DIFICULDADES INERENTES À RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS: UM ESTUDO PRELIMINAR João Vitor Senhorin [email protected] Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO Josiane Motter [email protected] Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO Resumo: A Resolução de Problemas é de fundamental importância para a Educação Matemática. Ela dá suporte para aplicações matemáticas do cotidiano, motivando os estudantes da disciplina, visto que adéqua a Matemática a situações reais que ocorrem com os alunos. Este artigo visa identificar as dificuldades apresentadas pelos alunos ao resolverem problemas matemáticos. O presente trabalho analisou as diferentes estratégias utilizadas para a resolução de problemas, por alunos do 3° ano do Ensino Médio, da Rede Pública de Ensino, por meio de um questionário contendo problemas de sondagem, lógica, estratégia e análise. O ideal seria que os alunos interpretassem e compreendessem os problemas propostos conseguindo resolvê-los. Na prática, notou-se que isso não ocorre, pois a falta de atenção e a dificuldade na interpretação dos problemas são notáveis na maioria dos alunos. Palavras-chave: Educação Matemática; Resolução de Problemas; Estratégias; Ensino da Matemática. INTRODUÇÃO A resolução de problemas em sala de aula é uma habilidade pela qual o indivíduo pode desenvolver o processo construtivo de aprender, de converter em ações, conceitos, proposições e exemplos adquiridos mediante interação com professores, colegas e materiais auxiliares. Segundo Krulic, apud Moreira (2006, p. 1), “A resolução de problemas é a própria razão do ensino de matemática”. Assim sendo, vemos que é de fundamental importância discutir e abordar novas metodologias para que o ensino da Matemática se torne cada vez melhor, permitindo que os alunos resolvam problemas, não de forma mecânica, mas com um raciocínio lógico e coerente, coisa que não vem acontecendo nesta prática de ensino. 558 Partindo da hipótese que os alunos possuem dificuldades na resolução de problemas, temos por objetivo identificar quais são elas, por meio da aplicação de um questionário a uma turma do 3° ano do Ensino Médio, na cidade de Guarapuava/PR. Esse questionário contém quatro problemas elementares, sendo classificados como problemas de sondagem, lógica, estratégia e análise. Os quais serão explicitados na 3ª seção. Neste contexto, consideramos pertinente destacar a diferença entre problema e exercício, sendo o exercício uma atividade que faz uso de habilidades ou conhecimentos matemáticos, como aplicação de uma fórmula ou caminho conhecido. O exercício envolve mera aplicação, já o problema necessariamente envolve invenção ou criação significativa. Segundo Gleiciane de Sousa Alves (2006, p. 23), essa diferenciação entre exercícios e problemas também é feita por Pozo (1998:16), quando afirma que: [...] Um problema se diferencia de um exercício na medida em que, neste último caso, dispomos e utilizamos mecanismos que nos levam, de forma imediata, à solução. Por isso, é possível que uma mesma situação represente um problema para uma pessoa enquanto que para outra esse problema não existe, quer porque ela não se interesse pela situação quer porque possua mecanismos para resolvê-la com um investimento mínimo de recursos cognitivos e pode reduzi-la a um simples exercício. Ainda, segundo Newell & Simon, apud Ramos et al (2002, p. 3), “um problema é uma situação na qual um indivíduo deseja fazer algo, porém desconhece o caminho das ações necessárias para concretizar a sua ação” ou segundo Chi e Glaser (1983) “o problema é uma situação na qual um indivíduo atua com o propósito de alcançar uma meta utilizando para tal alguma estratégia em particular”. Portanto, entendemos que existe um problema, quando há um objetivo a ser alcançado, porém, não sabemos como atingir esse objetivo. Na linguagem matemática, se existe um problema, então são várias as estratégias de resolução. Feitas as considerações gerais, explicitamos que, no decorrer desse artigo, apresentaremos um referencial teórico como base em nossos estudos sobre resolução de problemas, bem como a pesquisa de campo, os resultados obtidos e as conclusões quanto ao estudo realizado. UM POUCO SOBRE RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS A resolução de problemas é uma importante contribuição para o processo de ensino e aprendizagem da Matemática, possibilitando ao aluno a capacidade de desenvolver o pensamento matemático, sem se restringir a exercícios repetitivos e 559 desinteressantes, que valorizam o aprendizado por reprodução ou imitação, ou seja, de forma mecânica. A importância da resolução está no fato de: possibilitar aos alunos mobilizarem conhecimentos e desenvolverem a capacidade para gerenciar as informações que estão a seu alcance dentro e fora da sala de aula. Assim, os alunos terão oportunidades de ampliar seus conhecimentos acerca de conceitos e procedimentos matemáticos, bem como, do mundo em geral e desenvolver sua autoconfiança” Schoenfeld apud PCN (1998, p. 25). Ainda, segundo Dante, apud Souza (2006, p. 3): é possível por meio da resolução de problemas desenvolve no aluno iniciativa, espírito explorador, criatividade, independência e a habilidade de elaborar um raciocínio lógico e fazer uso inteligente e eficaz dos recursos disponíveis, para que ele possa propor boas soluções às questões que surgem em seu dia-a-dia, na escola ou fora dela. Ao resolverem problemas, os alunos podem descobrir novas formas e métodos de resolverem o mesmo problema, despertando a curiosidade e o interesse pelos conhecimentos matemáticos e, assim, desenvolverem a capacidade de solucionar as situações que lhes são propostas. A definição de Krulik e Rudnik, apud Gil et al (1992, p.10), resume este consenso: “Um problema é uma situação, quantitativa ou não, que pede uma solução para a qual os indivíduos implicados não conhecem meios ou caminhos evidentes para obtê-la”. Esta mesma ideia aparece, indiretamente, quando se fala de resolução de problemas. Assim, Polya (1980) assinala que resolver um problema consiste em encontrar um caminho desconhecido, encontrar uma saída para uma situação difícil, para vencer um obstáculo, para alcançar um objetivo desejado que não pode ser imediatamente alcançado por meios adequados. Nos últimos anos, a pesquisa sobre resolução de problemas tem sua base em teorias de processamento da informação, o que é compreensível, pois destaca a estratégia utilizada para análise da informação contida no enunciado do problema. Para organizar o processo de resolução de problemas, o matemático George Polya dividiu-o em quatro etapas. Porém, é importante ressaltar que Polya nunca pretendeu que sua divisão correspondesse a uma sequência de etapas e que funcionasse como uma “poção mágica”. O primeiro passo é entender o problema, ou seja, extrair os dados, identificar as condições, se necessário esboçar uma figura, analisar se as condições encontradas satisfazem o problema. Logo após construir uma estratégia de resolução, isto é, 560 encontrar conexões entre os dados e a incógnita. Talvez seja necessário considerar problemas auxiliares ou particulares, para isso, deve-se elaborar um plano de resolução do problema. Em seguida, executar a estratégia e verificar se os passos estão corretos. Contudo, é comum os alunos pularem essa etapa, prematuramente, e acabam não obtendo êxito, pois não verificam se a solução utilizada é válida. Por fim, revisar a solução obtida, de modo a verificar o resultado, questionando se a solução pode ser encontrada de outra maneira. Feitas as considerações acerca da resolução de problemas, passaremos a descrever os problemas aplicados. PROBLEMAS ESCOLHIDOS PARA O QUESTIONÁRIO Concordamos com Polya (1949, p.15), o qual afirma: “Primeiro, o professor deveria estabelecer a classe certa de problemas para os seus alunos: não muito difíceis, nem fáceis demais, naturais e interessantes”. A partir dessa premissa, buscamos definir os problemas que seriam aplicados, dentre eles estão: problema de sondagem, lógica, estratégia e análise. Agnelo Pires Ramos et al (2002, p. 6) definem problema de sondagem como sendo utilizado para a introdução natural e intuitiva de um novo conceito; e o problema de análise é voltado para a descoberta de novos resultados derivados de conceitos, já aprendidos, e que são mais fáceis que os problemas de sondagem. Por sua vez, Katia S. Smole (2001, p. 113) define problema de lógica como sendo o que fornece uma proposta de resolução cuja base não é numérica, que exige raciocínio dedutivo e que propicia uma experiência rica para o desenvolvimento de operações de pensamento como previsão e checagem, levantamento de hipóteses, busca de suposições, análise e classificação; e o problema de estratégia é aquele pelo qual o aluno deve elaborar métodos, encontrar alternativas para solucionar o problema, além de desenvolver o senso crítico e o raciocínio lógico. 1. Problema de sondagem Com o auxilio de régua e compasso, construa um triângulo cujos lados meçam 3cm, 4cm e 5cm. (a) Existe algum triângulo diferente do que você construiu cujos lados também meçam 3cm, 4cm e 5cm? Por quê? 561 (b) Qual a medida do maior ângulo do triângulo que você construiu? (c) Construindo três quadrados (um sobre cada lado do triângulo que você traçou), que relação você pode estabelecer entre a área do maior e as áreas dos dois menores? (d) O menor ângulo do triângulo construído se opõe a qual dos lados (ao maior ou menor lado do triângulo)? E o maior ângulo? Inicialmente o aluno precisa saber o que é um triângulo, para assim poder iniciar a resolução. Se for resolvido o problema, sem o auxílio do professor, o aluno ganha um acréscimo de conhecimento matemático (por exemplo, propriedades para triângulos retângulos, como o Teorema de Pitágoras, e propriedades para triângulos quaisquer, como o fato do menor ângulo se opor ao menor lado e o maior ângulo se opor ao maior lado). 2. Problema de Lógica Alice, Bernardo, Cecília, Otávio e Rodrigo são irmãos. Sabemos que: • Alice não é a mais velha; • Cecília não é a mais nova; • Alice é mais velha que Cecília; • Bernardo é mais velho que Otávio; • Rodrigo é mais velho que Cecília e mais moço que Alice. Você pode descobrir a ordem em que nasceram esses 5 irmãos? Algumas estratégias importantes, como o método de tentativa e erro, o uso de tabelas, diagramas e listas são indispensáveis para a resolução de problemas de lógica. Além disso, os problemas de lógica estimulam mais a análise dos dados, favorecem a leitura e interpretação do texto, e, por serem motivadores, atenuam a pressão para obterse a resposta correta imediatamente. 3. Problema de Estratégia Preencher as quadrículas da figura abaixo, usando os algarismos de 1 a 9, sem repeti-los, de tal modo que a soma dos números na horizontal, vertical e diagonal do quadrado seja 15. • Esta é a única solução? • Como ela foi encontrada? • O que ela tem de característica? A magia dos quadrados mágicos consiste em ter, ao mesmo tempo, uma análise qualitativa e quantitativa dos algarismos: além de possuírem um valor representativo de 562 quantidade, relacionado diretamente ao número, o quadrado se refere à distribuição dos números dentro de um espaço, uma ideia organizacional, que, à primeira vista, assemelhase a uma desorganização total, pois a lógica de construção se mantém oculta numa análise superficial. 4. Problema de análise Existe um triângulo retângulo cujos lados sejam três números inteiros e consecutivos? Em caso afirmativo, determine a medida dos lados deste triângulo. Este é um problema de investigação, que remete o aluno à curiosidade e à descoberta. Para tal, ele precisa criar uma estratégia utilizando alguns conceitos já aprendidos e acaba por fixar estes conceitos e aprofundar o seu conhecimento. O questionário acima foi aplicado a uma turma de dezenove alunos do 3° ano do Ensino Médio, da Rede Pública, na cidade de Guarapuava/PR, sendo que o professor regente considerou como uma avaliação do bimestre, justamente para eles estarem estimulados a resolvê-lo, num período de duas aulas. Além do questionário, foi entregue uma folha na qual os alunos deveriam escrever todos os procedimentos utilizados para encontrar a solução. Em seguida, será feita uma análise e comentários sobre cada problema, bem como a porcentagem de acertos totais, parciais e de erros cometidos pelos alunos: ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS Problema 1 Este problema explora cinco atividades: Primeiramente, a construção de um triângulo cujos lados deveriam medir 3cm, 4cm e 5cm. Dos dezenove alunos todos tentaram resolver o problema, porém, 18 obtiveram acerto total e 1 acerto parcial. Verificamos que os alunos possuem uma boa noção de construções geométricas, ou seja, todos conseguiram identificar o que é um triângulo e construí-lo. Além disso, este aluno que não obteve acerto total, estava com “preguiça” de utilizar a régua. O item “a” questionava-os se existe algum triângulo diferente do que haviam construído, de lados 3cm, 4cm e 5cm, e por quê. Dos dezenove alunos, apenas 14 tentaram resolver o problema, sendo que destes, 5 obtiveram acerto total, 2 acerto parcial e 7 erraram. Verificamos que a maioria dos alunos não conseguiu analisar que o triângulo em 563 questão será sempre o mesmo, porém, em posições diferentes, ou seja, mesmo sabendo o que é um triângulo, eles não interpretam as propriedades que ele possui. O item “b” questionava-os sobre qual seria a medida do maior ângulo do triângulo construído. Dos dezenove alunos, 17 tentaram resolver o problema, sendo que destes, 13 obtiveram acerto total e 4 erraram. Verificamos que a maioria dos alunos conseguiu identificar que o triângulo construído por eles é retângulo e que, portanto, o maior ângulo é 90°, e os que erraram foi por falta de atenção, interpretação ou por não possuírem uma boa noção de ângulos, pois, mesmo tendo construído o triângulo corretamente, não conseguiram visualizar e identificar a resposta correta. O item “c” questionava-os que ao construírem três quadrados, sendo um sobre cada lado do triângulo traçado, qual a relação que pode ser estabelecida entre a área do maior e as áreas dos dois menores. Dos dezenove alunos, apenas 15 tentaram resolver o problema, sendo que destes, 6 obtiveram acerto total e 9 erraram. Verificamos que, dos 6 que acertaram, apenas 1 aluno conseguiu identificar que se tratava do Teorema de Pitágoras e o restante apenas encontrou a relação das áreas, ou seja, que a área do maior quadrado é igual à soma das áreas dos quadrados menores. Quanto aos que erraram, é visível a grande falta de atenção e a precária interpretação, pois muitos deles sequer conseguiram visualizar a relação existente entre as áreas dos quadrados, assim, novamente retomamos a ideia que a maioria dos alunos não sabem ou não conseguem interpretar as propriedades dos triângulos. O item “d” questionava-os sobre em qual lado (maior ou menor) o menor e o maior ângulo do triângulo se opõem. Dos dezenove alunos, apenas 8 tentaram resolver o problema, sendo que destes, 1 obteve acerto total, 2 acerto parcial e 5 erraram. Verificamos que menos da metade dos alunos tentaram fazer, pois alegavam ser uma questão difícil. Dos que tentaram fazer, erraram principalmente por falta de atenção e interpretação, pois relacionaram o menor ângulo com o maior lado e o maior ângulo com o menor lado, ou seja, inverteram as informações, mesmo estando com o triângulo construído. Problema 2 Este problema pedia para descobrir a ordem de nascimento dos cinco irmãos. Dos dezenove alunos todos tentaram resolver o problema, sendo que destes, 10 obtiveram acerto total, 6 acerto parcial e 3 erraram. Verificamos que a maioria elaborou uma estratégia, em forma de esquema, organizando as informações que lhes eram transmitidas, com essas estratégias, como o método de tentativa e erro, o uso de tabelas, diagramas e 564 listas, eles conseguiram resolver o problema de lógica. Os que erraram, foi principalmente por falta de atenção e por interpretarem os dados equivocadamente, pois podemos citar exemplos de erros que vários alunos cometeram, principalmente nas informações que estavam claras, e dizia “Alice não é a mais velha” e “Cecília não é a mais nova”, mas mesmo assim nos esquemas utilizados por eles colocavam Alice como a mais velha e Cecília como a mais nova. Provavelmente por lerem rapidamente e sem atenção esqueciam das palavras “não é a mais velha” e “não é a mais nova” ou, ainda, porque a noção de ordem não está clara para eles. Problema 3 Este problema desafiava-os a encontrar uma das soluções do quadrado mágico, usando os algarismos de 1 a 9, sem repeti-los, encontrando a soma 15 na horizontal, vertical e diagonal. Dos dezenove alunos, todos tentaram resolver o problema, sendo que destes, 5 obtiveram acerto total, 6 acerto parcial e 8 erraram. Verificamos que todos fizeram por tentativas, alguns obtiveram sucesso, outros conseguiram satisfazer apenas algumas linhas ou colunas, porém, a maioria não conseguiu interpor os algarismos de tal forma a encontrar soma 15. Muitos deles tentaram poucas vezes e, não encontrando a solução, logo desistiram e se recusaram a tentar novamente; assim identificamos falta de persistência diante da dificuldade encontrada na resolução do problema. Vale à pena ressaltar, que nenhum dos alunos elaborou um plano de resolução, bem como quando questionados se esta seria a única solução, poucos deles conseguiram visualizar a existência de outras soluções. Deixamos como sugestão, para os próximos trabalhos desse mesmo problema, a utilização de quadros auxiliares, para assim ter a possibilidade de identificar com mais clareza as estratégias utilizadas pelos alunos. Problema 4 Este problema questionava-os sobre a existência de um triângulo retângulo com os lados sendo três números inteiros e consecutivos, e indicava que, em caso afirmativo, determinassem a medida dos lados. Dos dezenove alunos, apenas 5 tentaram resolver o problema, sendo que destes, 3 obtiveram acerto total e 2 erraram. Verificamos, por meio desta questão, que os alunos não estavam atentos ou interessados, pois alegavam que era muito difícil, sendo que bastava observar o problema 1, no qual haviam construído o triângulo em questão. Mas aqui surge uma dúvida: será que os alunos sabem o que são números inteiros consecutivos, mesmo estando no 3° ano do Ensino Médio? 565 CONSIDERAÇÕES FINAIS As considerações feitas ao longo deste trabalho tinham a intenção de identificar as dificuldades encontradas pelos alunos ao resolverem problemas matemáticos, para assim, buscar estratégias a fim de desenvolver nos alunos a capacidade de resolver problemas. Pois a resolução de problemas é o ponto de partida fundamental da atividade matemática, que é finalidade dos Parâmetros Curriculares Nacionais, os quais visam construir referências nacionais comuns ao processo educativo para que os alunos possam ter acesso ao conjunto de conhecimentos necessários ao exercício da cidadania. Porém, questiona-se como isso pode ser feito, se a maioria dos alunos, alvos da nossa pesquisa, mostraram grande desinteresse, falta de atenção, “preguiça de pensar” e uma precária interpretação dos problemas propostos, talvez devido à falta de incentivo à resolução de problemas nas aulas, problemas estes elementares, e que, levando-se em conta o nível de aprendizagem dos alunos (3° ano do Ensino Médio), deveriam surtir um efeito positivo. Não foi isso que ocorreu, pois mesmo o professor considerando como atividade avaliativa, a maioria dos alunos não conseguiu desenvolver estratégias para a resolução dos problemas. Isso pode ser fruto de onze anos de escolaridade, porém, é difícil mudar de hábitos, não podemos culpar apenas os alunos, mas sim toda a estrutura educacional que faz com que o aluno se torne somente “receptor de ideias”, deixando de desenvolver sua autonomia. Segundo Sónia Palha: “...a autonomia dos alunos revela-se na forma como estes atuam dentro das regras que são estabelecidas. O professor determina o que é válido como matemática, o que conta como uma resposta matemática, o que conta como um raciocínio matemático, etc. O aluno desenvolve autonomia ao apropriar-se do significado comunicado pelo professor, dando-lhe ele próprio significado. Para Gravemeijer (2004) é necessário pois uma aprendizagem da matemática baseada na experiência do aluno, onde a construção de conceitos matemáticos é feita de forma que o aluno consiga reconstruir o que aprendeu. Só deste modo é possível que os alunos se tornem menos dependentes do professor”. É importante ressaltar que o estudo realizado em campo foi feito apenas com uma turma, não podendo generalizarem-se os resultados obtidos a todas as turmas e escolas da rede de ensino. Porém, não podemos ignorar esses resultados, pois eles mostram uma realidade que esta crescendo cada vez mais, ou seja, a precariedade do ensino e a falta de interesse dos alunos. 566 Aqui encontramos o nosso desafio como professores de Matemática: fazer com que essa realidade mude, utilizando meios como a Resolução de Problemas, para despertar o interesse de aprendizagem nos alunos, por meio de estudos e investigações futuras para um melhor desempenho. REFERÊNCIAS ALVES, G. S.. Resolução de Problemas nos Anos Iniciais de Escolaridade: Por que é tão difícil? Belém, 2006. 96 p. Dissertação (Mestrado em Educação) – Dissertação (mestrado) - Universidade Federal do Pará, Núcleo Pedagógico de Apoio ao Desenvolvimento Científico, 2006. CABRAL C., S. S; MOREIRA, M. A.. A resolução de problemas como um tipo especial de aprendizagem significativa. Cad.Cat.Ens.Fís., v. 18, n. 3: p. 278-297, dez. 2001. 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