17.jun.2014
N.629
NOTÍCIAS · AGENDA · OPINIÃO · PANORAMA · DOCUMENTAÇÃO
NOTÍCIAS
Multicanalidade e Big
Data: os benefícios de
uma gestão integrada
Média
Motivar na incerteza
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PANORAMA
DOCUMENTAÇÃO
O Google Livros não
infringe os direitos de
autor
Uma população em
declínio
AGENDA
Curso "As parábolas do
Evangelho" | A parábola
do bom samaritano: a
exigência da caridade
Lisboa, 20 de junho de 2014
Abordagens
estratégicas
fundamentais para
operar nos mercados
estrangeiros
Cooperação é a palavra
de ordem no setor
agrícola e agroindustrial
AESE participa em
seminário sobre
conciliação entre
trabalho e família nas
empresas
Um Nobel acusa as
principais revistas
científicas
“Ou trabalhas, ou vais-te embora”
Como enfrentar a crise
de forma diferente
Lisboa, 24 de junho de 2014
A Direção de empresas
e a transformação social
Lisboa, 25 de junho de 2014
Como não enfrentar o
assédio na escola
Como ajudar a minha
equipa a crescer?
Lisboa, 26 e 27 de junho de 2014
Mais do que negociar
com eficácia
“Liberalismo, catolicismo
y ley natural”
Lisboa, 1 a 3 de julho de 2014
Finanças para Não-Financeiros
www.aese.pt
7, 14, 21 e 28 de julho de 2014
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Lisboa, 28 de maio de 2014
Breakfast seminar para Alumni do PADE e amigos
Multicanalidade e Big Data: os benefícios de uma gestão
integrada
"Multicanalidade" e "Big Data" são
temas que pela sua transversalidade, potencialidade de crescimento e rentabilidade do negócio
se devem colocar no topo da
agenda do CEO, nos dias de hoje.
António Bernardo, Managing Partner e Member of Global Executive
Committee da Roland Berger,
explicou as vantagens da multicanalidade, esclarecendo um conjunto de dogmas que lhes estão
associados.
2
CAESE junho 2014
“Nos últimos 3-4 anos, em Portugal
tem-se pensado muito na otimização de custos, de capital, mas
tanto eu como a Roland Berger
achamos que é o momento de
começar a pensar no top line. Na
nossa ótica, a multicanalidade é um
driver de crescimento, é um enable
de rentabilidade e de retenção e
aumento de satisfação dos clientes.
Este é um tema transversal e cobre
vários setores de atividade.”
Para explicar as vantagens do
online e offline, António Bernardo
apresentou os resultados de um
estudo sobre a matéria. As vendas
online estão a crescer, apesar de
haver por parte de alguns
consumidores uma fidelidade à loja.
O critério mais importante na
tomada de decisão de uma compra
online não se baseia apenas no
preço; na verdade, a rapidez e a
comodidade associadas à receção
do produto são muito valorizadas.
O touch and feel é um fator muito
relevante na diferenciação e
contribui na equação do consumo
online ou offline. E ambos os
»»
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canais são inclusivamente complementares como área de show
room.
A grande conclusão avançada por
António Bernardo consiste no facto
de a multicanalidade ser a única
forma das empresas se tornarem
competitivas, uma vez que haja
gestão integrada de canais de
venda, tirando o máximo proveito
da tecnologia para a consecução
dos resultados estratégicos das
empresas.
3
CAESE junho 2014
“A Big Data é a nova matéria prima
para o negócio: o benefício do
baixo custo de processamento e a
tecnologia que as empresas têm à
disposição, permite serem mais
eficazes, sabendo como é o
comportamento de compra do
cliente: o quê, como, quando e
porquê consome. Conseguem-se
fazer segmentações mais eficazes
que permitem potenciar o desenho
de uma oferta mais inteligente, um
pricing mais adequado, o que tem
um grande impacte no crescimento
e na rentabilidade do negócio, na
redefinição
estratégica
e
na
organização da empresa.
Avaliando a informação existente,
com a Big Data redefinimos a
segmentação dos clientes, estipulamos para cada segmento a
oferta, o pricing, o merchandising e
os canais a adotar. A Big Data
confere a capacidade às empresas
de gerir o custumer life cycle value,
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a percentagem que temos nas
compras do cliente, a duração da
relação com o consumidor e a
fidelização do mesmo.”
Após a intervenção, seguiu-se um
período de perguntas dirigidas
pelos participantes ao orador.
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Lisboa, 27 de maio de 2014
Sessão de continuidade em Lisboa
Abordagens estratégicas fundamentais para operar
nos mercados estrangeiros
O Prof. Adrián Caldart foi o orador
convidado pelo Agrupamento de
Alumni da AESE, para conduzir
uma sessão de continuidade sobre
“Estratégias de internacionalização”, no dia 27 de maio de 2014,
em Lisboa.
Numa breve entrevista, o Professor
Caldart destacou as principais
formas de acrescentar valor,
através da internacionalização das
empresas.
4
CAESE junho 2014
“Existem essencialmente 3 estratégias genéricas para abordar os
mercados internacionais. A primeira
acontece quando tentamos projetar
nos mercados internacionais os
produtos e as modalidades de
organização que temos no mercado
local, com o menor número de
modificações possíveis. Trata-se de
replicar o que fazemos em casa.
A esta estratégia chamamos-lhe
“Agregação”. Traz muitos benefícios por ser a estratégia mais
simples, que exige menos complexidade, menos necessidade de
partilhar o poder da organização
entre a casa mãe e a operação
local.
Normalmente é uma tarefa difícil,
porque temos de nos habituar às
modalidades dos mercados, aos
gostos das pessoas, às marcas
regulatórias… o que nos conduz a
uma segunda estratégia, designada
de “Adaptação”. Neste caso, temos
de enviar ou contratar uma pessoa
que conheça o mercado local, dar
tempo para que se possa conhecer
como compram os consumidores,
como vender e gerir conflitos jurídicos, e todos estes pormenores
que dificultam a atividade, ao
pressupor saber-se operar nos
»»
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mercados em questão.
A terceira abordagem é bastante
interessante, sendo o que chamamos de “Arbitragem” e ocorre
quando vamos fora para aproveitar
fazer melhor do que em casa. Os
restaurantes
de
fast
food
americanos conseguem cobrar
muito mais caro na China do que
cobrariam pelo mesmo serviço no
país de origem. Os chineses
valorizam a estética americana,
porque apesar de ser uma comida
muito simples, tem um tipo de
qualidade e glamour associado. E
com isto, as empresas de fast food
podem tirar proveito: a Pizza Hut,
que serve vinho na China, não o
faria nos EUA. Outra maneira de
arbitrar - muito praticada - é
deslocar a produção para países de
baixo custo. Ou deslocar os nossos
centros de investigação para
países
com
capacidades
específicas
nalgum
tipo
de
atividade, como, por exemplo, a
Índia, no que toca às Tecnologias
de Informação.”
5
CAESE junho 2014
Adrián Caldart deixou um repto:
“uma sugestão importante a deixar
aos Alumni da AESE, é fazer o
trabalho de casa para conhecer
especificamente o mercado onde
vamos introduzir uma operação.
Não é uniforme para todo o mundo.
Temos bastantes dados de uma
investigação que fazemos todos os
anos sobre as estratégias de
internacionalização das empresas
portuguesas e vemos, claramente,
que estas podem fazer arbitragem
vendendo produtos mais caros nos
PALOP, porque os
produtos
portugueses têm prestígio e isso
justifica que haja mais margem.
Todavia, as empresas portuguesas
não poderão fazê-lo de um modo
tão generalizado em países como a
Alemanha e os EUA, em que as
estratégias mais seguidas são as
tradicionais de baixo custo. Outro
facto analisado nas empresas
portuguesas, é que as estratégias
de baixo custo são cada vez menos
comuns, o que não acontecia há 20
anos. Hoje, as empresas estão à
procura de estratégias de nicho e
de diferenciação, tendo como
atributos
fundamentais
a
diferenciação por qualidade e por
serviço. É ainda um desafio para as
empresas portuguesas a diferenciação por marca, como acontece
com a Vitacress, Portugal Fresh e
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Participantes
a Fly London, que são exemplos de
sucesso. Por isso, o meu conselho
seria focar-se bem no mercado a
que nos estamos a dirigir e tentar
perceber quais as abordagens
possíveis, tendo em conta o
posicionamento do produto naquela
indústria específica em questão,
sem generalizar.”
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Lisboa, 28 de maio de 2014
O programa GAIN decorrerá de 21 de outubro de 2014 a 4 de março de 2015, em Lisboa.
Cooperação é a palavra de ordem no setor agrícola e
agroindustrial
Em vésperas de se dar início à 1ª
edição do GAIN, programa dirigido
a responsáveis pela Direção de
empresas agrícolas e agroindustriais, a AESE realizou um seminário sobre “O sector agroalimentar”,
no dia 28 de maio de 2014, em
Lisboa.
Coube ao Prof. José Ramalho
Fontes discutir em plenário com os
50 participantes o caso Sovena,
cujo sucesso nacional e internacional não passa despercebido.
Seguiu-se
a
intervenção
de
Eduardo Diniz, Diretor do Gabinete
de Planeamento e Políticas, que
deu esclarecimentos sobre as
questões do programa que tem
sido levado a cabo pelo governo e
as ferramentas e os apoios de que
os dirigentes do setor dispõem.
6
CAESE junho 2014
O Programa de Desenvolvimento
Rural prevê medidas de melhoria
da eficiência em vários eixos:
inovação e conhecimento, competitividade e organização da produção, ambiente, eficiência no uso
dos recursos e clima e desenvolvimento local.
Existe a preocupação de permitir a
sustentabilidade destas ações,
nomeadamente: na formação de
jovens agricultores e dos apoios a
que
poderão
recorrer;
no
investimento na exploração agrícola, atendendo ao tipo e nível de
apoio; no investimento na transformação e comercialização de
produtos agrícolas; na criação de
organizações interprofissionais dos
setores agrícolas e agroindustriais,
e florestais; na gestão do risco e
restabelecimento do potencial produtivo; e a nível de Seguros.
O caso da Viniportugal
Jorge Monteiro, da Viniportugal,
apresentou
os
objetivos
da
associação e o que tem sido feito
José Diogo Albuquerque, Secretário de
Estado da Agricultura
Mais informações
com a finalidade de posicionar
Portugal como país produtor de »»
grandes vinhos. A instituição tem
contribuído para o aumento do
volume de negócio e dar a
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conhecer os mercados de exportação, quer na sua expressão qualitativa, quer quantitativa, antecipando as mudanças futuras do negócio. Jorge Monteiro destacou a importância de estabelecer associações fortes, ideia reforçada pelos
vários intervenientes.
7
CAESE junho 2014
O caso Portugal Fresh
Gonçalo Andrade (25º PDE), da
Portugal Fresh, foi um dos oradores
que referiu essa necessidade.
“Juntos conseguimos resultados
que sem a concentração de esforços não se conseguiria. Temos
muitos fornecedores de pequena
dimensão. A concentração de empresas de frutas, legumes e flores é
fundamental para ganhar escala,
num setor organizado.” O trabalho
antecipado das organizações participantes em eventos internacionais
exige planeamento e cooperação,
mas o resultado é substancialmente valioso: “tem-se registado
um número crescente de empresas
nacionais a marcar presença
nestes eventos, inclusivamente de
empresas concorrentes que aprenderam a conviver num ambiente
colaborativo.” Outro aspeto para o
qual Gonçalo Andrade chamou a
atenção, é que “nós não temos a
perceção de que a qualidade dos
produtos portugueses é superior à
dos restantes países produtores no
sul da Europa. As empresas
portuguesas têm de saber dar os
passos certos corretos para
responderem às expectativas dos
mercados externos.”
O caso da Portugal Foods
Para falar da marca umbrela criada
para o setor agroalimentar português, a AESE convidou Ondina
Afonso, para partilhar a experiência
da Portugal Foods. Gerada no seio
do Polo da Competitividade e
Tecnologia e com o propósito de
estimular a internacionalização das
empresas portuguesas, a Portugal
Foods conta atualmente com 120
membros de 88 indústrias distintas,
pelos quais divulga os conhecimentos existentes sobre as características dos mercados explorados
e o tipo de estratégia a adotar em
cada caso. A presença em feiras
internacionais, a fim de conquistar
mercados de valor acrescentado,
tem sido muito positiva, havendo
várias empresas portuguesas dis-
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tinguidas e premiadas. O grande
desafio que se coloca passa,
segundo a sua opinião, pela
comunicação.
José Diogo Albuquerque, Secretário de Estado da Agricultura,
felicitou a iniciativa da AESE e a
escolha dos casos representados
no seminário. No seu entender, a
exemplo do que acontece com o
azeite e o vinho, é desejável replicar noutros setores o que já se
faz em Portugal. A presidência e a
localização das instalações são
questões menores que devem ser
resolvidas pelos associados com
mais agilidade, a fim de concentrar
esforços na promoção de ações
concretas com resultados palpáveis. “Temos de ultrapassar a barreira de Portugal não se fazer representar como um todo, mas em
stands individuais”. Nos certames,
“devemos fazer como acontece
com outros países, em que a
marca nacional ganha notoriedade,
por via do trabalho entre entre
empresas”. E acrescentou: “o apoio
público tem de estabelecer prioridades e o desafio do setor continua
a ser produzir em conjunto.”
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Viseu, 28 de maio de 2014
A Prof.ª Maria de Fátima Carioca representou a escola
A AESE participa em seminário sobre conciliação
entre trabalho e família nas empresas
A Prof.ª Maria de Fátima Carioca foi
convidada a intervir no seminário
promovido pelo instituto Francisco
Sá Carneiro / Comissão para uma
Política de Natalidade em Portugal,
dedicado ao tema “Os desafios das
empresas ‘Amigas das Crianças’ e
a promoção da Natalidade”. O
evento realizou-se em Viseu, a 28
de maio de 2014.
8
CAESE junho 2014
Com o objetivo de promover os
casos das empresas familiarmente
responsáveis e o trabalho que
estão efetivamente a desenvolver
neste sentido, a Prof.ª Maria de
Fátima Carioca dissertou sobre o
tema “Empresas portuguesas e a
Criação de Ambientes favoráveis à
natalidade, às Crianças e às Famílias.” Também participaram no debate: Joaquim Azevedo, Coordenador para uma Política de Nata-
lidade em Portugal; João Cotta (35º
PADE), Presidente da Associação
Empresarial da Região de Viseu;
Almeida Henriques, Presidente da
Câmara Municipal de Viseu; Paulo
Varela (39º PADE), Vice presidente
do Grupo Visabeira; Paloma Cabañas (49º PDE), Diretora de Recursos Humanos da Huf Portuguesa; e Lúcia Laginhas, Diretora
de Recursos Humanos da Habidecor.
Notícias relacionadas
Seminário em Viseu: Os desafios
às
empresas
"amigas
das
crianças e a promoção da
natalidade”
Celorico da Beira TV, 30.5.2014
Prof.ª Maria de Fátima Carioca, AESE
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AGENDA
Sessões de Continuidade
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Programa
Sessão de continuidade
Sessão de continuidade
Como enfrentar a crise
de forma diferente
A Direção de empresas
e a transformação
social
Lisboa, 24 de junho
de 2014
Lisboa, 25 de junho
de 2014
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Seminários
Seminário
Seminário
Como ajudar a minha
equipa a crescer?
Mais do que negociar
com eficácia
Lisboa, 26 e 27 de junho
de 2014
Lisboa, 1 a 3 de julho
de 2014
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Formação integral
Seminário
Finanças para Não-Financeiros
7, 14, 21 e 28 de julho de
2014
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CAESE junho 2014
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Curso "As parábolas
do Evangelho"
A parábola do bom
samaritano: a exigência
da caridade
Lisboa, 20 de junho
de 2014
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AESE nos Media
De 31 de maio a 12 de junho 2014
A AESE aposta em melhorar a gestão das empresas para ajudar as
economias,
Diário Económico /Suplemento Especial de 2.6.2014
FORMAÇÃO DE EXECUTIVOS
Diário Económico, 2.6.2014
Sejam bem-vindos à era da 'sheconomy'
Diário Económico, 2.6.2014
Capacidades de gestão ao serviço de organizações sociais
OJE de 5.6.2014
AESE Escola de Direcção e Negócios,
Diário Económico /Suplemento Especial de 2.6.2014
O “Ecossistema” dos negócios do mar”
Invest, 1.6.2014
Índice de valor
Invest, 1.6.2014
O CEO feliz que faz empresas felizes
Pessoal, 1.5.2014
10
CAESE junho 2014
Motivar na incerteza
Human Resources, 1.5.2014
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PANORAMA
O Google Livros não infringe os direitos de autor
Há alguns meses, tendo em vista
a ação judicial interposta pelos
autores de livros contra a Google,
um inocente comentário do juiz,
Denny Chin, pareceu antecipar a
sentença. Chin disse que os seus
próprios assistentes usam o
Google Livros para se documentarem. E, com efeito, a sentença
emitida a 13 de novembro rejeitou
a queixa: permitir a busca de
livros digitalizados, sem oferecer o
acesso às obras por inteiro, não é
contrário à propriedade intelectual.
Os autores pensam recorrer.
11
CAESE junho 2014
A Google começou a digitalizar
livros em 2004 sem pedir licença
nem pagar aos titulares dos
direitos. No ano seguinte, editores
e autores norte-americanos moveram-lhe uma queixa judicial por
infração de copyright. Ambas as
partes negociaram e chegaram a
um acordo, pelo qual a Google
pagaria 125 milhões de dólares e
a disputa ficaria resolvida, mas o
juiz não o admitiu. Nessa altura,
os editores retiraram-se da disputa e fecharam um acordo com a
Google, já não sujeito a aprova-
ção judicial. Mas os autores prosseguiram a sua reclamação.
A Google continuou a digitalizar
livros, até mais de 20 milhões de
títulos, a maioria esgotados no
mercado, mas não necessariamente sem direitos em vigor. Com
o Google Livros, é possível procurar por qualquer parte do texto,
mas só se acede a fragmentos.
Pode-se folhear, mas não folhas
inteiras. Alguns livros podem comprar-se no Google Play, com licença dos editores, que ficam com a
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sua parte da venda. A Google tem
acordos com editoras e bibliotecas
para lhes entregar cópias digitais
dos livros digitalizados.
O juiz tinha de ver se o Google
Livros é um caso de “uso legítimo”
(fair use) sustentado pela lei de
copyright, como o que fazem as
escolas para ensinar, ou quem faz
citações num texto próprio. Chin
concluiu que sim: o Google Livros,
afirma, “fomenta o progresso das
artes e das ciências, e ao mesmo
12
CAESE junho 2014
tempo respeita os direitos dos autores, sem prejudicar os direitos
dos titulares do copyright”.
Uma objeção para considerá-lo
“uso legítimo”, era que a Google
ganha dinheiro ao atrair público
aos seus serviços, embora, em
2011, tenha deixado de colocar
publicidade no sítio de livros. Chin
responde que, se a Google o faz
por dinheiro, isso não anula que
cumpre “importantes fins educativos”. Além disso, é um serviço
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que traz algo de novo, pois antes
não se podia manejar os textos
assim, e não substitui os livros,
visto a Google não vender os
conteúdos digitalizados. E beneficia autores e editores ao ampliar
o público das obras e dar-lhes,
portanto, novas possibilidades de
receitas.
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PANORAMA
Um Nobel acusa as principais revistas científicas
Na véspera de receber o Prémio
Nobel da Medicina de 2013, o
biólogo norte-americano Randy
Schekman publicou no “The Guardian” (9.12.2013) uma crítica às
principais revistas científicas da
sua especialidade e disse que não
voltará a publicar textos assinados
por si nessas publicações. O seu
artigo refere expressamente três
delas: “Nature”, “Cell” e “Science”.
Acusa-as de prestarem um mau
serviço à ciência favorecendo
quem mais vende, não necessariamente quem mais faz progredir
o conhecimento.
13
CAESE junho 2014
Schekman afirma que sair em
revistas como essas chegou a ser
a grande aspiração de um cientista, o que assegura o reconhe-
cimento e o financiamento do seu
trabalho. Ele próprio, recorda, publicou estudos nelas, incluindo o
que lhe veio a valer o Nobel.
Mas essas revistas “cultivam as
suas marcas com métodos mais
apropriados para vender assinaturas do que para estimular as
investigações mais importantes”,
critica-as o biólogo. Restringem
artificialmente o número de originais que aceitam para manter a
sua imagem de seletividade. Oferecem aos autores a recompensa
de uma elevada repercussão (impact factor), expressa em número
de citações. Medida enganadora,
diz Schekman, porque não está
necessariamente relacionada com
a qualidade de um trabalho.
A verdade é que a ânsia de obter
menções condiciona o trabalho
dos cientistas: provoca “bolhas”
nos campos que entram na moda,
enquanto desencoraja outras investigações importantes mesmo
que não atraentes, como as que
tentam reproduzir descobertas
alheias, necessárias para as comprovar. Por isso, as grandes revistas nem sempre são tão rigorosas
como se pensa (Schekman recorda alguns casos de erros clamorosos).
Contra os incentivos perversos
criados pelas grandes revistas,
Schekman propõe que as universidades e centros de investigação,
quando procurem cientistas a contratar, não julguem os trabalhos
»»
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dos candidatos pelas revistas onde saíram. Outro remédio é favorecer publicações de acesso livre,
que, por não precisarem de vender caras assinaturas, podem selecionar originais só com critérios
de qualidade. Ele integra o conselho editorial de uma, a “eLife”.
14
CAESE junho 2014
As críticas de Schekman tiveram
resposta. Monica Bradford, diretora executiva da “Science”, nega
que se limite artificialmente o número de originais aceites. Philip
Campbell, chefe de redação da
“Nature”, sublinha que a sua revista seleciona os originais pela relevância científica, não procurando
a abundância de menções, algo
que escapa ao seu controlo. Mas
reconhece que há uma tendência
generalizada em publicar nas revistas de prestígio e em obter muitas citações, algo que o preocupa.
Por isso, o modelo de publicação
aberta tem sido encorajado por organismos públicos e universidades. A Universidade de Harvard
pediu aos seus investigadores que
permitissem o acesso livre aos
seus artigos; sublinha o paradoxo
das instituições académicas financiarem estudos e depois as suas
bibliotecas terem de pagar elevadas assinaturas para os obter.
Nos EUA, as investigações biomédicas financiadas com dinheiro
público, têm de estar disponíveis
gratuitamente num ano, no máximo, após publicação numa revista
comercial. O governo britânico fez
o mesmo, mas em vez de conceder um período de exclusividade
às revistas de pagamento, prefere
que o acesso gratuito seja imediato e que o custo da revisão por
especialistas e da edição seja su-
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portado pelas instituições científicas e académicas. Mas, admitirá também o bloqueio (até um
máximo de dois anos), segundo
anunciou a seguir o Ministro de
Estado das Universidades e
Ciência, David Willetts.
A fórmula preferida pelo governo
britânico pretende evitar os perigos da cobrança ao autor, que é o
sistema habitual das publicações
de livre acesso. A verdade é que
podem ficar sem publicação estudos valiosos, se os autores não
puderem pagar; ou podem ser publicados outros que não o merecem, se os autores tiverem dinheiro suficiente. Este aspeto é o que
quis mostrar a “Science”, enviando um artigo falso e cheio de erros
para trezentas revistas gratuitas: a
maioria delas aceitou-o.
»»
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PANORAMA
Como não enfrentar o assédio na escola
O suicídio de uma rapariga na
Florida depois de ter sofrido bullying, voltou a abrir o debate
sobre como tratar este problema,
e se os atuais programas contra o
bullying estão bem concebidos.
15
CAESE junho 2014
A consternação devido ao caso de
Rebeca Sedwick, que tinha somente 12 anos, provocou uma
onda de artigos nos principais
meios de comunicação social
norte-americanos. Muitos deles
citam um estudo [Seokjin Jeong e
Byung Hyun Lee, “A Multilevel
Examination of Peer Victimization
and Bullying Preventions in
Schools”, “Journal of Criminology”,
Vol. 2013 (2013), article ID
735397)] sobre a influência de
diferentes variáveis no comporta-
mento dos “valentões”. Uma das
suas conclusões é que os programas contra o bullying têm uma
incidência negativa: os alunos que
estão nas escolas onde se implementam estes programas tendem
a sofrer mais assédio do que os
que vão para outras escolas.
dores publicou uma meta-análise
das investigações feitas sobre a
influência dos programas contra o
bullying, e os seus resultados foram desencorajadores: 86% destes programas não tinham feito
melhorar o ambiente, ou, até, tinham-no feito piorar.
Poder-se-ia pensar que isto se
deve a que as escolas que optam
por implementar estes programas
o fazem por terem um corpo de
alunos problemático (e, portanto,
mais inclinado ao bullying), mas a
mostra do estudo é suficientemente ampla e variada para desmentir esta hipótese. Além disso,
não é o primeiro estudo a obter
uma conclusão parecida. Em
2004, uma equipa de investiga-
Israel C. Kalman é um “psicólogo
escolar” (nos EUA, formam um
corpo especial) que trabalhou durante mais de 25 anos em diversas escolas do distrito de Nova
Iorque. Dedicou numerosos estudos e livros ao tema do bullying.
Num ensaio publicado na revista
“International Journal on World
Peace” (junho 2013), Kalman argumenta que o fracasso da maior
»»
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parte dos programas contra o
bullying se deve, por um lado, a
uma espécie de psicose social
que leva frequentemente a criminalizar indiscriminadamente condutas claramente de assédio, juntamente com outras próprias de
qualquer pátio de escola; por
outro lado, e em consequência
disto, tratou-se o problema numa
perspetiva legalista mais do que
psicológica: em vez de procurar
entender os problemas do assediador – e do assediado–, reforçam-se as medidas de segurança,
ou encoraja-se os alunos a denunciar qualquer tipo de “estorvo”,
instaurando um clima policial totalmente contraproducente.
16
CAESE junho 2014
Segundo Kalman, a retórica em
torno do assédio escolar é desenquadrada: como exemplo, cita a
organização Bully Police USA,
que pressiona os estados a
adotarem leis contra o bullying, e
que na sua web se refere aos
“valentões”, como “terroristas em
pequena escala”. Este tipo de
descrições, onde se demoniza os
“assediadores” – como se fosse a
sua profissão estável –, esconde,
segundo Kalman, um desconhecimento do problema. Na realidade, embora, por vezes, haja
perfis patológicos de violência
compulsiva, muitas outras vezes,
a fronteira entre os que abusam e
os que recebem abusos, é bastante permeável.
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Outro problema é a própria definição de assédio. Toma-se como
referência os estudos de Dan
Olweus, catedrático de psicologia
e inventor do termo. Segundo
Kalman, para Olweus pode ser
bullying qualquer conduta que
incomode outra pessoa, inclusivamente, “negar-se a satisfazer os
seus desejos”.
Com a insistência de que a
violência pode também ser verbal,
encoraja-se as crianças a denunciar como assediadoras, condutas
que não passam da normal concorrência na sala de aula: “A
abordagem legal é necessária
para enfrentar delitos como o
roubo, a violação ou o assassínio.
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17
CAESE junho 2014
Mas a maioria dos atos que
qualificamos como bullying não se
trata de atos delituosos. Trata-se
de comportamentos quotidianos
que acontecem em quase todos
os grupos: insultos, críticas, rumores, exclusão social”. De facto,
recorda Kalman, muitos psicólogos explicam que passar por este
tipo de experiências desagradáveis, é necessário para desenvolver uma personalidade madura.
vezes, consistirá numa conversa
dos pais com a criança incomodada, para lhe fazer ver o modo
de poder aprender com a situação
e ajudá-la a minimizar o assunto.
No caso de o problema ser
realmente sério, a psicologia deve
encarregar-se de diagnosticar o
transtorno de conduta a que
corresponde, com um nome mais
preciso e científico do que o de
bullying.
Kalman propõe voltar a abordar
este problema como é devido:
através da psicologia, que, muitas
De qualquer forma, a solução não
passa por declarar uma epidemia
nacional que não tem correspon-
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dência com os factos, nem em
converter as escolas em pequenos estados policiais onde, isso
sim, se colocam alguns cartazes
contra o bullying com rostos sorridentes.
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PANORAMA
“Liberalismo, catolicismo y ley natural”
Autor: Francisco J. Contreras
Peláez
Encuentro.
Madrid (2013).
351 págs.
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CAESE junho 2014
Catedrático de Filosofia do Direito
na Universidade de Sevilha,
Francisco Contreras seleciona
neste livro um conjunto de trabalhos recentes e agrupa-os em
quatro capítulos: “Europa”, “Catolicismo”, “Liberalismo” e “Lei natural”. Um capítulo introdutório, escrito para a ocasião, anuncia as
teses principais do livro, que se
podem sintetizar em três pontos.
Primeiro, o liberalismo – caraterizado pelo governo limitado, pelos
direitos humanos e pelo mercado
livre – surge no Ocidente, pois só
podia ser concretizado num substrato cultural adequado como é o
cristão. Segundo, foi o liberalismo
político e económico que permitiu
ao Ocidente construir a partir de
1800, as sociedades mais habitáveis da história. Terceiro, a
descristianização e a erosão do
Estado liberal que se vivem no
Ocidente, progrediram lado a lado
e lançaram-nos numa total desorientação. Nos sucessivos capítulos, apresenta-nos alguns campos em que essa crise é mais
visível e preocupante: o suicídio
demográfico da Europa, a autonegação das suas raízes culturais
cristãs, a marginalização dos
crentes, a hipertrofia do Estado
Providência, etc.
Contreras argumenta com brilho,
clareza e sempre a partir da
atualidade. Assim, por exemplo,
quando fala da necessidade de
uma nova linguagem para a
cultura da vida na Europa, das
relações entre fé e razão, ou da
laicidade do Estado, as suas abordagens não são apenas consistentes, como persuasivas. Concretamente, o capítulo que dedica
ao iusnaturalismo e ao positivismo
jurídico é um modelo do modo de
abordar um tema de difícil compreensão para o não iniciado, de
forma que não seja somente
acessível, como evidencie a transcendência de optar por uma ou
outra visão sobre o Direito.
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A minha principal reserva tem a
ver com a apresentação e defesa
que faz do liberalismo económico.
Certamente, como ele diz, não
pode haver liberdades pessoais e
políticas numa sociedade, se não
houver também liberdade de
mercado. Mas uma economia de
mercado não se identifica com o
capitalismo, nem exige o desaparecimento do Estado Providência,
como acaba por propor, nem do
poder moderador do Estado sobre
o mercado. Quando isso é feito,
passamos da economia de mercado para a sociedade de merca-
19
CAESE junho 2014
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do, na qual tudo – até os próprios
indivíduos – passa a estar à
venda e a “eliminação” de vidas
humanas se converte num inevitável efeito colateral do sistema. A
atual crise económica, a que
estranhamente não é feita referência no livro, mostra a diferença
que existe entre o mercado livre e
o capitalismo financeiro desregulado, como salientou, entre outros,
Jesús Ballesteros (em: “Globalization and Human Rights”, 2012).
V. B. C.
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DOCUMENTAÇÃO
Uma população em declínio
O problema mais ameaçador para
o futuro da União Europeia é do
que menos se fala. A escassa
natalidade é um obstáculo para o
crescimento económico, reduz o
número de trabalhadores, faz
disparar a despesa em pensões e
enfraquece a influência europeia
no plano mundial. A não ser que
os lugares vazios sejam ocupados
por esses imigrantes a quem hoje
se tenta travar a entrada.
A população europeia quase
não cresce
20
CAESE junho 2014
A população da União Europeia
(UE-27) é de 504 milhões, pouco
mais de 7% da população mundial. O seu crescimento é cada
vez menor: em 2011, aumentou
em 1,3 milhões, dos quais cerca
de um terço se deveu ao crescimento vegetativo (nascimentos
menos mortes) e dois terços à
imigração. Depois de um máximo
de 520,7 milhões até 2035, a
população da UE vai começar a
diminuir.
por exceso de falecimentos em
relação aos nascimentos, caso
não tivesse atraído a crescente
imigração.
Já há países onde se podem
encontrar mais caixões do que
berços. Trata-se do caso de
Alemanha, Bélgica, Estónia, Grécia, Itália, Letónia, Lituânia, Hungria, Portugal, Roménia e Croácia
(último país a entrar ultimamente).
A fecundidade não assegura a
renovação das gerações
O poder económico da Alemanha
está ameaçado por um sério
problema demográfico: já em 2011
teria perdido 190.000 habitantes
Se olharmos para a Europa do
Leste, fora da UE, a situação é
ainda pior.
Em 1960, nasciam todos os anos
7,5 milhões de crianças nos 27
países que até há pouco (antes da
Croácia entrar) faziam parte da
UE. Em 2011, nasceram 5,2
milhões. Isso significou um ligeiro
aumento da natalidade entre 2002
e 2008, mas com a crise, voltou a
cair.
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A taxa de fecundidade – número
de filhos por mulher em idade de
conceber – está muito abaixo da
necessária (2,1) para assegurar a
substituição das gerações. Baixou
de 2,42 em 1970, para 1,59 em
2010. Isto significa que fica um
pouco abaixo da que tem a China
(1,6), como se a Europa se
tivesse imposto a si própria uma
política do “filho único”.
Já os EUA têm taxa de fecundidade de 1,93, permitindo-lhes continuarem a ser um país mais jovem
do que a envelhecida Europa.
21
CAESE junho 2014
Entre os países europeus existem
grandes diferenças quanto à
fecundidade. Encontram-se melhor situados os nórdicos (Islândia,
Finlândia, Noruega e Suécia), com
taxas em torno de 1,9. Mas entre
todos somam uma população com
somente 20 milhões de pessoas,
pelo que a sua contribuição para a
natalidade europeia é limitada.
Também estão bem os atlânticos:
Grã-Bretanha (1,98) e Irlanda
(2,07), que é o único país da UE
que assegura a renovação de
gerações.
Entre os restantes, apenas a
França consegue uma boa perspetiva demográfica (1,99), graças
a uma generosa política de
subsídios familiares. No conjunto
de Alemanha e França que tradicionalmente tem liderado a Europa, a Alemanha poderá contribuir
com o seu dinamismo económico
do momento e a França com o
seu impulso demográfico. A Grã-Bretanha também poderia vir a
constituir a outra perna do tripé,
se o euroceticismo não estivesse
tão fortemente implantado nesse
país.
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A Europa do Sul tem um problema
demográfico que só pode fazer
mossa ao arranque económico.
Portugal, Espanha, Itália e Grécia
têm taxas de fecundidade muito
baixas (entre 1,3 e 1,5). Com o
elevado desemprego juvenil atual,
pode parecer que há jovens de
sobra, mas a realidade é que
quando estes países começarem
a crescer, irão deparar com falta
de trabalhadores jovens.
Uma população cada vez mais
envelhecida
O número de pessoas com mais
de 65 anos vai crescer em todo o
mundo. É verdade que a essa
idade se chega agora em muitos
casos ainda com boa vitalidade.
Mas, as consequências económicas e sociais deste envelhecimento natural dependerão da estrutura etária da população.
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Na Europa, a taxa de natalidade
sistematicamente baixa e o aumento da esperança de vida vão
alterar a pirâmide de idades, com
um enorme envelhecimento.
Atualmente, a média etária da
população na maioria dos países
europeus, situa-se em cerca de 40
anos. Segundo projeções da
Divisão de População da ONU,
em 2050, terá subido para 45,7.
Mas, na Europa do sul, a média
será 50. Se se prolongarem as
tendências atuais, a dianteira será
da Alemanha, com 51,2 anos.
22
CAESE junho 2014
Em compa ra ção com out ro s
continentes, a Europa terá uma
população mais envelhecida.
Segundo as projeções da ONU
para 2050, os EUA, a América
Latina, a Oceania e a Ásia terão
uma média etária de 40 anos. Mas
a Ásia Oriental vai converter-se no
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População por estratos etários na UE-27 (%)
2011
2050
0-14 anos
15,6
14,1
15-65
66,9
57,1
65 e mais
17,5
28,8
Fonte: Eurostat, EUROPOP2008 convergence scenario
novo velho continente”: o Japão
será o campeão do envelhecimento (53,4), e a China (46,3) e
Coreia do Sul (53) vão conhecer a
mesma drástica experiência.
Pelo contrário, África terá um
grande recurso na sua juventude,
com uma população que se vai
situar numa média etária em torno
dos 25 anos.
A maior ameaça ao Estado
Providência
A longo prazo, a sustentabilidade
do sistema de pensões e da despesa social dedicada aos idosos,
depende da relação entre a população economicamente ativa (de
20 a 64 anos) e a que é mais provável vir a estar economicamente
inativa (com mais de 65 anos).
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No ano de 2010, em média, havia
3,5 ativos por cada reformado na
UE. Para 2040, haverá somente 2
ativos por cada reformado.
Os países que têm piores
perspetivas para 2050, são a
Alemanha (1,5 ativos por reformado) e a Itália (1,5), e no exterior da
Europa, o Japão (com somente
1,3 ativos por reformado). Outro
caso: a Espanha passaria de 3,6
em 2012, para 1,9 em 2050.
Deve ter-se em conta que não só
haverá mais pessoas idosas, como também viverão mais tempo. A
esperança de vida aos 65 anos na
UE é de mais 21 anos.
23
CAESE junho 2014
É evidente que esta evolução não
augura um futuro feliz para o
sistema de pensões. Para atenuar
as suas consequências, os governos europeus começaram a atrasar a idade de reforma e a recalcular o seu custo e a sua revalorização.
A despesa com a saúde irá
disparar também com o envelhecimento da população, pois as
pessoas idosas (e não haverá
poucas com mais de 80 anos)
exigem maior atendimento médico.
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Providência é a escassa natalidade. De pouco servem os “direitos adquiridos”, se não houver
suficientes trabalhadores que possam financiá-los e sustentar as
gerações mais idosas. Daí que
esta evolução vai pôr à prova a
solidariedade entre as gerações.
A imigração como panaceia
Tudo indica que os trabalhadores
do futuro terão de trabalhar mais
anos, ter menos férias, pagar mais
impostos e receber pensões mais
reduzidas, a não ser que tenham
planos privados de pensões.
Cada vez se reconhece mais que
será difícil superar os efeitos que
a baixa de natalidade provocou na
estrutura etária populacional. Daí
ter diminuído a percentagem de
mulheres em idade fértil; e quanto
mais desça, mais teria de subir o
índice de fecundidade para obter
o mesmo número de nascimentos.
Em resumo, irá ser comprovado
que a maior ameaça ao Estado
Confia-se em que o que não vier
da natalidade, virá da imigração.
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Nos próximos 40 anos, a população em idade laboral na Europa
irá reduzir-se em 37 milhões,
segundo as projeções da ONU. E
o provável aumento da produtividade não bastará para compensar tantos lugares vazios.
Do ponto de vista económico, a
necessidade da imigração na
Europa é inquestionável. Mas do
ponto de vista social, há bastante
resistência devido à difícil assimilação cultural da imigração, sobretudo muçulmana. A Europa demonstrou ser um cadinho muito
menos eficaz do que os EUA.
24
CAESE junho 2014
Por outro lado, hoje em dia, os
países europeus não procuram
qualquer tipo de imigrantes, mas
trabalhadores qualificados. Nalgumas áreas (médicos, engenheiros,
analistas informáticos…) há já
concorrência entre Europa, EUA,
Canadá e Austrália, para atrair
este tipo de trabalhadores. Também é de perguntar até que ponto
será ética esta drenagem de
talento proveniente muitas vezes
de países em desenvolvimento.
Além disso, o efeito rejuvenescedor é menor com os imigrantes
que chegam em idades intermédias, do que com os nascimentos.
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De qualquer forma, nem está claro
que venha a haver suficientes
imigrantes para compensar o
decréscimo natural da população
europeia. E uma Europa envelhecida, de escasso dinamismo económico, será menos atrativa para
os imigrantes. Basta ver o ocorrido, por exemplo, em Espanha,
que nos anos de crise passou a
ter um saldo migratório negativo.
I. A.
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DOCUMENTAÇÃO
“Ou trabalhas, ou vais-te embora”
A recente decisão do governo
alemão de exigir aos cidadãos
europeus estrangeiros residentes
no país que tenham um emprego,
lançou a polémica. Enquanto uns
lançaram já os sabidos insultos de
“xenófobo” ao governo germânico,
outros, como a Comissão Europeia, apelam à calma: não existem “direitos absolutos” no exercício da livre circulação.
25
CAESE junho 2014
O plano prevê a expulsão dos
cidadãos comunitários que, ao fim
de seis meses em território alemão, não consigam um emprego
e se vejam na necessidade de
recorrer às ajudas sociais. Num
país que precisa de mão de obra
e onde a taxa de desemprego é
de 7%, parece que não deveria
ser difícil encontrar trabalho. Mas
nem sempre é assim, sobretudo
se se desconhece a língua.
Na Alemanha, o desemprego afeta mais o setor imigrante, que
exibe a taxa de 14,7 por cento.
Por exemplo, segundo o último
Censo dos Espanhóis Residentes
no Estrangeiro, 89.190 deles com
idades entre 15 e 65 anos vivem
em solo alemão, e quase 10.500
recebiam em 2013 o subsídio
estatal “de segurança básica para
pessoas à procura de emprego”.
De regresso a casa, com a lei de
permeio
Dura lex, sed lex, diziam os
romanos, e Berlim quer resgatar a
máxima. A legislação europeia é a
ferramenta escolhida, e o pretexto
é, precisamente, a fraude que
eventualmente os imigrantes podem cometer na receção das
ajudas. Só que o “zelo fiscal” veio
justamente agora, quando os imigrantes dos países mais pobres
da UE – Roménia e Bulgária – já
podem viajar sem restrições para
a maior potência económica da
zona.
A letra é, certamente, a letra, e a
diretiva de Livre Circulação estabelece que todo o cidadão da UE
tem direito a deslocar-se e a
residir noutro país membro por um
período inferior a três meses.
Decorrido esse tempo, quem deseje permanecer no país anfitrião,
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deve “exercer uma atividade económica por conta alheia ou própria” e “dispor de recursos suficientes e de um seguro de saúde
para não se converter num encargo” para o país de acolhimento.
26
CAESE junho 2014
O governo germânico tomou nota
do que aconteceu em cidades como Duisburgo ou Dortmund, aonde têm chegado fluxos consideráveis de imigrantes romenos e
búlgaros de etnia cigana, com
poucas oportunidades de se inserirem no mundo laboral, e onde se
registaram incidentes racistas. Por
isso, destinou 200 milhões de euros para ajudar os municípios a
gerir o assunto e recorreu à lei: se
o imigrante não demonstrar que
tem possibilidades reais de conseguir um emprego, será enviado de
regresso ao país de origem, com
a benção de Bruxelas.
As estatísticas, no entanto, são
teimosas. Segundo o instituto alemão de investigações IAB, entre
100.000 e 180.000 romenos e
búlgaros vão chegar à Alemanha
este ano, mas, dos que já aí se
instalaram, somente 7,4 por cento
estão desempregados, um número inferior aos 7,7 por cento no
plano nacional, e bastante abaixo
dos 14,7 que abarca a massa de
imigrantes desempregada. Se se
acrescentar que esses trabalhadores são, além disso, contribuintes
líquidos para o sistema de segurança social, então os responsáveis das Finanças poderiam respirar com um certo alívio.
O perigo de fechar a porta a
outros
“Quando os britânicos vêm aos
milhares aos nossos hotéis, ao
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Mar Negro, e se comportam como
cavernícolas, e bebem e entram
em distúrbios, não dizemos nada.
Iremos comportar-nos muito melhor na Grã-Bretanha quando formos para lá trabalhar, não para
diversão; trabalhar por uma vida
melhor”, refere um trabalhador
búlgaro do setor hoteleiro em
declarações à “The Economist”. O
mesmo poderiam dizer espanhóis
das Ilhas Baleares, onde os
turistas jovens britânicos não se
comportam melhor do que no Mar
Negro.
Acontece que vários governos
europeus tomaram as suas medidas de blindagem para que a
chegada de romenos e búlgaros
seja o menos “traumática” possível. Em França, o ex-presidente,
Nicolás Sarkozy, foi menos diplomático na altura em que governou
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e expulsou centenas de ciganos
romenos, mas outros salvam as
formas e optam pela “dissuasão”.
O governo britânico, por exemplo,
chegou até a formular mensagens
como: “Não venham, pois aqui faz
muito frio”, e ameaçou exigir seguros médicos privados aos que
cheguem sem uma proposta de
emprego já fechada.
27
CAESE junho 2014
E não é apenas na UE que há
fecho de portas. Em fevereiro, a
Suíça efetuou um referendo onde,
no mínimo, o eleitorado aprovou
uma iniciativa para limitar a livre
circulação. A ideia é estabelecer
quotas anuais de licenças de residência, que dependeriam das necessidades da economia suíça.
Curiosamente, os mais prejudicados nesse país não seriam os
búlgaros ou os romenos, mas os
trabalhadores franceses e ale-
mães com boa qualificação que
residem no país helvético, em
número que excede o milhão.
Num artigo publicado em “El
Mundo”, Diego Acosta, académico
em temas de imigração da Universidade King's College, aponta um
perigo subjacente nesta política
de virar as costas a outros europeus mais “pobres”: os governos
não estão a reparar nos interesses dos seus próprios nacionais
que residem noutros países do
bloco. Não apenas os daqueles
que, como turistas, vão fazer farra
para as praias do Mar Negro e
põem cara de poucos amigos
quando o búlgaro que os atendeu
num hotel de Varna aterra em
Heathrow, mas daqueles que vão
desfrutar da sua generosa pensão
nos países do sul da Europa.
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Britânicos no estrangeiro
O especialista cita o caso da Grã-Bretanha, onde residem 2,3 milhões de cidadãos europeus. Se
se olhar em volta, 2,2 milhões de
britânicos são também isso: imigrantes dispersos pelos agora 28
países da UE. Não estariam igualmente em risco de se verem afetados se os países recetores tomassem medidas de retaliação,
mesmo que leves? Seria algo
humorístico, mas qual seria a
sensação em Londres de receber
indicações de Málaga com mensagens do tipo “não venham, pois
aqui faz demasiado calor”?
Em Espanha, estão registados
383.000 britânicos, na sua maioria
reformados que preferem o clima
mediterrânico. E, devido à idade
mais avançada, são pessoas que
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exigem maior atendimento de
saúde. Embora a sua assistência
sanitária estivesse já coberta pela
Segurança Social britânica ou
pelos seus seguros privados, até
à reforma feita pelo governo de
Rajoy em 2012, a sua despesa
nesta área específica recaía muitas vezes sobre o Serviço Nacional de Saúde espanhol. Seria de
afirmar que os britânicos saturam
os centros de saúde espanhóis?
Certamente, como foi dito, não
existem “direitos absolutos” em
matéria de liberdade de circulação. Mas num continente onde,
durante séculos, os países entraram em guerra com relativa frequência e com um entusiasmo
devastador, valeria a pena encon28
CAESE junho 2014
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trar fórmulas para que não haja
europeus “de primeira” e “de segunda” em virtude do lugar onde
lhes coube nascer.
que consiste num segundo subsídio de 391 euros mensais, mais
alojamento e outras ajudas pelo
conceito de família.
Prestações
Alemanha
No caso dos imigrantes que não
têm emprego à sua chegada ao
país, atualmente discute-se se podem obter mais ajudas do que as
que estritamente lhes são concedidas pelos filhos. Em janeiro, a
Comissão Europeia reivindicou
que a Alemanha ampliasse o programa Hartz IV a estas pessoas,
mesmo quando não estivessem a
procurar emprego ativamente.
sociais
na
Os cidadãos europeus que chegam à Alemanha com uma oferta
de emprego na mão, não podem
receber qualquer ajuda durante os
três primeiros meses. Ultrapassado esse período, tanto eles
como as suas famílias podem
aceder a prestações sociais básicas, e se perderem o emprego,
recebem um subsídio de desemprego de seis meses por ano
trabalhado. Esgotado este, podem
recorrer ao programa Hartz IV,
A. R.
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17.jun.2014 N.629