17.mar.2015
N.647
NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO
NOTÍCIAS
Boletim
da Capelania
S. José, Pai e Senhor
“A sorte dá imenso
trabalho”
PANORAMA
DOCUMENTAÇÃO
Solidariedade com
lucro, porque não?
Festivais de ideias
para melhorar
o debate político
EUA: A universidade,
mais acessível
do que se afirma
+
“Las 6 decisiones más
importantes de tu vida”
Casos vencedores
voltam a vencer
AGENDA
Link_@AESE :
Comunicação
Organizacional
Lisboa, 23 de março de 2015
Aumentar a Eficácia
para obter Mais Valor
Resolver um problema
em tempo útil
O caso do Clube de
Produtores Continente
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Media
Podemos: novos rostos,
velhas ideias
Lisboa, 24 e 25 de março de 2015
Experiential Marketing
Lisboa, 24 de março de 2015
Curso "A Alegria do
Evangelho" | O Anúncio
do Evangelho
Lisboa, 27 de março de 2015
Gerir por missões
“Os desafios
do mercado norte-americano”,
entre outros…
Lisboa, 10 de abril de 2015
Seminário Métodos
Qualitativos
www.aese.pt
Lisboa, 6 e 13 de abril de 2015
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Lisboa, 27 de fevereiro de 2015
Executive MBA AESE recebe Ana Paula Moutela, da Inditex Portugal, para "Conversa deVida"
“A sorte dá imenso trabalho”
Ana Moutela, Diretora geral da
Inditex Portugal, esteve entre os
participantes do Executive MBA da
AESE para, numa “Conversa
deVida”, falar sobre a sua
experiência na liderança do grupo
Inditex, em Portugal. A sessão
realizou-se em Lisboa, a 27 de
fevereiro de 2015.
2
CAESE março 2015
“Dentro da mala”, Ana Moutela traz
irreverência, capacidade comunicativa e vontade de marcar a vida
dos outros, ajudando-os. Com 26
anos, contava já com três experiências profissionais duras, acabando por entrar na Inditex em
1988. Ana Moutela considera esta
como sendo a “empresa da sua
vida”. A seu ver, “não vale a pena
trabalhar numa empresa que não é
a da nossa vida. Se estamos
dispostos a trabalhar, é bom que
haja um alinhamento e que
acreditemos nas pessoas, nos
valores e na missão da instituição.
Temos de lutar por aquilo em que
acreditamos e ter determinação
para defendermos aquilo de que
não abdicamos”. “Todo o meu
percurso é uma dádiva, perante
vários momentos em que tudo
parecia estar perdido.”
Em termos de formação, Ana
Moutela destacou nas escolas que
frequentou, a importância da
identificação com os valores e o
tempo de transformação que lhe
proporcionaram.
Determinada, obstinada, apaixonada, humana e exigente são as
caraterísticas que identifica como
suas, ao olhar-se no espelho. E
conclui que a “sorte dá imenso
trabalho”.
“Todos somos pessoas, todos
temos medos que nos atormentam.
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Mas continuo em cada momento a
pensar que tenho de melhorar.
Nunca penso que estou preparada,
o que dá simultaneamente uma
certa instabilidade, mas também
vontade de aprender.” Ana Moutela
considera que “vale a pena meditar
sobre o que os outros pensam
sobre nós, porque às vezes não
coincide com o que achamos que
nós somos. E esta pode ser uma
oportunidade valiosa de melhoria.”
Sobre a conciliação entre a vida
familiar e a profissional, a Diretora
da Inditex Portugal considera que
“cada dia é um dia diferente, que
implica decisões. Umas vezes
ganham uns e outras vezes
ganham outros. Em cada momento
eu tenho de fazer o melhor. E uma
das partes ganha sempre e isso
tranquiliza-me”, consciente de que
“não somos heróis”.
3
CAESE março 2015
Após a sua apresentação, seguiu-se um momento de perguntas dos
participantes, às quais Ana Paula
Moutela respondeu com a simplicidade e a franqueza que lhe são
caraterísticas.
Esta foi a primeira sessão do ciclo
“Conversa deVida”, que se propõe
ser um ciclo de encontros de uma
geração de líderes atuais e do
futuro.
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Lisboa, 26 de fevereiro de 2015
Carlos Molina, da 89 Bits, explica como manter um negócio na área da tecnologia
Resolver um problema em tempo útil
Carlos Molina, sócio fundador da
89 Bits, foi o convidado da sessão
de continuidade, na AESE, em
Lisboa, a 26 de fevereiro de 2015.
Numa conversa à margem da
conferência, o empreendedor destacou os fatores chave para criar
uma empresa tecnológica de
sucesso como a 89 Bits.
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CAESE março 2015
“Do meu ponto de vista, há dois
fatores chave: definiria o primeiro
como querer apaixonar-se pelo
problema que se quer resolver e
não pela solução que estamos a
propor ou pelo nosso produto. Ou
seja, se se puder resolver o
problema do cliente, está a criar-se
valor, e ele estará disposto a pagar
pela solução para o seu problema.
Isso significa que se testa o modelo
de negócio, o qual é validado nessa
prática. O segundo, é que se o
modelo que se está a tentar
implementar não tem sucesso, tem
de se mudar rapidamente; procurar
o modo de acrescentar valor ao
cliente e oferecer esse valor.” Em
resumo, “estes são os dois fatores
essenciais: poder resolver um
problema e mudar rapidamente
para conseguir a adesão a um
modelo.”
“No âmbito tecnológico e ainda
mais nas aplicações móveis onde
se situa o nosso negócio, o que
vemos é que quando observamos
um modelo de negócio aceite pelo
cliente, esse é sustentável na
melhor das hipóteses durante três
anos. Temos de pensar que o
nosso modelo vai deixar de o ser e
pensar na tendência seguinte e
começar a trabalhar nisso. Isto é
algo que na indústria tradicional
pode demorar cerca de 20 anos.”
Pegando na experiência da 89 Bits,
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Carlos Molina explicou o que
acontece com o negócio dos videojogos. “Há cinco anos, pagava-se
pela descarga. Há cerca de 4 anos,
começou o advertising dentro das
aplicações ou o pagamento pelas
descargas «perpétuas» e, agora, a
monetização dos jogos desde há 2
anos e meio, em que se queremos
utilizar, pagamos. Daqui a dois
anos não será assim e virá outra
onda de monetização. Temos de
estar sempre atualizados para
cobrar justamente ao utente e para
alterar o nosso modelo, com a
celeridade que o mercado exige.”
Após a sua intervenção perante os
Alumni da AESE, houve oportunidade para que os participantes
colocassem questões mais específicas, às quais o orador respondeu com muito interesse e simpatia.
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CAESE março 2015
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Lisboa, 3 de março de 2015
Ivone Silva foi a convidada do GAIN
O caso do Clube de Produtores Continente
O 1.º GAIN recebeu Ivone Silva,
Presidente do Clube de Produtores
Continente, para uma sessão de
enquadramento, no dia 3 de março
de 2015.
6
CAESE março 2015
Nascido em 1998, o Clube de
Produtores Continente foi criado
com dois grandes propósitos que
se mantêm atuais: “Apoiar e
divulgar a produção nacional.”
“Num mercado tão dinâmico, como
é o mercado da distribuição versus
produção, é preciso termos a
capacidade de nos irmos adaptando. Os principais eixos da
atuação do Clube de Produtores
são: o crescimento do clube, o
contínuo crescimento, seja a nível
de métodos, da área de produção,
ou das próprias áreas envolvidas
do clube: começámos com três e
hoje temos quinze, o que também é
uma das nossas preocupações. O
segundo eixo estratégico passa
pela inovação: é fundamental para
nós, nos dias que correm, e, cada
vez mais, é algo que fomentamos
muito. Temos o Prémio Inovação
que entregamos todos os anos, no
nosso encontro do Clube de Produtores Continente, precisamente
para premiar a inovação.
Ivone Silva, considera que “o Clube
de Produtores tem uma enorme
capacidade de se reinventar. A
capacidade de adaptação tem de
ser enorme, de ambas as partes.
Portanto, o Clube de Produtores
tem de ter a capacidade de
responder às expectativas dos seus
sócios e, por outro lado, às
expectativas de quem compra, que
é o Continente.”
E os principais desafios na
relação entre produtores e
distribuidores são…
“O Clube de Produtores acrescenta
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verdadeiramente valor a ambas as
partes. Esse é o principal desafio.
Que seja uma relação, como se diz
na gíria, de win-win, mas que na
verdade se consiga passar à
prática e que quem está, esteja
satisfeito, não queira sair e que
quem não está, gostasse de estar.
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CAESE março 2015
A semente do GAIN da AESE
Sobre a relevância do programa
GAIN – Programa de Direção de
Empresas Agrícola e agroindustriais, Ivone Silva diz fazer sentido
“e de que maneira, diria mesmo.
Porquê? Porque defendo que o
futuro de um país passa pelo
conhecimento. O futuro de qualquer
indústria, seja ela a agroalimentar,
a agropecuária, o que seja, passa
claramente pelo conhecimento. E o
conhecimento muito dele é inato,
mas muito é aprendido. Na
verdade, grande parte dele é
aprendido. Portanto, faz todo o
sentido que escolas como a AESE
tenham este tipo de programas e
possam cada vez mais cimentar a
formação. Felizmente, temos hoje
numa parte dos empresários, uma
formação muito boa e há que
conseguir sustentá-la: dar-lhes uma
visão, trazer-lhes casos internacionais, trazer-lhes outras experiências de outros países, não só
de Portugal, e permitir que a
formação seja ainda melhor. E que
depois permita que os nossos
empresários consigam fazer as
empresas deles ainda melhores do
que elas já são.”
O colóquio com os participantes no
programa levantou questões oportunas e polémicas que se colocam
na agenda dos responsáveis do
setor agrícola e agroindustrial.
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Março de 2015
Investigações promovidas pela AESE marcam pontos internacionalmente
Casos vencedores voltam a vencer
A componente de investigação da
AESE está a internacionalizar-se
cada vez mais. Foram dois os
casos distinguidos recentemente,
pela The Case Centre, instituição
internacional promotora da aprendizagem e do ensino com o Método
do caso.
O Caso escrito por Adapa Srinivasa
Rao (Research Scholar, na IFHE
University) e Debapratim Purkayastha (Associate Dean, da ICFAI
Business School), já vencedor do
Concurso de Casos AESE 2014, foi
mais uma vez premiado, desta vez
no The Case Centre Awards 2015,
na categoria Gestão de Recursos
Humanos / Comportamento Organizacional. O caso intitulado
“Corporate Entrepreneurship and
8
CAESE março 2015
Innovation at Google, Inc.”, aborda
a temática da inovação na gigante
Google.
Também o Caso “The Jaipur Foot,”
escrito por Eugénio Viassa Monteiro, Professor da AESE, e Luís
Matos, integrou pela segunda vez a
lista dos 15 casos mais vendidos
na categoria de Empreendedorismo.
The Case Centre, fundada em
1973, é uma iniciativa conjunta de
22 das melhores escolas de ensino
superior da Grã-Bretanha e Irlanda,
que promove a partilha de Casos
entre os professores das escolas
de negócios de todo o mundo.
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AGENDA
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Sessões de continuidade
Sessão de Continuidade
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Evento
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CAESE março 2015
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Evento
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Evangelho" | O Anúncio
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Lisboa, 27 de março de 2015
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Boletim da Capelania
S. José, Pai e Senhor
São Josemaría Escrivá de Balaguer
tinha uma especial devoção pelo
santo esposo de Maria, que foi
também, por vontade divina, pai
adotivo de Jesus: São José.
Festejando os espanhóis o dia do
seu santo, com preferência no seu
aniversário natalício, é provável
que o facto de o dia de São José
ser o dia de São Josemaría, como
era também o de seu homónimo
pai, tenha contribuído inicialmente
para esta sua devoção. Mas é
evidente que, à medida que foi
amadurecendo a sua fé, a sua
admiração pelo santo patriarca
ganhou contornos mais profundos e
teológicos.
10
CAESE março 2015
Foi grande a alegria do fundador da
Obra quando São João XXIII incluiu
São José na oração eucarística
romana, logo após a referência a
Nossa Senhora e antes ainda da
menção aos apóstolos, mártires,
confessores da fé e santos papas.
Por isso, é previsível que, no céu,
São Josemaría muito se tenha
regozijado com uma das primeiras
decisões do Papa Francisco, ao
estender essa referência nominal a
São José para todas as liturgias
eucarísticas vigentes, de forma
que, em qualquer missa católica
que se celebre, seja sempre
referido o castíssimo esposo de
Maria e pai de Jesus.
Quando se lhe dirigia, São
Josemaría gostava de o invocar
como Pai e Senhor. A primeira
denominação faz referência ao
modo como providenciou a educação, em sabedoria e graça,
diante de Deus e dos homens, de
Jesus. Que bom exemplo para
todos os pais cristãos, a recordar
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muito especialmente no próximo
dia 19 de Março, dia de São José,
dia do pai!
Mas S. Jose é também Senhor: foi-o da casa e sagrada família de
Nazaré e é-o agora da Igreja
universal, de que é especial
padroeiro. Em ano mariano da
família,
nunca
será
demais,
seguindo também o conselho da
santa doutora Teresa de Jesus,
recorrer a este varão justo, para
que a Igreja ilumine todos os casais
e famílias cristãs.
Com José, a Jesus, por Maria!
Pe. Gonçalo Portocarrero
Almada, Capelão da AESE
11
CAESE março 2015
de
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AESE nos Media
In Oje, 6 de março de 2015
Os desafios do mercado norte-americano
12
CAESE março 2015
Pedro Leão, General Manager da
Plenitude e docente na escola de
negócios AESE, explica em
discurso direto os principais
trunfos para vencer em terras do
tio Sam.
empresas portuguesas sobretudo
as de alta tecnologia e TI
tecnologias de informação por,
estarem normalmente mais alinhadas com um mercado com as
características dos EUA .
Poder-se-á dizer com toda a
convicção que o mercado norte-americano se afigura ao mesmo
tempo como muito apetecível e
muito desafiador para as empresas
portuguesas e em bom rigor são
dois aspetos que só podem
beneficiar o tecido empresarial
nacional que vivia circunscrito a um
mercado pequeno e periférico no
seio da Europa e que, em virtude
da crise económica vivida desde
2009, se viu impelido a procurar
novos rumos e novas geografias
para escoar os seus produtos e
serviços. Dito isto, é inequívoco
que os EUA serão um mercado
gradualmente mais interessante
para
as
Com a crescente aposta em ID Investigação Desenvolvimento e
Inovação, em que Portugal tem
investido nas últimas décadas,
tendo sido considerado recente
mente o 25.° país mais inovador, é
perfeitamente plausível que uma
nova geração de empresas que
entende os fatores críticos de
sucesso do mercado norte-americano comece a apostar cada vez
mais, mostrando todo o potencial
de criatividade, inovação e talento
nacional, aspetos que o embaixador
dos
EUA,
Robert
Sherman, mencionou recentemente
a respeito da grande disponibilidade de capital e potencial
humano
no
nosso
país,
no âmbito do empreendedorismo
que começa a despontar.
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Para além disto, com uma diáspora
que, com os descendentes, totaliza
2 milhões de indivíduos, as
empresas portuguesas poderão
certamente capitalizar esta fonte de
recursos e de conhecimento da
cultura local, para tirar o máximo
partido e minimizar riscos de
entrada e os típicos erros de
principiante, podendo inclusivamente recorrer a iniciativas de lobbying
junto de luso descendentes com
influência política e ou económica
na sociedade norte-americana.
Para colmatar as tradicionais falhas
e dificuldades das empresas nacionais no mercado dos EUA, deixam-se algumas sugestões de
abordagem:
13
CAESE março 2015
Abordagem 100 % profissional
Num mercado com este grau de
competitividade e sofisticação, não
há espaço para amadorismos. Este
facto é tanto mais importante quando se fala de recursos humanos. As
empresas portuguesas gostam de
recorrer à prata da casa, i.e., levar
colaboradores da confiança direta
para os mercados internacionais.
Mas ainda que faça sentido fazê-lo
num ou noutro caso pontual, do
ponto de vista de controlo e de
governance, o facto é que no
mercado americano é absolutamente crítico ter uma equipa com
recursos locais que conheçam a
fundo a dinâmica e características
do mercado. Outro aspeto crucial é
dar aos recursos locais cargos de
responsabilidade de gestão, não
colocando apenas recursos da
casa nos boards e nas segundas
linhas de gestão. Dar capacidade
de gestão a recursos locais é chave
para poder responder aos desafios
locais, ainda que os mesmos sejam
coadjuvados por poderes nacionais. O próprio idioma pode ser por
vezes problemático e é recomendável contar com recursos que
dominem o idioma local.
Necessidade obrigatória de
segmentação em face da escala
do mercado
Dada a escala e complexidade
deste mercado, é fundamental que
as empresas saibam identificar o
segmento em que vão atuar, onde
sentem claramente que as suas
vantagens competitivas são mais
marcantes e diferenciadoras e
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manterem-se focadas nessa missão até que consigam entrar em
jogo de forma efetiva. Tal como
noutros mercados de grande
dimensão, é normal que os empresários sejam constantemente confrontados com inúmeras oportunidades, dentro ou fora do seu
segmento de mercado ou mesmo
da indústria, o que poderá trazer
desfoque e inerentemente maiores
dificuldades em ter sucesso neste
mercado, dada a competitividade
dos players em jogo. (…)”
Aceda à entrevista na íntegra nos
links abaixo.
AESE nos media
Os desafios do mercado norte-americano
OJE, 6.3.2015
"Mercado de sonho" para
empresários que encaram o "Dream
Big" muito a sério
OJE, 6.3.2015
Exportações de medicamentos para
os EUA disparam em 2014
OJE, 6.3.2015
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AESE nos Media
De 28 de fevereiro a 13 de março de 2015
25 anos: Dar tempo ao tempo – Executive MBA AESE
Público, 11h11
As oportunidades que vêm da América,
i, 3.3.2015
Dia da Mulher: saíram do trabalho directas para a maternidade
Público, 8.3.2015
Comentário Nuno Campilho (Água): "A água é o parente pobre da
energia?"
AmbienteOnline, 2.3.2015
Economia do mar na AESE
Expresso, 7.3.2015
Avaliação dos professores
Expresso /Economia, 7.3.2015
Economia do mar na AESE
Expresso Emprego Online, 6.3.2015
Os desafios do mercado norte-americano
OJE, 6.3.2015
"Mercado de sonho" para empresários que encaram o "Dream Big"
muito a sério
OJE, 6.3.2015
Exportações de medicamentos para os EUA disparam em 2014
OJE, 6.3.2015
14
CAESE março 2015
Comentário Paulo Preto dos Santos (Energia): "Mais eficiência
energética para quê?"
AmbienteOnline, 5.3.2015
Só em 2095 haverá igualdade de género no mercado de trabalho
economico.pt, 2.3.2015
Conselhos para garantir a subida na carreira
Diário Económico, 02.03.2015
Só em 2095 haverá igualdade de género no mercado de trabalho
Diário Económico, 2.3.2015
Futuro da banca - Pt.1
in ETV – Comissão Executiva, 27.2.2015
Intervenções do Prof. Diogo Santos Ribeiro
00:08:06 – 00:10:40
00:18:07 – 00:22:32
Pt.2
00:07:15 – 00:11:42
00:19:11 – 00:21:14
Economias emergentes é tema de livro da FEDRAVE
Diário de Aveiro, 26.2.2015
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PANORAMA
Solidariedade com lucro, porque não?
“Depois de mim, o dilúvio” foi,
além da expressão de desdém de
um monarca francês, a máxima de
alguns empresários durante muito
tempo. O problema foi fazer dinheiro, maximizar lucros sem se
importarem demasiado, por exemplo, com consequências ambientais ou a promoção da pessoa.
15
CAESE março 2015
A perceção de que esta dinâmica
é insustentável, e de que cada
investimento deve, além de garantir um proveito ao investidor,
contribuir para o bem-estar do
destinatário, para a sua realização
pessoal e para o desenvolvimento
da sua comunidade, ganhou força
nos últimos anos através da fórmula do Impact Investing (investimento de impacto).
A Global Impact Investing Network
(GIIN) define o conceito como investimentos em empresas, organizações e fundos, encaminhados
para gerar um impacto social e
ambiental naquilo que os especialistas chamam a “base da
pirâmide”, essa enorme massa de
4 000 milhões de pessoas que
vivem com menos de oito dólares
diários, ao mesmo tempo que se
garante o retorno do capital e lucros razoáveis.
Não se trata de Robin dos Bosques, de colocar em cada mão
uma moeda para comprar pão e
desaparecer na floresta, não: neste caso, “Robin”, a saber, as instituições e figuras interessadas em
combater a pobreza, convocam
para esse objetivo colaboradores
de grande dimensão, como os
grandes bancos, ou atores mais
modestos (O Conselho de Investidores da GIIN agrupa instituições
bancárias como o Deutsche Bank,
o J.P. Morgan, o Crédit Suisse,
etc., e entidades como as fundações Bill & Melinda Gates,
Rockefeller, Ford, o grupo Goldman Sachs, e o Exército de Salvação Holandês, entre outros), para disponibilizarem fundos a investir em projetos de agricultura sustentável, habitações dignas, cuidados de saúde, tecnologias limpas,
serviços financeiros, etc., onde os
destinatários sejam gestores e beneficiários, e dos quais se obtenham margens de lucro aceitáveis, não desmedidas.
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Segundo dados oferecidos pela
web do congresso “Investir nos
Pobres” (em 16 e 17 de junho de
2014), organizado pela Santa Sé
(Pontifício Conselho Justiça e
Paz), estima-se que 8 000 milhões
de dólares estão a ser investidos
neste mesmo momento a gerar
impactos positivos nas comunidades pobres.
16
CAESE março 2015
Seria o dinheiro ao serviço do ser
humano, e não o inverso, segundo
a incansável exortação do Papa
Francisco ao mundo dos negócios. No seu discurso aos participantes do evento, que contou
como oradores representantes do
G-8, da Agência dos EUA para o
Desenvolvimento
Internacional
(USAID) e do Goldman Sachs,
entre outros, o bispo de Roma
afirmou que “a lógica destas
formas inovadoras de intervenção
é aquela que reconhece o laço
original entre lucro e solidariedade, e a existência de um círculo
fecundo entre ganhar e doar”.
Vários fatores impulsionaram o
Impact Investing, e um deles é o
reconhecimento de que os recursos com que se conta para eliminar a pobreza extrema, a desigualdade e o empobrecimento do
ambiente natural, são à partida
insuficientes. Com a crise económica global, os países industrializados cortaram nos seus orçamentos, e a ajuda ao desenvolvimento, já em si exígua – deveria
ser de 0,7 % do PIB de cada país
rico, e são poucos os que chegam
a essa meta –, é a primeira vítima
ao se ajustarem défices e dívidas.
Os privados, necessariamente,
têm de assumir também as suas
responsabilidades.
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A crise, além disso, difundiu uma
mentalidade mais propensa para
medir os riscos das decisões
económicas, e para investir aquilo
que se tem, com a certeza de que
os recursos se esgotam, de que
nem sempre estarão ao alcance
da mão.
Assim, talvez uma das orientações mais interessantes que definem esta modalidade, ao contrário
de certas políticas desenvolvimentistas que não têm em conta as
consequências a longo prazo, seja
a avaliação das repercussões que
tem cada investimento no âmbito
social e ambiental. “Medir o impacto ajuda a assegurar a transparência e a responsabilidade” explica a web da GIIN -, “e é
essencial para configurar o campo
de ação”.
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Desta forma, os atores envolvidos
nos investimentos diagnosticam
as necessidades reais de cada
comunidade e avançam com os
recursos em função de projetos
concretos. No Quénia, por exemplo, o Banco Africano de Desenvolvimento financiou, com a ajuda
de investidores e do governo
local, uma rede de energia eólica
na região do lago Turkana (Noroeste), no valor de 115 milhões
de dólares, a qual fornece de
eletricidade zonas muito remotas
do país, ao mesmo tempo que
embaratece os custos aos consumidores que já dispunham do
serviço.
17 CAESE março 2015
Na Índia, entretanto, a Spring
Health, uma empresa de gestão
da água estabelecida em 2010,
está a fornecer água potável a
170 núcleos de população rural
através dos proprietários de estações de bombagem. O líquido,
que é purificado no ponto de
venda através de uma técnica de
cloração muito económica, chega
já a 85 000 consumidores e espera alcançar 100 milhões numa década. O prognóstico é que começará a obter lucros líquidos dentro
de poucos anos.
É essa a ideia que pode “fazer
enamorar” os doadores: que o
dinheiro não caia em saco roto,
mas que sirva para gerar ganhos
e que, por sua vez, quem ontem
dependia de um avião lhe lançar
um saco de trigo, hoje possa
adquiri-lo como cliente, com o
salário obtido naquela empresa
que um dia fez singrar para lhe
mudar a vida. “Há alguns investidores por aí” – refere Rajiv Shah,
administrador da USAID – “que
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estão à procura de uma remuneração económica pelo seu investimento, mas também assegurar
que os fundos colocados por eles
em jogo, estão a servir para aliviar
a pobreza e o sofrimento”.
No investimento de recursos “nos”
pobres e “com” os pobres, é
possível detetar alguns valiosos
ecos do ensinamento da doutrina
social da Igreja. O reconhecimento do ser humano como devedor
da sua sociedade, de cujos avanços científico-técnicos, culturais e
de outras ordens é beneficiário,
deve impulsioná-lo a retribuir, a
ser generoso na sua disponibilidade para servir os mais desfavorecidos, e a implementar de
alguma forma a sua ação social.
“Com os anos, da doutrina social
emergiram conceitos inovadores e
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mecanismos em resposta à necessidade de suprir as necessidades dos seres humanos e
promover o desenvolvimento”, explica o P. Seamus Finn, dos
Missionários Oblatos de Maria
Imaculada, orador no evento do
Vaticano. “O envolvimento das
paróquias e das comunidades de
fé na criação de fundos de crédito
e de cooperativas é um exemplo
específico das variantes que surgem nesta tradição”, acrescenta.
18
CAESE março 2015
Na sua opinião, o Impact Investing
está ainda na sua “infância”,
embora os seus termos e conceitos estejam a ser rapidamente
adotados, e haja uma práxis em
andamento. A sua própria Missão
participa de algumas iniciativas,
como o fundo de investimento
privado 8 Miles, que se centra em
países africanos com governos
sólidos e democráticos, e que
desfrutam de um clima favorável
ao investimento estrangeiro. Aí, os
seus objetivos de apoio e transformação são o mercado agrícola,
a energia, os serviços de saúde e
farmacológicos, as telecomunicações e os transportes, entre outros.
“Acreditamos” – diz o P. Seamus –
“que podemos dar uma contribuição positiva nesses setores. Também temos um investimento no
fundo MicroVest (um dos primeiros fundos de microcréditos nos
EUA), que deverá ter impacto social positivo, e a implementar em
África e na América Latina”.
O apoio às iniciativas de desenvolvimento integral pode, explica,
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assumir diferentes modalidades,
segundo foi possível constatar no
evento romano de Impact Investing: “Existem muitos tipos de
fundos e mecanismos de financiamento. Podem ser fundos de empréstimo, fundos de investimento,
fundos de risco. Alguns operam no
âmbito do micro financiamento,
outros na saúde, outros no apoio
às PMEs locais, outros na agricultura, e assim por diante”.
Do que se trata é de dar lugar a
um “capitalismo do bem comum”
que, na opinião do P. Seamus,
“pode abraçar simultaneamente
os conceitos de solidariedade e de
lucro, numa perspetiva criativa”.
A. R.
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PANORAMA
EUA: A universidade, mais acessível
do que se afirma
A subida das propinas nas universidades dos EUA deram muito que
falar nos meios de comunicação
social. No entanto, os títulos frequentemente não tiveram em
conta que uma coisa são os
preços oficiais publicados pelas
universidades e outra o custo real
para o bolso do estudante.
19
CAESE março 2015
Concretamente, como explicava
Judith Scott-Clayton num blogue
económico do “The New York
Times” (“College Is Cheaper Than
You Think”, 4.11.2011), apenas
um terço dos estudantes universitários (bachelor’s degrees) a
tempo inteiro, pagam o custo
oficial do curso. Assim, nos pro-
gramas de quatro anos, que agrupam uma maioria dos estudantes
universitários, o preço real nem
sequer chega a 50 % do publicado. Em concreto, e segundo dados do College Board – reputada
instituição que presta assessoria
tanto a estudantes como a universidades –, o aluno de uma
instituição pública pagou em
média 3 120 dólares, pelos 8 890
dólares que foi o preço médio
oficial; nas privadas, a diferença
foi ainda maior: dos 30 000 dólares oficiais para os 12 400 dólares
reais.
A diferença entre ambos os preços tem aumentado nos últimos
anos, ao mesmo tempo que crescia o alarme social pelos exorbitantes custos universitários. Desde o ano letivo de 2003/4, o preço
médio numa universidade privada
aumentou 25 %, mas o custo real
baixou 8 %.
Nas públicas, embora o custo real
a pagar seja muito menor do que
nas privadas, aumentou a um
ritmo maior do que os preços
oficiais; ainda assim, no último
ano letivo, o custo real foi apenas
1 200 dólares superior ao de há
dez anos, mesmo que se tenha de
levar em conta que a média de
rendimentos por lar caiu outros
1 000 dólares desde então.
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De qualquer forma, existe hoje
uma diferença de quase 5 800
dólares entre o preço oficial e o
real de um curso nas universidades públicas, e de mais de
17 000 dólares nas privadas.
20
CAESE março 2015
Como é coberto o preço restante?
Em grande parte, com as ajudas
estaduais ou federais. O aluno
universitário médio (de um programa de quatro anos) recebe
6 500 dólares por ano em bolsas
de estudo, e outros 1 000 dólares
mais por benefícios fiscais. Entre
estas últimas ajudas, destaca-se a
expansão do programa American
Oportunity Tax Credit, que proporciona isenções de até 2 500
dólares consoante o nível socioeconómico do estudante. Se se
descontarem os vários subsídios,
verifica-se que os estudantes das
universidades privadas pagam
efetivamente 1 140 dólares a menos que dez anos atrás. E tudo
isto sem ter em conta os programas de dois anos, onde as
ajudas – nas universidades públicas, em que predomina a grande
maioria destes programas – superam em mais de 1 500 dólares o
preço das propinas.
Os meios de comunicação social,
comenta Scott-Clayton, tendem a
fixar as suas atenções nas universidades de ponta, onde as
matrículas são muito caras, e
negligenciam essas atenções para
com os programas de dois anos
onde se encontram matriculados
entre 40 % e 45 % dos que constituem a população universitária
do país. Isto explica que, como
demonstram os inquéritos, os
norte-americanos tendam a exagerar o preço das propinas.
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Para calcular o preço total de se
estudar numa universidade, deve
ter-se em conta o chamado “custo
de oportunidade”: o que se deixa
de ganhar por não se estar a
trabalhar. A competitividade e precariedade do mercado laboral
durante a crise fez com que este
custo seja menor do que há dez
anos. Por isso, Derek Thompson
refere em “The Atlantic” (“How
College Is Like Sunscreen”,
24.6.2014) que o sacrifício económico que hoje se faz para estudar
numa universidade pública é
8 000 dólares menor do que em
1970; 15 000 dólares menor se
se estudar num privada. Não
obstante, mais uma vez se tem de
ter em conta que os rendimentos
médios dos lares norte-americanos, ajustados à inflação, desceram quase 5 000 dólares desde
o ano 2000 até 2012.
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Como analisa um relatório da
Brookings Institution (“Is a Student
Loan Crisis on the Horizon?”, June
2014), desde 1992 a 2010, a
dívida média dos lares por créditos universitários aumentou em
18 000 dólares; mas também, no
mesmo período, os rendimentos
médios anuais por lar cresceram
7 400 dólares. O aumento na
dívida seria compensado por dois
anos e meio de rendimentos.
mento da dívida deve-se simplesmente ao facto dos norte-americanos estarem a estudar mais, e
sobretudo programas de pós-graduação. Com efeito, a dívida
média destes estudantes multiplicou-se por quatro desde o início
dos anos 90 (de 10 000 dólares
para 40 000 dólares), enquanto
que a dos graduados com um
bachelor’s degree cresceu muito
menos, de 6 000 dólares para
16 000 dólares. Continua a ser um
número significativo, mas este dado matiza consideravelmente o
que se encontra em todos os
títulos: que a dívida média do
estudante universitário norte-americano ronda os 30 000 dólares.
Por outro lado, embora se tenha
falado muito da subida das propinas ou dos juros para devolver os
empréstimos, um quarto do cresci-
As condições de pagamento, em
geral, melhoraram, sobretudo nos
prazos; daí que, apesar do aumento da dívida, a percentagem
Na dívida, que também gerou títulos alarmantes nos meios de comunicação, uma análise mais contextualizada demonstra ter-se desenhado algo mais alarmante do
que sugerem os dados.
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CAESE março 2015
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dos rendimentos mensais que o
licenciado médio dedica a pagar
se tenha mantido estável desde o
início dos anos 90.
Cada vez há mais licenciados a
trabalharem em postos abaixo da
sua qualificação, o que levou alguns a interrogarem-se se vale a
pena estudar um curso. No entanto, explica Derek Thompson, um
diploma universitário atua como
um protetor solar: quando mais
pega o Sol (quanto mais dura é a
crise), o protetor parece não fazer
nada, mas nesse momento é mais
imprescindível do que nunca. Basta comparar com os que não o
possuem. No caso da universidade, os que têm um bachelor’s
degree continuam a ganhar, em
média, 75 % mais do que quem
abandona os estudos no final do
ensino secundário.
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PANORAMA
“Las 6 decisiones más importantes de tu vida”
“The 6 Most Important Decisions
You’ll Ever Make”
Autor: Sean Covey
Palabra. Madrid (2014).
329 págs.
22
CAESE março 2015
Sean Covey, filho do famoso autor
de “The seven habits of highly
effective families” (“Los siete
hábitos de la gente altamente
efectiva”, na edição espanhola da
Ed. Palabra), decidiu difundir os
ensinamentos de seu pai e
adaptar os sete pilares da pessoa
madura aos problemas da infância, da adolescência ou da família.
Num momento como o atual, onde
prolifera o coaching sério, mas
também um rentável merchandising da autoajuda ridícula, é
bom recordar pioneiros sérios
que, como Covey, reivindicaram
uma conceção clássica da virtude
e a importância de formar o
caráter para conseguir uma existência plena, e divulgaram estas
ideias com uma linguagem moderna e atraente para o homem de
hoje.
“Las 6 decisiones más importantes de tu vida” é um manual que
ajuda a que o jovem amadureça e
tome consciência de que é um ser
livre e que está nas suas mãos
desenvolver todo o seu potencial,
mas também desperdiçá-lo deixando-se levar pela moda, por
aquilo que é agradável ou pelo
arbitrário. Neste sentido, explica-lhe que todas as suas ações
determinam, de uma ou de outra
forma, o seu futuro e, portanto, a
sua felicidade. Nessas circunstâncias, o livro constitui uma
chamada de atenção que vai
incitar o adolescente a sair da sua
comodidade, do conformismo ambiental ou mediático e da impostura rebelde. Tomando como base
os hábitos que o seu pai popularizou, Covey encoraja o leitor a
pensar no médio e longo prazo e
a não restringir a sua reflexão ao
mais imediato.
O livro convida a exercitar uma
liberdade responsável, mas concretiza e pormenoriza como esse
ideal se põe em prática. Analisa
as decisões que se podem tomar
nos âmbitos em que decorre a
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vida do adolescente; concretamente, incita-o a pensar o que é
que pretende da escola, dos seus
amigos ou dos seus pais, avaliando os prós e os contras e as
virtudes que se podem desenvolver; clarifica o que são as relações
sentimentais, como enfrentar as
dependências – o tabaco, as drogas, mas também a pornografia –
e os meios para as vencer e, por
último, a forma de construir uma
sã autoestima.
A ideia de fundo não é dizer-lhe o
que deve fazer, o que provocaria
rejeição ou receio no jovem, mas
que seja capaz de o descobrir por
si mesmo, treinando-o na prática
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CAESE março 2015
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da prudência e do deliberar. O
livro é premeditadamente descontraído, afasta-se claramente das
reprimendas e evita esse tom
condescendente em que incorrem
às vezes os adultos ao falarem
com os adolescentes. Está repleto
de divertidas ilustrações e exige
uma leitura ativa, pois propõe
atividades e perguntas. É ao mesmo tempo muito formativo. Pode
ser um recurso eficaz e um
interessante complemento na
tarefa educativa da família e da
escola.
J. D.
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DOCUMENTAÇÃO
Festivais de ideias para melhorar
o debate político
A 100 dias das eleições gerais na
Grã-Bretanha, o festival de ideias
“Change: How?” reuniu em Londres 500 pessoas que querem
devolver à sociedade britânica a
confiança no processo democrático. Os eventos deste tipo, patrocinados por empresas, universidades e jornais, destacam a contribuição que a sociedade civil pode
dar ao debate político e à mudança social.
24
CAESE março 2015
“É ano de eleições gerais. Seja
qual for a sua tendência política, o
futuro apresenta-se cinzento. A
apatia é uma epidemia”, lamenta a
web de “Change: How?” tendo em
conta algumas estatísticas. Mas
as coisas podem mudar: “Venha
disposto a dar a sua contribuição.
Venha disposto a adotar medidas.
Venha disposto a deixar-se inspirar por formas imaginativas de
ocupar o nosso futuro”.
Por detrás desta reclamação está
a mensagem chave do festival:
num momento de desencanto com
a política, a sociedade civil deve
envolver-se mais e pensar soluções para os problemas de todos.
O festival, realizado no domingo 8
de fevereiro, começou pelo meio-dia. Durante seis horas falaram
100 oradores distribuídos por várias salas. A maioria era constituí-
da por empreendedores sociais,
ativistas, pensadores e escritores.
Além disso, os assistentes tinham
a opção de participar em leituras
poéticas, concertos e espetáculos
cómicos… impregnados de reflexões sérias.
Pensar é perigoso
Que as ideias podem sacudir o
statu quo e alterar a realidade é
algo que foi claro para os intelectuais de todas as épocas. Disse-o genialmente Joseph Joubert
numa das suas sentenças: “Um
pensamento é algo tão real como
uma bala de canhão”. E Oscar
Wilde repetiu-o à sua maneira:
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“Uma ideia que não seja perigosa
não merece o nome de ideia”.
A confiança no poder transformador das ideias está a inspirar
fóruns de debate em países
anglo-saxónicos como Inglaterra,
Escócia, Austrália, Estados Unidos ou Canadá. Pode-se estar
mais ou menos de acordo com as
abordagens que propõem, mas o
método é atraente: em face do
pragmatismo dos programas eleitorais, estes festivais oferecem
tempo para refletir mais profundamente sobre temas políticos e
sociais.
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CAESE março 2015
No Canadá, o “The Festival of
Dangerous Ideas: Food For
Thought” aspira a provocar mudanças sociais na indústria alimentar através da música, da arte
e do debate. Aqui a expressão
“ideias perigosas” é utilizada em
sentido ambivalente: perigosas
são, na opinião dos organizadores, as propostas que ameaçam
o ambiente e a saúde humana:
desde os alimentos transgénicos
até aos pesticidas. E perigosas
são também – por motivo diverso
– as ideias que põem em causa o
pensamento dominante para impulsionar um sistema alimentar
justo.
Responder ao politicamente correto é o objetivo do festival “The
Battle of Ideas”, organizado em
Londres pelo Institut of Ideas com
o apoio da web “Spiked”, entre
outros parceiros. Este fórum de
debate analisa temas controversos atuais, enfrentando o “liberalismo intolerante” que silencia
qualquer crítica pública à ortodoxia estabelecida.
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Tanto o Instituto como o festival
nasceram “da frustração perante a
pobreza do debate público”, explicou ao “El Mundo” (“La ‘batalla’ de
las ideas”, 6.1.2013), Claire Fox,
fundadora do Institut of Ideas.
“Não se pensa suficientemente
sobre o que se está a passar. Há,
além disso, uma tendência perigosa para simplificar os grandes
problemas e para se entrincheirar
nas velhas divisões políticas”. E
dá como exemplo a dicotomia
austeridade vs. crescimento, muito explorada durante a crise
económica. “É muito fácil declarar-se contra a austeridade e a favor
do crescimento, mas quando chega a hora da verdade e numa
situação tão crítica, as decisões
não são tão simples como escolher entre o preto e o branco”.
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As transgressões abençoadas… e as de verdade
Há ideias que podem ser apresentadas como transgressoras e
que, no entanto, não passam de
tópicos de domínio público. Aconteceu na primeira edição do
“Festival of Dangerous Ideas”,
realizado há cinco anos na
Austrália. Christopher Hitchens,
um dos representantes mais
agressivos do novo ateísmo, deu
uma conferência sob o título
provocador “A religião envenena
tudo”. Mas como explica Kathy
Gilsinan em “The Atlantic” (“Can
an
Idea
Be
Dangerous?”,
31.8.2014), o conteúdo não conseguiu escandalizar demasiado.
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CAESE março 2015
Mais audaciosa se tornou a intervenção de Kajsa Ekis Ekman no
festival realizado em agosto pas-
sado na Ópera de Sidney. Esta
jornalista e ativista sueca defendeu a ideia de que as barrigas de
aluguer são uma forma de exploração similar à prostituição:
ambas as práticas vendem o corpo da mulher e ambas permitem a
outros lucrarem à custa de
mulheres pobres.
Outras vezes, os organizadores
deste tipo de eventos dissecam
ideias com as quais não estão de
acordo, mas que consideram merecedoras de atenção. Uma forma
de neutralizar as suas consequências é trazê-las à luz do dia e
submetê-las a escrutínio público.
Realmente perigoso seria não
discuti-las sob o pretexto de que
“ofendem” alguém.
“As autoridades não são as únicas
que nos proíbem pensar isto ou
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dizer aquilo. A frase ‘é ofensivo’
converteu-se no grito de moda
dos censores de hoje”, diz Claire
Fox, na web do Institut of Ideas.
Por isso, o festival que organiza
pretende ser “um antídoto contra
este clima de censura, suscitando
perguntas difíceis, em vez de
repetir respostas fáceis ou silenciar opiniões com as quais não
estamos de acordo”.
Com o apoio da imprensa e da
universidade
O “Bristol Festival of Ideas”, que
dura todo o mês de maio, é um
exemplo de como este tipo de
eventos contribui para elevar o
nível cultural de uma cidade. Um
grupo de empreendedores e artistas arrancou com ele há 11 anos
e, desde então, gerou mais de
2 000 eventos, assim como um
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festival de livros, outro de economia e outro sobre temas sociais
para pessoas jovens.
Entre os patrocinadores do festival
há duas universidades, o município e outras organizações. Um
dos seus aliados mais importantes
é o “The Observer”, o jornal
dominical geminado ao “The
Guardian”. Além disso, o “The
Observer” conta desde o ano passado com o seu próprio festival de
ideias no Barbican Center de
Londres.
Outro meio de comunicação social
britânico que se juntou à sequência dos festivais de ideias é a
BBC, patrocinadora juntamente
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CAESE março 2015
com outras entidades do “Cambridge Festival of Ideas”. Por seu
turno, a revista “The New Statesman” é, desde 2014, um dos
parceiros do “Cambridge Literary
Festival”.
Nos Estados Unidos, goza de
grande prestigio o “Aspen Ideas
Festival”, que reúne no Colorado
especialistas mundiais sobre tendências sociais, política, arte,
educação, ciência… (“Aceprensa”,
“Nosotros,
los
moderados”,
12.7.2012).
Uma iniciativa mais jovem é “The
Imagination Festival”, o primeiro
evento deste tipo organizado na
Escócia. Na primeira edição, reali-
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zada em 2014, um dos temas
mais candentes que abordaram foi
o referendo sobre a independência.
Como se vê, a temática dos
festivais de ideias é variada. Mas,
em geral, o fundo é o mesmo: a
sociedade civil não pode ficar de
braços cruzados à espera que os
políticos resolvam todos os problemas; é necessário igualmente
que os cidadãos reflitam sobre
eles e se decidam a influir no seu
raio de ação.
J. M.
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DOCUMENTAÇÃO
Podemos: novos rostos, velhas ideias
28
Em Espanha, a aspiração de
renovar a esquerda tornou-se
visível com a ascensão do
Podemos após as eleições europeias, nas quais se converteu no
quarto partido com 7,9 % dos
votos. E as sondagens mais
recentes situam-no como primeira
força política em intenções de
voto, rompendo a tradicional
bipolarização partidária entre PP e
PSOE. A formação liderada por
Pablo Iglesias reivindica um novo
modo de fazer política. Mas a
maioria das suas propostas para
trazer a mudança, continua
ancorada em velhas ideias de
esquerda.
CAESE março 2015
Os bons resultados obtidos pelo
Podemos nas últimas sondagens
refletem que está a conseguir a
adesão de muitos cidadãos fartos
da corrupção, do desemprego, da
crise e de um sistema dominado
pelo bipartidarismo. Mas também
lhe vieram dar uma dose de realidade: com mais possibilidades de
governar, tem vindo a aproximar-se do centro político.
Na ausência de um programa
definido, Iglesias começou a suavizar o exposto nas europeias,
onde abundavam a falta de clareza e os objetivos que não especificavam o como. “Fizemo-lo muito
rapidamente e empurrados por
uma onda de esperança que nos
obrigou a voar”, admite. Já não
fala de não pagar a dívida, mas de
reestruturá-la. E insiste em que
antes era um programa para outras eleições e que agora virá algo
novo.
A sociedade, em luta
A “Asamblea Cuidadana ‘Sí se
puede’”, fechada a 15 de novembro, depois de um longo processo
em que foram votados documentos e candidatos em listas
abertas, mostra que o Podemos
levou a sério a vontade de escutar
as suas bases. Neste sentido,
distancia-se do estilo habitual dos
grandes partidos de esquerda e
de direita, “a casta” na linguagem
de Iglesias, expressão tomada da
terminologia política de Itália.
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A participação dos cidadãos foi
precisamente o grande trunfo do
Podemos para articular o seu discurso de confronto entre as pessoas e a casta. “São os cidadãos
que têm de decidir, não a minoria
egoísta que nos trouxe até aqui”,
lia-se no manifesto que lançou as
bases, em janeiro de 2014, para
articular a candidatura do Podemos às europeias (“Mover ficha:
convertir la indignación en cambio
político”. O texto deste manifesto
foi publicado pelo diário “Público”
de 14.1.2014).
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CAESE março 2015
Herdeiro político dos “indignados”
do 15M e gerido por pessoas
ligadas ao partido Izquierda Anticapitalista, ao movimento Juventud sin Futuro e por antigos simpatizantes da Izquierda Unida (o
próprio Iglesias colaborou nas
suas campanhas de comunicação), o Podemos quis distanciar-se da “casta” construindo uma
formação aberta e democrática.
Mas este novo “impulso democratizador” não significa que haja
rompido com a visão marxista da
sociedade como conflito de interesses económicos. A dialética
entre as pessoas e a casta não é
senão a enésima repetição da
retórica “oprimidos contra opressores”, para a qual também tem
apontado a nova onda de líderes
populistas latino-americanos de
esquerda (cfr. “Aceprensa”, “Populismo: el hartazgo de las masas”,
27.5.2014).
O admirável processo deliberativo
utilizado na assembleia muito
menos impediu as lutas de poder
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interno, embora no final Pablo
Iglesias tenha levado a água ao
seu moinho (88 % dos votos), com
a sua proposta de um secretário-geral em vez de uma direção
coletiva.
Longe da esquerda europeia
Desde os tempos do Novo Trabalhismo de Tony Blair, a social-democracia europeia tem-se esforçado em procurar “uma sinergia
entre os setores públicos e privados, aproveitando o dinamismo
dos mercados, mas tendo em
conta o interesse público”, nas
palavras do sociólogo britânico
Anthony Giddens (“La tercera vía.
La renovación de la socialdemocracia”. Taurus, Madrid, 1999, pp.
119-120).
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A aspiração a uma terceira via que
articule o papel do Estado, do
mercado e da iniciativa social
encontrou eco em Gerhard
Schröder, que assinou com Blair
uma declaração comum. Ambos
reconheceram que “a crença de
que o Estado deveria responder
aos fracassos do mercado leva
com demasiada frequência a uma
expansão desproporcionada do
alcance do governo e da burocracia que acarreta” (Tony Blair e
Gerhard Schröder, “The Third Way
/ Die Neue Mitte”, Declaração
Conjunta de Política para a
Europa, 8.6.1999, Londres).
30
CAESE março 2015
Mas a formação de Pablo Iglesias
virou as costas a esta evolução da
esquerda, declarando guerra ao
privado. E assim, o seu programa
das europeias (“Documento Final
del Programa Colaborativo”) declara que “se irão revogar todas
as leis, diretivas, ordens e decretos que tenham implicado a privatização direta ou indireta dos
serviços públicos essenciais”.
E quais são os serviços públicos
essenciais? Quer isto dizer que a
saúde pública não poderá encaminhar pacientes para a privada
de modo a reduzir listas de
espera, ou que um município não
poderá contratar o serviço de
limpeza a uma empresa privada?
Mais Estado e menos liberdades
O objetivo do Podemos de recuperar o “controlo público nos setores estratégicos da economía”
vai na línha de engordar o Estado
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Providência. O mesmo se passa
com a concessão de novas prestações sociais que, além disso,
seriam acompanhadas do “direito
a um rendimento básico para todos” (embora falte saber como se
financiaria).
É o contrário das novas ideias
avançadas pelo centro-esquerda
na Grã-Bretanha e na Holanda
para reformar o Estado Providência (cfr. “Aceprensa”, “Dos propuestas de izquierda para repensar el Estado del bienestar”,
26.9.2013). Ou, na Europa do Sul,
pelo pragmático Manuel Valls e
pelo popular Matteo Renzi (ver
artigos em “Aceprensa”).
Mesmo o líder trabalhista Ed
Miliband, mais próximo do estatismo de Gordon Brown do que da
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social-democracia de Tony Blair,
advoga (“Ed Miliband fightback
speech in full”, “Politics.co.uk”,
13.11.2014) combater com realismo a desigualdade social para
não comprometer ainda mais o
défice público: “Gastar muito não
resolverá o problema de uma
economia que não funciona para
os trabalhadores”. Miliband, conhecido como “Ed o Vermelho”,
quer que os trabalhistas sejam
encarados como “criadores de
riqueza e não só como redistribuidores”.
31
CAESE março 2015
O Podemos muito menos é
original quanto à promoção de
certos “direitos” de inspiração libertária: aborto com financiamento público, “morte digna”, “diversidade sexual”… Paradoxalmente, estas promessas não são
acompanhadas por mais liberdades para aqueles que pensam de
forma diferente. Num livro-entrevista com o jornalista Jacobo
Rivero, “Conversación con Pablo
Iglesias”, o líder do Podemos
anuncia a sua intenção de estabelecer “mecanismos de controlo
público” para os meios de comunicação.
Na mesma linha, o programa do
partido de cor roxa (o Podemos)
promete a “paralização dos processos de privatização da educação e de todos os serviços escolares”, assim como a “eliminação de
qualquer subsídio e ajuda ao ensino privado, incluindo a modalidade de concertação”.
Estas propostas casam mal com a
grande esperança de Pablo Igle-
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sias de impulsionar a participação
dos cidadãos. Surge a dúvida de
se a promessa de mais “democracia real” não estará reservada
aos estreitos círculos do Podemos.
Até agora, a jovem formação tem
sido mais um partido de protesto
do que um partido com propostas
de governo. O seu apoio tem
vindo a crescer entre o eleitorado
de esquerda, mas o radicalismo e
a indefinição das suas propostas
prejudica-o perante um eleitorado
de centro. Iglesias diz que “o
Podemos não é uma experiência
política”, e que não se deve agitar
o medo. Mas o facto de carecer
de momento de um programa, não
facilita que seja visto como gente
séria.
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Inovador foi o Tea Party
Atacar o establishment não é
monopólio da esquerda. O lema
do Podemos no Twitter parece-se
demasiado com o “We the People”
que ainda hoje é cantado pelo Tea
Party. “Está na hora de se escutar
a voz das pessoas”, diz o perfil de
@ahorapodemos.
De facto, o processo coletivo do
Podemos para adotar decisões
não é tão original como se pensa.
Também a injuriada National Tea
32
CAESE março 2015
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Party Federation usou este método em 2010 para elaborar a
declaração “Contract from America”, à qual aderiram muitos tea
partiers. O texto original apresentava uma lista de 1 000 propostas
e, a partir de um processo de
votação online, os seus simpatizantes foram escolhendo até ficarem com dez (cfr. “Aceprensa”,
“¿Por qué importa el Tea Party?,
6.10.2010).
também estabeleceu um precedente. Tal como Iglesias, que
apresentou “La Tuerka” primeiro
no “Canal 33” e depois no
“Público”, a antiga governadora do
Alaska teve o seu próprio programa no canal de televisão “Fox
News”, entre 2010 e 2013. A apaixonada convergência entre Palin e
a Fox durante esses anos, recorda hoje a do Podemos e do canal
televisivo “La Sexta”.
A ativa presença na televisão de
Sarah Palin, estrela do Tea Party,
J. M.
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17.mar.2015 N.647