FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DE EMPRESAS CENTRO DE FORMAÇÃO ACADÊMICA E PESQUISA CURSO DE MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA MESTRADO INTERINSTITUCIONAL – MINTER VERSÃO PRELIMINAR DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO APRESENTADO POR ANDERSON MUNIZ DE OLIVEIRA A INFLUÊNCIA DO CLIMA ORGANIZACIONAL NA MOTIVAÇÃO DOS SERVIDORES DA FUNDAÇÃO ALFREDO DA MATTA Orientador Acadêmico Prof.ª Dr.a FÁTIMA BAYMA DE OLIVEIRA Versão Preliminar aceita, de acordo com o Projeto aprovado em: DATA DA ACEITAÇÃO: ______/_____/_____ ________________________________________________ ASSINATURA DO PROFESSOR ORIENTADOR ACADÊMICO A INFLUÊNCIA DO CLIMA ORGANIZACIONAL NA MOTIVAÇÃO DOS SERVIDORES DA FUNDAÇÃO ALFREDO DA MATTA Dissertação apresentada à Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ao Curso de Pós-Graduação em Administração/Mestrado em Administração Pública em: _____/_____/______ como exigência para a obtenção do título de Mestre em Administração Pública. APROVADA EM: _____/_____/_______ RIO DE JANEIRO 2008 1 Dedico este trabalho a minha saudosa mãe, Dona Sandra, pela fé em meu potencial. Na sua ausência, tudo tem sido mais difícil. E ao meu guerreiro pai, que sempre me motivou a voar cada vez mais alto. 2 RESUMO Esta pesquisa teve como objetivo identificar a influência do clima organizacional na motivação dos servidores da Fundação Alfredo da Matta. Para a realização desse objetivo, foram abordados conceitos de administração pública, motivação e clima organizacional. Na coleta de dados, foram utilizados dois questionários: um, avaliando o clima organizacional; e outro, o perfil motivacional com base nas teorias motivacionais de Maslow e Herzberg. A análise dos resultados indicou uma percepção positiva dos servidores em relação ao clima organizacional predominante na Fundação e que este tem relação com a dinâmica motivacional dos servidores em questão. Palavras-chave: motivação – clima organizacional – administração pública 3 ABSTRACT This research aims to identify the influence of the organizational climate on the motivation of public servants of Alfredo da Matta Foundation. To fulfill such aim, concepts of public administration, motivation and organizational climate have been broached. Two questionnaires were performed through the data collecting, one of them to evaluate the organizational climate, and the other to evaluate the motivational profile based on the motivational theories of Maslow and Herzberg. The analysis of the results indicated a positive perception of public servants in relation to the organizational climate predominant in the organizational, and that it has some relation with the motivational dynamics of the public servants in question. Keywords: motivation – organizational climate – public administration 4 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Quadro 1: Diferenças entre a Administração Pública Burocrática e a Gerencial ........... Figura 1: Pirâmide das necessidades de Maslow ....…………….................................. Figura 2: Comparação entre as teorias de Maslow e Herzberg ...................................... Quadro 2: Estrutura física da Fundação Alfredo da Matta ……………….................... Quadro 3: Relação das questões do questionário motivacional com a Teoria de Maslow .......................................................................................................................... Quadro 4: Relação das questões do questionário motivacional com a Teoria de Herzberg ........................................................................................................................ 22 38 45 48 51 Quadro 5: Distribuição das afirmativas por dimensão .................................................. Quadro 6: Médias atitudinais distribuídas por intervalo ................................................ Gráfico 1: Médias das dimensões Gráfico 2: Média das afirmações do instrumento de pesquisa de clima organizacional . Quadro 7: Resultado do levantamento motivacional ..................................................... 54 59 62 63 66 50 5 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Valores da medida de correlação e respectiva interpretação .......................... 56 Tabela 2 – Validação das afirmações do questionário ...................................................... 57 Tabela 3 – Síntese das atitudes dos servidores ................................................................. 61 6 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................................................8 Capítulo I A Reforma e Modernização do Estado no Brasil: da Administração Pública Burocrática à Gerencial .............. ...........................................................................................10 1 As transformações no cenário internacional e a crise do modelo de administração pública burocrática no Estado-Nação ..................................................................................................10 2 A Administração Pública ......................................................................................................15 3 A reforma da Administração Pública no Brasil ....................................................................18 4 A Administração Pública Gerencial .....................................................................................21 Capítulo II Clima Organizacional e Motivação ......................................................................27 1 A administração como atividade humana ............................................................................27 2 Clima organizacional ...........................................................................................................28 2.1 O que é Pesquisa de Clima Organizacional? ....................................................................30 2.2 Qual a importância da Pesquisa de Clima Organizacional? .............................................30 3 As teorias da motivação aplicadas ao trabalho ....................................................................35 4 As teorias da motivação humana nas organizações .............................................................36 4.1 A Teoria das Necessidades de Maslow ............................................................................37 4.2 A Teoria dos Dois Fatores de Herzberg ...........................................................................41 Capítulo III Caracterização da Organização.............................................................................46 1 Histórico da organização ......................................................................................................46 2 Missão Institucional .............................................................................................................48 2.1 Instalações assistenciais ....................................................................................................48 Capítulo IV Metodologia .....................................................................................................50 1 Cálculo e interpretação gráfica das médias das afirmações e dimensões válidas ................58 Capítulo V Análise e Apresentação dos Resultados.................................................................61 1 Resultados da pesquisa de clima organizacional ...................................................................61 2 Resultados do perfil motivacional .........................................................................................65 CONCLUSÃO .......................................................................................................................68 REFERÊNCIAS ...................................................................................................................71 ANEXOS .................................................................................................................................74 7 INTRODUÇÃO Para compreender como as organizações funcionam, é necessário, em primeiro lugar, compreender como funcionam as pessoas nessas organizações (SCHEIN, 1982, p.88). O mundo globalizado tem gerado muitos desafios tanto para os indivíduos quanta para as organizações, que, cada vez mais, vêem-se diante de clientes mais exigentes e de concorrentes com capacidade produtiva cada vez mais especializada e ameaçadora. Enquanto os profissionais buscam aprimorar-se e especializar-se em áreas específicas, as empresas buscam técnicas, no sentido de envolver, comprometer e, principalmente, motivar os seus recursos humanos para obter o sucesso e sobreviver em meio a esse mercado competitivo. No caso das instituições públicas, os desafios são ainda bem maiores, visto que os gestores deparam-se, de um lado, com clientes exigentes, cientes de seus direitos e com demandas cada vez maiores e mais específicas; e, por outro lado, com servidores desmotivados, carentes de remuneração adequada, envolvidos por uma rotina avassaladora que chega a quase extinguir sua capacidade criativa e seu comprometimento com as atividades e responsabilidades emanadas por sua função. No meio desse cenário, os gestores públicos sentem-se encurralados diante de demandas crescentes, orçamentos cada vez mais restritos e servidores com baixa produtividade. Esse cenário acaba deixando em segundo plano os aspectos comportamentais e relacionais da organização, fazendo com o que o clima organizacional vigente não permita um ambiente propício à boa execução das tarefas. As pessoas devem avaliar hábitos e aperfeiçoar suas competências e habilidades para garantir a competitividade no mercado atual. Para que essa mudança ocorra, é necessário haver pró-atividade, flexibilidade, criatividade e abertura a mudanças. As organizações precisam de pessoas com atitude, liderança e motivação. 8 Diante disso, esta dissertação propõe-se a realizar um estudo a respeito do Clima Organizacional presente na Fundação Alfredo da Matta (FUAM), de acordo com a percepção de seus servidores, e como este se relaciona com a motivação dos mesmos. O tema é relevante e atual, considerando-se que as abordagens tradicionais de aspirações e auto-satisfação, ligadas às teorias da motivação, lastreadas normalmente na Psicologia Humanista, plano de cargos e salários, já não atendem aos anseios do servidor público atual. Acredita-se que uma série de atitudes direcionadas para a valorização do empregado, a cultura e o clima da organização são essenciais para motivar as pessoas. A pesquisa de clima organizacional é um levantamento de opiniões que caracterizam uma representação da realidade organizacional, retratando o que as pessoas da organização acreditam estar acontecendo em um determinado momento sobre vários aspectos da organização. Com o resultado desta pesquisa, é feito um diagnóstico sobre a situação atual da organização, de acordo com a percepção de seu corpo de colaboradores. As informações geradas pela pesquisa de clima organizacional funcionam como um radar de percepções sobre o ambiente interno à organização, sendo uma importante fonte para a elaboração de processos de mudanças e da melhoria continua organizacional. Por meio da gestão do clima organizacional da FUAM, podem-se monitorar constantemente as percepções de seus colaboradores no ambiente de trabalho, identificar o que está dando certo e o que não está dando certo dentro da organização e, a partir da identificação dessa realidade, criar planos de ação para melhorar o ambiente e a qualidade de vida dos seus colaboradores. A identificação junto aos servidores do que realmente os incomoda e agrada-os dentro da organização possibilita à alta administração da FUAM agir com uma maior eficácia nas atuais e futuras políticas de recursos humanos da Instituição. 9 CAPÍTULO I BRASIL: DA GERENCIAL A REFORMA E MODERNIZAÇÃO DO ESTADO NO ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA BUROCRÁTICA À O processo de transformação do Estado tem sido um movimento constante na evolução das civilizações e encontra-se em uma fase em que as mudanças estão ocorrendo muito mais rapidamente, o que está levando ao surgimento de um novo conceito de Estado para o século XXI. Durante toda a sua evolução, o Estado Moderno tem assumido funções e responsabilidades que são retornadas posteriormente à sociedade, o que pode caracterizar um processo cíclico de evolução das civilizações, no qual o Estado passa a ter um papel catalisador na busca da prosperidade econômica e da justiça social, constantemente assumindo funções e devolvendo-as à sociedade (PIMENTA, 1998). 1 As transformações no cenário internacional e a crise do modelo de administração pública burocrática no Estado-Nação De acordo Dallari (1998), o Estado como o conhecemos atualmente, com sua divisão de poderes, sua sofisticada burocracia, é uma construção histórica recente. Essa construção começou no início da Idade Moderna (séc. XV-XVIII). Considerando suas características ao longo da história, o Estado Moderno pode ser classificado em: Estado Absolutista, de fins do século XV ao século XVIII; e Estado-Nação, de fins do século XVIII, após o processo de independência das treze colônias inglesas da América do Norte (Nova Inglaterra) e da Revolução Francesa, até os dias atuais. No século XX, os Estados Nacionais passaram por quatro grandes crises. A primeira grande crise das chamadas democracias liberais burguesas foi a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), quando os conflitos político-econômicos interimperialistas entre as grandes potências européias, os Estados Unidos e o Japão levaram o mundo a uma guerra mundial. O 10 segundo momento de crise ocorreu com a grande crise mundial do capitalismo, provocada pela quebra da Bolsa de Nova Iorque, em 1929, e a grande depressão da década de 1930, em grande parte responsável pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e que correspondeu a terceira e maior crise dos Estados Nacionais. Por fim, a quarta grande crise ocorreu com o fim do modelo de crescimento econômico adotado pelos países capitalistas após o fim da Segunda Guerra Mundial até o início da década de 70. Com a grande crise econômica mundial dos anos 70, após os dois choques do petróleo, entre 1973 e 1977, e o rompimento do sistema de equilíbrio cambial firmado pelo Acordo de Bretton-Woods (1944), que definira a configuração do cenário político-econômico internacional durante a Guerra Fria (1947-1991), em 1979, encerrou-se um ciclo da vida político-econômica no mundo e, junto com ele, a era de ouro que se seguiu ao fim da Segunda Guerra Mundial (BUCCI, 2002). A partir do início do século XX e com maior intensidade pós a Segunda Guerra Mundial, o sistema capitalista sofreu grandes transformações nas economias desenvolvidas. A principal dessas transformações foi a redução da taxa de exploração dos trabalhadores, além da melhoria das condições de vida da população em geral. Para isso, a atuação do Estado foi decisiva, pois este passou a utilizar os recursos públicos na forma de impostos para criar um amplo sistema de assistencialismo social (sistema de bem-estar social). O nome que passou a ser utilizado para designar essa situação, nos países do então chamado Primeiro Mundo, foi Estado de Bem-Estar Social ou Estado Assistencialista. O Estado de Bem-Estar Social (Welfare State) foi implementado com os excedentes da produção desse período de ouro, provedor de direitos sociais numa fase de crescimento da economia capitalista no mundo. O período de 1950 a 1975 assistiu à mudança social mais espetacular, rápida, abrangente, profunda e global já registrada na história mundial, dando lugar a um quadro de crescente ineficácia das antigas estruturas. Fosse pela súbita alteração da 11 dinâmica financeira ou pela incapacidade das instituições de adaptar-se ao acelerado ritmo de transformação social e econômica, não era mais possível manter a equação que relacionava economia, política e direitos nos mesmos termos que no período dos trinta anos do pós-guerra (BUCCI, 2002). De acordo com Abrucio (1997, p. 6): O tipo de Estado que começava a se esfacelar em meio à crise dos anos 70 tinha três dimensões (econômica, social e administrativa), todas interligadas. A primeira dimensão era a keynesiana, caracterizada pela ativa intervenção estatal na economia, procurando garantir o pleno emprego e atuar em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional — telecomunicações e petróleo, por exemplo. O Welfare State correspondia à dimensão social do modelo. Adotado em maior ou menor grau nos países desenvolvidos, o Estado de bem-estar tinha como objetivo primordial a produção de políticas públicas na área social (educação, saúde, previdência social, habitação etc.) para garantir o suprimento das necessidades básicas da população. Por fim, havia a dimensão relativa ao funcionamento interno do Estado, o chamado modelo burocrático weberiano, ao qual cabia o papel de manter a impessoalidade, a neutralidade e a racionalidade do aparato governamental. A partir de 1970, surgiu na pauta das discussões econômicas, políticas e jurídicas a redefinição do papel do Estado, que passaria, no entendimento da corrente dominante, a ter reduzida sua atuação direta, tanto no provimento de direitos sociais no patamar que caracterizou o Estado de Bem-Estar Social (saúde, educação, previdência, moradia etc.) como na intervenção econômica propriamente dita (indústria de base, infra-estrutura de transportes, regulação econômica etc.). As novas funções estatais, para os governos de natureza conservadora ou neoliberal, seriam apenas de gestão e regulação, indo além da mera ordenação do laissez-faire ideal, mas aquém de um Estado promocional que atuava como parceiro ativo de empreendimentos econômicos, fosse como sócio, fosse como suporte (BUCCI, 2002). Para os demais governos, restava a questão de como financiar uma atuação mais significativa do Estado na realização de políticas nacionais, num panorama de globalização, indutor da abertura de fronteiras comerciais, cambiais e, por conseqüência, políticas e também culturais. Nesse processo de redefinição do papel do Estado, voluntário ou imposto pelas circunstâncias mundiais, fez-se necessário redefinir também o papel da Administração 12 Pública, a máquina que faz o Estado funcionar, o aparelho que realiza ou executa a atividade material no seu âmbito interno (BUCCI, 2002). O período que abrange as três últimas décadas do século XX, a crise do Estado, o questionamento de seu papel e sua reforma constituem elementos de grande relevância no contexto político brasileiro, uma vez que interferem profundamente nas diretrizes políticas, econômicas e sociais do país. Segundo Ianni (1992), uma das principais mudanças refere-se ao papel do Estado-Nação que, na sociedade global, não só é redefinido como também perde algumas de suas prerrogativas econômicas, políticas, culturais e sociais, tornando-se mais adequado aos preceitos do neoliberalismo. No Brasil, em especial a partir da década de 1980, ocorreu uma situação comumente designada como “crise do Estado”. Essa expressão é utilizada muitas vezes sob um falso consenso, por reunir num mesmo título diversas crises simultâneas: a) a fiscal, entendida como o excesso de gasto público social; b) a econômica, visando a um Estado-regulador, indutor, coordenador e mobilizador dos agentes econômicos e sociais; c) a social, com a crise do Estado de Bem-Estar Social; d) a política, questionando-se a incapacidade de institucionalizar a democracia e prover uma cidadania adequada; e, e) a crise do modelo burocrático de gestão pública, tendo em vista os elevados custos e a baixa qualidade dos serviços prestados pelo Estado (IANNI, 1992). Na década de 1980, a questão do ajuste estrutural, que representava ajuste fiscal e as reformas orientadas para o mercado, tornou-se visível por parte de políticos e formuladores de políticas públicas, após a crise do endividamento internacional. Nos anos de 1990, o ajuste estrutural continuava a ser um dos principais objetivos, no entanto, a ênfase foi transferida para a Reforma do Estado, em especial, a Reforma Administrativa. A questão central passou a ser a reconstrução do Estado, para defini-lo em um mundo globalizado (SANTOS, 2003). 13 No Brasil, essa mudança de perspectiva consistiu em uma das primordiais diretrizes de governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, embora a reforma da administração pública não fosse tema da campanha de 1994. Assim, como ato precursor dessa reforma, o Governo FHC promoveu a transformação da antiga e burocrática Secretaria da Presidência, responsável pela gestão do serviço público, no Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado (MARE), o qual estaria encarregado da reformulação e/ou reconstrução do Estado brasileiro (SANTOS, 2003). De acordo com Santos (2003, p. 2-3), na década de 1990, inúmeras razões propiciaram o crescente interesse pela Reforma do Estado, dentre elas: • Não bastava o ajuste estrutural para retomar o crescimento (percepção mundial). • Desde os anos 80, os países altamente endividados dedicaram-se a promover o ajuste fiscal, liberalizar o comércio, privatizar e a desregulamentar. Dessa forma, obtiveram resultados positivos, pois superaram a crise e recuperaram a credibilidade, contudo, não houve crescimento. • O ideal de um Estado mínimo, princípio do Neoliberalismo que norteava as reformas, provou ser irrealista. • Não passava de dogmatismo, a concepção de que as falhas do Estado eram piores que as do mercado. • O papel estratégico que as políticas públicas vêm desempenhando, no Capitalismo contemporâneo, reveste-se de extrema importância que não podem ser substituídas pela coordenação do mercado, conforme proposta do pensamento neoliberal. • O Estado foi considerado a causa básica da grande crise dos anos 80 – crise fiscal, do tipo de intervenção estatal e da forma burocrática de administração pública. A burocracia consiste na instituição administrativa que utiliza, como instrumentos para combater a corrupção e o nepotismo, o profissionalismo do serviço público, assim como a impessoalidade, formalidade e racionalidade do sistema administrativo. A Reforma do Estado, muito embora tivesse por objetivo aproximar os serviços públicos prestados às exigências do cidadão, surgia como uma forma de proteger o patrimônio público contra as ameaças de privatização, assim como os direitos públicos. A preocupação mundial era reativar a república e reformar o Estado, protegendo o Estado e os direitos públicos. Bresser Pereira (2001), analisando as concepções e perspectivas teóricas sobre a Reforma do Estado, presentes na literatura, destacou a heterogeneidade de respostas à questão de como reconstruir o Estado no sentido de melhor capacitá-lo a intervir e implementar as políticas econômicas, manter a ordem pública e oferecer serviços sociais com boa qualidade, e 14 indica quatro principais abordagens teóricas da reforma do Estado: a neoliberal, a sociologia institucional, a escolha racional e o modelo principal-agente. A idéia geral consiste em descentralizar, delegar autoridade; contudo, há a necessidade de definir precisamente os setores de atuação do Estado, as competências e modalidades de administração adequadas a cada setor. Devido à prioridade que este modelo imprime à questão econômica, as principais críticas que lhe são feitas referem-se às suas conseqüências no campo social. Mais especificamente, as críticas voltam-se aos seus efeitos negativos sobre o Estado de Bem-Estar Social. 2 A Administração Pública Administração Pública, num sentido amplo, é todo o sistema de governo, todo o conjunto de idéias, atitudes, normas, processos, instituições e outras formas de conduta humana, que determinam: a) como é distribuída e exercida a autoridade política; b) como os interesses públicos são atendidos. Assim, a Administração Pública pode ser entendida como a estrutura do Poder Executivo, que tem a missão de coordenar e implementar as políticas públicas. Apresenta-se como um conjunto de atividades diretamente destinado à execução concreta das tarefas consideradas de “interesse público” ou comum de uma coletividade ou de uma organização estatal. Argumenta White (1950 apud PEREIRA, 2002) a esse respeito que, definida em termos mais amplos, a Administração Pública abrange todas as operações que tem por propósito a realização ou o cumprimento dos desígnios públicos. O estudo da Administração Pública, compreendendo a sua estrutura e as suas atividades, deve partir do conceito de Estado, sobre o qual repousa toda a concepção moderna de organização e funcionamento dos serviços públicos a serem prestados aos administrados. Em sentido formal, a Administração Pública é o conjunto de órgãos instituídos para a 15 consecução dos objetivos do governo; em sentido material, é o conjunto das funções necessárias aos serviços públicos em geral; em acepção operacional, é o desempenho perene e sistemático, legal e técnico, dos serviços próprios do Estado ou por ele assumidos em benefício da coletividade. Numa visão global, a Administração Pública é, pois, todo o aparelho do Estado preordenado à realização de serviços visando à satisfação das necessidades coletivas (MEIRELLES, 2005). A organização do Estado é matéria constitucional no que concerne à divisão política do território nacional, à estruturação dos poderes, à forma de governo, ao modo de investidura dos governantes, aos direitos e garantias dos governados (BRASIL, 1988). Após as disposições constitucionais que moldam a organização política do Estado soberano, surge por meio da legislação complementar e ordinária, a organização administrativa das entidades estatais, de suas autarquias e empresas estatais instituídas para a execução desconcentrada e descentralizada de serviços públicos e outras atividades de interesse coletivo, objeto do Direito Administrativo e das modernas técnicas de administração (MEIRELLES, 2005). A organização administrativa – modernamente objeto de estudo do Direito Administrativo e Organizatório que cuida do ordenamento estrutural dos órgãos da Administração – mantém estreita relação com a estrutura do Estado e a forma de governo adotada em cada país. Sendo o Brasil uma Federação, formada pela união indissolúvel dos Estados, Municípios e do Distrito Federal, constituindo-se em um Estado Democrático de Direito (BRASIL, 1988), em que se assegura a autonomia político-administrativa aos Estados-membros, Distrito Federal e Municípios (BRASIL, 1988), sua administração há de corresponder, estruturalmente, a esses postulados constitucionais (DALLARI, 1998). Daí a partilha de atribuições entre a União, os Estados-membros, o Distrito Federal e os Municípios, numa descentralização territorial em três níveis de governo – federal, estadual e municipal –, cabendo, em cada um deles, o comando da Administração ao respectivo Chefe 16 do Executivo – Presidente da República, Governador e Prefeito. Considerando-se a vastidão do nosso território, os crescentes índices de crescimento populacional e a complexidade dos problemas administrativos decorrentes desses dois primeiros fatores, além da descentralização territorial político-administrativa, opera-se, ainda, no Brasil a descentralização institucional, meramente administrativa, com distribuição de funções públicas e de interesse coletivo a entes autárquicos e estatais (DALLARI, 1998). A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios exercitam os poderes que lhes são conferidos, explicita ou implicitamente, pela Constituição da República dentro das respectivas áreas de atuação – o território nacional, o estadual e o municipal –, mediante aparelhamento próprio, que deve ser convenientemente estruturado para a perfeita necessidade de atendimento dos serviços públicos (MEIRELLES, 2005). O Estatuto da Reforma Administrativa (Decreto-Lei n. 200/67) classificou a Administração Federal em Direta e Indireta – conceitos extensivos aos Estados-membros, Municípios e o Distrito Federal –, constituindo a primeira nos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios (art. 4.º, I), o que está ratificado, em outros termos, pelos artigos 15 e 29 da Lei n. 8.490/92. Quanto à indireta, apenas indica as categorias de entidades nela compreendidas, esclarecendo que são dotadas de personalidade jurídica própria e vinculadas ao Ministério em cuja área de autonomia administrativa se enquadrar sua principal atividade, gozando, entretanto, de autonomia administrativa e financeira. A Administração Indireta é constituída dos serviços atribuídos a pessoas jurídicas diversas da União, públicas (autarquias) ou privadas (empresa públicas ou sociedades de economia mista), vinculadas a um Ministério, mas administrativamente e financeiramente autônomas (MEIRELLES, 2005). Observa-se, ainda, que a Administração Pública não é constituída propriamente por serviços, mas por órgãos a serviço do Estado, na gestão de bens e interesses qualificados da 17 comunidade. Isso permite concluir que, no âmbito federal, a Administração Direta é o conjunto dos órgãos integrados na estrutura administrativa da União; e que a Administração Indireta é o conjunto dos entes (personalizados) que, vinculados a um Ministério, prestam serviços públicos ou de interesse público (DALLARI, 1998). 3 A reforma da Administração Pública no Brasil Para Pimenta (1998), um dos motivos de aceleração no processo de transformação do Estado é o atual contexto das grandes tendências mundiais relacionadas à globalização, aos progressos na tecnologia da informação (impulsionados pela Revolução da Informação) e a emergência de uma maior conscientização por parte da sociedade civil organizada. O Estado está abandonando algumas funções e assumindo outras; isso o está levando a um novo papel, em que o setor público passa de produtor direto de bens e serviços para indutor e regulador do desenvolvimento, por meio da ação de um estado ágil, inovador e democrático, não só concedendo direitos políticos, mas também direitos econômicos e sociais, em busca da democracia plena. Ainda de acordo com Pimenta (1998), para desempenhar esse novo papel, há um consenso geral de que é necessário reformar o Estado. Para tanto, existem muitos caminhos possíveis, geralmente baseados em um dos três grandes dogmas institucionais da nossa época: o mercado, o Estado e a sociedade. Nenhuma dessas instituições pode enfrentar, sozinha, os desafios impostos pela Reforma do Estado, sendo necessária a articulação dessas três instâncias, sem falácias, pois o neoliberalismo, o estatismo e o comunitarismo, cada um isoladamente, não será a solução para a construção de novos paradigmas sociais. O modelo neoliberal é tão falho quanto o socialismo burocrático. O mercado sozinho não garante a prosperidade econômica e a justiça social. O estatismo exagerado também privilegia o 18 corporativismo e a ineficiência, assim como a sociedade civil organizada não pode dar unidade suficiente a uma nação para enfrentar os desafios da globalização e da completa internacionalização do capital. A história da administração brasileira é uma repetição monótona da luta entre duas forças: de um lado, uma burocracia formalista, ritualista, centralizadora, ineficaz e resistente às tentativas periódicas de modernização do aparelho do Estado, aliada de interesses econômicos mais retrógrados e conservadores, embora politicamente influentes; de outro, as correntes modernizadoras da burocracia e seus próprios aliados políticos e empresariais. A primeira quer perpetuar seu controle social e seus privilégios por meio da centralização burocrática, de natureza conservadora e imobilista. As forças modernizadoras, por sua vez, representam a emergência de um novo Brasil urbano, com um moderno parque industrial, embora não superando a condição de subdesenvolvimento, aberto para o exterior e com uma sociedade civil mais consciente e organizada, exigindo uma maior atuação do Estado, principalmente na área de ampliação da infra-estrutura econômica e social. A administração burocrática brasileira tem uma teoria básica que se perpetua há mais de 500 anos de história administrativa: o papel do Estado é controlar os cidadãos, refreandolhes os impulsos e apetites; exercer o poder sobre a iniciativa privada; e garantir que, nas relações com o cidadão, o Estado esteja sempre em vantagem. A burocracia brasileira considera que seu papel é defender a sociedade dos cidadãos, por mais esdrúxulo que isso possa parecer. O que o cidadão pede ao Estado será sempre um absurdo até prova em contrário. O papel da grande burocracia não seria apenas o de mediar e facilitar as relações entre o Estado e a sociedade, mas sim, o de bloquear e anular tudo aquilo que, de alguma forma, contrarie a sua grande teoria. A Reforma do Estado, a superação de dificuldades de cunho administrativo, financeiro ou fiscal, que prejudicam a gestão governamental de um lado, e a satisfação dos anseios da 19 sociedade, de outro, tornaram-se imprescindíveis à evolução do Estado e da sociedade. Entretanto, medidas radicais, como as implementadas no gerencialismo puro, não devem prevalecer. A Administração Pública, para tanto, deve ser gerida tendo em vista os recursos públicos existentes. Há a necessidade de definir, precisamente, os programas a serem desenvolvidos, os mecanismos de responsabilização do gestor público e a transparência do processo. Os programas devem espelhar as orientações estratégicas do governo, os recursos financeiros disponíveis, e, principalmente, os anseios da sociedade, isto é, os resultados que essa pretende que sejam alcançados. Desse modo, a Administração Pública estará voltada para a eficiência, a eficácia e a efetividade (SANTOS, 2003). Na concepção da Reforma Administrativa, a governabilidade depende de várias questões, dentre elas: a qualidade das instituições políticas quanto à intermediação de interesses, a existência de mecanismos de responsabilização dos políticos e burocratas perante a sociedade, e a qualidade do contrato social básico. Essas dimensões remetem à reforma política, essencial à reforma do Estado no Brasil. A reforma gerencial da administração pública, ao introduzir modificações substanciais nas formas de controle dos serviços públicos, propiciou maior transparência às decisões administrativas (controle da sociedade) e contribuiu para o aumento da responsabilização dos administradores públicos (PEREIRA, 2001). Na administração gerencial, os resultados a serem alcançados devem ser negociados entre os formuladores da política pública e a instituição encarregada de implementá-la. Nesse sentido, a identificação precisa dos objetivos e metas a serem alcançados, assim como dos responsáveis pelo seu alcance em todos os níveis da organização, e justificará a celebração do contrato de gestão. O reconhecimento de que o controle de resultados é muito mais propício à construção de novos mecanismos de responsabilização do que o controle de processos. Ressalta que a estratégia da reforma administrativa, implementada em 1995, baseava-se na experimentação, pois, por adesão voluntária, diversas instituições públicas foram sendo 20 transformadas em unidades-piloto, permitindo o aperfeiçoamento do modelo com a sua colocação em prática (SANTOS, 2003). 4 A Administração Pública Gerencial De acordo com Santos (2003), a Administração Pública Gerencial surgiu na segunda metade do século XX, motivada pela busca de meios capazes de enfrentar a crise fiscal do Estado, não só como estratégia para reduzir custos e tornar mais eficiente a administração dos serviços que cabiam ao Estado, mas também como instrumento de proteção ao patrimônio público; além de ser o resultado da insatisfação contra a administração pública burocrática. O enfoque gerencial da Administração Pública manifestou-se na Grã-Bretanha, com Margaret Thatcher, a partir de1979, e nos EUA com Ronald Reagan, a partir de 1980. O gerencialismo consiste na administração voltada para resultados, orientada para os anseios do cidadão e usuário dos serviços públicos. Na Grã-Bretanha, o gerencialismo foi aplicado ao serviço público imediatamente após a posse da Primeira-Ministra Margaret Thatcher, tendo sido realizada uma reforma administrativa profunda e bem-sucedida. No governo da Primeira-Ministra, foram implementados os seguintes programas: Unidades de Eficiência, com relatórios de pesquisa e avaliação; Próximo Passo, com agências autônomas; e o Direito do Cidadão (SANTOS, 2003). Segundo Santos (2003), esses programas tornaram o serviço público mais flexível, descentralizado, eficiente e orientado para o cidadão, adquirindo características gerenciais. Reformas análogas ocorreram na Nova Zelândia, Austrália e Suécia, com governos socialdemocratas. Nos EUA, no ano de 1992, durante a gestão do Presidente Clinton (democrata), foi promovida a reforma da administração pública federal por critérios gerenciais. Reinventar o governo passou a ser programa do governo. 21 No Brasil, a primeira tentativa de implantar a Administração Pública Gerencial deu-se em 1967, no governo do Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, por intermédio do Decreto-Lei n. 200, que promovia uma radical descentralização da administração pública brasileira. O Decreto-Lei n. 200 promoveu a transferência das atividades de produção de bens e serviço para autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista, bem como a instituição da racionalidade administrativa, planejamento, orçamento, descentralização e controle de resultados como princípios (SANTOS, 2003). A administração Fernando Cardoso (1995) propôs a Reforma Administrativa do aparelho do Estado sob a abordagem gerencial. São características da Administração Pública Gerencial propostas pela Reforma Administrativa de 1995, segundo Santos (2003, p. 5): • Orientação para o cidadão. • Orientação para obtenção de resultados. • Pressuposição de que políticos e funcionários públicos sejam merecedores de grau limitado de confiança. • Como estratégia, serve-se da descentralização e do incentivo à criatividade e à inovação. • Utiliza o contrato de gestão como instrumento de controle dos gestores públicos. ADM. PÚBLICA BUROCRÁTICA Concentra-se no processo É auto-suficiente Definição dos procedimentos para contratação de pessoal e compra de bens e serviços Satisfaz a demanda dos cidadãos Controle de procedimentos ADM. PÚBLICA GERENCIAL Orienta-se para os resultados Orienta-se para o cidadão Combate o nepotismo e a corrupção Não adota procedimentos rígidos Definição de indicadores de desempenho e utilização de contratos de gestão Quadro 1: Diferenças entre a Administração Pública Burocrática e a Gerencial Fonte: Adaptado de SANTOS, 2003. A implementação da Administração Pública, sob a ótica gerencial, envolve uma mudança na estratégia de gerência, que deve ser colocada em prática em uma estrutura administrativa reformada. A idéia geral consiste em descentralizar, delegar autoridade; contudo, há a necessidade de definir precisamente os setores de atuação do Estado, bem como as competências e modalidades de administração adequadas a cada setor. Para o então 22 Ministro do governo Fernando Henrique, Bresser Pereira (1998, p. 17-18), a reformulação das estruturas públicas evidenciou a existência de quatro setores nos Estados Modernos: • Núcleo estratégico – centro no qual são definidas as leis e as políticas públicas, assim como o cumprimento das mesmas. • Atividades exclusivas que envolvem o poder do Estado e garantem, diretamente, o cumprimento e o financiamento das leis e das políticas públicas. Integram, esse setor, as forças armadas; polícias; agências arrecadadoras de impostos; agências reguladoras; agências de financiamento, fomento e controle de serviços sociais e da seguridade social. Não se identificam com o Estado liberal clássico, para o qual basta a polícia e as forças armadas. • Serviços não-exclusivos são aqueles que o Estado provê, mas podem ser também oferecidos pelo setor privado e pelo setor público não-estatal (não governamental), por exemplo, serviços de educação, saúde, cultura e pesquisa científica. • Serviço de produção de bens e serviços – desempenhado pelas empresas estatais. Considerando os quatro setores, Bresser Pereira (1998) questionou a existência de três itens importantes: qual o tipo de administração deve ser considerada como ideal; tipo de propriedade; e qual o tipo de instituição deve prevalecer em cada setor no novo Estado que estava nascendo nos anos 90. Pereira (1998), ao responder aos questionamentos, coloca a administração gerencial como ideal de administração. No que concerne ao tipo de propriedade, analisou isoladamente cada setor. No núcleo estratégico e nas atividades exclusivas do Estado, a propriedade deve ser estatal. Os serviços não-exclusivos devem ser financiados ou fomentados pelo Estado se envolverem direitos humanos básicos, como educação e saúde, ou se implicarem externalidades aferíveis (educação, saúde, cultura, pesquisa científica). De acordo com Pereira (1998), nesses setores, se não implicarem exercício do poder do Estado, não há razão para serem controlados por ele. Além disso, se não tiverem de ser propriedade do Estado ou propriedade privada, a alternativa é a adoção do regime de propriedade pública não-estatal (não-governamental). Exemplifica essa última situação as universidades dos EUA, entidades não-estatais, que podem ser consideradas privadas ou controladas pelo Estado, não visam ao lucro, não empregam funcionários públicos, são parcialmente financiadas ou subsidiadas pelo Poder Público. A parcela privada é menor que a 23 controlada pelo Estado. São entidades independentes, controladas por juntas que representam a sociedade civil e, em posição minoritária, o Estado. Há três possibilidades para os serviços não-exclusivos: controlados pelo Estado, privatização, financiamento ou subsídio pelo Estado. Apesar das possibilidades, devem ser controlados pela sociedade, isto é, convertidos em organizações públicas não-estatais. O burocratismo e o estatismo defendem o controle pelo Estado; os neoliberais radicais preferem a privatização; e os socialdemocratas (ou democratas liberais), o financiamento ou subsídio por parte do Estado. Os serviços não-exclusivos controlados pelo Estado e os privatizados contrariam os princípios da administração pública gerencial e os financiados ou subsidiados pelo Estado convergem para a administração gerencial (PEREIRA, 1998). Por sua vez, no tocante ao tipo de instituição que deve ser usada para implementar essa reforma, o texto enfatiza a existência de duas principais, quais sejam: agências autônomas (atividades exclusivas) e organizações sociais (atividades não-exclusivas). As agências autônomas serão plenamente integradas ao Estado e as organizações sociais, ao setor público não-estatal. A utilização do contrato de gestão, como instrumento de controle das atividades exclusivas e das não-exclusivas, pelo núcleo estratégico, caracteriza a administração gerencial. O contrato de gestão deverá prover os recursos de pessoal, materiais e financeiros com os quais as agências ou as organizações sociais poderão contar, além da definição dos indicadores de desempenho e resultados a serem alcançados (PEREIRA, 1998). A conclusão de Bresser Pereira para o estabelecimento, no setor público, de uma Administração Pública Gerencial é que é necessária a ocorrência de uma reforma política que proporcione maior legitimidade aos governos, ajuste fiscal, privatização, desregulamentação e reforma administrativa, sendo esta última responsável pela criação dos meios necessários à obtenção de uma boa governança. 24 Segundos Santos (2003), as principais tendências de modificação do padrão burocrático de Weber, influenciadas pelo debate em torno do modelo gerencial constituem: • Incentivo à adoção de parcerias com o setor privado e com as organizações nãogovernamentais (ONGs); • Ampla introdução de mecanismos de avaliação de desempenho individual e de resultados organizacionais, convergentes e baseados em indicadores de qualidade e produtividade; • Maior autonomia das agências governamentais; • Descentralização política, apoiada no princípio de que quanto mais próximo o poder de decisão estiver do cidadão melhor será a qualidade na prestação dos serviços públicos; • Estabelecimento do conceito de planejamento estratégico (políticas de médio e longo prazo) adequado às mudanças no mundo contemporâneo; • Flexibilização das regras que regem a burocracia pública, principalmente, o Direito Administrativo; • Mesmo com a flexibilização da política de pessoal, a profissionalização do servidor público deve continuar sendo prioridade de governo, assim como a manutenção do conceito de carreira no serviço público; • Motivação e a valorização da ética no serviço público; • Desenvolvimento das habilidades gerenciais dos funcionários, em especial os de nível médio e os do alto escalão burocrático, principalmente, a de administrador, vinculada à capacidade de trabalhar com os regulamentos rotineiros; a de produtor, ligada ao aumento da produtividade com qualidade; a de inovador, capaz de encontrar novas respostas e modernizar o fluxo de decisões; e a de integrador, habilitado a congregar seu grupo a atuar em conjunto na busca de um objetivo. 25 Segundo Honorato (2008, p. 170): Melhorar a produtividade significa melhorar a correlação recursos versus resultados. Ao longo do tempo, as principais formas de melhoria de produtividade assentam-se na modernização tecnológica, na racionalização de rotinas e métodos e na melhoria da qualificação dos recursos humanos disponíveis. A reforma gerencial da administração pública, ao introduzir modificações substanciais nas formas de controle dos serviços públicos, propiciou maior transparência às decisões administrativas (controle da sociedade) e contribuiu para o aumento da importância do potencial transformador das pessoas que trabalham no setor público. Políticas integradas de capacitação e valorização do servidor público tendem a melhorar a eficiência e eficácia das ações empreendidas pelo Estado. É nesse sentido que o próximo capítulo apresenta as teorias básicas de compreensão do funcionamento da motivação humana, bem como balizou a pesquisa na instituição. 26 CAPÍTULO II CLIMA ORGANIZACIONAL E MOTIVAÇÃO 1 A administração como atividade humana As organizações são sistemas sociais. Desse modo, caso alguém queira trabalhar nelas ou administrá-las, necessita compreender como funcionam. Davis e Newstrom (1998) afirmam que a sociedade deve compreender as organizações e fazer delas um uso adequado porque são necessárias para que se atinjam os benefícios da civilização. Elas são necessárias para a paz mundial, para o sucesso do sistema de ensino, bem como para outros objetivos benéficos que as pessoas perseguem. Dessa forma, pode-se dizer que o progresso da sociedade depende de organizações eficazes. O comportamento humano nas organizações é difícil de ser previsto, pois nasce das necessidades humanas e dos sistemas de valores organizacionais, o que o torna diferente em cada organização. Christopher Dejours (1988 apud SIEVERS 1990) afirma que choque entre um indivíduo, dotado de uma história personalizada, e a organização do trabalho, portadora de uma imposição despersonalizante, emergem experiências de sofrimento. Na mesma direção, Morgan (1996, p. 22) afirma: A vida organizacional é freqüentemente rotinizada com a precisão exigida de um relógio. Espera-se que as pessoas cheguem ao trabalho em determinada hora, desempenhem um conjunto predeterminado de atividades, descansem em horas marcadas e então retomem as suas atividades até que o trabalho termine. Freqüentemente o trabalho é muito mecânico e repetitivo. Elas são planejadas à imagem das máquinas, sendo esperado que os seus empregados se comportem essencialmente como se fossem partes das máquinas. A Escola das Relações Humanas surgiu na tentativa de humanizar o trabalho, de liberar o homem de sua condição de escravo da produção. No entanto, a idéia do homo social continuou vinculada a uma situação comportamentalista, ou seja, o homem continuou escravo, mas, dessa vez, das regras e condições impostas pelo grupo informal. O homem não dispunha ainda da liberdade de pensar, de agir, de estabelecer seus próprios limites e 27 objetivos. O grupo moldava o comportamento do homem, subjugando-o uma vez mais. O poder estava no grupo (BUENO, 2002). Segundo Elton Mayo (apud BERGAMINI, 1997), a filosofia administrativa deve perceber a importância de considerar a pessoa em sua totalidade. Conforme sua proposta, a melhor maneira de motivar os funcionários de uma organização caracteriza-se por forte ênfase do comportamento social dos mesmos. Os administradores devem procurar fazer com que os funcionários sintam sua utilidade e importância pessoal no trabalho. A estratégia administrativa necessita, assim, promover o reconhecimento do valor da cada pessoa, além de buscar a satisfação de suas necessidades sociais. Desse modo, torna-se claro que, para melhor compreendermos o comportamento humano, é importante valorizar as pessoas, buscando compreender suas necessidades à medida que aumenta a qualidade do ambiente de trabalho. Surge, então, a necessidade de gerenciar o clima organizacional e compreender o que move as pessoas, sua motivação. 2 Clima organizacional A palavra clima origina-se do grego klima e significa tendência, inclinação. Assim, clima organizacional reflete uma tendência ou inclinação relacionada ao atendimento das necessidades da organização e, ao mesmo tempo, dos seus colaboradores, aspecto que é indicador da eficácia organizacional. A partir desse processo, podem ser levantadas necessidades de intervenções estratégicas que cuidem das necessidades de ambos – colaboradores e organização. Coda (1997, p. 98-99) destaca que clima organizacional: [...] nada mais é do que o indicador do nível de satisfação (ou insatisfação) experimentado pelos empregados no trabalho [...]; reflete, então, uma tendência ou inclinação a respeito de até que ponto as necessidades da organização e das pessoas que dela fazem parte estariam efetivamente sendo atendidas, sendo esse aspecto um dos indicadores da eficácia organizacional. 28 D.J. Champion, citado em Luz (2003, p. 10), define Clima Organizacional como sendo: [...] as impressões gerais ou percepções dos empregados em relação ao seu ambiente de trabalho; embora nem todos os indivíduos tenham a mesma opinião, pois não tem a mesma percepção, o clima organizacional reflete o comportamento organizacional, isto é, atributos específicos de uma organização, seus valores ou atitudes que afetam a maneira pela qual as pessoas ou grupos se relacionam no ambiente de trabalho. De acordo com Sorio (2005), Clima Organizacional é a percepção coletiva que as pessoas têm da empresa, por meio da experimentação de práticas, políticas, estrutura, processos e sistemas e a conseqüente reação a esta percepção. Bowditch e Buono (2002, p. 189) conceituam clima organizacional como “uma percepção resumida da atmosfera e do ambiente da organização”. Luz (1995) define Clima Organizacional como um reflexo do estado de espírito ou ânimo das pessoas, que predomina numa organização, em um determinado período. Litwin (1968 apud Santos, 1999, p.33) resume os demais autores da seguinte forma: [...] um conjunto de propriedades mensuráveis do ambiente de trabalho, percebidas direta ou indiretamente pelos indivíduos que vivem e trabalham neste ambiente e que influencia a motivação e o comportamento dessas pessoas. A análise do clima organizacional estabelece o elo entre o nível individual e o nível organizacional, levando-se em conta o que os indivíduos, numa coletividade, pensam a respeito do lugar em que trabalham. Constata-se que há uma idéia em comum nas definições anteriormente apresentadas: na maioria delas, o clima organizacional está ligado, diretamente, à maneira com que o colaborador percebe a organização, a sua cultura, os seus usos, costumes e normas; bem como à maneira como ele interpreta tudo isso e como reage a essa interpretação, positiva ou negativamente. 29 2.1 O que é Pesquisa de Clima Organizacional? De acordo com Luz (1995), a Pesquisa do Clima Organizacional, também conhecida como Pesquisa do Clima Humano, ou ainda, Pesquisa de Atitudes, é um trabalho cuidadoso que busca detectar as imperfeições existentes na relação empresa x empregado, com o objetivo de corrigi-las. A Pesquisa do Clima Organizacional revela o retrato da empresa, mostrando a percepção e as atitudes das pessoas que nela trabalham, com relação a vários aspectos ligados ao trabalho. Coda (1997, p. 99) define pesquisa de clima organizacional como um: [...] instrumento pelo qual é possível atender mais de perto às necessidades da organização e do quadro de funcionários a sua disposição, à medida que caracteriza tendências de satisfação ou de insatisfação, tomando por base a consulta generalizada aos diferentes colaboradores da empresa. Sorio (2005) define Pesquisa de Clima Organizacional como um instrumento voltado para análise do ambiente interno a partir do levantamento de suas necessidades. Objetiva mapear ou retratar os aspectos críticos que configuram o momento motivacional dos funcionários da empresa por meio da apuração de seus pontos fortes, deficiências, expectativas e aspirações. O estudo de clima organizacional fornece uma fotografia da empresa segundo a visão dos funcionários, possibilitando um diagnóstico abrangente e detalhado dos pontos fortes e das situações que precisam ser melhoradas nas diferentes áreas da organização. 2.2 Qual a importância da Pesquisa de Clima Organizacional? Em relação à importância e à necessidade da Pesquisa de Clima Organizacional, Luz (2003, p. 22) afirma: As empresas devem ouvir seus funcionários através da área de RH porque faz parte de sua missão proporciona-lhes um bom clima organizacional. O compromisso de 30 tornar a mão-de-obra satisfeita ou ‘motivada’ está contido tanto na literatura técnica quanto ao cotidiano da Administração de Recursos Humanos. Logo, se ‘motivar’ ou ao menos tornar satisfeitos os funcionários é parte da missão de ARH, então ela tem o dever de diagnosticar, periodicamente, o clima organizacional, com o objetivo de saber se está sendo cumprindo sua missão. A busca da satisfação dos funcionários é um dos principais objetivos que uma organização deve buscar para crescer e manter sua continuidade. É a partir da Pesquisa de Clima Organizacional que programas de recursos humanos podem se tornar mais efetivos, pois a realidade do ambiente organizacional estará mais claramente exposta pela pesquisa. Mundel e Danner, citados em Wagner III e Hollenbeck (1999, p. 121), definem satisfação como “um sentimento agradável que resulta da percepção de que nosso trabalho realiza ou permite a realização de valores importantes relativos ao próprio trabalho”. Muchinsky (2004, p. 301) afirma que a “satisfação no trabalho refere-se ao grau de prazer que um funcionário sente com seu cargo”. Coda (1997) defende a idéia de que a Pesquisa de Clima Organizacional funciona como um meio de comunicação entre os colaboradores e a direção, oferecendo, dessa forma, uma realimentação das ações levadas pela organização referente à gestão de recursos humanos. A pesquisa de clima organizacional caracteriza-se como um canal de comunicação entre a direção e o corpo de empregados da organização. Representa um modo constante de obter e fornecer realimentação, mantendo o foco voltado para as necessidades dos empregados. Orienta e democratiza a participação dos funcionários no processo de participação dos funcionários no processo de gestão, uma vez que as decisões passam a incluir também as tendências e os pontos de vista dos empregados que foram manifestados pela pesquisa. (CODA, 1997, p. 98). O fato de a organização querer “ouvir” seus clientes internos já proporciona um aumento no moral, no ânimo interno, pois o colaborador começa a se perceber como um agente ativo de sua condição no trabalho. A preocupação com o bem-estar geral e a satisfação dos colaboradores no desempenho de suas tarefas está intimamente ligada com a Pesquisa de Clima Organizacional, pois a última é o canal de comunicação entre os colaboradores e a direção. É a partir dos resultados 31 da Pesquisa de Clima Organizacional que a cúpula da organização pode criar um plano de ação frente às possíveis deficiências encontradas. O teor estratégico dessa ação, no que diz respeito à Gestão de Recursos Humanos, faz da Pesquisa de Clima Organizacional uma importante ferramenta para um contínuo aperfeiçoamento organizacional. Bergamini (1982) diz que não se pode mais deixar de aceitar o fato de que o ato de coordenar esforços de contribuintes individuais, em face de um objetivo organizacional, só pode lograr êxito quando é concebido como um ato global voltado ao desenvolvimento da organização e por meio, principalmente, do desenvolvimento das pessoas que nela trabalham. Sorio (2005) aponta como principais contribuições de uma Pesquisa de Clima Organizacional: • alinhar a cultura com as ações efetivas da empresa; • promover o crescimento e o desenvolvimento dos colaboradores; • integrar os diversos processos e áreas funcionais; • otimizar a comunicação; • minimizar a burocracia; • identificar necessidades de treinamento e desenvolvimento; • enfocar o cliente interno e externo; • otimizar as ações gerenciais, tornando-as mais consistentes; • aumentar a produtividade; • diminuir o índice de rotatividade; • criar um ambiente de trabalho seguro; • aumentar a satisfação dos clientes internos e externos. O desafio para as organizações, neste novo milênio, é investir num clima organizacional positivo e sadio para que os resultados qualitativos e quantitativos aconteçam. As organizações precisam compreender a questão do clima interno como 32 estratégia de gestão, como fundamental para o aumento da melhoria da qualidade de vida das pessoas e para a eficácia organizacional. Bowditch e Buono (2002) explicam que um conjunto de definições equaciona a qualidade de vida no trabalho (QVT) com a existência de certo conjunto de condições e práticas organizacionais, tais como: cargos enriquecidos, participação dos empregados nos processos de tomada de decisões, condições seguras de trabalho e assim por diante. A Pesquisa de Clima Organizacional é um instrumento eficaz na identificação dos conflitos existentes entre os colaboradores, em nível individual, e a organização, em nível coletivo, estabelecendo um elo entre si, levando-se em consideração o que os colaboradores, em sua coletividade, pensam a respeito da organização em que trabalham. Em razão disso, a Pesquisa de Clima Organizacional é muito indicada para se encontrar as possíveis causas e conseqüências de deficiências existentes nas organizações. É útil como uma ferramenta que alimenta o processo de decisão, principalmente, na melhoria das condições de trabalho e na gestão mais eficaz de políticas relativas aos recursos humanos, o que, em segundo plano, melhoraria a qualidade dos serviços prestados pela organização. Segundo Souza (1978), existe uma relação de complementaridade entre clima organizacional e cultura organizacional, pois o clima é resultante das variáveis culturais; quando estas são alteradas, ocasionam mudanças no clima. A cultura antecede e fundamenta o clima. Na mesma linha de pensamento, Luz (1995) enfatiza que o clima organizacional é resultante da cultura das organizações, de seus aspectos positivos e negativos. Dessa forma, o autor entende que os fatos do ambiente externo não têm impacto duradouro sobre o clima; ao contrário dos aspectos internos, que refletem de forma mais intensa e permanente no clima organizacional. 33 De acordo com Oliveira (1995), quem fala sobre clima interno parece sentir-se quase obrigado a falar de cultura, como se os conceitos fossem “irmãos siameses”. Sendo assim, diversos autores estabelecem uma relação estreita entre clima organizacional e cultura organizacional, como é o caso de Luz (1995) e Souza (1978). Já outros conceituam clima e cultura como sinônimos. Por esse motivo, não há como se falar de clima organizacional sem destacar a cultura organizacional. Para Saldanha (1989), os indivíduos e as organizações em sua convivência diária, em sua troca de experiências, em seu crescimento cultural e profissional, fecundam idéias, normas e valores que resultam na cultura organizacional. Assim, de acordo com o autor, à proporção que as organizações se diferem, sua cultura cria seus próprios padrões peculiares de sentimentos e crenças coletivas, que são transmitidos de indivíduo a indivíduo à medida que chegam à organização. O autor ainda enfatiza que dentro de uma mesma organização, setor ou subgrupo, são estabelecidas subculturas. Por esse motivo, é possível perceber que organizações que desempenham os mesmos tipos de função ou atribuição, possuem diferenças culturais. Segundo Freitas (2000), a cultura organizacional é um agente regulador que age primeiro como instrumento de poder que regulamenta a organização, depois como um conjunto de representações imaginárias sociais que constroem e reconstroem as relações do cotidiano dentro da organização. Essas representações expressam-se em termos de valores, normas, significados e interpretações, visando a uma direção e unidade, tornando a organização fonte de identidade e de reconhecimento para seus membros. Além disso, a autora enfatiza que a cultura organizacional define e transmite o que é importante e qual a maneira adequada de pensar e agir em relação aos ambientes interno e externo; o que são comportamento e condutas aceitáveis. 34 Pode-se dizer que uma das possibilidades para a compreensão e embasamento da reflexão e intervenção é construída a partir da cultura organizacional. A cultura é um dos pontos-chave na compreensão das ações humanas, funcionando como um padrão coletivo que identifica os grupos, suas maneiras de perceber, pensar, sentir e agir. Assim, mais do que um conjunto de regras, de hábitos e de artefatos, cultura significa construção de significados partilhados pelo conjunto de pessoas pertencentes a um mesmo grupo social. 3 As teorias da motivação aplicadas ao trabalho Nas últimas décadas, cada vez mais o ser humano tem chamado a atenção dos estudiosos e merecido estudos, a fim de se conhecer mais a respeito dos aspectos que lhe são peculiares. Sobre o ponto de vista comportamental, muito se tem escrito e lido nas publicações atuais. O homem contemporâneo, por uma série de razões, dele próprio, dos seus grupos sociais e do ambiente em que vive, tem apresentado, percentualmente, um aumento daqueles estados conhecidos como ansiedade e angústia. O mal-estar característico de tais estados tem levado esse homem à procura da melhor maneira de resolvê-lo; mas, nem sempre, tem-se conseguido chegar a estratégias mais sadias (BERGAMINI, 2005). O tema motivação humana tem recebido maior atenção no cenário empresarial, devido a sua amplitude e complexidade acerca do rendimento de cada indivíduo no âmbito profissional. Em virtude de inúmeras variáveis, a motivação tem sido um fator relevante no desempenho das pessoas nas organizações. Os profissionais e as empresas estão cada vez mais exigentes; cada um com seus direitos. Profissionais desejam maiores benefícios e organizações querem mais rendimento. Para entender melhor o termo motivação, é necessário apresentarmos algumas teorias de conceituados pensadores, como forma de dimensionar os conceitos teóricos do assunto (ÁPIO, [s.d.]). 35 4 As teorias da motivação humana nas organizações De acordo com Bergamini (1997), etimologicamente, motivação deriva da palavra latina movere, que significa mover. Para a autora, a palavra motivação pode ser entendida como um conjunto de fatores que agem entre si e determinam a conduta de um indivíduo. Para Maximiano (2004), a palavra motivação é usada com diferentes significados. Segundo o autor, pode-se falar em motivação para estudar, ganhar dinheiro ou até mesmo para não fazer nada. Maximiano (2004) infere que a palavra motivação indica causas e motivos que produzem um determinado comportamento, seja ele qual for. Para o autor, no campo da administração, motivação significa uma pessoa demonstrar disposição para realizar uma tarefa ou atividade de qualquer natureza dentro da organização. O autor ainda ressalta que as pessoas também se motivam para fazer coisas que vão à direção oposta à desejada pela organização, como greves e outros. Dentro da mesma linha de raciocínio, Robbins (2004) entende motivação como o esforço empreendido para alcançar objetivos organizacionais. O autor ressalta que é comum a motivação ser entendida erradamente, ou seja, ser vista como um traço pessoal, característico a algumas pessoas e a outras não. Robbins (2002) refere-se à motivação como um processo responsável pela intensidade, direção e persistência que as pessoas desprendem em busca de uma meta ou objetivo. Maximiano (2004) afirma que a motivação não significa entusiasmo ou disposição elevada; mas sim, que todo comportamento sempre tem uma causa. Archer (1997, p. 4) conceitua motivação e afirma a necessidade de diferenciá-la de satisfação: [...] uma inclinação para a ação que tem origem em um motivo (necessidade). Um motivador nada mais é do que um motivo – uma necessidade, por definição. Por outro lado, um fator de satisfação é alguma coisa que satisfaz uma necessidade. Satisfação é o atendimento de uma necessidade ou sua eliminação. Dentro do 36 contexto destas definições, um motivador e um fator de satisfação, em lugar de ser a mesma coisa, são antítese do outro. Para entender um pouco sobre motivação, é necessário abranger algumas teorias motivacionais. Segundo Bergamini (1997), existem diferentes teorias sobre motivação que apresentam diferentes enfoques científicos a respeito das características e do processo em que ela ocorra. Neste trabalho, optou-se abordar as teorias da Hierarquia das Necessidades de Maslow e da Motivação-Higiene de Herzberg, visto que ambas se complementam e são abrangentes. Essa escolha ocorreu devido à interpretação dada à motivação nas organizações, a qual depende do nível de atendimento dos anseios individuais e da satisfação ou insatisfação destes anseios no tocante aos fatores higiênicos e motivadores. 4.1 A Teoria das Necessidades de Maslow Abraham Maslow, psicólogo e estudioso do campo da motivação, na década de 1950, desenvolveu uma teoria tomando como eixo a questão das necessidades humanas. Para Maslow, as necessidades estão organizadas hierarquicamente e a busca de satisfazê-las é que nos motiva a tomar alguma direção nesse sentido. De acordo com Vergara (2006), a Teoria de Maslow distingue dois tipos de necessidades: primárias e secundárias. As necessidades primárias são as fisiológicas e as de segurança. As necessidades fisiológicas dizem respeito à sobrevivência das pessoas e são as mais baixas na hierarquia. Exemplo: fome, sede, sono, sexo etc. As necessidades secundárias estão relacionadas à necessidade de proteção contra alguma ameaça, real ou imaginária, por exemplo: salário, casa própria, seguro-saúde, aposentadoria e até emprego. 37 Autorealização NECESSIDADES SECUNDÁRIAS Estima Sociais Segurança Fisiológicas NECESSIDADES PRIMÁRIAS Figura 1: Pirâmide das necessidades de Maslow Fonte: Robbins,2002. Em geral, as necessidades primárias e secundárias são apresentadas por Maslow num modelo piramidal, por ordem de diferenciação e hierarquia. Maslow defendia que era preciso suprir as necessidades básicas do ser humano, pois só assim ele poderia alcançar a motivação. Essas necessidades não possuem força igual, mas geralmente emergem numa certa prioridade, na qual se podem estabelecer os cinco níveis hierárquicos. Nessa hierarquia, o indivíduo procura primeiramente satisfazer suas necessidades fisiológicas, fundamentais à existência, pois são as necessidades de alimentação, habitação e proteção contra a dor ou sofrimento. São também denominadas necessidades biológicas e exigem satisfação cíclica e reiterada a fim de garantir a sobrevivência do indivíduo. A satisfação dessas necessidades está relacionada ao dinheiro como meio eficaz. A maioria das pessoas, porém, não está interessada no dinheiro propriamente dito, mas sim, como meio para satisfazer todas as outras necessidades. Porém, quando se trata de necessidade de estima e auto-realização, o dinheiro é o fator menos eficaz, ou seja, a importância deste, na realização das necessidades, é inversamente proporcional na hierarquia das necessidades de Maslow. 38 Satisfeitas as necessidades fisiológicas, passa-se para o segundo nível da pirâmide, as necessidades de segurança, que são as necessidades de estar livre de perigos (reais ou imaginários) e de proteção contra ameaças externas ou ambientais. Estão também intimamente relacionadas com a sobrevivência do indivíduo, especificamente ao desejo de estar livre de perigos à vida, como: doenças, acidentes, entre outros. Após a satisfação do segundo nível, passa-se para o terceiro nível, que se trata das necessidades sociais. Estas necessidades dizem respeito às necessidades de amizade, participação, filiação a grupos, amor e afeto. Estão relacionadas com a vida associativa do indivíduo junto a outras pessoas e com o desejo de dar e receber afeto. Tal necessidade deve-se à tendência do ser humano de viver em comunidade, de forma a interagir com os outros em situações em que se sintam bem aceitos. Pode ser percebida comumente dentro das organizações quando surge a necessidade de as pessoas fazerem amizades, trabalhar em grupo e compartilharem resultados. O penúltimo nível refere-se às necessidades de estima, que são as necessidades relacionadas à maneira pela qual a pessoa se vê, à auto-avaliação, à auto-estima, à autoapreciação e à autoconfiança. Este nível manifesta-se de várias maneiras; entretanto, duas delas merecem destaque: o prestígio, por proporcionar um grau de conforto e bem-estar conferido à sociedade; e o poder, por permitir que se exerça influência sobre outras pessoas. Essa necessidade é importante, pois oferece confiança aos indivíduos, fazendo com que estes se sintam capazes de executar suas atividades, proporcionando maior produtividade. E, por fim, as necessidades de auto-realização, que são as necessidades mais elevadas do ser humano e que o levam a realizar-se, maximizando suas aptidões e capacidades potenciais. São as necessidades humanas que se concentram no topo da hierarquia e traduzem-se na tentativa de cada pessoa realizar seu próprio potencial e desenvolver-se continuamente como criatura humana ao longo da vida. 39 No decorrer dos últimos anos, Maslow teve sua pirâmide transformada, analisada e criticada, mas os conceitos nela embutidos continuaram intactos. A partir de sua pirâmide, muitos autores reescreveram as necessidades humanas, reeditaram; porém, as cinco necessidades organizadas em pirâmide continuam intocáveis. Segundo Dubrin (2003), um princípio-chave de hierarquia das necessidades é que, à medida que necessidades num determinado nível são satisfeitas, elas perdem sua potência (força). O nível seguinte de necessidades é então ativado. Uma necessidade satisfeita deixa de ser um motivador. Porém, esta teoria sugere que, embora praticamente nenhuma necessidade jamais seja satisfeita completamente, uma necessidade substancialmente satisfeita extingue a motivação. Assim, como profere Robbins (2002), para motivar alguém, de acordo com a Teoria de Maslow, é preciso saber em que nível da hierarquia a pessoa se encontra no momento, e forçar a satisfação neste nível ou no imediatamente superior. Muitas pessoas pensam que, para a maioria dos trabalhadores, a única maneira sensível de motivá-los é satisfazer as necessidades de níveis superiores. Contudo, na implicação prática, os funcionários mostram-se motivados por meio da oferta de oportunidades para satisfazer suas necessidades básicas, tais como: meios de segurança no emprego e um salário digno para viver. Como afirma Davis e Newstrom (1998), o modelo da hierarquia das necessidades de Maslow aponta que os funcionários tendem a estar mais entusiasticamente motivados por aquilo que eles estão buscando do que por aquilo que eles já têm. Eles podem reagir de forma a proteger aquilo que já tem, mas se movimentarão, com maior entusiasmo, somente quando estiverem procurando alguma coisa a mais. Interpretada dessa forma, a hierarquia de necessidades de Maslow ajuda os administradores a identificar as necessidades dos empregados, reconhecendo que elas podem 40 ser diferentes de uma pessoa para outra, oferecendo satisfação para necessidades em particular, bem como a reconhecer que, dando maiores quantidades da mesma recompensa, pode diminuir o impacto sobre a motivação. Dessa forma, Maximiano (2004) entende que a Teoria das Necessidades de Maslow é uma visão positiva sobre a motivação humana. De acordo com o autor, essa teoria parte da premissa de que as pessoas estão em processo de desenvolvimento contínuo e que tendem a progredir ao longo das necessidades, buscando atender uma após outra e orientando-se para auto-realização. Para Maximiano (2004), a auto-realização pode ocorrer em qualquer ponto da escala da motivação e uma necessidade ou um grupo de necessidades pode ser predominante nos motivos internos de uma pessoa, devido a fatores, como: idade, meio social ou personalidade. 4.2 A Teoria dos Dois Fatores de Herzberg O estudo sobre a hierarquia das necessidades contribuiu para o surgimento da Teoria dos Dois Fatores da Motivação, também conhecida como Teoria da Higiene-Motivação, proposta pelo psicólogo Frederick Herzberg. Acreditando que a relação de uma pessoa com seu trabalho seja básica e que esta atitude pode muito bem determinar o seu sucesso ou fracasso, Herzberg investigou a questão: o que as pessoas desejam em seu trabalho?(ROBBINS, 2002). Numa amostra de 715 sujeitos, Herzberg pediu às pessoas que descrevessem, em detalhes, situações nas quais se sentiram excepcionalmente bem ou mal a respeito de seu trabalho. As respostas foram então tabuladas e categorizadas. Das respostas categorizadas, Herzberg concluiu que aquelas referentes aos momentos em que as pessoas se sentiram bem com o trabalho eram significativamente diferentes das referentes aos momentos em que elas se sentiram mal. Os fatores intrínsecos, como o 41 trabalho em si, a responsabilidade e a realização, parecem estar relacionados com a satisfação do trabalho. Os respondentes que se sentiam bem com seu trabalho atribuíram esses fatores a si mesmos. Por outro lado, os insatisfeitos tendiam a indicar fatores extrínsecos, como a supervisão, a remuneração, as políticas da empresa e as condições de trabalho. De acordo com a pesquisa de Herzberg, somente a presença dos fatores motivacionais leva a um comportamento energético mais positivo. A motivação das pessoas para o trabalho depende, assim, de dois fatores intimamente relacionados: os fatores higiênicos e os fatores motivacionais. Os fatores higiênicos referem-se às condições que rodeiam a pessoa enquanto trabalha, englobando as condições físicas e ambientais de trabalho, salário e benefícios, políticas da organização, relacionamento com os colegas, dentre outras. Esses fatores, quando são excelentes, evitam a insatisfação, uma vez que sua influência sobre o comportamento não consegue elevar substancialmente e duradouramente a satisfação das pessoas. Os fatores motivacionais referem-se ao conteúdo do cargo, às tarefas e às atividades relacionadas com o cargo em si (condições internas do indivíduo). Quando os fatores motivacionais são ótimos, eles elevam substancialmente a satisfação das pessoas. Quando são precários, provocam ausência de satisfação. Herzberg concluiu que os fatores responsáveis pela satisfação profissional são totalmente desligados e distintos dos fatores responsáveis pela insatisfação. Para ele, o oposto da satisfação não é a insatisfação, mas nenhuma satisfação. De acordo com as próprias palavras de Herzberg (1973, p. 58 apud BERGAMINI, 2005): Resumindo, os fatores de higiene satisfazem os anseios do homem de evitar aborrecimentos. Não gosto de ser tratado dessa maneira; não quero sofrer privações por causa de um baixo salário, relações interpessoais más causam aborrecimento. 42 Em outras palavras, desejam que suas vidas sejam higienicamente limpas. Os fatores motivadores, por outro lado, tornam as pessoas felizes com seus serviços, porque atendem à necessidade básica e humana de crescimento psicológico; uma necessidade de se tornar mais competente. Os fatores higiênicos não fazem as pessoas produzirem mais. Ao contrário, sua presença apenas mantém o nível de insatisfação delas em grau mínimo. Dessa forma, torna-se uma espécie de obrigação da empresa assegurar uma adequada política administrativa, promover a competência dos supervisores, cumprir com justiça os seus compromissos de pagamento do pessoal, favorecer um clima de amizade entre os supervisores e colaterais, cuidar para que as condições ambientais de trabalho sejam adequadas e inspirar segurança ao seu pessoal (BERGAMINI, 2005). Segundo Vergara (2006), é na busca de objetivos motivacionais que as pessoas experimentarão maiores níveis de satisfação. Ao favorecer a realização pessoal, demonstrando reconhecimento pelo valor profissional, oferecendo oportunidades de promoção, dando responsabilidade a cada um, tornando agradável o próprio trabalho e possibilitando o crescimento do indivíduo, as organizações podem atingir maiores níveis motivacionais para seus empregados. De acordo com Bergamini (2005), de maneira bastante abrangente, pode-se afirmar que os fatores de motivação estão ligados ao próprio indivíduo e ao trabalho que ele desempenha. Já os fatores de higiene formam o meio ambiente no qual se situa o indivíduo e sua atividade na organização. É importante distinguir tais fatores para esclarecer por que muitas iniciativas tomadas pelas empresas, tidas como “medidas em prol do empregado”, não surtiram efeitos tão benéficos como se esperava. Nesse caso, estavam garantindo apenas o oferecimento dos fatores higiênicos, que nada tem haver com propiciar motivação. Durante muitos anos, não se descobriu a diferença entre administrar pelo movimento e administrar pela motivação. Quando se oferecem condições higiênicas, a organização está tão somente administrando pelo 43 movimento, ou seja, à medida que estas condições que cercam o indivíduo desaparecem, as pessoas reclamam e podem até parar o seu trabalho (VERGARA, 2006). Bergamini (2005) aponta que outro aspecto de grande interesse prático, levantado pela pesquisa de Herzberg, uma das conseqüências das duas orientações diferentes na concepção da motivação, é o poder de distinguir as pessoas como representantes de tipos ou estilos motivacionais diferentes. Fica nítido que existem pessoas voltadas para a procura da realização, da responsabilidade, do crescimento, da promoção do próprio trabalho e do reconhecimento merecido. Tais pessoas são classificadas como do tipo que procuram motivação. A tarefa em si adquire grande significado para elas e fatores ambientais pobres não lhes criam grandes dificuldades, pelo contrário, são muito tolerantes para com tais deficiências. Ainda de acordo com Bergamini (2005), em contrapartida, há indivíduos cujo aspecto ambiental extrínseco adquire grande relevo, centralizando sua atenção em outros aspectos, tais como: pagamento, vantagens adicionais, competência da supervisão, condições de trabalho, segurança, política administrativa da empresa e bom relacionamento com os colegas. Essas pessoas são chamadas do “tipo que procuram manutenção”. O comportamento aparente dessas pessoas é aquele que caracteriza os indivíduos eternamente insatisfeitos. Essa distinção ajuda muito na caracterização de como reter as pessoas em relação à situação de trabalho. Uma coisa é simplesmente tratar bem, oferecendo fatores higiênicos que aqueles que buscam manutenção tanto valorizam. Outra coisa é como a organização usa as pessoas, o que significa dar oportunidades para que elas se sirvam de seus próprios talentos e atinjam a realização pessoal que tanto prezam, e que são os que buscam motivação. (BERGAMINI, 2005). 44 De acordo com Alves Filho e Araújo (2001), pode-se entender, da teoria de Herzberg, que os fatores capazes de produzir motivação no trabalho são independentes e distintos dos fatores que conduzem à desmotivação no trabalho. As teorias de motivação de Maslow e Herzberg apresentam pontos de concordância. Os fatores higiênicos de Herzberg relacionam-se com as necessidades primárias de Maslow (necessidades fisiológicas e de segurança, incluindo algumas necessidades sociais). Os fatores motivacionais relacionam-se com as necessidades secundárias (necessidades de estima e autorealização). A figura 2 apresenta uma idéia dessa correspondência. MODELO A HIERARQUIA DAS NECESSIDADES DE MASLOW MODELO DE FATORES DE HIGIENE –MOTIVAÇÃO DE HERZBERG Trabalho em si, responsabilidade , progresso, Autorealização crescimento Realização, status Estima reconhecimento Relações interpessoais, supervisão, Segurança HIGIÊNICOS Sociais Fisiológicas colegas e subordinados Políticas administrativas e empresariais, segurança no cargo Condições físicas de trabalho, salário, vida pessoal Figura 2: Comparação entre as teorias de Maslow e Herzberg Fonte: Produção própria 45 CAPÍTULO III CARACTERIZAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO 1 Histórico da organização A história da Fundação Alfredo da Matta (FUAM) está relacionada ao controle e à eliminação da Hanseníase no estado do Amazonas. Até o ano de 1955, os casos da referida doença eram obrigatoriamente tratados em regime de internação compulsória. Em 28 de agosto de 1955, foi inaugurado o Dispensário Alfredo da Matta, com a finalidade de prestar assistência ambulatorial a casos de hanseníase. A escolha do nome foi em homenagem ao primeiro médico que se dedicou inteiramente ao combate das doenças de interesse sanitário no Estado, particularmente a Hanseníase. Em 1978, o Dispensário Alfredo da Matta ampliou sua atuação para a prevenção de deformidades e reabilitação, bem como começou a treinar profissionais de saúde no combate à endemia. Em 1979, com a desativação das Colônias de Isolamento de Pacientes, o trabalho ambulatorial intensificou-se e foi ampliado, fazendo com que em 1982 o Dispensário passasse a ser Centro de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta, com assistência às doenças dermatológicas, principalmente Leishmaniose, Hanseníase e atendimento ambulatorial às DSTs. Foi também com a desativação das Colônias que os registros dos casos de Hanseníase no estado do Amazonas, com suas informações epidemiológicas, ficaram centralizadas no Alfredo da Matta. A instituição passou a coordenar e executar atividades relacionadas ao controle da doença no Estado, como: realização de exames dermatológicos de grupos populacionais, visando à busca ativa de casos; treinamento de estudantes de Medicina e demais profissionais da saúde para diagnóstico, tratamento e supervisão das unidades de saúde da Capital e do interior, em suas ações de controle da demanda. 46 Em razão das inúmeras contribuições na área da dermatologia sanitária, especialmente no controle e combate da Hanseníase, o Ministério da Saúde credenciou o Centro de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta como Centro de Referência Macrorregional em Hanseníase. Em 21 de dezembro de 1988 foi então criado o Instituto de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta (IDTVAM), sob a forma de autarquia estadual, com patrimônio próprio e autonomia administrativa, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde. O Ministério da Saúde, em 7 de agosto de 1992, reconheceu o então Instituto de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta como Centro de Referência Nacional para o Programa Nacional de Controle e Eliminação da Hanseníase e Outras Dermatoses de Interesse Sanitário. Em 30 de dezembro de 1998foi alterada a natureza jurídica da Instituição Alfredo da Matta, que passou à condição de Fundação de Direito Público, com a denominação de Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta. Por mais de quatro décadas, a Fundação Alfredo da Matta desenvolveu suas atividades em um modesto prédio, que limitava a implantação e a implementação de novas atividades voltadas para o ensino e a pesquisa, o que comprometia também a assistência ao usuário. A luta pela construção de um novo prédio foi iniciada em 1990, com a escolha do local, e a concretização do sonho deu-se em dezembro de 1994, com a inauguração do mesmo. A mudança para a nova sede teve início em maio de 1996, e a ocupação definitiva deu-se em agosto do mesmo ano, em uma área de 3.498,59m2. Atualmente, a Fundação Alfredo da Matta é credenciada como Centro Colaborador da Organização Mundial de Saúde/OPAS no Controle, Treinamento e Pesquisa em Hanseníase para as Américas, título este conferido em 24.11.98. Em junho de 1995, o representante no Brasil das Organizações Pan-americanas de Saúde (OPAS) e Mundial de Saúde (OMS) veio a Manaus para comunicar que o Instituto de 47 Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta, a partir daquela data, estava credenciado como Centro de Referência para a América Latina, nos campos do Ensino, Pesquisa e Ações de Controle da Hanseníase. O credenciamento proporcionou a ampliação de parcerias e apoio à OMS, no sentido de trazer convênios internacionais de cooperação. Fruto de um clima democrático, em toda a história da Fundação, a Direção é eleita pelo voto direto dos seus servidores. 2 Missão Institucional A Fundação Alfredo da Matta tem como missão prestar assistência à população e desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão, como Centro de Referência nas áreas de Hanseníase, Dermatologia e Doenças Sexualmente Transmissíveis/HIV. 2.1 Instalações assistenciais Para atender a sua missão, a Fundação Alfredo da Matta dispõe da seguinte estrutura física: Assistência Consultórios médicos Consultórios não médicos Consultório odontológico Sala de cirurgia ambulatorial Sala de curativo Sala de enfermagem Sala de gesso Sala de imunização Sala de observação Farmácia de dispensação 26 19 1 3 3 9 1 1 1 1 Laboratório Laboratório de baciloscopia Laboratório de bacteriologia Laboratório de micologia Laboratório de histopatologia e citologia Laboratório de análises clínicas 1 1 1 1 1 48 Laboratório de imunologia Laboratório de biologia molecular 1 1 Ensino e Pesquisa Sala de Aula Biblioteca Miniauditório com 26 lugares Auditório com 110 lugares Alojamento de médicos residentes 1 1 1 1 3 Quadro 2: Estrutura física da Fundação Alfredo da Matta Fonte: Departamento de Planejamento, Orçamento e Finanças – FUAM - 2007 Serviços Oferecidos Atendimento médico especializado em: • Dermatologia; • Ginecologia; • Oftalmologia; • Doenças Sexualmente Transmissíveis. Cirurgias: • Câncer de pele; • Oftalmológicas; • Descompressão muscular. Outros serviços: • Atenção psicológica; • Assistência social; • Fisioterapia; • Exames laboratoriais; • Dispensação de medicamentos; • Confecção de próteses e palmilhas ortopédicas para portadores de hanseníase; • Vigilância epidemiológica; • Residência médica em dermatologia; • Capacitação de profissionais de saúde da rede municipal e estadual. 49 CAPITULO IV METODOLOGIA Em relação à metodologia utilizada, optou-se por compreender o problema por meio de uma pesquisa quantitativa. De acordo com Roesch (1999), o método quantitativo é indicado para medir relações entre variáveis, tais como associação ou causa-efeito. É menos indicado para a representatividade e mais apropriado para encontrar associações e explicações. Segundo Richardson et al (1999), esse tipo de método é freqüentemente aplicado em estudos descritivos, que procuram descobrir e classificar a relação entre variáveis, bem como investigar a relação de causalidade entre fenômenos. Para o tratamento dos dados, foram usadas técnicas estatísticas. Quanto aos meios, a pesquisa é bibliográfica, tendo em vista que foi realizada uma revisão literária sobre os temas em questão. Utilizou-se, ainda, o estudo de caso, uma vez que se limitou a pesquisar o circunscrito da organização em questão. E, por fim, a pesquisa de campo, pois foram aplicados dois tipos de questionários. O questionário motivacional baseou-se nas teorias de Maslow e Herzberg, de acordo com os quadros a seguir. Fisiológicas Boas condições de trabalho Bom salário Segurança Estabilidade no emprego Bom relacionamento com os colegas de trabalho Sociais Bom relacionamento com sua chefia Reconhecimento pelo trabalho realizado Estima Oportunidade de promoção e crescimento profissional Tarefas importantes e significativas Auto-realização Participação nas decisões relativas ao meu trabalho Tarefas desafiadoras Quadro 3: Relação das questões do questionário motivacional com a Teoria de Maslow Fonte: Produção própria 50 Fatores motivacionais Fatores higiênicos Tarefas desafiadoras Participação nas decisões relativas ao meu trabalho Tarefas importantes e significativas Oportunidade de promoção e crescimento profissional Reconhecimento pelo trabalho realizado Estabilidade no emprego Bom relacionamento com sua chefia Bom relacionamento com os colegas de trabalho Boas condições de trabalho Bom salário Quadro 4: Relação das questões do questionário motivacional com a Teoria de Herzberg Fonte: Produção própria A partir dos fatores apresentados, foi construído o questionário de Perfil Motivacional (Anexo B), no qual os servidores tiveram de hierarquizar, do mais importante para o menos importante, os motivos que os levam a produzir com mais qualidade e produtividade. Essa escala variava num continuum de 1 a 10, sendo que o n.1 era o mais importante e o n.10, o menos importante. O objeto da pesquisa consiste em duas amostragens do universo dos 278 servidores que trabalham na Fundação Alfredo da Matta. Sendo que as amostras foram de 42 questionários para o Perfil Motivacional e 28 questionários da pesquisa de clima organizacional. O baixo retorno dos questionários da pesquisa de clima deve ter ocorrido devido à complexidade e extensão no preenchimento do mesmo, mas que não deixou de ser representativo (acima de 10%). A principal preocupação nas variáveis componentes da pesquisa de Clima Organizacional recaiu na necessidade de contar com um instrumento comprovadamente aplicável às proposições da Pesquisa de Clima Organizacional dentro de uma instituição de saúde. A partir disso, utilizou-se como base para este trabalho a pesquisa desenvolvida por Coda (1993), em sua tese de doutorado da USP. 51 A metodologia de Coda divide-se em três fases principais. Cada uma das fases é composta de algumas atividades, a saber: • Fase de Planejamento – consiste basicamente na criação do instrumento de pesquisa com o qual será feita a Pesquisa do Clima Organizacional; • Fase de Execução – é a pesquisa em si. Trata-se da operacionalização do instrumento desde a apresentação aos funcionários até o retorno dos questionários respondidos; • Fase da Análise – identifica os diferentes tipos de análise que devem ser realizadas, de maneira a permitir uma maximização dos subsídios que podem ser gerados pela Pesquisa de Clima Organizacional. Fase de Planejamento Essa fase tem o objetivo de analisar que variáveis são importantes para a medição do clima organizacional, isto é, quais as variáveis formadoras deste na organização pesquisada. Por ser o clima organizacional um conceito complexo, exatamente por conter variadas dimensões que vão desde a filosofia de gestão da organização até condições ambientais de trabalho, é necessário explicitar aquilo que realmente interessa e importa ser avaliado. Para Luz (2003, p. 53): Variáveis organizacionais são os assuntos pesquisados. São os diferentes aspectos da empresa que podem causar satisfação ou insatisfação nos empregados. A pesquisa identifica seu impacto sobre os funcionários e como eles percebem e reagem a cada uma delas. Em relação à elaboração do questionário, as recomendações de Coda (1997) foram levadas em consideração: uma investigação adequada sobre clima organizacional começa exatamente pela escolha e definições operacionais das variáveis formadoras deste conceito. Na verdade, são indicadores que traduzem o que, em determinado momento, faz parte da 52 realidade organizacional. Os diferentes indicadores operacionais de cada variável formadora do clima organizacional são, em uma segunda etapa, transformados em afirmações que serão avaliadas dentro de uma escala de CONCORDÂNCIA / DISCORDÂNCIA, conforme o grau de satisfação ou de insatisfação em relação às mesmas e percebidas pelos colaboradores. O pesquisador delineou algumas possíveis variáveis importantes para mensurar o clima organizacional da Fundação Alfredo da Matta e que, com a apreciação crítica, decidiuse por oito dimensões. A escolha das seguintes dimensões tem a intenção de assegurar uma abrangência e, ao mesmo tempo, a adequação à realidade da organização. São elas: • Estrutura organizacional; • Identificação com a organização; • Processo de comunicação; • Reconhecimento provido; • Relacionamento no ambiente de trabalho; • Política de remuneração; • Qualidade da chefia; • Natureza do trabalho. Todas as oito dimensões possuem quatro afirmações que, juntas, colaboram para medir a sua dimensão pertencente. A divisão em dimensões tem a intenção de facilitar a posterior análise do clima organizacional e possibilitar a criação de um plano de ação por parte dos dirigentes da organização. Nesta pesquisa, o questionário contou com 32 afirmações relativas ao clima organizacional, retiradas do modelo de Coda (1997). Várias afirmações tiveram de ser adequadas à organização pesquisada. Tal adequação ocorreu em virtude das necessárias adaptações ao objeto de pesquisa, por possuir características diferentes da área privada. 53 O passo seguinte, depois de escolhida as afirmações, foi estruturar o questionário. Este instrumento é a fonte primária de dados. Os questionários mostram-se bastante eficientes e eficazes para se colher dados, pois possibilitam medir o que se desejava. Uma das vantagens da aplicação de questionários é a sua natureza impessoal, o que assegura uma uniformidade na coleta de dados a todos os respondentes. O anonimato também é preservado, possibilitando uma maior confiança e segurança para quem responde; o que, conseqüentemente, favorece a obtenção de respostas livres e mais precisas. O questionário aplicado na pesquisa é composto por um agrupamento de 32 afirmações, sendo cada uma pertencente a uma das oito dimensões. Essas afirmações foram propositalmente misturadas. O questionário aplicado consta no Anexo A. São elas: DIMENSÃO Qualidade da chefia AFIRMATIVA 1, 8, 26, 32 Natureza do trabalho realizado 14, 18, 25, 31 Estrutura organizacional 6, 10, 23, 28 Identificação com a organização 7, 13, 19, 22 Processo de comunicação 2, 12, 16, 27 Reconhecimento provido 3, 9, 17, 21 Relacionamento no ambiente de trabalho 4, 15, 24, 30 Política de remuneração 5, 11, 20, 29 Quadro 5: Distribuição das afirmativas por dimensão Fonte: Produção própria Para cada afirmação do questionário, são possíveis quatro respostas diferentes; sendo que apenas uma deveria ser escolhida. As respostas possuem o formato de escala, envolvendo 54 quatro pontos, com a qual se indicava o nível de satisfação do respondente, conforme o exemplo no questionário contido no Anexo A. Evitou-se usar uma escala ímpar para eliminar posições centristas, isto é, o respondente tem de posicionar-se de forma positiva ou negativa em relação ao indicador proposto. Fase de Execução Após a escolha das afirmações representativas de cada dimensão e de sua devida incorporação à versão final do questionário, é que este fora distribuído a cada servidor. Nesta etapa, o aspecto crucial é desenvolver mecanismos de comunicação, com o grupo-alvo, que permitam uma compreensão clara da natureza do levantamento que está sendo realizado. A distribuição do questionário foi feita de forma pessoal pelo pesquisador, que visitou todos os departamentos. O pesquisador abordou os servidores, explicou-lhes o objetivo da pesquisa e entregou-lhes o questionário para ser preenchido e, posteriormente, devolvido. Validação dos Dados da Pesquisa A análise dos resultados é feita após a tabulação e análise estatística dos dados. Para garantir a validade de todas as afirmações, foi feito o cálculo de correlação entre os valores das respostas e o total de pontos obtidos no questionário. De acordo com Ferret (2001), a análise da validade das afirmativas visa a assegurar que houve dispersão mínima de respostas entre os respondentes em relação à escala de respostas utilizadas, bem como verificar se existe 55 consistência entre pontuação baixa na afirmação e pontuação baixa no instrumento e viceversa. Likert, citado em Ferret (2001), recomenda que o ponto de corte para o cálculo da correlação linear entre os pares (valores na afirmação e o total de pontos no instrumento), por respondente, é de r ≥ 0,30, conforme exposto na tabela 1. O ponto de corte é baixo, pois a pesquisa se trata da medida de percepções e, por causa disso, não precisa de um elevado rigor estatístico. Tabela 1 - Valores da medida de correlação e respectiva interpretação R CORRELAÇÃO Desprezível 0,10 0,20 0,30 Baixo 0,40 0,50 Moderado 0,60 0,70 0,80 Alto 0,85 0,90 0,95 0,98 1,00 Perfeito Fonte: Adaptado de SCHMIDT apud FERRET, 2001. Segundo Crespo (1999), para se calcular o coeficiente de correlação linear (r), utilizase a fórmula de Pearson, descrita a seguir: n Σ xi yi – (Σxi) (Σyi) r= [n Σ xi² – (Σ xi)²] [n Σ yi² – (Σ yi)² ] 56 Onde: x = pontuação na asserção, por respondente. y = total de pontos no instrumento, por respondente. N = número de respondentes (tamanho da amostra). A seguir, encontra-se o resultado da análise das afirmações validadas nesta Pesquisa de Clima Organizacional. Tabela 2 – Validação das afirmações do questionário Afirmação Média Correlação 1 2,68 0,50 2 2,46 0,37 3 2,75 0,31 4 0,13 (cancelada) 5 2,46 3,25 6 3,07 0,50 7 3,04 0,39 8 2,93 0,66 9 2,25 0,62 10 2,71 0,38 11 1,86 0,41 12 2,89 0,05 (cancelada) 13 3,31 14 2,89 0,50 0,65 15 2,14 0,41 16 2,07 0,41 17 0,11 (cancelada) 18 2,21 2,79 19 3,21 0,26 (cancelada) 20 0,36 21 1,68 2,04 22 2,82 0,44 23 1,79 0,30 24 3,07 0,86 25 2,46 0,33 0,36 0,57 0,54 57 26 3,32 0,37 27 2,89 0,37 28 3,11 0,50 29 0,36 30 1,96 2,36 31 3,25 0,59 32 2,64 0,46 0,36 Fonte: Produção própria 1 Cálculo e interpretação gráfica das médias das afirmações e dimensões válidas Após a seleção das afirmativas válidas, calculou-se a média aritmética simples. A média aritmética simples é o ponto de fixação da variável de análise formadora do clima organizacional em um gradiente de 1 a 4. Isso porque o questionário estabeleceu uma linha escalar progressiva sob questionamentos objetivos para que se indicasse o grau individual de conformidade ao que se questionava. Nesta etapa do processo de análise, o objetivo é identificar as tendências principais de cada afirmação / indicador isoladamente considerado e das dimensões que podem ser geradas a partir da reunião das respectivas afirmações / indicadores. É por meio destas análises que poderá ser verificado qual é o tipo de atitude básica em relação ao que foi mensurado, identificando-se se há favorabilidade ou desfavorabilidade de percepção. Haverá favorabilidade caso seja possível associar uma tendência nítida de satisfação para os diferentes itens; e, desfavorabilidade, caso a mesma tendência seja de insatisfação. Para os indicadores do clima organizacional, a direção da tendência deverá ser determinada a partir da distribuição de freqüências tanto das afirmações / indicadores isolados quanto das dimensões globalmente obtidas. É importante observar que a escala utilizada para mensuração das atitudes é do tipo intervalar. Nesse caso, a escala indica distâncias entre pontos, sendo, portanto, aplicáveis às estatísticas paramétricas, tais como: média aritmética, desvio padrão, correlação etc. 58 No caso da escala adotada, todas as distâncias entre dois pontos consecutivos são iguais e o contínuo de atitudes varia entre os pontos 1 (discordo plenamente) a 4 (concordo plenamente). Conforme explicitado na parte teórica, a Pesquisa de Clima Organizacional procura avaliar atitudes dos colaboradores, por meio de suas opiniões em relação aos diversos aspectos considerados importantes. Os intervalos definidos na escala adotada caracterizam duas regiões básicas: uma de CONCORDÂNCIA (escalas 3 e 4) e outra de DISCORDÂNCIA (escalas 1 e 2). A tendência de percepção do indicador será obtida pela reunião das respostas dadas nas escalas de cada região, o que permitirá verificar a existência de satisfação ou de insatisfação em relação ao que foi mensurado. Seguindo as orientações de Ferret (2001), a última etapa na elaboração da Pesquisa de Clima Organizacional é o cálculo e interpretação gráfica das afirmações válidas. Inicialmente, calcula-se a média das afirmações, somando-se as pontuações obtidas em cada afirmação validada e dividindo pelo total de respondentes. Em seguida, calcula-se a média das dimensões, que representa a média das médias das afirmações validadas que compõem a dimensão. Por intermédio dos resultados, é que são construídos os gráficos que mostram as médias atitudinais por intervalo. Como as pontuações das afirmações, neste caso, podem assumir valores de 1 a 4, dividindo-se o gráfico em 3 áreas, que serão chamadas de zonas. Intervalo das Médias Zonas Cor do Traço no Gráfico 1,00 __________ 1,99 INSATISFAÇÃO VERMELHO 2,00 __________ 2,99 ALERTA AMARELO 3,00 __________ 4,00 SATISFAÇÃO VERDE Quadro 6: Médias atitudinais distribuídas por intervalo Fonte: Produção própria Caso a média das afirmações/dimensões apresente um valor entre 1,00 e 1,99, diz-se que esta é uma atitude extremamente negativa frente à afirmação/dimensão e, então, algo deve 59 ser feito rapidamente. Se estiver entre 2,00 e 2,99, é considerado um valor preocupante e deve ser visto como um alerta para a afirmação/dimensão afetada. Nesse caso, algo deve ser feito. Entre 3,00 e 4,00, interpreta-se como uma atitude positiva frente à afirmação/dimensão e, neste caso, nenhuma medida urgente precisa ser tomada, pois há uma satisfação clara na afirmação/dimensão considerada. O objetivo básico deste tipo de análise é, conforme observado, permitir a identificação de três categorias fundamentais de tendência, ou seja, afirmações em relação às quais é possível caracterizar nítida satisfação (região de concordância mais significante), nítida insatisfação (região de discordância mais significante), e outra em que não é possível caracterizar qualquer tipo de maioria, havendo quase um empate entre as opiniões apuradas, representando, no entanto, uma zona de alerta que poderá vir a ser um problema. 60 CAPÍTULO V ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS 1 Resultados da pesquisa de clima organizacional Na tabela 3, pode-se observar que 7% dos servidores que responderam o questionário de clima organizacional têm um nível de atitude muito positivo e 64% têm um nível de atitude positivo em relação às afirmações referentes ao clima organizacional medido na pesquisa. Isso significa que 71% dos servidores respondentes têm uma visão global de seu ambiente de trabalho, no mínimo, positiva. Tabela 3 - Síntese das atitudes dos servidores Intervalo de Pontuação1 Nível de Atitude Freqüência (N=28) % 87,75 ____________ 108,00 Muito positivo 2 7 67,50 ____________ 87,75 Positivo 18 64 47,25 ____________ 67,50 Negativo 7 25 27,00 ____________ 47,25 Muito negativo 1 4 Fonte: Produção própria A mesma tabela aponta que um servidor respondente demonstrou uma atitude muito negativa frente às questões levantadas na pesquisa e que, somados com os outros sete servidores que responderam negativamente, corresponde a 29% dos respondentes. A seguir, serão mostrados os gráficos que clareiam o clima organizacional existente na organização pesquisada, bem como colaboram para que haja uma maior facilidade de análise. Após a apresentação dos gráficos, será feita uma análise mais aprofundada das dimensões e afirmações do clima organizacional, no intuito de identificar as possíveis causas de insatisfação e satisfação presentes na FUAM. 1 Os quartis foram calculados considerando-se a diferença entre as pontuações totais máximas e mínimas possíveis no instrumento, por respondente, levando-se em conta o total final aprovado de afirmações (27) e o fato de a escala de pontuação utilizada na validação do instrumento de medição ter seus extremos 1 e 4. 61 Natureza do trabalho 2,85 Qualidade da chefia 2,89 Politíca de remuneração 1,91 Relacionamento no ambiente de trabalho 2,52 Reconhecimento provido 2,35 Processo de comunicação 2,48 Identificação com a organização 3,07 Estrutura organizacional 2,67 1 2 3 4 Gráfico 1: Médias das dimensões Fonte: Produção própria 62 Gráfico 2: Média das afirmações do instrumento de pesquisa de clima organizacional Fonte: Produção própria Ao se analisar os dados contidos no gráfico 1, que tratam das médias por dimensão, observa-se que 12,5% das dimensões pesquisadas estão com suas médias na zona de satisfação do gráfico, isto é, apresentam pontuações que variam entre 3,00 e 4,00. A dimensão que apresenta nível de satisfação (barras verdes) é a “Identificação com a organização” (média=3,07), não sendo, portanto, necessário que se promova qualquer intervenção. 63 O gráfico 1 revela que 75% das dimensões mensuradas estão posicionadas na zona de alerta (barras amarelas) do gráfico, isto é, apresentam pontuações variando entre 2,00 e 3,00. Constata-se a necessidade de intervenções nestas dimensões. Nesse caso, as seis dimensões retratadas com barras amarelas tornam claro que alguma intervenção deve ser feita para melhorar o nível de satisfação dos servidores. São elas: “Reconhecimento provido” (média=2,35); “Estrutura organizacional” (média=2,67); “Relacionamento no ambiente de trabalho” (média=2,52); “Processo de comunicação” (média=2,48); “Qualidade da chefia” (média=2,89); e “Natureza do trabalho” (média=2,85). O gráfico 1 também clarifica que 12,5% das dimensões encontram-se na zona de insatisfação, isto é, apresentam pontuações variando entre 1,00 e 2,00 (barras vermelhas) e que necessitam de uma intervenção urgente. A dimensão localizada na região de insatisfação é a “Política de remuneração” (média=1,91). Outro fato importante diz respeito aos dados contidos no gráfico 2, que tratam das médias das afirmações, o qual mostra que: dentre as 27 afirmações validadas, 30% estão posicionadas na zona de satisfação do gráfico; 59% encontram-se na zona de alerta; e 11% encontram-se na zona de insatisfação. Destacam-se as afirmações: “Os servidores sentem que podem tomar decisões e resolver problemas sem precisar recorrer aos chefes a cada etapa do trabalho” (média=1,79); “A remuneração é balanceada, incluindo, além do salário, benefícios e outras formas de compensações, formando um ‘pacote’ bem estruturado de recompensas” (média=1,86); e “O salário que recebo é suficiente para atender o meu padrão de vida” (média=1,96). A primeira afirmação pertence à dimensão “Estrutura organizacional” e as demais, à dimensão “Política de remuneração”. Estas estão localizadas na zona de insatisfação, isto é, apresentam uma pontuação no intervalo entre 1,00 e 2,00 (barra vermelha), e, por isso, merecem uma imediata intervenção. 64 Outras afirmações aproximam-se do nível limite para serem classificadas como insatisfatórias, são elas: “Minha chefia dá ênfase à realização de um bom trabalho e atribui importância a altos padrões de desempenho, que são desafiadores e estimulantes” (média=2,04); “As pessoas que trabalham aqui sabem quais são os principais objetivos, metas ou planos da fundação” (média=2,07); e “Minha chefia apela sistematicamente e continuamente para a contribuição de todos, através de um diálogo centrado na melhoria permanente do trabalho cotidiano” (média=2,14). As afirmações 21, 16 e 15 referem-se, respectivamente, às dimensões “Reconhecimento provido”, “Processo de comunicação e “Relacionamento no ambiente de trabalho”. As afirmações que foram mais bem avaliadas pelos servidores foram: “Não tenho dificuldade em fazer com que minha chefia encontre tempo para me atender” (média=3,32); “Meu trabalho contribui para tornar minha vida significativa e interessante” (média=3,25); “Não trabalho na fundação somente pelo fato de receber um bom salário no fim do mês” (média=3,21); e “Se um grande amigo meu estiver interessado em obter um emprego nesta fundação, eu o incentivaria a aceitá-lo” (média=3,21). 2 Resultados do perfil motivacional Após a tabulação das respostas dadas ao questionário de perfil motivacional, chegouse ao seguinte resultado. 65 Fatores Motivacionais % 1 Bom salário 68 2 Reconhecimento pelo trabalho realizado 64 3 Boas condições de trabalho 59 4 Bom relacionamento com os colegas de trabalho 51 5 Participação nas decisões relativas ao meu trabalho 42 6 Bom relacionamento com sua chefia 42 7 Oportunidade de promoção e crescimento profissional 41 8 Tarefas importantes e significativas 32 9 Estabilidade no emprego 28 10 Tarefas desafiadoras 24 Quadro 7: Resultado do levantamento motivacional Fonte: Produção própria De acordo com o quadro 6, o fator “Bom salário”, com uma percentual de 68% da pontuação máxima do instrumento, é o fator mais importante para estimular a motivação, segundo os servidores da FUAM. Esse resultado contradiz a teoria de Herzberg, a qual assevera que a remuneração resulta em motivação temporária, favorecendo a um círculo vicioso que se dissipa assim que o incentivo é removido ou diminuído. Sendo assim, infere-se que políticas salariais (remuneração variável, bônus e premiação) devem ser bem planejadas e executadas, a fim de conseguir os objetivos propostos pela organização. Em segundo lugar segue, com o percentual 64%, o fator “Reconhecimento pelo trabalho realizado”. Esse resultado aponta a responsabilidade dos líderes da organização de oferecer a realimentação necessária aos seus servidores em relação ao seu trabalho e que, talvez, o mesmo não esteja ocorrendo de forma satisfatória. 66 Ainda de acordo com o quadro 6, o fator “Boas condições de trabalho” segue em quarto lugar na percepção dos servidores da organização em questão, com 59%. Baseando-se na teoria de Herzberg, a presença desse fator mantém os funcionários bem dispostos, mas não necessariamente motivados; sendo assim, infere-se que possuir boas condições de trabalho é, no mínimo, o que se pode esperar receber em troca pelo trabalho realizado. No outro extremo, o fator “Tarefas desafiadoras” é percebido como pouco motivador pela maioria dos servidores. O que pode estar acontecendo é uma fuga destas situações, devido a não adequada retribuição pelo cumprimento das mesmas. 67 CONCLUSÃO O principal objetivo desta pesquisa foi identificar a influência do clima organizacional na motivação dos funcionários da Fundação Alfredo da Matta. Além disso, buscou-se identificar o clima organizacional predominante, a percepção dos servidores em relação aos fatores motivacionais e, por fim, analisar a relação entre o clima organizacional e os fatores de motivação identificados de acordo com a percepção dos servidores. O estudo do clima organizacional nas organizações foi escolhido tendo em vista o crescente interesse de teóricos nessa área. O clima organizacional foi utilizado como variável que pode motivar os servidores da organização estudada. A Pesquisa de Clima Organizacional é uma importante ferramenta, pois permite a organização conhecer melhor as demandas de seus servidores. No processo administrativo de planejar, fazer, controlar e retroalimentar, é no último que se encontra a Pesquisa de Clima Organizacional. É a partir da realização da Pesquisa de Clima Organizacional, em conjunto com o delineamento do perfil motivacional, que se pode ter a realimentação em relação às políticas de recursos humanos praticadas na organização para que se possa, em um segundo momento, fazer intervenções estratégicas que alinhem as necessidades de ambos – servidores e organização. Após a apresentação dos resultados, pode-se inferir que o clima organizacional influencia a motivação dos funcionários, tendo em vista que o único fator do clima organizacional a ter uma percepção negativa dos servidores foi o fator “Política de remuneração” com média de 1,91 em uma escala de 1 a 4. É interessante notar que, no estudo em relação aos fatores motivacionais, esse fator foi percebido pelos servidores como altamente motivador (68%), contrariando até mesmo as teorias por este trabalho apresentadas. 68 Diante esses dados, infere-se que o fator que mais motiva os servidores da Fundação Alfredo da Matta não está sendo atendido satisfatoriamente pela instituição. Na mesma situação, encontra-se a necessidade de os servidores terem um retorno sobre a qualidade do seu trabalho realizado, esta demonstrou ser fonte geradora de motivação (64%) e deve ser melhor aproveitada pelos líderes da organização. A ausência ou deficiência de um sistema de recompensas e punições pode estar contribuindo para desmotivação dos servidores. O que geralmente acontece com o bom servidor é a sobrecarga de trabalho, enquanto que o servidor medíocre nada sofre, pois o mesmo sabe que não será punido, muito menos despedido, ou, até mesmo, beneficiado com menos trabalho em um setor mais calmo e com poucas responsabilidades. Essa lógica inversa, característica comum em organizações públicas, contribui negativamente na motivação dos servidores públicos em produzir mais e com mais qualidade. Kanaane (1999) acredita que, ao se criar um clima organizacional adequado, tende a satisfazer às necessidades dos funcionários. Com isso, o autor entende que é possível canalizar o comportamento motivado dos funcionários para que estes alcancem os objetivos propostos pela organização, ou seja, o cumprimento dos objetivos organizacionais depende da motivação de cada servidor. Diante desse processo, o autor infere que as organizações devem buscar, cada vez mais, melhorar o seu clima organizacional, adotando estruturas horizontalizadas, enxutas, em que as pessoas tendem a participar, recebendo informações e sendo, principalmente, reconhecidas pela realização do seu trabalho. Avaliando as questões isoladamente, percebem-se características comuns presentes em instituições públicas, tais como: centralização das decisões, pouca importância a padrões de desempenho e pouco conhecimento sobre os objetivos e planos institucionais. Com base neste estudo, recomenda-se que a instituição venha propiciar um clima favorável aos servidores, via políticas de recursos humanos capazes de gerar o 69 reconhecimento e a compensação pelo desempenho e qualidade das tarefas desenvolvidas na organização. Essas práticas, quando desenvolvidas pela organização, permitem criar um clima organizacional propício à motivação. Assim, os servidores poderão trabalhar mais motivados, com produtividade e maior qualidade de vida. 70 REFERÊNCIAS ABRUCIO, F. L. O impacto do modelo gerencial na Administração Pública: um breve estudo sobre a experiência internacional recente. Cadernos ENAP, Brasília, n. 10, 1997. ALVES, A. F.; ARAÚJO, M. A. D. Um estudo da força motivacional dos funcionários do Banco do Brasil à luz da Teoria da Expectativa. Caderno de Pesquisas em Administração, São Paulo, v. 8, n. 2, p. 27-40, abr./jun. 2001. ÁPIO, C. Motivação humana. [s.d.]. Portal da administração. <http://www.portaldaadministracao.org>. Acesso em: 20 fev. 2008. Disponível em: ARCHER, E. R. O mito da motivação. In: BERGAMINI, C. W.; CODA, R. (Org). Psicodinâmica da vida organizacional: motivação e liderança. São Paulo: Atlas, 1997. BERGAMINI, C. W. Motivação nas organizações. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1997. ______. Psicologia Aplicada à Administração de Empresas: Psicologia do Comportamento Organizacional. 3. ed. 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Escolha apenas uma dentre as quatro possíveis respostas, marcando um X na alternativa escolhida. Lembre-se de que só é possível responder uma das quatro alternativas possíveis, a saber: Concordo Plenamente (CP) – você concorda totalmente que a afirmação retrata a realidade do seu ambiente de trabalho; Inclinado a Concordar (IC) – você tende a concordar que a afirmação retrata a realidade do seu ambiente de trabalho; Inclinado a Discordar (ID) – você tende a discordar que a afirmação retrata a realidade do seu ambiente de trabalho; Discordo Plenamente (DP) – você discorda plenamente que a afirmação retrata a realidade do seu ambiente de trabalho. NÃO ASSINE SEU NOME Agradecemos a sua colaboração 74 DP ID IC CP DP ID IC CP 1. Minha chefia aceita as sugestões que dou. 2. Minha chefia se preocupa em manter seus subordinados informados sobre as coisas que possam afetar o trabalho em minha área. 3. Os servidores sentem que têm seu potencial devidamente aproveitado nesta fundação. 4. No meu trabalho é feito suficiente esforço para obter opiniões e idéias das pessoas que aqui trabalham. 5. Meu emprego é estável e dá-me segurança. 6. A filosofia de administração da fundação é nitidamente participativa. 7. Esta fundação é um bom lugar para se trabalhar. 8. Quando estou envolvido em um problema sério de trabalho, posso contar com o auxílio e não com a crítica de minha chefia. 9. As tarefas bem desempenhadas são reconhecidas. 10. Há uma clara definição de papéis e de quem responde a quem na fundação. 11. A remuneração é balanceada, incluindo, além do salário, benefícios e outras formas de compensações, formando um “pacote” bem estruturado de recompensas. 12. As mudanças são comunicadas e explicadas com antecedência pela minha chefia. 13. Se um grande amigo estiver interessado em obter um emprego nesta fundação, eu o incentivaria. 14. Neste momento, posso dizer que estou muito satisfeito com o trabalho que executo. 15. Minha chefia apela sistematicamente e continuamente para a contribuição de todos, por meio de um diálogo centrado na melhoria permanente do trabalho cotidiano. 16. As pessoas que trabalham aqui sabem quais são os principais objetivos, metas ou planos da fundação. 17. A posição que ocupo na fundação tem um grau de prestígio interno adequado. 18. Minha capacidade, habilidade e potencial são bem aproveitados no trabalho que executo. 19. Não trabalho na fundação somente pelo fato de receber um bom salário no fim do mês. 75 DP ID CP IC 20. Meu salário é uma resposta adequada para meu trabalho, representando o retorno equivalente a meu rendimento dentro desta fundação. 21. Minha chefia dá ênfase à realização de um bom trabalho e atribui importância a altos padrões de desempenho, que são desafiadores e estimulantes. 22. Aquilo que acontece com esta fundação é realmente importante para mim. 23. Os servidores sentem que podem tomar decisões e resolver problemas sem precisar recorrer aos chefes a cada etapa do trabalho. 24. As pessoas têm oportunidade de expressar o que sentem e pensam, de propor idéias e oferecer sugestões nas decisões da fundação, sobre aspectos relacionados à sua área de atuação. 25. Não sou exigido em excesso no meu trabalho. 26. Não tenho dificuldade em fazer com que minha chefia encontre tempo para me atender. 27. A comunicação é confiável entre os servidores e a chefia. 28. A estrutura e a forma de agir não são muito centralizadoras na fundação onde trabalho. 29. O salário que recebo é suficiente para atender o meu padrão de vida. 30. Os membros do meu grupo de trabalho confiam uns nos outros. 31. Meu trabalho contribui para tornar minha vida significativa e interessante. 32. Meu chefe é um profissional competente e organizado. 76 Anexo B Questionário motivacional Prezados servidores e servidoras, Você está sendo convidado a responder a um questionário motivacional. As respostas deste serão utilizadas como base para melhoria no seu ambiente de trabalho. Seu resultado será fixado nos quadros de aviso da Fundação Alfredo da Matta. Por favor, enumere os quesitos abaixo, a partir de seu entendimento em relação aos motivos que levam a realização de suas tarefas com mais qualidade e produtividade. As respostas deverão ser preenchidas conforme escala de prioridade. Esta varia de 1 a 10, de acordo com o modelo a seguir. ( 1 ) Primeiro quesito mais importante para sua motivação no trabalho. ( 2 ) Segundo quesito mais importante para sua motivação no trabalho. ( 3 ) Terceiro quesito mais importante para sua motivação no trabalho. ( 4 ) Quarto quesito mais importante para sua motivação no trabalho. ( 5 ) Quinto quesito mais importante para sua motivação no trabalho. ( 6 ) Sexto quesito mais importante para sua motivação no trabalho. ( 7 ) Sétimo quesito mais importante para sua motivação no trabalho. ( 8 ) Oitavo quesito mais importante para sua motivação no trabalho. ( 9 ) Nono quesito mais importante para sua motivação no trabalho. (10) Décimo quesito mais importante para sua motivação no trabalho. Não é necessária sua identificação ( ) Participação nas decisões relativas ao meu trabalho. ( ) Estabilidade no emprego. ( ) Reconhecimento pelo trabalho realizado. ( ) Boas condições de trabalho (ambiente fisicamente agradável, bons recursos materiais, fácil comunicação). ( ) Bom relacionamento com sua chefia. ( ) Oportunidade de promoção e crescimento profissional. ( ) Tarefas importantes e significativas. ( ) Bom salário. ( ) Bom relacionamento com os colegas de trabalho. ( ) Tarefas desafiadoras. Muito obrigado! 77