Bloco 2: Um dos pesquisadores da PUC Paraná montou uma unidade de fabricação de biodiesel, financiada pela FINEP, uma empresa pública brasileira financiadora de estudos e projetos. Nesta unidade, são utilizados três princípios básicos: utilizar óleo resíduo de cozinha; trabalhar com álcool etílico; e desenvolver um processo contínuo de produção do biodiesel. “As pesquisas se iniciaram com a nossa ideia de utilizar álcool etílico ao invés de metanol, álcool metílico. Nós começamos a fazer testes em laboratório e a partir desses dados, nós construímos essa unidade piloto de fabricação de biodiesel, que produz em torno de 100 a 150 litros por dia”, diz Nei Hansen, professor do curso de Engenharia Química da PUCPR. “É fato que o processo baseado em metanol é mais simples, e que o metanol é mais barato que o etanol. Isso, dependendo das tendências de mercado, pode mudar. Hoje em dia com os problemas que nós tivemos com o etanol aqui no Brasil, nós acabamos nos distanciando de um modelo de estéreis etílicos e mais uma vez em função de uma questão de mercado. Mas, seja como for, a alternativa etanol é sempre mantida nas discussões nacionais e internacionais porque cada vez mais os mandados de uso de biocombustíveis estão exigindo demonstração inequívoca de sustentabilidade ambiental. Quando se fala sobre isso, o combustível etanol substituindo o metanol pode fazer uma diferença interessante”, afirma Luiz Pereira Ramos. “Nós passamos a utilizar o óleo de fritura primeiro porque é uma fonte disponível e sem precisarmos comprar. O diferencial é sem dúvida podermos processar e fabricar esse produto a partir de um resíduo, que, inclusive é problemático para a gente descartar. Muitas pessoas fabricam sabão a partir desse resíduo, mas nós achamos que a produção de biodiesel é um destino mais nobre para esse resíduo doméstico e institucional, que é o óleo de fritura”, explica Nei Hansen. “Nosso envolvimento com o biodiesel data de 1997 em função de um interesse, principalmente relacionado com a destinação de óleos de descarte. Fizemos alguns testes associados ao uso de ésteres metílicos, que foram produzidos a partir de óleos de fritura, obtidos da empresa Risotolândia. Com aquele éstere que nós produzimos em condições quase que artesanais, iniciamos testes preliminares feitos com ônibus da URBS. Esses ônibus rodaram algo como 500km. Foi feita uma avaliação de 20% de biodiesel e os resultados foram muito interessantes, apesar de ser um material com pouca qualidade para a aplicação em si, prevalecia pelo menos a evidência de que ali havia um caminho interessante a ser seguido”, afirma Luiz Pereira Ramos, da UFPR.