17.jun.2014 N.629 NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO NOTÍCIAS Multicanalidade e Big Data: os benefícios de uma gestão integrada Média Motivar na incerteza PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR PANORAMA DOCUMENTAÇÃO O Google Livros não infringe os direitos de autor Uma população em declínio AGENDA Curso "As parábolas do Evangelho" | A parábola do bom samaritano: a exigência da caridade Lisboa, 20 de junho de 2014 Abordagens estratégicas fundamentais para operar nos mercados estrangeiros Cooperação é a palavra de ordem no setor agrícola e agroindustrial AESE participa em seminário sobre conciliação entre trabalho e família nas empresas Um Nobel acusa as principais revistas científicas “Ou trabalhas, ou vais-te embora” Como enfrentar a crise de forma diferente Lisboa, 24 de junho de 2014 A Direção de empresas e a transformação social Lisboa, 25 de junho de 2014 Como não enfrentar o assédio na escola Como ajudar a minha equipa a crescer? Lisboa, 26 e 27 de junho de 2014 Mais do que negociar com eficácia “Liberalismo, catolicismo y ley natural” Lisboa, 1 a 3 de julho de 2014 Finanças para Não-Financeiros www.aese.pt 7, 14, 21 e 28 de julho de 2014 ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR Lisboa, 28 de maio de 2014 Breakfast seminar para Alumni do PADE e amigos Multicanalidade e Big Data: os benefícios de uma gestão integrada "Multicanalidade" e "Big Data" são temas que pela sua transversalidade, potencialidade de crescimento e rentabilidade do negócio se devem colocar no topo da agenda do CEO, nos dias de hoje. António Bernardo, Managing Partner e Member of Global Executive Committee da Roland Berger, explicou as vantagens da multicanalidade, esclarecendo um conjunto de dogmas que lhes estão associados. 2 CAESE junho 2014 “Nos últimos 3-4 anos, em Portugal tem-se pensado muito na otimização de custos, de capital, mas tanto eu como a Roland Berger achamos que é o momento de começar a pensar no top line. Na nossa ótica, a multicanalidade é um driver de crescimento, é um enable de rentabilidade e de retenção e aumento de satisfação dos clientes. Este é um tema transversal e cobre vários setores de atividade.” Para explicar as vantagens do online e offline, António Bernardo apresentou os resultados de um estudo sobre a matéria. As vendas online estão a crescer, apesar de haver por parte de alguns consumidores uma fidelidade à loja. O critério mais importante na tomada de decisão de uma compra online não se baseia apenas no preço; na verdade, a rapidez e a comodidade associadas à receção do produto são muito valorizadas. O touch and feel é um fator muito relevante na diferenciação e contribui na equação do consumo online ou offline. E ambos os »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO canais são inclusivamente complementares como área de show room. A grande conclusão avançada por António Bernardo consiste no facto de a multicanalidade ser a única forma das empresas se tornarem competitivas, uma vez que haja gestão integrada de canais de venda, tirando o máximo proveito da tecnologia para a consecução dos resultados estratégicos das empresas. 3 CAESE junho 2014 “A Big Data é a nova matéria prima para o negócio: o benefício do baixo custo de processamento e a tecnologia que as empresas têm à disposição, permite serem mais eficazes, sabendo como é o comportamento de compra do cliente: o quê, como, quando e porquê consome. Conseguem-se fazer segmentações mais eficazes que permitem potenciar o desenho de uma oferta mais inteligente, um pricing mais adequado, o que tem um grande impacte no crescimento e na rentabilidade do negócio, na redefinição estratégica e na organização da empresa. Avaliando a informação existente, com a Big Data redefinimos a segmentação dos clientes, estipulamos para cada segmento a oferta, o pricing, o merchandising e os canais a adotar. A Big Data confere a capacidade às empresas de gerir o custumer life cycle value, PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR a percentagem que temos nas compras do cliente, a duração da relação com o consumidor e a fidelização do mesmo.” Após a intervenção, seguiu-se um período de perguntas dirigidas pelos participantes ao orador. ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR Lisboa, 27 de maio de 2014 Sessão de continuidade em Lisboa Abordagens estratégicas fundamentais para operar nos mercados estrangeiros O Prof. Adrián Caldart foi o orador convidado pelo Agrupamento de Alumni da AESE, para conduzir uma sessão de continuidade sobre “Estratégias de internacionalização”, no dia 27 de maio de 2014, em Lisboa. Numa breve entrevista, o Professor Caldart destacou as principais formas de acrescentar valor, através da internacionalização das empresas. 4 CAESE junho 2014 “Existem essencialmente 3 estratégias genéricas para abordar os mercados internacionais. A primeira acontece quando tentamos projetar nos mercados internacionais os produtos e as modalidades de organização que temos no mercado local, com o menor número de modificações possíveis. Trata-se de replicar o que fazemos em casa. A esta estratégia chamamos-lhe “Agregação”. Traz muitos benefícios por ser a estratégia mais simples, que exige menos complexidade, menos necessidade de partilhar o poder da organização entre a casa mãe e a operação local. Normalmente é uma tarefa difícil, porque temos de nos habituar às modalidades dos mercados, aos gostos das pessoas, às marcas regulatórias… o que nos conduz a uma segunda estratégia, designada de “Adaptação”. Neste caso, temos de enviar ou contratar uma pessoa que conheça o mercado local, dar tempo para que se possa conhecer como compram os consumidores, como vender e gerir conflitos jurídicos, e todos estes pormenores que dificultam a atividade, ao pressupor saber-se operar nos »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO mercados em questão. A terceira abordagem é bastante interessante, sendo o que chamamos de “Arbitragem” e ocorre quando vamos fora para aproveitar fazer melhor do que em casa. Os restaurantes de fast food americanos conseguem cobrar muito mais caro na China do que cobrariam pelo mesmo serviço no país de origem. Os chineses valorizam a estética americana, porque apesar de ser uma comida muito simples, tem um tipo de qualidade e glamour associado. E com isto, as empresas de fast food podem tirar proveito: a Pizza Hut, que serve vinho na China, não o faria nos EUA. Outra maneira de arbitrar - muito praticada - é deslocar a produção para países de baixo custo. Ou deslocar os nossos centros de investigação para países com capacidades específicas nalgum tipo de atividade, como, por exemplo, a Índia, no que toca às Tecnologias de Informação.” 5 CAESE junho 2014 Adrián Caldart deixou um repto: “uma sugestão importante a deixar aos Alumni da AESE, é fazer o trabalho de casa para conhecer especificamente o mercado onde vamos introduzir uma operação. Não é uniforme para todo o mundo. Temos bastantes dados de uma investigação que fazemos todos os anos sobre as estratégias de internacionalização das empresas portuguesas e vemos, claramente, que estas podem fazer arbitragem vendendo produtos mais caros nos PALOP, porque os produtos portugueses têm prestígio e isso justifica que haja mais margem. Todavia, as empresas portuguesas não poderão fazê-lo de um modo tão generalizado em países como a Alemanha e os EUA, em que as estratégias mais seguidas são as tradicionais de baixo custo. Outro facto analisado nas empresas portuguesas, é que as estratégias de baixo custo são cada vez menos comuns, o que não acontecia há 20 anos. Hoje, as empresas estão à procura de estratégias de nicho e de diferenciação, tendo como atributos fundamentais a diferenciação por qualidade e por serviço. É ainda um desafio para as empresas portuguesas a diferenciação por marca, como acontece com a Vitacress, Portugal Fresh e PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR Participantes a Fly London, que são exemplos de sucesso. Por isso, o meu conselho seria focar-se bem no mercado a que nos estamos a dirigir e tentar perceber quais as abordagens possíveis, tendo em conta o posicionamento do produto naquela indústria específica em questão, sem generalizar.” ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR Lisboa, 28 de maio de 2014 O programa GAIN decorrerá de 21 de outubro de 2014 a 4 de março de 2015, em Lisboa. Cooperação é a palavra de ordem no setor agrícola e agroindustrial Em vésperas de se dar início à 1ª edição do GAIN, programa dirigido a responsáveis pela Direção de empresas agrícolas e agroindustriais, a AESE realizou um seminário sobre “O sector agroalimentar”, no dia 28 de maio de 2014, em Lisboa. Coube ao Prof. José Ramalho Fontes discutir em plenário com os 50 participantes o caso Sovena, cujo sucesso nacional e internacional não passa despercebido. Seguiu-se a intervenção de Eduardo Diniz, Diretor do Gabinete de Planeamento e Políticas, que deu esclarecimentos sobre as questões do programa que tem sido levado a cabo pelo governo e as ferramentas e os apoios de que os dirigentes do setor dispõem. 6 CAESE junho 2014 O Programa de Desenvolvimento Rural prevê medidas de melhoria da eficiência em vários eixos: inovação e conhecimento, competitividade e organização da produção, ambiente, eficiência no uso dos recursos e clima e desenvolvimento local. Existe a preocupação de permitir a sustentabilidade destas ações, nomeadamente: na formação de jovens agricultores e dos apoios a que poderão recorrer; no investimento na exploração agrícola, atendendo ao tipo e nível de apoio; no investimento na transformação e comercialização de produtos agrícolas; na criação de organizações interprofissionais dos setores agrícolas e agroindustriais, e florestais; na gestão do risco e restabelecimento do potencial produtivo; e a nível de Seguros. O caso da Viniportugal Jorge Monteiro, da Viniportugal, apresentou os objetivos da associação e o que tem sido feito José Diogo Albuquerque, Secretário de Estado da Agricultura Mais informações com a finalidade de posicionar Portugal como país produtor de »» grandes vinhos. A instituição tem contribuído para o aumento do volume de negócio e dar a ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO conhecer os mercados de exportação, quer na sua expressão qualitativa, quer quantitativa, antecipando as mudanças futuras do negócio. Jorge Monteiro destacou a importância de estabelecer associações fortes, ideia reforçada pelos vários intervenientes. 7 CAESE junho 2014 O caso Portugal Fresh Gonçalo Andrade (25º PDE), da Portugal Fresh, foi um dos oradores que referiu essa necessidade. “Juntos conseguimos resultados que sem a concentração de esforços não se conseguiria. Temos muitos fornecedores de pequena dimensão. A concentração de empresas de frutas, legumes e flores é fundamental para ganhar escala, num setor organizado.” O trabalho antecipado das organizações participantes em eventos internacionais exige planeamento e cooperação, mas o resultado é substancialmente valioso: “tem-se registado um número crescente de empresas nacionais a marcar presença nestes eventos, inclusivamente de empresas concorrentes que aprenderam a conviver num ambiente colaborativo.” Outro aspeto para o qual Gonçalo Andrade chamou a atenção, é que “nós não temos a perceção de que a qualidade dos produtos portugueses é superior à dos restantes países produtores no sul da Europa. As empresas portuguesas têm de saber dar os passos certos corretos para responderem às expectativas dos mercados externos.” O caso da Portugal Foods Para falar da marca umbrela criada para o setor agroalimentar português, a AESE convidou Ondina Afonso, para partilhar a experiência da Portugal Foods. Gerada no seio do Polo da Competitividade e Tecnologia e com o propósito de estimular a internacionalização das empresas portuguesas, a Portugal Foods conta atualmente com 120 membros de 88 indústrias distintas, pelos quais divulga os conhecimentos existentes sobre as características dos mercados explorados e o tipo de estratégia a adotar em cada caso. A presença em feiras internacionais, a fim de conquistar mercados de valor acrescentado, tem sido muito positiva, havendo várias empresas portuguesas dis- PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR tinguidas e premiadas. O grande desafio que se coloca passa, segundo a sua opinião, pela comunicação. José Diogo Albuquerque, Secretário de Estado da Agricultura, felicitou a iniciativa da AESE e a escolha dos casos representados no seminário. No seu entender, a exemplo do que acontece com o azeite e o vinho, é desejável replicar noutros setores o que já se faz em Portugal. A presidência e a localização das instalações são questões menores que devem ser resolvidas pelos associados com mais agilidade, a fim de concentrar esforços na promoção de ações concretas com resultados palpáveis. “Temos de ultrapassar a barreira de Portugal não se fazer representar como um todo, mas em stands individuais”. Nos certames, “devemos fazer como acontece com outros países, em que a marca nacional ganha notoriedade, por via do trabalho entre entre empresas”. E acrescentou: “o apoio público tem de estabelecer prioridades e o desafio do setor continua a ser produzir em conjunto.” ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR Viseu, 28 de maio de 2014 A Prof.ª Maria de Fátima Carioca representou a escola A AESE participa em seminário sobre conciliação entre trabalho e família nas empresas A Prof.ª Maria de Fátima Carioca foi convidada a intervir no seminário promovido pelo instituto Francisco Sá Carneiro / Comissão para uma Política de Natalidade em Portugal, dedicado ao tema “Os desafios das empresas ‘Amigas das Crianças’ e a promoção da Natalidade”. O evento realizou-se em Viseu, a 28 de maio de 2014. 8 CAESE junho 2014 Com o objetivo de promover os casos das empresas familiarmente responsáveis e o trabalho que estão efetivamente a desenvolver neste sentido, a Prof.ª Maria de Fátima Carioca dissertou sobre o tema “Empresas portuguesas e a Criação de Ambientes favoráveis à natalidade, às Crianças e às Famílias.” Também participaram no debate: Joaquim Azevedo, Coordenador para uma Política de Nata- lidade em Portugal; João Cotta (35º PADE), Presidente da Associação Empresarial da Região de Viseu; Almeida Henriques, Presidente da Câmara Municipal de Viseu; Paulo Varela (39º PADE), Vice presidente do Grupo Visabeira; Paloma Cabañas (49º PDE), Diretora de Recursos Humanos da Huf Portuguesa; e Lúcia Laginhas, Diretora de Recursos Humanos da Habidecor. Notícias relacionadas Seminário em Viseu: Os desafios às empresas "amigas das crianças e a promoção da natalidade” Celorico da Beira TV, 30.5.2014 Prof.ª Maria de Fátima Carioca, AESE ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO AGENDA Sessões de Continuidade PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR Programa Sessão de continuidade Sessão de continuidade Como enfrentar a crise de forma diferente A Direção de empresas e a transformação social Lisboa, 24 de junho de 2014 Lisboa, 25 de junho de 2014 Saiba mais > Saiba mais > Seminários Seminário Seminário Como ajudar a minha equipa a crescer? Mais do que negociar com eficácia Lisboa, 26 e 27 de junho de 2014 Lisboa, 1 a 3 de julho de 2014 Saiba mais > Saiba mais > Formação integral Seminário Finanças para Não-Financeiros 7, 14, 21 e 28 de julho de 2014 9 CAESE junho 2014 Saiba mais > Curso "As parábolas do Evangelho" A parábola do bom samaritano: a exigência da caridade Lisboa, 20 de junho de 2014 Saiba mais > ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO AESE nos Media De 31 de maio a 12 de junho 2014 A AESE aposta em melhorar a gestão das empresas para ajudar as economias, Diário Económico /Suplemento Especial de 2.6.2014 FORMAÇÃO DE EXECUTIVOS Diário Económico, 2.6.2014 Sejam bem-vindos à era da 'sheconomy' Diário Económico, 2.6.2014 Capacidades de gestão ao serviço de organizações sociais OJE de 5.6.2014 AESE Escola de Direcção e Negócios, Diário Económico /Suplemento Especial de 2.6.2014 O “Ecossistema” dos negócios do mar” Invest, 1.6.2014 Índice de valor Invest, 1.6.2014 O CEO feliz que faz empresas felizes Pessoal, 1.5.2014 10 CAESE junho 2014 Motivar na incerteza Human Resources, 1.5.2014 PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR PANORAMA O Google Livros não infringe os direitos de autor Há alguns meses, tendo em vista a ação judicial interposta pelos autores de livros contra a Google, um inocente comentário do juiz, Denny Chin, pareceu antecipar a sentença. Chin disse que os seus próprios assistentes usam o Google Livros para se documentarem. E, com efeito, a sentença emitida a 13 de novembro rejeitou a queixa: permitir a busca de livros digitalizados, sem oferecer o acesso às obras por inteiro, não é contrário à propriedade intelectual. Os autores pensam recorrer. 11 CAESE junho 2014 A Google começou a digitalizar livros em 2004 sem pedir licença nem pagar aos titulares dos direitos. No ano seguinte, editores e autores norte-americanos moveram-lhe uma queixa judicial por infração de copyright. Ambas as partes negociaram e chegaram a um acordo, pelo qual a Google pagaria 125 milhões de dólares e a disputa ficaria resolvida, mas o juiz não o admitiu. Nessa altura, os editores retiraram-se da disputa e fecharam um acordo com a Google, já não sujeito a aprova- ção judicial. Mas os autores prosseguiram a sua reclamação. A Google continuou a digitalizar livros, até mais de 20 milhões de títulos, a maioria esgotados no mercado, mas não necessariamente sem direitos em vigor. Com o Google Livros, é possível procurar por qualquer parte do texto, mas só se acede a fragmentos. Pode-se folhear, mas não folhas inteiras. Alguns livros podem comprar-se no Google Play, com licença dos editores, que ficam com a »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO sua parte da venda. A Google tem acordos com editoras e bibliotecas para lhes entregar cópias digitais dos livros digitalizados. O juiz tinha de ver se o Google Livros é um caso de “uso legítimo” (fair use) sustentado pela lei de copyright, como o que fazem as escolas para ensinar, ou quem faz citações num texto próprio. Chin concluiu que sim: o Google Livros, afirma, “fomenta o progresso das artes e das ciências, e ao mesmo 12 CAESE junho 2014 tempo respeita os direitos dos autores, sem prejudicar os direitos dos titulares do copyright”. Uma objeção para considerá-lo “uso legítimo”, era que a Google ganha dinheiro ao atrair público aos seus serviços, embora, em 2011, tenha deixado de colocar publicidade no sítio de livros. Chin responde que, se a Google o faz por dinheiro, isso não anula que cumpre “importantes fins educativos”. Além disso, é um serviço PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR que traz algo de novo, pois antes não se podia manejar os textos assim, e não substitui os livros, visto a Google não vender os conteúdos digitalizados. E beneficia autores e editores ao ampliar o público das obras e dar-lhes, portanto, novas possibilidades de receitas. »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR PANORAMA Um Nobel acusa as principais revistas científicas Na véspera de receber o Prémio Nobel da Medicina de 2013, o biólogo norte-americano Randy Schekman publicou no “The Guardian” (9.12.2013) uma crítica às principais revistas científicas da sua especialidade e disse que não voltará a publicar textos assinados por si nessas publicações. O seu artigo refere expressamente três delas: “Nature”, “Cell” e “Science”. Acusa-as de prestarem um mau serviço à ciência favorecendo quem mais vende, não necessariamente quem mais faz progredir o conhecimento. 13 CAESE junho 2014 Schekman afirma que sair em revistas como essas chegou a ser a grande aspiração de um cientista, o que assegura o reconhe- cimento e o financiamento do seu trabalho. Ele próprio, recorda, publicou estudos nelas, incluindo o que lhe veio a valer o Nobel. Mas essas revistas “cultivam as suas marcas com métodos mais apropriados para vender assinaturas do que para estimular as investigações mais importantes”, critica-as o biólogo. Restringem artificialmente o número de originais que aceitam para manter a sua imagem de seletividade. Oferecem aos autores a recompensa de uma elevada repercussão (impact factor), expressa em número de citações. Medida enganadora, diz Schekman, porque não está necessariamente relacionada com a qualidade de um trabalho. A verdade é que a ânsia de obter menções condiciona o trabalho dos cientistas: provoca “bolhas” nos campos que entram na moda, enquanto desencoraja outras investigações importantes mesmo que não atraentes, como as que tentam reproduzir descobertas alheias, necessárias para as comprovar. Por isso, as grandes revistas nem sempre são tão rigorosas como se pensa (Schekman recorda alguns casos de erros clamorosos). Contra os incentivos perversos criados pelas grandes revistas, Schekman propõe que as universidades e centros de investigação, quando procurem cientistas a contratar, não julguem os trabalhos »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO dos candidatos pelas revistas onde saíram. Outro remédio é favorecer publicações de acesso livre, que, por não precisarem de vender caras assinaturas, podem selecionar originais só com critérios de qualidade. Ele integra o conselho editorial de uma, a “eLife”. 14 CAESE junho 2014 As críticas de Schekman tiveram resposta. Monica Bradford, diretora executiva da “Science”, nega que se limite artificialmente o número de originais aceites. Philip Campbell, chefe de redação da “Nature”, sublinha que a sua revista seleciona os originais pela relevância científica, não procurando a abundância de menções, algo que escapa ao seu controlo. Mas reconhece que há uma tendência generalizada em publicar nas revistas de prestígio e em obter muitas citações, algo que o preocupa. Por isso, o modelo de publicação aberta tem sido encorajado por organismos públicos e universidades. A Universidade de Harvard pediu aos seus investigadores que permitissem o acesso livre aos seus artigos; sublinha o paradoxo das instituições académicas financiarem estudos e depois as suas bibliotecas terem de pagar elevadas assinaturas para os obter. Nos EUA, as investigações biomédicas financiadas com dinheiro público, têm de estar disponíveis gratuitamente num ano, no máximo, após publicação numa revista comercial. O governo britânico fez o mesmo, mas em vez de conceder um período de exclusividade às revistas de pagamento, prefere que o acesso gratuito seja imediato e que o custo da revisão por especialistas e da edição seja su- PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR portado pelas instituições científicas e académicas. Mas, admitirá também o bloqueio (até um máximo de dois anos), segundo anunciou a seguir o Ministro de Estado das Universidades e Ciência, David Willetts. A fórmula preferida pelo governo britânico pretende evitar os perigos da cobrança ao autor, que é o sistema habitual das publicações de livre acesso. A verdade é que podem ficar sem publicação estudos valiosos, se os autores não puderem pagar; ou podem ser publicados outros que não o merecem, se os autores tiverem dinheiro suficiente. Este aspeto é o que quis mostrar a “Science”, enviando um artigo falso e cheio de erros para trezentas revistas gratuitas: a maioria delas aceitou-o. »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR PANORAMA Como não enfrentar o assédio na escola O suicídio de uma rapariga na Florida depois de ter sofrido bullying, voltou a abrir o debate sobre como tratar este problema, e se os atuais programas contra o bullying estão bem concebidos. 15 CAESE junho 2014 A consternação devido ao caso de Rebeca Sedwick, que tinha somente 12 anos, provocou uma onda de artigos nos principais meios de comunicação social norte-americanos. Muitos deles citam um estudo [Seokjin Jeong e Byung Hyun Lee, “A Multilevel Examination of Peer Victimization and Bullying Preventions in Schools”, “Journal of Criminology”, Vol. 2013 (2013), article ID 735397)] sobre a influência de diferentes variáveis no comporta- mento dos “valentões”. Uma das suas conclusões é que os programas contra o bullying têm uma incidência negativa: os alunos que estão nas escolas onde se implementam estes programas tendem a sofrer mais assédio do que os que vão para outras escolas. dores publicou uma meta-análise das investigações feitas sobre a influência dos programas contra o bullying, e os seus resultados foram desencorajadores: 86% destes programas não tinham feito melhorar o ambiente, ou, até, tinham-no feito piorar. Poder-se-ia pensar que isto se deve a que as escolas que optam por implementar estes programas o fazem por terem um corpo de alunos problemático (e, portanto, mais inclinado ao bullying), mas a mostra do estudo é suficientemente ampla e variada para desmentir esta hipótese. Além disso, não é o primeiro estudo a obter uma conclusão parecida. Em 2004, uma equipa de investiga- Israel C. Kalman é um “psicólogo escolar” (nos EUA, formam um corpo especial) que trabalhou durante mais de 25 anos em diversas escolas do distrito de Nova Iorque. Dedicou numerosos estudos e livros ao tema do bullying. Num ensaio publicado na revista “International Journal on World Peace” (junho 2013), Kalman argumenta que o fracasso da maior »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO parte dos programas contra o bullying se deve, por um lado, a uma espécie de psicose social que leva frequentemente a criminalizar indiscriminadamente condutas claramente de assédio, juntamente com outras próprias de qualquer pátio de escola; por outro lado, e em consequência disto, tratou-se o problema numa perspetiva legalista mais do que psicológica: em vez de procurar entender os problemas do assediador – e do assediado–, reforçam-se as medidas de segurança, ou encoraja-se os alunos a denunciar qualquer tipo de “estorvo”, instaurando um clima policial totalmente contraproducente. 16 CAESE junho 2014 Segundo Kalman, a retórica em torno do assédio escolar é desenquadrada: como exemplo, cita a organização Bully Police USA, que pressiona os estados a adotarem leis contra o bullying, e que na sua web se refere aos “valentões”, como “terroristas em pequena escala”. Este tipo de descrições, onde se demoniza os “assediadores” – como se fosse a sua profissão estável –, esconde, segundo Kalman, um desconhecimento do problema. Na realidade, embora, por vezes, haja perfis patológicos de violência compulsiva, muitas outras vezes, a fronteira entre os que abusam e os que recebem abusos, é bastante permeável. PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR Outro problema é a própria definição de assédio. Toma-se como referência os estudos de Dan Olweus, catedrático de psicologia e inventor do termo. Segundo Kalman, para Olweus pode ser bullying qualquer conduta que incomode outra pessoa, inclusivamente, “negar-se a satisfazer os seus desejos”. Com a insistência de que a violência pode também ser verbal, encoraja-se as crianças a denunciar como assediadoras, condutas que não passam da normal concorrência na sala de aula: “A abordagem legal é necessária para enfrentar delitos como o roubo, a violação ou o assassínio. »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO 17 CAESE junho 2014 Mas a maioria dos atos que qualificamos como bullying não se trata de atos delituosos. Trata-se de comportamentos quotidianos que acontecem em quase todos os grupos: insultos, críticas, rumores, exclusão social”. De facto, recorda Kalman, muitos psicólogos explicam que passar por este tipo de experiências desagradáveis, é necessário para desenvolver uma personalidade madura. vezes, consistirá numa conversa dos pais com a criança incomodada, para lhe fazer ver o modo de poder aprender com a situação e ajudá-la a minimizar o assunto. No caso de o problema ser realmente sério, a psicologia deve encarregar-se de diagnosticar o transtorno de conduta a que corresponde, com um nome mais preciso e científico do que o de bullying. Kalman propõe voltar a abordar este problema como é devido: através da psicologia, que, muitas De qualquer forma, a solução não passa por declarar uma epidemia nacional que não tem correspon- PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR dência com os factos, nem em converter as escolas em pequenos estados policiais onde, isso sim, se colocam alguns cartazes contra o bullying com rostos sorridentes. »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR PANORAMA “Liberalismo, catolicismo y ley natural” Autor: Francisco J. Contreras Peláez Encuentro. Madrid (2013). 351 págs. 18 CAESE junho 2014 Catedrático de Filosofia do Direito na Universidade de Sevilha, Francisco Contreras seleciona neste livro um conjunto de trabalhos recentes e agrupa-os em quatro capítulos: “Europa”, “Catolicismo”, “Liberalismo” e “Lei natural”. Um capítulo introdutório, escrito para a ocasião, anuncia as teses principais do livro, que se podem sintetizar em três pontos. Primeiro, o liberalismo – caraterizado pelo governo limitado, pelos direitos humanos e pelo mercado livre – surge no Ocidente, pois só podia ser concretizado num substrato cultural adequado como é o cristão. Segundo, foi o liberalismo político e económico que permitiu ao Ocidente construir a partir de 1800, as sociedades mais habitáveis da história. Terceiro, a descristianização e a erosão do Estado liberal que se vivem no Ocidente, progrediram lado a lado e lançaram-nos numa total desorientação. Nos sucessivos capítulos, apresenta-nos alguns campos em que essa crise é mais visível e preocupante: o suicídio demográfico da Europa, a autonegação das suas raízes culturais cristãs, a marginalização dos crentes, a hipertrofia do Estado Providência, etc. Contreras argumenta com brilho, clareza e sempre a partir da atualidade. Assim, por exemplo, quando fala da necessidade de uma nova linguagem para a cultura da vida na Europa, das relações entre fé e razão, ou da laicidade do Estado, as suas abordagens não são apenas consistentes, como persuasivas. Concretamente, o capítulo que dedica ao iusnaturalismo e ao positivismo jurídico é um modelo do modo de abordar um tema de difícil compreensão para o não iniciado, de forma que não seja somente acessível, como evidencie a transcendência de optar por uma ou outra visão sobre o Direito. »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO A minha principal reserva tem a ver com a apresentação e defesa que faz do liberalismo económico. Certamente, como ele diz, não pode haver liberdades pessoais e políticas numa sociedade, se não houver também liberdade de mercado. Mas uma economia de mercado não se identifica com o capitalismo, nem exige o desaparecimento do Estado Providência, como acaba por propor, nem do poder moderador do Estado sobre o mercado. Quando isso é feito, passamos da economia de mercado para a sociedade de merca- 19 CAESE junho 2014 PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR do, na qual tudo – até os próprios indivíduos – passa a estar à venda e a “eliminação” de vidas humanas se converte num inevitável efeito colateral do sistema. A atual crise económica, a que estranhamente não é feita referência no livro, mostra a diferença que existe entre o mercado livre e o capitalismo financeiro desregulado, como salientou, entre outros, Jesús Ballesteros (em: “Globalization and Human Rights”, 2012). V. B. C. ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR DOCUMENTAÇÃO Uma população em declínio O problema mais ameaçador para o futuro da União Europeia é do que menos se fala. A escassa natalidade é um obstáculo para o crescimento económico, reduz o número de trabalhadores, faz disparar a despesa em pensões e enfraquece a influência europeia no plano mundial. A não ser que os lugares vazios sejam ocupados por esses imigrantes a quem hoje se tenta travar a entrada. A população europeia quase não cresce 20 CAESE junho 2014 A população da União Europeia (UE-27) é de 504 milhões, pouco mais de 7% da população mundial. O seu crescimento é cada vez menor: em 2011, aumentou em 1,3 milhões, dos quais cerca de um terço se deveu ao crescimento vegetativo (nascimentos menos mortes) e dois terços à imigração. Depois de um máximo de 520,7 milhões até 2035, a população da UE vai começar a diminuir. por exceso de falecimentos em relação aos nascimentos, caso não tivesse atraído a crescente imigração. Já há países onde se podem encontrar mais caixões do que berços. Trata-se do caso de Alemanha, Bélgica, Estónia, Grécia, Itália, Letónia, Lituânia, Hungria, Portugal, Roménia e Croácia (último país a entrar ultimamente). A fecundidade não assegura a renovação das gerações O poder económico da Alemanha está ameaçado por um sério problema demográfico: já em 2011 teria perdido 190.000 habitantes Se olharmos para a Europa do Leste, fora da UE, a situação é ainda pior. Em 1960, nasciam todos os anos 7,5 milhões de crianças nos 27 países que até há pouco (antes da Croácia entrar) faziam parte da UE. Em 2011, nasceram 5,2 milhões. Isso significou um ligeiro aumento da natalidade entre 2002 e 2008, mas com a crise, voltou a cair. »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO A taxa de fecundidade – número de filhos por mulher em idade de conceber – está muito abaixo da necessária (2,1) para assegurar a substituição das gerações. Baixou de 2,42 em 1970, para 1,59 em 2010. Isto significa que fica um pouco abaixo da que tem a China (1,6), como se a Europa se tivesse imposto a si própria uma política do “filho único”. Já os EUA têm taxa de fecundidade de 1,93, permitindo-lhes continuarem a ser um país mais jovem do que a envelhecida Europa. 21 CAESE junho 2014 Entre os países europeus existem grandes diferenças quanto à fecundidade. Encontram-se melhor situados os nórdicos (Islândia, Finlândia, Noruega e Suécia), com taxas em torno de 1,9. Mas entre todos somam uma população com somente 20 milhões de pessoas, pelo que a sua contribuição para a natalidade europeia é limitada. Também estão bem os atlânticos: Grã-Bretanha (1,98) e Irlanda (2,07), que é o único país da UE que assegura a renovação de gerações. Entre os restantes, apenas a França consegue uma boa perspetiva demográfica (1,99), graças a uma generosa política de subsídios familiares. No conjunto de Alemanha e França que tradicionalmente tem liderado a Europa, a Alemanha poderá contribuir com o seu dinamismo económico do momento e a França com o seu impulso demográfico. A Grã-Bretanha também poderia vir a constituir a outra perna do tripé, se o euroceticismo não estivesse tão fortemente implantado nesse país. PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR A Europa do Sul tem um problema demográfico que só pode fazer mossa ao arranque económico. Portugal, Espanha, Itália e Grécia têm taxas de fecundidade muito baixas (entre 1,3 e 1,5). Com o elevado desemprego juvenil atual, pode parecer que há jovens de sobra, mas a realidade é que quando estes países começarem a crescer, irão deparar com falta de trabalhadores jovens. Uma população cada vez mais envelhecida O número de pessoas com mais de 65 anos vai crescer em todo o mundo. É verdade que a essa idade se chega agora em muitos casos ainda com boa vitalidade. Mas, as consequências económicas e sociais deste envelhecimento natural dependerão da estrutura etária da população. »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO Na Europa, a taxa de natalidade sistematicamente baixa e o aumento da esperança de vida vão alterar a pirâmide de idades, com um enorme envelhecimento. Atualmente, a média etária da população na maioria dos países europeus, situa-se em cerca de 40 anos. Segundo projeções da Divisão de População da ONU, em 2050, terá subido para 45,7. Mas, na Europa do sul, a média será 50. Se se prolongarem as tendências atuais, a dianteira será da Alemanha, com 51,2 anos. 22 CAESE junho 2014 Em compa ra ção com out ro s continentes, a Europa terá uma população mais envelhecida. Segundo as projeções da ONU para 2050, os EUA, a América Latina, a Oceania e a Ásia terão uma média etária de 40 anos. Mas a Ásia Oriental vai converter-se no PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR População por estratos etários na UE-27 (%) 2011 2050 0-14 anos 15,6 14,1 15-65 66,9 57,1 65 e mais 17,5 28,8 Fonte: Eurostat, EUROPOP2008 convergence scenario novo velho continente”: o Japão será o campeão do envelhecimento (53,4), e a China (46,3) e Coreia do Sul (53) vão conhecer a mesma drástica experiência. Pelo contrário, África terá um grande recurso na sua juventude, com uma população que se vai situar numa média etária em torno dos 25 anos. A maior ameaça ao Estado Providência A longo prazo, a sustentabilidade do sistema de pensões e da despesa social dedicada aos idosos, depende da relação entre a população economicamente ativa (de 20 a 64 anos) e a que é mais provável vir a estar economicamente inativa (com mais de 65 anos). »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO No ano de 2010, em média, havia 3,5 ativos por cada reformado na UE. Para 2040, haverá somente 2 ativos por cada reformado. Os países que têm piores perspetivas para 2050, são a Alemanha (1,5 ativos por reformado) e a Itália (1,5), e no exterior da Europa, o Japão (com somente 1,3 ativos por reformado). Outro caso: a Espanha passaria de 3,6 em 2012, para 1,9 em 2050. Deve ter-se em conta que não só haverá mais pessoas idosas, como também viverão mais tempo. A esperança de vida aos 65 anos na UE é de mais 21 anos. 23 CAESE junho 2014 É evidente que esta evolução não augura um futuro feliz para o sistema de pensões. Para atenuar as suas consequências, os governos europeus começaram a atrasar a idade de reforma e a recalcular o seu custo e a sua revalorização. A despesa com a saúde irá disparar também com o envelhecimento da população, pois as pessoas idosas (e não haverá poucas com mais de 80 anos) exigem maior atendimento médico. PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR Providência é a escassa natalidade. De pouco servem os “direitos adquiridos”, se não houver suficientes trabalhadores que possam financiá-los e sustentar as gerações mais idosas. Daí que esta evolução vai pôr à prova a solidariedade entre as gerações. A imigração como panaceia Tudo indica que os trabalhadores do futuro terão de trabalhar mais anos, ter menos férias, pagar mais impostos e receber pensões mais reduzidas, a não ser que tenham planos privados de pensões. Cada vez se reconhece mais que será difícil superar os efeitos que a baixa de natalidade provocou na estrutura etária populacional. Daí ter diminuído a percentagem de mulheres em idade fértil; e quanto mais desça, mais teria de subir o índice de fecundidade para obter o mesmo número de nascimentos. Em resumo, irá ser comprovado que a maior ameaça ao Estado Confia-se em que o que não vier da natalidade, virá da imigração. »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO Nos próximos 40 anos, a população em idade laboral na Europa irá reduzir-se em 37 milhões, segundo as projeções da ONU. E o provável aumento da produtividade não bastará para compensar tantos lugares vazios. Do ponto de vista económico, a necessidade da imigração na Europa é inquestionável. Mas do ponto de vista social, há bastante resistência devido à difícil assimilação cultural da imigração, sobretudo muçulmana. A Europa demonstrou ser um cadinho muito menos eficaz do que os EUA. 24 CAESE junho 2014 Por outro lado, hoje em dia, os países europeus não procuram qualquer tipo de imigrantes, mas trabalhadores qualificados. Nalgumas áreas (médicos, engenheiros, analistas informáticos…) há já concorrência entre Europa, EUA, Canadá e Austrália, para atrair este tipo de trabalhadores. Também é de perguntar até que ponto será ética esta drenagem de talento proveniente muitas vezes de países em desenvolvimento. Além disso, o efeito rejuvenescedor é menor com os imigrantes que chegam em idades intermédias, do que com os nascimentos. PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR De qualquer forma, nem está claro que venha a haver suficientes imigrantes para compensar o decréscimo natural da população europeia. E uma Europa envelhecida, de escasso dinamismo económico, será menos atrativa para os imigrantes. Basta ver o ocorrido, por exemplo, em Espanha, que nos anos de crise passou a ter um saldo migratório negativo. I. A. »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR DOCUMENTAÇÃO “Ou trabalhas, ou vais-te embora” A recente decisão do governo alemão de exigir aos cidadãos europeus estrangeiros residentes no país que tenham um emprego, lançou a polémica. Enquanto uns lançaram já os sabidos insultos de “xenófobo” ao governo germânico, outros, como a Comissão Europeia, apelam à calma: não existem “direitos absolutos” no exercício da livre circulação. 25 CAESE junho 2014 O plano prevê a expulsão dos cidadãos comunitários que, ao fim de seis meses em território alemão, não consigam um emprego e se vejam na necessidade de recorrer às ajudas sociais. Num país que precisa de mão de obra e onde a taxa de desemprego é de 7%, parece que não deveria ser difícil encontrar trabalho. Mas nem sempre é assim, sobretudo se se desconhece a língua. Na Alemanha, o desemprego afeta mais o setor imigrante, que exibe a taxa de 14,7 por cento. Por exemplo, segundo o último Censo dos Espanhóis Residentes no Estrangeiro, 89.190 deles com idades entre 15 e 65 anos vivem em solo alemão, e quase 10.500 recebiam em 2013 o subsídio estatal “de segurança básica para pessoas à procura de emprego”. De regresso a casa, com a lei de permeio Dura lex, sed lex, diziam os romanos, e Berlim quer resgatar a máxima. A legislação europeia é a ferramenta escolhida, e o pretexto é, precisamente, a fraude que eventualmente os imigrantes podem cometer na receção das ajudas. Só que o “zelo fiscal” veio justamente agora, quando os imigrantes dos países mais pobres da UE – Roménia e Bulgária – já podem viajar sem restrições para a maior potência económica da zona. A letra é, certamente, a letra, e a diretiva de Livre Circulação estabelece que todo o cidadão da UE tem direito a deslocar-se e a residir noutro país membro por um período inferior a três meses. Decorrido esse tempo, quem deseje permanecer no país anfitrião, »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO deve “exercer uma atividade económica por conta alheia ou própria” e “dispor de recursos suficientes e de um seguro de saúde para não se converter num encargo” para o país de acolhimento. 26 CAESE junho 2014 O governo germânico tomou nota do que aconteceu em cidades como Duisburgo ou Dortmund, aonde têm chegado fluxos consideráveis de imigrantes romenos e búlgaros de etnia cigana, com poucas oportunidades de se inserirem no mundo laboral, e onde se registaram incidentes racistas. Por isso, destinou 200 milhões de euros para ajudar os municípios a gerir o assunto e recorreu à lei: se o imigrante não demonstrar que tem possibilidades reais de conseguir um emprego, será enviado de regresso ao país de origem, com a benção de Bruxelas. As estatísticas, no entanto, são teimosas. Segundo o instituto alemão de investigações IAB, entre 100.000 e 180.000 romenos e búlgaros vão chegar à Alemanha este ano, mas, dos que já aí se instalaram, somente 7,4 por cento estão desempregados, um número inferior aos 7,7 por cento no plano nacional, e bastante abaixo dos 14,7 que abarca a massa de imigrantes desempregada. Se se acrescentar que esses trabalhadores são, além disso, contribuintes líquidos para o sistema de segurança social, então os responsáveis das Finanças poderiam respirar com um certo alívio. O perigo de fechar a porta a outros “Quando os britânicos vêm aos milhares aos nossos hotéis, ao PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR Mar Negro, e se comportam como cavernícolas, e bebem e entram em distúrbios, não dizemos nada. Iremos comportar-nos muito melhor na Grã-Bretanha quando formos para lá trabalhar, não para diversão; trabalhar por uma vida melhor”, refere um trabalhador búlgaro do setor hoteleiro em declarações à “The Economist”. O mesmo poderiam dizer espanhóis das Ilhas Baleares, onde os turistas jovens britânicos não se comportam melhor do que no Mar Negro. Acontece que vários governos europeus tomaram as suas medidas de blindagem para que a chegada de romenos e búlgaros seja o menos “traumática” possível. Em França, o ex-presidente, Nicolás Sarkozy, foi menos diplomático na altura em que governou »» ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO e expulsou centenas de ciganos romenos, mas outros salvam as formas e optam pela “dissuasão”. O governo britânico, por exemplo, chegou até a formular mensagens como: “Não venham, pois aqui faz muito frio”, e ameaçou exigir seguros médicos privados aos que cheguem sem uma proposta de emprego já fechada. 27 CAESE junho 2014 E não é apenas na UE que há fecho de portas. Em fevereiro, a Suíça efetuou um referendo onde, no mínimo, o eleitorado aprovou uma iniciativa para limitar a livre circulação. A ideia é estabelecer quotas anuais de licenças de residência, que dependeriam das necessidades da economia suíça. Curiosamente, os mais prejudicados nesse país não seriam os búlgaros ou os romenos, mas os trabalhadores franceses e ale- mães com boa qualificação que residem no país helvético, em número que excede o milhão. Num artigo publicado em “El Mundo”, Diego Acosta, académico em temas de imigração da Universidade King's College, aponta um perigo subjacente nesta política de virar as costas a outros europeus mais “pobres”: os governos não estão a reparar nos interesses dos seus próprios nacionais que residem noutros países do bloco. Não apenas os daqueles que, como turistas, vão fazer farra para as praias do Mar Negro e põem cara de poucos amigos quando o búlgaro que os atendeu num hotel de Varna aterra em Heathrow, mas daqueles que vão desfrutar da sua generosa pensão nos países do sul da Europa. PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR Britânicos no estrangeiro O especialista cita o caso da Grã-Bretanha, onde residem 2,3 milhões de cidadãos europeus. Se se olhar em volta, 2,2 milhões de britânicos são também isso: imigrantes dispersos pelos agora 28 países da UE. Não estariam igualmente em risco de se verem afetados se os países recetores tomassem medidas de retaliação, mesmo que leves? Seria algo humorístico, mas qual seria a sensação em Londres de receber indicações de Málaga com mensagens do tipo “não venham, pois aqui faz demasiado calor”? Em Espanha, estão registados 383.000 britânicos, na sua maioria reformados que preferem o clima mediterrânico. E, devido à idade mais avançada, são pessoas que ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO exigem maior atendimento de saúde. Embora a sua assistência sanitária estivesse já coberta pela Segurança Social britânica ou pelos seus seguros privados, até à reforma feita pelo governo de Rajoy em 2012, a sua despesa nesta área específica recaía muitas vezes sobre o Serviço Nacional de Saúde espanhol. Seria de afirmar que os britânicos saturam os centros de saúde espanhóis? Certamente, como foi dito, não existem “direitos absolutos” em matéria de liberdade de circulação. Mas num continente onde, durante séculos, os países entraram em guerra com relativa frequência e com um entusiasmo devastador, valeria a pena encon28 CAESE junho 2014 PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR trar fórmulas para que não haja europeus “de primeira” e “de segunda” em virtude do lugar onde lhes coube nascer. que consiste num segundo subsídio de 391 euros mensais, mais alojamento e outras ajudas pelo conceito de família. Prestações Alemanha No caso dos imigrantes que não têm emprego à sua chegada ao país, atualmente discute-se se podem obter mais ajudas do que as que estritamente lhes são concedidas pelos filhos. Em janeiro, a Comissão Europeia reivindicou que a Alemanha ampliasse o programa Hartz IV a estas pessoas, mesmo quando não estivessem a procurar emprego ativamente. sociais na Os cidadãos europeus que chegam à Alemanha com uma oferta de emprego na mão, não podem receber qualquer ajuda durante os três primeiros meses. Ultrapassado esse período, tanto eles como as suas famílias podem aceder a prestações sociais básicas, e se perderem o emprego, recebem um subsídio de desemprego de seis meses por ano trabalhado. Esgotado este, podem recorrer ao programa Hartz IV, A. R. ÍNDICE · NOTÍCIAS · AGENDA OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO PESQUISAR · SAVE · PRINT · SAIR Partilhe com a AESE as suas questões, Notícias e Passaporte ([email protected]) AESE Lisboa AESE Porto Seminários Alumni Júlia Côrte-Real Telemóvel (+351) 939 871 256 Telefone (+351) 217 221 530 Fax (+351) 217 221 550 [email protected] Edifício Sede, Calçada de Palma de Baixo, n.º 12 1600-177 Lisboa Carlos Fonseca Telefone (+351) 226 108 025 Fax (+351) 226 108 026 [email protected] Rua do Pinheiro Manso, 662-esc. 1.12 4100-411 Porto Filomena Gonçalves Telemóvel (+351) 939 939 639 Telefone (+351) 217 221 530 [email protected] Abdel Gama Telefone (+351) 217 221 530 [email protected] Formulário de cancelamento: www.aese.com.pt/cancelamento Formulário de novas adesões: www.aese.com.pt/adesao Esta comunicação é de natureza geral e meramente informativa, não se destinando a qualquer entidade ou situação particular. © 2013 AESE - Escola de Direcção e Negócios. Todos os direitos reservados. www.aese.pt