M-LEARNING NA PRÁTICA: O USO DE SMS PARA ENSINO E APRENDIZAGEM
NA GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO
Autoria: Amarolinda Zanela Klein, José Carlos da Silva Freitas Junior, Jorge Luis Victória Barbosa
Resumo
Este artigo apresenta os resultados de uma experiência de utilização de SMS (Serviço de
Mensagem Curta) como apoio ao ensino presencial na graduação em Administração. As
percepções dos alunos a respeito do uso desse recurso foram avaliadas por questionário,
respondido por 110 alunos participantes. Os resultados indicam que o uso de SMS foi
avaliado de forma positiva, sendo percebido como um recurso para recebimento de
informações e também como um estímulo para participação na disciplina. Além disso, os
alunos(as) também indicaram que o SMS ajudou-os a sintetizar e lembrar tópicos importantes
da disciplina, devido à natureza curta dessas mensagens.
1
1 - INTRODUÇÃO
Atualmente, os profissionais de ensino superior se deparam com uma série de
oportunidades relacionadas à difusão do uso das Tecnologias da Informação Móveis e Sem
Fio (TIMS) no dia a dia. Essas tecnologias englobam os telefones inteligentes (smartphones),
tablets, notebooks e ultrabooks, bem como os diversos tipos de redes sem fio, GPS (Global
Positioning System) e demais dispositivos que podem ser facilmente portados, possibilitando
conexão individual ininterrupta com outros sujeitos ou objetos.
Isso possibilita que um aprendiz acesse informações e comunique-se por meio de várias
mídias, nos mais diversos locais e horários. Mesmo o espaço “tradicional” da sala de aula de
ensino presencial hoje acolhe o uso de TIMS, que, aos poucos, mudam esse ambiente e
desafiam professores e gestores educacionais a explorar essas mudanças em benefício dos
processos de ensino e de aprendizagem (Saccol et al., 2010; Ismail & Azizan, 2012).
Entretanto, apesar da difusão incontestável das TIMS na vida dos aprendizes, ainda são
raras as pesquisas, no contexto brasileiro, que analisem resultados de casos concretos de
utilização dessas tecnologias nos processos de ensino e aprendizagem, conceito denominado
como Aprendizagem com Mobilidade, Mobile Learning, ou m-learning (Sharples et al., 2000;
Motiwalla, 2007; Kukulska-Hulme et al., 2009; Traxler, 2009; Unesco, 2013).
Estudar casos concretos de utilização de m-learning é importante pois este já deixou de ser
apenas um neologismo, já é reconhecido como um importante meio educacional, inclusive
para uso junto a sujeitos e comunidades menos favorecidos, pois o acesso ao telefone celular
hoje é superior ao acesso ao computador pessoal (Ferreira et al., 2013; Unesco, 2013).
Dentre as possíveis práticas de m-learning, está a utilização de SMS (Short Message
Service, ou serviço de mensagem curta), que possibilita enviar mensagens de texto que podem
ser facilmente acessadas em qualquer tipo de telefone celular. Diversos autores já estudaram
aplicações de SMS em diferentes contextos (ver Markett et al., 2006, Motiwalla, 2007; Cavus
& Ibrahim 2009; Yengin et al., 2011), sugerindo ser esta uma das ferramentas preferidas pelos
alunos para receber informações de cunho administrativo, para manter contato com tutores, e
para aumentar a interatividade no ensino, mesmo fora dos horários e dos locais formais de
estudo, o que atua como um fator de estímulo à aprendizagem. Ismail et al. (2010) enfatizam
que o SMS é um recurso de comunicação de fácil uso, baixo custo, seguro, altamente
difundido, e de fácil aceitação, especialmente entre a população mais jovem.
No Brasil, o uso de SMS cresce constantemente. Dados apontam que de 2010 para 2011 o
número de envios cresceu 69%. Dados do último semestre de 2011 indicam que cada usuário
de telefonia móvel no Brasil enviou, em média, 81 SMS por mês. Isso se deve à redução de
custos de pacotes para envio de SMS e pela difusão do uso de smartphones, que, por terem
teclados e telas mais acessíveis, facilitam o envio dessas mensagens, que são utilizadas
independentemente do crescimento do uso de aplicativos específicos para envio de mensagens
instantâneas para smartphones, como por exemplo, o WhatsApp® (Sallowicz, 2012).
Entretanto, apesar da difusão do uso de SMS no contexto nacional, não foram localizadas,
até o momento, pesquisas científicas que avaliem a sua aceitação como recurso educacional
no ambiente do ensino superior, e em específico, na área de Administração. Considerando
essa lacuna, este artigo apresenta os resultados de uma experiência concreta de utilização de
SMS para apoio ao ensino presencial na graduação em Administração. O objetivo foi o de
verificar quais foram as percepções dos alunos a respeito do uso desse recurso, envolvendo
um total de 110 estudantes.
O artigo irá apresentar a forma como o SMS foi utilizado e quais foram os resultados e
lições aprendidas com seu uso. Estes dados de avaliação foram levantados por meio de um
2
questionário aplicado junto aos alunos participantes ao final da experiência. Os resultados do
estudo podem ser úteis a pesquisadores sobre o tema, a professores e gestores de instituições
de ensino superior e demais interessados no assunto.
O artigo está assim estruturado: a seção 2 apresenta a revisão de literatura; na seção 3 é
descrito o método adotado; na seção 4 são apresentados os resultados do estudo; a seção 5 traz
uma discussão dos resultados e a seção 6 apresenta as considerações finais do trabalho.
2 - REFERENCIAL TEÓRICO
Esta seção revisa a literatura enfatizando conceitos e considerações sobre aprendizagem
com Mobilidade e o uso do SMS no ensino.
2.1 Aprendizagem com Mobilidade (Mobile Learning ou m-learning)
O m-learning se refere a processos de ensino e de aprendizagem que ocorrem com o apoio
das TIMS, envolvendo a mobilidade de atores que podem estar fisicamente/geograficamente
distantes de outros atores e também de espaços físicos formais de educação, tais como salas
de aula, salas de treinamento, formação/qualificação ou local de trabalho (Saccol et al., 2010;
Chinnery, 2006, McAndrew et al., 2010). Cavus & Ibrahim (2009) argumentam que o mlearning pode ser pensado como um modo de aprendizagem informal, uma vez que pode
ocorrer em qualquer lugar e a qualquer hora, não necessitando que o aprendiz esteja em um
contexto formal de ensino. Outro aspecto a se considerar no m-learning são as transferências
de aprendizagem, que referem-se a uma situação em que um aluno aprende comportamentos,
habilidades e conhecimentos em um contexto e consegue aplicá-los em outro contexto (Ismail
et al.,2010)
Ozcelik & Acarturk (2011) realizaram uma revisão da literatura sobre m-learning e
apontam descobertas de pesquisas recentes que indicam que recursos digitais de
aprendizagem, juntamente com os contextos do mundo real, contribuem para um melhor
aprendizado, gerando motivação e interesse dos alunos. Motlik (2008) destaca que o uso de
SMS como um meio para o m-learning provou ser eficaz e eficiente para distribuir o conteúdo
de atividades educacionais à distância, prática que será melhor explorada a seguir.
2.2 Uso de SMS como recurso para m-learning
Uma primeira consideração sobre o uso de SMS para ensino e aprendizagem é trazida por
Harley et al. (2007) que lembram que a geração de estudantes que cresceram com telefones
móveis e tiveram, já na adolescência, o uso do telefone celular relacionado com o
desenvolvimento de uma identidade, está chegando às universidades, bem como pessoas de
outras gerações que passaram a apreciar as vantagens do celular, realizando atividades
substanciais de suas vidas através desse aparelho. Ainda segundo esses autores, o uso do SMS
por vezes é maior do que a mensagem falada, segundo sua pesquisa com estudantes
universitários no primeiro ano de uma universidade, devido à natureza assíncrona dessa
comunicação. Cavus & Ibrahim (2009) indicam que os telefones móveis têm se tornado cada
vez mais baratos, o que permite que quase todos os alunos os possuam. A fácil portabilidade
dos telefones celulares e dos smartphones permite que eles permaneçam sempre com os
aprendizes, em qualquer local e horário.
A partir da revisão dos estudos sobre uso de SMS para ensino e aprendizagem realizada
por Yengin et al., (2011), verifica-se que existem duas formas principais de utilização:
• Modelo ¨push¨: a escola ou o professor enviam mensagens para os alunos, sem
possibilidade de resposta. É possível enviar tanto conteúdos didáticos quanto alertas e
lembretes.
3
• Modelo ¨push-pull¨: permite aos alunos receberem SMS e em seguida, responderem e
receberem feedback. Nesse modelo podem ser solicitadas tarefas como: classificação
de informações, correspondência, preenchimento de lacunas, verdadeiro/falso,
resposta a questões de múltipla escolha, resolução de dúvidas ou envio de conteúdos,
alertas e lembretes para os alunos.
Brett (2011), também após ampla revisão da literatura, indica que o uso do SMS no ensino
superior tem se concentrado principalmente em quatro áreas:
• Apoio administrativo: por exemplo, para comunicar trocas de sala, prazos finais de
entregas de trabalhos, cancelamento de aulas, etc.
• Estímulo ou tutoria: o SMS pode ser utilizado para apoio mútuo entre pares
(estudantes), pelo professor ou tutor, para resolver dúvidas, dar suporte inclusive
emocional (por exemplo: adaptação a um novo curso), entre outros.
• Aprendizagem de conteúdo: – há vários casos de utilização do SMS para acesso a
conteúdos didáticos, um dos casos mais comuns é para o aprendizado de novos
idiomas (vocabulário, dicas gramaticais, etc.).
• Uso em sala de aula – há estudos prévios em que o SMS foi utilizado para atividades
do tipo ¨perguntas e respostas¨ em sala de aula, potencializando a interação durante o
ensino presencial.
Entretanto, para o uso de SMS como ferramenta educacional, uma série de autores
apontam cuidados básicos, especialmente relativos ao conteúdo das mensagens enviadas, que
devem se adaptar a essa mídia. Estes aspectos são sumarizados na Figura 1.
Figura 1 – Cuidados a serem tomados no uso de SMS
Aspectos
Conteúdo
apropriado
Adequação da
linguagem
ao
público
Considerar
as
características
físicas
dos
aparelhos
Tamanho
SMS
Possibilidade
distração
dispersão
Excesso
informação
intrusão
dos
de
e
de
e
Descrição
Os conteúdos didáticos devem ser projetados adequadamente,
especialmente sobre os termos, linguagem e apresentação
sequencial.
Os termos utilizados nas mensagens devem ser facilmente
compreensíveis e relevantes.
Deve haver uma preocupação em usar um vocabulário
acessível ao público que irá receber os SMS.
Referências
Ismail et al., (2010);
Harley et al., (2007),
Brett (2011).
Ismail et al., (2010).
Telefones celulares com telas pequenas e teclados pequenos
podem afetar o desempenho dos alunos no uso do SMS.
Yengin et al., (2011);
Ozcelik & Acarturk,
(2011); Chinnery (2006).
Yengin et al., (2011).
Os telefones celulares têm a capacidade de armazenar
informações e receber textos em cartões SIM, permitindo
consultas posteriores ao conteúdo.
A comunicação não-verbal e a interação social limitadas
devem ser consideradas, devido ao tamanho curto das
mensagens.
Os telefones celulares podem ter funções adicionais, tais
como voz e gravação de imagem, podendo atuar como uma
tecnologia disruptiva, que desfoca a atenção do aluno.
A quantidade de mensagens e o timing de envio e de resposta
devem ser observados. Muitas mensagens e curto espaço para
a resposta por parte do aluno podem ser prejudiciais.
Goh (2011).
Chinnery, (2006).
Cavus & Ibrahim, (2009).
Brett (2011), Yengin et
al., (2011).
Fonte: Elaborado pelos autores
O uso de SMS para apoio a processos de ensino e de aprendizagem tem ocorrido em
diversas instituições de ensino (Cavus & Ibrahim, 2009) e várias contribuições têm sido
observadas. Brett (2011) ressalta um benefício do SMS, que, por ser um modo de
4
comunicação instantânea, pode ser utilizado para envio de mensagens de estímulo aos
aprendizes. Brett (2011) indica, pelos resultados de sua pesquisa, que os alunos avaliam de
forma positiva o uso de SMS para apoio administrativo, mas que, quando usado para
interação, problemas como intrusão, pressão por resposta muito rápida, constante
conectividade e custo de envio das mensagens pelos próprios alunos não foram apreciados.
Outro exemplo de uso de SMS é relatado por Markett et al. (2006) no qual se utilizou um
sistema que projetava textos, enviados anonimamente por estudantes, em sala de aula,
proporcionando maior interatividade e participação, pois mediante as respostas os professores
alertaram para problemas comuns ou mal-entendidos em relação aos conteúdos abordados.
A pesquisa de Ismail et al. (2010) analisou a aceitação do m-learning via SMS, concluindo
que os estudantes tiveram uma boa aceitação desta ferramenta em seu processo de
aprendizagem destacando-o como ferramenta segura, fácil, eficaz e útil para ajudá-los em seu
estudo. Yengin et al., (2011) alertam sobre a quantidade de SMS por dia ou semana, pois um
acúmulo de mensagens pode vir a desagradar o aluno. Eles recomendam acordos e
orientações claras aos envolvidos, antes do início de uso de SMS para fins educacionais.
A Figura 2 procura sintetizar os aspectos abordados, elencando as potencialidades e
características do SMS para o ensino e aprendizagem.
Figura 2 – Potencialidades do SMS para ensino e aprendizagem
Potencialidades
Interatividade
Sensação
de
presença e apoio
emocional
Transferência de
aprendizagem
Motivação
Inovação
Colaboração
Familiaridade
Baixo investimento
Descrição
O SMS pode ser utilizado para promover a interação entre
alunos e professores, e entre alunos-alunos.
A troca de SMS pode fornecer apoio emocional, permitindo
aos alunos manter um senso de presença um do outro e do
professor, tutor ou facilitador.
Aprendizagens realizadas em um determinado contexto podem
ser aplicadas a outros contextos.
O uso de SMS encoraja e estimula os aluno, ajudando a
aumentar sua motivação para a aprendizagem.
A autonomia e independência na aprendizagem é enfatizada,
em contraste com abordagens tradicionais de ensino.
Alunos e professores podem se ajudar não só no processo de
ensino e aprendizagem, como em lembranças e estímulos às
atividades.
Os estudantes em geral têm familiaridade com SMS, pois já
faz parte do seu cotidiano.
O investimento no uso de SMS é relativamente baixo.
Referências
Ismail & Azizan (2012);
Motiwalla (2007).
Harley et al., (2007);
Brett, (2011), Yengin et
al., (2011).
Ismail et al., (2010).
Cavus
&
Ibrahim,
(2009).
Harley et al, (2007).
Brett, (2011), Yengin et
al., (2011), Motiwalla
(2007).
Yengin et al. (2011).
Yengin et al. (2011).
Fonte: Elaborado pelos autores
3 – MÉTODO DE PESQUISA
Conforme explicado na introdução, o objetivo do estudo foi o de verificar quais foram as
percepções dos alunos a respeito do uso de SMS para apoio ao ensino presencial de graduação
em Administração. A pesquisa é descritiva (Collis & Hussey, 2005), pois o interesse é
conhecer e descrever as visões e opiniões de uma determinada população.
O SMS foi utilizado durante o último mês do semestre letivo de cinco disciplinas de quatro
cursos na área de Administração, envolvendo um total de 113 estudantes. Ela ocorreu durante
o segundo semestre de 2011 e o primeiro semestre de 2012, na Universidade do Vale do Rio
dos Sinos (Unisinos).
A experiência de utilização de SMS teve adesão voluntária, ou seja, os alunos que
desejassem receber as mensagens preenchiam um termo de consentimento livre e esclarecido
5
sobre os objetivos e método da pesquisa, e indicavam o número de telefone celular pelo qual
desejavam receber as mensagens.
O SMS foi utilizado da seguinte forma: durante o último mês do respectivo semestre, os
alunos receberam de 3 a 4 SMS por semana em horário comercial e em dias úteis. Esses SMS
continham informações tais como:
• Lembretes de datas de entregas de trabalhos ou provas, etc., uma vez que o semestre
chegava ao fim.
• Revisão de conteúdo da disciplina, com o objetivo de ajudar os alunos a se
prepararem para as avaliações finais, destacando conceitos importantes trabalhados ao
longo do semestre.
• Dicas como sites ou materiais com conteúdo adicional ao que havia sido trabalhado na
disciplina.
• Mensagens motivacionais, estimulando-os para a entrega dos trabalhos finais e para o
fechamento do semestre.
Portanto, conforme a literatura (Yengin et al., 2011 e Brett, 2011), o SMS foi utilizado
com uma abordagem push (unidirecional) para: (1) apoio administrativo; (2) estímulo; (3)
aprendizagem de conteúdo. É importante ressaltar que não foi enviado, por SMS, nenhum tipo
de conteúdo novo, uma vez que a adesão ao recebimento das mensagens era voluntária e não
houve qualquer custo para os alunos. Foi utilizado um software específico para envios de
SMS, fornecido pela empresa Zenvia (https://system.human.com.br/system/).
Ao final do período de utilização do SMS, ou seja, no dia de realização da prova ou
apresentação do trabalho final de avaliação do semestre, foi aplicado um questionário para
avaliação da experiência. Esta ocasião foi escolhida porque nesse dia havia a maior
probabilidade de todos os alunos participantes estarem presentes. O questionário foi aplicado
em formulário impresso em sala de aula, e foi respondido de forma anônima.
O questionário foi baseado em instrumento previamente aplicado e validado por
Motiwalla (2007), e que foi também utilizado por outros pesquisadores para avaliação de
práticas de m-learning, tais como Uzunboylu et al. (2009). O questionário foi traduzido,
adaptado e revisado pela equipe de pesquisadores envolvidos no estudo.
Ao todo, 113 alunos participaram voluntariamente da experiência, porém considerou-se
somente 110 respondentes, pois três questionários foram invalidados (dois deles porque os
alunos indicaram não ter recebido todos os SMS e um deles por erros de preenchimento).
Os dados do questionário foram analisados com o software Sphinx Lexica®, versão
5.1.0.8., que permitiu tratar as variáveis quantitativas e realizar a Análise de Conteúdo e
Léxica dos textos de resposta à primeira questão do questionário (aberta) que levantava
percepções e sugestões gerais dos alunos. Para as variáveis quantitativas foram utilizadas
estatísticas descritivas e cruzamento e exploração dos dados com testes estatísticos como teste
¨t¨ de diferença de médias, Qui-Quadrado e correlação, a depender dos tipos de variáveis
envolvidas (Hair et al., 2005). Para a análise Léxica (Bardin, 2009) considerou-se os termos
mais citados (adjetivos, verbos e substantivos) e para a Análise de Conteúdo (Bauer, 2010;
Bardin, 2009), utilizaram-se categorias relacionadas aos elementos apresentados nas Figuras 1
e 2 da seção 3, além da consideração de outras categorias que emergiram dos dados.
4 – RESULTADOS
Inicialmente, detalhamos o perfil da amostra. A Tabela 1 demonstra as disciplinas nas
quais foi utilizado o SMS e quantos alunos participaram em cada uma delas. As turmas
reúnem alunos de diferentes cursos na área de Administração: 25% dos participantes (28
pessoas) são do bacharelado em Administração e os demais (75%) de cursos de graduação
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tecnológica: Gestão de Recursos Humanos, Processos Gerenciais e Gestão Comercial. Todos
os cursos são presenciais, noturnos, e a maioria dos participantes trabalha durante o dia.
Tabela 1: Disciplinas nas quais foi utilizado o SMS
Disciplina
Freq. %
Estruturas e Funções Organizacionais
45
40,9%
Gestão dos Sistemas de Informação
28
25,5%
Oficina de Liderança 2 – Negociação e Simulação 20
18,2%
Desenvolvimento de Liderança em Vendas
12
10,9%
Oficina de Liderança 5 – O líder Global
5
4,6%
TOTAL OBS.
110
100%
Fonte: Dados da pesquisa
A idade mínima dos participantes é de 17 anos e a máxima, 57, sendo a média de 26 anos
(desvio padrão 7), 55% dos participantes têm até 25 anos, ou seja, é um grupo
predominantemente jovem. A maioria dos respondentes, 73% (80 pessoas) é do sexo
feminino. A Tabela 2 indica a intensidade de utilização de SMS pelos participantes. A grande
maioria (83%) utiliza frequentemente (a cada dois dias ou diariamente).
Tabela 2: Uso de SMS em geral
Uso do SMS
Freq. %
Frequentemente uso - a cada dois dias ou diariamente
91
82,7%
Eventualmente uso - em torno de uma vez por semana
12
10,9%
Quase nunca uso - nunca ou menos de uma vez por mês 4
3,6%
Não resposta
3
2,7%
TOTAL OBS.
110
100%
Fonte: Dados da pesquisa
A Tabela 3 indica que apenas 4 dentre os 110 participantes já havia utilizado SMS em
alguma atividade ligada a ensino ou aprendizagem. Apenas 2 dentre esses 4 respondentes
indicaram em quais atividades usam o SMS: um indicou ter utilizado em um curso de
extensão na área de informática e o outro indicou que o SMS é utilizado para comunicação
com seus colegas (juntamente com o e-mail) quando realizam trabalhos em grupo.
Tabela 3: Uso prévio de SMS para ensino ou aprendizagem.
Uso prévio de SMS para aprendizagem Freq. %
Não
105
95,5%
Sim
4
3,6%
Não resposta
1
0,9%
TOTAL OBS.
110
100%
Fonte: Dados da pesquisa
A Tabela 4 analisa a avaliação que os participantes fizeram da experiência de uso do SMS,
de acordo com uma escala Likert de 5 pontos (sendo 1 ¨discordo totalmente¨ e 5 ¨concordo
totalmente¨). Os dados indicam que os participantes, em geral, consideraram o SMS de fácil
uso e de utilidade e valor para a disciplina cursada, sendo que a maioria concordou que
7
poderia ser utilizado em outras disciplinas. A maioria dos respondentes também concordou
que o uso do SMS ajudou a transformar tempos de espera ou “tempos mortos” em tempo
produtivo, e que foi um recurso adequado para manter contato com a disciplina.
Com um grau um pouco menor de concordância (mas ainda assim positivamente), estão as
percepções do SMS como possibilitando acesso à disciplina independentemente do lugar e
como meio para fortalecer o contato com professores, personalizar informações,
complementar atividades e obter ajuda. Deve-se lembrar que, na experiência realizada, o SMS
era unidirecional, ou seja, somente os professores enviavam mensagens, os alunos não podiam
respondê-las ou enviar perguntas. Ainda assim, como os dados demonstram, o grau de
satisfação dos alunos com a experiência foi em geral elevado.
Tabela 4: Avaliação do uso de SMS pelos alunos participantes
Item
O SMS foi fácil de entender
O SMS poderia ser utilizado em outras disciplinas
O SMS foi fácil de usar
O SMS agregou valor para a disciplina
O SMS ajudou a transformar tempos de espera ou “tempos mortos” em tempo
produtivo
O SMS foi um recurso adequado para manter o contato com a disciplina
O SMS foi útil para a disciplina cursada
O SMS permite ter acesso à disciplina independentemente do lugar
O SMS ajudou a fortalecer o contato com o(s) professor(es) da disciplina
O SMS favoreceu a personalização das informações sobre a disciplina
O SMS foi adequado para complementar as atividades da disciplina
O SMS ajudou a resolver dúvidas ou obter ajuda sobre a disciplina
Desvio
padrão
0,44
0,49
0,48
0,51
0,51
Média
0,61
0,58
0,66
0,70
0,72
0,76
0,72
4,60
4,59
4,54
4,49
4,39
4,39
4,36
4,77
4,76
4,71
4,61
4,61
Fonte: Dados da pesquisa
Realizando-se uma análise exploratória dos dados, não foram encontradas diferenças
significativas (com uso de teste de Qui-Quadrado com p ≤ 0,05) nas respostas de acordo com
as disciplinas, mesmo havendo professores diferentes ministrando-as, e não foram
identificadas diferenças significativas nas avaliações de acordo com o gênero dos
participantes. Também não foi identificada correlação entre a idade e as respostas de
avaliação da experiência vivenciada. Ou seja, de maneira geral o uso de SMS foi avaliado de
forma positiva pelos participantes independentemente da disciplina, idade e gênero.
No entanto, considerando-se a variável ¨uso do SMS em geral¨, há diferenças significativas
(teste ¨t¨, com p ≤ 0,05) na avaliação em praticamente todas as variáveis, com exceção de
duas: (1) facilidade de uso e (2) acesso independentemente do local. Os dados indicam que os
participantes que indicaram usar o SMS ¨raramente ou nunca¨ (embora estes sejam a minoria
na amostra, somente 4 pessoas) apresentaram as menores médias na avaliação da experiência,
assim como é possível perceber (na Tabela 5) que em praticamente todas as variáveis, o valor
das avaliações é proporcional ao uso, ou seja, quanto mais intenso o uso do SMS de forma
geral no dia a dia, maiores são as notas atribuídas pelos usuários (na escala de concordância),
indicando uma avaliação mais positiva da experiência de uso de SMS na disciplina.
8
Tabela 5: Avaliação de acordo com o nível geral de utilização do SMS
Item
O SMS foi útil para a disciplina cursada
O SMS foi um recurso adequado para manter o contato
com a disciplina
O SMS foi adequado para complementar as atividades
da disciplina
O SMS ajudou a resolver dúvidas ou obter ajuda sobre a
disciplina
O SMS favoreceu a personalização das informações
sobre a disciplina
O SMS ajudou a transformar tempos de espera ou
“tempos mortos” em tempo produtivo
O SMS agregou valor para a disciplina
O SMS ajudou a fortalecer o contato com o(s)
professor(es) da disciplina
O SMS poderia ser utilizado em outras disciplinas
Nunca ou
quase
nunca usa
3,50
3,25
Uso
Eventual
Uso
Frequente
Média
Geral
4,42
4,42
4,66
4,68
4,59
4,60
3,25
3,92
4,51
4,40
4,08
4,43
4,35
4,33
4,44
4,40
3,92
4,40
4,30
4,75
4,25
4,63
4,57
4,61
4,49
4,67
4,81
4,75
3,50
3,50
3,25
3,75
3,25
3,50
Fonte: Dados da pesquisa
Obs.: Os números destacados em cinza correspondem às médias por categoria significativamente diferentes (teste t) do
conjunto da amostra, considerando p ≤ 0,05
Uma vez analisados os dados de avaliação coletados nas questões escalares, a seguir são
analisados os dados coletados por meio de uma questão aberta, a primeira do questionário,
que foi a seguinte: ¨Por favor descreva, em linhas gerais, o que você achou da experiência
de receber mensagens SMS pelo celular durante as últimas semanas da disciplina? Se
achar necessário, por favor dê sugestões sobre como essa experiência poderia ser
aprimorada.¨
As respostas a essa questão foram bastante ricas. Inicialmente, elas são exploradas por
meio de análise Lexical (Bardin, 2009). A Tabela 6 apresenta os 10 adjetivos mais citados na
avaliação da experiência.
Tabela 6: Os 10 adjetivos mais citados na avaliação da experiência
Adjetivos mais citados Freq. %
Diferente(s)
33
30,0%
Bom/boa (s)
20
18,2%
Importantes (s)
18
16,4%
Ótimas (o) (s)
16
14,6%
Válido(a) (s)
12
10,9%
Legal
11
10,0%
Inovador(a)
10
9,1%
Útil
8
7,3%
Melhor
6
5,5%
Fácil
4
3,6%
TOTAL OBS.
110
Fonte: Dados da pesquisa
Obs.: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações devido às respostas múltiplas.
9
Os adjetivos utilizados pelos respondentes refletem sua avaliação positiva da experiência.
Como os dados anteriores demonstraram, somente 4 entre os 110 participantes afirmaram ter
vivenciado previamente alguma forma de utilização de SMS para ensino ou aprendizagem,
portanto, boa parte (30%) percebeu a experiência como ¨diferente¨, inovadora (10%),
qualificando-a como boa, ótima, importante, válida.
Quanto aos verbos presentes nas opiniões dos participantes, o mais citado (por 46% deles)
foi “achar”, o que é natural já que a questão aberta de avaliação era opinativa. Tal verbo,
juntamente com alguns verbos auxiliares como ¨ter¨, ¨poder¨ e ¨ser¨ foram desconsiderados na
análise apresentada na Tabela 7, que indica 10 verbos, entre os mais citados, que estão
relacionados diretamente com a experiência realizada.
Tabela 7: Os 10 verbos mais citados na avaliação da experiência
Verbos mais citados
Freq. %
Lembrar_ou_fixar_memorizar_relembrar
29
26,4%
Ajudar_ou_Auxiliar
25
22,7%
Gostar_ou_adorar
22
20,0%
Receber
19
17,3%
Estudar
10
9,1%
Aprender_ou_Compreender_Assimilar_Entender_Absorver 9
8,2%
Fazer
9
8,2%
Esquecer
8
7,3%
Dar_ou_proporcionar
6
5,5%
Saber
6
5,5%
TOTAL OBS.
110
Fonte: Dados da pesquisa
Obs.: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações devido às respostas múltiplas
Nota-se que os verbos mais citados referem-se à lembrar, ficar, memorizar, relembrar, que
foi uma das ações visadas com o uso do SMS, e isso se reflete na avaliação dos alunos, ou
seja, as dicas de estudo e lembretes de compromissos enviados colaboraram para
memorização e lembrança de compromissos, conteúdos, etc. ¨Ajudar¨ ou ¨auxiliar¨ também
são verbos utilizados, já que o SMS serviu como apoio ao ensino presencial. ¨Gostar¨ e
¨adorar¨ também aparecem como verbos que reforçam a avaliação positiva da experiência
pelos participantes. É importante verificar que verbos mais relacionados à aprendizagem em si
(estudar, aprender, compreender, assimilar, entender, absorver, saber) são mencionados, mas
não são os de maior frequência, ao mesmo tempo em que verbos que indicam certa
passividade (receber, dar, proporcionar) aparecem, sugerindo que a experiência foi mais
percebida como um processo de recepção de informações do que propriamente de
aprendizagem ativa pelos participantes.
Por fim, na Tabela 8 são analisados os 10 substantivos mais citados, No topo da lista estão
¨SMS ou mensagens¨, que eram de fato o objeto de avaliação da experiência, seguidos de
¨disciplina/cadeira¨, e ¨conceitos, conteúdos, material¨, que ressaltam um uso utilitário e
voltado para a informação ou conteúdo. ¨dicas, orientações, recomendações, ajuda¨ também
aparecem como substantivos para indicar o caráter complementar e de apoio do SMS ao
ensino presencial. A menção a provas, trabalhos, cronograma (planejamento do tempo)
também aparecem porque são percebidos pelos alunos como objetos da experiência, ou seja, o
SMS era utilizado como meio para preparação para provas e organização do calendário,
trabalhos e atividades finais das disciplinas. Novamente é interessante notar que os
10
substantivos ¨estudo(s), aprendizado, aprendizagem¨ aparecem, mas não são os mais citados
na lista, ou seja, reforça-se novamente o caráter do uso do SMS mais funcional e voltado ao
conteúdo e informação, mas não tanto à aprendizagem ativa por parte dos alunos.
Tabela 8: Os 10 substantivos mais citados na avaliação da experiência
Substantivos mais citados
Freq. %
SMS_mensagem(ns)
43
39,1%
Disciplina_cadeira
40
36,4%
Conceitos_Conteúdos_Matérias_Material
36
32,7%
Dica(s)_orientações_recomendações_ajuda 29
26,4%
Aula(s)
25
22,7%
Trabalho(s)_atividades
25
22,7%
Experiência(s)
21
19,1%
Prova(s)
18
16,4%
Estudo(s)_Aprendizado_aprendizagem
16
14,6%
Cronograma_datas(s)_horários_tempo(s)
15
13,6%
TOTAL OBS.
110
Fonte: Dados da pesquisa
Obs.: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações devido às respostas múltiplas
A seguir, apresentam-se os resultados da Análise de Conteúdo das respostas à questão de
avaliação da experiência. Foi realizada a categorização das respostas textuais de forma livre,
ou seja, sem enquadramento em categorias pré-definidas pela literatura. Primeiramente, foram
identificadas as principais vantagens do uso do SMS (Tabela 9). O critério de corte para a
classificação dessas vantagens é que elas fossem apontadas por no mínimo dois participantes.
Tabela 9: Vantagens do uso de SMS segundo os participantes
Vantagens mais citadas
Freq. %
Ajudou a lembrar, memorizar ou fixar os conteúdos fora do horário de aula 29
26,4%
Ajudou a lembrar dos compromissos (provas, trabalhos)
27
24,6%
Incentivou os estudos, estimulou ou instigou o aluno
17
15,5%
Ajudou a preparar para a aula ou se manter informado sobre ela
17
15,5%
Ajudou a aprender ou a compreender melhor os conteúdos
17
15,5%
Aumentou contato ou interação com a disciplina e professores
16
14,6%
Ajudou a sintetizar - lembrar os tópicos mais importantes
14
12,7%
Foi útil para ajudar a estudar para prova ou trabalho (específico)
11
10,0%
Permitiu traçar uma estratégia de estudo
3
2,7%
Aumentou o aproveitamento de "tempos mortos" para o estudo
2
1,8%
TOTAL OBS.
110
Fonte: Dados da pesquisa
Obs.: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações devido às respostas múltiplas
Coerente com a análise Lexical realizada anteriormente, a Análise do Conteúdo das
respostas indica que a principal vantagem apontada pelos participantes foi que o uso do SMS
ajudou a lembrar, fixar ou memorizar conteúdos e, segundo, também a lembrar de
compromissos (provas, trabalhos). Em terceiro lugar, o uso de SMS atuou como um
incentivador, estimulou ou instigou os alunos em sua participação na disciplina, e, em quarto
11
lugar, aponta-se a preparação e informação prévia para as aulas e a aprendizagem ou
compreensão dos conteúdo.
Esses resultados reforçam que o SMS serve muito mais como um apoio informacional e
motivacional do que propriamente como uma ferramenta para a aprendizagem mais profunda
ou ativa. Algo interessante é que os alunos indicaram que o SMS ajudou a sintetizar e
lembrar dos tópicos mais importantes da disciplina, pela própria natureza curta dessas
mensagens. Interessante perceber também que, embora em questão escalar (anteriormente
analisada) a maioria dos respondentes tenha concordado que o SMS ajudou a aproveitar
¨tempos mortos¨ para estudo, como pode-se verificar na Tabela 9 somente 2 respondentes
apontaram claramente este como sendo um benefício.
A maior parte dos respondentes (94,6%) não mencionou desvantagens na sua avaliação da
experiência, porém, entre as desvantagens citadas estão (Tabela 10): a falta de recursos mais
ricos para interação (mais conteúdo, fóruns, murais, etc.), e o fato de não poder dar atenção ao
SMS fora do horário de aula. Um respondente mencionou o horário inadequado, pois se
tratava de alguém que trabalhava durante a noite/madrugada e com isso era acordado pelo
recebimento do SMS em horário comercial. Um respondente indicou que o envio de SMS
aumentou a sua tensão em relação à prova.
Tabela 10: Desvantagens do uso do SMS
DESVANTAGENS
Freq. %
Não resposta
104 94,6%
Faltaram recursos mais ricos (mais conteúdo, fórum, mural, etc.)
2
1,8%
Não pôde dar atenção pois SMS foram recebidos em horário de trabalho 2
1,8%
Horário inadequado (pessoa que trabalha a noite)
1
0,9%
Aumentou a tensão em relação à prova
1
0,9%
TOTAL OBS.
110
Fonte: Dados da pesquisa
Obs: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações devido às respostas múltiplas
Por fim, a Tabela 11 demonstra as principais sugestões feitas pelos participantes para usos
futuros de SMS, sendo que 28,2% (31 respondentes) deram pelo menos uma sugestão.
Tabela 11: Sugestões dos alunos para aplicações futuras
Sugestões
Freq. %
Não resposta
80
72,7%
Deveria ser utilizado em outras disciplinas, por outros professores
20
18,2%
O envio de SMS deveria permanecer após o término da disciplina
3
2,7%
Enviar outras informações e conteúdos que não constaram nos SMS
3
2,7%
Envio de mensagens deveria ser mais frequente (a cada dois dias, diariamente) 2
1,8%
Não enviar SMS no horário de trabalho
1
0,9%
Professor deveria poder receber SMS dos alunos
1
0,9%
Deveria pesquisar qual hora para envio é mais adequada para os alunos
1
0,9%
Enviar SMS no dia das aulas da disciplina somente
1
0,9%
TOTAL OBS.
110
Fonte: Dados da pesquisa
Obs: A quantidade de citações é superior à quantidade de observações devido às respostas múltiplas
12
A sugestão que apareceu com maior frequência foi que o SMS deveria ser utilizado em
outras disciplinas, o que reforça resultado já coletado em pergunta escalar que avaliava essa
questão. Outras sugestões foram que o envio de SMS deveria continuar após o término da
disciplina, que outras informações e conteúdos deveriam ter sido enviados via SMS, e que os
envios podiam ter sido mais frequentes. Três sugestões mencionam questões relativas ao
horário de envio, uma delas, indicando que não fossem enviadas mensagens em horário de
trabalho, outra pede o envio no dia das aulas somente, e outra sugere que se pesquise
previamente qual horário de envio é mais adequada para os alunos. Embora com baixo
número de citações, essas sugestões de adequação ao horário devem ser levadas em conta.
5 – DISCUSSÃO
Os dados do estudo demonstraram inicialmente que, embora a grande maioria dos
participantes use o SMS de forma intensiva no seu dia a dia, raros foram os que afirmaram já
o ter utilizado em alguma atividade relacionada a ensino ou aprendizagem. Por isso, a
experiência de utilização do SMS nas disciplinas foi considerada ¨interessante¨, ou mesmo
¨inovadora¨. Os participantes, de maneira geral, consideraram o SMS de fácil uso e de
utilidade e valor, concordando que ele poderia ser utilizado em outras disciplinas.
Alguns cuidados foram tomados para o uso do SMS, já indicados pela literatura (ver
Figura 1), tais como: conteúdo apropriado, adequação da linguagem ao público, e parcimônia
no número de mensagens enviadas (Ismail et al., (2010); Harley et al., (2007), Brett (2011);
Goh (2011); Yengin et al., (2011); Cavus & Ibrahim, (2009); Ozcelik & Acarturk, (2011);
Chinnery (2006)). Considerando-se esses cuidados, o uso de SMS foi avaliado de forma
positiva pelos participantes independentemente da disciplina cursada, da idade ou do gênero
(ressalvadas as características da amostra pesquisada, composta em sua maioria por pessoas
jovens – até 25 anos - e do sexo feminino).
A única variável que afetou a avaliação do uso do SMS foi o nível de utilização desse
recurso no dia a dia, ou seja, quanto mais o aluno utiliza SMS no dia a dia, melhor tende a
avaliar positivamente o seu uso no ambiente de ensino. Logo, de maneira exploratória, os
dados desta pesquisa sugerem que é possível a variável ¨familiaridade¨ ou hábito, no uso do
SMS no dia a dia, influenciar sua aceitação para atividades relacionadas a ensino e
aprendizagem. Essa potencialidade (familiaridade) do SMS como ferramenta para ensino e
aprendizagem é destacada por autores como Yengin et al. (2011).
Analisando-se os resultados à luz de outras potencialidades do SMS apontadas pela
literatura (considerar Figura 2), especialmente os dados textuais coletados ressaltam que o uso
de SMS na experiência realizada foi percebido como um recurso para recebimento de
informações, conteúdos e avisos, reforçando o seu caráter complementar e de apoio ao ensino
presencial. O SMS também foi utilizado como recurso para preparação para provas e
organização do calendário, trabalhos e atividades finais das disciplinas. Por outro lado, os
mesmos dados apontaram que o SMS não foi relacionado a uma aprendizagem mais
¨profunda¨ ou ativa por parte dos alunos. Isso pode se dever à forma como o SMS foi
utilizado na experiência, pois só havia o envio de informações unidirecional (push) pelos
professores. Logo, a colaboração foi uma potencialidade do SMS que não foi identificada
neste estudo (Brett, 2011; Yengin et al., 2011; Motiwalla, 2007).
Mesmo assim, os dados demonstram que o SMS atuou como um incentivador, estimulando
ou instigando os alunos em sua participação na disciplina. Isso confirma essa potencialidade
apontada na literatura por autores como Harley et al., (2007), Brett, (2011) e Cavus &
Ibrahim, (2009), ou seja, a de que o SMS pode ser usado como recurso para aumentar a
motivação dos alunos e para tutoria.
13
Além disso, os alunos indicaram que o SMS ajudou a sintetizar e lembrar os tópicos mais
importantes da disciplina, pela própria natureza curta dessas mensagens. No entanto, pelos
relatos textuais, não houve qualquer indício da potencialidade de ¨transferência de
aprendizagem¨ indica por Ismail et al., (2010), ou seja, os respondentes não relataram casos
em que aprendizagens realizadas no contexto de sala de aula, por exemplo, tenham sido
aplicadas a outros contextos, por influência do uso do SMS.
A maior parte dos respondentes não mencionou desvantagens na sua avaliação da
experiência. Entre as desvantagens citadas estão a falta de recursos mais ricos para interação,
como mais conteúdo, fóruns, murais, etc., e a adequação a horário, considerando a atenção
que o aluno pode dar ao SMS recebido, quando fora do horário de aulas e o horário de
recebimento, que deve ser adequado aos alunos. Conforme sugestão de um participante, é
importante perguntar previamente em qual horário os alunos desejam receber as mensagens.
Esse é um elemento não tão ressaltado na literatura prévia, e que merece consideração em
aplicações futuras.
6 – COMENTÁRIOS FINAIS
Cada vez mais recebemos, no contexto do ensino superior, alunos de gerações
familiarizadas com o uso intensivo de Tecnologias da Informação e Comunicação, tanto fixas
quanto móveis. O SMS é um meio de comunicação cujo uso vem se intensificando no Brasil,
assim como vem ocorrendo a proliferação de aplicativos para smartphones específicos para o
envio e recebimento de mensagens instantâneas.
Logo, os resultados desta pesquisa sugerem que há uma oportunidade a ser considerada
pelas instituições de ensino superior, e, especificamente na área de Administração, ou seja, a
utilização de uma ferramenta de comunicação comumente difundida no dia a dia, como mais
um canal de contato com os alunos, estreitando vínculos e potencializando práticas de mlearning. De maneira geral, as lições aprendidas com este estudo, que podem ser úteis a
gestores de instituições de ensino superior, coordenadores de cursos e professores da área de
Administração, são as seguintes:
• Dado o ainda raro uso do SMS para fins educacionais no contexto brasileiro, por ora a
sua aplicação no ensino superior pode ser uma prática relativamente inovadora e
atrativa para o aluno, quando bem utilizada.
• Um dos maiores valores do uso de SMS está na sua capacidade informativa, de envio
de alertas, lembretes e informações sumarizadas, que ajudem o aluno a se organizar,
memorizar determinadas informações e mesmo, sintetizar ou identificar os conteúdos
mais importantes sobre uma disciplina.
• Outro valor do SMS para o aluno é servir como meio para estímulo, incentivo por
parte dos professores, aproximando-o do curso.
• É importante cuidar do conteúdo das mensagens, da sua clareza e objetividade, assim
como da quantidade de envios, de forma a não gerar intrusão ou sobrecarga.
• É importante verificar previamente quais são os horários mais adequados para o
recebimento das mensagens, já que os alunos podem trabalhar durante o horário
comercial, por exemplo.
Cabe lembrar que estas recomendações são feitas a partir de um contexto de pesquisa
específico: cursos de graduação noturnos, presenciais, em sua maioria, tecnológicos (nos
quais a maior parte dos alunos trabalha), a maioria dos respondentes sendo jovem e do gênero
feminino. Foi pesquisada uma amostra voluntária, por conveniência, com uma abordagem
unilateral (¨push¨) de envio dos SMS, o que limita a generalização dos resultados da pesquisa.
14
Esses fatores, acrescidos da discussão da literatura considerada, apontam para as seguintes
questões para pesquisas futuras:
• O potencial uso do SMS para uma aprendizagem participativa, ativa e colaborativa é
algo que deve ser explorado em pesquisas futuras no contexto brasileiro, que adotem,
por exemplo, uma abordagem ¨push-pull¨, ou de comunicação entre pares (alunoaluno).
• A potencialidade de ¨transferência de aprendizagem¨ indicada por Ismail et al., (2010)
também pode ser melhor explorada em estudos futuros.
• Pelo potencial do SMS como meio para o estímulo ao aluno, pesquisas futuras podem
investigar seu valor como recurso para evitar ou reduzir a evasão no ensino superior.
• É importante investigar a aceitação do uso do SMS em outros contextos, por exemplo:
cursos diurnos, cursos a distância, etc.
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1 M-LEARNING NA PRÁTICA: O USO DE SMS PARA