feito nenhum estudo para se saber o quanto se deixou e está deixando de ganhar com isso. Também não há uma análise dos custos por produtos em atraso, embora seja muito comum na vivência das atividades da loja. Quanto aos custos de armazenagem, não há nenhum método de análise. 42 4.2.5 Sistema de Gestão de Estoques O sistema de gestão estoques utilizado pela Paulus Livraria - João Pessoa é, basicamente, o modelo Máximo-Mínimo. Define-se uma quantidade máxima e mínima para cada produto, de acordo com a demanda do mercado. Essa quantidade estipulada não é definitiva, ou seja, quando a demanda aumenta, aumenta-se a quantidade de solicitação via programa. Da mesma forma quando diminui a demanda, diminui a quantidade estipulada no sistema. A Paulus Livraria – João Pessoa faz uma integração dos setores de compra com o setor de estoques. Antes de se emitir um pedido de compra é feito um levantamento dos produtos que precisam ser repostos e dos produtos sazonais. Isto é feito de duas maneiras: com os produtos de terceiros quase tudo é feito manualmente e a partir dos relatórios de compras anteriormente emitidos. A segunda maneira é com os produtos da Paulus que é feita eletronicamente e com pouca possibilidade de erros. A partir desses relatórios, tantos manuais como eletrônicos possibilitam que o responsável pelas compras possa ter o mínimo de chance possível de errar. A Paulus utiliza-se de um programa de computador (Microsiga) que possibilita acompanhar, por meio de emissão de relatórios, toda a movimentação de entradas e saídas de produtos. Assim que o produto chega na loja e é lançado no sistema, automaticamente o sistema registra seu estoque, facilitando seu acompanhamento. No sistema Microsiga os produtos são cadastrados de acordo com os grupos a que pertencem. Quando se cadastra um livro infantil, por exemplo, ele é colocado dentro do grupo LVI, quando CD, no grupo CDS; quando livro importado LVE e assim por diante. Isso permite que o gerente possa acompanhar a quantidade de estoque de cada grupo e verificar seu giro, podendo traçar uma política mais ou menos avançada para um determinado grupo. Uma outra forma de acompanhamento que o sistema permite fazer é verificar entradas e saídas de produtos de terceiros e da Paulus. O sistema pode mostrar quantos produtos foram vendidos, quanto se obteve em reais, quais os custos daqueles produtos e quais os lucros obtidos; tanto para os de terceiros quanto os da Paulus de maneira separada. Isso permite montar uma estratégia de investimento para mais ou para menos de algum desses dois grandes grupos ou, até mesmo, dos dois em paralelo. Para se obter esses relatórios, é simples e sai imediatamente bastando digitar o que se quer na tela de produtos vendidos; se de terceiros coloca-se PT(produtos de terceiros) e se da Paulus PP (produtos Paulus). O sistema é muito eficiente e consegue atender às necessidades locais. 43 O sistema Microsiga permite também obter um acompanhamento personalizado para cada produto, quer seja de terceiro, quer seja Paulus. O importante aqui é saber o código de cada produto. Digitando esse código no campo Kardex, é possível saber tudo sobre aquele produto. É possível saber o dia em que ele chegou e/ou saiu da Lola, saber quanto aquele produto custou para a empresa, saber quantos itens foram vendidos em um determinado tempo, saber em qual Nota Fiscal esse produto chegou, quantos itens desse produto existe na loja e quantos itens precisam pedir para completar o estoque desejado. O que o sistema Microsiga módulo loja não permite fazer é ajustar os estoques, ou seja, se ocorrer avarias, furtos, danificação ou qualquer outro motivo que gere inconsistência entre o estoque real e o do sistema, o gerente não consegue fazer esse ajuste. Após se detectar o problema, o gerente precisa enviar um relatório solicitando o ajuste de estoque com a devida justificativa para a Sede e, só assim, o ajuste será feito. A intenção é evitar futuros problemas com futuros inventários e balanços. Além de todas possibilidades de acompanhamento por meio do sistema Microsiga na própria loja, o gerente ainda recebe, mensalmente, todos os dados referentes aos grupos de vendas. Ele recebe, prontamente, o ranking de vendas de todos os grupos, mostrando quais os grupos que estão melhores e quais os piores. Isso facilita na tomada de decisão, no planejamento estratégico do gerente. A partir dos relatórios emitidos e recebidos, tendo detectado dificuldades na venda de alguns produtos, o gerente dá um maior destaque a esses produtos para que possam ganhar maior visibilidade e facilitar sua saída. E se mesmo assim não obtiver resultado positivo, o gerente encaminha esses produtos para a promoção, por meio de descontos significativos para os clientes. Caso nenhuma dessas alternativas tenham sucesso ( o que é muito raro), esses produtos são colocados como brinde para os cliente que comprarem um valor estipulado pela loja. Quando os produtos ficam danificados e perdem o valor de comercialização seja por estarem sujos, danificados são retirados da loja. Caso esses produtos sejam da marca Paulus, são devolvidos para o CEPAD e este fica na obrigação da reposição sem nenhum custo para a loja, porém se esses produtos forem de terceiros, a loja assume as perdas. A idéia é estar sempre oferecendo ao cliente o melhor produto possível, procurando aumentar a satisfação do cliente e essas perdas entrarão nos relatórios para possíveis análises dos fatos. Procura-se detectar os erros repensar as ações. A partir das informações apresentadas, fica claro que a Paulus Livraria - João Pessoa possui um sistema que atende às suas necessidades e que o gerente e o estoquista possuem 44 boas ferramentas para um gerenciamento eficiente, eficaz e seguro. Uma outra vantagem é que a loja recebe um suporte considerável facilitando as tomadas de decisão e no planejamento das ações implementadas pela loja. 45 5 CONCLUSÃO 5.1 Considerações Finais Após a realização da pesquisa, bem como análise dos dados, apresentamos algumas considerações a respeito do problema de pesquisa anteriormente formulado: como a Paulus Livraria – João Pessoa realiza a gestão de estoques? A partir da análise e interpretação dos dados, podemos destacar alguns pontos positivos na Paulus Livraria – João Pessoa a partir do seu gerenciamento de estoques. Eles serão enumerados de forma aleatória, não querendo emitir graus de satisfação. São eles: A Paulus Livraria - João Pessoa possui um bom suporte realizado pela Sede em São Paulo. Esse suporte permite que o gerente de loja tenha o maior número de informação sobre giro, custos, lucro e outros dados que permitem um gerenciamento mais eficaz e mais seguro. Recebendo mensalmente, por meio de relatório, a situação real do andamento da loja, o gerente de loja ganha mais tempo para trabalhar questões mais setorizada; A loja possui um programa de computador que possibilita obter todas as informações necessárias para o gerenciamento de estoque de uma maneira rápida e imediata, possibilitando uma tomada de decisão no momento que quer; A loja possui um espaço físico amplo e suficiente para a boa acomodação e organização dos produtos; Os produtos são estocados numa seqüência lógica e objetiva em prateleiras de ferro e são armazenados em sacolas evitando sujeiras e manchas; A loja possui um estoquista-faturista encarregado de organizar e estocar os produto. Ele possui liberdade de acompanhar e emitir relatórios sobre giro de produtos, possibilitando uma integração maior entre ele e o gerente de loja; A Paulus Livraria – João Pessoa não assume os custos com transportes dos produtos vindos do CEPAD; Há um bom planejamento para a imissão de pedido de compra dos produtos vindos do CEPAD; A loja pode devolver os produtos danificados, amassados, velhos ou sem condições de vendas para o Centro Paulino de Difusão; 46 Uso do malote, para casos de urgências, é um diferencial no atendimento das necessidades dos clientes; Contrato com a transportadora e prazo estipulado para a entrega dos produtos vindos do CEPAD é um grande trunfo no gerenciamento de estoques da Paulus, pois possibilita um planejamento mais seguro das entradas dos produtos; Há uma política de promoção para desovar os produtos de difícil saída; Definição de um estoque mínimo e máximo para cada produto. Paralelamente aos tópicos acima citados, apontamos os seguintes pontos fracos presentes Paulus Livraria – João Pessoa: Não há um planejamento satisfatório para controle e emissão de pedidos de produtos de terceiros; As compras não são centralizadas na Sede, dificultando o acesso aos fornecedores que estão, quase todos, localizados nas regiões Sul e Sudeste; O tempo consumido entre a emissão de pedido de terceiro e a chegada dos produtos na loja é muito amplo e, até mesmo, incerto; Não há um sistema integrado entre a loja com os fornecedores; A impossibilidade de conhecer e cadastrar todos os produtos que surgem no mercado é um problema a ser encarado com mais vigor; O lançamento da notas fiscais dos produtos de terceiros é feita de forma manual, demorando mais tempo para que o cliente tenha acesso a eles; Os pontos fracos apresentados não são suficientes para encobrir os pontos fortes da Paulus Livraria – João Pessoa, afirmando que a Empresa possui um desejo muito grande de avançar cada vez mais em busca de ser uma referência na cidade como uma empresa moderna e competitiva. Por outro lado, eles mostram que a Paulus ainda precisa enfatizar, um pouco mais, no gerenciamento dos produtos de terceiros, onde se encontram as maiores dificuldades. A partir das visitas feitas durante a pesquisa, foram percebidas grandes mudanças pelas quais a empresa vem passando na forma de gerenciar os setores da loja, bem como na busca de novas ferramentas para o melhoramento das ações. 47 5.2 Sugestões para Novas Pesquisas Com base na análise e interpretação dos dados bem como nas visitas realizadas durante período de estágio do autor na Paulus Livraria – João Pessoa, pode-se sugerir a implantação das seguintes medidas: Automatizar a emissão, o envio e o lançamento de notas fiscais dos produtos de terceiro. O objetivo é racionalizar e tornar mais seguro o gerenciamento dos processos de compra até a venda dos produtos de terceiros; Elaborar um controle de estoques por meio da classificação ABC. Essa metodologia se encaixaria facilmente ao sistema existente na Empresa. Facilitaria a gestão de compras e possibilitaria maiores lucros; Firmar contratos com os fornecedores referentes aos prazos de envio dos produtos, procurando diminuir tempos onerosos; Entrar em acordo com o CEPAD para fazer compras centralizadas dos produtos de terceiros que possuem maior rotatividade para facilitar o gerenciamento de estoques da Filial. Por o CEPAD estar localizado em São Paulo, o acesso aos fornecedores é muito maior. A idéia é agilizar a chegado do produto na loja, já que, estando no CEPAD, as políticas de entrega dos produtos são bem definidas e claras; Designar o estoquista apenas para as funções de estoque. Atualmente, o estoquista exerce outras funções dentro da loja como faturista e atendente de loja, limitando os trabalhos referentes ao estoque. 5.3 Contribuições 5.3.1 Contribuições para a Paulus Livraria – João Pessoa O presente trabalho ofereceu para a empresa uma analise detalhada dos processos de gerenciamento de estoques realizado pela loja de um ponto de vista cientifico, utilizando-se de ferramentas atuais. Esta pesquisa aponta, ainda, as falhas e os acertos realizadas pela loja e propôs mudanças que levaria a resultados mais satisfatórios. 48 5.3.2 Contribuições para o autor O presente trabalho levou o autor a fazer uma relação detalhada dos assuntos teóricos abordados na universidade com o dia a dia de uma organização real, podendo fazer uma interação valiosa e enriquecedora para futuras pesquisas. 49 REFERÊNCIAS ALVARENGA, Antonio Carlos. NOVAES, Antonio Galvão N. Logística aplicada: suprimento e distribuição física. 2. ed. São: Livraria Pioneira, 1994. BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organização e logística empresarial. 4. ed. São Paulo: Bookman, 2002. ------ Logística empresarial: transportes, administração de materiais, distribuição física. São Paulo: Atlas, 1995. BAUER, Ruben. Gestão da mudança: caos e complexidade nas organizações. São Paulo: Atlas, 1999. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 6.ed. Rio de Janeiro: Campus, 2000. ------ Os novos paradigmas: como as mudanças estão mexendo com as empresas. São Paulo: Atlas, 1996. COBRA, Marcos. Administração de vendas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1991. ------ Administração de marketing. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1992. DAVENPORT, Thomas H. Reegenharia de processos: como inovar na empresa através da tecnologia da informação. Rio de Janeiro: Campos, 1994. DIAS, Marco Aurélio P. Administração de materiais: uma abordagem logística. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1996. FARIA, Ana Cristina de; CUNHA, Ivan da; FELIPE, Yone Xavier. Manual prático para elaboração de monografias. São Paulo: Vozes, 2007. FREZATTI, Fábio. Gestão do fluxo de caixa diário: como dispor de um instrumento para o gerenciamento do negócio. São Paulo: Atlas, 1997. HESKETT, James L. Logística: essencial para a estratégia. Revista Coleção Harvard de Administração. São Paulo: Nova Cultural, 1986. 50 HOPP, João Carlos; HÉLIO, Paula Leite. O Crepúsculo do lucro contábil. Revista de administração de Empresas. São Paulo: Fundação Getúlio Vargas, v. 4, 1988. SANDRONI, Paulo. Dicionário de administração e finanças. 3.ed. São Paulo: Editora Best Seller, 2001. TOMASKO, Roberto M. Downsizing: reformulando e redimensionando sua empresa para o futuro. São Paulo: Makron Books, 1992. VALLE, Benjamim M. Custos da qualidade em Suprimentos: 1994, 97 paginas, tese de mestrado apresentada à COPPE/ UFRJ, Rio de Janeiro. 51 APÊNDICE A Prezado(a) Colaborador da Paulus Livraria - João Pessoa, Visando ao cumprimento do Trabalho de Conclusão do Curso de Administração de Empresas, da Universidade Federal da Paraíba, solicito o preenchimento do questionário a seguir, de forma a obter informações acerca das ações voltadas para gestão de estoques da Paulus Livraria – João Pessoa. Por Favor, apresente a sua opinião sincera para cada uma das questões. Sua contribuição é de extrema importância para o sucesso da pesquisa e do trabalho. 1) Como a Paulus Livraria – João Pessoa realiza a Previsão de estoques? ( ) Por meio eletrônico ( ) Manual ( ) Parte manual e parte eletrônico. ( ) Não realiza previsão 2) Qual o método utilizado para a realização de previsão de estoques? ( ) Método do último período ( ) Método da média móvel ( ) Método da ponderação exponencial ( ) Não utiliza nenhum método ( ) Não sei precisar que método é utilizado ( )Utiliza um método próprio. Como funciona?____________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 3) Quantas pessoas são envolvidas no processo de previsão de estoques? ________________________________________________________________ 4) ( ( ( ( ( O método utilizado para se obter a previsão de estoques tem dado certo? ) Sim ) Não ) Às vezes ) Quase sempre ) Não sei precisar 5) Na Paulus Livraria – João Pessoa possui um método para se calcular os custos de estoques? ( ) Sim ( ) Não ( ) Não sei precisar 6) Onde são detectados os maiores custos de estoques? ________________________________________________________________________ __________________________________________________ 7) ( ( ( Você considera importante saber quais os custos indiretos de estoques? ) Sim ) Não ) Não o que isso significa. 52 ( ) Nunca parei para pensar nisso 8) Como se define a quantidade de produtos que se deve ter em estoque? ( ) Por meio eletrônico ( ) Manual ( ) Parte manual e parte eletrônico. ( ) Não é feita nenhuma gestão. 9) Qual o método utilizado para definir o volume de estoques? ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ _______________________________________________ 10) Você acha que essa pesquisa vai ajudar em alguma coisa a Paulus Livraria – João Pessoa? ( ) Sim ( ) Não ( ) Talvez ( ) Só vou saber depois ( ) Espero que sim.