CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil ISSN 1519-0412 vol. X nº 42 out./dez. 2008 1 Pensar Co ntábil Corpo Editorial Diva Maria de Oliveira Gesualdi Rio de Janeiro – RJ Editora Contadora, Pós-Graduada em Gestão Financeira pelo ISEP e em Contabilidade Empresarial pela UniverCidade e professora da Faculdade Moraes Júnior Mackenzie-Rio, da UniverCidade, do MBA de Perícia e de Auditoria e Compliance da Universidade Cândido Mendes Expediente Antonio Miguel Fernandes Conselho Diretor do CRC-RJ Mestre em Ciências Contábeis – UERJ, professor da Faculdade Moraes Júnior, da EPGE da FGV Management e do CPGE da UCAM Rio de Janeiro – RJ Antonio Miguel Fernandes Presidente Francisco José dos Santos Alves Carlos de La Rocque Vice-presidente Doutor em Contabilidade e Controladoria – FEA/USP, professor da Universidade Estácio de Sá e professor da UERJ Diva Maria de Oliveira Gesualdi José Alonso Borba Vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento Profissional Doutor em Contabilidade – USP e professor da UFSC Rio de Janeiro – RJ Regina Célia Vieira Ferreira Florianópolis – SC Josir Simeone Gomes Rio de Janeiro – RJ Vice-presidente de Administração Pós-doutorado em Controle de Gestão na Universidade Carlos III de Madrid e professor da UERJ João Figueira Maria Thereza Pompa Antunes Vice-presidente de Finanças São Paulo – SP Doutora em Controladoria e Contabilidade – USP e professora adjunta – Universidade Presbiteriana Mackenzie/FAAP Adriano Luiz Medina Vice-presidente de Registro Profissional Nahor Plácido Lisboa Carlos Alberto do Nascimento São Paulo – SP Vice-presidente de Fiscalização e de Ética e Disciplina Doutor em Controladoria e Contabilidade – FEA/USP, professor da FEA/USP e pesquisador da FIPECAFI Cláudio Vieira Santos Sandra Maria dos Santos Vice-presidente de Interior Fortaleza – CE Pós-Doutorado em Economia Regional e Urbana – UFPE/PIMES, doutora em Economia Industrial – UFPE/PIMES e editora-chefe da Contextus – Revista Contemporânea de Economia e Gestão Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro Rua Primeiro de Março, 33 – Centro – Rio de Janeiro – RJ CEP: 20.010-000 • tel.: (21) 2216-9595 • fax: (21) 2516-0878 www.crc.org.br Envio de artigos e assinatura: [email protected] Data de impressão: dezembro/2008 Tiragem: 2.000 exemplares ISSN 1519-0412 Distribuição: por assinatura anual (R$ 16,00) Atendimento ao assinante •tel.: (21) 2216-9544 / fax: (21) 2516-9268 “As opiniões emitidas em artigos são de exclusiva responsabilidade de seus autores. É permitida a reprodução de qualquer matéria, desde que citada a fonte.” Waldir Jorge Ladeira dos Santos Rio de Janeiro – RJ Doutorando em Políticas Públicas e Formação Humana – PPFH/UERJ Mestre em Contabilidade Financeira – UERJ, professor da UERJ, da Faculdade Moraes Júnior e da EPGE da FGV Management Consultores Ad Hoc Dr. André Carlos Busanelli de Aquino, Dr. Antônio Lopes de Sá, Dr. Edison Ryu Ishikura, Dr. Francisco Antonio Bezerra, Dr. José Maria Dias Filho, Dr. Marcelo Coletto Pohlmann, Dr. Natan Szuster, Dr. Poueri do Carmo Mario, Dr. Ricardo Lopes Cardoso, Dr. Roni Cleber Bonizio e Dr. Vinícius Aversari Martins. Produção editorial: Cajá – Agência de Comunicação Jornalista responsável: Alessandra Vale (Mtb 21.215) Diagramação: Marcio Franco Foto capa: N.M./Fotolia Revisão: Carlos Nougué Impressão: Gráfica Sermograf Apoio administrativo: Fátima Bacelo e Patrícia Silva CONCEITO QUALIS/CAPES: NACIONAL C Ficha catalográfica P418 Pensar Contábil, v. 1, n.1, ago. 1998-. - Rio de Janeiro: CRC-RJ, 1998-. Trimestral ISSN 1519-0412 1.Contabilidade. I.Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro CDU – 657 Editorial Prêmio Contador Geraldo de La Rocque Publicamos, nesta edição, os três primeiros artigos classificados no Prêmio Contador Geraldo de La Rocque — de acordo com a deliberação da Comissão de Avaliação do prêmio —, cujos temas são diversificados, relevantes e atuais. Além dos artigos premiados, complementamos esta edição com dois artigos igualmente importantes para a ciência contábil. O primeiro lugar, “Transparência do Orçamento Governamental dos Países: um Estudo acerca da Associação entre IAO, IDH, PIB e IPSAS”, busca verificar se existe relação entre o Índice de Abertura Orçamentária (IAO), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Produto Interno Bruto (PIB) e o International Public Sector Accounting Standards (IPSAS). O artigo que ficou na segunda colocação, “A Produção Científica sobre Auditoria: um Estudo Bibliométrico a partir do Caderno de Indicadores da CAPES no período de 2004 a 2006”, visa analisar a produção científica sobre auditoria em periódicos, anais, dissertações e teses dos programas de mestrado e doutorado em Ciências Contábeis a partir de levantamento efetuado nos Cadernos de Indicadores da CAPES, referentes ao triênio 2004-2006. O terceiro colocado — “A Adoção das IFRS no Brasil e o Fortalecimento das Boas Práticas de Governança Corporativa” — propõe-se a responder a uma questão importante para o am- biente corporativo da atualidade: se a harmonização das normas contábeis, caracterizada pela adoção das IFRS, constitui ou não elemento determinante para o estabelecimento das boas práticas de Governança Corporativa nas companhias abertas. O artigo “A Lei Sarbanes-Oxley e Sua Importância para as Companhias Abertas Brasileiras a partir do Ano de 2004” mostra o impacto sofrido pelo mercado de capitais, principalmente o americano, após descobertas de fraudes e manipulações contábeis em grandes empresas daquele país. Nesse contexto, uma série de medidas regulatórias, como a Lei Sarbanes-Oxley, foi introduzida ao longo de 2002, tanto nos Estados Unidos quanto em outras partes do mundo, inclusive no Brasil, com a elaboração da Resolução 3.198/04 do Conselho Monetário Nacional, que trata dos serviços prestados pela Auditoria Independente no país. E, por fim, apresentamos o artigo “Evidenciação Contábil nos Municípios Mineiros: Atendimento ao Artigo 48 da Lei de Responsabilidade Fiscal”, que tem por objetivo avaliar se os municípios mineiros utilizam a internet para evidenciar as informações solicitadas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Prezados leitores, aproveitem os artigos aqui selecionados, que, com certeza, contribuirão para enriquecer, ainda mais, o nosso conhecimento da nobre Ciência Contábil. Uma ótima leitura! Diva Maria de Oliveira Gesualdi Vice-Presidente de Pesquisa e Desenvolvimento Profissional Sumário Transparência do Orçamento Governamental dos Países: um Estudo acerca da Associação entre IAO, IDH, PIB e IPSAS Summary 5 Robson Ramos Oliveira Aline Moura Costa da Silva Melissa Christina Corrêa de Moraes A Produção Científica sobre Auditoria: um Estudo Bibliométrico a partir do Caderno de Indicadores da CAPES no Período de 2004 a 2006 12 22 Antônio Artur de Souza Terence Boina Ewerton Alex Avelar Pedro Lúcio Rodrigues Gomide The Adoption of IFRS in Brazil and Strengthening of Corporate Governance 31 The Sarbanes-Oxley and Its Importance for Open Brazilian Companies from Year 2004 12 22 31 Marlon Messias Peixoto de Souza Mariana Dórea Figueiredo 36 Financial Disclosure in the Cities of Minas Gerais State: Compliance with the Government Fiscal Accountability Act Antônio Artur de Souza Terence Boina Ewerton Alex Avelar Pedro Lúcio Rodrigues Gomide Uma publicação do Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 3 - 4, out./dez. 2008 Carlos José Guimarães Cova Marlon Messias Peixoto de Souza Mariana Dórea Figueiredo Evidenciação Contábil nos Municípios Mineiros: Atendimento ao Artigo 48 da Lei de Responsabilidade Fiscal The Scientific Production on Audit: a Bibliometric Study from Indicators of CAPES in the Period 2004 to 2006 Robson Ramos Oliveira Vânia Silva de Carvalho Carlos José Guimarães Cova A Lei Sarbanes-Oxley e Sua Importância para as Companhias Abertas Brasileiras a partir do Ano de 2004 5 Robson Ramos Oliveira Aline Moura Costa da Silva Melissa Christina Corrêa de Moraes Robson Ramos Oliveira Vânia Silva de Carvalho A Adoção das IFRS no Brasil e o Fortalecimento das Boas Práticas de Governança Corporativa Transparency of Government Budget Countries: a Study on the Association between YAO, HDI, GDP and IPSAS 36 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Orientações aos colaboradores da Revista Pensar Contábil Perfil temático e objetivos da publicação: A Revista Pensar Contábil é um periódico trimestral do Conselho Regional de Contabilidade, existente desde agosto de 1998 e tem como missão a divulgação de artigos relevantes na área de contabilidade, com o objetivo de fomentar a pesquisa. Mecanismo de avaliação de artigos: Podem encaminhar artigos para a revista colaboradores do Brasil e do exterior. Os artigos recebidos são avaliados pelo Corpo Editorial e consultores externos, através do sistema double blind review, não sendo conhecidos os autores durante a avaliação. Os artigos são apreciados e pontuados para uma edição específica da revista. Envio e regras para publicação de artigos: Os artigos deverão ser inéditos, podendo estar no idioma português, espanhol ou inglês. Devem ser encaminhados para o e-mail [email protected], nos prazos e características a seguir: Para publicação na Revista número 43 – Jan./Mar. - 2009 44 – Abr./Jun. - 2009 Prazo para receber artigos 31/12/08 31/03/09 a) em folha de rosto, deverá constar: - o título do artigo; - identificação e qualificação do(s) autor(es) constando: o nome completo, número de registro (se for o caso), formação e qualificação profissional e/ou acadêmica (no caso de citar instituição de ensino, informar também o CEP, Cidade e UF correspondente); - endereço completo, telefone, fax e e-mail do(s) autor(es); b) a estrutura de apresentação do artigo deverá conter: título do artigo, resumo e palavras-chaves, assim como os mesmos tópicos em inglês (title, abstract, key words), introdução, desenvolvimento e conclusão; c) a bibliografia completa deverá ser apresentada em ordem alfabética no fim do texto, de acordo com as normas da ABNT (NBR-6023 revisada); d) a formatação do artigo deve ser: - digitado em Word, tamanho A4, fonte Times New Roman; - fonte tamanho 12 para texto e tamanho menor para citações de mais de 3 linhas, notas de rodapé, paginação e legendas das ilustrações e tabelas; - as folhas devem apresentar margem esquerda e superior de 3 cm; direita e inferior de 2 cm; - entrelinhas simples; - alinhamento justificado; e) os artigos deverão estar redigidos em português. Os artigos de autores do exterior serão publicados em inglês, espanhol ou português, conforme o caso; f) os artigos deverão ter no mínimo 10 e no máximo 15 páginas; g) os artigos deverão ter sido completa e perfeitamente revisados; h) os direitos autorais dos artigos publicados nesta revista são dos autores, sendo concedidos pelos mesmos os direitos da primeira publicação ao Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 3 - 4, out./dez. 2008 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Trabalho classificado em 1º lugar no IX Prêmio Contador Geraldo de La Rocque Transparência do Orçamento Governamental dos Países: um Estudo acerca da Associação entre IAO, IDH, PIB e IPSAS Resumo O nível de transparência do orçamento de um país pode ser influenciado pela vontade do governo de ser responsável para com seus cidadãos e por variáveis geográficas, econômicas, culturais, sociais, entre outras. O objetivo desta pesquisa é verificar se existe relação entre o Índice de Abertura Orçamentária (IAO), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Produto Interno Bruto (PIB) e o International Public Sector Accounting Standars (IPSAS). Trata-se de estudo de corte transversal em que foram analisados dados, de fontes secundárias, cuja amostra contempla 59 países. Utilizou-se teste de correlação de Spearman. Os resultados da pesquisa mostram que existe correlação significativa e positiva entre a maioria dos índices analisados. Por fim, foram feitas sugestões para futuras pesquisas. Palavras-chave: Transparência, Orçamento, Setor Público. Abstract The level of transparency of the budget of a country can be influenced by the willingness of government to be accountable to its citizens and for variables geographic, economic, cultural, social and others. The goal of this research is to check whether there is relationship between the Index of Budgetary Open (IAO), Human Development Index (HDI), Gross Domestic Product (GDP) and International Public Sector Accounting Standars (IPSAS). It is a cross sectional study in which they were analyzed secondary data, whose sample includes 59 countries. It was used to test correlation of Spearman. The survey results show that there is significant and positive correlation between the most indexes analyzed. Finally, suggestions were made for future research. Key words: Transparency, Budget, Public Sector. 1 Robson Ramos Oliveira Rio de Janeiro – RJ Mestrando em Ciências Contábeis pela FAF/UERJ1 [email protected] Aline Moura Costa da Silva Rio de Janeiro – RJ Mestranda em Ciências Contábeis pela FAF/UERJ1 [email protected] Melissa Christina Corrêa de Moraes Rio de Janeiro – RJ Mestranda em Ciências Contábeis pela FAF-UERJ1 [email protected] 1. Introdução Boas práticas da gestão pública governamental em países tais como Estados Unidos, Nova Zelândia, Reino Unido e França têm sido implantadas, ainda que em estágios diferentes, por outros países. Uma delas é a Accountability, que é a obrigação de membros de um órgão administrativo ou representativo de prestar contas a instâncias controladoras. A idéia de prestação de contas não deve ser entendida, apenas, como um ato meramente burocrático e formal, em que são reunidos documentos e encaminhados para um órgão de julgamento, no caso do Brasil, o Tribunal de Contas. Em Accountability, a prestação de contas passa, necessariamente, pela questão do controle social. Assim, qualquer cidadão deve ter voz no processo da gestão governamental, tanto na fase de concepção das políticas públicas quanto na FAF/UERJ – Faculdade de Administração e Finanças da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – CEP: 20.550-900 – Rio de Janeiro – RJ. Artigo recebido em 29/08/2008 e aceito em 10/10/2008. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 5 - 11, out./dez. 2008 Pensar Contábil Robson Ramos Oliveira CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Aline Moura Costa da Silva Melissa Christina Corrêa de Moraes fase da avaliação da execução de tais políticas. Por conta disso, os entes governamentais devem criar mecanismos para que os cidadãos tenham acesso às informações orçamentárias e financeiras, por meio, inclusive, da internet, que é um canal global de comunicação. O Center on Budget and Policy Priorities, uma organização de pesquisas na área pública com sede em Washington, realizou, em 2006, um projeto, The International Budget Project, objetivando conhecer em 59 países a quantidade de informações sobre o orçamento público que são disponibilizadas para os cidadãos. Da pesquisa resultaram cinco grupos (clusters) e o Índice de Abertura Orçamentária (IAO). Algumas variáveis geográficas, econômicas, culturais e sociais podem influenciar o grau de abertura das informações, e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos de um país (PIB) e o fato de os governos adotarem padrões internacionais de contabilidade (IPSAS) são algumas dessas variáveis. Assim, o objetivo deste trabalho é verificar se existe relação entre tais variáveis. O artigo foi organizado em cinco seções. Na primeira, a Introdução, descreveram-se o problema e o objetivo da pesquisa. Na seção dois, levantou-se o referencial teórico. Na terceira, foi tratada a metodologia. Na Quarta, discutiram-se os resultados, e na quinta foram feitas as considerações finais e sugestões para futuras pesquisas. 2. Referencial Teórico Na seção destinada ao referencial teórico da pesquisa, procurou-se mostrar que a variável cultura nacional pode impactar o grau de transparência orçamentária dos países, e também se comentou sobre os índices IAO, IDH, PIB e IPSAS, que são objeto deste estudo. 2.1. O impacto da cultura nacional na disclosure e na accountability O atual contexto político e econômico mundial aponta, entre outras, para uma maior necessidade de geração de informações seguras e confiáveis que satisfaçam seus diversos usuários, não só os internos, mas, principalmente, os externos. Na Administração Pública, o acesso e a transparência (disclosure) das informações são indispensáveis para que a sociedade em geral participe da definição, condução e/ou supervisão das políticas públicas. Neste contexto, a transparência é um pressuposto para a gestão democrática, dependendo fundamentalmente do grau e da forma como se dá o acesso dos agentes econômicos, da sociedade organizada e do próprio cidadão à informação que sustenta os processos decisórios e garante o exercício dos direitos dos cidadãos (SANTOS, 2005). Contudo, nem sempre os governos disponibilizam informações para a sociedade civil como um todo, pois a transparência perpassa questões e dimensões múltiplas, como, por exemplo, questões culturais. No caso do Brasil, podendo ser também o de outros países, o processo de transição da administração pública burocrática para a administração gerencial resultou em uma série de mudanças no processo de gestão, e até hoje essa administração ora adota procedimento de um modelo, ora adota de outro, sendo a transparência um dos casos. Nesse contexto, Bolívar, Pérez e Hernández (2006) ex- Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 5 - 11, out./dez. 2008 plicam que a reforma dos sistemas de gestão públicos foi caracterizada por um movimento para uma nova cultura de gerência, inspirada por várias correntes, com propostas tais como entidades do setor público abertas à competição, colocando uma ênfase maior na satisfação do cidadão e na qualidade, fornecendo a informação mais transparente e atualizando mecanismos de controle. Assim, a transparência esbarra em contextos culturais. Hofstede (1980, 2001, 2004) identifica quatro dimensões culturais que se empenham em explicar similaridades e diferenças gerais nas culturas ao redor do mundo e sugere que relacionamentos específicos existam entre estas dimensões culturais e as preferências e ações dos indivíduos. Estas dimensões são forte versus fraca eliminação de incerteza, individualismo versus coletivismo, masculinidade versus a feminilidade, e grande versus pequena distância de poder. Com base nas teorias de Hofstede, Gray (1988, 1995) propôs uma conexão entre tais dimensões culturais e o sistema de informações financeiras dos países. Especificamente, Gray identifica quatro variáveis, que são: profissionalismo, uniformidade, conservadorismo e sigilo, e afirma que o nível dessas variáveis está relacionado com os valores culturais de Hofstede. A Figura 1 (página 7, ao lado) apresenta esta relação. Ademais, Nobes (1998) condensou as teorias de Hofstede e Gray, enumerando as razões que provocam diferenças internacionais nas informações financeiras. São elas: a) natureza da propriedade empresarial e formas de financiamento (ou de que maneira as empresas captam recursos); b) herança de ter sido colônia de outro país; c) invasão; d) tributação; e) inflação; f) amadurecimento e tamanho da profissão contábil; g) nível da educação na área contábil; h) estágio de desenvolvimento econômico; i) estrutura e sistema legal; j) cultura; k) história; l) geografia; m) linguagem; n) influência da teoria contábil; o) sistema político, clima social; p) religião; e q)acidente (de percurso). Ademais, Loya (2004) chama a atenção para que, na recente década, um número sem precedentes de países já adotou a legislação relativa ao acesso à informação e transparência. Em grande parte, isso é resultado da iniciativa de organizações não-governamentais, acadêmicas e agências multilaterais. Loya explica ainda que o ponto de partida geralmente tem sido o fato de uma informação confiável e oportuna ser fundamental para a credibilidade do governo, para a transparência, além de contribuir para a eficiência dos mercados e das políticas públicas, num contexto de globalização econômica. Para atrairem o investimento nacional e estrangeiro, governos e empresas devem evidenciar as suas demonstrações financeiras, além de outras informações, para o público, objetivando gerar segurança jurídica, confiança e atrair Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Transparência do Orçamento Governamental dos Países: um Estudo acerca da Associação entre IAO, IDH, PIB e IPSAS Figura 1: Dimensões culturais INFLUÊNCIAS EXTERNAS Forças da Natureza Comércio Investimento Colonização INFLUÊNCIAS DO AMBIENTE VALORES SOCIAIS Sistemas de valores da parte majoritária da população CONSEQÜÊNCIAS INSTITUCIONAIS Estrutura Funcional das Instituições Geografia Economia Individualismo Sistema Legal Colonização Eliminação de incerteza Ganhos Coorporativos Genética/Higiene Masculinidade Mercado de Capitais História Distância de Poder Associação Profissional Tecnologia Educação Urbanização Religião VALORES CONTÁBEIS SISTEMAS CONTÁBEIS Profissionalismo vs Controle Autoridade Estatutário Regulamentos Uniformidade vs Flexibilidade Mensuração Conservadorismo vs Otimismo Transparência Sigilo vs Transparência Fonte: adaptado de Gray (1988). capital, quando for o caso. O potencial de desenvolvimento econômico de um país está fortemente relacionado com as práticas de transparência. Por conta disso, Bolívar, Pérez e Hernández (2006) argumentam que a responsabilidade de entidades públicas e a transparência da informação são fatores-chave para atingir objetivos do governo. Assim, as administrações públicas devem considerar o uso de ferramentas para melhorar a performance de serviços públicos e conseguir aumentar a transparência da informação pública. A questão da transparência, sobretudo a divulgação de informações contábeis, tem sido alvo de discussão em escala internacional. Muitos países já adotam normas internacionais de contabilidade pública (IPSAS), emanadas pelo International Federation of Accountants (IFAC). No caso do Brasil, estão ocorrendo estudos com o patrocínio do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) para estabelecer padrões, compatíveis com o internacional, para Contabilidade Governamental. A responsabilidade governamental, segundo o Gasb, parágrafo 56, é baseada na opinião de que a cidadania tem um “direito a saber”, e por isso os atos e fatos acerca da gestão devem ser abertamente declarados, objetivando conduzir ao debate político entre os cidadãos. Assim, o governo mostra a sua responsabilidade em uma sociedade democrática. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 5 - 11, out./dez. 2008 2.2. Índice de Abertura Orçamentária (IAO) O Center on Budget and Policy Priorities (CBPP) é uma organização não-partidária que, em 1997, criou um projeto visando encorajar a sociedade civil a atentar para as questões do orçamento governamental. Em 2002, organizou um encontro com organizações não governamentais para discutirem sobre como melhorar o acesso a informações orçamentárias e reforçar a responsabilização na gestão das finanças públicas. No fim de 2004, o CBPP elaborou um questionário para recolher informações sobre as diferentes etapas do processo orçamentário dos países. O questionário foi aplicado, inicialmente, em 59 países. Da tabulação dos dados, surgiu o IAO. O índice resultou em cinco clusters, a saber: 1º – países que fornecem informações completas aos cidadãos; 2º – países que fornecem informações significativas aos cidadãos; 3º – países que fornecem alguma informação aos cidadãos; 4º – países que fornecem informações mínimas aos cidadãos e 5º – países que fornecem informações restritas ou nenhuma. No tocante à participação da população no processo orçamentário, Ching (2006), Hansen e Mowen (2003), Horngren, Sundem e Stratton (2004), Jiambalvo (2001) e Padoveze (2004), Pires (2001), Silva (2002) Trosa (2001) chamaram a atenção para o orçamento participativo, que é uma realidade em vários governos, chegando, inclusive, à esfera municipal. Pensar Contábil Robson Ramos Oliveira CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Aline Moura Costa da Silva Melissa Christina Corrêa de Moraes Quadro 1: Países por Cluster de IAO – 2006 Fornecem informações completas aos cidadãos África do Sul, Eslovênia, Estados Unidos, França, Nova Zelândia, Reino Unido Fornecem informações significativas aos cidadâos Botsuana, Brasil, Congo, Coréia do Sul, Noruega, Peru, Polônia, Romênia, Suécia Fornecem alguma informação para os cidadâos Bulgária, Cazaquistão, Colômbia, Costa Rica, Croácia, Filipinas, Gana, Guatemala, Índia, Indonésia, Jordânia, Maláui, México, Namíbia, Papua - Nova Guiné, Paquistão, Quênia, Rússia, Sri Lanka, Tanzânia, Turquia Fornecem informações mínimas aos cidadãos Albânia, Argélia, Argentina, Azerbaijão, Bangladesh, Camarões, El Salvador, Equador, Geórgia, Honduras, Nepal, Uganda e Zâmbia Fornecem informações restritas ou nenhuma Angola, Bolívia, Burkina Fasso, Chade, Egito, Marrocos, Mongólia, Nicarágua, Nigéria, Vietnã Fonte: Center on Budget and Policy Priorities. Ademais, no caso do Brasil, Silva (2002), Giacomoni (1997) e outros autores de obras do Direito Administrativo, além da Constituição Federal e da Lei Complementar n.º 101, de 4 de maio de 2000, conhecida por Lei de Responsabilidade Fiscial, trataram da questão da transparência e da disponibilização de informações dos atos da gestão pública, possibilitando o controle social. E, ainda, Ramkumar (2008) traz outro olhar, que é o monitoramento das etapas do orçamento. A sociedade civil seria uma espécie de auditor das contas públicas, uma vez que existe carência de recursos e corrupções, entre outras questões. 2.3. Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, o IDH é uma medida comparativa de riqueza, alfabetização, educação, esperança média de vida, natalidade e outros fatores. Esse índice é uma maneira padronizada de avaliação e medida do bem-estar de uma população, sobretudo o bem-estar infantil. O IDH foi desenvolvido em 1990. A partir de 1993, o PNUD o vem utilizando no seu relatório anual. Dessa maneira, todos os países membros da ONU são classificados de acordo com essas medidas. O objetivo da elaboração do índice de Desenvolvimento Humano é oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. 2.4. Produto Interno Bruto (PIB) O Produto Interno Bruto (PIB) representa a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos em determinada região (países, estados, cidades), durante determinado período (mês, trimestre, ano etc.). O PIB é um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia, com o objetivo de mensurar a atividade econômica de uma região. Na contagem do PIB, consideram-se apenas bens e serviços finais, excluindo da conta todos os bens de consumo intermediário (insumos), com o intuito de evitar o problema da dupla contagem, quando valores gerados na cadeia de produção aparecem contados duas vezes na soma do PIB. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 5 - 11, out./dez. 2008 3. Metodologia Esta pesquisa pode ser caracterizada como um estudo de corte transversal (cross section). Segundo Collis e Hussey (2005, p. 66), este tipo de estudo é usado para investigar características de grandes contingentes populacionais ou de organizações quando há várias questões associadas a eles. Os dados analisados são de fonte secundária, fornecidos pelo Center on Budget and Policy Priorities (CBPP), com base em informações do exercício de 2006, e que representam os resultados de um questionário, com 91 questões, que foram enviados a 59 países, a saber: África do Sul, Albânia, Angola, Argélia, Argentina, Azerbaijão, Bangladesh, Bolívia, Botsuana, Brasil, Bulgária, Burkina Fasso, Camarões, Cazaquistão, Chade, Colômbia, Congo, Coréia do Sul, Costa Rica, Croácia, Egito, El Salvador, Equador, Eslovênia, Estados Unidos, Filipinas, França, Gana, Georgia, Guatemala, Honduras, Índia, Indonésia, Jordânia, Marrocos, México, Mongólia, Namíbia, Nepal, Nicarágua, Nigéria, Noruega, Nova Zelândia, Papua - Nova Guiné, Paquistão, Peru, Polônia, Quênia, Reino Unido, Romênia, Rússia, Sri Lanka, Suécia, Tanzânia, Turquia, Uganda, Vietnã, Zâmbia. A pesquisa realizada pelo CBPP resultou em uma classificação por índice, o Open Budget Index, elaborado considerando o fato de sete documentos orçamentários estarem disponíveis para os cidadãos, ou serem produzidos apenas para uso interno do governo, ou ainda nem serem produzidos. Os sete documentos são: Declaração Pré-Orçamentária (Pre-Budget Statement), Proposta Orçamentária do Poder Executivo (Executive’s Budget Proposal), Orçamento para o Cidadão (Citizens’ Budget), Relatórios de Início de Ano (InYear-Reports), Revisão de meio de Ano (Mid-Year-Review), Relatórios de Fim de Ano (Year-End-Report), Relatório de Auditoria (Auditor’s Report). Foram incluídas no estudo as variáveis IDH de 2007, o PIB Nominal de 2007 fornecido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e o IPSAS fornecido pelo International Federation of Accountants (IFAC). Assim, foram calculadas as correlações entre os índices, utilizando o teste de correlação de Spearman. As respostas foram tabuladas no Excel® e transportadas para o Statistical Package for the Social Sciences – SPSS, versão 12. Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Transparência do Orçamento Governamental dos Países: um Estudo acerca da Associação entre IAO, IDH, PIB e IPSAS Adotou-se o teste de correlação de Sperman, pois conforme explica Oliveira (2007, p. 113) este teste mede a associação entre as ordens de classificação, nesta pesquisa o IDH, o IAO, o PIS e o IPSAS, que é uma variável dummy, em que se atribui o valor “1” para os países que adotam normas internacionais de contabilidade; “0” para os que não. Não se utilizou o teste de Pearson em virtude de ele ser mais adequado a variáveis quantitativas normalmente distribuídas. Figura 2: Matriz de Diagrama de Dispersão 4. Discussão dos Resultados Os resultados obtidos por meio de SPSS são mostrados na Tabela 1. Analisando-se os escores, verificou-se uma correlação significativa e positiva entre o IDH e IAO (0,530), IAO e PIB (,508), PIB e IDH (,610) e PIB e IPSAS (,260). Este resultado pode significar que quanto maior for um índice maior poderá ser o outro relacionado a ele. Assim, quanto maior for o grau de abertura orçamentária (IAO), maior poderá ser o IDH e o PIB. Tabela 1: Correlação entre as variáveis estudadas Correlations IAO IDH PIB DUM_ A título ilustrativo, a Tabela 2 mostra, por continente, os valores médios encontrados dos índices. Os países da Europa são os que apresentam os maiores IDH e IAO; os da África apresentam os menores. A exceção no continente africano é a África do Sul, que possui IAO de 85 e IDH de 0,674. Tabela 2 - Valores médios de IAO e IDH por continente Adot Continente IAO Correlation Coefficient Sig. (2-tailed) N Spearman’s rho IDH PIB DUM_ Adot 1,000 59 Correlation ,530** Coefficient Sig. (2-tailed) ,000 59 N Correlation ,508** Coefficient Sig. (2-tailed) ,000 59 N Correlation -,003 Coefficient Sig. (2-tailed) ,982 59 N ,530** ,000 59 1,000 59 ,508** ,000 59 ,610** ,000 59 -,003 ,982 59 0,56 ,674 59 1,000 59 ,260* 0,47 59 ,056 ,260* 1,000 ,674 59 ,047 59 59 **. Correlation is significant at the 0.01 level (2-tailed). *. Correlation is significant at the 0.05 level (2-tailed). Quanto ao fato de o país utilizar normas internacionais de contabilidade, somente apresentou correlação com o PIB. Nesse contexto, países que adotam a política de transparência podem apresentar PIB maiores. As correlações entre as variáveis podem ser visualizadas por meio da Figura 2. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 5 - 11, out./dez. 2008 IAO Média IDH Média América 13 46 0,7815 Ásia 18 41 0,7315 África 17 36 0,5082 Europa 9 65 0,881 Oceania 2 68 0,7365 59 51 0,7277 Total ,610** ,000 59 Nº Países Pesquisados Fonte: os autores a partir de dados do IAO e IDH. Quanto ao IAO, alguns dos documentos que compõem o índice ainda não são totalmente elaborados pelos países. Os documentos que mais têm impactado negativamente os resultados, em decorrência da não-disponibilização para a sociedade, são os seguintes: Declaração Pré-Orçamentária (Pre-Budget Statement), Orçamento para o Cidadão (Citizens’ Budget), Revisão de Meio de Ano (Mid-Year-Review). Dos 59 países pesquisados, apenas dez elaboram e disponibilizam para a sociedade o Citizens’ Budget. A maioria dos países que o elaboram são os que possuem maior IAO. São eles: África do Sul, Angola, Coréia do Sul, El Salvador, França, Índia, Nova Zelândia, Reino Unido, Suécia, Uganda. Especificamente entre IAO e IDH, observou-se, também, a existência de alguns valores discrepantes (outliers), quando da visualização do Diagrama de Dispersão (Figura 2), pois apresentam IDH considerado de médio para alto e IAO baixo. Os mais representativos constam da Tabela 3. Pensar Contábil Robson Ramos Oliveira CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Aline Moura Costa da Silva Melissa Christina Corrêa de Moraes 5. Considerações Finais Tabela 3: Outlier entre IAO e IDH País IAO Tabela 3: Outlier entre IAO e IDH Albânia IDH 24 0,801 28 0,733 Argentina Tabela 3 – Outlier entre IAO e IDH 39 0,869 Argélia Azerbaijão 30 0,746 Bolívia 20 0,695 Egito 18 0,708 El Salvador 27 0,735 Equador 31 0,772 Marrocos 19 0,646 Mongólia 18 0,7 2 0,733 Vietnã Fonte: os autores a partir de dados do IAO e IDH. Apresentam-se como principais resultados do presente estudo informações que mostram correlação entre IDH e IAO (0,530), IAO e PIB (,508), PIB e IDH (,610) e PIB e IPSAS (,260). Assim, quanto maior for um índice, maior poderá ser o outro relacionado a ele. Chama-se a atenção, também, para o fato de 23 países, dos 59 pesquisados, disponibilizarem “mínimas” ou “restritas ou nenhuma” informações aos cidadãos sobre o orçamento do país. Por outro lado, 30 países disponibilizam uma quantidade significativa de tais informações. O índice (IAO) mostra que práticas eficientes de transparência são possíveis em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Este trabalho não dá conta de responder a tantas outras abordagens e questões acerca da transparência do orçamento público dos países. Aqui, foram adotadas simplificações, e o objeto de estudo limitou-se ao estudo de quatro variáveis, que foram: Índice de Abertura Orçamentária (IAO), Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Produto Interno Bruto (PIB) e International Public Sector Accounting Standards (IPSAS). Assim, futuros estudos poderão buscar a relação entre o IAO e outros índices, além da relação do IAO com outras variáveis qualitativas, como blocos geográficos, aspectos culturais, entre outras. Referências BOLÍVAR, M. P. R.; PÉREZ, C. C.; HERNÁNDEZ, A. M. L. Cultural contexts and governmental digital reporting. 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Rio de Janeiro: Revan, 2001. SEJA AUTOR DE ARTIGO DA REVISTA PENSAR CONTÁBIL MANDE SEU ARTIGO PARA [email protected] Consulte “Orientações aos Colaboradores” na página 4 desta revista Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 5 - 11, out./dez. 2008 11 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Trabalho classificado em 2º lugar no IX Prêmio Contador Geraldo de La Rocque A Produção Científica sobre Auditoria: um Estudo Bibliométrico a partir do Caderno de Indicadores da CAPES no Período de 2004 a 2006 Resumo Este trabalho tem como objetivo analisar a produção científica sobre auditoria em periódicos, anais, dissertações e teses dos programas de mestrado e doutorado em Ciências Contábeis a partir de levantamento efetuado nos Cadernos de Indicadores da CAPES, referentes ao triênio 2004-2006. Realizou-se estudo descritivo, do tipo levantamento, com abordagem quantitativa e qualitativa. As variáveis quantitativas analisadas foram: a) quantidades de trabalho sobre auditoria, publicadas por ano, no triênio 2004-2006; b) o total da produção bibliográfica por programa de pós-graduação no período; e c) publicações por autor. Na variável qualitativa, avaliaram-se as temáticas abordadas nessas publicações. Os achados da pesquisa mostram que os treze programas de pós-graduação stricto sensu analisados publicaram, conjuntamente, 3.280 trabalhos, e que foram defendidas 653 teses e dissertações, sendo o tema auditoria ainda pouco pesquisado. O programa da USP é o que apresenta o maior número de publicações tratando da temática em periódicos relacionados no Qualis; de um total de oito, cinco publicações se deram em periódicos de maior pontuação pela CAPES (NA), seguido do programa da FURB, com três publicações. A publicação em periódicos internacionais ainda é muito baixa, nenhuma em Auditoria. Palavras-chave: Estudo Bibliométrico; Auditoria; CAPES. Abstract This paper aims to examine the scientific production on a periodic audit, proceedings, dissertations and theses of master’s and doctoral programs in Accounting from survey performed in Studies of Indicators of CAPES, referring the period 2004 to 2006. It is a descriptive study, survey with quantitative and qualitative approach. Quantitative variables were analyzed: a) quantities of work on audit published a year in the period 2004 to 2006 b) the total production of literature by post-graduate programme in the period, and c) publications by author. In qualityevaluated variable we analyzed the issues addressed in these publications. The findings of the survey show that the thirteen programmes for post-graduate published together 3.280 papers 1 Robson Ramos Oliveira Rio de Janeiro – RJ Mestrando em Ciências Contábeis pela FAF/UERJ1 [email protected] I - Empresas Selecionadas para Análise Quadro Vânia Silva de Carvalho Rio de Janeiro – RJ Mestranda em Ciências Contábeis pela FAF/UERJ1 [email protected] and were held 653 theses and dissertations. The theme audit still poorly researched. The programme of USP is what presents the greatest number of publications, dealing with issues in related journals in Qualis, a total of eight, five publications have been in periodic higher scores by CAPES (NA), followed by the program’s FURB, with 3 publications. The publication in international journals is still very low, no one in audit. Key words: Bibliometric study; Auditing, CAPES. 1. Introdução A bibliometria é um tema da área da biblioteconomia. Vanti (2002) explica que o uso das técnicas bibliométricas contribui, em épocas de recursos escassos, para o trabalho do bibliotecário quando se precisa tomar a decisão de que títulos ou publicações periódicas podem ou não ser suprimidos de uma biblioteca. Além disso, Meis (1999), em outro enfoque, explica que os índices bibliométricos são utilizados para avaliar a produtividade e qualidade das pesquisas dos cientistas, por intermédio de indicadores elaborados com base em números de publicações e citações dos diversos pesquisadores. Contudo, ao se efetuar uma busca no Google Acadêmico, a partir do Portal de Periódicos da CAPES, encontraram-se na relação resultante da busca, em que se utilizou a palavra-chave bibliometria, aproximadamente, 2.350 trabalhos. Os trabalhos FAF/UERJ – Faculdade de Administração e Finanças da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – CEP: 20.550.900 – Rio de Janeiro – RJ. Artigo recebido em 29/08/2008, artigo aceito em 10/10/2008. 12 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 12 - 21, out./dez. 2008 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ A Produção Científica sobre Auditoria: um Estudo Bibliométrico a partir do Caderno de Indicadores da CAPES no Período de 2004 a 2006 encontrados são decorrentes de diferentes áreas, por exemplo: Medicina, História, Letras, Arqueologia, entre outras. Na área da Ciência Contábil, Borba, Costa e Lyrio (2005) apresentaram um trabalho, no VIII Seminários em Administração da FEA/USP, levantando as publicações acadêmicas sobre Controles Gerenciais, no período de 2000 a 2004. E, ainda, Borba e Murcia (2006) publicaram na BBR: Brazillian Business Review um trabalho denominado “Oportunidades para Pesquisa e Publicação em Contabilidade: um Estudo Preliminar sobre Revistas Acadêmicas de Língua Inglesa do Portal de Periódicos da CAPES”. Martins e Silva (2005) no V Congresso USP de Controladoria e Contabilidade apresentaram o “Plataforma Teórica: Trabalhos dos 3º e 4º Congressos USP de Controladoria e Contabilidade: um Estudo Bibliométrico”. Luciani, Cardoso e Beuren (2007) analisaram a inserção da Controladoria em artigos de periódicos nacionais classificados no Sistema Qualis. Possivelmente, outros trabalhos em Contabilidade foram elaborados utilizando-se técnicas bibliométricas. Contudo, não se localizou um que tratasse do tema auditoria, cuja temática é de fundamental importância para a Ciência Contábil, uma vez que algumas empresas são obrigadas a divulgar as suas Demonstrações Contábeis acompanhadas de Parecer de Auditores Independentes. Nesse contexto, surge a questão desta pesquisa: qual é o volume de publicações sobre auditoria em periódicos, anais, dissertações e teses dos programas de mestrado e doutorado em Ciências Contábeis no Brasil? Logo, o objetivo da presente pesquisa é efetuar levantamento nos Cadernos de Indicadores da CAPES, no triênio 2004-2006, objetivando analisar a quantidade de trabalhos publicados sobre auditoria, os seus autores, veículos de comunicação e as temáticas abordadas nessas publicações. O trabalho foi organizado em cinco seções. Na introdução, descreveu-se o problema da pesquisa. Na seção dois, levantou-se o referencial teórico acerca de auditoria e bibliometria. No terceiro, foi tratada a metodologia, depois os achados, e por último foram feitas as considerações finais e sugestões para outras pesquisas. 2. Referências Teóricas 2.1. Auditoria Questões de auditoria, por exemplo conceitos, técnicas, procedimentos, tipos, aplicabilidade, entre outras, podem ser consultadas em vasta bibliografia; citem-se algumas: Almeida (2003), Attie (1992), Boynton, Johnson e Kell (2002), Cardozo (1997; 2007), Porter Jr. e Burton (1971), Sá (2003), Taylor e Glezen (1994). Em suma, o conceito de auditoria tem-se ampliado ao longo do tempo, incorporando as novas utilizações das técnicas fundamentais de coleta de evidências, em resposta às solicitações crescentes da comunidade interessada nos serviços de auditoria. Modernamente, podemos definir auditoria como sendo o estudo e avaliação sistemáticos das transações realizadas e das demonstrações contábeis conseqüentes. Neste sentido, sua principal finalidade é determinar até que ponto existe conformidade com os Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 12 - 21, out./dez. 2008 critérios preestabelecidos, comunicando os resultados aos usuários interessados. Nos dias de hoje, a sociedade é dominada por grandes organizações que têm significativo impacto em quase todos os aspectos da vida moderna. Por causa de sua grande influência, essas organizações devem manter informadas as partes externas interessadas a respeito de suas ações. Para monitorar as ações dessas organizações, é necessário projetar um meio de comunicação entre a entidade e as ditas partes externas. Um método aceitável de comunicação é a disseminação de dados econômicos. Ocorre que, individualmente, as partes externas não são capazes de verificar a exatidão das informações que lhes são transmitidas. Por conseguinte, a fim de assegurar que as informações são apresentadas de maneira totalmente imparcial, faz-se mister para essas partes externas que os dados sejam auditados ou revisados. As partes externas são tratadas com usuários das demonstrações contábeis, que as utilizam no processo de tomada de decisões econômicas concernentes às organizações de negócios. Esse grupo de usuários consiste em investidores, financiadores, agências governamentais, empregados, e o público em geral. A Figura 1 mostra o relacionamento existente entre a organização de negócios, os usuários interessados em seus dados econômicos e o auditor. A organização de negócios exibe o conjunto de afirmações a respeito de suas atividades econômicas e as comunica aos usuários interessados por meio de demonstrações contábeis por ela elaboradas. O auditor revisa estas afirmações a fim de determinar se as demonstrações contábeis apresentam de forma fidedigna os eventos econômicos realizados pela organização de negócios. O auditor comunica os resultados da auditoria através de um relatório de auditoria. Figura 1: Relacionamento entre a organização de negócios, os usuários interessados em seus dados econômicos e o auditor A Organização de Negócios dados econômicos via demonstrações contábeis O Grupo de Usuários dados econômicos via relatório do auditor revisão dos dados econômicos O Auditor Fonte: Cardozo (2007). Assim, foi colocada a razão econômica da função que se espera da auditoria. O papel do auditor é monitorar os dados econômicos constantes das demonstrações contábeis a fim de assegurar que eles são apresentados de acordo com os padrões estabelecidos pela sociedade para as circunstâncias. Esta é a contribuição do auditor para a sociedade em que vive, sendo sua função essencial ao sistema de livre empresa. 2.2. Estudos bibliométricos A informação produzida no meio acadêmico tem um valor extra se olhada como indicador direto da produção do conhecimento humano. Além disso, espera-se que o corpo docen- 13 Pensar Contábil Robson Ramos de Oliveira CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Vânia Silva de Carvalho te e o discente, especialmente em programas de mestrado e doutorado, estejam integrados em projetos de pesquisas, culminando os achados dessas pesquisas em publicações. É nesse contexto que emerge a bibliometria, em face de as publicações serem quantificadas por autor, por tipo de revista, por programa, entre outras. A produção científica, divulgada sob a forma de artigos publicados em periódicos, é importante sob vários aspectos. Oliveira (2002) relacionou alguns: – os artigos podem ser colecionados, classificados, catalogados e reproduzidos infinitamente; – os cientistas não publicam livros nem defendem teses e dissertações com freqüência, além de a agilidade na circulação destes veículos e, conseqüentemente, da informação tratada neles, principalmente quando se trata de teses e dissertações, ser mais lenta; – os artigos de periódicos atingem mais velozmente que teses e dissertações um público maior, servem como fonte de bibliografia e contribuem para a atualização dos que os lêem. O autor verificou a existência de 42 periódicos científicos internacionais de contabilidade publicados nos Estados Unidos. Além dessas, órgãos fiscalizadores da educação e agências de fomento educacionais que concedem bolsas de estudo para os pesquisadores da comunidade científica cobram destes a produção científica como forma de prestação de contas. Retornando às questões da bibliometria, Maia e Caregnato (2004) investigaram a produção de estudos bibliométricos e a sua relação com o desenvolvimento das bibliotecas digitais. Vanti (2002) efetuou um estudo comparativo de quatro subdisciplinas que permitem medir os fluxos da informação, a comunicação acadêmica e a difusão do conhecimento científico, que são: a bibliometria, a cienciometria, a informetria e a webometria. Neste trabalho, não serão aplicadas todas as técnicas dos subsistemas. Entretanto, o quadro que consta do trabalho da autora merece ser transcrito, sendo uma contribuição para outras pesquisas. O Quadro 1 mostra a comparação das aplicações dos distintos métodos quantitativos, e transcrevemse, apenas, os que têm relação com o objeto do estudo. Quadro 1 – Comparações entre a bibliometria, a cienciometria, a informetria e a webometria Tipologia Subcampo Bibliometria Cienciometria Informetria Webometria Objeto de Estudo Livros, documentos, revistas, artigos, autores, usuários Disciplinas, assuntos áreas e campos científicos e tecnológicos, patentes, dissertações e teses Palavras, documentos, base de dados, comunicações informais (inclusive em âmbito não científico) Sítios na www (URL, título, tipo, domínio, tamanho, e links), motores de busca Fonte: Vanti (2002). 14 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 12 - 21, out./dez. 2008 Outra contribuição na área da bibliometria é o trabalho de Guedes e Borschiver (2005), que realizaram uma revisão bibliográfica de autores que se dedicaram aos estudos das leis e princípios da bibliometria, enunciando-os e citando suas aplicações como ferramenta empírica objetiva de quantificação dos processos de comunicação científica e tecnológica. Desse estudo também resultou um quadro que relaciona as principais leis e princípios bibliométricos, conforme Quadro 2. Todavia, quando da descrição dos achados desta pesquisa, somente se abordarão as Leis de Bradford e Lotka. Quadro 2: Leis e princípios da bibliometria Leis e princípios Focos de Estudo Principais aplicações Lei de Bradford Periódicos Estimar o grau de relevância dos periódicos, em dada área do conhecimento Lei de Lotka Autores Estimar o grau de relevância de autores, em dada área do conhecimento 1. Leis de Zipf Palavras Indexação automática de artigos científicos e tecnológicos 1. Colégios Invisíveis; 2. Fator de imediatismo ou de impacto; 3. Acoplamento Bibliográfico; 4. Co-citação; 5. Obsolescência da Literatura; 6. Vida-média; 7. Teoria Epidêmica de Goffman; 8. Lei do Elitismo; 9. Frente de Pesquisa Citações Várias (ver Guedes e Borschiver 2005, p. 14) Lei dos 80/20 Demanda de Informação Composição, ampliação e redução de acervos 2. Ponto de Transição (T) de Goffman Fonte:Adaptado de Guedes e Borschiver (2005). Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ A Produção Científica sobre Auditoria: um Estudo Bibliométrico a partir do Caderno de Indicadores da CAPES no Período de 2004 a 2006 As autoras concluem o estudo observando a diversidade de leis e conceitos relacionados à bibliometria. Explicam que as Leis de Bradford, Lotka e Zipf são as principais, e os conceitos utilizados quando da análise de citações “são mais utilizados como ferramenta na política científica e tecnológica, mediante diagnóstico e prognóstico dos fenômenos que norteiam a comunicação científica e tecnológica, de uma determinada instituição ou país”. A bibliometria também é utilizada como um instrumento quantitativo, e o trabalho de Rummler (2006) propõe a “modelagem de um indicador bibliométrico para análise da dispersão de conhecimentos”. Essa modelagem remete ao cálculo do que o autor denominou “Índice de Dispersão Segmentar – IDS”, considerando sete variáveis que foram, no estudo, representadas por “P”, “p”, “F”, “f”, “A”, “a”, “r”. Essas sete variáveis estavam relacionadas com três dispersões, a saber: 1) de uma obra, um autor ou um periódico, em uma área do conhecimento (ou campo, especialidade, disciplina etc.); 2) de determinada questão ou assunto, tema, método, técnica, fenômeno, especialidade, vocábulo etc., no âmbito de periódicos referentes a determinada área do conhecimento; 3) geográfica de uma unidade de análise bibliográfica. A título ilustrativo, optou-se por transcrever apenas uma das variáveis, o que se fez por meio do Quadro 3. Quadro 3 – Variáveis: questão ou assunto, tema etc., no âmbito de periódicos Variável Variáveis relacionadas com a dispersão de determinada questão ou assunto, tema etc., no âmbito de periódicos P Número total de periódicos abrangidos por um estudo, os quais veiculam artigos referentes à determinada área. P Número de periódicos positivos (periódicos que veiculam artigos que contemplam a unidade de análise). F Quantidade de fascículos que compõem o conjunto de periódicos “P”, publicados no período correspondente ao recorte temporal da avaliação. F Quantidade de fascículos positivos (fascículos em que constam artigos voltados à questão em estudo). A Número total de artigos correspondentes à área do estudo. A Número total de artigos positivos (artigos que contemplam a questão em estudo). R Número de referências positivas (número total de referências das obras que contemplam a questão em estudo). Fonte: Rummler (2006). Por meio da análise dessas variáveis, pode-se, por exemplo, verificar como o tema auditoria está se dispersando em relação a outros temas da área contábil. Assim, ao se selecionar um número de periódicos (“P1”, “P2”, “P3”), na área das Ciências Contábeis, têm-se: a)“F1”, “F2”, “F3” = número de fascículos editados; b)“A1”, “A2”, “A3” = números de artigos neles publicados; Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 12 - 21, out./dez. 2008 c)“p1”, “p2”, “p3”; “f1”, “f2”, “f3”; “a1”, “a2”, “a3” = número de periódicos que têm fascículos em que constam artigos que abordam o tema auditoria; e d)“r1”, “r2”, “r3” = número total de referências sobre obras de auditoria citadas nos artigos. Existem outras formas de fazer análise quantitativa em bibliometria. Ressalta-se, mais uma vez, que com o presente estudo não se tem a pretensão de passar em revista todos os conceitos descritos neste quadro de referências teóricas, mas objetiva-se contribuir para futuras pesquisas. 3. Metodologia A presente pesquisa pode ser tipificada como sendo, segundo Collis e Hussey (2005, p. 70), uma survey descritiva. Esse tipo de pesquisa “deve identificar e contar a freqüência de uma população específica, em um determinado momento, ou vários momentos para comparação”. Assim, a população específica, aqui, é a produção bibliográfica em periódicos, anais, livros, teses e dissertações que constam nos Cadernos de Indicadores, obtidos a partir de levantamento efetuado na página da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) na internet (www.capes.gov.br) dos programas de mestrado e doutorado em Ciências Contábeis que foram avaliados no triênio 20042006. Optou-se por esse período em decorrência de ele ser o mais recente, não obstante o órgão divulgar, também, a avaliação dos triênios 1998-2000 e 2001-2003. Nesses Cadernos, consta a avaliação dos programas, que é feita por um Comitê Técnico Científico, na qual são examinados doze indicadores, que são: PR – Programa; TE – Teses e Dissertações; PB – Produção Bibliográfica; PT – Produção Técnica; PA – Produção Artística; CD – Corpo Docente, Vínculo Formação; DI – Disciplinas; LP – Linhas de Pesquisa; PP – Projetos de Pesquisa; PO – Proposta do Programa; DA – Docente Atuação; DP – Docente Produção. Os dados analisados neste trabalho foram extraídos dos indicadores: TE – Teses e Dissertações e PB – Produção Bibliográfica, em que foram analisados alguns aspectos qualitativos e quantitativos do estudo bibliométrico, que estão limitados ao confronto entre o número total de trabalhos publicados pelos programas em relação ao total de trabalhos publicados sobre Auditoria e questões afetas como: controle interno, fraudes e riscos. As variáveis quantitativas testadas foram: a) quantidades de trabalho sobre auditoria, publicadas por ano, no triênio 2004-2006; b) a publicação de periódicos, anais, teses e dissertações por programas, no triênio 2004-2006 e c) publicações por autor e veículos de divulgação. Na variável qualitativa avaliaram-se as temáticas abordadas sobre auditoria. A CAPES é uma fundação do Ministério da Educação que investe no desenvolvimento da pós-graduação stricto sensu focada na formação de pessoal qualificado no Brasil e no exterior. É responsável por mais da metade das bolsas de pósgraduação no país, avalia cursos de mestrado e doutorado, além de financiar a produção e a cooperação científica. Atualmente, 18 são os programas de mestrado, mestrado profissional e doutorado em Ciências Contábeis recomendados pela CAPES. Contudo, a amostra contemplou 13 programas: Universidade de São Paulo (USP); Fundação Instituto Capixaba de Pesquisa em Contabilidade, Economia e Finanças (FUCAPE); Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS); 15 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Robson Ramos de Oliveira Vânia Silva de Carvalho a área Administração, Ciências Contábeis e Turismo, sendo: a) 58, 65 e 37 em Internacionais A, B e C, respectivamente; b) 73, 38 e 24 em Nacionais A, B e C, respectivamente; c) 13, 7 e 22 em Locais A, B e C, respectivamente. A publicação é condição necessária para que os programas de mestrado e doutorado se mantenham reconhecidos pela CAPES, e a questão de maior relevância é que esse órgão regulador somente contabiliza os trabalhos tanto de periódicos quanto de anais se eles estiverem relacionados no Qualis da área de avaliação. Assim, por exemplo, qualquer trabalho publicado na Revista Brasileira de Contabilidade, que é uma revista do Conselho Federal de Contabilidade, não é pontuado nessa avaliação em decorrência de essa revista não constar no Qualis. Apesar disso, os programas relacionam toda a produção do seu corpo docente e discente nos Cadernos de Avaliação, que são enviados à CAPES quando solicitados por esta, independentemente de existirem trabalhos que foram publicados em veículo que não constem do Qualis. Nesse estudo está sendo analisada toda a produção informada, não tendo sido efetuada nenhuma exclusão nem juízo de valor quanto aos aspectos quantitativos e qualitativos dos trabalhos. Ainda na Tabela 1, observa-se que a publicação dos trabalhos acadêmicos dos programas de mestrado e doutorado em Ciências Contábeis se dá na sua maioria (65,24%) em publicações de textos completos e resumos nos anais de congressos, encontros, fóruns e outros, e em periódicos considerados impróprios pelo Qualis (14,82%). Universidade Regional de Blumenau (FURB); Centro Universitário Álvares Penteado (UniFECAP); Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade de Brasília (UNB); Universidade de São Paulo/Ribeirão Preto (USP/RP); Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP); Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Universidade Federal do Amazonas (UFAM) já foram reconhecidos pela CAPES. Entretanto, os seus dados não constam desta pesquisa em decorrência de esses cursos terem sido recentemente criados. Por isso, a produção bibliográfica inicial desses programas não é contemplada neste trabalho. 4. Os Achados da Pesquisa 4.1. Análise bibliométrica das produções sobre auditoria em periódicos e anais dos programas de pós-graduação stricto sensu em contabilidade Do levantamento efetuado nos Cadernos de Indicadores da CAPES, triênio 2004-2006, especificamente no Caderno de Produção Bibliográfica, os treze programas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) em Ciências Contábeis analisados publicaram, conjuntamente, 3.280 trabalhos, sendo 3001 em Periódicos e Anais, conforme Tabela 1. Quanto às demais, são publicações que ocorreram por meio de livros e outras. Veja Tabela 1 abaixo. A CAPES classifica os periódicos utilizados para a divulgação da Produção Intelectual desses programas seguindo uma escala de dupla entrada relativa ao âmbito de circulação (internacional [I], nacional [N] e local [L]) e à sua qualidade (A – alta, B – média e C – baixa), conforme se observa na Tabela 1. Montam em 337 os periódicos relacionados no Qualis para 4.1.1. Quantidades de trabalho sobre auditoria, publicadas por ano, no triênio 2004-2006 Dos 3.280 trabalhos publicados pelos programas, 2,80% abordaram o tema auditoria. Ressalta-se que nesta pesquisa foram considerados trabalhos que versavam sobre controle interno, fraudes e riscos como sendo auditoria. A Tabela 2 mostra o quantitativo de trabalhos que foram publicados no período analisado. Tabela 1: Produção bibliográfica informada pelos programas de mestrado e doutorado em Ciências Contábeis para o Triênio 2004-2006 Mestrado/Doutorado Programas Anais Periódicos Internacionais A B Periódicos Nacionais C A B Periódicos Locais C A B Fora do Qualis C USP 214 - 1 4 50 11 7 3 6 1 173 FUCAPE 184 4 4 1 22 19 - - - - 26 UNISINOS 167 - - - 15 5 2 2 2 - 36 FURB 376 - - - 11 17 10 - 2 4 19 UniFECAP 129 - - - 3 7 - - 4 1 15 UERJ 14 - - - - - 1 - 5 - 12 UFRJ 98 - - - 8 3 8 - 3 - 13 UFC 91 - - 1 5 2 1 - 1 - 7 UNB 333 - 1 - 24 13 12 - 3 - 115 USP/RP 77 - 1 1 11 1 1 - 2 - 7 PUC/SP 199 - 1 1 17 4 6 - - 1 37 UFSC 224 - - 1 2 6 7 - 1 - 23 UFPR 34 - - - 1 1 - - - - 3 Total 2140 4 8 9 169 89 55 5 29 7 486 Fonte: Cadernos de Indicadores da CAPES Triênio 2004-2006: Produção Bibliográfica. OBS.: Não foram incluídos os livros e outras publicações. 16 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 12 - 21, out./dez. 2008 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ A Produção Científica sobre Auditoria: um Estudo Bibliométrico a partir do Caderno de Indicadores da CAPES no Período de 2004 a 2006 Tabela 2: Trabalhos sobre auditoria Programas Ano 2004 Total 2005 Divulgação 2006 % Periódicos % Anais % Livros USP 5 5 4 14 64,29 35,71 - FUCAPE 2 1 3 6 33,33 66,67 - UNISINOS 1 - - 1 - 100,00 - FURB - 6 9 15 20,00 73,33 6,67 UniFECAP 6 2 2 10 30,00 60,00 10,00 UERJ - - 4 4 25,00 50,00 25,00 UFRJ - 1 1 2 50,00 - 50,00 UFC - 2 - 2 - 50,00 50,00 UNB 9 11 3 23 21,74 78,26 - USP/RP - - - - - - - PUC/SP 2 3 2 7 42,86 42,86 14,28 UFSC - 2 5 7 14,29 85,71 - UFPR - - 1 1 - 100,00 - 25 33 34 92 30,43 63,04 6,53 Total Fonte: Cadernos de Indicadores da CAPES Triênio 2004-2006: Produção Bibliográfica. Da Tabela 2, observa-se que os programas da UNB, FURB e USP foram os que mais publicaram sobre o tema auditoria. Essa tabela considera o quantitativo total de publicações dentro e fora do Qualis. Considerando apenas as publicações em periódicos (30,43%), cujo montante foi de 28 publicações (ver Tabela 4), e ainda tomando por base as publicações em periódicos relacionados no Qualis, apenas 20 foram na área da Auditoria, conforme Tabela 3: Tabela 3: Publicações em Auditoria, apenas em Periódicos: Triênio 2004/2006 Mestrado Periódicos Periódicos Periódicos Doutorado Internacionais Nacionais Locais Programas A B C A B C A B C Total USP - - - 5 1 2 - - - 8 FUCAPE - - - 1 1 - - - 2 FURB - - - 2 - 1 - - - 3 UniFECAP - - - - 1 - - - - 1 UERJ - - - - - - - 1 - 1 UFRJ - - - - - 1 - - - 1 UNB - - - - 1 1 - - - 2 PUC/SP - - - 1 - 1 - - - 2 Total 0 0 0 9 4 6 0 1 20 Fonte: Cadernos de Indicadores da CAPES Triênio 2004-2006: Prod. Bibliográfica. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 12 - 21, out./dez. 2008 O programa da USP é o que apresenta o maior número de publicações em periódicos relacionados no Qualis. De um total de oito, cinco publicações se deram em periódicos de maior pontuação pela CAPES (NA), seguido do programa da FURB, com três publicações. A publicação em periódicos internacionais ainda é muito baixa, nenhuma em Auditoria, possivelmente em decorrência das barreiras culturais, psicológicas e de mercado existentes entre os países. Zeff (1996, p. 60) explica que nos Estados Unidos os professores-cientistas precisam de alta produtividade de publicações em periódicos de alto prestígio para se manterem em suas faculdades ou universidades, o que pode dificultar a inserção de pesquisas de programas brasileiros em periódicos internacionais. Outro aspecto a ser analisado é o grau de dispersão em relação ao total da produção bibliográfica dos programas em relação à produção em auditoria. Utiliza-se um diagrama para ilustrar essa relação denominado Diagrama de Dispersão, conforme Figura 2. Moore et al. (2006, p. 77) explica que esse diagrama mostra a relação entre duas variáveis quantitativas medidas nos mesmos indivíduos. “Os valores de uma variável são apresentados no eixo horizontal, enquanto os valores da outra variável, no eixo vertical. Cada indivíduo do conjunto aparece na forma de um ponto no gráfico, determinado pelos valores das duas variáveis.” 17 Pensar Contábil Robson Ramos de Oliveira CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Vânia Silva de Carvalho Total da Produção Bibliográfica Figura 2 – Diagrama de dispersão da relação entre o total da produção bibliográfica e a produção bibliográfica em auditoria 600 Total da Produção Bibliográfica 500 400 Produção Bibliográfica em Auditoria 300 200 100 0 5 10 -5 Produção Bibliográfica em Auditoria O diagrama evidencia que a produção bibliográfica acerca do tema auditoria é baixa. Contudo, é linear, pois não se verificou pontos individuais (outlier) que se afastassem do padrão geral da relação. 4.1.2. Quais foram os periódicos e anais que mais publicaram trabalhos na área de auditoria? Considerando a Lei de Bradford, cujo objetivo é estimar o grau de relevância dos periódicos em dada área do conhecimento, observa-se que os periódicos Revista Contabilidade & Finanças e UNB Contábil, respectivamente dos programas da USP e UNB, foram os que mais publicaram (35,71%) o tema em questão. Veja Tabela 4. Quanto aos anais, de um total de 58 publicações sobre auditoria, os mais relevantes foram: Congresso USP de Controladoria e Contabilidade (13) e ENANPAD (8). Os dois eventos representam 37,20% das publicações nesse canal de comunicação. 4.1.3. Publicações por autor Pela Lei de Lotka, estima-se o grau de relevância de autores, em dada área do conhecimento. Na amostra analisada, 122 autores (alunos, professores e externos dos programas de mestrado e doutorado) publicaram em periódicos, anais e livros dentro e fora do Qualis. Chama-se a atenção, aqui, para o fato de que os programas de mestrado e doutorado devem ser capazes de desenvolver projetos de pesquisa em que se conjugue a participação de alunos e a de professores, razão pela qual essas publicações possuem várias autorias. Nesse contexto, observou-se que ocorreu no mínimo uma e no máximo cinco autorias por publicação. Em relação aos autores, a Tabela 5 relaciona os mais relevantes em número de publicações na área da auditoria. Os autores que mais publicaram na área foram: PEREIRA, A. C., docente da UniFECAP (São Paulo); CUNHA, P. R., discente do programa de mestrado da FURB (Santa Catarina); BEUREN, I. M., docente da FURB (Santa Catarina); HEIN, N., docente da FURB (Santa Catarina) e NETO, O. R. M., discente do programa de doutorado da USP (São Paulo). Tabela 4: Periódicos Periódicos Quant. % Qualis Tipo Qualis Revista Contabilidade & Finanças 5 17,86 sim NA UNB Contábil 5 17,86 sim NC BBR: Brazilian Business Review 2 7,14 sim NB RAM: Revista de Administração Mackenzie 2 7,14 sim NA Revista Brasileira de Contabilidade 2 7,14 não -- Base (UNISINOS) 1 3,57 sim NA Boletim Núcleo Fé e Cultura 1 3,57 não - Centro STUDI Emigrazione Roma 1 3,57 não - Pensar Contábil 1 3,57 sim NC RAE: Revista de Administração de Empresas (FGV) 1 3,57 sim NA Razão Contábil 1 3,57 não - REA: Revista Eletrônica de Administração 1 3,57 não - Revista Brasileira de Gestão de Negócios 1 3,57 sim NB Revista Catarinense de Ciência Contábil 1 3,57 não - Revista de Contab. do Mestrado em Ciências Contábeis (UERJ) 1 3,57 sim LB Revista de Informação Legislativa 1 3,57 não - Revista Universo Contábil (On-line) 1 3,57 sim NB 28 100,00 Total Fonte: Cadernos de Avaliação da CAPES Triênio 2004-2006: Produção Bibliográfica. 18 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 12 - 21, out./dez. 2008 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ A Produção Científica sobre Auditoria: um Estudo Bibliométrico a partir do Caderno de Indicadores da CAPES no Período de 2004 a 2006 Tabela 5: Autores que mais publicaram sobre auditoria Autores Trabalhos Autores PEREIRA, A. C. 7 1 CUNHA, P. R. 6 1 BEUREN, I. M.; HEIN, N.; NETO, O. R. M. 5 3 4 4 ALBERTON, L.; BORBA, J. A.; DINIZ, J. A.; FERNANDES, F.C. ; FRAGOSO, A. R.; LEITÃO, C. R. S.; REVOREDO W. C.; RICCIO, E. L. 3 8 ARIMA, C. H.; CALDAS, P. O. A. ; CAPELLETTO, L. R.; CARVALHO, J. R. M.; CUPERTINO, C. M.; FILHO, A. A. R. ; GOMES, L. L.; GUIMARÃES, I. C.; MURCIA, F. D.; NASCIMENTO, W. S.; RODRIGUS, L. G. B.; TOSTES, F. P. S. C.; VASCONCELOS, M. M. F. 2 14 Outros (91 autores) 1 CARDOSO, R. L.; CARVALHO, L. N. G.; CORRAR, L. J. ; RIBEIRO FILHO, J. F. TOTAL DE AUTORES 91 122 Fonte: Cadernos de Avaliação da CAPES Triênio 2004-2006: Produção Bibliográfica. 4.2. Análise bibliométrica das produções sobre auditoria em teses e dissertações dos programas de pósgraduação stricto sensu em contabilidade No período 2004-2006 foram defendidas 30 teses de doutorado, 507 dissertações de mestrado e 116 dissertações de mestrado profissional, totalizando 653 teses e dissertações. Desse montante, 33 tratavam de questões sobre auditoria. A Tabela 6 mostra esses números. Tabela 6: Produção em teses e dissertações dos programas Programas USP Total de Defesas Teses e Dissertações nas áreas de Auditoria 2006 2005 2004 Total Quanto aos programas de doutorado e mestrado em que as teses e dissertações foram defendidas, a maior concentração está na UniFECAP, cujos autores das dissertações foram: COSTA, C.A.; DRIMEL,C.N.; GUIMARÃES, I.C.; GONÇALEZ,O.; GUERRA, A.S.; RODRIGUES, L.G.B.; VIEIRA, J.A. e SCHREINER, S.R.S., sendo os trabalhos orientados pelos professores doutores: SEGRETI, J. B.(4); PEREIRA, A. C.(1), FARIA, A. C. (1); PARISI C. (1) e OLIVEIRA, A. B. S. (1). A Tabela 5 mostra que PEREIRA A. C. foi o autor que mais publicou na área de auditoria. Quanto às temáticas das dissertações, foram, resumidamente, em controle interno (5), gestão de riscos (2) e comitê de auditoria (1). Comenta-se, ainda, que o advento da informática possibilitou a existência de bibliotecas virtuais; antes as teses e dissertações ficavam arquivadas apenas nas prateleiras de poucas bibliotecas (literatura cinzenta). Atualmente, é possível buscar resumos e trabalhos completos nas páginas da internet dos programas de mestrado e doutorado. Além de a CAPES disponibilizar por duas ferramentas de busca e consulta informações sobre teses e dissertações defendidas nos programas de pós-graduação do país: 1. Resumos – relativos a teses e dissertações defendidas a partir de 1987. As informações são fornecidas diretamente à CAPES pelos programas de pós-graduação, que se responsabilizam pela veracidade dos dados; 2.Textos Completos – contêm a íntegra de teses e dissertações da área de História; conforme informação no site da CAPES, trata-se de projeto piloto nessa área. Essas ferramentas permitem a pesquisa por autor, título e palavras-chave. 120 1 3 1 5 FUCAPE 73 - 1 - 1 UNISINOS 49 - - - - FURB 76 - 6 - 6 UniFECAP 87 3 4 1 8 UERJ - - - - - UFRJ 39 - - - - UFC 43 3 - - 3 UNB 72 2 - 1 3 USP/RP 4 - - - - PUC/SP 86 1 4 1 6 UFSC 4 1 - - 1 4.3. Temáticas abordadas sobre auditoria UFPR - - - - - 653 11 18 4 33 No tocante às variáveis qualitativas, pode-se observar que as temáticas mais recorrentes foram riscos (32,61%), seguidas de questões diversas sobre auditoria e controle interno. Total Fonte: Cadernos de Avaliação da CAPES Triênio 2004-2006: Teses e Dissertações. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 12 - 21, out./dez. 2008 19 Pensar Contábil Robson Ramos de Oliveira CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Vânia Silva de Carvalho Quadro 3: Temáticas mais abordadas nas publicações Temáticas Abordadas Quant. Riscos 30 Questões diversas sobre Auditoria 10 Controle Interno (Área Pública) 9 Controle Interno 8 Planejamento, Procedimentos e Técnicas de 8 Auditoria Auditoria Interna e Externa 6 Auditoria Governamental 6 Fraudes 5 Auditoria em ambiente informatizado 3 Ensino de Auditoria 3 Relatórios de Auditoria (Governamental) 2 Pareceres de Auditoria 1 Auditoria Ambiental 1 Total 92 Fonte: Cadernos de Avaliação da CAPES Triênio 2004-2006: Produção Bibliográfica. Considerando que o mundo dos negócios se dá, em sua maioria, em ambientes virtuais, ainda é baixa a publicação sobre auditoria de sistemas, auditorias em ambientes informatizados, cybercrime, Continuous Auditing System, além de estudos de casos relatando experiências de empresas de auditoria e de Departamentos de Auditoria Interna de organizações. 5. Considerações Finais O objetivo da presente pesquisa foi efetuar um levantamento nos Cadernos de Indicadores da CAPES, no triênio 2004-2006, a fim de analisar a quantidade de trabalhos publicados pelos programas de mestrado e doutorado em Ciências Contábeis sobre auditoria, os seus autores, veículos de divulgação e as temáticas abordadas nessas publicações. No período, os treze programas analisados publicaram, conjuntamente, 3.280 trabalhos, dos quais 2,80% abordaram o tema auditoria. O programa da USP é o que apresenta o maior número de publicações em periódicos relacionados no Qualis; de um total de oito, cinco publicações se deram em periódicos de maior pontuação pela CAPES (NA), seguido do programa da FURB, com três publicações. A publicação em periódicos internacionais ainda é muito baixa, nenhuma em Auditoria. Pela Lei de Bradford, os periódicos mais relevantes foram a Revista Contabilidade & Finanças e UNB Contábil; já entre os anais, de um total de 58 publicações sobre auditoria, os mais relevantes foram: Congresso USP de Controladoria e Contabilidade (13) ENANPAD (8). Pela Lei de Lotka, 122 autores publicaram sobre auditoria. Os mais representativos foram: PEREIRA, A. C., docente da UniFECAP (São Paulo); CUNHA, P. R., discente do programa de mestrado da FURB (Santa Catarina); BEUREN, I. M., docente da FURB (Santa Catarina); HEIN, N., docente da FURB (Santa Catarina) e NETO, O. R. M., discente do programa de doutorado da USP (São Paulo). Foram defendidas 653 teses e dissertações. Desse montante, 33 tratavam de questões sobre o objeto de estudo. Quanto às variáveis qualitativas, observou-se que as temáticas mais recorrentes foram riscos (32,61%), seguidas de questões diversas sobre auditoria e controle interno. Dos achados da pesquisa pode-se concluir que a publicação dos programas de mestrado e doutorado sobre auditoria é baixa, possivelmente pela multiplicidade de assuntos e questões afetos à área contábil. Este trabalho apresenta limitações. A primeira remete à diversidade de leis e conceitos sobre bibliometria, inclusive focando aspectos quantitativos, que não puderam ser explorados. Outra limitação é que apenas foi analisado um período (triênio) e um tema (auditoria). Entretanto, futuros estudos abordando a aplicabilidade de leis e conceitos bibliométricos, além de estudos contemplando mais de um período e, ainda, categorizando as diversas temáticas tratadas pelos autores dos programas de mestrado e doutorado, podem contribuir para a difusão de pesquisas. Além disso, o desenvolvimento das bibliotecas digitais (CAPES e Programas) permite acesso a periódicos, teses e dissertações, comunicação com os autores via e-mail e publicações em anais de encontros e congressos, o que em períodos anteriores seria difícil de conseguir. Assim, espera-se que este estudo, entre outros já citados na introdução deste trabalho, possam despertar o interesse dos autores em realizar estudos bibliométricos nesta área de conhecimento. Referências ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: um curso moderno e completo. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003. ATTIE, William. Auditoria Interna. São Paulo: Atlas, 1992. BORBA, J.A.; COSTA, J. M.; LYRIO, M. V. L., 2005. Controle Gerencial: perfil metodológico de uma amostragem de publicações acadêmicas nas áreas de Administração e Contabilidade de 2000 a 2004. VIII SemeAd – FEA/USP, meio digital. BORBA, J.A.; MURCIA, F. D., 2006. 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ASSINE A REVISTA PENSAR CONTÁBIL Periodicidade: trimestral Valor da assinatura anual: R$ 16,00 Abrange 4 edições Veja formulário de assinatura no fim desta revista Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 12 - 21, out./dez. 2008 21 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Trabalho classificado em 3º lugar no IX Prêmio Contador Geraldo de La Rocque A Adoção das IFRS no Brasil e o Fortalecimento das Boas Práticas de Governança Corporativa Resumo O presente trabalho se propõe a responder a uma questão relevante para o ambiente corporativo da atualidade: a harmonização das normas contábeis, caracterizada pela adoção das IFRS, constitui ou não elemento determinante para o estabelecimento das boas práticas de Governança Corporativa nas companhias abertas? Na busca dos elementos de convicção que permitiram apontar as profundas relações entre o êxito da boa governança e a harmonização de normas contábeis, objetivo principal deste trabalho, foram também contemplados alguns propósitos secundários, tais como: o destaque da importância da contabilidade para a eficiência dos mercados financeiros; a caracterização dos requisitos desejáveis da informação contábil; a apresentação das instituições responsáveis pelas normas internacionais de contabilidade; a descrição do processo de integração da normatização contábil internacional; a caracterização da Governança Corporativa; a apresentação dos fundamentos da boa governança; o destaque da importância da Governança Corporativa para a formação do Novo Mercado no Brasil; e o registro do papel da harmonização contábil no processo da boa governança. O trabalho em tela abordará, do ponto de vista temporal, fatos e fenômenos de natureza institucional no âmbito da contabilidade e finanças que ocorreram nos últimos 20 anos, aproximadamente. Sob a óptica doutrinária, o trabalho se limitou à consulta de bibliografias nacionais redigidas em língua portuguesa. O trabalho se propõe a contribuir para enriquecer o debate acerca da harmonização e integração dos procedimentos contábeis, em virtude do inexorável processo de integração e formação de blocos econômicos que se manifesta em todo o mundo, em diferentes estágios e velocidades. As conclusões mais significativas obtidas foram as evidências de forte conexão entre as boas práticas de Governança Corporativa e os procedimentos de normalização contábil num processo de integração e convergência, de forma a permitir e viabilizar o accountability, o compliance e o disclosure que a boa governança exige para dar maior eficiência aos mercados financeiros. Palavras-chave: IFRS, Governança Corporativa, Harmonização Contábil. 1 2 Carlos José Guimarães Cova Rio de Janeiro – RJ Professor Associado 1 da UFF1 Coordenador do MBA em Finanças e Mercado de Capitais da UFF1 Doutor em Engenharia de Produção pela COPPE/UFRJ2 [email protected] Abstract This study aims to answer a question relevant to today’s corporate environment: the harmonization of accounting standards, characterized by the adoption of IFRS, are in it or not elements towards the establishment of good corporate governance practices of companies in the open? In search of the elements of conviction that helped sharpen the profound relations between the success of good governance and convergence of accounting standards, main objective of this work were also included some secondary purposes, such as: the emphasis of the importance of accounting for the efficiency of markets financial; characterization of the desirable requirements of accounting information, the presentation of the institutions responsible for international accounting standards; description of the process of integration of international accounting standardization; characterization of the Corporate Governance and the presentation of the foundations of good governance, the highlight of importance of Corporate Governance for the formation of the New Market in Brazil, and the record of the role of accounting in the process of good governance. The work will address a screen, from a time, facts and phenomena of an institutional nature in the area of accounting and finance that have occurred over the past 20 years or so. Under the doctrinal perspective, the work was limited to consultation of national bibliographies written English. The study aims to help launch lights and enrich the discussion about the integration of accounting procedures, as a result of the inexorable process of integration and formation of economic blocs which manifests itself in the world, in different stages and speeds. The findings revealed the most significant evidence of strong connection between good Corporate Governance practices and procedures for accounting standards in the process of integration and convergence, so as to allow and UFF – Universidade Federal Fluminense – CEP: 24.210-000 – Niterói – RJ. COPPE/UFRJ – Coordenação dos Programas de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro – CEP: 21.941-590 – Rio de Janeiro – RJ. Artigo recebido em 29/08/2008 e aceito em 10/10/2008. 22 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 22 - 30, out./dez. 2008 CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil A Adoção das IFRS no Brasil e o Fortalecimento das Boas Práticas de Governança Corporativa facilitate the accountability, compliance and disclosure that good governance requires to give greater efficiency to the financial markets. Key words: IFRS, Corporate Governance, Accounting Harmonization. Apresentação e Problematização O atual estágio da história da humanidade apresenta-se com uma dinâmica jamais imaginada pelo mais criativo dos visionários. O ritmo das mudanças tecnológicas impõe novas e impactantes transformações de caráter econômico, político e social. A escala dessas mudanças faz aflorar a suposição de que está havendo uma transição comparável à passagem da era nômade-pastoril para a era agrícola, quando então o homem se fixou nos primeiros núcleos urbanos da Mesopotâmia, há quatro ou cinco milênios. O conceito que tenta abrigar este conjunto de mudanças é subsumido pelo termo Globalização, que compreende múltiplas dimensões e sentidos, de tal forma que, às vezes, é pouco esclarecedora a referência a esta definição genérica, na tentativa de caracterizar este amplo movimento. O advento da tecnologia da informação e comunicação — TIC — também veio contribuir para esta plêiade de mudanças, tornando os fluxos informacionais muito mais rápidos e capilarizados, e ampliando de forma inimaginável a oferta de informações acerca de todos os campos do conhecimento e para múltiplos atores. Nesse sentido, a contabilidade enquanto instrumento de registro e avaliação de todos os atos e fatos de gestão, que impliquem mudanças na situação econômica das organizações, assumiu um papel preponderante no novo ambiente de mercado globalizado. Entrementes, alguns fatos vieram a evidenciar a importância do papel da contabilidade para a manutenção da eficiência dos mercados e da confiabilidade entre os atores que nele operam. O primeiro deles consistiu no surgimento de instrumentos financeiros inovadores, tais como os instrumentos derivativos, que a partir da década dos anos 70 foram se tornando cada vez mais presentes e sofisticados. Os derivativos compreendem os mercados a termo, os mercados de futuros, os mercados de opções e os swaps, e servem tanto para realizar operações que tenham por fim a redução do risco, ou prática de hedge, como também se prestam para a realização de operações destinadas a aumentar o grau de risco, também conhecidas por procedimentos de alavancagem. Como estes instrumentos têm o seu preço mudando a cada instante, em razão de serem referenciados ao preço de outros ativos (e por isso a designação de instrumento derivativo), eles se constituem em ativos ou passivos contingentes, e a elaboração de um simples balanço anual não consegue explicar corretamente a situação financeira de uma empresa que os possua. O segundo fato relevante foi a série de fraudes e ilícitos corporativos que ocorreram nos EUA, no fim dos anos 90. No cerne da questão estava o tratamento contábil dado às opções de compra de ações, as stock opitions, que eram dadas como parte da remuneração dos CEOs das empresas norte-americanas. Já em 1993, o Financial Accounting Standart Board (FASB), que é um órgão independente responsável pela formulação de normas contábeis, propunha uma 1 regra destinada a fazer com que as empresas arrolassem as stock options como despesas. Contudo, o Congresso dos EUA aprovou uma resolução que obrigou o FASB a recuar nessa proposta, alegando que tal medida acarretaria graves conseqüências para o empresariado e para a livre iniciativa. Não custa lembrar que as empresas, que eram contrárias às medidas propostas pelo FASB, foram as principais financiadoras das campanhas políticas dos congressistas. Com o emprego indiscriminado das stock opitions como forma de remuneração dos executivos, o sistema tinha um incentivo para aumentar o preço das ações no curto prazo, e não para aumentar o valor do patrimônio no longo prazo. A fragilidade dos demonstrativos contábeis permitiu a ocorrência de falsas transações, tais como o registro de receitas que não existiram efetivamente e a supressão de despesas incorridas, o que vinha a inflar de forma enganosa os lucros, o que, por sua vez, influenciava favoravelmente as expectativas dos investidores no mercado de capitais, provocando uma elevação no preço das ações. A contabilidade enganosa e os menores impostos sobre os ganhos de capital alimentaram uma bolha especulativa, da qual se beneficiaram fartamente muitos dos CEOs e gestores de fundos de investimentos, até que o colapso da situação irreal, materializado por meio de uma série de escândalos, transferisse o ônus para os pequenos acionistas e para a sociedade em geral. Os escândalos divulgados no início da década dos anos 2000, que envolveram organizações de grande importância nos ramos em que atuam, acabaram provocando uma mudança de postura na cultura das organizações. A busca da moralidade no ambiente das organizações passou a colocar a ética empresarial em voga. Alguns valores que anteriormente não eram objeto de uma atenção especial por parte dos empresários passaram a ser primordiais para a sobrevivência das organizações. Adquire cada vez mais força o entendimento de que os preceitos éticos devem nortear a conduta dos gestores nas empresas. Nesse sentido, a busca da boa Governança Corporativa constitui a evidência mais contundente da manifestação da ética no ambiente de negócios. Para a materialização dessa governança, o papel do profissional de contabilidade, bem como as normas que regulam os procedimentos contábeis e o exercício da profissão, é fator determinante. Conforme lembra Pereira1 (2003), a Governança Corporativa tornou-se uma condição indispensável para a estabilidade do ambiente econômico, na medida em que, de acordo com o IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), ela se traduz no sistema que assegura aos sócios-proprietários o governo estratégico da empresa e a efetiva monitoração da diretoria executiva. A relação que se estabelece entre a propriedade da empresa e sua gestão se efetiva por meio do Conselho de Administração, da auditoria independente e do Conselho Fiscal, que são os instrumentos fundamentais para o exercício do controle. A boa governança assegura aos sócios a eqüidade no trato de seus interesses, a transparência dos atos de gestão, acrescidas da prestação de contas e da responsabilização pelos resultados, que o estrangeirismo accountability subsu- Op. cit. p. 27. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 22 - 30, out./dez. 2008 23 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Carlos José Guimarães Cova me num só termo. Além disso, deve se pautar pela busca da conformidade e pela estrita obediência às leis do país, ações que caracterizam o termo compliance, também acolhido pela nossa doutrina contábil-financeira. Não obstante, o principal pilar da Governança Corporativa é representado pela eficiência e eficácia com que os sistemas de informações contábeis são capazes de transmitir os elementos formadores de convicção para a tomada de decisão nos diferentes níveis das organizações, bem como para dar a necessária transparência dos atos de gestão aos diversos agentes dos mercados financeiros, permitindo assim que o mercado forme os preços e promova a mais eficiente alocação dos recursos. Por sua vez, a normatização contábil e a harmonização das diversas normas num sistema que seja assimilável pela contabilidade em diversos países do mundo constituir-se-iam numa forma de assegurar uma leitura convergente dos procedimentos de gestão refletidos nos atos e fatos que produzem alterações no patrimônio das companhias abertas, reduzindo a possibilidade de distorções, erros, assimetrias de informações e fraudes. Nesse sentido, a Comissão de Valores Mobiliários brasileira (CVM), em 13 de julho de 2007, formalizou a exigência de que, a partir de 2010, as companhias abertas brasileiras deverão preparar suas demonstrações financeiras em conformidade com os Princípios Internacionais de Relatórios Financeiros (International Financial Reporting Standards, IFRS), adotados pelo Conselho dos Princípios de Contabilidade Internacional (International Accounting Standards Board). Tal imposição provavelmente vai se refletir no comportamento dos gestores e nas práticas de governança das empresas de capital aberto. Dessa forma, o problema que se apresenta à investigação nesta monografia é: a normatização contábil e sua harmonização constituem-se em elementos determinante para o estabelecimento das boas práticas de Governança Corporativa nas companhias abertas? A suposição que orienta a elaboração desta monografia é traduzida pela idéia de que a normatização contábil e sua harmonização constituem, de fato, elementos fundamentais para o estabelecimento das boas práticas de Governança Corporativa no âmbito das organizações empresariais que possuem ações nos mercados de capitais. A Integração Financeira Internacional como Processo Inexorável e a Necessidade de Adequação às Normas Internacionais Conforme nos ensina Schrickel2 (1997), um sistema de informações contábeis é bastante influenciado pelas condições macroeconômicas do país onde elas são geradas. Na medida em que estes países estão em diferentes estágios de desenvolvimento, também são diferentes as exigências de contabilização. Tais disparidades não foram muito sentidas até que a globalização disseminou a presença de empresas estrangeiras nos diversos países do mundo. Para melhor enfrentar a concorrência e manter a competitividade, as empresas transnacionais passaram a ter de elaborar um novo conjunto de demonstrações contábeis, baseadas em princípios 2 3 Op. cit. p.101 Op. cit. p. 43 24 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 22 - 30, out./dez. 2008 contábeis mundialmente aceitos. Para viabilizar tal exigência, foi criado em 1973 o Comitê Internacional de Procedimentos Contábeis (IASC – International Accounting Standards Committee), que então passou a desenvolver procedimentos que fossem aceitos internacionalmente. A evolução conceitual e as novas tecnologias determinaram que o IASC fosse sucedido pelo International Accounting Standards Board (IASB), ou Junta de Normas Internacionais de Contabilidade, que passou a ter os seguintes objetivos, segundo Perez Júnior3 (2005): desenvolver um conjunto único de normas contábeis, compreensível, transparente e de qualidade; promover o uso e a aplicação rigorosa das normas internacionais de contabilidade; provocar convergências de normas nacionais e internacionais. O IASB é um grêmio executivo formado por 14 membros de diversos países, o que lhe confere uma perspectiva de integração e convergência, sendo portanto um sistema bastante democrático de deliberação nestas questões de elevada complexidade técnica e conceitual. Com o avanço da integração financeira internacional ocorreu uma busca da uniformização da linguagem contábil, de tal maneira que foram constituídas normas aplicáveis em quase todas as economias desenvolvidas. De um modo geral, os dois métodos contábeis aplicados pelas maiores empresas do mundo são o IFRS/IAS, ou International Financial Reporting Standards, e o USGAAP, ou Generally Accepted Accounting Principles in the United States. Ainda hoje o padrão de normalização mais empregado é o USGAAP, em razão da forte presença de empresas norte-americanas nos mercados internacionais, haja vista que aproximadamente 40% das 100 maiores empresas transnacionais estão localizadas nos Estados Unidos. Além disso, o USGAAP também se beneficia da forte predominância do sistema fiscal norte-americano no resto do mundo. Não obstante, a despeito da forte presença das companhias dos EUA nos mercados globais, há uma sinalização no sentido de que o USGAAP possa vir a sofrer algumas alterações. Isto ocorre porque as principais economias do mundo, tais como a União Européia, o Japão, a Coréia do Sul, e até a China mais recentemente, passaram a aplicar as normas do IFRS/IAS para as suas empresas de capital aberto. O padrão de normalização abrigado pelo IFRS/IAS teve origem na Europa, e o processo de desenvolvimento de suas normas é resultado de uma ampla convergência de interesses dos diversos países num arranjo multilateral. Entrementes, a decisão final acerca de conteúdos de novas normas de IFRS/IAS, bem como de eventuais modificações substantivas em normas que já estão em vigor, passa pela instância colegiada do IASB. Especificamente com relação ao padrão USGAAP, a Securities Exchange Commission (SEC), órgão equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) brasileira, e o Financial Accounting Standards Board (FASB), que é a Junta de Padrões de Contabilidade Financeira dos EUA, são as instituições que possuem autoridade para estabelecer normas contábeis para as companhias abertas naquele país. Não obstante, uma vez CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil A Adoção das IFRS no Brasil e o Fortalecimento das Boas Práticas de Governança Corporativa que tanto a SEC quanto o FASB são instituições norte-americanas, é preciso compreender que suas ponderações e decisões deverão via de regra pautar os interesses das empresas norteamericanas, o que lhes retira o caráter de imparcialidade que seria esperado de uma agência de regulação internacional. O fato é que, atualmente, muitas empresas norte-americanas possuem atividades fora do território dos EUA, e, da mesma forma, uma grande quantidade de empresas não americanas utiliza o mercado financeiro daquele país (como é o caso do Brasil, que tem várias empresas operando no mercado norte-americano por intermédio dos American Depositary Receipts – ADR’s, que são títulos admitidos para a negociação nas bolsas de valores norte-americanas), o que ressalta a importância de buscar um padrão de normalização contábil mais abrangente. Por sua vez, a FASB e a IASB anunciaram, em outubro de 2002, a emissão de um memorando de entendimento, visando formalizar um compromisso de convergência das normas americanas e dos padrões internacionais de contabilidade. O principal objetivo desse arranjo consiste em permitir que as bolsas de valores internacionais passem a aceitar as demonstrações financeiras das empresas tanto sob o padrão USGAAP quanto de acordo com o IFRS/IAS, ou seja, de um lado, uma empresa que desejar listar suas ações no mercado de capitais dos EUA poderá apresentar à SEC suas demonstrações financeiras de acordo com as normas do IFRS/ IAS, e, da mesma forma, uma empresa norte-americana que pretenda operar na bolsa londrina pode apresentar suas demonstrações financeiras conforme o padrão USGAAP. É importante ressaltar que, em razão de suas qualidades operacionais, o USGAAP, ou United States Generally Accepted Accounting Principles, passou a ser uma referência para a padronização contábil internacional e, provavelmente, influenciou bastante os procedimentos de convergência para uma norma comum. Costa4 (2004) assinala que, a despeito das dificuldades que poderiam ser previsíveis nesse processo de integração, não apenas nos aspectos meramente técnicos, haja vista que a contabilidade não é uma ciência exata, mas também no plano político (curiosamente, apesar de o IASB estar sediado em Londres, os europeus continentais se queixam da predominância do pensamento anglo-saxão no seu escopo), o IASB tem assumido um papel relevante no contexto internacional, marcando sua atuação por meio de posições firmes que nem sempre agradam aos interesses constituídos, como, por exemplo, nos casos da contabilização do exercício de opções de ações como despesa das companhias emitentes, ou mesmo da avaliação dos derivativos, ou ainda com relação aos conceitos de valor justo (fair value) e de marcação a mercado. Em 2005 cerca de 92 países já adotavam as normas da IASB, entre eles, todos os 25 países da União Européia. Seguindo a tendência internacional, a Bovespa passou a exigir as demonstrações contábeis em USGAAP para as empresas listadas no Novo Mercado e no Nível 2 de Governança Corporativa. Destaca-se que as normas contábeis brasileiras já são hoje muito influenciadas pelas normas internacionais. Ademais, uma orientação normativa pautada nas normas inter4 5 nacionais, assimilando sua essência, pode trazer muitos benefícios para as empresas brasileiras, e, conseqüentemente, para a economia do país. As vantagens dessa medida decorrem do fato de que, além de proporcionar uma maior credibilidade para as companhias nacionais, o alinhamento com os padrões contábeis internacionais ampliará a compreensão e o nível de informação acerca das demonstrações financeiras dessas empresas, em todos os mercados financeiros. Tal circunstância ampliará o leque de possibilidades de captação de recursos, fato que reduziria o custo de capital e por sua vez proporcionaria maior liquidez e valorização das ações. Stirnberg5 registrou que a Comissão de Valores Mobiliários brasileira (CVM), em 13 de julho de 2007, formalizou a exigência de que, a partir de 2010, as companhias abertas brasileiras deverão elaborar as suas demonstrações financeiras em conformidade com os Princípios Internacionais de Relatórios Financeiros (International Financial Reporting Standards, IFRS), adotados pelo Conselho dos Princípios de Contabilidade Internacional (International Accounting Standards Board, IASB). Em novembro de 2007, a Comissão de Valores Mobiliários norte-americana (Securities and Exchange Commission, SEC) aprovou a adoção do IFRS como um padrão de contabilidade aceito nos Estados Unidos da América, fato que permitiu às companhias estrangeiras registradas na SEC utilizar o IFRS em vez dos princípios contábeis geralmente aceitos nos Estados Unidos, o US GAAP (ou reconciliação com este na elaboração de suas demonstrações financeiras). Hoje em dia, a grande maioria das companhias brasileiras tem se limitado a emitir valores mobiliários para investidores institucionais, por meio de colocações privadas (pelas regras 144A e Regulation S da SEC), nos mercados de capitais dos Estados Unidos e da União Européia, em vez de lançá-los publicamente e ao varejo nesses mercados. Em alguns casos, os valores mobiliários emitidos por empresas brasileiras no exterior são admitidos para negociação no EuroMTF, mercado não regulamentado da Bolsa de Luxemburgo, que evidencia uma relativa baixa liquidez e reduzido volume de transações. As principais razões que impedem o acesso aos mercados de capitais públicos dos Estados Unidos e da União Européia são: (i) o ônus na preparação pelas companhias brasileiras de suas demonstrações financeiras de acordo com o US GAAP/ IFRS, adicionalmente aos princípios de contabilidade geralmente aceitos no Brasil (Brazilian GAAP); (ii) As práticas mais rigorosas de governança corporativa, como aquelas previstas na Lei Sarbanes-Oxley; (iii) Uma crescente exposição à imputação de responsabilidades sobre a companhia e sua alta administração. Além disso, desde o dia 1º de julho de 2005, a União Européia requer, por meio da regra Prospectus Directive (Directive 2003/71/EC), que as emissões de valores mobiliários por companhias não-européias sejam aprovadas para emissão pública ou para negociação em mercado regulado no âmbito da sua regulação somente se: (i) Os documentos da emissão forem elaborados de acor- Op. cit. p. 2 O IFRS no Brasil: convergência para o padrão internacional traz novas oportunidades de captação no exterior. Por Tobias Stirnberg – Dezembro 2007 – Revista Capital Aberto. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 22 - 30, out./dez. 2008 25 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Carlos José Guimarães Cova do com os princípios internacionais estabelecidos pela Organização Internacional das Comissões de Valores Mobiliários (International Organization of Securities Commissions, IOSCO), incluindo o IFRS; e (ii) Os requisitos de divulgação de informações, incluindo informações de natureza financeira, forem equivalentes aos estabelecidos no Prospectus Directive. Atualmente, a União Européia está em processo de determinação de quais padrões contábeis serão considerados equivalentes. Segundo as recomendações atuais do Comitê de Reguladores Europeus de Valores Mobiliários (The Committee of European Securities Regulators, CESR), o US GAAP, o Canadian GAAP e o Japanese GAAP são considerados como equivalentes aos princípios aplicáveis à União Européia. Se o padrão contábil de determinado país não for compatível com o adotado pelo Prospectus Directive, as informações financeiras deverão ser reemitidas segundo o IFRS, conforme adotado pelo IASB. O Brazilian GAAP não é considerado equivalente ao modelo adotado segundo o Prospectus Directive, o que impõe um ônus às companhias brasileiras interessadas em acessar os mercados de capitais públicos da União Européia. A introdução e a adoção do IFRS no Brasil eliminarão esse ônus e poderão garantir acesso aos mercados mais líquidos da União Européia, como os das bolsas de Londres (LSE) e de Frankfurt (FSE), cujas regras de registro geralmente requerem o uso do IFRS. Os recentes eventos ocorridos no Brasil, nos Estados Unidos e na União Européia relacionados à utilização do IFRS poderão gerar benefícios significativos e oportunidades para as companhias brasileiras. Esses benefícios incluirão maior liquidez e, conseqüentemente, menor custo de capital, em virtude da combinação de uma base mais ampla de investidores com uma maior cobertura de analistas e maior variedade de opções de financiamento. A exigência de utilização do IFRS no Brasil pode retirar o obstáculo referente à questão do padrão contábil adotado e, portanto, garantir às companhias brasileiras um acesso mais fácil aos amplos mercados de capitais públicos dos Estados Unidos e da União Européia. Trata-se de uma boa oportunidade, sobretudo para as companhias que já estão adaptadas às mais rigorosas práticas de governança corporativa aplicáveis naqueles mercados. Stirnberg afirma que a administração de várias companhias brasileiras acredita que a adoção das regras de Governança Corporativa previstas na Sarbanes-Oxley é uma mensagem positiva aos investidores de que a administração da empresa tem aprimorado substancialmente seus controles internos e de revisão do comitê de auditoria (ou fiscal, conforme o caso). Nesse sentido, a Instrução CVM 457/07 estabelece que, a partir de 2010, as companhias abertas brasileiras deverão elaborar suas demonstrações financeiras de acordo com o IFRS. A mesma instrução já faculta às companhias abertas a adoção voluntária do uso desse padrão contábil. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) admite atualmente o IFRS na elaboração de balanços de companhias cujos va6 Op. cit. p.16 26 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 22 - 30, out./dez. 2008 lores mobiliários estejam listados no Novo Mercado. Ademais, para que a contabilidade no Brasil evidencie uma aderência efetiva às normas internacionais de contabilidade, faz-se necessário o ajuste no arcabouço legal. A necessidade de acompanhamento do processo de harmonização contábil no Brasil provocou a constituição de um Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que é composto por representantes das seguintes instituições: Abrasca; Bovespa; CFC; Fipecafi; CVM; Bacen; SRF; Ibracon; e Susep. Este comitê já está produzindo pronunciamentos a serem aprovados por estes órgãos reguladores, e, provavelmente, tenderá a ser a única fonte de emissão de documentos contábeis no Brasil, alinhados com o propósito de harmonização com as Normas Internacionais de Contabilidade emitidas pelo IASB. Não obstante, o excesso de órgãos normativos poderá também provocar algumas dissonâncias quanto à eficiência dos procedimentos. Como exemplo, o Bacen já determinou que a partir de 2010 as Instituições Financeiras deverão divulgar os seus balanços consolidados de acordo com as regras do IASB. Na mesma linha está a CVM, que promove audiência pública com vistas à elaboração de uma minuta de instrução normativa com o mesmo teor. É importante observar que as instituições ligadas ao Comitê de Pronunciamentos Contábeis, bem como o governo brasileiro, trabalham no sentido de que a contabilidade no Brasil fique completamente harmonizada com as regras internacionais. Para tanto, o seu trabalho é direcionado para que tal inovação conceitual seja aplicada diretamente nos balanços de cada empresa, ou seja, nos balanços primários e não apenas nos balanços consolidados. Impulsionadas pelas rápidas transformações econômicas, políticas e sociais que caracterizaram os últimos 30 anos, as inovações no campo da contabilidade promoveram também uma mudança de patamar no que concerne ao perfil do profissional de contabilidade que deverá lidar com estas questões. Será preciso rever com urgência os projetos pedagógicos e conseqüentemente as grades curriculares dos cursos de graduação e de pós-graduação em Ciências Contábeis, sob pena de não ser possível manter um nível de qualificação adequado às novas imposições do mercado. No Brasil, a necessidade de uma maior capacitação por parte dos contabilistas para cumprirem as exigências de adequação às normas internacionais manifesta-se pela lenta assimilação desses conceitos nas grades curriculares dos cursos de graduação. Apenas para efeito de exemplo, a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), por não ser obrigatória, não integra o cotidiano de boa parte dos contabilistas brasileiros. Nesse sentido, conforme registra Campos Filho6 (1999), a interferência da legislação fiscal nos sistemas de informações contábeis no Brasil é muito mais acentuada do que no restante do mundo. As informações obrigatórias, tais como o Balanço, a DRE e o DOAR, se prestam mais para atender ao fisco do que à gestão. Por sua vez, a DFC ao reclassificar a estrutura de contas em apenas quatro grupos (disponibilidades, operacional, investimentos e financiamentos), permite CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil A Adoção das IFRS no Brasil e o Fortalecimento das Boas Práticas de Governança Corporativa um rápido entendimento acerca do que está ocorrendo em termos de desajustes financeiros, e estimula a tomada de decisões financeiras corretas, sem que a real situação fique oculta por um lucro contábil num regime de competência. Estas e outras questões deveriam estar no topo da agenda dos debates, tanto acadêmicos quanto políticos. O país não pode mais prescindir de qualificação profissional para poder integrar o seleto time das economias desenvolvidas, e a capacidade de promover a harmonização das normas contábeis é um de seus pré-requisitos. Contudo, não se promove uma transformação substancial nos padrões contábeis sem que surjam muitas dúvidas acerca dos procedimentos de contabilização adequados, sobretudo aqueles que envolvam o fisco. Nesse sentido se pronuncia Yokoi7, quando lembra que a Lei 11.638, ao adaptar a contabilidade nacional aos princípios que norteiam o padrão internacional, modifica itens do balanço bastante sensíveis do ponto de vista tributário. Um exemplo emblemático é o uso do ágio pago em operações que envolvem combinações de empresas. Em uma aquisição, o ágio pago pelo comprador é amortizado ao longo dos anos conforme a rentabilidade do ativo adquirido vai sendo incorporada ao balanço. Ao entrar na demonstração de resultado como despesa, a parcela do ágio amortizada reduz a base do lucro tributável e se transforma em um benefício fiscal para o adquirente. Dessa forma, quanto maior for o ágio, maior o potencial de geração de créditos tributários pelo comprador. Pelas regras atuais da legislação, o ágio é a diferença entre o valor pago pelo ativo e o valor patrimonial pelo qual ele estava registrado no balanço. Do ponto de vista fiscal, isso pode representar uma boa notícia para o comprador. Como o valor patrimonial do ativo, não raro, está longe de representar o seu valor real, o ágio tem boas chances de atingir um montante atrativo para fins de abatimento de imposto. Não obstante, conforme a nova legislação, o ágio já não é a diferença em relação ao valor patrimonial contábil, mas sim ao valor do patrimônio calculado a preço de mercado, fato que, conforme o momento em que for apurado, pode reduzir o ágio substancialmente e, assim, diminuir a perspectiva de ganho fiscal. Outro ponto diz respeito às operações de leasing financeiro. De acordo com a antiga regra, lançava-se a depreciação do bem arrendado junto com a despesa do aluguel somente durante o período em que vigorasse o financiamento. Agora, a nova lei determina que o ativo arrendado seja incluído na conta de imobilizado, o que significa que sua depreciação passa a ser computada durante todo o período de vida útil do bem. Considerando-se que a depreciação é dedutível do imposto, tal procedimento pode ser interpretado no sentido de que o benefício fiscal ficará diluído por mais tempo. Para a Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) há o entendimento que não há nenhum efeito fiscal, em nenhuma situação, pois não há obrigação ou benefício tributários sem uma lei específica que os estabeleça, de forma que devem prevalecer os critérios antigos para apuração do Fisco e as novas determinações para efeito societário. 7 8 9 A Governança Corporativa e a Importância da Adequação às Normas Internacionais para o Estabelecimento do Novo Mercado no Brasil No âmbito da gestão financeira das organizações contemporâneas, emerge um conceito cada vez mais relevante para a sustentabilidade e geração de valor do negócio. Trata-se da Governança Corporativa, que, na sua acepção mais tradicional, segundo nos informa Barontini (2005)8, abrange a consideração de uma série de vertentes societárias, sobretudo aquelas que são conexas à dinâmica dos relacionamentos entre a propriedade da empresa e a administração, bem como às estratégias de tutela dos acionistas minoritários e ao nível de transparência e prestação de contas das práticas de gestão. A expressão é designada para abranger os assuntos relativos ao poder de controle e direção de uma empresa, bem como sobre as diferentes formas e esferas de seu exercício e os diversos interesses que, de alguma forma, estão ligados à vida das sociedades comerciais. Na teoria econômica tradicional, a Governança Corporativa surge para procurar superar o chamado “conflito de agência”, que se torna presente a partir do fenômeno da separação entre a propriedade e a gestão empresarial. De acordo com Zylbersztajn et alii. (2005)9, o “conflito de agência” é o núcleo da chamada teoria da agência, que considera a impossibilidade de serem desenhados contratos ótimos, em razão da existência de assimetria de informações, objetivos conflitantes e graus diferentes de aversão ao risco entre as partes contratantes, que são designadas por “principal” e “agente”. O “principal” titular da propriedade delegaria ao “agente” o poder de decisão sobre essa propriedade. A partir daí surgem os chamados conflitos de agência, pois os interesses daquele que administra a propriedade nem sempre estão alinhados com os de seu titular. Sob a perspectiva da teoria da agência, a preocupação maior consiste em criar mecanismos eficientes (sistemas de monitoramento e incentivos) para garantir que o comportamento dos executivos esteja alinhado com o interesse dos acionistas. A Governança Corporativa assumiu uma maior relevância na agenda de gestão em razão de fatos não muito louváveis, mas que tiveram o condão de depurar o ambiente corporativo de muitas mazelas e, sobretudo, apontar os limites que os gestores das organizações devem observar. Os escândalos empresariais que atingiram o mercado de capital nos últimos anos têm suscitado as mais variadas opiniões do público no que diz respeito à conduta de seus gestores. Não obstante, trata-se de uma conduta bastante antiga, pois há registros desse comportamento desde a aurora do capitalismo industrial, conforme podemos constatar da advertência feita por Adam Smith, em 1776, no sentido de que os diretores das empresas (de capital aberto) são administradores do dinheiro das outras pessoas e não do seu próprio, e não se poderia esperar que eles cuidassem dele com a mesma vigilância ansiosa (dos donos). Negligência e esbanjamento, portanto, sempre prevaleceriam, para mais ou para menos, na gestão das questões dessas empresas. Dilema contábil: nova lei vem cercada de dúvidas sobre os impactos fiscais das mudanças para adaptação ao modelo Internacional. Por Yuki Yokoi. Março 2008 Revista Capital Aberto. Op. cit. p. 20 Op. cit. p. 108 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 22 - 30, out./dez. 2008 27 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Carlos José Guimarães Cova Ocorre que nos dias atuais há uma forte percepção de que já não existe um equilíbrio de poder entre acionistas, diretoria e altos executivos de empresas que possuem um grande número de acionistas. Esse equilíbrio seria resultado da atuação de três influências: o custo do ativismo dos acionistas; o precedente legal; e a força política dos sindicatos dos trabalhadores. Quando a empresa é fundada, essas forças estão em equilíbrio, e não há grandes problemas. À medida que a empresa cresce, como conseqüência da dinâmica do mercado, surge a necessidade de mais capital. Os antigos acionistas, que podem ser denominados acionistas fundadores, cedem o controle, uma vez que preferem diversificar seus investimentos. Tal procedimento faz com que a base de acionistas se torne dispersa, gerando um distanciamento entre os diretores e os acionistas, de tal forma que estes últimos passam a ser considerados como pessoas não essenciais à gestão, ao dia-a-dia da empresa, ou seja, o papel que os acionistas anteriormente exerciam na empresa passa a ser cada vez menor. Ao mesmo tempo, para monitorar as decisões gerenciais tomadas pelos diretores, os acionistas percebem que este esforço não vale a pena, tendo em vista o retorno de seu investimento. Porém, com o desenvolvimento dos mercados de capital nas economias desenvolvidas, o advento desta fonte de financiamento e capitalização para as empresas passou a ser um imperativo para a sua permanência no jogo do mercado. Entrementes, os investidores passaram a ser mais seletivos nas suas escolhas, de tal forma que começaram a orientar e direcionar seus investimentos para as empresas que evidenciariam um melhor arcabouço de gestão numa visão de múltiplas dimensões, sobretudo aquelas atinentes ao tratamento dispensado aos minoritários e às ações de transparência e prestação de contas dos atos de gestão. Rosseti et alii. (2004)10 assinalam que a compreensão, a assimilação e o efetivo exercício da Governança Corporativa no âmbito da moderna gestão de empresas constituem um dos seus mais relevantes desafios, há pelo menos 18 anos. Estes mesmos autores registram que a expressão Governança Corporativa ainda é muito recente, tanto no ambiente empresarial quanto no meio acadêmico, pois só em 1991 foi empregada pela primeira vez. Em 1992 foi definido o primeiro código de melhores práticas de Governança Corporativa. Somente em 1995 é que foi editado o primeiro livro que continha esta designação — Corporate governance —, dos autores R. Monks e N. Minow. Apesar do fato da grande diversidade conceitual, existe um elenco bem definido de elementos-chave da Governança Corporativa, que são: os valores; o relacionamento entre as partes interessadas; os propósitos estratégicos; o poder; e a gestão. Com relação aos valores, existem quatro que se destacam como sustentáculos da boa governança, que são: fairness; disclosure; accountability; e compliance. O fairness representa o senso de justiça e eqüidade no tratamento dos acionistas, propondo o respeito aos direitos dos acionistas minoritários, tanto no aumento da riqueza corporativa e resultado das operações quanto na presença ativa em assembléias gerais. O 10 11 Op. cit. p.20 Op. cit. p.50 28 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 22 - 30, out./dez. 2008 disclosure busca a transparência das informações contábeis e de gestão, sobretudo aquelas que podem acarretar maiores riscos e impactos nos negócios. O accountability é um termo que subsume a prestação de contas e responsabilização a partir das melhores práticas contábeis e de auditoria. Por fim, o compliance representa a busca de conformidade no cumprimento das normas regulamentares contidas nos estatutos sociais e no arcabouço jurídico do país. O segundo elemento-chave da boa governança é o relacionamento entre as partes interessadas de forma a minimizar os conflitos de agência. Este tipo de conflito ocorre quando um agente principal (acionista) delega a um agente executor (diretoria executiva) as decisões que devem maximizar os resultados das operações da empresa, supostamente em benefício do acionista; mas um comportamento oportunista do executor eventualmente entra em conflito com o objetivo do agente principal. Como terceiro elemento-chave está o conjunto de propósitos estratégicos, que também envolvem estreita interação entre os acionistas, o Conselho de Administração e a Diretoria Executiva. Nas companhias que praticam a boa governança, as expectativas dos acionistas e as políticas básicas são definidas no plano corporativo, por entendimentos entre os acionistas e aqueles que os representam nos Conselhos de Administração. A partir desta convergência de pensamento é que são derivadas as diretrizes estratégicas para os negócios e para a gestão, desenvolvidas pela Diretoria Executiva, e apresentadas mais uma vez ao Conselho de Administração para homologação. O quarto elemento-chave da Governança Corporativa é o poder. Nesse sentido, existem três aspectos relevantes que envolvem a estrutura de poder: 1º – a clara definição dos papéis dos acionistas, do conselho e da direção, bem como do que cada uma destas partes espera das duas outras; 2º – a definição de regras de convivência que tornem o processo decisório num jogo em que ocorre pleno compartilhamento de posições e opiniões; 3º – um efetivo e negociado planejamento das sucessões no contexto corporativo, sem solução de continuidade que afete os interesses da empresa. Por último, o quinto elemento-chave da boa governança é representado pela gestão, cujos aspectos centrais dela são derivados. As práticas de gestão alinhadas com os princípios da Governança Corporativa abrigam três pontos centrais, ligados aos valores que a sustentam: a integridade ética, permeando todas as relações internas e externas; a combinação da integridade, da competência e do envolvimento construtivo no trato dos negócios; e a responsabilidade corporativa, que abrange um amplo rol de interesses, para os quais convergem os processos estratégicos de governança. Chamamos a atenção, mais uma vez, para a ética como requisito da boa governança. Adicionalmente, constatamos em Macey apud Damodaran (2004)11 que os sistemas de Governança Corporativa podem ter sua performance avaliada em três dimensões: a CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil A Adoção das IFRS no Brasil e o Fortalecimento das Boas Práticas de Governança Corporativa capacidade de restringir o poder da administração de obter benefícios privados; o acesso facilitado de empresas que desejam capital nos mercados financeiros; e a facilidade com que uma administração ineficiente é substituída. Conforme ensinam Galvão et alii. (2006)12, a Governança Corporativa no Brasil evidenciou um nítido marco temporal com a fundação do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), em 27 de novembro de 1995. O IBGC é uma sociedade civil sem fins lucrativos que tem o propósito de ser uma referência nacional em Governança Corporativa, desenvolvendo e difundindo os melhores conceitos e práticas, com vistas a contribuir para um melhor desempenho das organizações, e, por extensão, para uma sociedade mais justa e responsável. Outro avanço no campo da governança foi o lançamento, em 1999, do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa no Brasil, que tem sido periodicamente revisto e discutido, além de ter sido submetido a um processo de audiência pública, acolhendo sugestões de profissionais e entidades do mercado. De acordo com o IBGC, a adoção de práticas de boa governança permitirá que as sociedades obtenham os seguintes benefícios: aumento do seu valor; melhoria de desempenho; acesso ao capital a custos mais baixos; e perenidade. Além disso, a governança deve ser regida pelos seguintes princípios básicos: a transparência; a eqüidade; a prestação de contas; e a responsabilidade corporativa. A transparência será evidenciada na medida em que a organização cultivar e incentivar o desejo de informação. Nesse sentido, a boa comunicação interna e externa, não apenas aquelas restritas ao desempenho econômico-financeiro, mas todas as que digam respeito à ação empresarial e à criação de valor, se divulgadas de forma espontânea e célere, criam um clima de confiança tanto internamente quanto com relação a terceiros. Para a manifestação da eqüidade é necessário que a companhia dê um tratamento justo e igualitário a todos os grupos minoritários, sejam eles integrantes do capital (shareholders) ou das demais partes interessadas (stakeholders). Assim, atitudes ou políticas discriminatórias, sob qualquer pretexto, são inaceitáveis. O sentido da prestação de contas é equivalente ao conceito de accountability, da doutrina estrangeira, ou seja, os agentes que praticam a boa governança devem prestar contas de sua atuação a quem os elegeu, e devem responder pelos atos praticados no desempenho de seus mandatos. Por sua vez, a responsabilidade corporativa incorpora a idéia de que os conselheiros e executivos das corporações devem evidenciar uma visão de longo prazo e sustentabilidade, acolhendo considerações de caráter social e ambiental. Dessa forma, a responsabilidade corporativa amplia o escopo da estratégia empresarial, contemplando todos os relacionamentos com a comunidade onde a empresa atua. Uma vez que o ambiente de mercado assimilava estes conceitos e princípios de Governança Corporativa, as instituições que o representam também puderam se lançar em aperfeiçoamentos nesse campo. Assim, inspirada na bolsa de Frankfurt e com o objetivo de tornar mais interessante o mercado de capitais para o investidor brasileiro, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) criou, em dezembro de 2000, três níveis de Governança Corporativa, aos quais as empresas listadas na bolsa brasileira poderiam aderir, conforme as práticas de governança que estivessem dispostas a adotar. Estes distintos estágios de adesão às práticas de governança tipificariam os Níveis 1 e 2 e o chamado Novo Mercado. Assinala Fortuna (2005)13 que, para atingir este objetivo, a Bovespa consolidou estas premissas num regulamento que classifica as empresas em Níveis Diferenciados de Governança Corporativa (NDGC). Assim, o grau de compromisso assumido pela empresa em relação ao NDGC permite classificá-la como do Nível 1 ou do Nível 2, ou ainda, do Novo Mercado, que seria o estágio máximo. Também nessa mesma época a Bovespa passou a divulgar o Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC), composto por ações de empresas listadas nos Níveis 1 e 2 e no Novo Mercado. Em junho de 2001 começaram as primeiras adesões. As companhias que desejassem aderir aos níveis de governança deveriam assinar um contrato com a Bovespa comprometendo-se a adotar um conjunto de práticas diferenciadas de Governança Corporativa. Para uma empresa estar listada no Nível 1 de governança, é necessário que ela assuma compromissos perante os investidores referentes ao fornecimento de informações que auxiliem na avaliação do valor da empresa. Dessa forma, além das informações contidas nos relatórios de informações trimestrais (ITRs) e relatórios de informações anuais (IANs), que são encaminhadas por todas as empresas listadas em bolsas, as empresas listadas no Nível 1 devem fornecer as seguintes informações adicionais: demonstrações financeiras consolidadas; demonstração do fluxo de caixa; abertura da posição acionária para os acionistas que detiverem mais de 5% do capital votante; quantidade e características dos valores mobiliários de emissão da companhia detidos por diretores e membros do Conselho de Administração; quantidade de ações em circulação e sua proporção em relação ao capital total por tipo e classe. Para aderir ao Nível 2 de governança, é preciso que a empresa, além de cumprir todas as exigências requeridas para o Nível 1, divulgue suas demonstrações financeiras de acordo com os USGAAP e com os IAS GAAP (o USGAAP e o IAS GAAP são, respectivamente, Princípios Contábeis Norte-Americanos e Princípios Contábeis Internacionais). Para o cumprimento desse requisito a Bovespa concede um prazo de dois anos. Além disso, as empresas listadas nesse nível devem aderir à Câmara de Arbitragem para a resolução de conflitos societários e oferecer o benefício do Tag Along, que assegura a extensão das condições oferecidas aos acionistas controladores, no caso de venda do controle da companhia, aos demais acionistas minoritários. Com relação ao nível mais elevado, o Novo Mercado, Ferreira (2005)14 nos informa que se trata de um segmento de listagem destinado à negociação de ações emitidas por empresas que se comprometem, em caráter voluntário, com Op. cit. p. 276 Op. cit. p. 607 14 Op. cit. p.461 12 13 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 22 - 30, out./dez. 2008 29 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Carlos José Guimarães Cova a adoção de práticas de governança adicionais ao que se exige para a inclusão nos Níveis 1 e 2. Via de regra, tais práticas se referem aos seguintes aspectos: a adoção de regras societárias que equilibrem os direitos dos acionistas, a despeito de serem controladores ou investidores; ampliação do nível de disclosure; emissão exclusivamente de ações ordinárias; distribuição pública mínima de R$ 10 milhões; e existência de, no mínimo, 500 acionistas. Não obstante, é possível verificar em Rosseti et alii. (1994)15 que o controle exercido pela Governança Corporativa, via de regra por exigências externas à organização, é resultado da existência de padrões contábeis rigorosos na preparação das demonstrações contábeis das companhias que deverão evidenciar as suas situações patrimoniais e os resultados de suas operações. Tal circunstância viabiliza um dos mais importantes valores da boa governança, que é o accountability, ou prestação responsável de contas, de sorte que, nos mercados de capitais mais avançados quanto à absorção da Governança Corporativa, os padrões exigidos para as demonstrações financeiras seguem as normas internacionais de contabilidade. Conclusões Com base no que foi apresentado ao longo deste trabalho, foi possível demonstrar uma série de elementos de convicção, de tal forma que possamos responder ao questionamento argüido na introdução: as normas contábeis e sua harmonização constituem elementos determinantes para o estabelecimento das boas práticas de Governança Corporativa nas companhias abertas? A resposta a este questionamento é: sim, não é possível estabelecer o conjunto de medidas conhecido por boas práticas de governança, no ambiente das organizações, sem o suporte informacional requerido para que os principais fundamentos desta governança se tornem efetivos. Ademais, em virtude da crescente integração dos negócios e operações financeiras no mundo globalizado, o melhor acesso às fontes de capital apenas é possível se os agentes se comunicarem num padrão comum. Ademais, na medida em que as empresas operam numa economia globalizada, com filiais estabelecidas em vários países e continentes, a convergência e harmonização dos procedimentos contábeis, devidamente fundamentados nas normas, avulta em importância para tornar mais consistente e tempestivo o conjunto de informações geradas pelas demonstrações financeiras. Por fim, atingimos também os objetivos pretendidos inicialmente, pois os principais aspectos doutrinários acerca da Governança Corporativa, da normalização e da harmonização contábeis foram explorados e apresentados. Referências BARONTINI, Giovanni. A nova era da governança corporativa. in Revista Relação com Investidores nº 91. Rio de janeiro: IMF Editora Ltda., setembro de 2005. CAMPOS FILHO, Ademar. Demonstração dos fluxos de caixa: uma ferramenta indispensável para administrar sua empresa. São Paulo: Atlas, 1999. COSTA, Roberto Teixeira da. O Brasil e a harmonização das normas contábeis. in Revista Relação com Investidores nº 73. 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Políticas de governança corporativa, alto custo de implantação, culturas diferenciadas e regras de legislação societária são as principais dificuldades para a implementação e manutenção na certificação da SOX. Assim, por ainda gerar muitas dúvidas sobre as principais inovações implantadas por esta lei, principalmente no tocante à eficácia do controle interno e veracidade das informações contábeis, há a necessidade de um maior aprofundamento sobre o tema e uma ampla discussão da comunidade acadêmica brasileira. Palavras-chave: Auditoria, Controles e Lei Sarbanes-Oxley. Abstract Culminating in the July 30, 2002, after the world’s stock markets have been severely shaken with discoveries of accounting manipulations by companies highly conceptualized in the United States, the Sarbanes-Oxley has been a great tracking for the financial area of Brazilian companies that shed shares in the U.S. market. The disclosure of scandals and the ERON, Worldcom and Arthur Andersen occurring from the year of 2002 served to strengthen the market’s and the academy on the subject, making it a law to try to curb drastically the manipulation of accounting reports by imposing a new form of management in addition to a rigorous control of the proceedings. 1 2 Marlon Messias Peixoto de Souza Aracajú – SE Graduando em Ciências Contábeis pela Fanese1 [email protected] Mariana Dórea Figueiredo Aracajú – SE Mestranda em educação pela UFS2 Coordenadora e Professora do Curso de Ciências Contábeis da Fanese1 [email protected] Policies for corporate governance, high cost of implementation, different cultures and rules of corporate law are the main difficulties in implementing and maintaining the certification of SOX. Thus, even generate many questions about the key innovations implemented by this law, particularly regarding the effectiveness of internal controls and accuracy of accounting, there is a need for further study on the subject and a broad discussion of the Brazilian academic community. Key words: Auditing, control and Sarbanes-Oxley Act. 1. Introdução Nos últimos cinco anos, o mercado de capitais tem sofrido grandes alterações, principalmente o americano, que teve um impacto muito forte depois de descobertas de fraudes e manipulações contábeis em grandes empresas do país. Grandes companhias como Worldcom, Eron, Bristol-Myers Squibb e Tyco, que até então eram consideradas ícones em resultado, ética e excelência em processos, alertaram o mundo para uma face negativa de mundo contábil, especialmente quanto à segurança e veracidades das informações prestadas ao seu público. O mercado de capitais foi fortemente abalado, gerando uma desconfiança desproporcional sobre as ações lançadas na Bolsa de Nova York. O congresso norte-americano precisava tomar uma atitude rápida e inteligente para estancar a queda das bolsas e a fuga dos investimentos. Fanese – Faculdade de Administração e Negócios de Sergipe – CEP: 49.035-810 – Aracajú – SE. UFS – Universidade Federal de Sergipe – CEP: 49.100-000 – São Cristóvão – SE. Artigo recebido em 24/09/2008 e aceito em 29/10/2008. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 31 - 35, out./dez. 2008 31 Pensar Contábil Marlon Messias Peixoto de Souza CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Mariana Dórea Figueiredo Renovar a confiabilidade dos investidores era crucial naquele momento; caso isso não acontecesse, o mundo estaria diante de uma crise da magnitude da de 1929, também conhecida como “Crash de 1929 da Bolsa de Nova York”. Nesse contexto mundial, uma série de medidas regulatórias, como a Lei Sarbanes-Oxley, foi introduzida ao longo de 2002, tanto nos Estados Unidos quanto no resto do mundo, e inclusive no Brasil, com a elaboração da resolução 3.198/04 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que trata dos serviços prestados pela Auditoria Independente no país. Fonte: Servideo. Frederico A. Apresentação – Impactos da Lei Sarbanes Oxley de 2002. Latin América CACS. A Lei Sarbanes-Oxley Editada em 30.06.2001, a Lei Sarbanes-Oxley teve como objetivo principal a restauração do equilíbrio dos mercados por meio de mecanismos que assegurassem a responsabilidade da alta administração de uma empresa sobre a confiabilidade da informação por ela fornecida. Com implementação da SOX, o governo americano estaria apto a exercer o poder regulamentar sobre os agentes do mercado de capitais, dotado por uma estrutura legislativa apropriada. Depois de promulgada em 2002, pelo atual presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, verificou-se que houve um grande interesse pelos resultados proporcionado pela Lei em todo o mercado mundial. Vale ressaltar que grandes investidores apontam a SOX como a solução para o alto grau de vulnerabilidade das informações contábeis, e os empresários contemplam com preocupação o alto custo de sua implementação, enquanto renomados especialistas em investimentos acreditam que a Lei-Sarbanes seja o instrumento legislativo mais importante que o Congresso americano aprovou desde 1930. Renata Orphão (2003, p.135) analisa a Lei Sarbanes-Oxley da seguinte forma: A divulgação obrigatória de informações já faz parte da cultura americana e espera-se que com a edição da SOX, ao aumentar os padrões de divulgação de informações por parte das companhias, possa ser recuperada a confiança dos investidores. Após a regulamentação pela Securities and Exchange Commission – SEC, instituição equivalente à Comissão de Valores Mobiliários – CVM, do Brasil, a Lei Sarbanes-Oxley (SOX) promoveu uma ampla reforma nos relatórios financeiros e de governança corporativa das companhias america- 32 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 31 - 35, out./dez. 2008 nas e também dos emissores estrangeiros. Vários procedimentos intensificaram e aumentaram “consideravelmente” a responsabilidade dos executivos das empresas listadas no mercado de capitais americano. É importante lembrar que a Lei foi dividida em seções (equivalente a “artigos” no Brasil). As seções mais relevantes da SOX são: 100, 202, 203, 301, 302, 304, 402, 404, 406, 407 e 800/900. – Seção 100: estabelece a criação de um órgão de supervisão das firmas de auditoria independente, denominado Public Company Accountig Oversight Board – PCAOB, que atua conjuntamente com a Securities and Exchange Comission – SEC. Na verdade é um órgão subordinado à SEC, o qual tem como principal objetivo supervisionar os trabalhos dos auditores das companhias abertas, de forma que proteja os investimentos de terceiros e promova o interesse público na preparação dos relatórios de auditoria. – Seção 202/203: trata-se de um requerimento para divulgação dos serviços de auditoria prestados pelos auditores externos. Nessas seções há também a obrigatoriedade de rotatividade dos serviços prestados pelos auditores independentes, dando mais transparência e segurança às informações prestadas ao público externo. – Seção 301: impõe as normas e requerimentos para a constituição do Comitê de Auditoria e um canal de comunicação para receber e tratar os fatos relevantes . É mais uma ferramenta de segurança no processo de gestão e dos relatórios contábeis. Vale ressaltar que o Comitê de Auditoria tem total independência perante a administração da companhia, bem como poder e obrigação de expor aos acionistas e demais usuários informações com indícios de fraudes. – Seção 302: destinada ao controle interno e procedimentos de informações financeiras por divulgar. – Seção 303: é uma seção regulamentar que se dirige à conduta imprópria dos trabalhos de auditorias externas, e estabelece, inclusive, as questões penais, administrativa e cassação do direito profissional. – Seção 304: também regulatória, trata de ressarcimento de dividendos ou bônus nos caos especiais. – Seção 402: tem como principal função restringir empréstimos e linhas de crédito pessoais à Diretoria. – Seção 404: obriga os principais executivos da companhia a atestar a efetividade dos controles internos; essa seção está diretamente ligada à seção 302 acima citada. – Seção 406: implica a implantação de um código de ética que deixa de ser uma opção da companhia, passando a ser obrigatório o seguimento ao código e uma regular revisão. – Seção 800/900: impõe novas punições aos executivos, dentre as quais penas de prisão de até 20 anos e multas de até US$ 5 milhões para casos de fraudes. Para as empresas brasileiras, as seções mais importantes são a 302 e 404, que, conforme já mencionado, tratam de controles internos. A SOX tem como premissa: a boa governança corporativa e as práticas éticas do negócio passam de qualidades extras a exigências. É importantíssimo frisar que as normas regulamentadas pela SOX não afetam apenas as empresas norte-americanas ou as unidades dessas empresas em outros países. As empresas que têm suas ações CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil A Lei Sarbanes-Oxley e Sua Importância para as Companhias Abertas Brasileiras a partir do Ano de 2004 negociadas nos Estados Unidos passam a sofrer com os reflexos das mudanças proporcionadas pela Lei. No entanto, as responsabilidades criadas pela SOX são do interesse de todas as empresas que queiram se atualizar sobre práticas rigorosas que estão entrando em vigor nos EUA e que terão influência global. A SOX privilegia o controle interno e as formas mais adequadas de divulgação e emissão de relatórios financeiros, aumentando a transparência no mundo corporativo e contribuindo para o aumento da confiança nesse setor. Para Blanchet (2005, p. 201), alguns gerentes e administradores estão vendo a Lei Sarbanes-Oxley como uma grande oportunidade, pois está há anos tentando convencer a alta administração de suas empresas a implementar controles, exatamente nos moldes agora exigidos, e nunca receberam sinal verde sob o argumento de que faltava orçamento. Agora, esse é um gasto que não pode ser mais adiado. A seção 404, uma das mais importantes regras para certificação anual da SOX, impõe que o principal Executivo e o Diretor Financeiro devem declarar fortemente que estabeleceram, avaliaram e monitoraram a eficácia dos controles internos sobre relatórios financeiros e suas divulgações. Além disso, avalizarão se esses documentos foram elaborados em conformidade com as regras ditadas pela Lei Sarbane-Oxley e complementadas pela SEC e pelo Public Company Accounting Oversight Board – PCAOB, conselho constituído pela SOX para estabelecer normas e fiscalizar as auditorias independentes das empresas no mercado de capitais norte-americano. Os Impactos nas Empresas Brasileiras e no Mercado de Capitais Nacional Devido a fatores culturais, políticos e econômicos, a classe média brasileira ainda não confia no mercado de capitais. Como a solução para este problema não é fácil nem resolvível a curto prazo, o mercado de capitais externo é crucial e extremamente importante para as cerca de 40 companhias nacionais que operam na Bolsa de Nova York. Assim, a adaptação às novas regras da SOX se tornou um processo extremamente desgastante, mas salutar, para a saúde financeira dessas empresas. É importante expor que a legislação brasileira, apesar de já atender em boa parte aos requisitos da legislação americana, também sofreu alterações para se adequar às novas exigências da SOX, entre as quais podemos citar: a atuação do comitê de auditoria. O grande propósito da criação desse comitê é eliminar a possibilidade de convivência entre a empresa e a auditoria independente; sua atribuição é fornecer condições para que denúncias sobre fraudes relacionadas à auditoria e controles contábeis possam ser apresentadas sem risco para o denunciante. Uma vez apresentadas essas denúncias, elas deverão ser investigadas por esse comitê com total independência e imparcialidade frente à administração da companhia. A SOX instituiu que o Comitê de Auditoria passe a exercer funções consultivas e de recomendações. Embora não haja uma obrigatoriedade do Comitê de Auditoria no Brasil, a CVM obteve da SEC autorização para que o Conselho Fiscal das entidades atue como Comitê de Auditoria, também chamado de “Conselho Fiscal Turbinado”: Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 31 - 35, out./dez. 2008 Segundo Borgerth, (2005, pág. 41) recentes pesquisas apontam que 40% das empresas brasileiras em certificação da SOX optaram por institui um Comitê dissociado do Conselho Fiscal, dentre elas podemos citar: Braskem, Petrobras e Vale do Rio Doce. Outro fator que até então não era legislativamente imposto às companhias brasileiras foi a seção 404 da Sarbanes-Oxley, que trata da certificação relacionada a controles internos e em que se impõe ao presidente da empresa e ao diretor financeiro assinar uma declaração atestando que todas as informações fornecidas pela instituição são fidedignas e que os controles internos para a geração dessas informações são eficientes. É importante lembrar que essa certificação compromete penalmente e pode resultar em até 20 anos de prisão caso não haja comprovação das informações ou declaradas inverídicas. O código de ética, que apesar de não de ser obrigatório pela legislação brasileira, e tão pouco divulgado internamente, existe em muitas companhias nacionais. A Sarbanes-Oxley tratou do tema de forma muito coerente, impôs obrigatoriamente o código e estabeleceu que a companhia deve divulgar amplamente o código de ética para seus conselheiros, diretores e empregados. No Brasil, a Petrobras realizou um trabalho muito forte de divulgação do seu código de ética, alertando a todos os seus colaboradores para a necessidade e a importância das regras morais delineadas pelos diretores da companhia, buscando sempre a conformidade estabelecida para a certificação da SOX. Procedimentos da Lei Sarbanes-Oxley Os procedimentos da Lei podem ser divididos em Controles Internos, Controles Administrativos, Controles de Auditoria e Controles de Risco. Segundo Peters (2004, pág. 35), “Controle Interno é um processo executado pela Diretoria, pelo Conselho de Administração ou por outras pessoas da companhia que impulsionam o sucesso dos negócios em três categorias”: Eficácia e eficiência das operações; Confiabilidade dos relatórios financeiros; e Obediência às leis e regulamentos aplicáveis. Apesar de grande parte das empresas de capital aberto possuir um sistema de controle interno, em muitas não há vínculo entre os funcionários de atividades de controle e os que tomam as decisões estratégicas de governança. Além da criação de vínculo entre as atividades de controle e governança, é necessário que sejam implantadas estruturas adequadas de controle, suportadas por processos de certificação e bases de dados de riscos e controles. Pode-se citar como exemplo o COSO (Committee Of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission), criado em 1992, para indicar práticas de controle interno, e o COBIT (Control Objectives for Information and Related Technology), que é um modelo de estrutura de controles internos para Tecnologia da Informação (TI), orientado para o entendimento e o gerenciamento dos riscos associados, além de assegurar a integridade da informação e dos sistemas de informação. O COSO é composto pelos principais órgãos de Contabilidade e Controle dos EUA: 33 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Marlon Messias Peixoto de Souza Mariana Dórea Figueiredo – Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados (AICPA); – Associação Americana de Contabilidade (AAA); – Instituto dos Auditores Internos (IIA); – Instituto de Contadores Gerenciais (IMA); e – Instituto dos Executivos Financeiros (FEI). Componentes do COSO O COSO recomenda também que a avaliação do processo de controle interno deve ser pontual ao longo do tempo, podendo ser mensal, trimestral ou anual. O modelo estabelece ainda que um sistema de controle interno deve conter cinco componentes inter-relacionados: – Ambiente de Controle: aspectos relacionados a cultura, integridade, valores éticos, filosofia, caracterizando-se como base para os demais componentes. – Avaliação de Riscos: identificação e análise dos riscos relevantes que comprometam o atendimento dos objetivos da Companhia. – Atividade de Controle: controles para assegurar que as diretrizes e os objetivos estejam sendo observados nas atividades executadas pelos colaboradores nos processos. – Informação e Comunicação: práticas utilizadas para capturar e comunicar as informações pertinentes, em formato e prazo, que possibilitem a execução das responsabilidades dos colaboradores. – Monitoramento: avaliação da qualidade e a atualização dos controles no tempo. Processo de Implantação As regras impostas pela SEC para o cumprimento da SOX são complexas. Dessa forma, as empresas têm de adequar seus sistemas às exigências da Lei. Essa implantação se torna demorada e onerosa. Progresso no tempo... Objetivo ALTA COMPLEXIDADE BAIXA 2002/2003 2004 2005/2006 Tempo até a data efetiva Esforço para a implantação Fonte: Deloitte. Para a Deloitte (2001), há alguns fatores atenuantes para a complexidade do processo de implantação da SOX nas empresas: 34 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 31 - 35, out./dez. 2008 – Normalmente, todas as companhias de capital aberto já possuem alguma estrutura de controles internos, ainda que de maneira informal e não suficientemente documentada. – Muitas companhias poderão adaptar os processos já existentes para cumprir as medidas de controles internos determinadas pela SOX. – A construção de uma forte estrutura de controles internos para atender às exigências da SOX pode promover benefícios que extrapolam o cumprimento das regras. Na verdade, o potencial para revisar e concretizar novas visões corporativas e atingir novos níveis de excelência corporativa é inesgotável. Uma das preocupações-chave da comunidade empresarial a respeito da seção 404 é o custo de implantação. A revista The Economist publicou em 19 de maio de 2005 um artigo intitulado “A price worth paying?”, no qual é criticada a relação custo X benefício da implantação da SOX. De acordo com o artigo: “Os custos (de implantação da SOX) são tangíveis, quantificáveis e imediatos, enquanto muitos dos benefícios são intangíveis, mais difíceis de ser quantificados e de longo prazo”. Os gastos relativos com consultoria, melhoria nos sistemas, reformulação de processos, entre outros, realmente são bastantes elevados, mas é importante lembrar que o custo-benefício não é exatamente quantificado a longo prazo, como demonstra a revista The Economist em sua publicação acima descrita. A Petrobras investiu forte em novos desenhos de processos, e isso assegurou uma maximização do fluxo nas informações contábeis e uma maior segurança das operações financeiras. Um dos fatores mais exigidos pela SOX da companhia brasileira foi a implantação de um sistema eletrônico de liberação de pagamentos, que apesar do seu alto custo de implantação vem agregando valor à empresa, propiciando um alto nível de segurança nos processos de desembolso financeiro. Apreciações Conclusivas A SOX hoje se tornou fundamental para grandes corporações em todo o mundo, não só pelo que representa quanto à segurança das informações contábeis, mas pelo muito que efetivamente vem contribuindo para a gestão dessas instituições. Apesar do seu alto custo e complexidade na implantação, o ambiente externo favorece, e muito, efeitos positivos que a médio e longo prazo a Lei tende a trazer. A sociedade, e principalmente a comunidade acadêmica, precisa entender que a mudança é inevitável, que estabelecer novas regras, inclusive comerciais, como é o caso da SOX, é extremamente importante para segurança do mercado. Grandes empresas de todo o mundo viveram e ainda vivem de aparência, mas são totalmente “ocas” em sua real conjuntura patrimonial, além de serem acobertadas por profissionais “inescrupulosos”, imunes a penalidades. Rigor na fiscalização, imposição de penalidades severas e uma divulgação ampla da ética empresarial e da boa prática de gestão corporativa são atribuições inerentes às regras estabelecidas Lei Sarbanes-Oxley. É bem verdade que, com o tempo, a relação custo-benefício provavelmente será mais favorável, uma vez que parte dos custos incorridos na implantação não será recorrente. Todavia, atualmente essa relação é extremamente desfavorável. CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil A Lei Sarbanes-Oxley e Sua Importância para as Companhias Abertas Brasileiras a partir do Ano de 2004 Referências A Lei das Conseqüências não intencionais. Avaliando os custos, benefícios e resultados da Lei Sarbanes-Oxley. Disponível em: <http://www.isaca.org.br. >. Acesso em: 07 Out. 2007. BORGERTH, Vânia M. SOX: Entendendo a Lei Sarbanes-Oxley. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração e Economia do IBMEC, Dezembro/2005. ISACA - IT Control Objectives for Sarbanes-Oxley. Disponível em: <http://www.isaca.org/sox>. Acesso em :19 dez. 2006. Lei Sarbanes-Oxley – Guia para melhorar a governança corporativa através de eficazes controles internos, elaborado pela Deloitte em outubro de 2003. PETERS, Marcos R. S. Controladoria Internacional – Incluindo: Sarbanes Oxley Act e USGAAP. Novembro/2004. PETROBRAS.Governança Corporativa<http://www2.Petrobras.com.br/ri/port/GovernancaCorporativa/Padroes Requeridos.asp>. Acesso em:12 Out. 2007 ORPHAO, Renata S. Direito e transparência na divulgação das informações: a regulamentação brasileira versus a americana (Lei Sarbanes Oxley). TextoNovo, 2003. SERVIDEO, Frederico A. CISA. Apresentação sobre impactos da Lei Sarbanes Oxley de 2002 – Latin América CACS. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 31 - 35, out./dez. 2008 35 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Evidenciação Contábil nos Municípios Mineiros: Atendimento ao Artigo 48 da Lei de Responsabilidade Fiscal Resumo Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa que visou avaliar se os municípios mineiros utilizam a internet, reconhecidamente um dos principais meios de comunicação existentes, para evidenciar as informações solicitadas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Trata-se de uma pesquisa quantitativa com base em dados secundários coletados na internet. A pesquisa foi realizada no sítio de cada um dos 85 municípios mineiros, que foram selecionados para a amostra aleatoriamente. Destaca-se que os municípios foram segregados por mesorregião. Constatou-se que a maior parte dos municípios mineiros não possui sítio próprio na internet. Entretanto, averiguou-se que 26,32% destes municípios utilizam os serviços da empresa Administração Pública para Municípios Ltda. (ADPM), no intuito de evidenciar suas informações financeiras. Nenhum dos municípios contidos na amostra divulgou todas as informações requeridas pela LRF em seus sítios. O Relatório Resumido de Execução Orçamentária foi a informação mais divulgada pelos municípios (30,94% dos sítios pesquisados), e os municípios que mais informações divulgaram foram os da mesorregião Sul e Sudoeste de Minas. Por outro lado, os municípios pesquisados da mesorregião Oeste de Minas não apresentaram nenhuma das informações pesquisadas em seus sítios. Concluiu-se que os municípios mineiros subutilizam a internet para evidenciar as informações financeiras. Ademais, observou-se uma grande diferença entre as informações evidenciadas por diferentes mesorregiões. Acredita-se que a questão econômica seja um dos principais fatores que levam a essa discrepância. Palavras-chave: Lei de Responsabilidade Fiscal; Evidenciação; Transparência na Gestão Pública. Abstract This article presents the results of a research that aimed at verifying if cities located in the State of Minas Gerais are using the Internet as a means of disclosing financial information. This is recognized as one of the most important ways to communicate the financial information required by the federal law that 1 Antônio Artur de Souza Belo Horizonte – MG Mestre em Engenharia de Produção , Ph.D. em Administração pela UFMG1 [email protected] Terence Quadro I - Empresas Boina Selecionadas para Análise Belo Horizonte – MG Graduando em Ciências Contábeis pela UFMG1 [email protected] Ewerton Alex Avelar Belo Horizonte – MG Graduando em Ciências Contábeis pela UFMG1 [email protected] Pedro Lúcio Rodrigues Gomide Belo Horizonte – MG Graduando em Ciências Contábeis pela UFMG1 [email protected] defines the financial disclosure requirements (LRF), a law aimed at enforcing government accountability and transparency in management. The research was quantitative and based on secondary data collected from the internet. The research was carried out in the webpage of 85 cities randomly selected from a total of 850 cities located in this state. The sample was stratified according to the 12 state regions. It was possible to conclude that most of the cities do not have a proper webpage. However, it was verified that 26.32% of these cities use the services of a private company called Public Administration for Cities (ADPM) in order to publish their financial information. None of the studied cities disclose in their webpages all the information required by the LRF law. The “Summarized Report of Budgetary Execution” is disclosed by 30.94% of the cities, and it is the most common information available. The cities UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais – CEP: 31.270-901 – Belo Horizonte – MG. Artigo recebido em 30/09/2008 e aceito em 29/10/2008. 36 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 36 - 43, out./dez. 2008 CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil Evidenciação Contábil nos Municípios Mineiros: Atendimento ao Artigo 48 da Lei de Responsabilidade Fiscal located in the South and Southwestern regions are the ones which presented a more complete disclosure. Conversely, cities located in the West region do not present any information. One can say that the cities located in Minas Gerais State are under using the internet as a means to disclose the financial information required by the LRF law. Moreover, it can be concluded that there are significant differences among the cities from the different regions in terms of the disclosed information. It is possible to say that that the economic situation is one of the main factors that influence this discrepancy. Key words: Financial Statements; Disclosure; Government Accountability. 1. Introdução A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), aprovada em 2 de maio de 2000, foi uma peça fundamental na imposição de disciplina fiscal mais abrangente em todos os níveis de Governo e nos três Poderes, consolidando vários elementos fundamentais em matéria de gestão responsável das finanças públicas (CAMPOS, 2005). Porém destaca-se que a estrutura básica legal sobre regras de finanças públicas no Brasil é apresentada pela Lei n. 4.320/64, que estabelece normas gerais para a preparação, a execução, a contabilização e a apresentação orçamentária para as três esferas de governo – federal, estadual e municipal, bem como para empresas estatais (ANDRADE, 2007; SLOMSKI, 2000). A LRF não só representou uma mudança na transparência da gestão fiscal do país, mas também introduziu regras mais severas para a elaboração e a evidenciação de relatórios financeiros e a troca de informações entre as diferentes esferas de governo e entre elas e a sociedade em geral (TOLENTINO et al., 2002). Tais mudanças também passaram a demandar maior capacidade de monitoramento do governo federal e do Poder Legislativo (fundamentalmente por meio dos tribunais de contas) para verificar o cumprimento dessas normas. Nesse sentido, principalmente a publicação das informações financeiras parece ser fundamental para o cumprimento dos dispositivos na LRF, notadamente o que está disciplinado em seu artigo 48. Este artigo disciplina basicamente sobre a publicação em meio eletrônico das informações financeiras de cada um dos entes federados brasileiros, no intuito de permitir à sociedade o acompanhamento das ações governamentais, tal como destacado por Andrade (2007, p. 21): Verifica-se, ainda, a determinação pela Constituição Federal de 1988, assim como da LC nº 101/00, para que se publiquem resumos da execução financeira e orçamentária, além de exigir acesso público dos demonstrativos e documentos, inclusive pela internet, forçando a prestação de contas mediante a verificação pelo contribuinte da legitimidade destes atos e fatos. Tendo em vista a globalização, pode-se dizer que a internet é um dos principais meios de comunicação da atualidade. Assim, este meio eletrônico pode ser concebido como uma poderosa ferramenta de transparência para a gestão pública. Neste sentido, o problema da pesquisa cujos resultados são apresentados e discutidos neste trabalho apresenta-se da seguinte forma: após aproximadamente oito anos da publicação da LRF, quantas cidades mineiras divulgam pela internet, que é o principal meio eletrônico de divulgação, as informações discriminadas no artigo 48 da LRF? Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 36 - 43, out./dez. 2008 Assim, este trabalho visa apresentar os resultados de uma pesquisa quantitativa com base em dados secundários coletados na internet. Para a realização da pesquisa, utilizouse uma amostra estatisticamente significativa da população estudada (municípios do Estado de Minas Gerais). Os dados foram tabulados e analisados com o apoio do software Microsoft® Excel. Destaca-se a realização de outros estudos com propósitos semelhantes, tais como Sacramento e Pinho (2007), Culau e Fortis (2006), Silva (2005), Bernardo e Zimbalde (2005) e Gomes (2004). Todos os referidos estudos abordaram a influência da LRF sobre a transparência da gestão pública, sendo que os dois últimos enfocaram primordialmente o papel da internet neste contexto. Este trabalho é dividido em seis seções, contando com esta introdução. Nas seções 2 e 3, são apresentados conceitos importantes sobre a divulgação de informações financeiras para o adequado entendimento deste artigo. Por sua vez, na seção 4, é descrita a metodologia utilizada no desenvolvimento da pesquisa. Seguem-se, na seção 5, a apresentação dos resultados e sua discussão. Por fim, na seção 6, apresentam-se as conclusões deste estudo. 2. Divulgação de Informações Financeiras na Contabilidade Governamental De acordo com Moscove et al. (2002), a função Contabilidade é normalmente fundamental para o sucesso da operação dos negócios modernos. Para esses autores, a Contabilidade fornece informações relevantes a diversos usuários internos e externos às entidades sobre planejamento, tomada de decisão e controle. Weygandt et al. (2006), por sua vez, definem a Contabilidade como um processo composto de três atividades: identificação, registro e comunicação dos eventos econômicos de uma entidade, pública ou privada, aos usuários da informação. Em relação à atividade de identificação, deve-se compreendê-la como a seleção dos fatos econômicos que são inerentes à atividade de determinada organização, sendo passíveis de mensuração. Uma vez identificados e quantificados os eventos, desde que alterem a posição patrimonial de uma entidade (bens, direitos e obrigações), os fatos econômicos são registrados, visando fornecer, de forma geral, um histórico permanente das atividades financeiras da organização (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 1999). A partir da identificação e do registro dos eventos econômicos, é possível comunicar a informação contábil/financeira aos usuários interessados. Tal comunicação usualmente ocorre por intermédio da elaboração e da distribuição dos relatórios contábeis, mais comumente denominados demonstrações financeiras (WEYGANDT et al., 2006). Stickney e Weil (2001), por sua vez, definem Contabilidade como um sistema que apresenta informações referentes a uma entidade específica, sendo que essa informação é apresentada em termos financeiros, e somente é incluída nas demonstrações financeiras quando o contador pode medi-la com razoável precisão. Esses autores destacam que o Instituto Americano dos Contadores Públicos (American Institute of Public Accountants – AICPA), por seu turno, conceitua a Contabilidade como uma atividade cuja função é fornecer informações quantitativas — principalmente de caráter financeiro e que auxilie na tomada de decisões — a respeito de entidades econômicas. 37 Pensar Contábil Antônio Artur de Souza CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Terence Boina Ewerton Alex Avelar Pedro Lúcio Rodrigues Gomide Percebe-se que o conceito de Contabilidade está estreitamente ligado à sua função básica: gerar informações para usuários internos e externos às entidades. Essas informações, por seu turno, geralmente auxiliam os gestores no processo de tomada de decisão, uma vez que possibilitam o planejamento e o controle dos resultados auferidos. Ademais, verifica-se que as demonstrações financeiras são bastante destacadas pelos autores como um dos principais meios de divulgação de informações sobre as entidades (MATARAZZO, 2003). No que tange à Contabilidade Governamental, foco do presente trabalho, a divulgação de informações financeiras também é requisitada pela legislação brasileira, visando, entre outros objetivos, manter a transparência na administração pública. A Lei 4.320/64, que disciplina a elaboração e o controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, estabelece quatro demonstrativos financeiras a serem elaborados e publicados periodicamente pelos entes federados: Balanço Patrimonial, Balanço Financeiro, Balanço Orçamentário e Demonstração das Variações Patrimoniais (BRASIL, 1964). Diversos outros dispositivos legais posteriores à Lei 4.320/64 visaram aumentar o grau de transparência das ações do poder público, tais como a Lei Complementar 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF), destacada na seção seguinte deste trabalho. Essas tentativas de melhorar a transparência da administração pública, por meio da evidenciação das informações financeiras, estão em consonância com o objetivo da Contabilidade Governamental. Neste sentido, Andrade (2007) e Da Silva (2002) afirmam que o objetivo da Contabilidade Governamental não é somente proporcionar o registro e o acompanhamento permanente da situação da entidade, mas fornecer subsídios para a tomada de decisão relacionada ao patrimônio da entidade. Uma poderosa ferramenta que permitiria ampla divulgação das informações financeiras das entidades públicas é a internet. Destaca-se que as sociedades anônimas (mais especificamente as de capital aberto) são obrigadas por entidades reguladoras, entre as quais se destaca a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a publicar periodicamente suas demonstrações financeiras na internet (www.cvm.org.br). Outro exemplo é o da Superintendência de Seguros Privados (Susep), que coleta dados das seguradoras e entidades de previdência complementar aberta e divulga em seu sítio na internet (www.susep.org. br). Tais imposições visam, dentre outros objetivos, aumentar a evidenciação de aspectos relevantes das entidades, tais como suas situações patrimoniais. Assim, a utilização da internet como ferramenta para aumentar a transparência das informações financeiras parece ir ao encontro das aspirações de seus usuários. Neto et al. (2006) destacam a internet como potencial meio para fortalecer a ligação entre o governo e os cidadãos. Esses autores também apresentam algumas iniciativas pioneiras para fomentar a transparência da gestão pública, especialmente dos municípios, por meio da disponibilização das informações financeiras, tais como a Lei 9.775/98 que criou o sítio www. contaspublicas.gov.br, e o sítio criado pela Controladoria Geral da União em 1994, www.portaldatransparencia.gov.br. Ambas, de modo geral, objetivam demonstrar à sociedade como 38 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 36 - 43, out./dez. 2008 a gestão pública está arrecadando e aplicando os recursos governamentais para atender aos anseios da população. Destaca-se que há alguns estudos sobre o uso da internet na gestão pública, tais como Silva (2005) e Sacramento e Pinho (2007). Silva (2005) estudou como essas novas tecnologias da informação e comunicação estariam, de fato, possibilitando maior participação democrática nas cidades contemporâneas. O autor destaca que o governo usualmente ainda subutiliza os recursos tecnológicos à sua disposição, que poderiam permitir maior acesso dos cidadãos às informações relacionadas à gestão pública. Por sua vez, Sacramento e Pinho (2007) avaliaram a transparência na administração pública e a participação dos populares neste processo. Para tanto, os autores realizaram sete estudos de casos em municípios da região metropolitana de Salvador. Os autores concluíram que, apesar de algumas melhorias a partir do ano 2000, a transparência na gestão pública ainda é incipiente. Ressalta-se que, em seu trabalho, Sacramento e Pinho (2007) utilizaram como referência o ano 2000, pois, nesse ano, entrou em vigor a Lei Complementar 101/00 (LRF). Esta lei é considerada por muitos autores, tais como Tolentino et al. (2002), como um marco histórico na gestão fiscal brasileira, principalmente no que tange à transparência da gestão pública por meio da evidenciação das informações contábeis. 3. As Informações Financeiras como Instrumento de Transparência na Gestão Pública A LRF foi editada em 4 de maio de 2000, decorrente de imposição da Emenda Constitucional de n.º 19 de 4 de junho de 1998, que determinou o prazo máximo de 180 dias para apresentação de Projeto de Lei regulamentando o disposto na Constituição Federal de 1988 (CF/88), art. 165, § 9.º, incisos I e II, fundamentados em seus artigos 163 a 169 (BRASIL, 1988). Ressalta-se que, segundo Campos (2005), a LRF foi apresentada como um instrumento para conter os déficits públicos e o endividamento crescente das unidades da federação. Entretanto, a LRF não se restringe apenas à imposição de limites aos gastos e ao endividamento, uma vez que também contempla as normas para o registro das informações financeiras. Ademais, a LRF estabelece diretrizes para a elaboração, execução, avaliação e divulgação dos relatórios contábeis para o público em geral, o que a torna o instrumento de controle fiscal mais abrangente já instituído no país (GIUBERT, 2005). No caso da divulgação de informações de prestação de contas (accountability) ao público em geral, Alesina e Perotti (1996) e Puttomatti (2002) ressaltam que a transparência na elaboração e na execução do orçamento garante a divulgação dos procedimentos e resultados orçamentários para o público e, possivelmente, elimina a assimetria de informação que normalmente existe entre os governos e a sociedade. Neste sentido, o artigo 48 (capítulo IX, seção I) da LRF estabelece que os governos das três esferas são obrigados a disponibilizar em “meio eletrônico de acesso público” seus respectivos atos de gestão: São instrumentos de transparência da gestão fiscal, aos quais será dada ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso público: os planos, orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias; as prestações de contas e o respectivo parecer prévio; o Relatório Resumido da Execução Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal; e as versões simplificadas desses documentos (BRASIL, 2000). Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Evidenciação Contábil nos Municípios Mineiros: Atendimento ao Artigo 48 da Lei de Responsabilidade Fiscal Alguns dos instrumentos citados no referido artigo já constavam da CF/88, que, em seu artigo 165, introduziu o que se pode chamar de um processo integrado de alocação de recursos, compreendendo as atividades de planejamento e orçamento, mediante a definição de três instrumentos de iniciativa do Poder Executivo: Plano Plurianual (PPA), Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA) (BRASIL, 1988). Segundo Jund (2007), o PPA consiste em um planejamento estratégico de médio prazo, que contém os projetos e as atividades que o governo pretende realizar, ordenando as suas ações e visando à consecução de objetivos e metas a serem atingidos nos quatros anos subseqüentes ao primeiro ano de mandato. A LDO, por seu turno, pode ser definida como um elo entre o planejamento estratégico e o plano operacional a ser executado (orçamento anual), uma vez que, antes de sua existência, havia uma divergência de realização das ações. Isso ocorria principalmente em virtude de os PPAs não delimitarem as ações incorporadas e implementadas contidas no orçamento anual (CAMPOS, 2005). Por fim, segundo Da Silva (2002), a LOA compreende a programação das ações a serem executadas, visando à viabilização das diretrizes, objetivos e metas programadas no PPA, em consonância com as diretrizes contidas na LDO. Por sua vez, a prestação de contas e a emissão do respectivo parecer dizem respeito à avaliação dos resultados da gestão pública. De acordo com Campos (2005), com periodicidade anual, as prestações de contas são objeto de parecer prévio emitido pelo Tribunal de Contas, que deve ocorrer no prazo máximo de 60 dias, contados da data do recebimento das contas. Conforme Andrade (2007), a análise das Prestações de Contas, embora busque avaliar pontos relacionados à gestão de recursos, tem seu foco nos aspectos contábeis e no atendimento às normas legais, observados, entre outros: (i) o equilíbrio orçamentário e financeiro; (ii) o cumprimento das metas físicas previstas; e (iii) a existência de aporte financeiro às inscrições em restos a pagar. Já o Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO), disciplinado nos artigos 52 e 53 da LRF, é composto pelo Balanço Orçamentário, que deve discriminar as receitas, por categoria econômica e fonte, e as despesas, por grupo de natureza; bem como pelos demonstrativos de execução das receitas e despesas (BRASIL, 2000). Segundo Culau e Fortis (2006), o RREO é um importante instrumento de transparência fiscal instituído pela LRF. Esses autores destacam que o RREO deve ser elaborado e divulgado bimestralmente e deve ser acompanhado de demonstrativos que explicitem: a apuração da receita corrente líquida; as receitas e as despesas previdenciárias; os resultados nominal e primário; as despesas com juros; e os restos a pagar. Por fim, o Relatório de Gestão Fiscal (RGF), disciplinado nos artigos 54 e 55 da LRF, é composto basicamente de um comparativo com os limites elencados na LRF da(s): (a) despesa total, distinguindo inativos e pensionistas; (b) dívida consolidada e mobiliária; (c) concessão de garantias; e (d) operações de crédito, inclusive por antecipação de receitas (BRASIL, 2000). Caso os valores ultrapassem os limites instituídos na legislação, o RGF deve indicar as medidas corretivas a serem adotadas (CULAU; FORTIS, 2006). Destaca-se que sua elaboração e divulgação é quadrimestral. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 36 - 43, out./dez. 2008 Há uma sanção a ser aplicada aos entes federados que descumprirem os prazos de publicação das informações financeiras supracitadas (RREO e RGF). Esta sanção será o impedimento, até que a publicação seja realizada, de receber transferências voluntárias e de contratar operações de crédito, exceto as destinadas ao refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária (BRASIL, 2000). Destaca-se que, conforme o artigo 63 da LRF, é facultado aos municípios com população inferior a 50 mil habitantes optar por divulgar semestralmente o RGF e os demonstrativos relativos à apuração da receita corrente líquida, receitas e despesas previdenciárias, resultados nominal e primário, despesas com juros e restos a pagar, que compõem o RREO (BRASIL, 2000). Segundo disciplina o mesmo artigo, a divulgação dos relatórios e demonstrativos deverá ser realizada em até 30 dias após o encerramento do semestre. 4. Metodologia Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa realizada durante o ano de 2008 com os municípios do Estado de Minas Gerais. Trata-se de uma pesquisa quantitativa com base em dados secundários coletados na internet. Segundo Cooper e Schindler (2003), esta pesquisa também tem um caráter formal, uma vez que estabelece uma questão de pesquisa e envolve procedimentos precisos e especificação de fontes de dados. Inicialmente, foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre o tema com base em livros, artigos e dissertações em algumas bases de dados on-line (EBSCO e Periódicos CAPES). Esta fase visou compreender melhor os aspectos relacionados ao tema estudado, dando maior embasamento aos pesquisadores. Em seguida, foram coletados dados dos municípios mineiros para posterior análise. Para a coleta de dados, primeiramente foi realizada uma pesquisa no sítio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a respeito da segregação do Estado de Minas Gerais em mesorregiões. Uma mesorregião pode ser conceituada como unidade territorial homogênea, em nível maior que a microrregião, porém menor que o estado ou território, e corresponde ao resultante do grupamento de microrregiões (AURÉLIO, 2008). Como resultado desta pesquisa, identificou-se que o Estado de Minas Gerais pode ser dividido em 12 mesorregiões (IBGE, 2008). O objetivo da segregação do Estado de Minas Gerais em mesorregiões foi obter dados dos municípios, de acordo com algum parâmetro de comparabilidade, para avaliar possíveis diferenças entre os municípios de cada mesorregião. As 12 mesorregiões do referido estado são destacadas na Figura 1. Figura 1: Mesorregiões do Estado de Minas Gerais Fonte: GeoMINAS (2008). 39 Pensar Contábil Terence Boina Ewerton Alex Avelar Pedro Lúcio Rodrigues Gomide Tendo em vista que analisar os dados dos municípios mineiros seria um trabalho extremamente moroso e complexo, optou-se por utilizar uma amostra desses municípios. A idéia fundamental de uma amostra é que, ao selecionar alguns elementos de uma população, possivelmente podemos concluir sobre toda essa população (COOPER; SCHINDLER, 2003). Destaca-se que a população do estudo apresentado neste trabalho foram todos os municípios do Estado de Minas Gerais. Para a seleção da amostra do estudo, inicialmente, tal como apresentado, fez-se um levantamento sobre os municípios mineiros por mesorregião. Para calcular o tamanho da amostra a ser estudada, utilizou-se a equação proposta por Corrar e Theófilo (2005) para o cálculo do tamanho da amostragem em populações infinitas: n= { t. Sx } 2 e Onde: n = amostra Sx = desvio padrão t = nível de confiança e = erro admitido para o estudo Para estimar o desvio padrão da população, pelo fato de que os pesquisadores não possuíam este dado, realizou-se um teste piloto com 30 municípios (selecionadas aleatoriamente). O desvio padrão encontrado neste teste foi de 1,904999472. Na pesquisa realizada considerou-se um nível de confiança de 95% e admitiu-se um erro de +/- 0,5. O resultado foi uma amostra de 56 municípios. Entretanto, uma vez que os pesquisadores já possuíam dados sobre os 85 municípios, e no intuito de evitar quaisquer lacunas que pudessem existir entre os dados coletados do sítio do IBGE (censo do ano 2000) e as demais fontes de dados, resolveu-se aumentar a amostra em 29 municípios, de forma a melhorar a qualidade dos resultados obtidos, tal como destacado por Cooper e Schindler (2003). O número de municípios estudados totalizou, assim, 85 (cerca de 10% dos municípios mineiros). Com base nesta informação, selecionaram-se 10% dos municípios de cada mesorregião. Para selecionar tais municípios, utilizou-se a técnica de amostragem aleatória simples. Hair et al. (2005) destacam que essa técnica é um método direto de amostragem, que atribui a cada elemento da população alvo uma probabilidade igual de ser selecionado. Para a escolha aleatória foi utilizada a função “aleatório” do Microsoft® Excel e, posteriormente, foram classificadas as cidades de cada mesorregião em ordem decrescente do valor aleatório apurado. Posteriormente, foram coletados os dados referentes às informações analisadas na pesquisa (PPA, LDO, Orçamentos, Prestação de contas, RREO, RGF e as versões resumidas destes relatórios) no sítio de cada prefeitura disponível na internet. Para localizar e acessar os sítios das prefeituras, utilizaram-se as ferramentas de busca disponíveis no sítio da empresa Google® (www.google.com.br). Durante a pesquisa, verificou-se que, no sítio da empresa ADPM (www.adpmnet. com.br), são evidenciadas informações financeiras referentes às contas públicas de uma série de municípios mineiros. Dessa forma, as informações financeiras disponibilizadas neste sítio foram utilizadas como base de dados da pesquisa. 40 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 36 - 43, out./dez. 2008 Por fim, após a coleta dos dados, eles foram tabulados em planilhas do Microsoft® Excel. Caso a prefeitura do município apresentasse a informação completa referente a algum relatório analisado na pesquisa, atribuía-se o escore “1”. Caso a informação não estivesse completa, atribuía-se o escore “0,5”. Por outro lado, em caso de não divulgação de uma informação, atribuía-se o escore “0”. Ressalta-se que foram analisados dados entre os anos de 2005 e 2008, além de não ser avaliado se as informações foram divulgadas em todo o período analisado ou em apenas um dos anos. 5. Descrição e Discussão dos Resultados Conforme destacado na metodologia, foram selecionados 85 municípios mineiros segregados em 12 mesorregiões. Pelo fato de a escolha desses municípios realizar-se de maneira aleatória, foram escolhidos municípios de pequeno, médio e grande porte, de acordo com sua população, conforme destacado no Gráfico 1. O Quadro 1, por sua vez, apresenta os 85 municípios estudados na pesquisa segregados por mesorregião. Gráfico 1: Histograma sobre a população dos municípios da amostra 30 Número de cidades Antônio Artur de Souza CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ 25 5.000 20 10.000 15 50.000 20.000 100.000 10 Mais 5 0 Fonte: elaborado pelos autores. Quadro 1: Municípios constantes da amostra utilizada na pesquisa e suas respectivas mesorregiões MESORREGIÃO MUNICÍPIOS Oeste de Minas Igaratinga, Campo Belo, Piracema e São Sebastião do Oeste Sul e Sudoeste de Minas Nova Resende, Paraguaçu, Aiuruoca, Cambuí, Monsenhor Paulo, Ilicínea, Lambari, Bueno, Brandão, Ipuiúna, São José da Barra, São Thomé das Letras, Coqueiral, Pedralva, Olímpio Noronha e São João Batista do Glória Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba Arapuá, Nova Ponte, Campina Verde, Frutal, Carmo do Paranaíba e Patrocínio Vale do Mucuri Fronteira dos Vales e Teófilo Otoni Vale do Rio Doce Sardoá, Imbé de Minas, São João Evangelista, Jampruca, São João do Manteninha, Açucena, Marliéria, Dom Cavati, Santa Rita do Itueto e Tumiritinga Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Evidenciação Contábil nos Municípios Mineiros: Atendimento ao Artigo 48 da Lei de Responsabilidade Fiscal Zona da Mata São Sebastião da Vargem Alegre, Ewbank da Câmara, Teixeiras, Abre Campo, Olaria, Tocantins, Chalé, Volta Grande, Alto Caparaó, Simonésia, Além Paraíba, Recreio, Canaã e Pedra do Anta Campo das Vertentes Lagoa Dourada, Nazareno, Dores de Campos e Ijaci Central Mineira Bom Despacho, Corinto e Inimutaba Jequitinhonha Felício dos Santos, Gouveia, Coronel Murta, Pedra Azul e Datas Metropolitana de Congonhas do Norte, Bom Jesus do Amparo, Belo Horizonte Dom Joaquim, Desterro de Entre Rios, Onça de Pitangui, Florestal, Santo Antônio do Rio Abaixo, Capim Branco, Santana dos Montes, Itabirito e Araçaí Noroeste de Minas Brasilândia de Minas e Varjão de Minas Norte de Minas Divisa Alegre, Monte Azul, Rubelita, Lagoa dos Patos, Juramento, Glaucilândia, Ibiracatu, Várzea da Palma e Vargem Grande do Rio Pardo Fonte: os autores. Percebe-se pelo Gráfico 1 que 28 municípios mineiros selecionados possuem até 5.000 habitantes e 26 municípios possuem de 5.000 a 10.000 habitantes. Assim, pode-se dizer que os municípios com até 10.000 habitantes representa cerca de 60% da amostra neste estudo. Ressalta-se que apenas dois municípios da amostra têm mais de 50.001 habitantes, o que representa somente 2,35% da amostra. No sentido de alcançar o objetivo da pesquisa, também foi verificado se os municípios utilizam a internet. Nesse sentido, o primeiro aspecto analisado na pesquisa foi se os municípios da amostra possuem sítios na internet. O Gráfico 2 apresenta os dados encontrados no que tange a este aspecto. Verificou-se que a maioria deles (67,06%) não possui sítio na internet. Apenas 31,76% dos municípios estudados possuem sítio na internet. Por fim, destaca-se, contudo, que, dos que não possuem sítio na internet, aproximadamente 26,32% utilizam o sítio da empresa ADPM para evidenciar suas informações financeiras à sociedade. De acordo com informações disponibilizadas em seu sítio, a empresa ADPM tem como objeto de trabalho prestar serviços de assessoria, consultoria e auditoria contábil e jurídica aos órgãos públicos, nas áreas administrativa, contábil, financeira e patrimonial, de forma integrada, e ao controle interno, bem como organização, programação e planejamento. Ressalta-se que a ADPM pode ser contratada por órgãos e empresas públicas mediante inexigibilidade de licitação. Destaca-se que, dos municípios que possuem sítio na internet, 21,21% possuem domínio com extensão “.com.br”, que é utilizada normalmente para fins comerciais. A extensão adequada seria “mg.gov.br”, utilizada por 78,79% dos municípios e para órgãos e entidades públicas do estado de Minas Gerais. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 36 - 43, out./dez. 2008 Gráfico 2: Situação dos municípios da amostra no que tange a sítios na internet Situação dos municípios analisados 17,65% Não possui sítio na internet Utiliza o sítio ADPMNET 1,18% 49,41% 31,76% Possui sítio na Internet Sítio em manutenção Fonte: elaborada pelos autores. No que tange às informações a serem divulgadas pela internet analisadas na pesquisa (PPA, Orçamento, LDO, Prestação de Contas, RREO, RGF e Versões simplificadas desses relatórios), cerca de 70% dos municípios estudados não apresentam nenhuma dessas informações. Tal fato parece demonstrar que a internet ainda é bastante subutilizada pelos administradores públicos dos municípios como forma de demonstrar transparência em sua gestão, conforme elucidado por Silva (2005) e Sacramento e Pinho (2007). Dos municípios que disponibilizam pelo menos uma das informações analisadas na pesquisa (apenas 29,41%), há uma série de vieses (lacunas) nos relatórios. Geralmente, a maioria das informações financeiras não é apresentada de forma consolidada, isto é, apresentava-se de forma fragmentada. Ressalta-se que nenhum dos municípios da amostra apresentava, em seu sítio, todas as informações verificadas na pesquisa. O relatório apresentado com maior freqüência foi o RREO (presente em 30,94% dos sítios pesquisados). Por sua vez, o PPA é a informação menos divulgada pelos municípios (presente em apenas 2,88% dos sítios pesquisados). Uma hipótese para explicar a maior incidência de apresentação do RREO pelos municípios seria o fato de ele ser composto principalmente pelo Balanço Orçamentário, que já está instituído desde 1964 pela Lei 4.320. Uma provável explicação para a menor divulgação do PPA seria que este plano é instituído por uma lei e que, sendo assim, não é apresentando conjuntamente com os relatórios contábeis pelos municípios, constando somente no histórico da legislação municipal na câmara municipal. O PPA é instituído por lei cada quatro anos, e grande parte dos municípios publica apenas as informações dos últimos anos. As informações referentes aos RGF e aos orçamentos estão presentes em 23,02% dos sítios estudados. Em grande parte, os municípios que apresentam estas informações fazem-no pelo sítio da ADPMNET (este sítio apresenta principalmente três das informações pesquisadas: Orçamentos, RREO e RGF). A divulgação das informações referentes à LDO e à Prestação de Contas, entretanto, é realizada por somente 4,32% dos municípios pesquisados. Por fim, as versões simplificadas dos relatórios são apresentadas em cerca de 11,51% dos sítios dos municípios estudados. O Gráfico 3 resume tais dados. 41 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Antônio Artur de Souza Terence Boina Ewerton Alex Avelar Pedro Lúcio Rodrigues Gomide Gráfico 3: Freqüência de informações divulgadas nos sítios dos municípios na internet Disponibilidade de informação Planos – 2,88% Versões simplificadas Orçamentos RGF – 23,02% 23,02% LDO 4,32% Prestação de contas/Parecer – 4,32% RREO – 30,94% Fonte: elaborado pelos autores. Tal como apresentado na metodologia deste trabalho, foram selecionados municípios de cada uma das mesorregiões mineiras. O Gráfico 4 apresenta os dados referentes às informações divulgadas por cada uma dessas mesorregiões. Dentre elas, destacam-se o Oeste de Minas e o Sul e Sudoeste de Minas. Esta última por apresentar maior número de informações, e aquela por não apresentar quaisquer das informações pesquisadas. Acredita-se que o fato de os municípios da mesorregião Sul e Sudoeste de Minas serem os que mais evidenciam suas informações se deve à sua condição econômica bastante estável, tal como destaca Araújo (2007). Entretanto, a mesma explicação não parece condizente com o fato de os municípios da mesorregião Oeste de Minas não publicarem nenhuma das informações estudadas nesta pesquisa. Pouco abaixo, no nível de apresentação das informações pesquisadas, encontram-se as mesorregiões Metropolitana de Belo Horizonte e Jequitinhonha, que se destacam bastante das demais. Outra mesorregião que se sobressai, contudo, pela pouca divulgação das informações pesquisadas na internet é o Vale do Mucuri. Ressalta-se que foi realizado um estudo avaliando a correlação entre o número de habitantes de cada mesorregião e o nível de divulgação de informações. O resultado indicou uma correlação baixa, o que descarta a população como uma possível variável capaz de explicar as variações na divulgação de informações. Gráfico 4 – Freqüência de informações divulgadas nos sítios dos municípios na internet por mesorregião Mesorregião Dados divulgados (por Mesorregião) Norte de Minas Noroeste de Minas Metropolitana de Belo Horizontal Jequitinhonha Central Mineira Campos das Vertentes Zona da Mata Vale do Rio Doce Vale do Mucuri Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba Sul e Sudoeste de Minas Oeste de Minas 0 2 4 6 8 10 12 Freqüência Fonte: elaborado pelos autores. 6. Conclusão A LRF alterou substancialmente a gestão pública no Brasil. Tal lei inseriu uma série de dispositivos de forma a aumentar os controles sobre as contas públicas. Tais dispositivos auxiliam 42 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 36 - 43, out./dez. 2008 na transparência da gestão pública, uma vez que demandam uma série de obrigações relacionadas à divulgação de informações, notadamente financeiras, sobre a atuação dos governos em suas diferentes esferas (municipal, estadual e federal). Nesse contexto, a Contabilidade Governamental se apresenta como um dos instrumentos no processo de promoção da transparência na gestão pública, uma vez que é a responsável pela elaboração e publicação das informações financeiras das entidades públicas. Nesse sentido, a pesquisa apresentada neste trabalho visou analisar se os municípios mineiros divulgam pela internet, contribuindo para a transparência da gestão pública, as informações demandadas pelo artigo 48 da LRF. A internet, cada vez mais disseminada na atual sociedade, representa um meio eletrônico de comunicação bastante efetivo, indo ao encontro do disposto na LRF. O estudo foi realizado com uma amostra de 85 municípios selecionados aleatoriamente. Concluiu-se que os administradores públicos mineiros subutilizam todo o potencial da internet como meio de comunicação das informações relacionadas às contas públicas, principalmente as de caráter financeiro. Poucos municípios (cerca de 35% deles) utilizam a internet para evidenciar as informações demandadas pela LRF. Inicialmente, averiguou-se que grande parte dos municípios mineiros não possui sítios próprios na internet. Identificouse, assim, que a internet não é apenas subutilizada como instrumento de transparência na gestão pública, mas também como meio de divulgação do município. Ressalta-se que muitos municípios, a maioria dos quais não possuía sítio na internet, utilizam os serviços da empresa ADPM para divulgar suas informações. Os gestores públicos desses municípios demonstram estar compromissados com a evidenciação de suas ações, principalmente aquelas de caráter financeiro. Constatou-se uma substancial divergência entre as informações disponibilizadas pelos municípios de cada mesorregião mineira. Tal resultado era esperado, na medida em que há grandes discrepâncias entre elas, principalmente no campo econômico. A mesorregião que apresentou com maior evidência as informações estudadas na pesquisa foi a mesorregião Sul e Sudoeste de Minas (escore de 12,5). Esta mesorregião se destaca, conforme Araújo et al. (2007), como uma das regiões mais economicamente desenvolvidas do Estado de Minas Gerais. Por outro lado, apesar de ser considerada uma mesorregião relativamente desenvolvida, os municípios selecionados do Oeste de Minas não apresentaram nenhuma das informações estudadas, fazendo com que tal mesorregião apresentasse a pior situação em nível de transparência das informações. Uma explicação para isso talvez seja a seleção de exceções. Destacam-se as limitações da pesquisa apresentada neste trabalho, que provavelmente comprometem, pelo menos em parte, a generalização de alguns resultados encontrados em uma abordagem indutiva. Primeiramente, o fato de não avaliar se as informações divulgadas se referem a um ano específico, uma vez que o estudo analisou apenas se as informações são divulgadas na internet, independentemente dos anos de competência —2005, 2006, 2007 ou 2008. Além disso, o estudo realizado analisou apenas se as informações eram CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil Evidenciação Contábil nos Municípios Mineiros: Atendimento ao Artigo 48 da Lei de Responsabilidade Fiscal divulgadas no sítio, independentemente de sua qualidade (completude, conformidade, entre outros atributos). Assim, estudos futuros poderiam explorar com maior profundidade o tema abordado neste trabalho. Como exemplo, pesquisas futuras poderiam abordar com mais ênfase o estudo em municípios específicos de uma mesorregião mineira, ou até mesmo conseguir informações de municípios de outros estados do país para fins comparativos. Ademais, novos estudos também poderiam averiguar a qualidade das informações divulgadas e sua conformidade com a LRF. Referências ANDRADE, N. de A. Contabilidade pública na gestão municipal: métodos com base na LC n. 101/00 e nas classificações contábeis advindas da SOF e STN. São Paulo: Atlas, 2007. ALESINA, A.; PEROTTI, R. The Political Economy of Budget Deficits. National Bureau of Economic Research, n.4.637, Cambridge, 1994. ARAÚJO, T. F. As inter-relações entre pobreza, desigualdade e crescimento nas mesorregiões mineiras, 1970-2000. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais. 2007. BERNARDO, D. C. R.; ZIMBALDE, A. L. O uso da web e da controladoria na administração pública: inovação municipal. Rev. Cent. Ciência Administ. 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Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 36 - 43, out./dez. 2008 43 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ MISSÃO DO CRC-RJ “Promover a manutenção, educação e desenvolvimento da profissão contábil com dignidade, ética e responsabilidade, aliados a um eficiente serviço de atendimento, registro, fiscalização e desenvolvimento do profissional da contabilidade e das organizações contábeis do Estado do Rio de Janeiro, objetivando satisfazer os anseios da categoria e da sociedade.” VISÃO DO CRC-RJ “O CRC-RJ será reconhecido pela excelência e qualidade na prestação de serviços a todos aqueles que tenham interesse ou necessidade relacionada ao exercício da profissão contábil, valorizando os recursos humanos e trabalhando com dignidade, ética, transparência e responsabilidade social na execução dos serviços de registro e de fiscalização do exercício da profissão, bem como na execução do seu programa de educação continuada.” POLÍTICA DE QUALIDADE DO CRC-RJ • Atender aos contabilistas de forma eficaz e cordial, prestando serviços de qualidade; • Promover e incentivar os colaboradores internos na busca do crescimento pessoal e profissional; • Elevar o padrão de Governança Corporativa, mediante a implantação de controles que garantam a integridade do patrimônio e a imagem do CRC-RJ; • Garantir, através dos serviços de registro e fiscalização, o direito pleno ao exercício da profissão somente pelo profissional habilitado; • Promover e incentivar o desenvolvimento do profissional da contabilidade, através de um programa permanente de educação continuada. 44 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, out./dez. 2008 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ ÍNDICE DE TÍTULOS vol./nº pág. X-42 22 X-41 44 X-42 31 X-42 12 X-39 43 Avaliação de empresas em perícias contábeis: um estudo de casos X-�� 39 14 Balanço social: instrumento de evidenciação dos objetivos sociais X-39 36 Concessão de opções de ações a funcionários: um problema contábil X-40 5 X-�� 40 20 Demonstração de impacto social: uma contribuição para evidenciação da responsabilidade social X-41 24 Evidenciação contábil nos municípios mineiros: atendimento ao artigo 48 da Lei de Responsabilidade Fiscal X-42 36 X-41 5 X-40 29 X-39 29 X-40 37 Mensuração de ativos imobilizados por meio do fair value e do impairment test em uma rede de fotocópias X-41 15 O efeito das estruturas organizacionais sobre os sistemas de custos nos hospitais do Rio de Janeiro X-40 14 Pesquisa sobre balanço social nos mais influentes periódicos acadêmicos internacionais de contabilidade X-39 5 X-41 33 Transparência do orçamento governamental dos países: um estudo acerca da associação entre IAO, IDH, PIB e IPSAS X-42 5 Uma contribuição à análise de fatores que influenciam o equilíbrio do sistema previdenciário X-39 23 A adoção das IFRS no Brasil e o fortalecimento das boas práticas de governança corporativa A comercialização e a contabilização dos créditos de carbono com base em projetos de mecanismo de desenvolvimento limpo A Lei Sarbanes-Oxley e sua importância para as companhias abertas brasileiras a partir do ano de 2004 A produção científica sobre auditoria: um estudo bibliométrico a partir do caderno de indicadores da CAPES no período de 2004 a 2006 Análise comparativa da utilização de instrumentos de gestão em indústrias automobilísticas no Brasil e em empresas mundiais e brasileiras Critérios de mensuração e reconhecimento estabelecidos pela lei societária, normas da CVM e legislação tributária: uma pesquisa empírica nas companhias abertas brasileiras Evidenciação estratégica dos pilares da sustentabilidade empresarial: investigação no relatório da administração das empresas que compõem o ISE Gestão Econômica: uma contribuição para a estruturação de um modelo de informações para empresas operadoras de planos de saúde Impactos do não reconhecimento da inflação na demonstração do fluxo de caixa e na demonstração das origens e aplicações de recursos: uma simulação Issues in accounting education e journal of accounting education: autoria, características e metodologias dos artigos publicados entre 2000 e 2005 Prontidão estratégica do capital humano por meio da abordagem balanced scorecard: um estudo de caso na gerência de contabilidade e controladoria da Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGAS) Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 45 - 52, out./dez. 2008 45 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ ÍNDICE DE AUTORES vol./nº pág. X-40 37 X-�� 42 36 Mensuração de ativos imobilizados por meio do fair value e do impairment test em uma rede de fotocópias X-41 15 Análise comparativa da utilização de instrumentos de gestão em indústrias automobilísticas no Brasil e em X-39 43 X-�� 42 36 X-40 37 X-39 29 X-39 29 X-40 29 X-42 12 X-39 5 X-41 44 X-42 22 ALEXANDRE, Gislaine Querina Issues in accounting education e journal of accounting education: autoria, características e metodologia dos artigos publicados entre 2000 e 2005 AVELAR, Ewerton Alex Evidenciação contábil nos municípios mineiros: atendimento ao artigo da Lei de Responsabilidade Fiscal BEUREN, Ilse Maria empresas mundiais e brasileiras BOINA, Terence Evidenciação contábil nos municípios mineiros: atendimento ao artigo da Lei de Responsabilidade Fiscal BORBA, José Alonso Issues in accounting education e journal of accounting education: autoria, características e metodologia dos artigos publicados entre 2000 e 2005 CANAN, Ivan Impactos do não reconhecimento da inflação na demonstração do fluxo de caixa e na demonstração das origens e aplicações de recursos: uma simulação CARNEIRO JÚNIOR, João Bosco Arbués Impactos do não reconhecimento da inflação na demonstração do fluxo de caixa e na demonstração das origens e aplicações de recursos: uma simulação Gestão econômica: uma contribuição para a estruturação de um modelo de informações para empresas operadoras de planos de saúde CARVALHO, Vania Silva de A produção científica sobre auditoria: um estudo bibliométrico a partir do caderno de indicadores da CAPES no período de 2004 a 2006 CASTRO, Fernanda Amorim Ribeiro de Pesquisa sobre balanço social nos mais influentes periódicos acadêmicos internacionais de contabilidade COELHO, Ana Rogéria Gomes A comercialização e a contabilização dos créditos de carbono com base em projetos de mecanismo de desenvolvimento limpo COVA, Carlos José Guimarães A adoção das IFRS no Brasil e o fortalecimento das boas práticas de governança corporativa 46 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 45 - 52, out./dez. 2008 CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil ENSSLIN, Sandra Rolim Evidenciação estratégica dos pilares da sustentabilidade empresarial: investigação no relatório da administração X-41 5 X-41 33 X-39 23 X-40 20 X-42 31 X-42 31 X-41 5 X-42 36 X-39 43 X-39 29 X-41 44 X-41 44 X-40 14 X-41 44 das empresas que compõem o ISE Prontidão estratégica do capital humano por meio da abordagem balanced scorecard: um estudo de caso na gerência de contabilidade e controladoria da Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGAS) FELIX, Claúdia Lima Uma contribuição à análise de fatores que influenciam o equilíbrio do sistema previdenciário FERREIRA, Julianna Baía Pio de Lima Critérios de mensuração e reconhecimento estabelecidos pela lei societária, normas da CVM e legislação tributária: uma pesquisa empírica nas companhias abertas brasileiras FIGUEIREDO, Mariana Dórea A Lei Sarbanes-Oxley e sua importância para as companhias abertas brasileiras a partir do ano de 2004 SOUZA, Marlon Messias Peixoto de A Lei Sarbanes-Oxley e sua importância para as companhias abertas brasileiras a partir do ano de 2004 GALLON, Alessandra Vasconcelos Evidenciação estratégica dos pilares da sustentabilidade empresarial: investigação no relatório da administração das empresas que compõem o ISE GOMIDE, Pedro Lúcio Rodrigues Evidenciação contábil nos municípios mineiros: atendimento ao artigo da Lei de Responsabilidade Fiscal GUHT, Sérgio Cavagnoli Análise comparativa da utilização de instrumentos de gestão em indústrias automobilísticas no Brasil e em empresas mundiais e brasileiras KÜHL, Carlos Alberto Impactos do não reconhecimento da inflação na demonstração do fluxo de caixa e na demonstração das origens e aplicações de recursos: uma simulação LAGIOIA, Umbelina Cravo Teixeira A comercialização e a contabilização dos créditos de carbono com base em projetos de mecanismo de desenvolvimento limpo LIBONATI, Jeronymo José A comercialização e a contabilização dos créditos de carbono com base em projetos de mecanismo de desenvolvimento limpo LINS, Luiz dos Santos O efeito das estruturas organizacionais sobre os sistemas de custos nos hospitais do Rio de Janeiro MACIEL, Carolina Veloso A comercialização e a contabilização dos créditos de carbono com base em projetos de mecanismo de desenvolvimento limpo Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 45 - 52, out./dez. 2008 47 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ MARQUES, José Augusto Veiga da Costa Impactos do não reconhecimento da inflação na demonstração do fluxo de caixa e na demonstração das origens X-39 29 X-40 29 X-40 20 X-39 14 X-42 5 X-41 24 X-40 20 X-40 5 X-39 14 X-40 29 X-42 12 X-42 12 X-41 33 X-41 15 X-40 29 e aplicações de recursos: uma simulação Gestão econômica: uma contribuição para a estruturação de um modelo de informações para empresas operadoras de planos de saúde MENDES, Paulo César de Melo Critérios de mensuração e reconhecimento estabelecidos pela lei societária, normas da CVM e legislação tributária: uma pesquisa empírica nas companhias abertas brasileiras MONTANDON, Mabelle Martinez Avaliação de empresas em perícias contábeis: um estudo de casos MORAES, Melissa Christina Corrêa de Transparência do orçamento governamental dos países: um estudo acerca da associação entre IAO, IDH, PIB e IPSAS MORAIS, Macelly O. Demonstração de impacto social: uma contribuição para evidenciação da responsabilidade social NIYAMA, Jorge Katsumi Critérios de mensuração e reconhecimento estabelecidos pela lei societária, normas da CVM e legislação tributária: uma pesquisa empírica nas companhias abertas brasileiras NUNES, Alexssander de Antonio Concessão de opções de ações a funcionários: um problema contábil OHAYON, Pierre Avaliação de empresas em perícias contábeis: um estudo de casos OLIVEIRA, Josemar Ribeiro Gestão econômica: uma contribuição para a estruturação de um modelo de informações para empresas operadoras de planos de saúde OLIVEIRA, Robson Ramos A produção científica sobre auditoria: um estudo bibliométrico a partir do caderno de indicadores da CAPES no período de 2004 a 2006 Transparência do orçamento governamental dos países: um estudo acerca da associação entre IAO, IDH, PIB e IPSAS PETRI, Sérgio Murilo Prontidão estratégica do capital humano por meio da abordagem balanced scorecard: um estudo de caso na gerência de contabilidade e controladoria da Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGAS) RAUPP, Fabiano Maury Mensuração de ativos imobilizados por meio do fair value e do impairment test em uma rede de fotocópias RECH, Ilírio José Gestão econômica: uma contribuição para a estruturação de um modelo de informações para empresas operadoras de planos de saúde 48 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 45 - 52, out./dez. 2008 CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil RIBEIRO, Gustavo de Aguiar X-41 33 X-39 23 X-40 14 X-41 24 X-42 5 X-39 36 X-41 24 Demonstração de impacto social: uma contribuição para evidenciação da responsabilidade social X-41 24 Pesquisa sobre balanço social nos mais influentes periódicos acadêmicos internacionais de contabilidade X-39 5 Avaliação de empresas em perícias contábeis: um estudo de casos X-39 14 X-42 36 X-40 37 X-39 36 X-39 23 Prontidão estratégica do capital humano por meio da abordagem balanced scorecard: um estudo de caso na gerência de contabilidade e controladoria da Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGAS) RIBEIRO, Heliton José Uma contribuição à análise de fatores que influenciam o equilíbrio do sistema previdenciário SANCOVSCHI, Moacir O efeito das estruturas organizacionais sobre os sistemas de custos nos hospitais do Rio de Janeiro SANTOS, Rodrigo Rodrigues dos Demonstração de impacto social: uma contribuição para evidenciação da responsabilidade social SILVA, Aline Moura Costa da Transparência do orçamento governamental dos países: um estudo acerca da associação entre IAO, IDH, PIB e IPSAS SILVA, Fernanda Rosa da Balanço social: instrumento de evidenciação dos objetivos sociais SILVA, Márcia Castro Demonstração de impacto social: uma contribuição para evidenciação da responsabilidade social SIQUEIRA, José Ricardo Maia de SOUZA, Antônio Artur de Evidenciação contábil nos municípios mineiros: atendimento ao artigo da Lei de Responsabilidade Fiscal SOUZA, Flávia Cruz de Issues in accounting education e journal of accounting education: autoria, características e metodologia dos artigos publicados entre 2000 e 2005 TORRES JÚNIOR, Fabiano Balanço social: instrumento de evidenciação dos objetivos sociais TOSTES, Fernando P. Uma contribuição à análise de fatores que influenciam o equilíbrio do sistema previdenciário Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 45 - 52, out./dez. 2008 49 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ ÍNDICE DE ASSUNTO vol./nº pág. X-41 15 X-42 12 X-39 14 X-41 33 Balanço social: instrumento de evidenciação dos objetivos sociais X-41 24 Demonstração de impacto social: uma contribuição para evidenciação da responsabilidade social X-39 36 Pesquisa sobre balanço social nos mais influentes periódicos acadêmicos internacionais de contabilidade X-39 5 X-42 12 X-41 33 X-40 20 X-39 23 X-39 29 X-41 44 X-40 14 X-39 29 ATIVO IMOBILIZADO Mensuração de ativos imobilizados por meio do fair value e do impairment test em uma rede de fotocópias AUDITORIA A produção científica sobre auditoria: um estudo bibliométrico a partir do caderno de indicadores da CAPES no período de 2004 a 2006 AVALIAÇÃO DE EMPRESAS Avaliação de empresas em perícias contábeis: um estudo de casos BALANCED SCORECARD Prontidão estratégica do capital humano por meio da abordagem balanced scorecard: um estudo de caso na gerência de contabilidade e controladoria da Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGAS) BALANÇO SOCIAL CAPES A produção científica sobre auditoria: um estudo bibliométrico a partir do caderno de indicadores da CAPES no período de 2004 a 2006 CAPITAL HUMANO Prontidão estratégica do capital humano por meio da abordagem balanced scorecard: um estudo de caso na gerência de contabilidade e controladoria da Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGAS) COMPANHIAS ABERTAS Critérios de mensuração e reconhecimento estabelecidos pela lei societária, normas da CVM e legislação tributária: uma pesquisa empírica nas companhias abertas brasileiras CONTROLE INTERNO Uma contribuição à análise de fatores que influenciam o equilíbrio do sistema previdenciário CORREÇÃO MONETÁRIA INTEGRAL Impactos do não reconhecimento da inflação na demonstração do fluxo de caixa e na demonstração das origens e aplicações de recursos: uma simulação CRÉDITOS DE CARBONO A comercialização e a contabilização dos créditos de carbono com base em projetos de mecanismo de desenvolvimento limpo CUSTOS HOSPITALARES O efeito das estruturas organizacionais sobre os sistemas de custos nos hospitais do Rio de Janeiro DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÃO DE RECURSOS Impactos do não reconhecimento da inflação na demonstração do fluxo de caixa e na demonstração das origens e aplicações de recursos: uma simulação 50 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 45 - 52, out./dez. 2008 CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA Impactos do não reconhecimento da inflação na demonstração do fluxo de caixa e na demonstração das X-39 29 X-40 20 Balanço social: instrumento de evidenciação dos objetivos sociais X-41 24 Demonstração de impacto social: uma contribuição para evidenciação da responsabilidade social X-39 36 X-41 5 X-41 15 X-39 23 X-39 43 X-42 36 X-42 22 X-42 22 X-42 22 X-41 15 X-39 14 X-41 15 X-40 5 origens e aplicações de recursos: uma simulação DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Critérios de mensuração e reconhecimento estabelecidos pela lei societária, normas da CVM e legislação tributária: uma pesquisa empírica nas companhias abertas brasileiras EVIDENCIAÇÃO EVIDENCIAÇÃO ESTRATÉGICA Evidenciação estratégica dos pilares da sustentabilidade empresarial: investigação no relatório da administração das empresas que compõem o ISE FAIR VALUE Mensuração de ativos imobilizados por meio do fair value e do impairment test em uma rede de fotocópias FRAUDE Uma contribuição à análise de fatores que influenciam o equilíbrio do sistema previdenciário GESTÃO Análise comparativa da utilização de instrumentos de gestão em indústrias automobilísticas no Brasil e em empresas mundiais e brasileiras GESTÃO PÚBLICA Evidenciação contábil nos municípios mineiros: atendimento ao artigo 48 da Lei de Responsabilidade Fiscal GOVERNANÇA CORPORATIVA A adoção das IFRS no Brasil e o fortalecimento das boas práticas de governança corporativa HARMONIZAÇÃO CONTÁBIL A adoção das IFRS no Brasil e o fortalecimento das boas práticas de governança corporativa IFRS A adoção das IFRS no Brasil e o fortalecimento das boas práticas de governança corporativa IMPAIRMENT TEST Mensuração de ativos imobilizados por meio do fair value e do impairment test em uma rede de fotocópias LAUDO PERICIAL Avaliação de empresas em perícias contábeis: um estudo de casos MENSURAÇÃO Mensuração de ativos imobilizados por meio do fair value e do impairment test em uma rede de fotocópias OPÇÕES DE AÇÕES Concessão de opções de ações a funcionários: um problema contábil Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 45 - 52, out./dez. 2008 51 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE Gestão Econômica: uma contribuição para a estruturação de um modelo de informações para empresas X-40 29 X-42 5 X-39 14 X-40 37 X-39 23 X-42 12 X-41 44 X-41 5 X-40 5 X-42 36 Demonstração de impacto social: uma contribuição para evidenciação da responsabilidade social X-41 24 Pesquisa sobre balanço social nos mais influentes periódicos acadêmicos internacionais de contabilidade X-39 5 X-40 29 X-41 5 operadoras de planos de saúde ORÇAMENTO PÚBLICO Transparência do orçamento governamental dos países: um estudo acerca da associação entre IAO, IDH, PIB e IPSAS PERÍCIA CONTÁBIL Avaliação de empresas em perícias contábeis: um estudo de casos PERIÓDICOS CIENTÍFICOS Issues in accounting education e journal of accounting education: autoria, características e metodologias dos artigos publicados entre 2000 e 2005 PREVIDÊNCIA Uma contribuição à análise de fatores que influenciam o equilíbrio do sistema previdenciário PRODUÇÃO CIENTÍFICA A produção científica sobre auditoria: um estudo bibliométrico a partir do caderno de indicadores da CAPES no período de 2004 a 2006 PROTOCOLO DE QUIOTO A comercialização e a contabilização dos créditos de carbono com base em projetos de mecanismo de desenvolvimento limpo RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO Evidenciação estratégica dos pilares da sustentabilidade empresarial: investigação no relatório da administração das empresas que compõem o ISE REMUNERAÇÃO VARIÁVEL Concessão de opções de ações a funcionários: um problema contábil RESPONSABILIDADE FISCAL Evidenciação contábil nos municípios mineiros: atendimento ao artigo 48 da Lei de Responsabilidade Fiscal RESPONSABILIDADE SOCIAL SISTEMA DE INFORMAÇÕES Gestão Econômica: uma contribuição para a estruturação de um modelo de informações para empresas operadoras de planos de saúde SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL Evidenciação estratégica dos pilares da sustentabilidade empresarial: investigação no relatório da administração das empresas que compõem o ISE 52 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 10, n. 42, p. 45 - 52, out./dez. 2008 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ PENSAR CONTÁBIL Assinatura anual (04 edições) - Condição: 1 - ASSINATURA 2 - PEDIDO DE RENOVAÇÃO 3 - ALTERAÇÃO DE DADOS Preço da assinatura R$ 16,00 DESEJO RECEBER A PARTIR DA PRÓXIMA EDIÇÃO COMPLEMENTO DO NOME NOME COMPLETO PESSOA FÍSICA SEXO ESTADOCIVIL DATA DE NASCIMENTO NATURALIDADE NACIONALIDADE CATEGORIA TÉC. CONTABILIDADE CONTADOR REGISTRO NO CRC Nº ESTUDANTE IDENTIDADE Nº ÓRGÃO EMISSOR OUTROS UF CPF RAZÃO SOCIAL PESSOA JURÍDICA CONTATO CATEGORIA INSTIT. DE ENSINO ESCRIT. CONTÁBIL CNPJ EMPRESA INSCRIÇÃO MUNICIPAL OUTROS INSCRIÇÃO ESTADUAL ENDEREÇO PARA A REMESSA BAIRRO CAIXA POSTAL TELEFONE FAX CEP UF CIDADE RESID COM E-MAIL Forma de pagamento DEPÓSITO BANCÁRIO Em nome do CRC-RJ - Banco do Brasil - Agência 1769-8 (Candelária) - Conta Corrente nº 347.729-0 - CNPJ 33.287.806/0001-61 Enviar a ficha e o comprovante de depósito pelo FAX (21) 2216-9607 ou via correio para o CRC-RJ CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento Profissional Rua Primeiro de Março, 33 – Centro – CEP 20.010-000 – Rio de Janeiro – RJ – Tel.: (21 ) 2216-9544 e 2216-9545 e-mail: [email protected] – home-page: www.crc.org.br 53 Pensar Contábil CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ On-Line Acesse o site da revista www.crc.org.br/revista/menu.asp [email protected] 54 Lançamentos CRC-RJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil Esta página se destina à divulgação de livros da área de contabilidade. Os autores interessados deverão encaminhar um exemplar do livro ao Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento Profissional do CRC-RJ, que, após tomar conhecimento, o disponibilizará em sua biblioteca para consulta. Demonstração de Fluxos de Caixa Autores: José Augusto Veiga da Costa Marques, João Bosco Arbués Carneiro Júnior e Carlos Alberto Kühl Este livro resultou das contribuições realizadas por diversos estudos e pesquisas acerca da elaboração, divulgação e análise da demonstração de fluxos de caixa. É dirigido a diferentes grupos de interessados, entre os quais: controladores e contadores, que elaboram a demonstração em atendimento à legislação societária; analistas de investimento, que avaliam o comportamento dos fluxos de caixa como base de suas decisões de investimento; analistas de crédito, que medem a capacidade de pagamento de seus clientes; professores e alunos dos cursos de graduação e pós-graduação de contabilidade, administração e economia, que empregam essa demonstração, ou parte de seu conteúdo, em seus estudos e pesquisas. Editora Freitas Bastos www.freitasbastos.com.br Considerações da Fraude na Auditoria de Demonstrações Contábeis (SAS99) Autor: José Bendoraytes O autor, um dos mais antigos contadores em atividade no Brasil, foi titular responsável pela contabilidade de companhias nacionais e internacionais durante longos 16 anos, tendo fundado o seu próprio escritório de auditoria em 1960. Nestes quase 50 anos de exercício da auditoria, centenas foram as empresas de todos os portes que passaram pelo crivo de seus exames. Centenas foram, também, os contadores que preparou para a função de auditor contábil. Depois de estudar as normas brasileiras e internacionais relacionadas à fraude e avaliar a importância do Pronunciamento SAS nº 99 nos trabalhos de auditoria, traduziu e associou seus ensinamentos às normas de auditoria aplicadas no Brasil, criando, então, o curso que foi credenciado no CFC sob o RJ –00423. Aproveitando o material utilizado no referido curso, produziu este trabalho para estender os seus conhecimentos aos auditores de nosso país, servindo-lhes de guia na identificação dos fatores de risco de fraude que podem evidenciar a existência de material adulterado nos registros contábeis, por fraude ou erro, com possíveis reflexos nas demonstrações contábeis sob a sua responsabilidade, para auditar. Download desse livro pode ser obtido gratuitamente nos sites www.horwathbr.com.br e www.auditoria-livros.com.br 55 Na hora de migrar para IFRS, escolha o caminho mais curto e mais seguro: PwC.* A implantação das IFRS pode gerar impactos significativos nos resultados de sua empresa, refletindo na valorização das ações. Por isso, ninguém melhor do que profissionais com profundo conhecimento das normas internacionais e experiência comprovada em processos de conversão de demonstrações financeiras para assessorá-lo. Antes de dar esse passo importante, conte com o know-how de uma das firmas mais admiradas do mundo. Conte com a experiência da PricewaterhouseCoopers. International Financial Reporting Standarts (normas contábeis internacionais). pwc.com/br *connectedthinking © 2008 PricewaterhouseCoopers. PricewaterhouseCoopers refere-se ao conjunto global de firmas PricewaterhouseCoopers, cada uma d e l a s c o n s t i t u i n d o u m a p e s s o a j u r í d i c a s e p a r a d a e i n d e p e n d e n t e . *c o n n e c t e d t h i n k i n g é m a r c a r e g i s t r a d a d e P r i c e w a t e r h o u s e C o o p e r s.