0 UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM QUÍMICA MARIA CLARISNETE DE OLIVEIRA MOURA CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL EM ÁCIDOS GRAXOS DO ÓLEO DE PALMEIRAS ENCONTRADAS NO ESTADO DE RORAIMA Boa Vista, RR 2013 1 MARIA CLARISNETE DE OLIVEIRA MOURA CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL EM ÁCIDOS GRAXOS DO ÓLEO DE PALMEIRAS ENCONTRADAS NO ESTADO DE RORAIMA Defesa da dissertação de mestrado apresentada ao Programa de PósGraduação em Química da Universidade Federal de Roraima, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Química. Área de concentração: Química de Produtos Naturais. Orientador: Prof. Dr. Luiz Antonio Mendonça Alves da Costa Co-orientadora: Profª. Drª. Adriana Flach Boa Vista, RR 2013 2 Dados Internacionais de Catalogação na publicação (CIP) Biblioteca Central da Universidade Federal de Roraima M929c Moura, Maria Clarisnete de Oliveira. Caracterização do perfil em ácidos graxos do óleo de palmeiras encontradas no Estado de Roraima / Maria Clarisnete de Oliveira Moura. – Boa Vista, 2013. 132f. : il Orientador: Prof. Dr.: Luiz Antonio Mendonça Alves da Costa. Co-orientadora: Prof. Dra.: Adriana Flach. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Roraima, Programa de Pós-Graduação em Química. 1 – Palmeiras. 2 – Óleo vegetal. 3 – Ácidos graxos. 4 –. I – Título. II – Costa, Antonio Mendonça Alves da (orientador). III – Flach, Adriana (co-orientadora). CDU – 54:633.853 3 4 Dedico este trabalho a meu avô, Raimundo Pantoja (in memorian) e a minha avó Benta Maria com quem vivi os melhores momentos de minha infância. 5 AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, digno de toda a honra e louvor, por ser minha fortaleza e meu escudo nos momentos difíceis, a Ele, minha eterna gratidão. Ao meu orientador Professor Dr. Luiz Antonio M. A. da Costa, que desde a monitoria da disciplina Química orgânica, sob sua orientação, na monografia e mestrado prestou todo o seu incentivo e paciência em todos esses anos, disponibilizando valiosos momentos de discussão, que contribuíram para meu crescimento profissional e pessoal. Especialmente aos amigos de laboratório: Adriana, Edineide, Luciana, Márcia, Mauro, Neiliane, Sueli e a Profª. Adriana Flach minha co-orientadora com quem compartilhei grandes momentos de descontração e aprendizagem. A cada um agradeço pela grande ajuda durante a realização desse trabalho. Ao Pesquisador do INPA, Dr. José Eduardo L. da S. Ribeiro, pelo auxílio na coleta dos frutos da paxiubinha. Ao Núcleo de Pesquisas Energéticas pelo espaço disponibilizado para a realização desta pesquisa. A meu pai João Batista Soares Moura, pela educação que foi me dada e por seu imenso amor. A minha mãe Cleide Marinho de Oliveira, que mesmo não me dando a vida, abdicou de sua mocidade para dedicar todo o seu amor. Aos amigos Kelly, Lenir, Regildo e Waliciane em vocês encontrei incentivo, apoio e carinho. Minha gratidão. As minhas irmãs pelo companheirismo e pelas horas de distração. Ao meu namorado Antonio Jose pelo companheirismo, paciência e compreensão. Ao todas as pessoas que de alguma forma contribuíram para que este momento chegasse. Aos professores do Departamento de Química. 6 RESUMO As palmeiras pertencem à família Arecaceae e são distribuídas principalmente nas regiões de clima tropical. A Floresta Amazônica é composta por uma grande variedade de espécies. Para as comunidades que habitam essa região as palmeiras oferecem vários produtos, pois quase todas as partes da planta são utilizadas para os mais diversos fins: alimentação, construção, paisagismo, artesanatos, etc. No presente trabalho analisou-se os óleos dos frutos de sete espécies de palmeiras encontradas no estado de Roraima (Astrocaryum gynacanthum, Geonoma deversa, Oenocarpus bataua, Astrocaryum aculeatum, Oenocarpus bacaba, Euterpe oleraceae, Orbignya phalerata) e uma espécie coletada na Reserva Florestal Adolpho Ducke (Iriartella setigera). Os frutos foram coletados em diferentes regiões do estado de Roraima e no laboratório foram separados em epicarpo, polpa e amêndoa e suas partes extraídas por solvente. Os óleos obtidos foram analisados por CCD, CG-EM e CG-DIC. O teor médio de óleo na polpa e epicarpo variou de 4,33% a 52,61%, sendo que o maior percentual foi registrado na polpa do tucumã (Astrocaryum aculeatum), enquanto nas amêndoas a variação foi de 0,98% a 63,79%, o maior percentual de óleo foi detectado na amêndoa do babaçu (Orbignya phalerata). Os óleos das polpas são constituídos principalmente por ácidos graxos insaturados, destacando-se o ácido oléico como o componente majoritário, enquanto que os óleos das amêndoas são constituídos principalmente por ácidos graxos saturados, sendo o ácido láurico o componente predominante. Apenas nos frutos do patauá (Oenocarpus bataua) e da bacaba (Oenocarpus bacaba) os óleos da polpa e amêndoa apresentaram a mesma composição. Existem poucos estudos de palmeiras no estado de Roraima, como também, poucos dados químicos sobre os frutos das palmeiras ubim, mumbaca e paxiubinha indicando a necessidade de maiores estudos sobre essa família. Palavras-Chaves: Palmeiras, Óleo Vegetal, Ácidos graxos. 7 ABSTRACT Palm trees belong to the Arecaceae family and are mainly distributed in tropical regions. The Amazon rainforest is composed by a variety of species. For the communities that live in this region the palm trees offer several products because almost all parts of the plant are used for different purposes: food, construction, landscaping, handicrafts, etc. In this paper the oils from the fruits of seven different species of palm trees found in the state of Roraima were analysed: (Astrocaryum gynacanthum, Geonoma deversa, Oenocarpus bataua, Astrocaryum aculeatum, Oenocarpus bacaba, Euterpe oleracea, Orbignya phalerata) and one specie collected in the National Reserve Adolpho Ducke (Iriartella setigera). The fruits were collected in different regions of the state of Roraima and split into epicarp, pulp and almond in the laboratory and their parts were extracted through solvent. The oils obtained were analyzed by TLC, GC-MS and GC-FID. The average content of oil in the epicarp pulp and varied from 4.33% to 52.61%, and the highest percentage was noticed in the pulp of tucumã while the variation in the almonds was 0.98% and 63.79%, the highest percentage of oil was detected in almond babaçu. The oils of the pulps are mainly unsaturated fatty acids, especially oleic acid as the major component, whereas oils of almonds are mainly saturated fatty acids, lauric acid being the predominant component. Only in patauá and bacaba the oils from the pulp and almond had the same composition. There are few studies of palm trees in the state of Roraima, as well, a few chemical data related to palms fruits ubim, mumbaca, paxiubinha and indicating the need for further studies about this family. Keywords: Palm, Vegetable Oil, fatty Acids. 8 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Raízes aéreas da Socratea exorrhiza e sua expansão ao lado................. 18 Figura 2 - a) Estipe liso da Dypsis decary, b) Estipe com espinhos da Acrocomia Aculeata...................................................................................................... 19 Figura 3 - Folhas: a) pinada (Syagrus werdermannii) e b) palmada (Trithrinax brasiliensis)............................................................................................... 20 Figura 4 - a) Mapa de distribuição do babaçu no Brasil, b) Mapa de distribuição do babaçu no estado de Roraima.................................................................... 35 Figura 5 - Pico base dos ésteres metílicos de ácidos graxos saturados produzido pelo rearranjo de McLafferty....................................................................... 39 Figura 6 - Espectro de massas do hexadecanoato de metila, com indicação de alguns fragmentos que contém oxigênio.................................................... 39 Figura 7 - Representação da formação do estado intermediário segundo Spiteller, et al. (1966 apud GIESE, 2005).................................................................. 40 Figura 8 - Representação da fragmentação do pico m/z=87...................................... 40 Figura 9 - Picos característicos de ésteres metílicos de ácidos graxos saturados contendo oxigênio....................................................................................... 41 Figura 10 - Picos característicos da cadeia alquila dos EMAGS.................................. 42 Figura 11 - Esquema representativo da formação do pico [M-32]+, onde R representa o grupo alquila.......................................................................... 42 Figura 12 - Esquema representativo da formação do pico m/z = 69, onde R representa o grupo alquila.......................................................................... 43 Figura 13 - Esquema do detector por ionização em chama (DIC)................................ Figura 14 - Cromatograma obtido da análise dos padrões disponibilizados pela Supelco com a identificação de seus respectivos picos em uma coluna Omegawax 250........................................................................................... Figura 15 - Localização da vicinal 12 no município de Iracema................................... 44 47 49 Figura 16 - Mapa de Roraima com indicação dos locais onde foram coletadas algumas espécies de palmeiras.................................................................. 50 Figura 17 - Coleta dos frutos de Oenocarpus bacaba.................................................. Figura 18 - a) Prensa manual, b) picareta usada na retirada da amêndoa do babaçu........................................................................................................ 51 52 Figura 19 - a) Polpa de tucumã na estufa para desidratação b) Amêndoa da paxiubinha pulverizada............................................................................... 53 9 Figura 20 - Extração do óleo de tucumã realizada em triplicata................................. Figura 21 - Equipamento de cromatografia gasosa acoplado ao espectrômetro de massas (CG-EM)........................................................................................ Figura 22 - Equipamento de cromatografia gasosa equipada com detector por ionização em chama (CG-DIC)................................................................... 54 58 59 Figura 23 - Quantidade de espécies de palmeiras distribuídas em Roraima e seus respectivos gêneros segundo Lorenzi, et al. (2004)................................... 60 Figura 24 - Espécies de palmeiras encontradas em Roraima pelo pesquisador Dr. Luiz Antonio Mendonça Alves da Costa: a) jauari, b) Buritirana e c) paxiúba....................................................................................................... 61 Figura 25 - Espécies de palmeiras encontradas em Roraima durante esta pesquisa: a) açaí, b) babaçu, c) bacaba, d) mumbaca, e) patauá, f) paxiubinha, g) tucumã e h) ubim........................................................................................ 62 Figura 26 - Esquema da composição física do fruto de inajá....................................... 63 Figura 27 - Cacho de paxiubinha coletado na Reserva Florestal Adolpho Ducke....... 67 Figura 28 - Óleo extraído com sistema soxhlet e solvente hexano: a) epicarpo+polpa e b) Amêndoa de patauá, c) epicarpo+polpa da bacaba............................ 68 Figura 29 - Óleo extraído com sistema soxhlet e solvente hexano: a) amêndoa do babaçu, b) polpa de tucumã, e c) amêndoa de tucumã............................. 71 Figura 30 - Óleo extraído com sistema soxhlet e solvente hexano: a) polpa de açaí, b) epicarpo+polpa de paxiubinha, e c) amêndoa de paxiubinha................ 72 Figura 31 - a) Triglicerídeo: o grupo “R” corresponde à cadeia alquila, b) Estrutura genérica dos ésteres metílicos de ácido graxo, c) Estrutura do ácido 74 oleico....................................................................................... Figura 32 - CCD em sílica do óleo in natura: a) EP/ patauá, b) EP/bacaba, c) EP/ubim, d) *ep/mumbaca, e) EP/açaí. Eluente usado: mistura de éter de petróleo: éter etílico: ácido acético (90:10:1), revelador: solução sulfocrômica................................................................................................ 75 Figura 33 - CCD em sílica do óleo in natura: f) AM e polpa de mumbaca, g) polpa e AM de tucumã, h) EP e AM de paxiubinha, i) AM de patauá, j) AM de bacaba e l) AM de babaçu. Eluente usado: mistura de éter de petróleo: éter etílico: ácido acético (90:10:1), revelador: solução sulfocrômica................................................................................................ 76 Figura 34 - CCD do óleo da polpa de açaí: a) óleo in natura, b) produto da reação de esterificação.......................................................................................... 79 Figura 35 - CCD do óleo da polpa de tucumã: a) produto da reação de transesterificação, b) spot 4 se refere ao óleo in natura............................. 80 10 Figura 36 - Análise por CCD: a) produto da esterificação do óleo da polpa do tucumã, b) produto da transesterificação do óleo esterificado do açaí, c) produto da transesterificação do óleo amêndoa do tucumã e d) produto da transesterificação da amêndoa do babaçu............................................ 81 Figura 37 - Análise por CCD do produto da transesterificação com método Ce 2-66 da AOCS (SILVA, 2005): a) EP de patauá, b) amêndoa de patauá, c) EP de bacaba e d) amêndoa de bacaba.......................................................... 82 Figura 38 - Análise por CCD do produto da transesterificação com método Ce 2-66 da AOCS (SILVA, 2005): e) epicarpo de mumbaca, f) polpa de mumbaca, g) amêndoa de mumbaca e h) polpa de ubim.......................... 82 Figura 39 - CCD do produto da transesterificação com método Ce 2-66 da AOCS (SILVA, 2005): a) epicarpo+polpa da paxiubinha, b) amêndoa da paxiubinha, c) produto da esterificação da amêndoa da paxiubinha e d) produto da esterificação do epicarpo+polpa da paxiubinha....................... 83 Figura 40 - Espectro de massas do hexadecanoato de metila representando o perfil de fragmentação dos ésteres metílicos de ácidos graxos saturados identificados nos óleos das palmeiras........................................................ 85 Figura 41 - Espectro de massas representativo do perfil de fragmentação dos EMAG insaturados identificados nos óleos das palmeiras: A): 9Zoctadecenoato de metila e B) 9Z,12Z-octadecadientoato de metila...... 86 Figura 42 - Espectro de massas representativo do perfil de fragmentação dos ácidos sililados............................................................................................ 87 Figura 43 - Cromatograma da mistura de padrões da SUPELCO composta por 37 EMAG com seus tempos de retenção. Coluna utilizada: Omegawax 250............................................................................................................ 93 Figura 44 - Percentual de ácido láurico no óleo das amêndoas das palmeiras identificados no CG-FID.............................................................................. 100 Figura 45 - Percentuais dos ácidos: mirístico, palmítico e esteárico encontrados nos 101 óleos das palmeiras em estudo nesta pesquisa. 11 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Espécies de palmeiras existentes no estado de Roraima.................... 23 Tabela 2 - Levantamento de dados químicos das espécies de palmeiras encontradas em Roraima citadas por Lorenzi et al., 2004.................... 27 Tabela 3 - Rendimento do percentual em massa dos frutos.................................. 64 Tabela 4 - Resultado do rendimento das extrações e cálculo do desvio padrão das médias das massas........................................................................ 69 Tabela 5 - Percentual (%) em área dos ésteres metílicos de ácidos graxos encontrados nos óleos identificados por CG-EM.................................. 88 Tabela 6 - Percentual (%) em área dos ésteres metílicos de ácidos graxos encontrados nos óleos das amêndoas identificados por CG-EM......... 89 Tabela 7 - Percentual em área dos ésteres metílicos de ácidos graxos encontrados nos óleos dos frutos das palmeiras do Estado de Roraima identificados por CG-DIC........................................................ 94 Tabela 8 - Perfil em ácidos graxos do óleo da polpa e do suco de açaí................ . 104 12 LISTA DE ABREVIATURAS AG - Ácidos Graxos AGI - Ácidos Graxos Insaturados AGL - Ácidos Graxos Livres AGS - Ácidos Graxos Saturados AM - Amêndoa AOCS - American Oil Chemists' Society BSTFA - N-bis-(trimetilsilil)-trifluoracetamida C e T- Cis e Trans CCD - Cromatografia em Camada Delgada CG - Cromatografia Gasosa CG-EM - Cromatografia Gasosa acoplada a Espectrometria de Massas CG-DIC - Cromatografia Gasosa equipada com Detector por Ionização em Chama EMAG - Ésteres Metílicos de Ácidos Graxos EMAGS - Ésteres Metílicos de Ácidos Graxos Saturados EMAGI - Ésteres Metílicos de Ácidos Graxos Insaturados EP - Epicarpo+polpa ep - Epicarpo eV – Eletrovolts FID - Flame Ionization Detector GBQF - Grupo de Biotecnologia e Química Fina IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ISO - International Organization for Standardization LDL - Low Density Lipoproteins M/Z – Massa/carga NUPENERG - Núcleo de Pesquisas Energéticas Rf – Fator de retenção SEPLAN - Secretaria de Estado do Planejamento e Desenvolvimento ssp. – Espécies TG - triglicerídeos 13 SUMÁRIO 1 1.1 1.1.1 1.1.2 1.1.3 1.1.4 1.1.4.1 1.1.4.2 1.1.4.3 1.1.4.4 1.1.4.5 1.1.4.6 1.2 1.2.1 1.3 2. 2.1 2.2 3 3.1 3.2 3.3 3.4 3.4.1 3.4.2 3.4.3 3.5 3.6 3.7 3.8 3.9 3.10 4 4.1 4.2 4.3 4.4 4.5 4.5.1 4.5.2 4.5.3 INTRODUÇÃO.............................................................................................. Importância das palmeiras............................................................................. Principais características das palmeiras........................................................ Estudos de palmeiras no Brasil...................................................................... Levantamento de dados químicos de algumas espécies de palmeiras existentes no estado de Roraima................................................................... Espécies de palmeiras encontradas no estado de Roraima durante levantamento de campo................................................................................. Gênero Euterpe.............................................................................................. Gênero Oenocarpus....................................................................................... Gênero Astrocaryum ..................................................................................... Gênero Orbignya............................................................................................ Gênero Geonoma.......................................................................................... Gênero Iriartella............................................................................................. Cromatografia a gás na análise de ácidos graxos......................................... Espectrometria de massas: fragmentação de ésteres metílicos de ácidos graxos de cadeia linear.................................................................................. Cromatografia Gasosa com Detector por Ionização em Chama (CG-DIC).... OBJETIVOS................................................................................................... GERAL........................................................................................................... ESPECÍFICOS................................................................................................ METODOLOGIA............................................................................................. Coleta e local de obtenção dos frutos............................................................ Preparação das amostras.............................................................................. Extração do óleo dos frutos das palmeiras ................................................... Análise por Cromatografia em Camada Delgada (CCD)............................... Preparação da fase estacionária................................................................... Preparação das placas cromatográficas....................................................... Solventes de eluição e reagente de revelação.............................................. Esterificação ................................................................................................. Transesterificação através do Método 5509 da ISO (1978) Modificado........ Transesterificação através do Método Ce 2-66 da AOCS (SILVA, 2005).... Sililação dos óleos......................................................................................... Análise por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG-EM)......................................................................................................... Análise por cromatografia gasosa equipada com detector por ionização em chama (CG-DIC)............................................................................................ RESULTADOS E DISCUSSÃO.................................................................... Levantamento de espécies de palmeiras em Roraima .................. Composição física e rendimento do percentual em massa dos frutos .......... Extração e rendimento do óleo...................................................................... Análise dos óleos in natura por Cromatografia em Camada Delgada (CCD) Derivatização dos óleos em ésteres metílicos de ácidos graxos (EMAG) para análise em cromatografia gasosa (CG)................................................. Esterificação do óleo...................................................................................... Transesterificação com o Método 5509 da ISO (1978) Modificado............... Transesterificação com o método Ce 2-66 da AOCS.................................... 15 16 18 21 25 26 26 31 32 34 36 36 37 38 43 48 48 48 49 49 52 53 54 55 55 55 56 56 57 57 58 59 60 60 63 67 73 77 78 79 81 14 4.6 Caracterização dos ésteres metílicos de ácidos graxos por cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas (CG-EM).............................. 4.7 Constituição em ácidos graxos dos óleos do epicarpo, polpa, amêndoa e epicarpo+polpa dos frutos analisados por CG-EM........................................ 4.8 Análises dos ésteres metílicos de ácidos graxos por Cromatografia Gasosa equipada com Detector por Ionização em Chama (CG-DIC)......................... 4.9 Importância e fonte dos principais ácidos graxos identificados nos óleos dos frutos das palmeiras................................................................................ 4.10 Perfil em ácidos graxos do óleo extraído da polpa e suco do açaí................ 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................... REFERÊNCIAS ............................................................................................. 84 87 92 99 103 105 106 15 1 INTRODUÇÃO As palmeiras vêm sendo bastante valorizadas em pesquisas acadêmicas, pois são muitos os trabalhos divulgados nas mais diversas áreas de estudo como: etnobotância, ecologia, fitogeografia, fitossociologia, entre outras. Porém, ainda há necessidade de muitas pesquisas a fim de explorar esse grupo de plantas, visto que existem muitas espécies que precisam ser estudadas e até descobertas, já que muitas vivem em áreas de difícil acesso ou regiões inexploradas. As palmeiras são típicas de regiões de clima tropical, característica que beneficia o Brasil, um país rico de uma enorme variedade de espécies. Isso é comprovado através do estudo de Lorenzi et al. (2004) que fizeram um levantamento de campo onde foi constatado 208 espécies de palmeiras nativas no país. Em Roraima ainda estamos no limiar do estudo sobre as palmeiras. Contudo, mesmo com as dificuldades encontradas quanto aos locais de acesso para obtenção dessas espécies, os pesquisadores do Grupo de Biotecnologia e Química Fina (GBQF) do Departamento de Química da Universidade Federal de Roraima vêm estudando o potencial de algumas palmeiras para obtenção de biodiesel no estado, dentre as quais já foram estudadas algumas variedades como Maximiliana maripa conhecida vulgarmente como inajá (CORRÊA, 2006, 2011; FLACH et al., 2005), Mauritia flexuosa conhecida vulgarmente como buriti (BECKER et al., 2006) e Bactris gasipaes (COSTA et al., 2007) conhecida vulgarmente como pupunha. O presente trabalho explora sete espécies de palmeiras encontradas no estado de Roraima e vem contribuir com o grupo de pesquisa na avaliação da flora local, fazendo um levantamento das espécies de palmeiras distribuídas no estado. De acordo com a obra de Lorenzi et al. (2004) são citadas 24 espécies na região. Além de fortalecer a pesquisa na região e colaborar com os pesquisadores do grupo, este estudo vem confirmar a presença de algumas espécies de palmeiras citadas por Lorenzi et al. (2004) e revelar a existência de outras que não aparecem catalogadas na sua obra como ocorrente em Roraima. A constatação da existência de algumas espécies não catalogadas em Roraima evidencia a necessidade de pesquisas na região contribuindo para a ampliação de dados, já que a literatura dispõe de poucas informações acerca desse recurso no estado. 16 A contribuição desta pesquisa para a sociedade e em especial para a Roraimense é de grande relevância, pois com o levantamento das espécies de palmeiras distribuídas pode-se realizar o mapeamento dos locais de incidências, condição necessária para desenvolver mecanismos de preservação, garantindo, dessa forma, a reserva de espécies de palmeiras. Nesta pesquisa foi realizado um estudo da composição química do óleo dos frutos de sete espécies de palmeiras encontradas em Roraima. Para caracterização dos ácidos graxos presentes nos óleos foi utilizada à técnica de cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas (CG-EM) e cromatografia gasosa equipada com detector por ionização em chama (CG-DIC). O estudo da composição química do óleo de cada parte dos frutos é muito importante já que este é destinado para os mais variados fins: alimentação, medicina, cosmética, biocombustível, entre outras. Por exemplo, o babaçu (Orbignya phalerata) é apontado com das umas espécies oleaginosas com maior potencial para produção de biodiesel (LIMA et al., 2007). O murumuru (Astrocaryum murumuru) abundante no estado do Pará é composto principalmente por ácido láurico e mirístico, é usado na indústria de cosméticos (CLEMENT; LLERAS; VAN, 2005; SARAIVA, 2008). O óleo de buriti (M. flexuosa) é rico em ácido oléico e apresenta algumas propriedades medicinais como: vermífugas e cicatrizante, e ainda é usado contra queimaduras na medicina caseira (CARVALHO, 2011). 1.1 Importância das palmeiras As palmeiras são plantas monocotiledôneas, lenhosas, formando um grupo natural de plantas pertencente à família Arecaceae, conhecida anteriormente como Palmae. Os povos itálicos aplicavam-na a tamareira (Phoenix dactilifera) da África Mediterrânea e do Oriente Médio. Os gregos chamavam-na fóinix palavra de origem fenícia, sendo esta por influência árabe e aramaica aplicada à antiga cidade turca Palmira, com o significado de “cidade onde havia palmas” (LORENZI et al., 2004). Quanto às espécies de palmeiras existentes no mundo, não há uma concordância entre os autores especializados no assunto. Granville (1988) menciona a existência de 2779 espécies de palmeiras e 212 gêneros distribuídos principalmente nas florestas tropicais dos diferentes continentes. Uhl e Dransfield 17 (1987, apud KOOLEN et al., 2012) afirmam que atualmente a família Arecaceae compreende 1500 espécies distribuídas em aproximadamente 200 gêneros. Outras pesquisas citam em torno de 2000 a 2500 espécies (ADAM et al., 2007; MIGUEL; SILVA; DUQUE, 2007; FAVRETO, 2010). As palmeiras são conhecidas por vários nomes vulgares, que muitas vezes dão origem a confusões por serem aplicados a plantas totalmente diferentes. Por esse motivo, as palmeiras devem ser sempre mencionadas por seu nome botânico, que de acordo com a classificação de Carlos Lineu, é composto por duas palavras, a primeira que designa o gênero, e juntamente com a segunda forma a espécie. As palmeiras ocupam um lugar de destaque entre as plantas, devido à capacidade de transmitir ao meio em que são cultivadas um aspecto luxuriante e a beleza das regiões tropicais (LORENZI et al., 2004). Com morfologia muito característica, permite, mesmo aos mais leigos, a sua identificação sem maiores dificuldades. Em muitos lugares as palmeiras são consideradas “árvores da vida” devido à sua abundância. Representam símbolos importantes no judaísmo, cristianismo, hinduísmo, budismo e islamismo, além de outras religiões. São consideradas “príncipes do reino vegetal” (PLOTKIN; BALICK, 1984). Antes mesmo de Cristo já eram utilizadas na forma ornamental e na alimentação (MIGUEL; SILVA; DUQUE, 2007). As grandes civilizações orientais como as do mediterrâneo já utilizavam as palmeiras como elementos característicos de sua paisagem e habitat. Os povos da antiguidade encontravam também nestas plantas suas qualidades nutritivas, servindo de base de alimentação para os habitantes do norte da África e sudoeste da Ásia, enquanto que, ainda eram utilizadas como matéria prima para construções (SODRÉ, 2005). As palmeiras apresentam grande importância econômica pelos mais variados produtos que delas podem ser obtidos, os destinados à alimentação humana ficam em primeiro lugar (LORENZI et al., 2004). Entre os produtos utilizados pelo homem têm-se o óleo vegetal, tâmaras, extração de farinha, ceras, fabricação de vassouras e material de tecelagem, as polpas são utilizadas para doces e sorvetes (MIGUEL; SILVA; DUQUE, 2007). 18 O Brasil tem uma grande variedade de espécies de palmeiras, justificando a denominação dada pelos povos indígenas de “Pindorama”, país ocupado por palmeiras (LORENZI et al., 2004). 1.1.1 Principais características das palmeiras A família Arecaceae como a maioria das plantas apresenta raízes, caules, folhas, flores, frutos e sementes com características próprias e bem definidas, o que possibilita sua fácil identificação (LORENZI et al., 2004). As raízes dessas plantas são do tipo fasciculado e são encontradas frequentemente distribuídas subterraneamente, sem uma raiz principal. Têm a função de fixar a planta no solo, absorver água e alimentos. Em algumas palmeiras as raízes aparecem no caule acima do solo e são chamadas de raízes aéreas (Figura 1), esse tipo ocorre principalmente em matas úmidas (SODRÉ, 2005). Figura 1 – Raízes aéreas da Socratea exorrhiza e sua expansão ao lado. Fonte: LORENZI et al. (2004). Os caules das palmeiras recebem o nome especial de estipe, os quais podem ser cilíndricos, alongados ou colunares, quase sempre sem ramificações (LORENZI et al., 2004). Os estipes dessas plantas apresentam formas, tamanhos, volumes e texturas variados. O tronco das palmeiras, quando comparados com os das árvores 19 não engrossa de acordo com seu crescimento, devido à maioria das espécies alcançarem o diâmetro máximo antes que o estipe comece a crescer em altura. Com isso, essas plantas não possuem o anel interno de crescimento, dificultando a base de cálculo da idade como feito em outras plantas. Algumas espécies possuem cicatrizes em seus estipes, o que pode indicar a idade aproximada de algumas espécies (SODRÉ, 2005). Os estipes das palmeiras podem ser simples, solitários ou aglomerados formando uma moita. Podem ser subterrâneo, tornando-se acaule, o que é muito raro (LORENZI; NEGRELLE, 2006). Porém a maioria das espécies possui caules simples ou solitários, com alturas e espessuras variáveis (LORENZI et al., 2004). Quanto à textura, os caules das palmeiras podem ser lisos (Figura 2a), ou seja, desprovidos de qualquer revestimento, ou recobertos por restos de bainhas, fibras ou espinhos como mostra a Figura 2b (SODRÉ, 2005). Este grupo de plantas possui tamanho variado e ocorre em locais isolados, o que dificulta seu estudo (BALICK, 1979). Figura 2 – a) Estipe liso da Dypsis decary, b) Estipe com espinhos da Acrocomia aculeata. a) b) Fonte: SODRÉ (2005). As folhas das palmeiras apresentam-se de forma bastante variadas quanto ao tamanho, forma e divisão. São consideradas as maiores do reino vegetal entre algumas espécies, apresentando três partes distintas: bainha, pecíolo e lâmina (LORENZI et al., 2004). Tanto as folhas curtas como as longas apresentam-se de 20 forma palmada, pinadas e inteiras com bainhas abertas ou fechadas e pecíolos curtos ou longos (LORENZI; NEGRELLE, 2006; SILVA, 2008), conforme mostra Figura 3. Figura 3 – Folhas: a) pinada (Syagrus werdermannii) e b) palmada (Trithrinax brasiliensis). a) b) FONTE: LORENZI et al. (2004). As flores das palmeiras são pouco atrativas, devido ao seu pequeno porte e pelo fato de serem desprovidas de cores (LORENZI et al., 2004). São consideradas hermafroditas (monóica) quando possuem órgãos masculinos e femininos na mesma flor ou unissexuadas (dióica) quando têm um único órgão, masculino ou feminino (SODRÉ, 2005). Como são comuns nas monocotiledôneas, as palmeiras geralmente produzem flores trímeras e quanto ao perianto frequentemente apresentam sépalas e pétalas diferentes (ADAM et al., 2007). As palmeiras apresentam frutos de cor, forma e tamanhos variados. São chamadas popularmente de “coquinhos”. Os frutos apresentam três partes: a casca sendo a parte externa (epicarpo), a polpa ocupando a parte do meio (mesocarpo) e a parte interna que protege a semente (endocarpo) (LORENZI et al., 2004). Os frutos podem se apresentar em tamanhos pequenos ou grandes com o pericarpo liso ou com presença de espinhos. As sementes geralmente são duras e densas, 21 apresentam formas variadas e consistem do endosperma conhecido como albúmen duro (SILVA, 2008). 1.1.2 Estudos de palmeiras no Brasil O Brasil é um país tropical, e possui uma diversidade enorme de palmeiras onde a maioria são fontes excelentes de óleo (BORA, et al, 2003). Lorenzi et al. (2004) fizeram um levantamento de campo no Brasil e catalogaram 383 espécies de palmeiras, onde 208 são espécies nativas e 175 são exóticas. A literatura relata a existência de cerca de 200 espécies de palmeiras no Brasil distribuídas em 40 gêneros (SOUZA; LORENZI, 2005 apud FAVRETO, 2010). Há alguns anos o Brasil vem mostrando um grande interesse pela utilização das palmeiras como forma de energia renovável, pois no início dos anos 80 já eram produzidos algumas toneladas de óleos nos estados do Piauí e Maranhão de diversas espécies oleaginosas como Acrocomia aculeata, conhecida vulgarmente como macaíba, Astrocaryum vulgare conhecida vulgarmente como tucumã, entre outras (BALICK, 1985). Além disso, apresenta condições climáticas favoráveis à produção dessas oleaginosas. Muitas espécies de palmeiras podem ocorrer em áreas inundadas ou solos arenosos no Brasil (KAHN, 1988). O Astrocaryum jauari é uma espécie de palmeira nativa do Brasil, Guiana, Venezuela e Peru (BALICK, 1982) que cresce em bancos de areia de rios e ilhas, tolerando durações de inundação quase o ano inteiro, entre 30 e 340 dias (PIEDADE; PAROLIN; JUNK, 2006). No Brasil a família Arecaceae é comumente encontrada nos ecossistemas Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Cerrado, entre outros (MIGUEL; SILVA; DUQUE, 2007). Muitas espécies de palmeiras representam recursos de grande valor econômico e cultural para as várias comunidades tradicionais que habitam estes ecossistemas, como a etnia Krahò, que ocupam a região nordeste do Estado do Tocantins, área do cerrado (NASCIMENTO et al., 2009). A Floresta Amazônica é muito rica em espécies de palmeiras (KAHN, 1988) utilizadas durante muitos séculos pelos povos indígenas (BALICK, 1982). Este grupo de plantas apresenta produtos que são muito utilizados na vida diária da maioria dos habitantes dessa região (KAHN, 1991) como alimentos e produtos medicinais. A 22 exemplo tem a Euterpe precatória encontrada na Amazônia central e ocidental. Os povos da Amazônia brasileira e peruana usam o chá das raízes da Euterpe precatória contra picadas de cobra, dores musculares e no peito, prevenção de anemia e doenças do fígado (GALOTA; BOAVENTURA; LIMA, 2008). A flora amazônica é composta por um grande número de palmeiras, sendo que ainda há espécies para serem descobertas na medida em que novas regiões sejam exploradas. Estudos na região apontam que as Arecáceas ocupam entre 6 e 7% da biomassa aérea total da floresta, entretanto seus frutos ricos em lipídios e carboidratos contribuem com cerca de 60% do conteúdo energético de todos os frutos produzidos (HENDERSON, et al., 2000 apud SILVA, 2008). Um estudo realizado na região nordeste apontou 17 espécies de palmeiras utilizadas por tribos indígenas, entre as quais O. phalerata (babaçu) destaca-se por sua importância econômica (BALICK, 1988). Há uma predominância de grandes florestas de babaçu nos Estados do Maranhão e Tocantins e parte dos Estados do Piauí, Goiás, Mato Grosso e Pará, algo em torno de 17 milhões de hectares (LIMA, 2004). Henderson e Scariot (1993) realizaram uma pesquisa na Amazônia central na Reserva Ducke e catalogaram 35 espécies de palmeiras distribuídas em 14 gêneros. No levantamento baseado no livro “Palmeiras Brasileiras e exóticas cultivadas” de Lorenzi et al. (2004) a região Norte mostra-se extremamente rica em espécies da família arecaceae, constatando-se 118 espécies na região Neste levantamento foram encontradas 24 espécies de palmeiras existentes no estado de Roraima, as quais são destacadas na Tabela 1 com seus nomes botânicos, seguido de nomes comuns e possíveis sinônimos. 23 Tabela 1- Espécies de palmeiras existentes no Estado de Roraima (LORENZI et al., 2004). Nº NOME BOTÂNICO NOME VULGAR SINÔNIMO 01 Astrocaryum gynacanthum Mart. mumbaca, marajá-açu 02 Astrocaryum jauari Mart. 03 Attalea ferruginea Burret 04 Bactris brongniartii Mart. Jauari Curuá marajá, marajá-branco 05 Bactris campestris Poepp. ex Mart. marajá, mumbaca-branca 06 Bactris hirta Mart. marajá, aricanga-falsa 07 Bactris maraja Mart. var. maraja Henderson 08 Bactris simplicifrons Mart. marajá, marajá-açu 09 Barcella odora (Trail) Drude 10 Desmoncus mitis Mart. piassabarana, piassaba Jacitara 11 Desmoncus orthacanthos Mart. atitara, jacitara, titara 12 Desmoncus polyacanthos Mart. atitara, jacitara, titara 13 Desmoncus sp. nov. jacitara-miúda Astrocaryum gymopus Burret, Astrocaryum minus Trail Astrocaryum guara Burret Sem sinônimo Bactris cuyabaensis Barb. Rodr., Bactris pallidispina Mart. Bactris lanceolata Burret, Bactris leptocarpa Trail. Bactris atrox Burret, Bactris formosa Barb. Rodr. Bactris divisicupula L. H. Bailey, Bactris fuscopina L. H. Bailey Bactris acanthocnemis Mart., Bactris arenaria Barb. Rodr. Elaeis odora Trail Atitara mitis (Mart.) Kuntz, Atitara pumila Atitara pumila (Trail) Kuntz Atitara orthacantha Mart., Desmoncus rudentum Mart. Atitara paraensis Barb. Rodr., Desmoncus macroacanthos Mart. Sem sinônimo Fonte: AUTOR (2010). marajá, ubimzinho 24 Tabela 1- (Conclusão) Espécies de palmeiras existentes no Estado de Roraima (LORENZI et al., 2004). Nº NOME BOTÂNICO NOME VULGAR SINÔNIMO 14 Geonoma baculifera (Poit.) Kunth Ubim 15 Geonoma deversa (Poit.) Kunth Ubim 16 17 Geonoma leptospadix Trail Iriartella setigera (Mart.) H. Wendl ubim, ubim-brava paxiubinha, paxiubirana 18 19 Leopoldinia major A. Wallace Mauritia carana A. Wallace jará-açú caraná, caraná-do-mato 20 Mauritia flexuosa L. f. buriti, miriti, muriti 21 Mauritiella armata (Mart.) Burret caraná, caranã, buritirana 22 Oenocarpus bataua Mart. patauá 23 Orbignya sagotii Trail ex Im Thurn curuaí, pindova 24 Socratea exorrhiza (Mart.) H. Wendl. paxiúba, paxiubinha Geonoma acutiflora Mart., Geonoma baculífera var. macrospatha (Spruce) Drude Geonoma bartletii Dammer ex Burret, Geonoma desmarestii Mart. Geonoma saramaccana L. H. Baley Cuatrecasea Spruceana (Barb. Rodr.) Dugand, Cuatrecasea vaupesana Dugand Sem sinônimo Orophoma carana (A. Wallace) Spruce Mauritia vinifera Mart., Mauritia sphaerocarpa Burret Mauritia aculeata Mart., Mauritia huebneri Burret Jessenia bataua (Mart.) Burret, Jessenia polycarpa H. Karst., Attalea microcarpa Mart., Attalea agrestis Barb. Rodr., Iriartea exorrhiza Mart., Iriartea durissima Oerst. Fonte: AUTOR (2010). 25 1.1.3 Levantamento de dados químicos de algumas espécies de palmeiras existentes no Estado de Roraima O estado de Roraima está situado na Região Norte do país ocupando uma área aproximada de 224,3 mil km². A vegetação do estado é composta pela Floresta tropical Amazônica, Matas de terra firme e Campos gerais do Rio Branco, conhecido como lavrado ou savanas, sendo esta última parte formada por gramíneas onde são encontrados igarapés que ao longo de seus percursos encontram-se distribuídas palmeiras de grande porte como o buriti (M. flexuosa) e o inajá (M. maripa), espécies predominante em Roraima (FREITAS, 1998). O estudo sobre a florística ainda é muito incipiente. Entretanto, o estado mostra-se promissor quanto à diversidade da flora da região. As palmeiras apresentam sua importância na região norte do país. Os povos indígenas da etnia Macuxi situado no estado de Roraima utilizavam o buriti (M. flexuosa) na alimentação e na cobertura de seus abrigos (BARBOSA et al., 2000). Luz (2001) relata que a população local explorava as cascas do coco (cocos nucifera) e as raízes de açaí (Euterpe oleraceae) para uso medicinal. Lorenzi et al. (2004) citaram em sua obra 24 espécies de palmeiras existentes no estado de Roraima (Tabela 1). Porém, outros estudos mostram que esse número é bem maior, pois o Grupo de Biotecnologia e Química Fina (GBQF), como já foi mencionado anteriormente, vem estudando outras espécies de palmeiras encontradas na região (M. maripa, M. flexuosa e B. gasipaes) que não são citadas na obra de Lorenzi et al. (2004). A literatura apresenta uma riqueza de informações sobre a família Arecaceae nas áreas de botânica, ecologia, fitogeografia, biologia, entre outras, entretanto, quanto ao levantamento de pesquisas informando sobre dados químicos de algumas espécies, como B. brongniartii, A. ferruginea, B. campestris, B. marajá, B. simplicifrons, B. odora, D. mitis, G. baculífera, G. deversa e G. leptospadix, ainda há poucos estudos. Siebert (2000), reconhece que apesar da distribuição difundida e da importância econômica de Desmoncus ssp., que a espécie é desconhecida ecologicamente. Quiroz et al. (2008) relatam que na literatura há vários estudos sobre o comportamento geral e como o ambiente influencia no crescimento e forma 26 de D. orthacanthos, ao mesmo tempo enfatiza que há poucas pesquisas sobre as características anatômicas dessa espécie. Apesar de a literatura mostrar-se carente sobre o estudo de algumas espécies, fazem-se considerações nesta pesquisa a respeito do estudo químico de algumas espécies de palmeiras encontradas na região, conforme tabela 2 que é composta pelo nome científico da espécie, parte da planta estudada, utilidade da planta estudada, dados químicos e referências bibliográficas. 1.1.4 Espécies de palmeiras encontradas no Estado de Roraima durante levantamento de campo 1.1.4.1 Gênero Euterpe A literatura relata a existência de 30 espécies de palmeiras do gênero Euterpe na América Central e América do Sul (UHL & DRANSFIELD, 1987 apud SCHIRMANN, 2009). Lorenzi et al. (2004) citam a existência de sete espécies desse gênero no Brasil. O açaí (Euterpe oleraceae Mart.) é uma palmeira nativa da Amazônia, que se encontra amplamente distribuída nos estados do Amapá, Maranhão, Pará e Tocantins. É uma espécie característica das várzeas e margens dos rios amazônicos, conhecida vulgarmente por várias alcunhas como: açaí-do-pará, açaí, açaizeiro, uaçaí. Na região norte é conhecido como açaí de touceira, açaí do Pará, açaí do estuário e açaí do Baixo Amazonas (FAVACHO, 2009; LORENZI et al., 2004; TEXEIRA, 2003). Os frutos do açaí fornecem uma bebida concentrada, de alto valor nutritivo e calórico, conhecida como “vinho de açaí” muito consumida na região norte, principalmente no estado do Pará, entretanto, atualmente, vem conquistando novos mercados em outras regiões brasileiras e até mesmo em outros países. O palmito é o segundo produto obtido do açaizeiro, sendo que a maior parte da produção sempre foi destinada à demanda nacional e internacional (ALEXANDRE; CUNHA; HUBINGER, 2004; FAVACHO, 2009; TEXEIRA, 2003). Outros subprodutos da 27 Tabela 2 – (Continua) Levantamento de dados químicos das espécies de palmeiras encontradas em Roraima citadas por Lorenzi et al., 2004. NOME CIENTÍFICO Astrocaryum gynacanthum Astrocaryum jauari PARTE DA PLANTA ESTUDADA Não encontrado Polpa e amêndoa Attalea ferruginea Não encontrado Bactris brongniartii Bactris campestres Bactris hirta Bactris maraja Não encontrado Não encontrado Não encontrado Não encontrado Bactris simplicifrons Barcella odora Não encontrado Desmoncus mitis Não encontrado Fonte: AUTOR (2010). Não encontrado UTILIDADE DA PLANTA Mesocarpo comestível e confecção de utensílios. Mesocarpo comestível, alimentação de peixes, confecção de redes, artesanatos. Cobertura de casas e semente comestível. Frutos comestíveis. Palmito usado no tratamento de picadas de cobra. Paisagismo de jardins. Frutos comestíveis, vendidos em Belém e Manaus. Ornamentações em vasos, devido ao pequeno porte. Cobertura de casas, atividade ornamental. Frutos consumidos pela fauna e caule usados na confecção de artesanatos. DADOS QUÍMICOS DA LITERATURA Não encontrado Carboidratos, óleo (polpa 3,2% e amêndoa 14,7%), proteínas e vitamina A. Não encontrado REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Kahn (2008); Lorenzi et al. (2004) Kahn (2008); Lorenzi et al. (2004); Piedade; Parolin; Junk (2006) Lorenzi et al. (2004) Não encontrado Não encontrado Lorenzi et al. (2004) Lorenzi et al. (2004) Não encontrado Não encontrado Lorenzi et al. (2004) Lorenzi et al. (2004) Não encontrado Lorenzi et al. (2004) Não encontrado Lorenzi et al. (2004) Não encontrado Lorenzi et al. (2004) 28 Tabela 2 - (Continuação) Levantamento de dados químicos das espécies de palmeiras encontradas em Roraima citadas por Lorenzi et al., 2004. NOME CIENTÍFICO PARTE DA PLANTA ESTUDADA UTILIDADE DA PLANTA DADOS QUÍMICOS DA LITERATURA REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Desmoncus orthacanthos Não encontrado Frutos consumidos pela fauna, caule usados na confecção de cestos; atividade ornamental. Não encontrado Desmoncus polyacanthos. Desmoncu sp. nov. Não encontrado Caules usados na confecção de cestos. Frutos comestíveis e fibras usadas na confecção de cestos. Folhas usadas em construções rústicas; ornamentações de jardins. Não encontrado Lorenzi et al. (2004); Oliveira; Potiguara; Lobato (2006); Quiroz et al. (2008); Siebert, (2000) Lorenzi et al. (2004) Não encontrado Siebert (2000) Não encontrado Folhas usadas na cobertura de habitações indígenas; potencial ornamental. Não foi encontrada utilidade a esta espécie na literatura. Os indígenas usam os frutos incinerados em substituição do sal; potencial ornamental. Não encontrado Lorenzi et al. (2004); Oliveira; Potiguara; Lobato (2006) Lorenzi et al. (2004) Não encontrado Lorenzi et al. (2004) Não encontrado Lorenzi et al. (2004) Não encontrado Geonoma baculífera Não encontrado Geonoma deversa Não encontrado Geonoma leptospadix Leopoldinia major Não encontrado Fonte: AUTOR (2010). Não encontrado 29 Tabela 2 - (Continuação) Levantamento de dados químicos das espécies de palmeiras encontradas em Roraima citadas por Lorenzi et al., 2004. NOME CIENTÍFICO PARTE DA PLANTA ESTUDADA UTILIDADE DA PLANTA Mauritia carana Não encontrado Não encontrado Lorenzi et al. (2004); Diaz, (2006) Mauritia flexuosa Polpa Cobertura de habitações; frutos comestíveis quando transformados em doces ou sucos; caule usado na confecção de artesanatos; potencial paisagístico. Cobertura de casas; frutos usados na alimentação em forma de sucos e doces; pecíolo utilizado na confecção de brinquedos. Carotenoides, tocoferol, rica em ácido oleico e palmítico, fitosteróis, aminoácidos, carboidratos. Mauritia carana Não encontrado Cobertura de habitações; frutos comestíveis quando transformados em doces ou sucos; caule usado na confecção de artesanatos; potencial paisagístico. Não encontrado Albuquerque et al. (2005); Costa et al. (2010); França et al. (1999); Lorenzi et al. (2004); Manhães (2007); Oliveira; Potiguara; Lobato (2006); Rosso; Mercadante (2007) Lorenzi et al. (2004); Diaz (2006) Fonte: AUTOR (2010). DADOS QUÍMICOS DA LITERATURA REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 30 Tabela 2 - (Conclusão) Levantamento de dados químicos das espécies de palmeiras encontradas em Roraima citadas por Lorenzi et al., 2004. NOME CIENTÍFICO PARTE DA PLANTA ESTUDADA UTILIDADE DA PLANTA Mauritiella armata Não encontrado Oenocarpus bataua Polpa e amêndoa Polpa fornece um suco semelhante ao do buriti; potencial paisagístico. Da polpa extrai-se o “vinho de patauá”, possui óleo comestível. Na medicina é usado como laxante, para tuberculose e asma. Como cosmético é usado como tônico capilar para queda de cabelo. As folhas são usadas na cobertura de habitações e artesanatos. Orbignya sagotii Não encontrado Socratea exorrhiza Estipe Fonte: AUTOR (2010). As folhas são usadas na cobertura de construções rústicas; os frutos são consumidos pela fauna; potencial paisagístico. Estipe utilizado em construções de casas, confecção de móveis e biojóias; potencial paisagístico. DADOS QUÍMICOS DA LITERATURA REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Não encontrado Lorenzi et al. (2004) 23% de óleo na polpa e 0,06% na amêndoa, carotenoides, esteroides, ácidos graxos (rico em ácido oleico), rico em aminoácidos, Não encontrado Lorenzi et al. (2004); Mambrim; Arellano, (1997); Silva; Wadt; Ehringhaus (2004) Grão de amido, cristais de oxalato de cálcio e corpos silicosos. Kikuchi; Potiguara; Santos (2007); Lorenzi et al. (2004); Oliveira; Potiguara; Lobato (2006) Lorenzi et al. (2004) 31 palmeira do açaí são aproveitados, como as folhas para a cobertura de casas e o caroço utilizado na fabricação de artesanatos (CRUZ, 2008). O açaí é apresentado como um alimento altamente energético, devido ao elevado teor de lipídios, suprindo cerca de 65% das necessidades recomendadas para uma pessoa adulta. Quanto ao perfil em ácidos graxos na polpa é rico em ácido oléico. Outros compostos são encontrados na polpa como as antocianinas e compostos fenólicos, além de α-tocoferol (vitamina E), fibras, manganês, cobre, boro, cromo, cálcio, magnésio, potássio, níquel, fósforo, sódio, zinco e ferro (FAVACHO, 2009; PEREIRA; QUEIROZ; FIGUEIRÊDO, 2002). 1.1.4.2 Gênero Oenocarpus O gênero Oenocarpus, segundo a literatura significa “fruto do vinho” de oeno que significa vinho e carpus que significa fruto. Lorenzi et al. (2004) citam nove espécies desse gênero na região Amazônica, sendo que seis ocorrem na Amazônia brasileira distribuídas principalmente nos Estados do Acre, Amazonas, Pará e Rondônia (SCHIRMANN, 2009). As espécies ocorrentes na Amazônia brasileira são: O. bacaba, O. balickii, O. bataua, O. distichus, O. mapora e O. minor (LORENZI et al., 2004). Entre estas espécies duas são encontradas no estado de Roraima: Oenocarpus bataua Mart. e a Oenocarpus bacaba Mart., ambas discutidas neste capítulo. A espécie O. bataua é popularmente conhecida na Amazônia brasileira por patauá, patoá ou patuá, sendo que pode variar de uma região para outra, pois no Suriname é conhecida como jagua e majo, no Peru chamada de sacumana e ungurahui, na Venezuela é conhecida como palma real, curuba e aricagua (SILVA; WADT, EHRINGHAUS, 2004). O patauá é uma palmeira que tem preferência por lugares úmidos e necessita de muita sombra durante seu crescimento, entretanto, quando adultas precisam de bastante luz. Possuem um caule solitário e podem atingir uma altura aproximada de 25m. Dos frutos se extrai uma bebida conhecida como “vinho de patauá” muito apreciada na região norte, principalmente pelas comunidades (FIGUEIRA, 2012; LORENZI et al., 2004; SCHIRMANN, 2009). ribeirinhas 32 A partir do mesocarpo do patauá se extrai um óleo comestível de cor amarelo esverdeado considerado de boa qualidade para o consumo, pois apresenta composição química semelhante ao azeite de oliva, é rico em ácidos graxos insaturados, com predominância do ácido oleico, sendo facilmente absorvido pelo organismo, além disso, quando usado na pele possui propriedades hidrantes, podendo ser usado também no cabelo (FIGUEIRA, 2012; SCHIRMANN, 2009; SILVA; WADT; EHRINGHAUS, 2004). A polpa do patauá contém alta concentração de vitamina E (DARNET et al., 2011). As folhas da palmeira são usadas na construção de casas e o estipe é empregado na construção de pontes e hortas (SILVA; WADT, EHRINGHAUS, 2004). A espécie O. bacaba é encontrada na Amazônia brasileira nos estados do Amazonas e Pará, principalmente ao norte do Rio amazonas. Essa espécie habita regiões de terra firme e capoeiras, podendo crescer em áreas com sombras, no entanto, preferem as regiões abertas. Possuem caule solitário, que pode atingir de 7 a 22 metros (FINCO et al., 2012; LORENZI et al., 2004; MENDONÇA; ARAÚJO, 1999). Os frutos da bacaba também são consumidos em forma de “vinho”, assim com o açaí e o patauá. O preparo dessas bebidas é feito por meio artesanal ou mecânico, onde ocorre a imersão dos frutos em água quente, para o amolecimento da polpa, que é macerada de forma manual ou com máquinas elétricas despolpadeiras. O “vinho” da bacaba é muito nutritivo e consumido na região amazônica, principalmente na cidade de Belém, estado do Pará (SCHIRMANN, 2009). Os frutos da bacaba fornece um óleo de cor esverdeada, que pode ser utilizado na alimentação, já que apresenta composição química parecida, embora nem tanto, com o azeite de oliva; ainda pode ser usado na fabricação de sorvetes e sabão (CLEMENT; LLERAS; VAN, 2005; SCHIRMANN, 2009). A bacaba é conhecida por vários nomes populares: bacaba-açú, bacabão, bacaba verdadeira, bacaba de azeite e bacaba vermelha (LORENZI et al., 2004). 1.1.4.3 Gênero Astrocaryum O gênero Astrocaryum está amplamente distribuído na América do Sul (Brasil, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Guiana, Peru, Equador), se estendendo até o norte da 33 América Central na Guatemala. Quanto ao número de espécies existentes a literatura cita entre 40 a 50 espécies do gênero Astrocaryum, sendo que 26 ocorrem no Brasil, principalmente na região Amazônica (BALICK, 1982; CARRERA, 2005; LEITÃO, 2008; KAHN, 2008). Lorenzi et al. (2004) relatam a presença de 14 espécies de palmeiras nativas no Brasil do gênero Astrocaryum, sendo que as espécies A. gynacanthum e A. jauari são mencionadas como ocorrentes em Roraima. Kanh (2008) cita ainda algumas espécies desse gênero distribuídas no estado de Roraima, são elas: A. acaule, A. aculeatum, A. farinosum e A. murumuru. As palmeiras do gênero Astrocaryum apresentam caules solitários ou cespitosos carregados de espinhos, que de acordo com tamanho podem variar de pequeno a grande porte (LEITÃO, 2008, LORENZI et al., 2004). Entre as espécies encontradas no estado de Roraima, esta pesquisa aborda duas: Astrocaryum aculeatum G. Mey e Astrocaryum gynacanthum Mart. A espécie A. aculeatum é conhecida popularmente por vários nomes: tucumãarara, tucumã-piranga, tucumã-piririca, tucumã-do-amazonas, tucum-açu, tucumbravo, tucum-da-serra, tucum-do-mato e tucumã (KAHN, 2008; LORENZI et al., 2004), forma como será tratada nesta pesquisa. O tucumã aparece vastamente distribuído pela região Amazônica, especialmente nos estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima, sendo encontrado ainda na Colômbia, Venezuela, Guiana, Bolívia e Trinidade (KAHN, 2008; LEITÃO, 2008; LORENZI et al., 2004; ZANINETTI, 2009). É uma palmeira monocaule ereta, que pode atingir de 8 -25 m de altura, carregada de espinhos negros de até 15 cm de comprimento. É mais comumente encontrada em áreas de roçado, pastagens, capoeiras, margens de estrada e próximos a núcleos habitacionais devido à disseminação involuntária do homem. A. aculeatum é uma espécie que tolera bem solos pobres e degradados (LEITÃO, 2008, LORENZI et al., 2004; ZANINETTI, 2009). A polpa do tucumã é muito utilizada na culinária amazonense, seja na sua forma in natura ou como recheios de sanduíches e tapiocas, bem como na forma de doces, licor e sorvetes, além de fornecer um óleo comestível que pode ser utilizado como suplemento alimentar. No caso da amêndoa, o óleo é pouco aproveitado, entretanto, estudos indicam um alto potencial para produção de biodiesel (NASCIMENTO; FERREIRA; REGIANI, 2007; LEITÃO, 2008; ZANINETTI, 2009). 34 O tucumã é considerado como uma fonte rica de elementos nutritivos para a alimentação humana, pois a polpa é rica em lipídios, o que resulta em um alto valor energético, vitamina A e ácidos graxos insaturados (ZANINETTI, 2009; YUYAMA et al., 2008). Das folhas do tucumã se obtém uma fibra utilizada na confecção de redes de pesca e para dormir, cordas para arcos, sacolas e paneiros, o tronco é utilizado para confecção de instrumentos musicais e as sementes são muito apreciadas para o artesanato local (LEITÃO, 2008; LORENZI et al., 2004) A mumbaca (A. gynacanthum) se encontra distribuída na região Amazônica nos estados do Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Maranhão, Acre e Roraima e em alguns países como Colômbia, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e com menor frequência na Bolívia. Esta espécie é comumente encontrada em floresta de terra firme, podendo ser monocaule ou multicaule densamente coberta por espinhos negros achatados de até 12 cm de comprimento. A palmeira da mumbaca pode atingir de 2-6 metros de altura (KAHN, 2008; LORENZI et al., 2004). Há poucos relatos na literatura sobre a utilização dos frutos dessa espécie. Lorenzi et al. (2004) e Kanh (2008) mencionam que o mesocarpo é mais ou menos doce e que pode ser usado na alimentação. A espécie A. gynacanthum é conhecida vulgarmente por vários nomes no Brasil: mumbaca, marajá-açu, marajá-da-terra-firme, já na Colômbia é chamada de coco-de-porco, na Venezuela de cubarro (KAHN, 2008; LORENZI et al., 2004). 1.1.4.4 Gênero Orbignya O gênero Orbignya é reportado na literatura com 11 espécies distribuídas na América Central e América do Sul (SILVA, 2011), sendo que cinco espécies são citadas por Lorenzi et al. (2004) como ocorrentes no Brasil: O. brejinhoensis, O. eichleri, O. oleifera, O. phalerata e a phalerata sagotii. A Orbignya phalerata Mart. é a espécie de maior distribuição e valor econômico desse gênero, sendo vastamente encontrada na Bolívia, Suriname, Guianas, em toda a região norte do Brasil, em maior concentração nos estados do Maranhão e Piauí e menor escala no Mato Grosso e algumas regiões isoladas do 35 nordeste como Ceará, Pernambuco e Alagoas, Figura 4a (LORENZI et al., 2004; PEREZ et al., 2012; SILVA, 2011). Embora esta espécie não seja citada como ocorrente por Lorenzi et al. (2004) no estado de Roraima, é encontrada no município de Caroebe (DUARTE; PASSOS; GAMA NETO, 2010) localizado na região Sul do Estado (Figura 4b). Figura 4 – a) Mapa de distribuição do babaçu no Brasil, b) Mapa de distribuição do babaçu no estado de Roraima. a) b) Concentração de babaçu Fonte: a) LORENZI et al. (2004). Fonte: b) DUARTE; PASSOS; GAMA NETO, (2010). Esta espécie é conhecida popularmente por várias alcunhas: babassu, uauassu, baguaçu, coco-de-macaco, coco-de-palmeira, coco-pindoba, pindoba e babaçu, sendo que este último é o mais comum de origem indígena da língua TupiGuarani onde ba = fruto e açu = grande (LORENZI et al., 2004; SILVA, 2011). A palmeira do babaçu possui caule solitário podendo atingir de 10-30 m de altura, possui todas as partes utilizadas, principalmente nas comunidades onde são ocorrentes. Os principais produtos obtidos do babaçu são o óleo extraído da castanha e a torta ou farelo resultante desse processo. O óleo é bastante visado para a produção de biodiesel, devido, pode ser usado também em larga escala na fabricação de sabão, sabonetes, e cosméticos em geral, porém na culinária tem uso limitado, pois não possui a mesma qualidade nutricional de outros óleos, como o de soja, girassol e amendoim (MACHADO; CHAVES; ANTONIASSI, 2006; PEREZ et al., 2012; SILVA, 2011). 36 As folhas do babaçu são utilizadas na construção de casas, na confecção de abanos, chapéus, esteiras, etc., o caule usado na sustentação do teto das casas dos moradores que vivem no campo (SILVA, 2011). 1.1.4.5 Gênero Geonoma As espécies do gênero Geonoma são características de florestas ombrófilas, sendo encontradas eventualmente em vegetação aberta. O gênero Geonoma está distribuído pela América Central e América Sul. No Brasil são encontradas no subbosque da Floresta Amazônica e Mata Atlântica (LORENZI et al., 2004). Há muitas discussões quanto ao número de espécies identificadas, a literatura cita a existência de 75 espécies (WESSELS BOER, 1968 apud HENDERSON; MARTINS, 2002). A literatura refere-se ainda a existência de 59 espécies desse gênero (GOVAERTS; DRANSFIELD, 2005 apud RONCAL; ORTEGA; LEWIS, 2007). Lorenzi et al. (2004) citam a presença de 26 espécies do gênero Geonoma presente no Brasil, sendo que três espécies são ocorrentes no estado de Roraima: G. baculífera, G. leptospadix e G. deversa, esta última discutida logo abaixo. A espécie Geonoma deversa Poit. Kunt está distribuída por quase todos os estados da região norte: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima sendo encontrada nos sub-bosques de florestas úmidas de terra firme e em alguns países como Guatemala, Bolívia e sudeste do Peru. O caule dessas palmeiras pode ser simples ou em forma de touceiras, podendo atingir de 0,8-3 m de altura. As folhas são amplamente utilizadas na cobertura de habitações indígenas (FLORES; ASTON, 2000; LORENZI et al., 2004). Esta espécie é conhecida vulgarmente apenas pela alcunha ubim (LORENZI et al., 2004). 1.1.4.6 Gênero Iriartella O gênero Iriartella possui apenas duas espécies distribuídas no sub-bosque da floresta tropical da região Amazônica, uma delas é a I. stenocarpa conhecida 37 popularmente como paxiubinha-de-macaco, encontrada no Acre, Colômbia e Peru. A outra é a Iriartella setigera Martius H. Wendel, espécie abordada nesta pesquisa, é encontrada no estado do Amazonas, Roraima, oeste do Pará e em alguns países da América do Sul, como Colômbia, Venezuela e Guianas (LORENZI et al., 2004). A espécie é conhecida vulgarmente por alguns nomes populares: paxiubinha, paxiubarana e ubim-do-igapó. Os índios usam o caule para confeccionar zarabatanas, além disto, esta espécie pode ser usada para fins paisagísticos. O caule de I. setigera pode ser simples ou cespitoso, podendo alcançar de 3-8 m de altura, na base possuem um conjunto de raízes expostas (aéreas) em forma de cone (LORENZI et al., 2004). 1.2 Cromatografia a gás na análise de ácidos graxos A cromatografia trata-se de um método físico-químico que consiste na separação dos constituintes de uma mistura. É realizada através da distribuição dos componentes entre duas fases, que estão em contato. Neste processo, uma das fases permanece imóvel, enquanto a outra move-se através desta. Na cromatografia á gás, a fase móvel é um gás inerte e a separação ocorre devido as diferentes interações entre as moléculas da amostra com a fase estacionária contida em uma coluna (COLLINS; BRAGA; BONATO, 1997). As substâncias analisadas por cromatografia a gás devem ser gases, substâncias voláteis ou semi-voláteis. Entretanto, quando essas características não são atendidas, no caso de compostos que possuam elevada massa molecular ou que tenham grupos fortemente polares, é necessário empregar métodos de derivatização, que consiste em transformar a substância de interesse em um derivado com características adequadas para serem analisadas por CG (COLLINS; BRAGA; BONATO, 1997). Esse procedimento é aplicado aos óleos vegetais, que são constituídos predominantemente por triglicerídeos (TG), substâncias que possuem elevado ponto de ebulição. Os triglicerídeos são formados pela condensação de glicerol com ácidos graxos (AG). Os ácidos graxos também são encontrados de forma livre no óleo, porém em menor quantidade. 38 Para avaliar a composição em ácidos graxos presentes nos óleos vegetais por cromatografia gasosa os triglicerídeos e os ácidos graxos livres (AGL) são convertidos em ésteres de ácidos graxos, substâncias que possuem maior volatilidade que seus compostos de origem, para isso, são utilizados métodos de derivatização como a transesterificação de triglicerídeos e a esterificação de ácidos graxos livres (MILINSK, 2007; MIRANTE, 2007). A cromatografia a gás é muito utilizada na análise de óleos vegetais, devido à facilidade em efetuar a separação dos ácidos graxos e por permitir a identificação e quantificação dependendo do detector utilizado (ABDALA; LIMA, 2002; GEOCKE, 2011; ZARA, 2008). 1.2.1 Espectrometria de massas: fragmentação de ésteres metílicos de ácidos graxos de cadeia linear A espectrometria de massas é uma técnica que se fundamenta na formação de íons carregados positivamente ou negativamente, que podem ser separados eletricamente ou por campo magnético baseado na razão massa-carga [m/z] (ElANEED; COHEN; BANOUB, 2009). Entre os métodos de ionização empregados em espectrometria de massas, a técnica por impacto de elétrons (IE) é a mais utilizada para geração de íons. Esse método bombardeia as moléculas da amostra, na fase gasosa, com elétrons de alta energia (geralmente 70 eV), que removem um elétron produzindo um cátion-radical, conhecido como íon molecular [M+]. A maioria das análises por CG-EM usa analisador quadrupolo (SILVERSTEIN; WEBSTER; KIEMLE, 2007). A cromatografia gasosa quando acoplada a espectrometria de massas (CGEM) permite a identificação qualitativa dos ácidos graxos pela análise dos espectros. O espectro de massas dos ésteres metílicos de ácidos graxos apresentam fragmentos peculiares o que possibilita sua identificação. O pico do íon molecular [M+] desses compostos pode ser observado com frequência quando está acima da m/z 200, pois a intensidade do pico do íon molecular tende a aumentar com o crescimento da cadeia (SILVERSTEIN; WEBSTER; KIEMLE, 2007). Os ésteres metílicos de ácidos graxos saturados (EMAGS) não substituídos no carbono (α) apresentam um pico intenso em m/z 74. Esse fragmento é 39 característico dos EMAGS e corresponde ao pico base que é resultante do rearranjo de McLafferty, onde ocorre a quebra da ligação β com formação de alceno e migração do hidrogênio para o oxigênio da carbonila (Figura 5). O rearranjo de McLafferty ocorre apenas em substâncias que possuam heteroátomos em suas estruturas (SILVERSTEIN; WEBSTER; KIEMLE, 2007; MJOS, 2004; ROCHA et al., 2008). Figura 5 – Pico base dos ésteres metílicos de ácidos graxos saturados produzido pelo rearranjo de McLafferty. H H 3C O R O CH C CH 2 CH 2 H O H 3C O Rearranjo de Mclafferty C + R CH CH2 CH 2 m/z 74 Fonte: AUTOR (2013). A quebra consecutiva das ligações C-C nos ésteres metílicos de ácidos graxos saturados produz fragmentos alquila, que serão discutidos posteriormente, e fragmentos contendo oxigênio que correspondem aos picos de m/z 59, 73, 87, 101, 115, 129, 143, 157, 171, 185, 199, etc. (alguns desses fragmentos estão representados no espectro de massas da Figura 6). Figura 6 – Espectro de massas do hexadecanoato de metila, com indicação de alguns fragmentos que contém oxigênio. OH CH2 % 74 100 OH CH2CHCOCH3 87 50 H3COC 43 0 COCH3 O 55 50.0 101 75.0 Fonte: AUTOR (2012). 100.0 115 129 125.0 M-31 143 157 150.0 171 175.0 185 199 200.0 213 227 225.0 270 239 250.0 275.0 40 Segundo Spiteller et al. (1966 apud GIESE, 2005) esses fragmentos são originados através de um rearranjo intermediário, resultante da transferência do hidrogênio do carbono 5 para o oxigênio da carbonila, sendo que o mesmo pode acontecer com o carbono 6 (Figura 7). Figura 7 – Representação da formação do estado intermediário segundo Spiteller et al. (1966 apud GIESE, 2005). R 5 6 R 5 6 4 4 H H O O 3 3 O O 2 2 Fonte: AUTOR (2013). O pico m/z 87 presente no espectro de massas dos ésteres metílicos saturados de cadeia linear é mais intenso que seus homólogos e é resultante da transferência do hidrogênio do carbono 2 para a carbono 6, seguido da clivagem da ligação em C3-C4, Figura 8 (GIESE, 2005; SILVERSTEIN; WEBSTER; KIEMLE, 2007; MJOS, 2004). Figura 8 - Representação da fragmentação do pico m/z 87. R 5 H O 4 2 O 3 OH R Fonte: AUTOR (2013). OH m/z 87 8787 41 Os fragmentos correspondentes a alguns picos contendo oxigênio estão representados na Figura 9 e podem ser observados no espectro de massas do hexadecanoato de metila (Figura 6). Figura 9 – Picos característicos de ésteres metílicos de ácidos graxos saturados contendo oxigênio. OH OH OH OCH3 OCH3 OCH3 m/z 115 m/z 101 m/z 74 OH OH OCH3 OCH3 m/z 171 m/z 143 O R C O CH3 O C O CH3 . + R m/z 59 Fonte: AUTOR (2013). Os picos (m/z 29, 43, 57, 71, 85, 99, 113, etc.) são resultantes da quebra consecutiva das ligações C-C na porção alquila dos ésteres metílicos de ácidos graxos saturados. A sequência de fragmentação é caracterizada por aglomerados de picos afastados em intervalos de 14 unidades (figura 10), semelhantes ao que ocorre em alcanos de cadeia linear saturada. (SILVERSTEIN; WEBSTER; KIEMLE, 2007). 42 Figura 10 – Picos característicos da cadeia alquila dos EMAGS. 29 43 71 57 99 85 113 O CH2 CH2 CH2 H3C m/z 43 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 C m/z = 71 m/z 57 O CH3 m/z = 85 Fonte: AUTOR (2013). Os ésteres metílicos de ácidos graxos insaturados (EMAGI) apresentam mecanismos de fragmentações diferenciados, pois apresentam m/z do pico base variável. A formação dos picos [M-32]+ e [M-74]+ é claramente perceptível nos EMAG monoinsaturados, e ocorrem devido ao rearranjo de McLafferty, sendo que o íon [M-32]+ é resultante da perda do grupo álcool como mostra a Figura 11 (GEOCZE, 2011; OLIVEIRA, 2009). Figura 11 – Esquema representativo da formação do pico [M-32]+, onde R representa o grupo alquila. O O O O O O + H H CH3 [M 32] + H R R R Fonte: AUTOR (2013). A formação do pico m/z 69 nos EMAG monoinsaturados ocorre devido a clivagem de ligação C-C, posterior a formação do pico [M-32]+ (OLIVEIRA, 2009), Figura 12. 43 Figura 12 – Esquema representativo da formação do pico m/z 69, onde R representa o grupo alquila. O O + . R m/z 69 Fonte: AUTOR (2013). O pico base m/z 55 [C4H7]+ dos EMAG monoinsaturados é formado pela clivagem da ligação C-C com formação de cátion alílico estabilizado por ressonância (MJOS, 2004). Já o pico base dos EMAG poliinsaturados pode variar conforme o número de ligações presentes na cadeia, visto que o fragmento m/z 67 [C5H7]+ é o pico base do 9Z,12Z-octadecadienoato de metila, enquanto o 9Z,12Z,15Z-octadecatrienoato de metila (C18:3) possui pico base em m/z 79. O fragmento formado a partir do íon [M31]+ ocorre devido a perda do grupo metóxi (OCH3) (MJOS, 2004). 1.3 Cromatografia gasosa com Detector por Ionização em Chama (CG-DIC) Com a finalidade de melhorar a sensibilidade do método cromatográfico, Mcwillians e Dewar, Pretorius e colaboradores desenvolveram, de forma independente, em 1957 o detector por ionização em chama (DIC, em inglês FID Flame Ionization Detector) que devido a sua alta sensibilidade, tornou-se o detector mais amplamente utilizado em cromatografia a gás (ETTRE, 2002; HOLM, 1999). Neste processo as substâncias presentes na amostra passam pela coluna, onde são separadas e através do gás de arraste chegam até o detector, onde são queimadas na chama produzida pela combustão de ar sintético e hidrogênio, ocorrendo a formação de íons que são coletados por um eletrodo (Figura 13). 44 Figura 13 - Esquema do detector por ionização em chama (DIC). Fonte: http://www.catalao.ufg.br (2012). É gerado um campo elétrico que acelera os íons formados na chama em direção ao conjunto de eletrodos (GROB; BARRY, 2004; SILVA et al., 2004). A quantidade de íons que se formam quando as substâncias da amostra estão presentes no gás de arraste é muito maior, que quando apenas o gás está sendo queimado. A corrente elétrica gerada pelos íons formados na queima das substâncias é convertida em voltagem, amplificada por um eletrômetro e captada pelo registrador (COLLINS; BRAGA; BONATO, 1997). Os detectores por ionização em chama são usados tanto para análises qualitativas como quantitativas de compostos orgânicos em amostras gasosas, respondem satisfatoriamente a todas as substâncias que possuem ligações de C-H em sua estrutura e considerando que todas as substâncias analisadas por CG são orgânicas, o DIC apresenta resposta quase universal (VISENTAINER, 2012), com exceção de alguns compostos, como: He, Ar, Kr, Xe, O2, N2, H2S, NO, SO2, N2O, NO2, CO, CO2, COS, SiCl4, SiHCl3, SiF4, e é pouco sensível a CS2 e H2O, que podem ser usados como solventes para as amostras injetadas (COLLINS; BRAGA; BONATO, 1997; GROB; BARRY, 2004). Dessa forma, compostos inorgânicos não são detectados por DIC (SILVA et al., 2004). Apenas a temperatura da chama (ar/hidrogênio) é insuficiente para uma ionização direta de átomos ou moléculas. É necessária a oxidação do carbono para que seja liberada energia de ionização durante a reação de combustão (HOLM, 1999; SILVA et al., 2004). Portanto, a intensidade do sinal gerado pela corrente de ionização resultante é proporcional ao número de átomos de carbono e hidrogênio 45 presentes nas moléculas da amostra (COLLINS; BRAGA; BONATO, 1997; HOLM, 1999; VISENTAINER, 2012). Quando há presença de compostos orgânicos na chama, hidrocarbonetos radicalares são formados através da pirólise térmica, reagindo com os radicais oxigênio, gerando um grande número de íons detectáveis. Os materiais orgânicos que eluem da coluna são submetidos às reações de degradação (GROB; BARRY, 2004; HOLM, 1999; SILVA et al., 2004; VISENTAINER, 2012): CH + O CHO+ + e- O íon CHO+ é instável e reage rapidamente com H2O para formar o íon hidroxônio, como mostra a reação abaixo: CHO+ + H2O H3O+ + CO Esse processo ocorre uma vez para cada 106 átomos de carbono introduzidos na chama (GROB; BARRY, 2004; HOLM, 1999; SILVA et al., 2004; VISENTAINER, 2012). O DIC é o detector mais usado em cromatografia gasosa e são muitas as razões para o seu sucesso, apresenta um nível de ruído muito baixo, tem uma ampla faixa de linearidade, sensibilidade elevada e resposta que varia muito pouco com fatores tais como: temperatura do detector, fluxo do gás hidrogênio no detector e gás de arraste (HOLM, 1999). Apresenta uma quantidade mínima detectável de aproximadamente 10-12 g para alcanos (VISENTAINER, 2012). Em geral, O DIC é robusto, fácil de operar. A presença de heteroátomos como o oxigênio e enxofre nas moléculas diminui a resposta, porém, ainda assim, pode ser usado na análise de ácidos orgânicos e ésteres de ácidos graxos (COLLINS; BRAGA; BONATO, 1997). A presença do átomo de oxigênio no grupo carboxilato (COO) diminui a resposta do detector por ionização em chama, pois não é considerado carbono ativo e por isso não é ionizado durante a combustão. Porém, os ésteres metílicos de ácidos graxos possuem cadeias carbônicas longas com até 30 carbonos, o que justifica a boa seletividade e resposta do DIC para análise dessas substâncias, apesar das 46 insaturações refletirem diretamente no número de carbonos ativos (VISENTAINER, 2012). A identificação dos constituintes da amostra pelo DIC só é possível através da comparação dos tempos de retenção dos constituintes com os tempos de retenção de padrões (ZARA, 2008). Na análise de EMAG é muito comum a utilização de padrões da marca Supelco (mistura composta por 37 ésteres metílicos de ácidos graxos) com o uso de colunas capilares de sílica fundida adequadas. A Figura 14 mostra um cromatograma obtido da análise dos padrões disponibilizado pela marca Supelco com a identificação de seus respectivos pico 47 Figura 14 - Cromatograma obtido da análise dos padrões disponibilizado pela marca Supelco com a identificação de seus respectivos picos realizada em uma coluna Omegawax 250. Pico 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 EMAG C4:0 C6:0 C8:0 C10:0 C11:0 C12:0 C13:0 C14:0 C14:1 C15:0 C15:1 C16:0 C16:1 C17:0 C17:1 c C18:0 C18:1n9 c C18:1n9 t C18:2n6 c C18:2n6 t C18:3n6 C18:3n3 C20:0 C20:1n9 c C20:2 c C20:3n6 C21:0 C20:3n3 c C20:4n6 C20:5n3 c C22:0 C22:1n9 C22:2 c C23:0 C24:0 Nome do composto Ácido butírico Ácido capróico Ácido caprílico Ácido cáprico Ácido undecanoico Ácido láurico Ácido tridecanoico Ácido mirístico Ácido miristóleico Ácido pentadecanóico Ácido Cis-10-Pentadecenóico Ácido pálmitico Ácido palmitóleico Ácido heptadecanóico Cis-10-heptadecenóico Ácido esteárico Ácido oleico Ácido elaídico Ácido linoleico Ácido linoleilaídico Ácido γ-linolênico Ácido α-Linolênico Ácido araquídico Ácido cis-11-icosenóico Ácido cis-11,14-icosadienóico Ácido cis-8,11,14-icosatrienóico Ácido heneicosanóico Ácido cis-11,14,17-icosatrienóico Ácido araquidônico Ácido cis-5,8,11,14,17-icosapentaenóico Ácido behênico Ácido erúcico Ácido cis-13,16-docosadienóico Ácido tricosanóico Ácido lignocérico Fonte: Fatty Acid/FAME Application Guide (2013). 48 2 OBJETIVOS 2.1 Geral Caracterizar o perfil em ácidos graxos dos óleos de algumas espécies de palmeiras encontradas no estado de Roraima. 2.2 Específicos • Fazer um levantamento das espécies de palmeiras encontradas no estado de Roraima; • Avaliar o rendimento em massa do epicarpo, polpa e amêndoa dos frutos de cada espécie; • Extrair o óleo do epicarpo, polpa e amêndoa dos frutos; • Avaliar o rendimento em massa do óleo do epicarpo, polpa e amêndoa dos frutos de cada espécie; • Caracterizar o óleo do epicarpo, polpa e amêndoa por cromatografia a gás acoplada à espectrometria de massas (CG-EM) e por cromatografia a gás equipada com o detector por ionização em chama (CG-DIC). 49 3 METODOLOGIA Os experimentos foram realizados no Laboratório de Sínteses e Laboratório de Cromatografia, ambos localizados no prédio NUPENERG (Núcleo de Pesquisas Energéticas) na Universidade Federal de Roraima. 3.1 Coleta e local de obtenção dos frutos Os frutos das palmeiras encontrados nesta pesquisa foram coletados ou adquiridos em alguns municípios do estado de Roraima: Iracema, Mucajaí, Rorainópolis e Boa Vista. No município de Iracema, mais especificamente na vicinal 12 (Figura 15) foi realizado um levantamento aleatório de algumas palmeiras e foram encontradas quatro espécies com frutos maduros prontos para coleta. Este município fica localizado ao sul da capital. A BR-174 é a principal rodovia do estado e liga esta cidade a Boa vista a uma distância de 93 km. Figura 15 - Localização da vicinal 12 no município de Iracema. Fonte: www.google.com.br (2012). As espécies encontradas na vicinal 12 foram: bacaba, mumbaca, patauá e ubim. Os frutos foram coletados e em seguida embalados em sacos de fibras para viagem. 50 Os frutos do babaçu foram coletados no sítio Arco-íris localizado nas margens da BR-174 no município de Mucajaí (Figura 16), distante 53 km de Boa Vista. Os frutos do tucumã foram adquiridos na vila Jundiá, uma localidade não indígena, pertencente ao município de Rorainópolis (Figura 16) que fica situado na região Sul do estado e dista 290 km da capital (SEPLAN, 2010). No sentido Manaus a Boa Vista, a vila Jundiá é o primeiro núcleo urbano de Roraima localizado na BR174. A polpa de açaí foi extraída de frutos adquiridos em Boa Vista, na Feira do Produtor e armazenadas no refrigerador do laboratório. Figura 16 - Mapa de Roraima com indicação dos locais onde foram coletadas algumas espécies de palmeiras. Frutos do açaí Frutos do babaçu Frutos do patauá, bacaba, mumbaca e ubim Frutos do tucumã Fonte: www.google.com.br (2012). 51 Na Reserva Florestal Adolpho Ducke localizado no estado do Amazonas o pesquisador Dr. Luiz Antonio Alves Mendonça da Costa juntamente com o Botânico Dr. José Eduardo L. da S. Ribeiro coletaram um cacho de frutos da espécie paxiubinha. Na vicinal 12 no município de Iracema os frutos foram coletados com a colaboração de alguns moradores da região, sendo necessário o uso do facão para abrir as veredas na mata fechada e chegar até as espécies pretendidas. Para a coleta dos frutos das palmeiras bacaba (Figura 17) e patauá foi necessária à escalada manual, já que as espécies aparentavam possuir altura elevada. Lorenzi et al. (2004) mencionam que essas espécies podem atingir altura entre 15-25m para a bacaba e 5-25m para o patauá. Devido à habilidade do ajudante em escalar essas espécies de palmeiras não foi necessário o uso da peconha, peça usada pela comunidade na extração dos frutos das palmeiras de grande porte. Durante a coleta o facão também foi utilizado para o corte do pedúnculo e retirada do cacho. Figura 17 - Coleta dos frutos de Oenocarpus bacaba. Fonte: PROF. DR. LUIZ ANTONIO MENDONÇA ALVES DA COSTA (2010). Os frutos da mumbaca foram coletados apenas com uso do facão, pois a espécime era aparentemente jovem e apresentava altura aproximada de 2 m. Já o pequeno cacho de ubim foi coletado manualmente devido à fragilidade do pedúnculo da palmeira e sua altura não elevada, com aproximadamente 2 m. De acordo com Lorenzi et al. (2004) a mumbaca pode atingir de 2 a 6 m de altura e o ubim até 3 m. 52 Os frutos do babaçu foram coletados pelo pesquisador Dr. Luiz Antonio Alves Mendonça da Costa e pelo aluno bolsista Mauro Marcos da Silva. Para a retirada dos cachos foi utilizado o facão e escada metálica. Os frutos do tucumã e do açaí conforme informou o pesquisador Dr. Luiz Antonio Alves Mendonça da Costa foi fornecido por produtores, não sendo informada a forma da coleta. Para fazer a coleta dos frutos da paxiubinha foi utilizado apenas o facão para a retirada do cacho. 3.2 Preparação das amostras Para a avaliação do rendimento em massa dos frutos foram selecionadas 10 amostras de maneira aleatória. Os frutos selecionados foram separados em casca (epicarpo), polpa (mesocarpo), endocarpo e amêndoa. O endocarpo de alguns frutos foram quebrados com o auxílio da prensa manual (Figura 18a) ou uma picareta (Figura 18b) para a retirada da amêndoa. A separação do epicarpo e da polpa de alguns frutos foi realizada manualmente com o auxílio de uma faca pequena. Figura 18 – a) Prensa manual, b) picareta usada na retirada da amêndoa do babaçu. a) b) Fonte: AUTOR (2010). No caso da bacaba os frutos foram imersos em água a uma temperatura próxima a 45ºC por aproximadamente 1h. Após esse período, verificou-se que os frutos estavam moles, então escorreu-se a água e prosseguiu com a maceração 53 manual dos frutos. Uma peneira foi utilizada para separar a polpa macerada do endocarpo. Esse procedimento foi repetido várias vezes até obter a separação total da polpa, pois não foi utilizada a adição de água durante o processo de maceração. O açaí já estava despolpado e armazenado no refrigerador do laboratório de sínteses. Não foi possível separar o epicarpo da polpa dos frutos de patauá, bacaba, ubim e paxiubinha, sendo separados juntos e referidos nesta pesquisa como epicarpo+polpa. 3.3 Extração do óleo dos frutos das palmeiras As amostras foram distribuídas em formas de alumínio e levadas a estufa para secagem a uma temperatura de 60°C com ventilação de ar por um período de aproximadamente 12 horas (Figura 19a). As amostras foram retiradas da estufa e levada ao liquidificador para pulverização (Figura 19b). Figura 19 - a) Polpa de tucumã na estufa para desidratação b) Amêndoa da paxiubinha pulverizada. a) b) Fonte: AUTOR (2010). Após a pulverização as amostras foram divididas em triplicata, medindo-se as massas de cada uma, para avaliação do rendimento do óleo. Essas amostras foram colocadas em tubos de papel de filtro, e em seguida, colocadas no aparelho de sohxlet. A extração do óleo dos frutos das palmeiras foi realizada com solvente hexano e utilização do sistema Sohxlet. As porções dos frutos que passaram pelo 54 processo de extração foram: epicarpo, polpa, epicarpo+polpa e amêndoa. A maioria das extrações foi feita em triplicata (Figura 20). Figura 20 - Extração do óleo de tucumã realizada em triplicata. Fonte: AUTOR (2010). Os balões contendo o solvente foram colocados nas mantas de aquecimento que foram ligadas, permitindo que o processo de extração permanecesse sob refluxo por 6 horas. Após esse tempo, o sistema foi desligado. Transferiram-se os extratos para os erlenmeyer e adicionou-se uma pequena quantidade de sulfato de sódio (Na2SO4) para que a umidade fosse retirada. Os extratos foram levados ao rotavaporador rotativo para recuperação do solvente. Após rotavaporados, os balões com os óleos foram pesados. O procedimento descrito foi repetido para todas as amostras. 3.4 Análise por Cromatografia em Camada Delgada (CCD) As cromatoplacas de vidro empregadas nesta pesquisa foram preparadas manualmente de acordo com a metodologia apresentada por Matos (1997). 55 .4.1 Preparação da fase estacionária Pesou-se 5g de sílica gel em um becker, adicionou-se 15mL de água destilada e com auxílio de um bastão de vidro agitou-se até formar uma solução pastosa. 3.4.2 Preparação das placas cromatográficas As placas de vidro foram lavadas com água e sabão e com álcool etílico para remoção de gorduras e possíveis contaminantes. Com as placas na posição horizontal, transferiu-se à solução de sílica para superfície de cada uma, espalhando até a uniformização da solução. Deixaram-se as placas em repouso sobre a bancada até secarem, por aproximadamente 30 minutos. Em seguida, colocou-se as placas na estufa a uma temperatura de 50ºC com circulação de ar, por aproximadamente 15 horas. A quantidade da mistura apresentada no item 3.4.1 permitiu o preparo de 6 placas (lâminas de vidro) de 3 x 8cm ou 2 placas de 8 x 10cm. 3.4.3 Solventes de eluição e reagente de revelação Os solventes usados nas análises de CCD nesta pesquisa foram desenvolvidos por Moura (2007) que otimizou sistemas de eluição e revelação para análise de óleos vegetais, gorduras animais e seus derivados. O eluente usado foi a mistura de éter de petróleo/éter etílico/ácido acético na proporção 90:10:1, dentre as várias combinações, esta apresentou a melhor separação das substâncias. Como solução reveladora foi empregada solução sulfocrômica. Após a eluição as cromatoplacas foram borrifadas com o revelador e aquecidas com um Soprador Serigráfico SteinelR HL 500 para a visualização das manchas. 56 3.5 Esterificação A reação de esterificação foi realizada num balão de vidro de fundo redondo (10 mL) onde adicionou-se 1,5g do óleo, acrescentou-se 5 mL de álcool metílico e 1 gota de ácido sulfúrico (H2SO4) concentrado. O sistema reacional foi submetido à temperatura de 70ºC em banho de óleo com o auxílio de uma chapa aquecedora com agitação magnética. O sistema reacional foi mantido sob refluxo com agitação magnética durante 6 horas e foi acompanhado por CCD. A mistura reacional foi transferida para um funil de separação (60mL) e lavada com 10 mL de solução de bicarbonato de sódio (10%) por 3 vezes. Em seguida, lavou-se com 10 mL de água destilada (3 vezes). Transferiu-se o produto para um becker de 100 mL e secou-se a solução sob Na2SO4. Após filtração a solução foi transferida para um balão e foi levada ao evaporador rotativo para recuperação do solvente e obtenção do óleo. Pesou-se o balão com o óleo e a massa obtida desta pesagem foi subtraída pela massa do balão vazio, obtendo assim a massa de óleo e calculando-se o rendimento. 3.6 Transesterificação através do Método 5509 da ISO (1978) Modificado Em um balão de 10mL adicionou-se 1,5g da amostra que foi levada ao aquecimento em banho com óleo à temperatura de 40ºC. O óleo foi submetido à agitação com emprego de uma chapa aquecedora com agitação magnética. A solução de hidróxido de potássio em metanol (KOH) 0,2 mol.L-1) foi aquecida em banho maria e adicionada ao balão contendo o amostra. Manteve-se a mistura reacional sob agitação magnética à temperatura de 40ºC e fez-se o acompanhamento da reação por CCD. O balão contendo a mistura reacional foi levado ao evaporador rotativo para remoção do metanol, por aproximadamente 30 minutos. Em seguida, transferiu-se a mistura reacional para o funil de separação que permaneceu em repouso até o dia seguinte para que ocorresse a total separação da glicerina e dos ésteres metílicos. Na lavagem da mistura reacional utilizou-se 10 mL da solução de bicarbonato de sódio (10%) por 3 vezes e 10 mL de água destilada (3 vezes). Transferiu-se a mistura reacional para um becker de 100 mL e adicionou uma pequena quantidade 57 de Na2SO4 e filtrou-se com o auxílio de um funil de vidro e papel de filtro. O extrato foi levado ao evaporador rotativo, para a recuperação do solvente e obtenção do óleo. Pesou-se o balão com o óleo e a massa obtida desta pesagem foi subtraída pela massa do balão vazio, obtendo assim a massa de óleo e seu rendimento. 3.7 Transesterificação através do Método Ce 2-66 da AOCS (SILVA, 2005) Em um balão de vidro de fundo redondo (10mL) adicionou-se 50mg de óleo e 4mL do reagente de saponificação (solução de KOH 0,5 mol.L-1 em metanol anidro), agitou-se vigorosamente o sistema reacional por alguns minutos com o auxílio de uma chapa aquecedora com agitação magnética. Em seguida a mistura reacional foi submetida a aquecimento utilizando banho maria à temperatura de 70ºC por 5 minutos. Esfriou-se o balão e acrescentou-se a reação 5mL do reagente de esterificação (mistura de 3,15g de NH4Cl, 100mL de metanol anidro e 4,75mL de H2SO4 concentrado), agitou-se novamente a mistura e levou-a ao aquecimento no banho Maria. Esfriou-se a mistura reacional e adicionou-se 4mL de solução salina (solução saturada de NaCl) e 5mL de éter de petróleo. Transferiu-se a reação para um tubo de ensaio e agitou-se vigorosamente com um agitador Vortex. O tubo contendo a reação foi deixado em repouso até a completa separação das fases. Confirmou-se a reação por CCD. Separada as fases, transferiu-se a fase superior pra um Becker, acrescentou um pouco de hexano e adicionou-se uma pequena quantidade de Na2SO4. Filtrou-se com o auxílio de um funil de vidro e papel de filtro. O extrato foi levado ao evaporador rotativo, para a recuperação do solvente e obtenção do óleo. 3.8 Sililação dos óleos Foram dissolvidos 15 mg de cada óleo transesterificado em 100 µL de piridina anidra e 50 µL de BSTFA [N-bis-(trimetilsilil)-trifluoracetamida]. A reação permaneceu em repouso por aproximadamente 1h até injeção no CG-EM. 58 3.9 Análise por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG-EM) As amostras foram analisadas no cromatógrafo a gás fabricado pela Shimadzu (Figura 21), modelo GC2010 acoplado ao espectrômetro de massas do mesmo fabricante (modelo QP2110 plus) operado a 70 eV, em colunas capilares de sílica fundida Rtx-5 com 30m de comprimento, 0,25mm de diâmetro interno e 0,25 µm de espessura de filme. Como gás de arraste foi utilizado o hélio com fluxo de 1 mL por minuto. As análises foram realizadas nas seguintes condições: temperatura inicial do forno de 60ºC com aumento gradativo de 3ºC por minuto até atingir 310°C. A análise dos espectros de massas, comparação dos espectros de massas com espectros da biblioteca Wiley e cálculo do índice de retenção permitiram identificar a composição química em ácidos graxos do óleo das oleaginosas pesquisadas neste trabalho. Figura 21- Equipamento de cromatografia gasosa acoplado ao espectrômetro de massas (CG-EM). Fonte: PROFª. DRª. ADRIANA FLACH (2008). 59 3.10 Análise por cromatografia gasosa equipada com detector por ionização em chama (CG-DIC) O cromatógrafo a gás utilizado foi o modelo GC2010 fabricado pela Shimadzu (Figura 22), equipado com detector por ionização em chama, coluna capilar de sílica fundida Omegawax 250 com 30m de comprimento, 0,25mm de diâmetro interno e 0,25 µm de espessura de filme. Como gás de arraste foi utilizado o hidrogênio com velocidade linear de 30 cm/sec. As análises foram realizadas nas seguintes condições: temperatura inicial do forno foi de 50ºC, que após 2 minutos foi aumentando gradativamente 4ºC por minuto até atingir 220°C, permanecendo nessa temperatura por aproximadamente 40 minutos. As temperaturas do injetor e detector foram de 250 ºC e 260 ºC, respectivamente. A identificação dos ésteres metílicos foi realizada pela comparação dos tempos de retenção dos constituintes das amostras com os tempos de retenção obtidos a partir da injeção da mistura de padrões da marca Supelco, composta por 37 ésteres metílicos de ácidos graxos. Figura 22 - Equipamento de cromatografia gasosa equipada com detector por ionização em chama (CG-DIC). Fonte: AUTOR (2013). 60 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 Levantamento de espécies de palmeiras em Roraima O estudo das palmeiras no estado de Roraima pode ser considerado bastante promissor, devido à quantidade de espécies existentes. Na obra de Lorenzi et al. (2004) são citadas 24 espécies distribuídas em 13 gêneros como mostrado na Figura 23. Figura 23 - Quantidade de espécies de palmeiras distribuídas em Roraima e seus respectivos gêneros segundo Lorenzi et al. (2004). Fonte: AUTOR (2013). FREITAS (1998) cita duas espécies de palmeiras predominantes em Roraima: o buriti (M. flexuosa) reconhecido como uma das palmeiras mais dominantes do estado (AZARAC; BARBOSA, 2010; BALSLEV et al., 2011; BARBOSA; LIMA; JUNIOR, 2010; RULL, 1998) e o inajá (M. maripa) que não é citado por Lorenzi et al. (2004) entre as palmeiras presentes em Roraima. Porém, a espécie é encontrada em grande abundância e tem sido vastamente pesquisada pelo grupo de pesquisa GBQF da Universidade Federal de Roraima. O pesquisador Luiz Antonio Mendonça Alves da Costa durante pesquisa de campo constatou a presença de algumas espécies de palmeiras na flora regional, como o jauari (A. jauari), a buritirana (M. carana) e a paxiúba (S. exorrhiza), sendo estas espécies citadas também por Lorenzi et al. (2004) como ocorrentes no estado 61 de Roraima. As espécies citadas não fazem parte das pesquisas deste trabalho, pois na época da coleta os frutos não haviam atingido o estágio de maturação. A espécie jauari (Figura 24a) foi encontrada no município de Mucajaí e é citada como existente nas margens do rio Cauamé e rio Branco (AZARAC; BARBOSA, 2010). O pesquisador Luiz Antonio Mendonça Alves da Costa registrou a presença da espécie buritirana (Figura 24b) nas margens do igarapé Caranã localizado em Boa Vista. De acordo com Veras e Souza (2012) o igarapé recebeu esse nome em homenagem a palmeira Mauritiella aculeata. A buritirana também foi encontrada nas margens da BR-174, próximo ao parque Viruá localizado no município de Caracaraí. Já a espécie paxiúba (Figura 24c) foi encontrada na região sul do Estado, município de Caroebe. Esta espécie também foi localizada no município do Cantá, nas margens de um igarapé na Fazenda Águas das Serras, região da Confiança ll. Ainda neste município Reis et al. (2012) relataram a presença da palmeira marajá (B. marajá). Figura 24 - Espécies de palmeiras encontradas em Roraima pelo pesquisador Dr. Luiz Antonio Mendonça Alves da Costa: a) jauari, b) Buritirana e c) paxiúba. Fonte: PROF. DR. LUIZ ANTONIO MENDONÇA ALVES DA COSTA (2010). As espécies de palmeiras encontradas em Roraima durante levantamento de campo e estudadas nesta pesquisa são citadas a seguir com seus respectivos nomes científicos: mumbaca (A. gynacanthum), ubim (G. deversa), patauá (O. 62 bataua), tucumã (A. aculeatum), bacaba (O. bacaba), açaí (E. oleraceae) e babaçu (O. phalerata) todas mostradas na Figura 25. A espécie paxiubinha (I. setigera), apesar de fazer parte das análises desta pesquisa foi coletada no estado do Amazonas (Figura 26f). Figura 25 - Espécies de palmeiras encontradas em Roraima durante esta pesquisa: a) açaí, b) babaçu, c) bacaba, d) mumbaca, e) patauá, f) paxiubinha g) tucumã e h) ubim. Fonte: LORENZI et al. (2004). Entre as espécies encontradas nesta pesquisa, três constam entre as palmeiras citadas por Lorenzi et al. (2004), são elas: a mumbaca, também citada por Kanh (2008), Rocha e Silva (2005), o ubim e o patauá mencionado também por Balick (1985) como presente em Roraima. As palmeiras açaí, tucumã, bacaba e babaçu não constam no levantamento de Lorenzi et al. (2004), porém são referidas como ocorrente em Roraima (LIMA; MENDONÇA; BARBOSA, 2006; SILVA, 2006). O açaí foi citado como presente na região sul do estado de Roraima (CANUTO et al., 2010). 63 Na estação ecológica de Niquiá, no município de Caracaraí, são encontradas algumas espécies: inajá, tucumã, bacaba e o babaçu como a espécie característica do local (IBGE, 2005). Entre o ano de 1995 e 2008 foi realizado um estudo sobre a ocorrência da palmeira babaçu no estado de Roraima e foi constatada a presença dessa espécie somente no município de Caroebe segundo os autores Duarte, Passos, Gama Neto (2010). Para os caboclos da vila de Caicubí, localizada no município de Caracaraí, as palmeiras oferecem muitas utilidades com destaque na construção e alimentação. Entre as espécies encontradas nessa região tem-se o ubim utilizado na construção, a bacaba, o açaí e o tucumã aproveitados na alimentação (ALARCÓN, 2005). 4.2 Composição física e rendimento do percentual em massa dos frutos Os frutos das palmeiras apresentam as mais variadas formas, cores e tamanhos. Em sua maioria são do tipo drupa e exibem três partes: a casca, parte externa também chamada de epicarpo, a polpa ocupando a parte do meio, também chamada de mesocarpo e a parte interna, o endocarpo que protege a amêndoa, conforme mostra a Figura 26. Figura 26 – Esquema da composição física do fruto de inajá. Fonte: CORREA (2006). Algumas palmeiras possuem o epicarpo muito fino e aderido à polpa, nesses casos não foi possível realizar a separação e considerou o percentual em massa de ambas as partes como estão indicado na Tabela 3. 64 Tabela 3 – Rendimento do percentual em massa dos frutos. Frutos Patauá Parte do fruto Epicarpo+Polpa Amêndoa Endocarpo Total Mumbaca Epicarpo Polpa Amêndoa Endocarpo Total Ubim Epicarpo+Polpa Amêndoa Endocarpo Bacaba Epicarpo+Polpa Amêndoa Endocarpo Babaçu Amêndoa Pericarpo Total Total Total Massa média (g) 2,45 g 0,32 g 0,37 g 3,14 g % em massa 78,02 10,19 11,79 100,00 0,31 g 14,41 0,11 g 0,86 g 0,87 g 2,15 g 5,11 40,00 40,48 100,00 0,86 g 2,43 g 0,02 g 3,32 g 26,00 73,20 0,80 100,00 1,08 g 1,03 g 0,11 g 2,22 g 48,60 46,40 5,00 100,00 13,47 g 184,67 g 198,14 g 6,80 93,20 100,00 Fonte: AUTOR (2012). O cacho de patauá coletado tinha poucos frutos que foram separados do cacho e pesaram no total 737,74g. Alguns frutos foram escolhidos aleatoriamente para aferição do percentual em massa (tabela 3). Os frutos estavam maduros e apresentavam coloração roxo-escuro. A polpa era bastante carnuda e oleosa, o endocarpo tinha uma estrutura fibrosa e dura, sendo quebrado com a ajuda de uma prensa. A amêndoa aparentou coloração amarelada com aspecto resistente. . A polpa+epicarpo, parte comestível, correspondem por 78% da composição física dos frutos, enquanto a amêndoa com apenas 10% (tabela 3). Esses dados são relevantes já que se tem interesse no óleo extraído tanto da polpa quanto da amêndoa. Em outros trabalhos o rendimento em massa da polpa do patauá relatado foi de 33% (MAMBRIM; ARELLANO, 1997) e 40% (DARNET et al., 2011), valores muito inferior em relação ao encontrado neste estudo. 65 O cacho de mumbaca coletado tinha 11 frutos que foram separados do cacho e pesaram no total 24,86g. Cada fruto foi separado manualmente em 4 partes: epicarpo, polpa, endocarpo e amêndoa para aferição do rendimento em massa (Tabela 3). A polpa, parte comestível do fruto, apresentou a menor proporção em massa com apenas 5%, enquanto a amêndoa e o endocarpo representam aproximadamente 80% do peso do fruto. O epicarpo da mumbaca tem coloração alaranjada e quando está maduro parte-se expondo o mesocarpo que também tem cor laranja (KANH; GRANVILLE, 1998; KANH; FERREIRA, 1995; LORENZI et al., 2004). Porém, não foi observado esse comportamento no cacho coletado, pois o epicarpo ainda não tinha coloração totalmente alaranjada, e os frutos estavam na fase de maturação. A mumbaca é utilizada como fonte de alimento pelos índios e pelos animais, entretanto, não foram encontrados estudos químicos sobre esta espécie na literatura. O cacho de ubim coletado possuía 38 frutos que foram separados do cacho e pesaram 3,32g. Os frutos eram pequenos, tinham aparência arredondada e coloração escura quase violeta. A cor negro-purpúracea é atribuída aos frutos quando estão maduros (FERREIRA, 1998; LORENZI et al., 2004). Os frutos do ubim foram separados em três partes: epicarpo+polpa, amêndoa e endocarpo. O epicarpo+polpa é formado por uma fina camada e representa quase 26% em massa do fruto. No entanto, a maior parte do peso do fruto é atribuída à amêndoa que apresenta 73% em massa (Tabela 3). Já o endocarpo do ubim é constituído por uma estrutura fina e leve, e em relação ao peso do fruto apresenta um percentual de 0,80%. Os cachos de bacaba coletados estavam apinhados de frutos maduros, porém não foi possível verificar o peso total dos cachos e nem dos frutos, pois não havia balança disponível no local de coleta. Alguns frutos foram escolhidos aleatoriamente para o cálculo da média da massa e percentual correspondente. Os frutos selecionados foram divididos em epicarpo+polpa, endocarpo e amêndoa. A polpa apresentou um aspecto oleoso, com coloração roxo-escura e manchas esbranquiçadas sobre o epicarpo. O endocarpo exibiu uma textura fibrosa e dura, sendo quebrado com o auxílio da prensa. Apenas esse procedimento não separou o endocarpo totalmente, pois parte dele fica impregnado na amêndoa, sendo necessário à separação manual. 66 A polpa e a amêndoa são responsáveis por quase toda a composição física em massa dos frutos da bacaba. Esse dado é importante, pois há interesse nos óleos extraídos de ambas as partes. A polpa representou 48,60% do percentual em massa e a amêndoa 46,40%. A polpa da espécie Oenocarpus distichus, conhecida popularmente como bacaba branca ou bacaba de azeite (LORENZI et al., 2004), pertencente ao mesmo gênero da bacaba (O. bacaba) foi citada como responsável por 38% da composição física do fruto (MAMBRIM; ARELLANO, 1997). O cacho de babaçu tinha 61 frutos que depois de separados do cacho pesaram no total 12,42kg. Como o fruto é muito duro, foi necessário o uso de uma picareta e bastão de madeira consistente para a quebra. Os frutos foram divididos em duas partes: amêndoa e pericarpo. A última parte compreende o epicarpo, mesocarpo e endocarpo e foi responsável por 93% do peso total do fruto. A amêndoa compõe aproximadamente 7% do peso em massa do fruto. Alguns autores descrevem percentuais semelhantes para composição física do fruto do babaçu, para o pericarpo citam 93% e a amêndoa entre 6 a 8% (BARROS, 2011; SOLER; VITALI; MUTO, 2007; SILVA, 2011; SANTOS, 2008). As amêndoas são cobertas por uma película amarronzada e possuem uma coloração esbranquiçada. Cada fruto tinha de 1 a 4 amêndoas que pesaram em média 13,47g. Os frutos do tucumã já estavam disponíveis no laboratório na época em que se iniciou essa pesquisa e foi a primeira espécie a ser analisada servindo como base de experiência para as técnicas laboratoriais, nessa situação não foi realizada a aferição do percentual em massa dos frutos. Como o açaí já estava despolpado, não foi possível realizar a aferição do rendimento em massa dos frutos. O cacho de paxiubinha coletado na Reserva Florestal Adolpho Ducke apresentava frutos com aparência madura com coloração vermelho-alaranjado (Figura 27). De acordo com Lorenzi et al. (2004) os frutos maduros adquirem essa cor e se partem na maturação. Os frutos da paxiubinha foram armazenados no refrigerador do Laboratório de Sínteses do NUPENERG, pois na época em que foram adquiridos não foi possível realizar a aferição do percentual em massa dos frutos, devido à falta de alunos disponíveis para dar continuidade às pesquisas. Apesar do foco desta pesquisa ser as palmeiras encontradas no estado de Roraima, resolveu-se aproveitar os frutos da 67 espécie, já que estavam disponíveis no laboratório e também por fazer parte do grupo de plantas em discussão. Figura 27 - Cacho de paxiubinha coletado na Reserva Florestal Adolpho Ducke. Fonte: PROF. DR. LUIZ ANTONIO MENDONÇA ALVES DA COSTA (2008). Os frutos da paxiubinha armazenados no refrigerador estavam na maioria com o epicarpo rompido e aderido à polpa e alguns exibiam o endocarpo. Os frutos foram separados em duas partes: epicarpo+polpa, já que o epicarpo é formado por uma camada muito fina, sendo difícil de separá-lo da polpa e a amêndoa que tem coloração esbranquiçada e é muito resistente. 4.3 Extração e rendimento do óleo O interesse em analisar a composição química em ácidos graxos presentes nos óleos dos frutos das palmeiras encontradas em Roraima durante esta pesquisa justifica a pequena discussão abaixo sobre as vantagens do método de extração e solvente escolhido para obtenção dos óleos. Segundo Guedes (2006) a extração de gorduras e sementes oleaginosas pode ser realizada por dois métodos tradicionais básicos: a prensagem ou a extração com solventes, sendo que o último método tem a vantagem de fornecer uma quantidade de óleo maior a temperaturas menores. Os solventes mais utilizados na extração de óleos utilizando o sistema soxhlet são apolares e tem ponto de ebulição de até 70Cº (FREITAS, 2007). Neste caso, um dos solventes mais utilizados é o hexano que tem ponto de ebulição de 69C° e possui caráter apolar. Esse solvente é muito eficiente na extração de óleos, por não 68 se misturar a água e por ser removido do extrato sem grande consumo de energia, além de ser pouco tóxico e não ser controlado pela polícia federal e exército. Visto todas as vantagens e experiências reportadas na literatura a respeito do método de extração de óleos com esse solvente, foi realizada a extração do óleo dos frutos das palmeiras em discussão pelo sistema soxhlet e com o solvente hexano, onde primeiramente foi obtida a média das massas de cada porção dos frutos e em seguida foi realizada a extração do óleo, onde a maior parte foi feita em triplicata. O número de extrações, a média massa da parte do fruto a ser extraída, a média massa do óleo extraído e o rendimento, todos com seus respectivos desvio padrão, estão apresentados na Tabela 4. A extração do epicarpo+polpa da paxiubinha foi realizada apenas em duplicata, pois a quantidade de massa total obtida foi muito baixa. Os frutos da mumbaca e do ubim forneceram uma baixa quantidade de massa o que resultou na realização de uma única extração conforme resultados revelados na Tabela 4. A extração do epicarpo+polpa do patauá (O. bataua) forneceu um óleo de cor esverdeada quase transparente (Figura 28a) e apresentou rendimento de 32,81%, este resultado é significante, pois o epicarpo+polpa corresponde por 78% do peso do fruto. Figura 28 – Óleo extraído com sistema soxhlet e solvente hexano: a) epicarpo+polpa e b) Amêndoa de patauá, c) epicarpo+polpa da bacaba. a) b) c) Fonte: AUTOR (2010). Markley (1957) destaca que a polpa do patauá contém entre 18% e 24% de óleo, que de acordo com Mambrin e Arellano (1997) quantia que já seria suficiente para uma possível exploração comercial. Já o teor de óleo informado por Darnet et al. (2011) de 29,1% se aproxima ao encontrado nesta pesquisa. Para a polpa 69 Tabela 4 – Resultado do rendimento das extrações e cálculo do desvio padrão das médias das massas. Frutos Parte do fruto Nº de Extrações Média Massa (g) Média Massa óleo (g) Rendimento do óleo (%) Patauá Epicarpo+Polpa Amêndoa Triplicata Triplicata 34,88 ± 0,60 15,86 ± 0,92 11,44 ± 0,53 0,53 ± 0,10 32,81 3,36 Bacaba Epicarpo+Polpa Amêndoa Triplicata Triplicata 35,07 ± 0,46 27,46 ± 3,50 15,43 ± 2,48 0,43 ± 0,14 43,94 1,62 Babaçu Amêndoa Triplicata 38,10 ± 1,63 24,33 ± 1,88 63,79 Tucumã Polpa Amêndoa Triplicata Triplicata 32,77 ± 0,38 32,77 ± 0,40 17,25 ± 0,82 6,14 ± 0,55 52,61 18,72 Açaí Paxiubinha Polpa Epicarpo+Polpa Amêndoa Triplicata Duplicata Triplicata 10,26 ± 0,27 9,73 ± 0,62 15,70 ± 2,03 1,57 ± 0,06 0,43 ± 0,44 0,15 ± 0,04 15,31 4,33 0,98 Mumbaca Epicarpo Uma vez 3,19 1,13 35,42 Polpa Amêndoa Uma vez Uma vez 1,30 7,29 0,15 1,12 11,5 15,36 Epicarpo + Polpa Uma vez 0,89 0,33 37,07 Ubim Fonte: AUTOR (2012). 70 liofilizada é reportado um elevado conteúdo de óleo de 46,72% (RODRIGUES et al., 2005). O óleo extraído da amêndoa do patauá apresentou um percentual muito inferior ao da polpa de 3,36% e coloração com um verde mais escuro (Figura 28b). Esse percentual é relevante, levando-se em consideração o comentário de Markley (1957) que cita valor menor que 1% para a amêndoa do patauá. O óleo extraído do epicarpo+polpa da bacaba (Oenocarpus bacaba) apresentou coloração amarela (Figura 28c) e rendimento de 43,94%, comparando com a espécie O. distichus pertencente ao mesmo gênero o rendimento de óleo proporcionado foi inferior a 25%, onde a extração do óleo foi realizada com hexano em um extrator semipiloto (MAMBRIM; ARELLANO, 1997). Apesar de a amêndoa corresponder por 46,39% da massa do fruto, quase o mesmo percentual da polpa, o rendimento do óleo extraído foi muito pequeno, um percentual de 1,62%. Já a amêndoa do babaçu (O. phalerata) é responsável por apenas 7% da massa do fruto, no entanto, de acordo com dados da literatura é composta por mais de 60% de óleo (MACHADO; CHAVES; ANTONIASSI, 2006; BARROS, 2011; SOLER; VITALI; MUTO, 2007; SILVA, 2011; SANTOS, 2008). A amêndoa do babaçu utilizada nesta pesquisa foi pulverizada e já se apresentava bastante oleosa. A extração da massa triturada forneceu um óleo de cor transparente (Figura 29a) e apresentou rendimento de aproximadamente 64%, valor bem próximo ao relatado nos trabalhos supracitados. Os frutos do tucumã (A. aculeatum) exibiam polpa de coloração amarela com aspecto bastante oleoso, característica que é relatada em outros trabalhos, inclusive para a espécie A. vulgare (NASCIMENTO; FERREIRA; REGIANI, 2007; PANTOJA; REGIANI, 2006; YUYAMA et al., 2008). O óleo extraído da polpa apresenta a mesma coloração dessa porção do fruto (Figura 29b). A amêndoa do tucumã foi pulverizada em um triturador doméstico. A extração da farinha pulverizada proporcionou um óleo de coloração límpida (Figura 29c), com rendimento de 18,72%. Barbosa et al. (2009) fizeram a extração do óleo da amêndoa do tucumã (A. aculeatum) com hexano e sistema soxhlet e obtiveram rendimento de óleo de 40%, valor discrepante em relação ao obtido neste trabalho. 71 Figura 29 – Óleo extraído com sistema soxhlet e solvente hexano: a) amêndoa do babaçu, b) polpa de tucumã e c) amêndoa de tucumã. a) b) c) Fonte: AUTOR (2010). O rendimento do óleo obtido da amêndoa do tucumã neste trabalho foi inferior aos percentuais reportados na literatura, no entanto, a quantia encontrada é expressiva já que a amêndoa por não possuir uma destinação específica, acaba sendo descartada. Devido ao teor de óleo fornecido, a amêndoa pode ser empregada na alimentação e mediante estudos mais aprofundados para produção de biodiesel. Já a extração da polpa do tucumã (A. aculeatum) forneceu um alto teor de óleo com rendimento de 52,71%. A quantidade de óleo encontrada nesta espécie foi superior aos percentuais citados na literatura que varia de 34% a 48% (PANTOJA; REGIANI, 2006). Na espécie A. vulgare, Rogério et al. (2010) encontraram média de óleo de 37% na polpa e 26% na amêndoa, enquanto Bora et al. (2001) citam valores elevado de 58,65% para a polpa e 37,8% para a amêndoa. O óleo extraído da polpa do açaí (E. oleraceae) apresentou coloração verdemusgo (Figura 30a). O rendimento médio do óleo foi de 15,31%. Outros autores encontraram percentual que variam entre 40,75% e 42,73% para a mesma espécie, onde foi utilizado 100g de polpa liofilizada extraída com éter etílico em extrator soxhlet (MENEZES, 2005; MENEZES; TORRES; SRUR, 2008; NASCIMENTO et al., 2008). Os frutos do açaí são muito apreciados na região norte do Brasil, sendo consumido principalmente na forma de suco, bebida que possui um alto conteúdo energético. 72 A extração do epicarpo+polpa da paxiubinha (I. setigera) foi realizada em duplicata, o que resultou massa média de óleo de 0,43g. Em percentual esse valor corresponde a 4,33% sendo o menor rendimento de óleo obtido entre as polpas das espécies em discussão. A amêndoa da paxiubinha forneceu rendimento de óleo menor que 1%. O baixo teor de óleo apresentado pode ser atribuído à dificuldade encontrada em pulverizar a amostra o que pode ter influenciado na superfície de contato entre a amostra e o solvente (ZACHI, 2007). O óleo extraído da polpa e da amêndoa exibiu coloração escura (Figuras 30b e 30c), respectivamente. Figura 30 – Óleo extraído com sistema soxhlet e solvente hexano: a) polpa de açaí, b) epicarpo+polpa de paxiubinha, e c) amêndoa de paxiubinha. a) b) c) Fonte: AUTOR (2010). Entre as porções analisadas dos frutos da mumbaca (A. gynacanthum), a amêndoa exibiu maior quantidade de massa, porém, o melhor rendimento em óleo de 35,42% foi fornecido pelo epicarpo, que corresponde por apenas 14,41% da composição física do fruto enquanto a amêndoa representa 40%. O óleo da amêndoa apresentou coloração límpida. A polpa da mumbaca apresentou o menor percentual em rendimento de óleo e a menor proporção em massa física com apenas 5%. Tanto o óleo da polpa quanto do epicarpo apresentou aspecto amarelo claro. No caso dos frutos do ubim (G. deversa) foi possível apenas quantificar o rendimento de óleo do epicarpo+polpa, pois durante o procedimento de obtenção do óleo da amêndoa houve alteração no extrato que continha o óleo, já que foi misturado com extrato de outra porção do fruto. Resolveu-se dar continuidade a pesquisa com os dados do epicarpo+polpa, deixando o estudo do óleo da amêndoa 73 para outro momento oportuno, pois a mesma é responsável por 73,19% da composição física do fruto. O óleo do epicarpo+polpa extraído do ubim apresentou coloração amarelo quase transparente e rendimento de 37,07%. O conteúdo de óleo encontrado nesta porção é importante, pois ultrapassa o percentual citado para outras espécies que fazem parte das análises dessa pesquisa como patauá (32,81%), açaí (15,31%) e a paxiubinha (4,33%). O principal uso da palmeira de ubim está relacionado à exploração das folhas para cobertura de habitações rurais (FLORES; ASHTON, 2000; FERREIRA; SANTOS, 2009). Há uma carência de estudos na literatura sobre os frutos desta espécie, pois apesar do pequeno tamanho de quase 1 cm de diâmetro (LORENZI et al., 2004), possui um alto teor de óleo na polpa. 4.4 Análise dos óleos in natura por Cromatografia em Camada Delgada (CCD) A técnica utilizada para análise prévia dos óleos in natura foi a cromatografia em camada delgada (CCD), pois é uma técnica bastante simples, eficiente, além de não ser onerosa. A CCD é uma técnica que consiste na separação dos componentes de uma mistura através da migração diferencial destes componentes sobre uma camada delgada de adsorvente retido sobre uma superfície plana (COLLINS; BRAGA; BONATO, 1997). As cromatoplacas de vidro empregadas nesta pesquisa foram preparadas manualmente, conforme descrito na metodologia Matos (1997). O eluente e o revelador usados foram selecionados com base em trabalho anterior (MOURA, 2007), onde se desenvolveu sistemas de eluição e revelação para análise de óleos vegetais. O eluente usado para separação dos constituintes foi à mistura de éter de petróleo: éter etílico: ácido acético na proporção (90:10:1), e como revelador foi usado solução sulfocrômica. Para a seleção do eluente e do revelador, foi levado em consideração às classes de compostos presentes nos óleos vegetais, que são constituídos majoritariamente por triglicerídeos (Figura 31a) e outras substâncias que aparecem em menores quantidades, entre elas, os ácidos graxos livres. 74 Para a análise em CCD dos constituintes presentes nos óleos foram utilizados os seguintes padrões: óleo de soja, ésteres metílicos de ácido graxos (Figura 31b) obtidos a partir do óleo de soja e ácido oléico (Figura 31c). Figura 31 – a)Triglicerídeo: o grupo “R” corresponde à cadeia alquila, b) Estrutura genérica dos ésteres metílicos de ácido graxos c) Estrutura do ácido oléico. a) O R1 O R2 H 2C O O CH O R3 H 2C O b) O R' = Grupo alquila ou alquenila C R' O R R = Porção metanólica O c) c) C OH Fonte: AUTOR (2013). Uma pequena alíquota do óleo in natura e das substâncias padrões foram dissolvidas em hexano e aplicadas sobre a cromatoplaca de CCD contendo sílica como fase estacionária na seguinte ordem: spot 1: óleo de soja, spot 2: EMAG, spot: 3 ácido oleico e spot 4 e 5 (óleo in natura), como indicado nas CCDs. Observando o perfil cromatográfico do óleo in natura da polpa, epicarpo, amêndoa e epicarpo+polpa (EP) das amostras em análise pode-se constatar que todas são constituídas por triglicerídeos (TG) conforme mostram as Figuras 32 (a, b, c, d, e) e 33 (a, b, c, d, e, f), considerando que a mancha referente aos TG dos óleos in natura apresenta fator de retenção semelhante ao padrão óleo de soja. Com 75 exceção da amostra do EP da paxiubinha que não indicou presença de TG, pode ser que a amostra estivesse bastante diluída dificultando a identificação (Figura 33c). Quanto à presença de ácidos graxos livres (AGL) inicialmente fez-se a análise do perfil cromatográfico do óleo in natura do epicarpo+polpa das amostras. Para o patauá e ubim não foram constatados manchas referentes à AGL (Figura 32a e 32c). Já as amostras de bacaba (Figura 32b), açaí (Figura 32e) e paxiubinha (Figura 33c) apresentaram manchas na mesma faixa de retenção do padrão ácido oleico, indicando presença AGL. Figura 32 – CCD em sílica do óleo in natura: a) EP/ patauá, b) EP/bacaba, c) EP/ubim, d) *ep/mumbaca, e) EP/açaí. Eluente usado: mistura de éter de petróleo: éter etílico: ácido acético (90:10:1), revelador: solução sulfocrômica. a) b) Fonte: AUTOR (2010). c) EP: significa epicarpo+polpa. d) e) *ep: significa epicarpo. 76 Figura 33 – CCD em sílica do óleo in natura: a) AM e polpa de mumbaca, b) polpa e AM de tucumã,c) EP e AM de paxiubinha, d) AM de patauá, e) AM de bacaba e f) AM de babaçu. Eluente usado: mistura de éter de petróleo: éter etílico: ácido acético (90:10:1), revelador: solução sulfocrômica. a) d) Fonte: AUTOR (2010). b) e) c) f) EP: significa epicarpo+polpa. AM: significa amêndoa. 77 Analisando o óleo in natura da polpa da mumbaca (Figura 33a) verifica-se que o resultado da CCD indica forte presença de AGL. Já na análise da polpa do tucumã não aparece mancha indicativa dessa substância (Figura 33b). Na análise dos óleos in natura das amêndoas também foi constatado a presença de AGL. Nas CCDs da mumbaca (Figura 33a), paxiubinha (Figura 33c), patauá (Figura 33d) e bacaba (Figura 33e), verificam-se manchas referentes à AGL, pois quando comparadas com o padrão ácido oleico, apresentam semelhante fator de retenção. Analisando o perfil cromatográfico do óleo das amêndoas do tucumã e do babaçu não são observadas manchas indicando a presença de AGL, conforme mostram as Figuras 33b e 33f, respectivamente. Na análise do óleo do epicarpo da mumbaca foi constatado que a amostra é constituída de TG e AGL (Figura 32d). 4.5 Derivatização dos óleos em ésteres metílicos de ácidos graxos (EMAG) para análise em cromatografia gasosa (CG) Na análise por cromatografia em camada delgada dos óleos in natura foi verificado a presença de TG em todas as amostras e detectado à presença de AGL somente em algumas. Para a conversão desses compostos em ésteres metílicos de ácidos graxos, foram utilizados os métodos de derivatização já mencionados: transesterificação e esterificação. A cromatografia em camada delgada foi utilizada como técnica auxiliar para acompanhar a eficiência das reações e a conversão dos ácidos graxos. O Grupo de Biotecnologia e Química Fina (GBQF) é composto por alunos que vem desenvolvendo vários trabalhos com óleos vegetais e animais, entre os quais esta pesquisa destaca Silva (2009) que selecionou o método de transesterificação 5509 da ISO (1978) para obtenção de EMAG a partir do óleo da polpa e amêndoa da pupunha (B. gasipaes). Porém durante as análises por CG-EM não foi detectado a presença dessas sustâncias, contestando os resultados obtidos por CCD, que indicavam a conversão dos ácidos graxos. Silva (2009) modificou o método 5509 da ISO (1978), conforme descrito na metodologia desta pesquisa, obtendo os resultados desejados. 78 O método 5509 da ISO (1978) modificado demandava muito tempo, pois a mistura reacional permanecia em repouso até o dia seguinte a reação. Diante dessa questão, buscamos na literatura novas metodologias a fim de otimizar os resultados e melhorar o intervalo de tempo consumido pela reação, selecionamos o método Ce 2-66 da AOCS ( SILVA, 2005). Alguns ensaios analíticos foram realizados com óleo de soja comercial utilizando este método e os resultados obtidos foram satisfatórios. Para a conversão das amostras do óleo in natura em EMAG nesta pesquisa, utilizou-se a metodologia selecionada por Silva (2009) e pelo grupo GBQF que corresponde aos métodos de transesterificação 5509 da ISO (1978) modificado e Ce 2-66 da AOCS ( SILVA, 2005), respectivamente, devido aos excelentes resultados obtidos com as sínteses analítica. As amostras do óleo da polpa e amêndoa do tucumã, amêndoa do babaçu e epicarpo+polpa do açaí foram derivatizadas pelo método 5509 da ISO (1978) modificado. Na análise por CCD foi revelada a presença de AGL no óleo do epicarpo+polpa do açaí. 4.5.1 Esterificação do óleo Como a presença elevada de ácidos graxos livres nos óleos pode comprometer a reação de transesterificação realizada via catálise básica (MILINSK, 2007; SILVA, 2005), decidiu-se primeiramente realizar a reação de esterificação do óleo da polpa do açaí. Aproximadamente 1,6g do óleo da amostra foram esterificados com metanol na presença de ácido sulfúrico em condições catalíticas. Comparando a CCD do óleo in natura de açaí (Figura 34a) com a CCD do produto da reação (Figura 34b) verifica-se que a mancha referente aos AGL desapareceu e que foram convertidos em ésteres mélicos de ácidos graxos, pois aparece uma mancha na mesma faixa de retenção do EMAG. Conforme a análise da CCD do produto da reação a mancha inferior corresponde aos triglicerídeos. 79 Figura 34 - CCD do óleo da polpa de açaí: a) óleo in natura, b) produto da reação de esterificação. Fonte: AUTOR (2010). 4.5.2 Transesterificação com o Método 5509 da ISO (1978) Modificado As amostras de óleo transesterificadas pelo método 5509 da ISO (1978) modificado foram: polpa e amêndoa do tucumã, amêndoa do babaçu e óleo esterificado da polpa do açaí. Conforme análise por CCD do óleo in natura destas espécies, não foi constatado a presença de AGL nessas amostras, com exceção para a amostra de açaí, submetida à esterificação. Aproximadamente 1,6g do óleo das amostras citadas foram transesterificadas com hidróxido de potássio em álcool (KOH 0,2 mol. L-1) em condições catalíticas. O produto da reação foi analisado por CCD. O resultado obtido do óleo da polpa do tucumã transesterificado sugeriu a forte presença de AGL, (Figura 35a), pois surgiu uma mancha com fator de retenção semelhante ao ácido oleico. Esse fato causou surpresa, já que durante a análise da CCD do óleo in natura (Figura 35b), não foi observado a presença de AGL. A mancha referente aos TG desapareceu e surgiu outra na mesma faixa de retenção dos EMAG, indicando a conversão dos triglicerídeos. 80 Figura 35 - CCD do óleo da polpa de tucumã: a) produto da reação da transesterificação, b) spot 4 se refere ao óleo in natura Fonte: AUTOR (2010). Devido à presença de ácidos graxos livres no óleo transesterificado da polpa de tucumã foi realizado a reação de esterificação com metanol na presença de ácido sulfúrico em condições catalíticas. O produto obtido da reação foi analisado por CCD e apresentou apenas uma única mancha com fator de retenção semelhante ao EMAG (Figura 36a), indicando que ocorreu a conversão dos AGL em ésteres metílicos. O produto da reação da transesterificação do óleo da polpa de açaí esterificado, da amêndoa do tucumã e babaçu foi analisado por CCD e sugeriu a conversão dos TG em ésteres metílicos de ácidos graxos, conforme verificado nas Figuras 36b, 36c e 36d, respectivamente, pois a mancha referente a presença de triglicerídeos desapareceu, confirmando que a reação ocorreu, pois a única mancha que aparece nas amostras tem Rf análogo ao EMAG. 81 Figura 36 – Análise por CCD: a) produto da esterificação do óleo da polpa do tucumã, b) produto da transesterificação do óleo esterificado do açaí, c) produto da transesterificação do óleo amêndoa do tucumã e d) produto da transesterificação da amêndoa do babaçu. Fonte: AUTOR (2010). 4.5.3 Transesterificação com o método Ce 2-66 da AOCS O método Ce 2-66 da AOCS (SILVA, 2005) proporcionou melhores condições de análise quando comparado com o método 5509 da ISO (1978) modificado que apresenta a desvantagem de não esterificar os ácido graxos livres, além da demanda de tempo indispensável em todo o processo reacional. O óleo de patauá, bacaba, mumbaca e ubim foram transesterificados com o método Ce 2-66 da AOCS (SILVA, 2005), pois além do tempo consumido pela reação ser menor, o método tem a vantagem de converter os ácidos graxos livres em ésteres metílicos. Aproximadamente 50mg de óleo de cada amostra foi transesterificado de acordo com o procedimento descrito na metodologia. O produto final das reações foi analisado qualitativamente através de cromatografia em camada delgada e o 82 resultado obtido confirma a eficiência da conversão dos triglicerídeos e ácidos graxos livres em seus derivados ésteres metílicos, fato que pode ser observado nas Figuras 37 (a, b, c, d) e 38 (a, b, c, d). Figura 37 – Análise por CCD do produto da transesterificação com método Ce 2-66 da AOCS (SILVA, 2005): a) EP de patauá, b) amêndoa de patauá, c) EP de bacaba e d) amêndoa de bacaba. a) c) b) d) Fonte: AUTOR (2013) *Ep = epicarpo; *Pax.= paxiubinha; *Mumb.= mumbaca Figura 38 – Análise por CCD do produto da transesterificação com método Ce 2-66 da AOCS (SILVA, 2005): a) epicarpo de mumbaca, b) polpa de mumbaca, c) amêndoa de mumbaca e d) polpa de ubim. a) b) Fonte: AUTOR (2010). c) d) 83 As manchas correspondentes aos triglicerídeos e ácidos graxos livres presente no óleo in natura das amostras desapareceram após a reação de transesterificação com o método Ce 2-66 da AOCS (SILVA, 2005), indicando que a reação ocorreu. Uma nova mancha surgiu na parte superior da CCD, com fator de retenção semelhante aos ésteres metílicos, fato observado tanto nas amostras da Figura 37 como 38. O óleo do epicarpo+polpa e amêndoa da paxiubinha também foi derivatizado com o método Ce 2-66 da AOCS (SILVA, 2005), porém, durante a análise por CCD constatou-se a presença de TG e AGL no produto final da reação. Na CCD do epicarpo+polpa há evidências da presença de AGL e formação de ésteres metílicos, pois há uma mancha na parte inferior na mesma faixa de retenção do ácido oléico e outra na parte superior com fator de retenção semelhante aos ésteres metílicos (Figura 39a), indicando a conversão dos TG já que a mancha referente a essa substância desapareceu. Já no produto final da reação da amêndoa analisado por CCD, além das manchas referentes aos AGL e ésteres metílicos, verificou-se a presença de TG, conforme indicado na Figura 39b. Figura 39 – CCD do produto da transesterificação com método Ce 2-66 da AOCS (SILVA, 2005): a) epicarpo+polpa da paxiubinha, b) amêndoa da paxiubinha, c) produto da esterificação da amêndoa da paxiubinha e d) produto da esterificação do epicarpo+polpa da paxiubinha. a) Fonte: AUTOR (2010). b) c) d) 84 Devido ao fato da reação não ter ocorrido completamente evidenciada pela presença de ácidos graxos livres tanto na reação do epicarpo+polpa e amêndoa da paxiubinha foi realizado a reação de esterificação. O produto obtido da reação foi analisado por CCD e apresentou apenas uma única mancha com fator de retenção semelhante ao EMAG, confirmando a ocorrência da reação (Figuras 39c e 39d). 4.6 Caracterização dos ésteres metílicos de ácidos graxos por cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas (CG-EM) Os ésteres metílicos de ácidos graxos obtidos via reação de transesterificação foram tratados com agente sililante para evitar a presença de ácidos graxos livres durante as análises por CG-EM. A identificação foi realizada pela análise dos espectros de massas obtidos e sua comparação com os espectros da biblioteca Wiley 8ª edição e da literatura (ADAMS, 2001), além da comparação dos índices de retenção obtidos com os índices reportados na literatura (ADAMS, 2001). Foram injetadados uma série de padrões de hidrocarbonetos lineares (C7-C30) para a obtenção dos índices de retenção calculados segundo a equação de Van den Dool e Kratz (1963). O conjunto das análises citadas permitiu identificar vários ésteres metílicos de ácidos graxos saturados (EMAGS) e insaturados (EMAGI) nos óleos dos frutos das palmeiras de patauá, bacaba, açaí, babaçu, tucumã, mumbaca, ubim e paxiubinha. Entre os ésteres metílicos saturados foram identificados nove compostos: hexanoato de metila (C6:0), Octanoato de metila (C8:0), decanoato de metila (C10:0), dodecanoato de metila (C12:0), tetradecanoato de metila (C14:0), hexadecanoato de metila (C16:0), heptadecanoato de metila (C17:0), octadecanoato de metila (C18:0) e icosanoato de metila (C20:0). Os EMAGS identificados apresentaram fragmentos característicos, como o pico base com m/z 74, além de outros fragmentos de menor intensidade com m/z 43, 57, 87, 129, 143 e [M-31]+. Todos esses picos podem ser observados no espectro de massas do hexadecanoato de metila (Figura 40), que representará o perfil de fragmentação de todos os ésteres metílicos saturados identificados. 85 Figura 40 – Espectro de massas do hexadecanoato de metila representando o perfil de fragmentação dos ésteres metílicos de ácidos graxos saturados identificados nos óleos das palmeiras. H O C H3CO CH2 16 74 100 14 9 11 12 10 8 50 55 101 115 129 75.0 O C 4 6 [M OCH3 50.0 3 5 7 2 C 1 OCH3 OH 87 0 13 15 43 O m/z 143 % 100.0 O 125.0 143 + 31] 227 157 171 185 199 213 239 150.0 175.0 200.0 225.0 270 250.0 275.0 CH3 Fonte: AUTOR (2013). O pico base com m/z 74 é o mais intenso do espectro de massas e resulta do rearranjo de McLafferty. O íon [M-31]+ corresponde ao pico de pouca intensidade formado pela clivagem homolítica da ligação do grupo (OCH3). O pico m/z 87 é formado pela clivagem do C3 e C4 em relação à carbonila, conforme já explicado anteriormente. Os picos em m/z 43 e 57 correspondem às fragmentações da porção alquila. Os espectros de massas individuais dos EMAGS estão apresentados no Anexo A. Na análise dos espectros de massas foram identificados ésteres metílicos de ácidos graxos monoinsaturados e poliinsaturados, pois esses compostos também apresentam fragmentos característicos. Os ésteres metílicos de ácidos graxos monoinsaturados identificados nos óleos foram: 9-octadecenoato de metila (C18:1), 9-octadecenoato de etila (C18:1) e 9-hexadecenoato de metila (C16:1); apenas um poliinsaturado foi identificado: 9,12-octadecadienoato de metila. Os EMAG monoinsaturados frequentemente apresentam pico base em m/z 55, além de outros fragmentos característicos (m/z 69, [M-32]+ e [M-74]+), como indicado no espectro de massas representativo do 9-octadecenoato de metila (Figura 41A), que representará o perfil de fragmentação dos ésteres metílicos monoinsaturados identificados nesta pesquisa. 86 Figura 41 – Espectro de massas representativo do perfil de fragmentação dos EMAG insaturados identificados nos óleos das palmeiras: A): 9-octadecenoato de metila e B) 9,12-octadecadienoato de metila. A) % O 55 100 C CH2 111 0 B) CH CH2 14 16 17 12 15 10 13 11 [M 74] 7 6 [M 32] C 3 5 8 4 1 2 OCH3 69 83 97 41 50 18 O 9 50.0 75.0 100.0 123 137 152 166 180 125.0 150.0 175.0 + + 264 222 235 246 207 200.0 225.0 250.0 [M]+ 278 296 275.0 300.0 % O 67 100 17 81 18 15 13 14 16 12 10 9 11 7 8 3 5 6 4 C 2 1 OCH3 95 50 41 55 109 + 123 135 150 0 50.0 75.0 100.0 125.0 150.0 [M 32] 164 178 175.0 196 200.0 220 225.0 245 250.0 262 [M]+ 294 275.0 300.0 Fonte: AUTOR (2013). O pico m/z 69 é formado pela clivagem do carbono C4 e C5 em relação à carbonila. A formação dos picos [M-32]+ e [M-74]+ é resultante do rearranjo de McLafferty. Para o 9-octadecenoato de etila a formação do pico m/z 69 é resultante da formação do íon [M-46]+, seguida da quebra da ligação do carbono C4 e C5 em relação à carbonila. O pico m/z 222 corresponde a formação do íon [M-88]+ através do rearranjo de McLafferty. Já o pico base m/z 67 é característico do 9,12-octadecadienoato de metila, conforme indicado no espectro de massas da Figura 41B. A formação do pico [M32]+ ocorre a partir do perda do grupo metóxi. Os espectros individuais dos EMAG insaturados estão apresentados no anexo A. Além dos EMAG saturados e insaturados foram identificados ácidos graxos silliados como o dodecanoato de trimetilsilila, hexadecanoato de trimetilsilila e 9octadecenoato de trimetilsilila, consequência da reação com BSTFA. A sililação 87 ocorre na hidroxila do ácido com substituição do hidrogênio pelo grupo trimetilsilila, adquirindo um caráter apolar (SILVA, 2006). O fragmento m/z 73 corresponde ao cátion trimetilsilila, mostrado no espectro de massas da Figura 42, que representará o perfil de fragmentação dos ácidos graxos sililados identificados (Anexo B). Outros fragmentos característicos do grupo trimetilsilila podem ser claramente visualizados como o pico de m/z 117 resultante da clivagem do carbono adjacente a carbonila e o pico de m/z 145, formado pela quebra da ligação entre os [M-15]+ ocorre com a carbonos 3 e 4 em relação a carbonila. A formação do íon perda de uma metila, formando um pico de intensidade considerada. Figura 42 – Espectro de massas representativo do perfil de fragmentação dos ácidos sililados. O 15 16 11 13 14 9 10 12 7 8 5 6 CH 3 3 4 2 1 O Si CH 3 CH 3 CH3 CH3 Si % CH3 O C O CH3 Si CH3 CH3 117 100 M 73 50 129 43 55 0 83 95 145 15 313 M 159 185 201 215 229 243 257 269 285 328 Fonte: AUTOR (2013). 4.7 Constituição em ácidos graxos dos óleos do epicarpo, polpa e amêndoa dos frutos analisados CG-EM Os índices de retenção calculados e os ésteres metílicos identificados estão apresentados na Tabela 5 e 6 com seus respectivos percentuais. A composição química dos óleos em estudo é muito semelhante entre si, porém, diferem no aspecto proporcional, apresentando diferentes percentuais de 88 Tabela 5 - Percentual (%) em área dos ésteres metílicos de ácidos graxos encontrados nos óleos identificados por CG-EM. Epicarpo+polpa (%) Polpa (%) Epicarpo (%) * IRcal Açaí Patauá Bacaba Ubim Paxiubinha Tucumã Mumbaca Mumbaca 1528 0,47 0,16 3,05 0,36 2,97 1,02 1728 0,39 0,17 1,84 0,44 2,04 0,77 1929 19,63 22,12 17,08 24,28 21,50 15,23 18,70 20,16 2030 0,15 1,17 0,28 2129 8,36 2,52 2,87 4,62 4,19 10,20 4,72 5,18 2330 0,80 0,36 0,32 29,80 24,64 19,95 29,59 31,75 26,83 28,43 27,13 * IRL 1526a 1724a 1922a 2125a 2339c - Insaturados C16:1 C18:1 C18:1(etila) C18:2 1932b 2103b 2179b 2096a 1907 2105 2173 2096 0,28 53,56 10,60 0,40 60,25 12,73 66,77 11,71 0,55 64,74 4,07 42,56 4,05 0,22 62,55 0,52 0,23 36,26 11,19 46,00 9,21 Total - - 64,44 73,38 78,48 69,36 46,61 63,52 47,45 55,21 C16:0 C18:1 - 2053 2223 0,59 2,61 - - - - 0,62 2,17 - - N.I. N.I. N.I. N.I. N.I. - 2109 2308 3246 3327 3386 2,29 0,27 - 1,98 - 1,57 - 1,05 - 1,06 1,06 19,52 6,65 0,21 - 1,07 1,90 19,99 1,16 0,91 1,03 14,80 0,92 Saturados ÁCIDOS GRAXOS C12:0 C14:0 C16:0 C17:0 C18:0 C20:0 Total Sililado 2 Não Identificado 1 a b - c 1 ADAMS, 2001; PINO et al. 2005; http://www.pherobase.com; * I.R.L. - Índice de Retenção da Literatura; retenção representativo calculado com base na média do índice de cada composto. Fonte: AUTOR (2013). 2 * I.Rcal - Índice de 89 3 N.I. 2 Silil. 1 Insat. Saturados Tabela 6 - Percentual (%) em área dos ésteres metílicos de ácidos graxos encontrados nos óleos das amêndoas identificados por CG-EM. ÁCIDOS IRL *IRcal Patauá Bacaba Babaçu Paxiubinha Tucumã Mumbaca GRAXOS C6:0 927a 927 0,21 a C8:0 1127 1128 7,81 2,21 0,28 C10:0 1326a 1328 8,59 2,79 1,33 a C12:0 1526 1528 0,10 33,92 23,61 36,23 66,33 C14:0 1724a 1728 0,03 14,99 9,57 22,52 22,05 C16:0 1922a 1929 21,45 23,44 9,70 37,05 9,12 3,81 C18:0 2125a 2129 2,37 4,14 8,07 5,31 4,90 1,02 C20:0 2339c 2330 0,08 TOTAL 23,82 27,79 83,29 75,54 77,77 94,82 a C16:1 C18:1 C18:2 TOTAL 1932b 2103b 2096a - 1907 2105 2096 - 0,52 62,19 11,47 74,18 0,15 56,38 14,54 71,07 12,90 3,13 16,03 9,77 9,77 14,05 7,00 21,05 4,15 1,03 5,18 C12:0 C18:1 1660 2223 - - - 0,20 - - 0,33 0,47 - N.I. N.I. N.I. - 2109 2235 3327 2,00 - 1,14 - 0,48 - 1,70 5,78 7,21 0,38 - - p c 1 2 ADAMS, 2001; PINO, et al. 2005; http://www.pherobase.com; Insat. = Insaturados; Silil. = 3 Sililados; N.I. = Não Identificados; *I.Rcal - Índice de retenção representativo calculado com base na média do índice de cada composto; I.R.L. - Índice de Retenção da Literatura. Fonte: AUTOR (2013). ácidos graxos saturados e insaturados. Na análise do óleo das diferentes partes dos frutos verificou-se a presença dominante do ácido palmítico (C16:0), esteárico (C18:0), oleico (C18:1) e linoleico (C18:2) em todos os frutos. A literatura cita esses AG como os mais comuns encontrados em óleos vegetais (VIANNI; BRAZ-FILHO, 1996; GAMBARRA NETO, 2008). Os frutos de açaí, patauá, bacaba, ubim e paxiubinha tem o epicarpo muito fino, dificultando a separação da polpa, nesses casos, o óleo foi extraído de ambas as partes (epicarpo+polpa) juntas. Já nos frutos do tucumã e da mumbaca a extração do óleo foi realizada apenas na polpa, no caso da mumbaca também foi feita a extração do óleo do epicarpo separadamente. As análises demonstraram que os óleos extraídos tanto da polpa quanto do epicarpo são constituídos principalmente por ácidos graxos insaturados (AGI), sendo o ácido oleico o componente majoritário (Tabela 5), pois quando se compara o óleo extraído de ambas às partes juntas (epicarpo+polpa) ou separadas não é observado 90 diferenças no perfil de ácidos graxos. Ainda entre os ácidos graxos insaturados o ácido linoleico apresenta percentuais acentuados que variam entre 4% a 12%, com exceção para o óleo extraído da polpa do tucumã, que apresentou um percentual desprezível de 0,23%, nessa amostra foi detectado ainda a presença de ácido oleico etilado com percentual de 0,52%. Na análise do perfil de ácidos graxos saturados (AGS) observa-se a presença marcante do ácido palmítico e do ácido esteárico nos óleos do epicarpo e polpa sejam extraídos juntos ou separadamente, sendo que o ácido palmítico apresenta os maiores percentuais de 17% a 22%, enquanto que o esteárico oferece percentuais que variam entre 2% a 10%. Outros ácidos graxos como o C12:0, C14:0, C17:0, C20:0 e C16:1 foram registrados no óleo do epicarpo e polpa de alguns frutos com percentuais que variam entre 0,15% a 3,05% (Tabela 5). Na análise do óleo extraído das amêndoas de patauá e bacaba foi verificada a presença predominante de ácidos graxos insaturados, enquanto que nos óleos extraídos das amêndoas de babaçu, paxiubinha, tucumã e mumbaca prevaleceu a constituição majoritária dos ácidos graxos saturados (Tabela 6). Quanto aos óleos extraídos da amêndoa de patauá e bacaba foi constatado que apresentam composição semelhante ao óleo extraído do epicarpo+polpa (Tabela 5), onde predomina a constituição em AGI, com destaque para o ácido oleico como componente majoritário, seguido do ácido linoleico que apresenta percentuais relevantes de 11,47% (patauá) e 14,54% (bacaba). Entre os AGS o ácido palmítico apresenta percentuais de 21,45% para o óleo de patauá e 23,44% para o óleo da bacaba. No óleo da amêndoa da bacaba aparece outros AG como o C12:0, C14:0 e C20:0 com percentuais muito baixos. Traços do C16:1 aparece tanto no óleo da amêndoa do patauá quanto no óleo da amêndoa da bacaba. Nos óleos extraídos das amêndoas de babaçu, paxiubinha, tucumã e mumbaca predomina a presença dos ácidos graxos saturados (Tabela 6), sendo o ácido láurico (C12:0) o constituinte majoritário. Porém, a paxiubinha apresenta o ácido palmítico (C16:0) com o maior percentual seguido do ácido láurico e mirístico, respectivamente. Nas demais amostras o ácido mirístico foi o segundo AGS com maior percentual variando entre 15% a 22,52%. Os ácidos graxos C8:0 e C10:0 foram registrados nos óleos das amêndoas de tucumã e mumbaca, mas somente no óleo do babaçu apresentaram percentuais acima de 7%. Já o C16:0 apresentou percentuais elevados no óleo da amêndoa de 91 babaçu (9,70%), tucumã (9,12%) e pouco mais de 3% no óleo da mumbaca. O ácido graxo C18:0 foi registrado nos óleos de todas as amêndoas com percentuais que variam entre 1,03% a 8,07%. Traços dos ácidos graxos C6:0 e C20:0 foram detectados nos óleos das amêndoas de babaçu e bacaba, respectivamente. Entre os AGI encontrados nos óleos das amêndoas de babaçu, paxiubinha, tucumã e mumbaca o ácido oleico aparece com os maiores percentuais variando entre 4,15% a 14,05% seguido do ácido linoleico com percentuais entre 1% a 7%. Foi detectado a presença dos ácidos graxos sililados C12:0, C16:0 e C18:1 nos óleos do epicarpo, polpa e amêndoas de alguns frutos com percentuais variando entre 0,20% a 2,61%, como também várias substâncias que não foram identificadas (Tabela 5 e 6). Os ácidos graxos do óleo da polpa da bacaba analisados por CG-EM no trabalho de Escriche et al. (1999), apresenta constituição e percentual que se aproxima ao perfil de AG citado neste trabalho. Na comparação do perfil em AG do óleo extraído da polpa do tucumã com o óleo extraído da polpa e do epicarpo da mumbaca, ambas as espécies pertencentes ao gênero Astrocaryum, constata-se a similaridade entre os ácidos graxos constituintes desses óleos, pois tanto o óleo do tucumã quanto o óleo da mumbaca são formados principalmente por AG insaturados, com domínio do ácido oleico, sendo que este apresentou maior percentual na polpa do tucumã (Tabela 5). O óleo da polpa e do epicarpo da mumbaca apresentou percentual de ácido linoleico de 11,19% e 9,21%, respectivamente, bem superior ao encontrado na polpa de tucumã que foi de 0,23%. Entre os AGS encontrados no óleo da polpa do tucumã e no óleo da polpa e epicarpo da mumbaca o ácido palmítico apresenta o maior percentual, seguido do ácido esteárico em ambas as espécies. Zaninetti (2009) analisou o perfil de AG no óleo da polpa do tucumã por CG-EM, apresentando o ácido esteárico com o maior percentual entre os AG saturados. A comparação entre os óleos extraídos das amêndoas de tucumã e mumbaca nesta pesquisa mostra que o perfil de ácidos graxos saturados e insaturados é muito semelhante, diferindo apenas na proporção, pois a mumbaca apresenta um alto teor de ácido láurico (66,33%), enquanto o tucumã apresenta 36,23%. O perfil de AG no óleo da amêndoa do babaçu apresenta o mesmo comportamento descrito para a amêndoa da mumbaca e tucumã e é semelhante aos 92 reportados na literatura analisados por CG-EM (ROCHA et al., 2008; SANTOS, 2008; VASCONCELOS, 2009). O ácido C6:0 foi registrado apenas no óleo da amêndoa do babaçu nesta pesquisa, não sendo informado sua presença nos trabalhos supracitados. 4.8 Análises dos ésteres metílicos de ácidos graxos por Cromatografia Gasosa equipada com Detector por Ionização em Chama (CG-DIC) O laboratório de Cromatografia localizado no prédio NUPENERG da Universidade Federal de Roraima disponibiliza hoje dois equipamentos de cromatografia: o cromatográfo a gás acoplado ao espectrômetro de massas (CGEM) e o cromatográfo a gás equipado com detector por ionização em chama (CGDIC), ambos auxiliam as pesquisas desenvolvidas pelo grupo GBQF. Entretanto, no início dessa pesquisa contávamos apenas com o CG-EM para a caracterização dos ésteres metílicos presentes nos óleos, técnica muito utilizada na análise do perfil de ácidos graxos permitindo uma excelente separação e identificação das substâncias através da análise dos espectros de massas. No decorrer da pesquisa foi adquirido o CG-DIC que passou a auxiliar as análises realizadas no CG-EM otimizando os resultados. Os óleos extraídos dos frutos de açaí, bacaba, patauá, tucumã, mumbaca, babaçu, ubim e paxiúba foram transesterificados e analisados por CG-DIC. A identificação do perfil de ácidos graxos foi realizada pela comparação dos tempos de retenção dos constituintes das amostras com os tempos de retenção obtidos a partir da injeção da mistura de padrões da marca Supelco, composta por 37 ésteres metílicos de ácidos graxos (Figura 43). Na análise da composição química dos óleos foram identificados vários ácidos graxos com cadeias que variam entre 4 a 24 carbonos (Tabela 7). Os maiores percentuais de ácidos graxos insaturados foram registrados nos óleos extraídos do epicarpo e polpa dos frutos, sendo o ácido oleico o constituinte majoritário apresentando percentuais que variam entre 32,72% a 75,28%, seguido do ácido linoleico que apresentou percentuais variando entre 5,84% a 18,78%. No óleo extraído da polpa do tucumã o ácido γ-linolênico (C18:3n6) foi o segundo AGI a apresentar maior percentual (6,11%), enquanto o percentual de ácido linoleico foi muito inferior, não atingindo 1%. No óleo da polpa e epicarpo da mumbaca, polpa do 93 Figura 43 – Cromatograma da mistura de padrões da marca Supelco composta por 37 EMAG com seus tempos de retenção. Coluna utilizada: Omegawax 250. Pico 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Fonte: AUTOR (2013). Tempo de Retenção 4,31 8,82 15,07 21,42 24,44 27,33 30,09 32,74 33,68 35,28 36,20 37,73 38,34 40,06 40,66 42,33 42,78 43,78 43,85 44,46 45,21 46,84 47,38 48,75 49,62 49,70 50,34 50,89 52,82 53,35 54,24 56,51 57,99 64,10 65,41 Ácido graxo C4:0 C6:0 C8:0 C10:0 C11:0 C12:0 C13:0 C14:0 C14:1 C15:0 C15:1 C16:0 C16:1 C17:0 C17:1 c C18:0 C18:1n9 c e t C18:2n6 c C18:2n6 t C18:3n6 C18:3n3 C20:0 C20:1n9 c C20:2 c C20:3n6 C21:0 C20:3n3 c C20:4n6 C20:5n3 c C22:0 C22:1n9 C22:2 c C23:0 C24:0 C22:6n3 c 94 Tabela 7 – Percentual em área dos ésteres metílicos de ácidos graxos encontrados nos óleos dos frutos das palmeiras do estado de Roraima identificados por CG-DIC. *Ep Amêndoa (%) (%) Açaí Patauá Bacaba Ubim *Pax. Tucumã *Mumb. *Mumb. Patauá Bacaba Babaçu *Pax. Tucumã C4:0 0,06 0,04 0,09 0,04 0,24 0,06 0,29 0,32 0,09 0,04 0,07 0,28 0,09 C6:0 0,02 0,01 0,06 0,04 0,01 0,01 0,07 C8:0 0,15 0,03 0,33 0,02 0,04 0,12 0,06 0,21 0,51 1,17 C10:0 0,04 0,04 0,09 0,91 0,02 0,15 0,10 0,04 0,08 5,34 0,83 1,43 C11:0 0,04 0,02 C12:0 0,25 0,05 0,13 0,52 5,47 0,25 5,83 3,81 0,23 0,39 52,47 18,16 50,07 C13:0 0,04 0,03 0,05 C14:0 0,23 0,10 0,14 0,41 3,53 0,27 4,19 2,77 0,23 0,27 15,94 8,79 24,76 C14:1 0,06 C15:0 0,03 0,20 0,04 0,04 0,55 0,02 0,54 0,40 0,25 0,06 0,63 0,02 C15:1 0,07 0,13 0,03 0,32 C16:0 17,01 21,10 18,18 24,18 21,92 10,21 19,80 22,11 22,01 23,40 7,94 25,54 6,07 C16:1 0,17 1,07 0,47 1,12 0,22 0,07 0,42 0,41 1,24 0,60 0,03 0,14 C17:0 0,08 0,07 0,06 0,12 2,33 0,12 0,72 0,57 0,08 0,09 0,01 1,71 0,02 C17:1c 0,03 0,04 0,04 0,03 0,07 0,10 0,14 0,08 0,04 0,03 0,07 0,07 C18:0 4,00 2,74 3,38 4,99 5,10 4,70 6,09 6,14 2,65 4,23 4,96 5,23 2,11 56,03 58,90 40,42 75,28 32,72 38,57 54,03 49,60 10,70 10,05 9,84 C18:1n9c/t 70,61 53,49 C18:2n6c 5,84 17,14 17,75 5,98 7,79 0,13 18,78 15,33 14,38 18,96 1,71 2,18 3,89 C18:2n6t 0,32 0,02 Fonte: AUTOR (2013) *Ep. = epicarpo *Pax. = paxiubinha *Mumb. = mumbaca C18:3n6 0,01 0,36 6,11 0,17 0,11 0,01 0,17 0,03 C18:3n3 0,56 0,69 0,70 0,70 0,56 1,59 2,71 2,49 0,63 0,66 0,22 0,05 Ácidos Graxos Epicarpo+polpa (%) Polpa (%) * Mumb. 0,03 0,02 0,68 2,09 0,02 60,39 0,07 22,10 0,01 0,01 4,59 0,01 0,01 1,60 5,04 2,29 0,58 0,03 0,04 95 Tabela 7 – (Continuação) Percentual em área dos ésteres metílicos de ácidos graxos encontrados nos óleos dos frutos das palmeiras do estado de Roraima identificados por CG-DIC. Epicarpo+polpa (%) Patauá Bacaba Ubim 0,22 0,27 0,84 0,09 0,08 0,15 0,03 0,05 0,08 0,35 0,14 0,26 Polpa (%) Pax. Tucumã *Mumb. 0,56 0,17 0,51 0,27 0,13 0,13 0,13 0,91 0,87 0,28 1,25 0,59 2,93 1,14 *Ep. Amêndoa (%) Mumb. Patauá Bacaba Babaçu *Pax. Tucumã 0,52 0,18 0,33 0,07 0,52 0,09 0,10 0,10 0,10 0,04 2,93 0,06 0,35 0,17 0,16 0,12 0,89 0,16 0,23 1,44 0,51 0,82 0,52 0,10 1,47 - Ácidos graxos C20:0 C20:1n9c C20:2c C20:3n6c C20:3n3c C20:4n6 C22:0 C22:1n9 C23:0 C24:0 Açaí 0,28 0,12 0,05 - Saturados 22,20 24,64 22,72 32,08 45,74 15,94 40,72 38,15 26,02 29,44 87,37 65,42 85,95 91,67 Insaturado 77,33 75,52 75,07 66,97 50,17 83,73 55,20 57,15 70,45 69,96 12,48 17,39 13,96 8,04 * * * Mumb. 0,06 0,04 - 96 tucumã foram encontrados percentuais relevantes do ácido α-linolênico (C18:3n3) variando entre 1,59% a 2,71%. Entre os ácidos graxos saturados identificados nos óleos do epicarpo e polpa destaca-se o ácido palmítico e o ácido esteárico como os principais ácidos graxos, pois apresentam elevados percentuais que variam entre 10,21% a 24,18% para o palmítico e entre (2,74% e 6,09%) para o esteárico. Já o ácido láurico e o ácido mirístico foram detectados em sua maioria com percentuais menores que 1%. Entretanto, no óleo do epicarpo+polpa da paxiubinha e da mumbaca (ambas as partes separadas) foi detectado percentuais relevantes de ácido láurico entre 3,81% a aproximadamente 6,0% e mirístico entre 2,77% a 4,19%), Tabela 7. O óleo extraído das amêndoas de patauá e bacaba apresentaram perfil de ácidos graxos semelhante aos identificados nos óleos do epicarpo+polpa (Tabela 7), pois apresentaram maior percentual em AGI, sendo o ácido oleico o componente majoritário, entre os AGS destaca-se o ácido palmítico e esteárico. Na análise dos óleos extraídos das amêndoas de babaçu, paxiubinha, tucumã e mumbaca ficaram demonstrados que os ácidos graxos saturados são os principais constituintes e que o ácido láurico é o componente majoritário, porém no óleo extraído da amêndoa da paxiubinha o ácido palmítico apresentou o maior percentual seguido do ácido láurico. O ácido mirístico apresentou percentuais acentuados nos óleos das amêndoas de babaçu, tucumã e mumbaca que variam entre 15,94% a 24,76% seguido do ácido palmítico. Já o ácido esteárico foi identificado no óleo de todas as amêndoas com percentuais variando entre 1,60% a 5,23%. O ácido cáprico (C10:0) foi detectado no óleo de quase todos os frutos, com percentuais abaixo de 1%, porém, no óleo da amêndoa do babaçu apresentou percentual acentuado de 5,34%. O ácido behênico (C22:0) apresentou percentual de 1,44% no óleo da amêndoa da paxiubinha e o ácido lignocérico (C24:0) apresentou percentual de 2,93% no óleo do epicarpo+polpa (Tabela 7). O ácido lignocérico apresentou percentual de 1,14% no óleo da polpa da mumbaca. Entre os ácidos graxos insaturados encontrados nos óleos das amêndoas de babaçu, paxiubinha, tucumã e mumbaca o ácido oleico aparece com os maiores percentuais variando entre 5,04% a 10,70% seguido do ácido linoleico. 97 O ácido gondóico (C20:1n9c) apresentou percentual de 2,93% no óleo da amêndoa da paxiubinha, no entanto, foi detectado com percentuais abaixo de 1% em todas as amostras. O perfil de ácidos graxos reportado na literatura para o óleo da polpa de açaí aponta o ácido oleico como o principal constituinte do óleo, apresentando percentuais que variam entre 52% a 59%, assim o óleo é composto em sua maioria por AGI, o ácido palmítico aparece entre os AGS como o principal ácido graxo (SCHIRMANN, 2009; SANABRIA; SAGRONIS, 2007; MENEZES; TORRES; SRUR, 2008; YUYAMA et al., 2011). Nascimento et al., (2008) encontraram percentuais semelhantes desses ácidos graxos no óleo extraído da polpa e torta de açaí analisados por CG-DIC. Traços do ácido linolênico (C18:3n3) foram mencionados em todos os trabalhos citados. O percentual de ácido oleico encontrado no óleo do epicarpo+polpa do açaí nesta pesquisa foi de 70,61% (Tabela 7), valor superior ao encontrado nos trabalhos acima. O percentual do ácido esteárico (4,00%) também foi superior aos reportados na literatura que não atingiram 2%. Porém, o percentual do ácido palmitóleico (0,17%) encontrado foi muito inferior em relação aos apresentados nos trabalho citados que variam entre 3% a 5%. Traços do ácido linolênico (C:18:3n3) também foi detectado no óleo do açaí nesta pesquisa. O óleo de patauá e bacaba pertencente ao gênero Oenocarpus apresentaram composição em ácidos graxos semelhantes, pois tanto o óleo do epicarpo+polpa quanto o óleo da amêndoa apresentaram nesta pesquisa alto teor de ácidos graxos insaturados (Tabela 7), sendo o ácido oleico o AGI dominante com percentuais que variam na faixa de 49,60% a 56,03%, seguido do ácido palmítico com o maior percentual entre os AG saturados. A literatura cita altos teores de ácido oleico encontrado no óleo da polpa de patauá com percentuais que variam entre 77% a 79%, seguido do ácido palmítico entre os AGS (MAMBRIM; ARELLANO, 1997; FIGUEIRA, 2012). Darnet et al. (2011) analisaram o óleo da polpa de patauá por CG-DIC e encontrou percentual de ácido oleico (76,8%) próximo aos valores citados nos trabalhos acima. Os principais constituintes de AG citados para o óleo da polpa e amêndoa de bacaba na literatura é semelhante ao encontrado nesta pesquisa (MAMBRIM; ARELLANO, 1997). O ácido linolênico (C18:3n3) é citado nos trabalhos acima como um dos ácidos graxos constituintes do óleo da polpa e amêndoa de patauá e bacaba com 98 percentuais que variam de traços a aproximadamente 2%. Nesta pesquisa os percentuais encontrados são semelhantes aos supracitados. De acordo com a literatura o óleo da polpa e amêndoa de tucumã analisados por CG-DIC apresentam constituição rica em ácidos graxos insaturados e saturados, respectivamente. O ácido oleico é apontado como o principal constituinte entre os AGI com percentuais que variam entre 67,62% a 70,74% e o ácido láurico o maior constituinte entre os AGS com percentuais variando entre 51,30% a 51,74% (BARBOSA et al., 2009; FERREIRA et al., 2008; ROGÉRIO et al., 2010). O perfil de ácidos graxos dos óleos da polpa e amêndoa de tucumã identificado nesta pesquisa é semelhante aos reportados na literatura, já que o percentual de ácido oleico registrado para o óleo da polpa do tucumã é levemente superior aos relatados nos trabalhos acima correspondendo a 75,28%, enquanto que o ácido láurico presente no óleo da amêndoa apresentou percentual de 50,07% bem próximo aos supracitados. O óleo da amêndoa de babaçu analisado por CD-DIC no trabalho de Machado, Chaves e Antoniassi (2006) revelou perfil de ácido graxo com alto teor de ácidos saturados, sendo o ácido láurico o constituinte a apresentar o maior percentual, seguido do ácido mirístico. Comparando os resultados desta pesquisa com os reportados na literatura, observa-se uma grande semelhança no perfil de ácidos graxos identificado no óleo da amêndoa do babaçu. Confrontando os resultados obtidos através da CG-EM com os resultados da CG-DIC, observa-se que os óleos apresentaram perfil em ácidos graxos semelhantes quando analisados por ambas as técnicas. O detector DIC é mais sensível, permitindo a identificação de um maior número de ácidos graxos, mas não foram constatados diferenças entre os principais constituintes dos óleos quando comparados com os resultados por CG-EM. De modo geral nas análises por CG-DIC muitos AGIs foram identificados como o ácido oleico (C18:1n9c/t) , linoleico (C18:2n6c), γ-linolênico (C18:3n6c), αlinolênico (C18:3n3), gondóico (C20:1n9c), ácido eicosatrienóico (C20:3n3c), ácido araquidônico (C20:4n6) e o ácido erúcico (C22:1n9), enquanto no CG-EM foram identificados apenas os ácidos graxos insaturados C16:1, C18:1 e C18:2, o que confere ao CG-DIC uma maior eficiência na análise de ésteres metílicos de ácidos graxos. 99 Apesar do número de AGI identificados no CG-DIC ser maior, não implica alterações na constituição majoritária dos ácidos graxos presentes nos óleos, pois a maior parte do AG detectados no DIC e não detectados no CG-EM, apresentam percentuais menores que 1%, portanto, os principais ácidos graxos constituintes dos óleos do epicarpo, polpa e amêndoa dos frutos foram identificados tanto no CG-EM, quanto no CG-DIC. As análises de ambas as técnicas forneceu maior confiabilidade aos resultados apresentados nesta pesquisa. 4.9 importância e fonte dos principais ácidos graxos identificados nos óleos dos frutos das palmeiras Na análise dos óleos dos frutos das palmeiras foram identificados vários ácidos graxos com cadeias que variam entre 4 a 24 carbonos entre saturados e insaturados. A seguir será realizada uma pequena abordagem sobre a importância dos principais ácidos graxos constituintes desses óleos. Os ácidos graxos correspondem por cerca de 95% do peso molecular dos triglicerídeos que são responsáveis por aproximadamente 95% da constituição dos óleos de origem vegetal ou animal (VIANNI; BRAZ-FILHO, 1996; REDA; CARNEIRO, 2007). Os óleos vegetais são fontes importantes de alimentos, e considerando a composição em ácidos graxos podem beneficiar ou prejudicar a saúde, pois de acordo com dados da literatura a presença de ácidos graxos saturados pode favorecer o aumento do nível de colesterol no sangue, enquanto a presença de ácidos graxos insaturados ajuda a diminuir, como exemplo, o azeite, rico em ácido oleico, é um agente importante nesse processo (GIOIELLI, 1996; SOUZA; MATSUSHITA; VISENTAINER, 1998; MILINSK, 2007). O ácido butiríco (C4:0), capróico (C6:0), caprílico (C8:0) e o cáprico (C10:0) são encontrados na gordura do leite de ruminantes em percentuais que variam entre 1% a 5% (VIANNI; BRAZ-FILHO, 1996; GERMAN; DILLARD, 2004). Nesta pesquisa foram detectados percentuais mínimos que não chegam a 1%. Porém, o C8:0 e o C10:0 foram identificados no óleo da amêndoa do babaçu com percentuais apreciados. 100 O ácido láurico (C12:0) apesar de detectado no óleo de todas as amostras, apresenta elevado percentual amêndoas de de 52,47%; 50,07% e 60,39% nos óleos das babaçu, tucumã e mumbaca, respectivamente (Figura 44). Nas arecáceas o ácido láurico é encontrado principalmente no óleo das amêndoas. As principais fontes desse ácido graxo no mundo são os óleos de coco e dendê, os maiores produtores são as Filipinas e a Malásia. No Brasil as principais fontes de gorduras láuricas são os óleos de coco (Cocos nucifera), palmiste (Elaeis guineensis) e babaçu (Orbignya phalerata) (MACHADO; CHAVES; ANTONIASSI, 2006). O óleo de babaçu por ser rico em ácido láurico é usado em larga escala na indústria na fabricação de sabões, detergentes, sabonetes e cosméticos, porém na culinária tem uso limitado, quando comparado com outros óleos de maior valor nutricional, como o óleo de soja e girassol (SOLER; VITALI; MUTO, 2007). Figura 44 - Percentual de ácido láurico no óleo das amêndoas das palmeiras identificados no CG-DIC. Fonte: AUTOR (2013). De acordo com dados reportados na literatura o ácido mirístico (C14:0) é encontrado em percentuais elevados na gordura do coco e na gordura do leite. O ácido palmítico (C16:0) e o esteárico (C18:0) aparecem distribuídos largamente na natureza, e são encontrados principalmente no óleo de dendê (30% a 50%), banha e sebo, gordura de cacau e gordura do leite (VIANNI; BRAZ-FILHO, 1996). O ácido palmítico aparece como o mais abundante na alimentação e pode aumentar a concentração do colesterol ruim (LDL - Low Density Lipoproteins) no sangue quando comparado com os ácidos poli-insaturados (LOTTENBERG, 2009; SOUZA; MATSUSHITA; VISENTAINER, 1998). Esses ácidos graxos foram identificados nos 101 óleos de todas as palmeiras, porém o mirístico apresentou os maiores percentuais nos óleos das amêndoas de babaçu, paxuibinha, tucumã e mumbaca, enquanto que o palmítico e esteárico apresentaram percentuais considerados em todos os óleos (Figura 45). Figura 45 – Percentuais dos ácidos: mirístico, palmítico e esteárico encontrados nos óleos das palmeiras em estudo nesta pesquisa. Fonte: AUTOR (2013). EP: significa epicarpo+polpa; ep: significa epicarpo; AM: significa amêndoa. Entre os ácidos graxos monoinsaturados encontrados nos óleos das palmeiras em estudo nesta pesquisa destaca-se o ácido oleico (C18:1n9) como constituinte majoritário da maioria dos óleos com percentuais entre 32,72% a 75,28%, e mesmo nos óleos onde não foi o constituinte preponderante, foi detectado com percentuais acentuados variando entre 5,04% a aproximadamente 11%. O ácido oleico é um dos ácidos graxos mais frequentemente encontrado na natureza, pertencente à família dos ácidos graxos ω-9, sendo encontrado principalmente no óleo de canola e azeite de oliva. Ambos os óleos estão entre os mais saudáveis, recomendados para o consumo, já que ajudam diminuir o colesterol ruim (LDL) e contribuir na redução do risco de ataque cardíaco. O ácido oleico é sintetizado pelo organismo humano, por isso não é considerado um ácido graxo essencial (VIANNI; BRAZ-FILHO, 1996; GAMBARRA-NETO, 2008; LOTTENBERG, 2009; PEDERSSETT, 2008). 102 Nesta pesquisa foi detectada ainda a presença de dois outros ácidos graxos pertencentes à família ω-9: o ácido gondóico (C20:1n9c) e o ácido erúcico (C22:1n9c), sendo que o primeiro foi encontrado em todos os óleos com percentuais abaixo de 1%, enquanto o ácido erúcico foi detectado apenas no óleo do epicarpo+polpa e amêndoa da paxiubinha com percentuais também abaixo de 1%, esse ácido graxo é encontrado em altos percentuais no óleo da canola, porém causa sabor desagradável e doenças como a miopia (PEDERSSETT, 2008). Para fins alimentícios, a quantidade de ácido erúcico no óleo de canola deve ser inferior a 2%, pois a presença desse ácido no óleo pode ser benéfica, já que inibe a ação da enzima lipoxigenase, responsável por oxidar AGI, ocasionando ranceis em alguns legumes e oleaginosas (GRIMALDI, 1994). Entre os ácido graxos poli-insaturados o ácido linoleico (C18:2n6c) apresentou os maiores percentuais, principalmente nos óleos do epicarpo+polpa e amêndoa do patauá e bacaba, e nos óleos do epicarpo e polpa da mumbaca. Percentuais mínimos do ácido γ-linolênico (C18:3n6) foi detectado em quase todos os óleos, porém no óleo da polpa do tucumã foi encontrado com percentual relevante de 6,11%. Já o ácido α-linolênico (C18:3n3) não foi encontrado apenas no óleo da amêndoa do babaçu, e apresentou percentuais de até 2,71% nos óleos da polpa de tucumã e no epicarpo e polpa da mumbaca. Nas demais amostras os percentuais encontrados ficaram abaixo de 1%. O ácido graxo linoleico e o γlinolênico pertencem à família ω-6, enquanto o α-linolênico pertence à família ω-3. O organismo humano não tem a capacidade de produzir os ácidos graxos das famílias ω-3 e ω-6, e por serem indispensáveis a vida são considerados ácidos graxos essenciais ao homem, devendo ser supridos pela alimentação. Entre as principais fontes de ácido linoleico (ω-6) destaca-se o óleo de soja, milho e girassol, enquanto o γ-linolênico é encontrado em algumas algas e principalmente no óleo de prímula, porém no óleo da polpa do tucumã foi encontrado com percentual relevante de 6,11%. Esse ácido graxo é sintetizado no organismo a partir do ácido linoleico, que depois é convertido em ácido araquidônico (C20:4n6) (VIANNI; BRAZ-FILHO, 1996; LOTTENBERG, 2009; SOUZA; MATSUSHITA; VISENTAINER, 1998). Os ácidos graxos que fazem parte da família ω-6 desempenham funções importantes no organismo como, por exemplo, participar das estruturas de membranas celulares e influenciar reações anti-inflamatórias (VENTER, 2003). 103 As principais fontes dos ácidos graxos da família ω-3 incluem principalmente óleos de peixes e de algumas espécies vegetais como a linhaça, a soja e a canola (SOUZA; MATSUSHITA; VISENTAINER, 1998). Os ácidos graxos da família ω-3 auxiliam o processo de redução das inflamações e atuam na prevenção de algumas doenças cardíacas (VENTER, 2003). São muitos os benefícios oferecidos pelos alimentos que contém esses AGI e entre as espécies de palmeiras estudadas nesta pesquisa destacam-se os óleos extraídos do epicarpo e da polpa (extraídos juntos ou separados) e o óleo extraído da amêndoa de patauá e bacaba, pois todos são ricos em ácidos graxos insaturados pertencentes à família ω-6 e ω-9, sendo que todos são fonte do ácido graxo αlinolênico da família ω-3, recomendados para a prevenção de doenças cardiovasculares. Visto todas as vantagens apresentadas na abordagem acima, constata-se que o consumo dos frutos dessas palmeiras pode trazer muitos benefícios a saúde, em especial, a polpa de tucumã que contém uma quantidade elevada de ácidos graxos da família ω-3. 4.10 Perfil em ácidos graxos do óleo extraído da polpa e suco do açaí O óleo extraído da polpa e do suco de açaí foi analisado por CG-EM e CGDIC para caracterização dos ácidos graxos. A Tabela 8 apresenta o perfil em ácidos graxos do óleo de ambas as amostras com seus respectivos percentuais. A análise do óleo extraído do suco e da polpa de açaí seja por EM ou DIC apresentou perfil em ácidos graxos semelhantes, sendo que os constituintes são em sua maioria ácidos graxos insaturados, entre os quais o ácido oleico é o componente majoritário seguido do ácido linoleico, ambos os ácidos pertencem à família ω-9 e ω6, respectivamente. Percentuais mínimos do ácido α-linolênico (família ω-3) foram detectados no óleo da polpa quando analisado por CG-DIC, sendo que no óleo extraído do suco o percentual foi maior que 1%. Entre os saturados o ácido palmítico apresentou percentual elevado seguido do ácido esteárico. 104 Tabela 8 – Perfil em ácidos graxos do óleo da polpa e do suco de açaí. CG-DIC (%) CG-EM (%) Ácido graxo “suco” polpa seca “suco” polpa seca C4:0 0,06 0,06 C6:0 0,02 C8:0 0,13 0,15 C10:0 0,03 0,04 C12:0 0,12 0,25 0,19 0,47 C14:0 0,17 0,23 0,32 0,39 C15:0 0,04 0,03 C16:0 17,58 17,01 19,40 19,63 C16:1 0,18 0,17 0,32 0,28 C17:0 0,10 0,08 0,19 0,15 C17:1c 0,03 0,03 C18:0 3,21 4,00 6,93 8,36 C18:1n9c/t 65,95 70,61 51,68 53,56 C18:2n6c 10,26 5,84 15,68 10,60 C18:3n3 1,12 0,56 C20:0 0,23 0,28 0,66 0,80 C20:1n9c 0,11 0,12 C22:0 0,05 Saturados 21,67 22,20 27,69 29,80 Insaturados 77,65 77,33 67,68 64,44 Fonte: AUTOR (2013). Com base nos resultados obtidos, tanto a polpa quanto o suco de açaí podem ser considerados como alimento funcional, devido sua composição ser predominantemente de ácidos graxos insaturados pertencentes às famílias ω-3, ω-6 e ω-9 (Tabela 8), pois apesar de todo o processo de despolpamento e congelamento (caso do “vinho”) onde podem sofrer oxidação devido aos ácidos graxos insaturados não perderam sua qualidade nutricional. Perfil de ácidos graxos semelhante é reportado na literatura para a polpa de açaí (NASCIMENTO et al., 2008; SCHIRMANN, 2009; SANABRIA; SAGRONIS, 2007; MENEZES; TORRES; SRUR, 2008; YUYAMA et al., 2011). 105 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta pesquisa foi realizado o levantamento bibliográfico de algumas espécies de palmeiras distribuídas no estado de Roraima, onde a obra de referência foi o livro de Lorenzi et al. (2004), que catalogaram 24 espécies de palmeiras na região dentre as quais mumbaca, ubim e patauá foram confirmadas. Porém, durante a pesquisa de campo foi constatado a presença de quatro espécies de palmeiras (babaçu, tucumã, bacaba e açaí) no estado que não constam na lista citada por Lorenzi et al. (2004). De acordo com esses dados verifica-se que o estudo de palmeiras no estado de Roraima pode ser considerado bastante promissor, porém, vale ressaltar a necessidade de mais pesquisas na região para esse grupo de plantas, já que a literatura dispõe de poucas informações acerca do potencial da flora local e exploração desse recurso no estado. Os óleos dos frutos das palmeiras foram derivatizados e analisados por CGEM e por CG-DIC. Ambas as técnicas são eficientes na análise do perfil em ésteres metílicos de ácidos graxos, pois os principais constituintes identificados nos óleos apresentaram perfil semelhante seja analisado por espectrometria de massas, seja analisado por detector por ionização em chama, sendo que este último apresentou melhores resultados por detectar um número maior de ácidos graxos. Quanto ao perfil de ácido graxos identificados nos óleos dos frutos das palmeiras foi verificado que o maior teor de ácidos graxos insaturados se encontra nos óleos da polpa sendo o ácido oleico o constituinte majoritário, seguido do ácido linoleico. Apenas nos óleos das amêndoas de patauá e bacaba os resultados foram semelhantes aos da polpa. O maior teor de ácidos graxos saturados foi registrado nos óleos das amêndoas de babaçu, paxiubinha, tucumã e mumbaca, sendo o ácido láurico o constituinte predominante. As palmeiras açaí, patauá, bacaba, ubim e paxiubinha tiveram o óleo extraído do epicarpo e polpa que apresentou alto teor de ácidos graxos insaturados pertencentes às famílias ω-3, ω-6 e ω-9, o que torna esses óleos importantes alimentos funcionais, já que esses ácidos graxos exercem importantes funções no organismo, como prevenir doenças cardiovasculares. As amêndoas de bacaba e patauá apresentaram altos teores em ácidos graxos insaturados, entretanto, fornecem baixos rendimentos de óleo. 106 REFERÊNCIAS ABDALLA, D. S. P.; LIMA, E. S. High-performance liquid chromatography of fatty acids in biological samples. Analytica Chimica Acta, v. 465, n. 1-2, p.81–91, ago. 2002. ADAM, H. et al. Determination of Flower Structure in Elaeis guineensis: Do Palms use the Same Homeotic Genes as Other Species. Annals of Botany, v. 100, n. 1, p.1-12, jan./mar. 2007. ADAMS, R. P. Identification of Essential Oil Components by Gas Chromatography/Mass Spectrometry. 5ª ed. Carol Stream: Allured Publishing Corporation, 2001. 804p. ALARCÓN, J. G. S. Levantamento florístico e etnobotânico em um hectare de floresta de terra firme na região do Médio Rio Negro, Roraima, Brasil. 2005. 111f. Dissertação (Mestrado em Botânica) – Escola Nacional de Botânica Tropical, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005. ALBUQUERQUE, M. L. 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E01 - Espectro de massa do ácido palmítico % trimetilsililado O 117 100 CH3 Si CH3 O 73 75 50 313 129 145 43 55 0 CH3 95 50 159 171 185 201 100 150 243 200 314 269 285 250 300 % E02 - Espectro de massas do ácido oleico trimetilsililado 100 O 117 73 C CH3 O Si CH3 CH3 50 55 41 0 50 339 96 98 100 145 152 185 199 150 200 222 241 250 264 295 311 300 354 350 125 ANEXO C – Cromatograma de Íons Totais (TIC) dos óleos dos frutos das palmeiras analisados por Cromatografia Gasosa acoplada à Espectrometria de Massas (CG-EM) operado a 70 eV, ionização por impacto de elétrons (EI) e analisador tipo quadrupolo. Cromatograma de Íons Totais (TIC) normalizado do óleo da polpa de patauá. Cromatograma de Íons Totais (TIC) normalizado do óleo da amêndoa de patauá. Cromatograma de Íons Totais (TIC) normalizado do óleo da polpa de bacaba. 126 Cromatograma de Íons Totais (TIC) normalizado do óleo da amêndoa de bacaba. Cromatograma de Íons Totais (TIC) normalizado do óleo da polpa de açaí. Cromatograma de Íons Totais (TIC) normalizado do óleo da polpa de ubim. Cromatograma de Íons Totais (TIC) normalizado do óleo da polpa da paxiubinha. 127 Cromatograma de Íons Totais (TIC) normalizado do óleo da amêndoa da paxiubinha Cromatograma de Íons Totais (TIC) normalizado do óleo do epicarpo da mumbaca Cromatograma de Íons Totais (TIC) normalizado do óleo da polpa da mumbaca Cromatograma de Íons Totais (TIC) normalizado do óleo da amêndoa da mumbaca 128 Cromatograma de Íons Totais (TIC) normalizado do óleo da polpa de tucumã Cromatograma de Íons Totais (TIC) normalizado do óleo da amêndoa de tucumã Cromatograma de Íons Totais (TIC) normalizado do óleo da amêndoa de babaçu 129 ANEXO D – Cromatograma dos óleos dos frutos das palmeiras analisados por Cromatografia Gasosa equipada ao Detector por Ionização em Chama (CG-DIC). Coluna capilar de sílica fundida Omegawax 250. Cromatograma da injeção da mistura de solventes (BSTFA, piridina e acetato de etila) . Cromatograma do óleo da polpa de patauá. Cromatograma do óleo da amêndoa de patauá. 130 Cromatograma do óleo da polpa de bacaba. Cromatograma do óleo da amêndoa de bacaba. Cromatograma do óleo da polpa de açaí. Cromatograma do óleo da polpa de ubim. 131 Cromatograma do óleo da polpa da paxiubinha. Cromatograma do óleo da amêndoa da paxiubinha. Cromatograma do óleo do epicarpo da mumbaca. Cromatograma do óleo da polpa da mumbaca. 132 Cromatograma do óleo da amêndoa da mumbaca. Cromatograma do óleo da polpa do tucumã. Cromatograma do óleo da amêndoa do tucumã. Cromatograma do óleo da amêndoa de babaçu.