Mcdonaldização no jornalismo: o discurso da velocidade 1 Thaïs de Mendonça Jorge 2 , Doutoranda em Comunicação pela Universidade de Brasília, e Laryssa Borges3 , Aluna de Graduação em Comunicação na UnB O mundo produziu, nas últimas três décadas, mais informações do que nos 5.000 anos anteriores. Em uma edição de domingo do New York Times, o leitor encontra cerca de dois milhões de linhas, com 12 milhões de palavras e 5,5 quilos de papel. (Tognolli, 2002) À mercê da era da informática, essas informações se multiplicam pelo mundo num emaranhado de redes, fibras óticas e satélites. Sob o signo da ultravelocidade, dissolvem-se as fronteiras geográficas, formando um continuum de dados sem correspondências cronológicas. A noção de tempo e espaço é transfigurada. Nas palavras de Moraes (2000), “tudo é perturbadoramente veloz e imediato. O tempo real se dilui e se restaura sem direito a intervalos. As informações, mal chegaram, já estão de partida.” Resultado mais patente disso é o espaço ilimitado proporcionado pela Internet. Na quase uma década de jornalismo online no Brasil, os portais noticiosos reinventaram paradigmas de notícias. Gradualmente, os webjornais agregam serviços não necessariamente jornalísticos ou padrões de notícias que contestam os princípios básicos da profissão. As empresas investem em tecnologia, não para o aprimoramento da informação, mas para chegar ao consumidor antes do concorrente. Essa aparente contradição é o que Sylvia Moretzsohn (2000) chamou de “o fetiche da velocidade”, expressão que designa as condições de trabalho como fruto de uma dinâmica própria, como se a rotina de produção não interferisse no resultado final, as notícias. A alegoria da mcdonaldização, em detrimento de qualquer outro processo comparativo, reside no fato de que, desde que foi fundado por Maurice e Richard 1 Trabalho apresentado à Sessão de Temas Livres da Intercom. 2 Mestra em Ciência Política pela Universidade de Brasília, cursa no momento o Doutorado em Comunicação e é docente na mesma universidade, ministrando as disciplinas Técnicas de Jornalismo, Tecnologias em Comunicação e Elaboração de Projetos em Comunicação. É jornalista profissional desde 1973, tendo trabalhado em veículos impressos e na TV. Presta ainda consultoria nas áreas de Comunicação Empresarial e Assessoria de Imprensa. [email protected] 3 Laryssa Borges é graduanda em Jornalismo na Universidade de Brasília. Foi assessora de imprensa da Primeira Universidade de Yoga do Brasil, freelancer da revista Guia Viver Bem e atualmente é estagiária da sucursal da TV Globo, em Brasília, e da consultoria de informações políticas Santafé Idéias. Como tese para a aquisição do grau de bacharel em jornalismo, se dedicou aos estudos sobre jornalismo online relacionados ao princípio da produção em série de notícias, sob orientação da professora Thaïs de Mendonça Jorge. McDonald - e mais tarde aperfeiçoado por Ray Kroc -, o McDonald’s é símbolo de organização, controle e sucesso, ainda que às custas de uma estandardização antes impensada. Batatas fritas cortadas milimetricamente, marcação do tempo de cozimento de hambúrgueres segundo a disposição na chapa, data de validade instantaneamente determinada ao final do preparo do lanche: todas essas variantes, disseminadas de forma idêntica pelas filiais ao redor do mundo, fizeram com que o McDonald’s servisse de lastro até para índices que medem a inflação.4 Em todos os casos, a referência McDonald’s se baseia nos princípios da homogeneidade e da velocidade. Aplicada ao jornalismo, a teoria da mcdonaldização da sociedade, desenvolvida pelo sociólogo George Ritzer (2000), traz à tona a pasteurização dos conteúdos, numa napsterização sem fim. Assim como nas lanchonetes, as condições de trabalho do jornalista, fator determinante na construção de seu discurso, ficam subordinadas à lógica da velocidade, como se a cultura de cronômetro fosse inerente à realidade, e não um resultado da rotina industrial (Moretzsohn, 2000). As notícias são hoje produzidas em série, como numa linha de produção digna dos Tempos Modernos, o filme de Charles Chaplin que tão bem ilustra a passagem do homem pré e pós-Revolução Industrial. Do leitor, configurado pela dromocracia que resulta das facilidades da notícia no último segundo, espera-se um ávido consumidor de informações, integrado no regime da lesewut 5 , onde a dinâmica ágil consolida as hard news e faz do jornalismo online “uma profissão que fornece serviços, não a coletivos, mas, primeiro, aos indivíduos, e não unicamente em sua capacidade como cidadãos, mas também como consumidores, empregados e clientes”. (Bardoel & Deuze, 1999). Na verdade, desde a década de 1990 já se conhecia e se disseminava nas empresas jornalísticas brasileiras os conceitos de “turbina informativa” e “informaduto” (Saad, 2003), que seriam um conjunto de meios de distribuição destinado a transformar notícias em bits, no formato desejado pelo usuário. 4 Foi a partir dessa padronização na rotina de montagem que o “burgernomics” criou o índice Big Mac. Inventada em 1986 como um guia de verificação da estabilidade financeira, a teoria é baseada no princípio da paridade de poder de compra. Em linhas gerais, no longo prazo as taxas de câmbio tenderiam a se igualar posto que os ingredientes para a fabricação do sanduíche são os mesmos. Isso quer dizer que um dólar, por exemplo, deveria ter poder aquisitivo semelhante em qualquer lugar do planeta. O preço médio de um Big Mac nos Estados Unidos é de U$ 2,71. Os hambúrgueres mais baratos encontram-se na China, a U$ 1,20, e os mais caros, na Suíça, a U$ 4,52, o que significa que o yuan, a moeda chinesa, é a mais desvalorizada de todas, enquanto o franco suíço é a que apresenta maior lastro. 5 Termo alemão para leitura (leser) furiosa (wut) ou a vontade de ler tudo o que existe. Goethe cunhou o termo em alusão aos leitores que consumiam avidamente toda sorte de impressos. Esse conceito da informação – e não mais apenas notícia – como mercadoria caía como uma luva ao setor econômico, a empresários que precisavam de dados da bolsa de valores para tomar decisões, mas as produtoras de materiais noticiosos passaram a considerar muito mais a notícia como “um produto à venda” (Medina,1988). Que poderia, como qualquer outra mercadoria, ser produzido em série e em velocidade para chegar rapidamente ao consumidor; que poderia ser estocado (e gerar um superávit de informação passível de utilização em outros produtos – anuários, livros ou colocados à disposição em outros meios à escolha do leitor6 ); e onde os repórteres seriam produtores de notícia ou provedores de conteúdo inseridos na lógica de uma usina de notícias. Este trabalho trata, portanto, de um fenômeno que ainda está acontecendo e cujas influências só recentemente começaram a ser sentidas. A Mcdonaldização no jornalismo brasileiro se manifesta sob a forma da intensificação de fluxos comunicacionais e traz à tona a pasteurização dos conteúdos, numa napsterização sem fim. Assim como nas lanchonetes, as condições de trabalho do jornalista, fator determinante na construção de seu discurso, ficam subordinadas à lógica da velocidade. Primórdios do McDonald’s Início da década de 1920 nos Estados Unidos. A ilusão de que andar de carro era mais barato que usar o transporte público – idéia implantada no imaginário popular pelas próprias empresas automobilísticas – fazia crescer a quantidade de carros. É dessa época a construção do primeiro motel do mundo e as primeiras formas do sistema drive-in. Como sugere Schlosser, “os drive-ins encaixavam-se perfeitamente na cultura jovem de Los Angeles. Eram genuinamente novos e diferentes, ofereciam uma mistura de moças, carros e comida fora de hora e, portanto, não demorou para que pipocassem sedutoramente em vários cantos da cidade.” (SCHLOSSER, 2001:33) A cem quilômetros do centro da cidade californiana funcionava uma lanchonete de sucesso, que vendia hambúrgueres a 15 centavos a unidade. Era o McDonald Brothers Burger Bar Drive-In. Maurice e Richard McDonald haviam deixado New Hampshire e migrado para o Sul no início da Grande Depressão, em 1930, na esperança de fugir da falência que havia abatido a fábrica de sapatos do pai e agarrar a oportunidade óbvia: Hollywood. Trabalharam como cenógrafos nos estúdios da Columbia e, como não 6 Júlio Moreno ( A mensagem multimídia: rumo à civilização massificada. São Paulo: Agência Estado, 1991, xerox) in Saad, 2003. conseguiram manter o próprio estúdio de cinema, abriram, em 1937, um restaurante drivein de venda de cachorros-quentes. Em 1948, os irmãos McDonald despediram as vinte garçonetes e fecharam o restaurante. Três meses depois, reinauguraram a lanchonete,com novos itens no menu: um tipo de hambúrguer e um de cheeseburguer, três sabores de refrigerante, café, leite, batata frita e uma fatia de torta. Os pratos e copos de vidro foram substituídos; as duas janelas, onde as garçonetes preenchiam os pedidos, foram transformadas em espaços onde os próprios clientes faziam a demanda. O trabalho era agora feito em etapas: uma pessoa grelhava a carne, outra fritava batatas, a próxima cortava o pão, a quarta fazia milk shakes, e a última ficava no caixa. Como explicaria mais tarde Maurice McDonald, “se déssemos às pessoas uma oportunidade de escolha, seria o caos.” Os procedimentos eram detalhados, e as funções, específicas. Os McDonald’s conseguiram a rapidez na produção e a economia de trabalho que Henry Ford havia aplicado em sua linha de montagem de automóveis. O novo sistema, conhecido como Speedee Service, não fez sucesso de imediato. Contudo, em poucos anos, as principais redes de fast food – Jack in the Box, Taco Bell e McDonald’s – já haviam se espalhado pelos Estados Unidos. Entre 1960 e 1973, o número de lanchonetes McDonald’s cresceu 350%. Nesse espaço de tempo, Ray Kroc, vendedor de Multimixers (misturadores para milk shakes), visitou o restaurante dos irmãos McDonald. Dois anos antes havia começado o sistema de franchises. Com 75 mil dólares era possível abrir um McDonald’s. Antes de se tornar o grande nome do ramo alimentício no mundo, o caixeiroviajante Ray Kroc já figurava no rol dos grandes empreendedores americanos, ao lado de John Rockefeller na refinação de petróleo, Henry Ford na montagem de automóveis e Andrew Carnegie na fabricação de aço. Kroc implantou definitivamente o conceito de padronização nas lanchonetes McDonald’s. As primeiras rotinas operacionais eram um resumo de quinze itens de permitido/proibido. O relatório de procedimentos, elaborado pelo gerente do McDonald’s Fred Turner, estabelecia padrões para cada área da lanchonete. As batatas deviam ser cortadas com 8,5mm de espessura; as fatias de queijo constavam de 14,06 gramas; cada hambúrguer, coberto com quatro gramas de cebola. A rotina de produção estava fixada: “Os homens da grelha eram instruídos a colocar os hambúrgueres movendo-se da esquerda para a direita, criando seis fileiras de seis unidades cada. E como as duas primeiras fileiras ficavam mais distantes da fonte de calor, eles eram instruídos (a ainda são) a virar a terceira fileira primeiro, depois a quarta, a quinta e a sexta, antes de virar as duas primeiras.” (LOVE, 1986: 179-180) Com o fim da Segunda Guerra Mundial, Ray Kroc contratou antigo funcionário dos estúdios MGM para fazer publicidade de suas lanchonetes. A nova população americana, formada basicamente por crianças, seria o público-alvo. O mascote escolhido foi o cozinheiro Speedee, um boneco com cabeça de hambúrguer. Logo foi rebatizado para Archie McDonald – numa alusão aos já famosos arcos amarelos. Em 1965, os franqueados John Gibson e Oscar Goldstein lançaram o novo mascote, cujo nome foi baseado em uma simples rima: Ronald McDonald. Canteiros de sorvetes, árvores de hambúrgueres, fontes de refrigerante. Adotando uma abordagem descentralizada, a empresa começou a construir playgrounds pelos Estados embrulhados como presentes, Unidos. As refrigerantes crianças ficaram com canudinhos fascinadas: coloridos, sanduíches refeições acompanhadas de brindes. Além de tudo, na recepção havia um palhaço!7 O Brasil foi o 25º país do mundo a ter instalada uma lanchonete McDonald’s em seu território. Pioneiros na América Latina, os arcos dourados foram fincados em Copacabana, no Rio de Janeiro, em fevereiro de 1979. Logo se espalharam para São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. O primeiro Drive-Thru brasileiro foi inaugurado em 1984, na avenida Juscelino Kubistcheck, capital paulista. Um ano depois, durante o festival Rock in Rio, 58.185 sanduíches foram vendidos em uma única filial do McDonald’s. Hoje, com mais de 1,2 mil pontos de venda, a McDonald’s deve o êxito no mercado brasileiro aos franqueados. A quantidade de restaurantes por franchise cresceu 325% em sete anos. Maior empregador privado do Brasil, com 36 mil funcionários, as lanchonetes faturaram, em território nacional, R$ 1,65 bilhão em 2003. US$ 41,5 bilhões foi o faturamento global da instituição.8 O Big Mac como símbolo No dizer de Featherstone, “o sushi-bar, o ligue-pizza, o delivery chinês ou o Big Mac já não podem ser vistos a partir de seus antigos vínculos orgânicos com as culturas de origem ou Estados-Nação. Passam a fazer parte de uma cultura culinária fast-food, à qual 7 A Associação Americana de Serviço de Alimentação Escolar calcula que cerca de 30% das escolas de Ensino Médio dos Estados Unidos estejam oferecendo fast food de marca em suas cantinas. 8 Dados oficiais da McDonald’s Corporation, referentes a 2002. pode-se recorrer com naturalidade, na China, no Uruguai ou nos Estados Unidos. Uma culinária desterritorializada, que transita por um novo (e sobreposto) território, que pode ser designado de global”. (FEATHERSTONE, 2001:22). A tese do sociólogo George Ritzer (2000) de que há uma “mcdonaldização das sociedades” encampa a idéia de que a intensificação de fluxos culturais engendrados pelo processo de transnacionalização conduz à homogeneização do globo, a pequenos mundos domesticados por um grande centro difusor de idéias. As novas tecnologias esboçam perfil inusitado: difícil soberania nacional do ponto de vista da cultura, mas, ao mesmo tempo, inabilidade para o estabelecimento de uma convenção internacional que congregue padrões comuns de pasteurização. O expurgo de boa parte das condições fundamentais da vida humana tem um ímpeto mensurador, racionalizador e padronizador. O projeto de modernidade da globalização neoliberal é, segundo Ritzer, a eficiência, calculabilidade, previsibilidade e controle. A padronização da gestualidade para a produção no menor tempo possível retoma os primeiros conceitos de produção de F.W. Taylor, no início do século XX. O neotaylorismo do fast food exclui sentimentos e emoções ao padronizar o paladar e induzir à impessoalidade sensorial, aniquila os contextos culturais ao propor a mesma filosofia de comida rápida, além de servir exatamente a mesma comida com praticamente os mesmos nomes. Trabalha-se ao mesmo ritmo e com a mesma idéia de temporalidade, espacialidade e quantificação. É a previsibilidade e o condicionamento do público para a pressa, o imediatismo, o desejo de saciedade instantânea. O fast food afasta-se da gastronomia e se aproxima da engenharia, distancia-se da diferença e se avizinha da repetição, minimiza o processo para valorizar os resultados. Não se pode confundir globalização com americanização. A globalização pode parecer um fenômeno descentralizado e não controlável por um grupo de países. Segundo Ulrich Beck (2000), “na realidade, as conseqüências da globalização atingem ou podem atingir os Estados Unidos, assim como a França, a Itália, a Alemanha ou os países asiáticos. Tampouco se pode dizer que estejamos diante de uma cultura global, principalmente porque isso pressupõe uma unidade e um nível de abandono da cultura local ainda não verificável. Existe, sim, uma “economia global”, posto que as políticas econômicas tendem a ser parecidas e influenciáveis. Ampliado o conceito a partir da atividade econômica, pode-se identificar bens, comportamentos de mercado, comércio e produtos para consumo generalizados por toda uma região ou para o mundo inteiro. Hoje, os sanduíches Big Mac, além de serem consumidos fisicamente enquanto substâncias materiais, também são consumidos ideologicamente como imagem e ícone do american way of life. São produto de um centro dito superior (ou mais desenvolvido economicamente) que há muito tem sido representado como o centro do mundo. Para os periféricos, oferece-se a possibilidade dos benefícios psicológicos de uma identificação com os poderosos. (Featherstone, 1997). Como mostra o antropólogo chinês Yunxiang Yan (2002), em Pequim as lanchonetes McDonald’s representam “tudo que é americano e a promessa de modernização”. Na Alemanha do pós-guerra, por exemplo, o quadro é mais emblemático. Atualmente, menos de um terço do mercado gastronômico alemão é formado por restaurantes de comida típica. O McDonald’s Deutschland é a maior empresa alimentícia do país. Existem vários McDonald’s espalhados pelas cidades alemãs. Um deles, porém, destoa do contexto em que está inserido. Os sanduíches são os mesmos, as cadeiras são as mesmas, os preços são os mesmos. É um prédio comum, não fosse o fato de ter sido construído a menos de 500 metros de um campo de concentração. O primeiro construído pelos nazistas, o centro de trabalhos forçados de Dachau foi responsável por experiências médicas bizarras, torturas contra ciganos, judeus, homossexuais e a morte de 30 mil pessoas. O lucro com os turistas do Holocausto era certo. Houve uma campanha com a distribuição de folhetos com a mensagem “Bem-vindo a Dachau e bem-vindo ao McDonald’s”. (Schlosser, 2001). Daí poder-se utilizar o signo McDonald’s como alegoria para a massificação da cultura e a padronização de um estilo de vida. A indústria do jornalismo online Os conceitos de cultura de massas e de indústria cultural são pré-requisito para se compreender os contextos econômicos, sociais e culturais em que surgiu e se desenrola o jornalismo contemporâneo e, mais propriamente, a indústria do jornalismo online. Hoje o webjornalismo é uma atividade mercantil com características bem definidas, sejam elas a produção em série, as regras precisas de construção da notícia-mercadoria ou o estabelecimento de saberes e tecnologias próprias. Para Emir Sader, uma ambiguidade central cruza a grande imprensa: ela desempenha uma função pública, mas é uma empresa privada. No limite, torna-se incompatível a busca de rentabilidade por parte da empresa jornalística com a função de informar e ser um espaço minimamente democrático de debate. Sua lucratividade faz com que ela perca independência, conforme passa a buscar maior rentabilidade, participando de outros ramos econômicos e, assim, passando a ter interesses materiais que limitam ainda mais sua isenção. No período pós Primeira Guerra Mundial, a perda da fé na virtualidade da economia de mercado acarretou num ceticismo em relação à democracia política. Segundo Schudson (1982), “esse ambiente cultural de ceticismo, aliado à suspeição generalizada pela influência crescente da propaganda de guerra, da contra-informação e das relações públicas, conduziu os jornalistas ao desenvolvimento de uma sofisticada noção de objetividade entendida como separação entre ‘fatos e opiniões’. (...) A objetividade, neste sentido, significava que as afirmações de uma pessoa acerca do mundo podiam ser fiáveis se fossem submetidas às regras estabelecidas consideradas legítimas por uma comunidade profissional”. No jornalismo online, parece que a objetividade tem três propósitos primários: primeiro, alcançar o maior número de públicos e camadas sociais e impedir suspeitas sobre a parcialidade dos jornalistas de facções contrárias; segundo, proteger os jornalistas de eventuais processos de difamação; e terceiro, não perder tempo com análises de desdobramentos e chegar com a notícia em primeira mão. Ora, se a chave para compreender as notícias é conhecer seu processo de produção, no jornalismo online isso significa analisar a importância das agências de notícias e o que Sylvia Moretzsohn (2002) chamou de “fetiche da velocidade”. As agências de notícias são a hegemonização da racionalidade por parte do utilitarismo. Desprezando o questionamento crítico, elas reduzem a participação do cidadão à condição de leitor. Os pacotes de notícias são despejados pelo mundo na busca de uma uniformidade, a serviço dos atores hegemônicos (Reuters, France Press, Associated Press). Como no McDonald’s, o cardápio é reduzido a itens específicos, o pacote de informação vem lacrado e, para as jornalistas de veículos online, isso corresponde a um manual de instruções de uso. “Controlados pelo cronômetro, dedicados à atualidade, obcecados pela novidade, os jornalistas estão continuamente envolvidos numa batalha aparentemente perdida para reagir aos (mais recentes) acontecimentos. (...) A ‘invisibilidade’ dos processos e das problemáticas exige poder de resposta por parte do campo jornalístico, exige meios para fazer a cobertura de algo não-definido no espaço nem no tempo, exige tempo para elaborar a cobertura.” (Traquina, 2001) É no despotismo do dead line que o webjornalismo encarna outra característica da mcdonaldização: a previsibilidade, a pasteurização das notícias. Vejamos nos exemplos abaixo, como os textos de repetem: Presidente deve passar o dia descansando no Palácio da Alvorada 29/05/04 - 10:33 Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva antecipou a sua volta do México e chegou no início da manhã de hoje em Brasília. O desembarque, na Base Aérea, ocorreu por volta das 6 horas da manhã. Do local, o presidente seguiu direto para o Palácio da Alvorada, onde está descansando e deve passar todo o fim de semana. A viagem do México ao Brasil durou cerca de nove horas. O presidente deixou a cidade de Guadalajara ontem (28), às 21h30 (hora de Brasília), depois de participar da 3ª Cúpula da América Latina e Caribe-União Européia (...) Lula deve passar o final de semana no Palácio da Alvorada 29/05/2004 - 11h15 da Folha Online O presidente Luiz Inácio Lula da Silva antecipou sua volta do México e chegou no início da manhã deste sábado em Brasília. O desembarque, na Base Aérea, ocorreu por volta das 6h. Do local, o presidente seguiu para o Palácio da Alvorada, onde descansa e deve passar o fim de semana. A viagem do México ao Brasil durou cerca de nove horas. O presidente deixou a cidade de Guadalajara na sexta-feira, às 21h30 (hora de Brasília), depois de participar da 3ª Cúpula da América Latina e Caribe-União Européia (...) Política Lula passa o domingo no Alvorada 30/05/2004 – 11:03 BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece neste domingo, no Palácio da Alvorada, onde está descansando. Lula chegou ontem de manhã da viagem à China e ao México e retoma suas atividades no Palácio do Planalto amanhã. Às 9h, o presidente despacha com assessores e, às 10h, participa de reunião com a coordenação política. Às 12h30, Lula despacha com o chefe da Casa Civil, ministro José Dirceu. Segundo informações da Radiobrás, às 14h30, na Base Aérea de Brasília, o presidente comparece à cerimônia de embarque das tropas militares brasileiras que vão participar de missão de paz das Nações Unidas no Haiti. Às 15h30min, Lula tem despachos internos (...) A dependência das agências de notícias pode ser explicada, em grande parte, pelo fato de que “os jornalistas confiam não só em outros jornalistas, mas também nas formas narrativas à volta das quais trabalham”. (Schudson, 1993) Isso quer dizer que as agências possuem nível de confiabilidade suficiente para que suas notas sejam reproduzidas sem maiores questionamentos. Como mostrou o jornalista Felipe Freire, ex-repórter da Folha Online, em conversa informal, no caso do exemplo acima, “o pessoal que fica na redação de São Paulo pega os textos e ‘cozinha’. Ninguém foi cobrir o evento. O texto foi reescrito com base em notícias de agências”. Como disse Mariana Mainenti Gomes, então estagiária no site Investnews, da Gazeta Mercantil, “pensa-se duas vezes antes de dar um telefonema para checar uma informação (...) porque sabe-se que a conseqüência desse cuidado será instantaneamente refletida na tela do assinante, em forma de um ‘vazio’ de notícias.” (Moretzsohn, 2002). O irracionalismo da ânsia pela velocidade, pelo considerar a rapidez condição de sobrevivência e de lucratividade, transforma os jornalistas em trabalhadores de uma linha de montagem semelhante às de Ford e Taylor no início do século XX. O radicalismo da produção de notícias abafa o clássico mote de “parem as máquinas” para sugerir o eterno trabalho das rotativas. Com a quebra de fronteiras, os fluxos culturais e o consumismo global proporcionam identidades partilhadas num espaço ilimitado e uma nivelação ao patamar mais conveniente: o da dromocracia, a articulação da sociedade, da economia e da cultura segundo a lei da velocidade, tendo como base tecnologias digitais. (Trivinho, 2002) A máxima “ser interativo ou não ser”, desenvolvida por Marc Guillaume (1989), parece perder a importância para o “ser veloz ou não ser”. Só depois da rápida conexão e do recebimento instantâneo de informações é que se fica, verdadeiramente, imerso na modernidade. Não basta estar online em um computador alheio, defasado ou lento. As linguagens cibernéticas nutrem-se da perfeição, como a legitimar a condição sine qua non da web como a mais eficaz e imprescindível tecnologia e, por conseqüência, o webjornalismo como o mais necessário dos mídia. O saldo dificilmente se afastaria da artificialização do mundo, da virtualização generalizada da vida social. Aqueles que buscam incessantemente a contemplação dionisíaca frente ao monitor de última geração ou à informação fresquinha não percebem que, enquanto dromoaptos, não passam de conservadores, exatamente o contrário do arrojo para o qual vivem. Ser veloz é, invariavelmente, assumir a submissão ao ritmo social ditado pela máquina. Sobre os inaptos, pesa o distanciamento da velocidade, paradigma de normalidade e socialmente aceitável. Mas de que adianta investir na última palavra em tecnologia se o que interessa não é a qualidade da informação, mas sim “chegar mais rápido que o concorrente”? É como se o computador mais bem equipado fosse, em alguma instância, símbolo de ativismo. Eis aqui o princípio mais evidente da dromocracia cibercultural: o internauta. Embebido pelo frenesi digital, dificilmente identificará que perde substancialmente sua subjetividade e seu poder de dizer não. Laymert Garcia dos Santos9 diz que o mundo “toma como referência absoluta, como equivalente geral, não mais a riqueza, mas a velocidade, [que] vai se afirmando como idéia pura e sem conteúdo, como puro valor, que ameaça ultrapassar até mesmo o valor do capital”. Os sites noticiosos, munidos da filosofia de que “o público precisa saber”, vêem na instantaneidade a questão de que “o público precisa saber mais rápido”, afinal é esse o ritmo do mundo. (Moretzsohn, 2002) Por essa razão Sylvia Moretzsohn (2002) sugere que a velocidade é um fetiche, “segundo a qual o produto do trabalho, tão logo assume a forma de mercadoria, passa a ter ‘vida própria’, a valer por si, escondendo a relação social que lhe deu origem.” Aos 9 Autor do prefácio de “Velocidade e Política”, de Paul Virilio. jornalistas dromoaptos, o foco é o chamado “tempo real”, é o chegar na frente do concorrente e alimentar o sistema com dados novos. Nas palavras de David Harvey (1993), “há um incentivo onipresente para a aceleração, por parte de capitalistas individuais, do seu tempo de giro com relação à média social, e para fazê-lo de modo a promover uma tendência social na direção de tempos médios de giro mais rápidos. (...) O efeito geral é, portanto, colocar no centro da modernidade capitalista a aceleração do ritmo dos processos econômicos e, em conseqüência, da vida social”. Em verdade, a velocidade é uma característica básica do capitalismo, resumida na expressão “tempo é dinheiro”. A indústria jornalística, por conseguinte, não poderia estar fora dessa prática. Como sugere Ramonet (1999), “não é mais possível analisar a imprensa fora da lógica do ‘tempo real’, que submete todas as formas e meios através dos quais se pratica o jornalismo”. A velocidade se evidencia, por exemplo, no slogan da CNN, “slow news, no news”. A emissora inventou a cobertura 24 horas, o que exige que as notícias sejam atualizadas na menor fração de tempo possível. Na brasileira BandNews, com seu mote “muito mais notícia”, as matérias são reprisadas de hora em hora. Na GloboNews, “o seu canal de jornalismo 24 horas no ar”, são inseridos programas de debate na grade de programação. Muitas vezes, o mundo vai mais devagar do que a pretensão de notícias inéditas a todo instante. Diferentemente da televisão, os sites – no vácuo de matérias provocado pelo “tempo real” – reproduzem notícias de variedades, sempre retiradas de agências internacionais. Até as alternativas para a falta de notícias são as mesmas notícias. A qualidade é aí identificada, portanto, com a rapidez na transmissão da informação. Mas os processos de checagem e apuração certamente ficam comprometidos. As condições de trabalho – e o reflexo na produção do discurso – ficam à mercê do fetiche. As notícias, atualizadas a cada segundo, perdem em credibilidade e teor ético. Em relação às fontes de informação, por exemplo, “devido ao pequeno número de pessoal e à pequena disponibilidade de tempo, os jornalistas se mostram ativos apenas na busca de um pequeno número de fontes regulares que anteriormente tenham se mostrado disponíveis e adequadas(...) Outras vezes, esperam que as fontes façam contato com um repórter e lhe ‘vendam’ uma idéia para reportagem.” (Gans, 1979) As fontes, pois, dominam a relação, capacitando-se a participar dos processos jornalísticos. Ao repórter, cabe napsterizar dados fornecidos exatamente por seu entrevistado. Os jornalistas das redações escrevem cada vez mais sobre fatos que não observaram e sobre assuntos de que não entendem – precisam de bons informantes e intérpretes da realidade; as fontes empresariais e institucionais, geradoras de fatos e atos de relevância social, e detentoras da capacidade de explicá-los, não sobrevivem sem a comunicação com os ambientes externos – precisam dos meios. O problema é que, nesse ajustamento de conveniências, o jornalismo freqüentemente se reduz a algumas técnicas usadas como ferramentas de propaganda, para servir a interesses particulares – às vezes, dos próprios jornais e jornalistas. (Chaparro, 1994) Por isso é comum o fato de as matérias publicadas em sites jornalísticos colherem opiniões de apenas um dos envolvidos. A reportagem torna-se, em muitos casos, um mero depoimento. Na ânsia pelo “informar primeiro”, os jornais, antes de se preocuparem com o seu público, preocupam-se com os concorrentes. Daí o “fetichismo do presente” em que vivem os jornalistas. Conclusões É nesse aluvião de informações em tempo real que os conteúdos, pedra de toque do jornalismo de prestígio, caem na mesmice. A apuração é medíocre; as fontes, restritas; a reprodução de matérias, uma constante. O fascínio pelas novas tecnologias, que disponibilizam informações cada vez em velocidade mais alta, leva a profissão ao risco de se tornar banalizada, sem função social, inserida a tal ponto no mercado que não há diferença entre consumir uma notícia e um sanduíche. A Mcdonaldização do jornalismo é uma tendência em que só o discurso é o da velocidade. Na realidade, o que se consegue é ocultar as maneiras como são obtidas as notícias, as condições de trabalho desumanas dos jornalistas e a concorrência às vezes desleal e sempre frenética em busca de dar a notícia primeiro. Assim, as redações online parecem ter se tornado meros centros de informação pasteurizada. Os jornalistas, entrincheirados em seus computadores, copiando e reproduzindo conteúdos de agências de notícias ou mesmo textos de outros jornalistas, reiteram a hipótese de que o jornalismo e, em especial, o online, é apenas um dos elementos que compõem o marketing-mix da comunicação. Referências bibliográficas ADORNO, Theodor. A Indústria Cultural. In Gabriel Cohn (org.), Comunicação e Indústria Cultural, 1987. ADORNO, Theodor & HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. ALGER, Dean. Megamedia. Lanham: Rowman & Littlefield, 1997. BAUDRILLARD, Jean, A Sociedade de Consumo. Lisboa: Edições 70, 1981. BERGER, Peter & LUCKMANN, Thomas. A Construção Social da Realidade. Petropólis: Vozes, 1973. BRIGGS, Asa & BURKE, Peter. Uma História Social da Mídia: de Gutenberg à Internet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004. BRYMAN, Alan. Disney and his worlds. s/l. Routledge, 1995. CASTELLS, Manuel. 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