FACULDADE NOVO MILÊNIO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM DÉBORA HELLEN FAGUNDES BARCELOS SOLANGE DA COSTA DEBORTOLI Liderança compartilhada: perfil, conhecimento e ações do enfermeiro no contexto hospitalar. VILA VELHA 2007 DÉBORA HELLEN FAGUNDES BARCELOS SOLANGE DA COSTA DEBORTOLI Liderança compartilhada: perfil, conhecimento e ações do enfermeiro no contexto hospitalar. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação de Enfermagem da Faculdade Novo Milênio, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem. Orientador: PROFª. Ms. ENFª. Mônica Barros de Pontes. Vila Velha 2007 DÉBORA HELLEN FAGUNDES BARCELOS SOLANGE DA COSTA DEBORTOLI Liderança compartilhada: perfil, conhecimento e ações do enfermeiro no contexto hospitalar. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade Novo Milênio do Estado do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem. Vila Velha/ ES, 28 de novembro de 2007. COMISSÃO EXAMINADORA _____________________________________ Profª Ms. Enfª Mônica Barros de Pontes Orientadora _____________________________________ Faculdade Novo Milênio ___________________________________ Faculdade Novo Milênio A Deus, pela sabedoria e perspectiva de vida que me proporcionou, estando sempre presente em minha vida. Ao meu esposo Fábio, com quem tenho dividido a vida, o amor, carinho e apoio, estímulos constantes nesta caminhada. Todo meu Amor. A minha filha Amanda, que com amor veio modificar a minha vida e me impulsionou na construção de um futuro melhor. Obrigada pela sua compreensão e abdicações, me fortaleceu e fez acreditar que sempre é possível. Meu grande orgulho. Aos meus pais, Elias e Eliane, cujo apoio foi incondicional. Com seu exemplo de vida e com suas orações têm fortalecido meu caminho. Meu eterno amor. A Deus, por permitir a realização deste sonho, fortalecendome e apoiando-me nesta caminhada. Minha eterna gratidão. Aos meus pais, Laura e Cleodomir, que me deram a vida e apoio fundamental para esta vitória. Meu eterno amor. A Alberto, meu amor e companheiro que frente às adversidades me encorajou e apoiou em todos os momentos desta jornada. Esta etapa que se cumpre não é um sonho apenas meu, porque nós sonhamos juntos e sua presença em minha vida é uma motivação indiscutível nesta conquista. Todo meu amor. A querida Profª Drª Mônica Barros pela amizade, apoio, compromisso e por acreditar em nosso trabalho. Seremos eternamente gratas. À Drª Maria Cecília Marques Moura e profissionais do Hospital Evangélico de Vila Velha pelo convite, apoio, incentivo e participação nesta pesquisa, contribuindo de forma inestimável para nosso crescimento profissional. Nossa eterna gratidão. Às Profªs Drªs. Marisé Rebelo Pereira Bravo e Regina Célia Diniz Werner, cada uma com sua experiência ímpar contribuíram de modo inestimável em nossa pesquisa, compartilhando momentos gratificantes de aprendizagem. Nossa sincera gratidão. Aos amigos Analice Bahia, Cassiane Girardelli, Jairo Alves, Sandra Lúcia Honorato e Mirella Araújo pela amizade, cumplicidade e companheirismo que tornaram breves estes quatro anos que passamos juntos. Nosso eterno afeto. Aos docentes, especialmente Profªs Maria Goretti T. Brememkamp, Drª Eliana Marquetti e Drª Tânia Mara Ribeiro dos Santos pelo apoio, estímulo e excelente exemplo profissional, digno de ser seguido. Nosso eterno afeto. À querida amiga Carla Bragança, pelo inestimável apoio na fase final de correções desta pesquisa. Nossa sincera gratidão. Aos Amigos do Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo, CTI do Hospital Dório Silva, UTIN do Hospital das Clínicas, Unidade de Saúde da Glória/ PMVV e Escola Técnica de Saúde do Espírito Santo, pela amizade, compreensão, apoio e incentivo inestimáveis para esta conquista. Nosso terno agradecimento. A todos nossos familiares e irmãos em Cristo pelas orações, apoio e compreensão a nós dispensados ao longo desta caminhada. Nossa afetuosa gratidão. A todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram para nosso crescimento em rumo à infinita estrada do conhecimento. Muito obrigada. “Quem quiser ser líder deve ser primeiro servidor. Se você quiser liderar, deve servir “. JESUS CRISTO RESUMO Liderança em enfermagem é um processo exercido de modo participativo com a equipe, pois “[...] a responsabilidade é de todos, assim como o sucesso ou o fracasso dos resultados é compartilhado por todos os seus membros” (DIAS, 2003, p.16). Com esta visão, objetivou-se identificar o perfil dos Enfermeiros gerentes na unidade hospitalar, descrever os conhecimentos dos mesmos sobre liderança e discutir as ações de liderança realizadas pelos enfermeiros. Estudo descritivo exploratório, de cunho social, que tem como objeto a Liderança Compartilhada na Enfermagem, com abordagem quanti-qualitativa, utilizando-se dados de entrevistas norteadas por um formulário semi-estruturado direcionado aos enfermeiros de uma instituição hospitalar do município de Vila Velha/ ES. Evidenciou-se com este estudo que o perfil dos enfermeiros requer atualização, capacitação e formação científica em liderança e gerência, porém, consideramos este achado positivo por conter na amostra de enfermeiros (76% do total de enfermeiros) 21% pós-graduados em gestão e 47% realizaram treinamentos em gestão. Demonstrou-se, ainda, uma pluralidade dos enfermeiros que demonstraram conhecer as definições sobre liderança, assim como, as características e habilidades fundamentais ao líder, a participação ativa da equipe de enfermagem no planejamento da assistência e em atividades administrativas, exercendo desta forma uma liderança efetivamente compartilhada em enfermagem, obviamente que não em sua totalidade, porém, predominantemente. Sugerimos a realização de capacitação e especialização dos enfermeiros em liderança como uma prioridade, nas instituições de saúde de modo geral, cabendo ao enfermeiro enfrentar os desafios e ser capacitados técnicocientífico e reflexivamente para tomar decisões, tendo em vista a complexidade de situações que enfrentam cotidianamente. Descritores: Liderança, Enfermagem, Trabalho em Equipe. ABSTRACT Leadership in nursing is a process put in practice of way with the team, therefore "[...] the responsibility is of all, as well as the success or the failure of the results is shared by all its members" (DIAS, 2003, p.16). With this vision, it was objectified to identify the profile of the manager Nurses in the hospital unit, to describe the knowledge of the same ones on leadership and to argue the actions of leadership carried through by the nurses. Exploratory descriptive study, of social stamp, that has as object the Leadership Shared in the Nursing, with quant-qualitative boarding, using itself given of interviews guided for a half-structuralized form directed to the nurses of a hospital institution of the city of Vila Velha/ ES. It was proven with this study that the profile of the nurses requires update, qualification and scientific formation in leadership and management, however, we consider this positive finding for containing in the sample of nurses (76% of the total of nurses) 21% postgraduates in management and 47% had carried through training in management. It was demonstrated, still, a plurality of the nurses who had demonstrated to know the basic definitions on leadership, as well as, characteristics and abilities to the leader, the active participation of the team of nursing in the planning of the assistance and administrative activities, exerting of this form a leadership effectively shared in nursing, obviously that not in its totality, however, predominantly. We suggest the accomplishment of qualification and specialization of the nurses in leadership as a priority, the institutions of health in general way, fitting to the nurse to face the challenges and to be enabled technicianscientific and reflectively to take decisions, in view of the complexity of situations that face daily. Descriptors: Leadership, Nursing, Team Working. LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Distribuição dos enfermeiros quanto ao sexo.........................................49 Gráfico 2 – Distribuição dos enfermeiros quanto a idade.........................................49 Gráfico 3 – Distribuição dos enfermeiros quanto ao estado civil..............................50 Gráfico 4 – Distribuição dos enfermeiros quanto ao tempo de graduação...............50 Gráfico 5 – Cumpriu administração em enfermagem na graduação........................51 Gráfico 6 – Realização de pós-graduação em gestão..............................................51 Gráfico 7 - Realização de treinamento em gestão...................................................52 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Distribuição dos Enfermeiros quanto à participação da equipe de enfermagem no planejamento da assistência...................................................................53 Quadro 2 – Distribuição das formas de participação da equipe de enfermagem nas ações de planejamento da assistência........................................................................................53 Quadro 3 – Distribuição das percepções dos enfermeiros quanto ao momento que exercem liderança.............................................................................................................54 Quadro 4–Atribuições administrativas à equipe de enfermagem pelos enfermeiros........................................................................................................................54 Quadro 5 – Distribuição das formas de participação da equipe de enfermagem em atividades administrativas.................................................................................................55 Quadro 6 – Distribuição das justificativas negativas dos enfermeiros quanto a participação da equipe em atividades administrativas......................................................55 LISTA DE SIGLAS CES - Câmara de Educação Superior CEP - Comitê de Ética em Pesquisa CNE - Conselho Nacional de Educação COFEN - Conselho Federal de Enfermagem HEVV - Hospital Evangélico Vila Velha MEC - Ministério da Educação e Cultura MS - Ministério da Saúde TCC - Trabalho de Conclusão de Curso SUMÁRIO 1- CONSIDERAÇÕES INICIAIS...............................................................................14 2- METODOLOGIA...................................................................................................18 2.1- ABORDAGEM METODOLÓGICA.....................................................................18 2.2- CENÁRIO DO ESTUDO....................................................................................19 2.3- SUJEITOS DO ESTUDO...................................................................................20 2.4- CONSIDERAÇÕES ÉTICAS..............................................................................20 3- O ENFERMEIRO E A GESTÃO HOSPITALAR...................................................22 3.1- SER ENFERMEIRO...........................................................................................22 3.1.1- Competências do Enfermeiro......................................................................23 3.2- A LIDERANÇA NA GERÊNCIA DO ENFERMEIRO.........................................25 3.2.1- Gerência e Atividades do Enfermeiro.........................................................25 3.3- A LIDERANÇA COMPARTILHADA COMO ESTRATÉGIA PARA O ENFERMEIRO...........................................................................................................32 4- RESULTADOS E DISCUSSÃO...........................................................................37 5- CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................48 6- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................................50 APENDICE A – Roteiro de Entrevistas.....................................................................55 APENDICE B – Gráficos Relacionados ao Perfil dos Enfermeiros.......................... 57 APENDICE C – Quadros Relacionados às Ações de Liderança..............................61 APENDICE D – Cronograma de Atividades..............................................................64 ANEXO A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido......................................65 ANEXO B – Termo de Autorização Institucional.......................................................67 ANEXO C – Certificado de Aprovação do CEP........................................................69 ANEXO D – Parecer de Aprovação do CEP.............................................................70 1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS Liderança em enfermagem é um processo em que o enfermeiro influencia as ações de outros para a determinação e consecução de objetivos, o que implica em definir e planejar a assistência de enfermagem num cenário interativo (GALVÃO et al, 1998). Devido à magnitude em quantitativo dos profissionais de enfermagem, Ribeiro, Santos e Meira (2006, p. 110) afirmam que “A equipe de enfermagem é a maior entre as equipes de profissionais da área de saúde no âmbito de uma ação gerencial de destaque”. Sendo um profissional de destaque no processo de liderança organizacional, o Enfermeiro deve estar embasado técnico e cientificamente para assim desenvolver ações gerenciais com liderança, para as quais o conhecimento é ferramenta indispensável. O Enfermeiro necessita compreender o processo de liderar e desenvolver as habilidades necessárias; dentre elas, salientamos a comunicação, o relacionamento interpessoal, tomada de decisão e competência clínica, bem como aplicá-las na sua prática profissional (WEHBE; GALVÃO, 2001). O trabalho da enfermagem é concebido como um trabalho de equipe, e isto tem sido objeto de estudos recentes que desejam demonstrar como esta interação e participação mútua é relevante para haver êxito no desenvolvimento das práticas profissionais.“Estudos contemporâneos sobre o processo e dinâmica organizacionais, especificamente sobre comportamento humano e liderança visualizam-na como um processo coletivo compartilhado entre os membros de um grupo” (TREVIZAN et al, 1998, p. 78). Reafirmando a citação acima, vários autores expõem que “A enfermagem é concebida como prática social, historicamente estruturada e socialmente articulada, caracterizada como um trabalho em saúde, sendo parte de um processo coletivo” (LUNARDI; LEOPARDI, 1999, apud SOUZA; SOARES, 2006, p. 621). Hunter (2004, p. 34) revela que “[...] a chave para a liderança é executar as tarefas enquanto se constroem os relacionamentos”. Assim, entende-se que “[...] a liderança é um processo coletivo, para o qual é necessária a integração de esforços individuais, buscando alcançar objetos definidos e compartilhados pelo grupo”. (TAKAHASHI 1991, apud SOUZA; SOARES, 2006, p. 622). Assim, o interesse em refletirmos e pesquisarmos sobre a liderança compartilhada dos profissionais de Enfermagem surgiu durante a formação acadêmica, enquanto discentes de graduação em Enfermagem, estendendo-se para a experiência em nível hospitalar, onde nos encontramos inseridas como Técnica e Auxiliar de Enfermagem. Esta vivência tem demonstrado situações cotidianas que evidenciam as dificuldades do Enfermeiro na liderança de equipes, o que prejudica a comunicação, o relacionamento interpessoal, entre outros que nos motivaram a realizar esta pesquisa. O atual cenário, no qual a enfermagem se encontra, requer um novo pensamento sobre liderança. O processo de transformação, cujo desenvolvimento acabará mudando o sistema onde o profissional Enfermeiro está inserido, conseqüentemente transformará sua equipe de trabalho (DIAS, 2003). Percebemos através da vivência acadêmica e profissional que, cada vez mais, se faz necessário que o Enfermeiro exerça sua competência, avançando além da gerência do setor ou serviço e seja um líder articulador que exerça uma influência positiva através do compartilhamento da liderança com sua equipe, delegando e tornando-os co-responsáveis pelo trabalho realizado, pois, conforme cita Dias (2003, p. 16) “Numa equipe, a responsabilidade é de todos, assim como o sucesso ou o fracasso dos resultados é compartilhado por todos os seus membros”. Tal atitude é pertinentemente relevante na influência de pessoas, principalmente tratando-se de equipes de enfermagem que, como outros profissionais de saúde, enfrentam cotidianamente altos níveis de angústia e estresse, enquanto a clientela do setor torna-se cada vez mais exigente e ciente dos seus direitos, seja no serviço público, filantrópico ou particular de saúde. Conforme citam Spíndola, Martins e Lopes (2001, p. 187) “na última década, a saúde brasileira vem sendo penalizada e sofrendo críticas da população que está insatisfeita com os serviços prestados, tanto no setor público quanto no privado”. As autoras também se referem à luta contra o desprestígio gerado pela precariedade de recursos humanos, materiais e, sobretudo, financeiros, devido ao descaso ou incompetência das autoridades (SPÍNDOLA; MARTINS; LOPES, 2001). As transformações sofridas pelas organizações devido à competitividade mercadológica têm impulsionado a busca de estratégias, tais como a flexibilização da comunicação, facilitação do fluxo de informações entre os funcionários, dentre outras, com a finalidade de reestruturar o estilo administrativo, com vistas a representar a liderança das empresas como força fundamental (CARDOSO, 2006). O homem moderno enfrenta desafios diários, para promover sua adaptação, devido às aceleradas e sucessivas mudanças que têm ocorrido no mundo nas últimas décadas. Nessa perspectiva de mudança, a enfermagem está passando por um repensar e uma definição de funções, de maneira a assegurar seu papel e seu compromisso com a sociedade, que, nesse momento, aspira por maior qualidade na prestação da assistência à sua saúde (ROZENDO; GOMES, 1998). Pensar em definição de papéis e atribuições faz reportar à condição multifacetária da enfermagem que, no decorrer de sua existência, veio abraçando e incorporando à sua prática, diversas funções afins, alargando e indefinindo seu quadro de responsabilidades (SIMÕES; FÁVERO, 2000). Desta forma, o enfermeiro deve ser comprometido e criticamente capaz para o enfrentamento de questões inerentes ao gerenciamento, conforme afirmam Simões e Fávero (2003, p. 03) que “a esse respeito, enfatiza-se que os enfermeiros devem estar dispostos a rejeitar a rotina, confrontar questões e implementar ações que levem à mudança”. Segundo Simões e Fávero (2000) a consolidação de uma mudança na enfermagem exigiria a formação de líderes autênticos e uma complexa busca de inovações nos serviços de enfermagem, bem como uma mudança estrutural que lhe permitisse utilizar habilidades, capacidades e motivações. Para Trevizan (1991, p. 56) “[...] a competência em liderança cria oportunidades para garantir uma implementação necessária à assistência de enfermagem”. Assim, é importante ponderarmos em relação à afirmação de Dias (2003, p. 16), que evidencia que “o sucesso da equipe de enfermagem repousa na liderança do Enfermeiro”. Precisamos ser excelentes comunicadores, logo, inovadores para desempenharmos a função de liderança. O líder é considerado como um agente de mudança que além de adquirir novos conceitos e habilidades deverá desaprender o que não é mais útil à organização (SCHEIN, 1996, apud SIMÔES; FÁVERO, 2000). Para elucidar a problemática deste estudo, formulamos os seguintes objetivos: • Identificar o perfil dos Enfermeiros Gerentes na unidade hospitalar; • Descrever o conhecimento dos Enfermeiros sobre Liderança; • Discutir as ações de liderança realizadas pelos Enfermeiros. 2 METODOLOGIA 2.1 ABORDAGEM METODOLÓGICA Trata-se de um estudo descritivo exploratório, de cunho social, que tem como objeto a Liderança Compartilhada na Enfermagem, com abordagem quanti-qualitativa, por redirecionar um enfoque centrado a um determinado espaço social, colocando a sociedade como um objeto de estudo. Minayo diz: [...] que o trabalho de campo na pesquisa qualitativa, é o recorte espacial que corresponde à abrangência em termos empíricos, do recorte teórico correspondente ao objetivo da investigação. A pesquisa social trabalha com gente, com atores sociais em relação, com grupos específicos. Esses sujeitos de investigação, primeiramente, são construídos teoricamente enquanto componentes do objetivo de estudo. No campo, fazem parte de uma relação de intersubjetividade, de interação social com pesquisador, daí resultando um produto novo e confrontante tanto com a realidade concreta como com as hipóteses e pressupostos teóricos, num processo mais amplo de construção e conhecimentos. (MINAYO, 2000, p, 105). O recorte inicial deste estudo ocorreu no período de junho de 2006, quando principiamos as atividades de pesquisa na disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, e tem como marco final o período de novembro de 2007, data estipulada para os cumprimentos dos créditos da referida disciplina. Para a coleta de dados, utilizaremos a técnica da entrevista para alcançarmos os dados coletados através da aplicação de um formulário semi-estruturado (APENDICE A) com questões abertas e fechadas como instrumento de pesquisa. A técnica para coleta destes dados se dará através de diálogo entre o sujeito e o pesquisador. Para isto, utilizaremos um aparelho MP3 ou gravador cassete para gravarmos as entrevistas que, posteriormente, serão transcritas na íntegra para, então, realizarmos a análise dos dados coletados. Utilizaremos para este estudo as fontes secundárias disponíveis em livros, dissertações, periódicos de enfermagem e protocolos do Ministério da Saúde - MS e Ministério da Educação e Cultura - MEC. Para operacionalizar a proposta de interpretação dos achados, foram adotados os passos operacionais de Minayo (2000, pg 234), por favorecerem a percepção entre a ação do homem como sujeito histórico e as determinações que a condicionam: Ordenação dos dados: engloba os depoimentos dos sujeitos e os documentos escritos. Realizamos a transcrição com releitura do material e organização dos achados em determinada ordem, o que já supõe um início de classificação ou categorização. Classificação dos dados: a partir de leituras minuciosas e repetidas dos textos, foram estabelecidas estruturas relevantes dos sujeitos, contemplando uma relação interrogativa com eles e assim elaboramos as categorias empíricas específicas, conforme afirma Minayo (2000, p. 94). [...] são aquelas construídas com finalidade operacional, visando ao trabalho de campo (fase empírica) ou a partir do trabalho de campo. Elas têm a propriedade de conseguir apreender as determinações e as especificidades que se expressam na realidade empírica.[...] construída a partir dos elementos dados pelo grupo social, tem todas as condições de ser colocada no quadro mais amplo de compreensão teórica da realidade, e de, ao mesmo tempo, expressá-la em sua especificidade. Análise final: etapa que compreendeu a articulação entre os achados e a fundamentação teórica da pesquisa, apontando para os objetivos do estudo. 2.2 CENÁRIO DO ESTUDO O Hospital Evangélico de Vila Velha – HEVV localiza-se no município de Vila Velha Espírito Santo, Brasil. É uma instituição de saúde de médio porte, com uma área construída de 7.900 m² e capacidade para 100 leitos. Segundo o Relatório de Atividades do HEVV (2006), o Hospital é de natureza filantrópica e beneficente e teve sua construção iniciada em 06 de outubro de 1965 com recursos provenientes de doações e do governo Alemão, sendo inaugurado em 22 de outubro de 1972. O HEVV recebe pacientes de todo o Estado do Espírito Santo, bem como pacientes do sul da Bahia, Leste de Minas Gerais e norte do Rio de Janeiro. O HEVV tem como missão definida “Expressar o amor ao próximo, elevando sua qualidade de vida, com dignidade e segurança, por meio da prestação de serviços de saúde e educação”. Baseia-se nos princípios da ética cristã, integridade, responsabilidade e equidade social, e sua visão é: “Ser o hospital geral de referência no Estado do Espírito Santo em alta complexidade, de natureza filantrópica e orientação cristã, atuando em assistência, pesquisa científica, formação acadêmica e profissional na área da saúde, de forma auto-sustentável” (HEVV, 2007). Dentre os valores do hospital, os quais sejam, gestão participativa, atenção às demandas dos clientes, resolubilidade, atualização acadêmica e tecnológica, comprometimento, valorização dos colaboradores e transparência, destacamos a gestão participativa, que objetiva “Promover a participação efetiva dos colaboradores nos processos de decisão, partindo da premissa que o ser humano é a peça fundamental para o sucesso da organização” (HEVV, 2007) corroborando a visão e objeto deste estudo. 2.3 SUJEITOS DO ESTUDO Os sujeitos deste estudo são enfermeiros da unidade hospitalar que correspondem a 73% da amostra destes profissionais da referida instituição. O critério de inclusão para a pesquisa é a chefia, imediata ou setorial, dos serviços de enfermagem. 2.4 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS Conforme preconizado pela Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, (BRASIL, 1996), foram observados os aspectos éticos da pesquisa que envolve seres humanos, e a estes, serão asseguradas as informações sobre os objetivos, o anonimato, a privacidade, o termo de consentimento livre e esclarecido (ANEXO A) e liberdade para desistir da participação da pesquisa em qualquer momento, sem constrangimento para tal. Este projeto foi ainda submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa - CEP da Faculdade Salesiana de Vitória-ES, tendo sido considerado APROVADO, em reunião do dia 13/06/2007, registrado no livro 001, p.07, sob o nº 017/07 (ANEXO C). O Certificado de Aprovação do CEP foi submetido à Gerência de Saúde do Hospital Evangélico de Vila Velha, sendo então autorizada a realização deste estudo nesta instituição (ANEXO B). 3 O ENFERMEIRO E A GESTÃO HOSPITALAR 3.1 SER ENFERMEIRO O Enfermeiro, segundo Ferreira (1999), é o “Indivíduo diplomado em escola de enfermagem”, e define ainda a enfermagem como “a arte ou função de cuidar de enfermos, acidentados, idosos, etc., dispensando cuidados especializados, ministrando medicamentos e tratamentos” e como sendo “a profissão de enfermeiro”. Além das definições de Ferreira, a Lei nº. 7.498/1986 dispõe sobre a Regulamentação do Exercício da Enfermagem, evidenciando o amplo leque de ações que são, por competência legal, desenvolvidas pelo Enfermeiro. A Enfermagem, segundo Leifert (2003, p. 27) “é por definição e tradição, uma ciência voltada para proporcionar e promover a saúde e o bem estar do ser humano”. Podemos, ainda, acrescentar a esta afirmação o conceito da teorista Horta (1979, p. 03) que sintetiza a profissão da enfermagem como “gente que cuida de gente”. Voltando a ponderarmos sobre as sucessivas mudanças no cenário mercadológico e administrativo, Netto e Ramos (2004, p. 56) avaliam a constante construção do profissional enfermeiro e afirmam que “o enfermeiro é um ser que se constrói no tempo, no espaço e nas relações do cotidiano, essencialmente”. Esta definição acerca do enfermeiro nos faz reportar à necessidade de constante atualização deste profissional, principalmente em se tratando de uma profissão voltada ao cuidado do ser humano e que está em constante pesquisa e evolução. Bersuda e Riccio (2005, p. 75) avaliam que: A enfermagem é um trabalho humano que tem a finalidade de cuidar, enquanto que a questão cultural tem sido ponto de reflexão, pois ainda não há uma generalização dos resultados favoráveis à sua ação [...] não existindo uma coesão do cuidar [...]. Assim, observamos com a afirmação acima que o objetivo fim da enfermagem é o cuidar, entretanto, não há uma coerência a respeito. O cuidar em enfermagem tem sido associado apenas ao exercício tecnicista da função pelo enfermeiro. Todavia, a competência em liderança oportuniza aos enfermeiros criar mecanismos que influenciem positivamente as suas equipe na busca de uma assistência de qualidade, o que constitui um dos objetivos organizacionais. Em relação à afirmação acima e à dicotomia teoria x prática, Leifert (2003, p. 27) afirma que “Findo o curso e iniciada a carreira profissional são obrigados a deixar no passado o idealismo acadêmico e o desejo de colocar a teoria em prática. Anulamse como Enfermeiros e assumem um papel mais adequado a agentes administrativos”. “A Enfermagem é uma ciência que interage com as outras ciências”. Assim definem Ribeiro, Santos e Meira (2006, p. 110), e afirmam que “[...] a equipe de enfermagem é a maior entre as equipes profissionais de saúde no âmbito hospitalar, tendo o enfermeiro uma ação gerencial de destaque”. Ainda segundo as autoras, o enfermeiro atua: Na saúde pública o enfermeiro gerencia atividades nas Unidades Básicas de Saúde, assim como também coordena equipes de programa como o de Saúde da Família e Agentes Comunitários de Saúde. Em ambos os segmentos, o enfermeiro desempenha papéis fundamentais como consultoria, auditoria, gerência, vigilância epidemiológica, ações de atenção básica, entre outras. (Ribeiro, Santos; Meira, 2006, p. 110). 3.1.1 Competências do Enfermeiro A liderança vem sendo amplamente pesquisada pelas profissões voltadas à saúde. Entretanto, é relevante analisarmos as determinações das competências legais do Enfermeiro. A Lei 7.498/1986 (Brasil, 1986, p.55) determina como privativo deste profissional em seu Art. 11: a) Direção do órgão de Enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde, pública ou privada, e chefia de serviço e de unidade de Enfermagem; b) Organização e direção dos serviços de Enfermagem e de suas atividades técnicas e auxiliares nas empresas prestadoras desses serviços; c) Planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços de assistência de Enfermagem; h) Consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de Enfermagem; i) Consulta de Enfermagem; j) Prescrição da assistência de Enfermagem; l) Cuidados diretos de Enfermagem a pacientes graves com risco de vida; m) Cuidados de Enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de base científica e capacidade de tomar decisões imediatas. Além da determinação legal acerca das competências do enfermeiro, o Ministério da Educação e Cultura – MEC, instituiu através da Resolução CNE/ CES Nº 3/2001 as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem. Nesta, é definido em seu artigo 3º que o Curso de Graduação em Enfermagem tem como perfil do formando egresso/ profissional: I - Enfermeiro, com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva. Profissional qualificado para o exercício de Enfermagem, com base no rigor científico e intelectual e pautado em princípios éticos. Capaz de conhecer e intervir sobre os problemas/ situações de saúde-doença mais prevalentes no perfil epidemiológico nacional, com ênfase na sua região de atuação, identificando as dimensões bio-psico-sociais dos seus determinantes. Capacitado a atuar, com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania, como promotor da saúde integral do ser humano; e II - Enfermeiro com Licenciatura em Enfermagem capacitado para atuar na Educação Básica e na Educação Profissional em Enfermagem (BRASIL, 2001). Concernente às competências e habilidades gerais, a Resolução supracitada estabelece em seu artigo 4º que a formação do enfermeiro tem por objetivo capacitálo dos conhecimentos necessários para o exercício profissional. A Resolução CNE / CES nº 3/2001 demonstra, ainda, nos incisos relacionados abaixo, algumas competências e habilidades relevantes para o exercício da liderança, que são a tomada de decisão, comunicação, liderança, administração e gerenciamento, como segue: Tomada de decisões o trabalho dos profissionais de saúde deve estar fundamentado na capacidade de tomar decisões, os mesmos devem possuir competências e habilidades para avaliar, sistematizar e decidir as condutas mais adequadas, baseadas em evidências científicas; Comunicação: os profissionais de saúde devem ser acessíveis e devem manter a confidencialidade das informações a eles confiadas, na interação com outros profissionais de saúde e o público em geral; Liderança: no trabalho em equipe multiprofissional, os profissionais de saúde deverão estar aptos a assumir posições de liderança, a liderança envolve compromisso, responsabilidade, empatia, habilidade para tomada de decisões, comunicação e gerenciamento de forma efetiva e eficaz; Administração e gerenciamento: os profissionais devem estar aptos a tomar iniciativas, fazer o gerenciamento e administração dos recursos físicos, materiais e de informação, da mesma forma que devem estar aptos a serem empreendedores, gestores, empregadores ou lideranças na equipe de saúde (Brasil, 2001). Assim, enquanto responsável legal sobre as atividades da equipe de enfermagem, o Enfermeiro exerce poder sobre a equipe, o que lhe é conferido pelo cargo que ocupa. Existe uma “estreita vinculação entre a institucionalização do trabalho do enfermeiro e o desempenho da função administrativa. Entre os diversos papéis que ele exerce hoje, se destaca o de gerenciamento” (ALMEIDA, 1997, apud RAMOS; LIMA, 2000, p. 49). Contudo, devem-se adotar certos critérios para tomar medidas que se valham do poder conferido pelo cargo ou posição, conforme afirma Hunter (2004, p. 29) que “[...] quando precisar exercer o poder, o líder deve refletir sobre as razões que o obrigaram a recorrer a ele”. Concluindo que, “[...] se tivemos que recorrer ao poder será porque nossa autoridade foi quebrada”. Ainda inerente ao poder que o Enfermeiro exerce sobre a equipe, Dias (2003, p. 17) ressalta que “Essa autoridade sobre as outras categorias profissionais outorgada por lei precisa ser transformada em poder conquistado através da liderança e não imposto pelo cargo exercido”. 3.2 A LIDERANÇA NA GERÊNCIA DO ENFERMEIRO 3.2.1 Gerência e Atividades do Enfermeiro Os enfermeiros quando imbuídos da atribuição gerencial, a vêem relacionada apenas ao controle de materiais, confecção de escalas e controle de freqüência dos funcionários, preenchimento de impressos, entre outras tarefas rotineiras. É relevante a compreensão do termo gerência, título do cargo que o Enfermeiro ocupa na instituição de saúde. Contrário ao conceito de líder e liderança, que essencialmente está ligado ao exercício de influência positiva para com a equipe e agregação de valor ao capital humano, a gerência está ligada à administração dos recursos, planejamento, orçamento, organização e controle, ou seja, “gerência não é algo que você faça para os outros [...] você gerencia coisas e lidera pessoas” (HUNTER, 2004, p.25). Historicamente, o Enfermeiro tem assumido conotações distintas e atribuições que, apesar de estarem aquém ou além de sua competência profissional, tem abraçado as mesmas, ocasionando um conflito interno no ser enfermeiro, concernente ao que, de fato, é seu papel. Corroborando este pensamento acerca desta assertiva, Spindola e Moreira (1999, p. 106) afirmam que: Os enfermeiros sentem o distanciamento entre teoria e prática ao serem absorvidos pelo mercado de trabalho, com raríssimas exceções, poderão desempenhar suas atividades com segurança e tranqüilidade, conforme preconiza a literatura. Conviverão no seu dia a dia com limitações (seja em nível de recursos humanos, materiais, ou econômicos), que frustrarão suas expectativas profissionais e os afastarão gradativamente de seus ideais ao concluírem a faculdade de enfermagem. Nesse ponto de vista, ser Enfermeiro consiste não apenas em ter essa ou aquela característica, ou seja, não se permite que seja apenas tecnicista, gerente, docente, administrador ou líder. O papel do Enfermeiro, assim como o do líder, é extremamente exigente, devendo agregar todas estas características, sendo que uma não exclui as outras, pois, são interdependentes. Segundo Ribeiro, Santos e Meira (2006, p. 111), “[...] o modelo de liderança Nightingaleano, proposto no Século XIX, consistia no poder centralizador, autoritário, descendente, de caráter controlador no processo decisório, além da fiscalizar ações desenvolvidas pela equipe de enfermagem”. Entretanto, a liderança em enfermagem passou por transformações e, atualmente, observa-se um novo modelo de liderança que enfatiza a descentralização do processo decisório, relações interpessoais, comunicação, disposição para assumir riscos, motivação e valorização do indivíduo, conforme afirma a referida autora. Demonstra-se desta forma que o mercado de trabalho está solicitando do enfermeiro o conhecimento e aplicação das habilidades de liderança, e alguns profissionais estão começando a ficar atentos a essa demanda (HIGA; TREVIZAN, 2005). Há uma tendência dos Enfermeiros gerentes, de um modo geral, envolverem-se potencialmente com as atividades burocráticas, desviando-se cada vez mais dos cuidados diretos e das atividades em equipe. Neste sentido, Spindola e Moreira (1999, p. 104) citam que alguns estudiosos referem: [...] apesar de o enfermeiro queixar-se de sobrecarga burocrática e do afastamento dos cuidados diretos, poucos são aqueles que, mesmo atuando com condições favoráveis, os realizam de fato delegando estas funções para os técnicos e auxiliares de enfermagem. Esta afirmativa demonstra uma incoerência entre o idealismo prático desejado e a realidade profissional, evidenciado pelo distanciamento da atividade pilar do enfermeiro, o cuidado, que em detrimento da sobrecarga burocrática que vem sendo incorporada e abraçada pelo enfermeiro, é colocado em segundo plano. Estas funções burocráticas podem ser compartilhadas e até delegadas aos técnicos e auxiliares de enfermagem, descentralizando o poder e compartilhando a responsabilidade, o poder decisório, o sucesso ou fracasso do trabalho realizado. Explicando-se a carência do exercício da liderança, as autoras afirmam ser: [...] decorrente da estrutura organizacional, influenciada fortemente pela administração científica, hierarquizada e burocratizada, que desenvolveu chefes com grande enfoque nos processos internos e não em líderes responsáveis em desenvolver pessoas (LOURENÇO; TREVIZAN, 2002 apud CARDOSO, 2006, p. 35). Dias (2003, p. 17) refere que “As empresas de um modo geral e as de saúde em particular, têm ignorado o potencial de liderança do Enfermeiro e nem sequer oferecem treinamentos ou modelos de novos papéis”. Esta afirmação torna evidente a necessidade de formação específica em administração e liderança para Enfermeiros, e assim, instrumentalizá-los para a execução hábil e eficaz das suas atribuições, ainda que as empresas em geral não tenham amadurecido para a relevância de treinamentos neste sentido. O profissional Enfermeiro exerce relevante papel na influência da equipe de enfermagem, cujo resultado é observado no bom relacionamento entre a equipe e em outros aspectos: O processo de trabalho da enfermeira como líder reflete no comportamento das pessoas e no desenvolvimento de tarefas, rotinas e procedimentos, no alcance de objetivos voltados à qualidade e a excelência da assistência de enfermagem, influenciando as pessoas, os resultados e a própria organização. (CARDOSO, 2006, p. 20). Todo enfermeiro exerce os papéis de líder e administrador em algum nível, o que requer da enfermagem habilidades de liderança e administração (MARQUIS; HUSTON, 1999, apud, SANTOS; MOREIRA, 2004). Contudo, sabe-se que o cargo de gerente não faz do enfermeiro um líder, e o enfermeiro líder não é necessariamente o gerente. “O que faz de alguém um líder é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos como sendo para o bem comum” (HUNTER, 2004, p. 25). Para prosseguirmos o delineamento desta pesquisa, se faz necessário definirmos o conceito de líder e liderança. Para Ferreira (1999), líder é um guia, chefe ou condutor que representa um grupo, uma corrente de opinião, etc. Logo, Drucker (2001, p.12) afirma que: Líder é alguém que possui seguidores. Algumas pessoas são pensadoras. Outras, profetas. Os dois papéis são importantes e muito necessários. Mas, sem seguidores, não podem existir líderes. Um líder eficaz não é alguém amado e admirado. É alguém cujos seguidores fazem as coisas certas. Popularidade não é liderança. Resultados sim. Os líderes são bastante visíveis. Portanto, servem de exemplo. Liderança não quer dizer posição, privilégios, títulos ou dinheiro. Significa responsabilidade. Para Hunter (2004, p. 51) “[...] um líder é alguém que identifica e satisfaz as necessidades legítimas de seus liderados e remove todas as barreiras para que possam servir ao cliente”. Parafraseando Dias (2003) um líder é aquele que é capaz de influenciar pessoas a alcançarem objetivos comuns e concomitantemente, preocupar-se em formar novos líderes. Trevizan et al (1998, p. 78) definem o líder como “[…] a pessoa capaz de canalizar a atenção dos envolvidos e dirigí-los para ideais comuns”. Drucker (2001, p.11) afirma ainda que “[...] líderes natos podem existir, mas com certeza raros dependerão deles. A liderança pode e deve ser aprendida [...], personalidade de liderança, estilo de liderança e traços de liderança não existem”. Outros autores acreditam que “Liderar não é dominar, mas sim, a arte de convencer as pessoas a trabalharem com um objetivo” (GOLEMAN 2001, apud SANTOS; MOREIRA, 2004). Hunter (2004, p. 25) afirma que liderança é “A habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum”. E ainda declara que “[...] sempre que duas ou mais pessoas se reúnem com um propósito, há uma oportunidade de exercer a liderança (HUNTER, 2004 p. 24)”. Liderança em enfermagem é concebida por Yura et al (1981, apud Trevizan et al, 1998, p. 80) como “[...] um processo por meio do qual uma pessoa, que é o enfermeiro, influencia as ações de outros para o estabelecimento e para o alcance de objetivos. Isto implica definir e planejar a assistência de enfermagem num cenário interativo”. Ao analisarmos todas estas afirmações acerca dos conceitos de líder e liderança, percebemos que ao líder são necessárias certas características específicas que, na grande maioria das vezes, podem e devem ser desenvolvidas, não são inatas. Observamos ainda que, no exercício da liderança existe um objetivo comum, que deve ser alvo de toda a equipe, cabendo ao líder influenciar a equipe para tal. Em relação ao aprendizado da liderança, são identificadas três oportunidades principais, sendo elas: tentativa e erro (aprendizado baseado na experiência profissional); observação dos outros (a partir de experiências resultantes do convívio com líderes que admiramos ou não); estudo através da educação formal e treinamento (KOUZES; POSSNER 1997, apud GALVÃO et al, 2000, p.35). SOUZA (2007, p. 89) explica que é possível desenvolver líderes quando afirma que “Líder não nasce pronto, a gente aprende a ser líder”. Destaca ainda que as principais características do líder eficaz são: [...] perseverança, iniciativa, criatividade, foco, integridade, proatividade, otimismo e um conjunto de atitudes que ajudam as pessoas que convivem com ele a se desenvolverem. Mas a maior característica de um líder é a paixão. Para obter o sucesso, tem de ser apaixonado pelo que faz, pelas pessoas que precisa desenvolver, pelos clientes, pela vida (SOUZA, 2007, p. 89). Também são consideradas outras qualidades relevantes para o líder, tais como empatia, dar-se bem com os outros, confiança, honestidade, visão de futuro, competência, inspiração, coragem, senso de justiça e equidade (DIAS, 2003). Galvão et al (2000) entendem que a capacitação em liderança pelo enfermeiro seja essencial para sua prática diária. Também salientam que se devem buscar meios que viabilizem o desenvolvimento da habilidade de liderar, destacando-se o embasamento teórico e a comunicação. Igualmente, surge a necessidade de compreendermos a relevância da influência que o líder deve exercer sobre a equipe no processo de liderança. Hunter (2004, p. 26) afirma conceitos acerca de ‘autoridade’ e ‘poder’, que devem ser colocados em prática conforme cada situação. O autor profere que: Poder é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não fazer [...] Autoridade é a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal (grifo nosso). Assim, concordamos com Hunter (2004, p.24) quando afirma que “exercer influência sobre os outros, que é a verdadeira liderança, está disponível para todos, mas requer uma enorme doação pessoal”. Entendemos, portanto, que, na enfermagem, gerência e liderança podem e devem caminhar juntas, pois, sendo um bom líder e mau gerente não existe um Enfermeiro eficaz, e vice versa. Acreditamos que as características administrativas e de liderança não se excluem, mas se completam na formação de um excelente profissional. As instituições esperam do enfermeiro gerente e assistencial mais do que envolvimento, dedicação, organização, capacidade de liderança e visão de conjunto. Necessitam de profissionais sensíveis às necessidades da equipe e do usuário, persistência diante das dificuldades, capacidade de articulação de ações técnicocientíficas, administrativas e políticas (GONÇALVES 1994, apud RAMOS; LIMA, 2000). A afirmativa acima é corroborada por outros autores, quando ponderam acerca da necessidade de observação por parte do Enfermeiro quanto às necessidades de articular e influenciar a equipe que deve acreditar no potencial do seu líder. Isto significa que liderar é sinônimo de capacidade e, diante dos problemas, o grupo liderado precisa sentir segurança no líder, que deve ser firme, decidido e capaz de transmitir segurança aos seus subordinados (SANTOS; MOREIRA, 2004). Observando-se as citações acima, percebe-se que os autores apresentam semelhantes delineamentos sobre os conceitos relativos à líder e liderança. Para o enfermeiro exercer a liderança para equipes lhe são necessárias certas habilidades que, como citamos anteriormente, não são necessariamente inatas, mas podem e devem ser desenvolvidas. Destacam-se o conhecimento, experiência, confiança, capacidade de trabalhar em equipe, de resolver problemas, autodesenvolvimento, relacionamento interpessoal, respeito entre a equipe e saber ouvir (HIGA; TREVIZAN, 2005). Cabe ao enfermeiro se auto-avaliar e identificar quais características ou habilidades precisa desenvolver e desenvolvê-las, o que é reafirmado por Ribeiro, Santos e Meira (2006, p. 110) quando citam: Assim, é imperativo a constante atualização desse profissional, objetivando oferecer qualidade na assistência e possibilitando o crescimento e desenvolvimento profissional, pois a desinformação e o comodismo limitam o processo de liderar. Ribeiro; Santos; Meira (2006, p. 110) ponderam ainda que “atrelado a esse novo modelo gerencial percebe-se a liderança como mecanismo de alcance das metas e o sucesso da organização de saúde”. Os enfermeiros precisam ser coordenadores e líderes facilitadores, muito além da execução de meras atividades administrativas, que simplificam e rotinizam o serviço. “O chefe autoritário que só sabe mandar amortece a motivação e prejudica a moral da equipe”. (LESSA 2001, apud SANTOS E MOREIRA, 2004 p. 06). 3.3 A LIDERANÇA COMPARTILHADA COMO ESTRATÉGIA PARA O ENFERMEIRO Alguns autores ressaltam que a orientação às necessidades da instituição se sobrepõe, por exemplo, às necessidades reais dos pacientes, conforme citam as autoras abaixo: [...] entendemos que a gerência exercida pelo enfermeiro está mais orientada para as necessidades da organização, ressaltada aqui a equipe médica. Muitas vezes esta forma de gerenciar contribui pra o não atendimento das necessidades reais do paciente, gera conflitos e insatisfações na equipe de enfermagem (GALVÃO et al, 2000, p. 34). Fortalecendo esta afirmativa, Souza e Soares (2006, p. 620) citam que o Serviço de Enfermagem, via de regra, segue o modelo da instituição, isto é, guia-se pelas propostas burocráticas, cuja valorização das normas e regras parece se encaixar na teoria da burocracia desenvolvida por Max Weber1, que mais parece ter influenciado a sua prática administrativa. 1 Max Weber nasceu em Erfurt, em 21 de abril de 1864. Inovou trazendo para a sociologia o individualismo metodológico, pois acreditava que o indivíduo escolhe ser o que é, apesar das escolhas serem limitadas pelo grau de conhecimento do indivíduo e pelas oportunidades oferecidas “Muitas teorias sobre liderança foram criadas. Entre elas podemos citar a liderança situacional, a democrática, a permissiva e a autocrática, cada uma com suas características próprias, podendo funcionar bem com um grupo e não com o outro”, afirmam Ribeiro; Santos e Meira (2006, p. 111). Entretanto, não iremos discutir as teorias de liderança existentes, mas evidenciar aspectos da liderança compartilhada, que consiste em um estilo do modelo de Liderança Situacional, que podem influenciar positivamente a equipe de enfermagem sob a liderança do enfermeiro. Assim, para delinearmos e fundamentarmos este estudo, iremos ponderar sobre o modelo de Liderança Situacional proposto por Hersey & Blanchard, o qual acreditamos melhor adequar-se ao contexto organizacional hospitalar. Cardoso (2006, p. 37) explica que “A Liderança Situacional é uma proposta teórica desenvolvida por Hersey e Blanchard (1986), na qual os autores afirmam ser este um modelo que preconiza a não-existência de um estilo melhor de liderança, ou seja, que o líder necessita utilizar vários estilos que podem ser adaptados frente às variáveis presentes em cada situação específica”. Para Hersey e Blanchard (1986, p. 4, apud CARDOSO, 2006, p. 21), a liderança é definida como “o processo de influenciar as atividades de indivíduos ou grupos para a consecução de um objetivo numa dada situação”, sendo ainda interpretados por Cardoso (2006), que afirma que esta definição não se detém ao tipo de organização, pois “[...] quando um indivíduo busca influenciar o comportamento de outro indivíduo ou grupo, em relação às suas atividades dentro de uma empresa, escola ou hospital pode-se afirmar que esse indivíduo exerceu liderança”. O conceito básico da Liderança Situacional, Segundo Galvão et al (2000, p. 35), “[...] consiste na premissa de que não existe um único estilo de liderança apropriado para toda e qualquer situação”. Esclarece ainda, que, líder, liderados e a situação são as variáveis norteadoras do processo de liderança, cuja ênfase recai sobre o pela sociedade. Para Weber existem três tipos de dominação legítima: legitimação tradicional, legitimação carismática e legitimação racional. Para Weber a burocracia é a mais bem acabada forma de dominação legítima e racional. Entretanto, Weber acredita que só o herói individual, o líder carismático, pode alterar o rumo da história. http://sociologia.incubadora.fapesp.br/portal/roteiros-deaula/Andre_Felipe_MARX_DURKHEIM_WEBER_ufes_2004.doc/view . comportamento do líder em relação aos liderados frente às tarefas específicas (GALVÃO et al, 2000, p. 35). A Liderança Situacional “baseia-se numa inter-relação entre a quantidade de orientação e direção (comportamento de tarefa) que o líder oferece, a quantidade de apoio sócio-emocional (comportamento de relacionamento) dado pelo líder e o nível de prontidão (maturidade) dos subordinados no desempenho de uma tarefa, função ou objetivo específico”. (HERSEY; BLANCHARD 1986, apud GALVÃO et al, 1998, p. 82). Estes comportamentos são distintamente definidos por Hersey e Blanchard como segue: Comportamento de tarefa: é aquele que os líderes adotam para organizar e definir as funções dos membros de seu grupo (liderados) explicar as atividades que cada um deve executar e quando, onde e como devem ser realizadas; estabelecer padrões bem definidos de organização do trabalho, do uso de canais de comunicação e dos meios de fazer as coisas certas. Comportamento de relacionamento: é o que os líderes seguem para manter relações pessoais entre si e os membros de seu grupo (liderados), abrindo canais de comunicação, providenciando apoio sócio-emocional (carícias psicológicas) e sendo flexíveis com os comportamentos (HERSEY; BLANCHARD, 1986, apud CARDOSO, 2006, p. 21, grifo nosso). Ainda dentro do modelo de Liderança Situacional, a conceituação da maturidade dos liderados também é de fundamental relevância, sendo definida como "a capacidade e a disposição das pessoas para assumir a responsabilidade de dirigir seu próprio comportamento”. (HERSEY; BLANCHARD, 1986, apud CARDOSO, 2006, p. 22). Em relação à maturidade dos liderados, são consideradas a maturidade para o trabalho, inerente a conhecimento e capacidade técnica, e maturidade psicológica, relacionada a disposição ou motivação para realizar alguma coisa. Cardoso (2006, p. 22) afirma que no modelo Situacional “o líder varia seu estilo de comportamento em quatro tipos nos quais se associam as variáveis comportamento para a tarefa e comportamento de relacionamento”. Esses tipos de comportamentos recebem as seguintes denominações: E1 - determinar – a ênfase na tarefa é alta e o relacionamento é baixo. E2 - persuadir – a ênfase na tarefa e relacionamento são altos. E3 - compartilhar – ênfase baixa na tarefa e alta no relacionamento. E4 - delegar – ênfase na tarefa e relacionamento baixos. Isto também pode ser observado no esquema proposto por Hersey & Blanchard, como segue abaixo: Ilustração 12 Borges (2006) define Liderança Compartilhada como o comportamento de colaborar em empreendimentos conjuntos ou aceitar responsabilidade coletiva, para a qual exige-se trabalhar em conjunto com uma meta comum, e requer a colaboração de cada membro. 2 Fonte: Hersey e Blanchard (1986, p. 189, apud CARDOSO, 2006, p. 39). Drucker (2001, p. 13) também delineia em sua fala os benefícios e a importância de liderar de forma compartilhada, afirmando que: Líderes eficazes delegam muito bem coisas; precisam fazê-lo, ou se afogam em ninharias. No entanto, não delegam algo que apenas eles podem executar com excelência, aquilo que realmente tem importância, aquilo que define padrões, aquilo pelo que desejam ser lembrados. Eles agem. Shiniashiki (2007) afirma que “Quanto mais a liderança fica centralizada nas mãos de uma única pessoa, menos a equipe se compromete com o resultado. O maior obstáculo à implantação de uma equipe de alta performance é o chefe que não abre mão do poder de controlar”. Diretores têm de servir mais do que os outros porque sua maior função é ajudar os demais a crescer. Tais afirmações demonstram a relevância das atitudes do enfermeiro no sentido de descentralizar e compartilhar ou delegar atribuições que, no decorrer da profissão da enfermagem, foram atribuídas e incorporadas ao enfermeiro. Isto não se deve apenas à falta de foco na verdadeira competência do enfermeiro, mas, à responsabilidade característica deste profissional, que por muitas vezes acaba assumindo um papel abrangente e necessário na solução de problemas relacionados às diversas vertentes no âmbito hospitalar. Acreditamos assim, que a liderança compartilhada não é apenas uma opção, mas uma transição mercadológica que impulsiona toda a categoria, bem como a outras profissões, a liderar com ênfase à valorização do capital humano, para assim proporcionar melhores resultados finais, observados no caso da enfermagem, na prestação de uma assistência de qualidade. Portanto, alguns autores observam que o sucesso do líder é resultado do trabalho desenvolvido pela equipe sob sua coordenação, quando citam que “Líderes não são um sucesso por si mesmos, pois utilizam outras pessoas enquanto estabelecem e administram o trabalho na organização”. (HREZO; WITTE, 1993, apud, SIMÔES; FÀVERO, 2003, p. 3). Deste modo, a competência em liderança, particularmente em liderança compartilhada, vem proporcionar uma assistência de qualidade pela equipe de enfermagem, que coopera, contribui e dá suporte ao líder. (SIMÔES; FÀVERO, 2003). 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Para atendermos ao primeiro objetivo deste estudo, realizamos a identificação de informações relacionadas às especificidades dos enfermeiros que foram levantadas na ocasião da entrevista. Estes dados foram tabulados e demonstrados nos gráficos 1 a 7 (APÊNDICE B) sendo, então, realizado o delineamento do perfil do enfermeiro. A relevância deste questionamento partiu da necessidade de conhecermos o perfil dos sujeitos deste estudo, tendo em vista que os demais apontamentos sobre os conhecimentos e ações inerentes a liderança do enfermeiro, estão relacionados à formação, especialização e aspectos sociais, interferindo diretamente nas atitudes destes profissionais em seu ambiente de trabalho e, conseqüentemente, junto à equipe de enfermagem. De tal modo, delineou-se o perfil predominante dos sujeitos do estudo, sendo entre os 19 enfermeiros entrevistados, 95% do sexo feminino, 63% são jovens com idade entre 21-30 anos, 64% casadas, 80% possuem tempo de formação igual ou inferior a 2 anos, em sua totalidade cumpriram a disciplina Administração em Enfermagem na graduação, porém, 79% não realizaram pós-graduação na área de gestão e 53% não realizaram treinamentos na área de gestão, conforme está didaticamente demonstrado abaixo: Ilustração 2 3 1) 95% Sexo Feminino. 7) 53% Não fizeram treinamento na área de Gestão. 2) 63% entre 21-30 anos. 6) 79% Não possuem Pós Graduação em Gestão. 3) 64% casados. 5) 100% cumpriu Adm. Enf. na graduação. 3 4) 80% Graduados em Enfermagem há < 2 anos. Fonte: Disponível em: http://www.hevv.com.br/index.php. Acesso em: 12/11/2007. Desta forma, se possibilita a percepção do perfil do enfermeiro no contexto hospitalar, tornando-se viável o confrontamento entre o perfil, conhecimentos e ações dos enfermeiros, evidenciados através dos demais objetivos deste estudo. Para atendermos ao segundo e terceiro objetivos deste estudo, foi necessário se articular os depoimentos com um embasamento teórico. Deste modo, inerente ao conhecimento dos enfermeiros sobre liderança, evidenciamos as falas dos sujeitos à luz das literaturas abordadas nesta pesquisa. Observamos neste sentido que, apesar do perfil dos enfermeiros demonstrar que 79% e 53% respectivamente não possuem pós-graduação ou treinamento em gestão, estes profissionais demonstram conhecimentos relacionados à definição de liderança, quando a atribuem à tomada de decisão de forma compartilhada, conforme demonstrado nas falas abaixo: “A atitude de compartilhar decisões [...] A divisão de responsabilidade, diálogo com os profissionais, ouvir e escutar que são coisas diferentes [...] É realizada pela pessoa que dá o norte, direciona, interage, compartilha... [...] É exercer uma autoridade sem ser autoritário para com o grupo que esta sendo liderado, permitindo uma participação direta nas decisões e fazer com que realize suas atividades de forma compartilhada, em equipe na presença do líder ou não”. Enfªs. 1, 7,12, 16 As afirmações acima, inerentes à definição de liderança, vêm de encontro aos valores da instituição onde foi realizada a pesquisa, entre os quais ressaltamos a gestão participativa, que objetiva “Promover a participação efetiva dos colaboradores nos processos de decisão, partindo da premissa que o ser humano é a peça fundamental para o sucesso da organização” (HEVV, 2007). Neste sentido, Borges (2006) vem reafirmar a Liderança Compartilhada como o comportamento de colaborar em empreendimentos conjuntos ou aceitar responsabilidade coletiva, para a qual exige-se trabalhar em conjunto com uma meta comum, e requer a colaboração de cada membro. Entretanto, os enfermeiros também afirmaram que a definição de liderança também está relacionada às ações dos enfermeiros, que devem ser exemplo para suas equipes, como podemos observar através da afirmação de Drucker (2001, p.12) que “[...] os líderes são bastante visíveis. Portanto, servem de exemplo. Liderança não quer dizer posição, privilégios, títulos ou dinheiro. Significa responsabilidade”. Assim, podemos observar as falas evidenciadas abaixo, corroborando esta afirmação: “É o ato de você conseguir liderar pessoas e estar à frente de alguma situação onde pessoas possam estar te seguindo, tendo como exemplo, saber lidar e ter percepção e sensibilidade diante das situações para ter um bom resultado [...] É trabalhar em conjunto com a equipe e fazer a equipe perceber como deve caminhar. Conduzir a equipe é cercear. Você tem que fazer a equipe perceber como tem que caminhar, e ela tem que te seguir [...] É fundamental dentro de um setor, e todas as pessoas necessitam serem conduzidas, direcionadas pra que os objetivos sejam alcançados, e o líder é a pessoa que serve de elo de ligação entre todos os profissionais para se alcançar os objetivos, então, é como se fosse um maestro regendo uma orquestra”. Enfªs. 2, 3,15 Os relatos acima tornam evidente a coerência dos conhecimentos dos enfermeiros com a literatura atual, sendo que, deve ser destacado, o fato dos mesmos relacionarem o exercício da liderança ao exemplo profissional do enfermeiro para com a sua equipe, ao trabalho participativo, à responsabilidade intrínseca do líder, ressaltando-se aqui a sua mais relevante atribuição, a formação de novos líderes através do amadurecimento dos profissionais sob sua responsabilidade, como afirma Dias (2003) que o líder deve ter a capacidade de influenciar pessoas para alcançarem objetivos comuns devendo, ainda, estar preocupado em formar novos líderes, o que potencializará os recursos formados por todos os membros da equipe. Ainda neste sentido, Souza (2007, p. 90) revela que “[...] o melhor legado que um líder pode deixar numa organização é uma nova geração de líderes”. Além disso, o líder deve ainda estar preocupado em atender as legítimas necessidades dos liderados (Hunter, 2004) e, para isso, necessita cativar a confiança dos mesmos, pois outras qualidades são consideradas relevantes para o líder, como empatia, dar-se bem com os outros, confiança, honestidade, visão de futuro, competência, inspiração, coragem, senso de justiça e equidade (DIAS, 2003). Nesta perspectiva, os enfermeiros demonstraram estarem atentos quanto à relevância destas questões, como podemos observar nas falas abaixo: “É uma forma que você busca de estar orientando e coordenando aqueles que são subordinados a você, procurando agir de uma forma justa atendendo as necessidades de cada liderado, principalmente as necessidades do setor que você é responsável [...] Entendo que está relacionada com confiança. A partir do momento que você está dentro um serviço e que o grupo acredita no seu trabalho e começa a perceber que você tanto exige como da o retorno conforme a necessidade deles, a liderança vem automaticamente”. Enfªs. 7, 18 Deste modo, Santos e Moreira (2004) ponderam em relação à necessidade do Enfermeiro atentar-se quanto à relevância de articular e influenciar sua equipe, que deve acreditar no potencial do seu líder. Isto significa que liderar é sinônimo de capacidade, e diante dos problemas o grupo liderado precisa sentir segurança no líder, que deve ser firme, decidido e capaz de transmitir segurança aos liderados. Entretanto, implica ainda dizer que, obviamente, foram apresentadas concepções pequenas, tímidas e até distorcidas quanto ao significado da liderança, como evidenciado a seguir: “Liderança é você liderar e coordenar a equipe de uma forma adequada [...] É quando alguém está responsável em exercer determinadas funções juntamente com uma equipe e ele se torna responsável por toda a equipe e setor [...] saber ser chefe, líder de equipe, tendo como principal fundamento a humanização dos funcionários e toda equipe do setor [...] é aquela função do enfermeiro que tem a liderança. Tudo é baseado e controlado pelo enfermeiro, que é o centro do setor [...] Quando o líder consegue fazer com que a equipe cumpra exatamente aquilo que você determinou” Enfªs. 4, 9,11,13, 17. Dentre as características e habilidades do líder os enfermeiros ressaltaram a comunicação, trabalho em equipe, saber ouvir, responsabilidade, honestidade, humildade, bom relacionamento, gerenciar conflitos, competência, empatia, paciência, perseverança, carisma e serenidade. Contemplam-se, ainda, estas características do líder quando Souza (2007, p. 89) afirma que as principais características do líder eficaz são “[...] perseverança, iniciativa, criatividade, foco, integridade, proatividade, otimismo e um conjunto de atitudes que ajudam as pessoas que convivem com ele a se desenvolverem”. Igualmente, observamos que as falas dos enfermeiros apóiam a literatura, inerente às características do líder, como segue: “Expressibilidade, ser comunicativo, ser proativo, dinâmico, e fundamental estar inserido junto com a equipe em todas as decisões [...] Saber ouvir, saber expor seu ponto de vista, sem impor com autoridade as suas idéias... Cultivar responsabilidade, incentivar o compromisso das pessoas [...] Iniciativa e participação no trabalho junto com a equipe, ser honesto e companheiro [...] Estar lado a lado com os colaboradores, ouvir e escutar, entender as necessidades de cada trabalhador e ser uma referência para ele [...] Bom relacionamento com a equipe, saber gerenciar conflitos, ser humilde e honesto [...] Competência, capacidade de resolver problemas, responsabilidade [...] Tem que ser democrático, se colocar no lugar do profissional a quem você vai direcionar a atividade e ter um bom resultado do que você espera [...] Tem que ser seguro organizado, deve ter conhecimento técnico-cientifico para estar direcionando a equipe,... [...] Paciência, perseverança, serenidade nas decisões, saber trabalhar em equipe e demonstrar conhecimento cientifico [...] O carisma, a competência e o conhecimento total do serviço” Enfªs. 1,2,3,7,5,9,8,12,16,18. No entanto, foram citadas, ainda, outras características relevantes ao líder pelos enfermeiros: “Amor à profissão, domínio sobre toda e qualquer situação, boa psicologia e estrutura para desenvolver e fluir todas as questões [...] acho que é importante o humanismo que o enfermeiro deve ter com a equipe, conhecimento teórico x prático pra estar abordando a equipe [...] humanização, valorização do profissional e o conhecimento do profissional líder [...] deve ser firme, transmitir segurança e para isso tem que ter embasamento científico, mas também tem que saber se colocar no lugar daqueles que ele está liderando e saber se ideal” Enfªs. 14, 11, 15, 6. Certamente, não restam dúvidas quanto às habilidades necessárias ao enfermeiro para exercer a liderança. Todavia, além das características citadas anteriormente, destacam-se ainda o conhecimento, experiência, confiança, capacidade de trabalhar em equipe, de resolver problemas, autodesenvolvimento, relacionamento interpessoal, respeito entre a equipe e saber ouvir (HIGA e TREVIZAN, 2005). Além destas, Souza (2007, p. 89) acrescenta que “[...] a maior característica de um líder é a paixão. Para obter sucesso, tem de ser apaixonado pelo que faz, pelas pessoas que precisa desenvolver, pelos clientes, pela vida”, pactuando com a visão dos sujeitos do estudo. Concernente às vantagens do exercício da liderança, os enfermeiros revelaram que o desempenho da função de líder oportuniza a agregação da equipe rumo a um objetivo comum com maior participação e satisfação do grupo. O líder torna-se referência para a equipe, como se observa nas falas a seguir: “Vencer os desafios comportamentais ou de referência técnica dentro da equipe [...] Conseguir agregar as pessoas e colocar a equipe num mesmo objetivo e ter uma liderança participativa [...] Quando lidera o grupo consegue ter o objetivo mais fácil do que quando está só chefiando, e obtém resultados de forma menos complicada [...] Liderar uma equipe e com ela obter sucesso se souber liderar [...] é estar mais próximo dos seus liderados [...] A gratificação dos funcionários, profissionais multiprofissionais e pacientes a sua volta [...] Acho que você fica como referencia na equipe, tem autonomia equipe. [...] Conseguir direcionar e implementar ações que você tem como certas, ideais, ser líder proporciona e oportuniza colocar em pratica todos esses conhecimentos que você tem [...] Como líder você delega certas atividades algumas pessoas em sua maioria têm uma responsabilidade e trabalham em equipe pra tudo dar certo no final do plantão. [...] A liderança acontece sem que você perceba, liderando uma equipe e que você vai conseguir fazer com que os objetivos da empresa, os seus objetivos, que na realidade o objetivo final é a excelência da qualidade sejam atingidos [...] Você observa profissionais mais satisfeitos pq a opinião de todos e muito importante na liderança” Enfªs. 1,2,3,4, 7,8,11,12,13,15,16. Constatamos que os enfermeiros entrevistados responderam de forma condizente com a literatura. Neste sentido, Santos e Moreira (2004, p. 5) acreditam que: O principal objetivo de todo enfermeiro/ líder consiste em ver sua equipe trabalhando com prazer e não por obrigação, prestando uma assistência de qualidade e promovendo o bem-estar do paciente, principal alvo de todo planejamento de uma estrutura hospitalar. Entretanto, manter um bom relacionamento, resolver conflitos e tomar decisões em momentos de crise não é tarefa fácil, devendo o líder preparar-se para situações que exigirão dele a decisão final (SANTOS; MOREIRA, 2004). Tais dificuldades também são enfrentadas pelos enfermeiros deste hospital, evidenciadas nos seguintes relatos: “A maior dificuldade hoje de se trabalhar em equipe é o comportamento que influencia e está muito pesado dentro das equipes [...] Gerenciar conflitos e atender às solicitações, porque você entende a solicitação, mas, não tem recursos, tanto nas questões de conforto, de trabalho, enfim... [...] Às vezes por você ser líder tem de tomar medidas drásticas que muitas vezes o coração fala que não, mas você deve tomar por que é em função do beneficio do setor [...] Muitos funcionários acabam querendo que sua opinião seja soberana e o líder dever saber resolver essas questões conduzindo-as da forma mais adequada” Enfªs. 1, 7, 15,16. Outros fatores dificultadores para o exercício da liderança foram verbalizados, tais como, a recente formação, predominantemente inferior a dois anos, atribuições administrativas, resistência e incompreensão da equipe quanto aos objetivos propostos para o trabalho, bem como, pela falta de colaboração da equipe de enfermagem junto aos enfermeiros. A questão da resistência de algumas pessoas [...] Dependendo da equipe você pode ter uma certa resistência a essa liderança [...] Por ser recém formada, algumas pessoas não querem muito ajudar na liderança quando você pede alguma coisas eles colocam barreiras [...] O fato de ser recém formada, não ter experiência e de ser muito nova na idade, é uma dificuldade. Estar liderando pessoas com mais tempo de vida profissional e cronológica [...] Quando o enfermeiro trabalha sozinho, sem a colaboração da equipe de enfermagem... [...] A parte burocrática, administrativa, principalmente relacionada aos convênios [...] Muitas vezes a equipe não consegue entender o que você quer passar, falam que entenderam, mas não conseguem desempenhar e mas observando você percebe que não entendeu, quando você tem que repensar como poderíamos abordar melhor essa pessoas ou expressar melhor as nossas ações Enfªs. 2,4,5,6,9,10,17 Sob esta ótica, Lourenço e Trevizan (2001) compreendem a liderança como um processo grupal, no qual há uma influência que objetiva alcançar uma meta e, para isso, está atrelada a um sentido de ação, de movimento, passível de ser apreendida. Significa dizer que não apenas é possível aos enfermeiros desenvolverem competências em liderança, como ainda agregar toda a equipe neste processo, sem a qual, será mais complexo alcançar os objetivos organizacionais, o que, de fato, é percebido pelos enfermeiros e evidenciado nas falas acima. De tal modo, o enfermeiro deve estar atento às mudanças e atualizar-se constantemente, objetivando a qualidade assistencial e desenvolvimento profissional (MARTINS, NAKAO; FAVERO, 2006). Constatamos, que os enfermeiros no momento que acompanham as mudanças no setor saúde e na enfermagem, e têm procurado atentar aos novos conceitos de gerência. Neste contexto, elucidamos através dos Quadros 1 e 2 que, quase a totalidade da enfermagem, (APENDICE C) participam do planejamento de sua assistência, o que nos faz refletir que o enfermeiro exerce ali um papel gerencial de forma adequada com a literatura vigente, onde cita que a liderança compartilhada facilita o desempenho das funções do enfermeiro, conforme cita Trevizan et al (1998, p. 78) que “Estudos contemporâneos sobre o processo e dinâmica organizacionais, especificamente sobre comportamento humano e liderança visualizam-na como um processo coletivo compartilhado entre os membros de um grupo”. Neste sentido, Yura et al (1981, apud Trevizan et al, 1998, p. 80) reforçam esta afirmação quando citam que a liderança é “[...] um processo por meio do qual uma pessoa, que é o enfermeiro, influencia as ações de outros para o estabelecimento e para o alcance de objetivos. Isto implica definir e planejar a assistência de enfermagem num cenário interativo”. Contudo, as formas de participação não são muito bem aceitas pela equipe de auxiliares e técnicos de enfermagem, conforme elucidado no fragmento do depoimento abaixo: “Dentre as atividades estão a seleção de folgas... nós passamos as escalas de atribuições, a equipe faz um desenho desse cenário e depois em conjunto decidimos o que vai ser realizado, além da escala mensal, mas a gente tem dificuldade da equipe atribuir isso como uma tarefa dela”. Enfª. 01 Ao delegar a escala de atribuições para equipe desenhar, percebemos uma integração na equipe sem ser desrespeitado a hierarquia das funções. No entanto, a formação cultural desta equipe ainda não está familiarizada com este novo modelo de gestão. Parafraseando Ribeiro, Santos e Meira (2006), a equipe em questão, ainda está condicionada à submissão, necessitando muitas vezes do resgate ao modelo de liderança do Século XIX (Nightingaleano), que consistia no poder centralizador, autoritário de caráter controlador no processo decisório. Nos depoimentos abaixo, constatamos que os enfermeiros não desistiram frente aos desafios de sua equipe e, no sentido de contribuir para a melhoria da qualidade da assistência prestada, o enfermeiro reconhece e oportuniza a participação de sua equipe no planejamento da assistência direta ao cliente. Contribuindo com informações essenciais, percebidas pelo dia a dia do técnico, as necessidades básicas dos pacientes podem ser melhor atendidas. Trabalhando em equipe, o profissional enfermeiro tem melhores condições de elaborar uma adequada assistência de enfermagem através da sistematização de seus atos. Quando este processo é realizado em conjunto, entre enfermeiros e sua equipe, há evidências científicas que a qualidade da assistência melhora e, com isto, o cliente é beneficiado na recuperação de sua saúde. “Eles contribuem e participam do planejamento porque estão em contato direto com o paciente... Os técnicos e auxiliares de enfermagem podem colher mais dados dos pacientes, acompanhante e visitante até pela proximidade e envolvimento com essas pessoas. [...] estão mais ligados aos pacientes e sabem mais o que eles estão precisando [...] o planejamento em relação às necessidades do paciente que eles fazem o dia todo e que eu acho que eles acabam fazendo de uma forma inconsciente”. Enfªs. 02,10 e 3. Observamos que, entendendo liderança como um processo coletivo, os enfermeiros deste estudo, demonstraram o quão é necessária a integração de esforços individuais para se alcançar os objetivos compartilhados pelo grupo em questão. Praticando a habilidade de escuta e observação, os enfermeiros dão voz a sua equipe e garantem um maior comprometimento profissional, conforme os depoimentos abaixo: “Detectando problemas, expondo formas melhores de estar trabalhando na sua experiência mesmo [...] dando sugestões, opiniões a respeito de alguma situação, numa conversa entre a equipe”. Enfª 8 e 9 “Eles são a pedra fundamental no planejamento, nas estratégias, nas orientações e na organização, eles fazem parte da engrenagem [...] foi feito inclusive com a participação da equipe, por exemplo, um roteiro pra montagem da sala de cirurgia, onde a equipe de enfermagem teve a oportunidade de montar esse roteiro”. Enfªs. 7 e 3. O envolvimento da equipe em um processo de integração do cuidado, além de motivar mais o desempenho de suas funções, contribui para o crescimento profissional da enfermagem, pois através de ações reflexivas a equipe cresce, promovendo trocas de experiência e aceitando críticas construtivas, conforme citam Martins, Nakao e Fávero (2006, p.110), que: O trabalho em equipe exige que o enfermeiro considere o todo de cada indivíduo, respeite as individualidades, reconheça e fomente as competências, capacidades e potencialidades de cada membro. É importante que, durante o processo de trabalho, o enfermeiro ofereça oportunidades de participação, compartilhe e busque soluções para os problemas surgidos com toda sua equipe, procurando ouvir as opiniões, procurando ouvir as opiniões dos membros, desenvolvendo a comunicação verbal e não-verbal. Igualmente relacionado, Ribeiro, Santos e Meira (2006, p. 111) afirmam que ”[...] a liderança em enfermagem passou por transformações, e atualmente, observa-se um novo modelo de liderança que enfatiza a descentralização do processo decisório, relações interpessoais, comunicação, disposição para assumir riscos, motivação e valorização do indivíduo”. “Na própria ação, quando eles entendem e compreendem a importância daquela ação,..., independente da sua presença ou ausência. [...] muitos são reflexivos e te trazem idéias muito interessantes,..., é bom você ter uma equipe assim crítica, reflexiva. Você não tem que esperar que só você brilhe”. Enfªs. 17 e 18. Quanto à percepção do exercício de liderança pelos enfermeiros, observamos nos depoimentos, que os mesmos ressaltam a liderança como uma característica necessária para se garantir a eficácia da assistência prestada, seja na vida pessoal como na profissional: “[...] você exerce liderança em qualquer situação, seja em casa,... dentro do setor, a todo o momento... [...] Eu acho que a liderança a gente exerce em todas as atividades do dia a dia do enfermeiro,..., então, todos os atos da gente exigem que o enfermeiro exerça, queira ou não, a liderança”. Enfªs. 3 e 15. Concordando com as evidências científicas, constatamos que o melhor estilo de liderança depende da situação que envolve o líder e os liderados. Sendo modelo para sua equipe, o enfermeiro pode alcançar os resultados, conforme cita Ribeiro, Santos e Meira (2006, p. 112) que “[...] não existe o melhor estilo de liderança, o melhor é que haja um balanceamento de cada modalidade tendo em vista as características individuais de cada equipe”. Os depoimentos a seguir confirmam esta linha de pensamento e de exercício da liderança. “... a liderança está diretamente ligada ao cargo, porque você deve exemplo, referência para o funcionário,..., pelas suas atitudes você já está exercendo liderança. [...] A partir do momento que você põe em prática uma ação que precisa ser feita, você reuni as pessoas, fala da importância daquela ação e consegue transmitir a mensagem, e percebe que a equipe está fazendo exatamente o que você pediu...” Enfªs 2 e 17. “... julgo ter mais liderança é numa urgência com um paciente, quando você deve ter controle, equilíbrio e organização pra ter um bom resultado. [...]... quando chega um paciente mais crítico,..., apesar dos técnicos conhecerem a rotina, querem, necessitam da presença do enfermeiro” Enfªs 04 e 13. Constatamos, ainda, neste estudo, que apesar da maioria dos enfermeiros terem um bom conhecimento do conceito de liderança e exercê-la de forma correta e eficaz, percebemos que existem visões distorcidas sobre o papel de líder. Os depoimentos abaixo dão uma idéia de um modelo controlador de gestão, enfatizando um sentimento de superioridade e poder, muitas vezes condicionado pelo modelo hegemônico do médico. “Eu acho que quando a gente está fazendo alguma coisa que só o enfermeiro pode fazer e aparece outra coisa no mesmo momento que tanto faz você ou o técnico resolverem é a hora que a gente impõe a nossa liderança, e fala ‘Não, você vai fazer isso porque eu não posso parar de fazer isso agora, porque só eu que faço” Enfª 6. “A liderança você exerce quando tem um bom relacionamento,..., não só quando você manda, é quando você pede e a pessoa faz aquilo que você ta pedindo” Enfª 5. “Quando assumo um setor e sou responsável por ele, assim todos os problemas ou dificuldades cabe a mim resolver,..., essa é uma liderança que exerço no meu setor [...] ...aqui na instituição conseguem ver o enfermeiro como responsável pela equipe técnica de enfermagem, e acho que isso é muito bem trabalhado, a quem eles se dirigem nas dificuldades e dúvidas” Enfªs 9 e 11. Contrapondo as afirmações acima em relação ao papel do líder nas organizações Goleman (2001, apud SANTOS; MOREIRA, 2004, p. 5) afirma que “liderar não é dominar, mas sim a arte de convencer as pessoas a trabalharem com um objetivo”, a saber, que a desinformação e comodismo limitam o processo de liderar (MARTINS, NAKAO, FÁVERO, 2006). Assim, objetivando oferecer qualidade na assistência, ao desenvolvimento profissional é mister a constante atualização deste profissional, tendo em vista o trabalho em equipe para que se obtenha sucesso na busca dos objetivos. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Atualmente, podemos observar uma coerência das literaturas vigentes quanto à aprendizagem e desenvolvimento da liderança, tendo em vista que, para isto, são necessárias habilidades passíveis de serem apreendidas pelos enfermeiros (SIMÕES; FÀVERO, 2003). Estas habilidades e características de liderança vêm propiciar ao enfermeiro as condições necessárias para liderar, coordenar e, principalmente, influenciar sua equipe positivamente para a consecução dos objetivos propostos. Neste sentido, a Liderança Compartilhada, que consiste em um estilo do modelo de Liderança Situacional, surge como uma estratégia indispensável ao enfermeiro, pois, através da gestão participativa, a equipe se envolve, responsabilizando-se pelas metas, objetivos, estratégias e decisões, comprometendo-se com o resultado final, seja um sucesso ou não (DIAS, 2003). As experiências profissionais dos enfermeiros, desveladas através das entrevistas, evidenciaram que o perfil destes profissionais requer atualização, formação e capacitação científica em liderança e gerência, o que é compreensível devido a predominância em 80% dos profissionais enfermeiros da referida instituição serem recém formados (inferior a dois anos). Entretanto, com base neste achado, consideramos este resultado positivo, pois, entre uma população predominantemente recém formada, existem 21% pós-graduados em gestão, 47% já realizaram treinamentos em gestão e, em sua totalidade, cumpriram Administração em Enfermagem na graduação. Demonstrou-se, ainda, neste estudo que, uma pluralidade dos enfermeiros demonstraram conhecer as definições sobre liderança, assim como, as características e habilidades fundamentais ao líder, destacando como vantagens do exercício da liderança a agregação da equipe rumo ao objetivo, obtenção de sucesso na realização das tarefas, maior proximidade e gratificação dos liderados, ser referência e obter maior confiança, beneficiando a relação entre enfermeiro e equipe. Relacionam como desvantagens, questões comportamentais, a resistência da equipe, gerenciamento de conflitos, formação recente e ser jovem em idade cronológica em relação à equipe. Evidenciou-se que a equipe de enfermagem participa ativamente do planejamento da assistência, e também realizam tarefas administrativas que são, em sua maioria, compartilhadas e delegadas pelos enfermeiros, exercendo desta forma uma liderança efetivamente compartilhada em enfermagem, obviamente que não em sua totalidade, porém, predominantemente. Este estudo nos consentiu a percepção que os enfermeiros da instituição hospitalar têm acompanhado compartilhadas as inerentes mudanças ao no trabalho setor da saúde, refletindo enfermagem. nas ações Possibilitou, ainda, conhecermos as vantagens e dificuldades atribuídas à liderança pelos enfermeiros, bem como conhecermos o perfil destes profissionais. Entretanto, com base nos resultados, sugerimos a realização de capacitação e especialização dos enfermeiros em liderança como uma prioridade, nas instituições de saúde de modo geral. Cabe ressaltar que, como a instituição, cenário deste estudo, adota a visão da Gestão Participativa, os enfermeiros devem enfrentar os desafios e ser capacitados técnicocientífico e reflexivamente para tomar decisões, tendo em vista a complexidade de situações que enfrentam cotidianamente. Assim, percebemos a Liderança Compartilhada como mecanismo de alcance dos objetivos no contexto hospitalar. 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução 196/1996CNS. Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa com Seres Humanos. Brasília (DF). Disponível em: <http://www.datasus.gov.br/conselho/resol96/RES19696.htm>. Acesso em: 01/12/2006. 2 BRASIL. Ministério da Educação. CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/ CES 3/2001. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem. Diário Oficial da União, Brasília, 9 de Novembro de 2001. Seção 1, p. 37. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES03.pdf. Acesso em: 16/10/2007. 3 BERSUDA, A. A. S; RICCIO, G. M. G..Trabalho em Equipe – Instrumento Básico de Enfermagem. In: CIANCIARULLO, T. I. Instrumentos Básicos para o cuidar: um desafio para a qualidade da assistência. 1. ed. São Paulo: Atheneu, 2005, p. 75 – 83. 4 BORGES, M.. Enfermagem: porque alguém veria em você um líder? Boletim Científico Hospital Samaritano. São Paulo, n. 10, 2006. Disponível em: http://www.portal.samaritano.com.br/pt/interna.asp?page=1&idpagina=259 . Acesso em: 02/082007. 5 CARDOSO, MLAP.. Liderança Coaching: um modelo de referência para o exercício do enfermeiro – líder no contexto hospitalar. São Paulo, 2006. Disponível em: http://www.sobragen.org.br/publi/Tese%20Maria.pdf . Acesso em: 31/03/2007. 6 CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (BRASIL). Lei Nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 26 jun. 1986. Seção I, p.9.2739.275. 7 DIAS, MAA.. Liderança: uma nova visão da atuação do enfermeiro frente a sua equipe. Rev. Academia de Enfermagem. 2003; 1 (1): 15 -19. 8 DRUCKER, P.F.. O Líder do Futuro. 9ª edição. Ed. Futura. São Paulo, 2001. 9 FERREIRA, A. B. H.. Novo Aurélio Século XXI: O Dicionário da Língua Portuguesa. 3. ed. Ed. Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 1999. 10 GALVÃO, C. M. et al. Liderança situacional: estrutura de referência para o trabalho do Enfermeiro-líder no contexto hospitalar. Rev. latino-am. Enfermagem.. Ribeirão Preto, v. 6, n. 1,p. 81 – 90, 1998. 11 GALVÃO, C. M. et al.. Liderança e Comunicação: estratégias essenciais para o gerenciamento da assistência de enfermagem no contexto hospitalar. Rev. LatinoAm. Enfermagem.. Ribeirão Preto, v. 8, n.5, p. 34 – 43, 2000. 12 Hospital Evangélico de Vila Velha - HEVV. Relatório de Atividades 2006. Ed. Bios. Vitória/ ES, 2006. 13 Hospital Evangélico de Vila Velha - HEVV. O Hospital: missão, visão e princípios. Disponível em http://www.hevv.com.br/interna.php?modulo=HOSPITAL . Acesso em 12/11/2007. 14 HIGA, EFR; TREVIZAN, MA.. Os estilos de liderança idealizados pelos enfermeiros. Rev. Latino. Am. Enfermagem.. Ribeirão Preto, v. 13, n. 1, p. 59 – 64, 2005. 15 HORTA, W.A.. Processo de Enfermagem. EPU. São Paulo, 1979. 16 HUNTER, JC.. O Monge e o Executivo: Uma história sobre a essência da liderança. Ed. Sextante. Rio de Janeiro, 2004. 17 LEIFERT, R.M.C.. Re-aprendendo a ser humano: os desafios da enfermagem para a humanização do cuidar. Rev. Academia de Enfermagem/ABESE, São Paulo, v.1, n.1, p. 26 – 31, 2003. 18 LOURENÇO, M.R; TREVIZAN, M.A.. Líderes da Enfermagem Brasileira – Sua visão sobre a temática da Liderança e sua percepção a respeito da relação liderança & enfermagem. Rev. Latino-Am Enfermagem, São Paulo, v.9, n. 3, 2001. 19 MARTINS, V.A; NAKAO, J. R.S; FÁVERO, N.. 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O Enfermeiro de Unidade de Emergência de Hospital Privado: algumas considerações.. Rev. Latino-Am. de Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 9, n. 2, mar./abr., 2001. APENDICE A – Roteiro de Entrevistas 01- Sexo ( ) Feminino ( ) Masculino 02- Idade ( ) 21-30 ( ) 31-40 ( ) 41-50 03- Estado civil: ( ) Casado ( ) Solteiro ( ) Viúvo ( ) Desquitado ( ) Outros 04- Tempo de Formação: ( ) < 2 anos ( ) 3-5 anos ( ) 6-10 anos ( ) 10-20 anos ( ) > 20anos 05- Cumpriu a disciplina “Administração em Enfermagem” como parte integrante da grade curricular na Academia? ( ) SIM ( ) NÃO 06- Realizou pós-graduação em gestão? ( ) SIM ( ) NÃO 07- Participou ou participa de algum treinamento na área de Gestão? ( ) SIM ( ) NÃO 09- Como você Enfermeiro define liderança? 10- Quais características e/ou habilidades você acredita que sejam fundamentais para um líder? 11- Quais vantagens e/ou dificuldades você Enfermeiro atribui ao exercício da Liderança? 12- A equipe de enfermagem realiza e/ou contribui de alguma forma no planejamento da assistência? ( ) SIM ( ) NÃO Se SIM, Como? 13- Dentre suas atividades como Enfermeiro, destaque aquelas em que você julga exercer liderança. 14- Você delega tarefas administrativas, tais como, escala de atribuições, escala mensal ou requisições em geral, para os técnicos e/ ou auxiliares de enfermagem? ( ) SIM ( ) NÃO Se Sim, Quais? APENDICE B – Gráficos relacionados ao primeiro objetivo: Identificar o perfil dos Enfermeiros gestores na unidade hospitalar. Sexo 5% 95% FEM. (18) MASC. (01) Gráfico 01 - Distribuição dos enfermeiros quanto ao sexo Idade 11% 26% 63% 21-30 (12) 31-40 (05) 41-50 (02) Gráfico 02 - Distribuição dos enfermeiros quanto a idade Estado Civil 5% 5% 26% 64% Casado (12) Solteiro (05) Viúvo (01) Desquitado (01) Gráfico 03 - Distribuição dos enfermeiros quanto ao estado civil Tempo de Graduação em Enfermagem 6% 6% 6% 82% < 2 anos (15) 3-5 anos (01) 10-20 anos (01) > 20 anos (01) Gráfico 04 - Distribuição dos enfermeiros quanto ao tempo de graduação Cumpriu Administração em Enfermagem na Graduação 0% 100% SIM (19) NÃO (0) Gráfico 05 - Cumpriu administração em enfermagem na graduação Pós Graduação em Gestão 21% 79% SIM (04) NÃO (15) Gráfico 06 - Realização de pós-graduação em gestão Treinamento em Gestão 53% 47% SIM (09) NÃO (10) Gráfico 07 - Realização de treinamento em gestão APENDICE C – Quadros relacionados ao terceiro objetivo: Discutir as ações de liderança realizadas pelos Enfermeiros. Distribuição das Respostas dos Enfermeiros quanto a Participação da Equipe no Planejamento da Assistência SIM NÃO 1, 2, 3, 4, 5, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 6 15, 16, 17, 18, 19. TOTAL: 18 enfermeiros 01 enfermeiro Quadro 01 Distribuição das Formas de Participação da Equipe nas ações de Planejamento da Assistência Enfermeiros Participa no Planejamento da Sub-total de respostas Assistência quando: dos Enfermeiros Assistência direta 09 2, 8, 9, 15, 16, 18 Sugestões / opiniões 06 17, 18, 19 Ações reflexivas e prioritárias 03 2, 3, 10 Coleta de dados 03 3, 7 Organização do serviço 02 11, 14 Atualização / capacitação 02 1 Participação na elaboração de 01 2, 4, 5, 10, 12, 13, 15, 16, 19 escalas 6 Não participa à equipe o planejamento Quadro 02 01 Distribuição das Percepções dos Enfermeiros quanto ao momento que exercem Liderança Enfermeiros Momento que Exerce Liderança 1,3,8,12,15. 1-A todo o momento 4,13 2-Numa urgência 2,17 3-Através do exemplo 9,11 4-Responsabilizando-se pelo setor 6,10 5-Priorizando ações privativas do enfermeiro 18 6-Realização de treinamentos 5 7-Através da Influência 7 8-Trabalho conjunto com equipe 16 9-Solucionando problemas junto com equipe 11 10-Seleção da equipe 14 11-Assistência direta 17 12-Autoridade na presença ou não 1 13-Tomada de decisão 19 14-Não respondeu Quadro 03 Atribuições Administrativas a Equipe de Enfermagem pelos Enfermeiros SIM 1, 2, 3, 4, 5, 6, 9, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 18. TOTAL: 14 enfermeiros Quadro 04 NÃO 7, 8, 10, 17, 19. 05 enfermeiros Distribuição das Formas de Participação da Equipe em Atividades Administrativas Enfermeiros Atividade administrativa delegada à Sub-total de equipe pelo Enfermeiro: respostas dos Enfermeiros 1,3,4,5,6,11,12,13,18 Requisição/ controle de materiais e 9 equipamentos 1, 2, 3, 15,16 Escalas mensal e atribuições 5 1 SAE 1 1 Auditoria 1 16 Elaboração de relatórios 1 11 Manutenção de prontuários 1 11 Transferência / alta dos pacientes 1 9 Questões administrativas gerais 1 Quadro 05 Distribuição das Justificativas Negativas quanto a Participação da Equipe de Enfermagem em Atividades Administrativas Enfermeiros Justificativa dada pelo Enfermeiro: Sub-total de respostas dos Enfermeiros 7 Realiza Preceptoria de Enfermagem 1 8 Não tem equipe de enfermagem sob 1 sua gerência 19 Recém contratado 1 17 e 10 Negativa sem justificativa 2 Quadro 06 APENDICE D – Cronograma de Atividades 7/06 1 Definição de Tema 2 Escolha do Professor Orientador 3 Entrega do Projeto de Pesquisa 4 Pesquisa Bibliográfica e Internet 5 4 encontros individuais com o Orientador 6 Elaboração da Redação do TCC 7 Revisão do Professor Orientador 8 Entrega do TCC 9 Avaliação da Banca Examinadora 8/0 6 9/0 6 10/0 6 11/0 6 12/0 6 1/0 7 2/0 7 3/0 7 4/0 7 5/0 7 6/0 7 7/0 7 8/0 7 9/0 7 10/0 7 11/0 7 12/0 7 ANEXO A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido FACULDADE NOVO MILÊNIO GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO Prezado (a) Sr. (a): Você está sendo convidado para participar da pesquisa do Projeto de Conclusão de Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade Novo Milênio cujo título provisório é: “Liderança Compartilhada: perfil, conhecimento e ações dos Enfermeiros no contexto hospitalar”. A sua escolha, enquanto sujeito deste estudo, foi aleatória não sendo obrigatória a sua participação. A qualquer momento você poderá desistir de seu consentimento e a sua recusa não trará nenhum prejuízo em sua relação com o pesquisador ou com a instituição de ensino envolvida. O presente estudo tem por objetivos: • Identificar o perfil dos enfermeiros na unidade hospitalar; • Descrever o conhecimento dos Enfermeiros sobre liderança; • Discutir as ações de liderança realizadas pelos Enfermeiros. Sua participação nesta pesquisa se dará de forma a responder a um roteiro de entrevista. Para facilitar os registros, será proposto que as falas sejam gravadas em fita cassete ou em aparelho digital MP3, podendo o gravador ser desligado por você em qualquer momento que desejar, ou então solicitar ao entrevistador que o desligue, sem que essa iniciativa traga qualquer agravo ou prejuízo entre as partes. A sua participação como depoente desta pesquisa não gera gastos financeiros e as informações obtidas através desta pesquisa serão utilizadas, somente, para fins científicos, apresentação em eventos e/ ou publicação em periódicos e/ ou livro. Os riscos relacionados com sua participação são inexistentes e o benefício relacionado à sua participação é a contribuição para o crescimento científico da profissão. Você receberá uma cópia deste termo onde consta o telefone e o endereço do pesquisador principal, podendo tirar suas dúvidas sobre o projeto e sua participação, agora ou em qualquer momento. _____________________ Débora Hellen Fagundes Barcelos Solange da Costa Debortoli Pesquisadoras Endereços: Rua Jundiaí, 31- Bairro Barcelona – Serra /ES. Telefone (27) 3241-9156 ou 99510597. Rua Travessa Cascolar, 120 – Bairro Alvorada – Vila Velha /ES. Telefone (27) 3034-2528 ou 8802-6481. Declaro que entendi os objetivos, riscos e benefícios de minha participação na pesquisa e concordo em participar. Vitória, ___ de__________ de 2007. _____________________ Sujeito da Pesquisa – RG ____________ ANEXO B – Termo de Autorização Institucional ANEXO C – Certificado de Aprovação do CEP ANEXO D – Parecer de Aprovação do CEP