UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS I
CURSO - PEDAGOGIA
ELISANGELA PEREIRA DA SILVA
PERCEPÇÃO DAS FAMÍLIAS NO TRABALHO REALIZADO
PELA CRECHE
SALVADOR
2011
1
ELISANGELA PEREIRA DA SILVA
PERCEPÇÃO DAS FAMÍLIAS NO TRABALHO REALIZADO PELA
CRECHE.
Monografia apresentada como requisito
parcial para obtenção da Graduação em
Pedagogia do Departamento de Educação da
Universidade do Estado da Bahia,Sob
orientação do Profº. Fernando Roque Lima.
SALVADOR
2011
2
SILVA, Elisangela Pereira da Percepção das famílias no trabalho realizado pela
creche / Elisangela Pereira da Silva. – Salvador, 2011. 39f. Orientador: Prof.
Fernando Roque Lima. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) –
Universidade do Estado da Bahia. Departamento de Educação. Colegiado de
Pedagogia. Campus I. 2011.
Contém referências e anexos.
1. Creches. 2. Educação pré-escolar. 3. Família. 4 .Professores de educação préescolar - Atitudes. I. Lima, Fernando Roque . II. Universidade do Estado da Bahia,
Departamento de Ciências Humanas.
CDD: 362.712
3
PERCEPÇÃO DAS FAMÍLIAS NO TRABALHO REALIZADO PELA
CRECHE
Monografia apresentada como Requisito
parcial para obtenção da Graduação em
Pedagogia do Departamento de Educação
da Universidade do Estado da Bahia, sob
a orientação do Profº Fernando Roque Lima.
Aprovada em 30 de setembro de 2011
___________________________________________________________________
Prof° Fernando Roque Lima - Orientador
Profª Rilza Cerqueira Santos
SALVADOR
2011
4
AGRADECIMENTOS
A Deus, por ter me dado oportunidade de trilhar esse caminho.
À minha família querida por todo apoio necessário.
Ao meu orientador que me apoiou nos momentos difíceis e que me ajudou a chegar até o
fim.
À Creche Santa Rita que recebeu com carinho a minha proposta de trabalho.
Aos professores da minha faculdade que contribuíram para ampliação dos meus
conhecimentos.
Aos profissionais da Creche e as famílias entrevistadas que “abriram suas portas” para a
realização desse trabalho.
5
RESUMO
O objetivo desta monografia foi identificar se realmente os critérios para um bom
atendimento a creche está se enquadrando, analisando sua rotina e suas principais
atividades e como sua atividade pedagógica se desenvolve. E os objetivos específicos
foram: mostrar a creche como espaço de interação social das crianças; conhecer as
mudanças significativas sobre a creche ocorrida nas Leis Nacionais; perceber a creche
como extensão do ambiente familiar. O problema deste trabalho que foi tentar responder
as seguintes questões: Como os pais veem as creches? Os pais acham vagas nas
creches para os filhos?Porque os pais colocam seus filhos nas creches? A linha teórica
que embasou minhas reflexões foi a sócio- interacionista, que concebe a criança e suas
relações com o meio ambiente, considerando a criança como um sujeito ativo no seu
desenvolvimento, visto como um processo dinâmico que produz novos conhecimentos
através de suas relações afetivas, de pensamento e linguagem. O teórico escolhido para
fundamentar este trabalho foi Vygotsky. Do ponto de vista metodológico, nesta
monografia foi proposta uma pesquisa de campo sobre o tema, com leituras e análises
das produções especializadas em livros já publicados, artigos na internet e pesquisa de
campo. O estudo foi realizado na Creche Santa Rita que é mantida por uma associação
filantrópica e conveniada com a Prefeitura de Lauro de Freitas. Durante esse estudo, foi
analisada a história das creches no Brasil e como perdurou até hoje uma visão
assistencialista e que é muito recente essa elevação da educação infantil em creches
como direito e uma opção para a família. Nesse trabalho evidenciou o espaço da creche
como ambiente que promove aprendizagem e relacionamento, e também, pontuar a
creche como extensão do ambiente familiar onde ela se torna principalmente para as
mães uma extensão dos seus afetos. Nas considerações finais é apresentada a
importância das relações de uma creche e sua amplitude destacando a importância de
que a criança seja reconhecida, tendo voz ativa e sendo ouvida.
Palavras-chave: Educação Infantil; creche; Famílias.
6
ABSTRACT
The objective of this monograph was to identify if really the criteria for a good attendance
the day-care center is if fitting, analyzing its routine and its main activities and as its
pedagogical activity if it develops. E the specific objectives had been: to show the day-care
center as space of social interaction of the children; to know the significant changes on the
occured day-care center in the National Laws; to perceive the day-care center as
extension of the familiar environment. The problem of this work that was to try to answer
the following questions: How the parents veem the day-care centers? The parents find
vacant in the day-care centers for the children? Because the parents place its children in
the day-care centers? The theoretical line that based my reflections was the interacionista
partner, that conceive the child and its relations with the environment, considering the child
as an active citizen in its development, seen as a dynamic process that produces new
knowledge through its affective relations, of thought and language. The chosen
theoretician to base this work was Vygotsky. Of the metodológico point of view, in this
monograph a field research was proposal on the subject, with readings and analyses of
the productions specialized in published books already, articles in the Internet and
research of field. The study Saint was carried through in the Day-care center Rita who is
kept by an association filantrópica and conveniada with the City hall of Lauro de Freitas.
During this study, the history of the day-care centers in Brazil was analyzed and as it
lasted today until a assistencialista vision and that it is very recent this rise of the infantile
education in day-care centers as right and an option for the family. In this work it
evidenced the space of the day-care center as surrounding that it promotes learning and
relationship, and also, to pontuar the day-care center as extension of the familiar
environment where it mainly becomes for the mothers an extension of its affection. In the
final considerações it is presented the importance of the relations of a day-care center and
its amplitude having detached the importance of that the child is recognized, having active
voice and being heard.
Keys Word: Infantile education; day-care center; Families.
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO..............................................................................................................10
2 RETROSPECTIVA HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO BRASIL.............14
2.1 A EDUCAÇÃO INFANTIL NO CONTEXTO BRASILEIRO......................................14
2.2 AS LEIS QUE CONTEMPLARAM A EDUCAÇÃO INFANTIL NO BRASIL.............17
3 CRECHE, ESPAÇO DE EDUCAÇÃO E RELACIONAMENTO................................19
3.1 A CRECHE ENQUANTO ESPAÇO DE EDUCAÇÃO..............................................19
3.2 A CRECHE AMPLIANDO OS RELACIONAMENTOS DAS CRIANÇAS..................22
4 CRECHE COMO EXTENSÃO DO AMBIENTE FAMILIAR.................................... 24
4.1 A CRECHE COM UM JEITO DE FAMÍLIA ..................................................... ........24
5. METODOLOGIA..................................................................................................... 28
6. ANÁLISE DA PESQUISA DE CAMPO................................................................... 28
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................34
REFERÊNCIAS.............................................................................................................37
ANEXOS....................................................................................................................... 39
8
INTRODUÇÃO
Há poucas décadas, era impossível pensar na creche como um ambiente alegre, colorido,
espaçoso e atraente, como brinquedos pedagógicos e atividades lúdicas. Eram principalmente os berços que tomavam conta de toda a sala. Não que eles não sejam necessários, mas seus lugares e a centralidade na creche foram aos poucos sendo dimensionados frente às novas concepções de criança e de educação coletiva de bebês e crianças
bem pequenas em espaços coletivos. (CORSINO, 2009)
De acordo com Corsino (2009) é por meio das práticas sociais e institucionais que as
crianças compreendem o mundo e a si mesmas. Ao longo dos últimos anos, tem crescido
a consciência coletiva acerca das necessidades educativas das crianças de 0 a 6 anos e
as creches têm se consolidado como tempo/espaço construído culturalmente para possibilitar a ampliação das experiências assim como o desenvolvimento das potencialidades
cognitivas, estéticas, sociais e relacionais da criança em grupo.
Fiz o curso de Magistério e continuei trabalhando na área de educação, como professora
nossa intenção era cursar Pedagogia, entretanto não tinha tempo por causa do trabalho.
Finalmente em 2007 apareceu uma oportunidade, ingressei por vestibular na UNEB, para
pedagogia no turno noturno, pois já trabalhava durante todo o dia em uma creche e sentia
na prática escolar que precisava de atualização e ampliação de novos horizontes em
relação a esta área.
Através do trabalho nesta instituição, ficou evidente o quanto ela era necessária e urgente
nesse bairro, pois a maioria são mães empregadas domésticas, faxineiras e diaristas, são
pessoas que não tem condições de pagar uma creche particular para cuidar de seus
filhos.
Durante muito tempo, em nosso país, as creches eram consideradas como uma ação
assistencialista. Felizmente, a legislação valorizou a Educação Infantil se tornando a
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primeira etapa da Educação Básica, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (Lei 9.394/96), tendo como finalidade o desenvolvimento integral de crianças de
zero a seis anos em creches e pré-escolas, compreendendo os aspectos físicos,
emocionais, afetivos, cognitivos e sociais. De acordo com os Referenciais Curriculares
Nacionais de Educação Infantil (1998), está designado às creches o atendimento para
crianças de zero a três anos, podendo se estender até quatro anos e meio em alguns
municípios, se assim for necessário. (MICHELLI e FISCHER, 2011)
Ainda segundo Michelli e Fischer (2011) a Creche possui um ambiente social de
aceitação, de confiança, de contato corporal, brincadeiras, conversas. Portanto, é
considerado um lugar rico em possibilidades para adquirir novas e positivas experiências
e linguagens: corporais, cognitivas, afetivas e emocionais. Talvez a característica mais
importante da creche seja o convívio, a construção de relacionamento. Enfim, a
participação em um grupo social e a busca de sentido de pertencimento a uma
comunidade. Afinal, nós humanos somos seres sociais.
A escola dos pequeninos deve ser um ambiente livre onde o princípio pedagógico
deve ser o respeito à liberdade e à criatividade das crianças. Nela os pequeninos
devem poder se locomover, ter atividades criativas que permitam sua auto suficiência, e a desobediência e agressividade não devem ser coibidas e sim
orientadas. (LISBOA, 1998, p.15).
Diante dessa realidade, por experiência própria, percebe-se uma sensação de
desconforto dos pais em matricular seus filhos na Creche pesquisada, embora sendo uma
creche recentemente inaugurada, portanto, sem históricos negativos. Essa situação nos
fez elaborar o problema deste trabalho que foi tentar responder as seguintes questões:
Como os pais veem as creches? Os pais acham vagas nas creches para os filhos?Porque
os pais colocam seus filhos nas creches?
Esta pesquisa se justifica em mostrar aos pais ou responsáveis que a creche deve ser
entendida como uma instituição educativo-profissional tornando-se o primeiro local onde a
criança vivencia diversas situações sociais. Desde os momentos assistenciais, tais como:
alimentação, higiene e descanso, até as brincadeiras e atividades pedagógicas.
O objetivo deste trabalho foi identificar se realmente os critérios para um bom atendimento
a creche está se enquadrando, analisando sua rotina e suas principais atividades e como
10
sua atividade pedagógica se desenvolve. Sendo que os objetivos específicos foram:
mostrar a creche como espaço de interação social das crianças; conhecer as mudanças
significativas sobre a creche ocorrida nas Leis Nacionais; perceber a creche como
extensão do ambiente familiar.
A linha teórica que embasou minhas reflexões foi a sócio- interacionista, que concebe a
criança e suas relações com o meio ambiente, considerando a criança como um sujeito
ativo no seu desenvolvimento, visto como um processo dinâmico que produz novos
conhecimentos através de suas relações afetivas, de pensamento e linguagem. O teórico
escolhido para fundamentar este trabalho foi Vygotsky que reconhece que a criança
aprende através de trocas entre o sujeito e o meio em que ele está inserido, propiciando
uma interação que complementa a ampliação do desenvolvimento infantil. O professor,
além de transmitir conhecimento e avaliar, é o principal responsável em favorecer no
relacionamento, a interação entre as crianças.
Essa interação que ocorre na creche entre as crianças, propicia do desenvolvimento de
suas relações afetivas e ampliação de sua aprendizagem. Segundo Vygotsky (1979) é de
suma importância que a criança no seu aprendizado possa interagir com adultos e
crianças, promovendo uma cooperação que desperta seus processos internos,
trabalhando o nível de desenvolvimento potencial – a fase que a fase que as crianças
fazem suas tarefas com o auxílio do outro, quanto o nível de desenvolvimento real, em
que a criança realiza sua atividade sozinha. É importante que o professor avalie como
está sua interação com o grupo, se está atendendo as necessidades das crianças para
que estas tenham autonomia sobre suas ações. Como ressalta Vygostky;
No entanto, no momento em que as crianças desenvolvem um método para
guiarem a si mesmo, e quando elas organizam a sua própria atividade de acordo
com uma forma social de comportamento, conseguem, com sucesso, impor a si
mesmas, uma atitude social (1934, p.30).
Do ponto de vista metodológico, nesta monografia foi proposta uma pesquisa de campo
sobre o tema, com leituras e análises das produções especializadas em livros já
publicados, artigos na internet e pesquisa de campo. Segundo Barros e Lehfeld (2000,
p.34) o investigador na pesquisa de campo assume o papel de observador e explorador,
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coletando os dados no local em que se deram ou surgiram os fenômenos. A pesquisa foi
realizada na Creche Santa Rita, em Itinga, o bairro mais populoso da cidade de Lauro de
Freitas, ela está localizada estrategicamente próximo ao movimento de ônibus e de
comércio.
Os recursos metodológicos desta pesquisa foram; observação participante, entrevista e
fotografia, com a intenção de analisar a realidade de uma creche que não oferece
somente cuidados básicos: higiene, alimentação e hora do sono, mas como também
inúmeras atividades tanto pedagógicas quanto recreativas. A organização do tempo na
creche é distribuída para que não haja ociosidade e uma preocupação em ocupar as
crianças com atividades criativas.
Através de uma entrevista realizada com os pais e funcionários da creche foram
expressas o que cada um entende sobre creche, sua importância para as famílias. A
seleção dos sujeitos que escolhi foram aqueles que pudessem oferecer dados
significativos para o estudo. Foram incluídas profissionais com categorias diferenciadas:
professoras, zeladoras e auxiliares de classe, pois não há homens atuando na unidade.
Esta monografia está dividida em três capítulos. O capítulo I contempla a retrospectiva da
história da educação infantil e sua evolução através das legislações para o
reconhecimento da educação da criança de 0 a 6 anos.
No segundo capítulo traz descrições das atividades realizadas em creche e sua
importância para o desenvolvimento integral da criança atendendo critérios estabelecidos
pelos Parâmetros. Vimos como é importante o espaço oferecido em uma creche e que
seus equipamentos e recursos sejam adaptados às crianças.
Já no terceiro capítulo, apresento as influências da família no ambiente da creche, a
importância dessa participação e relato da entrevista que desenvolvi durante a
observação com os pais e funcionários da creche. O quarto capítulo trata de uma
pesquisa de campo, em que foram entrevistados pais e professores de uma Creche
Conveniada que se colocaram a partir das perguntas que lhes foram feitas. Nas
considerações finais é apresentada a importância das relações de uma creche e sua
12
amplitude destacando a importância de que a criança seja reconhecida, tendo voz ativa e
sendo ouvida.
2. RETROSPECTIVA HISTÓRICA DA EDUCAÇÂO INFANTIL NO BRASIL
2.1 A EDUCAÇÃO INFANTIL NO CONTEXO BRASILEIRO
As referências históricas da creche são unânimes em afirmar que ela foi criada para
cuidar de crianças pequenas, cujas mães saiam para trabalhar. A Revolução Industrial, no
século XVIII, na Europa, deu partida ao emprego da mão-de-obra feminina, transformando
e alterando assim a maneira de cuidar e educar as crianças. Como os homens também
trabalhavam em indústrias têxteis, as crianças pequenas acabavam ficando em casa
sozinhas. Assim ocorreram: mortalidade infantil elevada, desnutrição e acidentes
domésticos, o que começou a despertar atenção e sentimentos piedosos de religiosos,
educadores e empresários. Com a consolidação da CLT de 1943, as empresas com mais
de trinta mulheres trabalhadoras deveriam oferecer um espaço para a guarda da criança
durante a amamentação (FREITAS, 2003).
No contexto histórico do surgimento das creches no Brasil, ela surge no final do século
XIX, também proveniente do processo de industrialização e urbanização do país e
também das modificações do papel da mulher na sociedade capitalista. Portanto, a creche
nasce para uma necessidade do capitalismo e uma necessidade da mulher e também por
questões sociais, não por causa da criança. A história das creches segundo OLIVEIRA
(1992)
Liga-se às modificações do papel da mulher e suas repercussões no âmbito da
família, em especial no que diz respeito a educação dos filhos. Essas modificações
inserem-se num conjunto complexo de fatores presentes na organização social,
com suas características políticas, econômicas e culturais. Em especial, a creche
deve ser compreendida dentro de um contexto social onde inclui expansão da
industrialização do setor de serviços, ao mesmo tempo em que a urbanização se
torna cada vez maior.
Compreende-se que, com o aumento da urbanização, as cidades incham, cresce também
o desemprego e subemprego. Como alternativa, médico, juristas e a Igreja católica
13
articulam com o estado o Plano de assistência às populações menos favorecidas dando
um novo nome a caridade, a “Filantropia” que nasceu para diminuir os gastos, controlar os
pobres e incentivar a soberania do capitalismo.
Ainda de acordo com Oliveira (1992) nos anos 20, os Estado concede estímulos fiscais ao
atendimento à criança oferecendo professores, funcionários, material pedagógico e
mobiliário escolar, cabendo à sociedade civil a manutenção e prestação de serviços.
Para a classe média, as creches foram criadas para diminuir a criminalidade, favorecer o
ingresso da mulher no mercado de trabalho e poderia também diminuir a mortalidade
infantil privando culturalmente essa população, pois essa criança era cuidada nos moldes
da classe média. A decisão de matricular o filho na Educação Infantil é movida por
diferentes razões. Alguns precisam apenas de um lugar para deixá-lo, enquanto outros
entendem que esse é o ambiente mais apropriado para os pequenos. Nos dois casos, os
primeiros dias na creche costumam não ser fáceis. (MICHELLI e FISCHER, 2011)
Na década de 30, o grande foco das creches era grande preocupação dos sanitaristas
com as condições de higiene da população mais pobre e através da creche seria feito
esse controle iniciando com as crianças que eram vítimas de doenças por más condições
de moradia e carência de atendimento médico. O que se priorizava no atendimento feito
às crianças era a alimentação, higiene, segurança física, ou seja, um atendimento
assistencial que não direcionava a atividades que estimulassem seu desenvolvimento
intelectual e social. (OLIVEIRA, 1992)
Conforme Oliveira (1992) na década de 40, com Getúlio Vargas no poder, com as
pressões populares, houve mudanças nas Leis trabalhistas (CLT), essa lei explicitava
que cada empresa teria que organizar berçários para que as mães pudessem amamentar
seus filhos durante o período de aleitamento. Essa lei não foi cumprida devido a falta de
fiscalização do governo. As creches se integram a uma política de proteção à
maternidade e a infância.
Como afirma Rosemberg (1983), são inegáveis as conquistas dos movimentos de lutas
por creches, tanto em relação á oferta desse equipamento, quanto à mobilização e
14
organização das classes populares. Nos anos 50, a procura por creches aumenta devido
o processo intenso de industrialização e urbanização. A Creche não tinha como
preocupação a educação da criança. Apresentavam um programa de educação mais
voltado ao comportamento social que intelectual, aliás, desde a origem, as creches tinha
objetivos assistenciais e os jardins da infância criado por Froebel, na Alemanha era
tipicamente educacional.
Nos meados dos anos 60, diminuem as exigências para as instalações pois era tudo
muito caro e dispendioso, alguns espaços alternativos já vinham sendo usados e
estimulados por organizações internacionais como OMEP e UNICEF. Em meados dos
anos 70, tem-se um período de inovação de políticas sociais nas áreas de educação,
saúde, assistência social, previdência. Na educação, o nível básico é obrigatório e gratuito
estendendo este nível para oito anos em 1971. (OLIVEIRA, 1992)
Trazendo para a década de 70, a lei 5692/71 destaca o surgimento do termo pré-escolar
que expressava que as crianças menores de 07 anos fossem amparadas por jardins de
infância, escolas maternais ou Instituições equivalentes. O desenvolvimento da creche
variava de um grupo social para o outro. As crianças mais carentes eram atendidas por
creches sem propostas educativas velando pela sua saúde e segurança, enquanto isso a
creche das crianças mais ricas tinha como objetivo ampliar o seu cognitivo em um
ambiente estimulador. (MICHELLI e FISCHER, 2011)
Em meados dos anos 70, tem-se um período de inovação de políticas sociais nas áreas
de educação, saúde, assistência social, previdência. Na educação, o nível básico
é obrigatório e gratuito estendendo este nível para oito anos como também o princípio de
municipalização do ensino fundamental. Nessa década houve uma participação muito
significativa da mulher nas organizações e reivindicações apoiada pela Igreja católica com
o movimento das CEBs e o movimento feminista ganha força. (OLIVEIRA, 1992)
Portanto, é possível afirmar que o nascimento das Instituições de educação infantil no
Brasil, encontra-se ligado às exigências, necessidades e vontade das mulheres de
entrarem no mercado de trabalho, desenvolvendo diversas atividades fora de casa.
15
Em 1979, acontece o primeiro congresso da Mulher paulista que contou com a
participação de várias associações, entidades e clubes de mães das periferias tendo
como única pauta a reivindicações por creches “totalmente gratuitas e próximas aos
locais de moradia e trabalho. (MICHELLI e FISCHER, 2011)
2.2 AS LEIS QUE CONTEMPLARAM A EDUCAÇÃO INFANRIL NO BRASIL
Podemos dizer que, em termos históricos, é recente a incorporação da Educação Infantil
no âmbito educacional. Essa novidade gera uma série de debates sobre qual é a identidade e qual é a função deste segmento educacional.
Na década de 80, houve um grande avanço com a Constituição de 1988 que foi a primeira
constituição que trata a criança enquanto sujeito de direito e sendo assim, confirma a
creche como uma instituição educativa, um direito da criança, uma opção da família e um
dever do estado (artigo 208, inciso IV) confirmado pela LDB 1996 (artigo 30/I/II). (BRASIL,
1996). A educação infantil será oferecida em:
I – creches ou entidades equivalentes para crianças até 3 anos de idade.
II – pré-escolas, para crianças de 4 a 6 anos de idade, o que representa uma ruptura com
todo um passado marcado pelo assistencialismo.
No ano de 1990, foi divulgado o estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
Lei 8.069/90, que trata dos direitos da criança, com foi citado no pronunciamento do
Ministério da criança (BRASIL, 1996, p. 14).
 Direito a um nível adequado ao seu desenvolvimento físico, mental, espiritual e
social.
 Direito ao lazer, ao divertimento, à participação em atividades recreativas e na vida
cultural e artística.
 O Estatuto prioriza creches e escolas como um direito da criança
Para complementar esse direito em 20 de novembro de 1996, foi promulgada a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação, a Lei vigente 9.394, que não somente inclui a educação
infantil como primeira etapa da educação básica, garantindo atendimento gratuito para
16
crianças de 0 a 6 anos em creches e pré-escolas. Como a LDB apresentou, a educação
infantil deixou de ser um paliativo para ser um sistema de educação, que tem com
objetivo o desenvolvimento integral da criança, destacando a relação da família com a
instituição infantil e a participação do poder público na concretização da mesma. (BRASIL,
1996)
Com todo avanço da educação infantil para sua implementação não de cunho assistencial
e sim como objetivos de educar e buscar novos conhecimentos para crianças de creches
e pré-escolas, o sentido social da creche é muito novo no espaço educacional como uma
modalidade de ensino. Como afirma Moraes:
“É relativamente recente conceber a creche como tendo uma tarefa principalmente
educativa. Foi preciso todo um movimento histórico que possibilitou mudanças
significativas na forma de conceber a criança, o modo como ela se desenvolve e as
funções da família. A creche teve que superar toda visão assistencialista com que
era identificada.” (2001,p.14).
A esse respeito podemos afirmar que os direitos das crianças garantidos no papel,
demonstram um avanço jurídico, num entanto, o resultado desse avanço necessita ser
traduzidos em ações concretas no campo das políticas sociais para a infância brasileira.
Demo (1997) afirma que a LDB assume uma visão interdisciplinar e aponta para a
integração das creches a Educação básica. Elas passam a ser instituições educativas
com o compromisso de acompanhar e avaliar o desenvolvimento integral da criança, por
meio de profissionais habilitados e eficazes no comprimento dessa função.
Entende-seque este breve histórico sugere que a creche, na trajetória de aparecimento e
redefinição de papéis, conta com os movimentos populares tradutores de um
compromisso com a luta social. Ela surge como uma conquista não só da mãe ou da
família, mas como uma conquista social, produto de um processo interativo da
sociedade.
17
3. CRECHE, ESPAÇO DE EDUCAÇÃO E RELACIONAMENTO
3.1 A CRECHE ENQUANTO ESPAÇO DE EDUCAÇÃO
A educação de crianças pequenas em instituições de educação infantil é reconhecida
como um investimento necessário para o seu desenvolvimento integral desde os
primeiros meses. Não há o que discutir, todos têm direito à educação de qualidade. O
acesso à creche e a pré-escola é um direito constitucional de toda criança. (MICHELLI e
FISCHER, 2011)
Diante desse quadro, percebe-se que a responsabilidade social da creche como
instituição é de contribuir para a educação das crianças, superando problemas
relacionados a sua função, à formação do profissional inserido nela, ao uso adequado de
recursos, e ao ambiente apropriado.
Organizar o cotidiano das crianças na creche implica em enfrentar os nossos próprios
conceitos sobre escola e espaços, pois somos fruto de uma escola que possui um espaço
“fechado e limitado”. Nós temos dificuldade em trabalhar com “corpos que se
movimentam”, em geral, quando o educador organiza a sala de aula fora da rotina das
classes enfileiradas, a simples modificação de tal disposição lhe causa transtornos que o
fazem retomar antigas práticas. (MICHELLI e FISCHER, 2011)
Por muito tempo, se afirmou a estratégia de se controlar o pensamento das crianças por
meio do controle dos movimentos. Na realidade os espaços escolares sempre foram
organizados para controlar e vigiar a ação infantil.
Baseado nos Parâmetros Nacionais de qualidade para Educação Infantil, a proposta
pedagógica de uma creche deve atender a princípios éticos, políticos e estéticos. Através
desses princípios na formação da criança há presença do desenvolvimento da autonomia,
responsabilidade e solidariedade. Mas também é colocada a importância da criança
reconhecer seus direitos e deveres e fazendo o exercício do respeito aos colegas. A
creche deve possibilitar que a criança utilize sua sensibilidade, criatividade para as mais
variadas atividades que são a elas oferecidas. (BRASIL, 1998)
18
Em relação à função educativa e elaboração de propostas pedagógicas OLIVEIRA afirma
que:
A creche passa a ser vista como responsável junto a família, pela promoção do
desenvolvimento das crianças, ampliando suas experiências e conhecimentos. A
função educativa da creche irá exigir o planejamento de um currículo de atividades,
o qual deverá considerar tanto o grau de desenvolvimento das crianças quanto os
conhecimentos culturais básicos a serem por elas apropriados (...) uma proposta
pedagógica apropriada para a creche implica em optar por uma organização que
garanta o atendimento de certos objetivos julgados mais valiosos do que os outros.
Ela é elaborada a partir de uma reflexão sobre a realidade cotidiana da criança, o
meio social onde seus pais, e ela mesma vivem. Não pode ignorar os desejos,
necessidades e conflitos destas populações (1992, p.23-64).
Compreende-se que, a criança se desenvolve na e pela interação com outras pessoas de
seu meio ambiente, principalmente as pessoas que fazem parte do seu cotidiano e que
cuidam dela. É através dessa interação com outras pessoas, adulta e crianças que, desde
o nascimento, o bebê vai construindo suas características; modo de agir, de pensar, de
sentir e desenvolver sua visão de mundo, seu conhecimento nessa interação contínua e
estável com outros seres humanos, ela desenvolve todo um repertório de habilidades
ditas humanas.
A criança passa a participar do mundo simbólico do adulto, comunica-se com ele através
da linguagem, compartilha a história, os costumes e hábitos de seu grupo social, o que
garante ao ser humano sua imensa capacidade adaptativa aos mais variados meios
físicos e sociais. Portanto, o atendimento para essas crianças deve ser oferecido em
ambientes adequados, preferencialmente planejados para este fim, pois o espaço físico é
um dos componentes educativos, e este ambiente deve incentivar o desenvolvimento
integral das crianças. (OLIVEIRA, 1992)
Observando as salas, como são organizadas, elas revelam um espaço tomado de mesas
e cadeiras tomando todo o espaço central e brinquedos, materiais e tapete nos arredores,
assim como é a condução das práticas ali ocorridas que se atêm muito mais a atividades
com papel e lápis na mesa. Isso demonstra que na rotina da creche o tempo e o espaço
da brincadeira para os maiores são mais restritos, uma vez que a preocupação central é
prepará-los para a escola. Assim, o espaço é organizado para atividades que se
pretendem homogêneas e uniformes, com centralidade no adulto, repetindo o modelo
escolar. (MICHELLI e FISCHER, 2011)
19
Batista (Ibid., p.86) cita Mariano Enguita para o qual “a infância foi substituída pela
alunância”, quando descreve rotinas da creche que “revelam fortes indícios da
semelhança com as práticas educativas escolares”, ressaltando o parque como: “espaço
de excelência das brincadeiras entre as crianças”. No espaço da sala, em sua
configuração igual ao da escola, fundamentalmente na sala dos maiores, presenciei as
crianças tornarem-se alunos, com espaços e atividades únicas e fixas.
Rocha (2001, p.28) propõe um marco diferenciador entre a escola, a creche e a préescola:
Enquanto a escola se coloca como espaço privilegiado para o domínio dos
conhecimentos básicos, as instituições de Educação infantil se põem, sobretudo
com fins de complementaridade à educação da família. Portanto, enquanto a escola
tem como sujeito o “aluno” e como objeto fundamental o “ensino” nas diferentes
áreas, através da “aula”, a creche e a pré - escola, têm como objeto as “relações
educativas” travadas num “espaço de convívio coletivo” e tem como sujeito a “a
criança” de 0 a 6 anos de idade (ou até o momento em que entra na escola).
De acordo com Abramowiz,
“A creche é um espaço de socialização, de vivências e interações”. (1995,p.39).ou
seja, neste espaço, a criança consegue estabelecer relações entre o mundo e as
pessoas, transformando-o em um pano de fundo no qual se inserem emoções. Essa
qualificação do espaço é que transforma em um ambiente.
O RCNEI aconselha que esses ambientes infantis, de uma maneira geral, acomodem
confortavelmente as crianças, dando o máximo de autonomia para o acesso e uso dos
materiais. Esses locais devem favorecer o andar, o correr e o brincar das crianças.
(BRASIL, 1998)
Portanto, devemos pensar nas atividades oferecidas na creche para o desenvolvimento
da criança e como devem ser organizados. É importante que seja ressaltado em todas as
atividades como hábitos de higiene, alimentação, brincadeiras livres e atividades
pedagógicas o desenvolvimento da autonomia da criança respeitando as particularidades
de cada uma.
Froebel e Montessori foram os grandes precursores da importância da organização do
espaço na metodologia do trabalho com crianças pequenas. Já legitimavam um espaço
organizado para crianças pequenas, o qual procura integrar princípios de liberdade e
20
harmonia interior com a natureza, propondo um arranjo espacial em ambientes muito
diferentes dos vividos na época deles por crianças com menos de seis anos. A grande
inovação da época foi o fato de adequar os espaços abertos às necessidades das
crianças pequenas.
A instituição de Educação Infantil é um espaço pedagógico, onde o adulto tem um
importante trabalho de mostrar o mundo para as crianças e deve diversificar ao
máximo o lugar das atividades oportunizando sempre
passeios, entrevistas,
excursões, atividades dentro e fora da sala de aula, proporcionando maiores
interações e leitura do mundo. (CRAIDY, 1998, p. 23).
Sintetizando, o espaço é algo socialmente construído, refletindo normas sociais e
representações culturais que não o tornam neutro e, como consequência, retrata hábitos
e rituais que contam experiências vividas.
3.2 A CRECHE AMPLIANDO OS RELACIONAMENTOS DAS CRIANÇAS
Destaco a importância de a afetividade estar atrelada à construção de conhecimentos
favorecendo o desenvolvimento da criança, pois quando existe uma boa relação com seu
educador, a criança se sente segura tendo autoconfiança no que faz. De acordo com
Vygotsky (1979) “Aquilo que a criança aprende com auxílio, amanhã poderá fazer
sozinha”.
No desenvolvimento da aprendizagem, a mediação é um instrumento que nas relações
possibilita mudanças nas relações de uma pessoa pela intervenção de outra, promovendo
também uma mudança no seu meio social, no seu modo de agir, de pensar e suas
relações com o meio. Como explica Oliveira, “a experiência da criança em um
determinado ambiente é ativa ao mesmo tempo em que ela modifica este meio ela é
modificada por ele, em especial pela interação com outros indivíduos”. (1992, p.29).
A criança aprende por si, em um espaço propício ao teste de hipóteses em um processo
contínuo de fazer e refazer, onde o indivíduo é o centro do seu próprio percurso.
Chamando a atenção para importância do brinquedo e do ato de brincar, como forma de
comunicação e materialização de idéias e descobertas que, valorizam, estimulam e
facilitam a construção do conhecimento. (BATISTA, 1998)
21
Ainda segundo Batista (1998) no brincar, o pensar, o compartilhar, o conhecer, o
significar, o saber, o aprender, são ingredientes indispensáveis para construção do
conhecimento pleno, onde, as fantasias externas e internas do mundo infantil são
compartilhadas e socializadas com o “outro” e com o meio. Fazem parte do brincar, todas
as formas de expressão, que deixam a criança livre para se comunicar e interagir com o
grupo e com o meio criando e recriando a vida.
Na Creche percebemos que na sua rotina é necessário e deve haver atividades que
envolvam o cuidar e educar, sendo estas propostas desenvolvidas nas mais variadas
situações, que poderão ser pedagógicas estruturadas ou até em brincadeiras livres. Por
isso, tanto os profissionais quanto as crianças quando chegam nesta instituição
encontram uma rotina diária que é comum a todos os grupos de crianças (hora de entrar
na creche, hora de entrar na sala, hora do lanche, hora do parque, hora da higiene, hora
do almoço, hora do descanso e, assim, sucessivamente até o final do dia). O que se
verificou é que as ações dos adultos (professor e auxiliar) estão subordinadas a esta
sequenciação hierárquica, cabendo-lhes adequar os diferentes ritmos das crianças ao
ritmo único da rotina da instituição. (BATISTA, 1998)
Mesmo que se atribua atividades padronizadas a todas as crianças em função de uma
rotina que tem como certo a previsibilidade dos acontecimentos onde é possível prever
o próximo ato, não se consegue evitar a imprevisibilidade constituída na dinâmica do
cotidiano plural onde se entrecruzam diferentes concepções de mundo carregadas de
sentido e significado construídos no contexto social e cultural do qual as crianças fazem
parte. (BATISTA, 1998)
O universo da criança é constituído pela imprevisibilidade, espontaneidade, ludicidade,
imaginação, criatividade, fantasia, pluralidade, brincadeira de faz-de-conta, linguagem
artística, gestual, corporal, musical, entre tantas outras. A importância do espaço para a
Instituição de Educação Infantil privilegia a organização, pois é um elemento primordial
para que a instituição realize um atendimento de qualidade.
22
4. CRECHE COMO EXTENSÃO DO AMBIENTE FAMÍLIAR
4.1 A CRECHE COM UM JEITO DE FAMÍLIA
Estudiosos conferem significados a família a partir de categorias operacionais condizentes
com sua perspectiva. Neste sentido, família tem sido definida sobre vários aspectos: do
ponto de vista das relações biológicas da consanguinidade, como lócus de reprodução,
como unidade de produção e consumo, pelos códigos legais, por padrões de residência,
como depositária da cultura, por sua função socializadora, educativa e por vários outros
critérios. (ARIÉIS, 1973)
A história aponta que o modelo nuclear de família que hoje parece tão natural, só se
efetivou por volta do século XVIII, com a privatização da instituição familiar e a passagem
das funções socializadoras para o espaço mais restrito do lar. O “ sentimento de família “
(Ariéis, 1973), tão conhecido no século XX, resultou de uma transformação ocorrida em
fins do século XVIII e início do século XIX, que passou de realidade moral e social a
realidade afetiva. Esta seria produto de uma revolução qualitativa no terreno das
representações mentais e outras importantes transformações econômicas sociais e
políticas da época.
Sabe-se que, segundo esses estudos, a família moderna teria trazido consigo novas
posturas e comportamentos em relação à crianças, criando outras formas de intimidade
entre pais e filhos e a supervalorização do amor materno.
Este modelo de família nuclear - pai, mãe e filhos, inicialmente limitados a burguesia
passou a ser um ideal para a maioria da sociedade após o primeiro período da
industrialização. Apesar de não ser condizente com a realidade social, ele é tomada como
referência e implica muitas vezes em idealizações e normatizações, que acabam gerando
crenças e expectativas no âmbito do cotidiano. Pressupõe a idéia de um grupo estável,
com determinadas tarefas – procriar e cuidar da prole. Nesta perspectiva, o pai, proveria
com seu trabalho todas as necessidades da família, enquanto a mãe carinhosa,
compreensiva e infatigável - cuidaria da casa e das crianças. Fica implícito neste modelo
ideal de família, que tanto o pai quanto a mãe encontrariam intensa satisfação em seu
23
trabalho e digna recompensa econômica que proporcionaria um clima de segurança e
perfeita harmonia, de modo a propiciar o crescimento saudável das crianças.
Os RECNEI apontam que existem famílias independentes da classe social a qual
pertencem se organizam das mais diversas maneiras. Além da família nuclear que é
constituída pelo pai, mãe e filhos proliferam hoje as famílias monoparentais, nas quais
apenas a mãe ou o pai está presente. Existem, ainda, as famílias que se reconstituíram
por meio de novos casamentos e possuem filhos advindos dessas relações. Há, também,
as famílias extensas, comuns na história brasileira, nas quais convivem na mesma casa
várias gerações e/ ou pessoas ligadas por parentescos diversos. É possível ainda
encontrar várias famílias coabitando em uma mesma casa. Enfim, parece não haver
limites para os arranjos familiares na atualidade. (BRASIL, 1998)
As crianças têm direito de ser criadas e educadas no seio de suas famílias. O Estatuto da
criança e do adolescente reafirma, em seus termos, que a família é a primeira instituição
social responsável pela efetivação dos direitos básicos das crianças. Cabe, portanto, às
instituições estabelecerem um diálogo aberto com as famílias, considerando-as como
parceiras e interlocutoras no processo educativo infantil.
Um contato mais direto entre educadores de creche e os pais das crianças geram um tipo
de relacionamento singular e muito especial, sobre o qual estes profissionais necessitam
refletir.
Apesar de que vivemos numa sociedade com profundas transformações sociais recentes,
os papéis do homem e da mulher vêm sofrendo questionamento, vem influenciando na
forma que a creche é socialmente concebida, mas, de uma coisa não houve mudanças, a
família é a responsável de cuidar e educar a criança pequenina. Isto se reflete, por vezes,
na dificuldade, relutância ou insegurança por parte da família para decidir colocar seu filho
pequeno na creche.
A mãe, em especial, o dilema por tomar esta decisão pode se manifestar mais
intensamente, visto que a mulher é ensinada, desde pequena, a valorizar a maternidade e
o cuidado dos filhos como funções essenciais para que ela se “complete como mulher”.
Por isso, existe sempre certo sentimento de culpa quando algo não vai bem com o bebê.
24
Tal sentimento não se manifesta claramente, mas acompanha as ações da mãe como um
fantasma. (ARIÉIS, 1973)
Ainda segundo Ariéis (1973) ao levar o bebê para a creche, os primeiros contatos que a
mãe estabelece com a instituição são sentimentos muitas vezes contraditórios como
sentimento de culpa e alívio, apreensão e alegria. Grande parte das recomendações,
reclamações e comentários das mães em relação aos cuidados de seus filhos na creche
expressam estes sentimentos, principalmente por estarem dividindo com outras pessoas
as “suas responsabilidades de mãe”. Também não deixam de ser uma maneira de
algumas mães resistirem a esta divisão de responsabilidades.
Apesar desta característica comum, as relações entre mães e educadoras variam muito
devido a vários motivos, dentre eles está à qualidade do atendimento da creche e a
abertura que esta creche oferece a estas famílias, pois é exatamente estas duas
concepções se cruzam sobre o papel da creche e da família. (ARIÉIS, 1973)
Se a creche não oferece um bom atendimento, as queixas são frequentes e legítimas
entre as mães, a vizinhança ou mesmo em gestos e ações que demonstram insatisfação,
desinteresse ou pouca colaboração frente às condutas que a creche toma com seus
filhos.
Mesmo uma creche que ofereça um bom atendimento, mas se fecha diante das famílias,
enfrentará também um clima de tensão neste relacionamento. Quem se deparar com uma
creche assim poderá assistir a muitas situações de rivalidade entre as duas instituições a
creche e a família na verdadeira luta que parece travar para determinar qual das duas
está tendo mais competência em relação à educação das crianças. (ARIÉIS, 1973)
Diante da realidade que vivemos percebemos um esforço das creches em tentar
aproximar os pais, ter mais abertura. Mas, também devemos ter o cuidado de não deixar
a acontecer que os pais tomem conta, não respeitem horário, entrem e saiam qualquer
hora da creche, exigindo atenção dos educadores o tempo todo. Portanto, as famílias
precisam ter certos horários e limites de espaços, para se manter um bom atendimento
para a criança, que é o objetivo principal do trabalho na creche.
25
Sendo assim, a creche que se preocupa com o aumento de participação da família
precisa desenvolver uma preparação tanto de seus profissionais quanto das famílias, para
que esta participação não seja prejuízo da qualidade do atendimento e consequente
insucesso da iniciativa.
Abrir as portas da creche significa reconhecer que a creche é um dos contextos de
desenvolvimento da criança compartilhando com a família a educação da mesma. Isto
implica em compartilhar os sucessos e as dificuldades que se apresentam e, acima de
tudo, transformar este trabalho em colaboração mútua. Ora, não podemos esquecer que a
creche se torna para mãe uma extensão de seus afetos. Para qualquer ser humano é
natural que expresse os sentimentos carinhosos e agressivos em relação às pessoas
mais próximas e não com estranhos. (ARIÉIS, 1973)
O educador tornar-se essa pessoa que não é da família, nem colega de trabalho, mas que
é muito conhecido. Da mesma forma para o educador, em geral a mãe, torna-se uma
pessoa diferente dos colegas de trabalho e diferente da sua própria família: alguém com
quem se construiu uma relação cheia de detalhes, intimidades e emoções. Afinal, os
familiares e os educadores estão ligados a um afeto comum, a criança e a creche é o seu
lugar de expressão.
Como foi discutida anteriormente, a concepção de família corresponde, para uma grande
maioria de pessoas, ao modelo da família nuclear burguesa, tão difundido e naturalizado,
como aquilo que é o desejável. E por mais que o cotidiano denuncie, e contradiga essa
visão idealizada, ela ainda se mantém e se nutre como uma expectativa, uma crença, um
porto seguro.
26
5. METODOLOGIA
Neste capítulo apresentei a pesquisa de campo que se desenvolveu mediante a
observação dos participantes, aplicação de questionários com questões específicas,
história de vida e entrevistas com docentes, corpo técnicos e familiares das crianças da
creche, por meio da qual foi possível colher dados significativos e relevantes para este
trabalho.
Esta pesquisa foi realizada na Creche Santa Rita, situada no Condomínio Parque Santa
Rita, Caminho 17, s/n, no bairro da Itinga, na cidade de Lauro de Freitas Bahia. Sua data
de fundação foi dia 16 de maio de 2005. E quem esteve a frente desse projeto foi o Padre
Michel Schelpe, Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e Santa Catarina de Sena
com ajuda de estrangeiros, conseguiu construir, mobiliar e garantir salários de alguns
funcionários durante três anos.
A Creche também recebe apoio da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas, através de
um convênio, sendo fiscalizada pela Secretaria de Educação. Outro auxílio é a
Associação de São Norberto ajuda na manutenção da Creche.
Essa Instituição é muito procurada por que oferece educação infantil em tempo integral,
por ter um fácil acesso e movimento de ônibus. A creche funciona num espaço doado
pelo condomínio segundo os documentos durarão 50 anos essa doação. Trata-se de um
prédio de dois andares e no espaço exterior funcionam 03 salas, uma cozinha, uma
secretaria, uma pequena sala de vídeo, quatro sanitários e 04 banheiros e uma área
coberta onde geralmente acontecem as brincadeiras. A creche funciona no andar térreo e
no primeiro andar há um grande salão para reuniões e salas para atender a comunidade
local principalmente nos finais de semana.
Observando esse espaço no qual faço parte, tentamos debruçar na realidade e se afastar
um pouco para poder fazer uma real observação da situação. Buscamos montar “as
peças de um quebra - cabeça”, ou melhor, organizar os pensamentos que estão no
momento fragmentado, desarticulado, enfim, desembaçar olhares viciados, não é uma
tarefa fácil. Implica entrar em conflito com algumas idéias, cujo sentido nem ao menos se
27
sabe exatamente, o que desperta uma sensação de impotência, de achar que não se
consegue sair do lugar
Esta instituição nasceu com o propósito de atender as mães que trabalham e não tem
com quem deixar os seus filhos menores e também foi uma imposição dos associados do
Condomínio do Parque santa Rita que exigia que construísse uma creche no espaço livre
que servia como depósito de lixo.
Na verdade, percebe-se um arranjo assistencialista e uma legitimação do capitalismo que
diante do crescimento urbano cria-se a necessidade de atender as famílias mais carentes
embora de um jeito bem mascarado e pretensioso.
As creches nasceram exclusivamente para atender a criança de baixa renda. Foram
criadas estrategicamente para combater a pobreza. O atendimento assistencialista de
má qualidade refletindo um atendimento de baixo custo e de má qualidade, uso
insuficiente de recursos, escassez de recursos de materiais, instalações inadequadas,
ausência de planejamento e currículo, insuficiente formação de seus profissionais.
Para mudar essa concepção assistencialista, é preciso olhar para os aspectos específicos
da educação infantil, revendo concepções e propostas acerca da infância de educação,
de cuidado e de ensino aprendizagem. E o referenciais (1998) e a LDB (1996) apontam
que a função da creche além de assistência deve ser também a de educar privilegiando
práticas pedagógicas de aprendizagem e interação diversa.
28
6. ANÁLISE DA PESQUISA DE CAMPO
No transcurso da investigação entrevistamos 25 famílias e 07 profissionais e tiveram
como objetivo principal conhecer e analisar o entendimento do papel que, tanto a creche
como as famílias atribuem outra em relação à educação das crianças. Para facilitar a
coleta foi elaborado um pequeno roteiro que serviu apenas como apoio, de modo que as
intervenções não tolhessem a espontaneidade dos sujeitos. Os depoimentos foram
transcritos. As análises dos dados foram sendo feita durante a coleta das entrevistas.
Essa investigação teve como intuito, promover uma articulação entre as realidades
cotidianas, singulares e o movimento social. Nesse sentido, os fenômenos e os processos
singulares foram abordados como parte de uma totalidade maior do que os determinam,
por eles determinados.
Das entrevistas realizadas junto à população da creche coletamos as respostas dos 32
questionários, sendo que, quando perguntamos o que é família para você, 80% dos
entrevistados responderam que é um conjunto de pessoas, que reside com amor, carinho
e solidariedade. 10% dos entrevistados responderam que é um referencial para a criança
10% responderam que é um conjunto de pessoas que tentam viver juntas.
Percebemos nestas respostas, uma visão idealizada de família, onde o desejo de afeto,
de amor e carinho é muito forte e parece habitar em cada indivíduo, mesmo aqueles que
passaram por situações desastrosas e nem mesmo tiveram uma família regular. Por mais
que se vislumbre uma família perfeita, não vamos encontrar, porque o cenário familiar é
dinâmico e cheio de contradições onde cada grupo assume uma feição própria. Nas
famílias entrevistadas, houve muitas falas que demonstram uma visão de família mais
real, que desfazem um pouco essa imagem imutável, que gira em torno de si
De fato, cada família, desenvolve uma maneira particular de se constituir como grupo,
criando uma cultura familiar própria com seus códigos. A família não pode ser entendida
como “desorganizada”, mas como organizada de acordo com as necessidades e desafios
que a vida lhe impõe. No mundo da “família vivida”, apresenta-se, pois uma grande
variedade de formas de organização com crenças, valores e práticas que criam novas
idéias, nova hábitos e soluções para situações cotidianas.
29
Na prática, parece ser forte a resistências a “abrir as portas” para os diferentes tipos de
núcleos familiares frequentemente existente nas classes populares. Na visão de alguns
profissionais da creche existem algumas famílias que utilizam a instituição, mas que são
julgadas como desorganizadas, incompletas e inferiores, quando se refere àquelas
famílias que “não conseguem” viver de acordo com modelo normativo estabelecido.
No que diz respeito à pergunta o que significa creche pra você 80% dos entrevistados
responderam que é local onde podemos deixar nossos filhos e 10% responderam que é a
segunda casa das crianças e 10% dos entrevistados não souberam responder.
Durante a entrevista detectamos que muitos pais não gostam de deixarem suas crianças
na creche porque na realidade na transição, de casa para o ambiente escolar todas as
crianças sentem um choque com a separação dos pais e sua ausência durante todo o dia
que elas passam na creche. A crença de que a Educação Infantil é uma opção da família
que trará benefícios para os filhos e a necessidade de continuar a vida profissional são
dois aspectos determinantes na decisão dos pais sobre esta questão.
A importância da creche no seu no contexto local é atender as crianças na faixa etária de
seis meses a seis anos de idade, na construção de uma sociedade mais democrática e
pluralista com uma atenção especial com todas as famílias da comunidade. Entendemos
que as creches e pré-escolas têm uma função de complementar e não de substituir a
família como na maioria das vezes é entendido. Juntas, família, escola e comunidade
poderão oferecer o que a criança necessita para o seu pleno desenvolvimento e para a
sua felicidade.
Na questão quando se pergunta em que ela contribui para a sociedade, 60% dos
entrevistados responderam que contribui para o desenvolvimento social saudável das
crianças. 40% dos entrevistados disseram que contribui um pouco com a aprendizagem
da criança.
Compartilhar a educação dos filhos significa ampliar estes ambientes e, essencialmente,
participar daqueles que não lhes são imediatos, tal como as creches que são um espaço
importante para crianças. Bronfenbrenner (1998) chama a atenção para o fato de que
30
estas novas iniciativas têm impacto na vida das pessoas envolvidas, criando assim novos
desafios e crescentes oportunidades de desenvolvimento.
De acordo com Rossetti-Ferreira et al. (1994), o período da entrada da criança em uma
creche é um momento crítico para todos os envolvidos. No que se refere à díade mãebebê, há a passagem de um ambiente doméstico e íntimo, para um coletivo com
ampliação de hábitos e relações sociais.
Sabemos que as creches na sua implantação serviam como espaço de cuidado das
crianças enquanto seus pais trabalhavam em atividades extra-domiciliares para garantir o
sustento de suas famílias e que felizmente as disposições constitucionais trouxeram para
os sistemas de ensino precisamente por causa do seu papel educacional.
Quando foi perguntando quais os aspectos positivos numa creche para você. 80% dos
entrevistados responderam que sentir na creche há possibilidade de boa educação, 20%
responderam que profissionais qualificados.
Observamos
a
importância
do
ambiente
educacional
infantil
direcionado
ao
desenvolvimento e bem estar da criança interagindo e intervindo no auxílio do processo
ensino-aprendizagem, na construção de seus mecanismos sensório-motor, afetivo e
cognitivo, utilizando-se dos conceitos espontâneos adquiridos através dos fatores
orgânicos inerentes do ser humano da interação com o mundo ao encontro da cultura
letrada e do conhecimento.
" Para Piaget a aprendizagem tem mais chance de ser efetivada quando pautada
sobre as necessidades da criança.Primeiro, porque o interesse parte da própria
criança, revelando que o seu nível de organização mental está apto a realizar tal
aquisição, já que a necessidade traz implícitas as formas ou estruturas cognitivas
das quais a criança dispõe. Segundo, porque a aprendizagem passa a ser o meio
através do qual a necessidade pode ser satisfeita, a aprendizagem passa a ser
necessária." (PALANGANA,1994, p.73)
Assim, consideramos que na aprendizagem interferem os aspectos sociais, culturais,
políticos do contexto e os aspectos afetivos relacionais e, em geral, tudo o que costuma
ser incluído nas capacidades de equilíbrio pessoal, pois quando aprendemos, nos
31
envolvemos globalmente na aprendizagem, e o processo e seu resultado também
repercutem em nós de maneira global.
Quando foi perguntando quais os aspectos negativos 70% dos entrevistados
responderam que difícil achar uma vaga para o filho, 30% responderam que Construção
da autonomia e independência da criança.
Rinaldi (2002) enfatiza a que a educação infantil é um serviço integrado à família e por
isso nossas ações precisam estar conectadas para que o atendimento às crianças atenda
as demandas, entenda e acolha as vivências da família no momento da inserção.
Todos os pais entrevistados mencionaram os aspectos práticos, racionais e emocionais
sobre a decisão de colocar seus filhos na creche. Mesmo diante da insegurança em
compartilhar com o desconhecido a intensa tarefa de educar e cuidar de seus filhos,
Nós, enquanto educadoras, acreditamos que o papel principal da Educação Infantil é o de
favorecer o acesso das crianças a um universo cultural, amplo e diversificado, centrado
no sujeito do conhecimento e suas interações com o contexto social
Quando foi perguntando se você não trabalhasse você colocaria seu filho na creche ou
cuidaria dele 80% dos entrevistados responderam que não, 20% responderam que sim.
De acordo com Oliveira et. al. (1992), a dificuldade dos pais no que se refere a colocar
seu filho na creche está relacionada com a idéia de que cabe a família os cuidados e a
educação de crianças pequenas. Estes valores ainda estão muito presentes na sociedade
atual. Quanto menor a criança, maior a probabilidade de os pais vivenciarem uma
desestruturação emocional, mesmo que temporariamente.
" O espaço da escola é o território privilegiado à transmissão do conhecimento,
definindo-se através das funções que necessariamente são fixas e incorporadas
pelos atores - professores e alunos. Lembramos, contudo, que, dependendo do
papel cumprido pelo professor, redefinir-se á ou não o lugar que cada um deve ou
deverá ocupar no laço social com o saber." (KEIL E MONTEIRO, 1992, p.183).
Partindo da constatação de Keil e Monteiro (1992) sobre o ambiente escolar, chama-se
atenção para a criança de zero a seis anos, pois o adulto de amanhã será formado hoje,
principalmente na escola que se refere à educação infantil. Os resultados das
32
experiências realizadas pela criança sobre seu meio físico e social, propiciam a
construção dos esquemas motores, ajudam na obtenção da autoconfiança, do respeito,
da socialização e da auto-estima, que servem como estímulos na construção do
conhecimento. Depois que esses dados foram analisados, satisfazendo a proposta desta
pesquisa, torna-se necessário passar para a última fase do trabalho, onde foi exposta a
conclusão sobre os resultados deste estudo.
33
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Sabemos que a Educação Infantil é a primeira etapa da educação básica a LDB,
ressignificou o ensino e, por outro lado deixou grandes lacunas no que diz respeito a
garantias de recurso para esta fase da educação que certamente complementa a ação da
família e da sociedade, no que tange o pleno desenvolvimento da criança pequena.
Essa reflexão nos permite afirmar que pouco tem sido feito para mudar efetivamente a
dura realidade da situação de muitas crianças. É necessário o desenvolvimento de uma
política social que interfira nesse contexto, combatendo a exclusão econômica, cultural e
social. Por outro lado é preciso dizer que a filantropia trás um alento, sobretudo num país
como o nosso com uma população tão carente, mas, ela não é suficiente e não substitui a
aplicação ou criação de Políticas Públicas. Aos poucos a Educação Infantil está sendo
implementada em nosso país, porém com muito pouco recurso até o momento.
Nossas crianças precisam viver a infância em ambientes enriquecedores que favoreçam o
brincar, o descobrir, o aprender, nos quais possam interagir com brinquedos e objetos do
conhecimento físico e social, me refiro aqui, principalmente, a crianças com idade entre
zero e seis anos.
A criança mesmo pequena tem suas vontades, suas necessidades e desejos que
precisam ser considerados, compreendidos e respeitados. Toda ação precisa ser
refletida, discutida antes de ser praticada. Neste sentido, é a criança antes de qualquer
pessoa, precisa ser questionada e ouvida por alguém no qual ela confie, pois é ela que
vai se desligar de um grupo no qual interagia tentar criar um novo vínculo com outras
crianças
A creche é um espaço importante para a socialização da criança com outras crianças da
sua idade, para que assim possam falam a mesma linguagem e desenvolver uma
aprendizagem mútua contando com a orientação dos educadores. E também é o primeiro
passo da criança para aflorar o seu senso de responsabilidade dentro dos seus limites
infantis e desligamento do laço maternal constante e viver outras situações.
34
Esta pesquisa teve como foco responder alguns questionamentos a respeito dos pais que
vê o trabalho de creche como desprestigioso e desvalorizado e também buscar na nossa
própria história, respostas pra estas inquietações. Buscamos também valorizar o trabalho
que realizamos na Creche Santa Rita onde é possível ver um espaço que se preocupa em
atender bem a criança, respeitando sua individualidade e através das inúmeras atividades
cotidianas procurando desenvolver sua autonomia e resgatar o ser criança.
A análise que fizemos na Creche Santa me trouxe uma visão bem ampla a respeito das
necessidades de uma creche e como é importante a dedicação do profissional para que
seja estabelecido um atendimento de qualidade. Pode-se analisar a constatação dessa
afirmativa através destes questionamentos: o que é família para você, 80% dos
entrevistados responderam que É um conjunto de pessoas, que reside com amor, carinho
e solidariedade. 10% dos entrevistados responderam que é um referencial para a criança
10% responderam que é um conjunto de pessoas que tentam viver juntas. No que diz
respeito à pergunta o que significa creche pra você 80% dos entrevistados responderam
que é local onde podemos deixar nossos filhos e 10% responderam que é a segunda
casa das crianças e 10% dos entrevistados não souberam responderam. Na questão
quando se pergunta em que ela contribui para a sociedade, 60% dos entrevistados
responderam que contribui para o desenvolvimento social saudável das crianças. 40%
dos entrevistados disseram que contribui um pouco com a aprendizagem da criança.
Quando foi perguntando quais os aspectos positivos numa creche para você. 80% dos
entrevistados responderam que sentir na creche há possibilidade de boa educação, 20%
responderam que profissionais qualificados. Quando foi perguntando quais os aspectos
negativos 70% dos entrevistados responderam que achar uma vaga para o filho, 30%
responderam que Construção da autonomia e independência da criança. Quando foi
perguntando se você não trabalhasse você colocaria seu filho na creche ou cuidaria dele
80% dos entrevistados responderam que não, 20% responderam que sim.
O espaço que a creche propicia, pode influenciar muito no desenvolvimento da criança,
pois é importante que esta possa oferecer ambientes diversificados e assim apresentar
variadas propostas como músicas, brinquedos, jogos e entre outros para que o tempo na
creche de muitos fazeres.
35
Como ressalta Vygotsky, a criança deve ser estimulada a superar desafios, portanto a
creche em suas atividades deve proporcionar que a criança manipule sozinha alguns
recursos destinados a ela, havendo intervenção do professor quando for necessário.
A presente pesquisa apresenta a importância que as leis propiciou às creches ainda é
muito teorizada e que na prática ainda está muito presente a visão assistencialista e que
nas creches ainda existem todos os problemas que vimos no decorrer da história, má
formação dos profissionais, ambientes insalubres e cheios de crianças, dificultando assim
a melhoria do atendimento e propiciando uma opinião negativa da comunidade e dos pais
que precisam desse espaço para sobreviver.
Neste sentido, acreditamos que o momento atual exige que a educação infantil,
redimensione seu papel, mas também amplie seu campo de pesquisa de forma, a melhor
atender e delimitar as funções e objetivos destas instituições de caráter educativo que
partilham com as famílias a responsabilidade de educar as crianças de zero a seis anos.
Não foi possível deixar de considerar o avanço conquistado no ponto de vista da lei. No
entanto, temos que reconhecer que as preocupações e ações políticas e econômicas para
viabilização das propostas anunciadas para a educação infantil não garantem a sua
concretização principalmente se considerar a escassez dos recursos aplicados na
expansão do atendimento, na formação dos profissionais e na melhoria do atendimento
prestado a crianças pequenas. Neste sentido, o “avanço na conquista dos direitos” se é
que assim podemos chamar, não chega a modificar o cotidiano da creche.
Por ser um tema amplo e complexo, não foi possível esgotar todos os aspectos
subjacentes ao processo, o que não era nossa pretensão. O que investigamos, no estudo,
foi fundamental para nos incentivar a novas buscas e a consecução dos objetivos
propostos. Que este trabalho possa servir de reconhecimento da creche, como também
para desafiar novas pesquisas que possam acolher com atenção essa instituição e seus
diálogos.
36
REFERÊNCIAS:
ABRAMOWICZ,Anete e WAJSKOP, Gisela. Creches: atividades para crianças de zero
a seis anos. São Paulo: Moderna,1995.
ARIÈS, Philipe. História social da criança e da família. 2ª ed.: Rio de janeiro,
Guanabara,1981.
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38
ANEXO I
QUESTIONÁRIO DA PESQUISA
Perguntas para entrevista
1.O que é família para você?
2. O que significa creche pra você?
3. Qual a diferença entre creche e escola?
4. Por que você colocou seu filho na Creche?
5. Em que ela contribui para a sociedade?
6. Quais os aspectos positivos numa creche para você?
7. Quais os aspectos negativos?
8. Se você tivesse uma outra opção, você colocaria seu filho numa creche?
9. Se você não trabalhasse você colocaria seu filho na creche ou cuidaria dele?
39
ANEXO II
FOTOS DA CRECHE EM VÁRIOS MOMENTOS
ALMOÇANDO
FAZENDO A TAREFINHA
FOLCLORE
HORA DO PESO
CARNAVAL
40
HORA DO LANCHE
O FUNDADOR E OS PEQUENOS
41
SAINDO DO BANHO
COMIDA BOA, BEM GOSTOSINHA...
42
HORA DE DESCANSAR
É HORA DE ALEGRIA!!
43
VISITA AS FAMÍLIAS
PASSEIO AO ZOOLÓGICO
44
Download

percepção das famílias no trabalho realizado pela creche