PROPOSTA DE METODOLOGIA DE RATING PARA COOPERATIVAS
AGROPECUÁRIAS
DAVI ROGÉRIO DE MOURA COSTA; SIGISMUNDO BIALOSKORSKI
NETO;
FUNDAÇÃO GERTULIO VARGAS
SÃO PAULO - SP - BRASIL
[email protected]
APRESENTAÇÃO SEM PRESENÇA DE DEBATEDOR
INSTITUIÇÕES E ORGANIZAÇÕES NA AGRICULTURA
Proposta de Metodologia de Rating para Cooperativas agropecuárias
Área temática: Instituições e Organizações na Agricultura (Grupo 09)
FORMA DE APRESENTAÇÃO: Oral
Proposta de Metodologia de Rating para Cooperativas agropecuárias
2
Grupo de Pesquisa: Instituições e Organizações na Agricultura
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1. RESUMO
A partir do inicio da década de noventa ocorreram diversas mudanças no ambiente institucional
do cooperativismo brasileiro, dentre eles a extinção do Banco Nacional de Crédito Cooperativo
(BNCC) e problemas macroeconômicos na agricultura elevaram a necessidade das cooperativas
obter recursos financeiros junto a terceiros. Diante do novo cenário e baseado em teorias
econômicas que apontam que a existência de assimetria de informações, manifestadas nas formas
de seleção adversa ou risco moral (moral hazard), gera ineficiência no funcionamento do
mercado procurou-se estudar mecanismos de sinalização para reduzir essa assimetria entre
gestores das cooperativas e mercado. Assim foi desenvolvida e testada uma metodologia por
meio de um estudo de caso. Os resultados obtidos permitem concluir que a metodologia criada é
aplicável e que seus resultados seriam mais significativos se houvesse a discussão sobre os pesos
dos indicadores e das notas dos tópicos e grupos, nos denominados comitês de rating, a exemplo
do que é feito pelas agências que os elaboram. Como sugestão, é apresentada a necessidade de
que novas aplicações da metodologia sejam realizadas para testá-la junto a outras organizações,
de forma a consolidá-la como um sinalizador a ser usado pelo mercado e cooperado.
2 INTRODUÇÃO
A Aliança Cooperativa Internacional (ACI, 1995) define que cooperativa é uma
associação autônoma de pessoas que se unem voluntariamente para satisfazer suas aspirações e
necessidades econômicas, sociais e culturais comuns, por meio de uma empresa de propriedade
coletiva e gerida democraticamente.
Segundo Menegário (2000) essas organizações, com raras exceções, encontravam-se
no final da década de noventa em situação de elevado endividamento, notadamente em operações
de longo prazo contraídas junto ao sistema financeiro. O mesmo autor ainda aponta que em 1999
a situação dos produtores rurais, não permitia que eles aportassem recursos para a capitalização
em suas cooperativas.
Diante desse quadro, da instabilidade de renda na agricultura e do encerramento das
atividades do Banco Nacional de Crédito Cooperativo – BNCC, a partir de 1991, as estratégias de
4
alavancagem financeira das cooperativas agropecuárias brasileiras focaram a captação de
recursos para seu funcionamento junto a terceiros, mais especificamente, às entidades bancárias
ou fornecedores. Assim a forma como avaliar a gestão e o desempenho econômico e financeiro
desse tipo de organização tornou-se importante.
Essa avaliação, segundo Costa e Bialoskorki Neto (2004), se tornou importante
devido, além do cenário macroeconômico adverso, o governo, a partir de 19881 ter impedido a
Secretaria Nacional de Cooperativismo – SENACOOP de fiscalizar as cooperativas e torna
ineficaz a regulação das atividades dessas organizações a partir de 1991, quando deixa de nomear
os membros componentes do Conselho Nacional de Cooperativismo – CNC. Essas ações, de
acordo com os autores, propiciaram um ambiente favorável ao surgimento de assimetria de
informação entre o mercado, cooperados e membros da diretoria da cooperativa.
Diante do exposto e retomando as especificidades do empreendimento cooperativista,
apontadas por Bialoskorski Neto (1994), Requejo (1997) e corroborando Bialoskorski Neto
(2000), explicita-se que a análise a ser efetuada em cooperativas agropecuárias deve ser
conduzida de forma diferente, pois essas não têm fins lucrativos. Assim não se deve analisar
somente os indicadores econômicos financeiros, mas também aqueles que apresentam o seu
desempenho social.
Portanto é objetivo central desse artigo apresentar a metodologia de rating,
desenvolvida por Costa (2005) para avaliar esse tipo de organização e debater os resultados
alcançados a partir da sua aplicação, por meio de um estudo de caso.
Para tanto esse texto foi dividido em quatro partes, além do resumo e da introdução.
Na terceira parte é exposto o referencial teórico do trabalho apresentando um conceito sucinto de
assimetria de informação entre os agentes econômicos e o seu impacto no mercado.
Na quarta parte será apresentada a metodologia proposta por Costa (2005), seguido da
quinta parte onde são explicitados os resultados do estudo de caso e finalmente na parte sexta são
expostas as conclusões e sugestões referenciadas pela aplicação da metodologia.
3 REFERENCIAL TEÓRICO
Para Milgrom & Roberts (1992) a assimetria de informação ocorre nos mercados e em
relações contratuais onde um agente econômico possui uma informação que o outro desconhece e
para adquiri-la deverá ter custos; em posse desta ao desejar maximizar seu bem estar irá utilizá-la
podendo prejudicar a outra parte, caracterizando-se como comportamento oportunista.
Pindyck & Rubinfeld (2002) relatam que a assimetria de informação é prejudicial ao
funcionamento do mercado e apresentam que sua principal conseqüência é a não realização de
transações econômicas entre os detentores dos produtos de alta qualidade e os compradores de
produtos que desconhecem a qualidade do mesmo.
Para Milgron Roberts (1992) a assimetria de informação é diagnosticada de acordo
com o momento em que ocorre, podendo ser classificada em risco moral ou seleção adversa. Se
ocorrer posteriormente à realização do contrato ela é denominado de risco moral, ao passo que se
esta existir antes da relação contratual é definida como seleção adversa.
1
O Art. 5º da Carta Magna promulgada em 1988, em seu inciso XVIII, estabelece que “a criação de associações e,
na forma da lei, a de cooperativas independe de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu
funcionamento”. Brasil (1988)
5
2
Akerlof (1970) mostrou que a seleção adversa compromete o funcionamento do
mercado quando provoca a redução dos valores que os agentes estariam dispostos a pagar por
uma determinada mercadoria, fazendo com que permaneçam naquele somente os produtores de
produto com baixa qualidade. Já Stiglitz & Weiss (1981) apontam que essa provoca o
racionamento do mercado, fazendo com que as taxas de juros subam e isso conduzirá a esse
mercado os tomadores com pouca capacidade de pagamento.
Spence (1973)3 propõe como solução à seleção adversa os mecanismos de sinalização,
que consistiria em um agente econômico enviar um sinal ao mercado transmitindo todas
informações que julga relevante de forma a reduzir a disparidade das informações a seu respeito,
criando assim uma maior possibilidade de aumentar suas transações econômicas.
Em se tratando de sinalização, de acordo com Bergamini Junior (2000), a teoria da
administração financeira apresenta o rating como o processo de análise elaborado com objetivo
de determinar a capacidade e a vontade de uma entidade vir a cumprir, no período adequado e na
íntegra, determinadas responsabilidades, podendo ser estas informações resumidas, sintéticas e
comparáveis. Assim, essa análise poderia ser considerada como um mecanismo de sinalização.
Considerando que a palavra risco representa a probabilidade de ocorrer um evento não
desejado e que rating é o processo de análise deste, então o resultado final do processo de
avaliação de uma organização determinará a probabilidade da empresa não cumprir suas
responsabilidades junto aos agentes do mercado. Portanto o rating corporativo pode ser
considerado como parâmetro importante no relacionamento contratual entre dois agentes
econômicos4.
O rating corporativo é elaborado a pedido de firmas interessadas em divulgar ao
mercado o seu nível de risco, de forma a aumentar a transparência e confiabilidade na sua gestão,
funcionando assim como um sinalizador ao mercado e, segundo a Moody’s (2004), as vantagens
de se obter uma boa classificação podem ser: a) menor valor de prêmio ou spread em suas
operações; b) maior valorização de suas ações; c) maior atratividade de investimento externo; d)
melhoria na imagem institucional; e) maior facilidade na obtenção de financiamentos.
De acordo com Silva (1997) e Weston & Brigham (2000), as metodologias de rating
que avaliam risco de crédito de empresas estão embasadas nos denominados “C’s” do crédito,
definidos na literatura da administração financeira, representando cada um deles um grupo de
indicadores que os analistas deveriam abordar.
Weston & Brigham (2000) apontam que esses C’s são: Caráter, Capacidade,
Condições, Conglomerado, Capital e Colateral. O primeiro grupo aponta a intenção da empresa
em cumprir seus compromissos; o segundo está relacionado com o potencial da gestão, com base
em fatos escriturados passados, em honrar suas dívidas.
O terceiro grupo – Condição tem por objetivo informar sobre as tendências
econômicas do mercado onde a empresa atua, se o ambiente institucional contribuirá para que a
mesma efetive suas obrigações contratadas. O Conglomerado – quarto grupo, relata a condição
2
Akerlof publica em 1970 o artigo intitulado “The Market for ‘Lemons’: Quality Uncertainty and the Market
Mechanism” e apresenta como a falta de informação sobre os carros usados, denominados de limão, afetavam o
mercado americano.
3
SPENCE (1973) publica um trabalho intitulado de “Market signaling: information transfer in hiring and related
processes” e apresenta a educação como mecanismo de sinalização sobre a qualidade da mão-de-obra.
4
O rating corporativo pode representar o risco de crédito de uma organização como um todo e não especificamente
de uma única operação.
6
societária da empresa que está sendo avaliada, ou seja, se a sua condição de sócia ou acionista de
outras empresas poderá contribuir para saldar sua dividas.
O capital da empresa, como o próprio nome aponta se refere à situação econômica e
financeira da empresa analisada e, finalmente, o sexto “C” – Colateral informa sobre o nível de
garantias que a empresa poderia disponibilizar para um contrato de crédito.
4 PROPOSTA METODOLÓGICA
A metodologia desenvolvida por Costa (2005) foi dividida em cinco grupos de
indicadores denominados de “Capacidade da organização”; “Capital da organização”; “Caráter da
organização”; “Colateral e conglomerado”; e “Condição de mercado”. Estes grupos englobaram
12 tópicos e 27 indicadores5.
Cada indicador após ser calculado ou diagnosticado recebeu um peso, de acordo com
o seu resultado, que variou entre 3, 2 e 1, em ordem decrescente. Assim, se o valor obtido foi o
mais adequado para garantir o cumprimento do contrato pela cooperativa ele recebeu peso três, se
sua contribuição foi média, teve valor igual a dois, e se o resultado apontou dificuldades para
cumprimento do contrato recebeu peso um.
Os tópicos receberam notas que variaram entre “a”, “b” ou “c”, de acordo com os
pesos obtidos pelos indicadores que compunham o tópico. A equação (1) aponta como foi
calculado o ponto obtido pela cooperativa.
Po =
n
∑P
n
(1)
1
onde: Po = total de pontos obtidos nos indicadores analisados; Pn = ponto obtido no indicador n;
e PP = pontos possíveis.
Se Po ≥ 75% de PP a cooperativa recebeu nota “a”; se 50% ≤ Po < 75% de PP a
cooperativa teve nota “b” e; se Po < 50% de PP a cooperativa obteve nota “c”.
Os grupos de indicadores poderiam ser classificados em “A”, “B” e “C”, de acordo
com as notas recebidas em cada tópico que fazia parte do grupo avaliado. A equação (2) informa
como foi calculada a nota do grupo.
(2)
TP = 3a + 2b + c
onde: TP = total de pontos obtidos com as notas recebidas; a = número de notas “a” recebidas; b
= número de notas “b” recebidas e c = igual número de notas “c” recebidas; e 3, 2 e 1 são os
respectivos pesos de cada nota.
Se TP ≥ 75% de (PP) a cooperativa recebeu nota “A”; se 50% ≤ Po < 75% de PP a
cooperativa obteve nota “B” e; se TP < 50% de PP a cooperativa teve nota “C”.
O grupo capacidade da cooperativa indica se a cooperativa cumpre seus
compromissos no curto prazo e no ambiente institucional vigente. Para gerar essa informação foi
dividido nos seguintes tópicos: capacidade da cooperativa cumprir sua função social (ES);
estratégia empresarial da cooperativa com o cooperado (EECC); eficiência empresarial enquanto
organização (EEO); e profissionalização e qualidade da governança (PQG).
A avaliação da capacidade da cooperativa cumprir sua função social (ES) diagnostica
a relação econômica da cooperativa com o cooperado, ou seja, o desempenho de atividades
econômicas que proporcionariam aumentos na renda do associado, oportunidade de
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No anexo I são apresentadas as fórmulas para calcular cada um dos indicadores propostos.
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comercialização da produção e fornecimento de insumos, bens e serviços necessários à atividade
econômica do sócio, de forma a impulsionar seu desempenho econômico e financeiro.
Os indicadores que compunham o tópico são: índice de atividade econômica do
cooperado com a cooperativa (ATc); índice de abrangência do quadro social (AQS); e índice de
participação dos cooperados em assembléia geral (PAG).
Com base no valor obtido para cada um desses indicadores foi definida a nota para a
eficiência social da cooperativa (ES).
O tópico eficiência empresarial do empreendimento cooperativo (EECC) informar
sobre a forma como a cooperativa gere sua relação econômica com o cooperado. Portanto, avalia
as estratégias empresariais adotadas pela cooperativa junto aos cooperados e como essas
contribuem para aumentar a capacidade da mesma de cumprir seus compromissos contratados.
Para gerar informações sobre esse tópico englobou os indicadores: índice de cobertura
do financiamento efetuado pela cooperativa ao cooperado (CFCC); estratégia de capitalização da
cooperativa via cooperado (ECVC); planos de devolução do capital social ao cooperado (PDCC);
remuneração do capital social dos cooperados (RCSC); prestação de serviços ao cooperado (PSC)
e ciclo financeiro da cooperativa junto ao cooperado (CFINC).
O CFCC apresenta a forma como a cooperativa se resguarda da estratégia de
financiamento das atividades do cooperado. Caso forneça crédito ao cooperado, então quanto
maior o CFCC mais seguro é o sistema de garantias das operações.
O indicador ECVC informa se a cooperativa possui programas formais de
capitalização via cooperado e se esses podem ser dados como garantia de operações que
cooperativa venha realizar no mercado. Seu diagnóstico é feito por meio de análise do estatuto
social da cooperativa e entrevistas junto aos diretores da mesma.
O PDCC avalia se a cooperativa planeja a restituição do capital do cooperado e se essa
estratégia não compromete sua estrutura financeira; a análise é feita através de entrevistas com
diretores e averiguações no estatuto social.
A avaliação desse item (RCSC) é feita para obter informações sobre como a
cooperativa utiliza essa estratégia para atrair o capital do cooperado e se isso não expõe suas
finanças ao risco. Seu diagnóstico também é realizado por meio de entrevistas junto as diretores e
complementado por averiguações nos seus demonstrativos contábeis e estatuto social.
O PSC é diagnosticado com a finalidade de averiguar se a cooperativa presta serviços
aos cooperados como estratégia de atratividade e se essa não compromete a sua estrutura
financeira. As informações são obtidas por entrevistas junto aos diretores e diagnosticadas junto
aos controles de custos da cooperativa.
O CFINC indica as características da relação comercial da cooperativa com o
associado e informa sobre a periodicidade de pagamento e recebimento entre ambos. Quanto
menor o valor de CFINC mais adequada é a política comercial da cooperativa em relação ao
cooperado, ou seja, não expõe suas finanças ao risco para praticar políticas de prazos junto ao
cooperado.
Com base nos pesos recebidos em cada um dos indicadores e utilizando a equação (1)
defini-se a nota para o tópico EECC.
O tópico eficiência empresarial da cooperativa enquanto organização (EEO) apresenta
a capacidade da cooperativa enquanto empresa; utiliza os seguintes indicadores: índice de
participação média da cooperativa no mercado regional ( IPMc ); ciclo financeiro da cooperativa
(CFIN); margem operacional (MOC); e giro dos ativos permanentes (GAP).
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O cálculo do IPMc é feito considerando as principais atividades comerciais e serviços
prestados pela cooperativa, indicando sua importância econômica na região de atuação. Já a
MOC informa sobre a competência dos gestores em administrar as obrigações da organização,
enquanto que o GAP apresenta como os gestores atuam em relação à imobilização de recursos
próprios. Assim, quanto maior o valor desses três indicadores melhor será a eficiência
empresarial da cooperativa.
O CFIN apresenta a eficiência comercial da cooperativa, informando como os
gestores administram seu fluxo de caixa; quanto menor o valor desse indicador, mais eficiente é a
sua gestão.
Os indicadores MOC, GAP e CFIN devem ser comparados com os resultados médios
de outras cooperativas agropecuárias que atuam na mesma atividade e somente após essa
comparação deve-se emitir o peso de cada um.
Após calculado os indicadores e gerado os pesos é emitida uma nota para o tópico
EEO, conforme equação (1).
Para avaliar o tópico profissionalização e qualidade da governança (PQG) a
metodologia propõe o uso de indicadores que forneçam informações relevantes sobre os gestores
da cooperativa, sendo eles: relação contratual dos executivos6 com a cooperativa (RCE);
formação e histórico dos executivos (FHE); e efetividade do conselho fiscal sobre os atos dos
gestores da cooperativa (EFG).
O indicador RCE verifica o papel e a importância do executivo no desempenho da
cooperativa. Já o FHE informa sobre a capacitação dos principais executivos, enquanto que o
EFG indica se o conselho fiscal atua garantindo uma gestão transparente dos atos administrativos
dos gestores da cooperativa junto ao quadro social.
O diagnóstico desses indicadores é feito por meio de entrevistas dos diretores, análise
do estatuto social, livro de atas de reunião do conselho de administração e fiscal, e relatórios
anuais do conselho de administração e fiscal.
A partir da analise de cada um dos indicadores é emitido seu peso e utilizando-se da
equação (1) emite-se uma nota para o tópico.
Com base nas notas emitidas para cada tópico e utilizando a equação (2) emite-se a
nota do grupo Capacidade da Organização.
O segundo grupo de indicadores da metodologia, denominado de Capital da
Organização, indica a situação econômica e financeira da cooperativa, averigua se sua condição
financeira permite cumprir os compromissos contratados.
Para gerar uma nota que transmita essas informações são diagnosticados os tópicos:
capital social do cooperado (CSC); endividamento (END); autofinanciamento (AUTFIN);
liquidez (LIQ); rentabilidade (RENT); e solvência (SOLV).
O tópico capital social do cooperado (CSC) relata como a cooperativa faz sua
alavancagem financeira via cooperado utilizando os indicadores capital social por cooperado
(CSc) e capital social utilizado no giro (CSG).
O CSc aponta a motivação do cooperado em transacionar com a cooperativa e quanto
maior seu valor, maior será o montante de capital social disponível à cooperativa. Já o CSG
informa o montante da necessidade de capital de giro da cooperativa que é suprido pelo capital
social do cooperado; quanto maior o seu valor, conseqüentemente menor será a dependência da
6
Considera-se como executivo a pessoa que ocupa uma posição de responsabilidade administrativa, de diretoria ou
gerência, numa organização.
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cooperativa por capital de terceiros no curto prazo. Com base nos pesos dados a cada indicador é
dada a nota para o tópico (CSC), conforme equação (1).
Os indicadores utilizados para aferir o tópico endividamento (END) demonstram a
importância dos recursos de terceiros no financiamento da cooperativa e o grau de
comprometimento da sua estrutura financeira. Os valores diagnosticados são usados para
averiguar a capacidade da cooperativa cumprir seus compromissos financeiros.
Para avaliar esse tópico utiliza-se os seguintes indicadores: grau de comprometimento
do faturamento bruto da cooperativa com o endividamento junto a terceiros (GCFE); distribuição
do endividamento total quanto ao curto (DCPC) e longo prazo (DLPC); e grau de dependência de
capital de terceiros para operacionalizar suas atividades (GDter).
O GCFE informa o quanto da dívida é saldada se todo o faturamento for destinado
exclusivamente para essa finalidade; quanto menor for seu valor melhor a gestão financeira da
cooperativa.
A distribuição das dívidas quanto ao prazo de vencimento (DLPC – DCPC) realça
qual sua predominância, se no longo ou curto prazo. Já o GDter informa sobre a dependência da
cooperativa por captação de recursos no mercado para executar sua operações; quanto menor seu
valor melhor a situação financeira da organização.
Com base nos pesos recebidos por cada indicador é gerada uma nota para o tópico
endividamento (END), conforme equação (1).
O autofinanciamento (AUTFIN) da cooperativa informa sobre a capacidade dos
gestores em administrar suas operações com capital próprio e para gerar essa informação serão
diagnosticados os indicadores: quantidade de capital de giro disponível (CGD), necessidade de
capital de giro (NCG) e índice de autofinanciamento (IAF).
O CGD representa o total de recursos necessários, no curto prazo, para a cooperativa
realizar suas operações. O NCG informa a quantidade de recursos necessários para realizar as
operações. Por fim o índice de autofinanciamento relaciona o CGD e a NCG, informando sobre a
real necessidade de capital pela cooperativa.
O IAF diagnostica a capacidade da organização financiar suas necessidades de capital
de giro com capital próprio, assim quanto maior seu valor, melhor será sua condição financeira.
Como o IAF é a relação entre a necessidade de capital de giro com capital de giro
disponível, então, baseado seu valor será emitido uma nota para informar sobre o tópico
autofinanciamento.
Para Brigham & Houston (1999) a posição de liquidez da empresa indica se essa
consegue saldar suas dívidas, à medida que elas forem vencendo, durante o próximo exercício
social. Para gerar essa informação os autores propõem os indicadores de liquidez corrente e seca.
Costa (2005) propõe a utilização desses mesmos indicadores e a partir dos seus
valores emite uma nota para o tópico liquidez (LIQ), conforme equação (1).
A rentabilidade, de acordo com Brigham & Houston (1999), é o resultado de uma
série de políticas e decisões tomadas pela administração da empresa. Baseado na definição dos
autores, Costa (2005) utiliza os indicadores margem líquida (MgL), retorno sobre os ativos
(RSA) e retorno sobre o patrimônio líquido (RSPL).
A margem líquida (MgL) apresenta o nível de segurança que a cooperativa aplica
sobre a unidade vendida, de forma a garantir o seu funcionamento; quanto maior MgL melhor a
condição financeira da cooperativa.
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O retorno sobre o ativo total informa sua rentabilidade para a cooperativa Já o retorno
sobre o patrimônio líquido indica a taxa de retorno sobre os investimentos dos cooperados.
Quanto maior esses valores, melhor a rentabilidade da cooperativa.
Após avaliar os indicadores e compará-los com o de outras cooperativas agropecuárias
que atuam na mesma atividade, é gerado um peso para cada indicador. E usando a equação (1) é
gerada a nota para representar o tópico rentabilidade da cooperativa (RENT).
O índice de Kanitz é calculado para indicar a solvência (SOLV) da cooperativa e
baseado no seu valor é emitida a nota para o tópico solvência (SOLV).
Com base nas notas recebidas em cada tópico e utilizando a equação (2) é gerada a
nota do grupo Capital da Organização.
O Caráter da Organização informa a intenção da cooperativa em cumprir seus
compromissos no curto prazo e no ambiente institucional vigente. Para poder gerar essa
informação a metodologia propõe que sejam diagnosticados os seguintes tópicos: pontualidade
nos pagamentos e existência de protestos e desabonos.
A pontualidade dos pagamentos é avaliada, conforme sugerido por Silva (1997), junto
às agências de informações comerciais e bancárias, priorizando as seguintes: dias de atraso de
pagamento e freqüência dos atrasos.
Para diagnosticar os indicadores é necessário avaliar o valor do indicador CFIN,
questionar os gestores e checar junto ao setor competente os seguintes pontos: quantas vezes a
cooperativa atrasou os pagamentos no último exercício social e em quantos dias consistiram esse
atrasado; a partir daí emitir uma nota para o tópico.
A avaliação da existência de protestos e desabonos deve ser feita junto às empresas
que prestam esse tipo de serviço ao mercado, ou seja, cartórios de protestos de títulos e empresas
que são especializadas em informar históricos negativos, por exemplo, o SERASA e Serviço de
Proteção ao Crédito (SPC).
É recomendável que a informação seja referente aos três últimos exercícios sociais, de
forma a considerar um período de tempo próximo ao que as empresas caracterizam como
histórico negativo e disponibilizam no mercado. A partir dos resultados deve ser emitida uma
nota para esse tópico.
Com base nas notas recebidas nos dois tópicos que compõem esse grupo e utilizando a
equação (2) é gerada a nota do grupo Caráter da Organização.
O grupo Colateral e Conglomerado englobou informações relativas a relação
societária da cooperativa com demais empresas ou cooperativas; e seu nível de garantias para
possíveis operações de crédito. Com base nas informações coletadas nesse grupo, (Anexo II), e
na pontuação estabelecida, conforme equação (1), é emitida a nota do grupo.
A Condição de Mercado apresenta informações sobre o ambiente macroeconômico
onde a cooperativa atua e permite inferir se a cooperativa tem condições internas e externas para
cumprir seus compromissos nos prazos assumidos.
Para gerar a informação é preciso que sejam diagnosticados os riscos do setor onde a
cooperativa atua, o ambiente político, econômico e regulatório e nível de apoio do estado sobre
suas atividades.
Com base nas análises das informações coletadas para esse grupo é emitida sua nota,
conforme equação (1).
Após a análise de cada grupo as cooperativas poderão ter recebidos notas como, por
exemplo, AAAAA, ou seja cinco “A’s”. Essa classificação representará que a organização
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avaliada teve ao menos 75% de peso 3 em cada indicador analisado e nota “a” em ao menos 75%
dos tópicos avaliados em cada grupo.
5 APLICAÇÃO DA METODOLOGIA
Para averiguar a aplicabilidade da metodologia Costa (2005) realizou um estudo de
caso numa cooperativa agropecuária localizada no estado de São Paulo, que atua no agronegócio
café.
A cooperativa estudada fornecia crédito para custear as atividades do cooperado,
fornecia insumos e assistência técnica, recebia e armazenava a produção do sócio, chegando até
mesmo a industrializar e comercializar seu café, tanto no mercado interno quanto externo.
Com essa diversidade de atividades se tornou, ao longo da sua trajetória, atrativa aos
produtores de café da região onde atua, haja vista a alta procura desses para se tornarem
cooperados.
Comprovou essa atratividade a evolução do número de cooperados, que foi de 905, no
ano de 2000, para 1.637 em 2004, ou seja, um crescimento de aproximadamente 15,9% ao ano e
uma expansão no quadro social de aproximadamente 63,6% no período.
Na mesma trajetória do número de cooperados o faturamento da cooperativa evoluiu
14,61% ao ano e 58,4% no mesmo período, enquanto que a quantidade de café recebida e
comercializada também cresceu 45% e 42% respectivamente.
A análise dos dados referentes ao faturamento da cooperativa, seu patrimônio líquido
e vendas, apresentados no Quadro 01 a seguir, informa que a cooperativa está se consolidando no
mercado, haja vista sua constante evolução.
De acordo com o estatuto social a cooperativa é gerida por um conselho de
administração, composto de nove membros eleitos em assembléia geral ordinária sendo três deles
eleitos diretamente para exercerem os seguintes cargos de executivos: diretor presidente, diretor
vice-presidente e o diretor secretário.
Esses executivos têm a função de liderar a equipe de funcionários, distribuídos em três
importantes áreas: setor administrativo e financeiro, área de café e comercial. É importante
ressaltar que cada uma delas possui um gerente contratado para exercer a função.
Ano
Dados
2000*
2001*
2002*
2003*
2004*
Faturamento bruto
86,72
88,43
101,58
106,81
149,65
Patrimônio líquido
10,90
10,96
9,03
12,70
17,59
12
Vendas no período
86,04
87,97
100,97
105,68
148,74
Quadro 69 Dados financeiros, em valores reais que apresentam a consolidação da cooperativa.
Fonte: relatórios de gestão da cooperativa
Nota: os valores foram corrigidos pelo IGP-DI referente a julho/05 e apresentados em R$ milhões
Como em toda cooperativa, os administradores são fiscalizados por um conselho
fiscal, que também é eleito, anualmente, em assembléia geral ordinária - AGO, para exercer essa
atividade. Na mesma, esses conselheiros contam com a assessoria de uma auditoria interna e
outra independente, para dar sustentação e credibilidade à sua atividade.
Complementando o mecanismo de representação na cooperativa, tem-se que os 1.637
cooperados são organizados em núcleos, também denominados de comitês educativos, que se
reúnem periodicamente para debater assuntos referentes à cooperativa e ao cooperado, tornando
dessa forma o processo decisório da cooperativa mais transparente e democrático.
Antes de iniciar o diagnóstico das informações, para fins de elaboração do rating
corporativo, foi averiguada a sua legalidade enquanto organização cooperativa, conforme
estabelecido pela legislação cooperativista vigente (Lei 5.764/71).
Durante a aplicação da metodologia alguns indicadores não puderam ser calculados de
imediato, pois a cooperativa não possuía informações suficientes no momento ou essa informação
não estava disponível em fontes secundárias. Porém esse fato não invalidou a sua aplicação, ao
contrário, conforme observado pelos próprios profissionais da cooperativa, os indicadores são
relevantes, possíveis de serem obtidos e deveriam ser levados em consideração.
A ponderação (pesos) de cada indicador não apresentou problemas e sim facilitou a
geração da nota para cada tópico ao qual fazia parte. O formato como foi elaborado permitiu que
pudesse haver substituição, diminuição ou aumento de indicadores sem que isso influenciasse as
notas obtidas nos tópicos avaliados.
A cooperativa obteve notas “a”, “b” e “c”, conforme apontado no quadro 02, não
havendo concentração numa única nota. A distribuição das mesmas permitiu inferir que a
cooperativa possui pontos que a expõe ao risco e outros que garantem o cumprimento dos seus
compromissos.
Tópicos
Eficiência Social (ES)
Estratégia Empresarial da Cooperativa com o Cooperado
(EECC)
Indicadores
ATc
PAG
CFCC
ECVC
PDCC
RCSC
PSC
Nota do tópico
c
b
13
Eficiência Empresarial enquanto Organização (EEO)
Profissionalização e Qualidade da Governança (PQG)
Capital Social do Cooperado (CSC)
Endividamento (END)
Autofinanciamento (AUTFIN)
Liquidez (LIQ)
Rentabilidade (RENT)
Solvência (SOLV)
Pontualidade
Protestos e desabonos
CFINC
IPMc
CFIN
MOC
GAP
RCE
FHE
EFG
CSC
CSG
GCFE
DLPC
GDTer
IAF
LC
LS
MgL
RSA
RSPL
KANITZ
b
b
c
c
c
b
a
a
a
a
Quadro 2 - Notas dos tópicos calculados no estudo de caso para a cooperativa
A partir das notas recebidas em cada um dos tópicos foram emitidas as notas para os
grupos, conforme exposto no Quadro 3. Portanto a cooperativa estudada, de acordo com a análise
dos indicadores e tópicos obteve as seguintes notas de rating corporativo: “BBABA”.
Grupo
Capacidade da Organização Cooperativa
Capital da Organização Cooperativa
Caráter da Organização Cooperativa
Colateral e Conglomerado
Condição do mercado
Quadro 2 -
Notas
B
B
A
B
A
Pontuação e notas obtidas pela cooperativa para os grupos estudados
A nota “B” para o grupo capacidade de organização relatou que a cooperativa tem
competência adequada para gerir suas atividades, entretanto poderia ser melhorada.
A segunda nota informa que o capital da cooperativa é adequado às atividades de
curto prazo, mas que poderá ser comprometido no futuro se a gestão financeira não for adequada.
Já a terceira nota (“A”) apresentou que a cooperativa pode ser caracterizada como cumpridora de
seus compromissos e a quarta, que foi “B”, relata que a cooperativa tem nível de garantias e
colateral adequado às dívidas assumidas, porém suas estratégias junto a outras organizações não
contribuem para elevar sua capacidade de pagamento.
A última nota “A” informou que a cooperativa atua num mercado com condição
propícia, ou seja, permite cumprir seus compromissos de curto prazo.
14
A combinação dos resultados apresentados pela cooperativa e a experiência da
aplicação do estudo de caso permitiram apontar que os indicadores previstos para informar sobre
a capacidade e capital da organização se mostraram consistentes com a realidade da cooperativa e
que os indicadores sobre o caráter apresentaram a necessidade de uma avaliação rigorosa sobre a
veracidade dos documentos comprobatórios.
Já os indicadores que servem para nortear as notas do conglomerado e colateral e as
condições de mercado, por necessitarem de conhecimento mais aprofundado do avaliador ou
investigação de documentos, apontaram a importância da criação de comitês para avaliar em
conjunto as informações, de forma semelhante ao que as agências de rating procedem.
Os tópicos abordados em cada grupo se mostraram abrangentes, pois abordaram todos
os assuntos que uma metodologia tradicional de rating corporativo abordaria.
Os grupos, da forma como foram definidos, acompanhando os “C’s” do crédito,
também foram adequados, pois, abrangeram praticamente todas as áreas da organização,
inclusive a influência do mercado na atividade da cooperativa.
A proposta de como chegar à nota dos grupos (maiúscula), dando pesos diferentes
para cada uma das notas dos tópicos, conforme equação 2 também se apresentou adequada pois
permite adição, diminuição ou substituição de tópicos em cada grupo.
O fato de a metodologia não utilizar uma única nota para representar as informações
sobre a organização analisada, ao contrário do que é feito pelas agências de classificação, se
apresentou adequado, pois o público que necessitar averiguar suas notas poderá fazê-lo de forma
segmentada, ou melhor, analisar somente aquela que lhe interessar.
Para as cooperativas esse formato também se mostrou mais adequado, pois pode
indicar ao público externo quais seus pontos fortes e internamente quais os tópicos necessitam ser
readequados para melhorar sua gestão.
Com base na experiência da aplicação da metodologia foi possível constatar que os
profissionais que vão elaborar o rating de uma cooperativa precisam ter conhecimentos prévios
sobre legislação, contabilidade e funcionamento de cooperativas e agronegócio.
O estudo foi desenvolvido em duas semanas de trabalho fora da cooperativa e quatro
dias dentro das instalações da organização. Comparando o tempo gasto com o sugerido pelas
metodologias de rating corporativo das agências, acredita-se que o fato de não ter sido criado um
comitê e não haver um tratamento estatístico dos dados ocasionaram a redução do tempo gasto.
Ainda nesse sentido é importante destacar que o tempo de duração da aplicação da
metodologia depende diretamente da experiência dos avaliadores e do nível de comprometimento
dos profissionais da cooperativa com o desenvolvimento do processo, pois o fornecimento das
informações necessárias, bem como da disponibilidade e comprometimento dos executivos,
influenciará diretamente a qualidade e duração dos trabalhos.
A falta de instrumentos estatísticos tornou a metodologia menos precisa, servindo
como uma base de inferência sobre as informações que a nota transmite. Porém isso não diminui
sua importância pois, para desenvolver essas atividades seria necessário que o número de
cooperativas com informações fosse bem mais elevado para tornar o modelo estatístico
consistente e significante.
Em termos gerais pode-se apontar que a metodologia é aplicável e apresenta uma certa
aproximação da realidade do mercado e serve como mecanismo para reduzir a assimetria de
informações entre os diretores, cooperados e mercado.
15
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES
A partir de 1988 as mudanças no ambiente institucional propiciam condições para
ocorrência de assimetria de informação sobre a gestão das cooperativas.
O rating emitido pelas agências de classificação de risco, por solicitação das
organizações, pode ser usado como mecanismos de redução da assimetria de informação sobre a
gestão das cooperativas.
Para as cooperativas brasileiras não existe uma metodologia de rating, o que há são
trabalhos científicos e empíricos que objetivam analisar sua condição de solvência ou capacidade
de pagamento e avaliá-las para fins de prestação de serviços em assessoria na gestão. Porém esses
não levam em consideração a sua especificidade enquanto empreendimento cooperativo.
A metodologia criada teve maior enfoque na proposição de indicadores específicos
para cooperativas agropecuárias e manutenção dos chamados indicadores tradicionais.
O fato de a metodologia não ter descrito os procedimentos que deveriam ser
executados, como, por exemplo, criar o comitê de análise dos indicadores, cargos dos
profissionais que deveriam ser entrevistados, tempo de duração das visitas, tipos de imóveis que
deveriam ser visitados, etc., tornou-a um modelo que pode ser adequado a diferentes situações,
pessoas e tipos de cooperativas.
A aplicação do estudo de caso apresentou que os procedimentos são necessários e
importantes, porém não contribuiriam para chegar a uma nota definitiva de rating com maior
nível de segurança e credibilidade.
A metodologia proposta pode ser caracterizada como abrangente, pois os indicadores
propostos envolveram todas as áreas de gestão da cooperativa estudada. Esse fato comprovou que
os “C’s” do crédito são a base das metodologias de rating.
Todos os indicadores previstos na metodologia, são possíveis de serem calculados
junto às cooperativas, desde que ela tenha um nível de controle de informações minimamente
organizado.
O estudo de caso da aplicação da metodologia não apresentou dificuldade de ser
realizado, pois a cooperativa estudada se apresentou bastante receptiva. Entretanto, se esse fosse
realizado numa cooperativa que não visualizasse o benefício, haveria dificuldades, pois a
metodologia prevê que sejam acessadas informações consideradas estratégicas.
O tempo de duração da aplicação da metodologia nas cooperativas dependerá da
disponibilidade das informações e tempo de cálculo dos indicadores e disponibilidade da
organização, uma vez que é necessária a entrevista com diretores e gerentes.
A forma como a metodologia foi proposta, no que se refere ao método de gerar pesos
e notas, mostrou-se bastante interessante, pois se tornou moldável à entrada ou saída de
indicadores ou tópicos a serem calculados.
A metodologia se mostrou aplicável e apresenta uma boa aproximação da realidade da
cooperativa no mercado, conforme observação feita durante as visitas.
As notas finais, apresentadas pela cooperativa estudada, podem ser usadas como uma
fonte de informações sobre sua gestão e, portanto, servem como redutores da assimetria de
informação.
A parte econométrica não foi objetivo deste trabalho, mas em trabalhos futuros deverá
ser desenvolvida, pois contribuirá para associar as notas recebidas pela cooperativa à
probabilidade de ela cumprir seus compromissos, representando o seu índice de acerto.
16
Para tanto, é importante que seja observada a necessidade de aplicar a metodologia
num grupo de cooperativas para períodos seguidos. Se ambas as atividades forem possíveis, isso
contribuirá para melhorar a aferição da metodologia.
A descrição de procedimentos do avaliador e formação do comitê de rating também
contribuirão para enriquecer a metodologia e possibilitarão sua comparação quando aplicadas a
diferentes tipos de cooperativas.
O trabalho contribuiu para desenvolver uma metodologia de rating específica para
cooperativas agropecuárias brasileiras, porém essa ainda poderá ser enriquecida com estudos
mais estatísticos e quantitativos à medida que os dados venham a existir.
Acredita-se que a parte mais estatística poderá tornar a metodologia um instrumento
de tomada de decisão e aumentar o número de transações econômicas entre os agentes do
mercado e as cooperativas.
A metodologia poderá ser aplicada a pedido da cooperativa, por visualizar os
benefícios de diminuir a assimetria de informação sobre a sua gestão ao mercado e ao cooperado.
Para finalizar é importante estabelecer uma discussão sobre a possibilidade de criar
instrumentos e mecanismos que obriguem as cooperativas, a exemplo do que a Comissão de
Valores Mobiliários (CVM) faz com as empresas S/A, a apresentarem informações assimiláveis
sobre seu desempenho, tanto para o mercado quanto para os cooperados, haja vista o nível de
importância que ela apresenta para ambos.
Nesse sentido o que deve ser suscitado nas discussões é que havendo a
obrigatoriedade de divulgação de informações, qual deveria ser o órgão que regularia essa
atividade. Essa atividade seria transferida à CVM? A organização das cooperativas brasileiras
poderia assumir essa tarefa? Deveria ser criado um órgão ou agência com função específica? As
próprias agências de regulação de mercado, já existentes ou as que estariam por ser criadas,
poderiam fazê-lo?
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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17
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ANEXO I – Fórmulas dos indicadores utilizados na metodologia
18
Indicador
Fórmula
NCa
NCt
Índice de atividade econômica do cooperado com a cooperativa - ATc
ATc =
Índice de abrangência do quadro social - AQS
AQS =
NCt
NPt
Índice de participação dos cooperados em assembléia geral - PAG
PAG =
CApt
NCt
Eficiência Social da cooperativa – ES
ES =
Índice de cobertura do financiamento efetuado pela cooperativa ao
cooperado – CFCC
Ciclo financeiro da cooperativa junto ao cooperado - CFINC
Índice de participação média da cooperativa no mercado regional -
IPMc
Ciclo financeiro da cooperativa – CFIN
Margem operacional da cooperativa – MOC
1 n
∑ Xi
n i =1
 GDC 

 DCC 
CFCC=
CFINC=PMRc + PMEc - PMPc
 n

 ∑ ( IPM )t ×( P )t 

IPMc=  t =1
n
∑ ( P )t
t =1
CFIN=PMR + PME - PMP
 (RT-CMV-DO) ×100

RT


MOC =
GAP =
Giro dos ativos permanentes – GAP
VP
AP
Capital social por cooperado – CSc
CSc =
CS r
Capital social utilizado no giro – CSG
CSG =
CS r
NCG
Grau de comprometimento do faturamento bruto da cooperativa com o
endividamento total junto a terceiros - GCFE
 PC + ExLPz ×100

 FatB 
GCFE =
PC



PC
+
ExLpz


Distribuição do endividamento total quanto ao curto – DCPC
DCPC = 
Distribuição do endividamento total quanto ao longo prazo – DLPC
DLPC =
Necessidade de capital de giro – NCG
Índice de autofinanciamento – IAF
Índice de Liquidez Corrente – LC
 ExLPz 
 PC + ExLPz 
 ( PC+ ExLPz ) 

PL

Grau de dependência de capital de terceiros para operacionalizar suas
atividades – Gdter
Capital de giro disponível – CGD
GDTer = 
CGD =
[( PL + ExLp )−( AP + RLp )]×100
AT
 AO − PO ×100

 AT 
NCG =
IAF =
CGD
NCG
LC =
AC
PC
( AC − Est )
Índice de Liquidez Seca – LS
LS =
Margem líquida – MgL
MgL =
Indicador
NCt
PC
( SOBa )
VT
Fórmula
i, r
19
Retorno sobre os ativos – RSA
Retorno sobre o patrimônio líquido – RSPL
Índice de Kanitz
RSA=
( SOBrei )
RSPL =
AT
( SOBrei )
PL
K =0,05 RKp + 0,65 LG + 3,55 LS +1,06 LC − 0,33 ET
ANEXO II: Check list sobre colateral e conglomerado
Resposta
Informações sobre a Cooperativa
Sim
01
02
03
04
05
06
07
08
09
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
A cooperativa é acionista de empresas S/A?
As empresas que a cooperativa é acionista geraram lucros no último ano?
Os lucros estão sendo distribuídos aos acionistas?
Os lucros recebidos pela cooperativa, enquanto acionista, estão sendo aplicados no
FATES conforme determina a lei 5764/71?
A conta FATES, prevista no PL da cooperativa, está desvinculada do capital de giro?
O capital social da cooperativa na S/A pode ser utilizado como garantia de operações?
A cooperativa é associada a uma cooperativa Central ou Federação de cooperativas?
A Central ou Federação tem gerado sobras nos últimos anos?
As sobras da Central ou Federação estão sendo distribuídas às associadas?
O capital social da cooperativa na Central ou Federação pode ser utilizado como
garantia de operações?
Na sociedade onde a cooperativa participa existem cláusulas de co-responsabilidade no
cumprimento das obrigações que as partes assumem?
A sociedade contribui para aumentar o nível de garantia às operações da cooperativa?
As sobras distribuídas, pela cooperativa singular analisada, estão sendo incorporadas
ao Patrimônio Líquido da cooperativa?
As sobras retidas, pela cooperativa singular, estão sendo capitalizadas na conta capital
social do cooperado?
Existe intenção de fusão por parte da cooperativa analisada?
Existe intenção de incorporação de outra cooperativa por parte da cooperativa
analisada?
O processo de fusão geraria economia de escala para a cooperativa?
A incorporação geraria economia de escala para a cooperativa?
A cooperativa analisada está vinculada a uma cooperativa de crédito rural?
As operações da cooperativa de crédito rural podem ser definidas como benéficas à
cooperativa analisada?
Os ativos reais da cooperativa podem ser dados como garantia do contrato?
Os ativos reais a serem dados em garantia já estão como garantia de outro contrato?
Os imóveis a serem dados em garantia estão em adequado estado de conservação?
Existem outros ativos reais que poderão ser dados como garantia?
Existiria liquidez para as garantias reais dadas ao contrato?
Existem avalistas para o contrato?
Os diretores têm ativos suficientes para serem fiadores do contrato, caso a cooperativa
não o cumpra?
O valor total das garantias, adicionados dos fiadores, é suficiente para a realização do
contrato?
A cooperativa executa alianças estratégias com outras empresas ou cooperativas?
Essa aliança contribui para o cumprimento dos compromissos assumidos pela
cooperativa?
Não
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proposta de metodologia de rating para cooperativas agropecuárias