Balanço de Massa e Energia Aula 5 Solubilidade, Saturação e Cristalização. Solubilidade: A solubilidade de um sólido (soluto) em uma solução é a quantidade máxima desta substância que pode ser dissolvida em um determinado solvente. A solubilidade depende da natureza do soluto, da natureza do solvente e da temperatura. Uma solução que contem, no equilíbrio, tanta quantidade de uma espécie dissolvida quanto é capaz de manter, é chamada de solução saturada naquele soluto. Cristalização: A cristalização é o inverso da solubilização de um sólido. Quando por alguma razão a concentração de saturação de uma solução é ultrapassada, parte do soluto se separa da solução, e precipita na forma de cristais sólidos, de modo a manter a solução saturada. 1 (g soluto/100 g de solvente) Concentração Cristalização Curva de supersaturação B A C Curva de saturação Temperatura Região A: a região A é delimitada pela curva de supersaturação e é muito instável. Nessa região os cristais se formam rapidamente e de forma espontânea. Esta nucleação espontânea é chamada de nucleação primária. (g soluto/100g de solvente) Concentração Curva de supersaturação B A C Curva de saturação Temperatura Região B: compreende a área entre as curvas de saturação e supersaturação, e é chamada região metaestável. Nessa região a taxa de iniciação da cristalização é baixa e os agregados de moléculas formados se dispersam novamente, não havendo crescimento de cristais, ao menos que "sementes" de cristais sejam adicionadas à solução e sobre as quais é depositado o soluto da solução até que a solução atinja a saturação. Essa nucleação, a partir da semeadura, é chamada de nucleação secundária e é mais efetiva e usada que o método anterior. Região C: essa região é estável e apresenta uma única fase. É limitada pela curva de saturação e a solução se encontra insaturada. Sementes são pequenos cristais, em geral, do próprio soluto. A supersaturação é a força motriz do processo de cristalização. A supersaturação da solução pode ser definida como a diferença entre a concentração real do soluto considerado e a concentração de equilíbrio em condições idênticas, isto é, sua solubilidade na solução dada. Essa supersaturação pode ocorrer de diversas formas: Exemplos • resfriamento da solução; • evaporação de parte do solvente; • resfriamento e evaporação; • evaporação adiabática do solvente. Balanço de Massa e Energia Aula 5 Solubilidade, Saturação e Cristalização. Efeito do par Soluto-Solvente: - 220 g AgNO3 por 100 g de H2O a 20oC; - 0,003 g AgCO3 por 100 g de H2O a 20oC; - 0,00002 g AgBr por 100 g de H2O a 20oC Efeito da Temperatura: - 222 g AgNO3 por 100 g de H2O a 20oC; - 925 g AgNO3 por 100 g de H2O a 100oC 5 Balanço de Massa e Energia Aula 5 Solubilidade, Saturação e Cristalização. Sais Hidratados: São sais que possuem moléculas de água integradas ao seu arranjo cristalino. As moléculas de água encontram-se em uma proporção determinada em relação á fórmula do sal. A essa proporção damos o nome de grau de hidratação. Na fórmula de um sal hidratado, deve vir indicado o grau de hidratação. O número de moléculas de água associadas com cada molécula de soluto (água de hidratação) pode variar com a temperatura de cristalização. Fórmula Nome % peso de MgSO4 Condições MgSO4 Sulfato de magnésio anidro 100,0 >100oC MgSO4.H2O Sulfato de magnésio monoidratado 87,0 67 a 100oC MgSO4.6H2O Sulfato de magnésio hexaidratado 52,7 48 a 67oC MgSO4.7H2O Sulfato de magnésio heptaidratado 48,8 2 a 48oC MgSO4.12H2O Sulfato de magnésio dodecaidratado 35,8 -4 a 2oC 6 Tipos de Cristalizadores 1. Cristalizadores que conseguem a precipitação mediante o resfriamento de uma solução concentrada: • cristalizadores descontínuos sem agitação; Exemplos • cristalizadores descontínuos com agitação; • cristalizador contínuo Swenson-Walker. • raramente usados; • ocupam muito espaço; • produtos de baixa qualidade; • exige muita mão-de-obra. • contêm serpentinas de resfriamento; • baixo custo de instalação; • operação simples; • baixa capacidade. Cristalizador contínuo Swenson-Walker Neste cristalizadores a solução quente, concentrada, é introduzida continuamente numa das extremidades do cristalizador e flui lentamente para a outra extremidade enquanto vai sendo resfriada. • cristalizador de resfriamento com operação contínua; • consiste de uma calha grande semi-circular; • possui uma camisa de resfriamento; • possui um misturador de fitas. 2. Cristalizadores que conseguem a precipitação mediante a evaporação de uma solução: Exemplos • cristalizador sem agitação com aquecimento; • cristalizador agitado com aquecimento. Vapor Produzido Vapor Alimentação Condensado Suspensão • baixa taxa de produção; • incrustações. • circulação natural pelo centro, usado nas indústrias de açúcar, às vezes com agitador auxiliar. 3. Cristalizadores que conseguem a precipitação mediante a evaporação a vácuo e resfriamento: • cristalizador com circulação externa. Exemplo Vapor Produto Alimentação Nestes cristalizadores a evaporação é obtida pelo flash da solução quente num vaso a baixa pressão. A energia para a vaporização é obtida pelo calor sensível da carga. Por isso, a temperatura da mistura de líquido e vapor, depois do flash, é muito mais baixa que antes do flash. Balanço de Massa e Energia Aula 5 Solubilidade, Saturação e Cristalização. Exemplo 1) Uma solução de cloreto de sódio na água, está saturada a uma temperatura de 15ºC. Calcular o peso de NaCl que pode dissolver-se em 100 lb desta solução, se ela se aquecer a uma temperatura de 65ºC. Dados: Solubilidade do NaCl a 15ºC: 6,12 lb-mol por 1000 lb de água Solubilidade do NaCl a 65ºC: 6,37 lb-mol por 1000 lb de água Exemplo 2) Depois de um processo de cristalização uma solução de cloreto de cálcio na água contém 62 lb de CaCl2 por 100 lb de H2O. Calcular o peso desta solução necessário para dissolver 250 lb de CaCl2 6H2O a uma temperatura de 25ºC. Dados: Solubilidade do CaCl2 a 25ºC: 7,38 lb-mol por 1000 lb de água 1 Balanço de Massa e Energia Aula 5 Solubilidade, Saturação e Cristalização. Exemplo 3) Cento e cinqüenta quilos de uma solução aquosa de AgNO3 a 100oC são resfriados a 20oC, formando cristais e AgNO3, que são filtrados e removidos da solução remanescente. A torta úmida de filtro, que contém 80% em peso de cristais sólidos e 20% de solução saturada, passa através de um secador no qual a água remanescente é eliminada. Calcule a fração de AgNO3 na corrente de alimentação posteriormente recuperada na forma de cristais secos e a quantidade de água que deve ser removida na etapa de secagem. CRISTALIZADOR 150 kg 100oC 0,905 kg AgNO3/kg 0 095 kg H2O/kg AgNO3 (S) + solução saturada a 20oC FILTRO Filtrado m1 (kg solução) 0,689 kg AgNO3/kg 0,311 kg H2O/kg Torta de filtro m2 [kg AgNO3(S)] m3 (kg solução) 80% Sólidos 20% Solução Saturada m4 [kg H2O (V)] SECADOR m5 [kg AgNO3(S)] 1 Balanço de Massa e Energia Aula 5 Solubilidade, Saturação e Cristalização. Exemplo 4) Uma solução de sulfato de magnésio a 104oC contendo 30,1% em massa de MgSO4 alimenta um cristalizador por resfriamento que opera a 10oC. A corrente que sai do cristalizador é uma lama de partículas sólidas de sulfato de magnésio heptaidratado [MgSO4 7 H2O] suspensa em uma solução líquida. A solução saturada a 10oC contém 23,2% em massa de MgSO4. Determine a vazão na qual a solução deve alimentar o cristalizador para produzir uma tonelada de sulfato de magnésio heptaidratado por hora. T = 104OC CRISTALIZADOR T = 10OC 30,1% MgSO4 1t MgSO4 7H2O 69,9% H2O MgSO4 7 H2O Solução Saturada MgSO4: - 23,1% MgSO4 - 76,8% H2O 1