1 ALÉM DO QUE SE VÊ: A ATUAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DO INSTITUTO MÉDICO-LEGAL (IML)¹ BEYOND WHAT IS SEEN: THE PERFORMANCE OF THE INSTITUTE OF MEDICAL-LEGAL’S PROFESSIONALS (IML) Chancarlyne Vivian² Amanda Saraiva Angonese³ “Quando acabamos de fazer tudo o que viemos fazer aqui na Terra podemos sair de nosso corpo, que aprisiona nossa alma como um casulo aprisiona a borboleta. E, na hora certa, podemos deixá-lo para trás, e não sentimos mais dor, nem medo, nem preocupações. Estamos livres como uma linda borboleta voltando para casa.” (ROSS, 2008 p.4) RESUMO: Este artigo tem o objetivo de compreender como os profissionais de Institutos Médicos Legais se posicionam frente ao exercício que realizam em prol da justiça; verificar a saúde mental e as condições gerais de trabalho, bem como conhecer as estratégias de resiliência utilizadas pelos colaboradores para lidar com situações de violências e mortes sem carregar fatos que causem algum dano psíquico. A pesquisa foi realizada por meio de roteiro semi-estruturado com cinco profissionais, dois médicos legistas e três auxiliaries, que atuam nos Institutos Médico-Legais (IMLs), das cidades do extremo oeste catarinense e da região central do Rio Grande do Sul. O método utilizado para explanar os dados foi o qualitativo, que busca compreender os significados e características situacionais. A partir da análise dos relatos percebeu-se que o cuidado, a coerência e o profissionalismo são os pontos fundamentais que permeiam suas atuações na instituição. As situações e o enfrentamento exigem trabalhadores resilientes que adquiram estratégias de minimização dos fatos para que suas atividades profissionais não tragam agravos futuros. Por meio desta pesquisa compreendeu-se que é fundamental que esses colaboradores vivam em equilíbrio para que possam desenvolver seu trabalho eticamente a fim de garantir a integridade e segurança dos indivíduos. Assim, constata-se a importância da atuação do profissional da Psicologia para facilitar o processo de compreensão desses profissionais acerca da importância de suas atuações diante da busca pela justiça mútua. Palavras-chave: Instituto Médico-Legal. Profissionais. Sentimentos. 1Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado como pré-requisito para a obtenção do Título de Graduação em Psicologia, da Universidade do Oeste de Santa Catarina –UNOESC, Unidadede Pinhalzinho. ² Acadêmica do 10. período do Curso de Psicologia da Universidade do Oeste de Santa Catarina – Unidade de Pinhalzinho. E-mail:[email protected]. ³ Orientadora. Psicóloga. Professora do curso de graduação em Psicologia da UNOESC. Especialista em Psicologia Hospitalar pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre/UFRGS, PósGraduanda em Saúde Mental Coletiva pela UNOESC. E-mail: [email protected] 2 ABSTRACT: This article has the objetive to understand how these professionals position themselves to the exercise they perform towards justice; checking the mental health and general working conditions, as well as knowing the resilience strategies used by collaborators to deal with situations of violence and deaths without carrying facts that cause any psychic damage. The research was conducted through semi-structured interviews with five professionals, two coroners and three auxiliaries who work in institutes Medico-legal (IMLs) from the cities of the west of Santa Catarina and the central region of Rio Grande do Sul. The method used to explain the data was qualitative, which seeks to understand the meanings and situational characteristics. From the analysis of the reports can be realized that the care, the coherence and the professionalism are the key points, that permeate their performances in institution. The situations witnessed and the coping require workers resilient that acquire minimization strategies about the facts so so their professional activities do not bring future aggravations. Through thisresearch it was understoodthat it iscrucial that thesecollaboratorslivein balance, that they can developtheir work ethically to ensurethe integrity and securityof the individual. Thus, there is the importance of the professional practice of psychology to facilitate the process of understanding these professionals about the importance of their actions on the quest for mutual justice. Keywords: Institute Medico-Legal. Professional. Feelings. 1 INTRODUÇÃO Visto pela sociedade como sinônimo de repulsa e evitação, o Instituto Médico-Legal (IML) ou Posto Médico-Legal (PML) é uma instituição que tem a função de manter a ordem pública garantindo o bem-estar da sociedade de maneira geral. A busca pela justiça, o trabalho coerente e a conduta prezando pelo ser humano na sua singularidade, são características que permeiam o cotidiano dessa instituição e de seus profissionais. Por tratar da violência em seus múltiplos âmbitos e adjuntamente, ao trabalhar com a morte é que a maioria das pessoas evitam falar sobre esse assunto a fim de não se aproximar de algo que causa medo, tristeza, ou angústia, características visíveis na vivência de todo o ser humano. O trabalho foi desenvolvido com o intuito de buscar, analisar e transmitir em que é pautado o exercício desenvolvido nos IMLs; qual é a importância que eles têm diante da comunidade; como os colaboradores avaliam suas atividades e quais as condições de trabalho e de saúde desses profissionais. Contudo, a sublime atividade desenvolvida pelos profissionais do IML para a comunidade é pautada na busca pela segurança, justiça e cuidado pleno para todas as pessoas que o procuram. Bem como suas condutas de zelarem pelos corpos, garantindo que as histórias e identidades sejam mantidas sob sigilo e cuidado a fim de garantir a integridade de cada ser humano. 3 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 CONCEPÇÕES GERAIS SOBRE A COMPREENSÃO DO TRABALHO REALIZADO NO INSTITUTO MÉDICO-LEGAL (IML) O Instituto Médico-Legal (IML) é o órgão da Polícia Civil responsável pela realização de perícias médicas e pela emissão de laudos para subsidiar as investigações e o julgamento de processos criminais sobre agressões físicas, acidentes, estupros, atentados violentos ao pudor, tentativas de homicídio, homicídios consumados e suicídios. (ALDÉ, 2003). Os IMLs não trabalham somente com situações já decorrentes de mortes, mas, com um número cada vez maior de lesões e outras agressões que não provocam a letalidade. De acordo com Francalacci (2011), noventa e cinco por cento das perícias são realizadas em pessoas vivas que se dirigem aos órgãos do IML. O serviço realizado pelo Instituto Médico-Legal (IML) é o de pronto atendimento, ou seja, tem que estar à disposição da população 24 horas por dia. O problema com a falta de profissionais também se faz presente nessa área. Há necessidade de incremento efetivo de Peritos, Médicos Legistas para adequar a demanda de serviço e agilizar o atendimento. (FRANCALACCI, 2011, p.15). De acordo com o Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba-Paraná, as áreas técnicas do IML estão divididas em Clínica Médico-Legal que oferece a realização de exames de conjunção carnal, ato libidinoso, lesão corporal, verificação de aborto, verificação de idade, sanidade física, sanidade mental, identificação de sexo somático, psiquiátrico, emitindo seus laudos em Laboratórios, que executam serviços de exames anatomopatológicos, toxicológicos e de química legal. 2.2 A HUMANIZAÇÃO DO AMBIENTE DE ATENDIMENTO Aldé (2003) salienta que o ambiente do Instituto Médico-Legal (IML) causa medo, nojo, e incômodo. É interessante observar a reação das pessoas quando retratam como alguém pode se interessar em estudar esse ambiente que é desagradável, execrado e excluído da sociedade. Para Francalacci (2011), melhorar a imagem do IML é um desafio. A sociedade precisa ser mais bem atendida e tomar conhecimento de que o IML não é sinônimo de “morte”, mas sim, de justiça. É necessário lutar para que o cidadão não tenha medo de procurá-lo quando necessário e instruí-lo sobre a real função do IML. A autora destaca que as vítimas de violência precisam de 4 um atendimento diferenciado, ágil e de qualidade, que possa ao menos, aliviar a dor das pessoas atendidas e dar suporte aos familiares que perderam seus entes queridos. Por esse motivo, precisa-se humanizar os ambientes de atendimento, tornando-os mais confortáveis e reservados. Afinal, são situações de extrema delicadeza que ali são tratadas. De acordo com Barros e Silva (2004), o trabalho realizado pelos profissionais que atuam no Instituto Médico-Legal (IML), ainda é pouco compreendido pela sociedade. As atividades que desempenham têm uma grande dimensão, surtindo situações de trabalho saturadas de sofrimento mental. Conforme relatos de profissionais, as primeiras experiências nesse local de trabalho foram de sentimento de certo mal-estar, deixado pelo cheiro e pela visão de corpos para necropsiar. Francalacci (2011) pontua que as atividades desenvolvidas no âmbito dos IMLs buscam compreender o efeito patogênico do trabalho executado nesses ambientes, trazendo a melhoria das condições por meio do efetivo pessoal necessário, bem como dos equipamentos e instalações físicas adequadas. São, em grande parte, atividades cuja natureza implica contato com conteúdos repugnantes, dejetos e/ou cadáveres que impregnam o sujeito e a sua atividade com significados estigmatizantes, podendo levar o trabalhador a se incorporar e a se identificar com esses conteúdos. Para os profissionais, após algum tempo, o cheiro torna-se passível de adaptação. No entanto, segundo eles, a sensação de repulsa persiste mesmo depois da higienização do necrotério. Há um “ranço” que permanece no ar: o cheiro torna-se não só um tipo de “delimitação” do necrotério, mas tambem, do espaço onde suscita tristes sentimentos: a perda de entes queridos e a violência, em todas as suas formas. A verdade é que os corpos chegam e saem e os trabalhadores ficam nesses ambientes, em contatos decorrentes, uma vida inteira. (FRANCALACCI , 2011). 2.3 ASPECTOS PSICOLÓGICOS UTILIZADOS COMO RECURSO PARA O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE Os profissionais que trabalham nas áreas em que a morte ocorre frequentemente, devem compartilhar sentimentos e reações com os outros. A vivência desses colaboradores que trabalham no Instituto Médico-Legal (IML), por vezes, desperta sentimentos de angústia, aflição, desconforto emocional e dor que precisam ser analisadas e cuidadas. (MUCCILLO, 2006). 5 Quando se fala sobre a forma como as pessoas respondem ao estresse, utilizamos a palavra enfrentamento, que se refere às formas cognitivas, comportamentais e emocionais como as pessoas administram situações estressantes. Ele envolve qualquer tentativa de preservar a saúde mental e física mesmo que tenha valor limitado. (STRAUB, 2005, p. 276). Francalacci (2011) destaca que aspecto digno de nota é o elevado desgaste psicológico dos profissionais que atuam no IML, tendo em vista o contato direto com cenas de crimes graves que exigem do profissional um grande preparo emocional. Também é produzido sobre o trabalhador um alto grau de pressão institucional, onde os prazos processuais são curtos, e devido à escassez de recursos e profissionais, esses prazos, por vezes, não são cumpridos, surgindo então, a pressão do judiciário, ameaçando o perito com a instauração de procedimentos para apurar crime de desobediência. Por vezes, a rotina desses profissionais se dá de forma árdua, onde a carga horária de trabalho excede ao estabelecido, fazendo com que os colaboradores desempenhem suas funções acompanhadas de esgotamento e cansaço. Partindo de tal pressuposto, é importante que eles desenvolvam a autoeficácia, que segundo Bandura (1977), são as crenças individuais na capacidade de organizar e executar os cursos de ação necessários para lidar com situações potencialmente estressantes, mantendo o equilíbrio mental. De acordo com Straub (2005), as pessoas que possuem forte sensação de controle pessoal têm mais probabilidade de utilizar formas adaptativas e focalizadas nos problemas para lidar com eles. Aumentos na percepção de estresse estão, em geral, acompanhados por aumento no enfrentamento focalizado na emoção, mas, em um grau menor do que em pessoas que percebiam ter bastante controle pessoal sobre suas vidas. 3 MÉTODO Esta pesquisa, de caráter qualitativo, se deu a partir da coleta de dados, obtidos por meio de roteiros semi-estruturados com cinco participantes, dois médicos legistas e três auxiliares, que atuam nos Institutos Médico-Legais (IMLs), de uma cidade do oeste catarinense e outra, da região central do Rio Grande do Sul. Buscou-se entrevistar profissionais que trabalham nessas cidades, pois, tais municípios são referências em atendimentos em suas regiões. As entrevistas foram gravadas, mediante a assinatura de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, garantindo a fidedignidade dos dados e o 6 sigilo. Posteriormente, e l e s foram estudados na íntegra, através do método da análise de conteúdo de Bardin (2009), que se caracteriza como um conjunto de técnicas de análise das comunicações e que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. Através de instrumentos qualitativos (entrevistas e observação dos participantes) de coleta de dados, o estudo apresentou relatos e percepções dos profissionais a respeito dos aspectos envolvidos no processo de trabalho e da saúde. 4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Ao acompanhar o dia-a-dia dos profissionais no Instituto Médico-Legal (IML) nota-se que suas condutas diante dos corpos, tanto de cadáveres quanto de pessoas que foram violentadas, são dignas de muito respeito e admiração. Para mensurar a grandiosidade do exercício dessas profissões, usou-se o nome de pedras preciosas para nomear cada um dos cinco participantes: Esmeralda, Alexandrita, Ametista, Safira e Rubi. 4.1 PROFISSIONAIS EM RELAÇÃO AO COMPROMISSO DE UM TRABALHO AUTÊNTICO Ao avaliar o trabalho realizado pelos profissionais que atuam no IML, como de imensa responsabilidade, coerência e ética, observou-se como os colaboradores se posicionam frente ao seu exercício: Eu encaro com muita responsabilidade. Eu dou muito valor pra isso. Eu fiquei cinco anos na pediatria. E eu simplesmente não quis mais. E aí eu só me dedico a isso. Quando os próprios chefes falam em dedicação exclusiva, eu acho que eu sou a única no estado. Então por aí você pode avaliar como eu encaro. Entendeu? (Esmeralda). Com muito orgulho e satisfação, sabendo que serei a última chance de uma pessoa se defender após a sua morte. (Alexandrita). Pra nós é a busca do motivo da violência, uma prova para pegar o cara que fez o crime. Tudo o que a gente lida é um crime. Alguém que brigou na rua, alguém que foi assaltado, que foi estuprada, que sofreu acidente de carro, alguém que se enforcou. Nós temos que mostrar o sinal, achar a prova. (Rubi). Os colaboradores expressam sentimentos de responsabilidade e satisfação por trabalhar em casos em que suas atuações, por vezes, são a última chance que a pessoa tem para se defender. Os profissionais buscam investigar as causas e fazer justiça, diante da violência que foi praticada em um corpo para que sua integridade seja preservada. Tavares (2001, p. 52) desenvolveu a tese de que a resiliência não deve 7 ser apenas um atributo individual, mas, pode estar presente nas instituições/organizações, gerando uma sociedade mais resiliente. Para o autor, uma organização resiliente é uma organização reflexiva, onde todas as pessoas são responsáveis, competentes, e funcionam numa relação de confiança, empatia, solidariedade. “Trata-se de organizações vivas, dialéticas e dinâmicas cujo funcionamento tende a imitar o do próprio cérebro que é altamente democrático e resiliente”. Na busca cuidadosa de indagar sobre os desafios percorridos nesse trabalho, os profissionais meticulosamente retratam: Aqui são condições de trabalho. Porque graças a Deus não tem faltado material. A gente já passou por gestões políticas que a gente não tinha material né. A gente tinha que dizer para o auxiliar de perícia olha, lava essa luva aí que você vai ter que usar ela para a outra necropsia, entendeu. Então era diferente. Hoje assim, a gente gostaria de estar em um lugar melhor, mas a gente está se encaminhando para ver se a gente consegue um convênio melhor. (Esmeralda). Na questão dos materiais, por exemplo, eu já cansei de pedir 1,2,3,4,5 vezes. Uma vez eu pedi uma serra para abrir crânio e demorou 3 anos para ela chegar(...) sem falar nas péssimas condições de trabalho que incluem a falta de materiais e o espaço físico. As necropsias são feitas em uma sala dentro do hospital nossos materiais estão vinte anos atrasados é tudo precário. Agora, por exemplo, eles estão lá remendando a geladeira. Já comprei luvas com o meu dinheiro, eu cansei de comprar coisas. Eu lembro que uma vez eu estava pedindo para enviarem agulhas de procedimento e eu pedi durante algum tempo. Como eu precisava de uma eu fiz uma agulha com cabo de guarda-chuva. (Safira). Compreendendo a singularidade de cada relato, nota-se que há diferença entre os apontamentos, sendo que em um dos estados, os três participantes não colocaram a falta de material como um desafio, pois, atualmente, eles contam com materiais suficientes para exercer seu trabalho com excelência. Em contrapartida, dois dos participantes que pertencem ao outro estado, destacaram a falta de material como o principal desafio, um dos mais difíceis de ser solucionado pelo fato de dependerem de superiores para reverter tal situação. Barros e Silva (2004) salientam que a falta de condições adequadas de trabalho impossibilita a valorização do colaborador e perverte o sentido da criatividade do homem, predominando nelas, a expropriação da dimensão simbólica de se trabalhar, a exploração da força de trabalho e a alienação do trabalhador. Por ser um trabalho de imensa prudência e ética, onde os colaboradores lidam com seres humanos que chegam à instituição em estados extremamente 8 delicados, por ter sido violentados das mais variadas formas, é que os profissionais destacam a importância de ter um espaço físico que atenda a essas necessidades para que realizem suas atividades da maneira mais autêntica possível. 4.2 ALÉM DO QUE SE VÊ: VIVÊNCIAS QUE DEIXARAM MARCAS EM SUAS ATUAÇÕES Trabalhar com a morte e com a violência é sinônimo de um trabalho repleto de desafios diários e de vivências que demarcam a vida dos colaboradores. Experienciar momentos de intensa angústia, de tristeza, de sentimentos de perdas, de injustiças e por vezes, comoção e abalo, requerem profissionais resilientes que saibam lidar com as situações sem deixar que tais acontecimentos despertem a sensação de incapacidade ou de recuo diante dos fatos que ali são apresentados. Diante disso, questiona-se, quais as vivências que marcaram suas atuações? Eu acredito que é a criança que mobiliza mais, sabe, as suas sensações, as suas emoções. Quando é um bebê, quanto menor, pior eu acho. Mas assim teve caso de uma mãe que sofreu acidente de trânsito e o bebê morreu junto, no útero. Isso mobiliza bastante. (Esmeralda). […] perda da inocência de crianças trazidas a exame pericial, que foram abusadas de todas as formas por adultos que deveriam zelar por elas são também situações de perplexidade e pesar. (Alexandrita). A única coisa que influencia muito é tratar com crianças. Criança eu acho que é a mais chocante de tudo. É um ser sem noção né. A recém está sendo gerado, está se desenvolvendo. Esses são os mais chocantes. (Ametista). O que mais mexe é criança, eu perdi uma criança. (choro). Em 1986 eu perdi uma filha e eu lutei muito para salvar ela. (choro). Desculpe (pausa). Eu comecei a trabalhar no IML em 1994, mas eu ainda não consegui superar isso. (Safira) De marcar psicologicamente, só de crianças quando o cara fica assim, não tem como não se envolver. Daí eu me identifico com o meu filho lá também né, eu viro as costas se não eu choro. (Rubi). Os cinco participantes trazem como vivências que marcaram de maneira significante, o ato de necropsiar crianças ou até mesmo, de trabalhar diante de corpos que foram abusados, os quais são trazidos como seres ingenuamente atingidos por violências das quais não conseguiram se defender. Mais do que isso, que foram violentados por adultos que deveriam zelar por elas. As necrópsias e atendimentos realizados em corpos de crianças são vivências que 9 deixam marcas nas psiquês desses colaboradores que se utilizam de estratégias para vivenciar esses momentos de comoção e abalo emocional. Barros e Silva (2004) destacam que os profissionais criam suas estratégias desde a primeira necrópsia. Não olhar detalhadamente o cadáver é uma delas. Ao realizar a necrópsia, eles evitam fixar seu olhar em detalhes que julgam desnecessários à realização de sua tarefa. O corpo fica reduzido a órgãos e lesões. Durante as necropsias eu assobio, canto não fico olhando no olho, nos órgãos genitais. A gente não olha para o lado emocional do ser vivo, porque se não, não tem como. A gente coloca a mão.(Safira). Compreendendo a totalidade do ser humano e dando ênfase às situações que os colocam diante de realidades que chocam e deixam cicatrizes, os profissionais trouxeram também as tragédias envolvendo um maior número de pessoas, como sinônimo de vivências que marcaram suas vidas, profissionalmente. É um negócio que vai marcar pelo resto da vida. Marcar de que jeito? Porque foi um grande número. Porque a situação toda, toda aquele envolvimento e tudo mais, aquilo lá tudo foi uma coisa muito surrealista entendeu. Foi muito do além e inesperada né. Vinte e cinco anos de profissão e ninguém imaginou que um dia iria passar por um negócio daqueles. A tua cidadezinha que até então tinham poucas necropsias por mês, aí numa vez só aumenta mais de 500%.(Esmeralda). Tragédias ocorridas no meu plantão, impressionam por várias razões, desde a massiva presença da morte até a brutal constatação do desleixo que é característica nacional em relação à segurança. (Alexandrita). As falas dos participantes, ao retratarem as vivências que marcaram suas profissões, foram os momentos, durante as entrevistas, que mais mexeram com os sentimentos dos colaboradores. Essa reflexão surtiu falas carregadas de sentimentos de angústia e pesar, pois, os profissionais sabem que está em suas mãos a missão de fazer um trabalho ético prezando pelas identidades, pelas histórias que através de corpos, agora sem vida fisiológica, são representados diante de suas mãos. 4.3 O LIDAR COM A MORTE: TABU CULTURAL E HISTÓRICO QUE PERMEIA A SOCIEDADE De acordo com Hohendorff e Melo (2009), a maneira como a morte é compreendida é dinâmica ao longo do desenvolvimento humano. Desde a infância, as pessoas têm contato com perdas e inúmeras são as variáveis 10 relacionadas com o desenvolvimento humano. A cultura e as situações de perda que s e vivenciam contribuem para que s e forme a visão sobre a finitude humana. Partindo de tal pressuposto, direcionou-se aos profissionais a indagação sobre sua conduta frente à morte. Pra mim é normal. Quando eu vou recolher um corpo, por exemplo, eu peço licença e digo‘agora eu vou trabalhar com você’. Pra mim é um corpo, uma matéria. O trabalho precisa ser cuidadoso, porque do lado de fora tem uma família ansiosa, triste. Eu fico realizado quando eu consigo entregar o corpo logo. A gente precisa pensar na família. (Safira). Sem preparo, acompanhamento psicológico e de saúde ou condições de trabalho que atenuem a crueza de sua função, são obrigados a enfrentar a morte nua, despida de qualquer dos ritos socioculturais que protegem a todos da incompreensão e do terror encerrados nesse tabu. (ALDÉ, 2003). Ao exprimir tal relato, destaca-se a forma como esses profissionais se colocam diante do seu trabalho. O fato de pedir licença para recolher um corpo de uma pessoa sem vida só reforça a imagem de um trabalho de extremo cuidado e respeito, de profissionais humanizados que prezam pelo corpo que está em suas mãos. Conforme pontua Silva (2013), vida e morte são laços da existência humana, onde, cada um desses momentos se faz representar pelos elos que, concomitantemente se formam a partir do nó que os interpõem. Este, além de representar a dinâmica do próprio tempo, representa também a vivência de situações de vulnerabilidade, inerentes ao processo de existir. 4.4 A FAMÍLIA COMO SINÔNIMO DE ESCLARECIMENTO E BUSCA POR JUSTIÇA Ao tratar com os familiares das vítimas que morreram ou que sofreram algum tipo de violência, observa-se a conduta de extremo esclarecimento à família que permeia a atuação dos profissionais. A família é quem vai buscar pela justiça e pela integridade de seu ente querido e é a partir dessa busca que os colaboradores refletem o quão importante é seu papel diante dos corpos que ali estão. São muitas as situações vivenciadas no IML envolvendo 11 familiares, e, as que foram retratadas pelos cinco profissionais, cada uma delas é tratada na sua singularidade, com alto grau de cuidado e presteza: Quando chega uma pessoa que não foi identificada, eles colocam um meio, uma publicação chamando os familiares, daí a gente deixa entrar um familiar de primeiro grau. Chega ali, reconhece às vezes se abraça e chora. Às vezes agarra, não quer sair. Aí a gente é obrigado a retirar daí né. (Ametista). De acordo com Kubler-Ross (2008), quando se perde alguém, fica-se com raiva, zangado, desesperado, quando seria prudente extravasar essas sensações. Os profissionais destacam que não é fácil lidar com as reações e sentimentos que são trazidos pelos familiares, mas, é preciso sabedoria para tentar compreender a dor da perda: Quando o familiar quer entrar para ver o corpo, eu digo: ‘não é assim que eu acho que a senhora deve lembrar do seu familiar. A senhora espera, nós vamos fazer o nosso trabalho, depois a gente vai liberar. Depois a senhora ou o senhor vão poder ficar com os entes queridos de vocês’. Então a gente evita ao máximo, entendeu? (Esmeralda). Eu sou irredutível. É sim, não. Familiares eu trato friamente, não posso me envolver sentimentalmente. Se eu me envolver sentimentalmente com eles ‘eu embarco em uma canoa furada sem retorno’. Porque a gente lida com o sentimento das pessoas né.(Ametista). As vezes a gente tem que ser duro. Tem vezes que a gente diz para as pessoas que querem entrar: ‘não, não pode’. Aconteceu duas vezes do cara querer entrar e eu ter que aumentar o tom de voz e dizer‘não, não pode entrar, é lei’. Tu não quer chegar a esse ponto às vezes, mas para o bem de todo mundo, tu tem que bater o pé e tal. Mas tem que ter uma jogada de cintura, usar da psicologia até, tentar entrar na cabeça deles e dizer depois ‘você vai ver ele no caixão bonitinho e tal’. ‘Ah mas eu queria ver’. Você vai querer gravar essa imagem na tua cabeça pra que? Vai pra casa, toma um chazinho, toma um banho, depois vocês vão se encontrar lá. Aí você vai ver ele bonitinho, arrumadinho que é como você vai lembrar dele’. Aí geralmente isso funciona. (Rubi). Diante de situações que envolvem familiares de vítimas, percebe-se o quão é importante que esses profissionais estejam bem, física e emocionalmente para que eles consigam lidar com essas pessoas. Pois, se sabe que apesar de, por vezes, parecer uma maneira “fria” de tratar quem está ali aguardando por uma resposta, os profissionais precisam manter essa postura mais rígida e extremamente profissional, para que consigam administrar essas situações, sem se envolver emocionalmente. Conforme esses profissionais, no momento da realização de necrópsias e avaliações de pessoas que foram violentadas, o trabalho precisa ser minuciosamente 12 realizado, sem que haja nenhum tipo de envolvimento, pois, tal pode trazer pontos negativos na realização do trabalho, bem como agravos futuros para a vida dos colaboradores. 4.5 UTILIZAÇÃO DE ESTRATÉGIAS NA ATUAÇÃO DE PROFISSIONAIS RESILIENTES Ao longo da investigação sobre o trabalho realizado pelos profissionais no Instituto Médico-Legal (IML), pontua-se a importância do equilíbrio físico e emocional dos colaboradores para que consigam lidar com as mais variadas situações que chegam até eles. Compreendendo que essa instituição é sinônimo de morte e de violência, indagou-se quais as estratégias que eles utilizam para lidar com todo o processo que enfretam nesse cotidiano repleto de responsabilidades que exige profissionais resilientes: Que eu saiba que eu tenho consciência, nenhuma. Talvez comer né, talvez eu não seria tão redonda (risos). A única coisa que lá no começo foi que um dia a gente estava fazendo necropsia de um cadáver em putrificação. E aí eu cheguei em casa e meu pai, ele fazia, aquelas linguiças, e daí elas estavam muito novinhas e a gente gostava de comer aquilo cozido que não tava ainda defumado e aí cozinharam aquele negócio. Aí eu cheguei e aquele negócio era a mesma coisa do que um cadáver entendeu. E aí aquele negócio foi dose sabe. Não vai dar para comer hoje, deu. A única coisa que eu me lembro, lááá no começo quando eu sai da escola e vim pra cá sabe. Então foi um dos poucos que sabe, que me marcou. Ou seja, e a vida continua. (Esmeralda). Frieza. Eu não consigo. O pessoal tem ah, quando a gente vai almoçar, ‘como é que tu consegue comer carne’. Meu psicológico é super bom, é excelente. Eu não consigo pensar. Profissional, profissional, parte técnica né. Eu não consigo me envolver com isso. Como um cara tranquilo. Às vezes eu to lá dentro com os corpos tomando café, o pessoal fica chateado, né não sei o que, como é que tu aguenta. Quando chega a pessoa por exemplo eu não uso máscara não uso nada. O meu subconsciente eu acho que é muito forte. Eu tenho que não sentir o cheiro e o resto é tranquilo né. O embalsamento eu gosto de fazer porque eu não gosto de me envolver com as outras pessoas né meu. (Ametista). Eu procuro não me envolver em nada né. Não levar isso pra casa né, porque o que acontece é luto daquela família, eu não tenho nada a ver. Na minha casa eu vou chegar, vou fazer festa com o meu filho, vou brincar. Fechou as portas, acabou. Coloca o papel na gaveta e é mais uma estatística. Eu acho que assim é melhor pra mim. É assim que eu levo para mim não me afetar. (Rubi). A conduta dos profissionais chama a atenção pela forma como eles administram o cenário de trabalho. Esse exercício, concebido pela sociedade como algo sórdido, é tido pelos colaboradores como sinônimo de busca pela justiça, de luta pelos direitos das pessoas que chegam até a instituição sem 13 condições para fazer isso por si só. Assim, essas atuações vêm acompanhadas de sigilo e respeito mútuo buscando sempre a integridade do corpo que está à sua frente. É aquilo que me ensinaram na academia. Manter em sigilo morre comigo. Só se chegar um profissional e me perguntar isso e aquilo, vamos discutir o que que houve, aí sim. O delegado, o escrivão, a doutora ou os peritos né, aí a gente discute, mas questão pessoal não. (Ametista). É fascinante analisar a postura desses colaboradores e perceber o respeito e zelo que têm diante do ser humano. O que é sentido como desprezível por grande parte das pessoas chama a atenção e surpreende ao compreender que têm profissionais com alto grau de responsabilidade, cuidado e empatia. Nesse contexto, ao lidar com os corpos, há sempre o pensamento em relação ao sentimento dos familiares que chegam até a instituição comovidos e se deparam com situações-limites que exigem do ser humano um alto grau de controle. Eu sou médico e ali estou , naquele momento, fazendo um ato médico. Sou o profissional individualmente mais habilitado a tratar com respeito e humanidade aquele ser maltratado que se apresenta para um exame físico ou aquele corpo que pertenceu a alguém que existiu e teve direitos como qualquer outra pessoa. Alguns destes ainda existem para o cadáver, e a garantia de direitos é o que diferencia a civilização da barbárie. (Alexandrita). Pensar nos direitos do ser humano pauta o t r a b a l h o desses profissionais que diariamente, investigam e traçam estratégias para amenizar a dor de pessoas e de famílias que passam pelo IML. Eles sabem que os seres humanos passam por vivências que os colocam em situações de fragilidade e é pensando na plenitude da vida humana que esses colaboradores dotam-se de estratégias para amenizar a tristeza e/ou angústia e buscar a legitimidade de cada caso. 4.6 O SENTIMENTO ESCONDIDO NO INTERIOR DE CADA COLABORADOR O ser humano é admirável em sua singularidade e age de tal forma que suas atitudes podem revelar o que de mais íntimo existe em suas personalidades e psiques. Principalmente, ao término das entrevistas, pontos importantes foram trazidos em cada relato. No seu transcurso, pareceu que cada colaborador tinha uma imagem e conduta a zelar e, por esse motivo talvez, não deixavam extravasar seus sentimentos: 14 Eu ainda acho que nós deveríamos ter um local para ficar aqui. De sobre aviso, de plantão. Entendeu? Porque às vezes o auxiliar nos telefona, a gente também tem direito a almoço, tem direito a tomar banho, né. E às vezes num tempo pequeno já é motivo para falatória. Então assim, se o nosso serviço dispusesse de um local adequado, você vê que aqui é tudo (pausa), tudo. Só que médico nenhum vai ficar aqui nessas condições e com esse tipo de remuneração né. Então por isso que, eu faço o possível aí, entendeu.(Esmeralda). É como eu te falei, a realidade é essa né. Se eu pudesse, nós ficaríamos sentados assim. Mais histórias para te contar. Várias. Eu quando estou sentado lá fora no sol sentado na minha cadeira tomando um chimarrão, às vezes eu sinto vontade de escrever um livro né. Eu teria condições de escrever um “Best Seller”. Eu como é que eu vou te dizer. Eu não sei como que eu estou aqui conversando contigo. Não sou de me abrir, sou até estúpido as vezes com as pessoas. As vezes vem o pessoal da TV, do jornal. Não falo, é só bom dia, boa tarde, maiores informações só lá na delegacia. (Ametista). Os profissionais sabem que têm um trabalho a prezar e a esclarecer diante da sociedade, por conseguinte, o que trouxeram durante as entrevistas prova o quanto o profissionalismo é importante nas situações que vivenciam. Foi visível a sensação de um espaço exclusivo, onde os colaboradores se sentiram à vontade para dividir o que de mais íntimo estava presente em suas vidas. Também, foi extraordinária a conduta de transparência e de quanto é importante manter em sigilo e atuar eticamente em relação a tudo que passa pelo Instituto Médico-Legal (IML). Tu não pode ficar gravando rosto, eu sempre digo para os meus amigos ‘o que acontece em Las Vegas fica em Las Vegas’, (risos). Fechou as portas tchau, eu esqueço. Se guardar tudo lá dentro da cabeça vai começar a ocupar espaço e não é saudável né. Tu faz o teu trabalho certinho, bonitinho, mas sem ligação nenhuma. Para a sua própria saúde mental, você não pode ter ligação nenhuma. (Rubi). O desgaste, uma resultante do trabalho que afeta tanto o organismo quanto a saúde mental dos profissionais que trabalham nessas condições, gera intensos graus de fadiga física e psicológica, podendo levá-los à alienação. Segundo Seligmann-Silva (1994, p. 292) “corrói a identidade, ao atingir valores e crenças, podendo inclusive ferir a dignidade e a esperança”. Os prejuízos à identidade do trabalhador correspondem, aos empobrecimentos de personalidade, e em consequência, de sociabilidade. Diante de tais falas, observa-se que sem a resiliência e a auto eficácia, dificilmente esses colaboradores, trabalhariam tão zelosamente em cada caso, pois, são essas duas condutas que permitem ao trabalhador 15 estar por inteiro quando lida com cada procedimento que chega até ele. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A busca constante pela justiça, que os faz profissionais de corpo e alma, vai muito além do que se vê e do que a sociedade conceitua como verdade quando se trata de Instituto Médico-Legal (IML). Cada relato trouxe vivências íntimas que demarcaram fatos consideráveis na vida profissional e pessoal de cada colaborador, o que aponta a importância do papel da Psicologia nessa instituição. Não em relação à cura da dor, mas de trabalhar os sentimentos experienciados por eles diante de constantes violências e perdas que são vivenciadas, com o intuito de fazer uma escuta cuidadosa, fonte de acolhimento para essas pessoas. Estar constantemente em contato com situações de violências e mortes deixam marcas que podem ser irreparáveis se não lhes forem destinados cuidados necessários para que não se tornem maléficas para a vida dos profissionais. Ao considerar o ser humano responsável, por ser protagonista de uma história, por ter uma identidade, por ser digno de respeito mútuo e de cuidado até a sua finitude, é que se pontua a importância desses colaboradores disporem de uma pessoa que os escute sem julgar, sem os criticar e sem amenizar suas dores, pois, o que acontece, de fato, em suas vidas, precisa ser trabalhado a fim de resgatar em cada um deles, suas potencialidades, permitindo-lhes o direito de uma vida digna. Os relatos apresentados são apenas algumas pedras, pedras verdes, pedras azuis, pedras vermelhas... Eles foram escritos para indicar um lugar ou um caminho pelos quais essas raridades podem dividir com sabedoria, o que de fato está presente em suas psiques. O trabalho de buscar lá dentro, no fundo de cada relato, o diamante que está escondido, é tarefa de cada um. Esmeralda, Alexandrita, Ametista, Safira e Rubi, são seres que tocaram sem encostar e que permitiram fazer mágica com tudo o que foi trazido. Dedica-se este trabalho a vocês, que são os protagonistas desse cenário. REFERÊNCIAS ALDÉ, Lorenzo.Ossos do ofício: processo de trabalho e saúde sob a otica dos funcionários do Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: 2003. 162.p 16 ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSICOLOGIA - APA. Dicionário de Psicologia. Porto Alegre: Artmed, 2010.1040p. BANDURA, A. (1977). Self-efficacy: Toward a unifying theory of behavioural change. Psychological Review, 84, 191-215. BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa, Portugal: LDA, 2009. BARROS, Vanessa Andrade de; SILVA, Lilian Rocha da.Trabalho e cotidiano no Instituto Médico Legal de Belo Horizonte. Psicologia em Revista, Belo Horizonte, v.10, nº16, p.318-333, dez/2004. BÓGUS, Cláudia Maria; MARTINS, Maria CeziraFantini Nogueira. Considerações sobre a metodologia qualitativa como recurso para o estudo das ações de humanização em saúde. São Paulo, v. 13, n.3, p. 4457, set.-dez. 2004. FRANCALACCI, Ana C. de S. 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