Controlo Controlo da daQualidade Qualidade eeSegurança Segurança Alimentar Alimentar IIII Controlo da Qualidade e Segurança Química dos Alimentos Proteínas Proteínas são macromoléculas complexas constituídas essencialmente por aminoácidos (20 aa) unidos entre si por ligações amida (ligações peptídicas). FÓRMULA GERAL DE UM AMINOÁCIDO Cada aa tem uma cadeia lateral (R) característica que influencia as propriedades físico-químicas e consequentemente as propriedades das proteínas que os contêm. Mestrado Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar 1 ControloControlo da Qualidade da Qualidade e Segurança e Segurança QuímicaAlimentar dos Alimentos II Estrutura primária: referência à sequência de aminoácidos numa proteína Estrutura secundária e terciária: organização tridimensional da cadeia polipeptídica Estrutura quaternária: acoplamento geométrico de várias cadeias polipeptídicas, ligadas através de ligações que, na maior parte dos casos, não são covalentes Os aminoácidos unem-se entre si para formar cadeias polipeptídicas que, por sua vez, também se podem ligar entre elas formando as proteínas com as diferentes conformações. A conformação e função de uma proteína é determinada pela quantidade e sequência de aminoácidos na cadeia polipeptídica, assim como também das ligações cruzadas estabelecidas entre cadeias. Mestrado Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar 2 Controlo Controlo Controlo da Qualidade da daQualidade Qualidade e Segurança eeSegurança Segurança Química Alimentar Alimentar dos Alimentos IIII FUNÇÃO DAS PROTEÍNAS Proteínas estruturais (elastina e colagénio) Proteínas com actividade biológica Enzimas (catalisadores de reações químicas) Hormonas (regulam reações metabólicas) Proteínas contrácteis (miosina, actina) Proteínas com função de transporte (hemoglobina, transferrina) Proteínas com função de proteção (imunoglobulinas) Proteínas de armazenamento (ovalbumina) Proteínas tóxicas (toxinas, antibióticos) Proteínas com efeitos antinutritivos (inibidores da tripsina) Mestrado Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar 3 Controlo Controlo da daQualidade Qualidade eeSegurança Segurança Alimetar Alimentar II II Controlo da Qualidade e Segurança Química dos Alimentos Proteínas alimentares Proteínas digeríveis, não tóxicas e organolepticamente aceitáveis DESNATURAÇÃO PROTEICA Qualquer modificação da conformação (estruturas secundária, terciária e quaternária) das proteínas que não seja acompanhada de ruptura das ligações peptídicas implicadas na estrutura primária. Agentes físicos: calor, frio, tratamento mecânico e radiações Agentes químicos: ácidos, bases, metais Mestrado Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar 4 Controlo Controlo Controlo da Qualidade da daQualidade Qualidade e Segurança eeSegurança Segurança Química Alimentar Alimentar dos Alimentos IIII Efeitos: • Diminuição da solubilidade • Modificação da capacidade de fixar a água • Perda de actividade biológica • Aumento da susceptibilidade ao ataque das proteases • Aumento da viscosidade intrínseca • Incapacidade de cristalizar AMINOÁCIDOS ESSENCIAIS Aminoácidos que só podem ser fornecidos pela alimentação. Não são sintetizados no organismo, para a síntese de novas proteínas requeridas para o crescimento, manutenção e reparação de tecidos. Mestrado Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar 5 ControloControlo da Qualidade da Qualidade e Segurança e Segurança QuímicaAlimentar dos Alimentos II Esta lista é válida para a maioria dos mamíferos. Aminoácidos Essenciais: Fenilalanina Histidina Isoleucina Lisina Leucina Metionina Treonina Triptofano Valina Mestrado Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar 6 ControloControlo da Qualidade da Qualidade e Segurança e Segurança QuímicaAlimentar dos Alimentos II PROTEÍNAS DE ALTO VALOR BIOLÓGICO Contêm aminoácidos essenciais nas quantidades e proporções correctas para as necessidades corporais. Este tipo de proteínas (VB = 100), quando absorvidas, são 100% utilizadas na síntese de novas proteínas. Prot. Leite VB = 75. Pobre em metionina e cistina Prot. Trigo VB = 50. Deficiente em lisina (aminoácido limitante) PROTEÍNAS DO LEITE (30 – 35g/L) Caseínas (24-28 g/L); -Lactoglobulina (2 – 4 g/L); - Lactalbumina (1 – 1,5 g/L); Seroalbumina (0,1 – 0,4 g/L); Imunoglobulinas (0,6 – 1 g/L); Enzimas Mestrado Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar 7 ControloControlo da Qualidade da Qualidade e Segurança e Segurança QuímicaAlimentar dos Alimentos II PROTEÍNAS DO OVO As proteínas do ovo são de alto valor biológico. CLARA A clara do ovo é um sistema proteico constituído por fibras de ovalbumina numa solução aquosa de numerosas proteínas globulares. A clara tem entre 9,7 a 10,6% de proteínas. GEMA Contém 16% de proteínas MODIFICAÇÕES DO VALOR NUTRITIVO E APARECIMENTO DE EFEITO TÓXICO DAS PROTEÍNAS NO PROCESSAMENTO E ARMAZENAMENTO 1. Desnaturação 2. Destruição de aminoácidos Mestrado Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar 8 ControloControlo da Qualidade da Qualidade e Segurança e Segurança QuímicaAlimentar dos Alimentos II 2. Destruição de aminoácidos (cont.) Temperatura > 100 ºC – reacções de desaminação com libertação de amoníaco (glutamina e asparagina). Modificação das propriedades funcionais. Temperatura > 115 ºC – destruição parcial de resíduos de cistina (dimero da cisteína) e cisteína e formação de sulfureto de hidrogénio, dimetilsulfureto e de ácido cisteico (carne, músculo peixe, leite) Temperatura > 200 ºC – hidrólise das ligações peptídicas e isomerização dos resíduos de aminoácidos. Formação de isómeros D. 3. Interacções proteína-proteína Algumas reacções químicas que afectam os resíduos de aa são acompanhadas por reacções proteína-proteína com formação de ligações covalentes. Diminui o valor nutritivo destas proteínas que podem tornar-se tóxicas. Mestrado Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar 9 Controlo Controlo Controlo da Qualidade da daQualidade Qualidade e Segurança eeSegurança Segurança Química Alimentar Alimentar dos Alimentos IIII 4. Interacção entre proteínas e agentes oxidantes Os resíduos de aa podem sofrer modificações por oxidação por contacto com oxidantes (peróxido de hidrogénio, peróxido benzóico, hipoclorito de sódio), irradiação e operações de secagem com ar quente. Ex: triptofano + peróxido de hidrogénio oxiindolilalanina formilquinurenina (propriedades carcinogénicas nalguns animais) 5. Interacções proteína-glícidos As reacções de Maillard dão-se entre os grupos amino das proteínas e os açúcares redutores com formação de cetosaminas ou aldosaminas e melanoidinas. Há perda de valor nutritivo (perda de lisina). As cetosaminas inibem a absorção intestinal de certos aa essenciais. Algumas melanoidinas têm propriedades mutagénicas. Mestrado Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar 10 ControloControlo da Qualidade da Qualidade e Segurança e Segurança QuímicaAlimentar dos Alimentos II 6. Interacção proteína-lípidos Podem estabelecer-se ligações covalentes entre proteínas e lípidos em processo de oxidação e polimerização das proteínas com aparecimento de efeitos nutricionais adversos. 7. Reacções de proteínas com polifenóis Os polifenóis podem oxidar-se na presença de oxigénio em quinonas que podem polimerizar-se para dar pigmentos escuros ou reagir com restos de aa com oxidação de restos de metionina, cisteína e triptofano. 8. Reacções de proteínas com nitritos Os nitritos podem reagir com aminas secundárias e terciárias. Alguns aminoácidos (prolina, triptofano, tirosina, cisteína, arginina e histidina) são substratos adequados dessas reacções resultando o aparecimento de nitrosaminas ou nitrosamidas potencialmente cancerígenas. Mestrado Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar 11 Controlo Controlo Controlo da Qualidade da daQualidade Qualidade e Segurança eeSegurança Segurança Química Alimentar Alimentar dos Alimentos IIII DETERMINAÇÃO DO TEOR PROTEICO Doseamento de proteínas pela determinação do azoto total O teor em proteínas é obtido pelo produto do teor em azoto mineral por um coeficiente que representa a riqueza em N das proteínas animais ou vegetais. Por formação do azoto amoniacal • Digestão da amostra com ácido sulfúrico concentrado, a quente, na presença de catalizadores, para converter o azoto orgânico em azoto mineral (ião amónio) • Doseamento do azoto amoniacal a) Método Kjeldahl O amoníaco do mineralizado é deslocado por uma base forte podendo assim ser destilado e quantificado por uma titulação ácido-base. Mestrado Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar 12 Controlo Controlo Controlo da Qualidade da daQualidade Qualidade e Segurança eeSegurança Segurança Química Alimentar Alimentar dos Alimentos IIII b) Eléctrodo específico de amoníaco Sistema baseado na diferença de potencial entre um eléctrodo de referência e um de medição. c) Colorimetria c1. Doseamento pelo reagente de Nessler Formação de um complexo laranja devido à reacção de uma solução de iodeto de mercúrio em iodeto de potássio com o ião NH4+ com um máximo de absorvância a 380 nm. c2. Doseamento pelo método de Berthelot Formação de um complexo azul de indofenol por reacção do amoníaco com um fenato alcalino e hipoclorito com leitura a 650 nm. Mestrado Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar 13 Controlo Controlo Controlo da Qualidade da daQualidade Qualidade e Segurança eeSegurança Segurança Química Alimentar Alimentar dos Alimentos IIII c3. Método do Biureto Desenvolvimento de coloração púrpura de complexo formado entre os iões Cu2+ do reagente do biureto e as ligações peptídicas das proteínas em meio alcalino. Leitura entre 540 – 550 nm. c4. Método de Bradford O método de Bradford é uma técnica para a determinação de proteínas totais que utiliza o corante de “Coomassie brilliant blue” BG-250. Este método é baseado na interação entre o corante BG-250 e macromoléculas de proteínas que contém aminoácidos de cadeias laterais básicas ou aromáticas. No pH de reação, a interação entre a proteína de alto peso molecular e o corante BG-250 provoca o deslocamento do equilíbrio do corante para a forma aniónica, que absorve fortemente a 595 nm. d) Turbidimetria A intensidade de um feixe luminoso que passa através de uma suspensão de partículas proteicas diminui devido à difusão destas. A alteração da intensidade está relacionada ao teor proteico. Mestrado Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar 14 Controlo Controlo Controlo da Qualidade da daQualidade Qualidade e Segurança eeSegurança Segurança Química Alimentar Alimentar dos Alimentos IIII DETERMINAÇÃO DA COMPOSIÇÃO EM AMINOÁCIDOS A) Separação da proteína que interessa Cromatografia de troca iónica Electroforese Cromatografia de afinidade Cromatografia gradiente SDS-PAGE B) Determinação do número e tipo de aa presentes Tratamento das proteínas para libertação dos aa As amostras são hidrolisadas com HCl 6N /100 ºC / 24 h para libertar os aa estáveis com ácido. Cromatografia e determinação dos aa Mestrado Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar 15